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Direito civil – Responsabilidade Civil

Ou seja, responsabilidade civil patrimonial (os bens do devedor respondem


pelo descumprimento de suas obrigações) com relação a uma contratual.

- A responsabilidade civil extracontratual é quando não há um vinculo


jurídico preexistente entres as partes (ex: um acidente de trânsito).

 Inadimplemento das obrigações:

Todo inadimplemento é considerado culposo, baseado na prova da culpa que


pode ser: culpa lacto sensu, é dividida em dolo e culpa em stricto sensu.

- A exceção a essa regra de sempre ser culposo, está no Código de defesa do


consumidor.
Quando o fornecedor de um produto ou serviço, não cumpre com sua
obrigação principal (entregar o produto, sem vícios), significa que ele inadimpliu
e a responsabilidade desse fornecedor com relação aos defeitos do produto, é
uma responsabilidade subjetiva, independente de culpa, ou seja, significa que
se o consumidor tiver que exigir uma indenização, reparação, ele não precisa
provar o dolo ou a culpa (N,IMPRU, IMP).

Nas outras hipóteses de inadimplemento das obrigações, principalmente no


que diz respeito ao devedor, e se este for consumidor, terá que provar a culpa
dele.
- Se for um consumidor que está devendo o pagamento de uma obrigação
(mensalidade escolar), o credor (fornecedor), terá que provar a culpa do
consumidor.

Tempo Absoluto
Lugar Voluntário
Relativo
Forma
(mora)

Inadimplemento Culposo:
Involuntário Fortuito

Culpa Lato sensu - DOLO


- CULPA STRICTO
SENSU - Negligência
- Imprudência
- Imperícia (terá que
provar a culpa do I.)

 Inadimplemento voluntário:
Quando a intenção (voluntária) é culposa pela parte do inadimplente, em
deixar de cumprir a obrigação, no tempo, lugar e forma. Ou seja, não
cumpre com o que foi combinado entre as partes.

Por isso, terá efeitos, consequências, pelo descumprimento da obrigação:


Ex: Determinado devedor deveria pagar tal valor no dia 05, e não paga no
dia 05, se tornou inadimplente em relação ao dia do vencimento. Ou, ele
teria que ter pago no dia 05 e teria que ter feito uma transferência
eletrônica, e ele não o faz, ele faz um depósito em cheque, que só foi
compensado dois dias depois, então ele se tornou inadimplente, até
obedeceu a data, mas não obedeceu a forma.
Ex: Credor tem que entregar um piano no apartamento no 10 andar, e ele
entrega o piano no saguão do prédio. Ele entregou o piano, mas o lugar não
está correto, então se tornou inadimplente.

Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o


contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não
favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por
culpa, salvo as exceções previstas em lei.

 Absoluto (perdas e danos).


A obrigação não foi cumprida e não poderá mais ser cumprida de forma útil ao
credor.

Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e


danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

O inadimplemento absoluto se caracteriza por criar uma impossibilidade ao


credor de receber a prestação devida (se tornou inútil), convertendo-se a
obrigação principal em obrigação de indenizar. A partir do descumprimento da
obrigação, a prestação se torna inútil para o credor, de modo que, se prestada,
não mais satisfará as necessidades do mesmo.
Ex: Orquestra para tocar no casamento – depois do casamento não adianta
mais – converte em perdas e danos – lucros cessantes e danos emergentes.
Ex: Contratar alok para formatura e ele não vai. É uma obrigação
personalíssima, então se ele mandar um sócia, a prestação não será útil, nesse
caso, resta exigir indenização, perdas e danos – danos emergentes, morais
(pela expectativa).

Quem escolhe se a prestação é ou não útil, é o credor.

 Inadimplemento Involuntário:
Independe da vontade do inadimplente, torna-se inadimplente por uma situação
alheia a sua vontade, está fora do seu controle, da intenção, sendo assim,
chama-se inadimplemento fortuito - é uma forma do inadimplente se
defender dos efeitos do inadimplemento, por fatos alheios a sua vontade. E por
estar em caso fortuito, não cairá os efeitos do inadimplemento no inadimplente.

Art.392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o


contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não
favoreça. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por
culpa, salvo as exceções previstas em lei.

Interno
- Caso fortuito Externo
FORTUITO - Força maior
- Culpa exclusiva de terceiro
- Culpa exclusiva do credor

Caso fortuito – Fato alheio a vontade das partes ligado a atuação do homem
(greve, motim, guerra), advém de causa desconhecida e pode ser ocasionado
por fato de terceiro, como em uma falha de rede elétrica provocada por culpa
exclusiva de terceiro que nada tem a ver com a prestação de serviços da
contratada p/ realizar a atividade.

- Interno: previsível e evitável, portanto, sofrerá os efeitos da mora ou do


inadimplemento.

- Externo: alheio ao processo de elaboração do produto ou execução do


serviço, portanto, isenta-se dos efeitos
Ex: assume o risco, pois tem uma apólice de seguros. Dizendo que não
assumiu no contrato o risco sobre a coisa, e acontece um acidente com o
caminhão e toda a carga que deveria ser entregue ao credor, naquele
determinado lugar e dia, perde-se totalmente, a perda do objeto na entrega da
coisa, será excludente dos efeitos do inadimplemento, porque é fortuito
externo, ele não assumiu o risco. Pois, se ele assumiu o risco, terá que
encontrar um meio de entregar, mesmo diante do caso fortuito e força maior.

Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso


fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles
responsabilizado. Não responde – pode estipular cláusula em contrário,
assumindo a reponsabilidade em caso fortuito ou força maior (vai entregar a
coisa mesmo que ela deixe de existir).

Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato


necessário, cujos efeitos, não era possível evitar ou impedir (então, é
possível afastar os efeitos do inadimplemento para o inadimplente).

- Força maior: quando acontece algo pelas forças da natureza. Há uma certa
previsibilidade, mas não se pode evitar os efeitos.

- Culpa exclusiva de terceiro: Um terceiro deu causa ao inadimplemento por


parte daquele devedor. O devedor estava indo fazer a entrega, quando 3º
causou um acidente e foi impedido de cumprir a obrigação. Fica isento dos
efeitos do inadimplemento.
(pode ser tratado como culpa de 3º ou externo. Ex: roubo, acidente)

- Culpa exclusiva do credor: o credor deveria ter praticado determinada


obrigação e não o fez, levando o devedor a não adimplir com aquela prestação.
(Ex: a obra não foi concluída, então o devedor se isenta dos efeitos do
inadimplemento).

Requisitos do inadimplemento fortuito:


1. Inevitabilidade do acontecimento
2. Ausência de culpa para ocorrência do evento
3. Irresistível (fora do alcance humano)
Exceto:
1. Se as partes convencionarem expressamente que o devedor responderá
pelo cumprimento da relação obrigacional
2. Se o devedor estiver em mora (art.399)
3. Se for caso de dar coisa incerta, antes da escolha do objeto (art.246)

Resumindo: O inadimplemento é uma situação atípica, pois ela nasce para ser
cumprida pelas partes.
O não cumprimento, no todo ou em parte, leva a uma consequência.
Todo inadimplemento de uma obrigação vai ser culposo – culpa lacto sensu
(trata-se do dolo, da culpa em sentido stricto sensu -negligencia, imprudência e
imperícia).
A regra geral é que toda inadimplência carece de uma prova daquele que
inadimpliu. O inadimplemento culposo, pode ser: voluntário, depende do ato
praticado pelo devedor que gerou o inadimplemento (poderá ser relativo (mora-
cumprimento imperfeito da obrigação) ou absoluto e quando a prestação se
torna inútil ao credor, ele passa a exigir a indenização correspondente e
resume-se essa indenização em perdas e danos
Caso seja involuntário, quando se fala de situações alheias a vontade do
inadimplente, sendo assim, inadimplemento fortuito. O inadimplente poderá
alegar em sua defesa as excludentes dos efeitos do inadimplemento, tanto
absoluto quanto relativo.
Existe o fortuito interno, o qual não exime o inadimplente da
responsabilidade quando fizer parte da atividade econômica, ou seja, se é
previsível e evitável, então não se isenta dos efeitos do inadimplemento.
A força maior é a força da natureza, pode ser inadimplente o credor ou
devedor, os efeitos são extintos.
Culpa exclusiva de terceiro que gerou a involuntariedade em relação ao
descumprimento da obrigação
Culpa exclusiva do credor, ele deveria ter cumprido com parte da obrigação
para que o devedor pudesse cumprir com a sua.

 Relativo (efeitos da mora)


É o cumprimento imperfeito da obrigação (sem observância do prazo, lugar
ou forma).
Consiste no descumprimento da obrigação que, após descumprida interessa ao
credor. A obrigação, nesse caso, ainda pode ser cumprida, mesmo após a data
acordada para o seu adimplemento, por ainda possuir utilidade. Neste caso, o
efeito do inadimplemento é a mora, ou seja, retardamento da prestação.

- Por opção do credor, ele vai escolher se esta diante de um


inadimplemento absoluto ou relativo, se a prestação ainda lhe é útil ou não.

 Mora: Cumprimento imperfeito ou parcial (porque a prestação ainda é


útil) da obrigação. É o inadimplemento relativo, não cumprimento da
obrigação no tempo, lugar e forma previstos no contrato.

Ex: contrato de locação de imóveis, está regido por uma lei especial de móveis
urbanos, seja finalidade residencial ou não (8245/91). O aluguel é de 500 reais,
vence todo dia 05, foi exigido a garantia pessoal de um fiador, se ela não
pagar, será chamado o fiador que é o responsável subsidiário para pagar o
aluguel. Chegou dia 05 e não recebeu o salário, dia 07 recebeu e logo foi
pagar. Incidirá em cima dos 500 reais, os juros da mora (1% de 500), multa
moratória com multa de mora (não há relação de consumo entre locador e
locatária, e como foi aplicado a lei do locatário, aplica-se a lei de usura -10% do
aluguel- 50 reais), atualização monetária (mesmo índice que usa para o
aluguel, ano a ano- INPC), se tivesse advogado, os honorários dele, tudo isso,
são os acréscimos do inadimplemento.
Deve acordar no contrato se ela deve pagar no domicílio do locador, caso for
acordado que deverá ser pago no local do domicilio locado, e não comparecer
para cobrar, eu estarei em mora e não poderei cobrar dela. Ou seja, é um
inadimplemento parcial, pois a prestação ainda é útil.
- A prestação ainda é útil, o dono do imóvel não quer que saia, mas quer o
valor do aluguel acrescido dos valores estabelecidos na cláusula penal
ou no contrato.

- Se estivesse devendo 6 meses de aluguel, e depois de 6 meses de


cobrantina oferecesse um acordo, o inadimplente nem se manifesta. Cansada
de esperar, denuncia o contrato por falta de pagamento. Aqui foi uma escolha
de inadimplemento absoluto e quer indenização correspondente ou ate mesmo,
poderá exigir ordem de despejo, cláusula penal compensatória, todos os
prejuízos, todos os meses atrasados e que desocupe o imóvel. Então, entra
com a ação de despejo recaindo em todos os efeitos da mora e ainda todos os
efeitos do processo de despejo (juros, honorários, sucumbência).

CDC – 2% (art. 52, 1º pg. cdc)

- Multa moratória

OUTROS 10% (dec.1933 – Lei de usura art.9)

- Juros de mora - 1% ao mês. Ex: atrasou 5 dias, pega 1% e divide por 30


(0,033), isso dará a fração ao dia, x5
- Atualização/correção monetária (índice oficial- pode ou não estar no
contrato, caso não, escolhe um índice oficial para correção monetária do
período que estiver atrasado, em dias, mês, ano, depende da
proporcionalidade do atraso)
- Honorários de advogado (pode ate ser extrajudicial, são os horários de
cobrança, tem 20% do valor da dívida)

- Se for para o judicial, entra as custas judiciais.

Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der
causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao


credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação das perdas e danos.

 Também não abrange hipóteses de inadimplemento fortuito (caso


fortuito e força maior), mas a prova do caso fortuito ou da força maior é
do devedor.
Mora é modalidade de inexecução da obrigação, decorrente de culpa
do devedor, omissão do credor ou de ambos.

CC394 – fala de mora no pagamento – mas o conceito deve ser entendido


extensivamente para abranger todas as obrigações (dar e fazer)

 Constituição em mora
Se tem um prazo (dia 06), vencido o prazo e não pagou, estará constituído em
mora nesse momento. Sem prazo constituído, o credor notifica e da um prazo
para o devedor pagar (2 dias, 10 dias), mas a regra geral, é o credor fazer
interpelação judicial ou extrajudicial. A partir do momento que recebe a
interpelação, está constituído em mora e seus efeitos. Quando interpelamos,
normalmente é porque não se tem contrato, não tem prazo, quais serão as
multas e juros, e nela coloca-se tudo.
A constituição em mora se dá na forma dos artigos 396, 397 e 398 do CC.
CC396 – para constituir em mora há necessidade de um fato imputável ao
devedor (culpa no direito civil)

Quando se constitui em mora? A constituição em mora só se dá nas


obrigações de dar e fazer
 DAR – o devedor não entrega a mercadoria adquirida ou o credor deixa
de receber a mercadoria
 FAZER – o devedor retarda a prestação, entrega fora do prazo
combinado (mas ainda deve ter utilidade para o credor – sob pena de
inadimplemento absoluto)
 NÃO FAZER (aqui há somente o inadimplemento absoluto) – não há
mora – devedor assume a obrigação de não fazer
 Se não faz – cumpre a obrigação
 Se faz – descumpre totalmente e gera inadimplemento absoluto
Ex. guardar segredo da marca, não construir acima do 2 andar

CC Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no


seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor.
Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante
interpelação judicial ou extrajudicial.

Prazo certo: a mora se dá pelo vencimento


Não havendo termo-prazo – deve interpelar
Provenientes de ato ilícito (a partir da ocorrência dos fatos): Art. 398. Nas
obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora,
desde que o praticou.

 Espécies
- Do devedor
Mora solvendi, mora debitoris
Regra geral – cumprimento da obrigação se dá pelo pagamento da mesma
Se o devedor retarda o pagamento – e este ainda é ÚTIL ao credor – gera a
mora do devedor (tempo)
Outras vezes a mora se dá pela forma e outras ainda pelo lugar. Ex: era para
fazer transferência eletrônica e fez depósito em cheque, era para pagar no meu
domicilio, no entanto, não o fez.

