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MÓDULO DE:

APLICABILIDADE DAS PRINCIPAIS VERTENTES E


FERRAMENTAS DA ERGONOMIA

AUTORIA:

Dra. Fernanda Flávia Cockell


Dr. Daniel Perticarrari

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

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Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
Módulo de: Aplicabilidade das Principais Vertentes e Ferramentas da Ergonomia

Autoria: Dra. Fernanda Flávia Cockell


Dr. Daniel Perticarrari

Primeira edição: 2008

CITAÇÃO DE MARCAS NOTÓRIAS

Várias marcas registradas são citadas no conteúdo deste módulo. Mais do que simplesmente listar esses nomes
e informar quem possui seus direitos de exploração ou ainda imprimir logotipos, o autor declara estar utilizando
tais nomes apenas para fins editoriais acadêmicos.
Declara ainda, que sua utilização tem como objetivo, exclusivamente a aplicação didática, beneficiando e
divulgando a marca do detentor, sem a intenção de infringir as regras básicas de autenticidade de sua utilização
e direitos autorais.
E por fim, declara estar utilizando parte de alguns circuitos eletrônicos, os quais foram analisados em pesquisas
de laboratório e de literaturas já editadas, que se encontram expostas ao comércio livre editorial.

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A presentação

Neste módulo serão apresentados algumas técnicas e métodos que podem ser empregados
durante a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Em cada fase da AET existe um conjunto
de procedimentos que orientam o ergonomista/pesquisador na análise da atividade e na
compreensão do trabalho para transformá-lo.

A ergonomia utiliza métodos e técnicas de diferentes disciplinas para observar o trabalho


humano desde a primeira etapa de levantamento do quadro teórico de referência, passando
pela segunda etapa de análise ergonômica do trabalho (análise da demanda, da tarefa e da
atividade) até a etapa de síntese.

Entre os principais recursos utilizados pela AET destacam-se observações do trabalho em


tempo real, questionários relativos ao desempenho, sentimentos, ações e emoções no
trabalho e as entrevistas. Com destaque para as entrevistas em autoconfrontação (ACF) e
para os questionários de percepção.

Discutiremos como empregar recursos de diferentes mídias (áudio, vídeo, fotos, textos,
animação) para enriquecer a utilização de ferramentas ergonômicas mais simples como os
check lists (listas de verificação) e modelos biomecânicos. Conhecerá alguns dos principais
check lists (trabalho sobre bancadas, distúrbios músculo-esqueléticos) e protocolos de
avaliação (EWA, RULA, OWAS, NIOSH, MOORE & CARG, Método Suzanne Rodgers) e
será capaz de avaliar criticamente a eficácia deste tipo de ferramenta.

Serão ensinados os 128 pontos de verificação propostos pelo Ergonomic Checkpoints (ECP)
relacionados à Estocagem e manuseio de Materiais, Ferramentas Manuais, Segurança de
Máquinas, Projeto da Estação de Trabalho, Iluminação, Premissas, Controle de agentes e
substâncias perigosas, Serviços de pessoal, Equipamentos de proteção individual e
Organização do trabalho. O manual irá ajudá-lo a buscar soluções ergonômicas, pois cada
ponto de verificação indica uma ação e para cada uma das ações são fornecidas opções
exequíveis, assim como algumas indicações adicionais.
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Finalmente, você aprenderá a utilizar a matriz de QFD (Quality Function Deployment) e o
5W1H durante a etapa de síntese ergonômica.

Os textos básicos e complementares são os principais materiais didáticos utilizados no


desenvolvimento do módulo. Outros recursos irão auxiliá-lo no estudo da ergonomia, como
figuras e tabelas.

Dedique-se à leitura dos textos complementares, buscando aprofundar seus conhecimentos


sobre cada assunto. No caso específico do ECP é fundamental a leitura completa de todo o
material didático sugerido e a aplicação em campo para a sua formação prática.

Bons estudos!

O bjetivo

Capacitar interdisciplinarmente os profissionais envolvidos com o campo da saúde do


trabalhador e gestão do trabalho para que os mesmos possam aplicar na prática os
princípios da Análise Ergonômica do Trabalho, buscando compreender o trabalho para
transformá-lo.

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E menta

Métodos e técnicas utilizados na Análise Ergonômica do Trabalho.

Dinâmica da entrevista e observação na AET – entrevistas em autoconfrontação.

Princípios da análise biomecânica e cinesiológica e o uso de instrumentos de investigação


(vídeo, fotos, etc.).

Os limites dos check lists, os princípios das ferramentas mais utilizadas e a importância de
saber empregá-las na prática. Entre elas damos destaque ao: EWA (Ergonomic Workplace
Analysis), OWAS – Ovako Working Posture Analysis System, RULA (Rappid Upper Limb
Assesment), Equação de NIOSH, Moore & Garg e o Método Suzanne Rodgers.

Escalas de desconforto (Linkert e questionário bipolar) e aplicabilidade dos questionários de


percepção durante todas as etapas da AET.

Os procedimentos para avaliação fisiológica de uma atividade de trabalho realizada em altas


temperaturas e/ou com altas cargas de trabalho físico.

Descrição dos cento e vinte oito pontos de verificação propostos pelo Ergonomic
Checkpoints capazes de difundir os preceitos ergonômicos e melhorar as condições de
trabalho, saúde, segurança e a eficácia da produção.

As contribuições do QFD (Quality Function Deployment) e do 5W1H para etapa da síntese e


a construção do caderno de encargos.

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S obre o Autor

Dra. Fernanda Flávia Cockell

Doutora em Engenharia de Produção (Saúde e Trabalho) pela Universidade Federal de São


Carlos (UFSCar) – SP, 2008;

Mestre em Engenharia de Produção (Ergonomia) pela Universidade Federal de São Carlos


(UFSCar) – SP, 2004;

Graduada em Fisioterapia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, 2001.

Desenvolveu pesquisas na área de ergonomia junto à UFMG, FUNEP e UFSCar.


Atualmente, participa de projeto de pesquisas na UFSCar e UNICAMP, nas áreas de
Sociologia do Trabalho e Saúde do Trabalhador. Tem experiência em treinamentos, comitês
de ergonomia e projetos de intervenção ergonômica nas empresas: UNILEVER, Telemig
Celular, Multibrás (Brastemp), SOICOM, CRB, Johnson & Johnson, PMMG, Companhia
Mineira de Metais, entre outras.

Dr. Daniel Perticarrari

Pós-Doutorado pela UNICAMP – Faculdade de Educação;

Doutor em Sociologia Industrial e do Trabalho pela Universidade Federal de São Carlos


(UFSCar) – SP, 2007;

Mestre em Política Científica e Tecnológica pela UNICAMP, 2003;

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos, 1999;

Desenvolveu e desenvolve projetos de pesquisa científica junto à UFSCar, UNICAMP, e


Cardiff University – Inglaterra.

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S UMÁRIO

UNIDADE 1 ......................................................................................................... 10
A ergonomia na prática .................................................................................... 10
UNIDADE 2 ......................................................................................................... 16
Método para análise ergonômica do trabalho ................................................. 16
UNIDADE 3 ......................................................................................................... 24
Análise da Tarefa e da Atividade ..................................................................... 24
UNIDADE 4 ......................................................................................................... 30
Técnicas utilizadas na análise do trabalho ...................................................... 30
UNIDADE 5 ......................................................................................................... 37
Dinâmica da entrevista e observação na ANÁLISE ERGONÔMICA DO
TRABALHO. AET ............................................................................................. 37
UNIDADE 6 ......................................................................................................... 45
Análise cinesiológica e biomecânica ............................................................... 45
UNIDADE 7 ......................................................................................................... 53
Instrumentos de investigação .......................................................................... 53
UNIDADE 8 ......................................................................................................... 60
A crítica aos check lists .................................................................................... 60
UNIDADE 9 ......................................................................................................... 69
Check lists para trabalho sobre bancadas....................................................... 69
UNIDADE 10 ....................................................................................................... 76
Check lists para distúrbios músculos-esqueléticos ......................................... 76
UNIDADE 11 ....................................................................................................... 83
EWA – Ergonomic Workplace Analysis ........................................................... 83
UNIDADE 12 ....................................................................................................... 88
RULA – Rappid Upper Limb Assesment ......................................................... 88

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UNIDADE 13 ....................................................................................................... 93
OWAS – Ovako Working Posture Analysis System ........................................ 93
UNIDADE 14 ..................................................................................................... 101
Equação de Niosh .......................................................................................... 101
UNIDADE 15 ..................................................................................................... 111
Moore & Garg e o Método Suzanne Rodgers ............................................... 111
UNIDADE 16 ..................................................................................................... 119
Escalas de desconforto .................................................................................. 119
UNIDADE 17 ..................................................................................................... 126
Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO). .................... 126
UNIDADE 18 ..................................................................................................... 131
Questionário de Percepção ........................................................................... 131
UNIDADE 19 ..................................................................................................... 136
Avaliação fisiológica ....................................................................................... 136
UNIDADE 20 ..................................................................................................... 143
Pontos de verificação – Ergonomic CheckPoint (ECP) ................................. 143
UNIDADE 21 ..................................................................................................... 149
ECP: Manipulação e armazenagem de materiais ......................................... 149
UNIDADE 22 ..................................................................................................... 155
ECP: Ferramentas ......................................................................................... 155
UNIDADE 23 ..................................................................................................... 164
ECP: Segurança de Máquinas ....................................................................... 164
UNIDADE 24 ..................................................................................................... 170
ECP: Projeto da Estação de Trabalho ........................................................... 170
UNIDADE 25 ..................................................................................................... 175
ECP: Iluminação............................................................................................. 175
UNIDADE 26 ..................................................................................................... 181
ECP: Instalações, Riscos Ambientais, Comodidade e bem-estar................. 181

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UNIDADE 27 ..................................................................................................... 188
ECP: Equipamentos de Proteção Individual .................................................. 188
UNIDADE 28 ..................................................................................................... 193
ECP: Organização do Trabalho ..................................................................... 193
UNIDADE 29 ..................................................................................................... 201
Etapa de síntese e implementação das melhorias ........................................ 201
UNIDADE 30 ..................................................................................................... 207
Caderno de Encargos .................................................................................... 207
GLOSSÁRIO ..................................................................................................... 213

BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 222

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U NIDADE 1
A ergonomia na prática

Objetivo: Refletir sobre os limites práticos e teóricos da ergonomia.

No módulo “Introdução à ergonomia” foram apresentadas as cinco fases não lineares da


Análise Ergonômica do Trabalho e suas principais características.

1) Constituição e análise da demanda;

2) Análise do ambiente técnico, econômico e social da empresa;

3) Análise das atividades e da situação de trabalho;

4) Recomendações ergonômicas;

5) Validação da intervenção ergonômica e eficácia das recomendações propostas.

Em cada fase existe um conjunto de procedimentos que orientam o ergonomista/pesquisador


na análise da atividade e na compreensão do trabalho para transformá-lo. Cada situação é
singular, por isso a ergonomia evolui com a sua própria prática.

Sobre as metodologias ergonômicas, WISNER (1994) conclui que:

"É preciso escolher entre todas as metodologias conforme a natureza do problema proposto,
os prazos e os recursos utilizáveis, a situação de prático industrial, de consultor ou de
pesquisador do ergonomista. Portanto, não parece justificável privilegiar uma abordagem
generalizada. Mais vale preconizar a adaptação da metodologia ao problema".

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Desta maneira, antes de apontarmos detalhadamente cada fase, é importante refletirmos
sobre os limites da teoria e da prática ergonômica a partir de um trecho do texto escrito por
Abrahão e Pinho (1999), páginas 4 a 7.

Fragmento do texto

Será que podemos falar de um modelo em ergonomia?

Quando se discute teoria, em geral, associamos a ideia de um modelo. Muitas vezes, como é
o caso da ergonomia, o modelo resulta da integração de conhecimentos diversos: um
conhecimento pode ser considerado original, inclusive pela forma como ele articula
conhecimentos antigos.

A ergonomia, ao utilizar conhecimentos de outras áreas, frequentemente é confrontada com


os limites desses conhecimentos e neste sentido os questiona. Alguns autores atribuem à
fragilidade, e à ausência de um corpo teórico metodológico próprio, à jovialidade da
ergonomia; outros à falta de consenso, entre os ergonomistas, quanto à definição de
trabalho, de modelo de homem e da relação homem-trabalho bem como da complexidade
destas categorias e da multiplicidade de fatores que as compõem.

Nas categorias trabalho, saúde e modelo de homem, por exemplo, as abordagens são
distintas. As diferentes disciplinas, sobre as quais se fundamenta a ergonomia, como área do
conhecimento, revelam que as fronteiras entre as disciplinas que estudam o trabalho são
cada vez mais tênues. O avanço científico e tecnológico da atualidade exige conexões, ainda
inexistentes, entre as áreas do conhecimento, para que se possa construir um objeto de
estudo mais complexo e mais abrangente, do que aquele resultante da simples adição ou
confrontação de pontos de vista. (Abrahão, 1993).

Além das características gerais, os modelos em ergonomia se diferenciam pelo seu objeto e
pela sua natureza, como afirma Amalberti (1991) ao distinguir de forma clara o objeto e a
natureza dos modelos em ergonomia.

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O autor afirma que, o seu objeto é específico, pois se trata da atividade do homem no
trabalho. Neste caso, não se trata de criar um modelo genérico do homem, mas antes de
tudo, de modelizar um operador engajado em uma situação precisa de trabalho, com suas
imposições cognitivas específicas, situacionais e organizacionais. Aí reside um dos
paradoxos de modelização em ergonomia: o modelo pretende se constituir como instrumento
de generalização, contudo, sua natureza em ergonomia o leva a descrever particularidades
mais situacionais. Além do que, vale ressaltar, que o modelo continua vinculado à tarefa e
aos comportamentos do operador. Esta dificuldade na generalização dos resultados
ergonômicos, explica porque, excetuando-se os conhecimentos oriundos do Human Factors
sobre as limitações psicofisiológicas, o balanço dos conhecimentos teóricos em ergonomia
seja ainda imitado.

A natureza do modelo é profundamente heurística, voltada para a modelização do todo (o


indivíduo engajado no trabalho), ao invés da modelização das partes (o papel da memória,
etc). As condutas dos operadores em situações reais, raramente obedecem à predição de
modelos elaborados em laboratório; o contexto é diferente, as variáveis a serem
consideradas ultrapassam amplamente o número de variáveis que se pode controlar
experimentalmente.

A psicologia do trabalho e a ergonomia cognitiva estão confrontadas a este tipo de problema.


Os modelos se voltam então para uma visão mais global, centrada em conceitos
(competências, automatização), ao invés de dados precisos e replicáveis. Esses modelos
ergonômicos são heurísticos, eles constituem um quadro de reflexão teórica sobre uma
organização geral das condutas do operador. Nesse sentido, a replicabilidade por si só não
basta. Deve-se antes de tudo, buscar nas situações as variáveis para as quais o modelo não
se mostra pertinente, discriminando desta maneira o seu domínio de validade.

A prática ergonômica como elemento de construção teórica

Na prática ergonômica, um conjunto de conhecimentos deve ser estruturado para responder


às diferentes demandas de intervenção. Essas situações variam, pois são singulares.

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Esses conhecimentos, oriundos de vários campos, confrontados e articulados de forma
integrada, contribuem com a tecnologia e a organização do trabalho na descrição da
melhoria desta realidade. Assim, na prática a utilização deste conjunto de conhecimentos
visa à melhor adaptação das situações de trabalho aos trabalhadores.

Para isto, a ergonomia tem como objeto específico de estudo, a atividade real dos
trabalhadores com o objetivo de transformação. O interesse da ergonomia é saber o que os
trabalhadores realmente fazem; como fazem; por que fazem, e como afirma Montmollin
(1990), “se estes podem fazer melhor”.

Para estudar as situações reais do trabalho a ergonomia utiliza-se de várias técnicas, que
por mais distintas que sejam, apresentam um ponto de convergência: a necessidade de
observar o trabalho realizado, completar e corrigir estas informações com o que o
trabalhador tem a dizer sobre o seu trabalho.

Segundo Wisner (1987), “o principio da análise ergonômica do trabalho, e do trabalho de


campo, é em si revolucionário, pois nos leva a pensar que os intelectuais e cientistas têm
algo a aprender a partir do comportamento e do discurso dos trabalhadores” (p.4).

Assim, a exigência cientifica principal da ergonomia está no conhecimento, pela observação,


das situações reais de trabalho, objetivando desenvolver conhecimentos sobre a forma como
o homem efetivamente se comporta ao desempenhar o seu trabalho e não como ele deveria
se comportar. Para apreender das situações de trabalho, em sua totalidade e dimensões, a
ergonomia utiliza uma metodologia própria de intervenção – a Análise Ergonômica do
Trabalho (AET).

A Análise Ergonômica do Trabalho é um modelo metodológico de intervenção que possibilita


a compreensão dos determinantes das situações de trabalho. Para tanto, tem como
pressuposto básico, a distinção entre o trabalho prescrito, comumente denominado de tarefa
e o trabalho real, que é aquele efetivamente realizado pelo trabalhador, inserido em um
contexto específico, para atingir os objetivos prescritos pela tarefa. Este fazer é denominado
de atividade.

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Esta análise é permeada por várias fases, e tem como fio condutor a dialética entre análise
da demanda e análise da atividade. Seu ponto de partida é uma demanda inicial que reflete
um problema, buscando esclarecer esta demanda, com vistas a propor formas de
intervenção. A partir deste esclarecimento procura aprofundar alguns aspectos para uma
melhor compreensão do contexto no qual se insere o trabalho, ou seja, a tecnologia e a
organização (o cenário onde se desenvolvem as atividades). Com estes dados, chega-se
então, a fase operacional - a análise ergonômica da atividade-que tem como objetivo a
análise das exigências e condições reais da atividade e das funções efetivamente utilizadas
pelos trabalhadores na realização da suas tarefas (Laville, 1977), permitindo a interrogação
com substância da demanda inicial.

A intervenção ergonômica pressupõe que o processo seja iniciado a partir da identificação da


demanda, que pode se transformar no confronto com a realidade do trabalho. Este processo
é negociado até a formulação de uma primeira demanda consensual.

O ponto crítico da ação do ergonomista situa-se no momento da avaliação da intervenção,


pois é ali que a justeza da demanda negociada mostra ou não o seu acerto.

A finalidade de uma análise ergonômica é sempre melhorar as condições de trabalho, dentro


de limites considerados aceitáveis para a produção.

Neste enfoque, coloca-se como pano de fundo da definição da intervenção ergonômica a


noção de melhoria. Por trás desta noção de melhoria da relação homem trabalho, existe o
agente da ação (o ergonomista), o sujeito da ação (o trabalhador) e a própria ação (o
trabalho).

Assim, o trabalho seria o mediador da construção da saúde, de forma que a melhor relação
homem - trabalho não é a exclusão do trabalho, mas sim uma relação harmônica entre os
dois - trabalho/saúde.

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Dica 1: O texto completo “Teoria e prática ergonômica: seus limites e Possibilidades” de Júlia
Issy Abrahão e Diana Lúcia Moura Pinho encontra-se disponível no endereço:
www.unb.br/ip/labergo/sitenovo/Julia/Artigos/paraosite/TPESEP.PDF

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U NIDADE 2
Método para análise ergonômica do trabalho

Objetivo: Iniciar a discussão sobre os métodos de análise utilizados ao longo das etapas da
AET.

A ergonomia utiliza métodos e técnicas de diferentes disciplinas para observar o trabalho


humano. Neste módulo serão apresentadas possibilidades de técnicas e métodos e como
utilizá-los em função das circunstâncias da intervenção.

Diferentes autores propõem abordagens metodológicas distintas. Cabe a você identificar


quais métodos devem ser utilizados de acordo com a situação investigada. Como em todo
processo científico de investigação, durante a intervenção ergonômica serão formuladas
hipóteses. Santos e Fialho (1995, p. 39) explicam que “a escolha de variáveis para a análise
das atividades de trabalho dependerá, normalmente, das hipóteses previamente formuladas,
quando da análise da demanda e da análise da tarefa, sobre as relações
condicionantes/determinantes desta situação de trabalho”.

Santos (1995, apud Bezerra, 1998), por exemplo, propõe para o desenvolvimento da análise
ergonômica do trabalho, uma abordagem metodológica, composta de três grandes etapas,
conforme detalhado no Quadro 1.

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Quadro 1

A primeira etapa consiste num quadro teórico de referências. Formulação da demanda


(ponto de partida de qualquer pesquisa em ergonomia), a análise das referências
bibliográficas sobre o Homem em atividade de trabalho, como também a respeito do objeto
do estudo a ser desenvolvido. Devem-se consultar as revistas e periódicos especializados,
os livros/textos publicados mais recentemente, assim como relatórios de trabalhos de
intervenção realizados em situações próximas ou análogas àquela que será abordada. É por
último, a formulação da questão de pesquisa.

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A segunda etapa consiste na análise ergonômica do trabalho, propriamente dita, e é
constituída de três fases: análise da demanda, análise da tarefa e análise das atividades.

Numa primeira fase é realizada a análise da demanda, cujo objetivo é definir o problema a
ser estudado, a partir de uma negociação com os diversos atores sociais (individuais e
coletivos) envolvidos. Nesta fase, os primeiros dados da situação de trabalho são levantados,
permitindo a formulação das hipóteses de primeiro nível (hipóteses preliminares), a serem
consideradas na realização do estudo: tipo de tecnologia utilizada, organização do trabalho
implantada, principais características da mão-de-obra disponível, principais aspectos sócio-
econômicos da empresa e, enfim, os diversos pontos de vista a respeito do problema
formulado pela demanda. Na terceira fase desta segunda etapa, é realizada a análise das
atividades desenvolvidas pelos trabalhadores, face às condições e aos meios que lhe são
colocados à disposição. Trata-se da análise dos comportamentos de trabalho: posturas,
ações, gestos, comunicações, direção do olhar, movimentos, verbalizações, raciocínios,
estratégias, resoluções de problemas, modos operativos, enfim, tudo que pode ser
observado ou inferido das condutas dos indivíduos. Os dados assim obtidos poderão ser
confrontados com os das fases precedentes, comprovando as hipóteses anteriormente
formuladas ou, ainda, permitindo a formulação de novas hipóteses, para a elaboração de um
pré-diagnóstico da situação de trabalho analisada.

A terceira etapa consiste na síntese ergonômica do trabalho. Esta etapa é dividida em duas
fases: o estabelecimento do diagnóstico da situação de trabalho e a elaboração do caderno
de encargos de recomendações ergonômicas.

Menegon et al (2003, p.23) afirmam que o método da AET é dividido em dois grandes blocos,
conforme a Figura 1:

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Figura 1

1. Fase de análise subdividida em três etapas: análise da demanda, análise da tarefa e


análise da atividade.

2. Fase de síntese subdividida nas etapas de diagnóstico e de implementação.

De acordo com os autores, “em cada uma destas etapas, o ergonomista colhe dados da
situação sob investigação e confronta com os conhecimentos acerca do homem no trabalho.
Desta confrontação, surgem hipóteses que irão direcionar o prosseguimento do estudo. O

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resultado de uma ação ergonômica desemboca, em primeira instância, na proposição de
mudanças na situação em estudo, em segunda instância, novos conhecimentos acerca de
homem no trabalho”.

Nos próximos itens serão descritos em detalhes alguns procedimentos que podem ser
utilizados durante a AET de acordo com os seguintes autores: Menegon et al (2003), Guérin
et al (2001), Santos e Fialho (1995) e Wisner (1987).

Análise da Demanda

Conforme você aprendeu na Unidade 11 do módulo “Introdução à ergonomia”, a ação


ergonômica inicia-se sempre com a etapa da Constituição e Análise da Demanda, quando
são definidos, de acordo com GUÉRIN et al. (2001), os problemas a serem analisados, as
condições de realização do estudo, os resultados que poderão ser esperados, os meios
necessários para realizar a ação ergonômica, os prazos de execução e os possíveis desafios
a serem enfrentados. Deve-se realizar nesta fase:

 Levantamento bibliográfico: pesquise artigos sobre estudos realizados no mesmo


setor, sobre as patologias prevalentes, sobre o ramo produtivo pesquisado, sobre o
tipo de produto. Pesquise também as legislações específicas.

 Levantamento epidemiológico: dados médicos de absenteísmo; dados sobre CAT -


comunicado de acidente do trabalho; Taxa de Frequência (de acordo com a NBR
14280 é o número de Acidentes por milhão de horas-homem de exposição ao risco,
em determinado período); Taxa de Gravidade (de acordo com a NBR 14280 é o tempo
computado por milhão de horas-homem de exposição ao risco, em determinado
período); Taxa de Incidência (TI) – novos casos; Taxa de Prevalência (TP) – todos os
casos de afastamento; Índice de afastamento por Razões Médicas (IRM). Analisar
todos os documentos sobre saúde da empresa e os índices existentes.

 Levantamento dos indicadores da produção: produtividade, tipos de produtos, folha de


instrução do trabalho, curvas de produção, eficiência da mão-de-obra etc. Analisar os
documentos sobre a produção e sobre o setor pesquisado.

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 Levantamento das queixas de todos os trabalhadores para identificar as áreas mais
problemáticas do ponto de vista da ergonomia: pode-se utilizar o questionário de
percepção (Unidade 18) ou qualquer ferramenta capaz de avaliar as queixas.

 Levantamento sobre a situação a ser analisada: aspectos econômicos (conjuntura,


exigências de qualidade, situação da empresa em relação ao mercado, as
dependências); aspectos sociais (mão-de-obra disponível e suas características,
política salarial e formas de seleção); aspectos técnicos (as exigências e limites de
tecnologia, as decisões que foram tomadas em termos tecnológicos); aspectos
organizacionais (organização geral do sistema de produção com seus diferentes
aspectos, referentes à política de manutenção de material, as decisões em matéria de
suprimentos dos postos de trabalho, da relação entre os postos, os métodos, as
técnicas).

Na figura 2, você pode identificar os principais fatores que devem ser reunidos ao final da
análise da demanda de acordo com a metodologia proposta pelo Ergo&ação (Menegon et al.
2003).

Figura 2

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Não se esqueça de que para cada situação analisada poderá haver a necessidade de
levantar outros tipos de informações não citadas anteriormente. Por isso, cabe ao
ergonomista verificar de acordo com a demanda o que deverá ser pesquisado.

Menegon et al. (2003) explica que nesta fase é fundamental construir as condições ideais
para a condução da análise através da discussão dos objetivos do estudo com o conjunto
das pessoas envolvidas, da obtenção do consentimento livre e esclarecido dos trabalhadores
que ocupam o posto ou setor estudado, além de permitir esclarecer as respectivas
responsabilidades.

Para Santos e Fialho (1995, 61), os resultados da análise da demanda permitem ao analista
elaborar o plano de uma intervenção ergonômica e estabelecer um contrato. No contrato
deve ficar claro o objeto da demanda, o cronograma do estudo, as obrigações da empresa,
as obrigações do analista, o prazo para a realização do estudo, a equipe técnica, os custos
do estudo e forma de pagamento, rescisão e vigência do contrato. Mesmo no caso dos
estudos realizados pelo comitê interno de ergonomia é importante considerar os primeiros
itens do contrato.

Wisner (1995) orienta que ao final desta etapa deve ser elaborado um pré-estudo que trata
de uma ou mais das seguintes questões:

 Os efeitos (em particular econômicos) sobre a empresa das más condições de


trabalho;

 Os efeitos das más condições de trabalho sobre a saúde e o bem-estar do pessoal.


Análise das reivindicações sindicais e epidemiologia.

 Estrutura técnica, econômica e social, na qual a área de atuação da ergonomia está


ou estará situada.

 Descrição das capacidades da população de trabalhadores da empresa ou dos que


estão disponíveis na região na qual se estuda um projeto de instalação.

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Para refletir 1: Durante este módulo você irá aplicar várias ferramentas e testar alguns dos
métodos existentes. Para isso, é fundamental que você escolha uma situação para
desenvolver a análise ergonômica do trabalho. O ideal é que haja uma demanda, porém,
nesta fase de aprendizado o importante é o seu aperfeiçoamento. Por isso, procure encontrar
uma situação de trabalho a qual você tenha facilidade de acesso, da qual você receba
autorização de todos os envolvidos e mais importante na qual consiga desenvolver todo o
estudo. Não deixe de explicar que é um trabalho acadêmico. Por enquanto, o seu o objetivo
não é intervir na situação e sim aprender as etapas da ação ergonômica. Portanto, nenhum
dos resultados encontrados por você devem ser usados para embasar futuras mudanças,
uma vez que para isso será preciso conhecer primeiramente todos os aspetos que envolvem
uma ação ergonômica.

1. Qual atividade você irá estudar?

2. Por que você escolheu esta atividade?

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U NIDADE 3
Análise da Tarefa e da Atividade

Objetivo: Verificar quais métodos e procedimentos podem ser utilizados durante a análise da
tarefa e da atividade.

Nesta unidade discutiremos quais fatores devem ser analisados durante a análise da tarefa e
como as hipóteses levantadas irão auxiliar na melhor compreensão da análise da atividade.

Análise da Tarefa

A análise da tarefa coincide com a análise das condições de trabalho. Santos e Fialho (1995)
dividem a análise da tarefa em três fases:

1) Delimitação do sistema homem-tarefa a ser analisado.

As tarefas não compreendem somente as máquinas e suas manifestações (condições


técnicas de trabalho), mas também as condições organizacionais e ambientais de trabalho.

2) Descrição de todos os elementos que compõem do sistema – identificação das


componentes do sistema que condicionam as exigências do trabalho.

 Compreensão integral do papel ou das funções do sistema geral: as normas de ação


(o que deve ser feito e em relação a que) e as normas de intervenções corretivas ou
de retificações (o que não deve ser feito, o que não pode ser feito e o que será punido
se for feito).

 Compreensão do funcionamento do próprio sistema homem-tarefa: o trabalho a ser


realizado estando definido, deve-se, então, compreender a própria tarefa. A

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compreensão da tarefa fornece normas específicas de rendimento, de tempo e de
qualidade do trabalho.

 Funcionamento dos sistemas “entradas e saídas” (uma situação de trabalho é um


sistema complexo e dinâmico, cujas entradas determinam a atividade do trabalhador
e, cujas saídas, resultam desta atividade) do sistema homem-tarefa: podem-se
analisar estes sistemas em termos funcionais da entrada de informações, tratamento
de informações e saídas de informações.

 Funcionamento das ligações e relações do sistema: Cada posto de trabalho, dentro de


um sistema de produção, mantém uma relação, à montante e à jusante, com outros
postos de trabalho, estabelecendo uma rede de relações, tanto em nível vertical
(ligações hierárquicas) como em nível horizontal (ligações funcionais).

3) Avaliação dessas exigências.

Menegon et al. (2003, p.24) explica que a análise da tarefa é “o estudo daquilo que o
trabalhador deve realizar e as condições ambientais, técnicas e organizacionais desta
realização”. Os autores afirmam que nesta etapa é fundamental conhecer como o trabalho é
organizado e prescrito no interior da organização. Deve-se proceder a descrição da situação,
observações e medidas sistemáticas das variáveis.

