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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

LUIS GUSTAVO CORAIOLA


TIAGO LOPES KOERICH
VICTOR SIVIERO GIUBLIN

IMPLANTAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO NAS


PARADAS DE ÔNIBUS EM VIAS URBANAS DE CURITIBA

CURITIBA
2010
LUIS GUSTAVO CORAIOLA
TIAGO LOPES KOERICH
VICTOR SIVIERO GIUBLIN

IMPLANTAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO NAS


PARADAS DE ÔNIBUS EM VIAS URBANAS DE CURITIBA

Trabalho final de curso apresentado como


requisito parcial à obtenção do grau de
Engenheiro Civil, do Curso de Engenharia Civil
do Setor de Tecnologia da Universidade Federal
do Paraná.

Orientador: Prof. Mário Henrique F. Andrade

CURITIBA
2010
TERMO DE APROVAÇÃO

LUIS GUSTAVO CORAIOLA


TIAGO LOPES KOERICH
VICTOR SIVIERO GIUBLIN

IMPLANTAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO NAS


PARADAS DE ÔNIBUS EM VIAS URBANAS DE CURITIBA

Trabalho final de curso aprovado como requisito parcial para obtenção do grau de
Engenheiro Civil do curso de Engenharia Civil do Setor de Tecnologia, da
Universidade Federal do Paraná, pela seguinte banca examinadora:

Orientador: Prof. Mário Henrique Furtado Andrade


Departamento de Transportes, UFPR

Prof. Djalma Rocha Al-Chueyr Martins Pereira


Departamento de Transportes, UFPR

Prof. Camilo Borges Neto


Departamento de Transportes, UFPR

Curitiba, 1º de Julho de 2010.


AGRADECIMENTOS

Ao Professor Mario Henrique Furtado Andrade, pela atenção, senso crítico,


amizade e orientação.
A AFIRMA ENGENHARIA VIÁRIA pelo apoio irrestrito para o êxito deste
trabalho.
A ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, em especial ao
Engenheiro Carlos Roberto Giublin.
A ENGEMIN ENGENHARIA E GEOLOGIA, por disponibilizar os dados
necessários a este estudo.
Aos colegas da Universidade Federal do Paraná, o agradecimento sincero
pela ajuda e respeito profissional.
A Deus, fonte maior da nossa existência.
“O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo.”
(Winston Churchill)
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Distribuição das tensões. .......................................................................... 17


Figura 2: seções típicas de pavimentos.................................................................... 17
Figura 3: Placa de concreto simples ......................................................................... 21
Figura 4: Placa de concreto simples com barras de transferência ........................... 22
Figura 5: Placa de concreto simples com armadura dist. Descontinua .................... 22
Figura 6: Placa de concreto com armadura distribuída Contínua ............................. 23
Figura 7: Placa de concreto estruturalmente armado ............................................... 23
Figura 8: Placa de concreto protendido .................................................................... 24
Figura 9: Junta transversal de retração .................................................................... 28
Figura 10: Junta transversal de retração com barra de transferência ...................... 29
Figura 11: Junta longitudinal de articulação ............................................................. 29
Figura 12: Junta Longitudinal de articulação com barra de ligação .......................... 30
Figura 13: Barras de transferência de carga ............................................................ 31
Figura 14: Colocação das Formas metálicas............................................................ 34
Figura 15: Lançamento e adensamento do concreto ............................................... 35
Figura 16: Operação de texturização com vassoura de nylon .................................. 35
Figura 17: Corte de junta com serra de disco diamantado ....................................... 36
Figura 18: Produto de cura química após 2 minutos de aplicação ........................... 38
Figura 19: Curva de fadiga ....................................................................................... 40
Figura 20: Formulário de cálculo de espessura pelo método PCA/84 ...................... 43
Figura 21: Fluxograma do processo apropriado e sistemático para a tomada de
decisões e seleção de estratégias de Reabilitação .................................................. 46
Figura 22: Anexo G da norma DNIT 060/2004-PRO ................................................ 59
Figura 23: Escala do ICP e seus respectivos conceitos, segundo a norma DNIT
062/2004-PRO .......................................................................................................... 62
Figura 24: Exemplo de reforço sem aderência entre as camadas............................ 66
Figura 25: Exemplo de reforço com aderência parcial entre as camadas ................ 66
Figura 26: Exemplo de recapeamento com aderência total entre as camadas ........ 67
Figura 27: Detalhes de Execução de Reparos Profundos ou de Espessura Plena .. 69
Figura 28: Área a ser reparada após remoção e limpeza. ........................................ 70
Figura 29: Aplicação do epóxi e das barras de transferência. .................................. 70
Figura 30: Concretagem da placa de concreto ......................................................... 71
Figura 31: Exemplo da eficiência da transferência de carga .................................... 72
Figura 32: Demarcação com giz ............................................................................... 73
Figura 33: Retirada do concreto ............................................................................... 73
Figura 34: Posicionamento das barras de transferência........................................... 73
Figura 35: Detalhe da inserção de barra de transferência ........................................ 74
Figura 36: Detalhes de Execução de Reparos em fissuras longitudinais e/ou juntas
longitudinais.............................................................................................................. 76
Figura 37: Aplicação de resina epóxi ........................................................................ 77
Figura 38: Posicionamento das barras ..................................................................... 77
Figura 39: Concretagem das Ranhuras .................................................................... 77
Figura 40: Aspecto final da fissura grampeada e selada .......................................... 78
Figura 41: Exemplo de selante que se solta com o tempo ....................................... 78
Figura 42: Serragem das juntas ............................................................................... 79
Figura 43: Resselagem das juntas ........................................................................... 80
Figura 44: Aspecto da via exclusiva após desalinhamento das estações na Av.
Marechal Floriano Peixoto. ....................................................................................... 85
Figura 45: Localização da Estação Moysés Marcondes ........................................... 86
Figura 46: Imagem de satélite da Estação Moyses Marcondes. .............................. 86
Figura 47: Exemplo do deslocamento das estações para ultrapassagem dos veículos
................................................................................................................................. 87
Figura 48: Defeitos nas placas de concreto.............................................................. 92
Figura 49: Representação esquemática das placas a serem implantadas. .............. 99
Figura 50: Detalhamento da junta transversal e barra de transferência. ................ 101
Figura 51: Detalhamento da laje de transição. ....................................................... 102
Figura 52: Recuperação das placas de concreto. .................................................. 103
Figura 53: Reparo de espessura plena, planta. ...................................................... 105
Figura 54: Reparo de espessura plena, corte AB ................................................... 105
Figura 55: Reparo de espessura plena, Detalhe 01 ............................................... 106
Figura 56: Reparo de espessura parcial, planta ..................................................... 106
Figura 57: Reparo de espessura plena, detalhe 01 ................................................ 107
Figura 58: Inserção de barras de transferência, planta .......................................... 107
Figura 59: Inserção de barras de transferência, detalhe 01 ................................... 108
Figura 60: Inserção de barras de transferência corte AA ....................................... 108
Figura 61: Grampeamento, planta .......................................................................... 109
Figura 62: Grampeamento, detalhe das ranhuras .................................................. 109
Figura 63: Grampeamento, elevação ..................................................................... 110
Figura 64: Imagem de satélite do segmento inspecionado..................................... 118
Figura 65: Identificação de segmento do Acesso à Rua Wilson de França ............ 119
Figura 66: Fissura de canto .................................................................................... 128
Figura 67: Valores dedutíveis para defeitos na selagem de juntas ........................ 128
Figura 68: Fissuras lineares ................................................................................... 129
Figura 69: Grandes reparos existentes................................................................... 129
Figura 70: Desgaste superficial .............................................................................. 130
Figura 71: Fissuras de retração plástica ................................................................. 130
Figura 72: Esborcinamento de juntas ..................................................................... 131
Figura 73: Curva para determinação do valor dedutível corrigido (VDC), para
pavimentos de concreto.......................................................................................... 131
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Relação das principais obras em Pavimento de concreto no Brasil. ........ 20


Tabela 2: Principais obras em pavimento de concreto em Curitiba. ......................... 21
Tabela 3: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos. ...... 49
Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.
................................................................................................................................. 50
Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.
................................................................................................................................. 51
Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.
................................................................................................................................. 52
Tabela 4: Ilustração dos tipos de defeitos ................................................................ 53
Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos ..................................................... 54
Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos ..................................................... 55
Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos. .................................................... 56
Tabela 5: Relação dos tipos de defeitos e suas respectivas técnicas de reparo ...... 65
Tabela 6: Tipos e severidade dos defeitos que requerem reparos profundos .......... 68
Tabela 7: Medidas de Abertura de Juntas para uma temperatura de 20ºC .............. 80
Tabela 8: Recomendações de valores para L e P em função do selante ................. 81
Tabela 9: Informações técnicas do ônibus bi-articulado. .......................................... 88
Tabela 10: Dados de tráfego na estação Moysés Marcondes .................................. 89
Tabela 11: Dados de tráfego para o período de projeto de 20 anos ........................ 90
Tabela 12: Número de repetições por classe de eixo ............................................... 90
Tabela 13: Defeitos por placa ................................................................................... 93
Tabela 14: Ilustração dos tipos de defeitos da Estação Moysés Marcondes............ 94
Tabela 15: Dados de entrada para o cálculo da espessura pelo método PCA/84.... 96
Tabela 16: Memorial de cálculo para uma espessura arbitrada de 22cm................. 97
Tabela 17: Memorial de cálculo para uma epessura arbritrada de 23cm ................. 98
Tabela 18: Espaçamento máximo das juntas transversais ..................................... 100
Tabela 19: Dimensões das barras de transferência ............................................... 100
Tabela 20: Soluções de reparo das placas de concreto ......................................... 104
Tabela 21: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 1 ..... 121
Tabela 22: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 2 ..... 122
Tabela 23: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 3 ..... 123
Tabela 24: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 4 ..... 124
Tabela 25: Quadro Resumo de Inspeção de Pavimento Rígido. ............................ 125
Tabela 26: Fotos dos defeitos encontrados no Acesso à Rua Wilson de França ... 125
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 13
1.1 OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 14
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 14
1.3 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO.................................................................... 15
2. REVISÃO DA LITERATURA ............................................................................... 16
2.1 PAVIMENTAÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS E CLASSIFICAÇÃO ...................... 16
2.2 PAVIMENTO DE CONCRETO: PRINCÍPIOS DE PROJETO E CONSTRUÇÃO 19
2.2.1 Breve histórico dos Pavimentos de concreto ................................................... 19
2.2.2 Classificação de Pavimentos de Concreto ...................................................... 21
2.2.3 Materiais para a execução de pavimentos de concreto ................................... 24
2.2.3.1 Cimento Portland .......................................................................................... 24
2.2.3.2 Agregados .................................................................................................... 25
2.2.3.3 Água de amassamento ................................................................................. 25
2.2.3.4 Aditivos para concreto .................................................................................. 25
2.2.3.5 Aço ............................................................................................................... 26
2.2.3.6 Selantes ........................................................................................................ 26
2.2.4 Juntas .............................................................................................................. 27
2.2.4.1 Juntas transversais ....................................................................................... 28
2.2.4.2 Juntas Longitudinais ..................................................................................... 29
2.2.4.3 Selagem de Juntas ....................................................................................... 30
2.2.4.4 Barras de Transferência ............................................................................... 30
2.2.5 Procedimentos Executivos .............................................................................. 31
2.2.6 Dimensionamento pelo método da PCA/84 ..................................................... 38
2.2.6.1 Critério de ruptura por fadiga ........................................................................ 39
2.2.6.2 Critério de ruptura por erosão ....................................................................... 41
2.2.6.3 Procedimento de cálculo .............................................................................. 43
2.3 PROCESSO DE REABILITAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO............. 44
2.3.1 Levantamento de dados do pavimento existente ............................................ 47
2.3.2 Avaliação da condição global do pavimento .................................................... 47
2.3.2.1 Avaliação das condições de superfície ......................................................... 48
2.3.2.2 Avaliação da condição estrutural do pavimento............................................ 56
2.3.2.3 Avaliação da condição funcional do pavimento ............................................ 57
2.3.3 Procedimento para inspeção visual de pavimentos de concreto ..................... 57
2.3.4 Procedimento para avaliação objetiva de pavimentos de concreto ................. 59
2.3.5 Procedimento para avaliação subjetiva de pavimentos de concreto ............... 61
2.3.6 Escolha da alternativa de reabilitação mais adequada .................................... 63
2.3.6.1 Reabilitação por meio de reforço no pavimento............................................ 65
2.3.6.2 Reabilitação por outros processos................................................................ 67
2.4 TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO ............... 67
2.4.1 Reparos de espessura plena ........................................................................... 68
2.4.2 Reparos de espessura parcial ......................................................................... 71
2.4.3 Inserção de barras de transferência de carga (retrofit) .................................... 71
2.4.4 Reparos em fissuras e juntas longitudinais (grampeamento) .......................... 75
2.4.5 Resselagem de juntas e fissuras ..................................................................... 78
2.4.6 Estabilização de placas por meio de injeção ................................................... 82
3. ESTUDO DE CASO ............................................................................................. 84
3.1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 84
3.2 OBJETO DE ESTUDO ....................................................................................... 85
3.3 AVALIAÇÃO DA CONDIÇÃO ATUAL................................................................. 87
3.3.1 Dados de Tráfego ............................................................................................ 87
3.3.2 Sondagens ...................................................................................................... 90
3.3.3 Avaliação da Condição de Superfície .............................................................. 91
3.3.4 Relatório Fotográfico ....................................................................................... 94
3.4 IMPLANTAÇÃO DAS PLACAS DE CONCRETO ............................................... 95
3.4.1 Dimensionamento das Placas de Concreto ..................................................... 95
3.4.2 Detalhes Construtivos .................................................................................... 100
3.5 RECUPERAÇÃO DO PAVIMENTO DE CONCRETO ...................................... 103
3.5.1 Soluções Indicadas........................................................................................ 103
3.5.2 Detalhamento dos Reparos ........................................................................... 104
3.5.2.1 Reparo de Espessura Plena ....................................................................... 104
3.5.2.2 Reparo de Espessura Parcial ..................................................................... 106
3.5.2.3 Inserção de Barras de Transferência.......................................................... 107
3.5.2.4 Restauração de Fissuras ou Juntas Longitudinais ..................................... 108
REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 114
APÊNDICE ............................................................................................................. 118
ANEXOS ................................................................................................................ 127
13

1. INTRODUÇÃO

O pavimento de concreto de cimento Portland foi amplamente utilizado até


o início da década de 50. Após o término da Segunda Guerra Mundial, ocorreu uma
queda nos preços do petróleo e um grande desenvolvimento tecnológico nas
refinarias. Estes dois fatores tornaram atraentes os preços dos derivados de
petróleo, viabilizando a utilização de pavimentos asfálticos, estimulando o meio
técnico a se qualificar na aplicação deste tipo de pavimento (PITTA, 1996).

O Pavimento de concreto é bastante aplicável em ruas e avenidas que


possuem intenso tráfego de veículos pesados e transporte de passageiros. Entre as
principais vantagens do pavimento de concreto de cimento portland estão a
durabilidade, baixo custo de manutenção comparado a utilização de pavimento
flexível, redução em 40% na distancia de frenagem, economia de energia elétrica,
deido a sua cor clara que proporciona maior reflexão da luz, e redução no consumo
de combustível pois diminui a inércia dos veículos, proporcionando uma redução na
resistência ao rolamento (ABCP, 2002)

É comum nos centros urbanos, em ruas e avenidas pavimentadas em


pavimento asfáltico que possuem intenso tráfego de ônibus, que haja um recorrente
problema de manutenção corretiva nos segmentos junto às paradas de ônibus.
Problemas como afundamento de trilha de rodas, escorregamentos, ondulações,
trincas e panelas, aparecem com freqüência trazendo uma série de inconvenientes,
tanto a setores do poder público quanto aos usuários. Quando se compara o
concreto com uma estrutura equivalente de pavimento asfáltico, principalmente em
locais como paradas de ônibus, que são o foco deste trabalho, o pavimento de
concreto apresenta uma boa solução técnica, obtendo melhor desempenho em
função do seu baixo custo de operação durante a sua vida útil, requerendo pouca
manutenção, além de diminuir as interferências na cidade com manutenção do
pavimento de vias de grande circulação, sendo por isso aplicado em pontos de
paradas e corredores de ônibus (RIVOIRE ,2009).

Diante da importância de se garantir as qualidades do pavimento rígido, é


fundamental o processo contínuo de avaliação e levantamento dos defeitos para
14

entre as técnicas de reabilitação apresentadas neste trabalho, optar-se pelas mais


adequadas para cada tipo de defeito.

1.1 OBJETIVO GERAL

Os estudos de reabilitação de pavimentos de concreto no Brasil são


incipientes, tendo por outro lado, ainda uma dificuldade a nível internacional na
determinação do desempenho desses pavimentos.

Deste modo, o objetivo geral deste trabalho se divide em duas vertentes no


estudo do pavimento de concreto, demonstrando além do dimensionamento deste
tipo de pavimento as técnicas de reabilitação para trechos já existentes.

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Este trabalho busca apresentar técnicas de reabilitação para pavimentos de


concreto, relativamente recentes no Brasil, mas já bastante utilizadas em outros
países. Um objetivo específico do trabalho é efetuar o levantamento de defeitos
existentes nas placas de concreto que compõe os pontos de parada de ônibus
situados na cidade de Curitiba (Av. Paraná), apresentando as respectivas técnicas
de reabilitação e os procedimentos corretos para executá-las. Complementando este
assunto, o trabalho também demonstra o processo correto de implantação de
pavimentos de concreto, através do dimensionamento de placas de concreto pelo
método da PCA/84.

