Você está na página 1de 32

UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA

INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE ARTE, CULTURA E HISTÓRIA

NÚCLEO DE PESQUISAS SOBRE ENSINO E


DE PRÁTICAS EDUCATIVAS INTERCULTURAIS

Foz do Iguaçu
2016
INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE ARTE, CULTURA E HISTÓRIA

NÚCLEO DE PESQUISAS SOBRE ENSINO E


DE PRÁTICAS EDUCATIVAS INTERCULTURAIS

Projeto de criação do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino e


de Práticas Educativas Interculturais do Instituto Latino-
Americano de Arte, Cultura e História (ILAACH), da
Universidade Federal da Integração Latino-Americana
(UNILA), apresentado ao Centro Interdisciplinar de
Antropologia e História (CIAH), ao Centro
Interdisciplinar de Letras e Artes (CILA), ao Conselho do
Instituto (CONSUNI) e à representação discente, como
integrante do conjunto de documentos da Política de
Gestão Interna do ILAACH

Foz do Iguaçu
2016
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Josué Modesto dos Passos Subrinho


Reitor Pro Tempore

Nielsen de Paula Pires


Vice-Reitor Pro Tempore

Eduardo de Oliveira Elias


Pró-Reitor de Graduação – PROGRAD

Ângela Maria de Souza


Pró-Reitora de Extensão – PROEX

Fernando Cesar Vieira Zanella


Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação – PRPPG

Edson Carlos Thomas


Pró-Reitor de Administração, Gestão e Infraestrutura – PROAGI

Caetano Carlos Bonchristiani


Pró-Reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças – PROPLAN

Paulo Cesar do Nascimento


Pró-Reitor de Assuntos Estudantis – PRAE

Luis Evelio Garcia Acevedo


Pró-Reitor de Relações Institucionais e Internacionais – PROINT

Thiago Cesar Bezerra Moreno


Pró-Reitor de Gestão de Pessoas – PROGEPE

Anderson Antônio Andreatta


Secretário de Comunicação Social – SECOM

Fernanda Sotello
Secretário de Apoio Científico e Tecnológico – SACT

Cleofas Berwanger
Secretário de Implantação do Campus – SECIC

Gerson Galo Ledezma Meneses


Diretor do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História

Autora
Solange Rodrigues Bonomo Assumpção (Pedagoga – ILAACH)

Leitores críticos
Prof. Dr. Gerson Galo Ledezma Meneses (ILAACH)
Prof. Dra. Mário Ramão Villalva Filho (ILAACH)
Profa. Dra. Ana Paula Araújo Fonseca (Cátedra Paulo Freire)
Profa. Ms. Cleusa Gomes da Silva (ILAACH)
Profa. Dra. Danielle Michelle Moura de Araujo (ILAACH)

Colaboração
Beatriz de Arruda Dias (Departamento de Informações Institucionais – DII)
Ivânia Ferronato (Reitoria)
Wallace A. Ribeiro da Silva (Departamento de Informações Institucionais – DII)
Wender Silveira Freitas (Antropólogo – Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis – PRAE)
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
Estes que-fazeres se encontram um no corpo do outro.
Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando.
Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e
me indago. Pesquiso para constatar constatando,
intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para
conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou
anunciar a novidade.
(FREIRE, 1996, p. 32)
LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 – Ingressantes e evadidos da UNILA – Cursos de Graduação (2010-2015) .... 11


GRÁFICO 2 – Ingressantes e evadidos, por Instituto – Cursos de Graduação (2010-2015) 12

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 – Fatores que comprometem o desenvolvimento acadêmico, na perspectiva


de estudantes de Graduação ………………………………………………………………... 13
TABELA 2 – Ingressantes e evadidos – Cursos do ILAACH (2010-2015) ……………... 15
TABELA 3 – Ingressantes e evadidos, por ano – Cursos do ILAACH (2010-2015) ……… 15

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 – Encontros de avaliação e planejamento do Núcleo ………………………... 26


QUADRO 2 – Plano de Execução do Projeto do Núcleo …………………………………. 30
LISTA DE SIGLAS

CIAH – Centro Interdisciplinar de Antropologia e História -


CILA – Centro Interdisciplinar de Letras e Artes -
CPA – Comissão Própria de Avaliação
DII – Departamento de Informações Institucionais
ILAACH – Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História
ILACVN – Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e da Natureza
ILAESP – Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política
ILATIT – Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território
IRA – Índice de Rendimento Acadêmico
MEC – Ministério da Educação
PRAE – Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis
PROAGI – Pró-Reitoria de Administração, Gestão e Infraestrutura
PROEX – Pró-Reitoria de Extensão – PROEX
PROGEPE – Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas
PROGRAD – Pró-Reitoria de Graduação
PROINT – Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais
PPC – Projetos Pedagógicos de Curso
PROPLAN – Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças
PRPPG – Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
SECOM – Secretaria de Comunicação Social
SIGAA – Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas
UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana
ZDE – Zona de Desenvolvimento Efetivo
ZDP – Zona de Desenvolvimento Proximal
SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO ……………………………………………………………….. 08

2 JUSTIFICATIVA DESTE PROJETO ……………………………………....….. 10

3 O NÚCLEO E SUAS FINALIDADES …………………………………...…….. 17

4 CONCEPÇÃO NORTEADORA DAS AÇÕES DO NÚCLEO …….…...…….. 20

5 PROCESSO DE AUTORREGULAÇÃO DO NÚCLEO ………..……..……… 26

6 CONDIÇÕES DE TRABALHO E RECURSOS NECESSÁRIOS ………....… 28


6.1 A dimensão dos sujeitos ……………………………………………….…..…... 28
6.2 A dimensão dos espaços ……………………………………………….…..…... 28
6.3 A dimensão dos tempos …………………………………………………...…… 29

7 PLANO DE EXECUÇÃO ……………………………………………………….. 30

REFERÊNCIAS ………………………………………………………............……. 31
1 APRESENTAÇÃO

O Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História (ILAACH) é a unidade acadêmica


da Universidade Federal da Integração Latino-Americana que responde pela gestão administrativa e
acadêmica dos cursos de graduação em Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana;
Cinema e Audiovisual; História – Licenciatura; História da América Latina; Letras, Artes e
Mediação Cultural; Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras; e Música, bem como
dos Programas de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos e em Literatura
Comparada.

Em sua estrutura atual, encontram-se a Direção do Instituto, os Centros Interdisciplinares –


de Antropologia e História, e de Letras e Artes – e as Coordenações de Cursos, com competência
acadêmica própria para o planejamento, a organização e a execução de atividades de ensino,
pesquisa e extensão, em regime de cooperação com outras unidades administrativas da UNILA e de
outros Centros congêneres da Universidade. Além disso, o ILAACH conta com um Departamento
Administrativo e uma Secretaria Acadêmica, para o desenvolvimento de atividades administrativas
afins.

