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IGREJA

MULTIPLICADORA
5 PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA CRESCIMENTO

IGREJA BATISTA NOVA ALIANÇA


Eldorado-MS.

“As igrejas eram firmadas na fé, e a cada dia cresciam em número.” At. 16:5

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IGREJA MULTIPLICADORA
5 PRICÍPIOS BÍBLICOS PARA CESCIMENTO
INTRUDUÇÃO À VISÃO DE IGREJA MULTIPLICADORA
A Visão de Igreja Multiplicadora é a visão de multiplicação intencional
baseada em cinco princípios bíblicos de crescimento para a Igreja Local, com o objetivo
de cumprir a Grande Comissão.
O mais importante da visão é a sua fundamentação bíblica e a sua
aplicabilidade em qualquer contexto ou modelo de igreja hoje. Esses cinco princípios
são: Oração, Evangelização Multiplicadora, Plantação de Igrejas, Formação de Líderes e
Compaixão e Graça.

PRINCÍPIOS DE IGREJA MULTIPLICADORA:


1 Oração: A oração não era eventual para os momentos de crise, nem
casual no dia a dia da Igreja do Novo Testamento. Ela fazia parte do estilo de vida da
Igreja. Eles oravam em todo o tempo sem cessar.
2 Evangelização Discipuladora: Os discípulos compartilhavam as Boas-
Novas em tempo e fora de tempo, estabelecendo Relacionamentos Discipuladores e
usando várias estratégias de acordo com o contexto social. O processo de
evangelização estará incompleto se não andarmos algumas milhas com as pessoas,
compartilhando-lhes verdade e vida. A Evangelização Discipuladora consiste na
comunicação do Evangelho aliada ao Relacionamento Discipulador, que é o
relacionamento intencional de um discípulo com outra pessoa visando torná-la outro
discípulo, vivenciando as três dimensões do discipulado: Chamar, Acolher e
Aperfeiçoar Discípulos Multiplicadores.
3 Plantação de Igrejas: A multiplicação de igrejas foi uma ação
estratégicas coordenada pelo Espírito Santo logo no início da expansão da Igreja no
Oriente Médio, na Ásia e na Europa. A chamada missionária de Paulo e Barnabé,
quando eles congregavam e lideravam a Igreja em Antioquia, estava diretamente
ligada a esse princípio estratégico: Plantar igrejas multiplicadoras.
4 Formação de Líderes: A formação de líderes multiplicadores é chave
dentro dos planos do Senhor Jesus Cristo de chegar até os confins da terra com as
Boas-Novas de salvação. Durante suas viagens missionárias, o Apóstolo Paulo sempre
focava a formação e capacitação de novos líderes para que a Igreja continuasse no seu
crescente desenvolvimento.
5 Compaixão e Graça: O Senhor Jesus sempre se compadeceu dos
sofrimentos das pessoas. Ele, em vários momentos, encheu-se de compaixão diante da
multidão que perecia como ovelhas sem pastor (Mc. 9:36)). A Igreja Noiva de Cristo,
não pode fechar os olhos para as necessidades para as pessoas dentro do seu raio de
alcance, e até mesmo em lugares mais distantes.
O objetivo da Visão de Igreja Multiplicadora é multiplicar discípulos e
igrejas. Para isso ela estrutura e organiza ações inter-relacionadas, tendo por base
esses cinco Princípios, onde cresceu e se desenvolveu no período do Novo
Testamento.

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PRIMEIRO PRINCÍPIO: ORAÇÃO.
OBJETIVOS:
● Definir a Oração e seus fundamentos.
● Avaliar a importância da vida de oração do Líder Multiplicador e da
igreja para a multiplicação de discípulos e o avanço missionário.
● Identificar estratégias eficazes para engajar a igreja local em oração.
● Implantar um plano de oração para sua vida, família e igreja.

A ORAÇÃO É ESSENCIAL
Jesus teve uma vida intensa de oração! Ele é o nosso maior exemplo. A
igreja de Atos entendeu a importância da oração e desde o seu início a teve como
estilo de vida. Ao seguirem a orientação de Jesus de retornar a Jerusalém e aguardar a
promessa do Pai, os discípulos perseveravam em oração. Orar foi o primeiro
movimento dos discípulos após o recebimento da Grande Comissão. Em Atos 1:14,
nós encontramos a igreja buscando intensamente a presença do Senhor: “E, unidos,
todos se dedicavam à oração, juntamente com as mulheres, com Maria, mãe de
Jesus, e com os irmãos Dele.” Em Atos 2:42, a Bíblia relata sobre os nossos irmãos que
“(...) eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e
nas orações.” O resultado foi uma poderosa proclamação do Evangelho. Sem oração
nada acontece. Só o agir de Deus em resposta à oração de Seu povo pode mudar toda
realidade (2Cr. 7:14).
Em o livro Fator Oração: Através da história da Igreja, os maiores
reavivamentos têm acontecido após períodos de trevas espirituais. Durante estes
períodos, pequenos grupos de pessoas desejavam ardentemente um Despertamento
Espiritual. A oração era vista como uma necessidade e não como uma opção!
Teremos uma grande colheita e uma intensa multiplicação de igrejas se
fizermos da oração um estilo de vida com dois objetivos: Demonstrar que a oração é
essencial para que tudo isso aconteça e fornecer os meios para fazer da igreja local
uma Igreja Multiplicadora através da oração.

ORAÇÃO – DEFINIÇÃO E FUNDAMENTOS:


Em Êxodo 33:11: “E o SENHOR falava com Moisés face a face, como
quem fala com seu amigo.” Gregory Frizzell diz: “Se sua vida de oração é
inconsistente e fraca, assim será o seu relacionamento com Deus.”
Eis alguns fundamentos:
● RECONHECIMENTO:
● INTIMIDADE:
●SANTIDADE:
● HUMILDADE:
● FÉ:
● SUBMISSÃO À VONTADE DE DEUS:
Só há um jeito de aprender a orar: Orando. Só há um Mestre capaz de
nos ensinar tudo sobre oração, o Espírito Santo. Só há um tempo definido para orar:
Sem cessar. Só há um momento para começar: Agora.

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A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO PARA A IGREJA
MULTIPLICADORA:
Somente através da oração podemos receber o necessário enchimento
do Espírito Santo para essa multiplicação. É por meio da oração que experimentamos
um Avivamento Bíblico. Na oração e por meio da oração que experimentamos um
Avivamento Espiritual. Uma Igreja Multiplicadora é uma Igreja em Avivamento.
E a maior expressão de avivamento em uma igreja será um testemunho
poderoso do evangelho no cumprimento da Grande Comissão (Mt. 28:18-20). E aí, sob
o poder e a dependência Dele, multiplicar discípulos e igrejas fluirá naturalmente.
Para que isso aconteça, antes de qualquer coisa, precisamos orar muito.
Por intermédio da oração recebemos capacitação, motivação, ousadia e orientação.
Quando os apóstolos foram revestidos de poder, nada (perseguição, timidez, medo ou
falta de preparo) foi empecilho para a pregação ousada e perseverante. O resultado foi
a multiplicação de discípulos e igrejas começando em Jerusalém, Judeia e Samaria e
até os confins da terra. (cf. At. 1:8).
Por mais que estratégias e metodologias sejam importantes, multiplicar
discípulos e igrejas é uma questão de experimentar um avivamento por meio da
oração. Jesus não só deixou uma ordem a sua Igreja (Mt, 28:18-20), como também a
equipou com tudo que precisava para cumprir essa Ordem e Missão: O Poder do
Espírito Santo (At. 1:8). Precisamos orar para que vivamos, de fato, a plenitude do
Espírito Santo para um testemunho poderoso e frutífero, como o das igrejas no Novo
Testamento.
A importância da relevância estratégica para a Obra Missionária na
Oração:
● A oração é essencial na Evangelização: Devemos regar
abundantemente o nosso grupo-alvo com oração. Pagar o preço da oração. Precisamos
estar dispostos a investir tempo em oração por conversões, pois só o Espírito Santo
pode convencer as pessoas de seus pecados. Pregar o Evangelho sem uma estratégia
de oração é como lançar semente em terra sem o devido preparo. Precisamos
priorizar o que é mais importante no processo: A Oração.
● A oração liberta os cativos em resposta à intercessão do Seu povo:
Através da oração, nós assumimos o papel essencial de parceria com Deus. Paulo
disse: “(...) e o deus desse século cegou a mente dos incrédulos, para que não vejam a
luz do Evangelho da glória de Cristo, o qual é a Imagem de Deus” (2Co. 4:4). Não há
dúvidas sobre o trabalho ininterrupto de Satanás no sentido de cegar o entendimento
das pessoas, deixando-as insensíveis à voz do Espírito Santo. Se quisermos que as
pessoas sejam salvas, precisamos ter um programa intenso de intercessão.
● Todo crente pode participar da Obra Missionária por meio da
Intercessão: A Bíblia afirma em Ef. 6:18-19: “Com toda oração e súplica, orando em
todo tempo no Espírito e, para isso mesmo, vigiando em toda perseverança e súplica
por todos os santos, e também por mim, para que a Palavra me seja dada quando eu
abrir a boca, para que possa, com ousadia, tornar conhecido o mistério do
Evangelho.” Envolver toda a igreja na Obra Missionária em Oração é uma questão
estratégica!
● Obreiros serão enviados aos campos como fruto da oração: Jesus nos
ensinou a orar por vocacionados: “E dizia-lhes: Na verdade, a seara é grande, mas os
trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores

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para a sua seara.” (Lc. 10:2). Não podemos pensar na Multiplicação de Igrejas sem a
multiplicação de líderes dispostos a entregar a vida para ser gasta no Reino de Deus.
Precisamos diariamente levantar um clamor para que Deus envie obreiros para sua
seara.
● A oração é uma poderosa arma para a Batalha Espiritual: A vida
cristã é uma grande batalha espiritual. A recomendação bíblica é que usemos a
Armadura de Deus: “Sede fortalecidos no Senhor e na força de Seu Poder” (Ef. 6:10). A
nossa grande luta não é contra carne e sangue, isto é contra pessoas, mas contra os
principados e potestades, contra as hostes espirituais da iniqüidade (Ef. 6:12).
Portanto, devemos tomar toda a Armadura de Deus, como recomenda a Bíblia, para
podermos resistir ao Dia Mau e ficarmos firmes na presença de Deus. A conclusão da
Armadura de Deus é justamente a Oração: “Orando em todo com toda a oração e
súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os
santos” (Ef. 6:18).

POR ONDE COMEÇAR: A VIDA DE ORAÇÃO DO LÍDER:


O líder no reino de Deus precisa ser exemplo em sua vida de oração. E.
M. Bounds, em seu livro Poder Através da Oração, nos diz: O pregador que ministra
vida a um homem de Deus, cujo coração tem sempre sede de Deus, cuja alma está
buscando a Deus constante e intensamente, cujos olhos estão postos só em Deus e em
quem, pelo poder do Espírito de Deus, a carne e o mundo foram crucificados e seu
ministério é como corrente abundante de um rio que dá vida.
Nenhuma pessoa deve realizar a Obra de Deus sem buscar o Deus da
Obra. A oração dará vida ao líder na realização do seu ministério. Para orar existe uma
simples orientação: Entre no seu quarto e fale com Deus (Mt. 6:6).
OBS.: Uma igreja dificilmente terá uma vida de oração mais efetiva do
que a de seu líder.
● Tenha um tempo agendado para orar: A oração deve ocupar a
primeira linha dos compromissos de nossa agenda diária.
● Use a Bíblia na oração:
● Faça um registro diário de oração: Em que vamos anotando cada
pedido de oração, datas, nomes e outros dados, servindo como um registro de fé e de
respostas de oração.
● Escreva a sua oração:
● Faça uma lista de pedidos:
● Use obras devocionais:
● Faça um calendário de oração: Com temas mensais de oração, com
datas e pedidos.
● Tenha lembretes pessoais:
● Ore em família: Separe um tempo para orar em família e edifique o
altar do culto doméstico.
● Tenha um companheiro de oração:

O DESAFIO: Ser uma Igreja que Ora e não apenas que Fala sobre
Oração.

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Segundo Charles Lawles, existe uma enorme diferença entre igrejas que
falam muito sobre a importância da oração e igrejas que oram. Há, ainda, igrejas que
nem sequer falam sobre oração. Nosso alvo não é apenas que a igreja entenda a
importância da oração, mas efetivamente seja uma igreja de oração.
No entanto, esse não é um caminho de um dia, mas uma longa jornada.
O tempo pertence a Deus. Sammy Tippit, em seu livro Avivamento e Evangelismo, nos
lembram que uma das características dos Avivamentos Históricos é que eles começam
com alguns poucos indivíduos que se tornam fiéis na oração. Essa é uma excelente
forma de começar o processo. O caminho do Avivamento na Oração é pavimentado
com muito amor, paciência e Constância, pois Deus quer que toda a igreja, em
unidade, seja envolvida nessa atmosfera de intimidade com Ele.
OBS: O grande problema não é a falta de tempo, mas a falta de fé e
priorização da oração.
SUGESTÕES PRÁTICAS DE PRINCÍPIOS DE ORAÇÃO NA IGREJA
MULTIPLICADORA:

1 A ORAÇÃO NO PGM
O PGM fortalece a oração na igreja, pois multiplica os momentos em
que os membros estarão reunidos para orar ao longo da semana. A oração nos PGMs
em dias diferentes acrescenta ainda mais tempo na presença de Deus dispensados por
toda a igreja durante a semana.
Outro ponto positivo do PGM com relação a oração é que no ambiente
informal dos encontros as pessoas têm mais oportunidade para compartilhar motivos
de petição e agradecimento. O dinamismo e a interação do PGM permitem que os
membros se envolvam mais com as lutas e as vitórias uns dos outros, dividindo as
cargas e celebrando juntos as respostas de Deus. O mandamento de “orar uns pelos
outros” (Tg. 5:16) fica mais fácil de ser cumprido por todos quando eles se reúnem
semana após semana para orarem juntos.
Outro fator que torna a oração no PGM uma arma poderosa é o apoio
mútuo na intercessão pela salvação de amigos e parentes. Todos os membros são
encorajados a dizer aos outros os nomes das pessoas por quem têm orado para levá-
las a Cristo.
Embora o encontro do PGM não seja um encontro só para oração, nele
a oração tem um valor imenso. Por meio dos relacionamentos de amor, o PGM
envolve todos no compromisso de sustentarem-se mutuamente por meio da
intercessão. Podemos dizer que a igreja que tem PGMs vivencia o princípio da oração
de uma forma muito natural e abençoadora entre todos os irmãos.

2 CARTÃO ALVO DE ORAÇÃO


Cada discípulo recebe um Cartão Alvo de Oração, no qual escreverá os nomes
de cinco pessoas ou mais pessoas por cuja salvação se compromete a orar durante certo
período. Ao mesmo tempo, os membros são estimulados a orar também por outras pessoas de
seu círculo de relacionamentos e até desconhecidos com quem se encontrem no cotidiano.
ORE PARA QUE DEUS:
.... Prepare o coração das pessoas para receberem o Evangelho.
.... Conceda a você oportunidade e poder para anunciar o Evangelho a
elas.

