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Batalha Espiritual

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Estas palavras


proferidas pelo apóstolo Paulo ante sua iminente morte, ficaram conhecidas
na tradição cristã, como seu testamento apostólico. A morte violenta do doutor
dos gentios, foi como sua vida – sacrifício litúrgico – uma oferta de libação à
Deus (Ef 6.6; Rm 12. 1,2). Essa postura de coragem e resistência não foi
peculiar à Paulo, mas, foi realidade entre os cristãos no passado, bem como é
ainda hoje. Pedro inspirado pelo Espírito Santo também nos orientar nesse
sentido: “estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir
razão da esperança que vocês têm”(1 Pe 3.16b).Entretanto, cabe aqui um
questionamento: Nossa prática apologética em prol do evangelho está alinhada
com os princípios bíblicos? Tal pergunta, pode nos conduzir a correção e
ajustes necessários no Modus operandi da Igreja e cristãos hodiernos,
contribuindo assim, para o enriquecimento da temática.
Para responder à questão levantada a pouco, precisamos levar em conta, os
avanços tecnológicos que ocorreram trazendo grandes mudanças na forma de
manifestação de crenças e opiniões em níveis globais. Tais transformações são
irreversíveis, deste modo, Igreja e cristãos, têm que se adaptarem a esta nova
sociedade tecnológica-virtual, onde predomina uma maior democratização da
comunicação, sendo um ambiente ideal para rápida exposição de crenças e
valores, outrora mais privadas. É neste grande mosaico social relativista, que
cristãos devem fazer a defesa dos valores judaico-cristãos originários da
sagrada escritura. Muitos felizmente, têm agido dentro da boa ética cristã na
defesa do evangelho nas plataformas virtuais, entretanto, a maioria
esmagadora está agindo incoerentemente aos padrões bíblicos, com atitudes
pueris e irresponsáveis.
A contextualização ou inculturação da fé cristã na sociedade, onde se insere a
defesa dos valores cristãos, exige comportamentos bíblicos, que são: Em
primeiro lugar, nossa luta não é, nunca foi contra o sangue e a carne! Mas,
contra os principados, potestades e forças espirituais (Ef 6.12). Em segundo
lugar, a Bíblia ensina que em nossa luta diária a defesa e a proclamação das
boas novas, deve ter: “mansidão e temor, com boa consciência, de modo que,
naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam
a boa conduta que vocês têm em Cristo” (1 Pe 3.17).
Em derradeiro, temos ainda um terceiro princípio: “Se for da vontade de Deus,
é melhor que vocês sofram por praticarem o bem do que praticando o mal”. Ou
seja, caso necessário, temos que nos comportar como Cristo, que padeceu (1
Pe 3.17). Tudo o que foi dito até aqui, não desconsidera a realidade dos
direitos à liberdade de expressão e religiosa, bem como o valor da família, mas,
serve como advertência a um tipo de militância e patrulhamento cristão
desalinhado com as escrituras. Sei que o mundo de hoje parece com o do
grande jurista cristão, Tertuliano onde: era suficiente o crime do nome cristão,
para acarretar a condenação. A todos os criminosos concede-se o direito de
defesa; aos cristãos, não. Mas, isso não pode justificar uma apologia ou
apologética que se utiliza de armas como; a cultura da intolerância,
comunicação violenta, cancelamento virtual, etc. fazem isso no afã de defender
os valores cristãos, atacando pessoas com os famosos memes, bem como
utilizando do expediente da falácia do Ad hominem, atraindo para si, não a
estampa do amor como Jesus ensinou (Jo 13.35), mas, repúdio. Nossa luta,
não é contra o sangue e a carne.