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Notas de Contabilidade Básica

Instituto Superior Politécnico de Songo


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I. INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE
I.1. BREVES CONSIDERAÇÕE SOBRE A EMPRESA
Iniciaremos o nosso curso de contabilidade básica, dissecando um pouco sobre a empresa,
local onde se exerce a actividade contabilística. Porém, não queremos em nenhum momento
sugerir que a contabilidade é exclusiva as empresa pois, a mesma também se exerce nos
diferentes entes públicos (Ministérios, Institutos Públicos, etc) assim como em outras
organizações sem fins lucrativos. Optamos por abordar sumariamente as empresas porque
são na verdade as unidades geradoras de riqueza, assim como de parte das receitas do Estado.

As empresas são as células básicas da actividade económica. Estas, são vulgarmente


entendidas como um conjunto organizado de meios materiais, humanos e financeiros virados
para a produção de bens e serviços.

Existem vários conceitos de empresa e estes variam de autor para autor. Generalizando,
podemos dizer que a empresa é um todo organizado que produz bens, transformando
matérias-primas em produtos acabados e/ou presta serviços a outros agentes económicos
visando fundamentalmente o lucro. Neste contexto, podemos admitir que a empresa é uma
organização1 em que os seus objectivos se traduzem na realização de um lucro, ou seja, na
criação de um excedente. Esse lucro é apurado comparando os resultados obtidos com os
meios utilizados, através de técnicas contabilísticas que permitem a determinação e avaliação
monetária dos recursos utilizados e das contrapartidas ou produtos obtidos.

1
A organização pode ser entendida como um conjunto de duas ou mais pessoas que se estruturam e
coordenam esforços visando alcançar um objectivo comum.

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Assim, podemos dizer que a contabilidade surge como um subsistema de informação


vocacionada para a determinação e valorização dos meios utilizados nas produções e das
contrapartidas obtidas.
CICLO DE VIDA DA EMPRESA
A empresa tem geralmente um ciclo de vida limitado, que compreende em cinco fases
(nascimento, crescimento, maturação, declinio e extinção) que estas por sua vez podem ser
resumidas em três fases, designadamente:
 Institucional
 Funcionamento/execução
 Liquidação.

Institucional é a fase em que se decide a criação da empresa através da obtenção e


combinação dos recursos necessários para o funcionamento da empresa, bem como a sua
formalização, como unidade económica.

Funcionamento/Execução é a fase na qual se desenvolve todo o processo de transformação,


ou seja, é a fase da produção efectiva de bens e/ou prestação de serviços com vista a
obtenção de certos resultados.

Liquidação é a fase na qual se procede a extinção da empresa (transformação, dissolução,


extinção, etc).

Sendo a fase de funcionamento a de mais longa duração, e tendo em conta a necessidade de


se obter informações regulares sobre o andamento dos negócios, houve a necessidade de a
dividí-la em intervalos de tempo iguais no fim do qual se elabora balanços, se discute a
actuação da direcção, se aprovam as contas, etc. A cada um desses períodos normalmente
conscidente com os anos civís, designa-se período administrativo. A parte da gestão2
correspondente a cada período administrativo designa-se por exercício económico. (fins
lucrativos-produção e venda de bens).

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A gestão consiste em planificar, organizar, dirigir, coordenar e controlar os diferentes recursos
organizacionais.

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A par do período administrativo e exercício económico, existe o exercício financeiro que


corresponde ao conjunto de operações que ocorrem no Estado, no sentido de cobrar impostos
(aquisição de receitas) e financiar os projectos públicos.

FLUXOS DA EMPRESA
No desenvolvimento das suas actividades económicas, as empresas estabelecem relações,
umas viradas para os aspectos internos e outras para os externos. Estas relações traduzem-se
por fluxos de bens e serviços aos quais correspondem usualmente fluxos monetários de
sentido inverso. (empresa-sistema aberto).

Fluxos externos são aqueles que resultam de operações realizadas, pondo a empresa em
contacto com outros agentes económicos, é o que se passa por exemplos com empréstimos
obtidos e concedidos, compras e vendas, etc.

Fluxos internos são aqueles que resultam de operações realizadas no interior da própria
empresa. É o que acontece por exemplo com a saída de matérias primas do armazem para a
produção, etc.

EM ESQUEMA
Despesa 1
Fornecedor Despesa 1 Compras Pagamento 5 Fornecedores
Custos 3Pagamento Custo 3
Materias-primas
Caixa
Matérial Produção
Bancos
Mao-de-obra Proveito 4

receita 2Recebimen Receita 2


Venda
Recebimento 6
Compradores
Comprador

Financeiros
Óptica Financeira Óptica Económica Óptica Monetária

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INTERPRETANDO
1. A aquisição de bens e serviços a terceiros traduz-se numa obrigação financeira. Estas
obrigações financeiras associadas a aquisição de bens e serviços designam-se despesas. As
despesas correspondem as recmunerações dos factores produtivos (terra, capital, trabalho).
2. A venda de bens ou prestação de serviços gera direitos financeiros ao vendedor. Estes
direitos financeiros associados a venda de bens e prestação de serviços designam-se por
receitas. As receitas correspondem a remuneração das vendas efectuadas e/ou dos serviços
prestados.

Receitas e despesas correspondem a conceitos financeiros associados a fluxos reais de saída


e entrada de bens e serviços. As obrigações e os direitos de carácter financeiro
consubstanciam-se na análise dos fluxos da empresa na óptica financeira.

3. O valor dos fluxos representativos de consumo ou utilização dos meios ou recursos da


empresa (matérial, mão-de-obra), designam-se por custos. Os custos ocorrem quando são
utilizadas matérias-primas, mão-de-obra no processo de produção e/ou prestação de serviços.

4. Os fluxos representativos da produção de bens ou serviços aptos a serem vendidos ou


prestados designam-se por proveitos. Proveitos são os produtos acabados de fabricar e aptos
para a venda.

5. Os fluxos de saída dos meios líquidos para fazer face as despesas designam-se por
pagamentos. Pagamentos dizem respeito a saída de valores monetários da empresa.

6. Os fluxos de entrada dos meios líquidos referentes as vendas designam-se recebimentos.


Recebimentos correspondem a entrada de valores monetários na empresa.

Ao analisarmos a empresa em função dos fluxos reais internos, estamos atendendo a forma
como ela consome ou utiliza os seus recursos e gera os seus produtos ou serviços. Nesta

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perspectiva a análise é produtiva ou económica. Se olharmos para a empresa na perspectiva


de fluxos de meios líquidos de pagamentos ou recebimentos estaremos a nos situar numa
óptica monetária.

RESUMINDO
QUADRO
TIPOS DE FLUXOS PERSPECTIVA DEMONSTRATIVO
CONTABILÍSTICO
Externos Financeira Balanço, demonstração da
 Despesas origem e aplicação de
 Receitas fundos
Internos Económica Demonstração de resultados
 Custos por natureza e função
 Proveitos
Externos Monetária Demonstração de fluxos de
 Pagamentos caixa
 Recebimentos

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO 1.

1. A NhungueService, Lda uma empresa vocacionada na produção de farinha, adquiriu


em 5 de Janeiro de 2009, 10t de milho ao preço de 5.000MT para proceder a sua
moagem. A dívida resultante dessa aquisição seria paga em 5 de Fevereiro de 2009.
Durante o mês de Janeiro, efectuou apenas a moagem de 2t, sendo a farinha resultante
desta moagem 1.5t, vendida a 10MT/kg em 6 de Fevereiro do mesmo ano. O valor
desta venda entrou nos cofres da empresa aos 14 de Fevereiro.

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2. A McCândido, SA é uma empresa que se dedica a produção e venda de ripas. Em


05/01/2011 adquiriu 1000 barrotes ao preço de 310MT cada, tendo pago 50%, e o
resto viria a pagar 28 dias depois. Em 10/01/2011, processou metade dos barrotes,
sendo as ripas resultantes 15.000 e a seradura 500kg. As ripas foram vendida a 20MT
cada em 15/01/2011 e a seradura a 2Mt/Kg em 02/02/2011 a prazo de 15 dias.

Pretende-se:
1. Identificação dos fluxos
2. Classificação e explicação dos fluxos identificados.

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I.2. NOÇÕES FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE


I.2.1 O QUE É A CONTABILIDADE?
Importa a priori, referir que a tarefa da contabilidade é basicamente a de descrever e registar
todas as operações ou eventos económicos que podem alterar a composição e valor do
património e comunicar os diferentes interessados, sobretudo aos gestores para poderem
tomar decisões acertadas e consistentes.

A contabilidade é uma ciência e uma técnica. Isto é assim porque de acordo com Gonsalves
da Silva, a contabilidade pode ser vista sob dois prismas, designadamente: sentido restrito e
sentido amplo ou lacto.

Em sentido restrito, a contabilidade é a técnica de registo e representação de todas as


transformações sofridas pelo património de qualquer entidade económica ou não durante o
exercício da sua actividade de modo a saber em qualquer momento a sua composição e valor.
Em sentido amplo, a contabilidade é a ciência dos processos descritivos, quantitativos
utilizados na análise, registo, interpretação e controlo dos factos de gestão. Visa quantificar
tudo que ocorre numa entidade económica fornecendo simultaneamente dados para a tomada
de decisões de gestão.

Essas duas acepções de contabilidade, sentido restrito e sentido amplo, encontram aceitação
consoante a finalidade com que a contabilidade é encarada. Se estivermos numa posição de
estudo para formular teorias, postulados, etc, que permitem uma abordagem prescrita e
normativa estaremos no campo científico da contabilidade. Todavia, se estivermos aplicando
essas teorias no âmbito da descrição e registo de operações numa entidade económica,
estaremos já situados no domínio técnico da contabilidade. Tudo depende da perspectiva que
nos situarmos.

Apesar de existirem várias definições de contabilidade, provenientes de diferentes autores,


adoptaremos para o nosso curso de Gestão Empresarial a definição de João Manuel E.
Perreira, pois entendemos que a mesma reune quase todos os elementos fundamentais.

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A contabilidade é uma ciência de natureza económica que estuda a realidade


económica de qualquer entidade pública ou privada, analisada em termos quantitativos
e com métodos específicos afim de obter as informações indispensáveis a gestão dessa
entidade, nomeadamente:
 Ao conhecimento da sua situação patrimonial e dos resultados obtidos, bem
como o planeamento e controlo das suas actividades.

Fundamentalmente, a contabilidade é um processo que consiste em três actividades,


nomeadamente:

1. Identificação, seleccionando os eventos económicos (ocorrências que tem uma


consequência para o ente empresarial) considerados relevantes para a actividade económica;

2. Registo dos valores monetários das transacções, bem como a descrição permanente e
cronológica destes factos. Isto implica um registo diário e valorizado dos factos de forma
ordenada e sistemática;
3. Garantir a comunicação, reportando as informações para os principais interessados,
através da preparação e distribuição de demonstrações financeiras.

I.2.2. IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE


Do que se disse acerca da contabilidade, é imperioso reter o seguinte:
 A contabilidade permite evidenciar a situação financeira da empresa;
 Possibilita a determinação dos resultados da actividade;
 Proporciona os elementos indispensáveis a gestão (tomada de decisões);
 Cria condições para o cumprimento das obrigações de carácter fiscal.

I.2.3. OBJECTO E FINALIDADE DA CONTABILIDADE


O objecto da contabilidade é sem dúvida a realidade económica (património) passada,
presente e futura de qualquer entidade pública ou privada.
A principal finalidade da contabilidade, consubstancia a descrição e registo dos factos
patrimoniais ocorridos, tendo em vista conhecer:

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 A posição devedora ou credora da empresa;


 A composição e valor do património;
 O custo dos bens e serviços vendidos;
 A origem e a causa dos encargos e rendimentos;
 A natureza e importância dos resultados;
 A responsabilidade dos diferentes agentes obrigados a prestar contas.
OBJECTIVOS
A contabilidade geral tem dois objectivos fundamentais, designadamente:
 Determinação do resultado global (demonstração de resultados);
 Determinação da situação patrimonial da empresa (balanço).

I.2.4. A INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA


A informação contabilística tem como propósito, dar a conhecer aos diferentes interessados a
situação financeira e patrimonial da empresa, em particular aos gestores que são os principais
responsáveis pela empresa. É através desta que os mesmos tomam decisões sobre a empresa
visando o desenvolvimento ou a manutenção da mesma no mercado.