Você deverá realizar nesta etapa:

 Caracterização da tarefa.

 Identificação dos fatores de risco.

Santos e Fialho (1995) recomendam que sejam levantados os maiores números de


informações relacionadas com:

 Trabalhadores: Quem intervém no posto (ou postos) e seu papel no sistema;


Formação e qualificação profissional; Número de pessoas trabalhando

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simultaneamente sobre cada posto; Regras das divisões das tarefas e de sucessão;
Características da população, etc;

 Máquinas: Estrutura geral da máquina; Dimensões características; Comandos e


sinalizações da máquina; Princípios de funcionamento da máquina; Problemas e
aspectos críticos, etc;

 Ações: Ações imprevistas e não programadas; Os principais gestos de trabalho


realizados; As principais posturas de trabalho assumidas pelo trabalhador; Os
principais deslocamentos realizados pelo trabalhador; As principais decisões a serem
tomadas; As informações necessárias; As principais ações do operador sobre a
máquina, as entradas e saídas, etc;

 Meio ambiente: O espaço e o local de trabalho (dados antropométricos e


biomecânicos); O ambiente térmico; O ambiente sonoro; O ambiente luminoso, O
ambiente vibratório; O ambiente toxicológico, etc;

 Fontes de informação: Levantamento dos principais sinais úteis ao trabalhador (ou ao


coletivo); Diferentes tipos de canais (visuais, auditivos, olfativos ou gustativos);
Frequência, intensidade, dimensões, discriminação dos sinais existentes; Existência
de sinais de advertência, etc;

 Órgãos sensoriais: Visão (campo visual, localização dos sinais, tempo disponível para
acomodação visual, riscos de ofuscamento, duração e solicitação do sistema visual,
acuidade visual exigida para tomada de decisão, rapidez e percepção de sinais
visuais); Audição (acuidade auditiva exigida para a percepção dos sinais sonoros,
riscos de problemas de audição, sensibilidade às comunicações verbais em meio
barulhento e aos diferentes caracteres).

 Tarefa: Diferentes tipos de intervenções realizadas pelo operador; Nível de


especificação das instruções para cada intervenção; Necessidade ou não de
estabelecer diagnóstico do estado do sistema; Número de informações a serem
memorizadas a curto prazo; Importância dos conhecimentos necessários, na memória

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de longo tempo, cada identificação e interpretação; Grau de elaboração da codificação
das informações úteis; Grau de organização dos quadros de sinalização, etc.

Para tal, Menegon et al (2003) indicam a aplicação do Ergonomic Workplace Analysis –EWA
(Unidade 11) capaz de conhecer o trabalho prescrito e os condicionantes para a sua
realização e o Questionário de Percepção (Unidade 18) para captar a percepção dos
trabalhadores sobre os problemas na execução da tarefa.

Entretanto, não se esqueça de que tais ferramentas não analisam em toda a totalidade os
aspectos da tarefa. É fundamental descrever em detalhes o sistema homem-tarefa e todos
os elementos que compõem este sistema.

Faça fluxogramas para ajudá-lo a entender o fluxo de entradas e saídas. O fluxograma


representa uma sequência de trabalho qualquer, de forma detalhada (pode ser também
sintética), no qual as operações ou os responsáveis e os departamentos envolvidos são
visualizados nos processo. É conhecido também com os nomes de Flow-chart, carta de fluxo
do processo, gráfico de sequência, gráfico de processamento dentre outros.

Portanto, várias são as técnicas empregadas na análise ergonômica da tarefa. Você deverá
analisar os documentos existentes (o maior número de informações sobre o trabalho
prescrito, como a história do posto ou setor, sua localização, organograma da empresa,
relações hierárquicas, normas e objetivos fixados, normas de segurança, etc), realizar
entrevistas com os atores envolvidos (trabalhadores, supervisores, gerentes, setor da
manutenção e demais setores diretamente envolvidos), realizar medidas no ambiente de
trabalho (medidas do posto de trabalho e das condições físicas), avaliar as cargas de
trabalho e realizar observações sistemáticas (primeiro contato com a situação para traçar
uma primeira ideia e levantar as principais operações a serem efetuadas).

Santos e Fialho (1995) explicam que para realizar estes procedimentos, aparentemente
simples você deverá saber:

 Quem entrevistar?

 O que observar?
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 O que e quem questionar?

 O que medir?

Análise da Atividade

Nesta etapa você deverá realizar a análise das atividades desenvolvidas pelos
trabalhadores, diante dos objetivos exigidos e dos meios que lhe são colocados à disposição.

Conforme discutido na Unidade 13 do módulo “Introdução à Ergonomia” na etapa da análise


da atividade é preciso descrever detalhadamente todas as etapas das atividades de trabalho.
Trata-se da “descrição contínua de atos em suas características qualitativas e quantitativas”
a partir da observação, análise e validação dos comportamentos de trabalho (LIMA, 1998).
Segundo Laville (1977, p.15), a análise da atividade “tem por objetivo a descrição e análise
das exigências e condições reais da tarefa e a análise das funções efetivamente utilizadas
pelos trabalhadores para realizar a sua tarefa”.

Você deverá realizar uma descrição mais detalhada possível da atividade de trabalho. Trata-
se de um aprendizado prático. Com o tempo você ampliará “o seu olhar”, ou seja, passará a
avaliar uma situação de trabalho sob o ponto de vista da atividade. Nas próximas unidades
apresentaremos uma série de ferramentas e métodos que irão auxiliá-lo nesta fase de
aprendizado. Portanto, não deixe de testar na prática as ferramentas sugeridas, pois
somente desta maneira você irá absorver o conteúdo proposto.

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Fórum 1: A prática em ergonomia

A ergonomia evolui a partir da própria prática de intervenção. Trata-se de uma disciplina


recente, ou como descrevem alguns ergonomistas uma “arte” ou uma “prática social” ainda
em construção. Trata-se, portanto, de uma disciplina em que a teoria e prática são aspiradas
simultaneamente, uma vez que se deseja produzir conhecimento científico sobre o trabalho,
sobre as condições e sobre a relação do homem com o trabalho e, ao mesmo tempo, propor
instrumentos e princípios capazes de orientar racionalmente a ação de transformação das
condições de trabalho.

1. Em sua opinião como a prática ergonômica pode contribuir com a evolução da


ergonomia enquanto ciência?

2. Caso você já tenha tido alguma experiência na área discuta como a prática em
ergonomia modificou os seus conhecimentos teóricos?

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U NIDADE 4
Técnicas utilizadas na análise do trabalho

Objetivo: Aprofundar a discussão sobre os tipos de técnicas e métodos que podem ser
utilizados durante a análise do trabalho.

Historicamente, segundo Torres (2001), os principais recursos e instrumentos metodológicos


utilizados para a realização da análise do trabalho por ergonomistas e estudiosos de
disciplinas afins são:

 Observações do trabalho em tempo real;

 Questionários relativos ao desempenho, sentimentos, ações e emoções no trabalho;

 Entrevistas (Le Guillant, 1956; Montmollin, 1990).

No módulo “Introdução à Ergonomia”, especificamente na Unidade 14, foram apresentados


os métodos de análise utilizados na etapa da análise da atividade.

Wisner (1995) explica que nesta etapa devem ser analisados as posturas, ações, gestos,
comunicações, direção do olhar, movimentos, verbalizações, raciocínios, estratégias, formas
de resolução dos problemas, modos operatórios ou quaisquer tipos de atividades motoras ou
mentais exigidas para a execução do trabalho.

Menegon et al (2003) sugere a utilização de duas técnicas nesta etapa: confrontação do


trabalho prescrito e do trabalho real, obtidas com a técnica de entrevistas coletivas e a
análise cinesiológica e biomecânica, objetivando a descrição detalhada das posturas
assumidas pelos sujeitos e das exigências sobre os seguimentos corpóreos.

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É fundamental confrontar os dados obtidos através dos conhecimentos científicos com as
diferentes interpretações existentes no ambiente organizacional sobre a situação de trabalho
pesquisada.

Nesta unidade, trabalharemos com um fragmento de texto, desenvolvido por um site


especializado sobre o assunto (www.ergonomia.com.br) a respeito das principais técnicas e
os métodos mais utilizados durante a ação ergonômica.

Fragmento do texto

Técnicas

Podem-se agrupar as técnicas utilizadas em Ergonomia em técnicas objetivas e subjetivas.

1) Técnicas objetivas ou diretas:

Registro das atividades ao longo de um período, por exemplo, através de um registro em


vídeo. Essas técnicas impõem uma etapa importante de tratamento de dados.

2) Técnicas subjetivas ou indiretas:

Técnicas que tratam do discurso do operador são os questionários, os check lists e as


entrevistas. Esse tipo de coleta de dados pode levar a distorções da situação real de
trabalho, se for considerada uma apreciação subjetiva. Entretanto, esses podem fornecer
uma gama de dados que favoreçam uma análise preliminar.

Deve-se considerar que essas técnicas são aplicadas segundo um plano preestabelecido de
intervenção em campo, com um dimensionamento da amostra a ser considerado em função
dos problemas abordados.

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Métodos

1. Métodos diretos

a. Observação

É o método mais utilizado em Ergonomia, pois permite abordar de maneira global a atividade
no trabalho. A partir da estruturação das grandes classes de problemas a serem observados,
o Ergonomista dirige suas observações e faz uma filtragem seletiva das informações
disponíveis.

b. Observação assistida

Inicialmente considera-se uma ficha de observação, construída a partir de uma primeira fase
de observação "aberta". A utilização de uma ficha de registro permite tratar estatisticamente
os dados recolhidos; as frequências de utilização, as transições entre atividades, a evolução
temporal das atividades.

Em um segundo nível utilizam-se os meios automáticos de registro, áudio e vídeo.

O registro em vídeo é interessante à medida que libera o pesquisador da tomada incessante


de dados, que são, inevitavelmente, incompletos e permite a fusão entre os comportamentos
verbais, posturais e outros. O vídeo pode ser um elemento importante na análise do trabalho,
mas os registros devem poder ser sempre explicados pelos resultados da observação
paralela dos pesquisadores.

Os registros em vídeo permitem recuperar inúmeras informações interessantes nos


processos de validação dos dados pelos operadores. Essa técnica, entretanto, está
relacionada a uma etapa importante de tratamento de dados, assim como de toda
preparação inicial para a coleta de dados (ambientação dos operadores), e uma filtragem dos
períodos observáveis e dos operadores que participarão dos registros.

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Alguns indicadores podem ser observados para melhor estudo da situação de trabalho
(postura, exploração visual, deslocamentos etc).

c. Direção do olhar

A posição da cabeça e orientação dos olhos do indivíduo permitam inferir para onde esse
está olhando. O registro da direção do olhar é amplamente utilizado em Ergonomia para
apreciação das fontes de informações utilizadas pelos operadores. As observações da
direção do olhar podem ser utilizadas como indicador da solicitação visual da tarefa. O
número e a frequência das informações observadas em um painel de controle na troca de
petróleo em uma refinaria, por exemplo, indicam as estratégias que estão sendo utilizadas
pelos operadores na detecção de presença de água no petróleo, para planejar sua ação
futura.

d. Comunicações

A troca de informação entre indivíduos no trabalho pode ter diversas formas: verbais, por
intermédio de telefones, documentais e através de gestos. O conteúdo das informações
trocadas tem se revelado como grande fonte entre operadores, esclarecedora da
aprendizagem no trabalho, da competência das pessoas, da importância e contribuição do
conhecimento diferenciado de cada um na resolução de incidentes.

O conteúdo das comunicações pode, além de permitir uma quantificação de fontes de


informações e interlocutores privilegiados, revelar os aspectos coletivos do trabalho.

e. Posturas

As posturas constituem um reflexo de uma série de imposições da atividade a ser realizada.


A postura é um suporte à atividade gestual do trabalho e um suporte às informações obtidas

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visualmente. A postura é influenciada pelas características antropométricas do operador e
características formais e dimensionais dos postos de trabalho. No trabalho em salas de
controle, a postura é condicionada à oscilação do volume de trabalho. Em períodos
monótonos a alternância postural servirá como escape à monotonia e reduzirá a fadiga do
operador. Em períodos perturbados a postura será condicionada pela exploração visual que
passa a ser o pivô da atividade. Os segmentos corporais acompanharão a exploração visual
e executarão os gestos.

f. Estudo de traços

A análise é centralizada no resultado da atividade e não mais na própria atividade. Ela


permite confrontar os resultados técnicos esperados e os resultados reais.

Os dados levantados em diferentes fases do trabalho podem dar indicação sobre os custos
humanos no trabalho, mas, entretanto, não conseguem explicar o processo cognitivo
necessário à execução da atividade. O estudo de traços pode ser considerado como
complemento e é usado, com frequência, nas primeiras fases da análise do trabalho. O
estudo de traços pode ser fundamental no quadro metodológico para análise dos erros.

2. Métodos subjetivos

O questionário é pouco utilizado em Ergonomia, pois requer um número importante de


operadores. Entretanto a aplicação de questionário em um grupo restrito de pessoas pode
ser utilizada para hierarquizar certo número de questões a serem tratadas em uma análise
aprofundada. As respostas dos questionários podem ser úteis para a contribuição de uma
classificação de tarefas e de postos de trabalho. O questionário, entretanto, deve respeitar a
amostra e as probabilidades de aplicação.

Deve-se ressaltar que com o questionário se obtém as opiniões, as atitudes em relação aos
objetos, e que elas não permitem acesso ao comportamento real.

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Segundo PAVARD e VLADIS (1985), o questionário é um método fácil e se presta ao
tratamento estatístico, e, se corretamente utilizado, permite coletar certo número de
informações pertinentes para o Ergonomista.

a. Tabelas de avaliação

Esse tipo de questionário permite aos operadores avaliarem, eles mesmos, o sistema que
utilizam. O objetivo é apontar os pontos fracos e fortes dos produtos. No caso de avaliação
de programas, uma tabela de avaliação deve cobrir os aspectos funcionais e
conversacionais.

b. Entrevistas e verbalizações provocadas

A consideração do discurso do operador é uma fonte de dados indispensável à Ergonomia. A


linguagem, segundo MONTMOLLIN (1984), é a expressão direta dos processos cognitivos
utilizados pelo operador para realizar uma tarefa.

A entrevista pode ser consecutiva à realização da tarefa (pede-se ao operador para explicar
o que ele faz, como ele faz e por que).

c. Entrevistas e verbalizações simultâneas

As entrevistas podem ser realizadas simultaneamente à observação dos operadores


trabalhando em situação real ou em simulação.

A análise se concentra nas questões sobre a natureza dos dados levantados, sobre as
razões que motivaram certas decisões e sobre as estratégias utilizadas.

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Dessa maneira o Ergonomista revela a significação que os operadores têm do seu próprio
comportamento. As verbalizações devem ser aplicadas com cuidado e de maneira a não
alterar a atividade real de trabalho.

Estudo complementar 1:

Leia o questionário elaborado para sistematizar um primeiro contato com os cooperativados


de uma cooperativa de reciclagem de lixo. Observe que as respostas das entrevistas foram
agrupadas, pois o objetivo é avaliar o trabalho e não o trabalhador.

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U NIDADE 5
Dinâmica da entrevista e observação na ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO. AET

Objetivo: Conhecer a dinâmica da entrevistas e as técnicas de observação na AET.

Nesta unidade apresentaremos parte do texto “Fundamentos Teóricos da metodologia e


prática de análise ergonômica do trabalho” escrito por Francisco Lima (1998). O autor aborda
a dinâmica da observação e da entrevista durante a AET e explica detalhadamente o
procedimento de uma entrevista em autoconfrontação.

Leia com atenção o texto! As entrevistas em autoconfrontação são fundamentais para a


Análise Ergonômica do Trabalho.

Fragmento do texto

Comumente, a entrevista utilizada na metodologia de pesquisa em ciências sociais,


independentemente das técnicas utilizadas (questionário fechado ou aberto, entrevista
diretiva ou semidiretiva), procura extrair o que o ator pensa a respeito de determinados
temas. Este apelo direto à consciência parte do pressuposto que os atores já têm opinião
formada sobre todos os assuntos, isto é, representações ou opiniões mais ou menos
elaboradas sobre fatos diversos que podem ser expressos com facilidade
independentemente dos interesses e motivações momentâneos dos indivíduos. Grosso
modo, é o equivalente às perguntas que os jornalistas de telejornais fazem ao primeiro
transeunte que passa a sua frente, sobre algo que acontece em alguma parte do mundo ou
do país, ou assunto que está em voga.

Nessas circunstâncias, o que de fato se consegue obter são “opiniões”, sem que se possa
estabelecer uma relação efetiva com as experiências efetivamente vividas e pensadas dos
atores sociais. É verdade que as técnicas de análise do discurso, aplicadas aos resultados
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das entrevistas, podem revelar ambiguidades e contradições interessantes, mas é impossível
ainda relacioná-los à vida efetiva ou simplesmente atribuí-los à artificialidade da situação em
que foi colocado o entrevistado. De qualquer forma, fica-se preso ao discurso dos
trabalhadores sem poder explicar em bases mais objetivas seu significado.

Vimos que a natureza mesma das atividades práticas inviabiliza um recurso direto à
consciência dos atores, na medida em que grande parte da atividade é regulada de forma
subconsciente. A AET, ao fornecer uma descrição objetiva do comportamento, permite
introduzir um termo mediador no processo de pesquisa, ao conduzir a entrevista com o
trabalhador a partir do que se sabe sobre sua própria atividade: o discurso sobre o trabalho é
assim mediado pelos traços objetivos da atividade.

A dinâmica de observação/entrevista obedece assim a um processo iterativo e interativo em


que os resultados de uma fase servem para orientar as observações da fase subsequente e
alimentar uma nova entrevista. Com isto se procura preservar objetivos que, tomados
isoladamente, podem parecer contraditórios, mas cuja conciliação se dá através do próprio
processo de pesquisa:

A mediação da observação direta permite evitar ou pelo menos minimizar o risco da


racionalização à posteriori, que frequentemente é criticada nas entrevistas diretas. Com
efeito, o comportamento real é sempre mais rico e complexo do que a representação que o
próprio sujeito elabora conscientemente.

Porém, não é possível explicar o sentido da ação de “fora”, sendo, portanto necessário
explicitar os motivos e razões dos indivíduos, o que não pode ser feito sem recorrer à fala
dos próprios atores, em última instância, aqueles que podem validar as interpretações
propostas. O discurso deve, porém, tomar por objeto o seu próprio comportamento e não
diretamente os motivos e razões. Este processo iterativo configura o que se denomina de
entrevista em autoconfrontação (ACF).

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Autoconfrontação (ACF)

As entrevistas em ACF consistem basicamente em obter comentários do sujeito sobre seu


próprio comportamento em diversos níveis, obedecendo forçosamente a sequência: Como?
(se faz, se sabe, escolhe etc)? Para que? (finalidade, objetivos) Por quê? (motivos, razão).
Nesta sequência estão implícitos dois níveis de autoconfrontação, o primeiro dos quais se
concentrando exclusivamente na explicitação dos procedimentos concretos, modos
operatórios, atos observáveis, informações utilizadas na execução do trabalho, elementos
que influenciam as decisões, etc; em um segundo momento ou nível, a autoconfrontação
procura, apoiando-se nos resultados obtidos no nível anterior, explicitar os significados
latentes do comportamento observável.

1º Nível de Autoconfrontação

Neste primeiro nível de entrevista em ACF, direcionam-se as perguntas para eventos


realmente ocorridos e observados diretamente (gestos, deslocamentos, olhares,
verbalizações espontâneas).

Esta forma de entrevista não é natural, ao contrário, é contra-intuitiva, pois na vida cotidiana
temos tendência a buscar imediatamente o sentido dos atos, indagando diretamente sobre o
porquê das coisas (em nossa terminologia, saltamos diretamente para o segundo nível da
entrevista). Existem alguns “macetes” que podem ajudar a direcionar a entrevista para o nível
mais imediato do comportamento. Para preservar o caráter contextualizado do
comportamento, deve-se manter o verbo no presente (quando se pode interromper o sujeito
para questioná-lo) ou no passado quando nos referimos a algo já ocorrido, mas que foi
registrado e reapresentado ao trabalhador. Neste momento da entrevista, procura-se remeter
ao sujeito o seu comportamento tal como foi observado, com perguntas do tipo:

- “o que você fez agora?”

- “o que você está fazendo ali?”

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- como você soube que deveria fazer aquilo? O que observou? Em qual momento? Como
você escolheu?

A utilização de gravações em vídeo ou em fitas cassetes é a melhor maneira de assegurar


informações sempre contextualizadas “aqui e agora”. Deve-se, entretanto, tomar cuidado
com os registros visuais, cuja aparente exatidão pode ainda não revelar as informações
pertinentes na organização da atividade. A gravação em vídeo deve ser planejada, a fim de
captar informações que sejam significativas para o ator, o que somente um pré-diagnóstico
pode revelar.

Num segundo momento é possível então formular perguntas mais genéricas de forma a
explorar mais exaustivamente as regras implícitas do sujeito observado em outras situações
e as alternativas de ação. Assim pode-se perguntar:

- você sempre faz assim?

- como você faz quando...?

- quando isso não acontece o que você faz?

- por que você não fez daquele outro jeito (previsto ou já observado)?

Como neste momento da entrevista, as questões sempre remetem o sujeito às experiências


e situações concretas, ele sempre busca “ilustrar” o seu discurso com exemplos de situações
vivenciadas ou casos particulares. A sua fala é sempre entremeada de “por exemplos”, “teve
um caso”, “outro dia”, “às vezes”, etc. Em verdade, esses casos são bem mais do que
simples “ilustrações” de uma lógica ou racionalidade preexistente da ação, que situaria acima
dos casos ou das situações relatadas: constituem a própria substância que, devidamente
analisada, permitirá o comportamento de modo bem mais rico e complexo. Por isso, esses
exemplos e casos devem ser exaustivamente explorados durante as entrevistas em
autoconfrontação.

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Este 1º nível de ACF permite obter os seguintes resultados:

 Evidenciar o encadeamento (sequência) dos atos observados e relacioná-los com


circunstâncias do contexto ou da situação de trabalho;

 Acumular uma série de evidências, qualitativas e quantitativas, que demonstrem a


complexidade da atividade realizada pela pessoa observada;

 Obter a validação das descrições dos atos através de manifestação de tomada de


consciência por parte do ator, que frequentemente se assusta e diz: “não sabia que
fazia assim!” ou “não sabia que era tanta coisa”, etc.

2º Nível de Autoconfrontação

Esta descrição do comportamento, ainda colada ao que é manifesto e observável, não


permite fazer inferências sobre o significado implícito dos atos, que sempre subentendem
certas finalidades e motivos. Assim, num segundo nível de ACF procura-se explorar os
objetivos visados pelos atores e sua motivação. Em verdade, trata-se de dois níveis (ou
fases) de análise embutidos nas entrevistas direcionadas para explicitar as razões dos atos:
colocar em evidência as finalidades das ações (objetivos) e as razões (valores) que os atores
têm para realizá-las do modo que o fazem.

A imbricação dessas duas fases de autoconfrontação justifica que sejam explicitados num só
momento, pois são de fato inseparáveis, o que se manifesta até mesmo na ambiguidade das
palavras “motivo” e “intenção”, carregadas de sentidos éticos e cognitivos. (Cf. Giddens,
1987; Lima, 1994). Pode-se constatar esta imbricação em nosso comportamento cotidiano:
quando, diante de um ato que desaprovamos, perguntamos à pessoa: como você fez isso?
Ou aonde você pensa que vai? Ou ainda o quê você está fazendo? Trata-se, em verdade, de
questões sobre as razões ou motivações da ação e não, como poderia levar a pensar o uso
dessas conjunções interrogativas.

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Neste segundo nível de autoconfrontação, que comporta duas fases de análise, as perguntas
serão do tipo: para que? A fim de quê? Por quê?.

1˚ nível (fase) de análise

Pode-se, analiticamente, identificar dois níveis de organização da ação: um primeiro nível de


análise onde se explicita quais são os “fins cognitivos” que servem de orientação prática à
ação, tal como refletidas pelas perguntas:

- em vista de que você fez isto?

- qual seu objetivo?

- com que finalidade?

- para quê?

2º nível (fase) de análise

Outro nível ou fase de análise servirá para explorar a orientação axiológica da ação, isto é,
que valores, normas e regras de natureza ética interferem na realização do trabalho. Trata-se
não da “ética do trabalho”, tal como descrita por Weber, quando tenta explicar o
comportamento do capitalista em função de valores religiosos incorporados no trabalho, mas
de valores que, de uma forma ou de outra, se tornaram imanentes à atividade dos
trabalhadores (Lima, 1993 e 1995).

Esta “ética no trabalho” se manifesta, por exemplo, no profissionalismo daqueles que


prezam pelo “trabalho bem feito” apesar de tudo; na cooperação espontânea entre colegas;
na redistribuição da carga de trabalho; na relação com usuários/clientes direta ou
indiretamente (via oferecimento de um produto com qualidade); no sentimento de justiça em
relação aos problemas do trabalho (promoção por mérito x favoritismo, responsabilidade por
erros, relação equitativa com usuários ou clientes, legitimidade do “jeitinho”, etc); ou, ao

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contrário, na relação negativa com um trabalho desqualificado, com colegas; com o produto
ou usuário.

Esta relação “negativa” não é um julgamento de valor por parte do ergonomista: é um fato
vivido e real da atividade de várias pessoas (talvez mesmo a maioria delas). No entanto o
inverso também está presente nas situações de trabalho, isto é, valores éticos positivos. Em
relação à saúde psicofisiológica, esta relação “negativa” é até mais benéfica, preservando o
trabalhador de uma implicação excessiva no trabalho, tal como ocorre frequentemente com
os portadores de LER. De qualquer forma, podem servir para orientar o diagnóstico e a
transformação das situações de trabalho uma vez que se constituem, ainda que seja pela
“recusa em se envolver demasiadamente”, em comportamentos adequados à preservação
da saúde.

Tudo isto mostra que a regulação da atividade, sua organização dinâmica, é algo complexo e
contraditório que só pode ser compreendida em situação e respeitando-se as especificidades
individuais. Aos indivíduos, mais ou menos coletivamente, cabe a arbitragem entre as metas
fixadas e os interesses e valores conflitantes, o que vai definir certa forma de utilização de
seu corpo, tempo e capacidades, isto é, uma “utilização de si por si mesmo”, mediadas pelas
relações sociais e por sua própria atividade e autoimagem.

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Dica 2: Se você desejar conhecer mais autores que utilizam as entrevistas de
autoconfrontação e casos práticos de aplicação, leia os seguintes artigos:

1. As práticas dos professores e o ensino como trabalho. Disponível em:


http://www.peli.uem.br/artigoproducacarmen.html

2. Aspectos metodológicos de uma análise situada da atividade docente: a


autoconfrontação cruzada. Disponível em:
http://www.senept.cefetmg.br/galerias/Arquivos_senept/anais/quarta_tema6/QuartaTe
ma6Artigo3.pdf

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U NIDADE 6
Análise cinesiológica e biomecânica

Objetivo: Identificar os fundamentos da análise cinesiológica e biomecânica.

A análise cinesiológica e biomecânica é utilizada em diferentes momentos da AET.


Principalmente no decorrer da análise da atividade e para comparar as modificações
realizadas. As articulações e segmentos do corpo humano assumem uma variedade de
posições e de movimentos de acordo com a atividade realizada, meios fornecidos,
ferramentas manuseadas, objetivos exigidos e layout do posto de trabalho.

É fundamental dividir as tarefas realizadas e analisá-las separadamente. Exemplo: Como


podemos dividir o empacotamento de caixas?

Abrir a caixa, pegar objeto ao lado/chão, transportar o objeto, colocar o objeto na caixa e
fechar a caixa.

Para cada tarefa você deverá realizar uma análise completa abrangendo:

 Uma descrição geral.

 Posturas de cada segmento corporal em cada tarefa realizada.

 Tempo de realização de cada tarefa/ de cada etapa.

 ADM (Amplitude dos movimentos) – Os movimentos ocorrem em determinadas


amplitudes representadas em graus.

 Natureza do trabalho muscular.

 Medição de esforços.

 Tipos de pega.

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 Tipos de ferramentas utilizadas.

 Tipos de objetos manuseados/ peso.

É preciso conhecer os limites de movimentação das partes do corpo mais solicitadas durante
a realização da tarefa, tanto para a concepção dos maquinários, instrumentos e localização
dos mesmos, quanto para a realização da análise da atividade. Desta maneira, o
ergonomista poderá intervir para minimizar os constrangimentos que o homem sofre durante
o desenvolvimento de seu trabalho. Os postos de trabalho devem ser projetados com espaço
suficiente para que o operador possa realizar seus movimentos de maneira fácil e segura
para melhor desempenho de suas atividades, permitindo a alternância de posturas e a
manutenção de movimentos neutros e confortáveis.

Guérin et al. (2001, p.152) afirmam que as posturas constituem “um indicador complexo da
atividade e dos constrangimentos que pesam sobre ela”. Sendo também um objeto de estudo
em si, na medida em que são fontes de fadiga e podem gerar doenças músculo-esqueléticas.
Segundo os autores, vários tipos de hipóteses podem ser associados à observação de
posturas, como: se o trabalhador é levado a assumir frequentemente, ou por longo tempo,
posturas desconfortáveis; se os constrangimentos que pesam sobre o operador reduzem
suas possibilidades de mudança de postura; se a evolução da atividade das posturas
adotadas durante o dia revela um desconforto crescente ligado à fadiga; se as modificações
de postura revelam dificuldades particulares ligadas à execução da tarefa.

Na literatura existem umas séries de tabelas que apresentam as amplitudes de movimentos


consideradas “normais”. Contudo, tais dados desconsideram as variações de idade, o sexo
do trabalhador, as características individuais, o estado momentâneo e, principalmente, a
frequência e as exigências demandadas pelo tipo de trabalho realizado.

Alguns autores associaram a ADM segundo o tempo nas diversas posições. Couto (1996),
por exemplo, procura categorizar os movimentos dos membros superiores (Figura 3 –

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Ombros e Cotovelos e Figura 4 – Antebraços e Punhos) de acordo com a frequência
aceitável de cada movimento durante a atividade de trabalho.

Figura 3

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Figura 4

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Marise et al. (2008) cita os trabalhos de Roberto Verdussen (1978) e Susan Hall (1993) sobre
os movimentos mais solicitados durante o trabalho realizado em plantas fabris, sendo eles:

Movimentos da Coluna Vertebral

Movimentação da cabeça (coluna cervical)

Conhecer os limites de movimentação da cabeça é relevante para o projeto de localização de


paineis de controle e distribuição dos mostradores. É sempre conveniente que o operador
possa abranger todo o painel com movimentos simples e suaves da cabeça, sem que tenha
que assumir posição forçada. Movimentos como a extensão cervical e flexão/inclinação
lateral devem ser eliminados.

