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Universidade Estácio

Alessandra Karina dos Reis

Lesões e Doenças Musculoesqueléticas Relacionadas à Prática de


Handebol

Orientador: Prof. Alexandre Lopes Evangelista

CARUARU – PE
2019
Universidade Estácio

Alessandra Karina dos Reis

Lesões e Doenças Musculoesqueléticas Relacionadas à Prática de


Handebol

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Universidade Estácio
de Sá, como requisito básico para a
conclusão do Curso de Especialização
em Reabilitação de Lesões e Doenças
Musculoesqueléticas.

Orientador: Prof. Alexandre Lopes Evangelista

CARUARU – PE
2019
RESUMO

A prática do handebol provoca o esforço físico e, consequentemente,


provocando impactos e tensões em várias partes do corpo, podendo provocar
lesões ósseas e ligamentares. O presente artigo tem como objetivo realizar
através de revisão bibliográfica uma ampliação dos conhecimentos sobre a
ocorrência de lesões musculoesqueléticas com possíveis associações
relacionadas à prática de handebol masculino e feminino de nível amador,
principalmente aquelas que acometem o segmento corporal do ombro e que
podem ter como causa principal a carga excêntrica típica desse esporte, onde
os atletas chegam a realizar milhares de arremessos por temporada, com
velocidade que frequentemente ultrapassam os 100 km/h, envolvendo muita
energia nesse movimento, que por serem intensos e repetitivos, podem
ultrapassar o limite fisiológico dessa parte do corpo do atleta. O presente estudo
pretende colaborar para a construção de conhecimentos essenciais para os
treinadores e atletas de handebol na busca de condições adequadas de
treinamento e prevenção de lesões, contribuindo assim para o melhoramento do
esporte amador.

Palavras-chave: Lesões musculoesqueléticas, ombro, esporte, handebol.

SUMMARY

The practice of handball causes physical effort and, consequently, causing


impacts and tensions in various parts of the body, which can cause bone and
ligament injuries. The aim of this article is to carry out through literature review
an expansion of knowledge about the occurrence of musculoskeletal injuries with
possible associations related to the practice of amateur male and female
handball, especially those that affect the shoulder body segment and which may
have as their The main cause is the eccentric load typical of this sport, where
athletes make thousands of throws per season, with speeds that often exceed
100 km/h, involving a lot of energy in this movement, which are intense and
repetitive, can exceed the physiological limit. this part of the athlete's body. This
study aims to contribute to the construction of essential knowledge for handball
coaches and athletes in the search for adequate training conditions and injury
prevention, thus contributing to the improvement of amateur sport.

Keywords: Musculoskeletal injuries, shoulder, sport, handball

1.INTRODUÇÃO

O handebol começou a ser praticado em nosso país, quando foi


introduzido por imigrantes alemães que migraram após o final de I Guerra
Mundial para os estados do Sul e Sudeste devido às semelhanças de clima. A
partir da década de 1930, começou a popularizar-se no estado de São Paulo,
onde foi organizada a primeira competição com regras em um campo
improvisado no Esporte Clube Pinheiros e também foi aí que, em 26 de fevereiro
de 1940 se fundou a primeira entidade desse esporte, a Federação Paulista de
Handebol, tendo como primeiro presidente Otto Schemelling (TEIXEIRA;
HUDSON, 2005).

Somente a partir da década de 1960, quando o professor francês


Augusto Listello mostrou a professores de outros estados a forma didática desse
esporte, foi que passou a ser praticado em escolas de vários estados do Brasil,
sendo que, somente no ano de 1971 é que o Ministério da Educação e Cultura
(MEC), reconhecendo o crescimento da prática desse esporte nas escolas,
incluiu o handebol praticado com 7 jogadores entre as modalidades dos Jogos
Estudantis e Jogos Universitários Brasileiros (JEB’s e JUB’s).

Os recentes resultados obtidos pelo Brasil em diversos torneios pelo


mundo, e principalmente o Campeonato Mundial de Handebol Feminino de 2013,
fizeram com que o número de praticantes dessa modalidade esportiva tivesse
um aumento considerável nas escolas de todo o país. Com esse aumento do
número de novos atletas, vem a preocupação com as lesões.
O handebol exige do atleta habilidades além de qualidades físicas
vigorosas, sendo requisitado ao mesmo tempo força, habilidade,
coordenação e velocidade. Expondo o atleta a riscos de contusões
apesar de ser jogado com as mãos o que minimiza um pouco esses
índices (TEIXEIRA; HUDSON, 2005).

