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SOBRE OS TRÊS VÉUS ENTRE O HOMEM E DEUS (1) http://www.anna-kingsford.com/portugues/obras_de_anna_kingsfor ...

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Seguinte: II – Sobre a
Inspiração e o Profetizar

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
arquivo pode ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa
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(p. 1)
ILUMINAÇÕES
PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO I

SOBRE OS TRÊS VÉUS ENTRE O HOMEM E DEUS (1)

1. (*) UM ANJO me deu em sonho um cálice dourado, como aqueles


usados em rituais católicos, mas com três coberturas. Essas três coberturas,
disse-me ele, representavam os três níveis dos céus: – pureza de vida, pureza
de coração e pureza de doutrina.
Logo em seguida, surgiu um grande templo, de estilo muçulmano,
coberto por uma abóbada, e em sua entrada havia um grande anjo com uma
veste branca que, com ar de comando, dirigia um grupo de homens
empenhados em destruir e jogar na rua grande quantidade de crucifixos,
bíblias, livros de oração, utensílios de altar e outros símbolos sagrados.
Enquanto observava, um tanto escandalizada com o aparente
sacrilégio, uma voz bradava de elevada altura no ar, com impressionante
clareza: “Ele destruirá completamente todos os ídolos!” e a mesma voz, que
parecia vir de ainda mais alto, gritou para mim: “Venha para cá e veja!”.
Imediatamente pareceu-me que fui levantada pelos cabelos e levada bem
acima da terra. (2) De repente surgiu no meio do ar a visão de um homem de
aspecto majestoso em trajes antigos, rodeado por uma multidão de
adoradores ajoelhados. No começo achei estranha a aparição dessa figura,
mas enquanto eu olhava atentamente para ela, ocorreu uma mudança em sua
face e em suas vestes, e eu achei que reconheci Buddha – o Messias da Índia.
Mal eu tinha me convencido disso, quando uma grande voz, como a de
milhares de vozes gritando em uníssono, bradou aos adoradores:
(p. 2)
“Fiquem de pé: – Adorem somente a Deus!”. E mais uma vez a figura
mudou, como se uma nuvem tivesse passado por ela, e agora ela pareceu
assumir a forma de Jesus. Vi novamente os adoradores ajoelhados, e outra
vez a poderosa voz bradou: “Levantem! Adorem somente a Deus!”. O som de
sua voz era com o do trovão e notei que ecoava sete vezes. Sete vezes o
brado reverberou, aumentando a cada ressoar, como que subindo de esfera
para esfera. Então, de repente, caí pelo ar, como se a mão que me sustentava
fosse tirada; e ao voltar à terra parei dentro do templo que tinha aparecido na
primeira parte da minha visão. Na extremidade leste (*) do templo havia um
grande altar, de cima e de traz do qual timidamente vinha uma bela luz branca,
cujo brilho era limitado e obscurecido por uma cortina escura, suspensa da
abóbada em frente ao altar. E o corpo do templo que, se não fosse pela
cortina, estaria completamente iluminado, estava praticamente na escuridão, a

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qual era rompida apenas pelo brilho irregular de lamparinas quase expirando,
penduradas aqui e ali na vasta cúpula.
De pé, à direita do altar, estava o mesmo anjo alto que eu tinha
encontrado antes na entrada do templo, levando em sua mão um incensório
aceso. Então, ao perceber que ele olhava fixamente para mim, eu lhe disse:
“Diga-me, que cortina é essa na frente da luz, e porque o templo está tão
escuro?” Ele respondeu: “Este véu não é Um, mas são Três; e os três são: o
Sangue, a Idolatria, e a Maldição de Eva. A você é dado retirá-los; tenha fé e
seja corajosa; é chegada a hora”.
A primeira cortina era vermelha e muito pesada; e com grande esforço
consegui afastá-la e disse: “Retirei o véu do Sangue da frente de Vossa Face.
Iluminai, ó Senhor Deus!”. Mas uma voz, que vinha de trás das dobras das
duas cortinas que lá permaneciam, me respondeu: “Não consigo brilhar por
causa dos ídolos”. E vejam só, diante de mim uma cortina com muitas cores,
tecida com todo o tipo de imagens, crucifixos, madonas, Velhos e Novos
Testamentos, livros de oração e outros símbolos religiosos, uns estranhos e
surpreendentes, como os ídolos da China e do Japão, outros belos, como os
dos gregos e dos cristãos. E a cortina pesava como chumbo, pois estava
espessa com bordados de ouro e prata. Mas, com as duas mãos, eu a rasguei
e clamei: “Afastei os Ídolos da frente de Vossa Face. Iluminai, ó Senhor
Deus!”.
Agora a luz era mais clara e mais brilhante. Mas ainda diante de mim
pendia um terceiro véu, todo em preto; e sobre ele estava esboçada uma
imagem de quatro lírios em um único caule invertido, seus copos se abrindo
para baixo. E, detrás desse véu, a voz
(p. 3)
me respondeu novamente: “Não posso brilhar por causa da Maldição de Eva”.
Então, empreguei toda minha força e com grande determinação arranquei a
cortina, gritando: “Removi a Maldição de Eva de diante de Vós. Iluminai, ó
Senhor Deus!”.
2. Já não havia mais um véu, mas uma paisagem, mais gloriosa e
perfeita do que palavras podem descrever, um jardim de absoluta beleza,
repleto de palmeiras, de oliveiras, de figueiras, de rios de águas límpidas e de
gramados de um verde suave; ao longe, florestas e bosques emoldurados por
montanhas coroadas de neve, e no cimo de seus brilhantes picos um sol
nascente, cuja luz era a que eu tinha visto por detrás dos véus.
E ao sol, no alto, diáfanas formas brancas de grandes anjos flutuavam
como nuvens pela manhã sobre a aurora. E abaixo, sob frondoso cedro,
estava um elefante branco, carregando em seu assento dourado uma linda
mulher vestida como uma rainha e usando uma coroa. Mas, enquanto eu
olhava em êxtase – desejando olhar para sempre – o jardim, o altar e o templo
foram afastados de mim, em direção ao Céu. Então, enquanto eu olhava para
cima, a voz voltou, a princípio nas alturas, mas vindo em direção à terra a
medida que eu ouvia. E vejam, diante de mim surge o branco pináculo de um
minarete, ao redor e abaixo dele o céu estava todo dourado e vermelho, com
a glória do sol nascente. Percebi que a voz agora era de um solitário muezim
(*) em pé no minarete com as mãos erguidas e pregando em voz alta:

“Afastem o Sangue de vosso meio!


Destruam seus Ídolos!
Restaurem sua Rainha!”

Logo em seguida uma voz, como a de uma infinita multidão, que


parecia vir do alto, dos lados e de baixo dos meu pés – uma voz como um
vento elevando-se desde as cavernas sob as montanhas até às mais elevadas
e distantes alturas entre as estrelas – respondeu:

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“Adorai somente a Deus!”

NOTAS

(1:1) Londres, março de 1981. Citado em Life of Anna Kingsford, Vol. II, pp.
21, 82.
(1:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.
(1:2) I.e., elevada à consciência espiritual, acima da consciência material.
S.H.H.
(2:*) N.T.: Ou seja, na extremidade oriental, lugar em que usualmente se
encontram os altares nos templos. O oriente representa a origem, a fonte de
onde vem a luz, o Cristo, Deus.
(3:*) N.T.: Membro da mesquita que, por sua voz e personalidade, era
escolhido para chamar os fiéis à oração.

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Inspiração e o Profetizar

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: I – Sobre os
Três Véus entre o Homem e Deus Seguinte: III – Sobre a Profecia da Imaculada
Conceição

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
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(p. 4)
CAPÍTULO II
SOBRE A INSPIRAÇÃO E O PROFETIZAR (1)

Parte 1

OUVI na noite passada durante o sono uma voz que me dizia:


1. Você pergunta sobre o método e a natureza da Inspiração, e sobre os
meios pelos quais Deus revela a Verdade.
2. Saiba que não há iluminação que venha de fora: o segredo das coisas é
revelado de dentro.
3. De fora não vem nenhuma Revelação Divina: mas é o Espírito interior quem
a testemunha.
4. Não pense que lhe digo algo que já não saiba: pois, a menos que você
saiba, não lhe pode ser dito.
5. Àquele que possui é dado, e ele o tem em abundância.
6. Ninguém é profeta, a não ser aquele que sabe: o instrutor do povo é um
homem de muitas vidas.
7. Conhecimento inato e percepção das coisas, essas são as fontes da
revelação: a alma do homem o instrui, já tendo aprendido pela experi ê nc i a .
8 . I nt ui ç ão é experiência inata; aquilo que a alma sabe dos idos e antigos
anos.
9. E a I lum i naç ão é a Luz da Sabedoria, pela qual o homem percebe os
segredo s celestiais.
10. Essa Luz é o Espírito de Deus dentro do homem, mostrando-lhe as coisas
de Deus.
11. Não pense que lhe digo algo que ainda não saiba; tudo vem de dentro: o
Es p í r i t o que informa é o Espírito de Deus no profeta.
12. O que, então, você pergunta, é o Médium? E como devem ser
consideradas as declarações de alguém falando em transe?
13. Deus não fala através de nenhum homem da maneira que você supõe; pois
o Espírito do Profeta contempla Deus com os olhos abertos. Se ele entra em
um transe, seus olhos estão abertos e seu homem interno sabe o que é falado
por ele.
(p. 5)
14. Mas, quando um homem fala sobre aquilo de que nada sabe, ele está
obsedado: um espírito impuro, ou um espírito cativo, entrou nele. (1)
15. Existem muitos desse tipo, mas suas palavras são como as de alguém que
não sabe: esses não são profetas, nem inspirados.
16. Deus não obseda homem algum; Deus é revelado: e aquele a quem Deus
é revelado, fala aquilo que sabe.
17. Cristo Jesus (2) compreende Deus; ele sabe aquilo acerca do que dá

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testemunho.
18. Mas os que são médiuns proferem em transe coisas sobre as quais não
têm conhecimento, e das quais seus próprios espíritos não estão informados.
São obsedados por um espírito divinatório, um espírito estranho, não o deles
próprios.
19. Tenha cuidado com os espíritos desse tipo, pois falam muitas mentiras e
são enganadores, trabalhando frequentemente por motivo de ganho ou de
prazer: eles são um pesar e uma armadilha para os fiéis.
20. A inspiração pode de fato ser mediúnica, mas é consciente; e o
conhecimento do profeta o instrui.
21. Embora fale em êxtase, ele não profere nada que não saiba.
22. Vós que sois um profeta (3) tivestes muitas vidas; sim, ensinastes muitas
nações, e estivestes diante de reis.
23. E Deus vos i ns tr ui u nos anos que se passaram; e nas pretéritas eras da
Terra.
24. Por meio da prece, do jejum, da meditação, e por meio da busca dolorosa
vós alcançastes aquilo que conheceis.
25. Não há conhecimento que não seja obtido pelo labor: não há intuição que
não seja fruto da experiência.
26. Estivestes pelas colinas do Oriente: e segui vossos passos no deserto.
Estivestes adorando ao amanhecer: e observei vossas noites de vigília nas
cavernas das montanhas.
(p. 6)
27. Vós conquistastes com paciência, ó profeta! Deus vos revelou a verdade
desde o interior.

Parte 2

Uma Profecia do Reino da Alma, Misticamente Chamado de o Dia da


Mulher. (1)

1. A g o r a lhe mostro um mistério e uma coisa nova, que é parte do mistério


do quar t o dia da criação.
2. A palavra que virá para salvar o mundo será proferida por uma mulher.
3. Uma mulher conceberá e trará à luz as boas novas da salvação.
4. Pois o Reino de Adão está chegando ao fim e Deus coroará todas as
coisas com a criação de Eva.
5. Até agora o homem esteve só e tem tido domínio sobre a Terra.
6. Mas quando a mulher for criada, Deus lhe dará o reino e ela será a primeira
a reger e a mais elevada em dignidade.
7. Sim, a últ i m a será a primeira e o mais velho servirá ao mais jovem.
8. De forma que as mulheres não mais lamentarão sua condição feminina; mas
os homens, ao contrário, dirão: “Ah, quem dera tivéssemos nascido mulher!”
9. Pois o forte será rebaixado e o humilde será exaltado em seu lugar.
10. Os dias da aliança da manifestação estão chegando ao fim: é chegado o
evangelho da interpretação.
11. Nada de novo será dito, mas aquilo que é antigo será interpretado.
12. De modo que o homem, o que manifesta, deixará sua posição; e a mulher,
a que interpreta, trará luz ao mundo.
13. Dela é o quarto ofício: (*) ela revela aquilo que o Senhor manifestou.
14. Dela é a luz dos céus e o mais brilhante dos planetas dentre os sete
sagrados.
15. Ela é a quarta dimensão; os olhos que iluminam; o poder que atrai
interiormente para Deus.
16. E tem início seu reino; o dia da exaltação da mulher.
17. E seu reino será maior do que o reino do homem, pois Adão será

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rebaixado e ela terá domínio para sempre.


18. E ela que está só, trará mais crianças para Deus do que a que tem marido.
19. Não haverá mais acusação contra as mulheres, mas a acusação será
contra os homens.
20. Pois a mulher é a coroa do homem, e a manifestação final da humanidade.
21. Ela está o mais próximo do trono de Deus, no momento em que for
revelada.
22. Contudo, a criação da mulher ainda não está completa: mas estará
completa no tempo que se aproxima.
23. Todas as coisas são vossas, ó Mãe de Deus: todas as coisas são vossas,
ó Vós que vos elevastes do mar; e Vós tereis domínio sobre todos os
mundos.

NOTAS

(4:1) Paris, 7 de fevereiro de 1880. Esta parte e a Parte II são mencionadas


em Life of Anna Kingsford, Vol. I, pp. 330-336.
(5:1) Por “cativo”, neste contexto, entende-se a alma aprisionada no astral, e
incapaz de transcender esse nível. ( Letter of E.M. in Light, 1894, p. 478).
(5:2) Aqui se refere ao Cristo Jesus interior, ou à natureza humana regenerada,
em quem quer que essa regeneração ocorra. E.M.
No artigo Mysticism, em The Unknown World, 1894, p. 79, Edward
Maitland diz: “Foi a este princípio [que existe em todos os homens de acordo
com o grau de sua regeneração], que São Paulo se referia quando, ao olhar
além do ‘Cristo segundo a carne’, insistiu no ‘Cristo que se forma no interior’,
como agente da salvação”, e “o único caminho da salvação” – em oposição à
doutrina sacerdotal da “salvação por Substituição [ou Vicária]”. S.H.H.
(5:4) Essa descrição pode ser compreendida como “um atributo para o profeta
em geral” (Life of Anna Kingsford, Vol. I, p. 333).
(6:1) Paris, 7 de fevereiro de 1880. Ver nota para a Parte I. Essa Iluminação
não se refere a pessoas, mas a princípios – e.g., o “homem” e a “mulher” da
mente são o intelecto e a intuição, respectivamente; e, enquanto “Adão” é o
velho Adão dos sentidos, “Eva” é a alma. S.H.H.
(6:*) N.T.: Os três ofícios atribuídos a Jesus são: o de Profeta, o de Sacerdote
e o de Rei.

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: I – Sobre os
Três Véus entre o Homem e Deus Seguinte: III – Sobre a Profecia da Imaculada
Conceição

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: II – Sobre a
Inspiração e o Profetizar Seguinte: IV – Sobre a Revelação

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(p. 7)
CAPÍTULO III

SOBRE A PROFECIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO (1)

1. (*) E STOU na beira da praia. A lua acima está cheia. Sopra em meu rosto
uma suave e cálida brisa, como a do vento do verão. O seu aroma é o do sal
da brisa do mar. Ó, Mar! Ó, Lua! De vós receberei o que procuro! A história da
Imaculada Conceição de Maria, da qual sois símbolos, me contareis!
2. É uma alegoria de estupendo significado! Alegoria com a qual a
Igreja de
(p. 8)
Deus está a tanto tempo familiarizada, e que, no entanto, nunca penetrou seu
verdadeiro significado. Tal como o fogo divino que envolveu o Arbusto
sagrado, e o Arbusto, apesar disso, permaneceu firme e resistiu.
3. Contudo, houve alguém que compreendeu e interpretou corretamente
a parábola da Imaculada Conceição; e ele a encontrou através de NÓS, por
meio da luz de seu próprio intenso amor, pois ele era o discípulo do amor, e
seu nome ainda é João – o Bem-amado – o Vidente do Apocalipse. Pois ele,
na visão da mulher vestida com o sol, apresentou o verdadeiro significado da
Imaculada Conceição. Pois a Imaculada Conceição não é outra coisa senão a
profecia a respeito dos meios pelos quais o Universo será, finalmente,
redimido.
Maria – o mar do espaço ilimitado – Maria, a Virgem, ela mesma
nascida imaculada e sem manchas, do ventre das eras, (1) no tempo devido
(*) trará à existência o homem perfeito, o qual redimirá a raça. Ele não é um só
homem, mas dez mil vezes dez mil, o Filho do Homem, que superará os limites
da matéria, e o mal, que é o resultado da materialização do espírito. Sua Mãe
é espírito, seu Pai é espírito e, no entanto, ele próprio está encarnado. Mas
como, então, ele superará o mal e restaurará a matéria à condição de espírito?
Pela força do amor. É o amor que é o poder centrípeto do Universo; é por
meio do amor que toda a criação retorna ao seio de Deus.
A força que projetou todas as coisas é a vontade, e a vontade é o
poder centrífugo do universo. A vontade sozinha não poderia superar o mal
que resulta das limitações da matéria; mas ele será superado no final pela
empatia, que é a percepção de Deus nos outros – o reconhecimento do ser
onipresente. Isso é amor. E é com as crianças do espírito, com os servos do
amor, que o dragão da matéria entra em guerra.
4. Agora, se o mundo já está ou não forte o suficiente para suportar
isso, não sabemos. Não é a primeira vez que revelamos essas coisas aos
homens. Uma antiga heresia, amaldiçoada pela Igreja, surgiu de uma
inspiração verdadeira; pois os discípulos são sempre mais fracos do que o
mestre, e eles não possuem seu discernimento espiritual. Falo dos gnósticos.
Para o Mestre dos gnósticos revelamos a verdade da Imaculada Conceição.

