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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARA

0 E P A R T A M E N T'O 0 E GE 0 C It NC IA S
CURSO DE GEOLOGIA

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RELA~OES PETROGENETICAS NOS


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PROCESSOS MET Alv\6RFICOS
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JOSE FERREIRA DE ANDRADE FIL.HO

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' FORTALEZA
1982
1: N D I C E

C A P 1: T U L 0 1

Metamorfismo . . . . 1
Tipos de Metamorfismo .• ... '
. 3
Fatores do Metamorfismo . . . • .. • . 7

C A P 1 T U L 0 2

Cristaliza~~o e Recristaliza~~o 11
Poder de Cristaliza~~o 13
For~a de Cristaliza~~o 13

C A P ! T U L 0 3

Textura e Estrutura das Rochas Metamorficas 15


Rela~oes- entre as Fases de Deforma9~o e Crescimento
dos Cristais (Cristaliza9~o/Recri~taliza9~0) 23
Cristaliza.9~o Pre-Tectonica 23
Cristaliza~~o Sin-Tectonica 24
Cristaliza9~o Pos-Tectonica 24

C A P 1 T U L 0 4

C1assifica~~o das Rochas Metam6rficas . 28


Classifica~~o Estrutural 28
Classifica~~o Mineralogica 32
Classifica~~o Quimica 33
Nomenclatura dos Migmatitos 35

C A P 1 T U L 0 5
y A Regra das Fases no Metamorfismo 43
y

C A P 1: T U L 0 6

Rea9oes Metam6rficas e Parageneses Minerais 48


Rea9oes Solido-Solido 48
Rea~oes de Desidrata9~o 50
Rea~oes de De~carbonata9~0 53
Rea~oes de Oxi-Redu~~o 57
Parageneses Minerais 58
------___,____-~------
- ...;""
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f.~ .

~
C A P 1 T U L 0 7 ~­

~epresenta9ao Grafica das Parageneses Minerais ~­
'1etamorficas
Diagramas ACF e A'KF
. . . . . . . .
. . . . . . .
60 .,_,

61
Uti1idade dos Diagramas ACF e A'K~ . .__,~

•·-
. . ., ... . 67
Diagrama AFM . . . . . 69

C A P 1 T U L 0 8
Bases Para Classifica9ao e Mapeamento de ~reas
Metamorficas . . . . . . . 75
Zonas.Metamorficas 75
Metamorfismo Regional Progressivo . 77
Facies Metamorficas 80

C A P l T U L 0 9
Facies Metamorficas 88 -
·Facies do Metamorfismo de Contato 88
Facies do Metamorfismo Regional 93
Series de Facies 105

C A P 1 T U L 0 10

Granu1itos e Ec1ogitos ! '· • .. • 109


Metamorfismo e Considera9oes Petrogeneticas 112
Ec1ogitos 116

C A P 1 T U L 0 11

Os Quatro Estagios Metamorficos de Winkler 119


Di visoes de Pressoes nos Graus Metamorficos . . 128

C A P 1 T U L 0 12

Metamorfismo Terma1 e Dinamotermal ·. . . . . . 131


Cinturoes Metamorficos Pares 137

C A P 1 T U L 0 13

Metamorfismo de Pe1itos 141


Metamorfismo de Peli tos em Graus Incipiente e Fraco 141
Metamorfismo de Pelitos em Graus Medio e Forte 148
0 ~roblema da Coexistencia A1mandina/Cordierita 150
C A P ! T U L 0 14

Metamorfismo de Rochas Carbonatada$ . 154


Metamorfismo de Calcaria Dolomitico Silicoso 155
-. Influencia de FeO e do Al
2o 3
160

C A P 1 T U L 0 15

Metamorfismo de Rochas Maficas 164


Metam9rfisrno de Grau Incipiente . 170
A Origem da Glaucofana 172

C A P 1 T U L 0 16

Metamorfismo de Rochas Ultramaficas . 174


-.·'
Sistema MgO-Si0
2
-co 2 -H 2 o 174
Sistema Ca0-MgO-Si02-H 2 0 . . 180
Presen9a de Al 2 o 180
3

B I B L I 0 G R A F I A 184

A G R A D E C I ME N T 0 S

Apresentamos os nossos agradecirnentos ao Institute de


' \
._./

... Geociencias da Uni versidade de Sao Paulo (na pessoa do p~f.Dr. Reinhol t
Ellert) pela colabora9ao dispensada na reprodu9ao deste trabalho~ Nos-
'
- so reconhecirnento e gratidao ao colega Silvio Roberto F. Vlach, pelas
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sugestoes e corre9ao do texto.
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CAP1TULI

METAM~R.FISM®

A rigor, todo e qualquer processo que conduz as


rochas a transforrna9oes rnineralogicas e estruturais no estado so
lido, caracteriza urn processo rnetarnorfico. Entretanto, excluern -
:I
'
-se dos dominios do metamorfismo as modifica9oes rochosas origi
nadas por processes intempericos e diagenese sedirnentar. Est a
exclusao, deve-se ao fato da diagenese e do internperisrno serern
p~ocessos desenvolvidos rnuito proxirnos da superficie da crosta,
onde as ternperaturas sao rnuito baixas (inferiores as ternperatu-
ras minirnas do campo rnetamorfico propriamente dito) e onde cer- ·I
tos aspectos sao bern particulares. Desse modo, podemos definir o :I
metamorfismo como todo ~ qualquer processo que atuando abaixo d~ I
I
:I
zona de intemperismo e da diagenese sedimentar impoe as rochas 'I
),
11

transforma9oes mineralogicas e estruturais no estado solido.Quan- t!


~

do a temperatura alcan9a urn estagio suficiente para fundir a


rocha, o limite metamorfico superior e atingido e cede lugar ao
magmatismo.

As rochas, seja qual for a sua natureza, quando


subrnetidas a condi9oes diferentes daquelas que lhes deram ori-
gem, perdern o equilibria e em resposta as novas condi9o~s fisi-
cas (temperatura e pressao) , desenvolvern novas parageneses rnine-
rais cornpat.iveis corn a nova situa9ao, podendo haver tarnbern o
desenvolvimento de uma nova estrutura. 0 metamorfismo resulta
portanto da modifica9ao nos parametres fisicos (temperatura e
pressao) que agem nurna deterrninada rocha. As novas condi9oes fi-
sicas podem ser trazidas ate as rochas, como por exemplo no caso
do deslocamento de uma massa magrnatica com sua posterior intru-
sao, quando entao, fornece a rocha encaixante 0 calor necessaria
para metamorfiza-la. Nas regioes de geossinclinais, as condi9oes
metamorficas sao essencialnente buscadas pelas rochas ,atraves da subsidencia
geossinclinal que as empurrarn as grandes profundidades da crosta onde
temperatura e pressao sao suficientes para processarem 0 rretanx:>rfis-
mo. Estes casos, serao discutiqos mais adiante, nossa preocupa-
9ao aqui e mostrar que as condi9oes flsicas que atuarn numa roch~
podern ser rnudadas por des locamento de energia ou deslocarrento da rocha.
Os domlnios do campo metamorfico encontrarn-se li-
rnitadas nas baixas temperaturas (limite inferior) pela diag~nese

sedimentar ~ nas altas temperaturas (limite superior) pela fus~o

das rochas granlticas e semi-basicas. As temperaturas tanto no li


mite inferior como no superior s~o variaveis e dependem da natur~
za das rochas e presen9a de fluldos. Para urn sedimento pelitico ,
considerando-se favoravel o conteudo de fluidos,as transforma9oes
metarnotficas come9am a aproximadamente 2009C e terminam a aproxi-
madamente 6509C (com a fus~o da rocha), contudo, este mesmo peli-
to pode ter esse intervalo de temperatura aumentado, caso a compQ
si9~0 da fase fluida n~o seja t~o favoravel. De modo geral, as
temperaturas nos dominios do metamorfismo encontram-se limitadas
eritre aproximadamente 200 a 8009C. 0 limite superior do metamor-
fismo,pode ser tra9ado sem muitas dificuldades, porem o limite in
ferioi mostra-se problematico. Neste caso, .surgern dificuldades
porque certos minerals como quartzo, clarita, illita e feldspato,
podem se formar tanto por processo metamorfico como diagenetica.
Para se estabelecer uma distin9~o entre o fim da diagenese e o
inicio do metamorfismo, tomaram-se dais criterios, urn baseado na
petrologia sedimentar e outro baseado na petrologia metamorfica.
Com rela9~0 a petrologia sedimentar, Von Engelhardt (1967-in Win-
kler 1976) sugeriu que a diagenese termina quando os poros de in-
tercomunica9~0 da rocha fecham devido a processo fisico ou quimi-
co. Com referencia a petrologia metamorfica, o metamorfismo come-
9a com a forma9~o da primeira paragenese mineral eminentemente me
tamorfica, isto e, que n~o ocorre em rochas sedimentares. Como o
primeiro criteria e flsico, a petrologia da preferenc{a ao crite-
ria mineralogico. Quando existirem duvidas, a coexistencia dos
cinerais e utilizada como fator de decis~o. Ex. clarita coexiste
~om illita e fengita em rochas sedimentares, entretanto sua coe-
xistencia com prehnita, zoisita e clinozoisita so ocorre em am-
biente ~ etamorfico. Existem minerais, cuja primeira apari9~0 mar-
ca o inicio do ·metamorfismo s~o eles: laumontita, lawsonita, gla~

cofana, paragonita e pirofilita. Estes minerais s~o portanto quan


do detectados pela primeira vez, indicadores do inicio do metamor
fismo. Os valores exatos da temperatura de forma9~0
da laumontita
n~o s~o conhecido5, mas Coombs (1959, 1961-in Winkler 1976) por
observa96es petrologicas em varias localidades do mundo, acha que
a forma9~0 da laumontita deve coiricidir com a rea9~0
Analcima + quartzo = albita + H2 0 (+ 2009C a 2Kb)

A laumontita se forma segundo a seguinte -


reac;ao
Heulandita= laumontita + quartzo + H2 0.

Com rela9ao a laumontita esse mineral hao ) ocorre


em rochas peliticas que sao as mais comuns nos processes metamor
fico,s. Sua presen<;;:a se verifica normalmente ern lavas. Devido a
esse aspecto, conclui-se que nao e qualquer tfpo de rocha que
serve para se determinar o limite diag~nese/metamorfismo.

TIPOS DE HE'fAMORFISMO

Os processes rnetamorficos podem ser de amplitude


local ou regional. 0 metamorfismo local compreende o metamorfis-
mo termal ou de cantata e o metamorfismo dinamico ou cataclasti-
co, enquanto que o metamor~ismo regional enquadra os proce;;s0s
dinamotermal, metamorfismo de carga ou de confinamento e metamo£.
fismo oceanica.

0 metamorfismo de cantata se desenvolve nas bor-


das ou aur~olas de intrus~es plut6nicas. As transforma9~es pro-
/

cessadas na rocha encaixante se devem a temperatura de\~m magma


intrusive. As rochas resultantes do metamorfismo de contato t~m

geralmente uma granula<;;:ao fina, estrutura compacta (maci<;;:a) e


sao denominadas genericamente de hornfelses, e, a zona afetada
pelo corpo intrusive recebe a denomina<;;:ao de aureola de metan~r­

fismo. A extensao da aur~ola metamorfica depende de varios fate-


res tais como: temperatura da intrusao, diferen<;;:a entre a tempe-
ratura da intrusao e a temperatura da rocha encaixante, volume
do magma e natureza quimica da rocha encaixante (voltaremos ao

•.....• assunto mai~ adiante) .

..,. ,~ 0 metmnorfismo dinamico ocorre em.estreitas fai-


~;~:·:~ xas adjacentes a linhas de falha. 0 atri to dos blocos falhados. re

~1: :; duz a mineralogia da rocha a uma granula<;;:ao mais fina, provoca~


do com certa freqtiencia· o desenvolvimento de microbandamentos.As
rochas resultantes desse processo sao denominadas brecha de fri~
<;;:ao, cata~lasito, milonito, ultr a milonito e pseudotaquilito. 0
-4-
...
...
a_.
~

••
fi ...
pseudotaquilito e uma rocha vitrea, originada por fusao local
muito parecida com o vidro bas~ltico (taquilito) . 0 metamorfismo
e
... .. ~
~ ~-:.
de choque provocado pelo impacto de grandes meteorites na eros
~~
ta, enquadra-se tambem nesta categoria (Roger Mason 1978). No f\ ~-.
processo dinamico, 0 suprimento de energia termal e insignifica!: Ci)!~

.
t.e, embora localmente possa · ser o suficiente para fundir a ro- tl~
cha como no caso do pseudotaquilito . Q ~

..
Existem ainda
local, devidas a influencia de
transforma~oes

solu~oes
rochosas de
quentes que percolam
ambito
fr~ •"' r.
~-- (

-~
turas nas rochas. Esse processo foi denominado por Coombs (1961-
in Winkler 1976) de metamorfismo hidrotermal. Muitos autores peE ' ..
•'
tencentes a escola transformista tais como Ramb e rg, Perrin
il
Roubaul t e outros, atribuem ao metamorfismo hidrotermal trans

'' •
iii
forma~oes em extensoes amplas. Segundo esses autores, as adi~oes

e substitui~oes de material rochoso efetuadas por influencia


solu~oes ou mesm6 no estado solido (por difusao i6nica), proces-
de
•• -~
-~

ses denominados em ambos os casas de metassomatismo, podem alca~ ··li


~ar amplitude regional. Essa ideia e contestada por Winkler, Ro-
senbusch e outros seguidores da escola magmatista que admitem
••' -~

~l

as
qulmi~as
transforma~oes metamorficas como processes essencialmente isQ
e atribuem ao metassomatismo importancia apenas local.

4
·L'f
:·il

''
• "1
l

•' J1
Dentro do metamorfismo regional, tem-se o meta
morfismo dinamotermal, metamorfismo de carga ou de confinamen~
(
e 0 metamorfismo oceanica.
t Cj
t, n
0 metamorfismo dinamotermal - encontra-se genetJ:_-~
camente relacionado aos cinturoes orogenicos. As transforma~oes 1---1
:; I

resultantes desse processo, se desenvolvem em extensas ~reas e n


alem da temperatura e pressao de carga, atua urn terceiro fator r:
que e a pressao dirigida ou "stress". Durante o metamorfismo, a , r;
temper~tura e mais elevada que antes e depois do evento;isto poE I 1-
-~~

que durante a orogenese, 0 suprimento de calor e bastante alto e lr


o grau geotermico pode atingir 609c/km nessas regioes. As ra- i r·
zoes que concorrem p-ara urn grau geotermico tao alto, serao discu J"ll

tidas no capitulo 12. As rochas resultantes do metamorfismo dina


motermal mostram geralmente uma estrutura orientada (xistosida-
de), reflexo da pressao dirigida. 0 metamorfi~mo dinamotermal, e
~i]
'
o mais importante dos processes metam6rficos, pela ~rea de abran
5"'.;~
-5-

gencia, tectonica a que se encontra ligado e por se encontrar fre


quentemente' associ ado a gran des mass as grani tic,as. Existe urn as-
·- pecto de particular importancia a ser considerado no processo di-
namotermal que sao as transforma9oes originadas por uma retroa9ao
metamorfica e conhecidas como metamorfismo retrograde ou diaftore
se.

0 metamorfismo retrograde ou diaftrorese se deve


a uma diminui9ao das condi9oes fisicas nas quctis as rochas se for
maram. Essa redu9a0 no gradiente metamorfico nao e suficiente pa-
ra processar as transforma9oes. Para que isso ocorra, enecess~rio
uma contribui9ao dos agentes catalizadores. Assim, depois de ha
ver atingido os mais altos estagios metamorficos durante o meta -
morfismo progressive, a temperatura declina, mas as associa9oes m~
.nerais silicaticas formadas nas altas tempe~aturas permanecem es-
taveis, visto que as rea9oes em minerais silicaticos devido a di-
minui9ao de temperatura, praticamente nao ocorrem. Para que as re
a9oes aconte9am, e necess~rio urn esfor9o tectonico qualquer . que
facilite a penetra9ao dos fluidos catalizadores (normalmente a
~gua). Induzidas por esse mecanisme, as rea9oes come9am a se pro-
cessarem e os minerais formados em altas temperaturas reagem entre
T si e se transformam numa outra associa9ao de mais baixo grau.

0 metamorfismo de carga ou de confina~ento res~l­

ta do soterramento de sedimentos e rochas vulcanicas numa regiao


de geossinclinal. A tectonica de placa mostr~ que no sulco eugeo~
sinclinal, sedimentos e rochas vulcanicas intercaladas podem ser
arrastadas a grandes profundidades (profundidades bern maiores que
aquelas alcan9adas no sulco miogessinclinal) 1 onde .vao preencher
a fossa oceanica formada devido 0 mergulho da placa oceanica
sob a placa continental em regioes de arco de ilha ou margem de
continent e (ver fig. 12 1 capitulo 12). Nesses locais, as pressoes
atingem as maximas do campo do metamorfismo, mas as ternperaturas
sao baixas (nao ultrapassando ao que tudo indica OS 4~Q~~) 1 devi-
do o fluxo de calor ser fraco, concorrendo para que o grau geoter

- rnico seja ~s vezes inferior a media normal. : As pressoes dirigidas
responsaveis pela orienta9ao preferencial (xistosidade 1 folia9ao),
- encontram-se geralmente ausentes ou sao insuficientes para impor
tais fei9oes, por isso 1 a textura e estrutura originais das ro -
chas sao normalmente preservadas. As transforma9oes mineralogicas
sao grandemente influenciadas oupraticamente regidas pelas altas
i
. ....
-6-

I jif

••

tt

" ••
pressoes e dificilmente as modifica9oes metamorficas sao distin-
guidas em amostras de mao, sua distin9ao fica na dependencia das (!t
analises microscopicas. A componente mineralogica das rochas ori
ginadas no metamorfismo de carga reflete,~ logico,as altas pres-
8
8
• j_• .

sees reinantes no seu ambiente de forma9ao. As rochas diagnosti-


--~
•• ~S!J
cas do metamorfismo de carga encerram em sua composi9ao, os mine
rais laumontita (zeolito de calcio e alumlnio), lawsonita,glauco 1_, pli4
fana "e jadei ta. Nas rochas em que o par lawsoni.ta-glaucofana en- .. 12.
• eli if
contra-se associado a jadeita, indica as mais altas pressoes ma-
• Iii
nifestadas na crosta terrestre. Pt
f •
p

0 metamorfismo oceanica ~ urn processo pouco co- ' r. ii


• if
m.
nhecido,abordado recentemente. Foram feitas dragagens na cadeia
meso-oceanica e essas dragagens revelaram uma grande
de rochas metamorficas. As rochas do metamorfismo oceanioo
composi9a0 basica e ultrabasica e resultam da recristaliza9a0 de
empilhamentos vulcanicos mais profundos e intrusoes basicas e ul
variedade
tern .
' ll
l'"li

'
. +-
i

·'·'·
ll

' ' fi
trabasicas associadas. Al~m das dragagens, o estudo de anomalias 1 i~ rl
magneticas revelou que camadas subjacentes a basaltos se compor- 'l.l
tavam virtualmente como nao-magn~ticas, o que segundo (Miyashirq ' ').1
fl...l
Shido e Ewing, 1970a - 1971 in Miyashiro 1975) devem correspon-
der a rochas metamorficas. Miyashiro 1975 acredita que o metamor '~. :::1
' -i
fismo oceanica ~ tao importante quanta 0 metamorfismo ~egional ~

'.l
. continental. A figura 1 (Turner 1968), foi elaborada para mos-
trar os ~imites TP dos facies metamorficos. Entretanto, ela po-
de ser tambem muito util na ilustra9a0 dos principais tipos de
metamorfismo. Assim, o campo limitado pelo facies albita-epidotQ
-hornfels, hornblenda-hornfels, piroxenio-hornfels e san~dinito

l '

representa os dominies do metamorfismo de contato. 0 intervale


preenchido pelos facies dos zeolitos 1 prehnita-pumpellyita, xi~

to verde, anfibolito e granulite, compreende o campo de dominic


do metamorfismo regional dinamotermal, e, os campos limitados p~

los ficies glaucofana-lawsonita xisto e eclogite representam os


dominies do metamorfismo de carga e do metamorfismo oceanico.Va-
le ressaltar que os diferentes facies metamorficos, sao utiliza-
dos aqui unicamente como referencial de condi9oes PT predominan-
tes nos diferentes tipos de metamorfismo.O estudo dos facies me-
tamorficos encontram-se abordados nos capitulos 9 e 10.
-7-

'- '

FATORES DO METAMORFISMO

Os fatores b~sicos que regem os processes metam6r


ficas sao temperatura, pressao e componentes fluidos. As tempera-
turas dos dominies do metamorfismo variam no intervale de aproxi-
madamente 200 a 8009C. No metamorfismo de contato,a temperatura
se deve as intrusoes magm~ticas, enquanto no metamorfismo regio-
nal a fonte de calor emana ao que tudo indica do manto atraves de
urn processo que ser~ discutido mais adiante·no capitulo 12. A tern
peratura no meta.r:nq_:r_f'_j,smo r~g_:ional guarda uma rela<;;:ao . direta com a
I?.:t::9.f.Undidp._de, ou sej a quanta maior a pro fundi dade mais elevada s~

r~ a temperatura, embora isso nao exclua a possibilidade de ter


mos processes desenvolvidos nas regioes mais profundas do campo
metamorfico mas em temperaturas muito baixas, como no caso do me-
,. tamorfismo de carga.

.,.
I A pressao reJevante e de maior impo±:t~DGj,a nos
prgg~ ssos metamorficos e a J?ressao de carga (P5 == pressao dQS soli
dos), resultante do peso das camadas rochosas sobrejacentes. A
pressao de carga pode ser estimada em mais ou menos 250 a .300 b/
km dependendo da densidade das rochas. Diante dessa razao, poder-
se-ia estimar a espessura da camada, mas isso nao e seguro por

, causa de dobramentos recurnbentes que podern ter tornado mais espe~

so 6 pacote rochoso original. A press~o d~ carga ou \ litost~tica


tern urn cornportament? semelhante a pressao hidrost~tica, isto e
I
rnesma intensidade em todos os sentidos. Alern de pressao de carga,
'1
., temos que considerar a pressao dos fluidos gasosos (Pf) que ocu-

'i pam os,poros das rochas. Contudo essa pressao e aproximadamente!


'1 gual a pressao de carga, nao havendo maiores implica<;;:oes, exceto
'1 em certas rea<;;:oes metamorficas que liberam grande quantidade de
"1 , H2 0 e/ou co . Neste caso, dependendo da quantidade de poros, Pf
2
.... { pode se to rnar maior que Ps' o que acarreta o aparecimento de urna
'1·~' sobreprnssao. 0 valor desta sobrepressao criada, depende da resi~

l tencia da rocha na profundidade, essa resistencia e


da porque prevalecem condi<;;:oes especiais. No caso de
desconheci-
~,nao t~

l
riamos implica<;;:oes termodinamicas corn rela<;;:ao a regra das fases (ver c~pitulo

5), isto e F=C-P+2 nao sofreria modifica<;;:ao porque a pres sao imprim!
~4$- da ao sistema seria uma so e corresponde a sobrepressao criada p~
~. los gases e que atua ern todos os sentidos. Se considerarrnos porem
~· :

,.
...J\
..
f•
A .
o caso de minerais depositados a partir de solu<;;:oes hidrotermais
-_...
l • ·,...-.•.•...
.

•..
-8-
{

em zonas fratura, temos que Pf <P 5 , e, neste caso, o processo se · ·~ ,;

realiza com duas pressoes diferentes (Ps e Pf) e a regra das fa- · · ;.'l..
ses passa . a -seguinte forma F=C-P+3. Este e urn caso especial em
••••
que o sistema conta com duas pressoes diferentes, na maioria
casos, so se tern urn valor para pressao (ou seja Pf=Ps) e a
dos
regra ··~
· ·}'~ ..
das fases e aplicada em sua forma habitual F=C-P+2.
•".}."•

6 tr _ ,..
A componente fluida presente nas rochas silicati-
cas · geralmente encerra guase que exclusivamente H 6, de modo que
.,.\•r··"".••
..'··t.
2
:_
Pf=PH o, todavia, as rea9oes envolvendo rochas carbonaticas libe
2
ram ·co 2 e a press~o dos fluidos passa a ser Pf=PH 0 + Pco , visto -.,.·
2 2 ._ _'_._;__"· _·· -_·
que H 2 0 esta sempre presente nos poros dos sedimentos. A composi-
9ao da fase fluida nao e constante, assim para urn mesmo valor da
press~o nos teremos varia9oes nas concentra9oes Xco 2 e x o. Este
aspecto
constante,
e
82
de suma importancia porque embora a. pressao total , seja
a~ pressoes parciais variam de acordo com as percenta-
1:::
t J··~·
gens Xc e xH presentes. Veja-se por exemplo que na rea9~0 ca! ' t t·"'•
02 20
cita + quartzo = wollastonita + c o 2 se a press~o dos ~luidos fos~ l!i•I•
se Pt=Pco , o equillbrio seria univariante, entretantee6L pressao CJ el..
2 - ' t )'~l
dos fluidos nessa rea9ao
2
e Pf=Pco
+PH Or fato que acarreta uma
2
varia9ao na temperatura que sera tanto mais elevada quanto menor ; t) ' --4
for a fra9ao molar Xco . A varia9ao da temperatura a uma pressao ' \ )·?:·
2 - t } :;-J
constante mostra que a rea9ao representa urn sistema bivariante
(Ve:t; fig.6.4) e que de modo geral as rea9oes em rochas caroonati- " ( )"'1
' [) q
cas na natureza sao no mlnimo bivariantes. Concentia9oes de co 2
(_Ji.• J
podem ser criadas em rochas nao carbonaticas, como no caso de pe-
( }71
litos grafitosos e influenciar certas rea9oes como a transforma- \ ( ii)'fi
9ao da muscovita em presen9a de quartzo segundo a rea9ao muscovi- (Ji'-i
ta + quartzo= andaluzita (ou sillimanita) + ortociasio + H 0, que . {~1
2
pode se realizar em temperaturas ate 309C mais baixo que o nor- (thl
mal. - ~i
· ~;1

A pressao do oxigenio (Po


) oriunda da dissocia- . $_:,,
2
9ao da agua H 0 = H +l/2 0 2 pode influenciar a mineralogia da . .4
2 2
rocha resultante do seguinte modo. Pode levar o Fe
2+ '
a urn estado . %i
-
de oxida9ao Fe 3+ -
, este ferro, nao pode entrar na maioria dos sili
-
catos de ferro, pois estes so comportam o Fe
2+

sim sendo, em seu lugar entrariam o Mg e Mn. Desse modo,


do da atividade do oxigenio, minerais como biotita, almandina
~ -
em sua molecula,a~
depende~

e
-...
-~

:~

~
cordierita, seriam n~o apenas mais enriguecidos em magnesio e pr2 :...,
_D.
--,.
-9-

-·~-

vavelmente manganes, como tambem teriam ao que tudo indica seu


volume ' diminuido e conseqtlentemente haveria uma tendencia ao de-
~ 3+
s~nvolvimento de minerais que comportam em suas moleculas o Fe
tais como epidote (Ca Fe~+Al 0 Si04 Si 2 o 7 OH), magnetita (Fe +o.
2 2
2
3
Fe;+ o ) e granada andradita (Ca 3 F + sr o ) etc.
3 3 12

A pressao dirigida e outro parametro importan-


te no metamorfismo, mas ao que tudo indica, nao exerce nenhurn
'controle na forrna9~0 de certos minerais,t~l como Harker {1939) e
outros defendem. Segundo Harker, a press~o dirigida e responsa-
vel pelo aparecirnento dos minerais "stress", isto e, rninerais
que so se formam sob a influencia desse fator. Ele chegou a gr~

-· par n~o apenas os minerais "stress", mas tambem os anti- stress,


ou seja,minerais cuja forma9~0 n~o se processa na presen9a da
pressao dirigida, tarnbern denorninada de "stre'ss". Entre os rnine-
rais"stress", ele colocou cloritoide, cianita, alrnandina etc., e
entre os "anti-stress'' enquadrou cordierita, andaluzita, nefeli-
na etc. Acontece que tanto os min-erais considerados stress, sao
encontra~ ~rn veios e metamorfismo de contato, como os anti-
stress sao encontrados em metamorfismo dinamoterrnal, 0 que neste
caso torna sern efeito a influencia da pressao dirigida. A pres~

s~o dirigida tern urn papel importante nas rea9oes metamorficas fa


cilitando a penetra9ao dos fluidos catalizadores, contribuindo
assim para acelerar o processo, alem de ser respons~vel pela o-
rienta9ao preferencial (xistosidade, linea9ao, folia9ao).
-10-

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12
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T, °C
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Figura 1 ~ E1aborada por Turner (1968) para o estudo dos f§cies me-
~. 11
tamorficos e adaptada aqui para i1ustrar os principais
·u
tipos de metam o rfismo.

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:•
-11-

CAPITULO 2

CRISTALIZA~AO E RECRISTALIZA~AO

,.
I 0 termo recrista1iza~ao e empregado por muitos
I autores como Miyashiro (1975), Hyndman (1972) e outros indistin-
'1 tamente para indicar a forma~ao de urn novo mineral ou reconsti
--r tu-ic;ao de minerais pre-existentes. Neste no.s,so trabalho, o uso
I do termo recristalizac;ao. fica restrito unicamente a reconstitui-
I c;ao. de minerais pre-existentes; sempre que fizermos referencia a
'l formac;ao de urn novo mineral, empregaremos o termo cristalizac;ao
I
de acordo com Spry (1976). A cristalizac;ao e controlada pela nu-
I
cleac;ao, processo que pode tambem ocorrer na recristaliza9ao.Co~
'l
-. tudo na recristalizac;ao, a reconstituic;ao d9s graos minerais po-
de se desenvolver unicamente por coalescencia (recristalizac;ao
I
por aglutina~ao),sem interferencia da nucleac;ao.
'-1
'-1
I A nucleac;ao, e o processo de formac;ao de minusculas
~,
unidades (nucleos ou genres) a partir dos quais, comec;a o . desenvolvi-
'1 mento de urn determinado mineral. Tern inicio a partir de ions ou
--, pequeno numero de atomos que se tornaram instaveis em alguma con
I figurac;ao. A nucleac;ao depende essencialmente da energia de ati-
~t
_, · vac;ao, estrutura cristalina, presenc;a de agua ou outr~~ volateis
e presenc;a de esforc;o. A energia de ativac;ao ~ a pr6pria temper~
-1 tura do ambiente metam6rfico. A nucleac;ao e normalmente mais in-
~ tensa nas altas temperaturas, entretanto, deve-se levar em consi
l derac;ao que a partir de uma determinada amplitude termal, a nu-

~ cleac;ao comec;a a decrescer, porque a medida que a temperatura


menta, acelera a velocidade de crescimento dos graos, o que con-
a~

1 corre para uma diminui~ao da capacidade de nucleac;ao. A estrutu-


1 ra cristalina e outro aspecto importante a ser considerado, vis-

to que os minerais com estrutura em tetraedros (Si0 4 ) isolados
ou combinadas nas ·cadeias mais simples tern dificuldades para for
marem nucleos. As presen~as de volateis,principalmente H2 0 e es-
for~os sao de significativa importancia como catalizadores das
rea~oes.
-12-·
A
,::
~- ,1 1.' •
'·:, ·~ , ..
0 TAMANHO DOS GRAOS MINERAlS ,, .
~[;. >••

-
0 tamanho dos graos min erais encontra-se direta-
mente ligado ao gradiente metam6rf i co, sendo portanto mais desen
'
., .
f.
Ill
•• iii
volvidos nas temperaturas mais elevadas . Nao obstante ser a tem- f:. ij.
peratura a razao principal de crescimento dos graos minerais, e-
xistem certos fatores como o tempo de atua9ao da temperatura, a '• .-·
granu!ometria e o poder de cristaliza9ao de certos minerais, os •• .
~ uai s sao considerados de suma import&ncia no esclarecimento de
i • :•
-.
certos aspectos. 0 tempo de atua9~o das altas condi96es energ~t!
l·•
' ~·•
I•
cas, explica o contraste entre a granu l a9ao fina dos hornfelses
e a granula9ao grosseira em rocha s do me tamorfismo region a l. No f
-i
metamorfismo de contato, as altas temperaturas perduram por pou-
co tempo, comparando aos longos periodOs de atua9ao desse fator I • •(
no -metamorfismo regional. As condi9 6 es do metamorfismo de conta- I
i (
.-.
to s~o - portanto propicia s a intensa n uclea~ao. J~ o metamorfismo
-~
• •

I
(
regional de altas condi96es energ ~ ticas, devido ao longo perio- ~I

do de dura9ao des sas condi96es, favorece o desenvolvimento dos


i
f
(! -I
cristais. A granula9ao grosseira observ ada em alg uns hornfelses, ¥.

~ ~~~

resulta ao q ue tudo ind i ca de atividades metassornaticas. A gran~ i l~. · ~ -,


la9ao (tamanho e formas), exerce tamb~m uma influencia marcante It ·.,. 'l

no desenvolvirnento dos cristais. if.' 1;,. -1


"'~ ,;
-r
'. fi
~2
Tem-se por exemplo que num arenito quartzose
num conglomerado quartzose, a recristaliza9ao e p recaria
ou
quando
f: ' l
I .,
comparada a urn chert, o nd e a recristaliza9ao · ~ intensa. Urn outro l

exemplo bastante interessante ~ dado pela alternancia de carnadas


de argilas (material muito fino) e silte. As argilas, altarnente
reativas, desenvolvern os graos rapidamente, enquanto que os
graos de quartzo e feldspato cornponentes dos niveis silticos tern
urna recristaliza9ao lenta o que pode provocar uma inversao de
granulometria. Assim sendo, as carnadas provenientes das argilas
passarictm a uma granula9ao mais grosseira e os meta-siltitos pa~

sariarn a representar as camadas d e granula9ao mais fina.Tanto no l. I


caso do quartzo e feldspato dos dois exemplos, como no caso das
argilas, 0 p roblema se relaciona a superficie de contato entre
os graos, quanta maior a superficie de contato, maior sera o po-
der de rea9ao. No caso do quartzo do primeiro exe mp l o uma maior
superficie de contato resulta da g ranula 9ao mais fina no chert.
Ja no caso das a~gilas no segundo exemplo, al~m da s .ua granula-
~
~i~? ...............
-13 ...

9ao rnais fina, concorre urn outro fator que ~ a forma plac6ide das
micas seus cornponentes basicos.

0 poder de cristalizaxao se refere a capacidade


que certos minerais tern de se desenvolverern rnais do que outros.E~

tre os rninerais corn alto poder de crist.aliza9ao destacarn-se gran~

'r
' da, cordierita, estaurolita, cianita, andaluzita e clorit6ide. A-
credita-se que essa tendencia ao desenvolvirnento de grandes cris-
T
...,.. tais se deve a dificuldade de nuclea9ao desses rninerais, dificul-
I

-, dade esta resul tante ao que tudo indica do a'rranjo estrutural (si,!!!
'1 ples) ern suas estruturas cristalinas (Hyndman 1972).
I
.., FOR~A DE CRISTALIZA~AO
I

,-.
~,
A forxa de cristalizaxao, foi considerada por Be-
eke 1903 (in Turner-Verhoogen 1963) como a for9a que o cristal
~t
desprende cont:r:-a o rneio circundante para desenvolver as suas faces .Mui
to ernbora os cristais corn alto poder de cristaliza(;ao tenharn tam-
'-t
-~ i bern geralrnente elevada for9a de cristaliza9a0, deve-se ressaltar
\ -.
'-, que esses terrnos encerrarn significados distintos, o prirneiro se
- refere ao desenvolvimento ern tarnanho e o segundo a capacidade de
desenvolver as faces, fato que levou Eskola (1939 - in Turner Ver
hoogen 1963) a propor o termo "energia de forma''. Todos os fato-
res · irnportantes no crescimento dos cristais, tais como baixa ~ \
nu-
clea9ao, condi96es fisico-quimicas,tempo de dura9ab d6' crescimen-
to e tensao superficial (energia de superficie) s~o igualmente
significativos para for9a de cristaliza9ao ou energia de forma.En
tretanto, nesta ultima, existe urn fator basico fundamental respon
savel maibr por esta propriedade que e a densidad~ de empacotamen
to molecular. Becke ap6s constatar a importancia da densidade de
empacotamento molecular, estabeleceu 0 que ele chamou de serie i-
dioblastica para OS minerais metam6rficos. A serie idioblastica 1

tambem chamada serie cristaloblastica segundo a ordem decrescen-


te de for9a de cristaliza9a0 e a seguinte.

Titanita, Rutilo, Magnesita Breunerita,dolomita,albita


hematita,ilmenita,granada Mica, clarita
Turrnalina,estaurolita,cianita calcita
Epidoto,zoisita Quartzo, Plagioclasio
Piroxenio, hornblenda Ortoclasio, microclina
-- 14-

Esta ordem de for9a de cristaliza9ao, foi ampli~


da de modo bastante racional por Eskola, (como veremos mais a-
diante) que estabeleceu a ordern de for9a de cristaliza9ao
classe de silicatos.
por
f .
• •
t
Ao verificar que a ordem decrescente de for9a de :f ...•
ctistaliza9ao se corresponde corn a ordem decrescente de densida-
' •• .
de de empacotamento molecular, aspecto refleti~o de certo modo
,, •
na ordem decrescente de peso especifico, Becke constatou a exis-

tencia de uma rela9ao direta entre esses dois fatores. Por
re·la9ao, Eskola ( 19 39 1 in Turner Verhoogen (1963)) pode estabelecer
esta
I! • l

a s eqUencia de for9a de cristaliza9ao entre os silicates corn ba-·


se nas suas estruturas cristalinas. Assim sendo 1 os o r t os si -
•• • 1

licatos titanita, granada, estaurol i ta, cianita, minerais 1


do grupo do epidoto, andaluzita, sillirnanita 1 vesuvianita,zircao 1: I

e fo~sterita que se comp6em de tetraedros (Si 0 4 ) isolados ou fO£ t~ l


- ~
mando as cadeias rnais simples, possuindo -portanto
rnais densas, ocuparn o primeiro lugar. Seguem-se os inossilicatos
estruturas
I'ft:• 1

unialinhados de cadeias simples (piroxenios) e os de cadeias du-


f( l
plas (anfibolios) 1 em terceiro, os filossilicatos (micas, clori-
tas, talco e cloritoide) onde os tetraedros se desenvolvem bidi-
rnensionalmente e por ultimo OS tectossilicatos . onde OS tetrae-
dros tern urn arranjo tridimensional Ex.:quartzo, feldsp~to e pro-
vavelmen~e ~ordierita.

Urn outro aspecto a ser considerado, e que os mi-


nerals anisotropicos tern for9as de cristaliza9ao variaveis se-
gundo suas dire9oes cristalograficas,por Ex. as faces prismati -
cas de urn cristal de actinolita sao melhor desenvolv~das que as
termina9oes basais 1 o que indica que a actinolita tern uma for9a
de cristaliza9ao rnaior segundo as dire9oes das faces prismaticas.
Deve ser e n t endido que urn melhor desenvolvirnento das faces de urn
cristal ' lai depender tambem da for9a de oposi9ao imposta pelo
meio, assim quando essa for9a e bastante elevada provoca 0 acha-
tamento ou de senvolvirnento prec~rio das referidas faces.
-15-

CAPITULO 3

TEXTURA E ESTRUTURA DAS ROCHAS METAM6RFICAS

A forma, dirnensao, orienta9ao e arranjo espacial


dos graos rninerais sao respons~veis pelo aparecimento nas rochas
·- de dois conjuntos de fei9oes distintas. Urn conjunto de fei9oes
observaveis rnacroscopicarnente a nivel de afloramento ou arnostra

de mao, denorninadas de estruturas (Ex. estrutura xistosa, estrutu
ra gnaissica etc) e urn outro conjunto de fei9oes geralmente so
'-- detectaveis ao rnicrosc&pio, denorninadas de textura (Ex.: textura
granobl~stica, textura lepidoblastica).

Existe algurna confusao com rela9ao ao emprego dos


termos textura e estrutura entre os petrologos. Muitos autores co
. rno Rosenbush, Michel Levy, Lacroix etc, consideram esses termos
corn o sentido inverso do que foi dito (ou seja, as fei9oes macros
copicas sao denorninadas de texturas e as fei9oes rnicroscopicas de
estruturas). Ern verdade,trata-se apenas de uma questao de defini
9ao e assirn se~do, n&s preferirnos seguir os crit~rios de Tyrrel e
outros que considerarn os referidos terrnos, do modo como apresenta
mos.

Os fatores que irnpoern as rochas uma determinada


textura ou estrutura s~o: o tipo de metamorfismo a que elas esti-
verarn subrnetidas e a natureza da sua rnineralogia. Ex. as estrutu-
ras xistosas e gnaissicas resultam da pressao dirigida atuando em
rninerais corn tendencia a urna orienta9ao preferencial (Ex. micas ,
anfib&lios etc) . Entretanto, pressoes dirigidas de baixa a~plitu­

de atuando ern rochas desprovidas desses rninerais, podem conferir as r~


chas urna estrutura isotropa (rnaci9a), como eo caso de grande·parte
dos granulitos. J~ urna pressao extrema atuando nesses rnesmos gra-
nulitos, provocaria o aparecirnento de urna estrutura bandada. Os
principals tipos de estrutura encontradas nas rochas rnetarnorficas
sao as seguintes.

Bandarnento - Este termo, e utilizado para desig-


nar alternancia de carnadas de rninerais rnic~ceos ou ricas ern horn-
plenda e carnadas de rninerais quartzo-feldspaticas. 0 bandarnento
--·16·-

pode resultar da propria estratificac;ao original da rocha pre-m~·


tamorfica, pode ser produzido por diferenciac;ao metamorfica,vis-

.•
. ": t
to que quartzo e feldspatos podem migrar para zonas preferen-
f -:1
ciais, afastando-se portanto dos constituintes maficos, e, pode
ainda se originar devido a inje~6es magmaticas nas proximidades • •••
' f.
de intrus6es plutonicas. A aplica~ao desse termo e tambem atri-
f l
buida a bandamentos metamorficos sem se considerar a _c9mposic;ao
t
Ex.&andamentos em milonitos, bandamentos em gnaisses calcossili-
·~
'
caticos etc. f 1-

Xistosidade e Estrutura Gnaissica - A xistosidade '• -,.,


se refere ao arranjo para1e1o ou sub-para1e1o dos ~inerais foli~ .f :-l
res (micas e cloritas) e/ou prismaticos (anfibolios), respons~ :f I

veis pelo desenvolvimento d e uma fissilid~de planar na if ""j


rocha
Ex. xistos,· filitos etc. A diferen~a entre xistosidade e estrutu l

ra gnaissica e que a estrutura gnaissica implica na presen9a de f :l

I'
I
bandamento composicional.

Clivagem - 0 termo e aplicado ~s rochas, para de-


signar uma estrutura planar penetrativa ou nao penetrativa. Mui-
r:
tos planos de clivagem , encontram-se associados a planos axiais
de dobramentos e se distribuem paralelamente a estes. A clivagem 1:
associada a urn plano axial de dobramento nao e penetrativa, 0
1

espa9amento (ou intervale de quebramento) e irregular 6'seu com-


portamento neste caio e semelhante a uma partic;ao. A clivagem aE r
~

dosiana . caracteriza uma estrutura penetrativa tipica. Essa cliv~

gem resulta geralmente da orienta<;ao planar paralela ou sub-par~

lela de minerais micaceos. Neste particular, poderia ser confun-


dida com a xistosidade o que alias muitos autores consideram co-
~-
mo sin6nimos. Entretanto, existe uma pequena diferen<;a que deve
ser levada em considerac;ao. Na xistosidade, a folia<;ao resultan-
te e mai::: grosseira, porque os minerais micaceos que se arranjam
planarmente tern uma ~ranulac;ao mais desenvolvida, reflexo de urn
metamorfismo mais intenso. Existem outros tipos de clivagem, mas
para OS propositos dest e nosso trabalho, nao pretendemos descer
a maiores deta1hes. Existe uma vasta bibliografia a re~peito do ., 1
assunto e os interessados poderao consu1tar entre outros, Dennis :1 !

