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CURSO DE

DIREITO ELEITORAL
UNIARA – Centro Universitário de Araraquara
Normas que regem a
matéria
CF: arts. 14 a 16
Constituições Estaduais e Leis Orgânicas
Código Eleitoral: lei 4.737/65
Lei Eleitoral (LE): Lei 9.504/97
Lei das inelegibilidade: LC 64/90
Resoluções dos Tribunais Eleitorais
Súmulas dos Tribunais Eleitorais
Estatutos dos Partidos Políticos
Curso de Direito Eleitoral -
UNIARA - Prof. Raul de
Justiça Eleitoral

Órgãos:
TSE – TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
TRE – TRIBUNAL REGIONAL ELETORIAL
JUÍZES ELEITORAIS
JUNTAS ELEITORAIS
-----------------------------

MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL


Curso de Direito Eleitoral -
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DIREITOS POLÍTICOS
Conceito

São direitos públicos subjetivos que


investem o indivíduo no status activae
civitatis, permitindo-lhe participar da
formação da vontade nacional (exercer o
direito de voto, de cargo público, de
manifestar opiniões sobre o governo
etc.).

São desdobramentos do princípio


democrático (art. 1º, § único, CF).
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Classificação

DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS

DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS

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DIREITOS POLÍTICOS
POSITIVOS
direito de Espécies
sufrágio (alistabilidade e
elegibilidade)

iniciativa popular de lei

ação popular

organização e participação de partidos políticos

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Direitos Políticos Positivos
Direito de sufrágio
É a essência, o núcleo dos direitos políticos.
Expressa-se pela capacidade de eleger e de
ser eleito.
Dois aspectos pelos quais se apresenta:

a) capacidade eleitoral ativa


b) capacidade eleitoral passiva

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Direitos Políticos Positivos
Sufrágio - Classificação
Universal

Restrito
a) censitário
b) capacitário

No Brasil a soberania popular será


exercida pelo sufrágio universal (art. 14, CF).
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- Sufrágio
Direitos Políticos Positivos
Capacidade eleitoral ativa

É a forma de participação da pessoa na


democracia representativa, por meio da
escolha de seus mandatários.

O seu exercício exige:


- Alistamento eleitoral (alistabilidade)
- Voto

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Direitos Políticos Positivos - Sufrágio
Capacidade eleitoral ativa
Alistamento e voto
obrigatórios – para os maiores de 18 anos (dever
sociopolítico)

facultativo – para :
- analfabetos
- maiores de 70 anos
- maiores de 16 e menores de 18 anos

vedado – para:
estrangeiros
conscritos (pessoas em período de serviço militar obrigatório)

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Direitos Políticos Positivos - Sufrágio
Capacidade eleitoral ativa
Direito de voto
Características do voto:
- Universal *
- Pessoal
- Obrigatório
- Livre
- Sigiloso (secreto) *
- Direto *
- Periódico *
- Igualitário
* Características imodificáveis (cláusulas pétreas)

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- Sufrágio
Direitos Políticos Positivos
Capacidade eleitoral passiva

É a possibilidade do cidadão pleitear


determinados mandatos políticos,
mediante eleição popular, desde que
preenchidos certos requisitos
(elegibilidade, direito de ser votado)

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Direitos Políticos Positivos - Sufrágio
Capacidade eleitoral passiva
Condições de elegibilidade
Nacionalidade brasileira
Pleno exercício dos direitos políticos
Alistamento eleitoral
Domicílio eleitoral na circunscrição (1 ano
antes da eleição)
Filiação partidária (1 ano antes da eleição)
Idade mínima

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DIREITOS POLÍTICOS
NEGATIVOS
Correspondem às previsões constitucionais ou
legais que restringem o acesso do cidadão ao
direito de sufrágio ou à participação nos órgãos
governamentais.

Compreendem regras sobre:


a) Inelegibilidades
b) Perda e suspensão dos direitos políticos

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES
São circunstâncias, previstas na CF (art.
14, §§ 4º a 8º) ou em lei complementar (LC 64/90),
que impedem o cidadão do exercício total ou parcial
da capacidade eleitoral passiva (restringe-lhe a
elegibilidade).

Finalidades: art. 14, § 9º, CF

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES
Classificação:

a) Inelegibilidades absolutas – relacionadas


com características pessoais, impedem a inscrição
para concorrer a qualquer cargo eletivo.

b) Inelegibilidades relativas – implicam em


restrições para determinados pleitos ou mandatos,
em razão de situações especiais verificadas no
momento da eleição, em relação a determinada
pessoa.
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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES ABSOLUTAS
São absolutamente inelegíveis

a) inalistáveis – quem não pode ser


eleitor também não pode ser
candidato (ex.: menores de 16 anos,
estrangeiros e conscritos).

a) analfabetos – podem ser eleitores, mas


não podem ser candidatos.
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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Estão previstas em razão de:

a) motivos funcionais
b) casamento, parentesco ou afinidade
c) carreira militar
d) outras hipóteses previstas em lei
complementar

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Por motivos funcionais, para os Chefes
do Executivo (PREVISÃO CONSTITUCIONAL)

a) Inelegibilidade para o mesmo cargo (reeleição) – art.