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Contamos a ele que Emanuel deveria ser o Deus-Homem que, transcendendo


as limitações da matéria, deveria eliminar o mal da materialização por meio da
(p. 9)
força do amor, e deveria ver, ouvir, falar e sentir como se ele fosse puro
espírito, e tivesse aniquilado os limites da matéria.
Isso, então, ele ensinou; mas aqueles que ouviram seu ensinamento,
aplicando suas palavras somente ao Jesus enquanto indivíduo, afirmaram que
Jesus não teve nenhum corpo material, mas que ele era uma emanação de
natureza espiritual; um Éon (*) que, sem substância ou ser verdadeiro na carne,
usou uma imagem ilusória, um tipo de fantasma, no mundo dos homens.
Cuidado para que de modo semelhante não sejais também
desencaminhados. É tão difícil para os homens serem espirituais. Para nós é
igualmente difícil nos darmos a conhecer sem mistérios. A Igreja não conhece
a origem de seus dogmas. Surpreende-nos, também, a cegueira dos ouvintes,
que de fato ouvem, mas não têm olhos para ver. Falamos em vão – não
discernis as coisas espirituais. Sois tão materializados que percebeis somente
o material. O Espírito vem e vai; ouvis o som de sua voz: mas não podeis
dizer para onde vai nem de onde vem.
Tudo que é verdadeiro é espiritual. Nenhum dogma da Igreja é
verdadeiro se parecer possuir um significado físico. Pois a matéria perecerá, e
tudo que a ela pertence, mas a Palavra do Senhor continuará a existir para
sempre. E como ela poderia perdurar se não fosse puramente espiritual, uma
vez que, ao perecer a matéria não mais seria compreensível? Digo-lhe mais
uma vez, e em verdade – nenhum dogma é real se não for espiritual. Se for
verdadeiro e, contudo, lhe parecer ter uma significação material, saiba que não
o resolveu. É um mistério: busque sua interpretação. Aquilo que é verdadeiro é
tão somente para o espírito.

NOTAS

(7:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(7:1) Este “produto supremo da percepção da alma acerca de sua própria
natureza e destino”, que se provou “uma reapresentação (junto com a
interpretação) do dogma da Imaculada Conceição de Maria”, foi recebido e
escrito em um transe, em Paris, na noite de 25 de julho de 1877, tendo sido a
vidente transportada em espírito até a beira do mar, mas mantendo com o
corpo uma conexão suficiente para poder escrever. As mudanças de pessoa,
do singular para o plural, devem-se à influência dominante que em alguns
momentos fala como uma unidade e em outros como uma pluralidade – “o
NÓS denota a Hierarquia da Igreja celestial e invisível” (ver Life of Anna
Kingsford, Vol. I, pp. 194-197). S.H.H.
(8:1) As eras, das quais a personificação é Anna: “Anna é o ano recorrente, o
Tempo, do qual nasce Maria, a alma, a Mãe de Deus” (ver No. XLII, Sobre
Deus). “A alma nascida do Tempo (Anna)” (ver No. XLVIII, Parte 1, Sobre os
Mistérios Cristãos). S.H.H.
(8:*) N.T.: Sobre o “tempo devido” vide a imagem dada pelo Apóstolo, ao usar
a analogia do herdeiro, em Gálatas 4:1-4: “enquanto o herdeiro é menor,
embora dono de tudo, em nada difere de um escravo. Ele fica debaixo de
tutores e curadores até a data estabelecida pelo pai. Assim também nós,
quando éramos menores, estávamos reduzidos à condição de escravos,
debaixo dos elementos do mundo. Quando, porém, chegou o tempo devido,
enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei”.
(9:*) N.T.: Éon – um termo que, dentro da literatura gnóstica, se refere a seres
espirituais emanados de origem divina, e dos quais há múltiplas instâncias.

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Inspiração e o Profetizar Seguinte: IV – Sobre a Revelação

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: III – Sobre a
Profecia da Imaculada Conceição Seguinte: V – Sobre a Interpretação das Escrituras
Místicas

Tradução: Daniel M. Alves –


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(p. 9)
CAPÍTULO IV
SOBRE A REVELAÇÃO (1)

T ODAS as iluminações verdadeiras e valiosas são re-véu-ações, ou


re-velações. Guarde bem o significado dessa palavra. Não pode haver
nenhuma iluminação verdadeira ou valiosa que destrua distâncias e exponha
os detalhes das coisas.
Olhe para esta paisagem. Contemple como suas montanhas e florestas
estão banhadas com suave e delicada névoa, que meio encobre e meio revela
suas formas e tons. Veja como essa névoa, como um delicado véu, envolve as
distâncias e mescla as bordas da terra com as nuvens do céu!
(p. 10)
Como ela é bela, quão ordenada e salutar a sua adequação e a
delicadeza de seu apelo aos olhos e ao coração! E quão falso seria aquele
sentido que desejasse rasgar esse véu sobreposto, para trazer para perto os
objetos longínquos, e reduzir tudo a um primeiro plano, no qual tão somente os
detalhes fossem aparentes, e todos os contornos nitidamente definidos!
A distância e a névoa fazem a beleza da Natureza: e nenhum poeta
desejaria contemplá-la de outra forma que não fosse através desse adorável e
modesto véu.
E assim como é na natureza exotérica (exterior), assim também é na
natureza esotérica (interior). Os segredos de cada alma humana são sagrados
e conhecidos apenas por ela mesma. O ego é inviolável, e sua personalidade
é de sua própria prerrogativa para sempre.
Portanto, regras matemáticas e fórmulas algébricas não podem ser
forçadas no estudo das vidas humanas; nem as personalidades humanas
podem ser tratadas como se fossem meras cifras ou quantidades aritméticas.
A alma é muito sutil, muito imbuída de vida e vontade para um
tratamento como esse.
Podemos dissecar um cadáver; podemos analisar e classificar
componentes químicos; mas é impossível dissecar ou analisar qualquer coisa
viva.
No momento que ela é assim tratada ela escapa. A vida não é passível
de dissecação.
A abertura do santuário sempre o encontrará vazio: o Deus se foi.
Uma alma pode conhecer seu próprio passado, e pode ver em sua
própria luz: mas ninguém pode ver isso por ela se ela mesma não puder vê-lo.
Nisso está a beleza e santidade da personalidade.
O ego é centralizado em si mesmo e não difuso; pois a tendência de
toda evolução é na direção da centralização e da individuação.
E a vida é tão diferenciada, tão belamente variada em sua unidade, que
nenhuma rígida formulação de lei matemática pode aprisionar sua diversidade.

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Tudo é ordem: mas os elementos dessa ordem se harmonizam por


meio de suas infinitas diversidades e gradações.
Os verdadeiros mistérios sempre ficaram satisfeitos com a harmonia
da natureza: eles não buscaram arrastar distâncias para primeiros planos; ou
dissipar a névoa da montanha, em cujo âmago o sol é refletido.
Pois essas sagradas névoas são os meios da luz, e os que glorificam
a natureza.
Então a doutrina dos mistérios é verdadeiramente re-véu-ação – um
velar
(p. 11)
e um re-velar daquilo que não é possível ao olho contemplar sem violar toda a
ordem e santidades da natureza.
Pois a distância e os raios visuais, causando as diversidades de
próximo e distante, de perspectiva e nuances que se fundem, de primeiro plano
e horizonte, fazem parte da ordem e seqüência naturais: e a lei expressa em
suas propriedades não pode ser violada.
Pois nenhuma lei jamais é quebrada.
Os tons e aspectos da distância e da névoa realmente podem variar e
se dissolver, de acordo com a qualidade e a quantidade de luz que cai sobre
elas: mas elas estão sempre lá, e nenhum olho humano pode anulá-las ou
aniquilá-las.
Mesmo as palavras, ou até mesmo as imagens, são símbolos e véus.
A própria verdade não pode jamais ser proferida, a não ser de Deus para
Deus.

NOTAS

(9:1) Em casa, 27 de novembro, 1885. Recebido durante o sono. Referido em


Life of Anna Kingsford (Vida de Anna Kingsford ), vol. II, p. 246.

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Profecia da Imaculada Conceição Seguinte: V – Sobre a Interpretação das Escrituras
Místicas

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: IV – Sobre a
Revelação Seguinte: XX – Sobre a Grande Pirâmide, e as Iniciações Ali Realizadas

[Tradução: Daniel M. Alves. Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho. Embora o texto em
inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode ser usado para
qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de propriedade seja
deixada intacta.]

(p. 11) (*)


CAPÍTULO V

Sobre a Interpretação das Escrituras Místicas

Parte I (1)

1. (**) “Se são, portanto, Livros Místicos, também deve-se aplicar a eles uma
Interpretação Mística. Mas a falha de muitos escritores reside nisto – eles não fazem
distinção entre os Livros de Moisés o Profeta, e aqueles Livros que são de natureza
histórica. E isso é ainda mais surpreendente, porque não são poucos desses
(p. 12)
críticos que discerniram corretamente o caráter esotérico (interno), senão, de fato, a
verdadeira interpretação da história do Éden; embora não tenham aplicado ao
restante da alegoria o Método que acharam adequado para o começo; mas, tão
logo eles vão além dos primeiros versículos do poema, tomam o restante dele como
sendo de outra natureza.

2. “É, então, muito bem estabelecido e aceito pela maioria dos autores que a
lenda de Adão e Eva – e da Árvore Miraculosa e do Fruto que foi a causa do
Surgimento da Morte – é uma parábola com um significado oculto, isto é, um
significado místico, tal como a história de Eros e Psique e tantas outras de todas as
religiões. Mas isso também ocorre com a lenda, que vem em seguida, sobre os Filhos
desses Místicos Pais, a História de Caim e seu Irmão Abel, a do Dilúvio, da Arca, do
salvamento dos Animais puros e impuros, do Arco-íris, a dos doze filhos de Jacó e,
não parando aí, de todo o relato do Êxodo do Egito. Assim sendo, não se deve supor
que os dois sacrifícios oferecidos a Deus pelos Filhos de Adão eram sacrifícios
reais, tal como não se deve supor que a maçã que causou a Condenação da
Humanidade era uma maçã de verdade.

“Em verdade, para o correto entendimento dos Livros Místicos, deve-se ter
em mente que em seu sentido esotérico (interno) eles não tratam de coisas
materiais, mas de realidades espirituais. E que do mesmo modo que Adão não é um
homem, nem Eva uma mulher, nem a Árvore uma planta em seus verdadeiros
significados, assim também não são os animais mencionados nesses Livros,
animais de fato, mas é a interpretação mística desses que está sendo usada.

“Quando, portanto, está escrito que Abel pegou das Primícias (*) de seu
Rebanho para ofertar ao Senhor, isso quer dizer que ele ofereceu aquilo que um
Cordeiro representa, e que é a mais sagrada e mais elevada das oferendas
espirituais. Nem é o próprio Abel uma pessoa real, mas o símbolo e a
representação espiritual da Raça dos Profetas; da qual também Moisés era um

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membro, juntamente com os Patriarcas.

“Eram, então, os Profetas, derramadores de sangue? Deus não permite;


eles não tratam de coisas materiais, mas de significados espirituais. Seus Cordeiros
sem Manchas, seus Pombos brancos, suas Cabras, seus Carneiros e outros Animais
sagrados, são os muitos sinais e símbolos das diversas oferendas e
agradecimentos que um povo místico deve oferecer ao Céu. Sem tais Sacrifícios,
não há Remissão dos Pecados. Mas quando o sentido místico foi perdido, então
veio a matança, os Profetas abandonaram a Terra, e os Padres passaram a dominar
o povo.

“Então, quando outra vez a Voz dos Profetas se ergueu, eles se viram
forçados a falar abertamente, e daclararam, em uma linguagem estranha aos seus
métodos,
(p. 13)
que os Sacrifícios a Deus não são a Carne dos Touros ou o Sangue das Cabras, mas
sim os sagrados votos e ações de graça, que são os seus equivalentes
místicos.

“Do mesmo modo que Deus é um espírito, também são espirituais os Seus
sacrifícios. Que tolice, que ignorância oferecer carne e bebida materiais ao puro
Poder e Ser essencial! Certamente foi em vão que os Profetas falaram, e em vão que
os Cristos se manifestaram!

3. “Por que razão considerar Adão como sendo espírito e Eva como sendo
matéria, uma vez que os Livros Místicos tratam apenas de entes espirituais? Nem o
próprio Tentador é matéria, mas antes aquele que dá preferência à matéria. Adão é
antes a força intelectual: ele é Terreno. Eva é a consciência moral: ela é a Mãe dos
que Vivem. Então, o intelecto é o princípio masculino, e a intuição, o princípio
feminino. E os Filhos da Intuição, ela própria caída, finalmente recuperarão a verdade
e redimirão todas as coisas. É por sua culpa, de fato, que a consciência moral da
humanidade tornou-se sujeita à força intelectual, e que dessa forma proliferam todo
o tipo de maldade e confusão, já que o desejo dela está direcionado para o
intelecto e, até agora, ele exerceu domínio sobre ela. Mas o Fim profetizado pelo
Vidente não está muito longe. Então, a Mulher será exaltada, vestida com o Sol e
levada ao Trono de Deus. E seus Filhos farão Guerra ao Dragão, e alcançarão a Vitória
sobre ele. A intuição, desse modo, pura e sendo como uma Virgem, será a Mãe e a
Redentora de seus Filhos caídos, os quais ela mantinha como Escravos do seu
Esposo, a Força intelectual.”

Parte II (1)

4. “Moisés, portanto, conhecendo os Mistérios da Religião dos egípcios, e


tendo aprendido com seus Ocultistas o valor e a significação de todos os Pássaros
e Animais sagrados, os transmitiu como Mistérios para o seu próprio Povo. Mas alguns
dos Animais sagrados do Egito ele não manteve como dignos de Honra, por motivos
que eram igualmente de origem mística. Ele ensinou a seus Iniciados o Espírito dos
Hieróglifos celestiais e ordenou-lhes que quando celebrassem
(p. 14)
Festivais diante de Deus carregassem em procissão, com música e dança, aqueles
dos Animais sagrados que, por suas significações interiores, estivessem
relacionadas com a ocasião.

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“Agora, desses Animais, ele selecionou principalmente os Machos do Primeiro


Ano, sem Mancha ou Defeito, para significar que é necessário, acima de todas as
coisas, que o homem dedique ao Senhor seu intelecto e sua razão, desde o
princípio e sem reserva alguma. E fica evidente – pela história do mundo em
todas as épocas, principalmente nestes últimos tempos – que ele foi muito sábio ao
ensinar isso. Pois, o que foi que levou os homens a renunciar às realidades do
espírito e a propagar falsas teorias e ciências corrompidas, negando todas as
coisas que não sejam a aparência que pode ser apreendida pelos sentidos
externos, e desse modo a se transformar no próprio Pó da Terra? É o seu intelecto
que, não estando santificado, os desviou do caminho reto; é a força da mente neles
que, estando corrompida, é a causa de sua própria ruína e da de seus seguidores.

“Então, assim como o intelecto está apto a ser o grande Traidor do Céu,
assim também é ele a força pela qual os homens, seguindo sua intuição pura,
podem também compreender a verdade. Por essa razão está escrito que os Cristos
são submissos a suas Mães. (1) (*) De modo algum isso quer dizer que o intelecto
deva ser desonrado; pois ele é o Herdeiro de Todas as Coisas, desde que tão somente
ele seja verdadeiramente gerado e não um Bastardo.

5. “E, além de todos esses símbolos, Moisés ensinou seu Povo a ter, acima
de todas as coisas, Repúdio à Idolatria. O que é, então, a Idolatria e o que são os
Falsos Deuses?

6. “Criar um Ídolo é materializar Mistérios espirituais. Os Padres, desse modo,


são Idólatras, os quais, chegando depois de Moisés e entregando-se a escrever
aquelas coisas que ele, pela Palavra de Boca a Ouvido, tinha transmitido à Israel,
substituíram as verdadeiras coisas significadas, pelos símbolos materiais, e
derramaram sangue inocente nos puros Altares do Senhor.

7. “Também são Idólatras aqueles que compreendem as coisas dos


sentidos, onde tão somente as coisas do espírito estão referidas, e que escondem
as verdadeiras Feições dos Deuses por meio de representações materiais e falsas.
Idolatria é materialismo, o compartilhado e original Pecado dos Homens, que
substitui o Espírito pela Aparência, a substância pela ilusão e conduz o tanto o ser
moral como o intelectual, ao erro, de forma que substituem o inferior pelo superior
e o que está no Fundo pelo que está no Alto. É o falso Fruto que atrai os sentidos
externos, a Tentação da Serpente do Começo do
(p. 15)
Mundo. (1) Até que o Homem e a Mulher Místicos tenham comido desse Fruto,
conheciam apenas as Coisas do Espírito, e as achavam suficientes. Mas após sua
Queda, começaram a apreender também a Matéria e a ela deram a Preferência,
tornando-se Idólatras. E seu Pecado, e a Mácula gerada por aquele falso Fruto,
corromperam o Sangue de toda a Raça dos Homens, de cuja Corrupção os Filhos de
Deus os teriam redimido.”

NOTAS

(11:*) N.Ed.: Essa numeração refere-se às paginas no original.


(11:**) N.Ed.: Essa numeração refere-se aos parágrafos no original.
(11:1) Paris, 6 de junho de 1878. Lida na madrugada, durante o sono, em uma
biblioteca no mundo espiritual, que se afirma ser a de Emmanuel Swedenborg, estando
ele próprio presente, e escrita ao acordar. Conforme posteriormente averiguamos, ela

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representa a doutrina daquele famoso vidente, porém sem suas limitações. Como
muitos dos escritos ali contemplados pela vidente, este era em alemão e com
ortografia arcaica e, como no caso de diversos outros, foi dado em imediata resposta
a um pedido mental de entendimento, a respeito dos assuntos tratados, feito por mim
sem o conhecimento dela acerca de meu pedido, ou de minha necessidade, ou sem
que ela mesma fosse capaz de satisfazer o meu pedido. Ao buscarmos saber mais a
respeito dessa experiência – também de fontes transcendentais – recebemos em
resposta que “uma parte de Swedenborg ainda estava nesta esfera, pela qual ele podia
comunicar-se com aqueles com quem tinha afinidade”; e que, sob seu magnetismo, a
vidente teve condição – conforme declarado no prefácio – de recuperar essas
lembranças. As maiúsculas dos originais estão mantidos, mas a ortografia foi
modernizada. E.M. [N.T.: Optamos por manter as iniciais maiúsculas apenas nos
termos caracteristicamente bíblicos ou alegóricos; e para os demais que no original em
inglês tinham inicial maiúscula, destacamos em negrito e itálico, para, ao mesmo
tempo, manter a ênfase e evidenciar o sentido literal de seu uso.]
(12:*) N.T.: Primícias – essa é a palavra geralmente usada nas traduções da Bíblia, a
qual tem, entre outros, os seguintes significados: primeiros frutos, primeiras produções;
a primeira cria de um animal; o primeiro resultado; primogênito.
(13:1) Essa Parte, também recebida durante o sono, “na noite de anteontem”, é
recordação de uma palestra – evidentemente relacionada com o mesmo livro [referido
na Primeira Parte] – proferida por um homem com vestimenta de padre, em um
anfiteatro de pedra branca, para uma classe de estudantes, da qual a vidente fazia
parte, e que tomavam notas. As anotações de Anna Kingsford, é claro, “desapareceram
com seu sonho, e ela teve que reproduzi-las de sua memória. Mas essa foi ampliada de
modo fora do comum, pois ela disse que as palavras se apresentavam novamente a ela
da mesma forma em que ela escreveu, e apareciam de forma luminosa à sua vista”
(Life of Anna Kingsford , Vol. I, p. 260-261). S.H.H.
(14:1) A intuição.
(14:*) N.T.: Talvez uma das aludidas passagens das Escrituras seja Lucas 2:51.
(15:1) Significando, “o começo do Mundo na Igreja: do mundanismo ou materialidade,
isto é, na interpretação das coisas espirituais” ( Life of Anna Kingsford , Vol. I, p.
261). S.H.H.

