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UTILIZAÇÃO DE

TÉCNICAS DE
BIOENGENHARIA
DE SOLOS NO
CONTROLE DE
EROSÃO E
RECUPERAÇÃO
DE ÁREAS
DEGRADADAS EM
EMPREENDIMENTOS
DO SETOR ELÉTRICO
BRASILEIRO:
PREMISSAS GERAIS
E ESTUDO DE CASO

Arnaldo Teixeira Coelho


Enio Marcus Brandão Fonseca
Nilton Fernandes de Oliveira
Rafael Augusto Fiorine

1ª edição

Belo Horizonte
2019
 
UTILIZAÇÃO DE
TÉCNICAS DE
BIOENGENHARIA
DE SOLOS NO
CONTROLE DE
EROSÃO E
RECUPERAÇÃO
DE ÁREAS
DEGRADADAS EM
EMPREENDIMENTOS
DO SETOR ELÉTRICO
BRASILEIRO:
PREMISSAS GERAIS
E ESTUDO DE CASO

Arnaldo Teixeira Coelho


Enio Marcus Brandão Fonseca
Nilton Fernandes de Oliveira
Rafael Augusto Fiorine

1ª edição

Belo Horizonte
2019
Agradecimentos

Às Concessionárias de Energia Cemig Geração e Transmissão (Cemig GT) e Furnas Centrais

Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG Elétricas, que, com a visão inovadora de seus corpos técnicos, permitiram a adoção e o uso
pioneiro das técnicas de bioengenharia de solos no Brasil.

Diretor-Presidente À Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que também de forma inédita e inovadora

Cledorvino Belini vem apoiando há mais de duas décadas (desde o ano de 2002) estudos e a disseminação do uso
das técnicas de bioengenharia de solos, através de seu Programa de Pesquisa e Desenvolvimento

Superintendência de Gestão Ambiental – Cemig (P&D).

Enio Marcus Brandão Fonseca


Às Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e de Viçosa (UFV), Spelman College
e California State University Los Angeles (Pasadena), pelo suporte direto ou indireto oferecido
Gerência de Ações e Programas Ambientais e Apoio à Operação – Cemig
às atividades de desenvolvimento e investigação das técnicas de bioengenharia de solos no
Rafael Augusto Fiorine
Brasil em conjunto com os autores deste trabalho, por meio da colaboração de pesquisadores
pertencentes aos seus corpos docentes e discentes, da publicação de artigos, dissertações e
Gerência do Projeto de Pesquisa Cemig / ANEEL – P&D GT 0581
teses, da disponibilização de laboratórios, dentre outras formas de apoio.
Nilton Fernandes de Oliveira

Aos Professores Terezinha Cássia de Brito Galvão, Luiz Marcelo de Oliveira Sanz, Laércio
Couto, Lairson Couto, Ecidinéia Soares e Antônio Ananias Mendonça e outros que auxiliaram na
concepção e na disseminação do uso de boa parte das soluções técnicas de bioengenharia aqui
apresentadas.
Apresentação Prefácio

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), em seus 65 anos de existência, se Nas condições brasileiras, é relativamente recente o uso de técnicas de bioengenharia
consolidou como uma das maiores empresas geradoras de conhecimento científico ambiental de solos para o controle da erosão e a recuperação de áreas degradadas. Isso ocorre apesar do
em sua área de atuação. Ao desenvolver estudos ambientais previstos nas etapas de viabilidade, imenso potencial para uso dessas técnicas no país: praticamente todo o território nacional oferece
implantação e operação de suas instalações, sempre em parceria com instituições de ensino e condições adequadas para o desenvolvimento da vegetação, com a maior biodiversidade vegetal
pesquisa e empresas especializadas, temos gerado conhecimento sobre o meio ambiente em do planeta, e dispomos, a baixo custo, de grande parte dos materiais envolvidos em sistemas
seus aspectos sociais, físicos e bióticos, disponibilizando, a toda a sociedade, valiosas informações biotécnicos, dentre outros fatores. Mesmo com tantas condições favoráveis, o uso sistemático das
sobre o mundo em que vivemos. técnicas de bioengenharia de solos em projetos de engenharia no Brasil teve início há não muito
tempo e ainda é pouco difundido.
E é com esse intuito que lançamos o livro Utilização de Técnicas de Bioengenharia de
Solos no Controle de Erosão e Recuperação de Áreas Degradadas em Empreendimentos do Enquanto seu uso é relatado há milênios na China e na Europa, o primeiro trabalho de
Setor Elétrico Brasileiro: premissas gerais e estudos de caso, fruto do Projeto de Pesquisa e recuperação de erosões em larga escala (mais de 1 milhão de m2) com o uso conjugado de técnicas
Desenvolvimento (P&D) Desenvolvimento de técnicas de bioengenharia de solos para drenagem de bioengenharia de solos no Brasil foi projetado no ano de 1999 e executado nos anos de 2001
superficial e controle de erosões lineares em linhas de transmissão e distribuição, financiado pelo e 2002. Este trabalho foi desenvolvido pela Companhia Energética de Minas Gerais (atualmente
P&D GT0581 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Cemig GT) e baseou-se em minimizar as movimentações de solo para a obtenção de geometrias
estáveis dos taludes dos voçorocamentos. Essa minimização foi possibilitada pelo uso conjugado
A Cemig é uma concessionária de energia pioneira no uso de técnicas de Bioengenharia na
de diversas metodologias de bioengenharia para: i) drenagem superficial e subterrânea (canaletas
recuperação de áreas antropizadas quando da construção de usinas hidrelétricas, subestações e
verdes, drenos profundos e retentores orgânicos de sedimento), ii) retenção e estabilização
linhas de transmissão, tendo iniciado o uso dessas técnicas no ano de 2000, na UHE Emborcação.
de sedimentos (retentores orgânicos de sedimento e diques drenantes) e iii) revegetação em
superfícies de declividade acentuada ou escoamento torrencial (com uso de PRCE’s orgânicos na
Este livro contém informações técnicas sobre a bioengenharia e diversos artigos sobre o
revegetação dos taludes dos voçorocamentos e no revestimento de canaletas verdes). A destinação
tema, inclusive cases de sua aplicação em outras empresas.
deste trabalho foi a recuperação de uma área de aproximadamente 250 hectares das antigas
jazidas de solos (área de empréstimo) utilizadas para a construção da UHE Emborcação, durante
Assim, com este produto, a Cemig demonstra seu compromisso com a responsabilidade
as décadas de 1970 e 1980 (FONSECA et al., 2003). No ano de 2019, completam-se, portanto, os 20
socioambiental, prática que acompanha a empresa desde décadas, e disponibiliza seu conteúdo
anos de desenvolvimento do primeiro evento de utilização massiva dessas técnicas no âmbito
a toda a sociedade interessada no assunto.
do setor elétrico brasileiro, e, ao longo deste período, esse uso se intensificou, demonstrando a
grande versatilidade da bioengenharia de solos. Posteriormente, Furnas Centrais Elétricas utilizou-
se dessas técnicas para a recuperação ambiental da área de empréstimo da UHE Itumbiara, em
Enio Marcus Brandão Fonseca voçorocamentos de grande porte que atingiam aproximadamente 100 hectares (RAMIDAN et al.,
Superintendente de Gestão Ambiental da Cemig Geração e Transmissão 2013).
Sumário

Assim, seu uso foi disseminado para as mais diversas áreas da engenharia – tanto pelo
desenvolvimento de novos materiais quanto pela adaptação do uso das técnicas e materiais
1. PROBLEMÁTICA DA EROSÃO EM EMPREENDIMENTOS DO SETOR ELÉTRICO 1
existentes às condições brasileiras.
BRASILEIRO

Em consonância com maiores preocupações também dispendidas nessas duas décadas 1.1. Empreendimentos de transmissão de energia – Linhas de Transmissão (LT’s) e de 1
com o componente socioambiental dos empreendimentos de engenharia – em especial Distribuição (LD’s): erosões comuns em estruturas, áreas de influência de linhas e das
no setor elétrico –, cuidados especiais devem ser levados em consideração pelos gestores Subestações (SE’s
e outros profissionais envolvidos nesses empreendimentos. Esses cuidados compreendem
inúmeros fatores relacionados à proteção e à conservação do solo e da estabilidade de taludes, 1.2. Empreendimentos de Geração de Energia: erosões em Áreas de Influência de 6

desde a concepção, durante o desenvolvimento e a operação e ainda na manutenção desses Usinas Hidrelétricas (UHE’s), Eólicas, dentre outros empreendimentos

empreendimentos de engenharia. Também envolvem, além dos aspectos técnicos propriamente


2. ASPECTOS CONCEITUAIS E TÉCNICOS DOS SISTEMAS DE BIOENGENHARIA DE SOLOS 11
ditos, ações relacionadas à gestão de pessoal, jurídica e socioambiental, tanto das áreas trabalhadas
quanto de áreas circunvizinhas. 2.1. Histórico 11

Dessa forma, no presente trabalho será apresentada uma revisão bibliográfica sucinta dos 2.2. Histórico no Brasil 12

efeitos da vegetação e de outros componentes dos sistemas biotécnicos, seguida de uma seleção
2.3. Princípios básicos da bioengenharia de solos 22
de estudos de caso de recuperação de erosões com o uso de técnicas de bioengenharia de solos,
especialmente em empreendimentos do setor elétrico brasileiro. 2.4. Justificativas para o uso de técnicas de bioengenharia de solos 23

Serão abordados, com um pouco mais de profundidade, os fatores de maior importância 3. MECANISMOS DE INTERFERÊNCIA ENTRE A ESTABILIDADE DO SOLO E A VEGETAÇÃO 24

a serem trabalhados na recuperação de erosões com o uso de técnicas de bioengenharia, quais


3.1. Modificações no regime hídrico do solo 25
sejam: as operações de drenagem, retenção de sedimentos e revegetação. Já a reconformação
de taludes, por receber uma abordagem essencialmente geotécnica, de farta disponibilidade na 3.1.1 Evapotranspiração e depleção da umidade no solo 25
literatura existente, será abordada em menor intensidade.
3.1.2. Interceptação da chuva 25

Finalmente, destacamos que, pelo fato de parte dos temas deste trabalho estar sendo
3.1.3. Redução do volume e da ação erosiva do escorrimento superficial 26
desenvolvida em conjunto com a Cemig GT no âmbito de um Projeto dentro do Programa de
Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ele irá se 3.1.4. Velocidade do escoamento 26
concentrar no uso de técnicas de bioengenharia na drenagem e na recuperação ambiental
3.1.5. Infiltração 26
de processos erosivos relacionados a empreendimentos como áreas de empréstimo de Usinas
Hidrelétricas (UHE’s), Linhas de Transmissão (LT’s) e Subestações (SE’s), não se estendendo a 3.1.6. Drenagem subsuperficial 26
outras situações como em processos erosivos de margens de cursos d’água e de reservatórios
de UHE’s – cuja gênese e mecanismos de controle são essencialmente diferentes daqueles das 3.2. Proteção do solo contra os agentes erosivos 27

erosões laminares e lineares, comuns à estes empreendimentos.


3.2.1. Recobrimento do solo 27

3.2.2. Isolamento do solo 29

Arnaldo Teixeira Coelho 3.2.3. Vegetação decaída – matéria orgânica 29


Coordenador de Edição
5. TÉCNICAS DE BIOENGENHARIA DE SOLOS APLICADA À DRENAGEM SUPERFICIAL 61
3.3. Seleção e determinação da vegetação visando a maximação dos seus benefícios 30
no controle de erosão 5.1. Sistemas de drenagem baseados em técnicas e produtos da bioengenharia de 61
solos – Canaletas verdes
3.3.1. Fatores determinantes na seleção das espécies 31

5.1.1. Aspectos técnicos de dispositivos de drenagem e dissipação de energia vegetados 61


3.3.2. Seleção de propágulos e métodos de propagação 32

5.1.1.2. Definição técnica de dispositivos de drenagem vegetados


3.3.2.1. Espécies herbáceas 33

5.1.1.3. Finalidades 66
3.3.2.1.1. Leguminosas 33

5.1.1.4. Vantagens e desvantagens 67


3.3.2.1.2. Gramíneas 34

5.1.1.5. Princípios básicos a serem observados para utilização de dispositivos de 67


3.3.2.2. Dimensionamento da quantidade de sementes a ser aplicada 37
drenagem e dissipação de energia vegetados
3.3.2.3. Utilização de herbáceas de espécies nativas 37
5.1.1.6. Técnicas e materiais de drenagem de fácil transporte e alto rendimento de 68
3.3.2.4. Espécies arbustivas e arbóreas 38 aplicação para drenagem e controle de erosão

3.3.3. Estratégias de manutenção da vegetação após implementação 39 5.1.1.7. Uso de Canaletas Verdes no Brasil 69

3.4. Ambivalência dos efeitos de vegetação na intensidade dos processos erosivos em 40 5.1.1.8. Componentes estruturais dos sistemas de drenagem e dissipação de energia 75
taludes vegetados

3.5. Estabilidade de taludes 41 5.1.1.9. Materiais dos componentes estruturais 75

3.6. Morfologia radicular e seu efeito na resistência ao cisalhamento 43 5.1.1.9.1. Geossintéticos – Geotêxteis 76

4. TÉCNICAS E MÉTODOS DE BIOENGENHARIA NO CONTROLE DE EROSÃO 45 5.2. Custo e eficiência de Técnicas de Bioengenharia 82

4.1. Estruturas de detenção e retenção de sedimentos 45 6. ESTUDOS DE CASO DO USO DE TÉCNICAS DE BIOENGENHARIA NA RECUPERAÇÃO 84
DE ÁREAS DEGRADADAS NO ÂMBITO DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO
4.1.1. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s 45
6.1. EXPERIÊNCIA DA CEMIG GT 84
4.1.1.1. Histórico e apresentação comercial de ROS’s 46
6.1.1. Utilização de métodos de bioengenharia de solos na recuperação de processos 84
4.1.1.2. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s) de palhada de herbáceas 46
erosivos: experiência da Cia. Energética de Minas Gerais (Cemig
4.1.1.3. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s) de fibra de coco beneficiada 48
6.1.1.1. Introdução 84
4.1.2 Paliçadas 51
6.1.1.2. Recuperação da área de empréstimo da UHE Emborcação 84
4.1.3. Diques drenantes de rocha 54
6.1.1.2.1. Objetivos 85
4.2. Produtos em Rolo para Controle de Erosão (PRCE’s 56
6.1.1.2.2. Concepção e Elaboração do Projeto 85

6.1.1.2.3. Resultados e discussão 93


6.1.1.2.4. Conclusões e Recomendações 100 6.2.1.1. LT 345 kV – Ouro Preto/Vitória 165

6.1.1.3. Recuperação de áreas degradadas da UHE Irapé 101 6.2.1.2. LT 500 kV – Itajubá/Cachoeira Paulista T368 166

6.1.1.3.1. Objetivos 102 6.2.1.3. LT 345 kV – Itutinga/Adrianópolis Mendes T341 168

6.1.1.3.2. Concepção e Elaboração do Projeto 102 6.2.1.4. LT 750 kV – Itutinga/Ivaiporã/Itaberá 1 e 2 170

6.1.1.3.3. Conclusões e Recomendações 112 6.2.2. Obras do Sistema de Geração 171

6.1.1.4. Recuperação de áreas degradadas de encostas da UHE Porto Estrela 113 6.2.2.1. Erosões de grande porte (voçorocas) localizadas em área explorada como jazida 173
de argila para a construção da UHE Itumbiara
6.1.1.4.1. Introdução 113
6.2.2.2. Erosões preexistentes localizadas em áreas distintas do empreendimento, 195
6.1.1.4.2. Metodologia 113
situadas num raio de até 100 metros no entorno do reservatório do APM Simplício