A aplicação destas técnicas no corredor de ônibus da Av. João Gualberto,


na cidade de Curitiba, permite demonstrar, na forma de Estudo de Caso, a
experiência da aplicação dos métodos de recuperação de pavimentos de concreto,
destacando-se as técnicas mais empregadas atualmente para estas situações.
15

1.3 APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

No intuito de alcançar os objetivos propostos o trabalho foi organizado nos


seguintes capítulos:
O Capítulo 1 introduz o tema proposto e estabelece os objetivos e a
justificativa do trabalho
No Capítulo 2 encontra-se a revisão da literatura, onde são apresentadas as
definições e classificações dos pavimentos de concreto viários, seguidos do estudo
do método de dimensionamento, descrições dos métodos e processos de avaliação
das degradações de superfície, bem como sistemática para a tomada de decisões e
seleção de alternativas e técnicas de reabilitação.
O Capítulo 3 apresenta o Estudo de Caso, que se divide em um exemplo de
dimensionamento de pavimento de concreto e um exemplo de procedimento de
reparo de pavimento de concreto.
No Capítulo 4 são feitas as conclusões que o estudo proporcionou e as
devidas recomendações pertinentes ao trabalho.
O Apêndice deste estudo tem por objetivo exemplificar o cálculo do Índice
de Condição do Pavimento e assim, complementar o que foi abordado no capitulo 2,
mais especificamente no item 2.3.4 (Procedimento para avaliação objetiva de
pavimentos de concreto).
16

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 PAVIMENTAÇÃO: CONCEITOS BÁSICOS E CLASSIFICAÇÃO

De acordo com a NBR 7207 da ABNT (Associação Brasileira de Normas


Técnicas), pavimento é a estrutura constituída sobre a terraplenagem, com as
seguintes funções:

a) Resistir e distribuir aos esforços verticais provenientes do tráfego;

b) Melhorar as condições de rolamento, quanto ao conforto e segurança;

c) Resistir aos esforços horizontais (desgaste superficial), tornando mais


durável a superfície de rolamento.

Segundo o Manual de Pavimentação do DNIT (2006), de um modo geral


pode-se classificar os pavimentos quanto à estrutura em:

a) Flexíveis - Constituído de uma ou mais camadas de espessura finita, cujo


revestimento é do tipo betuminoso. As camadas sofrem deformações
elásticas significativas sob carregamento, e as cargas se distribuem em
parcelas semelhantes entre as camadas.

b) Rígidos - É o pavimento formado predominantemente por camadas que


trabalham sensivelmente a tração. O revestimento tem elevada rigidez em
relação às demais camadas, e absorve a maior parte das tensões sob
carregamento. Os mais usuais são os pavimentos de concreto de cimento
portland.

c) Semi-Rígidos - Quando há base cimentada por algum aglutinante com


propriedades cimentícias, mesmo que o revestimento seja flexível, tem-se
um pavimento que não entra em nenhuma das classificações acima.

Yoder e Witczak (1975) enfatizam que a principal diferença entre os


pavimentos flexíveis e rígidos é a maneira como estes distribuem as cargas sobre o
subleito. Os pavimentos rígidos tendem a distribuir as cargas em uma área
17

relativamente maior, devido à sua rigidez e alto módulo de elasticidade. Já nos


pavimentos flexíveis, ocorre uma concentração de tensões nos pontos de aplicação
das cargas.

Figura 1: Distribuição das tensões. (Fonte: ABCP, 1998)

Senço (1997) acrescenta que os pavimentos flexíveis comportam


deformações elásticas até certo limite sem ocasionar o rompimento da estrutura e
são dimensionados normalmente em função da compressão e da tração na flexão.
Enquanto os rígidos são pouco deformáveis e tendem a romper por tração na flexão.

A definição clássica, encontrada em Medina (1997) divide os pavimentos em


duas categorias principais: flexíveis (aqueles com revestimento betuminoso sobre
base granular ou solo estabilizado granulometricamente), e rígidos (constituídos por
placas de concreto). A partir desta definição simplificada, podem-se ilustrar as
seções de pavimentos flexíveis e rígidos de acordo com a figura 2:

Figura 2: seções típicas de pavimentos rígidos (a) e flexíveis (b). Fonte: (PETROBRAS, 2006)
18

As camadas constituintes do pavimento são caracterizadas da seguinte


forma, de acordo com o Manual de Pavimentação do DNIT (2006):

a) Subleito: é o terreno de fundação do pavimento, ou seja, a camada final


de terraplanagem.
b) Regularização: Camada de espessura irregular, constituída sobre o
subleito destinada a conformar o leito da via, longitudinal e
transversalmente. Compreendem cortes e aterros de até 20 cm, bem
como as operações de escarificação, irrigação, aeração e compactação,
dentro dos limites especificados, com material do próprio subleito ou de
jazidas previamente determinadas.
c) Reforço do subleito: Camada de espessura constante, construída quando
necessário. É determinada pelo dimensionamento do pavimento e
constituída de materiais provenientes de jazidas ou de empréstimos com
CBR e expansão mínima determinados. Estes materiais têm
características superiores as do subleito.
d) Sub-base: Camada complementar a base, é construída quando não é
tecnicamente ou economicamente recomendável construir a base
diretamente sobre a regularização ou reforço do subleito.
e) Base: Tem como função receber, transmitir e distribuir os esforços
verticais oriundos do tráfego, às camadas subjacentes.
f) Revestimento: Camada impermeável tanto quanto possível, que recebe
diretamente as ações do tráfego e destina-se a melhorar a superfície de
rolamento, tanto para segurança quanto para o conforto do usuário. É,
portanto a camada mais nobre do pavimento, conseqüentemente a de
maior custo.
19

2.2 PAVIMENTO DE CONCRETO: PRINCÍPIOS DE PROJETO E CONSTRUÇÃO

2.2.1 Breve histórico dos Pavimentos de concreto

O embrião dos pavimentos de concreto surgiu em 1889, na cidade de


Bellefontaine, Ohio, quando George Bartholomew apresentou uma proposta para a
construção de um pavimento utilizando o concreto como material (PCA, 1984). Em
1891, um pequeno trecho da Main Street foi finalizado, utilizando a técnica
desenvolvida por Bartholomew. Embora tanto a produção de cimento, quanto a de
automóveis ainda estivesse no inicio, a técnica de Bartholomew mostrou-se eficiente
quanto às necessidades de durabilidade, conforto e segurança.

No Brasil, em 1925 diversas ruas da cidade de Pelotas, no estado do Rio


Grande do Sul já utilizavam pavimentos rígidos. Outras obras de destaque no início
da adoção dos pavimentos de concreto no Brasil são a Estrada do Caminho do Mar,
no estado de São Paulo em 1926; A estrada de Itaipava, no Rio de Janeiro em 1929;
e trechos da atual rodovia BR 101, em Recife, na década de 1930. O estado de
Pernambuco foi um dos estados do País que mais utilizaram pavimento rígido,
chegando na década de 70 a 34% da malha viária pavimentada em concreto.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, a produção nacional de


cimento foi destinada prioritariamente ao suprimento da crescente indústria da
Construção Civil, o que forçou a utilização de outras formas de pavimentar ruas e
rodovias. Concomitantemente, eram aprimoradas nos EUA as técnicas de
pavimentos flexíveis à base de produtos betuminosos, pois na ocasião os preços dos
derivados de petróleo eram baixos, e muito mais competitivos se comparados aos
preços das soluções em concreto.

Assim, por muitos anos estes fatores econômicos e políticos, juntamente


com a necessidade de se abrir o maior número de estradas, com o menor custo e
tempo, direcionaram a pavimentação no Brasil para o uso quase exclusivo dos
ligantes derivados de petróleo. A tabela 1 apresenta algumas obras importantes no
país em pavimento de concreto.
20

Tabela 1: Relação das principais obras em Pavimento de concreto no Brasil.


DÉCADA OBRAS
Aeroportos Guararapes (PE), Zumbi dos
Palmares (AL), Santos Dumont (RJ),
40
Congonhas (SP), e Rodovias Anchieta e
Anhanguera (SP).
Vias urbanas no Rio de Janeiro e Rodovias
50
em PE e PB.
Rodovias Rio - Petrópolis (RJ), Rio
60 Teresópolis (RJ), Itaipava - Teresópolis (RJ) e
Vias urbanas de Porto Alegre (RS).
Ligação Anchieta - Imigrantes (SP), Rodovia
70 dos Imigrantes (SP), Rodovia Sapucaia -
Gravataí (RS) e aeroporto do Galeão (RJ).
Rodovia Serra do Rio do Rastro (SC), Anel
80 viário de Belo Horizonte (MG) e Aeroportos de
Guarulhos (SP) e Confins (MG).
Contorno Sul de Curitiba (PR), Avenida Assis
Brasil (RS), marginais da Rodovia Presidente
90 Dutra (SP), BR-290 Freeway (RS), Rodoanel
de São Paulo (SP), BR-232 Recife-Caruaru
(PE), Pista descendente da Imigrantes (SP).

Os pavimentos rígidos ressurgiram nos últimos anos devido ao aumento de


preço dos ligantes derivados de petróleo, bem como pela necessidade de
pavimentos que apresentem maior durabilidade, minimizando intervenções nas vias
e custos com manutenção.

Em Curitiba já havia sido utilizado pavimentos de concreto na década de 50,


na Avenida Candido de Abreu e em um trecho da antiga BR-2, atual BR-116 próximo
a Rua Victor Ferreira do Amaral. Porém, uma importante obra foi realizada em 1996,
quando um trecho da avenida Pres. Faria onde passam os ônibus do transporte
coletivo foi construído. A Prefeitura Municipal de Curitiba precisava de uma solução
que não afetasse as fundações do edifício histórico da UFPR, bem como tivesse
grande durabilidade e velocidade de execução. A solução adotada foram as placas
de concreto. Desde então, é crescente a extensão de pavimentos de concreto na
cidade de Curitiba, tanto nas vias exclusivas de ônibus e terminais do transporte
coletivo, quanto em avenidas de grande tráfego, conforme ilustra a tabela 2.
21

Tabela 2: Principais obras em pavimento de concreto em Curitiba.


ANO OBRA
2000 Eixo Leste-Oeste
2000 Linhão do Emprego
2002 Avenida Iguaçu
2005 Avenida Marechal Floriano Peixoto
2006 Avenida Santa Bernadethe
2006 Avenida Mascarenhas de Moraes
2009 Linha Verde Sul

2.2.2 Classificação de Pavimentos de Concreto

De acordo com a PCA (1984), os pavimentos de concreto podem ser


classificados de acordo com a presença ou não de barras de transferência, no caso
de pavimentos sem armadura, e também pela continuidade da armadura, no caso de
pavimentos armados. Os tipos de placas são assim caracterizados:

a) Placas de concreto simples

Neste tipo de pavimento, não são colocadas barras de transferência entre


as placas, que tem dimensões da ordem de 4 a 6 metros de comprimento. A
transferência de carga é feita apenas pelo entrosamento entre os agregados do
concreto das placas.

Figura 3: Placa de concreto simples. (Fonte: ABCP,2002)


22

b) Placas de concreto simples com barras de transferência

Há barras de aço liso, posicionadas nas juntas transversais. Estas barras


têm por função transferir a carga entre as placas, reduzindo tensões e deformações.
Assim aumenta-se a durabilidade do pavimento, e também a qualidade de rodagem.
Com o uso de barras de transferência as placas podem ser mais longas, com
comprimentos de até 7 metros.

Figura 4: Placa de concreto simples com barras de transferência. (Fonte: ABCP,2002)

c) Placas com armadura distribuída descontínua:

Além das barras de transferência, existe armadura distribuída até as juntas.


Esta armadura não tem função estrutural, e tem como finalidade inibir as fissuras
próximas a junta. Os comprimentos de placa podem alcançar 30 metros.

Figura 5: Placa de concreto simples com armadura dist. Descontinua. (Fonte: ABCP,2002)
23

d) Placas com armadura distribuída contínua

Neste tipo de placas, a taxa de armadura é maior, pois esta tem por função
inibir as fissuras de retração, porém não há função estrutural. Podem-se construir
placas de comprimento superior a 150 metros. As juntas são construídas quando há
a necessidade de interromper a construção, geralmente no final da jornada de
trabalho. A grande extensão das placas gera mais fissuras se comparados aos
outros métodos.

Figura 6: Placa de concreto com armadura distribuída Contínua. (Fonte: ABCP,2002)

e) Placas de concreto estruturalmente armado

Este tipo de pavimento tem duas linhas de armadura: uma linha inferior,
abaixo do plano médio da placa, que tem por função resistir às tensões de tração
provocadas pelo carregamento; e uma linha superior, acima do plano médio da
placa, que tem por função inibir a fissuração ocasionada pela retração do concreto.
O comprimento das placas varia de 9 a 30 metros, e a largura de 3 a 7 metros.

Figura 7: Placa de concreto estruturalmente armado. (Fonte: ABCP,2002)


24

f) Placas de concreto protendido

Nos pavimentos de concreto protendido a resistência à tração é aumentada


pela compressão prévia aplicada ao concreto pela protensão. Com isto, a espessura
se torna consideravelmente menor, as placas podem ser muito maiores e
conseqüentemente as juntas - quase sempre o ponto fraco do pavimento, muito
menos freqüentes. Em grande parte dos casos, a redução de espessura do concreto
cobre aproximadamente o custo da protensão. A área a ser pavimentada é dividida
em faixas de 3 a 7 m de largura, conforme processo de concretagem, e de até 150 m
de comprimento.

Figura 8: Placa de concreto protendido. (Fonte: RUDLOFF 2005)

2.2.3 Materiais para a execução de pavimentos de concreto

Os materiais utilizados para a execução das placas de concreto de cimento


Portland devem satisfazer os requisitos das normas específicas vigentes. Os
materiais são normalizados pelas normas da série EM (Especificação de Material) do
DNIT e algumas normas da ABNT, e serão relacionados a seguir.

2.2.3.1 Cimento Portland

O cimento portland utilizado para a construção e reparo dos pavimentos de


concreto deve atender as condições impostas na norma EM 050/2004 DNIT. Os
tipos utilizados são normatizados pela ABNT:
25

a) Cimento Portland comum: CP I (NBR 5732);


b) Cimento Portland Composto: CP II (NBR 11578);
c) Cimento Portland de Alto Forno: CP III (NBR 5735);
d) Cimento Portland Pozolânico: CP IV: (NBR 5736).

De acordo com o DNIT (2005), em locais onde não é possível interromper o


tráfego por muito tempo, pode-se utilizar o Cimento Portland de Alta Resistência
Inicial CP V (NBR 5733), de forma que o tráfego possa ser restabelecido o mais
rápido possível.

2.2.3.2 Agregados

Os agregados miúdos e graúdos devem atender as normas DNIT 038/97 e


037/97, respectivamente. A dimensão máxima característica do agregado não deve
exceder 1/3 da espessura da placa do concreto ou 50 mm, obedecendo ao menor
valor.

2.2.3.3 Água de amassamento

A água destinada ao amassamento do concreto deve ser tanto quanto


possível limpa e isenta de impurezas prejudiciais ao desempenho do concreto. A
NBR 6118 estabelece as condições de utilização da água para concreto.

2.2.3.4 Aditivos para concreto

Os aditivos são substancias que geram, maximizam ou minimizam algumas


características no concreto, para que seu desempenho seja o mais próximo do
esperado. Os efeitos causados na mistura são (DNIT 2005):

a) Melhorar a trabalhabilidade;
b) Acelerar ou retardar o tempo de pega;
c) Reduzir a permeabilidade;
d) Acelerar o desenvolvimento da resistência nas idades iniciais;
e) Tornar o concreto mais resistente aos agentes agressivos;
26

f) Retardar ou diminuir o calor de hidratação;


g) Desenvolver propriedades fungicidas, germicidas ou inseticidas.

Os principais tipos de aditivos para concreto estão descritos a seguir:

a) Redutores de água (plastificantes e superplastificantes);


b) Incorporadores de ar;
c) Aceleradores de pega;
d) Retardadores de pega;
e) Aceleradores de endurecimento;
f) Impermeabilizantes;
g) Expansores;
h) Anticorrosivos, fungicidas, germicidas e inseticidas.

2.2.3.5 Aço

O uso de barras de aço CA-25 lisas para as barras de transferências, de


aço CA-50 para as barras de ligação e telas soldadas devem atender as exigências
da NBR 7480 – Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado.

2.2.3.6 Selantes

De acordo com o DNIT (2005), a selagem das juntas de pavimentos de


concreto tem a função de impedir a infiltração de água e de materiais sólidos nas
juntas. A infiltração de água prejudica o pavimento, pois ao mover-se entre as placas
de concreto e a sub-base pode gerar erosão do material da sub-base, causando
uma perda de suporte da placa. A presença de sólidos, por outro lado, impede a livre
movimentação das juntas, fato que pode acarretar tensões de compressão
imprevistas no projeto do pavimento, causando fissuras e trincas na placa.

Os selantes de juntas em pavimentos de concreto são divididos em selantes


vazados no local e selantes pré-moldados:
27

a) Selantes vazados no local, que são subdivididos em:

- Selantes vazados a quente;

São alcatrões, asfaltos e compostos de asfalto e borracha também


conhecidos como termoplásticos, e os mastiques, que são associações entre um
liquido viscoso (emulsões, óleos não secativos, asfaltos de baixa penetração) e um
filler ( fibras de amianto, cimento portland, cal apagada ou areia fina). Os mais
utilizados são os mastiques a quente, que podem ser de origem industrializada ou
não. Os termoplásticos não são recomendáveis, pois são de aplicação difícil e tem
pouca durabilidade. Os selantes a quente têm custo inicial mais baixo, entretanto
são menos resistentes ao calor, a óleos e a combustíveis.

- Selantes vazados a frio.

