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GESTÃO, SUPERVISÃO E
ORIENTAÇÃO ESCOLAR

PROFESSOR(A):_______________________________________________________________

ALUNO(A): _________________________________________________________________

________________________________________
LOCAL/DATA
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DISCIPLINA: GESTÃO, SUPERVISÃO E ORIENTAÇÃO ESCOLAR

EMENTA:

Concepção de Políticas Públicas e da formação e exercício legal da função do Pedagogo no ambiente


escolar como ação integradora. A evolução histórica da Direção escolar, supervisão escolar e
orientação educacional. Supervisão escolar: um olhar para o contexto histórico brasileiro, origens da
supervisão escolar no contexto histórico brasileiro,a função supervisora,a profissão de supervisor, a
situação atual da supervisão, o papel da supervisão educacional.O conceito social, político e
econômico que determina a função do pedagogo escolar. Projeto Pedagógico: a autonomia construída
no cotidiano da escola.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O processo ensino-aprendizagem desenvolver-se-á a partir de uma postura crítica por parte de alunos
e professores, face ao conteúdo abordado e demais componente do processo educativo. A aquisição
de conhecimentos não será considerada “definitiva” e, sim como o saber em construção, sempre em
confronto com a realidade educacional e social, dentre outras técnicas serão utilizadas: exposição
dialogada, trabalhos individuais e em equipes e demonstrações práticas.

RECURSOS DIDÁTICOS
 Textos;
 Quadro branco;
 Data show e outros.

AVALIAÇÃO

O processo avaliativo realizar-se-á em dois níveis: o primeiro para que o professor e o aluno
descubram os avanços e as dificuldades na compreensão do conteúdo trabalhado. O outro nível
relaciona-se com o próprio desenvolvimento metodológico do curso. Serão utilizados dentre outros
instrumentos: dissertações, freqüência, análise observacional do desempenho do aluno e do nível de
participação nas tarefas apresentadas.
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REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9.394, de 20 de dezembro de


1996
CRUZ, Vicente Vagner. Um Oratório Salesiano como Proposto de Políticas Públicas. Trabalho de
Conclusão de Curso em Ciências Sociais UFPA 2009.
FAORO, Raymundo. Os donos do Poder: Formação do Patronato Político Brasileiro, São Paulo,
Globo. 1985.
FERNANDES. Antonio Sergio Araujo. Políticas Públicas: Definição evolução e o caso brasileiro
na política social. IN DANTAS, Humberto e JUNIOR, José Paulo M. (orgs). Introdução à política
brasileira, São Paulo. Paulus. 2007.
FILHO, Geraldo Francisco. Administração escolar analisada no processo histórico. Campinas,
SP; Editora Alínea, 2006.
GARCIA, Regina Leite (Org.). Orientação Educacional: o Trabalho na Escola. 4 ed. São Paulo:
Loyola, 2002.
GIACAGLIA,Lia Renata Angelini. Orientação Educacional na Prática. 4. ed. São Paulo: Pioneira
Thonson Learning, 2003.
GRINSPUN, Mirian Paura S. Zippin (Org.). Supervisão e Orientação Educacional. 2 ed. São
Paulo: Cortez. 2005.
LOWI, Teodor. “Four Systems of Policy, and Choise”. Public Administration Review, 32 Review,
32: 298-310. 1972.
LUCK, Heloisa. Ação integradora: administração, supervisão e orientação educacional. 25.ª Ed.
– Petrópolis, RJ; Vozes 2007.
LUCK, Heloisa. Planejamento em Orientação Educacional. Petrópolis, Vozes, 21ª ed. 2009
MEKSENAS, Paulo. Cidadania, Poder e Comunicação. São Paulo ed. Cortez, 2002.
SOUZA, Celina. Políticas Públicas: uma revisão da literatura. IN Sociologias nº 16.
Junho/dezembro 2006, p. 20-45.
VEIGA,Ilma Passos de A. (org) Projeto Politico Pedagógico da escola: uma construção
possível.17 ed. Campinas, SP.
VERZA, Severino Batista. As Políticas Públicas de Educação no Município. Ijuí ed. UNIJUÍ, 2000
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SUMÁRIO

POLÍTICAS PÚBLICAS....................................................................................................5
ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS.................................................................................7
A ESCOLA E SUA FUNÇÃO SOCIAL................................................................................9
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA..............................................................................14
A NOVA FIGURA DO GESTOR.....................................................................................16
FUNÇÕES DO DIRETOR..............................................................................................17
PLANEJAMENTO EDUCACIONAL................................................................................18
PROJETO POLITICO PEDAGOGICO – PPP....................................................................20
SUPERVISÃO ESCOLAR: UM OLHAR PARA O CONTEXTO HISTÓRICO
BRASILEIRO..............................................................................................................20
SUPERVISÃO ESCOLAR: UMA PRÁTICA EM TRANSFORMAÇÃO................................21
A FUNÇÃO SUPERVISORA.........................................................................................26
A SITUAÇÃO ATUAL DA SUPERVISÃO........................................................................27
PANORAMA HISTÓRICO DA SUPERVISÃO.................................................................28
O PAPEL DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL..................................................................32
FORMAÇÃO DE PROFESSORES..................................................................................34
DOCUMENTAÇÃO OFICIAL........................................................................................36
PLANO DE AÇÃO DE GESTOR....................................................................................40
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1 POLÍTICAS PÚBLICAS

São diretrizes tomadas que visam à resolução de problemas ligados à sociedade como um
todo, engloba saúde, educação, segurança e tudo mais que se refere ao bem-estar do povo.
O conceito de Políticas Públicas é discutido em todas as áreas do conhecimento, no
entanto é no âmbito da Ciência Política que este ganha um grande destaque.
A política pública é vista pela academia; primeira como um equilíbrio no orçamento entre
receita e despesa, segundo como uma nova visão do estado onde deixa de ser uma política
kenynesiana, para ser uma política restrita aos gastos, e terceira é a relação que existe entre os países
desenvolvidos e os que iniciaram a sua caminhada democrática recentemente, de um modo particular
os países da América Latina que ainda não conseguem administrar bem os seus recursos públicos e
equacionar os bens em beneficio de sua população, de modo incluir os excluídos.
As políticas públicas na sua essência estão ligadas fortemente ao Estado este que
determina como os recursos são usados para o beneficio de seus cidadãos, onde faz uma síntese dos
principais teóricos que trabalham o tema das políticas públicas relacionadas às instituições que dão a
ultima ordem, de como o dinheiro sob forma de impostos deve ser acumulado e de como este deve
ser investido, e no final fazer prestação de conta pública do dinheiro gasto em favor da sociedade.
“... costuma-se pensar o campo das políticas públicas unicamente caracterizadas como
administrativo ou técnico, e assim livre, portanto do aspecto ‘político’ propriamente dito, que é mais
evidenciado na atividade partidária eleitoral. Este é uma meia verdade, dado que apesar de se tratar
de uma área técnico-administrativa, a esfera das políticas públicas também possui uma dimensão
política uma vez que está relacionado ao processo decisório”.
“O processo de globalização em desenvolvimento atinge todas as sociedades. (...)
Também a consenso que a forma atual de globalização cria desemprego e exclusão social, causando
danos econômicos-sociais e ambientais. Desencadeia violências de todo tipo. (...) Vale salientar que a
pressão da globalização para baixo cria a necessidade do governo buscar alternativas novas do
contato direto com os cidadão superando o ortodoxo de fazer política. De igual maneira, a cidadania
conscientemente organizada necessita criar mecanismo de contato e controle de políticas estatais,
democratizando-as. Isso demanda novos experimento de participação política direta de maior número
possível de cidadãos. Assim, um dos maiores desafio da globalização é a discussão profunda e ampla
a cerca de uma política da condição social humana global.
“À escola, como instituição, incumbe a socialização do saber, da ciência, da técnica e das
formas culturais e artísticas produzidas socialmente. Importa seja politicamente comprometida e
capaz de interpretar as carências e anseios e perspectivas reveladas pela sociedade, desenvolvendo
atividades educativas eficazes para o atendimento às demandas sociais. (...) De nada vale manter os
alunos em sala de aula por anos a fio, se a escola lhe nega a capacidade de conseguir aprender e
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seguir aprendendo a vida a fora . A democratização e gestão democrática da escola servem enquanto
mediações que asseguram os processos pedagógicos eficazes à construção dos saberes indispensáveis
para a vida numa sociedade complexa, dinâmica e atravessada por mudanças incessantes. (IDEM p.
180-181)
“Outro aspecto das contradições presente nas relações políticas do Estado implica a
exclusão das classes trabalhadoras nas instancias de decisão e gerenciamento das políticas públicas e,
ao mesmo tempo no apelo para a incorporação das demandas dessas classes na extensão dos direitos
sociais. Tal aspecto integra o receituário de medidas que garantem a legitimidade das condições de
governabilidade presentes no Estado frente ao conjunto da sociedade. Assim a intervenção estatal que
ocorre por meio das políticas públicas emerge numa complexa disputa pelo poder relacionado às
contradições econômicas e políticas”.

Políticas Públicas no Brasil.


Desde sua origem o Estado brasileiro, no período do Brasil colônia a Coroa Portuguesa,
não estava preocupada com o bem estar na sociedade, mas em explorar as riqueza do território e levar
para Metrópole, por esse motivo que MEKSENAS (2002) não concorda com a idéia de que a política
pública tenha “fins sociais”, pois na verdade existem relações de poder com intuito de influenciar na
dinâmica da vida cultural como pode ser observado na citação a seguir:
“É preciso, portanto, não compartimentalizar o saber produzido acerca das políticas
públicas como fins sociais para percebemos os seus contornos com os contextos da sociedade
brasileira. Assim, o estudo das políticas públicas como fins é o estudo das relações de poder, como
também de estrutura e conjuntura da vida social, dos padrões de sociabilidade e da dinâmica da
cultura”.
Desde sua formação o povo brasileiro sempre foi desigual, e na construção da cultura
brasileira não se instituiu o habito cívico, de participar politicamente das decisões do seu governo. No
período do Brasil colônia a Coroa portuguesa estava preocupada em levar riqueza para a Metrópole, e
não estava preocupada em implementar políticas em beneficio ao social, por isso que nesse período
quem cuidava do social era a Igreja Católica.
A formulação de Políticas Públicas com fins sociais elaborados pelo Estado brasileiro
aconteceu somente na segunda República, mais precisamente na era Vargas, Sobre a previdência
social e a legislação trabalhista começou a se elaborado no Brasil em 1923, e visava obter um estudo
mais sistemático da realidade brasileira sobre os problemas sociais da área trabalhista e com isso
elaborar uma forma de assegurar os trabalhadores em caso de acidente de trabalho não ficarem
desprovidos e passarem necessidade, no entanto, pela má organização de alguns grupos de
trabalhadores deixavam estes sem nenhuma proteção previdenciária.
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A educação no Brasil segue a lógica da previdência e da saúde com um atendimento


deficitário para a população pobre, onde a renda é repassada para a iniciativa privada, e não há uma
redistribuição de recursos para uma perspectiva social.
“No campo da educação, a política pública no Brasil mantém as características que
também estão presente na previdência, saúde e saneamento. Segue a lógica da expansão desigual no
tempo e no espaço; do atendimento deficitário à população pobre; dos gastos excessivos, que se
perdem na manutenção da burocracia e pouco contribuem para os fins propostos; do repasse dos
recursos a setores do empresário, na perspectiva de sua concentração na esfera privada; da ausência
da redistribuição da riqueza na perspectiva social”.
No período do Brasil Colônia a Igreja Católica que “detinha” o “monopólio” da educação
no Brasil. Com a chegada da Família Real no Brasil, mas precisamente no Rio de Janeiro, é que
houve a intervenção estatal na educação, mas não por completo, pois criado somente cursos
superiores, para atender a elite do país, e não se pensou em uma educação básica para toda a
população do país.
Após a discussão sobre as teorias sobre as políticas públicas percebe-se que ela só
acontece com a intervenção do Estado, e nenhum cidadão com uma iniciativa própria pode fazer uma
política pública de ação e de conscientização pessoal. A crítica fica que os autores trabalharam na
perspectiva que somente o Estado pode elaborar proposta de políticas públicas de acordo com a
agenda dos partidos.

2. ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS

Conflito Antogonismo
Presente em quase todos os tipos de É uma forma de interação social que se
interação humana e assume várias formas e caracteriza pela incompatibilidade entre os
dimensões: idéias, interesses, aspirações, opostos
gerações e muitos outros. Cada uma que se impor pela força e pela
Significa que os conflitos não têm: violência implícita ou explicita
necessariamente, uma negativa e destruidora, Pessoas, grupos, associações, etc.
e a ausência de conflitos não revela, por si só, Colocam-se em posições inconciliáveis
um ambiente sadio. recusando...
E a escola?  O diálogo
E a solução de problemas

O gestor escolar como gerenciador de conflitos


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Duas tarefas fundamentais dos gestores:


 Reconhecer os conflitos e ajudar todos
 Encará-los positivamente

Como o gestor escolar pode ser um gerenciador de conflitos?

1º passo

 Analisar a situação identificando suas origens


Fontes de conflito na escola
Conflito de interpretação – cada estrutura suas opiniões sobre fatos
Conflito de Projeto – cada um tem seus projetos pessoais e muitas vezes, eles estão em desacordo
com as possibilidades e disponibilidades do ambiente escolar.
Conflito de poderes – pessoas que ocupam cargos ou exercem funções especificas nas instituições e
isso lhe confere poderes que nem sempre desejam partilhar.
Assim, os níveis dos conflitos também são diversos:
Pessoais - Pessoas pensam e agem de acordo com suas próprias interpretações, projeto e poderes,
muitas vezes, conflitantes entre si.
Interpessoais - Pessoas assumem, num mesmo grupo diferentes interpretações, projetos e poderes.
Institucionais - a escola, por ser um espaço onde a convivência, se caracteriza pela diversidade e
apresenta orientações variadas, às vezes contraditórias para diferentes processos e ações.

2º passo
É a gestão de conflito que envolve estratégias que tem como base a comunicação, ponto de partida
para que todos se entendam. Assim, é importante:
 Deixar claras as intenções e os critérios de analise que serão adotadas na escola
 Discutir soluções possíveis e procurar negociações
 Assumir responsabilidades e deixar que os outros também assumam
 Ouvir o outro e fazer com que os outros nos escutem
 Avaliar, valorizando os aspectos positivos dos outros e podendo que façam o mesmo conosco.

3. A ESCOLA E SUA FUNÇÃO SOCIAL

AFINAL, PRA QUE SERVE A ESCOLA?


Ter clareza da função social da escola e do homem que se quer formar é fundamental para
realizar uma pratica pedagógica competente e socialmente comprometida particularmente, num país
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de contraste como o nosso, onde convivem grandes desigualdades econômicas sociais e culturais.
Formar cidadão não é tarefa apenas da escola. No entanto, como local privilegiado de trabalho
como o conhecimento, a escola tem grande responsabilidade nessa formação: recebe certo número de
crianças e jovens por certo número de horas todos os dias, durante anos de suas vidas, possibilitando-
lhes construir saberes indispensáveis para sua inserção social.
No entanto, “excluem-se da escola os que não conseguem aprender, excluem-se do mercado
de trabalho os que não têm capacidade técnica porque antes não aprenderam a ler, escrever e contar e
excluem-se, finalmente, do exercício da cidadania esses mesmos cidadãos, porque não conhecem os
valores morais e políticos que fundam a vida de uma sociedade livre, democrática e participativa”
(Vicente Barreto).

O QUE CABE A ESCOLA FAZER

ENSINAR Garantir a aprendizagem de certas habilidades e conteúdos que são necessários


para a vida em sociedade.
INSERÇÃO SOCIAL tendo compreensão da realidade local
Participando, de forma diversificada e ampla, das relações sociais.
VIDA ESCOLAR Possibilita aos jovens – exercer diferentes papéis, em grupos variados, facilitando
a integração dos jovens no contexto maior.
Nessa perspectiva, as crianças não podem ser tratadas como “cidadãos em formação”. Elas já
fazem parte do corpo social, por isso, devem ser estimuladas a exercitar sua condição de cidadania,
num mundo real e não imaginário (harmonioso, sem guerras, sem violência, sem fome, sem
devastação do meio ambiente, etc), pois este mundo real traz conseqüências para o momento em que
vivemos e para os momentos futuros.
A ação educativa da escola deve ultrapassar seus próprios muros (projetos).
Para cumprir sua função social a escola precisa:
1 – considerar as práticas de nossa sociedade (econômica, política, social, cultural. Ética ou moral);
2- Considerar as relações diretas ou indiretas dessas práticas com os problemas da comunidade local;
3- Conhecer as expectativas dessa comunidade (suas necessidades, formas de sobrevivência, valores,
costumes, manifestações culturais e artísticas).
A escola pode ser concebida como um pólo cultural, onde o conhecimento já sistematizado
pela humanidade é socializado e trabalhado de forma não fragmentada, vinculado à realidade.

Questões para reflexão:

1 – Para que serve a escola, ou seja, sua função social? O grupo de professores já discutiu isso?
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2- O que pensa cada professor a respeito?


3- A ação pedagógica que vem sendo desenvolvida pela escola pretende o quê?
4- Como os alunos têm se beneficiado da ação da escola?
5- A comunidade local está se beneficiando do conhecimento veiculado e trabalhado na escola?
6- Em que medida a escola esta cumprindo seu papel?
A escola não existe isoladamente, mas faz parte de um sistema público que tem a
responsabilidade de lhe dar sustentação para que possa cumprir sua função.
Dar sustentação à ação x tutelar à ação
A escola só pode cumprir seu papel de forma competente se tiver autonomia, construindo (ao
que nela atuam e que dela se beneficiam) seu próprio caminho pedagógico.
Autonomia x abandono ou “vale-tudo”
É fundamental que o poder público estabeleça uma política educacional clara, que garante
atendimento escolar de boa qualidade a toda a população, ao mesmo tempo, que respeite as
diversidades sócio-culturais. É preciso:
- infra-estrutura
-condições de trabalho
-salário digno
-programas de capacitação constantes
Pra implantação dessas medidas, torna-se necessária uma revisão das estruturas burocrático-
administrativas, do sistema, que muitas vezes inviabilizam a elaboração de projetos pelas escolas
(que permitem uma ação pedagógica mais realista e democrática).
Assim, é responsabilidade de todos os segmentos sociais, adeptos de uma sociedade
democrática, exigir o cumprimento, pelo Estado, dos dispositivos legais referentes à educação.

OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO

Aprender a conhecer significa não tanto aquisição de um vasto repertório de saberes, mas o
domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Supõe aprender a aprender, exercitando os
processos e as habilidades cognitivas: atenção, memória e o pensamento mais completo (comparação,
análise, argumentação, avaliação, critica).
Aprender a fazer exprime a aquisição não somente de uma qualificação profissional, mas de
competências que tornem a pessoa apta a enfrentar variadas situações e trabalhar em equipe.
Aprender a fazer envolve assim o âmbito das diferentes experiências sociais e de trabalho.
Aprender a conviver quer dizer tanto a direção da descoberta progressiva e da interdependência
quanto à participação em projetos comuns.
Aprender a ser significa contribuir para o desenvolvimento total da pessoa: espírito e corpo,
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inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, capacidade par se comunicar,


espiritualidade. Significa também a pessoa aprender elaborar pensamentos autônomos e críticos e
formular seus próprios juízos de valor, não negligenciando nenhuma de suas potencialidades.
A educação assim concebida indica uma função da escola voltada para a relação plena do ser
humano alcançada pela convivência e pela ação concreta, qualificados pelo conhecimento.

4. GESTÃO ESCOLAR

O conceito de Gestão Escolar – relativamente recente – é de extrema importância, na medida


em que desejamos uma escola que atenda às atuais exigências da vida social: formar cidadãos,
oferecendo, ainda a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e
facilitadoras de inserção social.
Para fim de melhor, costuma-se classificar a Gestão Escolar em três áreas, funcionado
interligadas, de modo integrado ou sistêmico:

4.1 Gestão Pedagógica

É o lado mais importante e significativo da gestão escolar. Cuida de gerir a área educativa,
propriamente dita, da escola e da educação escolar. Estabelece objetivos para o ensino, gerais e
específicos. Define as linhas de atuação, em função dos objetivos e do perfil da comunidade e dos
alunos. Propõe metas a serem atingidas. Elabora os conteúdos curriculares. Acompanha e avalia o
rendimento das propostas pedagógicas, dos objetivos e o cumprimento de metas. Avalia o
desempenho dos alunos, do corpo docente e da equipe escolar como um todo.
Suas especificidades estão enunciadas no Regimento Escolar e no Projeto Pedagógico
(também denominado Proposta Pedagógica) da escola. Parte do Plano Escolar (ou do Plano Político
Pedagógico de Gestão Escolar) também inclui elementos da gestão pedagógica: objetivos gerais e
específicos, metas, planos de curso, plano de aula, avaliação e treinamento da equipe escolar.
O diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro responsável pelo seu
sucesso. É auxiliador nessa tarefa pelo coordenador Pedagógico (quando existe).