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Revelação Seguinte: XX – Sobre a Grande Pirâmide, e as Iniciações Ali Realizadas

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: V – Sobre a
Interpretação das Escrituras Místicas Seguinte: XXI – Sobre o “Homem de Poder”

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
arquivo pode ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa
notificação de propriedade seja deixada intacta.]

(p. 55)
CAPÍTULO XX

SOBRE A GRANDE PIRÂMIDE E AS INICIAÇÕES ALI REALIZADAS


(1)

VEJO a Grande Pirâmide e posso lhe falar sobre ela. Meu gênio me diz que o
número de pirâmides no Egito corresponde ao número de mistérios dos
Deuses. Ninguém ainda descobriu com exatidão o propósito da maior delas.
Foi construída apenas para servir às iniciações. Vejo um candidato e sete ou
oito hierofantes andando em procissão, com tochas, através das passagens.
Cada passagem representa um mistério, a principal delas levando à “câmara
do rei”, a qual representa os mistérios maiores. A “câmara da rainha”
representa os mistérios menores. A arca na câmara do rei é uma medida
representando o padrão da perfeita Humanidade [perfeição Humana]. E, nessa
arca o candidato era colocado em sua iniciação final.
Parece-me que eu mesma já estive lá em uma ocasião. Minhas
sensações com relação a isso são como uma memória. Ela não foi construída
para ser uma profecia, mas pode servir como uma profecia. Nela estão
simbolizadas todas as Viagens pelo Deserto, isto é, a história da alma no
deserto do corpo. Ao representar a alma do indivíduo, ela também representa
a alma da raça, e desse modo é realmente uma profecia.
O novo nascimento tem lugar na câmara do rei. É o último estágio.
Uma pessoa pode ser iniciada diversas vezes em várias encarnações; mas ela
é regenerada de uma vez por todas. O “batismo” tinha lugar na câmara da
rainha. Ele pertencia aos mistérios menores. Ele não é nem iniciação, nem
regeneração, mas purificação. Há quatro estágios a serem vencidos antes da
iniciação final. Eles correspondem aos quatro elementos: terra, fogo, água e
ar; os quais, respectivamente, dizem respeito às quatro divisões
correspondentes da natureza humana – o corpo, o fantasma ou perispírito
[invólucro da alma, corpo astral], a alma e o espírito, que são os quatro rios do
Éden. E o candidato deve ser testado e provado em cada um deles pelo
“tentador”.
O iniciado era acompanhado por sua madrinha ou “mãe”, que era uma
sacerdotisa ou Sibila. O segredo central dos Mistérios era
(p. 56)
a árvore da vida no meio do jardim. Imortalidade, o segredo da Transmutação,
ou da transformação da “água” (substância) em “vinho” (espírito). Tal façanha,
apenas “Issa” – filho de Ísis – ou Jesus, é capaz de realizar. Ó segredo
incompreensível, quem te compreenderá! Uma alma, como já foi dito, pode ser
iniciada mais de uma vez, em diversas vidas, mas apenas uma vez
regenerada. Pois ela – a alma – pode somente uma vez ser nascida do
espírito, ou “sabedoria”. Ser regenerado é nascer para a vida espiritual, e ter
unificado a vontade individual à Vontade Divina.

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Essa união das duas vontades constitui o casamento espiritual, a


realização do qual está representada nos Evangelhos na parábola das bodas
[casamento] de Caná na Galiléia. Esse casamento Divino, ou a união das
vontades humana e Divina, é indissolúvel; daí a idéia da indissolubilidade do
casamento humano. E na medida em que é um casamento do espírito do
homem com aquele de Deus, e do espírito de Deus com o do homem, é um
duplo casamento.
Vejo a cerimônia de fato sendo realizada. O hierofante representa o
Espírito Divino; e ele e o candidato estão um diante do outro e, com os braços
entrecruzados, seguram um nas mãos do outro. Uma alma pode ser parcial e
momentaneamente iluminada pelo Espírito; o Espírito pode mesmo descer
sobre um indivíduo, tornando-o um profeta, e partir deixando-o
não-regenerado, e fora do reino de Deus – como aconteceu com João Batista.
Mas é tão somente o casamento Divino que se constitui na regeneração, o
sacramento do eterno casamento. Em conseqüência dessa união íntima a
própria alma renasce, e seus recessos mais íntimos são divinamente
iluminados. Acerca de um casamento dessa natureza, os Patriarcas eram
ignorantes. A ligação deles com o Espírito era eventual e breve, sendo,
portanto, representada como o viver em concubinato.
Temos aqui a razão porque a Taça é negada aos leigos. “De qualquer
árvore”, foi dito ao Adão não-iniciado, “podes colher livremente. Mas da árvore
do conhecimento não podes colher”. O vinho é o espírito da verdade interior,
cujo entendimento dá a vida eterna; e a isso o povo não pode ainda alcançar.
Eles podem receber apenas o pão, que representa somente o elemento da
substância. Esse, contudo, também contém o espírito, embora não
manifestado e não reconhecido.
Vejo agora a pirâmide distintamente. No que diz respeito aos seus
construtores, ela foi inteiramente construída para as iniciações. Nesses
cerimoniais o Junco tinha um importante papel, bem como nos mitos sagrados
em geral. Assim, Moisés foi posto em um cesto de junco.
(p. 57)
A divindade hindu Kartikya foi abrigada na infância por juncos. Os mistérios de
Ceres, ou Deméter, eram carregados em cestos de junco, chamados
canephorae; e o estágio final da iniciação de Jesus está localizado em Caná.
Um junco também foi colocado em sua mão, por ocasião de sua condenação.
E a virgem, na iniciação do casamento sagrado, também levava um junco com
um copo [de flor]. Isso porque o junco simboliza o espírito, tanto por ser uma
vara reta, quanto por crescer dentro e para fora da água, a qual simboliza a
alma. Na Índia o Lótus tem o mesmo significado. Eu percebo que Jesus foi
iniciado nos mistérios da Índia e do Egito, muito tempo antes dele ter
encarnado como Jesus, e parece-me que ele tenha sido um brâmane.
Os egípcios e os hindus parecem ser da mesma raça, tendo seus
mistérios em comum. Pois me é mostrado um indivíduo de cada povo
montando juntos em um elefante. Ambos os países foram colonizados na
mesma época a partir do Tibet, e daí se originam (1) todos os mistérios. No
Egito as iniciações eram geralmente realizadas em pirâmides e templos. Na
Índia e na Palestina elas eram realizadas debaixo da terra, em cavernas. Em
Caná da Galiléia, há uma grande caverna, que era usada para esse fim, com
um salão de “banquetes”.
Estou contando as pirâmides. Vejo trinta e seis, mas penso que há
mais. (2)

NOTAS

(55:1) Londres, 22 de março de 1881. Falado em transe. Citado em Life of


Anna Kingsford – Vol. II, p. 3.

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(57:1) Aqui está indicada mais uma explicação para a parábola do Dilúvio.
Tibet, como Tebas, significa Arca; e se, como há muito se supõem, O Tibet foi
em algum momento a única morada do conhecimento espiritual no mundo, e
centro de onde foi difundido, pode ser dito acerca dos antigos mistérios
tibetanos, assim como dos integrantes da Arca [de Noé]: “Por eles toda a terra
foi coberta”. [Gênesis 9:19] São dignos de nota os fatos de que o Tibet é o
mais elevado planalto do globo, e que a palavra Ararat é idêntica à palavra
Arhat, o termo hindu para o topo da realização espiritual. E.M.
(57:2) Quanto ao método da recuperação dessas recordações, veja a nota no
final do capítulo XXXII.

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: V – Sobre a
Interpretação das Escrituras Místicas Seguinte: XXI – Sobre o “Homem de Poder”

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XX – Sobre
a Grande Pirâmide, e as Iniciações Ali Realizadas Seguinte: XXII - Sobre o “Trabalho
do Poder”

Tradução: Daniel M. Alves –


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[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
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(p. 57)
CAPÍTULO XXI
SOBRE O “HOMEM DE PODER” (1)

1. (*) TENHO dito que tudo é quádruplo, e assim como é o planeta também é o
homem.
O homem perfeito possui um corpo externo quádruplo: gasoso,
mineral, vegetal e animal. Um corpo sideral quádruplo: magnético, ódico,
simpático e elemental.
(p.58)
Uma alma quádrupla, sendo: elemental, instintiva, vital e racional – possuindo
elementos de todos os níveis por que ele passou.
E um Espírito trino, a saber: de desejo, volitivo e obediente – porque
não há nada de externo no Espírito.
Não há nada no Universo a não ser o Homem; e o Homem perfeito
é “Cristo Jesus”. (*)
2. “Mercúrio” fecundado pelo “enxofre” torna-se o mestre e regenerador
do “sal”. É o azoto, (**) ou magnésia universal (dos Alquimistas), o grande
agente mágico, a luz da luz, fecundada pela força que anima [vivificante], ou
energia intelectual, que é o enxofre.
Quanto ao sal, é matéria simples. Tudo o que é matéria contém sal; e
todo sal pode ser convertido em ouro puro pela ação combinada do enxofre e
do mercúrio.
Esses algumas vezes agem tão rapidamente que a transmutação pode
ser feita em uma hora, ou em um instante, quase sem esforço ou custo. Outras
vezes, devido a condições contrárias do meio atmosférico, a operação pode
necessitar de dias, meses ou anos.
O sal é fixo; o mercúrio é volátil. A fixação do volátil é a síntese; a
volatilização do fixo é a análise.
Aplicando-se ao fixo o mercúrio sulfuroso – ou fluido astral tornado
poderoso pela secreta operação da alma – o domínio sobre a natureza é
obtido.
Os dois termos do processo são materialização e transmutação.
Esses dois termos são aqueles do “Grande Trabalho” – a libertação do espírito
[dos liames] da matéria.
3. Milagres são efeitos naturais de causas excepcionais.
O homem que chegou a nada desejar e nada temer é mestre de todas
as coisas.
4. O Iniciado do grau mais elevado, aquele que tem o poder de
comandar os espíritos elementais, e por meio disso acalmar a tempestade e
aquietar as ondas, pode, através do mesmo recurso, curar os distúrbios e
regenerar as funções do corpo. E isso ele faz pelo exercício de sua vontade,

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que coloca em movimento o fluido magnético.


5. Tal pessoa, um Adepto ou Hierarca da ciência magnética, é,
necessariamente, uma pessoa de muitas encarnações. E é, principalmente, no
Oriente que eles podem ser encontrados, pois é lá que as almas mais antigas
costumam se congregar.
Foi no Oriente que a ciência humana primeiro surgiu; e o solo e o fluido
astral de lá estão carregados de poder, como uma enorme bateria com muitas
células [voltaicas].
Assim, o Hierarca do Oriente tanto é ele mesmo uma alma antiga,
como tem o apoio magnético de uma corrente de almas antigas, e a terra sob
seus pés
(p. 59)
e o meio ao seu redor estão carregados com força elétrica em um grau que
não pode ser encontrado em outros lugares.
6. Agora, o corpo ódico ou sideral é o verdadeiro corpo do homem. O
corpo fenomenal é secundário.
O corpo ódico não tem necessariamente a mesma forma ou aparência
do corpo externo, mas ele é da natureza da alma.
A criação do homem à imagem de Deus “antes da transgressão” é o
retrato do homem tendo poder, isto é, tendo um corpo ódico no qual os
elementos não estavam fixos – um corpo tal como aquele do “Cristo
ressuscitado”.
O que eu disse sobre a volatilização do sal ajudará a compreender
isso. Mas, quando o “pecado da idolatria” foi cometido, então o homem deixou
de ter poder sobre seu próprio corpo, que dessa forma tornou-se uma “estátua
de sal”, fixo e material [Gênesis 19: 24-26]. Ele estava “nu”.
7. O homem, assim referido, obteve poder sobre seu corpo pela
evolução desde o ser rudimentar e, finalmente, tornando-se polarizado,
recebeu a Chama Divina da Deidade e, por meio disso, o poder sobre o “sal”.
Mas, por causa do pervertido desejo voltado ao exterior ele
despolarizou e, dessa maneira, fixou o volátil. Então ele percebeu que estava
“nu” e, assim, perdeu o “Paraíso”.
8. O Paraíso pode ser reconquistado? Sim, por meio da Cruz e
Ressurreição de “Cristo”. Pois, tal como em Adão todos morrem, assim
também em “Cristo” todos tornarão a viver.
E na medida em que o mundano morre, o celestial vive.
O corpo pode ser transmutado em seu molde original, o corpo
magnético. Esse é o trabalho do Adepto.
O corpo magnético pode ser abandonado ao fluido ódico, e a alma
livra-se desse corpo. Esse é o trabalho da evolução post mortem.
Mas, transmutar em espírito o corpo fenomenal, o corpo magnético e a
alma – esse é trabalho de “Cristo”. “Tenho poder”, disse Jesus, “sobre meu
corpo, para entregá-lo e para retomá-lo.” [ João 10:17-18]
9. Você me perguntou: “Se o corpo ódico ou sideral é o criador do
corpo físico, como pode esse diferir daquele no que diz respeito à forma?
Como pode um homem ser exteriormente humano e, na realidade, ser um
lobo, uma lebre ou um cão?”
10. Quando você se tornar um Adepto saberá que tal fato não implica
qualquer contradição.
As transições do corpo sideral não são súbitas. Ele vai se tornando
gradualmente, e não experimenta mudanças cataclísmicas.
Ele já é parcialmente humano antes que deixe de usar a forma de um
homem rudimentar – isto é, de um animal.
Você viu isso em visões, quando observou a forma humana em
(p. 60)
criaturas sob tortura no laboratório. (1)

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E ele [o corpo sideral] é ainda parcialmente rudimentar quando toma a


forma humana.
A indulgência em suas mais baixas inclinações, pode fortalecê-lo em
sua antiga semelhança, e acentuar suas propensões anteriores.
Por outro lado, a aspiração ao divino acelerará a mudança, e fará com
que perca completamente todos os seus atributos inferiores.
Aquilo que nasce da carne é feito à imagem da carne; mas aquele que
vem do alto, é do alto. O ventre só pode gerar o que é de sua própria espécie,
à semelhança de seus progenitores; e assim que o humano é alcançado,
mesmo no grau mais baixo, a alma tem o poder de vestir o corpo da condição
humana.
Portanto, o corpo ódico sempre possui algum atributo de humanidade.
Porém, pode perdê-lo por meio do pecado; e, nesse caso, ele retorna, numa
nova encarnação, à forma de animal. Desses retornos à forma inferior, alguns
são puramente penitenciais, mas a maioria é compensatória.
O Adepto pode ver o humano no animal, e pode dizer se a alma dentro
dele é uma alma em ascensão ou descenso. Ele também pode ver a alma em
um homem; e para ele todos os homens não possuem a mesma forma ou
aparência.
Se seus olhos estivessem abertos, você ficaria chocada com o
número de animais que se encontram pelas ruas, e com a escassez de
homens. A parábola da Cidade Encantada, nas fábulas orientais, descreve
esse mistério.

NOTAS

(57:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(57:1) Londres, dezembro de 1880. Falado em transe, mas não como no
capítulo precedente, onde ela falava na primeira pessoa, e sim sob um ditado
que era ouvido internamente; assim como nas três falas que seguem. Citado
em Life of Anna Kingsford – Vol. I, pp. 404-408. E.M.
(58:*) Grifo do compilador.
(58:**) N.T.: Mercúrio alquímico.
(59:1) Ver Dreams and Dream-Stories, nº. XIV, “The Laboratory Under-
Ground”. Ver também Life of Anna Kingsford, Vol. I, p. 326.

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a Grande Pirâmide, e as Iniciações Ali Realizadas Seguinte: XXII - Sobre o “Trabalho
do Poder”

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o “Homem de Poder” Seguinte: XXIII – Sobre a Regeneração

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
arquivo pode ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa
notificação de propriedade seja deixada intacta.]

(p. 60)
CAPÍTULO XXII

SOBRE O “TRABALHO DO PODER” (2)

1. (*) VOCÊ me perguntou se o Trabalho do Poder é difícil, e se está ao


alcance de todos.
2. Está, potencialmente e em algum momento, ao alcance de todos,
mas não na prática e no presente.
Para recuperar o poder e a ressurreição, um homem deve ser um
Hierarca; isto é, ele deve ter alcançado a idade mágica de trinta e três anos.
Essa idade é alcançada tendo-se realizado os Doze Trabalhos, passados os
Doze Portais, conquistados os Cinco Sentidos, e obtido o domínio sobre os
Quatro Espíritos dos elementos. Ele deve ter nascido Imaculado, ter sido
batizado com a Água e o Fogo, ter sido tentado no Deserto, e ter sido
crucificado e sepultado. Ele deve ter sofrido as Cinco Chagas na
(p. 61)
Cruz, e deve ter respondido o enigma da Esfinge.
Quando isso é realizado, ele está livre da matéria, e jamais voltará a ter
um corpo fenomênico.
3. Quem alcançará tal perfeição? O Homem que é sem medo e sem
concupiscência; aquele que tem coragem para ser absolutamente pobre e
absolutamente casto.
Quando não faz diferença alguma para você ter ou não ter ouro, ter ou
não ter uma casa e terras, ter fama mundial ou ser um rejeitado – então você é
pobre voluntariamente. Não é necessário não possuir nada, mas é necessário
não se apegar a nada.
Se não faz diferença para você ter ou não ter uma esposa ou um
marido, e ser ou não ser celibatário, então você está livre da concupiscência.
Não é necessário ser virgem; mas necessário é não dar importância à carne.
Não há nada tão difícil quanto alcançar esse equilíbrio. Quem de vocês
consegue abrir mão de seus bens sem arrependimento? Quem de vocês nunca
é consumido pelos desejos da carne?
Mas quando você tiver cessado tanto de desejar acumular quanto de
arder em desejos, então terá o remédio em suas próprias mãos, e o remédio é
desagradável, amargo e uma terrível provação. Apesar disso, não tenha
medo.
Negue (*) os cinco sentidos e, em especial, o paladar e o tato.
O poder está dentro de você, se tiver a vontade de alcançá-lo.
Os Dois Assentos à Mesa Celestial estão vagos, (1) se você se vestir
com o Cristo. (**)
Não coma nada que esteja morto. Não tome bebida fermentada. Torne
vivos todos os elementos de seu corpo. Mortifique os membros que são
ligados à terra.

