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Educação Básica e Tecnológica

Instruções metodológicas – Conhecimentos Potencialmente Integradores

Agosto de 2020

I. O que chamamos de conhecimentos potencialmente integradores?

Os cursos de nível médio integrados à formação profissional vêm se assentando, na prática, numa
antinomia entre conhecimentos gerais e profissionais. Por um lado, alunos e alunas recebem
informações derivadas de um conjunto de componentes que lhe permitem acessar o mundo das
Linguagens, da Matemática, das Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Por outro lado, têm
igualmente acesso a componentes das áreas técnicas que compõem sua formação profissional.
Entre esses conhecimentos, gerais e profissionais, existem aqueles que podemos chamar de
potencialmente integradores, porque se debruçam sobre problemas comuns e que podem dar
maior complexidade para o entendimento do que se esconde por trás de determinados
fenômenos. Por exemplo: quando estamos lidando com eletromagnetismo ou desenho técnico na
formação profissional, vamos encontrar na Física e na Matemática conhecimentos gerais que
alargam o entendimento daqueles conhecimentos específicos da área profissional, acontecendo o
mesmo quando falamos de inovações tecnológicas ou de organização do mundo do trabalho, que
vão encontrar na História e na Sociologia a possibilidade de amplitude do entendimento sobre
aqueles saberes específicos.
Nessa perspectiva, os conhecimentos potencialmente integradores são aqueles que possuem uma
maior possibilidade de articulação entre a formação geral e a formação técnica. Além disso,
podemos também considerar os conhecimentos potencialmente integradores como um amplo rol
de possibilidades de ações de integração e projetos interdisciplinares entre as diferentes áreas do
conhecimento que compõe os cursos do IFSP.
Ao permitir essa dimensão, os Currículos de Referência, além dos conhecimentos essenciais,
oferecerão uma enorme gama de conhecimentos para o desenvolvimento dos componentes
curriculares articuladores, mas também de inúmeras outras ações pedagógicas, tais como:
❖ projetos integradores;
❖ ações interdisciplinares entre os componentes curriculares;
❖ avaliações da aprendizagem conjuntas;
❖ projetos de extensão;
❖ projetos de pesquisa;
❖ projetos de ensino;
❖ semanas temáticas, pedagógicas e científicas;
❖ ações junto ao arranjo produtivo;
❖ projetos de orientação de estágios;
❖ ações de apoio e integração com a comunidade;
❖ projetos institucionais;
❖ parcerias...
Entre tantas outras ações que poderão envolver os conhecimentos “potencialmente integradores”
e que poderão estar dimensionadas no Projeto Pedagógico do Curso. (...)
Os(as) assessores(as) farão uma última análise do material enviado pelos câmpus, quando terão
contato com os “conhecimentos potencialmente integradores”, com o intuito de promover
sugestões de alterações ou inclusões de novos conhecimentos, mas sem suprimir nenhum dos
conhecimentos indicados pelas CEICs.” (...)
“Salienta-se que a definição dos “conhecimentos potencialmente integradores” será feita no
âmbito dos GTs durante a próxima etapa de construção dos Currículos de Referência. No entanto,
considerando a expertise dos(as) assessores(as) em suas respectivas áreas de atuação, e também
a sua prática docente, espera-se que outros conhecimentos potencialmente integradores sejam
identificados no processo de análise de cada curso. Se assim ocorrer, estes novos conhecimentos
devem ser inseridos junto aos demais, sem suprimir nenhum conhecimento previamente
identificado no interior de cada curso.

(Currículo de Referência PRE/DIEB - Caderno Orientativo I)


No início de fevereiro de 2020 até o dia 13 de abril do mesmo ano, as CEICs dos cursos do IFSP
tiveram a tarefa de mobilizar a comunidade escolar para a elaboração de conhecimentos
essenciais e dos conhecimentos potencialmente integradores (CPIs). Com relação a estes últimos,
foram cerca de 1.200 indicações, o que gerou um grande esforço de organização do material.