(1967-1972), Ramsay (1962), Hobbs, Means e Williams (1976) e


Siddan (1972) :~ ·;

·t:?
'~

,-, ~t,-1
-17-

Cliv~gem de Crenulayao - ~ uma clivagem que se


desenvolve ao longo de uma superflcie crenulada (micro-dobrada).
Neste caso, a folia9ao pre-existente s1 ao se tornar crenulada ,
provoca o aparecimento de transversais linhas de fraqueza ao
longo das quais verifica-se o quebramento (ver figura 3). Essas
transversais linhas de fraqueza se localizam nos flancos dos mi-
cro-dobramentos, os quais, quanto mais apertados mais favorecem
o desenvolvimento deste tipo de clivagem.

Lineayao - Caracteriza a distribui9ao de elemen-


tos lineares dentro dos corpos rochosos. Inclui o alinhamento de
minerais prismaticos (ex. anfibolios, cianita, etc.), alongamen-
to de seixos e minerais como quartzo e feldspato, eixos de micro
dobras, linhas de interse9ao de superflcie S, etc.

Foliaqao - Este termo, e utilizado para designar


qualquer tipo de orienta9ao planar tais como xistosidade, banda -
menta gnaissico, clivagem, enfim estende-se a todas as superfi-
-·,, cies S, independentemente da sua origem. Assim sendo, inclui tam
bern o acamamento sedimentar e fraturas adjacentes, em sistemas
subparalelos.

-
• Estrutura Maciqa - ~ tipica de rochas nas quais
a aus~ncia da pressao dirigida concorreu para o nao ftlinhamento
dos constituintes minerais. Seu aspecto e maci9o, co~pacto e en-
contra-se comumente em marmores, hornfelses, granulites, etc.

Boudinage-~ uma estrutura.resultante de urn es-


foryo de compressao aplicado num pacote rochoso de litologias di
ferentes e devido a diferenya de competencia (ductibilidade) en
- tre as rochas. Para que a boudinage possa se desenvolver, o an -
'
gulo entre o esfor9o de compressao e a camada de baixa competen-
cia deve ser grande (reto ou aproximadamente reto) . Quando a di-
ferenya de compet~ncia entre as camadas e pequena, verifica-se o
aparecimento de leves estrangulamentos nas camadas menos compe-
' ' tentes, contudo~ quando essa diferen9a e grande e o esfor9o apl!
cado bastante intenso, provoca estrangulamentos extremes e rutu-
ras, fazendo com que a camada menos competente se mostre corn uma
fei9ao semelhante a sucessivas "salsichas" ou rosario (ver fig.
-18.!..

( II
f) l

. '' •


f
~-,

• j

• I
'~' 1
~
"-

(
~~

(i
t b ) ( c )
( c )

Figura 3 - Ilustra9ao dos estagios de evolu9ao de uma clivagem


de crenula9ao

~
,..
~l;
~

~ t-
y-
Figura 3.1. - Estrutura em boudinage associada a um dobramento
~-

1,:-_:-

':'
~I
-19-

3-l). o termo boudinagem vern de '"boudin" (salsicha em frances) e


trata-se de uma estrutura que ocorre em diferentes escalas, sen-
do muito comum em camadas ou veios quartziticos encaixados em
xistos.

TEXTURAS

Existem certas fei9oes como palimpseticas ou reli


qqiares, fragmentadas, deformadas e maculadas; em que a aplica-
¥aO dos termos textura ou estrutura pode ser feito indistintamen
te, visto que tanto podem ser observadas em afloramento ou amos-
tra de mao, como ao microscopic. Nos vamos considera-las com tex
turas, unicamente para efeito de descri9ao, do mesmo modo que po
deriamos te-las considerado como estrutura.

As texturas re1iquiares ou palimpseticas, podem


ser herdadas de rochas igneas ou sedimentares, para caracteri-
zar esses aspectos, utiliza-se o termo b1asto Ex. blastopo~firi­
tica, blastofitica para indicar texturas reliquiares igneas e
blastopsamltica, blastopsefitica para indicar texturas reliquia-
res sedimentares.

As texturas do metamorfismo dinamico, caracteri-


zam-se pelas feiyoes fragmentadas e deformadas, resul t'~.ntes de
intensas pressoes dirigidas e cizalhamento reinantes nesse pro-
cesso. As texturas cataclastica e milonitica sao diferenciadas
pela foliayao, assim, a textura mi1onitica implica na presenya
de foliayao, feiyao considerada ausente na textura cataclastica.
As texturas cataclastica e milonitica sao definidas ~m funyao
das percentagem entre a matriz e os porfiroclastos (graos maio
res que persistem na matriz fina}. Essas texturas ficam defini-
das quand o a percentagem de porfiroclastos encontra-se entre 10
a 50%; para urn teor de porfiroc1astos inferior a 10% a textura e
denominada de u1trami1onitica. A textura mortar (tambem chamada
textura em · moldura) , caracteriza-se pe1a presen9a de porfiroc .la~

tos envo1vidos por graos microcrista1inos. Os graos mais finos,


sao da mesma composi9ao dos porfiroclastos e resultararn do seu
trituramento (fig. 3-2a). Sombra de Pressao e Orla de Pressao
A sombra de pressao, e :J;"epresentada por graos minerais que se
distribuem de modo a formar uma area aproximadamente elipsoidal
-20-

Figura 3.2. - Quadro Ilustrativo das Principais Texturas Metam6rfica s

a. mortar b. sombra de pressao c. orla de pressao d. Kink Ba nd

___;

•~
~

'
;a
t
...
I ·~
( i .!!!
l
4; ~
I
f. ~
e. dobra em chevron f. granoblastica granular g. granoblastica r:oligonal
f. -~

tf ~

~-

''
-~

ti - -,
l
~. -· I

h. granoblastica decussada i. poiquiloblasto j. helecitica


' l\
l
6

.Lt
l
t,
t-
'

k. bola de Neve m. fragmentada

t
it./ I
r
-21-

em torno de urn obstaculo (no caso urn cristal pre-existente) A


textura na regiao de sombra e diferente da textura da rocha, PO£
que esses locais SaO protegidos da deforma9a0 pela presen9a des-

I
ses cristais. Desse modo, podemos ter por exemplo a presen9a de
1 quartzo granular e grosseiro, enquanto nos outros pontos da ro-
I cha esse mineral aparece fino e alongado. Nos pontos de sombra,a
'1 folia9ao se amolda envolvendo a aml;>ps, cristal e sombra fig. 3-
'1 2b. A diferen9a entre orla e sombra de pressao, e que a orla de
1 pressao normalmente apresenta quartzo lamelar e tanto o quartzo
J COinO OS demais minerais que compoem a sombra, encontram-se rela-
']
cionados com as bordas do cristal fig. 3-2c. Kink Band - e urn

,
l tipo de dobramento cuja fei9ao marcante sao os flancos retos
zonas de charneira estreitas. Trata-se de uma textura (ou estru-
e

•-. tura) que pode ocorrer em rochas ou minerais isolados, sobretudo


, os minerais com clivagem proeminente como mica, clorita, cianita
etc. fig. 3-2d. Se as dobras sao simetricas e OS flancos aproxi-
-:t
'1
madamente de mesmo tamanho, a estrutura e conhecida geralmente
-:1 como - dobra em chevron, fig. 3-2e. A estrutura ern kink band nas
rochas, indica urn estagio de deforrna9ao em baixa temperatur~, e~
'-1
~~ quanto que nos rninerais, nao se t~m certas informa9oes a serem
~~
I tiradas. Mesmo assim, fazendo-se uma malha de amostragem, pode
-:I se indi viduali ·zar areas on de a deforma9ao se veri ficou em baixas
-;j· temperaturas ou em temperaturas mais elevadas. Textura Lepido-
blastica - resulta da abundancia de minerals foliares (micas e
cloritas) e prismaticos (anfib6lios principalmente) di~tribuidos
segundo uma orienta9ao planar paralela ou s~b-paralela (ex. as
rochas com estrutura xistosa). Se os constituintes planares -
sao
representados basicamente por prismas ou fibras, a textura passa
a denominar-se nematoblastica, ex. alguns anfibolitos e gnaisses
anfiboliticos. 0 termo granoblastica, e aplicado as texturas nas
quais OS minerais sao aproximadamente equidimensionais e nao t~m
uma orienta9ao preferencial (ex. as rochas corn estrutura rnaci-
9a). A textura granoblastica pode s~r granular, poligonal e de-
cussada.·Quando granular, os graos sao xenoblasto s e aproxirnada-
mente equidimensionais (fig. 3-2f), na p o ligonal, os graos t~rn
a forma de urn poligono, muitos deles corn cinco ou seis lados,
o limite entre os graos e reto e as linhas de limite se encon-
trarn num ponto triplice formando angulos de 1209. Essa textura
pode ser encontrada ern hornfelses, marrnores e quartzitos fig.
3-2g). Na textura decussada (fig.3-2h), os cristais tendern a
-22-

ser prism~ticos sub-idiobl~sticos e orientados ao acaso. As ro-


chas de metamorfismo de cantata com bastante minerais plac6ides
podem apresentar essa textura Ex. biotita hornfels. 0 termo por
fiiroblasto, ~ aplicado aos graos minerais mais grosseiros que
se desenvolvem numa matriz mais fina, dando origem a textura
porfirobl~stic~. Sua apar~ncia ~ semelhante a textura porfirit!
ca das rochas igneas e segundo Spry (1976), a propor9~0 do di~­
metro de urn porfiroblasto para os minerais da matriz deve ser
de ~ a 10 para 1 (urn) . 0 numero de minerais com tendencia ao
desenvolvimento de porfiroblastos ~ muito pequeno, en tre eles,
os principais sao: granada, cordierita, estaurolita, andaluzi
ta e cianita. Essa tendencia e con t rolada pela baixa capac ida-
de de nuclea9~0, assim, esses minerals se desenvolvem em torno
dos poucos nficleos j~ existentes ao inv~s de formarem novos nu-
cleos. A forma euh~drica · ou anedrica dos porfiroblastos se gun-
do Hyndman (1972), encontra- se relacionada a sua velocidade de
crescimento. Os porfiroblastos -euhedricos, tiverarn urn crescimen
to lento, enquanto que os an~dricos cresceram mais rapidarnente.
Quando os gr~os maiores das rochas metarn6rficas contern urna cer-
ta densidade de inclusoes, eles sao denominados de E_Oiquiloblas
tos. Sua aparencia ~ sernelhante a urna esponja (fig. 3-2i) e as
inclusoes podern ou n~o ser orientadas. Da presen9a desses gr~o~
resulta a textura poiquilobL~stica, que quando formada po r in-
r~~
,_ - - -
:::: :::.::-- . :_ ~ :-~ ::.::. ::.~~ ;.c>:: -~-~:~ -: ~-Tt.l:>:= J1
peneira" . Essas inclusoes s~o normalmente de fases s61idas em
minerais aluminoses como granada, cordierita, estaurolita etc.
0 fenomeno pode ser explicado do seguinte modo: Esses rninerais
contem bastante aluminio, os ions do aluminio s~o pouco rn6veis,
..
entao se esses minerai~ crescem nurna regiao corn pouco aluminio, ' '

como por ex. numa carnada quartzosa, mas que existe sempre mate- 1 t
rial pelitico circundando o material guartzoso, as cristais re- . '
sultantes n~o ser~o continuos e apresentar~o bastante quartzo
como inclusao. A textura helicltica - caracteriza-se pela pre-
sen9a de inclusoes alinhadas ou encurvadas em ceftos minerais
como granada, estaurolita, albita, andaluzita e clorit6ide. As
inclus6es, s~o aqui representadas por elementos estruturais da
rocha matriz mais antiga Ex. xistosidade, bandamento etc. A es-
' "~
trutura da rocha pr~-existente ~ portanto preservada dentro do I

cristal (fig. 3-2j). Na_ te~tur~_em bola de neve __ (Snow____!?alJ:.L_


~uito comurn ern granadas~ os cristais encontram-se rotados de
',.
"'·
([' :

; f -j
~
-23-

tal modo que as inclusoes desenvolvem a forma de uma espiral si-


rnetrica tal como se observa na fig. 3-2k. A fei<;;ao das inclusoe~

assemelha-se a um _?. e segundo Spry (1976), o termo 11


rotado" e
utilizado nao como simples sinonimo de rotacional, mas para indi

~
car que a rotayao ocorreu simultaneamente com a deforma<;;ao que
I
por sua vez e contemporanea com o crescimento do cristal. As tex
turas heliciticas e bola de neve (Snow ball), sao de significa-
tiva importancia na deterrninat;;ao das rela<;;oes entre fases de de-
f~rma<;;ao e crescirnento dos cristais, como v~rernos mais adiante.
A textur~ maculada - deve-se essencialmente a tend~ncia que cer-
~-
tos minerais tern para forrnar porfiroblastos, como e 0 caso de
1

andaluzita, cordierita etc. As rochas de baixo grau do metamor-


fismo regional tais como ardosias e filitos, quando reaquecidas
- I
incipientemente devido a proximidade de algum pluton, tendem a
desenvolver porfiroblastos desses minerais, ·os quais aparecern
sob a forma de manchas. Essas manchas, podern ser tarnbem represeQ
tadas por impurezas outras e, materia organica, notadamente car-
~ -
1
bonosa a qual aparece as vezes ja sob a forma de grafite, ou a-
-~

I
gregados rnicrocristalinos caracterizando o estagio embrionario
~

rea~ao,
I
da cristaliza<;;ao. Na textura denorninada coroa de urn novo
mineral se desenvolve envolvendo urn outro cujas condi<;;oes para
sua estabilidade ja nao existern (Ex. actinolita ern torno de au-
- I

gita). Essa textura, encontra-se comurnente no processo de diafto


rese.
'-.- '
-~

RELA~OES ENTRE AS FASES DE DEFORMA~AO E CRESCI -


- I
MENTO DOS CRISTAIS (CRISTALIZA<;J\0/RECRISTALIZA<;J\O)

A presen<;;a de porfiroblastos,
-' I
poiquiloblastos(c~

muns ou heliciticos) e poiquiloblastos com textura "bola de ne-


ve", e da · rnaior importancia para se deterrninar a rela<;;ao existen
te entre as fases de deforrnagao e o crescirnento dos cristais. o
crescirne nto de urn porfiroblasto ou poiquiloblasto pode ocorrer
--<·, antes, durante ou apos a fase de deforma<;;ao~ Para
caracterizar
'
esses estagios, dizernos que esse desenvolvirnento e pre, sin ou
pos-tectonico.

Na cristaliza<;;ao pre-tectonica, uma das feiyoes


mais tipicas para sua identificayao,e a presen<;;a de sornbra de
-24-

~ress~o ou orla de press~o, vista que neste caso, os cristais re~

presentam obst~culos rigidos que j~ e x is t iam antes da deforma9~0


outras fei96es inerentes a esse est~gio s~o: presen9a de textu-
ra mortar, deforma~~o na gemina9~0 do plagiocl~sio (fig. 3-2 l),
cristais fragmentados (fig. 3- 2 m), textura em kink-band e lame -
las de deforma9~o (encurvame nto em minerais placosos au lamina
res) .

Cristaliza~~o Sin-Tect6nica - Muitas fei96es do


I
metamorfismo regional tais como o alinhamento de anfibolios,alon-
gamento de quartzo e arranjo planar das micas (xistosidade) sao
consideradas c o mo resultantes de uma cristaliza9ao simultane a com
a deforma~ao. Entretanto, uma das fei96es de maior relevancia na
identifica9~0 desse _est~gio, e a presen9a de cristais ro t ado s
(textura em bola de n e ve) ·em rela9~o a folia9ao. Esse e urn aspec- ~- '·

to cpmumente observado em certos mi nerais como granada e estauro-


lita. Muitas vezes, nao e facil a identifica9 ao das estrutura s
tipo £ (bola de neve), por isso, torna-s e necess~rio que se exami
ne urn certo numero de cristais. A identifica~ao da textura "bola
I.
de neve'' depend~ da orienta9~0 do corte na s e c~ao delgada. Assim !
~-
sendo, uma sec9ao delgada cortada perpendicular ao eixo de giro 1

do cristal, apresentaria as inclus6es em forma de ~' contudo,para I


ti
urn corte inclinado, a forma mostrada seria) (, 1 I, ) , dependen- !
,'
do do §ngulo de inclina9~0 do corte. Por isso, Spry (1976}~ suge-
re que quando as inclus6es £ n~o aparecem, mas e xistem diividas
se o crista! e ou n~o sin-tect6nico, que essas duvidas sejam des-
':
feitas com observay6es em plat i na universal. A figura 3-3, ilus-
tra toda uma seqUencia do desenvolvimento da textura "bola de ne-
ve'' em granada outras duas fei96es de cristalizay~o sin-tect6ni -
ca, encontram-se ilustradas pelos cristais 5 (cinco) e 8 (oito)da
figura 3-4, discutida no final deste capitulo.

., I
A cristalizay~O pos~tect6nica, e urn fenomeno co-
mumente observado em muitas rochas. Acredita-se inclusive que a '. ,.
! f
presen~a de certos minerals como kiastolita, cianita e cloritoide
•. I
seja quase que inteiramente restrita a esta fase. 0 conjunto das
\r
fei~6es que caracteriza esse estagio e representado par textura .. .,,
. helicitica, poligonizay~o de cr i stais cu r vados, ressalto da folia
9~0 pelo crescimento de cristais mimetic o s, substitui~ao de mine
rais precocemente formados, originando ps e udomorfos e desenvo lvi-
-25-

---~---
----~ ----
:::::_-:_-~--===
---
--- ---
---
:::::::
-----
·-:.::.:=
---
---- ---- --- ---
---- -----
a b c

~~ii~~~~~-~~-----~~\~~~
---~---=:-- - // --------
----------
d

Figura 3.3. - SeqUencia do desenvolvimento da textura Bola de Ne-


ve (Snow Ball) em granada.

Deforrna<;ao Pos-Cristalino Sin-Cristalino Pre-Cristalino


...
Cristaliza<;ao Pre-Cinematico Sin-Cinematico Pos-C.fnematico

Deforma<;ao que
resulta num gi
ro relativo-
dos porfirablastos

Cisalharrento prro,
perpendicular a
xistosidade

Crenula<;ao

Figura 3.4. - Rela<;6es nos diferentes estagios Deforma<;ao/Crist~


liza<;ao (Zwart 1962)
-26-

mento de cristais idioblasticos. Os porfiroblastos pas-tectonicos


crescem em cima da folia9ao sem perturba-la e muitas vezes absor-
•..··
vendo-a e resguardando-a no seu interior. A poligoniza9a0 e urn
processo de recupera9ao do cristal. No caso das micas, que - ·
sao
arqueadas nas regioes de dobramento, sua reconstitui9ao e de nun-
ciada pela presen9a de cristais em contatos angulares (ver figs.
3-5 e 3-6). A poligoniza9ao, e comum tambem em quartzo, o qual
e do mesmo modo deformado e recristalizado, mas neste caso, nao
I
se formam os contatos angulares, visto que o quartzo tern habito
granular. Seu aspecto e denunciado pelo que se denomina de sub-
graos, dentro de uma massa maior de quartzo. A cristaliza9ao mime
tic~ e urn proceSSO em que a dimensao e/OU orienta9a0 dos minerais
tardios e controlada por minerais pre-existentes. 0 efeito pode 4

ser por simples pseudomorfismo, por velhos cristais influenciando


na fiuclea9ao de novo~ Ex. recristaliza9ao de · micas paralelas em
agregados orientados ao acaso (transforma9ao de xisto . em hornfel~

ou pela orienta9ao dos velhos cristais controlando o crescimento


de novos minerais Ex. alongamento de micas e anfibolios ao longo
de bandamento ou outra folia9ao pre-existente.

A figura 3-4 (Zwart 1962} relaciona no tempo os


estagios entre as fases de deforma9ao e cristaliza9ao. A deforma-
9ao resultados tres seguintes mecanismos. Deslizamento, cizalha-
mento e dobramento (crenula9ao), e, para cada tipo de derorma9ao
tem-se uma f~i9ao diagn6stica dos estagi~s pre, sin e pas-tectoni
co registrada na rela9ao entre a folia9ao e o porfiroblasto. As
rel·a9oes sao portanto estabelecidas com base nas folia9oes Si e
Se (respectivamente interna e externa ao crista!). Para cuma me
lhor compreensao no caso dos cristais pre-cinematicos, admite- se
que uma folia9ao ja se encontrava presente na rocha antes da de-
forma9ao, do contrario,as inclusoes nao apresentariam orienta9a0
preferencial. Os cristais pre-tectonicos se impoem a folia9ao pro
vocando o seu . desvio, fato que tambem ocorre com os cristais sin-
tectonicos mas nestes ultimos, 0 desvio e menos intenso e a folia
9ao interna ao cristal encontra-se perturbada, fato que nao ocor-
re com os primeiros, os cristais pas-tectonicos se amoldam tran-
qfiilamente ~ folia9ao sem perturba-la e absorvendo sem nenhurn des
lize o seu contorno. De modo geral, essas rela9oes por si so -
sao
bastante compreensivas,o caso da textura "bola de neve" Snow
ball) ja foi explicado, resta-nos apenas algumas considera9oes so
.,..27-

bre os casas 5 (cinco) e 8 (oito) . Nesses cristais (sintect5ni -


cos) as . inclus6es s~o aproxirnadarnente retas . no centro, tornando-
se progressivarnepte encurvadas a medida que se aproxirnarn das
bordas. 0 fen5rneno pode ser explicado do seguinte modo. Quando
o cristal corne9ou a se desenvolver, a deforrna~~o encontrava- se
nurn estagio excessivarnente lento, tendo se acentuado posterior-
mente, par isso, as linhas de inclusoes inicialrnente englobadas,
encontrarn-se rnenos perturbadas.

As naves rela9oes apresentadas por Zwart, sao da


rnaior importancia para solucionar problemas em areas metamorfi -
cas. Entretanto, sua aplica9~o deve ser feita com rnuito cuidado,
porque na natureza alern de cornbina9oes podern ocorrer casos tran-
sicionais. Desse modo, urn rnesrno porfiroblasto pode por exemplq
apresentar urn riucleo pre-cinematico, uma borda sin-cinematica e
ter parado o crescimento antes da deforma9~0 terrninar.

Figura 3.5. Seqtiencia do desenvolvimento Figura 3.6. Urn exerrplo mais


de poligoniza9~o.A,rnica en- arnplo do prcx:::es
curvada; B,nuclea9ao e C, es so da poligoni~
t~gio final da recristaliza~ za9a0 (Spry
<;ao. 1976) .
-28-

CAPITULO 4

CLASS IFICA(:AO DAS ROCHAS ME'l'AM6RFICf..S

A nomenc latura das rochas metam6rficas, tern por


base certos aspectos relacionados diretarnente com a rocha, tais
com~ o fabric, a composi9~0 mineral6gica, a composi9~o qulmica
e o ambiente de origem. Por isso, su~ classifica9~0 e bern mais
simples que a classifica9~0 das rochas igneas que na maiori.a das
vezes faz uso de termos que nao tern nenhuma rela9~o com o tipo
petrografico em questao, como e o caso do nome derivado da loca-
lidade onde a rocha foi encontrada pela prirneira vez (uma cons-
tante na classifica9ao ignea ). Alem do mais, os aspectos que fa·-
zem com que uma rocha iqne a mude de nome sao. muito sutis, como e
o caso da natureza do piroxenio, presen9a de anfib6lio, a basici
dade do.plagioclasio etc. Esse aspecto, concorre para multipli:c!_
< I
dade de nomes, fazendo com que a nomenclatura das rochas 1gneas
~
j
acumule Uffi grande numero de termos, OS quais geralmente nao ;r:e- (;
tratam nenhuma caracteristica observada na rocha. rt - I
4
l
A Classifica9ao Estrutural - se fundamenta no t -
I
fabric (textura, estrutura) da rocha e ocupa um espa90 bastante
amplo no quadro das classifica96es, visto que a maiorik~ das ro-
chas metam6rficas s~o classificadas segundo a sua est:r.:utura. Na
classificay~O estrutural, e necessaria apenas aprender OS names
l.
dos grupos rochosos e adicionar ao nome do grupo, · certos aspec-
tos da composiy~o mineral6gica. A disposiy~~ dos minerais em re-
lay~o ao nome do grupo, segundo Winkler (1976) deve ser feita ./
I

de tal modo que os minerais de maior conteudo ocupem .-


·!~
mais pr6ximas do nome da rocha Ex. granada~quartzo-biotita xis~
i.,

to, indica que a biotita ~ o mineral de maior conteudo na rocha, lu:


enquanto granada tern a menor percentagem. Para que o mineral fi- \i

gure ao lado do nome da rocha, e necessaria que sua percentagem k


seja superior a 5%. Quando se deseja fazer referencia a urn mine j ' "·
L

ral considerado importante, mas que seu conteudo e inferior a 'i


,. __
5%, coloca-se ap6s o nome da rocha a palavra "com'', seguida do ~

mineral considerado Ex. sillimanita-granada-biotita xisto com \[



.....
cordierita. Quando o quartzo excede o teor das micas em rochas
xistosas, emprega-se a denominay~ o quartzo - mica xisto ou quartzo
..
'\i
.........

-29-

~ilito. De acordo com os grupos rochosos metam8rficos existente~,


tem-se a seguinte classifica<;;ao estrutural.

Ardosias - Sao rochas com estrutura planar perfel


ta (clivagem ardosiana) e com uma granula<;;ao muito fina, origina-
das por metamorfismo regional de paixo grau em sedimentos finos
tipo argila, silte, tufos etc. Como aspecto mineralogico marcan-
·t e, tem-se a riqueza em micas brancas, mas como a granula<;;ao da :r:9.
Gha e muito fina, devido ao baixo grau de recristaliza<;;ao/cristaliza<;;ao, ate
mesffio as micas com toda sua abundancia, na maioria das vezes sO
podem ser detectadas ao microscopio. As ardosias com freqtiencia
encontram-se limi tando areas me·tamorficas e nao metamorficas e
·com o aumento do grau metamorfico, pode haver toda urna seqUencia:
ardosia - fili to xi sto gnaisse. As ardosias mos-
queadas (maculadas ou manchadas), resultam ~e metamorfismo de
contato incipiente o qual provoca o aparecimento de porfiroblas-
tos (normalmente sob a forma de marichas) de minerafs novos Ex.
cordierita, andaluzita etc.

Filitos - Sao rochas xistosas de granula<;;ao fina,


p:Jrem, devido ao grau de recristaliza<;;ao/cristaliza<;;ao ser :rrB.is consideravel
que nas ardosias, alguns minerais ja podem ser identificados ma-
croscopicamente. 0 contefido de filossilicatos geralmente ultra-
passa os 50%. A granula<;;ao nos filitos e mais grossa que nas ar-
dosias e mais fina que nos xistos e as manchas ou macul'~-s ( fili-
tos mosqueados) podem estar presentes. A caracteristica macrosco-
pica mais marcante nos filitos, e o brilho sedoso observado nos
planos de xistosidade e devido ao born volume de sericita e clari-
ta.

Xistos - Sao rochas de granula<;;ao media a grossa


e forte orienta<;;ao planar e linear, originadas em estagios meta
morfico superiores ao dos filitos. Certos xistos com bastante
quartzo e feldspato, tornam-se ~s vezes urn problema quanto a cla~

Sifica<;;aO, isto e, Se se enquadram entre OS XiStOS propriamente


ditos oq se ja se tratam de gnaisses. Grande parte dos autores to
mam por base o bandamento; assim, as rochas com alternancia de
bandamento quartzo-feldspatico e minerais maficos, sao classifica

- dos como gnaisses. Outro criteria importante e muito


foi estabelecido em simposio realizado na Austria (1962) e
utilizado
tern
-
~
I
I
t; i
--30-:
tI I
e·. i
i.
por base, o teor de feldspato na rocha. As rochas com mais de f, i
'
20% de feldspato sao classificadas como gnaisses, enquanto as (, I
rochas corn teor inferior a 20% sao classificadas como xistos. {)
Winkler (19j6) admite que um~gnaisse geralmente , cont~m volume € 'i
de feldspato superior a 20%, mas na sua opiniao o rnelhor crit~­ t,
i
rio par~ se estabelecer a diferen~a entre urn xisto e urn gnais- t"
se, reside no f~brica. Por isso, ele adotou o crit~rio estabele
cido por Wenk (1963) e que diz o seguinte. :'Quando golpeadas
corn urn martelo, as rochas de f~brica x~stosa (xisto} se partem
perfeitamente segundo "S" em laminas de 1-10 rnm de espessura,
_o u paralelas a lineac;;:ao em finos bastoes", os gnaisses se cli-
varn em laminas mais espessas.

Gnaisses - Sao rochas de granulac;;:ao m~dia a gros


sa e corn e~trutu~a gnaissica. Sua ~istosidade ~ pouco desenvol-
vida, devido a predorniriancia dos minerais quartzo e f e ldspato.
-
Nos gnaisses, a caracteristica rnais rnarcante, ~ a estrutura ban
dada.

Granulites - Sao rochas de textura granobl~stica


e estrutura rnaci~a ou gnaissica. Sua granulac;;:ao ~ vari~vel e
cornpoem-se de feldspatos podendo OU nao center quartzo e OS rna-
ficas presentes sao geralmente anidros, contudo, anf~b&lio ~
·,: >
biotita pardos, podern estar presentes. Os feldspatos sao predo-
minanternente rnesopertita e plagiocl~sio. (~s vezes antipertiti-
co). Os granulites se formam ern arnbiente onde PH 0 < < Pcarga
mostrarn freqlientes bandarnentos e em sua rnineraloJia, alern dos
rninerais citados, encontrarn-se: granada (piropo-alrnandina), or-
topiroxenio (principalrnente hyperstenio), clinopiroxenio (serie
diopsidio-hedembergita), sillimanita ou cianita, cordierita,
forsterita (nos tipos mais c~lcicos) e wollastonita. Os deta
lhes da classifica~ao dos granulites, serao abordados no capit~

10.

Hornfelses ou Cornubianitos - S~o rochas de gr~

nulac;;:ao fina a m~dia e textura granobl~stica, ·p odendo tambem


conter porfiroblastos. 0 termo tactito (escarnito) se refere a
hornfels que sofreu metassomatisrno. Nesse tipo, desenvolve- se
urna associac;;:ao de rninerais calcossilic~ticos com epidoto, diop-
sidio, grossularita, vesuvianita, wollastonita etc. Nos tacti-
-31-

T
tos, a granula9~o e normalmente fina a m~dia raramente grosse!_
ra.

Milonitos e Cataclasites - S~o rochas que geral-


'-r.

mente ~stiveram subm~tidas aos efeitos de falhamentos, e 1 cuja


caracteristica marcante e a redu9ao dos seus graos minerais ( em
rela9a0 as partes adjacentes nao af~tadas) devido a deslizamento
I
e cizalhamento. Reconhecer at~ que ~ponto a redu9ao resulta do
trituramento mecanico (cataclase) OU de deforma9a0 plastica (ci-
l
zalhamento) nao e facil. Entretanto, nao existem duvidas de que
o primeiro processo predomina em ambientes de baixas temperatura
/pressao e alta velocidade de deforma9ao e o segundo em arobien-
tes de altas temperatura/pressao e baixa velocidade de deforma -
9ao. 0 deslizamento e responsavel pela cataclase (:i:rituramento
mecanico dos graos) e 0 cizalhamento responde pela ~- .deforrnayaO
plastica·.

Antigamente, a diferen9a entre milonito e cata-


clasito era feita com base na granula9ao, e, o termo milonito de
finia as rochas mais finas, sendo que as ultrafinas eram denomi-
nadas de ultramilonito. Esse criteria era bastante problematico,
vista que nao estabelecia limites para se quantificar 0 grau da
redu9ao.
1-

Os conceitos mais modernos, tomara:rrl :como fator


de diferenciac;,::ao para essas rochas, a folia9ao (bandamento)_, es
trutura admitida como restrita aos milonitos. Assim, as rochas
-.; bandadas sao classificadas como milonitos, enquanto que as ro-
chas sem bandamento definem as cataclasites. Essa nova concep9ao
se fundamenta num cri terio mais paupavel, par is so, · : ' torna- se
mais compreensiva. Os cataclasites assumem agora a mesma amplitu
de dos miloni tos em te.rmos de granula9ao, assim, do mesmo modo
que uma rocha ultrafina e bandada, resultante das condi96es ja
comentadas definem urn ultramilonito, uma rocha ultrafina sem
--;]
--q bandamento caracteriza urn ultracataclasito. A figura 4, mostra

-r. com base nas percentagens entre matriz e porfiroclastos os


tes de urn milonito e de urn cataclasito.
limi
-;f'
'11
11 Filonitos- Sao r6chas originadas em zonas de fa-
'II lhamento~ mas que sofreram retrometamorfismo, diferindo portanto
•~
!
••
I

t·~
MATRIZ--~
.; ~~
NATUREZA DA MATRIZ PERC ENTAGEM DA
•f· .
I

Fraturada,possivelmente Com
corn recristaliza<;ao,po- Foliac;ao
rem de granulornetria fi
0-lO% 10-50% · 50-90 %
>--------- - - - - - - - - - -··
Prot:omilo
nito --- M:Llonito
90-100%

Ul.trarnilo-
•. I

I
. ..!
!
~

na a rnuito fin a - Brecha n.i.to f· ~

.: ..
Tectonicc:
Prot oea- Catacla Ultracata- f
Maci<;o
taclasito sito
. - cla.sito ~ .I •
f lf
Com recristalizac;ao eviden:
te, granulcrre tria fina a rre
- B L A s T 0 t-1 I L 0 N I T 0 1 'i •
•• ••
I
dia
c . - .
Vitrea P o E U D 0 T A Q U I L I T u j
..
~ -~-----------
--------- ·-~----- --- ----- -~------ - -------- ~~ --~
1; ,
!
I< , ~

!
Figura 4 - Quadro ilustrativo das rela<;6es e ntre as per c entage n s
matriz/porfiroclastos nas rochas do metamorfismo dina
t
f

mico e sua respectiva nomencla t ura (T r ouw 1981-inedi-.:::- !
to) . {" ·-l·
~-
_,
'
~ : I
{, i"l
6
~
dos cataclasitos e milonitos por apresentarem cristaliza<;ao de Jl ,
novas minerais (mica, clarita, albita e epidote). Tanto pela as-
4
socia<;ao mineralogica como pela estrutura xistosa, se assernelham
a verdadeiros filitos, deles diferindo quanta ao pro~esso de for
·.··
ma<;ao e por se originarem de rochas mais grosseiras.

Classificaxao Mineralogica - Muitas rochas meta-


morficas tern na sua mineralogia, a caracteristica mais marcante,
por isso, a composi<;ao mineralogica foi tomada como base para
classifica<;ao. Observando-se o conjunto de rochas que passamos a 0
descrever, verificamos que elas se compoem de uma miner alogia
bastante simples e tipica o que facilita sobremaneira a sua clas
sifica<;ao.
j;•
-~"'

Quartzites - Sao rochas formadas basicarnente per


quartzo recristalizado, podendo conter algum teor em mica (mica /!
~

quartzite) e algum teor em feldspato (feldspato quartzite). Se


gundo Winkler (1976), urn quartzite deve canter mais d e 80 % de
quartzo. Os quartzites, sao originados por metamo rfi s mo regia·-
nRJ. ou cte c o ~tato ou a i nda por processo diag e n~ti c o .

-
-33-

Marmores - Sao rochas compostas quase que exclu~

sivamente por calcita e/ou dolomita e originam-se por metamor ...


fismo regional ou de contato de sedimentos calcarios.

Anfibolitos - Os anfibolitos cornpoem-se basiea


mente de hornblenda e plagioclasio, apresentam uma granulaQao
media a grosseira e sao produtos de metamorfismo regional de
grau media a elevado de rochas igneas basicas ou alguns sedime~
tos calcarios impuros. 0 alinhamento de prismas de anfibolios e
responsavel por freqtientes linea9oes observadas nessas rochas.

Eclogites - Sao rochas raras, forrnadas a tempera


turas bastante variaveis, mas exclusivamente de altas press5es.
Como caracteristicas marcantes, os eclogites apresentam uma den
sidade elevada . (3 a 3,5) e urna mineralogia tipica formada basi-
camente pela associa9ao onfacita-granada (piropo-almandina) .Sria
densidade e sobretudo urn reflexo das altas pressoes, que sao
as mais elevadas encontradas nos ambientes rnetamorficos. Volta-
remos a £alar de eclogites no capitulo 10.

Serpentinitos - Sao rochas constituidas por mine


rais do grupo das serpentinas e originadas por metassomatismo
(principalrnente hidrataQao) de dunitos e peridotites. Contern
normalmente talco e clarita e apresentarn uma coloraQao predomi-
.
nanternente esverdeada. ',;

. ,
I Quanto a composiQaO quirnica, as rochas rnetamorfi
-,
- i
cas foram classificadas nas seguintes classes quirnicas.
I

1. Aluminosa - Derivada de sedimentos peliticos


e que resultarn na seqll~ncia metapelitica ard6sia - filito - xis
to aluminoso. p

-.1 !
2. Silicosa - Derivada de arenito quartzose e
- i I que dao como resultado os quartzites puros ou corn pequenos teo-
res de outros minerais.

3. Quartzo-Feldspatica- Derivada de arenite ar-


cosiano OU rochas igneas acidas, dando como produto OS gnaisses
e xistos feldspaticos.
- -- - ---- ---

• ~

••
-34- ·
(!
• I

c 14•
t I

4. Carbonatica - Deri vada de sedi-mentos calcario_s ,


podendo canter quartzo e minerais argilbsos como impureza e cujas f
I.
"' ,.
rochas resultantes sao OS marmores calcitiCOS OU dolomitiCOS. ~
~

i•
l.. ••

5. Calco-silicatada ou Calcio-Silicatada- Deriva-


a ,.
da de sedimento misto, conte ndo material silicoso, aluminoso e ' "'
,"(
l ;;
carbonatico. As rochas resultantes sao caracterizadas por uma
.-
ampla associa9ao de minerais calcio-silicatados como diopsidio,e- '
i
1
pidoto, gran~da, vesuvianita, escapolita, tremolita, etc. ao la-
~
do de quartzo e c a lcita Ex. tactito.

6. Basica ~ Derivada de rochas igneas basicas a


semi-basicas e alguns sedimentos tufaceos ou margosos irnpuros. As
rochas resultantes sao os anfibolitos e os clarita actinolita xis
tos. ~-

7. Magnesiana- Derivada de rochas igneas ultraroa- i -

ficas (dunito, peridotito e piroxenito) e alguns sedimentos magn~


sianos. As rochas resultantes sao os serpentinitos, esteatitos(ro
chas constituidas quase que exclusivamente por talco)_ e os xistos
magnesianos constituidos por clarita magnesiana, tremolita e anto
filita.
'·, -

8. Ferri fer a - Deri vada de sedimentos arenosos ri.,-


cos em ferro. As rochas re s ultantes sao quartzitos ferriferos co-
mo os que ocorrem em Itabira (MG). Associado a essas rochas, ~ c2
mum 0 desenvolvimento de orto-anfibolio da serie curningtonita-gru
nerita.

9. Manganifera- Derivada de sedimentos ricos em


manganes, tendo como produto, as rochas do tipo gondito.

Existem certos grupos rochosos, cuja classi~ica9ao


~ feita com base no ambiente de origem (classifica9ao gen~tica).
i. Enquadrarn-se nesta categoria as rochas do metamorfismo dinarnico,
cuja nomenclatura descende de urn ambiente particular, que sao as
zonas de falhai os hornfelses, termo generico aplicado a todas as
rochas do metamorfismo de contato, e granulitos, rochas que
sua origem ligada a ambientes onde P H 0 << P carga
2
- ,j ~.-


'-' A classificayao das rochas metamorficas, ·· faz uso
tambem de certos prefixos para i~dicar a natureza preterita das
rochas ou de familias rochosas. Desse modo, utilizam-se os prefi-
xes meta, orto e para Ex. meta-arenito, metagrauvaca, meta- basi-
to, para indicar que esses tipos petrograficos foram afetados por
11
metamorfismo de baixo grau. 0 prefixo para 11 indica que a -. .. rocha
rnetamorfica, descende de uma rocha sedimentar Ex. paragnaisse~ pa
ra-anfiboli ·t o, enquanto que o prefixo 11
orto" indica que a rocha
d~scende de uma rocha ignea Ex. ortognaisse, ortoanfibolito.