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Tome teu alimento cheio de vida, e não permita que o toque da morte
passe sobre ele.
Você me compreende, mas recua. Lembre-se que sem auto-sacrifício
não há poder sobre a morte.
Renuncie ao tato. (*) Não procure prazer corporal na comunhão sexual;
deixe que o desejo seja magnético e da alma. Se você cede ao corpo,
perpetua o corpo, e o fim do corpo é deterioração.
Mais uma vez você me compreende, mas recua. Lembre-se que sem
auto-sacrifício e sem autocontrole não há poder sobre a morte.
Negue (*) primeiro o paladar, e ficará mais fácil negar (*) o tato. Pois
ser virgem é o coroamento da disciplina.
Eu te mostrei o caminho excelente, (***) e esse é a Via Dolorosa.
Julgue se a ressurreição é digna da paixão; julgue se o reino é digno da
obediência; e julgue se o poder é digno do sofrimento. Quando a hora de seu
chamado chegar, você não mais hesitará.
4. Quando um homem alcançou o poder sobre seu corpo, o processo
de
(p. 62)
provação não é mais necessário.
O Iniciado está sob um voto; o Hierarca é livre. Jesus, por essa razão,
veio comendo e bebendo; pois tudo lhe era lícito. Ele tinha superado a
provação, e tinha libertado sua vontade. Pois a finalidade do teste e do voto é
a polarização.
Quando o fixo é volatilizado, o Mago está livre. Mas antes de Cristo
tornar-se Cristo ele estava submisso; e sua iniciação durou trinta anos.
Todas as coisas são lícitas ao Hierarca; pois ele conhece a natureza e
o valor de tudo.
5. Quando os elementos do corpo são dotados de poder, eles são
mestres dos espíritos elementais, e podem subjugá-los. Mas enquanto ainda
estão aprisionados, eles são escravos dos elementais, e os elementais têm
poder sobre eles.
Agora, Hefesto (*) é um destruidor, e o sopro do fogo é o toque da
morte.
O fogo que passa pelos elementos de seu alimento, priva-o de seu
espírito vital, resultando em um cadáver ao invés de uma substância viva. E
não só isso, mas também o espírito do fogo entra nos elementos do seu
corpo, e introduz em todas as suas moléculas uma ânsia que exaure e um
ardor compulsivo, lhe impelindo à concupiscência e ao desejo carnal.
O espírito do fogo é um espírito sutil, um espírito penetrante, que se
dissemina, e que entra na substância de toda matéria sobre a qual atua.
Quando, portanto, você traz essa substância para dentro do seu organismo,
leva com ela o espírito do fogo, e o assimila junto com a matéria da qual esse
espírito se tornou parte.
Eu lhe falo de coisas elevadas. Se você vai se tornar um homem de
poder, deve tornar-se mestre do fogo.
O homem que busca ser um hierofante, não deve habitar em cidades.
Ele pode começar sua iniciação em uma cidade, mas nela não pode
completá-la. Pois ele não deve respirar o ar morto e queimado. Na cidade
você respira o ar sobre o qual a chama passou; você respira o fogo, e ele
consome o seu sangue.
O homem que busca todo o poder deve ser um andarilho, um habitante
dos campos, dos pomares e das montanhas. Ele deve buscar o sol, e o alento
da noite. Deve comungar com a lua e as estrelas, e manter contato direto com
as grandes correntes elétricas do ar não-queimado, e com a grama e com o
solo não pavimentado do planeta. É em lugares não freqüentados, ou em
terras como aquelas do Oriente, em regiões em que as abominações da

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Babilônia são desconhecidas, e onde a corrente magnética entre o céu e a


terra é forte – que o homem que busca o poder, e que realizará o Grande
Trabalho, deve completar sua iniciação.
6. O número do microcosmo humano é treze; quatro para
(p. 63)
o corpo externo, quatro para o corpo sideral, quatro para a alma, e um para o
Espírito Divino. Pois, embora o Espírito seja Trino, ele é Um, e não pode ser
senão Um; porque ele é Deus, e Deus é Um. Por esse motivo, na Santa Ceia
– na qual os Magos simbolizam o Banquete do Microcosmo – há doze
componentes apóstolos e um Cristo. Mas se um dos componentes for
desobediente e traidor, o Espírito é sufocado e sobrevém a morte.

NOTAS

(60:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(60:2) Londres, dezembro de 1880. Recebida durante o sono. Este capítulo
“refere-se a almas de tal modo adiantadas que estão muito perto de se
desvincular da materialidade e de não mais precisar das lições da vida terrena”
(Carta, datada de 8 de agosto de 1890, de E.M. para a Sra. T.) Vide Life of
Anna Kingsford, Vol. I, pp. 408-410. S.H.H.
(61:*) N.Ed.: Negar, no sentido de não ceder à ilusão e à gratificação dos
sentidos.
(61:1) Ver Capítulo XVIII, “Sobre os Mistérios Gregos”. Ver também, Sonhos e
Estórias de Sonhos, Capítulo IX, “O Banquete dos Deuses” .
(61:**) N.Ed.: Parece perfeita a correspondência com a imagem do
Apocalipse, que dá o titulo à obra das Iluminações de Anna Kingsford: a
“mulher vestida com o sol” (Apoc. 12:1), a alma vestida com o Cristo, o sol da
consciência espiritual.
(61:***) O Caminho Perfeito, que também é o título da obra magna de
Kingsford e Maitland.
(62:*) N.T.: Na mitologia grega: Deus do Fogo, dos metais e da metalurgia;
conhecido como o artesão divino. Corresponde a Vulcano na mitologia
romana.

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o “Homem de Poder” Seguinte: XXIII – Sobre a Regeneração

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Sobre o Trabalho de Poder Seguinte: XXIV – Sobre o Homem Regenerado

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
arquivo pode ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa
notificação de propriedade seja deixada intacta.]

(p. 63)
CAPÍTULO XXIII
SOBRE A REGENERAÇÃO (1)

1. (*) A DIFERENÇA entre o “Filho de Deus” e um mero profeta é que o primeiro


já nasceu regenerado e é, portanto, referido como tendo “nascido de uma
virgem”. (2)
Mas a regeneração é a união da alma com o espírito, e não é um
processo no qual o corpo participa.
No “Batismo” Jesus recebeu o Éon (**), ou “Pomba”, e foi preenchido
com o Espírito Santo, tornando-se um Médium para o Altíssimo.
O Cristo é instruído de seu próprio interior e “não necessita de que
ninguém lhe fale, pois ele sabe o que há no homem” [ João 2:25]. Mas o adepto
recebe do exterior, e é instruído por outros.
2. O adepto, ou “ocultista” é, na melhor das hipóteses, um cientista da
religião, ele não é um “santo”.
Se o ocultismo fosse tudo, e contivesse a chave do céu, não haveria
necessidade do “Cristo”. Mas o ocultismo, ainda que tenha consigo o “poder”,
não possui nem o “reino” nem a “glória”. Pois esses são do Cristo.
O adepto não conhece o reino dos céus, e o “menor desse reino é
maior do que ele” [Marcos 10:31]. “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de
Deus e a sua justiça; e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”
[Mateus 6:33]. Como Jesus disse de Prometeu, (3) “Não vos preocupeis com o
amanhã. Aprendei com os pássaros do céu e os lírios do campo, e confie em
Deus como esses o fazem” [Mateus 6:25-29].
Pois os santos têm fé; e o adepto, conhecimento. Se os adeptos do
ocultismo ou da ciência do mundo físico bastassem
(p. 64)
ao homem, eu não teria lhes transmitido mensagem alguma. Mas as duas
coisas não estão em oposição. Todas as coisas são suas, mesmo o reino e o
poder, mas a glória é de Deus. Não ignore seus ensinamentos, pois vocês
devem tudo conhecer. Use, portanto, de todos os meios para conhecer.
Esse conhecimento é do homem, e advém da mente. Dirija-se,
portanto, ao homem para aprendê-lo. “Se você quer ser perfeito, aprenda
também essas coisas”.
“Mas a sabedoria que é do alto, está acima de todas as coisas”. Pois
um homem pode começar do interior, isto é, com a sabedoria, e a sabedoria é
una com o amor. Abençoado é o homem que opta pela sabedoria, pois ela
transforma todas as coisas. E outro homem pode começar do exterior, e aquilo
que está no exterior (*) é poder.
Para esse último haverá um espinho na carne. (1) Pois é difícil nesse
caso alcançar o interior.
Mas se um homem for primeiro sábio interiormente, ele receberá isso

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mais facilmente e por acréscimo. Pois ele nasceu novamente e é livre.


Enquanto que o adepto tem que comprar sua liberdade a um alto preço.
Apesar disso, peço-lhes que busquem; e nisso vocês também
encontrarão.
Mas eu lhes mostrei um caminho mais elevado que os deles. E,
contudo, tanto Ismael como Isaac são filhos de um mesmo pai, e em todos os
seus descendentes é a Sabedoria confirmada.
Assim, nem eles estão errados, nem vocês desviados do reto caminho.
A meta é a mesma; mas o caminho deles é mais difícil que o de vocês. Eles
conquistam o reino pela violência – quando o conseguem – com muito
sacrifício e sofrimento na carne.
Mas desde o momento do Cristo dentro de você, (**) o reino é aberto
aos filhos de Deus. Recebam o que puderem receber; vocês devem conhecer
todas as coisas. E se vocês serviram sete anos pela sabedoria, não contem
como perda servir sete anos também pelo poder.
Pois se Raquel dá à luz o bem amado, Lia teve muitos filhos, e é
abundantemente fértil. Mas seu olhar não é reto; ela olha em duas direções, e
não busca apenas o que é do alto.
Mas para vocês Raquel é dada em primeiro lugar, e talvez sua beleza
possa ser o suficiente. Mas não estou dizendo que isso tenha que bastar; é
melhor conhecer todas as coisas, pois se não se conhece tudo, como se
poderia julgar todas as coisas? Pois de acordo com o que o homem conheceu,
assim ele deve julgar.
Irão vocês regenerarem-se no externo assim como no interno? Pois
eles foram renovados no corpo, mas vocês na alma.
É bom ser batizado no batismo de João, se um homem recebe também
o Espírito Santo. Mas alguns não têm sequer o conhecimento de que há um
Espírito Santo.
Mas Jesus também, sendo ele mesmo regenerado no espírito, buscou
pelo batismo de João, pois esse batismo levou-o a tornar-se completo em
todas as coisas. E tendo isso cumprido, vejam, a “Pomba” desceu sobre ele.
Se, então, vocês querem ser perfeitos, busquem
(p. 65)
tanto aquilo que está dentro como o que está fora; e o círculo do ser, que é a
“roda da vida”, estará completa em vocês. (1)

NOTAS

(63:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(63:1) Londres, junho de 1881. Recebida durante o sono, em resposta a um
questionamento nosso a respeito da conveniência de se estudar a ciência
oculta. E.M. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. II, pp. 97-98.
(63:2) I.e. sua própria alma purificada da contaminação da materialidade –
sendo a alma sempre a “mãe” do homem místico ou interior. Ver “definições”,
no Apêndice. E.M.
(63:**) N.T.: Éon – um termo que, dentro da literatura gnóstica, se refere a
seres espirituais emanados de origem divina, e dos quais há múltiplas
instâncias.
(63:3) Termo que significa pré-ocupação com o futuro. O alerta aqui é contra a
ansiedade indevida e a inquietação por parte da alma enquanto trilha o caminho
do dever, o que implicaria falta de confiança na providência divina. Ver
Apêndice, nota J. E.M.
(64:*) N.T.: Por “aquilo que está no exterior” entende-se aí o conhecimento
científico das coisas – tanto da ciência oculta, quanto da ciência do mundo
físico.
(64:**) N.Ed.: Desde o momento em que o Cristo interior – “o Cristo em vós, a

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esperança da glória” do apóstolo Paulo [ Colossenses 1:27] – se manifesta, ou


é realizado.
(64:1) I.e., a carne é ela mesma o seu espinho. E.M.
(65:1) A interpretação acima acerca de Raquel e Lia, como nós posteriormente
averiguamos, está de acordo com a Kabala. E.M.

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o Trabalho de Poder Seguinte: XXIV – Sobre o Homem Regenerado

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Regeneração Seguinte: XXV – Sobre o Cristo e o Logos

Tradução: Daniel M. Alves –


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(p. 65)
CAPÍTULO XXIV

SOBRE O HOMEM REGENERADO (2)

FOI dito a vocês que Jesus e aqueles semelhantes a ele voltaram voluntariamente, e
nasceram sob condições diferentes do comum, pois eles já tinham vencido algumas
das etapas de sua regeneração. Essas etapas são doze ao todo, e constituem doze
trabalhos, doze portais, ou doze pérolas, sendo todas de igual valor. Jesus nasceu
regenerado quanto a algumas dessas etapas, e algumas das que faltavam só foram
vencidas após sua “ressurreição”, durante o retiro que culminou com sua “ascensão”.
As últimas etapas são as mais difíceis. Há quatro etapas para a alma, quatro
para o invólucro da alma (ou astral), e quatro para o corpo [físico], estas sendo as
últimas. E foi isso o que Paulo estava tão ansioso por realizar, mas falhou. Em alguns
casos o corpo nunca é redimido; mas isso não impede o “casamento divino” da alma
com o espírito. Esse casamento facilita a redenção do corpo, mas pode acontecer sem
a redenção do corpo.
Há quatro zonas ou divisões na luz astral, e o reflexo de Jesus está somente na
mais alta, e não pode ser visto por aqueles que têm acesso apenas às zonas mais
baixas. E por não ter sido fortalecido pela sombra do corpo de Jesus, o reflexo se
tornou mais fraco, de tal modo que agora é quase imperceptível. Isso porque seu corpo
foi absorvido [pela vida interior]. (*) (3)
Jesus teve uma grande vantagem em seu nascimento, devida em parte à sua
condição regenerada, e em parte àquela de seus pais. Quanto à pureza do sangue de
sua mãe, diz-se que ela veio de uma família sacerdotal. Analogamente, diz-se que seu
pai é de origem real, pois os termos “Tribo de Levi” e “Casa de Davi” têm um
significado místico. (4)
A santidade de qualquer Cristo em particular depende do
(p. 66)
avanço feito por ele anteriormente a seu nascimento. Jesus tinha nesse aspecto uma
vantagem sobre Buda. Ele era regenerado em um número maior de etapas, e não teve
relações sexuais como no caso de Buda. Cada um dos Doze Trabalhos se refere a
alguma concupiscência [forte desejo], representada pela imagem de uma ave de rapina,
de um cavalo, ou de outro animal que precisa ser domado. E Jesus tinha realizado
anteriormente o Trabalho referente àquele tipo específico de concupiscência.
Agora, para alguns homens as necessidades intelectuais devem ser satisfeitas
em primeiro lugar. Esses se regeneram primeiro na mente; e depois eles alcançam o
reino.
Mas alguns começam a partir de dentro; e esses são os mais abençoados.
Pois eles buscam primeiro o reino, e o resto lhes é dado depois por acréscimo.
Esses últimos começam o Grande Trabalho no coração, por meio da afeição. E
a graça do amor atrai o Espírito Santo, e os transmuta de glória em glória, de modo
que a razão, ou mente, é subitamente iluminada pela razão interior; e no caso deles o
trabalho da regeneração é instantâneo – “em um piscar de olhos”. Esses seguem o

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modelo da mulher [isto é, da alma].


Mas outros – que são do modelo masculino [isto é, da mente] – devem efetuar
seu trabalho com mais esforço; pois neles a mente é iluminada em primeiro lugar. Eles
vão do exterior para o interior; da circunferência para o centro. E isso é apenas uma
diferença de método, não de resultado final; pois a Razão é a herdeira de todas as
coisas.
Para esses últimos o Grande Trabalho é um processo lento; mas sua meta final
é a mesma que a dos primeiros. Pois quando, por fim, o divino casamento consuma
seus trabalhos, a mente e o corpo já estão redimidos, e além do poder da morte, pois
eles já têm o poder.
Mas para aqueles que se regeneram primeiro no interior, há sofrimento do
corpo, e freqüentemente morte. Pois duas correntes opostas se chocam violentamente,
e a conseqüência pode ser a forte ruptura do corpo com o espírito. E, no entanto, suas
mortes não são como as dos não regenerados. Pois no próprio choque ocorre a
transmutação: a matéria, portanto, é sublimada, e o homem não tem mais necessidade
de reencarnar. Ele é livre, pois conquistou a matéria. E, por conseguinte, a ligação entre
ele e o mundano é rompida, e ele não mais retornará ao mundano.
Aquele que é regenerado primeiro no corpo e na mente, normalmente tem vida
longa, mesmo além do limite da vida mortal, e absorve nesse
(p. 67)
período [pela vida interior] (*) todo o seu ser astral, e freqüentemente até seu corpo
físico. Assim foi com Enoch, com Elias, e com alguns outros. Não menciono o nome
deles. E Jesus ficou para fazer isso também. Pois ele não deixaria nada por fazer,
tornando-se, no final, Senhor do reino, do poder e da glória.
Mas quando ele ressurgiu dos mortos, não tendo sofrido deterioração, nem
tendo caído sob o domínio da morte, ainda lhe faltava um degrau de regeneração a ser
vencido – ele não havia ainda “ascendido”.
Havia, então, apenas os onze; pois o décimo segundo – o “Judas” – era
imperfeito. E por causa desse Judas, Jesus caiu sob o poder da cruz.
[Judas era o símbolo de sua própria fraqueza; pois a carne, não estando
totalmente regenerada foi fraca, naquele degrau ainda não vencido.
E a regeneração de seu corpo não estando completa antes da crucificação; sua
vontade carnal ainda lutava contra a vontade espiritual, mas ainda assim ele conseguiu
falar: “Seja feita a Vossa vontade, e não a minha”.
Os Mártires que seguiram seu ensinamento foram mais corajosos diante da
morte do que Jesus, ainda que a dor tenha sido, para a maioria deles, muito mais
aguda.
Mulheres sensíveis, donzelas e jovens enfrentaram sem medo e sorrindo a
estaca ou a tortura, sem lágrima ou suspiro; mas Jesus se retraiu e chorou
pesarosamente ao pé de sua cruz.
Contudo, um homem pode ser vitorioso no espírito ainda que seu corpo
permaneça não redimido. Pois essa redenção do corpo – quando totalmente realizada
– é transmutação, e seu começo é a Reconciliação [Unificação] da vontade da carne
com a vontade do espírito.]
Mas quando Jesus completou sua regeneração houve, então, mais uma vez
doze.
Mas até Jesus, nenhum outro homem havia vencido essas doze etapas e o
casamento divino a partir do interior. Até então a conquista do reino havia ocorrido a
partir do exterior, pela violência e pelo esforço, segundo a maneira dos Patriarcas.
Agora, essas doze etapas são quádruplas, para quase todas as partes do
homem: são quatro para o corpo, quatro para o astral, quatro para a alma, mas uma
para o espírito.
E até Jesus não tinha havido regeneração das doze [etapas] nessa ordem – a
partir do interior. Buda, na hora de sua morte, tinha vencido somente dez.
No caso de alguns a regeneração é quádrupla; sendo uma etapa para cada
reino, e a última para o casamento com o espírito.

