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AVM Faculdade Integrada

Higiene e Segurança do Trabalho


Jocemar Pereira da Silva

AS COMISSÕES INTERNAS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES


COMO INSTRUMENTOS DE PROMOÇÃO DA SEGURANÇA
DO TRABALHO NO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO
DA 9ª REGIÃO.

Curitiba - PR
2015
AVM Faculdade Integrada
Higiene e Segurança do Trabalho
Jocemar Pereira da Silva

AS COMISSÕES INTERNAS DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES


COMO INSTRUMENTOS DE PROMOÇÃO DA SEGURANÇA
DO TRABALHO NO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO
DA 9ª REGIÃO.

Projeto de pesquisa apresentado à AVM Faculdade Integrada


como Trabalho de conclusão do Curso de pós-graduação na
área de Higiene e Segurança do Trabalho.

Tutor: Professor Paulo Rogério Albuquerque de Oliveira

Curitiba - PR
2015
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT- Assossiação Brasileira de Normas Técnicas


AIDS - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
ASCOM – Assessoria de Comunicação Social
CESMT - Comissão de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho do TRT9
CF - Constituição Federal
CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
CIPAs - Comissões Internas de Prevenção de Acidentes
CSJT - Conselho Superior da Justiça do Trabalho
DG - Direção Geral
EJ - Escola Judicial
MTE - Ministério do Trabalho e Emprego
NBR - Norma Brasileira
NR4 - Norma Regulamentadora nº 4
NR5 - Norma Regulamentadora nº 5
PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
PMSP - Prefeitura do Município de São Paulo
PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
RITRT - Regimento Interno do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
SDSTI - Secretaria de Desenvolvimento de Soluções em Tecnologia da Informação
SEA - Secretaria de Engenharia e Arquitetura
SEDESB - Serviço de Saúde Ocupacional, Desenvolvimento e Benefícios
SEFIST - Seção de Fisioterapia e Segurança do Trabalho do TRT9
SEGESPE - Secretaria de Gestão de Pessoas
SERLEG - Serviço de Legislação
SESMT – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do
Trabalho
Sinjutra - Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho no Paraná
SIPAT - Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT
TRT9 - Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
TRT - Tribunal Regional do Trabalho
TST - Tribunal Superior do Trabalho
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO............................................................................................................ 07

2 TEMA.......................................................................................................................... 07

3 PROBLEMA................................................................................................................ 08

4 JUSTIFICATIVA.......................................................................................................... 08

5 OBJETIVOS................................................................................................................ 08

5.1 OBJETIVO GERAL................................................................................................... 09

5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS.................................................................................... 09

6 REVISÃO DE LITERATURA...................................................................................... 09

7 METODOLOGIA......................................................................................................... 13

8 ESTRUTURA DA JUSTIÇA DO TRABALHO DA 9ª REGIÃO.................................. 14

8.1 DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHO X LOTAÇÃO (ÁREA JUDICIÁRIA) ......................


17

8.2 CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO.......................................................... 20

9 CONSTITUIÇÃO DA CIPA NO TRT9......................................................................... 21

9.1 DO DIMENSIONAMENTO...................................................................................... 22

9.2 DA ORGANIZAÇÃO................................................................................................. 24

9.3 DAS ATRIBUIÇÕES................................................................................................ 26

9.4 DO FUNCIONAMENTO........................................................................................... 28

9.5 DO TREINAMENTO................................................................................................. 30

9.6 DO PROCESSO ELEITORAL................................................................................. 31


9.7 DAS CONTRATADAS............................................................................................. 33

9.8 DA NECESSIDADE DE IMPLANTAÇÃO DAS CIPAS............................................ 34

9.9 ESCLARECIMENTOS QUANTO AO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO E


MANUTENÇÃO DAS CIPAS.......................................................................................... 35

10 DA ALTERAÇÃO DA RESOLUÇÃO CSJT 141...................................................... 37

11 RESULTADOS ESPERADOS.................................................................................. 39

12 VIABILIDADE DA PROPOSTA............................................................................... 40

12.1 - PREMISSAS BÁSICAS....................................................................................... 40

12.2 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL...................................................................... 40

12.3 - ESTRUTURA ANALÍTICA ................................................................................... 42

12.4 - RISCOS AO SUCESSO DA AÇÃO...................................................................... 43

12.5 - INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES.............................................................. 44

13 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 45

13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................... 46
1 INTRODUÇÃO

O presente estudo refere-se à necessidade de implantação de Comissões Internas de


Prevenção de Acidentes (CIPAs) no âmbito do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª
Região (TRT9), pois a inexistência de CIPAs neste Tribunal obstaculiza a promoção da
saúde ocupacional e da prevenção de riscos e de doenças relacionados ao trabalho.
Saúde, higiene e segurança do trabalho são direitos de todos os trabalhadores. Há
décadas estes direitos têm sido um estandarte ostentado pela Organização
Internacional do Trabalho, pela Constituição Federal (CF), pelo Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE) e, mais recentemente, pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho
(CSJT), que determinou a promoção da segurança do trabalho no âmbito da Justiça do
Trabalho de 1º e 2º graus.
Por se tratar de uma conquista que reflete um trabalho decente, produtivo, de qualidade
e em condições isonômicas de liberdade, segurança e dignidade humana, é
imprescindível adotar estratégias que garantam a plena sustentabilidade das ações que
vem sendo adotadas pelo TRT9 em prol da segurança do trabalho.
Destarte, ao longo deste estudo de caso, além de indicar a estrutura de formação e de
funcionamento de CIPAs no âmbito do TRT9, será demonstrado que a constituição de
CIPAs neste Tribunal poderá proporcionar a plena sustentabilidade de suas ações no
que concerne à promoção da saúde ocupacional e à prevenção dos riscos e das
doenças relacionados ao trabalho.

2 TEMA

As Comissões Internas de Prevenção de Acidentes como instrumentos de promoção da


segurança do trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região.
3 PROBLEMA

Será que o TRT9 conseguirá promover a saúde ocupacional, bem como prevenir riscos
e doenças relacionados ao trabalho sem constituir CIPAs?

4 JUSTIFICATIVA

Desde 2011 o CSJT tem envidado esforços no sentido de parametrizar a promoção da


segurança do trabalho nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) de primeiro e
segundo graus.
Ocorre que as Resoluções publicadas pelo CSJT para a finalidade em tela não
preveem a criação de CIPAs nos Tribunais, mas somente de Comissão de Engenharia
de Segurança e Medicina do Trabalho (CESMT). Isto não seria um grande problema se
no TRT9 houvesse uma estrutura organizacional capaz de suportar os impactos desse
processo e realizar as atividades previstas para o CESMT.
Diante da realidade organizacional e da atual estrutura do TRT9, urge encontrar
alternativas para viabilizar a sustentabilidade da saúde, higiene e segurança de seus
trabalhadores nos termos preconizados pela legislação vigente.
Considerando que nas Resoluções do CSJT não há menção de constituição de CIPA e
que o CESMT do TRT9 possui dimensionamento tal que o limita sobremaneira no
atendimento as demandas existentes; o presente estudo se propõe a defender que a
constituição de CIPAs nesse Tribunal é um dos caminhos mais viáveis para atender aos
objetivos da instituição, dos trabalhadores, dos legisladores e da própria sociedade.

5 OBJETIVOS

Os objetivos deste trabalho serão apresentados em duas partes, a saber: objetivo geral
e objetivos específicos.
5.1 OBJETIVO GERAL

Demonstrar que há necessidade de constituir CIPAs no âmbito do TRT9 para viabilizar


a promoção da saúde ocupacional e a prevenção de riscos e de doenças relacionados
ao trabalho.

5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Sugerir alteração na Resolução do CSJT que estabelece diretriz para promoção


da segurança do trabalho no âmbito da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus;
 Propor a implantação de CIPAs no TRT9;
 Apresentar o dimensionamento para as CIPAs no TRT9;
 Sugerir metodologia para treinamento, acompanhamento e sustentabilidade das
CIPAs no TRT9;
 Evidenciar que o caminho mais viável para promover a segurança do trabalho,
em curto prazo, no âmbito do TRT9 é através da constituição de CIPAs;
 Apontar as dificuldades encontradas pelo TRT9 para promover, sem as CIPAs, a
segurança do trabalho nos termos determinados pelo CSJT;
 Recomendar a metodologia de funcionamento das CIPAs no TRT9.

6 REVISÃO DE LITERATURA

Segurança no trabalho é um direito de todos os trabalhadores e dever de todos os


empregadores.
A Constituição Federal assegura o direito de redução dos riscos inerentes ao trabalho,
por meio de normas de saúde, higiene e segurança, para todos os trabalhadores,
independentemente do regime jurídico a que estejam submetidos.
“São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria
de sua condição social: XXII redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança” (CF, art. 7º, XXII).
No mesmo sentido, o item 4.1 da Norma Regulamentadora nº 4 (NR4) prevê que:
As empresas privadas e públicas, os órgãos públicos da administração direta e
indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, manterão,
obrigatoriamente, Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em
Medicina do Trabalho, com a finalidade de promover a saúde e proteger a
integridade do trabalhador no local de trabalho.

Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho


(SESMT) possuem reconhecimento jurídico no artigo 162 da Consolidação das Leis do
Trabalho e é regulamentado pela NR4 do MTE, de acordo com a Lei no 6.514/78 da
Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho.
Embora exista esse reconhecimento há décadas, a promoção de ações visando à
saúde, segurança e higiene do trabalho dos servidores dos TRTs é algo recente, uma
vez que somente a partir de 23 de agosto de 2011, em decorrência da publicação da
Resolução nº 84 pelo CSJT, os TRTs começaram a programar ações visando à
redução ou eliminação dos riscos à saúde das pessoas que compõem a força de
trabalho dos órgãos da Justiça do Trabalho. Determinava o Art. 1º da Resolução nº 84
do CSJT:

Os Tribunais Regionais do Trabalho implementarão ações destinadas à


promoção da saúde ocupacional e à prevenção de riscos e doenças
relacionadas ao trabalho, de seus magistrados e servidores, bem como
relacionadas à ocorrência de acidentes em serviço...

