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Seminário V- TRIBUTAÇÃO INTERNACIONAL

Orlando Ribeiro Serra

Professor: Gervásio

Turma: Terça

Questões

1. Construa a RMIT dos Impostos de Importação e de Exportação. Qual o conceito de


produto para fins de incidência destes tributos?

RMIT II

Hipótese:
Critério material: importar produtos estrangeiros
Critério espacial: todo o território nacional
Critério temporal: entrada de produtos estrangeiros no território nacional.
Consequência:
Critério pessoal:
Sujeito ativo: União; Sujeito passivo: Importador;
Critério quantitavo: base de cálculo: preço do produto; alíquota: aquela prevista na
legislação do imposto.

RMIT IE

Hipótese:
Critério material: exportar produtos nacionais ou nacionalizados para o exterior.
Critério espacial: todo território nacional
Critério temporal: saída de produtos nacionais ou nacionalizados para o exterior.
Consequência:
Critério pessoal:
Sujeito ativo: União; Sujeito passivo: Exportador;
Critério quantitavo: base de cálculo: preço do produto; alíquota: aquela prevista na
legislação do imposto.

Produto pode ser conceituado como toda coisa ou toda utilidade que se extraiu de outra coisa,
reduzindo-lhe a quantidade.

2. A empresa “X” firmou contrato de fornecimento, formalizando a aquisição de bem


do exterior, datado de 10/05/2017. Os produtos transpuseram a fronteira brasileira, por via
marítima em 15/06/2017, chegaram ao porto de Santos em 18/06/2017, em 25/06/2017 a
empresa registrou a operação junto ao SISCOMEX e os produtos foram desembaraçados em
02/07/2017. No momento da realização do contrato a alíquota do referido imposto era de
10%. No entanto, em 01/06/2017 o Governo Federal publicou decreto que aumentou a
alíquota aplicável à importação do referido bem para 20%, em 16/06/2017 houve outro
aumento de alíquota para 30%, em 22/06/2017 para 35% e em 01/07/2017 para 38%.
Pergunta-se: qual é a alíquota aplicável à operação de importação em análise? Fundamente.
(Vide anexo I e II)

A ocorrência do fato gerador foi em 25/06, tendo em vista que a empresa registrou a operação
junto ao SISCOMEX, ou seja, quando se declarou o imposto de Importação, logo a alíquota
aplicável à operação de importação será de 35%.

3. A reimportação de mercadoria exportada em caráter definitivo se equipara à


importação, ou seja, a mercadoria exportada perde a condição de nacional, devendo se
submeter ao Imposto de Importação ao ser reimportada? (Vide anexo III)

A reimportação de mercadoria exportada em caráter definitivo não se equipara a importação,


tendo em vista que a importação e a reimportação de mercadorias são atividades distintas,
sem contar que o critério material do imposto de importação é a entrada de produto
estrangeiro, logo não incidiria o imposto por se tratar de produto nacional.

4. O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema monista ou dualista? Em face da


resposta ao item anterior, defina os critérios para solução de conflitos entre tratados e lei
interna, no Direito Tributário Brasileiro. Há hierarquia entre tratados e lei interna?

O ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema monista nacionalista, também conhecida


como monismo com primazia do direito interno, em que haveria uma supremacia da ordem
jurídica interna e as regras de direito internacional seriam livremente adotadas, a depender do
interesse de cada Estado Nacional.

Diante disso, um conflito entre tratados e lei interna, dependerá se o tratado foi recepcionado
como emenda a constituição ou se seria norma supra-legal. Nos casos em que se trata de
emenda a Constituição, este terá mesma hierarquia do que norma constitucional, resolvendo
por meio de outros critérios como especialidade e cronologia, já num conflito com normas
inferiores a Constituição os Tratados prevaleceram pelo critério hierárquico. No que se refere
aos Tratados não recepcionados como normas supra legais, num conflito com norma
constitucional, irá prevalecer a norma constitucional, já num conflito com as demais normas
prevalecerá os Tratados.

5. Sobre os tratados, responda:

a) Defina o conceito de “tratado internacional”, descrevendo como se dá seu


ingresso no ordenamento jurídico, seu momento de vigência no direito interno e sua posição
hierárquica no sistema jurídico (vide §2º do art. 5º da Constituição e o art. 98 do Código
Tributário Nacional e o entendimento exposto pelo STF anexo IV).