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No caso de outros ela é sétupla: duas [etapas] para cada reino, e


(p. 68)
a sétima para o casamento. Desse tipo foi a regeneração da mãe e do pai de Jesus.
Mas o próprio Jesus tinha mais do que as quatro, as sete, ou as dez, pois ele
tinha as treze.
Primeiro ele tinha as quatro da alma. Junto com essas, ele nasceu com duas do
astral, e uma do corpo.
Depois, à “nona hora”, quando ele tinha vencido a quarta etapa do astral, ele
consumou o casamento divino.
Ele venceu, posteriormente, as três etapas de seu corpo, mas a última ele
venceu apenas após a “ascensão” à montanha do Senhor.
Antes dele, nenhum outro homem havia vencido desse modo. (*) E como a
glória é do Espírito, ou parte divina, diz-se (1) que Jesus manifestou sua glória através
de seu casamento [divino].
E a celebração de seu casamento foi no Jordão; mas a manifestação foi em
Caná.
Pois Jesus tinha recebido a Dupla Parte; e assim sua dupla glória. (2)

NOTAS

(65:2) Londres, 9 de Julho de 1881. Recebida durante o sono. Ver também capítulo
XXXIII.
(65:*) N.Ed.: Possivelmente o significado de “absorvido” seja o de que seu corpo foi
“absorvido” por sua vida interior.
(65:3) Alguns ocultistas falharam em perceber o reflexo de Jesus – uma falha aqui
explicada – e com base nisso negaram sua existência. E.M.
(65:4) Para outro e mais profundo significado da origem ou descendência a partir de
David, ver nota ao capítulo XXXVIII. E.M.
(67:8) Ver nota 65:*.
(68:*) N.T.: Ou seja, vencido as etapas nessa ordem.
(68:1) I.e. nos Mistérios, nos quais os Evangelhos se baseiam. E.M.
(68:2) Sobre a Dupla Parte, ver Capítulo XXXVII.

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXIII – Sobre a
Regeneração Seguinte: XXV – Sobre o Cristo e o Logos

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Homem Regenerado Seguinte: XXVI – Sobre o Aperfeiçoamento de Cristo

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(p. 68)
CAPÍTULO XXV

SOBRE O CRISTO E O LOGOS (3)

1. (*) AGORA, Cristo Jesus – o homem espiritual aperfeiçoado, e não o homem físico –
é o ponto mais alto da corrente humana, que flui para o alto em direção ao seio de
Deus.
O homem, por meio da evolução, ergue-se a partir do mais baixo, e alcança seu
mais elevado desenvolvimento, como homem, no Cristo.
Tendo alcançado esse ponto, ele é o perfeito Filho do Homem, uma vez que ele
é gerado dentro e como parte da própria Humanidade; e sendo assim, e porque ele é
desse modo, recebe o batismo do Logos.
Mas, o Logos é o Adonai, (4) uma palavra que implica Dualidade. E o Adonai é
o Filho de Deus, o Unigênito, o Dois-em-Um, cuja manifestação só é possível através
do Cristo.
A Trindade Celestial é composta de Substância, Força, e Lei.
Força é a Vida Original, ou Deus Pai. Substância é o Ser Original, ou Deus Mãe.
Indissoluvelmente unidos, juntos eles são a Substância Viva, o En-Soph ou o Infinito da
Cabala.
Sendo em si mesmos incapazes de se manifestar, eles se tornam manifestados
dentro e através da Lei, que é sua Expressão, Verbo, Logos, ou Filho.
Mas o Logos
(p. 69)
é celestial, e o humano não poderia conhecê-lo em sua natureza divina. Para que o
humano possa tocar e conhecer o divino é necessário que as duas naturezas se juntem.
Isso é realizado em “Cristo Jesus”. Cristo significa o Ungido. Ele é humano em origem;
e sua condição de Cristo é alcançada somente quando ele recebe em seu próprio
espírito o Logos.
Então se realiza a união das duas naturezas, a divina e a humana. As duas
correntes se encontram e se fundem, e a partir desse ponto o homem conhece e
compreende Deus – através do Cristo.
Pois o Cristo, tendo recebido o Logos, é Filho de Deus, assim como é Filho do
Homem; e o Filho de Deus dentro dele lhe revela o Pai.
O homem enquanto apenas humano não poderia dizer, como o Cristo diz: “Eu e
o Pai somos Um.” É o Verbo que nele habita que o torna capaz de dizer: “Pois Aquele
que habita no seio de Deus (o Logos), ele mesmo relevou a Deus”. [ João 1:18]
Tendo recebido a Lei – ou Verbo – o Cristo recebe também o Pai e a Sabedoria
de Deus através desse Verbo, ou Filho. Pois Adonai, sendo a Dualidade, manifesta
esse Pai e essa Sabedoria para o Cristo, e no Cristo.
Por essa razão Estevão, quando estava para morrer, exclamou: “Olhem, eu vejo
os Céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus”. [ Atos 7:56] Nessa fala
ele declara a união do Humano com o Divino. Ele declara que em Cristo Adonai é
manifestado, e que em conseqüência dessa união, a humanidade é exaltada aos Céus.

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Portanto, a humanidade pode alcançar o celestial apenas através de “Cristo”.


Quando o homem penetra nessa esfera ele está “em Cristo Jesus”. E, como diz Paulo,
“estando em Cristo ele está em Deus, e Deus está nele; pois Cristo é de Deus”. Deus,
por assim dizer, se apossa do homem em Cristo, e o atrai até o Céu.
Nesse momento, então, os dois rios se encontram e fluem um para dentro do
outro, em uma união indissolúvel: o Logos no Cristo, o Divino no Humano, Deus no
Homem.

NOTAS

(68:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(68:3) Londres, 12 de julho de 1881. Recebida durante o sono.
(68:4) Nome invariavelmente substituído por Jeová na fala dos Hebreus. Ver Partes II e
III do Capítulo VIII. E.M.

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Homem Regenerado Seguinte: XXVI – Sobre o Aperfeiçoamento de Cristo

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e o Logos Seguinte: XXVII – Sobre o Panteísmo Cristão

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 69)
CAPÍTULO XXVI

SOBRE O APERFEIÇOAMENTO DE CRISTO (1)

1. (*) LOGO após eu ter falado do equívoco cometido pelos cristãos ao considerarem
Jesus como sendo uma perfeição que já veio pronta, tive uma visão instantânea
confirmando o que eu estava dizendo. Pois ela descrevia para mim o aperfeiçoamento
gradual do Cristo
(p. 70)
através do sofrimento, ou experiência; e uma voz pronunciou em alto tom as palavras
“Não seria necessário que Jesus tivesse sofrido todas estas coisas, e só então
entrasse em sua glória?” E outras passagem do mesmo tipo também me foram
trazidas à mente. (1)
2. Logo em seguida, me encontrei, durante o sono, sentada no sopé de um
morro e entalhando uma cruz de madeira. E um homem jovem veio a mim e disse, “Só
eu sei como fazer cruzes, e lhe mostrarei como fazer, se você vier comigo”. Achei que
ele fosse Jesus (2) e o segui. Na conversa que tivemos, que foi longa, mas da qual me
lembro apenas uma pequena parte, ele falou muito sobre a dificuldade que há no
caminho de qualquer um que deseje alcançar uma plena revelação, devido à
deterioração do organismo humano causada por hábitos impuros de vida, em particular
com relação à comida, através da qual o sangue é contaminado e os tecidos se tornam
incapazes da sensibilidade necessária à perfeita visão interior.
Mesmo com todas as suas vantagens, disse ele, de uma paternidade e de uma
maternidade tão puras quanto a terra poderia oferecer, ele mesmo não foi capaz de
alcançar o conhecimento perfeito, e agora, depois de quase dois mil anos de crescente
degeneração, não há qualquer esperança de se alcançar essa plenitude. Isso virá
apenas quando o mundo tiver, por muitas gerações, vivido puramente, e o organismo
humano tiver recuperado, em grande medida, a perfeição que lhe é propriamente
devida, e a qual já teve outrora.
É para o homem frugívoro, e somente a ele, que a Intuição se revela, e dela
vem toda revelação. Pois entre ele e seu espírito não há barreira de sangue; e apenas
nele podem o espírito e o homem estar unificados.

NOTAS

(69:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(69:1) Paris, 1 de outubro de 1879. Recebida durante o sono. Mencionado em Life of
Anna Kingsford, Vol. I, p. 315.
(70:1) Lucas 24:26 (Versão Douay); Hebreus 5:7-9; Pedro I 4:1.
(70:2) Mas posteriormente ela acreditou que ele fosse Hermes assumindo, como é de
seu costume, um personagem de acordo com sua mensagem. E.M.

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e o Logos Seguinte: XXVII – Sobre o Panteísmo Cristão

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXVI – Sobre o
Aperfeiçoamento do Cristo Seguinte: XXVIlI – Sobre o “Sangue de Cristo”

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 70)
CAPÍTULO XXVII

SOBRE O PANTEÍSMO CRISTÃO (3)

1. (*) A CRUCIFICAÇÃO de Jesus foi um fato real, mas ela também teve uma
significação espiritual; e é a esse significado espiritual, e não ao fato físico, que todos
os escritos místicos dos cristãos se referem.
2. A verdade fundamental que está contida na crucificação é o Panteísmo. Deus
está em todas as criaturas; e o estágio de purificação pelo fogo, pelo do qual todos os
seres estão agora passando, é a crucificação de Deus.
(p. 71)
Jesus, por ser o mais perfeito dos iniciados, é escolhido pelos místicos cristãos
como aquele que representa Deus. Jesus é para eles o que Buda é para os místicos
budistas: Deus manifestado na carne. Em sua crucificação, portanto, ele é símbolo e
modelo da contínua crucificação de Deus em suas criaturas que sofrem, cuja
crucificação é o meio e a causa de sua purificação, e assim de sua redenção.
“Estas”, Deus o diz, “são as feridas que recebi na casa de Meus amigos.” (1) O
que significa, “Estou ferido no corpo ou pessoa de todas as Minhas criaturas – as quais
estão ligadas a Mim.” Pois “a casa de Meus amigos” não é senão a frase mística para
designar o templo dos corpos dos demais.
“Entrai vós em minha casa, Ó Senhor!” clama a alma santa que deseja ser
visitada – enquanto no corpo – pela Presença Divina. E o Homem-Deus, mostrando
suas cinco feridas místicas aos Anjos, assim proclama: “Estas são as feridas de Minha
crucificação, nas quais Eu sou continuamente ferido nas pessoas daqueles que são
Meus. Pois Eu e Meus irmãos somos um, assim como Deus é Um em Mim”.

NOTAS

(70:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(70:3) Recebida durante o sono. Paris, 22 de junho de 1879. Mencionada em Life of
Anna Kingsford, Vol. I, pp. 305, 309-310.
(71:1) Zacarias 13:6. A julgar pelo contexto, ou a passagem está corrompida, ou a
citação advém de alguma Escritura não mais existente. E.M.

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Aperfeiçoamento do Cristo Seguinte: XXVIlI – Sobre o “Sangue de Cristo”

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXVII – Sobre o
Panteísmo Cristão Seguinte: XXlX – Sobre a Redenção Vicária [por meio de outro]

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 71)
CAPÍTULO XXVIII

SOBRE O “SANGUE DE CRISTO” (2)

1. (*) ENQUANTO dormia eu me vi em uma ampla sala que parecia uma biblioteca, pois
tinha uma grande quantidade de prateleiras repletas de livros; e nela havia várias
pessoas para as quais eu falava sobre os Cristos, suas origens, sua missão e sua
função na história da humanidade. E falei muito sobre Jesus, explicando que a doutrina
de sua imaculada conceição deveria ser compreendida apenas em um sentido místico,
e que toda a história [bíblica] acerca de seu nascimento se refere tão somente à sua
iniciação, (3) a qual é o verdadeiro nascimento do Filho do Deus. E provei isso por
meio de vários textos e passagens dos próprios evangelhos e outras escrituras. E falei
também da origem de Jesus, e como ele tinha se tornado perfeito através do
sofrimento. Ouvimos falar desse sofrimento, eu disse, mas pouco naquela sua vida que
(p. 72)
é registrada nos evangelhos. O sofrimento aqui referido é um longo percurso de provas
e de progresso ascendente vivido em encarnações anteriores. Mencionei, então,
algumas das mais recentes, mas não fui capaz de retê-las.
2. Chegando ao tema de sua paixão e morte, expliquei que essas não eram
expiações, em seu sentido comumente entendido. Isso porque Deus não considera de
modo algum o mero derramamento de sangue inocente como forma de absolvição da
culpa moral de outros. Mas sim que o místico Sangue de Cristo, pelo qual somos
salvos, não é outra coisa senão o segredo dos Cristos, através do qual eles
transmutam a si mesmos do plano material para o plano espiritual, ou seja, o segredo
da purificação interna.
Mostrei ainda que em todas as escrituras sagradas a palavra sangue é usada
como um sinônimo para vida; e que vida, em seu sentido mais elevado, perfeito e
intenso, não é a mera vida física tal como é entendida pelos materialistas, mas é a
essência dessa vida, o Deus interno no homem.
E quando está escrito que aqueles nas mais elevadas cortes celestiais são os
que “tornaram suas vestes brancas no sangue do Cordeiro” [ Apocalipse, 7:14], isso
significa que eles alcançaram a redenção através da perfeita realização do segredo
dos Cristos.
E quando também é dito que o sangue de Cristo purifica de todos os pecados,
isso significa que o pecado é impossível para aquele que é perfeitamente
espiritualizado e que foi batizado com o batismo espiritual.
O sangue de Cristo, portanto, não é o sangue material de quem quer que seja.
Ele é o segredo e o processo do aperfeiçoamento espiritual alcançado pelo Cristo, por
meio do qual todos os que, seguindo seu método, conhecem a Deus e são iniciados,
tornam-se redimidos e alcançam o dom da vida eterna.
E muitas outras coisas eu disse que foram, segundo me pareceu, ensinadas por
algum espírito, sem que eu soubesse de antemão as coisas que eu ia dizer.
3. Agora percebi atrás de mim, um pouco à minha direita, uma bela imagem em

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mármore de Palas Atena. Ela ficava em uma pequena reentrância na parede, e desceu
sobre ela uma luz dourada como o brilho do sol, a qual variava de quando em quando
entre todas as sete cores, mas com maior freqüência para o violeta do que para as
outras cores. E a luz incidia principalmente sobre a cabeça e o peito da imagem, que
estava vestida como um guerreiro, com elmo, lança e escudo. E eu mal pude definir,
enquanto olhava, se era uma forma viva ou de mármore, tal era a sua verossimilhança.
4. Um pouco depois, todas as pessoas para quem eu estava falando se foram,
e eu estava sozinha na sala com a minha mãe. Ela estava muito aflita e agitada, me
vendo como uma perdida e
(p. 73)
como uma apóstata, como alguém que abandonou o Cristianismo, e ela não queria
ouvir qualquer explicação que eu pudesse dar sobre o assunto. Ela chorou
amargamente, declarando que, com minha apostasia, eu tinha partido seu coração, e
tornado a sua velhice um pesar e um fardo para ela. E disse também que eu deveria ser
totalmente abandonada, a menos que eu me arrependesse e voltasse à crença
ortodoxa, e me implorou de joelhos que eu me retratasse de tudo o que tinha dito.
Não há palavras para descrever a intensidade de minha dor, e a perturbação de
espírito que sua conduta me causou.
Minha mãe parecia que iria desmaiar a meus pés com o excesso de emoção; e
eu estava para me render às suas súplicas quando eu vi a porta da sala se abrir e um
Espírito entrar. Ele veio e ficou do meu lado e disse estas palavras: “Quem põe a mão
no arado (*) e olha para trás, não está apto para o reino de Deus. E aquele que ama pai
e mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.” [Respectivamente: Lucas 9:62 e
Mateus 10:37]
5. Então o sonho terminou e não tenho mais lembranças, mas um profundo
sentimento se manteve impresso em minha mente: de que a cena era apenas um
ensaio e um prenúncio de algo que realmente aconteceria no futuro de minha vida.

[ Nota de Edward Maitland: É uma satisfação – da qual o leitor simpatizante irá


compartilhar – poder dizer que, ao tomar este sonho mais como um aviso do que como uma
verdadeira predição, e ao observar a devida cautela, a oposição do tipo descrita foi reduzida a
um mínimo, nenhum rompimento afetivo ou grave infortúnio aconteceu.
A imagem de Palas iluminada pelos sete raios denota a Divina Sabedoria em sua
plenitude, e manifestando todos os – “Sete Espíritos de Deus” [p. ex., Apocalipse 4:5]. Como
se pôde ver na ocasião, isso foi uma enfática declaração de que a doutrina enunciada foi
proferida sob a inspiração de todos eles, e especialmente daqueles representados pelos dois
raios dominantes: o Amor e a Reverência.]

NOTAS

(71:2) Paris, 17 de outubro 1879. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. I, pp.
315-317.
(71:3) Iniciação não envolve necessariamente a atuação de qualquer instituição
humana. O verdadeiro iniciador é, em todos os casos, o Espírito Divino no próprio
aspirante. E.M.
(73:*) N.Ed.: O arado aqui é claramente um símbolo. A palavra também significa
plantio, ou agricultura em sentido amplo. Assim, o símbolo parece se referir à obra do
amor divino, seja internamente, seja de edificação ou auxílio à humanidade.