4.2 Gestão Administrativa

Cuida da parte física (o prédio e os equipamento materiais que a escola possui) e da parte
institucional (a legislação escolar, direitos e deveres, atividades de secretaria). Suas especificidades
estão enunciadas no Plano Escolar (também denominado Plano Político Pedagógico de Gestão
Escolar, ou Projeto Pedagógico) e no Regimento Escolar.
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4.3 Gestão de Recursos Humanos

Não menos importante que a Gestão Pedagógica, a gestão de pessoal – alunos, equipe escolar,
comunidade, constitui a parte mais sensível de toda a gestão. Sem dúvida, lidar com pessoas, mantê-
las trabalhando satisfeitas, rendendo o máximo em suas atividades, com tornar problemas e questões
de relacionamento humano fazem da gestão de recursos humanos o fiel da balança – em termos de
fracasso ou sucesso – de toda formulação educacional e que se pretenda dar consecução na escola.
Direitos, deveres, atribuições – de professores, corpo técnico, pessoal administrativo, alunos,
pais e comunidades – estão previstos no Regimento Escolar. Quando o Regimento Escolar é
elaborado de modo equilibrado, não tolhendo demais a autonomia das pessoas envolvidas com o
trabalho escolar, nem deixando lacunas e vazios sujeitos a interpretação ambígua, a gestão de
recursos humanos se torna mais simples e mais justa. A organização acima – gestões pedagógica,
administrativa e de recursos humanos – correspondem a uma formulação teórica, explicativa, pois, na
realidade escolar, as três não podem ser separadas, mas, isto sim, deve atuar inteligentemente, de
forma a garantir a organicidade do processo educativo.
Administrador ou Gestor?

"Governar é coordenar o processo de ‘definição participativa dos rumos de um povo.” (GANDIN,


1994, p. 55)
Diferença entre administrador e gestor
No dicionário:
Administrador [Do latim administrare]: V 1. Gerir (negócios públicos ou particulares); 2. Reger
com autoridade suprema, governar, dirigir; 3. Dirigir (qualquer instituição); 4. Conferir, ministrar
(medicamento) (...).

Gestor [ Do latim gestore] V. O que tem gerência sobre; administrador, dirigente, regente.
 Dificuldade em perceber a diferença entre os dois verbetes.
 A diferença está localizada exatamente no caráter centralizador inerente à função do
administrador.
 A acepção 2 da palavra administrador inclui a expressão com autoridade suprema.
 O que é exercer a autoridade suprema? Que características, inerentes ao fazer administrativo, o
adjetivo suprema confere?

Supremo é aquele que está acima de tudo.


Administrar seria, então, gerenciar com “autoridade suprema”. Mas o que isso quer significar na
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prática? Uma atuação autocrática, centralizadora, unilateral? E gerir? Implicaria troca, otimização,
intercambiação de idéias, de ações, de mecanismos avaliativos e de reavaliação?
É exatamente a conotação que o adjetivo supremo confere à expressão "administrar com autoridade
suprema" - que vai distinguir a função do administrador da do gestor escolar.

GESTÃO ESCOLAR = PARTICIPAÇÃO E COLETIVIDADE

"Cada eixo é uma peça importante para que todo sistema funcione bem. Nenhum deles pode
caminhar isolado, o perfeito relacionamento entre cada garante o sucesso dos trabalhos."

5.GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA

 Fundamentação Legal:
Constituição Federal (C.F) 1988
Art. 1º, Parágrafo Único:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos
termos desta Constituição”.

 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB nº. 9394/96

 Art. 3º- “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios”.
VIII- Gestão democrática do ensino público , na forma desta Lei e da Legislação dos sistemas de
ensino .

Art.14 “Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino publico na
educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios”:
I- Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II- Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

Gestão é um processo, uma atividade, é um paradigma de orientação e condução da escola, voltado


para a melhoria contínua de seus processos pedagógicos e que tem como foco o desempenho de seus
profissionais coletivamente organizados.

Gestão - é compromisso de todos.


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"Estamos construindo Uma prática coletiva e não negamos conflitos. Todo dia temos um desafio para
enfrentar".

Professor de uma Escola Municipal que adotou a Gestão Democrática.

 Uma boa qualidade de trabalho depende muito de boa gestão.


 A gestão democrática significa acreditar que todos juntos têm mais chance de encontrar
caminhos para atender expectativas da sociedade.
 A Democratização da gestão, objetiva trabalhar decisões com a comunidade escolar.

QUEM É O GESTOR?

O gestor precisa compartilhar as ações através da divisão de tarefas e responsabilidades. A divisão de


tarefas deve, enfim situar-se no quadro de um verdadeiro trabalho em equipe. A tomada de decisão é
sem dúvida, a função mais importante do gestor, mas a tendência atual orienta cada vez mais que se
associe a participação de todos quando da tomada das decisões, que antes eram reservadas apenas ao
gestor.

PAPEL DO GESTOR

1 - Conselheiro Pedagógico
2 - Administrador
3 - Gestor do Funcionamento
4 - Animador do Meio Social
Ainda:

- Estimulador - esta ação diz que o gestor precisa manter o pessoal apoiado e acreditando que pode
ser sempre mais eficaz nos seus feitos.
- Controlador - o gestor deve controlar e avaliar o trabalho realizado. Recomenda-se o controle
iniciado pelo particular para chegar ao global.
- Agente de transformação e desenvolvimento - fundamentado em 2 eixos principais,como:
* Autoridade - organização do trabalho em grupo, divisão de tarefas e responsabilidades.
* Comunicação - englobando a flexibilidade, orientação do pessoal e a inter-relação entre os
participantes.

GESTÃO ESCOLAR - propõe melhoria continuada ao ensino - CONSED - Conselho Nacional de


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Secretários de Educação.

Objetivos

 Estimular o desenvolvimento da gestão democrática, privilegiando a ação compartilhada,


através de parcerias e acordos.
 Reconhecer e valorizar as escolas públicas de ensino fundamental que se destacam por
experiências inovadoras.
 Proporcionar às escolas um instrumento básico de auto-avaiiação e reflexo que sirva como
ponto iniciante compatível aos objetivos propostos.
 Criar uma cultura de auto-avaiiação.

Importância
A gestão escolar avança por uma importante e crescente mutação de ações de modo à aquisição de
uma gestão mais correta e de uma boa administração.

6.A NOVA FIGURA DO GESTOR

No seu papel de articulador da totalidade da escola, o maior desafio do gestor é repensar


novas formas de administrá-lo. PARO (1986) avalia a função contraditória e conflitante do diretor
escolar, sujeito a dois tipos de funções que na prática tendem a opor-se: na condição de educador, ele
deverá preocupar-se com os propósitos político-pedagógicos da escola. Mas, como gerente e
responsável último pela instituição.

Desempenho Administração Tradicional Gestão


Exercício da Faz as coisas acontecerem; é
Encarna a autoridade: é o chefe.
Autoridade líder e facilitador.
Postura no Trabalho Valoriza a burocracia e os Preocupa-se com a inovação;
regulamentos “visão para dentro", administra por projetos; exerce a
sem criticidade. crítica dos fatos.
Uso da Sente-se o único responsável pela Coordena trabalho em equipe,
responsabilidade escola, não delega. valoriza iniciativas; compartilha
responsabilidades.
Tomada de decisão É o dono do poder, é ele quem Administra conflitos, facilita decisão
decide sempre. do grupo respeitando-a. Incentiva a
participação.
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Centraliza todas as informações; Facilita as informações a todos,


Exercício da censura-as. auxilia seu pessoal com dados e
comunicação informações pedagógico-
administrativa.

Fixam-se os planos de Cria condições para estudos e


Desenvolvimento de desenvolvimento do pessoal aperfeiçoamentos; incentiva projetos
recursos humanos de recursos humanos; participa das
atividades como “cliente”.
Determina os propósitos e as Promove e incentiva encontros
Consciência da metas. Não os divulga. coletivos para reavaliar o papel da
missão institucional escola, tomando-o como referência
para o plano político pedagógico.

Cobra do professor apenas Participa dos critérios de avaliação


Uso da avaliação avaliação quantitativa dos alunos. diagnóstica do aluno; promove
escolar. Avalia o desempenho do pessoal, coletiva e permanentemente a
com fichas sigilosas. Não aceita ser avaliação total da escola incluindo-se
avaliado. na avaliação.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

O gestor escolar é o apoio necessário para a construção e execução do projeto da escola, mas
não pode fazê-lo sozinho. A gestão da escola pública é responsabilidade de alguns, mas é
compromisso de todos. À sociedade cabe acompanhar, assistir, apoiar, criticar a escola, exercendo,
desta forma um papel gerencial. Cabe à sociedade, sobretudo, cobrar qualidade para que, assim
motivado e impulsionado, o gestor envolva todo o pessoal nesse projeto.

7.FUNÇÕES DO DIRETOR
 Coordenar a equipe de funcionários, considerando positivamente as relações interpessoais;
 Encaminhar à Secretaria de Educação (pública estadual ou municipal) no prazo determinado, os
seguintes documentos: resumo de ponto, rendimento escolar, ofícios de solicitações, controle de
matrículas, censo escolar, prestações de contas, ata de resultado final, etc;
 Coordenar a escola nos aspectos: administrativo, pedagógico e financeiro;
 Coordenar todos os programas e projetos desenvolvidos na escola;
 Coordenar a parte administrativa sem prejuízo do acompanhamento das questões pedagógicas;
 Liderar e coordenar o processo de mudanças necessárias no interior da escola visando ao
cumprimento da sua função social;
 Compartilhar com os funcionários informações oriundas da SEMED;
 Definir problemas e identificar soluções levando em consideração a opinião de todos;
 Coordenar a elaboração do planejamento orçamentário e financeiro com a participação da Caixa
Escolar, controlando de modo transparente sua execução e prestações de contas;
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 Trabalhar em parceria com o Diretor Pedagógico, quanto à execução da programação curricular,


avaliação da aprendizagem, valorizando e sendo capaz de garantir a sua efetivação;
 Propor medidas de controle, orientação de correção para reprovação, abandono escolar, de modo a
formar competências pedagógicas do sucesso do ensino e aprendizagem;
 Elaborar o projeto político - pedagógico com a Participação da comunidade educativa;
 Manter conservação do prédio e do seu imobiliário;
 Promover atividades de integração, escola-comunidade;
 Garantia do cumprimento integral dos horários de aula de forma dinâmica e criativa;
 Garantia do cumprimento do calendário escolar, conforme a legislação em vigor;
 Participar de reuniões, encontros e similares, promovido pela SEMED.

8. PLANEJAMENTO EDUCACIONAL

8.1 O QUE É PLANEJAR?

Planejar é prever o que pretendemos fazer. É determinar a melhor maneira de fazer as coisas.
É pensar em uma ação, nas pessoas envolvidas, na estratégia adequada e no tempo necessário para o
desenvolvimento dessa ação. No processo ensino aprendizagem, planejar é prever.
 O que é planejar;
 Para quem planejar;
 Que objetivos devem alcançar;
 Que métodos e estratégias adotar;
 Que recursos utilizar;
 Qual o tempo previsto para o alcance dos objetivos.
O essencial no planejamento é garantir a aprendizagem do aluno. É estar certo de que as
estratégias utilizadas irão garantir a assimilação dos conteúdos propostos.

8.2 VANTAGENS DO PLANEJAMENTO


 Dá segurança ao trabalho
 Evita a improvisação
 Prever o tempo para cada atividade economiza tempo
 Oportuniza a reformulação da avaliação

8.3 CARACTERÍSTICAS DO PLANEJAMENTO


 Funcionalidade – procurando atender as reais características do grupo;
18

 Flexibilidade – sempre que houver necessidade e, para atender circunstancia, o professor pode e
deve alterar seu planejamento.