- Mora por atraso


O devedor por sua culpa atrasa o cumprimento da obrigação
Caso fortuito e força maior – afastam a mora
Para haver mora deve-se analisar se também não houve culpa do credor
E ainda se ainda há utilidade para o credor

- Mora por pagamento defeituoso


COISA DIVERSA
O devedor deveria entregar 10 sacas de soja e entrega de grão de bico, ele
deve entregar coisa certa.
Não é atraso – mas sim o devedor ofereceu coisa diversa.
Deve 10 mil, mas oferece 8 (inadimplente de 2 mil), ou um carro – credor não
aceita – mora da mesma forma.
LUGAR DIVERSO
Entrega de piano no salão de festas – deixa o piano na recepção - mora
requisitos
 Dívida exigível – válida, certa e vencida
 Culpa do devedor (culpa ou dolo) CC396
 Se não há prazo a cumprir – notificação é uma faculdade do credor; a
interpelação é requisito (judicial ou extrajudicial)

- Do credor
Mora accipiendi
CC394 – credor que se nega a receber
Art. 394. Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e
o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a
convenção estabelecer.

Ou ainda – credor não atende a algum pedido do devedor que possibilitaria o


cumprimento da obrigação
Mas a recusa deve ser injusta (se recusar porque o valor é inferior a recusa é
justa e há mora do devedor.

Ex. ocorre quando na obrigação quesível o credor deve se apresentar ao


devedor para receber e este não o faz – mora do credor

*** A doutrina classifica as dívidas em quesível (querable) e portável (portable):


nesta, cabe ao devedor ir pagar no domicílio do credor, sob pena de juros e
multa = mora. Já na dívida querable cabe ao credor ir exigir o pagamento no
domicílio do devedor, a iniciativa é do credor, sob pena de mora do credor.

Consequências da mora do credor:


Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à
responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir
as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela
estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia
estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.
 Devedor se desonera do cumprimento na forma, lugar e tempo que foi
contratado
 Devedor pode consignar a coisa em juízo
 Riscos pela conservação da coisa passam a correr pelo credor
 Credor suporta as despesas de conservação da coisa
 Se houver variação de preço interpreta-se de forma favorável ao
devedor
Ex: foi comprado um produto do e-comercio, e recebo uma mensagem dizendo
que minha encomenda chegará ao destino as 10:15. E eu não consigo chegar
em casa para o recebimento da coisa. Se for o correio, faz 3 tentativas, se for
transportador, faz somente uma tentativa e foi devolvido a coisa para o
remetente/devedor. Quem vai arcar com as custas do transtorno é aquele que
deveria receber e não estava naquele dia/horário que seria entregue. Supondo
que no trajeto haja um acidente com o transportador e a carga perece. Era pc
da dell e é destruído. O transportador não tem a obrigação de mandar um
novo, pois eu quem estava em mora de receber, então esta liberado de todos
os efeitos, pois se eu não estivesse em mora de receber, ele teria que dar um
novo.

- De ambos
Marca dia para pagar e ninguém comparece – mora de ambos
Moras simultâneas se compensam
 responsabilidades – efeitos da mora
 Pagamento de correção monetária, juros, honorários
 Quando não for possível cumprir  perdas e danos
Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der
causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.
 Caso fortuito e força maior excluem a responsabilidade – desde que
não ocorridos no atraso:
Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da
prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de
força maior, se estes ocorrerem durante o atraso (mora); salvo se provar
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação
fosse oportunamente desempenhada.

 Purgação e cessação
Purgar a mora ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. Aquele que nela
incidiu corrige, sana sua falta, cumprindo a obrigação já descumprida e
ressarcindo os prejuízos causados à outra parte.

Art. 401. Purga-se a mora:

I - por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a


importância (consequências) dos prejuízos decorrentes do dia da oferta;

II - por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e


sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data.

- Purgar significa cessar os efeitos da mora.

PURGAÇÃO
Devedor – oferece a coisa e acréscimos
Credor – apresenta-se para receber
Purga a mora – cessa a mora, consequentemente a obrigação
Cabe purgação da mora após a cobrança judicial? Sim, desde que não
apresente defesa

CESSAÇÃO (oferecer acordos) - a mora cessa:


 Por ato de purgação
 Acordo (não de pagamento, mas dilação de prazo) – concessão de
moratória
 Pagamento

Danos materiais

Sempre deve produzir provas

Devolver o status quoante (reparação natural)

Danos emergentes: aquilo que efetivamente perdeu

Lucros cessantes: aquilo que deixou de lucrar

Danos imateriais
Danos morais: quantificação do valor, às vezes, compensação. Como
compensar quando ao mesmo tempo deve-se punir?

Dano estético

 Juros:

JUROS LEGAIS: Um dos efeitos da mora do devedor é o pagamento de juros


ao credor (395), principalmente nas obrigações de dar dinheiro (pecuniárias).

 conceito

Conceito de juro: é a remuneração que o credor exige por emprestar dinheiro


ao devedor. Juro é igual a rendimento, é igual a fruto civil. Os frutos em direito
podem ser civis, naturais ou industriais. Os frutos civis são os juros e os
rendimentos; os frutos naturais são as frutas das árvores e as crias dos
animais; os frutos industriais são, por exemplo, os carros produzidos por uma
fábrica de automóveis.

Os juros, são livres, conforme art. 406, sendo fixados pelas partes no contrato
ou pelo mercado financeiro. Se as partes não fixarem os juros, estes serão de
um por cento ao mês, conforme art. 406 do CC combinado com o art. 161, § 1º
do Código Tributário Nacional, pois este é o juro devido no pagamento de
impostos.

 Espécies:

Os juros representam o rendimento do capital, os frutos civis produzidos pelo


dinheiro (são os acessórios da obrigação, segue o principal – nulidade,
prescrição) – art. 92).
Tais acréscimos podem ser classificados em juros moratórios e juros
compensatórios ou remuneratórios.
Juro – preço pelo uso do capital – preço do dinheiro

- Juros moratórios – Decorrente do inadimplemento da obrigação.


Constituem uma indenização pelo prejuízo resultante do retardamento culposo,
sendo assim uma espécie de penalidade pela demora no adimplemento da
prestação devida, visa a remuneração pela utilização do dinheiro do credor.
“São os interesses devidos pelo atraso, pela mora no cumprimento da
prestação”. Nelson Nery Jr.

Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o


forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão
fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de
impostos devidos à Fazenda Nacional. Por isso, se usa o 1% ao mês como
limitador do juros da mora.

- Ou as partes convencionam entre si os juros moratórios ou é determinado por


determinação em juízo, ou nesse caso, trabalha-se com o que a fazenda
nacional determina em relação com o art.406 combinado com o 161 pg 1º do
CT – 1% ao mês.

Art. 407(definição dos juros moratórios). Ainda que se não alegue


prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às
dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes
esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo
entre as partes. (importante para definição dos juros moratórios.

- Fixa o valor pecuniário, em uma situação que se transforma aquela obrigação


que tinha que dar, fazer, em valor indenizatório ou em valor de perdas e danos,
multa, decorrente do não cumprimento da prestação.

- Por isso, o inadimplemento da obrigação, os juros da mora, não recai, tão


somente na obrigação de pagar, mas também nas demais obrigações, desde
que esteja fixada um valor pecuniário por sentença judicial por ordenamento ou
por acordo entre as partes.

- Juros remuneratórios ou compensatórios (2%) - visam compensar o


período em que o capital deveria estar nas mãos do credor, mas estão na do
devedor. Remuneram o credor porque este ficará privado do uso de seu capital
(sem poder usar esse dinheiro para uso próprio, por estar nas mãos do
devedor), devendo o devedor pagar pela utilização do capital de outrem.
Devem estar previstos no contrato – mas também não podem exceder a taxa
legal

Ex: financio um carro, a caução que vou dar o próprio bem, o veículo, como
garantia, até pagar o financiamento. Se o banco está emprestando o dinheiro
para pagar o credor, ele está oferecendo juros remuneratórios. Ou seja, além
de ser devedora do banco, também é dos juros.

- Se estiverem dentro de um sistema financeiro fiscalizado pelo BACEN, a taxa


será ditada pelo COPON (comitê de politica monetária nacional), inclusive no
que diz respeito a taxa Selic, esta não pode ser utilizada como forma de
remunerar ou de ser utilizada como juros moratórios, STF estabeleceu que é
proibido, pois ela é uma composição da atualização monetária e de multas,
tornando prejudicial ao devedor.

- São convencionais pelas partes.

Ex: cartão de credito vence dia 23 no valor de 1500 reais. Não tenho o valor
para pagar. Pago 500 reais. Passo a ser inadimplente de 1.000. A primeira
coisa que vem são os juros moratórios (1% ao mês), multa moratória ( 2%),
atualização monetária, juros remuneratórios (14 % ao mês - em cima desses
1.000), taxa emergencial de crédito ( varia de 12 a 18 reais, depende do valor
no contrato) e IOF (imposto sobre operações financeiras, pois entendem que
foi emprestado os 1.000). No mês seguinte vem a fatura do mês anterior junto
com a atual. E não consegue pagar, então, somam tudo e jogam mais 14%,
juros sobre juros, que são os juros compostos.
- Juros compostos ou capitalizados:

Os juros são aquilo que se agrega ao capital, isto é, os frutos que o capital
gera. Eles são compostos, quando, em um período subsequente, passam a
fazer parte do capital, fazendo com que os novos juros devidos se apliquem
também sobre os anteriores.

São os chamados juros sobre juros, ou juros capitalizados (exatamente o que


falei sobre transformar os juros em capital).

Uma boa metáfora para explicar os juros compostos é a seguinte: suponha


que você esteja construindo um muro e a cada fieira (linha) de tijolos que
comece a assentar, os tijolos são maiores do que os da fieira anterior.

Os juros compostos diferem dos juros simples conforme veremos:

Um valor de R$ 100,00 (montante) sujeito a uma taxa de juros simples de 5%


ao mês por um período de 6 meses, estará sujeito a um total de juros de R$
30,00 (5% x 6 meses = 30%).

Calculando com base em juros compostos, cada mês que passar incorporará
os juros apurados, que passarão a ser capital nos meses seguintes:

 no primeiro mês, R$ 100,00 de capital mais R$ 5,00 de juros (5% de


100)
 no segundo mês, R$ 105,00 de capital mais R$ 5,25 de juros (5% de
105)
 no terceiro mês, R$ 110,25 de capital mais R$ 5,5125 de juros
 no quarto mês, R$ 115,7625 de capital mais R$ 5,788125 de juros
 no quinto mês, R$ 121,550625 mais R$ 6,07753125
 e, finalmente, no sexto mês, R$ 127,62815625 mais R$ 6,3814078125,
totalizando R$ 134,0095640625
Note que, quando calculados com base em juros simples, o total de juros
apurado foi de R$ 30,00, enquanto pelo método dos juros compostos, obteve-
se R$ 34,01 de juros.

– Fórmula de cálculo.

M = C x (1 + i)^n
onde:
M é o montante;
C é o capital;
i é a taxa de juros na forma de fator (5% é 0,05, ou 5/100)
n é o número de períodos de capitalização.
O símbolo ^ representa a exponenciação, isto é, o valor entre parêntesis está
elevado a “n-ésima” potência

Note, pela expressão acima, que temos uma função exponencial. Se você não
está familiarizado com este conceito, significa que ela apresenta um
crescimento diferenciado de uma função linear, se a parcela (1+ i) que estiver
sujeita ao expoente (“n”) for maior do que 1 e, como estamos vendo, ela é, a
menos que “i” seja menor do que zero (ou seja, se i for negativo).

Termo inicial dos juros de mora - art. 405CC


Dívidas ilíquidas:
São aquelas que ainda não temos certeza em relação a sua totalidade, valor e
sendo ilíquida, carece de sua certeza. Quando são ilíquidas devem ser
discutidas em juízo.
Ex: O credor diz que o devedor deve 1.000 e o devedor diz que não, que deve
800. Se não tem um contrato ou título que prove, tem que tornar essa dívida
líquida.
Então, nas dividas ilíquidas, os juros de mora começam a contar a partir da
citação válida.

Obrigações com vencimento certo:


Ex: cartão vence dia 23, não pagou no dia 23, começam a correr os juros de
1% ao mês.

Obrigações sem prazo:


Como precisa constituir o devedor em mora de alguma forma. Se interpela
judicialmente ou extrajudicialmente, a partir da interpelação começam a correr
os juros de mora.

Responsabilidade extracontratual:
Aconteceu um evento danoso, um ato ilícito, acidente ou atropelamento, diante
disso, a parte prejudicada entra com ação indenizatória. Se conta a partir da
ocorrência do ato que gerou o dano.

Legais – determinados pela lei

Convencionais – pactuados pelas partes

Simples – calculado sobre o principal

Compostos – juros sobre juros anatocismo


(permitida somente anual – CC591, trata de empréstimo oneroso)

 taxa de juros
Taxa SELIC, é uma taxa instável e variável, o supremo diz para as partes não
acordarem por ela nos contratos, pois não é juridicamente segura.

Prova da culpa
Moratória – Mora
Cláusula penal: Compensatória Determinada obrigação
Inadimplemento absoluto
Independe da prova de prejuízo

 Cláusula penal:
É prevista no contrato através de penalidades, e estas vem expressas nos
contratos. Muitas vezes, não se tem previsão no contrato, por ser mal redigido
não possui as penalidades e há a possibilidade de mudar a situação se o juiz
entender, diante de perdas e danos, por exemplo, que o inadimplemento a
partir de um fato o juiz atribuir a mora e a partir dela, atribuir os efeitos
moratórios.
- Mas, se possui um contrato e tem a redação pela autonomia da vontade das
partes, as obrigações entre as duas partes estabelece as penalidades
contratuais em caso de descumprimento de quaisquer das obrigações.
- Ela é acessória, segue o principal. Se o principal não for cumprido, utiliza-se o
acessório. Se o acessório está sendo cumprido, não se utiliza nenhuma das
cláusulas, basta cumprir a obrigação.
- Ela é uma forma de fazer com que as obrigações não sejam inadimplidas.
Espécies de cláusula penal

a) MORATÓRIA b) COMPENSATÓRIA

(compulsória): (compensar o inadimplemento)

Estipulada para desestimular o devedor de incorrer Estipulada para servir como indenização no caso de

em mora ou para evitar que deixe de cumprir total inadimplemento da obrigação principal

determinada cláusula especial da obrigação (adimplemento absoluto).

principal.

É a cominação contratual de uma multa para o caso

de mora.

Funciona como punição pelo retardamento no Funciona como uma prefixação das perdas e danos.

cumprimento da obrigação ou pelo inadimplemento

de determinada cláusula.

