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Oxigenoterapia

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Ano: 2019
1ª Edição

Todos os direitos reservados nos termos da


Lei nº 9.610 de 19/02/1998

Prof. Dr. Pr. Jean Alves Cabral


Naturologista Clínico
Teólogo
Pedagogo
Especialista em Iridossomatologia
Mestre em Educação
Doutor em Naturopatia Científica

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Epígrafe 4

“Todos esperam de Ti que lhes dês o sustento ao seu tempo.

Tu lhos dás, e eles recolhem;

Abres a Tua mão, e eles se fartam de bens.

Escondes o Teu rosto, e ficam perturbados;

Se lhes tiras a respiração, morrem,

E voltam para o seu pó.

Envias o Teu fôlego e são criados;

E assim renovas a face da Terra.

Permaneça para sempre a

Glória do Senhor;

Regozije-se o Senhor nas Suas obras.”

Salmo 104:27-31.

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Introdução. 5

Um Mundo Cheio de Vida!


por Prof. Dr. Pr. Jean Alves Cabral

Há uma magnífica oração que têm sido cantada pelo grande poeta evangélico
Vitorino Silva, intitulada “És” – referindo-se a Deus Pai nosso Criador que não me canso
de escutar e de cantarolar com regular frequência. Diz o seu texto:
I III
És o orvalho que nutre uma rosa És o berço que embala a criança que nasce
És a rosa que enfeita o jardim És a face alegre da alma remida
És o jardim que ornamenta a campina És degrau da eterna subida
És o campo radioso sem fim És a vida meu Deus
És um raio de luz dentre as sombras És a vida
És a sombra suave e fiel IV
És o manto azulado do espaço És a ponte que jaz sobre o abismo
És o braço que me une aos céus És a fonte dos mananciais
II És o doce marulho das águas
És o sonho ideal da poesia No deserto És recanto de paz
Que irradia na rima do verso Tu que reinas acima da morte
Na candura do meu dia a dia És o forte que sustenta a cruz
O segredo total do universo És o norte que orienta o filho
És o brilho no olhar de Jesus

O salmista Davi em suas lutas e andanças em seu tempo, declarou por duas
extraordinárias orações, as solenes palavras que se ajustam a este louvor que apenas o
Criador e Mantenedor da vida é digno de receber:
Os olhos de todos em Ti esperam, e Tu lhes dás o alimento no devido tempo. Abres Tua mão e
sacias, de bom grado, todo ser vivo. (Salmo 145:15-16)
Todos esperam em Ti que lhes dês alimento no devido tempo. Tu lhes dás, e eles o recolhem;
abres a mão, e eles se fartam de bens. (Salmo 104:27-28)

É exatamente o que tenho na minha mente quando escrevo e penso sobre


Oxigenoterapia e tudo que vem implícito nela!

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Índice 6

1 Fundamentos da Visão Oxigenoterápica. 8


1.1. Do que é Feito Nosso Corpo? 8

1.2. A Importância da Oxigenoterapia Mitocondrial. 11

1.3. A Relação das Substâncias Intercelulares com a Respiração 22


Mitocondrial.
1.4. A Relação dos Líquidos Diversos com a Respiração Mitocondrial. 26

1.5. O Sangue e a Respiração Mitocondrial. 32

1.6. Qual a Parte Desempenhada pela Linfa e do Líquido Tissular na 38


Respiração Orgânica?

2 O Sistema Respiratório. 46
2.1. Compreendendo o Mecanismo da Respiração. 46

2.1.1. Respiração Abdominal. 49

2.1.2. Respiração Costal Superior. 50

2.1.3. Pulmões. 51

2.1.4. Respiração Voluntária e Involuntária. 51

2.1.5. Centro Respiratório. 51

2.1.6. Problemas Que Podem Surgir. 53

2.1.7. Respiração Demasiado Superficial. 53

2.1.8. Acumulação de Secreções nos Brônquios. 53

2.1.9. Habitação e Uma Maior Quantidade de Dióxido de 54


Carbono.
2.1.10. Sintomas. 54

2.1.11. Sintomas Alarmantes. 54

2.1.12. Como Melhorar a Respiração? 55

2.1.13. Funcionamento dos Intestinos. 56

2.1.14 Expectoração. 56

2.2. A Flexibilidade dos Pulmões. 57

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3 Oxigenoterapia Naturológica. 59 7
3.1. O Que é Oxigenoterapia? 59

3.2. Técnicas de Respiração Aplicadas a Oxigenoterapia Naturológica 60

(1) Respiração Coerente. 60

(2) Respiração Antiestressante. 61

(3) Respiração Energizante. 61

3.3. Os Casos de Insuficiência Respiratória. 62

3.3.1. Causas da Insuficiência Respiratória. 62

3.3.2. Sintomas e Avaliação. 63

3.3.3. Tratamento. 63

3.4. Dispneia (Dificuldade Respiratória). 64

3.5. Dor Torácica. 66

3.6. Sibilos. 67

3.7. Estridor. 68

3.8. Tosse. 68

3.8.1. Orientações Gerais Sobre Casos de Tosse. 69

3.8.2. Expectorantes. 69

4 Orientação Sobre o Curso. 70

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1. Fundamentos da Visão 8

Oxigenoterápica.
“Se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó.”
(Salmo 104:29).

1.1. Do Que é Feito Nosso Corpo?

O corpo humano é constituído por três componentes principais:


1- Células – unidades vivas, de tamanho diminuto e consistência gelatinosa;
2- Substâncias Intercelulares – inanimadas; são produtos de elaboração de
alguns tipos celulares e, como seu nome indica, geralmente se dispõem entre
células. Em sua maioria têm consistência firme, embora algumas não o sejam;
3- Líquidos de Variada Natureza – dois líquidos importantes, o sangue e a linfa,
estão contidos nos vasos em que circulam. Outro líquido importante, o líquido
tissular, banha as células do corpo; isto requer que ele ocupe todo espaço real
que exista nas substâncias intercelulares e penetre em todas as substâncias
permeáveis.
Embora existam vários tipos celulares diferentes, nosso corpo é composto por
apenas estas três substâncias primárias. No microscópio vemos sempre células,
substâncias intercelulares e um líquido imobilizado (ou um espaço anteriormente ocupado
por líquido, que foi parcial ou totalmente dissolvido no preparo da observação
laboratorial).
Não pretendemos discorrer minuciosamente as questões diretamente associadas às
partes que compõem as células, esta análise é tratada em qualquer Tratado de Histologia.
Mas, há alguns pontos elementares que devemos relembrar, porque ao
compreendê-los podemos avançar em direção a uma visão maior sobre o funcionamento
normal do corpo humano e a respectiva importância da respiração mecânica geral e a
nível celular.

Respiração Fôlego de
Respiração
Mecânica Vida de
Celular
Geral Deus

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Segundo a imensa obra do Dr. Arthur W. Ham, ex-Catedrático de diversas


Universidades do Canadá, alguns pontos são bem delineados: 9
As células são as menores unidades da matéria viva, capazes de uma existência independente
e de reproduzir sua própria espécie. Muitos dos animais mais elementares são constituídos por
uma única célula. As amebas, por exemplo, são animais unicelulares. As bactérias são
diminutos seres unicelulares, e uma única, colocada em uma placa com material nutritivo, pode
rapidamente dar origem a uma colônia inteira. Os vírus, que são ainda menores, não são
capazes de uma existência independente; por exemplo, não podem crescer quando colocados
em meio nutritivo; só podem se multiplicar quando no interior de células de alguma natureza.
Portanto, os vírus não são células; eles não têm a capacidade de viver independentemente.
Aproveitam-se e se reproduzem à custa de processos químicos que dependem da vida das
células por eles parasitadas.
O corpo humano se desenvolve a partir de uma única célula, o ovo. Como resultado de
continuada divisão celular, esta única célula dá origem aos bilhões de células que vivem no
organismo adulto. Estas células, materialmente, não são todas iguais, porque o corpo humano
se compõe de muitas famílias ou tipos de células especializados para exercer diferentes tipos
de trabalhos.1

Dois fatos são importantes até aqui:


(1º) Há três tipos de substâncias que compõem o corpo humano: células,
substâncias intercelulares e líquidos de variada natureza (são eles: sangue, linfa e
líquido tissular);
(2º) As substâncias intercelulares são responsáveis pela forma do corpo; assim o
corpo humano é um edifício de substância intercelular no qual residem cerca de um
trilhão de células gelatinosas de diferentes espécies ou famílias, por períodos curtos
ou longos, trocando entre si seus produtos, principalmente por meio dos líquidos
corporais, que cobrem distâncias pelo grande sistema de transporte de líquido;
representado pela circulação sangüínea através dos vasos em quase todas as
partes do corpo.

Células 1 Trilhão de células


Composição do Corpo

Substâncias
Forma do Corpo
Humano

Intercelulares

Sangue Vasos sanguíneos

Líquidos de Variada
Linfa Vasos linfáticos
Natureza

Conexão entre vasos


Líquido Tissular
linfáticos e sanguíneos

1
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 45-46.

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Toda a nossa vida sazona exatamente neste universo: células (que são a primeira
parte) que interagem recebendo e eliminando coisas que estão presentes no líquido 10
intercelular (que é a segunda parte).

O sistema de transporte e de potencialização de todo este serviço que ocorre na


primeira e na segunda parte dependem da terceira parte que é este conjunto denominado
líquidos de variada natureza e que está subdividido pelo sangue, linfa e líquido tissular.
Ter esta compreensão bem simples e clara é fundamental para passarmos a
entender como é e como funciona o corpo humano. É a partir desta base que tudo deve
ser entendido.
Nossa manifestação no sentido de entendermos a totalidade da lógica, da
sustentabilidade, da dinâmica e por fim do equilíbrio do organismo humano, não pode ser
nem de longe entendida em absolutamente nada, sem que fique clara esta abordagem
primária e elementar – porque, no final de todas as questões, a doença é a interrupção do
fluxo natural destas dinâmicas internas ao nível de células, substâncias intercelulares e
líquidos de natureza variada.

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1.2. A Importância da Oxigenação Mitocondrial.
11
Claro que as células são a unidade organizada do organismo humano e que a nossa
vida é constituída da ação presente nas nossas células; cônscios de que tanto o líquido
intersticial e os líquidos variados (sangue, linfa e tissular) atuam com o objetivo de atender
as necessidades das células – compreendemos que elas são o centro de toda a
organização de nossa vida orgânica.
Ora, a estrutura das células deve ser entendida em sua base constitucional mais
elementar por todas as pessoas de nosso tempo e, devemos entender como funciona a
sua normal função homeostática.
Dois pontos devem ser compreendidos:
1- Quais as partes da célula?
2- Quais as funções que cada parte possui?
Não pretendemos iniciar aqui uma meticulosa análise de citologia, mesmo porque
temos, à saciedade, em língua portuguesa, excelentes obras com valiosa exposição sobre
a pauta; entretanto, é essencial lembramos alguns aspectos gerais que são cruciais para
a nossa avaliação.
Observando a gravura abaixo, representativa de uma célula, temos suas principais
partes constitutivas. Observemos de modo especial as mitocôndrias, pois elas são
importantíssimas para a nossa compreensão sobre Oxigenoterapia.

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Naturalmente nosso texto aqui não é sobre Citologia e nem pretende esgotar as
diversas questões amplas e muito complexas sobre a realidade das células e do todo do 12
corpo humano; porém, há um ponto que vamos concentrar toda a nossa atenção, porque
temos segurança absoluta sobre o que iremos indicar e, sustentamos que a chave-da-
vida está nesta manifestação que vamos indicar.

Segundo Ham:

Mitocôndria (mitos, cadeia, condria, grânulos) são organoides citoplasmáticos delicados que
são encontrados em todos os tipos de células animais, sob a forma de grânulo, bastões ou
filamentos. São incrivelmente numerosos em pelo menos alguns tipos de células. (...) A
mitocôndria foi objeto de grande interesse nas últimas duas décadas do século passado e nas
três primeiras do atual, ainda que sujeita a grande controvérsia. (...) a partir de estudos
bioquímicos e mitocôndrias isoladas por este método tornou-se evidente a grande importância
das mitocôndrias na respiração celular. Deve ser lembrado que a respiração é uma
propriedade através do qual os alimentos e o oxigênio absorvidos pela célula reagem para
produzir energia com formação de água e gás carbônico.2

Já Guyton afirma:

2
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 80-81.

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13
Cada célula contém uma centena ou mais de mitocôndrias. A mitocôndria é uma estrutura
membranosa em forma de saco, que extrai energia dos alimentos, conforme são metabolizados
com oxigênio e, em seguida, torna essa energia disponível para as outras partes da célula, sob
a forma de um composto de alta energia, trifosfato de adenosina. Por sua vez, é essa
3
substância que energiza as diferentes reações químicas da célula.

Na Obra Biologia Celular, de Robertis, Saez e de Robertis, estes três biólogos falam
das mitocôndrias com considerável exaltação:
As mitocôndrias (do grego fio e grânulo) são organoides granulares ou filamentosos
encontrados de maneira constante no citoplasma de protozoários e células animais e vegetais.
Caracterizados por uma série de propriedades morfológicas, bioquímicas e funcionais. (...) Do
ponto de vista fisiológico, as mitocôndrias podem ser consideradas como verdadeiros sistemas
transcondutores de energia por meio dos quais a energia contida nas substâncias alimentícias
é recuperada através do ciclo de ácido cítrico ou de Krebs e da cadeia respiratória, e
convertida por fosforilação na ligação fosfato de alta energia do adenosina-trifosfática ATP.
Portanto, as mitocôndrias são verdadeiras plantas energéticas, que produzem a energia
necessária para que a célula realize suas multíplices funções.4

O fantástico fenômeno homeostático se pode evidenciar nesta outra explicação


oportuna:
A distribuição das mitocôndrias no citoplasma deve ser considerada em relação com sua
função de provisão de energia. Em algumas células se movimentam livremente transportando o
ATP para onde seja necessário, porém, em outras apresentam uma localização constante
próxima da região das células onde presumivelmente a energia é mais necessária. 5
As mitocôndrias funcionam como organoides transdutores de energia nos quais penetram os
principais produtos de degradação do metabolismo celular para sua conversão em energia
química (ATP), que será usada nas distintas atividades da célula. Todo o processo requer a
entrada de O2, ADP e fosfato, e produz a saída de ATP, H2O e CO2.6
Ultimamente, foi iniciada uma nova etapa no estudo da mitocôndria e outros organoides
celulares, ao ser demonstrado certo grau de autonomia em seu comportamento dentro da
célula. As mitocôndrias contêm moléculas de ácido desoxirribonucleico (ADN) e ribossomos e
assim são capazes de sintetizar proteínas. Além disso, podem se dividir e, portanto são
transmissores de informação biológica, o que representa de certo modo um tipo de herança
citoplásmica. Estes recentes descobrimentos são também muito interessantes quando julgados
em sua perspectiva histórica. Os primeiros citologos já haviam especulado com relação ao
possível papel dos organoides. Em 1890, Altman e Schimper sustentaram que as mitocôndrias
e os cloroplastos representavam formas parasitárias intracelulares, que haviam penetrado no
citoplasma estabelecendo uma relação simbiótica. As bactérias teriam dado origem às

3
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Humana. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1998. p, 18.
4
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.185.
5
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.187.
6
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.203.

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mitocôndrias e as algas azul-esverdeadas aos cloroplastos. A denominação de bioplastos
aplicada por Altman às mitocôndrias destacava sua natureza autoduplicável.7 14
Foram propostos dois mecanismos para explicar a biogênese das mitocôndrias. Estas podem
ser originadas por divisão de outras mitocôndrias, ou de novo a partir de componentes mais
simples. De acordo com o que foi dito mais acima, o leitor pode deduzir que a verdade
provavelmente é encontrada na metade do caminho. Em outras palavras, a síntese da maioria
dos componentes moleculares ocorre fora da mitocôndria, mediante controle nuclear. Porém,
algumas partes essenciais são produzidas em forma autônoma e transmitidas através das
gerações celulares.8

Em outro texto de Guyton, encontramos esta afirmativa:


Grande parte das reações químicas nas células destina-se à obtenção da energia dos
alimentos para os diversos sistemas fisiológicos da célula. (...) o trifosfato de adenosina
(ATP) é um composto químico lábil encontrado em todas as células (...) o ATP é encontrado
em todo o citoplasma e no nucleoplasma de todas as células, e, praticamente todos os
mecanismos fisiológicos que necessitam de energia para operar obtêm-na diretamente do ATP
(...) por sua vez, os alimentos nas células sofrem oxidação gradual, e a energia liberada é,
então, utilizada para reconstruir o ATP, mantendo, assim, um suprimento permanente dessa
substância; todas essas transferências de energia ocorrem por meio de reações acopladas. Em
resumo, o ATP é um composto intermediário que tem a capacidade peculiar de participar de
numerosas reações acopladas – reações com alimentos para extrair energia e reações
observadas em muitos mecanismos fisiológicos para fornecer a energia necessária para sua
operação. Por esta razão, o ATP tem sido considerado como a energia circulante do
9
organismo, possível de ser adquirida e consumida repetidamente.

