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TEMAS TRATADOS

06/05/2020 Código Penal; Teoria Geral do Crime


13/05/2020 Teoria Geral do Crime - Fato Típico; Inter Criminis
20/05/2020 Nexo Causal; Concausas; Tipicidade; Erro de tipo
27/05/2020 Excludente de ilicitude
Concurso de pessoas

06/05/2020
CÓDIGO PENAL
Instituído em 1940, é um Decreto-Lei (n° 2.848) que foi recepcionado pela Constituição Federal de
1988 como Lei Ordinária. Assim, só pode ser alterado ou revogado pelo procedimento de aprovação
de Lei Ordinária.

Ele é composto de duas partes:


● A primeira é a parte geral, que estabelece princípios e regras sobre a aplicação da lei penal (arts.
1º a 12);
● teoria geral do crime, causas de isenção e redução de pena e excludentes de ilicitude (arts.
13 a 25);
● imputabilidade e inimputabilidade penal (arts. 26 a 31);
● penas (arts. 32 a 95);
● medidas de segurança e outras disposições (arts. 96 a 99);
● ação penal e disposições especiais (arts. 100 a 106); e, por fim,
● extinção da punibilidade (arts. 107 a 120).

● A segunda é a parte especial, que prevê quais são os bens jurídicos tutelados e descreve as
respectivas penas para a prática de crimes que afrontem os seguintes bens jurídicos: vida,
integridade corporal, saúde, liberdade, patrimônio, organização do trabalho, sentimento
religioso, respeito aos mortos, costumes, família, incolumidade e saúde públicas, fé pública e
administração pública.

Lembrete: como visto anteriormente, além do Código Penal há outras leis que tutelam bens
jurídicos e preveem a punição de condutas consideradas delitivas: são as chamadas Leis Especiais
(Lei de Drogas, Estatuto do Desarmamento, Lei Maria da Penha, Lei das Organizações Criminosas,
Lei dos Crimes Hediondos, entre outras).

TEORIA GERAL DO CRIME


Conceito de crime é composto por três partes: Assim como o corpo
humano é composto
a) fato típico; por cabeça, corpo e
b) ilicitude (ou antijuridicidade); membros...
c) culpabilidade.
Não há crime se ausente qualquer de suas partes componentes.

Por isso, quem pratica um fato típico em legítima defesa, não comete crime, pois age amparado por
causa de exclusão da ilicitude – e, se não há ilicitude, não há crime. Chamaremos os órgãos
componentes do delito de substratos.

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13/05/2020
FATO TÍPICO
CONDUTA
A conduta é imprescindível, visto que não há crime sem conduta humana.
O conceito finalista, segundo Bitencourt (2011), dispõe que a ação é um comportamento humano
voluntariamente e conscientemente dirigido a um fim.
Para o causalismo, a conduta é um mero processo causal, desprovida de qualquer finalidade (dolo
e culpa). A conduta é objetiva, não admitindo qualquer valoração. Só existem elementos objetivos,
não reconhecendo os subjetivos e normativos, visto que, para ela, o dolo e a culpa não estão no
fato típico.
FLASH CARD - Classificação Doutrinária dos Crimes
Crime preterdoloso: o sujeito almeja a prática de um crime, mas o resultado é mais gravoso, pois
ele age com dolo no antecedente e culpa no consequente (Mistura de dolo e culpa. Ex: lesão
corporal seguida de morte).
CP Art. 129 § 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem
assumiu o risco de produzi-lo: Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

RESULTADO
É a modificação do mundo exterior causada pela conduta. Entende-se por resultado, o efeito reflexo
a consequência da conduta do agente.

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RESULTADO NATURALÍSTICO: é a
modificação do mundo exterior provocada
pela conduta criminosa.

CRIMES FORMAIS: são aqueles nos quais o


resultado naturalístico pode ocorrer, mas a
sua ocorrência é irrelevante para o Direito
Penal.

CP Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou


para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la,
mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze)
anos, e multa
CRIME MATERIAL: o tipo penal exige para
sua consumação a produção de um
resultado naturalístico.
CRIMES DE MERA CONDUTA: crimes em que
não há resultado naturalístico possível.

CP Art. 150 - Entrar ou permanecer,


clandestina ou astuciosamente, ou contra a
vontade expressa ou tácita de quem de
direito, em casa alheia ou em suas
dependências:

Pena - detenção, de um a três meses, ou


multa.
RESULTADO NORMATIVO OU JURÍDICO:
além do resultado naturalístico (que nem
sempre estará presente), há também o
resultado jurídico (ou normativo) que é a
lesão ao bem jurídico tutelado pela normal
penal. Este resultado normativo sempre
estará presente.