Ex1: em uma promessa de compra e venda de um Ex: em um contrato para que um cantor faça um

apartamento, é estipulada multa para o caso de show no réveillon, é estipulada uma multa de 100

atraso na entrega. mil reais caso ele não se apresente.

Ex2: multa para o caso do produtor de soja fornecer

uma safra de qualidade inferior ao tipo “X”.

A cláusula penal moratória é cumulativa, ou seja, o A cláusula penal compensatória não é cumulativa.

credor poderá exigir o cumprimento da obrigação Assim, haverá uma alternativa para o credor: exigir

principal e mais o valor da cláusula penal (poderá o cumprimento da obrigação principal ou apenas o

exigir a substituição da soja inferior e mais o valor valor da cláusula penal.

da cláusula penal).

Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para

o caso de mora, ou em segurança especial de outra o caso de total inadimplemento da obrigação, esta

cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de converter-se-á em alternativa a benefício do credor.

exigir a satisfação da pena cominada, juntamente

com o desempenho da obrigação principal.

Multa moratória   =   obrigação principal + multa


Multa compensatória   =   obrigação principal ou multa

Existem duas modalidades:

 Moratória (em relação a mora):

Se atrasou no pagamento, estará diante de uma relação de consumo e estará


sujeito aos 10% em cima do valor principal.

- Não é extrapetita ou ultrapetita se o juiz declarar na sentença.


 Compensatória:
Sempre convencional.

- Pré-liquidação das perdas e danos

- Como se redige uma CPC? Se qualquer uma das partes infringir o contrato,
estará sujeito ao valor de 2mil (do ex abaixo), por infração ao tempo desta, sem
o prejuízo ou sendo possível a indenização suplementar, provando o prejuízo
superior ou de perdas e danos. Deve-se redigir uma cláusula que absorva a
suplementar.

- Juiz não pode estabelecer de ofício, pois está baseada na autonomia da


vontade.

Art. 408. Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal, desde que,
culposamente, deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora.
(atribuindo a mora e a compensatória).
- Se aplica a cláusula penal independente de prova de prejuízo, porém precisa
provar a culpa.

Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em


ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma
cláusula especial ou simplesmente à mora.

- Na compensatória se tem determinada obrigação e vai se estipular multa pela


determinada obrigação (fazer, dar, não fazer), vai ser definido qual é a
obrigação, o objeto principal do contrato e quando se fala em inexecução
completa é o inadimplemento absoluto.

Art. 410. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total


inadimplemento da obrigação (absoluto), esta converter-se-á em alternativa a
benefício do credor.
- O benefício é o credor escolher se vai aplicar ou não a cláusula penal. Ex:
não quer os 2 mil e vai brigar pelos 10 mil, principalmente quando não se tem a
indenização, as perdas e danos suplementar.

Ex: uma cláusula penal compensatória, supondo que foi expresso no contrato
que em caso de descumprimento da obrigação principal (não se refere a mora),
o devedor estará sujeito a pagar 3x o valor da parcela que tinha sido tratada no
contrato. Parcela de 2 mil (disposto na cláusula penal comp.), toda via, ocorre o
inadimplemento absoluto da obrigação e a prestação não é mais útil ao credor,
e ele vai optar se vai aplicar direto a cláusula penal (pois, quando ele está
diante da CP, o credor está sujeito a ela, independente da prova do prejuízo).
Digamos que a prova do prejuízo pelo inadimplemento total da obrigação foi de
10 mil. Como advogado do credor, pede para ele escolher a cláusula penal ou
provar o prejuízo (buscar as perdas e danos)? Até poderia pedir as duas, se
estiver previsto expressamente no contrato, porém, de forma suplementar, ou
seja, 2 mil já se tem garantido, teria que provar de prejuízo 8 mil. Não se pode
cumular as duas (somar 2+10), o que se pode cumular é a clausula
compensatória com a moratória e a moratória com a prestação principal.
O stj não admite a cumulação das perdas e danos com a multa
compensatória.
Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em
segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de
exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da
obrigação principal.

Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o
da obrigação principal.

Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a


obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da
penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a
finalidade do negócio.

Art. 414. Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um


deles, incorrerão na pena; mas esta só se poderá demandar integralmente do
culpado, respondendo cada um dos outros somente pela sua quota.
Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra
aquele que deu causa à aplicação da pena.
- Se é indivisível, cada um responde por sua quota parte.

Art. 415. Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o


herdeiro do devedor que a infringir, e proporcionalmente à sua parte na
obrigação.
- Ataca-se o culpado diretamente.

Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor
alegue prejuízo.
Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal,
não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi
convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização,
competindo ao credor provar o prejuízo excedente.
- No ex de cima, o prejuízo excedente que ele terá que provar é 8 mil

- Apesar da CPComp, pode optar pela segunda opção sempre? Sim, caso não
a queira, e opte pelas perdas e danos por assegurar que é inadimplemento
absoluto e prova que teve o prejuízo de 10 mil, vai aplicar esses 10 mil,
ignorando a cláusula penal compensatória. Porém, pode cumular a moratória +
tudo das prestações principais que deixou de cumprir + perdas e danos. O que
não se pode somar é os 10 mil +2.

- Diferença da multa para os juros: os juros se prestam para remunerar ou fazer


com que o capital que está nas mãos do devedor sejam remunerados,
tornando isso um fruto civil. A multa é uma penalidade.

- Ex: não tive prejuízo, mas teve inadimplemento absoluto, a prestação não é
mais útil, aplico a cláusula penal compensatória, é uma penalidade, pois é uma
pré-liquidacao de perdas e danos.

- Ex: prejuízo é de mil e a cláusula é de 2mil, vai receber os 2 mil ainda que o
prejuízo tenha sido de mil.

- Ex: locação, a pessoa fica 6 meses sem pagar o aluguel, ação de despejo. O
locador por não ter interesse na prestação, ele pede o imóvel cumulado com
ação de cobrança pelos alugueis atrasados, então pede-se as prestações em
atraso + os efeitos da mora + multa moratória + cláusula penal compensatória
(nesta, pode entrar prejuízo suplementar – conservação do imóvel, se pagou
IPTU, condomínio).

 Arras ou sinal de negócio:

- Normalmente se tem uma negociação onerosa, está interessado, mas ainda


não tem o dinheiro para executar o negócio. Faz um contrato preliminar, é
aquele em que há uma vinculação entre as partes, chama-se compromisso
contratual.
EX: promessa de compra e venda, tem força vinculante entre as partes, e se
inicia a promessa quando o comprador da um sinal de negócio – esse sinal vai
fazer parte da quantia total. Caso de uma coisa como sinal de negócio ou
vende a coisa e transforma em dinheiro ou credor aceita como dação em
pagamento como negociação, isso vai ficar entre acordo entre as partes.

Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a
título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de
execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo
gênero da principal.

Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra
tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras,
poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais
o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.

Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior
prejuízo (além do sinal), valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a
parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo
as arras como o mínimo da indenização.
- Qualquer uma das partes inocente pode pedir indenização suplementar,
desde que seja por escrito.
- Arras confirmatórias não tem direito a arrependimento.

Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento (arras


penitenciais) para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função
unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício
da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em
ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.
- Direito de arrependimento não há indenização suplementar, só tem direito a
penalidade prevista no 418.

- Tem-se as arras, tem aquele que recebe o sinal e aquele que paga o sinal. Se
é um contrato preliminar. O código estipulou que se uma das partes desistir
deve ter uma penalidade, então o legislador criou uma clausula penal geral
dentro das Arras que é o art 418. Então, quem paga o sinal de negócio e
houver desistência vai perder o sinal. Ex: foi comprado um bem de 100 mil e foi
dado um sinal de 20 mil, se aquele que pagou desistir vai perder os 20 mil. Se
a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá aquele que pagou haver o
contrato por desfeito, mesmo que seja um contrato preliminar (promessa), e
exigir sua devolução mais o equivalente (ao sinal), pode ser colocado o
equivalente a um percentual (40,50,60), mas se nada constar, o equivalente é
mais o sinal, mais 20 mil, ou seja, vai devolver 40 mil + atualização monetária
com os índices oficiais + juros (remuneratórios e moratórios)+ honorários de
advogado. De acordo com o art. 419 – A parte inocente pode optar pela
indenização suplementar ou pode exigir a execução do contrato, ou seja, os
100 mil do ex, mais as perdas e danos, a opção é da parte inocente que
passou a ser credora, nesse caso, chama-se arras confirmatórias, elas vão
confirmar o negócio e não há previsão do direito de arrependimento, quando
não há essa previsão, pode exigir indenização suplementar, valendo as arras
como o mínimo indenizatório ou execução com as perdas e danos.

 Enriquecimento sem causa:


A ação de enriquecimento sem causa tem caráter subsidiário.
- Primeiro usa todas as tentativas de ação para recuperar o prejuízo do
indivíduo, como no caso da joalheria, ela não tem mais como conseguir
conquistar a ação indenizatória por conta da prescrição, ainda lhe resta a ação
de enriquecimento sem causa contra a joalheria. O prazo será contado de 3
anos também, mas a partir do conhecimento da falsidade da joia, por isso ela
ainda tem um prazo, ainda tem subsidiariamente a possibilidade do
enriquecimento sem causa.

Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será
obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores
monetários.

Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem


a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição
se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido (se super-valorizou, vai
pagar pela valorização da coisa). (Ação In rem verso)

Ex: se fosse uma coisa. Vizinho recebe um pacote com iphone ao invés da
pessoa que estava endereçado. Ainda sim, o vizinho pega para ele. A ação
seria de in rem verso – devolver a coisa que indevidamente se apropriou e
obteve vantagem econômica.

CONCEITO:  enriquecimento sem causa tratado pelo artigo 884 do Código


Civil, configura-se pela existência de um enriquecimento obtido à custa de
outrem sem uma causa justificativa para o enriquecimento.

Ocorre enriquecimento sem causa quando alguém aufere um aumento


patrimonial, em prejuízo de outrem, sem justa causa. Outro conceito: dá-se
enriquecimento sem causa quando o patrimônio de certa pessoa se valoriza a
custa de outra pessoa, sem causa justificada.

Requisitos:

1) Subsidiariedade; só se lança mão desta ação quando não houver outra


forma de tutela do direito.
2) Enriquecimento de uma parte; a outra parte pode ter desvantagens
econômica ou não.
3) Vantagem econômica ou não; Ex: duas pessoas disputam a mesma
vaga de emprego, mas uma delas descobre que se chegar em tal
horário consegue entregar o currículo antes para uma pessoa influente.
Ou seja, obtém uma vantagem indevida, mas não econômica, se fala de
favorecimento sem causa.
4) Empobrecimento ou diminuição patrimonial; é a perda. Este requisito
pode faltar. O foco estará sempre no enriquecido, nunca no
empobrecido;
5) Nexo de causalidade; o fato que ocorre deve gerar o enriquecimento;

Art. 885. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa
que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir.

- Em relação aos juros, o ex da vilma que adiantou as parcelas do carro, se


deixou de existir, significa que não pode mais ser comprado, portanto é uma
retenção indevida da obtenção dos juros.

Art. 886. Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao


lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido.

- Se tinha uma ação de perdas e danos e não estava prescrita para divina, ela
não pode lançar o enriquecimento indevido.

- Pode entrar com ação compensatória e de perdas e danos com o fundamento


em enriquecimento sem causa, mas a ação própria não pode ser de
enriquecimento.

“Tal mecanismo foi criado com intuito de estabelecer um limite para o uso da
ação de enriquecimento sem causa, a qual somente

Aquele que paga indevidamente obtém o enriquecimento sem causa.

 Pagamento indevido:

É uma espécie de enriquecimento sem causa, pode decorrer de uma prestação


feita por alguém com a intenção de restituir uma obrigação equivocadamente
gerando um accipens

CONCEITO: O pagamento indevido ocorre quando alguém recebe o que não


lhe era devido (quer seja por inexistência de relação, quer seja por
inexigibilidade). O pagamento indevido funda-se na ideia de que todo
pagamento que feito sem que seja devido deve ser restituído. 

O pagamento indevido como espécie de enriquecimento sem causa: o


pagamento indevido é uma das formas de enriquecimento sem causa, por
decorrer de uma prestação feita por alguém com o intuito de extinguir uma
obrigação erroneamente pressuposta, gerando ao accipiens, por imposição
legal, o dever de restituir, uma vez estabelecido que a relação obrigacional não
existe (penso que ela existe, penso que devo), tinha cessado de existir ou que
o devedor não era o solvens ou o accipiens não era do credor. Já o
enriquecimento sem causa é o acréscimo de bens que se verifica no patrimônio
de um sujeito, em detrimento de outrem, sem que para isso tenha um
fundamento jurídico.

Espécies:

- Objetivamente indevido: quanto a extensão, ao valor ou a incidência da


cobrança (porque a cobrança deixou de existir o motivo para se cobrar, é o
caso de a pessoa antecipar as parcelas, então os juros devem ser retirados).
- Subjetivamente indevido: em relação ao que vai cobrar a pessoa do
devedor- cobrar do devedor errado ou pagamento errado do devedor. Quem
paga mal, paga duas vezes, isso não afasta o direito do pagador reaver a
prestação adimplida indevidamente.

Repetição em débito só pode ser pedida em dobro se provado a má-fé de


quem cobrou, reteve indevidamente.

Quando se fala do código de consumidor não precisa provar a má-fé. O


paragrafo único do art.42 do cdc diz que sendo cobrado e pagando
indevidamente, tem o direito o consumidor de pedir à repetição do indébito, por
valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

Art. 876. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica
obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida
condicional antes de cumprida a condição.

- se tem uma divida, mas tem uma condição que precisa ser cumprida antes do
pagamento da dívida, a outra parte não pode receber a dívida e se recebeu
antes a divida do que a condição que era para ser cumprida, significa que terá
que devolver o valor.

O pagamento indevido ocorre quando alguém recebe o que não lhe era
devido (quer seja por inexistência de relação, quer seja por inexigibilidade; Ex:
obrigação condicional implementada sem o advento da condição).

Art. 877. Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a


prova de tê-lo feito por erro.

Porém não cabe a repetição quando o “solvens” agiu por liberalidade (ex:
doação).

- Caso erre no depósito, na forma como deveria depositar, se pagou a quantia


a mais.

Art. 878. Aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações


sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto
neste Código sobre o possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso.