6.1.1.4.2.1. Localização e acesso 113


6.2.2.3. Conclusão e observações 203

6.1.1.4.3. Descrição e métodos construtivos de reabilitação ambiental 114


6.2.3. Erosões de grande porte compostas por ravinamentos e voçorocamentos, 205

6.1.1.4.3.1. Aspectos gerais 114 localizadas em área explorada como jazida de argila para a construção do Dique
Nhangapi, na UHE Funil, em Itatiaia (RJ
6.1.1.4.3.1.1. Plano de drenagem 114
6.2.5. Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento no âmbito do Programa de P&D da Aneel 209
6.1.1.4.3.1.2.Plano de preparo de solo e revegetação 115 – Utilização de técnicas de bioengenharia em solos para fins de controle de processos
erosivos no âmbito de empreendimentos de Usinas Hidrelétricas, em especial em
6.1.1.4.4. Relatório fotográfico 117
margens de reservatório (PDF.16006.01) – Relatório de implantação
6.1.1.5. Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Cemig GT / Aneel – Projeto PD 064 120
6.3. EXPERIÊNCIA DA CIA. HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO (CHESF) 222
6.1.1.6. Cemig GT – Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Aneel – Projeto GT 196 – 126
7. BREVES ASPECTOS LEGAIS DA RESPONSABILIDADE CIVIL NA RECUPERAÇÃO DE 228
Desenvolvimento de Metodologias para Revegetação e Recobrimento Vegetativo no
ÁREAS DEGRADADAS EM VIRTUDE DE EMPREENDIMENTOS DO SETOR ELÉTRICO
Controle de Erosão em Taludes de Corte de Declividade Acentuada
BRASILEIRO
6.1.1.6.1. Unidades Experimentais Demonstrativas 126
7.1. Introdução 228
6.1.1.7. Implantação das Unidades Experimentais do Projeto de Pesquisa e 129
7.2. O setor elétrico brasileiro 228
Desenvolvimento Cemig GT 0581 – Desenvolvimento de técnicas de bioengenharia
de solos para drenagem superficial e controle de erosões lineares em linhas de 7.3. Empreendimentos do setor elétrico 231
transmissão e distribuição
7.4. Responsabilidade por áreas degradadas 232
6.1.1.8. Implantação de serviços de recuperação ambiental em estruturas diversas de 158
LT’s na região sul de Minas Gerais 7.5. Conclusão 235

6.2. EXPERIÊNCIA DE FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS 163 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 237

6.2.1. Sistema de Transmissão – Erosões Recorrentes em Áreas de Influência de Linhas 164


de Transmissão
CAPÍTULO
1
PROBLEMÁTICA
DA EROSÃO EM
EMPREENDIMENTOS
DO SETOR ELÉTRICO
BRASILEIRO
CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1
1.1
Empreendimentos de transmissão
de energia – Linhas de Transmissão
(LT’s) e de Distribuição (LD’s):
erosões comuns em estruturas,

Fonte: Coelho (2003)


áreas de influência de linhas e das
Subestações (SE’s)
 

Figura 1 – Detalhe de deslizamento oriundo de erosão causada por ocupação irregular


junto à estrutura da LT Guilman Amorim – Ipatinga 1, posteriormente recuperada à época
pela Cemig

A problemática da erosão do solo, em especial em situações de erosões lineares


(sulcamento, ravinamento e voçorocamento), tem potencial de atingir praticamente todos os
empreendimentos relacionados aos processos de geração, transmissão e distribuição de energia
nas condições brasileiras, em especial em UHE’s, LT’s, LD’s e SE’s, devido a estas muitas vezes
estarem localizadas em áreas favoráveis à gênese e à evolução de processos erosivos, muitas
vezes levando à interrupção da operação ou chegando, algumas vezes, a causar a paralisação e a

Fonte: Edital Cemig PE MS/CS 510-H05455 (2012)


inviabilização desses empreendimentos.

De acordo com Cunha (2010), entre as principais fontes de desligamento das linhas de
transmissão estão as falhas mecânicas devido ao tombamento das estruturas em decorrência de
erosões do solo. Essas erosões ocorrem, em sua maioria, em áreas de declividade acentuada e de
difícil acesso, sendo a sua recuperação um processo de alto custo e que, muitas vezes, demanda
em impactos ambientais sobre o recobrimento do solo e a vegetação, como: execução de
acessos, cortes e bota-foras, implantação de praças para fabricação de concreto que será usado
nos dispositivos de drenagem, dentre outros.
 
18 19
Figura 2 – Detalhe de deslizamento oriundo de erosão ocasionada por pastoreio intenso
As figuras a seguir apresentam algumas erosões verificadas próximo a LT’s, cuja gênese junto a uma estrutura da LT Guilman Amorim – Ipatinga 1, que vem ameaçando estruturas
deve-se a fatores externos à operação desses empreendimentos. dessa LT e estradas adjacentes, posteriormente recuperada pela Cemig GT
CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1
Figuras 3, 4 e 5 – Detalhe a jusante de ramificação
de voçorocamento múltiplo de grande porte
localizado na faixa de domínio da LT São Gonçalo
do Abaeté 2 – Três Marias 1 (Estrutura 311), causado
por manejo inadequado de solos, recuperado
com técnicas de bioengenharia de solos pela
  Cemig GT, em 2018

Fonte: 3º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


 
Fonte: 3º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

20 Figuras 6 e 7 – Vista geral de voçorocamento múltiplo de grande porte localizado na faixa


de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté 2 –Três Marias 1 (Estrutura 311), causado por
21
manejo inadequado de solos, recuperado com técnicas de bioengenharia de solos pela
  Cemig GT, em 2018
1.2
CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1
Empreendimentos de Geração de
Energia: erosões em Áreas de In-
fluência de Usinas Hidrelétricas
(UHE’s), Eólicas, dentre outros em-
preendimentos

 
Em empreendimentos de geração hidrelétrica (UHE’s), por sua vez, a erosão e a sedimentação
por ela ocasionadas durante, e após a construção desses empreendimentos, podem resultar em
um ambiente de crescimento inadequado para a vegetação, causando impactos ambientais
negativos em corpos d’água adjacentes, e, a longo prazo, necessitam de manutenção adicional.
Também em UHE’s, verifica-se que a proteção inadequada da superfície de taludes com solo
em exposição muitas vezes pode levar à gênese e evolução de processos erosivos – além de
mobilização e transporte ou acúmulo de sedimentos. Esses fatores contribuem para a degradação
da qualidade da água, redução da vida útil de reservatórios, inundações, aumento dos custos de
tratamento de água, assoreamento dos portos e canais, perda de habitat dos animais silvestres,
interrupção do fluxo ecológico, redução do valor recreativo, impactos estéticos adversos, dentre
outros impactos ambientais negativos. Além disso, ocasionam também impactos econômicos,
Fonte: Ramidan et al. (2019)

como a redução da vida útil de equipamentos e determinadas estruturas de concreto em Usinas


Hidrelétricas por abrasão (FONSECA et al., 2002).

Assim, as erosões em faixas de domínio de LT’s e outros empreendimentos do setor elétrico,


como taludes de SE’s e UHE’s, constituem graves impactos socioambientais e econômicos que
  muitas vezes levam a perdas significativas, seja na forma de danos à infraestrutura, interrupções

22 Figuras 8 e 9 – Detalhe de áreas adjacentes à fundação de estruturas da LT Ouro Preto-


Vitória, localizadas em Ponte Nova (MG), recuperadas por Furnas Centrais Elétricas,
de fornecimento, aumento nos custos de geração, transmissão e distribuição de energia,
23
deterioração da qualidade do solo e dos recursos hídricos, danos à imagem institucional dos
utilizando técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia, onde pode-se perceber a
regeneração total da área afetada empreendedores, dentre outros.
Ainda que este tema atinja diretamente todo os setores elétrico e de infraestrutura brasileiros,
CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1
os trabalhos de controle de erosão concentram-se predominantemente na engenharia agrícola
e agronômica, para a implementação de estruturas como terraços e bermas, com uso massivo
de maquinário e de movimentações de solo em grandes volumes. Esses grandes volumes de
solo movimentados geram, muitas vezes, impactos ambientais adicionais devido a sua maior
susceptibilidade à ação dos agentes erosivos e pela emissão de gases do efeito estufa pelos
equipamentos utilizados, dentre outros (GRAY; SOTIR, 1996).

De acordo com McCullah e Gray (2005), o uso da bioengenharia de solos, além de reduzir
os custos de operação dos empreendimentos, traz outros benefícios da proteção e controle de
erosão em taludes que nem sempre são reconhecidos. Estes incluem – sem se restringir a eles –  
benefícios como: criação de novas oportunidades de emprego rural, envolvendo trabalhadores
qualificados e não qualificados, menor emissão de gases do efeito estufa pelo baixo consumo de
energia envolvido, proteção dos recursos terrestres e aquáticos, preservação da biodiversidade
local, além de melhoria da beleza cênica ao longo das áreas utilizadas.

O uso de processos que promovam maior eficiência operacional aliada a menores impactos
ambientais tem ganhado destaque na sociedade como um todo. Dentre os processos usados
para proteção e recuperação de solo e processos erosivos, o uso de técnicas de bioengenharia
oferece inúmeras vantagens técnicas e sociais sobre métodos convencionais de engenharia,
como menores custos de implantação e de manutenção, possibilidade de uso em áreas de difícil
acesso, empregabilidade maior da mão de obra local, dentre outras vantagens. Em sinergia
com esse diferencial qualitativo no aspecto socioeconômico, essas técnicas são mais adequadas
ambientalmente – já que a vegetação promove significativa melhoria das condições ambientais  
para a fauna e para a população humana, por meio do incremento de habitats, da melhoria
microclimática, do abafamento de ruídos, da absorção de poluentes e da estabilização de solos
e taludes. O uso da bioengenharia promove ainda menor emissão de gases do efeito estufa
durante sua implantação, efetuando ainda o sequestro de carbono após sua conclusão, durante

Fonte: Oliveira et al. (2002, 2003 e 2018)


o crescimento da vegetação (SCHIECHTL; STERN, 1996).

Essas vantagens socioambientais do uso das técnicas de bioengenharia são destacadas


tanto nos aspectos acadêmicos como nos aspectos econômicos – especialmente nos países
desenvolvidos. A indústria de controle de erosão e de sedimentos tem ganhado destaque em
publicações das mais renomadas associações de engenharia do mundo, com destaque para
a American Society of Civil Engineers (ASCE), a Soil and Water Conservation Society (SWCS), a
24 International Erosion Control Association (IECA), a Europäische Föderation für Ingenieurbiologie
  25
Figuras 10, 11 e 12 – Detalhe de seções de voçorocamento de grande porte
(EFIB), o Institut National de Recherche En Sciences et Technologies pour L’Environnement et
localizado em antiga área de empréstimo da UHE Emborcação, em Catalão
l’Agriculture (IRSTEA), dentre outras. (GO), antes e após a execução das obras de recuperação ambiental realizadas
pela Cemig GT, em fotos de 2002, 2003 e 2018, respectivamente
CAPÍTULO 1

CAPÍTULO 1
 

Fonte: Coelho (2011)

26 Figuras 13 e 14 – Detalhe de seções de voçorocamento de grande porte localizado em


antiga área de empréstimo da UHE Itumbiara, em Itumbiara (GO), antes e após a execução
27
das obras de recuperação ambiental realizadas por Furnas Centrais Elétricas, em 2011
2
CAPÍTULO

ASPECTOS
CONCEITUAIS E
TÉCNICOS DOS
SISTEMAS DE
BIOENGENHARIA
DE SOLOS
Durante o pós-guerra, os cientistas de solo europeus retomaram o estudo dessas técnicas,
e, em 1950, um comitê formado pela Alemanha Ocidental, Áustria e Suíça padronizou essas
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
tecnologias emergentes como parte do German National System of Construction Specifications,
além da publicação, por Kruedener, do livro Ingenieurbiologie, em 1951 – quando o termo

2.1
bioengenharia foi concebido. Posteriormente, com a apropriação do uso desse termo por áreas
como a medicina, convencionou-se denominá-las de bioengenharia de solos.

Nos anos 1950 e 1960, os bioengenheiros de solos austríacos e alemães continuaram a


aperfeiçoar as técnicas existentes, quando as publicações passaram a abranger um enfoque mais
estrutural. Nos Estados Unidos, dois importantes projetos foram desenvolvidos nos anos 1970 e
Histórico 1980, cujas publicações disseminaram o uso dessas técnicas – as obras de recuperação da bacia
do Lago Tahoe, em 1974 e a Revegetação do Parque Nacional Reedwood, em 1981. Em 1980, Hugo
Schiechtl publicou no Canadá o livro Bioengineering for Land Reclamation and Conservation
disseminando, na língua inglesa, o trabalho de importantes cientistas europeus como Lorenz,
Hassenteufel, Hoffman, Courtorier e o próprio Schiechtl. Em 1996, o mesmo autor publica Ground

De acordo com Finney (1993) apud Lewis (2010), existem relatos do uso das técnicas de Bioengineering Techniques for Slope Protection and Erosion Control, livros que são considerados

bioengenharia de solos na China para o reparo de diques no ano de 28 a.C.. Na Europa, os celtas e até hoje, juntamente com Biotechnical and Soil Bioengineering Slope Stabilization (GRAY; SOTIR,

os ilírios desenvolveram paliçadas de ramos de estacas vivas de salgueiros, que atuavam inclusive 1996), como as principais referências na bioengenharia de solos no mundo.

como muros e cercas de seus aldeamentos. Posteriormente, os romanos também utilizaram feixes
de estacas vivas de salgueiro em obras hidráulicas e para o reforçamento de margens de canais.
Após o século 16, as técnicas de bioengenharia foram disseminadas pela Europa dos Alpes ao Mar
Báltico, e até as Ilhas Britânicas. Um dos pioneiros a publicar sobre essas técnicas foi Woltmann,

2.2
que em 1791 descreveu e ilustrou o uso de estacas vivas para a estabilização da margem de corpos
d’água (STILES, 1991). Nessa mesma época é relatado, na Áustria, o uso de técnicas de detenção e
estabilização de sedimentos e de recuperação de canais com uso de linhas de plantio de espécies
arbustivas. Além da Áustria, a Alemanha se destacou pelo uso das técnicas de bioengenharia
em áreas montanhosas, em especial desde os anos 1930, em projetos públicos, especialmente
durante a construção do Sistema Autobahn. Em 1936, foi criado um instituto em Munique para
estudos em bioengenharia para a construção de estradas, capitaneado por Arthur Von Kruedener Histórico no Brasil
– que é considerado o pai da bioengenharia moderna. Ao mesmo tempo, o USDA Forest Service,
na Califórnia, iniciou estudos sistemáticos bem como o desenvolvimento e adaptação dessas
técnicas, através de seu pesquisador Charles Kraebel, que usou combinações de estacas vivas,
feixes de ramos vivos, paliçadas de arbustos, dentre outras, em trabalho relatado em publicação
No Brasil, a despeito do imenso potencial de uso das técnicas de bioengenharia de solos,
de 1936. Em 1938, o Soil Conservation Service (atualmente NRCS) utilizou massivamente técnicas
por oferecer condições adequadas para o desenvolvimento da vegetação durante praticamente
de bioengenharia em trabalhos de recuperação de erosões de margens do Lago Michigan.
todo o ano, possuir a maior biodiversidade vegetal do planeta, dispor – a baixo custo – de grande
Assim, a exemplo da Alemanha, essas técnicas também são utilizadas formalmente pelo governo
30 dos EUA desde 1940, quando o USDA National Resources Conservation Service preconizou seu
parte dos materiais envolvidos em sistemas biotécnicos, dentre outros, o uso das técnicas de 31
bioengenharia de solos em projetos de engenharia é relativamente recente. Contudo, o seu
uso para proteção de lagos e conservação de margens de rios, orientação reforçada em 1947,
uso empírico é relatado e constantemente observado pelas populações, como no plantio de
no Technical Paper TP 61, revisado em 1954, que serviu de base para os dimensionamentos de
bambusáceas no controle de erosões lineares, enrocamentos em margens de corpos d´água,
projeto de canaletas verdes e outros dispositivos de drenagem vegetados.
dentre outras situações.
Além de experiências isoladas e baseadas no empirismo de seus executores, muitas vezes
observadas no meio rural, como o uso de leiras de bambusáceas, diques de enrocamento, dentre
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
outras técnicas, as primeiras menções ao uso de PRCE’s (Produtos em Rolo para Controle de
Erosão) datam da década de 1990, com a importação de geotêxteis orgânicos fabricados pela
empresa americana North American Green e sua respectiva aplicação, pela empresa Gramozzo,
em obras de canais de abastecimento hídrico, no Estado do Ceará.

