Você está na página 1de 20

Aula 1

e-mail monitor: gabriel_faustino@usp.br

O Império Português e a Restauração

Orientação do curso: distinção entre Brasil-colônia e Brasil independente.

Texto central: “Ensaios II” - GODINHO, Vitorino Magalhães

“1580 e Restauração” - originalmente escrito para o Dicionário da História de


Portugal (J. Serrão). Para abordar a Restauração, retorna ao contexto da União
Ibérica. Momento em que Portugal passa a ser regido por Filipe I, em Portugal
(Filipe II em Espanha). É a mesma pessoa. No entanto, foi coroado em Portugal
também.
Após uma conquista militar, diplomática e política (1578 - crise sucessória -
D. Sebastião) - por conta do desaparecimento de D. Sebastião, nenhum outro rei foi
captado utilizando um coroa.
Com o desaparecimento de D. Sebastião, o próximo da linha sucessória era
o Cardeal D. Henrique (não poderia ter herdeiros legítimos).
Alguns outros parentes pleiteiam a colocação na linha sucessória.
Após a invasão da Espanha à península portuguesa, Filipe II, da Espanha,
alegava deter direitos legítimos.
Manutenção de Filipe II por conta de estabilidade política, da segurança
jurídica demandada por nobres, comerciantes, etc. A nobreza, o clero e o povo
(Câmaras Municipais - os Conselhos Municipais detinham a organização dos
poderes locais; possibilidade de indicação de uma pessoa para a reunião com
nobres, clero etc).

HESPANHA, António Manuel - estudo sobre o papel político das cortes e suas
relações com o rei.
O poder é o rei - a letra da lei é a letra do rei (uma ordem régia tem força de
lei).
Obs: os vários diplomas contêm diferenças (alvará, decreto, etc).
Em 1581, em Tomar, reuniram-se as Cortes e Filipe II da Espanha achou
válido coroar-se rei de Portugal, enquanto Filipe I. A estrutura jurídica portuguesa
seria mantida a mesma. (ex: Casa da Moeda continuará em Portugal, com
determinadas normas mantidas; língua mantida; etc). ASsim a monarquia hiispânica
foi se compondo (monarquia compósita). A Espanha constitui-se um espaço
imperial, mas, dentro da península, configura uma monarquia de vários reinos. O
principal reino é Castela. Há mais presença de Castela do que da Espanha em si.
Entre 1580-1640 manteve-se o tecido de uma união ibérica. As autonomias
portuguesas passaram a ser contestada a partir de 1620 (Filipe IV da Espanha -
Filipe III de Portugal). Esforços de fortalecimento do exército espanhol; cobrança de
impostos; reorganização político-jurídica ibérica; a partir do desrespeito ao que foi
acordado em 1581 foi um dos elementos que alimentou a revolta que conduziu ao
golpe de autonomia de 1 de dezembro de 1640.
Outros elementos são enfatizados por Godinho: a) contexto de crise
econômica/pressão fiscal gerará, em Portugal, revoltas antifiscais (ex: Évora) -
busca por uma saída que permitisse acomodar as revoltas que começaram a
aparecer;

1640 ocorreu um golpe, mas não foi uma revolução. Uma parte da elite
(nobreza) acata a ideia de uma ruptura política com a Espanha por cima (Duque de
Bragança - mais alto titulado; mais rico; presumível herdeiro do trono - capital
simbólico).
O resultado foi uma conspiração (ataque do Palácio em conta da
administradora); o golpe resultou na aclamação de D. João IV. Foi uma ruptura
importante que terá impacto no re-desenho institucional.
Entre 1640-1668, a monarquia portuguesa esteve em guerra com a
monarquia espanhola. Aliança de Portugal com a Inglaterra e a Holanda
(protestantes). A Igreja não reconhece a autonomia de Portugal (impacto na vida
religiosa - não-nomeação de bispos).
É um período de grande instabilidade; não se sabia se a autonomia de
Portugal seria mantida.
Obs: todo um discurso teológico foi produzido a fim de legitimar a ordem jurídico-
social.
Filipe II jurou manter a autonomia jurídica de Portugal, surpreendentemente,
em toda Portugal, acataram João IV (talvez, exceto no caso de Amador Bueno).
Houve, em muitos casos, a recusa à adesão ao grupo de João IV. Ainda que
estivesse ocorrendo uma rebelião em Portugal, houveram outras em Nápoles e em
Catalunha. Há uma conexão entre as Revoltas.
Conexão entre a União Ibérica-Revolta de 1640 e a conexão marítima
portuguesa -> aproximação das elites econômicas portuguesas visavam as
conexões mercantis da Espanha e acesso às minas de prata a fim de garantir o
fechamento dos circuitos mercantis portugueses (não se restringindo mais ao
oriente apenas). Portugal não é um império territorial, mas controla o fluxo das
mercadorias (sobretudo especiarias) que interessam ao mercado europeu. Uma
parte importante do circuito é a prata (moedas metálicas) - o fechamento do circuito
na economia-mundo depende da circulação das moedas metálicas; boa parte dos
sistemas econômicas giravam em torno de um sistema bi-metálico (ratio bi-metálica)
- 16:1.
É uma relação tão importante quanto a matéria (peso) da moeda e o valor
que está grafado na moeda. Nesse momento, a moeda é algo decisivo a fim de
intercambiar as mercadorias (equivalentes universais). No oriente, o que se
demandava era prata (não necessitavam de nenhum produto europeu). Havia mais
interesse na prata (ainda mais do que o ouro - uso na China para a produção de
objetos - a ratio bimetalica chegou a 8:1).
O mundo do século XVIII é o ouro que detém o padrão monetário mais
importante (início do séc. XVIII - Brasil produtor de ouro). É uma das chaves para o
entendimento das decisões inglesas - atração do ouro e da prata (“mercantilista”).
Obs: uma das decisões principais foi a monarquia inglesa abrir mão da senhoriagem
(Casa da moeda). 1667 - fim das senhoriagem.