Na literatura médica revisada, o handebol figura como um dos


esportes de arremesso que apresentam lesões principalmente na região do
ombro. Essas lesões ocorrem principalmente devido o movimento do arremesso,
que predispõe essa parte do corpo a lesões, uma vez que um atleta chega a
realizar milhares de arremessos durante uma temporada, com velocidades que
frequentemente ultrapassam os 100km/h. Em um estudo realizado por Barreira1
(2006), em 30 atletas da categoria adulto de handebol masculino das equipes de
Blumenau e Itajaí, os locais de maior incidência de lesões foram: o ombro (23%)
e tornozelo (21%).

O objetivo do trabalho foi avaliar as principais causas das lesões


musculoesqueléticas sofridas por atletas de handebol na região do ombro, na
busca de uma metodologia de trabalho eficiente na prevenção de lesões por
“overtraining”2, bem como acompanhar o processo de reabilitação do atleta.

2. METODOLOGIA DO ESTUDO

A presente pesquisa foi realizada a partir de uma revisão da literatura


médica e acadêmica disponível sobre a ocorrência de algumas doenças e lesões
musculoesqueléticas que acometem os atletas de handebol. Escolhemos como
foco principal do nosso trabalho aquelas que ocorrem na região do ombro, por
essa articulação ser a responsável por vários movimentos fundamentais como o
arremesso, o passe e a finta que são realizados durante a prática do handebol
amador de ambos os sexos. Destacamos que quando abordamos o assunto das
lesões musculoesqueléticas no ombro, tratamos de enfatizar que o trabalho do

1
Barreira, Franciele. Lesões esportivas e perfil antropométrico em atletas de handebol (TCC
de Fisioterapia)- Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis,2006. p.92.
2
Overtraining é uma condição resultante de se fazer mais exercícios do que seu corpo é
capaz de se recuperar.
professor de Educação Física/Treinador de Handebol deve focar a
problematização e prevenção das mesmas, bem como a reabilitação do atleta.

Para verificar a incidência das lesões ligamentares ou traumáticas na


região do ombro que acometem os atletas de handebol utilizamos como fonte de
coleta de dados pesquisas bibliográficas em algumas obras literárias, revistas
especializadas, artigos acadêmicos e monografias disponíveis na internet. Para
a realização da mesma foram cumpridas as normas acadêmicas em
conformidade com a ABNT.

3.FATORES CAUSADORES DE LESÕES MUSCULOESQUELÉTICAS

Segundo Cohen e Abdalla3 (2003), as lesões musculoesqueléticas


que afetam os atletas de handebol apresentam 3 fatores causadores: fatores
pessoais, que abrangem idade, sexo, agilidade e coordenação; fatores da
modalidade, como o contato com outros atletas, equipamentos e certos
movimentos peculiares; e os fatores ambientais, que são a temperatura e o piso
da quadra.

Quanto à região de incidência das lesões, segundo os mesmos


autores, as que sofrem maior incidência são o joelho (35,9%), tornozelo (14,8%),
ombro (12%) e região lombar (7,65%), sendo que 31,6% dos atletas
apresentaram lesão crônica e a principal causa foi a tendinite.

As lesões no ombro do atleta podem ser: de natureza traumática,


quando há muito contato físico entre os atletas; e atraumática, quando é um
esporte de pouco ou nenhum contato físico entre os atletas e, nesse caso, as
lesões são causadas principalmente por sobrecarga de treinamentos. No caso
do handebol, por ser um esporte em que o atleta realiza grande quantidade de
arremessos e fintas e também é um jogo em que há contato direto entre os

3
Cohem M, Abdalla RJ. Lesões nos esportes – Diagnóstico, prevenção e tratamento –São
Paulo, Ed. Revinter 2003.
atletas, uma vez que nos movimentos de arremesso pode haver o seu bloqueio
ou “travamento”, podem ocorrer as duas situações causadoras de lesões, que
podem ser tanto traumáticas como atraumáticas (COHEN; ABDALLA, 2003).