Movimentos do tronco (coluna dorsal e lombar)

Todos os movimentos assimétricos devem ser eliminados. Observe se o tronco é solicitado


durante as operações de alcance (flexão quando os objetos manuseados encontram-se
distantes do operador e extensão de tronco quando os objetos estão dispostos acima da
altura dos ombros). Os movimentos e as posturas adotadas devem ser o mais simples
possível.

Movimentação dos Membros Superiores

Para uma melhor configuração dos postos de trabalho, deve-se incluir na observação da
tarefa o alcance dos braços, pois o mesmo é muito importante para que o trabalhador evite
constrangimentos ao flexionar ou torcer o tronco. Os objetos a serem manipulados devem
estar localizados o mais próximo possível do trabalhador, para que sejam evitados os
movimentos não produtivos que causam fadiga e perda de tempo, na execução da tarefa. As

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ferramentas e os demais objetos auxiliares utilizados devem estar localizados na área normal
de trabalho e na sequência normal de uso para evitar movimentos além de sua amplitude
normal. As estações de trabalho devem ser projetadas de forma que o trabalhador possa
utilizar a força gravitacional sempre que possível e distribuir as atividades para os dois
membros superiores, de forma simétrica.

Movimentação dos braços:

A localização dos controles e comandos deve ser projetada de forma a permitir que os
braços os alcancem, dentro de seu raio normal de ação, sem que o operador precise curvar
o dorso ou deslocar o corpo. Isto significaria maior fadiga e mais tempo na execução de uma
tarefa. Todos os movimentos acima da altura dos ombros devem ser modificados.

Movimentação dos antebraços:

Num setor de trabalho idealmente projetado, o operário não deveria precisar movimentar
mais que os antebraços, o que representaria um mínimo de movimentos, isto é, menos
fadiga e maior rendimento. Naturalmente, esta é uma situação desejável, nem sempre
possível de ser obtida.

Movimentação das mãos:

As mãos são partes do corpo mais solicitadas tanto no acionamento e controle de máquinas
e equipamentos como na utilização de ferramentas e instrumentos, os mais variados. Desta
forma, o projeto de comandos e controles, bem como o desenho das ferramentas e
instrumentos devem considerar as características e limitações dos movimentos das mãos, a
fim de que o operador possa usá-las de maneira natural, realizando movimentos simples.
Flexão do punho consiste na aproximação da face palmar da mão à face anterior do

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antebraço. Extensão é o retorno à posição anatômica e, na hipertensão, a superfície dorsal
da mão aproxima-se da face posterior do antebraço. .

Um desvio da mão em direção ao lado radial do antebraço é a flexão radial ou abdução. O


movimento na direção oposta é designado flexão ulnar ou adução. O movimento sequencial
da mão no punho nas quatro direções produz a circundação. Os punhos devem permanecer
sempre que possível em posição neutra, alinhado com o antebraço (sem desvios radial ou
ulnar) a fim de evitar compressões excessivas aos nervos e vaso sanguíneos que passam
pelo local.

Movimentos dos Membros Inferiores

Movimentação das pernas:

Considerando podermos exercer muito mais força com as pernas do que com os braços, ou
a necessidade de liberar as mãos para outras ações, muito comumente são projetados
comandos a serem acionados pelos pés. Assim, é conveniente conhecermos também as
limitações para uma movimentação natural das pernas. Considerando os limites de
movimentação das pernas, o espaço de ação dos pés deve ser projetado para que os
movimentos sejam realizados com delicadeza e a menor força possível.

Movimentação da pelve:

A pelve pode ser movida nos três planos. Os movimentos no plano sagital são chamados
inclinação anterior e posterior. O movimento no plano frontal é conhecido como inclinação
lateral para a direita ou para a esquerda, de acordo com o lado para o qual a pelve se
desloca. Pode ocorrer também rotação da pelve no plano transverso, como observado
durante a marcha ou a corrida.

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Movimentação do tornozelo:

O eixo de rotação no tornozelo é primariamente frontal, embora seja levemente oblíquo e a


sua orientação se altere conforme a rotação articular. Os movimentos da articulação do
tornozelo são principalmente de flexão/extensão, que são chamados flexão plantar e flexão
dorsal.

Dica 3: Observe a análise cinesiológica realizada com abastecedores de lixo reciclável em


uma cooperativa de lixo.

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U NIDADE 7
Instrumentos de investigação

Objetivo: Fornecer orientações sobre filmagem, fotografia e gravação em áudio.

À medida que a ergonomia se expande evoluem os recursos para a investigação da


atividade real de trabalho. Grande parte dos métodos utiliza a observação das atividades
laborais buscando identificar variáveis ergonômicas associadas às causas de prejuízo à
saúde do trabalhador.

Nesta unidade discutiremos como, quando e de que maneira você deve empregar recursos
eletrônicos para capturar som e imagens durante a Análise Ergonômica do Trabalho (AET).

O uso dos recursos

Em todas as etapas da AET você poderá utilizar recursos de diferentes mídias (áudio, vídeo,
fotografias, textos, animação). Estes recursos podem enriquecer a utilização de ferramentas
ergonômicas mais simples como os check lists (listas de verificação) e modelos
biomecânicos.

No âmbito da ergonomia, são os fisiologistas os primeiros a utilizar este método,


pretendendo explicitar em pormenor as posturas, gestos e movimentos do corpo humano, de
acordo com Cunha et al. (2006). As fotos ou imagens congeladas dos vídeos vêm sendo
utilizadas durante a AET para a análise biomecânica e cinesiológica da atividade estudada,
permitido avaliar os ângulos das articulações envolvidas na atividade estudada e comparar a
situação do trabalhador antes e depois da intervenção ergonômica. Há algumas décadas,
estudos laboratoriais já viam pesquisando a partir das imagens digitalizadas a superposição
de modelos biomecânicos sobre as mesmas, de forma a permitir o cálculo das sobrecargas
internas nas diferentes estruturas do aparelho locomotor.
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Atualmente, com a variedade de recursos disponíveis e com o avanço das tecnologias de
software, a AET passa a empregar rotineiramente tais métodos, não mais limitados a
situações laboratoriais que nada condizem com a realidade. Cunha et al. (2006) explicam
que com o passar dos anos as câmaras de filmar se tornaram mais leves e mais sensíveis,
permitindo a imagem em situações de reduzida iluminação ou mobilidade.

Além de permitir a análise biomecânica e cinesiológica, tais recursos assumem um papel


determinante na AET durante o emprego do método de autoconfrontação. Pois, segundo
Cunha et al. (2006) “é possível mostrar os elementos visíveis da atividade de trabalho, os
quais podem depois servir de suporte para compreender outros elementos de que ela se
reveste e que escapam à simples observação – como o significado das atividades impedidas
ou contrariadas”.

A imagem por si só não representa a realidade, por isso a ergonomia vale-se das entrevistas
em autoconfrontação. A esse respeito Cunha et al. (2006) afirmam que a imagem apenas
permite, no entanto, ler uma das dimensões da atividade: à semelhança de um iceberg, a
imagem apenas mostra a parte “emersa”, visível da atividade. Para descobrir os sentidos e
significados das estratégias postas em prática, é preciso aceder aos trabalhadores, que nos
explicitam os motivos e as opções que os guiam.

Ainda segundo os autores, “uma das aplicações mais frequentes da imagem consiste na sua
utilização para o desenvolvimento de entrevistas com os trabalhadores, favorecendo a
recolha das suas apreciações e comentários emitidos face às estratégias que desenvolvem
na atividade. As imagens contribuem para uma reflexão e um questionamento sobre os
modos operatórios desenvolvidos em determinadas condições de trabalho, considerando que
os saberes-fazeres dos trabalhadores nem sempre são conscientes, o que acaba por
dificultar a sua verbalização através de um simples questionamento direto” (p.25)

Cunha et al. (2006, p.25) relatam que “o confronto dos trabalhadores com as imagens do
próprio exercício da atividade permite ainda desencadear o debate sobre os acontecimentos
ou sequências que consideram mais significativas e contribui para atribuir um outro valor à
palavra: um valor demonstrativo (idem) da eventualidade de considerar outras opções em

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termos de organização do trabalho, propostas a partir da experiência concreta dos
trabalhadores. O filme pode então contribuir para o processo de transformação das situações
de trabalho ao desencadear a produção de conhecimentos fundamentais para a proposta de
novas soluções, de medidas preventivas, de modificações ao nível da organização do
trabalho. A partir da filmagem podem ser colocados em evidência os elementos concretos,
tangíveis, demonstrativos da atividade, que funcionarão como argumentos base, úteis para a
modificação das situações de trabalho”.

A utilização do vídeo é, portanto, um instrumento privilegiado para aprender a observar, para


desenvolver competências de leitura e interpretação das situações de trabalho, enfim, para
servir mais como suporte à observação do que como meio para “mostrar” a atividade, ao
permitir que o trabalhador consiga a distância necessária para adquirir outro ponto de vista
sobre a sua atividade (Cunha et al, 2006).

Etapas

Para as entrevistas de autoconfrontação você deve realizar:

1. A filmagem de sequências da atividade que constituirão o objeto de análise pelos


trabalhadores e que servirão de base aos comentários que irão tecer.

2. A filmagem da entrevista de autoconfrontação (assegurando a sincronização entre os


comentários e as imagens de referência às verbalizações).

Para a análise cinesiológica e biomecânica você deve (Simucad, 2003):

 Realizar uma tomada panorâmica de cada plano;

 Definir previamente os ângulos a serem filmados;

 Verificar luminosidade, trânsito de pessoas, possibilidades de caminhar com a câmera;

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 Realizar tomadas de no mínimo 10 minutos para trabalhos contínuos e filmar 4 a 6
ciclos se a tarefa é cíclica;

 Utilizar-se do zoom somente quando necessário (para análise mais fina da articulação)
mesmo assim, realizar a tomada das duas articulações próximas (exemplo se você
quer analisar os movimentos do cotovelo deve filmar também ombro e punho no
mesmo plano).

 Filmar em todos os planos, inclusive uma tomada da visão lateral direita e outra
tomada da visão lateral esquerda.

Para fotografar você deve:

 Fotografar a postura global do indivíduo, e também em ângulos menores, focando as


regiões específicas;

 Procurar realizar fotos espontâneas do trabalho da pessoa. Procurar evitar


simulações.

Autorização

Um erro frequente cometido pelos ergonomistas é realizar a filmagem sem o consentimento


do trabalhador. É essencial respeitar o direito de informação dos trabalhadores, o
consentimento voluntário, o direito à privacidade, confidencialidade das informações e,
principalmente, ponderar se a participação do trabalhador irá trazer problemas futuros para o
mesmo.

Em um ambiente fabril é sempre complicado falarmos em consentimento voluntário, pois o


trabalhador se vê coagido a participar da AET temendo perder seu emprego. Cabe, portanto,
ao ergonomista, reunir-se com todos os trabalhadores e explicar os motivos do estudo, os
potenciais riscos da pesquisa, a importância da participação livre, voluntária e consciente.

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Tudo deverá transcorrer sem qualquer tipo de coerção que impeça a livre decisão dos
trabalhadores, que devem possuir o benefício de se recusar a participar ou de revogar a sua
participação a qualquer momento. Infelizmente, o que vemos com maior frequência é o
ergonomista ou o comitê de ergonomia “convocar” o trabalhador.

A seguir, apresentaremos um resumo para facilitar suas primeiras análises cinesiológicas


nesta fase de aprendizado. Para cada plano de filmagem, você consegue observar
determinados movimentos de cada articulação.

Exemplo: Ao filmar o plano lateral direito de um trabalhador é possível analisar os


movimentos de flexão e de extensão o ombro direito, cotovelo direito e punho direito, além da
flexão ou extensão do pescoço e do tronco.

Plano lateral

Pescoço (imagem de tronco e de cabeça)

Flexão/extensão de pescoço

Tronco (imagem de tronco e quadril)

Inclinação frontal

Ombro, cotovelo e punho

Flexão/extensão

Mão

Desvio radial / ulnar (Dependendo da posição do antebraço)

Plano anterior/posterior

Antebraço

Pronação/supinação do antebraço

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Ombro (membro superior e tronco)

Abdução de ombro

Tronco (imagem de cabeça, tronco e quadril)

Inclinação lateral tronco

Pescoço (imagem de cabeça, tronco e quadril)

Inclinação lateral de pescoço

Plano superior

Ombro

Adução/Abdução horizontal de ombro

Pescoço

Rotação de pescoço

Tronco

Rotação de tronco

Punho

Flexão/Extensão de punho *(Antebraço em pronação).

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Atividade Optativa 1: Não existem artigos brasileiros que abordem o uso de recursos
multimídia e as entrevistas em autoconfrontação. O artigo mais amplo sobre o assunto foi
desenvolvidos por pesquisadores portugueses. Disponível no endereço:

http://repositorio.up.pt/jspui/bitstream/10216/5462/2/Instrumentos%20de%20investiga%C3%
A7%C3%A3o%20luz%20c%C3%A2mara%20ac%C3%A7%C3%A3o%20orienta%C3%A7%C
3%B5es%20para%20a%20filmagem%20da%20actividade%20real%20de%20trabalho.pdf

Apesar de o artigo ser escrito em português de Portugal, o que dificulta em parte a


compreensão, é importante a leitura completa do texto escrito por Cunha et al. (2006).

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U NIDADE 8
A crítica aos check lists

Objetivo: Analisar criticamente a eficácia e os limites do check lists.

Nas próximas unidades você aprenderá como utilizar uma série de check lists e protocolos
de avaliação. Antes de aprender cada tipo de ferramenta existente é importante discutirmos a
ineficácia e os limites existentes de basearmos a ação ergonômica apenas neste tipo de
ferramenta.

Os check lists e demais ferramentas “prontas” devem ser utilizadas pelo ergonomista ou
pelos membros do comitê ergonômico apenas como parte de uma análise mais ampla.

De acordo com Menegon et al (2002, p.5), “os check lists correspondem a uma primeira
aproximação para o encaminhamento posterior de avaliações posteriores mais detalhadas”.
Os autores relatam que os “protocolos de avaliação também são bastante difundidos.
Normalmente são direcionados para seguimentos corporais específicos.

O OWAS aplica-se para avaliações posturais gerais, o RULA para avaliações dos membros
superiores e o aplica-se aos membros superiores e o MOORE & GARG é centrado nos
segmento mão e punho. Via de regra, os protocolos que se propõem quantificar riscos,
apresentam escalas de medida, visando estabelecer o grau de risco da situação avaliada.
Questionam se os protocolos e check lists podem ajudar a estabelecer a resposta para a
questão acerca da probabilidade da sua ocorrência e sua severidade.

Segundo eles, a resposta é não, pois “quanto mais refinado é um protocolo, mais específico
ele se torna, isolando uma variável e detalhando a sua análise, pouco ou nada nos dizendo
sobre o global da situação. A dificuldade fundamental é que por mais detalhado que seja o
instrumento de avaliação de risco, a situação é uma só e os condicionantes não atuam de
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forma independente. No caso das DORT em específico, a multicausalidade e a
interdependência dos fatores indica que o determinante está na situação e não num fator
específico”.

Portanto, tais ferramentas apenas auxiliam as etapas da Análise Ergonômica do Trabalho,


contribuindo com a análise realizada e levantando pontos para serem mais bem
investigados. Porém, devido a sua facilidade de uso, frequentemente os ergonomistas
utilizam somente os check lists e empregam intervenções ergonômicas baseadas nas
pontuações destas ferramentas. O que a primeira vista traduz facilidade de emprego e rápida
solução pode resultar no “mascaramento” do real problema, na manutenção das condições
penosas aos trabalhadores e, principalmente, em condições ainda mais nocivas aos
trabalhadores e disfunções de eficácia da produção e da qualidade do produto oferecido.

Iremos trabalhar com fragmentos do texto “Os riscos da normatização em ergonomia: estudo
de uma avaliação baseada estritamente em “check lists”. Escrito por Bouyer (2003), o texto
discute os riscos de normatização em ergonomia. O autor verificou, no caso estudado, que
essas avaliações não correspondem à realidade concreta do trabalho realizado, gerando
contradições materializadas em laudos equivocados que põem em risco a saúde de quem
trabalha.

Fragmento do Texto

A caracterização de uma tarefa como “segura” ou “insegura” não é algo inerente apenas aos
aspectos biomecânicos do posto tomado isoladamente das questões postas pela
organização real do trabalho. Não se pode dizer que uma tarefa é “segura” ou que “não
oferece riscos ergonômicos” sem que se considerem as relações que se estabelecem para
além daquelas existentes entre o posto e o corpo do trabalhador; sem que se considere o
contexto; sem que se considere a complexidade das situações em que o trabalho real se
desenvolve; sem que se considere a subjetividade dos próprios trabalhadores e a forma
como eles experienciam as tarefas; sem que se considerem as exigências a que estão
submetidos; sem que se considere a temporalidade da atividade, o grau de autonomia (ou

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mesmo a inexistência dela), os controles exercidos sobre a força de trabalho, as avaliações
de desempenho e de produtividade e seus efeitos sobre os modos operatórios e regulações;
sem que se considere o fino tecido da intersubjetividade; sem que se considere os reflexos
que surgem na vida extra-trabalho em decorrência da patogenia implícita na própria
organização do trabalho, negligenciada pelas avaliações superficialistas; sem que se
considere o caráter mediado da atividade; sem que se considerem os seres humanos que
trabalham em sua totalidade biopsíquica complexa; sem que se considere a dimensão
psicossocial que permeia o trabalho realizado na fábrica.

A ironia da “normatização ergonômica”

A gerência da fábrica de espumas orgulha-se em apresentar, aos visitantes em geral, os


prêmios conquistados ao longo de sua história. Desde os primeiros contatos com a empresa,
o desejo de se fazer crer ser esta um modelo no tocante às preocupações com a saúde dos
trabalhadores saltava aos olhos. Quer fosse assistindo o coletivo de trabalho aglomerado
num imenso pátio reproduzindo mecanicamente gestos de uma dita “ginástica salutar de
aquecimento para as tarefas” ou ouvindo as conhecidíssimas histórias contadas por técnicos
de segurança sobre o valor dado aos equipamentos de proteção individual, ao cumprimento
das normas de segurança, etc., reinava, à primeira vista, uma atmosfera de trabalho limpo e
seguro. Apenas à primeira vista...

Não é nenhuma novidade que a contradição entre capital e trabalho inserida na produção de
empresas como essa acabe se materializando nos corpos e mentes daqueles que integram a
sua “mão-de-obra”, na forma de problemas de saúde que vão desde reflexos negativos que
se estendem para a vida extra-trabalho (LE GUILLANT, L. & BÈGOIN, J., 1987; DEJOURS,
1987) até as LER, lesões por esforços repetitivos (LIMA, 1998).

Por trás da aparência, adentrando a essência da produção, a “salutar ginástica” mostra-se,


na realidade, como mais um artifício que mascara a essência do problema localizada na
patogenia da organização real do trabalho. Por detrás dos ambientes limpos e organizados
nos moldes de cartilhas de 5S e TQC ostentadas com orgulho, verifica-se a degeneração da

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força de trabalho submetida ao rigor excessivo dos mecanismos tradicionais de controle
minucioso do trabalho e impedida de exercer qualquer autonomia, mesmo no tocante ao
rearranjo dos modos operatórios ou ao “uso de si mesmo” (SCHWARTZ, 1998) no trabalho.

Aos visitantes, é apresentado um calhamaço, com inúmeras páginas, repleto de tabelas,


“check lists” para avaliação de risco ergonômico dos postos de trabalho, regras de posturas e
movimentos biomecânicos, etc.; a maioria deles copiados de Couto (1996 2002). Foram
essas listas genéricas que serviram para a elaboração das ditas “normas ergonômicas” da
empresa.

Não se trata, aqui, de contestar a avaliação de aspectos biomecânicos do posto de trabalho,


mas sim o modelo de investigação que se volta exclusivamente para esses, ignorando todos
os demais aspectos da atividade concreta dos trabalhadores. Apenas o corpo humano é
tomado, de forma isolada, para realização de observações segundo itens objetivos listados
nas receitas copiadas indiscriminadamente de manuais de funcionamento da “máquina
humana”. A organização real do trabalho e a complexidade das situações de trabalho são
absolutamente negligenciadas com vistas a agilizar a criação de normas e padrões
prescritivos “ergonômicos”.

Ora, mas estamos, então, diante de uma grave ironia gerada pelo desconhecimento, por
parte do “comitê ergonômico” da empresa, dos fundamentos teóricos, epistemológicos e
práticos da real Ciência do Trabalho. A Ergonomia (pasmem...) não é normativa (LIMA,
2000). Quando utilizados para definição de normas de comportamento, os resultados dessas
“avaliações” estão sendo empregados de forma incorreta, quando poderiam ser utilizados
para iniciar um diagnóstico ou questionar um problema que deva ser melhor explicado.

As prescrições de posturas corretas ditadas pelas normas são insuficientes porque as


particularidades das situações em que elas visam ser aplicadas é que efetivamente
determinam suas condições de possibilidade. Logo, manter a postura correta depende, antes
de tudo, de uma série de condições da situação de trabalho que, na maioria das vezes, não
estão disponíveis ao trabalhador.

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Os exemplos de recomendações normativas do tipo “utilizar a postura correta
para...”encontrados no meio estudado são vários. Carregar grandes baldes, cheios de
substâncias químicas, para despejá-las em um tanque, cuja borda superior situa-se a uma
altura que exige que os braços ultrapassem o nível dos ombros, é uma tarefa feita por um
único trabalhador. Logo, não há alguém disponível para ajudar a dividir o peso e facilitar a
provável manutenção de uma “postura correta”. Além disso, alguns baldes não possuem
alças; são objetos cujo próprio formato dificulta uma definição da forma correta de se pegar,
de se virar no tanque, de se manipular quando cheio de um líquido nocivo e com risco de
derramamento por qualquer oscilação. Some-se a isso o fato de que essas manobras devem
ser feitas sob uma exigência de tempo rigorosamente acompanhada segundo os mesmos
princípios de tempos e movimentos já tão conhecidos desde Taylor, com vistas a manter a
produtividade exigida. Os trabalhadores estudados têm pressa em virar vários baldes por
conta das cobranças a que estão submetidos.

A manutenção de uma “postura correta”, ao contrário do que pensam os responsáveis pela


criação dessa “norma postural para manuseio de baldes”, é um tanto quanto difícil de ser
mantida durante uma jornada inteira de trabalho executada sob um ritmo imposto. Em uma
situação fictícia e idealizada, um médico ou um fisioterapeuta, baseados em seus
conhecimentos de fisiologia, anatomia, etc., podem elaborar suas representações mentais
sobre a “postura correta” para o levantamento de um balde e o despejo do seu conteúdo
dentro do respectivo tanque. Isso é feito como numa cena cinematográfica em câmera lenta,
sendo que esta última é fruto do trabalho de um diretor de cinema que, assim como o médico
ou fisioterapeuta, elabora representações sobre cada gesto, cada movimento.

Quanto aos gestos, pode o diretor de cinema estudá-los, analisá-los sob diferentes ângulos,
escolher as melhores posições e movimentos dos membros do ator, etc. O resultado é visível
na tela, em que as imagens trazem, de forma objetiva, aquilo que era pertencente apenas ao
campo das idealizações do diretor. Tanto o médico e o fisioterapeuta quanto o diretor de
cinema possuem algo em comum: podem idealizar os melhores movimentos, as melhores
posturas, as formas que julgam mais adequadas para o alcance dos objetivos a que se
propõem. Entretanto, ambos lidam com situações fictícias e fantasiosas, muito diferentes da

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dinâmica e da complexidade das situações reais de trabalho, pautadas por exigências
severas de ritmo e que, muito diferente daquilo que idealizam os médicos, fisioterapeutas e
diretores de cinema, ocorrem sob o açoite do controle excessivo do capital sobre o trabalho.

O risco de criar normas que não garantem a saúde dos trabalhadores (conforme verificamos
no presente estudo) está, justamente, em tomar apenas esses aspectos biomecânicos,
idealistas, de forma isolada. Ou seja, uma avaliação que considera apenas o corpo humano
como uma máquina funcionando fora de qualquer contexto e de seu conjunto de regulações.
O corpo adquire uma conotação quixotesca, como se existindo em um mundo à parte, em
que os gestos surgem como peças de um saber que se completa a si próprio, livre de
mediações do mundo real. Descarta-se, assim, o caráter mediado da atividade, seus
aspectos sociais e toda a complexidade biopsíquica e psicossocial inerente ao ser humano
que trabalha, o qual não pode ser reduzido a “um corpo que realiza movimentos mecânicos”.

Com base nas “análises” tiradas de manuais prescritivos repletos de “check lists”, reificações
essas que não podem adentrar no real do trabalho (DEJOURS, 1997), o comitê de
ergonomia e a gerência da empresa criaram as chamadas “normas ergonômicas”, que
padronizaram posturas, gestos, ritmos, intervalos e até mesmo o biótipo de trabalhador
adequado para cada posto de trabalho. Ao final desta “enciclopédia ergonômica”, surgem os
levantamentos ergonômicos que, em muitos dos casos estudados, acabam por concluir que
“a tarefa é segura, não oferecendo riscos biomecânicos significativos”.

Como se pode explicar a contradição existente entre o que atestam os “levantamentos


ergonômicos” da empresa e aquilo que, na realidade, ocorre na atividade? Quanto a isso,
como breve demonstração, tomemos a fala de um operário que exerce a tarefa denominada
colocação de arames, uma das muitas classificadas por um dos “levantamentos
ergonômicos” como sendo “segura e sem riscos biomecânicos”:

“Quando saio daqui, meu cotovelo direito parece que fica dando choque mesmo estando sem
fazer nada. Tem dias que, antes de dormir, ponho bolsa de água quente para aliviar. O
problema não é só o cotovelo, mas parece que sobe até no ombro. [...] O meu ombro e
pescoço fica duro, parece que alguma coisa lá dentro está repuxando, rígida mesmo. Eu

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deixo a água do chuveiro cair bem quente, mas até no outro dia de manhã, quando eu
acordo pra ir pra fábrica, ainda está meio duro” (Operário).

Para refletir 2: A ergonomia não é normativa!

Para a Análise Ergonômica do Trabalho, o emprego de um check list ou qualquer outra


ferramenta ergonômica deverá ser utilizado para iniciar um diagnóstico ou questionar um
problema que deva ser mais bem explicado. É apenas o primeiro contato com a situação, um
olhar externo, fragmentado, que não representa a realidade!

Portanto, não caia na tentação! Isso mesmo! Não busque soluções rápidas, de mercado e já
prontas! Nenhuma situação é semelhante a outra. Para entender a realidade é preciso
compreender a atividade de trabalho e entender as diferentes racionalidades envolvidas.

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Estudo Complementar 2:

Leia a versão completa do texto “Os riscos da normatização em ergonomia: estudo de uma
avaliação baseada estritamente em “check lists” encontra-se disponível em:

http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2003_TR0408_0721.pdf

Os conhecimentos adquiridos com a leitura irão auxiliá-lo no desenvolvimento das próximas


atividades propostas.

Boa leitura!

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Fórum 2: Por trás da aparência, adentrando a essência da produção, a “salutar ginástica”
mostra-se, na realidade, como mais um artifício que mascara a essência do problema
localizada na patogenia da organização real do trabalho.

As abordagens tradicionais (Human Factors), baseadas apenas em conceitos fisiológicos,


biomecânicos e em métodos experimentais do comportamento humano – agem geralmente
no Estado Interno, implantando soluções que atuam sobre o sujeito, como, por exemplo,
cintos abdominais, splints, luvas, orientações posturais e ginástica laboral.

Por exemplo, no youtube, você pode ver um vídeo de um profissional de saúde realizando
ginástica laboral com os trabalhadores da cana-de-açúcar e as “maravilhas” obtidas segundo
a reportagem. Vídeo 01 ( Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=GCjQE8xs_Ak).

Com certeza, a ginástica laboral tem sua contribuição quando aplicada a trabalhadores
sedentários, de escritório, ou quando utilizada para “aquecer” o corpo do trabalhador antes
do início da jornada de trabalho evitando o risco de lesões agudas. Entretanto, vivemos hoje
“a moda da ginástica laboral”.

Questões para debate:

1. Por que apesar de atuar sobre o sujeito, a ginástica laboral se expande como o rótulo de
solução preventiva para as LER/DORT?

2. Qual a mensagem que as empresas passam para a sociedade e para os seus


trabalhadores ao empregar a ginástica laboral?

3. Por que os trabalhadores são em muitos casos obrigados a realizar a ginástica laboral?

4. Se você trabalha numa empresa que emprega a ginástica laboral discuta qual é o
discurso empresarial e qual é a realidade?

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U NIDADE 9
Check lists para trabalho sobre bancadas

Objetivo: Conhecer um check list para avaliação geral das condições ergonômicas e um
check list para condições biomecânicas.

Nesta unidade apresentaremos dois checK lists desenvolvidos por Couto (1995).

Do ponto de vista da ergonomia francesa (abordagem empregada neste curso) os check lists
são sempre insuficientes porque não contemplam as determinações sociais, desconsideram
a ação individual e coletiva dos trabalhadores, não apreendem os complexos mecanismos de
evitação de riscos, desconsideram a opinião dos trabalhadores e demais racionalidades
envolvidas e não permitem a associação de fatores.

O próprio autor que propõe o uso destas ferramentas explica que estes check lists são uma
classificação grosseira, podendo apenas auxiliar para uma análise rápida da condição geral
de um posto de trabalho. Ou seja, mesmo os Ergonomistas de origem americana admitem a
fragilidade de tal abordagem quando aplicada isoladamente.

Você deve estar se perguntando então por que você deve aprender a utilizar tais
ferramentas? Primeiro, elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo discutido nos módulos
“Introdução à ergonomia”, “Biomecânica Ocupacional” e “Aspectos Sociais, Saúde e
Produtividade”.

Segundo, a partir da aplicação dos check lists você terá um primeiro contato com o campo.
E, por último, o mais importante, elas fazem parte do aprendizado da Ergonomia, mesmo que
não sejam eficazes quando aplicadas, a prática irá ajudá-lo a fixar conceitos e orientará o
seu “olhar” para uma nova forma de analisar o trabalho: sob o ponto de vista da ergonomia.

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Check list para Avaliação Geral

Check list para avaliação grosseira da condição ergonômica de um posto de trabalho.

Observe a situação de trabalho realizada em bancadas ou junto de máquinas e procure


responder a dez perguntas propostas por Couto (1995, p. 160).

1 – O corpo (tronco e cabeça) está na vertical?

Não (0) Sim (1)

2 – Os braços trabalham na vertical ou próximo da vertical?

Não (0) Sim (1)

3 – Existe alguma forma de esforço estático?

Não (1) Sim (0)

4 – Existem posições forçadas do membro superior?

Não (1) Sim (0)

5 – As mãos têm que fazer muita força?

Não (1) Sim (0)

6 – Há repetitividade frequente de algum tipo específico de movimento?

Não (1) Sim (0)

7 – Os pés estão apoiados?

Não (0) Sim (1)

8 – Tem-se que fazer esforços musculares fortes com a coluna ou outra parte do corpo?