NOMENCLATURA DOS MIGMATITOS

Os migmatito~ representam uma fonte de grandes


pol~micas entre os autores. Verificam-se diverg~ncias quanta a
classificaqao, riomenclatura e g~nese. 0 termo migmatito, foi cria
do por Sederholm (1907), para designar uma rocha de mistura, for-
mada por uma matriz mais antiga e de aspecto metamorfico, e, ~a­

terial de aspecto igneo introduz~do (por inje9ao magmatica, meta~


~1

I somatismo etc) ou pela redistribuiqao do material componente da


propria rocha atraves do processo de
-
segregaqao. A parte mais.., an- ___ ...._,.........,,,~,--~- -""""""'--"··--- - ~ ·· '·"~' "' ' -' "''' ,._---· - ··~

tiga. tern uma constitui<;;ao mafica, sendo formada essencialrnente


.,.- - . . - - -·
~ r-""'" '"'"'~--,..- ~--------~
- . ......- --....... ____ -- ~- ~ ~----··-
- ~---·--·~ ·~---., ----..,-. ~ ---- --~""""""'- "''· · - -··· -......-.-->• -".~ ·~---..

por micas e anfibolios e denomina-se de paleossomai enquanto que


. .......__. . .. ~ ---=- . ,. ,. _,. . . . -.._. ,.___. ,. . ._.. - -._. . . ... ___
·~------~-~._....- ,..... - ,.,~~-~--- ~-~---" ·~····~- ~-,.., ~- - · ·~--~- ----.......,·------·--- ·~-~-

o material neorformado pela redistribuiqao ou in-troduzido tern ge-


~~~-~:~~~~;-~m~----~-;~~~~-~~~~i=siii~it.i~~~~(g1l_a;~t~~"·~~~-~i~~~~-i~i;J-~~;~ de;o~i-
na~se d~ '"ne-os~'oma. 0 material
--.:........:...:__:_.__:....
. ;.,._.---......... ··- -·' :~contido
maf ico que possa estar' . . .
. no
neossoma, denomina-se de melanossoma, enquanto que o material fel
_ _...._....--~---,..........,_,_~-....----·--~!'~~,...-·f"•~~--"'~~--N...,.~~~_,/i<~~'~"'!!.•""'!~"'""''--~-

_
sico denomina-se de leucossoma.
_ ..
Os termos paleossoma e
.,......__..__,-;.,..:.;;..-:,-.o )'VIt-""•~-~ ..,.~'•-'.-<• -,.. ,,.._,.,_,.~,- .._._,. .. _.._,,.~,i.>M•;,- ;o;.:••.:•-~-~"~-.."'~"~--.~ .._.,:-.-;,r,~-· -'<'fn~.--·
neossoma
sao gen~ticos e s6 devem ser utilizados, se a rocha for comprova-
damente urn migmati~o. 0 problema maio~~ que a nomenclatura dos
migmati tos resu. 1 t~ lbasicam~nte dos tipos de estruturas desenvolvi
das pela penetra~ao do neod~oma no paleossoma, quando se sabe que
a maioria dessas estruturas se desenvolvem tarnb~m pela recristali
zaqao e~ gnaisses. Por isso, como na maioria das vezes, a distin-
qao entre uril gnaisse e urn migrnatito e praticamente impossivel em
observa96es de campo, sugere-se que, a classifi~aq~o que venha
a ser adotada, deve pelo menos ate que se tenha o apoio das anali
s es qui micas, geocronolog-icL.s etc. evi tar a utili za<;;ao de termos
geneticos.

Entre as classifica~6es existentes para migmatito~.


-36-

tres sao de fundamental importancia: A classificayao de Jung &


Roques (1952), a classificay~o de Mehnert (1968) e a classifica-
- ~ ~0nQaJo Bonorino (1970).
~a~

A classif .icay~O de Jung & Roques e a mais sim-


ples, tern por base as proporyoes paleossoma/neossoma e subdivide
os ~igmatitos em dois grupos Migmatitos homog~neos e
Migmatites heterogeneos

homogeneos jembre. chi tos


lana texi tos""
Migmatitos
.

~
agmatitos

heterogeneos epibolitos
diadisitos

Nos migmatitos homogeneos, verifica~·se o predomi


nio do neossoma, enquanto nos migmatites heterogerieos .quem predo
mina e 0 paleossoma. 0 bandamento nos migmatitos homogeneos e
irregular, podendo as
vezes estar ausente. Os embrechitos, carac
terizam-se por uma orienta9~o (foliayao) relativamente bern con-
servada e os tipos mais comuns apresentam porfirobl~~tos de
feldspato alcalino em forma de olhos ( "oeillee") ou a1nigdalas
(figs. 4.1 e 4.2). Os anatexitos, encontram-se num est~gio evo-
luido tal que a orientayao praticamente inexiste, fazendo com
que a rocha adquira uma estrutura isotropa muitO proxima de um
granite. (fig. 4-3).

Os migmatites heterogeneos, apresentam estrutu-


ras tipicamente gnaissicas. Os ~gmatitos, tem o aspecto de uma
brech~ ignea, com uma massa granitica servindo de matriz a encla

ves (blocos) de rochas gnaissicas (fig.4-4l. Os epibolito~, ca-


racterizam-se por uma estrutura em filonetes, lentes ou camadas,
distribuidas concordantemente c~m a foliayao (fig. 4-5) e os dia
disitos sao representados por ~rna estrutura discordante, Onde OS
veios do neossoma, cortaro o paJeossoma (fig. 4-6). A estrutnra
ptigmatica de Mehnert (fig. 4) c crresponde a UJTI t~. po de diadisi to
na classificac~ao de Jung & Roq1;es.

..<
-37-

As classifica~oes de Mehnert (1968 e Bonorino


(1970), tern por base urn esquema iniciado pelos autores suiyos
Niggli e Huber (1943). Mehnert se restringe aos termos j~ exis-
tentes, definidas anteriormente por Sederholm, Hohnquist, Sheu-
mann e outros, enquanto que Bonorino propoe alguns novos ter-
mos.

Mehnert (1968), individualiza doze estruturas


.principais para caracterizar os diferentes tipos de migmatites.
Trata-se portanto de urn esquema mais amplo e assim sendo,alguns
dos seus termos nao tern correspondentes na classifica~ao de
Jung & Roque. A figura 4.7 serve para ilustrar as referidas es-
truturas, e 1 os tipos sem correspondentes na classifica~~o de
Jung &· Roque sao OS seguintes: 2-dictionito 1 4-flebito, 6-sur -
re.itica e 3-Sho-llen. Dictioni to, e uma rocha ·com eli vagem perpe~

dicular a folia~ao, apresentando portanto bandamentos paralelos


e transyersais a estrutura s 1 . Flebitos, ca~acterizam-se por
uma e~trutura em veios irregulares ora concordantes, ora discor
dantes. Os flebitos, correspondem aos arteritos de Sederholm e
aos venitos de Holmquist, mas esses termos devem ser evitados
devido as suas implica~oes geneticas. Os arteritos indicam uma
origem por inje~ao magmatica e os venitos tern sua genese ligada
a segrega~oes dentro da propria rocha. Apesar de Jung & Roque
fazer referencias a flebitos (arteritos) como sinon~~o de anate
... '

xitos, nos vamos considera-los aqui como uma estrutura a parte,


'T concordando com Mehnert, visto que existe realmente uma diferen
I ~a entre as duas estruturas. A estrutura surre.itica reflete
I uma di. feren~a de competencia nas camadas. Esse aspecto se deve
provavelmente a uma varia~ao de composi~ao em determinados pon-
I
tos de uma rocha que esteve submetida a um esfor~o. Por exempl~

,,
I ,
em locais onde a
~ncurva, mas se a
concentra~ao

concentra~~o
era de biotita, a rocha apenas se
e de anfibolio, a rocha se que-
1
I bra permitindo o aparecimento de planos de fratura, que sao
I preenchidos originando assim o aparecimento de urn bandamento
I transversal. 0 processo e , em todos os seus aspectos, semelhante
"'
'I a forrna~ao dos boudins, sendo a estrutura resultante denominada
I de boudinagem. As estruturas 5-estromatitos, 7-estrutura dobra-
'1 da e 11-estrutura schilieren se correspondern com os epibolitos
(JR), as estruturas s~Ptigmatica . e 10-estictol.itica se corres-
pondem com os diadisitos (JR), a estrutura 9-oftalrn.itica pode

!
-38-

Figura 4.1. Ernbrechito Arnigdaloide

Figura 4. 2. Embrechi to (o=ilee)


ou oftalrnitico

Figura 4.3. Anatexito


-39-

·~

Figura 4.5. - Epibolito

"'1 ,

'-(

Figura 4.6. Diadisito oriundo


de mn piroxenito
-40-

-se corresponder com os embrechi tos ou com os epiboli tos ( ,J P. ) d e --


pendendo da rela~ao neossoma/paleossoma; 12-estrutura nebulitica
se corresponde com anatexite (JR) e a estrutura 3-Schollen, re-
presenta urn estagio mais avan~ado que agmatito e dictionito. Nes-
te caso, os bloco~ do paleossoma sao geralmente menores que nas
duas estruturas anteriores e encontram-se freqfientemente dissol
vidos, . tendendo a urn arredondamento.

A classifica~ao de Bonorino em sua versao origi-


nal (1970) nao nos parece simples. Em seu esquema ele propoe a
i~trodu9ao de sete novos termos, o que no nosso entendimento,tr~
ria certas dificuldades. Por isso o esquema que damos a seguir
representa uma versao simplificada extraida de Ulbrich (1978}.

Classifica~ao de B6norino

Bandado regula1.~

migmati·tos
Bandados
Estromatitos
i oftalmitico
amigdaloide

Heterogeneos. Diadisito

(flebitos) Ptigmatico
·Agmatito '·, ..

Embrechito bandado
migmatito Embrechito oftalmitico
Banda do Embrechito irregular
Homogeneo Embrechito amigdaloide
(embrechitos) Nebulito
Dictonito

Bonorino a exemplo de Jung & Roques, considera


tambem a rela9ao de predominancia neossoma/paleossoma, para sub-
dividir os migmatitos em duas familias ~rincipais; os migmatitos
de bandado het~rogeneo (flebitos e os migmatitos de bandado ho-
mogeneo (embrechitos). Entre os (flebitos), ~le enquadrou todos
os tipos com estruturas gnaissicas proeminentes (de Jung & Ro-
ques) com uma diferen~a, em lugar de epibolito, ele utiliza o
termo estromatito, por ser este de carater descritivo. Entre OS
migmati tos homogeneos, o aparecimento do ·termo embrechi to irreg~
-41-.
I
"'-'
1968

.-·-'
/ \... ~· I __'

1. Agmatito
2 . Dictionito

3. Shollen
4. Flebito

'--

5. Estromatito
6. Surrel.tica

7. Dobrada
8,··,.. Ptigrnatica

., ...

11. Schilieren
i :· =-··r~:'
, - ;·
~ --, . ._,,.
';- ' .'
12. Nebu1ito
: ; ·.

" .. . . .. -~ . • -
r _·\ · ··::, y ·.' i.'
.t '''·
•·, !' .,f,: ) f:, , 't . ... . ' ~1. f.'-~,
·~ . ' '•.'
· ;.
1
_· . . ~._ .. \ '\~,"" ]'.• ;• \ ..: -~~- f:.' ''' ... ·• . ! f.. !
-\~- - . . ~-'"\1 ·~) ·..!: ; ,'. ,,:. ·"':., ,·!.·. · · r·\ · : ..~ 1
~-. ·· ~~=~to<.· · - ~t ~·, \ r.!'.' .. J} ~·:..,.{-:'2 · •',; · ·~
<'-6.'.~:.:~:-(-:<: .:.. :!-~ ~--~---:~- ~-~~_;[~.:..:. :..r:;~~ li~·~ ·. ;;_. __..! '.;:'il- f 1 '1 ~
-42-

lar se refere a urn tipo de embrechito em que a folia9ao aparece


com microdobramentos.

Na classifica9ao de Bonorino, nao nos parece ad~


quada a utiliza9~0 do termo flebito para caracterizar o grupo
dos migmatites de bandado heterogeneo. Achamos tratar-se de uma
estrutura bastante tipica, restrita e que nao deveria ser assim
ampliada para nao perder 0 seu significado original, 0 qual j~
se encontra consagrado pelo uso. Por outro lado, a classifica9ao
de Jung & Roque faz uso de dois termos geneticos (epibolito e
a~atexito}, alem de misturar 0 termo anatexite (que e gen~tico},

juntamente com termos descritivos.

A classifica9ao de Mehnert, e a nosso ver a que


menos implica9oes apresenta, visto que se f1.1ndamenta em termos
puramente descritivos e cobre praticamente todas as estruturas
conhecidas.

'', '
-43-

CAPITULO 5

A REGRA DAS FASES NO METAMORFISMO

As condi9oes petrogeneticas de urn determinado ti-


po rochoso podem ser deduzidas a partir da sua mineralogia, que
e urn reflexo da composi9a0 quimica. Alem das condi90es geneticas,
a composi9ao quimica permite predizer as minerats que podem ad-
vir de uma rocha de determinada composi9ao e fornece ainda subsi
dios para que se possa limitar 0 numero de fases minerais, em fun
9ao do numero de componentes quimicos presentes. Isso e possivel,
gra9as ao emprego da regra das fases, definida conforme equa9ao
abaixo~

F = C-P+2

P= numero d~ fases
C= numero de componentes
F= grau de liberdade

Fases (P), sao as partes homogeneas de urn sistema,


cuja separa9ao se faz mecanicamente Ex. os estados f~sicos da
H2 0 (Solido-Liquido-Gasoso)= 3 fases. Ja uma mistura de diferen-
tes gases, representa uma so fase, porque os gases sao totalmente
missiveis. Num exemplo petrografico,os minerais sao as fases do
sistema representado pela rocha.

Os componentes (C) , sao o menor numero de espe-


cies moleculares capaz de expressar todas as fases do sistema (ge
ralmente sao os oxidos dos elementos Ex. MgO, CaO, FeO, Si0 2 etc.

0 grau de liberdade (F) se refere as variaveis de


temperatura, pressao e composi9ao quimica.

t - ~ .
Considerando-se uma rocha de composi9ao qulmlca
constante (sistema fechado), verifica-se que as possibilidades de
se ter F=O sao prc\ticRmente nulRs, como tC\mbcm s~o muito di.f1ceis
condi9oes em que F possa vir a ser igual a l (F=l) . No primeirq
-·44'-
.• ....
'1 ....

t
~~
.
.!
I
..

~
caso, teriamos que admitir urn pacote rochoso no qual temperatura '•
fl


,
e press~o permanecessem invari~veis em todos os niveis o que e f;
praticamente impossivel, enquanto que no segundo caso, a tempera- ~
••
tura ou a press~o se manteria constante o que representa uma con- ~ ~
dic;~o muito remota. Temperatura e press~o, s~o dois parametros ~ 11
que normalmente variam ponto a ponto, essa condi<;;ao, impoe a
urn valor minimo igual a 2 (F > 2), desse modo, a regra das fases
F ~
1\

~

.
~ -~
F=C-P+2 fica reduzida a expressao P ~ c, conhecida como regra mi-
l
neralogica das fases de Goldchmidt. Essa regra mostra que o nume-
ro maximo de minerais em equilibrto numa rocha, e igual ao numero
'
~ -

1
~
de.componentes. Caso o numero de fases seja superior ao n-Limero
A, 4
de componentes e muito provavel que OS minerais n~o representam ;t -,
uma paragenese em equilibria. Os exemplos que daremos a seguir,a- ~ i
judarao a compreender melhor o mecanismo da regra das fases. t 1
-J
-\ •
Exemplo l 4
i
i
j

~. 1
-
Considerando-se as reac;oes dos polimorfos de alu- ti -·'

minio Cianita t sillimanita, cianita t andaluzita e andaluzita 4 1


,:,'l:.]
t sillimanita (fig.6), temos as seguintes situac;oes.
' '1
~-. I
Nas linhas de rea9ao

C== l (Al 2 Si0 5 ) t. ' ;

P== 2

F== l-2+2:~ F= l

Nos campos de estabilidade


~)
C== 1
( -

P= 1
t
F== 1-1+2:. F=2 t -

No ponto triplice

C::= 1

P== 3
(- -

F== 1-3+2:. F==O ')-


~) -.

Este e urn exemplo muito particular porque urn a


" 1
-45'-

rocha n~o pode se constituir de urn Gnico cornponente.

Exernplo 2

P= 5

F= 4-5+2:. F=l

Observando-se a figura 5, verificamos rnais urna


vez que nas linhas de rea9ao tern-se F=l, isso significa que a tern
-
peratura varia de acordo corn a pressao, ou seja a cada ponto de
temperatura na curva, corresponde a uma unica pressao ou vice-ver
sa a cada press~o, corresponde urna unica temperatura, o que carac
teriza urna rea9ao univariante.

Exernplo 3

Calcita + Quartzo = Wollastonita + CO 2·.;

Do modo como a rea9ao encontra-se enunciada ela e


univariante (C= co 2 + CaO + Si0 2 ; P= 4 e F=l). Na natureza porern,
a agua esta sernpre presente nos poros das rochas carbonaticas se-
dirnentares,contribuindo assirn com rnais urn cornponente. 0 sistema
passa agora a contar corn quatro cornponentes (C0 2 + Si0 2 + CaO +
H2 0) e ~ rea9ao passa a ser bivariante; C=4; P=4 e F=2. As rea-
9oes ern rochas carbonaticas sao bivariantes (F=2), isto porque a
agua passa a ser urn cornponente adicional, sern que o nurnero de fa
ses seja alterado, apenas a, fase gasosa passa a ser cornposta de
co 2 + H2 0. Nestas circunstandias, ternos que considerar na pressao
total dos fluidos a influencia das pressoes parciais Pco 2 e PH 2 0.
A dilui9ao do XC0 2 pela agua, faz variar a temperatura, sern que
a pressao total seja rnodificada. Assirn, rnantendo-se a pressao to
tal (fluida) constante, a temperatura dirninui corn o decrescirno de
-46-

XC0 2 (Ver fig. 6-4). Nas rea<;;oes bivariantes temperatura. e pres-


s~o variam independentemente.
' .-.
f···~
Note-se que as condi<;;oes F=O e F=l, sao muito f: ~.•
restritas, resumindo-se a urn ponto ou uma linha. A caracteriza - f ·Ill
f;'· ;it
<;;~o de urn determinado tipo rochoso, tern uma implica<;;ao extensiva
~~ ~
ou seja presen<;;a de uma paragenese em equilibria, distribuida nu
f ,.
rna certa amplitude (camada}. Dal. o porque da afirma<;;ao de que na
natureza essas condi<;;oes sao praticamente impossiveis. fl' ·•
f1*~
f ..
Nos casos enfocados, as rochas metamorficas re-
f· •
presentam sistemas quimicos fechados, mas existem casos em que f •
elas se comportam como sistemas abertos, principalrnente para cer f·' •
tos componentes como H 0 e co 2 . Quando isso acontece e sendo f. -.
2
F=2, a regra das fases fica alterada, porque. o acrescimo desses t •
componentes, ditos componentes moveis, nao vai concorrer para urn c[ ,.1J
aumento do numero de fases. Desse modo, o numero de componentes G.''
passa a ser (C-m) , onde m e o numero de componentes moveis e o ~··. .:1

numero maximo de fases sera: l/' .~


fJ;*1
fi····.~
P= (c-m)-F+2 ou P= e-m
t: ··~
~>·~
Ex. Considerando-se um sistema com os seguintes
1"''L1
componentes: co 2 , CaO, MgO, Si0 2 e H 0, onde co e H 0,sao com- 6iL,l
2 , 2 2 ~ ..
ponentes moveis, 0 nijmero maximo de fases resultantes seria tre~ €-,, 1
ainda que em termos potenciais, esses componentes possarrt formar ~ Ji
'I_
urn born nurnero de minerais tais como: calcita, dolomita, forsteri ~,, ...,!

ta, enstatita, diopsidio, serpentina, quartzo e brucfta. ff~l

tr'=
0 nurnero de fases poderia ser aurnentado para qua ~!~
I-

:.~:~
tro, se a pressao de carga fosse diferente da pressao dos flui
dos, o que acarretaria o aumento de uma unidade no grau de liber
~~'~
dade que passaria a ser F=3, visto que o sistema passaria a con- ~L-
tfi<:cc
tar com duas pressoes diferentes.
ct~·~
.,\t,:c
.;,
Na pratica, a aplicagao da regra mineralo9ica
~~~
I
das fases, apresenta certas implica<;;oes dificeis de serem contor
c•-=
nadas. Ern primeiro lugar, nao e facil se fixar o numero de comp~ ct.~~
nentes, devido ao problema relacionado a substitui9ao i6nica(is2 ~
morfismo). Existem problemas com os volateis, os quais tanto po-
~
·~
_____.....
~~

-47-

dem fazer parte do sistema, como serem considerados com:ponentes


moveis; urn outro aspecto que pode ocorrer e a altera9ao na compo
si9ao do sistema devido ao processo metassomatico, fato defendi-
do por muitos autores.

Como conseqfiencia dessa problematica,tem-se veri


ficado que em muitas rochas, 0 numero de componentes e bern maior
que 0 numero de fases.

03

02
0
(\J
I
0..
01

-• 0
4Q~Q~~-5~Q-0--~-6jQ_Q~---7LQ-Q~--8JQ0--~--9~00

Figura 5 - Campo de estabilidade da muscovita em presen9a de


quartzo (Turner, 1968).

...._
'

'

-•
--4 8-

CAPTTULO 6

REA~OES METAH6RFICAS E PARAG~NESES MINERAIS


'
t
~
~
As transforma<;_;oes processadas na composi<;_;ao mine-
~ ' ~
ralogica de uma rocha submetida a metamorfismo, sao regidas es- ~ -~
sencialmente por reacoes quimicas, que por se aesenvolverem no ,~ i
estado solido, sao denominadas de rea9oes metamorficas. 0 conhe-
f ·-.
cimento dos principios da termodinamica 1 e de fundament.al impor- ~ -~

tancia para urn melhor entendirnento dessas reagoes. As rochas me- f. 'f
tarn6rficas,comp6em-se de uma associagao de minerais, consolida - f -.
dos dentro de Ut-n determinado intervalo de condi<;_;oes. Cabe ao pe-- ~ 1
trologo, a tarefa de determinar essas condi9oes, com base nas ~ 1
~.
informa<;_;oes. obtidas da ar~alise mineralogica. · Como essas
-.
<;_;oes dependem basicamente da temperatura, pressao e frac;ao
- condi-
mo-
t. -·l
j.. -~
lar, deve o petrologo colocar i associa<;_;ao mineral num grfifico
.-,
~'-
PTX (sendo X a fragao molar) e dai tirar conclusoes sobre grau ..
-1
~
metamorfico e reagoes impor-tante envolvidas na forma<;_;ao da ro- ~\l.:l
cha. Os dados assim obtidos, devem ser cornparados com aqueles '-· 'l
fornecidos pela terrnodinarnica, para efeito de checagem. ~.
-1
I
G,
,
As reagoes rnetamorficas, compreendem as '~quatro
seguintes classes de reagao. f -
c,,
l. Rea<;_;oes solido-solido - envolvendo fases soli-
das, sern libera<;_;ao de volateis

'J,
2. Reagoes de desidrata<;_;ao - liberam H 0 corn 0
2
aumento da temperatura

3. Reac;oes de Descarbonatagao - liberam CO com


2
o aurnento da temperatura

4. Reac;oes de oxi-redugao- envolvem rnudar1<~; as

do estado de oxidagao.

Como exemplo de reac;oes solido·- solido I v.-:unos fo-


calizar as transforma9oes de fases dos polimorfos de alurninio
;:..4~-

Al Si@ (andaluzita, cianita e sillimanita), de significado mar-


2 5
cante para o metamorfismo. As especies rninerais resultantes do
Al Si0 , enco~tra~-se espalhados numa ampla variedade de xistos
2 5
peliticos e muitas experiencias tern sido desenvolvidas para de-
terminar o limite das tres fases e o ponto triplice resultante
do encontro das tres curvas (fig.6). Essas experiencias tern visa·
do a utiliza9ao desses rninerais como indicadores relatives da
pressao (barornetros geologicos). Infelizmente, ao contrario das
exveriencias de rea9oes em outros minerals, os resultados aqui
obtidos sao bastante variaveis. Essas varia9oes, se devem a valo
res muito pequenos de liH, liS, liV e llG (respectivamente varia-
QOes de entalpia, entropia, volume e energia livre), envolvidos
- . . - - dP
nas rea9oes, o que provoca 1rnprec1soes na rela9ao dT' acarre t an
do portanto inclina9oes nas curvas que definem as referidas rea-
Qoes (fig.6). Para que se tenha uma ideia, proximo do equili-
bria, o liS da rea9ao andaluzita/sillimanita ~ de aproximadamente
1
0,3 cal mol-l grau- . Isso indica, que para se conhecer o limite
de fase com uma ap~oxirna9ao de + 509C, ~ necessaria prbceder de
tal modo que a energia livre (liG) seja + 15 cal mol-l. Nas rea~
9oes de cianita, ern que liS e mais ou rnenos 2, precisa-se conhe-
-1
cer liG dentro de urn limite de pelo menos ± 100 cal mol . Nos
dois casos, os valores das energias livres -
sao insignificantes ,
comparados ao valor da energia reticular dos tres polimorfos que
5
e de 5xlo cal mol-l. Outras irnplica9oes que levam a r~sultados
diferentes sao: o material de que ~ feito o cadinho utilizado(o~

ro ou platina), substitui9ao do Al 0 3 por Fe 2 o3 e a propria gra-


2
nulornetria da amostra, que nao deve ser tao fina como normalmen-
te se faz. Diante desses aspectos, as experiencias desenvolvidas
para determinar o ponto triplice, rnostrararn sensiveis diferenQa~

conforme o quadro abaixo.

TQC P(Kbar)
Newton - 1966 520 4,0
Weill - 1966 410 2,4
Althaus- 1967 595 6,5
Pungine e
Kitarov- 1968 540 7,6
Richardson
et al - 1969 622 5,5
Holdway- 1971 501 3,76
..
~ 11'111

~
F•
';··· ..
-50- l

f ..
Desse conjunto, os dados mais aceitos, sobretudo l.
I
devido a compara9oes com parageneses nas rochas, sao os de f •
Althaus (1967) e Richardson (1969), que colocam o ponto triplice
- de 5,5 a 6,5 Kbars. Winkler
f··.
em torno de 6009C e pressao (1976) f. •
prefere optar por uma faixa entre os valores encontrados por f' il
Althaus e Richardson, sobretudo por considerar que o Al 2 0 Si0 f; ..
3 2
nunca esta puro,e, que uma pequena substitui9ao do Al 2 0 por f'l ..
3 fj.
Fe o~ (muito comum na natureza), acarreta deslocamento do ponto.
2 f:~i •
Por isso, ao inves de urn ponto, ele considera uma pequena area
f'~i'.
em cujo centro 0 valor da pressao e aproximadamente 6 kb e a tern
f·,.
peratura e aproximadamente de 6009C.
f •
f;;.

com andaluzita ou
No campo, com o aumento da temperatura, as rocha.s
c~anita, sao seguidas por rochas com silliman!
••••
f··· l
ta. Sao conhecidos na natureza exemplos de rochas em que do is f·· l
ou ate mesmo os tres polirnorfos encontram-se associados. Isso po f, i -·

de representar urna area de ponto triplice ou indicar urn desequi- 4t· •


librio. Suponhamos que urn polimorfo de Al 2 Si0 , tenha se formado f);; •
5
dentro do seu campo de estabilidade e que sucessivas fases meta~ t:· :t
rnorficas mudem as condi9oes PT. Nesse caso, vao se desenvolver ~i-·
":i..1

E':-1
rea9oes para que o novo equilibria seja alcan9ado nas novas con-
di9oes PT, com forma9ao de minerais de Al 2 Si0 5 que podern ser di-
( -,
~J_. -,
~.
ferentes do anterior. Entretanto, o polimorfo anteriormente for-
'
mado, pode persistir nas novas condi9oes de modo metaesta'V·el, jun
tamente com os outros, estaveis no novo ambiente. As ;i:nterpreta-
90es petrologicas neste caso, devem ser bern criteriosas para que
nao se cometam erros. Com rela9ao a persistencia de minerais,Tur
ner (1968) afirma que a sobrevivencia de minerais formados por
rea9oes solido-solido, devido a diminui9ao das condiyOes PT,
mais provavel do que aquela resultante de rea9oes de descarbona-
yao ou desidrata9ao.

REA~OES DE DESIDRATA~AO

A agua, esta sempre presente nos sedimen~os peli


ticos, seja preenchendo intersticios entre os gr~os, ou como com
ponente das moleculas minerais. Com o aumento do gradiente PT, ela
e expulsa do sistema, sendo que no caso da agua molecular,o pro-
blema envolve rea9oes entre os minerais, tais como as exernplifi-
cadas a seguir.
-51·

1C
·~ ~
-"'


~
~
~
Figura 6 - Curvas de equi-
Cl.. librio das rela
90es de estabi-
--'
Kyanite lidade dos poli
Sillimanite
rrorfos andaluzi
5 ta, ciani ta e
sillimani ta (Ri
.__ chardson et al
-in Miyashiro,
'- 1975) •
'--/

--
~1oo~--~400~--~5~00~--~6~o~o----~7~ono----nso~o~
Temperature (° C)

15
t;:l
I
I
\
I Figura 6 .1 - CUrvas de e-
I quilibrio das
reay()es de de
.... I
sidrata9ao --=-
I (2) e (3) • A
I;) curva trace~
10
1---- daFT repre-
senta o equi-
l librio da rea
I 9a6 Fors.teri-
---- I ta+talco=Ens-
tatita + Bt,
a qual,rros a
-· ~

"'
.n 1JITa inclina -
..., :0>::
9ao negati va
~
~ acima de 1 0 kb
(Kitahara e
5 -
N
Kennedy -in
Miyashiro 1
.._,. 19 75) •
.,_..

- 0
500 BOO 900
._,i Temperature (° C)

......

._,
-52-

( l)
pirofilita cianita quartzo

muscovita quartzo sillinanita K-F

+
KA1 si 0 (0H) + Al 0 + KAlSi 0 + H 0 ( 3)
3 3 10 2 2 3 3 8 2
muscovi ta corindon K-F

A rea9ao (l) representa uma possivel reayao para


produzir cianita em metapelitos 2 e 3, representam a decomposi -
9ao da muscovita, em presenya de quartzo ou nao. Nessas reayoes,
considera-se que a fase fluida aquosa liberada, encontra-se a
mesma temperatura e pressao das fases solidas em contato, logo
Pf=PH O = Ps. 0 volume total e entropia. dos·produtos sao normal-
mente2maiores que aqueles dos reagentes em ate varios kilobars ,
porque o yolume e entropia da H2 0 liberados sao grandes. Pela
equa9ao Clausius Clapeyron, temos que:

6P 6S
6T = X 41,8
6V

Desde que 6S e 6V sejam positivos,~~ tambem o


sera, D que indica que a inclinayao da curva resultara ppsitiva.
Nas baixas pressoes de ate l Kb, 6V e muito grande o que resul-
ta urn ~~ muito pequeno. Aumentando-se a pressao ate 3 Kbar, o
6P
volume fica bastante reduzido, propiciando urn aumento em T.
6

As curvas de equilibria para as reayoe~ de desi-


dratayao mostram uma inclinayao positiva para valores de ·pres-
"'1
sao de ate 3 Kb (ver fig. 6.1). Para pressoes acima de 3 Kb,
curva torna-se aproximadamente reta, assemelhando-se bastante as
a
.J'1
curvas de reayoes solido-solido. Isso quer dizer que na tempera-
1;"1
.••?'1
tura de equilibria, 0 efeito da pressao e muito pequeno
P atinge valores superiores a 3 Kb.
quando
..,.;if.i
~.f1

0 exemplo que se segue extraido de Girardi (1979),


~--';t
·~

......
serve para mostrar a import~ncia
da agua nas baixas pressoes.Ne-

~
6P -
le, encontra-se calculado o T a 7009C e 2 Kb de pressao para
6
rea<;ao:
11-
-53-

-+
Muscovita + KF + corindon + H 0
2

~v = ~vF + ~vc + ~vH20 - ~vrn

109,6 + 25,6 + 35,3 - 140,6 = 29,3 ern 3

~s = 129,3 + 42,3 + 37,3- 189,1 = 19,8 cal/mol

~P 19,8 cal/mol 28 bar


~T= 3 X 41,8 =
29,3 em grau

""
Este resultado, mostra que o efeito da pressao
na inclina9ao da curva e rnuito pequeno nessa temperatura ( Ver
fig. 5.1).

Determina9oes empiricas de Thompson (1955 - in


Miyashiro 1975) tern rnostrado que o volume dos solidos diminuem
nessas rea9oes. Ern pressoes acima de 10 Kb, o volume de H2 0
liberado e pequeno, desse modo, se 0 decrescimo do volume. dos
solidos for relativamente grande, 0 volume do produto pode se
tornar menor que o volume dos reagentes e a partir dai, a cur-
va corne9a a ter urna inclina9ao negativa (Ver curva FT da fig.
6.1). Segundo Frye Fype (1969- in Miyashiro 1975) ern pressoes
rnaiores que 30 Kb (correspondendo portanto ao manto superior},
as curvas da rnaioria das rea9oes de desidrata9ao podem ter in-
clina9oes negativas.

Algumas rea9oes de decomposi9ao de zeolitos,se


processam corn ample decrescirno no volume das fases solidas, 0

que pede tornar a inclina9ao da curva negativa em pressoes re-


lativarnente baixas (Coombs et al 1~59 - in Miyashiro 1975}. Urn
exemplo de rea9a0 desse tipo e ilustrada pela decomposiy.ii'o da
analcima em presen9a de quartzo (Ver fig. 6.2).

REAGOES DE DESCARBONATAGAO

A forrna9ao da Wollastonita e as transforrna9oes


rnetarnorficas de rochas calq~rias em geral, nos fornecem bans
exernplo,s de rea9oes de descarbonata9ao. Tornando-se como exern-
plo a forma9ao da Wollastonita, tem-se que:
.... .,

-54-

-+
Caco + Si0 2 + CaSi0 + C0 2
3 3
calcita quartzo wollastonita

0 comporta~ento da curva de equilibria nas reagoes


de descarbonatagao, sendo a fase fluida cornposta unicamente por
(P
co 2 5 =Pco~), rnostra uma consideravel inclinagao positiva, para
2 - - -
valores de pressao ate 2 Kb (ver fig. 6.3). Com a diluiQao da fase
f=uida ~co 2 )
por H 2 0 fazendo com que Ps= PC + PH , essa inclina
02 20
gao positiva torna-se rnenos acentuada (ver f1g. 6.4}. Em pressoes
elevadas, a inclina<;;ao da curva pode se tornar negatj:va.

Ern presenQa de quartzo, os carbonates tipo dolomi-


ta e·rnagnesita reagem ern rnetarnbrfismo de baixo grau, fato que -
nao
ocorre corn calcita, o carbonate mais comurn (ver fig. 5-5). De acor
do com essa figura, verifica-se que sao necessarias -temperaturas
muito altas, para que a rea9ao aconteQa. Por isso, calcita + quar!
zo persistem desde metamorfismo incipiente ate grau elevado. Jv1esmo
nas mais elevadas temperaturas do metamorfismo regional, a calcita
s6 reage com quartzo quando a fase fluida rica em co 2 encontra- se
altamente diluida por H 0 ou quando a pressao dos fluidos ricos em
2
co 2 for baixa, tal como em metamorfismo de contato de pouca profu~
didade. A reagao, do modo como encontra-se acima representada,
univariante, vista que e constituida de tres componentes (C~O,C0 2
e Si0 2 ) e produz quatro fases (calcita, quartzo, wollastonita e
co 2 ). Entretanto, pela presen9a de H2 0 contida nos poros das ro-
chas, a reayao se torna bivariante, porque passa a contar com mais
urn componente(a agua) 1 sem que 0 numero de fases seja alterado,ap~
nas a fase gasosa que antes continha somente co 2 , contern agora co 2
+ H2 0. Os graficos das figuras 6-3 e 6-4, ilustram as duas situa-
Qoes, o primeiro se refere a reayao univariante, enquanto que o
segundo representa a rea9ao bivariante. No primeiro caso, a curva
e fixa porque a pressao total dos fluidos e
igual a pressao do C0 2
(Pf=Pco ) . Assim sendo, a temperatura varia com a pressao ponto· a
2
ponto. No segundo caso ( equi l.ibrio bi var iante) , uma p:eessao fixa,
faz a temperatura variar de acordO com Xco
contido na fase :fl.ui
·2
da, quanta menor o Xco menor sera a temperatura de forma9ao da
2 -
Wollastonita. Devido a isso, se a composiyao da fase fluida nao
for conhecida, a reayaO de equilibria da wollastonita nao pode ser
utilizada para se deduzir sabre a temperatura do event.o. A cornpos_i
<;;.ao da fase fluida, pode ser avaliada com base nas .tnforrnac;;oes ob-
-55-

'-

'-
5
'-

~ 4

'"-' :,.
.0
\.__, ~ 3
0

~
X"'
2 -\ -ol;
,. ...
- ....... ...
.... ...
""~-
'()
.. --
,;
..,.-:.---
------
...........

0 100 200 300 400


Temperature (° C)

Figura 6.2. Esta-figura e dirigida particularmente para mostrar


a inclina9ao negativa na curva de equilibria da rea
9ao + quartzo = albita + H2 0 (Campbell
~nalcima e
Fyfe, e Liou-in Miyashiro 1975).

,.

'-
"'
.0
-"'
r:::
II
N
0
t)
'-'' ~

._,
0
500 600 700 800
Temperature (° C)

Figura 6.3. Curva de 'equilibria da rea9ao para forma9ao da


wollastonita, em presen9a de uma fase fluida com-
pasta unicamente por co 2 (Harker e Tuttle - in
Miyashiro 1975).
-56-

3000
b~rs
-------~n
o
It

o
u
'"'
-
~
"' o·
"!I

o
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"<
~,

...,
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,,

"<

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c:;
I
~
I 0
u
'"'

) ~;
,,
I /, I
I
Figura 6 .·4. - Curvas de equi-

//
l.lbrio para for
Ccr,CO:J Co Si 0 3 + ma<;ao da wollas
Si02 _/ tonita,mostran=-
C02
do as vari.a<;oes

lf
1000
de temperatura
I I
em fun<;ao
concentra<;ao
da

I I
1 I[/
f. f
(xco ).P=Pco +
/.
I I
I I 1
I 1 I
2 2
,,
I, ./I "I
·'/ // /
+ p
H2 0=constan-
~~I
;,. /

300 ~00 500 600 - 700 fJOO 900 °C te (\"'ink ler ,


1976)-.

'.

800 1 - - - - + - - - - l

Figura 6.5 - Ilustra os inter


valos de ternpera
600
tura em que a
rea<;ao calcita +
+ quartzo=wollas
tonita + C0 2 se
500 processa em l e
2 Kbs de pressao
e a medida que
XCO varia (Win-
klef 1976)
-57-

tidas da petrografia. Sabe-se que a wollastonita nunca e encontr~

da nas rochas formadas em baixas temperaturas de 400 a 5009C, me~

mo em metamorfismo de contato de pouca profundidade, onde a pres-


sao pode ser de apenas poucas centenas de bars, 0 que indica urn
XC0 2 relativamente grande. Se XC0 2 e grande, nos podemos tomar
como exemplo uma curva onde 0,5 < xco <1,0 ,no caso 0,75. :Para
2
uma pressao de 500 bars (2km), a figura 6-4 indica que a tempera-
tura se encontrava no entorno de 6009C; para uma pressao de 1000
bars (4km) corresponde uma temperatura de + 6509C; a uma pressao
de 2000 bars (7 a 8km), a temperatura ja teria ultrapassado os
7009C. No metamorfismo regional, mesmo considerando-se as mais
altas temperaturas (700 a 8009C), a wollastonita geralmente esta
ausente, o que indica ser este mineral sensivel ~s altas pres-
sees. A wollastonita so ocorre em metamorfismo regional, quando
finas camadas de calcaria sao penetradas por. H2 0, diluindo o C0 2
e provocando urn rebaixamento da pressao (casos ·raros na natureza}.
·-
A rea9a0 de forma9ao da wollastonita e portante bivariante e a
associa9ao mineral que caracteriza o equilibria (wollastonita +
Calcita + quartz0) 1 deve Se distribuir p0r area a0 inves de linha
de isorrea9ao, fato comprovado por Trornmsdorff (1968, ·in Winkler
(1976)), nos alpes Bergell ocidentais.

REA~OES DE OXI-REDU~AO
'.

Quando focalizamos o problema das pressoes no capi


tulo l (urn), £alamos urn pouco sabre P0 2 . Nas rcx::has, os principais ·indi-
cadores da pressao 02 SaO OS OXidOS de ferrO (hemati ta 1 magneti ta
e wustita). Esses minerais, encontram-se relacionados pelas se-
._. guintes equa9oes .
I

6Fe
2 3
o = 4Fe o + o2
3 4
Hematita Magnetita

wustita

2Fe0 = 2Fe + o2
ferro nativo
·~~'
~- -
l
:1
"
.I

'' -~f·
A ocorr~ncia desses minerals ~ portanto controlada I

pela press~o
de 0 , e, o gr~fico da figura 6-6, ilustra os seus
2
campos de estabilidade. Para constru9~o desse grafico,temos que
conhecer o valor log P0 , o qual ~ obtido da equa9~o:
~ i
2
' -1
(l1G)
0
298 { . -~
2,303 log F0 2 = - onde se considera
P0 , sendo F0
RT
(a fugacidade do oxi genio) .
t I
2 2 & -j
~~. -;
Como se observa no grafico, a hematita ocupa a ,,.pt.;'· 'l
area de mais alta press~o
de 0 2 , sendo seguida pela magnetita,wu~ ~ 'l
tita e finalmente ferro nativo. Hematita encontra-se presente em ,_ I
algcimas rochas metarn6rficas, magnetita tern uma distribui9~0 mais >1; I
ampla, enquanto que wustita e ferro nativo, nunca s~o encontrado& ~:
-I
donde se conclui que a P0 2 nas rochas metam6rficas ~ da ordem de ~
-1
40 b' l
10 -lO a lo- 1
ars, o que represen t .a urn va.or mu1"t o ma1s
' . b a1xo
. I~

que b da press~o parcial de 0 2 na atmosfera. (l -I


I

PARAGf:NESES MINERAlS
' ~
"I.

Com referencia as associa96es minerals em equili -


'
"1--~

' '!
brio, existe uma diferen9a basica fundamental entre as associa- ~
96es minerais que caracterizam as rochas Igneas e as associa96es ~-

·If·~·
- ·,. .' '1"'
minerais que representam as rochas metamorficas. Numa roch~~gnea

a associa9~o mineral presente, representa a propria paragenese m~


f '•'
-~-
neral, vista que sua origem resulta do resfriamento de uma
9~0 homogenea dos varios constituintes que v~o formar a rocha.Pa-
solu
.
:q
ra uma rocha metamorfica, de origem sedimentar, a composi9ao po-
de variar rnesmo ern pequeno intervale e neste caso, a associa9~0
f
~-
mineral observada no espa9o de urna l~mina petrografica pode repr~ 41~ -·
sentar rnais de u~a paragenese. Por ser este urn aspecto de grande '•It --,
~~
signifi~ado nas interpreta96es petrogeneticas, o terrno paragene- 'f
se s6 deve ser considerado_para os rninerais que se encontram ern '
~
contato mGtuo (Winkler 1976 Pag.2l). t -
11,
A figura 6-7, representa urn desenho esquematico em ·~-

que os quatro minerais ABC e D formam duas parageneses ABC e BCD.


.•
;f-

t-
-

f-
if.
!
!f'-:
-59-

_... __ ------
'2 \<.'ell! - -
-5 '}late!, - - -
\'ure
~ ..-
..,
- - - 'l'Jater:...' _par- - - Figura 6 .6 _- Campos de
_.l'~rt;,_-- (2-18) estabilida
-10
de dos oxi
,.. _..Ha;"matite dos de fer
/
ro e ferro
nativo em
-15
fnnqao de
P0 (Ivliya-
2
shiro 1975)
-20

Native Iron

-30 (2-21)

-35
400 500 600 700 BOO 900 1000 1100
Temperature (° C)

''
y

Figura 6 . 7 - Ilustra mna


associayao

- de 4 mine -
rais ABCD ,
cx:msti tuin-
do 2 parag~
neses ABC
e :BCD.A fi-
gura rrostra
clararrente

D C) D A
que OS 4mi
nerais nao -
estao em
A a c D contato :rtii-
tuo (Winkler
1976) .
!"""'
(
'l

-60- i~
e:
CAPITULO 7
c
'";
·fl
HEPRESENTAGAO GRAFICA DAS PARAGt:NESES MINERAIS
MET.AM0RF I CAS

f~ 14
fl.~
~- '

(t -~
A rigor, os graficos das parageneses rninerais so
~· ~
pode~ ser representados no maximo por 4 cornponentes (portanto 4
rnj,nerais). Isto porque as experiencias rnostrararn que para o sis- ..-~, ~
tema ser satisfatorio, os componentes devern se situar ern pontos .tr· ~
equidistantes. Como o fator geometrico se irnpoe como urna
9~0 b5sica, nos temos para representa9~6 de 4 componentes,
condi
0 te- •
traedro e para 3 cornponentes, o triangulo equilat.:.ero. Os compo-
n~ntes maior~s das ~ochas metamorficas sao ern nfimero de dez:SiOz
Ti0 2 , Al 2 o , CaO, MgO, K2 0, Na 2 o, FeO, MnO e'Fe 2 o3 , desse modo,
3
n~o teriamos uma representa9~o cornpleta se utilizassemos apenas
3 OU 4 desses componentes. Por isso, nos Vamos ver rnais adiante
que rnuitos artificios forarn introduzidos para que a representa-
9ao triangular e tetra~drica fossem representativas.

Vejarnos inicialrnente, como funciona a representa-


9ao grafica triangular. Considerando-se a figura 7, temos os
tres componentes Al o , CaO e Si0 2 . Este sistema, pode 6:t:iginar
2 3
os rninerais corindon, si11imanita, quartzo, wo11astonita, gross~
1arita e anortita, porern, apenas 3 de1es podern coexistir ern equ!
librio de acordo corn a regra das fases. Nesse diagrarna, cadaver
tice representa 100% do components nele loca1izado. Ao longo dos
lados do triangulo, ficarn representadas as rnisturas e rninerais
constituidos apenas de dois componentes, enquanto que as rnistu-
ras e rninerais constituidos dos tre~ cornponentes, ficarn represeg
tados dentro do triangulo, ocupando urn ponto que define sua com-
posi9~o.Assim sendo, a s_i1lirnanita, que se compoe de A1 2 0 3 : Si0 2
(propor9~0 1:1, portanto 50% de cada), se loca1iza exatamente no
rneio do lado que une os dois vertices Al 2 0 3 -Si0 2 , o mesmo aconte
cendo com a wollastonita, que se situa no meio do lado que une
os dois vertices CaO-SiO 2 . Os lados do triangulo, encontra.m- se
subdivididos em interva1os de composi9~0 que variam de 20 em
20%, e, uma para1e1a a urn dos 1ados ~o triangulo, representa uma
linha de composi9~o constants do components do vertice oposto. A
grossularita e constituida por 43% CaO, 14% Al 2 D3 e 43% Si0 2 . A
-61-

linha pontilhada representa os 43% CaO, enquanto que a linha tra-


cejada representa os 14% de Al 0 , o ponto de cruzamento dessas
2 3
duas linhas define a grossularita, porque fatalmente a linha que
representa os 43% Si0 estara tambem passando neste ponto (repre-
2
sentado por urn circulo duplo) e a propor9ao e 3:1:3, isto e
"- 3 CaO: l Al 0 : 3 Si0 . A anortita, cuja proporc;;:ao molecular e
2 3 2
- 1 CaO: 1 Al o : 2 Si0
2 3 2 (25% CaO: 25% Al 2 0 3 : 50% Si0 2 ), fica defi-
'--
nid.a no ponto em que as linhas que representam essas compos~c;;:oes
-- se cruz am (ponte representado por urn triangulo). Determinados os
--- pontOS que representam OS minerais, nos devemos ligar esses pon-
tes por linhas denominadas linhas de jun9oes. Ao fazermos isso,
teremos o diagrama subdividido num certo numero de triangulos ir-
regulares, onde cada urn representa uma possivel paragenese mine-
ral (Fig. 7-l). A coexistencia de 3 minerais em equilibria impl~
ca portanto na formac;;:ao d~ triangulos, visto.que envolve tres
componentes (regra das fases). Isto significa que a coexistencia
dos minerais corindon-grossular~ta-wollastonita, nao se verifica

constituem una paragenese)' 0


.
dentro de um mesmo intervale de temperatura e pressao (isto
-
e,nao
mesmo pode ser di to em relac;;:ao a cori!!_
don-sillimanita-quartzo e sillimanita-anortita-wollastonita.