Assim como ocorrera com os conhecimentos essenciais, a elaboração dos CPIs gerou dúvidas e
questionamentos por parte de docentes, coordenadores e representantes das CEICs, os quais
foram, em alguma medida, respondidos pela Diretoria de Educação Básica. Entre as questões
mais recorrentes, já enfatizada no tópico 3 do curso no moodle, estava a dúvida sobre o tipo de
integração esperada. Desse modo, enfatizamos a necessidade de que os CPIs deveriam evidenciar
o diálogo entre os dois grandes eixos formativos de cada curso, envolvendo, portanto, o contato
entre a formação geral/núcleo comum e a formação específica, técnica/tecnológica.

O termo “conhecimento potencialmente integrador” surgiu, ainda em 2019, em uma das muitas
reuniões da equipe à frente da construção dos Currículos de Referência da Educação Básica. Após
inúmeras leituras, reflexões e debates, havia naquele grupo duas grandes motivações diretamente
relacionadas a esta integração: a ideia de politecnia e omnilateralidade, conceitos-chave para
entender os fundamentos da educação profissional encampada pela Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica e a formação do Núcleo Estruturante Articulador, pautado
pela Resolução IFSP-PRE n.º 163/2017 e elemento central na reformulação vindoura dos nossos
cursos técnicos. Era preciso, então, que os Currículos de Referência propiciassem uma reflexão,
ainda que incipiente, sobre a especificidade da educação por nós ofertada e contribuísse para a
prática da integração na reestruturação dos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPCs).

No entanto, não há literatura sobre “conhecimentos potencialmente integradores”, tampouco eles


foram previstos com esta denominação no início do processo. Ocorre, que os desdobramentos e
o amadurecimento do projeto nos direcionaram a destacar essa abordagem. Assim, é importante
considerar que estamos construindo uma proposta inovadora, com todos os potenciais e limites
que isso nos traz ao longo da construção dos currículos.

Por fim, os conhecimentos potencialmente integradores compõem os currículos de referência da


Educação Básica do IFSP com o objetivo de aprofundar as reflexões sobre as possibilidades de
integração curricular, não sendo elementos obrigatórios nos PPCs.

II. Instruções metodológicas

1.1. Sobre o material recebido

● Dada a diversidade de proposições de CPIs definidas por cada curso, organizamos o


material de modo que cada equipe receba aquilo que foi indicado apenas pelos docentes
da sua área de formação. O objetivo é viabilizar a análise dos assessores, uma vez que o
material em alguns casos seria muito extenso.
● As equipes receberão indicações que foram pensadas de modo semelhantes aos
conhecimentos essenciais, mas também algumas como temas abordados em aulas ou em
projetos interdisciplinares, outras que associam conhecimentos a componentes
curriculares da área técnica, enfim, um material com significativa heterogeneidade.

● Buscou-se preservar ao máximo as indicações no formato como foram enviadas, mesmo


que uma grande parte careça de um olhar mais atento à politecnia, ou à especificidade de
cada curso.

EXEMPLOS (Planilhas - Compilação das contribuições dos câmpus):


● O propósito dessa etapa final do trabalho dos assessores é garantir que sejam elaboradas
sugestões de encaminhamentos aos Grupos de Trabalho (GTs), espaço este de deliberação
sobre todo o processo dos Currículos de Referência, incluindo os CPIs. Nos GTs, portanto,
o conjunto de indicações dos CPIs para cada curso (dos assessores e dos câmpus) será
analisado e finalizado, para que sigam, através de uma minuta final, para consulta pública
e depois, para aprovação no Conselho Superior da nossa Instituição.