Devido o handebol, mesmo quando praticado a nível amador, ser


considerado um esporte de alta intensidade por exigir do atleta explosão
muscular em um curto intervalo de tempo e espaço e também por ser um esporte
de contato físico que envolve força, velocidade, movimentos bruscos de giro,
saltos e aterrisagens em uma só perna, é considerado um dos mais propensos
a causar lesões em seus praticantes (TEIXEIRA; HUDSON, 2005).

O acometimento de dores no ombro provocadas por lesões ou


inflamações, é uma queixa recorrente entre os atletas de handebol e podem
causar limitações funcionais. Por ser uma das articulações mais complexas de
nosso corpo, sendo a que apresenta maior grau de amplitude de movimento, é
muito exigida nesse esporte, principalmente por ser a responsável pelos
movimentos que apresentam maior plasticidade e beleza do handebol, que são
os movimentos de arremesso e finta. Segundo pesquisa realizada no site da
Revista Brasileira de Ortopedia, as lesões que incidem com mais frequência na
região do ombro dos atletas de handebol são:

3.1 Lesões no grupo muscular chamado manguito rotador4.

Essas lesões não apresentam, na maioria das vezes, causas e


sintomas bem definidos, o que pode dificultar o diagnóstico e a reabilitação do
atleta, mas principalmente os movimentos decorrentes da sobrecarga
excêntrica, principalmente os movimentos repetitivos realizados acima da
cabeça, como os arremessos, podem ser apontados como responsáveis por
esse tipo de lesão. Nesse grupo de músculos, além das lesões podem ocorrer

4
Manguito rotador- Grupo muscular que auxiliam principalmente nos movimentos rotacionais do
ombro.
inflamações dos tendões, também causadas por movimentos repetitivos que
causam dores e podem incapacitar temporariamente o atleta. O rompimento dos
tendões é raro, mas pode ocorrer.

3.2 Luxações5

Esse tipo de lesão pode ocorrer devido um contato violento entre os


atletas ou objeto sólido. Também pode acontecer por movimentação abrupta e
violenta do ombro.

3.3 Subluxações6

Lesões que podem ocorrer por impacto direto no ombro, queda sobre
o braço estendido ou esforço extenuante do braço em posição inadequada.

3.4 Distensão muscular7

No ombro pode ocorrer a distensão dos músculos bíceps braquial 8 e


peitoral9. Esse tipo de lesão apresenta como causas principais os movimentos
abruptos ou grande exigência física imposta ao músculo, causando dores,
edemas, provocados por uma ruptura parcial de suas fibras.

5
A luxação ocorre quando a porção superior do úmero se desloca para fora da cavidade glenoidal
da escápula.
6
Uma subluxação ocorre quando a cabeça do úmero desliza parcialmente para fora da cavidade da
escápula.
7
Extensão súbita do músculo de uma articulação além de sua amplitude funcional normal, causando lesão
ao músculo e outras partes moles.
8
Músculo do braço que tem as funções de flexionar o cotovelo e girar o antebraço.
9
Músculo peitoral é o maior e mais superficial da caixa torácica, é o responsável pelo movimento adutor
e rotador interno do ombro.
3.4 Bursite10

Inflamação de uma espécie de bolsa, chamada de “bursa”, localizada


na região do ombro, entre o osso da porção superior do úmero 11 e o acrômio12,
causada por uso excessivo dessa articulação em atividades de arremesso ou
queda sobre o braço estendido.

4. PREVENÇÃO DAS LESÕES DO OMBRO

A sabedoria popular diz que “é melhor prevenir que remediar”, embora


isso seja verdade, grande parte das pessoas não utilizam métodos de prevenção
das lesões. Sabemos que no handebol é comum os atletas se lesionarem devido
ser um esporte de contato e que exige vigor físico, onde o ombro por ser uma
articulação muito exigida, as lesões nessa parte do corpo são bastante
frequentes, causando dores e chegando em muitos casos, a uma situação de
incapacidade do atleta para a prática do esporte que pode ser de curta ou longa
duração.