Os selantes vazados a frio são resinas epóxicas, polissulfenos orgânicos,


uretanos, silicones e polimercaptanos.

b) Selantes Pré-moldados

Os selantes pré-moldados são feitos de materiais como polietileno,


poliuretano e cortiças. Apesar do custo inicial elevado, estes têm maior durabilidade,
por serem altamente elásticos e compressíveis. A estanqueidade em uma junta que
utiliza selantes pré-moldados depende também da rugosidade das paredes da junta,
que devem ser lisas e uniformes para que o material tenha uma boa aderência.

2.2.4 Juntas

As juntas têm por função primordial permitir os movimentos de contração e


expansão do concreto, garantindo a eficiente transferência de carga entre as placas
sem que ocorram danos estruturais e funcionais ao sistema. Devem ser
minuciosamente projetadas e executadas, pois é um ponto de fragilidade do
pavimento. Os principais tipos de juntas são descritos a seguir:
28

2.2.4.1 Juntas transversais

De acordo com Senço (1997), as juntas transversais são construídas no


sentido transversal ao tráfego, sendo divididas em dois tipos, de acordo com sua
serventia:

a) Juntas transversais de retração

Este tipo de juntas tem como função controlar as fissuras decorrentes da


contração volumétrica do concreto. A construção é feita através de uma seção
enfraquecida na placa, seja por corte ou ranhura, até uma profundidade definida em
projeto, que deve ficar entre 1/4 e 1/6 da espessura da placa, obedecendo-se um
mínimo de 4 cm.

Figura 9: Junta transversal de retração. (Fonte: GIUBLIN, 2002)

b) Juntas transversais de retração com barras de transferência

As juntas transversais de retração com barra de transferência são


semelhantes às transversais de retração, entretanto além de combater as fissuras de
retração, também proporcionam melhor transferência de carga entre as placas. São
mais utilizadas em vias de tráfego pesado ou de grande magnitude de cargas, visto
que a transferência de carga pelas barras é muito mais eficiente do que somente
pelo entrosamento dos agregados. As barras de aço transferem parcelas da carga
29

para as placas adjacentes, diminuindo a solicitação na placa em questão, e


conseqüentemente minimizando um possível recalque diferencial entre as placas.

Figura 10: Junta transversal de retração com barra de transferência. (Fonte: GIUBLIN, 2002)

2.2.4.2 Juntas Longitudinais

a) Junta longitudinal de articulação

É concebida para combater o aparecimento de tensões de tração,


conseqüentes do empenamento das placas. Na ausência destas juntas, apareceriam
no pavimento trincas longitudinais. Servem também como juntas de construção, no
caso de pistas largas onde não se pode construir toda a largura de uma só vez. A
distância recomendada entre as juntas longitudinais de articulação é da ordem de
3,75m.

Figura 11: Junta longitudinal de articulação. (Fonte: GIUBLIN, 2002)


30

b) Junta longitudinal de articulação com barras de ligação

Nas juntas longitudinais de articulação podem ser utilizadas barras de


ligação para assegurar que as faixas de tráfego permanecerão livres de movimentos
laterais.

Figura 12: Junta Longitudinal de articulação com barra de ligação. (Fonte: GIUBLIN, 2002)

2.2.4.3 Selagem de Juntas

A selagem tem como função impedir a infiltração de água e materiais


sólidos como pedras, areia e outros corpos estranhos nas juntas. A infiltração de
água influi diretamente na durabilidade do pavimento, pois quando a água chega a
base do pavimento, pode causar erosão na mesma, prejudicando assim o suporte
necessário para o bom desempenho do pavimento. A presença de materiais sólidos
pode dificultar ou até impedir a movimentação da junta, o que resulta em tensões
imprevistas em projeto.

2.2.4.4 Barras de Transferência

As barras de transferência são utilizadas para exercer as seguintes funções


básicas (GASPARETTO, 2001):

a) Permitir a movimentação horizontal entre placas contíguas


b) Restringir o empenamento das bordas
c) Transferir os esforços verticais
31

Para garantir o correto funcionamento da transferência de carga, deve-se


atentar para três itens essenciais:

a) Posicionamento: as barras devem estar posicionadas paralelamente entre


si;
b) Aderência: Para permitir a movimentação da placa, as barras não podem
estar completamente aderidas ao concreto.
c) Engraxamento: para garantir a liberação dos movimentos na barra, metade
das barras mais dois centímetros são engraxadas, entretanto quantidades
exageradas de graxa podem comprometer o bom funcionamento das juntas. Ao
executar juntas de construção não se devem utilizar barras engraxadas.

Figura 13: Barras de transferência de carga. (Fonte: GIUBLIN, 2002)

De acordo com Pitta (2006), o uso de barras de transferência de carga pode


reduzir em até 20% a espessura do pavimento, no caso de tráfego pesado, para
pavimentos sem acostamento de concreto e sem sub-base. Já o DNIT (2005) afirma
que a redução na espessura da placa pode chegar a cinco centímetros.

2.2.5 Procedimentos Executivos

A execução dos pavimentos de concreto no Brasil é regida pelas seguintes


normas:
32

a) DNIT 047/2004-ES - Pavimento Rígido – Execução de pavimento rígido


com equipamento de pequeno porte – Especificação de serviço.
b) DNIT 048/2004-ES - Pavimento Rígido – Execução de pavimento rígido
com equipamento de foma-trilho – Especificação de serviço.
c) DNIT 049/2009-ES - Pavimento Rígido – Execução de pavimento rígido
com equipamento de forma-deslizante – Especificação de serviço.

Para a execução das paradas de ônibus e vias urbanas são mais utilizados
os equipamentos de pequeno porte, devido principalmente a menor extensão da
construção.

Os itens necessários para execução de pavimentos de concreto com


equipamento de pequeno porte são descritos a seguir (SENÇO, 1997):

a) Formas metálicas para contenção do concreto, e para servir como guia para o
deslocamento dos equipamentos de distribuição e adensamento do concreto;
b) Distribuidora de concreto, regulável e com tração própria;
c) Vassouras de fios de nylon, para realizar as ranhuras na superfície da placa;
d) Vibradores de imersão, com diâmetro externo máximo de 40 mm e régua
vibratória, ambos com freqüência de vibração igual ou superior a 60hz
(3600rpm);
e) Régua alisadora tubular;
f) Eixo rotor frontal;
g) Vibro-acabadora de bitola ajustável, com freqüência de pelo menos 3500
oscilações por minuto;
h) Perfil metálico tipo “T” para a execução de juntas moldadas;
i) Equipamento para serrar juntas, com disco diamantado de diâmetro e
espessuras apropriados, que possibilitem fazer o corte de acordo com as
especificações de projeto;
j) Ponte de serviço de madeira, com comprimento igual a largura da placa mais
50 cm, para os procedimentos de texturização e cura;
k) Rolo de cabo longo;
l) Desempenadeira de madeira, com área útil de pelo menos 450 cm²;
33

m) Régua de madeira para nivelamento, com 3 metros de comprimento e rigidez


suficiente para que não ocorra flexão;
n) Ferramentas com ponta em cinzel, que penetrem nas juntas, e vassouras de
fios duros para limpeza das juntas;
o) Compressor de ar comprimido com mangueira de 12 metros de comprimento
e 12 milímetros de diâmetro, caso seja necessário realizar limpeza das juntas;
p) Desempenadeira de borda para acabamento de canto de juntas moldadas.

De acordo com Senço (1997), a execução das placas de concreto segue


basicamente a seguinte seqüência:

a) Colocação das formas;


b) Lançamento e adensamento do concreto;
c) Acabamento;
d) Construção das Juntas;
e) Cura, proteção e abertura ao tráfego.

a) Colocação das formas metálicas

As formas devem ser assentes com nivelamento e alinhamento rigoroso,


obedecendo à seção prevista em projeto. As formas são colocadas diretamente
sobre a sub-base, e qualquer divergência de nivelamento deve ser corrigida com
calços. O topo das formas deve coincidir com a superfície de rolamento prevista em
projeto, sendo permitidas falhas de alinhamento altimétricos de até três milímetros, e
cinco milímetros para diferenças planimétricas.

Caso seja especificado em projeto, após o assentamento é realizada a


impermeabilização e isolamento sobre a sub-base, bem como o besuntamento da
face interna das formas com óleo, para facilitar a desforma.
34

Figura 14: Colocação das Formas metálicas. (Fonte: ABCP)

b) Lançamento e adensamento do Concreto

O lançamento do concreto deve ser realizado, quando possível,


lateralmente a faixa a executar, para não danificar isolamento e possibilitar o
posicionamento prévio das armaduras. O tempo máximo entre a mistura do concreto
e o lançamento não deve ultrapassar 90 minutos quando são utilizados caminhões
betoneira, e 30 minutos, quando o transporte é realizado por caminhões
basculantes. O espalhamento pode ser realizado com ferramentas manuais ou por
equipamentos, garantindo que em ambos seja realizada uma distribuição
homogênea. Caso o pavimento tenha armaduras, o posicionamento deve ser
realizado durante o lançamento do concreto. O adensamento é realizado pelos
vibradores de imersão e por réguas ou treliças vibratórias. Os cantos das placas
devem receber maior atenção, pois nestes pontos a vibração realizada pela régua
vibratória é deficiente. Qualquer possível variação superior a cinco milímetros deve
ser corrigida durante a execução com concreto fresco.
35

Figura 15: Lançamento e adensamento do concreto. (Fonte: GIUBLIN, 2008)

c) Acabamento

O acabamento das placas deve ser realizado logo após o adensamento, e


inicialmente é realizado com as réguas acabadoras em movimentos longitudinais, e
em seguida se executa a texturização, com as vassouras de nylon que farão as
ranhuras transversais ao pavimento.

Figura 16: Operação de texturização com vassoura de nylon. (Fonte: GIUBLIN, 2008)
36

d) Construção das Juntas

As juntas devem estar em conformidade com as posições e


dimensionamentos de projeto, sendo permitidos desvios de até cinco milímetros. Os
tipos e funções das juntas estão descritos no item 2.2.4.

Figura 17: Corte de junta com serra de disco diamantado. (Fonte: GIUBLIN, 2008)

e) Cura, proteção e abertura ao tráfego

De acordo com Senço (1997) o processo de cura é realizado para evitar a


evaporação da água, e conseqüente secagem rápida do concreto. A cura deve ser
iniciada logo após a conclusão da concretagem, por um dos processos a seguir,
entretanto ressalta-se que a mais recomendada e utilizada é o processo de cura
química.

a) Umedecimento constante

O pavimento é mantido úmido durante o período de cura do concreto, que


geralmente é de sete dias. Deve-se atentar para a disponibilidade de água durante
todo o período, para não prejudicar o procedimento, e a água deve ter as mesmas
características da água utilizada para a produção do concreto.
37

b) Faixa de juta úmida e solo saturado

Logo após a conclusão do pavimento, são distribuídas faixas de juta ou


tecido de algodão, devidamente limpos e umedecidos, e devem ser mantidos
saturados por pelo menos 24 horas. Após estas 24 horas, as faixas são retiradas, e
o pavimento é coberto por uma camada de solo de 10 cm no mínimo, que em
seguida é umedecida com água. Este solo saturado de água deve ser mantido por
pelo menos sete dias.

c) Faixa de juta e saturação de água

Este tipo de cura assemelha-se ao anterior, entretanto dispõe de pequenos


diques de terra transversais ao pavimento, espaçados em 5m, e longitudinais nas
bordas que servem para manter a superfície úmida.

d) Cura química

Os produtos utilizados para a cura química do concreto são resinas ou


borracha clorada, que formam uma película sobre a face do pavimento que impede a
passagem de água. Apresentam coeficiente de proteção superior a 90% nas
primeiras 6 horas, e superior a 85% após sete dias. A aplicação é feita assim que o
concreto perde o brilho superior, pelo desaparecimento da água de superfície. O
produto é aplicado por um equipamento de aspersão, capaz de aplicá-lo em forma
de uma nevoa fina. A superfície que já recebeu a cura química deve ser protegida
por pelo menos sete dias, não permitindo a passagem de veículos, equipamentos e
pessoas.
38

Figura 18: Produto de cura química após 2 minutos de aplicação. (Fonte: GIUBLIN, 2008)

As placas concluídas devem ser protegidas contra qualquer tipo de tráfego


ou invasão, sendo utilizados obstáculos como barreiras, defensas, cones e telas-
tapume.
A desmoldagem pode iniciar somente 12 horas após a conclusão da
concretagem, podendo alterar este prazo caso o concreto apresente condições de
suportar a desforma sem nenhum dano. Após a retirada da forma, as laterais da
placa devem receber procedimentos de cura semelhantes aos aplicados na
superfície.
Em situações normais, deve-se aguardar um prazo mínimo de 10 dias para
a liberação do trafego, que só pode ser realizado após a verificação das resistências
dos corpos de prova retirados durante a concretagem. Caso a resistência não tenha
sido atingida, prorroga-se o prazo de liberação do trafego até que o concreto atinja
uma resistência confiável.

2.2.6 Dimensionamento pelo método da PCA/84

Este método foi apresentado pela Portland Cement Association em 1984, e


agrega processos e experiências adquiridos nas últimas décadas nas áreas de
cálculo de tensões, projeto geométrico, construção e gerência de pavimentos de
concreto. De acordo com Pereira (2003) o método PCA/84 apresenta melhorias em
relação ao seu antecessor, o PCA/66, que utiliza a teoria de Westergaard para a
determinação das tensões críticas, considerando a superposição de efeitos proposta
39

por Pickett e Ray em 1951 sob forma de ábacos, enquanto o novo método lança
mão de uma análise por elementos finitos para determinar as tensões.

Os modelos de ruína considerados são a ruptura por fadiga e ruptura por


erosão. O método PCA/84 acrescenta também os seguintes fatores (DNIT, 2005):

a) Grau de transferência de carga nas juntas transversais;


b) Efeitos da existência de acostamento de concreto, que contribuem para a
redução nas tensões e deslocamentos verticais ao longo da borda livre da
placa dificultam a penetração de água nas laterais do pavimento;
c) Contribuição estrutural de sub-bases de solo melhorado, ou de concreto
pobre;
d) Ação de eixos tandem triplos;
e) Introdução de um método de ruína por erosão da fundação do pavimento.

2.2.6.1 Critério de ruptura por fadiga

O critério de ruptura por fadiga utiliza a Lei de Miner, do dano acumulado


por fadiga, onde a parcela de resistência a fadiga não consumida por um grupo de
cargas fica disponível para o desgaste por outro grupo de cargas, e a soma destes
desgastes individuais é o dano total, sendo admissível o consumo máximo por fadiga
de 100% (OLIVEIRA, 2000).

O cálculo da tensão máxima no método PCA/84 considera que o eixo


solicitante do veiculo está tangente a borda da placa. Entretanto, é fato que apenas
uma pequena parcela dos veículos trafega nesta região, e estimativas feitas
chegaram ao valor de 6 % dos veículos, que já está implícito no método.

A curva de fadiga do Método PCA/84 baseia-se nas seguintes equações:

log10 N = 11,737 − 12,077 Rt , se Rt < 0,55 RT (1)

log10 N = 2,056 − 3,268 × log10 (Rt − 0,4325) , se 0,45 < Rt < 0,5 (2)
40

N = ilimitado, se Rt < 0,45 (3)

Onde,
Rt = Relação de tensões (relação entre a tensão de tração e a resistência

característica do concreto a tração na flexão);


N = Número admissível de repetições de carga.

A curva de fadiga é apresentada na figura 19.

Figura 19: Curva de fadiga. (Fonte: DNIT, 2005)

Os danos acumulados por fadiga são calculados pela seguinte equação, e


deve ser inferiores a 100% ao final do período de projeto:

m nj
DR = ∑ (4)
j =1 Nj

Onde:

DR = Danos acumulados no período de projeto pela ação de todos os grupos


de carga;
j = Numero do grupo de carga;
m = Total de grupos de carga;
41

n j = Numero de repetições previstas para a carga j;

N j = Repetições admissíveis para a carga j.

Os danos acumulados ao final do período de projeto devem ser inferiores a


100%.

2.2.6.2 Critério de ruptura por erosão

A erosão é a perda de material sob a placa de concreto, e ocorre devido à


ação do tráfego e água presente na sub-base (DNIT, 2005). Ocorre majoritariamente
nas regiões de juntas, e interfaces entre pista e acostamentos ou outros tipos de
pavimento.

Os efeitos da erosão são deformações verticais severas nos cantos e


bordas das placas, gerando degraus nas juntas transversais, principalmente se não
houver barras de transferência. Nas pistas experimentais da AASHTO observou-se
que a ruptura das placas ocorria principalmente pelo efeito do bombeamento ou
perda de suporte na fundação, levando a formação de vazios sob as placas que
causavam as deflexões (OLIVEIRA, 2000).

O critério de ruptura por erosão também utiliza a análise por dano


acumulado, dado pela equação 5:

m
C 2 × ni
De = 100∑ (5)
i =1 Ni
Onde:

De = dano acumulado por erosão;

m = número de grupos de carga;


ni = número previsto de repetições de carga;

N i = Número admissível de repetições de carga;


42

C 2 = coeficiente de distribuição de tráfego. Adota-se 0,06 para pavimentos


sem acostamento de concreto, e 0,94 para pavimentos com acostamento de
concreto.

O fator de erosão (P) mede o poder que certa força aplicada na placa tem
de produzir deformações verticais. Tomando fatores provenientes de correlações em
pistas experimentais, para índice de serventia igual a três, tem-se a seguinte
equação para P:

p2
P = 268,7 × (6)
h.k 0, 73

Onde:
P = fator de erosão;
p = pressão vertical na fundação, sob o canto da placa, em psi;
h = espessura da placa, em polegadas;
k = coeficiente de recalque, em libras por polegada cúbica;

Para a inclusão no critério de erosão dos efeitos de escalonamento, foram


utilizados os estudos de Packard e Brokaw, onde o índice de serventia está
diretamente ligado ao grau de escalonamento das juntas, intensidade do tráfego e
espessura do pavimento, incluindo fatores não antes considerados nos modelos que
se baseavam exclusivamente nas pistas experimentais da AASHO.