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CAMINHO DO CRIME – INTER CRIMINIS

FASE a cogitação do crime, primeira etapa, fica limitada ao pensamento do agente.


INTERNA COGITAÇÃO: jamais será punível, pois
não há lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico, caso fosse punida, seria típico
caso de Direito Penal do autor.
FASE composta pela preparação, execução e consumação.
EXTERNA PREPARAÇÃO: também chamada de fase dos atos preparatórios, o agente irá se
equipar dos equipamentos necessários para praticar o crime. Em regra, não são
puníveis, pois o CP condicionou a punição a partir dos atos de execução.
EXECUÇÃO: momento em que o agente
realiza o núcleo do tipo, em regra, é aqui
que começa a punibilidade.

CONSUMAÇÃO: também chamado de


crime pleno, crime completo, crime
perfeito. O crime se consuma quando o
agente realiza todos os elementos do tipo
penal.

COMO SABER ENTÃO, QUANDO CESSOU A PREPARAÇÃO E INICIOU A EXECUÇÃO?

A preparação termina e a execução começa com


a prática do primeiro ato idôneo e inequívoco
que pode levar à consumação.
Ato idôneo é aquele apto a produzir o resultado
consumativo.
Ato inequívoco é aquele indubitavelmente ligado
à consumação.

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ATOS PREPARATIVOS /
EXECUÇÃO
(A) Critério material: Atos
executórios são aqueles
que atacam o bem jurídico,
criando-lhe uma situação
concreta de perigo. (Caso
Nelson Hungria)
(B) Teoria objetivo-formal:
Atos executórios são
aqueles que iniciam a
realização do núcleo do tipo.
(C) Teoria objetivo-material: São atos executórios aqueles em que se inicia a prática do núcleo do
tipo, bem como os atos imediatamente anteriores, com base na visão de terceira pessoa alheia à
conduta criminosa.
(D) Teoria objetivo-individual: Atos executórios são aqueles que, de acordo com o plano do agente,
realizam-se no período imediatamente anterior ao começo da execução típica. (Caso Zaffaroni)

EXAURIMENTO
Também é chamado de crime exaurido ou de crime esgotado.
É o conjunto de efeitos posteriores a consumação do delito.

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Por exemplo, o crime de extorsão mediante sequestro consuma-se com a privação
da Liberdade da vítima. O exaurimento do crime
ocorrerá apenas no caso de o agente receber a
vantagem Econômica.

Ocorre quando se inicia a execução de um crime, mas, por circunstâncias alheias à


vontade do agente o crime não se consuma.
TENTATIVA CP Art. 14 - II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente.
● Início da realização do crime.
ELEMENTOS
● Não consumado por circunstâncias alheias à vontade do agente.
DA
● Dolo de consumação
TENTATIVA
O dolo do crime tentado é o mesmo dono do crime consumado
Salvo disposição em contrário, pune se a tentativa com a mesma pena do crime
consumado, reduzida de um 1/3 a 2/3.
CONSEQUÊN- O critério que o juiz utiliza em relação ao quantum diminuição da pena é a maior
CIAS DA ou menor proximidade da consumação. Quanto mais próxima a consumação do
TENTATIVA crime, menor será a redução da pena.

VERMELHA / CRUENTA
Objeto material é atingido.
Em regra, a diminuição será menor.
ESPÉCIES DE Exemplo, desfere um tiro e acerta o braço.
TENTATIVA BRANCA / INCRUENTA
Objeto material não é atingido.
Em regra, a diminuição será no patamar máximo.
Exemplo, desfere um tiro e não acerta.
PERFEITA/ Aquela em que o agente esgota os meios de execução que tinha à sua disposição,
ACABADA/ não ocorrendo a consumação por circunstâncias alheias a sua vontade.
CRIME FALHO
TENTATIVA O agente não consegue esgotar os eios de execução que tinha à sua disposição.
IMPERFEITA/
INACABADA
Em que o sujeito pode alcançar a consumação, mas não consegue por
TENTATIVA
circunstâncias alheias à sua vontade. é a tentativa propriamente (conatus)
IDÔNEA
CP Art. 14 ll
Sinônimo de crime impossível, ocorre quando o agente inicie a execução, mas a
consumação do delito era impossível por absoluta ineficácia do Meio empregado
TENTATIVA ou por absoluta impropriedade do objeto material.
INIDÔNEA Nesse caso, não se pune a tentativa, pois a lei considera o fato atípico.
CP Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou
por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