A informação contabilística pode ser:


 Estudada para dela se extrair novas informações (Análise contabilística);
 Agrupada para verificar e confirmar a sua veracidade e exactidão (revisão
contabilística ou auditoria);
 Agrupada com as informações relativas a outras empresas para obter a contabilidade
de um grupo de associados. (Consolidação contabilístca)

Nestes termos, podemos concluir que a contabilidade compreende:


 Análise contabilística;
 Revisão contabilística ou auditoria;
 Consolidação contabilístca.

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CLASSIFICAÇÃO
As informações contabilísticas classificam-se em externas e internas.

São externas quando dizem respeito as operações realizadas com o exterior, ou seja, o meio
envolvente em que a empresa se insere (operações externas), como por exemplo: compras a
fornecedores, vendas a clientes, etc.

São internas, quando dizem respeito as operações internas, ou seja, as realizadas dentro da
própria empresa, nomeadamente: processamento e pagamento de salários, saída de matéria-
prima do armazem à fabrica, etc.

REQUISITOS
Para que a informação contabilística seja considerada como tendo utilidade contabilística,
deve reunir determinados requisitos, sem os quais a mesma perde todo o valor contabilístico,
nomeadamente:

1. Relevância – a informação contabilística deve fornecer um elemento de resposta a uma


questão e orientar a acção;

2. Oportunidade – a informação contabilística deve ser fornecida a tempo útil;

3. Quantificação – a informação contabilística deve ser quantificável, expressa em números,


geralmente representados em unidades monetárias;

4. Economicidade – a custo da informação contabilística não deve ser superior a vantagem


que ela proporciona;

5. Objectividade – a informação contabilística deve conduzir as pessoas ao mesmo


resultado;

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6. verificabilidade – a informação contabilística deve ser obtida por indivíduos que


trabalham independentemente uns dos outros.

PRINCIPAIS INTERESSADOS
Normalmente as informações contabilísticas são requeridas por vários utilizadores, os quais
as analisam para diversas decisões e para vários fins. Os principais interessados são:

1. Gestores, estes as solicitam para o planeamento e controlo dos objectivos e metas;

2. Investidores, solicitam-as para assegurarem o retorno dos seus investimentos ou


dinheiros;
3. Estado, uma vez que parte das receitas do Estado provêm da contribuição das unidades
económicas, são indispensáveis para o cálculo dos impostos a cobrar;

4. Credores e Fornecedores, estão interessados na segurança financeira das empresas como


garantia da recuperação dos valores em dívida;

5. Trabalhadores, necessitam das informações contabilísticas pela segurança dos seus


postos de trabalho e das condições inerentes;

6. Clientes, como forma da continuação de prestação de melhores serviços;

7. Público em geral

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QUESTÕES PARA REFLEXÃO

1. Discuta o conceito de contabilidade?


2. Qual é a tarefa da contabilidade?
3. “A ciência e a técnica se complementam”. Comente a afirmação.
4. Qual é o propósito da informação contabilistica?
5. Como é que pode ser estudada a contabilidade?
6. Em que consiste a contabilidade?
7. “A principal finalidade da contabilidade, consubstancia a descrição e registo dos factos
patrimoniais ocorridos”. Comente a afirmação.
8. “A informação contabilística deve ser relevante e oportuna”. Comente a firmação.
9. A contabilidade geral compreende a teoria e técnica contabilística. Comente.
10. A contabilidade aplicada compreende: contabilidade privada; contabilidade pública e
contabilidade nacional. Fale da contabilidade privada.
11. Que tipo de relações a contabilidade tem com outras ciências? Fale das relações
essenciais.

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IV. O MÉTODO CONTABILÍSTICO


No método contabilístico faremos o estudo sumário do património e da conta.

IV.1. O PATRIMÓNIO
O património compreende o conjunto de valores utilizados pela entidade económica no
exercício da sua actividade. Este, não se circunscreve apenas aos elementos materiais
(edifícios, equipamentos, etc), inclui também as dívidas a receber (direitos), bem como as
dívidas a pagar (obrigações).

Isto é assim porque no desenvolvimento da sua actividade qualquer empresa ou unidade


económica estabelece relações com outras empresas. Essas relações originam, geralmente,
um conjunto de direitos e de obrigações. Em função disso a empresa terá dívidas a receber,
que representam valores pertencentes à empresa e dívidas a pagar, que representam valores
pertencentes a terceiros e que a empresa se obriga a pagar. Tanto as dívidas a receber como
as dívidas a pagar, são consideradas valores integrantes do património.

Assim, podemos dizer que o património é o meio pelo qual a empresa concretiza os seus
objectivos, ou seja, o conjunto de valores sujeitos a uma gestão e afectos a determinado fim.,
ou se preferirmos, o conjunto de valores utilizados pelo comerciante na sua actividade
comercial.

Note-se que existem várias definições de património, todavia o mais importante é sabermos
que destas devem fazer parte os seguintes elementos:
 Bens, direitos e obrigações;
 Titular; porque os bens direitos e obrigações são, sempre e em todos os casos,
pertenção de alguém;
 Objectivo, porque os bens direitos e obrigações são geridos visando sempre um fim.

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Nestes termos, podemos difinir o património como o conjunto de bens, direitos e


obrigações afectos a determinada pessoa, singular ou colectiva, que os administra para
atingir determinado objectivo.

CLASSIFICAÇÃO
O património pode ser classificado em:
Património global, bruto e líquido.
O património global abrange o conjunto de bens, direitos e obrigacões. O património bruto,
abrange apenas bens e direitos. O património líquido compreende a diferença entre os bens e
direitos e as obrigações.

Património individual e património social.


Diremos que o património é individual sempre que pertencer a um único indivíduo e social,
sempre que resultar de uma sociedade.

Património nacional
Trata-se do património de uma nação. Este, compreende o património público, aquele que
pertence ao Estado, e património privado, aquele que pertence aos cidadãos. 3

Património comercial e património particular


O património comercial compreende o conjunto dos valores afectos ao desenvolvimento da
actividade comercial. O património particular, é o conjunto dos restantes valores, aqueles que
não estão afectos a actividade comercial.

Público (Estado)
Património nacional
Privado Comercial
Particular

3
É preciso ter sempre em mente que o património privado pode ser individual ou social, estar afecto ao
comércio ou não.

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ELEMENTOS PATRIMONIAIS
Cada componente de um dado património (dinheiro, mercadorias, edifícios, viaturas, etc)
denomina-se de elemento patrimonial. Elementos patrimoniais são então as partes que
compõem o património, aquilo que encontramos dentro do património.

No património podemos distinguir fundamentalmente duas classes de elementos


patrimoniais. Por um lado os elementos que representam aquilo que se possue e se têm a
receber (bens e direitos), por outro, aqueles que representam aquilo que se têm a pagar
(obrigações).

A primeira classe, ou seja, o conjunto de bens e direitos designa-se de Activo e recebe o


sinal (+) porque quanto mais melhor, é o conjunto de valores positivos.

A segunda classe, ou seja, o conjunto de obrigações designa-se de Passivo e recebe o


sinal (–) porque quanto menos melhor, é o conjunto dos valores negativos.

CARACTERÍSTICA DOS ELEMENTOS PATRIMONIAIS


Os elementos patrimoniais podem ser comuns ou específicos. Os comuns são aqueles que
todas as empresas possuem, não caracterizam o seu ramo de actividade. Os específicos são
aqueles que identificam o tipo de actividade da empresa. Podem existir numa empresa mas
não existir noutra.

É importante notar que a classe dos inventarios e activos biologicos (2), é que nos permite
ver facilmente a natureza da empresa. Se é uma empresa que se dedica ao comércio de
compra e venda ou se se dedica a transformação de matérias primas ou mesmo se se dedica a
prestacão de serviço. É esta classe que identifica a actividade de empresa.

Apontam-se as seguintes principais características dos elementos patrimoniais:


 São quantificáveis, isto é, podem ser expressos em unidades monetárias;
 Pertencem a determinada unidade económica;

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 São administrados com certo objectivo;


 Podem ser corpóreos e incorpóreos.

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO.
Espoir linitada dedica-se ao comércio de produtos lactios. Considere o conjunto dos
elementos que constituem o seu património em 10/01/2013:

1. Dinheiro em cofre do estabelecimento 100.000,00


2. Dinheiro para gastos domésticos 1000,00
3. Depósito particular no BIM 12.000,00
4. Depósito no BCI 150.000,00
5. 3 montras frigoríficos 300.000,00
6. Automóvel Toyota de uso doméstico 800.000,00
7. Dívidas de João relativas a venda de mercadorias 150.000,00
8. Carinha Mazda para transporte de mercadorias 3000.000,00
9. Dívida à Lacticínios Lda, referente a compra de mercadorias 200.000,00
10. Computador para uso no escritório 30.000,00
11. Mobiliário de habitação 500.000,00
12. 150Kg de nata a 700MT/Kg = 105.000,00
13. 500Kg de Manteiga a 600MT/Kg 300.000,00
14. Aparelhos eletrodomésticos da sua casa 250.000,00
15. Emprestimo no BCI para actividade comercial 3.800.000,00
16. Letra a pagar referente ao automóvel Toyota 100.000,00

Tarefa a realizar
1. Dos conhecimentos patrimoniais que detem assinale com X os elementos que constituem
o património particular (PP) e com XX os que constituem património comercial (PC) de
Espoir linitada.
2. Elabore a lista dos elementos que constituem o PP e o PC.
3. Determine o valor do Activo e do Passivo?

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Notas de Contabilidade Básica

RESOLUÇÃO
1. identificação do PP e PC
1. Dinheiro em cofre do estabelecimento 100.000,00 XX
2. Dinheiro para gastos domésticos 1000,00 X
3. Depósito particular no BIM 12.000,00 X
4. Depósito no BCI 150.000,00 XX
5. 3 montras frigoríficos 300.000,00 XX
6. Automóvel Toyota de uso doméstico 800.000,00 X
7. Dívidas de João relativas a venda de mercadorias 150.000,00 XX
8. Carinha Mazda para transporte de mercadorias 3000.000,00 XX
9. Dívida à Lacticínios Lda, referente a compra de mercadorias 200.000,00 XX
10. Computador para uso no escritório 30.000,00 XX
11. Mobiliário de habitação 500.000,00 X
12. 150Kg de nata a 700MT/Kg = 105.000,00 XX
13. 500Kg de Manteiga a 600MT/Kg 300.000,00 XX
14. Aparelhos eletrodomésticos da sua casa 250.000,00 X
15. Emprestimo no BCI para actividade comercial 3.800.000,00 XX
16. Letra a pagar referente ao automóvel Toyota 100.000,00 X

2.1 Elementos que constituem o Patrimonio Particular


1. Dinheiro para gastos domésticos 1000,00 X (Activo)
2. Depósito particular no BIM 12.000,00 X (Activo)
3. Automóvel Toyota de uso doméstico 800.000,00 X (Activo)
4. Mobiliário de habitação 500.000,00 X (Activo)
5. Aparelhos eletrodomésticos da sua casa 250.000,00 X (Activo)
6. Letra a pagar referente ao automóvel Toyota 100.000,00 X (Passivo)

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Notas de Contabilidade Básica

2.2 Elementos que Constituem o Patrimonio Comercial


1. Dinheiro em cofre do estabelecimento 100.000,00 XX (Activo)
2. Depósito no BCI 150.000,00 XX (Activo)
3. 3 montras frigoríficos 300.000,00 XX (Activo)
4. Dívidas de João relativas a venda de mercadorias 150.000,00 XX (Activo)
5. Carinha Mazda para transporte de mercadorias 3.000.000,00 XX (Activo)
6. Dívida à Lacticínios Lda, referente a compra de mercadorias 200.000,00 XX (Passivo)
7. Computador para uso no escritório 30.000,00 XX (Activo)
8. 150Kg de nata a 700MT/Kg = 105.000,00 XX (Activo)
9. 500Kg de Manteiga a 600MT/Kg 300.000,00 XX (Activo)
10. Emprestimo no BCI para actividade comercial 3.800.000,00 XX (Passivo)

3. Valor do activo e passivo

Património Particular
Activo = 1.563.000,00
Passivo = 100.000,00

Património Comercial
Activo = 4.135.000,00
Passivo = 4.000.000,00

EXERCÍCIO PROPOSTO
Samlings que se dedica a venda de bebidas alcoolicas, tinha no seu património os seguintes
elementos:
1. Uma banca/barraca ---- 25.000,00
2. 100 caixas de cerveja 2M----36.000,00
3. 2 caixas de refrescos----920,00
4. 12 whisks redlabel----9.000,00
5. 1 whisk chivas 25 para consumo
6. 1 viatura toyota afecta a banca---1.000.000,00

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Notas de Contabilidade Básica

7. Uma vivenda familiar 1.200.000,00


8. 6 mesas plasticas para a clientela 6.600,00
9. 1 mesa de jantar de 12 cadeiras 30.000,00
10. Sofas da sala de estar----42.000,00
11. 2 geleiras das Cervejas de Moçambique
12. 50 caixas de cerveja Laurentina---18.000,00
13. 10 caixas de vinho tambirane---11.000,00
14. 1 vinho do Porto para consumo
15. Letra a pagar da viatura toyota---250.000,00
16. Dívidas a Cervejas de Moçambique --- 25.000,00

Tarefa a realizar
1. Assinale com X os elementos que constituem o património particular (PP) e com XX os
que constituem património comercial (PC) de Samlings.
2. Elabore a lista dos elementos que constituem o PP e o PC e calcule o seu valor.

