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Disciplina: Direito Empresarial II (4º Período)


Curso: Direito
Matéria: Noções de sociedades anônimas.
Professora: Ana Ketsia Barreto de Medeiros Pinheiro
Apostila 01

Introdução
O primeiro embrião histórico que temos sobre as sociedades encontram-se
na Roma Antiga, vestígios do contrato de sociedade podem ser identificados na
divisão, entre os herdeiros, do patrimônio constitutivo da herança, para o efeito de
uma administração comum – sociedade familiar. Posteriormente ocorreriam as
sociedades de publicanos [instituto romano], as quais tinham por escopo explorar
atividades ligadas ao Poder Público, inclusive o recolhimento de rendas do Estado
(BORBA; 2008, 02). Outros doutrinadores, por sua vez, apontam como embrião das
sociedades anônimas as Companhias das índias, patrocinadas pelos Estados
Nacionais no início da Idade Moderna, podendo-se citar como exemplo a Cia. das
Índias Ocidentais holandesa, responsável pelas invasões do litoral brasileiro (Recife,
Olinda e Salvador) em meados dos anos 1600.
Seja qual for a origem das sociedades anônimas, o que se pode perceber é
que desde sempre essas sociedades se dedicaram a grandiosos empreendimentos,
marca que as acompanha até os dias atuais.
As sociedades correspondem à forma jurídico-societária mais apropriada aos
grandes empreendimentos econômicos (COELHO, 2009; 63).
Isto é tão visível que sua criação se deu principalmente para auxiliar na
estruturação das grandes navegações intercontinentais do passado.
Decorrendo do fato de estar presente nas necessidades estatais a Sociedade
Anônima passou a sofrer grandes intervenções da Máquina Estatal, que tinha, dentre
outros objetivos, proteger o interesse público.
As sociedades por ações dedicaram-se desde a origem, à exploração de
empreendimentos de expressiva importância para a economia e o Estado. A relativa
segurança de retorno do investimento realizado pelos acionistas dependia, por isso,
de monopólio sobre o comércio de determinadas zonas ou colônias. Por essas razões,
as sociedades anônimas constituíam-se, no início, por um ato de ‘outorga’ do poder
estatal. (COELHO; 2009, 64).
São estruturas que possuem dentre as suas características a limitação da
responsabilidade dos sócios e a negociabilidade da participação societária, mesmo
porque os investidores deste tipo de empresa não estão procurando conhecer seus
sócios ou conhecer bem o objeto social de sua empresa, procuram, sim, a melhor
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alternativa de ganho que possam encontrar para o seu dinheiro, assim, o que buscam
é a segurança e liquidez de uma empresa.
A doutrina divide a trajetória histórica das sociedades anônimas em três
períodos: outorga, autorização e regulamentação. No primeiro, a personalização e a
limitação da responsabilidade dos acionistas eram privilégios concedidos pelo
monarca e, em geral, ligavam-se a monopólios colonialistas. No segundo período, elas
decorriam de autorização governamental. No último, bastavam o registro, no órgão
próprio, e a observância do regime legal específico (COELHO; 2009, 66).
No Brasil, começamos o período colonial com a necessidade de outorga do
rei para a constituição da empresa, mas com o advento do capitalismo, passou-se a
exigir o ato autorizatório do governo apenas para poucos casos, como por exemplo:
sociedades estrangeiras, seguradoras e bancos.
Em 1976 foi criada a Comissão de Valores Mobiliários – CVM, que influiu na
instituição das sociedades anônimas. A partir de então, a constituição de sociedade
anônima através de apelo aos investidores em geral – tecnicamente: por meio de
subscrição pública – passou a depender de autorização do governo. Se o fundador,
por qualquer razão, não a quer solicitar, tem a alternativa de constituir a mesma
sociedade anônima, mas sem aquele apelo, isto é, por meio de subscrição particular.
Caracteriza o direito societário brasileiro da atualidade, portanto, a dualidade de
sistemas: o de regulamentação para as companhias fechadas e o de autorização para
as abertas (COELHO; 2009 p. 67).

Pessoas jurídicas de direito privado: fundações, associações e sociedades.