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CRIME CULPOSO
No crime tentado o agente quer resultado, mas não consegue atingi-lo. No
culposo, o agente não quer o resultado, por esse motivo os institutos são
incomparáveis.
CRIME PRETERDOLOSO
É um crime híbrido, misto de dolo e culpa, por isso não se admite a tentativa.
INADMISSIBI-
CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS OU PUROS
LIDADE DA
A omissão está descrita no próprio tipo penal, que, não fazer.
TENTATIVA
Se o sujeito se omite, o crime está consumado; se age, o fato é atípico
São considerados unissubsistentes, o simples não fazer acarreta na
consumação. Por isso não se admite a tentativa.
CRIMES HABITUAIS
Porque, se houver a reiteração de condutas, o crime estará consumado, e, o
fato será atípico. Para a configuração do crime habitual, a prática de um ato
isolado em relevante.

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ARREPENDIMENTO POSTERIOR: A reparação integral do dano feita por um dos
acusados aproveita coatores. A atenuante genérica.
CP Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA: O agente inicia a execução do crime e, podendo prosseguir até a


consumação, resolve por ato voluntário interromper o inter criminis.
A voluntariedade é a conduta livre de coação. Por exemplo, pode desistir porque outra pessoa falou,
não importa de quem tenha sido a ideia.

ARREPENDIMENTO EFICAZ: conforme CC Art. 15, 2ª parte. É onde o agente já tendo realizado todos
os atos de execução, mas antes da consumação, prática uma nova ação que evita a produção do
resultado.
Desistência voluntária o agente se omite e não prossegue no inter criminis, no arrependimento
eficaz após ter encerrado o inter, resolve realizar uma nova ação para evitar a consumação do delito.
O sujeito não responde pela tentativa, apenas pelos atos já realizados.
Efetivamente impedir o resultado. Não basta desistir ou impedir, é necessário que o resultado não
seja produzido.
Caso falte a eficácia, o agente responde com atenuante genérica.
CP Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
III - ter o agente:
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-
lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;

20/05/2020
ARREPENDIMENTO PORTERIOR
É uma causa obrigatória de redução de pena, aplicável (CP Art. 16) aos crimes cometidos sem
violência ou grave ameaça a pessoa que o agente, por ato voluntario, repara o dano ou restitui a
coisa antes do recebimento da denúncia ou queixa.

CP Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano
ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a
pena será reduzida de um a dois terços.

NEXO CAUSAL – TEORIA DA EQUIVALENCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS


Considera-se causa qualquer antecedente que tenha contribuído, no plano físico, para o resultado.
Relação de causa e efeito entre a conduta do agente e o resultado ocorrido no mundo fático.
É o elo imprescindível, indispensável que liga a conduta ao resultado. (vínculo entre conduta e
resultado)

CP Art. 13 - O resultado, de que depende a


existência do crime, somente é imputável a quem
lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
O art. Adotou a causalidade simples, generalizando as condições, todas as causas concorrentes
estão no mesmo nível de importância, e que equivalendo se em (teoria da equivalência dos
antecedentes causais ou da “conditio sine qua non”)

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Considera-se CAUSA “ a ação ou omissão
sem o resultado não teria ocorrido”.

Procedimento hipotético de eliminação


de Thyrén, causa é todo antecedente que,
oprimido mentalmente, impediria a
produção do resultado como ocorreu.

DA ELIMINAÇÃO HIPOTÉTICA DOS


ANTECEDENTES CAUSAIS
No campo mental da suposição ou da
cogitação, o aplicador deve proceder a
eliminação da conduta do sujeito ativo
para o concluir pela persistência ou não
do resultado. Persistindo o resultado, o
comportamento eliminado não é causa;
desaparecendo, é causa. (Psiquica)
Sabe a causa, mas para o agente ser responsabilizado é necessário que o mesmo tenha agido com
dolo ou culpa.

CONCAUSAS
São circunstâncias que atuam paralelamente à
conduta do agente em relação ao resultado.

CAUSAS INDEPENDENTES podem ser: CAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES


ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES: não tem EXISTENTES
origem na conduta perpetrada, nem mantêm Preexistentes, quando anteriores à conduta.
qualquer relação com esta. A causa provocativa
do resultado não se origina na conduta do
agente.
Podem ser pré-existentes, quando anteriores a
conduta também chamadas de estado anterior.

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CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES
CONCOMITANTES
Quando se verificam ao mesmo tempo, a
conduta do agente ocorre simultaneamente.
Não rompe o nexo causal, e o agente responde Ex: no exato instante em que o agente efetua
pelo crime. um disparo contra a vítima, esta vem a sofrer
um infarto em decorrência do susto. (por isso
está ligado a conduta do sujeito)

CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES


SUPERVENIENTES
Quando posteriores a conduta.