Fonte: Pereira (1998)


Ainda na década de 1990, foram desenvolvidas e utilizadas técnicas de revegetação de
taludes de declividade acentuada com PRCE’s, a partir de esteiras tecidas manualmente em
capim colonião (Pennisetum purpureum), em obras de revegetação de taludes de corte – em
1994, no bairro Tupi, em Belo Horizonte (MG) – e em bambu taquara (Merostachys speciosa),
 
em 1995, na Universidade Federal de Viçosa (MG) (COELHO; PEREIRA, 1997), além de folhas de Figura 3 – Detalhe da aplicação de PRCE de bambusáceas, em obras de revegetação e
palmeiras nativas (FAY et al., 2012) para uso como mantas biodegradáveis de controle de erosão. georeforçamento, no ano de 1998

Essas experiências foram bem-sucedidas na redução de perda de solo, mantendo a umidade do


A partir do ano de 1999, foi desenvolvido um equipamento para a costura tridimensional de
solo e ancorando sementes e o substrato para o desenvolvimento da vegetação – com resultados
palhada de resíduos agrícolas. O produto manufaturado apresentava gramatura elevada e boa
bastante favoráveis. Entretanto, por se tratarem de produtos manufaturados manualmente, sua
performance em testes de campo, contudo, apresentava baixo rendimento de produção, sendo
produção era baixa, não permitindo o uso massivo dessas técnicas.
considerado inviável economicamente para uso em grandes extensões (PEREIRA, 2019).

Fonte: Pereira (1994)

Fonte: Pereira (1999)


Figura 1 – Detalhe do transporte do primeiro PRCE produzido no Brasil com capim  
elefante (Pennisetum purpureum), de alta gramatura (2 kg/m²); apesar da elevada adição
Figura 4 – Detalhe do primeiro equipamento de confecção de PRCE’s no Brasil, em 1999
de matéria orgânica, era de difícil manuseio e instalação

Fonte: Pereira (1994)


Fonte: Pereira (1994)

32 33

Figura 2 – Instalação do primeiro PRCE produzido no Brasil, em maio de 1994 Figura 5 – Embobinamento do PRCE do primeiro equipamento de confecção de PRCE’s  
no Brasil, em 1999
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
Fonte: Pereira (2000)
Fonte: Pereira (1994)
   
Figura 6 – Detalhe da fabricação da tela vegetal com colmos de capim colonião Figura 8 – Equipamento de fabricação de retentores orgânicos de sedimentos
desenvolvido no início da década de 2000

Fonte: Pereira (2001)


Fonte: Pereira (1997)

 
34 35
Figura 7 – Vista geral do embobinamento da tela vegetal sendo produzida com capins de Figura 9 – Detalhe do retentor de sedimentos de palha
colmo similar e costurada manualmente  
A partir desses ensaios piloto das diferentes técnicas e produtos de bioengenharia de solos
desenvolvidos no Brasil, foram publicados vários artigos em eventos diversos desde o ano de 1994.
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
No ano de 1999, foi desenvolvida a primeira dissertação de mestrado no tema, no Departamento de
Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais, com o título Avaliação
de avaliação de efeitos do recobrimento orgânico nos processos erosivos laminares em talude de
corte. Esse trabalho efetuou a avaliação comparativa do plantio da vegetação sem recobrimento,
com recobrimento de palhada triturada e dos dois produtos disponíveis no mercado nacional em

Fonte: Coelho (2009)


taludes de corte recém-executados na faixa de domínio da BR-040, em Ribeirão das Neves (MG)
a Tela Vegetal ARP-430 - de fabricação

 
Figura 13 – Vista lateral direita das parcelas experimentais executadas em 1999, dez anos
depois de sua implantação

Visando suprir essa demanda, alguns trabalhos foram realizados no âmbito do Setor Elétrico,
incentivados pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel. Dessa forma, em 2002 teve

Fonte: Coelho (1999)


início o Projeto desenvolvido pela Cia. Energética de Minas Gerais (Cemig) e pela Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) denominado Estudo de Técnicas de Bioengenharia de Solos para
Controle de Erosão em Margens de Reservatórios, que gerou diversos artigos científicos, tese de
 
doutorado, manuais técnicos e um seminário de nível internacional. Esse projeto de P&D utilizou,
Figuras 10 e 11 – Detalhe de operações de instalação dos quatro tratamentos de revegetação de taludes com uso de PRCE’s e desenvolveu e divulgou o uso das diversas técnicas de bioengenharia de solos para proteção
outras técnicas, em 1999
de margens disponíveis àquele momento (início dos anos 2000) e atuou na difusão de diversas
técnicas de bioengenharia de solos no Brasil. Além desse projeto, foi desenvolvido também
Apesar deste tema atingir diretamente todo o setor elétrico, de transporte e de infraestrutura
no âmbito do P&D Aneel, pela Cemig GT associada ao Centro Brasileiro para a Conservação da
brasileiros, os trabalhos de controle de erosão concentram-se predominantemente na recuperação
Natureza e à Universidade Federal de Viçosa, o projeto Estudos do uso de geomantas no controle
de áreas mineradas e em estudos de enfoque das engenharias agrícola e agronômica, com uso
da erosão Superficial Hídrica em um talude em corte de estrada, gerando, em 2009, a dissertação
de estruturas de solo através de trabalhos mecanizados. Assim, estudos envolvendo materiais
de mestrado: Desenvolvimento de metodologias para revegetação e recobrimento vegetativo no
que atuem em sinergia com as operações de reconformação de solo são escassos.
controle de erosão em taludes de corte de declividade acentuada.

Também nessa linha, Furnas Centrais Elétricas desenvolve, em parceria com a Universidade
Federal de Goiás, desde 2010, o Programa de P&D Aneel Código PD-0394-1014/2011, denominado
Monitoramento e estudo de técnicas alternativas na estabilização de processos erosivos em
reservatórios de UHE’s. Esse Programa de P&D teve como norteador metodológico o estudo de
processos erosivos no entorno de reservatórios em três UHE’s do Sistema Eletrobras Furnas, com
diagnóstico apresentando mapas de riscos e susceptibilidade dos solos aos processos erosivos,
Fonte: Coelho (2009)

orientando o emprego de técnicas alternativas de baixo custo para prevenção e recuperação


36 de erosões. Recentemente, essa concessionária vem desenvolvendo outro projeto como 37
proponente e executora, desta vez na linha de desenvolvimento de novas tecnologias e produtos
de bioengenharia de solos, denominado Utilização de técnicas de bioengenharia em solos para

Figura 12 – Vista lateral esquerda das parcelas experimentais executadas em 1999, dez anos
fins de controle de processos erosivos no âmbito de empreendimentos de Usinas Hidrelétricas,
depois de sua implantação   em especial em margens de reservatório. Esse projeto iniciou-se em maio de 2016 e deverá ser
2.3
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
Princípios básicos da bioen-
genharia de solos
concluído em janeiro de 2021 e, além de avaliar comparativa e sistematicamente as tecnologias
atualmente disponíveis de bioengenharia de solos para controle de erosão em margens de
reservatórios e para revegetação de taludes, está desenvolvendo dois novos produtos: o Retentor
Orgânico de Sedimentos Vivo (ROSV) e o Produto em Rolo para Controle de Erosão Vivo (PRCEV).

O princípio básico que norteia a bioengenharia de solos compreende a utilização de elementos


Além disso, merecem destaque algumas pesquisas em áreas afeitas ao tema, recentemente
inertes, como concreto, madeira, aço e fibras sintéticas, em sinergismo com elementos biológicos
desenvolvidas no Brasil, a saber:
como a vegetação. São utilizadas, portanto, técnicas de horticultura e princípios tradicionais da
• A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em associação à Empresa engenharia civil de proteção de taludes e controle de erosão. Utiliza-se, nesse caso, da vegetação,
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Solos), também já desenvolveu trabalhos de as raízes e o caule como elementos estruturais e mecânicos para contenção e proteção do solo,
análise de estabilidade de um talude de corte submetido a técnicas de bioengenharia em utilizando-a em diferentes arranjos geométricos, atuando, assim, no reforçamento do solo, na
2010, comprovando a grande melhora nas condições de estabilidade de taludes de corte melhoria das condições de drenagem e na retenção das movimentações de terra (KRUDEDENER,
com uso de vegetação. 1951 apud SCHIETCHL; STERN, 1996; GRAY; SOTIR, 1996).

• O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), por sua vez, desenvolveu pesquisa de caráter Exemplos práticos da utilização da bioengenharia de solos podem ser verificados no quadro 1.
interdisciplinar para viabilizar a recuperação de áreas degradadas pela atividade de
mineração de agregados para a construção civil, como rochas, areia e calcário, utilizando
Categoria Exemplos
de forma integrada os conceitos de bioengenharia de solos e serviços ambientais. O projeto
Construções mistas Estacas vivas
envolveu, no IPT, o Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental (LabGeo) Plantas lenhosas para reforçamento ou retenção de
Ramagem viva
e a Seção de Sustentabilidade de Recursos Florestais. Merece destaque também projeto movimentos de solo
no âmbito do Programa de P&D da ANEEL com esse Instituto, em associação com a Cia. Muros de contenção com face do talude protegida
Associações planta-estruturas
Energética de São Paulo (CESP), que gerou a dissertação de mestrado Avaliação de técnicas pela vegetação

de bioengenharia de solos para proteção de taludes: estudo de caso para aplicação nas
Paliçadas vivas
Plantas lenhosas entre os interstícios de estruturas de
encostas do reservatório da barragem da UHE Engenheiro Sérgio Motta, Rio Paraná, SP/MS Vegetação de gabiões
contenção/retenção
Vegetação de enrocamentos
(SOLERA, 2010), dentre outros produtos.
Plantas lenhosas crescidas nas aberturas frontais /
• O uso de bioengenharia utilizando bambus em faixas para o controle de processos erosivos interstícios de revestimentos porosos/perfurados ou

Fonte: Gray; Sotir (1996)


Plantio entre as junções de elementos de contenção
sistemas inertes de revestimento do solo
também foi objeto de investigação em 2012 pela Universidade Federal do ABC (UFABC). de sistemas de confinamento celular
Plantio entre as junções de elementos de contenção
Plantio intercelular, em confinamento celular
de sistemas de confinamento celular
38 • Guerra et al.(2015) vêm desenvolvendo diversos estudos e publicações com uso de PRCE’s Plantio intercelular, em confinamento celular
Plantio de estacas vivas em colchão Reno 39
Plantio de estacas vivas em colchão Reno
na região de São Luís do Maranhão, na recuperação de erosões lineares de grande porte,
também com enfoque nas técnicas de bioengenharia de solos. Quadro 1 – Classificação de técnicas de bioengenharia de solos para proteção de taludes e controle de erosão
2.4
CAPÍTULO 2

CAPÍTULO 2
Justificativas para o uso de técnicas
de bioengenharia de solos

As principais justificativas para o uso de técnicas de bioengenharia de solos são enumeradas


a seguir:

i) Menor requerimento de maquinário: as técnicas de bioengenharia de solos podem


ser classificadas como trabalho-técnico intensivas, em oposição às técnicas tradicionais,
predominantemente energético-capital intensivas. Por conseguinte, requerem maior utilização
de mão de obra e têm custo final comparativamente menor, oferecendo ainda um maior retorno
social, já que, além de utilizar maior quantidade de mão de obra braçal, a bioengenharia de solos
requer uma menor qualificação do que a requerida nas práticas tradicionais de engenharia civil.

ii) Utilização de materiais naturais e locais: são utilizados, na maioria das vezes, materiais locais,
como madeira, pedras, composto orgânico, dentre outros, que reduzem os custos de transporte,
além de gerarem benefícios locais.

iii) Relação custo x benefício: as técnicas de bioengenharia de solos apresentam, na maioria das
vezes, uma relação custo x benefício mais vantajosa do que as técnicas tradicionais de engenharia,
com um retorno social maior, conforme mencionado anteriormente.

iv) Compatibilidade ambiental: as técnicas de bioengenharia de solos geralmente requerem


a utilização mínima de equipamentos e da movimentação de terra, o que ocasiona menor
perturbação durante a execução de obras de proteção de taludes e controle de erosão. Além
disso, são atributos favoráveis em áreas sensíveis, como parques, reservas naturais, áreas ripárias
e corredores naturais, onde a estética constitui fator de grande importância, fornecendo ainda
habitats para a fauna nativa, restauração ecológica e proporcionando conforto ambiental.

v) Características de autorreparação: ao contrário dos sistemas tradicionais, as técnicas de


bioengenharia de solos ampliam sua estrutura e resistência com o passar do tempo, devido à

40 capacidade da vegetação de crescimento e regeneração. 41


vi) Execução em locais de acesso precário/inexistente: em locais de difícil acesso, ou inacessíveis
para o maquinário, as técnicas de bioengenharia de solos podem constituir a única alternativa
técnica viável para a execução de obras de proteção de taludes e controle de erosão.
3
CAPÍTULO

MECANISMOS DE
INTERFERÊNCIA
ENTRE A
ESTABILIDADE
DO SOLO E A
VEGETAÇÃO
VEGETAÇÃO
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
3.1
A vegetação vem sendo utilizada na engenharia há séculos, no controle de processos
erosivos e como proteção e reforço em obras civis, sendo denominadas as técnicas que conjugam
a utilização desse elemento vivo na engenharia de bioengenharia de solos (KRUEDENER, 1951
apud SCHIETCHL; STERN, 1996). Essas operações, devido a seu baixo custo, requerimentos técnico
relativamente simples para instalação e manutenções, adequação paisagística e ambiental, têm Modificações no regime hí-
encontrado largo campo de aplicação em regiões tropicais e semitropicais, já que nestas as
condições favoráveis ao crescimento da vegetação ocorrem na maioria do ano (GOLFARI et al.,
drico do solo
1978).