Estudos e debates recentes, realizados no interior do ILAACH1, fazem emergir a demanda


por um lócus de pesquisas sobre o ensino e de fomento de práticas educativas que, segundo uma
abordagem intercultural e a partir de dados sobre a realidade objetiva do Instituto, contribua para o
enfrentamento de desafios da vida acadêmica pelos docentes, técnico-administrativos e discentes, a
exemplo da evasão discente, da retenção dos estudantes para além do período regular dos cursos,
da intolerância à diferença e à diversidade, do assédio, da compreensão da cultura acadêmica, entre
outros.

Na consecução desse objetivo, emerge, como resposta a essa demanda concreta, a criação do
Núcleo de Pesquisas sobre Ensino e de Práticas Educativas Interculturais do ILAACH, buscando
promover um movimento dinâmico de pensar a Universidade e o próprio Instituto, pela via do
trabalho coletivo, da atenção ao ser/estar/fazer dos atores do Instituto Latino-Americano de Arte,
Cultura e História, das parcerias com as diferentes instâncias da UNILA – a Reitoria, as Pró-
Reitorias, a CPA, a Ouvidoria etc. – e, quando necessário, fora dela, como o Centro de Direitos
Humanos e Memória Popular, o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de

1Ressalte-se a atuação das professoras Danielle Michelle Moura de Araújo, Laura Janaína Dias Amato e Maria Eta Viei-
ra.

Página | 8
Violência, a Casa do Migrante de Foz do Iguaçu, entre outros.

Nas próximas seções, dedicadas ao detalhamento do sentido e das atividades do Núcleo,


buscar-se-á explicitar:

- o cenário atual de evasão e retenção discente do Instituto, de modo sintético;


- a composição do Núcleo e suas competências;
- as bases teóricas que nortearão a tomada de decisão sobre pesquisas e ações a serem
desenvolvidas;
- os recursos necessários ao seu funcionamento e às suas atividades.

Cabe destacar, por fim, que este projeto precisa ser concebido como “em construção”, pois
compreende-se que retomadas são sempre necessárias, em razão da dialética entre teoria e prática,
ou seja, da práxis. Por isso, a pretensão é a de que este documento constitua uma diretriz
norteadora, sujeita à problematização e revisão por parte dos sujeitos que constroem efetiva e
cotidianamente o Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História.

Página | 9
2 JUSTIFICATIVA DESTE PROJETO

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), desde sua criação,


pela Lei nº 12.189, de 2010, canaliza esforços na direção da integração latino-americana, com vistas
ao desenvolvimento regional e o intercâmbio cultural, científico e educacional de países integrantes
do Mercosul e demais países da América Latina.
A efetividade dessa missão, em alguma medida, pode ser avaliada pelo êxito no processo de
formação de profissionais de diferentes áreas de conhecimento que, aliada à perspectiva
educacional intercultural, pode resultar em relações de cooperação mais solidárias no
desenvolvimento de setores considerados estratégicos pelos países envolvidos.
Na direção contrária disso, a evasão2 dos que ingressam na Universidade, pela interrupção
de seu ciclo de estudos, traz consequências econômicas, sociais e humanas danosas a todos os
envolvidos no processo: aos estudantes e às suas famílias, às instituições de ensino, à sociedade e
aos países implicados, como destaca Silva (2012, p. 30-31).
No âmbito da UNILA, a análise dos dados de evasão, no período de 2010 a 2015, de acordo
com dados fornecidos pelo Departamento de Informações Institucionais da Pró-Reitoria de
Graduação (DII/PROGRAD) causa preocupação e exige mobilização para a sua reversão: 32,6%
(1.006 estudantes) em relação ao número total de matriculados (3.086 discentes) nesse espaço de
tempo.
A despeito de tratar-se de uma Universidade jovem e em processo de consolidação, fatores
que não podem ser ignorados, trata-se de um percentual elevado, se comparado ao que se encontra
informado pelo Ministério da Educação (MEC), no censo de 2010: o índice de evasão geral das
universidades públicas brasileira corresponde a 13,2% (UNILA, 2016, p.5).
É preciso observar, no entanto, que há tendência de redução da taxa de evasão da UNILA,
como consta no gráfico a seguir.

2De acordo com a Comissão Especial de Estudos sobre Evasão nas Universidades Públicas, considera-se evasão como
sendo a “saída de um estudante de determinado curso sem sua conclusão” (ANDIFES, 1996, p.17), podendo dar-se pelo
abandono do curso, da instituição ou do sistema de ensino.

Página | 10
GRÁFICO 1 – Ingressantes e evadidos da UNILA – Cursos de Graduação (2010-2015)

1400
1300

1200

1000
2010
2011
2012
800 761756
2014
2015
600
510

400
298
262
206 210
200 162
85

0
Ingressantes/Ano Evadidos/Ano

Fonte: UNILA/DII, 2016.

Essa tendência de redução da taxa de evasão, verificada a partir dos anos de 2014 e 2015,
ainda pode não ser confirmada devido à incerteza do que ocorrerá com os estudantes que
ingressaram no ano de 2015, o que exige o acompanhamento da série histórica de permanência (ou
não) desses discentes na UNILA.
Na continuidade da análise da evasão discente, encontra-se uma variação do percentual de
evasão geral entre os quatro Institutos Latino-Americanos da Universidade: de 27,72% a 38,42%,
sendo o ILAACH aquele em que se observa o maior número de evadidos, como se explicita no
Gráfico 2.

Página | 11
GRÁFICO 2 – Ingressantes e evadidos, por Instituto – Cursos de Graduação (2010-2015)

1400

1200

1000 249
249

800 262
205
Evadidos
600 Ingressantes

898
400 832
676 680

200

0
ILACVN ILAESP ILATIT ILAACH

30,32% 27,72% 29,92% 38,52%

Fonte: UNILA/DII, 2016

Esse cenário ratifica a necessidade de pesquisas que qualifiquem as motivações desses


números e o perfil diferenciado dos estudantes que para ali afluem, a fim de subsidiar planos de
ação específicos para a redução da evasão discente, a elevação das condições de ensino nos
Institutos Latino-Americanos e a permanência estudantil, como consequência.
Nesse sentido, cabe destaque ao estudo realizado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis -
PRAE (ASSUMPÇÃO e FREITAS, 2016), no ano de 2014, junto a discentes com Índice de
Rendimento Acadêmico inferior a 5. Após entrevistas individuais com 36 estudantes 3, a equipe
técnica elencou diferentes fatores que, na avaliação dos próprios estudantes, comprometem o seu
desenvolvimento acadêmico e podem sugerir elementos para pensar as causas da evasão na UNILA,
tal qual se depreende da Tabela 1.