7
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.207.
8
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.210.
9
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1991. p, 654.

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Há uma essencial carência na maior parte dos profissionais que se intrometem com
Terapias Naturais (2019) em sequer saber do que estamos falando aqui; na verdade,
cursos de finais de semana, sem continuidade de estudo e pesquisa séria, além de puro
charlatanismo e promoção da completa falta no hábito de estudar, não promove uma
investigação séria e, as coisas não são feitas com a justa equidade e seriedade
necessária para quem se apresenta querendo tratar da saúde das pessoas; na verdade,
este tipo de coisa cria uma enorme carga de “terapeutas” meia-boca, que ingressam no
mercado de trabalho, criando toda sorte de problemas, sendo o pior deles manifesto no
sujeito que vive de “vendas de produtos”, ditos “naturais” e que, em absolutamente nada
aborda a questão essencial e básica sobre o favorecimento da energia ATP.
Mais grave ainda; este pessoal ainda se arvora em criticar médicos e outros
profissionais de saúde, como se fossem grandes sábios e entendidos acerca da saúde
humana ou mesmo de Naturopatia (Naturologia) e que, na verdade, são verdadeiros
charlatães e “picaretas”. O mínimo primário que se poderia dizer a este tipo de indivíduo é
que tivesse vergonha na cara e ingressasse num Curso sério sobre Naturopatia e pare
imediatamente de mentir para si mesmo e para a Sociedade; sem falar no óbvio da
necessidade de uma denúncia às autoridades competentes.
Para nós Naturologistas Clínicos, até o presente momento, a energia vital, a força
vital ou energética, a vitalidade, o poder de vida, que são expressões que caracterizam a
mesma fonte de vida; se refere a um dom concedido por Deus e, sem qualquer desvio de
compreensão, é literalmente trifosfato de adenosina (ATP), a substância que assim se
impõe!

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Por esta razão, providenciar a sua devida qualidade e presença em todo o corpo é
função absolutamente elementar em todo clínico naturista que se preze! 18
Ora, vimos que as mitocôndrias são as organelas especializadas na produção de
ATP e, existem cerca de 100 peças em cada célula. Ora, se temos cerca de 100 trilhões
de células quantas mitocôndrias temos no corpo? E mais ainda, quanto de trifosfato de
adenosina nosso corpo produz todo o instante para manter tudo vivo?
No capítulo 67 de seu Tratado de Fisiologia Médica, Guyton, após extensa e
criteriosa exposição de alguns aspectos citoquímicos da glicólise, do ciclo do ácido cítrico,
da desidrogenação e da descarboxilação, afim de demonstrar como estas substâncias
formam quantidades extremamente pequenas de ATP, afirma que:

Todavia, cerca de 90% do ATP total formado durante o metabolismo da glicose são formados
durante a oxidação subsequente dos átomos de hidrogênio que são liberados durante as
etapas iniciais da degradação da glicose. (...) A oxidação do hidrogênio é efetuada por uma
série de reações catalisadas por enzimas nas mitocôndrias, que (1) clivam cada átomo de
hidrogênio em um íon hidrogênio e um elétron e (2) utilizam eventualmente os elétrons para
transformar o oxigênio dissolvido dos líquidos em íons hidroxila. A seguir, os íons hidrogênio e
hidroxila combinam-se uns com os outros para formar água. Durante a sequência das reações
oxidativas, são liberados enormes quantidades de energia para formar ATP. A formação de
ATP por esse processo é denominada fosforilação oxidativa. O processo ocorre em sua
totalidade nas mitocôndrias por meio de um mecanismo altamente especializado,
denominado mecanismo quimiosmótico.10

A presença do oxigênio nesta citação, e a afirmativa de que 90% de todo o ATP é


produzido pelas mitocôndrias, torna a questão mais clara e reforça a visão de uma
Somatossíntese Naturológica.
Já temos visto que o oxigênio tem considerável importância na composição de ATP,
e agora, falta-nos apenas verificar que a glicose é o combustível mais usado nas células
e ligar tudo isto à homeostase. Quando tivermos feito isto, temos uma base de
sustentação que poderá iluminar nosso entendimento do que é realmente que precisamos
para viver em termos de nutrição alimentar e respiratória.

(...) A glicose é o combustível mais usado pela célula e a forma de seu metabolismo depende
da presença ou ausência de oxigênio. A glicólise anaeróbica (fermentação) não requer
oxigênio, porém, só recupera uma pequena fração da energia química da glicose. Na presença
de oxigênio, ao contrário, a respiração aeróbia oxida a glicose em CO2 e H2O e forma-se
uma quantidade muito maior de ATP.11

10
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1991. p, 658.
11
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.67.

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A célula é capaz de armazenar como ATP a 40% da energia química liberada pela combustão
da glicose.12 19
A cadeia respiratória encontra-se na membrana interna da mitocôndria, acoplada pelo
processo de fosforilação oxidativa. O balanço energético final da respiração aeróbia (...)
produzem 36 moléculas de ATP na respiração aeróbia, a partir de uma molécula de glicose, o
que equivale a 40% da energia total contida nesta última molécula.13

Ora, aqui está a ligação que queríamos evidenciar: oxigênio e glicose! Estas suas
bases, sendo transmitidas com altíssima qualidade, proporcionarão ao corpo,
homeostaticamente falando, condições de produzir trifosfato de adenosina em elevadas
quantidades, inclusive armazenamentos gigantescos, que possam garantir uma elevada
potencialidade da energia vital (próprio trifosfato de adenosina primário).
Isso é muito importante para nossa avaliação: “o processo ocorre em sua totalidade
nas mitocôndrias”; e, depois: “40%da energia total”.
Os Naturistas concentram sua atenção especificamente neste ponto: “totalidade do
processo”. Não perdemos nosso tempo com enormes explicações citobioquímicas, ma
buscamos a síntese desta.
Um dos mais conceituados Naturologistas Clínicos do Brasil é o Dr. Daniel de Sá
Freire Boarim, um dos diretores do Hospital Naturista Oásis Paranaense, em Curitiba
(Paraná). Ele declara em uma de suas relevantes obras que a base de toda a nossa
técnica de pesquisa está realmente voltada para a célula como centro de toda a nossa
pesquisa científica, isto favorece a visão holística de propedêutica e terapêutica que nos
são peculiares.
Mas, notai como ele dá ênfase aos pontos que vimos considerando
cuidadosamente:

As células atacadas pelo câncer diminuem o oxigênio disponível para as células sadias,
„sufocando-as‟, o que leva a alterações graves, que culminam na malignização de novos
tecidos e disseminação da doença. Substâncias que aumentem o aporte de oxigênio às células
poderiam, portanto, pelo menos teoricamente, frear o processo de cancerização. Isso era o que
deduziam os estudiosos. Mas hoje já é possível constatar, na prática, o efeito benéfico de
substâncias que „oxigenam‟ o ambiente celular.
O Dr. Otto Heinrich Warburg14, alemão, famoso por haver ganho o Prêmio Nobel de Medicina,
acredita que uma das peças centrais do quebra-cabeça da causa das doenças da civilização, é
a redução do oxigênio celular. Trata-se de conclusão simples, mas abrangente. Assim sendo,
muitas doenças que consideramos como inevitáveis, e de certo modo, incuráveis, como
câncer, o diabete melito, a arteriosclerose (e as graves doenças vasculares e a ela
relacionadas), as moléstias autoimunes, as enfermidades reumáticas, as úlceras digestivas,

12
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.69.
13
DE ROBERTIS, e Outros. Biologia Celular. Editora El Atheneo do Brasil Ltda. Rio de Janeiro. 1969, p.70.
14
https://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_Heinrich_Warburg

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etc., têm entre suas causas, como elemento de destaque, a deficiência crônica de oxigênio
em momentos sutis do metabolismo celular. 20
As alterações degenerativas que os bioquímicos e patologistas testemunham, descrevem e
explicam com rebuscadas minucias técnicas, mas que se reconhecem impotentes de evitar ou
mesmo desacelerar, são, de acordo com esse postulado, a consequência de um constante
„sofrimento‟ celular por uma reduzida cota de oxigênio. A degeneração das células fecha um
círculo vicioso em que a disponibilidade de oxigênio vai diminuindo cada vez mais, com
resultante agravamento desse processo mortífero.
Esse assunto pode parecer tão novo como intrigante. Muitos profissionais de saúde o
encararão com estranheza, senão com ceticismo. Mas é preciso esclarecer que a relação do
oxigênio com os processos de saúde e doença, é intuição médica tão antiga que se perde no
tempo. Outrossim, as pesquisas atuais, que endossam essa relação, têm conquistado
simpatizantes entre pesquisadores mundialmente famosos, como o Dr. Otto Heinrich
Warburg e o Dr. Hideo Noguchi (japonês).
Os indícios de hipóxia crônica (baixos níveis de oxigênio no organismo), possuem
praticamente todos os sintomas inespecíficos que se não podem atribuir a causas objetivas, ou
bem definidas, como sensação constante de cansaço, extremidades frias, tremores nas mãos,
falta de ar sem que haja distúrbio respiratório, palpitações, tonturas, as tradicionais dores nas
costas, os distúrbios psíquicos da ordem das neuroses, a tristeza e a ansiedade por qualquer
motivo (ou sem motivo), as dores sem causa aparente, etc.15

O Dr. Guyton explica, acerca da questão:


(...) quando o Trifosfato de Adenosina (ATP) é utilizado nas células para fornecer energia, ele
se converte em ADP (Difosfato de Adenosina). Por sua vez, a concentração crescente de ADP
aumenta a utilização metabólica do oxigênio e dos vários nutrientes que se combinam com ele
para liberar energia. Essa energia é utilizada para a nova síntese de ATP. Por conseguinte, em
condições normais de operação, a velocidade do consumo energético nas células – isto é, pela
velocidade de formação do ADP a partir do ATP. Somente nos estados muitos hipóxicos é que
a disponibilidade de oxigênio passa a constituir condição limitante. (...) a quantidade total de
oxigênio disponível por minuto, para sua utilização em qualquer tecido, é determinada (1) pela
quantidade de oxigênio transportado em cada decilitro de sangue e (2) pela velocidade do fluxo
sanguíneo. Se a velocidade do fluxo sanguíneo cair para zero, a quantidade de oxigênio
disponível obviamente também cai para zero. Por conseguinte, há momentos em que a
velocidade do fluxo sanguíneo por determinado tecido pode ser tão lenta que a PO2 tecidual
cai abaixo do valor crítico de 1 a 3 mmHg, necessário para o metabolismo intracelular máximo.
Nessas condições, a velocidade de utilização do oxigênio pelos tecidos é limitada pelo fluxo
sanguíneo. Todavia, nem a utilização do oxigênio limitada pela difusão, nem a limitada pelo
fluxo sanguíneo podem persistir por muito tempo, visto que as células nessas condições
recebem menos oxigênio do que o necessário para a manutenção de sua própria vida. 16

A hipóxia, já vimos, é a redução do oxigênio na estrutura celular. Impressiona-nos a


exposição de Guyton quando deixa claro que a diminuição da velocidade do fluxo
sanguíneo é causadora da hipóxia, porque o oxigênio não chega como deve na célula.

15
BOARIM, Daniel Sá Freire. A Dieta Que Evita o Câncer. Ed. Vida Plena, São Paulo. 1996, p. 144-145.
16
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1991. p, 385.

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O que poderia causar esta diminuição do fluxo sanguíneo?


21
Acreditamos, como inúmeros estudiosos, que os métodos naturais, ecologicamente eleitos,
devem ser os melhores para realizar a química do corpo. O primeiro passo é jogar fora do
corpo todo o lixo que atrapalha o seu bom funcionamento. Isso se consegue com uma
desintoxicação (...), que deve desimpedir o metabolismo de „contra fluxos‟, „pontos de
congestionamento‟, „venenos cumulativos‟ e coisas do gênero, como qualquer naturista sabe
muito bem.17

A hipóxia se for grave o suficiente, pode realmente causar a morte das células; todavia, em
graus menos profundos, resulta principalmente em (1) atividade mental deprimida, culminando,
algumas vezes, em coma, e (2) redução da capacidade de trabalho dos músculos. (...) nos
diferentes tipos de hipóxia causada pelo uso inadequado de oxigênio pelos tecidos, não há
qualquer anormalidade na captação de oxigênio pelos pulmões ou no seu transporte até os
tecidos. Na verdade, o sistema metabólico tecidual é simplesmente incapaz de utilizar o
oxigênio.18

Nossos remédios para esta situação são: (1) ar puro, (2) luz solar, (3) água pura, (4)
ervas e plantas, (5) dietética naturista, (6) exercícios físicos e (7) repouso, (8) jejum
direcionado a desintoxicação, (9) paz de espírito, (10) toque, (11) diálogo saudável e (12)
espírito de família.
Há um pensamento semítico que muito bem se impõe neste cenário e que pode ser
entendido da seguinte forma:

Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no
sossego e na confiança estaria a vossa força (Isaías 30:15).
Assim diz Deus, o Senhor, que criou os Céus e os estendeu; e espraiou a Terra e a tudo
quanto produz; que dá respiração ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela.
(Isaías 42:5).
Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois
Ele mesmo é Quem dá a todos a vida e a respiração e todas as coisas. (Atos 17:25).

Ora, as doze forças que acabamos de citar indicam um centro de gravidade para a
preservação da existência humana; basta uma simples leitura do primeiro capítulo de
Gênesis e vemos que a espécie humana só pode sobreviver convenientemente
conectada aos doze pontos de saúde natural. Não reconhecer isto é não saber nada
sobre a própria vida, quiçá sobre curar pessoas que estão obviamente fora desta
conexão.

17
BOARIM, Daniel Sá Freire. A Dieta Que Evita o Câncer. Edições Vida Plena, São Paulo. 1996, p. 146.
18
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1991. p, 403.

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Para nós, a causa clássica da hipóxia está no envenenamento gradual e lento do
corpo todo, ao ponto da membrana celular ficar completamente bloqueada como um 22
tecido de pano ficaria pela imersão na graxa ou no diesel.
Mesmo que se consiga possibilitar ao corpo grandes quantidades de oxigênio,
grandes quantidades de nutrientes e de boa qualidade é preciso tirar as toxinas e
venenos cumulativos, que formam pontos de congestionamento.
O Dr. Sang Koo Lee, alergologista coreano, declara em obra dedicada ao Naturismo:

A percepção das nossas necessidades específicas foi destruída pela prolongada


desconsideração aos seus reclamos, ao longo de gerações, há muito tempo, os genes não
recebem aquilo que solicitam, e agora silenciaram sobre muitos aspectos. Para a maioria das
pessoas, os genes já não emitem nenhuma sinalização quando recebem muita gordura. A falta
de atenção quanto a esse particular levou-os a se adaptarem, e o infrator nada sente de errado
quando se alimenta dessa maneira.
A regeneração pode ser esperada somente quando a vida estiver em harmonia com a
mensagem codificada nos recessos de cada célula. Essa possibilidade pode existir. É possível,
através do plano de Deus para a vida do homem. 19

1.3. A Relação das Substâncias Intercelulares com a Respiração


Mitocondrial.

Vimos que as células são uma das partes constitutivas do organismo humano, e que
ainda há substâncias intercelulares e líquidos diversos. Neste momento iremos deter-nos
brevemente nas substâncias intercelulares.
As substâncias intercelulares são tão diferentes das células que não há como
associarmos uma coisa com a outra. Segundo Ham:
As substâncias intercelulares são tão diferentes das células, quanto a vida o é da morte. Elas
constituem o material “inerte” que é encontrado entre as células. Basicamente, sua natureza e
é semelhante à dos materiais de construção. Do mesmo modo que se usam tijolos, pedra,
cimento, madeira e aço para construir nossas casas, as células usam estas substâncias
intercelulares para formar o edifício no qual vivem. Portanto, o corpo humano pode ser
comparado a um edifício de substâncias intercelulares, no qual as células habitam como
residentes. Tendo as células uma consistência gelatinosa, é o conteúdo de substâncias
intercelulares dos tecidos que dá forma ao corpo humano como um todo e a cada uma de suas
partes.20

Em Histologia aprendemos que o corpo humano é constituído de quatro tecidos


fundamentais: conjuntivo, epitelial, muscular, nervoso.

19
LEE, Sang Koo. Saúde: Um Novo Estilo de Vida. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997. p, 21-22.
20
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 121.

