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Universidade Lúrio

Faculdade de Ciências Agrarias


Licenciatura em Engenharia Florestal
I Semestre
Cadeira: Tecnologia de Madeira

CHAPAS DE MADEIRAS SARRAFEADOS

Autor:
Manuel João Macaque

Unango, Abril de 2020


Indice
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 3
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................................... 4
2.1 Processo de produção - chapas sarrafeados .................................................................................... 4
2.2 preparação dos sarrafos .................................................................................................................. 5
2.3 Junção dos sarrafos ......................................................................................................................... 7
2.4 Junção lateral dos sarrafos .............................................................................................................. 7
2.5 Amarração dos sarrafos .................................................................................................................. 8
2.6 Revestimento do painel .................................................................................................................... 9
2.7 Acabamento dos paineis ................................................................................................................ 10
3. CONTROLE DE QUALIDADE, CLASSIFICAÇÃO E ESPECIFICAÇÕES .......................... 10
3.1 Propriedades das chapas .............................................................................................................. 10
3.2 Defeitos de fabricação .................................................................................................................... 11
3.4 Classificação e especificações das chapas ...................................................................................... 11
4. PRINCIPAIS CONSTATAÇÕES ............................................................................................... 14
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA .............................................................................................. 15

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1. INTRODUÇÃO

A producao e utilização de compensados em escala industrial, data- se do inicio deste século em


estado unidos Americas. Desde então houve um grande processo de desenvolvimento que, segundo
(BALDWIN, 1981), pode ser divido em três períodos:

Periodo de 1905-1935: é caracterizado como fase de desenvolvimento de tecnologia


básica, em termos de projectos e fabricação de equipamentos para a linha de produção,
difusão e amplição de Mercado deste novo produto chamados chapas de madeiras
compensadas;
Periodo de 1936-1955: foi a fase de consolidação das industrias de compensados como
importantes segmentos da industria madeireira, com desenvolvimento de sistemas de pre-
nsagens mas avançados e produção resinas sistemas termoendurecedores
(FENOLFORMAALDEIDO, UREIAFORMALDEIDO), para colagem a quente dos
painéis.
Periodo de 1956-1980: e Mercado como fase de inovações tecnológicas, com
aperfeiçoamentos em termos de materias(resinas, extensores, catalizadores), e
desenvolvimentos de secadores mais eficientes e prensas automáticas de multiplas
aberturas, contribuindo para aumento da produtividade, a melhor qualidade de produto e
reduzir o custo da producao.

1.1 OBJECTIVOS

1.2.1.GERAIS

Presente trabalho tem por finalidade estudar a chapas de madeiras sarrafeados.

1.2.2 ESPECIFICOS

- Descrever os Processo de produção - chapas sarrafeados;

- Descrever as Propriedades das chapas;

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2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Processo de produção - chapas sarrafeados


Segundo (IWAKIRI, 2002). A produção de compensados sarrafeados se torna uma opção
exequível, quando há possibilidade de aproveitamento de resíduos de serrarias, principalmente
aqueles constituídos de pequenas peças de madeira, normalmente des cartadas, ou destinadas a
geração de energia. A utilização destes resíduos para composição do miolo de compensados
sarrafeados, agrega - se o valor desta fonte de matéria-prima.
O compensado sarrafeado pode ser definido como um painel fabricado com a parte central
constituída de sarrafos, que são colados lateralmente e revestidos com lâminas. São utilizadas
duas lâminas, sendo a primeira em contato com os sarrafos, funciona como camada de transição,
com a grã no sentido perpendicular, e a lâmina da capa, de melhor qualidade, com a grã no sentido
paralelo dos sarrafos que compõe o miolo (figura 1).

 Figura 1– Princípio de construção de compensado sarrafeado

As etapas do processo de producao de compensados sarrafeados.

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Fig 2. Fluxograma do processo de producao de compensado.