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Panteísmo Cristão Seguinte: XXlX – Sobre a Redenção Vicária [por meio de outro]

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“Sangue de Cristo” Seguinte: XXX – Sobre Paulo e os Discípulos de Jesus

Tradução: Daniel M. Alves –


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(p. 73)
CAPÍTULO XXIX

SOBRE A REDENÇÃO VICÁRIA (1)

E STAVA durante o sono na varanda de uma casa. Era noite, e uma noite tão
densa, escura e impenetrável que nem a terra, nem as estrelas, ou qualquer outro
objeto podia ser visto. No entanto, ainda que eu não soubesse onde estava, tinha
consciência de estar dentro ou muito perto de uma cidade.
E observei, flutuando na escuridão, pequenas línguas de fogo
(p. 74)
que tinham exata semelhança com a chama de uma vela. Elas se moviam como se
fossem criaturas vivas que controlavam seus movimentos com inteligência e vontade.
Elas diminuíam e aumentavam e passavam através do ar em todas as direções, e nada
além delas era visível, tão intensa era a escuridão.
Enquanto observava as chamas, duas delas vieram flutuando em minha direção
e, entrando na casa, deslizaram ao redor da sala e então retornaram a mim na sacada,
pararam e pousaram sobre minhas mãos, ficando ali por uns instantes. Então todo a
cena sumiu e aconteceu o seguinte.
Vi uma criança, um garoto na escola, que achou que foi tratado injustamente
pela zeladora da escola, a qual o perseguia e oprimia severamente. Ele foi à sala em
que ela estava sentada e, enfurecido, quebrou e destruiu tudo em que conseguiu pôr as
mãos. E a explosão repentina de sua raiva o fez parecer com alguém possuído. Ele
derrubou vasos bonitos no chão, pisoteou as flores e rasgou em pedaços valiosos
tecidos, pois a sala era mobiliada e decorada de uma forma pomposa e cara. E então
ele subitamente se voltou para a mulher, e puxando-a pelo cabelo, bateu nela e rasgou
suas roupas, arranhou suas mãos e seu rosto. E tudo o que ela fez em sua defesa
foram algumas poucas palavras de protesto. Eu estava chocada e horrorizada,
pensando que ela estava morta, e imaginei o que seria daquela criança que tinha a fúria
de um animal selvagem e a força de um homem.
Então, pouco depois, vi uma jovem garota, a filha da mulher que tinha sido
atacada daquela maneira. Ela estava ajoelhada diante de uma fornalha e observando
algo nas chamas. Ela se virou, olhou para mim e disse: “A punição devida a essa
criança é terrível, e dela não se pode escapar. Ele está condenado a ser marcado com
ferro em brasa nas palmas das mãos, e depois ser expulso da escola. As marcas estão
agora sendo aquecidas na fornalha”.
Ao dizer isso, ela se voltou novamente para a fornalha e com uma vara tirou o
ferro e se marcou em cada uma das mãos. E vi a carne se enrugar com o calor. Em
seguida, ela ergueu as palmas de suas mãos em minha direção e disse: “Veja e leia o
que está escrito nelas.” Li, em cada uma das mãos, a palavra “Culpado” marcada a
fogo na carne. “E agora”, disse ela, “deixarei essa casa, meu lar, pois eu fui banida.”
“Você!”, gritei, “você não é a culpada! O que é que você fez para merecer isso? Não
compreendo”.
Ela respondeu: – “Eu lhe disse que a punição devida ao garoto
(p. 75)

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não pode ser evitada. E eu a trouxe para mim mesma, por minha própria vontade,
embora eu seja inocente e seja a filha amada daquela pessoa que foi ofendida e
maltratada de forma tão dolorosa. Tal como ele teria sido marcado, eu fui marcada. E
tal como ele teria sido expulso, eu fui expulsa. Assim eu o redimi. Eu sofri por ele. A
justiça foi satisfeita e ele está perdoado. Isso é Redenção Vicária”.
Então, enquanto ela dizia essas palavras, um vento soprou em meu rosto, e eu
o inspirei, e sendo inspirada, assim falei, em voz alta: –
“Ó tola, imaginar que a justiça pode ser satisfeita pela punição do inocente no
lugar do culpado! Ao invés disso, trata-se de uma dupla violação. Como, ao marcar as
suas próprias mãos, você pode salvar a criança? Não declarou a Palavra de Deus que
“Nenhum homem assumirá o pecado de outro, nem ninguém redimirá [de forma vicária]
a falta de seu irmão; mas cada um será responsável pelo seu próprio pecado, e será
purificado através da sua própria punição”. E, também, não está escrito “Sede vós
perfeitos”? [Mateus 5:48] E como ninguém pode se tornar perfeito a não ser pelo
sofrimento, como pode alguém se tornar perfeito se um outro carrega o sofrimento em
seu lugar? Tirar o seu sofrimento é tirar os seus meios de redenção, e roubar-lhe sua
coroa de perfeição. O menino não pode ser perdoado se você assumir sua punição.
Somente se com o próprio sofrimento se arrepender ele pode receber o perdão. E
assim é com o homem que peca contra o Criador, violentando sua intuição e
profanando o templo de Deus. O sofrimento do Próprio Criador por ele, longe de
redimi-lo, iria tão somente privar-lhe de seus meios de redenção. E se alguém disser
que Deus assim ordenou, a resposta é: “Justiça em primeiro lugar, e o Senhor Deus
vem em seguida”! Mas apenas através da perversão criada pela ignorância pode uma
doutrina dessas ser acreditada. O Mistério da Redenção ainda está para ser
compreendido.
“Assim é aquele Mistério. Não há tal coisa como uma Redenção Vicária; pois
ninguém pode redimir o outro através do derramamento de sangue inocente. O
Crucifixo é o emblema e o símbolo do Filho de Deus, não porque Jesus derramou seu
sangue na cruz pelos pecados do homem, mas porque o Cristo é crucificado
perpetuamente enquanto o pecado perdurar. O dito: “estou decidido a não saber nada
além desse único mistério – Cristo Jesus e Sua crucificação”, significa a doutrina do
Panteísmo. Pois isso significa que Deus está em todas as criaturas, e que elas são de
Deus, e que Deus, como Adonai, sofre nelas. (1)
“Quem é, então, Adonai? Adonai é a Palavra Dual, a manifestação de Deus na
Substância, que manifesta a si mesmo como Espírito encarnado e,
(p. 76)
assim se manifestando, por amor redime o mundo. Ele é o Senhor que, crucificado
desde o início, encontra sua plena manifestação no verdadeiro Filho de Deus. E,
portanto, está escrito que o Filho de Deus, que é Cristo, é crucificado. Somente onde o
Amor é perfeito, a Empatia é perfeita; e apenas onde a empatia é perfeita pode alguém
morrer pelo próximo. Razão pela qual o Filho de Deus diz: “Os erros do próximo me
ferem, e os açoites no próximo recaem sobre minha carne. Sou ferido com as dores de
todas as criaturas, e meu coração é perfurado junto com o coração delas. Não há
ofensa feita que eu não sofra, nem qualquer erro pelo qual eu não seja atingido. Pois o
meu coração está no peito de toda criatura, e o meu sangue corre nas veias de toda a
carne. Sou ferido na mão direita pelo bem dos homens, e na mão esquerda pelo bem
das mulheres; em meus pés direito e esquerdo, pelos animais da terra e pelas criaturas
das profundezas; e em meu coração por todos”.
“O Crucifixo, então, é o mais divino dos símbolos porque é emblema do Cristo
e sinal de Deus no homem. É a alegoria da doutrina do Panteísmo de que o homem se
torna perfeito – a alma se torna Deus – através do sofrimento. Aquele que é sábio
compreende; e aquele que compreende é iniciado; e aquele que é iniciado ama; e
aquele que ama conhece; e aquele que conhece é purificado. E o puro vê a Deus e
compreende o Divino, com o mistério da dor e da morte. E porque o Filho de Deus
ama, ele tem poder, e o poder do amor redime. Ele ao ser elevado, atrai todos os
homens para si. Esse é o mistério dos Sete Degraus do Trono do Senhor. E o próprio

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Trono é branco, de uma glória que ofusca o olhar. E em meio a essa Luz está aquele
cuja aparência é a de um cordeiro que foi sacrificado. E ele é Cristo nosso Senhor, a
manifestação de Adonai, cujo amor o impulsionou em todos os momentos. A ele é
dado todo o poder de redimir no céu e na terra. Pois ele abriu seu coração a todas as
criaturas, e livremente doou a si mesmo por elas. E por que ele amou, trabalhou e não
se lamentou, mesmo na morte. E porque ele trabalhou ele era forte, pois o amor
trabalhava dentro dele. E sendo forte ele conquistou, redimindo-as da morte. Elas não
foram perdoadas porque Cristo morreu; elas foram mudadas porque ele amou. Pois ele
lavou suas almas, tornando-as brancas com sua doutrina, e purificando-as com seus
feitos. E esses feitos são o sangue de seu coração, e mesmo o verbo de Deus e a
vida pura. Essa é a redenção de Cristo e o perpétuo sacrifício do filho de Deus. Crê e
serás salvo: pois aquele que crê é transformado da imagem da morte para a vida. E
aquele que crê não peca mais, e não oprime mais. Pois ele ama como Cristo amou,
(p. 77)
e está em Deus e Deus está nele. O sangue de Cristo purifica de todo o pecado, não
pela compra do perdão com o ouro de outra pessoa, mas porque o amor de Deus
mudou a vida do pecador. O penitente salva a si mesmo através do sofrimento, da
aflição e da correção de suas faltas. Através desses ele se ergue e sua vida é
redimida. E é o Cristo que o redime, dando o sangue de seu coração por ele. É o
Cristo dentro dele que toma suas fraquezas e suporta seus sofrimentos em seu próprio
corpo na árvore. E o mesmo que vale para o antigo, é verdadeiro para os dias de hoje,
e o será para sempre. Cristo Jesus é crucificado continuamente em cada um, até a
vinda do Reino de Deus. Pois, onde quer que haja pecado, há sofrimento, morte e
opressão; e onde esses estiverem Cristo se manifestará, e por amor trabalhará,
morrerá e redimirá.”
Nesse ponto, o som da minha voz me acordou, e a visão terminou. Mas,
naquele instante, dormi novamente, e vi a infinita amplidão do céu, aberto, claro, azul e
iluminado pelo sol, tudo no mais intenso grau. E através dele, em direção ao alto,
voava uma águia como o lampejo de um raio na minha frente, e eu sabia que isso
significava que com o afastamento da noção de Deus desse malefício que é o
derramamento de sangue inocente, e com a natureza Divina recuperada, não há nada
que impeça a aspiração da alma. (1)

NOTAS

(73:1) Paris, 31 de janeiro de 1880. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. I, pp.
323-325.
(75:1) Vide nota (4) à p. 68.
(77:1) Outro significado foi, posteriormente, mostrado a Anna Kingsford, como sendo o
que era pretendido: “Representando a volta do espírito inspirador de Deus, a aparição
da águia era (...) uma declaração enfática da natureza divina do que estava sendo
expresso” (Life of Anna Kingsford, Vol. I, p. 325). S.H.H.

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“Sangue de Cristo” Seguinte: XXX – Sobre Paulo e os Discípulos de Jesus

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SOBRE PAULO E OS DISCÍPULOS DE JESUS http://www.anna-kingsford.com/portugues/obras_de_anna_kingsfor ...

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXlX – Sobre a
Redenção Vicária [por meio de outro] Seguinte: XXXI – Sobre o Maniqueísmo de Paulo

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 77)
CAPÍTULO XXX

SOBRE PAULO E OS DISCÍPULOS DE JESUS (1)

1. (*) E M uma visão que me foi mostrada na noite passada, foi demonstrado
que a visão comum que se tem do caráter e da posição de Paulo com respeito à Igreja
primitiva é totalmente falsa; e as pessoas que fizeram a comunicação que estou
prestes a relatar me pareciam ter conhecido pessoalmente Paulo e estarem totalmente
familiarizados com os eventos que ocorreram à época de seu apostolado.
Disseram-me, com visível indignação, que a Igreja Cristã de hoje é inteiramente
equivocada quanto a real relação que existe entre os apóstolos, que Cristo instruiu e
elegeu como seus missionários,
(p. 78)
e o convertido sacerdotalista hebreu.
“É impressionante”, eles disseram, “que sua Igreja possa ler, nas escrituras
remanescentes sobre nossas relações com Paulo, relatos de desconfiança, suspeita, e
desaprovação com a qual sempre o tratamos, e não perceber que ele jamais esteve de
acordo conosco.
O próprio líder e chefe de nosso círculo se opôs a ele frontalmente repetidas
vezes, como se ele tivesse sido um inimigo da Igreja; e em uma ocasião ele foi forçado
a fugir dos irmãos durante a noite e por meio de um ardil, tamanha e tão amarga era a
indignação que sua visão sobre a fé provocou em nós, que tínhamos sido os amigos
do Senhor, e que conhecíamos a verdade como Paulo jamais tinha visto. Pois ele
trouxe para dentro daquela regra de vida pura e simples um amontoado de usos e
crenças levitas e rabínicas que tínhamos afastado de nós como a poeira de nossos
pés.
Ele cobriu as realidades do Evangelho de Jesus com um impressionante peso
de duros ditos e de interpretações sacerdotais equivocadas. Ele, que jamais conheceu
o Mestre como ele era, tomou para si o encargo de distorcer sua imagem como a de
um Deus estranho que nós não conhecemos. Nem conseguíamos reconhecer, nessa
versão alterada do belo e voluntário martírio do homem que tínhamos amado tão
ternamente, um traço sequer de seu caráter, ou a menor semelhança com a doutrina
que ele nos ensinou.
O que nós vimos e conhecemos como o puro e perfeito amor de uma morte
voluntária, bravamente encarada em nome da consciência, Paulo nos apresentou sob
uma roupagem nova e não amorosa, como sendo o sacrifício de uma vítima para
apaziguar a cólera do Deus que Jesus chamou de seu e nosso Pai.
A partir daquela que tinha sido para nós uma simples regra de vida, uma simples
purificação da velha fé, Paulo erigiu o sistema estranho e elaborado que é chamado de
“esquema da Reconciliação” . Para nós e para nosso Mestre não tinha havido
nenhum ‘esquema’; Deus se reconciliava com o homem pelo amor, e não pelo
sacrifício.
Mas, Paulo queria uma “nova religião”, (1) e uma crença difícil de compreender;

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e ele deixou para o mundo um Cristianismo próprio dele que nós não conhecíamos,
mas que é o que vocês têm hoje. E com isso ele nos causou um mal e um prejuízo
maior do que se ele tivesse nos perseguido e eliminado fisicamente. Pois, por meio de
sua falsa conversão ele enganou o mundo e afundou a verdade em uma torrente de
estranhas doutrinas.
Por essa razão todos nós éramos contra ele, e jamais reconhecemos seu
apostolado, estando convencidos de que ele não conhecia Cristo, nem a fé que Cristo
ensinou.
(p. 79)
Se ele tivesse se contentado com a verdade, nós jamais teríamos nos
posicionado contra ele; pois ele possuía muitos dons, dentre eles a eloqüência – que
não era o menor de seus talentos.
Mas, através de sua fatal perversão da fé, e através de seu amor fatal por
doutrinas metafísicas e por sutilezas rabínicas, ele deturpou aquilo que era a glória da
Igreja, e trouxe ao mundo as monstruosas doutrinas do ‘Cristianismo’ que é pregado
nas suas igrejas atualmente.”
2. Contaram-me, além disso, que na noite antes da fuga de Paulo na cesta
descida das muralhas de Damasco, uma violenta discussão entre ele e os irmãos tinha
acontecido, no decorrer da qual Paulo sustentou que a única chance do triunfo final do
Evangelho residia em sua edificação em um sistema, e um que tinha que ser
necessariamente sacrificial.
Eles o questionaram quanto a esse ponto, mas ele insistia que tinha uma visão
mais profunda sobre o assunto do que eles, e que sua missão especial consistia na
elaboração do plano que tinha concebido quanto à posição de Cristo como o Mediador
entre Deus e o homem.
[A visão foi inteiramente espontânea e inesperada. Eu não tinha dado
anteriormente nenhuma atenção ao assunto, nem tinha consciência de que uma
instrução similar tinha previamente sido dada ao meu colega.
Os personagens que eu vi em minha visão não tinham nenhuma semelhança
com qualquer das inúmeras representações dos apóstolos feitas pelos pintores, mas eu
estava longe de estar em uma condição suficientemente lúcida para guardar suas
aparências de maneira vívida o suficiente para me permitir, como normalmente é o
caso, fazer um desenho deles.
Tampouco fui capaz – sequer de forma parecida com a precisão que me é
habitual – de reproduzir suas palavras. O tom e o conteúdo, no entanto, foram fielmente
reproduzidos. O tom, em todo momento, foi de forte indignação misturada de pesar em
relação a Paulo; e de desdém pela loucura da Cristandade em aceitar tão grosseira e
tangível perversão do ensinamento de Jesus e da natureza de Deus, como aquela
envolvida na doutrina sacerdotal da reconciliação vicária.] (1)

NOTAS

(77:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(77:2) Paris, 17 de julho de 1877. Mencionado em Life of Anna Kingsford, vol. I, p.
181.
(78:1) A “nova religião”, nesse contexto, “implica os distanciamentos criados por Paulo
do ensinamento dos discípulos originais” (Carta de E.M. para Light, 1889, p. 507).
S.H.H.
(79:1) 2 Pedro 3:15-16 (uma carta de autoridade altamente duvidosa), evidentemente
representa um desejo ou de conciliar ou de ignorar essa contenda, tratando as
diferenças como sendo mais aparentes do que reais. E.M.

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Redenção Vicária [por meio de outro] Seguinte: XXXI – Sobre o Maniqueísmo de Paulo

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXX – Sobre Paulo e
os Discípulos de Jesus Seguinte: XXXII – Sobre os Evangelhos: suas Origens e Composição

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
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(p. 80)
CAPÍTULO XXXI

SOBRE O MANIQUEÍSMO DE PAULO (1)

N ESSE momento escuto uma agitação de águas. Do meio dessa águas uma
voz parece me falar. Ela diz o seguinte: –
“Muitos anos antes de Paulo ter escrito surgiu uma seita chamada os
Maniqueístas. O fundador dessa seita, assim como o fundador do Epicurismo, foi
inspirado por NÓS; mas os Maniqueístas, tal como os Epicuristas, não
compreenderam a natureza do pecado. O fundador do Maniqueísmo, a quem
chamamos de Felix, viu que o mal é resultado da criação; mas seus discípulos
entenderam que toda matéria é má. Apenas nisso eles erraram. E Paulo, seguindo sua
razão, mas sem estar inspirado, percebeu apenas a doutrina dos discípulos. É verdade,
então, como o fundador do Maniqueísmo percebeu, que o mal resulta da criação, mas
não que a matéria é má. Aquele dentre vós que possui a imaginação mais vívida pode
projetar sobre a retina emanações palpáveis de seu pensamento. Assim é com a
Deidade. Eu já disse que a matéria é a intensificação da Idéia, e que o mal é o
resultado da materialização. (2) Você me perguntou: Por que, então, Deus criou?
Percebo que Deus criou pela força da vontade; e que, exercendo a vontade, Deus
transmitiu a cada pensamento o poder da vontade o qual, não fosse pela limitação, não
poderia ter existido. Deus, portanto, é tão rico pela vontade do pensamento que Ele
projeta.”

NOTAS

(80:1) Paris, 23 de julho de 1877. Falado em transe. Mencionado em Life of Anna


Kingsford, vol. I, p. 185.
(80:2) Ver Cap. XIX, Parte 2.

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os Discípulos de Jesus Seguinte: XXXII – Sobre os Evangelhos: suas Origens e Composição

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SOBRE OS EVANGELHOS: SUAS ORIGENS E COMPOSIÇÃO http://www.anna-kingsford.com/portugues/obras_de_anna_kingsfor ...