O critério de dano por erosão está diretamente ligado a interferências como


condições climáticas e eficiência de drenagem, fatores que não são passiveis de
mensuração durante o projeto. Portanto, o critério de erosão deve ser visto como
uma diretriz básica para projeto, que pode ser alterada de acordo com as condições
locais. A expressão 7 relaciona o critério de erosão ao modelo de escalonamento:

0 , 013
log N = 14,524 − 6,777 × (C1 ⋅ P − 9,0 ) (7)

Onde:
43

N = número admissível de repetições de carga para o período de projeto;


P = fator de erosão;
C1 = Constante relacionada ao tipo de sub-base. Adota-se 1,0 para bases
granulares, e 0,9 para bases tratadas com cimento.

2.2.6.3 Procedimento de cálculo

Para o dimensionamento da espessura do pavimento pelo método PCA/84,


é utilizado o formulário da figura 20, que possibilita a verificação do consumo por
fadiga e por erosão para uma espessura arbitrada.

Figura 20: Formulário de cálculo de espessura pelo método PCA/84. (Fonte: DNIT, 2005)
44

Os dados de freqüência e magnitude das cargas preenchem as colunas 1, 2


e 3 da tabela. O valor de k é obtido através de tabelas que variam de acordo com o
tipo de sub-base (granular, solo-cimento, solo melhorado com cimento e concreto
rolado) e com a espessura inicial adotada para a placa. As tensões equivalentes
para cada grupo de eixos são obtidas nas tabelas 12 a 15 do Manual de Pavimentos
Rígidos do DNIT, e os fatores de fadiga dividindo a tensão equivalente pelo valor da
resistência característica a tração na flexão do concreto. Já os fatores de erosão,
são obtidos através dos quadros 18 a 23 do Manual de Pavimentos Rígidos do
DNIT, e dependem de valores como presença ou não de acostamento de concreto e
barras de transferência, tipo do eixo (simples, duplo e triplo), espessura da placa e
valor de k do sistema subleito/sub-base.

Com estes valores iniciais, obtêm-se através dos ábacos 27, 28 e 29 os


valores admissíveis de repetições para cada grupo de carga atuante, tanto para o
consumo por fadiga quanto por erosão. Para obter os valores de consumo por fadiga
e erosão (colunas cinco e sete), divide-se o numero de repetições prevista pelo
numero de repetições admissíveis de ambos os casos. Os consumos em valores de
porcentagem são obtidos multiplicando os valores de consumo por cem. Após
realizar os cálculos para todos os grupos de carga, somam-se verticalmente as
colunas cinco e sete, obtendo os valores de consumo total, que não devem
ultrapassar 100%. Caso a soma não atinja 100%, realiza-se outra tabela de cálculo,
diminuindo o valor de espessura da placa adotado, e caso o valor ultrapasse 100%,
aumenta-se o valor de espessura adotado.

2.3 PROCESSO DE REABILITAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO

A reabilitação das vias urbanas, tem se mostrado cada vez mais necessária
nos dias de hoje. Os órgãos responsáveis pela infra-estrutura viária das cidades
estão se deparando com um aumento da demanda de trabalhos a serem realizados
nas vias e com menor disponibilidade de recursos para tais serviços.

As atividades referentes à conservação são negligenciadas de maneira


geral, excluindo as vias que necessitam de reparos emergenciais. A conseqüência é
a perda significativa da capacidade estrutural dos pavimentos, sendo deste modo
45

necessário a realização de reforços nos pavimentos ou reconstrução dos mesmos.


Esta política resulta em um aumento do custo no ciclo de vida do pavimento.

Quando é realizado um planejamento estratégico, referente à reabilitação do


pavimento, pode-se eliminar ou adiar a necessidade de reforços ou até reconstrução
do pavimento, potencializando assim a serventia do pavimento de concreto,
reduzindo o seu custo efetivo (ABCP, 2002).

Segundo DNIT (2006), entende-se por reabilitação de um pavimento, qualquer


trabalho realizado que prolongue significativamente sua vida útil, mantendo
confortáveis as condições de tráfego. Seguindo a mesma linha, a reabilitação do
pavimento tem a definição relacionada com uma série de medidas destinadas a
recompor a serventia do pavimento e a adaptar a via as condições de tráfego atual e
futuro, prolongando assim a vida útil do pavimento.

A metodologia para seleção de possíves soluções alternativas de


reabiltiação combina os conhecimentos obtidos nos projetos e execuções de obras
para selecionar e sistematizar a melhor solução de reabilitação. Uma abordagem
sistemática é a melhor maneira de avaliar e selecionar técnicas possíveis de
reabilitação de pavimentos.

O fluxograma da Figura 21 mostra um processo sistemático de tomada de


decisões para a seleção de alternativas apropriadas (ACPA, 1995).
46

Figura 21: Fluxograma do processo apropriado e sistemático para a tomada de decisões e seleção de
estratégias de Reabilitação (ACPA, 1995).

A avaliação de um pavimento rígido deve ser feita por meio de


levantamentos de dados sobre o projeto e a execução deste pavimento, pela
determinação ou avaliação do estado em que se encontra a sua superficie de
rolamento, pelo levantamento dos defeitos estruturais que apresentam e, finalmente,
pelos resultados dos ensaios realizados tanto nos materiais como na própria
estrutura, quer da fundação como do pavimento ou do conjunto fundação-pavimento.

Após esta avaliação deverá ser definido o tipo de reabilitação a ser adotado.
Os procedimentos a serem adotados na avaliação das condições do pavimento são
descritos a seguir.
47

2.3.1 Levantamento de dados do pavimento existente

Esta etapa engloba o levantamento de dados e de todas as informações


disponíveis sobre o pavimento, incluindo a avaliação do pavimento. Assim são
identificadas as restrições existentes na escolha dos procedimentos de reabilitação
(DNIT, 2005). Os dados levantados são os seguintes:

a) Condição global do pavimento e acostamento;

b) Informações sobre o projeto e construção do pavimento;

c) Materiais componentes da estrutura;

d) Tráfego solicitante;

e) Condições climáticas;

f) Condições do sistema de drenagem do pavimento;

g) Condições de segurança;

h) Outros julgados necessários.

Os serviços iniciam pela coleta de dados de escritório, seguida pelo


levantamento preliminar de dados no campo, a avaliação preliminar dos dados
levantados, levantamento complementar dos dados de campo, os ensaios de
laboratório, e por fim, a avaliação final dos dados assim como a compilação destes
dados de campo e laboratório para a elaboração de um relatório final.

2.3.2 Avaliação da condição global do pavimento

Para o desenvolvimento do Processo de Reabilitação é de fundamental


importância o conhecimento da condição global do pavimento a partir das seguintes
avaliações:
48

a) Avaliação das condições de superfície;

b) Avaliação das condições estruturais;

c) Avaliação das condições funcionais.

2.3.2.1 Avaliação das condições de superfície

De acordo com DNIT (2005), a etapa que engloba o levantamento de


defeitos é de grande importância para o processo de avaliação da condição global
(estrutural e funcional) do pavimento. Os tipos de defeitos, assim como suas causas
mais prováveis, definem as técnicas de reabilitação a serem utilizadas para o
pavimento em questão. Para uma completa avaliação das condições globais do
pavimento, é fundamental que o levantamento dos defeitos disponibilize os
seguintes dados:

a) Identificação e quantificação dos defeitos, assim como seus respectivos


graus de severidade;

b) Determinação das técnicas de reabilitação recomendáveis;

c) Definição dos ensaios complementares para elaboração de um projeto


de reabilitação.

Na norma DNIT 061/2004 – TER são relacionados vinte tipos de defeitos cuja
designação, prováveis causas e ilustração por meio de fotos, são apresentadas
nas Tabelas 3 e 4.
49

Tabela 3: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.


NOME CONCEITUAÇÃO PROVÁVEIS CAUSAS
Desnivelamento das placas nas a. Espessuras insuficientes de
1. Alçamento de placas juntas ou fissuras transversais e, placa.
eventualmente, na proximidade de b. Baixa resistência do concreto à
canaletas de drenagem e tração.
obstáculos fixos, tais como c. Ocorrência de recalques
encontros de ponte, fundações de diferenciais – afundamento /
prédios ou intervenções feitas no acomodação.
pavimento. d. Deslocamento ou a inexistência
das barras de transferência.
e. Perda de suporte –
bombeamento de finos.
f. Empenamento da placa.
É a fissura que intercepta as juntas a. Espessuras insuficientes de
2. Fissura de canto a uma distância menor ou igual à placa.
metade do comprimento das bordas b. Baixa resistência do concreto à
ou juntas do pavimento (longitudinal tração.
e transversal), medindo-se a partir c. Ocorrência de recalques
do seu canto. Esta fissura diferenciais – afundamento /
geralmente atinge toda a espessura acomodação.
da placa. d. Deslocamento ou a inexistência
das barras de transferência.
e. Perda de suporte –
bombeamento de finos.
f. Empenamento da placa.
É a placa que apresenta fissuras a. Espessura insuficiente das
3. Placa dividida dividindo-a em quatro ou mais placas.
partes. b. Baixa resistência do concreto à
tração.
c. Deficiência de assentamento
da fundação.
d. Progressão de outros defeitos.
e. Perda do suporte – erosão da
sub-base.
Caracteriza-se pela ocorrência de a. Desnivelamento entre placas –
4. Degrau de junta deslocamentos verticais execução.
diferenciados e permanentes entre b. Bombeamento de finos.
uma placa e outra adjacente, na c. Deficiência de assentamento
região da junta. da fundação.
d. Ineficiência na transferência de
carga pela barra.
e. Vida útil expirada.
É qualquer avaria no material a. Aplicação do selante com
5. Defeito na selagem das juntas selante que possibilite o acúmulo sujeira na junta.
de material incompressível na junta b. Produto deficiente – qualidade
ou que permita a infiltração de duvidosa.
água. c. Junta esborcinada – selagem
sem retificação da junta.
d. Deficiência na espessura e
profundidade – menor que a
especificada.
e. Execução sem cuidados
necessários – falta de
treinamento do aplicador.
f. Falta de adesão nas paredes
do concreto.
50

Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.


NOME CONCEITUAÇÃO PROVÁVEIS CAUSAS
É o degrau formado entre o a. Acomodação do acostamento.
6. Desnível pavimento acostamento e a borda do b. Deficiência de compactação.
acostamento pavimento, geralmente c. Bombeamento de finos do
acompanhado de uma separação acostamento.
dessas bordas. d. Perda de suporte.
e. Materiais trabalham de modo
diferente.
São as que ocorrem na direção da a. Atraso nos cortes.
7. Fissura linear transversal largura da placa, perpendicular ao b. Espessuras insuficientes
eixo longitudinal do pavimento. (abaixo da especificação do
projeto).
c. Emprego de concreto com
resistência abaixo da
especificada em projeto.
d. Pouca profundidade de corte
da junta induzida.
e. Barras de transferência
deslocadas da posição (tortas).
São as que ocorrem na direção do a. Pouca profundidade do corte.
8. Fissura linear longitudinal comprimento da placa, b. Atrasos na programação de
paralelamente ao eixo longitudinal serragem.
do pavimento. c. Perda de suporte da fundação.
d. Emprego de concreto com
resistência abaixo da
especificada em projeto.
e. Espessuras insuficientes
(abaixo da especificação do
projeto).
São as fissuras inclinadas que a. Ocorrência de espessuras
9. Fissura linear diagonal interceptam as juntas do pavimento insuficientes das placas.
a uma distância maior que a b. Baixa resistência do concreto à
metade do comprimento dessas tração.
juntas ou bordas. c. Recalques na fundação.
d. Barras de transferência tortas.
e. Agressão por agentes
externos.
Entende-se como grande reparo
10. Grandes reparos uma área do pavimento original -
maior que 0,45m², que foi removida
e posteriormente preenchida com
um material de enchimento.
Entende-se como pequeno reparo
11. Pequenos reparos uma área do pavimento original -
menor que 0,45m², que foi
removida e posteriormente
preenchida com um material de
enchimento.
Caracteriza-se pelo descolamento a. Emprego de concreto com
12. Desgaste superficial da argamassa superficial, fazendo resistência abaixo da
com que os agregados aflorem na especificada em projeto.
superfície do pavimento, e com o b. Agressão por agentes
tempo fiquem com a sua superfície externos.
polida. c. Excesso de finos na superfície
da placa.
d. Desgaste natural pelo tráfego
durante a vida útil do
pavimento.
e. Deficiência de cura – excesso
de água.
f. Vida útil expirada.
51

Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.


NOME CONCEITUAÇÃO PROVÁVEIS CAUSAS
Consiste na expulsão de finos a. Perda de suporte da fundação.
13. Bombeamento plásticos existentes no solo de b. Não utilização de sub-base
fundação do pavimento, através cimentada.
das juntas, bordas ou trincas, c. Selagem deficiente das juntas.
quando da passagem das cargas
solicitantes. Os finos bombeados
têm a forma de uma lama fluida,
sendo identificados pela presença
de manchas terrosas ao longo das
juntas, bordas ou trincas.
São áreas das placas que se a. Espessura das placas
14. Quebras localizadas mostram trincadas e partidas em insuficientes.
pequenos pedaços, tendo formas b. Perda de suporte da fundação.
variadas, situando-se geralmente c. Deficiência de construção
entre uma trinca e uma junta ou (vazios por falta de
entre trincas próximas entre si (em adensamento do concreto).
torno de 1,5m). d. Resistência do concreto à
tração abaixo da especificação.
São defeitos que ocorrem em
15. Passagem de nível passagens de nível, consistindo de -
depressões ou elevações próximas
aos trilhos.
As fissuras superficiais (rendilhado) a. Deficiência de cura.
16. Rendilhado e escamação são fissuras capilares que ocorrem b. Resistência do concreto abaixo
apenas na superfície da placa, da especificação.
tendo profundidade entre 6 mm e c. Excesso de água na camada
13 mm, que apresentam a superficial.
tendência de se interceptarem, d. Água pulverizada sobre o
formando ângulos de 120°. concreto fresco.

A escamação caracteriza-se pelo


descolamento da camada
superficial fissurada, podendo, no
entanto, ser proveniente de outros
defeitos, tal como o desgaste
superficial.
São fissuras pouco profundas a. Aplicação de produto de cura
17. Fissuras de retração plástica (superficiais), de pequena abertura com taxa menor do que a
(inferior a 0,5mm) e de especificada.
comprimento limitado. Sua b. Equipamento com bico
incidência costuma ser aleatória e espargidor entupido
elas se desenvolvem formando parcialmente.
ângulo de 45° a 60° com o eixo c. Concretagem em dia muito
longitudinal da placa. quente sem o devido cuidado
com a cura.
d. Idem com excesso de vento e
baixa umidade do ar.
e. Concreto com dosagem
ineficiente.
São quebras que aparecem nos a. Espessuras insuficientes de
18. Quebra de canto cantos das placas, tendo forma de placa.
cunha, que ocorrem em uma b. Baixa resistência do concreto.
distância não superior a 60 cm do c. Ocorrência de recalques
canto. diferenciais – afundamento /
acomodação.
d. Deslocamento ou a
inexistência das barras de
transferência.
e. Perda de suporte –
bombeamento de finos.
f. Empenamento da placa.
52

Tabela 3 – cont.: Descrições e prováveis causas dos defeitos em pavimentos rígidos.


NOME CONCEITUAÇÃO PROVÁVEIS CAUSAS
O esborcinamento das juntas se a. Desalinhamento excessivo de
19. Esborcinamento de juntas caracteriza pela quebra das bordas barras de transferência.
da placa de concreto (quebra em b. Enfraquecimento do concreto
cunha) nas juntas, com o na região.
comprimento máximo de 60 cm, c. Inexistência ou inadequação do
não atingindo toda a espessura da material selante.
placa. d. Concreto com resistência
baixa.
e. Corte da junta antes da hora
correta.
É a placa cuja movimentação a. Perda do suporte – erosão dos
20. Placa bailarina vertical é visível sob a ação do finos.
tráfego, principalmente na região b. Ineficiência da transferência de
das juntas. carga pela barra.
c. Problemas de fundação.
Caracteriza-se pelo afundamento a. Recalque diferencial.
21. Assentamento do pavimento, criando ondulações b. Perda de suporte – deficiência
superficiais de grande extensão, da fundação.
podendo ocorrer que o pavimento
permaneça íntegro.
São reentrâncias côncavas a. Enfraquecimento do concreto
22. Buraco observadas na superfície da placa, na região por má mistura.
provocadas pela perda de concreto b. Concreto com resistência
no local, apresentando área e baixa.
profundidade bem definidas. c. Perda de suporte – erosão na
base do local do buraco.
d. Agressão por agentes
externos.
53

Tabela 4: Ilustração dos tipos de defeitos (ABCP, 2002).

1- Alçamento de placas 2- Fissura de canto

3- Placa dividida 4- Degrau de junta

5- Defeito na selagem das juntas 6- Desnível pavimento-acostamento


54

Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos. (ABCP, 2002)

7- Fissura linear transversal 8- Fissura linear longitudinal

9- Fissura linear diagonal 10- Grandes reparos

11- Pequenos Reparos 12- Desgaste superficial


55

Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos (ABCP, 2002).