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.... Convença as pessoas da necessidade de arrependimento e fé em
Jesus.
MEU ALVO:
1 _________________________________________________________
2 _________________________________________________________
3 _________________________________________________________
4 _________________________________________________________
5 _________________________________________________________
Além de orar, os membros são incentivados a anunciar o Evangelho a
tais pessoas e estabelecer Relacionamentos Discipuladores com elas, de acordo com os
seguintes passos:
● 1* Passo: Escreva o nome das pessoas no Cartão. Ore por elas todos os dias,
pedindo que o Espírito Santo vá preparando o seu coração para receber a Palavra de
Deus, conceda a você oportunidades e poder para compartilhar o Evangelho e as
convença da necessidade de arrependimento e fé em Jesus Cristo.
● 2* Passo: Assim que começar a orar, diga a cada uma delas que você está
orando por elas. A mensagem pode ser assim: “Quero que saiba que você é uma
pessoas especial e que estou orando para que Deus abençoe sua vida, sua família, seu
lar e seu trabalho.” Se as pessoas estiverem acessíveis ao anúncio do Evangelho,
aproveite as oportunidades para compartilhar Cristo com elas.
● 3* Passo: Depois de alguns dias de oração, pergunte às pessoas de sua lista
se há algum pedido de oração. É importante que elas saibam que você se interessa por
suas necessidades e problemas pessoais.
● 4* Passo: Convide as pessoas para irem a sua casa a fim de compartilhar uma
refeição e ter um momento de convívio com elas. Faça com que elas se sintam bem-
vindas e apreciadas. Durante o encontro, compartilhe o seu testemunho pessoal e
apresente o Evangelho. Pergunte às pessoas se elas têm interesse em conhecer mais
sobre Jesus e se ofereça para conversar sobre esse assunto mais vezes. Se a pessoa
disser “sim”, glória a Deus! Você acabou de criar um Relacionamento Discipulador.
● 5* Passo: Convide as pessoas para o encontro do seu PGM ou para o culto da
igreja. Elas dificilmente recusarão o seu convite. Procure relacionar essas pessoas com
outros crentes, fazendo que se sintam acolhidas e amadas. Envolva mais irmãos na
oração, na compaixão e no zelo por essas pessoas.
● 6* Passo: Se a pessoa mostrar desinteresse, desistir ou simplesmente recusar
o convite, não desista dela nem desanime. Continue orando e buscando oportunidades
para evangelizá-la através de outras abordagens, especialmente por meio do serviço e
amor prático. Diga a ela que você, o seu PGM e a sua igreja estarão sempre à
disposição e que você continuará orando por ela.

3 ORAÇÃO E VIGÍLIAS
Essas atividades estão entre as mais comuns na igreja. Algumas realizam
orações diariamente (matutinos ou ao meio-dia), outras no meio da semana e, ainda, vigílias
de oração.

4 MINUTO QUE IMPACTA E TRANSFORMA – MIT

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Este é um programa iniciado em nível nacional com milhares de irmãos
orando todos os dias ao meio-dia.

5 CAMPANHAS DER ORAÇÃO


A igreja escolhe um tema e um período para que todos orem especificamente
sobre esse tema.

6 MOBILIZAÇÕES DE ORAÇÃO NAS REDES SOCIAIS


Pode envolver muitas pessoas numa larga Rede Multiplicadora de Oração.

7 REDE DE INTERCESSORES
Essa é uma estratégia para plantadores de igreja que iniciam o trabalho
com poucas pessoas, e muitas vezes só com a família missionária.

8 DEZ MINUTOS DE ORAÇÃO


Mobilizar a igreja para ter pelo menos dez minutos de oração diária. Dez
minutos que podem mudar a sua vida, sua família, sua igreja e o mundo. Dos 1.440
minutos do dia, estamos pedindo dez, ou seja, menos de 1% do seu dia.

9 CAMINHADAS DE ORAÇÃO
A igreja local sai pelas ruas do bairro ou cidade intercedendo em favor
das pessoas e famílias que ali residem para que Deus as liberte de suas superstições e
venha crer em Jesus. A caminhada da oração também ajuda a igreja a perceber a
realidade de seu bairro e cidade e a clamar a Deus por uma intervenção graciosa.
Neemias fez uma espécie de Caminhada de Oração: (Ne. 2:11-17).

10 RELÓGIO DE ORAÇÃO

SEGUNDO PRINCÍPIO: EVANGELIZAÇÃO


DISCIPULADORA
OBJETIVOS:
Depois de estudar este capítulo, você seja capaz não só de
compreender isso, mas também de:
● Definir os conceitos de Evangelização e Discipulado à luz da Grande
Comissão.
● Explicar o que é Evangelização Discipuladora e Relacionamento
Discipulador.
● Avaliar que a proclamação do Evangelho deve estar aliada a um
Relacionamento Discipulador.
● Identificar as implicações e os benefícios da Evangelização
Discipuladora para a dinâmica da igreja local.
● Avaliar como a estratégia de Pequenos Grupos Multiplicadores
potencializa a Evangelização Discipuladora na igreja local.

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A EVANGELIZAÇÃO À LUZ DA GRANDE COMISSÃO:
A essência, o propósito, as motivações, a fonte de poder e o alvo da
Evangelização:

1 A ESSÊNCIA DA EVANGELIZAÇÃO
Evangelizar é, por essência, anunciar o Evangelho, torná-lo conhecido.
Para que alguém se converta e se torne um discípulo de Jesus, é necessário que ouça o
Evangelho pelo menos uma vez e o compreenda, recebendo-o em seu coração pela fé.
Quase sempre que a palavra Evangelho ocorre no NT. Associada a algum verbo, trata-
se de anunciar, pregar, fazer notório, comunicar, proclamar, testemunhar e falar.
Paulo chamou a atenção para essa essência da Evangelização em vários textos, entre
eles 1Co. 1:21: “(...) foi do agrado de Deus salvar os que crêem por meio do absurdo
da pregação.” Ainda, Rm. 10:14-17: Como, pois, invocarão aquele em quem não
creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não
há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Assim como está escrito:
Como são belos os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos deram ouvidos
ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem deu crédito à nossa mensagem?
Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela Palavra de Cristo.

2 O PROPÓSITO DA EVANGELIZAÇÃO
Quanto ao propósito, evangelizar é oferecer às pessoas uma
oportunidade válida de crer em Jesus Cristo. Por válida, queremos dizer uma
oportunidade em que o Evangelho seja proclamado de maneira bem clara e fiel de
modo que a pessoa posa vir a compreendê-lo e responder positivamente. A clara está
relacionada à forma (linguagem) com que o Evangelho é proclamado e a fidelidade se
refere à concordância com a Bíblia e a teologia do Evangelho.

3 A MOTIVAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO


A Bíblia nos orienta a fazer tudo para a glória de Deus (1Co. 10:31). O
apóstolo Paulo parece considerar a evangelização, antes de tudo, um ato de adoração,
como explica em 1 Tss. 2:4: “Assim como fomos aprovados por Deus para que o
Evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar a homens, mas a
Deus, que testa nosso coração.” Desta forma, a motivação última para a Evangelização
é glorificar a Deus.
Essa motivação se desmembra em duas expressões: O Amor de Cristo
por meio da obediência e a compaixão pelas vidas perdidas. Jesus disse: “Aquele que
tem os meus mandamentos e a eles obedece, esse é o que me ama” (Jo. 14:21). Isso
significa que a maior expressão de amor a Cristo é a obediência a Ele. Para Paulo, o
amor de Cristo trazia um grande senso de responsabilidade na pregação do Evangelho:
“Pois o que nos motiva é o amor de Cristo” (2Co. 5:14ª). E, ainda: “Mas, se anuncio o
evangelho, não tenho de que me gloriar, pois tal obrigação me é imposta. E ai de
mim, se não anunciar o evangelho!” (1Co. 9:16).
Por causa desse senso de responsabilidade, devemos evangelizar “toda
criatura” (Mc. 16:15) “a tempo e fora de tempo” (2Tm. 4:2). Isso significa a
proclamação constante do Evangelho a todas as pessoas ao nosso alcance, competindo
a nós tanto aproveitar as oportunidades quanto criá-las.

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A isso se conecta a segunda expressão da motivação para a
Evangelização, que é glorificar a Deus através da compaixão que devemos ter pelas
almas perdidas, ilustrada, entre outros textos, no exemplo do Senhor Jesus: “Vendo as
multidões, compadeceu-se delas, porque andavam atribuladas e abatidas, como
ovelhas que não tem pastor” (Mt. 9:36).

4 A FONTE DE PODER PARA A EVANGELIZAÇÃO


A fonte de poder para a Evangelização é o Espírito Santo.
Atos 1:8:

5 O ALVO DA EVANGELIZAÇÃO
O alvo da Evangelização é persuadir as pessoas a crerem em Jesus Cristo
como Senhor e Salvador, de modo a serem acrescidas à Igreja mediante a profissão de
fé e o batismo.
Na Grande Comissão, a ordem dada pelo Senhor Jesus a sua Igreja para
o (“IDE”) ao mundo perdido (“TODAS AS NAÇÕES”) e de lá suscite discípulos para Jesus
(“FAZEI DISCÍPULOS”), batizando-os e ensinando-os a obedecer.
Isso pode ser representado pelo seguinte diagrama: Ir = Fazer Discípulos
= Batizar = Ensinar.
A ênfase da Grande Comissão: “Fazer Discípulos.”

6 DEFINIÇÃO DE EVANGELIZAÇÃO
A comunicação clara e fiel do Evangelho visando, sob o poder e
dependência do Espírito Santo, levar pessoas ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo
como Senhor e Salvador, tornando-se seus discípulos.

O DISCIPULADO À LUZ DA GRANDE COMISSÃO


Geralmente, associa-se o Discipulado à última parte da Grande
Comissão, isto é, ao ensinar a obedecer todas as coisas que Jesus ordenou para novos
convertidos. Mas, será que o fazer discípulos deve acontecer somente após a
conversão? Afinal, o que é Discipulado à luz da Bíblia?

1 O DISCÍPULO E O DISCIPULADO
Em primeiro lugar, devemos notar que a palavra “discipulado” não
ocorre na Bíblia, mas apenas o termo “discípulo” e a expressão imperativa “fazei
discípulos” (Mt. 28:19). Desta forma, antes de construirmos um conceito de
Discipulado, é importante entendermos o que é um discípulo e o que é fazer
discípulos.
“Discípulo” (matbetes, no grego) quer dizer aluno, aprendiz, aquele que
aprende, que segue o ensino de alguém, aquele que se assenta aos pés de um mestre
para aprender com ele.
Portanto, o discípulo de Cristo pode ser assim definido hoje: Toda
pessoa que, sendo salva por meio da fé em Jesus Cristo, passa a segui-lo como Senhor.

2 O FAZER DISCÍPULOS E O DISCIPULADO: AS TRÊS DIMENSÕES

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No original, a palavra em Mt. 28:19 é matbeteusate. Presente na forma
imperativa, literalmente significa discipulai, ação essa que compreende tanto admitir
(alistar ou angariar) discípulos, quanto passar a ensiná-los e treiná-los.
Podemos perceber desde já que “fazei discípulos” – tradução mais
comum em Português – deve ser entendida não apenas como sinônimo de aperfeiçoar
uma pessoa que já é considerada um discípulo, mas também de fazer com que alguém
que não é um discípulo se torne um. A primeira atitude do Discipulado praticado por
Jesus foi, na maioria absoluta dos casos, chamar pessoas para segui-lO (Mt. 4:18-22,
Mc. 1:14-20 e Lc. 5:1-11). Desta forma, se entendermos Discipulado à luz do Discipulai
exposto na Grande Comissão e da prática de Jesus, então as pessoas perdidas são o
seu público-alvo primário.
O livro de Atos também aponta para isso: “E, depois de anunciar o
evangelho naquela cidade e de fazer muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e
Antioquia” (At. 14:21). O texto indica que Paulo e Barnabé anunciaram o Evangelho
com um alvo muito bem definido: Fazer discípulos, isto é, chamar novos discípulos
para Jesus Cristo. Certamente eles dedicaram tempo suficiente para desenvolver um
relacionamento com aquelas pessoas até que elas efetivamente se converteram e
passaram a seguir a Jesus como Senhor e Salvador, tornando-se, enfim, seus
discípulos. De igual forma hoje, a primeira ação no sentido de fazer discípulos é
chamar pessoas para seguir a Jesus, sendo essa a primeira dimensão do Discipulado.
OBS: A primeira ação no sentido de fazer discípulo é chamar pessoas
para seguir a Jesus.
Só que a Grande Comissão não pára nesse ponto: Ela nos ordena
também a batizar os discípulos, agregando-os à comunhão na Igreja de Cristo. Nisso se
traduz a segunda dimensão do Discipulado: Agregar discípulos. Esse era o
procedimento dos apóstolos como descrito em At. 2:41: “De sorte que foram
batizados os que de bom grado receberam a sua Palavra; e naquele dia agregaram-
se quase três mil almas.” (Almeida Corrigida e Fiel).
Naturalmente, a expressão “agregaram-se” traz implícita a integração
das pessoas na comunidade dos crentes, o que deve acontecer com todo convertido.
Um exemplo disso é o próprio apóstolo Paulo, que, depois de batizado, foi
imediatamente acolhido no convívio dos discípulos que estavam em Damasco (At.
9:18-19). Assim também Lídia e o carcereiro de Filipos (At. 16:15, 33-34).
Depois de agregar discípulos, a Grande Comissão nos manda ensiná-los
a obedecer todas as coisas que o Senhor Jesus Cristo nos tem ordenado; ou seja,
“aperfeiçoar discípulos”, que é, enfim, a terceira dimensão do Discipulado.
Após terem chamado e acolhido discípulos em uma nova comunidade
de crentes, os missionários em Atos 14 também se preocuparam em retornar às outras
cidades para confirmar o ânimo dos discípulos e exortá-los a perseverar na fé: E,
depois de anunciar o evangelho naquela cidade e de fazer muitos discípulos,
voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, renovando o ânimo dos discípulos,
exortando-os a perseverar na fé, dizendo que em meio a muitas tribulações nos é
necessário entrar no reino de Deus (At. 14:21-22).
Esse conceito está bem retratado em Cl. 1:28-29, em que o apóstolo
Paulo esclarece que, além de anunciar, buscava admoestar e ensinar os convertidos: A
ele anunciamos, aconselhando e ensinando todo homem com toda a sabedoria, para

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que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu trabalho, lutando de
acordo com a sua eficácia, que atua poderosamente em mim.
Assim, essa terceira dimensão do Discipulado (aperfeiçoar discípulos),
tem em vista “apresentar todo o homem perfeito em Cristo,” como podemos ler
também em Ef. 4:12-13: Tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos para a obra
do ministério e para a edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à
unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito,
à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Atos 28:30-31 relata que “Paulo morou durante dois anos inteiros na
casa que havia alugado e recebia todos que o visitavam, pregando o reino de Deus e
ensinando as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo, com toda a liberdade, sem
impedimento algum.” Esse texto traz a noção clara de que Paulo investiu tempo no
aperfeiçoamento cristão de todas as pessoas interessadas. Mais à frente veremos
outros exemplos como esse.
Percebemos, então, que o Discipulado à luz da Grande Comissão
começa com o “chamar discípulos,” passa pelo “acolher” – isto é, pelo integrar o
novo convertido na igreja local mediante o batismo – e compreende também o
“ensinar a obedecer” – que é o “aperfeiçoar.”

3 DEFINIÇÃO DE DISCIPULADO
O Discipulado, como encontrado no chamado primordial de cada
cristão, é mais do que ministrar estudos bíblicos ou ter classe de doutrina para um
novo convertido, pois começa com o Relacionamento Intencional que deve ser gerado
desde a primeira ação evangelística que objetiva fazer Discípulos Multiplicadores.
Diante disso, podemos definir o Discipulado como: O processo de fazer
Discípulos Multiplicadores por meio do Relacionamento Intencional de um discípulo
com uma pessoa visando torná-la outro discípulo.
Isso é o que a partir de agora chamamos de Relacionamento
Discipulador – RD, que é o Relacionamento Intencional de um discípulo com uma
pessoa visando torná-la outro discípulo. O RD pode acontecer entre um discípulo e
uma pessoa não convertida visando torná-la um discípulo ou entre um discípulo e
outro visando aperfeiçoá-lo. Observem que o Discipulado está relacionado com o
processo de fazer discípulos, encontrado na Grande Comissão, enquanto o
Relacionamento Discipulador é o meio pelo qual esse processo se envolve.