9.PROJETO POLITICO PEDAGÓGICO - PPP

No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim projectu = lançado. É particípio


passado do verbo projicere, que significa lançar para frente. É um plano, intento, desígnio.
Empreendimento. Plano geral de edificação.
PROJETO = vem do latim PROJICERE que significa lançar para frente;
POLÍTICA = refere-se à ciência ou arte de governar; orientação administrativa de um governo;
princípios diretores da ação; conjunto dos princípios e dos objetivos que servem de guia a tomadas de
decisão e que fornecem a base da planificação de atividades em determinado domínio; modo de se
haver em qualquer assunto particular para se obter o que se deseja; estratégia; táctica; (Do grego
politiké, «a arte de governar a cidade»).
PEDAGÓGICO = relativo ou conforme a pedagogia; que é teoria da arte, filosofia ou ciência da
educação, com vista à definição dos seus fins e dos meios capazes de realizá-los;

“Projeto Político Pedagógico: ação intencional. Compromisso sócio-político


no sentido de compromisso com a formação do cidadão, para um tipo de
sociedade e Pedagógico: no sentido de definir as ações educativas e as
características necessárias às escolas para que essas cumpram seus propósitos
e sua intencionalidade”

9.1 Finalidade

O Projeto político pedagógico vê a escola como um todo em sua perspectiva estratégica, não
apenas em sua dimensão pedagógica. É uma ferramenta gerencial que auxilia a escola a definir suas
prioridades estratégicas, a converter as prioridades em metas educacionais e outras concretas, a
decidir o que fazer para alcançar as metas de aprendizagem, a medir se os resultados foram atingidos
e a avaliar o próprio desempenho.
O PPP é diferente de planejamento pedagógico. É um conjunto de princípios que norteiam a
elaboração e a execução dos planejamentos, por isso, envolvem diretrizes mais permanentes, que
abarcam conceitos subjacentes à educação:
 Conceitos Antropológicos: (relativos à existência humana);
 Conceitos Epistemológicos: aquisição do conhecimento;
 Conceitos sobre Valores: pessoais, morais, étnico;
 Político: direcionamento hierárquico, regras.
19

9.2 Importância de um Projeto para a escola


A relevância de um projeto escolar consiste no planejamento que, evita improvisação, serviço
malfeito, perda de tempo e de dinheiro. Com planejamento, fica bem claro o que se pretende e o que
deve ser feito para se chegar aonde se quer. Dá segurança à escola. Escolhem-se as melhores
estratégias o que facilita seu trabalho, pois o mesmo está fundamentado no Projeto que norteia toda
Unidade Escolar. Isso se faz imprescindível para se ter um rumo, visando obtenção de resultados de
forma mais eficiente, intensa, rápida e segura.
A escola deve buscar um ideal comum: fazer com que todos os alunos aprendam. Uma boa
sugestão é nomear comissões de pais e encarregá-las de organizar campeonatos esportivos nos finais
de semana na quadra da escola, cuidar dos banheiros ou da biblioteca.

10. SUPERVISÃO ESCOLAR: UM OLHAR PARA O CONTEXTO HISTÓRICO


BRASILEIRO

A escola, historicamente, responde aos interesses da sociedade capitalista a qual está inserida,
bem como sua organização e funcionamento.
O cargo de supervisor, presente na história escolar, por um longo período foi responsável
direto pela reprodução do modelo industrial nos meios educacionais.
Ainda hoje, mesmo que discretamente, isso acontece. O supervisor é aquele que inspeciona se
um determinado modelo de escola está sendo aplicado, a grande diferença está em uma
responsabilidade na participação mais direta junto aos professores da escola.
O presente artigo pretende apresentar uma contextualização histórica do supervisor escolar,
relatando seu processo histórico de mudanças na atuação junto aos professores, evidenciando suas
contribuições à escola brasileira.
Para a coleta de dados bibliográficos, a técnica de leitura analítica possibilitou uma maior
compreensão graças as várias atividades que esta propõe, principalmente o fichamento conceitual.

11. SUPERVISÃO ESCOLAR: UMA PRÁTICA EM TRANSFORMAÇÃO

A educação brasileira compreendida a partir de determinantes históricos apresenta-se em


constantes mudanças de acordo com os interesses de classe, prevalecendo os interesses dominantes.
Ao longo dos anos, com uma visão progressista, avaliam-se as metodologias visando o
favorecimento de uma educação a serviço da transformação social. A escola passa ser entendida
como a interventora entre o educando e o mundo da cultura construída socialmente.
20

A ação supervisora, parte integrante do processo educacional tem sua origem, segundo
Folquié apud Saviani (2006, p. 14) nos primórdios das comunidades primitivas, onde a educação se
dava de forma difusa e diferenciada. O tipo de produção de existência se dava de forma coletiva, ou
seja, para se apropriar dos meios de vida trabalhavam coletivamente. A educação coincidia com a
própria vida, sendo uma ação espontânea. Os adultos educavam, de forma indireta, por meio de uma
vigilância discreta, protegendo e orientando as crianças pelo exemplo, supervisionando-as de acordo
com Keffler apud Saviani (2006, p. 15) “a supervisão deve aparecer aos olhos dos alunos como uma
simples ajuda às suas fraquezas”.
No Brasil, a ideia de supervisão aparece a partir de 1549, no plano de ensino formulado pelo
Padre Manuel da Nóbrega. Foi destacada, principalmente após sua morte, com adoção do
“RatioStudiorum”, em 1570.
Com a instituição das reformas pombalinas, especificamente em 28 de junho de 1759, com a
expulsão dos Jesuítas e a extinção do seu sistema de ensino foram criadas as aulas régias, ficando
descaracterizada a função do supervisor concentrada no prefeito dos estudos. Nesta fase da história,
Saviani (2006, p. 22) apresenta a nova função do supervisor:
(...) a ideia de supervisão englobava os aspectos políticos
administrativos (inspeção e direção) em nível de sistema concentrados
na figura do diretor geral, e os aspectos de direção, coordenação e
orientação do ensino, em nível local, a cargo dos comissários ou
diretores dos estudos, os quais operavam por comissão do diretor geral
dos estudos.

Com a Independência do Brasil, são instituídas as escolas de primeiras letras, em 15 de


outubro de 1827, foi determinado o “método de ensino mútuo” onde o professor absorvia a função
de docência e de supervisão. Segundo Almeida apud Saviani (2006, p. 22):
Durante as horas de aula para as crianças, o papel do professor limitou-se a supervisão ativa
de círculo em círculo, de mesa em mesa, cada círculo e cada mesa tendo à sua frente um monitor, um
aluno mais avançado, que ficava dirigindo. Fora destas horas, os monitores recebiam diretamente dos
professores, uma instrução mais completa, e não era raro ver os mais inteligentes adquirirem a
instrução primária superior.
Esse modelo durou pouco tempo, em 1834, o Império postula que essa função seja exercida
por agentes específicos. Como apresenta Almeida apud Saviani (2006 p 23):
(...) as escolas de ensino mútuo, por uma razão qualquer, não
correspondem às nossas esperanças: eu me velo obrigado a confirmar
esta observação. O bem do serviço, Senhores, reclama imperiosamente
a criação de um Inspetor de Estudos, ao menos na capital do Império. É
uma coisa impraticável, em um país nascente, onde tudo está para ser
criado, e com o péssimo sistema de administração que herdamos, que
um ministro presida ele próprio aos exames, supervisione as escolas e
entre em todos os detalhes.
21

Em 1854, a reforma Couto Ferraz, estabeleceu uma supervisão permanente. As atribuições


eram a de supervisionar todas as escolas, colégios, casas de educação, estabelecimentos de instrução
primária ou secundária, públicas ou particulares, cabendo-lhe também presidir exames dos
professores e conferir-lhes o diploma, autorização de abertura de escolas particulares e correção de
livros.
Vários foram os debates que se travaram no final do período monárquico, apresentando a
necessidade de uma organização de um sistema nacional de educação. Saviani (2006, p. 24)
apresenta que “neste contexto, a ideia de supervisão vai ganhando contornos mais nítidos ao mesmo
tempo em que as condições objetivas começaram a abrir perspectivas para se conferir a essa ideia o
estatuto de verdade”.
No início do período republicano, com a reforma da instrução pública de São Paulo,
Casemiro dos Reis Filho discorda das atribuições burocráticas sobre as técnicas pedagógicas na
função do inspetor e afirma, segundo Almeida apud Saviani (2006, p. 24), que “burocratizar a ação
educativa é fazer incidir sobre a rotina a preocupação do inspetor, que deveriam ser orientadores”.
No entanto, não houve consolidação desta reforma, ficando a direção e a inspeção de ensino sob a
responsabilidade de um inspetor geral, em todo o estado, auxiliado por dez inspetores escolares,
voltando-se a prática anterior.
O Estado Novo, período caracterizado por uma ideologia antiliberal e antidemocrática
marcada por uma política de corte fascista que pretendia eliminar todas as forças de resistência no
país (BRZEZUSKI, 1996), foi palco da criação do curso de Pedagogia (Decreto Lei Nº 1190 de 4 de
abril de 1939). Tal Decreto instituiu o chamado “Padrão Federal”, cujo objetivo era formar bacharéis
e licenciados para as áreas específicas e para o setor pedagógico. Segundo Abdulmassihe e
Rodrigues (2007), o licenciado em Pedagogia devia fazer o curso de Didática que o habilitava para a
docência das disciplinas específicas do Curso Normal como também formava o “técnico em
Educação”, o equivalente ao Especialista em Educação. O que conhecemos como supervisor
educacional.
Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos iniciaram um programa de assistência
aos “países subdesenvolvidos”. Um desses programas foi o PABAEE1, que se instalou no estado de
Minas Gerais, um sistema articulado de supervisão nas escolas primárias, sendo que tal programa
teve maior destaque nos estados de Goiás e São Paulo. Segundo Peixoto apud Rangel (2001, p. 40), a
supervisão gestada no âmbito das reformas escola novistas tinham como eixo de suas atividades, a
escola. Esperava-se que os supervisores atuassem sobre o trabalho do professor nas escolas.
Segundo Abdulmassih e Rodrigues (2007, p. 2), em 1958, 14 professores foram enviados à
Universidade de Bloomington, estado de Indiana (EUA) para se especializarem e posteriormente
22

fundar em Belo Horizonte os cursos de formação de supervisores, que mais tarde seriam espalhados
por todo Brasil. Os autores (2007, p. 4) destacam:
A supervisão educacional brasileira é produto da assistência técnica
norte-americana prestada aos países da América Latina, objetivando
mudança de mentalidade para se alcançar um nível de vida mais sadio e
economicamente produtivo, impedindo, dessa forma, a penetração do
comunismo.