13- Bombeamento 14- Quebra localizada

15- Passagem de nível 16- Rendilhado/escamação

17- Fissuras de retração plástica 18- Quebra de canto


56

Tabela 4 – cont.: Ilustração dos tipos de defeitos. (ABCP, 2002)

19- Esborcinamento de juntas 20- Placa bailarina

21- Assentamento 22- Buraco

2.3.2.2 Avaliação da condição estrutural do pavimento

A avaliação estrutural do pavimento determina se o pavimento existente terá


capacidade de suportar o tráfego futuro em um determinado período de projeto, sem
a melhoria da sua estrutura com a utilização de reforços.

Para possibilitar a avaliação estrutural do pavimento, suas características


deverão ser definidas por meio de ensaios destrutivos e não destrutivos, que
apresentem condições de estimar a vida estrutural remanescente do pavimento.
(DNIT, 2005).

O objetivo principal da avaliação estrutural é determinar a capacidade


estrutural efetiva do pavimento existente, fornecendo informações para projetos de
57

reabilitação, monitoramento e verificação do desempenho das estruturas dos


pavimentos.

2.3.2.3 Avaliação da condição funcional do pavimento

A condição funcional do pavimento se refere à capacidade deste em


satisfazer o usuário, deve ser avaliada nos seguintes aspectos.

a) Regularidade superficial e conforto de rolamento;


b) Resistência a derrapagem quando seco e quando molhado;
c) Aparência;
d) Segurança do tráfego.

A avaliação do estado funcional é feita pelas medidas da irregularidade


longitudinal e da resistência a derrapagem do pavimento ao longo do trecho
inspecionado.
A avaliação da irregularidade superficial e da resistência à derrapagem pode
ser feita por meio do equipamento tipo–resposta USP - Maysmeter (DNER-PRO
182/94), por meio de uma avaliação subjetiva por uma comissão de especialistas
(DNIT 063/2004-PRO) ou mais modernamente por perfilômetros a laser.

2.3.3 Procedimento para inspeção visual de pavimentos de concreto

A norma brasileira DNIT 060/2004 – PRO define os procedimentos


necessários para a realização da inspeção visual em pavimentos rígidos de concreto
Portland, visando a sua avaliação.

As informações obtidas em uma inspeção, após serem analisadas e


relacionadas com o histórico de uma rodovia, possibilitam a determinação da
situação do pavimento e suas carências. Para a inspeção de um pavimento de
concreto a norma DNIT 060/2004 – PRO estabelece quatro fases: definição dos
trechos em estudo; determinação do tipo de inspeção; levantamento dos defeitos
visíveis; e catalogação dos dados coletados na inspeção.
58

Os trechos a serem inspecionados são definidos pelo engenheiro responsável


pelo estudo. A escolha é baseada em dados concisos de campo, cadastro
documental ou informações de escritório e evidencias que mostrem a necessidade
da inspeção em determinados trechos. Um trecho escolhido para a inspeção deverá
ser dividido em partes denominadas amostras.

Cada amostra deve ser identificada por caracteres numéricos e será


composta de 20 placas com, no máximo, 9 metros de comprimento.

Em relação à extensão, existem dois tipos de estudos: inspeção em todo o


trecho e inspeção por amostragem. A inspeção em todo trecho é o estudo de todas
as amostras de um trecho. É um estudo caro em termos de pessoal e de tempo, por
isso esse tipo de inspeção só deverá ser executado em casos de extensão reduzida.
A determinação por amostragem é a inspeção de apenas um determinado número
de amostras. As amostras são determinadas a partir de um método citado na norma
DNIT 060/2004. É um estudo mais econômico e rápido.

No levantamento dos defeitos visíveis são obtidas três informações: tipos de


cada defeito (conforme a norma DNIT 061/2004 – TER); classificação quanto ao
grau de severidade, que pode ser classificado como baixo, médio ou alto (conforme
Anexo E da norma DNIT 060/2004 – PRO); e o número de placas afetadas por
determinado tipo de defeito na amostra (de acordo com o Anexo C da norma DNIT
060/2004 – PRO). Também devem ser levantados os defeitos denominados atípicos.
Considera-se um defeito como sendo atípico, quando ele for pouco comum no trecho
e ocorrer geralmente nas passagens de nível, canaletas de drenagem, caixas de
inspeção, bueiros ou em qualquer outra interrupção no pavimento.
Ao final da inspeção, os dados coletados deverão ser catalogados na Ficha
de Inspeção, conforme o Anexo G da norma DNIT 060/2004 – PRO.
59

Figura 22: Anexo G da norma DNIT 060/2004-PRO.

2.3.4 Procedimento para avaliação objetiva de pavimentos de concreto

A norma brasileira DNIT 062/2004 - PRO estabelece os procedimentos e


critérios para a avaliação objetiva de pavimentos rígidos de concreto, qual se baseia
na metodologia desenvolvida pela U.S. Army Construction Engineering Research
Laboratory – CERL.

De acordo com a norma, avaliar a condição estrutural do pavimento baseado


na determinação do ICP (Índice de Condição do pavimento) caracteriza a avaliação
60

objetiva. O índice é definido como a “medida da condição estrutural do pavimento,


capaz de fornecer ao engenheiro de pavimentação informações para a verificação
das condições da rodovia e para o estabelecimento de políticas de manutenção,
prevenção e de recuperação”.

A avaliação objetiva é determinada por cinco etapas. Primeiro é feito uma


analise dos dados obtidos na inspeção visual (DNIT 060/2004 – PRO). O objetivo da
segunda etapa é o calculo do ICP. Após o calculo, um avaliador atribuirá a cada uma
das amostras e ao trecho um conceito, que será definido em função do ICP
calculado. A quarta etapa consiste em levantar o histórico da rodovia. Por fim, é
emitido um laudo final.

O procedimento para cálculo dos ICP é explicado no item 2 do anexo A da norma


DNIT 062/2004, a saber:

a) Determinado os tipos de defeito, graus de severidade e a porcentagem de


placas afetadas, define se os valores dedutíveis obtidos nas curvas que estão
contidas em tal anexo;
b) É feito o somatório dos valores dedutíveis obtidos nas curvas;
c) Deve ser corrigido o somatório dos valores dedutíveis e assim obtendo o
VDC. O valor dedutível corrigido é encontrado no item 7 da norma;
d) Por último, chegar ao valor do ICP, por meu da seguinte subtração: 100 –
VDC.

A partir do anexo B da norma juntamente com o ICP obtido, é possível se


estabelecer a condição do pavimento, a saber:

§ De 0 a 10: Destruído;
§ De 11 a 25: Muito ruim;
§ De 26 a 40: Ruim;
§ De 41 a 55: Razoável;
§ De 56 a 70: Bom;
§ De 71 a 85: Muito bom;
§ De 86 a 100: Excelente.
61

Os dados obtidos na inspeção visual são registrados na Ficha de Inspeção de


cada amostra, podendo ser acrescidas de informações complementares
dependendo o caso. Como exemplo de aplicação da determinação do ICP conforme
a norma DNIT 062/2004 – PRO, foi realizado o levantamento de 80 placas,
referentes a quatro segmentos do Acesso à Rua Wilson de França, em Curitiba. As
fichas e o resumo da inspeção são apresentados no Apêndice do presente trabalho.

2.3.5 Procedimento para avaliação subjetiva de pavimentos de concreto

Outro modo de avaliação de pavimentos rígidos é a avaliação subjetiva,


regulamentada pela norma brasileira DNIT 063/2004 – PRO. Isto consiste, segundo
a norma, em “avaliar-se as condições do pavimento, especialmente a que se refere
ao conforto de tráfego, por meio de observações realizadas por avaliadores que
trafegam sobre este pavimento e que atribuem notas ao mesmo. Neste tipo de
avaliação é muito importante a experiência do avaliador”.

Na inspeção, três avaliadores separadamente, irão percorrer cada trecho


duas vezes; “a primeira com velocidade reduzida, quando serão observados
detalhes da pavimentação, e a segunda, com velocidade próxima ao limite permitido
na rodovia, para serem avaliadas as condições de conforto, segurança e
escoamento de trafego”. Para cada trecho deve-se utilizar uma Ficha de Avaliação
(anexo A da norma).

Ao final da inspeção de cada trecho, é atribuída uma nota para o pavimento,


a escala que define a nota esta contida no anexo B da norma, Figura 23. A nota final
do pavimento será função dos conceitos atribuídos pelos três avaliadores.

Também é feito um levantamento histórico da rodovia (anexo C da norma).


Esse levantamento deve conter informações sobre os dados de projeto, de
construção, de operação e de reforços.

Ao final é emitido um laudo que devera conter;


62

a) Parecer sobre o comportamento da pavimentação dos trechos avaliados e


sobre a condição geral da estrutura;
b) As notas atribuídas a pavimentação dos trechos;
c) As prováveis causas dos defeitos relacionados;
d) Locais em que a situação é critica;
e) Fichas de Avaliação;
f) Assinaturas dos avaliadores.

Figura 23: Escala do ICP e seus respectivos conceitos, segundo a norma DNIT 062/2004-PRO.
63

2.3.6 Escolha da alternativa de reabilitação mais adequada

Após o término do processo de avaliação das condições globais do


pavimento existente, inicia-se o estudo das alternativas cabíveis de reabilitação,
neste estudo, deve ser levado em consideração as causas que originaram os
defeitos, assim evitando a reincidência destes. As alternativas a serem analisadas
deverão quantificar o volume de trabalho necessário e sues respectivos custos.

Depois de definidas as alternativas viáveis, são selecionadas aquelas


consideradas mais factíveis, levando em consideração os fatores técnicos e
econômicos indicados a seguir:

a) Custo/beneficio;

b) Controle e operação do trafego;

c) Vida mínima prevista para o pavimento reabilitado;

d) Materiais disponíveis na região;

e) Geometria das pistas;

f) Disponibilidade de equipamentos e mão de obra;

g) Política global de prioridades da malha rodoviária.

A alternativa é considerada factível de reabilitação quando ataca as causas


dos defeitos, que é efetiva na reparação destes defeitos evitando a reincidência do
problema, atendendo, simultaneamente, as falhas técnicas e econômicas. As
alternativas factíveis poderão abranger uma ou mais técnicas de reabilitação
dependendo do tipo e do grau de severidade dos defeitos.

A escolha da alternativa de reabilitação mais adequada para determinado


pavimento esta condicionada a dois tipos de fatores:
a) Fatores econômicos;

b) Fatores não econômicos.


64

Os fatores econômicos (custo inicial, custo de manutenção, custo anual,


custo final, custo anual e custo final) apresentam o maior peso na escolha de uma
alternativa de reabilitação.

Quando se faz uma análise do custo de reabilitação ao longo de um tempo


de serviço, alguns parâmetros cuja avaliação contém algum grau de incerteza
podem ser utilizados, sabendo-se que a vida útil da alternativa determinada, esta
sujeita a variáveis, como:

a) Qualidade dos materiais implantados;

b) Condições climáticas regionais;

c) Tráfego solicitante.

Quando se faz uma análise dos fatores não econômicos os seguintes itens
são considerados:

a) Vida útil da alternativa escolhida;

b) Duração prevista da obra;

c) Controle e operação do trafego;

d) Confiabilidade;

e) Facilidade de execução;

f) Facilidade de manutenção.

A escolha da medida de reabilitação está bastante vinculada ao tipo de


defeito. O Manual de Pavimentos Rígidos do DNIT (2005) apresenta um
relacionamento entre os defeitos e as respectivas técnicas de reparo, como
apresentado na Tabela 5.
65

Tabela 5: Relação dos tipos de defeitos e suas respectivas técnicas de reparo.


Tipo de Defeito Técnica de Reparação
Bombeamento • Nivelamento por meio de injeção.
• Fresagem ou escarificação.
Escalonamento de juntas
• Alçamento de placa por meio de injeção-Reforço do pavimento.
Fissuras lineares • Reparos que abrangem toda a espessura.
Placas divididas • Reconstrução da placa.
Esborcinamento de
• Reparos que não abrangem toda a espessura da placa.
juntas
Alçamento de placas • Reparos que abrangem toda a espessura da placa.
Quebras localizadas • Reparos que abrangem toda a espessura da placa.

O processo de reabilitação se divide em reabilitação por reforço do


pavimento e reabilitação por outros processos. A descrição destes tipos de reforço
encontra-se nos itens a seguir.

2.3.6.1 Reabilitação por meio de reforço no pavimento

Segundo o DNIT (2005) pode-se aplicar um reforço nos pavimentos rígidos


por pavimentação superposta, que poderá ser um reforço rígido ou flexível, e a
determinação depende de fatores como:

a) Custo;
b) Vida útil prevista;
c) Disponibilidade de equipamentos e materiais;
d) Necessidade de serviços preliminares;

Os tipos de recapeamento de um pavimento de concreto existente, com


outro pavimento de concreto, dando origem a um pavimento superposto estão
descritos a seguir (DNIT, 2010):

a) Pavimento superposto sem aderência


66

Nesta condição, é colocada uma camada de separação (que costuma ser


de concreto asfáltico), entre o pavimento de concreto existente e o novo
pavimento superposto de concreto.

Figura 24: Exemplo de reforço sem aderência entre as camadas (ANDRADE, 2002).

b) Pavimento superposto com aderência parcial

Nesta condição não ocorre uma perfeita aderência entre os dois


pavimentos superpostos.

Figura 25: Exemplo de reforço com aderência parcial entre as camadas (ANDRADE, 2002).

c) Pavimento superposto com aderência total

Nesta condição o pavimento superposto e o pavimento existente devem ter a


mesma capacidade estrutural de uma placa fictícia.
67

Figura 26: Exemplo de recapeamento com aderência total entre as camadas (ANDRADE, 2002).

2.3.6.2 Reabilitação por outros processos

Neste caso, os métodos de reabilitação de pavimentos rígidos não aplicam o


reforço da estrutura. Os métodos de reabilitação são descritos abaixo (DNIT, 2005);

a) Reparos que não afetam toda espessura da placa;

b) Recuperação de juntas (esborcinamento, resselagem);

c) Tratamento de fissuras superficiais (fissuras superficiais lineares);

d) Recuperação de desgaste superficial e escamação;

e) Reparos que afetam toda espessura da placa;

f) Fissuras transversais de abertura superior a 1,5mm ou seriamente


esborcinada;

g) Reconstituição parcial da placa;

h) Reconstituição total da placa.

2.4 TÉCNICAS DE REABILITAÇÃO DE PAVIMENTOS DE CONCRETO

Os pavimentos de concreto simples, em especial aqueles dotados de barras


de transferência, são estruturas de pavimentos tipicamente projetados e submetidos
á aplicação de cargas pesadas e, conseqüentemente, a um grande número de
repetições.
68

As ações do tráfego aliadas a deficiências executivas e aos fatores


ambientais resultam em vários tipos de danos aos pavimentos. Entre os mais
comuns destacam-se as degradações nas juntas e o trincamento das placas, que
com o decorrer do tempo acabam esborcinando, escalonando e causando
deteriorações estruturais e funcionais.

As atividades referentes á reabilitação freqüentemente são negligenciadas


excetuando-se aquelas provenientes de reparos emergenciais, com conseqüentes
perdas estruturais e necessidade da execução de reforços e/ou reconstruções.

Na seqüência, são apresentadas as principais técnicas de reabilitação


aplicadas no trecho em questão, e os principais detalhes executivos. Ressalta-se
que os detalhes são resultantes da compilação de estudos em sua maioria de
publicações da American Concrete Pavement Association (ACPA).

2.4.1 Reparos de espessura plena

Os reparos profundos ou de espessura plena são aqueles que implicam na


remoção e concretagem de pelo menos uma porção da placa de concreto, de
maneira que atinja toda a espessura da placa e restaure as áreas deterioradas.
Estes reparos podem promover conforto ao rolamento, integridade estrutural
e aumento na vida de serviço do pavimento. A tabela 6 lista os defeitos nos
pavimentos de concreto que requerem reparos profundos:

Tabela 6: Tipos e severidade dos defeitos que requerem reparos profundos.

Tipo de Defeito Nível mínimo de severidade requerida

Alçamento de Placas Baixa


Trinca de Canto Baixa
Durabilidade (Trincamento em D e
Moderada
reação álcali agregado)
Deterioração de Junta Moderada (com degrau ≥ 6mm)
Trincas transversais aleatórias Moderada (com degrau ≥ 6mm)
Trincas longitudinais aleatórias Alta (com degrau ≥ 12mm)
69

Na Figura 27 a seguir é apresentado o detalhamento dos reparos profunfos.

DETALHAMENTO

PLANTA DO REPARO

A B

Ar
m
a
Te dur
la a i
Q nfe
39 ri
6 or

CORTE AB

Tela EQ 396

DETALHE "1"

Figura 27: Detalhes de Execução de Reparos Profundos ou de Espessura Plena (AMODAL, 1998).

Na seqüência são relacionados os procedimentos executivos para a


realização de reparos de espessura plena:
a) Verificar as dimensões do reparo no cadastro dos defeitos e esquema
de reabilitação;
b) Demarcar com giz ou tinta o contorno do reparo;
c) Serrar com equipamento apropriado o contorno do reparo e em toda a
espessura da placa;
d) Demolir e retirar o concreto da área a reparar;
e) Executar a limpeza da área do reparo (Figura 28);
70

Figura 28: Área a ser reparada após remoção e limpeza. (AMODAL,1998).

f) Verificar o estado da sub-base (se necessário, refazê-la);


g) Efetuar a furação das placas existentes para a inserção das barras de
transferência;
h) Executar a limpeza dos furos;
i) Fazer a injecao de epóxi nos furos;
j) Inserir as barras de transferência (Figura 29).