Não (1) Sim (0)

9 – Há possibilidade de flexibilidade postural no trabalho?

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Não (0) Sim (1)

10 – A pessoa tem a possibilidade de uma pequena pausa entre um ciclo e outro ou há um


período definido de descaso após certo número de horas de trabalho?

Não (0) Sim (1)

Em seguida, some a pontuação final e classifique a situação de acordo com os seguintes


critérios:

Critério de interpretação

10 pontos – condição ergonômica em geral excelente

7 a 9 pontos – boa condição ergonômica

5 a 6 pontos – condição ergonômica razoável

3 ou 4 pontos – condição ergonômica ruim

0 ou 2 pontos – péssima condição ergonômica

Check List para Condições Biomecânicas

O próximo check list também é proposto por Couto (1995, p.161) para avaliação simplificada
das condições biomecânicas do posto de trabalho.

Siga as mesmas etapas do chek list anterior. Primeiro, responda a quatorze perguntas, em
seguida some a pontuação e, por último, classifique segundo os critérios.

1. A bancada de trabalho/máquina está localizada em altura correta (trabalho pesado: em


nível do púbis; trabalho moderado: na altura do cotovelo; trabalho leve: a 30 cm dos olhos)?

Não (0) Sim (1)

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2. A bancada ou máquina tem regulagem de altura de forma a possibilitar ao trabalhador
adequar a altura do posto de trabalho à sua?

Não (0) Sim (1)

3. Tem-se que sustentar pesos com os membros superiores para evitar seu deslocamento
seja na vertical seja na horizontal?

Sim (0) Não (1)

4. Tem-se que apertar pedais estando de pé, em frequência maior que 3 vezes por minuto?

Sim (0) Não (1)

5. O trabalho exige a elevação dos braços acima do nível dos ombros?

Sim (0) Não (1)

6. O trabalho exige ficar parado na posição de pé durante grande parte do tempo (mais que
60%)?

Sim (0) Não (1)

7. No caso de se trabalhar sentado, há espaço suficiente para as pernas?

Não (0) Sim (1)

8. A cadeira tem inclinação correta, compatível com o trabalho executado?

Não (0) Sim (1)

9. O corpo trabalha no eixo vertical natural, ou em ângulo de 100 graus entre as coxas e o
tronco (no caso de trabalho sentado?)

Não (0) Sim (1)

10. Os membros superiores têm que sustentar pesos?

Sim (0) Não (1)

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11. Fica-se de pé, parado, durante a maior parte da jornada?

Sim (0) Não (1)

12. Estando sentado, fica-se em posição estática?

Sim (0) Não (1) Não se aplica (1)

13. Existem pequenas contrações estáticas, porém por muito tempo (por exemplo, pescoço
excessivamente estendido, braços suspensos, sustentação dos antebraços pelos braços,
falta de apoio para os antebraços?)

Sim (0) Não (1)

14. Os objetos e materiais de uso frequente estão dentro da área de alcance?

Não (0) Sim (1)

Critério de Interpretação

13 ou 14 pontos – condição biomecânica excelente

10 a 12 pontos – boa condição biomecânica

7 a 9 pontos – condição biomecânica razoável

4 a 7 pontos – condição biomecânica ruim

Menos de 4 pontos – condição biomecânica péssima

Observação:

Se você encontrar inicialmente dificuldades para avaliar a carga estática, procure lembrar as
principais situações de esforços estáticos mais comuns no trabalho. De acordo com o próprio
autor que criou estes check lists (Couto 1995), são exemplos de posturas estáticas:

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 Trabalhar com o corpo fora do eixo vertical natural;

 Sustentar cargas pesadas com os membros superiores;

 Trabalhar rotineiramente equilibrando o corpo sobre um dos pés, enquanto o outro


aperta um pedal;

 Trabalhar com os braços acima do nível dos ombros;

 Trabalhar com os braços abduzidos de forma sustentada (posição de “asas abertas”);

 Realizar esforços de manusear, levantar ou transportar cargas pesadas;

 Manter esforços estáticos de pequena intensidade, porém durante um grande período


de tempo como, por exemplo, trabalhar com terminal de vídeo de computador muito
elevado leva a esforço estático e fadiga dos músculos do trapézio;

 Trabalhar sentado, porém sem utilizar o apoio para o dorso, sustentando o tronco
através de esforço estático dos músculos das costas;

 Trabalhar sem apoio para os antebraços, e tendo que sustentá-los pela ação dos
músculos dos braços;

 Trabalhar de pé, parado.

Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE
AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES.

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Atividade optativa 2:

Leia os check lists e procure entender cada pergunta. Caso tenha alguma dúvida sobre
determinados conceitos você encontrará explicações detalhadas no módulo “Biomecânica
Ocupacional”, além disso você pode e deve tirar todas as suas dúvidas com o Tutor antes de
ir a campo.

É importante este primeiro contato com uma situação de trabalho, pois além de recordar os
conceitos apreendidos nos módulos anteriores você poderá vivenciar na prática a realidade
de um ambiente de trabalho. Procure observar uma situação de trabalho em bancadas e
responda as perguntas propostas pelos dois check lists e aponte o resultado final.

Não se esqueça de explicar à pessoa que será observada que se trata de trabalho
acadêmico. É fundamental que a participação do trabalhador seja livre, voluntária e
consciente. Lembre-se de que não pode existir qualquer tipo de coação e que o trabalhador
pode revogar sua participação a qualquer momento.

Em seguida, deixe de lado os check list realizados e tente observar novamente a situação de
trabalho. Anote com suas próprias palavras o que você observa. Durante esta atividade não
mantenha contato com o observado, pois se trata de um exercício inicial, um primeiro
contato. Todo o trabalho deve ser feito a partir das interpretações e observações. Evite,
durante a observação, fazer comentários ou sugestões ao observado.

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U NIDADE 10
Check lists para distúrbios músculo-esqueléticos

Objetivo: Aplicar um check list para avaliação do risco de lesão dos membros superiores.

Nesta unidade apresentaremos um check list para avaliação simplificada do risco de


tenossinovite e lesões por traumas cumulativos dos membros superiores. Este check list é
proposto por Couto (1996, páginas 40-44), segundo a corrente americana de ergonomia.

O autor sugere a filmagem em vídeo dos diversos ciclos para que a análise seja realizada a
partir da filmagem. Recursos como “pause” e “stop” podem ajudá-lo a avaliar os fatores,
principalmente quando você ainda não domina as posturas e conceitos utilizados.

Avaliação simplificada do risco de Tenossinovite e lesões por Traumas Cumulativos


(LTC) dos membros superiores

Sobrecarga física

1 – O trabalho pode ser feito sem que haja contato da mão ou do punho ou dos tecidos
moles com alguma quina viva de objeto ou ferramenta?

Não (0) Sim (1)

2 – O trabalho exige o uso de ferramentas vibratórias?

Sim (0) Não (1)

3 – A temperatura efetiva do ambiente de trabalho está entre 20 e 23 graus centígrados?

Não (0) Sim (1)

4 – A tarefa pode ser feita sem a necessidade do uso de luvas?

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Não (0) Sim (1)

5 – Entre um ciclo e outro existe a possibilidade de um pequeno descanso? Ou há pausa


bem definida de cerca de 5 a 10 minutos por hora?

Não (0) Sim (1)

Força com as mãos

1 – Aparentemente as mãos fazem pouca força?

Não (0) Sim (1)

2 – A posição e pinça (pulpar, palmar ou lateral) é utilizada para fazer força?

Sim (0) Não (1)

3 – Quando usado para apertar botões, teclas ou componentes, para montar ou inserir, ou
para exercer compressão digital, a força de compressão exercida pelos dedos ou pela mão é
pequena?

Não (0) Sim (1) Não se aplica (1)

Postura

1 – O trabalho pode ser feito sem flexão ou extensão do punho?

Não (0) Sim (1)

2 – As ferramentas de trabalho ou manoplas da máquina levam à flexão ou extensão do


punho?

Sim (0) Não (1) Não se aplica (1)

3 – O trabalho pode ser feito sem desvio lateral do punho?

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Não (0) Sim (1)

4 – As ferramentas de trabalho ou manoplas da máquina causam desvio lateral do punho?

Sim (0) Não (1) Não se aplica (1)

5 – O trabalhador tem flexibilidade na sua postura durante a jornada?

Não (0) Sim (1)

6 – A tarefa pode ser exercida sem a elevação dos braços ou abdução dos ombros?

Não (0) Sim (1)

7 – Existem outras posturas forçadas do membro superior?

Sim (0) Não (1)

Posto de trabalho

1 – O posto de trabalho permite regulagem na inclinação e na posição os objetos nele


colocados?

Não (0) Sim (1) Desnecessária a regulagem de inclinação e posição dos objetos (1)

2 – A altura do posto de trabalho é regulável?

Não (0) Sim (1)

3 – É possível haver flexibilidade no posicionamento das ferramentas, dispositivos ou


componentes?

Não (0) Sim (1) Não há ferramentas, dispositivos, componentes (1)

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Repetitividade

1 – O ciclo de trabalho é maior que 30 segundos?

Não (0) Sim (1)

2 – No caso de ciclo maior que 30 segundos, há diferentes padrões de movimentos (de


forma que nenhum elemento da tarefa ocupe mais que 50% do ciclo?)

Não (0) Sim (1) Ciclo<30s (0) Não há ciclos (1)

3 – Há rodízios (revezamento) nas tarefas?

Não (0) Sim (1)

Ferramenta de Trabalho (quando usada com certa frequência)

1 – Para esforços em prensão: o diâmetro da ferramenta tem entre 20 e 25 mm (mulheres)


ou entre 25 e 35 mm (homens)?

Para esforços em pinça: o cabo não é muito fino nem muito grosso, e permite boa
estabilidade da pega?

Não (0) Sim (1) Não se aplica (1)

2 – A manopla da ferramenta é feita de outro material que não seja metal?

Não (0) Sim (1) Não se aplica (0)

3 – A ferramenta pesa menos que 1 Kg?

Não (0) Sim (1) Não se aplica (1)

4 – No caso da ferramenta pesar mais que 1 Kg, a mesma encontra-se suspensa ou por
balancim?

Não (0) Sim (1) Não se aplica (1)

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Critério de interpretação

Acima de 22 pontos – baixíssimo risco de tenossinovites e LTC

19 a 22 pontos – baixo risco de tenossinovites e LTC

15 a 18 pontos – risco moderado de tenossinovites e LTC

11 a 14 pontos – alto risco de tenossinovites e LTC

Abaixo de 11 pontos – altíssimo risco de tenossinovites e LTC

Dica 4: Observe atentamente a pontuação, pois em alguns casos a resposta negativa será
pontuada.

Para refletir 3: Após a leitura do check list reflita de acordo com o conteúdo discutido nos
módulos anteriores quais fatores desencadeadores de tenossinovite e LTC são ignorados
pelo check list acima?

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Atividade Dissertativa 1

Aplique o check list em uma atividade que requeira trabalho manual ou de precisão. Em
seguida, observe a situação escolhida. Baseado nas suas observações elabore algumas
perguntas ao trabalhador sobre cada um dos grandes itens abordados (sobrecarga física,
força com as mãos, postura, posto de trabalho, repetitividade e ferramentas de trabalho).

As perguntas abaixo são apenas ilustrativas. Você deve elaborar suas próprias perguntas de
acordo com a realidade observada.

Exemplos:

Pergunte ao operador:

Sobrecarga física

a) A máquina vibra ao executar a tarefa?

b) Qual a sensação térmica do ambiente? Faz muito calor? Sua muito?

c) Uso de luvas é obrigatório? A luva dificulta o trabalho?

d) As pausas ocorrem de quanto em quanto tempo?

e) ____________________________________

Força com as mãos

a) Para fazer a regulagem da máquina faze-se muito esforço?

b) ____________________________________

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Postura

a) _____________________________________

b) _____________________________________

Posto de Trabalho

a) _____________________________________

b) _____________________________________

Repetitividade

a) _____________________________________

b) _____________________________________

Ferramentas de trabalho

a) _____________________________________

b) _____________________________________

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U NIDADE 11
EWA – Ergonomic Workplace Analysis

Objetivos: Aplicar o Ergonomic Working Analysis e fixar os conteúdos e conceitos da


ergonomia.

Nesta unidade e nas próximas, você conhecerá e aplicará uma série de ferramentas e check
lists que podem auxiliá-lo a entender a tarefa. Portanto, você pode utilizá-los nas primeiras
etapas da Análise Ergonômica do Trabalho (AET), especificamente na etapa de Análise da
Tarefa.

Segundo Sato e Coury (2005, p.356), “há muitas ferramentas disponíveis para a avaliação do
risco no trabalho, algumas se concentram na avaliação das posturas e outras incluem
manuseio de cargas e fatores ambientais. No entanto, a maioria delas não inclui alguns
fatores de risco importantes como: pressão sobre estruturas corporais, aceleração, vibração
e temperatura. Ainda, muitos métodos fazem a descrição da postura de segmentos corporais
restritos ou de forma muito genérica”.

Nesta unidade apresentaremos o Ergonomic Workplace Analysis (EWA) desenvolvido pelo


Finnish Institute of Occupational Health em 1989. O EWA é exemplo de um método
multifatorial de análise da situação de trabalho que pode também ser utilizado para avaliar a
eficácia das modificações realizadas ao final da AET.

O ambiente de trabalho é analisado segundo 14 itens escolhidos devido a sua importância


para se projetar uma situação de trabalho baseada em critérios de segurança, saúde e
produtividade.

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1. Espaço de trabalho

Área horizontal, alturas de trabalho, distância visual, espaço para as pernas, assento,
ferramentas manuais e outros equipamentos.

2. Atividade física geral

Duração do trabalho, pelos métodos e equipamentos que requerem esforço físico.

3. Levantamento de cargas

Peso da carga, a distância horizontal entre a carga e o corpo e a altura da elevação.

4. Postura no trabalho e movimentos

Posições do pescoço, braços, costas, quadris e pernas durante o trabalho.

5. Risco de acidente

Qualquer possibilidade de lesão aguda ou intoxicação causada pela exposição ao trabalho


durante uma jornada.

6. Conteúdo de trabalho

Número e qualidade das tarefas individuais inclusas nas atividades do trabalho.

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7. Restrições no trabalho

Condições de execução que limitam os movimentos do trabalhador e a liberdade de escolher


quando e como fazer o trabalho.

8. Comunicação entre os trabalhadores e contatos pessoais

Oportunidades que os trabalhadores têm de comunicação sobre o trabalho com seus


superiores ou colegas.

9. Tomada de decisões

É influenciada pelo grau de disponibilidade de informação e do risco envolvido na decisão.

10. Repetitividade

É determinada pela duração média de um ciclo repetitivo de trabalho repetitivo, sendo


medida do começo ao fim deste ciclo.

11. Atenção

Todo o cuidado e observação que um trabalhador deve dar para seu trabalho, instrumentos,
máquinas, visores e processos.

12. Iluminação

As condições de iluminação de um local de trabalho são avaliadas de acordo com o tipo de


trabalho.

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13. Ambiente térmico

A carga de calor e os riscos causados pelas condições térmicas dependem do efeito


combinado de fatores ambientais, tais como: temperatura do ar, umidade do ar, velocidade
do ar, radiação térmica; do tipo de atividade, carga de trabalho e do tipo de vestimenta
usado.

14. Ruído

A classificação do ruído é obtida em função do tipo de trabalho executado. Existe um


potencial de risco de dano à audição, quando o ruído for maior que 80 dB(A).

O EWA questiona os colaboradores sobre as suas opiniões quanto a cada um destes itens.
O questionário apresenta duas notas: uma atribuída pelo ergonomista e outra pelos
trabalhadores.

Áreas de risco são identificadas a partir da combinação do julgamento de cada item pelo
ergonomista e pelos trabalhadores. Os critérios de julgamento do trabalhador são:

bom (++), regular (+), ruim (-), muito ruim (--)

A única forma de aprender a utilizar o EWA é na prática!

Teste várias vezes a ferramenta! Aplique em situações de trabalho diferentes!

Comece agora!

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Atividade Dissertativa 2

Leia cuidadosamente a versão do EWA traduzida pelo grupo Simucad. Disponível em:
http://www.simucad.dep.ufscar.br/110345_Ergonomia_graduacao_1_2008/ewa.pdf

Procure entender cada item. A versão traduzida é autoexplicativa, trazendo instruções


detalhadas de uso. Caso tenha alguma dúvida, recorra novamente a partes do conteúdo do
módulo “Biomecânica Ocupacional”.

Imprima o EWA e leia novamente procurando fixar os novos conceitos. Em seguida, defina e
delimite a tarefa a ser pesquisada. Vencida esta etapa, vá a campo! Só assim você
conseguirá ampliar o seu olhar.

Caso você não esteja diretamente ligado a uma ambiente fabril encontrará dificuldades para
avaliar os itens 12, 13 e 14 que requerem respectivamente aferições de iluminamento,
temperatura e ruído. Mesmo sem os equipamentos adequados, tente responder os itens e
não deixe de perguntar ao trabalhador o seu julgamento.

Nesta fase, o mais importante é o seu aprendizado. Portanto, encare esta atividade como um
treinamento. Após aplicar o EWA disserte sobre as seguintes questões:

1) Quais foram as suas dificuldades para aplicar a ferramenta?

2) Quais itens não se aplicaram corretamente para a tarefa analisada?

3) Quais resultados ou itens apresentaram maiores dessemelhanças entre o seu


julgamento e do trabalhador? A que você atribui tal diferença?

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U NIDADE 12
RULA – Rappid Upper Limb Assesment

Objetivos: Analisar as variáveis do RULA e a aplicabilidade desta ferramenta.

Nesta unidade apresentaremos o RULA (Rapid Upper Limb Assessment), desenvolvido na


University of Nottingham’s Institute for Occupational Ergonomics.

O RULA é um método de análise desenvolvido por Lynn McAtammey e Nigel Corlett, em


1993, para avaliação de situações de trabalho onde exista o risco de desenvolvimento de
patologias músculo-esqueléticas nos membros superiores ocasionadas, principalmente, por
atividades repetitivas.

Aplicabilidade do modelo

O RULA pode ser utilizado como forma de análise inicial, para avaliação do nível de
exposição dos membros superiores aos seguintes fatores de risco:

 Postura;

 Contração muscular estática;

 Repetição;

 Força;

 Tempo de trabalho e de repouso.

Esta ferramenta permite também estabelecer prioridades entre as tarefas que têm maior
urgência de ser analisadas conforme a metodologia da Análise Ergonômica do Trabalho
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(AET). Permite ainda ao ergonomista determinar os fatores que mais contribuem para o risco
associado à tarefa, através da análise dos resultados.

A aplicação do RULA pode ser útil em ambiente empresarial, pois valoriza quantitativamente
alterações introduzidas nas tarefas, o que poderá auxiliar o ergonomista a mostrar dados e
percentuais aos gestores. Avaliações qualitativas são muito mais eficazes do ponto de vista
da ergonomia, mas, com o tempo, você perceberá que muitas vezes é importante aplicar
conjuntamente tais ferramentas. Assim, você é capaz de falar a mesma “linguagem” do
ambiente organizacional, ou seja, concatenar com o discurso empresarial que deseja
números, percentuais e valores precisos.

A principal vantagem do RULA é permitir que você faça uma análise inicial rápida de todos
os postos de trabalho para levantamento de prioridades, principalmente quando não há
dados oficiais sobre as causas de absenteísmo por postos de trabalho. Entretanto, não se
baseia apenas nesta ferramenta para intervir nas situações de trabalho.

Principais Limitações do RULA

O método não considera os seguintes fatores:

 Tempo continuo das operações.

 Variabilidade dos sujeitos (idade, experiência, estatura, resistência física e história


clinica).

 Fatores ambientais no posto de trabalho.

 Fatores psicossociais.

 A duração das atividades não é considerada.

 A repetição é considerada de forma marginal.

 A avaliação postural não considera o posicionamento dos dedos e do polegar.

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Instruções de uso

O RULA pode ser aplicado sem a necessidade de equipamento especial. Caso você possa
filmar a atividade faça planos diferentes de filmagem, conforme você aprendeu na Unidade 7,
não se esqueça de que as imagens precisam ser captadas também globalmente. Além disso,
é interessante fotografar as situações identificadas como mais problemáticas para ilustrar os
documentos redigidos ao final da Análise da Tarefa.

O RULA divide o corpo humano em dois grupos de segmentos anatômicos:

 Grupo A, incluindo braço, antebraço e punho.

 Grupo B, incluindo pescoço, tronco e pernas.

Lembre-se de que as posturas inadequadas ou constrangidas do tronco, pernas ou pescoço


podem influenciar as posturas dos membros superiores, causando LER/DORT.

Fases de Análise

Fase 1: Seleciona as posturas a analisar

 Observação inicial do operador durante vários ciclos, com o objetivo de selecionar as


tarefas e posturas para avaliação;

 Seleciona a postura que ocorre mais frequentemente durante o ciclo de trabalho, ou


seleciona a postura onde ocorre o maior valor de carga ou avalie as diferentes
posturas do ciclo de trabalho, uma vez que a avaliação pode ser realizada
rapidamente;

 Apenas um lado do corpo é avaliado de cada vez.

Fase 2: Pela utilização de tabelas apropriadas calcule a pontuação correspondente às


posturas individuais e a pontuação correspondente às regiões anatômicas A e B
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Fase 3: Calcular a pontuação relativa à utilização dos músculos para as regiões A e B.

Fase 4: Calcular a pontuação relativa à aplicação de força para as regiões A e B.

Fase 5: Calcular a pontuação total recorrendo a tabela apropriada.

Fase 6: Avaliar as ações necessárias para se desenvolver.

Outra ferramenta bastante similar ao RULA é o REBA. Proposto por REBA Hignett e
McAtamney o REBA é um método que permite avaliar a exposição dos trabalhadores a
fatores de risco que podem ocasionar desordens e desconfortos por traumas cumulativos
devido à carga postural dinâmica e estática.

O REBA foi desenvolvido para avaliar posturas de trabalho imprevisíveis de corpo inteiro, a
fim de identificar as posturas sensíveis a fatores de risco músculo-esqueléticos. Tal método
utiliza, no processo de investigação, registros segundo os planos de movimentos e discrimina
atividades musculares causadas por posturas instáveis, em seguida categoriza as ações e
gera recomendações de urgência.

Entretanto, trata-se de um método novo ainda não validado para o português.

Dica 5: Quer conhecer mais sobre o REBA?

Você pode obter informações da ferramenta em espanhol, no site:

http://www.insht.es/InshtWeb/Contenidos/Documentacion/FichasTecnicas/NTP/Ficheros/601a
700/ntp_601.pdf

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Dica 6: O texto original em inglês “Rapid Entire Body Assessment (REBA)” escrito por Sue
Hignett e Lynn McAtamney descreve o processo de desenvolvimento desta ferramenta.

Atividade Optativa 3:

Leia o manual sobre como aplicar o RULA. Após a leitura, imprima os grupos que deverão
ser analisados e vá a campo aplicar a ferramenta.

Caso você domine a língua inglesa você poderá acessar o site oficial sobre o RULA:
http://www.rula.co.uk e baixar o modelo do RULA para ser utilizado off-line.

Após aplicar o RULA responda:

1. Qual resultado você encontrou?

2. Quais foram as principais dificuldades encontradas para utilizar o RULA?

3. Quais fatores nocivos você observou na atividade que não são analisadas pelo RULA?

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U NIDADE 13
OWAS – Ovako Working Posture Analysis System

Objetivos: Categorizar o método OWAS e conhecer a aplicabilidade desta ferramenta.

Nesta unidade apresentaremos o método OWAS (Ovako Working Posture Analising System)
proposto por três pesquisadores finlandeses (KARHU, KANSI e KUORINKA, 1977), em
conjunto com o Instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, na Finlândia, com o objetivo de
analisar posturas de trabalho na siderúrgica Ovaco Oy Company.

O OWAS é um método simples para avaliação da carga postural durante o trabalho. É


baseado numa classificação simples de posturas combinadas com a observação da tarefa.

No método OWAS, a atividade é subdividida em várias fases e posteriormente categorizada


para a análise das posturas no trabalho. Zeni et al. (2008) explicam que o OWAS baseia-se
na analise de determinadas atividades em intervalos variáveis ou constantes observando-se
a frequência e o tempo despendido em cada postura.

Classificação das posturas

Lida (2005) explica que os pesquisadores definiram 72 posturas típicas que resultaram de
diferentes combinações das seguintes posições:

Dorso – 4 posições típicas (Figura 5).

1. Ereta.

2. Inclinada para frente ou para trás.

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3. Torcida ou inclinada para os lados.

4. Inclinada e torcida ou inclinada para frente e para os lados.

Figura 5

Braços – 3 posições típicas (Figura 6).

1. Ambos os braços abaixo do nível dos ombros.

2. Um braço no nível dos ombros ou abaixo.

3. Ambos os braços no nível dos ombros ou abaixo.

Figura 6

Pernas - 7 posições típicas (Figura 7).

1. Sentado.

2. Ambas as pernas esticadas.

3. De pé com o peso de uma das pernas esticadas.

4. De Pé, ou agachado, com ambos os joelhos dobrados.

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5. De pé, ou agachado, com um dos joelhos dobrados.

6. Ajoelhado em um ou ambos os joelhos.

7. Andando, ou se movendo.

Figura 7

Foram realizadas mais de 36 mil observações em 52 atividades para testar o método.


Obtendo registros com concordância média de 93%. Em função dos dados concluiu-se que o
método apresentava razoável consistência.

Força

As cargas são classificadas de acordo com o levantamento da carga ou uso de força (Figura
8):

1. Peso ou força necessária é 10 Kg ou menos.

2. Peso ou força necessária excede 10 Kg, mas menor que 20 Kg.

3. Peso ou força necessário excede 20 Kg.

Figura 8

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Por último, o método solicita a determinação da tarefa e classifica a porcentagem de tempo
que o trabalhador permanece na tarefa.

A partir dos resultados encontrados para as posturas e sua relação com a carga manuseada
e a duração da tarefa na jornada de trabalho, os autores propuseram quatro categorias de
posturas, determinando o tipo de aço que deve ser tomada.

 Classe 1 – Postura normal, que dispensa cuidados, a não ser em casos excepcionais
 Não são necessárias medidas corretivas.

 Classe 2 – Postura que deve ser verificada na próxima revisão dos métodos de
trabalho  São necessárias correções num futuro próximo.

 Classe 3 – Postura que deve merecer atenção em curto prazo  São necessárias
correções tão logo quanto possível.

 Classe 4 – Postura que deve merecer atenção imediata  São necessárias correções
imediatas.

Lida (2005) explica que essas classes dependem do tempo de duração das posturas, em
percentagens de trabalho ou da combinação de quatro variáveis (dorso, braços, pernas e
cargas).

Desta forma, a combinação das posições das costas, braços e pernas e o tipo de força
determinam os níveis de ação para as medidas corretivas. A partir da Tabela 1 (Fonte:
Software Ergolândia) você pode classificar o tipo de ação de acordo com a combinação das
variáveis.

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Tabela 1

Quando a atividade é frequente, mesmo com carga leve, o procedimento de amostragem


permite estimativa da proporção do tempo que o tronco e membros fiquem nas várias
posturas durante o período de trabalho. Neste caso, analise a combinação dos resultados da
postura de acordo com a duração das posturas a partir da Tabela 2 (Fonte: Software
Ergolândia).

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Tabela 2

Etapas da análise do OWAS

A atividade deve ser subdividida em várias fases e posteriormente categorizada para a


análise das posturas no trabalho.

Para análise da postura, força e fase do trabalho é necessário observar as amostras das
atividades coletadas a partir de filmagens e observações diretas e fazer estimativas de tempo
durante o qual são exercidas forças e posturas assumidas.

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1º Selecione as fases para serem analisadas (inicie com as etapas que você considerar
de maior constrangimento para o trabalhador).

2º Faça uma descrição da tarefa.

3º Observar a frequência e o tempo despendido em cada postura.

4º Analise as tarefas através de vídeo acompanhado de observações diretas (tarefas


cíclicas: todo o ciclo e tarefas não cíclicas: mínimo 30 seg.

5º Estime a proporção do tempo das posturas assumidas.

6º Analise a postura do dorso. Classifique de 1 a 4 de acordo com a postura encontrada.

7º Analise a postura dos braços. Classifique de 1 a 3 de acordo com a postura


encontrada.

8º Analise a postura das pernas. Classifique de 1 a 7 de acordo com a postura


encontrada.

9º Analise a força realizada. Classifique de 1 a 3 de acordo com a carga manuseada.

10ºCruze os dados do dorso, braços, pernas e força de acordo com a Tabela 1 e verifique
o número da ação esperada.

11ºCaso a carga seja leve, cruze os dados do dorso, braços, pernas de acordo com o
percentual da tarefa analisada ao longo da jornada ou ciclo de trabalho. Utilize neste
caso a Tabela 2 e verifique o tipo de ação esperada.

Limites

Além dos limites já discutidos anteriormente sobre check lists e ferramentas de verificação, o
método OWAS desconsidera fatores importantes como vibração e dispêndio energético.

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Embora o método tenha limitações, tem demonstrado benefícios no monitoramento de
tarefas que impõem constrangimentos possibilitando identificar as atividades mais
prejudiciais e ao mesmo tempo indicar as regiões anatômicas mais atingidas. Além disso, por
ser de fácil uso irá auxiliá-lo no seu aprendizado!

Não deixe de testá-lo!

Atividade optativa 4: Aplique o método OWAS. Nesta fase de aprendizado, escolha uma
operação de manuseio de carga, assim você poderá observar de uma maneira mais
completa e com maior facilidade todas as variáveis do método.

1) Descreva a tarefa analisada.

2) Aponte os resultados encontrados.

3) Descreva as principais dificuldades que você encontrou para a aplicação do método.

Dica 7: No site http://turva1.me.tut.fi/owas/ você pode fazer o donwload da versão em inglês


do método.

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U NIDADE 14
Equação de Niosh

Objetivo: Empregar a equação de Niosh em situações de manuseio de carga.

A equação de Niosh foi criada em 1981, nos Estados Unidos, sob iniciativa do National
Institute for Ocupational Safety and Health – NIOSH. Trata-se de um método desenvolvido
para determinar a carga máxima a ser manuseada e movimentada manualmente numa
atividade de trabalho - NIOSH - Work Practices Guide for Manual Lifting.

Em 1991 e em 1994 o método sofreu alterações sendo revisado e ampliado. O método foi
elaborado baseando-se em conta quatro aspectos básicos:

 Epidemiológico: estudo das doenças, sua incidência, prevalência, efeitos e os meios


para sua prevenção ou tratamento;

 Psicológico: comportamento humano numa determinada situação;

 Fisiológico: funções do organismo em relação ao trabalho físico;

 Biomecânico: estruturas e funções dos sistemas biológicos, usando conceitos,


métodos e leis da mecânica.

Objetivo

Quantificar a possibilidade de lesão no sistema osteomusculoligamentar em tarefas de


movimentação de carga. Tendo como objetivo prevenir e reduzir a ocorrência de dores
causadas pelo levantamento de cargas. É um método amplamente difundido e utilizado no
Brasil e no mundo.