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Segundo Ham;
23
(...) o tecido conjuntivo, tem este nome devido a conectar suficientemente forte e capaz de
preencher esta função, visto ser, geralmente, rico em substâncias intercelulares. As
substâncias intercelulares do tecido conjuntivo, conectando os demais tecidos entre si e os
mantendo, muito pouco restará aos outros 3 para que produzam substância intercelular.
Consequentemente, a elaboração de substâncias intercelulares passa a ser propriedade
exclusiva das células do tecido conjuntivo. Não é a mesma coisa dizer substância
intercelular e tecido conjuntivo. Substância intercelular é material desprovido de vida,
enquanto que tecido conjuntivo é uma trama de células vivas e substância intercelular
desprovida de vida. Mais adiante, neste livro, será considerado o tecido conjuntivo em detalhe
bem assim serão discutidas relações entre as células e as substâncias intercelulares. (...) O
tecido conjuntivo se distribui por todo o corpo, mantendo-o sem interrupções. Assim sendo,
cortes feitos em qualquer parte do corpo pode revelar a presença de substância intercelular.
Tais cortes mostram a existência de tipos gerais de substância intercelular. Um tipo é
encontrado nos tecidos sob a forma de fibras. O outro tipo aparece amorfo, pois é formado de
géis, cuja viscosidade é variável. Morfologicamente, as substâncias intercelulares podem ser
classificadas do seguinte modo:
1- Substâncias Intercelulares Fibrosas; e,
2- Substâncias Intercelulares Amorfas.
Na maior parte do corpo, as substâncias intercelulares são encontradas sob a forma de uma
mistura, talvez um conjunto dos tipos amorfo e fibroso.
As substâncias intercelulares desempenham duas funções gerais. A primeira é dar
firmeza e sustentação aos tecidos que as contém. Esta função cabe principalmente aos
tipos fibrosos. Os tipos amorfos que se apresentam na forma de gel muito rígidos também
participam desta função. Para compreender a segunda função das substâncias intercelulares
é preciso ser lembrado que comumente estão interpostas entre os capilares e as células
nutridas por eles. Para as substâncias nutritivas irem dos capilares às células tem que difundir
ou de qualquer modo atravessar as substâncias intercelulares. Os produtos de desassimilação
das células também passam pelas substâncias intercelulares, até os capilares. (...) uma
função importante das substâncias intercelulares (...) é oferecer um meio dos capilares
para as células e vice-versa. Esta função da substância intercelular é desempenhada
principalmente pelos tipos amorfos que, seja sob a forma de sol ou de gel, permitem uma
rápida difusão do que os tipos fibrosos.21

Aqui está a base de toda a compreensão de como as substâncias intercelulares


interagem com a respiração mitocondrial.
As diversas substâncias presentes na estrutura intercelular são usadas pela célula e
trazidas à sua mais íntima ação funcional interna.
Esta explicação de Ham é crucial para entendermos como a nutrição e a
depuração geral de nosso organismo tem direta relação com a situação de toda a saúde
que nos afeta.

21
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 121-122.

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As casas não se mantêm indefinidamente e o edifício de substâncias intercelular que abriga as
células do corpo, não é uma exceção a esta regra. As substâncias intercelulares do organismo 24
vão se deteriorando com o passar do tempo. As células que produzem substâncias
intercelulares podem ser muito engenhosas e, às vezes, elas substituem a substância
intercelular antiga por nova, mas uma renovação contínua do conjunto de todas as substâncias
intercelulares do corpo e a remoção completa de toda substância antiga assim substituída,
parece estar além das possibilidades do organismo. Em particular, boa parte da substância
intercelular do tipo fibroso, parece persistir durante toda a vida, e deteriorar-se com o tempo.
Talvez a modificação mais evidente que se processa na substância intercelular seja a
diminuição gradual do material amorfo que ela contém. Os tecidos de um feto são gelatinosos
por causa de seu alto conteúdo em substância intercelular amorfa e os de uma criança recém-
nascida têm relativamente muito menor quantidade de substância intercelular fibrosa e muito
maior quantidade da substância amorfa, do que os de um adulto. Mas, à medida que passam
os anos, vão se produzindo mais elementos fibrosos, e ao mesmo tempo a quantidade de
substância intercelular amorfa vai diminuindo. Os tecidos dos indivíduos de idade contém tão
pouco material amorfo que os corantes se disseminam através deles com muito mais rapidez
do que através dos tecidos dos jovens; nestes, a difusão do corante é dificultada pela presença
de material amorfo.
Há divergência de opiniões sobre o efeito do envelhecimento nas fibras colágenas. Porém há
indícios de que o tamanho médio dos feixes e das fibras colágenas aumenta, tornando-se a
sua substância mais basófila.
Alterações pronunciadas ocorrem nas fibras e lâminas elásticas, com a idade. As fibras e
membranas normais, obtidas de indivíduos jovens, não contêm minerais demonstráveis pelos
métodos de microincineração, mas nas pessoas idosas, elas contém comumente minerais. (...)
há vários tipos de elastina (fibras elásticas) no organismo e que a elastina do jovem difere da
elastina do indivíduo idoso. Ao microscópio eletrônico, as fibras de elastina parecem ser
amorfas. Com a idade, as fibras elásticas desgastam-se e fragmentam-se, aparecendo
uma afinidade crescente pelos sais de cálcio. Evidentemente isto tem grande
importância no endurecimento das artérias. É provável que o amolecimento e a falta de
tonicidade da pele das pessoas idosas sejam devidos mais às alterações de suas fibras
elásticas do que as alterações das fibras colágenas.
Certos hormônios têm influência sobre as proporções relativas de substância amorfa e de
fibras, e sobre o tamanho e a densidade das fibras colágenas, pelo menos em certas partes do
corpo.22

Ora, dissemos que a nutrição e a depuração orgânica geral são diretamente


responsáveis pela qualidade da condição de nossas substâncias intercelulares; mas onde
está exatamente o fator de preponderância nesta avaliação?
Nossa atenção é derivada para a condição dos emunctórios corporais!
Os emunctórios são rins, pele, pulmões e intestinos.
Os emunctórios são canais de saída de toxinas do nosso organismo. Se eles não
funcionam bem, o corpo retém dentro de si uma expressiva quantidade de substâncias
tóxicas e altamente negativas para a economia corporal.

22
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 132.

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Ora, onde estas substâncias que são antivida porque já estão mortas ou
deveriam ser eliminadas ficarão depositadas dentro de nosso organismo? Não pode 25
haver dúvida que irão associar-se a substância intercelular.
Ham já declarou que tal substância intercelular é “morta” e funciona “como material
de construção”; já explicou que a “vida está na célula” e que ela dispõe dos elementos
que a circundam conforme as necessidades que vai encontrando em seu dia-a-dia. Mas,
e se a carga de substâncias intercelulares que sazonam ao redor de nossas células for
exatamente composta de remetabolização de fezes, urina, suor e tóxicos vindos dos
pulmões que não foram expelidos naturalmente?
Esta é a grande visão da Naturologia e dos Terapeutas Naturistas na interpretação
da saúde humana. É como a nossa Escola se posiciona e fundamenta com ciência!
As pessoas de nosso tempo, conforme declara o Dr. Márcio Bomtempo, estão
vivendo na seguinte situação:
Fato digno de nota é a condição do sangue no homem moderno, muito ácido, bastante viscoso,
pobre em oxigênio, carregado de toxinas e excesso de gorduras, remédios e minerais como cálcio
e sódio. (...) A condição dos intestinos do ser humano é decididamente caótica, apresentando
putrefações focais ou amplas, permitindo assim que o sangue assimile cronicamente cargas
tóxicas que serão distribuídas por todos os tecidos e células. No início do século o problema já foi
levantado por Metchinkoff em seus estudos sobre as „microinfecções intestinais‟ apontadas pelo
autor como causas básicas de várias doenças. Acrescente-se a isto que o ambiente intestinal
recebe agentes químicos irritantes, excesso de proteínas ou de produtos que degradam ainda
mais a condição eco biológica do órgão. Perdeu-se também a noção de que a presença de
toxinas, geralmente acumulativas, leva a uma intoxicação lenta e progressiva e à diminuição da
capacidade orgânica, agindo principalmente no sistema imunológico ou de defesa e nos sutis
mecanismos de autorregulação e compensação, perturbando profundamente o metabolismo
intermediário, tão importante para o equilíbrio homeostático.23

Ora, quando paramos para considerar a dinâmica do organismo a nível celular e da


constituição das substâncias intercelulares como temos feito, lembramos que
anteriormente foi declarado por Guyton que:
A beleza da fisiologia é que ela tenta integrar as funções distintas de todas as células e
dos órgãos em um todo funcional completo: o corpo humano. Na verdade, a vida do ser
humano depende desse funcionamento global, e não das funções de partes individuais,
completamente isoladas do conjunto. Isso nos leva a outra questão, totalmente diferente.
Como é que os diversos órgãos e sistemas são controlados de modo que nenhum deles
prevaleça enquanto outros deixam de entrar com suas contribuições? Felizmente, o corpo é
dotado de vasta rede de mecanismos de feedback, os responsáveis pelos delicados equilíbrios
sem os quais não conseguiríamos viver. Os fisiologistas chamam de homeostasia esse alto
nível de controle interno do corpo. Nas doenças, mais do que nunca, esses equilíbrios
funcionais ficam alterados – isto é, a homeostasia fica enfraquecida. Quando essa perturbação
é excessiva, o corpo como um todo não mais pode sobreviver. Portanto, um dos objetivos
principais de qualquer texto de fisiologia médica é explicar e enfatizar a eficácia e a beleza dos

23
BONTEMPO, Márcio. Relatório Órion – Denúncia Médica. L&PM Edit. Porto Alegre, RS. 1985, p. 14-15.

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mecanismos homeostáticos do corpo, bem como discutir seu funcionamento anormal na
doença.24 26

Já sabemos que o autocontrole do próprio corpo é quem cuida da seletividade de


sua economia interna, mas o ser humano pode alterar drasticamente esta economia,
fazendo com que a homeostasia fique enfraquecida através de atitudes e hábitos que
alterem a condição deste todo funcional completo.
Ora, está claro que as células, as substâncias intercelulares e os líquidos diversos
(sangue, linfa, tissular), não são partes isoladas do conjunto, mas um todo funcional
completo e indivisível na prática imediata da vida que acontece agora mesmo com
cada um de nós que lê estas páginas.
Quando nos perguntamos como a disfunção dos emunctórios afeta as nossas
mitocôndrias, responsáveis maiores pela produção de ATP, o que nos vem à mente ao
pensarmos na relação emunctórios e substâncias intercelulares?
A resposta para a questão de como as substâncias intercelulares afeta
drasticamente a situação da respiração celular/mitocondrial poderá ser melhor vista na
compreensão de como os líquidos diversos interagem com nosso corpo todo.

1.4. A Relação dos Líquidos Diversos com a Respiração Mitocondrial.

Guyton declara que:

O objetivo da fisiologia é compreender o funcionamento dos organismos vivos e de suas


partes. Na fisiologia humana, estamos interessados nas características do corpo humano, que
permitem sentir nosso ambiente, nos movimentar nele, pensar e nos comunicar, reproduzir e
realizar todas as funções que nos permitem sobreviver e nos desenvolver como seres vivos.
(...) característica distintiva da fisiologia é que ela busca integrar o funcionamento de todas as
diferentes partes do corpo, para compreender o funcionamento de todo o corpo humano. a vida
no ser humano depende desse funcionamento total, que é consideravelmente mais complexo
que a soma dos funcionamentos das células, dos tecidos e dos órgãos individuais. (...) cada
órgão é um agregado de muitas células, mantidas unidas por estruturas intercelulares de
sustentação. O corpo todo contém cerca de 75 a 100 trilhões de células, cada uma das quais é
adaptada para realizar funções especializadas. Essas funções celulares individuais são
coordenadas por múltiplos sistemas reguladores que atuam nas células, nos tecidos, nos
órgãos e nos sistemas dos órgãos.25

Que múltiplos sistemas reguladores são estes que ocorrem em nosso organismo
todo?

24
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. RJ. 1992, p. 38. (Trad. Livre).
25
GUYTON, Arthur C & Hall, E. Hall. Tratado de Fisiologia Médica. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro,
2002, p. 3.

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27
Temos verificado que nosso corpo depende de substâncias que estão presentes nas
nossas células. Mas as células obtêm estas substâncias de um mundo onde estão
mergulhadas, esta ambiente é denominado “líquido intersticial onde estão as substâncias
intercelulares”.
A pergunta imediata é: de onde vêm as substâncias intercelulares que ao longo de
nossa vida se modificam conforme vamos vivendo?
Ham declara:
A corrente sangüínea constitui o grande sistema de transporte do corpo humano, sendo
responsável pela condução de substâncias nutritivas e oxigênio até as células assim
como pela remoção dos produtos por elas excretados. Circula em um sistema de tubos
denominados vasos sanguíneos. Este formam um circuito pelo qual a corrente sangüínea
unidirecional é mantida pela ação propulsora do coração. Os vasos que se afastam do coração
possuem paredes relativamente espessas e fortes, em virtude de neles o sangue circular sob
considerável pressão; estes vasos são denominados de artérias. Estas se ramificam
sucessivamente e terminam por lançar o sangue sob a baixa pressão nos capilares, que são
tubos delgados e de paredes muito delicadas. Os capilares levam seu conteúdo às veias que
finalmente conduzem o sangue de volta ao coração. O sangue nas veias não está sob pressão
muito forte e, portanto, suas paredes são menos espessas que as das artérias. 26

Ficamos maravilhados com a Criação que Deus tem feito! O corpo humano é de
uma complexidade e de uma simplicidade que faz-nos pensar como disse o salmista: “Eu
Te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas
são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” 27
Como as substâncias que aqui são denominadas de “nutritivas com oxigênio e
produtos que devem ser removidos pela excreção” são postos em dinâmica circulação e
interatividade dentro de nós?
A maioria das células do corpo está fora dos vasos sanguíneos. Para atingi-las, as
substâncias nutritivas e oxigênio devem, em consequência, passar pelas paredes dos
vasos e migrar através das substâncias intercelulares até atingir as células que devem
nutrir. Os produtos excretados pelas células também realizam o mesmo percurso, porém
em sentido inverso.

A parede das artérias é de tal modo espessa que não é possível que as substâncias nutritivas
ou oxigênio passem através dela. Deste modo, as artérias não nutrem os tecidos diretamente;
sua função é a de levar o sangue até os capilares de paredes delgadas e de lançá-lo nestes
capilares, sob uma pressão reduzida e adaptada à realidade da sua infraestrutura intrínseca.
A parede dos capilares é suficientemente delgada para permitir que água, sais e o oxigênio
possam atravessá-las para nutrir as células das imediações.

26
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 134.
27
Salmo 139:14.

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A parede dos capilares é formada por células muito delgadas, em forma de placas, recurvadas
em uma direção de modo a se unirem em tubo. (...) os capilares em geral possuem certa 28
quantidade de substância intercelular que lhes fornece sustentação. Os bordos das células
endoteliais que constituem os capilares adaptam-se intimamente, sendo unidos,
provavelmente, por uma substância cimentante (intercelular). Deste modo, as células vivas que
formam a parede dos capilares fornecem uma membrana viva, contínua, que separa o sangue
dos tecidos extravasculares. Esta membrana endotelial realiza uma função até certo ponto
semelhante à de uma membrana dialisadora de pergaminho ou de colódio. Em condições
normais não permite que os colóides sanguíneos passem através dela, permitindo, porém, a
passagem de água e cristalóides. É em geral descrita como uma membrana viva,
semipermeável.
O líquido que passa do sangue para os tecidos, através das células endoteliais dos
capilares, é denominado de líquido intersticial. Este líquido está em íntima associação
com as substâncias intercelulares dos tecidos especialmente com a porção amorfa das
substâncias intercelulares. A relação entre o líquido intersticial que flui dos capilares e a
substância intercelular no qual ele é lançado, difere nas diversas partes do organismo.
Em alguns pontos, onde a substância intercelular intersticial é o meio através do qual
são dispersas as substâncias intercelulares amorfas coloidais e a diluição destas
substâncias nestes locais depende da quantidade de líquido intersticial presente.
Todavia, a situação é diferente naqueles locais em que a substância intercelular
apresenta-se sob a forma de um gel rígido. As substâncias intercelulares gelidificadas
possuem uma grande quantidade de água de solvatação. Esta é obtida do líquido intersticial da
região, à medida que se forma a substância intercelular. Deste modo, nos casos de substância
intercelular gelidificada, o líquido intersticial a ela se incorpora para formam a sua água de
solvatação. Este fato torna permeável a substância intercelular gelidificada de vez que a
difusão pode se dar através da água de solvatação.
Todavia, podem existir passagens abertas nestas substâncias intercelulares gelidificadas para
a passagem livre de líquidos. Por exemplo, isto é necessário no osso de vez que sua
substância intercelular gelidificada torna-se impregnada de sais de cálcio que provavelmente
deslocam a agia de solvatação, em consequência do que a substância torna-se impermeável.
Deste modo, como veremos, a substância intercelular do osso possui delicados canais através
dos quais o líquido tissular pode correr livremente.
O líquido intersticial consiste na parte do sangue que se pode difundir através das paredes do
capilar. O sangue consiste de uma parte líquida e de células. A porção líquida é denominada
de plasma e consiste numa solução de colóides e cristalóides. A parede endotelial dos
capilares é permeável à solução de cristalóides, de modo que estes saem do sangue para
formar o líquido intersticial. Todavia, a parede dos capilares retém as células sanguíneas e
impede a passagem da maior parte dos colóides do sangue para o líquido intersticial. O líquido
intersticial é, portanto, de composição diferente da do plasma sanguíneo, especialmente por
não possuir tanto colóide quanto o sangue. O líquido intersticial possui provavelmente a
mesma composição da água do mar, onde se originou a vida animal.28

Cinco gravuras explicitadas no Tratado de Histologia de Ham (que estamos usando)


ajudam-nos a compreender de modo bem claro como a dificuldade de absorção capilar e
linfática acontece microscopicamente no corpo humano.