3 Dentre os 36 estudantes entrevistados, havia 7 discentes de nacionalidade brasileira e 29 não brasileiros, sendo 13
paraguaios, 6 bolivianos, 5 argentinos, 2 colombianos, 2 peruanos e 1 venezuelano. Os discentes foram avaliados como
socioeconomicamente vulneráveis, por isso recebiam auxílios de assistência estudantil.

Página | 12
TABELA 1 – Fatores que comprometem o desenvolvimento acadêmico,
na perspectiva de estudantes de graduação

Freq. Freq.
Categorias Justificativa parcial Total
Experiência escolar Dificuldade em determinados componentes, por falta de
11 11
anterior base na Educação Básica
Falta de identificação com seu Curso; Insatisfação com o
11
Curso
Projetos de cursos e
Mudança de objetivo inicialmente proposto pelo Curso;
sua implementação 05 18
Sucessivas mudanças na Matriz Curricular de seu curso
na UNILA
Falta de articulação entre os docentes; Estranhamento da
02
fragmentação disciplinar curricular
Problemas familiares graves: desemprego, doenças, drogas,
08
falecimento etc.
Relações com a
Conflitos familiares com a opção de curso e com a 19
família 09
orientação sexual; Dinâmica familiar conflituosa
Saudades da família 02
Saúde física e Adoecimento físico 04
08
mental Adoecimento psicológico 04
Escassez de recursos financeiros para manter-se na
05
UNILA; Falta de acesso a computador e/ou internet
Vulnerabilidade Dificuldade para conciliar estudo e trabalho 03 11
econômica
Acesso limitado aos materiais de estudo 02
Necessidade de mudança de moradia 01
Timidez, isolamento e/ou solidão 04
Dificuldade para conciliar estudo e relacionamento
Relações cotidianas 02 07
amoroso
Problemas de relacionamento no local de moradia 01
Dificuldades de ordem linguística: língua nativa diferente
das oficializadas pela UNILA, ausência de material de 05
estudo bilíngue, aulas monolíngues etc.
Comunicação institucional pouco eficiente: informações
Dificuldades incompletas e/ou equivocadas sobre os procedimentos 04
acadêmicos; Comentários depreciativos sobre o estudante 16
institucionais
Tentativas frustradas de reopção de curso 03
Greve na UNILA, gerando desmotivação; Falta de
organização institucional nos primeiros anos de 04
funcionamento

Página | 13
Freq. Freq.
Categorias Justificativa parcial Total
Metodologia de ensino pouco eficaz por parte dos
professores; Falta de esclarecimento sobre o sentido e/ou
aplicação de determinados componentes curriculares; Falta
09
de planejamento das aulas e da correção de exercícios, por
parte de docente; Falta de experiência profissional na área
do curso
Ansiedade nos momentos de prova; Ansiedade, medo e/ou
desânimo frente a sucessivas reprovações e/ou notas
baixas; Incompreensão dos resultados das avaliações, o que 10
dificulta a revisão dos “erros”; Volume excessivo de leitura;
Avaliações que não retratam o que foi estudado nas aulas
Dificuldade para apreender o conteúdo ensinado em sala de
Processo de ensino- aula; Baixa autoestima e/ou pouca confiança em si mesmo 06
39
aprendizagem
Estímulo a um alto nível de competitividade entre os
estudantes, o que gera intimidação para expressar dúvidas;
Postura de disputa (de saber/de poder) entre docentes e
estudantes; Assédio e/ou bulling ao estudante, pelas notas 08
baixas, por parte de professores e colegas; Postura não
dialógica dos professores; Divergência ideológica dos
professores do curso
Monitorias pouco produtivas: horários inadequados, falta
03
de metodologia, de foco etc.
Excesso de matrículas por falta de orientação;
Inconsistência de conteúdos nos componentes, de acordo 03
com as ementas;
Dificuldade com a regularização de documentação 01
Acomodamento à
Dificuldade de adaptação à cidade 01 03
vida universitária
Dificuldade de adaptação à Universidade 01
Violência doméstica; Violência de gênero; Violência e
perseguição policial; Violência física sofrida; Assassinato 07
Violência e assédio ou surto de colega(s) 09
Assédio sexual por parte de docente 01
Xenofobia 01
TOTAL DE RESPOSTAS 141

Fonte: ASSUMPÇÃO; FREITAS, 2016.

As motivações acima apresentadas pelos estudantes revelam a complexidade do fenômeno


da permanência estudantil na UNILA e desafiam a comunidade acadêmica a problematizar o
processo de idealização do discente do ensino superior, considerando também o fato de que a
Página | 14
conclusão desse ciclo de estudos envolve uma visão multidimensional do ser/estar na Universidade
e ações pontualmente direcionadas para etapas formativas distintas: ingresso, desenvolvimento do
curso, conclusão e formação continuada.
Por fim, direcionando o foco de atenção para o interior do ILAACH, de 2011 a 2015,
identifica-se também uma variação do percentual de evasão entre os diferentes cursos de graduação:
de 27,72% a 38,52%, segundo dados das próximas tabelas.

TABELA 2 – Ingressantes e evadidos – Cursos do ILAACH (2010-2015)


Vagas preenchidas N° TOTAL % TOTAL N° TOTAL
CURSOS (novas e remanescentes /
EVASÃO UNILA EVASÃO UNILA EVASÃO CURSO
cotas e ampla concorrência)
ANTROPOLOGIA – DIV.
CULTURAL LATINO- 175 64 32,60% 36,57%
AMERICANA
CINEMA E AUDIOVISUAL 154 36 32,60% 23,38%
HISTÓRIA 36 11 32,60% 30,56%
HISTÓRIA - AMÉRICA
LATINA 149 68 32,60% 45,64%
LETRAS - ARTES E MED.
CULTURAL 138 49 32,60% 35,51%
LETRAS - EXPRESSÕES LIT.
E LINGUÍSTICAS 25 13 32,60% 52,00%
LETRAS – ESPANHOL E
PORTUGUÊS 43 7 32,60% 16,28%
MÚSICA 70 14 32,60% 20,00%
TOTAL 680 262 32,6% 38,53%

Fonte: UNILA/DII, 2016

TABELA 3 – Evadidos, por ano - Cursos do ILAACH (2010-2015)

CURSOS 2010 2011 2012 2014 2015 TOTAL


ANTROPOLOGIA - DIVERSIDADE
CULTURAL LATINO-AMERICANA 0 18 22 15 9 64
CINEMA E AUDIOVISUAL 0 0 14 14 8 36
HISTÓRIA 0 0 0 0 11 11
HISTÓRIA - AMÉRICA LATINA 0 18 27 16 7 68
LETRAS - ARTES E MEDIAÇÃO
CULTURAL 0 3 19 24 3 49
LETRAS - EXPRESSÕES LITERÁRIAS
E LINGUÍSTICAS 0 13 0 0 0 13
LETRAS – ESPANHOL E PORTUGUÊS 0 0 0 0 7 7
MÚSICA 0 0 7 5 2 14
TOTAL 0 52 89 74 47 262

Fonte: UNILA/DII, 2016

Página | 15
As Tabelas 2 e 3 revelam uma elevação na evasão discente em 2012 e 2014, com maior
proporção nos cursos de Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana, História –
Licenciatura e Letras – Expressões Literárias e Linguísticas, em processo de encerramento.
Entende-se que esses dados preliminares, associados ao estudo de outras categorias de
análise (gênero, nacionalidade, etnia, cota, entre outros), à luz das especificidades de cada curso,
pode revelar aspectos importantes para os diversos coletivos do ILAACH, o que, novamente,
justifica a criação do Núcleo como espaço de articulação de pesquisas e de atividades que confluam
para a consecução da missão da UNILA e dos objetivos de formação acadêmica do Instituto Latino-
Americano de Arte, Cultura e História.