CAUSAS RELATIVAMENTE INDEPENDENTES Art. 13 – Superveniência de causa independente


Causa efetiva se origina da causa paralela,
§ 1º - A superveniência de causa relativamente
ainda que indiretamente. independente exclui a imputação quando, por si só,
Aquela que possui alguma ligação com Conduta produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto,
do agente, mas que por si só produzirão o imputam-se a quem os praticou.
resultado.
CONCAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE
que, “não por si só” só produziu o
resultado: causa efetiva está na linha de
desdobramento causal normal da causa
Paralela.

Resultado nessa hipótese, é imputado a causa


paralela = o autor da causa paralela será
responsável pela consumação.

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TEORIA DA IMPUTAÇÃO OBJETIVA
Trabalha com a ideia de risco proibido. O resultado só poderá ser imputado ao agente que criou
um risco proibido.
Para que se possa imputar objetivamente alguém a um crime é necessário que ele tenha criado
um risco proibido e que este tenha sido o causador de um resultado que se amolde em um tipo
penal.

TIPICIDADE
TIPICIDADE FORMAL: juízo de adequação entre o fato e a norma. Por ela, analisa-se o fato praticado
pelo agente se encaixa no modelo do crime.

TIPICIDADE MATERIAL (substancial): lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado pela Norma.
Não basta a conduta se encaixar no modelo legal de crime, sim se é capaz de causar uma lesão ou
um perigo de lesão ao bem jurídico.
No princípio da insignificância o fato é atípico, em razão da falta de tipicidade material.

ERRO DE TIPO ESPECIES DE ERROS DE TIPO


A falsa percepção da realidade. ESSENCIAL: erro recai sobre dados principais do
A gente não sabe o que faz = falsa percepção tipo. Se avisado do erro, o agente para de agir.
da realidade. ACIDENTAL: erro recai sobre dados periféricos,
secundários do tipo. Se avisado, o agente corrige o
erro e continua agindo ilicitamente. Ex. quer
subtrair açúcar, mas rouba sal no supermercado.

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ERRO DE TIPO ESSENCIAL ERRO DE TIPO ACIDENTAL
Erro sobre a pessoa.
O agente com a conduta criminosa visa certa
pessoa, mas por equívoco atingi outra.
Nesse caso, sujeito responde pelo homicídio.

Infanticídio

Art. 123 - Matar, sob a influência do


estado puerperal, o próprio filho, durante o
parto ou logo após: Pena - detenção, de
dois a seis anos.

ERRO TIPO ACIDENTAL: NA EXECUÇÃO RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO


(ABERRATIO ICTUS) (ABERRATIO CRIMINIS)

ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL


(ABERRATIO CASAE)

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27/05/2020
EXCLUDENTES DE ILICITUDE
ILICITUDE: entende-se a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico como
um todo, inexistindo qualquer exceção determinando, incentivando ou permitindo a conduta típica.
Em resumo, trata-se de conduta típica não justificada.
Aqui temos a conduta realizada pelo agente e a ausência de excludentes de ilicitude, ou seja, de
justificantes.
Em suma, o fato é contrario ao direito.
Ex: matar alguém é crime, mas se legítima defesa, deixa de ser ilícito.

ESTADO DE NECESSIDADE: considera-se quem pratica um fato típico SACRIFICANDO um bem


jurídico para salvar de perigo atual direito próprio ou de terceiro, cujo sacrifício, nas circunstâncias
não era razoável exigir-se. CP Art. 23. Sacrifício (inevitável) de um bem jurídico.

REQUESITOS
a. O PERIGO DEVE SER ATUAL, perigo presente, a ameaça concreta ao bem jurídico.
Entende-se por perigo a probabilidade de dano ao bem jurídico.
Além disso, o perigo deve ser efetivo, real, deve ser provado no caso concreto.