DEFINIÇÃO DE EVANGELIZAÇÃO DISCIPULADORA


Evangelização e Discipulado precisam ser unidos debaixo da autoridade
da Grande Comissão. Primeiro, porque é, somente à luz dela que esses dois conceitos
podem ser entendidos de forma completa. Segundo, porque só quando eles são
plenamente compreendidos é que estamos aptos a cumprir a Grande Comissão em
toda a sua abrangência. A Grande Comissão é, portanto, o ponto de partida e o de
chegada da Evangelização Discipuladora.
A dinâmica do cumprimento da Grande Comissão, nas suas três
dimensões, podem ser, facilmente observadas, na descrição feita pelo apóstolo Paulo
sobre a forma como foi realizado o seu esforço missionário entre os efésios e os
tessalonicenses: Quando chegaram, Paulo disse-lhes: Bem sabeis de que modo tenho

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vivido entre vós o tempo todo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, servindo
ao Senhor com toda a humildade, e com lágrimas e provações, as quais me
sobrevieram pelas ciladas dos judeus. Não me esquivei de vos anunciar nada que
fosse benefício, ensinando-vos publicamente e de casa em casa, testemunhando,
tanto a judeus como a gregos, o arrependimento para com Deus e a fé em nosso
Senhor Jesus. (...) Mas em nada considero a vida preciosa para mim mesmo,
contanto que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor
Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. E agora sei que nenhum
de vós, por entre os quais passei pregando o reino de Deus, jamais tornará a ver o
meu rosto. Portanto, no dia de hoje, eu vos afirmo que estou limpo do sangue de
todos. Porque não deixei de vos anunciar todo o propósito de Deus. (...) Estai
atentos, lembrando-vos de que durante três anos não cessei, dia e noite e com
lágrimas, de aconselhar cada um de vós. (...) Em tudo vos dei o exemplo de que
deveis trabalhar assim, a fim de socorrerdes os doentes, recordando as palavras do
próprio Senhor Jesus: Dar é mais bem-aventurado que receber (At. 20:18-21, 24, 26-
27, 31, 35, grifos nossos).
Assim, devido ao grande afeto por vós, estávamos preparados a dar-
vos de boa vontade não somente o evangelho de Deus, mas também a própria vida,
visto que vos tornastes muito amados para nós. Irmãos, sem dúvida vos lembrais do
nosso trabalho e fadiga; trabalhamos dia e noite para não ser um peso a nenhum de
vós, enquanto vos pregamos o evangelho de Deus. Vós e Deus sois testemunhas de
como nos postamos de modo santo, justo e irrepreensível para convosco, os que
credes, assim como sabeis que tratávamos a cada um de vós da mesma forma como
um pai trata seus filhos, exortando-vos, consolando-vos e insistindo em que vivêsseis
de modo digno de Deus, que vos chamou para o seu reino e glória (1Ts. 2:8-11, grifos
nossos).
O ministério de Paulo compreendia transmissão de verdade e de vida,
ensino e exemplo, comunicação e convívio, evangelização e relacionamento. Veja isso
no gráfico a seguir:
EVANGELIZAÇÃO: Comunicação do Evangelho. DISCIPULADORA:
Relacionamento Discipulador.
CHAMAR: → Conversão e Envio: ACOLHER → Batismo: APERFEIÇOAR.
Portanto, a Evangelização Discipuladora pode ser assim definida: A
comunicação do Evangelho aliada ao Relacionamento Discipulador com o objetivo de
chamar, agregar e aperfeiçoar Discípulos Multiplicadores.
Vamos ver, agora, como a Evangelização Discipuladora se expressa em
termos mais práticos:

EVANGELIZAÇÃO DISCIPULADORA E OS RELACIONAMENTOS


DISCIPULADORES
É impossível cumprir plenamente a Grande Comissão sem
relacionamentos. Deus, que é um Ser Pessoal, veio a nós em forma de homem para se
relacionar conosco. Jesus Cristo, nosso modelo de discipulador, não apenas convidou
os seus discípulos para segui-lO, como também os acompanhou de perto até que
estivessem preparados para dar continuidade a Sua missão.
Por isso, o que caracteriza a Evangelização Discipuladora é que todo
processo de comunicação do Evangelho deve estar aliado a uma Intencionalidade de

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criação e aprofundamento de Relacionamentos Discipuladores, a fim de que
efetivamente possamos evangelizar as pessoas para que se tornem discípulas de Jesus
e sejam acolhidas na igreja e iniciadas no aperfeiçoamento cristão.
Pensando assim, o cumprimento da Grande Comissão passa a ser
entendido não apenas como um ato (só anunciar), mas como um processo (Criar e
Aprofundar Relacionamentos Discipuladores) Tudo bem que a Evangelização, em si, é
uma ação no sentido de que o verbo mais próprio para sintetizar a atividade de pregar
as Boas-Novas é mesmo Evangelizar, e não há como fugir disso.
OBS: O que caracteriza a Evangelização Discipuladora é que todo
processo de comunicação do Evangelho deve estar aliado a uma Intencionalidade de
criação e aprofundamento de Relacionamentos Discipuladores.

A RELAÇÃO ENTRE EVANGELIZAÇÃO E DISCIPULADO: O QUE


MUDA?
Observe como a Evangelização Discipuladora contrasta com as noções
habituais sobre a relação entre Evangelização e Discipulado, que podem ser
classificadas de duas formas: Evangelização Versus Discipulado e Evangelização mais
Acompanhamento Evangelístico Versus Discipulado.
Vejamos o sistema de Evangelização Versus Discipulado. No passado,
em nossas campanhas evangelísticas, era costume, aqueles que se incumbiam da
Evangelização – e geralmente apenas dela -, uma vez encerrada a “fase de
evangelização”, entregar nomes e fichas de pessoas decididas ao pastor ou missionário
local para que ele iniciasse com elas o processo de “discipulado.” Esse evangelista se
sentia quite com sua obrigação perante a Grande Comissão no momento em que
obtinha tantas decisões e deixava com o responsável pelo “discipulado” as fichas das
pessoas ditas como “convertidas.” Por esse sistema, quando os “frutos” não eram
“conservados,” a culpa era atribuída ao obreiro local, que não teria sido diligente na
etapa do discipulado. Não há como argumentar contra o fato de que esse sistema tem
gerado uma grande perda dos “resultados” de muita de nossas ações evangelísticas.
Um ano depois, costuma-se visualizar poucos resultados em termos de batismos.
EVANGELIZAÇÃO – Decisão (conversão) – DISCIPULADO
Passou-se a entender que “decisão” não é necessariamente o mesmo
que “conversão.” Em geral, uma “decisão” ou, para outros, uma “manifestação ao lado
de Cristo,” passou a ser encarada como um “interesse por Jesus”, ou seja, um desejo
sincero de conhecer mais sobre Cristo ou até mesmo de participar de um estudo
bíblico. Nesse sistema, o que se segue à Evangelização são estudos bíblicos para
apresentar o Evangelho de forma mais completa e continuada às pessoas interessadas
em conhecer mais sobre Jesus, encerrando-se com a sua efetiva conversão. Esse
Acompanhamento Evangelístico, como o nome sugere, ainda deve ser encarado como
parte da Evangelização. Nessa forma de pensar, o “discipulado”, como
tradicionalmente entendido, é o que acontece depois da conversão dessa pessoa,
quando ela então será “ensinada acerca de todas as coisas que Jesus Cristo tem nos
ordenado” (Mt. 28:20). O problema é que, de modo geral, o Acompanhamento
Evangelístico acabou preso em uma lacuna que não se sabe quem deve preencher: Se
o evangelista ou o discipulador. Além disso, esse conceito identifica o Discipulado
apenas como sinônimo do cumprimento do “ensinar acerca de todas as coisas”,
quando já vimos que é muito mais do que isso.

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PREGAÇÃO – Decisão – ACOMPANHAMENTO EVANGELÍSTICO –
Conversão – DISCIPULADO
Evangelização + Acompanhamento Evangelístico Versus Discipulado
“Fazer discípulos” é um processo que começa no primeiro anúncio do
Evangelho a uma pessoa, pois ali já se pretende transformá-la em um seguidor de
Cristo, um discípulo. Assim, nós evoluímos para um novo entendimento: A
Evangelização Discipuladora, que une Evangelizaação e Discipulado à luz da Grande
Comissão.

O RELACIONAMENTO DISCIPULADOR: Chamar, Acolher e


Aperfeiçoar Discípulos.
Como vimos, o Relacionamento Discipulador é o relacionamento
intencional de um discípulo com uma pessoa visando torná-la outro discípulo. Vejamos
agora como o Relacionamento Discipulador se desenvolve nas três dimensões do
Discipulado.

1 RELACIONAMENTO DISCIPULADOR PARA CHAMAR DISCÍPULOS


Todas as vezes que, tendo sido anunciado o Evangelho a uma pessoa
perdida, esta se mostra interessada em continuar ouvindo sobre o assunto, a Grande
Comissão nos ordena a estabelecer com ela um Relacionamento Discipulador. Para o
caso de a pessoa evangelizada ser do nosso círculo de relacionamentos, o interesse do
Evangelho despertado pela pregação deve ocasionar a transformação de um
relacionamento “normal”, que já existe, em um Relacionamento Discipular. O
Relacionamento Discipulador se difere de um relacionamento “normal” pela
intencionalidade no fazer discípulos.
As condições iniciais para o estabelecimento de um Relacionamento
Discipulador são, pois: Relacionamento + anúncio do Evangelho e interesse da pessoa.
Anúncio + Interesse = RD.
Condições para o Relacionamento Discipulador: Anúncio e Interesse.
Se repararmos bem, essa era a metodologia dos apóstolos: Em primeiro
lugar, buscavam anunciar o Evangelho para o máximo de pessoas; depois, dedicavam
atenção àquelas que se mostravam interessadas. Observem alguns exemplos no livro
de Atos:
● Em At. 2:40-42, depois do célebre sermão no dia de Pentecostes,
Pedro “com muitas outras palavras (...) deu testemunho e exortava as pessoas.” Os
que aceitaram de bom grado o Evangelho foram batizados e começaram a perseverar
no ensino dos apóstolos, na comunhão e nas orações. Isso denota uma dedicação
integral dos apóstolos às pessoas receptivas à pregação. No v. 42, os apóstolos “todos
os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus
Cristo.” Ora, para os apóstolos terem estado nas casas, isso dependeu de os seus
moradores estarem interessados em conhecer mais sobre o Evangelho, depois de o
terem ouvido pelo menos uma vez.
● Em Antioquia da Pisídia (13:4ss.), Paulo começou pregando o
Evangelho publicamente na sinagoga. Tendo muitos dos judeus e prosélitos crido,
estes seguiram Paulo e Barnabé. Os dois, então, dedicaram atenção imediata a esses,
falando-lhes e exortando-os (v. 43). Na semana seguinte, “ajuntou-se quase toda a

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cidade a ouvir a Palavra de Deus” (v. 44). Alguns rejeitaram a mensagem (v. 46),
outros creram (v. 48). Fica claro que os apóstolos não encararam como uma surpresa o
fato de que alguns recusaram a mensagem (vv. 46-51). Ao invés, se dispuseram a
dedicar tempo aos interessados.
● Em Icônio, Paulo e Barnabé falaram na sinagoga e muitos creram;
outros permaneceram incrédulos (14:1-2). Em seguida, os missionários investiram
“muito tempo” ali, “falando ousadamente do Senhor” (v.3). Fácil perceber que houve
da parte dos missionários a preocupação de investir no Relacionamento Discipulador
dos interessados.
● Em Filipos, por não haver sinagoga, Paulo e Silas anunciaram Jesus a
umas mulheres à beira do rio (16:13). Lídia, depois de crer e ser batizada, rogou que os
missionários ficassem em sua casa, no que foi atendida por eles (v. 14). Mais tarde, na
evangelização do carcereiro, uma vez que ele creu, Paulo e Silas foram até a sua casa.
O modelo aqui, mais uma vez, é pregar a todos e andar perto daqueles que se
interessarem por saber mais do Evangelho, inclusive indo até a sua casa.
● Em Corinto, Paulo “todos os sábados disputava na sinagoga, e
convencia a judeus e gregos,” “testificando (...) que Jesus era o Cristo” (18:4-5).
Quanto aos que resistiram, entendeu que não teria tempo a perder com eles (v. 6).
Contudo, para o bem de todos que demonstraram receptividade à mensagem, Paulo
ficou ali por um ano e seis meses ensinando a Palavra de Deus, os quais, ouvindo-o,
creram e foram batizados (vv. 7-11).
● Em Éfeso, Paulo, “entrando na sinagoga, falou ousadamente e por
espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. Mas,
como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho
perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os
dias na escola de um certo Tirano. E durou isso por espaço de dois anos (...)” (19:8-
10). Ou seja, o apóstolo, após anunciar ao máximo de pessoas, fez uma triagem com
base no interesse delas, passando a relacionar-se com prioridade com aqueles que se
interessaram pelo Evangelho. Mais à frente (20:20), Paulo relata que, enquanto esteve
em Éfeso, ensinava publicamente e pelas casas. A comoção da despedida nos
versículos 36 e 37, retrata a profundidade do Relacionamento Discipulador
desenvolvido por Paulo com aqueles líderes nesse período.
● Paulo seguiu o mesmo padrão até o fim: Anunciava ao máximo, como
quando convocou os judeus de Roma para lhes pregar o Evangelho (At. 28:17, 20 e 23).
O texto relata que “alguns criam no que se dizia, mas outros não criam” (v. 24). Aos
que se interessaram, Paulo dedicou dois anos inteiros para recebê-los em sua casa
(uma vez que estava em prisão domiciliar e, por isso, não poderia ir à casa de ninguém)
“todos quantos vinham vê-lo,” a quem “ensinava com toda a liberdade as coisa
pertencentes ao Senhor Jesus Cristo” (vv. 30-31).
Uma vez que a pessoa evangelizada demonstre interesse pelo
Evangelho, deve-se criar e aprofundar o Relacionamento Discipulador, que contribuirá
para a sua conversão e integração à igreja local.

2 RELACIONAMENTO DISCIPULADOR PARA ACOLHER DISCÍPULOS


O objetivo principal do Relacionamento Discipulador é levar a pessoa ao
conhecimento de Deus, mas o evangelista discipulador também deve procurar

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relacionar a pessoa discipulada com o Corpo de Cristo. Muitas pessoas estão abertas a
um relacionamento com Deus, mas são resistentes quanto a pertencer a uma igreja.
Uma das maneiras mais eficientes de acolher pessoas à comunhão da
igreja é inserindo-as em um Pequeno Grupo Multiplicador – PGM.