MASSAS PATRIMONIAIS
Os elementos patrimoniais podem ser reunidos em grupos que desempenham a mesma
função económica ou financeira, constituindo verdadeiras massas patrimoniais. Assim,
podemos dizer que as massas patrimoniais compreendem o conjunto de elementos
patrimoniais agrupados tendo em conta a sua função financeira ou económica.

As massas patrimoniais podem ser:


 Gerais, que compreendem o Activo, o Passivo e a Situação Líquida;
 Parciais, que compreendem as classes de contas.

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Notas de Contabilidade Básica

MASSAS GERAIS
As massas gerais são constituídas, como se disse, pelos valores do Activo, Passivo e da
Situação Líquida.

O Activo - compreende o conjunto de valores positivos, designadamente, bens e direitos, ou


seja, aquilo que se possue e o que se tem a receber. Os elementos do activo representam os
meios ou recursos que a unidade económica utiliza para o desenvolvimento das suas
actividades.

O activo representa a Estrutura Económica da unidade económica, ou seja, a aplicação dos


recursos financeiros (ou dos fundos) para atingir os objectivos propostos. É aqui, por assim
dizer, que sabemos o que foi feito com os recursos da empresa.

O Passivo - compreende o conjunto de valores negativos, constituídos por obrigações. Regra


geral, o passivo é constituído por todas as dívidas que a empresa possue e que deve pagar. Os
elementos do passivo representam os credores, aqueles que a empresa deve.

Situação Liquida ou Fundos Próprios ou Capital Próprio - corresponde ao valor expresso


em unidades monetárias de todos os elementos do Activo e Passivo, constitui o valor real do
património da entidade. A SL representa o valor do investimento dos proprietários, a
contribuição dos investidores no negócio.

A SL corresponde, em última instância, a diferenca entre a quantia que representa a soma de


todos os elementos do Activo e a que representa o somatório dos elementos do Passivo desse
património. (SL=A-P)

O Passivo e a SL representam a Estrutura Financeira da unidade económica, ou seja, a


origem dos recursos financeiros (ou fundos). Aqui, devemos considerar os Fundos Próprios
ou Capital Próprio e os Fundos Alheios.

20
Notas de Contabilidade Básica

Sempre que quisermos saber donde vem os recursos que a empresa utiliza deveremos
recorrer a essas duas massas patrimoniais (Passivo e SL).

Num património há a considerar dois aspectos distintos:

 A sua composição;
 O seu valor.

A composição do património diz respeito à natureza dos elementos patrimoniais e à sua


extensão, ou seja, à proporção em que eles se encontram. Engloba um conjunto de elementos
heterogéneos (cheques, mercadorias , numerário, edifícios, etc), com um determinado valor.

A composição de património será tão distinta quando:


 Os elementos de cada um forem diferentes;
 Tiverem os mesmos elementos mas com extensão (valor) diferente;
 Tiverem elementos e seu valor diferentes.

O valor do património corresponde a quantia que seria preciso dar para obter, ou seja, para
receber em troca todo o activo, ficando ao mesmo tempo com o encargo de pagar todo o
passivo.

Sendo o activo um conjunto de valores positivos e o passivo um conjunto de valores


negativos, o valor do património corresponde à soma algébrica das duas classes de
elementos, representado da seguinte forma:

SL=VP= A – P, onde
SL é a Situação Líquida
A é o Activo e
P é o Passivo..

Se a SL=A-P, então

21
Notas de Contabilidade Básica

A= P+SL. Esta é a equacão fundamental da contabilidade que veremos adiante com os


respectivos corolários.

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO.
Com base na informação seguinte, determine o valor do Activo, Passivo e Situação Líquida
da empresa Espoir Lda em 23/03/2013:

1- dívidas de clientes 125.000,00


2- equipamentos administrativos 6.500,00
3- dívidas a fornecedores 89.000,00
4- empréstimo bancário 25.000,00
5- mercadorias em armazem 16.400,00
6- depósitos a ordem 4.300,00
7- dívidas ao Estado 2.600,00
8- dívidas aos sócios 5.000,00
9- equipamento de transporte 12.500,00
10- 500 acções na TDM 1.500,00
11- dinheiro em caixa 190.000,00
12- cota na Tambirane,Lda 1.000,00

RESOLUÇÃO
Em primeiro lugar, é preciso classificar os elementos do activo e passivo. Uma vez
classificados esses elementos, segue-se o agrupamento dos mesmos em massas gerais do
activo e do passivo, fazendo-se daí o somatorio de cada uma das massas. Por último calcula-
se a diferença entre as massas para determinar a Situacao liquida.

1. Classificação dos elementos patrimoniais


1- Dívidas de clientes 125.000,00 (Activo)
2- Equipamentos administrativos 6.500,00 (Activo)
3- Dívidas a fornecedores 89.000,00 (Passivo)

22
Notas de Contabilidade Básica

4- Empréstimo bancário 25.000,00 (Passivo)


5- Mercadorias em armazem 16.400,00 (Activo)
6- Depósitos a ordem 4.300,00 (Activo)
7- Dívidas ao Estado 2.600,00 (Passivo)
8- Dívidas aos sócios 5.000,00 (Passivo)
9- Equipamento de transporte 12.500,00 (Activo)
10- 500 Acções na TDM 1.500,00 (Activo)
11- Dinheiro em caixa 190.000,00 (Activo)
12- Cota na Tambirane,Lda 1.000,00 (Activo)

2. Somatório dos elementos activos e passivos


Activo Total=357.200,00
Passivo Total=121.000,00

3. Cálculo da situação líquida


SL=A - P
SL=357.200,00 - 121.000,00
SL=236.200,00

EXERCÍCIO PROPOSTO
A MonlingsLuz, SA, uma empresa que se dedica a venda de diverso material elétrico tinha
em 23/03/2011 os seguintes elementos patrimonias:

1- Dívidas a fornecedores ---------------111.000,00


2- Mobiliário de escritório ---------------88.500,00
3- Dívidas de clientes --------------------150.000,00
4- Empréstimo no BIM ------------------555.050,00
5- Mercadorias em armazem ------------166.600,00
6- Depósitos a ordem ---------------------43.300,00
7- Dívidas ao Estado ----------------------11.700,00

23
Notas de Contabilidade Básica

8- Dívidas de trabalhadores -------------5.500,00


9- Equipamento de transporte -----------807.500,00
10- 10 acções na Mcel ---------------------7.500,00
11- Dinheiro em caixa -----------------------30.000,00
12- Saque de Ferraz, Lda ------------------100.000,00
13- Aceite de Cândido,SA -----------------25.000,00
14- Dívida a TaeroMoz,Lda ------------550.000,00

Tarefa a realizar:
1. Determinar o valor do Activo e do Passivo
2. Determinar o valor da situação líquida

MASSAS PARCIAIS DO ACTIVO, DO PASSIVO, E DA SITUAÇÃO LÍQUIDA


Importa notar que as massas parciais constituem as classes que compõem as massas gerais.
Assim, estudaremos as massas parciais do Activo, Passivo e da Situação Líquida.

MASSAS PARCIAIS DO ACTIVO


Composta de meios financeiros, inventarios e activos biologicos, investimentos de capital,
contas a receber e deferimentos, que são respectivamente as classes 1,2,3 e uma parte da
classe 44. Estes meios se ordenam em funcão da sua liquidabilidade, isto é, a possibilidade ou
facilidade que os mesmos tem de se transformar em liquidez, ou seja, converter em dinheiro.

Assim, teremos:
CLASSE I – MEIOS FINANCEIROS – são todos os elementos patrimoniais que
representam dinheiro ou os que tem maior liquidez.

4
Na classe 4, são agrupadas as dividas a receber, a pagar, acréscimos e deferimentos, sendo assim ela tem duas
classificações, alguns elementos são do activo e outros do passivo.

24
Notas de Contabilidade Básica

CLASSE II – INVENTARIOS E ACTIVOS BIOLÓGICOS – são todos os elementos


patrimoniais que representam o objecto da actividade da empresa, aquilo em que a empresa
trabalha ou faz.

CLASSE III – INVESTIMENTOS DE CAPITAL – são todos elementos que a empresa


possui e que são úteis para a prossecução das actividades da mesma, geralmente com uma
vida útil superior a um ano. Estes não se destinam a venda nem a serem transformados mas
sim para facilitar o desenvovimento da acção da empresa. Sem estes não é possível o
desenvolvimento da actividade da empresa.

CLASSE IV – CONTAS A RECEBER, ACRÉSCIMOS E DEFERIMENTOS


As contas a receber dizem respeito aos direitos que a empresa tem relativamente a outras
empresas, resultantes da venda de bens ou prestação de serviços.

As contas de acréscimos e deferimentos são aquelas que se destinam a registar os gastos e


rendimentos no exercício a que dizem respeito. Visam dar execução ao princípio de
especialização de exercícios. 5

Integram estas contas as despesas pagas no exercício mas que digam respeito aos exercícios
seguintes, assim como as receitas que dizem respeito ao exercício em curso mas que serão
recebidas e contabilizadas em exercícios seguintes.

MASSAS PARCIAIS DO PASSIVO


Compõem-se basicamente de dívidas e ordenam-se em função da exigibilidade, isto é, a
susceptibilidade de ser exigido.

5
Traduz a ideia de que os proveitos e os custos são reconhecidos quando obtidos ou incorridos,
independetemente do seu recebimento ou pagamento, devendo-se incluir nas demonstrações financeiras nos
exercícios a que respeitam.

25
Notas de Contabilidade Básica

CLASSE IV – CONTAS A PAGAR, ACRESCIMOS E DIFERIMENTOS


As contas a pagar são todos os compromissos que a unidade económica tem para com
terceiros, ou seja, os deveres que tem para com outras empresas resultantes do fornecimento
de bens ou da prestação de serviços. Constituem obrigações.

 Débitos de curto prazo – dívidas a pagar, tituladas ou não, dentro de um ano


 Débitos a longo prazo – dívidas a pagar, tituladas ou não, num período superior a um
ano.

As contas de acréscimos e diferimentos no passivo são aquelas que se destinam a registar os


rendimentos e gastos no exercício a que dizem respeito. Visam dar execução ao princípio de
especialização de exercícios.

Integram estas contas as receitas contabilizadas e recebidas no exercício mas que digam
respeito a exercícios seguintes e também as despesas que digam respeito ao exercício mas
que serão contabilizadas e pagas nos exercícios seguintes.

É importante notar que as contas da classe quatro são contas de terceiros. Por um lado,
aquelas que a empresa regista os seus haveres e por outra as que regista os seus deveres para
com as outras empresas.

MASSAS PARCIAIS DA SITUAÇÃO LÍQUIDA


 Situação líquida inicial – valor inicial do património;
 Situação líquida retida – resultados anteriores não distribuídos/ resultados transitados
 Situação líquida adquirida – resultados do exercício/ resultado líquido do exercício.

26
Notas de Contabilidade Básica

Ver Titulo II nas paginas 211 e seguintes do PGC6, quadro e lista de contas e terminologia de
contas, que arrola o conteúdo e indica as regras de movimentação das contas.

EQUAÇAO GERAL DA CONTABILIDADE


Principio do equilibrio patrimonial

Se partirmos do principio de que o Activo (capital total) é o montante de valores utilizados


pela empresa no desenvolvimento das suas actividades (bens e direitos), o passivo (capital
alheio), compreende o conjunto de valores utilizados pela empresa mas que não são da sua
pertença, isto é, são de terceiros e a Situaçao Liquida (capital próprio) representa o montante
de recursos postos a disposição da empresa pelos proprietarios, então teremos:

A = P+SL

Considerando os factos aludidos poderemos ter três situações, nomeadamente:

A >P => Uma situacao liquida activa, ou seja, A = P+ SLa

A= P =>Uma situacao liquida nula, ou seja, A= P

A< P =>Uma situacao liquida passiva, ou seja, A+ SLp= P

Dai concluir-se que


A+ SLp= P+ SLa

Assim, a igualdade da equação geral de contabilidade é sempre mantida. Isto é possivel


devido aos registos contabilisticos efectuados em cada operação.