As parageneses representadas na figura 7-l,sao es-


taveis dentro de certo intervale de temperatura e pressao, entre
tanto, se em determinada pressao a temperatura ultrap~ssar certo
valor, o par grossularita-quartzo torna-se instavel e sua linha
de junc;;:ao desaparece, dando lugar ao aparecimento da nova _linha
wollastonita-anortita. Com isso, algumas parageneses desaparecem
do sistema com outras novas parageneses tomando seus lugares ~ig.
7-2) . A substitui9ao da linha de junc;;:ao grossularita-quartzo pe-
! la linha wollastonita-anortita, representa urn exemplo grafico de
y uma reac;;:ao quimica, conforme a seguinte relac;;:ao:
-· I

l grossularita + l quartzo = 2 wollastonita +


l anortita

DIAGRAMAS ACF E A 'KF

Os diagramas ACF e A'KF, servem para mostrar as


relac;;:oes entre a composlc;;:ao quimica e a mineralogia, alem de fun
cionar como uma aplicac;;:ao grafica da regra das fases. Esses dia-
1
..,
'f ~
Ill<"~~

-62·-
t
( ~
•f ~
L

Figura 7 - Pepresenta<;ao grafi-


t • ~
.- ••
ca. de rnine.rais resul
~ ~
tantes do sistema ~ -~

Al 0 -caO-Si0 2 (Win- ~
2 3 ~
kler-1976) .;
1
f l
....
L
f ~

f 1
f,, -~

-~
4I
Corunaum f J
A/2 0 3


t 1
~

Figura 7 .1 - Parageneses minerais •


Cc 1
1

em equilibrio no si~ • 1
terna Al 20 3-Ca0-Si0 2 ........ -i
(Winkler 1976) .
lord•
I J?,,.
' """ f:-; ' 1
' i
Co 0'-----"C--->L-....!...---"---"'--...___,....;"""' $i Oo
CuiJ,Jl.z'
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JJ :
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''
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~---

~;<
~>

·:1,... ./,
•,l-
••
Figura 7.2- Parageneses minerais ·~

ern equilibria no si~

.-·-
tema Al 2o3-caO-Si0 2 ,
numa. temperatura su-
perior a de 7 .1 (lv~

--•
~-
kler 1976).

•(·-
-63-·

gramas sao de grande importancia no estudo da petrogenese meta-·


morfica, embora cer·tas correc;oes tenham que ser fei tas, corre-
c;oes proprias de urn sistema que funciona a base de "tres comp~
nentes", quando as rochas metamorficas fornecem uma base de 6
a 8 componentes importantes.

0 diagrama ACF, e aplicado as rochas com exces-


so de silica, assim, o componente Si0 2 nao precisa ser represen-
~ado e 0 quartzo e urn mineral adicional em.todas as parageneses.

Neste tipo de diagrama, nao sao representados OS minerais acesso


rios, nem os silicatos de, Na e K, como minerais desses elemen-
tos encontram-se sempre presentes, devem ser feitas corre~oes.P~
ra OS minerais acessorios, determinam-se as percentagens em peSO
(atraves de an~lise moddl) de ilmenita, magnetita, titanita e
hematita que sao os minerais mais comuns. 59% da percentagem em
peso da ilmenita e subtraida do FeO da·an~lise quimica; 30 e 70%
da percentagem em peso da magnetita e subtraida de FeO e Fe 2 0~ i
30% da percentagem em peso da titanita e subtraida do CaO e a
quantidade de hematita e subtraida do Fe 0 . Feito isto, _trans-
2 3
formam-se as percentagens em peso restantes, em propor~oes mole-
culares, dividindo-se a percentagem em peso de cada oxido, pelo
seu peso molecular, Si0 2 , H 0 e C0 sao desprezados. 0 valor de
2 2
A, e representado pela expressao A= (Al 2 0 3 + Fe 0 3 )-(K 0 + Na 2 0),
2 2
. ....d o po~~ F e 3 + e
uma vez que se cons1. d era que Al 3 + , e- su b st1tu1 os
silicates de Na e K nao sao representados; o valor F e represen-
tado pela soma (FeO + MgO + MnO), porque os elementos Fe, Mg e
Mn se substituem mutuamente e o valor C= Ca0-3,3 (P 2 0 5 ) porque
na apatita a propor~ao CaO: p o = 10:3 ou seja 3,3:1. Portanto
2 5
podemos escrever:

F= FeO + MgO + MnO

Para se corrigir a analise em relac;ao aos silica


tos de K e Na, nos temos o seguinte. Na albita, a rela~ao Na 2 0:
Al 2 0 3 e l~l, do mesmo modo nos feldspatos K, a rela~ao K 0:Al 2 0 3
2
e tambem l:l, entao podemos samar K 0 + Na o e subtrair o resul-
2 2
tado do Al o (tal como most~a o valor de A) . Esse procedimento
2 3
não afeta o balanceamento do alumínio em relação ao K presente em
outros minerais e cuja proporção molecular e idêntica a dos Felds_
patos, isto ê 1:1. Por issor na biotita, que ê um mineral de K,
Al (Fe, Mg), devemos nos preocupar apenas em determinar o (Fe,Mg) O,
visto que a proporção K-OrAl-O., ê 1:1 e a percentagem do aluna
nio correspondente ao K, já foi portanto subtraída quando consicle
ramos os feldspatos. Para se corrigir o (Fe, Mg)o da biotita, de-
termina-se a % em peso da biotita através da analise modal e cal-
•culam-se em % de peso os teores de FeO e MgO, subtraindo-se esses
resultados dos valores de MgO e FeO da analise química. Admite-se
para efeito de simplificação que a proporção FeO:MgO da biotita
é o mesmo da rocha, Se a rocha contêm muscovita, não existe corre_
cão para o valor F, porque a muscovi-ta ê considerada isenta de
(Fe, Mg)o, contudo/ o valor de A deve ser corrigido porque a pro-
porção
" '
K/70:A1
> /
00..> na muscovita é 1:3. Neste caso, calcula-se a per
. J " *~~

centagem em peso da muscovita e determina-se a proporção molecu-


lar do K-0 combinado na muscovita, dividindo-se a percentagem em
peso, pelo peso molecular do K^O e o dobro desse valor, subtrai -
se do Al~0~, não subtraímos o triplo, porque uma quantidade equi-
valente a uma vez desse valor já foi subtraída quando considera
mós os feldspatos. Se a paragonita estiver presente, uma correção
semelhante a da muscovita deve ser feita em relação ao Na^O«Outra
correção que deve ser feita é no CaO em relação ao P O^ assim,
• ;•.
3,3 (P~0n) será subtraído do CaO (tal como mostra o valor de C) ,

porque na apatita, a relação CaO:P20 ê 10:3, Processadas todas
essas correções, as proporções moleculares são recalculadas para
100 e plotadas no diagrama ACF onde agora

A= A1203 + Fe203

C= CaO

F= FeO + MgO + MnO

Exemplo:

Considerando-se que a analise química d.e uma rocha


sem biotita e muscovita tenha fornecido as percentagens em õxidos
abaixo e que a analise petrografica tenha acusado 1,0% de magneti_
ta, 0,5% de titanita e 1,5% de ilmenita, temos a seguinte marcha
do calculo, ,
-65-

1,0 magnetita - FeO.Fe^ (30% FeO e 70%


0,5 titanita - CaOTi02 (30% CaO)
1,5 ilmenita - FeOTi02 (50% FeO)

temos então que subtrair do FeO = 0,3 + 0,75 = 1,05

Fe2°3 = °'7
CaO =0,15

v %Peso Peso Mo f Prop. Mol.

Si02 48 .62 60 .07 0.8094

TÍ02 1.84 79 .89 O.0230

9 .71 101 .82 O.0954


A12°3

5 .40-0,7 =4,70 159 .68 O . 0 3 3 8 - 0,0313


Fe2°3

FeO- 4 . 45-1,05=3,40 71 .84 0.0619 - 0 , 0 4 7 3

MnO 0 .16 70 .93 O.0023

MgO 7 .69 40 .31 - 0.1908

CaO 9 .89-0,15=9,74 56 .07 0.1764 - 0,1737

Na20 3 .94 61 .97 0.0636

0 .31 94 .20 0.0033


K2°

H20 (total) 6 .80 18 .01 0.3776

P205 0 .18 141 .92 O . 0013H

C00 0 .86 44 .00 O .0195


£,

Total 99 .85

Em seguida, calculam-se os valores ACF do seguinte


modo.

A —

C = CaO-3,3 (P2°5)
F = FeO + MgO + MnO

A = 0,0954 + 0,0313 - 0,0669 = 0,0598


r
r C = 0,1737 - 0,0043 = 0,1694
T F = 0,0473 + 0,1908 + 0,0023 = 0,2404
-66-

A = 598 C= 1694 F- 2404


A = 13% C= 36% F= 51%

DIAGRAMA A'KF

Winkler (1976), sugere que em algumas situações,ao


lado do diagrama ACF, deve-se utilizar também o diagrama A'KF,vis
to que neste, os minerais de K (Feldspato, Biótita, muscovita e
estilpnomelano) são representados ao lado de minerais com (Mg,Fe)-
( Mg, Fe) + ( Al, Fe) auxiliando assin a uma interpretação
mais exata. Tudo que se fez em relação ao diagrama ACF, deve ser
considerado também para o modelo A' KF com pequenas ressalvas. Os ^"*
minerais de cálcio não são representados, assim, todo CaO combina_ *'
do nos minerais de CaAl e CaFe deve ser subtraído do valor de A, .^
bem como deve ser feita uma correçao no valor de F para os min^ '.
"rais diopsídio e hornblenda. Os parâmetros A'KF ficam assim repre_
sentados. ,
w

A'^(A1?03 + Fe?03)-(Na20 + K20)~ 1//3 Ca ° contido em grossularita %


andradita .

- 3/4 CaO contido em epidoto ^
zoisita
*
- CaO contido em anortit*a (§
~ 2CaO contido em margarita (f

F- FeO + MgO + MnO - (a correçao do diopsídio + hornblenda) <§t


*
os valores 1/3, 3/4 e 2 resultam do fato de que a relação CaO: 0'
&r1
Al~0 nos referidos minerais, não ê 1:1 como na anortita. Se não W'-
existem minerais de cálcio como granada, minerais do grupo do epi_ ™
doto , margarita, e, diopsídio e hornblenda encontram-se também
ausentes, os parâmetros ACF ficam representados de modo mais sim-
ples. O CaO contido em calcita e wollastonita, não é subtraído.SÓ
é subtraído o CaO de minerais de CaAl e CaFe, A correçao para ca_l
cita e wollastonita é feita de modo semelhante aquela efetuada pá
rã K20 da muscovita no diagrama ACF.

A'= (A12°3+ Fe2°3)"ÍNa2° + K2° + Ca0)


-67-

K= K20

F= FeO + MgO + MnO

A' + K + F = 100 (em proporções moleculares)

Os pontos que definem minerais de A-F no diagra-


ma ACF, ocupam em A'KF mesma posição,e, os feldspatos potãssicos
são representados no vértice K (ver fig. 7-3). O ponto que defi-
ne a muscovita apresenta uma proporção K:A1 de 1:2 (K= 33, A.' =
67), visto que a fórmula química da muscovita é: K^O: SAljCU :
6Si02:2H2Ò e uma parte de A1203 equivalente a um K20 j ã foi sub-
traído do (A190~ + Fe90_). . A formula química ideal da biotita é:
£.•--) £+ J

K20:6(Fe, Mg, Mn). 0: A1203: 6Si02: 2H20 . Essa composição correspon


de a um ponto do lado KF, onde K= 14% e F= 68%, visto que uma
quantidade do A120 equivalente ao K20 já £oi subtraído do valor
A(A1203 + Fe20.,) . No caso da biotita, o Al, substitui' (Fe, Mg)em
até 15%, por isso, a biotita fica definida num campo representa-
do, por K= 14%, F= 71% e A= 15%. Quando a paragonita encontra- se
presente, sua representação deve ser considerada, para isto,' te-
mos que construir um diagrama semelhante AFNa.

UTILIDADE DOS DIAGRAMAS ACF e A'KF

Esses diagramas são utilizados geralmente para


caracterizar os diferentes fácies metamõrficos, raramente são
empregados para definir composição de rochas isoladamente. O
ponto que define a composição de uma rocha, indica os minerais
que podem ser esperados, de acordo com as condições do metamor-
fismo. Desse modo, temos que saber as condições metamõrf iças por_
que este fator faz variar as associações minerais em rochas de
mesma composição química. As condições de metamõrfismo são obti_
das . a partir de uma análise petrográfiça.

A importância do uso em conjunto dos dois diagr.a.


mas pode ser mostrada no seguinte exemplo.Tomemos a composição
CM
-68- 'í 4j

í ,M
ul
í) j
«H
í) j
n1
íM
í; r

>'jA) Al-rich e/a/s and sh*l*s


è'!
;'/H! C/a/s and shalv» tilhtr frtt of
*""' carbonate or conistning yp to
35 '/• caròon»íe ;
fctíw»#nr a r r o w s : m»rfs
coníaining 35-55% carbonatt f !

0 ic rocks

© rocltf
Btxallic *nd intftsltlc

F F.
B Bistttic roclti
^ Tonalííes . a*/«
$ Grfnocltorltts J Continental c/a/s o/
tropicmi bt!1
A C>íc - i/* J/í grin/tes
4 M*r/n» c/*/s
T Alktli yrtnilts

i
Figura 7.3 - Representação de várias composições químicas de
C
rochas ígneas e sedimentares (Winkler 1976)
.i

Andalusitt

Anorth/tt

Grostultritt
Andrtditt

C Oiepsidt Acllnelilf p p
CUcilt Trtmellti Tile
(Wcllfftonitt) Ànthophfllitt
r
Figura 7 . 4 Paragêneses do metamorfismo de contato de grau
médio e pouca profundidade. Considerar que a es_ «r
taurolita pode se formar também (Winkler 1976)
â
-69-

de uma rocha pre-metamorfiça, um folhelho aluminoso do campo IA",


conforme diagrama da figura 7.3.

Esse folhelho submetido a metamorfismo de conta-


to de.grau médio e pouca profundidade forneceria conforme o dia-,
grama ACF da figura 7-4, a seguinte paragênese.

Andaluzita + Cordierita + Plagioclasio + quartzo

v ,

Esta seria a composição do Hornfels resultante


do folhelho se não houvesse K no sistema ou se sua presença fos
se insignificante, porque o diagrama A'KF mostra que havendo po-
' tãssico, teríamos que ter muscovita na associação mineral e a pá
ragênese correta seria:

Andaluzita + Muscovita + Cord.+ plag-.+ quartzo

A construção dos diagramas ACF e A'KF, tem. por


base a composição química dos minerais e as relações A:C:F -em
cada mineral (Ver tabela 7 e gráficos das figuras 7.5 e 7.6 ). Em vir-
tude da variação petrográfica de uma área de composição homogé-
nea ser função de uma variação nas condições metamorfiças, uma
análise petrográfica nos indicará as condições do metamorfismo e
a rocha de partida.

DIAGRAMA AFM

O grupamento dos componentes (FeO + MgO) nos dia


gramas ACF e A'KF, acarreta alguns problemas na coexistência de
certos minerais. Assim,existem rochas em que' a biotita coexiste
com muscovita + Al2Si05 ou biotita + cordierita + andaluzita +
+ muscovita e no entanto essas paragêneses não podem ser repre-
sentadas no diagrama A'KF devido a simplificação de se computar
(FeO + MgO) como um só componente.Os diagramas AFM corrigem esta
deficiência porque neles, FeO e MgO são considerados componentes
individuais. Esses diagramas são aplicados às rochas de composi-
ção pelítica e para se fazer a representação gráfica AFM da ro-
cha, deve-se considerar a correção para os minerais não represen
tados, como a subtração do A1203 dos plagioclãsios (seja albita
-70-

TABELA 7 - MINERAIS METAMÕRFICOS QUE PODEM SER REPRESENTADOS NO


DIAGRAMA ACF (Winkler 1 9 6 7 ) -f. ri

f *
Mineral Formula Química A c F
f Si
^

Talco 0 0 100
f K
Antofilita-gedrita (Mg,Fe) 7 (OH) 2 Sig0 22 100
0 0 f 4
cnjrmòngtonita
Hiperstenio (Mg,Fe)2Si206 0 0 100 9. '-<
Tremolita 0 28 ,5 71,5 $ «
Jfe

Actinolita Ca£*9 (Mg,Fe).(OH) 7 Sio0 99 0 28 ,5 71,5 1


.J £* O itL i*
Dolomita CaM g (C0 3 ) 2 0 50 50 í
*
f 1 Í
Diopsídio 0 50 50
« S
Calei ta
Wollastonita CaSi0
. 0 100
0 100
0
0
f U
-t I
Grossularita 25 75 o f í
Andradita Ca3Fe23+(Si04)3 25 75 0 f 1
Idocrase-vesuvianita 14 72 14 í
f-
Cu
Epidoto 4Ca0.3(Al.Fe 43 57 0
0
€ i*
Anortita JÍ 2 U 8
50 50
Cn
Pirofilita A1 2 (OH) 2 Si í 100 0 0
i íi
Sillimanita-Cianita A12SÍ05 2.00 • o 0
f ;,
Zoisita 4Ca0.3(Al.Fe 3+ ) 2 0 3 .6Si0 2 -I 43 57 0 . f í'
Andalusita 100 0 0 f" t *
M2SÍ05
Estaurolita 4FeO . . 8Si02 . (fi
50
1n
Cloritolde • í J — L <-v \J -j *wJJi.\/«-j #JLA*-jV/ 50 0
t11
(Mg,Fe) 2A13 (AlSi50lg)=2 (Mg,Fe) 0.2A1203.
Cordierita 50 0 50 1i
5SiOM IS*
teaj

Espessartita 25 0 75 , ^
' c1 !
Altrandina 25 0 75
€ )!
Clorita (Mg,Fe2+,Al) & (Si,Al) 401Q (OH) g 10-35 90-6.5
1 ! 1

€'l
C 1
€ ."l
C l
£* [ i
?*- i

êVi
C|:i
-71-

ou anortita) e em paragonita, além das outras correções considera,


das no diagrama A'KF.Si02 e H^O são considerados componentes em
excesso, como as rochas pellticas geralmente apresentam muscovi -
ta; deve-se em todas as paragêneses acrescentar quartzo e na maio
ria das vezes muscovita também. A composição química das rochas
pelíticas pode ser representada satisfatoriamente por seis compo-
nentes: SiO~, Al?03, K20, MgO, FeO e H20, considerando-se que
Si00 e H90 são desprezados por serem componentes em excesso, pó-
£. £*
demoxs representar essa composição em função dos quatro componen-
tes Al^O,., K00, MgO e FeO através de um tetraedro (Fig. 7-6) .
i j 2.

Os minerais isentos de K20 (clorita, cloritÕide,pi_


rofilita, polimorfos de Al 2 SiOc, estaurolita, cordierita e alman-
dina-piropol podem ser projetados num lado do tetraedro ou seja
no plano Al^O^-FeO-MgO. Os minerais de K20 (biotita e estilpnome-
~ lano) são projetados dentro do tetraedro; muscovita e feldspato
K são projetados na aresta A120^-K20 nos pontos M e K. A figura
~ mostra que o plano Al~,0.,-FeO-MgO (pontilhado), estende-se além do
tetraedro.

Uma representação planar é obtida, projetando- se


todos os pontos dentro do tetraedro, sobre o plano Al^O-j-FeO- MgO
"T"
que contem os minerais isentos de K.,0. O ponto M (da muscovita )
£*

foi escolhido por -Thompson (in Winkler 1976) como ponto de proje-
cão, devido ao fato das rochas pelíticas geralmente apresentarem
r muscovita em sua composição. Tomando-se o ponto B (biotita) .den-
T tro do tetraedro e fazendo-se sua projeção a partir de M, verifi-
T- ca-se que B recai em B' no mesmo plano dos vértices Al-O^- FeO-
-r -MgO, mas fora do tetraedro. O plano de projeção limita os verti
V cês FeO e MgO, mas não as arestas que unem esses dois componentes e
> denomina-se diagrama AFM.As figuras 7.7 e 7.8,mostram o plano AFM prolon-
T^ gado além da linha FeO-MgO. Nele encontram-se representadas as
^ composições de vários minerais, sendo que a projeção do ponto K
T (feldspato potãssico) sobre uma reta que tem- origem em M, só en-
contra o plano no infinito, por isso, coloca-se uma seta ao lado
do feldspato potãssico. Os tracinhos contornando a linha que defi_
ne os minerais cloritóide, almandina e estaurolita indicam os li-
mites de variação na composição desses minerais, sendo que as li-'
^ nhãs representam as composições mais frequentes.
[Coohnito, Pirofilitú 72-
[Andalusifa, Sillimanita; Cianita

Esíaurolifa

ulanf ita, Loumonfifa)


..awsonifa, Anortiiaj
Epidotol
ÍCIoritóída
[Cordierifa
«>1
t,) (
Zoisiío [
EscopolitaJ á l{

Clorifa
ÍM
Andradiío]
GrossularicJ JAImandina, Piropo 4) -i
lEspessarfiía

Antofilifa ( Gedrifa 4;- l


Cumingíonita, Grunerito ? l
Hiperstenio (Minerais
Ld® Serpsntina), TGÍCO.
Caícita ÍDiopsidio [ÍActinolifo
Wollasfonita [Dolomifa llremolita

Figura 7,5 - Representação de minerais no Diagrama ACF (Girardi


1979) .

Phengita
Andalusita \a K
Caolinita "TV Fe!dsp-K
Cionita

Estaurolita-

Cloritoide]
Cordierifa]

Clorito -f'"
Almandinal h
Pi ropo >
Espossartitoj
Biotito
Anfofiiita-Gedrifal
Cummingfonita-Grunerifa l
Talco-Enstatita-Hipertonio

Figura 7.6 - Representação de minerais no diagrama A'KF (Girardi


1979) .
-73-

Na prática, a projeção de pontos situados no in-


terior do tetraedro sobre o plano AFM é feita por meio de cálcu-
los, a partir das proporções moleculares de A e M.

(A1203) - 3(K20)
A= •
(Al203)-3 (K20) + MgO + FeO

-
M "(Mgt)) + (FeO)

A proporção Al^O^: 3K20 (1:3) na formula, se de-


ve ao fato da escolha da muscovita como ponto de projeção. Como
se pode ver, o cálculo do valor de A para uma biotita, dá um nú-
mero negativo, fato comprovado na figura 7-7.

Os diagramas AFM tal como f oram enfocados , só


são aplicados aquelas paragêneses metamórficas que contêm musco
vita + quartzo como minerais adicionais. Se a rocha . não apresen
ta muscovita e contém feldspato potassico, os pontos são projeta_
dos, utilizando-se o ponto K (Barker-in Winkler 1976) e o valor
de A passa a ser:

A1203 - K20
A= A1203-K20 + FeO + MgO

Reinhardt (in Winkler 1976), idealizou uma outra


projeção AFM modificada, a qual pode ser aplicada a rochas de
composição mais ampla que metapelitos e de grau metamõrfico mais
forte (granulito por exemplo). Neste caso, os parâmetros A 1 FM
têm os seguintes valores.

A( = A1203-(.K20 + Na20 + CaO)

F = FeO-Fe203-Ti02

M = MgO
-74-

Me tttr»htdrofl)
ctei!)

t$=
t
*
t
Figura -7.7 - Tetraedro í^O-Al^O-^-FeO-MgO com o plano de projeção
Al90-,-FeO-MgO prolongado além da aresta FeO-MgO
(Winkler 1976}.

Al-Silictlt

! O . Fi O

Figura 7.8 - Projeção das composições minerais no plano AFM. As


linhas, representam as faixas de composição mais
comuns (Hoschek-in Winkler 1976).
~75~

CAPÍTULO 8

BASES PARA CLASSIFICAÇÃO E MAPEAMENTO DE ÁREAS


METAMÕRFICAS

Zonas Metamórficas

Os fatores básicos que regem'os processos metamõr_


ficos são temperatura e pressão. Como esses parâmetros variam
com a profundidade da crosta (em função do grau geotérmico), é
perfeitamente lógico se pensar na existência de uma relação en-
tre a profundidade ea_£aragênese mineral. Fundamentados . nessa
relação, Becke e Grubenmann (1903, 1904. - in Turner Verhoogen ,
1963). estabeleceram o conceito de zonas de profundidade para o
metamorf ismo. Foram estabelecidas três zonas^de profundi^dade, a
epizona, a mesozona e a catazona, cada uma caracterizada por
gradiente de temperatura, pressão hidrostática e pressão d.irigi-
da. Na epizona, a mais superficial, a temperatura é baixa a mode
rada, a pressão dirigida predomina sobre a pressão hidrostática,
sendo sua mineralogia composta pelos seguintes minerais r »'Serici-
(ta), .clorita), fíSÍoritóide fepidotp, zoisita, <albita) (calcitaj dolo-
?..--^pw*«rtffi"^T3*<w*1~»"—»^ „„«*.—--~~~ ~-™—w*

mita, magnesita, (talcc •., (antigorit,a», brucita,xactinolit^, glauco-


f a n a , (granaria—macinesian etc . Devido a predominância'-da pressão
dirigida, as rochas da- epizona são excelentemente laminadas (fi-
litos , sericita-xis to , clorita-xisto , talco-xisto etc) . Na meso-
zona ou zona intermediária ,_ tem-se uma temperatura média e perma
nece a predominância da pressão dirigida" sobre a pressão hidros-
tática. A mineralogia é representada por
, <c*ianita), < épidoto^ zoisita ,fj3lagioclãsio sódico)
cumingtoni ta-gruneri ta , ^hornb lenda), ^aTmandina, calcita ,
i **i%.^,^ _,„,,- ^, v^^&attff^ ""^"^"^-««^wfys^wP^BíM*1**

brucita etc. As rochas que caracterizam essa zona são os gnais-


ses e a maioria dos xistos . A catazona, é a zona de maior profun
didade do metamorf ismo, nela desenvolvem-se altas tenvperajturas e
verifica-se uma predominância da pressão hidrostática sobre a
pressão dirigida. Sua mineralogia enquadra os mineraòs^^^iotitay

sio cãlcicq), vesuvianita, fescapolit olivina), /jadeita


• ^
etc . As rochas típicas da catazona ^ã^^o^^gxa^mlJ^to^ $
eclogitos , gnaisses a sillimanita e/ou piroxênio. ^
iii-iinnminirrrii — ^aiTir-iit--~.r-- -'ui--^.- - -aw*»-*""-""^'* "í

•-—-^^ __—— ^

O esquema original de Grubenmamm constante em V


seu trabalho "the Crystalline Schists" (1904- in Turner Verhoogen f?
1963) , não faz referências ao metamorfismo de contato, contudo , f
«:
Niggli que em 1924 reescreveu a obra, modificando muitos dos seus .
(§1
aspectos corrigiu essa falha. O metamorf ismo de contato de altas ;
(Pi
temperaturas, foi enquadrado por Niggli como processo da catazo - ;
tr
na, enquanto que os processos de media e baixa temperaturas, f o - '
(p
ram distribuídos na meso e epizona. Nesse ajuste de Niggli, obser_ **
va-se que o conceito de zona de profundidade, perde a sua essên - v
^T1
cia porque o metamorfismo foi considerado unicamente sob p ponto j^,
de vista da temperatura. ^.
t
O conceito de zonas metamorf iças tem contra si, o
fato de se basear unicamente na profundidade, o que torna o mode-
Io bastante falho, não permitindo explicar certas anomalias na ré
lação PT. Como se sabe, a temperatura pode variar de muitos graus f•
num intervalo de profundidade muito pequeno (devido a proximidade
de um magma) . Do mesmo modo, a temperatura pode variar muito pou-
co comparada as grandes variações de profundidade e consequentemen
te de pressão processadas em zonas de soterramento (metamorfismo
de carga) , onde as transformações minerais acontecem em V:. função
das altas pressões, sendo insignificante a influência da tempera-
tura. Devido a essas particularidades é que rochas com jadeita ,
encontram-se juntamente com rochas contendo sillimanita e cordie-
rita, enquadradas em metamorfismo de catazona.

O conceito de zonas de profundidade, com sua subdi^


visão nos níveis epi, meso e catazonais, é demasiadamente simples
para representar a amplitude de variação das condições físicas ,
denunciadas pelas associações minerais. Por isso, sua utilização
hoje em dia, encontra-se muito limitada, já tendo sido inclusive
desaconselhada por Winkler (1976) .
-77-

METAMORFISMO REGIONAL PROGRESSIVO


(Minerais índices)

Uma relevante contribuição para identificação das


condições físicas do metamorfismo foi dada por Barrow através dos
minerais Índices. Muito antes de Becke e Grubenmann idealizarem
o conceito de zonas de profundidade, Barrow (1893-in Turner Ver-
hoogen 1963) , estudando uma área de xistos no Dalradian da Escó
cia», estabeleceu no campo uma sequência de zonas de metamorfismo
regional progressivo, baseando-se nas transformações mineralõgi -
cãs observadas em metapelitos, o que o levou a relacionar tal fa-
to com temperatura e pressão crescentes. Portanto as variações
mineralógicas observadas nas rochas provenientes de sedimentos p<e
líticos traduzem uma gradação progressiva no metamorfismo régio
nal, devido ao aumento contínuo nos parâmetros TP.

Cada zona foi definida por um mineral típico, de-


nominado mineral índice, cuja primeira aparição marca o limite
inferior da referida zona por ele caracterizada e cuja extensão
vai até o aparecimento do próximo mineral índice, podendo ocor_
rer o seu desaparecimento ou não, como é o caso da biotita que
persiste até a zona dá sillimanita. Barrow estabeleceu os seguin-
tes minerais índices, considerando-se a ordem crescente do meta-
morfismo: Clorita - Biotita - almandina - estaurolita - cianita -
sillimanita. Esta sequência de minerais é muito comum, podendo
ser encontrada em várias regiões metamorfiças do mundo, onde pre-
valecem condições TP intermediárias (.metamorfismo Barrowiano) . A
presença da estaurolita (4FeO :9A1203: 8SÍO.,: 2H20), fica condicio
nada ao conteúdo de ferro no sedimento de partida, se este conteú
do e insuficiente, ela pode não se formar.

Ainda com relação ao primeiro aparecimento do mi-


neral índice, Tilley (in Turner Verhoogen 1963) que em 1925 am-
pliou o trabalho de Barrow, estendendo para norte a região estuda
da, conseguindo com isso dados petrográficos para caracterizar to
da sequência de um geossinclinal, -denominou de isõgrada a linha
que no mapa une os pontos de primeira aparição de um mineral
cê.

Os minerais índices de Barrow, denunciam portanto


as transformações processadas em sedimentos pelíticos, em respos- fVi ^
ta ao crescente aumento das condições metamórf iças . Como o método £ ^
se b?-.?ia em minerais isolados, devemos escolher para sua aplica- €>,'^'
_.-í".o, rochas de composição homogénea . No casojdo Dalradian da Esc£ (, 4J
cia, Barrow teve a seu dispor uma extensa área de metapelitos ar- t,1 ^
_ * • íítV ^

gilosos, que são rochas bastante adequadas a aplicação do método. "~:i *

* Segundo Winkler (1976) as ãreas de metaoelitos


V l
~ '
mais extensas favorecem a aplicação do método, porque permitem a f^| ^
escolha de amplo intervalo no terreno onde a composição permane- -—
~ ~ - -r
ce bastante homogénea. Quando isso não e possível, ele aconselha
f;
.
*
«
a que na determinação da isógrada seja associada ao mineral índi- *' ,
ce, a paragênese a que esse mineral pertence, o que representa M- *
• •^ i
uma indicatri^z das condições metamórf iças. A associação da paragê *• g
— \e ao

ligada por pontos de temperaturas diferentes, visto que um mesmo f' 4


mineral pode se formar de várias reaçoes específicas, processadas 0-, "<
a temperaturas .diversas. Ex. C< S

l L Clorita + Kfeldspato — biotita + estilpnomelano + quart""""• €f*


I

zo + H~0 *j

2) estilpnomelano + fengita + actinolita = biot.+'*bl. + j


''-- f" í
+ epidoto + H-, O |
2 ^ B
A biotita pode resultar dessas duas reaçoes (além J
de outras). A primeira reaçao ocorre a aproximadamente 300 a * a
3509C, e a segunda se processa entre 430 a 4609C. W j

Caso a reaçao possa ser identificada por meios 0-~*


petrogrãficos, Winkler aconselha a que se liguem os pontos que m *
definem a mesma reaçao e a linha resultante da união desses pon- ir "•
tos se denomina linha de iso-reação. Esse procedimento, dá ' uma w *
maior precisão na determinação das condições metamõrfiças. *
é»
O método de Barrow, aperfeiçoado por Winkler, e • èi *
de uma importância fundamental para petrologia metamórfiça, vis- 3.
to que fornece as condições físicas dentro de uma margem de segu JL
T
rança bastante satisfatória, principalmente quando se torna pôs- m-'-m
sível a determinação da reaçao que está originando o mineral ín- via
-79-

Fácies Metamõrficos Fácies Fácies Epidotc Fácies Anf ibolito


Xisto Verde Anfibolito
Zonas de Cloritc Zona da Zonas da Es Zona da
Minerais índices e da Biotita Almandina taurolita e Sillimanita
-ianita
Clorita
Muscovita
Metapelitos

Biotita
Almandina
Estaurolita
Cianita
Sillimanita
Plagiocla-s5
dico
Quartzo

Plagiocl.sõ
Metabasitos

dico
Plag.Inter .
e cãlcico
Epidoto
Actinolita -™
Hornblenda
Clorita -_
Almandina *«»

TABELA 8 - METAMORFISMO PROGRESSIVO BARROWIANO NAS REGIÕES MONTA-


NHOSAS DA ESCÕCIA (in Miyashiro 1975) .
dice.

A Tabela 8 correlaciona a mineralogia de metapeli^


tos e metabasitos com os minerais índices em metamorfismo BarrowjL
ano nas montanhas da Escócia. Em função desse esquema, pode-se vê
rificar que outros minerais podem ser utilizados como índices de
metamorfismo, tais como os plagioclãsios, os anfibólios e nas
áreas onde aparecem rochas calcárias, a sucessão talco - tremo
lita - diopsídio - wollastonita ou escapolita indica metamorfismo
crescente. Este aspecto e de grande importância, porque na falta
de metapelitos ou onde sua composição não se mostra adequada, ro-
chas de outras composições podem ser utilizadas para se deduzir a
gradação metamõrfica.

Fácies Metamórficos

O conceito de fácies metamórficas surgiu a partir


de dois trabalhos clássicos, um realizado por Goldschmidt (1911)
na região de Oslo e outro efetuado por Eskola na região de Orijar-
vi na Finlândia (1914,15). Esses trabalhos foram comparados e
constatou-se que em ambas as regiões havia uma semelhança na com-
posição química dos terrenos estudados mas que as paragêneses mi-
nerais desenvolvidas eram diferentes conforme quadro abaixo.

OSLO ORIJARVI
Feldspato potássico + andaluzita = muscovita
Feldspato potássico + cordierita. . = biotita +
muscovita
Feldspato potássico +
+ hiperstênio + anortita = biotita +
homblenda
Hiperstênio, - antofilita

Eskola atribuiu essas diferenças nas paragêneses


minerais , a variações nos gradientes de temperatura e pressão e pa-
ra explicar esse fenómeno, ele idealizou o conceito de fácies meta-
mórficas. Em 1920/21 (in Winkler 1976) ele definiu o termo fácies meta
mõrfico como "um grupo de ochscaracte^zaâas___j: um conjunto de-
finido de minerais que estiverarn^ujraintei_^ua formação em perfeito <3
quilibrio entre si". Ele considerou ainda que as variações qualita-
-81-

tivas e quantitativas nas parageneses minerais de um determinado


fácies se deviam a variações nas composições químicas das rochas.
Deve-se ressaltar que algumas vezes, o equilíbrio não é atingido.
O fato se deve a lentidão na velocidade das reações sõlido-sõlido
em silicatos, o que concorre vez por outra para o aparecimento de
um equilíbrio meta-estãvel. Esse aspecto é observado em rochas de
baixo e médio grau, as quais estiveram submetidas a um polimeta -
morfismo.

Outros conceitos de fácies metamõrficas foram


elaborados por Eskola (1939), Turner (1948) sem que alguma contri
buição importante pudesse ser acrescentada. Em 1966, Fyfe e Tur_
ner (in Turner 1968) elaboraram uma definição de fácies cujo cu-
nho geológico é bastante significativo. De acordo com esses auto-
res, "um fácies metamórfico ê um conjunto de minerais repetidameri
te associados no espaço e no tempo, tal que existe uma constan-
te e predizível relação entre a composição química da rocha e a
composição mineralógica". A importância deste conceito, reside no
subsídio que ele fornece para se relacionar áreas metamõrficas, is_
to porque, sempre que tivermos uma rocha de determinada composi -
cão química, submetida as mesmas condições metamõrficas, teremos
sempre as mesmas associações minerais.

A essência do conceito de fácies, é mostrar que


existe uma correspondência entre composição química e'paragêneses
minerais. Isto equivale a dizer que rochas de mesma composição
química apresentarão diferentes parageneses minerais, quando hou-
ver variação nas condições físicas; do mesmo modo, as rochas sub-
metidas lis mesmas condições metamõrficas apresentarão diferentes
parageneses minerais quando houver variação na composição química.
No caso das parageneses de Oslo e Orijarvi, as condições metamor-
cãs impostas ã região de oslo foram superiores aquelas desenvolvi
das na região de Orijarvi. Nos vamos ver mais adiante que as para
géneses de Oslo se enquadram no fácies piroxênio-hornfels, enquan.
to em Orijarvi, as rochas pertencem ao fácies hõrnblenda-hornfels.

Considerando-se que o conceito de fácies metamõr-


ficos encontra-se baseado nas informações fornecidas pelas paragê_
neses minerais, era de se esperar que o número de fácies aumentas_
se com o progresso dos conhecimentos em petrogênese, o que real-
-8.2-
!!i
*'
«!

mente aconteceu. Desse modo, Eskola em 1921 definiu 5 fácies, em' |;


1939 elevou esse número para oito, em 1960, Turner e Verhoogen re_ |-,,
conheceram 10 (dez) fácies, em 1967 Winkler 13 (treze), em 1968 f|> -J
Turner 11 (onze) e Miyashiro em 1975 10 (dez) . . f>- ~^

A tabela 8.1 (extraída de Girardi 1979) faz uma $^


comparação entre os três esquemas mais importantes, Winkler (1967), V . Sj
Turner (1968) e Miyashiro (1975) . Relacionando, os esquemas de Win -^
kler e Turner, verificamos que o esquema de Winkler apresenta as '^
seguintes diferenças.

í- 'í
1} Em lugar de piroxênio hornfels, Winkler pró- ,
põe o nome feldspato potássico-cordierita-hornfels , por entender t-, >-|
que esse par de minerais define melhor as condições físicas do ^ r|
fácies • • l >"1
f. d
2) o fácies anfibolito, encontra-se sub- dividido f^
em cordierita anfibolito (baixa e média pressão) e almandina an- f,, '!
fibolito (alta pressão) . . f - -1

3) no fácies xisto-verde, o intervalo que limita •*


as condições físicas, apresenta sensíveis diferenças, notadamente
f, T]
na temperatura (ver figuras 8 e 8.1). -,
f. rl

4) nó metamorfismo de carga, aparece um fácies a


~ v. '•
mais (Lawsonita-albita) e um fácies de transição entre o metamor- ^
í' M
fismo de carga e o metamorfismo dinamotermal, denominado glaucofa_ .^
na-xisto verde. r ) r ji

5) o fácies dos zeolitos, recebe a denominação de ^^\o

t'1
Dos três esquemas constantes na referida tabela , *** f'
o de Miyashiro (1975) e o mais simples. Ele não considera os fa-- í l
t>

cies albita-epidoto-hornfels e hornblenda-hornfels, alegando tra-


tar-se de termos que traduzem uma conotação puramente geológica e (
não paragenética, por isso, ele aconselha o uso de nomes utiliza- ^.
W> n
dos no metamorfismo regional, justificando tratar-se apenas de ^^
condições, de baixa pressão. Miyashiro põe em destaque a associa- «f-j,.
TABELA 8-1 - COMPARAÇÃO ENTRE OS ESQUEMAS DE FÁCIES DE WINKLER ( 1 9 6 7 ) , TURNER (1968) e MIYASHIRO (1975)

WINKLER (1967) TURNER (1968) MIYASHIRO (1975)

Albita-epídoto hornfels Albita-epíddto hornfels


Hornblenda-hornfels Hornblenda hornfels
Ifetanorfismo de contato Feldspato K (cordierita)
hornfels Piroxênio hornfels Piroxênio hornfels

Sanidinito Sanidinito Sanidinito

Xisto Verde Xisto Verde Xisto Verde


Metamorfismo Regional EpIdoto-anfibolito
Dinairo termal Anfibolito Anfibolito Anfibolito
Granulito Granulito Granulito

.Laumontita-prehnita-quartzo Zeolitica Zeolítica


Pumpellyita-prehnita-quartzo Prehnita-pumpellyita Prehnita-pumpellyita
Metamorfisroo (pressão) Lawsonita-albita
Lawsonita-glaucofãnio Glaucofânio-lawsonita Glaucofânio-xisto
Glaucofãnio-xisto verde

Eclogito Eclogito Eclogito


i
CO
-84-

çao do par actinolita-plagioclasio cãlcico, presente em certas


aureolas de contato de rochas básicas, denominando os limites de
sua ocorrência de zona da actinolita-plagioclasio cálcico. No me_
tamorfismo dinamotermal, o fácies epidoto-anfibolito de Escola i
preservado, não sendo tomado portanto como transição entre o fá-
cies xisto verde e anfibolito como alguns autores defendem. No
metamorfismo de carga, o esquema é exatamente igual ao de Turner
(1968).
v '

Com o avanço nos conhecimentos da petrogênese me.


tamõrfica, tornaram-se conhecidas em muitos fácies, novas paragê^
néses minerais caracterizando sub-ambientes dentro de um ambien-
te maior (o próprio fácies). Para individualizar esses sub- am-
bientes, foi introduzido o termo sub-fãcies. Como exemplo, Win-
kler (1967) mostra que existe um grupo de rochas de metamorfismo
de contato que contém muitas das paragêneses do fácies piroxênio
-hornfels (ou feldspato potássico-cordierita-hornfels-) , mas que
em lugar da paragênese hiperstênio-plagioclãsio-diopsídio, for-
ma-se ortoanfibólio + plagioclãsio + hornblenda ou hornblenda +
+ plagioclãsio + diopsldio (ver figs. 8.2 e 8.3). Como em ambos
os casos encontram-se presentes as mesmas paragêneses minerais
diagnosticam e sobretudo pela presença dos pares feldspato K-cor
dierita e feldspato K-andaluzita (ou sillimanita) , Winkler consjL
derou os dois grupos de rochas pertencentes ao mesmo u fácies
(Feldspato K-cordierita-hornfels), mas para caracterizar essas
pequenas diferenças, ele atribuiu as rochas do grupo (a) ao sub-
fãcies ortoanfibõlio-hornfels e as rochas do grupo (b) ao sub-fã_
cies ortopiroxênio-hornfelsf ambos os sub-fãcies distinguidos por
ele em 1967.