Figura 29: Aplicação do epóxi e das barras de transferência. (AMODAL,1998).

k) Engraxar as extremidades das barras de transferência, voltadas para o


lado interno do reparo;
l) Lavar a área interna do reparo;
m) Efetuar a concretagem, texturização, cura química e preparar para cura
prolongada (Figura 30)
71

Figura 30: Concretagem da placa de concreto. (ACPA,2006)

2.4.2 Reparos de espessura parcial

Os reparos superficiais ou de espessura parcial ou simplesmente reparos


parciais são técnicas de reabilitação que restauram defeitos de superfície
localizados, tais como, esborcinamento de juntas e fissuras compreendidas entre um
terço e no máximo metade da espessura da placa de concreto e escamação da
superfície da placa. Esses remendos usualmente são muito pequenos, com áreas
menores que 1,00 m2 e com profundidades variando de 50 mm a 75 mm.

Convencionalmente utilizam-se misturas que permitam abrir o tráfego entre


24 a 72 horas, com resistências mínimas a compressão de 25 MPa, podendo-se
utilizar tempos de 4 a 6 horas e 12 a 24 horas.

2.4.3 Inserção de barras de transferência de carga (retrofit)

A transferência de carga é a habilidade de uma placa de transferir parte de


sua carga para a placa vizinha por meio de juntas transversais, conforme ilustrado
na Figura 31, a falta ou insuficiência de transferência adequada de carga provoca o
aparecimento de degraus nas juntas transversais, entre uma placa e outra, ou ainda,
em fissuras transversais na mesma placa.
72

Figura 31: Exemplo da eficiência da transferência de carga (ACPA, 1995).

O dispositivo desenvolvido para restaurar a transferência de carga


inicialmente em pavimentos não dotados de barras de transferência e em fissura é
denominado de inserção de barras de transferência (retrofit).

A inserção de barras de transferência é uma operação na qual são serrados


sulcos ou ranhuras nas placas de concreto ao longo das juntas e fissuras
transversais e em seguida são inseridas barras de transferência com diâmetros
variando entre 25mm a 38mm, na direção da trilhas de roda interna e externa, com a
finalidade de restabelecer a transferência de carga (ACPA, 1995).

Na seqüência, são relacionados os procedimentos executivos para a


realização da inserção dos dispositivos de transferência de carga (retrofit):

a) Verificar no cadastro dos defeitos e esquema de reabilitação a


localização e extensão do reparo;
b) Demarcar com giz e serrar as ranhuras ;
73

Figura 32: Demarcação com giz. (AMODAL, 2002).

c) Retirar o concreto;

Figura 33: Retirada do concreto (AMODAL, 2002).

d) Executar a limpeza das ranhuras;


e) Aplicar ponte de aderência;
f) Posicionar as pastilhas;
g) Posicionar as barras de transferência (Figura 34);

Figura 34: Posicionamento das barras de transferência (AMODAL, 2002).


74

h) Efetuar a concretagem e cura das ranhuras;


i) Após cura efetuar fresagem e selagem da fissura.

Os concretos utilizados devem ter resistência mínima à compressão de


30MPa para a abertura ao tráfego.

Após a concretagem, e atingida as resistências mínimas, podem ser


realizadas operações de fresagem de maneira a reduzir possíveis degraus e
restabelecer o conforto ao rolamento.

DETALHAMENTO
PLANTA

DETALHE DA RANHURA EM ELEVAÇÃO

DETALHE DA RANHURA EM PLANTA

Figura 35: Detalhe da inserção de barra de transferência. (ACPA, 1995).


75

2.4.4 Reparos em fissuras e juntas longitudinais (grampeamento)

Os reparos em fissuras longitudinais ou simplesmente grampeamentos são


realizados nas fissuras que tem largura inferior à 12mm, esborcinamentos que não
se estendem mais do que 150 mm e degraus menores que 12 mm.

Quando realizados nas juntas longitudinais, se fazem necessários onde a


abertura é fora do normal. As causas prováveis dessa anormalidade são oriundas do
escorregamento lateral da placa, em virtude de afundamento diferencial do solo de
fundação, acostamento não estabilizado, má execução da junta e inexistência ou
sub-dimensionamento das barras de ligação conjugadas com a ação do tráfego.

A maneira de restaurar esses defeitos consiste na abertura de sulcos ou


ranhuras transversais à junta ou à fissura, até a metade da espessura da placa,
seguida da inserção de grampos de 16mm de diâmetro em aço CA-50 corrugado,
espaçados a cada 60 cm, com as finalidades de assegurar a não abertura da junta
ou fissura e a contenção da propagação da fissura (GARCIA, 1993), conforme
detalhes apresentados na Figura 36.
76

DETALHAMENTO

PLANTA

CORTE
comprimento de ranhura= 450mm

DETALHE DAS RANHURAS

Figura 36: Detalhes de Execução de Reparos em fissuras longitudinais e/ou juntas longitudinais
(GARCIA, 1993).
Na seqüência são relacionados os procedimentos executivos para a
realização dos grampeamentos em fissuras e juntas longitudinais.

a) Verificar a localização e extensão do reparo no cadastro dos defeitos e


esquema de reabilitação;
b) Demarcar com giz e serrar as ranhuras;
c) Romper o concreto;
d) Executar os furos nas ranhuras;
e) Limpar as ranhuras;
77

f) Aplicar o epóxi nos furos das extremidades (Figura 37);

Figura 37: Aplicação de resina epóxi (AMODAL, 2002).

g) Posicionar os grampos (Figura 38);

Figura 38: Posicionamento das barras. (AMODAL, 2002).

h) Efetuar a concretagem e cura das ranhuras ( Figura 39);

Figura 39: Concretagem das Ranhuras (AMODAL,2002).


78

i) Após cura efetuar serragem e selagem da fissura (Figura 40).

Figura 40: Aspecto final da fissura grampeada e selada (AMODAL, 2002).

2.4.5 Resselagem de juntas e fissuras

Com o passar do tempo os selantes das juntas e das fissuras dos


pavimentos de concreto sofrem e acumulam degradações. Os selantes perdem a
aderência com as paredes que compõem o reservatório da junta ou perdem seu
fator de forma (relação entre profundidade e largura da junta) e rompem-se. Além
das perdas de aderência e do fator de forma os selantes perdem sua flexibilidade
pela ação de agentes naturais e da exposição ao oxigênio, ozônio e raios solares.
(ANDRADE, 2002).

Figura 41: Exemplo de selante que se solta com o tempo (AMODAL, 2002).
79

As degradações dos selantes permitem que a água penetre através das


juntas e infiltre nas camadas de sub-base e subleito provocando bombeamentos e
erosões. Essas degradações podem resultar na perda de suporte estrutural
provocando assentamentos e degraus nas placas de concreto. As degradações do
selante provocam a entrada de materiais incompressíveis nas juntas e impedem os
movimentos de expansão e contração das placas, provocando esborcinamentos nas
juntas. (ANDRADE, 2002).

De maneira a estender a vida dos pavimentos, os selantes das juntas e


fissuras devem sofrer restaurações periódicas de maneira a amenizar as infiltrações
de água e materiais incompressíveis.

As resselagens das juntas e fissuras devem ser realizadas


apropriadamente, sendo os procedimentos construtivos apresentados na sequência.

a) Remover o selante e materiais incompressíveis existentes com


equipamento que não danifique o reservatório do selante;
b) Reconstruir ou reparar as juntas que tenham problemas de
esborcinamentos, de severidade alta;
c) Refazer a junta serrando adequadamente de maneira a manter o fator
de forma (relação entre a profundidade e a largura da junta);

Figura 42: Serragem das juntas. (ACPA).


80

d) Limpar adequadamente o reservatório com água, seguido de secagem


com jato de ar;
e) Instalar o cordão de polipropileno de maneira a propiciar a profundidade
correta que garanta o fator de forma do reservatório;
f) Aplicar selante de qualidade de maneira a assegurar o desempenho da
junta (Figura 43).

Figura 43: Resselagem das juntas (ACPA).

As aberturas típicas de juntas normalmente observadas estão sumarizadas


na tabela a seguir.

Tabela 7: Medidas de Abertura de Juntas para uma temperatura de 20ºC.


Abertura da Junta (mm)
Sub-Base Estabilizada Sub-Base Granular
Espaçamento
Somente Somente
das juntas (m)
devido a Total devido a Total
temperatura temperatura
4,5 1,0 1,3 1,3 1,5
6,0 1,3 1,8 1,5 2,0
9,0 2,0 2,5 2,5 3,0
15,0 2,5 3,3 3,3 4,3
50 (15,25) 3,3 4,3 4,1 5,3
100 (30,5) 6,6 8,6 8,1 10,7
81

As dimensões do reservatório do selante são importantes. Um reservatório


do selante tendo fator de forma 1:1 (Profundidade : Largura) ou menor pode resultar
em deformações mínimas no selante.

As deformações também são minimizadas se o topo e a parte de baixo do


selante possam ficar com a forma natural de uma parábola. Isto pode ser
conseguido se durante a confecção da selagem utilizar-se um cordão de
polipropileno abaixo do selante.

A largura da junta (L) deve ser adequada de maneira que, depois de


aplicado, o selante não tenha expansão maior do que 20% de sua largura de
aplicação. Silicones de módulos baixos podem ser projetados para 50% de tração de
deformação.

Os valores recomendados de largura (L) e profundidade (P) em função do


tipo de selante a ser empregado são apresentados na tabela 8.

Tabela 8: Recomendações de valores para L e P em função do selante.


Espaçamento
Tipo do Profundidade Largura (L) em
das Juntas
Selante (P) em mm mm
(m)
1,0 -6,0 12-25 12
Selantes
6,1-12,0 12-25 19
a quente
12,1-18,0 12-25 25
Selantes 1,0-6,0 6 6
à base 6,1-12,0 6 12
de 12,1-18,0 10 16
Silicone 18,1-24,0 12 19
82

2.4.6 Estabilização de placas por meio de injeção

Um dos problemas que causam degradações e perda de serventia nos


pavimentos de concreto é a falta de suporte devido a vazios localizados em baixo
das placas dos pavimentos de concreto. Os vazios normalmente ocorrem nas
proximidades das trincas e juntas, ou ao longo do bordo do pavimento e
freqüentemente não são superiores a 3 mm.

Esses vazios são normalmente provocados por forças distintas de:

a) Bombeamento;
b) Consolidação;
c) Encontro com obras de arte especiais.

O processo de estabilização de placas, também denominado de


grauteamento, é um processo não destrutivo que preenche os vazios embaixo da
placa e restaura a capacidade de suporte sem elevação ou sobreposição de outra
camada no pavimento de concreto existente.

O sucesso de uma estabilização depende da determinação do instante ou


ocasião adequada de realizá-la, baseada na detecção dos vazios, seleção de
matérias e uso adequado das práticas de execução do processo.

Para que as placas possam ser estabilizadas são empregados métodos de


localização dos vazios, destacando-se as inspeções, visuais, medida das deflexões
e sondagem através do aparelho GRP (Ground Penetration Radar).

Após a detecção dos vazios, deve-se, primeiramente, locar, executar os


furos, injetar o material de grauteamento e efetuar o teste para verificar se a
estabilização foi adequada. O posicionamento e os furos para execução do
grauteamento normalmente, são realizados próximo das juntas e fissuras e
dependem do tipo de pavimento de concreto.
83

Usualmente utiliza-se mais de um furo, posicionado a 460 mm da borda do


acostamento e afastado entre 1,2 a 2,7 metros de junta ou fissura.

O diâmetro adequado dos furos dependerá do tipo de material utilizado no


grauteamento. Para os grauteamentos que utilizam elementos pozolânicos deve-se
utilizar furos com diâmetros entre 30 e 50 mm, e para injeções com poliuretano, não
devem exceder a 15 mm.

O processo de injeção (bombeamento) na maioria dos casos inicia-se pelos


furos do centro da pista e finalmente nos localizados próximos ao acostamento. A
pressão de injeção do grauteamento varia entre 0,3 a 0,5 MPa, sendo 0,7Mpa a
máxima pressão recomendada (ACPA,1994).

O bombeamento deve cessar quando alguma das condições seguintes


ocorrer:

a) A placa começa a levantar-se;


b) Se com a máxima pressão permitida não for possível injetar mais
material de grauteamento;
c) O material de grauteamento começa a fluir através de um furo adjacente;

Em nenhuma das condições o grauteamento deve continuar se, após um


minuto, o material de grauteamento não fluir por um furo adjacente, junta ou trinca, e
também se o extensômetro da viga Benkelman não registrar nenhum movimento.
Essas condições provavelmente indicam que o material de grauteamento está sendo
disperso para uma cavidade a qual requer outro tipo de reparo. Tradicionalmente,
após completar a injeção, os furos são fechados com um tampão de madeira, de
maneira que, não permitam a dissipação rápida de pressão e a fuga do material de
grauteamento.
84

3. ESTUDO DE CASO

3.1 INTRODUÇÃO

Este Capítulo do trabalho tem como objetivo apresentar uma aplicação


prática e solução de um problema de engenharia, referente à implantação e
recuperação do pavimento de uma estação de ônibus da RIT (Rede Integrada de
Transportes) da cidade de Curitiba.

O projeto faz parte do Programa de Recuperação Ambiental e Ampliação da


Capacidade de Transporte – RIT, que entre outras obras, engloba a implantação da
Linha Direta no eixo Norte/Sul. O programa é financiado pela AFD (Agência
Francesa de Desenvolvimento) e tem por objetivos principais:

a) Aumentar a cobertura da RIT;


b) Diminuir os tempos de viagem nas linhas troncais e tempos de espera nas
estações do transporte urbano;
c) Contribuir para a diminuição do número de acidentes com vítimas ao longo
dos eixos troncais;
d) Promover modos de transporte eficientes.

O Projeto de Reabilitação das estações da linha direta Norte/Sul foi


executado pelas empresas ENGEMIN ENGENHARIA E GEOLOGIA e AFIRMA
ENGENHARIA VIÁRIA, no ano de 2009. Para efeito de elaboração do presente
Estudo de Caso, foram coletadas informações quanto a geometria da via, as
sondagens de solo e ensaios do trecho em questão. O projeto geométrico da via
encontra-se anexo a este estudo.

A partir destas informações e das inspeções no trecho realizada nas datas


de 5 e 8 de maio de 2010, efetuamos o dimensionamento das placas de concreto a
serem implantadas e o Projeto de Recuperação das placas já existentes. O
dimensionamento será calculado pelo método PCA/84 apresentado no item 2.2.6
deste trabalho e o Projeto de Recuperação das placas existentes se baseará nas
técnicas de inspeção visual e técnicas de reabilitação do item 2.3.
85

A implantação da Linha Direta requer o deslocamento das estações tubo que


hoje se encontram frente a frente, de forma que os ônibus possam efetuar
ultrapassagens nos pontos de parada. Esta solução já foi implantada no corredor de
transporte da Av. Marechal Floriano, entre a estação Lourenço Pinto no centro da
cidade e o viaduto da Linha Verde conforme ilustrado na Figura 44. Desta forma, os
ônibus da Linha Direta realizam menos paradas durante o trajeto.

Figura 44: Aspecto da via exclusiva após desalinhamento das estações na Av. Marechal Floriano
Peixoto. (Fonte: RPC)

3.2 OBJETO DE ESTUDO

A escolha da estação para estudo partiu do interesse em registrar o maior


número possível de defeitos nas placas de concreto existentes, para demonstrar os
processos apresentados neste trabalho. Partindo deste princípio, a estação Moysés
Marcondes, situada na Av. João Gualberto mostrou-se uma boa opção, já que entre
as inspecionadas foi a que mostrou a maior variedade de defeitos no pavimento de
concreto existente.

A Figura 45 apresenta a localização da estação Moysés Marcondes no mapa


da Cidade de Curitiba.
86

Figura 45: Localização da Estação Moysés Marcondes – Ponto “A”. (Fonte: Google Maps)

A Figura 46 mostra uma imagem de satélite da situação atual da estação


Moysés Marcondes, com as estações tubo frente a frente no centro da imagem, e a
figura 47 ilustra esquematicamente em planta como ocorre o processo de
ultrapassagem dos veículos nas estações tubo. A planta com a geometria da via
após a realização da obra encontra-se anexa a este trabalho.

Figura 46: Imagem de satélite da Estação Moyses Marcondes. (Fonte: Google Earth)
87

Figura 47: Exemplo do deslocamento das estações para ultrapassagem dos veículos. (Fonte: IPPUC)

3.3 AVALIAÇÃO DA CONDIÇÃO ATUAL

3.3.1 Dados de Tráfego

O conhecimento do tráfego é fundamental para a definição de um


diagnóstico preciso do pavimento existente. Para o dimensionamento é necessária a
determinação adequada do tráfego futuro. Assim sendo, foi procedida à coleta dos
dados de tráfego junto a URBS, no intuito de determinar o número previsto de
repetições de eixos para a vida de projeto.

Na seqüência, são apresentados os dados fornecidos pela URBS, a


descrição do tratamento dos dados para obtenção dos parâmetros de tráfego e os
resultados obtidos que serão utilizados no dimensionamento do pavimento.

O veículo considerado foi o ônibus bi-articulado com 25 m de comprimento,


de acordo com informações do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de
Curitiba - IPPUC. As informações técnicas do ônibus são apresentadas na Tabela 9.
88

Tabela 9: Informações técnicas do ônibus bi-articulado.

ÔNIBUS BI-ARTICULADO (25m)

Número de Eixos: 4
1 Eixo simples de roda simples - ESRS
TIPO DE EIXO
3 Eixos simples roda dupla - ESRD
Eixo Dianteiro = 18,61%
DISTRIBUIÇÃO DO PESO POR EIXO
Demais Eixos = 27,13%
Tara do Veículo 18.340 Kgf
Capacidade 270 passageiros
Motorista 1 pessoa

A partir das especificações do veículo calculou-se a carga por eixo para duas
situações distintas, conforme descrito a seguir:

a) Ônibus no horário de pico: 100% da capacidade de transporte;


b) Ônibus no horário normal: 50% da capacidade de transporte.