Em 26 de setembro de 2014 o CSJT publicou a Resolução CSJT nº 141 que, embora


tenha revogado a Resolução CSJT nº 84/2011, manteve-se a essência da Resolução
revogada. A nova Resolução ratificou o texto supracitado e, para materializar as ações
destinadas à promoção da saúde e à prevenção de riscos e doenças de seus
magistrados e servidores, determinou no seu Art. 8º que “Os Tribunais Regionais do
Trabalho deverão constituir Comissão responsável pela Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho, vinculada à área de saúde...”.
Em que pese essa Resolução ter especificado as atribuições da CESMT e tais
atribuições ter equivalência com as atribuições previstas para o SESMT que é
regulamentado pela NR4, nem sequer fora citada a criação de CIPA ou a necessidade
de entrosamento do CESMT com a CIPA.
Para não comprometer os objetivos da própria Resolução, é de extrema importância o
reconhecimento da inter-relação entre a CIPA e o SESMT, uma vez que as atividades
destas comissões se convergem e ambas as comissões atuam em prol da consecução
de um objetivo comum: preservar a saúde, a segurança e a higiene do trabalho.
O entrosamento do SESMT com a CIPA é previsto na alínea “e” do Item 4.12 e no item
4.13 da NR4:

4.12 Compete aos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em


Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho:
e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de
suas observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme dispõe a
NR 5;
4.13 Os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina
do Trabalho deverão manter entrosamento permanente com a CIPA, dela
valendo-se como agente multiplicador, e deverão estudar suas observações e
solicitações, propondo soluções corretivas e preventivas, conforme o disposto
no subitem 5.14.1. da NR 5.

Já a indissociabilidade da CIPA com o SESMT está contida nos itens 5.16, 5.18, 5.19,
5.21 e 5.35 da NR5:

5.16 A CIPA terá por atribuição:


a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos,
com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do
SESMT, onde houver;
g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo
empregador, para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de
trabalho relacionados à segurança e saúde dos trabalhadores;
h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de
máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e
saúde dos trabalhadores;
l) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador,
da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas
de solução dos problemas identificados;
o) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
5.18 Cabe aos empregados:
c) indicar à CIPA, ao SESMT e ao empregador situações de riscos e apresentar
sugestões para melhoria das condições de trabalho;
5.19 Cabe ao Presidente da CIPA:
b) coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao SESMT,
quando houver, as decisões da comissão;
5.21 O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as
seguintes atribuições:
d) promover o relacionamento da CIPA com o SESMT, quando houver;
5.35 O treinamento poderá ser ministrado pelo SESMT da empresa, entidade
patronal, entidade de trabalhadores ou por profissional que possua
conhecimentos sobre os temas ministrados.
A CIPA exerce um papel vital no contexto prevencionista de segurança do trabalho,
quer em razão da participação direta dos trabalhadores, ou em virtude de sua facilidade
de levantamento de informações, comunicação, conscientização, fiscalização e acesso
aos detalhes do processo de trabalho que muitas vezes passariam despercebidos pelo
SESMT. Essa importância é tão latente que na cidade de São Paulo contituíram-se
CIPAs através da Lei nº 13.174, de 05 de setembro de 2001, sem sequer existir o
SESMT na esfera municipal.

Todas as unidades das diversas Secretarias que compõem a Prefeitura do


Município de São Paulo, bem como as autarquias com pessoal regido pelo
Estatuto dos Servidores Públicos Municipais, deverão organizar e manter em
funcionamento uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA -, na
forma da Norma Regulamentadora nº 5, editada com a Portaria nº 3.214, de 8
de junho de 1978, do Ministério do Trabalho (SÃO PAULO, Lei nº 13174/2001,
Art. 1º).

A própria NBR 18801/2010 prevê a participação dos trabalhadores entre os elementos


do sistema de gestão da saúde e segurança no trabalho (SST).

A alta administração deve assegurar a participação dos trabalhadores nos


assuntos pertinentes a SST no âmbito da organização de acordo com os
requisitos legais e os estabelecidos por esta Norma.
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – (CIPA) ou designada
conforme legislação deve ser a forma principal de Participação dos
Trabalhadores, com a assistência do Serviço Especializado em Segurança e
Medicina do Trabalho – (SESMT) onde existir, conforme exigência legal.
A participação do trabalhador deve ser constante no nível em questão em prol
da melhoria contínua da organização e das condições do ambiente de trabalho
(ABNT 18801, 2011, p. 9).

Assim, o propósito deste trabalho não é defender a instituição da CIPA em detrimento


do SESMT - CESMT ou vice-versa, mas sim promover boas práticas indicando um
sistema de gestão apropriado e eficiente onde a CIPA e o CESMT possam agir de
forma integrada para assegurar a consecução dos objetivos de todas as partes
interessadas.
7 METODOLOGIA

A intenção metodológica da presente pesquisa é efetuar uma abordagem teórica


qualitativa que consiste em coletar dados descritivos, com enfoque indutivo, primando
pelo contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo e com
foco de resultado no processo de trabalho idealizado pela própria população estudada.
A abordagem qualitativa tem como características, segundo Lüdke e André (1986,
apud, MAGALHÃES; ALBINO, 2015, p. 3):

O ambiente natural como sua fonte direta de dados sendo o pesquisador seu
principal instrumento; os dados coletados são principalmente descritivos; há
mais preocupação com o processo do que com o produto; o “significado” que os
sujeitos dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial do
pesquisador; a análise de dados tende a seguir um processo indutivo. Trata-se
de uma abordagem teórico-metodológica que expressa outra maneira de
construir o conhecimento, outra concepção da relação sujeito-objeto na
produção do conhecimento”.

Em um primeiro momento serão realizadas entrevistas não estruturadas com os


servidores que laboram na Secretaria de Gestão de Pessoas do TRT9 com o propósito
de mapear a estrutura funcional, a dinâmica laboral das áreas responsáveis pela saúde,
segurança e higiene do trabalho, as atribuições, as ações de segurança já
desenvolvidas ou em andamento e os pontos críticos para o sucesso dos projetos de
segurança do trabalho.
O estudo de caso será o próximo passo a ser desencadeado para analisar de forma
profunda o sistema de segurança do trabalho instituído, os atos regulatórios vigentes, a
problematização do objeto de estudo em relação aos atos regulatórios vigentes e, por
fim, as opções descobertas para aperfeiçoamento do sistema de gestão da saúde e
segurança no trabalho.
Lüdke e André (1986, apud, RAPOSO, 2011, p. 90) afirmam que o estudo de caso é um
tipo de pesquisa que apresenta características específicas, tais como:

A busca da descoberta de algo novo, pois baseia-se no pressuposto de que o


conhecimento não é algo acabado; a ênfase na “interpretação em contexto”
para uma apreensão mais completa do fenômeno estudado; a busca em
retratar a realidade estudada de forma completa e profunda; a utilização de
variadas fontes de informação; a revelação de experiências vicárias e a
permissão de generalizações naturalísticas; a representação dos diferentes e,
às vezes, conflitantes pontos de vista presentes em uma situação social; a
utilização de linguagem e forma mais acessível que os outros relatórios de
pesquisa.

Na sequência realizar-se-á um grupo focal com os servidores diretamente responsáveis


pela saúde, segurança e higiene do trabalho para debater sobre os apontamentos do
estudo de caso, bem como, para discutir sobre os termos e conveniência de realizar
entrevistas com os trabalhadores para avaliar suas percepções sobre a segurança do
trabalho no TRT9, bem como, a predisposição dos servidores em integrar uma CIPA.

A entrevista não-estruturada ou semi-estruturada realmente é uma forma


especial de conversação. Em tal interação linguística, não é possível ignorar o
efeito da presença e das situações criadas por uma das partes (o
“entrevistador”) sobre a expressão da outra (o “entrevistado”) (MATTOS,
2005, p. 826).

A análise qualitativa dos dados pesquisados neste estudo de caso será realizada com
base nos atos regulatórios vigetes que regem o objeto de estudo, a saber: a NR4, a
NR5, a Resolução CSJT nº 141/2014 e a NBR 18801/2010.
O processo de análise ocorrerá com o cruzamento das informações e dados obtidos por
meio das entrevistas, do estudo de caso e do grupo focal realizado com os servidores.

8 ESTRUTURA DA JUSTIÇA DO TRABALHO DA 9ª REGIÃO

A estrutura da Justiça do Trabalho na 9ª Região pode ser mais bem compreendida se


analisada a estrutura judicial (atividade fim) e a estrutura administrativa (atividade
meio).
O TST (2015) apresenta tais estruturas na Ata da Correição Ordinária realizada no
Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, no período de 4 a 8 de maio de 2015, que,
de uma forma muito resumida, são transcritas a seguir:

ESTRUTURA JUDICIAL
O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (TRT9) é composto por 31
desembargadores. São órgãos do Tribunal (art. 2º do RITRT): o Tribunal Pleno; o
Órgão Especial; a Seção Especializada; as Turmas; a Presidência; a Corregedoria
Regional (Lei 7.907/89). Nos termos do art. 11 do RITRT, são cargos de direção do
Tribunal os de Presidente e de Corregedor Regional, sendo o de Vice-Presidente de
substituição (art. 11 do RITRT).
No 1º grau, há 97 cargos de juiz titular (estando vago 1 cargo) e 86 cargos de juiz
substituto (encontrando-se vagos 2 cargos).
A jurisdição territorial da 9ª Região da Justiça do Trabalho compreende 399 municípios,
contando com 97 varas do trabalho, todas instaladas, e 3 postos avançados.
A divisão territorial da jurisdição da 9ª Região foi estabelecida pela Resolução
Administrativa 131/2007, tendo como base a divisão do Instituto Paranaense de
Desenvolvimento Econômico e Social. Foram denominadas as regiões de Norte (fusão
das regiões Norte Central e Norte Pioneiro), Sul (fusão das regiões Sudoeste, Centro-
Sul e Sudeste), Leste (fusão das regiões Centro Oriental e Metropolitana de Curitiba) e
Oeste (fusão das regiões Noroeste, Centro-Ocidental e Oeste).
O Tribunal Regional tem 97 varas do trabalho e 96 juízes titulares (a Vara do Trabalho
de Dois Vizinhos encontra-se sem juiz titular) e 84 juízes substitutos.