28
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 134-135.

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29
Observemos cuidadosamente suas exposições para formarmos um juízo sobre o
que estamos estudando neste contexto.

Há uma diferença entre


colóides e cristalóides.
Observe-se, porém, que
estão juntos em todo o
ambiente “intercelular”.
Nesta gravura, temos uma
conexão objetiva para a
questão das trocas
osmótica.
As substâncias na forma
cristalóide ou colóide
fluem pelo campo do
“líquido tissular” – que é o
que flui da área intersticial
para o interior dos
capilares sanguíneos.
Observe-se que a palavra
“sal” representa “sais
minerais diversos”.

No caso da presença da
intoxicação orgânica,
notamos o “tecido
edemaciado de líquido
intersticial”. O tecido tem
uma área “branca” tomada
de “catarro” e “acidose”
aglutinada.
Os defensores saem do
sangue e ingressam na
região afetada.
Ora, que afetação é esta?
Substâncias tóxicas
presente na área intersticial
se misturam com
cristalóides e colóides.
Os defensores não chegam
por conta da falta de água!

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30
Diante da defesa orgânica,
que dependeu de água que
equilibra os colóides e
cristalóides; a toxina é
“atraída” para o vaso
linfático, onde será drenada
e lançada na grande
circulação linfática para ser
expurgada pelos
emunctórios. Toda a
desobstrução linfática está
ao redor da circulação
sanguínea.
Mas, a drenagem também
pode ser drenada pela pele
ou mucosa da região
afetada – mas sem água?
Impossível!

Aqui temos uma relação


direta entre os capilares e
a região intersticial, em
que a rigidez da falta de
água e a acidose elevada
oblitera (impede) o fluxo.
Em decorrência desta
condição a pressão
osmótica é afetada e a sua
insuficiência altera
drasticamente as trocas e
a paralisação do fluxo gera
o que denominamos
“catarros, acidez
excessiva”. Os edemas
surgem assim!

E ainda temos uma última marcação referente à realidade do ambiente dos coloides
e cristaloides em que fica claro que coloides são gelatinosos e os cristaloides são
mais espessos e podem se tornar cristais ou mesmo uma pedra ou nódulo.

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Aqui vemos que os 31


coloides, por serem
gelatinosos, fluem
amplamente na direção da
área que precisa ser
reconstruída.
A presença da água de
qualidade se torna
essencial. Os nutrientes
obviamente são
fundamentais para a
reconstrução, porém, sem a
fluidez e fluxo tudo estará
drasticamente afetado
negativamente.
Isto em todo e qualquer
lugar do corpo!

Ora, toda a vida dependerá das quatro grandes substâncias que temos informado
como essenciais na dinâmica naturista:

Ar

Baseda
Terra Vida Água
Orgânica

Alimento

Notemos que falamos aqui da vida orgânica. Pelo que temos entendido das citações
técnicas, toda a força que advém da luz flui como energia em todas estas potências;
entretanto, o Oxigênio é primordial para a criação de ATP e sem ATP não há vida! Mas, o
oxigênio só chega se houver fluidez, tem que haver fluxo, e este fluxo deve ser
linfático e sanguíneo. Os cristaloides e coloides ficarão impedindo a fluidez se não
houver boa água no metabolismo! Este fato é chave para entender tudo!

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Da mesma forma que se os alimentos ingeridos ou o isolamento do contato com a


“terra” na sua forma natural não forem cuidadosamente preservados, haverá desidratação 32
em muito setores internos da ambiência histológica e como vimos e é fato, os cristaloides
vão prevalecer mais do que os coloides e, isto gera rigidez de tecidos, perda da
mobilidade – ora, sem esta mobilidade (movimento) o oxigênio não chegará
satisfatoriamente nas células.

1.5. O Sangue e a Respiração Mitocondrial.

É neste exato momento que temos que observar cuidadosamente a importância do


fenômeno da respiração mitocondrial e da conexão desta com as estruturas gerais de
sobrevivência orgânica (emunctórios).
Vimos que o sangue é o grande responsável pelo transporte de substâncias
nutritivas e da saída de toxinas das células, possibilitando a eliminação das mesmas
através dos emunctórios corporais.
Uma excelente apresentação inicial e sintetizada sobre sangue é assim dada por
Ham:

O sangue é um líquido tendo em suspensão células e fragmentos de citoplasma. O líquido é


denominado plasma; é uma solução de colóides e cristalóides. As células sangüíneas são de
duas variedades: vermelhas e brancas. Os fragmentos de citoplasma encontrados no sangue
são denominados plaquetas e desempenham papel na coagulação sangüínea.

Embora as células do sangue, em maioria tenham peso específico maior do que o plasma em
que estão suspensas, elas não tendem a sedimentar devido à circulação constante. Todavia,
elas tendem a sedimentar-se lentamente no sangue retirado do organismo e impedido de
coagular.29

Todas as dificuldades que se manifestem no corpo humano tem sua sede na


estrutura do sangue. Não há qualquer dificuldade que ocorra no corpo humano, não há
como enfraquecer a homeostasia se, antes de qualquer coisa, o sangue não for afetado.
Segundo Guyton e Braunwald:

A característica mais importante da circulação que se deve sempre ter em mente é que ela
constitui um circuito contínuo. Isto é, se uma determinada quantidade de sangue for bombeada
pelo coração essa mesma quantidade deve também passar através de cada subdivisão
respectiva da circulação.30
Anoxia significa falta total de oxigênio, mas esse termo é usado com maior frequência para
indicar apenas diminuição de oxigênio. Um termo mais correto para diminuição de oxigênio é

29
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 144.
30
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Interamericana. Rio de Janeiro, RJ. 1977, p. 197.

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hipóxia. Anoxemia significa falta de oxigênio no sangue, mas geralmente usa-se o termo para
indicar apenas diminuição de oxigênio no sangue. Um termo melhor para isso é hipoxemia. 31 33
Hipóxia, que quer dizer baixo teor de oxigênio e que pode ser causada por (a) pressão parcial
reduzida de oxigênio no ar, (b) anormalidades pulmonares que diminuem a difusão de oxigênio
para o sangue pulmonar, (c) quantidade diminuída de hemoglobina no sangue, para o
transporte de oxigênio para os tecidos, (d) incapacidade cardíaca de bombear quantidades de
sangue para os tecidos, e (e) incapacidade dos tecidos em utilizar o oxigênio, mesmo que ele
esteja disponível.32

A questão da circulação sangüínea é, portanto, em nossa avaliação naturológica,


uma das mais importantes questões que devem ser atendidas na terapêutica naturista.
Está tão intimamente casada com a circulação linfática que não se pode entender uma
sem a outra, porque ambas se associam na promoção do equilíbrio profundo do
organismo.
Se o sangue não circular, não haverá a devida oxigenação do corpo e os quadros de
Hipóxia ou mesmo de Anoxia poderão ser definitivos em determinadas áreas do corpo ou,
quando afetar toda a homeostasia: causar a morte da pessoa.
Na verdade a morte é o fenômeno terminal de Anoxia absoluta em todo o corpo!
Quando Guyton, confirmado por diversos autores declara que:

Como já foi discutido anteriormente, o fornecimento de oxigênio a um órgão ou tecido é


diretamente proporcional ao fluxo sanguíneo, à concentração da hemoglobina e à
diferença na saturação do oxigênio entre o sangue arterial e venoso.33

Devemos ter em mente esta tríplice questão em nossa mente!


Diferença entre
"saturação" oxigênio
Fluxo sanguíneo no sangue arterial e
e linfático venoso

Concentração de hemoglobina
(pega oxigênio)

A chegada de oxigênio nos profundos recessos do orgânicos depende desta lógica


funcional interna que sustenta a carga primária que possibilitará o ATP.

31
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Interamericana. Rio de Janeiro, RJ. 1977, p. 504.
32
GUYTON, Arthur C. Fisiologia Humana. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, RJ. 2000, p. 370-371.
33
BRAUNWALD, Eugene. Tratado de Medicina Cardiovascular. Ed. Roca. São Paulo, SP. 1991, p. 1825.

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Toda a compreensão naturista de cura, de terapia e da verdadeira causa das


doenças se fundamenta nesta abordagem cientificamente incontestável! 34
Não entendê-la é aniquilar com a lógica científica da Naturologia Clínica!

NOTA MUITO IMPORTANTE!


Falávamos anteriormente que as células do nosso corpo são afetadas pelo líquido
intersticial onde estão as substâncias extracelulares que podem ser positivas ou
negativas dependendo do tipo de produtos que o sangue traz até sua estrutura. Também
temos dito que é incontestável que o nosso estilo de vida determina a condição real do
tipo de substâncias que temos utilizado em nossa vida diária e, sobretudo, se tais
substâncias afetam nossos emunctórios, ao ponto de perdemos parcialmente (do quadro
mais simples ao mais complexo) a capacidade de suar, urinar, respirar e defecar.

Destas funções, interessa-nos de modo expressivo neste texto a respiração, porque


falamos aqui de oxigenoterapia naturista, mas em geoterapia, daremos ênfase a
condição respiratória e coloidal da pele que é crucial para o equilíbrio total do corpo;
quando chegarmos em hidroterapia daremos ênfase na capacidade hídrica do corpo e
devemos concentrar nossa atenção na função nefrológica que possibilita a respiração
corporal global e, na educação alimentar, tratamos das condições gerais de bom
desempenho intestinal que é essencial para que não haja febre gastrintestinal e
possamos nos nutrir e desimpedir de fezes.
Nosso sangue é constituído de diversos componentes. Ok? Diante desta
informação, não percamos a base que não podemos perder de vista, de que o corpo
humano possui três substâncias elementares (células, substâncias intercelulares do
líquido intersticial e líquidos diversos que são de três qualidades principais: sangue, linfa e
líquido tissular).
Quando falamos de sangue estamos falando de uma das três partes da terceira
parte que constitui nossa composição elementar. O sangue é uma parte do que temos
denominado de substâncias diversas.
Pois bem, segundo declara Marcondes:
O sangue é um líquido viscoso que circula no interior do sistema dos vertebrados. Tem
importância em todos os setores da medicina, pois é através dele que as substâncias vitais
atingem os órgãos e os tecidos. A mais importante dessas substâncias, o oxigênio, é carregada
pelas células vermelhas fixadas à hemoglobina.
O sangue é composto de duas partes: o plasma e os elementos figurados. O plasma é o
transportador de todas as substâncias de nosso corpo, levando-as aos lugares onde devem
agir, para nutrir, estimular ou deprimir. Também circulam nele os hormônios, encarregados de
manter os vários órgãos em funcionamento equilibrado.

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Do ponto de vista hematológico, é o plasma o encarregado de manter o sangue fluido na
circulação e contribuir para sanar rapidamente qualquer lesão que surja no sistema 35
cardiovascular, através da ação de alguns de seus componentes.
Os elementos figurados são divididos em três grupos bastante distintos: os leucócitos, que são
células semelhantes em seus componentes às demais células do organismo; os eritrócitos, que
não exibem núcleo e mostram morfologia e vias metabólicas diferentes das demais células do
corpo; e as plaquetas, que não são células, mas fragmentos celulares com grande atividade
metabólica.34

No sangue, segundo vemos aqui, existe a seguinte definição estrutural?

Transporte de substâncias de
nosso corpo que devem nutrir,
agir, deprimir e estimular.

Transporte de hormônios e
enzimas que são produzidas
nas glândulas.
Plasma
Estrutura Geral do Sangue

Mantém o sangue circulando


em nosso corpo.
Humano

Contribui para sanar


rapidamente todas as lesões
cardiovasculares.

Eritrócitos - possuem
"hemoglobina dentro deles"

Leucócitos (granulosos e
Elementos Figurados
hialinos).

Plaquetas (não são células,


mas fragmento de celulares)

Não faremos aqui um estudo hematológico (estudo do sangue), mas temos que
pontuar o essencial sobre a realidade referente aos indicativos sanguíneos que nos
ajudam a interpretar todas as dificuldades associadas a sua economia.

34
MARCONDES, Marcelo & Outros. Clínica Médica – Propedêutica e Fisiopatologia. Ed. Guanabara
Koogan. RJ. 1979, p. 416.

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São pontos importantes de verificação sangüínea:


36

(1) Eritrócitos:
Os eritrócitos são de 500 a 1000 vezes mais numerosos no sangue do que os leucócitos. (...) a
determinação da forma desses glóbulos, em uma amostra de sangue tem importância
diagnóstica. (...) mais da metade dos eritrócitos é constituída pela água (60 por cento); o resto
é de sólidos. Destes, 90 por cento é hemoglobina, uma proteína conjugada. Diz-se ser ela
uma proteína conjugada, porque é constituída pela proteína globina em reunião com pigmento
heme. Embora somente 4 por cento da hemoglobina seja na realidade o pigmento (heme), sua
combinação com a globina resulta em uma entidade (hemoglobina) com cor própria e daí
considerarem-na em seu conjunto como um pigmento. Ao lado da hemoglobina há nessa
célula, pequenas quantidades de algumas outras proteínas, além de material gorduroso. (...)
embora a sua espessura deva ser medida em moléculas (invisível, portanto, com o microscópio
comum), ela normalmente atua impedindo a saída do material coloidal da célula, para o
plasma. (...)35.

(2) Leucócitos:
São os glóbulos brancos do sangue ou leucócitos. (...) Há cinco variedades de leucócitos; suas
características diferenciais devem ser bem estudadas. Embora sejam cinco as variedades, elas
pertencem apenas a duas famílias ou linhagens celulares. A característica de uma família é
possuir citoplasma granuloso, e a outra o citoplasma hialino. Disso decorre a classificação dos
leucócitos em granulosos e hialinos, existem três variedades de leucócitos granulosos. Embora
eles sejam semelhantes em certos aspectos, diferem em outros, principalmente quanto às
afinidades de seus grânulos diante dos corantes neutros ácidos e básicos. Na realidade, a
principal diferença é essa e resulta em serem denominados leucócitos neutrófilos, acidófilos
(ou eosinófilos) e basófilos, respectivamente. Há dois tipos de leucócitos hialinos. Os mais
numerosos e geralmente de menor tamanho são os linfócitos, porque estão presentes na linfa
quanto no sangue. Os maiores e em menor número são chamados de monócitos, uma
designação que não é muito significativa.
Praticamente todas as pessoas já foram vítimas de um corte na pele, que se tenha infectado.
Enquanto uma pele íntegra impede a penetração de organismos morbígenos nos tecidos
subjacentes, um corte na superfície abre-lhe as portas de entrada. Dessa forma, se um corte
na pele não for convenientemente tratado, as bactérias tendem a invadir os tecidos
subjacentes, crescendo e multiplicando-se nesse novo meio, geralmente em tempo muito curto.
Durante esse período, as bordas da ferida se tornam vermelhas e inflamadas; há sensação de
calor e dor. Porém, em lugar de se tornar pior, o que frequentemente sucede é que a
inflamação diminua e o corte cicatrize. Sem dúvida, há alguma coisa capaz de repelir a invasão
bacteriana, primeiro circunscrevendo as bactérias nos tecidos imediatamente vizinhos do corte,
e depois suplantando-as por completo. (...) em virtude dos leucócitos existirem no sangue, eles
podem se mobilizar rapidamente até qualquer ponto no qual bactérias ataquem, atravessando
a seguir o endotélio lesado dos capilares e vasos do local, e atacá-las por meio da fagocitose.36

35
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 144-146.
36
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 156-158.