1.2. Metodologia de trabalho

Os conhecimentos recebidos devem ser analisados seguindo os mesmos princípios gerais da


metodologia de “análise de conteúdo”. Para tanto:

a) Primeiramente, a partir de uma análise “flutuante”, ter uma compreensão geral das
contribuições, extraindo-se noções gerais dos tipos de proposições feitas;

b) Posteriormente, analisar mais detidamente, entre os conhecimentos sugeridos, quais


possuem mais potencial de articulação entre a área técnica e a formação geral dentro do
curso em questão. Nesse caso, a depender do volume de CPIs, a equipe poderá ser
subdividida para analisar os materiais (por número de cursos ou por número de
contribuições);
c) Analisar as contribuições considerando as seguintes possibilidades de integração, tendo em
vista a forma escrita do conhecimento:

Possibilidade 1:

O conhecimento se apresenta como integrador à área técnica ou ao componente da formação geral


em questão? Ele indica na forma escrita a possibilidade de integração ou repete um ou mais
conhecimentos essenciais mencionados nas planilhas anteriores?

Nessa dimensão, considere os exemplos e orientações a seguir:

Exemplo 1:
No exemplo acima, o conhecimento “cartografia” foi apontado como integrador à área de
Edificações. No entanto, tal conhecimento, da forma como foi escrito, não demonstra o potencial
de integração com a área técnica. Mesmo que, a partir de uma operação mental, isso tenha sido
pensado, na forma escrita a integração não está demonstrada.

Exemplo 2:

COMPONENTE CURSO CONHECIMENTOS POTENCIALMENTE INTEGRADORES


• Saúde do trabalhador
• Tecnologias aplicadas à avaliação e monitoramento das
atividades motoras e saúde
EDUCAÇÃO FÍSICA

Curso de • Desigualdade e promoção da atividade física e saúde


Redes de • Mídia e imagem corporal
Computadores • Organização de Eventos das diversas manifestações cultura
de movimento
• Relações entre as doenças hipocinéticas e problemas, do
esforço repetitivo no trabalho e do sedentarismo com
alimentação e o estilo de vida ativo
• Relações entre o conceito de Lazer produtivo x ócio,
trabalho e qualidade de vida.

Já neste exemplo 2, percebemos o potencial de integração entre a Educação Física e a área de


Redes de Computadores. Mesmo que o conhecimento apontado seja escrito como uma frase ou
tema, numa formulação maior do que os conhecimentos essenciais, o fundamental é que esteja
apontada a integração que se deseja.

Exemplo 3

COMPONENTE CURSO CONHECIMENTOS POTENCIALMENTE INTEGRADORES


• Equipamentos públicos de lazer
• Megaeventos esportivos
EDUCAÇÃO

Curso de • Saúde do trabalhador


FÍSICA

Edificações Identificação de espaços públicos municipais de lazer e suas


condições;
• Mobilização para construção de possíveis espaços para as
práticas corporais

O exemplo em destaque é importante para que se possa perceber que alguns conhecimentos
poderão ter sido indicados juntamente com a habilidade (ação) que se pretende desenvolver.
Nesse caso, a orientação é que se desconsidere a parte do texto que traz essa menção, utilizando-
se apenas a nomenclatura que define o(s) conhecimento(s) envolvido(s).
Exemplo 3

COMPONENTE CURSO CONHECIMENTOS POTENCIALMENTE INTEGRADORES


• Equipamentos públicos de lazer
EDUCAÇÃO • Megaeventos esportivos
FÍSICA Curso de • Saúde do trabalhador
Edificações • Identificação de espaços públicos municipais de lazer e
suas condições;
• Mobilização para construção de possíveis espaços para as
práticas corporais

POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO POTENCIALMENTE INTEGRADOR:

(Curso: Edificações / Componente Curricular: Educação Física)

• Condições infraestruturais e arquitetônicas dos espaços públicos de lazer

Nesse exemplo, pretendemos demonstrar a possibilidade de uma “nova” escrita que poderia
indicar a integração entre a área de Educação Física e a área de Edificações unindo vários
conhecimentos indicados na planilha: “condições infraestruturais e arquitetônicas dos espaços
públicos de lazer”.