ESTRUTURA ADMINISTRATIVA

A organização da 9ª Região compreende:


a) 1º grau: 17 fóruns (Apucarana, Araucária, Cascavel, Colombo, Cornélio
Procópio, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco
Beltrão, Guarapuava, Maringá, Londrina, Paranaguá, Pato
Branco, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Toledo e
Umuarama), 97 varas do trabalho (23 na Capital e 74 no
interior) e 3 postos avançados.

b) 2° grau: Tribunal Pleno (Secretaria do Tribunal Pleno, Órgão


Especial e da Seção Especializada), Turmas (Secretaria das
Turmas), Gabinetes dos Desembargadores, Corregedoria Regional, Vice-
Presidência, Presidência (Secretaria Geral Judiciária, Assessoria Jurídica,
Secretaria Geral da Presidência, Secretaria de Planejamento Estratégico,
Gestão e Estatística, Secretaria de Controle Interno e Auditoria, Direção
Geral, Escola Judicial).
A 9ª Região possui, atualmente, 2.255 servidores do quadro de pessoal permanente, 17
cedidos para outros órgãos, 7 licenciados, 139 removidos para outros órgãos, 4
comissionados puros, 9 requisitados (estando 1 cedido ao CSJT), 14 2 removidos de
outros órgãos e 9 em exercício provisório no TRT (6 para acompanhar cônjuge e 3 em
virtude de liminar), o que perfaz a força de trabalho de 2.418 servidores.
Conta, ainda, com a colaboração de 290 estagiários e 556 empregados de empresas
prestadoras de serviço (serviços terceirizados), o que corresponde a 22,99% do total de
servidores do Tribunal Regional (dos quais 200 serventes; 5 encarregados de
serventes; 4 supervisores de serventes e copeiros; 13 auxiliares de serviços gerais; 1
operador de máquina postal; 7 auxiliares de manutenção predial; 1 encarregado de
manutenção predial; 16 contínuos; 10 carregadores; 1 encarregado de
contínuo/carregador; 2 técnicos de som; 1 supervisor de técnico de som; 15
recepcionistas; 1 encarregado de recepção; 2 auxiliares de saúde bucal; 1 coordenador
de service desk; 8 supervisores de service desk; 42 técnicos; 4 garçons; 58 copeiros; 2
encarregados de copa; 2 cozinheiras; 3 técnicos em enfermagem; 47 instrutores de
ginástica laboral; 100 vigilantes; 1 encarregado em telefonia; 9 telefonistas.
Considerada a força de trabalho existente, são 1.904 servidores na área-fim (judiciária)
e 514 na área-meio (administrativa), o que representa 78,74% de servidores na
atividade-fim e 21,26% na atividade-meio. Estão em atividade 1.342 servidores no 1º
grau (1.328 na área-fim e 14 na área-meio) e 1.076 servidores no 2º grau (576 na área-
fim e 500 na área-meio). Considerando-se apenas os servidores em exercício na área-
fim, tem-se 69,75% no 1º grau e 30,25% no 2º grau.
A 9ª Região dispõe de 1.415 funções comissionadas (das quais 775 no 1º grau e 640
no 2º grau) e 309 cargos em comissão (sendo 164 no 1º grau e 145 no 2º grau).
Estão em atividade nos gabinetes dos Desembargadores 337 servidores, 1.112 nas
Varas do Trabalho (sendo 54 oficiais de justiça e 1.058 servidores realmente em
atividade nas varas do trabalho) e 19 nos Postos Avançados.
8.1 DISTRIBUIÇÃO DE TRABALHO X LOTAÇÃO (ÁREA JUDICIÁRIA)

O TST (2015) examinou a aplicação da Resolução 63/2010 do CSJT ao Tribunal


Regional e verificou que:

No 2º grau, em relação aos gabinetes dos desembargadores com


cargo diretivo, há nos gabinetes da Presidência 2 servidores e no
do Presidente (Desembargador Altino Pedrozo dos Santos) 11
servidores; no gabinete da Vice-Presidência 13 servidores e no da
Vice-Presidente (Desembargadora Ana Carolina Zaina) 10
servidores; e no gabinete da Corregedoria Regional 4 servidores e
no da Corregedora (Desembargadora Fátima Teresinha Loro Ledra
Machado) 8 servidores. Ademais, excluídos os gabinetes dos
desembargadores com cargo diretivo (porquanto não concorrem à
distribuição de processos), há 2 gabinetes com 10 servidores, 25
gabinetes com 11 servidores e 1 gabinete com 13 servidores,
perfazendo uma média de 11 servidores por gabinete, o que
atende plenamente à referida Resolução, considerada a média
trienal de processos recebidos pelo Tribunal Regional (1.894
processos por desembargador, com lotação máxima permitida de
13 a 14 servidores).
No 1º grau, há 97 varas do trabalho, dentre as quais 3 se destacam
por estarem aparentemente em desalinho à Resolução 63/2010 do
CSJT, com lotação acima do limite mínimo, considerada a média
trienal de processos recebidos e descontados do quantitativo de
servidores os oficiais de justiça lotados nas respectivas varas: 1ª
Vara do Trabalho de Cornélio Procópio (957 processos e 11
servidores, quando poderia ter no máximo 10 servidores); 1ª Vara
do Trabalho de Guarapuava (945 processos e 11 servidores,
quando poderia ter no máximo 10 servidores) e 2ª Vara do
Trabalho de Londrina (1.445 processos e 13 servidores, quando
poderia ter no máximo 12 servidores).
Destaca-se, ainda, quanto ao 1º grau, o fato de existirem 66 Varas
do Trabalho com lotação abaixo do limite mínimo: 1ª Vara do
Trabalho de Arapongas (1.644 processos e 11 servidores, quando
deveria ter no mínimo 13 servidores); Vara do Trabalho de Assis
Chateaubriand (965 processos e 6 servidores, quando deveria ter
no mínimo 9 servidores); Vara do Trabalho de Bandeirantes (1.632
processos e 11 servidores, quando deveria ter no mínimo 13
servidores) Vara do Trabalho de Cambé (1.598 processos e 12
servidores, quando deveria ter no mínimo 13 servidores); Vara do
Trabalho de Campo Mourão (2.559 processos e 14 servidores,
quando deveria ter no mínimo 17 servidores); 1ª, 2ª e 3ª Varas do
Trabalho de Cascavel (respectivamente, 1.928, 1.945 e 1.959
processos e 12 servidores, quando deveriam ter no mínimo 13
servidores); Vara do Trabalho de Castro (874 processos e 8
servidores, quando deveria ter no mínimo 9 servidores); Vara do
Trabalho de Cianorte (2.157 processos e 14 servidores, quando
deveria ter no mínimo 15 servidores); 1ª Vara do Trabalho de
Colombo (1.003 processos e 8 servidores, quando deveria ter no
mínimo 11 servidores); 2ª, 4ª, 5ª, 6ª, 7ª, 9ª, 10ª, 11ª, 12ª, 14ª, 15ª,
16ª, 17ª, 18ª, 19ª, 20ª e 22ª Varas do Trabalho de Curitiba
(respectivamente, 1.654, 1.656, 1.650, 1.644, 1.654, 1.705, 1.643,
1.639, 1.673, 1.64 7, 1.63 6, 1.664, 1.64 9, 1.64 7, 1.694, 1.665 e
1.639 processos e 12 servidores, quando deveriam ter no mínimo
13 servidores); 3ª, 8ª, 21ª e 23ª Varas do Trabalho de Curitiba
(respectivamente, 1.644, 1.621, 1.636 e 1.638 processos e 11
servidores, quando deveriam ter no mínimo 13 servidores); Vara do
Trabalho de Dois Vizinhos (1.170 processos e 7 servidores,
quando deveria ter no mínimo 11 servidores); 1ª, 2ª e 3ª Varas do
Trabalho de Foz do Iguaçu (respectivamente, 1.152, 1.141 e 1.145
processos e 10 servidores, quando deveriam ter no mínimo 11
servidores); 1ª Vara do Trabalho de Francisco Beltrão (1.752
processos e 10 servidores, quando deveria ter no mínimo 13
servidores); Vara do Trabalho de Irati (1.103 processos e
servidores, quando deveria ter no mínimo 11 servidores); Vara do
Trabalho de Ivaiporã (995 processos e 8 servidores, quando
deveria ter no mínimo 9 servidores); Vara do Trabalho de
Laranjeiras do Sul (545 processos e 5 servidores, quando deveria
ter no mínimo 7 servidores); 7ª Vara do Trabalho de Londrina
(1.451 processos e 10 servidores, quando deveria ter no mínimo
11 servidores); Vara do Trabalho de Marechal cândido Rondon
(1.028 processos e 9 servidores, quando deveria ter no mínimo 11
servidores); 1ª Vara do Trabalho de Maringá (1.5 64 processos e
11 servidores, quando deveria ter no mínimo 13 servidores); 2ª, 3ª,
4ª e 5ª Varas do Trabalho de Maringá (respectivamente, 1.547,
1.555 e 1.547 processos e 12 servidores, quando deveriam ter no
mínimo 13 servidores); Vara do Trabalho de Nova Esperança
(1.265 processos e 10 servidores, quando deveria ter no mínimo
11 servidores); Vara do Trabalho de Palmas (778 processos e 8
servidores, quando deveria ter no mínimo 9 servidores); 1ª e 3ª
Varas do Trabalho de Paranaguá (respectivamente, 1.874 e 1.856
processos e 11 servidores, quando deveriam ter no mínimo 13
servidores); 2ª Vara do Trabalho de Paranaguá (1.821 processos e
12 servidores, quando deveria ter no mínimo 13 servidores); Vara
do Trabalho de Paranavaí (2.612 processos e 15 servidores,
quando deveria ter no mínimo 17 servidores); 1ª Vara do Trabalho
de Pato Branco (1.368 processos e 10 servidores, quando deveria
ter no mínimo 11 servidores); 1ª Vara do Trabalho de Ponta Grossa
(1.535 processos e 11 servidores, quando deveria ter no mínimo
13 servidores); 2ª e 3ª Varas do Trabalho de Ponta Grossa
(respectivamente, 1.666 e 1.670 processos e 12 servidores,
quando deveriam ter no mínimo 13 servidores); Vara do Trabalho
de Porecatu (2.208 processos e 13 servidores, quando deveria ter
no mínimo 15 servidores); Vara do Trabalho de Rolândia (2.367
processos e 14 servidores, quando deveria ter no mínimo 15
servidores); Vara do Trabalho de Santo Antônio da Platina (1.502
processos e 10 servidores, quando deveria ter no mínimo 13
servidores); 1ª Vara do Trabalho de São José dos Pinhais (1.363
processos e 9 servidores, quando deveria ter no mínimo 11
servidores); 2ª Vara do Trabalho de São José dos Pinhais (1.504
processos e 12 servidores, quando deveria ter no mínimo 13
servidores); 1ª Vara do Trabalho de Toledo (1.775 processos e 11
servidores, quando deveria ter no mínimo 13 servidores); 1ª Vara
do Trabalho de Umuarama (1.670 processos e 12 servidores,
quando deveria ter no mínimo 13 servidores); Vara do Trabalho de
União da Vitória (1.545 processos e 9 servidores, quando deveria
ter no mínimo 13 servidores) e; Vara do Trabalho de Wenceslau
Braz (7 61 processos e 8 servidores, quando deveria ter no mínimo
9 servidores).
O exame supracitado indica claramente a tendência de riscos ergonômicos no trabalho
e a necessidade de formular ações preventivas de segurança do trabalho em todas as
unidades judiciárias e administrativas.