Casa da Moeda - relação outorgada pelo poder - confiança + circulação - o ouro


puro vale menos que as moedas. O lucro é a “senhoriagem” - é o valor que remete
ao direito de produção da moeda.
Portugal percebe a importância de seu império para a manutenção do projeto
(o Império é uma “moeda de troca” de Portugal com as outras nações européias
para conseguir o apoio político-diplomático a fim de declarar a guerra com a
Espanha).
A transformação estrutural do próprio império português é um dos elementos
a fim de dar conta das mudanças no império português; sistema constituído pelo
sistema complexo-geográfico (escravidão dos africanos com a produção do açúcar).
Dimensão econômica do açúcar supera os ganhar com o oriente. O grupo de
mercadores vinculados ao tráfico de escravos/produção de açúcar alcança a base
da Restauração de 1640 (parte de um processo de mudança de um centro de
gravidade do Império -> do mundo oriental para o atlântico - “viragem ao Atlântico”.
Permite o entendimento das forças políticas.

Aula 2

Fonte: Universiteitsbibliotheken Leiden (digitalcollectons.universiteitleiden.nl)


VGG Q 14 [cat. 1716]
1- Dialoguo das grandezas do Brazil (1618)

Conselho Ultramarino - conselho do Rei a fim de oferecer conselhos ao Rei. Que


são dados sob a forma de pareceres a fim de resolver problemas da monarquia. (ex:
Conselho da guerra; conselho fazendário…)
São pessoas com experiências/letrados.
Funcionará de modo contínuo até o século XIX, transformado posteriormente
em Ministério das Colônias -> Ministério do Ultramar, que levam essa
documentação até os anos 60 (Revolução dos Cravos). Desde o século XVI até o
XX.
Separado por regiões (Guiné, Bahia, etc), mas está estruturada em códices
ou papéis avulsos (em caixas).
Uma vez decidido pelo Conselho, há a transcrição aos códices.

Diálogos das grandezas do Brasil - manuscrito de 1618.


Como é um diálogo, há duas pessoas conversando (estrutura formal
retórica). Inicialmente foi encontrado no códice em Leiden, mas depois foi possível
encontrá-lo na biblioteca de Lisboa.
Varnhagen não era muito bem visto no tocante à produção historiográfica no
Brasil, especialmente pelos indianistas (José de Alencastro). Possibilidade de
manutenção da contradição entre a existência de uma elite liberal e escravos.
Republicação por Capistrano de Abreu - Alviano Brandônio? - talvez tenha
sido António Fernandes Brandão. Construção da hipótese de autoria da obra.
José António de Mello - edição expandida de Leiden.
Correção do termo do manuscrito - “Diálogo das riquezas do Brasil”.

Diálogo 3º - possibilidade da produção do conhecimento. Colocação de várias


questões por parte de um indivíduo que acabou de chegar no Brasil (Brandano) - a
fim de explicar a forma do funcionamento local.
Leitura de como a sociedade se organiza (5 tipos): a) gente marítima - que trata das
navegações, vão aos portos; cuidam do carregar e do descarregar; b) mercadores -
os que trazem do reino as mercadorias em troca do açúcar - tem correspondência
com os mercadores do reino (tentativa de negociação das mercadorias), apesar de
não tem interesse na produção; c) oficiais mecânicos; d) soldados (assalariados); e)
que tratam da lavoura: os mais ricos (senhores de engenho) e aqueles que têm
partilha de cana/produtos (lavradores).
Açucarocracia - classe produtora de açúcar (Evaldo Cabral de Mello) - os que detém
meios de produção para cultivo do açúcar (detentores da terra, moendas, caldeiras,
Moenda - manufatura de açúcar - inicialmente do mesmo modo que moedor de
milho, etc. Posteriormente, no XVII, houve a invenção da moenda de 3 cilindros, o
que aumentou a produtividade e diminui as perdas.
O próprio senhor de engenho é um lavrador, mas não mói exclusivamente a
cana que ele produz. Produção da cana 24h/dia durante quase o ano inteiro
(produção da cana não ocorre na época de chuvas - Recôncavo baiano produz cana
o ano inteiro, mas no período de chuvas há dificuldade em se trazer a cana).
Negociava-se para a utilização da moenda (renda de natureza senhorial). É
uma relação senhorial, de dominação dentro da elite hierarquizada. Além de pagar
os custos (salários dos feitores; alimento dos escravos; compra de escravos;
manutenção do engenho; etc), havia sempre uma manutenção de uma margem de
lucro, além do dízimo (10%) ao rei.
Brandônio, ao reclamar a respeito dos mercadores (acidamente), há
apresentação de uma perspectiva da produção. Os produtores, de fato, apresentam
interesses distintos do universo da mercância (tensão que existe desde o século
XVI). Contraposição do capital comercial do capital produtivo (sistema colonial
favorece os mercadores - política da monarquia portuguesa).
Fernando Novais - regime específico/particular de comércio que se define pelos
privilégios/controles, garantidos pela monarquia, a um grupo restrito de mercadores
(oligarquia). Além do privilégio exclusivo da compra e da venda das mercadorias
(ex: só os mercadores portugueses podem comprar açúcar do Brasil), há os
monopólios propriamente dito (ex: sal; companhias de comércio monopolistas
criadas pela monarquia).
Obs: lavradores são senhores de escravos. É uma marca da sociedade colonial o
domínio de uma pessoa sobre outra.