O fato de se procurar estabelecer intervalos(sub


-ambientes), cada vez menores de condições metamõrfica é muito
correto, vindo a constituir o objetivo básico da petrologia meta_
mórfica, entretanto, o uso do termo sub-fãcies para caracterizar
esses sub-ambientes, não faz sentido, visto que cada sub-ambien-
te corresponde na realidade a um fácies especifico e individualji
zado (de acordo com a definição de fácies).

De acordo com o grande aumento de conhecimentos


advindos das informações petrográfiças, o número de fácies tende.
-85-

100 200 300 400 500 600 700 800


kb km

-10

-15

20

-25

-30

-35

-í-

100 200 300 400 500 600 700 800


°c

Figura 8,- Esquema ilustrativo das condições P-T nos vários fá-
cies do metamorfismo regional segundo Winkler (1976)

HlO

200 400 ' 500 600 700 800 SOO 1000

r,-c

^igura l - Esquema ilustrativo das condições P-T para metamor


. fismo de contato e regional segundo Turner (1968) .
-86-
e
e
*N

Antftlusitt K Itldsptr
i /" Mufeor/lt K «N

Anortfilt

Oressulsrilt
Andridite t* i*
C Dlopsldt Actlnelite p p
Ciltilt Trtmolltt Ttíc
ÍWolltílonltt)
Cafnmins/onl/t

f
Figura 8.2 - Sub-fácies ortoanfibolito-hornfels, do fácies felds^

pato K-cordierita-Hornfels (Winkler 1976) .

•K
r? s
Sj*
«*
K ttldsptr

Dlopsldf F F
Wolltflonitf Hypcrsthent
*
Figura 8.3 - Sub-fâcies ortopiroxênio-hornfels, do fácies feld_s
pato K-cordierita-hornfels (Winkler 1976) .
t
-f
-87

f 'a crescer cada vez mais. O problema é que muitas das reações que
^ ocorrem em determinado intervalo de condições.metamõrfiças, eram
^ desconhecidas, além de não se ter a ideia que hoje se tem sobre a
influência da pressão na sequência de reações minerais. Com o ob-
jetivo de preservar a utilidade prática que os fácies ainda repre
Tf
sentam, muitos autores recomendam que se limitem os fácies num
número muito pequeno, utilizando-se amplos intervalos de condi-
^ coes metamórfiças. O esquema de Turner (1968) por exemplo, com os
Y seus onze fácies, representa um modelo capaz de satisfazer a mui-
Y tos propósitos no estudo de áreas metamõrfiças.

"í O modelo dos fácies metamõrficos é visto dentro


V dos conhecimentos atuais como um esquema sujeito a críticas, mas
X ao mesmo tempo ainda de grande utilidade. O conceito inadequado,
k dos sub-fãcies, intervalos de condições físicas muito amplas para
1 determinadas fácies como xisto verde e anfibolito, além de conse-
k quências oriundas das variações de pressão e composição química ,
representam um conjunto de fatores que se contrapõem a um melhor
funcionamento do esquema. Nem por isso, os fácies deixam de ser
_, um esquema prãti-co e útil nos trabalhos de 'mapeamento, por isso,
^_, continuam sendo defendidos e aconselhados por grande número de
Y autores tais como Turner (1968-1981) , Lambert (1972) .Miyashiro
Y (1975) , entre outros. Winkler que já foi um dos mais , ardorosos de_
Y fensores: do esquema, não o aconselha mais, já vindo inclusive des>
Y de 1970 pregando a sua substituição por um novo modelo elaborado
Y por ele e baseado unicamente em reações metamõrfiças e que será
Y discutido no capítulo 11.
-88-

CAPTTULO 9

FÁCIES METAMÓRFICOS •

Trataremos neste capítulo de caracterizar os fá-


cies metamórficos. As nossas considerações aqui, encontram- se
basicamente dirigidas para o esquema de Turner (1968-1981), o
qual.não considera mais a subdivisão em sub-fácies, mas para de_
nunciar gradação ou locar o nível da condição atingida dentro do
fácies, faz uso dos minerais índices de Barrow. Portanto, _para
se fazer alusão ao estágio metamórfico atingido dentro do fácies
devemos associar um mineral índice, do seguinte modo. Fácies xi£
to verde zona da clorita, fácies xisto verde ~ona da biotita ou
fácies anfibolito zona da 'almandina, fácies anfibolito zona do
par almandina-cordierita e assim por diante.

Esse expediente não nos impede de lançarmos .mão


de certos aspectos importantes pertencentes a outros esquemas, o
que naturalmente faremos sempre que acharmos necessário.

FÁCIES DO METAMÓRFISMO DE CONTATO

O metamorfismo de contato resulta das intrusões


plutônicas. Essas intrusões ocorrem geralmente em profundidades
que variam de 3 a 8 kms, muito embora se conheçam intrusões que
aconteceram abaixo de 8 kms ou acima de 3 kms. Os fácies origina
das pela ação do metamorfismo de contato são em número de quatro.

Fácies Albita-Epidoto-Hornfels
Fácies Hornblenda-Hornfels
Fácies Piroxênio-Hornfels ou Feldspato K- Cordie_
rita - Hornfels
Fácies Sanidinito

Os fácies mais comumente encontrados em auréolas


de contato são os dois primeiros, visto que se encontram relacio
nados com as intrusões graníticas que ocorrem com muito maior
frequência. O fácies piroxênio-hornfels ou feldspato K- cordieri^
-89-

Y ta-Hornfels (Winkler 1967), por necessitar de alta temperatura pá.


•y rã se formar, fica restrito as partes mais internas das intrusões
V básicas ou semi-bãsicas . Essas intrusões como se sabe, são pouco
Y t frequentes e menos volumosas, assim sendo, mesmo presentes, nem
Y sempre ocorrem com volume suficiente para formar esse fácies. O
* fácies sanidinito é típico de regiões de pirqmetamgrf ismo e encori
^-r ^ ~.......— „
tra-se portanto subordinado aos derrames vulcânicas ou condições
sub-vulcânicas .
Y
V . '
Y
. . FÁCIES ALBITA-EPIDOTO-HORNFELS

Y
Y Este f abies , é característico das partes mais ex-
Y ternas das auréolas de metamorfismo de contato . Nesse estágio, as
"í reaçÕes as vezes não se completam, por isso,' é comum a . presença
Y ' de minerais que não estão em equilíbrio. As paragêneses minerais
T são semelhantes aquelas do fácies xisto verde (como veremos mais
T adiante) do metamorfismo regional (ver fig.9) . .
Y
.•***
Paragêneses em rochas peiíticas
Y
Y 1) Quartzo-muscovita-bioti ta (clorita)
"í 2) Quartzo-muscovita-biotita-andaluzita
Y •- . - - •;,
Paragênese em rochas básicas
Y
Y1 3) Albita-epidoto-actinolita-clorita (quartzo-bio
T titã
Y
* Paragêneses em rochas calcárias
Y"
^ 4) Calcita-talco (quartzo)
-~s
k 5) Calcita-dolomita-talco
k 6) Calei ta-epidoto

FÁCIES HORNBLENDA-HORNFELS

O fácies hornblenda-hornfels, pode representar o


estágio intermediário ou mais interno de metamorfismo de uma au-
réola produzida por uma intrusão básica ou semi-básica, pode cons_
tituir a parte mais interna de uma intrusão ácida ou pode estar
-90-

tAndilusítt)
Pyrophyttile K -/cldspar

Figura 9 - Fácies Albita-Epido


to-Hornfels(Winkler
1976)

Andtluíile
Silliminllt K ftlfapir
A A' K

Figura 9.1 - Fácies Hornblen Ânorthlít


da Hornfels(Win
Crossu(ar/.'t
kler 1976) Anttrtdite

C Diopsidt Actinttilt p f
Wolttstonitt. TremoíHt Tglc
Anthophfllltt
Cummingíenríe

Antftluíilt
Siltimtnitl K ftldsptr
A A' K

Figura 9.2 - Fácies felds_


pato K-cordi
erita-horn -
féis,Winkler
(1976)
F F
Hyptrsthtne
-91-

ausente, se em qualquer dos casos, o suprimento de calor não foi


suficiente para sua formação.

Em rochas básicas, a diferença mais marcante des_


te fácies para albita-epidoto-hornfels, é o desenvolvimento do
par hornblenda-plagioclásio em lugar de albita-epidoto-actinoli-
ta e pela presença de associações contendo diopsídio, forsterita
e4grossularita em rochas calcarias. Nas rochas pelíticas, a mine
ralogia comum tem por base biotita, muscovita, quartzo, estauro-
lita, cordierita e polimorfos de alumínio (andaluzita, sillimairL
ta). , principalmente andaluzita que é muito característica deste
fácies. Sillimanita e cordierita só aparecem em rochas sem felds_
pato potãssico (ver figura 9.1) Granada almandina ê muito rara,
visto ser um mineral que requer presxsões normalmente superiores
as pressões reinantes no metamorfismo de contato. A almandina
~ . T?ç±
quando presente, traduz uma elevada razão ~r—,donde se conclui que
o elevado conteúdo em ferro, faz com que sua formação aconteça
em pressões mais reduzidas que as habituais.

FÁCIES PIROXÊNIO-HORNFELS

O fácies piroxênio-hornfels, ocorre nas zonas


mais internas de certas aureolas produzidas "por intrusões bási-
cas ou semi-bãsicas. Este fácies, foi rebatizado .por . Winkler
(1967) como fácies feldspato K~cordierita-hornfels. A justifica-
tiva de Winkler é que diopsídio também se forma no fácies 'Horn-
blenda-Hornfels e que o par feldspato K-cordierita traduz melhor
as condições metamórficas reinantes no fácies. Sua mineralogia
caracteriza-se pelas associações com sillimanita ou andaluzita e
cordierita com feldspato potãssico nas rochas pelíticas, que nes_
te estagio, apresenta-se sem muscovita e estaurolita e com mui-
to pouca biotita (.ver fig. 9.2) . Nas rochas básicas, em lugar de
anfibólios, aparecem diopsídio e hiperstênio. As paragêneses de-
rivadas de calcário dolomítico deficientes em sílica, encontram-
se representadas na figura 9.3.

FÁCIES SANIDINITO
l

O fácies sanidinito tem uma importância pouco


t
-92- l

Figura 9.3 - Pirax&iio~horn~


C-'.i
féis.Parageneses
Wollasionite em calcário dolo
mítico,deficien-
Forsterite te en\. In
Turner (1981) ty i
i) i
Itl
Colcite Periclase e-TI
f D-1
IN
€N
A 5? Mullite ©•-i
©-i

Figura 9.4 - Diagrama ACFr Oi


Anorthite Cordierite
mostrando as Oi
paragêneses Oi
mais comuns no Oi
fácies sanidi- CM
nito.In Turner Cn
(1981)
Cn
Wõllastonite Diopside Hypersthene
0"l

Oi
(Mg, Fe)O » Poriclase e*
Cn
ín
Figura 9.5- Paragêneses in
Forsterite
minerais do fr
fácies sani
Spinel Enstotite
dinito no
triângulo
MgO-Al203 - í/1

Si02.In Tur
ner (1981)
Al, O, SiO,
Corundum Mullit'j Tridymitc
-93-

'significante, comparado com os outros fácies do metamorfismo de


contato. Sua composição mineralógica, reflete as suas condições
de origem em temperaturas máximas e pressões mínimas do metamor -
fismo de contato. Como resultado dessas condições, sua constitui-
ção mineralógica é semelhante aos produtos de uma cristalização
vulcânica como por Ex. presença de tridimita, sanidina, vidro
etc. ocorre como xenõlitos em lavas básicas ou nos contatos mais
imediatos de intrusões próximas da superfície. Sm rochas pelíti_
v
cãs e quartzo-feldspaticas, muitas vezes a fusão parcial é atingi-
da dando como resultado uma rocha denominada buchito, cuja carac-
terística é a presença de cordierita, corindon, mullita ou tridi-
mita mergulhados em vidro. As associações minerais mais jcomuns
características deste fácies, encontram-se representadas nas figu
rãs 9.4 e 9.5. Além dos minerais representados nos diagramas, de-
ve-se destacar a sanidina sõdica, monticelita, larnita e calcita
(único carbonato presente).

FÁCIES DO METAMORFISMO REGIONAL

A ca.racterls.tjr;ca principal dos fácies do metamor-


fi-smo de contato e a baixa pressão. Para os fácies do metamorf is-
mo regional, a pressão varia amplamente podendo ser baixa, média
ou alta, sendo que esses intervalos nem sempre se correspondem com
a temperatura visto que podemos ter altas pressões se correspon
dendo com baixas temperaturas (no caso do metamorfismo de carga)e
baixas pressões se correspondendo com altas temperaturas (no meta.
mor f ismo tipo Abukuma, enfocado na pãg. 106). Um fator de significativa im
portância para os fácies do metamorfismo regional ê a deformação contemporâ-
nea que funciona como uma fonte adicional de energia, estimulando
as reações metamorfiças. De acordo com o esquema de fácies meta-
mórficas de Turner (1968). O metamorfismo regional compreende os
sete fácies abaixo relacionados.

Fácies dos zeõlitos


Fácies Prehnita-Pumpellyita
Fácies Xisto Azul
Fácies Xisto Verde
Fácies Anfibolito
Fácies Granulito
Fácies eclogito
, -94-

Muscovite
Figura 9.6 - Paragêneses do
facd.es prehni- f-
ta-punpellyita
Epidote
Pumpellyite em meta-grauva
Prehnite
cãs e meta-vul
Chlorite cânicas (quart
zo e albita f-,
f |
são possíveis
t 1
fases adicio -
f' l
nais). Turner
(1981) t *
il
f 1
Figura 9.l Paragêneses « í
do fácies f- l
purrpellyita f .71
-actinolita
em rneta-
grauvacas.
(In Turner €)' *i
1981).Quart
zo e albita C-1
são fases a. IN
dicionais Mg. Fe'
fy <g

Í;m
Figura 9.8 - Paragêne-
ses mine-
Phengite
rais ACF
Lawsonite para o fã
cies law- f) 1
sonita-al^
Pumpellyite bita-clo-
rita. Quar
tzo e al-
bita são €>
possíveis
fases adi
ciónais.
Calcite (Aragonite) Turner
(1981)
-95-

FÃCIES DOS ZEOLITOS

O fácies dos zeolitos, foi definido por (Fyfe,Tur-


ner e Verhoogen 1958 - in Turner 1968), que tomaram por base as
considerações de Coombs (1954) relativas as modificações processa
dás nos sedimentos vulcanogênicos de um geossinclinal de idade
triãssica localizado ao Sul da Nova Zelândia. As descrições de
Coombs se referem a metamorfismo de sedimentos andeslticos soter-
x\s a uma profundidade de 6 a 8 kilometros. As condições físi-

cas reinantes nesses níveis davam uma temperatura entre 200 e


3009 e uma pressão variando entre 2 e 3 Kb. As paragêneses de
senvolvidas nesse local foram as seguintes.

1. Heulandita - analcima - quartzo (irontemorilonita;


celadonita e ti
tanita são pos-
síveis fases a-
dicionais)
2 . Laumontita - albita -'quartzo (-clorita)
3. Quartzo-ãlbita-adularia (metassomãtica)

Outras paragêneses do fácies dos zeolitos podem


conter pumpellyita, prehnita, clorita, calcita etc. Para melhores
esclarecimentos, consulte Turner (1981).

FÁCIES PREHNITA-PUMPELLYITA

Prehnita e pumpellyita, são dois silicatos de cãl-


cio e alumínio hidratados, sendo que pumpellyita contém certo con-
teúdo de Mg e Fe. Eles são quimicamente muito semelhantes a maio-
ria dos minerais do grupo dos zeolitos. Coombs definiu o fácies
prehnita-pumpellyita baseado nas meta-grauvacas do geossinclinal
ao Sul da Nova Zelândia. As paragêneses minerais características
deste fácies encontram-se ilustradas na figura 9.6. Naturalmente
que as associações diagnosticas devem conter um ou ambos os mine-
rais . Embora seja comum a passagem da laumontita para associações
com pumpellyita-prehnita ou simplesmente com um dos referidos mine_
rais no limite cora o fácies dos zeolitos, não quer dizer que es_
tes minerais sejam obrigatoriamente precedidos de uma zona rica
em lavr;nor.titc , Esse aspecto, depende de outros fatores tais como
gi:aãi.enr.e de temperatura-pressão e deformação associada, não fi-
cando restrito simplesmente a composição da rocha. A transição pá
rã o fácies xisto verde se verifica através de dois fácies, fá-
cies pumpellyita-actinolita e fácies Lawsonita-albita-clorita.

f-'
FÁCIES PUMPELLYITA-ACTINOLITA ' -.í"
f" >
«H
Associações contendo pumpellyita-actinolita per-
sistiram até 1966 como pertencentes ao fácies prehnita-pumpellyi- ga-
ta. Em 1966 Hashimoto (in Turner 1981) propôs o : desmembramento
desse fácies, em dois, Prehnita-Pumpellyita é'Pumpellyita-Actino-
lita, tendo sido esta divisão, muito bem aceita nos meios petrolõ
gicos. Em 1981, "Turner considerou o fácies pumpellyita-actinolita
como uma transição para o fácies xisto verde e ilustrou com o grã.
fico da figura 9.7, as paragêneses mais significantesí Turner re-
laciona entre outros um interessante exemplo dessa transição,pro-
cessada em Torlesse-Otago (Nova Zelândia), cuja gradação, encon -
tra-se registrada nas paragêneses abaixo.

T !

1. Prehnita-pumpellyita-clorita-mica bra-nca—stil-
pnomelano-(actinolita rara) - Fácies ptrehnita-
pumpellyita

2 . Pumpellyita-actinolita-clinozoisita-clorita-roi
ca branca - stilpnomelana (prehnita muito ra-
ra) - Fácies pumpellyita-actinolita

3. Clinozoisita-actinolita-clorita-mica branca
stilpnomelano (com um pouco de pumpellyita ain T'
da presente em 30% das amostras) - Fácies xis- "'
to verde. • $i
f
FÁCIES LAWSONITA-ALBITA-CLORITA
ê
f
O fácies Lawsonita-albita-clorita, é muito seme- ^
lhante ao fácies xisto azul, já tendo sido inclusive detec- |j-
tado corno uma transição (fato observado na nova Caledónia in Tur- ^\r

fr
-97-

por lawsonita e/ou aragonita, mas as associações contendo esses


minerais, s5 são consideradas como xisto azul quando acompanha -
das de glaucofana. O gráfico da figura 9.8 ilustra as paragêne -..
sés leste fácies.

_ FÁCIES XISTO AZUL

^ Este fácies, foi inicialmente definido por Eskola


^ como fácies dos xistos glaucof ânicos ou fácies glaucofana-xisto.
^ . Em 1965, Winkler sugeriu a denominação de Fácies glaucofana- law-r
v sonita, por considerar que não ficava bem se fazer a amarração u-
^ nicamente na glaucofana cuja ocorrência também se verifica em al_
~* gumas rochas do fácies xisto verde e rochas do fácies eclogito. O
nome atual (fácies xisto azul) já vinha sendo usado de al-
gum modo, era muito comum se ouvir referências ao fácies dos xis-
tos azuis, mas esta denominação sõ passou a ser conhecida em cará.
—f
ter oficial, em 1981 por sugestão de Turner . Este autor em 1968 ,
T
_ faz referência a ~um importante trabalho que naquela época - esta.
vá se desenvolvendo na Nova Caledónia e que indicava haver possl-
~> veis gradações entre os fácies xisto azuis, prehni ta-pumpe l lyi.ta,
- xi-sto verde, anfibolito e eclogito. Ele explica o problema do se-
Y guinte modo, As rochas glaucof ânicas podem estar associadas com
~í intrusões de serpentinito e eclogito; isto acontece, porque esses
~? três. tipos de rochas tendem a se desenvolverem em ambientes eu-
~f geossinclinais. Quando isso acontece, muitas vezes fica'v- difícil
1 de se saber se as rochas glaucof ânicas tiveram sua origem devi-
1 do ao efeito da intrusão ou se representam um retrometamorf ismo do
eclogito associado. As paragêneses minerais variam bastante para
serem tratadas em diagramas de três ou quatro componentes , para e_
feito de ilustração, damos a seguir algumas paragêneses comuns em
^ rochas • pelí-ticas , quartzo-f eldspãticas , básicas e calcárias.


T Rochas Pell.ticas
t
-j- 1. Quartzo-muscovita-clorita-glaucofana-granada
Y 2. Quartzo-muscovita-glaucof ana-lawsonita

T Rochas Quartzo- fé Idspã ti cãs


"T

-t
l*
1. Quartzo-jadeita-lawsonita-glaucofanã
*f* ^<
2. Quartzo-lawsonita-glaucofana-aragonita Í g

Rochas básicas '

É; 'i
1. Glaucof ana-lawsonita-almandina f''' ^

2. Jadeita-lawsonita-glaucofana-aragonita-clorita
$.:s ^
~
*-'! i
-quartzo m
f l -!
*>1
Rochas Calcárias ;,

«i-l
1. Aragonita-lawsonita-glaucof anã fr ..
2. Aragonita-pumpellyta-glaucofanã $y.i -,

Para maiores detalhes, consulte Turner (1968-1981) t .|-j

t "*

FÁCIES XISTO VERDE

O limite de baixo grau do fácies xisto verde é rV_


fe / i
demarcado pelo desaparecimento da pumpellyita que cede lugar a ,»
epidoto (em rochas precedidas de pumpellyita) , pela eliminação » :,
da glaucof anã em favor de actinolita-albita-epidoto (em rochas 4 ^-,

precedidas de glaucofana) e pelos primeiros pontos de ausência 4 j-


de prehnita, lawsonita e minerais do grupo dos zeolitos .'-O limi- | |
te superior foi determinado em metabasito (Turner Verhoogen 1960 ) ( ;í
que tomaram por base, o ponto em que o plagioclásio muda brusca- *l
mente de composição, isto é, o ponto em que se verifica a coexis_ *r
tência de dois plagioclãsios; um plagioclásio de composição An 0-7 ' '
e um outro plagioclásio de composição aproximadamente An 20. Pos_ ' '
~~ t -f
teriormente, Winkler estabeleceu o limite superior com base na
primeira aparição de estaurolita ou cordierita em metapelitos.Es_
te representa realmente o melhor limite, sobretudo pela abundân-
cia das rochas pelíticas. A temperatura de formação desses mine-
rais é aproximadamente 209C a mais que a temperatura detectada .
em função das transformações dos metabasitos. Turner subdivide y-
este fácies em dois gradientes metamórf icos, um caracterizado pe_ y-
la zona da clorita e um outro de condições mais elevadas caracte_ y-
rizado pela zona da biotita. Os gráficos das figuras 9.9 e 9.10, >~
ilustram paragêneses da zona da clorita das áreas de HaastSchist Y
-99-

(Nova Zelândia) e Castleton (Vermont) e a figura 9.11,ilustra pa-


ragêneses minerais da zona da biotita a oeste de Vermont e New
Hampshire. Compare as figuras 9.9 e 9.11, para constatar um aspe£
to importante relacionado com a actinolita. A presença de actino-
lita, é controlada por uma pressão P relativamente baixa, se
CU o
essa pressão se elevar, a actinolita se decompõe para formar cal-
cita + clorita, e, se essa pressão for consideravelmente alta,ca^L
cita + clorita reagem para formar dolomita ou ankerita. Pela pre-
sença vde dolomita em Castleton, dolomita e ankerita em New Hamp-
shire se conclui que a pressão P , foi consideravelmente alta
CO 2
nesses locais.

FÁCIES DE TRANSIÇAO-XISTO VERDE-ANFIBOLITO

No fácies de transição, Turner considera as três


seguintes zonas: zoria da biotita, zona da almandina e a zona epi-
doto-anf ibolito . A zona da biotita é caracterizada pela presença
desse mineral associado aos plagioclãsios de duas composições (já
abordado). A zona do epidoto-anfibolito traduz o mais alto grau
e como exemplos de associações minerais temos:

a) em metapelitos: Quartzo-muscovita-clorita-al-
mandina v >-

b) em metabasitos: hornblenda-epidoto-albita-clo-
rita-almandina

: A característica marcante nesse estágio, e a au-


sência da biotita, entretanto, ela volta a aparecer novamente no
fácies anfibolito. Os diagramas da figura 9.12, ilustram paragê-
neses da zona da almandina na área do Dalradian escocês. A zona
epidoto-anfibolito consta no esquema de Miyashiro (1975) como fá-
cies independente.

FÁCIES ANFIBOLITO

Para Turner (1981), o fácies anfibolito começa


com a primeira aparição do Par Hornblenda-plagioclãsio (An>25) em
rochas básicas. Winkler preferiu delimita^ o início deste fácies
4
-100-
i

Figura 9.9 - Fácies Xisto


verde, zona f,,
da clorita ,
Haast Schist
-Nova Zelân-
dia. (In Tur
ner 1981) .
ta e graf ita,
são possíveis
fases adicio- f l
nais
f «l
t l
Calcite Actinolite
«• l

í l
Ideal muscovite
fc
Figura 9.10 - Fácies xisto
verde, zona f l
da clorita,£ f i
rea de Cas- Not recorded V Muscovite
,tleton,Ver - í !
inont.Albita C l
e quartzo,são £ s
possíveis fa- Chloritoid
Epidote
ses adicio- Zoisite tfe' =1
nais (in Tur- O i
ner 1981)
C5 T
Chlorite íl l
(5 l
Stilpnornelsne
Calcite Dolomite
f v'.
C i
O i

A
Kyanite
Figura 9.11 - Fácies xisto
verde, zona
da biotita.
Muscovite Cês te de Ver_
mont e New
Haitpshire. Al
bita e quar-
Clinozoisite
tzo, são pos-
síveis fases
adicionais.
(In Turner
1381)

Dolomite
Ankerite,

\
•101-

tomando por base as primeiras aparições de estaurolita ou cordie-


rita era rochas pelíticas (fato já comentado). O fácies anfiboli -
to, enquadra as rochas de médio e alto grau do metamorfismo regio_
nal dinamotermal e para caracterizar esses estágios, são conside-
radas duas zonas; a zona da cianita-estaurolita, (médio grau) e zo
na da sillirnanita será muscovita (alto grau) .

_ O fácies anfibolito, encontra-se sub-dividido em


^ parageneses de baixa pressão e paragêneses de moderada a alta
^- pressões. O fácies xisto-verde, também-apresenta esta subdivisão,
-7 mas o problema é que não existem reflexos nas paragêneses mine-
"T rais, por isso, os diagramas de sua\representação não denunciam
~ diferenças de pressão, quando tomados isoladamente. Para uma ca-
~> racterização da. pressão, os diagramas do fácies xisto verde devem
"í ser tomados em conjunto com os diagramas do fácies anfibolito, vis_
' to que só através da gradação pode^-se constatar as diferenças de
' pressão. Os diagramas da figura 9.13, ilustram paragêneses de
' baixa pressão da região de Orijarvi (Finlândia) e o gráfico da fi.
J gura 9.14, ilustra paragêneses de alta pressão na região de New
t ^
_ hampshire. As paragêneses de Orijarvi, são, as mesmas-que Fyfe,Tur_
ner e Verhoogen (in Turner 1968) consideraram como pertencentes
\ ao fácies Hornblenda-hornfels. Elas foram enquadradas no fácies

~ anfibolito (Turner 1981), devido a constatação do metassomatismo


—t sincrônico associado. Aqui, Turner concorda com Miyashiro que
~\a semelhante litologia adjacente a plutons graníticos
"T sintectônicos no Ryoke-Abukuma belt, como pertencente ao fácies
"T anfibolito, vale ressaltar que Miyashiro (1975) considera como' f ã_
1 cies anfibolito não apenas as rochas desse estagio metamórfico/gue
' estejam associados a plutons sintectônicos, mas também aquelas que
' encontram-se em auréolas de plutons põs-tectônicos, visto que o
~< seu esquema de fácies, não admite os fácies albita-epidoto- horn-
féis e hornblenda-hornfels (ver tabela 8).
^1
1
_ As parageneses que mostraremos a seguir, ilustram
_. outras associações minerais em rochas de diferentes composições.
*~\ E_m_Baixa Pressão

"l
Rochas Pelíticas
•102-

Ideal muscovite

Chloritoid

Garnet
Chforite

Clinozoisite
(Epidoie)

Chlorite
Biotito

Figura 9.12 - Fácies de transição' xisto verde-anfibolito,zona da


almandina do Dalradian Escocês-, Quartzo,albita e
oligoclásio, são possíveis fases adicionais. (In
Turner 1981). ft
ÍS

Í
-103-

1. Quartzo-muscovita-biotita (plagioclásio
-microclina)
2 . Quartzo-muscovita-cordierita-andaluzita
(plagioclásio)
3 . Quartzo-muscovita-biotita-cordierita
(plagioclásio)
4, Quartzo-biotita-cordierita-andaluzita
5. Quartzo-muscovita-biotita-andaluzita

Quartzo-Feldspáticas

^
v
1. Quartzo-plagioclasio-microclina-biotita
"f 2. Quartzo-plagioclãsio-microclina-biotita
^ . -hornblenda

Calcários
-r
"T 1. Diopsldio-grossularita (quartzo-plagio-
"í Clãsio)

^^ 2. Grossularita-diopsídio-calcita-quartzo
' ou grossularita-diopsídio-wollastonita

Rochas Básicas

i 1. Plagioclásio-hornblenda (biotita-quart-
20) .
2 . Plagioclãsio-ílornblenda-diopsldio (quart
zo)

Rochas Magnesianas
~f
' 1. Cordierita-antofilita (biotita)
2. Cordierita-antofilita-almandina (bioti-
ta)

Em Pressões Moderadas a Altas

Rochas Pélíticas

1. Quartzo-plagioclãsio-muscovita-biotita-
almandina-cianita (estaurolita)
H
-104-
l í

f "^
C- '

«•w
*• M
Kjb *^^ri

Plagioclase

Figura 9.13 - Fácies anfibolito,


Grossularite parageneses de bai
xá pressão-Qrijar-
vi (Finlândia). NQ
diagrama ACF,quart
C/Calcite zo e micrcsclina
(Wollastonite Diopside Tremolite
são possíveis fa-
(a) ses adicionais e
em AKF,quartzo e
plagioclãsio.( In
Turner 1981).

A
Andalusite
i-

Muscovite

f
t

An f .hopliví!ito
(b)

Kyonite

Figura 9.14 Fácies anfibolito,


.parageneses de al-
ta pressão da re- Ideal muscovite StaurcUte
gião de New Hairp-
shire-Verraont.Quar
tzo e plagioclãsio
são .fases adicio -
nais. (Turner 1981).

Almandine
-105-

2. Quartzo-plagioclásio-muscovita-biotita- -
almandina-estaurolita

Rochas Básicas

1. Quartzo-andesina-hornblenda-biotita (cli-
nozoisita-almandina)

v
Calcários

1. Quartzo-clinozoisita (hornblenda-granada)
2. Calcita-actinolita (hornblenda)
3. Calcita-quartzo

Magnes iangjs

1. Clorita-antofilita-talco (magnetita-anke-
rita)

O limite superior do fácies anfibolito será


abordado no capítulo 10, juntamente com os fácies granulito e e-
clogito, tratados ã parte devido as suas características particu-
lares .

SÉRIES DE FÁCIES

Uma importante contribuição ao estudo dos


fácies metamórficos, foi dada por Miyashiro (1961), com a introdu
cão das séries de fácies. Como o próprio nome deixa transparecer,
uma série de fácies, indica um conjunto de fácies, cuja amplitu-
de de domínio, ê controlada por um determinado fator, no caso a
pressão. Da observação das parageneses minerais em terrenos meta-
mórf icos em várias partes do mundo, Miyashiro concluiu que as ã-
reas metamórfiças podem ser satisfatoriamente classificadas, to-
mando- se dentro de um determinado intervalo de pressão, os fácies
compatíveis com tal ambiente. Assim procedendo, ele .individual:^
sou "cinco séries faciais", sendo três principais e duas "secun-
dárias" (grupos intermediários), o estudo das séries de fácies en
contra-se basicamente fundamentado no ponto tríplice do Al~SiQ<- e
-106-

na reação albita=jadeita + quartzo. As três séries de^ fácies


principais são: cianita-sillimanita; andaluzita-sillimanita e
-• a-. --4--. -i HiT-of ana~"

S_érie de Fácies Tipo Cianita-Sillimanita - Esta


serie, indica metamorfismo de pressão média e caracteriza-se pe-
la estabilidade da cianita em baixo grau e sillimanita em grau
mais elevado, enquadrando os fácies xisto, verde, epidoto-anfibo
- IP
lito, anfibolito e fácies granulito. Aqui, andaluzita, cordieri-
~ " f *
ta e glaucofana, encontram-se ausentes por razoes obvias, enquan ^
Cp-
to que almandina e estaurolita, encontrara-se normalmente presen- -t
IP
tés. A série cianita-sillimanita, determina o metamorfismo conhe_ *
eido como metamorfismo Barrowiano, muito comum nas montanhas ^
Grainpianas (Escócia) e na maioria dos cinturões rnetamõrficos es-
palhados pelo mundo. Esse tipo de metamorfismo, é acompanhado
por abundantes granitos, enquanto que um" pequeno volume de ro-
chas máficas e ultramãfiças, encontram-se normalmente associado.

Série de Fácies Tipo Andaluzita-Sillimanita - En-


contra-se condicionada a ambientes de baixa pressão e caracteri-
za-se pela estabilidade de andaluzita em baixo grau, e, sillima-
nita em grau forte, inclui os fácies xisto verde, anfibolito e
granulito. Cianita, estaurolita e glaucofana, são aqui., minerais
incompatíveis; cordierita é típica desse ambiente e almandina pó
de ser encontrada em certos metapelitos, não devendo aparecer em
rochas básicas. Esse metamorfismo é conhecido como metamorfismo
tipo Abukuma, nome derivado do Plateau de Abukuma (Japão), onde
foi estudado pela primeira vez por Miyashiro 1958 (in Miyashiro
1961). O magmatismo associado a esta série de fácies, inclui a-
bundantes plutons graníticos, os quais podem estar acompanhados
de riolitos e andesitos, entretanto, a componente mãfica e ultra
mãfica torna-se rara.

Série de Fácies Tipo Jadeita-Glaucofanã - Define


ambientes de alta pressão e caracteriza-se pela estabilidade do
par jadeita-quartzo e da glaucofana, englobando os fácies xisto
azul, xisto verde, epidoto-anfibolito e fácies prehnita-pumpellv_
ita. Lawsonita é um mineral muito comum, o polimorfo de Al
•107-

cianita e a almandina é mais ou menos manganlfera. Deve ser enten.


dido que andaluzita, sillimanita e cordierita são fases ausentes.
Esse metamorfismo, e conhecido como metamorfismo tipo Kanto ( re-
gião montanhosa do Japão) muito bem estudada por Seki (1958,1960b,
c, 1961b - in Miyashiro 19611. O magmatismo aqui associado, com-
põe-se de abundantes massas mãficas e ultramãfiças, enquanto que
os granitos estão ausentes.

v -
Além dos três casos principais enfocados, existem
exemplos de associações minerais que não se enquadram em nenhuma
das três situações discutidas, por isso, tais paragêneses, .foram
consideradas por Miyashiro (1961) como grupos intermediários. A
razão de se considerar grupos intermediários e não series própria
mente ditos, ê ao.que tudo indica que para constituir uma série
de fácies, teríamos :de ter vários fácies representando uma grada-
ção, o que não acontece neste caso. Aqui,verifica-se a -presença
de certas paragêneses minerais, que indicam a quebra de continui-
dade dentro 'da série facial, podendo ser portanto consideradas co
mo uma ligação ou ponto de passagem entre duas séries de fácies.
Dois grupos intermediários foram individualizados, sendo um .com-
preendido entre as séries de baixa e média pressões e outro inter_
ligando as séries de média e alta pressões; o primeiro foi denomi_
nado de grupo intermediário de baixa pressão e o segundo, de - gru-
po intermediário de alta pressão. A título de exemplo, na parte
noroeste das montanhas Grampianas (Escócia), ê frequente a presen
ca de associações andaluzita-cordierita-estaurolita e andaluzita-
sillimanita—estaurolita. Estas paragêneses, não se coadunam nem
com a série de fácies de baixa, nem com a série de fácies de mé-
dia pressão, s5 se justificando devido a existência de condições
intermediárias entre essas duas séries faciais. Associações con-
tendo o par .andaluzita-estaurolita são muito comuns nos escudos
bãltico e canadense. Uma outra associação que caracteriza esse es_
tágio é representada por andaluzita-cianita-sillimanita, cuja o-
corrência, define o ponto tríplice do Al-SiOj-. Esta associação é
muito rara, damos como exemplo a região de Idaho (Hietanem 1956-
-in Miyashiro 1961) . Hara et ai (in Miyashiro 1975) , encontrou tal
associação na região de Abukuma, o que denuncia que essa área co-
mo hoje ê conhecida, parece indicar condições intermediárias en-
tre baixa e média pressões.
T108-

O grupo intermediário de alta pressão, é defini- *" |^


do por condições intermediárias entre as séries de fácies ciani- ** Ns
&
ta-sillimanita e j adeita-glaucof anã. Caracteriza-se pela ausên- "N
A, —
cia do par jadeita-quartzo e presença de glàucofana, m

f «
f •
f *

t
t

t
i;
C
e
-109-

C A P T T U L O 10

v
^ GRANULITOS E ECLOGITOS
T"

T
Em metamorfismo de grau forte, a pressão de H-O
Y ê de fundamental importância para os grupos rochosos originados
neste estágio. Assim sendo, tem-se duas situações básicas a se-
Y rem consideradas, P rT n~Ps e P TT n«Ps .
H .-j U HQ U
No primeiro caso, for-
T mam-se os xistos e gnaisses, enquanto que no segundo
^ caso, com Ps média a alta forrnam-se as rochas de associações
minerais predominantemente anidras, muitas vezes constituindo tí_
picos granulitos .

O emprego do termo "granula.to" tem representado


^ um motivo de polémica entre os petrõlogos (ver Winkler 1976 e
Mehnert 1972) . Não obstante as diver.gências existentes, os granu
litos podem ser definidos como "rochas metamorfiças de granula-
.-; cão fina a média, textura granoblástica e estrutura maciça . ou
-; ' gnaíssica, com um volume de feldspato superior a 20%, com ou sem
quartzo e onde os máficos presentes, são quase que exclusivamen-
te anidros. Biotita e hornblenda quando presentes são pardas,sen_
^ do que a hornblenda pode apresentar também uma cor verd,e oliva.
Essas cores se devem na biotita a riqueza em Mg e Ti e na horn-
blenda ao elevado conteúdo em Titanio e quanto aos feldspatos,os
alcalinos são tipicamente pertitas, enquanto que os plagioclã-
sios, muitas vezes são anti-pertitas". Esta é a definição dada
por Mehnert (1972), ela exclui as rochas pobres em feldspatos ou
seja as ultramãficas sem ou com anfibólios e quanto aos granuli-
tos em que o teor de mãficos é superior a 30%, ele sugere que.
essas rochas sejam denominada's de Piribolitos, Piriclasito e Pi-
^ rigarnito, de acordo com a sua composição (ver Mehnert 1972) . Da
—- mós a seguir uma lista dos minerais comuns em associações granu-
-' líticas.

^ Feldspato alcalino - pertítico


^•• Plagioclãsio as vezes anti-pertítico
Quartzo
Granada - Piropo - almandina
*
*
.-110- ,

Ortopiroxênio - geralmente hiperstênio ^^


Clinopiroxênio - da série diopsídio-hedembergita &* w.
Sillirnanita ou cianita ^ M.
Cordierita . f * M.
Forsterita - nas paragêneses mais cãlcicas ^<
Wollastonita * N
<Éfe
Calcita '*
«- ta
Hornblenda ' _
f: H
Biotita - ^^
Escapolita ^

Os granulitos. ocorrem em áreas do pré- cambriano ^


£. ^ *
principalmente inferior (arqueano) , frequentemente associados aos (p fe
Greenstones Belt ou constituindo os denominados complexos granu- ^- k
li ticos . As áreas granulíticas são bastante tectonizadas e normal (<• ^
mente apresentam-se falhadas, por isso, as texturas cataclãsticas, € &
míloníticas e em f laser são muito comuns. É muito comum a associa f" p
cão de granulitos com rochas do fácies anfibolito tipo gnaisses , * r
migmatitos etc . A explicação para esse fato é simples, pois os - r
granulitos podem representar uma fase de desidratação das rochas $
v r
;l b

pré-existente através de um processo metamórfico subsequente em '


~ -
condições adequadas. O inverso também pode acontecer, isto e ré-
-f rm
^ - * P
trabalhamento em áreas granulíticas com acesso de agua;, sem que L
-
a água tenha atingido todos os níveis. Essa associação pode ainda * r v
ter origem através de um único evento metamórfico, onde a presen- *• v
W pi
ca de granulitos denunciam pontos (locais) onde a água foi expul- g ^
sã devido as condições metamórficas reinantes ou não teve acesso, f k
como por exemplo numa área de sedimentos pé li ticos empregnada de f-- k
corpos básicos. Nesse caso, a água só pode influenciar os sedimen C ^
tos e uma pequena área das bordas dos corpos básicos , enquanto que f" f
~ ~ If' k
nas partes centrais, as associações desenvolvidas são anidras. ~' f

Dentro do contexto dos fácies, as condições _


cãs (tais como P n<<Ptotal' temPeratura entre 6509C a 8509C e F
sendo a P. . , média a alta) que regem o equilíbrio dessas rochas
totaJ. ç^ •F
definem o fácies granulito. Nem todas as rochas do fácies granuli _ r
to são granulitos, do mesmo modo que no fácies anfibolito só as ^-
rochas com hornblenda e plagioclásio (An>25) são denominadas de ^-
anfibolitos. Para Winkler (1976), só as rochas da zona regional ^
,do hiperstênio e que contenha'uma associação mineral diagnostica. . |>"
f--
-111-

"-;' são classificadas como granulitos, definindo como associação diacj


"~ nóstica todas as paragêneses com hiperstênio ou a par.agênese cli-
^ nopiroxênio + almandina + quartzo. Para evitar possíveis confu
soes, Winkler criou o termo granolito, para caracterizar as ro-
chas de. grau forte da zona regional do hiperstênio e que encer_
ram uma associação diagnostica, resguardando o termo granulito ao
nome do fácies. As rochas sem associações minerais diagnostica da
^ zona regional do hiperstênio devem ser classificadas como grano-
^ blastitos (Winkler 1976).

Outros autores utilizam o termo granulito com um


~~ sentido bem mais amplo, inclusive admitindo sua aplicação até
~" mesmo aos maciços rochosos de composição quartzo feldspática e
"~ textura granoblãstica, mas sem as associações minerais diagnosti-
ca (ver Roger Mason 1978).

Os granulitos a hiperstênio, com ou sem quartzo


podem ser classificados (Segundo Winkler 1976) utilizando-se o
"~~3íS*
triângulo Q-A-P das rochas ígneas (Streckeisen) figura 10, onde Q
_ = quartzo, A= feldspato alcalino e P= plagioclásio.

