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GRUPO SER EDUCACIONAL

“MAURICIO DE NASSAU”
DISCIPLINA: ESTÁGIO SUPERVISIONADO - PEDAGOGIA
LÉIA SIQUEIRA SILVA

PROJETO DE INTERVENÇÃO

RIBEIRÃO /PE
2020
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LÉIA SIQUEIRA SILVA

PROJETO DE INTERVENÇÃO

Projeto apresentado ao Curso de


Graduação em Pedagogia da (Mauricio de
Nassau), como requisito para aprovação
na disciplina de Estágio Supervisionado
III.

RIBEIRÃO/PE
2020
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1. INTRODUÇÃO

Vivemos em um país onde o racismo tem estruturado as relações sociais desde a


colonização, causando apagamento das identidades, exclusão socioeconômica e
genocídio dos negros. Segundo Silva (2007), apesar da abolição da escravatura,
nunca houve superação efetiva do processo de supressão de negras e negros que
foram relegados a uma sociedade discriminatória sem que tivessem menor suporte
para se estabelecerem.
É necessário entender que a escola não está isenta dos efeitos do racismo. Ao
contrário disso, a educação brasileira teve um papel central na construção do
imaginário social racista e ainda, nos dias atuais, vem reproduzindo tal prática.
Porém, a luta por mudanças vem ganhando espaço cada vez maior, demandando
revisão nos projetos políticos pedagógicos, nos currículos escolares e nas práticas
de ensino. É obrigação legal desde 2003, quando foi aprovada a lei 10.639, que
determinou a inserção de conteúdos de história e cultura afro-brasileira e africana
nos currículos escolares.
Diante da situação de racismo vivida por uma aluna em nossa escola, surgiu-se a
necessidade do projeto de intervenção “ Educação não tem cor” com o objetivo de
levar os nossos estudantes a compreenderem o processo de formação étnico-
cultural do Brasil e que todos ser humano independente de sua cor de pele é parte
fundamental na construção de uma sociedade mais justa.
Percebe-se que o preconceito racial se manifesta na escola não apenas pelas
expressões racistas entre alunos ou entre professores e alunos, mas também pela
omissão e pelo silêncio quando essas situações ocorrem ou, ainda, pelo mesmo
silêncio e ocultamento da imagem do negro como imagem positiva e, na
contrapartida, pela super-representação da imagem do branco (ZANON; BRAGA;
BRITO, 2010, p. 6).
Ao se considerarem as especificidades que compõem a diversidade cultural e os
caminhos que precisam ser trilhados para a construção do diálogo e para a garantia
da cidadania a todos, não se pode esquecer de uma instituição muito importante em
nossa sociedade: a escola (GOMES, 2007, p. 20).
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2. DESENVOLVIMENTO

É perceptível que falar sobre diferença, diversidade e relações étnico-raciais exige


que pensemos nesses conceitos de forma ampla, crítica e reflexiva, visto que, por
muito tempo se impôs uma cultura sobre outras, desconsiderando costumes,
crenças, línguas e outras características típicas de cada etnia. De acordo com
Gomes (2010),

Aprendemos, na cultura e na sociedade, a perceber as diferenças, a


comparar, a classificar. Se as coisas ficassem só nesse plano, não teríamos
tantos complicadores. O problema é que, nesse mesmo contexto,
aprendemos a hierarquizar as classificações sociais, raciais, de gênero,
entre outras. Ou seja, também vamos aprendendo a tratar as diferenças de
forma desigual. (GOMES, 2010, p.24)

Abordar a questão da identidade é ponto de partida para se desconstruir


preconceitos e discriminações através do reconhecimento das diferenças e assim
minimizar práticas racistas presentes no cotidiano das escolas. É preciso
proporcionar aos alunos experiências críticas, para que tenham a oportunidade de
visualizar a questão “raça” através de vários ângulos e não apenas por me uma
única história. Nas palavras de Silva (2005)

Identificar e corrigir a ideologia, ensinar que a diferença pode ser bela, que a
diversidade é enriquecedora e não é sinônimo de desigualdade, é um dos
passos para a reconstrução da autoestima, do autoconceito, da cidadania e
da abertura para o acolhimento dos valores das diversas culturas presentes
na sociedade. (SILVA, 2005, p.33)