Sua importância frequentemente é verificada quando se procede à sua supressão. Após


a retirada de recobrimento vegetativo por colheitas ou desmates, na maioria das vezes ocorre
intenso aumento de processos erosivos e de instabilização de taludes. A retomada do crescimento
da vegetação, por sua vez, promove a diminuição desses processos. 3.1.1. Evapotranspiração e depleção da umidade no solo

Entretanto, a utilização da vegetação na engenharia, especialmente em operações de A evapotranspiração pode ser definida como a remoção da umidade do solo pela transpiração
controle de erosão, muitas vezes tem sido vista como panaceia pela maioria dos planejadores das plantas e pela evaporação da parcela de água interceptada da chuva pela superfície das
(COELHO; GALVÃO, 1998). Gray e Sotir (1996), relacionam exemplos da utilização inadequada, plantas. Normalmente a sucção radicular absorve a água do solo até um certo limite, geralmente
como no ocorrido pelo abafamento da vegetação herbácea causada pela introdução de arbóreas próximo ao valor do potencial hídrico do solo. A capacidade de a vegetação alterar o conteúdo de
de rápido crescimento para controlar processos erosivos – que provocaram o agravamento destas água no solo é comprovada e intrinsecamente vinculada ao comprimento e à extensão das raízes.
erosões. Esses exemplos ocorreram no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, durante o uso de O efeito da vegetação na depleção da umidade dependerá da espécie vegetal, da profundidade,
Eucalyptus sp. para controle de processos erosivos em sulco, e em Mondoro, no Zimbábue, onde da época do ano e do estado fisiológico da vegetação, podendo estar vinculada a um ou mais
árvores plantadas para o controle de ravinamentos provocam a evolução desses processos. desses fatores concomitantemente (BIDDLE, 1982).

Por conseguinte, o uso da vegetação para controle de processos erosivos deve ser criterioso, Como resultado da redução da umidade do solo, ocorrem alterações significativas no
já que ela pode interferir intensamente na transferência da água da atmosfera para o solo nas equilíbrio de forças deste, reduzindo os valores de poro-pressão da água em condições de
águas de infiltração (FERGUSON, 1994) e nos sistemas de drenagem superficial (MORGAN, 1994). saturação, aumentando a quantidade de água necessária para que ocorram essas condições. Isso
Dessa forma, ela pode causar alterações no volume e na intensidade do escoamento pluvial e nas faz com que a quantidade de água precipitada necessária para causar instabilidade sobre um
taxas de erosão superficial. Ela ainda pode interferir nos valores da umidade no solo, afetando, por solo com vegetação seja maior do que a necessária para um solo sem vegetação, aumentando o
conseguinte, seus parâmetros geotécnicos como fricção e coesão (GREENWAY, 1987, apud GRAY; coeficiente de segurança de taludes em condições de saturação, na maioria das vezes em que a
SOTIR, 1996). técnica é utilizada.

Castillo et al. (1997) relacionam diferentes citações de trabalhos desenvolvidos que 3.1.2. Interceptação da chuva
44 demonstraram haver uma correlação exponencial negativa entre o valor do recobrimento vegetal 45
médio e a perda de solos. A interceptação das gotas de chuva pela parte aérea da vegetação variará de acordo com a
intensidade e o volume da chuva, e com as características da superfície foliar. Coppin e Richards
Os principais mecanismos de interferência entre a estabilidade do solo e a vegetação (1990) estimam uma interceptação média de 30% ao longo do ano, para locais com revestimento
constituem-se de: arbóreo.
3.1.3. Redução do volume e da ação erosiva do escorrimento superficial
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
Como resultado de uma combinação dos aumentos dos valores de rugosidade superficial,
infiltração e interceptação, a enxurrada em áreas recobertas por vegetação é muito menor que
nas de solo descoberto. Em pequenas áreas de contribuição recobertas por árvores e gramíneas,
ela corresponde a valores que variam entre 10 e 20% do volume de água precipitado. Em áreas
cultivadas, esses valores variam entre 30 e 40% sob áreas cultivadas e, em assentamentos urbanos,
entre 60 e 70%.

3.1.4. Velocidade do escoamento

3.2
A vegetação reduz a velocidade das enxurradas devido à rugosidade apresentada ao
escoamento superficial pelas estruturas da parte aérea da vegetação. A rugosidade hidráulica e,
consequentemente, o retardamento do escoamento dependerão tanto da morfologia das plantas,
quanto da densidade de crescimento, da altura das plantas e da espessura da lâmina d’água.

3.1.5. Infiltração
Proteção do solo contra os
agentes erosivos
A vegetação pode aumentar os índices de infiltração por diferentes fatores distintos, como:
i) raízes fisiologicamente ativas, ii) canais ou fissuramentos ocasionados por raízes decaídas, iii)
aumento da rugosidade hidráulica, iv) aumento da porosidade efetiva do solo e v) alterações
estruturais do solo (MORGAN, 1994).
3.2.1. Recobrimento do solo

Coppin e Richards (1990) relatam que o aumento da infiltração de enxurradas e da


A parte aérea da vegetação e a matéria orgânica em decomposição ou humificada protegem
precipitação pode aumentar o teor de umidade do solo, em comparação a áreas não vegetadas.
o solo dos processos de mobilização e carreamento de sedimentos pela ação dos agentes erosivos
Ainda segundo esses autores, esses efeitos são reduzidos pela ação da interceptação e da
como o vento, água ou gelo.
transpiração inerentes ao desenvolvimento da vegetação.

Dessa maneira, as forças trativas, como as verificadas nas bordas das gotas de chuva
A vegetação permite eliminar por completo processos de selamento superficial, caracterizados
(NEARING et al., 1987), podem ser responsáveis por até 98% da mobilização de sedimentos em
pela impermeabilização da camada subsuperficial do solo, decorrente da oclusão de macroporos por
solos arenosos (MCCULLAH, 1994), e são dissipadas pela ação interceptadora do material orgânico.
partículas do solo mobilizadas pelo impacto das gotas de chuva (FERGUSON, 1994).

Sob condições normais, o recobrimento do solo por capim ou vegetação herbácea densos
3.1.6. Drenagem subsuperficial
proporciona a melhor proteção contra a erosão laminar e pela ação do vento.

O escoamento subsuperficial pode ser favorecido em superfícies inclinadas, ocorrendo entre


A efetividade (redução da quantidade de solo perdida) do recobrimento vegetativo pode ser
a camada de biomassa decomposta e em decomposição e as camadas superficiais entremeadas
verificada na porcentagem de efetividade para diferentes recobrimentos. Coppin e Richards (1990)
por uma densa rede de raízes, caracterizando uma direção de escoamento paralela à superfície
afirmam que o máximo efeito do recobrimento vegetativo é obtido a partir de um recobrimento
do solo. Esse regime de fluxo pode corresponder a 80% do total de água drenada de talude. Além
46 disso, a permeabilidade horizontal do solo das camadas superficiais de áreas bem vegetadas
efetivo de 70%. Nickson e Morgan (1988) apud Morgan (1994) verificaram que diferentes tipos de 47
vegetação de porte idêntico apresentaram diferenças significativas na intensidade de perda de
geralmente apresenta valores superiores a áreas não vegetadas. Esses processos de escoamento
solo. Essas variações apresentaram valores da ordem de 400 a 500% para parcelas de 1 e 2 metros
podem favorecer a ocorrência de processos de deslizamento de massas de solo subsuperficiais
de altura, respectivamente.
(até 1,5 m).
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
As características do material que mais afetarão a efetividade do mulch relativa à
Tipo de recobrimento Redução (%)
evapotranspiração são quantidade, orientação, uniformidade de aplicação, interceptação da
Controle (sem recobrimento) 0,0 chuva, refletividade e rugosidade dinâmica ou hidráulica. Esses efeitos são facilmente verificáveis
em condições de bancada, já que a verificação dos efeitos do mulch a longo prazo em condições
Semeio de espécies herbáceas
Centeio (perene) 95 de campo são dificultadas pela interação de fatores como a infiltração de água no solo, distribuição
Centeio (anual) 90
das raízes ao longo do perfil, profundidade de percolação e evaporação (PEREIRA, 2006).
Capim Sudão 95

Pastagem nativa de ciclo anual (máximo) 97 3.2.2. Isolamento do solo

Semeio de espécies herbáceas permanentes 99


O recobrimento vegetativo modifica sensivelmente o microclima superficial, reduzindo as

Mulch variações da umidade e a temperatura do solo. Essa ação isolante relaciona-se a processos de
Feno, índice de aplicação (ton./ha) redução da coesividade do solo pela quebra de agregados e pelo enfraquecimento da estruturação

Fonte: Gray; Sotir (1996)


2,0 75
4,0 87 devido a variações na temperatura, especialmente após ciclos de esfriamento significativo.
6,0 93
8,0 98
Palha de grãos pequenos – diâmetro < 10 mm (8,0 ton./ha) 98
3.2.3. Vegetação decaída – matéria orgânica
Serragem (24 ton./ha) 94
Celulose de madeira (6,0 ton./ha) 90 A matéria orgânica do solo, composta pela fração não reconhecível sob um microscópio
Fibra de vidro (6,0 ton./ha) 95
ótico que apresenta organização celular de material vegetal, é denominada húmus. Esta inclui as
substâncias húmicas que são processualmente definidas em frações, baseadas em sua solubilidade
Quadro 1 – Porcentagem de redução da erosão em função de diferentes condições de recobrimento em condições
temperadas em diferentes valores de pH, e o grupo de substâncias não húmicas, como: os carboidratos,
proteínas, lipídios e ácidos orgânicos nos quais a fórmula química para as subunidades pode ser
definida precisamente.
Por conseguinte, Wiersun (1985) apud Morgan (1994) afirma que a presença de recobrimento
superficial da biomassa decaída e decomposta pode proporcionar a redução da ordem de 93% na
Os grupos funcionais das substâncias húmicas são responsáveis pela Capacidade de Troca
perda de solo, quando comparado a superfícies desnudas localizadas abaixo de dosséis arbóreos,
Catiônica (CTC) e por importantes processos físico-químicos do solo, como a complexação de
ilustrando a extrema importância da presença dessa biomassa em povoamentos florestais,
metais. Esses processos influenciarão consideravelmente a fertilidade e a contaminação do solo,
especialmente em locais inclinados, onde a deposição da folhagem das árvores será dificultada
já que eles estão diretamente relacionados à superfície disponível para os nutrientes serem
pelo seu carreamento pela enxurrada.
adsorvidos pelas partículas do solo e posteriormente para a solução do solo e, em última instância,
para o sistema radicular da vegetação adjacente. Carboidratos são, quantitativamente, o mais
Efeito semelhante ao da biomassa decaída pode ser conseguido com a aplicação de
importante grupamento funcional de substâncias não húmicas (SNH), representando de 10 a 25%
recobrimento do solo por mulch – resíduos, geralmente de origem vegetal, aplicados sobre a
em massa do carbono orgânico nos solos. A maioria dos carboidratos no solo estão presentes na
superfície do solo (DULEY; RUSSEL, 1939 apud PIERCE; FRIE, 1998). Esses materiais, atuando de
forma de polissacarídeos que contêm, na maioria das vezes, dois ou três diferentes açúcares em
maneira idêntica à vegetação decaída presente no solo, normalmente promovem a redução da
cada polímero. Os polissacarídeos do solo têm sido estudados devido a seu importante papel na
evapotranspiração e protegem a superfície do solo pela redução da intensidade de escoamento
estabilização de agregados de partículas de argila. Muitas vezes essa agregação ocorre devido
superficial e pelo aumento dos índices de infiltração. Normalmente são utilizados no recobrimento
às mucilagens polissacarídicas oriundas de raízes, bactérias e fungos, que formam soldagens
do solo resíduos agrícolas, podendo ser utilizados ainda materiais como: resíduos sólidos urbanos
48 oriundos de capinas e roçadas; composto orgânico de usinas de tratamento de lixo; fibra de vidro,
efetivas em solos. Cheshire et al. (1983) sugerem que em muitas situações os polissacarídeos são 49
responsáveis por virtualmente toda a estabilidade agregadora em solos.
celulose, serragem, dentre outros resíduos (COELHO, 1999).
3.3 i) Edáficos
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
Trata-se da adaptação das espécies às condições do local onde será realizada a recuperação
ambiental. Por isso, é necessário conhecer os solos da região, com informações como: pH,
fertilidade natural, salinidade, toxidez, textura, drenagem e matéria orgânica.
Seleção e determinação da
vegetação visando a maximação dos ii) Climáticos
Torna-se o fator mais importante, porque as condições climáticas não podem ser reproduzidas
seus benefícios no controle de erosão artificialmente, enquanto para alguns fatores edáficos isso é possível. Dentre os fatores climáticos,
deve-se avaliar: tolerância à seca, a geadas, déficits hídricos da região, precipitação anual,
temperaturas médias anuais e umidade relativa.

iii) Ambientais
Esses fatores são determinados em função da rapidez e segurança da recuperação ambiental,
Durante a etapa de seleção e determinação da vegetação a ser utilizada nos sistemas
além dos objetivos e exigências legais. Dentre os principais fatores ambientais, podemos citar:
de bioengenharia de solos, sempre se torna necessário estabelecer a composição de espécies
Longevidade
que venha a permitir as melhores condições de infiltração, escoamento superficial e proteção
Se o objetivo da proteção é temporário ou definitivo, deverão ser selecionadas espécies anuais,
contra erosão laminar. Assim, a escolha adequada das espécies e respectivas quantidades é
bianuais, perenes, de ciclo curto ou ciclo longo.
fator decisivo no estabelecimento da vegetação e proteção contra os processos erosivos, sendo,
Produção de biomassa
portanto, necessários conhecimentos técnicos que abrangem os aspectos climáticos, edáficos,
Deve-se verificar o nível de matéria orgânica no solo, o nível de recobrimento desejado no solo
fisiológicos e ambientais.
e a profundidade necessária das raízes para a estabilidade dos taludes.
Crescimento e efeitos paisagísticos
Tem se verificado no Brasil que a maioria das empresas, instituições e órgãos governamentais
Envolve a necessidade de obter altas taxas de crescimento dos vegetais, tufos de vegetação,
utiliza um determinado número de espécies e quantidades, sem, contudo, selecionar tecnicamente
vegetação rasteira, vegetação exótica ou nativa, tipos de raízes, além da necessidade de
as espécies e as respectivas quantidades, por isso os resultados obtidos muitas vezes não atingem
manutenção.
os objetivos estabelecidos para a recuperação ambiental e o controle da erosão. Essas quantidades
Fixação de Nitrogênio
vão variar em cada situação e região, com respectivas quantidades, abrangendo as necessidades
É necessário o uso de leguminosas, pois a maioria das áreas degradadas apresenta solos
técnicas de recuperação, tempo, aspectos edafoclimáticos e ambientais.
estéreis, necessitando de melhorias dos seus níveis de fertilidade.