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(3) Plaquetas:
37
Em realidade, dois fenômenos diferentes ocorrem na selagem ou tamponamento de um
vaso sanguíneo ferido. São denominados coagulação e aglutinação e, apesar de
diferirem, agem simultaneamente. (...) As plaquetas exercem pelo menos quatro funções: (I)
Sua função principal que é a de aglutinação. Tendem a aderir à superfície interna dos vasos
sanguíneos nos locais em que estes forem feridos. Às vezes, quando a corrente venosa é
retardada podem aderir, mesmo sem a presunção de ferimento. Sua função geral, neste
aspecto, é, entretanto, de proteção e reparo; elas tendem a obstruir vazamentos e recobrir
tecidos feridos. As plaquetas exercendo sua capacidade de aderir ou aglutinar se juntam umas
às outras, assim como à parede dos vasos, tendendo a continuar a atrair outras plaquetas
enquanto se acumulam e se fundem. A massa de plaquetas torna-se então cada vez mais
volumosa e, geralmente, este aumento só estaciona quando a luz do vaso afetado fica quase
ou completamente fechada. (...) (II) A segunda função das plaquetas manifesta-se quando elas
se aglutinam; parecem reagir com o plasma, talvez enzimaticamente, produzindo substância
tromboplástica. (...) (III ) A terceira função das plaquetas é de extrema importância; é sua
habilidade em provocar a retração de um coágulo (fibrina), tornando-se este sólido e firme. (...)
A quarta e mais recentemente elucidada função das plaquetas é a de que transportem a
serotonina. A serotonina é produzida por células do intestino sendo absorvida pelas plaquetas
e, por esse modo, transportada no sangue. Quando as plaquetas se aglutinam no trombo elas
libertam a serotonina que transportam. Em virtude da serotonina, atuar localmente como um
poderoso vasoconstritor, ajuda a reduzir o tamanho da lesão dos vasos sanguíneos, o que
naturalmente auxiliará a diminuir o sangramento. A serotonina tem outro efeito; tende a diminuir
a pressão sangüínea, o que igualmente pode contribuir para reter a hemorragia. 37

Ora, isto tudo é de grande relevância para a saúde corporal, porque faz parte da
funcionalidade homeostática elementar e primária, mas perguntamos: como a alteração
desta estrutura se dá e como a respiração celular é diminuída?
Segundo Ham:
A respiração é um processo metabólico básico para a vida. Para que possa ocorrer sem uma
interrupção fatal, as células do organismo requerem um suprimento de oxigênio, contínuo e
substancial, o que lhes é trazido dos pulmões por meio do sangue e conduzido pelo aparelho
circulatório até todas as células.
O oxigênio não se dissolve muito na água, ou mesmo no plasma. Tivesse o sistema circulatório
exclusivamente plasma, e apenas pequena fração da quantidade de oxigênio necessária às
células lhes poderia ser fornecida. Por isso, a Natureza38 foi forçada a desenvolver um
mecanismo empregando outros princípios, que são a simples e limitada dissolução do oxigênio
no plasma, isto é, daqueles que dependem de uma solução comum de gases em líquidos. O
aperfeiçoamento foi obtido pela adição da hemoglobina (uma proteína) ao sangue (isto é, no
interior dos eritrócitos). A hemoglobina tem uma propriedade muito importante, na sua
capacidade de se combinar com o oxigênio, constituindo um composto – a oxihemoglobina.

37
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 181-182.
38
Quero salientar que discordo do autor do texto neste ponto. Não é a Natureza autora de si mesma, mas
Deus, o Criador do Universo e da vida humana inteligentemente estabeleceu este padrão que é atestado
pela experiência histológica.

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(...) Felizmente, a combinação da hemoglobina com o oxigênio é, sob certo aspecto, instável.
Nos pulmões, onde a tensão de oxigênio (concentração) é alta devido à constante renovação 38
do ar, a hemoglobina combina-se avidamente com o oxigênio. Mas, quando o sangue
oxigenado chega aos vários tecidos do organismo, onde as células estão consumindo
constantemente oxigênio, e por isso a tensão deste é baixa, a hemoglobina cede a elas uma
boa parte de seu oxigênio. Depois da oxihemoglobina ter perdido o seu oxigênio, a
hemoglobina e normalmente reduzida; esta, seguindo rumo da circulação chega aos pulmões,
onde oxigena e novamente é oxihemoglobina. (...) Além do transporte de grandes quantidades
de gases, os eritrócitos devem poder libertá-los e absorvê-los rapidamente, a fim de serem
eficientes. (...) A hemoglobina é afetada de modo desastroso por determinados
medicamentos e substâncias químicas. Consequentemente, estando presente no sangue
essa hemoglobina alterada, em uma quantidade muito grande, poderá não existir
suficiente hemoglobina capaz de manter a vida. (...) Como a propriedade do sangue em
transportar oxigênio é frequentemente prejudicada, a avaliação dessa capacidade é
parte importante de um exame físico.39

Aqui fechamos o raciocínio sobre a ação do sangue sobre a respiração celular!


Nossos pulmões recebem o ar e nossos alvéolos pulmonares agem captando
oxigênio em estado gasoso e adaptam-no para a realidade líquida do sangue, onde os
eritrócitos farão o trabalho, mediante a hemoglobina presente dentro deles, de “colar cada
molécula de oxigênio” na hemoglobina, gerando esta oxihemoglobina.
Por sua vez esta oxihemoglobina irá viajar via circulatória até chegar na célula. Mas
o caminho para que isto aconteça é assim definido: primeiro o oxigênio que está na
hemoglobina viaja até o vaso capilar arterial que se conecta através das substâncias
intercelulares com a membrana de milhões de células e, deste vaso capilar arterial as
moléculas de oxigênio são captadas pela membrana celular para os recessos mais
íntimos da célula onde, por uma ação precisa da mão de Deus, as mitocôndrias recebem
a dita molécula de oxigênio e transformam-na no processo de quimiossíntese mitocondrial
(respiração mitocondrial) em ATP (trifosfato de adenosina) que é denominado por Guyton
como “a energia circulante do organismo, possível de ser adquirida e consumida
repetidamente”.40

1.6. Qual a Parte Desempenhada da Linfa e do Líquido Tissular na


Respiração Orgânica?

Já verificamos como ocorre a dinâmica ao nível de colóides e cristalóides do


organismo humano. Verificamos como a dinâmica de feedback intrínseco se impõe;
porém, não é pouco que estamos dando ênfase à importância da chegada do oxigênio
nas células! Isto nem é objeto de discussão – é fato imposto no ato de respirar!

39
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 147-148.
40
GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1991. p, 654.

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Vimos que as toxinas que são preservadas no corpo devido a uma ação emunctorial
insatisfatória tendem a ser remetabolizadas para os mais profundos recessos da estrutura 39
do líquido intersticial e se mistura com as próprias substâncias intercelulares, gerando
uma imensa massa rígida de obstrução orgânica que impede o livre trânsito dos
nutrientes que devem sazonar no sangue e especialmente o oxigênio.
Daniel Boarim denomina esta ação trágica como “sufocamento ou sofrimento
celular” neste primoroso texto de sua lavra:

As alterações degenerativas que os bioquímicos e patologistas testemunham, descrevem e


explicam com rebuscadas minúcias técnicas, mas que se reconhecem impotentes de evitar ou
mesmo desacelerar é, de acordo com esse postulado, a consequência de um constante
„sofrimento‟ celular por uma reduzida cota de oxigênio. A degeneração das células fecha um
círculo vicioso em que a disponibilidade de oxigênio vai diminuindo cada vez mais, com
resultante agravamento desse processo mortífero.
Esse assunto pode parecer tão novo como intrigante. Muitos profissionais de saúde o
encararão com estranheza, senão com ceticismo. Mas é preciso esclarecer que a relação do
oxigênio com os processos de saúde e doença é intuição médica tão antiga que se perde no
tempo. Outrossim, as pesquisas atuais, que endossam essa relação, têm conquistado
simpatizantes entre pesquisadores mundialmente famosos, como o Dr. Warburg (Prêmio Nobel
de Medicina) e o Dr. Hideo Noguchi, japonês.
Os indícios com „hipóxia crônica‟ (baixos níveis de oxigênio no organismo) possuem
praticamente todos os sintomas inespecíficos que se não podem atribuir à causas objetivas, ou
bem definidas, como sensação constante de cansaço, extremidades frias, tremores nas mãos,
falta de ar sem que haja distúrbio respiratório, palpitações, tonturas, as tradicionais „dores nas
costas‟, os distúrbios psíquicos da ordem das neuroses, a tristeza e a ansiedade por qualquer
motivo (ou sem motivo), as dores sem causa aparente, etc.41

O que nós Terapeutas Naturistas precisamos entender é como a desagregação


destas toxinas se realiza em nosso organismo, por meios homeostáticos (portanto,
naturais e normais).

O papel da linfa e do líquido tissular neste ponto se faz crucial como apoio ao
sangue. E dizemos que apoiam o sangue, porque ele é o principal desagregador de
toxinas orgânicas.
Segundo Ham, o líquido intersticial que preenche o universo das estruturas onde as
células estão imersas é absorvido através de dois mecanismos bem definidos:

Se o líquido intersticial for somente produzido e não absorvido, os tecidos se tornarão


distendidos por ele. Dois mecanismos funcionam com finalidade de absorvê-lo a medida que é
produzido.
(1) Absorção nas Extremidades Venosas dos Capilares: ao forçar o líquido através da
membrana endotelial, a pressão hidrostática no interior dos capilares deve ser suficiente para

41
BOARIM, Daniel de Sá Freire. A dieta que evita o câncer. Ed. Vida plena. S.P., 1996. p. 145, 146.

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vencer uma outra força que sempre procura atrair o líquido de volta à luz dos capilares. Esta
atração do sangue sobre o líquido intersticial é devida à sua pressão osmótica que é superior à 40
do líquido intersticial. (...)
(2) Absorção pelos Linfáticos: na maioria, porém, em não todas as partes do corpo, há um
segundo mecanismo que colabora na absorção do líquido intersticial. Da mesma maneira que o
antecedente, este segundo mecanismo emprega capilares como órgãos de absorção. Este
segundo tipo de capilares atravessa os tecidos entre os capilares sanguíneos.
Originam –se nos tecidos como tubos de extremidades cegas e ramificando-se livremente,
formam, em geral, redes de grande complexidade. A parte do líquido intersticial que não é
absorvida pelos capilares sanguíneos, difunde-se através de sua parede endotelial e
passa a se denominar de linfa ao invés de líquido intersticial. Os capilares deste segundo
tipo, como contém linfa são denominados capilares linfáticos.
São drenados por vasos linfáticos de maior calibre, e este reunindo-se a outros vasos,
terminam por formar dois troncos coletores principais, que lançam toda a linfa do corpo em
veias calibrosas, próximas ao coração. Deste modo, aquela porção de líquido intersticial que á
absorvida pelos capilares linfáticos termina por atingir o aparelho circulatório sanguíneo, porém
utilizando uma via mais tortuosa.
Os capilares linfáticos são úteis na regularização da qualidade do líquido intersticial,
assim como na sua quantidade. Admite-se que o endotélio dos capilares sanguíneos
permite, em geral, a passagem de pequena quantidade de colóide em direção ao líquido
intersticial. Admite-se também que este colóide extravasado não pode retornar aos capilares
sanguíneos.
Todavia, pode passar através das células endoteliais das paredes linfáticas. Se não fosse pela
drenagem linfática do líquido intersticial, o colóide se acumularia neste e, em virtude de sua
pressão osmótica, tenderia a reter quantidades cada vez maiores de água nos tecidos.
Drenando, de modo mais ou menos contínuo, o colóide dos tecidos, os capilares linfáticos
exercem um profundo efeito na qualidade, assim como na quantidade do líquido intersticial. 42

Desta forma fica claro que a função da estrutura linfática é a de captar o líquido
intersticial e todas as substâncias que estiverem presentes nele sejam retiradas do
ambiente celular e conduzidas até a grande estrutura venosa principal do corpo humano.
Esta linfa é levada assim aos grandes centros corporais de saída de toxinas, que
denominamos emunctórios e, a estrutura venosa acaba por desembocar as toxinas
oriundas da linfa, que por sua vez é um substrato do líquido intersticial, cheio das óbvias
substâncias extracelulares.
Falta-nos verificar a condição tissular.
Conforme a definição do Dicionário Médico:
Tissular. Tecidual: relativo a, ou que pertence a um tecido.43

Ham afirmou:

42
BOARIM, Daniel de Sá Freire. A Dieta que Evita o Câncer. Ed. Vida plena. SP, 1996. p, 138-139.
43
STEDMAN. Dicionário Médico. Volume II. Ed. Guanabara Koogan, RJ. 1979, p. 1407.

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Outro líquido importante, o líquido tissular, banha as células do corpo; isto requer que ele
ocupe todo espaço real que exista nas substâncias intercelulares e penetre em todas as 41
substâncias permeáveis.44

O líquido tissular compõe-se de elementos residuais dos tecidos (mortos ou não)


que não se desagregaram do organismo humano.
O que parece não ficar bem claro muitas vezes e em muitos ambientes de diálogos
clínicos é a importância crucial desta estrutura, no mesmo nível do aparato sanguíneo!
Temos que corrigir este erro que se choca com o imperativo fisiológico.

Está em toda parte, como um campo químico inerte e sem vida, mas que contém
substâncias que podem ser de vida ou de morte e que serão ou não usadas pelas células,
onde está a força vital que a tudo governa na sistemática ordem corporal que é mantida
em união indissolúvel pelo fenômeno extraordinário da homeostasia.
A parte que compete ao líquido tissular na ação respiratória do corpo é passiva,
porque ele é apenas um ambiente composto de inúmeras substâncias que sazonam em
toda parte do corpo e que, se não for atendido satisfatoriamente pela perfeita ação dos
emunctórios, fica sobrecarregado de intoxicação (toxemia) residual que irá impedir o
trânsito natural do líquido intercelular e da própria linfa.

44
HAM. Arthur W. Histologia. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1963, p. 45.

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Aqui temos a exposição 42


do que já salientamos
diversas vezes:
1- Ao redor da artéria /
veia, em todos os níveis
de complexidade – flui
uma água carregada de
tudo que atenderá à
vida das células: isto é
líquido tissular.
2- Ela está sujeita à
pressão e água!

Por todo o ambiente do líquido tissular que está espalhado em toda a área
intercelular (intersticial) estão os radicais livres e substâncias altamente tóxicas,
adquiridas na vida contemporânea, ficam retidos.
Desde gorduras saturadas, gases tóxicos, resíduos de alimentos cadavéricos, restos
de medicamentos, sequelas de diversos venenos cumulativos que se impõem como uma
base ao redor de nossas células e afetando o próprio líquido intercelular na sua
circulação. Tal é a condição do líquido tissular!
É claro que estão espalhados e misturados aí além desta solução que pode ser mais
ou menos coloidal ou cristaloide: vitaminas, sais minerais, lipídios, carboidratos, proteínas,
enzimas, hormônios e toda sorte de líquidos gerais produzidos pelo corpo como acidose
primária (exemplo: ácido úrico, ácido clorídrico, etc.).
É óbvio, por tudo que temos dito e visto até aqui, que a respiração orgânica estará
profundamente afetada pela trágica condição de intoxicação do líquido tissular, pois a
fonte imediata de alimentação das células estará afetada por sua presença intoxicante.

Não há como
negar a
importância
essencial da
estrutura por onde
flui o líquido
tissular e
exatamente onde
a água se torna o
fator essencial da
fluidez da vida.
Beber água não é
uma questão de
gosto ou opção!

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43

Não trataremos aqui destes pormenores, em relação a cada peça envolvida na


dispensação linfática – mas, temos que salientar com efusiva propriedade que a própria
produção de sangue e a renovação da vida (sangue) está diretamente conectada à
capacidade de se produzir dentro destas peças a estrutura de defesa (imunológica), de
flexibilização para favorecer os circuitos de controle da temperatura interna – tema
caríssimo aos naturologistas ligados à Escola de Acharán.

Por fim, neste painel


brevíssimo, temos que
agradecer a Deus
pelos “linfonodos” que
são defensores de
grande relevância e
seguram acidose
tissular grave,
impedindo que ela
afete peças vitais para
a sobrevivência geral
do organismo. É
nestes linfonodos que
se formam os nódulos,
cistos e cânceres!

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Diante do fenômeno da dor, da inflamação, da infecção e tumoração, temos uma


ampla e profunda ação linfática em todo o processo e, a importância de se fornecer água 44
e respiração de qualidade é primordial na recuperação – porque estas duas potências não
podem faltar na base da vida!