A prevenção é a maneira mais eficiente para se evitar as lesões. Os


estudos mostram que o trabalho de fortalecimento muscular localizado é a
maneira ideal de prevenir as lesões dos atletas, é nesse momento que entra em
cena a figura do educador físico ou do treinador como o profissional que pode
evitar essas lesões ou minimizar seus efeitos danosos. Esse profissional
especializado é o responsável pelo planejamento dos treinos e exercícios
específicos necessários não só para a execução correta dos movimentos, mas
também para o fortalecimento dos músculos e articulações envolvidas nos
movimentos.

10
Bursite- inflamação da Bursa, pequena bolsa contendo líquido que envolve as articulações, funcionando
como amortecedor entre ossos, tendões e tecidos musculares.
11
Úmero é o maior osso do braço.
12
Acrômio é uma proeminência óssea da escápula, localizada na parte superior do ombro.
Porém, para conseguir o resultado esperado, esse trabalho de
fortalecimento muscular necessita de uma avaliação prévia dos atletas e um
planejamento de longo prazo, baseado em um programa de condicionamento
físico que privilegie a inclusão de movimentos funcionais, sempre exigindo um
equilíbrio dos músculos envolvidos (SILVA 2013).

O treinador deve dispor de um acompanhamento nutricional de seus


atletas. A literatura médica mostra que a ingestão excessiva de proteínas de
origem animal provoca em nosso organismo o aumento nas taxas de ácido úrico
e ureia, que associada com a prática de exercícios potencializam o surgimento
de lesões ou estresse muscular (DANTAS, 1998).

Segundo Dantas (1998), cabe ao treinador a responsabilidade na


prevenção de lesões por sobretreinamento (“overtraining”) e na quantificação
desses exercícios, juntamente com uma equipe multidisciplinar, pois há
situações em que se necessita de avaliações de profissionais da área de saúde.
É primordial que esses exercícios sejam supervisionados por um profissional da
área, para que sejam realizados com progressão gradual de intensidade e carga,
sempre respeitando os limites fisiológicos do atleta, melhorando assim seu
desempenho e possibilitando altos níveis de performance e consequentemente,
diminuindo as chances de afastamento do mesmo devido lesões.

O bom treinador não se limita, unicamente, a acompanhar


o treinamento. Na verdade, ele procura, a todo momento, conhecer seu
atleta, o mais intimamente possível, como se estivesse dentro dele.
Dessa forma, será o treinador o primeiro a perceber as alterações
assintomáticas ocorridas no atleta, indicando que está num processo
de sobretreinamento. (DANTAS, 1998, p. 47)

A execução de um planejamento visando o fortalecimento muscular


na pré-temporada através de exercícios de força, flexibilidade e resistência
cardiovascular em uma etapa anterior ao aumento da intensidade das cargas de
treinamento é essencial para reduzir o acometimento de lesões em qualquer
parte do corpo.
A carga de treinamentos deve ser adequada ao perfil dos atletas,
devendo ser planejada por uma comissão técnica multidisciplinar, composta
também por profissionais da área médica, para que se possa fazer as avaliações
necessárias para a dosagem dos exercícios da equipe. A dosimetria dos
exercícios é de suma importância para o sucesso do planejamento, pois se for
de uma intensidade abaixo da considerada ideal, não surtirá o efeito desejado.
Se for uma carga muito acima da capacidade fisiológica dos atletas, poderá
causar lesões e fadigas musculares por “overtraining”. A carga e intensidade dos
exercícios de fortalecimento precisam seguir uma sequência, onde vai
aumentando gradualmente a resistência muscular e consequentemente, o
rendimento dos atletas.

Tipos de lesões

Overtraining Lesões Traumáticas

Fonte: Anuário da Produção Acadêmica Docente • Vol. II, Nº. 3, Ano 2008 • p. 233-239

A tabela acima, mostra os dados de uma pesquisa com 35 atletas


amadores na categoria adulto masculino, com idade média de 22 anos, onde
cerca de 40% deles sofreram algum tipo de lesão, que em sua maioria foi por
overtraining.

No trabalho de prevenção de lesões, é importante a atuação do


fisioterapeuta esportivo, pois é ele quem deve orientar o técnico e os atletas
sobre quais exercícios ou movimentos devem ser realizados, bem como adequar
a postura e também quais são os exercícios que devem ser evitados para se
evitar lesões, sejam elas traumáticas ou atraumáticas.