Há um considerável volume de informações relacionadas a dois tópicos: vegetação e controle Palatabilidade da fauna

de erosão. Essas informações se tornam muito complexas em razão das condições edafoclimáticas Dependendo da região, podem ser selecionadas espécies que favoreçam a alimentação pela

que podem variar consideravelmente em diferentes locais. Além disso, os objetivos da revegetação fauna silvestre, como frutos, grãos, pastagem.

e do controle de erosão não são sempre complementares. O que atende melhor para o controle Dormência das sementes

de erosão pode não ser a melhor solução para a revegetação, sendo a recíproca verdadeira. Por A utilização de sementes que apresentam dormência, vigor e resistência a pragas e doenças

conseguinte, a escolha do mix de espécies e das respectivas quantidades, quando realizada é interessante, pois as germinações poderão ocorrer em épocas diferentes, reduzindo assim a

corretamente, determina o sucesso da proteção ambiental e a redução de custos, eliminando o competitividade inicial.

empirismo e a escolha aleatória das espécies. Biodiversidade

50 É necessário utilizar um grande número de espécies, pois isso contribui para aumentar 51
3.3.1. Fatores determinantes na seleção das espécies a biodiversidade, com a atração de pássaros e animais silvestres. A escolha de plantas de
diferentes portes e a utilização de espécies de gramíneas e leguminosas é fundamental, para
Vários fatores afetam a escolha adequada das espécies para recuperação e proteção manutenção da biodiversidade e da sustentabilidade da vegetação
ambiental. Os principais são:
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
3.3.2. Seleção de propágulos e métodos de propagação 3.3.2.1.2. Gramíneas

De acordo com Pereira (2008), verifica-se, não raras vezes, que a escolha das espécies e A família Gramineae compreende cerca de 650 gêneros e 10.000 espécies, distribuídos
as respectivas quantidades de propágulos (sementes, mudas, estolões, dentre outros) são feitas em todo o mundo. É a quinta família botânica em número de espécies e a maior em número
empiricamente, sem a utilização das variáveis necessárias, bem como das técnicas conhecidas. de indivíduos. Considerando os vegetais usados na alimentação humana, a maioria é da família
Em razão disso, muitas vezes são utilizadas espécies inadequadas, com grande desperdício de Gramineae, tais como arroz, trigo, milho, aveia, sorgo, dentre outras. Além de alimentarem o
propágulos, o que contribui para elevação dos custos e insucesso nos trabalhos de revegetação. homem, as gramíneas constituem a base das pastagens. Como plantas pioneiras, têm importância
De uma forma geral, podemos estratificar as espécies quanto a seu porte e forma de propagação fundamental do ponto de vista ecológico, ajudando na recuperação, proteção e revitalização do
em três grupos: espécies herbáceas (sementes), arbustivas e semiarbustivas (sementes e mudas) solo.
e arbóreas (mudas). Diversas espécies, contudo, apresentam características de mais de um desses
grupos, podendo ser objeto de diferentes métodos de propagação e cultivo. De acordo com as As gramíneas possuem sistema radicular fasciculado, ou seja, com a raiz primária não

características edafoclimáticas e ambientais, as espécies vegetais são então escolhidas para a desenvolvida, enquanto as raízes secundárias são ramificadas e numerosas, geralmente

proteção e a revegetação. Na literatura internacional há vários trabalhos que apresentam plantas ocorrendo a menos de 1 m de profundidade, exceto algumas espécies, como a Vetiveria sp., que

e suas aplicações, que podem ser visualizados na Tabela 1, apresentada na sequência. atinge até 3 m de profundidade. Algumas espécies, como o milho, possuem também considerável
volume de raízes adventícias, cuja principal função é a sustentação da planta. Outras espécies de

3.3.2.1. Espécies herbáceas gramíneas possuem rizomas e/ou estolões, também chamados estolhos, que constituem tipos
de caule especiais. Os rizomas ocorrem abaixo da superfície do solo e são diferentes das raízes
Dentre a vegetação herbácea, diversas espécies podem ser utilizadas em obras de por possuírem nós e folhas não desenvolvidas, que se apresentam como pequenas escamas. Os
estabilização de taludes, revegetação de áreas impactadas, controle de erosões e proteção estolões são semelhantes aos rizomas, porém crescem na superfície do solo.
de margens de reservatórios e cursos d’água. Nas condições brasileiras, as principais espécies
herbáceas podem ser agrupadas basicamente em dois grupos: as leguminosas e as gramíneas. A produção de sementes das gramíneas pode se realizar de duas maneiras: sexuada e
assexuada. A reprodução sexuada engloba dois subtipos: a polinização cruzada (mais comum

3.3.2.1.1. Leguminosas nas espécies perenes) e a autofecundação (característica das espécies anuais). A reprodução
assexuada é também conhecida como reprodução apomítica ou agamospérmica. Muitas espécies
As leguminosas são plantas capazes de fixar nitrogênio no solo. Além disso, apresentam produzem sementes apomíticas juntamente com sementes produzidas por via sexual. Existem
raízes com arquitetura e profundidade que permitem estabilizar solos que apresentem ainda algumas gramíneas que não formam sementes férteis, sendo multiplicadas somente a
instabilidade. partir de segmentos dos colmos.

A fixação biológica do nitrogênio é um processo bioquímico em que o nitrogênio atmosférico As gramíneas apresentam características que as destacam como um grupo evoluído e
é incorporado diretamente às plantas após ser transformado em amônia. Essa relação ocorre diversificado de plantas. Apresentam desempenho fotossintético eficiente em diversas condições,
em estruturas especiais das raízes chamadas nódulos, formadas por bactérias e comumente são eficientes na produção e dispersão de diásporos, possuem sistema radicular fasciculado, além
chamadas de rizóbios. As leguminosas têm ainda um papel importante na revegetação de áreas de produzirem estolhos e rizomas. O conjunto desses atributos faz com que as gramíneas sejam
degradadas, principalmente na consociação com gramíneas, favorecendo o desenvolvimento da apropriadas para a recomposição das áreas degradadas, atuando como pioneiras na sucessão
vegetação pela incorporação de nitrogênio. Nesses locais, caso exista nitrogênio extra, este pode ecológica. Se, por um lado, isso possibilita vantagem na ocupação de áreas em seu habitat original,
ser liberado no solo, tornando-se disponível para outros vegetais, o que também pode ocorrer por outro pode incrementar o grau de invasibilidade de uma espécie em outro ambiente.
52 pela decomposição de material vegetal no solo.
53
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
Fonte: Pereira (2006)
54   55
Tabela 1 – Relação das espécies de gramíneas e leguminosas, com as respectivas
características, para uso em áreas degradadas e controle de erosão
3.3.2.4. Espécies arbustivas e arbóreas
3.3.2.2. Dimensionamento da quantidade de sementes a ser aplicada
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
As espécies de plantas arbustivas e arbóreas, por sua vez, são normalmente propagadas na
De uma forma geral, o estabelecimento de herbáceas está relacionado com a taxa de
forma de mudas (em tubetes ou saquinhos) e, menos comumente, na de estacas enraizadas. Neste
sementes a ser aplicada nas áreas trabalhadas. Dessa forma, o principal fator de sucesso para
último caso, do uso de mudas oriundas de estacas vivas, devem ser usadas preferencialmente
o estabelecimento da vegetação será a determinação da quantidade ótima de sementes a ser
em estado de dormência vegetativa. A sobrevivência dessas mudas oriundas de estacas será
aplicada.
bastante inferior quando as estacas forem colhidas e plantadas no estado de plena atividade

Vários fatores devem ser avaliados para determinação da quantidade de sementes, em vegetativa. No caso de utilização de mudas com raízes nuas ou mudas não enraizadas, as estacas

função de cada área a ser trabalhada em específico. Assim, a quantidade de sementes deve devem ser mantidas em condições frescas, úmidas e no escuro, até estarem prontas para

ser incrementada quando forem verificadas as seguintes condições: o preparo do solo e o serem plantadas. Em regiões de clima temperado, elas podem ser armazenadas inclusive sob

coveamento forem deficientes pelas características do local a ser trabalhado (friabilidade, acesso, refrigeração (na temperatura de 10 a 15°C até pouco antes do plantio), ou em qualquer lugar que

condições laborais); a declividade do talude for superior a 30°; ocorrência de ventos superiores a 4 seja permanentemente escuro, úmido e frio – podendo ser armazenadas por muitos meses. As

m/s; condições de intensa predação por insetos e pássaros; ocorrência de eventos de deficiência mudas podem ainda ser colocadas em sacos de pano e cobertas com serragem ou turfa e então

hídrica; utilização de sementes de baixo valor cultural; condições de baixa fertilidade do solo; cobertas com saco de pano após serem umidificadas (HOAG et al., 1991 apud FAY et al., 2012)

pouca disponibilidade de técnicas de recobrimento do solo.


No caso de mudas adquiridas em viveiros, além dos cuidados fitossanitários convencionais

Por sua vez, a quantidade de sementes pode ser minimizada quando o preparo e o inerentes a cada espécie, cuidados especiais devem ser dispensados à vegetação no trajeto da

coveamento do solo forem eficientes, nos casos em que tenha havido aplicação em grandes retirada das mudas dos viveiros – e/ou da área de exploração ou colheita destas – até o local

quantidades de mulch orgânico e fertilizantes e/ou quando a fertilidade natural do solo for de aplicação do projeto. Esses cuidados envolvem a sua irrigação nas condições adequadas e

elevada. Em operações de plantio de herbáceas, muitas vezes são necessárias operações de durante seu manuseio e transporte – mantendo-as úmidas e livres de serem ressecadas pelo

ressemeio. Essas operações deverão ocorrer com uma ou mais das seguintes condições: grande vento, com uso de sombrite.

quantidade de plantas em debilidade fisiológica, fracas; taxas de germinação e estabelecimento


Os plantios envolverão a escavação e o reaterro desse solo na cova e devem ser executados
da vegetação reduzidas; ocorrência de pragas e doenças, pastoreio ou de stress hídrico severo.
apenas em condições de solo úmido. O reaterro deve ser tampado firmemente para eliminar

3.3.2.3. Utilização de herbáceas de espécies nativas vazios e assim obter maior superfície de contato entre as raízes e o solo. O excesso de solo
deve ser suavizado e reaterrado em volta das plantas com uma ligeira depressão para coletar
De uma forma geral, deverão ser adotadas espécies nativas dos ambientes a serem água da chuva e do escoamento superficial circunvizinho. A muda deve ser aterrada em uma
revegetados. Contudo, especialmente nas condições brasileiras, as espécies herbáceas nativas profundidade de 3 a 5 cm abaixo de onde elas cresceriam em viveiros, para fornecer cobertura
apresentam oferta muito baixa de sementes viáveis. A seguir, são enumeradas vantagens e do solo sobre as raízes, a fim de garantir uma melhor fixação – esse cuidado, entretanto, deve
condições que devem ser observadas quando do seu uso: ser adotado criteriosamente, pois algumas espécies podem apresentar “afogamento” do coleto,
i) Disponibilidade de sementes e mudas; levando à morte das mudas com essa prática.
ii) Certeza de adaptação às condições locais;
iii) Germinação e desenvolvimentos confiáveis; 3.3.3. Estratégias de manutenção da vegetação após implementação

iv) Reprodução do ambiente original;


Na adoção de estratégias de manutenção da vegetação após sua implementação e/ou
v) Compatibilidade ecológica;
plantio, deve-se considerar a execução de diversas ações envolvendo inspeções para a verificação
vi) Ampliação da diversidade genética;
56 vii) Manutenção da biodiversidade vegetal;
da estabilidade dos trabalhos de bioengenharia desenvolvidos, sendo que, de uma maneira geral, 57
os requisitos de manutenção normalmente serão menores do que quando são utilizadas técnicas
viii) Baixa capacidade de ser palatável;
convencionais de engenharia. Em plantios de espécies herbáceas, as operações de manutenção se
ix) Grande capacidade de ampliar habitats naturais.
fazem mais necessárias do que em plantios de espécies lenhosas, compreendendo basicamente
o combate a pragas (especialmente formigas e lagartas) e doenças, adubações de cobertura e um dossel definido poderá sombrear estratos mais baixos ou desencadear processos de alelopatia
isolamento físico do local para evitar o pastoreio por gado ou mesmo espécies nativas. Em plantios (liberação de substâncias inibidoras do crescimento celular vegetal de espécies invasoras por
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
mistos de espécies arbustivas e arbóreas, quando necessárias, as operações de manutenção tecidos de espécies dominadoras), podendo causar a eliminação da vegetação herbácea original
usualmente consistem de podas leves e da remoção pontual da vegetação indesejável (GRAY; completamente – favorecendo o escorrimento superficial; iii) a vegetação pode aumentar a
SOTIR, 1996). turbulência do escoamento superficial, favorecendo processos erosivos laminares (STOCKING,
1996 apud COELHO, 2007); iv) o aumento significativo da biomassa vegetal (especialmente em
A execução de podas pesadas pode ser necessária para a redução da competição por luz arbóreas) pode causar sobrecargas no talude; v) ventos atuando na parte aérea da vegetação
ou para estimular o crescimento de tecidos fisiologicamente mais jovens das plantas no sistema podem ocasionar transferência de forças para o sistema radicular, causando perturbações à
biotécnico (FAY et al., 2012). A remoção seletiva da vegetação pode ser necessária, ainda, para camada superficial do solo; vi) a penetração radicular em fissuras e junções de rochas favorecem
eliminar espécies invasoras indesejáveis e, normalmente, é realizada a cada 3 anos nas condições a infiltração e o intemperismo da rocha, podendo favorecer a instabilidade do talude (GREENWAY,
tropicais. A realização de operações de manutenção mais intensivas, pode ser necessária para 1987); vii) escoamento ao longo da superfície de raízes de plantas senescentes.
a reparação de problemas na área, criados por chuvas intensas e outras situações não usuais.
Desmoronamentos e movimentos de massa no local devem ser reparados imediatamente. Rickson e Morgan (1988) apud Coppin e Richards (1990) verificaram que as características de
Geralmente o reestabelecimento deve acontecer em 1 ano após o término da construção e arranjo e distribuição da parte aérea da vegetação para uma mesma altura média podem causar
consiste nas seguintes práticas (SCHIECHTL; STERN, 1996): variações de mais de 300% na perda de solos em uma mesma situação de solo e declividade.
i) Reaterro, substituição de ramos mortos e compactação de sulcos e ravinas; Finney (1984), por sua vez verificou que gotas oriundas da atmosfera com diâmetros entre 2 e 3
ii) Controle de insetos e doenças; mm atingindo o solo têm menor capacidade de mobilizar partículas do solo do que gotas de 5
iii) Controle de ervas daninhas. mm formadas pelo acúmulo de gotículas na superfície de folhas a 1 m de altura. Essa variação
da erosividade pode atingir variações da ordem de 1.000% nas adjacências de árvores e arbustos.
Superfícies recobertas por gramíneas produzem um padrão uniforme e atenuado de distribuição

3.4
da chuva no solo, reduzindo os impactos a valores incipientes se comparados com os inicialmente
presentes nas gotas (ARMSTRONG; MITCHELL, 1987 apud Coelho, 2001).

3.5
Ambivalência dos efeitos de
vegetação na intensidade dos
processos erosivos em taludes
Estabilidade de taludes

Como foi relatado, a utilização não criteriosa da vegetação como prática conservacionista
pode apresentar efeitos deletérios para o solo, aumentando a intensidade dos processos erosivos
A estabilização de taludes é um elemento da engenharia no qual a vegetação pode exercer
58 em algumas situações.
59
um importante papel. Os efeitos da vegetação em taludes, encostas e superfícies rochosas
Assim, alguns efeitos negativos sobre a estabilidade de solos podem ser verificados, como: apresentam imensuráveis aplicações em situações de mineração, rodovias, ferrovias, barragens,
i) em certas condições de recobrimento, a água da precipitação pode retomar o formato de gotas proteção de margens de corpos d’água e costeira, e praticamente em todas as situações de
ainda maiores que as da precipitação, atingindo o solo com potencial erosivo; ii) o crescimento de execução de cortes e aterros que formem taludes ou superfícies de solo inclinadas.
Com relação a sobrecargas causadas pelo aumento significativo da biomassa vegetal,
entretanto, Gray e Sotir (1990) afirmam que, para um modelo de talude infinito, a sobrecarga

3.6
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
pode ser benéfica à estabilidade, desde que a coesão do solo seja baixa, o ângulo interno de
fricção do solo seja alto e os ângulos de inclinação do talude sejam pequenos.