3 RELACIONAMENTO DISCIPULADOR PARA APERFEIÇOAR DISCÍPULOS


O Discipulado também diz respeito a aperfeiçoar discípulos. O princípio
é que o Relacionamento Discipulador seja algo que nunca termine, uma vez que todos
os crentes precisam ser discipulados por alguém até o fim de sua vida com vistas ao
seu contínuo amadurecimento.
Depois da conversão, o Relacionamento Discipulador prossegue, agora
com o intuito de aperfeiçoar o discípulo, sendo que desde o seu encontro com Jesus
ele já está apto à multiplicação. De fato, a partir do momento em que uma pessoa se
torna discípulo de Jesus mediante a sua conversão, passando a segui-lo como seu
Senhor, torna-se apta a fazer novos discípulos. Os exemplos bíblicos são vários entre
eles:
● A mulher samaritana, que, mediante depois do encontro com Jesus,
“foi à cidade e disse ao povo: Vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho
feito; será ele o Cristo?” (Jo. 4:28-29). Em resposta, o povo saiu da cidade para ter com
Jesus (v. 30).
● O ex-endemoninhado gadareno, que, tão logo foi liberto por Jesus,
foi por Ele comissionado: “Vai para casa, para a tua família, e anuncia-lhes quanto o
Senhor fez por ti e como teve misericórdia de ti” (Mc. 5:19). Em seguida, “ele se
retirou e começou a divulgar em Decápolis tudo quanto Jesus lhe havia feito; e todos
se admiraram” (v. 20).
● André, a partir do instante em que encontrou Jesus, foi em busca de
seu irmão Simão Pedro, para quem anunciou: “Achamos o Messias (que, traduzido, é
o Cristo). E levou-o a Jesus” (Jo. 1:41-42).
Por isso, o envio do novo discípulo com a missão de fazer novos
discípulos não é uma etapa do Discipulado e muito menos uma ação que tenha lugar
somente depois do “acolher” ou do “aperfeiçoar”, mas uma conseqüência do próprio
chamado para ser um discípulo, pois todo discípulo de Jesus é comissionado a ser um
multiplicador. “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt. 4:19 e
Mc. 1:17).

4 ELEMENTOS DO RELACIONAMENTO DISCIPULADOR


Como vimos, o Relacionamento Discipulador é o relacionamento
intencional de um discípulo com uma pessoa visando torná-la outro discípulo. Esse
relacionamento possui seis elementos, que formam um acróstico com a palavra
RAÍZES, como se pode ver a seguir:
RELACIONAMENTO DISCIPULADOR: A árvore.
RAÍZES: Relacionar-se, Acolher, Interceder, Zelar pela Pessoa, Ensinar o
Evangelho. Solicitar Contas.
Elementos do Relacionamento Discipulador:
● R – Relacionar-se Pessoalmente: Devemos investir tempo para estar
com a pessoa que estamos discipulando, não apenas para conversar sobre o Evangelho
e suas implicações, mas também para aprofundar o convívio e a relação de confiança.

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Esse relacionamento é essencial para a transmissão de vida, que se dá não apenas por
palavras, mas através de um bom testemunho cristão que produz imitação (1Co. 11:1,
4:16. Fp. 3:17, 2Tm. 2:2).
● A – Acolher à Igreja: Devemos buscar aproximar a pessoa discipulada
ao Corpo de Cristo, procurando envolvê-la com outros discípulos e com a igreja. Após a
sua conversão, o discipulador deve trabalhar para o desenvolvimento dos dons da
pessoa discipulada dentro do Corpo de Cristo e a liberação de seus sonhos ministeriais.
O Discipulador deve incentivar a participação do novo discípulo em um Pequeno Grupo
Multiplicador (PGM) e a membresia ativa na igreja local.
● I – Interceder: Devemos orar pela pessoa discipulada antes mesmo de
lhe anunciar o Evangelho, e depois intensificar nossa intercessão, para que
experimente uma verdadeira transformação e, uma vez convertida, cresça no
conhecimento de Deus e de Sua vontade. Tão logo seja possível, devemos também
incentivar a pessoa discipulada a orar por outras pessoas que precisam conhecer Jesus.
● Z – Zelar pela pessoa: Devemos procurar exercer compaixão pela
pessoa discipulada, zelando por sua saúde espiritual, física, emocional, familiar e até
financeira, dentro do possível. Isso não significa que seremos provedores de tudo, mas
que pequenos gestos de compaixão podem falar mais alto que palavras, produzindo
grande impacto para a compreensão do Evangelho. O Pequeno Grupo Multiplicador
(PGM) pode ser muito valioso para nos auxiliar no cumprimento desse aspecto do
Relacionamento Discipulador.
● E – Ensinar o Evangelho e suas Implicações: Esse tópico é o cerne do
Relacionamento Discipulador. A pessoa discipulada precisa ser exposta ao máximo ao
Evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação (Rm. 1:16), sabendo também que a
fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm. 10:17). Por isso até que se converta a pessoa
interessada continua sendo um alvo evangelístico, razão por que necessita ter contato
com o Evangelho uma, duas, três, vinte vezes, até que o compreenda a ponto de se
arrepender de seus pecados e depositar toda a sua confiança em Jesus Cristo. A
maneira mais concentrada de fazer isso é por meio da ministração de Estudos Bíblicos
Evangelísticos. Mas também devemos buscar ocasiões em que a pessoa discipulada
tenha contato com a mensagem do Evangelho por outras vias.
Paulo diz em Colossenses 1:28-29 que ele anunciava a Cristo,
“admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria,
para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo,” sabendo que o
poder que operava era o do Espírito Santo, O Evangelho jamais se torna matéria
ultrapassada para um cristão.. Em Cristo encontramos “tudo o que diz respeito à vida
e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude”
(2Pe. 1:3). Por isso, o Relacionamento Discipulador implica o exercício permanente de
exortação e ensino bíblico aplicado do evangelista discipulador para a pessoa
discipulada.
● S – Solicitar Contas: Tendo em vista que o Relacionamento
Discipulador se estabeleceu sobre a condição do interesse da pessoa discipulada no
Evangelho, devemos constantemente impulsioná-la a avançar em seu conhecimento
de Deus, que é o alvo principal, solicitando contas sobre a sua prática de oração e
leitura bíblica e o cumprimento de pequenas tarefas estabelecidas de comum acordo.

CADEIA DE RELACIONAMENTOS DISCIPULADORES


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Fazer discípulos é o chamado primordial de cada cristão. Toda pessoa
salva deve se envolver na Evangelização Discipuladora. Quando todos os crentes estão
discipulando alguém, forma-se uma cadeia de Relacionamentos Discipuladores, que
proporcionará a multiplicação exponencial de discípulos.
O desafio é ingressar todos os membros de igrejas estabelecidas na vida
discipular. Temos que fazer da Evangelização Discipuladora um programa em que
todos os cristãos estejam envolvidos para toda a vida. Um cristão sozinho, seja ele o
pastor ou líder da igreja, não terá condições de discipular todas às pessoas ao mesmo
tempo. Sem uma cadeia de Relacionamentos Discipuladores, a multiplicação ficará
comprometida.
Se quisermos multiplicar discípulos precisamos pagar o preço no que diz
respeito ao tempo que investimos nessa causa tão nobre, a começar da liderança da
igreja e envolvendo todos os membros e organizações.
Portanto, gerar uma cadeia de Relacionamentos Discipuladores,
partindo do pastor ou líder e de sua liderança estratégica, é a chave para a
multiplicação exponencial de discípulos.

O PEQUENO GRUPO MULTIPLICADOR – PGM


1 Oração: O PGM ajuda a fomentar a oração entre seus participantes,
principalmente com respeito à intercessão pelas vidas não salvas e pelas pessoas
evangelizadas e discipuladas.
2 Compaixão e Graça: O PGM proporciona um ambiente para o
exercício de compaixão e graça, tanto entre os seus participantes, que experimentam
o amor de Deus por meio dos relacionamentos, quanto para a comunidade e as
pessoas evangelizadas e discipuladas.
3 Formação de Líderes: O PGM é um celeiro de lideranças, por permitir
o vasto exercício dos dons e ministérios e a identificação de novos líderes, levando-os à
multiplicação.
4 Plantação de Igreja: O PGM é fundamental na formação de novas
igrejas, pois é o propósito da futura comunidade cristã em termos de edificação na
palavra, relacionamentos, cuidado e serviço mútuos. No capítulo de Plantação de
Igrejas você aprenderá como começar uma nova igreja através do PGM.
5 Evangelização Discipuladora: O PGM potencializa o anúncio do
Evangelho e a criação e o aprofundamento de Relacionamentos Discipuladores.
No PGM, os crentes apoiarão uns aos outros na oração por salvação
(Cartão Alvo) e pelo aperfeiçoamento das pessoas evangelizadas e discipuladas.
Pensando no acolhimento de pessoas em processo de Relacionamento
Discipulador, o PGM auxilia na aproximação que elas devem ter com outros cristãos e
com o Corpo de Cristo, objetivando a sua conversão e o seu batismo e, quando se
convertem, o desenvolvimento de dons e ministérios para aperfeiçoamento dos
santos. Também no que se refere ao Relacionamento Discipulador, os membros do
PGM podem ajudar no zelo que devemos ter pelas pessoas que estivermos
discipulando.
Por fim, o PGM colabora no ensino do Evangelho e de seus
desdobramentos, com o detalhe de que essa pessoa estará sendo evangelizada de
forma mais concentrada dentro do Relacionamento Discipulador, individualmente.

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GLORIFICAR A DEUS POR MEIO DA EVANGELIZAÇÃO DISCIPULADORA:
Relacionar-se, Acolher, Interceder, Zelar pelas pessoas, Ensinar o Evangelho, Solicitar
Contas.
Propósitos do PGM:
Portanto, podemos definir o Pequeno Grupo Multiplicador:
Um pequeno grupo de pessoas que se reúne regularmente para
glorificar a Deus por meio do fortalecimento de Relacionamentos Discipuladores e da
multiplicação de discípulos.
Um tópico importante em matéria de PGM é que os grupos sejam
configurados desde o início para a multiplicação. PGM saudável é aquele que cresce e
se multiplica. Esse crescimento deve se dar principalmente pela chegada de novas
pessoas não crentes, que, através do ensino do Evangelho e do convívio
proporcionados pelo PGM – em apoio ao Relacionamento Discipulador individual que
se desenvolve em paralelo -, experimentam a conversão e podem ser agregados à
igreja mediante o batismo.
A multiplicação é a criação de um novo PGM, ocasionada pelo
surgimento e a afirmação de novos líderes multiplicadores.

TERCEIRO PRINCÍPIO: PLANTAÇÃO DE IGREJA


OBJETIVOS:
Depois de ler este capítulo, você será capaz de:
● Entender os fundamentos bíblicos da plantação de igrejas.
● Compreender a importância da plantação de igrejas.
● Identificar as fases do processo de plantação de igrejas.
● Definir o perfil de um plantador de igrejas.
Uma Igreja Multiplicadora é uma igreja que planta novas igrejas.

O QUE É UMA IGREJA?


O termo “igreja” (do grego ekklesia) é composto pela preposição ek,
(para fora) e a raiz kaleo (chamar), o que forma o significado literal de “chamados para
fora.” Com isso, temos primeiramente a idéia de um agrupamento de pessoas com um
determinado propósito e, ainda, de que este agrupamento se torna uma comunidade
dinâmica, local e crescente. No decorrer do NT., o termo toma o sentido mais
específico de uma comunidade dos santos ou de um agrupamento de discípulos.
A Grande Comissão nos ordena fazer discípulos. E o que tem isto a ver
com a implantação de igrejas? A resposta é simples: A igreja é uma comunidade de
discípulos, ou seja, uma comunidade em que os discípulos devem ser agregados e
levados ao aperfeiçoamento cristão, fazendo novos discípulos.
Vimos que a Evangelização Discipuladora apresenta três dimensões do
discipulado na Grande Comissão: Chamar, acolher e aperfeiçoar discípulos. Também
aprendemos que tudo isto ocorre por meio da comunicação do Evangelho e do
Relacionamento Discipulador.

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Mas, aonde agregar discípulos? A resposta é óbvia: A igreja, ao Corpo de
Cristo! Dessa forma, o pleno cumprimento da Grande Comissão em cidades ou bairros
onde não há igreja ou há poucas implica a plantação de novas igrejas.
Alguém poderia argumentar que não precisamos desnecessariamente
plantar igrejas em bairros e cidades sem igreja, pois os discípulos podem ser acolhidos
em igrejas de cidades e bairros vizinhos. Sim, isto é verdade se estivermos pensando
em apenas em uma pessoa ou família. Mas se o nosso alvo é ganhar a população de
uma cidade ou bairro, isto é, se queremos que o Evangelho esteja permanentemente
enraizado naquele lugar, então precisamos de uma igreja local capaz de se multiplicar.
Esta foi a estratégia da igreja primitiva para cumprir a Grande Comissão,
conforme se depreende facilmente no livros Atos e nas epístolas. Nota-se a ligação
entre a Grande Comissão e o plantio de igrejas com base em Atos 14:21-23: E, depois
de anunciar o Evangelho naquela cidade e de fazer muitos discípulos, voltaram para
Listra, Icônio e Antioquia, renovando o ânimo dos discípulos, exortando-os a
perseverar na fé, dizendo que em meio a muitas tribulações nos é necessário entrar
no reino de Deus. E, nomeando-lhes presbíteros em cada igreja e orando com jejuns,
consagraram-nos ao Senhor em quem havia crido.
Richard Hibbert nota que o termo usado no contexto da plantação da
igreja de Derbe no verso 21 é matheteu (fazer discípulos), o mesmo termo usado em
Mt. 28:19. Esses são os únicos dois lugares em que esse verbo é usado no NT, o que
para Ronaldo Lidório “expressa o desejo de Cristo para seus discípulos na Grande
Comissão e a partir dela seu desejo de ver esse grupo de discípulos gerando novos
grupos que ama e segue a Jesus, ou seja, plantando igrejas.” Hibbert concluiu seu
pensamento afirmando que: Tenho argumentado que o plantio de igrejas é peça
fundamental na Missio Dei. Sem o plantio de novas igrejas o propósito de Deus não é
realizado na terra. A transformação da sociedade na direção de Deus ocorre através da
sua agência, a Igreja, e assim comunidades locais de convertidos são a maior expressão
de sua presença e seu desejo transformador.
É fartamente defendido pelos missiológos que o plantio de igrejas e não
apenas a evangelização individual, é um ensino contido na Grande Comissão. Autores
como Hesslgrave, Johnstone e Bosch expõe de forma marcante que o fazer discípulos
da Grande Comissão é uma ordem que desembocaria no agrupamento dos crentes e
conseqüentemente na formação de igrejas locais, para expansão do reino de Deus.
Tudo indica que já no final do primeiro século a Igreja percebeu a
necessidade da ekklesia – igreja local – para o enraizamento do Evangelho nas cidades,
províncias e regiões mais distantes entre os gentios. Isso significa, uma vez mais, que o
ato de evangelizar alcança uma pessoa, mas o processo de plantar igrejas faz com que
o Evangelho permaneça para as futuras gerações. Michael Green também destaca a
mudança da visão da igreja que nos diz respeito a sua missão evangelística logo no fim
do primeiro século, quando ela percebeu que Jerusalém deveria ser o berço e não o
centro dele. Esta compreensão deu àqueles primeiros cristãos a noção de que o
Evangelho deveria se espalhar por todo o mundo por meio de igrejas locais.
O apóstolo Paulo foi quem observou ao que parece mais do que
qualquer outro, a necessidade de não apenas evangelizar as cidades e áreas distantes,
mas de estabelecer ali igrejas locais que perpetuassem o Evangelho. Para ele, fazer
discípulos não significava apenas a pregação inicial ou mesmo a colheita de alguns

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frutos, mas o amadurecimento dos novos convertidos com o intuito de agregá-los e
estabelecê-los em igrejas locais.
Plantar igrejas é investir em pessoas, fazer discípulos multiplicadores e
agregá-los.
Ainda definido o que é igreja, para termos a clareza do que vamos
plantar, destacamos:
● A igreja não é um prédio feito de pedras, tijolos ou madeira, mas é
composta de pessoas, de discípulos.
● Estamos falando de igrejas não como uma organização ou instituição,
mas como um organismo vivo, dirigido pelo Espírito Santo, obediente a Jesus, o
Mestre, e por isso multiplicador.
● Não podemos pensar na igreja como um grupo de pessoas que apenas
se reúnem dominicalmente no templo e que nos outros dias da semana se esquecem
da missão. A igreja deve ser igreja todos os dias da semana e onde quer que esteja
deve exercer seu papel, como sal dando sabor, como luz iluminando pessoas, como
fermento levedando a massa, influenciando o povo com o testemunho de Cristo,
levando-o a salvação (Mt. 5:13-14 e 13:33)
● Plantar igrejas, portanto, não é apenas comprar terrenos, construir
templos, bancadas, instalar pianos e equipamentos de som e multimídia. Plantar
igrejas é investir em pessoas, fazer discípulos multiplicadores e acolhê-los.
Portanto, vamos definir a plantação de igrejas como:
O processo intencional de estabelecer uma comunidade local e
autônoma de discípulos de Jesus Cristo.
Dizemos “processo” porque não é um evento só, mas algo continuado e
gradual, que envolve ao menos seis passos:
= A oração.
= Escolha de um grupo alvo.
= Assimilação e adequação à cultura.
= Relacionamento relevante com a comunidade-alvo.
= Evangelização Discipuladora.
= Treinamento de líderes locais.
Também dizemos uma “comunidade local”, pois a intenção não é
estabelecer um pequeno grupo apenas, ligado à igreja-mãe. Nesse pequeno grupo já
devemos vislumbrar uma comunidade autônoma, isto é, auto-sustentável (que
independe de recursos extremos), autogovernada (que toma suas próprias decisões,
auto-propagadora (que tem condição por si mesma para fazer novos discípulos e se
multiplicar).