— Considerando-se o triângulo de classificação,além


— , do hiperstênio que é um mineral constante, biotita e/ou hornblen-
— da podem estar presentes. Uma rocha com predominância de pertita,
"" tendo quartzo e plagioclásio como minerais subordinados, denomina
" ~se hiperstenio-pertita-granulito. Para uma associação que conte-
"" nhã clinopiroxênio Ex. hiperstênio + plagioclásio + clinopiroxê -
^ nio 4- quartzo, a rocha deve ser classificada como hiperstênio- p_i
roclásio-granulito, esta classificação inclui o piriclãsito; não
""* havendo clinopiroxênio, a rocha deve ser classificada com hipers
tênio-plagioclãsio-granulito. O termo hiperstênio perticlásio-gra.
T -~
nulito e utilizado em rochas cujo volume de pertita e plagiocla -
_ sio encontra-se em proporções aproximadamente equivalentes. Para
_ as rochas com 60%>quartzo>20%, a classificação tem por base os
_ termos charnoqhiticos e enderbidicos, conforme a predominância do
_ feldspato alcalino ou do plagioclásio, tal como mostra a figura
— 10. Os granulitos podem também ser classificados empregando-se a
— nomenclatura normal das rochas metamórfiças, resguardando-se o
y termo charnoquito aos tipos com hiperstênio. Assim as denomina -
Y coes A-granulito, B-granulito e C-granulito, onde A,B e C repre-
T
,112- t; *

'*
sentam diferentes associações minerais, podem ser utilizadas sem * 4
nenhum receio (Winkler 1976) . O termo kinzigito, muito utilizado, * ^
~
«woi-eqado para caracterizar granulitos em cujas associações mi^ C-;
f
~
;rais estão oresentes almandina-sillimanita-cordierita. f
f
r
METAMORFISMO E CONSIDERAÇÕES PETROGENÉTICAS
*

f
» A formação da antipertita acontece porque nas *
altas temperaturas, o plagioclásio admite mais potássio e sódio. |,
em sua estrutura cristalina, assim, com o resfriamento lento, o f
cristal originalmente homogéneo exsolve (separa) o feldspato ai™ f
calino, se transformando num intercrescimento formado pelas duas Ir
fases (plagioclãsio + feldspato potassico) . A presença da antiper t'
titã indica portanto que o plagiociãsio original se formou em *
alta temperatura, tendo um subsequente resfriamento lento. *

Os piroxênios, são os minerais mais importantes


na caracterização de áreas tipicamente granullticas. A condição
de P n<<Ptotal favorece as reações que envolvem biotitas e anfi_
bólios produzindo associações anidras contendo piroxênio. Outros
minerais- hidroxilados como clorita e paragonita, tornaram-se ins_
táveis antes de atingir as condições do fácies granulito, o mes-
mo acontecendo com a muscovita,por isso, esses minerais, nunca
são encontrados nas rochas granullticas. Os piroxênios podem ter
origem através de várias reações, conforme as seguintes equações.

Hornblenda+quartzo = hiperstênio + clinopiroxênio + Plag


+ H2°

Hornblenda + biotita + Q z = Mperstênio + KF + Plag +


H2°

Hornblenda + almandina + Qz = hiperstênio + Plag + H^O

Antofilita (cumingtonita) = hiperstênio + Qz + H-O

Treraolita '= Enstatita + diop + Qz -t- H^O

Biotita + Qz = Mperstênio + almandina + KF -t- H00


-113-

Os piroxênios com certa frequência, apresentam


bordas de reação, dando origem ao aparecimento principalmente de
anfibólios. Essas bordas de reação, indicam um metamorfismo re-
trogrado/ o qual dependendo da amplitude, pode provocar a passa-
gem do fácies granulito ao fácies anfibolito. O processo retrome_
tamórfico tem lugar, devido a entrada de água e deformações ass£
ciadas muito comuns nos estágios mais tardios. O retrometamorfis_
mo, ê sempre marcado por algum aspecto reliquiar observado em lá
*mina ou em escala de campo. Em lâminas verifica-se a alteração
dos cristais de piroxênios,os quais encontram-se sendo substituí,
dos por hornblenda etc. (como no caso das bordas de reação), en-
quanto que no campo, vez por outra, aparecem nos afloramentos de
rochas do fácies anfibolito, associações minerais que são reli -
quias do fácies granulito. Por outro lado, na transição dos fá-
cies anfibolito - granulito, que traduz um metamorfismo ..pro-
gressivo não existe nenhuma característica reliquiar porque es-
sa passagem ê marcada por associações minerais com textura de
equilíbrio. Esse limite, de modo geral, só pode ser detectado ~a~
través de observações microscópicas. Para De Waard (in Winkler ,
19761, o melhor limite entre o grau forte do fácies anfibolito a
almandina e o metamorfismo do fácies granulito, é a primeira apci
rição do ortopiroxênio (hipersténio ou bronzita), não importando
o tipo de reação que lhes dão origem.

Nas associações maficas, originadas em metabasa^


tos, a presença de almandina se verifica com certa frequência, vis_
to que no fácies granulito, a pressão pode alcançar valores con-
sideráveis, o suficiente para tornar instável a associação orto-
piroxênio + plagioclãsio de cuja reação dá origem ao aparecimen-
to da almandina, conforme a reação:

ortopiroxênio + plag = CPX + almandina + Qz

Essa reação é continua mas não implica que tenha


sempre que se. completar. Ela foi investigada por Green e Ring
Wood (in Winkler 1976) que verificaram que por Ex. a uma tempera
tura de 7009C e pressão entre 8 a 10 Kb, ela estabiliza uma asso
ciação das cinco fases: ortopiroxênio + plag + clinopiroxênio +
+ almandina + quartzo. Um outro aspecto que chamou atenção, é
que o conteúdo de grossulária na almandina, é muito alto, poden-
-114- «t!
ti.

•f'
•Í

hornbtendf and/or
biotite may
í>e prtsent

hypfrsthtnt ~
p»rtM* l ptrthiclos*
granotítt l grnnotitt \

90 p

Figura 10 - Diagrama QAP (Strékeisen) aplicado à classificação


dos granolitos (Winkler 1976).

Figura 10.1 - Diagrama AFM, mostrando a relação de coexistên-


cia almandina cordierita (Turner 1981).
-115-

do atingir 20% em moléculas; esse valor,i muito superior aquele


encontrado nas almandinas das associações pelíticas.

Com relação a cordierita, sua presença em rochas


granulíticas sem almandina ê rara e quando acontece, indica
~ FeO
baixos valores na razão —g- da rocha (ver figura 10-1) . Entretan
to, a presença do par cordierita + almandina, e encontrada com
maior frequência, já tendo sido constatada em várias áreas de
gíranulitos. A ocorrência desse par mineralógico, encontra-se vin
~
culada a um intervalo <de valores da razão • FeO
•- (valores de 0/8
a 0,4), ver figura 13.

As paragêneses com sillimanita ou cianita, indi-


cam pressões médias a altas. As temperaturas em terrenos granu
litos podem alcançar valores extremamente altas.

As discussões sobre a génese dos granulitos têm


destacado as três seguintes"origens possíveis.

1. Metamorfismo de antigas intrusões ígneas


2. Polimetamorfismo de pelitos
3. Metamorfismo nas regiões mais profundas da
crosta

A respeito do metamorfismo de intrusões ígneas,


Budington da a seguinte explicação. Considerando-se uma série
de sedimentos geossinclinais, impregnada de corpos gábricos ta-
bulares e que todo esse conjunto fosse .levado através de um pro-
cesso orogênico a um profundidade da crosta cuja temperatura e
pressão fossem elevadas, teríamos a seguinte situação. Em condi_
coes de T, P^ e ?„ _ adequadas, formação nas bordas dos corpos
gábricos de associações contendo hornblenda + hiperstênio + cli-
nopiroxênio, podendo essa associação está acrescida de almandina
e nas partes mais internas outras paragêneses granulíticas tipi-
camente anidras, isto é, sem hornblenda. Ele chegou a essa con-
clusão apôs estudar detalhadamente uma área com essa composição
situada a noroeste de Adirondacks (in Winkler 1976).

A génese,como resultante do polimetamorfismo em


sedimentos pelíticos foi defendida por Scheumann em seu trabalho
-116-

sobre a área clássica de granulitos de saxônia (in Winkler 1976).


Ele admite que os sedimentos pelíticos, foram inicialmente trans-
formados em xistos, gnaisses e migmatitos e que essas rochas fo- v
ram submetidas a um segundo evento metamórfico regido por altas *"*
temperaturas e intenso cizalhamento, vindo assim a serem transfor-
madas em granulitos. Cumpre ressaltar que as análises no pre-cam~
briano têm mostrado que os granulitos foram afetados por polimeta_
morfismo.
v ,

Quanto ao metamorfismo em regiões profundas da


crosta, sabe-se que nesses locais, a água tem muito pouca condi-
ção de permanecer nas rochas, em virtude das altas condições-metei
mórfiças reinantes. Outro aspecto que favorece a condição do ?„ 0
tornar-se muito pequena, é a presença de outros fluidos como C0«.
Touret C.in Winkler 1976) desenvolveu um estudo' sobre inclusões
fluidas e constatou que as inclusões fluidas contidas rio quartzo
do fácies anfibo-lito de alto grau, eram do Gás H~0, mas as inclu-
sões contidas no quartzo do fácies granulito, eram predominante -
mente de CO , o que deve.ter contribuído na diluição do H~0, tor-
nando P n realmente muito menor que a pressão total.
H2°

ECLOGITOS

Uma das mais importantes transformações metam5rf_i


cãs de rochas basãlticas, é aquela que resulta na produção de e-
clogitos. O termo eclogito foi introduzido por Hauy em 1928, para
designar rochas compostas basicamente de onfacita e granada, po-
dendo conter também hiperstênio, cianita, anfibólios, zoizita, e-
pidoto,glaucofanã e quartzo. O piroxênio dos eclogitos é designa-
do normalmente de onfacita, mas a onfacita, é um piroxênio comple
xo contendo um teor significativo de jadeita, diopsídio, hedember
gita, tschermakita e acmita; do mesmo modo, a granada é primaria-
mente uma solução solida de piropo, almandina e grossularita.

Trata-se de um grupo de rochas interessantes, pe-


la sua composição, densidade (maior que a dos basaltos) e sensibi_
lidade ao metamorfismo retrogrado. Essas rochas, pertencem ao fá-
cies eclogito, introduzido por Eskola (1921) . A transformação de
basalto em eclogito pode ser representada (sem se considerar FeO)
-117-

como segue.

1) CPxl + habradorita + ol . = CPx2 + Gr + Qz


Basalto Eclogito

Para um basalto picrítico, Boyd ' Engled (in Yo-


der & Tilley 1962) propuseram a seguinte reação.

2) Labradorita + Forsterita = Piropo + Qnfacita

Eles notaram que a presença de Hisperstênio no


basalto picrítico produziria quartzo no eclogito.

Com relação a reação l, teríamos:

Ca Mg Si206 + Na Al'Si3Og +. Ca A12 Si20g + Mg2 Si04 = Ca Mg Si20g + Na Al Si20


Diop Labradorita Forsterita Qnfacita
+ Ca Mg2 A12 Si3012 + Si02
Granada Quartzo

O que ocorre com essas reações, é que o alumínio


na molécula de anortita, com o aumento da pressão sai do sistema
e vai para o piroxenio e a granada. O peso específico dos.- eclogi-
tos (3,5) em relação aos basaltos 03,0), não deixa dúvida que os
eclogitos cristalizaram em altas pressões. Além do mais, existe
o respaldo mineralógico representado por cianita, piroxenio jadei_
tico, ausência de plagioclásio e aparecimentos ocasionais de dia-
mante. Todos esses aspectos foram muito bem estudados através de
várias experiências realizadas por Yoder e Tilley (1962). As expe.
riências de Yoder e Tilley revelaram que o eclogito pode se for-
mar por transformação de basalto no estado sólido, com acréscimo
de pressão ã temperatura relativamente baixa ou por cristalização
de um líquido basáltico a elevadas pressões e temperaturas. O pr^i
meiro processo dará origem a um eclogito metamórfico e o segundo
dará origem a um eclogito ígneo.

Os eclogitos podem ser encontrados em bandas


ou lentes em gnaisses, migmatitos,- associados a rochas granulíti-
cas, anfibolitos e rochas de metamorfismo incipiente com glaucofa
, , , -118- ^
t
/t
na. Ocorrera também como inclusões era kimberlitos, lentes e bandas ^
em dunitos, peridotitos e seus equivalentes serpentinizados.

Devido a essa variedade de ambientes em que ocor-


rem, os eclogitos não podem ser mapeados em zonas nos terrenos me_
tamórficos,
-119-

CAPTTULO 11

OS QUATRO ESTÁGIOS METAMÕRFICOS DE WINKLER

O progresso da petrogênese, em função do conheci^


mento de certas reações processadas em determinados intervalos
de temperatura dentro de determinados fácies (e que anteriormen-
te passavam desapercebidos), bem como a descoberta do controle
da pressão em certas transformações metamórfiças, fizeram com
que o numero de fácies se multiplicasse amplamente, passando dos
5 fácies iniciais de Eskola aos 8 do mesmo autor (1939) aos 13
fácies de Winkler (1967); sem se falar nos sub-fãcies,termo cria.
do (ao que tudo .indica) para impedir que os fácies se avolumas -
sem, mas de significado inadequado (ver capítulo 8). Como o pro-
gresso nos conhecimentos da petrogênese é um fato contínuo, a
tendência entre os fácies metamõrficos era aumentar cada vez
mais, sendo este, um .aspecto que passou a preocupar os petrólo -
gos.Diante dessa preocupação, Turner (1968) sugeriu não apenas
a abolição dos sub-fãcies, mas que se limitasse o número de fá-
cies a 10 ou 12, tendo ele mesmo apresentado um esquema com 11
fácies (ver tabela 8). e onde não mais faz referências aos sub-fá_
cies, mas para caracterizar gradação ou pontificar o estágio a-
tingido dentro do fácies, ele utiliza o conceito dos " minerais
índrce.s como por Ex. zona da clorita, zona da biotita etc. ( ver
~
capítulo 9) , Enquanto isso, na concepção de Winkler (1970), -a a~
bolição dos sub-fãcies não representava nenhuma solução para o
problema, isto porque cada zona limitada por um mineral índice ,
tal como Turner idealizou, representa um sub-fácies individuali-
zado ou para ser mais preciso, define um fácies propriamente di-
to. Portanto, os aspectos inconvenientes contidos no esquema dos
fácies persistiam, o que levou Winkler (1970) a propor um novo
esquema para substituir os atuais fácies, no qual os diferentes
graus metamôrficos encontram-se sub-divididos nos quatro seguin
tes estágios.

Grau incipiente
Grau fraco
Grau médio
Grau forte
-120»

Os estágios metamôrf icos de Winkler , encontram-se jN


fr-
baseados em isõgradas de rochas comuns. IN
*K
Para uma melhor compreensão, torna-se necessário •M*'
j1^
f* ikgi
que se. estabeleça aqui, um paralelo entre os fácies e os esta. •
V |p
gios metamôrf icos . O grau incipiente e delimitado nas ternperatu- ^!
rãs mais baixas, pela primeira aparição de associações minerais iM^
.— ~ i ^^
eminentemente metamôrf iças , isto e, associações minerais incapa- É*1*
zes de se formarem em ambiente sedimentar, e nas temperaturas mais fc~*M
'elevadas pela primeira aparição de zoisita o:u clinozoisita .As asso ' $*'M
ciações que marcam o estágio metamórfico de grau incipiente são: ^!K
*-!«
G i
Laumontita-prehnita-quartzo " 3 •<
A- í aã
Pumpellyita-prehnita-quartzo - \a

f ;M
Lawsonita- j adeita-glaucof anã l
ff*
*•**
Essas associações encontram-se distribuídas en- ^v|
„ tP^íS
tre os fácies zeolitos, prehnita- pumpellyita e xisto azul. São asso **k-,
~ ~ ^T"l
ciacoes típicas do metamôrf ismo de conf inamento . O estagio de ás.1.*
4 __ W" i VI
grau fraco, corresponde ao fácies xisto verde, o estágio de grau áíí.%-
W:^ q
médio corresponde a parte inferior do fácies dos anfibolitos, en. £>Í4
quanto que a parte superior do fácies anfibolito, o fácies granu C'! H
lito e parte do fácies
--
dos eclogitos, enquadram-se no ''estagio
* ' *-
0-1^ K
metamórfico de grau for te. Como já frizamos anteriormente, os li- Í5j i|
»* ' ^Éf
mites entre os quatro estágios, devem ser demarcados por trans - 4r| M
formações de minerais que aparecem associados em rochas comuns , *1 •!
o que implica em reações minerais específicas. Essas reações es- **:; H
pecífi-cas, marcam no campo os pontos de primeira aparição de um l
~ y ^fM
determinado mineral e no mapa, a união desses pontos determina '>,
Í&H
a isógrada (ver capítulo 8) . •?
. %1 M
^H
As transformações minerais utilizadas para demar ^
car os limites nos diferentes estágios metamôrf icos resultam de Éf? M
reações minerais uni variantes , o que evita a possibilidade de am tf/ B
pias faixas de condições metamôrf iças . £,', g
*; - í-
• *-•' í
considerando-se as condições físicas, temos que a temperatura pó w*; i
de alcançar uma máxima de aproximadamente 4009C enquanto que a Aè.
«^í
-121-

pressao pode atingir valores bastante elevados (ver fig.ll) . A


passagem do metamorfismo incipiente para baixo grau é denunciada
pela primeira aparição de zoisita ou clinozoisita (epidoto pobre
em ferro) . Esta transição é caracterizada pelos seguintes even-
tos .

a) desaparecimento da lawsonita, que cede lugar


a zoisita ou clinozoisita
v '
b) reação da pumpellyita com clorita + Qz, produ
zindo clinozoisita e actinolita

c) desaparecimento de pumpellyita + prehnita e


formação de zoisita, clinozoisita e actinoli-
ta (em met.de baixa pressão em que não se for_
ma lawsonita)

d) boa cristalinidade da illita (valor igual a


4,0 de kubler)

Glaucofana e jadeita, não se restringem ao grau


incipiente, contudo podem ser considerados como pertinentes a es_
se estagio sempre que encontrados associados a lawsonita.

Essas transformações mostram que os mitierais dia


gnósticos para o metamorfismo de grau incipiente são: lawsonita,
Pumpellyita, Prehnita, Laumontita e cristalinidade imperfeita da
illita (valor superior a 4,0 de Kubler) . A origem da zoisita/cli_
nozoisita segundo Winkler (1976) pode ser explicada satisfatória.
mente pelas seguintes reações .

1) Lawsonita = zoisita + margarita + quartzo +

2) Lawsonita + clorita = zoisita/clinoz + clori-


ta Al + Qz + H20

3) Lawsonita + calcita - zoisita/clinoz + CO^ + H~(

4) Pumpellyita + clorita + Qz = clinoz + actinolita


+ H20
t"
-122- t
f

very - low
grade

100 200

Figura 11 - Esquema ilustrativo do gradiente P-T para os vários


graus metamõrficos (Winkler 1976).
STORRE 8. KAROTKE (1972)

MERRILL t\l (1970)


ALTHAUS et ol (1970) TUTTLE S. BOWEN (195B)

600 650 700 750 800

Figura 11.1 - Passagem do metamorfismo de grau médio para grau


alto. O gráfico ilustra as várias reações envol-
vendo muscovita + quartzo (In Winkler 1976).
T"

Certas rochas em metamorfismo de grau incipiente


podem conter mineral do grupo do epidoto, mas certamente esse e-
pidoto é bastante rico em ferro. Se a rocha de partida tiver uma
O _1_

quantidade de Fe relativamente grande, forma-se epidoto em lu-


gar de zoisita ou clinozoisita. Neste caso, a passagem do grau
incipiente para grau fraco é denunciada pelo desaparecimento dos
minerais: lawsonita, pumpellyita e prehnita.
v

Em pressões abaixo de mais ou menos 2,5 kb, podem


ocorrer ainda as seguintes reações .

Pumpellyita 4- Qz - prehnita +dinoz +clorita+H20

Prehnita + clorita + Qz - clinozoisita + act + fLp

O metamorfismo de grau incipiente só poderá ser


detectado em rochas de composição adequada, como basaltos , tufos ,
margas , grauvacas , certos tipos de pelitos e folhelhos . Num peM
to por exemplo, as análises devem se concentrar na f ração mais
argilosa, se o pelito não contêm uma boa f ração argilosa, não o-
f erece condições .

O metamorfismo de grau fraco, se caracteriza .por_


tanto pela estabilidade de zoisita ou clinozoisita. A ' presença
de epidoto rico em ferro, clorita, actinolita e mica branca não
é diagnostica, por que esses minerais já podem estar presentes
em metamorfismo de grau incipiente. Uma associação muito típica
e diagnostica para o metamorfismo de grau fraco e .representada
por :

clorita + zoisita/clinozoisita + actinolita +


- + quartzo

Do mesmo modo que o metamorfismo de grau fraco,


compreende toda extensão do fácies xisto verde, também a passa-
gem de grau fraco para o estágio de médio grau, corresponde ao
limite dos fácies xisto verde e anfibolito. Com relação a essa
transição, foi visto que existem divergências entre os petrólo -
gos , no que se refere as transformações mineralógicas que carac-
terizam esse estágio. Winkler (1965-1967), optou pela primeira
-124- t

aparição de estaurolita ou cordierita em rochas pelíticas, em de_ f _j


trimento do limite defendido por (Turner e Verhoogen 1960,Turner (-' *
1968 e 1981) que tomaram por base o salto verificado na composi- £ ~|
cão do plagioclãsio (ver capítulo 9). *
* 1
O começo do fácies anfibolito e consequentemente 1
do metamorfisrno do grau médio ê portanto demarcado pelo conjun- . T
v. ~ ~ ^ 1
to de reaçoes a seguir e que levam a formação de estaurolita e _ '
r -t
cordierita em metapelitos e metagrauvacas . ^
*"1
« t
dor i ta + muscovita + quartzo = cordierita + biotita + |

* 1
As condições de equilíbrio dadas por Hirschberg f -|
e Winkler (in Winkíer 1976) são: ' t -j
« 1
505 + 109C em 500 b de P.. n . ' ^1
H2° l, t
515 + 109C em 1000 b de P Q g.

525 + 109C em 2000 b de PH Q f'-4~jj

555 + 109C em 4000 b de ?„


2
^ '
í- -i
H2n0 |

í.
Clorita + muscovita = estaurolita + biot + Qz +
*1
^

+ H2° . . í]
l Í
Hoschek (in Winkler 1976) determinou as seguintes condições de
equilíbrio para esta reação, com ensaio de reversão em um siste_ f
McfO •
ma de razão MgQ FeQ = 4 , 0

,. ~nU
5409 + 159C em 4000 b de P H

565 + 159C em 7000 b de P
u n
H2° € T
' «'l
Nesta reação, a almandina pode tomar parte, as- g-,
sim teríamos. Ç,.-.

Clorita + Musc + Alirand = Estaiorolita + biot + Qz + H00 *y' l


2 «'l
„ '
Se em lugar da clorita, tivermos cloritoide , vê-
G -t
'
*1
rifica-se a seguinte reação. H
-125-

Cloritõide + andaluzita ou cianita = Estaurolita + Qz +

este é um aspecto interessante, porque cloritóide encontra-se com


frequência acompanhado de um polimorfo Al^SiO- (andaluzita ou cia
^ ^ —
nita) . As condições de equilíbrio estão muito próximas da reação
anterior (ver Winkler 1976). Não havendo mineral de Al-SiOr, o
cloritóide pode' reagir com quartzo para produzir andaluzita, se
a pressão for suficiente para formar almandina, de acordo com a
reação seguinte

Cloritóide + quartzo = Estaurolita + almandina + H20

'As características que determinam o início do


fácies anfibolito e consequentemente o cometo do metamorfismo de
grau médio são:

1. Desaparecimento de clorita rica em Fe, em pre-


sença de muscovita
/~
2. Desaparecimento de cloritóide

3. Formação de cordierita (sem almandina) em pre-


sença de biotita
4. Formação de estaurolita

Vale ressaltar que existem duas possibilidades da


clorita persistir em grau médio, isso acontece quando a clorita
não se encontra em contato mutuo com a muscovita ou quando apre-
senta uma composição rica em magnésio, da ordem de MgO/MgO + FeO=
5,0. O cloritóide deve desaparecer em grau médio, mas j ã aconte-
ceu dele ser encontrado ao lado da estaurolita, ao que tudo indi-
ca, dentro de um pequeno intervalo de temperatura, este aspecto
também assinala a transição entre os estágios de baixo para mé-
dio grau. Almandina pode existir em metamorfismo de grau fraco e
andaluzita pode persistir em grau médio, ao lado de cordierita e
almandina. Ainda com relação a clorita, devemos ter o máximo cui-
dado em observar se não se trata de clorita de alteração, visto
que ê muito comum esse mineral se originar as custas da alteração
de biotita ou hornblenda por processo põs-metamõrf iço e nesse ca-
so, a associação clorita + muscovita não representa nenhum sign:L
-126-

f içado.

A passagem do metamorf ismo de médio para alto


grua, e demarcada pela instabilidade da muscovita, que em presen
ca de quartzo + plagioclásio, reage para formar K feldspato +
+ Al-SiO- (sillimanita ou cianita) . Portanto, a quebra da musco-
vita produzindo K feldspato + Al-SiO , pontifica o limite entre
o ^metamorf ismo de grau médio e de alto grauJ A instabilidade da
muscovita, depende da pressão de agua no sistema. Verifica- se
que em média e alta pressões de H~0 e não estando presente o pla-
gioclásio, a muscovita alcança temperaturas bastante elevadas.

O gráfico da figura 11.1, ilustra de maneira bas_


tante satisfatória, as implicações da muscovita nas reações de
passagem para grau forte. Nele, observa-se um conjunto de seis
reações cujas curvas de equilíbrio terá um ponto invariante comum
v • - •
Musc + quartzo = felds K -f Al2Si05 + H20 (1)
Musc + quartzo + H-O = líquido + sillimanita (2)
Musc + quartzo + felds K + H20 = líquido (3)
Musc + quartzo = líquido + felds K + sillimanita (4)
Felds K + Al2Si05 + H20 = líquido + muscovita;:, (5)
Felds K + quartzo + sill + H20 = líquido (6)

As reações l e 2, limitam a estabilidade máxima


da associação muscovita + quartzo, sendo que na ausência de H^Q ,
ocorre a reação (4) em lugar da ( 2 ) , em temperaturas bem mais
elevadas. Em pressões menores que 3,5 Kb , a quebra da muscovi-
ta se verifica segundo a reação (1) , que pode ter plagioclásio en
tre os reagentes, o qual não traz nenhuma alteração para o siste-
ma. Além do plagioclásio Cque nesse caso não é um reagente neces_
sário, mas como normalmente está presente toma parte na reação),
a biotita pode figurar entre os reagentes, assim sendo, são im-
portantes as seguintes reações para esse estágio.

1) musc + quartzo = felds K + Al2Si05 + H20

2) musc + biotita + quartzo = Felds K + cordierita + H 0


-127-

Se a biotita ê rica em Fe ou se a pressão é mais


elevada que na reação 2, teremos:

BTUSC + biot + quartzo = felds K + almand + A12S105 + E^Q

Em pressões maiores que 3,5 Kb , a muscovita não


se desintegra por nenhum processo, mas ern presença de quartzo +
+ plagioclãsio forma um líquido anatético + sillimanita. A bioti
,
ta presente em grande parte das rochas, pode participar da fusão
anatética, contribuindo com a formação do feldspato K na massa
fundida, outros minerais que podem também tomar parte na fusão
são cordierita e almandina, Essa transformação ocorre em cond_i
coes metamõrf iças inferiores as das reações (3) e (6), dando pró
vás que na ausência de plagioclãsio a associação muscovita +
quartzo, alcança temperaturas bastante elevadas . O liquido anatético
poderá migrar e ao cristalizar vai constituir o neossoma dos migmatitos. O
desaparecimento da muscovita, se da segundo as duas reaçõea aba.i
xo, onde a albita representa o plagioclãsio k

muscovita + Qz + albita + H20 = líquido + A

muscovita + Qz -t- albita + Felds K + H^O - Liquido

Para a segunda reação, as condições são as rnes-


mas encontradas por Tuttle e Bowen (1958); Merril et ai (1970)pa
rã o sistema albita + felds K + quartzo + U^O (in Winkler 1976) .

Portanto a fusão anatética em gnaisses nas pres-


soes acima de 3,5' Kb marca o início do metamõrf ismo de grau for-
te e em-^prêssoè"s" abaixo de 3,5 Kb , esse limite fica denunciado
pela reação muscovita + quartzo, produzindo feldspato potãssico+
(sillimanita ou cianita) .

Em rochas metamórficas de grau forte, muscovita


não se encontra associada a plagioclãsio + quartzo, porém na au-
sência de plagioclãsio a associação muscovita + quartzo persiste
até altas temperaturas do metamõrf ismo de grau forte, quando a
pressão ultrapassa os 4 Kb.

Alem da associação feldspato K + Al-SiO,- e da


-128- i:
* 4
*<
«f JJ
formação do liquido anatetico, a presença de rochas do fácies gra
nulito também caracteriza o metamorfismo de grau forte. Essas ro- £ ^
chás são isentas de muscovita, contudo essa ausência não se deve ^.
nem a origem do liquido anatetico nem a formação da isógrada fel- f-', -,
dspato K + Al-SiOç- e sim as condições de P Q muito baixas em ré- £; «
lação a pressão total do sistema. fj -^
f- *
f «
DIVISÕES DE PRESSÕES NOS GRAUS METAMÕRFICOS ^í

Os domínios de vários graus metamõrficos encon- _ "


~ ~ t ri
tiram-se ligados por reações, as quais são controladas essencial - ^
l tá
mente pela temperatura, sendo na maioria das vezes muito pequena ,
a influência da pressão. Dentro de um certo intervalo de tempera- ^
tura, todos os graus metamõrficos atravessam os intervalos de *.
pressão reinantes na crosta. Em cada grau, a pressão pode ser sub s ^
— » m
dividida, tomando-se por base a sensibilidade que certas reações j> g
têm em relação a este fator. No grau incipiente, a presença de f~ ^
lawmontita denuncia as mais baixas pressões (máxima de 3 Kb), pá- f; ^
rã pressões mais elevadas, a lawsonita é quem ocupa seu lugar. Pa. f^ T(
rã valores de pressões estimados em 5 kb e 2009C e 7 kb e 3509C , €"' í
verifica-se o aparecimento da glaucofana, cuja associação coin law '-? ^
sonita e/ou pumpellyita representa uma paragenese' importante para ^^
o metamorfismo de rochas mãficas neste estágio. A presença de ja~ "' *
deita associada a albita ou ocupando seu lugar traduz as'mais ajL ™
tas condições de pressão nos graus incipiente e fraco, compreen - *'
dendo valores de aproximadamente 9 Kb a mais de 1'0 Kb. Esses in~
tervalos, encontram-se representados na figura 11 e a gradação fi_ ^
ca ordenada como segue, sendo que a wairakita é quem aparece em ^
lugar da laumontita em temperaturas mais elevadas. ^, g

laumontita ou wairakita H_. g


lawsonita • fj* q
glaucofana + lawsonita C' M
jadeita + quartzo € í
d
No intervalo de grau metamorfiço fraco, a glauco- ^*
fana persiste, mas neste caso, não mais associada a lawsonita. A- *L
qui, a associação glaucofana + zoisita/clinozoisita, reflete ai-
,tas pressões (ver f i g. 11) - Outro mineral importante no grau fra_ _
-129-

co é almandina, cuja pressão de formação depende do valor da ra-


zão -Fe/Mg+Fe da rocha, quanto menor o seu valor, maior será a
pressão. A gradação neste estagio fica assim ordenada.

Almandina

w
Glaucofana-zoisita/ciinozoisita

* Se andaluzita ou cianita estiver presente, deve


também ser considerado, visto que são bons indicadores de pres-
são .

No rnetamorfismo de grau médio, os minerais chaves


são cordierita e almandina, cujas associações com os diferentes
polimorfos de alumínio, indicam o nível da pressão. A ordem da
gradação é a seguinte.

Cordierita-andaluzita
Almandina-andaluzita
Almandina-sillimanita
v
Almandina-cianita

Em metamorfismo de grau forte, os indicadores da


~ " • \
pressão continuam sendo cordierita e almandina, utilizados ago-
ra em função do relacionamento entre si, do seguinte modo.

Cordierita
Cordierita-almandina
Almandina
v

Uma subdivisão mais detalhada pode ser feita,uti


lizando-se os polimorfos de alumínio, tal como foi feito no
grau médio, mas neste caso é preciso ter muito cuidado por cau-
sa dó problema da instabilidade que envolve esses minerais (ver
capítulo 6).

O quadro que apresentamos a seguir, resume o pró


blema da divisão da pressão nos diferentes estágios
-130-

Grau incipiente Grau fraco Grau médio Grau alto

Laumontita ou lcordierita- cordierita


wairakita ]andaluzita
ialmandina - cordierita
jandaluzita
Lawsonita Almandina j almandina - almandina
t sillimanita
Glaucofana Glaucofanã j almandina - almandina ft a
Lawsonita zois/clizois. j cianita

Jadeita-Quartzo

O novo modelo de Winkler, tem se mostrado prati- í' a


co e útil, por 'isso, vem sendo utilizado por muitos petrólogos.
Ca
C' -B
Entretanto, Winkler não conseguiu seu objetivo principal que
era abolir os fácies. Seu modelo tem sido alvo de severas criti-
cas por parte de muitos autores, entre os quais se inclui Lambert
(1972). Na opinião desse autor, o esquema de Winkler, é semelhan
te ao modelo das zonas de profundidade de Becke e Grubenmann (ca.
pítulo 8), com um atenuante, se baseia na temperatura. O limite
zoisita/clinozoisita, que define a passagem do metamorfismo de
grau incipiente para grau fraco, ê mal definido. Para Lambert ,
os -estágios metamórficos de Winkler, têm um alcance f-nferior ao
esquema das séries faciais de Miyashiro, que no seu entender, o-
ferece uma maior precisão na caracterização de.áreas metamõrfi -
cãs.

Na nossa opinião, os estágios metamórficos e os


fácies, são dois modelos que devem ser considerados, independen-
te de um eliminar o outro. Os fácies, utilizados dentro do con-
texto .das séries faciais, oferecem realmente melhores condi^
coes para se estabelecer uma correlação entre áreas metamõrfiças..
A aplicação dos estágios metamõrficos por sua vez, oferece maio
rés facilidades,devido a sua simplicidade. Portanto, a aplicação
de um ou outro modelo vai depender da natureza do trabalho e da
preferência de quem o está executando. €f

4a
-131-

C A P Í T U L O 12

METAMORFISMO TERMAL E DINAMOTERMAL

Vimos no capítulo l que o metamorfismo e um fenó-


meno regido essencialmente pela temperatura. No caso do metamor -
fismo termal ou de contato, a temperatura é doada por uma fonte
magmãtica a qual encontra-se hoje expostas sob a forma de plutons.
Já no caso do metamorfismo dinamotermal ou regional, a temperatu-
ra ê fornecida nas profundezas da crosta, sendo neste caso ao que
tudo indica, uma contribuição do manto.

Sabe-se que nas raízes profundas de áreas orogêni


cas, o tectonismo perturba o manto, provocando fusões em vários
pontos. Observando-se o esquema da figura 12, verificamos que a
fusão ê basicamente da placa oceânica, o que provoca a subida do
material fundido," devido principalmente a. uma menor densidade; en
tretanto certos pontos do manto são também levados a fusão, do
contrário, não teríamos material do manto em áreas orogênicas, o
que não ê verdade; a presença de rochas do manto é comprovada na
parte eugeossinclinal. O material fundido migra portanto e se a-
próxima bastante da crosta, passando assim a doar a energia neees_
sãria ao metamorf ismo, podendo essa energia contribuir'' também pa-
ra fundir determinados pontos da crosta, determinando o apareci-
mento de magmas graníticos. '