Com a expansão do ensino, a lei 4.024/61 (Art. 52), trazia uma breve referência, na qual
previa a formação de professores, orientadores, supervisores e administradores escolares destinados
ao ensino primário através do ensino normal.
A lei 5.5.40/68 (Art. 30) estabelecia que a formação dos professores para o ensino de segundo
grau, de disciplinas gerais e técnicas e preparo de especialistas para os trabalhos de planejamento,
supervisão, administração, inspeção e orientação nas escolas seria feito no ensino superior. No
entanto, o Decreto Lei 464/69 (Art. 16) estabelecia que “enquanto não houver em número bastante,
os professores e especialistas a que se refere o Art. 30, a habilitação para as respectivas funções será
feita mediante exame de suficiência, realizado em instituições oficiais de ensino superior indicada
pelo Conselho Federal de Educação”.
É importante ressaltar que o ideário que orientou a formação do supervisor,
especificamente, se fundamentou na pedagogia tecnicista. Que tinha como objetivo político a
capacitação e o treinamento dos Supervisores e demais profissionais da educação, para atender as
demandas do setor produtivo capitalista. Seguindo o modelo Taylorista implantado nas fábricas.
Com as mudanças ocorridas em caráter legal, a formação do professor e do especialista
recebia um tratamento diferenciado, distanciando este último da formação do educador. Para
Abdulmassih e Rodrigues (2007, p. 5):
O especialista de educação, com um saber limitado, passou a ser um dos sujeitos
determinantes, no contexto das políticas de caráter centralizadoras e totalitárias, dado que era quem
operacionalizava, no interior das escolas, a ideologia dominante, especialmente através dos
currículos.
Medeiros (1987) caracteriza a Lei 5292/71, como a lei profissionalizante, que objetivava
preparar mão-de-obra para trabalhar na máquina estatal e no mercado, e ainda especializar os
trabalhadores para atender as iniciativas da propriedade privada. Foi a referida lei que consolidou a
obrigatoriedade do Especialista da educação nos estabelecimentos de ensino.
No final da década de 70, a classe trabalhadora inicia um processo de organização em
sindicatos, lutando contra a grande repressão implantada pelo regime militar à sociedade brasileira.
Incluindo também a classe de educadores, que buscavam reconquistar a sua identidade. Os teóricos
progressistas iniciam uma crítica ferrenha ao sistema questionando a política educacional.
23

No decorrer dos períodos de 60 até 70 foram criadas duas associações de supervisores no


Brasil, A ASSERS e ASEEP. Entre as décadas de 70 e 80, foram criadas 13. Abdulmassih e
Rodrigues (2007, p. 7) esclarecem o objetivo de tais organizações.
As associações de supervisores e orientadores objetivavam a recuperação da pessoa do
educador e defendiam o diálogo e a integridade do trabalho pedagógico contra uma especialização
imposta e estéril. Lutavam pela consolidação de um projeto educacional que conduzisse a
“unilateralidade”, ou seja, um trabalho humano na sua dimensão espiritual e material, que levara em
consideração a totalidade social rompendo deste modo a mera fragmentação implantada pelo
trabalho de caráter capitalista.
É importante destacar que existiram inúmeras discussões acerca da regularização do
exercício da profissão e das nomenclaturas, sendo elas: Supervisão Educacional e Supervisor escolar.
Discutida a questão define-se pela designação “Supervisor Escolar”, por ser mais abrangente e
caracterizar melhor a área de atuação destes profissionais. Assim, ao menos em termos legais, o
supervisor passava de meramente técnico, restrito ao âmbito escolar, a educacional, exercido por um
educador comprometido com as transformações da escola, da educação.
As transformações ocorridas nos processos sociais e culturais exigem da escola uma
reforma quase que em sua totalidade. Os velhos paradigmas educacionais, com currículos
estritamente disciplinares revelam-se cada vez menos adequados, refletindo no aprendizado e no
próprio convívio. A transformação de qualidade que se procura promover na formação do educando
irá conviver com outras modificações, quantitativas e qualitativas, que precisam ser consideradas e
compreendidas.
A ampliação do número de alunos matriculados revela que há uma emergência em se
estruturar a educação brasileira para o fortalecimento de uma escola de qualidade. Para tal é
necessário considerar que a qualidade educativa da escola como instituição dedicada à instrução dos
cidadãos não pode ser entendida à margem da qualidade de vida que governa ou administra a
sociedade política.
Dessa forma, confirma-se que o educador precisa ser educado. A necessidade de novas
perspectivas educacionais faz do saber do supervisor uma oportunidade de reversão de tal quadro a
favor dos educandos, de modo a superar a resistência, a teimosa diferença e distância entre o falar do
discurso teórico e as circunstâncias concretas do saber. O supervisor pode ser o sujeito chave no
processo de mudança, ocupando lugar importantíssimo no cenário educativo.
Conforme o contexto histórico da educação, o supervisor fica a margem de uma dualidade,
ou serve ao estado, cumprindo o papel hierárquico que lhe é imposto ou sua prática será em
benefício dos educadores e educandos, promovendo a superação de cunho autoritário, se envolvendo
cada vez mais na promoção dos atores no contexto educacional.
24

Tal profissional deve ter múltiplos olhares, ser capaz de perceber as intenções implícitas do
sistema escolar. Segundo Alonso (2006, p. 168), a figura do supervisor desponta como o elemento de
intermediação associada à ideias de mudança, entendida, algumas vezes, como mera aplicação de
“novas propostas” curriculares amplamente divulgadas pelos órgãos oficiais”.
Há de se conhecer em que realidade está inserida a escola, quem são seus alunos,
professores, pais, administradores e suas características socioeconômicas e culturais. Partindo desse
ponto, a prática pedagógica tenderá ser mais significativa. Nessa lógica, Alonso (2006, p. 169),
contribui na proposição que a escola e seus responsáveis devem conhecer as expectativas e
necessidades dos alunos, para definir prioridades de formação e construir um projeto-pedagógico
coerente e realista.
Compreender o contexto histórico na qual está inserido o supervisor e identificar as reais
necessidades apresentadas socialmente auxilia na compreensão do supervisor como centro de
mudança da prática pedagógica. Só um profissional engajado com a causa alheia poderá atuar como
mediador não mais de subordinação e aceitação irrestrita à autoridade, mas de intérprete da realidade
escolar e de sua necessidade.

12. A FUNÇÃO SUPERVISORA

Fouquié(1971), Supervisão é a "ação de velar sobre alguma coisa ou sobre alguém a fim de
assegurar a regularidade de seu funcionamento ou de seu comportamento". Mesmo nas comunidades
primitivas, onde a educação se dava de forma difusa e indiferenciada, estava presente a função
supervisora, quando os homens se apropriavam coletivamente dos meios de vida fornecidos
diretamente pela natureza para satisfazer suas necessidades existenciais (comunismo primitivo), eles
se educavam e educavam as novas gerações.
 Com a fixação do homem à terra surge a propriedade privada e a divisão dos homens em
classes. Com o advento da propriedade privada da terra constitui-se a classe dos proprietários
contrapondo-se à dos não proprietários.
 Com a divisão dos homens em classe a educação também se divide, diferenciando-se a
educação destinada à classe dominante daquela a que tem acesso a classe dominada- quando é
criada a escola (para os membros da classe que dispõe de ócio) enquanto a educação da
maioria continua a coincidir com o processo de trabalho.
 Antiguidade e Idade Média - continua o mesmo fenômeno- nesta escola não se põe o
problema da ação supervisora, em sentido estrito. A escola constituía uma estrutura simples,
limitada à relação do mestre com seus discípulos (Saviani, 1994, p. 98).
25

 Nesse contexto já havia a função supervisora- na forma de controle, fiscalização, coerção


(punições e castigo físico).
 A função supervisora também pode ser encontrada: na figura do pedagogo, na Grécia; na
educação dos escravos através da figura do intendente, na Grécia e em Roma."Desde que esta
é a vontade dos deuses, é necessário que vos submetais à vossa desgraça. Não há outra
maneira de torná-la menos penosa. Sei que éreis de condição livre, mas, uma vez que, agora,
sois prisioneiros, fareis mais ligeira a nossa servidão se vos mostrardes mais submissos à
vontade do amo. Um amo jamais se equivoca; até o mal que vos faz deve ser olhado como um
bem" (Ponce, 1981, p. 80).

13. A SITUAÇÃO ATUAL DA SUPERVISÃO

Estamos vivendo aquilo que pode ser chamado de nova Revolução Industrial ou Revolução
da Automação, de base microeletrônica. Em decorrência da primeira Revolução Industrial, ocorreu a
transferência de funções manuais para as máquinas, o que hoje está ocorrendo é a transferência das
próprias operações intelectuais para as máquinas.
Em conseqüência também as qualificações intelectuais específicas tendem a desaparecer, o
que traz como contrapartida a elevação do patamar de qualificação geral.
A universalização de uma escola unitária que desenvolva ao máximo as potencialidades dos
indivíduos, conduzindo-os ao desabrochar pleno de suas faculdades espirituais e intelectuais, estaria
deixando o terreno da utopia e da mera aspiração ideológica, moral ou romântica para se converter
numa exigência posta pelo próprio desenvolvimento do processo produtivo.
É na escola unitária universalizada que a supervisão, entendida como concepção e controle
das atividades dos agentes educativos, poderá tornar-se uma ação coletiva desses mesmos agentes
que, assim, se apropriam plenamente do mundo objetivo, aprendendo, por esse caminho, a controlar
suas próprias ações e, por elas, assumindo o controle do complexo de instrumentos que o próprio
homem criou e colocou em funcionamento a serviço de suas necessidades, objetivos e aspirações.
As máquinas, como extensão dos braços e agora também do cérebro humano, não são mais
do que instrumentos pelos quais o homem realiza aquela atividade, ainda que se trate de instrumentos
capazes de pôr em movimento operações complexas, múltiplas, amplas e por tempo prolongado.
Portanto, o criador desse processo, aquele que o domina plenamente e que o controla em última
instância, continua sendo o homem. Continua sendo um trabalhador. Seu trabalho consiste agora em
comandar e controlar (supervisionar) todo o complexo das suas próprias criaturas, mantendo-as
ajustadas ás suas necessidades e desenvolvendo-as na medida das novas necessidades que se forem
manifestando. Portanto, o trabalho dominante do homem coincidirá com a função supervisora.
26

Hoje, o desafio fundamental que se põem para a Supervisão Educacional, extrapola a esfera
especificamente pedagógica, situando-se na contradição central da sociedade moderna que, por um
lado, desenvolvem numa escala sem precedentes as forças produtivas humanas e, por outro, lança na
miséria mais abjeta contingentes cada vez mais numerosos de seres humanos. Ao mesmo tempo em
que desenvolve as premissas que situam a humanidade no limiar da libertação de todas as suas
necessidades, subtrai à maioria dos homens o acesso aos meios indispensáveis para a satisfação de
suas mais elementares necessidades. O aguçamento dessa contradição vai tornando cada vez mais
evidente que a sociedade capitalista está pondo continuamente, para si mesma, problemas que não é
capaz de resolver. A solução desses problemas implica, pois, a transformação das relações sociais
vigentes.
A luta pela superação do capitalismo coincide com a luta em defesa da humanidade em seu
conjunto. Para tanto, a consciência da situação, embora não suficiente, é uma condição prévia,
necessária e indispensável. E o desenvolvimento dessa consciência implica um trabalho educativo
sem o qual resultará impossível a mobilização da população para a realização das transformações
necessárias. Eis aí, em suma, o grande desafio que se coloca para a supervisão no campo da
educação.