2.2 preparação dos sarrafos


De acordo com a norma NBR 7203, dimensões dos sarrafos são padronizados em espessura de
2, 0 a 4,0cm e largura de 2,0 a 10,0cm. Peças com menor largura terá melhor estabilidade
dimensional que peças mais largas. Com peças mais estreitas, o aproveitamento da madeira será
melhor, no entanto, o custo será maior, devido ao maior consumo de adesivo e mão de obra. Um
aspecto importante que deve ser considerado é com relação a contrações tangencial e radial da
madeira, denominado de fator de anisotropia. Espécies de madeira com alta anisotropia
apresentam maior tendência para empenamento, refletindo diretamente na estabilidade
dimensional do painel. Numa peça de madeira, a contração tangencial é maior em relação à
contração no sentido radial. As figuras abaixo, demonstram as condições hipotéticas em que o
inchamento tangencial é igual ao inchamento radial; inchamento tangencial maior que o
inchamento radial, numa peça perfeitamente radial; e, a mesma situação, para uma pe ça com
anéis de crescimento orientados diagonalmente.

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Figura 3-inchamento de secção transversal quando o inchamento tangencial e igual ao radial (a=a’
,b=b’)-secção permanece quadrada desconsiderada a orientação dos aneis.

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Considerando-se dois sarrafos com orientação similar dos anéis de crescimento e colados
lateralmente, como ilustrado na figura 17, o empenamento do painel em decorrência de um
aumento no teor de umidade, é aproximadamente quatro vezes o empenamento individual dos
sarrafos (4a). Quando a colagem lateral é realizada de forma oposta, haverá melhor estabilidade
(4b).

Figura 4. Empenamentos de painéis com bordos colados

O processo ideal seria a colagem de sarrafos obtidos através de cortes radiais. No entanto, na
prática isto se torna inviável, devido às dificuldades operacionais e da necessidade de melhor
aproveitamento da tora. Portanto, a alternativa técnica e economicamente racional é a distribuição
aleatória de sarrafos obtidos de cortes também aleatórios. Após a confecção de sarrafos em
medidas padrões, através de operações de cortes em serras, as peças serradas passam por processo
de aplainamento com o objetivo de homogeneizar a espessura dos sarrafos que irão compor a
parte central do painel. Com o aplainamento, a superfície do painel de sarrafos colados, torna -se
mais lisa e adequada para colagem de lâminas superficiais.

2.3 Junção dos sarrafos


A junção lateral de sarrafos pode ser feita através da colagem lateral das peças, ou por sistema
de “amarração”, que consiste em aplicação de fios de nylon com cola “hot m elt”, aplicados no
sentido perpendicular aos sarrafos.

2.4 Junção lateral dos sarrafos


A operação de junção lateral de sarrafos é norm almente automatizada e consiste na aplicação de
adesivo tipo PVA nas faces laterais, e prensagem por alta freqüência, unindo os sarrafos que irão
compor a parte central (miolo) do painel.

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É importante que após a colagem, o painel de sarrafos seja climatizado por determinado tempo,
para possibilitar a equalização da umidade, antes do revestimento com lâminas, a fim de evitar a
ocorrência de defeito chamado de junta “Sunken”. Este fenômeno é causado devido ao aumento
do teor de umidade da madeira, na porção imediatamente adjacente à linha de cola, devido à
absorção de água presente no adesivo, resultando num padrão de inchamento como ilustrado na
figura 4b. Po rtanto, se o revestimento com lâminas é realizado antes da equalização, e sendo
revestidos com lâminas logo a seguir, o painel sofrerá efeitos do desenvolvimento das juntas
“Sunken”, que são as depressões na superfície do painel, como ilustrado na figura

Figura 5 – Desenvolvimento de juntas Sunken, cujos pontos indicam absorção de umidade junto
a linha de cola.

2.5 Amarração dos sarrafos


O sistema de “amarração” de sarrafos, consiste em operações realizadas por máquina de fluxo
contínuo, na qual, os sarrafos são posicionados sobre a mesa de entrada, dotada de rolos giratórios
com velocidade diferenciada, sendo os posteriores mais velozes que os anteriores (figura --). Esta
condição tem o objetivo de encostar os sarrafos no sentido do comprimento. As guias laterais,
por sua vez, determinam a largura do painel.

O conjunto de sarrafos passa por uma prensagem lateral e vertical, para manter a estrutura fechada,
e o painel passa por processo de “amarração” com fios embebidos com adesivo. A passagem de
rolos aquecidos sobre os fios, promovem a fusão da cola. Na medida que o painel atinge o
comprimento determinado por uma fotocélula, um sistema de serra efetua o corte automático do
painel.