Numa oportuna síntese sobre a respiração e os processos linfáticos, com ênfase na


visão a partir do líquido tissular e da sua presença no ambiente intersticial, diremos que o
sistema linfático é constituído por uma rede de vasos capilares, semelhantes às veias,
chamados de vasos linfáticos.
Quando o sangue passa pelos capilares, parte do líquido que o compõe extravasa
pela parede celular e se espalha entre as células próximas, nutrindo-as e oxigenando-as.
Esta função de oxigenação é essencial e primária, relevante e principal!
As células também fazem trocas de substâncias com o meio e eliminam gás
carbônico e excreções no líquido extravasado, chamado de líquido tissular.
Grande parte do líquido tissular é reabsorvida pelos capilares e reincorporada ao
sangue. A pequena parte do líquido extravasado não retorna ao sistema circulatório,
sendo coletada pelo sistema linfático.
Os vasos linfáticos estão distribuídos por todo o corpo, com a função de drenar o
excesso de líquido que sai do sangue e banha as células, filtrando-o e encaminhando-o
para a circulação sanguínea.
O líquido que circula no interior dos vasos linfáticos é chamado de linfa, que é um
líquido esbranquiçado, de constituição semelhante à do sangue, diferindo apenas por não
conter hemácias. 2/3 da composição da linfa deriva do fígado e do intestino.

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Ela é composta também por leucócitos (glóbulos brancos), sendo que 90% são
linfócitos. 45
A linfa transportada pelos vasos linfáticos é filtrada nos linfonodos, também
chamados de gânglios linfáticos ou nódulos linfáticos.
Os linfonodos são estruturas esponjosas que se localizam em regiões estratégicas
do corpo, para realizar a sua principal tarefa: filtrar a linfa.
Os linfonodos, por possuírem finos canais com a presença de leucócitos que
identificam e destroem substâncias e corpos estranhos, filtram a linfa, eliminando todo e
qualquer corpo estranho que ela possa conter, como vírus e bactérias.
Quando o organismo é invadido por microrganismos, os leucócitos presentes nos
linfonodos que estão próximos à área afetada identificam o invasor e começam a se
multiplicar para combatê-lo. Com isso, os linfonodos aumentam de tamanho, formando
inchaços chamados de ínguas.
As amígdalas são órgãos linfáticos que se localizam na entrada das vias
respiratórias e do tubo digestivo, com a função de barrar a entrada de microrganismos
invasores.
Pescoço, axilas e virilhas também possuem linfonodos que filtram a linfa que provém
das extremidades do corpo. Na parede do intestino também existem linfonodos que têm a
função de destruir e reter partículas estranhas que penetram com os alimentos, ou que
são produzidas por bactérias que vivem no intestino.
O baço é um órgão linfático rico em linfonodos e que desempenha algumas funções
importantes, como: filtragem do sangue com a destruição de micróbios, restos de tecidos,
substâncias estranhas, células do sangue desgastadas como eritrócitos, leucócitos e
plaquetas, reação a alguns agentes infecciosos, participando na reposta do sistema
imunológico, e, por armazenar hemácias, funciona como “banco de sangue” de
emergência, lançando-as na corrente sanguínea em momentos de emergência.
Os linfócitos se originam na medula óssea e chegam aos órgãos linfáticos por meio
do sangue e da linfa.
Sugerimos que o Naturologista Clínico, bem como os demais profissionais de saúde
atentem para as regras naturistas de criação da melhor performance linfática no uso
adequado de água de boa procedência, de alimentos integrais e naturais como frutas e
hortaliças sem agrotóxicos, do uso racional de plantas e ervas medicinais – porém, de
nada valerão estes produtos, ainda que providenciados na melhor plataforma possível, se
o corpo não recebe ar de excelente qualidade – nisto condenamos a vida em Cidades
onde as toxinas atmosférica se impõem contra todos os esforços em torno de uma
desintoxicação alimentar ou de qualquer outro tipo.

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2. O Sistema Respiratório. 46

“Pois Ele mesmo é Quem dá a todos a vida, a respiração e


todas as coisas.” (Atos 17:25).

2.1. Compreendendo o Mecanismo da Respiração.

Respirar é muito importante, tal como comer e beber. Mas, como todos sabem, as
conseqüências de interromper a respiração aparecem muito rapidamente, de sorte que a
função respiratória é essencial e imediata não podendo ser suspensa por mais do que 3
minutos; a lesão seria definitiva ou fatal.
Nosso cérebro necessita de oxigênio de modo tão intenso que a cada segundo esta
substância tem que chegar via sangüínea até suas células, para que o ATP produzido no
tecido interno do crânio possa ser capaz de estimular nossa percepção de vida. O cérebro
estará morto sem oxigênio em aproximadamente 5 minutos sem que a pessoa respire, em
alguns casos que excepcionalmente a pessoa tenha aguentado além deste tempo, por 30
segundos ou até 1 minuto além, a lesão foi devastadora em grande parte do tecido
cerebral.
Portanto, Oxigenoterapia não é assunto de menor conta; pelo contrário: é mais
importante que todas as demais terapias! De longe a mais urgente e, com certeza, a
menos trabalhada, porque a maior parte das pessoas apenas respira e não se dá conta
da necessidade de praticar exercícios respiratórios diários.
A respiração é o primeiro ato do ser humano ao nascer, o qual se repete
incessantemente e automaticamente até o final da vida. O ato de respirar se compõe de
inspiração (entrada do ar) e de expiração (saída).
Ponte entre a mente consciente e a inconsciente, a respiração está diretamente
relacionada com a nossa energia emocional, com cada emoção estando ligada a uma
forma de respirar a ponto de ser possível mudar nossas emoções pela mudança do
padrão respiratório.
Ademais, o respirar é de importância fundamental também na manutenção físico-
energética do nosso corpo físico.
Além dos muitos gases presentes no ar (nitrogênio – 78%, oxigênio – 21%, ozônio,
dióxido de carbono, dióxido de enxofre, hidrogênio, argônio, neônio, hélio, metano,
criptônio, xenônio e vapor d‟água), muitos outros elementos químicos são inspirados junto
com eles. O ferro, o cobre, o zinco, a fluorita (mineral composto de fluoreto de cálcio e
fluoreto de ítrio), o quartzo (mineral composto de dióxido de silício, podendo conter lítio,

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sódio, potássio e titânio), a zincita (mineral de óxido de zinco) e o magnésio são


exemplos. 47
A relação entre a frequência respiratória, o estado de consciência vivenciado e a
longevidade, já está bem estabelecida. A plena atenção depende de uma frequência
respiratória diminuída, estando os estados emocionais alterados (como medo, raiva,
ansiedade e excitação) relacionados com uma respiração rápida e irregular. Cessar a
respiração espontaneamente e conscientemente (nos estados ampliados de consciência,
sem a inconsciência do sono ou da morte), diminui os impulsos nervosos motores aos
músculos (inclusive o cardíaco) e o fluxo de pensamentos e emoções.
Uma das grandes descobertas práticas da filosofia hindu veio da observação de que
se a mente inquieta enrijece o corpo e superficializa e acelera a respiração, o
alongamento muscular e a respiração profunda e ritmada são capazes de acalmar a
mente. A prática da respiração profunda, embora automática nas crianças, é
paulatinamente perdida à medida que vamos bloqueando nossas emoções. Prender a
respiração é o método mais eficaz de conter nossos sentimentos e emoções.
Embora seja de valor qualquer exercício respiratório, aqueles que incluem a
mentalização da circulação de energia pelo organismo, são de maior valor na limpeza de
nossos canais energético.
No princípio não se sente a circulação da energia, devendo-se confiar na
imaginação consciente, para visualizar o fluxo em coordenação com a respiração. Mas
após um longo período de prática, um fluxo de calor, ou ardor, se faz sentir percorrendo o
trajeto imaginado. Esse calor pode tomar todo o abdome e subir pela coluna vertebral, a
partir de sua base, até o topo da cabeça, até que, num estágio mais avançado, todo o
abdome se torna muito quente podendo surgir uma vibração local, um tremor por todo o
corpo e movimentos involuntários nos membros, que são também manifestações físicas
desse fluir energético. Nesses casos, a expiração pela boca ajuda a dispersar o calor
gerado pelo exercício.
Mas o primeiro passo é o controle consciente da respiração, quase toda ela
inconsciente e independente de nossa vontade consciente. Em momentos críticos de
tensão ou paramos de respirar ou a superficializamos de tal forma que ela se torna curta e
rápida. Em nossos momentos de ansiedade nos surpreendemos procurando respirar
profundamente, na forma conhecida popularmente como suspirar.
Respiramos inconscientemente, mais contraindo a musculatura torácica (respiração
torácica) do que o diafragma (respiração abdominal), e alternamos, também
inconscientemente, esse padrão naqueles momentos que nos solicitam força, resistência
e vigor.
Enquanto a respiração torácica estimula o sistema nervoso simpático, causando
agitação, a respiração diafragmática estimula o sistema nervoso parassimpático, trazendo
consigo relaxamento.

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48
Se tivéssemos conhecimento da importância da respiração no controle das emoções
e dos pensamentos, consideraríamos imprescindível a tomada de consciência de nossos
padrões respiratórios para depois se conseguir o seu controle consciente.
A tomada de consciência se faz através da observação consciente da entrada do ar
pelas narinas, sua passagem pela faringe, laringe, traqueia e brônquios, até chegar ao
pulmão, e seu caminho oposto na expiração. Essa observação é feita a partir de
exercícios que controlam conscientemente cada tempo respiratório: o inspirar, a pausa
inspiratória, o expirar e a pausa expiratória.
Outros exercícios controlam o movimento de ar pelas narinas fazendo-o passar por
elas alternadamente, ou entre elas e a boca. Tomar consciência de nossos padrões
respiratórios e dos fatores que os provocam é uma ampliação da abrangência de nossa
consciência que nos auxilia no processo de autoconhecimento.

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Antes de falarmos sobre os exercícios respiratórios e os tratamentos, gostaríamos


de explicar sucintamente a função respiratória. 49
A respiração serve para absorver o oxigénio do ar e libertar o dióxido de carbono
formado no nosso corpo. Isto acontece nos pulmões, que estão protegidos na cavidade
torácica.
Há pouco espaço entre os pulmões e as costelas e, em condições normais, esse
está ocupado por certa quantidade de liquido através do qual os pulmões se movimentam
no tórax. Em termos gerais, a respiração pode ser comparada com o trabalho de um fole:
quando o diafragma desce e o esterno vem para diante, o conteúdo do tórax e dos
pulmões aumenta e o ar passa pelo nariz e pela traqueia até aos pulmões (inspiração).
Quando se expira, acontece o inverso: a pressão dentro do tórax aumenta e o ar sai
dos pulmões.
Pode-se dizer que há dois tipos normais de respiração: respiração abdominal e
respiração costal-superior.

2.1.1. Respiração Abdominal.

É a mais importante: cerca de 60%. O diafragma tem um papel muito importante


neste tipo de respiração é um músculo que forma uma cúpula, de convexidade superior,
que separa o abdómen do tórax. Há músculos de ambos os lados. Quando estes
músculos se contraem, empurram o diafragma para baixo e o volume da caixa torácica
aumenta. Isto provoca a inspiração (entrada de ar). Quando os músculos se relaxam de
novo, o diafragma sobe devido à pressão dos músculos abdominais. O volume da caixa
torácica diminui, provocando a saída do ar (expiração).

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50

Respiração
Abdominal.
Também chamada
de Diafragmática.

Movimento das costelas e do diafragma durante a respiração. É fácil de ver que na


inspiração a parede abdominal vai para frente. Uma boa respiração abdominal é muito
importante para os doentes que tem doenças musculares. Os músculos que comandam a
respiração abdominal são mais susceptíveis de enfraquecer do que o diafragma. Além do
mais, na respiração abdominal, a parte inferior dos pulmões é muito melhor ventilada, o
que, por exemplo, faz com que seja menos provável surgir infecção (pneumonia).

2.1.2. Respiração Costal-Superior.

Esta é consequência do movimento das articulações das costelas com as vértebras


e o esterno. Pela ação dos músculos; as costelas são puxadas para cima. O tórax alarga-
se para frente; para trás e para os lados, aumentando o seu volume total, o que faz com
que baixe a pressão dentro dele.
Quando os músculos se relaxam, as costelas descem ajudadas pela ação da
gravidade. Com este tipo de respiração, só uma pequena quantidade de ar é renovada
nos pulmões (cerca de meio litro); enquanto que o volume total dos pulmões é de cerca
de 6-7 litros (no adulto).

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2.1.3. Pulmões.
51

Os pulmões são constituídos por um tecido esponjoso com milhões de alvéolos que
estão ligados aos brônquios e estes à traqueia. À volta destes alvéolos, há vasos
sanguíneos muito finos que absorvem o oxigénio dos pulmões e o transportam para o
coração pelas veias pulmonares, de onde o sangue, rico em oxigénio, é bombeado para
todo o corpo. No seu percurso pelo corpo, o sangue liberta oxigénio e absorve dióxido de
carbono. Este dióxido de carbono é o resultado da queima dos alimentos e do oxigénio
nas células do corpo. É por este processo que se obtém a energia necessária para viver e
trabalhar.

Azoto significa Nitrogênio.

2.1.4. Respiração Voluntária e Involuntária.

Como já dissemos na introdução, a respiração é uma atividade geralmente


automática.
No entanto, todos os músculos que participam na respiração devem receber
regularmente um estímulo.
Há dois mecanismos reguladores: o voluntário e o involuntário.
O voluntário refere-se àquilo que podemos fazer por nossa vontade: alterar o ritmo e
a profundidade da nossa respiração. Podemos contê-la, acelerá-la ou torná-la mais
profunda.
No entanto, a regulação involuntária (ou seja, a regulação que ocorre sem que a
nossa vontade participe) é muito mais importante, e ainda bem que assim é, senão,
teríamos que pensar de cada vez que respirássemos.

2.1.5. Centro Respiratório.

Para esta regulação involuntária contribui um complicado conjunto de pequenos


órgãos que estão constantemente a medir, como uma espécie de detectores de poluição
de ar, a quantidade de dióxido de carbono e de oxigénio no sangue. Estes pequenos

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órgãos passam as informações para o centro respiratório, situado no sistema nervoso


central. 52
Este centro é uma espécie de medidor e regulador e, é nele que toda a informação é
processada: dai saem os estímulos para os músculos que têm como função inspirar e
expirar. O centro respiratório reage de uma maneira particular à quantidade de dióxido de
carbono no sangue.

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2.1.6. Problemas Que Podem Surgir.
53
Quando fazemos muitas coisas ou temos muita febre, queimamos mais energias e,
como resultado, produz-se mais dióxido de carbono.
A quantidade de dióxido de carbono aumenta no nosso sangue, o que faz com que o
centro respiratório mande trabalhar mais os músculos da respiração: passamos a respirar
mais depressa e mais profundamente - ficamos ofegantes - até que a quantidade de
dióxido de carbono baixe e volte ao normal.

2.1.7. Respiração Demasiado Superficial.

As pessoas com doenças neuromusculares podem ter uma respiração demasiado


superficial, a chamada hipoventilação. Esta é provocada pela fraqueza dos músculos que
movem o tórax e o diafragma.
Deste modo, a ação de “fole” dos pulmões diminui e remove menos quantidade de
ar. Isto também pode acontecer por uma curvatura exagerada da coluna (escoliose) ou
pela vida sedentária que têm os doentes que estão em cadeira de rodas.
A posição sentada é especialmente desfavorável para os movimentos do diafragma,
porque os órgãos abdominais estão empurrados para cima, pelas pernas. Deste modo, o
diafragma pode descer menos do que seria desejável.
Uma pessoa que tem uma vida sedentária necessita de menos oxigénio, de modo
que a diminuição da função respiratória não representa necessariamente um problema
imediato para quem está confinado a uma cadeira de rodas, mas é necessário
prepararmo-nos para ele.
Um especialista em reabilitação pode prescrever exercícios respiratórios como os
que descrevemos mais à frente.

2.1.8. Acumulação de Secreções nos Brônquios.

As secreções que se produzem nos brônquios são normais e devem ser


expectoradas regularmente, para que se faça a “limpeza” dos brônquios.
A estas secreções juntam-se o pó e outras impurezas transportadas pelo ar que
respiramos. Normalmente, são transportadas até á faringe pelos cílios vibráteis (uma
espécie de “vassoura” natural). Daí são expectoradas pela ação da tosse.
Por exemplo, quando se tem uma constipação ou se inspira ar impuro, o volume de
secreções aumenta, facilitando a limpeza dos brônquios pela ação da tosse. Por isso
tossir é tão importante. A diminuição da força muscular também pode diminuir a
capacidade de expectorar. Há uma série de medidas que se podem tomar para
compensar esse problema e tornar a tosse mais eficaz.