O PROCESSO DA PANTAÇÃO DE IGREJAS


1 ORAÇÃO
É impossível plantar uma igreja sem oração. Por várias vezes vemos o
Senhor Jesus orando antes de iniciar uma nova etapa de seu ministério ou tomar uma
decisão importante (Lc. 6:12-13). Ele ensinou os seus discípulos a orar com uma visão
de compaixão pelo povo, que sofria com as conseqüências do pecado.
Muitas vezes nós oramos por nossos próprios interesses e assuntos:
Família, saúde, finanças e outros. O cristão pode ser egoísta em suas orações e se
tornar insensível às necessidades das pessoas que estão em sua volta, ao seu

22
sofrimento físico e espiritual. Elas estão perdidas, desgarradas e errantes, como
ovelhas que não tem pastor. Quem terá compaixão? Quem há de interceder por elas?
Quem cuidará delas? Quem as conduzirá aos pastos verdejantes do Evangelho? Estas
são perguntas que precisam de respostas.
Quando o plantador de igrejas ora compassivamente pelas pessoas
perdidas da comunidade, amando-as verdadeiramente e sentindo pesar por sua triste
realidade. Deus ouvirá as suas orações e o usará como instrumento de bênção e como
resposta às suas próprias orações em favor do mundo.
A oração não é apenas a primeira etapa desse processo, mas uma
atividade estratégica constante durante todo o processo de plantação e até de
expansão e multiplicação da igreja. Como notou Piper, a oração é um instrumento de
comunicação entre os soldados que estão na linha de frente do campo de batalha e a
sala do general. É, portanto, um instrumento de guerra necessário e estratégico para a
plantação de igrejas.
Paulo nos dá o exemplo de oração no seu processo de plantação de
igrejas. Ele orava por oportunidades, por discernimento de novos campos, pelos que
ouviam a Palavra, pelos novos irmãos, pelas igrejas plantadas, pelos líderes e
especialmente por aqueles gentios e judeus ainda sem Cristo. Ele orava com
insistência, escrevia suas orações, pedia orações, ensinava e incentivava as pessoas e
igrejas a orar sem cessar (At. 14:21-26, 20:35-36, 21>4-7; Ef. 6:18-19). Depois, releia no
capítulo de oração diversas estratégias de oração que podem ser úteis no processo de
plantação de igrejas.

2 ESCOLHA DE UM GRUPO-ALVO
Isso pressupõe, além da oração e direção do Espírito Santo, uma boa
pesquisa e mapeamento de informações.
O plantador de igrejas precisa conhecer o campo onde atua mais do que
qualquer outra pessoa.
Será útil ao plantador de igrejas ter bem acessível um mapa do local
onde habita seu grupo-alvo, para estudá-lo e desenvolver o planejamento de ação
naquela localidade, traçando estratégias específicas para iniciar Pequenos Grupos
Multiplicadores (PGMs) e estabelecer novas igrejas.
Por exemplo, podemos iniciar a plantação de novas igrejas com
Pequenos Grupos Multiplicadores (PGMs) em casas de famílias de crentes que já
residam nesses locais – cidades ou bairros, ou mesmo de lares de pessoas não cristãs
que desejem conhecer o Evangelho e estejam dispostas a abrir seus lares para
abençoar seus amigos vizinhos.

3 ASSIMILAÇÃO E ADEQUAÇÃO À CULTURA


Quando a plantação de igrejas acontece num contexto transcultural,
como entre os indígenas, grupos étnicos, e em outros países, acertadamente se dá
atenção às questões que envolvem a cultura e a cosmovisão do grupo-alvo, além do
aprendizado da língua do povo.
Não podemos negligenciar as enormes diferenças culturais e de
cosmovisão que há entre as regiões do Brasil. Até dentro de uma mesma cidade, em
especial as grandes cidades.

23
A plantação de uma igreja pressupõe a comunicação do Evangelho e isso
só se dá quando o plantador de igrejas consegue falar na linguagem do povo de
maneira a conseguir transmitir a mensagem de salvação.

4 RELACIONAMENTO RELEVANTE COM O GRUPO-ALVO


Muitas vezes as igrejas se fecham dentro dos templos, sem qualquer
envolvimento com a comunidade onde estão inseridas, e não sentem as necessidades
sociais e espirituais do povo nem a urgência em alcançá-lo. Jesus deixou o exemplo de
relacionamento com a comunidade, pois sempre andava entre o povo (Lc. 8:1),
anunciando o reino de Deus, curando os enfermos, alimentando famintos e libertando
aqueles que se encontravam aprisionados por Satanás. Jesus sempre agiu com grande
compaixão ao ver as pessoas atribuladas e sem rumo, como ovelhas sem pastor (Mc.
9:36).
A visão da igreja local que deseja plantar novas igrejas, bem como do
plantador de igrejas que deseja alcançar um bairro ou cidade, deve contemplar o
envolvimento e o relacionamento com a comunidade alvo. Isso significa ter interesse
pela comunidade.

5 EVANGELIZAÇÃO DISCIPULADORA
Paulo afirma aos romanos que o Evangelho é o poder de Deus para a
salvação de todo aquele que crê (Rm. 1:16). O primeiro e grande desafio é anunciar as
Boas-Novas e desenvolver Relacionamentos Discipuladores. Não conseguiremos
grandes resultados se a semeadura não for grande (2Co. 9:6) e se não estivermos
dispostos a nos relacionar XXX com pessoas para fazer delas novos discípulos.
A oração e a semeadura abundante lhe indicarão por onde começar a
fazer amizades e encontrar pessoas receptivas.
Nessa fase do trabalho o discipulador deve fazer estudos bíblicos
evangelísticos nos lares das pessoas, bem como demonstrar amor e compaixão através
de gestos claros. A oração por essas pessoas é fundamental. Aliás, elas devem saber
que o discipulador está orando, inclusive por algum pedido específico.
O discipulador deve acolhê-los imediatamente a um Pequeno Grupo
Multiplicador – (PGM). Se não houver um PGM onde aquela pessoa possa ser acolhida,
o discipulador deve começar um estudo bíblico naquela casa e, com o tempo, buscar
transformar essas reuniões em um PGM.

6 TREINAMENTO DE LÍDERES
É necessário ser um multiplicador. O líder com a visão multiplicadora
forma novos líderes multiplicadores. Esse é um segredo para a multiplicação de igrejas.
O principal trabalho do plantador de igrejas é formar e capacitar novos líderes para
que tenha a garantia de sucesso na missão.
Jesus investiu muito na formação de líderes para dar seqüência à
proclamação das Boas-Novas. Da mesma forma, os apóstolos investiram na formação
de líderes. O apóstolo Paulo, por onde passava, constituía líderes para pastorear as
igrejas plantadas (At. 18:24-28). A Bíblia é muito clara quando descreve que o papel do
líder é capacitar os santos para a edificação do corpo de Cristo, conforme Ef. 4:11-16.
LER A PASSAGEM:

24
O líder com visão multiplicadora trabalha para formar novos líderes,
esforçando-se para não centralizar em si todas as ações e decisões. Ele precisa formar
uma equipe para o trabalho.
Esse modelo de treinamento em serviço é bíblico e eficaz. Os novos
líderes precisam andar com alguém que pratique o que está ensinando, que mostre
como aquela teoria funciona no cotidiano. Nesse andar junto, eles passam a ajudar no
trabalho, depois assumem responsabilidades cada vez maiores, enquanto aprendem a
forma correta de fazer as coisas.
Os discípulos devem estar comprometidos em gerar novos discípulos, os
líderes comprometidos em treinar novos líderes, as igrejas comprometidas em plantar
novas igrejas. Essa é a visão multiplicadora.
O resultado do envolvimento de cada crente com a Grande Comissão é
que eles buscarão fazer discípulos entre seus conhecidos, familiares e amigos. Esse é o
diferencial da Visão Multiplicadora (At. 4:4 e 5:14).

O PLANTADOR DE IGREJAS
Jesus nos ensinou a orar pedindo trabalhadores, pois a seara é grande e
poucos são os ceifeiros (Mt. 9:37-38). No início da igreja em Atos, valorizou-se muito a
figura do Evangelista, o que impulsionou o avanço na plantação de igrejas. Depois,
criou-se a idéia de que para plantar uma igreja era preciso alguém com o curso
teológico, um pastor ordenado e remunerado por uma igreja ou agência missionária,
com dedicação integral àquele ministério. Isso atrasou o avanço missionário.
A igreja de Antioquia cedeu os seus melhores líderes: Paulo e Barnabé,
para plantação de igrejas em outros lugares (At. 13:1-3).

O PERFIL DO PLANTADOR DE IGREJAS


Todo crente comprometido com Jesus pode ser um plantador de igrejas,
independentemente de seu nível cultural ou social. Características indispensáveis:
a) Forte convicção de seu chamado para esse ministério.
b) Vida com Deus.
c) Integridade.
d) Espírito ensinável.
e) Paixão por vidas.
f) Disposição para o trabalho
g) Visão multiplicadora.

O PLANTADOR E A VISÃO MULTIPLICADORA


Para plantarmos igrejas com visão multiplicadora, precisamos ter
certeza que os plantadores já tenham essa visão antes de iniciarem suas atividades.
Sem a visão multiplicadora, o missionário plantará igrejas com as características de sua
igreja de origem, que em muitos casos não é multiplicadora.
O líder que deseja ver sua igreja se multiplicando precisa ele mesmo ser
um agente de multiplicação (At. 4:1, 16:5 e 17:34).
Todos devem praticar a oração e Evangelização Discipuladora. E as
ações de compaixão.

25
O plantador deverá compartilhar a visão multiplicadora com o grupo. A
igreja que planta igrejas precisa transmitir a visão multiplicadora para que a nova
igreja já nasça com essa visão.

DISCUSSÃO EM GRUPO
1 QUESTÕES PARA REVISÃO:
1) O que a plantação de igrejas tem a ver com a Grande Comissão?
2) Explique o que NÃO é plantação de igrejas:
3) Como você define a plantação de uma igreja?
4) Quais as etapas do processo de plantação de igrejas?
5) Por que é importante atentar para as questões culturais e contextuais
na plantação de igrejas?
6) Como identificar e desenvolver um plantador de igrejas?

2 ESTUDO DE CASO:
PLANTAÇÃO DE IGREJAS NO VALE DO AÇU-RN
Em 2002, uma família missionária foi enviada para plantar uma igreja
num bairro do município de Assu- RN, tendo como desafio expandir para todas as
cidades do Vale do Açu.
O processo de plantação de igrejas começou com oração: Campanhas
de oração, busca de direção de Deus quanto às cidades e bairros a serem alcançados e
cultos e vigílias de oração em favor da salvação do povo. O desafio inicial era a
plantação de 12 igrejas em 10 anos, algo que parecia quase inatingível. Mas a
dependência de Deus conduziu cada ação em bom êxito, apesar da escassez de
recursos humanos e financeiros.
Os missionários mapearam todas as cidades, bairros e vilarejos do Vale
do Açu, definindo um planejamento para plantação de igrejas de modo a alcançar cada
pessoa.
O foco do trabalho sempre esteve na semeadura abundante do
Evangelho. A Evangelização Discipuladora foi aplicada por meio de Relacionamentos
Discipuladores e Pequenos Grupos Multiplicadores de maneira contextualizada àquela
realidade do sertão.
Os missionários passaram a treinar e acompanhar os novos discípulos,
em todas as áreas da vida cristã, levando o Relacionamento Discipulador em suas três
dimensões: Chamar, Acolher e Aperfeiçoar Discípulos. Muitos desses irmãos se
tornaram líderes nos PGMs e nas igrejas que foram sendo plantadas. Os líderes
surgiram no meio do próprio povo, e os missionários estavam atentos a reconhecê-los,
valorizá-los, despertá-los e capacitá-los para a liderança. Como esses novos líderes
eram da terra, não tinham barreiras culturais, o que facilitava a pregação do Evangelho
e a expansão do trabalho.
Como resultado desse trabalho, há hoje 25 igrejas plantadas no Vale do
Açu, todas permanecendo firmes na oração e na visão de multiplicação de discípulos,
formação de líderes e plantação de novas igrejas, com relevância social.

3 QUESTÕES PARA REFLEXÃO

26
1 Por que a igreja do primeiro século estava tão focada na plantação de
novas igrejas? Por que Paulo e os demais apóstolos investiram tanto na plantação de
novas igrejas?
2 A tarefa da plantação de igreja é uma responsabilidade das igrejas
ainda hoje? Comente:
3 Quando se constrói um templo em uma cidade, isto significa que uma
nova igreja já está plantada? Explique:
4 Uma igreja que não planta outras igrejas está cumprindo plenamente
a Grande Comissão? Por que?
5 Por que a estratégia de Pequenos Grupos Multiplicadores é eficaz na
plantação de igrejas?

QUARTO PRINCÍPIO: FORMAÇÃO DE LÍDERES


OBJETIVOS:
Depois de ler este capítulo você deve ser capaz de:
● Avaliar a importância da visão de multiplicação do líder para o
crescimento, o fortalecimento e a plantação de novas igrejas.
● Estabelecer as relações entre a Formação de Líderes, o
Relacionamento Discipulador e o Pequeno Grupo Multiplicador.
● Verificar as etapas do processo de identificação e treinamento de
novos líderes multiplicadores.

A VIDA DO LÍDER E O EXEMPLO DE CRISTO: PALAVRA, ORAÇÃO


E AMOR.
O maior exemplo de liderança multiplicadora é o nosso Senhor Jesus. O
cerne do Seu trabalho com seus líderes em formação foi caminhar com eles, de forma
que o seu interior fosse transformado e os valores do reino de Deus lhes fossem
inculcados, passando a fazer parte da prática da vida deles.
Efésios 4:11-13 destaca o fato de que recebemos Dons de Deus e fomos
designados para um propósito: E Ele designou uns como apóstolos, outros como
profetas, outros como evangelistas, e ainda outros como pastores e mestres, tendo
em vista o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério e para a edificação
do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno
conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da
plenitude de Cristo.
O verso 12 deixa claro que a designação que recebemos cumpre um
objetivo claro, que é o de preparar outros para Obra do Ministério e, assim,
edificarmos o corpo de Cristo. O texto esclarece, também, que o propósito do
chamamento de Deus não está calcado somente no que devemos realizar para a
edificação de outros, mas também na nossa própria edificação e maturidade, pois Ele
tem como objetivo que atinjamos a estatura de Cristo.