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Podemos citar aqui algumas situações em que pode ser aplicado, mas não podemos nos
restringir a elas: Análise de postos de trabalho; Perícias ocupacionais; Priorização de riscos
entre diversos postos; Adequação à legislação (a Norma Regulamentadora 17 baseia-se na
equação revida de 1994); Simulação de projetos de melhoria (uma das principais
aplicabilidades do método).

Equação

A equação considera as seguintes variáveis:

 LC = Constante de Carga;

 HM = Fator de Distância Horizontal;

 VM = Fator de Altura;

 DM = Fator de Deslocamento Vertical;

 AM = Fator de Assimetria

 FM = Fator de Frequência;

 CM = Fator de Pega

Limite peso recomendado (LPR)

LPR = LC x HM x VM x DM x AM x FM x CM

O LPR é calculado partindo do princípio que o peso máximo a ser levantado por um indivíduo
na melhor das situações e que não causa sobrecarga na coluna é de 23 kg, considerando a
pega com as duas mãos, de uma altura de 75 centímetros do solo, para um deslocamento no
plano vertical inferior a 25 cm, segurando a carga em uma distância em torno de 25 cm de

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maneira simétrica. De acordo com o método esta situação não provocaria danos físicos à
coluna vertebral em 99% dos homens e 75% das mulheres.

Índice de levantamento

Uma vez calculado o LPR, compara-se com a carga real levantada, obtendo-se então o
Índice de Levantamento (IL).

Índice de Levantamento (IL) = Peso real levantado (kg)

—————————————

Limite de peso recomendado (LPR)

Chance de lesão

 IL < 1= Risco Limitado. A maioria dos trabalhadores que realizam este tipo de tarefa
não deveria ter problemas.

 IL entre 1 e 3 = Aumento moderado do risco. Alguns trabalhadores podem adoecer ou


sofrer lesões se realizarem essas tarefas. As tarefas precisam ser redesenhadas.

 IL > 3 = Aumento elevado do risco. Este tipo de tarefa é inaceitável do ponto de vista
ergonômico e deve ser modificada.

Constante de Carga (LC)

A constante de carga (load constant) é o peso máximo recomendado para um levantamento


desde que a localização-padrão e em condições ótimas, quer dizer, em posição sagital (sem
torções do dorso nem posturas assimétricas), fazendo um levantamento ocasional, com uma

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boa pega da carga e levantando a carga a menos de 25cm. O valor da constante de carga
(LC) foi fixado em 23kg;

Fator de Distância Horizontal (HM)

O HM (Horizontal Multiplier) refere-se à força de compressão no disco intervertebral que


aumenta proporcionalmente a distância entre a carga e a coluna. O estresse por compressão
axial está diretamente relacionado a essa distância horizontal.

O H (medido em cm) é a distância horizontal entre a projeção sobre o solo do ponto médio
entre as pegas da carga (número 2 na Figura 9) e a projeção do ponto médio entre os
tornozelos (número 1 na Figura 9).

HM = 25/H

Figura 9

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Fator de Altura (VM)

O VM (Vertical Multiplier) penaliza os levantamentos nos quais as cargas devem ser


apanhadas em posição muito baixa ou demasiadamente elevada. Este fator valerá 1 quando
a carga estiver situada a 75cm do solo e diminuirá à medida que nos distanciemos desse
valor.

VM = (1 – 0,003 [V – 75])

V é a distância vertical entre o ponto de pega e o solo (conforme a figura 9).

Se V > 175cm, tomaremos VM = 0.

Fator de Deslocamento Vertical (DM)

O DM (Distance Multiplier)

Refere-se à diferença entre a altura inicial e final da carga.

DM = (0,82 + 4,5/D)

Sendo D=V1-V2

Onde V1 é a altura da carga em relação ao solo na origem do movimento e V2 a altura ao


final do mesmo; Quando D < 25cm, manteremos DM = 1, valor que irá diminuindo à medida
que aumenta a distância de deslocamento cujo valor máximo aceitável se considera 175cm;

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Fator de Assimetria (AM)

AM (Asymetric Multiplier). Um movimento é considerado assimétrico quando começa ou


termina fora do plano médio-sagital, conforme Figura 10.

AM = 1 – (0,0032A)

Sendo A = ângulo de giro. O ângulo de giro (A) deverá ser medido na origem do movimento.
O comitê estabeleceu em 30% a diminuição para levantamentos que impliquem torções no
tronco de 90 graus. Se o ângulo de torção for superior a 135 graus, tomaremos AM= 0;

Fator de Frequência (FM)

FM (Frequency Multiplier) é definido pelo número de levantamentos por minuto, pela duração
da tarefa de levantamento e pela altura dos mesmos.

Consulte o valor de FM na Tabela 3.

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Tabela 3

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Fator de Pega (CM)

CM (Coupling Multiplier) é obtido segundo a facilidade da pega e a altura vertical de


manipulação da carga. Determine o fator pega de acordo com a Tabela 4.

Classificação da pega de uma carga

 Má – Recipientes de desenho subótimo, objetos irregulares, peças soltas volumosas


ou recipientes deformáveis.

 Regular – Recipientes de desenho ótimo com alças ou apoios perfurados no recipiente


de desenho subótimo ou recipientes de desenho ótimo sem alças nem apoio.

 Boa – Recipientes de desenho ótimo com pega otimizada ou objetos irregulares ou


peças soltas desde que possam ser empunhados confortavelmente.

Definições

 Alça de desenho ótimo: é aquela de longitude maior que 11,5cm, de diâmetro entre 2
e 4cm, com um espaço de 5cm para colocar a mão, de forma cilíndrica e de
superfície suave, porém não-escorregadia;

 Apoio perfurado de desenho ótimo: é aquele de longitude maior que 11,5cm, largura
maior que 4 cm, espaço superior a 5cm, com uma espessura maior que 0,6cm na
zona de pega e de superfície não-rugosa;

 Recipiente de desenho ótimo: é aquele cuja longitude frontal não supera os 40 cm,
sua altura não é superior a 30 cm e é macio e não-escorregadio ao tato;

 A pega da carga deve ser tal que a palma da mão fique flexionada em 90 graus, no
caso de uma caixa deve ser possível colocar os dedos na base da mesma;

 Recipiente de desenho subótimo: é aquele cujas dimensões não se ajustam às


descritas no ponto 3, ou sua superfície é rugosa ou escorregadia, seu centro de

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gravidade é assimétrico, possui bordas afiladas, seu manejo implica o uso de luvas ou
seu conteúdo é instável;

 Peça solta de fácil pega: é aquela que permite ser comodamente abarcada com a mão
sem provocar desvios do punho e sem precisar de uma força de pega excessiva;

Restrições e Limites da equação

Elevação deve estar sendo feita com suavidade, isto é, sem movimentos bruscos; Condições
térmicas e visuais favoráveis;

Boas condições mecânicas - piso plano e sem obstruções oferecendo boa aderência ao
calçado.

Não contempla a elevação de pessoas, de objetos muito quentes ou frios, sujos ou


contaminados;

Assume que a superfície de contacto do calçado com o solo tem um coeficiente de fricção
estática, no mínimo, de 0.4 (de preferência 0.5);

Não inclui circunstâncias imprevistas;

Assume que as tarefas de levantamento e de abaixamento de pesos têm idêntico potencial


para causar lesões lombares;

Não estão incluídas tarefas que impliquem elevações rápidas de objetos (>15 elev./min) Se o
ambiente físico for desfavorável (temperatura ou umidade relativa inferiores aos intervalos
19º a 26ºC ou 35% a 50%HR).

Não pode ser aplicada nas seguintes condições: tarefas de elevação de objetos com uma só
mão; na posição de sentado ou agachado, ou ainda elevações em espaços confinados que
obriguem a posturas desfavoráveis.

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Quando o trabalhador realiza várias tarefas nas quais ocorrem levantamentos de cargas,
torna-se necessário o cálculo de um índice composto de levantamento para estimar o risco
associado ao seu levantamento.

Atividade optativa 5: Aplique a equação de NIOSH para o exemplo proposto. Em seguida


confira o resultado que você encontrou com a resposta do exercício.

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U NIDADE 15
Moore & Garg e o Método Suzanne Rodgers

Objetivos: Detalhar o método Moore & Garg e o método Suzanne Rodgers.

Nesta unidade você conhecerá dois métodos para análise de riscos de doenças músculo
esqueléticas: Moore & Carg e Suzanne Rodgers.

Moore & Carg

O Moore & Garg é um método de análise de risco de desenvolvimento de disfunções


músculo tendinosas nas extremidades dos membros superiores. O nome “oficial” por assim
dizer é Stain Index (ou índice de esforço) e foi desenvolvido em 1995 por MOORE, J. S e
GARG, A.; com principal objetivo de avaliar o risco de lesões em punhos e mãos.

É um método semiquantitativo para a avaliação de exposição dos riscos de lesões nos


membros superiores, que consiste na mensuração ou estimação de 6 fatores, cada um
desses com uma classificação, uma caracterização e um fator multiplicador.

Fatores de Avaliação

1. Fator Intensidade do Esforço (FIT)

2. Fator Duração do Esforço (FDE)

3. Fator Frequência do Esforço (FFE)

4. Fator Postura das Mãos e Punhos (FPMP)

5. Fator Ritmo de Trabalho (FRT)

6. Fator Duração do Trabalho (FDT)

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Orientações

1. Preencha o cabeçalho, identificando a tarefa, o posto de trabalho, o setor analisado, a


data e o número da avaliação.

2. Análise o Fator Intensidade do Esforço (FIT)

Observe as atividades do trabalhador, concentrando a análise no esforço (força) definido


como mais crítico. O método orienta que a análise seja realizada utilizando o dinamômetro
para o dimensionamento da força. Os esforços podem ser:

 Leve = 1,0

 Médio = 3,0

 Pesado = 6,0

 Muito Pesado = 9,0

 Próximo Máximo = 13,0

Transfira a pontuação para a coluna “Encontrado”, e prossiga com a análise.

3. Dimensionando o Fator Duração do Esforço (FDE)

A partir da cronometragem da duração da atividade, determine a proporção que o esforço


analisado toma do ciclo total. Para diversos esforços dentro do ciclo utilize a média dos
mesmos. Compare a valor obtido no cálculo, com as faixas de duração estabelecidas pela
ferramenta de análise, transferindo a pontuação correspondente para a coluna “Encontrado”.

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4. Determine a Fator Frequência do Esforço (FFE)

Dimensione a número de esforços por minuto realizados pelo trabalhador, compare com as
faixas de frequência da ferramenta e transfira a pontuação correspondente para a coluna
“Encontrado”.

5. Verifique o Fator Postura das Mãos e Punhos (FPMP)

Observe a postura das mãos / punhos durante a aplicação do esforço analisado, compare
com as mencionadas na ferramenta, transferindo a pontuação correspondente para a coluna
“Encontrado”.

6. Determine o Fator Ritmo de Trabalho (FRT)

A análise do ritmo de trabalho está baseada nos estudos de cronoanálise, onde o ritmo
normal da atividade é aquele que o operador pode exercer por todo o turno de trabalho sem
desgastes exagerados, acidentes ou lesões. Obtenha o ritmo e compare aos mencionados
na ferramenta, transferindo para a coluna “encontrado” a pontuação correspondente.

7. Pontue o Fator Duração do Trabalho (FDT)

Verifique a duração da jornada de trabalho do operador e compare com as jornadas


mencionadas, transferindo para a coluna “encontrado” a pontuação correspondente.

8. Calcule o ÍNDICE

Multiplique os fatores da coluna “encontrados” entre si e compare o resultado com os valores


da tabela “Interpretação do Risco” e determine o risco.

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< 3.0 Verde  Baixo Risco

3 - 7.0 Amarelo  Duvidoso

> 7. 0 Vermelho  Alto risco

Limites do método

 Não prevê problemas músculo-esqueléticos em cotovelos, ombros e coluna.

 Analisa o trabalhador de forma segmentada e não é capaz de avaliar tarefas múltiplas.


Desta forma, é preciso analisar cada tarefa separadamente, considerando a duração
da tarefa na jornada.

Sue Rodgers

Criado por Suzanne Rodgers, este método de análise permite avaliar o esforço, duração do
esforço e frequência.

O método estuda a interação do esforço, da sua duração e da frequência requerida por cada
parte do corpo para realizar uma determinada tarefa. A partir destes parâmetros é possível
avaliar a fadiga muscular.

Cada um dos parâmetros é avaliado individualmente em uma escala de 1 a 3 para cada


parte do corpo (pescoço, ombros, tronco, braços, ante-braços, mãos, punhos, dedos pernas,
pés e dedos), conforme a Tabela 5.

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Tabela 5 – Nível de esforço segundo Sue Rodgers

NÍVEL DE ESFORÇO
BAIXO ( 0 - 30% ) MODERADO ( 30 - 70% ) PESADO ( 70 - 100 % )
PESCOÇO A cabeça gira parcialmente A cabeça gira totalmente para o lado Igual ao moderado porém
A cabeça esta ligeiramente para frente A cabeça esta totalmene para trás com aplicação de força
A cabeça está para frente aprox. 20 º A cabeça esta flexionada
acima de 20º

OMBROS Braços ligeiramente abduzidos Braços abduzidos sem suporte Aplica força ou sustentando
Braços extendidos com algum suporte Braços flexionados (nível da cabeça) pesos com os braços
separados do corpo ou ao
nível da cabeça

TRONCO Inclina ligeiramente para o lado Flexiona para frente sem carga Levantando ou aplicando
Flexiona ligeiramente o tronco Levanta carga de peso moderado força com rotação
próximo ao corpo Grande força com flexão
Trabalho próximo ao nível da cabeça do tronco

BRAÇOS Braços ligeiramente afastados do Rotação do braço, exigindo força Aplicação de grande força
ANTE-BRAÇOScorpo sem carga moderada com rotação
Aplicação de pouca força ou Levantamento de cargas
levantando pequena carga com os braços extendidos
próxima ao corpo

MÃOS Aplicação de pequena força em Area de agarre grande ou estreita Pinçamento com dedos
PUNHOS objetos próximos ao corpo Moderado angulo do punho especial - Punho angulado com força
DEDOS Punho reto, com aplicação de força mente em flexão Superfície escorregadia
para agarre pequena Uso de luvas com força moderada

PERNAS Parado, caminhando sem Flexão para frente Exercendo grandes forças
PÉS flexionar-se Inclinar-se sobre a mesa de trabalho para levantamento de
DEDOS Peso do corpo sobre os dois pés Peso do corpo sobre um pé algum objeto
Girar o corpo sem exercer força Agachar-se exercendo
força

O resultado final é um número de três dígitos, cada um representando um dos fatores


analisados.

Esforço (primeiro dígito)

 Baixo 1 no primeiro dígito.

0 à 30 % da Força máxima aplicada por determinado segmento corpóreo.

 Moderado  2 no primeiro dígito.

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30 à 70% da Força máxima aplicada por determinado segmento corpóreo.

 Pesado  3 no primeiro dígito.

PESADO - 70 à 100% da Força máxima aplicada por determinado segmento corpóreo.

Duração (segundo dígito)

 0 a 5 segundos  1 no segundo dígito.

 6 a 20 segundo  2 no segundo dígito.

 + 20 segundos  3 no segundo dígito.

Frequência (terceiro dígito)

 Menor que 1 por minuto  1 no terceiro dígito.

 1 a 5 por minuto  2 no terceiro dígito.

 Mais que 5  3 no terceiro dígito.

Orientações

1. Preencha o cabeçalho, identificando a tarefa, o posto de trabalho e o setor analisado.

2. Observe as atividades do trabalhador, concentrando a análise em cada parte do


corpo.

3. Determine o nível de esforço (primeiro dígito):

Observe a região corpórea escolhida para análise e compare com os níveis de esforços
mencionados na Tabela 5 (partes do corpo), que podem ser BAIXO, MODERADO e
PESADO aliado a força aplicada na atividade.

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Exemplo: Para uma determinada tarefa o trabalhador está com a cabeça à frente em torno
de 25 graus. Portanto o nível de esforço para esta atividade é moderado, ou seja, pontuação
= 2.

4. Análise do tempo de esforço contínuo (segundo dígito):

É o período de tempo em que uma parte do corpo permanece ativa antes de descansar. Não
corresponde à quantidade de unidades que são manuseadas ou quantas tarefas se
completam, mede-se em tempo total.

Exemplo: Se uma operadora se inclina sobre o posto de trabalho, mede-se o período de


tempo em que permanece nesta posição, se a operadora se inclina em diferentes tarefas e
permanece inclinado por diferentes períodos de tempo, usa-se o tempo médio que as costas
permaneceram inclinadas. Anotando o número correspondente dependendo do tempo de
esforço, a saber:

Aplicando esta diretriz à nossa atividade exemplo, o trabalhador permanece com o pescoço
fletido por cerca de 30 seg, continuamente. Portanto o tempo de esforço é + de 20 seg,
determinando pontuação = 3.

5. Análise dos esforços por minuto:

Refere-se à frequência, ou seja, quantas vezes num minuto uma parte do corpo é usada para
executar o movimento contido no tempo de esforço contínuo.

Em nosso exemplo o pescoço do trabalhador exerce apenas 01 flexão no período de 01


minuto, portanto recebe 01 ponto na avaliação de esforços por minuto:

6. Observe os dados anotados e compare a combinação obtida com as combinações


localizadas na lista de resultados. Para o nosso exemplo a combinação 2 3 1 está

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localizada na faixa AMARELA de priorização. Portanto a atividade analisada tem
priorização moderada (AMARELO).

7. Repita o procedimento acima para as demais partes corpóreas do trabalhador

O grau de severidade é determinado a partir da combinação dos valores encontrados em


cada parâmetro.

Exemplo: 231 = esforço 2, duração 3 e frequência 1.

Atividade Optativa 6: Escolha uma tarefa repetitiva. Aplique, primeiramente o Moore & Carg,
disponível em arquivo do formato Word.

Anote os resultados encontrados, em seguida avalia a mesma tarefa com o Suzanne


Rodgers (disponível em Excel) e anote os resultados.

Compare os dois métodos e aponte as vantagens e desvantagens encontradas para avaliar a


situação por você escolhida.

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U NIDADE 16
Escalas de desconforto

Objetivos: Analisar as variáveis utilizadas pelas escalas do tipo Likert, identificar os


parâmetros do questionário bipolar e aprender a utilizá-lo na prática.

Nesta unidade e nas próximas duas você conhecerá como as escalas de desconforto podem
ser utilizadas para avaliação da fadiga no trabalho, satisfação no trabalho, desconforto físico
ou qualquer outro aspecto considerado penoso aos trabalhadores.

Escala de Likert

A Escala Likert é um tipo de escala de resposta usada comumente em questionários, sendo


o tipo de escala mais usada em pesquisas de opinião. Ao responderem a um questionário
baseado nesta escala, os trabalhadores especificam seu nível de concordância com uma
afirmação.

A escala foi desenvolvida por Rensis Likert, no início dos anos 30 e consiste em um conjunto
de itens apresentados em forma de afirmações, ou juízos, ante os quais se pede aos sujeitos
que externem suas reações, escolhendo um dentre cinco, ou sete pontos de uma escala.

Trata-se, portanto, de uma escala de respostas gradativas que pode ser utilizada durante a
ação ergonômica para avaliar as cargas existentes, avaliar a eficácia das modificações
realizadas e para testar a eficiência de um protótipo testado.

Na escala de Likert as respostas para cada item variam segundo o grau de intensidade. Essa
escala com categorias ordenadas, igualmente espaçadas e com mesmo número de
categorias em todos os itens, é largamente utilizada em pesquisas organizacionais, segundo
Alexandre et al. (2003).

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As escalas podem ser de vários tipos, ou seja, baseadas em diversos critérios, tais com:

a) De ocorrência: sempre, geralmente, às vezes, raramente, nunca.

b) De opinião: Concordância/discordância (concordo totalmente, concordo parcialmente,


não concordo/nem discordo, discordo parcialmente e discordo totalmente).

c) De apreciação geral: ótimo, bom, regular, ruim, péssimo.

d) Com relação ao grau de satisfação: totalmente satisfeito, parcialmente satisfeito,


parcialmente insatisfeito, totalmente insatisfeito.

e) De atribuição de importância: muito importante a sem importância (em graus ou por


indicadores).

Você deve elaborar escalas de acordo com os assuntos a serem questionados sobre cada
condicionante presente nas situações de trabalho analisadas.

Com a definição das questões a serem investigadas, estas se transformam em afirmativas e


negativas que serão apresentadas aos trabalhadores em forma de questionário.

As escalas de Likert demandam que os entrevistados indiquem seu grau de concordância ou


discordância com declarações relativas à atitude que está sendo medida. Atribui-se valores
numéricos/ou sinais às respostas para refletir a força e a direção da reação do entrevistado à
declaração. As declarações de concordância devem receber valores positivos ou altos
enquanto as declarações das quais discordam devem receber valores negativos ou baixos
(BAKER, 2005 apud BRANDALISE, 2005).

As escalas podem ir, por exemplo, de 1 a 5, de 5 a 1, ou de +2 a -2, passando por zero. As


declarações devem oportunizar ao entrevistado expressar respostas claras em vez de
respostas neutras, ambíguas.

As principais vantagens das Escalas Likert em relação às outras, segundo Mattar (2001apud
BRANDALISE, 2005) são a simplicidade de construção; o uso de afirmações que não estão

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explicitamente ligadas à atitude estudada, permitindo a inclusão de qualquer item que se
verifique, empiricamente, ser coerente com o resultado final; e ainda, a amplitude de
respostas permitidas apresenta informação mais precisa da opinião do respondente em
relação a cada afirmação.

Questionário Bipolar

Utilizando os mesmos princípios de testes qualitativos da escalas de Likert , o professor Nigel


Corlet, de Nottingham, Inglaterra desenvolveu uma técnica relativamente simples de
avaliação da fadiga no trabalho: o questionário bipolar.

De acordo com Couto (1996, p.345-47), “um questionário bipolar típico contém uma
seqüência de pares de adjetivos, sendo que em cada par, num extremo está uma situação, e
no outro extremo a situação oposta, sempre referentes à sensação do indivíduo naquele
instante do trabalho”.

O questionário bipolar é pontudo de 1 a 7, sendo:

 O número 1 para o extremo da situação de ausência de fadiga ou de dor;

 O número 7 para o extremo da situação de fadiga ou de dor;

 O número 4 para a sensação intermediaria;

 Os números 2 ou 3 quando a tendência encontra-se para o lado da ausência de


fadiga,

 Os números 5 ou 6 quando a tendência encontra-se para o lado da fadiga ou cansaço.

De acordo com Couto (2005), o questionário deverá ser preenchido pelo trabalhador na
presença do profissional que esteja conduzindo a pesquisa ou do auxiliar de pesquisa.

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Excepcionalmente poderá ser preenchido diretamente pelo próprio trabalhador na ausência
daqueles.

O autor afirma que é muito importante instruir bem o trabalhador sobre o significado dos
extremos e assegurar-se que o mesmo entendeu. Também é muito importante que o
trabalhador se sinta à vontade para responder o questionário e que confie no ergonomista.

Couto (1996) recomenda que num dia típico de trabalho, deve ser aplicado 8 questionários a
um trabalhador, nos seguintes horários:

 Ao iniciar a jornada

 2 horas após o início da jornada

 3 horas após

 4 horas após

 1 hora após o almoço/jantar

 2 horas após o almoço/jantar

 1 hora antes do término da jornada

 Ao término da jornada

Sob certas circunstâncias (dificuldade operacional, pessoal trabalhando longe), o autor


explica que é possível aplicar apenas 3 folhas (uma ao início, uma antes do almoço, e uma
ao final da jornada), conforme o modelo indicado na atividade complementar desta unidade.

Uma dica dada pelo autor é mudar a ordem das questões (por exemplo, o par
descansado/cansado, que é o primeiro item da folha inicial, deve estar no décimo item da
segunda folha, no quarto item da terceira folha, e assim por diante). Tal macete pode evitar
que o trabalhador se lembre do que respondeu em cada questão na hora anterior;
naturalmente, é muito importante que ele não veja o resultado anterior; e é também
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importante que a ordem dos pares na primeira folha daquele dia de trabalho coincida com a
última, pois isto possibilitará uma interpretação rápida e fácil.

Interpretação do questionário bipolar

a) Forma qualitativa: indica se a pessoa desenvolveu fadiga ou não em relação aquele


item. Nível de fadiga – tomar como base o questionário do final da jornada.

 Ausência de fadiga – até 3 em cada um dos itens;

 Moderada – 4 ou 5 em algum dos itens (sendo que a pontuação inicial era menor que
3);

 Intensa – 6 ou 7 em algum dos itens.

Há que se tomar alguns cuidados na interpretação do questionário quando o nível inicial


marcado em relação àquele item era de 3 ou 4. Nesse caso, tem-se que interpretar se houve
um aumento da pontuação ao longo da jornada.

b) Forma quantitativa: avalia a diferença numérica entre o início e o final da jornada de


trabalho, em relação àquele item; esta forma é útil quando, apesar de não ter sido
marcado o ponto 4 ou 5, o usuário passou por exemplo do ponto 1 para o ponto 3, o que
pode indicar Fadiga Leve.

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Estudo Complementar 3: Os dois textos abaixo utilizaram escala de likert para avaliar as
seguintes situações:

1 - Analise de projeto de berço utilizando a metodologia escala Likert. Disponível em:


http://www.ufmg.br/congrext/Saude/Saude21.pdf

2 - Satisfação na qualidade de vida no trabalho de docentes. Disponível em:


http://www4.uninove.br/ojs/index.php/gerenciais/article/viewFile/125/992

Dica 8: Modelo do uso da escala de Likert

Alguns softwares utilizam a escala de Likert para auxiliar a análise biomecânica. O programa
utilizado para análise dos dados coletados pelo Lumbar Motion Monitor (é um exoesqueleto
capaz de avaliar o movimento da coluna) baseia-se na escala de Likert. Observe como você
pode avaliar a percepção de desconforto no início, no meio e ao final da jornada.

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Atividade Optativa 7: No endereço abaixo você encontra o modelo do questionário bipolar.
Leia atenciosamente o modelo e suas orientações de uso. Aplique o modelo em uma
situação de trabalho que você considere a carga física de trabalho alta.

http://www.ergoltda.com.br/downloads/questionario_bipolar_ava_fadiga.pdf

Teste quantas vezes for preciso!

É fundamental que você pratique!

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U NIDADE 17
Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO).

Objetivos: Conhecer o questionário nórdico e aprender como orientar os trabalhadores para o


autopreenchimento.

Nesta unidade avaliaremos a versão brasileira do Nordic Musculoskeletal Questionnaire –


NMQ (KUORINKA, 1987), traduzida para o português como Questionário Nórdico de
Sintomas Osteomusculares – QNSO.

Esse instrumento foi adaptado culturalmente para a língua portuguesa por Barros e
Alexandre em 2003, apresentando uma confiabilidade variando de 0,88 a 1 segundo o
coeficiente de Kappa.

Conforme Lida (2005, p.173), o questionário nórdico foi desenvolvido para auto-
preenchimento. Avalia situações de dor, desconforto e incomodo. Possui uma figura humana
vista pela região posterior, dividida em nove partes (Figura 11):

1. Região cervical.

2. Ombros.

3. Cotovelos.

4. Punhos/mãos.

5. Região torácica.

6. Região lombar.

7. Quadril/coxas.

8. Joelhos.

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9. Tornozelos/pés

Figura 11

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Para cada uma das partes (bilateralmente, quando for o caso) o trabalhador deve responder
questões sobre:

1. Você teve algum problema no nos últimos 7 dias?

2. Você teve algum problema nos últimos 12 meses?

3. Você teve que deixar de trabalhar algum dia nos últimos 12 meses devido ao
problema?

Lida (2005) recomenda que juntamente com o questionário deve ser distribuída uma carta
explicando os objetivos do levantamento e solicitando a colaboração do trabalhador. Não se
esqueça de agradecer a participação do trabalhador, de esclarecer a que o conteúdo das
respostas é confidencial e não será utilizado em hipótese nenhuma para julgar a capacidade
individual de cada trabalhador.

É importante identificar o setor da empresa, a idade do trabalhador, o sexo e o tempo de


trabalho. Aproveite a aplicação do questionário e analise outras variáveis que julgar
necessárias de acordo com a especificidade da situação analisada. Entretanto, evite
questionários longos e/ou com perguntas de difícil interpretação, pois o trabalhador tem que
se sentir confortável e disposto a colaborar com a ação ergonômica.

O questionário permite ao ergonomista monitorizar e antecipar a possibilidade de ocorrência


de lesões músculo-esqueléticas, principalmente as ligadas ao trabalho. Desta forma, é
possível atuar preventivamente.

Cabe aqui destacar a triste realidade dos trabalhadores brasileiros que sofrem deste tipo de
problema. Infelizmente, os primeiros sinais e sintomas são ignorados tanto pelos médicos
que atendem o trabalhador quanto pela empresa que, normalmente, baseiam-se nos dados
de absenteísmo para iniciar alguma medida efetiva (no caso daquelas que procuram analisar
a situação de trabalho quando já existem taxas elevadas de incidência em determinados
setores). Porém, conforme discutido no Módulo “Aspectos Sociais, Saúde e Produtividade”, é

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fundamental que os trabalhadores recebam a atenção adequada assim que surgem os
primeiros sinais, pois só assim pode-se atuar eficazmente sobre a epidemia da LER/DORT.

Lida (2005, p.175) afirma que o questionário é valido quando se quer fazer um levantamento
abrangente, rápido e de baixo custo. Pode ser utilizado para se fazer um levantamento inicial
das situações que requerem análises mais profundas e medidas corretivas.

O questionário foi validado por Pinheiro et al. (2002). Para ilustrarmos os benefícios e
limitações desta ferramenta, será apresentado um fragmento do texto “Validação do
Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares como medida de morbidade”, página
308.

Fragmento do texto

O Nordic Musculoskeletal Questionnaire (NMQ) foi desenvolvido com a proposta de


padronizar a mensuração de relato de sintomas osteomusculares e, assim, facilitar a
comparação dos resultados entre os estudos.

Os autores desse questionário não o indicam como base para diagnóstico clínico, mas para a
identificação de distúrbios osteomusculares e, como tal, pode constituir importante
instrumento de diagnóstico do ambiente ou do posto de trabalho. Há três formas do NMQ:
uma forma geral, compreendendo todas as áreas anatômicas, e outras duas específicas para
as regiões lombar e de pescoço e ombros. A forma geral do NMQ é a que recebe
apresentação no presente estudo.

O questionário foi traduzido para diversos idiomas na última década, dando origem a muitos
estudos empíricos. O instrumento consiste em escolhas múltiplas ou binárias quanto à
ocorrência de sintomas nas diversas regiões anatômicas nas quais são mais comuns. O
respondente deve relatar a ocorrência dos sintomas considerando os 12 meses e os sete
dias precedentes à entrevista, bem como relatar a ocorrência de afastamento das atividades
rotineiras no último ano.