O Código Civil, em seu art. 44, fala em outras instituições, como é o caso das
fundações, que não se compõe através de um fenômeno associativo, tanto que não
lhes é necessário, se quer, quadro de sócios, surgindo a partir da dotação de um
mentor, e destinando-se, em geral, ao desenvolvimento de atividades religiosas,
morais, culturais ou de assistência.
Já as associações e as sociedades vislumbram em seus sócios ou
associados a força motriz de sua origem, as associações são instituições sem
finalidade de lucro, geralmente atividades recreativas, esportivas, caritativas,
assistenciais, culturais etc. a associação é mais genérica do que as sociedades.
(BORBA; 2008, 07), mesmo assim, o legislador entendeu necessário unir os dois tipos
de pessoas, uma vez que as regras sobre associação deverão ser subsidiariamente
utilizadas nas sociedades, segundo o artigo: 44, § 2º do CC, estando inicialmente
regulamentada as associações no art. 53 a 61 do mesmo instituto. Óbvio que nem
todas se aplicam às sociedades.
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Cooperativas, inscrita no CC em seu artigo 1.093, encontra-se entre as
sociedades, apesar de não se encaixar devidamente na conceituação, já que não tem
fim lucrativo, apesar de seus sócios buscarem-no.
As sociedades têm por finalidade principal o lucro, para a instituição e seus
sócios, a palavra sociedade tanto nomeia o contrato em virtude do qual duas ou mais
pessoas congregam bens e esforços para desenvolver um negócio, como a entidade
que desse contrato resulta (BORBA; 2008, 9). Divide-se, quanto à sua natureza, em
sociedade simples e sociedade empresária, acabando assim com a nomenclatura
de sociedade civil e sociedade comercial, antes se observava o objeto do negócio.
Com o novo sistema temos a unificação do direito privado com base na teria da
empresa.
A cooperativa encontra-se mais próxima da associação do que da sociedade.
Trata-se de uma entidade de apoio ao próprio quadro social, tendo por objeto realizar
negócios em favor de seus associados, que participarão dos resultados
“proporcionalmente ao valor das operações realizadas pelo sócio com a sociedade”
(art. 1.094, VII do CC) (BORBA; 2008, 10).

Das sociedades civis e comerciais às simples e empresárias


As sociedades civis eram as de atividade ligadas à terra: agricultura,
pecuária, compra e venda para revenda de imóveis, as sociedades prestadoras de
serviços geraram uma certa perplexidade quanto à sua classificação como civil ou
comercial, tendendo-se a considerá-las civis, salvo quando, pela complexidade dos
meios e fatores empregados, assumissem uma estrutura de empresa. Verifica-se,
portanto, que a atividade de prestação de serviços, mesmo no regime anterior, por ser
uma atividade estranha à tradição comercial, provocava sempre alguma perplexidade,
e já se empregava a teoria da empresa para classificá-la ou não como comercial
(BORBA; 2008, 11).
Verificando-se a sempre comum dificuldade de configurar a empresa como
comercial ou não, já que o tempo histórico é distinto e as necessidades e anseios
sociais fizeram com que os serviços oferecidos pelo comércio mudasse, foi necessário
a atualização da teoria que ditava as normas do sistema comercial.
Entramos na teoria da empresa, onde o que se observa é o grau de
organização apresentado pela empresa.
A sociedade anônima, ao contrário das demais, já nasceu considerada
comercial por força de lei, principalmente devido ao se tamanho e finalidade,
estabelecida pela Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976.
Com a edição do Código Civil de 2002 houve a unificação do direito privado,
passando a existir as sociedades simples e sociedades empresárias, inexistindo a
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separação ente os contratos civis e os contratos comerciais, bem como entre prazos
civis e comerciais de prescrição.
O registro permanece no mesmo modelo, as sociedades simples se
registraram no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, e as sociedades empresárias,
no Registro Público de Empresas Mercantis (Juntas Comerciais).
Pode-se dizer que a empresa existe quando as pessoas coordenadas ou os
bens materiais utilizados, no concernente à produção ou à prestação de serviços
operados pela sociedade, suplantam a atuação pessoal dos sócios (BORBA; 2008,
17).

Teoria da empresa
A diferença entre esta teoria e a anterior, é que esta, diferentemente da dos
Atos de Comércio, se baseia na existência ou não de uma estrutura empresarial, para
assim classificar as sociedades em sociedades empresárias e sociedades simples. A
Sociedade empresária, semelhantemente ao empresário individual, é titular de uma
empresa. (BORBA; 2008, 14).
O que se busca aqui é a estrutura empresarial e não os atos do próprio
proprietário da empresa.