Greenway (1987) e Coppin e Richards (1990) sintetizam os principais efeitos da vegetação


em movimentos de massa em taludes, de acordo com o quadro a seguir:

Morfologia radicular e seu efeito na


Natureza do Efeito na estabilidade de taludes
efeito
Influência Mecanismo hidrogeológico 1 2
Superficial Subsuperficial Profunda
3 resistência ao cisalhamento

Reforçamento Raízes reforçam o solo, aumentando


+ +
radicular sua resistência ao cisalhamento.

Raízes de árvores podem ancorar em As raízes das plantas exercem função de estabilização das partículas do solo por meio de
Atirantamento
estratos firmes, proporcionando su- + +
radicular diversos mecanismos, como o aumento da resistência ao cisalhamento – promovida especialmente
porte a massa de solo à montante.
pelas radicelas, que mantêm maior relação superfície/volume radicular – e a estabilização de
Ancoramento movimentos de massa pelo efeito das raízes, especialmente as pivotantes, que atuam de maneira
Estratos superiores de menor coesão. + +
Equilíbrio de radicular
semelhante a “tirantes vivos”, promovendo o ancoramento de grandes massas de solo. Esse efeito
forças da massa
do solo O peso de árvores sobrecarrega o ta- de “tirantes vivos” é especialmente verificado em perfis do solo com diferenças significativas
Sobrecarga lude, aumentando os componentes -
na resistência ao cisalhamento ao longo da profundidade do perfil, como em solos residuais.
da força normal e descencional.
Gray e Sotir (1990) demonstraram esse efeito pela ocorrência de massas de solo de saprólitos
A vegetação exposta ao vento trans-
Tombamentos - de granito estabilizadas por árvores de Pinus sp.. Ele verificou que massas de solos localizadas a
mite forças dinâmicas para o talude.

A folhagem e a biomassa decaída montante de indivíduos dessas espécies apresentavam maior estabilidade que o solo de locais
Recobrimento
protegem o solo e fornecem substân- + + sem a influência das raízes desses indivíduos.
superficial
cias agregantes.

Partículas minerais do solo são solda- O aumento da resistência ao cisalhamento do solo está vinculado diretamente à transferência
Retenção + +
das pelas raízes superficiais.
direta das tensões de cisalhamento para resistência das raízes à tensão. Essa transferência
A parte aérea intercepta e evapora a ocasiona incrementos consideráveis na resistência ao cisalhamento, com consequente redução
Interceptação precipitação, reduzindo a quantidade +
de água infiltrada. da erodibilidade e aumento da estabilidade do solo. Esse efeito é denominado reforçamento

Raízes e ramos aumentam a rugo- radicular e pode variar em função de fatores como: i) valores de resistência à tensão das raízes; ii)
Alterações do Infiltração sidade superficial e a permeabilidade +/- +/- +/- propriedades da interface entre as raízes e o solo; iii) concentração, características de ramificação
regime hídrico do solo, aumentando a infiltração.
do solo e distribuição das raízes no solo – também denominada arquitetura radicular; iv) espaçamento,
A sucção radicular retira umidade, re-
diâmetro e massa de solo explorados pelas raízes; v) espessura e declividade do perfil do solo do
duzindo a poro-pressão da água no
Evapotranspi-
solo. Em situações extremas, pode +/- +/- +/- talude; vi) parâmetros geotécnicos relativos à resistência ao cisalhamento do solo. Esses fatores
ração
gerar trincamentos, gerando altos ín-
que regulam o reforçamento radicular, por sua vez, podem ser influenciados pela espécie da
dices de infiltração.
60 Proteção Diminuição da força trativa de ventos +
planta, pelas variações ambientais nas condições de crescimento e pela época do ano. Com
61
Microclima solo- relação às espécies de plantas, verifica-se que as coníferas apresentam menor resistência à
atmosfera Proteção contra trincamentos por
+ + tensão radicular do que árvores decíduas. Arbustos apresentam resistência radicular à tensão
calor ou frio
comparável à de árvores, oferecendo, em relação a estas, diversas vantagens, como menor
Obs.: 1 – até 0,30 m de profundidade; 2 – de 0,50 a 1,50 m de profundidade; 3 – mais de 1,50 m de profundidade. potencial de sobrecarga sobre solos e menor tendência a tombamentos pelo vento.
CAPÍTULO 3

CAPÍTULO 3
O corte, lesões graves ou a debilidade fisiológica das plantas podem fazer decrescer a
estabilidade dos solos, devido à redução da resistência à tensão das raízes. As raízes de menor
diâmetro são, nessas ocasiões, as primeiras a fenecer e a desaparecer. Com o passar do tempo,
ocorre um declínio na resistência à tensão das raízes, chegando a um valor mínimo, que pode
voltar a crescer com a emissão de novas radicelas pela vegetação fisiologicamente ativa (GRAY;
SOTIR, 1996).

Uma elevada concentração de fibras radiculares de pequeno diâmetro é mais efetiva do


que poucas raízes de diâmetro maior para o aumento da resistência ao cisalhamento de massas
de solos permeadas por raízes. Esse aumento à resistência será diretamente proporcional
à profundidade explorada pelas raízes. A ação mais eficiente nesse aumento da resistência é
verificada quando as raízes penetram ao longo do manto de solo até fraturas ou fissuras presentes
na camada de rocha matriz, ou nos casos em que raízes penetrem ao longo de solos residuais,
ou em zonas de transição onde a densidade e a resistência do solo ao cisalhamento aumentam
com a profundidade. Atingindo esses pontos, as raízes se fixam, promovendo a transferência
de forças de zonas de menor resistência ao cisalhamento para zonas de maior resistência ao
cisalhamento (GREENWAY, 1987 apud COPPIN; RICHARDS, 1990). Esse efeito estabilizador é
minimizado quando ocorre pouca penetração das raízes ao longo do perfil e, logo, das diferentes
resistências ao cisalhamento ao longo da profundidade. Mesmo nesses casos, as raízes laterais
podem exercer importante papel, pela manutenção de um manto contínuo de raízes ao longo das
camadas superficiais, aumentando a resistência destas a processos erosivos. Entretanto, devido
às exigências de oxigenação pelas células das raízes, elas tendem a se concentrar próximas à
superfície.

O principal efeito das fibras do sistema radicular da vegetação no reforçamento de solos é


relacionado ao incremento da coesão aparente (SOTIR; GRAY, 1996). De acordo com esses autores,
a coesão efetuada pelas fibras radiculares pode fazer uma diferença significativa na resistência a
deslizamentos superficiais ou em movimentações por cisalhamento na maioria de solos arenosos
com pouca ou nenhuma coesão intrínseca. Essa influência foi consideravelmente verificada nas
menores profundidades de solo.

62 63
CAPÍTULO
4
TÉCNICAS E
MÉTODOS DE
BIOENGENHARIA
NO CONTROLE DE
EROSÃO
Conforme pode ser observado na maioria das condições brasileiras e nos Estudos de Caso
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
que serão aqui relatados, dentre os inúmeros fatores envolvidos em projetos de estabilização
e recuperação ambiental de processos erosivos (especialmente nas erosões lineares) com
Além de atuarem na dissipação da energia cinética do escoamento superficial, os ROS’s
potencial de serem diretamente manejados pela ação humana, pode-se enumerar como os de
atuam na detenção e retenção in situ de partículas do solo e de matéria orgânica (incluindo, além
maior importância: a drenagem (superficial e subterrânea), a reconformação e/ou a melhoria da
de serapilheira, sementes e propágulos diversos) que são carreadas pelo escoamento superficial.
geometria dos taludes e a revegetação das superfícies de solo em exposição (em especial aquelas
Assim, o solo e a matéria orgânica ficam ancorados atrás e/ou no interior dos cilindros instalados,
de declividade acentuada). Estes fatores, podem ser trabalhados, respectivamente, com as
que fornecem um meio adequado à germinação e ao estabelecimento da vegetação. Os ROS’s
técnicas de bioengenharia de solos relacionadas a dispositivos de drenagem convencionais (em
ainda atuam fertilizando o solo e mantendo os índices de umidade por mais tempo, o que auxilia
concreto) ou vegetados (que serão melhor detalhados neste trabalho), estruturas de detenção e
no crescimento das sementes plantadas ao longo da superfície e no interior desses dispositivos.
retenção de sedimentos (orgânicos e em material rochoso) e a práticas de plantio associadas aos
Produtos em Rolo para Controle de Erosão (PRCE’s). Considerando-se ainda que a bioengenharia 4.1.1.1. Histórico e apresentação comercial de ROS’s
de solos é composta por dezenas de técnicas conhecidas e relatadas de forma minuciosa na
literatura há mais de três séculos, esta publicação irá se ater a uma breve descrição das técnicas De acordo com McCullah (1994) apud Coelho (2007), os retentores orgânicos de sedimentos

utilizadas nos presentes Estudos de Caso, composta por estruturas de detenção e retenção de são produtos constituídos de fibras vegetais, altamente compactadas e flexíveis, envolvidos por

sedimentos, Produtos em Rolo para Controle de Erosão (PRCE’s) e por dispositivos de drenagem uma malha resistente de polipropileno. Os retentores orgânicos de sedimentos são vendidos no

revestidos por vegetação. Brasil com a denominação comercial de bermalonga, e nos Estados Unidos como Biolog, Geohay,
Rolanka, dentre outras denominações.

4.1
No mercado internacional, os ROS’s encontram-se disponíveis em diâmetros de 12 polegadas
(300 mm), 16 polegadas (406 mm) ou 20 polegadas (508 mm). A densidade dos ROS’s depende
do tipo de fibra usada na construção e do quão fortemente compactada essa fibra foi. Tensão de
tração, peso unitário, área de abertura, espessura e o tipo de fibra são propriedades importantes
a se considerar no uso de ROS. Por exemplo, ROS’s de alta densidade, 9 lbs/ft³ (144 Kg/m³), podem
ser mais apropriados para o amortecimento do impacto de ondas quando utilizados na proteção
Estruturas de detenção e de margens, enquanto ROS’s de baixa densidade, 6 lbs/ft³ (96 kg/m³), são perfeitamente aceitáveis
retenção de sedimentos para uso em proteção de taludes.

4.1.1.2. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s) de palhada de herbáceas

4.1.1. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s) Os retentores orgânicos de sedimento de palhada de herbáceas são cilindros preenchidos
com feno ou palha, os quais são envoltos em redes de plástico, normalmente polipropileno.
Os retentores orgânicos de sedimento (ROS’s), também conhecidos no Brasil como Apresentam dimensões variadas, podendo ser encontrados comercialmente no Brasil produtos
“bermalongas” e “bioretentores”, são estruturas usadas com a função de dissipadores de energia entre 20 e 60 cm de diâmetro e entre 1 e 2 m de comprimento (PEREIRA, 2006). A durabilidade
e de incremento dos índices de infiltração da água da chuva no solo, bem como na diminuição desse tipo de ROS, nas condições brasileiras, é de um a dois anos (PEREIRA, 2006).
da velocidade de escoamento em canais e dispositivos de dissipação de energia vegetados. Após

66 sua instalação, os ROS’s diminuem a velocidade de escoamento superficial ao longo do terreno 67


natural ou dos dispositivos de drenagem.
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
Fonte: Pereira (2006)
   
Figura 1 – Detalhe de ROS de palhada de herbáceas

Fonte: 3º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


Fonte: Coelho (2003)

   
Figura 1 – Detalhe de ROS de palhada de herbáceas Figuras 3 e 4 – Detalhes da instalação de retentores orgânicos de sedimento na função de
elementos filtrantes e de transição, a montante e a jusante de paliçadas, na UE2

68 69
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
4.1.1.3. Retentores orgânicos de sedimento (ROS’s) de fibra de coco beneficiada

Retentores orgânicos de sedimento de fibra de coco beneficiada são ROS’s manufaturados

Fonte: Coelho (2019)


em fibra de coco da baía e frequentemente usados como meios estruturais e de enraizamento
para os componentes do sistema de bioengenharia de solos em situações nas quais se deseja
que o ROS apresente maior durabilidade no talude (até 2 anos), dependendo das condições  
ambientais locais. A fibra de coco é um material natural, duradouro e com alta resistência a tração.
Figura 6 – Vista a montante de ravinamentos de grande porte em processo de recuperação
A fibra pode geralmente substituir materiais usados como componentes estruturais como, por com uso de leiras e paliçadas de ROS, além de outras técnicas de bioengenharia de solos,
exemplo, rochas e madeira. Esses ROS’s também acumulam sedimentos enquanto as plantas executada por Furnas Centrais Elétricas, em Itatiaia (RJ)

e raízes se desenvolvem. Após a biodegradação da fibra de coco, a força coesiva do sistema de


raízes passa a ser o membro principal de estabilização. A capacidade de resistência à tração de 4.1.2. Paliçadas
ROS de fibra de coco, sua longevidade e habilidade de retenção da umidade dependem do tipo,
densidade e grau do material de fibra escolhido. As paliçadas de madeira são anteparos que são aplicados nos estreitamentos dos processos
erosivos lineares de pequeno e médio porte, onde não ocorra escoamento superficial concentrado ou
O processamento tradicional de fibras de coco resulta em vários tipos diferentes de fibras. afloramento freático intermitente ou permanente, com a finalidade de reter os sedimentos e promover
Durante o processo, a fibra separada inicialmente é pequena, fina e frágil. O próximo nível de uma geometria mais estável para os taludes desses processos erosivos, tanto em sentido transversal
fibra separada da casca possui características intermediárias; por último, a fibra restante é longa, quanto longitudinal.
mais grossa, pesada e resistente se comparada a outras fibras (USDA, 2016).
A dimensão da paliçada será em função da necessidade do local, podendo ser simples e dupla. As
A durabilidade desse tipo de ROS, nas condições brasileiras, é de três a cinco anos (PEREIRA, 2006). estacas sempre deverão estar em contato umas com as outras para o aumento de sua capacidade de
retenção de sedimentos, a não ser quando forem usadas estacas vivas, quando a distância entre estacas
deverá respeitar o crescimento da muda. Na interface das paliçadas com o solo, devem ser utilizados
elementos filtrantes, na forma de geossintéticos ou com retentores orgânicos de sedimento, para não
permitir processos de pipping ou mobilização de sedimentos de outras naturezas.

Fonte: 7º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


Fonte: Coelho (2019)

70 71
 

Figura 5 – Vista frontal de ravinamentos de grande porte em processo de recuperação


com uso de leiras de ROS e outras técnicas de bioengenharia de solos, executada por
Furnas Centrais Elétricas, em Itatiaia (RJ) Figura 7 – Detalhe do acúmulo de água a montante de paliçada de estacas vivas
instaladas em ravinamento profundo pela Cemig GT, em Córrego Danta (MG)

 
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
 
 

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


 

Figuras 8 e 9 – Vista lateral a montante e a jusante de paliçada de estacas vivas instaladas Figuras 10 e 11 – Detalhes de paliçadas mistas de madeira com estacas vivas de arbustivas
em voçorocamento, pela Cemig GT, em São Gonçalo do Abaeté (MG), em 2018. Observa- e arbóreas, respectivamente, instaladas em área de faixa de domínio afetado por erosão,
72 se que são deixados espaços vazios entre as estacas de madeira, que deverão ser pela Cemig GT, em Córrego Danta (MG), em 2018. Observa-se que, com o aumento do 73
preenchidos com o aumento do diâmetro das mudas. Até que isso ocorra, os sedimentos diâmetro das mudas plantadas, ocorrerá a estabilização dos sedimentos no interior
são estabilizados com retentores orgânicos de sedimento instalados ao longo da paliçada do leito erosivo, em associação ao efeito proporcionado pelos retentores orgânicos de
sedimento instalados

 
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
4.1.3. Diques drenantes de rocha

Os diques drenantes são estruturas compostas por rocha gnáissica ou granítica, de


dimensões variáveis, sendo a granulometria do material descendente de montante para jusante.
Esse sentido da granulometria relaciona-se à permeabilidade e à sustentação dessa estrutura
de retenção. Essa granulometria variará de matacos entre 5 e 30 cm de diâmetro – para diques
drenantes com até 3 m de altura – e de 5 a 40 cm de diâmetro – para diques drenantes de
dimensões superiores.