1618 - Paraíba, Pernambuco e Itamaracá. Não mais que 60 léguas, nem 10 em


direção ao sertão, somente nesse pedaço de terra retira-se açúcar o suficiente a fim
de carregar anualmente 140 naus de grandíssimo porte (muitas delas).
Não só a quantidade, mas, também, a monarquia não gasta com a produção,
pois o Brasil funciona (não só com o açúcar), isto é, cobra-se o dízimo (imposto real
- por conta do padroado régio).
Padroado régio - colonização e de catequização concedido pelo papado;
responsabilidade pela manutenção da Igreja (10% de tudo que era produzido na
terra era de direito da Igreja).
1548 - criação do Governo-geral e da provedoria-mor (arrecadação, grosso modo,
10% de tudo que se produz na terra).
A monarquia administra a presença da Igreja, mas arrecada 10%. É
suficiente, nesse sentido, para fazer funcionar a máquina da colonização (padres,
soldados, escrivães, governador etc).
O lugar do capitalismo mercantil é o Estado português, que garante o
exclusivo, capaz de garantir os altos ganhos dos mercadores.

Aumento da produção de açúcar por conta de uma política de isenção fiscal;


açúcar como detentora de inúmeras funções: adoçante; alimentação; energético.
Viragem estrutural do comércio português (do oriente ao ocidente).
Em 1640, quando D. João IV vira rei de Portugal, ele é consciente desta
questão de produtividade e da diversificação da economia para além do açúcar;
expansão do uso de terra (metais e pedras preciosas), etc. Busca por estabelecer
um complexo econômico-geográfico (centro-sul) - Godinho.

Necessidade de reconstruir o Brasil - centralidade do Brasil na economia.


1654 - necessidade de reconstruir a economia das capitanias do Norte.
Reorganização do fluxo de economia; complica-se porque há um contexto de
concorrência e de queda do preço do açúcar. A guerra em Portugal, além do mais,
continua até 1668. Há muitas despesas a serem resolvidas a fim de dar conta da
Restauração.
Há um impulso de reconstrução da economia colonial que começa a aparecer
enquanto uma tentativa de diversificação da economia colonial. Começa a produzir
tabaco (na África há interesse pelo tabaco e, a longo prazo, começa a ganhar
espaço na Europa).
Outra mercadoria que ganha espaço é o couro, que é um dos produtos da
pecuária. Isto é, a criação de gado tem muitas utilidades. Há um certo desprezo pelo
laticínio, mas o couro ganha espaço na Europa. Neste sentido, o crescimento da
economia de tabaco gira em torno do ensacamento utilizando o couro, estimulando
a produção desse, ligada à produção pecuária.
Pecuária está destinada à exportação (couro/couro para tabaco), assim como
a produção para uso interno. Atividade mista. Além do mais, leva-se em conta a
força motriz (carregamento de mercadorias, movimentação de engenho, etc).
O espaço é limitado, próximo ao mar. É uma ocupação muito pontual, no
litoral, em que a produção fundamental para o açúcar é agrícola e manufatureira
(duas etapas).
A divisão da produção (sertão para produzir gado, litoral para produzir
açúcar) - divisão sistemática de sesmarias no interior a fim de criar gado, ao longo
do curso de rios a fim de abastecer as grandes regiões produtoras de açúcar. A
ocupação do interior por meio da criação do gado já vinha no século XVI, mas se
acentua no XVII.
Até o XVII a monarquia proibia a presença no interior (ao longo da União
Ibérica, desconfiava-se da presença no interior).
No sertão do Brasil, buscava-se encontrar um outro Potosí. A conexão com o
Sul passa a gerar um certo desenvolvimento na região sul-sudeste. Após a
descoberta do Ouro nas Minas Gerais é que passa a haver rentabilidade no local.
Após o primeiro século de contato (1530 - especialmente com a vinda do
Governo-geral), muitos dos índios recuam para o sertão, posteriormente recuando
mais para o interior. A expansão da pecuária no início do XVII intensificará o
combate com os índios.
Capistrano de Abreu - interesse de mostrar a centralidade da ocupação do
sertão para a formação do território. Dois fluxos de ocupação: corrente que ocupa o
sertão de dentro que sai do núcleo mais povoado do Recôncavo Baiano; corrente
que sai de Olinda (Pernambuco), ocupando o sertão de fora. O movimento
encontra-se no interior do Rio São Francisco; processo que já vinha sendo
consolidado por João Antonil (1711 - “Cultura e Opulência do Brasil”). Tabaco, Ouro,
Pecuária e Açúcar.
Euclides da Cunha - formação da nacionalidade a partir da ocupação do
sertão.