8.2 CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO

Em diagnóstico organizacional realizado pelo próprio TRT9, Brasil (2015, p. 21),


adotou-se a técnica de análise SWOT para avaliar os ambientes internos e externos
para formular a estratégia organizacional. Nesta avaliação a Gestão de Pessoas e
Qualidade de Vida surgiu como uma ameaça enfrentada pelo TRT9 e,
consequentemente, a Melhoria da Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida é citada
como oportunidades para o TRT9.
Diversas medidas já foram desencadeadas pelo TRT9 visando à melhoria da gestão de
pessoas e qualidade de vida, o próprio TST (2015) citou tais ações na Ata Correicional
ao destacar que:

Com relação às Metas 9 e 10/2013 do CNJ ("Implementar o


Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) em, pelo
menos, 65% das unidades judiciárias e administrativas' e "realizar
adequação ergonômica em 20% das unidades judiciárias de 1º e 2º
Grau"), foi informado o cumprimento das referidas metas. Destacou
o Tribunal o percentual de cobertura do PCMSO na Capital, em
72,99% e, no interior, em 53,92%. Com relação ao PPRA e à
adequação ergonômica, foi informado não ter sido possível
implantar as mudanças e ações pretendidas, estando previsto para
2015 novo edital de contratação desse serviço, visando corrigir as
inadequações anteriores.

Destarte, em que pese as louváveis ações institucionais visando um ambiente de


trabalho saudável, percebe-se pelo próprio diagnóstico organizacional que a qualidade
de vida ainda representa uma ameaça ao TRT9 que pretende adotar ações de melhoria
da gestão de pessoas e de qualidade de vida.
Reforçou o TST (2015, p. 34) que desenvolver conhecimento, habilidades e atitudes,
assim como promover a qualidade de vida e a valorização de servidores e magistrados
é objetivo estratégico a ser perseguido não só pelo TRT9, mas por todos os órgãos da
Justiça do Trabalho.
Assim, em hipótese alguma é despiciendo estruturar CIPAs para auxiliar o CESMT a
promover melhores condições ambientais do trabalho e, consequentemente, atingir as
os desafios do TRT9 lançados para 2015-2020.

9 CONSTITUIÇÃO DA CIPA NO TRT9

A constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA no âmbito do


TRT9 deve ter como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do
trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação
da vida e a promoção da saúde dos servidores e trabalhadores deste Tribunal.
A iniciativa deve ter semelhança com a iniciativa do TRT de Mato Grosso que em 2013
criou a primeira CIPA no âmbito dos Tribunais Regionais do Trabalho:

Com o objetivo de prevenir a ocorrência de acidentes de trabalho dentro da


instituição e evitar o desenvolvimento de doenças ocupacionais por seus
servidores, o TRT de Mato Grosso criou a primeira Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes do Tribunal (CIPA). A posse dos membros foi realizada
na sexta (17), em solenidade realizada no Plenário 2 da Corte.
A composição da Comissão é regulamenta pela NR 5, do Ministério do Trabalho
e Emprego, que determina que as CIPAs sejam formadas por dois indicados da
administração e dois eleitos pelos trabalhadores. Obrigatórias para empresas e
organizações regidas pela CLT, as CIPAs foram expandidas para os órgãos do
judiciário trabalhista através de resolução editada pelo Conselho Superior da
Justiça do Trabalho.
“É um avanço enorme, principalmente para um Tribunal que se preocupa com a
qualidade de vida de seus servidores e magistrados”, destacou o vice-
presidente do Tribunal, desembargador Edson Bueno. Segundo ele, com a
CIPA, o TRT/MT passa a dar maior enfoque à preservação da dignidade da
pessoa humana.
Foram empossadas as servidoras Natália Pansonato, como presidente,
Fernanda Leles e Flávia Nunes, respectivamente suplente de presidente e vice-
presidente, e o servidor Kleber Faria, como suplente de vice-presidente.
Nesta semana, os membros da comissão realizarão o primeiro curso para
formação na área, que viabilizará o início dos trabalhos. “Esperamos fazer um
bom trabalho, contando com o apoio de todos os servidores e magistrados do
Tribunal”, destacou a presidente da CIPA do Tribunal.
Disponível em: <http://portal.trt23.jus.br/ecmdemo/public/trt23/detail?content-
id=/repository/collaboration/sites%20content/live/trt23/web%20contents/Noticias/
trt-de-mato-grosso-cria-primeira-comissao-interna-de-prevencao-de-acidentes>
Acesso em 13 de mar. 2015.

A constituição da CIPA em nada reduz as atribuições e deveres da Comissão de


Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (CESMT) criada pela Resolução
CSJT 141/2014 e instituída no TRT9 pela Portaria JP 70/2012; ao contrário, a CIPA
será um órgão de apoio ao CESMT, será a capilarização da segurança no Tribunal em
virtude de seu envolvimento direto com os trabalhadores e de sua facilidade de
levantamento de informações, comunicação, conscientização, fiscalização e acesso aos
detalhes do processo de trabalho.

9.1 DO DIMENSIONAMENTO

Para a Administração Pública em geral, incluindo os órgãos da Justiça, a NR 5 prevê


que os estabelecimentos com até 100 servidores não precisam constituir CIPA; de 101
a 500 servidores é necessário constituir CIPA com 1 membro efetivo e 1 membro
suplente; de 501 a 1000 servidores, 2 membros efetivos e 2 membros suplentes; de
1001 a 2500 servidores, 3 membros efetivos e 3 membros suplentes; de 2501 a 5000
servidores, 5 membros efetivos e 4 membros suplentes.
Em 16 de março de 2015 o staff do TRT9 era de 3478 pessoas, sendo 214
magistrados, 2418 servidores, 290 estagiários e 556 prestadores de serviços
terceirizados.
Somente nos quatro prédios do TRT situados na capital laboram 1954 pessoas, sendo
283 prestadores de serviços terceirizados e 1671 pessoas envolvendo magistrados,
servidores e estagiários. Assim sendo, a luz da NR 5, é obrigatório constituir CIPA
somente na capital, cujo dimensionamento é de três membros efetivos e de três
suplentes.
Por outro lado, convém salientar que a Resolução CSJT nº 141/2014 prevê que a
promoção da saúde ocupacional e à prevenção de riscos e doenças relacionados ao
trabalho e acidentes de trabalho deve ser extensiva para todos os magistrados e
servidores, independentemente se atuam na capital ou no interior. Logo, a constituição
de CIPA no interior passa a ser uma necessidade premente.
O staff do TRT9 no interior, incluindo a região metropolitana, é de 1536 trabalhadores;
assim, o dimensionamento da CIPA para esse quantitativo, segundo a NR 5, também é
de três membros efetivos e de três suplentes.
Logo, a proposição é no sentido de constituir duas CIPAs, uma para capital e outra para
o interior, ambas com três membros efetivos e de três suplentes.
Considerando que a logística administrativa do TRT9 está dividida em 4 (quatro) polos
regionais, sendo Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel, para garantir a
representatividade de toda jurisdição, o ideal é que a CIPA do interior seja composta
por membros que façam parte de seus respectivos polos (Londrina, Maringá e
Cascavel), sem prejuízo de nomear um colaborador / representante em cada unidade
de trabalho, conforme exposto no quadro abaixo:

DIMENSIONAMENTO DA CIPA

Nº de membros da
Staff Staff Staff CIPA
Localidade
terceirizado TRT9 total
Efetivo Suplente
Apucarana 8 38 46 1* 1*
Arapongas 3 17 20 1* 1*
Araucária 9 40 49 1* 1*
Assis Chateaubriand 2 10 12 1* 1*
Bandeirantes 2 16 18 1* 1*
Cambé 1 18 19 1* 1*
Campo Largo 3 6 9 1* 1*
Campo Mourão 3 21 24 1* 1*
Cascavel 15 79 94 1 1
Castro 1 11 12 1* 1*
Cianorte 3 19 22 1* 1*
Colombo 7 25 32 1* 1*
Cornélio Procópio 5 28 33 1* 1*
Curitiba 283 1671 1954 3 3
Dois Vizinhos 2 10 12 1* 1*
Foz do Iguaçu 9 54 63 1* 1*
Francisco Beltrão 7 27 34 1* 1*
Guarapuava 6 35 41 1* 1*
Irati 2 12 14 1* 1*
Ibaiti 2 3 5 1* 1*
Ivaiporã 3 14 17 1* 1*
Jacarezinho 2 16 18 1* 1*
Jaguariaíva 2 10 12 1* 1*
Laranjeiras do Sul 2 7 9 1* 1*
Londrina 37 155 192 1 1
Marechal C. Rondon 2 13 15 1* 1*
Maringá 36 98 134 1 1
Nova Esperança 3 15 18 1* 1*
Palmas 2 13 15 1* 1*
Palotina 2 5 7 1* 1*
Paranaguá 11 58 69 1* 1*
Paranavaí 3 21 24 1* 1*
Pato Branco 5 29 34 1* 1*
Pinhais 5 18 23 1* 1*
Ponta Grossa 27 73 100 1* 1*
Porecatu 2 18 20 1* 1*
Rio Negro 0 0 0 1* 1*
Rolândia 2 20 22 1* 1*
Santo Antônio Platina 2 15 17 1* 1*
São José dos Pinhais 15 86 101 1* 1*
Telêmaco Borba 3 15 18 1* 1*
Toledo 5 33 38 1* 1*
Umuarama 5 39 44 1* 1*
União da Vitória 4 13 17 1* 1*
Wenceslau Braz 2 11 13 1* 1*
TOTAL 555 2935 3490 47 47
1* - Membro colaborador que será o gestor de cada unidade (Diretor de Secretaria ou
Assistente da Direção do Fórum e representante indicado pelos trabalhadores).

9.2 DA ORGANIZAÇÃO

A organização da CIPA terá como parâmetro as premissas contidas na NR 5, a saber:


 O Presidente da CIPA será designado pelo TRT9. Os outros dois membros
efetivos serão escolhidos mediante processo eleitoral. Estes membros possuirão
direito a voto;
 Os membros colaboradores atuarão na qualidade de facilitadores, ou seja,
constituirão a base de apoio para subsidiar as ações da CIPA e serão os
elementos fundamentais para garantir a representatividade de todos os
servidores nas ações de segurança do trabalho;
 Havendo necessidade de ampliação do efetivo, a representatividade ocorrerá de
forma equânime, sendo 50% dos membros representando o TRT9 e 50%
representando os servidores, cabendo ao Presidente o voto de minerva;
 Os representantes do Tribunal, titulares e suplentes, serão designados pela
Presidência do TRT9. Os representantes dos servidores, titulares e suplentes,
serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de
filiação sindical, exclusivamente os servidores interessados;
 O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de um ano, permitida
uma reeleição;
 A estabilidade, direitos e deveres dos servidores membros da CIPA serão
idêntico aos demais servidores, ou seja, obedecerão ao disposto na Lei 8112/90,
que discorre sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais;
 Serão garantidas aos membros da CIPA condições que não descaracterizem
suas atividades normais no Tribunal, contudo, haverá garantia de que os
indicados tenham tempo e condições para efetuar a representação necessária
para a discussão e encaminhamento das soluções de questões de segurança e
saúde no trabalho analisadas na CIPA;
 O Tribunal designará entre seus representantes o Presidente da CIPA, e os
representantes dos servidores escolherão entre os titulares o vice-presidente;
 Os membros da CIPA, eleitos e designados, serão empossados no primeiro dia
útil após o término do mandato anterior;
 Será indicado, de comum acordo com os membros da CIPA, um secretário e seu
substituto, entre os componentes ou não da comissão, sendo neste caso
necessária a concordância da Direção Geral do Tribunal;
 A documentação referente ao processo eleitoral da CIPA, incluindo as atas de
eleição e de posse e o calendário anual das reuniões ordinárias, ficará na
unidade onde a CIPA foi instituída. Esta documentação deverá ser digitalizada e
encaminhada trimestralmente ao CESMT. Também será remetida cópia
digitalizada ao Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho - Sinjutra,
quando solicitada;
 O Tribunal fornecerá cópias das atas de eleição e posse aos membros titulares e
suplentes da CIPA, mediante recibo;
 A CIPA não poderá ter seu número de representantes reduzido, bem como não
poderá ser desativada pelo TRT9, antes do término do mandato de seus
membros, ainda que haja redução do número de servidores.

9.3 DAS ATRIBUIÇÕES

As atribuições da CIPA serão semelhantes aquelas listadas no item 5.16 da NR 5,


conforme segue:
a) Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a
participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do CESMT;
b) Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de
problemas de segurança e saúde no trabalho;
c) Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos
locais de trabalho;
d) Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho
visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a
segurança e saúde dos trabalhadores;
e) Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu
plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;
f) Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no
trabalho;
g) Participar, com o CESMT, das discussões promovidas pelo TRT9, para avaliar os
impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionados à
segurança e saúde dos servidores;
h) Requerer ao CESMT ou à Seção de Fisioterapia e Segurança do Trabalho -
SEFIST, a paralisação de atividade ou setor onde considere haver risco grave e
iminente à segurança e saúde dos servidores ou dos trabalhadores;
i) Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros
programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
j) Divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como
cláusulas dos contratos de prestação de serviços terceirizados, relativas à
segurança e saúde no trabalho;
k) Participar, em conjunto com o CESMT ou com a SEFIST, da análise das causas
das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos
problemas identificados;
l) Requisitar ao TRT9 e analisar as informações sobre questões que tenham
interferido na segurança e saúde dos servidores ou trabalhadores;
m) Requisitar à SEFIST as cópias das CAT emitidas;
n) Promover, anualmente, em conjunto com o CESMT ou SEFIST a Semana
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
o) Participar, anualmente, em conjunto com o TRT9, de Campanhas de Prevenção
da AIDS ou de outros temas relacionados à segurança no trabalho.
Caberá ao TRT9 proporcionar aos membros da CIPA os meios necessários ao
desempenho de suas atribuições, garantindo tempo suficiente para a realização das
tarefas constantes do plano de trabalho.
Caberá aos servidores:
a) participar da eleição de seus representantes;
b) colaborar com a gestão da CIPA;
c) indicar à CIPA, ao CESMT ou ao SEFIST situações de riscos e apresentar sugestões
para melhoria das condições de trabalho;
d) observar e aplicar no ambiente de trabalho as recomendações quanto à prevenção
de acidentes e doenças decorrentes do trabalho.
Caberá ao Presidente da CIPA:
a) convocar os membros para as reuniões da CIPA;
b) coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao CESMT as
decisões da comissão;
c) manter o empregador informado sobre os trabalhos da CIPA;
d) coordenar e supervisionar as atividades de secretaria;
e) delegar atribuições ao Vice-Presidente;
Caberá ao Vice-Presidente:
a) executar atribuições que lhe forem delegadas;
b) substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus afastamentos
temporários;
O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as seguintes atribuições:
a) cuidar para que a CIPA disponha de condições necessárias para o desenvolvimento
de seus trabalhos;
b) coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os objetivos
propostos sejam alcançados;
c) delegar atribuições aos membros da CIPA;
d) promover o relacionamento da CIPA com o CESMT;
e) divulgar as decisões da CIPA a todos os servidores e trabalhadores do TRT9;
f) encaminhar os pedidos de reconsideração das decisões da CIPA;
g) constituir a comissão eleitoral.
O Secretário da CIPA terá por atribuição:
a) acompanhar as reuniões da CIPA e redigir as atas apresentando-as para aprovação
e assinatura dos membros presentes;
b) preparar as correspondências;
c) outras que lhe forem conferidas.

9.4 DO FUNCIONAMENTO

Os princípios de funcionamento da CIPA serão norteados pela NR5, nos termos que
seguem:
 A CIPA terá reuniões ordinárias mensais, de acordo com o calendário
preestabelecido pelo Presidente de cada Comissão;
 As reuniões ordinárias da CIPA serão realizadas durante o expediente normal do
TRT9 e em local apropriado;
 As reuniões da CIPA do interior poderão ser realizadas à distância por meio de
tele reunião ou outro meio equivalente;
 As reuniões da CIPA terão atas assinadas pelos presentes com
encaminhamento de cópias digitalizadas para todos os membros;
 As atas ficarão na unidade sede do Presidente da CIPA;
 As decisões da CIPA serão preferencialmente por consenso. Não havendo
consenso, e frustradas as tentativas de negociação direta ou com mediação,
será instalado processo de votação, registrando-se a ocorrência na ata da
reunião;
 Das decisões da CIPA caberá pedido de reconsideração, mediante requerimento
justificado;
 O pedido de reconsideração será apresentado à CIPA até a próxima reunião
ordinária, quando será analisado, devendo o Presidente e o Vice-Presidente
efetivar os encaminhamentos necessários;
 O membro titular poderá perder o mandato, sendo substituído por suplente,
quando faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa, sem prejuízo
das demais ações administrativas cabíveis;
 A vacância definitiva de cargo, ocorrida durante o mandato, será suprida por
suplente, obedecida a ordem de colocação decrescente que consta na ata de
eleição, devendo os motivos ser registrados em ata de reunião;
 No caso de afastamento definitivo do presidente, o empregador indicará o
substituto, em dois dias úteis, preferencialmente entre os membros da CIPA;
 No caso de afastamento definitivo do vice-presidente, os membros titulares da
representação dos servidores, escolherão o substituto, entre seus titulares, em
dois dias úteis;
 Caso não existam suplentes para ocupar o cargo vago, o TRT9 deverá realizar
eleição extraordinária, cumprindo todas as exigências estabelecidas para o
processo eleitoral, exceto quanto aos prazos, que devem ser reduzidos pela
metade;
 O mandato do membro eleito em processo eleitoral extraordinário será
compatibilizado com o mandato dos demais membros da Comissão;
 O treinamento de membro eleito em processo extraordinário deve ser realizado
no prazo máximo de trinta dias, contados a partir da data da posse;
 Deverão ser realizadas reuniões extraordinárias quando:
a) houver informação de situação de risco grave e iminente que determine
aplicação de medidas corretivas de emergência;
b) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal;
c) houver solicitação expressa de uma das representações.