Aquele que recebeu o pagamento indevido de boa-fé (accipiens de boa-


fé) deverá devolver a coisa recebida indevidamente, mas terá direito de
conservar os frutos percebidos e de ser indenizado relativamente às
benfeitorias úteis e necessárias. Quanto às voluptuárias, poderá levanta-las,
desde que não altere a substância da coisa. O accipiens de má-fé deverá
devolver tudo que recebeu, juntamente com seus frutos, não tendo direito a
indenização por benfeitorias úteis e necessárias, não podendo, ainda, levantar
as voluptuárias.

Art. 879. Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver


alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia
recebida; mas, se agiu de má-fé, além do valor do imóvel, responde por
perdas e danos.
Parágrafo único. Se o imóvel foi alienado por título gratuito, ou se,
alienado por título oneroso, o terceiro adquirente agiu de má-fé, cabe ao
que pagou por erro o direito de reivindicação.

 Mas se o objeto do pagamento indevido for um imóvel que o falso credor


já tenha alienado a um terceiro, tal alienação só valerá se
feita onerosamente (venda sim, doação não) e o terceiro estiver de boa-fé.
Caso contrário o solvens poderá perseguir o imóvel e recuperá-lo do terceiro
(879).

Art. 880. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que,


recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou
prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu
direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o
verdadeiro devedor e seu fiador.

Este artigo trata da hipótese do recebimento de boa-fé de quem não é o


devedor, sendo a dívida verdadeira. O accipiens que, ao receber de boa-fé,
inutiliza o título ou deixa prescrever a ação, ou ainda renuncia às garantias, não
precisa restituir o pagamento. Quem pagou erroneamente — o solvens — terá
ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador.

Art. 881. Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho


de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele
que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu,
na medida do lucro obtido.

Se o pagamento indevido abranger obrigação de fazer (obrigação


positiva) ou obrigação de não fazer (obrigação negativa), quer sejam elas
originadas de contrato ou de decisão judicial (preceito cominatório, arts. 632 a
645 do CPC), o accipiens deve indenizar o solvens, independentemente de ter
recebido de boa ou má-fé. A indenização terá como base o lucro obtido, pois se
assim não fosse caracterizar-se-ia um enriquecimento sem causa. Não
havendo lucro do recebedor, não há que se falar em indenização, uma vez que
o locupletamento não ocorreria.

Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida
prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.

Art. 883. Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa
para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei.

Parágrafo único. No caso deste artigo, o que se deu reverterá em


favor de estabelecimento local de beneficência, a critério do juiz.

Porém não cabe a repetição quando o “solvens” agiu em cumprimento de


obrigação natural (ex: gorjeta, dívida de jogo, dívida prescrita, 882, 814) ou
quando o “solvens” deu alguma coisa para obter fim ilícito, afinal ninguém pode
se beneficiar da própria torpeza (ex: pagou ao pistoleiro errado para cometer
um homicídio, não cabe devolução, 883).

Pagamento indevido x cobrança indevida: não se confundem, pois no Pagamento


Indevido paga-se quando não se devia pagar; na Cobrança Indevida cobra-se dívida já
paga, então o autor da cobrança deve devolver o dobro ao requerido (artigo 940 CC).
Dois efeitos do pagamento indevido:

1 – aquele que enriqueceu sem causa fica obrigado a devolver o


indevidamente auferido, não só por uma questão moral (= direito natural), mas
também por uma questão de ordem civil (876, 884) e tributária, afinal como
explicar à Receita Federal um súbito aumento de patrimônio? O objetivo dessa
devolução é reequilibrar os patrimônios do devedor e do falso credor, alterados
sem fundamento jurídico, sem causa justa. (Juiz Rafael de Menezes)

2 – se o falso credor não quiser voluntariamente devolver o pagamento, surge


o segundo efeito que é o direito do solvens de propor ação de repetição do
indébito contra tal accipiens.  Esta ação tem este nome pois, em linguagem
jurídica, “repetir” significa “devolver” e “indébito” é aquilo que não é devido.
Então a ação é para o falso credor devolver aquilo que não lhe era devido.  Tal
ação prescreve em três anos (206, § 3º, IV).

A ausência de causa jurídica decorre de quatro situações:

Indébito objetivo absoluto: quanto não há vínculo obrigacional entre credor


e devedor. Ex.: pagar dívida que não existe; dívida prescrita. 

 Indébito objetivo quantitativo: existe o vínculo jurídico entre credor e


devedor, mas o pagamento realizou-se a maior. Ex.: pagamento de juros acima
do limite legal (1% ao mês). 

Indébito subjetivo ativo: aquele que recebe a dívida não é o credor. Ex.:
pagamento por meio de depósito em conta corrente de homônimo do credor.

 Indébito subjetivo passivo: quem efetua o pagamento não é o verdadeiro


devedor. Ex: sócio que paga dívida da empresa, pensando ser sua.
 SEGUNDO BIMESTRE

 Responsabilidade civil:

Carlos Roberto Gonçalves – volume único universitário, sobre responsabilidade


civil – saraiva.

Ela esta dentro das obrigações, mas ela trata de uma obrigação derivada,
porque a partir das obrigações legais, contratuais, deveres de conduta diante
da sociedade, temos nossas obrigações primárias (de cumprimento, de
conduta), se por ventura vier o inadimplemento dessas obrigações primárias e
gerar o dano, significa que estamos diante da responsabilidade civil, do dever
de indenizar, de reparar esse dano. Há uma obrigação originária que o nosso
dever de convivência social.

A responsabilidade civil constitui uma relação obrigacional que tem por objeto a
prestação de ressarcimento, podendo originar-se da inexecução contratual ou
da lesão do direito subjetivo, sem que preexista entre lesado e lesante qualquer
relação jurídica que a possibilite (extracontratual).
A função da responsabilidade civil é garantir o direito do lesado à segurança e servir
como sanção civil, de natureza compensatória, ressarcitória ou reparatória do dano
causado à vítima ou lesado.

- Vem do termo ‘’respondere’’, responder a alguma coisa ou a alguém.

Ela gera sanção de caráter patrimonial, independentemente de outras sanções


que possam apresentar do mesmo fato gerador.

Ex: acidente de trânsito, o motorista, dirige embriagado em alta velocidade e


ultrapassa a faixa de pedestre, atropelando um transeunte (pedestre), vindo a
causar o óbito, além disso o IPVA do veículo está atrasado.

Sanções do motorista:

1. Sanção administrativa advinda do código de trânsito – multa, pontos na


carteira. Embriagado, velocidade e a ultrapassagem a faixa de pedestre.
2. Sanção Penal – Código penal (regra culposo – dolo eventual)
3. Sanção Tributária – Código tributário nacional

A família do ofendido pode pedir pela responsabilidade civil, é uma sanção


civil de caráter patrimonial, o motorista responde com o próprio patrimônio
para pagar a família da vítima que passa a ser parte legitima para propor ação
indenizatória, danos estes, matérias (402 perdas e danos), morais, lucros
cessantes, emergentes.

A indenização não precisa ser necessariamente contra a um particular, mas


pode ser contra o Estado.
- Precisa provar a culpa do agente, o dano e o nexo de causalidade, entre a
conduta do agente e o dano.

 Pressupostos da responsabilidade civil:

Conduta humana do agente; Ex: um animal ataca, quem se


responsabiliza é o tutor do animal.

Dano e sua extensão. Quanto mais extenso o dano, mais extensa será
a indenização.

Nexo de causalidade.

Mas também deve-se trabalhar na defesa do acusado, e essa defesa são as


excludentes do nexo causal/da responsabilidade civil: caso fortuito, força maior,
culpa exclusiva da vítima, culpa exclusiva de terceiro.

- Foi com a lei ‘’Lex Aquilia Damno’’que passamos a chamar a


responsabilidade extracontratual de aquiliana. A sanção passou a ser em
dinheiro, uma sanção civil chamada de poenna que originou a sanção
pecuniária, ou seja, em dinheiro.

- No direito civil a diferença de dolo e culpa só surgiu no código de napoleão,


na revolução francesa e acabamos também, adotando o ato ilícito (art 186), e
este fala do dolo e da culpa estrito sensu (negligencia, imprudência e
imperícia).

- Sem culpa, sem responsabilidade civil – Código de 1916


Sem dano, sem responsabilidade civil – Código de 2002
Ou seja, é necessário o dano.

- A responsabilidade civil pode ser:


Subjetiva: a culpa sempre tem que ser provada.

Objetiva: sem culpa, dispensa a prova de culpa.


Para saber se é essa modalidade, deverá decorrer de lei, seja no CDC, meio
ambiente, responsabilidade do Estado, responsabilidade nos acidentes de
trabalho ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano,
passa a ser uma atividade de risco.

Pressupostos:
 Conduta humana – fato gerador da resp civil sendo:
- direta ou indireta
- voluntária ou involuntária - causado pelo próprio agente ou de terceiro, ou o
fato de animal ou coisa inanimada, que cause dano a outrem, que estejam sob
a sua responsabilidade – ato ou fato de terceiro.
- Ilícita (culpa) ou lícita (risco) – qualificação jurídica
- comissiva ou omissiva

Em regra, a obrigação de indenizar advém da prática de atos ilícitos, da culpa do


agente. Advém dos aspectos individuais do agente, da conduta ou do agir que levam à
concretização do dano.
A culpa compreende o dolo (intenção de praticar o ato danoso) e culpa stricto sensu,
sem intenção, mas com disponibilidade de assumir o risco da ação.
Culpa em sentido estrito: negligência, imprudência e imperícia.
Ilicitude: negação dos valores tutelados pela norma jurídica.
Ação ilícita: contrária ao dever geral previsto no ordenamento jurídico
(responsabilidade extracontratual) – artigos 186 e 927 CCB, ou falta de cumprimento
de obrigação assumida (responsabilidade contratual) – artigo 389 CCB.
O ilícito como fonte de indenizar os danos causados à vítima – princípio de ordem
pública – artigos 928, parágrafo único e 942, parágrafo único.
Ação lícita: agir de acordo com a lei ou o contrato, afastando a responsabilidade por
culpa, deslocando-se para a responsabilidade pelo risco (objetiva) – artigos 927,
parágrafo único e 931 CCB.

 Dano (art. 944) - é a lesão – diminuição ou destruição – devido ao


cometimento de determinado ato ou fato, praticado por outrem, contra qualquer
bem ou interesse jurídico do lesado, de caráter patrimonial ou moral. Dano
contratual ou extracontratual.
- material (art. 402)
- imaterial / moral
Dano moral reúne a pena e a compensação;
Dano patrimonial diminuição patrimonial da vítima – dano emergente e lucro cessante.
Não há responsabilidade civil sem dano, sem prejuízo de um bem ou interesse
jurídico, sendo necessária a prova real do dano.
Súmula 37 STJ – o dano moral pode ser cumulado com o dano patrimonial, desde que
decorra de um mesmo fato.

 Nexo causal entre dano e ação – relação entre causa e efeito


Não há responsabilidade civil sem que haja um liame entre a ação e o dano. O
autor (vítima) da ação indenizatória deverá provar que o seu prejuízo decorreu da
ação danosa do agente (réu), através de provas de fato e não de direito para a
apreciação e convencimento do juiz.
Se o agente deu causa ao resultado lesivo somente responderá pela reparação
civil aquele que der causa ao dano.
“ O juiz tem que eliminar os fatos que foram irrelevantes para a efetivação do dano.
O critério eliminatório consiste em estabelecer que, mesmo na ausência desses fatos,
o dano ocorreria. Causa será aquela que, após este processo de expurgo, se revelar a
mais idônea para produzir o resultado”. (Sergio Cavalieri Fº - Programa de
Responsabilidade Civil, p.49)
Causalidade múltipla – cadeia de condições que levaram ao resultado, apurando-
se qual delas é a causa real do resultado = foram amis complexa.

Teoria da equivalência dos antecedentes (ou equivalência das condições) –


adotada pelo artigo 13 do Código Penal. Se várias condições contribuíram para o
resultado, todas terão o mesmo valor, a mesma equivalência e relevância para a
análise do nexo causal. Refutada pela maioria dos doutrinadores civilistas.

Teoria da causalidade adequada – causa antecedente e necessária e adequada


à produção do resultado.
Se várias condições contribuírem ao resultado, somente se considera a causa
mais adequada à produção do evento (resultado lesivo) – a mais determinante ou
idônea das condições.

Solução: situação fática – análise caso a caso, com bom-senso e ponderação;


análise pelo juiz com base nos princípios da razoabilidade, probabilidade e equidade.
Deverá o julgador retroceder ao momento da conduta emitindo juízo sobre a
idoneidade de cada condição que levou ao resultado.
José de Aguiar Dias entende que a equivalência se aplica à responsabilidade
penal e a da causalidade adequada à responsabilidade civil.

Teoria da causalidade direta ou imediata – parte da doutrina e da jurisprudência


sustenta que tal teoria foi positivada no artigo 403 do CC.
“O exame do nexo causal limita-se a verificar se a atividade desenvolvida pelo
agente vincula-se de algum modo – próximo, direto, necessário, adequado e eficiente
– ao dano”. (Sergio Cavalieri Fº - Programa de Responsabilidade Civil, p.55)

Concausas – outras causas que juntadas à principal, concorre para o resultado,


ela reforça o processo causal, não inicia ou interrompe, tampouco exclui.

Ausência de relação de causalidade:


 por culpa exclusiva da vítima;
 por força maior ou caso fortuito – artigo 393 CCB;
 por culpa exclusiva de terceiros;
 cláusula de não indenizar nos contratos, podendo em alguns casos ser
considerada nula – artigo 734, 2ª parte e Código de Defesa do Consumidor.

Concorrência de causas - culpa concorrente da vítima e do agente – indenização


pela metade ou diminuída proporcionalmente – artigo 945 CCB.

 Culpa - imputabilidade ou culpabilidade do agente – analisada subjetivamente


- culpa lactu sensu
- dolo
- culpa em sentido estrito
- negligência, imperícia ou imprudência (art. 186 e 926)

Culpa grave (aproxima-se do dolo); culpa leve (falta de atenção ordinária evitável) e
levíssima (falta de atenção extraordinária evitável). O Código Civil não diferencia o
grau de culpa para estabelecer o deve de indenizar, independe de o agente ter agido
com dolo ou culpa levíssima. Somente expressa no parágrafo único do artigo 944 a
gravidade da culpa e o resultado lesivo, para efeitos de redução do valor indenizatório
pelo juiz.