Eles são indicados em situações em que ocorram maiores volumes de escoamento


superficial e subsuperficial, e atuam tanto na dissipação da energia cinética do escoamento
ao longo de canais de erosões lineares (ravinas e voçorocas) quanto na detenção e retenção de
sedimentos mobilizados nessas erosões.

  A seguir são apresentadas algumas situações de uso dessas estruturas no controle de


erosões lineares de grande porte.

Fonte: Coelho (2011 e 2006)


Fonte: Coelho (2019)

 
 
Figura 12 – Vista a jusante de paliçada de madeira imunizada, instalada por Furnas
Centrais Elétricas, em Itatiaia (RJ), em 2019
74 75
4.2. Produtos em Rolo para Controle de Erosão (PRCE’s)
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
Uma das denominações correntes para os diversos tipos de geossintéticos usados em
controle de erosão como as geomembranas, mantas e tapetes, aí incluindo-se geotêxteis
semirrígidos, como geogrelhas e geocélulas, e os PRCE’s (Produtos em Rolo para Controle de
Erosão), do termo em inglês de uso mais frequente na literatura técnica e comercial: Rolled
Erosion Control Products (RECP).

De acordo com MANDAL (1994) apud COELHO E PEREIRA (1997), os primeiros PRCE’s foram
desenvolvidos nos Estados Unidos, utilizando-se de fibras de juta. Atualmente esses produtos
são manufaturados a partir das mais diversas matérias-primas, como algodão, fibra de coco
beneficiada, sisal, turfa, trigo, milho e palhada composta por restos de culturas agrícolas em
geral, normalmente tecidas em material sintético composto por polipropileno, polietileno, nylon
e outros compostos utilizados no amarrio dos restos vegetais. Além disso, podem ser compostos
por uma camada dupla ou simples de fibras naturais ou sintéticas entremeadas por sementes,
fertilizantes e corretivos.

PRCE’s flexíveis, geralmente aplicados na camada superficial do solo, potencializam os efeitos


 
protetores da vegetação na redução de processos erosivos, permitindo o estabelecimento da
vegetação em situações adversas ao crescimento vegetal pela melhoria das condições ambientais
por mecanismos como: o ancoramento de fertilizantes e corretivos, a redução da ocorrência
de pragas e doenças, a melhoria das condições microclimáticas na interface solo-atmosfera
(tornando-a mais adequada ao desenvolvimento da vegetação), a diminuição da predação, dentre
outros efeitos. Além disso, proporciona a prevenção ou redução da desagregação do solo em nível
superficial, devido ao impacto das gotas de chuva e ao efeito erosivo do escoamento superficial
(AUSTIN; DRIVER, 1995).

Ainda com relação ao escoamento superficial, o uso de PRCE’s flexíveis pode causar reduções
em seu volume pelo retardamento de vazões, ocasionado pela retenção da umidade dentro das
Fonte: Coelho (2011 e 2006)

células ou do material componente do geotêxtil, aumentando ainda os índices de infiltração e


disponibilizando maior quantidade de água para o sistema solo-planta. Alguns PRCE’s flexíveis
compostos de fibras naturais podem reter umidade em até 500% do seu peso seco (COPPIN;
RICHARDS, 1990).

  De acordo com o EPA (2008), os PRCE’s podem ser biodegradáveis – compostos por fibras
Figuras 13, 14 e 15 – Detalhe de diques drenantes executados por Furnas Centrais Elétricas de juta, cavacos de madeira desfibrados, celulose, papel ou de algodão – ou sintéticos – compostos
nas obras de recuperação ambiental da área de empréstimo da UHE Itumbiara, em fotos
por polímeros como nylon, PEAD ou PET. Eles podem ser usados para estabilizar o fluxo de água
76 77
de 2011 (página anterior) e 2006 (segunda e terceira imagens)
em canais ou valas, para proteger as sementes ou a vegetação, proteger o solo exposto, ou para
separar o solo de outros tratamentos de estabilização de taludes como o enrocamento (USDA/
NCRS, 2007). Os geotêxteis devem ser instalados de forma a terem contato contínuo com a
superfície do solo, ou poderá ocorrer erosão. Sua fixação deve ser realizada com auxílio de estacas
de madeira, metal, plástico de milho, ou estacas vivas (EPA, 2008).
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
TRM’s, que podem ser suplementados com componentes degradáveis, são utilizados
No Brasil, é relatado o uso de PRCE’s em obras para controle de erosão desde a década de para conferir proteção imediata contra erosão, reforçar o estabelecimento da vegetação e
1990, com esteiras tecidas manualmente em bambu taquara, capim colonião (COELHO; PEREIRA, fornecer funcionalidade a longo prazo, por reforçar a vegetação permanentemente durante
1997) e/ou folhas de palmeiras nativas (FAY et al., 2012), para uso como mantas biodegradáveis e após a maturação. Nota: TRM’s são usados tipicamente em aplicações hidráulicas, como
de controle de erosão. Essas experiências foram bem-sucedidas na redução de perda de solo, valas e canais de fluxo forte, taludes íngremes, margem de curso d’água e linhas costeiras
mantendo a umidade do solo e ancorando sementes – com resultados bastante favoráveis para o onde forças erosivas podem exceder os limites naturais e de reforçamento com vegetação
desenvolvimento da vegetação. Além desses, outros materiais comumente utilizados são a fibra ou em áreas onde o tempo limite de estabelecimento da vegetação deva ser antecipado.
de coco, mantas de casca e fibras de madeira e palhada de herbáceas. A fibra de coco beneficiada,
por sua vez, é feita de casca de sementes de frutos de coco. Esses materiais podem ser tecidos em Os PRCE’s trabalham ancorando o solo no lugar enquanto a germinação de sementes e
malha ou rede, ou na forma de mantas (MANDAL, 1994). Outro material disponível desde o ano estabelecimento da vegetação ocorrem. O tempo durante o qual um PRCE vai desempenhar
de 1963, composto por fibra de madeira de coníferas, é denominado de Mantas Excelsior, as quais papel estrutural depende da composição do produto, da localização geográfica na qual ele será
atualmente são compostas de madeira seca, triturada, e cobertas com uma rede de papel fino, usado e das situações de exposição a chuva, sol e outras condições climáticas (MCCULLAH, 2011).
dentre outros modelos produzidos com diferentes materiais (GOLDMAN et al., 1986).

O uso de PRCE’s é adequado em taludes íngremes onde as condições forem desfavoráveis


para o estabelecimento da vegetação. O seu uso é desaconselhado em solos macios ou mal
drenados (HOWELL, 1999).

De acordo com o NRCS (2011), existem quatro tipos básicos de PRCE’s para controle de erosão:

i) Redes de Controle de Erosão (Erosion control nettings – ECN’s): compostas por um tecido
planar de fibras naturais ou de malha de geossintético extrudido, usado como componente
na fabricação dos PRCE’s ou separadamente, como um PRCE degradável, para ancorar
coberturas de fibras soltas.

ii) Geotêxteis tecidos abertos (Open weave textiles – OWT): compostos por um PRCE
temporário degradável de fios naturais processados ou polímeros tecidos em uma matriz e
utilizado para fornecer controle de erosão e facilitar o estabelecimento de vegetação.

iii) Mantas de controle de erosão (Erosion control blankets – ECB): compostas por um PRCE
temporário degradável, produzido a partir de fibras naturais e poliméricas processadas e
presas mecanicamente, estruturalmente ou quimicamente juntas, formando uma matriz

Fonte: Santos (2019)


contínua. Diferentes tipos de malha podem ser combinados de acordo com as exigências
necessárias do local de trabalho.

78 iv) Sistemas de grama reforçada (Turf reinforcement mats – TRM): compostos por um PRCE   79
produzido a partir de fibras sintéticas não degradáveis, filamentos, malhas, arames/fios e/ Figura 16 – Detalhes da aplicação de PRCE orgânico de fibra de coco
beneficiada (geotêxteis tecidos abertos), utilizadas para o controle de
ou outros elementos e processado em uma matriz tridimensional de espessura suficiente. voçorocamento na LT Itajubá 3-São Lourenço – 138 kV, Estruturas 117 e 118
CAPÍTULO 4

CAPÍTULO 4
 

 
Fonte: 1º, 3º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

 
Figuras 17, 18 e 19 – Vista geral a montante (antes e após a recuperação
80 ambiental) de voçorocamento de grande porte localizado na faixa de domínio 81
da LT São Gonçalo do Abaeté 2 – Três Marias 1 (Estrutura 320), localizado em São
Gonçalo do Abaeté (MG) e revegetado pela Cemig GT, com uma associação de
diferentes PRCE’s, sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Geotêxteis
tecidos abertos orgânicos de fibra de coco (lado esquerdo) e de palhada
de herbáceas (lado direito da foto), 2 – Geotêxtil tecido aberto sintético e 3 –
Sistema de grama reforçada com tela metálica
CAPÍTULO
5
TÉCNICAS DE
BIOENGENHARIA DE
SOLOS APLICADA
À DRENAGEM
SUPERFICIAL
5.1.1. Aspectos técnicos de dispositivos de drenagem e dissipação de energia
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
vegetados

5.1
5.1.1.1. Histórico

A condução adequada do escoamento superficial oriundo das chuvas é uma atividade


que vem sendo praticada há milênios pela humanidade. Evidências arqueológicas milenares de
povos antigos como os khmers, os maias, os sumérios, os gregos e os romanos, dentre outros,
descrevem o desenvolvimento de sistemas de drenagem em diferentes níveis de desenvolvimento

. Sistemas de drenagem baseados em tecnológico que inspiraram os sistemas modernos, como canaletas e descidas d’água. As inovações
tecnológicas relacionadas ao sistema de drenagem, abastecimento e saneamento básico se
técnicas e produtos da bioengenharia intensificaram com o período do Renascimento e, especialmente, na Revolução Industrial. Nesse
de solos – Canaletas verdes período, a preocupação com a saúde pública se intensificou, e diversos países da Europa iniciaram
obras de mudanças nos sistemas de águas pluviais e de pavimentação das vias públicas e áreas
urbanizadas, com o desenvolvimento de dispositivos de drenagem diversos. Estes dispositivos
baseavam-se no uso intensivo de materiais inertes como concreto (principalmente), associado ou
não a metais e rochas (ANDRADE, 2016).

Uma vez que a ocorrência e a evolução de processos erosivos nas condições brasileiras Dessa forma, a impermeabilização de superfícies e o uso de estruturas de drenagem
estão, em sua quase totalidade, associadas a condições de drenagem concentradas ou convencionais podem afetar a drenagem da água de várias maneiras. Por exemplo, a mudança
inadequadas, a implantação de obras de recuperação ambiental de processos erosivos requer, no uso da terra de uma área florestal para urbana pode resultar em um aumento de poluentes
na maioria das vezes, a execução de dispositivos de direcionamento e dissipação de energia da que são depositados em superfícies, tais como partículas de escapamentos de automóveis,
drenagem superficial (run-off). Esses dispositivos podem ser executados em concreto, rochas e resíduos de fertilizantes e outros poluentes que são descartados de forma indevida. Assim, nos
outros materiais exclusivamente inertes (não associados ao uso de vegetação). Esses materiais dispositivos convencionais de drenagem, todos os poluentes são captados pela água da chuva e,
apresentam, como inconveniente, o fato de terem peso elevado por unidade de área drenada e em última análise, são carreados para os cursos d’água. As práticas convencionais de drenagem e
serem de difícil transporte em áreas de LT’s e outras, aumentando o custo financeiro e ambiental, implantação de infraestrutura também removem a vegetação original e tendem a substituí-la por
podendo até inviabilizar a sua implantação em locais de difícil acesso. Por esse motivo, o uso superfícies rígidas e impermeáveis, como telhados, estradas e estacionamentos. Isso minimiza as
de elementos drenantes baseados nas técnicas de bioengenharia de solos tem se mostrado áreas onde a água pode se infiltrar no solo, prejudicando o reabastecimento dos aquíferos. Outro
de grande viabilidade técnica, econômica e ambiental (CEMIG GT, 2018) em comparação com resultado de tudo isso é o aumento dramático no volume de escoamento. Esse aumento pode levar
técnicas convencionais de drenagem. a inundações e à sobrecarga do volume de água a ser escoado. Nas áreas urbanas onde o sistema
de águas pluviais é combinado com o sistema de esgoto sanitário (como em muitos bairros de
Face à existência de vasta literatura sobre dispositivos de drenagem convencionais, como Belo Horizonte e outras cidades brasileiras), esse aumento do volume pode levar descargas de
drenos subsuperficiais, canaletas e dissipadores de energia em concreto, o presente trabalho esgoto não tratado em nossas vias trafegadas. Esse tipo de conceito convencional (ou “cinza”) de
discorrerá apenas sobre dispositivos de drenagem baseados em elementos biotécnicos, isto é, infraestrutura geralmente se concentra na coleta de água da chuva, enviando-a o mais rápido
com o uso associado da vegetação a elementos inertes nessas drenagens, dispositivos também possível a jusante para finalmente ser descarregada em um corpo d’água (normalmente, cursos
84 denominados na literatura como canaletas verdes. d’água). 85
Dentro de conceitos atuais relativos à instalação de obras de infraestrutura, o conceito entre o escoamento e a vegetação de recobrimento do canal, tendo sido sintetizadas em trabalho
recentemente definido de infraestrutura verde (IV) tem sido adotado, a partir da abordagem desenvolvido no USDA Agriculture Handbook 667. Esse trabalho incorporou os conceitos de projeto
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
do uso de técnicas ambientalmente adequadas. Essas técnicas referem-se a métodos de e dados, sendo integrados no software Waterway Design Tool (WDT), utilizado e disponibilizado
gerenciamento de águas pluviais que reduzem o tempo de concentração e o volume de água pelo Natural Resources Conservation Service (NRCS). Essa instituição também desenvolveu em
pluvial – combinados ou separados – ou a recarga das águas superficiais, permitindo que a água 2011, atualizado em 2014, um manual técnico para sistematizar o planejamento quanto ao uso
da chuva se infiltre, para ser tratada pela vegetação e/ou pelo solo, ou ainda para ser armazenada desse tipo de dispositivos de drenagem e dissipação de energia (National Engineering Handbook
para reutilização. Sua definição mais aceita é a de práticas de gestão que abordam o escoamento 650). Ainda em relação às publicações de cunho essencialmente executivo, vale ainda mencionar
de águas pluviais através de solos ou reutilização. As práticas de IV incluem as seguintes, sem o Wiscosin Storm Water Manual (WSWM) (DONOVAN et al., 2016) e o Stormwater Management
se limitar a elas: a pavimentação permeável, bacias de biorretenção, trincheiras de infiltração Manual for Western Washington (SWMMWW) (CCSM, 2015). Deve-se destacar, entretanto, que os
e, a mais aplicável, dispositivos de drenagem e amortecimento de vazões vegetados. O uso trabalhos de referência mencionados anteriormente foram desenvolvidos utilizando-se espécies
de infraestrutura verde incentiva a ideia de que a água da chuva é um recurso que pode ser vegetais para revestimento/recobrimento dos dispositivos de drenagem diferentes daqueles
reutilizado, em vez de ser tratado como um fator que precisa ser removido do sistema o mais presentes nas condições tropicais, especialmente as brasileiras.
rápido possível – que é o enfoque convencional em projetos hidrológicos. A IV apresenta retornos
econômicos significativos em relação a estruturas convencionais, associados aos benefícios 5.1.1.2. Definição técnica de dispositivos de drenagem vegetados

ambientais obtidos (NJDEP, 2014).