9.5 DO TREINAMENTO

Os treinamentos terão como parâmetros as diretrizes da NR5, no que diz respeito ao


treinamento, propriamente dito; do disposto na Lei 11416/2006, no que se refere ao
adicional de qualificação; e da Resolução CSJT 71/2010, no quesito modalidade.
Destarte:
 O TRT9 promoverá treinamento para os membros da CIPA, titulares e suplentes,
antes da posse;
 O treinamento poderá ser presencial ou à distância e será considerado para
percepção do adicional de qualificação nos termos previstos no Artigo 15 da Lei
11416/2006;
 O treinamento de CIPA em primeiro mandato será realizado no prazo máximo de
trinta dias, contados a partir da data da posse;
 O treinamento terá carga horária de vinte horas, distribuídas em no máximo oito
horas diárias para as ações presenciais e no máximo 2 horas quando realizado
na modalidade à distância. Em qualquer das situações será realizado durante o
expediente normal do TRT9;
 O treinamento poderá ser ministrado pelo CESMT, pelo SEFIST, por empresa
especializada contratada ou por servidor que possua conhecimentos sobre os
temas ministrados;
 A CIPA será ouvida sobre o treinamento a ser realizado, inclusive quanto ao
Setor, Comissão ou profissional que o ministrará, constando sua manifestação
em ata, cabendo o TRT escolher quem ministrará o treinamento;
 O treinamento para a CIPA contemplará, no mínimo, os seguintes itens:
a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos
originados do processo produtivo;
b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho;
c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos
riscos existentes na empresa;
d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e medidas
de prevenção;
e) noções sobre a legislação trabalhista e previdenciária relativas à segurança e
saúde no trabalho;
f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das
atribuições da Comissão.
H) O acompanhamento das ações das CIPAs será efetuado em conjunto pelo
CESMT e pelo SEFIST.

9.6 DO PROCESSO ELEITORAL

Não haverá eleição para designação de membros colaboradores, uma vez que o gestor
da unidade judiciária será automaticamente membro da CIPA na qualidade de
colaborador efetivo e indicará o suplente entre os servidores lotados em sua área de
atuação.
O processo eleitoral terá como referência as disposições da NR 5 conforme as
disposições abaixo:
 O TRT9 convocará eleições para escolha dos representantes dos servidores na
CIPA, no prazo mínimo de 60 (sessenta) dias antes do término do mandato em
curso;
 O Tribunal comunicará ao Sinjutra o início do processo eleitoral com 90 dias de
antecedência;
 O Presidente e o Vice Presidente da CIPA constituirão dentre seus membros, no
prazo mínimo de 55 (cinquenta e cinco) dias antes do término do mandato em
curso, a Comissão Eleitoral – CE, que será a responsável pela organização e
acompanhamento do processo eleitoral;
 No caso da constituição da primeira CIPA a Comissão Eleitoral será constituída
pelo TRT9;
 O processo eleitoral observará as seguintes condições:
a) publicação e divulgação de edital, m locais de fácil acesso e visualização, bem
como por e-mail, no prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias antes do
término do mandato em curso ou antes da constituição da primeira CIPA;
b) inscrição e eleição individual, sendo que o período mínimo para inscrição será
de quinze dias;
c) liberdade de inscrição para todos os servidores do estabelecimento,
independentemente de setores ou locais de trabalho, com fornecimento de
comprovante;
d) realização da eleição no prazo mínimo de 30 (trinta) dias antes do término do
mandato da CIPA, ou antes da constituição da primeira CIPA;
e) realização de eleição em dia normal de trabalho, respeitando os horários de
turnos e em horário que possibilite a participação da maioria dos servidores;
f) voto secreto;
g) apuração dos votos, em horário normal de trabalho, com acompanhamento de
representante do empregador e dos empregados, em número a ser definido
pela comissão eleitoral;
h) faculdade de eleição por meios eletrônicos;
i) guarda, pelo empregador, de todos os documentos relativos à eleição, por um
período mínimo de cinco anos.
 Havendo participação inferior a cinquenta por cento dos servidores da jurisdição
da CIPA a ser constituída na votação, não haverá a apuração dos votos e a
comissão eleitoral deverá organizar outra votação, que ocorrerá no prazo
máximo de dez dias;
 Eventuais denúncias sobre o processo eleitoral deverão ser encaminhadas à
Direção Geral do Tribunal até trinta dias após a data da posse dos novos
membros da CIPA;
 Compete à Direção Geral do Tribunal, confirmadas irregularidades no processo
eleitoral, determinar a sua correção ou proceder a anulação quando for o caso;
 Em caso de anulação o TRT9 convocará nova eleição no prazo de cinco dias, a
contar da data de ciência, garantidas as inscrições anteriores;
 Quando a anulação se der antes da posse dos membros da CIPA, ficará
assegurada a prorrogação do mandato anterior, quando houver, até a
complementação do processo eleitoral;
 Assumirão a condição de membros titulares e suplentes, os candidatos mais
votados;
 Em caso de empate, assumirá aquele que tiver maior tempo de serviço no
estabelecimento;
 Os candidatos votados e não eleitos serão relacionados na ata de eleição e
apuração, em ordem decrescente de votos, possibilitando nomeação posterior,
em caso de vacância de suplentes.

9.7 DAS CONTRATADAS

 Todos os contratos de prestação de serviços terceirizados no TRT9 deverão


constar as cláusulas de obrigatoriedade de observância das normas de
segurança e saúde no trabalho;
 Entre as cláusulas contratuais, deverá constar a necessidade de integração e de
participação de todos os trabalhadores em relação às decisões das CIPA
existentes no local de trabalho;
 As contratadas deverão implementar, de forma integrada com a CIPA, medidas
de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, decorrentes das Normas
Regulamentadores, de forma a garantir o mesmo nível de proteção em matéria
de segurança e saúde a todos os trabalhadores do Tribunal;
 O TRT9 adotará medidas necessárias para que as empresas contratadas, seus
designados e os demais trabalhadores lotados naquele estabelecimento
recebam as informações sobre os riscos presentes nos ambientes de trabalho,
bem como sobre as medidas de proteção adequadas;
 A CIPA do TRT9 será a responsável para acompanhar o cumprimento pelas
empresas contratadas que atuam no âmbito de sua jurisdição, das medidas de
segurança e saúde no trabalho.

9.8 DA NECESSIDADE DE IMPLANTAÇÃO DAS CIPAS

A implantação do SESMT no âmbito institucional tem como finalidade promover a saúde


e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho. Para tanto, a NR 4
estabelece um dimensionamento e a dedicação mínima dos profissionais integrantes do
SESMT para que suas ações sejam efetivas.
O TRT9 instituiu o CESMT através da Portaria JP 70/2012 com propósitos semelhantes
ao SESMT constante na NR 4. Ocorre que os oito integrantes do CESMT são
servidores que laboram eminentemente nas atribuições rotineiras dentro de sua
especialidade (enfermagem, engenharia, medicina) e eventualmente se reúnem para
deliberar sobre questões sistêmicas relacionadas à promoção da saúde ocupacional e
prevenção de riscos e doenças relacionados ao trabalho.
A limitação de servidores e a demanda de trabalho impõem ao CESMT uma atuação
sistêmica e o impede de se dedicar, atuar e presenciar os ambientes de trabalho que é
o principal cenário a ser modificado para garantir a qualidade de vida dos
trabalhadores.
Por outro lado, a implantação das CIPAs tendo como parâmetro o dimensionamento
indicado no item 9.1 descentraliza a gestão de segurança do trabalho, democratiza o
acesso à informação e à segurança, compartilha responsabilidades, inclui o trabalhador
(parte interessada) no processo decisório para consecução dos objetivos pessoais e
institucionais (maior qualidade de vida e saúde no ambiente de trabalho), entendendo
como saúde o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não
simplesmente a ausência de doença ou enfermidade.
É evidente que o CSJT, ao publicar a Resolução CSJT 141/2014 e determinar a
manutenção do PPRA, almejou a plena sanidade dos trabalhadores mediante uma
intervenção direta e imediata em todos os ambientes de trabalho, uma vez que é
impossível antecipar, reconhecer, avaliar e monitorar riscos sem estar presente nos
ambientes de trabalho.
Logo, a implantação das CIPAs se torna imprescindível, uma vez que em todas as
unidades judiciárias e administrativas haverá uma pessoa treinada e qualificada para
representar todos os trabalhadores de sua unidade no processo de criação e
manutenção de um ambiente de trabalho seguro, saudável e sustentável.