A fisioterapia desportiva se diferencia das outras áreas onde


o tratamento tem que ser muito rápido e efetivo, pois o atleta mais do
que ninguém, tem que voltar a executar todas as atividades do seu
corpo de alta intensidade com alta performance onde é normalmente
posto em alto estresse músculos, tendões, articulações e ossos em
suas atividades esportiva diária, no máximo de potência e amplitude
para execução perfeita de todos os movimentos (PARREIRA, 2007).

5. RECUPERAÇÃO DAS LESÕES DO OMBRO

Hoje o handebol é segundo esporte com maior índice de lesões


devido as suas demandas físicas, técnicas e táticas precisaria fazer um estudo
sistematizado das principais lesões, e os seus principais fatores de riscos como:
características pessoais, equipamentos e modelos de treinamento (ALMEIDA et
al., 1999).

O handebol é um esporte de alta intensidade de pura


explosão muscular em um curto intervalo de tempo exigindo dos atletas
um ótimo condicionamento físico. Mas em nosso país tem-se pouco
estudo na área, com isso os atletas não se preparam de forma
adequada tendo queda de rendimento nos treinos e em jogos (SOUZA
et al., 2001).

Também é verdade que mesmo que o treinador faça um bom


planejamento e os atletas façam uma preparação física adequada, muitas vezes,
o surgimento de lesões é inevitável, uma vez que os movimentos realizados pelo
atleta, o contato físico e as quedas podem causar lesões com efeitos
incapacitantes. A ocorrência de uma lesão esportiva é decorrente da inter-
relação entre atleta e o esporte praticado levando a uma sobrecarga do aparelho
locomotor isso sendo variável de cada organismo fisiológico em recuperar o
estresse físico imposto não instalando um processo patológico (PARREIRA,
2007).

A escassez de informações e estudos científicos sobre a recuperação


de lesões no ombro em atletas de handebol é um complicador para que o
profissional de Educação Física possa atuar na recuperação do atleta. Esse
trabalho de recuperação do atleta deve ser feito por uma equipe multidisciplinar
com a participação de profissionais de outras áreas, porém, nesse caso, o
trabalho do fisioterapeuta assume maior relevância.
Espera-se que o profissional de Educação Física seja capacitado e
apto para intervir prontamente quando algum atleta se lesiona. Segundo Dantas
(1998) “por melhor que fosse o técnico, ele nunca teria condições de executar
todas as atividades, nem teria todos os conhecimentos necessários à
consecução do treinamento”. Como dissemos anteriormente, o treinador precisa
contar com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, como por exemplo médico,
fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo e outros, formando uma comissão técnica.

Para Fontana (1999), os aspectos preventivos devem ser encarados


como prioridade para os profissionais da área de fisioterapia esportiva, pois o
número de pessoas que querem se beneficiar da prática esportiva, da indicação
terapêutica e da necessidade de aumentar a longevidade dos atletas, precisam
de uma atenção maior.

Apenas o profissional médico é a pessoa indicada para realizar o


diagnóstico correto sobre a extensão e gravidade de uma lesão
musculoesquelética. A partir do diagnóstico, o terapeuta esportivo vai trabalhar
visando a recuperação total do atleta, proporcionando que ele volte a rotina
esportiva o mais rápido possível. O recomendado pela maioria dos profissionais
é que o trabalho de recuperação das lesões deve começar fazendo-se
movimentos com baixa intensidade e pouco ou nenhum impacto. Atualmente, as
bandagens funcionais são um dos recursos mais eficientes que são utilizados na
área esportiva para evitar traumas, mas também auxiliam no tratamento
fisioterapêutico e na recuperação de lesões, uma vez que permitem a
compressão, imobilização e estabilização muscular, proporcionando a correta
direção dos movimentos e alívio do estresse (CAMPOS et al., 2006)..