A URBS considera que o peso de cada passageiro é de 70 kgf, portanto teremos


o seguinte:

a) Ônibus no horário de pico (270 + 01 = 271 pessoas)


⇒ Carga total = tara + peso passageiros
Carga total = 18.340 kgf + 271 x 70 kgf = 37.310 kgf
⇒ Distribuição da carga = (carga total) x (% distribuição)
• eixo dianteiro = 37.310 kgf x 18,61% = 6.943 kgf
• demais eixos = 37.310 kgf x 27,13% = 10.122 kgf
⇒ Distribuição da carga
• eixo dianteiro = 6.944 kgf
• demais eixos = 10.122 kgf
• Total = 37.310 kgf

b) Ônibus no horário de normal (135 + 01 = 136 pessoas)


⇒ Carga total = tara + peso passageiros
Carga total = 18.340 kgf + 136 x 70 kgf = 27.860 kgf
89

⇒ Distribuição da carga = carga total x % distribuição


• eixo dianteiro = 27.860 kgf x 18,61% = 5.185 kgf
• demais eixos = 27.860 kgf x 27,13% = 7.558 kgf
⇒ Distribuição da carga
• eixo dianteiro = 5.186 kgf
• demais eixos = 7.558 kgf
• Total = 27.860 kgf

Na Tabela 10 a seguir, são apresentados os dados de tráfego do corredor de


ônibus em questão, obtidos junto à URBS:

Tabela 10: Dados de tráfego na estação Moysés Marcondes. (fonte: URBS)

Número de Número de
Número de Número de
Viagens no viagens no
Estação viagens Viagens
horário de horário
diárias anual
pico normal

Moysés
70 164 234 85.410
Marcondes

A partir dos dados de tráfego, foi calculado o número de solicitações


previstas para o período de projeto do pavimento de concreto (20 anos),
considerando uma taxa de crescimento de 2,5% ao ano. Na Tabela 11 são
apresentados os dados de tráfego considerado para o período de projeto.
90

Tabela 11: Dados de tráfego para o período de projeto de 20 anos.

Volume Total de Volume Total de


Tráfego Tráfego
ANO ANO

Anual Acumulado Anual Acumulado

2009 85.410 - 2020 112.065 1.092.868


2010 87.545 87.545 2021 114.867 1.207.735
2011 89.734 177.279 2022 117.739 1.325.474
2012 91.977 269.256 2023 120.862 1.446.156
2013 94.277 363.533 2024 123.699 1.569.855
2014 96.634 460.167 2025 126.792 1.696.647
2015 99.049 559.216 2026 129.961 1.826.608
2016 101.526 660.742 2027 133.210 1.959.818
2017 104.064 764.805 2028 136.541 2.096.359
2018 106.665 871.471 2029 139.954 2.236.313
2019 109.332 980.803

Na Tabela 12 é apresentado o cálculo do número de repetições por classe de


eixo, para o período de projeto de 20 anos

Tabela 12: Número de repetições por classe de eixo.


Carga por Eixo
Classe de Eixo % DISTR. Fator de Eixo Volume Total Nº de repetições
Tf kN
5,18 51 17,50% 1.565.419
6,94 68 7,50% 670.894
Simples 4 2.236.313
7,56 74 52,50% 4.696.257
10,12 99 22,50% 2.012.682
TOTAL 100,00% 8.945.252

3.3.2 Sondagens

No intuito de avaliar a estrutura existente do pavimento, foram realizadas


sondagens a pá e picareta na Avenida João Gualberto. Foram realizados dois furos
de sondagem na via marginal com profundidades de até 1,78m, no trecho
pertencente à estação tubo Moysés Marcondes. A localização dos furos encontra-se
na planta em anexo, e o resumo da estrutura encontrada é apresentado a seguir:
91

• Furo 1 - Via marginal sentido Sul, est. 0+110 m – trecho composto por
uma camada de CBUQ com espessura de 6,0 cm, camada de concreto
rolado com 19,0 cm, camada de brita com areia com 29,0 cm e camada
de 97,0 cm de argila marrom;

• Furo 2 - Via marginal sentido Norte, est. 0+220 m – trecho composto por
uma camada de CBUQ com espessura de 10,0 cm, camada de brita
graduada com 26,0 cm, camada de brita 2" travada com pó de pedra com
45,0 cm e camada com 79,0 cm de argila variegada saturada;

O resultado dos ensaios de caracterização do subleito na estação Moysés


Marcondes, demonstrou que este é constituído de solos finos, com 79,7 a 95,6%
passando na peneira 200 (0,074mm). Também foi constatado que os índices físicos
médios assumiram os seguintes valores:

• LL=57,6
• IP=15,2

Os solos encontrados neste trecho apresentam as seguintes características


geotécnicas para os valores médios de ISC e expansão:

• ISC/CBR=7,0%
• Expansão=2,34%

3.3.3 Avaliação da Condição de Superfície

A inspeção visual dos defeitos nas oito placas de concreto que compõe o
pavimento da estação tubo Moysés Marcondes foi realizada seguindo a terminologia
e os critérios de caracterização dos defeitos da norma do DNIT 060/2004-PRO. Na
seqüência, foi realizada a elaboração de um caderno de imagens, com fotos
referentes a cada um dos defeitos encontrados nas placas de concreto. Os defeitos
92

detectados no pavimento seguem a terminologia determinada pela norma DNIT


061/2004-TER.
a) Defeito na selagem das juntas;
b) Desgaste superficial;
c) Degrau de juntas;
d) Esborcinamento de juntas;
e) Fissuras Longitudinais;
f) Fissuras Transversais.

Para efeito de projeto e definição das medidas de recuperação do pavimento


de concreto, é necessário além da relação dos defeitos, localizá-los e definir seus
respectivos graus de severidade.

Figura 48: Defeitos nas placas de concreto.


93

Além dos defeitos relacionados na Figura 52, foi registrado que todas as
juntas das placas de concreto apresentavam problema de selagem. A Tabela 13
abaixo faz um resumo de todos os defeitos encontrados e apresenta o grau de
severidade.

Tabela 13: Defeitos por placa.


PLACA DEFEITO GRAU DE SEVERIDADE
Fissura Longitudinal Médio
1A Fissura Linear Diagonal Baixo
Defeito na Selagem das Juntas Médio
2A Defeito na Selagem das Juntas Médio
Fissura Transversal Médio
3A
Defeito na Selagem das Juntas Médio
Desgaste Superficial -
4A
Defeito na Selagem das Juntas Médio
Fissuras Lineares Alto
1B
Defeito na Selagem das Juntas Médio
Fissuras Lineares Alto
2B Defeito na Selagem das Juntas Médio
Degrau de Junta Médio
Fissuras Lineares Baixo
Desgaste Superficial -
3B
Defeito na Selagem das Juntas Médio
Esborcinamento de Junta Alto
Fissura Longitudinal Baixo
4B Defeito na Selagem das Juntas Médio
Esborcinamento de Junta Alto
94

3.3.4 Relatório Fotográfico

Na sequência, são apresentadas as fotos dos defeitos encontrados na


Estação Moysés Marcondes.

Tabela 14: Ilustração dos tipos de defeitos da Estação Moysés Marcondes.

Vista da Estação Moysés Marcondes Fissura Longitudinal

Fissura Longitudinal e Transversal Degrau de Junta.

Desgaste Superficial Esborcinamento de Junta


95

3.4 IMPLANTAÇÃO DAS PLACAS DE CONCRETO

Neste item serão apresentados os procedimentos de cálculo para o


dimensionamento, bem como alguns detalhes construtivos das placas de concreto.

3.4.1 Dimensionamento das Placas de Concreto

Os dados de tráfego e condições de suporte do subleito referentes à


implantação das placas de concreto foram apresentados no item 3.3.

O pavimento proposto será executado pela técnica Inlay, em que o


pavimento implantado é encaixado no existente após a remoção do revestimento e
parte da base. Portanto, além de atender aos critérios de dimensionamento, é
importante que a espessura da placa deva ser compatível com as dimensões
disponíveis em campo, de forma que se mantenha o greide da pista. Deve-se ainda
prever uma placa de transição para que não haja descontinuidade na interface do
pavimento de concreto implantado com o pavimento flexível, de forma que sejam
minimizados recalques diferenciais e possíveis degraus.

Foi adotado um fator de segurança (Fsc) de 1,25 devido à alta canalização


do tráfego nos corredores de ônibus, e também pela alta pressão dos pneus utilizada
nos veículos (110 libras), o que reduz a área de contato pneu-pavimento.

As placas de concreto a serem implantadas serão executadas com juntas


transversais com barras de transferência de carga. A Tabela 15 apresenta um
resumo dos dados de entrada para o calculo da espessura pelo método PCA/84.
96

Tabela 15: Dados de entrada para o cálculo da espessura pelo método PCA/84.
Dimensões da Placa 5,00 x 3,50m
Juntas com Barras de Transferência Sim
Espessura Efetiva da sub-base
30,0 cm
remanescente
Ksist. 60 Mpa/m
Resist. do concreto a tração na flexão (Fctm,k) 4,50 MPa/m
Tipo de sub-base Granular
Acostamento de concreto Não
Período de projeto 20 anos
Fator de segurança das cargas (Fsc) 1,25
CBRSL 7%
97

A tabela 16 a seguir apresenta a tentativa de cálculo para uma espessura do pavimento de 22 cm (1ª tentativa de cálculo):

Tabela 16: Memorial de cálculo para uma espessura arbitrada de 22cm.


Projeto: IMPLANTAÇÃO DA LINHA DIRETA - EIXO NORTE/SUL. ESTAÇÃO MOYSÉS
MARCONDES
Espessura: 22,00 cm Juntas com BT: SIM Resist. a tração na flexão: 4,50 Mpa/m
Acostamento de Concreto:
K: 60,0 Mpa/m Período de Projeto: 20 anos
Não
Fator de Seguranca Fsc: 1,25 Tipo de Sub-base: Material granular remanescente - 30cm

ANÁLISE DE FADIGA ANÁLISE DE EROSÃO


CARGAS CARGAS NÚMERO DE
POR EIXO POR EIXO x REPETIÇÕES NÚMERO DE CONSUMO NÚMERO DE
DANOS POR
(kN) Fsc PREVISTAS REPETIÇÕES DE FADIGA REPETIÇÕES
EROSÃO (%)
ADMISSÍVEIS (%) ADMISSÍVEIS
1 2 3 4 5 6 7
Tensão equivalente: 1,46
EIXOS SIMPLES Fator de Erosão: 2,69
Fator de Fadiga: 0,324

51 64 1.565.419 ilimitado - ilimitado -


68 85 670.894 ilimitado - ilimitado -
74 93 4.696.257 ilimitado - 8.000.000 58,70%
99 124 2.012.682 1.000.000 201,26% 5.000.000 40,25%

TOTAL 201,26% TOTAL 98,95%

Como o consumo por fadiga do pavimento ultrapassou os valores admissíveis, é necessário aumentar a espessura da placa.
98
A tabela 17 a seguir apresenta a tentativa de cálculo para uma espessura do pavimento de 23cm (2ª tentativa de cálculo):

Tabela 17: Memorial de cálculo para uma epessura arbritrada de 23cm.


Projeto: IMPLANTAÇÃO DA LINHA DIRETA - EIXO NORTE/SUL. ESTAÇÃO MOYSÉS
MARCONDES
Espessura: 23,00 cm Juntas com BT: SIM Resist. a tração na flexão: 4,50 Mpa/m
Acostamento de Concreto:
K: 60,0 Mpa/m Período de Projeto: 20 anos
Não
Fator de Seguranca Fsc: 1,25 Tipo de Sub-base: Material granular remanescente - 30cm

ANÁLISE DE FADIGA ANÁLISE DE EROSÃO


CARGAS CARGAS NÚMERO DE
POR EIXO POR EIXO x REPETIÇÕES NÚMERO DE CONSUMO NÚMERO DE
DANOS POR
(kN) Fsc PREVISTAS REPETIÇÕES DE FADIGA REPETIÇÕES
EROSÃO (%)
ADMISSÍVEIS (%) ADMISSÍVEIS
1 2 3 4 5 6 7
Tensão equivalente: 1,38
EIXOS SIMPLES Fator de Erosão: 2,64
Fator de Fadiga: 0,31

51 64 1.565.419 ilimitado - ilimitado -


68 85 670.894 ilimitado - ilimitado -
74 93 4.696.257 ilimitado - 50.000.000 9,39%
99 124 2.012.682 4.000.000 50,32% 5.500.000 36,95%

TOTAL 50,32% TOTAL 45,99%

Os valores totais de análise por fadiga e análise por erosão ficaram abaixo de 100% (valor admissível), portanto a
espessura de 23cm é a adequada ao pavimento em questão. A espessura de 23cm também se enquadra na altura disponível para
o encaixe no pavimento existente. A figura 59 a seguir apresenta um croqui esquemático das placas a serem implantadas.
99

Figura 49: Representação esquemática das placas a serem implantadas.


100

3.4.2 Detalhes Construtivos

Após a obtenção da espessura da placa, é necessário dimensionar as juntas


do pavimento. O espaçamento longitudinal é determinado de acordo com o tipo de
agregado e os valores mínimos estão na Tabela 18 a seguir.

Tabela 18: Espaçamento máximo das juntas transversais. (Fonte: ET-13, ABCP)
Espaçamento
Tipo de agregado Miúdo recomendado entre juntas
transversais (m)
Pedra Britada até 7,5
Pedra Britada calcária, sílico-
calcária ou pedregulho até 6,0
calcário
Seixo rolado, pedregulho
silicoso, pedregulho com Dmáx até 4,5
até 19mm, escória

As barras de transferência são dimensionadas de acordo com a espessura


da placa pela Tabela 19 a seguir:

Tabela 19: Dimensões das barras de transferência. (Fonte: ET-13, ABCP)

Espessura da Bitola Comprimento Espaçamento


Placa (cm) (mm) (mm) (mm)
até 17,0 20 460 300
17,5 - 22,0 25 460 300
22,5 - 30,0 32 460 300
maior que 30,0 40 460 300

Portanto, foram adotadas barras de transferência de 32mm, com


comprimento de 500mm e espaçamento de 300mm.

A seguir, serão apresentados os detalhes construtivos das placas de


concreto:
101

Figura 50: Detalhamento da junta transversal e barra de transferência.


102

Figura 51: Detalhamento da laje de transição.


103

3.5 RECUPERAÇÃO DO PAVIMENTO DE CONCRETO

As soluções apresentadas nesta seção são baseadas nos conhecimentos de


recuperação de pavimentos rígidos apresentados na revisão bibliográfica deste
trabalho.

3.5.1 Soluções Indicadas

Partindo do levantamento dos defeitos em campo, foi elaborado um plano de


recuperação para as placas defeituosas, apresentados na figura 52 abaixo:

Figura 52: Recuperação das placas de concreto.


104

De acordo com a Figura 52, foi possível complementar a Tabela 20 com as


soluções para os diferentes tipos de defeitos.

Tabela 20: Soluções de reparo das placas de concreto.


PLACA DEFEITO GRAU DE SEVERIDADE RECUPERAÇÃO
Fissura Longitudinal Médio Grampeamento
1A Fissura Linear Diagonal Baixo -
Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
2A Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Fissura Transversal Médio Inserção de Barras de Transferência
3A
Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
4A Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Fissuras Lineares Alto Reparo de Espessura Plena
1B
Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Fissuras Lineares Alto Reparo de Espessura Plena
2B Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Degrau de Junta Médio Reparo de Espessura Plena
Desgaste Superficial - -
3B Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Esborcinamento de Junta Alto Reparo de Espessura Parcial
Fissura Longitudinal Baixo Grampeamento
4B Defeito na Selagem das Juntas Médio Resselagem
Esborcinamento de Junta Alto Reparo de Espessura Parcial

3.5.2 Detalhamento dos Reparos

Nesta seção serão detalhados um a um os reparos adotados na recuperação das


placas de concreto.

3.5.2.1 Reparo de Espessura Plena

Deve-se estabelecer a metodologia de reparo total das placas onde aparecem


fissuras ou trincas generalizadas, alçamento de placas, placas divididas em diversos
pedaços, quebras localizadas, assentamento, placas bailarinas, etc. Utilizar este
reparo quando os defeitos atingirem mais de 2/3 da área da placa de concreto.

Reparo de Espessura Plena: Sugestão de Reparo:


105

• PLANTA

Figura 53: Reparo de espessura plena, planta.

• CORTE AB

Figura 54: Reparo de espessura plena, corte AB.


106

• DETALHE

Figura 55: Reparo de espessura plena, Detalhe 01.

3.5.2.2 Reparo de Espessura Parcial

Estabelecer a metodologia de reparo parcial das placas onde aparecem


fissuras ou trincas generalizadas, alçamento de placas, placas divididas em diversos
pedaços, quebras localizadas, assentamento, placas bailarinas, etc. Utilizar este
reparo quando a placa de concreto tiver mais de 1/3 de sua área em perfeitas
condições.

Reparo de Espessura Parcial: Sugestão de Reparo

• PLANTA

Figura 56: Reparo de espessura parcial, planta.


107

• DETALHE

Figura 57: Reparo de espessura plena, detalhe 01.

3.5.2.3 Inserção de Barras de Transferência

Estabelecer metodologia de aplicação de barras de transferência em trincas


ou em juntas transversais, através da técnica de Retrofit.

Inserção de Barras de Transferência: Sugestão de Reparo

• PLANTA

PLANTA

Figura 58: Inserção de barras de transferência, planta.


108

• DETALHE
DETALHE 1 - PLANTA

Figura 59: Inserção de barras de transferência, detalhe 01.

• CORTE AA

CORTE AA

Figura 60: Inserção de barras de transferência corte AA.