Aula 3

A pecuária e os caminhos do sertão

Retomada: dois núcleos de colonização mais dinâmicos em função da economia do


açúcar.
1- Salvador/Olinda/Pernambuco/Recife - zona de expansão da própria economia do
açúcar.
2- Caminho originário da Bahia/Caminho originário de Pernambuco - pecuária. Os
documentos utilizados são aqueles que estavam localizados no IHGB (documentos
usados por Caio Prado, Capistrano de Abreu, Gilberto Freyre).

André João Antonil - 4 partes - quais seriam as principais atividades produtivas do


Estado do Brasil. a) Bahia - produção do açúcar (lavra do…), do tabaco, das minas
de ouro e da courama (produção de couro - pecuária de corte). É permitido ter
produção pecuária no sertão.
Documentação administrativa, fiscal e mercantil-produtiva - perdeu-se em Portugal,
em ocasião do terremoto. Antonil detinha todas as licenças para a publicação, o livro
foi impresso (no começo de 1711), mas, em mar/1711, o Conselho Ultramarino
discutiu se havia pertinência na circulação do livro (sob o fundamento de que
poderia causar embaraço à monarquia portuguesa). Revelaria, nesse sentido,
segredos de Estado (detalhamento muito grande em questão da produtividade
relativa ao açúcar).

Andreé Mansuy - tese de doutorado - republicação em francês do texto de Antonil,


mas com pósfacio e notas de rodapé. Recupera o percurso de definição de quem é
Antonil (problema que foi muito disputado). Por muito tempo havia essa dúvida
acerca da autoria - indícios de que era pseudônimo. Provavelmente era alguém
muito próximo da ordem dos jesuítas (esperava que Pe. Anchieta fosse beatificado
na dedicatória). A solução veio por Capistrano de Abreu, que sugerirá que é
Andreoni (jesuíta, nascido em Lucca, voluntariou-se às missões ao Brasil, reitor do
Colégio da Bahia - proprietário do engenho do Sergipe do Conde - maior engenho
do Recôncavo baiano, doado aos jesuítas pelos herdeiros de Mem de Sá). Sendo
dos jesuítas, no XVII, disputou-se a propriedade: Colégio de Santo Antão x Colétgio
da Bahia. Por conta dessa disputa, juntou-se documentos (litígio), o que permitiu
haver uma documentação administrativa do engenho preservada (publicada
posteriormente pelo Instituto do açúcar e do álcool, importante aos estudos acerca
da economia açucareira).
Em sendo a economia açucareira propriedade privada, gerou alguma documentação
privada. O que é uma raridade, na medida em que permitiu uma análise feita pelos
grandes historiadores da economia açucareira: Schwarz, F…. e Moureau.

Gado era inicialmente criado no sertão (BOXER; PRADO), sendo criadas as


fazendas de modo espaçado no sertão, o que implica num confinamento dos grupos
de gado a uma certa distância, havendo uma equipe responsável pelo pastoreio do
gado.

Insistência no crescimento na produção de gado - o vaqueiro, a cada 4 bezerros


novos, um era do vaqueiro. Poderia revender ao senhor o gado produzido. Havia, no
entanto, pouca documentação acerca disso, mesmo em vilas importantes.

Sesmaria arrendava terras e/ou as fazendas colossais se faziam presentes.

Vaqueiros/fábricas (ajudantes) - dificuldade de traçar o tipo de mão de obra do


sertão (escravos ou não?).
Prado/Boxer tentam esquematizar a mão de obra por meio de longos períodos.

Luiz Mott, 1979 - índios e o gado….


Análise do quadro específico do Piauí, mostrando que a presença maciça era
a dos escravizados.

Disputa em relação à liberdade x escravidão no campo da pecuária (Caio Prado -


visão conservadora).
Antonil - 68% açúcar
5% - couro
1% - pau-brasil
16% - ouro
9% - tabaco
Grande parte dos insumos destinados à produção do açúcar vem das atividades
subsidiárias (pecuária, por ex.). As outras atividades são inseridas no valor da
exportação do açúcar.

Obs: quando se oficializa o achamento do ouro, já havia sendo extraído-o no sertão.

Portugal investirá na recuperação açucareira (em razão da destruição sofrida entre


1640-54, além da presença da concorrência mundial; e da configuração do mercado
europeu). A recuperação por não ter sido um sucesso desde o princípio, leva a
monarquia a buscar novas saídas. Entre as produções: a) pecuária; b) salitre (mal
sucedida); c) busca por prata, inicialmente (posterior encontro de ouro e diamantes);
sobretudo a partir de 1671, quando passa a haver ordens explícitas para as
entradas em busca do desbravamento do sertão (Cortesão - deslocamento da
economia).

Intensificação dos conflitos no sertão: a) guerra dos Palmares (intensificação da


economia com base nos trabalhadores escravizados - início do séc. XVII); b) guerra
dos bárbaros - território preferencial da expansão da pecuária (lá haviam indígenas
que há tempos moravam por ali, ou grupos que recuaram em razão da colonização
portuguesa).

a) guerra dos Palmares - concomitante à guerra dos bárbaros, mas possuíam


uma ocorrência na época da ocupação holandesa. Ocorrida na área do sul de
Pernambuco (Alagoas - não havia região administrativa - ia até a foz do rio
São Francisco). As Alagoas foram assim chamadas em função da
organização geográfica da região (serra de borborema). Ventos batem na
serra e direcionam-se ao mar. É num conjunto de serras que já no início do
XVII alguns escravizados procuraram, como refúgio (uma vez escapando do
controle dos senhores/feitores), uma forma de resistência dos escravizados.