Conceito de Sociedade
A sociedade é uma entidade dotada de personalidade jurídica, com
patrimônio próprio, atividade negocial e fim lucrativo (BORBA; 2008 p.27).
Para melhor compreender a abrangência deste conceito se faz necessária o
entendimento do que seja valor mobiliário, capital social e preço de emissão.
O Valor Mobiliário pode ser entendido como um instituto jurídico (...) que
documenta um vínculo jurídico de natureza creditícia, e esse traço aproxima-o, nessas
vezes, dos títulos de crédito (COELHO; 2009 p.68), só que esses valores são mais
amplos e por vezes diversos dos apresentados pelo direito cambiário.
Em outras linhas podemos dizer que os valores mobiliários são: instrumentos
de captação de recursos, para o financiamento da empresa, explorada pela sociedade
anônima que os emite, e representam, para quem os subscreve ou adquire, uma
alternativa de investimento. A lei lista os principais tipos de valores mobiliário, que são
a ação, as partes beneficiárias, as debêntures, os bônus de subscrição, e os
respectivos cupões e certificados de depósito (LCVM, art. 2º) (COELHO; 2009 p.140).
Representa um instrumento de captação de recursos.
O capital social da sociedade anônima é fracionado em ações; ele é
representado, assim, pelo conjunto desses valores mobiliários emitidos pela
companhia (COELHO; 2009, 68).
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Por fim, o conceito de sociedade anônima ainda se decompõe em preço da
ação ou valor da ação. O valor será aquele correspondente ao quanto foi
desembolsado pelo subscritor (adquirente) em favor da companhia que a emitiu, para
que possa receber o documento que o inscreva junto à empresa.
O preço de emissão da ação é o máximo que o acionista pode vir a perder,
caso a empresa explorada pela sociedade anônima não se revele frutífera, e tenha a
falência decretada (COELHO; 2009 p.69).
Agora podemos nos manifestar e entender melhor o conceito de sociedade
anônima:
A sociedade anônima, também referida pela expressão “companhia”, é a
sociedade empresária com capital social dividido em ações, espécie de valor
mobiliário, na qual os sócios, chamados ‘acionistas’ respondem pelas obrigações
sociais até o limite do preço de emissão das ações que possuem (COELHO; 2009
p.67).

Conceitos auxiliares (com auxílio de dicionário eletrônico citado abaixo)*


Ações - Valor mobiliário, emitido pelas companhias, representativo de parcela
do capital. Representa a menor parcela em que se divide o capital da companhia; título
negociável em mercados organizados.
Ativo – podemos encontrar dois conceitos para o termo ativo:
1) Bens, direitos, créditos e valores pertencentes a uma empresa ou pessoa
2) títulos, valores mobiliários e outros instrumentos financeiros de emissor
público ou privado
Bolsa de valores – Local que oferece condições e sistemas necessários para
a realização de negociação de compra e venda de títulos e valores mobiliários de
forma transparente. Além disso, tem atividade de auto-regulação que visa preservar
elevados padrões éticos de negociação, e divulgar as operações executadas com
rapidez, amplitude e detalhes.