Aqui temos também um princípio fundamental de contabilidade, designadamente:

6
O Plano Geral de Contabilidade (PGC) compreendem o conjunto de contas, directrizes e normas que
disciplinam as tarefas do sector de contabilidaade, objectivando a uniformização dos registos contabilisticos. O
Plano Geral de Contabilidade foi aprovado pelo Decreto nº 70/2009, de 22 de Dezembro.

27
Notas de Contabilidade Básica

Toda e qualquer operação da azo ao registo em pelo menos dois elementos patrimoniais,
ou seja, qualquer facto patrimonial não altera apenas o valor de um elemento
patrimonial, mas sim, pelo menos de dois elementos patrimoniais.

FACTOS PATRIMONIAIS
Como se disse nos pontos anteriores, qualquer empresa estabelece relações com outras
empresas e até mesmo no interior da empresa existem relações inter-departamentais. Essas
relações originam sempre um conjunto de operações ou factos que podem alterar a
composição e/ou o valor do património. Significa isto que o património de uma empresa não
se mantém estático ao longo dos exercícios, pelo contrário, está sujeito a uma contínua
transformação.

Estas transformações podem ser motivadas por duas espécies de acontecimentos,


designadamente:

1. Os normais ou voluntários (ex. compras, vendas, pagamentos, recebimentos, etc)


2. Os extraordinários ou involuntários (ex. roubos, incêndios, quebras, etc)

Tanto uns como outros, constituem factos patrimoniais.

Designam-se por factos patrimoniais todas as operações ou acontecimentos que imprimem


qualquer variação na composição e/ou valor do património. A observação, classificação,
registo e controlo desses factos é que constituem o trabalho do contabilista.

CLASSIFICAÇÃO DOS FACTOS PATRIMONIAIS


Os factos patrimoniais classificam-se em:

1. Factos permutativos ou qualitativos;


2. Factos modificativos ou quantitativos

28
Notas de Contabilidade Básica

Um facto patrimonial diz-se permutativo ou qualitativo quando provoca uma alteração na


composição do património, mas não no seu valor.

Exemplo:
Compra de mercadorias no valor de 10.000,00MT. Pagou-se em cheque.
Há aqui:
Uma saída de 10.000,00MT no banco ( - 10.000,00MT no Activo)
Uma entrada de 10.000,00MT de mercadorias (+ 10.000,00MT no Activo)

Uma vez que saiu o mesmo valor que entrou, temos apenas uma variação na composição do
valor do património mas o valor do mesmo continua.

Serão factos patrimoniais modificativos ou quantitativos quando para além da variação na


composição do património, os mesmos provoquem uma variação no valor do património.

Esses factos modificativos ainda podem ser negativos ou positivos conforme impliquem a
diminuição ou o aumento do valor do património, ou seja, da situação liquida.

Exemplo:
Venda a pronto pagamento de mercadorias no valor de 6.000,00MT que haviam custado
5.000,00MT

Há aqui:
Uma entrada de 6.000,00MT na caixa da empresa ( + 6.000,00MT no Activo)
Uma saída de 5.000,00MT de mercadorias (- 5.000,00MT no Activo)

Uma vez ter entrado um valor superior ao que saiu, teremos uma variação não apenas da
composição, mas também do valor do património, resultante da diferença entre os referidos
movimentos.

29
Notas de Contabilidade Básica

Esquema dos Factos patrimoniais


OBJECTO DAS CLASSIFICAҪÃO VARIAҪÃO DO VALOR
VARIAҪÕES
Composição Permutativo ou qualitativo nula
Composição e valor Modificativo ou quantitativo Diminuição ou
aumento

Do que se disse é importante reter o seguinte:


1. Quando variam apenas valores activos e/ou passivos, o facto patrimonial é
necessariamente permutativo ou qualitativo.

2. Quando variam simultaneamente valores do activo e/ou do passivo e valores da


situação líquida, o facto é necessariamente modificativo ou quantitativo.

ANÁLISE DOS FACTOS PATRIMONIAIS


Para analisar um facto patrimonial é necessário seguir os seguintes passos ou fases:
1. Determinar as alterações, identificando os elementos patrimoniais que variam e a
massa a que pertencem, o sentido das variações (aumento ou diminuição) e o
respectivo valor.
2. Analisar a implicação das alterações, verificando se as alterações na composição do
património implicam ou não a alteração do valor da situação líquida: SL = A – P.
3. Classificar o facto patrimonial, conforme o resultado da SL do nº 2.

30
Notas de Contabilidade Básica

Exemplo:
1. Depósito bancário no valor de 10.000,00MT
1.- Caixa (Activo) - Diminuiu 10.000,00 (-)
Bancos (Activo) - Aumentou 10.000,00 (+)

2.- SL = A – P => (-10.000,00 + 10.000,00) - 0 = 0

3.- Facto permutativo.

2. Recibo nº 17 de Sams Lda, referente a compra de mercadorias no valor de


11.000,00MT
1.- Mercadorias (Activo) - Aumentou 11.000,00 (+)
Caixa (Activo) – Diminuiu 11.000,00 (-)

2.- +11.000,00 – 11.000,00 = 0

3.- Facto permutativo.

3. Compra a prazo de mercadorias no valor de 15.000,00MT


1.- Mercadorias (Activo) - Aumentou 15.000,00 (+)
Fornecedores (Passivo) - Aumentou 15.000,00 (-)7

2.- +15.000,00 – (15.000,00)= 0

3.- Facto permutativo

4. Venda de mercadorias no valor de 20.000,00MT que haviam custado 15.000,00MT


1.- Mercadorias (Activo) - Diminuiu 15.000,00 (-)

7
Lembrar que no passivo um aumento é na verdade uma variação negativa pois como dissemos atrás quanto
menos valores negativos (dívidas) tiver a empresa melhor.

31
Notas de Contabilidade Básica

Caixa (Activo) - Aumentou 20.000,00 (+)

2.- - 15.000,00 + 20.000,00 = 5.000,00

3.- Facto modificativo.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1. Pagamento de dividas no valor de 15.000,00
2. Recibo nº 3 de Aqua, SA no valor de 5.000,00
3. Recibo nº 5 a Simon, Lda no valor de 20.000,00
4. Saque de Sams, Lda no valor de 10.000,00
5. Aceite de josé no valor de 2.000,00
6. Venda a 30 dias de mercadorias no valor de 10.000,00. A margem de lucro é de 20%
sobre o valor.
7. Pagamento em cheque ao fornecedor Jon, Lda no valor de 1.000,00
8. Recebimento do valor da operação 6
9. Compra de máquina calculadora no valor de 200,00
10. Quebra de mercadorias de 50,00
11. Cheque nº 10 no valor de 7.000,00 para reforço do fundo de maneio

QUESTÕES PARA REFLEXÃO

1. Que entende por património?

2. “O património compreende bens, direitos e obrigações”. Comente.

3. O património comercial é o que mais nos interessa. Fale deste património sem se
esquecer de o distinguir do património particular.

4. Os elementos patrimoniais podem ser comuns e epecíficos. Caracterize-os.

5. Fale das massas gerais.

6. Porque é que a situação líquida é um valor abstrato?

7. “Tanto acontecimentos normais como os anormais podem constituir verdadeiros


32
factos patrimoniais”. Comente

8. como se classificam os factos patrimoniais?


Notas de Contabilidade Básica

IV.2. A CONTA
Diremos em primeiro plano que existem várias definições de conta, que variam de autor para
autor e também do âmbito em que se insere a discussão. No âmbito da contabilidade,
podemos dizer que a conta compreende o conjunto de elementos patrimoniais expressos em
unidades monetárias ou valores, ou seja, o conjunto de elementos patrimoniais com
determinadas características comuns e específicas. Significa dizer que uma conta pode
resultar do agrupamento ou reunião de elementos patrimoniais tendo em conta as
características comuns que os mesmos apresentam.

Por exemplo

1. O conjunto dos meios de pagamentos existentes em contas a vista nos bancos,


designa-se por conta depósito a ordem, 1.1.2: Déposito à orden.
2. O conjunto de comercializáveis pertencentes a uma empresa, designa-se por conta
mercadorias, 2.1.1: Mercadorias.
3. O conjunto das dívidas à pagar a terceiros provocadas pelo fornecimento de bens
comercializáveis, designa-se por conta fornecedores, 4.2: Fornecedores, etc.

Numa conta há a considerar fundamentalmente três elementos:


 O titulo,
 A compreensão,
 A extensão.

 O título compreende a própria designação da conta, isto é, consiste na palavra ou


palavras por que se designa a conta.
 A compreensão, respeita ao conjunto das características comuns a todos os elementos
contidos ou agrupados na conta.
 A extensão diz respeito ao valor apresentado pela conta. Note que esta é a única
característica variável.

33
Notas de Contabilidade Básica

A conta constitui a base de toda a escrituração, dado que é a partir dela que se desenvolve
todo o trabalho contabilístico.

A conta apresenta como requisitos a homogeneidade e a integralidade. A homogeneidade


refere que uma conta só deve conter elementos que obedecem a característica comum que ela
define. Por seu turno, a integralidade refere que a conta deve incluir todos os elementos que
gozam da característica comum por ela definida. Por um lado, a homogeneidade impõe o que
a conta deve conter e por outro, a integralidade impõe o que a conta deve incluir em função
da definição da própria conta.

No que concerne ao aspecto gráfico, a conta apresenta-se na forma de um (T). Sobre o traço
horizontal indica-se o titulo, podendo ainda distinguir-se um lado esquerdo e outro direito. O
lado esquerdo é designado de débito ou deve e o lado direito de crédito ou haver.

D TITULO C
Lado Esquerdo Lado Direito
Débitos Créditos

Os valores registados no lado esquerdo, denominam-se de débitos, enquanto que os


registados no lado direito denominam-se de créditos.

Da comparação entre débitos e créditos, três situações podem ocorrer, nomeadamente (Saldo
Devedor, Saldo Nulo e Saldo Credor)

1. D > C =>Saldo devedor (Sd), ou seja, D = C+ Sd


2. D = C =>Saldo nulo (So), ou seja, D = C

34
Notas de Contabilidade Básica

3. D < C =>Saldo credor (Sc), ou seja, D + Sc = C

Então, C + Sd = D + Sc

CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS CONTAS


Em conformidade com a natureza dos elementos patrimoniais que constituem o património e
do Plano Geral de Contabilidade, as contas poderão ser classificadas em (ver titulo 2 PGC-
PE,)

Classe 1. Contas dos meios financeiros


1.1-Caixa
1.2-Bancos

Classe 2. Contas de inventários e activos biológicos


2.1-Compras
2.2-Mercadorias
…..
2.9

Classe 3. Investimentos de capital


3.1- Investimentos financeiros
3.2- Activos tangíveis
…..
3.9

Classe 4. Contas à receber, Contas à pagar, Acréscimos e diferimentos


4.1- Clientes
4.2- Fornecedores

35
Notas de Contabilidade Básica

…..
4.9

Classe 5. Contas de Capital Próprio


5.1- Capital
5.2- Acções ou quotas próprias
……..
5.9

Classe 6. Contas de Gastos e perdas


6.1- Custo dos inventários
6.2- Gastos com o pessoal
……
6.9

Classe 7. Contas de Rendimentos e Ganhos


7.1- Vendas
7.2- Prestação de serviços
…….
7.9

Classe 8. Contas de Resultados


8.1-Resultados operacionais
8.2- Resultados financeiros
……
8.9

Nota que

36
Notas de Contabilidade Básica

 As contas das classes de 1 a 5 dizem-se contas de balanço8;


 As contas das classes 6 e 7 dizem-se contas de gestão ou de exploração; e
 As contas da classe 8 dizem-se contas de resultados.

As contas podem ter um âmbito mais ou menos vasto, compreendendo mais ou menos
elementos patrimoniais, serem mais ou menos simples ou mais ou menos complexas. Assim,
quanto a natureza, podemos classificar as contas em:

 Contas colectivas - são as que reúnem varias subcontas da mesma natureza


mas de menor grau. Estas encontram-se subdivididas noutras contas que se
chamam divisionárias ou subcontas (2.1.2:Matérias primas, auxiliares e
materias).
 Contas divisionárias – são as que resultam da decomposição das contas
colectivas, isto é, são as subcontas das contas colectivas (2.1.2.1:Matérias
primas).
 Contas singulares ou elementares – são aquelas que não se decompõem
noutras contas, ou seja, não se encontram divididas noutras contas (1.1:Caixa).