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXI – Sobre o
Maniqueísmo de Paulo Seguinte: XXXIII – Sobre o Verdadeiro Jesus

Tradução: Daniel M. Alves –


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(p. 80)
CAPÍTULO XXXII

SOBRE OS EVANGELHOS: SUAS ORIGENS E COMPOSIÇÃO (3)

1. (*) ESTOU olhando para dentro do Serapeum (**) em Alexandria. O templo é


conectado a uma biblioteca que, pelo que vejo, ainda está lá, sem estar destroçada ou
queimada, mas repleta de manuscritos – na sua maioria rolos sobre varetas. Vejo um
conselho com muitos homens
(p. 81)
sentados numa mesa na sala da biblioteca, e vejo uma série de nomes, como
Cleópatra, Marco Antônio e outros.
Essa é a chamada segunda biblioteca de Alexandria, tendo sido a primeira
destruída no reinado de Júlio César. O núcleo dessa biblioteca foi um presente de
Antônio a Cleópatra, que fez acréscimos e a melhorou imensamente, até o ponto em
que continha toda a literatura existente no mundo.
Vejo ainda que – e me pergunto qual a razão – eles estão deliberadamente
construindo o Cristianismo a partir dos livros lá existentes! E, tanto quanto consigo ver,
os Evangelhos estão um pouco melhor que as Metamorfoses de Ovídio –
historicamente, quero dizer. Então, eles estão deliberadamente elaborando a nova
religião, (1) implantando o antigo [conhecimento] no sistema Judeu.
2. Anote esses nomes e as datas que me são especialmente mostrados.
Teófilo, patriarca da Alexandria, e Ambrósio. 390 DC, 286 AC. Essa última é a data em
que a biblioteca foi pela primeira vez reunida. E 390 DC (2) é a data da principal
destruição dos documentos, a partir dos quais foi criada a nova religião. Se eles
pudessem ser recuperados poderíamos ter uma prova absoluta da elaboração da nova
religião a partir de originais hindus, persas e outros originais – as interpolações,
remoções, e alterações comprovam isso. Eles mostram, também, que o nome
inicialmente adotado para o homem exemplar era mais parecido com Krishna, e que o
nome Jesus foi uma escolha posterior, (3) adotada por sugestão judaica, para ficar
mais condizente com um herói judeu.
(p. 82)
O sistema (1) vinha sendo elaborado desde longa data, e levou todo esse tempo para
ser aperfeiçoado. (2) Todos os detalhes da história dos Evangelhos são inventados, a
começar pelo número dos apóstolos, assim como todo o resto. Nada é histórico,
no sentido que se supõe. (*)
3. Vejo agora o Serapeum destruído: não apenas a biblioteca, mas também o
templo, tão temerosos eles estavam de deixar qualquer traço da sua elaboração. Ele
foi destruído por cristãos, sendo instigados especialmente por Teodósio, Ambrósio e
Teófilo. (3)
Sua motivação era mesclada, cada um dos líderes tendo um objetivo diferente.
O objetivo dos elaboradores era manter e continuar a antiga fé através da sua
transposição para um novo terreno, a inserindo no Judaísmo.
O objetivo de Teófilo era tornar a nova religião a inimiga e a sucessora da velha,

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fazendo com que ela parecesse ter uma base e uma origem independente.
Ambrósio destruiu a biblioteca para se opor aos arianos, fazendo parecer que o
Cristianismo teve uma origem totalmente sobrenatural.
Os próprios elaboradores não pretendiam que ela fosse vista como
sobrenatural, mas como representando o mais elevado do humano. E, coerentemente
com isso, eles acumularam em Jesus tudo o que tinha sido dito acerca dos Cristos
anteriores – Mitras, Osíris, Krishna, Buddha e outros – sendo que o esboço original
continha a doutrina da transmigração das almas – [exposta] da forma mais clara e
explícita. (4)
A elaboração foi empreendida com o intuito de salvar a própria religião da
extinção, em vista da prevalência do materialismo – pois aqueles tempos
correspondiam, nesse aspecto, exatamente aos de hoje. E o plano era o de criar, a
partir de todos os sistemas existentes, um sistema novo e completo, representando as
mais altas possibilidades e satisfazendo as mais elevadas aspirações da humanidade.
4. A grande perda, então, não foi a da primeira, mas a da segunda biblioteca de
Alexandria. O Serapeum foi destruído pelos cristãos com o objetivo de impedir que se
verificasse a origem humana de sua religião. O objetivo era fazer acreditar que
(p. 83)
tudo estava centrado em uma única pessoa real específica, e não que tenha sido
coletado e compilado de uma multiplicidade de fontes.
5. Todos os diálogos nos Evangelhos foram fabricados com a ajuda de vários
livros a fim de ilustrar e impingir certas doutrinas específicas. Não consigo reconhecer
a língua de muitos dos manuscritos antigos usados. Os que vejo em latim estão todos
escritos em caixa alta, e sem qualquer divisão entre as palavras, se parecendo, assim,
com uma longa palavra.
6. Me é mostrada a cena real da destruição da biblioteca e os livros sendo
espalhados. Há um tumulto assustador. As ruas de Alexandria estão tomadas por
multidões de pessoas gritando e se dirigindo apressadamente para o local. Elas não
sabem os reais motivos. Foi dito a elas que a biblioteca continha livros do diabo, os
quais se fossem preservados seriam os meios para a destruição do Cristianismo.
O barulho e o tumulto são aterrorizantes. Não consigo suportar, imploro para
ser retirada, pois isso me machuca muito. (1)
É extraordinário o quão exatamente similares são as duas épocas, tanto política
como religiosamente. Tudo o que havia se estabelecido estava se rompendo nessas
duas épocas; e aquilo que surge de cada um delas é a mais completa revelação da
Idéia divina de Humanidade. Tudo trabalha por nós e pela nova revelação. Mas o
mundo sofre terrivelmente no nascimento. Depois as coisas gradualmente tornam-se
bem melhores.

*.* Como explicação do método pelo qual esse conhecimento foi recuperado, podemos
dizer que, de acordo com a ciência oculta, todo evento ou circunstância que aconteceu no
planeta tem uma contraparte astral, ou imagem na luz magnética. De modo que há de fato
fantasmas de acontecimentos, assim como de pessoas. Essas existências magnéticas são as
Sombras ou Manes de tempos, circunstâncias, atos e pensamentos passados, dos quais o
planeta foi cenário, e eles podem ser conjurados ou evocados. As impressões deixadas em tais
ocasiões são tão somente sombras impressas sobre o espelho protoplásmico. “Esta atmosfera
magnética, ou alma astral, é chamada de Anima Mundi, e nela estão armazenadas todas as
memórias do planeta, sua vida passada, sua história, suas afeições e lembranças das coisas
físicas. O adepto pode pesquisar esse mundo-fantasma, e ele lhe dará respostas. (2) É a
vestimenta abandonada pelo planeta; e, no entanto, é viva e palpitante, pois a sua própria
natureza é tecida de substância psíquica, e todo seu parênquima é magnético.” Vide Cap. No.
XLV; e também The Perfect Way, Palestra V, parágrafo 39. Sobre a recuperação da memória
individual, vide Cap. No. XL. E.M.

NOTAS

(80:3) Londres, 6 de Novembro de 1881. Falado em transe. Essa Iluminação se deu de

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forma totalmente independente de qualquer conhecimento ou predisposição de nossa


parte – sendo o assunto bastante novo para nós – e provou-se, em pesquisa posterior
(embora essa tenha ido muito além da história), estar de pleno acordo com a história,
até onde a história pode alcançar, e também com os resultados da crítica independente
e honesta. Por “história” não nos referimos à tradição ou invenção eclesiástica. E.M.
Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. II, pp. 32-33.
(80:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.
(80:**) N.T.: Um Serapeum é um templo, ou outra instituição religiosa dedicada ao deus
sincrético helenístico-egípcio Serapis, que combinava aspectos de Osíris e de Apis em
uma forma humanizada que era do agrado dos gregos ptolemaicos de Alexandria.
Havia vários desses centros religiosos, cada um dos quais era um Serapeion ou, em
sua forma latinizada, um Serapeum.
(81:1) “A nova religião”, nesse contexto, “implica o empenho sistemático dos Místicos
de Alexandria a quem se dá o crédito pela autoria dos Evangelhos (...) em construir,
com base na história de Jesus, uma religião que deveria representar uma síntese
simbólica das verdades fundamentais que embasam todas as religiões anteriores”
(Carta de E.M. a Light, 1889, p. 507). S.H.H.
(81:2) O templo foi destruído em 389 DC. A biblioteca jamais deixou de existir, o
Bruchium, à época de sua destruição, havia se juntado com o Serapeum. O que sobrou
foi em muito superado com os acréscimos trazidos de Pérgamo, feitos por Antônio,
que se tornaram, na prática, o núcleo da biblioteca. E.M.
(81:3) Edward Maitland, referindo-se a essa Iluminação, diz: “De acordo com a visão
assim dada com relação às origens cristãs, o rápido declínio da fé e o avanço do
materialismo havia, muito antes da ascensão do Cristianismo, chamado a atenção dos
iniciados dos Mistérios, cujo centro de operações situava-se em Alexandria; e eles, em
razão disso, buscaram, por meio de uma reformulação da verdade religiosa, adaptada
ao caráter modificado dos tempos, impedir a crescente torrente de infidelidade. Tudo o
que era necessário no sentido de doutrina já estava em suas mãos por eras. Apenas
faltava um indivíduo apto para sua exemplificação prática. (...) Tal exemplo foi
reconhecido em ‘Jesus’, e nele, portanto, eles centraram todas as verdadeiras
características de um Homem Regenerado, conforme verificado nos exemplos
anteriores. E sua história – que não foi a história física de nenhum Homem
Regenerado, mas sim a história espiritual de todo Homem Regenerado – foi descrita
na terminologia mística corrente. A chave dessa terminologia estava perdida até que foi
recuperada por meio da Sra. Kingsford.” (Carta a Light, 1889, p. 527). S.H.H.
(82:*) Grifo do editor.
(82:1) Não os Evangelhos (Carta de E.M. a Light, 1889, p. 527). S.H.H.
(82:2) Há uma ambigüidade aqui, devido à data do término da “elaboração” não ter
sido especificada. E.M. (Vide Carta de E.M. a Light, 1889, p. 527.)
(82:3) Teodósio foi Imperador da divisão oriental do Império Romano. Ambrósio foi
Arcebispo de Milão. E.M.
(82:4) A razão para a exclusão não é difícil de se encontrar. “Não há mais (nascimento
nem) morte para aqueles que estão em Cristo.” Sendo a transmigração condição
apenas do homem não-regenerado, os Evangelhos – que têm como propósito dar a
conhecer o Homem Regenerado – não tinham a obrigação de se referir aos estágios
anteriores de sua evolução. Isso está implícito na narrativa de seu nascimento de uma
virgem, como vemos nos capítulos XXIII e XXIV. E.M.
(83:1) Edward Maitland diz que a destruição da segunda biblioteca de Alexandria foi
“um acontecimento tão vividamente observado” por Anna Kingsford, que ela “sofreu
agudamente por vários dias em razão do tumulto” (Carta a Light, 1889, p. 528). S.H.H.
(83:2) Com relação à credibilidade da faculdade de Anna Kingsford como meio de
obter conhecimento histórico, Edward Maitland diz que tal faculdade era “a real
percepção de uma série de eventos infalivelmente impressos por si mesmos na
memória astral do planeta, acessíveis, portanto, a qualquer um que possua a faculdade
necessária para observar e ler o registro. Tal faculdade é como um telescópio, que –
embora possa escurecer e distorcer uma imagem na transmissão – não pode de forma

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alguma criar tal imagem. E da mesma forma em que confiamos num telescópio para
ver objetos que por sua grande distância não podemos verificar, com base na sua
precisão em relação àqueles que podem ser verificados, assim é com a faculdade de
ler na memória do planeta. Se nós encontrarmos um instrumento digno de confiança –
tal como indiscutivelmente era a faculdade da Sra. Anna Kingsford – com relação a
coisas verificáveis, somos obrigados a confiar nele com relação a coisas não
verificáveis” (Carta a Light, 1889, pp. 527-528). S.H.H.

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Maniqueísmo de Paulo Seguinte: XXXIII – Sobre o Verdadeiro Jesus

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXII – Sobre os
Evangelhos: suas Origens e Composição Seguinte: XXXIV – Sobre as Vidas Anteriores de
Jesus

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(p. 84)
CAPÍTULO XXXIII
SOBRE O VERDADEIRO JESUS (1)

A DESCIDA da Cruz me é mostrada. Vejo Jesus carregado por José de


Arimatéia para sua casa. A casa está ligada a um sepulcro, e Jesus é carregado para a
casa onde eles fazem algo para revivê-lo, pois ele estava desmaiado, e não
propriamente morto. As roupas foram colocadas na sepultura, mas não Jesus. Vejo
uma ruptura do pericárdio, mas não um ferimento fatal no coração. Vejo claramente que
ele não está morto. Não há lesão orgânica; e a ferida cicatriza como uma ferida
comum sem produzir pus, e fazem incessante limpeza com água. Que clima adorável
há ali! E quão curioso é o fato de que tenha havido um José tanto no nascimento como
na crucificação!
A verdade sobre o nascimento de Jesus me é mostrada. Foi com toda certeza
um nascimento comum. Vejo isso muito claramente. Os nomes estão todos alterados.
O nome de nascimento de Jesus não é Jesus nem algo parecido. Nada é real como eu
tinha pensado. Muito pouco acontece da forma que foi relatado. O episódio em que se
perde e é encontrado no templo, e a alimentação dos cinco mil são alegorias cuja
significação é espiritual. Os milagres do reavivamento da filha do dirigente e do filho da
viúva são fatos reais. Jesus viu de forma clarividente que o primeiro não estava morto
e que o corpo não foi seriamente afetado pela doença, de modo que a alma pôde
retornar a ele. Pois doença é morte gradual, e quando a morte ocorre através dela a
alma se libera completamente. No caso de morte violenta ou súbita a alma demora a se
soltar e a separação é um longo processo.
No seu próprio caso Jesus instruiu seus amigos de antemão sobre o que fazer.
(p. 85)
José de Arimatéia era um amigo de Maria Madalena, e ela conseguiu para ele os óleos
necessários. Vejo-a correndo com eles através do sepulcro para a casa. Jesus não
estava organicamente morto de jeito nenhum, pois o coração jamais deixou de bater.
Ele conhecia de antemão todos os detalhes do evento e tomou as providências
necessárias.
Nem estava Jesus bem no terceiro dia. Ele ficou pelo menos dez dias em
tratamento na casa de José. Três dias é um período místico, não tendo nenhuma
relação com o tempo de fato. Todos em volta dele são mulheres exceto um, o velho
homem. O nome de Jesus começa com M. Não vejo outras coisas além disso.
O adepto perfeito é aquele que encontrou, em si mesmo, a Pedra Filosofal de
um espírito absolutamente sereno, e está em união com a Vontade Divina. Estando
isento de agitação, a empatia e a compaixão são para ele simplesmente outros nomes
para justiça, e, sendo incapaz da raiva, seu temperamento é sempre tranqüilo e
equânime. Vejo agora falhas em Jesus que não tinha visto antes. Estou me referindo a
Jesus como ele realmente foi, e não como é descrito pelos Evangelhos. São falhas do
ponto de vista do Adepto. Mostram-me uma flor da paixão (1) como o emblema de seu
caráter. Ele se sacrificou pelos outros, mas teria sido capaz de fazer mais do que fez

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se ele tivesse sido mais cuidadoso – especialmente com relação a sua alimentação.
Sua tendência de ceder continuamente à indignação ou piedade o impediu de chegar
mais alto. Ele se permitiu ser levado em demasia para fora de si mesmo para que
alcançasse o mais elevado possível.
Vejo-o dar adeus a seus seguidores. É em uma colina que ele ascende, e
desaparece de suas vistas, sumindo na nuvem ou neblina. Agora ele se torna um
eremita. Vejo-o no deserto sozinho; e lá ele alcança a vida mais elevada que se
constituiu em sua verdadeira ascensão.
Jesus era capaz de influenciar pessoas à distância por meio de uma emanação
que ele projetava de si mesmo; de forma que não era necessário que ele estivesse
morto quando se supõe que foi visto por Paulo.
Agora vejo alguém com ele em sua montanha. É João, escrevendo o
Apocalipse que era ditado por Jesus. Jesus se recorda de todas as suas encarnações
anteriores, e as sintetiza no Apocalipse, que é a história tanto da sua, quanto de toda
alma que chega a perfeição. Nesse período ele é um homem bem velho.
E agora vejo a pele de pantera de Baco, motivo pelo qual Jesus recebeu o
nome de “Rabbi Ben Panther”, e porque se dizia que ele era filho de uma Pantera. É um
jogo de palavras com Pan e theos, e significa todos os deuses. A pele da pantera
(p. 86)
representava a vestimenta, ou atributos, de todos os deuses, atributos que Jesus,
como “Filho de Deus”, era considerado como possuidor.
É-me mostrado que há apenas pouco de real valor nas Escrituras. Elas são
como um amontoado de argila, relativamente moderna, com umas pepitas de ouro aqui
e ali. O anjo que eu vi anteriormente, e que nos disse para queimar a Bíblia, (1) agora a
põe no fogo, e dali emergem umas poucas páginas de um material original e divino.
Todo o resto é interpolação ou alteração. Esse é o caso tanto do Velho Testamento
como do Novo, Isaías e os profetas. Isaías é uma grande mistura. Está repleto de
fragmentos de várias fontes, simplesmente ali reunidas. O livro do Gênesis é uma
grande parábola; assim como todas as lendas sobre as peregrinações e guerras de
Israel. Tudo está misturado com ficção. Moisés não escreveu nada disso. E o mesmo
vale para todos os livros da Lei e dos profetas. Tudo foi construído dessa maneira.
Aqui e ali há um pedaço original da antiga Revelação, mas esses estão amplamente
intercalados por adições e embelezamentos, comentários e adaptações para as
épocas feitos por copistas e intérpretes. E quando o anjo nos disse para colocar a
Bíblia no fogo, ele queria dizer separar o ouro das impurezas e da argila.
Quanto aos evangelhos, eles são quase que inteiramente alegóricos. A religião
não é histórica, e de forma alguma depende de acontecimentos passados. Pois, a fé e
a redenção não dependem daquilo que qualquer homem fez, mas daquilo que Deus
revelou. Jesus não foi o nome histórico do iniciado e adepto cuja estória é relatada. É o
nome que lhe foi dado na iniciação. (2) Seu nascimento, a maneira que ocorreu, o
episódio em que ele se perdeu e foi encontrado por seus pais no templo, e o ficar três
dias na tumba – tudo é alegórico, bem como a história de sua Ascensão. As Escrituras
são dirigidas à alma, e não fazem nenhum apelo aos sentidos externos. Toda a história
de Jesus é um aglomerado de parábolas, sendo que as coisas que lhe ocorreram
foram usadas como símbolos. Desse modo, a Crucificação representa os sofrimentos
da alma; a Ressurreição sua transmutação; e a vida e Ascensão são uma profecia do
que é possível para o homem.
O verdadeiro evangelho original é aquele de João. Os outros vieram muito
depois, e todos foram escritos muito depois do tempo de Jesus. Jesus escreveu
grande parte do Apocalipse pelas mãos de João, enquanto esse se sentava com ele na
montanha. Isso ocorreu muitos anos depois de sua “Ascensão”, como o seu
desaparecimento na colina foi designado. O Apocalipse foi antes uma recuperação do
que uma composição original
(p. 87)
de Jesus. A vida de Jesus nos Evangelhos está composta pelas vidas de todos os
divinos instrutores antes dele, e representa o melhor que o mundo possuía, bem como

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o melhor que o mundo possui em si mesmo por alcançar. E ela é, portanto, uma
profecia. A vida escrita de Jesus sintetiza todos os instrutores que vieram antes dele, e
as possibilidades que a humanidade algum dia alcançará.
Os “belos pés dos mensageiros nas montanhas” são os primeiros raios do sol
nascente da salvação vindoura, vista pelos observadores em alturas espirituais – os
“pastores que guiam seus rebanhos” – até mesmo seus corações e pensamentos
puros. São eles os que enxergam das “montanhas” o Deus vindouro, o qual é a
demonstração da divindade que está na humanidade, enquanto o mundo abaixo está
envolto pela escuridão.