 Abuso de direito: dono da terra aumenta sua área (cerca “cria perninhas” e invade
propriedade alheia
 Abuso de poder: policiais e lava jato (desvio de verba)
**toda ação de regresso passa a ser subjetiva, necessária a prova da culpa

Art. 187 caracteriza como culpa subjetiva porém, de acordo com Sérgio Cavalieri Filho,
a corrente progressista é de considerar culpa objetiva.

 Ação indenizatória ou Ação de Responsabilidade Civil em face do agente


causador do dano.

Meios ou mecanismos de defesa:

- Culpa exclusiva da vítima: vítima contribuiu exclusivamente para o resultado, só ela


deu causa = o agente causador do dano é isento de responsabilidade;
- Culpa exclusiva de terceiro: caminhão bate no meu carro e por isso eu atropelei o
ciclista. O causador do dano é um mero instrumento para o acidente. Exceção:
Contrato de transporte de pessoas (art. 735) (elidida = eximir): no caso de
acidente, a empresa de transporte responde sobre os danos causados aos
passageiros CCe após isso pode entrar com ação de regresso.
- Caso fortuito ou de força maior:
Interno: atividade econômica, ainda que previsíveis serão inevitáveis
Externo: greve, imprevisível, mas evitável

- Cláusula de não indenizar: passível de ser aposta nos contratos. Exceção: Art. 51,
inc. I CDC e art. 734 CC

- Sala ao lado começa a pegar fogo e quebramos a parede pra conseguir ajudar. A
PUC pode nos pedir indenização se a culpa tiver sido de outro aluno, MAS se for culpa
da PUC porque ela não fez a manutenção, não precisa pedir indenização.
MODALIDADES/ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE CIVIL

Quanto ao AGENTE causador do dano:


Reponsabilidade pode ser
- direta ou por ato próprio: pode ser culposa, por omissão ou comissão, involuntária,
dolo, culpa sentido lacto sensu. O autor do dano age voluntariamente, diretamente
para o resultado lesivo.
OU
Reponsabilidade indireta
- pelo ato de terceiro:
Art. 932. O empregado é responsável pelos atos praticados, mas o código diz que
também são responsáveis pela reparação civil, o empregador pelos atos praticados
por seus empregados. Ou seja, aquela pessoa esta agindo em nome do empregador,
se a professora sair da PUC, porque tem uma atividade fora da universidade de
apresentar ela no TJ, e no caminho com o carro da PUC acontece um acidente e
neste há danos materiais.
Art.933 A vítima pode ingressar com a demanda contra a prof e a puc solidariamente,
porque eles também são os responsáveis, assim como, pode ingressar só contra o
empregador, e este entra pela via regressiva contra o empregado, por força do art.
934, ademais a resp civil das pessoas elencadas no 932 é objetiva.
Empregador tem resp objetiva e o ato praticado pela prof que causou o acidente
externo a universidade.
No art.934 só tira a possibilidade de regresso quando se tem descendência.
- Na ação de regresso a responsabilidade sempre será subjetiva, mediante prova da
culpa.

Ex: se o meu filho menor danificar o AUDI do vizinho, estando ele sob a minha
autoridade (não necessariamente guarda) e companhia, serei chamado a responder
"objetivamente", sem que a vítima seja obrigada a provar a ocorrência de "culpa in
vigilando", nos termos do arts. 932, I c/c 933 do Novo Código Civil.
O mesmo raciocínio aplica-se aos tutores, curadores, patrões e donos de hotéis, por
atos praticados por seus tutelados, curatelados, empregados e hóspedes.
Caiu por terra, portanto, a tradicional "presunção de culpa", uma vez que o legislador
optou expressamente nessas hipóteses pela responsabilidade objetiva.
Por fim, vale lembrar que, contornando críticas doutrinárias que há décadas se
repetiam, cuidou o CC/2002 também de estabelecer, em seu art. 928, que "o incapaz
responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem
a obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes".

- fato da coisa:
a) animada (animais, semoventes) – art. 936 trata da resp civil do dono/detentor ou
de quem estiver na guarda do animal, e este ataca prejudicando patrimônio de
alguém. A responsabilidade é objetiva, independente de prova de culpa, o detentor do
animal vai responder e terá que arcar com os prejuízos decorridos do ataque.

b) inanimada (coisas móveis e imóveis) – art. 937 diz que os edifícios em ruinas
cuja necessidade de conservação é manifesta, a responsabilidade é subjetiva (tem
que comprovar a necessidade manifesta, seja pelo que a prefeitura já fez fiscalização
e justificou ou seja porque a obra está abandonada a muito tempo e causa risco grave
as pessoas vizinhas = culpa) e art. 938 lançamento de líquidos e sólidos pelas
edificações (responsabilidade objetiva = sem culpa)
Ex: arvore cai na casa de alguém, a resp é de quem deveria ter cortado ou conservado
a coisa, não adianta alegar força maior, deve ser apurada a resp.

Quanto ao FATO gerador:


- Contratual – vínculo jurídico preexistente entre as partes.
Resultante da inexecução de negócio jurídico unilateral ou bilateral, resultante de ato
ilícito ou inadimplência de obrigação contratual preexistente (relação jurídica contratual
entre os contratantes - agente e lesado). A responsabilidade neste caso será em regra
por culpa, sendo excepcionalmente por uma das partes, desde que expressamente
assumidas, os efeitos da força maior e do caso fortuito (art. 393 CCB).
Haverá situações em que o contrato poderá estipular cláusula excludente de
responsabilidade de reparação, ou mesmo sua redução, desde que o fato gerador da
responsabilidade civil para qualquer das partes contratantes não infrinja comando
legal, princípios gerais do direito, à ordem pública ou aos bons costumes.
Portanto, o descumprimento de uma obrigação contratual gera a responsabilidade de
indenização, prevista ou não no contrato. (art.389 CCB)
Verificamos que o ônus da prova na responsabilidade contratual será do devedor,
comprovando por todos os meios probatórios, as excludentes do dever de indenizar ou
mesmo da culpa diante da inadimplência da obrigação.

- Extracontratual – a partir da ocorrência do dano, não há vinculo preexistente entre


as partes.
Também denominada de aquiliana. Resulta do inadimplemento do comando legal, ou
mesmo da prática de atos ilícitos do próprio agente, por terceiros ou coisas sob sua
responsabilidade, não havendo, portanto qualquer relação obrigacional entre o agente
e a vítima.
A responsabilidade tanto poderá ser objetiva (risco) como subjetiva (culpa), sendo que
nesta a vítima deverá comprovar a culpa do agente ou a sua intenção (dolo) para que
haja o direito ao ressarcimento.

Quanto aos FUNDAMENTOS:


- Subjetiva: Prova da culpa, tendo como pressuposto da resp civil, prova do dano,
nexo causal e culpa do agente. Essa resp está pautada na Teoria da Culpa (lato
sensu; stricto sensu - dolo, imprudência, negligência, imperícia; in iligendo; in
contraendo – acidente da prof representando a puc e in custodiendo - tutor, curador).
Arts. 186 (ato ilícito), 187 (abuso de direito) e 927 caput (há obrigacao de indenizar
aqueles que cometerem atos ilícitos)

- Objetiva: Art. 927 § único ainda que não haja culpa por parte do autor do dano ele
será responsabilizado civilmente. Há duas hipóteses que poderá ser responsabilizado
sem culpa: decorre de lei (teoria objetiva), ex - CDC que diz que a resp civil do
fornecedor é independentemente de culpa, pelo vicio do serviço ou defeito do produto
atividade de risco ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano é atividade de risco (teoria do risco (criado, proveito, integral, este quando estiver
diante de dano ao meio ambiente ou nuclear (art. 37 §único CF).
- A resp civil do estado é objetiva, independe da prova de culpa, pode-se provar a
culpa em ação regressiva contra o agente público. Mas, o estado quanto agente de
direito público responde pelo ato praticado.

Exemplo: taxista cruza a preferencial e causa acidente e danos a outro veículo e em


relação ao seu passageiro.
 Responsabilidade sobre os danos causados ao outro veículo: direta,
extracontratual, subjetiva
 Reponsabilidade quanto ao passageiro: direta, contratual, objetiva
- Transporte de pessoas (art 735) não pode alegar culpa exclusiva de terceiros

 Responsabilidade penal (pessoal) x Responsabilidade civil


(pecuniária, patrimonial)
- Art 935 cc. Não há indenização propositura para aquele fato gerador...

Elas tramitam de forma independente entre si.


 Uma sentença criminal transitada em julgado absolvendo o réu pela
materialidade e pela autoria => segundo o 935, impede a propositura da
ação de responsabilidade civil.

 A sentença criminal que absolve o réu por falta ou insuficiência de


provas => há a possibilidade da propositura da ação indenizatória ou de
responsabilidade civil

 Sentença condenatória criminal (com efeitos civis) => há a possibilidade


da liquidação (dar o quanto debeatur– é colocar valores indenizatórios) e
cumprimento de sentença no cível.

Ex: condutor de um veiculo em alta velocidade, na contra-mão, sem habilitação


- (sansão administrativa, prevista no código nacional de transito- resp adm, só
o poder publico pode autuar, pegar carteira,etc), devendo IPVA (resp.tributária ,
causa acidente grave, matando o condutor do outro veículo (homicídio culposo
– resp.penal ou pode-se brigar pelo dolo eventual por assumir o risco e vai para
júri popular e resp. civil, a família passa a ser legitimada para essa ação
indenizatória).

1.     Nas hipóteses abaixo especifique as modalidades de responsabilidade a


cada caso responsabilidade civil direta, responsabilidade civil indireta,
responsabilidade civil objetiva ou subjetiva, contratual ou extracontratual
indicando os artigos do CCB correspondentes, a possibilidade de ação de
regresso:
 
1.a. Antenor empregado da Empresa Valência dirige com o carro da empresa,
no horário de trabalho, em alta velocidade em via pública sinalizada com limite
de velocidade, atingindo um pedestre que atravessa na faixa de segurança.
- Quanto ao agente causador do dano: direto seria Antenor, mas se atribuir
resp também ao empregador será indireta para este, sob o fundamento do
art.932 inciso iii (ela é objetiva, segundo art 933) e o empregador poderá entrar
com ação de regresso contra o empregado (934). Se chamar só o empregado
será subjetiva e terá que provar a negligencia por parte dele, e se chamar
ambos passa a ser solidária e objetiva
- Entre a vítima e as partes envolvidas não há uma relação jurídica
preexistente, então é extracontratual.
- cabe ação de regresso contra Antenor e a resp será subjetiva, direta e
contratual, pelo trabalho entre as partes.
 
1.b  Hamilton deixa seu veículo estacionado em frente à sua residência,
quando seu filho de 14 anos tentando manobrar o veículo acaba batendo no
muro do vizinho causando dano patrimonial.
- vizinho é a vítima
- a resp será de Hamilton, é indireta (art.932 i).
- se o filho tivesse 18 anos a ação poderia ser contra ele, mesmo que utilizando
o carro do pai
- é objetiva (art.933)
- entre o Hamilton e o vizinho não existe vinculo preexistente contratual, etnao
é extracontratual. 
 
1.c. O cão de raça considerada perigosa é levado para passear pelo seu
adestrador em local pouco movimentado, porém o cão não atende às ordens
de comando vindo a morder um transeunte causando-lhe ferimentos graves.
- resp é do adestrador (art.936), há uma responsabilidade indireta pelo fato da
coisa animada, pois se trata de um semovente (animal).
- objetiva, não se fala em prova de culpa, cabe ao adestrador, detentor, dono
do animal controla-lo
- entre o adestrador e a vitima não tinha relação contratual, então é
extracontratual.

1.d. O proprietário de um edifício em ruína é notificado pelo município para as


providências necessárias, quando forte chuva desmorona parte do edifício
atingindo um veículo estacionado.
- resp indireta pelo fato da coisa inanimada (art.937 cc), sendo uma resp
subjetiva se esta provier de reparos cuja necessidade fosse manifesta. Houve
essa notificação, então ele deveria ter feito essa manutenção.
- depende, se for locatário é contratutal, se for alguém estranho a edificação é
extracontratual.

1.e. Mário motorista de táxi se envolve em acidente com ciclista que vem a
falecer vítima de ferimentos, é comprovada a culpa por negligência do taxista,
que cruzou via preferencial sem atentar-se às advertências de PARE.
- subjetiva, tem que provar a culpa do mário
- não tinha relação preexistente – extra
- se houvesse um passageiro que tenha saído ferido, permanece direta, mas
objetiva e contratual pelo transporte de pessoas.

1.f. Celso funcionário público do Município de Cerro Azul – PR, motorista do


caminhão de coleta de lixo do município, dirige em alta velocidade, quando
colide com um ônibus escolar do município vizinho, ferindo vários alunos que
estavam sendo transportados para participar dos jogos em Cerro Azul.
- funcionário público se equipara a condição de 932 inciso ii, resp do município
do cerro azul. Resp ojetiva
- art 927 p 6º cf, atos praticados pelos funcionários públicos.
- quem entra com ação são os pais das crianças, ainda que o ônibus seja do
município, podem também, entrar só contra o ônibus escolar com a premissa
que ele tinha a resp de transportar as crianças com segurança.
- ingressar contra a demanda de forma indireta, não importa se os pais vao
promover acao contra o município do motorista do onibus escolar ou conta
cerro azul
- extracontratual. Há quem diga que é contrato social, pelo compromisso do
estado com todos.
- cabe ação regressiva do município.

1.g. A concessionária de serviço público Viagebem, faz a manutenção da BR


376, trecho que vai do município de Joinville a Camboriú – SC. No quilômetro
37 desta rodovia, ocorre um acidente por falta de sinalização das obras
efetuadas na estrada, causando sérios ferimentos nos passageiros do veículo,
danos materiais e morais.
-  Art.36 inciso 6º cf.
- Resp indireta
- culpa objetiva (cdc,cf)
contratual

1.h. O hotel SOSSEGO GARANTIDO, recebe como hóspede um famoso


jogador de futebol de um time paranaense, na cidade de São Paulo. Após as
22 horas, o jogador chega embriagado acompanhado de outros amigos que
faziam arruaça nos corredores do hotel, quando um hóspede intervém de forma
educada, solicitando respeito ao descanso dos demais. O jogador profere
palavrões e de forma abrupta quebra a porta de vidro próximo ao hóspede,
vindo os estilhaços de vidro a causar, tanto ao hóspede quanto ao jogador,
ferimentos sérios.
- art 932, IV
- resp indireta
- objetiva (cdc + art 933)
- contratual
- cabe ação de regresso contra o jogador.