b. PERIGO NÃO PROVOCADO VOLUNTARIAMENTE PELO AGENTE, quem voluntariamente cria


uma situação de perigo NÃO pode invocar estado de necessidade.
c. AMEAÇA A DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO, qualquer direito próprio ou de terceiro pode ser
protegido pelo estado de necessidade.
Ex. para evitar o atropelamento de uma criança, o motorista joga o veículo sobre muro de uma
de uma casa. Não responde pelo crime de dano por ter agido em estado de necessidade.
Para agir em estado de necessidade de terceiro, precisa de autorização prévia deste?
d. INEXISTENCIA DO DEVER LEGAL, aquele que tem por lei a obrigação de enfrentar o perigo não
pode optar pela saída mais cômoda, deixando de enfrentar o risco.
Ex. bombeiro, policial.
e. INEVITABILIDADE DO PERIGO POR OUTRO MODO, o fato necessidade deve ser imprescindível
para salvar o bem jurídico da situação de perigo. Havendo qualquer forma de preservar o vem,
não se pode sacrificar bem alheio, inexistindo assim, o estado de necessidade.
f. PROPORCIONALIDADE, considera valores dos bens jurídicos em conflito. Ex, não se pode
sacrificar a vida alheia para proteger patrimônio, mas pode sacrificar patrimônio para salvar
vida alheia.

LEGÍTIMA DEFESA: CP Art. 25

REQUESITOS
a) AGRESSÃO DEVE SER INJUSTA, a injustiça da agressão exigida pelo texto legal esta empregada
no sentido de agressão ilícita, pois, caso contrário, não haveria justificativa para a legítima
defesa. Agressão injusta é diferente a provocação injusta.
b) AGRESSÃO DEVE SER ATUAL OU IMINENTE, atual está ocorrendo, iminente está prestes a
ocorrer. Não se admite legitima defesa contra agressão futura ou passada.

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c) AGRESSÃO DEVE SER DIRIGIDA A PROTEÇÃO DE DIREITO OU DE TERCEIRO
d) UTILIZAÇÃO DE MEIOS NECESSÁRIOS, meios necessários são os meios menos lesivos, ou seja,
menos vulnerantes à disposição do agente no momento da agressão.
e) MODERAÇÃO, encontrado o meio necessário para repelir a injusta agressão, o sujeito deve agir
com moderação.
i. EXCESSO CP Art. 23. É a intensificação desnecessária de uma conduta inicialmente
justificada. O excesso sempre pressupõe um inicio de situação justificante. Inicialmente o
agente age coberto por uma excludente, mas em seguida, extrapola.
 EXCESSO DOLOSO, descaracteriza a legítima defesa a partir do momento em que é
empregado o excesso, o agente responde dolosamente pelo resultado.
Ex. a pessoa inicialmente que estava em legítima defesa, desarma o agressor e na
sequência, o mata.
 EXCESSO CULPOSO, deriva de culpa em relação a moderação e também quanto a
escolha dos meios necessários. O agente responde por crime culposo.

A LEGITIMA DEFESA É
a) REAL, aquela em todos os requisitos do CP Art. 25. É causa de exclusão do fato.
b) PUTATIVA (imaginária), aquela em que o agente acredita que estão presentes os requisitos do
CP Art. 25. Por erro, supõe uma situação de legítima defesa, que na verdade não existe, é
hipótese de descriminante putativa.

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO, atuação do agente dentro dos limites conferidos pelo
ordenamento legal. O sujeito não comete crime por estar exercitando uma prerrogativa a ele
conferida por lei.

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL, seria incoerente que a lei impusesse a obrigação de
cumprir determinada ordem e, posteriormente, incriminasse tal conduta. Agente público, no
desempenho de suas atividades, não raras vezes deve agir interferindo na esfera privada dos
cidadãos, exatamente para assegurar o cumprimento da lei.

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COMPLETANDO TEORIA GERAL DO CRIME
Culposa
Conduta
Dolosa

Vencível ou
Formal
Inescusável
Essencial
Invencível ou
Tipicidade Material
Escusável

FATO TÍPICO Erro de tipo Erro sobre a pessoa

Erro na execução (aberratio


ictus)
Acidental
Preexistente Erro sobre o Nexo Causal
(aberratio causae)
Concomitante Resultado Diverso do
Nexo Causal Pretendito (aberratio criminis)
Superveniente
Naturalístico Crime Material

Resultado
Crime Formal
Normativo
Crime de Má
Conduta
Perigo deve ser atual
TEORIA GERAL DO CRIME

Perigo naõ provocado


pelo agente
Ameaça a direito
próprio ou alheio
Estado de
Necessidade Inexistencia do dever
legal
Inevitabilidade do
perigo por outro
modo

Proporcionalidade

Agressão deve ser


injusta
ILICITUDE
Deve ser atual ou
iminente
Deve ser dirigida a
Legítima Defesa proteção de direito
Estrito Utilização de meios
Cumprimento do necessários
Excesso Doloso
Dever Legal
Moderação
Exercício regular Excesso
de direito Culposo

Imputabildiade
Potencial
CULPABILIDADE Consciência da
Ilicitude
Exigibilidade de
Conduta Diversa

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