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Apesar das limitações inerentes aos instrumentos de autoavaliação, a simplicidade e os bons
índices de confiabilidade do NMQ indicam-no para utilização em investigações
epidemiológicas e estudos que busquem mensurar a incidência dos sintomas
osteomusculares.

Para refletir 4: Leia o questionário e responda você mesmo cada questão do questionário.
Reflita sobre cada pergunta realizada. Este processo de conhecimento irá ajudá-lo
posteriormente quando for preciso aplicar o questionário com trabalhadores.

Um fator importante que normalmente é fonte de confusão é a interpretação individual para o


sentido da pergunta “você teve algum problema...”. Lembre-se problema não significa apenas
dor ou lesão, devem-se considerar sensações de desconforto, peso, formigamento ou
qualquer sinal que possa ser indicativo de problemas músculo-esqueléticos.

Nunca se esqueça que estes métodos avaliam tarefas e não os trabalhadores!

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U NIDADE 18
Questionário de Percepção

Objetivo: Mostrar a importância dos questionários de percepção para a AET.

Nesta unidade discutiremos o diagrama de áreas dolorosas e como utilizar na prática este
tipo de ferramenta.

Diagrama das áreas dolorosas

Grande parte dos questionários de percepção possui o diagrama de áreas dolorosas,


proposto por Corlett e Manenica em 1980 ou, então, alguma adaptação deste modelo.

Trata-se de um diagrama que divide o corpo em vários segmentos, facilitando a localização


de áreas dolorosas.

O ergonomista utiliza este diagrama para analisar a percepção subjetiva do grau de


desconforto. Ao final de uma jornada de trabalho os trabalhadores são questionados sobre
as áreas dolorosas que são registradas no diagrama, bem como, o grau de desconforto em
cada um dos segmentos.

O grau de desconforto varia de 0 (sem desconforto) até o nível 7 (extremamente


desconfortável), conforme demonstrado na Figura 12, retirada do livro de Lida (2005, p.173).
Oriente o trabalhador que nível de desconforto é diferente de presença ou ausência de dor.
De acordo com os critérios do diagrama, um nível acima de 3 merece atenção imediata

Lida (2005) cita como vantagem deste diagrama o fácil entendimento, a possibilidade de ser
distribuído para um grande número de trabalhadores, permitindo o mapeamento de toda a
empresa.

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Figura 12

Os princípios do questionário de percepção

Durante a AET, os questionários de percepção podem ser utilizados para analisar as cargas
de trabalho, a eficácia das modificações realizadas, bem como para testar protótipos.

Para a AET, os trabalhadores possuem habilidade para responder significativamente à


pressão relacionada com o desconforto.

A utilização de métodos psicofísicos em ergonomia parte do pressuposto, portanto, que os


trabalhadores podem ser capazes de discernir sensações associadas com sobrecarga e
potencial de lesão aos tecidos durante o trabalho. Sendo assim, o registro das regiões
anatômicas afetadas pelo desconforto e a intensidade desse desconforto são considerados
um importante indicador da tensão postural.

O trabalhador integra com sua percepção as diferentes componentes da carga de trabalho, o


que fica evidente com a forte correlação entre a percepção da carga física e mental, e desta
com as atividades disparadoras de desconforto.
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Conforme discutido no Módulo “Biomecânica Postural” o desconforto e as lesões músculo-
esqueléticas estão relacionados com a exposição à carga biomecânica no sistema muscular.
É comprovado que as posturas estáticas podem provocar tensões no interior das estruturas
anatômicas (os ossos, articulações, tendões, músculos e ligamentos), além disso, posturas
assimétricas, cargas extremas, repetitividade, monotonia, manuseio de cargas, entre outros
fatores já discutidos podem resultar na sensação de desconforto.

A maior contribuição deste tipo de questionário é sua capacidade de avaliar a penosidade de


uma situação de trabalho antes que os sinais ou sintomas possam se tornar crônicos. Ou
seja, é possível prevenir o surgimento de doenças relacionadas ao trabalho, pois a redução
do nível de desconforto contribui para a redução do risco de lesões músculo-esqueléticas.

Estudos sobre o desconforto têm sido utilizados para aumentar a compreensão dos fatores
que afetam a relação da atividade de trabalho com o impacto sobre os trabalhadores,
atendendo a diferentes propósitos, tais como:

 Avaliar os efeitos da estação de trabalho e variáveis posturais sobre o desconforto


músculo-esquelético;

 Classificar a dificuldade de execução de determinadas tarefas de trabalho;

 Identificar a origem do desconforto relacionado ao trabalho e servir de elemento para a


priorização de atividades para intervenção ergonômica;

 Avaliar a efetividade de intervenções ergonômicas - percepção após modificação ou


após a implantação de uma nova ferramenta;

 Comparação de postos;

 Conhecimento da carga acumulativa;

 Identificar os momentos de sobrecarga.

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Comumente as ações ergonômicas utilizam o diagrama das áreas dolorosas para obter
informações detalhadas sobre a percepção subjetiva dos trabalhadores. O grupo Ergo&ação
da UFSCar, por exemplo, elaborou um questionário para trabalhadores contendo
informações relacionadas com a atividade de trabalho, tempo, pausas e percepção de
desconforto através do uso do diagrama.

Além de questões sobre o perfil do trabalhador, o grupo elaborou um questionário com onze
questões a respeito:

1. Das atividades realizadas pelos trabalhadores durante sua jornada de trabalho, o


tempo necessário para fazer as atividades e em qual posição;

2. Das atividades consideradas mais pesadas ou cansativas fisicamente;

3. Das atividades que deixam o trabalhador mais tenso ou nervoso, ou seja, que
“enchem a cabeça”;

4. Das estratégias utilizadas para realizar a atividade;

5. Das pausas realizadas;

6. Dos equipamentos de proteção individual utilizados;

7. Do tipo de sensação (peso no corpo, formigamento, dor contínua, agulhada/pontada)


em alguma região do corpo nos últimos 6 meses (percepção de desconforto), a(s)
região (ões) e grau de intensidade;

8. Do tempo que o trabalhador sente esse(s) desconforto(s);

9. Da atividade que mais contribui para esse(s) desconforto(s);

10. Do que o trabalhador mais gosta no seu trabalho;

11. Do que o trabalhador menos gosta no seu trabalho e o que poderia ser realizado para
mudar ou melhorar a situação.

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Antes da aplicação do questionário, os trabalhadores devem ler o termo de consentimento e
assinar caso desejem participar. No termo, o trabalhador declara estar ciente do objetivo do
projeto; da segurança de que não será identificado e que será mantido o caráter confidencial
das informações prestadas e de ter liberdade de recusar participar da pesquisa.

Atividade Dissertativa 3: Leia o questionário de percepção, disponível no endereço:


http://www.simucad.dep.ufscar.br/ptbmain.html

Escolha uma situação para analisar. Em seguida, pondere sobre as perguntas do


questionário e veja se todas as questões se aplicam a situação que você irá analisar. Por
exemplo: a questão 4 refere-se ao tipo de peça fabricada pelo trabalhador, caso a atividade
não seja relacionada a fabricação de peças esta questão não se aplica ao caso estudado.

O questionário não deve ser considerado Universal, pois cada situação é singular. Desta
maneira, observe a atividade, elimine as questões que não se aplicam (ou deixe todas caso
sejam funcionais) e crie mais duas questões que podem trazer informações importantes
sobre a atividade que você irá estudar. As perguntas precisam ser claras, objetivas e não
muito extensas.

Aplique o questionário e relate quais foram as respostas dadas pelos trabalhadores para as
duas questões incluídas por você no questionário.

Primeira Questão: __________________________________________________

Resposta: ________________________________________________________

Segunda Questão: __________________________________________________

Resposta: _________________________________________________________

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U NIDADE 19
Avaliação fisiológica

Objetivo: Conhecer as possibilidades existentes para avaliar a carga de trabalho físico.

Nesta unidade iremos apresentar outras possibilidades para a avaliação da carga física do
trabalho.

Há uma grande variedade de técnicas capazes de analisar a fadiga no trabalho. Entretanto, a


grande maioria requer equipamentos especiais como o eletroencefalograma (detecta as
alterações elétricas cerebrais que acompanham a sensação de cansaço), a eletromiografia
de superfície (analisa o traçado eletromiográfico dos músculos em atividade), a
metabolimetria indireta (mede-se o consume de oxigênio por minuto), entre outras técnicas
de altíssimo custo.

Como estas técnicas requerem grandes investimentos e, nem sempre, podem ser utilizadas
em situações reais de trabalho, a ergonomia utiliza duas formas simples de análise: a Escala
de Borg e o acompanhamento da frequência cardíaca.

Aferição da Frequência Cardíaca (FC)

O acompanhamento da FC no trabalho é umas das técnicas mais úteis e fáceis para a


avaliação da carga de trabalho.

Grandjean (2004, p.76) explica que “com um mesmo consumo de energia um trabalho é mais
pesado quando poucos músculos estão envolvidos do que quando o mesmo trabalho é
realizado por muitos músculos”. Segundo o autor, pode-se ter o mesmo consumo de energia,
mas o trabalho estático é mais cansativo que o trabalho dinâmico. Diante dessas
constatações, a FC depende muito mais do trabalho, aumentando:

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 Quanto mais quente for o ambiente.

 Quanto maior for a parcela de trabalho estático.

 Quanto menor o número de músculos envolvidos.

A Frequência Cardíaca pode ser avaliada através de aparelhos ou pela simples medição da
frequência de pulso.

Por aparelhos:

Coloca-se um aparelho no bolso do trabalhador, conectado a uma cinta torácica, e coleta-se


o valor da FC diretamente no aparelho (COUTO, 1996).

Estes aparelhos registram continuamente a FC sem a interrupção da atividade de trabalho.

Por medição de pulso:

A frequência de pulso pode ser sentida e medida na artéria radial (situada no antebraço no
lado do polegar).

O pulso é verificado através da contagem das "pulsações em artérias periféricas ou


carótidas”.

Para medir o pulso no punho, coloque os dedos indicador e médio sobre o lado de dentro do
punho oposto, abaixo da base do polegar. Pressione firmemente com os dedos esticados até
que sinta o pulso. Quando achá-lo, conte os batimentos por um minuto ou por 30 segundos e
multiplique por 2. Isso lhe dará os batimentos por minuto.

O pulso aumenta, dentro de determinados limites, linearmente como o trabalho realizado. Em


um trabalho leve, de acordo com Grandjean (2004, p.79), a “freqüência de pulso sobe

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rapidamente e mantém-se em uma altura correspondente à intensidade do trabalho e que
fica constante durante toda a jornada de trabalho”.

Com o término do trabalho, a freqüência do pulso retorna aos níveis iniciais. Por outro lado,
quando o trabalho é pesado “o pulso sobe constantemente enquanto é realizado o trabalho,
até que o trabalho seja interrompido ou que a pessoa fique em um estado de esgotamento
que a obrigue a parar o trabalho”.

Limites aceitáveis

Grandjean (2004) sugere os seguintes parâmetros:

 Frequência de pulso de repouso: frequência média do pulso antes do trabalho.

 Frequência do pulso durante o trabalho: frequência média do pulso durante o trabalho.

 Pulso de trabalho: diferença entre o pulso de repouso e a frequência do pulso durante


o trabalho.

 Soma dos pulsos de recuperação: soma dos pulsos desde o fim do trabalho até o
retorno à frequência de repouso. Trata-se da medida da fadiga e da recuperação;

 Soma dos pulsos de trabalho: soma dos pulsos desde o início do trabalho até o
retorno à frequência de repouso.

Baseado em outros autores, Grandjean (2004) afirma que o limite de carga máxima aceitável
deveria ser aquele no qual a frequência do pulso de trabalho não aumentasse continuamente
e que após o fim do trabalho, retorne até em 15 minutos aos valores normais de repouso.

O limite de trabalho contínuo para uma jornada de oito horas para homens é alcançado
quando a Frequência de pulso for de 35 batidas/minuto acima do pulso de repouso. Para as
mulheres, apesar de faltarem dados a respeito, o autor propõe o limite de 30 batidas/minuto.

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Sempre medir o pulso de repouso na mesma posição que o trabalhador realiza o trabalho
(em pé, sentado, de cócoras, etc.).

A Frequência Cardíaca pode ser usada para medidas de carga de trabalho e da carga de
calor (quando se trabalho sob calor, o coração e a circulação sanguínea têm a função de
transporte de energia para os músculos e, simultaneamente, o transporte de calor do interior
para a pele). Para Grandjean (2004) quando houver carga dupla de trabalho e calor, o limite
máximo de trabalho contínuo não deve ultrapassar 40 batimentos por minuto.

Esta técnica pode ser utilizada para:

 Avaliar a carga de esforço físico no trabalho pesado e/ou realizado em altas


temperaturas.

 Em linhas de produção para estudar o ritmo da esteira.

 No trabalho cognitivo para analisar situações estressantes (nos períodos de estresse


há aumento da FC).

Alguns autores, avaliam a FCmáxima a partir da fórmula:

FCmax = 220-IDADE.

Os adeptos desta forma de análise admitem um desvio padrão de até 10 batimentos por
minutos. Exemplo, se o trabalhador tem 40 anos a FCmax é de 180bpm e seu desvio pode
ocorrer entre 170 e 190 bpm.

Escala de Borg

Existem meios subjetivos de obter informações sobre a inferência do trabalho pesado ou


realizado em altas temperaturas. Trata-se da Escala de Borg, também conhecida, como
Índice de Percepção de Esforço (IPE).

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Proposta por Borg e Noble, em 1974, a escala representa uma escala de valores que permite
que o trabalhador identifique a sensação de intensidade do trabalho que está lhes sendo
imposta durante a realização de uma determinada tarefa. Torna-se útil para descobrir quando
o trabalho está sendo realizado próximo da exaustão, para comparar as modificações
realizadas ou para analisar a eficiência de um protótipo.

Na Tabela 6, você observa a Escala de Borg. A escala relaciona o cansaço durante uma
atividade com o aumento da FC.

6 -
7 Muito fácil
8 -
9 Fácil
10 -
11 Relativamente fácil
12 -
13 Ligeiramente cansativo
14 -
15 Cansativo
16 -
17 Muito cansativo
18 -
19 Exaustivo
20 -
Tabela 6 - Escala de Borg

Fonte: Borg e Noble, 1974

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Os números de 6-20 são baseados na Frequência Cardíaca de 60-200 bpm (batimentos por
minuto). Sendo que o número 12 corresponde aproximadamente 55% e o 16 a 85% da
Frequência Cardíaca Máxima. Um nível de esforço bem vigoroso corresponde a um
desempenho de IPE 13. Já um esforço em que o indivíduo se encontra ofegante tem
classificação de, aproximadamente 17.

Alguns pesquisadores indicam outros critérios subjetivos como a expressão no rosto, olhos
arregalados ou cabisbaixos, lábios esbranquiçados, rosto pálido ou muito avermelhado,
descoordenação motora. Indicam alguns "macetes" que o profissional pode usar, tais como
perguntas obrigando respostas mais longas. Pelo tamanho da resposta, respiração ofegante,
dificuldade ou facilidade de responder, já se tem uma ideia da intensidade do esforço.

O ideal é utilizar tanto a frequência cardíaca quanto a Escala de Borg, assim além de
medidas quantitativas você conseguirá analisar a percepção do trabalhador.

Dica 9: Nunca afira o pulso com o dedo polegar, pois você irá confundir a sua pulsação com
a do trabalhador, impedindo de sentir o batimento do pulso. Em caso de dúvida, repita a
contagem.

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Estudo complementar 4: Leia o texto sobre a Análise fisiológica e psicofísica da carga de
trabalho em três centrais de produção em canteiro de obra, escrito por Guimarães et al.
(2001). Disponível em:

http://www.ergonomia.ufpr.br/NL%20carga%20fisica%20de%20trabalho%20Lia.pdf

Os autores utilizam o diagrama do corpo, adaptado de McAtamney e Corllet, para avaliação


psicofísica e a frequência cardíaca para avaliação da carga fisiológica em uma empresa de
construção civil. É um excelente exemplo de como você pode utilizar tais técnicas.

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U NIDADE 20
Pontos de verificação – Ergonomic CheckPoint (ECP)

Objetivo: Aprender a utilizar o Ergonomic Checkpoints.

Nesta unidade e nas próximas oito você aprenderá como utilizar o Ergonomic Checkpoints
(ECP) durante a etapa de construção das propostas ergonômicas, de acordo com o material
traduzido pela Fundacentro. Para quem já cursou os módulos “Introdução à Ergonomia” e
“Biomecânica Ocupacional” trata-se de uma oportunidade para aplicar na prática o conteúdo
aprendido. Preparado pela ILO – International Labour Office, Genebra, em colaboração com
a International Ergonomics Association, o ECP é composto por pontos de verificação
ergonômica, de fácil aplicação para melhorar a segurança, a saúde e as condições de
trabalho.

A Fundacentro traduziu a obra “Ergonomic Checkpoints. Practical and easy-to-implement


solutions for improving safety; health and working conditions”. O ECP é formado por 128
intervenções ergonômicas que buscam atingir efeitos positivos sem a necessidade de
grandes custos ou de soluções muito sofisticadas, põe em destaque soluções realistas que
possam ser aplicadas de maneira flexível e contribui para melhores condições de trabalho e
maior produtividade.

 Estocagem e manuseio de Materiais - verificações de 1 a 21

 Ferramentas Manuais - verificações de 22 a 36

 Segurança de Máquinas - verificações de 37 a 56

 Projeto da Estação de Trabalho - verificações de 57 a 71

 Iluminação - verificações de 72 a 81

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 Premissas - verificações de 82 a 87

 Controle de agentes e substâncias perigosas - verificações de 88 a 94

 Serviços de pessoal - verificações de 95 a 99

 Equipamentos de proteção individual - verificações de 100 a 107

 Organização do trabalho - verificações de 108 a 128

De acordo com a Fundacentro (2001), o ECP cobre os principais fatores ergonômicos do


local de trabalho: o armazenamento e o manuseio dos materiais, as ferramentas manuais, a
segurança do maquinário de produções, o design dos postos de trabalho, a iluminação, os
locais de trabalho, o controle de substâncias e agentes perigosos, os locais e as instalações
de serviço e a organização do trabalho.

O manual pode ajudá-lo a buscar soluções, pois cada ponto de verificação indica uma ação.
Para cada uma das ações são fornecidas opções exequíveis, assim como algumas
indicações adicionais (FUNDACENTRO, 2005). Consideramos que a maior contribuição do
ECP é a sua fundamental contribuição para a sua formação como ergonomista. Nesta fase
de aprendizado, você irá depara-se com uma variabilidade imensa de situações nocivas à
saúde dos trabalhadores e você precisa orientar o seu “olhar” de acordo com o ponto de vista
da ergonomia.

Fragmento do texto

As sugestões dadas aqui para a utilização de Pontos de verificação ergonômica estão


baseadas em seu emprego na prova piloto realizada nos “seminários itinerantes”
organizados pelo ILO. Acreditamos que este livro pode ser utilizado de muitas maneiras e
que será a criatividade do próprio formador um fator determinante na flexibilidade do manual.

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Para aplicar as melhorias nos locais de trabalho, os pontos de verificação dão uma série de
diretrizes baseadas em vários princípios fundamentais, entre os quais se incluem:

 As soluções imediatas precisam, para ser levadas a efeito, do envolvimento ativo dos
empregados, e o apoio dos trabalhadores deve ser estimulado;

 O trabalho em grupo é uma vantagem para planificar e aplicar melhorias práticas;

 O uso do material e dos peritos locais disponíveis traz muitas vantagens;

 Uma atuação em muitas direções pode assegurar que as melhorias permaneçam com
o tempo;

 Para realizar melhorias são necessários programas de ação contínua.

Este livro pode ser utilizado por uma variedade de pessoas para controlar as condições
existentes em um local de trabalho, ou para examinar a planificação dos lugares na fase de
design. Ao mesmo tempo, os usuários podem aprender vários tipos de soluções fáceis,
econômicas e aplicáveis, até mesmo para espaços reduzidos.

Os pontos de verificação foram desenvolvidos para uso de empresários, supervisores,


operários, engenheiros, pessoal de saúde e segurança, formadores e instrutores, inspetores,
extension workers (são professores que atuam em programas de universidades, faculdades
ou escolas que oferecem instrução), profissionais de ergonomia, projetistas de locais de
trabalho e outras pessoas que possam estar interessadas em melhorar os lugares,
equipamentos e condições de trabalho.

“Pontos de verificação ergonômica” é dirigido àqueles que desejam melhorar as condições


de trabalho por meio de uma análise sistemática e uma busca de soluções práticas para
seus próprios problemas particulares. Para estes, o manual cobre todos os principais fatores
ergonômicos dos locais de trabalho, o que os ajudará a supervisioná-los de uma maneira
organizada.

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Os usuários que desejam conhecer as soluções propostas para determinados problemas
podem ir diretamente a esses pontos de verificação específicos, pois os pontos de
verificação são particularmente adequados para observar diversos lugares de trabalho e
identificar soluções práticas aplicáveis a cada situação específica.

Outra característica única dos pontos de verificação ergonômica é a maneira como são
apresentados. Cada ponto de verificação indica uma ação. Na sequência, são descritas as
opções para essa ação. Quando os títulos dos pontos de verificação, ou uma parte deles,
aparecem juntos em forma de lista, esta pode ser utilizada simplesmente como uma lista de
verificação. No manual está incluída uma fácil lista de verificação, que abarca os 128 pontos
de verificação. Os usuários, dependendo de sua situação específica, podem empregar a lista
completa ou parte dela. A melhor forma de utilizar pontos de verificação ergonômica, com o
propósito de melhorar um local de trabalho, é a seguinte:

1. Utilizar a lista de verificação das páginas 19-38 deste manual para selecionar e aplicar
os pontos de verificação que sejam relevantes para o próprio local de trabalho do
usuário. Os pontos de verificação selecionados se convertem assim na lista de
verificação específica do usuário.

2. Organizar um grupo de discussão empregando a lista de verificação específica do


usuário como material de referência.

3. Um grupo de pessoas pode examinar o local de trabalho para realizar um estudo de


campo, aplicando sua própria lista de verificação específica.

4. Um grupo de discussão deve seguir o estudo de campo associado à aplicação da lista


de verificação específica do usuário. Esse segmento deve estar voltado para
determinar a prioridade das melhorias propostas de ação imediata.

5. Durante a discussão do grupo, a informação do manual sobre “como” e “algumas


indicações mais” podem ser úteis enquanto informações adicionais para os pontos de
verificações selecionados.

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6. As boas práticas e as boas condições de trabalho devem ser mencionadas onde
eventualmente forem observadas.

A utilização dessa lista de verificação específica, elaborada a partir dos pontos de verificação
selecionados, pode ser uma ferramenta poderosa para os cursos de treinamento nas
melhorias ergonômicas do local de trabalho.

Como utilizar a lista de verificação

1. Pergunte ao chefe todas as suas dúvidas. Ele deve estar a par dos principais produtos
e métodos de produção, do número de trabalhadores (tanto do sexo masculino como
feminino), do horário de trabalho (incluindo pausas e horas extras) e de qualquer
problema trabalhista importante.

2. Defina a área de trabalho a ser inspecionada. No caso de uma empresa pequena,


toda a área de produção poderá passar por inspeção. No caso de empresas grandes
deverão ser definidas concretamente as áreas de trabalho para serem comprovadas
em separado.

3. Repasse a lista de verificação e invista alguns minutos em dar uma volta pela área de
trabalho antes de começar a verificá-la.

4. Leia cada item cuidadosamente. Procure uma maneira de aplicar cada requisito. Se
for necessário, pergunte aos chefes ou aos empregados. Se o requisito já está sendo
empregado ou se não é necessário, marque NÃO em “Propõe alguma ação?”. Se
você acredita que o requisito deve ser cumprido, marque SIM. Utilize o espaço inferior
OBSERVAÇÕES para escrever suas sugestões ou sua localização.

5. Quando houver terminado, volte a observar os itens assinalados com SIM. Selecione
aqueles cujas melhorias pareçam mais importantes. Marque PRIORITÁRIO nesses
itens.

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6. Antes de concluir, assegure-se de que cada item esteja marcado com NÃO ou SIM, e
que alguns desses itens marcados com SIM estejam definidos como PRIORITÁRIO.

Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua SALA DE
AULA e faça a Atividade 2 no “link” ATIVIDADES.

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U NIDADE 21
ECP: Manipulação e armazenagem de materiais

Objetivo: Verificar as condições de manipulação e armazenamento.

Nesta unidade você conhecerá os pontos de verificação 1 a 21 referentes à estocagem e


manuseio de Materiais, páginas 39 a 78, do Ergonomic Checkpoints traduzido pela
Fundacentro (2001).

Para cada ponto de verificação, o ECP explica o porquê da análise (princípios ergonômicos)
e como você deve analisá-lo. Fornece também algumas dicas e pontos importantes que
precisam ser recordados sobre o assunto.

Se o requisito já está sendo empregado ou se não é necessário, marque não em “Propõe


alguma ação?”. Se você acredita que o requisito deve ser cumprido, marque sim.

Utilize o espaço inferior observações para escrever suas sugestões ou sua localização.
Quando houver terminado, volte a observar os itens assinalados com sim. Selecione aqueles
cujas melhorias pareçam mais importantes. Marque prioritário nesses itens.

Os pontos de verificação são ilustrados, facilitando a sua compreensão sobre manipulação e


armazenagem de materiais.

Nos itens abaixo são apresentados os pontos de verificação.

Princípios 01 a 21

1. Vias de transporte desocupadas e sinalizadas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

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2. . Manter as passagens e os corredores com largura suficiente para permitir um transporte
de mão dupla. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

3. Assegurar-se de que a superfície das vias de transporte seja uniforme, antiderrapante e


desimpedida de obstáculos. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

4. Providenciar rampas com uma pequena inclinação, de 5% a 8%, em lugar de pequenas


escadas ou diferenças bruscas de nível no local de trabalho. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

5. Melhorar a disposição da área de trabalho de forma que seja mínima a necessidade de


mover materiais. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

6. Utilizar carros, carrinhos de mão e outros aparelhos providos de rodas ou rolões quando
transportar material. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

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7. Empregar carros auxiliares móveis para evitar cargas e descargas desnecessárias.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

8. Usar prateleiras em várias alturas ou estantes, próximas à área de trabalho, para diminuir
o transporte manual de materiais. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

9. Usar dispositivos mecânicos para levantar, baixar e mover materiais pesados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

10. Reduzir a operação manual de materiais usando esteiras transportadoras, guindastes ou


gruas e outros meios mecânicos de transporte. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

11. Em vez de transportar cargas pesadas, repartir o peso em pacotes menores e mais leves,
em recipientes ou em bandejas. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

151
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12. Providenciar alças, asas ou bons pontos de preensão em todos os pacotes e caixas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

13. Eliminar ou reduzir as diferenças de nível quando os materiais forem removidos à mão.
Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

14. Sustentar e retirar horizontalmente os materiais pesados, empurrando-os ou arrastando-


os em vez de levantá-los ou baixá-los. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

15. Quando for manipular cargas, eliminar as tarefas que requeiram inclinar-se ou torcer-se.
Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

16. Manter os objetos junto ao corpo, enquanto são transportados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

152
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
17. Erguer e baixar os materiais devagar, diante do corpo, sem realizar torções nem
inclinações profundas. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

18. Ao transportar uma carga por uma distância curta, estender a carga simetricamente sobre
os dois ombros para proporcionar equilíbrio e reduzir o esforço. Propõe alguma ação? ( )
Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

19. Combinar a atividade de erguer cargas pesadas com tarefas fisicamente mais leves para
evitar lesões e fadiga, aumentando a eficiência. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

20. Providenciar recipientes para os refugos, e deixá-los bem situados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

21. Marcar as vias de evacuação e mantê-las livres de obstáculos.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

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Estudo Complementar 5: Esperamos que você leia atentamente as páginas 39 a 87
referentes aos pontos de verificação, disponível no site:

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

É imprescindível para o seu processo de aprendizado a leitura atenta do manual. Aproveite


para recordar todo o conteúdo!

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U NIDADE 22
ECP: Ferramentas

Objetivo: Selecionar adequadamen te os diferentes tipos de ferramentas.

Nesta unidade você continuará o estudo sobre os pontos de verificação do Ergonomic


Checkpoints (ECP), de acordo com a versão traduzida pela Fundacentro (2001). Serão
analisados os pontos de verificação 22 a 36 sobre ferramentas manuais.

Antigamente, o artesão fazia sua própria ferramenta. Com a industrialização, as ferramentas


passaram a ser projetadas por agentes externos. Um erro frequente é acreditar que ao
adquirir uma ferramenta você está comprando um produto que leve em consideração todas
as especificidades da atividade e a biomecânica dos membros superiores. Ferramentas mal
elaboradas exigem do trabalhador posturas nocivas, ocasionando rapidamente fadiga, perda
da concentração e perda da produtividade.

Ao projetar uma ferramenta é preciso:

 Projetar a ferramenta no tamanho certo, objetivos certos e adequados para uma ação.

 Ajustabilidade.

 Evitar forças estáticas.

 Evitar posturas assimétricas.

 Evitar ações repetitivas de dedos/ punho.

 Evitar forças compressivas.

 Evitar vibração.

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A ferramenta deve ser uma extensão da mão do trabalhador, conforme ilustrado na Figura
13. Ademais, a interação entre o formato da ferramenta e o ponto de realização da atividade
determina a postura adotada pelo trabalhador.

Figura 13

Lida (2005) explica que na escolha da ferramenta deve-se primeiramente considerar a sua
funcionalidade (exemplo: no caso de uma serra se ela corta bem, se não já é o primeiro
problema). Em segundo lugar, devem ser consideradas as características ergonômicas da
ferramenta, garantindo a segurança e o conforto do trabalhador.

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1. Característica da pega

As diferentes formas de pega; os movimentos a serem transmitidos (força, velocidade e


precisão); possibilidade de usar as duas mãos (para aumentar a força ou a precisão) e se é
adaptável a canhotos (fato este ignorado na maioria das vezes).

Lida (2005, p.250) afirma que “a concentração de tensões na mão pode ser reduzida,
melhorando-se o desenho da pega, aumentando-se o diâmetro da pega, eliminando-se as
superfícies angulosas ou “cantos vivos” e substituindo-se as superfícies lisas por rugosas ou
emborrachadas.

2. Centro de gravidade

O centro de gravidade da ferramenta deve situar-se, segundo Lida (2005), o mais próximo
possível do centro da mão. Permite melhor controle motor, pois reduz os momentos (no
sentindo da física) e, consequentemente, os esforços musculares e gastos energéticos
durante a sua operação.

Desenhos das ferramentas manuais

O projetista de uma ferramenta deve permitir a realização de movimentos necessários à


execução da tarefa. Para isso deve considerar:

1. Resultados mecânicos (força, torque, aceleração);

2. Peso e centro de gravidade;

3. Forma e dimensões da pega. Ao projetar uma ferramenta deve-se sempre evitar:

 Desvio do punho (eliminar a flexão forçada). Ou seja, a pega tem que permitir
que o punho se mantenha em postura neutra (o punho e o antebraço devem

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estar alinhados). Quando for preciso o cabo da ferramenta ou a lâmina de corte
devem ser curvados, mas jamais o punho do trabalhador.