9.9 ESCLARECIMENTOS QUANTO AO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO E


MANUTENÇÃO DAS CIPAS

O processo de implantação das CIPAs no TRT9 poderá seguir as etapas abaixo


relacionadas:
1. Encaminhamento da presente proposta para análise e manifestação das áreas
envolvidas no âmbito de sua competência (SEFIST, CESMT, SEA, SEGESPE,
SEDESB, SERLEG, Gestores, etc.);
2. Publicação de Ato Presidencial, com fulcro no Artigo 25 do Regimento Interno,
Brasil (2013), instituindo duas CIPAs, cuja dinâmica de estruturação e
funcionamento terá como referência o texto dos subitens anteriores que será
retificado e/ou ratificado por todas as áreas envolvidas;
2.1. Será constituída uma CIPA para Capital e outra para o interior; ambas
terão 3 membros efetivos e 3 suplentes, sendo assegurada a
representatividade igualitária por parte do TRT9 e dos servidores, para
tanto, os suplentes terão os mesmos direitos dos membros efetivos e sua
atuação não dependerá de afastamento do membro efetivo;
2.2. A CIPA do Interior será composta por servidores lotados em cada regional
(Cascavel, Londrina e Maringá). Os membros indicados pelo TRT9
deverão ser lotados nos fóruns destas cidades, já os representantes dos
servidores poderão ser de qualquer outra cidade que pertença a essas
regionais. O mesmo princípio servirá para CIPA da Capital;
2.3. O Ato Presidencial indicará como membros colaboradores os gestores de
cada unidade (Diretor de Secretaria e Assistente da Direção do Fórum),
devendo assegurar o direito de representatividade dos trabalhadores nos
termos do item 2.1;
2.3.1. A atuação como membro colaborador (efetivo ou suplente) será inerente
ao cargo de confiança ocupado, assim, a titularidade, dever,
responsabilidade serão automáticas e permanentes (enquanto estiver no
cargo), salvo nos casos indicados pelos servidores nos termos do item
2.1;
2.3.2. Não haverá eleição para membro colaborador, uma vez que quando se
tratar de representante do empregador a titularidade é vinculada ao
cargo; quando se tratar de representante dos servidores, a indicação
será livre, devendo apenas coincidir a indicação com o mandato dos
membros da CIPA do Interior para racionalização dos treinamentos;
2.3.3. Não havendo interesse ou indicação de membro colaborador por parte
dos servidores, serão designados de forma automática para assumirem
tais posições o Diretor de Secretaria e o Assistente da Direção do Fórum
(quando se tratar de fórum), e o Diretor de Secretaria e o seu substituto
(quando se tratar de vara do trabalho);
2.3.4. Caberá aos membros colaboradores apoiar e atender todas as
solicitações dos membros efetivos da CIPA;
2.3.5. Os membros colaboradores participarão de treinamentos e terão toda a
liberdade de manifestação e votação, porém, não será exigida sua
participação nas reuniões mensais ou inspeções em unidades de outra
cidade, haja vista que sua representatividade ocorrerá por um membro
efetivo vinculado à sua Regional;
2.4. Aos membros efetivos caberá toda a responsabilidade de gestão
administrativa (implementação, operação, controles, documentação,
comunicação, verificação, monitoramento, avaliação, auditoria,
representação, etc.);
2.5. O Ato Presidencial também atribuirá a responsabilidade pela estruturação,
acompanhamento, monitoramento, treinamentos e demais ações
necessárias à sustentabilidade das CIPAS. Esta responsabilidade
obrigatoriamente recairá sobre a CESMT ou SEFIST, em razão de sua
competência;
3. Realização de campanha de endomarketing pela Assessoria de Comunicação
Social (ASCOM) divulgando a importância da CIPA no ambiente de trabalho e
incentivando os trabalhadores a participarem ativamente das eleições e da
promoção de um ambiente de trabalho saudável;
4. Elaboração de Edital das eleições com participação do Sinjutra e da Secretaria
de Desenvolvimento de Soluções em Tecnologia da Informação (SDSTI);
5. Publicação e divulgação do Edital das eleições;
6. Divulgação dos nomes dos candidatos à eleição da CIPA;
7. Realização das eleições por meio eletrônico. A participação das eleições será
compulsória, de forma que, no dia da eleição, nenhum servidor conseguirá
acessar a rede (Intranet) sem votar;
8. Realização de treinamento para os membros da CIPA, titulares, suplentes e
membros colaboradores;
9. Posse dos membros da CIPA;
10. Elaboração do calendário anual das reuniões ordinárias;
11. Acompanhamento das ações da CIPA pela CESMT e pela SEFIST

10 DA ALTERAÇÃO DA RESOLUÇÃO CSJT 141

Com o propósito de facilitar a promoção da segurança do trabalho no âmbito da Justiça


do Trabalho de 1º e 2º graus em todo Brasil, convém alterar a Resolução CSJT
141/2014.
Segundo o CSJT (2105, p. 67) a edição de Resolução poderá ser proposta por
Conselheiro ou resultar de decisão do Plenário quando apreciar qualquer matéria.
Assim, a Presidência do Egrégio TRT9 poderá encaminhar à Presidência do CSJT
proposição de alteração da Resolução CSJT 141/2014. Tal alteração seria por meio da
inclusão de mais um capítulo destinado à constituição de CIPA.
Sugestão de texto:
Art. Xº Os Tribunais Regionais do Trabalho deverão constituir Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes (CIPA), vinculada à Comissão de Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho (CESMT), que terá como atribuições, principalmente:
a) Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a
participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do CESMT;
b) Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de
problemas de segurança e saúde no trabalho;
c) Participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de
prevenção necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos
locais de trabalho;
d) Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho
visando a identificação de situações que venham a trazer riscos para a
segurança e saúde dos trabalhadores;
e) Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu
plano de trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;
f) Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no
trabalho;
g) Participar, com o CESMT, das discussões promovidas pelo TRT, para avaliar os
impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionados à
segurança e saúde dos servidores;
h) Requerer ao CESMT, a paralisação de atividade ou setor onde considere haver
risco grave e iminente à segurança e saúde dos servidores ou dos trabalhadores;
i) Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros
programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
j) Divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como
cláusulas dos contratos de prestação de serviços terceirizados, relativas à
segurança e saúde no trabalho;
k) Participar, em conjunto com o CESMT, da análise das causas das doenças e
acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados;
l) Requisitar ao TRT e analisar as informações sobre questões que tenham
interferido na segurança e saúde dos servidores ou trabalhadores;
m) Requisitar à área médica as cópias das CAT emitidas;
n) Promover, anualmente, em conjunto com o CESMT a Semana Interna de
Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
o) Participar, anualmente, em conjunto com o TRT, de Campanhas de Prevenção
da AIDS ou de outros temas relacionados à segurança no trabalho.

Art. Yº Os critérios de organização, dimensionamento, funcionamento, eleição,


competência dos membros terão por base o disposto na NR5.

11 RESULTADOS ESPERADOS

Com a implantação da CIPA espera-se que o TRT9 tenha melhores condições para:
 Aperfeiçoar o sistema de segurança e saúde no trabalho por meio da definição
de papéis e de mecanismos de interlocução permanente entre seus
componentes;
 Aprimorar as diretrizes institucionais no que se refere à adequação aos princípios
dos atos regulatórios em vigor no que diz respeito à sistemática de promoção do
trabalho seguro e saudável e na prevenção dos acidentes e doenças
relacionados ao trabalho;
 Estruturar a formação em saúde do trabalhador e em segurança no trabalho e o
estímulo à capacitação e à educação continuada de trabalhadores;
 Iniciar a disseminação da cultura de Sistema Integrado de Gestão envolvendo as
questões de qualidade, desempenho ambiental, responsabilidade social e
segurança e saúde ocupacional (ISO 9001, OHSAS 18001, SA8000 e ISO
14001);
 Levantar informações para subsidiar a elaboração de um Programa Saúde e
Segurança no Trabalho, com definição de estratégias e planos de ação para sua
implementação, monitoramento, avaliação e revisão periódica;
 Oferecer precedência das ações de promoção, proteção e prevenção sobre as
de assistência, reabilitação e reparação;
 Prevenir acidentes e doenças relacionados ao trabalho por meio da redução dos
riscos à saúde existentes nos ambientes de trabalho;
 Promover a segurança no trabalho de forma paritária possibilitando efetiva
participação dos trabalhadores.

12 VIABILIDADE DA PROPOSTA

12.1 - PREMISSAS BÁSICAS

As premissas referem-se às condições que TRT deve ter ou fatos que são considerados
como certos para que a ação possa ser implantada:

 Publicação de Ato Presidencial dispondo sobre a constituição e funcionamento


das CIPAs no âmbito do TRT9;
 Determinação da Alta Administração para que cada uma das áreas envolvidas
tome as providências cabíveis no âmbito de sua competência;
 Apoio da Alta Administração em todas as ações de promoção da segurança e
saúde no trabalho que estiverem dentro de suas condições orçamentárias;
 Designação de um servidor ou de um prestador de serviços terceirizados, com
especialização no tema, para prestação de serviços integral na área de
coordenação geral.

12.2 - ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

Neste processo de constituição de CIPAs com a respectiva promoção da saúde


ocupacional e prevenção de riscos e doenças relacionados ao trabalho há previsão de
diversas relações interdepartamentais.
As planilhas que seguem demonstram as áreas envolvidas, o número de servidores, as
atribuições e a estimativa de tempo, entre outras.
Nº de *Aloca- Tempo Quantidad Total de
servi- Lotação Atribuição ção estimado e de horas horas (dias
dores (em dias) (por dia) x e horas)
01 DG Cooperação Pd 25 1h 25h
01 SEFIST Coordenação I Perma- 7h -
Geral nente
08 CESMT Cooperação P 12 dias 7h 84h
01 SERLEG Cooperação Pd 10 dias 5h 50h
01 SDSTI Cooperação Pd 10 7h 70h
01 EJ Cooperação Pd 7 5h 35h
03 ASCOM Cooperação Pd 5 7h 35h
06 CIPA 1 Execução P 6 7h 42h
06 CIPA 2 Execução P 6 7h 42h
41 CIPA - VT
Membros Execução Pd 6 7h 42h
colabora-
dores
* LEGENDA
Item Descrição Siglas
Integral (Dedicação exclusiva) (I)
Alocação Parcial (Definição da quantidade de horas de (P)
dedicação ao projeto)
Pontual sob demanda (Sempre que necessário o (Pd)
gerente vai alocar o recurso.)