METAMORFISMO TERMAL - já foi caracterizado como


um processo que envolve intrusões. Essas intrusões são em sua
maioria de composição granítica. A profundidade em que as intru-
sões graníticas geralmente ocorrem, encontra-se entre 3 a 8 kms,
podendo haver 'intrusões a uma profundidade maior ou menor (SchnejL
derhohn 1961 - in Winkler 1976), Como as profundidades são relati_
vãmente pequenas, as pressões que acompanham o processo são bai-
xas e se devem a carga do pacote rochoso e contribuições de flui-
das como HjC.00 e C0£•9. Para o intervalo de 3 a 8 kms, as pressões vá
~~~

riam entre 800 e 2100 b, o que representa baixos valores compara-


dos as altas pressões alcançadas no metamorfismo regional. Este
-132-

Marginal laland sfc Trench Ocean


588 • Inoer are (votcsntc)
Sfolcsrsc pite

__ Ocean vwrter
-«•—Oceanic crust
Cl
&1
C 1
Ba* of plsee
c 1
C !
t 1
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t "1
Í' J
C l
t

Figura 12 - Ilustração da origem dos cinturões metamõrficos


Pares (Miyashiro 1975).
* 4 4 + + Granitf Ptak Sfocfr . , . A 4 ^

inferrtd crois stction

Figura 12.1 - Zoneamento na auréola metamõrfica provocada


pela intrusão do granito Peak, segundo Mel-
son (in Win.kler 1976) .
-133-

aspecto, tem um reflexo na mineralogia aos dois ambientes me t amor]


ficos considerados. Sabe-se que certos minerais como cordierita e
andaluzita (minerais de média a alta temperaturas), têm dificulda
de para se cristalizarem em ambientes de altas pressões, por is-
so, esses minerais são mais frequentes em metamorfismo termal. No
metamorfismo regional, a andaluzita normalmente só aparece quando
a pressão e insuficiente para cristalizar cianita, por isso, anda.
luzita é menos freqílente no metamorfismo regional, porque neste
caso*, normalmente onde a temperatura ê mais ou' menos elevada, a
pressão também é alta. Com relação a cordierita, sua presença no
metamorfismo regional pode ser analisada com base na composição
da rocha (ver gráfico 13), entretanto, mesmo dentro das condições
mais favoráveis ela não ocorre sob pressões superiores a 8 Kbs.

Do mesmo modo que a cristalização de andaluzita e


cordierita ê favorecida nas baixas pressões, minerais como ciani-
ta e almandina geralmente s5 se desenvolvem em altas pressões,sen.
do portanto mais compatíveis.com o ambiente do metamorfismo re-
gional. A presença de almandina em metamorfismo de contato, se
deve a um conteúdo muito baixo em Fe da rocha (ver cap.'l3) , fa-
zendo com que esse mineral cristalize a um nível mais baixo de
pressão, contudo, é de se esperar que esteja também relacionado a
intrusões profundas. .
ç •

Foi dito no capítulo l (um), que a amplitude da


auréola metamórfiça ficava na Dependência dos seguintes fatores.
Temperatura da intrusão, diferença entre a temperatura da intru-
são e a temperatura da rocha encaixante, volume do magma e natu-
reza química da rocha encaixante. Deve ser entendido, que não po-
demos comparar a influência da temperatura (para efeito da exten-
são da auréola), em magmas de composição diferente. Por Ex. um
magma básico encerra uma temperatura mais elevada que um magma á-
cido (granítico) mas este, devido ao seu maior conteúdo em volá-
teis, desenvolve uma auréola mais extensa. As temperaturas mais
elevadas das intrusões básicas, são responsáveis pelo desenvolvi-
mento do metamorfismo de grau mais elevado (como aquele que dá
origem ao fácies piroxênio hornfels., ver capítulo 9) . Metamorfis-
mo de tal gradiente energético, encontra-se praticamente restrito
as intrusões básicas ou semi-bãsicas. O volume do magma tem uma
importância fundamental, visto que o tempo de resfriamento e pró-
-134-
t
• ' „ t
porcional ao volume, e, as reações metamorfiças como se sabe, são ,
bastante lentas e necessitam portanto de longos períodos para se *
completarem. Exemplos que ilustram a importância do volume da in~ f
trusão são dados pelas rochas adjacentes a pequenos sills e di- |v
quês, as quais não se encontram metamorfizadas, mas sim cozidas. f
Neste particular, a própria forma do corpo é de fundamental impor_ f-
tância. Imaginemos se o material de um grande sill, fosse distri- C
buído segundo um grande dique; è claro que o dique não teria con- C
dições de metamorfizar a rocha encaixante, e, no entanto o volume C
é o mesmo. Assim, podemos também concluir que os corpos circula -
rés propiciam uma auréola mais extensa, do mesmo modo que têm con
dlções de desenvolverem metamorfismo de grau mais elevado nas
zonas mais internas. Quanto a natureza química das rochas encai -

xantes, devemos ressaltar que as rochas calcarias impuras e as ar
~
gilas reagem mais facilmente que as rochas quartzosas, sendo por-
tanto mais facilmente metamorfizadas.

Um interessante exemplo de metamorfismo de conta-


to ê dado por WinRler (1976) e se refere a uma área estudada por
Melson (1961), ver figura 12-1. Um magma granítico invade uma ro-
chá calcaria de pouca profundidade composta de quartzo + dolomi -
ta. A transformação da rocha encaixante na zona mais afastada da
intrusão, ou seja na temperatura mais baixa, e marcada pela apari
cão da tremolita, que se origina através da reação quartzo + dolo
mita = tremolita + calcita. A medida que caminhamos em direção a
intrusão, a temperatura aumenta, a tremolita torna-se instável e
reage com calcita + quartzo para dar origem ao diopsídio, que é
um mineral de estagio metamorfiço mais elevado. Na zona do diopsí^
dio, quartzo + calcita coexistem, mas para uma temperatura mais
elevada, desenvolvida na parte mais interna da intrusão, este par
mineral torna-se instável e reage segundo a equação quartzo + cajL
cita = wollastonita + CO^- Neste exemplo, a presença da wollasto-
nita marca' o grau metamórfico máximo alcançado- pela intrusão. Pa-
ra uma melhor compreensão, as reações metamorfiças em rochas car-
bonatadas encontram-se discutidas no capítulo 14. As zonas da tre_
molita, do diopsídio e da wollastonita, indicam-temperaturas cres_
centes em direção a intrusão. Esta subdivisão da auréola em zonas
de graus metamorficos progressivos, com base em minerais índices
de metamorfismo como ê o caso da tremolita, diopsídio e wollasto-
nita, caracteriza o que se denomina de zoneamento metamórfico. O
-135-

traçado de um zoneamento metaraórfiço, seja no metamorfismo termal


ou dinamotermal, nem sempre é possível, porque para isso, a rocha
encaixante deve ser sensível a pequenos aumentos de temperatura e
apresentar homogeneidade de composição em grande extensão.

As paragêneses minerais desenvolvidas num zonea,


mento metamorfiço, vão depender é claro, da composição química da
rocha afetada pela intrusão. Num folhelho por ex., a gradação me-
tamorf iça poderia ser representada pelas seguintes paragêneses.

1) mica branca + clorita + quartzo


2) mica branca + biotita + clorita + Qz + andaluzita
3) cordierita 4- estaurolita + musc + biot + Qz +_ andaluzita
4} cordierita + KF + Qz + biotita + andaluzita e/ou sillima
nita

As associações minerais diagnosticas são: bíotita+


+ clorita em (2), cordierita + estaurolita + muscovita em (3) e
cordierita + feldspato K + sillimanita'em (4). Albita é um mineral
adicional em l e 2 plagioclãsio mais anortítico em 3 e 4. Caso o
folhelho em questão já tivesse sido metamorfizado anteriormente em
grau fraco, a sequência começaria em 2 ou em 3.

Turner (1981), entre outros exemplos, ilustra vá-


rias auréolas dos plutons graníticos do Donegal a noroeste da Ir-
landa. Entre essas auréolas existe uma (a auréola provocada pelo
pluton de Ardara figura 12-2), particularmente interessante para
mostrar o efeito da intrusão numa área já metamorfizada. O magma
de composição granodiorítica invade uma região petrograficamente
composta por xisto de baixo grau (rocha formada por muscovita +
+ quartzo + clorita), calcário cristalino, meta-diabãsio e areni -
to. Na parte mais externa da auréola, o efeito é marcado pela re-
cristalização da clorita e formação da biotita as custas da clori-
ta. Na parte mais interna, arenito e calcário cristalino por se-
rem rochas monomineralicas não apresentam transformações importan-
tes, apenas recristalização. As transformações mais importantes, a.
contecem nos xistos, os quais se transformam em andaluzita- horn-
felses e sillimanita-hornfelses com granada, estaurolita e outros
minerais compatíveis (ver Turner 1981) .
-136-

í
(:
Metadolerite
Gweebarra Bay
Rocks of outer aureole

Crystalline limestone

Andalusile hornfels

-. hornfels

-/.'-'^-/VS',, _v-,

Figura 12.2 - Auréola de metamprfismo provocada pela intrusão


do pluton de Ar dar a-Irlanda. (In Turner 1981)

[ 'J Biotílt zont | 1 Slituroíitt fonr


f•'•'• í Otrntt íon« H1MS Sillimtnilt lont

Figura 12.3 - Ilustração dos quatro Domos termais do Michigan


setentrional segundo James, (in Winkler 1976)
-137-

METAMORFISMO DINAMOTERMAL - Ao contrário do meta


morfismo termal, o metamorfismo regional dinamotermal pode al-
cançar pressões litostãticas superiores a 10 Kbs, embora se
desenvolva também em baixas pressões. Contudo, mesmo as mais bai_
xás pressões consideradas, ainda conseguem na maioria das vezes
ser maiores que as máximas do metamorfismo termal. A fonte de
calor aqui, não é bem localizada como no processo termal, onde a
mesma se encontra hoje exposta sob a forma de plutons. No proces_
só dinamotermal, a fonte energética se localiza em certos pontos
da profundeza da crosta, sendo ao que tudo indica uma doação do
manto. Esse processo abrange grandes áreas e além da pressão hi-
drostática, atua também a pressão dirigida ou stress, responsa -
vel pela orientação preferencial dos minerais lamelares e prisma,
ticos. O metamorfismo dinamotermal, resulta da orogênese nos cin
turões móveis. Ã orogênese além de promover1 o afundamento das
rochas às grandes profundidades, provoca com suas perturbações
tectônicas a formação do que se denomina de domos termais que
passam a alimentar o metamorfismo. A propósito, James (in Wirikler
1976) nos fornece um exemplo do Michigan setentrional, estudado
por ele e que reforça a ideia da formação dos domos termais.

No Michigan setentrional, James individualizou


quatro áreas metamorfiças independentes. A região como um,, todo,
já tinha sido antes metamorf izada em grau baixo (zonaV.de clori -
ta), e pelo novo evento, James relaciona cada área metamorfizada
a presença de um domo termal (ver figura 12-3) . A distância en-
tre as duas áreas mais próximas é de 45 kms e a área maior mede
75x55 kms. Em todas as quatro áreas, o metamorfismo alcança o es_
tágio da zona da sillimanita. James sugere que o metamorfismo nes_
sãs quatro áreas, se deve a presença de quatro domos termais, os
quais ao que tudo indica, devem representar intrusões magmãticas
que em virtude da profundidade do seu "emplecement", permanecem
ocultas. Este exemplo ê realmente muito sugestivo para ref.orçar
a'ideia da presença de domos termais nas regiões orogênicas.

CINTURÕES METAMÔRFICOS PARES

Existem vários exemplos na geologia, que mostram


o desenvolvimento paralelo e oriundo do mesmo evento geológico ,
-138-

de faixas metamórficas pares, sendo uma de alta e outra de baixa ty


pressão, havendo entre elas e nas margens de cada, uma área cor- ft
respondente a processo de média pressão. €£•

Muitas dessas faixas pares, foram estudadas por ^


Miyashiro no Japã_o, aliás, foi Miyashiro (1961), quem pela pri- "
meira vez denunciou tal fenómeno, estudando a região circumpací-
ájf.
fica do Japão. Em outras regiões circumpacífiças fora do Japão , '
Q fenómeno envontra-se bem documentado, como na Califórnia, Chi- A
Ir
lê, Nova Zelândia, etc. ^

A origem dos cinturões pares segundo Miyashiro gu


(1975), deve estar relacionada a subducção de uma placa oceâni - gp
ca, abaixo de arcos da ilha e margem continental (ver fig. 12) . (^
A faixa de alta" pressão, encontra-se do lado oceânico, ' enquanto |^
que a faixa de baixa pressão situa-se na margem continental. O ^*
mergulho da placa oceânica, arrasta-um grande volume de sedimen- IP
tos o qual passa a formar uma fossa. As pressões alcançadas nes- *?
£&
sés locais são bastante elevadas, mas as temperaturas são bai'- *""
áK
xás, porque o fluxo de calor é fraco, o que concorre para que ™
^Hl
o grau geotérmico seja inferior a média normal. As altas tempera
turas alcançadas na margem continental devem-se em parte e ao
~ •- w
que tudo indica, a energia de desintegração de elementos radioa-
tivos que se concentram nos sedimentos das bordas dasVbacias. Os
cinturões pares, não se confinam unicamente nas regiões circum -'
pacificas, a título de exemplo, o caledoniano escocês segundo
Miyashiro (1975), mostra cinturões pares, o problema ê que nor -
malmente uma das faixas é pobremente desenvolvida. Quando a velo
cidade de mergulho da placa oceânica não ê suficientemente rápi-
da para causar elevadas pressões ou quando sua espessura é pouco
pronunciada, desenvolve-se metamorfismo de média pressão. Desse
modo, as características contrastantes das faixas pares podem fi_
car mascaradas ou o desenvolvimento de uma das faixas ser. preju-
dicado. A propósito, Miyashiro (1975) se refere a maioria dos
cinturões da região do Atlântico (cinturões Hercinianos e Aipi ~
nos) como sendo aparentemente impares, para ele, deve ter havi-
do algo que mascarou o carãter da paridade. No seu entender, ou
uma das faixas se desenvolveu precariamente ou ainda não foi ex-
posta. 01
$i
m
- -139-

Devido as diferentes condiyoes fisicas, cada cin-


turao que cornpoe o par, apresenta fei9oes bern distintas. 0 cintu-
rao de baixa pressao, e caracterizado pela presenya de andaluzita
nas ternperaturas baixa a mediae sillirnanita nas ternperaturasrnais
elevadas. 0 rnagrnatisrno associado e de cornposiyao acida, corn abun-
dantes plutons graniticos, acornpanhados ~s vezes de andesites e
riolitos, mas as rochas rnaficas e ultrarnaficas sao geralrnente ra-
ras. Miyashiro (1961) usou o plateau central Abukurna no Japao co-
, I
mo exernplo. Posteriorrnente Hara et al (in Miyashiro 1975) consta-
tararn que alern de andaluzita e sillirnanita, cianita era tarnbern
T1
ocasionalrnente encontrada, o que indica que a curva de temperatu-
ra e pressao nessa area deve estar passando no ponto triplice. A~

sirn sendo, o metamorfismo nessa regiao parece indicar condiyoes


de transi9a0 entre baixa e media pressoes. Por outro lado, 0 ci~
turao de alta pressao fica denunciado pela presen9a dos rninerais
glaucofana, jadeita e lawsonita. 0 rnagrnatismo associado e marcado
pela abundancia de ofiolitos que variarn de ultrarnaficas a rnaficas,
enquanto que granitos normalrnente estao ausentes. A rnaioria dos
I cinturoes rnetarnorficos pares do rnundo se forrnararn no mesozoico e
-.L cenozoico, 0 que indica que a placa oceanica deve ter perdido bas
tante ern espessura e/ou se tornado rnenos rnovel. A figura 12-4

~I
r ilustra tres cinturoes pares do Japao, estudados por Miyashiro
(l96la, l972b - in Miyashiro 1975).
~I
~~
I
~I
I
I

'-"I
\,.

. -140- (';;

'
f,;:
(;'
{



~'
t' -
(

' -

0 4D0k"'

\ Kamurkotan metamor bel!

( -

t'
(;
Permian • Jurassic pa<r ~-'<--
r H!da metarnor belt (low- p )~

l "I "~·~· ""'"' "'" p I I


~ '-

·,'
c ',
·.· (: i

~ ;
4 1-

Ryoke metamor. belt. llow·


Sarbegawa metamor. belt ( hrgh • P)
P)'J Jurassrc ·
Cretoceous
pair .

'
i .,.,
j.

~------------------------------------~---~------ .,.t lc

~- :r~
Figura 12.4 - Ilustra9ao dos tres cinturoes metamorficos par~s
e~tudados por Miyashiro no Japao. Os pares sao • j'

os seguintes: Sanbagawa (alta pressao)-Ryoke belt


(baixa pressao); Sangu belt (alta pressao)- Hida
~)~
'""~
belt (baixa pressao); Kamuikotan belt (alta pres-
sao) - Hidaka belt (baixa pressao) - Miyashiro ~n
(l96la, l972b - in Miyashiro 1975).
'~)'

u.-~
l).c~
(_,"'~
--141-

CAPITULO 13

METAMORFIMO DE PELITOS

Pe1itos, s~o sedimentos argilosos constituidos


de quartzo + caulinita + montmorilonita + illita + clarita +
+ muscovita detritica e as vezes feldspato. 0 guartzo e geralmen
te seu constituinte mais abundante e calcita e outro mineral que
~I
pode ser encontrado com certa freqU~ncia~ Se a calcita alcan9a a
percentagem de urn constituinte maior, a rocha passa a denominar-
-se argila margosa ou marga. 0 metamorfismo dos pelitos, da co-
mo produto ardosias, filitos, xistos etc, dependendo das condi-
9oes metamorfi.cas. A ocorr~ncia de cada urn desses tipos petrogr~
ficas, depende portanto do estagio metamorfico impasto a compos~
9ao do sedimento original. A divisao do metamorfismo em quatro
estagios metamorfico, mostrou que c-ada intervale, corresponde a
urn conjunto de transforma9oes, marcadas por rea9oes minerais es~

pecificas. Essas transforma9oes, forn~cem informa9oes de signif~

cado marcante para o estudo do metamorfismo. Por isso, nos vamos


estudar dentro dos quatro estagios de grau metamorfico, as trans
forma9oes minerais que podem fornecer informa9oes importante~ p~
,.,.'
ra as interpreta9oes.

METAMORFISMO DE PELITOS EM GRAUS INCIPIENTE E FRACO

Certas transforma9oes, ocorrem ainda no estagio


diagenetica por efeito de fluidos circulantes e da temperatura,um
exemplo disso e 0 desaparecimento da montmorilonita segundo a rea
9ao:

illita + montmorilonita = clarita + illita + Qz +


+ H2 0
A associa9ao clarita + illita + quartzo persiste desde a diagene-
se ao metamorfismo de grau incipiente, nao servindo portanto co-
mo paragenese diagnostica. Uma rea9ao diagnostica para o metamor-
fismo de grau incipiente, e aquela que resulta na primeira apari-
9ao da pirofilita, tal como segue.

Caulinita + quartzo = pirofilita + H2 G


. -142-

(
Segundo Winkler (1976), as rochas com pirofilita,
{

nao contem albita nem feldspato potassico. Sempre que esses mine- ¢
'· l•.
.
rais encontram-se em contato com pirofilita, reagem para formar
f .•
paragonita ou muscovita. Em seu limite superior, a pirofilita se £~
~
decomp6e conforme a equa~ao: tt: ••
f I
Pirofilita = Al 2 sio + Qz + H2 0 (Ver fig.l3) ~: :I
5
CP 1

Es ta decomposi~ao e importan~e, vis to que mostra {~ ~•


a primeira apari~ao de urn polimorfo de aluminio (andaluzi ta ou E_;.l,•
cianita). 6 'I
It 'I

~ !I
PARAGONITA ~- fl
f il
Paragonita form~ com muscovrta uma solu~ao s6lid~ { :1
onde a substitui9ao (Na,K) ocorre num intervalo bastante amplo. A ~-
r•
f6rmula ideal da muscovita ~ KA1 3 Si 3 0io
(OH) 2 , enquanto a parago- fn
nita pura, tern a seguinte formula NaA1 Si 3 o (0H) 2 . 0 campo de () }I
3 10
missibilidade da serie diminui com o aumento da temperatura ver {! ..fl
fig.l3) '· o que mostra a possibilidade de uso dessa solu~ao, como e:n
(j )I
termometro geologico. A distin~ao entre as duas micas, pode ser
·~ ~
fei ta sem maiores problemn.s por meio do raio X, vis to que a muscov~
CJ'r-
ta tern urn espa~amento basal em torno de 9.9 a 10.0 R,enquanto que
(j ~
na paragonita esse espa~amento e da ordem de 9.6 a 9.~ R. A va-
G-w
ria~ao do espa9amento e uma fun~ao da missibilidade, visto que 0 i'j
"' 'i•.c
potassio tern raio ionico maior que o sodio. A medida que o potas- (}
sio substitui sodio; com o aumento da temperatura, o espa~amento {PJ'
diminui. A figura 13.1, ilustra urn exemplo de varias amostras co- l."t;~
v :6=

letadas em diferentes zonas de metamorfismo, onde se pode ver ij'lf-

que o diminui na muscovita e aumenta na


espa~amento paragonita ~~·
com o aumento da temperatura. Assim, a razao atomica ----, e~ quem
- - Na v~
Na+K . f)>~
determina a varia~ao do espa9amento na estrutura. A paragon~
ta persiste desde 0 metamorfismo incipiente ao grau medio, sua

estabilidade pode ser quebrada dentro desse limite pela presen-
~a de feldspato potassico, com quem reage para formar muscovita,
t
de acordo com a rea~ao abaixo. '~~
'~
-~;
Paragonita + K feldspato muscovita + albita
f~

-~
G.~
('),~
-143-

Orthocli!t&+Piagioclase

Plagioclase
.._,
~f
Muscovite+Piagioclase

Paragonite

'--- 1

,_ I

MUSCOIIite Paragonite

Figura 13 - Comportamento da serie Paragonita-muscovita e sua


rela9~0 com os feldspatos (in Miyashiro~9751.

• Biotite zone
o Alma'ldine zone

: k Suuroltte and K'r8/lite ZOI'le$

~ I( 8
~?'

~
N
0
-8
-<
9~~~~~~~~--~~~--~-L~--~~~~~~--
~
9·82 9·85 9·90 9·95
J

I dtm (mutc:OYitel. A.
';"(
Figura 13.1 - Espa9amento basal da coexistencia Paragonita-
J
-muscovita em rela9~o as zonas metamorficas
';"(

'";'(
(in Miyashiro 1975).
'---
.!

)'

J
~
-.
-144- '•

(~
11
1
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1
f:'• 1
~-
ll
600 700
oc BOO
f 1
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Kb
Kb rl'· ~- (("
I
10

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200 300 ~0 500 100 700 (,i,q
(!) Por + Oz :- Ab + AS .\ AS "' AlzSiOs e·:l
@Ab+Mn+Oz•~q ,. m<tlt+Sii!Kyo t1:·,
Figura 13.2 - Rea9oes metamorficas em rochas pe1Iticas {Winkler (IP:<
1976). ,
{;) ....,
Kb
{i;l~

10 (];-,~

a Aim
+
Crd tf'rji
6
fJb.~
+ (J;>lll!
4 06 Qz
f.Jlr~

o~~
2
-~·-~
fli·~
600 700 800
oc 900
.;;:,~
Figura 13.3 - Coexistencia A1mandina-Cordierita em fun9ao da
- Fe il:fii
razao FeO + MgO (Winkler 1976). ,h,~

f~

·~
·~
o.~
--~

-145-

:c Jl
0 campo de estabilidade da muscovita, e bern mais
amplo e depende de sua coexistencia com certos minerais, por Ex. : I
~i
'
a coexistencia muscovita + clorita termina a aproximadamente
550°C (in!cio do facies anfibolito), com a rea9ao que apresenta -
~·t
mos a seguir e que marca a primeira apari9ao da estaurolita. : I
.. --II
Clori ta + muscovi ta = estauroli ta + biot + qz + H20 If·

Por outro lado, a associa9ao muscovita + quartzo,


~
f';
I
persiste ate o metamorfismo de grau forte. ••
I
~'
~~

CLORITA
'
fi,
4;
A clorita, forma tambem uma Solu9ao salida, cujos
cr}
termos extremes sao antigorita Mg 6 si o (0H) 8 - amesita Mg 4 Al 4 Si 2
4 10 ~:
o10 COH) 8 . 0 Fe normalmente encontra~se presente em substitui9aoap 4f
- Fe
Mg, assim, tem-se a substituiyao Si-Al e Fe-Mg. A razao Mg dimi
4l·•
nui com o aumento da temperatura, mas esta variayao e muito pe-
~

4;~
~r
quena, para se pensar nesta serie como possivel indicador de tem-
-I peratura. 4/ 'II1
·,

e:; J.'
0 clinocloro, que e uma variedade da.serie,isola- C'J
,'
damente ele suporta uma temperatura de ate 720°C, co~tudo, na pr~ JfJ
J
~I
sen~a de outros minerais, essa estabilidade diminui bastante. As-
! (; J
sociada com quartzo, a clarita e estavel ate aproximadamente ~-i I
650°C, acima deste valor, reage em baixa pressao conforme equa- #'~
J
yao abaixo.
~,

Clorita + quartzo = cordierita + talco :l


41
';
J.-

Em alta pressao, em vez de cordierita, forma- se fi'


_,_ f.;.h
cianita.
(J
t.~¥'
Em presen9a de muscovita, a temperatura maxima al C;:..c:
can9ada pela clorita e aproximadamente 550°C (inicio do facies an
fir''·'
fiboli to) .
0'<
e'•>
CJFc.

.;.
(ill:
,

-146-

CLORIT6IDE

A presen9a de cloritoide, depende rnuito da cornp2


_ ~- original. Sua formula quirnica (Fe, Mg, Mn)Al
2
Si0 5 (0H) 2 indica que o arnbiente favoravel a sua origem, deve cog
ter certo conteudo ern Fe-Mg e alto tear de Al. As rochas com clo
ritoide nao se formam ern arnbiente com alto tear de Na, K e Ca. 0
cloritoide persiste em todo intervalo de metamorfismo de baixo
, grau. Pensava-se que cloritoide fosse re~trito a arnbientes de
alta pressao, mas ele ja foi encontrado inclusive em aureolas de
contato (Miyashiro 1975), o que rnostra que seu intervalo de pre!
s~o e bastante arnplo. As rea96es responsaveis pelo aparecimento
·do cloritoide, sao as seguintes:

hematita + clarita = rnagnetita + cloritoide +


+ Qz + H2 0

caulinita + clarita = cloritoide + Qz + H2 0

pirofilita + clarita = cloritoide + Qz + H 0


2

paragonita + clarita + Qz cloritoide + albita+


+ H2 0

A composic;;ao quimica especial da rocha que perrni


te a forrnayaO do cloritoide, e incoerente para originar estilpn£
melano, biotita, albita e feldspato potassico, port~nto esses rni
nerais sao incompativeis corn cloritoide (Winkler 1976).

FORMA~AO DA BIOTITA

A biotita, cuja formula ideal e


K(Mg,Fe) 3 AlSi
3
0 10 (0H) 2 , forma uma soluyaO solida cujos terrnos extrernos sao:
annita (Fe) e flogopita (Mg). As rea9oes que conduzem ao primei
ro aparecimento da biotita em pelitos sao as seguintes:

l. Estilpnomelano + fengita = biotita + clarita


+ Qz + H2 0
-147-

2. Estilp + feng + actinolita = biotita + cla-


rita + epidote + H 0
2

3. Dolomita + KF + H2 0 = biotita + calcita +


+ C0 2

4. Clarita + KF = biotita + muscovita + qz +


+ H2 0
~

~i
Essas rea9oes ainda nao foram devidamente estu
~1

' dadas a ponto de serem satisfatoriamente compreendidas. As duas


~l

-I
primeiras, que envolvem estilpnomelano, embora conhecidas de la
' boratorio, provavelmente nao sao envolvidas no processo, porque
~l

estilpnomelano e urn mineral pouco freqtiente e assim sendo, -


nao
I
-, explicaria o grande volume de biotita nos metapelitos .. As duas
'--1 ultimas, segundo Winkler (1976) tambem nao sao adequadas para
I

l responderem pelo volume da biotita. As razoes sao as mesmas do


caso anterior, ou seja pouca presen9a dos reagentes em rela-
'
'-1
•:.;.
9ao ao grande volume de biotita existente. Para explicar.a gra~
! de quantidade de biotita, a rea9ao deve envolver minerais que
r sejam abundantes nesses tipos de rocha, por isso, Winkler(l976),
I sugere a seguinte rea9ao:
f
I Fengita + clarita = biotita + Al-clorita + qz
!
I Embora essa rea9ao ainda nao tenha sido identi
I
ficada, os estudos microscopicos deixam transparecer que ela
'1
ocorre realmente. 0 campo de estabilidade da biotita e bastan-
I
te amplo, come9a nos xistos verdes indo ate o facies dos granu-
,..,.
'-<

li tos.
I
I
I
FORMA~AO DA GRANADA ALMANDINA
I
-r. As granadas, tern urn comportamento variavel,de
I
acordo com a sua composi9ao. A almandina, forma uma complexa
I
solu9ao salida, na qual predomina sua composi9ao, acompanhada
I
de pequeno teor de piropo, grossularita ejou espessartita. A
'J
granada rica em espessartita, deve ser considerada como uma es
t
pecie separada, sobretudo porque sua origem se d§ em baixas
I
T
~
... 1

-148-.
.. 1
• 1
~ressao e temperatura do metamorfismo de grau fraco. Devido a es- '' 1
1
se aspecto, torna-se necessario se fazer uma distin9ao entre gra-
e granada rica em almandina. As rea-
'
(
1

,.11
y n- pm ~s~essartita

QG2S l ;po~~iveis pela prirneiTa ap2riy~O da alrnandina SaO:


• _..,_,..•
l. clorita + biotita + Qz = almandina + biotita +
'• l•
+ H2 0
t -,
2. clorita + muscovita + epidoto = almandina + ~' 1
biotita + H2 0
• 1

4'
'1
3. cloritoide + clorita + Qz = almandina + H 0
2 1
4. clorita + muscovita + Qz = almandina + biotita 6. -i
+ H 0 ''1
2
4 1
As duas primeiras rea9oes, forarn deduzidas de ob- 4 --~
servayo~s petrograficas (in Winkler 1976). As duas ultimas, foram '
C 1 c~
-:::-~
sugeridas por Thompson e Norton (in Winkler 1976) para rochas
l ~~
mais aluminosas.

l f~
A exemplo da biotita, a almandina tern tambem urn
amplo campo de estabilidade o qual se prolonga ate o facies dos ·~
granulitos.

METAMORFISMO DE PELITOS EM GRAUS ~DIO E FORTE (

( if~

A passagem do metamorfismo de grau fraco para •~

grau medio em pelitos, e caracterizado pela primeira apariyao de (~


t __Jij
· estaurolita ou cordierita. A ausencia de estaurolita em rochas me
tamorficas de grau medio, se deve a composiyaO inadequada da ro- \foJ
t.~
cha original. Segundo Winkler (1976), 2/3 dos pelitos nao favore-
( j;
cem a forma9ao da estaurolita em metamorfismo de grau medio. As
rea9oes que possibilitam a primeira apari9ao da estaurolita sao
as seguintes. (

l. cloritoide + muscovita + Qz = estaurolita +


+ biot + H2 0

2. clorita + muscovita = estaurolita + biot + Qz+


+ H2 0 ~

-
'- ·.
.p
i
' -149-
l
j;

I:
'
b 3. clorita +muse.+ alm. = estaurolita + biot +
t + qz + H2 0
-r I
t
J
f
4. clarita + qz = estaurolita + Mg clarita +H 2 0
li

-,-
l Quando o cloritoide encontra-se presente em ro
-,- chas de grau fraco, ele e 0 principal responsavel pelo apareci-

I
~

I
IT mento da estaurolita. A

c 1 or1. t a e- d ec1s1va
. .
reaq~o

.
no aparec1men
(4), se realiza a uma temperatu-
ra urn pouco mais baixo que as outras tres. A razao MgO da
t o d a .es t auro 1'1 t a. FeO+MgO S e o
valor dessa raz~o for maior que 0,25 em lugar da estaurolita,
forma-se cordierita, tal como mostra a -
reaqao abaixo.
~

Clarita + muscovita + qz cordierita + biot +


+ Al 2 Si0 5 + H 0
2
- }
Devido a esse aspecto, a coexist~nc~a de estau-
rolita com cordierita e rara em rochas de grau medio. Con1 a
- I . - MgO - ·
b a1x~ razao FeO+MgO ·favorece a formaqao da almandina. A coexls-
tencia estaurolita + almandina, pode ocorrer nas altas pressoes
do metamorfismo de grau medio. Para pressoes abaixo de 5 Kb, a
estaurolita se decompoe antes de atingir o limite superior do
- I
metamorfismo de grau medio. Deve-se ressaltar que o aparecimen-
to de estaurolita ou cordierita, nao implica necessariamente no
''
~
desaparecimento da clori ta ou clori toide em presen;qa de muscov.:!:_
I

ta. Esse aspecto,prende-se ao fato desses minerais serem solu


- qoes SOlidas e, coexistirem portanto CQm OS minerais que prod~
I

zem, dentro de urn pequeno intervalo de temperatura. Essa coexis


tencia torna-se importante porque indica a proximidade do limi-
te com o metamorfismo de grau fraco. Para metapelitos ricos em
- MgO
Mg, apresentando uma razaoFeO+MgO ·
prox1ma de 5, uma clorita rl-
·~
I ca em magnesia pode ser estavel juntamente com estaurolita+mus-
covita + Qz ± biot ate 50 a 60°C acima do comeqo do grau . me-
dia. A coexistencia Mg clarita+ estaurolita.termina, quando se
processa a reaqao:

Mg-clorita + muscovita + qz +
+ H2 0

A estaurolita comeqa a desaparecer nas altas


-15 0·- r -

temperaturas do grau media, mas a condiyaO metamorfica de seu•


desaparecimento, depende da presen9a da muscovi ta e de sua com·-
posiyao, conforme mostra as seguintes rea9oes.

~ --
l. estaurolita + muse + qz
{.. --

2. estaurolita +muse+ qz = Al 2 Si0 5 + alm + H2 0

3. est + Na-musc + qz al Si0 + biot + K-rouse +


2 5
alb + alm + H 0
2
4. estaurolita + qz = Al Si0 + alm + H 0
2 5 2

A segunda rea9ao ocorre em pressao pouco mais ele


vada que a primeira; a terceira rea9ao, embora urn pouco mais com , ~

plicada, e a mais real, tendo sido deduzida da petrografia; na


quarta rea9ao, Richardson (in Winkler 19 76) , utilizou urna estau-
rolita de ferro pura que por nao estar na presen9a de muscovita,
. -
sua decompOSlyao so- ocorreu a uma tempera·tura proxlma
- .
dos 700 0 C.
Isso mostra que uma estaurolita magnesiana pode persistir em uma
temperatura que pode ate exceder desse valor. Com rela9ao a rea
9ao (2) se a muscovita nao esta presente, a rea9ao estaurolita +
+ qz = Al 2 Si0 5 + alm + H2 0 mostra que a estaurolita persiste em
concti9oes metamorficas consideraveis (campo da anatexia) , ver
rea9oes 6A e 6B fig. 13.2.
,·,..··'

0 PROBLEMA DA COEXIST~NCIA ALMANDIN~/CORDIERITA


t' --
'J', J

A coexistencia almandina + cordierita, ocorre em


rochas de composi9ao adequada, podendo aparecer nas altas tempe-
raturas do grau medio ou em metamorfismo de grau forte. Em ambos
os casos, a pressao deve ser suficiente para estabilizar a alman
dina e a associa9ao rnineral pode pertencer a zona (cordierita-a!
mandina) .de grau media ou de grau forte. 0 qrie caracteriza a zo-
na (cordierita-almandina) de grau alto, e a presenya de feldspa-
to potassico associado a almandina + cordierita.

A passagem do metamorfismo de grau media para


grau alto em metapelitos, e marcada pelo aparecimento do feldsp~

to potassico a partir de rea9oes que envolvem muscovita + quart-


zo. As seis parageneses seguintes, sao diagnosticas de gnaisses ,_
(
-151-

peliticos de alto grau.

KF + Al 2 Si0 + alrn + biot 2=_ plag + qz


5
'
KF + Al 2 Si0 + cord + biot -+ plag + az
5
KF + Al 2 Si0 5 + cord + alm plag + qz
I 2=_

KF + biot + cord + alm + plag + qz

I KF + cord + alrn + gz
KF + biot + Al 2 Si0 + cord + alrn + plag + qz
5

Reinhardt (in Winkler 1976) con testa a para gene-


'-..,-

se KF + biot + sill + cord + alm, nao a considerando como urna


'--::

paragenese estavel. Ern suas experiencias sabre rela9oes de fases


-:
em gnaisses peliticos, ele constatou que biotita + sill + cord+
j

--, + alm, nao sao estaveis na presen9a de plagioclasio, a estabili-

j
dade parece acontecer na ausencia deste mineral.
'--<'

~
I
' -I
A coexistencia do par cordierita-almandina, tern
urn significado marcante no metamorfismo. Em grau media, sao ra-
'
'1 ras as rochas que apresentam essa associa9ao, enquanto que em
grau forte,ela se resume a urn intervale P-T especifico e a zona
' regional do hiperstenio no facies granulite. ,'• '
'
-
--;;: A estabilidade do par cordierita-alrnandina, de-
--:- FeO
pende da razao FeO+MgO da rocha. 0 grafico da figura 13.3 que
--,.
' ilustra o problema, foi construido com base nessa razaa. Nessa
-;
figura, cada intervale de 2 linhas de mesmo valor da razao (0,4-
'1 0,6-0,8) representa o campo de estabilidade do par cordierita-a!
' "-"
rnandina (area pontilhada) para aquele valor. Trata-se de urna a-
'- rea em forma de cunha, que se alarga com o aumento da temperatu-
-· ra. Fica assim explicado, porque a associa9ao cord + alm + sill
_,
' e mais comurn em metamorfismo de grau forte. 0 grafico da .figura
' 13.4, so pode ser considerado para rochas p~aticamente sem MnO,
' isto porque a presen9a do MnO desloca o campo de estabilidade p~
~
ra pressoes mais baixas.
'
~

A associa9ao cordierita-almandina e rnuito util


~

na determina9ao da pressao e da temperatura, funcionando ao rnes-


mo tempo como geotermornetro e geobarometro.
'\
.
!ill
-152- ' II•
'\ .
Em termos de parageneses minerals, os diagramas
" Ill
das figuras 13.4 e 13.5 mostram urn resume geral das associa~oes

rninerais mais comuns encontradas ern rnetapelitos em baixa e media


pressoes.
'..
l
....•
t -
..
1!1
ft .,.
. t.
iii
'
(\.
ii

~-
j;
.
li

IIi
,:.;_

(.
.
I
G:

1
ct. . 1
~.

f
~
l
i
{ .I
it ·1
.,. -·
I

{ I

,·,-'

~ -

t. .

( .

If! --

'... -
-153-

'-";

~I
1 MgO
I ~ /___::-:--:-----\
Biotite
I
'--I... Microcline

I (a) Biotite zone Figura l3. 4 - Diagr~s AFM das


parageneses rnine-
I rais de rochas .e=_
~,

li ticas em baixa
f pressao (in Miya-
shiro 1975) .
f
I
I
~1
~,

~,

Orthoclase

(b) Andalusite zone (c) Sillimanite zone

.ff·Pyrophyllite ·,'
·,. , ~
~I
i
-j Chloritoid
! I
. _ on~
St•Jpnomelane
FeO MgO

• • \

Figura 13.5 Diagramas AFM ~-·-~---M-ic-r-oc-1-in_e ______ ·_~~


das paragene-
ses rninerais ial Chlorite zone
de rcx::::has pe-
liticas em
pressao rrBdia
(in Miyashira
'l975.

FeO

/ •
Orthoclase
/ I
(b) Kyanite zone (c) Sillimanite zone
-154-

CAPITULO 14

I1ETAMORFIS.i'10 DE ROCHAS CARBONATADAS

A cornposi~ao basica das rochas carbonatadas e


ern sua rnaioria representada pelos cornponentes Caco , MgC0 3 e
3
Si0 . Quando a rocha calcaria cornpoe-se de caco puro, verific~
2 3 It·
-se apenas urna recristaliza~ao da calci t·a ou sua passagern para ,.. :• rlii

aragonita ern pressoes elevadas. A dissocia~ao


do caco 3 ern
e CaO, requer ternpera·turas mui to elevadas e segundo Myashiro
co 2

4
rlllill

(1975} fora do campo metamorfico. Entretanto, se o calcario e ._, ,'Iii


...
dolom.itico, a dissocia~ao da dolomita se verifica em temperatu- f; !II
ras rnais baixas, segundo a equa9ao:
•., ill
·II
Dolomita = periclasio + calcita + co ll'ii· ill

caMg(C0 3 ) 2 MgO + Caco


3
+ C02
2
••• ''II
liill
~ ' ::11
Portanto, a dissocia9ao da dolomita a qual toma
lugar a uma temperatura entre 700 e 850 C da origem ao apareci-
0 , 4'
• • ....
mento do periclasio. A hidrata9ao do periclasio tal como mostra
a rea~ao abaixo, produz brucita. •.;',, tl
11
ill
MgO +
Periclasio
= Mg(OH)
2
Brucita •.,, •.,
A hidrata9ao do periclasio, se verifica atraves
4

•• •
da agua de circulayao no sedimento, mas existem outras reayoes

que originam a brucita (ver capitulo 16).

Em 1940, Bowen (i.n Winkler 1976) estudando meta


morfismo progressivo_em rochas carbonatadas, estabeleceu esta
.....,.
4(1··
4J .•

seqUencia de aparecimento dos minerais ern temperatura crescentB ••


~;!···
tremolita, forsterita, diopsidio, wollastonita, periclasio
cita), monticelita, akermanita, espurrita, mervinita,
(br~
larnita ••
~l>~
e outros. Tilley verificou que antes da tremolita,ern ternperatu....,
ras rnais baixas, forrna-se talco, por isso, na seqUencia que
je se conhece, 0 talco
se formar. A ornissao do talco nas
e quem aparece como
investiga~oes
0 primeiro mineral a
de
ho

Bowen,prend~
••
..
•'~•
,.
ft ....•

-se ao f~to desse mineral ser facilrnente confundido corn mica -~-.
.--.
-155-

'-
branca nas observac;oes microscopicas e por isso, passava desaperc~
'-r
bido.
~

'--./ Sabe-se que as rea9oes em rochas carbonatadas li-


beram C0 2 e que a presenya de H2 0 e
muito freqfiente nas rochas

I
'--(

'--( sedimentares. Por isso, nas rea<;oes em rochas carbonatadas temos


'-( que considerar a pressao total dos fluidos + PH 0 ), a temp~
(Pea
ratura e a pressao parcial do co 2 na fase fluid~, o q~e leva o
'I sistema a ser no minima bivariante. 0 equilibria bivariante e re-
., presentado graficamente por urn sistema de tres eixos perpendicul~
I res, os quais representam a temperatura, pressao dos fluidos (Pf)
I e fra9ao molar do co 2 , figura 14.
I
I
Fica dificil trabalhar com as tres vari&~eis, o
I
que se faz normalmente para se representar rium.plano e urn corte
I
isob~rico, fixando-se a pressao dos fluidos. Na figura 14, A, B e
I
c sao os planos de tres rea<;oes diferentes e a b c d,- uma sec<;ao
isobarica. A forma de uma curva de equilibria isobarico, depende
da natureza da rea9ao. Se urn tipo de g~s e reagente e outro e
produto, a curva tern um ponto de inf1exao. Se os dois tipos de
g~s sao produtos, a curva apresenta urn maximo. Se a rea9ao envol-
ve apenas um tipo de gas, a temperatura aumenta como aumento da
fra<;ao molar.
.,·, '

METAMORFISMO DE CALCARIOS DOLOM1TICOS SILICOSOS

De modo geral, sao necessarias poucas rea9oes pa-


ra descrever as transforma9oes metamorficas em calcarios dolomiti
lu cos silicosos. Entretanto, Skippen (1971) faz referencia a 49
f
1 rea<;oes. Metz e Trommsdorff (1968) relacionaram as 15 rea<;oes a~

presentadas a seguir, das quais, as rea9oes (5), (12) e (15) so


ocorrem quando quartzo, magnesita e dolomita j~ se encontram na
rocha, antes do metamorfismo.

3 dolomita + 4 quartzo + 1 H20 = 1 talco + 3 calcita + 3 co 2 (1)


5 talco + 6 calcita + 4 quartzo = 3 trerrolita + 6 co 2 + 2 H2 0 (2)
2 talco + 3 calcita = l trerrolita + l dolornita + 1 co 2 + l H2 0 (3)
5 dolamita + 8 quartzo + 1 H20 = l tremolita + 3 calcita + 7 co (4)
2
2 dolomita + l talco + 4 quartzo = l trerrolita + 4 co 2 (5)
...
-156- .l"
1 trenolita + 3 calcita + 2 quartzo = 5 diopsidio + 3 co 2 + 1 H2 0 (6)
• ,_
1 trenolita + 3 calcita = l dolomita + 4 diopsidio + l co 2 + 1 H20 (7) •
1 dolomi ta + 2 quartzo = 1 diopsidio + 2 CO 2
1 talCX) + 5 dolomita = 4 forsterita + 5 calcita + 5 co 2 + 1 H20
(8)
(9)
•••
11 talCX) + 10 calcita = 5 trerrolita + 4 forsterita + 10 co +6 H 0 (10)

13 talco + 10 dolornita = 5 trenolita+l2 forsterita +


2 2
l trenolita + 11 dolanita = 8 forsterita + l3 calcita + 9 co 2+1H 20 (ll)
2oco 2
3 trenolita + 5 calcita = 11 diopsidio + 2 forsterita +5C0 2+3 H20
+ 8 n2o (12)
(13)
..,
t
~:

-
-
-

.·-
lit -
l diopsidio + 3 dolanita = 2 forsterita + 4' calcita + 2 co 2 (14)
4 trenolita + 5 dolamita=l3 diopsidio+6 forsterita + 10co 2 +4H 20 (15) ;-

4' '
Dessas 15 rea~oes, resulta a forma9~0 do talco, • -
tremolita, diopsidio e forsterita. Elas s~o forrnadas a partir e ~
dos cinco componentes Ca0-MgO-Si0 2 -co 2 -H 0, os quais partici -
2
I 1
pam de todas- as rea~oes. Nas rea~oes (8) e (14), o H2 0 n~o apa-
rece, mas mesmo assim, e considerado como componente da rea~~o,

fC!
{)

1
porque nesse processo, ela
te da fase fluida.
est~ sempre presente como.constituig
•• ii
1
f: <'1

De acordo portanto com a seqll~ncia