27
O líder não é forte o suficiente em si mesmo e, dessa forma, precisa
buscar forças no Senhor para seguir na caminhada. Podemos destacar três aspectos da
busca pela capacidade necessária para liderar centrados no exemplo de Cristo: O
conhecimento da Palavra, a vida de oração e a prática do amor.
● O conhecimento da Palavra: É uma recomendação direta do Senhor
Jesus. Em Mt. 22:29, Jesus afirma que podemos errar por não conhecer as Escrituras
nem o Poder de Deus. Nesse sentido, o conhecimento da Palavra vincula em si mesmo
o Poder de Deus. Mesmo Jesus, quando tentado pelo diabo no deserto, usou a Palavra
para combatê-lo, denotando que ela tem em si poder para enfrentar as adversidades.
O próprio João, no primeiro verso do Evangelho, nos ensina que a Palavra é o próprio
Jesus (Jo. 1:1) e Paulo mostra que Ele é o detentor de o todo poder e autoridade (Cl.
2:9-10). Portanto, podemos dizer que conhecer a Palavra é conhecer o próprio Senhor
Jesus Cristo e comungar de Seu Poder. Ler, meditar e praticar sistematicamente a
Palavra, enchendo o nosso entendimento de conhecimento de Deus, nos capacita a
liderar por meio de um repertório construído a partir de Sua Palavra.
● Vida de oração: Também é uma recomendação direta do Senhor
Jesus, seja dada como exemplo (Lc. 6:12; 9:28 e 22:41), seja por orientação verbal (Lc.
18:1). Em Rm. 8:26 Paulo nos esclarece que o Espírito Santo nos ajuda na nossa
fraqueza, nos auxilia na nossa ignorância quanto ao que orar, intercedendo por nós e,
conseqüentemente, nos fortalecendo para a caminhada. Vários homens de Deus, no
passado e ainda hoje, têm indicado que a vida devocional, o que inclui orar todos os
dias, tem sido uma fonte de força e capacitação para o sustento de sua vida ministerial
e de sua liderança.
● Por outro lado, o conhecimento da Palavra e a vida de oração
desassociados da Prática da Palavra não cumprem o objetivo de Cristo (1 Co. 13:1).
Amar a Deus e ao próximo é o que o Senhor Jesus nos constrange a fazer. A vida cristã
se aperfeiçoa no trabalho que fazemos com o Senhor. Em Ef. 3:19 somos instados a
conhecer o amor de Cristo e sermos cheios de toda a plenitude de Deus.
OBS: Para sermos líderes, precisamos primeiramente nos deixar liderar
por Jesus, Antes de sermos líderes, precisamos ser servos.
A liderança traz em si inúmeros desafios que precisam ser enfrentados e
superados em Cristo. O líder precisa ser em cada experiência, preparado.

DE LIDERADOS A LÍDERES: A Armadura de Deus


O chamado de Deus para liderar é uma proposta de serviço. Esse serviço
implica influenciar outros e multiplicar a visão que nos foi dada por Deus. Isso não nos
dará necessariamente uma posição de destaque ou privilégios. O chamamento divino é
para a transformação de vida, que será moldada, sobretudo para o benefício de
outros. Para isso, precisamos estar preparados, experimentados, próximos de Deus e
revestidos do Seu Poder.
Tomando o texto de Ef. 6:10, podemos compreender que o poder de
Deus do qual devemos nos revestir não é qualquer poder: É “forte” e vem
exclusivamente d’Ele. Em Lc. 9:1 é o Senhor Jesus quem dá o poder aos enviados. Esse
poder tem sua fonte em Deus, por Ele é dado e é o mesmo que levantou o Senhor
Jesus dentre os mortos (1Co. 6:14). Uma vida de devoção à Palavra, à Oração e ao
Amor nos reveste do poder que ressuscitou Cristo. Com esse poder, nada poderá
prevalecer sobre a igreja do Senhor Jesus Cristo (Mt. 16:18) que se pretende edificar e

28
muito menos ao exercício de uma liderança multiplicadora. Lembre-se de que
recebemos poder para sermos testemunhas (At. 1:8), e que implica fundamentalmente
a transmissão da visão a outros.
Ef. 6:11 nos faz outra recomendação: Que vistamos o que chamou de a
“armadura de Deus,” O ato de nos vestirmos remete à apropriação de algo que é
nosso. Como no caso de Davi, o vestir a armadura do outro não nos ajudará na batalha
(1Sm 17). A armadura precisa ser nossa de fato, estar na medida de Deus para nós. A
armadura precisa ser moldada a partir de um conhecimento pessoal e profundo da
Palavra de Deus. A proposta de Paulo é que aquele que exerce liderança vista a sua
própria armadura e, dessa forma, não procure o escudo de outro para se valer.
Ainda na parte “b” do verso 11, é apresentado o motivo de nos
vestirmos com a armadura: Podermos ficar firmes contra as ciladas do diabo. Estar
firme nos indica um estado que não é apenas momentâneo. Esse é o lugar do líder, um
lugar de firmeza. O melhor solo para que edifiquemos uma casa que permanecerá
firme, é o solo rochoso. Um solo arenoso e desestruturado não promove a resistência
necessária para uma edificação duradoura (Mt. 7:24-27). É na rocha que devemos
firmar nossa liderança. Vestidos da armadura, devemos nos firmar no Senhor Jesus
Cristo, que é a nossa rocha eterna (1Co.10:4).
É importante destacar que as ciladas mencionadas no verso 11 não são
comuns, mas de natureza diabólica. Vivemos uma guerra espiritual, contra seres
espirituais. Precisamos utilizar as armas adequadas. É de muita relevância que o líder
saiba discernir entre comportamentos e pessoas. No verso 12, a Bíblia deixa isso mais
claro – “nossa luta não é contra pessoas,” mas contra o poder das trevas nas regiões
espirituais. Assim, necessitamos de armas espirituais, ou mesmo de armas construídas
a partir de uma espiritualidade centrada na Palavra de Deus e no exemplo de Cristo.
Essa responsabilidade é nossa. “Revistamo-nos, pois, da armadura,” conclui a Bíblia no
verso 13, para que possamos ocupar nosso lugar de liderança e atender ao chamado
de Cristo. O verso em sua parte “b” nos adverte que nem todos os dias serão bons.
Haverá os maus dias. Neles precisaremos permanecer firmes. O dia mau não manda
aviso. Ele simplesmente chega. O líder precisa estar preparado, experimentado em
Deus e em Sua Palavra.
Uma das principais qualidades de um líder na Bíblia é a perseverança.

A IMPORTÂNCIA DO LÍDER MULTIPLICADOR


Uma das funções mais importantes da liderança é equipar os santos
para que se tornem participantes da obra missionária, usando seus dons e talentos
para a glória de Deus. Se o líder não preparar seus discípulos para andar, para
prosseguir no cumprimento de sua missão.
Não apenas isso, a formação de líderes é uma necessidade do próprio
crescimento da igreja. Relembremos o conselho de Jetro para Moisés. Enquanto
Moisés julgava, o seu sogro, Jetro, observava e deu o seu parecer. Moisés trabalhava à
exaustão, desde a alva até o pôr do Sol, no que foi interrogado pelo seu sogro: “Que é
isso que estás fazendo com o povo? Por que fazeis isso sozinho, deixando todo o
povo em pé diante de ti, desde amanhã até à tarde? (Ex. 18:14). Moisés tentou se
justificar: “É porque o povo vem a mim para consultar a Deus. Quando têm alguma
questão, eles vem a mim; e julgo entre eles e lhes declaro os estatutos de Deus e as
suas leis” (Ex. 18:15-16). Jetro respondeu: “O que estás fazendo não é bom. Com

29
certeza, tu e este povo que está contigo desfalecereis, pois a tarefa é pesada demais;
não podes fazer isso sozinho.” (Ex. 18:17-18). Jetro, então, deu conselho a Moisés: Ex.
18:19-23: LER A PASSAGEM:
OBS: O bom líder não é aquele que faz tudo sozinho, mas aquele que
divide as tarefas com outros líderes por ele preparados. Moisés preparou Josué, Elias
preparou Eliseu, Jesus preparou seus apóstolos, Barnabé preparou Paulo, que
preparou Silas, Timóteo e Tito, e assim por diante.
O objetivo de todo o processo de formação de liderança é a
preparação de líderes que possam preparar outros e manter o processo de
crescimento e multiplicação. É essa a visão que queremos comunicar.

RELACIONAMENTO DISCIPULADOR: O PONTO DE PARTIDA


PARA A FORMAÇÃO DE LÍDERES MULTIPLICADORES.
Já vimos em Evangelização Discipuladora que a Grande Comissão (Mt.
28:18-20), ao dizer: “Ide, fazei discípulos,” nos ordena não apenas a chamar discípulos
e colhê-los à igreja, mas também a aperfeiçoá-los, “ensinando a obedecer todas as
coisas” que Jesus nos tem mandado. Nesse processo de aperfeiçoamento, o
discipulador deve transferir para o seu discípulo muito além de verdades, mas a sua
própria vida, como Paulo fez com relação aos Tessalonicenses: “Assim, devido ao
grande afeto por vós, estávamos a dar-vos de boa vontade não somente o Evangelho
de Deus, mas também a própria vida, visto que vos tornastes muito amados para
nós” (1Ts. 2:8).
OBS: Em um Relacionamento Discipulador, o exemplo de vida faz toda
a diferença, pois o discípulo tende a copiar os exemplos do discipulador, pois não há
como desvincular a vida de uma pessoa daquilo que ela ensina.
Nossa tarefa é prepará-los para que possam levar o trabalho avante,
expandindo, assim, o seu alcance!
Portanto, o Relacionamento Discipulador é o ponto de partida para a
formação de líderes.
Vejamos se não foi assim no exemplo de Jesus e de Paulo. Jesus
convidou homens e mulheres para segui-lo. Essas pessoas viveram, viajaram e
comeram com Ele e ao longo do caminho lhes ensinou a Palavra de Deus,
compartilhou exemplo de vida diária. Exemplificou para eles o tipo de vida que
deveriam viver – em oração, perdão, amor, compaixão, perseverança, zelo e
obediência à vontade do Pai.
Assim também fez o apóstolo Paulo, especialmente com relação a
Timóteo e Tito, considerados por ele como seus verdadeiros filhos na fé (1Tm. 1:2,18.
2Tm. 1:2 e 2:1. Tt. 1:4). Paulo investiu em seu discipulado, transferindo para eles vida e
verdade enquanto viajava em missões, até o ponto de enviá-los posteriormente como
representantes do Evangelho e líderes, recomendando-lhes o discipulado de outros
(At. 16:1-3, 17:14-15, 18:5, 19:22 e 20:4. 1Co. 4:17 e 16:10. 2Co. 1:19. Fl. 2:19-23. Gl.
2:1. 1Ts. 1:3 e Tt. 1:5).
Paulo orientou Timóteo – e podemos pressupor que também o fez com
relação a Tito, conforme Tt. 1:5 – para que formasse uma espécie de cadeia de
discípulos multiplicadores, como se pode ver em 2 Tm. 2:2: “O que ouviste de mim,
diante de muitas testemunhas, transmite a homens fiéis e aptos para também
ensinarem a outros.” Aqui o claro intuito de Paulo era a multiplicação de discípulos e

30
de líderes. E o interessante dessa orientação é que não havia segredos sobre o modo
como Timóteo deveria atuar para multiplicar esses líderes. O exemplo já havia sido
dado no processo de formação que Paulo desenvolveu com ele (“O que me mim
ouvistes, transmite...”).
O processo de formação de discípulos e líderes compreende as
seguintes ações:
● Transmitir verdade e vida, por meio de ministração bíblica e exemplo.
● Permitir que o discípulo auxilie o líder nas suas ações.
● Observar o discípulo atuando, verificando se está indo bem.
● Sair e acompanhar o discípulo de longe ou ter encontros menos freqüentes.
Em outras palavras, os passos para discipular alguém e torná-lo líder
são:
1) Eu faço e o líder em treinamento observa.
2) Eu faço e o líder em treinamento ajuda.
3) O líder em treinamento faz e eu observo (ajudo se necessário).
4) O líder treinado faz e eu me coloco à disposição quando for
necessário. Esse andar juntos, lado a lado, é o que chamamos de Treinamento em
Serviço.
Portanto, gerar a cadeia de Relacionamentos Discipuladores,
partindo do pastor e de sua liderança, é a chave para a multiplicação natural e
exponencial de discípulos e líderes na igreja local.
OBS: A formação de líderes precisa se basear em uma proposta
de Relacionamento Discipulador específica e intencional.

IDENTIFICANDO E TREINANDO NOVOS LÍDERES


MULTIPLICADORES
Um dos maiores erros que uma igreja pode cometer na área de
liderança é ficar à espera de líderes que venham de fora para fazer o trabalho. Por
isso, o conselho de Jetro continua válido para os nossos dias: “Procura dentre o povo!”
Vejamos agora as qualidades que Jetro indicou como requisitos para a
liderança. Ele disse: “(...) homens capazes, tementes a Deus, homens confiáveis e que
repudiam a desonestidade” (Ex. 18:21).
→ QUANDO Jetro falou em pessoas CAPAZES, assinalou que alguém que
vai exercer liderança precisa ser física, moral, intelectual e espiritualmente capaz. Se
uma pessoa não for capaz, não poderá exercer um grau importante de liderança.
→ Que sejam homens TEMENTES A DEUS, que levem a sério sua própria
comunhão com Ele, que tenham vida devocional e zelo espiritual pessoal e familiar.
Deve ter prioridade com relação ao possuir talentos e diplomas.
→ Que sejam homens CONFIÁVEIS, pessoas que não tenham sua
honestidade comprometida, que tenham seus negócios limpos, seus pagamentos em
dia, que não devam nada a ninguém a não ser o amor, que sejam leais e submissos aos
seus líderes.
→ Que sejam homens que REPUDIEM A DESONESTIDADE, que rejeitem
toda forma de lucro fácil e de vantagem indevidas e que sejam sinceros e
transparentes, pois na igreja somos convocados a dar nossa e tudo que temos.
O conselho de Jetro resume as qualidades de um líder: Integridade,
humildade, espiritualidade, coragem e dinamismo.

31
O conselho de Jetro prossegue: Depois de identificadas as pessoas que
julgamos capazes para a Obra, “ensina-lhes os estatutos e as leis, mostra-lhes o
caminho em que devem andar e as obras que devem praticar” (Ex. 18:20). Os dois
verbos que chamam a atenção no texto são “ensinar” e “mostrar”. Mais uma vez
somos levados ao ambiente do Relacionamento Discipulador, em que o discipulador
buscará transferir para o discípulo verdades e vida, ensino e exemplo.
Um bom líder anda lado a lado com os seus liderados, compartilha
com eles seus planos e objetivos, de forma a se comprometerem com a visão.