Capitalização – colocar significado


Capital Social – Representação legal, denominada em moeda, dos valores
aportados pelos proprietários de uma empresa.
Lançado no estatuto ou contrato social da empresa.
É dividido em:
a) ações: nas companhias
b) quotas: nas sociedades limitadas, cooperativas e demais classes de
pessoas jurídicas.
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Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – Autarquia federal que disciplina e
fiscaliza o mercado de valores mobiliários.
Foi criada pela Lei 6.385/76.
Compete à CVM:
a) estimular a formação de poupança e a sua aplicação em valores
mobiliários;
b) promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de
ações, e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social de
companhias abertas sob controle de capitais privados nacionais;
c) assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados da Bolsa e do
balcão;
d) proteger os titulares de valores mobiliários e os investidores do mercado
contra emissões irregulares de valores mobiliários e atos ilegais de administradores e
acionistas controladores das companhias abertas, ou de administradores de carteira
de valores mobiliários;
e) evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinada a criar
condições, artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados
no mercado
f) assegurar o acesso do público a informações sobre os valores mobiliários
negociados e as companhias que os tenham emitido;
g) assegurar a observância de práticas comerciais eqüitativas no mercado de
valores mobiliários;
h) assegurar a observância, no mercado, das condições de utilização de
crédito fixadas pelo Conselho Monetário Nacional;
i) regulamentar, com observância da política definida pelo Conselho
Monetário Nacional, as matérias previstas na lei que a criou e na Lei de Sociedades
por Ações;
j) administrar os registros instituídos na lei que a criou;
k) fiscalizar permanentemente as atividades e os serviços do mercado de
valores mobiliários, bem como a veiculação de informações relativas ao mercado, às
pessoas que dele participem, e aos valores nele negociados;
l) propor ao Conselho Monetário Nacional a eventual fixação de limites
máximos de preço, comissões, emolumentos e quaisquer outras vantagens cobradas
pelos intermediários de mercado;
m) fiscalizar e inspecionar as companhias abertas, dada prioridade às que
não apresentem lucro em balanço ou às que deixem de pagar o dividendo mínimo
obrigatório.
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Liquidez – Capacidade de comprar ou vender um investimento com o mínimo
de esforço, sem afetar seu preço; capacidade de converter um investimento em
dinheiro; disponibilidade de ativos líquidos, especialmente em relação a compromissos
de curto prazo.
Para uma empresa, a liquidez equivale à seguinte conta: disponibilidades
realizável a curto prazo (inferior a 180 dias)
Mercado de ações – Segmento do mercado de capitais onde se negociam
ações de companhias. O mercado de ações viabiliza a substituição dos acionistas sem
alteração do contrato social que é o estatuto da companhia. Os negócios com ações
se realizam no mercado de Bolsa e no mercado de balcão
Mercado de capitais – Segmento do mercado financeiro onde se realizam as
operações de compra e venda de ações, títulos e valores mobiliários, efetuadas entre
empresas, investidores e/ou poupadores, com intermediação obrigatória de
instituições financeiras do Sistema de Distribuição de Títulos e Valores Mobiliários,
componente do SFN - Sistema Financeiro Nacional.
Passivo – dois podem ser o sentido para o termo em noções financeiras:
1) Conjunto das exigibilidades e origem dos recursos dos sócios de uma
empresa.
2) exigibilidades de uma pessoa.
Sociedade - grupo de pessoas que, por contrato, se obrigam mutuamente a
combinar seus recursos para alcançar fins comuns.
Sociedade anônima – O mesmo que companhia; empresa que tem o capital
dividido em ações, com a responsabilidade de seus acionistas limitada
proporcionalmente ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
Sociedade anônima aberta – Companhia com valores mobiliários
registrados na CVM, admitidos à negociação no mercado de títulos e valores
mobiliários, de bolsa ou de balcão.
A CVM pode classificar as companhias de capital aberto em categorias,
conforme as espécies e classes dos valores mobiliários por ela emitidos, negociados
nesses mercados.
A companhia aberta sujeita-se ao cumprimento de uma série de normas
quanto a:
a) natureza e periodicidade de informações a divulgar.
b) forma e conteúdo dos relatórios de administração e demonstrações
financeiras.
c) padrões contábeis, relatório e parecer de auditores independentes.
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d) informações prestadas por diretores e acionistas controladores, relativos à
compra, permuta ou venda de ações emitidas pela companhia, sociedades
controladas e controladoras.
e) divulgação de deliberações de assembléia de acionistas, órgãos da
administração, fatos relevantes ocorridos nos negócios, que possam influir de modo
ponderável na decisão de comprar ou vender ações, por parte de investidores.
Sociedade anônima fechada – Companhia cujos valores mobiliários não
estão admitidos à negociação no mercado de títulos e valores mobiliários.
Sociedade corretora de valores – Empresa constituída sob as formas de
sociedade anônima ou sociedade limitada.
Promove a aproximação entre compradores e vendedores de títulos e valores
mobiliários, proporcionando-lhes negociabilidade adequada por meio de operações
realizadas em recinto próprio (pregão das Bolsas de Valores), dando segurança ao
sistema e liquidez aos títulos transacionados. A sociedade corretora tem por objeto
social:
a) operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores;
b) subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades
autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda;
c) intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no
mercado;
d) comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de
terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e
Banco Central nas suas respectivas áreas de competência;
e) encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e
valores mobiliários;