 Ferramentas do tipo “pistola” ajudam a manter o punho na posição neutra (a


pega da ferramenta pistola está entre 70º e 90º e a mão humana fechada forma
um ângulo de 70 graus entre a horizontal e o eixo normal). Chafin et al. (2001),
baseados em considerações biomecânicas, mostram quando o cabo deve ser
cilíndrico e quando é mais adequado o cabo do tipo pistola, conforme a Figura
14.

Figura 14

 A abdução do ombro. Quando as ferramentas são mal projetadas exigem do


trabalhador maior adaptação, como forma de compensação os trabalhadores
realizam a abdução do ombro para diminuir o desvio do punho. A abdução do
ombro é, portanto, uma postura compensatória bastante nociva utilizada pelos
trabalhadores para minimizar movimentos exagerados de punho causados por
ferramentas inadequadas. Neste tipo de situação, há sobrecarga muscular nas
regiões dos ombros e cintura escapular devido à contração estática prolongada
dos músculos abdutores ou elevadores do ombro, levando à fadiga muscular.

158
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 Força excessiva. O trabalho não pode exigir mais do que 20% da capacidade
máxima de um determinado grupo muscular (mede-se através do
dinamômetro). Além do peso da ferramenta, da ação da gravidade e do peso
do próprio braço do trabalhador, é preciso considerar a força de rotação criada
pelas ferramentas de torque (por exemplo: o torque de parafusamento cria
tendência de giro da mesma sobre a mão do operador que precisa segurá-la
firmemente para compensar tal força). A força máxima de preensão (ex.:
alicates) é alcançada quando o cabo começa a fechar próximo de 7,5 a 8 cm;
As mulheres apresentam aproximadamente a metade da força de preensão
masculina; A força de preensão ocasional deve ser restrita a valores abaixo de
90 N – o punho e a mão estiverem alinhados e os esforços não sejam
repetitivos; A abertura máxima de preensão deve ser restrita a
aproximadamente 5 a 8 cm para aplicação máxima de força; Para mãos
pequenas e médias, a força máxima de preensão acontece em aberturas ao
redor de 5 cm, enquanto que para mãos maiores, ela ocorre próxima de 6 cm.

 Concentração de forças. Priorizar a pega e o acionamento de manoplas com


todos os dedos.

 Pega escorregadia. O uso de anteparo para proteger contra escorregões (evitar


que a mão do trabalhador se projete para frente quando suada) e Manoplas
cobertas com cabos acolchoados ou espumas semideformáveis. Se o
trabalhador precisa segurar firmemente a ferramenta para que ela não
escorregue é comum desenvolver um tipo de patologia conhecida como
tenossinovite de DeQuervain. Observe na Figura 15, desenvolvida por Chafin et
al. (2001), as diferenças entre o cabo tradicional de ferro de solda e o cabo
para mesma função, angulado e com o anteparo.

4. Possibilidade de mudar o manejo;

5. Superfície de contato com as mãos.

159
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 Reduzir a concentração de tensões provocada pelo cabo na palma da mão. Na
Figura 16 (Chafin et al., 2001) você pode observar uma ferramenta mal
projetada. O cabo curto do alicate cria forças compressivas diretas na palma da
mão do trabalhador, causando a compressão do nervo mediano, artérias e
sinóvia dos tendões flexores.

Figura 16

Princípios 22 a 36

Leia os princípios sobre o uso de ferramentas propostos pelo ECP.

22. Em tarefas repetitivas, empregar ferramentas específicas para seu uso.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

23. Fornecer ferramentas mecânicas seguras e assegurar-se de que sejam tomados os


devidos cuidados. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

24. Empregar ferramentas suspensas para operações repetidas no mesmo local.


160
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Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

25. Utilizar morsas, grampos ou tornos de bancada para prender materiais ou objetos de
trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

26. Proporcionar um apoio para a mão ao utilizar ferramentas de precisão.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

27. Minimizar o peso das ferramentas (exceto no caso de ferramentas de bater).

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

28. Escolher ferramentas que possam ser manuseadas com um mínimo de esforço.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

161
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29. Em ferramentas manuais, fornecer as que tenham grossura de cabo comprimento e
forma apropriadas para um manejo confortável. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

30. Providenciar ferramentas manuais com pontos de preensão que tenham a fricção
adequada ou com dispositivos de segurança ou retenção que evitem que deslizem ou
escapem. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

31. Disponibilizar ferramentas com um isolamento apropriado para evitar queimaduras e


descargas elétricas. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

32. Minimizar a vibração e o ruído das ferramentas manuais. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

33. Providenciar um “local” para cada ferramenta. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

162
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34. Inspecionar e fazer a manutenção regular das ferramentas manuais. Propõe alguma
ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

35. Dar treinamento aos trabalhadores antes de lhes permitir a utilização de ferramentas
mecânicas. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

36. Providenciar espaço suficiente e apoio estável dos pés para o manejo das ferramentas
mecânicas. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Estudo Complementar 6: Faça a leitura das páginas 88 a 120, referentes aos pontos de
verificação para ferramentas, disponível no site:

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

Conhecer em detalhes o conteúdo do material é fundamental para o seu aprendizado teórico


e prático sobre ergonomia. Ao final do módulo, você será avaliado sobre todos os pontos de
verificação presentes no ECP.

Dedique-se à leitura!

163
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U NIDADE 23
ECP: Segurança de Máquinas

Objetivo: Analisar a segurança das máquinas de acordo com os pontos de verificação do


Ergonomic Checkpoints.

Nesta unidade continuaremos analisando os pontos de verificação do Ergonomic


Checkpoints traduzido pela Fundacentro (2001). Serão apresentadas as verificações 37 a 56
referentes à segurança das máquinas.

Leia atentamente cada ponto de verificação desta unidade. Em seguida, não deixe de
realizar a leitura da versão completa. Nela você obtém informações detalhadas sobre cada
ponto de verificação, tira dúvidas e conhece uma infinidade de dicas que irão auxiliá-lo
futuramente na aplicação prática desta ferramenta.

Princípios 37 a 56

37. Proteger os controles para prevenir que sejam acidentalmente acionados.

Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

38. Manter os controles de emergência claramente visíveis e facilmente acessíveis a partir da


posição normal do operador.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

164
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39. Manter os diferentes controles facilmente distinguíveis uns dos outros.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

40. Assegurar-se de que o trabalhador possa ver e alcançar confortavelmente todos os


controles.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

41. Colocar os controles na sequência de operação.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

42. Empregar as expectativas naturais para o movimento dos controles.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

43. Limitar o número de pedais e, se forem usados, fazer com que sejam de fácil
operação.Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

165
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44. Fazer com que a sinalização e os indicadores sejam facilmente distinguíveis uns dos
outros e fáceis de ler.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

45. Utilizar marcas ou cores nos indicadores que ajudem os trabalhadores a compreender o
que devem fazer.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

46. Eliminar ou encobrir todos os indicadores que não sejam utilizados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

47. Utilizar símbolos somente se eles forem facilmente compreendidos pelos trabalhadores
do lugar.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

166
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48. Fazer etiquetas e sinais fáceis de ver, ler e compreender.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

49. Utilizar sinais de advertência que o trabalhador compreenda de modo fácil e correto.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

50. Utilizar sistemas de firmar ou fixar visando tornar a operação de mecanização estável,
segura e eficiente.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

51. Comprar máquinas seguras.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

52. Utilizar dispositivos para alimentar e para expelir, mantendo as mãos dos trabalhadores
longe das áreas perigosas das máquinas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

167
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53. Utilizar proteções ou barreiras apropriadas para prevenir contatos com as partes móveis
do maquinário.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

54. Usar barreiras interconectadas para tornar impossível aos trabalhadores alcançar pontos
perigosos quando a máquina estiver em funcionamento.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

55. Inspecionar, limpar e dar manutenção periodicamente às máquinas, incluindo os cabos


elétricos. Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

56. Dar treinamento aos trabalhadores para que operem de forma segura e eficiente.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

168
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Estudo Complementar 7: Não deixe de realizar a leitura das páginas 121 a 168 referentes
aos pontos de verificação sobre segurança das máquinas. A versão completa do Ergonomic
Checkpoints está disponível no site da Fundacentro (2001), no seguinte endereço:

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#

169
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U NIDADE 24
ECP: Projeto da Estação de Trabalho

Objetivo: Identificar os principais pontos de um projeto de estação de trabalho de acordo com


os princípios do Ergonomic Checkpoints.

Nesta unidade continuaremos apresentando o Ergonomic Checkpoints (traduzido pela


Fundacentro, 2001), especificamente os pontos de verificação 57 a 71 referentes ao projeto
da Estação de Trabalho.

Esta parte do manual explica as alturas das estações de trabalho, o risco de se trabalhar em
uma superfície de trabalho com a altura inadequada, o correto posicionamento de controles e
materiais, a importância dos espaços para pernas e para o corpo, a necessidade de
alternância postural, o posicionamento dos materiais, ferramentas e controles a uma
distância confortável para os trabalhadores e funcional para a produção, entre outros fatores
fundamentais para o projeto de uma estação de trabalho que atenda os critérios de saúde,
segurança, qualidade e exigências da produção.

Entre todos os pontos de verificação deste item, o ponto 71 é o mais importante, porém
normalmente não faz parte da rotina de quem projeta um posto de trabalho. Trata-se do
envolvimento dos trabalhadores na melhoria do design de seu próprio posto de trabalho. De
acordo com a Fundacentro (2001), “Ninguém conhece melhor um trabalho do que a pessoa
que o realiza todos os dias. Esse trabalhador é a melhor fonte de informações sobre as
maneiras de melhorar o equipamento e a produtividade”.

170
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Princípios 57 a 71

57. Ajustar a altura de operação para cada trabalhador, situando-a no nível dos cotovelos ou
um pouco mais baixo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

58. Assegurar-se de que os trabalhadores mais baixos possam alcançar os controles e


materiais com uma postura natural.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

59. Certificar-se de que os trabalhadores mais altos tenham bastante espaço para mover
com comodidade as pernas e o corpo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

60. Situar os materiais, ferramentas e controle utilizados com maior frequência em uma área
de fácil alcance.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

171
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61. Providenciar uma superfície de trabalho estável e de multiuso em cada posto de trabalho.
Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

62. Proporcionar lugares para trabalhar sentado aos trabalhadores que realizam tarefas que
exijam precisão ou uma inspeção detalhada de elementos e lugares para trabalhar de pé aos
que realizam tarefas que demandem movimentos do corpo e uma maior força.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

63. Assegurar-se de que o trabalhador possa permanecer de pé com naturalidade, apoiado


sobre ambos os pés, realizando o trabalho perto e diante do próprio corpo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

64. Permitir que os trabalhadores alternem de posição entre estar sentado e estar de pé
durante o trabalho, na medida do possível.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

172
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65. Providenciar cadeiras ou banquetas para que ocasionalmente se sentem os
trabalhadores que executam suas tarefas de pé.

Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

66. Fornecer cadeiras reguláveis e com espaldar aos trabalhadores que operam sentados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

67. Proporcionar superfícies de trabalho reguláveis aos trabalhadores que alternam entre
lidar com objetos grandes e pequenos.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

68. Fazer com que os postos com telas e teclados, tais como os postos com terminais-vídeo,
possam ser regulados pelos trabalhadores.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

173
Copyright © 2007, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil
69. Proporcionar exames dos olhos e óculos protetores apropriados aos trabalhadores que
utilizem habitualmente um equipamento com terminal-vídeo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

70. Proporcionar treinamento para manter atualizados os trabalhadores com terminal-vídeo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

71. Envolver os trabalhadores na melhoria do design de seu próprio posto de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Estudo Complementar 8: Faça a leitura das páginas 121 a 199, referentes aos pontos de
verificação para melhoria do design do posto de trabalho, disponível no site:

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

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U NIDADE 25
ECP: Iluminação

Objetivo: Verificar os fatores que interferem no conforto visual no trabalho.

Nesta unidade continuaremos apresentando o Ergonomic Checkpoints (traduzido pela


Fundacentro, 2001), especificamente os pontos de verificação 72 a 81 referentes à
iluminação.

Iluminação, acústica e temperatura do ambiente de trabalho são fatores que influenciam


diretamente o conforto, a produtividade e até mesmo a saúde dos profissionais no ambiente
de trabalho. No caso da iluminação dos ambientes de trabalho, os projetos raramente se
preocupam com o tipo de tarefa que será realizada no local mesmo existindo a exigência
legal da NBR-5413 (Norma de Iluminação) NR-9 (Norma de Prevenção de Riscos
Ambientais).

O aparelho usado para medir a iluminância é o luxímetro como o instrumento digital portátil,
com tela de cristal líquido (LCD), que realiza medidas da iluminação ambiente em LUX na
faixa de 1 LUX a 50.000 LUX. Além das medidas quantitativas, é fundamental a análise dos
princípios propostos pelo ECP e, simultaneamente, a percepção dos trabalhadores.

Nem sempre uma situação de iluminação dentro dos padrões legais será adequada ao tipo
de trabalho realizado. Por isso, é sempre indispensável entender as atividades realizadas e
analisar como os trabalhadores percebem a iluminação. Uma iluminação adequada é
considerada pela ergonomia como um dos fatores capazes de melhorar a satisfação dos
trabalhadores, aumentar a produtividade, reduzir as doenças ocupacionais e os riscos de
acidentes, pois:

175
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1. Excesso de luz é um problema comum nas empresas e nos escritórios. Muita luz, no
entanto, não significa luz adequada. Pelo contrário, pode atrapalhar e gerar uma
sensação de desconforto.

2. O limite mínimo também deve ser observado. A iluminação da área de trabalho deve
apresentar, no mínimo, 500 luxes, o que é fiscalizado pelo Ministério do Trabalho.

3. Além da iluminação geral, algumas atividades exigem uma iluminação mais pontual na
mesa de trabalho (desklight).

4. O excesso da luz solar deve ser controlado com cortinas e persianas. Há uma
tendência em se aproveitar a luz natural, sempre a complementando com a iluminação
artificial.

5. Ao longo do dia, as pessoas têm necessidades diferentes - normalmente decrescentes


- de iluminação. Identificar como essa variação pode ajudar no rendimento do
trabalho.

6. Iluminação com cores diferentes torna o ambiente de trabalho menos monótono,


causando uma sensação de bem-estar.

7. Também é possível utilizar recursos de iluminação em paredes, para torná-las mais


aconchegantes.

8. O computador nunca deve receber a luz natural da janela diretamente na tela. O


ofuscamento prejudica a concentração e a saúde.

9. Pesquisa feita nos Estados Unidos demonstrou que aqueles que ficavam perto de
janelas tinham 23% menos queixa de dor nas costas, dor de cabeça e exaustão.

10. Remova lâmpadas onde há mais luz do que o necessário, mas certifique-se de manter
uma iluminação boa em locais de trabalho para não prejudicar seu desempenho ou
evitar acidentes (áreas com máquinas).

176
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11. Realizando a limpeza de paredes, tetos e pisos e utilizar cores claras no ambiente de
trabalho e estudo, melhoram a iluminação do local e você se sentirá mais confortável
e disposto no seu local de trabalho (UFRJ, 2008).

Segundo Grandjean (2004), alguns conceitos são fundamentais, para o melhor entendimento
do iluminamento. Entre eles:

 Iluminância – É a quantidade de luz que incide sobre uma superfície. Sua unidade de
medida é o lux (lx). Onde: 1 lux (lx) = 1 lumem (lm), sendo o lumem a unidade do fluxo
luminoso.

 Luminância – É a quantidade, refletida ou absorvida, de luz. Seu valor depende das


características do material que constitui o corpo (paredes, móveis e objetos). Contudo,
as luminárias possuem luminância exata. A unidade de medida é a candela por metro
quadrado (cd/m2).

 Reflectância – É a percentagem de luz refletida em relação à luz incidente. Ou seja, a


razão entre a luminância e a iluminância, sua fórmula é a seguinte:
Reflectância (%) = (Luminância / Iluminância) x 3,14 x 100

O autor explica que estímulos físicos iguais são percebidos de forma diferente por pessoas
diferentes. No entanto, quanto ao iluminamento, existem as seguintes correlações:
“claridade” para uma grande incidência de luz na retina e “penumbra” para pouca luz
incidente.

Durante o projeto de estações de trabalho, alguns cuidados são necessários, para se


conseguir o conforto visual e o desempenho óptico. São eles:

 Adequado nível de luminância;

 Equilíbrio das luminâncias dentro do espaço físico;

177
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 Uniformidade temporal da iluminação;

 Evitar o ofuscamento.

Princípios 72 a 81

72. Aumentar o uso da luz natural.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

73. Usar cores claras para as paredes e tetos quando forem necessários níveis mais altos de
iluminação.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

74. Iluminar os corredores, escadas, rampas e demais áreas onde possa haver pessoas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

75. Iluminar a área de trabalho e minimizar as oscilações de luminosidade.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

178
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76. Proporcionar iluminação suficiente para os trabalhadores, de forma que possam operar
em todo momento de modo eficiente e confortável.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

77. Propiciar iluminação localizada para os trabalhos de inspeção ou de precisão.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

78. Redistribuir os pontos de luz ou dotá-los de um quebra-luz apropriado para eliminar a


iluminação direta.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

79. Eliminar as superfícies brilhantes do campo de visão do trabalhador.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

179
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80. Escolher um fundo apropriado à tarefa visual para realizar trabalhos que requeiram uma
atenção contínua e importante.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

81. Limpar as janelas e realizar a manutenção das fontes de luz.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Estudo Complementar 9: Faça a leitura das páginas 200 a 220, referentes aos pontos de
verificação para iluminação.

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

180
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U NIDADE 26
ECP: Instalações, Riscos Ambientais, Comodidade e bem-estar

Objetivos: Avaliar as instalações, os riscos ambientais e os fatores de comodidade e bem-


estar baseados nos princípios do Ergonomic Checkpoints.

Nesta unidade trabalharemos com três itens do Ergonomic Checkpoints:

1. Instalações - princípios 82 a 87.

Orientações relacionadas à temperatura do local de trabalho. O calor excessivo ou o frio


extremo influem de maneira importante na capacidade de trabalho, além de produzir uma
grande queda na produtividade e aumentar a quantidade de erros e acidentes. Conforme
discutimos no Módulo “Biomecânica Ocupacional”, o estresse térmico aumenta a fadiga.
Além disso, pode dar lugar a enfermidades provocadas pela exposição ao calor. Atan (2008)
constatou que além de suportar temperaturas de até 80º C, operários da indústria siderúrgica
encontram outros inconvenientes no seu dia-a-dia. Comparados aos funcionários que
trabalham longe do metal incandescente, eles têm nove vezes mais chance de contrair pedra
nos rins. A perda de líquido pelo suor intenso leva à desidratação", consequentemente, a
urina fica muito concentrada, propiciando a formação de cálculos", completa Ortiz, que
orientou o estudo. Além de operários de siderúrgicas, outros trabalhadores, como
ambulantes, motoristas de ônibus e cozinheiros, também convivem com temperaturas altas

2. Riscos ambientais - princípios 88 a 94.

Orientações relacionadas aos riscos ambientais presentes no trabalho como ruído, vibração,
choque elétrico e substâncias químicas. Conforme discutido no módulo “Aspectos sociais,

181
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saúde e produtividade” estes riscos ambientais resultam em uma série de doenças
ocupacionais.

3. Comodidade e bem-estar - princípios 95 a 99.

Normalmente, os itens relacionados à qualidade de vida do trabalhador possuem os menores


índices de cumprimento. Cockell (2008) apesar das altas cargas de trabalho presentes na
construção civil, as principais reivindicações dos operários relacionam-se com o cumprimento
das necessidades higiênicas. A insuficiência e a precariedade dos dormitórios, refeitórios e
banheiros são alvo de disputa entre representantes sindicais e alguns empregadores, pois,
geralmente, nem mesmo são oferecidas aos operários as necessidades básicas como água
potável, chuveiro quente, instalações sanitárias resguardadas, telefones comunitários e
condições mínimas de alojamento. Apesar da obrigatoriedade das áreas de vivência e de
lazer nos canteiros de obras, segundo regimentado pela NR-18, o percentual de
descumprimento deste grupo de exigências é elevado.

Princípios 82 a 87

82. Proteger o trabalhador do calor excessivo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

83. Proteger o local de trabalho do calor ou do frio excessivos provenientes do exterior.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

182
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84. Isolar ou manter afastadas as fontes de calor ou de frio.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

85. Instalar sistemas eficazes de exaustão localizada que permitam um trabalho seguro e
eficiente.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

86. Aumentar o uso da ventilação natural quando for necessário melhorar o ambiente térmico
interno.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

87. Melhorar e manter os sistemas de ventilação para assegurar uma boa qualidade do ar
nos locais de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

183
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Princípios 88 a 94

88. Isolar ou cobrir as máquinas barulhentas ou determinadas partes delas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

89. Dar manutenção periódica às ferramentas e máquinas a fim de reduzir o ruído.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

90. Assegurar-se de que o ruído não interfira com a comunicação, a segurança ou a


eficiência do trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

91. Reduzir as vibrações que afetam os trabalhadores a fim de melhorar a segurança, a


saúde e a eficiência do trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

184
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92. Escolher luminárias manuais elétricas que estejam bem isoladas contra as descargas
elétricas e o calor.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

93. Assegurar-se de que as conexões dos cabos de ponto de luz e equipamentos sejam
seguros.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

94. Proteger dos riscos químicos os trabalhadores, a fim de que possam realizar seu trabalho
de forma segura e eficiente.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Princípios 95 a 99

95. Fornecer e manter em bom estado ambientes para troca de roupa, para banho e
sanitários, a fim de assegurar a boa higiene e o asseio.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

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96. Providenciar áreas para comer, locais de descanso e bebedouros, a fim de assegurar o
bem-estar e uma boa realização do trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

97. Melhorar, juntamente com os trabalhadores, as instalações de bem-estar e de serviço.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

98. Providenciar locais para a reunião e o treinamento dos trabalhadores.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

99. Designar responsabilidades para a arrumação e a limpeza diárias.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

186
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Estudo Complementar 10: Faça a leitura das páginas 221 a 263, referentes aos pontos de
verificação para instalações, riscos ambientais, conforto e comodidade.

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

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U NIDADE 27
ECP: Equipamentos de Proteção Individual

Objetivo: Conhecer os princípios do Ergonomic Checkpoints relativos aos equipamentos de


proteção individual.

Nesta unidade apresentaremos os princípios 100 a 107 sobre Equipamentos de Proteção


Individual (EPI) de acordo com o Ergonomic Checkpoints (traduzido pela Fundacentro, 2001).
Entretanto, antes de apresentarmos tais pontos de verificação é importante enfatizarmos a
visão da ergonomia a respeito do uso dos EPI.

As ações preventivas de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais realizadas nas


empresas brasileiras baseiam-se predominantemente nos conhecimentos da Medicina do
Trabalho e Saúde Ocupacional, focados nos mapas de riscos e no uso “correto do EPI
adequado para cada risco”.

Para estas correntes “os agentes/riscos são assumidos como peculiaridades naturalizadas
de objetos e meios de trabalho, descontextualizados das razões que se situam em sua
origem, repetem-se, na prática, as limitações da Medicina do Trabalho. As medidas que
deveriam assegurar a saúde do trabalhador, em seu sentido mais amplo, acabam por
restringir-se a intervenções pontuais sobre os riscos mais evidentes. Enfatiza-se a utilização
de equipamentos de proteção individual, em detrimento dos que poderiam significar a
proteção coletiva; normatizam-se formas de trabalhar consideradas seguras, o que, em
determinadas circunstâncias, conforma apenas um quadro de prevenção simbólica.
Assumida essa perspectiva, são imputados aos trabalhadores os ônus por acidentes e
doenças, concebidos como decorrentes da ignorância e da negligência, caracterizando uma
dupla penalização” (MACHADO E MINAYO-GOMEZ, 1995).

Conforme o debate realizado no Módulo “Aspectos Sociais, Saúde e Produtividade”, a


Ergonomia aponta um novo enfoque e novas práticas para lidar com a relação trabalho-

188
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saúde e segurança, sob ponto de vista da Saúde do Trabalhador. A partir da leitura de um
trecho do texto “A construção do campo da saúde do trabalhador: percurso e dilemas”,
escrito por Minayo-Gomes e Costa (1997), torna-se claro o tratamento interdisciplinar da
Saúde do Trabalhador, focado na penosidade das cargas de trabalho.

Fragmento do Texto

O tratamento interdisciplinar implica a tentativa de estabelecer e articular dois planos de


análise: o que contempla o contorno social, econômico, político e cultural - definidor das
relações particulares travadas nos espaços de trabalho e do perfil de reprodução social dos
deferentes grupos humanos - e o referente a determinadas características dos processos de
trabalho com potencial de repercussão na saúde.

Entre os conceitos e noções extraídos dessas características, encontram-se os


classificatórios de risco - fundamentalmente associados às propriedades materiais e
mensuráveis quantitativamente dos objetos, meios e ambientes de trabalho - e os de
exigências ou requerimentos, que dizem respeito a componentes mais qualitativos derivados
da organização do trabalho. Embora esses conceitos sejam complementares e inseparáveis,
numa visão ampla de ambiente de trabalho, as concepções legais e as práticas hegemônicas
acabam por focalizar predominantemente no ambiente físico as situações capazes de defini-
lo como insalubre ou perigoso. Já a noção de penosidade (Sato, 1991), ao vincular os
esforços exigidos, particularmente pela organização do trabalho, ao contexto geral do
trabalho, aponta para uma nova leitura, que vem contrapor-se a um reducionismo que
desconsidera componentes essenciais à apreensão do trabalho humano em sua
integralidade.

Laurell e Noriega (1989), no intuito de distanciarem-se do conceito de risco, por


considerarem-no insuficiente para apreender a lógica global do processo de trabalho,
utilizam-se do que denominam categoria carga de trabalho - abarcando tanto as físicas,
químicas e mecânicas quanto as fisiológicas e psíquicas - que interatuam dinamicamente
entre si e com o corpo do trabalhador. Assinalam, no entanto, que estas últimas "não têm

189
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materialidade visível externa ao corpo humano", apontando, sem sistematizar, os
componentes do processo de trabalho capazes de gerá-las. Posteriormente, Noriega (1993)
passa a atribuir às exigências - enquanto requerimentos decorrentes da organização do
trabalho e da atividade do trabalhador - um papel relevante na conformação dos perfis de
saúde-doença dos coletivos de trabalhadores, ao distingui-las dos riscos, relacionados aos
objetos e meios de trabalho.

Para melhor compreender como riscos ou cargas e exigências se manifestam concretamente


nos processos de trabalho, é pertinente o instrumental desenvolvido pela corrente francesa
da Ergonomia Situada (Vidal, 1995), com base na distinção entre tarefa prescrita e atividade
real. Essa distinção, previsível, diante da variabilidade de condições de trabalho, ocorre,
sobretudo, em face de situações que exigem a interferência constante dos trabalhadores
para manterem a continuidade da produção ou prevenirem eventos acidentários. Um
processo de investigação que objetive formular propostas de transformação requer um
minucioso trabalho empírico que capte e potencialize o saber e os processos psíquicos
mobilizados na atividade. Embora não voltado diretamente para o campo da saúde, esse
enfoque vai trazer-lhe uma contribuição singular, ao permitir uma aproximação efetiva para ir
desvendando o enigma do trabalho.

Princípios 100 a 107

100. Providenciar equipamentos de proteção pessoal adequados.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

190
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101. Quando os riscos não podem ser eliminados por outros meios, escolher um
equipamento de proteção pessoal adequado para o trabalhador e que seja de fácil
manutenção.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

102. Assegurar o uso habitual do equipamento de proteção pessoal mediante as instruções e


o treinamento adequados e períodos de experiência para a adaptação.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

103. Assegurar-se de que todos utilizem os equipamentos de proteção pessoal quando eles
forem necessários.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

104. Assegurar-se de que os equipamentos de proteção pessoal tenham aceitação entre os


trabalhadores.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

191
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105. Providenciar recursos para a limpeza e a manutenção regular dos equipamentos de
proteção pessoal.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

106. Proporcionar uma armazenagem adequada para os equipamentos de proteção pessoal.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

107. Sinalizar claramente as áreas onde for obrigatório o uso de equipamentos de proteção
pessoal.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Estudo Complementar 11: Faça a leitura das páginas 264 a 279, referentes aos pontos de
verificação para Equipamentos de Proteção Individual.

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

192
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U NIDADE 28
ECP: Organização do Trabalho

Objetivo: Avaliar a organização do trabalho segundo os princípios do Ergonomic


Checkpoints.

Nesta unidade finalizemos o Ergonomic Checkpoints (traduzido pela Fundacentro, 2001),


analisando os princípios 108 a 128 relativos aos aspectos organizacionais.

Um dos principais desafios da ação ergonômica é contribuir com a mudança dos modelos de
gestão. A finalidade primeira da ação ergonômica é transformar o trabalho (GUÉRIN ET AL.,
2001).

De acordo com a NR-17 (Norma Regulamentadora de Ergonomia) a organização do trabalho


deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do
trabalho a ser executado. A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em
consideração, no mínimo:

a. As normas de produção;

b. O modo operatório;

c. A exigência de tempo;

d. A determinação do conteúdo de tempo;

e. O ritmo de trabalho;

f. O conteúdo das tarefas.

As empresas quando contratam um ergonomista ou formam um comitê interno de ergonomia


desejam mudanças eficazes sem modificações expressivas nos aspectos relacionados com
193
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a organização do trabalho. Guérin et al. (2001, p. 188) explicam que “a maneira como as
perguntas são colocadas na empresa, e a partir das quais se constroem os problemas a
resolver, vai orientar em grande medida a condução da ação ergonômica. Mas esta também
está relacionada à maneira como a empresa é capaz de se apropriar e de implantar os
resultados da ação ergonômica em curso”.

Segundo eles, se o projeto que orienta a ação do ergonomista é de fato a transformação do


trabalho e, portanto, a evolução da maneira como a empresa funciona, o que está em jogo
na ação ergonômica diz respeito à maneira como as representações dos atores se
estruturam e podem evoluir, o que coloca “a questão das modalidades da associação
(condições, posicionamentos e papéis) dos trabalhadores na mudança. Nesse quadro, são
centrais a questão da maneira como os conhecimentos sobre o trabalho são produzidos e
transferidos (associação dos trabalhadores na elaboração das hipóteses, análise,
tratamentos de dados e sua representação) e a questão da sua apropriação (disponibilidade,
associação na elaboração de compromissos)” (p.190).