Tratado internacional pode ser conceituado como um acordo celebrado entre dois ou mais
sujeitos do direito internacional público, estipulando direitos e obrigações para as nações ou
organizações signatárias, que poderão produzir efeitos jurídicos no plano internacional.

No Brasil a competência para celebrar tratados internacionais é da União, na pessoa do


Presidente da República, na qualidade de Chefe de Estado. Dessa forma, os Tratados devem
ser referendados pelo Congresso Nacional que deve resolver definitivamente sobre os
Tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos
ao patrimônio nacional.

b) Pode a União, visando a regular a política tarifária, versar sobre a isenção de


tributo de competência estadual?

c) Os tratados podem revogar ou suspender a eficácia das normas tributárias


inseridas no ordenamento jurídico brasileiro pelos Estados e Municípios? Haveria violação
ao princípio federativo e ao princípio da autonomia dos Municípios consagrados na CF/88?
(Vide anexos V e VI)

d) No que consiste o “uso impróprio” dos tratados? É necessária previsão expressa


de cláusulas antielisivas específicas? Um planejamento tributário internacional que está
formal e substancialmente em conformidade com as legislações tributárias dos Estados
envolvidos, mas que implique uma situação de (dupla) não tributação, pode ser
juridicamente proibido? Fundamente, estabelecendo uma análise crítica entre os conceitos
de “responsabilidade social corporativa”, “parcela justa de tributos” e “livre concorrência
entre empresas multinacionais e nacionais” (vide artigo 31 da Convenção de Viena sobre
Direito dos Tratados e anexo VII)

6. A Lei Complementar nº 104/2001 acrescentou um parágrafo segundo ao artigo 43 do


CTN, dispondo “que na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei
estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de
incidência do imposto...”. Indaga-se: o regime de tributação em bases universais abrangendo
as controladas e coligadas no exterior nos moldes em que prescrito pela Lei 12.973/2014
está de acordo com o ordenamento jurídico? Considerar em sua resposta a manifestação do
STF a respeito do tema. (Vide anexos VIII e IX)
7. Que significa a expressão “preços de transferência” e qual sua função? O que é o
princípio “arm’s lenght” aplicado pelo fisco no Brasil? Foi positivado no Brasil pela Lei n.
9.430/96 e alterações posteriores? Comente sobre a possibilidade de aplicação coercitiva
deste conceito. (Vide anexo X).

A expressão preços de transferência tem sido utilizada para identificar os controles a que estão
sujeitas as operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas vinculadas, sediadas
em diferentes jurisdições tributárias, ou quando uma das partes está sediada em país ou
dependência com tributação favorecida ou goze de regime fiscal privilegiado.

A função dos preços de transferência é impedir a evasão de tributos, IR e CSLL pela


manipulação de operações comerciais entre empresas brasileiras e suas coligadas domiciliadas
no exterior.

O princípio “arm’s lenght” aplicado pelo fisco no Brasil é um princípio que visa o pagamento de
um preço justo, ou seja, o preço pago por operações comerciais ou financeira realizadas entre
pessoas vinculadas em diferentes jurisdições tributárias deve ter as mesmas condições (quanto
a preços, prazos, encargos, qualidade) a serem aplicadas ao pagamento de um preço por uma
parte não vinculada que contratasse com base em sua livre escolha e melhor interesse.

A legislação brasileira não trata expressamente do princípio do arm’s lenght, mas ele está de
forma implícita, logo não se pode aplicar coercitivamente esse conceito.

8. Sobre troca de informações fiscais, baseada em tratados internacionais, pergunta-se:

a) Que meios estão legalmente disponíveis para a obtenção de informações fiscais?


Quais proteções aos contribuintes estabelecidas pelo art. 26 da convenção-modelo da
OCDE ? É possível haver a transferência de informações recebidas por um determinado país
para um terceiro país, com quem o Estado receptor da informação tenha celebrado acordo
de troca automática de informações para fins fiscais?

b) Caso o Brasil receba um pedido de troca de informações de um Estado com quem


tenha celebrado tratado para evitar a dupla tributação, cuja redação do art. 26 seja idêntica
àquela da convenção-modelo da OCDE, ele pode se recusar a fornecer a informação, em
virtude de aquela informação ser sigilosa? (vide art. 5º, inc. X e XII da CF/88, e anexo XI)

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