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MCTA028-17 – Teoria dos Grafos

Centro de Matemática, Computação e Cognição


Universidade Federal do ABC
Lista 3

Gustavo Henrique Barrionuevo

20 de Novembro de 2018

1. É verdade que todo grafo k-regular tem um emparelhamento perfeito?

Solução:
Não. Ex: K3

a b

2. Exiba um grafo G com pelo menos 6 vértices e um emparelhamento em G


que seja maximal mas não seja máximo. Argumente por que ele não é máximo.

maximal máximo
mas não é máximo
pois possui caminho
M-alternante em
extremos livres

1
3. Prove ou dê um contraexemplo: toda árvore possui no máximo um empare-
lhamento perfeito.

Solução:
Prova: Por indução na quantidade de vértices.

BASE: Se uma árvore T possui dois ou menos vértices, então o resultado vale
trivialmente.

HIPÓTESE: Toda árvore com k ou menos vértices tem no máximo um empa-


relhamento perfeito.

PASSO: Seja T uma árvore com k + 1 vértices. Note que existe alguma folha u
ligada a algum vértice v e que em qualquer emparelhamento perfeito de T deve
ter uv, pois é a única forma de cobrir u. Seja F o grafo obtido pela remoção de
uv e todas as arestas incidentes a esses vértices da árvore. Note que F é uma
floresta, na qual cada componente conexa é uma árvore com ≤ k − 1 vértices.

Por H.I. cada uma dessas árvores possui no máximo um emparelhamento per-
feito. Assim T possui no máximo um emparelhamento perfeito que consiste nos
emparelhamentos perfeitos de cada árvore em F e a aresta uv.

4. Prove o seguinte resultado, conhecido como versão defeituosa do Teorema de


Hall : seja G um grafo bipartido com bipartição (X, Y ). Se |N (S)| ≥ |S| − k
para todo S ⊆ X e algum inteiro k, então G tem um emparelhamento com
|X| − k arestas.

Solução:
Seja V (G) = X ∪ Y uma bipartição de G. S.p.g. assuma |X| ≥ |Y |. Adicione
k novos vértices a Y , com cada um conectado a todos os vértices em X. Seja
G0 o novo grafo. Então G0 possui |NG0 (S)| ≥ |S| para todo S ⊆ X, pois S
possui pelo menos |S| − k vizinhos de G e é conectado aos k novos vértices. Pelo
Teorema de Hall, G0 possui um emparelhamento que cobre X. No máximo k
desses vértices possuem um novo vértice de G0 , o que nos dá pelo menos |X| − k
arestas de G.

5. Para quais valores de k o grafo de Peterson é k-conexo? E k-aresta-conexo?


Quais os valores de κ e κ0 para ele?

2
b

h
a c
g i

f j

e d

• 1-conexo
• 2-conexo
• 3-conexo
• κ(G) = 3

• 1-aresta-conexo
• 2-aresta-conexo
• 3-aresta-conexo

• κ0 (G) = 3

6. Se G é árvore, ciclo ou o grafo completo, mostre que κ(G) = κ0 (G).

Solução:
Se T é árvore, então entre qualquer par de vértices não existe mais do que
um único caminho internamente disjunto nos vértices e nas arestas, pois T não
possui ciclos. Assim, pelo Teorema 13.1, κ(T ) = κ0 (T ) = 1.

Se C é um ciclo, então entre qualquer par de vértices existem exatamente dois


caminhos internamente disjuntos nos vértices e nas arestas. Portanto, pelo
Teorema 13.1, κ(C) = κ0 (C) = 2.

Se Kn e um grafo completo, então entre qualquer par de vértices existem (n −


1) caminhos disjuntos nos vértices e nas arestas. Assim, pelo Teorema 13.1,
κ(Kn ) = κ0 (Kn ) = n − 1.

3
7. Mostre que nem todo grafo 2-aresta-conexo é 2-conexo. Mostre que todo
grafo 2-conexo é 2-aresta-conexo.

Solução:
O grafo G abaixo é um exemplo de um grafo 2-aresta-conexo que não é 2-conexo.

Para provarmos que todo grafo 2-conexo é 2-aresta-conexo, iremos provar a


contrapositiva: Se G não é 2-aresta-conexo então G não é 2-conexo.

Por definição, se G não é 2-aresta-conexo, então existe uma aresta uv tal que
G − uv é desconexo. Note que G − uv possui exatamente duas componentes G1
e G2 . S.p.g. suponha que |V (G1 )| ≥ 2 e u ∈ V (G1 ), então u é um vértice de
corte. Portanto G não pode ser 2-conexo.

8. Sejam k e l dois inteiros com 1 ≤ k < l. Dê um grafo G tal que κ(G) = k e
κ(G − v) = l para algum v ∈ V (G).

Solução:

κ(G) = 2 κ(G − v) = 5

9. Mostre que se G possui caminho hamiltoniano, então para todo S ⊆ V (G)


temos c(G − S) ≤ |S| + 1.

Solução:
Prova: Seja P um caminho hamiltoniano em G. Vamos mostrar que para todo
S ⊆ V (G) temos c(G − S) ≤ |S| + 1.

4
Como o número de componentes de G − S não é maior que o número de com-
ponentes de P − S, é suficiente provar o teorema para P .

Vamos provar por indução na quantidade de vértices de S.

BASE: Se |S| = 1 então é claro que P − S tem no máximo dois componentes.


Portanto
c(P − S) ≤ 2 = |S| + 1

HIPÓTESE: Suponha que o resultado é valido para |S| ≤ k − 1.

PASSO: Seja |S| = k e T = S − v, onde v ∈ S. Então |T | = k − 1.

Por H.I., c(P − T ) ≤ |T | + 1 = k − 1 + 1 = k. Note que P − S pode ser obtido


removendo v de P − T . Seja P0 a componente de P − T que contém v. Então
c(P0 − v) ≤ 2 e todas as outras componentes de P − T não são afetadas pela
remoção de v. Assim,
c(P − S) ≤ c(P − T ) + 1
c(P − S) ≤ k + 1 = |S| + 1
Como P − S é um subgrafo gerador de G − S, temos
c(G − S) ≤ c(P − S)
Portanto
c(G − S) ≤ |S| + 1.

10. Prove o seguinte teorema usando a mesma ideia da prova do teorema de


Dirac: se G é um grafo com |V (G)| ≥ 3 tal que d(u) + d(v) ≥ |V (G)| para todo
par u, v de vértices não-adjacentes, então G é hamiltoniano.

Solução:
Prova: Suponha por contradição que o teorema é falso. De todos os grafos com
|V (G)| ≥ 3 e d(u)+d(v) ≥ |V (G)| para todo par u, v de vértices não adjacentes e
que são hamiltonianos, tome G com o maior número de arestas (contra exemplo
maximal no número de arestas).

Como existem vértices u e v não adjacentes em G, G não é completo e pela esco-


lha de G, G + uv é hamiltoniano. Logo, G é tracejável. Seja C = (v1 , v2 , . . . , vn )
um caminho hamiltoniano de G. Com v1 = u e vn = v. Se v1 é adjacente a vk ,
então vn não é adjacente a vk−1 . Senão (v1 , v2 , . . . , vk−1 , vn , vn−1 , . . . , vk , v1 )
seria um ciclo hamiltoniano em G, uma contradição com a escolha de G. Assim,
existem pelo menos d(u) vértices de G que não são ajacentes a v. Portanto,
d(v) ≤ (|V | − 1) − d(u), ou seja,
d(v) + d(u) ≤ |V | − 1
uma contradição.

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