Haviam outras formas: jogar veneno na comida do senhor; decapitar o feitor; etc. O
controle dos escravos estava dentro da economia escravista.

Institui-se formas para reprimir essas formas de resistẽncia (ex: capitães do mato).

Violências, castigos, etc são mecanismos que faziam parte do sistema escravista.
Além do mais, há funcionários que aplicam tal violência/castigo que fazem o sistema
funcionar.

Escravidão (modo de trabalho), que pauta o escravismo (sistema econômico), é


uma forma de opressão em si mesma. Instituirão formas de repressão do
escravismo no XVIII e XIX.

Criação de mocambos no XVII-XIX, no entanto, nenhum deles havia tamanha


extensão demográfica e temporal, diferentemente das demais, sendo a única que
ameaçou a ordem global escravista.

Calunga grande

Já no início do XVII, constituir-se-ão habitações de fugidos da Bahia e de


Pernambuco. O tráfico de escravos
A destruição de Palmares de 1694 coincide com o aumento do tráfico (inúmeros
motivos: descoberta do ouro; retomada do espaço de mercado em função das
guerras que oporão Inglaterra e França). Há uma demanda por escravizados, que
se amplia, sendo tanto para o açúcar quanto para o ouro.

Sebastião da Rocha Pitta - História da América Portugueza


Não é a primeira história do Brasil (1627), mas a História de Pitta é mais bem
estruturada, desde a viagem de Cabral.

A fuga implica em um crime: o crime da ausência (roubar o próprio senhor de uma


propriedade que é do senhor). Os escravos fugitivos são criminosos, cometedores
de crime contra a propriedade.
Data a formação do mocambo dos Palmares na época em que ainda estava
Pernambuco ocupado pelos holandeses.
Há documentos que possuem indícios de que a região já havia sido habitada por
fugitivos de fazendas de escravos da Bahia/depois de Pernambuco, em razão de
ser uma região de difícil acesso (serras - a principal era a Serra da Barriga).

Expedições contra palmares:


1- expedições holandesas (1644-45)
2- primeiras entradas luso-brasileiras (1667-1675)
3- as entradas do governo de Pedro de Almeida e a paz com Ganga Zumba (1675-
1678)
4- a recusa de Zumbi e o recrudescimento da guerra (1679-1686)
5- o assalto final: a intervenção do governo geral (1687-1694)
final: a morte de Zumbi (1695).

1654 - Restauração - mobilização imediata contra o mocambo de Palmares? Não.


Haverá um período de cerca de 12 anos de não-invasão aos Palmares.
Rocha Pitta - disputa entre os danos particulares x danos públicos.

Expedições organizadas pelo governo de Pernambuco (e depois o governo-


geral) passa a se estruturar a fim de realizar uma destruição total do mocambo dos
Palmares.
1644-1645 - revelam a extensão dos mocambos.
A partir de 1654 inicia-se o conflito de maior monta e estruturação frente a
Palmares.
Até 1678, Palmares era tomado enquanto mocambo (habitação precária,
coberta de palha, povoado precário, povoado no meio do mato). A partir dos anos
70, o mocambo passa a ser chamado de quilombo. Por que os agentes da
monarquia passam a considerar os mocambos enquanto quilombos? Identificação
de atividade política em relação às regiões de Angola e… ; mudança na leitura que
os agentes da monarquia passam a fazer em relação a própria guerra.
A guerra total vai até 1694.

Aula 4

O escravismo colonial tem dimensões de resistência: fuga enquanto modo de vida


alternativa (mocambo dos palmares).

A fuga dos escravos/escravas/concubinas para longe do seu local de trabalho é um


crime (tipo penal: ausência). LIVRO VIII, §24. São criminosos que praticam um
delito.

Situa a formação do mocambo de palmares com o início da tiranização dos


holandeses 1651-1654. É nesse momento que se arquitetou a fuga. No entanto, há
várias iniciativas, em 1602 (Diego Botelho), para organizar expedições para capturar
escravos escondidos nas matas cheias de palmeiras após/cruzando o Rio São
Francisco.

Num primeiro momento, o dano não era público, mas particular (distinção entre
prejuízo particular e prejuízo público) - §26. O dano particular seria a perda dos
escravos que os senhores não recuperariam. Posteriormente, o dano seria público,
referente ao Estado - quando o governo de Pernambuco resolve ponderar que o
dano particular já era público seria quando o governo perceberia que Palmares era
um conjunto de prejuízo aos donos, mas um risco à sociedade colonial enquanto
todo (da soberania portuguesa na América) - década de 70. Quando efetivamente o
governo de PE e o governo-geral assumirão a guerra contra Palmares.

Antes, no entanto, já haviam expedições pontuais, sendo, no entanto, em 1644-45,


as organizações holandesas com o objetivo de re-capturar escravos - Baro (1644) e
Blar (1645). Ambos deixaram relatórios (Blar - história dos 8 anos do governo de
Nassau - realidade paralela ao mundo escravista; descrição dos Palmares).