Página | 16
3 O NÚCLEO E SUAS FINALIDADES

O Núcleo de Estudos e Práticas Educativas Interculturais é uma estrutura colegiada cujos


objetivos são:

- desenvolver estudos sistemáticos sobre as condições de ensino no Instituto Latino-


Americano de Arte, Cultura e História;
- planejar, implementar e avaliar programas, projetos e atividades que contribuam para o
enfrentamento dos desafios da vida acadêmica por parte dos atores do ILAACH.

A coordenação geral de suas atividades dar-se-á pelo grupo composto pela/pelo:


- Diretora/Diretor do ILAACH;
- Vice-Diretora/Vice-Diretor do ILAACH;
- Diretora/Diretor do Centro Interdisciplinar de Antropologia e História;
- Diretora/Diretor do Centro Interdisciplinar de Letras e Artes;
- Coordenadora/Coordenador do Núcleo;
- Presidentes dos Núcleos Docentes Estruturantes dos Cursos;
- Representante do corpo discente de cada um dos Cursos;
- Representante do corpo técnico-administrativo, diretamente envolvido no atendimento ao
público interno do Instituto.

O planejamento das atividades do Núcleo ocorrerá, como nos demais setores da


Universidade, anualmente, no final do ano letivo, para execução no ano seguinte, com base nas
demandas identificadas pela gestão e pelos docentes, discentes e técnico-administrativos do
Instituto.

Essas atividades serão desenvolvidas nos três turnos de funcionamento dos cursos do
ILAACH, em dias e horários a serem amplamente divulgados, e abrange quatro diferentes
dimensões, articuladas entre si, explicitadas a seguir.

Na dimensão do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História, as seguintes


atividades serão alvo de atenção:

- Estudo anual de movimento de docentes e técnicos-administrativos e qualificação dos


motivos de sua opção pela saída do Instituto/UNILA;
- Levantamento e análise de denúncias encaminhadas à Ouvidoria, resguardados os dados
sigilosos, e que envolvem docentes, discentes e técnico-administrativos do ILAACH, bem

Página | 17
como funcionários de serviços terceirizados e demais unidades acadêmico-administrativas
da UNILA. Desse modo, espera-se intervir pontualmente para a correção de fluxos de
trabalho inadequados e a extinção de comportamentos que atentam contra a ética nas
relações, bem como agir preventivamente para que outros casos não se repitam;
- Realização de campanhas de mobilização entorno de temáticas de ordem sociocultural, tais
como LGBTfobia, Xenofobia, Racismo, Assédio Moral e Sexual, Violência contra a mulher,
Saúde Mental, entre outros, a fim de divulgar informações pertinentes e combater toda
forma de discriminação e preconceito. Espera-se que nesse processo, ações sistematizadas
sejam incorporadas à dinâmica interna dos cursos, aos espaços do ILAACH e à cultura da
comunidade acadêmica;
- Acolhimento aos estudantes calouros, focalizando:
a) acesso ao Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) e suas
funcionalidades;
b) e-mail institucional e crachá de identificação;
c) procedimentos básicos de matrícula, trancamento, mobilidade e inscrição em editas;
d) espaços e serviços que podem ser acessados pelas/pelos estudantes;
e) legislação básica para estudantes não brasileiros;
f) apresentação da trajetória de formação prevista nas matrizes curriculares dos cursos.
Nesse acolhimento, considera-se essencial que sejam coletados dados que permitam traçar
um perfil dos ingressantes, identificar suas expectativas em relação a sua escolha
profissional e demandas para o Instituto, como a sua política linguística interna.

Na dimensão do coletivo discente, o Núcleo organizará, em parceria com os cursos e


outros setores da Universidade:

- Programa de tutoria (voluntária e/ou remunerada), pelos próprios estudantes do ILAACH,


para os calouros, ao longo de seu primeiro ano de curso, cujos objetivos contemplam
aspectos acadêmicos e linguístico-culturais, assim como sua inserção nos espaços da cidade
de Foz do Iguaçu;
- Acompanhamento acadêmico-pedagógico de estudantes indígenas;
- Oficinas cujas temáticas favoreçam sua trajetória acadêmica, tais como:
a) Organização do espaço/tempo de estudos;
b) Leitura crítica de textos acadêmicos;
c) Mapas conceituais/mentais como ferramentas de estudo;

Página | 18
d) Escrita de textos acadêmicos: resumo, resenha, artigos e relatórios;
- Encontros de apoio à escrita do Trabalho de Conclusão de Curso;

Na dimensão do coletivo docente, o Núcleo promoverá encontros de estudo, mediante


demandas apresentadas pelos Colegiados e pelo próprio corpo docente do ILAACH, para a
problematização de dados e de atividades docentes cotidianas, tais como a evasão e retenção
discente, o planejamento do processo ensino-aprendizagem, a elaboração de projetos de trabalho em
sala de aula e laboratórios, a produção de materiais didáticos, a política interna de línguas, entre
outros. Além disso, quando solicitado, o Núcleo auxiliará os Colegiados e os Núcleos Docentes
Estruturantes no processo de revisão do Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) do ILAACH e em
sua política interna de avaliação das condições de ensino.

Na dimensão do coletivo técnico-administrativo, o Núcleo promoverá encontros de


estudo, mediante demandas apresentadas pela gestão do ILAACH, pelos Diretores de Centros
Interdisciplinares, pelos Colegiados, pelo corpo docente e discente, a fim de problematizar dados e
fluxos de trabalho que afetam diretamente a comunidade acadêmica e o processo ensino-
aprendizagem.4

Pelo ora exposto, delimita-se a natureza das atividades do Núcleo cujo propósito é contribuir
para o enfrentamento dos desafios cotidianos do ser/estar/fazer no Instituto Latino-Americano de
Arte, Cultura e História, sem desconsiderar as competências das demais instâncias de gestão da
UNILA, essenciais ao funcionamento do Instituto, tais como a PROGRAD, PRAE, PROEX,
PROINT, PRPPG, PROGEPE, PROAGI, PROPLAN, CPA, Ouvidoria, Comissão de Ética da
UNILA, SECOM, entre outras.

