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Universidade Estadual Paulista

Instituto de Geociências e Ciências Exatas


Campus de Rio Claro

Disciplina de Petrologia Magmática

MAGMA
☻MAGMA☻

► Scope (1825) = “líquido composto”, consistindo de partículas sólidas suspensas


em um líquido.

► Mixtura móvel de fases:

 Sólida

 Líquida

 Gasosa
☻MAGMA☻

1- porção líquida (melt) → rocha fundida

2- porção sólida → cristais formados a partir do magma ou fragmentos

sólidos transportados pelo mesmo.

3- porção gasosa → voláteis, tais como H2O, CO2 , H2S, etc.


Depende (sob
condições de
equilíbrio) de 3
variáveis intensivas:

 Pressão (P)
 Temperatura (T)
 Concentrações de
componentes
químicos (X)
MELT (líquido/fundido) ≠ MAGMA

Melt = - apenas 1 parte do magma como um todo

- está sempre presente

- suas propriedades governam o comportamento dinâmico geral

do magma
Magmatismo

Na superfície

Vulcanismo

Domínio profundo

Plutonismo
ORIGEM
Núcleo externo = a única parte da terra que é líquida, porém...

...não tem a composição química correta = basicamente Fe


magmas = líquidos
silicáticos

NÃO VÊM DO NÚCLEO


EXTERNO!!!
Rochas Geradoras

Crosta continental
inferior: metamórficas
(gnaisses, granulitos, 
anfibolitos)

Manto: ultrabásicas
(peridotitos)
Principal fonte!
Fusão astenosférica  gera volume muito maior de magma do que as fusões
litosféricas
 o transporte de massa na astenosfera é muito mais rápido.

Magmas primários ou ortomagmas:

 Origem muito profunda (manto superior, cristalização 700ºC a 1300 ºC, pobres em
voláteis) – magmas basálticos

 Formados (in situ), sem ter sofrido processos de diferenciação


COMO?
Fusão parcial (partial melting/anatexis)

Processo que cria um líquido magmático a partir de uma porção de rocha sólida.

Porção líquida é extraída para formar o magma.


Mas pq “parcial”???

Rocha = composta de diferentes minerais, cada um com seu próprio


comportamento de fusão
 a fusão ocorre em uma faixa de temperaturas

Líquidos - enriquecidos nos


componentes de minerais
com temperaturas de fusão
mais baixas.

Porção restante não


fundida - composta de
minerais com as mais altas
temperaturas de fusão.
Líquido/magma (menos denso)  se separa da fonte, movendo-se para níveis
superiores através de fraturas (diques) ou como diápiros.
Fusão parcial (partial melting/anatexis)

Fusão parcial em equilíbrio (batch)  líquido em equilíbrio com o resíduo cristalino


até o líquido se separar/deixar a fonte.
 Em um sistema fechado = reverso da cristalização em equilíbrio.

Fusão parcial fracionada  líquido gerado é imediatamente isolado do resíduo


cristalino.
 Não ocorre reação entre líquido e cristais;
 Processo em desequilíbrio = não é o reverso da cristalização fracionada!
Fusão parcial em equilíbrio (batch)
P = 20 kbar
Water-saturated
L = fonte de lherzolito (Fo + En + Di)

M = 1° líquido a se formar (mais enriquecido em SiO2 e Di q a


fonte).

 Mais fusão = mais líquido de composição M.


 Equilíbrio invariante persiste – T e comp. do líquido
permanecem constantes.

Di exaurido – resíduo cristalino H = harzburgito (Fo + En).

 O líquido segue para baixo na curva liquidus, entre os


campos “líq.+Fo” e líq.+En”.
 M’ coexiste em equilíbrio com H’.

 Mais fusão: líquido = M’’ – resíduo = D (dunito – Fo pura).

Fo = forsterita/ En = enstatita/ Di = diopsídio


Fusão parcial fracionada
P = 20 kbar
Water-saturated Começa como a anterior, com a geração do líquido M.

Porém, cada parcela gerada de M é removida:


 deslocamento em linha reta de M para H
(harzburgito)

 Mais fusão = produtos diferentes da do anterior.


 O sistema não tem “memória” de ter sido L, apenas H.
 MA (Fo + En) = único líquido q pode coexistir*.

*Porém, requer aumento de 75°C para fundir.