14, § 5º, CF

a) Inelegibilidade para outros cargos – salvo se


observarem a desincompatibilização (renúncia ao
cargo seis meses antes do pleito – art. 14, § 6º,
CF)
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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Por motivos funcionais - a situação dos Vices:

a) Vice candidato à sucessão do titular


reeleito – é possível, tendo ou não sido
reeleito. Não se exige desincompatibilização
(Res. 20.889/01-TSE).

a) Vice candidato a outros cargos – não


precisam se desincompatilizar, desde que, nos
últimos 6 meses, não tenham sucedido ou
substituído o titular (art. 1º, § 2º, LC 64/90)

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Por motivo de casamento, parentesco ou afinidade
com os titulares da Chefia do Executivo ou de quem os
tenha substituído nos 6 meses anteriores ao pleito
(inelegibilidade reflexa) (art. 14, § 7º, CF)

São inelegíveis, no território da circunscrição do titular


da Chefia do Executivo:
a) o cônjuge
b) os parentes consanguíneos ou afins, até 2º grau ou por
adoção (filho, neto, pai, avô, sogro, irmão, cunhado etc.)

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Por motivo de casamento, parentesco ou
afinidade - Anotações jurisprudenciais:

- Não há o impedimento se o candidato já é


titular de mandato eletivo e candidato à
reeleição (art. 14, § 7º, parte final, CF);

- Não há impedimento do candidato se o titular,


tendo renunciado ou perdido o mandato nos
seis meses anteriores ao pleito, poderia
concorrer à reeleição (STF – RE 344.882);

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Por motivo de casamento, parentesco ou afinidade - Anotações
jurisprudenciais:

- Se houve renúncia do titular reeleito, nos 6 meses anteriores ao pleito, a


inelegibilidade do parente fica restrita ao cargo que ele ocupava (Súmula 6,
TSE)

- A inelegibilidade não atinge a viúva (TSE – Res. 10.245/93), mas se aplica às


hipóteses de união estável, concubinato ou exclusivo casamento religioso.

- Não se aplica a regra aos cônjuges ou parentes de auxiliares diretos do


Chefe do Executivo (Ministros, Secretários etc.) ou membros de outro Poder.

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Carreira militar

Enquanto em serviço ativo, os militares não podem


estar filiados a partidos políticos (art. 142, § 3º, inc. V, CF). A
proibição estende-se aos militares dos Estados, DF e
Territórios (art. 42, § 1º, CF).

Mas os militares alistáveis, são elegíveis (art. 14, § 8º, CF)

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Carreira militar
O registro da candidatura apresentada pelo partido
e autorizada pelo candidato, supre a filiação
partidária. Condições:

se tiver menos de 10 anos de serviço – o militar deve


afastar-se da atividade

se tiver mais de 10 anos de serviço – será agregado pela


autoridade superior e, se eleito, passará para a
inatividade, automaticamente, no ato da diplomação.

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Direitos Políticos Negativos
INELEGIBILIDADES RELATIVAS
Outras hipóteses previstas em lei
complementar

A lei somente pode criar hipóteses de


inelegibilidades relativas

A Lei das inelegibilidades contempla


diversas situações que exigem
desincompatibilização
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Direitos Políticos Negativos
PERDA E SUSPENSÃO DOS DIREITOS
POLÍTICOS

O cidadão pode ser privado, definitivamente


(perda) ou temporariamente (suspensão)
dos direitos políticos. Consequências:

a) deixa, imediatamente, de ser eleitor, se já


o era, ou se torna inalistável

b) fica privado de elegibilidade e de todos os


direitos fundados na qualidade de eleitor
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Direitos Políticos Negativos
PERDA E SUSPENSÃO DOS DIREITOS
POLÍTICOS

Causas (art. 15, CF):

cancelamento da naturalização, por sentença


transitada em julgado;
incapacidade civil absoluta
condenação criminal transitada em julgado,
enquanto durarem os seus efeitos
recusa de cumprir obrigação a todos imposta
ou prestação alternativa (art. 5º, VIII)
improbidade administrativa (art. 37, § 4º)
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REGISTRO DE
CANDIDATOS
COLIGAÇÕES
A lei faculta aos partidos políticos, dentro da mesma
circunscrição, formar alianças: um bloco de partidos que
atuará com unidade de propósitos e será designado por
um só nome (que não pode ser o de um candidato).

As coligações são tratadas como se fossem um só partido


e devem ter um representante.