14. PANORAMA HISTÓRICO DA SUPERVISÃO

Os Jesuítas foram os primeiros educadores. A educação não era considerada um valor social
importante para uma sociedade agrário-exportadora dependente, na verdade era uma arma de controle
social. A tarefa educacional baseava-se na catequese e na instrução para os indígenas, entretanto a
educação dispensada aos filhos da elite colonial mostrava-se diferenciada. Em sua sociedade desigual
a educação é elitista. Em 1549, organizam-se as atividades educativas no Brasil. No Plano de Ensino
aviado por Manuel da Nóbrega a ideia de Supervisão não se manifesta apesar da função supervisora
estar presente. O Plano de instrução estava fundamentado na RatioStudiorum, cujo “ideal era a
formação do homem universal, humanista e cristão. A educação se preocupava com o ensino
humanista de cultura geral, enciclopédico e alheio á realidade da vida de colônia” (VEIGA, 2004).
Formas dogmáticas de pensamento contra o pensamento crítico maculavam a ação pedagógica dos
Jesuítas que privilegiava a memorização e o raciocínio. Assim, tornava-se impossível um a prática
pedagógica que buscasse uma perspectiva transformadora na educação. Explicita-se na
RatioStudiorum a ideia de supervisão educacional na figura do Prefeito de Estudos.
Com a expulsão dos Jesuítas e as Reformas Pombalinas o sistema de ensino foi extinto e
junto com ele o cargo de Prefeito de Estudos. Então, em relação aos aspectos educacionais houve um
retrocesso, pois alguns professores leigos começaram a ser admitidos para as aulas régias
introduzidas pelas reformas de Pombal. A ideia de supervisão continuava presente, agora, englobada
27

nos aspectos político-administrativos (inspeção e direção) da figura do Diretor geral; e também nos
aspectos de direção, fiscalização, coordenação e orientação do ensino, na figura dos Diretores dos
Estudos.
Com a Independência do Brasil é formulada a primeira Lei para a instrução pública (15 de
Outubro de 1827) que instituiu as Escolas de Primeiras Letras baseadas no “Ensino Mútuo”, método
que concentra no professor as funções de docência e supervisão, ou seja, instruir os monitores e
supervisionar as atividades de ensino e aprendizagem dos alunos.
O regulamento educacional do Período Imperial estabelecia que a função supervisora
devesse ser exercida por agentes específicos para uma supervisão permanente; essa missão foi
atribuída ao Inspetor Geral que supervisionava todas as escolas, colégios, casas de educação, etc.,
públicos e privados. O Inspetor Geral ainda presidia exames dos professores e lhes conferia o
diploma.
Autorizava abertura de escolas privadas e revisava livros. O inspetor deveria ser um
elemento de prestigio pessoal e conhecimento com pessoas importantes e com autoridades
constituídas. Suas atribuições incluíam fiscalizar e padronizar as rotinas escolares ás normas oficiais
emanadas das autoridades centrais, por essa razão exercia essas funções como “autoridade do
sistema”, através de visitas corretivas e de registros permanentes para confecção de relatórios a serem
encaminhados aos órgãos centrais. Com o objetivo de fiscalizar o grau maior ou menor de desvio da
ação pedagógica em relação aos padrões estabelecidos pela Lei.
Com a discussão sobre a organização de um sistema nacional de educação, “a ideia de
supervisão vai ganhando contornos mais nítidos ao mesmo tempo em que as condições objetivas
começavam a abrir perspectiva param se conferir a essa ideia o estatuto de verdade prático”.
(SAVIANI, 2003) Pautava-se em dois requisitos: A organização administrativa e pedagógica do
sistema e a organização das escolas na forma de grupos escolares.
No início do Período Republicano, sob a influência do positivismo a reforma de Benjamim
Constant é aprovada, gerando supri missão do ensino religioso nas escolas públicas e o Estado passa
a assumir a laicidade. A visão burguesa é disseminada pela escola, visando garantir a consolidação da
burguesia industrial como classe dominante. Com a expansão cafeeira o modelo econômico passa de
agrário-exportador para o modelo urbano- comercial- exportador. A Pedagogia Tradicional se
articula no Brasil com os pareceres de Rui Barbosa e de Benjamim Constant. Nessa pedagogia a
ênfase recai ao ensino humanista da cultura geral centrado no professor, a relação pedagógica é
hierarquizada e verticalizada, “o método de ensino é calcado nos cinco passos formais de Herbart”.
(VEIGA, 2004).
O Período conhecido como a Primeira República é marcado por um processo de
descentralização do controle e de maior organização dos serviços, incluindo os educacionais. A
função de supervisor era exercida pelo inspetor que deveria ser uma pessoa qualificada, experiente e
28

sensível para com técnicos pedagógicos do processo de ensino-aprendizagem. Dentre suas principais
atribuições podemos citar: orientar, controlar, supervisionar, fiscalizar e inspecionar todo processo
educacional através de conferências, palestras e visitas, acompanhar o desenvolvimento do currículo
nos estabelecimentos, com o objetivo de orientar pedagogicamente os professores mais jovens,
buscando eficiência, introduzindo inovações, modernizando os métodos de ensino e promovendo um
acompanhamento mais atento do currículo pleno nos estabelecimentos.
Surgem, então na década de 20, os profissionais da educação, também conhecidos com
“técnicos em escolarização” e concomitantemente é criada a Associação Brasileira de Educação por
iniciativa de Heitor Lira. A ABE foi um elemento propulsor e estimulante aos “técnicos em
educação”. A reforma João Luís Alves em 1924 criou o Departamento Nacional de Ensino e o
Conselho Nacional de Ensino separando, assim, a parte administrativa da parte técnica que antes
estavam unidas num mesmo órgão o Conselho Superior de Ensino. Esse foi um passo importante
para a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e essa separação propiciou o surgimento
da figura do supervisor distinta da figura do diretor e inspetor. A partir daí, ele é responsável pela
parte técnica enquanto o diretor é responsável pela parte administrativa.
Na década de 30, a sociedade brasileira sofre profundas transformações sociais, econômicas
e políticas que refletem no modelo educacional. A crise de 1929 desencadeia a decadência do café e a
Revolução de 30. Vargas empossado constitui o Ministério da Educação e Saúde Pública. Por
influência do Liberalismo é lançado o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, preconizando a
reconstrução social da escola na sociedade urbana industrial. Nesse contexto de mudança, a educação
passa a ter um caráter mais técnico e a valorizar os meios de organização dos serviços educacionais,
com o objetivo de racionalizar o trabalho educativo dando relevância aos técnicos, entre estes o
supervisor. O surgimento do cargo de supervisor educacional está relacionado com as vinculações do
Brasil com os Estados Unidos. O novo modelo econômico baseado no desenvolvimentismo e na
injeção do capital estrangeiro no país trouxe consigo não só os padrões econômicos americanos, mas
também o modelo educacional americano, onde o supervisor tinha lugar de destaque dentro da
escola.
Com a instalação da Ditadura Militar em 1964, a educação passa a ser oferecida nos moldes
da Pedagogia Tecnicista, há um descaminho. O autoritarismo e a repressão são os alicerces dessa
pedagogia, o trabalho é fragmentado e mecanicista, da mesma forma que numa fábrica, busca-se a
burocratização, a eficácia e resultados imediatos. O governo aprovou as Reformas de 1° e 2° graus e
Universitária, sendo que esta reformulou o Curso de Pedagogia que ganhou novas habilitações:
administração, inspeção, supervisão e orientação, com isso a função de supervisor educacional é
profissionalizada.
O supervisor educacional é um especialista em educação, exercia sua função como
controlador do processo de produção assumindo características de coordenação e direção do trabalho,
29

ou seja, atuando como elemento mediador (como uma função técnica que está a “serviço de”).
Exercia essa função através de treinamento de professores para discutir e difundir os fundamentos de
organização dos processos de trabalho e do controle sobre ele buscando a aplicação do conceito de
racionalidade á administração e do processo com o objetivo de aumentar a produtividade da mão-de-
obra e a melhoria de seu desempenho. A função do Supervisor Educacional reflete o contexto
histórico do período marcado pelo desenvolvimento nacional e de estabilidade política, altamente
mecanicista, utilitário, burocrático e pragmático.
Na década de 80, a crise socioeconômica e a Nova República dão início á uma nova fase. A
luta operária ganha força e os professores lutam pela reconquista do direito de participar da definição
da política educacional e da luta pela recuperação da escola pública.
A I conferência Brasileira de Educação constitui um espaço para discussão e disseminação da
concepção crítica da educação e a Pedagogia Crítica ganham espaço no cenário educacional. O fazer
pedagógico não está centrado no professor ou no aluno, mas na questão central da formação do
homem; está voltada para o ser humano e sua realização na sociedade e comprometida com os
interesses dos menos favorecidos economicamente. A realidade é múltipla e diversa e a educação
deve atendê-la. O mundo contemporâneo é marcado pela hegemonia do neoliberalismo, acentuando-
se e ampliando-se as formas de exclusão social e cultural. A globalização reflete no âmbito
educacional no que se refere à organização do trabalho pedagógico, delegando uma série de
atribuições ás escolas, aos professores e alunos.
O papel da supervisão está enfocado para a formação do tecnólogo do ensino e no
favorecimento e aprofundamento da perspectiva crítica, voltada para a formação do supervisor como
agente social.