4Essas dimensões, apresentadas separadamente por razões didáticas, de clareza e objetividade, necessariamente articu-
lam-se e retroalimentam-se, tanto no planejamento quanto no acompanhamento e na avaliação das ações do Núcleo e
sua interação com os diversos grupos de pessoas do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História e dos demais
setores da UNILA.

Página | 19
4 CONCEPÇÃO NORTEADORA DAS AÇÕES DO NÚCLEO

Sabe-se que toda proposta se encontra balizada por uma determinada perspectiva teórica,
como é o caso do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino e de Práticas Educativas Interculturais. O
conhecimento e comprometimento com essa diretriz servirá de bússola nos processos de
planejamento, desenvolvimento e avaliação das pesquisas e das ações a serem realizados.

Como ponto de partida, parece ser necessário explicitar a noção de sujeito aqui assumida,
tendo em vista que o trabalho do Núcleo prioriza as pessoas que constroem cotidianamente o
Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História.

Concebe-se esse coletivo de indivíduos como seres históricos, “seres que estão sendo, como
seres inacabados, inconclusos, em e com uma realidade que, sendo histórica, também, é igualmente
inacabada” (FREIRE, 1987, p. 72) (grifos do autor). Em outras palavras, não é possível falar da
pessoa sem mundo, sem o outro, pois é a partir dessa relação dialética e dialógica que se constitui o
sujeito e a sua própria percepção da realidade, permitindo-lhe mover-se e transformar essa mesma
realidade. Isso implica compreender que a identidade não é estática e estável, assim como a noção
de pertencimento (BAUMAN, 2005, p. 17).

Essa perspectiva mostra-se essencial ao direcionamento deste Núcleo, pois implica admitir
que estudantes, docentes e técnico-administrativos do ILAACH trazem seus saberes e interagem
uns com os outros a partir desse lugar, com a possibilidade de rever posições e concepções,
apropriar-se de saberes cientificamente validados e construir outros tantos, na condição de autores
de sua própria história.

Como seres históricos, produzem sentidos e isso lhes permite ser/estar no mundo. Por sua
vez, esse sentido envolve uma mente que se “desenvolve como parte de um corpo físico em
constante interação com o ambiente físico e sociocultural, com essa interação contribuindo para a
natureza emergente da mente” (GIBBIS, 2006, apud LARSEN-FREEMAN; CAMERON, 2008, p.
34)5. Dito de outra forma, o ser vivo é, por essência, um sistema aberto. 6 Esse fenômeno instancia a
capacidade do ser humano de auto-organizar-se como sujeito, discriminando o si/não si, em função

5Resgata-se, assim, a noção de “corporização”, proposta por Eldeman (2004, p. 156), segunda a qual “a mente, o cére-
bro, o corpo e o ambiente interagem, todos, para proporcionar comportamentos”.
6Um sistema aberto, complexo, segundo Capra (2007), permanece num estado de não equilíbrio, mas ainda assim está-
vel. A mudança em uma área leva a variações em todo o sistema, com vistas à sua adaptação ao seu contexto (que não é
tomado como externo e nem independente do sistema), e, ao mesmo tempo, muda esse contexto, rompendo com a lógi-
ca determinista da causalidade linear (LARSEN-FREEMAN; CAMERON, 2008).

Página | 20
das suas necessidades, interesses e finalidades.7

Soma-se a isso o fato de que o indivíduo e a cultura são concebidos como dinamicamente
relacionados, em constante movimento, o que implica em não os tomar separadamente ou tampouco
especular sobre a anterioridade de um ou de outro. Em outras palavras, inserido em uma
comunidade cultural, o indivíduo passa a ser tão importante quanto as relações ativas estabelecidas
entre ele e outros indivíduos e a cultura, sendo esta, ao mesmo tempo, constitutiva destes e
constituída por eles, ou seja, “os seres humanos se desenvolvem por meio de sua participação
variável nas atividades socioculturais de suas comunidades as quais também se transformam.”
(ROGOFF, 2005, p. 21). Essa participação é possível porque são capazes de compartilhar
significados, ou seja, predispostos à intersubjetividade que, ao longo de suas vidas, é potencializada
nas relações sociais por meio da linguagem8.

Dentre as atividades socioculturais vitais à produção e reprodução da vida, destaca-se a


prática educativa, pois implica a participação em incontáveis interações entre sujeitos que ensinam e
aprendem em sua própria existência. Nesse sentido, como afirma Freire (1996, 38), “a educação é
uma forma de intervenção no mundo”. Desse modo, o compartilhamento de saberes essenciais aos
diversos coletivos ocorre em múltiplos espaços sociais, em oposição à concepção de que as
instituições de educação básica e de ensino superior são espaços privilegiados para a experiência
educativa.

Apesar disso, longe de perder sua relevância, antes pelo contrário, para torná-la mais
evidente, as instituições de ensino precisam reconhecer a função social que lhes foi atribuída: a
apropriação de saberes historicamente construídos e a inovação da(s) ciência(s) 9, em função da vida
coletiva, pela ação dos sujeitos envolvidos no processo educacional, em tempos e espaços
intencionalmente organizados.

7Isso confere ao cérebro uma natureza epistemológica de mão dupla: aberta (ao mundo exterior) e fechada (sem contato
direto com esse mesmo mundo). Ou seja, “a complexidade do mundo está ligada à complexidade do cérebro” (VIN-
CENT, 2002, p. 182), pois há uma “vinculação visceral” entre o conhecimento e o mundo exterior.
8A linguagem, em sentido amplo, perpassa toda e qualquer estruturação do sujeito humano como tal, sem as clássicas
dicotomias ou hierarquias (interno/externo, social/subjetivo, entre outras). A história de cada um, que é a história da hu-
manidade, se faz e se compartilha pela linguagem, como também a possibilidade de localização no tempo e espaço, até
mesmo naqueles que não são palpáveis.
9Frisa-se o sentido dado aqui ao termo “inovação”, isto é, a necessidade de autoria, que supera a repetição do já dito,
pensado, defendido, e que inclui a coexistência de diferentes epistemes ou formas de produção de conhecimento entre
intelectuais, tanto na academia, quanto nos movimentos sociais (WALSH, 2005, 2006 e 2007), sem que isso implique a
perda da rigorosidade no tratamento do objeto de conhecimento. Em outras palavras, busca-se a proposição de um diá -
logo crítico entre outros conhecimentos e cosmovisões e os conhecimentos e modos de pensar tipicamente associados
ao mundo ocidental.

Página | 21
Nesse sentido, considera-se que o ensino comprometido com essas finalidades é um direito
de todos, um bem público.

