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MCTA028-17 – Teoria dos Grafos

Centro de Matemática, Computação e Cognição


Universidade Federal do ABC
Lista 1

Gustavo Henrique Barrionuevo

7 de Outubro de 2018

1. Seja G = (V, E) um grafo com |V | ≥ 4. Prove que se |E| ≥ |V | + 1, então G


possui um vértice com grau pelo menos 3

Solução:
Seja G um grafo com |V | ≥ 4 e |E| ≥ |V | + 1, e suponha por contradição que G
não possui vértices com grau pelo menos 3. Assim, temos

∆(G) ≤ 2 (1)

P P
De fato, sabemos que v∈V d(v) = 2|E| e v∈V d(v) ≤ ∆(G)|V |. Utilizando
esses fatos juntamente com (1), obtemos

2|E| ≤ ∆(G)|V | ≤ 2|V |

Portanto, |E| ≤ |V |, temos uma contradição.

2. Prove que um passeio de u a v contém um caminho de u a v. Use indução


no comprimento do passeio.

Solução:
Vamos provar a proposição por indução no comprimento k do passeio (v0 , v1 ,
. . . , vk ).

BASE: Note que quando k = 0, o passeio (v0 ) também é um caminho, pois não
repete vértices. Note também que para k = 1, (v0 , v1 ) também é um caminho.

Hipótese: Assumimos que a hipótese é verdadeira para todos os passeios


(v0 , v1 , . . . , vk−1 ) de tamanho menor que k.

Passo: Se todos os vértices em (v0 , v1 , . . . , vk ) são distintos, então (v0 , v1 , . . . , vk )


é um caminho e concluı́mos a prova. Caso contrário, (v0 , v1 , . . . , vk ) tem um

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vértice repetido vi = vj para i < j e (v0 , v1 , . . . , vi , vj+1 , . . . , vk ) também é um
passeio de v0 a vk mais curto. Pela hipótese de indução, (v0 , v1 , . . . , vi , vj+1 , . . . ,
vk ) tem um caminho de v0 a vk , o que significa que o passeio (v0 , v1 , . . . , vk )
também tem um caminho de v0 a vk .

3. Seja G um grafo simples de ordem n cujos vértices têm graus d1 , d2 , . . . , dn .


Quais são os graus dos vértices em Ḡ?

Solução:
Dado um vértice vi qualquer com grau di em G de ordem n, então seu grau d¯i
em Ḡ sera adjacente apenas aos n − 1 − di dos quais vi não é adjacente em G.
Isto é
d¯i = n − 1 − di , i = 1, 2, . . . , n

2|E|
4. Mostre que δ(G) ≤ |V | ≤ ∆(G).

Solução:
Por definição, δ(G) ≤ d(v), ∀v ∈ V (G) e d(v) ≤ ∆(G), ∀v ∈ V (G).

Se somarmos todos os graus de cada vértice em V (G) temos


X
|V |δ(G) ≤ d(v) ≤ |V |∆(G)
v∈V
P
Como v∈V d(v) = 2|E|, então

|V |δ(G) ≤ 2|E| ≤ |V |∆(G)

Portanto,
2|E|
δ(G) ≤ ≤ ∆(G)
|V |

5. Se G é regular então Ḡ é regular?

Solução:
Sim. Por definição, se G é regular então é k-regular para algum k. Como
G é k-regular, temos que d(v) = k, ∀v ∈ G(V ). Usando o mesmo argumento
do exercı́cio 3, tome um vértice v ∈ G(V ) qualquer, então seu grau em Ḡ(V )
será adjacente apenais aos n − 1 − k vértices dos quais v não é adjacente em
G. Portanto, lembrando que todos os vértices em um grafo regular possuem o
mesmo grau, o grau de todos os vértices em Ḡ(V ) será n − 1 − k. Assim, Ḡ será
(n − 1 − k)-regular.

6. Se uv ∈ E(G) é aresta de corte então u e v são vértices de corte?

Solução:
Não. Seja G = (V, E) o grafo tal que V = {u, v} e E = {uv}. Claramente, uv é

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uma aresta de corte, pois removendo-a o número de componentes aumenta de
um para dois. Porém, os vértices u e v não são vértices de corte, pois removendo
qualquer um deles não aumenta o número de componentes.

7. Prove que se G é um grafo simples, então G ou Ḡ é conexo.

Solução:
Suponha que G é conexo. Portanto a afirmação é válida. Agora suponha que
G não é conexo e considere dois vértices u e v quaisquer no complemento Ḡ.
Se u e v não são adjacentes em G, então eles serão adjacentes em Ḡ e podemos
encontrar um caminho u-v trivial. Se u e v são adjacentes em G então eles devem
estar no mesmo componente. Seja x algum vértice em outro componente de G.
Isso significa que as arestas ux e xv não estão em G. Isso implica que ambas
são arestas em Ḡ. E isso nos dá um caminho u-x-v. Portanto, em Ḡ temos que
existe um caminho entre quaisquer dois vértices e portanto Ḡ é conexo.