Implantar permanentemente a Lei 10.639/2003, elencar seus objetivos durante a


atualização do Projeto Político Pedagógico das instituições e capacitar os
professores para uma educação para direitos humanos com enfoque na diversidade
cultural, faz-se pertinente e indispensável diante da questão analisada. Esta ação se
configura como primordial para se propor alternativas que contribuam para
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reconstruir o conceito de diferença, indo além da valorização, aceitação, tolerância


acrítica do outro. Mostrar aos estudantes como as diferenças são construídas nas
relações de poder que envolvem identidade/diversidade é a melhor forma de atuar
para que as diferenças sejam visualizadas em torno de uma perspectiva de direitos.
No Brasil, uma série de fatos nos mostram que, o Estado excluiu homens e
mulheres negros, sistematicamente, ao longo da história, desvalorizando sua
contribuição na construção e formação da sociedade brasileira. Esse fato é
perceptível quando paramos para pensar por exemplo, que a escravidão no Brasil
se perpetuou até o final do século XIX, ou quando visualizamos que políticas
públicas de inserção do negro na sociedade pós abolição foram totalmente
desconsideradas, ou ainda, quando observamos a negação de direitos aos negros
durante a proclamação da república e descobrimos que o governo investiu no
chamado branqueamento da população brasileira ao incentivar a imigração europeia
no início do século XX (CARREIRA, 2013).
A educação também contribuiu de forma significativa para que essa “igualdade
racial”, apoiada em um mito de democracia racial, se perpetuasse. Podemos citar
como exemplo desse apoio, a adoção de um currículo eurocêntrico (extremamente
rígido e engessado), a invisibilidade do aluno negro na escola, a desconsideração da
história dos negros na sociedade. Todos esses fatos, influenciaram até mesmo no
reconhecimento por parte do negro de sua identidade, auto estima e rendimento
cognitivo (CARREIRA, 2013).
Conforme relatos dos membros a escola em questão e com a missão de minimizar
os impactos causados pela discriminação e preconceito étnico-racial vivenciado por
crianças negras no ambiente escolar, o caminho traçado para esta intervenção
buscou indagar: Como desconstruir pedagogicamente e de forma preventiva,
preconceitos e discriminações que originam condutas racistas no ambiente escolar?
Daí, o projeto “Educação não tem cor” tem por objetivos;

 Levar os educandos a ter uma visão ampla e crítica referente à História não
eurocêntrica;

 Esclarecer a respeito do artigo 5º da Constituição Brasileira a fim de


conscientizá-los sobre as formas de preconceito e respeito à diversidade,
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deixando evidente que o racismo é crime sendo esse inafiançável e


imprescritível.

 Desconstruir a questão do mito da democracia racial, por meio de


questionamentos e análises críticas, objetivando eliminar conceitos, ideias e
comportamentos influenciados pela ideologia do branqueamento;

A produção didática será aplicada no 2º semestre do ano letivo . A abordagem da


problemática será através de debates e palestras, reflexão e análise, tanto referente
ao contexto histórico como análises no âmbito geral de músicas, pequenos vídeos,
discussões entre outros. Para gerar um clima favorável às discussões da temática
serão expostas as definições dos conceitos: o que vem a ser racismo, preconceito e
discriminação, fazendo uma exemplificação clara e objetiva ,que se faz necessário
no primeiro momento, para que os mesmos tenham uma interação e participação
ativa do assunto em pauta e para que posteriormente vão fazendo a identificação
desses conceitos na prática cotidiana e combatendo na desconstrução dos mesmos.
A escola em seu papel formador tem obrigação de trabalhar temas críticos não
apenas quando houver situação apropriadas, mas elencar estes temas ao currículo
escolar anual para que praticas como estas não tragam sofrimentos futuros a alunos
e familiares.
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3. CONCLUSÃO

Práticas de preconceito racial acontecem, porque em nosso país, camufla-se a


aceitação da diferença sobre um mito de “democracia racial”. Mito este que impõe
sem permitir questionamentos, um padrão de homogeneidade e universalidade para
todos, sem levar em consideração aspectos socioculturais, territoriais, próprios e
importantes de cada contexto e realidade.
Assim, de forma simbólica e mascarada inferioriza-se quem não se encaixa em um
padrão pré-determinado e mais, desconsidera a subjetividade e a identidade de
cada pessoa. Por isso, quando a escola se depara com casos de preconceitos
explícitos como o exposto, os profissionais ficam sem saber o que fazer, que
medidas concretas adotar para sanar o conflito evidenciado.
O projeto de intervenção proposto ao visualizar essa realidade, buscou então dar
ênfase na necessidade de se respeitar o outro independente de sua cor de pele.
Mostrar que todos contribuem de forma significativa para a formação e uma
sociedade justa, onde todos podem ter seus direitos validados.
Pode-se notar que ao final do projeto os alunos compreendiam a importância do
respeito entre colegas, não somente dentro da sala de aula mas em todo parte e
lugar.
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4. REFERÊNCIAS

Educação e relações raciais: refletindo sobre algumas estratégias de atuação. In:


MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o Racismo na escola. 2ª ed. Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade, 2005.

SILVA, Ana Célia da. A Desconstrução da Discriminação no Livro Didático. In:


MUNANGA, Kabengele (org.). Superando o Racismo na escola. 2ª ed. Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade, 2005.

https://new.safernet.org.br/content/conhe%C3%A7a-lei-para-crime-de-racismo

http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=901&page=2 )

https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/o-papel-escola-na-
desconstrucao-racismo-preconceito.htm

http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/racismo_escola.pdf