CODIFICAÇÃO CONTABILÍSTICA
Na codificação contabilística utilizam-se os dígitos de 1 à 8.

Assim:
As classes são numeradas de 1 à 8
As contas colectivas dentro de cada classe são numeradas de 1 à 9
As subcontas de cada conta colectiva também são numeradas de 1 à 9.

8
Refira-se que no balanço duma entidade incluímos ainda, para além das classes de 1 à 5, o resultado líquido do
péríodo que integra as contas de resultados.

37
Notas de Contabilidade Básica

Este processo continua de acordo com a necessidade de divisão das várias contas. Assim, o
código de uma conta é constituído por dois ou mais dígitos, onde:

 O 1º dígito indica a classe a que pertence a conta;


 O 2º dígito indica a ordem da conta dentro da classe;
 O 3º dígito informa-nos que estamos na presença de uma conta divisionária e
indica a ordem da mesma dentro da conta colectiva e assim sucessivamente.

Tendo em conta a codificação as contas podem ser classificadas nos seguintes graus:

 Contas do 1º grau – aquelas que evidenciam directa e imediatamente a


decomposição do activo, passivo e do capital próprio e compreendem as
contas de 2 dígitos.
 Contas do 2º grau – aquelas que resultam do desdobramento das contas do 1º
grau e compreendem as contas de 3 dígitos.

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO
Em 31/04/2009 o património de Estrela do Mar, Lda. que se dedica a venda de
electrodomésticos era assim constituído:
1. Numerário em cofre 500
2. Depósitos no banco A 300
3. Divida do cliente António 500
4. Letra à receber de cliente Correio 100
5. Depósitos no banco B 300
6. Dividas do empregado Júlio 50
7. Embalagens retornáveis 200
8. Dividas à Carol, Lda 700
9. 10 Frigoríficos Sam 1000
10. 10 Televisores 500

38
Notas de Contabilidade Básica

11. 1000 Acções na Eletrobas 1200


12. Trespasse de estabelecimento comercial 300
13. Gastos com a constituição da sociedade 150
14. Dividas a soluz, SARL 1000
15. Letra a pagar a Eletromagnet 800
16. Empréstimo do banco A 3000
17. Dividas a segurança social 220
18. Edifício comercial 5000
19. Viaturas 2000
20. Material de escritório 500

Pretende-se
1. Classificação e codificação das contas.
2. Agregação dos elementos patrimoniais.

REGISTOS CONTABILISTICOS

REGRAS DE MOVIMENTAÇÃO DAS CONTAS


A movimentação das contas é feita por aplicação do princípio das partidas dobradas ou
digrafia, segundo o qual, a variação de uma conta é sempre e em todos os casos equilibrada
pela variação de outra ou outras contas, ou seja, qualquer débito de uma conta corresponde a
um crédito de uma ou varias contas com igual valor ou vice-versa.

Nestes termos, são as seguintes as regras de movimentação das contas:


 As contas do activo débitam-se pela extensão inicial e pelos aumentos;
créditam-se pelas diminuições.

39
Notas de Contabilidade Básica

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 1, 2, 3 e Uma parte de 4 C
 Extensão/valor  Diminuições
inicial
 Aumentos

 As contas do passivo e da situação líquida débitam-se pelas diminuições;


créditam-se pela extensão inicial e pelos aumentos.

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 4(Uma parte) e 5 C
 Diminuições  Extensão/valor
inicial
 Aumentos

 As contas de gastos e perdas débitam-se pela extensão inicial e pelos


aumentos; créditam-se pelas diminuições. Movimentam-se como as contas do
activo.

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 6 C
 Extensão/valor  Diminuições
inicial
 Aumentos

40
Notas de Contabilidade Básica

 As contas de rendimentos e ganhos débitam-se pelas diminuições; créditam-


se pela extensão inicial e pelos aumentos. Movimentam-se como as contas do
passivo.

Esquematicamente temos:
D Contas da classe 7 C
 Diminuições  Extensão/valor
inicial
 Aumentos

 As contas de resultados débitam-se pelas perdas e prejuízos e créditam-se


pelos ganhos e lucros.

Esquematicamente temos:
D Contas da classe 8 C
 Perdas  ganhos
 prejuízos  lucros

41
Notas de Contabilidade Básica

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO
Considerando o exercício anterior proceda
I.- Os registos iniciais nas respectivas contas.
II- O registo dos seguintes factos patrimoniais
1.- Compra a prazo de 25 televisores
2.- Venda de 3 televisores a 225 à pronto pagamento.
3. Venda a prazo de 2 frigoríficos a 250
4.- Venda de 5 frigoríficos e 15 televisores à prazo.
5. Os clientes liquidaram as dividas
6. Compra de 2 computadores a 1000, para uso na loja. Pagou-se metade

VARIAÇÕES DAS CONTAS


Como vimos nas aulas anteriores, qualquer facto patrimonial implica sempre a variação de
duas ou mais contas. Esta conclusão traduz íntima conexão das contas, a sua correlação que
como dissemos traduz por seu turno o princípio das partidas dobradas.

As variações das contas podem ser:


Simples – quando variam apenas duas contas; e
Complexas – quando variam mais de duas contas.

Nas variações das contas, os factos patrimoniais qualitativos ou permutativos implicam


variações em contas do Activo e/ou do Passivo, enquanto que os factos patrimoniais
quantitativos ou modificativos implicam variações em contas do Activo e/ou do Passivo e
também nas contas da Situação Liquida, pois alteram o valor do Património.

REGISTO DAS VARIAÇÕES DA CONTA


As contas de uma empresa estão sujeitas a movimentos e transformações que resultam dos
fluxos da mesma. Estas variações podem ser positivas (sinal +) ou negativas (sinal -). Por
convenção, decidiu-se na prática contabilística inscrever nas contas do Activo e Passivo as

42
Notas de Contabilidade Básica

variações positivas do lado esquerdo e negativas do lado direito. Significa isto que no Activo
e Passivo as variações positivas devem ser débitadas e as negativas devem ser créditadas.

Entenda-se variações positivas ou negativas não na perspectiva de aumento ou diminuição do


Activo ou Passivo, mas sim, o sentido da diminuição ou aumento do Activo e Passivo. E é
assim porque um aumento no Activo, leva o sinal positivo (+) enquanto que um aumento no
Passivo leva o sinal negativo (-), por um lado e por outro, uma diminuição no activo leva o
sinal negativo (-) enquanto que uma diminuição no Passivo leva o sinal positivo (+).

No âmbito dos registos das variações é importante conhecer os seguintes conceitos.

Débitar uma conta - significa inscrever qualquer importância na sessão do débito (lado
esquerdo). Consiste em registar as variações positivas das contas do Activo e Passivo.
D Caixa C
XXXX

Créditar uma conta - significa inscrever qualquer importância na sessão do crédito (lado
direito). Consiste em registar as variações negativas no Activo e Passivo.

D Caixa C
XXXX

43
Notas de Contabilidade Básica

Saldar uma conta – consiste em adicionar o saldo (diferença entre o débito e crédito da
conta) a coluna que tiver menor valor.

D 1.1 caixa C
Vi 250,00 250,00
1.000,00 325,00
500,00 500,00
Sd = 675,00

Fechar uma conta – consiste em somar os valores acumulados a débito e a crédito depois de
saldar a conta.
D 1.1 caixa C
Vi 250,00 250,00
1.000,00 325,00
500,00 500,00
1.750.00 Sd = 675,00
1.750,00

Trancar uma conta – consiste em sublinhar com dois traços os valores encontrados depois
de fechar a conta.
D 1.1 caixa C
Vi 250,00 250,00
1.000,00 325,00
500,00 500,00
1.750.00 Sd = 675,00
======= 1.750,00
========

44
Notas de Contabilidade Básica

Reabrir uma conta - consiste em lançar na coluna do débito se na conta fechada o saldo era
devedor ou na coluna do crédito se o mesmo tiver sido credor.

D 1.1 caixa C
Vi 675,00

Note se que o exemplo podia considerar as contas do passivo ou da situação liquida que
tem, normalmente saldos credores ou nulos. Diferentemente, considerou-se as contas do
Activo que tem normalmente saldos devedores ou nulos.

O RACIOCÍNIO CONTABILÍSTICO
Para registar as variações ocasionadas por qualquer facto patrimonial e fundamental saber o
seguinte:

 Quais as contas que variam (pela analise dos factos patrimoniais)


 Quais as contas que devem ser débitadas e créditadas (pela aplicação das
regras de movimentação das contas)
 Os valores desses débitos e créditos.

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO
A empresa Simon, Lda tinha no início da sua actividade os seguintes elementos
patrimoniais
1. Mercadorias ...................10.000,00
2. Cheques .............................2.500,00
3. Numerário ..........................3.000,00
4. Automóveis ....................100.000,00
45
Notas de Contabilidade Básica

5. Edifícios comerciais .........80.000,00


6. Depósitos bancários ............2.000,00
7. Dividas a fornecedores .......4.000,00
8. Dividas de clientes ..............3.000,00

Ocorrem os seguintes factos patrimoniais


1. Depositou – se o cheque no banco.
2. Venda de mercadorias 5.000,00. O cliente pagou metade.
3. Venda a prazo de mercadorias 3.000,00.
4. Os clientes pagaram ¾ da divida.
5. Pagamento de ¾ da nossa divida
6. Compra de mercadorias no valor de 10.000,00. pagou-se ¾.

Pretende-se
1. Lançamentos de abertura das contas
2. Registo dos factos patrimoniais nas contas
3. Encerramento das contas
4. Reabertura das contas.

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Notas de Contabilidade Básica

V. INVENTÁRIO E BALANÇO
V.1. O INVENTÁRIO
Qualquer património contém, como se disse atrás, elementos patrimoniais e os mesmos
encontram-se valorizados, permitindo conhecer o total do activo e o total do passivo e por via
desses a situação líquida ou capital próprio.

Ora, quando se faz uma relação, lista ou rol desses elementos patrimoniais activos e passivos
com a indicação do seu valor, estamos perante um inventário. Se preferirmos, podemos dizer
que o inventário é o quadro ou mapa que nos mostra a composição do património num
determinado momento.

A elaboração dum inventário, consubstancia então a análise dos elementos patrimoniais


duma empresa visando por um lado a descriminação dos mesmos e por outro a sua
valorização.

Podemos então concluir que o inventário mostra o que existe no nosso património e quanto
vale cada elemento do nosso património. Assim, podemos conhecer o total do activo, assim
como o total do passivo.

É preciso não confundir o património com o inventário. O património como se disse atrás é o
conjunto de bens, direitos e obrigações, pertencentes a alguém que os administra visando
atingir determinados resultados. O inventário é o documento em que é descrito o património,
com a finalidade de o conhecer.

FASES DA ELABORAÇÃO DO INVENTÁRIO

Na inventariação de um património distingue-se fundamentalmente 4 fases ou etapas,


designadamente:

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Notas de Contabilidade Básica

1. Identificação, que consiste em verificar todos os elementos patrimoniais existentes


na empresa;
2. Classificação, consubstancia o agrupamento dos elementos patrimoniais da empresa
em contas;
3. Descrição, que consiste em distribuir os elementos patrimoniais da empresa em
contas já existentes, indicando a natureza, qualidade e características;
4. Avaliação, que consiste em atribuir um valor monetário a cada elemento patrimonial
da empresa.

CLASSIFICAÇÃO DO INVENTÁRIO
Os inventários podem ser classificados de vários critérios, nomeadamente:
1. Quanto ao momento da sua elaboração
O inventário pode ser:
Inicial, aquele que é elaborado no início da actividade da empresa;
Final, aquele que é elaborado no fim do exercício económico;
2. Quanto a regularidade
Ordinário, aquele que é elaborado em períodos previamente determinados; é regular e
previsível.
Extraordinário, quando elaborado por determinadas necessidades eventuais; é excepcional e
imprevisível.

3. Quanto a disposição ou ordenação


Os inventários podem ser:
Simples ou empíricos, quando os elementos patrimoniais aparecem dispostos sem obedecer
a qualquer ordem, isto é, os elementos patrimoniais aparecem dispostos ao acaso, não
existindo a preocupação de ordena-los devidamente.

Classificados ou selectivos, quando os elementos patrimoniais aparecem agrupados,


segundo a sua natureza, característica ou função. Aqui, os elementos do activo assim como
do passivo aparecem agrupados em contas.