15. O PAPEL DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL

O supervisor é o articulador do Projeto Político-Pedagógico, da instituição, com os campos


administrativos e comunitários; deve circular entre os elementos do processo educacional cabendo-
lhe a sistematização e integração do trabalho no conjunto, caminhando na linha da
interdisciplinaridade. O foco da atenção do supervisor no trabalho de formação é tanto individual
quanto coletivo, para contribuir com o aperfeiçoamento profissional de cada professor e ao mesmo
tempo ajudar a constituí-los enquanto grupos. O papel do supervisor é mediar à relação
professor/aluno no processo de ensino-aprendizagem, acolher o professor em sua realidade, criticar
os acontecimentos, instigando a compreensão própria da participação do professor em questões
educacionais, trabalhar encima da ideia de processo de transformação, buscar caminhos alternativos,
acompanhar a caminhada coletivamente.
30

A ação supervisora estar fundamentada em três dimensões básicas: atitudinal, procedimental


e conceitual. A dimensão atitudinal estar ligada a um valor, a ética, a moral, á todos os valores de
uma prática. Uma atitude critica requer não ficar preso á manifestação primeira, não ser ingênuo,
acomodado, desatento; criticar é ser capaz de ver e resgatar os aspectos positivos, valorizar o saber
do outro, ser autocrítico e metacrítico. A totalidade é importante na apreensão dos fenômenos já que
se procura perceber as múltiplas relações, as vaias partes envolvidas bem como seus nexos e
conexões; ter a visão complexa, não se fixar apenas em um ponto, é preciso conhecer as partes para
compreender o todo. Para entender o que acontece no presente é preciso estudar o passado. A
historicidade nos ajuda a compreender o movimento da historia bem como chegamos a tal problema
(gênese e desenvolvimento do problema).
A história do profissional, de grupo e da instituição nos ajudará a perceber o que acontece no
presente, possibilitando uma aproximação mais adequada á realidade. A sensibilidade é uma das
grandes virtudes da função supervisora, a capacidade perceber o outro, reconhecer seu potencial,
valor, características, as diferenças entre os atores, evitar generalizações, dar leveza ao trabalho de
formação, além disso, ainda passar confiança, conquistar a confiança de todos não se utilizando de
autoritarismo, mas buscando construir um relacionamento baseado na confiança, através de atitudes
concretas no cotidiano do trabalho. O supervisor precisa construir uma a pratica pedagógica
transformadora, humanista, libertadora, livre, solidária e justa.
Outro campo de formação e domínio está relacionado com o saber-fazer, com encontrar
caminhos para concretizar aquilo que se buscam, métodos, técnicas, procedimentos, habilidades, esta
é a dimensão procedimental. O supervisor pode usar como referencia pra o seu trabalho algumas
ajudas que são as categorias de intervenção, sustentação e as estratégias complementares de trabalho.
Dentre as categorias de intervenção estão à práxis (transformação das ideias em ações concretas, pra
dialeticamente transformar a própria consciência, envolvendo não apenas a reflexão e emoção, mas a
correspondência a determinadas condições objetivas, visando estabelecer na escola a dinâmica
constante ação/reflexão em reciprocidade, para se tiver uma apropriação critica da pratica e da teoria
fazendo-as avançar, o método (é essencial para construção de uma pratica que visa à qualificação da
ação mediadora do supervisor junto ao professor), tendo compreensão da realidade, clareza de
objetivos, estabelecendo-se um plano de ação, agindo de acordo com o planejado e avaliando a sua
pratica), a continuidade- ruptura (implica em partir de onde o sujeito / grupo estar e superá-lo,
permite que em um mesmo âmbito convivam em reciprocidade o velho e o novo, o tradicional e o
inovador, não em sincretismo ou justaposição desconexa, mas em “um esforço de construção, de
resignificação dos elementos disponíveis, enfim de criação” (VASCONCELLOS, 2002), o dialogo
problematiza dor (o diálogo deve ser franco e aberto tendo com referencia o PPP, o supervisor
precisa preocupar-se em legitimar as falas, as perguntas, as duvidas incentivando os professores a
31

reavaliarem o sentido da sua pratica), e finalmente a significação (a supervisão tem um papel muito
importante na direção de resgatar o valor e o sentido do ensino como espaço de transformação).
Dentre as categorias de sustentação temos a ética (implica no sujeito assumir
responsabilidades por seus atos, querer o bem, não prejudicar o outro; a falta de ética e transparência
entre os membros do grupo podem fazer naufragar as tentativas de mudanças), visão do processo
(para se concretizar um processo é preciso basear-se em toda uma concepção metodológica de
trabalho e intervenção na realidade, com conscientização), avaliação (quando não é mera
classificação) para a exclusão, é um fator de revitalização pessoal e (Institucional e ajuda na)
(Reflexão sobre aspectos nos quais é preciso melhorar e a encarar o erro como uma oportunidade de
aprendizagem), participação (cabe ao supervisor procurar realizar) a construção da proposta
pedagógica da forma mais participativa possível, tendo proposta de educação, concepção de
planejamento, objetivos, conteúdos, metodologia, próprios e defendendo eles através da diretividade
interativa, ou seja, levar em consideração as posições dos outros, estarem aberta E firme, com
respeito e determinação.
O eixo central do trabalho do supervisor é a qualificação do processo de ensino como forma
de possibilitar a efetiva aprendizagem por parte de todos, então, algumas praticas empíricas que
objetivam renovar a pratica educativa podem ser utilizadas como estratégias complementares de
trabalho entre elas podemos citar a interação com os docentes, a visão estratégica e atualizada e a
redução do caráter burocrático ao mínimo.

16. FORMAÇÃO DE PROFESSORES

O supervisor atuará no processo de formação continuada dos professores em certos


momentos de toda a equipe escolar. Segundo o PNE (Plano Nacional de Educação) a qualificação do
pessoal docente se apresenta como um dos maiores desafios educacionais. A melhoria da qualidade
do ensino, indispensável para assegurar á população brasileira o acesso pleno á cidadania e a inserção
nas atividades produtivas que permita elevação constante do nível de vida, constitui um compromisso
da Nação. Este compromisso, entretanto, não poderá ser cumprido sem a valorização do magistério,
uma vez que os docentes exercem um papel decisivo no processo educativo. A valorização do
magistério implica pelo menos os seguintes requisitos: uma formação profissional que assegure o
desenvolvimento da pessoa do educador enquanto cidadão e profissional, o domínio dos
conhecimentos objeto de trabalho com s alunos e dos métodos pedagógicos que promovam a
aprendizagem; um sistema de educação continuada que permita ao professor um crescimento
constante de seu domínio sobre a cultura letrada dentro de uma visão ou ótica e da perspectiva de um
novo humanismo;
32

A formação continuada assume particular importância, em decorrência do avanço cientifico


e tecnológico e de exigência de um nível de conhecimentos sempre mais amplos e profundos na
sociedade moderna. Ela é parte essencial da estratégia de melhoria permanente da qualidade da
educação, e visará á abertura de novos horizontes na atuação profissional. Essa atuação terá como
finalidade a reflexão sobre a pratica educacional e a busca de seu aperfeiçoamento técnico, ético e
político. A educação escolar não se reduz a sala de aula e se viabiliza pela ação articulada entre todos
os agentes educativos - docentes, técnicos, funcionários administrativos e de apoio que atuam na
escola.
A Supervisão centrada na formação dos professores indica um redirecionamento do trabalho
dos agentes, voltando à atenção para problemas ocorridos na sala de aula, com os professores e outras
questões mais amplas inter e extra escolares, tomando consciências das mudanças sociais e
educacionais. Os supervisores precisam ser bem preparados, atualizados, dinâmicos e preocupados
com o destino dos alunos e com as responsabilidades da escola para com a comunidade.

“Encarando-se a supervisão como um trabalho de assessoramento dos


professores e á equipe escolar, tendo em vista o desenvolvimento de um
projeto coletivo que propõe mudanças não só nas praticas usuais, mas
também nas concepções que as embasa, esse trabalho terá que ser
encarado como uma interação entre iguais, onde não existem diferenças
de posições entre os membros do grupo, mas uma relação de
colaboração. Esta parece ser a única forma de alterar a pratica existente,
garantindo avanços significativos no desenvolvimento dos professores.”
(ALONSO, 2003)

Para refletir sobre a supervisão educacional no Brasil atual, é preciso primeiro compreender
os compromissos que sustentaram e traspassaram suas vias no poder das políticas publicas e da
administração da educação desde que a função supervisora foi profissionalizada; segundo,
compreender qual epistemologia orienta suas praticas e compromissos que hoje se impõe para os
profissionais da educação, para administração e políticas publicas; em terceiro, expressar os
compromissos e esperanças de construir uma escola de qualidade, democrática e igualitária que ajude
a transformar a sociedade. A supervisão educacional tem o compromisso de garantir a qualidade de
ensino da educação da formação humana, com um trabalho articulado e orgânico entre a real
qualidade do trabalho pedagógico que subsidiará novas políticas e novas formas de administração
escolar visando à mudança.
Etimologicamente, supervisão significa "visão sobre" e está intrinsecamente ligado á gestão
escolar. Como responsável pela qualidade do processo de humanização do homem através da
educação, nesse contexto atual estabelece outros compromissos que ultrapassam as especificidades
do espaço escolar, sem dele abandonar.
33

Garantir conteúdos emancipatórios trabalhando-os com profundidade em toda sua


complexidade e transitoriedade comprometendo-se com a administração da educação concretiza os
rumos traçados pelas políticas educacionais e publicas que as norteiam. Este compromisso se
manifesta num acompanhamento e estudo de todas as relações estabelecidas entre as tomadas de
decisões, as determinações sociais e políticas que as gestam e as conseqüências e como subsidio da
administração da educação, como “pratica de apoio a pratica educativa”, envolvendo- a na
participação direta da construção coletiva da libertação humana e da escola. A supervisão
educacional pode atuar como participe da construção da sociedade quando reconhece o seu papel
como ator social e exercer a sua função política com consciência e comprometimento.

17. DOCUMENTAÇÃO OFICIAL

17.1 RELATÓRIOS

Um relatório é a comunicação de informações a alguém, de modo mais conveniente e útil.


Essas informações podem ser sobre os mais diversos assuntos. Podemos fazer relatórios para:
 informar as atividades pedagógicas durante um período de tempo;
 relatar uma feira de ciências realizadas na escola;
 informar um chefia sobre os serviços executados em obra, escola, etc;
 expor os resultados e atividades extra classe de que foi incumbido;
 relatar as atividades, a experiências e os conhecimentos adquiridos por um aluno em um estagio.
É preciso, também, ter sempre em mente a(s) pessoa(s) a quem se destina o relatório. De
acordo com esse destinatário é que se organiza o relatório. O individuo ou o grupo que irá tomar
conhecimento dessas informações chama-se: audiência.
Para redigir um bom relatório não basta alinhar os fatos. Ele deve se objetivo, informativo e
apresentável.

17.2 ATA

É o resumo escrito dos fatos e decisões de uma assembléia seção ou reunião. Geralmente as
atas são transcritas a mão e pelo secretário, em livro próprio, que deve conter um termo de abertura
e um termo de encerramento assinados pela autoridade máxima da entidade ou por quem quer
receber daquela autoridade delegação de poder para tanto e, esta também numerar e rubricar as folhas
do livro.
Como a ata é um documento de valor jurídico, deve ser lavrada de tal forma, que nada lhe
poderá ser acrescentada ou modificada. Se houver engano o secretário escreverá a expressão “digo”,
34

retificando o pensamento. Se o engano for notado no final da ata, escrever-se-á a expressão “em
tempo: onde se lê..., leia-se...”.
Nas atas deve-se usar:
 os números sempre por extenso (escrito);
 o tempo verbal preferencialmente é o pretérito perfeito do indicativo;
 a assinatura deverão fazer todas as pessoas presentes ou, quando deliberado apenas o presidente e
o secretário.
Não se deve usar:
 Abreviações
 Não se deixa espaços ou parágrafos, a fim de evitar acréscimos.
Permite-se também a transcrição da ata em folhas digitadas desde que as mesmas sejam
convenientemente arquivadas, impossibilitando fraudes. Em casos muito especiais usam-se
formulários já impressos, como os das seções eleitorais, concursos, etc.
Exemplo:

ATA
Aos vinte e cinco dias do mês de março do ano de dois mil e..., às quinze horas, no Salão de
Festas do Instituto de Educação “João Caetano”, à Rua Tobias Barreto número 342, nesta Capital,
realizou-se a sétima reunião do Grêmio Estudantil “Rui Barbosa” sob a presidência do aluno
Francisco Ferrete, estando presentes os seguintes associados: Mario Pires, João Bariloche, Jenilson
Prado, Maria da Cunha, Alfredo Mariano, Pedro Pinto, Ziraldo Keller, Marcio de Abreu. Lida pelo
Secretário a ata da reunião anterior, foi ela aprovada por unanimidade. O presidente expôs o principal
objetivo da reunião: socorreu os desabrigados das ultimas enchentes que, no momento, estavam
alojados nas dependências da Igreja Matriz, aguardando a transferência para um local mais adequado.
Vários alunos tomaram a palavra, insistindo na necessidade de nossa participação. O terceiranista
Jenilson Prado propôs que cada associado levasse, até as dezoito horas, um donativo em espécie,
mormente, alimentos e agasalhos, à Igreja. Propôs também que conclamássemos todos os outros
alunos a que fizessem o mesmo. A proposta foi aprovada porá aclamação, encerrando-se a reunião o
Presidente pediu que passássemos imediatamente a ação. Nada mais havendo a tratar, eu, João
Bariloche, Secretário, lavrei a presente ata que lida e achada conforme, vai por todos os presentes
assinada. __ São Luis, vinte e cinco de março de dois mil e... __ (a) Maria da Cunha _ (a) _ Francisco
Ferrete _ (a) _ Mario Pires _ (seguem as demais assinaturas).