 Por isso, não há mais fusão até chegar a 1295°C, onde o


processo retoma, gerando o líquido MA, dissolvendo
principamente En.
ONDE?
O magma só se forma em lugares especiais, onde certas condições desencadeiam a
fusão da rocha sólida pré-existente:

 Descompressão

 Adição de voláteis

 Transferência de calor
Fusão por DESCOMPRESSÃO

Convecção = material do manto quente


sobe para pressões/profundidades
menores, carregando seu calor com ele

Sem troca de calor

Descompressão adiabática de rocha


quente (manto), próxima da sólidus

Principal mecanismo  volumes


gigantescos de magmas gerados
Ambientes de geração de magma via fusão por descompressão
Fusão devido à ADIÇÃO DE VOLÁTEIS (Flux Melting)

• Aumento na concentração ou adição de água  mudança química + importante q


induz fusão.
• CO2 e outros voláteis  tb podem induzir fusão, mais localmente.

• Pequenos
aumentos na
concentração de
H2O = depressão
significante da
solidus em
sistemas
silicáticos.
Fusão devido à ADIÇÃO DE VOLÁTEIS (Flux Melting)

Mais significante em zonas de subdução: crosta oceânica hidratada  subducta 


desidrata  libera H2O  advecção na cunha do manto acima

Crosta oceânica = H2O + CO2 em


espaços de poros em sedimentos e
fraturas em basaltos.

= basalto metamorfisado  assembléias


minerais hidratadas (hidrotermalismo
nas cadeias oceânicas)  aquecidas a
centenas de km  reações sequenciais
de desidratação  liberação de voláteis.
Fusão devido à ADIÇÃO
DE VOLÁTEIS (Flux
Melting)

Crosta continental

Reações de desidratação em minerais


acompanahndo o metamorfismo  H2O
 fusão.

Underplating de basaltos do manto 


cristalização  H2O + CO2  fusão.
Fusão por AUMENTO DE T (fluxo de calor)
T = Temperatura

 Movimento em massa de rocha/magma:

 Transferência de calor associada com movimento convectivo ou advectivo


de rocha ou magma.
(1) Litosfera oceânica jovem e quente subductando  absorve calor do manto ao
redor (+ quente)  fusão

(2) Crosta continental inferior  aquecida por intrusão de magma derivado do manto
acima de placa subductando ou de manto ascendendo e descomprimindo (2)
(underplating)  fusão

(1)
Fusão por AUMENTO DE T (fluxo de calor)

 Trabalho mecânico de cisalhamento:

Cisalhamento concentrado em certas zonas


 energia termal localizada
 ↑T reduz a viscosidade aparente até a T de fusão ser atingida
 fusão localizada em pequenos volumes.

☼ Impactos de meteoritos e zonas de falha


Fusão por AUMENTO DE T (fluxo de calor)

 Decaimento de isótopos radioativos:

Energia termal gerada pelo lento


decaimento de K, Th, U e outros.

Taxa de produção muito baixa


(dezenas de milhões de anos).

Sozinho não consegue produzir perturbação suficiente na T para a fusão.


Fusão por AUMENTO DE T (fluxo de calor)

 Espessamento tectônico:

Cinturões orogênicos = crosta


espessada > 50 km

 Reajuste de geoterma = ↑T

+ > produção de calor radioativo

= 600°C (30 km espessura) vai para 1000°C (50 km de espessura), acima da solidus
de muitas rochas crustais.
Composição química dos magmas

Em geral, é de composição silicática, mas pode ser sulfídica ou carbonática.

● Principais componentes químicos:

?Quais são os elementos mais abundantes na crosta terrestre?


O-Si-Al-Fe-Ca-Mg-Na-K-Ti-Mn

Os principais componentes químicos nos magmas, em geral:


SiO2 > Al2O3 > FeO, Fe2O3 > MgO > CaO > Na2O > K2O [wt%]
Composição química dos magmas

Convencionalmente expressa em termos de elementos maiores, menores (expressos


como óxidos - SiO2, Al2O3, FeO...) e traços.

 Elementos maiores: em geral em quantidades superiores a 1% (SiO2, Al2O3, FeO,


MgO, CaO, Na2O, K2O);

 Elementos menores: em geral em quantidades entre 0,1 e 1% (TiO2, MnO , P2O5);

 Elementos traços: em geral em quantidades inferiores a 0,1 % ; expressos em ppm


(partes por milhão  1 % = 104 ppm): Rb, Sr, Ba, Ni, Cr, Zr, ETR (La-Lu), etc...