f) incumbir-se da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos,
de desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e
outros proventos de títulos e valores mobiliários;
g) exercer funções de agente fiduciário;
h) instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;
i) exercer as funções de agente emissor de certificados e manter serviços de
ações escriturais;
j) intermediar operações de câmbio;
l) praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes;
m) praticar operações de conta margem, conforme regulamentação da
Comissão de Valores Mobiliários;
n) realizar operações compromissadas;
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o) praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado
físico, por conta própria e de terceiros, nos termos da regulamentação baixada pelo
Banco Central;
p) operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de
terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e
Banco Central nas suas respectivas áreas de competência;
q) prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica,
em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; exercer outras
atividades expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco Central e pela
Comissão de Valores Mobiliários.
Sociedade de capital autorizado – Empresa que tem autorização para
aumento de capital social independentemente de reforma estatutária.
A autorização deve especificar:
a) o limite de aumento, em valor do capital ou em número de ações, e as
espécies e classes das ações que poderão ser emitidas;
b) o órgão competente para deliberar sobre as emissões, que poderá ser a
assembléia geral ou o conselho de administração;
c) as condições a que estiverem sujeitas as emissões;
d) os casos ou as condições em que os acionistas terão direito de preferência
para subscrição, ou de inexistência desse direito.
Os certificados das ações deverão conter o limite da autorização, em número
de ações ou valor do capital social.
Sociedade de economia mista - Sociedade criada por lei, formada por
capital votante majoritário subscrito pelo Estado, e minoritário, pelo capital privado,
tendo como objeto social atividades relacionadas à prestação do serviço público ou
exploração de atividades econômicas.
Difere da empresa pública, onde o capital é 100% estatal. Difere da
sociedade anônima em que o controle da atividade é privado.
Pode ter ações negociadas em Bolsa de Valores.
Exemplos: Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobrás.
Sociedade limitada – Sociedade em que a responsabilidade dos sócios é
limitada ao montante de quotas subscrito por cada um, e solidária com os demais
sócios.
Enfim. Pode revestir as formas de:
a) sociedade empresária: quando exerce atividade própria do empresário
b) simples: quando exerce atividades econômicas, mas não empresariais
Nos casos omissos, prevalece o conceito de sociedade simples
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Em ambos os casos as sociedades podem constituir-se para a prestação de
serviços.
Nas sociedades simples, seu objeto social corresponde à profissão exercida
pelo sócio
Nas sociedades empresárias, os serviços são organizados tendo em conta
sua produção e circulação, como no caso dos serviços de transporte.
Quando a reunião associativa não se organiza para fins econômicos,
denomina-se associação
Valor de mercado – Valor de cotação; valor venal; representa o valor com
que determinado bem ou produto pode ser comercializado, de acordo com a lei de
oferta e procura.
Valor Mobiliário – Todo investimento em dinheiro ou em bens suscetíveis de
avaliação monetária, realizado pelo investidor em razão de uma captação pública de
recursos, de modo a fornecer capital de risco a um empreendimento, em que ele, o
investidor, não tem ingerência direta, mas do qual espera obter ganho ou benefício
futuro.
São valores mobiliários, definidos em lei e normativos:
a) ações, debêntures e bônus de subscrição
b) cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramento
c) certificados de depósito de valores mobiliários
d) cédulas de debêntures
e) quotas de fundos de investimento em valores mobiliários ou de clubes de
investimento em quaisquer ativos
f) notas comerciais
g) contratos futuros, de opções e outros derivativos, cujos ativos subjacentes
sejam valores mobiliários
h) outros contratos derivativos, independentemente dos ativos subjacentes
i) quando ofertados publicamente, quaisquer outros títulos ou contratos de
investimento coletivo, que gerem direito de participação, de parceria ou de
remuneração, inclusive resultante de prestação de serviços, cujos rendimentos advêm
do esforço do empreendedor ou de terceiros.
Referências a valores mobiliários nos normativos da CVM que tratam de
fundos de investimento englobam as quotas de fundo de investimento, as quotas de
fundo de fundos de investimento e os demais valores mobiliários previstos em lei ou
assim definidos pela CVM, aí incluídos os fundos de investimento financeiro e demais
modalidades de fundos, cuja regulação expedida pelo Banco Central do Brasil foi
recepcionada pela CVM.
Não são considerados valores mobiliários:
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a) títulos da dívida pública federal, estadual ou municipal
b) títulos cambiais de responsabilidade de instituição financeira, exceto as
debêntures.

Bibliografia utilizada:
BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito societário. 11.ed. ver. Aum. E atual.
Renovar, Rio de Janeiro, 2008.
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial, volume 1, direito de empresa.
13ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Direito Comercial : empresário, sociedades, título de
crédito, contratos, recuperações, falências. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2008 (série
fundamentos jurídicos, v. 12).
MAZZAFERA, Luiz Braz. Curso básico de direito empresarial. 2ª Ed., ver., ampl.,
atual., 2007.
MICHAELIS : moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia
melhoramentos, 1998 (Dicionário Michaelis).
RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Curso de direito empresarial : o novo regime
jurídico-empresarial brasileiro. 3ª Ed., Editora Juspodium, 2009.

Sites consultados
http://www.enfin.com.br/bolsa/main.php acessado em 01/03/2010 às 05:07h.