Princípios 108 a 128

108. Envolver os trabalhadores na planificação de seu trabalho diário.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

109. Consultar os trabalhadores sobre como melhorar a organização do tempo de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

194
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110. Resolver os problemas do trabalho envolvendo os trabalhadores em grupos.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

111. Consultar os trabalhadores sobre as mudanças a serem feitas na produção e sobre as


melhorias necessárias para tornar o trabalho mais seguro, fácil e eficiente.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

112. Premiar os trabalhadores por sua colaboração na melhoria da produtividade e do local


de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

113. Informar com frequência aos trabalhadores sobre os resultados de seu trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

195
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114. Dar treinamento aos trabalhadores para que assumam responsabilidade e fornecer-lhes
os meios para que tragam melhorias a suas tarefas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

115. Propiciar ocasiões para a fácil comunicação e o apoio mútuo no local de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

116. Dar oportunidades para que os trabalhadores aprendam novas técnicas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

117. Formar grupos de trabalho, de modo que em cada um deles o trabalho seja coletivo e
os resultados sejam de responsabilidade de todos.

Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

196
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118. Melhorar os trabalhos difíceis e monótonos a fim de incrementar a produtividade em
longo prazo. Propõe alguma ação?

( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

119. Combinar as tarefas para fazer com que o trabalho seja mais interessante e variado.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

120. Colocar um pequeno estoque de produtos inacabados (estoque intermediário) entre os


diferentes postos de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

121. Combinar o trabalho diante de um terminal-vídeo com outras tarefas para incrementar a
produtividade e reduzir a fadiga.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

197
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122. Proporcionar pausas curtas e frequentes durante os trabalhos contínuos com terminal-
vídeo.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

123. Levar em consideração as habilidades dos trabalhadores e suas preferências na hora


de designar os postos de trabalho.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

124. Adaptar as instalações e equipamentos para os trabalhadores incapacitados, a fim de


que possam trabalhar com toda segurança e eficiência.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

125. Prestar a devida atenção à segurança e saúde de mulheres grávidas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

198
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126. Tomar medidas para que os trabalhadores de mais idade possam realizar seu trabalho
com segurança e eficiência.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

127. Estabelecer planos de emergência para assegurar operações de emergência corretas,


acessos fáceis às instalações e rápida evacuação.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

128. Aprender de que maneira melhorar seu local de trabalho a partir de bons exemplos em
sua própria empresa ou em outras empresas.

Propõe alguma ação? ( ) Não ( ) Sim ( ) Prioritário

Observações_____________________________________________________________

Estudo Complementar 12: Faça a leitura das páginas 280 a 325, referentes aos pontos de
verificação para iluminação.

http://www.fundacentro.gov.br/dominios/CTN/seleciona_livro.asp?Cod=57#)

199
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Atividade de Trabalho

Aplique o ECP (Ergonomic Checkpoint) em uma situação de trabalho. Utilize a listagem


disponível nas páginas 20 a 38 do manual para o trabalho de campo. Leia cada item
cuidadosamente. Se o requisito já está sendo empregado ou se não é necessário, marque
NÃO em “Propõe alguma ação?”. Se você acredita que o requisito deve ser cumprido,
marque SIM. Utilize o espaço inferior OBSERVAÇÕES para escrever suas sugestões ou sua
localização.

Não se esqueça de pedir autorização dos trabalhadores e explicar a todos envolvidos que se
trate de uma pesquisa acadêmica.

Após verificar os 128 pontos, volte a observar os itens assinalados com SIM. Selecione
aqueles cujas melhorias pareçam mais importantes. Em seguida, marque PRIORITÁRIO
nesses itens.

Faça uma descrição sintética da situação analisada e disserte sobre as seguintes questões:

1) Aponte os itens que foram selecionados com prioritários e os motivos desta escolha.

2) Sugira no mínimo uma modificação para cada um dos itens selecionados como
prioritário e justifique a sua sugestão.

Bom trabalho de campo!

200
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U NIDADE 29
Etapa de síntese e implementação das melhorias

Objetivo: Formular o diagnóstico em ergonomia.

O diagnóstico é a síntese da análise ergonômica do trabalho. A partir dos dados levantados


nas etapas anteriores serão construídos o diagnóstico local (condicionantes ambientais e
técnico-organizacionais deste posto com as determinantes manifestadas pelo trabalhador) e
o diagnóstico geral.

Para o estabelecimento do diagnóstico e construção coletiva das soluções você poderá


empregar algumas ferramentas. Nesta unidade apresentaremos o QFD – em inglês significa
Quality Function Deployment e o 5W1H.

QFD

A matriz de QFD (Figura 17) é utilizada normalmente no desenvolvimento de projetos de


produtos, uma vez que capta os anseios e conflitos dos envolvidos, mais especificamente na
etapa de determinação do design do produto. O QFD é uma técnica que pode ser
empregada durante a Análise Ergonômica do Trabalho e que tem por objetivo auxiliar o
comitê de ergonomia ou o ergonomista no projeto de melhoria das situações de trabalho de
forma a incorporar no projeto as reais necessidades dos trabalhadores e da produção, sob o
ponto de vista da atividade.

201
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Figura 17

Por meio de um conjunto de matrizes parte-se dos requisitos expostos e realiza-se um


processo de “desdobramento” transformando-os em especificações técnicas do produto. As
matrizes servem de apoio para o grupo orientando o trabalho, registrando as discussões,
permitindo a avaliação e priorização de requisitos e características e, ao final, será uma
importante fonte de informações para a execução de todo o projeto.

Portanto, a matriz de QFD corrobora com os princípios da ergonomia participativa. Peixoto e


Carpinetti (2008) explicam que por ser uma metodologia que se baseia no trabalho coletivo,
os membros da equipe desenvolvem uma compreensão comum sobre as decisões, suas
razões e suas implicações, e se tornam comprometidos com iniciativas de implementar as
decisões que são tomadas coletivamente.

Além de auxiliar o dialogo entre as diferentes racionalidades envolvidas e potencializar o


envolvimento dos trabalhadores, a aplicação da matriz permite tornar explícitas as relações
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entre necessidades dos clientes, características do produto e parâmetros do processo
produtivo, permitindo a harmonização e priorização das várias decisões tomadas durante o
processo de desenvolvimento do produto, bem como em potencializar o trabalho de equipe.

Boscolo et al (1999) explicam que com o processo de elaboração da matriz QFD em ações
ergonômicas podem-se observar outros benefícios, tais como:

 Facilidade para os funcionários visualizarem as diversas necessidades da empresa;

 Formação de grupos multifuncionais formadores de opinião;

 Interação entre diferentes departamentos;

 Maior atenção dos projetistas com relação aos fatores humanos envolvidos na
produção.

 Possibilidade de discussão prévia da viabilidade de adoção de mudanças no processo


industrial.

Toda ação ergonômica resulta, portanto, na concepção de uma nova situação de trabalho. A
matriz auxilia a construção de alternativas e a análise da viabilidade. A seguir iremos
trabalhar com um trecho do texto “Aplicação de QFD em ergonomia” escrito por Menegon et
al. (2003), disponível em: < http://www.simucad.dep.ufscar.br/et2/Apostila_ET2.pdf>.

Fragmento do Texto

As Etapas do QFD

Observe a Figura X, modificada por Menegon et al. (2003). De acordo com a figura a área 1
da matriz de QFD correspondente aos “QUEs”, isto é, lista-se sucintamente os problemas
levantadas durante a Análise Ergonômica do Trabalho, acrescentando também outros
problemas previamente percebidos pela equipe de projeto. A cada um dos “QUEs” é

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atribuído um grau de importância, campo 2, em relação ao surgimento ou agravamento do
problema que está sendo tratado. A área 3 da matriz de QFD é reservada para os “COMOs”,
que são as ideias ou sugestões de solução para os problemas listados no campo 1. É
durante as sessões de focus group (discussão de grupo) que estas sugestões são geradas.
O próximo passo da técnica de QFD é preencher a área 4. Isso consiste em relacionar as
áreas 1 e 2, referente às supostas causas do problema e as sugestões de como atacá-las.
Assim, a equipe deve discutir sobre todas as sugestões, analisando-as e avaliando-as
quanto a sua eficácia no combate a cada uma das causas do problema. No campo 5 da
Matriz de QFD são identificadas as soluções incompatíveis entre si. No campo 6 é
representado, segundo a análise dos participantes, o grau de dificuldade para implantar cada
solução proposta no campo 2. Conforme está indicado na legenda da figura, o grau de
dificuldade varia de 1 a 5. Para esta análise são consideradas questões ligadas à tecnologia
e concepção de projeto, questões financeiras, organizacionais e culturais existentes na
empresa. Nos campos 7 e 8 são indicadas a importância absoluta e relativa,
respectivamente, para cada solução do campo 2. A importância absoluta consiste na
somatória da multiplicação da pontuação dada no campo 3 pelo campo 4, para cada solução
proposta. Desta forma, quanto maior o número, mais eficaz é a solução em questão para a
resolução do problema. No campo 8 as soluções são numeradas em ordem crescente de
eficácia.

Ao final do processo de construção da matriz, o grupo de projeto possui uma representação


da situação de trabalho em estudo que pode ser caracterizada como um mapa coletivo da
questão. Os diferentes pontos de vista e conflitos foram explicitados e negociados, de modo
que o campo de soluções de projeto pode ser estabelecido. Independente da qualidade das
soluções geradas nas etapas posteriores, a construção da matriz de QFD constitui-se num
momento de reflexão acerca dos diferentes papeis dos atores envolvidos, e de reconstrução
de representações da situação de trabalho.

204
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Plano 5W1H

O plano de ação 5W1H considera todas as tarefas a serem executadas ou selecionadas de


forma cuidadosa e objetiva, assegurando sua implementação de forma organizada. Cada
ação deve ser especificada levando-se em consideração:

What? O que será feito?

When? Quando será feito?

Where? Onde será feito?

Why? Por que será feito?

Who? Quem o fará?

How? Como será feito?

Um bom Plano de Ação deve deixar claro tudo o que deverá ser feito (“What”?) e quando
(“When”?). Se a sua execução envolve mais de uma pessoa, deve esclarecer quem será o
responsável por cada ação (“Who”?). Quando necessário, para evitar possíveis dúvidas,
deve ainda esclarecer, os porquês (“Why”?) da realização de cada ação, como (“How”?)
deverão ser feitas, e onde (“Where”?) serão feitas.

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Para fazer um bom Plano de Ação, considerando o 5W1H, não é preciso nada de especial. O
mais usual é uma apresentação na forma de uma simples tabela, com uma coluna para cada
um dos 5W e uma para o H. Conforme citado na introdução, na prática, nem sempre são
necessários todos eles. Coloque uma ação em cada linha e preencha os 5W1H, um em cada
coluna. Acrescente pelo menos mais uma coluna, para “OBS”. Para cada situação você
poderá ter necessidade de acrescentar outras variáveis.

O resultado final de um processo bem feito de solução ergonômica é a sugestão da melhor


solução possível para aquele problema, bem detalhada. De posse dela, a chefia poderá
então fazer o seu Plano de Ação.

Estudo Complementar 13: Leia o texto “Técnicas de sistematização de soluções: aplicações


em ergonomia” escrito por Boscolo et al. (1999).

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U NIDADE 30
Caderno de Encargos

Objetivo: Construir o caderno de encargos

A fase final da AET consiste na síntese ergonômica do trabalho. Esta etapa é dividida em
duas fases: o estabelecimento do diagnóstico da situação de trabalho e a elaboração do
caderno de encargos de recomendações ergonômicas.

Bezerra (1998) explica que na primeira fase, todos os dados levantados na análise
ergonômica do trabalho são reagrupados, confrontados uns com os outros, sintetizados e
interpretados na forma de sintomas. É, somente neste estágio, que as conclusões podem ser
tiradas e um diagnóstico estabelecido. Finalmente, na segunda fase, pode-se elaborar um
caderno de encargos de recomendações ergonômicas, baseado em dados ergonômicos
normativos gerais e dados ergonômicos específicos da situação de trabalho analisada.

Concluída a Análise Ergonômica do Trabalho, o resultado poderá ser o Estudo, o Relatório


ou o Laudo (ROCHA, 2008).

1. Laudo Ergonômico: apenas aponta os principais elementos de dificuldade,


direcionando para o Relatório e o Estudo.

2. Relatório: apresenta descrições sintéticas e recomendações.

3. Estudo: é uma memória técnica da intervenção sendo, portanto, mais extenso e


completo, podendo ser construído um Caderno de Encargos, onde as recomendações
se estruturam em um projeto de intervenção, possibilitando a realização das
transformações propostas

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Na unidade 16 do Módulo “Introdução à ergonomia” você aprendeu que o processo de
construção das soluções permite que os envolvidos na AET elaborem, ao final desta etapa,
um caderno de encargos evidenciando a eficácia de cada sugestão em relação à solução, as
dificuldades técnicas e organizacionais de implementação das mesmas, os pré-requisitos
necessários, o nível de importância das recomendações e os possíveis desdobramentos
(VASCONCELOS, 2000).

O caderno de encargos é formado por:

 Dados ergonômicos normativos gerais;

 Dados ergonômicos específicos da situação de trabalho analisada.

Menegon (2003) acrescenta que o caderno de encargos deve conter sempre:

 Uma descrição geral do setor ao qual se destina;

 Uma descrição dos principais problemas encontrados no setor;

 Uma revisão da literatura acerca das questões evidenciadas;

 Uma listagem dos princípios que orientam o projeto do trabalho no setor;

 Os dispositivos técnicos e organizacionais recomendados para cada atividade.

Para os autores, “a aprovação de uma solução deve obedecer dois critérios. Dever ser
adequada à atividade, sob o ponto de vista dos trabalhadores e dos gestores envolvidos,
segundo, sobre critérios ergonômicos. As propostas testadas e aprovadas passam a
constituir um caderno de encargos, tornando-se referência para projetos futuros e das
práticas cotidianos no posto (postos) estudados”.

Santos e Fialho (1995) explicam que o caderno de encargos em ergonomia baseia-se em


normas e especificações, sendo as especificações levantadas a partir da AET, relativas a:
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 Decisões de base.

 Implantação geográfica dos postos de trabalho.

 Implantação geográfica dos operadores.

 Implantação e arranjo físico das zonas de intervenção.

 Documentação.

 Meio ambiente de trabalho.

Através do caderno de encargos, é realizada a intervenção ergonômica, colocando o


trabalhador em condições de exercer a sua função de maneira apropriada e segura para a
sua saúde. Todas essas transformações e recomendações também objetivam o aumento da
produtividade, através da melhoria da eficácia do sistema de produção.

Portanto, as propostas testadas e aprovadas, passam a constituir um caderno de encargos,


tornando-se referência para projetos futuros e das práticas cotidianos no posto (postos)
estudados.

A atividade do ergonomista é oferecer melhores condições de segurança, evitar esforços,


posturas desfavoráveis e reduzir a fadiga dos trabalhadores, evitar causas e efeitos nocivos
em longo prazo, incrementar a qualidade do posto de trabalho, proporcionar mais satisfação
aos trabalhadores, melhorar o controle e a definição do processo, facilitar o processo de
design de novos equipamentos e aumentar a eficácia e rendimento.

Wisner (1987) explica que a qualidade de sua intervenção depende essencialmente de sua
experiência com o tipo de objeto desenvolvido ou pesquisado.

A análise ergonômica do trabalho não deve nunca ser finalizada com o caderno de encargos.
Entretanto, infelizmente está não é ainda a realidade. Segundo Ferreira et al. (1994), o
momento da avaliação da intervenção é o ponto crucial da ação do ergonomista, uma vez
que a finalidade da ergonomia é a melhoria das condições de trabalho dos operadores,
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dentro dos limites considerados aceitáveis para a produção. Para Abrahão (2000) este é o
estágio crítico, pois é ali que a demanda negociada mostra ou não o seu acerto.

É fundamental que avaliação da ação obedeça a três critérios, propostos por Wisner (1987):

 Higiênicos: são os aspectos evolutivos dos ambientes de trabalho, como a redução


das situações de risco ou de cargas físicas, químicas ou mentais para os
trabalhadores;

 Sociais: referem-se à relação estabelecida entre as condições de trabalho com


salários, benefícios sociais, capital social e a imagem social da atividade;

 Econômicos: relaciona-se com os benefícios econômicos provenientes do aumento da


taxa de utilização das máquinas, diminuição do retrabalho e dos erros de
funcionamento, redução do absenteísmo, pela queda da rotatividade do pessoal, etc.

Cockell (2004) mostrou a partir dos resultados encontrados no estudo da atividade do


vincador a importância de se avaliar na prática os desdobramentos das ações ergonômicas e
restituir as condicionantes, dificuldades e dúvidas enfrentadas à comunidade científica. Ao
avaliar em longo prazo a intervenção realizada, Cockell (2004) constatou que os resultados
de uma ação ergonômica podem se apresentar ineficazes ou mesmo nocivos à saúde dos
trabalhadores. Visto desse ponto de vista, ao produzir conhecimento a partir da própria
prática da ergonomia, torna-se passível questionar a legitimidade e os limites da ergonomia
bem como apontar os pontos de fragilidade dos métodos, das técnicas, das ferramentas
utilizadas, dos conhecimentos dos pesquisadores da área e mesmo das disciplinas em que a
Análise Ergonômica da Atividade se baseia.

A autora explica que no que se refere especificamente às políticas corporativas em


ergonomia é imperioso destacar que o espaço ocupado pela ergonomia no Brasil é ainda
incipiente. Nesse sentido, algumas dúvidas permanecem em aberto: Como posicionar
estrategicamente a política corporativa em ergonomia de forma a permitir maior difusão do
ponto de vista da atividade e maior respaldo às ações a serem realizadas? Como garantir a
210
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manutenção contínua dos espaços de negociação, dos canais formais de comunicação para
as novas demandas, bem como da incorporação dos preceitos ergonômicos entre os
diferentes níveis hierárquicos? Qual é a real necessidade de ergonomistas internos e da
formação de comitês internos de ergonomia? Pode ser o ergonomista interno à empresa ser
ator e avaliador das situações de trabalho? Além disso, caso seja necessária à formação de
comitês internos, como os seus membros poderão lidar com uma polissemia de situações
problemáticas e com a constante mudança dos interesses institucionais sem uma adequada
formação em ergonomia, com acumulo de funções dentro da empresa e sem poder efetivo
de decisão?

No módulo 10 “O Comitê de Ergonomia – introdução à legislação de segurança e saúde do


trabalho” aprofundaremos esta discussão.

Fórum 3 – Avaliação da ação ergonômica

Diversos são os fatores que podem contribuir para a não incorporação da ação ergonômica
pelas racionalidades envolvidas e compreendê-los é um desafio atual, pois a durabilidade da
ação dependerá da transferência dos conhecimentos produzidos e das condições de
incorporação. A literatura ergonômica publicada no Brasil sobre conceitos e métodos em
ergonomia limita-se a descrever a etapa de avaliação da ação ergonômica apenas
ressaltando sua importância, deixando um vazio metodológico sobre como avaliar os efeitos
das ações, sem procurar encontrar respostas para as seguintes questões:

1 - Os efeitos verificados foram os esperados?

2 - E se não foram, quais foram os motivos que impediram ou limitaram a ação?

211
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Atividade Optativa 8: Cada situação de trabalho é singular, portanto, cada ação
ergonômica será diferente. Não existe um modelo de ação ergonômica, contudo nesta fase
de aprendizado é importante que você se baseie em intervenções já realizadas até que tenha
experiência com o tipo de objeto desenvolvido ou pesquisado. Leia o modelo de intervenção
ergonômica proposto pelo grupo Ergo&Ação da UFSCar.

Disponível em: http://www.simucad.dep.ufscar.br/proj_trabalho/AULA7-1-AET-


metodologia.pdf

Observe atentamente quais ferramentas e instrumentos o grupo utilizou em cada etapa da


ação ergonômica.

Antes de dar início à sua Prova Online é fundamental que você acesse sua SALA DE AULA e
faça a Atividade 3 no “link” ATIVIDADES.

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G LOSSÁRIO

ABSENTEÍSMO

Ausência dos trabalhadores no processo de trabalho, seja por falta, seja por atraso, devido a
algum motivo interveniente.

AET – ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO

Metodologia desenvolvida por ergonomistas de idioma francês que tem como finalidade
transformar o trabalho, visando obter boas condições de trabalho para os operadores e
atendimento aos objetivos da produção. Esta metodologia contempla cinco fases:
constituição e análise da demanda; análise do ambiente técnico, econômico e social da
empresa; análise das atividades e da situação de trabalho; recomendações ergonômicas;
validação da intervenção ergonômica e eficácia das recomendações propostas.

ANTROPOMETRIA

Área da Antropologia Física que estuda as dimensões humanas no sentido de adequar os


objetos às medidas do corpo

ANTROPOTECNOLOGIA

Termo criado com o intuito de expandir o campo de ação da ergonomia para análises de
processos de transferência de tecnologia, busca a adaptação da tecnologia ao país
importador, considerando a influência dos contextos geográficos, demográficos, econômicos,
sociológicos e antropológicos. É fruto da escola francesa de ergonomia.

APROPRIAÇÃO

Ato ou efeito de apropriar das margens de regulação e dos conhecimentos adquiridos ao


longo da AET, rompendo a relação de ética e equidade estabelecida, para priorizar somente
a produtividade.

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ATIVIDADE

Refere-se ao processo de encadeamento dos comportamentos reais dos operadores no local


de trabalho, tanto do ponto de vista físico (gestos, posturas) como mentais (raciocínio,
verbalização). Em ergonomia a atividade se opõe à tarefa.

BIOMECÂNICA

A biomecânica é o estudo da mecânica dos organismos vivos. A Biomecânica externa estuda


as forças físicas que agem sobre os corpos enquanto a biomecânica interna estuda a
mecânica e os aspectos físicos e biofísicos das articulações, dos ossos e dos tecidos
histológicos do corpo.

CADERNO DE ENCARGOS

Estabelece os critérios e procedimentos para a elaboração da intervenção ergonômica.

CARGAS DE TRABALHO

As cargas de trabalho são medidas quantitativas ou qualitativas do nível de atividade física,


mental, sensorial, sensório-motriz, fisiológico do trabalhador necessário à realização de sua
atividade de trabalho.

CENTRO DE GRAVIDADE

Ponto em torno do qual a massa e o peso de um corpo estão equilibrada em todas as


direções; local de aplicação da força da gravidade.

CHECK LISTS

São listas de verificação

CINESIOLOGIA

O estudo dos movimentos humanos em função da configuração do sistema músculo-


esquelético.

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COMPRESSÃO

Força que atua ao longo do eixo do osso e que o comprime.

CONDIÇÕES DE TRABALHO

Do ponto de vista físico são os aspectos ambientais, como ruído, temperatura, luminosidade,
vibração, toxicologia do ar, bem como a disposição e adequação de instalações e
equipamentos. Do ponto de vista organizacional, trata-se da divisão do trabalho, a
parcelização das tarefas, o número e duração das pausas, a natureza das instruções (ou sua
ausência), o conhecimento dos resultados da ação (ou sua ignorância), as modalidades de
ligação entre tarefa e remuneração.

DÉBITO CARDÍACO

É o volume de sangue bombeado por um ventrículo pro unidade de tempo. É determinado


pela relação entre a Frequência Cardíaca (FC) e o Volume Sistólico (VS) - DC = FC x VS.
Unidade usualmente utilizada é litros por minuto.

DOENÇA OCUPACIONAL

Doença contraída ou adquirida no exercício de uma ocupação ou atividade laboral.

DORT

Sigla para Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. É um Grupo heterogêneo


de distúrbios funcionais e/ou orgânicos. Induzidos por fadiga neuromuscular devido ao
trabalho realizado numa posição fixa (trabalho estático) ou com movimentos repetitivos
principalmente de MMSS (membros superiores);

EFICÁCIA

Qualidade de uma ação que atingiu os objetivos.

EFICIÊNCIA

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Qualidade de um procedimento que utiliza bem os recursos postos à sua disposição para
atingir determinados fins ou objetivos.

ENTREVISTAS EM AUTOCONFRONTAÇÃO

Entrevistas realizadas como o objetivo de confrontar com os trabalhadores tudo que foi
observado, procurando resgatar fenômenos não explicitados ou contemplados nas
observações sistemáticas.

EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPIs)

São quaisquer meios ou dispositivos destinados a ser utilizados por uma pessoa contra
possíveis riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança durante o exercício de uma
determinada atividade.

ERGONOMIA

Conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários para a concepção


de ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de
conforto, segurança e eficácia.

ERGONOMIA DA ATIVIDADE

É a ergonomia de origem francesa, baseada na atividade do trabalhador. Realiza a análise


gestual ao contrário do estudo do movimento muscular.

ERGONOMIA PARTICIPATIVA

Metodologia que pressupõe o envolvimento de pessoas no planejamento e controle de uma


significante parcela de suas atividades de trabalho, com suficiente conhecimento e poder
para influenciar tanto os processos como os resultados.

ESTRESSE

Desadaptação do organismo tendo como consequências comportamentos doentios ou


inadequados, ou ainda distúrbios orgânicos (tensão, dores, palpitações, arritmias, problemas

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sexuais, desordens mentais e emocionais, perturbações do sono, fraqueza, desmaios,
angústia, etc.).

FADIGA

Efeitos locais ou gerais não patológicos nos trabalhadores, reversíveis após uma
recuperação adequada. Descreve a incapacidade de continuar funcionando ao nível normal
da capacidade pessoal.

FLUXOGRAMA

É um tipo de diagrama, e pode ser entendido como uma representação esquemática de um


processo, muitas vezes feito através de gráficos que ilustram de forma descomplicada a
transição de informações entre os elementos que o compõem. Podemos entendê-lo, na
prática, como a documentação dos passos necessários para a execução de um processo
qualquer.

FREQUÊNCIA CARDÍACA

É o número de batimentos do coração na unidade de tempo, geralmente expressa em


batimentos por minuto (bpm).

HUMAN FACTORS

Termo em inglês para Fator Humano. É utilizado para denominar a corrente americana de
ergonomia, centrada no componente humano dos sistemas homem-máquina.

INCORPORAÇÃO

Ato ou efeito de incorporar o ponto de vista da ergonomia na atividade de trabalho,


propiciando a manutenção e o equilíbrio não patológico da relação saúde x produtividade.

JUSANTE

Denomina-se a uma área que fica abaixo da outra, ao se considerar a corrente fluvial pela
qual é banhada. Costuma-se empregar a expressão na engenharia de produção para

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determinar os postos de trabalho ou cadeia produtiva localizada “abaixo da outra”, opondo-se
à expressão montante, ou seja, tudo que se situa acima, diz-se que se situa a montante do
mesmo ponto.

LER

LER (ou L.E.R.) é a abreviatura de Lesão por Esforço Repetitivo. Representa uma síndrome
de dor nos membros superiores, com queixa de grande incapacidade funcional, causada
primariamente pelo próprio uso das extremidades superiores em tarefas que envolvem
movimentos repetitivos ou posturas forçadas.

MODO OPERATÓRIO

É a forma como o trabalhador executa seu trabalho.

MOMENTO

Em física, o momento de força (ou simplesmente momento, embora existam outras


grandezas com esse nome tais como o momento de inércia), é uma grandeza que
representa a magnitude da força aplicada a um sistema rotacional a uma determinada
distância de um eixo de rotação

NORMA REGULAMENTADORA

As Normas Regulamentadoras, também conhecidas como NRs, regulamentam e fornecem


orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à medicina e segurança no
trabalho no Brasil. Como anexos da Consolidação das Leis do Trabalho, são de observância
obrigatória por todas as empresas.

PLANO FRONTAL

Plano que divide o corpo em duas metades perfeitamente iguais, uma anterior e outra
posterior.

PLANO SAGITAL

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Plano que divide o corpo em duas metades perfeitamente iguais, uma direita e um esquerda.

PLANO TRANSVERSO

Plano que divide o corpo em duas metades perfeitamente iguais, uma superior e outra
inferior.

POSTO DE TRABALHO

É o ambiente ou meio de trabalho, definido por uma ou mais tarefas organizadas para atingir
um fim pré-determinado num processo laboral concreto.

PREVENÇÃO

Ação de evitar ou reduzir os riscos profissionais através de disposições ou medidas a tomar


em todas as fases da atividade de uma empresa, estabelecimento ou serviço.

PROTÓTIPO

É um produto que ainda não foi comercializado, mas está em fase de testes ou de
planejamento.

REGULAÇÃO

É a forma utilizada pelos trabalhadores ou pelo coletivo para atingir as metas, condutas e
prescrições.

QFD

Termo em inglês que significa Quality Function Deployment. É uma matriz de


Desenvolvimento da Função Qualidade (QFD) para a sistematização dos problemas e
validação da eficácia de cada sugestão em relação à sua solução. É utilizada normalmente
no desenvolvimento de projetos de produtos

RISCO

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Probabilidade de o potencial danificador ser atingido nas condições de uso e/ou exposição,
bem como a possível amplitude do dano.

SISTEMA DE TRABALHO

É constituído pelo trabalhador e os meios de trabalho, processos de trabalho para efetuar


uma tarefa, num determinado espaço e ambiente.

TAREFA

É o objetivo que o operador tem a atingir, para o qual são atribuídos meios (máquinas e
equipamentos) e condições (tempos, paradas, ordem de operação, espaço e ambiente
físicos, regulamentos). Corresponde ao trabalho prescrito.

TECNOLOGIA

É o conjunto de conhecimentos de que uma sociedade dispõe sobre ciências e artes


industriais, incluindo os fenômenos sociais e físicos, e a aplicação destes princípios à
produção de bens e serviços.

TRABALHO

Conjunto de esforços relativos ao alcance de objetivos definidos de realização, de produção


ou de serviços.

TRABALHO PRESCRITO

O Trabalho prescrito ou Tarefa é aquilo que convencionalmente é apresentado ao operador


como um dado, é o conteúdo técnico do trabalho.

TRABALHO REAL

O Trabalho real ou Atividade refere-se à realização da Tarefa. É a maneira como o


trabalhador alcança os objetivos que lhe foram designados diante dos meios (ferramentas,
máquinas, tempo, ritmo de trabalho, informações) fornecidos pela empresa.

TQC

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Sigla para Total Quality Control ou Controle da Qualidade Total. Qualidade Total é uma
técnica de administração multidisciplinar formada por um conjunto de Programas,
Ferramentas e Métodos, aplicados no controle do processo de produção das empresas, para
obter bens e serviços pelo menor custo e melhor qualidade, objetivando atender as
exigências e a satisfação dos clientes. Os princípios da Qualidade Total estão
fundamentados na Administração Científica de Frederick Taylor(1856-1915), no Controle
Estatístico de Processos de Walter A. Shewhart (1891-1967) e na Administração por
Objetivos de Peter Drucker (1909-2005).

TURN OVER

É um cálculo que permite à empresa descobrir a rotatividade de pessoal em uma


determinada área ou mesmo em termos globais na empresa toda.

VALIDAÇÃO

É a confrontação da interpretação do ergonomista com os diferentes pontos de vista dos


atores envolvidos na ação ergonômica.

VARIABILIDADE

Trata-se das variações do estado de cada indivíduo, do mesmo indivíduo em momentos


diferentes ou da empresa.

VERBALIZAÇÃO

Ato de tornar verbal, expor verbalmente.

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