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2.1.9. Habituação a Uma Maior Quantidade de Dióxido de Carbono. 54


A redução da força muscular é muito gradual na maioria das doenças
neuromusculares e por causa disso surge outro problema: o centro respiratório (que
comanda a respiração automática) habitua-se a uma maior quantidade de dióxido de
carbono no sangue. Isto faz com que ele só mande os músculos da respiração trabalhar
mais depressa quando o dióxido de carbono já é mais elevado do que normalmente
aconteceria.
Em consequência, mantém-se uma quantidade elevada de dióxido de carbono
permanentemente no sangue, o que pode dar dores de cabeça, irritabilidade ou
alterações do sono.
Por isso é importante manter uma respiração o mais eficaz possível.

2.1.10. Sintomas.
Descrevemos uma série de sintomas que, se aparecerem, deverão ser
imediatamente verificados com atenção e acuidade profissional. Estes sintomas em si não
são alarmantes.
No entanto, em determinadas circunstâncias próprias de cada doente, pode ser
motivo para que tenhamos que tomar certas medidas preventivas ou terapêuticas.
Normalmente, estes problemas podem ser resolvidos com a medicina naturista:
A - Dificuldades em tossir e expectorar.
B - Dificuldades em engolir.
C - Dores de cabeça, palpitações, suores, ansiedade, pesadelos, perda de peso.
D - Prisão de ventre.
E - Incapacidade de contar sem parar até dez (velocidade de 1 por segundo): falar
com frases pequenas de 3 a 5 palavras para poder respirar.

2.1.11. Sintomas Alarmantes.


Há situações que, embora surjam raramente, necessitam de tratamento urgente.
Note-se que não ocorrem na maioria das pessoas com doenças neuromusculares:

A - Quando sentir um aperto no peito.


B - Quando ficar com a pele azul (especialmente na cabeça, lábios. unhas e lóbulos
das orelhas).
C - Quando falar em tom monocórdico e ofegante (respirar entre cada uma ou duas
palavras).

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2.1.12. Como Melhorar a Respiração.
55
2.1.12.1. Iniciar de imediato.

Sendo a respiração uma coisa tão importante, a sua manutenção deve iniciar-se de
imediato. Podem tomar-se algumas medidas relativamente simples:

- manter o funcionamento do "fole" o melhor possível;


- estimular a expectoração;
- usar o máximo possível a plena capacidade dos pulmões.

É difícil dizer quando começar a se dedicar a lidar com esta situação de respiração
terapêutica; mas, se me permitirem, direi que o melhor é fazê-lo logo que se faça o
diagnóstico de qualquer doença.
No entanto, é difícil arranjar motivação enquanto não existirem sintomas. Não
esperemos demasiado tempo. O ideal é começar agora, quando não temos nenhuma
enfermidade e a prevenção é a lógica óbvia!
Há problemas que podem ser evitados na fase não sintomática da hipoventilação.

2.1.12.2. A Função do Fole.

Vimos que a respiração abdominal, ou seja, a que permite o movimento de subida e


descida do diafragma, é a mais importante; a posição sentada não é favorável, pois o
estômago empurra o diafragma para cima.
Deve-se mudar regularmente de posição, quer esteja sentado ou deitado, por
exemplo, quando está a ver televisão.
Quando estiver numa mesa trabalhando com as mãos, o ideal é ficar em pé. No
geral, o movimento é muito estimulante para a respiração e a circulação do sangue.
Quando já for difícil andar, podemos pensar em nadar ou andar de bicicleta, para
que o diafragma se mova um pouco por si. O uso de um colete ou outro tipo de ajuda
ortopédica é igualmente bom para compensar as deformidades. No entanto, estes
também podem dificultar a respiração e, consequentemente, merecem uma atenção
especial dos especialistas.

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2.1.13. Funcionamento dos Intestinos.
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É muito importante manter um bom funcionamento intestinal. Nos doentes em


cadeira de rodas, a respiração abdominal está dificultada pela posição. As pessoas que
passam muito tempo sentadas, os que não fazem nenhum tipo de exercício físico
planejado e, inclusive os que estão em pós-cirúrgico, terão dificuldades intestinais.
Se os intestinos não se esvaziarem convenientemente, o problema fica agravado.
Além do mais, os doentes em cadeira de rodas movem-se menos, e como tal têm mais
tendência à prisão de ventre e à formação de gases.
Nossa orientação tem sido a de que haja limpeza intestinal através de prevenção
alimentar, exercícios físicos, água para beber convenientemente, bem como, em casos
graves, o uso de hidrocolonterapia.

2.1.14. A Expectoração.

Existe normalmente líquido nos pulmões e, por isso, o tecido pulmonar não perde a
elasticidade.
No entanto, este líquido retém pó, bactérias e outras matérias indesejáveis,
formando secreções, que têm que ser expelidas.
Isto acontece pela ação dos cílios vibráteis, que atuam como vassouras,
transportando essa expectoração até à traqueia. A tosse completa o transporte até à
boca.

É preciso considerar
cuidadosamente as
camadas da mucosa da
traqueia que representa a
mesma unidade nas
paredes internas do
próprio pulmão.
O corpo possui delicados
mecanismos de filtragem,
de conexões e de
captação de oxigênio.

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A dinâmica da estrutura da mucosa dos 57


pulmões é muito delicada e é a que mais
funciona em nosso organismo, numa
proporção intensa de milhares de fluxos de
captação nos alvéolos pulmonares.
A dinâmica é tão intensa que a cada vez que
uma pessoa inspira e expira, os alvéolos
pulmonares abrem e fecham 5 vezes.
Ora, é claro que a presença da água é
essencial e, não nos cansamos de orientar:
beba água com grande frequência!

Se a força muscular diminuir, esta tosse é dificultada, de modo que é preciso


arranjar outras maneiras de ajudar a expectorar.
A percussão do tórax de determinadas maneiras é igualmente uma boa ajuda para
soltar a expectoração. Peça ao terapeuta para lhe ensinar a fazê-lo, com antecedência.
Assim, quando tiver necessidade (por exemplo, quando se constipar), já sabe a técnica
correta.
O provérbio “mais vale prevenir que remediar” aplica-se aqui perfeitamente. O uso
de óleo de hortelã e óleo de eucalipto são os dois produtos mais poderosos, simples e
baratos que conheço para abençoar as pessoas com constipação; também o uso de
extrato de própolis puro, na dosagem adequada em suco de laranja (ou outro com cor
amarela) é essencial e positivo – salvo nos casos de pessoas que possuem dificuldades
com alergia a derivados de apiterapia (produtos das abelhas!).

2.2. A Flexibilidade dos Pulmões.

Se os pulmões forem pouco ou mal utilizados, o tecido pulmonar perde a


flexibilidade, resultando maiores dificuldades respiratórias.
Como alguém pode usar os pulmões de modo incorreto? Fumando, vivendo em
ambientes tóxicos, dormindo em colchões cheios de fungos, respirando em ambientes
cheios de pó.
A respiração das pessoas que levam uma vida sedentária leva muito a desejar.
Pode ser necessário compensar a falta de exercício e isso geralmente é fácil de fazer.
Em certas condições, algumas doenças neuromusculares podem causar problemas
na capacidade de respirar livremente; discutir estes aspectos com a equipe que o assiste

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Oxigenoterapia

pode ser importante para que não haja agravamento de quadros graves. Os especialistas
com experiência sabem maneiras de prevenir ou de tratar este casos; no entanto, 58
frequentemente, os doentes ou seus familiares deixam passar muito tempo sem lidarem
com as dificuldades, aliás, é comum que nem saibam que há caminhos para lidar com tais
dificuldades. Isso só faz com que se possam agravar certos problemas que poderiam ser
minorados.
Um exame periódico da função respiratória é muito importante para saber em que
situação o doente se encontra e o que se pode esperar desta função. É essencial que
mantenha a sua função respiratória boa pelo maior tempo possível, em todas as fases da
sua crise doesta.

Temos aqui uma indicação


cuidadosamente elaborada, para explicar
com o devido cuidado os detalhes do
fluxo de circulação do ar nas paredes
dos pulmões.

Recomendamos que ao menos 1 vez por


semana, as pessoas façam uma sessão
de inalação de 30 minutos usando o
seguinte:

(a) 20 ml de água
(b) 1 gota de óleo de hortelã
(c) 1 gota de óleo de eucalipto

O tempo da inalação e o vigor


respiratório deve ser profundo,
diafragmático e deve-se passar óleo de
hortelã e eucalipto nas costas antes de
fazer a sessão.

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Oxigenoterapia

3. Oxigenoterapia Naturológica. 59

“O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer
de onde vem e nem para onde vai. Assim acontece com todos
os nascidos do Espírito.” (João 3:8).

3.1. O Que é Oxigenoterapia?

É a aplicação do oxigênio, que é um gás indispensável a vida, e está presente no ar


de modo tão dinâmico e por meio natural, mas que denominamos terapêutico porque a
pessoa que é atendida não tem respirado com o devido critério fisiológico e, por esta
razão, está carregado de baixa oxigenação orgânica geral, a qual denominamos hipóxia.
Quando respiramos, o ar entra em nossos pulmões e quando expiramos é feito em
nosso organismo a troca do oxigênio pelo gás carbônico, ou seja, o organismo aproveita o
oxigênio que é transportado através do sangue.
Quando isto não acontece normalmente, é porque existem problemas nos pulmões,
como: falta de oxigenação ou a não oxigenação adequada. Isto pode causar problemas
aos rins, ao coração e ao cérebro.
Com o uso da oxigenoterapia, há a possibilidade de corrigir o nível de oxigênio e a
prevenção de problemas nestes órgãos citados.

Sinais de hipóxia são:


 Sinais respiratórios: Taquipneia, respiração laboriosa (retração intercostal,
batimento de asa do nariz), cianose progressiva;

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 Sinais cardíacos: Taquicardia (precoce), bradicardia, hipotensão e parada


cardíaca; 60
 Sinais neurológicos: Inquietação, confusão, prostração, convulsão e coma;
 Outros: Palidez.

3.2. Técnicas de Respiração Aplicadas a Oxigenoterapia Naturológica.

Os exercícios que serão apresentados a seguir são sugestivos de uma dinâmica de


tratamento periódico para pessoas que tenham dificuldades respiratórias. Não existem
quaisquer riscos de efeitos colaterais negativos ou possibilidade de que qualquer ser
humano não seja beneficiado por estes exercícios.

(1) Respiração Coerente.

Se você tiver tempo para aprender apenas uma técnica de respiração deve ser essa!
Em uma respiração coerente, o objetivo é respirar em um ritmo de cinco respirações
por minuto, o que geralmente se traduz em inalação e exalação até a contagem de seis.
Se você nunca praticou exercícios de respiração antes, talvez você precise trabalhar
com esta prática lentamente, começando pela inalação e exalação até a contagem de três
e então ir progredindo até a contagem de seis.
1. Sentado, de pé ou deitado, coloque as mãos na sua barriga, na altura do
umbigo.
2. Inspire pelas narinas lentamente, expandindo sua barriga, até a contagem de
cinco.
3. Pausa.
4. Expire pelas narinas lentamente até a contagem de seis.
5. Seguindo o seu ritmo tente praticar esse padrão por 10 a 20 minutos por dia.

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(2) Respiração Antiestresse.
61

Quando sua mente está correndo ou você se sente tenso, tente essa respiração,
que tem o benefício adicional de fortalecer seu core.
1. Sente-se diretamente no chão ou na borda de uma cadeira, mantenha a
coluna ereta.
2. Coloque as mãos na sua barriga.
3. Ao inalar pelas narinas, seu abdômen deve ir se projetando a frente.
4. Expire de uma vez só, expulsando todo o ar pelas narinas, puxando o
umbigo pra dentro.
5. Repita a inalação, seguida exalação vigorosa 20 vezes.

(3) Respiração Energizante.

1. Fique em pé, cotovelos dobrados, palmas voltadas para cima.


2. Ao inalar, vá com os cotovelos para trás, as palmas continuam voltadas para
cima.
3. Então a exalação acontecerá pela boca, como se você falasse um “HA” em
voz alta, a exalação deve acontecer de forma rápida, enquanto exala empurre
as palmas para frente e girando-as para baixo.
4. Repita de 10 a 15 vezes.

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3.3. Os Casos de Insuficiência Respiratória.
62
A insuficiência respiratória é uma condição na qual o nível de oxigênio no sangue
torna-se perigosamente baixo ou o nível de dióxido de carbono perigosamente alto.
A insuficiência respiratória é consequência de uma troca inadequada de oxigênio e
dióxido de carbono entre os pulmões e o sangue ou de uma alteração da ventilação
(movimento do ar para dentro e fora dos pulmões).
Quase todas as condições que afetam a respiração ou os pulmões podem causar
insuficiência respiratória. Uma dose excessiva de narcóticos ou de álcool produz uma
sonolência tão profunda que o indivíduo pode parar de respirar e apresentar insuficiência
respiratória.
Outras causas comuns são a obstrução das vias aéreas, as lesões de tecidos
pulmonares, as lesões de ossos e de tecidos que envolvem os pulmões e a debilidade
dos músculos normalmente responsáveis pela insuflação pulmonar.
A insuficiência respiratória pode ocorrer se o fluxo sanguíneo através dos pulmões
torna-se anormal, como acontece na embolia pulmonar.
Esse distúrbio não chega a impedir que o ar entre e saia dos pulmões, mas, em uma
área pulmonar sem fluxo sanguíneo, o oxigênio não é extraído adequadamente do ar e a
transferência de dióxido de carbono não ocorre de modo normal.
Outras causas de fluxo sanguíneo anormal, como os distúrbios congênitos que
enviam sangue diretamente para o restante do corpo sem antes passar pelos pulmões,
também podem causar insuficiência respiratória.

3.3.1. Causas da Insuficiência Respiratória


Razão Subjacente Causa
Obstrução das vias aéreas Bronquite crônica, enfisema, bronquiectasia,
fibrose cística, asma, bronquiolite, partículas
aspiradas.

Respiração insuficiente Obesidade, apneia do sono, intoxicação por


drogas. Debilidade muscular. Miastenia grave,
distrofia muscular, poliomielite, síndrome de
Guillain-Barré, polimiosite, acidente vascular
cerebral, esclerose lateral amiotrófica, lesão da
medula espinhal.

Anormalidade do tecido pulmonar Síndrome da angústia respiratória aguda,


reação medicamentosa, fibrose pulmonar,
alveolite fibrosante, tumores disseminados,
radiação, sarcoidose, queimaduras.

Anormalidade da parede torácica Cifoescoliose, ferimento na região torácica.

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3.3.2. Sintomas e Avaliação.
63
Alguns sintomas da insuficiência respiratória variam de acordo com a causa.
No entanto, níveis baixos de oxigênio produzem cianose (coloração azulada da pele)
e níveis elevados de dióxido de carbono causam confusão mental e sonolência.
Um indivíduo com obstrução das vias aéreas pode apresentar falta de ar e esforçar-
se muito para respirar, enquanto um indivíduo que se encontra intoxicado ou debilitado
pode simplesmente entrar em coma.
Independente da causa da insuficiência respiratória, os níveis baixos de oxigênio
produzem em última instância um mau funcionamento cerebral e cardíaco, acarretando
deterioração da consciência e arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais) que podem
levar à morte.
O aumento da concentração de dióxido de carbono faz com que o sangue torne-se
ácido, afetando ainda mais os órgãos, especialmente o coração e o cérebro.
O organismo tenta livrar-se do dióxido de carbono com respirações rápidas e
profundas, mas, se a função pulmonar estiver comprometida, esse padrão respiratório
pode não ajudar.
Quando a insuficiência respiratória apresenta uma evolução lenta, a pressão nos
vasos sanguíneos pulmonares aumenta; uma condição denominada hipertensão
pulmonar.
Caso não seja tratada, ela lesa os vasos sanguíneos, comprometendo ainda mais a
transferência de oxigênio para o sangue e estressando o coração com consequente
insuficiência cardíaca.

3.3.3. Tratamento.

No início da insuficiência respiratória, quase sempre é realizada a administração de


oxigênio.
Normalmente a quantidade administrada é superior à necessária, exceto se o
indivíduo sofrer de insuficiência respiratória crônica.
Esse tipo de paciente tende a apresentar uma redução da frequência respiratória
quando submetido a uma oxigenação.
A causa subjacente também deve ser tratada. Antibióticos são administrados para
combater infecções e broncodilatadores são utilizados para dilatar as vias aéreas.
Outras medicações também podem ser administradas para reduzir a inflamação ou
evitar a formação de coágulos sanguíneos. Alguns pacientes em estado grave necessitam
de ventilação mecânica como adjuvante na respiração.