 O Art.932 é o responsável por fundamentar a responsabilidade civil


indireta pelos danos aos terceiros que estão ali elencados, seja por
regime de guarda, tutela, etc.
Por outro lado, há uma responsabilidade civil objetiva, pois o
legislador colocou o art.933, o qual diz que ainda que não haja
culpa por parte daqueles elencados no 932, responderão pelos
danos causados.

Ex: empregado de uma empresa comete um ato que causa dano a terceiro,
nesse caso a demanda quando proposta contra a empresa é objetiva, não
importa se tem ou não culpa é responsabilizado objetivamente pelo 933 do cc,
enquanto que na ação regressiva que está prevista no 934 do cc, a
responsabilidade será apurada mediante a prova da culpa, ou seja, subjetiva.
Sempre será baseado no 932, exceto se tiver relação de descente. Ex: o filho
manobra carro do pai e bate no muro do vizinho, este ingressa ação contra o
pai, e este não pode entrar pela via regressiva contra descendente.

 O art.932 também trata que ‘’também são responsáveis’’, significa


que não está excluindo o empregador, por exemplo, ou seja, pode
chamar solidariamente ambos, significa que ao entrar só contra o
empregado não está em legitima parte passiva, porque não pode
ser culpa exclusiva de terceiro pelo vinculo já existente.

Responsabilidade dos pais pelos filhos menores: os pais respondem pelos


atos praticados por filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua
companhia. A interpretação do dispositivo pela doutrina é no sentido dos pais
responderem sempre que os filhos estiverem sob sua autoridade parental,
independente da guarda. Esclareça-se que o termo companhia não implica na
presença física, mas deve ser entendido no sentido de influência sobre a
criança.

Responsabilidade dos tutores e curadores: a responsabilidade dos tutores e


curadores é, em substância, equivalente à responsabilidade dos pais pelos
filhos. No entanto, em razão da tutela e curatela serem um múnus publico
impostas por lei, a jurisprudência encaminhou-se no sentido de examinar a
extensão da responsabilidade com menos rigor.
Responsabilidade dos tutores e curadores: observar o artigo 928 CC: O
incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele
responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes.
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser
equitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que
dele dependem.
Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que
houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for
descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz.
Em todos os casos de responsabilidade indireta vigora o princípio do direito de
regresso daquele que suporta seus efeitos contra aquele que tiver praticado o
ilícito, a não ser na hipótese da responsabilidade paterna, por razões de ordem
moral e de organização da família

Responsabilidade do empregador pelos atos do empregado: Entende-se


por empregado ou preposto o dependente, que receber ordens, sob o poder de
direção de outrem, que sobre ele exerce vigilância, a título mais ou menos
permanente.
Exige-se, ainda, que os atos culposos dos prepostos sejam praticados no
exercício do trabalho que lhes competir ou em razão dele.

Responsabilidade dos donos de hotéis e de estabelecimento de ensino:


ressalte-se que à responsabilidade dos hotéis aplicam-se as normas do CDC.

Quanto à responsabilidade dos estabelecimentos de ensino, tendo os pais


transferido para certa instituição de ensino a guarda transitória de seus filhos,
esta passa a ser responsável pelos prejuízos eventualmente causados pelos
educandos.

Responsabilidade dos que participaram no produto de crime: o dispositivo


não se refere aos coautores, porque estes estão incluídos no artigo 942 e
respondem solidariamente. O artigo diz respeito as pessoas que inocentemente
acabam auferindo proveito da prática de um determinado crime.
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda
que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos
terceiros ali referidos. – resp OBJETIVA do 932.

- ver slides da jurisprudência fato da coisa, fato ou ato de terceiro.

 Responsabilidade civil das pessoas de direito público e


privadas prestadoras de serviços públicos:

A responsabilidade do estado é constitucional – art.37 inciso 6º

SERVIÇO PÚBLICO

I- Conceito e características
É toda atividade que a lei atribui ao Estado para que exerça diretamente ou
por meio de seus delegados(autarquias, fundações públicas, sociedades de
economia mista), mediante regime de concessão e permissão, com o objetivo
de satisfazer concretamente às necessidades coletivas, sob regime jurídico
total ou parcialmente público. Abrange atividades que, por sua essencialidade
ou relevância para a coletividade, foram assumidas pelo Estado, com ou sem
exclusividade.
- Segurança nacional, emissão de documentos oficiais são indelegáveis,
só os órgãos públicos podem fazer.
- Eles só delegam aos cartórios extrajudiciais (certidão de nascimento,
casamento, divórico, escritura pública). Atualmente fazem concurso
público para obter um cartório.
* Conforme artigo 175 da CF

II- Formas de prestação de serviços públicos


Serviço Centralizado
- É o que Poder Público presta por seus próprios órgãos em seu nome e sob
sua exclusiva responsabilidade, o Estado é titular e prestador do serviço, que
permanece integrado na denominada Administração Direta.
- quando o estado centraliza sua atividades nos órgãos públicos, estaduais,
federais, municipais significa que sua adm passa a ser direta.

Serviço Descentralizado
- É todo aquele em que o Poder Público cria uma pessoa jurídica de direito
público ou privado e a ela transfere a titularidade e a execução de determinado
serviço público. Essa criação somente ocorre por meio de lei e corresponde à
figura da autarquia, fundações governamentais, sociedades de economia mista
e empresas públicas.

Nas autarquias federais, muncipais, estaduais não se aplica o cdc, pois não
visa lucro, então é lei de adm pública, cf e código tributário. Se visar lucro cdc.

Serviços Outorgados a Particulares:

Os serviços públicos podem ser outorgados a particulares através da


concessão e da permissão, diferenciados da autorização, esta com
previsibilidade na Constituição Federal em seu artigo 21, inciso XII, de forma
imprópria, pois a autorização, caracteriza-se como ato administrativo unilateral
e precário (significa que a qualquer momento o estado pode caçar autorização.
Ex: alvarás, banquinhas), através do exercício discricionário da administração,
incompatível com a outorga do serviço público por concessão ou permissão
que prescindem de prévia licitação.
 Passíveis de delegação por autorização, são as atividades de natureza
privada, relevantes para o interesse público, submetidas à fiscalização
estatal, através do Poder de Polícia.
 Concessão de serviço público é o contrato administrativo pelo qual a
Administração Pública delega a outrem a execução de um serviço
público, para que o execute em seu próprio nome, por sua conta e risco,
assegurando-lhe a remuneração mediante tarifa paga pelo usuário
(consumidor) ou outra forma de remuneração decorrente da exploração
do serviço. (é um contrato administrativo e deve ser respeitado).
Pedágio é uma concessionária.
 Permissão ato unilateral e precário, para alguns doutrinadores,
discricionário (não precisa justificar a concessão), para outros atos
vinculados (tem que dizer o motivo de criar, permitir), pois deve ser
precedida de procedimento licitatório, pelo qual o poder público transfere
a outrem a execução de um serviço público, para que o exerça em seu
próprio nome e por sua conta e risco, mediante tarifa paga pelo usuário.

Responsabilidade Civil – Elementos


AÇÃO - atos omissivos e comissivos praticados pelo Estado ou seus órgão
públicos, pelos seus agentes, pessoas jurídicas de direito público e privadas
prestadoras de serviços públicos.
DANO - lesão ao patrimônio ou bem jurídico de terceiros, individuais e
coletivos.
NEXO DE CAUSALIDADE - liame jurídico entre a ação (fato ou ato) lícito ou
ilícito, e o dano efetivamente causado.
Fundamento legal
 Artigo 37, § 6º da CF/88 - tornou objetiva a responsabilidade civil, pela
teoria do risco administrativo, estendendo às pessoas jurídicas de direito
privado prestadoras de serviço público. Sendo por exemplo o transporte
coletivo serviço público, transferido ao particular, através de permissão
ou concessão, responderá este pelo dano causado a terceiros de forma
objetiva.
- podendo o estado entrar com ação de regresso contra o agente
público.
 O Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 22 e parágrafo
único, estabelece que os órgãos públicos, por si e por suas empresas
concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de
empreendimento, além de fornecerem serviços adequados, eficientes e
seguros, respondem pelos danos que causarem aos usuários.

RESPONSABILIDADE OBJETIVA
É aquela em que se alega o nexo causal entre a atuação e dano por ela
produzido, não se alegando o dolo ou a culpa (por negligência, imprudência ou
imperícia).
- se houver concessão, permissão, seja para adm indireta (autarquia,
empresa pública), seja para iniciativa privada que visa lucro, aplica-se o
cdc, cujo a responsabilidade é sempre objetiva, mas há duas teorias.
- No caso de dano por comportamento comissivo ou ato omissivo (a
ausência de determinado comportamento), a responsabilidade do Estado é
objetiva.
Excludentes de responsabilidade civil:
- Caso fortuito
- Força maior
- Culpa exclusiva da vítima
- Culpa exclusiva de terceiro (salvo contratos de transportes)

Teorias:

TEORIA DA CULPA ADMINISTRATIVA - obriga o Estado a indenizar pela


ausência de serviço público ou falta de serviço público – OMISSÃO DO
ESTADO – Celso Antonio Bandeira de Mello. Cabe a alegação do Estado das
excludentes de responsabilidade.
- terá que provar enquanto vítima a culpa do estado, se não provada a culpa
não há dever de indenizar

TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO – é a mais comum, art.37 p 6º


cf.Basta o ato lesivo e injusto imputável à administração pública, comprovando
a vítima o nexo de causalidade. Cabe a alegação do Estado das excludentes
de responsabilidade.
- a resp é objetiva o estado assume a responsabilidade quando delega a
particular ou terceiriza.
TEORIA DO RISCO INTEGRAL - não adotada no ordenamento jurídico pátrio.
O Estado responde invariavelmente pelo dano suportado por terceiro, não
sendo possível a alegação das excludentes de responsabilidade. – Somente
dano nuclear e ambiental.
- o estado pode ser solidário a um crime ambiental praticado por um privado,
pois ele tem o dever de fiscalizar, a falta de fiscalização gera a
responsabilidade do Estado como aconteceu em brumadinho.

RESPONSALIDADE POR CONDUTAS OMISSIVAS


 A grande maioria da doutrina (administrativista) aponta que a
responsabilidade do Estado na omissão é subjetiva. O Estado deve ser
responsabilizado quando era possível impedir o dano de acordo com
padrões possíveis do serviço.

Marçal Justen Filho defende a divisão da omissão em própria e


impróprias. Na primeira, há um dever de atuação legal e expresso e
determinado e o descumprimento gera tratamento equivalente ao da
responsabilidade objetiva, “objetivando a culpa” (ex: omissão de
socorro). Na omissão imprópria, o dever de diligência é genérico e aí há
de se perquirir a culpa (mau funcionamento do serviço), ou seja, a
responsabilidade seria subjetiva típica.
- essa tese é a que mais se aproxima das decisões do stj.

A jurisprudência dominante tanto do STF como deste Tribunal, nos casos


de ato omissivo estatal, é no sentido de que se aplica a teoria da
responsabilidade subjetiva.
Hipótese em que o Tribunal local, apesar de adotar a teoria da
responsabilidade objetiva do Estado, reconheceu a ocorrência de culpa
dos agentes públicos estaduais na prática do dano causado ao particular.

- não pode generalizar, a resp do estado depende de cada caso concreto.

1) Fábio menor de idade aluno de uma creche municipal, foi atingido por uma
laje em dia de forte temporal, deste fato o menor sofreu lesões graves nas
pernas. O atendimento médico municipal demorou a prestar o pronto
atendimento, situação que resultou em forte hemorragia e amputação do pé
direito de Fábio. Aponte a responsabilidade civil decorrente do caso ocorrido,
com fundamento na lei, identificando os sujeitos da relação jurídica de direito
material, a indenização pleiteada e a defesa do réu (posicionar tanto na
condição de advogado de acusação, quanto de defesa).
- A vítima é fabio menor de idade, absolutamente incapaz (estava na creche).
- Estará em juízo os pais de fabio representando os interesses de fabio.
- Fabio é o polo ativo, ele vai demandar, mas os pais representarão ele em
juízo para que o pedido seja formulado adequadamente, pois ele não tem
discernimento, é absolutamente incapaz.
- Polo passivo é o município, por duas circunstâncias distintas. O nexo causal é
o pronto atendimento atrasou e por isso amputou a perna, mas ele só teve o
acidente por conta de um acidente na laje da creche. Então, a resp é do
município, mas a creche está envolvida diretamente nessa responsabilidade e
o atendimento médico municipal. E a creche é municipal, então se tem
duplamente responsabilidade do município.
- As provas para defender fabio: laudo pericial da estrutura da creche, pois se
foi má conservação da laje, não tem como alegarem força maior e se alegada
força maior ela não é considerada excludente, pois não tinha conservação
devida da laje que cobria a creche municipal.
- a responsabilidade é pelo fato da coisa, ela está em ruinas, significa que
houve uma falha técnica de estrutura.
- Se provar a ruina já tira a possibilidade de defesa do município de alegar
força maior.
- Se tiver que provar toda a ruina e nexo causal em relação que a criança só
amputou pela falha da prestação de serviço público no momento do atraso do
atendimento, prova que a amputação somente aconteceu pelo atraso do
atendimento médico. (prova importantíssima, deve fazer um retrocesso a partir
da ocorrência dos fatos). Nesse caso, laudo médico, pois se tivesse tido um
atendimento eficaz o pé não teria sido comprometido.
- O dano direto é com relação a família, ao menininho, ao fato. O dano
indireto/reflexo é na mãe. Se tem o dano moral da criança e da mãe que está
presenciando o dano da criança.
- Dano material indireto da mãe, dano reflexo que vai pedir indenização pelo
afastamento no trabalho, por exemplo, para cuidar do filho. Ao se afastar do
trabalho ela deixa de receber o valor correspondente ao salário, para poder
atender a criança que vai precisar de cirurgia, prótese, médicos, psicóloga, etc.
- Ou seja, terá que mostrar o nexo de causalidade entre a situação precária da
creche e o atraso no atendimento para provar a culpa do município.
- Se a creche for particular é cdc, e terá que mostrar que falhou na
conservação da laje. Mas, também chama o município para se responsabilizar
se o siate demorou para chegar ou ao chegar na upa ignoraram a situação da
criança.
- Nesse caso, se tem pedido indenizatório, vai relatar os fatos, produzir as
provas dos fatos, sejam testemunhais, pericia, documentais, para mostrar o
nexo causal e a evolução dele.
- o pedido indenizatório estará pautado diretamente para fabio (danos
materiais, morais), tem como mencionar a perda da chance da criança de viver
de forma normal, saudável pelo fato de adquirir uma deficiência que terá que se
submeter a vários tratamentos para que se possa tentar igualar a outras
crianças.
- Nesses danos materiais é todo tratamento psicológico, médico, prótese,
medicamentos. Será responsabilidade do demandado
- Com relação ao indireto, o ricochete, tem o dano experimentado pela própria
vitima, mas que o reflexo é na mãe do fabio que pode ser material (lucros
cessantes pelo afastamento do trabalho) e dano moral.
- foi alegado pela parte contrária a força maior pela chuva e que a diretora deu
toda assistência para o atendimento necessário, visto que na creche possuía
enfermaria – tudo isso para descaracterizar o nexo causal da amputação. Mas,
isso não tira a resp do hospital.
- Poderia também, se pedir uma pensão ao fábio até sua recuperação. Art.950

2) Josué, motorista de táxi é parado em uma blitz por policiais militares,


confundido com marginal procurado pela polícia, foi encaminhado à Delegacia
de Furtos e Roubos, onde permaneceu preso durante 42 dias, sem qualquer
assistência jurídica, sendo por duas vezes torturado, apresentando lesões
graves pelo corpo. Constatou-se após o acontecido que Josué não era o
marginal procurado, sendo libertado com problemas de saúde, ficando afastado
por mais 60 dias. Fundamente nos artigos do CCB os direitos de Josué,
apontando a responsabilidade do Estado pela prisão ilegal.