 Isótopos: expressos em razões entre isótopos (razões isotópicas) e/ou parâmetros


específicos. Isótopos radiogênicos: 87Sr/86Sr; 143Nd/144Nd, Nd, etc...Isótopos
estáveis: 18O, etc...
Composição química dos magmas

Quatro tipos principais de composição dependendo da proporção de sílica (SiO2) em


relação ao MgO e FeO ou Fe2O3 no líquido:

Magmas básicos (máficos) = quantidade relativamente alta de MgO e FeO em


comparação com a sílica.

Magmas ultrabásicos (ultramáficos) = proporção ainda maior de MgO e FeO, em


relação à sílica.

Magmas ácidos (félsicos) = proporção razoavelmente alta de sílica (SiO2) em


comparação com MgO e FeO.

Magmas intermediários = valores intermediários entre os magmas básico e ácido.


Composição química dos magmas

Gases (voláteis)

Em profundidade, todos os magmas contêm gás - o gás se exsolve à medida que a


pressão é reduzida:

 Principalmente H2O com algum CO2;

 Quantidades menores de enxofre (S), F, Cl e N;

 Os magmas ácidos geralmente têm maiores teores de voláteis que os magmas

básicos.
Composição química dos magmas
Outros
Magma SiO2 (wt %) Ex. Rochas
componentes
Baixo em Fe,
Ácido > 63 Mg, Ca; alto em Riolito/Granito
K, Na
Intermediário em
Intermediário 52 - 63 Fe, Mg, Ca, Na, Andesito/Diorito
K
Alto em Fe, Mg,
Básico 45 - 52 Ca; baixo em K, Basalto/Gabro
Na
Ultrabásico < 45 >> Mg, Fe Peridotito
Variabilidade Química dos Magmas

A composição química do magma pode variar dependendo:


 Composição da rocha geradora;
 Grau de fusão parcial;
 Processo(s) que ocorre durante a fusão parcial e o transporte.

Em geral, a fusão de uma fonte do manto (ex. granada peridotito)  magmas


básicos/basálticos = magmas primários.

A fusão de fontes crustais  magmas mais silicosos = magmas secundários.


Variabilidade Química dos Magmas

Em geral, magmas mais silicosos  baixos graus de fusão parcial.

Aumento no grau de fusão parcial  composições menos silicosas.

 A fusão de uma fonte básica produz um magma ácido ou intermediário.

 A fusão de fontes ultrabásicas (peridotito) produz um magma basáltico.


Variabilidade Química dos Magmas

Processos que operam durante o transporte para a superfície ou durante o


armazenamento na crosta:

São referidos como diferenciação magmática e incluem:

► Assimilação

► Mistura

► Cristalização fracionada.
Variabilidade Química dos Magmas

Assimilação

No caminho para a superfície, o magma pode


incorporar elementos químicos dissolvidos de
rochas da parede ou de blocos que se
destacaram da parede e afundaram no magma.

A adição deste material ao magma o tornará mais


silicioso.
Variabilidade Química dos Magmas

Mistura

Se dois magmas com composições diferentes entram em contato um com o outro,


eles podem se misturar.
O magma híbrido com
composição em algum
lugar entre as duas
composições originais.

Evidência de mistura
frequentemente
preservada nas rochas
resultantes.
Variabilidade Química dos Magmas

Cristalização Fracionada

 Cada mineral começa a cristalizar a uma


temperatura diferente

 minerais são de alguma forma ‘removidos’* do


líquido

 a composição do líquido muda

*- Cristais mais densos que o líquido = afundam.


- Cristais menos densos que o líquido = flutuam.
- Se o líquido for espremido pela pressão, os cristais
serão deixados para trás.
Minerais máficos (ex. olivina e piroxênio), cristalizam primeiro:
 remoção de Mg, Fe e Ca
 enriquecimento do líquido em sílica

O fracionamento de cristais pode transformar um magma máfico em um


magma félsico.
Esses processos podem ocorrer em um mesmo sistema, concomitantemente...
Cristalização dos Magmas

 Quando o magma ascende para níveis menos profundos e começa a perder


calor, os minerais começam a cristalizar.

 A cristalização = processo inverso da fusão:


 minerais mais refractários (fundem a maiores T) = primeiros a cristalizar.

 Sequência de cristalização = determinada pela termodinâmica do processo de


cristalização e a composição do magma que está cristalizando.