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É realizada a passagem de um tubo plástico através da narina ou da boca, até a


traqueia. O tubo é conectado a um aparelho que impulsiona o ar para o interior dos 64
pulmões.
A expiração ocorre passivamente devido à retração elástica dos pulmões. Muitos
tipos de ventiladores e modos de operação podem ser utilizados, dependendo do distúrbio
subjacente.
Quando os pulmões não funcionam corretamente, é possível a administração de
oxigênio suplementar com o uso do ventilador.
A ventilação mecânica pode salvar a vida de pacientes quando esses são incapazes
de realizar por si uma ventilação adequada.
A quantidade de líquido no organismo deve ser controlada e ajustada rigorosamente
para maximizar as funções pulmonar e cardíaca.
Deve-se manter a acidez do sangue equilibra equilibrada, tanto pelo ajuste da
frequência respiratória como pela utilização de medicamentos que promovem o
tamponamento dos ácidos.
Além disso, são administrados medicamentos que visam manter o paciente calmo e,
consequentemente, reduzem a demanda de oxigênio do organismo e torna a insuflação
pulmonar mais fácil.
Quando o tecido pulmonar apresenta uma lesão grave, como ocorre na síndrome da
angústia respiratória aguda, o médico frequentemente aventa a possibilidade da
administração de corticosteroides, medicamentos que reduzem a inflamação.
Entretanto, o uso rotineiro desses medicamentos não é justificado, uma vez que eles
podem causar muitas complicações, incluindo a perda da força muscular.
Em geral, essas substâncias não são as mais benéficas para os indivíduos que
apresentam distúrbios que sabidamente causam inflamação pulmonar ou das vias aéreas,
como as vasculites, a asma e as reações alérgicas.

3.3.4. Dispneia (Dificuldade Respiratória).

Dispneia é a sensação desagradável de dificuldade para respirar. A pessoa sadia


respira mais rapidamente durante a realização de exercícios e em altitudes elevadas.
Apesar de raramente ser desconfortável, a respiração rápida pode limitar a
quantidade de exercício realizada.
Na dispneia, a respiração mais rápida é acompanhada pela sensação de falta de ar
e de incapacidade de respirar de modo suficientemente rápido e profundo.
A dispneia limita a quantidade de exercício que pode ser realizado.

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Outras sensações relacionadas à dispneia são: a percepção de aumento do esforço


muscular para a expansão do tórax durante a inspiração, ou para a sua contração durante 65
a expiração; a sensação desconfortável de urgência de realizar uma inspiração antes de a
expiração ser completada e sensações vagas, as quais são frequentemente descritas
como uma opressão no peito.
Há alguns Tipos de Dispneia; e devemos estar atentos a eles.
(1) O tipo mais comum de dispneia é aquele que acompanha o esforço físico.
Durante o exercício, o corpo produz mais dióxido de carbono e consome
mais oxigênio. O centro respiratório do cérebro aumenta a frequência
respiratória quando os níveis de oxigênio no sangue encontram- se baixos
ou quando os níveis de dióxido de carbono encontram-se elevados. Por
outro lado, se as funções cardíaca e pulmonar estiverem anormais, mesmo
um pequeno esforço pode acarretar um aumento acentuado da frequência
respiratória e causar a dispneia. Nas formas mais graves, a dispneia pode
ocorrer mesmo em repouso.
(2) A dispneia de causa pulmonar pode ser consequência de defeitos restritivos
ou obstrutivos. Na dispneia restritiva, o trabalho respiratório aumenta por
causa do um comprometimento da expansão torácica devido à perda de
elasticidade dos pulmões, a uma deformidade da parede torácica ou a um
espessamento pleural. O volume de ar que chega aos pulmões é inferior ao
normal, como mostram as provas de função pulmonar.
(3) Os indivíduos com dispneia restritiva comumente sentem-se confortáveis em
repouso, mas apresentam dificuldade respiratória quando estão em atividade
porque seus pulmões não conseguem expandir-se o suficiente para obter o
volume de ar necessário.
(4) A dispneia obstrutiva envolve o aumento da resistência ao fluxo de ar devido
ao estreitamento das vias aéreas. Em geral, o ar pode ser inspirado, mas
não pode ser expirado da forma normal, pois as vias aéreas se estreitam
durante a expiração. A respiração é difícil, especialmente durante a
expiração. As provas de função pulmonar mensuram o grau de obstrução.
Um problema respiratório pode incluir tanto defeitos restritivos como
obstrutivos. Como o coração impulsiona o sangue através dos pulmões, é
fundamental que a função cardíaca esteja normal para que o rendimento
pulmonar seja adequado. Se a função de bomba do coração for inadequada,
pode ocorrer acúmulo de líquido nos pulmões, dando origem ao chamado
edema pulmonar. Este distúrbio produz dificuldade respiratória, que é
frequentemente acompanhada por uma sensação de asfixia ou de peso no
peito. O acúmulo de líquido nos pulmões também pode acarretar o
estreitamento das vias aéreas e à produção de sibilos expiratórios, um
distúrbio conhecido como asma cardíaca. Alguns indivíduos cujo coração
bombeia de modo inadequado podem apresentar ortopnéia (dificuldade
respiratória quando estão deitados), a qual alivia na posição sentada.
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(5) A dispneia paroxística noturna é uma crise de dispneia súbita e


frequentemente assustadora que ocorre durante o sono. O indivíduo 66
desperta com falta de ar e deve sentar-se ou ficar em pé para conseguir
respirar. Trata-se de um tipo de ortopnéia e um sinal de insuficiência
cardíaca. Na respiração periódica ou de Cheyne-Stokes, ocorre uma
alternância entre períodos de respiração acelerada (hiperpnéia) e períodos
de respiração lenta (hipopneia) ou de ausência de respiração (apneia). As
suas possíveis causas são a insuficiência cardíaca e a redução da eficácia
do centro respiratório do cérebro.
(6) A dispneia circulatória é um distúrbio grave de início súbito que ocorre
quando o sangue não consegue transportar uma quantidade suficiente de
oxigênio aos tecidos, como, por exemplo, quando o indivíduo tem um
sangramento abundante ou anemia. O indivíduo tem uma respiração rápida
e profunda em uma tentativa de obter oxigênio em quantidade suficiente. O
aumento da acidez do sangue, como o que ocorre na acidose diabética,
pode produzir um padrão respiratório caracterizado por respirações lentas e
profundas (respiração de Kussmaul), mas o indivíduo não apresenta falta de
ar. Por outro lado, um indivíduo com uma insuficiência renal grave pode
apresentar dispneia e uma respiração ofegante e rápida devido a uma
combinação de acidose, insuficiência cardíaca e anemia. Uma lesão cerebral
súbita decorrente de uma hemorragia cerebral, de um traumatismo ou de
qualquer outro distúrbio pode acarretar uma respiração rápida e intensa
(hiperventilação). Muitos indivíduos apresentam episódios de dispneia
caracterizados por respirações rápidas e profundas. Esses episódios,
denominados síndrome da hiperventilação, são comumente causados por
ansiedade e não por um problema físico. Muitos indivíduos que apresentam
essa síndrome se assustam, achando que estão sofrendo um infarto do
miocárdio. Os sintomas devem-se a alterações das concentrações dos
gases sanguíneos (principalmente em função da diminuição do nível de
dióxido de carbono) provocadas pela respiração acelerada. Esses indivíduos
podem apresentar alteração da consciência, a qual é comumente descrita
como uma sensação de que as coisas ao seu redor encontram- se muito
distantes. Eles também apresentam uma sensação de formigamento nas
mãos, nos pés e em torno da boca.

3.3.5. Dor Torácica.

A dor torácica pode ser originária da pleura, dos pulmões, da parede torácica ou de
estruturas internas que não fazem parte do sistema respiratório, sobretudo o coração.
A dor pleurítica – uma dor aguda provocada pela irritação do revestimento dos
pulmões – torna- se mais intensa com a respiração profunda e com a tosse.

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A dor pode ser aliviada com a imobilização da parede torácica, como, por exemplo,
protegendo-se o lado afetado e evitando-se a respiração profunda ou a tosse. 67
Em geral, o local da dor pode ser indicado com precisão, embora, algumas vezes,
ela possa mudar de localização no decorrer do tempo.
O derrame pleural, – um acúmulo de líquido no espaço situado entre as duas
camadas da pleura – pode causar inicialmente uma dor pleurítica, mas a dor
frequentemente desaparece quando as duas camadas são separadas em decorrência do
acúmulo de líquido.
Normalmente, a dor pleurítica é mais fácil de ser descrita do que a dor originária de
outras estruturas do sistema respiratório.
Por exemplo, um abcesso ou um tumor pulmonar pode causar uma sensação vaga
de dor torácica profunda, sem que seja possível determinar a sua localização de forma
precisa.
A dor também pode originar-se na parede torácica. A respiração profunda e a tosse
aumentam sua intensidade e, geralmente, ela é limitada a uma área da parede torácica
que também dói quando pressionada.
As causas mais comuns são as lesões da parede torácica, como fraturas de costelas
e lacerações, ou lesões de músculos intercostais.
Um tumor que cresce na parede torácica pode causar apenas uma dor local ou,
quando ele afeta um nervo intercostal, pode causar uma dor referida (dor ao longo de
toda a zona inervada pelo nervo afetado).
Algumas vezes, o herpes zoster, causado pelo vírus da varicela zoster, manifesta-se
por uma dor torácica em cada inspiração, antes do surgimento da erupção cutânea típica.

3.3.6. Sibilos.

Os sibilos são sons semelhantes a assovios produzidos durante a respiração e que


se devem à obstrução parcial das vias aéreas.
Uma obstrução em qualquer ponto das vias aéreas produz sibilos.
Eles podem ser causados por um estreitamento geral das vias respiratórias (como
ocorre na asma ou na doença pulmonar obstrutiva crônica), por um estreitamento
localizado (como o produzido por um tumor) ou por uma partícula estranha que se aloja
nas vias aéreas.
A causa mais comum de sibilos recorrentes é a asma, embora muitos indivíduos que
nunca tiveram asma apresentem sibilos em algum momento da vida.
Geralmente, o médico detecta a presença de sibilos realizando a ausculta pulmonar
com o auxílio de um estetoscópio. Para mensurar a extensão do estreitamento das vias

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aéreas e para avaliar os benefícios do tratamento, pode ser necessária a realização de


provas da função pulmonar. 68

3.3.7. Estridor.

O estridor é um som semelhante a um grasnido e é predominantemente inspiratório,


sendo ouvido durante a respiração. Ele se deve a uma obstrução parcial da garganta
(faringe), da laringe ou da traqueia.
Geralmente, o estridor é suficientemente alto para ser ouvido em certa distância,
mas ele pode ser audível apenas durante uma respiração profunda.
O som é causado pelo fluxo de ar turbulento pela via aérea superior estreitada. Nas
crianças, a causa pode ser uma infecção da epiglote ou a aspiração de um corpo
estranho.
Nos adultos, ele pode dever-se à presença de um tumor, de um abcesso, de um
edema das vias aéreas superiores ou de uma disfunção das cordas vocais.
Algumas vezes, o estridor pode ser o sintoma de uma emergência potencialmente
letal.
Nesses casos, é realizada a introdução de um tubo através da boca ou da narina do
indivíduo (intubação traqueal) ou diretamente na traqueia (traqueostomia) para permitir
que o ar evite a obstrução e, dessa forma, a vida do paciente pode ser salva.

3.3.8. Tosse.

A tosse é um movimento súbito e explosivo do ar, que tende a eliminar materiais


presentes nas vias aéreas.
A tosse, um reflexo comum, porém complexo, é uma forma de proteção dos pulmões
e das vias aéreas. Juntamente com outros mecanismos, ela protege os pulmões contra
partículas inaladas (aspiradas).
Às vezes, a tosse produz escarro – uma mistura de muco, resíduos e células
eliminadas pelos pulmões.
Os tipos de tosse variam consideravelmente. Uma tosse pode ser aflitiva,
especialmente quando os episódios são acompanhados de dor torácica, dificuldade
respiratória ou produção excessiva de escarro (também denominado flegma).
No entanto, quando a tosse persiste por muito tempo, como no caso de um indivíduo
tabagista com bronquite crônica, é possível que o indivíduo se dê conta de sua presença.
Para determinar a causa da tosse, o médico costuma formular as seguintes questões:

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Há quanto tempo ela vem ocorrendo?


Em qual momento do dia ela ocorre? 69
Existem alguns fatores que a desencadeiam (ar frio, postura, fala, ingestão de
alimentos ou líquidos)?
Ela é acompanhada por dor torácica, dificuldade respiratória, rouquidão,
tontura ou outros sintomas?
Ela é produtiva, isto é, ela produz escarro?

O indivíduo pode produzir escarro sem tossir ou apresentar uma tosse sem escarro.
O aspecto do escarro também auxilia no diagnóstico.
A coloração amarelada, esverdeada ou acastanhada pode indicar uma infecção
bacteriana, enquanto o escarro incolor, esbranquiçado ou aquoso pode indicar a presença
de um vírus, uma alergia ou a ação de uma substância irritante. O médico pode examinar
o escarro ao microscópio e a presença de bactérias e leucócitos é uma indicação
adicional de infecção.

3.3.8.1. Orientações Gerais Sobre Casos de Tosse.

Como a tosse tem um papel importante na eliminação do escarro e na limpeza das


vias aéreas, uma tosse que produz uma grande quantidade de escarro geralmente não
deve ser suprimida.
O tratamento da causa subjacente como, por exemplo, uma infecção, a presença de
líquido nos pulmões ou uma alergia, é mais importante. Por exemplo, antibióticos podem
ser administrados para combater uma infecção ou anti-histamínicos para tratar uma
alergia.
Caso a tosse seja seca (não produtora de escarro) e incômoda, podem ser utilizados
medicamentos que suprimem a tosse (antitussígenos) para combatê-la.
Do mesmo modo, em certas circunstâncias, como quando o indivíduo apresenta-se
exausto, mas não consegue dormir, antitussígenos podem ser prescritos com o objetivo
de aliviar a tosse, mesmo quando esta é produtiva. A tosse pode ser tratada com dois
grupos de medicamentos: antitussígenos e expectorantes.

3.3.8.2. Expectorantes.

Os expectorantes ajudam a desprender o muco, pois eles tornam as secreções


brônquicas mais finas e mais fáceis de serem expectoradas.
Em Naturologia Clínica, não gastamos nosso tempo com um mar de produtos,
estudos de química orgânica e dando voltas em círculo. Ainda não encontramos nada que
possa igualar os óleos de eucalipto e de hortelã como expectorantes respiratórios.
Especialmente se forem agregados ao mel e à própolis.

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4. Orientação Sobre o Curso. 70

Fazendo um encaminhamento relacionado ao nosso Curso de Naturologia Clínica,


em direta conexão com nosso Sistema Online de Suporte, bem como com os
Questionários de Pesquisa e Estudos, temos que definir o seguinte:

1- Os fundamentos de nosso módulo foram todos contemplados nesta apostila.

2- Há uma necessidade de que o estudante obtenha uma nota final superior ou


equivalente a 7 pontos de aprovação total no módulo/disciplina.
a. PRIMEIRA NOTA – É encontrada através da aferição do resultado dos
quatro (4) questionários obrigatórios, que devem ser respondidos e eles
somam um total de 40 questões, cada questão tem valor de 0,10 pontos e
o total das 40 questões resultam em 4 pontos.
b. SEGUNDA NOTA – Há uma carga de materiais disponibilizados no
Sistema Acadêmico no total de 12 documentos (textos, livros), aponta uma
visão ampla referente a uma ampla dinâmica sobre o conteúdo “matriz” e
com base nele o estudante deverá providenciar um Artigo produzido em
no mínimo de 2 páginas A4 e encaminhar eletronicamente. Esta atividade
será avaliada conforme regras próprias que estão indicadas na sua
composição e devem tratar de qualquer questão referente ao tema dos
Artigos, usado de forma livre pelo estudante conforme sua liberdade de
composição do Artigo – esta atividade vale 2 pontos.
c. TERCEIRA NOTA – Por fim, há um conteúdo relacionado ao livro
obrigatório do Curso, que é além da Apostila principal. O livro é: “”. O
trabalho é uma redação de no mínimo 2 páginas A4 e vale 4 pontos.

3- O prazo de realização é contado da seguinte forma:


a. Iniciando no dia em que o Estudante for cadastrado na disciplina, estará
valendo o prazo máximo de 60 dias ininterruptos. Finalizando a data, a
não entrega dos trabalhos significará a perda da disciplina.
b. Não há apelação além do prazo.

4- As tarefas aqui indicadas são encaminhadas em anexo para os canais de


acessibilidade dos estudantes no sistema acadêmico e para os seus e-mails.

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