- Art. 954. Inciso 3. Ofensa a liberdade, erraram a pessoa, a vítima é o Josué.


- se houve um erro de policiais militares quem responde é o estado da
federação.
- polo ativo é a vítima josue
-polo passivo é o estado da federação
- O erro primeiro foi dos policiais e depois da delegacia de furtos e roubos.
Além da ofensa a liberdade ele tem uma ofensa física e moral.
- Nesse caso, o dano foi direto da vítima. Se tem, danos morais, materiais
(implica tratamento de saúde, lucros cessantes).
- O estado por essa prisão ilegal vai alegar em sua defesa que não foi provada
a culpa por parte do estado.
- se ele não provar o nexo causal, o estado vai alegar que não teve nenhuma
negligencia no dever de cautela.
- a ação regressiva seria contra os policiais responsáveis por essa situação.

 Responsabilidade Civil no Código de Defesa do Consumidor


Lei 8.098/90
Relação de Consumo

CONSUMIDOR: Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou


utiliza produto ou serviço como destinatário final. Art. 2°. Parágrafo único.
Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que
indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

FORNECEDOR: Art. 3º Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou


privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços. § 1º Produto é qualquer bem, móvel ou
imóvel, material ou imaterial. § 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no
mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações
de caráter trabalhista.

Para identifica-lo há 3 características inerentes: - habitualidade,


profissionalismo e lucratividade.
- Objeto são os produtos e serviços

Responsabilidade civil no CDC

 Responsabilidade objetiva (decorre de lei) dos fornecedores de


produtos e serviços, por vício do produto e do serviço ou pelo fato do
produto e do serviço – acidente de consumo (tornando consumidores
não diretos em consumidores equiparados).

Art. 927. CC. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de
reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei,
ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar,
por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

 Responsabilidade solidária entre os fornecedores de produtos e


serviços – todos que participarem da relação de consumo
Exemplo: passei mal pelo o que eu comi, não sei se o erro está no mercado
onde comprei e lá foi contaminado ou foi contaminado em fábrica, logo
processo os dois - Art. 18 cdc.

- a garantia legal – art.20 cdc, trata do prazo decadencial para vícios dos
produtos.

Da Proteção à Saúde e Segurança


 Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não
acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os
considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e
fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a dar as
informações necessárias e adequadas a seu respeito.
 Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as
informações a que se refere este artigo, através de impressos
apropriados que devam acompanhar o produto.

 O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou


perigosos à saúde ou segurança deverá informar, de maneira ostensiva
e adequada, a respeito da sua nocividade ou periculosidade, sem
prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto.

 O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou


serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou
periculosidade à saúde ou segurança.

 O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua


introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da
periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente
às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios
publicitários.

 Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão


veiculados na imprensa, rádio e televisão, às expensas do fornecedor do
produto ou serviço.

 Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou


serviços à saúde ou segurança dos consumidores, a União, os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los a respeito.

Vícios dos produtos e dos serviços (sanável)


- Isso não impede que caiba indenizações (ex: cobrança indevida todo mês)
- vicio de serviço, podem ser de prestabilidade ou de qualidade, em que para
sanar o vício cabe reexecução que engloba pelo próprio fornecidor, por outro
fornecedor aos custos do primeiro (as expensas)
- vicio de produto, pode ser de qualidade, quantidade ou informação, em
que o fornecedor tem 30 dias para sanar o vício, desde que não se trata de
produtos essenciais, esse devem ser trocados imediatamente. Se não sanável
em 30 dias- artigo 18 CDC
 O fornecedor de produtos responde pelos vícios de qualidade ou
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a
que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente,
da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as
variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a
substituição das partes viciadas.

 O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os


tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como
por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes
da oferta ou mensagem publicitária.

Art.26 e 50 cdc

São impróprios ao uso e consumo


 I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;

 II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados,


falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde,
perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas
regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;

 III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao


fim a que se destinam.

Vício de quantidade
 Vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as variações
decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às
indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de
mensagem publicitária.

 São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins


que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não
atendam as normas regulamentares de prestabilidade.

Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço


 O fornecedor responde pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação,
construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

 O produto e serviço é defeituoso quando não oferece a segurança que


dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais:

         I - sua apresentação (produtos) ou modo de seu fornecimento


(serviços)

         II - o uso e os riscos (produtos) ou o resultado e os riscos (serviços)


que razoavelmente dele se esperam;
         III - a época em que foi colocado em circulação (produtos) ou
fornecido (serviços).

Excludentes de responsabilidade
 O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será
responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;


II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
 O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;


II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Exemplo: fortuito externo- viagem de ônibus de Curitiba a SC, mas pega muito
trânsito e não é possível nem chegar no destino e nem voltar, mesmo sendo
previsível e inevitável, logo não há responsabilização, diferente do fortuito
interno em que há responsabilização da empresa que organizou a viagem se
por exemplo o ônibus viesse a quebrar no meio do caminho e tem que esperar
1 2 horas até chegar outro

Defeito/ fato:
- São insanáveis
- Cabe indenização
- Correspondente

1) Cecilia Ferreira hospedou-se no hotel Villagio di Roma na cidade de São Paulo


no dia 15 de janeiro, para participar do casamento de uma prima nesta mesma
cidade. Na oportunidade resolveu usar um anel e um par de brincos
pertencentes à bisavó paterna. Por se tratar de joias centenárias pertencentes à
família Ferreira, Cecilia depositou mediante protocolo as mesmas no cofre do
hotel pois usaria as jóias na noite do dia 16 de janeiro, data do casamento. Na
noite do dia 16 de janeiro, Cecilia solicitou a devolução das joias para que
pudesse usá-las, quando foi constatado pelo hotel que as mesmas haviam
desaparecido, sem qualquer vestígio de arrombamento. A alegação do hotel foi
de que Cecilia havia depositado as joias, porém as pegou no mesmo dia (ou
seja, falseando aquilo que ela estava negando, colocando-a em situação de
constrangimento), mesmo que o protocolo ainda estivesse em sua posse na
noite do dia 16 de janeiro. Há relação e consumo entre as partes envolvidas?
Estamos diante de um vício ou defeito na prestação do serviço de hotelaria?
Podemos entender que Cecilia sofreu um dano moral, além do dano patrimonial?
Se o entendimento for positivo, identifique o dano moral, se direto ou indireto e
a natureza jurídica da reparação do dano moral.

É uma relação de consumo, prestação de serviço de hotelaria, aplica-se o cdc.


A prestação de serviços se encontra tanto no código civil quanto no cdc. No cc tem as
clausulas gerais contratuais e no cdc as proteções especiais desses serviços e todas
as prestações de serviços é remunerada, existe uma contraprestação onerosa.

- Cecília é consumidora e o Village de Roma é fornecedor.

- Sofreu dano moral por duvidarem da sua afirmativa de não estar em posse do
protocolo, acarretando em constrangimento. O segundo dano moral é referente as
joias de família.
Ou seja, dano moral direto e indireto, este é o fato de ter joia de família que
desapareceu dentro do hotel e essa joia não tem preço que pague isso, apesar de
valor econômico, não devolve a história que tem por de trás, sendo que esse dano
moral indireto pode recair sobre pessoas no dano ricochete/reflexo ou sobre coisas.

- Trata-se de um defeito na prestação de serviço, pois é insanável.

- Natureza jurídica do dano moral é compensatória para a vitima e precisa ser punitiva
ao contratante.

2) Valdo, consumidor paga a fatura de seu cartão de crédito na data prevista,


porém a administradora de cartões de crédito não dá baixa do pagamento.
Passado 60 dias do pagamento da fatura, Valdo resolve fazer compras a prazo
em uma loja de departamentos. Quando consultado seu crédito constatou-se o
registro no banco de dados de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito,
por uma dívida paga, que por falha na prestação de serviços colocou o
consumidor em situação constrangedora. Estamos diante de um acidente de
consumo ou defeito na prestação de serviços. Além do dano patrimonial
podemos alegar o dano moral? A responsabilidade destacada neste caso é
objetiva? Sob que fundamento?

Trata-se evidentemente de relação contratual de consumo entre Valdo e


administradora de cartões de crédito, aplicável o artigo 14 do CDC, pelo defeito na
prestação do serviço, pelo fato de Valdo ser inserido indevidamente no cadastro de
inadimplentes, gerando dano moral direto, pelo constrangimento experimentado.
Portanto, responsabilidade civil objetiva do fornecedor pelo defeito na prestação do
serviço. Seria considerado acidente de consumo se outros consumidores,
equiparados, sofressem a lesão, conforme dispõe o artigo 17 do CDC. Dano
patrimonial verificado pela impossibilidade de compras e dano moral pelo
constrangimento, lembrando que é possível requere as despesas de honorários
advocatícios e custas processuais se houver.

Responsabilidade dos profissionais Liberais no CDC e no CC

A responsabilidade objetiva é tida como regra na seara consumerista e


apresenta variações na imposição do dever de indenizar, ora na forma solidária, ora
na forma subsidiária, em decorrência do tratamento diferenciado dado ao comerciante
pelo CDC. É exatamente este tratamento diferenciado que interessa ao operador do
direito, dada interferência direta no estudo da responsabilidade civil. Neste prisma,
torna-se extremamente proveitoso a análise da responsabilidade dos profissionais
liberais nas relações de consumo, já que também se trata da quebra de um padrão de
responsabilidade objetiva, como será demonstrado.
O art.14 §4º do Código de Defesa do Consumidor estabelece que “a
responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a
verificação de culpa”. Observa-se que o paradigma da responsabilidade objetiva no
CDC foi quebrado neste caso. Dessa maneira, os profissionais liberais somente serão
responsabilizados por danos quando ficar demonstrada a ocorrência de culpa
subjetiva, em quaisquer de suas modalidades: negligência, imprudência ou imperícia.
(MIRAGEM, 2003).
Neste sentido, expõem-se as lições de Benjamin:
O Código, em todo o seu sistema, prevê uma única exceção ao princípio da
responsabilização objetiva para os acidentes de consumo: os serviços prestados por
profissionais liberais. Não se introduz a responsabilidade, limitando-se o dispositivo
legal a afirmar que a apuração de responsabilidade far-se-á com base no sistema
tradicional baseado em culpa. Só nisto eles são beneficiados. No mais, submetem-se
integralmente, ao traçado do Código. (BENJAMIN, 2009, p.139)
A diversidade de tratamento na responsabilização dos profissionais liberais se
dá em razão da natureza intuitu personae dos serviços prestados pelos mesmos. Os
profissionais liberais são contratados ou constituídos com base na confiança que
inspiram aos respectivos clientes, a exemplo de médicos e advogados. Por este
motivo, justifica-se o tratamento diferenciado em sede de responsabilidade civil.
(GRINOVER, 1998)
Observa-se ainda que a responsabilidade dos profissionais liberais poderá ser
configurada sem a presença do elemento culpa. O CDC, ao dar tratamento
diferenciado aos profissionais liberais, nada mais fez do que manter o sistema
tradicional baseado na culpa, razão pela qual as regras de responsabilidade descritas
no Código Civil ainda continuam sendo aplicáveis. Dessa forma, nas obrigações de
resultado, em que o produto/serviços é vinculado a uma meta ou resultado, a exemplo
das cirurgias estéticas, o profissional liberal poderá ser responsabilizado sem aferição
do elemento culpa. (CAVALIERI FILHO, 2008).
Portanto, a responsabilidade civil dos profissionais liberais será:
• Contratual
• Subjetiva – prova da culpa
• Aplicável o artigo 14, § 4º CDC
• Exceção: nas obrigações de resultado a responsabilidade será objetiva.

1) Walter Rocha foi contratado para interpor Ação Revisional de contrato de


financiamento bancário, processo que não foi adiante por inépcia da inicial,
onde Walter deveria ter apresentado quais as obrigações pretendiam
controverter no pedido formulado, não o fez, juiz concedeu prazo para emendar
a inicial e desidioso deixou transcorrer o prazo, prejudicando seu cliente
Saturnino Braga. Neste interregno, o banco ajuizou Ação de Busca e Apreensão.
Logo, a tomada do automóvel pelo banco se deu em razão de inadimplência
Saturnino Braga, que julgava estar protegido pela demanda ajuizada pelo seu
advogado constituído por procuração. Qual o fundamento da responsabilidade
civil ao caso apresentado? Estamos diante de uma relação jurídica contratual de
consumo? Fundamentar a resposta. Quais os pedidos formulados a favor de
Saturnino Braga? Se estivéssemos diante de uma contratação de escritório
jurídico, portanto pessoa jurídica a responsabilidade seria igualmente
fundamentada?
Em havendo seguro de responsabilidade civil profissional como proceder no
caso concreto?