Unidade Serviço necessário


DG Despachar as deliberações institucionais para as áreas envolvidas.
SEFIST Coordenar todas as atividades relacionadas à segurança do
trabalho (integração das áreas, comunicação interna, eleição,
treinamentos, reuniões, atas, deliberações, orientação,
formalização e tramitação de processos admistrativos,
contratações, etc.)
CESMT Reuniões mensais e dedicação ao desenvolvimento das
atribuições previstas no Artigo 8º da Resolução CSJT 141/2014.
SERLEG Revisão jurídica da presente proposta e elaboração da minuta do
ato Presidencial e do Edital das eleições.
SDSTI Desenvolvimento de programa eletrônico para garantir a eleição
das CIPAs.
EJ Inserção do material didático no ambiente EAD para realização dos
treinamentos das CIPAs.
ASCOM Realização de campanha de endomarketing.
CIPA 1 Treinamento, reuniões mensais e dedicação ao desenvolvimento
das atribuições previstas no item 9.3 do presente estudo de caso.
CIPA 2 Treinamento, reuniões mensais e dedicação ao desenvolvimento
das atribuições previstas no item 9.3 do presente estudo de caso.
CIPA - Membros Treinamento e dedicação ao desenvolvimento das atribuições
colaboradores previstas no item 9.3 do presente estudo de caso sob demanda
dos membros efetivos da CIPA.

12.3 - ESTRUTURA ANALÍTICA

A estrutura analítica refere-se às atividades a serem desenvolvidas com a respectiva


estimativa de tempo, ou seja, “o que fazer” para a ação se concretizar.
Na tabela que segue é demonstrada somente as ações sistêmicas do projeto, tendo
como pressuposto uma tramitação em tempo razoavelmente ideal para a nova
adminisração, biênio 2016/2017.
Cronograma
Item Atividades Quem
Início Término
01 Análise de interesse do presente 07/12/15 07/01/16 Nova
projeto, comprometimento e Administração
deliberação de continuidade (Presidência)
02 Despacho para providências 07/01/16 08/01/16 DG
03 Ratificação ou retificação do 08/01/16 22/01/16 SEFIST
presente projeto CESMT
04 Elaboração do Ato Presidencial e do 22/01/16 11/03/16 SERLEG
Edital da eleição
05 Elaboração do programa eletrônico 08/01/16 30/04/16 SDSTI
de votação
06 Aprovação e publicação do Ato 11/03/16 31/03/16 Presidência
Presidencial e do Edital da eleição
07 Campanha de endomarketing e 08/01/16 01/06/16 ASCOM
divulgação das eleições
08 Processo eleitoral 31/03/16 31/05/16 SEFIST
09 Eleições 31/05/16 31/05/16 SEFIST
10 Treinamento das CIPAs 06/06/16 30/06/16 SEFIST;
CESMT
11 Posse (titulares e suplentes) 30/06/16 30/06/16 Presidência
12 Elaboração e divulgação do 01/07/16 08/07/16 CIPAs;
calendário de reuniões da CIPA e SESMT
dA CESMT
13 Acompanhamento e monitoramento 01/07/16 Indetermi SEFIST
das atividades das CIPAs e da nado
CESMT (encaminhamento de
demandas, realimentação do
processo, novas eleições,
treinamentos, etc.)

12.4 - RISCOS AO SUCESSO DA AÇÃO

Identificação e tratamento dos principais riscos associados à ação


Se Então
Resposta Ações para a Resposta
(Causa) (Consequência)
Maior exposição Buscar comprometimento dos gestores
Atrasos Evitar o risco
aos riscos de cada área envolvida.
Impossibilidade 1 - Campanha de endomarketing;
Ausência de
de constituição da Evitar o risco 2 - Designação dos membros efetivos e
interessados
CIPA suplentes pelo TRT9
Falta ou Aborrecimentos e
Lançar campanha de endomarketing de
desencontro de dificuldade para Evitar o risco
alta qualidade.
informação votar
1 - Garantir disponibilidade e qualidade
Falha de Ineficácia da
Evitar o risco de comunicação para tele reuniões;
comunicação CIPA
2 - Prever encontros presenciais.
Alocar pelo menos um profissional
Ineficácia e
especializado (do próprio quadro ou
Falta de ineficiência das
Evitar o risco contratado) para dedicar-se
coordenação CIPA e da
integralmente aos processos
CESMT
demandados pela CIPA e CESMT
1 - Reservar orçamento anual para
Faltar recursos
atender as demandas levantadas pelas
orçamentários Desmotivação
CIPAs;
para combater dos integrantes Evitar o risco
2 - Divulgar o planejamento de
os riscos das CIPAs
investimento em segurança a curto,
detectados
médio e longo prazo.
12.5 - INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

A constituição das CIPAs envolve custos diretos e indiretos.


Os custos indiretos estão relacionados ao uso das instalações prediais, dos
equipamentos de trabalho (computadores, impressoras, telefones, mobiliário, rede de
informática), material de expediente, afastamento dos servidores, salário dos
servidores, etc.
Contudo, os valores dos custos indiretos já existem, independentemente da
estruturação ou não das CIPAs (exceto no que se refere ao aumento insignificante de
material de expediente). Assim, é impróprio falar de custo indireto, especialmente se
compararmos ao benefício a ser alcançado (promoção da saúde ocupacional e a
prevenção de riscos e de doenças relacionados ao trabalho).
Quanto ao custo direto, haverá despesas com ações de capacitação e desenvolvimento
profissional (treinamentos) e com a designação de um profissional para efetuar a
coordenação das atividades e, consequentemente, garantir a consecução dos objetivos
institucionais.
Em ambos os casos o TRT9 poderá se valer de recursos internos ou externos. Eis a
seguir a estimativa de custo:
Treinamento das CIPAs na modalidade à distância (94 servidores - 2 turmas)

Contratação de empresa especializada R$ 8.648,00 1

Mediante instrutoria interna - R$ 11.747,60 2

Alocação de profissional para coordenar as atividades relacionadas à segurança


do trabalho
Contratação de empresa especializada R$ 4.119,00 3
Utilização de servidor do quadro R$ 5.365,92 4

1 Preço obtido no site da empresa MBHR. Disponível em <http://www.mbhr.com.br/ead/curso/curso-de-


cipa> Acesso em 11 set. 2015.

2 Valor obtido tendo como parâmetro o Despacho Odesp 1499/2015. Disponível em <
https://intranet.trt9.jus.br/intranet2/f?p=125:21:110614070544421::NO:RP,21:P21_CD_PROCESSO,P21_
CD_DOCUMENTO,P21_CD_VOLUME:1288498,1289259,1288498:::> Acesso em 11 set. 2015.

3 Valor do salário médio do técnico em segurança com o acréscimo de 100% referente taxas de
terceirização. Valor do preço médio disponível em: http://segurancadotrabalhonwn.com/salario-de-
tecnico-em-seguranca-do-trabalho-media-estadual/ Acesso em 16 nov. 2015.
13 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ambiente de trabalho saudável nunca foi tão valorizado quanto nos dias atuais. Essa
valorização não é algo regional, trata-se de uma luta nacional por melhores condições
de trabalho que perpassa a iniciativa privada e alcança a esfera pública com o
reconhecimento do CSJT por meio de suas iniciativas, entre elas, a Resolução CSJT
141/2014.
Ao longo deste trabalho foi destacado que esta Resolução significou um grande avanço
nas garantias de um trabalho seguro no Poder Judiciário, porém, ainda necessita de
aprimoramento e alterações para dar efetividade à promoção da segurança do trabalho
no âmbito da Justiça do Trabalho de 1º e 2º graus.
Diante das limitações orçamentárias e de recursos humanos da Justiça do Trabalho da
9ª Região, este estudo de caso demonstrou que a constituição de CIPAs é uma
estratégia inteligente e sustentável para viabilizar a promoção da saúde ocupacional e a
prevenção de riscos e de doenças relacionados ao trabalho no âmbito do TRT9.
Assim, foi oportuno e conveniente apresentar a metodologia para treinamento,
acompanhamento e sustentabilidade das CIPAs de maneira semelhante aos princípios
estabelecidos na NR5.
Finalmente, foi demonstrada a exeqüibilidade deste projeto por meio da indicação, das
áreas envolvidas, de suas respectivas responsabilidades e sugestões de prazos e
estimativa de custo.
Ante ao exposto, acredita-se ter evidenciado que o caminho mais viável para promover
a segurança do trabalho, em curto prazo, no âmbito do TRT9 é através da constituição
de CIPAs.
Com as ações supracitadas, ficou claro que a promoção da saúde ocupacional e a
prevenção de riscos e de doenças relacionados ao trabalho no âmbito do TRT9, não se
trata de um sonho distante, mais de ações exeqüíveis que demandam apenas de
mobilização das partes interessadas (servidores, TRT e CNJ) em torno da consecução
de objetivos comuns.

4 Referencial baseado no Edital TRT9 01/2015. Disponível em:


http://www.concursosfcc.com.br/concursos/trt9r115/edital_concurso_2015_versao_final_para_publicacao
_14.09.2015.pdf. Acesso em 16 nov. 2015.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm > Acesso
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Medicina do Trabalho. Brasília. Acesso Disponível em:
http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A4AC03DE1014AEED6AD8230DC/NR-
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em: <
http://aplicacao.tst.jus.br/dspace/bitstream/handle/1939/15376/2011_res0084_csjt_rep0
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http://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_file?uuid=e50071bf-e0d2-44cd-8ef4-
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https://www.leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-paulo/lei-ordinaria/2001/1317/13174/lei-
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