Para Buceta (1996) apud Boarretto (2015), algumas lesões


musculares mais graves e que demandam maior tempo de recuperação podem
afetar também o bem-estar econômico e psicológico não só dos atletas
lesionados, mas de todos os envolvidos no esporte. Nos últimos anos surgiram
vários trabalhos científicos que reconhecem que as causas primárias das lesões
são fisiológicas, mas que fatores psicológicos também podem contribuir para a
ocorrência de lesões nos atletas. Estudos mostram que as lesões podem causar
nos atletas consequências negativas que podem afetar o seu bem-estar
psicológico, chegando a afetar sua saúde mental. Também existem alguns
estudos que mostram que atletas que apresentam baixa autoestima, estresse ou
com níveis elevados de ansiedade demoram mais a se recuperar de lesões.

Mas também é verdade que os fatores psicológicos também podem


contribuir para uma recuperação mais rápida das lesões, pois o tratamento físico
e médico, complementado com estratégias psicológicas com finalidades
terapêuticas que motivem e aumentem a autoconfiança podem facilitar e
acelerar recuperação do atleta lesionado. O suporte emocional ao atleta
lesionado durante o processo de reabilitação é tão importante quanto o
tratamento fisioterapêutico, pois assim ele sente-se confiante e poderá lidar de
maneira mais adequada com sua recuperação.

A importância da investigação dos fatores psicológicos na


recuperação do atleta, justifica a inclusão do psicólogo na comissão técnica, pois
este profissional pode contribuir para a eficácia e rapidez da reabilitação.

“Garantir ao atleta a sensação de controle do processo de recuperação


é fundamental para evitar que respostas depressivas sejam instaladas, como
perceber que a lesão ou a dor o limitam e que elas ‘comandam’ suas possibilidades
de ação”. (MARKUNAS, 2005, apud Boarretto 2015)

Outro profissional que é frequentemente ignorado nos esportes


amadores, mas que pode desempenhar um papel importantíssimo na prevenção
e também no tratamento das lesões é o nutricionista. Em artigos disponíveis no
Portal da Educação Física, podemos perceber a importância dos nutrientes
presentes nos alimentos e sua capacidade para auxiliar a reparação dos danos
musculares. Porém, necessitamos de uma quantidade adequada às
necessidades de cada atleta, pois cada tipo de lesão pode exigir uma proteína
específica para que se possa reduzir significativamente o tempo de recuperação.
É esse profissional que pode elaborar uma dieta capaz de suprir as
necessidades energéticas e proteicas do atleta lesionado, de forma que otimize
a sua reabilitação.
5. CONCLUSÃO

Em um esporte com as características do handebol que requer


explosão muscular e vigor físico e, por ser também uma modalidade em que
ocorre frequentemente o contato físico entre os atletas, com impactos em várias
partes do corpo, infelizmente, as lesões em seus diferentes graus de gravidade,
são infortúnios que não podemos evitar completamente, tanto nos treinos como
nas competições. Concluímos que as lesões na região do ombro figuram entre
as que mais acometem os praticantes de handebol.

O treinador, por melhor que seja, não tem condições de executar


sozinho todas as tarefas necessárias à consecução do treinamento, pois é
humanamente impossível que ele domine todos os conhecimentos que
envolvem não só a prática do handebol como qualquer outro desporto. Por isso,
é necessário que ele conte com a ajuda de uma comissão técnica, com
profissionais de diversas áreas. Essa comissão técnica pode e deve elaborar um
planejamento onde conste programas com treinamentos preventivos com
fortalecimento muscular e correta execução dos movimentos, para que assim o
número de lesões diminua consideravelmente.

A função de avaliar a gravidade e as consequências de uma lesão é


tarefa dos profissionais da área médica, que junto com o fisioterapeuta e também
o psicólogo, devem traçar a melhor estratégia para possibilitar aos atletas de
forma segura e no menor espaço de tempo possível, seu retorno à prática do
esporte.

O treinador tem a função de liderar e coordenar uma comissão técnica


multidisciplinar. Porém, em nosso país, os esportes amadores não contam com
uma estrutura de logística que possa disponibilizar esses profissionais e por isso
todas as responsabilidades recaem sobre esse profissional, que é forçado a
acumular as funções e resolver todos os problemas de sua equipe. Além da falta
de pessoal qualificado, não podemos deixar de citar as péssimas condições de
muitas quadras, onde o piso irregular também é um fator de risco para os atletas.
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