metamorficos progressives, estabelecida por Bowen e Tilley, te-


dos minerais •• 1
i

mos o primeiro mineral a se formar em rochas constituidas


dolomita + quartzo, com ou sem calcita, e o talco (ver
par
rea9ao
·-• 'I
li

•• i
l figura 14.1). A rea~~o de forma~~o do talco so 0oorre, enqua~
to o valor XCO na rocha for menor que o XCO do ponto isobari •.: :;
;
2
co invari.ante I. Se urn evento qualquer provocar urn XCO
cha maior que o do ponto invariante I, quem se forma
·2

e2
na ro-
a tremo-
• --. ii

lita em lugar do talco (atraves da rea~~o 4). A par.agenese de


•'c •
equilibria da rea~~o (1) e: talco + calcita + dolomita + quart-
zo. Esta parag~nese, nao nos da subsidio para de·te1.-mina9ao da f
• -~

temperatura, vista que seu intervale de estabilidade a 1 Kb


de mais de 100°C. Entretanto, ela e importante como guia
e
para
•••
f •
f l

...
se encontrar o ponto invariante (I), que resulta do cruzamento
das curvas de rea~ao l e 2, o que concorre para o prirneiro ap~
~-.
recimento da tremolita. Neste ponto, a temperatura e de 485°C a
f l
1 Kb e 600°C a 5 Kb (ver figs 14.1 e 14.2). A parag~nese de e-
fl
quilibria e: tremolita + talco + calcita + dolomita + quartzo.
,- ....
'"1

Para se tirar conclusoes i.mportantes a respei- f'; 1

.. ,
to de pontos termornetricos, nos so podemos considerar as rea- ts"l
~ I
I

!.I -157-
1

li
l
i
J'

Ij I

~
~
i
c
_.... -- -· ''
J
J-.-·

,I
'
'----'
t

0.0
H20 C0 2
- - molt' fraction Xco 2

Figura 14 - Planas de equilibria das rea9oes A,B,C em interva-


los de temperatura, press~o dos fluidos e fra9~0
molari abed e uma secc:;~o isobarica (Metz 1970- in
-'100" .---------=,------.-----.-- ---,------.
Winkler 1976

1,00 f------+--- --=,-----+-----~--


1 PrdKb ;

__j
0.2 0.6 0.8 1.0
- mole& fraction Xco 2
Figura 14.1 - Diagrama T-x as
00 de uma sec9ao isobarica para
- 2
rea9oes 1 a 15. Os algarismos arabicos referem -
-se as rea9oes e os romanos aos pontes invarian-
tes. As linhas chei.as, foram determinadas exper_i
mentalmente e as interrompidas foram calculadas
(Winkler 1976).
-158-

qoes que se verificam em pequeno intervale de temperatura. Neste


caso, n6s temos al~m dos pontos isob~ricos invariantes I, II,III
e IV, as reaq6es 4,5,8,11,13,14 e 15, todos esses pontos se pro-
cessando em altos valores de XCO (ver figuras 14.1 e 14.2) ~ Urn
ponto isob~rico invariante, resu~ta da intersecq~o de duas cur-
vas de reaq~o. Neste ponto, as associaq6es de equilibria das
duas reaqoes coexistem, e, o ponto isob~rico invariante fica POE
tanto denunciado pela adiq~o de fases ao sistema. Como se obser-
va, 0 ponto de primeira apariq~o da tremolita, e controlado pelo
ponto invariante I.

Com o aumento da temperatura, a tremolita reage


segundo a reay~o (6) para produzir diopsidio. A primeira apari-
q~o do diopsidio, e controlada pelo ponto invariante II, resul -
tante da intersecq~o das curvas 4 e 6 e cuja diferenqa de tempe-
ratura para o ponto I, que rnarca a prirneira apariq~o da tremoli-
ta, e muito pequena (aprox. 5°C ern 1 Kb e 20°C em 5 Kb, ver fig~
ras 14.2 e 14.3) .No ponto invariante II, a paragenese de equili-
bria, ~ a seguinte.

Di + Tr + Do + Cc + Qz

Na opini~o de Winkler (1976), o intervale real de temperatura que


separa o primeiro aparecimento de tremolita e diopsidio numa ro-
·cha carbonatada, parece ser bern maior que aquele mpstrado pelo
·,,_,-
gr~fico. Par isso, ~le acha que a primeira apariy~6-da tremolit~
~ realmente controlada pelo ponto invariante I, contudo, o pri-
meiro aparecimento de diopsidio deve ser resultante da reaqao
( 6) •

A condiq~o metam6rfica que determina a .primeira


apariq~o da forsterita, encontra-se em 1 Kb a 20°C acima da cur-
va da reaq~o 6 (de formaq~o do diopsidio), e para uma press~o de
5 Kb, num interva1o·de 50° a 60°C acima da referida reaqao 1 tal
como mostra a reaq~o 11 (figs. 14.2 e 14.3) •

1 tremolita + 11 do1omita =8 forsterita + 13 calcita + 9 co 2 + 1 H20

Em 1 Kb de pressao, as reaqoes 11,14 e os pontos


invariantes III e IV, todos resultando na produq~o da forsteri -
ta, se verificam praticamente a uma mesma temperatura, cujo va-
-159-

r----:--...-~----...-------~-----------

~.
temp.
oc
• 560

51.0 r--50D";::•J_,C;-;'02:....•~1H~>:::_C_/0""
ITr~JC(•)Q ·~ Figura 14.2 - Uma amp1ia9ao
da fig .14 .1 -
para va1ores
de Xco muito

=
-if' a1tas iwiilkler
1976) .
© 5Do•8D•IHfJ ITr.JCc•7CO;
~
A~-_,
lDo·lladQ = I Tr. 4[0;

iJ) /Tr.JCc - <[). IDo.ICO;- 111;0

500 ® I Do• 20 - 10,. lCO;


® 101 ~JDo = lFo.,Cc•lC(Q
$ 4 Tr·5Do - 130~+6Fo·IOCO; • 4 H;D

Q ''

1.80
Ta
0
__./ Q,
• fr j__
Fo

'._/
Cc Do
,1o·
;0"
..

1c;<'-.
.Lo
,c:()1
,><f LJ: -"

- 'i 460

---- 0.85
mole fraction
0.90
Xco?
0.95 1.0
C02

temp_
oc
t 750

700

Figura 14.3 - Diagrama. isoba 650


rico T-Xco ei1i
2 600
P £== 5 I\b ( in
Winkler 1976) .
550

1j = 5 Kb
500
CD 5Do·80. I H;l) __, /Tr•JCc•7CO:;
® .....
--
lDo•IJa•Hi /Tr• "CO:;
450 1--
1 (j) ITr•JCc 4Di•IDo•l COr IHfJ
® 10o.:za
-
1Dt·2CO]
400 r----@ JTr+ 5Cc TIDI·lFo· 5CO;• JH;P

-
@ IOi.]Do
"""" 2 Fo ·~ Cc •lCO]
@ Or.SDo T3 Dt • 6 Fo • KICD:; • 4 H;l)

0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0

-----J....,_ mole fraction Xc 02


-160-

lor fica no entorno de 550°C (ver figuras 14.1 e 14.2). Em temp~


raturas muito proximas do ponte invariante IV, porem ainda nao
·1~~ 2 ~~inadas Pxperimentalmente (segundo Winkler 1976), ocorre a
__ •
1
,:c:'ll tambem produz forsterita.

3 Tr + 5 Cc = ll Di + 2 Fo + 5 C0
2
+ 3 H2 0

As parageneses de equilibria dessa rea9ao e:


~Di + Fo + Cc ou Di + Fo + Cc + Tr, sendo q~e a primeira, ou seja
a de tr~s componentes ~ rnais freqllente.

De acordo com os aspectos enfocados em rela~ao


as 15 rea9oes, nos temos como indicadores petrogeneticos signif!
cativos (isto e, que podem ser usados como termometro geologico)
as seguinte~ associa9oes minerais.

l/2-Tr + Ta + Cc +Do+ Qz (ponto invariante_I, primeira


apari9ao da ·cremolita)

4-Do + Qz + Tr + Cc

4/6-Do + Di + Qz + Cc + Tr (pto.invariante II, la.apari-


~o do diopsidio)

5-DO + Qz + Tr + Ta

ll-Fo + Cc + Tr + Di (la.apari9ao da fors~ita,a ~fe-


·-.
ratura coincide com o ponto III)

14-Fo + Cc + Di + Do (la.apari9ao da forsterita em xco


2
extrema a temperatura coincide
cc:m o :rx>nto IV.

As parageneses talco + calcita + dolomita ou


talco + calcita + quartzo ou ainda talco + calcita + dolomita +
~ quartzo, sao importantes porque denunciam a primeira apari9~0
do talco, que ·e o mineral de mais baixo grau da seqll~ncia~ mas
essas associa9oes nao podem ser utilizadas como termometro geo-
logico, por razao ja comentadas.

INFLU~NCIA DO FeO e DO Al o
2 3

A substitui9ao do Mg por Fe, e muito comum, e


t
r -161-

pode acarretar certas irnplica<;oes para os dados de equilibrio.Por


isso, devemos ter 0 maximo cuidado em tais investiga90es.

A entrada do Al 2 0 , favorece o desenvo1vimento de


3
outras associa<;oes minerais de importancia marcante para o meta-
morfismo de dolomites silicoses. 0 Al 2 o3 , pode dar origem a forma
<;ao do clinocloro (uma c1ori ta de Mg e Al) ·que na ausencia de
guartzo persiste em metamorfismo de grau media e de grau forte
(facies anfibolito, zona da si1imanita). Outros minerais formados
pela influencia do aluminio sao: epidote, hornblenda, vesuvianit~
plagioc1asio calcico, grossularita e escapolita (em grau media e
_forte}. Plagioclasio e escapolita, podem ocorrer juntos, mas po-
de ocorrer a substitui9ao do plagioclasio pela escapo1ita. Se K2 0
encontra-se presente, verifica-se o aparecimento da flogopita ou
mesmo da biotita, muscovita e feldspat.o po·tassico (todos esses mi
nerais, em pequeno volume).

A presen9a da wo11astonita, e muito importantenas


rochas carbonatadas, a respeito de sua forma<;ao, consulte o capi-
tulo 6.

A figura 14.3, mostra que em 5 Kb, a1~m\ias modi-


fica<;oes quanta ao comportamento das curvas de rea9ao em re1a<;ao
ao XCO e a temperatura, muitas rea9oes nao ocorrem. Assim, pode
2 -
ser constatado que as rea<;oes -
9, 10 e 12 nao se formam e que a
rea9ao 3 que partindo do ponto invariante I (sob pressao de 1 Kb)
cortava a curva 11 (fig. 14.2) provocando o aparecimento do ponto
invariante III, agora (sob pressao de 5 Kb), se distribui suave-
mente entre as curvas 2 e 6, mostrando urn intervale muito amplo
de XCO e que por nao interceptar a curva de rea<;ao (11}, concor-
2
re para nao forma<;ao do ponto invariante III.

Vista que para efeito da representa<;ao em diagra-


mas, a fase fluida pode ser omitida, a representa9ao do sistema
Ca0-Mg0-Sio
2
-co 2 -H 2 0 pode ser feita em fun9ao dos componentes CaO
-Mg0-Si0 2 , como mostra a figura 6.4.

Nessa figura, se faz uma distribui9ao das parage-


neses minerais, de acordo com os facies a que pertencem. Se o
.., Jl
Ill
-~.

•'
II


'
~;
ill

I
xco e maior que o do ponto invariante r. em lugar do talco (rea •• •
~= 0 2,1, quem aparece 6 a tremolita (segundo a rea~~o 4, ver figs ... •
..
0 11.2); fato semelhante ocorre com as rea~oes 9 e ll
rela~~o ao ponto invariante III), as quais se referem a
em
forrrm~~o
••• •
da forsterita. ',; j

Em temperatu:r·as mui to elevadas e pressoes muito


'" I!

baixas, forma urn certo nfimero de minerals raros (sendo todos si-
"
~}
' fll
I
licates de Ca e Mg) tais como monticelita, akermanita, espurrit~ ~
., I
I

mervinita, larnita, tilleyita,rnelilita e rankinita. As condi9oe~ i I


\
~ I
metam6rficas especificas que propiciam a forma9~0 desses I

rais s~o aquelas em que fragmentos da rocha carbonatada --


SC1CJ .< / I
~- I
globadas por urn magma, ou quando a rocha carbonatada em
q. j I
t.o direto com o magma foi levada a uma temperatura multo alta.EE;
~~ } fi
sas condi~:oes definem o facies sanicUnito e ·no caso pa.rti.c:1.1l~J.l"'
r' i
das rochas carbonatadas, as rea~oes que produzem os mencionados
~- "'J i
minerals, se processam com XCO, muito elevado ou qu.ando a
~ ·' i
total e~ representa d a par PCO
,T

-
sao 2 . Para maiores detalhes,
. 2 t '·.;\ j

te Winkler (1976). ..
.
I

!
-163...:.

,.oLM.o
Calc•tt- Dolomite fMagnesrte
(aJ Or•gtnal dolomlttc tu·T'lestone
/ Iruled area \
Quartz
\

1!ti
Calc•te Dolomite
(b) Greenschist facies
\
\
\
Ouan,-

"
Quartz

21i
Calcite OoJomne
(b'l Greenschtst f.~c,es

Calcrte Dolom•te
tel Greenschtsl faeces

... Quartz
Quartz

Calcite Dolom•tc Calcne Dolomtte


ldJ Low amphibolite facies ld'l Low amnhibolite fac1es

~Quartz/ .

Forsterlte

Calcite Dolom1te
(e) HiQh amohibolite iacies

---------------------~

Figura 14.4 Rela<;oes de fases em metamorfismo progressive de


calcario dolomitico silicoso (Miyashiro 1975). No
diagrama (e), devido as condi<;oes metamorficas e-
levadas, antofilita oaupa o lugar do talco.
- .
~··
~

-164~
c )ll
13..' ..
f,:t ....

~···
CAPITULO l 5
Cli\ ..

HETAMORFISHO DE ROCHA.S MAFICAS ,.......


-~

(.!; ..
As transforma~6es metam6rficas em rochas m~ficas,

.dependem fundamentalmente dos fatores press~o e presen9a de ~gua.


!'-' ill
'

liP
Quando a

forma~6es
~gua est~

no f~cies
presente, as rochas sao'mais sensiveis as
\ ria~6es de temperatura, enquanto que a press~o comanda as trans -
dos eclogites e parte do f~cies granulite.
va-

A
.i ..

f"
II

importancia desses dois fatores, pode ser resumida nos tres casos
seguintes ,, .•
f'
'

·~:. •
a) a agua teve acesso

b) a -
agua -
nao
~s rochas,

teve acesso e a pressao de


fi·
f\ •.
n~o era muitQ alta,
carga
'\ •
,-, •
fj
c) a ~gua n~o teve acesso, mas a
era muito alta.
press~o de carga
~'

_,q

-,} Jl

No primeiro caso, o metamorfismo em temperatura * ••••


f)
decrescente origina a seguinte seqtlencia de facies: anfibolito,al
(r
J

bita-epidoto-anfibolito:xisto verde e xisto azul ou ~~cies prehn! f9
fjl
•Iii
ta-pumpelyita ou f~cies dos zeolites. Nas condi~6es !2_, a rocha .....:)

n~o sofre metamorfismo, e em c formam-se eclogites em amplo inter


f)
t}.

valo de temperatura e granulites maficos nas temperaturas mais
4} ..
elevadas.
f).
As transforma9oes relativas aos facies eclogito e 'Y'•
fl·"•
granulito ja foram discutidas no capitulo 10. Poruanto, tratare- f)'•
mos aqui apenas do metamorfismo no facies anfibolito e graus infe ~·,.
riores. (;1···
{;')•
Nos anfibolitos, o gradiente geotermal pode ser @)•).
deduzido em fun9~o do plagioclasio presente. Assim sendo, pode- f;"P)I
mos ter as zonas definidas por albita-anfibolito (!'~
oligoclasio-anfibolito (Jc;}l

andesina-anfibolito @)1<.
labradorita-anfibolito fY•
,),.
f):~.
-16.5-

Entre os anfibolitd, o anfibolio presente e nor-


rnalmente a hornblenda, entretanto, cumingtqnita, edenita e parg~

sita podem tambem estar presentes.

Com rela~~o as quatro zonas enfocadas acima, em-


bora a correla~~o do grau metamorfico com o plagiocl~sio presen-
te possa ser feita, uma divis~o rigorosa em termos de zona9 meta
morficas torna-se dificil, a nao ser que'se aplique metodos esta
tisticos. Essa dificuldade prende-se ao fato de certos plagiQ
cl~sios apresentarem variaqoes de cornposiq~o n~o em funq~o da
temperatura mas sim como uma decorr~ncia do mineral ao qual en-
contra-se associado. Como exemplo, quando epidote e/ou clinozoi-
sita encontram-se presentes na parag~nese hornblenda + plagiocl~

sio + quartzo~ o tear de anortita geralrnente e rnenor que na au-


·s~ncia desses minerais, mas de acordo com Winkler(l976), existem
outros fatores desconhecidos que tarnbem contribuem. Apesar da
cornposiq~o do plagiocl~sio n~o poder repre~entar urn indi~ador se
guro para grau metamorfico, como se esperava, pelo menos urn dado
da sua composi<:;:ao representa urn fator de confiabilidade comprov~
da par v~rios autores e de grande importancia no metamorfismo. A
mudanqa abrupta (o que muitos autores chamam·de salta ou pulo)na
composiq~o da albita (±:_ An5) para oligocl~sio
An 17 /ou An 20 para
alguns autores) e aceito sem restri<:;:oes, ocorrendo entre 20 a
40Rc abaixo do limite entre metamorfismo de grau fraco e de grau
medio. Este fato e de grande importancia para o metamorfismo e
indica urn pequeno intervale em que coincidem plagiocl~sios de
duas composiqoes. Alguns autores, entre os quais se inclui Tur
ner (1968-1981), tomaram esse fen5meno como ponto de transiqao
dos f~cies xisto verde-anfibolito. Para Winkler entretanto, essa
passagem, cujas condiqoes sao as mesmas da transiqao grau - fra-
co - grau media, fica mais precisamente determinada pela prime~
ra apariqao da estaurolita ou cordierita (ver capitulo 9)

Nos basaltos e andesites, que sao os tipos mais


comuns de rochas maficas, OS principals constituintes sao: pla-
' gioclasio (An70 a An40), clinopirox~nio, hiperstenio e olivina.
Nesses minerais Si0 2 e comum a todos, temos ainda no plagiocla -
sio, CaO, Na 2 o e Al 2 0 3 ; na augita e hiperst~nio, CaO, MgO e FeO;
e na olivina MgO e FeO.
-166-

0 Na
2
o, apos o metamorfismo, fica concentrado nos
anfibolios s6dicos (glaucofana, crossita) e na albita. A albita
pode ser considerada como mineral iso1ado ou como constituinteda
so1u9~o solida dos p1agiocl&sios. Levando-se em considera9~0 que
MgO e FeO variam muito nessas rochas e que Na 2 o pode
n~o ser
omitido da representa9~o gr&fica mediante corre96es pr~vias,pode
mos uti1izar os diagramas ACF para representar as paragenesesque
''se formam ern diferentes condi96es metamorf'icas. Em ternperaturas
decrescentes de metamorfismo, basaltos e andesites d~o origem
a seguinte seqUencia de f&cies anfibo1ito
xisto verde
xisto azul
1facies dos zeolites

0 diagrarna da figura 15, indica a composi9~o me-


dia mais comum em basalto tole:Itico, a area tracejada indica uma
faixa comum a basaltos e andesitos. :=om rela9~0 a passagem des-·
sas rochas para anfibolitos, tres e::::tagi'os s~o considerados.

l) Formc:9~0 de hornb.enda + alguma granada (em


pressao suficienternente alta) a partir de c1inopiroxenio,hipers-
tenio e/ou o1ivina.

2) Forma9~0 de plagioc1&sio menos c~lcioo, c1ino-


zoisita ou epidoto (as custas do c~1cio removido do plagioc1~

sio) .A propor9~0 que a temperatura decresce, diminui o teor de


An do plagioclasio e aumcnta o con+:eudo de clinozoisi ta e epido-.
to.

3) Em metamorfismo de grau fraco, clorita + quar!


zo s~o constituintes adicionais em anfibo1itos a oligocl~sio e
albi ta. Em temperaturas a.inda mai::; baixas, a hornblenda se torna
. in~t&vel e se decomp6e em actinolita, clarita e clinozoisita/ep!
doto e o anfibolito passa assirn a xisto verde.

As figuras 15.1 e 15.2, ilustram-o que acontece


corn essas rochas em metamorfismo de grau forte e grau media. No
primeiro, tem-se anfibo1i ·tcs a labradori ta/bytowni ta, ern que a
composi9~0 do plagiocHi.sio mudou bastante em relaq~o a rocha ori
-167-·

y
A
I

T
y
'--./

' \ Figura 15 Cornposiqao media rnais


I cornum para basaitos e
andesites. A area tra
I
cajada e cornum as d~
I rochas (Winkle.r 1976).

c Augite

A
minor
+ splumf' + quartz
+ biotite

Figura 15.1 - Labradorita/bytow-


nita-anfibolito
grau forte.

c Oi Ho F

.. sphene minor
+quartz Figura 15.2 - Andesina/o1igocla-
.. biotite
sio-anfibolito-grau
media.

c Ho F
-168-

ginal e conseq~entemente o teor de clinozoisita/epidoto torna-se


bastante reduzido. A hornblenda se forma as custas de pirox~nio

e olivina em presen~a de agua, e Uffi clinopj_roxenio de coroposi9a0


diopsidica pode aparecer associado em rochas sem granada. A pre-
sen~a da granada depende da pressao. Clinozoisita/epidoto, quan-
do presentes ocorrem em pequenas percentagens, e podem inclusive
faltarem. No segundo diagrama (metamorfismo de grau m~dio), o
~lagioclasio presente ~ andesina/oligoclas{o, a situa~ao e a
mesma em rela~ao a granada e clinozoisita/epidoto, nao havendb
iYiil
fl-..
mais a presen9a do hiperstenio. fj,4
fl, ..
Os anfibolitos desenvo1vidos em baixo grau, en- fl,~
contram-se representados na figura 15.3. Nas parageneses
diagrama, albita e/ou o1igoclasio coexistem com hornblenda,clin2
desse
:-•
.i •

zbisita/epidoto, granada, quartzo e clarita~ Vimos que oligocla-


sio--anfiboli to, e urn tipo tambem comum em me-tamorfismo de gratJ (,. •
medio, assim sendo, a presen~a OU auseRCia de clarita e quem de- ct.
cide se se trata de urn oligoclasio-anfibolito de grau baixo
de grau medio. Em temperaturas decrescentes, o .oligoclasio
ou
e
<t~
(,4-.
substituido por albita + clinozoisita, sendo portanto atingido o f 1
"sal to" do plagiocL3.sio, passando a formar rochas do facies albi
ta-epidoto-anfibolito (considerado facies de transi~ao por Tur
ner 1968-1981). Em temperaturas ainda mais baixas, a h9rnblenda
t ...
(
( ··t
.
torna-se instave1 se decompondo em actinolita, clarita e clino- f 4
zoisita/epidoto o que marca a passagem para o facies xisto verda
( .•
c --
Nao se sabe ao certo se a passagem da hornblen- '; l
t •
da para actinolita e continua ou nao. Os trabalhos de Shido,Shi-
do e Miyashiro (in Miyashiro 1975) no plateau de Abukuma e na Es
( .,
··~

cocia mostrararn que essa passagem e descontinua. Existe uma zo-


na de transi~ao, onde hornblenda coexiste com actinolita,mas on-
1

de esses minerals aparecem em contato direto, esse contato e ( I
brusco.As analises de microssonda realizadas por Klein,Cooper e c -~

Lovering (in Miyashiro 197 5) para esses anfibolios tambem mos·tra ~ 1


ram um contato abrupto. Lamelas de exso1u~ao de actinolita em f
hornblenda ou vice-versa, foram encontradas, o que indica exis - "··
tir urn intervale de missibi1idade entre eles.

As parageneses do :f~cies xisto verde der:Lvadas


-169-

!!2!.!J..Q(

+ much albite or + quartz


g{igoclase • biotite
t white m1ca
+sphene ! carbonat'!

c
~

I
Figura 15.3 - Albita/oligoclasio-anfibolito~grau fraco (limite
sup~rior) Facies albita-epidoto-anfibolito (Win
~
kler 1976) .
'

I
A
+ much albite minor
+sphene +quartz '.
·.
t biotite or
stilpnomelane
t white mica
~ t calcite
I

'-./
I

Figura 15.4 - Zona da albita-actinolita-clorita (limite infe-


rior do grau fraco) - Facies Xisto.Verde (Win-
kler 1976).



-, f •
.
-1707 ••
.<.
de vulcanitos maficos encontram-se representada~

e caracterizam as temperaturas mais baixas do metamorfismo


na figura 15.4
de
....~-
"•

-~~u

~
fraco. A decomposi<;~o da hornblenda, faz surgir actinolita
clarita + clinozoisita/epidoto, os quais coexistem com bas-
••
••
tante albita, certo conteudo em quartzo e em escala menor
aqueles minerais que estao assinalados ao lado do diagrama.
com ••
• 'Iii

••••
Os xistos verdes derivados dos pelitos,
dos tipos ora focalizados (derivados de rochas maficas)'
apresentarem mais quartzo e mica branca, menos clorita,albita ,
diferem
·por
...
••
e.
epidoto, e, actinolita normalmente esta ausente.
••••
METAMORFISMO DE GRAU INCIPIENTE ••
••
Em metamorfismo de grau incipiente, os metabasal "'•
tJ II
tos reunem uma ampla variedade de'parageneses minerais. bastan-
••
.; .
te sensiveis as condi<;oes TP. As associa<;oes com pumpelyita e/ GiN
ou lawsonita sao diagnosticas e aparecem em lugar do epidoto
bre em ferro (clinozoisita/zoisita). A pumpelyita se forma
p~

a
••
·j~

•••
partir de varias rea<;oes (Winkler 1976), porem ao que tudo indi
e
ca, a rea<;ao mais comum envolvida em sua origem, a que apre- .·
sentamos a seguir, vista que e constatada numa fa~~a
ampla (exceto em pressoes inferiores a aprox. 3 Kb).
bastante ••
f!, II
f)· II

pumpelyita + clarita + qz
et:.

.).
Clinoz + act + H2 0
@c •
f!I' ..
Para a forma<;~o da lawsonita, acredita-se que
as rea<;oes mais comuns sejam: f.!i>ll
f111i
Zois/clinoz + clarita + qz + H2 0 = law + clarita 6'11
pobre em Al 8>11
Zois/clinoz + co 2 + H2 0 = lawsonita + calcita ftli
.,~.

Em baixa pressao, ocorre prehnita e se a pressao fl'•


e de aproximad~mente 3 Kb, aparece laumontita (ou Wairakita em f}~~.
temperatura mais alta) em lugar da lawsonita. Com rela<;ao a for et~,.

ma<;ao da prehnita apenas em baixa pressao, existem


que poem duvidas a esse fato. A noroeste de Washington (in Win-
evidencias
.,,f'.
flc11

(tit,.

"'"ll
i
'-';

-171-

'kler 1976), rochas metavulcanicas constituidas de prehnita + p~


.
pelyita + albita + clorita + quartzo, encontram-se associados a
urn aragonita-marmore (metamorfico). Urn outro dado que refor~a a
possivel origem da prehnita em medias e altas pressoes foi conse
guido por Hinrichsen, Shurman e Nitsh (in Winkler 1976). Esses
autores, conseguiram atraves de experiencias, sintetizar prehni-
ta a partir das duas rea9o~s abaixo, realizadas entre 5 e 9,5 Kb
'de pressao.

Pumpelyi ta + quartzo = prehni ta + clori ta + H 0


2
Pumpelyi ta + actinolita + quartzo = prehnita + clorita
+ H0
2
~··

Essas experiencias revelara~ ainda que prehnita


pode ocorrer em media e alta pressoes com ou sem Pumpelyita. Em
baixa pressao, muita~ sao as rea9oes que podem produzir associa-
yoes contendo prehnita + pumpelyita (Ver Winkler 1976).

A medida que a temperatura diminui, laumontiua


substitui pumpelyita e/ou prehnita, concorrendo para o apareci-
mento de parageneses do facies dos zeolites. Dentro do facies~
. .

zeoli tos, sao consideradas duas zonas. Zona da laumonti ta-clori- .


ta e zona da wairakita-clorita, este ultimo, de temperatura mais
elevada e cuja ocorrencia e bastante escassa. Os zeolites morde-
nita e heulandita, nao sao diagnosticos, visto que se formam em
condi9oes diageneticas. A laumontita se origina a partir da de-
composiyao da heulandita, tal como mostra a equa9ao abaixo.

'1 Heulandita = laumondita + quartzo + H 0


2
'1
'1 As condi9oes de estabilidade dessa rea9ao, nao
'1 sao conhecidas, contudo, em fun9ao de observa9oes petrograficas
1 em varias partes do mundo, Coombs (in Winkler 1976}, conatatou
~ que essa decomposi9ao acontece praticamente nas mesmas condL9oes
~ em que se verifica a rea9ao:
~
'1
-.. Analcima + quartzo = aJbita + H2 0 (aprox.200°C em 2 Kb)
~
'1 Por isso, a forma9ao da albita a partir des sa
'1
-172~

rea9ao, e tambem considerada como ponto de inicio do metamorfis-


mo.

A ORIGEM DA GLAUCOFANA

A glaucofana, pode se formar nas baixas tempera-


turas do grau fraco, mas sua associayao com lawsonita e/ou pump~
'lyita em vez de clinozoisita/zoisita, e diagnostica de grau inci
piente. A origem da glaucofana/crossita, tern lugar a partir da
rea9ao:

Albita + clarita ~ glaucofana + H 0


2

Sendo a pressao o suficientemente alta para per-


mitir a forma9ao da glaucofana, o conteudo de albita e clarita f>,M
fica bastante reduzido ou desaparece. ~ormalmente albita ou cla-
rita e -totalmente consumida nessa rea9ao. Quando a composi9aobru
ta da rocha e tal que permite urn residua ·de albita apos a forma-
yao da glaucofana, e possivel a formayao de urn piroxenio jadeit~
:e
-~11
co + quartzo, atraves de uma rea9ao bastante complexa. Os dia-
:r:
gramas das figuras 15.5 e 15.6, mostram diferentes
para associa9oes com glaucofana e sem glaucofana.
parageneses
•••
·-11
{J,ril
Urn quadro geral das rela9oes de fases para o me~
f) •
tamorfismo incipiente ,encontra-se ilustrado pela figura 15.7. Na-
f} ~­
turalmente que o numero de rea9oes que se desenvo1ve nesse est& «; '11
gio e bern maior, entretanto, tal amplitude encontra-se fora dos f'JII
propositos do.nosso trabalho, mesmo porque, o comportamento de
' '11
muitas dessas rea9oes ainda nao foi devidamente esclarecido. fr'l
() lli
tl11
(# 'IIi

.,,
V:t

,.
ti'll
()

~. '"1
G.'l
fl. .,..
Q '1
~ 'l
-173-

A
• sphen~ r.ni.!:!.2I
t chlorite or albite Figura 15. 5 - Grau incipiente
t quartz -
t white mica -c.lta pres sao.
.. much
Glauco-
}Law
?~
t stilpnomelane
t calcitfi' or aragonite
Zona lCMSoni ta/
purrpellyi ta
phone, '....., t actinolite
Crossite ~ '-.., t Fe-rich epidote "";glaucofana.

L
Pu- ..................... ,
a- .... .-::: . . .
C _ _ _ _ _ ____), F

A
+ much albite '.!J.i..r2.Q[_
Figura 15.6 - Grau incipiente,pressao alta • sphene t quartz
t white mica
a nB::lia, porem insuficiente t stilpnom~ane
para formar glaurofana. Zona r calcite
Lawsonita-P).:lmpellyita-Albita t haematite
-clorita (Winkler 1976) .

100 200 300 400 500


13
(?)
-12 ~
II -; 0 p'
• 0
I
.b
.., ,,~
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Jl: ? . . ·'..
10 i
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9 ~ 0
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~~;
~

8 "''3'
7

6
~
0... II
II 5 ...
~
~ ~

4 Figura 15.7- Relayao das fases


em grau incipien-
3
te (Winkler 1976).
2

100 200 ~0 1.00 500


oc
-174-

CAPITULO 16

t-'IETJ\.MORFISMO EM ROCHAS ULT&-,11Ji.FICAS

0 metamorfismo das rochas ultramaficas, fica tra


duzido basicamente pelo conjunto das rea9oes processadas nos sis
t~mas MgO-Si0 2 -co 2 -H 2 0 e Ca0-MgO-Si0 2 -H 2 0. A's trans:fiorma9oes ad-
vindas da entrada de Al 2 0 3 e FeO, sao muito restritas, mas serao·
tambem levadas em considera9ao.

Com rela9ao aos fluidos, o H2 0 normalmente esta


disponivel e sua ·introdu9ao transforma as rochas ultramaficas em
serpentinitos.

A presen9a de H2 0 + co 2 em rochas ultramaficas,


fica ·denunciada pela transforma9ao de serpentinitos em rochas
com talco + magnesita + dolomita. Se a quantidade de CO~ intro-
,c.
duzida e pequena, formam-se ~oroas de talco envolvendo serpenti
nito, formado anteriormente por influencia do H 0 e, quando o
2
CO2 da fase fluida e mui tO elevado 1 formam-se Sagvandi'toS 1 rO-
ChaS constituidas de magnesita + antofilita ou magnesita + ens-
tatita.

De acordo com o XCO , as rea9oes podem ser dis-


2
tribuidas em tres grupos.

Rea9oes com Xco muito pequeno


2

l serpentina + magnesit_a 2 forsterita + 2 H 0 + l co ;. (l)


=
2 2
2 serpentina + 3 co 2 = l talco + 3 magnesita + 3 H 0; (3)
2
l serpentina + 3 co = 2 quartzo + 3 rragnesita + 2 H 0; (5)
2 2
l serpentina + 1 brucita = 2 forsterita + 3 n2o; ~ (6)
5 serpentina = 6 forsteri ta + l talco + 9 H20; (7)
1 serpentina + 2 quartzo = 1 talco+ l H20; (8)
l brucita + 1 co = l magnesita + 1 H20; (19)
2
l brucita = l reric1asio + l H20 (20)
-175-

Rea9oes corn Xco cornpreendendo quase todo campo


2

1 talco+ 5 rro.gnesita = 4 forsterita + 2 H 0 + 5 C0 ;


2 2
(2)
4 ~~zo -r 3 magnesita + 1 H 0 = 1 talco + 3 co , (4)
2 2
9 talco + 4 forsterita =5 antofilita + 4 H 0;
2
(9)
1 antofilita + 1 forsterita = 9 er:statit.a + 1 n2 o; (10)
7 talco =3
antofilita + 4 quartzo + 4 H 0;
2
(11)
1 antofilita = 7 enstatita + 1 quartzo + 1 H o (12)
2

1 antofilita + 9 rnagnesita =8
forsterita + 1 H 0 + 9C0 (13)
2 2
2 talco + 1 rnagnesita = 1 antofilita + 1 H 0 + 1 co i (14)
2 2
7 rnagnesita + 8 quartzo + l H20 =l antOfilita + 7 co 2 (15)
1 antofilita + 1 magnesita == 4 enstatita + 1 H20 + 1 co 2 (16)
1 enstatita + 2 rnagnesita =2 forsterita + 2 co 2 ; (17)
? magnesita + 2 quartzo = 1 enstatita + 2 co 2 .(18)

Corn a entrada de co 2 , o sistema se torna biva-


riante, sendo seu cornportarnento sernelhante ao das rochas carbona
tadas (capitulo 14) , assirn, tem-se como de fundamen.taL importan-
·.~, '

Cia, os pontos invariantes das sec9oes isob&ricas (iiguras 16


el6.1).

Verifica-se que muitas rea9oes so ocorrern em va-


lores baixos de XCO , urn born exemplo sao as rea9oes que originam
serpentina, onde o fco encontra-se abaixo de 7%. Portanto, a
. 2
presen9a d e serpent1na . d'1ca pequena percentagern
numa roc h a 1n ou
ausencia total de C0 2 .

As rela9oes de fases para as rea9oes do sistema,


Mg0-Si0
2
-co 2 -H 2 0, encontram-se ilustiadas nos gr&ficos 16 e
16.l'OS quais sao baseados nos trabalhos de Johannes (1969) e
Greenwood (1963). Pelo grafico da figura 16.1, temos que as rea-
9oes 13 e 14, se originarn do ponto invariante resultante da in-
tersec9ao das curvas de rea9ao 2 e· 9, a rea9ao 15 resulta da
intersec9ao das curvas 14 e 4. As rea9oes 16 e 17 resultam da
intersec9ao de 13 e 10 e a rea9ao 18, resulta da intersec9ao de
15 e 16. 0 referido grafico, tern a finalidade de abordar urn con-
-176-:-

-junto de rea9oes que so se desenvolvem em valores muito elevados


de X Todas essas rea~oes (de 13 a 18), conduzem a forma~aode
C0 2 _
sagvanditos. As rea~oes 13 a 15 originam a associa~ao antofilita
+ magnesita e 16 a 18 originam a associa9ao enstatita + magnesi-
ta. De acordo com Barth (1930-in Johannes 1969), sagvandito e
uma rocha magmatica, formada pela assimila9ao de dolomito por urn
magma ultrabasico, diferencia~ao de minerais ca1cicos e cristall
~a9ao direta de MgC0 3 (magnesita) do magma: Esta origem, nao
se condiz com os resultados obtidos do trabalho de Johannes qu€
mostra (figura 16.1) que a paragenese enstatita + magnesita e
0
estavel somente abaixo de 560 C (Pf=l Kb). Em temperaturas onde
se poderia esperar urn "magma sagvandito", magnesita torna-se ins
tavel em presen~a de enstatita, com quem reage para formar fors-
terita (rea9ao 17). 0 Prof. W.Schreyer (in Johannes), afirma que
seus estudos em regioes com sagvanditos tern mostrado que as asso
cia9oes antofi1ita + magnesita e en~tatita + magnesita, sao en-
contradas juntamente com talco + magnesita e relictos de forste-
rita o que tambem afasta a possibilidade do sagvandito ser de
origem magmatica como sugeriu Barth.

Para efeitos termometricas, apenas as rea9oes 13


e 17 que ocorrem em torno de 550°C e a rea9ao 18 que ocorre a
0
510 C se prestam como indicadoras de temperatura. 0 :t:~sto das
rea9oes, mostram urn intervalo de temperatura de + 50°C.

0 grafico da figura 16, mostra que as -


rea~oes

1,3,5,6,7 e 8, todas resultando na forma9ao da serpentina, so


se verificam enquanto 0 valor xco permanece muito pequeno (in-
ferior a 7%). 0 limite maximo de ~stabi1idade da serpentina e
retratado pela rea~ao (7), que estabe1ece uma temperatura de
490°C em 6% de Xco e numa pressao de 2 Kb. Tuttle e Bowen (1949-
in Johannes 1969) ~ugeriram que a forma9ao de serpentina a pa£_
0
tir de forsterita, pode oc9rrer a 500 C, caso a fase fluida se-
ja enriquecida em co 2 . Eles admitem que sendo a fase f1uida ri-
ca em co , o aumento da temperatura faci1ita a 1ixivia9ao do
2
magnesio e a rea9ao se processa. Johannes (1969), mostra que,
embora a rea9ao acontec;a a essa temperatura 1 o fato nao se re1a
ciona com o enriquecimento em co 2 da fase fluida, mas sim GOm
o aumento na pressao do sistema (ver figura 16.2). Essa figura,
alem de esclarecer ·tal problema, mostra a variac;ao da temperat~
-177-

oc
600

(T3) 1 Afltht> , 9 M .,. 8 FO • I H:fl • 9 C02


(II.} 2 Ta d M _. 1 Anli>CH 1 HfJ • 7 CO:;
(15) 7 M ./1 Q • 7 HfJ .,.. 7 Anii>CH 7 C01
{16)1AIIIhthll'l _,En•IHfJ·1~
(17) 1 En •1M ""2FO •lC01 -500
nw 1 M • za - 1 En. 2 co1
F} = 2Kb

0.7 0.8 0.9 t.O


- mote fraction X~

Figura 16 - Re1a9oes de fases para as rea9oes que se process am


em alto conteudo de C02· Pressao = 2 Kb. (Joha'nnes
1969).

''
',·

Ff=2Kb
(1) 2 F'O • 2 H./) • I C02 - 75 ·1M
{3)
(5)
2 5 • 3 CO]
1 S • 3 CO; ... 1l:l .JM.Jif:;O
2Q.JM•2HfJ
15 ·18
(61 2 Fo • 3 H20

200
m
(8)
(I(J)
(11)
(19)
15. 2Q
55

1 Antl>o • I Fo
7Ta
-......
6Fo•ITa • 9Hj)
1 Ta "H:;O
9En•1H:;O
3 Anlho•' Q •
1 BoT CO].,.. 1M+1H:~O
'HfJ.
(20) 1B - 1P·1Hp

HzO 20 1.0 60 8()


C02
----Jill- mole fraction C02

Figura 16.1. - Curvas de equilibria das rea9oes 1 a 20 (Johan-


nes 1969).
-178~

ra e do co 2 -
em pressoes de 4,2 e l Kb.

Voltando ao gr~fico da figura 16.1, verificamos


que as rea9oes (1), (3) e (5); que ocorrem em baixos valores
de XCO. e as reayoes ( 9) , ( 10) , ( 11) , ( 2) e ( 4) , que ocorrem
em amp!os valores de XCO , sao estaveis num intervale muito am-
plo de temperatura, mas ~s rea9oes 6,7 e 8 e os pontos isobari-
cos invariantes, sao importantes indicadbres de temperatura ou
da pressao dos fluidos, caso a temperatura seja conhecida de
outras observayoes. Em termos petrogen~ticos, sao de fundamen-
tal import~ncia as parag~neses a seguir.

8 - Serpentina + quartzo + talco

8/3 ~ Serpentina + quartzo + talco + ma.gnesita (pontD i-


sobarico invariarrte)

6 - Serpentina + brucita + forsterita (la.apariyao de


forsteri·ta)

6/l - Serpentina + brucita + forsterita + ma.gnesita (pon


to isoharic'O invariante)

7 - Serpent:i..na + forsteri ta -+- talco

7/3 - Serpentina + forsteri ta + ·talco + rra~esi ta (ponto


isob~rico invariante)

A figura 16.3, mostra as condi9oes de equili-


bria Pf= PH e temperatura das reayoes (8), (6) e (7) utilizan
0
do-se a cri~oti1a como esp~cie de serpentina. Os va1ores encon-
- 0 ' 0 0
trados para rea9ao (7) foram: 480 C em 1 Kb, 495 C em 2 Kb,510
C em 3 Kb e 580°C em 10 Kb. Trommsdorff e Evans (1972, 1974- in
Winkler 1976), verificaram que antigorita tern uma maior estabi-
dade t~rmica que a crisoti1a e que nas rochas em que as reagoes
6,7 e 21 se processaram a especie de serpentina presente era
mesmo antigorita e nao crisotila, por isso eles sugeriram que
se aumentasse ~ 50°C nas curvas de equilibria das rea96es 6 e
7. Para a rea9ao (8), esse deslocamento nao precisa ser feito,
porque a variedade estave1 na baixa temperatura ~ rnesrno crisoti
la.

Muitas parageneses podem ocorrer em metamorfis-


-179-

I
500

" FSH

k STH ~
o~ Q
.M
o OHT
300
0 H05

4000 bars 2000 bars 1000 bars

:100 LJ--'--'--L..l-'-L..l--.L-L-<--.L..J-J.J. ~~~~~~~~L


0 0.05 0,10 0,15 0 0,05 0)0 0,15 0 0,1)5 0)0 0)5
Xco2- Xcoz -..... Xco2-

Figura 16.2. Varia<;oes da temperatura e do XCO para uma mesma


-
curva de rea<;ao -
em fun<;ao 2 -
da varia<;ao -
da pressao
(Johannes 1969).

@ S•UI- Ta•Hj)
®s·B =2Fo•3HiJ
(j) 55
7
Q s
6
~
0.. 5
II

~
. ...
Fo

4
-~

I 3

300 400 500 700

Figura 16.3 - Condi<;oes de equilibria das rea<;oes (8), (6) -e


(7). (Winkler 1976)
-180-

rno de rochas ultrarnaficas no sistema Mg0-Si0 2 -caO-H 2 0;contudo,a- ~ .:.-\, \I


-- ~'~
penas as rear;oes (6), (7), (8), (13), {17) e (18) e os pontos - _;; :;1

isr,)--,;:",-r._icos invariantes representarn indicadores petrogeneticos irn - f;\ ~:1


--~-'-r 1j
'' -"tl
t" --1
In _1 ~I
Evans e Tromrnsdorff {1970) publicararn urna irnpor- .' '

---n> I
tante seqUencia de parageneses rninerais ern ternperaturas crescen-
(;}
tes.
'Jl - I

u
talco ou brucita + serpentina (antigorita)
forsterita + antigorita
forsterita + talco
antofilita + talco e antofilita + forsterita
enstatita + forsterita

Esta seqUencia, encontra-se ern perfeita coeren -


cia corn as rear;oes (8), (6*), (7*), (9) e {10).

()
0 acesso de Al 0
2 3 ern serpentinitos, conduz nor - ()
rnalrnente a formar;ao de Mg clarita. Contrariando rnuitas opinioes 0
que restrigern a clarita ao metamorfismo incipiente e fraco, a
clarita rica ern magnesia e estavel ern metamorfismo de ~~rau rnedio {)
e forte. 0 campo de estabilidade de urn mineral, depende da para- 0
genese em que encontra-se associado. Assirn, a Mgclorita ern altas 0
ternperaturas aparece associada com enstatita + forsterita, ja o-
em presenr;a de rnuscovita reage no inicio do metamorfismo de grau
medio, estagio em que normalmente desaparece.
"
Em condir;oes muito especiais, isto e, quando urn
born volume de Al 2 0 3 e MgO encontra-se disponivel em rochas ultr~ ,-I
,,_
Ic
,I
maficas com espinelio, forma-se a safirina ~Mg Al sio
2 4 10
) em grau

forte.

!
1-
- "
(;
()-

II
-

C•
(,.•
Quando CaO participa do sistema, o reflexo mine-
\)-
ralogico fica retratado pela presenr;a dos rninerais diopsidio e I
.t-,•
~
'; -
-181-

tremolita. Assim sendo, a composi9ao bruta da rocha, e projetada


em fun9ao da razao dos componentes CaO:MgO:Si0 e compreende a
2
area do sub-triangulo Di(diopsidio), Fo (forsterita e En (ensta-
tita) da figura 16.4. 0 diopsidio, origina-se em serpentinitos
submetidos a temperaturas metamorficas relativamente baixas, ao
contrario do seu aparecimento em metamorfismo de dolomitos sili-
coses, onde so ocorre em altas ternperaturas. Com co 2 ausente,di~

psidio e urn mineral estavel em metamorfismo incipiente a fraco ,


aparecendo associado com serpentina + brucita. Associado a ou-
tros minerals, persiste a temperaturas mais elevadas, o que deno
ta um comportamento de certo modo semelhante ao da forsteri ta que
pode ter origem a partir da rea9ao (6), onde a temperatura ainda
e baixa. As parag~neses diopsidio + serpentina + brucita e diop-
sidio + serpentina + forsterita se verificam em metamorfismo de
grau incipiente e fraco (ver fig. 16.5).

Com o aumento da temperatura, ocorre a -


.reac;:ao
(21) 1 UniCa que COndUZ a0 apareCiffien·to da tremolita effi metaSSer-
pent.:j_nitO.

Serpentina + dio[JSidio = tre!'!Dlita + forst + H20

Como se observa na fig. 16.5, a trem6~ita persi~


te num amplo intervale de temperatura ate a rea9ao 22, quando
reage com forsterita originando uma segunda fase de diopsidio.

Tremoli ta + forsterita = enstatita + diopsidio + H 0


2

Com o CaO participando do sistema como componen-


te maior, acrescentam-se apenas as reac;:oes (21) e (22) aquelas
ja discutidas no sistema MgO-Si0
2
-co 2 -H 2 o.

A presen9a de FeO, nao traznenhuma modifica9ao


significativa para o sistema, visto que o FeO aparece apenas
substituindo o MgO na estrutura molecular dos varies minerais. A
- Fe
razao --M nas rochas ultramaficas e muito pequena, de modo que
lg
exceto sua fun9ao de substituir o magnesia, ele pode formar ape-
nas alguma magnetita, por efeito da oxida9ao.
..-.
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-182- q),
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F~
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0
·-._ . . . \
.s
H).
···\Fo

Figura 16.4 - Representa~ao dos minerais que podem ocorrer no


siste~a Ca0-Mg0-~io -H 0 (~rea pontilhad~).
2 2 As
parageneses posslvels, encontram-se registradas
na fig. 16.5 (Winkler 1976).

6
~~-.~~.. f]l -

'
5

4
cp o-
a.~3 , I

II
,,
I
r:·;
CC"'2 I
I
()#()
·'~
~I.
/~
,,
300 500 600 700 800 900 f -
oc t'-
c'
'igura 16.5 - SeqUencia das rea~oes em serpentinitos (Winkler { -

1976). Este quadro encontra-se um pouco rnodifi- ~- .-

cado em rela9ao ao esquema original de Evans e ·~,

.e Trommsdorff . ( 19 70) . Aqui, Winkler considerou l.-


que as rea~oes 6,7 e 21 envolvem ant~gorita e t:.-
por isso encontram-se deslocadas para temperatu
ras mais elevadas. As ~reas pontilhadas indicam r_-
as parageneses reconhecidas por Evans e Tromms- t
dorff nos alpes centrais.

f,·
~ ..

~ -

'
~ -

I
t
-183-
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