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Figura -- : Máquina de “amarrar” sarrafos (catálogo FEZER)

2.6 Revestimento do painel


O miolo é revestido inicialmente por uma lâmina como camada de “transição”, com a grã no
sentido perpendicular a dos sarrafos e, posteriormente, uma outra lâmina (capa) de melhor
qualidade é colada com a grã no sentido paralelo aos sarrafos que compõe o miolo.

A lâmina de “transição” pode ser, ou não, da mesma espécie que compõe a capa e o miolo,
sendo normalmente, de espessura maior e qualidade inferior em relação à lâmina da capa.

A lâmina da capa deve ser de boa qualidade e de alto valor decorativo, em função da finalidade
de uso. Algumas espécies como Imbuia, Cerejeira, Tauari, Freijó, Virola, Pinus e Mogno, são
comumente empregadas como lâminas decorativas para capas de compensados sarrafeados,
elevando substancialmente o valor agregado do produto.

A operação de prensagem é basicamente o mesmo processo empregado na produção de


compensados multilaminados. A pressão, temperatura e tempo de prensagem devem ser
adequadas a fim de promover a cola gem do miolo com as lâminas externas que compõe o painel.
Como os painéis sarrafeados são destinados para uso interno, o adesivo empregado é normalmente
a base de resina uréia-formaldeído.

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2.7 Acabamento dos paineis
As operações de acabamento dos painéis sarrafeados são similares à produção de compensados
multilaminados. As chapas passam por processos de acondicionamento, esquadrejamento e
lixamento.

3. CONTROLE DE QUALIDADE, CLASSIFICAÇÃO E ESPECIFICAÇÕES

Os padrões de qualidade e especificações de chapas de madeira compensada são definidos pelas


inúmeras normas existentes, de acordo com as exigências de consumidores de cada país ou blocos
regionais.

No Brasil, a norma mais antiga foi elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), e na década de 80, o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF),
elaborou uma minuta de normas para chapas de madeira compensada, com base em algumas das
normas internacionais mais recomendadas.

Existem normas quanto aos procedimentos para ensaios físico-mecânicos, tais como a americana
- ASTM, a alemã – DIN, a européia – EN e a brasileira – ABNT, entre outras.

Quanto aos padrões comerciais de utilização, pode-se mencionar a CS – Commercial Standard,


APA - American Pl ywood Asso ciation, BSI – Britsh Standard Institutions, entre outras.

O controle de qualidade de compensados pode ser realizado com base nas suas propriedades e
defeitos de fabricação.

3.1 Propriedades das chapas


As principais propriedades avaliadas a nível de pesquisa e pelo setor de controle de qualidade e
desenvolvimento de produtos das indústrias são:

Teor de umidade;
Massa específica aparente;
Módulos de elasticidade e de ruptura em flexão estática;
Resistência da linha de cola aos esforços de cizalhamento;
Absorção de água, inchamento e recuperação em espessura;
Emissão de formaldeído livre.

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3.2 Defeitos de fabricação
Quanto aos defeitos de fabricação, os principais tipos são descritos a seguir:

Bolha – elevação da superfície da chapa devido à separação das lâminas decorrente da alta
pressão interna de vapor e “estouro”;
Delaminação – separação de lâminas a partir das bordas da chapa devido à falhas de
colagem;
Defeitos abertos – irregularidades tais como trincas, rachaduras, juntas abertas, fissuras,
furos de nós, ou nós soltos

Encavalamento – sobreposição de lâminas devido à falhas na junção de lâminas;

Ultrapassagem de cola – manchas na superfície da chapa devido à ultrapassagem do adesivo da


linha de cola para a superfície.

3.4 Classificação e especificações das chapas


A classificação dos compensados pode ser realizada com base na qualidade das lâminas que irão
compor a capa, miolo e contra-capa do painel. As lâminas são previamente classificadas em:

 N – natural;
 A – primeira;
 B – Segunda;
 C – terceira;
 D – Quarta.