3.5.2.4 Restauração de Fissuras ou Juntas Longitudinais

Estabelecer a metodologia de reparo de fissuras longitudinais de média


severidade, com espessura superior a 1,0mm e com profundidade que pode atingir
toda a espessura da placa de concreto.
109

Restauração de Fissuras ou Juntas Longitudinais: Sugestão de Reparo

• PLANTA
ver detalhe das ranhuras

grampos de Ø16mm
50cm de comprimento junta longitudinal
a cada 60cm

junta transversal

Figura 61: Grampeamento, planta.

• DETALHE DAS RANHURAS

DETALHE DAS RANHURAS

furos de Ø25mm x 60cm

fissura ou junta longitudinal

ranhuras

Figura 62: Grampeamento, detalhe das ranhuras.


110

• ELEVAÇÃO

ELEVAÇÃO
comprimento de ranhura=45cm

fresagem e selagem
grout

grampo de Ø16mm x 50cm


e/2

aço CA-50
e

5cm

5cm
e/2

epóxi

fissura ou junta longitudinal

Figura 63: Grampeamento, elevação.


111

4. CONCLUSÃO

Neste trabalho, abordamos dois assuntos de extrema importância


relacionados ao pavimento de concreto: a implantação de pavimentos novos e a
recuperação de pavimentos já existentes. O foco destes assuntos foi direcionado à
implantação e recuperação em pavimentos de concreto específicos para corredores
e paradas de ônibus.

No que se refere à implantação de pavimentos de concreto, o trabalho


apresentou os procedimentos para o adequado dimensionamento de pavimentos de
concreto simples pelo método da PCA/84. É importante frisar que o Brasil não
possui um método próprio para dimensionamento de pavimentos de concreto, os
métodos utilizados ainda provêem do estrangeiro, em especial dos Estados Unidos
da América, sendo assim o método foi desenvolvido para as particularidades e
situações apresentadas por este país. Portanto, fica como sugestão o
desenvolvimento de um método genuinamente brasileiro, focado para as
particularidades brasileiras em relação a solos, tráfego e todas outras variáveis
envolvidas no dimensionamento.

Assim como no dimensionamento de pavimentos de concreto, de modo geral


verificamos que há muito pouca bibliografia nacional relacionada a pavimentos de
concreto, este fator dificulta o projeto e a construção.

Especificamente quanto à recuperação de pavimentos de concreto, a


bibliografia nacional disponível tanto no DNIT quanto na ABCP é insuficiente e
desatualizada. Como resultado, as técnicas recomendadas por estes órgãos têm
pouca aplicabilidade na recuperação dos pavimentos. Motivados por esta falta de
suporte bibliográfico, baseamos nossa pesquisa e busca por soluções em
bibliografias estrangeiras mais pertinentes.

As soluções de recuperação de pavimentos de concreto apresentadas neste


trabalho são em grande parte extraídas dos Manuais da American Concrete
Pavement Association (ACPA). Estas técnicas são utilizadas há vários anos não
somente nos Estados Unidos como em outros países desenvolvidos, apresentando
112

excelentes resultados devido aos procedimentos eficientes, tanto na inspeção


quanto no projeto e execução. Desta forma, acreditamos que o presente trabalho
contribui para a difusão destas técnicas de recuperação de pavimentos de concreto,
não apenas em paradas de ônibus, mas em qualquer outra aplicação viária (Ruas,
Avenidas, Corredores de ônibus, etc.).

Com o objetivo de validar os procedimentos pesquisados na revisão da


literatura foram coletados dados de um projeto já existente para a Estação tubo
Moysés Marcondes. Após a realização do levantamento de defeitos por nossa
equipe e da análise dos dados de projeto, verificamos a importância da avaliação
criteriosa dos defeitos, da realização representativa de sondagens e ensaios e a
caracterização do tráfego. Observamos deficiências no projeto quanto à
caracterização dos defeitos (tipos e grau de severidade) e quantidade de sondagens
e ensaios.

Concluímos neste trabalho que é bastante viável a utilização de pavimento


de concreto em vias que apresentam tráfego de veículos pesados, em trechos de
baixas velocidades e locais de paradas de ônibus. A utilização de pavimento flexível
nestes casos se caracteriza pela deformação do pavimento, seja pela ocorrência de
deformações plásticas como afundamentos nas trilhas de roda, causando
desconforto aos passageiros, acúmulo de água nos locais deformados, manutenção
onerosa e praticamente contínua.

No caso dos corredores de ônibus ou faixas exclusivas, as alternativas de


construção ou recuperação devem levar em conta que o pavimento deverá suportar
os elevados esforços a que será submetido, devido à carga por eixo excessiva, a
baixa velocidade e o conseqüente maior tempo de aplicação de carga e os efeitos
de frenagem e aceleração.

Portanto, a iniciativa da Prefeitura Municipal de Curitiba de implantar


pavimento de concreto nas vias exclusivas de ônibus, seja em todo o trecho ou
somente nos pontos de parada, mostra-se uma decisão correta, por todos os fatos já
apresentados neste trabalho.
113

Como sugestão para trabalhos futuros, indicamos a pesquisa sobre a


implantação de projetos-padrão nas paradas de ônibus. Este procedimento já foi
iniciado pela Prefeitura Municipal de Curitiba, porém a generalização de dados de
tráfego e condições de suporte do local pode induzir a erros de dimensionamento,
que implicam em pavimentos superdimensionados ou sub-dimensionados. O estudo
sobre o custo de projeto frente à utilização do projeto padrão também seria de
grande contribuição, tendo em vista que a economia em não realizar um projeto
novo pode reverter-se em maiores gastos de execução de um pavimento
dimensionado com dados não exatos.
114

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118

APÊNDICE

PROCEDIMENTO DE AVALIAÇÃO OBJETIVA DE PAVIMENTO (DNIT 062/2004 –


PRO) – EXEMPLO DE APLICAÇÃO EM VIA URBANA

1. DESCRIÇÃO DO TRECHO AVALIADO

A inspeção visual com objetivo de avaliar a condição do pavimento de


concreto do Acesso à Rua Wilson de França foi realizada nos dias 29 e 30 de maio
de 2010, no período da tarde, com condição climática estável e favorável para a
atividade.
O segmento está situado entre a Avenida Presidente Kennedy e a Rua
Eduardo Carlos Pereira e foi construído a 12 anos. A via neste segmento tem
comprimento de 200 metros com largura de 7 metros e é composta por 80 placas. O
trecho inspecionado foi dividido em quatro segmentos, conforme ilustrado na Figura
65.
Na seqüência serão descritos os procedimentos e resultados da avaliação
objetiva segundo a norma DNIT 062/2004.

Figura 64: Imagem de satélite do segmento inspecionado. (Fonte: Google Earth).


119

AVENIDA PRESIDENTE KENNEDY

B A 1
B A 2
B A 3
B A 4
B A 5
B A 6
B A 7
B A 8
B A 9
B A 10
B A 11
B A 12
B A 13
ACESSO À RUA WILSON DE FRANÇA

B A 14
B A 15
B A 16
B A 17
B A 18
B A 19
B A 20
B A 21
B A 22
B A 23
B A 24
B A 25
B A 26
B A 27
B A 28
B A 29
B A 30
B A 31
B A 32
B A 33
B A 34
B A 35
B A 36
B A 37
B A 38
B A 39
B A 40

RUA EDUARDO CARLOS PEREIRA

SEGMENTO 1
SEGMENTO 2
SEGMENTO 3
SEGMENTO 4
Figura 65: Identificação de segmento do Acesso à Rua Wilson de França.
120

2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Seguindo as diretrizes apontadas nas normas DNIT 060/2004 – PRO,


DNIT 061/2004 – TER e DNIT 062/2004 – PRO, foram elaboradas as Fichas
de Inspeção para cada intervalo de 10 pares de placa (20 placas), dentro de
seus respectivos sub-trechos, obtendo-se para cada um dos segmentos um
valor de ICP.
121

Tabela 21: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 1.


FICHA DE INSPEÇÃO
(segundo a norma DNIT 062/2004 – PRO)
Ficha de Inspeção de Pavimento Rígido Pavimento: Rua Wilson de França Extensão total: 200m (4 segmentos)
Cálculo do Índice de Condição do Pavimento (ICP) Segmento 1

Tipos de Defeito
1 Alçamento de Placas 7 Fissuras Lineares 13 Passagem de Nível
2 Fissura de Canto 8 Grandes Reparos 14 Rendilhado e Escamação
3 Placa Dividida 9 Pequenos Reparos 15 Fissuras de Retração Plástica
4 Degrau de Junta 10 Desgaste Superficial 16 Quebra de Canto
5 Defeito na Selagem das Juntas 11 Bombeamento 17 Esborcinamento de Juntas
6 Desnível Pavimento Acostamento 12 Quebras Localizadas 18 Placa Bailarina

ID. Grau de % Placas Valor


A B C D E F Tipos de Defeitos Nº Placas Afetadas
PLACA Severidade Afetadas Deduzível

5 M OK 5 M - - 4
15 10 4 20,0% 4
1
15 19 95,0% 4
17 B 4 20,0% 5
5 M 5 M
15 15
2

5 M 5 M
15 15
3

5 M 5 M
15 15
4

5 M 5 M
15 15
5

5 M 5 M

6 15 15

5 M 5 M

7 15 15

5 M 5 M
15 15
8

5 M 5 M
15 15
9
17 B 17 B
10 10
Intervalo de Placas: 1A - 10B
5 M 5 M
15 15 Valor Deduzível Total: 17,0
10
17 B 17 B Valor Deduzível Corrigido: 17,0

10 10 ICP 83,0 Conceito Muito Bom


122

Tabela 22: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 2.


FICHA DE INSPEÇÃO
(segundo a norma DNIT 062/2004 – PRO)
Ficha de Inspeção de Pavimento Rígido Pavimento: Rua Wilson de França Extensão total: 200m (4 segmentos)
Cálculo do Índice de Condição do Pavimento (ICP) Segmento 2

Tipos de Defeito
1 Alçamento de Placas 7 Fissuras Lineares 13 Passagem de Nível
2 Fissura de Canto 8 Grandes Reparos 14 Rendilhado e Escamação
3 Placa Dividida 9 Pequenos Reparos 15 Fissuras de Retração Plástica
4 Degrau de Junta 10 Desgaste Superficial 16 Quebra de Canto
5 Defeito na Selagem das Juntas 11 Bombeamento 17 Esborcinamento de Juntas
6 Desnível Pavimento Acostamento 12 Quebras Localizadas 18 Placa Bailarina

ID. Grau de % Placas Valor


A B C D E F Tipos de Defeitos Nº Placas Afetadas
PLACA Severidade Afetadas Deduzível

5 M 5 M 5 M - - 4
15 15 7 M 1 5,0% 5
11
8 A 2 10,0% 17
10 2 10,0% 2
5 M 5 M 15 20 100,0% 5
15 15
12
7 M

5 M 5 M
15 15
13

5 M 5 M
15 15
14

5 M 5 M
15 15
15

5 M 5 M
10 10
16
8 A 8 A
15 15
5 M 5 M
15 15
17

5 M 5 M
15 15
18

5 M 5 M
15 15
19

Intervalo de Placas: 11A - 20B


5 M 5 M
15 15 Valor Deduzível Total: 33,0
20
Valor Deduzível Corrigido: 33,0
ICP 67,0 Conceito Bom
123

Tabela 23: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 3.


FICHA DE INSPEÇÃO
(segundo a norma DNIT 062/2004 – PRO)
Ficha de Inspeção de Pavimento Rígido Pavimento: Rua Wilson de França Extensão total: 200m (4 segmentos)
Cálculo do Índice de Condição do Pavimento (ICP) Segmento 3

Tipos de Defeito
1 Alçamento de Placas 7 Fissuras Lineares 13 Passagem de Nível
2 Fissura de Canto 8 Grandes Reparos 14 Rendilhado e Escamação
3 Placa Dividida 9 Pequenos Reparos 15 Fissuras de Retração Plástica
4 Degrau de Junta 10 Desgaste Superficial 16 Quebra de Canto
5 Defeito na Selagem das Juntas 11 Bombeamento 17 Esborcinamento de Juntas
6 Desnível Pavimento Acostamento 12 Quebras Localizadas 18 Placa Bailarina

ID. Grau de % Placas Valor


A B C D E F Tipos de Defeitos Nº Placas Afetadas
PLACA Severidade Afetadas Deduzível

5 M 5 M 5 M - - 4
15 15 7 M 1 5,0% 5
21
8 A 2 10,0% 17
15 20 100,0% 5
5 M 5 M 17 M 3 15,0% 7
15 15
22

5 M 5 M
15 15
23

5 M 5 M
15 15
24

5 M 5 M
15 15
25

5 M 5 M
15 15
26

5 M 5 M
15 15
27
17 M 17 M
8 A
5 M 5 M
15 15
28
17 M
8 A
5 M 5 M
15 15
29

Intervalo de Placas: 21A - 30B


5 M 5 M
15 15 Valor Deduzível Total: 38,0
30
7 M Valor Deduzível Corrigido: 29,0
ICP 71,0 Conceito Muito Bom
124

Tabela 24: Ficha de Inspeção – Acesso à Rua Wilson de França, segmento 4.


FICHA DE INSPEÇÃO
(segundo a norma DNIT 062/2004 – PRO)
Ficha de Inspeção de Pavimento Rígido Pavimento: Rua Wilson de França Extensão total: 200m (4 segmentos)
Cálculo do Índice de Condição do Pavimento (ICP) Segmento 4

Tipos de Defeito
1 Alçamento de Placas 7 Fissuras Lineares 13 Passagem de Nível
2 Fissura de Canto 8 Grandes Reparos 14 Rendilhado e Escamação
3 Placa Dividida 9 Pequenos Reparos 15 Fissuras de Retração Plástica
4 Degrau de Junta 10 Desgaste Superficial 16 Quebra de Canto
5 Defeito na Selagem das Juntas 11 Bombeamento 17 Esborcinamento de Juntas
6 Desnível Pavimento Acostamento 12 Quebras Localizadas 18 Placa Bailarina

ID. Grau de % Placas Valor


A B C D E F Tipos de Defeitos Nº Placas Afetadas
PLACA Severidade Afetadas Deduzível

5 M 5 M 2 B 1 5,0% 5
15 15 5 M - - 4
31
8 A 8 A 1 5,0% 10
17 M 15 20 100,0% 5
5 M 5 M 17 M 1 5,0% 2
15 15
32

5 M 5 M
15 15
33

5 M 5 M
15 15
34

5 M 5 M
15 15
35

5 M 5 M
15 15
36

5 M 5 M
15 15
37

5 M 5 M
15 15
38
2 B

5 M 5 M
15 15
39

Intervalo de Placas: 31A - 40B


5 M 5 M
15 15 Valor Deduzível Total: 26,0
40
Valor Deduzível Corrigido: 26,0
ICP 74,0 Conceito Muito Bom
125

A tabela 25 abaixo resume os valores encontrados.

Tabela 25: Quadro Resumo de Inspeção de Pavimento Rígido.


Quadro Resumo de
Inspeção de Pavimento ICP médio = 73,8 Conceito Médio: Muito
Rígido Bom
Pavimento: Curitiba - Extensão: 200m N° de Placas: 80
PR
Trecho: Acesso à Rua Data: 29/05/2010 N° de Segmentos: 4
Wilson de França

Segmentos Comp. (m) Intervalo N° de ICP Conceito


de Placas Placas
1 50 1A – 10B 20 83,0 Muito Bom
2 50 11A – 20B 20 67,0 Bom
3 50 21A – 30B 20 71,0 Muito Bom
4 50 31A – 40B 20 74,0 Muito Bom

3. DEFEITOS ENCONTRADOS NO PAVIMENTO DE CONCRETO

O pavimento de concreto encontrava-se com poucos defeitos na data de


realização da avaliação, não apresentando características que possam por em risco
a segurança e o conforto do tráfego.
Porem foram identificados alguns tipos de defeitos que podem ser associados
à idade do pavimento e a falta de manutenção, ilustrados a seguir.

Tabela 26: Fotos dos defeitos encontrados no Acesso à Rua Wilson de França.

Defeito na Selagem das Juntas Esborcinamento de Juntas


126

Grandes Reparos Fissura Linear Transversal

Fissuras de Retração Plástica Desgaste Superficial

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ICP médio foi de 73,8 pontos, ou seja, o pavimento de concreto do Acesso


à Rua Wilson de França é avaliado como de condição superficial e estrutural muito
boa. Isso indica que as condições de projeto, execução e tráfego tenham sido ou
estejam adequadas, considerando a idade de 12 anos de uso. Porém, nota-se que a
manutenção do pavimento é falha ou inexistente e assim apresenta defeitos
localizados.
127

ANEXOS

1. PROJETO GEOMÉTRICO DA ESTAÇÃO MOYSÉS MARCONDES


128

2. CURVAS PARA DETERMINAÇÃO DOS VALORES DEDUZÍVEIS DOS


DEFEITOS, CONFORME A NORMA DNIT 062/2004 – PRO

1- Fissura de Canto

Figura 66: Fissura de canto.

2- Defeito na Selagem de Juntas

Figura 67: Valores dedutíveis para defeitos na selagem de juntas.


129

3- Fissuras Lineares

Figura 68: Fissuras lineares.

4- Grandes Reparos

Figura 69: Grandes reparos existentes (> 0,45m²).


130

5- Desgaste Superficial

Figura 70: Desgaste superficial.

6- Fissuras de Retração Plástica

Figura 71: Fissuras de retração plástica.


131

7- Esborcinamento de Juntas

Figura 72: Esborcinamento de juntas.

8- Valores Dedutíveis

Figura 73: Curva para determinação do valor dedutível corrigido (VDC), para pavimentos de concreto.