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Notas de Contabilidade Básica

Exemplo de inventário simples e inventário classificado de SSRJ, Lda em 01/01/2011


Considere os seguintes elementos patrimoniais:
Depósitos bancários 230.000,00
Edifício comercial 1.000.000,00
Viatura Toyota 800.000,00
Saque nº 3 sobre MGB, SA 50.000,00
Mercadorias 500.000,00
Aceite sobre Valente, Lda 105.000,00
Empréstimo bancário no Bim 420.000,00
Dinheiro em cofre 20.000,00
Dividas a pagar a MMA 350.000,00
Mobiliário diverso 100.000,00
Dívida de José 75.000,00
Emprestimo bancário no BCI 1.000.000,00

Inventário Simples:
ACTIVO
Depósitos bancários 230.000,00
Edifício comercial 1.000.000,00
Mercadorias 500.000,00
Dinheiro em cofre 20.000,00
Viatura Toyota 800.000,00
Saque nº 3 sobre MGB, SA 50.000,00
Mobiliário diverso 100.000,00
Dívida de José 75.000,00
Total do Activo 2.775.000,00

PASSIVO
Aceite sobre Valente, Lda 105.000,00
Empréstimo bancário no Bim 420.000,00

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Notas de Contabilidade Básica

Dividas a pagar a MMA 350.000,00


Emprestimo bancário no BCI 1.000.000,00
Total do passivo 1.875.000,00

Inventário Classificado
ACTIVO
Meios financeiros
Dinheiro em cofre 20.000,00
Depósitos bancários 230.000,00
Inventários e Activos Biológicos
Mercadorias 500.000,00

Investimentos de Capital
Activos Tangíveis
Edifício comercial 1.000.000,00
Mobiliário diverso 100.000,00
Viatura Toyota 800.000,00
Contas a Receber
Clientes
Dívida de José 75.000,00
Saque nº 3 sobre MGB, SA 50.000,00
Total do Activo 2.775.000,00

PASSIVO
Contas a Pagar
Fornecedores
Dividas a pagar a MMA 350.000,00
Aceite sobre Valente, Lda 105.000,00
Emprestimos Obtidos
Empréstimo bancário no Bim 420.000,00
Emprestimo bancário no BCI 1.000.000,00

50
Notas de Contabilidade Básica

Total do passivo 1.875.000,00

4. Quanto a extensão
Os inventários podem ser:
Gerais, quando a listagem abarca todos os elementos patrimoniais que constituem um dado
património, ou seja, inclui todos os elementos patrimoniais que pertencem a empresa do
activo assim como do passivo.

Exemplo:
ACTIVO
Dinheiro em cofre 20.000,00
Depósitos bancários 230.000,00
Mercadorias 500.000,00
Edifício comercial 1.000.000,00
Mobiliário diverso 100.000,00
Viatura Toyota 800.000,00
Dívida de José 75.000,00
Saque nº 3 sobre MGB, SA 50.000,00
Total do Activo 2.775.000,00
PASSIVO
Dividas a pagar a MMA 350.000,00
Aceite sobre Valente, Lda 105.000,00
Empréstimo bancário no Bim 420.000,00
Emprestimo bancário no BCI 1.000.000,00
Total do passivo 1.875.000,00

Parciais, quando a listagem abrange apenas alguns dos elementos patrimoniais que
constituem um dado património. Aqui, são listados determinados elementos, podem ser
apenas do activo, ou mesmo do passivo, ou ainda alguma classe de contas.

51
Notas de Contabilidade Básica

Exemplo:
ACTIVO
Meios financeiros
Dinheiro em cofre 20.000,00
Depósitos bancários 230.000,00
Total 250.000,00

5. Quanto a Representação Gráfica


Os inventários podem ser horizontais e verticais.
Horizontais, quando os elementos patrimoniais são dispostos em dois blocos de forma
horizontal. Aqui o activo fica no primeiro bloco (esquerdo) e o passivo no segundo a
(direita).

Exemplo: Inventário de SSRJ, Lda em 01/01/2011


ACTIVO PASSIVO
1 Meios financeiros 4 Contas a Pagar
1.1 Dinheiro em cofre 20.000,00 4.2 Fornecedores 455.000,00
1.2 Depósitos bancários 230.000,00 250.000,00 4.3 Emprestimos Obtidos 1.420.000,00
2 Inventários e Activos Biológicos
2.2 Mercadorias 500.000,00 Total do passivo 1.875.000,00
3 Investimentos de Capital
3.2Activos Tangíveis 1.900.000,00

4 Contas a Receber
4.1 Clientes
125.000,00

Total do Activo 2.775.000,00

Verticais, quando a listagem dos elementos patrimoniais de um dado património for disposta
verticalmente. Aqui os elementos do activo aparecem em primeiro plano, seguidos
imediatamente dos elementos do passivo.

52
Notas de Contabilidade Básica

Exemplo: Inventário de SSRJ, Lda em 01/01/2011


ACTIVO
1 Meios financeiros
1.1 Dinheiro em cofre 20.000,00
1.2 Depósitos bancários 230.000,00 250.000,00
2 Inventários e Activos Biológicos
2.2 Mercadorias 500.000,00 500.000,00
3 Investimentos de Capital
3.2 Activos Tangíveis 1.900.000,00
4 Contas a Receber
4.1 Clientes 125.000,00

Total do Activo 2.775.000,00


PASSIVO
4 Contas por Pagar
4.2 Fornecedores 455.000,00
4.3 Emprestimos Obtidos 1.420.000,00

Total do passivo 1.875.000,00

Os inventários que as empresas elaboram devem sempre ser transcritos para o livro de
inventário. Nas empresas de grande dimensão, devido a diversidade e extensão dos elementos
patrimoniais, os inventários gerais correspondem o agrupamento ou junção de vários
inventários parciais que são elaborados em separado.

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO
Em 10/01/2011 a SamSimon, Lda, uma empresa de comércio geral iniciou a sua actividade
dispondo no seu património dos seguintes elementos:
1. Dinheiro em cofre ……………..100.000,00
3. Depósito no BIM ……………….12.000,00
4. Depósito no BCI ………………150.000,00
5. Estabelecimento comercial…..7.300.000,00

53
Notas de Contabilidade Básica

6. Automóvel Toyota …………….800.000,00


7. Dívidas de João relativas ………150.000,00
8. Carinha Mazda ……………….3000.000,00
9. Dívida à Bibimpo Lda,………1.200.000,00
10. 3 Computadores……………...130.000,00
11. Mobiliário diverso………….1.500.000,00
12. Empréstimo no BCI ………..3.800.000,00
13. Letra a pagar ……………….2.100.000,00
14. Aceite de Rajip, SA…………. 950.000,00
15. Mercadorias em armazém ….5.500.000,00

Pretende-se:
1. Classifique o inventário quanto a sua disposição.
2. Elaboração de um inventário selectivo e horizontal.

V.2. O BALANÇO
Uma vez estabelecida a composição do património pelo inventário torna-se necessário
comparar o activo com o passivo para determinar e conhecer o valor e natureza da situação
líquida. Esse quadro comparativo, constitui o balanço. O balanço constitui então o mapa
demonstrativo da situação patrimonial da empresa num determinado momento. Pode-se dizer
também que o balanço é o documento em que se expressa a comparação entre o activo e o
passivo, mostrando-se desse modo a composição e o valor do património.

Significa isso que basta acrescentarmos a situação líquida ao quadro do inventário, temos o
balanço.

Assim, enquanto que o inventário constitui apenas uma listagem dos elementos patrimoniais
activos e passivos, o balanço, constitui por sua vez a comparação ou balanceamento entre
aquelas classes de valores evidenciando a situação liquida.

54
Notas de Contabilidade Básica

Geralmente os balanços são elaborados com dois objectivos fundamentais, designadamente:


1. Apuramento da situação patrimonial em determinado momento;
2. Determinação dos resultados dum dado período.

Da comparação entre o activo e o passivo para se obter, como se disse, o valor e a natureza
da situação líquida ou capital próprio, resulta a seguinte equação:
ou
A – P = SL A = SL + P

O activo constitui o 1º membro do balanço e a situação líquida ou capital próprio mais o


passivo constitui o seu segundo membro.

Representação Gráfica do Balanço


O balanço pode ser representado horizontal e verticalmente.

1. Representação horizontal, em que o primeiro membro aparece do lado esquerdo e o


segundo membro aparece do lado direito.
Exemplo: Balanço de SSRJ, Lda em 01/01/2011
ACTIVO CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO
1 Meios financeiros 5 Capital Próprio
1.1 Dinheiro em cofre 20.000,00 5.1 Capital 900.000,00
1.2 Depósitos bancários 230.000,00 250.000,00 4 Contas a Pagar
2 Inventários e Activos Biológicos 4.2 Fornecedores 455.000,00
2.2 Mercadorias 500.000,00 4.3 Emprestimos Obtidos 1.420.000,00 1.875.000,00
3 Investimentos de Capital
3.2Activos Tangíveis 1.900.000,00

4 Contas a Receber
4.1 Clientes
125.000,00

Total do Activo 2.775.000,00 Total do Capital Próprio + Passivo 2.775.000,00

55
Notas de Contabilidade Básica

2. Representação vertical em que o segundo membro vem imediatamente abaixo do


primeiro.

Exemplo: Balanço de SSRJ, Lda em 01/01/2011


ACTIVO
1 Meios financeiros
1.1 Dinheiro em cofre 20.000,00
1.2 Depósitos bancários 230.000,00 250.000,00
2 Inventários e Activos Biológicos
2.2 Mercadorias 500.000,00 500.000,00
3 Investimentos de Capital
3.2 Activos Tangíveis 1.900.000,00
4 Contas a Receber
4.1 Clientes 125.000,00

Total do Activo 2.775.000,00


CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO
5 Capital Próprio
5.1 Capital 900.000,00
4 Contas por Pagar
4.2 Fornecedores 455.000,00
4.3 Emprestimos Obtidos 1.420.000,00

Total do Capital Próprio + Passivo 2.775.000,00

EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO
1. Considere o exercício anterior sobre o inventário de SamSimon, Lda, e elabore o
balanço.

56
Notas de Contabilidade Básica

GÉNEROS DE BALANÇO
CASO SITUAÇÃO LÍQUIDA BALANÇO
Designação Símbolo Valor Expressão Género
A>P Activa SLa SL > 0 A = P + SLa 1º Género
A=P Nula SLo SL = 0 A=P 2º Género
A<P Passiva SLp SL < 0 A = P – SLp 3º Género

Dai resulta que:


A + SLp = P + SLa

CLASSIFICAÇÃO DOS BALANÇOS


1. Quanto ao momento da sua elaboração
Os balanços podem ser classificados em:
 Balanços iniciais, aqueles que são elaborados no início da actividade económica ou
do exercício económico.
 Balanços finais, aqueles que são elaborados apôs o encerramento da actividade
económica ou do exercício económico.
 Balanços de fundação, aqueles que são elaborados a quando da constituição ou
fundação da empresa.
 Balanços de liquidação, aqueles que são elaborados a quando da extinção ou
liquidação da empresa.

2. Quanto a regularidade
Os balanços podem ser classificados em:
 Balanços ordinários, aqueles que são elaborados em períodos préviamente
determinados, como é o caso de trimestrais, semestrais e anuais.
 Balanços extraordinários, aqueles que são elaborados ocasionalmente por motivos
de carácter acidental, como é o caso de falência, morte de um dos sócios e suspeita de
extravios ou desvios.

57
Notas de Contabilidade Básica

3. Quanto a estrutura
Os balanços podem ser classificados em:
 Balanços sintéticos, são aqueles, como o nome sugere, que não descriminam em
pormenor as contas, geralmente são a expressão da relação existentes entre o activo,
passivo e capital próprio.

Exemplo: Balanço sintético de SSRJ, Lda em 01 de Janeiro de 2011


ACTIVO 2.775.000,00 CAPITAL PRÓPRIO 900.000,00
___________
PASSIVO 1.875.000,00

2.775.000,00
2.775.000,00
Total do Activo ----------------- Total do Capital Próprio + Passivo
-------------------

 Balanços analíticos, são aqueles que além da relação, pormenorizam a composição


do activo, passivo e capital próprio. Geralmente apresentam contas desdobradas em
subcontas.
Exemplo: Balanço analítico de SSRJ, Lda em 01 de Janeiro de 2011
ACTIVO CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO
1 Meios financeiros 5 Capital Próprio
1.1 Dinheiro em cofre 20.000,00 5.1 Capital 900.000,00
1.2 Depósitos bancários 230.000,00 250.000,00 4 Contas a Pagar
2 Inventários e Activos Biológicos 4.2 Fornecedores
2.2 Mercadorias 500.000,00 421 Fornecedores c/c 350.000,00
3 Investimentos de Capital 422Forn.títulos a pagar 105.000,00
3.2Activos Tangíveis 455.000,00
321 Construções 1.000.000,00
323 Mobiliário e EAS 100.000,00 4.3 Emprestimos Obtidos 1.420.000,00 1.875.000,00
324 Eq. de Transporte 800.000,00 1.900.000,00
4 Contas a Receber
4.1 Clientes
411 Clientes c/c
75.000,00 125.000,00
412 Clientes títulos a receber 50.000,00
2.775.000,00
Total do Activo 2.775.000,00 Total do Capital Próprio + Passivo -----------------
----------------

58
Notas de Contabilidade Básica

4. Quanto a ordenação
Os balanços podem ser classificados em:
 Balanços simples, são aqueles em que não existe a preocupação de ordenar
devidamente as contas.
 Balanços classificados, são aqueles em que as contas apresentam-se devidamente
ordenadas ou sequenciadas.