A reformulação sugerida atende às duas questões: 1) retira o substantivo “identificação”, que


remete à ideia de uma habilidade/competência limitante à integração – como por exemplo:
“identificar”, “planejar”, “estudar”, “analisar”, “executar” etc -; e 2) evidencia a relação entre a
Educação Física e a área de Edificações, articulando saberes das diferentes áreas (técnica e geral)
para se chegar à compreensão de conhecimentos mais amplos.

Possibilidade 2:

O conhecimento traz algo inovador, dialogando com a dimensão social do IFSP e possibilitando
um olhar mais abrangente sobre a integração com ainda mais saberes? Possibilita um olhar para
a politecnia, para a formação integral? Encampa a perspectiva de uma educação antirracista,
inclusiva, defensora da diversidade, dos direitos humanos?

Nessa dimensão, considere os exemplos e orientações a seguir:


Exemplo 1:

POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO POTENCIALMENTE INTEGRADOR:

Curso de Informática / Componente Curricular: Matemática

• Modelos matemáticos e estatísticos para coleta de dados, tratamento


das informações e para a compreensão e intervenção na realidade

Exemplo 2:

POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO POTENCIALMENTE INTEGRADOR:


Curso de Informática / Componente Curricular: Sociologia

• Estética digital para o combate ao racismo e diferentes discriminações

Exemplo 3:

POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO POTENCIALMENTE INTEGRADOR:


Curso de Informática / Componente Curricular: Libras

• Aplicativos e softwares para acessibilidade informacional da


comunidade surda

O segundo e o terceiro exemplos da Informática, respectivamente com Sociologia e Libras,


além de apontarem a relação entre os saberes da área técnica e geral, promovem uma
ampliação das possibilidades integradoras dos conhecimentos, ao dialogarem com os
princípios institucionais da diversidade, da educação étnico-racial e da inclusão.

d) Eleger 05 (cinco) CPIs mais significativos para representar os CPIs do referido


componente curricular ou área técnica, verificando-se a possibilidade de aproximações
entre diferentes conhecimentos e da criação de novas formas de escrita para denominar
os conhecimentos em destaque;

e) Antes de finalizar, realizar uma análise de “confronto” entre os CPIs “eleitos” e os


documentos oficiais e documentos que orientam os trabalhos dos núcleos do IFSP;

f) Realizar o registro dos cinco CPIs na coluna designada para isso e, ao final, registrar no
relatório os critérios utilizados pela equipe para chegar a essa decisão.

Considerações finais:

- Caso um mesmo conhecimento seja interpretado como sendo integrador para todos os
cursos, a equipe de assessores pode sugerir que ele seja incorporado em um dos grupos
de conhecimentos essenciais;

- Na situação em que não há proposições de CPIs advindas dos câmpus, as equipes de


assessores podem formular contribuições a partir de sua experiência e afinidades com
outras áreas do conhecimento, caso julguem pertinente;

- É importante verificar que algumas células das planilhas contêm mais conteúdo do que o
exposto pelo layout de tela. Assim, convém clicar nas referidas células quando o conteúdo
for muito extenso;

- Nas planilhas das áreas técnicas há uma célula intitulada “Não vinculado a componente
curricular da Formação Geral”, referindo-se a conhecimentos que os docentes daquela
área técnica indicaram como integrador, mas não mencionaram com qual (ou quais)
componente(s) da formação geral eles se relacionam.

Exemplo da planilha dos CPIs de Mecatrônica.

Nesses casos, os assessores das áreas técnicas podem utilizar as indicações desta célula
para pensar conexões com os componentes da formação geral.
- O prazo para a análise dos CPIs e definição dos cinco conhecimentos mais representativos
das contribuições será de 15 dias. Espera-se que até o dia 31/08/2020 o trabalho tenha sido
finalizado.