Norman L. Bowen (década de 1920) = experimentos de laboratório para determinar


a seqüência na qual os minerais de silicato se cristalizam a partir de um líquido.
Cristalização dos Magmas Descontínua = mudanças na
mineralogia/estrutura cristalina
Contínua = interação entre cristais já
formados e o líquido. Plagioclásio =
durante a cristalização - forma solução sólida (isomorfos) entre o
Séries de Reação de Bowen: minerais diferentes em forma e membro rico em cálcio (anortita) e o
composição. membro rico em sódio (albita).
Estágios de cristalização dos magmas

1. Estágio Ortomagmático (> 800°C):


- separação dos minerais pirogenéticos (↑T);
- cristalização de minerais anidros, maioria dos minerais membros iniciais
das séries de reação de Bowen;
- Pouca interferência de elementos voláteis.

2. Estágio Pegmatítico (800 a 600°C):


- Cristalização dos silicatos de baixa T.
- 3 fases ocorrem simultaneamente = líquida, sólida e gasosa.
- 700°C = intervenção de voláteis torna-se significativa  cristais muito
grandes (Pegmatitos).
Estágios de cristalização dos magmas

3. Estágio pneumatolítico (600 a 400°C):


- Alta concentração de voláteis = soluções ricas em H2O e SiO2
- Penetração nas rochas encaixantes, podendo ser mineralizadas por minerais
metálicos;
- Certos minerais (turmalina, topázio e fluorita), são característicos de tais
condições;
- Os produtos segregam-se geralmente sob a forma de veios e diques,
formando rochas muito características.
Estágios de cristalização dos magmas

4. Estágio Hidrotermal (400 a 100°C):


- Soluções hidrotermais = praticamente água e metais em solução;
- Equilíbrio entre as fases gasosa, líquida e sólida;
- Divide-se em várias categorias, precipitando alguns metais conforme a
redução da temperatura:
a) Hipotermal (> T)  Au, selênio (Se), arsênio (As), Co, Fe e Cu
b) Mesotermal (T interm.)  Zn, Pb, Ag
c) Epitermal (< T)  mercúrio (Hg), antimônio (Sb)
d) Teletermal (rasos e T média)  Carbonatos complexos
Façam suas apostas!
Propriedades físico-químicas dos magmas

Estrutura do líquido

?Qual é a estrutura atômica dos magmas?


Propriedades físico-químicas dos magmas

Estrutura atômica do líquido = configuração dos íons

►Dita muitas das propriedades significantes


Propriedades físico-químicas dos magmas

Sílica → constituinte mais abundante em quase todos os líquidos naturais


→ unidade estrutural fundamental = tetraedro (SiO4)4-
Propriedades físico-químicas dos magmas

Líquido silicático => rede


tridimensional de cadeias
interligadas, ou
polímeros, de tetraedros
de Si-O.
Propriedades físico-químicas dos magmas

Elementos formadores de rede (network formers):

● cátions de coordenação 3 ou 4 → tendência a se ligar com o oxigêno


(”pontes de oxigêno” ou “bridging oxygens”).
Propriedades físico-químicas dos magmas

Elementos modificadores de rede (network modifiers):

● cátions que tendem a modificar as redes → produzem oxigênos unidos a


apenas 1 elemento formador de rede (“non-bridging oxygens”); têm
coordenação 6.

Na, K, Ca, F, Cl...


Propriedades físico-químicas dos magmas

Cristais Líquidos
Cátions com sítios +ou- fixos de Cátions móveis competem por ânions
uma dada coordenação na estrutura disponíveis (O) → satisfazer condições
ordenada. de ligação e minimizar a energia livre.
Propriedades físico-químicas dos magmas

Por exemplo:

Suponhamos que uma rocha do


manto é composta de albita fundido +
(NaAlSi3O8): (ou vidro)

mineral
estructura
cristalina
Propriedades físico-químicas dos magmas

A razão:
oxigênios “não ligados” (non-bridging oxygens) /
cátions tetraédricamente ordenados (Si – Al), formadores de rede

Grau de polimerização em um líquido


♯ Razões pequenas  altos graus de polimerização ♯
Fe  papel significante em estruturas de líquidos

Ocorre em 2 estados de oxidação:


Fe2+ = modificador de rede
Fe3+ = modificador ou formador de rede

Mudanças no estado de oxidação afetam o grau de polimerização!


O que tudo isso implica do ponto de vista físico?

Viscosidade

►Propriedade dinâmica mais importante de um líquido;

►Facilidade ou resistência a fluir; mobilidade dos íons.