REQUISITOS DO BALANÇO
O balanço como uma fonte de informação contabilística fundamental para diversas entidades,
principalmente os gestores da empresa, deve na sua elaboração seguir determinados
requisitos, designadamente:

Clareza
O balanço deve ser apresentado de um modo que facilita a sua interpretação, ou seja, de
forma clara. Para isso é preciso que haja clareza das contas utilizadas, dos títulos, bem como
a seriação.

Exactidão
As contas devem apresentar valores que correspondam ao valor real dos elementos
patrimoniais contidos na respectiva conta, devendo ser determinados tendo em conta critérios
valorimétricos objectivos.

Integridade
O balanço deve incluir todos os valores patrimoniais activos, passivos e de capital,
respeitando o princípio de não compensação, isto é, as contas mistas não devem apresentar
um único saldo. Devem figurar nos dois membros do balanço com os respectivos saldos
devedor e credor.

59
Notas de Contabilidade Básica

Consistência
Na elaboração dos balanços devem ser considerados e utilizados os mesmos critérios ao
longo dos anos.
Uniformidade
Na elaboração dos balanços deverão ser considerados e utilizados os mesmos critérios e
normas para todos os casos, quer se trate de balanços nacionais, sectoriais ou territoriais.

Sinceridade
Os elementos patrimoniais devem ser avaliados correctamente com base em factos
objectivos, devendo minimizar-se a subjectividade de determinadas rubricas, como é o caso
de provisões, amortizações e existências.

BALANÇO INICIAL – VARIAÇÃO DO BALANÇO – BALANÇO FINAL


Importa recordar que se dá o nome de exercício económico ao conjunto de operações
respeitantes a gestão de cada período administrativo e reter que o balanço elaborado pelo
comerciante no início de exercício económico designa-se por balanço inicial e aquele
elaborado no final do exercício designa-se de balanço final.

Antes de ensaiarmos algumas técnicas de registo de operações nas contas, partindo de um


dado balanço inicial e de um dado conjunto de factos patrimoniais, voltemos por alguns
instantes a questão das regras básicas de registo das operações para acrescentarmos o
seguinte:

1. As contas do primeiro membro do balanço (A+SLp) débitam-se pela extensão inicial


e pelos aumentos e créditam-se pelas diminuições;
2. As contas do segundo membro do balanço (P+SLa) débitam-se pelas diminuições e
créditam-se pela extensão inicial e pelos aumentos.

60
Notas de Contabilidade Básica

Após essas indicações, consideremos um simples exemplo para a verificação prática de como
se estabelece o balanço final, partindo de um balanço inicial e considerando um conjunto de
factos patrimoniais ocorridos.

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO
Balanço inicial de Mendes&Gany, Lda em 01/01/2011
ACTIVO CAPITAL PRÓPRIO + PASSIVO
1.Meios Financeiros 5.Capital Próprio
1.1 Caixa 20.000,00 5.1 Capital
370.000,00
1.2 Bancos 165.000,00 185.000,00
2. Inventários e Actvos 4.Contas Receber, Contas a Pagar,
Biológicos Acréscimos e Deferimentos
2.2 Mercadorias 145.000,00 4.2 Fornecedores
130.000,00
3. Investimentos de Capital 170.000,00
3.2Activos tangíveis
500.000,00
Total do Activo 500.000,00 Total do capital próprio + passivo ----------------
---------------

Durante o ano ocorreram os seguintes factos patrimoniais:


1. Compra a prazo de mercadorias a 110.000,00.
2. Compra de mercadorias no valor de 85.000,00. Pago através de cheque nº 1.
3. Venda de mercadorias no valor de 75.000,00.
4. Compra a prazo de móveis no valor de 125.000,00.
5. Pagamento de dívidas aos fornecedores no valor de 60.000,00 através de cheque nº 2
6. Depósito bancário de 10.000,00.

No final do mês de Dezembro a empresa Mendes&Gany, Lda pretende conhecer a sua


situação patrimonial. Como satisfazer essa pretensão?

61
Notas de Contabilidade Básica

Passos a seguir:
1. Uma vez que existem valores iniciais indicados no balanço, a primeira coisa a fazer é
abrir contas e inscrever nelas todos os valores do balanço, aplicando as regras de
registo das operações;
2. Abertas as contas, segue-se o registo dos factos patrimoniais ocorridos durante o
exercício.
3. O terceiro passo consiste em somar os valores de cada uma das contas, determinar os
saldos e inscreve-los no balanço final.

É importante notar que acontece com frequência que ao longo das operações do exercício
económico vão aparecendo outras contas não existentes no balanço inicial. Nesses casos
deve-se abrir tantas contas quanto necessário.

EXERCICIOS PROPOSTOS
1. Em 01/01/10 a Biby,Lda tinha os seguintes elemento patrimoniais
13- Dívidas de Ferraz, Lda ..................................255.525,33Mt
14- Equipamentos administrativos ......................131.131,13Mt
15- Depósito no BCI ........................................ 259.077,00Mt
16- Dívida a Mithethe, SARL.............................. 444.444,44Mt
17- Dívida de Nhancaliz, Lda ..............................200.007,01Mt
18- Mercadorias em armazém .............................430.020,00Mt
19- Depósito no BAM ...........................................90.077,00Mt
20- Viaturas .........................................................930.000,12Mt
21- Divida a Guaito, Lda ......................................607.031,99Mt
22- Dinheiro em caixa ...........................................600.000,97Mt

62
Notas de Contabilidade Básica

Durante o ano ocorreram os seguintes factos patrimoniais


1. 02/01/10 - Reduziu-se em metade a divida a cada fornecedores
2. 04/02/10 - Liquidou-se a divida pela metade a Mithethe, SARL através de cheque nº 12
sobre BCI
3. 08/03/10 - Os clientes liquidaram as dividas
4. 09/05/10 - Compra de mercadorias no valor de 500.000, 00Mt. Pagou-se 4/5.
5. 11/06/10 - Compra a prazo de mercadorias no valor de 800.000,00Mt
6. 12/07/10 - Venda de mercadorias no valor de 400.000,00. O lucro é de 25% sobre o
valor. O cliente pagou 3/4.
7. 13/09/10 - Venda a prazo de mercadorias no valor de 400.000,00Mt.
8. 18/10/10 - Recebimento do remanescente da operação 6.
9. 24/11/10 – Recebimento de 1/2 da operação 7.
10. 30/12/10 – Comprou-se 1 computador no valor de 50.000,00 e pagou-se 90% do valor.

Pretende-se
a) Balanço inicial de Biby,Lda
b) Abertura de contas e lançamento das operações
c) Balanço final de Biby, Lda e encerramento das contas.

2. Considerando o exercício anterior:


a) Proceda a reabertura das contas;
b) Fazer o lançamento das seguintes operações:
1. Nosso saque sobre os clientes
2. Saque de Guaito, Lda
3. Compra a 30 dias de mercadorias no valor de 500.000,00
4. Venda de mercadorias no valor de 750.000,00 que haviam custado 600.000,00
5. Compra de mobiliário no valor de 100.000,00
6. Compra de 1 viatura no valor de 1.200.000,00. Pagou-se metade.
7. Venda de mercadorias no valor de 300.000,00. O cliente pagou metade através de
uma transferência bancária e 25% em numerário.

63
Notas de Contabilidade Básica

8. Pagamento de 2/5 da operação 3.


c) Elaborar o balanço final comerciante e encerrar as suas contas.

3. Balanço de Valente, Lda em 01/01/2010


Activo Passivo + S. Liquida
Dinheiro em cofre 20.000,00 Dividas a pagar a MMA 350.000,00
Depósitos bancários 230.000,00 Empréstimo bancário 420.000,00
Mercadorias 500.000,00
Edifício comercial 1.000.000,00 S. Liquida 1.780.000,00
Viatura Toyota 800.000,00
2.550.000,00 2.550.000,00

Realizaram-se as seguintes operações


1. Pagamento de metade da divida a MMA através de cheque nº 1
2. Venda a prazo de mercadorias no valor de 250.000,00 que haviam custado
200.000,00
3. Venda de mercadorias no valor 125.000,00.
4. Recebimento do valor da operação 2 via transferencia bancaria
5. Compra de mercadorias no valor de 500.000,00. Pagou-se 3/5 atravêz do banco e o
resto aceitou-se uma letra.
6. Depósito do valor em caixa da operação 3.
7. Compra de um computador a 40.000,00, tendo sido pago ½ através do caixa (em
numerario).
8. Adiantamento ao trabalhador josé no valor de 5.000,00

Pretende-se
a) Abertura de contas e lançamento das operações
b) Balanço final e encerramento das contas

64
Notas de Contabilidade Básica

CONTABILIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES


ESCRITURAÇÃO COMERCIAL
A escrituração comercial tem por objectivo evidenciar no fim de cada exercício económico a
situação patrimonial e financeira, bem como determinar os resultados da empresa, através de
balanços e de mapas de demonstração de resultados.

A escrituração comercial ou contabilização dos factos patrimoniais passa por:


 Saber quais as contas que variam (análise dos factos patrimoniais)
 Saber quais as contas que devem ser débitadas e créditadas (pela aplicação das regras
de movimentação das contas)
 Registar os valores desses débitos e créditos.

A escrituração comercial é feita na base de lançamentos contabilísticos. O lançamento é todo


e qualquer registo em livros comerciais, ou seja, é a anotação dos factos patrimoniais em
livros contabilísticos9.

Normalmente os lançamentos são constituídos por quatro partes, designadamente:


 Data – ano, mês e dia, depois da localidade do comerciante;
 Cabeçalho ou contas movimentadas – títulos das contas débitadas e créditadas;
 Descrição ou histórico – descrição da operação e/ou documento;
 Valor ou importância – extensão ou montante da variação.

Lançamentos no Diário Geral


O diário é um livro onde os factos patrimoniais são registados por ordem cronológica, isto é,
por ordem de data.

9
Os livros de escrituração comercial podem ser obrigatórios, quando determinado por lei que o comerciante deve
escriturá-los, ou facultativos quando a sua escrituração é de livre critério do comerciante. Geralmente, consideram-se
livros obrigatórios os seguintes: Diário; Razão; Inventário; Balanço e Livro de acta para as sociedades.

65
Notas de Contabilidade Básica

Traçado ou Riscado do Diário


1 2 3 4 5 6

Legenda:
1. Nº de ordem de lançamento;
2. Preposição “a” (antes da conta créditada);
3. Cabeçalho, contas movimentadas e descrição de lançamento;
4. Nº de fólio do razão geral;
5. Coluna auxiliar das importâncias;
6. Coluna principal das importâncias.

Lançamentos no Razão Geral


O razão é um livro onde as operações são registadas por ordem de contas depois de
escrituradas no diário por ordem de datas. Aqui, agrupa-se os registos por ordem de contas.

Traçado ou Riscado do Razão:


Deve Haver
1 1
2 3 4 5 6 7 2 3 4 5 6 7

Legenda:
1 – Ano e mês da operação;
2 – Dia da operação;
3 – Preposição “a”do lado esquerdo (para os créditos) e “de” (para os débitos) do lado
direito;
4 - Contrapartida
5 – Nº de lançamento no diário;
6 – Coluna auxiliar de importância

66
Notas de Contabilidade Básica

7 – Coluna principal de importância.


Classificação dos lançamentos
Os lançamentos podem ser classificados de várias formas, designadamente:

1.- Quanto ao momento


Lançamentos de abertura - efectuados no início da actividade;
Lançamentos correntes e de estorno – efectuados durante a actividade;
Lançamentos de regularização, apuramento e aplicação de resultados, e de encerramento de
escrita – efectuados no fim do exercício;
Lançamentos de reabertura - efectuados no início do exercício seguinte.