17.3 DECLARAÇÃO

É um documento em que se manifesta uma opinião, conceito, resolução ou observação.


Exemplo:
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(timbrado da instituição)

Declaro pra os devidos fins de direito que, ______________________ RG N°


___________________.
( ) È aluno (a) regulamente matriculado (a) e está freqüentando até a presente data a
________________ série do Ensino __________________ nesta unidade de ensino no horário das
_________ às ________________.
( ) Conclui a ______________ série o ensino _______________ nesta Unidade de Ensino,
estando apto a cursar a ___________ a série do Ensino ______________________.
( ) Solicitou, nesta data, sua transferência para outra Unidade de Ensino com direito a se
matricular na ____________ série de ensino _______.

Obs.: esta declaração só é valida por 30 dias sem rasura e somente com um doas quadros assinalados.

Local, ______de ________ de ________.

17.4 REQUERIMENTO

É um documento especifico de solicitação e, através dele, pessoa física ou jurídica requer


algo que tem direito (ou pressupõe tê-los). Concedido por lei, decreto, ato, decisão, etc.

Estrutura do requerimento:

a) Invocação – os termos devem ser escrito por extenso. Titulo funcional daquele a quem deve
ser dirigido sem se mencionar, no entanto um nome do eventual ocupante do cargo.
b) Texto – inicia-se pelo nome do requerente, sua qualificação ou representação, se for pessoa
jurídica, exposição do ato legal em que se baseia, o requerimento e o objeto desse mesmo
requerimento.
c) Fecho – parte em encerra o documento em que entram as expressões:

Nesses termos ou N. termos ou N. T. ou N. T.


Pede deferimento P. deferimento P. D. A. D.

Seguidas da data e da assinatura do requerente ou do seu representante legal.

OBSERVAÇÕES
Entre a invocação e o contexto, haverá oito espaços duplos de maquina de escrever, esse espaço
destina-se a protocolo e despacho da autoridade competente.
Deve-se preferir o uso da 3ª pessoa gramatical: Maria da Silva..., vem solicitar.

Exemplo:
Ilmo. Sr. Chefe do Centro de Saúde

OSVALDO DA C. SANTOS, brasileiro, casado, comerciante, residente nesta cidade na rua Manoel
Bandeira, 148, portador da RG 1234/MA, CPF 258.456.370-25, requer de V. Sa. se digne a
determinar o exame sanitário da loja, 32 situado na Av. Magalhães de Almeida, 850, afim de possa
instruir o processo para estabelecimento naquele local de uma lanchonete.

Nestes termos,
Pede deferimento
São Luis, 26 de março de 2005
Osvaldo da C. Santos
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18. PLANO DE AÇÃO DE GESTOR:

NOME DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO

A democratização da Gestão é defendida enquanto possibilidade de melhoria na qualidade


pedagógica do processo educacional das escolas, na construção de um currículo pautado na realidade
local, na maior integração entre os agentes envolvidos na escola..(DOURADO, 2011)

SUMÁRIO

1 IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA
2 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA
3 OBJETIVOS E METAS
3.1 Objetivo Geral
3.2 Objetivos específicos/Metas
4 JUSTIFICATIVA
5 POLITICAS E AÇOES E OU ESTRATÉGIAS (quadro sinótico)
6 CRONOGRAMA PARA O ANO DE 2012 – 200 DIAS LETIVOS
7 AVALIAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA
Unidade Escolar:
Modalidades de Ensino:
Entidade Mantedora:
Endereço: Município: Estado:
Diretora: Técnico em Educação:

2 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Nome da escola situada na


___________, , iniciou suas atividades no dia __/__/__. Tendo como primeira diretora a professora
______na administração do prefeito da época ____.
O nome atribuído a escola deu-se em homenagem a ____, a qual atuou por um grande período
na referida comunidade, desenvolveu do um trabalho relevante para a educação da época.
A referida Escola iniciou suas atividades em dois turnos: manhã e tarde, com as modalidades
de ensino: Jardim I, II e III com a professora ____, 1ª e 4ª série com a professora ____ e
Multisseriado com a professora _________. Considerando a implantação da Escola e o crescimento
da comunidade e das outras circunvizinhas houve necessidade de aumentar o número de turmas e,
por conseguinte o número de funcionários.
Estrutura física da escola se apresenta com cinco salas de aula, um banheiro, um passarela,
uma área de refeição, sala de direção e um depósito de merenda.
A referida escola conta com um quadro discente assim distribuído: 26 alunos matriculados no
pré-escolar, 70 alunos no ensino fundamental e 22 alunos na EJA, chegando a um total de 118
alunos.

3 OBJETIVOS E METAS
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3.1 OBJETIVO GERAL


Contribuir para maior participação e interação entre a escola e a família com vista a melhorar o
processo de ensino aprendizagem do educando e da efetivação de uma gestão democrática.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


 Aumentar a frequência dos pais/família na escola;
 Promover ações que possam garantir a prática da gestão democrática;
 Efetivar a atuação do Conselho Escolar nos processos e ações pedagógicas da escola;
 Promover ações de socialização entre os segmentos que compõem a comunidade escolar.
METAS
 Efetivação de um projeto socioeducativo que viabiliza a participação da família na escola;
 Assegurar uma atuação mais efetiva do Conselho Escolar direcionada as questões pedagógicas;
 Tornar o espaço escolar mais democrático e interativo por meio de uma gestão escolar atuante,
política e democrática;

4 JUSTIFICATIVA
Garantir um ambiente escolar socialmente saudável, que propicie condições indispensáveis
para que os educandos em fase de formação possam ampliar seus horizontes, trabalhar suas
capacidades e habilidades e expressar seus interesses, tornando-se cidadãos aptos a participar – de
maneira ativa e produtiva – nos processos que envolvem a vida em sociedade.
Vale ressaltar que muitas são as dificuldades que encontramos no espaço escolar com
relação a participação da família na escola e na atuação do Conselho Escolar. Pois ainda se percebe
impregnada a cultura de que é da escola o dever de educar os alunos, e que a família pouco deve
participar deste processo. Outra situação que leva a necessidade de haver maior planejamento e ação
é com relação a participação efetiva do Conselho Escolar nas ações didáticas e pedagógicas da
escola.
Nesta perspectiva compreendemos a necessidade da elaboração deste Plano de Ação com
vista a viabilizar a participação dos pais na escola e melhorar a atuação do Conselho Escolar dentro
dos princípios que rege uma gestão democrática e a Constituição Federal/88 a qual estabeleceu
princípios para a educação brasileira, dentre eles: obrigatoriedade, liberdade, igualdade e gestão
democrática, sendo esses regulamentados através de leis complementares.
A necessidade de avaliação das ações educativas com a participação da família e atuação do
Conselho Escolar se fará autêntica quando está for monitorada e fomentada através da gestão
democrática.
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5 POLITICAS E AÇOES E OU ESTRATÉGIAS (quadro sinótico)


1º BIMESTRE 2º BIMESTRE 3º BIMESTRE 4º BIMESTRE
Ano Ações Ações Ações /Estratégias Ações /Estratégias
/Estratégias /Estratégias

Elaboração de
um projeto que Socialização, Encontros com a Avaliar as ações a partir
vise maior avaliação e comunidade e o das ações propostas e
integração dos aprovação do Conselho escolar desenvolvidas no Projeto
pais na escola; projeto para que o mesmo e neste Plano de Ação.
201 socioeducativo; possa esclarecer seu
3 Reuniões papel na escola. Melhorar a relação e a
periódicas da interação entre o gestor e
gestão técnica e Início da Através de reuniões os profissionais que
administrativa execução do fazer com que as atuam na escola, não
com a projeto com a decisões sejam deixando de considerar a
comunidade participação da tomadas família como uma
escolar; família nas ações coletivamente, importante e
do mesmo. ressaltando o papel imprescindível
Articular a de cada membro ferramenta de apoio no o
capacitação do nos eventos a serem cesso de ensino e
Conselho Escolar promovidos. aprendizagem e na
concretização de uma
Avaliar as Elaboração da gestão democrática.
necessidades programação e
emergenciais da cronograma de
escola com base reuniões do
nas dificuldades Conselho Escolar.
enfrentadas nos
ano anterior.

6 CRONOGRAMA PARA O ANO DE 2015 – 200 DIAS LETIVOS


Metas
Ações/Estratégias Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr

Capacitação do Conselho Escolar


Elaboração de um Projeto socioeducativo
que promova interação e participação da
família na escola.

Ampliar momentos de lazer e convívio entre


alunos, pais e professores por meio de
práticas e projetos educativos.

Reuniões pedagógicas com a comunidade


escolar identificar problemas, propor
soluções e definir as prioridades de acordo
com a realidade da escola.

Cronograma de ações para o ano letivo com


base nas ações do projeto socioeducativo e
de acordo com o período em que funcionam
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as aulas

Reunião com a comunidade escolar para


avaliação das ações do Projeto e das ações e
eventos realizados pela escola, com vista a
encontrar novas ações e estratégias para o
próximo ano letivo.

7 AVALIAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO

Intervir no processo de ensino da escola é buscar meios para que as metodologias utilizadas
venham a contribuir significativamente com a aprendizagem discente e com a ampliação de
experiências, conhecimentos e autonomia docente. Assim, não podemos nos prender somente a
critérios avaliativos por meio de notas, e sim por ações e estratégias que possam nortear os caminhos
de uma gestão democrática, que tenha autonomia, mas que também tenha conhecimento de seu papel
e apoio da comunidade escolar.
Deste modo as ações deste Plano serão avaliadas no final de cada bimestre, pois precisamos
considerar o período em que funciona o ano letivo em nossa região e ainda a necessidade de
constantes reuniões na busca de maior participação da família. Tal avaliação será feita de maneira
coletiva com a participação dos segmentos que compõem a comunidade escolar.

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