►Fortemente influenciada pela composição e temperatura (2 outras propriedades


físicas).
Propriedades físico-químicas dos magmas

Viscosidade

> O conteúdo de sílica > o grau de polimerização > a viscosidade

Composição:

Conteúdo de SiO2, varia entre


40 e 75 wt% SiO2
Mg2SiO4
olivina CRISTALIZAÇÃO
CaAl2Si2O8
inossilicatos
anortita x
CaMgSi2O6
ESTRUTURA
piroxênio CRISTALINA

NaMg3Fe4Al3Si5O22(0H)2
anfibólio
NaAlSi3O8
KMgFe2AlSi3O10(0H)2 albita
biotita

KAlSi3O8
feldspato K
filossilicatos
KAl3Si3O10(0H)2
muscovita
SiO2 tectossilicatos
quartzo
Propriedades físico-químicas dos magmas

Viscosidade

↑ Temperatura (T) ↓ Viscosidade (ƞ)

Temperatura:
Varia entre ̴ 700 e 1400 °C.

< viscosidade

> viscosidade
Ao diminuir a T, os componentes do
magma começam a formar mais
ligações, cristais, etc., tornando o
magma mais viscoso.
Propriedades físico-químicas dos magmas

Viscosidade

Efeito do conteúdo de cristais:


*O conteúdo de cristais aumenta a viscosidade!

ηcxs: viscosidade com cristais


η0: viscosidade sem cristais
Φ: fator de empacotamento ~1,67
Propriedades físico-químicas dos magmas

Viscosidade

Efeito do conteúdo de voláteis (gases):


H2O

são elementos modificadores de rede - rompem as ligações e redes de poliedros

Discutido mais à frente...


Baixo teor de sílica (SiO2)
Menor quantidade de elementos formadores de rede

Ex:
basalto

Redes (networks) mais fracas

Magma mais fluido (menos viscoso)


Instabilidades de
Rayleigh-Taylor:

Camada de menor
densidade sotoposta
por material mais denso
é gravitacionalmente
instável.

O limite superior da
camada menos densa,
instável, desenvolve
protuberâncias
sinusoidais q crescem
até a inversão de
densidade ser
estabilizada.
Propriedades físico-químicas dos magmas

Densidade

 Massa/unidade de volume (gr/cm3 ou kg/m3)

 Controlada pela composição do magma - FeO wt% mais importante:

Basalto: 2.65 - 2.80 gr/cm3 – ricos em Fe, Ca e Ti


Andesito: 2.45 - 2.50 gr/cm3
Riolito: 2.18 - 2.25 gr/cm3 – ricos em Na, Al e Si
Propriedades físico-químicas dos magmas

Densidade

Também controlada pela temperatura e pressão:

 Temperaturas elevadas causam a expansão do líquido  Densidade mais baixa

 Pressões mais elevadas causam a compressão do líquido  Densidade maior


Fluidos Voláteis

 Espécies químicas que, próximas à pressão (P) atmosférica, mas em altas T,


existem como gás ou vapor - H2O, CO2, H2, HCl, N2, HF, F, Cl, SO2, H2S, CO,
CH4, O2, NH3, S2...

 A maioria = 6 elementos de baixo peso atômico – H, C, O, S, Cl e F.

 Dissolvidos no líquido e nas fases cristalinas coexistentes.

 Dominados por água e, geralmente, em menor extensão por CO2.


Fluidos Voláteis

 Acima do ponto crítico (aumento da pressão confinante, P) → estados gasoso e


líquido não são mais distinguíveis.

H2O pura: ponto crítico = 218 bars e 371°C

CO2 puro: ponto crítico = 73 bars e 31°C

 Solubilidade (concentração do volátil dissolvida no líquido) - depende da P, T e


composição química do magma.
Fluidos Voláteis

Vlíquido rico em voláteis < (Vlíquido pobre em voláteis + Vfluido volátil)

Aumento de P – maiores concentrações de


voláteis

Aumento de T – favorece estado expandido –


menor concentração de voláteis

Efeitos opostos, mas a P domina.


Fluidos Voláteis

Água

• Aumento da solubilidade com a P.

• Solubilidade em líquidos ácidos > q em


líquidos máficos.

• Muitos líquidos naturais = insaturados em


água no local de geração.
Fluidos Voláteis

Água

Água dissolvida no líquido → H2O + O2- = 2(OH)-

2 íons (OH)- por 1 ponte de O

Grande diferença entre o


peso por mol de água e o
peso dos constituintes (Si,
Ca, Fe, etc) dos líquidos
silicáticos.
Fluidos Voláteis
Água

Líquidos riolíticos:

• Água iônica ((OH)-) e água molecular

(H2O)

• Concentração de (OH)- → depende da T

• H2O → aumenta com a concentração de

água; independente de T
Fluidos Voláteis
CO2

 Menos concentrado do q a água, exceto


em kimberlitos, carbonatitos e basaltos
MORB.