O PROCESSO DE FORMAÇÃO DE NOVOS LÍDERES


MULTIPLICADORES.
A recomendação de que um bom líder deve: (a) Possuir uma visão clara
de seus objetivos, (b) Saber comunicar bem essa visão e, dessa forma, (c) Influenciar
outros para que apóiem em sua trajetória rumo ao atingimento dos objetivos que
cumprem a sua visão.
O líder multiplicador leve em consideração os seguintes princípios: (a)
Buscar a visão de Deus para o seu ministério, considerando sempre que a sua visão é
parcial e incompleta, mas que na dependência do Espírito Santo pode se realizar de
forma completa e plena. (b) Considerar que somente por meio de uma vida
devocional, que o leve cada dia para mais perto de Deus, poderá obter a visão clara do
que é preciso realizar. (c) Compreender, ainda, que o sentido de sua trajetória não tem
um fim em si, mas se constrói a partir da colaboração que fornece a Deus no
cumprimento da missão d’Dele. (e) Que seu trabalho não está circunscrito em si
mesmo, mas busca influenciar outros a cumprir a visão de Deus para a vida deles. (f)
Que o seu trabalho de multiplicação deve ser contínuo, até que o Senhor venha.
Se voltarmos ao exemplo de Jesus, veremos que Ele geralmente buscava
as nuances (uma variação ligeira) do contexto da pessoa para construir uma melhor
comunicação e compreensão de sua mensagem. Da mesma forma, cada pessoa em
treinamento de liderança deve ser considerada em sua individualidade para que seja
incentivada ao aperfeiçoamento e à multiplicação.
Em linhas gerais o processo de formação e desenvolvimento de
liderança deve considerar o seguinte conjunto de ações básicas:
(1) Orar, observar e identificar pessoas com potencial para liderar.
(2) Convidar, esclarecer e comprometer a pessoa com a proposta de
formação.
(3) Desenvolver um plano de ações concretas para o desenvolvimento
da liderança.
(4) Acompanhar, avaliar e solicitar contas das ações planejadas.
(5) Incentivar que ele multiplique o processo com outras pessoas com as
quais se quer desenvolver o perfil de liderança.
Segue o esquema que representa isso: Avaliar, Identificar, Incentivar,
Desenvolver e Comprometer. → Processo de Formação e Desenvolvimento de
Liderança.
Vamos descrever melhor cada um dos passos:
Primeiro passo: Orar, observar e identificar pessoas com potencial para
liderar. Ao observarmos líderes em potencial precisamos fazê-lo com atenção, dando
oportunidade para que se manifestem suas aptidões e dons. É nesse contexto de

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oportunidades que teremos condição de identificar, mediante oração, com quais
pessoas devemos trabalhar o desenvolvimento de liderança. Observe que, sem
relacionamento e desenvolvimento pessoal, é impossível que esse processo ocorra. O
Pequeno Grupo Multiplicador – PGM é um ambiente muito fértil para a condução
desse processo.
Segundo passo: Convidar, esclarecer e comprometer a pessoa com a
resposta de formação. Aqui é muito importante que destaquemos a intencionalidade
de nossas ações e deixemos claro o compromisso que precisa ser feito pelo líder em
formação.
Nosso ministério de liderança precisa começar em nossa casa, pois ali é
o nosso primeiro ambiente de atuação.
O líder multiplicador não deve procurar homens e mulheres perfeitos, já
preparadas, mas pessoas que desejam se aperfeiçoar em Deus e cumprir o Seu
chamado para o serviço. Estamos falando de formação, de desenvolvimento, o que
não seria necessário se estivéssemos buscando pessoas prontas.
A formação de líderes requer um relacionamento intenso, que
demanda momentos de prestação de contas e correção de rumos.
Terceiro passo: Desenvolver um plano de ações concretas para o
desenvolvimento da liderança. Proporemos um exemplo simples, mas que poderá dar
sentido ao trabalho e potencializar os resultados. Chamaremos esse exemplo de
Programa Discipular de Liderança – PDL.

O PROGRAMA DISCIPULAR DE LIDERANÇA - PDL


O PDL é um roteiro de desenvolvimento pessoal que visa permitir o
estabelecimento de um compromisso entre o líder discipulador e o líder em formação;
estabelece bases para o crescimento da pessoa nas diversas dimensões nas quais o
líder precisa se desenvolver. O PDL facilita o trabalho do mentor, na medida em que
apresenta objetivos claros a serem alcançados no processo de desenvolvimento do
líder. Podemos dizer que o PDL propõe ações concretas na busca do aperfeiçoamento
pessoal.
O Programa Discipular de Liderança busca basicamente, a partir de
uma análise compartilhada, responder às seguintes perguntas: “Onde estamos?”,
“onde o Senhor quer que estejamos?” e “como chegaremos lá?”
Elaboramos o PDL da seguinte forma: Inicialmente precisamos
identificar os requisitos ou as competências pessoais que são necessárias para que o
líder em formação esteja preparado para o trabalho, a exemplo de competências
espirituais e morais, competências comportamentais e competências técnicas.
Competência, no contexto da nossa proposta, é o conjunto de conhecimentos e
habilidades de que o líder precisa para agir em determinada situação (o saber-fazer).
Vejamos o esquema:
Avaliação do Líder + Auto Avaliação → Consenso: Programa
Discipulador de Liderança.
Quarto passo: Acompanhar, avaliar e solicitar contas das ações
planejadas. Essa avaliação será promovida por meio de um encontro de prestações
contas periódico. É fundamental que a avaliação seja desenvolvida a partir de uma
postura de amor e cumplicidade. O líder multiplicador deve cuidar para que o líder em
desenvolvimento sinta que o processo está sendo desenvolvido com o objetivo de

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apoiá-lo em seu crescimento pessoal. O líder também é um aprendiz durante todo o
processo de acompanhamento e apoio. Ele também cresce à medida que apóia. Não
há espaço para uma postura de superioridade ou de inferioridade. Ambos estão
aprendendo com Deus. Por isso, o momento de prestação de contas deve ser também
um momento de oração e realizado em um lugar reservado. Muitas das coisas que
trataremos nesses momentos precisam de sigilo, de forma a viabilizar um ambiente de
confiança mútua. A solicitação e prestação de contas devem ser feita com cuidado e
amor.
O líder multiplicador deve acompanhar e desenvolver o seu próprio
PDL, formando, assim, uma cadeia de aprendizado e multiplicação da visão.
Quinto passo: Incentivar o líder em formação a multiplicar o processo
com outras pessoas. Deve ser desenvolvido já durante o acompanhamento e avaliação
do PDL. Para que isso seja possível, é preciso ensinar que o líder em formação deve
multiplicar a visão e cuidar de outros, mesmo durante o seu processo de crescimento.
Em resumo, o aperfeiçoamento do líder multiplicador inclui supervisioná-lo enquanto
ele apóia outros no cumprimento da missão.
Competências para a Liderança, Avaliação de Desempenho, Programa
Discipular de Liderança, Treinamento e Desenvolvimento: GESTÃO POR
COMPETÊNCIAS: Aperfeiçoamento do Líder Multiplicador.

O PGM: APOIO À FORMAÇÃO DE LÍDERES MULTIPLICADORES


O ambiente do PGM é altamente adequado para que o processo de
formação de liderança se desenvolva. O PGM é um celeiro de lideranças, por permitir o
exercício dos dons e ministérios por parte de todos os seus integrantes, o que leva à
identificação e à multiplicação de novos líderes, que muitas vezes ficariam invisíveis
nos bancos das reuniões de celebração. Muitas dessas pessoas nem sabem o potencial
que possuem e precisam ser estimuladas a crescer. PGM e formação de liderança
estão intimamente ligados.

O COMPROMISSO DA FORMAÇÃO DE LÍDERES


MULTIPLICADORES
Assumir a responsabilidade como líder de formar outros líderes requer
alguns cuidados. Primeiramente, é preciso acreditar que a capacidade de liderar pode
ser desenvolvida nas pessoas em quem se pretende investir. Também é necessário
sensibilidade para identificar a direção de Deus em relação a este investimento
pessoal. Segundo o exemplo do próprio Jesus, antes de definir os doze que seriam
chamados de apóstolos, Ele orou intensamente: “Naqueles dias, Jesus se retirou para
um monte a fim de orar; e passou a noite toda orando a Deus. Depois do amanhecer,
chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais também chamou de
apóstolos” (Lc. 6:12-13).
São também necessários a aprovação e o compromisso da pessoa com
quem se pretende desenvolver um relacionamento discipulador com vistas ao
desenvolvimento de liderança. Se ela não quiser, não há como prosseguir. O processo
aqui tratado é intencional e deve ser realizado sob a orientação divina e visar, acima
de tudo, levar o líder em desenvolvimento a um relacionamento cada vez mais
próximo de Deus.

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Tanto o líder quanto o líder em desenvolvimento precisam estar
comprometidos com Deus, consigo e um com outro para que possam investir tempo
nesse preparo dirigido. Aqui temos o mesmo processo utilizado por Jesus: Havia a
multidão que o seguia, os setenta que estavam mais próximos e os doze, que por Ele
foram escolhidos e em quem Ele investiu mais tempo e atenção.

DISCUSSÃO EM GRUPO:
1 QUESTÕES PARA REVISÃO:
1) Qual a importância da visão de um líder para a multiplicação? Em que
deve estar baseada essa visão?
………………………………………………………………………………………………………………………………………
2) Qual é o ponto de partida para a formação de líderes e por
quê? ...................................................................................................................................
.........
3) Por que a formação de líderes é uma ação necessária para a igreja e
para o sucesso do
ministério? .........................................................................................................................
...................
4) Como podemos identificar novos líderes e formá-los para funções
importantes na
igreja? ................................................................................................................................
............
5) Por que dizemos que o PGM é uma importante estratégia para a
formação de líderes?
6) O que é Programa Discipular de Liderança –
PDL? ...................................................................................................................................
.........

QUINTO PRINCÍPIO: COMPAIXÃO E GRAÇA


OBJETIVOS:
Depois de ler este capítulo você deve ser capaz de:
● Avaliar a importância de a igreja praticar a compaixão e a graça na
comunidade como forma de se tornar relevante e impactar as pessoas ao seu redor;
● Identificar as necessidades legítimas da comunidade como
oportunidade para servir, influenciar e testemunhar o Evangelho.

A COMPAIXÃO E GRAÇA NAS IGREJAS DO PRIMEIRO SÉCULO


As igrejas do primeiro século se tornaram relevantes na sua
comunidade através de suas ações de compaixão e graça. Além de orar e
testemunhar de Jesus às pessoas, aquelas igrejas tinham um coração compassivo e
buscavam atender às necessidades espirituais, físicas e emocionais das pessoas à sua
volta. As igrejas não se fechavam dentro do si, mas eram percebidas pela comunidade,
chamavam a atenção, influenciavam por meio de suas ações. Encontramos várias

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narrativas de ações de compaixão praticadas pelos cristãos naquele período, como
esta: E eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e
nas orações. Em cada um havia temor, e muitos sinais e feitos extraordinários eram
realizados pelos apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em
comum. Vendiam suas propriedades e bens, e os repartiam com todos, segundo a
necessidade de cada um. E perseverando de comum acordo todos os dias no templo,
e partindo o pão em casa, comiam com alegria e simplicidade de coração, louvando
a Deus e contando com o favor de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava a cada
dia os que iam sendo salvos (At. 2:42-47.
Nesse texto, vemos que a intensidade com que a igreja exercia o
cuidado recíproco entre os irmãos era tão explícita que não passava despercebida da
comunidade ao redor. A igreja caiu na graça de todo o povo! O resultado disso é que
muitos foram acrescentados à comunidade de fé. Também em nossos dias, o amor
entre os irmãos da igreja deve ser tão evidente, manifestando-se através do zelo e
cuidado mútuo, que seja percebido pelos de fora, que desejarão, por isso, fazer parte
da mesma família. Jesus disse: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos
amardes uns aos outros” (Jo. 13:35).
Não podemos falar em compaixão pelas pessoas da comunidade se,
antes, não existir um amor verdadeiro entre os irmãos. Daí por que o zelo por pessoas
é um elemento tão importante não apenas em termos individuais no Relacionamento
Discipulador, mas também coletivamente, pois, no somatório das relações de cuidado
recíproco entre os discípulos, a igreja como um todo causará impacto na comunidade,
fazendo prosperar o Evangelho.
Observe o que acontecia mais com as igrejas em Atos: A multidão dos
que criam estava unida de coração e de propósito; ninguém afirmava ser sua alguma
coisa que possuísse, mas tudo era compartilhado por todos. E com grande poder os
apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos havia
imensa graça. Pois não existia nenhum necessitado entre eles; porque todos os que
possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o valor do que vendiam e o
depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse
necessidade. Então José, a quem os apóstolos chamavam Barnabé (que significa filho
de consolação), levita, natural de Chipre, possuindo um terreno, vendeu-o, trouxe o
dinheiro e colocou-o aos pés dos apóstolos (At. 4:32-37).
O amor e a comunhão da igreja eram notórios não apenas a todos os
irmãos, mas também aos de fora, à comunidade, que percebia que eles tinham um só
coração e um só propósito. Isso causou um grande impacto, resultando na
multiplicação de discípulos:
Muitos sinais e feitos extraordinários eram realizados entre o povo por
meio dos apóstolos. E eles permaneciam juntos no pórtico de Salomão. E, embora o
povo os admirasse muito, ninguém mais tinha coragem de juntar-se a eles. Cada vez
mais agregava-se ao Senhor grande número de crentes, tanto homens como
mulheres; a ponto de os doentes serem levados para as ruas e colocados em leitos e
macas, para que, quando Pedro passasse, ao menos sua sombra se projetasse sobre
alguns deles. Também das cidades ao redor ia muita gente para Jerusalém, levando
doentes e atormentados por espíritos impuros, e todos eram curados (At. 5:12-16).
A operação de milagres acontecia no meio do povo, referendando a
obra dos apóstolos e trazendo visibilidade à igreja que nascia, tornando-a relevante,

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como se percebe da expressão “o povo os admirava muito.”Isso contribuiu para que
pessoas fossem agregadas à igreja, fazendo crescer o número de discípulos em
Jerusalém e nas cidades vizinhas, tal era o impacto daquela igreja na comunidade.
Observe outro texto sobre a relevância social da igreja: Naqueles dias,
crescendo o número dos discípulos, houve reclamação dos judeus de cultura grega
contra os demais judeus, pois as viúvas daqueles estavam sendo deixadas de lado na
distribuição diária de mantimentos. Em razão disso, os Doze convocaram a multidão
dos discípulos e disseram: Não faz sentido que deixemos a palavra de Deus e
sirvamos à mesa. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa
reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste
serviço (At. 6:1-3). No texto transcrito percebemos que o trabalho de cuidado com as
viúvas cresceu tanto a ponto de tornar necessária a nomeação de homens – com
critério altamente exigente – que fossem encarregados desse serviço. Isso demonstra
a importância que a igreja dava àquela tarefa e o impacto que causava na comunidade.
Também vemos no livro de Atos que a igreja era relevante na
comunidade porque seus membros eram relevantes, como foi o caso de Tabita: Havia
em Jope uma discípula chamada Tabita, que, traduzido, quer dizer Dorcas; ela fazia
muitas boas obras e dava esmolas (...) Pedro levantou-se e foi com eles. Quando
chegou, levaram-no ao quarto de cima; e todas as viúvas o cercaram, chorando e
mostrando-lhes as roupas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas (At.
9:36-39). É interessante notar que Lucas chama Tabita de “discípula” no contexto em
que ressalta o zelo que ela tinha pelos irmãos e pelos de fora (o fato foi notório a toda
Jope, conforme o v. 43). O texto demonstra claramente, pela lamentação por sua
morte e pela alegria de sua ressuscitação, que aquela discípula era muito querida pela
comunidade. Assim também devem ser todos os discípulos: Pessoas que amam,
cuidam e zelam pela vida do próximo por meio dos relacionamentos com os de dentro
e os de fora, fazendo com que a igreja seja socialmente relevante.
Observe outro exemplo: “Um homem piedoso segundo a lei, chamado
Ananias, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam” (At. 22:12).
O testemunho de Ananias, sendo piedoso, era perceptível a todos os judeus que
moravam em Damasco. É interessante como o zelo, o cuidado e o amor de um
discípulo se tornam notórios para toda a comunidade.
Outra forma de a igreja agir com compaixão e graça e se tornar
relevante é apoiar irmãos de outros lugares em suas necessidades, de acordo com o
que vemos no texto a seguir: Naqueles dias, profetas desceram de Jerusalém para
Antioquia. Levantando-se um deles, chamado Ágabo, indicou pelo Espírito que havia
uma grande fome em todo o mundo, que ocorreu no tempo de Claudio. E os
discípulos, cada um conforme suas posses resolveram enviar ajuda aos irmãos que
habitavam na Judéia. E assim fizeram, enviando-a aos presbíteros pelas mãos de
Barnabé e Saulo (At. 11:27-30).
Essa atitude de compaixão, graça e serviço se repete várias vezes nas
epístolas. A igreja se torna relevante quando demonstra este cuidado e zelo pelos de
perto e os de longe.
Vejamos mais um caso, agora na vida de Paulo: “Em tudo vos dei o
exemplo de que deveis trabalhar assim, a fim de socorrerdes os doentes, recordando
as palavras do próprio Senhor Jesus: Dar é mais bem-aventurado que receber” (At.
20:35). Paulo abre ainda mais o leque para o zelo e o cuidado dos que sofrem, sejam