Na consecução dessa função, merecem destaque as seguintes dimensões:

- a dos sujeitos do processo educacional, marcados por suas histórias de vida, trajetórias e
culturas, nem sempre consideradas ou bem-vindas, especialmente se divergem dos padrões
estabelecidos como aqueles “de prestígio”.

No contexto específico do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História essa


apropriação de saberes configura um projeto de emancipação epistêmica que se insurge contra as
experiências marcadas pelo poder colonial e as diferenças étnicas por ele produzidas 10. Antes pelo
contrário, busca-se o estudo, a articulação e a consolidação de formas críticas de pensamento, desde
a América Latina, na perspectiva da decolonialidade da existência, do conhecimento e do poder. Ou
seja, defende-se um projeto intercultural11 e decolonizador que se compromete com a luta dos povos
historicamente subalternizados, em face de variados processos de desumanização e silenciamento,
pela visibilidade de outras lógicas e formas de pensar, diferentes da lógica eurocêntrica dominante,
sem ignorar que as relações de poder aqui assinaladas não desaparecem, mas podem ser
reconstruídas ou transformadas.

- a do sentido atribuído à relação ensinar-aprender que, incluindo a noção de sujeitos, na


perspectiva aqui adotada, delimita papéis sociais, muitas vezes impregnados de preconceitos e
restrições de ordem puramente técnicas, deixando de lado a assertiva de que essa relação de ensinar-
aprender é, também, uma atividade subjetiva de ser e estar no mundo. Por isso essa relação não se
pauta no modelo de transferência de informações, mas no exercício da rigorosidade metódica para a
apreensão da realidade, concebida como multifacetada e fruto da atividade humana, buscando
problematizar os saberes construídos pela/pelo acadêmica/acadêmico a cada momento, em bases
aceitas pela comunidade científica, sem deixar de problematizar o sentido e a forma de fazer
ciência(s).
10 A esse respeito, Quijano (2005, p. 229) exemplifica: “En América, la idea de raza fue un modo de otorgar legitimidad
a las relaciones de dominación impuestas por la conquista. La posterior constitución de Europa como nueva id-entidad
después de América y la expansión del colonialismo europeo sobre el resto del mundo, llevaron a la elaboración de la
perspectiva eurocéntrica de conocimiento y con ella a la elaboración teórica de la idea de raza como naturalización de
esas relaciones coloniales de dominación entre europeos y no-europeos”.
11 A interculturalidade é entendida neste Projeto como afirma Walsh (2007, p. 8): “é uma construção de e a partir das
pessoas que sofreram uma experiência histórica de submissão e subalternização. Uma proposta e um projeto político
que também poderia expandir-se e abarcar uma aliança com pessoas que também buscam construir alternativas à globa -
lização neoliberal e à racionalidade ocidental, e que lutam tanto pela transformação social como pela criação de condi-
ções de poder, saber e ser muito diferentes. Pensada desta maneira, a interculturalidade crítica não é um processo ou
projeto étnico, nem um projeto da diferença em si. (...), é um projeto de existência, de vida.”

Página | 22
- a do trabalho docente, “uma forma particular de trabalho sobre o humano, ou seja, uma
atividade em que o trabalhador se dedica ao seu ‘objeto’ de trabalho, que é justamente outro ser
humano, no modo fundamental da interação humana” (TARDIF; LESSARD, 2005, p. 8). Essa
assertiva corrobora com o repúdio à noção de docência como vocação ou dom e estabelece o
desafio constante de o trabalhador da educação pesquisar e refletir criticamente sobre o sentido da
prática educativa e o seu exercício cotidiano, como ressalta Freire:

Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender


participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica,
pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a
decência e com a serenidade. (FREIRE, 1996, p. 26)

Por tudo isso, não se pode pensar no trabalho docente sem o trabalho discente, encarnados
em sujeitos de seus tempos/espaços, nem em apropriação de saberes e inovação científica sem a
compreensão da relação ensinar-aprender e suas finalidades histórico-sociais.

- a da docência universitária que, sem a ilusão de que se possa chegar à verdade absoluta,
pois o “conhecimento comporta, no seu próprio princípio, relações de incerteza e, no seu exercício,
um risco de erro” (MORIN, 1996, p. 211), considera todas as dimensões anteriores e enfatiza seu
compromisso com os sujeitos, na interface entre múltiplas áreas de conhecimento, a adequada
organização de tempos e espaços e a proposição de um currículo que propicie a aceleração de seu
aprendizado.12

A despeito dos contornos que cada uma desses dimensões ganhará na própria caminhada, na
consecução dos objetivos definidos para o Núcleo, é preciso enfrentar o desafio de (re)construir e
explicitar um projeto pedagógico de Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História, feito a
várias mãos, tal qual fez a UNILA (VIEIRA-ROCHA, 2011), e propor currículos, programas,
projetos e ações que expressam claramente suas escolhas de natureza política, social, histórica,
ideológica, entre outras, ou seja, que se comprometam com um projeto de educação que se desenha,
o que implica sua força conservadora ou progressista em relação ao projeto de sociedade que se
busca. Dito de outra forma, são as finalidades da educação que vão nortear as ações do ILAACH e
do próprio Núcleo.

12Nesse sentido, é preciso considerar o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), de Vygotsky (1984), ao
se referir à diferença entre o nível de atividades que podem ser realizadas, pelo sujeito, com a colaboração de pessoas
mais capacitadas para tal, e o nível de atividades que podem ser resolvidas, pelo sujeito, de modo independente (ou
Zona de Desenvolvimento Efetivo – ZDE). O ensino precisa ser compreendido como uma ponte na passagem da ZDP,
onde a aprendizagem acontece, para a ZDE, como ressalta Vygotsky (1987).

Página | 23
Isto posto, o Núcleo de Pesquisas sobre Ensino e de Práticas Educativas Interculturais do
ILAACH procurará legitimar:

- o planejamento como uma “carta de intenções” das ações do Núcleo, redigida com
base em conhecimentos teóricos e nas demandas explicitadas/observadas pelos sujeitos do
ILAACH, sujeito a quantas reelaborações forem necessárias;
- a avaliação como um ato de diagnosticar uma dada realidade, em estreita articulação
ao ato de planejar, tendo em vista a orientação e reorientação dos objetivos pretendidos e a
corresponsabilização de todos os envolvidos no processo educacional;
- a valorização do trabalho docente como uma “ocupação interativa” por excelência e
o ensino, “um processo social” (inserido em cada cultura, com suas normas, tradições e
leis), mas também é um processo profundamente pessoal: cada um de desenvolve um estilo,
seu caminho, dentro do que está previsto para a maioria” (TARDIF; LESSARD, 2005, p.
12).13
- o protagonismo dos estudantes, ou seja, a valorização dos estudantes como sujeitos
de seu aprendizado e trajetória acadêmica;
- o percurso formativo do estudante como processo/resultado de sua própria ação e
vinculação a um dado contexto sociocultural. Pela “educação do olhar” na/para/pela
complexidade do humano e todas as relações implicadas, o estudante será desafiado (por
outros sujeitos) a interações e retroações que tecem as aprendizagens da (e em) sua
existência;
- a valorização do corpo técnico-administrativo do ILAACH pela sua inclusão em
ações de pesquisa, extensão e apoio à docência, mediante formação e experiência
comprovadas;
- o foco na relação ensinar-aprender, pois não há uma relação direta entre ensinar e
aprender. Essa relação se estabelece pela comunhão de desejos, emoções e projetos, com
muito mais probabilidade de propiciar autonomia ao discente e condições de construir
13 Apesar de certa codificação e normatização por regras de conduta, apoiada em rotinas e tradições da atividade docen-
te, deve-se enfatizar a indeterminação, as incertezas e os imprevistos que, de igual modo, caracterizam o trabalho do -
cente. Em outras palavras, há sempre uma tensão entre fazer aquilo que é “o estabelecido” e o que é “o emergente” na
relação interativa do trabalho humano. Nesse sentido, o trabalho do professor é marcado, ao mesmo tempo, por instân -
cias ambíguas (cenários formais/informais; tempos flexíveis/codificados; espaços contingentes/determinados; práticas
controladas/autônomas) que estruturam a sua identidade docente e as dimensões de seu trabalho: a) o trabalho como ati-
vidade, relativo às suas ações concretas em sala de aula, por meio de interações com os estudantes e entre os próprios
discentes, para o desenvolvimento e a aprendizagem destes, exigindo saberes, metodologias e recursos específicos; b) o
trabalho como status, que diz respeito à construção de sua identidade profissional, tanto no local de exercício da ativida-
de quanto na sociedade em geral; c) o trabalho como experiência, atinente às vivências concretas do professor que se
inscrevem em sua cultura profissional (TARDIF; LESSARD, 2005).

Página | 24
saberes. Por isso, compreende-se que a aprendizagem é de natureza probabilística e não
pode prescindir da articulação entre razão e emoção (de parte do docente e do discente) e de
certa afinidade entres os envolvidos;
- a promoção do trabalho coletivo como energia capaz de mover pessoas e estruturas
para o projeto de formação humanística defendido pelo ILAACH.

Página | 25
5 PROCESSO DE AUTORREGULAÇÃO DO NÚCLEO

Ao conceber o Núcleo como espaço de pesquisa e diálogo sobre a prática educacional


intercultural na Universidade e, de modo especial, no Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e
História pressupõe-se que ele mesmo se auto-eco-organize, o que implica seu compromisso com a
coerência entre teoria e prática e com a gestão democrática desse espaço de trabalho coletivo.
Essa orientação exige que o planejamento, o acompanhamento e a revisão permanente da
atuação do Núcleo pelo Colegiado que faz a sua gestão. Em outras palavras, acredita-se que a
prática da avaliação, pautada no princípio da autorregulação, constitui também um processo
formativo para os integrantes do Núcleo e da comunidade acadêmica do ILAACH.
Nessa direção, superando práticas avaliativas pautadas em ações puramente técnicas e
quantitativas, o Núcleo promoverá encontros de trabalho com distintos propósitos:

QUADRO 1 – Encontros de avaliação e planejamento do Núcleo

Periodicidade Participantes Objetivo


Avaliação e planejamento das pesquisas e
Anual Todos ações do ano letivo seguinte, com prioridades
e prazos
Apresentação das atividades desenvolvidas,
avaliação pelos sujeitos e pelas instâncias
Semestral Todos
envolvidas e revisão do planejamento do ano
em curso
Membros dos Colegiados
Bimestral
de Cursos
Avaliação dos avanços e das dificuldades no
Coordenação do Núcleo, desenvolvimento das pesquisas e atividades
Direção do Instituto e propostas
Mensal
Coordenadores de Centros
Interdisciplinares
Planejamento, gestão e avaliação sistemática
Quinzenal Equipe executiva do Núcleo do andamento das frentes de trabalho a que se
dedicam

Fonte: elaboração da autora, 2016

Essa configuração pretende-se recobrir, basicamente, tanto a avaliação do trabalho coletivo

Página | 26
realizado pelo grupo, de forma mais ampla e global, em suas diferentes frentes, quanto as
conquistas de cada integrante da gestão do Núcleo, destacando suas contribuições e seus desafios
para a concretização das ações planejadas.
É importante destacar que o ato de avaliar em processo e ao final das atividades precisa
pautar-se em dados, de diferentes ordens, para que se possa decidir pela continuidade, revisão e/ou
transformação de suas ações na direção dos objetivos previamente estabelecidos.
Em síntese, o Núcleo aposta na capacidade dialógica e crítico-reflexiva de seus integrantes pela
atividade política, formativa, pedagógica e integradora de sua práxis.
Recomenda-se que, nesse processo autorregulatório, haja investimento da ILAACH na
promoção e no acesso do grupo gestor do Núcleo a eventos científicos em sua área de atuação 14,
quer seja para divulgar as atividades desenvolvidas na Instituto, quer seja para conhecer as práticas
de outras universidades.

14Cita-se, dentre outros eventos, o Seminário de Acesso ao Ensino Superior (SAES), organizado por um grupo de Uni-
versidades Federais e Estaduais e por Institutos Federais para discutir temas que envolvam seus processos seletivos e
concursos públicos, assim como, o reflexo dessas ações na permanência e egresso de seus estudantes.

Página | 27
6 CONDIÇÕES DE TRABALHO E RECURSOS NECESSÁRIOS

Em busca de condições de exequibilidade das atividades projetadas para cada uma das
quatro frentes de trabalho do Núcleo, faz-se necessário destinar recursos que contemplem diferentes
dimensões: sujeitos, tempos e espaços.

6.1 A dimensão dos sujeitos

Entendendo que são os sujeitos que constroem seus saberes e os (re)significam, o Núcleo
deverá contar, de início, com os seguintes profissionais:
- dois técnicos-administrativos, dedicados ao levantamento de dados, estudos e pesquisas de
natureza acadêmico-pedagógica;
- sete discentes estagiários remunerados, sendo um de cada Curso do ILAACH, para apoio
aos eventos, pesquisas, tutorias, campanhas e divulgação de informações;
- sete docentes, sendo um de cada Curso do ILAACH, para o aprofundamento de estudos e
pesquisas e o desenvolvimento de atividades voltadas à permanência dos estudantes e a
conclusão de seus cursos.
Esses educadores, contribuirão diretamente na consecução das atividades planejadas pelos
membros Colegiado de coordenação geral do Núcleo.