 Aumento de solubilidade:
- aumento de P
- diminuição de T
- diminuição em sílica
- aumento de água (alguns líquidos a
alta P)
Fluidos Voláteis
CO2

Líquidos pobres em sílica → (CO3)2- Líquidos ácidos → CO2

Fluido separado
= CO2 + H2O
Fluidos Voláteis
Enxofre (S)

Concentração < alguns milhares de partes por milhão (ppm)

Alguns magmas Ca-alcalinos contêm concentrações significantes

Solubilidade depende fortemente:


Composição
Fugacidade de O

Íon sulfeto, S2-, → magmas máficos e ultramáficos pobres em água

Íon sulfato oxidado, (SO4)2-, → magmas intermediários a ácidos ricos em água


Fluidos Voláteis
Enxofre (S)

S2- + 2 O2 = (SO4)2-

Fugacidades < do buffer QFM (quartzo-faialita-magnetita) = redução do S (H2S)

Fugacidades > do buffer QFM = oxidação do S (SO2)


Mineral redox buffer

MH, magnetite-hematite;
NiNiO, Nickel-nickel oxide;
FMQ, fayalite-magnetite-
quartz;
WM, wustite-magnetite;
IW, iron-wustite;
QIF, quartz-iron-fayalite
Fluidos Voláteis
Enxofre (S)

Magmas máficos reduzidos → líquido imiscível – sulfeto-Fe-Cu – deprimi a


concentração de S

Alguns magmas ácidos (mais oxidados) → íons de sulfato podem se combinar com
Ca = anidrita (CaSO4) → tb deprimi a concentração de S
Fluidos Voláteis
Flúor (F)

Vidros ácidos → várias wt.% de flúor

Solubilidade = até 10 wt.%; as maiores em líquidos hidratados (dados


experimentais)

Causa substancial depolimerização

1 atm:
líquidos graníticos contêm apenas 0,1 wt.% de água
alguns líquidos simples (Na-Ca-Al-Si-O) contêm até 10 wt.% de F
Fluidos Voláteis
Cloro (Cl)

 Máxima solubilidade em líquidos silicáticos < 2 wt.%

 Provavelmente se liga aos cátions modificadores de rede (Na, K e Fe)

 Magma saturado em água → fluido aquoso separado coexiste com o líquido


→ Cl se particiona fortemente na fase aquosa
→ Melhora as solubilidades dos metais
Exsolução de Voláteis

2 Processos básicos:

1 – Um líquido, inicialmente insaturado → ascende, se descomprime, se torna


saturado e exsolve fluido (ambientes de crosta rasa, vulcânico);

2 – Magma estagnado (P constante), inicialmente insaturado → perde calor para o


redor, resfriamento se torna saturado pela cristalização = boiling
secundário/resurgente/retrógrado
Fenômenos
associados com a
exsolução de
voláteis
Conduto
vulcânico de
um sistema
magmático
explodindo.
Carbonatitos

 Compostos por pelo menos 50% de minerais de carbonato

 Principais minerais: vários carbonatos (calcita, dolomita, ankerita, siderita,


bastnäsita, nyerereita, gregoryita, burbankita, parisita).

 Apatita e monazita; fluorita, silvita e halita; pirocloro, magnetita, perovskita,


baddeleyita, hematita, ilmenita; pirita, pirrotita, galena e esferalerita; e olivina,
micas (phlogopita, vermiculite), piroxênios (diopsídeo, aegirina-augita) e
anfibólios.
Carbonatitos

 A principal propriedade física que separa magma carbonatítico do magma


ácido/intermediário é a viscosidade

 O magma carbonático é um líquido iônico


- não há polimerização entre tetraedros de
sílica
- tetraedros quase ausentes
- viajam muito rapidamente na crosta
(dezenas de metros por segundo)
LEITURA!

Cap. 1, 4, 9 e 11
BEST, M. G. & CHRISTIANSEN, E. H. 2001. Igneous Petrology. Oxford: Blackwell
Science. xvi+458 pp.

Cap. 1.1 e 3.1


SIAL, A. N.; MCREATH, I. Petrologia ígnea. Salvador: SBG/CNPq/Burea, 1984. v 1.

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