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irmãos ou não, apontando para o princípio da generosidade, absolutamente altruísta e
desprovido de segundas intenções: “Melhor é dar do que receber.”
No texto de Atos 3:3-8, um homem com deficiência física rogou, clamou
por ajuda. Pedro e João atentaram para aquele pedido de socorro, olhando para as
necessidades daquele homem. Quem pede ajuda espera recebê-la e com aquele
homem não foi diferente: Ao clamar a atenção daqueles apóstolos, esperava receber
alguma coisa deles. Mas ele não ganhou exatamente o que havia pedido; ganhou mais,
isto é, a cura, servindo isso de testemunho à sua família e a todos que freqüentavam
aquele tempo.
Percebe-se que as igrejas do livro de Atos, ainda na tenra idade, sabiam
que o seu ministério deveria compreender iniciativas de compaixão pela comunidade e
serviço a ela, fazendo com que caíssem na graça de todo o povo e impactassem o
mundo ao seu redor com o Evangelho.

COMPAIXÃO E GRAÇA HOJE


Vivemos em época e cultura muito diferentes daquelas em que viviam
as igrejas em Atos, mas o princípio da compaixão e graça permanece atual. Como
corpo de Cristo na terra, a igreja deve estender as mãos, abrir os olhos e o coração
para as necessidades dos que estão ao seu redor, demonstrando a fé n’Ele através de
suas ações. Com isso, ela atrairá a simpatia e a atenção das pessoas, devendo
aproveitar todas as oportunidades para testemunhar o Evangelho.
Uma igreja pode estar tão voltada para si mesma, indiferente à
realidade social à sua volta, que não produza nenhum impacto ou influência em sua
comunidade. Infelizmente, se algumas igrejas fechassem as portas de seus templos,
ninguém sentiria falta.
Assim, por definição, relevância na comunidade é: A sensibilidade às
necessidades de uma comunidade e o serviço gracioso da igreja para lhes atender de
modo que a igreja se torne relevante, resultando na multiplicação de discípulos, para a
glória de Deus.
Para que isso aconteça, alguns impactos são essenciais: Vejamos quais
são eles:

COMO SER UMA IGREJA RELEVANTE NA COMUNIDADE


A igreja não pode se deter em programações voltadas apenas para seu
próprio bem-estar, mas deve estar atenta às pessoas de fora, exercendo influência no
mundo ao seu redor. Obviamente que a igreja não terá em si a solução para todas as
questões. Contudo, deve ter uma escuta atenta, zelar pelas pessoas e, se for preciso,
encaminhar o caso à rede pública de serviços socioassistenciais para a solução do
problema. Vejamos o caminho que deve ser percorrido para que essas ações de
compaixão e graça repercutam na multiplicação de discípulos:

1 TENHA INTERESSE PELA COMUNIDADE


A igreja é composta de gente da comunidade. Portanto, ela deveria
conhecer a área em que atua e apresentar respostas às necessidade das pessoas:
Conhecer a comunidade é abrir caminho para ser aceito por ela, para criar condições e
desenvolver simpatia e empatia. É tornar a igreja parte da comunidade, deixando de

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ser corpo estranho. A igreja não está na comunidade só para cuidar dos seus fiéis. Ela
está ali para trabalhar com toda a comunidade, para fazer com que todos ouçam,
vejam, sintam e sejam alcançados pelo Evangelho.
A igreja precisa se identificar com a comunidade onde está inserida,
conhecê-la, saber quem são seus moradores e quais são as reais necessidades, se
interessar por eles, saber como se relacionar com eles, ter empatia pela comunidade e
não assumir uma atitude crítica, hostil e de rejeição.

2 INTERCEDA PELA COMUNIDADE


Muitas vezes a igreja está fechada em si mesma até no que diz respeito
à oração. Os motivos de oração se limitam aos interesses pessoais de seus membros e
não alcançam as necessidades da comunidade e das pessoas de fora. A igreja precisa
ter um programa de intercessão em favor das pessoas da comunidade que estão
enfermas, enlutadas, depressivas, aprisionadas aos vícios, em famílias desestruturadas
e destruídas, vítimas de violência, desempregadas, encarceradas, pelas crianças e
adolescentes e, etc.

3 DEMONSTRE COMPAIXÃO PELA COMUNIDADE


Jesus é nosso maior exemplo de compaixão e graça. Após um dia inteiro
no meio do povo, pregando e ensinando, Jesus se depara com uma multidão que não
tinha pão para comer, nem onde comprá-lo. Os discípulos queriam despedir a
multidão como estava, mas o Senhor reagiu com compaixão ocupando-se com a
multidão, ensinando muitas coisas acerca do reino de Deus e também alimentando-a
de modo que todos comeram e foram satisfeitos (Mc. 6:34-44). Ele demonstrou
compaixão ao cego Bartimeu, que estava assentado à beira do caminho, restaurando-
lhe a visão, a dignidade e a esperança eterna (Mc. 10:46-52). Jesus depois de ter
atravessado o mar da Galileia sob grande tempestade, cuidou de dois
endemoninhados gadarenos (Mt. 8:28-34). Restaurando-lhes tanto o juízo quanto a
saúde, a dignidade e a esperança eterna.
Ninguém deveria ter maior conhecimento e interesse por seu bairro e
sua cidade do que a igreja e seus líderes.

4 ENVOLVA-SE COM A COMUNIDADE


O primeiro e mais valioso recurso para que a igreja se torne relevante é
a atuação dos seus próprios membros no dia a dia da comunidade. Além disso, a igreja
como um todo, enquanto organismo vivo deve envolver-se na busca de soluções para
as demandas da comunidade.
Comentando sobre a segunda multiplicação dos pães, encontra-se no
texto seis princípios de ação da igreja no mundo que ajudam a formar critérios sólidos
para governar suas ações na comunidade onde atua. Consideremo-los:
● Principio da Presença: Estar no cenário onde as coisas acontecem. O mestre
não teria notado a necessidade da multidão se não fosse parte dela.
 Principio do Engajamento: A visão da necessidade gerou o senso de
responsabilidade pessoal pela multidão.
 Principio da Universalidade: O mestre não demonstrou preocupação apenas
com os domésticos da fé.

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 Principio da Suficiência: Bastaram os poucos peixes e pães para alimentar a
multidão, assim como foi suficiente o bastão que estava nas mãos de Moisés
para fender o mar Vermelho, por exemplo.
 Principio da Oportunidade: A necessidade das pessoas determina o conteúdo e
a ocasião da ação cristã.
 Principio da Cooperação: A cooperação dos discípulos é outro fator imperativo:
Recolhendo os peixes, ajuntando os cestos, organizando o povo, distribuindo o
pão, armazenando as sobras.
Não podemos conceber um crescimento do número de evangélicos em
nosso país sem que isto traga consigo uma transformação na ética de nosso povo, bem
como uma resposta a tantas questões sociais.
É importante atentar para o fato de que a relevância social da igreja não
deve estar condicionada à aceitação do povo à mensagem do Evangelho.
Não podemos esquecer que em tudo, inclusive na relevância na
comunidade, a igreja deve glorificar a Deus e cumprir a Grande Comissão, chamando,
acolhendo e aperfeiçoando discípulos de Cristo. Agindo dessa forma, a igreja cumpre a
ordem de Jesus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam
as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está no céu” (Mc. 5:16).

5 DESENVOLVA PROJETOS E INICIATIVAS DE IMPACTO NA COMUNIDADE


Educação:
● Curso pré-vestibular e preparatório para concursos, com a cobrança
de um valor simbólico de mensalidade, ou mesmo gratuitos, com professores
voluntários e membros da igreja.
● Curso de línguas: Oferta de aulas gratuitas de diversos idiomas.
● Aulas de música para crianças, jovens e adultos, com variedade de
instrumentos musicais.
● Educação de Jovens e Adultos (EJA): É uma modalidade de educação
básica destinada aos jovens e adultos que não tiveram acesso ou não concluíram os
estudos no ensino fundamental e no ensino médio. A igreja pode formalizar a parceria
com a Secretaria de Educação para formação de turmas.
● Reforço escolar:
Saúde:
● Palestras sobre saúde:
● Consultório médico/psicológico/nutricionista/odontológico:
● Dia de Ação Solidária:
Esporte:
Profissionalização:
Assistência Social:
Dependência Química:
● Palestras nas escolas, Grupos de apoio, grupo de apoio à família do
dependente químico.
OBS: A igreja precisa ser contagiante, conhecida e respeitada pela
comunidade onde está inserida.

DISCUSSÃO EM GRUPO
1 QUESTÕES PARA REVISÃO:
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→ Quais as características de uma igreja relevante em sua comunidade?
→ O que a relevância social da igreja tem a ver com a Grande Comissão?
→ Como ser uma igreja relevante?
2 QUESTÕES PARA REFLEXÃO
● Apenas abrir o templo aos domingos responde à demanda da
comunidade onde a sua igreja está inserida? Comente sua resposta.
● Se a sua igreja encarasse as suas atividades hoje, a comunidade do
entorno sentiria falta e reclamaria a sua reabertura, ou seria indiferente ao fato?
Explique por que você pensa assim.
● Quais têm sido as estratégias de relevância social de sua igreja?

CONCLUSÃO
Em primeiro lugar: Queremos encorajá-lo a continuar estudando sobre
Igreja Multiplicadora. Um dos livros que você deve ler antes de iniciar os Pequenos
Grupos Multiplicadores é o De Volta aos Princípios, que demonstra passo a passo
como implementar a visão de Igreja Multiplicadora em sua igreja. Também acesse o
Portal Multiplique (WWW.igrejamultiplicadora.org.br) e baixe pelo Espaço do Líder
tudo o que puder para conhecer melhor sobre a visão de Igreja Multiplicadora. Então,
reúna o máximo de informações possível antes de começar a jornada de
implementação.

SUGESTÃO DE ORDEM DE LEITURA DOS LIVROS:


1. Igreja Multiplicadora: 5 princípios bíblicos para o crescimento.
2. De Volta aos Princípios.
3. Relacionamento Discipulador: Uma teologia da vida discipular.
4. Aprofundando Raízes: Dinâmica e elementos do Relacionamento
Discipulador.
5. Multiplicando Discípulos: O método neotestamentário para o
crescimento da igreja.
6. Pequeno Grupo Multiplicador: Compartilhando o amor de Deus por
meio de relacionamentos.
Em segundo lugar: Interaja com ostros pastores que estão vivendo o
mesmo processo em suas igrejas. Participe de congressos e seminários sobre o
assunto.
Em terceiro lugar: Ore para que Deus mostre ao coração de toda a
liderança da igreja a importância da multiplicação e principalmente o cumprimento da
Grande Comissão. Quando falamos de oração, também é muito importante recordar
que:
● O pastor e a liderança têm que ter a oração como prioridade de vida e
ministério.
● A liderança deve ser o modelo para a igreja em relação à oração.
● Devemos priorizar a oração em todos os encontros da igreja e
mobilizar grupos de oração em prol do desenvolvimento da igreja.

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● Devemos promover grandes ajuntamentos para oração e
quebrantamento na presença de Deus, para que Deus direcione todo o processo de
implementação da visão de Igreja Multiplicadora.
Em quarto lugar: Tendo já compreendido os princípios bíblicos de
multiplicação, comece a pregar a cada domingo sobre esses princípios. Não pense em
implementar os Pequenos Grupos Multiplicadores enquanto o coração dos membros
de sua igreja não for impactado e eles não estiverem dispostos a agir como discípulos
de Jesus na cidade. A chave do processo não é instituir PGMs na estrutura da igreja,
mas transformar membros em discípulos.
Para isso, sugerimos a adoção das seguintes medidas:
→ Escolha pessoas de sua liderança estratégica para desenvolver com
elas Relacionamentos Discipuladoras mediante encontros semanais ou quinzenais.
→ Busque desenvolver um sistema de solicitação de contas com estes
irmãos. Use os cartões de RD sugeridos como ferramenta da visão de Igreja
Multiplicadora, muito úteis no início deste processo.
Para que todo processo discipular fique claro, recomendamos que você
leia os nossos três livros sobre Relacionamento Discipulador, que são: Multiplicando
Discípulos: O método neotestamentário para o crescimento da igreja. Relacionamento
Discipulador: Uma teologia da vida discipular. Aprofundando Raízes: Dinâmica e
elementos do relacionamento discipulador.
Em quinto lugar: Compartilhe os princípios mais de perto com sua
liderança. Nesse momento de mobilização, é muito importante notar:
● Líderes na igreja devem começar a entender os princípios e ter o
coração aberto para conhecer mais sobre isso.
● A liderança deve se unir em torno do mesmo objetivo, de colocar a
Grande Comissão como a prioridade máxima da igreja.
Comece o PGM Protótipo, em que os líderes se reunirão com você
semanalmente para compreender os princípios multiplicadores por meio de um estudo
dirigido. Para compreender o que é PGM Protótipo e ter tudo o que precisa para
começar, baixe gratuitamente no Espaço do Líder O PDF PGM Protótipo: Preparando
líderes para a multiplicação, escrito por Milton Monte.
Em sexto lugar: Compartilhe a sua visão com outras pessoas dentro da
comunidade de fé. A visão de Igreja Multiplicadora deve estar clara para todos na
igreja. É importante esclarecer que os princípios multiplicadores não vêm para mudar a
estrutura da igreja, mas, sim, colocar o foco na Grande Comissão.
OBS: A chave do processo não é instituir PGMs na estrutura da igreja,
mas transformar membros em discípulos.
Por último: É bom lembrar que tudo deve ser feito com bom senso e
muito amor, considerando as opiniões dos irmãos e sem dar lugar a escândalos nem
rixas contra aqueles que persistirem em não priorizar a Grande Comissão. 1Co. 13:3
nos ensina que: “mesmo que distribuísse todos os meus bens para o sustento dos
pobres, e entregasse meu corpo para ser queimado, mas não tivesse amor, nada
disso me traria benefício algum.” Isso significa que nem mesmo defender uma causa
tão nobre como a implantação da Igreja Multiplicadora justificaria agir com falta de
amor ou consideração pelo irmão mais fraco na fé.

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