6.2 A dimensão dos espaços

Para a realização de suas atividades cotidianas e encontros com gestores, coordenadores,


professores, estudantes e pessoas da comunidade, será preciso destinar um espaço físico próprio ao
Núcleo, nas dependências do Jardim Universitário e próximo às atividades dos cursos do ILAACH,
mantendo sua identidade e vinculação institucional.
Nesse local, necessita-se a disponibilidade de:
- 1 sala pequena, separada por divisória, para o atendimento individual, com 1 mesa redonda
e 6 cadeiras;
- 2 estações de trabalho, com cadeiras, para as atividades dos 2 técnicos-administrativos
permanentes;
- 4 estações de trabalho com cadeiras, para as atividades dos docentes e estagiários do

Página | 28
Núcleo, em regime de escala;
- 6 computadores, com conexão à rede interna e à internet;
- 1 armário de duas portas, com chave e trilhos, para colocação de pastas suspensas;
- 1 armário de duas portas, com prateleiras internas, com chave;
- 1 mesa para instalação da impressora/scanner;
- 1 impressora/scanner.

6.3 A dimensão dos tempos

Além das condições físico-estruturais apontadas anteriormente, a destinação de tempo para


os profissionais envolvidos dedicarem-se ao Núcleo é condição de sua existência, na proporção
assinalada a seguir:
- dois técnicos-administrativos, em regime de dedicação de tempo integral;
- sete discentes estagiários remunerados, sendo um de cada Curso do ILAACH, com
dedicação de 20 horas semanais;
- sete docentes, sendo um de cada Curso do ILAACH, com regime de dedicação de 8 horas
semanais.

Ressalte-se que o Núcleo, pela natureza de seus objetivos e suas atividades, constitui lócus
de vida-longa dentro do ILAACH, por isso, justificam-se a destinação desses recursos iniciais, com
a perspectiva de outros investimentos futuros para sua consolidação e expansão.

Página | 29
7 PLANO DE EXECUÇÃO

O Plano de execução da criação do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino e de Práticas


Educativas Interculturais do ILAACH contempla uma sequência de ações, a serem desenvolvidas
por diferentes instâncias do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História, de setembro a
de 2016 a janeiro de 2017, conforme cronograma abaixo:

QUADRO 2 – Plano de Execução do Projeto do Núcleo

Ação Responsabilidade Período de execução


Remoção de servidor(a) para coordenar o projeto Direção do setembro/outubro
de criação do Núcleo ILAACH de 2016
Coordenação do
Coleta de dados sobre as demandas do Instituto outubro de 2016
Núcleo
Coordenação do outubro/novembro
Elaboração do Projeto
Núcleo de 2016
Apresentação do Projeto e sua validação em
diferentes instâncias do Instituto: Centros Coordenação do novembro/dezembro
Interdisciplinares, Consuni e representação Núcleo de 2016
estudantil
Dimensionamento de recursos e proposição de Direção do
novembro/dezembro
layout das instalações necessárias à execução das ILAACH e
de 2016
atividades PROAGI
Direção do novembro/dezembro
Incorporação do Núcleo à estrutura do ILAACH
ILAACH de 2016
Início do conjunto de atividades formais do Coordenação do
janeiro de 2017
Núcleo Núcleo

Fonte: elaboração da autora, 2016

Ressalta-se a possibilidade de alteração dessa proposta inicial, em função da dinamicidade


das atividades e demandas do Instituto e de seus órgãos colegiados.

Página | 30
REFERÊNCIAS

ANDIFES. Diplomação, Retenção e Evasão nos Cursos de Graduação em Instituições de


Ensino Superior Públicas. Comissão Especial de Estudos sobre a Evasão nas Universidades
Públicas Brasileiras, outubro de 1996.

ASSUMPÇÃO, Solange Rodrigues Bonomo; FREITAS, Wender Silveira. Saberes e desafios da


vida acadêmica de jovens estudantes de uma universidade intercultural. Foz do Iguaçu:
UNILA/PRAE, 2016.

BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. 110
p.

CAPRA, F., JUANERO, A., SOTOLONGO, P.; UDEN, J. van. Exploring complexity – Volume
one: Reframing complexity – Perspectives from the North and South. Mansfield USA: ISCE
Publishing, 2007.

EDELMAN, Gerald. M. Wider than the sky – The phenomenal gift of consciousness. New
Haven/London: Yale University Press, 2004.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz
e Terra, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 29. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987.

LARSEN-FREEMAN, D.; CAMERON, L. Complex systems and applied linguistics. Oxford:


Oxford University Press, 2008.

MORIN, Edgar. O problema epistemológico da complexidade. 2. ed. Mem Martins/Portugal:


Publicações Europa-América, 1996.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina. In: LANDER, E.
(Org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales - Perspectivas
Latinoamericanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 227-277.

ROGOFF, Bárbara. A natureza cultural do desenvolvimento humano. Trad. Roberto Cataldo


Costa. Porto Alegre: Artmed, 2005. 355p.

SILVA, Glauco Peres da. Análise de evasão no ensino superior: uma proposta de diagnóstico de
seus determinantes. Avaliação, Sorocaba, v. 18, n. 2, p. 311-333, jul. 2013 .

TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docên-
cia como profissão de interações humanas. Petrópolis: Vozes, 2005.

UNILA. Evasão no contexto da UNILA (estudo preliminar). Pró-Reitoria de Graduação; Pró-


Reitoria de Assuntos Estudantis, 2016.

Página | 31
VIEIRA-ROCHA, Eliane-Terezinha. Metodología adaptada para la construcción del proyecto
universitario de la UNILA. Revista Iberoamericana de Educación Superior, México, v. 2, n. 5,
2011. Disponível em: <http://ries.universia.net/index.php/ries/article/
view/143>. Acesso em: 30 set. 2012.

VINCENT. Jean-Didier. As paixões e o humano. In: MORIN, Edgar. A religação dos saberes: o
desafio do século XXI. 2. ed. Tradução de Flávia Nascimento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,
2002. p. 181-184.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

WALSH, Catherine. (Re) Pensiamento crítico y (de)colonolialidad. In: WALSH, Catherine.


Pensamiento crítico y matriz (de)colonial - reflexiones latinoamericanas. Quito: Universidad
Andina Simón Bolívar/Abya-Yala, 2005, p. 13-35.

WALSH, Catherine. Interculturalidad Crítica/Pedagogia decolonial. Memórias del Seminário


Internacional "Diversidad, Interculturalidad y Construcción de Ciudad", Bogotá, Universidad
Pedagógica Nacional, 17-19 de abril de 2007.

WALSH, Catherine. Interculturalidad y colonialidad del poder. Un pensamiento y posicionamiento


'otro' desde la diferencia colonial". In: WALSH, C.; LINERA, A. G.; MIGNOLO,
W. Interculturalidad, descolonización del estado y del conocimiento. Buenos Aires: Del Signo,
2006. p. 21-70.

Página | 32