A classificação genérica é realizada com bas e no local de utilização e adesivo utilizado:

IR – Interior: chapa colada com adesivo tipo interior (uréia -formaldeído), destinada à utilização
em locais protegidos da ação d`água ou alta umidade relativa. O mínimo de falha na madeira deve
ser de 60%, quando submetido ao ensaio de cisalhamento;

IM – intermediário: chapa colada com adesivo tipo intermediário (melamina-uréia-


formaldeído), destinada à utilização interna, mas em ambient e de alta umidade relativa, podendo
eventualmente receber a ação d’àgua. O mínimo de falha na madeira deve ser de 60%, quando
submetido ao ensaio de cisalhamento;

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EX – exterior: chapa colada com adesivo a prova d’àgua (fenol -formaldeído), destinada ao uso
exterior ou em ambientes fechados onde são submetidos a repetidos umedecimento e seca gem ou
ação d’àgua. O mínimo de falha na madeira deve ser de 80%, quando submetido ao ensaio de
cisalhamento.

De acordo com a norma NBR3 – INMETRO, as chapas de madeira compensada produzidas no


Brasil, podem ser classificadas em:

Compensado de uso geral (GER): são chapas de madeira comp ensada, multilaminada, cujo
adesivo empregado na sua fabricação se restringe ao uso interno. Este tipo de compensado tem
grande aplicação na indústria moveleira.

Forma de concreto (FOR): são chapas de madeira compensada, multilaminada, e cuja colagem
é a prova d’água, admitindo-se o uso exterior. Este produto é largamente empregado na construção
civil.

Compensado decorativo (DEC): são chapas que recebe na sua superfície uma lâmina de
madeira (faqueada) considerada como “decorativa”, e a colagem deve ser do tipo intermediária,
ou seja, pode ser utilizada em locais de alta umidade relativa e, eventualmente, entr ar em contato
com a água. O uso final deste produto é principalmente na fabricação de móveis.

Compensado industrial: são chapas que apresenta menor restrição em termos de aparência e o
adesivo utilizado dever ser do tipo a prova d’água. A sua utilização é muito ampla, destacando-
se as embalagens.

Compensado naval (NAV): são chapas classificadas genericamente como de uso exterior,
portanto de colagem a prova d’ água, co m alta resistência mecânica e montagem perfeita. Destina
-se normalmente ao uso em aplicações que exigem o contato direto com a água, como por exemplo,
a construção naval.

Compensado sarrafeado (SAR): são chap as cujo miolo é formado por sarrafos colados
lateralmente. O adesivo utilizado na sua produção é do tipo interior. A aplicação restringe-se
basicamente à indústria moveleira. Existem ainda, compensados produzidos para condições
específicas como:

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Compensado resinado (R): são chapas com aplicação d e resina resistente à água na superfície.
Compensado plastificado (P): são chapas com aplicação de filme sintético na superfície. As
chapas de madeira compensada são produzidas principalmente com a s dimensões (largura x
comprimento) de 1220 x 2440mm e 1600 x 2200mm.

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4. PRINCIPAIS CONSTATAÇÕES

Após a revisão bibliográfica conclui que a produção de compensados sarrafeados se torna uma
opção exequível, quando há possibilidade de aproveitamento de resíduos de serrarias,
principalmente aqueles constituídos de pequenas peças de madeira, normalmente des cartadas, ou
destinadas a geração de energia. A utilização destes resíduos para composição do miolo de
compensados sarrafeados, agrega - se o valor desta fonte de matéria-prima. Os padrões de
qualidade e especificações de chapas de madeira compensada são definidos pelas inúmeras normas
existentes, de acordo com as exigências de consumidores de cada país ou blocos regionais.

No Brasil, a norma mais antiga foi elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT), e na década de 80, o antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF),
elaborou uma minuta de normas para chapas de madeira compensada, com base em algumas das
normas internacionais mais recomendadas.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

ABNTA- SSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Nbr7203 condicoes


gerais-Nomeclatura de pecas de madeira serradas, 1982.

BALDWIN, .F. Plywood Manufacturing pratices. San Francisco:Miller Freeman, 1981. 326p.

IBDF - INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO FLORESTAL. Normas de


controle de qualidade e classificacao de compensado, Brasilia, 1985.

FEZER Maquinas de amarrar sarrafos(folder),1998, 4p.

IWAKIRI, S. paineis de Madeira . Curitiba: FUPEF/Série didatica n˚1/98,2002

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