Há relação jurídica contratual entre Walter Rocha, advogado profissional liberal, e o


cliente Saturnino Braga, por conta de contrato de mandato, cujo instrumento é a
procuração que confere poderes de representação em juízo. O advogado é prestador
de serviços advocatícios, relação contratual, aplicável o artigo 14, §4º do CDC.
Como profissional liberal e advogado, deve guardar na execução do mandato e da
prestação de serviços a diligência e técnica processual adequada, na defesa do
cliente. Ao ser desidioso com a ordem judicial e a perda do prazo, responsabiliza-se
subjetivamente, tendo Saturnino que provar a culpa do profissional liberal. Aplicável ao
caso o Código de Defesa do Consumidor.
Em caso de contratação de escritório jurídico, a responsabilidade aplicável seria a
objetiva, posto estarmos diante da aplicação do artigo 14, caput do CDC.
Saturnino diante do prejuízo causado pelo advogado Walter, terá direito a indenização
por danos materiais (artigo 402 do CC), e à perda da chance por não ter sua causa
solucionada pela Justiça em decorrência do erro profissional, assim como diante da
busca e apreensão do automóvel, dos danos materiais dela decorrente, caberia o
dano moral pelo constrangimento experimentado.
Em caso de seguro de responsabilidade civil, a seguradora será denunciada à lide
quando do pedido indenizatório de Saturnino em face de Walter, sendo que o valor
segurado será pago após o trânsito em julgado da decisão indenizatória.

DANO ESTÉTICO
1. Conceito:
Segundo a profª Mª Helena Diniz, dano estético é “toda alteração morfológica do
indivíduo que, além do aleijão, abrange as deformidades ou deformações, marcas e
defeitos, ainda que mínimos, e que impliquem sob qualquer aspecto um afeiamento da
vítima, consistindo numa simples lesão desgostante ou em um permanente motivo de
exposição ao ridículo ou de complexo de inferioridade, exercendo ou não influência
sobre sua capacidade laborativa.”
2. Diferenças em relação ao dano moral:
O dano moral se caracteriza pela ofensa a pessoa - no sentido de causar dor e
sofrimento a outrem no tocante a sua dignidade.
O dano estético, por sua vez, se configura a partir do momento em que se tem ofensa
direta a integridade física da pessoa. Por essa característica, o dano estético só pode
ser causado à pessoa física.
Portanto em uma demanda de indenização por acidente de trânsito, por exemplo,
onde a vítima perdeu seu braço direito, é possível pleitear pelo dano moral – no
tocante da ofensa moral a vitima, seu sofrimento, bem como pelo dano estético –
ofensa a sua integridade, a perda do braço.
O entendimento dos nossos tribunais vem sendo a favor da cumulação de ambos,
cada qual com valores autônomos, desde que seus fundamentos sejam distintos,
ainda que provenientes do mesmo fato.
3. Responsabilidade civil médica nos casos de dano estético pós-cirúrgico:
A responsabilidade civil médica consiste na obrigação do médico ou da clínica
responsável, de arcar com os prejuízos causados a outrem, quando houver a
comprovação de danos decorrentes da atuação destes profissionais.
De modo geral, a doutrina defende que as intervenções cirúrgicas são realizadas
através de contratos de prestação de serviços médicos, que originam ao médico
contratado, uma obrigação de meio, principalmente em cirurgias de alto grau de
periculosidade.
Há, porém, uma pequena parte da doutrina que sustenta se tratar de uma obrigação
de resultado, quando for um caso de melhoramento estético do paciente.

1) Ana Letícia Costa se submeteu a uma intervenção cirúrgica de cesariana no


Hospital particular São Paulo, realizada sob a responsabilidade da médica Drª
Larissa Camargo em 15 de dezembro de 2001, responsável pela equipe médica
(médico assistente, enfermeira, anestesista e instrumentadora). Findo o parto,
constatou-se que a paciente sofrera queimaduras graves abdominal e parte
superior da coxa direita, causadas pelo bisturi elétrico. Após a alta médica,
recebeu assistência da Drª Larissa Camargo, submetendo-a a outra cirurgia para
enxertia da ferida que não cicatrizava. O fato resultou em incapacidade
laborativa por tempo indeterminado e impeliu-a a novas cirurgias corretivas com
cirurgião plástico afastado. Durante os internamentos a paciente ficou afastada
do convívio de seu filho recém-nascido, sofrendo sério abalo psicológico,
inclusive impossibilitada de amamentar o bebê. Aponte a responsabilidade civil
ao caso concreto, apontando os direitos da vítima de acordo com os artigos do
Código Civil Brasileiro. Explique a possibilidade de cumulação do dano moral e
do dano patrimonial.

Trata de responsabilidade civil contratual, com aplicação do artigo 14 §4º do CDC,


subjetiva da profissional média Drª Larissa Camargo, pelos danos causados à
paciente Ana Letícia Costa, que sofreu queimaduras e posterior tratamento gerado
pelo bisturi elétrico, no momento da cesariana. A responsabilidade da médica diz
respeito, não somente pelo ato próprio praticado, mas pelos demais membros da
equipe médica, que estava sob sua inteira responsabilidade, portanto, indireta se
porventura alegasse a culpa exclusiva da instrumentadora.
Cabível a cumulatividade do dano moral e do patrimonial, tanto pela doutrina como
pacificada pela jurisprudência pátria.
Ana Letícia terá direito a danos materiais, para reconstrução da parte afetada pelas
queimaduras (cirurgias estéticas reconstitutivas), tratamento médico hospitalar, lucros
cessantes e pensão de alimentos até sua pronta recuperação (artigo 950 CC - incluirá
pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da
depreciação que ele sofreu); destacadamente o artigo 951 CC.
Dano moral direto pelo sofrimento e afastamento do filho durante o tratamento e
cirurgias; Dano moral ricochete do filho menor pela ausência da mãe nos primeiros
meses de vida, não ter sido amentado. Dano estético, devido às sequelas de Ana
Letícia, que por mais cirurgias reconstitutivas venha a fazer, não retornará ao estado
anterior à lesão.

2) Verônica Almeida, 19 anos, modelo profissional contratada pela agência Ford


Models no Brasil para campanha publicitária 2016, com exclusividade, para a
marca Schutz, e com pré-contrato para 2017-2020 para Milão – Itália, submeteu-
se à cirurgia meramente estética de correção de orelhas de abano, em julho de
2016, com renomado cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica, Dr. Brenno Saminski. Resultado desastroso, com assimetria lateral
direita da face, uma das orelhas ficou assimétrica em relação a outra, resultando
em danos a modelo Verônica, inclusive o cancelamento de agendamento de
algumas fotos das campanhas da agência.
Diante dos fatos narrados, quais os direitos reclamariam em defesa da jovem
cliente? Haveria a perda da chance? Sob qual fundamento? Trata-se de
responsabilidade subjetiva ou objetiva? Contratual? Haveria alguma excludente
ao caso possível de ser defendida a favor do médico?

Por se tratar de erro médico em cirurgia plástica com obrigação de resultado, assim
entendida por boa parte da doutrina e jurisprudência, acusando a responsabilidade
civil objetiva e contratual do cirurgião plástico Dr. Breno Saminski, terá Verônica
Almeida, a possibilidade de ingressar em juízo em face do médico requerendo:
• Dano estético
• Dano moral
• Danos materiais – nova cirurgia corretiva, por outro médico às expensas do Dr.
Breno; lucros cessantes pela impossibilidade de cumprir o contrato com a Ford
Models, quando do cancelamento de fotos agendadas
• Perda da chance de ser contratada como modelo internacional em Milão, 2017-2020,
perdendo a oportunidade ascensão na carreira de modelo internacional.
• Todos os pedidos indenizatórios cumulativos e não alternativos.
Como defesa médica, o dano se assim demonstrado com provas periciais, que
somente ocorreu por fato alheio ao procedimento cirúrgico, como reação adversa do
organismo de Verônica ou que esta não atendeu às orientações prescritas para o pós-
operatório, que deveria constar do termo de consendtimento informado do paciente
(juntar nos autos para defesa), caracterizando a culpa exclusiva da vítima. Atenuar a
responsabilidade civil do médico, descaracterizando o dano estético como dano
indenizável, como o faz parte da doutrina civilista, ou seja, do dano estético reflete as
indenizações de danos moral e material.

CONTRATO DE TRANSPORTES E RESPONSABILIDADE CIVIL


Vvvvvvvvvvvvv
Trata-se de modalidade de contrato de adesão, onde as partes não discutem as
cláusulas contratuais, sendo as mesmas previamente estipuladas por uma das partes,
aderindo a outra parte à vontade de apenas um dos contratantes. – ARTIGO. 730 CCB

Artigo 37, § 6º da CF/88 - tornou objetiva a responsabilidade civil, pela teoria do risco
administrativo, estendendo às pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de
serviço público. Sendo portanto, o transporte coletivo serviço público, transferido ao
particular, através de permissão ou concessão, responderá este pelo dano causado a
terceiros de forma objetiva. – ARTIGO 731 CCB

Aplica-se neste tipo de contrato as regras estabelecidas no Código de Defesa do


Consumidor em seu artigo 22 e parágrafo único, que estabelecem que os órgãos
públicos, por si e por suas empresas concessionárias permissionárias ou sob qualquer
outra forma de empreendimento, além de fornecerem serviços adequados, eficientes e
seguros, respondem pelos danos que causarem aos usuários. ARTIGO 732 CCB.

Art. 733. Nos contratos de transporte cumulativo, cada transportador se obriga a


cumprir o contrato relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos
nele causados a pessoas e coisas.
TRANSPORTE DE PESSOAS
ARTIGO 734 CCB
A obrigação prevista neste artigo, bem como prevista no artigo 17 do Decreto
2.681/1912 (Responsabilidade Civil das Estradas de Ferro), responsabilidade objetiva,
teoria do risco presumido, salvo comprovados o caso fortuito ou força maior e culpa
exclusiva da vítima, não cabe a alegação de culpa concorrente, pelos defeitos da
estrada por exemplo ou pela culpa concorrente da vítima, situação em que não será
reduzida proporcionalmente a indenização devida (entendimento do CDC). Obrigação
de resultado.

Art. 735. Caso em que terceiro cause o acidente do transportador, vitimando


passageiros do interior deste. Não exime a responsabilidade do transportador
quando houver previsão da cláusula de não indenizar.

Art. 726.

Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples culpa o contratante, a
quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem não favoreça. (...) Portanto,
segundo alguns autores e pela jurisprudência, o entendimento está de que no
transporte gratuito somente haverá a responsabilidade do transportador quando
este agir por dolo ou culpa gravíssima, nos demais casos não será civilmente
responsabilizado.

Art. 737. Situação frequentemente ocorrida nos transportes aéreos: o


transportador responde pelo atraso de transporte aéreo, indenizando passageiro
que tinha confirmação de reserva.

Art. 738.

Art. 739 Responsabilidade objetiva do transportador aéreo, também está


fundamentada no Código Brasileiro do Ar, pela Convenção de Varsóvia (alterada
pelo protocolo de Haia) e Código de Defesa do Consumidor (tarifação de
passagens aéreas).

Art.740. Aplicabilidade à todas as formas de transportes de pessoas, porém mais


freqüente no transporte aéreo.

TRANSPORTE DE COISAS
A responsabilidade do transportador é presumida e limitada ao valor constante
no termo contratual ou nota fiscal do conhecimento), inicia-se no momento em
que recebem a coisa até a sua entrega efetiva, no destino final (ao destinatário
final ou em juízo através de depósito judicial.

Art. 743 ; Art. 744; Art. 745 ; Art. 746; Art. 747; Art. 748 ; Art. 749; Art. 750; Art. 751.
Art. 752; Art. 753; Art. 754; Art. 755; Art. 756

TRANSPORTE DE NOTÍCIAS
Transporte efetuado por meio de correios e telégrafos.
A Convenção Internacional de Varsóvia, o Regulamento Geral dos Transportes e
Regulamento dos Telégrafos tenham estabelecido a irresponsabilidade das empresas
de correios e telégrafos pelos danos resultantes de erro, atraso ou extravio dos
telegramas e seus congêneres, tem havido julgados no sentido reconhecer a
responsabilidade dessas empresas, com fundamento no artigo 186 CCB, bem como o
entendimento do dano moral decorrente da culpa da empresa.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.
No dia 8 de agosto de 2014 às 21:40 horas, Arnaldo Aguiar, casado, pai de
família, garçom, ocupava um dos lugares do transporte coletivo Expresso
Bello, na cidade de Curitiba-PR, quando dois homens armados com
pistolas anunciaram o assalto. Apavorados os passageiros pediram ao
motorista do coletivo que abrisse a porta traseira. Com o ônibus ainda em
movimento Arnaldo saltou sendo atingido pelas rodas traseiras do
ônibus. O motorista parou imediatamente o veículo, de onde fugiram os
assaltantes, sem ferir qualquer dos passageiros. Arnaldo foi prontamente
socorrido pelo SIATE, encaminhado ao hospital local, passando por uma
série de cirurgias e internamento na UTI, veio a falecer quatro dias após o
acidente. Qual a responsabilidade civil do transportador ao caso
concreto? Dentre os pedidos formulados a favor da vítima poderia
requerer pensão alimentícia e sob qual fundamento? Em defesa do
transportador caberia a excludente da culpa exclusiva de terceiro ao caso
em tela? ou estaríamos diante do fortuito externo?
A responsabilidade civil do transportador de pessoas é objetiva, prescindível a
prova da culpa, bastando a conduta do agente, dano e nexo causal. Trata-se
de relação contratual de consumo e pela previsão do CC, nos contratos de
transporte de pessoas artigo 734 e seguintes. Quanto ao contrato de
transportes de pessoas e suas bagagens, assume o transportador a obrigação
de transportar incólumes, os passageiros até o destino final, desembarque.
Como Arnaldo Aguiar, era arrimo de família, provedor do sustento da família,
terá direito seus descendentes, esposa e filhos, a pensão de alimentos
segundo artigo 948 CC, além das despesas com funeral, luto da família e
despesas hospitalares do período de internamento e danos morais direto de
seus familiares, legitimados ao pedido indenizatório.
Como defesa do transportador duas hipóteses podem ser arguidas:
1) Culpa exclusiva da vítima, uma vez que Arnaldo lançou-se para fora do
ônibus, assumindo desta forma o risco de sua conduta;
2) O fortuito externo posto que para o assalto, não havia previsibilidade e
tampouco a possibilidade de evita-lo. Destaca-se que a jurisprudência
pacificou o entendimento de que se o assalto não é contumaz ou
reincidente, cabe a excludente de caso fortuito externo; caso contrário
seria interno, ante a previsibilidade e condutas protetivas aos
passageiros deveriam ser tomadas pelo transportados, não se eximindo,
nesta hipótese de responsabilidade.
3) A culpa exclusiva de terceiro não é cabível ao caso concreto, tampouco
elidida a responsabilidade do transportador, segundo artigo 735 CC.