ÉPOCA LANÇAMENTO OBJECTIVO


Início do exercício Lançamento de abertura Registo de valores iniciais
Durante o Lançamentos correntes Registo de factos patrimoniais
exercício Lançamentos de estorno Correcções de erros e omissões
Fim do exercício Lançamentos de regularização Correcção de valores
Lançamentos de apuramento e Transferência de valores
aplicação de resultados
Lançamentos de encerramento Registo de valores finais
de escrita
Início do exercício Lançamento de reabertura Registo de valores no início de
exercício seguinte

2.- Quanto ao número de contas movimentadas


Lançamentos simples – quando só variam duas contas
Lançamentos compostos – quando variam mais de duas contas
3.- Quanto a fórmula
Os lançamentos podem ser da 1ª , 2ª , 3ª e 4ª fórmula.

67
Notas de Contabilidade Básica

Lançamento da 1ª fórmula
Um lançamento diz-se da primeira fórmula quando movimenta apenas duas contas, uma a
débito e a outra a crédito.

Exemplo: Dia 25/07/2011 - Compra a pronto pagamento de mercadorias no valor de 500,00


No diário
Tete, aos 25/07/2011
1 2.1 Compras 1
a 1.1 Caixa 2 500,00
Pela compra de mercadorias no
valor de 500,00

Na primeira linha se inscreve a conta a débitar e a seguir a conta a créditar, precedida da


preposição “a”. Significa que primeiro se regista a conta a débitar e só depois é que se
regista a conta a créditar e sempre a conta a créditar deve ser antecedida da preposição “a”.

No razão
Deve 2.1 Compras Haver
Julho
De 2011
25 a 1.1:Caixa 1 500,00

Deve 1.1 Caixa Haver


Julho de
2011
2.1:Compras 1 500,00
25 de

68
Notas de Contabilidade Básica

Lançamento da 2ª fórmula
Um lançamento diz-se da segunda fórmula quando a operação origina o débito de uma conta
e o crédito de mais de uma conta. Como não é possível indicar as contas a créditar na mesma
linha, as mesmas são substituídas pela expressão “Diversos”.

Exemplo: Dia 26/07/2011 - Compra de mercadorias no valor de 500,00. Pagou-se metade


em numerário.
No diário
Tete, aos 26/07/2011
2 2.1 Compras 1
a Diversos
P/ compra de mercadorias, pago ½
a em numerario.
a 1.1 Caixa 2 250,00
4.2 Fornecedores 3 250,00 500,00

Escreve-se na primeira linha a conta débitada e na segunda a locução “a” DIVERSOS, em


seguida a descrição geral da operação e só depois é que se indica as contas créditadas
precedidas da preposição “a” e com a respectiva descrição particular sempre que for
necessário.

No razão
Deve 2.1 Compras Haver
Julho
De 2011
26
a Diversos 2 500,00

69
Notas de Contabilidade Básica

Deve 1.1 Caixa Haver


Julho
De 2011
26 de 2.1:Compr 2 250,00
as

Deve 4.2 Fornecedores Haver


Julho
De 2011
26 de 2.1:Compr 2 250,00
as

Lançamento da 3ª fórmula
Um lançamento se considera da terceira fórmula quando a operação origina o débito de mais
de uma conta e o crédito de apenas uma conta.

Exemplo: Dia 27/07/2011 - Venda de mercadorias no valor de 500,00Mt. O cliente pagou


metade.

No diário
Tete, aos 27/07/2011
3 Diversos
a 7.1 Venda de Mercadorias 4
P/ venda de mercadorias, pago ½
1.1 Caixa 2 250,00
4.1 Clientes 5 250,00 500,00

Na primeira linha inscreve-se a locução “DIVERSOS” e na segunda a conta a créditar


precedida da preposição “a” e em seguida o histórico ou descrição geral. Por fim aparecem as
contas a débitar com a respectiva descrição particular se for necessário.

70
Notas de Contabilidade Básica

No razão
Deve 1.1 Caixa Haver
Julho
De 2011
27 a 7.1:Venda 3 250,00
de
Mercadorias

Deve 4.1 Clientes Haver


Julho
De 2011 7.1:Venda
27 a de 3 250,00
Mercadorias

Deve 7.1 Venda de Mercadorias Haver


Julho
De 2011
27
de Diversos 500,00

Lançamento da 4ª fórmula
Um lançamento diz-se da quarta fórmula quando a operação origina a movimentação de
várias contas a débito e várias a crédito, isto é, quando se débita e crédita mais de uma conta.

71
Notas de Contabilidade Básica

Exemplo: De Deus iniciou a sua actividade em 01/01/2011 com os seguintes valores


patrimoniais:
Caixa – 20.000,00
Bancos – 10.000,00
Edifícios comerciais – 10.000,00
Empréstimo bancário – 10.000,00

No diário
Tete, 01/01/2011
1 Diversos
a Diversos
P/ abertura da escrita.
1.1 Caixa 1 20.000,00
1.2 Bancos 2 10.000,00
3.2 Activos Tangíveis 3 10.000,00
40.000,00
a 4.3 Empréstimos obtidos 4 10.000,00
a 5.1 Capital 5 30.000,00 40.000,00

Inscreve-se na primeira linha a locução “DIVERSOS” e também na segunda a locução


“DIVERSOS” precedida da preposição “a” e em seguida a descrição geral do lançamento.
Depois regista-se por baixo as contas a débitar, somando e trancando na coluna auxiliar de
importâncias o total. Inscreve-se em seguida as contas a créditar, precedidas da preposição
“a”, passando total de importâncias para a coluna principal, após somá-los na coluna auxiliar.
No razão:
Deve 1.1 Caixa Haver
Janeiro
De 2011
01 a Diversos 1 20.000,00

72
Notas de Contabilidade Básica

Deve 1.2 Bancos Haver


Janeiro
de 2011
01 a Diversos 1 10.000,00

Deve 3.2 Activos Tangíveis Haver


Janeiro
de 2011
01 a Diversos 1 10.000,00

Deve 4.3 Emprestimos Obtidos Haver


Janeiro
de 2011
01 de Diversos 1 10.000,00

Deve 5.1 Capital Haver


Janeiro
de 2011
01 de Diversos 30.000,00

73
Notas de Contabilidade Básica

Só para recapitular:
 As contas do activo débitam-se pela extensão inicial e pelos aumentos;
créditam-se pelas diminuições.

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 1, 2, 3 e Uma parte de 4 C
 Extensão/valor  Diminuições
inicial
 Aumentos

 As contas do passivo e da situação líquida débitam-se pelas diminuições;


créditam-se pela extensão inicial e pelos aumentos.

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 4 (Uma parte) e 5 C
 Diminuições  Extensão/valor
inicial
 Aumentos

74
Notas de Contabilidade Básica

 As contas de gastos e perdas débitam-se pela extensão inicial e pelos


aumentos; créditam-se pelas diminuições. Movimentam-se como as contas do
activo.

Esquematicamente temos:
D Contas das classes 6 C
 Extensão/valor  Diminuições
inicial
 Aumentos

 As contas de rendimentos e ganhos débitam-se pelas diminuições; créditam-


se pela extensão inicial e pelos aumentos. Movimentam-se como as contas do
passivo e da situação líquida.

Esquematicamente temos:
D Contas da classe 7 C
 Diminuições  Extensão/valor
inicial
 Aumentos

75
Notas de Contabilidade Básica

Balancetes
Noção e Objectivos
Com a utilização do método digráfico ou de partidas dobradas, toda a operação é
simultaneamente lançada a débito de uma ou mais contas e a crédito de outra ou outras
contas.
Para além do trabalho contabilístico de lançamentos no Diário e da sua passagem ao Razão, é
vulgar ao longo do exercicio económico, até ao final do ano, a elaboração periódica de
balancetes, em regra geral todos os meses, com a finalidade de conferir as passagens do
Diário ao Razão e verificar a situação da empresa.
Balancetes é um quadro recapitulativo de todas as contas do Razão, onde consta a soma do
débito e do crédito de cada conta e dos respectivos saldos.
O balancete mostra a concordância entre os totais dos débitos e dos créditos, coincidindo
também com o total do Diário- Tripla igualdade.
SOMA DOS DÉBITOS = SOMA DOS CRÉDITOS = SOMA TOTAL DO DIÁRIO
E consequentemente, a soma dos saldos devedores tem de ser igual a soma dos saldos
credores, se qualquer das igualdades não se verificar implica que houve erro.
A comparação entre o total do Balancete e o total do Diário permite-nos verificar se os
lançamentos foram bem escriturados.
O Balancete não evidencia os erros cometidos no Diário, tais como, substituição ou inversão
de contas, omissão ou duplicação de lançamentos visto que as quantias registadas a débito e a
crédito das contas podem ser iguais. Só quando isto não acontece, isto é, quando se regista
num e não no outro, os erros são detectados pelo Balancete.

Exemplo de um Balancete
Fólio Contas Movimentos Saldos
Deve Haver Devedor Credor
1
2
3
4
Total

76
Notas de Contabilidade Básica

Nota: Não foram consideradas as contas de custos e proveitos e nem o IVA nas
operações de compra e venda, que serão vistas oportunamente.

Exercícios de aplicação
1.- O comerciante Langa, Lda iniciou a sua actividade comercial em 01/01/2010 com os
seguintes valores patrimoniais:
1. Numerário – 20.000,00
2. Mobiliário – 40.000,00
3. Bancos – 20.000,00
4. Mercadorias – 20.000,00
5. Fornecedores – 20.000,00

Durante o ano realizaram-se as seguintes operações:


1. 02/01/2010 - Liquidação por cheque de metade das dívidas aos fornecedores;
2. 05/01/2010 - Compra de mercadorias no valor de 40.000,00. Metade pago em
numerário e o resto a prazo de 30 dias;
3. 10/01/2010 - Venda de mercadorias no valor de 25.000,00 que haviam custado
20.000,00. O cliente pagou metade e o resto aceitou uma letra;
4. 20/01/2010 - Compra a prazo de motorizada no valor de 50.000,00;
5. 25/01/2010 - Recebimento do remanescente da operação 3.

Pretende-se
1. Lançamentos de abertura no diário e razão
2. Lançamentos correntes no diário e razão
3. Balanço mensal.

77
Notas de Contabilidade Básica

2.- Jingle, SA, que se dedica a venda de computadores, iniciou a sua actividade comercial em
2008 com os seguintes valores patrimoniais:
1. Caixa – 100.000,00
2. Bancos – 200.000,00
3. Construções – 300.000,00
4. Empréstimos bancários – 2.000.000,00

Durante o exercício económico ocorreram os seguintes factos patrimoniais:


02/01 – Compra de 50 computadores HP a 30.000,00 cada. Pagou-se através de cheque nº 1.
08/01 – Compra a 120 dias de 1 viatura TalFice a 500.000,00.
10/01 – Venda de 20 computadores. A margem de lucro foi de 20% sobre o custo de
aquisição.
10/01 – Depósito de todo valor em caixa.
15/01 – Venda de 20 computadores. O cliente pagou 75% e o resto aceitou uma letra de 30
dias.
20/01 – Compra a 60 dias de 10 computadores DEL a 250.000,00
25/01 – Venda de 5 computadores DEL e 8 HP.
28/01- Pagamento de 50% do valor aos nossos fornecedores correntes.
30/01 – Pagamento da operação 2.

Pretende-se
1. Lançamentos de abertura no diário e razão
2. Lançamentos correntes no diário e razão
3. Balanço mensal.

78
Notas de Contabilidade Básica

BIBLIOGRAFIA
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CONTABILIDADE GERAL; 24ª Edição, Áreas Editora,Lisboa, 2005.
Nabais, Caelos e Nabais Francisco, PRÁTICA CONTABILÍSTICA I, 3ª Edição, Edições
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Borges, António e Ferrão Martins, A CONTABILIDADE E A PRESTAÇÃO DE CONTAS,
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Pereira, João Manuel Esteves, CONTABILIDADE GERAL, s/d, Plátano Editora, Lisboa,
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Bento, José e Machado, José Fernandes ,O PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE
EXPLICADO; 27º Edição, porto Editora, Porto, 2005.
Borges, António e Ferrão, Martins, MANUAL DE CASOS PRÀTICOS, Rei dos Livros,
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Caiado, António C. Pires e Madeira, Paulo Jorge,O ENCERRAMENTO DAS CONTAS, na
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Costa, Carlos Baptista da, e Alves,Gabriel Correia, CONTABILIDADE FINANCEIRA, 5ª
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Hendriksen, Eldon S. e Breda, Michael F. Van, ACCOUNTING THEORY,. 5ª Edição, Iruin
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Pérez, Maria Carmen Garcia, INTRODUCION À LA CONTABILIDAD FINANCIERA,
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