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D.

JOÃO V

Um «fraquinho» por hábitos!


O nosso rei D. João V tinha um fraquinho por freiras. A Madre Paula lá
tinha a visita real no convento de Odivelas e, como era tão religioso, as
suas amantes eram muitas delas freiras. Dessas devotas visitas, nasceram
os chamados «meninos da Palhavã», para quem mandou construir o
palacete de Lisboa onde hoje está instalada a Embaixada de Espanha.
Eram crianças já abençoadas à nascença. Além da referida religiosa, este
Rei fogoso teve ainda como amantes:
 D. Luísa Clara de Portugal, casada com D. Jorge de Menezes, e que
pertencia à casa da Flor da Murta, e que ficou como a galante
alcunha da amante real de quem teve uma filha D. Maria Rita,
monja do Convento de Santos;
 D. Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques, de quem teve um
filho D. Gaspar pela crisma e Manuel pelo baptismo que foi o
segundo «Menino de Palhavã». O povo chamava aos filhos de D.
João V, os meninos de Palhavã por residirem no palácio com esse
mesmo nome.
 D. Luísa Inês Antónia Machado Monteiro, de quem teve um filho D.
António.

Madre Paula
Esta freira portuguesa que se destacou como a amante mais célebre do
rei D. João V, chamava-se Paula Teresa da Silva e Almeida, e nasceu em
Lisboa em 30 de Janeiro de 1718. Era neta de João Paulo de Bryt, de
nacionalidade alemã, que fora soldado da guarda estrangeira de Carlos V e
se estabelecera em Lisboa como ourives. Paula entrou para o convento de
Odivelas aos dezassete anos de idade e ali professou, após um ano de
noviciado.
D. João V, frequentador assíduo do convento de Odivelas, onde
mantinha várias amantes que ia substituindo conforme lhe parecia, ao
topar com a jovem Paula ficou loucamente apaixonado por ela. Nessa
altura, já a famosa freira se havia tornado amante de D. Francisco de
Portugal e Castro, conde de Vimioso, e que pouco antes tinha sido
agraciado com o título de marquês de Valenças.
O soberano não teve problemas, chamou o fidalgo e disse-lhe: «Deixa
a Paula, que eu te darei duas freiras à tua escolha». Assim se fez, e soror
Paula passou a ser amante do rei que era trinta anos mais velho do que
ela. A influência de Madre Paula sobre o rei foi imensa.
Quem carecesse de uma mercê do soberano já sabia que a maneira
mais segura de a conseguir, seria recorrer à valiosa protecção da madre
Paula que o soberano visitava todas as noites. A astuta freira, que sabia
muito bem aproveitar-se do rei, transformou-se, em pouco tempo, numa
verdadeira Pompadour.
Das numerosas amantes de D. João V, foi a madre Paula a única que o
soube dominar até à morte. O rei foi extremamente generoso não só com
ela como com a sua família, chegando o pai de Paula a ser agraciado com
o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo e a receber uma tença de doze mil
reis e outros benefícios que lhe permitiram viver à larga.
O luxo em que vivia Paula no convento de Odivelas foi bem
reproduzido, num documento da época, por Ribeiro Guimarães no seu
Sumário de Vária História, onde descreve a magnificência asiática dos
aposentos da madre Paula e sua irmã. Para a servir tinha a madre Paula
nove criadas.
Destes amores nasceu um menino que foi baptizado com o nome de
José, como o príncipe herdeiro, que foi chamado o mais jovem «Menino
de Palhavã» e veio a exercer as funções de inquisidor geral. Mais tarde,
nos tempos de Pombal, numa discussão com o Marquês, José atirou-lhe
com a cabeleira à cara e foi desterrado para o Buçaco.
A vida desregrada do rei escandalizava, não só a corte, mas até os
súbditos mais humildes, mas ninguém se atrevia a repreender o régio
devasso. Para se fazer uma ideia da moralidade desse tempo, bastará
recordar o que disse a abadessa D. Feliciana de Milão, às damas da rainha
que não se levantaram, como lhes competia, à sua passagem: «Não se
levanta de graça quem se deita por dinheiro...».
Após a morte do rei, que lhe deixou uma mesada principesca,
continuou Paula no seu recolhimento, recebendo os grandes que ainda se
lhe aproximavam. Assim se conservou ainda durante trinta e cinco longos
anos, com a altivez de uma soberana em exílio. Faleceu com 67 anos de
idade e foi sepultada na Casa do Capítulo do Convento de Odivelas.

http://marius70.blogs.sapo.pt/arquivo/2008_01.html

Descendência:

✤ De sua esposa, Maria Ana Josefa, arquiduquesa da Áustria


(1683-1754), teve D. João V seis filhos:
 Maria Bárbara de Bragança (1711-1758), Rainha de Espanha (que
casou com Fernando VI de Espanha);
 Pedro de Bragança, príncipe do Brasil (1712-1714);
 José I, Rei de Portugal (1714-1777);
 Carlos de Bragança (1716-1736);
 Pedro III, Rei de Portugal (1717-1786);
 Alexandre de Bragança (1723-1728).

✤ João V foi também pai de três filhos ilegítimos, conhecidos


na época como os meninos da Palhavã:
 De uma francesa incógnita: António de Bragança (1704-1800);
 De Madalena Máxima da Silva Miranda Henriques: Gaspar de
Bragança (1716-1789);
 De Madre Paula: José de Bragança (1720-1801).

✤ Teve ainda uma filha, Maria Rita de Bragança, nascida de


Luísa Clara de Portugal.

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