8. Prove que quaisquer dois caminhos mais longos em um grafo conexo possuem
um vértice em comum.

Solução:
Para fins de contradição, suponha que existe um grafo conexo G contento dois
caminhos mais longos P = (p1 , p2 , . . . , pk ) e Q = (q1 , q2 , . . . , qk ) não possuem
vértices em comum. Seja R = (pi = r1 , r2 , . . . , rl = qj ) o menor caminho entre
um vértice pi em P e um vértice qj em Q. Tal caminho existe pois G é conexo.
Como R é o menor caminho, r2 , . . . , rl−1 não são vértices de P ou Q. Assuma
s.p.g. que i, j ≥ k2 . Então o caminho p1 , p2 , . . . , pi , r2 , . . . , rl−1 , qj , . . . , q1 tem
comprimentos de pelo menos i+j +1 ≥ k2 + k2 +1 = k+1, que é uma contradição.

9. Determine se o grafo de Peterson é bipartido e encontre o tamanho do seu


maior conjunto independente.

Solução:
O grafo de Peterson não é bipartido pois possui ciclo de tamanho ı́mpar. Ex:
(a, b, c, d, e).

3
b

h
a c
g i

f j

e d

Um possı́vel maior conjunto independente: |{a, h, i, d}| = 4

10. Seja G um grafo simples com g(G) = 5. Mostre que G tem pelo menos
δ(G)2 + 1 vértices.

Solução:
Seja G um grafo simples com g(G) = 5 e seja v ∈ V (G) qualquer. Para quaisquer
x, y ∈ N (v), x e y não podem ter um vizinho um comum além de v, pois G
não tem triângulos (ciclos de tamanho 3). Como G também não tem quadrados
(ciclos de comprimento 4), cada um dos |N (v)| ≥ δ(v) vizinhos de v tem pelo
menos δ(g) − 1 outros vizinhos que não têm arestas entre si. Portanto,
|V (G)| ≥ 1 + δ(V ) + δ(V )(δ(V ) − 1)
|V (G)| ≥ δ(V )2 + 1

11. Seja G = (V, E) o grafo tal que V = {a, b, c, d} e E = {ab, bc, ca, cd}.
Encontre todos os caminhos maximais, cliques maximais e conjuntos indepen-
dentes maximais de G. Encontre todos os caminhos máximos, cliques máximas
e conjuntos independentes máximos de G.

Solução:
Caminhos maximais:

• (a, b, c, d)
• (b, a, c, d)
• (a, c, b)

Caminhos máximos:

4
• (a, b, c, d)
• (b, a, c, d)

Cliques maximais:

• (a, b, c)
• (c, d)

Cliques máximas:

• (a, b, c)

Conjuntos independentes maximais:

• (a, d)
• (b, d)
• (c)

Conjuntos independentes máximos:

• (a, d)
• (b, d)

12. É verdade que existe um grafo bipartido com δ(G) + ∆(G) > |V (G)|?
Justifique sua resposta.

Solução:
Não. Seja (X, Y ) a bipartição de G, s.p.g., assuma v ∈ X tal que d(v) = ∆(G).
Então |Y | ≥ ∆(G), mas para todo w ∈ Y , |N (w)| ≥ δ(G) e como todo vértice de
Y só pode ter aresta conectando um vértice de X, então |X| ≥ δ(G). Portanto,

|V | = |X| + |Y | ≥ ∆(G) + δ(G).

13. Prove que um grafo conexo G tem uma trilha Euleriana (não fechada) se
e somente se G contém exatamente dois vértices de grau ı́mpar. Dica: para
provar tanto a ida quanto a volta, adicione um novo vértice (que deve ter grau
2) a G e use o seguinte teorema visto em sala: “Um grafo G é euleriano se e
somente se todos os vértices de G têm grau par.”

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Solução:
(Ida): Seja G um grafo com uma trilha Euleriana não fechada, T , com extremos
u e v distintos. Adicionando a aresta uv a trilha T terı́amos uma trilha Euleriana
fechada e pelo teorema mencionado acima, todos os vértices de G teriam grau
par. Portanto, podemos concluir que no grafo original G, os vértices u e v são
os únicos que possuem grau ı́mpar.

(Volta): Agora suponha que G tem apenas dois vértices u e v de grau ı́mpar.
Adicionando a aresta uv em G obtemos um grafo G0 onde todos os vértices
possuem grau par e pelo teorema acima, o grafo G0 tem uma trilha Euleriana
fechada W . Removendo a aresta uv de W temos uma trilha Euleriana não
fechada de G começando no vértice u e terminando no vértice v.