Em 1644, havia a necessidade de reacentuar a economia açucareira. Com a saída


do governo de Nassau, havia a pretensão de recuperar a economia (que não fora
capaz de produzir conforme a demanda de Nassau); nesse sentido, além de
perturbar os particulares, haveria o risco público à ordem.
Por que havia risco público? Havia um empuxo de atração de novos escravos no
sentido de possuírem um local de fuga; além disso, havia o risco militar - resistiu a
diversas tentativas de recaptura.

Obs: diferentemente de Mocambos, Quilombo significa uma realidade soberana, isto


é, um tipo de estrutural (Para)estatal, existente na África (Angola, etc), resultante de
formas políticas pré-dominação portuguesa. Era um conjunto de guerreiros
organizados em torno de um chefe, além de haver uma quantidade forte de rituais
capazes de gerar uma coesão, sem contar com o impacto militar (Bangala).
Observa-se a relevância desses grupos capazes de fomentar o comércio entre
tribos capturadas e portugueses. Por outro lado, não há documentação que aponte
a presença de escravos em Palmares.

Portugal nunca reconheceu nos povos ameríndios autonomia alguma ou identidade


política;

Holandeses concebem que as tribos no norte do Rio Grande possuíam reis. A partir
da expulsão dos holandeses, há a assinatura com o Governo-geral, de preservação
dos grupos Janduis. Portugal nunca reconheceu os povos indígenas como
detentores de alguma autonomia.

Tecnologia tipicamente jesuítica - integração enquanto mecanismo que faz parte da


dominação. Concepção pautada em razão da volubilidade da alma do indígena, isto
é, o que se buscava a partir da escravidão extrema do indígena era a salvação da
alma a despeito do corpo (semelhança com o percurso de sofrimento de Cristo).

Com Pombal, há o predomínio do processo de evangelização pela dominação


(faceta), enquanto, por outro lado, havia a ideia de civilização pautada na ideia de
integração do indígena à sociedade brasileira a partir da utilização da mão de obra.
No século XX, buscava-se identificar o índio e tornar, assim, os indígenas enquanto
mão de obra disponível (serviço… índio).

Com Rondon/Villas-Bôas, buscou-se a criação de parques de preservação dos


índios capaz de manter a identidade destes. Posteriormente, os direitos foram
consolidados na Constituição (direitos especiais de integração). Há, por outro lado,
disputa em face dos indígenas: o Estado deve fortalecer o processo de sua
autonomia e não uma integração que resultaria, portanto, em um apagamento da
cultura indígena. O processo de demarcação iniciou-se, mas não é suficiente em
relação à previsão normativa.

Schawara - fumaça que sai de dentro da terra; gases tóxicos, venenosos, perigosos,
para que a humanidade não tivesse mais contato com isso - mas que foram trazidos
de volta pelos brancos. Isso implica na queda do céu - reorganização do mundo em
desequilíbrio.

A partir de 1667, o governo de Pernambuco começa a organizar uma série de


organizações militares para Palmares. Muda-se o tom do governo do império
português em face dos Palmares (dos agentes). Organiza-se diversas expedições
contra Palmares. Ex: Zenóbio de Oliveira (1969); Governador D. Pedro de Almeida
(1675) etc.
1678 - D. Pedro de Almeida responsável pela organização de um tratado de paz
com Ganga Zumba. A paz não dá certo, escrevendo um relatório denominado
“Relação das guerras…” - descreve os vários mocambos de Palmares; 14
mocambos (dá nomes - ex: Cerca real de Macacos). O de Zumbi foi denominado
Quilombo (agrupamento de guerreiros/acampamento militar).
D. Pedro de Almeida, a partir da expedições, teria criado diversos danos a vários
mocambos, o que potencialmente levou Ganga Zumba a chegar a um acordo de
paz.

O tratado propôs que os palmarinos se entregariam pacificamente, sob a exigência


de liberdade. Viveriam como índios que entregaram as armas (viver em liberdade,
mas missionados). No entanto, o tratado não era pacífico do ponto de vista da
governadoria-geral e do conselho ultramarino, afinal não era possível conceder
liberdade a escravos fugidos (público x particular).

Uma das posições do Conselho Ultramarino - “a experiência (contrário ao tratado de


paz) tem mostrado que esta prática é sempre um meio engano e ainda o que trata a
…”.

No entanto, parte de palmarinos não concebe a possibilidade a partir da estratégia


da aliança. É o grupo que se organiza em torno de Zumbi que organiza uma guerra
até o fim.

A cada ano, posterior a esse conflito, é enviado uma expedição a fim de destruir o
Quilombo dos Palmares (guinada linguística na documentação - começa a surgir o
uso do termo “quilombo”). Envolve uma transposição de termo de organização
militar (fraco), mas que envolve uma estruturação política (esfacelamento de
estruturas tradicionais), que emergem grupos guerreiros que impedem reprodução
até no interior do próprio grupo.

Linda Haywood - Ginga, rainha de Angola

Governador de Pernambuco - contrata um grupo de paulistas para organizar uma


expedição em direção a Palmares. Em direção a Palmares, recebem a notícia de
uma rebelião organizada dos tarairius, redirecionando-os ao Rio Grande (Norte da
capitania de Pernambuco). A tropa foi redirecionada à guerra dos Bárbaros.

Não só a guerra dos bárbaros estava no auge, Palmares também, sendo, além do
mais, uma crise da economia açucareira e uma crise epidemiológica (febra
amarela), prejudicando os esforços de organização das tropas de repressão.