As normas para a formação de coligações são previstas na


lei e nos estatutos dos partidos (na falta, são
estabelecidos pelo órgão de direção nacional).

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Convenções partidárias

É a reunião dos partidos para


deliberação acerca das coligações e
escolha dos candidatos

Período: 10 a 30 de junho do ano das


eleições

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Registro de candidatos
Regras gerais para as eleições proporcionais,
havendo mais de 20 cargos em disputa:

- cada partido pode registrar até 150% do número de


cadeiras

- tratando-se de coligação, esse percentual é de 200%,


independentemente do número de partidos que a
integrem

- há obrigatoriedade de preenchimento de vagas de 30% a


70% para cada sexo

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Registro de candidatos

Regra geral para as eleições


majoritárias:

Cada partido ou coligação pode


registrar chapa única e indivisível para
cada cargo colocado em disputa

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Registro de candidatos
Prazo para o registro perante a Justiça Eleitoral:
19h do dia 5 de julho do ano da eleição (somente
a partir dessa data é permitida a propaganda eleitoral)

Documentos exigidos – elencados no art. 11, §


1º, da lei 9.504/97
Incumbência dos partidos ou coligações
(eventual omissão pode ser suprida pelo próprio
candidato, nas 48h seguintes à publicação da
lista dos candidatos, pela Justiça Eleitoral)

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Cancelamento de
registro
O registro de candidato pode ser
cancelado até a data da eleição, caso ele
tenha sido expulso do partido (após
regular procedimento, com ampla
defesa)

O cancelamento é decretado pela Justiça


Eleitoral, por solicitação do partido

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Cassação de registro
É penalidade aplicada quando:
a) O candidato pratica ou se beneficia de certos atos
(condutas vedadas – art. 73 da LE)

a) Candidato à reeleição participa de inauguração de obras


públicas no trimestre que antecede as eleições (art. 73 da
LE)

a) Candidato doa, oferece, promete ou entrega ao eleitor,


com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem
pessoal de qualquer natureza (inclusive emprego ou
função pública), desde o dia do registro até o da eleição,
inclusive (captação de sufrágio – art. 41-A da LE)

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Substituição de
candidatos
O partido ou coligação podem
substituir candidato desde que:
a) Seja considerado inelegível
b) Venha a renunciar à candidatura ou
falecer após o prazo final do
registro
c) Tenha seu registro indeferido ou
cancelado
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Substituição de
candidatos
Para a substituição devem observar as regras do
estatuto do partido e ainda:

Prazo: dez dias, contados do fato ou notificação do partido, da


decisão judicial que deu origem à substituição

Eleições proporcionais: não poderá haver substituição dentro do


período de 60 dias antes do pleito

Eleições majoritárias – se o candidato for de coligação, a


substituição depende de decisão da maioria absoluta dos órgãos de
direção dos partidos coligados

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Arguição de
inelegibilidade
São feitas perante a Justiça Eleitoral (TSE,
TRE, Juiz Eleitoral, dependendo do cargo).

Legitimidade ativa:
- Qualquer candidato
- Qualquer partido político ou coligação
- Ministério Público

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Arguição de
inelegibilidade
Prazo: 5 dias, contados da publicação dos
pedidos de registro.
Preclusão: salvo questões de natureza
constitucional, matéria não alegada em
impugnação fica preclusa, não podendo ser
deduzida em oportunidade posterior
Procedimento: é previsto na LC 64/90
Recurso: é cabível recurso ordinário, em 3
dias

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Arguição de
inelegibilidade
A decisão que declarar a inelegibilidade do
candidato deve transitar em julgado para
produzir efeitos.
Efeitos da decisão definitiva
- registro negado ou cancelado
- diploma declarado nulo, se já expedido
Para os cargos do Executivo, a inelegibilidade
do candidato principal não implica a do vice
(e vice-versa)
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Impugnação de
registro de candidato
Qualquer partido político, coligação,
candidato ou o Ministério Público pode
representar à Justiça Eleitoral
relatando fatos que indiquem o uso
indevido, desvio ou abuso do poder
econômico ou do poder de autoridade,
ou utilização indevida de veículos ou
meios de comunicação, em benefício
de candidato ou partido (cf. art. 22, LC 64/90)
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Impugnação de
registro de candidato
Procedência antes da eleição:
provoca inelegibilidade ou cassação de
registro, além de consequências
disciplinares e penais
Procedência após a eleição: peças
são remetidas ao MP, para promover a
ação de impugnação de mandato
eletivo (art. 14, §§ 10 e 11, CF)

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Arguição/Impugnação
temerária
Constitui crime eleitoral a arguição
de inelegibilidade ou a impugnação de
registro de candidato, deduzida de
forma temerária ou de manifesta má-
fé.

Penas: detenção de 6 meses a 2 anos


e multa
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Prof. Raul de Mello Franco
Jr.
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raul@raul.pro.br