NOTAS

(84:1) Londres, 22 de Março de 1881. Falado em transe. Vide também Cap. XXIV.
Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. II, p. 4.
(85:1) N.T.: Flor de uma trepadeira de regiões quentes. A palavra “paixão” em seu nome
não se refere à paixão amorosa, mas à paixão de Jesus na cruz. Por exemplo, os 72
filamentos radiais (ou coroa) representam a Coroa de Espinhos. As dez pétalas
representam os apóstolos fiéis. Os três estigmas representam os três pregos e as 5
anteras representam as 5 chagas.
(86:1) Em uma visão recebida algum tempo antes. E.M.
(86:2) Vide Parte II, Cap. XI, “Hino a Febo”, v. 9.

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXII – Sobre os
Evangelhos: suas Origens e Composição Seguinte: XXXIV – Sobre as Vidas Anteriores de
Jesus

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXIII – Sobre o
Verdadeira Jesus Seguinte: XXXV – Sobre a Sagrada Família

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 87)
CAPÍTULO XXXIV

SOBRE AS VIDAS ANTERIORES DE JESUS (1)

H OJE pela manhã, entre o sono e o despertar, eu me vi junto a várias pessoas,


caminhando com Jesus nos campos em volta de Jerusalém. Enquanto ele nos falava
um homem se aproximou, o qual olhava para ele muito intensamente. Jesus virou para
nós e disse: – “Este homem que vocês vêm se aproximar é um vidente. Ele pode
observar as vidas passadas de um homem olhando para o seu rosto.” E então, quando
o homem chegou até nós, Jesus o pegou pela mão e disse: – “O que observas?” E o
homem respondeu: “Vejo o vosso passado, Senhor Jesus, e os caminhos pelos quais
viestes.” E Jesus lhe disse, “Prossiga”. E então o homem falou a Jesus que polia vê-lo
no passado ao longo de muitas eras pretéritas. Mas de todas que mencionou,
lembro-me apenas de uma encarnação, ou, talvez, apenas uma delas me causou forte
impressão, e esta foi a de Isaac. E quando o homem seguiu falando e enumerando as
encarnações que via, Jesus passou sua mão direita duas ou três vezes na frente dos
olhos dele, e disse: – “É o bastante”, como se não quisesse que ele fizesse outras
revelações. Então, dei um passo à frente dos demais e disse: – “Senhor, se, conforme
nos ensinastes, a mulher é a mais elevada forma da humanidade, e a última a ser
assumida, por que razão vós, o Cristo, ainda estás na forma inferior de homem? Por
que não viestes levar a vida perfeita, e assim salvar o mundo como mulher?
(p. 88)
Pois, certamente, atingistes a condição de mulher.” E Jesus respondeu: – “Atingi a
condição de mulher, como dissestes; e já tomei a forma de mulher. Mas há três
condições sob as quais a alma retorna sob a forma de homem: e elas são as
seguintes: –
“1ª. Quando o trabalho a que o Espírito se propõe realizar é de uma natureza
inadequada para a forma feminina.
“2ª. Quando o Espírito falhou em adquirir, no grau necessário à perfeição,
certos atributos especiais do caráter masculino.
“3ª. Quando o Espírito cometeu transgressão, e regrediu no caminho da
perfeição, pela degradação da condição de mulher que tinha atingido.
“No primeiro desses casos o retorno à forma masculina é apenas externo e
superficial. Esse é o meu caso. Sou uma mulher em tudo exceto quanto ao corpo. Mas,
se o meu corpo fosse de mulher, eu não poderia ter levado a vida necessária ao
trabalho que tenho que executar. Não poderia ter trilhado os duros caminhos da terra,
nem ter andado de cidade em cidade pregando, nem ter jejuado nas montanhas, nem
ter cumprido minha missão de pobreza e de labor. Portanto, eu sou – uma mulher –
vestida de um corpo de homem para que eu pudesse estar apto a realizar o trabalho
que me foi dado.
“O segundo caso é aquele de uma alma que, tendo sido mulher, talvez por
muitas vezes, adquiriu, melhor e mais prontamente, as qualidades mais elevadas da
condição de mulher do que as qualidades inferiores da condição de homem. Tal alma é

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carente de energia, firmeza, daquele particular atributo do Espírito que o profeta


associa ao Senhor quando diz, ‘O Senhor é um Homem guerreiro’. Portanto, a alma é
reconduzida à forma masculina para adquirir as qualidades que ainda lhe faltam.
“O terceiro caso é o daquela alma que recaiu em padrões maléficos, que tendo
quase alcançado a perfeição – talvez até a tocado – degrada e mancha sua veste
branca, e é reconduzida à forma inferior. Esse é o caso mais comum; pois há poucas
mulheres dignas da condição de mulher”.
Foi-me clara e positivamente assegurado que o incidente que assim me foi
mostrado de fato ocorreu, e que tomei parte nele, embora nenhum registro disso tenha
sobrevivido.

NOTAS

(87:1) Paris, 7 de Fevereiro de 1880. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. I,


pp. 336-338.

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Verdadeira Jesus Seguinte: XXXV – Sobre a Sagrada Família

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Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXIV – Sobre as
Vidas Anteriores de Jesus Seguinte: XLVIII – Sobre os Mistérios Cristãos

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa notificação de
propriedade seja deixada intacta.]

(p. 89)
CAPÍTULO XXXV

SOBRE A SAGRADA FAMÍLIA (1)

1. (*) HAVIA dois assuntos sobre os quais eu desejava ter mais luz, sendo que a
explicação me veio de uma maneira incomum. Os assuntos eram os seguintes: (1) O
verdadeiro significado do relato do evangelho sobre os pais e a infância de Jesus,
sobre os quais tínhamos razões para considerá-los como tendo um significado místico
e não literal; e: (2) A faculdade divinatória por meio de um cristal ou de uma vasilha.
Eu tinha recém acordado, e estava prestes a tomar minha costumeira xícara de
café, quando fui surpreendida ao ver algumas palavras no líquido, enquanto que no
mesmo instante surgiu, como um lampejo em minha mente, uma visão e explicação
completa acerca do significado da Sagrada Família; e isto é o que eu recebi:
2. “Essa é (2) a taça divinatória de José, que representava o Egito espiritual da
infância de Israel. O Egito foi o pai espiritual de Jesus, e Maria foi sua mãe espiritual,
representando ela a pura intuição divina de Israel, e “virgem filha de Sião”. (3)
Sendo de origem judaica, Jesus foi ao Egito para ser iniciado nos mistérios
sagrados do país de onde, através de Moisés, os Israelitas originalmente obtiveram a
sua religião. Jesus, enquanto um Cristo, foi produto daquela religião e daqueles
mistérios. Pois o objetivo deles era a produção de um homem tão aperfeiçoado,
através do desenvolvimento de sua mente, a ponto de realizar a idéia divina de
humanidade. Como um completo iniciado e adepto, um hierarca ou “mestre” dos
mistérios, Jesus retornou à Judéia para realizar sua missão, recebendo das mãos de
João – um profeta dos Essênios, que eram seguidores dos mesmos mistérios – seu
batismo do espírito.
3. José, portanto, representa o Egito – no entanto, não como denotando o
corpo, (4) mas sim a mente – e é um homem velho porque o Egito era mais antigo e
predecessor de Israel, e também porque, na evolução do homem, a mente precede a
alma na manifestação. E ao tê-lo como seu pai adotivo, Jesus é apresentado como
adotando a sabedoria e a
(p. 90)
religião mais antiga e predecessora do Egito, para incorporá-las à Judaica. José, além
do mais, por ser velho e viúvo, (1) representa o Egito em relação a sua juventude
passada e a seu vigor perdido. O fato de que ele não é mostrado como o verdadeiro
cônjuge de Maria, ou o pai real do seu filho, é porque, muito embora a mente possa
ajudá-los por meio de seu conhecimento e sabedoria, o verdadeiro cônjuge da alma é o
Espírito Divino, que é, assim, o verdadeiro pai do homem regenerado.

NOTAS

(89:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(89:1) Paris, 27 de outubro de 1878.
(89:2) Significando, é claro, respostas a; o efeito de uma superfície brilhante, como a

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de um cristal, disco, ou fluido, exercendo a influência de magnetizar o sensitivo de


modo a tornar objetivas quaisquer imagens ou idéias previamente subjetivas, quer em
sua própria atmosfera magnética ou na de outra pessoa, ou na do planeta, essa última
sendo a anima mundi. Ver nota ao fim do Cap. XXXII. E.M.
(89:3) Nesse aspecto Maria é a alma coletiva ao invés de apenas individual. E.M.
(89:4) Ver Parte II, Cap. XIII, “Hino ao Deus-Planeta” (6).
(90:1) De acordo com a tradição Cristã. E.M.

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Vidas Anteriores de Jesus Seguinte: XLVIII – Sobre os Mistérios Cristãos

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SOBRE OS MISTÉRIOS CRISTÃOS http://www.anna-kingsford.com/portugues/obras_de_anna_kingsfor ...

Índice Geral das Seções Índice da Seção Atual Índice da Obra Anterior: XXXV – Sobre a
Sagrada Família Seguinte: – II: A “Oração do Senhor”: sendo uma Oração dos Eleitos pelo
Aperfeiçoamento Interior

Tradução: Daniel M. Alves –


Revisão e edição: Arnaldo Sisson Filho
[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse arquivo pode
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propriedade seja deixada intacta.]

(p. 120)
CAPÍTULO XLVIII
SOBRE OS MISTÉRIOS CRISTÃOS (1)

Parte 1

1. (*) OS dois termos da história da criação ou evolução estão formulados pela


Igreja Católica em dois preciosos e fundamentais dogmas. Esses são – primeiro, a
Imaculada Conceição da Abençoada Virgem Maria; e, segundo, a Assunção da
Abençoada Virgem Maria. (2)
Pela doutrina do primeiro somos intimamente iluminados a respeito da criação
da alma, que é gerada no ventre da matéria e, contudo, desde o primeiro momento de
sua existência é pura e incorrupta.
O pecado vem através do elemento material e intelectual, porque esses
pertencem à matéria. Mas a alma, que é do celestial, e pertence a condições celestiais,
é livre do pecado original. “Salém, que é do alto, é livre, e é a mãe de todos nós. Mas
Agar” – a contraparte astral e intelectual – “é escrava cativa, tanto ela como seu filho”.
A alma, nascida do tempo (Anna), é, todavia, concebida sem mácula de
corrupção ou decadência, porque sua essência é divina. (3) Contida na matéria, e
trazida ao mundo por meio da matéria, ela, no entanto, não pertence a ele, pois de
outro modo não poderia ser mãe de Deus. Em seu seio é concebida aquela brilhante e
sagrada luz – o Nucléolo – que nela habita desde o princípio, e que, sem intercurso com
a matéria, nela germina e manifesta a si mesma como a clara imagem da inefável e
eterna personalidade.
Ela dá individualidade a essa imagem. Nela e através dela essa é
(p. 121)
focalizada e polarizada em uma perpétua e auto-subsistente pessoa, ao mesmo tempo
Deus e homem. Mas se ela não fosse imaculada – se qualquer mistura de matéria
entrasse em sua substância integral – tal polarização do Divino não poderia ocorrer.
O ventre em que Deus é concebido deve ser imaculado; a mãe da Deidade
deve ser “sempre-virgem”.
Ela cresce desde o começo até o final da infância bem próxima de Anna; de
criança ela se transforma numa donzela – verdadeiro modelo da alma – se
desenvolvendo, aprendendo, crescendo e aprimorando a si mesma através da
experiência. Mas nisso tudo ela se mantém divina em sua essência, e não
contaminada, ao mesmo tempo filha, esposa e mãe de Deus.
2. Assim como a Imaculada Conceição é a base dos mistérios, a Assunção é o
coroamento dos mistérios. Pois, todo o objetivo e finalidade da evolução cósmica é
precisamente esse triunfo e apoteose da alma.
No mistério representado por esse dogma, observamos a consumação de todo
o esquema da criação – a perpetuação e glorificação do ego humano individual. O
túmulo – a consciência material e astral – não pode deter a imaculada Mãe de Deus.

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Ela se eleva aos céus; ela assume a divindade. Em sua própria pessoa ele é erguida
aos aposentos do Rei. Desde o começo até o fim, o mistério da evolução da alma –
isto é, a história da humanidade e do drama cósmico – está contido e representado no
culto da Abençoada Virgem Maria. Os atos e as glórias de Maria constituem, por
excelência, o supremo tema dos sagrados mistérios.

Parte 2 (1)

3. É necessário, com relação aos Mistérios, fazer distinção entre o


não-manifestado e o manifestado, e entre o
(p. 122)
macrocosmo e o microcosmo. Esses últimos, contudo, são idênticos, na medida em
que o processo do universal e do individual é um só.
4. Maria é a alma, e como tal a matriz do princípio divino – Deus – tornado
homem por meio da individualização, através da descida ao “ventre da Virgem”. Mas
os sete princípios do espírito universal estão envolvidos nessa concepção; pois é
através de sua operação na alma que ela se torna capaz de polarizar a divindade.
5. [Esse é o aspecto secreto da semana Mosaica da Criação, cada dia dessa
semana denota a operação de um dos Sete Elohim criativos ou Potências Divinas
envolvidas na elaboração do microcosmo espiritual.]
6. Diz-se que a Abençoada Virgem Maria é a filha, esposa e mãe de Deus. Mas,
do mesmo modo que a energia espiritual tem duas condições, uma de passividade e
uma de atividade – sendo essa última chamada de Espírito Santo – diz-se que o
Esposo de Maria não é o Pai, mas o Espírito Santo, esses termos significando,
respectivamente, as modalidades estáticas e dinâmicas da Deidade. Isso porque o Pai
denota a imobilidade, a força, passiva e potencial, no qual todas as coisas são –
subjetivamente.
Mas o Espírito Santo representa a vontade em ação – a energia criativa, o
movimento e a função geradora.
Dessa união da vontade Divina em ação – o Espírito Santo – com a alma
humana, resulta o Cristo, o Homem-Deus e nosso Senhor. E através de Cristo, o
Espírito Divino, por meio do qual ele é gerado, flui e opera.
7. Na trindade do não-manifestado, a grande profundeza, o oceano de infinitude
– Sofia (Sabedoria) – corresponde a Maria, e tem por esposo a energia criativa da qual
é gerado o Manifestador, Adonai, o Senhor. Essa “Mãe” está em igual posição ao Pai,
sendo primordial e eterna.
Na manifestação a “Mãe” é derivada, sendo nascida do Tempo (Anna), e tem
por Pai o Deus-Planeta – que para nosso planeta é Iacchos, Joaquim (Joachim), ou
Jacó (Jacob) – (1) de modo que a paternidade da primeira pessoa da Trindade é tão
somente vicária. A Igreja, portanto, por ser uma Igreja do manifestado, trata de
(p. 123)
Maria (substância), sob este aspecto apenas, e por isso não a específica como
estando em igual posição ao primeiro princípio. Sendo não-derivada no
não-manifestado, ela não tem relação com o tempo.

NOTAS

(120:*) N.T.: Essa numeração indica os parágrafos no original, em inglês.


(120:1) Paris, 12 de Fevereiro de 1882. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol.
II, pp. 98-99.
(120:2) Esse segundo dogma ainda não foi promulgado. Ver The Perfect Way, V, 43,
n. 13. E.M. [N.T.: Tal dogma foi, mais de meio século depois desses escritos,
promulgado pelo Papa Pio XII, em 1º de novembro de 1950.]
(120:3) Ver Parte I, Cap. III, “Sobre a Imaculada Conceição”, e Cap. XLII, “Sobre
Deus”.

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(121:1) Em casa, 18 de agosto de 1883. A Sra. Kingsford assim prefacia esta


mensagem em seu diário:–
“Quão admiravelmente a Igreja nos ajuda em questões de Teosofia! Quando me
encontro em dúvida acerca da Ordem Divina, ou sobre funções no reino humano, apelo
instintivamente à doutrina da Igreja Católica, e sou, de imediato, colocada no reto
caminho. Penso que nunca teria entendido claramente a Ordem e a Função da Alma se
não fosse pelo ensinamento católico a respeito da Mãe de Deus; nem teria
compreendido o Método da Salvação pelos Méritos de nosso Princípio Divino, não
fosse pela doutrina da Encarnação e da Redenção”.
Contudo, entre a doutrina católica em seu verdadeiro e interno significado e
aquela doutrina que foi apresentada ao mundo, ela reconhecia a existência de uma
absoluta diferença, defendendo firmemente à máxima que diz: “A Igreja tem toda a
verdade, mas os padres a materializaram, transformando a si mesmos e a seus
seguidores em idólatras.” E.M. Mencionado em Life of Anna Kingsford, Vol. II, pp.
133-135.
(122:1) Ps. xxiv, 6; cxxxii, 2, 5, etc. Ver Apêndice, “Definições”. Toda entidade cósmica,
seja um sistema, planeta, ou pessoa, é constituída de uma certa porção de Divindade,
segregada e designada para ser sua vida e substância. Esses nomes designam aquela
individuação específica da deidade universal na qual nós e nosso planeta consistimos.
Maria, por conseguinte, como a alma humana aperfeiçoada, é “filha” do Deus-Planeta,
exatamente como seu “filho” Cristo, o espírito humano aperfeiçoado, é filho do
Deus-Planeta. A alma é, ao mesmo tempo, “filha, mãe e esposa de Deus”, assim como
a mulher é, a ao mesmo tempo, filha, mãe e esposa do homem. E.M.

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Tradução: Arnaldo Sisson Filho


[Embora o texto em inglês seja de domínio público, a tradução não é. Esse
arquivo pode ser usado para qualquer propósito não comercial, desde que essa
notificação de propriedade seja deixada intacta.]

(p. 134)
CAPÍTULO II
A “ORAÇÃO DO SENHOR”
sendo uma Oração dos Eleitos pelo Aperfeiçoamento Interior

P AI-M ÃE nosso que estais no alto e dentro de nós:


Glorificado seja o Vosso nome:
Venha a nós o Vosso reino:
Seja feita a Vossa vontade, assim no corpo como no espírito:
Dai-nos todos os dias a comunhão do pão místico:
Aperfeiçoai-nos no poder dos Vossos Filhos, assim como nos
dedicarmos ao aperfeiçoamento dos outros:
E na hora da tentação livrai-nos das mãos do Adversário [Satã].
Pois Vossos são o reino, o poder, e a glória.
Na vida eterna, e no Amém. (*)

NOTAS

(134:*) N. T: O termo Amém, nesse caso, significa consumação ou


finalização.

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