Só no início de 1694 que novas tropas são enviadas de Pernambuco e recursos são
enviados da Bahia. Mobiliza-se uma tropa proposta pelos senhores de engenhos e
indígenas, na medida em que seria inviável combater na Cerca do Macaco.

Em 1690, Bonucci propõe uma resolução de conflito com o quilombo de Palmares


por meio de uma missionação. Carta enviada ao Rei de Portugal. Rei envia uma
pergunta a Pe. Antônio Vieira. Este se reúne com um grupo seleto e tece a posição
da Companhia de Jesus; seria, nesse sentido, uma perda de tempo: a) não
adiantaria nem enviar indivíduos que falassem a língua deles; b) assassinato por
envenenamento; c) ataque aos agrupamentos portugueses; d) sendo eles rebelados
e cativos, estão e perservaram em pecado contínuo e atual de que não podem ser
absolvidos/receber a graça de Deus sem se restituírem ao serviço/obediência dos
seus senhores; etc. Solução: re-entrega a seus senhores (implausível); problema:
se conceber liberdade, geraria um precedente aos demais escravos e implicaria
numa destruição da colônia. Sem o escravismo não há Brasil.

Arquivo Histórico Ultramarino - Conselho Ultramarino - Códices

Não tupi = tapuia

Indígenas eram livres (lei de março 1670) para os portugueses, salvo nos casos de
guerra justa e de práticas de canibalismo. Os espanhóis, diferentemente, concebiam
todos os indígenas enquanto livres. Quando é justo? No momento em que o
indígena se recusa a ser convertido; deixa de ser gentio puro e passa a ser aquele
que afronta a palavra de Cristo (infiel).

O corte entre tupi e tapuia (não-tupi) permite uma concepção generalista. A disputa
girava em torno de uma distinção entre índios mansos e índios bárbaros.

Os inúmeros conflitos que giravam em torno do período de 1650- são denominados


guerra dos bárbaros. É a unicidade concebida pelos portugueses.

A confederação dos Tamoyos - o índio vivo, dono das terras, tem que morrer/ser
morto; o espírito do indígena deve se propagar. O elogio é com base na poética do
genocídio; não se deseja a manutenção do índio/de sua cultura, apesar da elegia.

1- A guerra no Recôncavo
As expedições são mal-sucedidas até que o governo geral prepara uma
primeira chamada aos paulistas (grupos já acostumados com o sertanismo). São
convidados pelo governador para realizar um contrato de prestação de serviços. A
proposta foi de possibilidade de venda de escravos; nova orientação do uso de
paulistas.
Os paulistas passam a dar uma nova estrutura à guerra contra os bárbaros.
Serão os responsáveis por uma mudança de uma tecnologia do uso de tropas no
sertão. Finalmente até que no 2º ciclo do açúcar serão utilizados, mas formalizados
enquanto tropa assalariada agindo no Rio Grande do Norte. Até então eram
contratados enquanto mercenários (posteriormente, tropas reais).
Há um momento importante na guerra dos bárbaros - mesa grande na
Relação da Bahia - que reúne pessoas importantes, o bispo e membros de ordens
religiosas em relação aos bárbaros. Todos que moram no sertão é considerado
bárbaro.
A guerra que visava a captura de escravos passa a ser uma guerra de
extermínio.

Leitura obrigatória do Caio Prado Jr. - 3 relatórios referentes às três partes do


livro. Formação do Brasil Contemporâneo.

Do “Mal do estado brasílico”: a crise da economia açucareira

Epidemia iniciada na Bahia e direcionado posteriormente a Olinda/Recife - cerca de


25.000 mortos. Cometa enquanto contaminação da esfera sublunar. Afetou, além do
mais, a esfera social - revolta na Bahia.

Regimentos estacionados em Salvador - a câmara ficou responsável pelo custeio


das tropas.

Conchavo de farinha - compra de farinha para abastecer a cidade de Salvador a fim


de realizar o pagamento do soldo; além do recebimento do pagamento do soldo em
moeda. Em troca da Câmara municipal pagar o soldo, passará a recolher alguns
impostos (vinho, azeite, outros elementos), passando a administrar o sustento das
tropas portuguesas.

Salvador lançou parte do custeio aos produtores de farinha - não podendo aumentar
o preço da farinha.
Câmara de Salvador como um organismo representando o governo metropolitano.

16...9 - passa a nomear os juizes de fora - que não eram eleitos pelos membros da
vila, mas eram escolhidos pelo Rei (intervenção real). Letrado, detentor de prestígio
e vinha trabalhar como interventor.
Homens livres e bons (oligarquia local) que escolhiam os juízes.
Quem ajudou a reforma em Salvador - Gregório de Matos. Exilado, resolveu auxiliar
o governador.

Geoffrey Parker - historiador militar - estuda as transformações na passagem do XVI


para o XVIII - transformação com fundamento técnico: difusão dos armamentos
baseados em pólvora (canhões, especialmente).

No tocante à crise açucareira pós-guerras holandesas, nota-se a destruição


na Bahia/Pernambuco (1630-1637), sendo em grande medida agredidos os
engenhos de açúcar (cerca de 50%). Posteriormente há a paz-nassauriana (Evaldo
Cabral de Mello), entre 1637-1645, havendo, posteriormente, um novo embate após
a saída de Nassau.
Ora, reunificado o Brasil sob um comando de um governo-geral, havendo
maior necessidade de recursos e, nesse sentido, havia a demanda de utilização de
escravos (Luanda não havia sido retomada). Os portugueses detiveram durante
muitos anos o contrato do fornecimento de escravos à América hispânica.
A economia açucareira portuguesa não consegue recuperar a economia
açucareira em razão de uma disputa por conta de outras colônias - especialmente
no Caribe. Ocorreram práticas mercantilistas (generalizando as inúmeras práticas
distintas que definiam a ideia de que a força de um Estado soberano dependia de
um controle que um espaço soberano detém em relação a um monopólio).
Com a Holanda, pagou-se a paz por meio de uma indenização. Com a
Inglaterra, há a transferência de 2.000.000 de cruzados mas há a concessão de
espaço no mercado português (auge: tratado de Methuen). Ora, a restrição da oferta
do açúcar português causa uma crise na economia açucareira, intensificada por
conta da competição pelos escravizados (outros lugares a serem vendidos).
Impacto no sistema monetário europeu com a implantação do padrão-ouro
pela Inglaterra (ouro dá o padrão, tirando as moedas de prata de circulação).
Busca por metais e pedras preciosas no Brasil - Sérgio Buarque de Holanda
-> “Visão do Paraíso” - a grande descoberta de minas de ouro no sertão de São
Paulo.

1671 - o novo governador do Brasil, nomeado por Afonso VI, Afonso Furtado de
Mendonça, em seu Regimento vem dito que havia obrigação de favorecer/patrocinar
expedições ao sertão em busca de metais preciosos (passa a carta-patente a
Fernão Dias Paes).
Manifesto - contar à autoridade a descoberta de ouro.
Durante décadas os paulistas passaram a extrair ouro sem realizar o Manifesto.

Guerra dos emboabas - poder que os paulistas detém no começo; emboabas = de


fora (tupis) - embate pelo controle da extração do ouro.

Produção do ouro

Dificuldade de recolocação do açúcar no circuito econômico da Europa.


Açucarocracia requereu a criação de uma moeda provincial no Brasil - Tratado que
propõe ideias novas, diagnosticando a situação monetária e a economia colonial
(Câmara Coutinho - assume a voz da açucarocracia e defende perante o monarca a
criação de uma moeda provincial e da Casa da Moeda).
Descoberta do ouro no sertão de São Vicente. Já havia sido notificada a
monarquia sobre outros locais em que se descobriu.
Estrutura - Braudel - desejo/prática da extração/busca do ouro, que tem se alterado
na longa duração, no sentido de haver alteração lenta.

Quinto enquanto generosidade do rei aos produtores (o ouro era de


propriedade do Rei).
Para ter acesso à terra, havia necessidade de ter escravos (vínculo entre
propriedades de escravos e acesso à terras), no entanto, havia acesso aos mais
pobres, ainda que em menor escala. O regimento de 1700 vale por pouco tempo
(em 1702 é trazido um Regimento de Lisboa), afinal de contas beneficiava os
paulistas.
Em 1702, estabelece-se o modo como o rei cobrará o quinto (criação de
casas para fundir o ouro).
Monarquia passa a vincular escravismo com a exploração aurífera.

Impactos na economia mineradora na sociedade colonial


Antonil - mineiros - primeiro dado na região das Minas Gerais - 1694 - corrida para
a região (vindos de toda a América e Portugal). No início do séc. XVIII, Sèrgio
Buarque de Holanda referencia a partir de dados do período.
Antonil - 3 grupos sociais que compõem a sociedade de Minas Gerais: catar
(escravos); mandar catar (senhores de escravos); vender (comerciantes).
Sistema religioso - ordens regulares e Igreja Católica - não há outra religião
válida que não a católica. Houve uma unidimensionalidade até o século XIX. Nesse
sentido, proibiu-se o estabelecimento das ordens na região das Minas Gerais.
O despovoamento do reino é preciso ser impedido (controle do fluxo
migratório a partir da emissão de vistos). Uma grande quantidade de pessoas
mudam-se para as Minas.
1705-1711 - emissão de passaportes
1720 - proibição da migração
1732 - novas tensões sociais causadas pela migração dos vassalos do Reino ao
Brasil. Desequilíbrio de forças entre periferia e centro. O inchaço da periferia
(econômico, a partir do século XVII) importa problemas na ordem demográfica,
colocando em xeque o equilíbrio colonial.
Triunfo Eucarístico - festa que traz a possibilidade de demonstração de opulência e
riqueza.

Boxer - estudo sobre o fluxo migratório


Laura de Mello e Souza - estudo sobre as festas nas Minas Gerais
Caio Prado Jr. - revolução demográfica nas Minas.

Relação entre escravismo e a produção do ouro - cap. V do Regimento - força a


relação da presença de escravizados e o estímulo do tráfico de escravos.

Angelo Carrara - mapeamento do espaço de produção que abastece a região das


Minas (currais).
Erro teórico - formação de um mercado - equívoco, esquemático demais.

Fluxo das mercadorias às regiões de mineração - passa pelos controles dos fluxo.
Zanella - gado enquanto aspecto importante para alimentar as atividades
mineradoras, mas o fluxo do gado traz contrabando. Controle do caminho: Bahia
envia o gado em direção aos portos no Rio de Janeiro.

Earl Hamilton - inflação no século XVI - crise do século XVII.