O NJDEP (2014) define canaletas verdes como canais escavados ou gradeados nos quais

A infraestrutura verde (IV), por outro lado, imita processos naturais utilizando solos e são efetuados o plantio e o estabelecimento de vegetação adequada para a condução de água

vegetação para manejar a água das precipitações. A IV pode ser aplicada em diferentes escalas. superficial em velocidades de escoamento não erosiva, utilizando-se de seções com formatos

Por exemplo, em escala regional, pode se concentrar em uma rede interconectada de cursos amplos e rasos para estabilizar os pontos de deságue.

d’água, áreas alagáveis e fragmentos florestais. Dessa forma, os municípios podem incorporar
A definição técnica mais abrangente desses dispositivos de drenagem vegetados é a de
as metas de gestão de águas pluviais em escala de bacia hidrográfica. Conforme mencionado,
canais/canaletas ou dissipadores de energia vegetados naturais ou construídos em formato,
as práticas da IV de mais fácil implantação e utilização são representadas por dispositivos de
comprimento e recobrimento vegetativo suficientemente adequados para permitir o escoamento
drenagem e amortecimento de vazões vegetados. Dentre esses dispositivos, as canaletas
superficial onde as vazões deste ocorrerem em tempo inferior ao que ameace a sobrevivência
revestidas por vegetação vêm sendo utilizadas há séculos e com uma destacável retomada
e o desenvolvimento da vegetação do recobrimento do canal (USDA, 2014a) pelo período de
nas décadas mais recentes. Seu uso sistematizado em engenharia, por sua vez, foi iniciado por
inundação e frequência de operação.
trabalhos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em seu Serviço de Conservação de
Solos (USDA/SCS), que desenvolveu procedimentos empíricos para determinação da velocidade
máxima permissível inicialmente em 1947, no Technical Paper TP 61, revisado em 1954, que serviu

Fonte: Adaptado de Minnesota Stormwater Manual (2018)


de base para os dimensionamentos de projeto desses dispositivos de drenagem durante o século
20. Na década de 1970, o interesse nesses dispositivos de drenagem foi renovado para utilização
em áreas de inundação, drenagem urbana e no aumento da capacidade de emergência em
vertedouros, levando ao desenvolvimento de trabalhos (aplicáveis em sua quase totalidade
para as condições de vegetação do Hemisfério Norte) que interpretassem a inter-relação entre
a vegetação de revestimento do canal e o escoamento. Assim, a determinação do stress efetivo
através de retroanálises (embora semiempíricas) forneceu a separação das diferentes variáveis
necessárias ao dimensionamento de projetos, que, combinadas às relações de erodibilidade
86 do solo, resultaram em critérios de projeto mais apropriados do que unicamente a velocidade 87
máxima permissível e mais condizentes com os critérios de projeto de canais convencionais – não  
vegetados (TEMPLE et al., 1987). Tendo em vista que esses trabalhos determinaram a velocidade
Figura 1 – Seção típica de canaleta verde em condições de alta umidade e/ou alagamento
máxima permissível, as pesquisas posteriores foram mais enfocadas na compreensão da interação
não podem ser usados em solos de drenagem deficiente, declividades acentuadas ou onde o

Fonte: Adaptado de Minnesota Stormwater Manual (2018)


ponto de deságue não comporte o volume de escoamento transportado (DONOVAN et al., 2016).
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
5.1.1.5. Princípios básicos a serem observados para utilização de dispositivos de drenagem e
dissipação de energia vegetados

De acordo com o USDA (2014b), um sistema de dispositivos de drenagem deve ser projetado
para permitir o escoamento sem a ocorrência de danos ou desgaste ao longo da seção e do
comprimento do canal, considerando em especial – mas não se atendo apenas a estes fatores – as
características locais, como:

 
i) Declividade do curso e do formato dos dispositivos de drenagem e dissipação de energia
vegetados;
Figura 2 – Seção típica de canaleta verde em condições de baixa umidade e com estrutura de retenção de sedimentos
ii) Uso da vegetação adequada para as condições edafoclimáticas locais;
iii) Índices de altura e recobrimento vegetativo que deverá ser mantido, tanto nas estações
de crescimento quanto nas de dormência da vegetação;
5.1.1.3. Finalidades
iv) Tamanho e ocupação da área admissível;
v) Tamanho da borda livre admissível;
De acordo com o Donovan et al. (2016), além da condução do escoamento superficial, os
vi) Propriedades do solo local;
dispositivos de drenagem vegetados podem ser projetados com diversas finalidades, como
vii) Necessidade de manejo da vegetação; e
dispositivos de melhoria da qualidade da água e de infiltração de chuvas. Assim, a abordagem
viii) Clima e regime hídrico.
de projeto é similar para essas outras finalidades, por exemplo: a velocidade máxima permissível
de escoamento deve ser usada para canais de drenagem, ao passo que valores menores dessa
Dentre esses fatores, as propriedades do solo definirão o stress efetivo admissível, além
velocidade devem ser projetados para projetos de dispositivos que prevejam a melhoria da
de constituírem papel relevante na hidrologia e determinação do projeto de vazões. O manejo
qualidade da água e infiltração de chuvas. Esses dispositivos podem ser alternativas em diversos
adequado da vegetação, por sua vez, é fator crítico para determinar o nível de capacidade de
trechos destinados a calçadas e sarjetas em áreas urbanizadas, parques industriais e faixas
proteção para o leito das canaletas e dissipadores. Ele deve considerar, além das operações de
de domínio de rodovias, quando usados em combinação com outras obras de escoamento e
tratos culturais, a altura máxima da vegetação – já que esse é um importante fator na resistência
trânsito de pedestres e equipamentos, efetuando o pré-tratamento da qualidade das águas e
ao escoamento.
o retardamento de vazões. Além disso, se implantados em solos permeáveis, uma quantidade
considerável do fluxo irá se infiltrar. O bom funcionamento de dispositivos de drenagem vegetados depende também do
estado de conservação da bacia de contribuição dos mesmos, já que, assim como dispositivos
5.1.1.4. Vantagens e desvantagens
convencionais, o escoamento oriundo de áreas submetidas a processos erosivos e com alto
índice de sedimentos provocará seu assoreamento e redução da capacidade de vazão. As boas
As vantagens e desvantagens de dispositivos de drenagem e dissipação de energia
práticas de conservação do solo também reduzirão os picos de vazão e o volume de escoamento
vegetados devem ser levados em conta quando comparados a dispositivos convencionais de
superficial (USDA, 2014a).
concreto (calçadas e sarjetas). Dentre os aspectos positivos, o custo de implantação é inferior,
a drenagem de águas de chuva é mais eficiente, a qualidade da água após o escoamento é
Esses fatores serão pormenorizados, conforme tópicos apresentados a seguir.
88 melhor, o retardamento de vazões é mais efetivo e a recarga de aquíferos é favorecida. Por outro
89
lado, esses dispositivos necessitam de ter a preferência de direção e podem ser incompatíveis 5.1.1.6. Técnicas e materiais de drenagem de fácil transporte e alto rendimento de aplicação para
com o projeto viário ou com a erodibilidade do solo local, em muitas situações. Podem requerer drenagem e controle de erosão
replantios e roçadas e são bastante sujeitos a danos por trânsito e estacionamento de veículos
e equipamentos e ao pastoreio e pisoteio por animais, dentre outros. Outra limitação é a de que Atualmente, dentre as técnicas mais adequadas para drenagem superficial e controle de
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
erosão, as compostas por sistemas de bioengenharia de solos são representadas por estruturas
denominadas canaletas verdes. Essas canaletas são utilizadas nas mais diversas obras de
engenharia, em especial naquelas de controle de processos erosivos. São escavadas em solo
natural e utilizam, em vez de concreto, a associação de vegetação herbácea e de geotêxteis
de diversas composições como revestimento e proteção contra a força trativa do escoamento
sobre o solo. Apresentam, ainda, consideráveis vantagens ambientais, melhor relação custo x
benefício e menores custos de manutenção do que os dispositivos de drenagem de concreto
convencionalmente utilizados.

Assim, a aplicação dessas estruturas de drenagem permite a recuperação em larga escala


de erosões laminares e, em especial, lineares (sulcamento, ravinas e voçorocas), bastante comuns  
em áreas próximas às estruturas de linhas de transmissão e distribuição, subestações, margens
de reservatórios, base de estruturas de pedestais de turbinas eólicas, dentre outros, pela redução
dos custos de recuperação ambiental.

Dentre as tecnologias e materiais de fácil transporte e alto rendimento de aplicação


atualmente disponíveis para o revestimento de canaletas verdes, destacam-se os PRCE’s orgânicos
(compostos por malhas sintéticas associadas a palhada de herbáceas ou fibra de coco beneficiada,
de alta efetividade de aplicação e anteriormente usadas em obras de engenharia de grande porte
nas condições brasileiras), os PRCE’s sintéticos (compostos por PEAD ou PP) e uma categoria
 
recentemente desenvolvida (KRASNORFF; BERKE, 2019) denominada Mantas Geossintéticas de
Compostos Cimentícios (MGCC), do inglês: Geosynthetic Cementitious Composite Mats (GCCM).

5.1.1.7. Uso de Canaletas Verdes no Brasil

No Brasil, o registro do uso desses dispositivos de drenagem é escasso e relativamente


recente, tendo sido iniciado, em obras de engenharia de grande escala, pela Cemig, em obras

Fonte: Coelho (2002, 2003 e 2013)


de recuperação ambiental da Área de Empréstimo da Margem Direita da UHE Emborcação,
no início da década de 2000. Na ocasião foram usados geotêxteis orgânicos de capim colonião
associados a retentores orgânicos de sedimento de palhada de herbáceas. Seu uso diminui
significativamente os custos de implantação e manutenção do sistema de drenagem quando
comparado às estruturas convencionais de concreto instaladas. Contudo, essa utilização só foi
possível em decorrência das condições de topografia suave do local. O relatório fotográfico desse
 
trabalho pioneiro é apresentado a seguir. Figuras 3, 4 e 5 – Dispositivos de drenagem superficial revestida por PRCE´s
90 artesanais implementados pela Cemig em obras de recuperação ambiental
91
da Área de Empréstimo (AE) da margem direita (MD) da UHE Emborcação,
em Catalão (GO), em 2002, 2003 e 2013, respectivamente
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
Fonte: Ramidan et al. (2008)
Fonte: Fonseca et al. (2002)
Figuras 7 e 8 – Vista a jusante de interseção entre canaleta verde e canaleta de concreto
em 2008, em trabalhos de recuperação ambiental da AE da MD da UHE Itumbiara, em
 
Itumbiara (GO)
Figura 6 – Vista aérea da interseção entre terraços em nível tipo Nichols, dispositivos
de drenagem superficial flexível de geotêxtil e canaletas de concreto, em sistema  
implementado pela Cemig em obras de recuperação ambiental da AE da MD da UHE
Emborcação, em Catalão (GO), em 2002

O sistema de canaletas verdes pôde ser aperfeiçoado em outra situação que lançou mão
dessa tecnologia em obras de engenharia de grande escala, em trabalhos desenvolvidos por
Furnas Centrais Elétricas, em obras de recuperação ambiental da Área de Empréstimo da margem
direita da UHE Itumbiara, nos anos de 2006 e 2011. Na ocasião foram usados geotêxteis mistos
(sintéticos e orgânicos) tridimensionais de polipropileno e fibra de coco associados a retentores

Fonte: Coelho (2013)


orgânicos de sedimento compostos pelos mesmos materiais. Assim como na obra desenvolvida
pela Cemig, seu uso diminui significativamente os custos de implantação e manutenção do
sistema de drenagem quando comparado às estruturas convencionais de concreto instaladas,
e sua utilização também só foi possível pelas condições de topografia suave do local. O relatório
Figura 9 – Vista a jusante de interseção entre canaleta verde e canaleta de concreto
fotográfico desse trabalho é apresentado a seguir. em 2013, em trabalhos de recuperação ambiental da AE da MD da UHE Itumbiara, em
Itumbiara (GO)
 

Fonte: Coelho (2013)


Fonte: Ramidan et al. (2008)

92 93

Figura 10 – Detalhe da interseção entre canaleta verde e canaleta de concreto em janeiro


de 2013, em trabalhos de recuperação ambiental da AE da MD da UHE Itumbiara, em
Itumbiara (GO)
 
 
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
Além desses trabalhos pioneiros no uso de canaletas verdes, também merecem destaque
trabalhos da ordem quilométrica, desenvolvidos pela Petrobras, na região do Recôncavo Baiano
(diversos municípios) no ano de 2008, e pela Vale, na região metropolitana de São Luís (MA), em 2012.

5.1.1.8. Componentes estruturais dos sistemas de drenagem e dissipação de energia vegetados

Nos dispositivos utilizados nos sistemas de drenagem e dissipação de energia vegetados,


são chamados componentes estruturais aqueles que serão usados para o revestimento e / ou
reforçamento desses dispositivos. Esses componentes desempenham, assim como nos sistemas
de bioengenharia de solos, ações fundamentais tanto para a germinação e desenvolvimento
da vegetação, quanto na estabilidade estrutural das paredes (margens) desses dispositivos.
Podem ser constituídos por rochas (enrocamento), geossintéticos (PRCE’s orgânicos e sintéticos,
geogrelhas sintéticas e metálicas, geomantas, geogrelhas e geocélulas), dentre outros. Esses
 
materiais podem auxiliar na estabilização de plantas em superfícies de declividade superior
às condições normais de estabelecimento e estabilizam a massa de solo do talude durante o
momento crítico entre a germinação de sementes e o crescimento do sistema radicular da
vegetação. Sem essa estabilização, os plantios realizados podem vir a apresentar maiores falhas
no estabelecimento e desenvolvimento da vegetação.

5.1.1.9. Materiais dos componentes estruturais

Os componentes estruturais podem ser construídos com materiais naturais ou


industrializados. Determinados componentes estruturais são compostos pelos dois tipos de
materiais – naturais e industrializados. Dentre alguns exemplos, incluem-se: Retentores Orgânicos
de Sedimento (ROS’s), Produtos em Rolo para Controle de Erosão (PRCE’s), geogrelhas e sistemas
Fonte: Ramidan et al. (2013)

de confinamento celular (geocélulas), dentre outros. Na maioria desses casos, os polímeros


como polietileno e polipropileno, madeira, aço e concreto são os elementos responsáveis pela
rigidez, força e reforçamento do componente estrutural, enquanto rochas e a massa de raízes da
vegetação fornecem estabilidade ao solo. Esses componentes estruturais geralmente dispõem de
  interstícios entre os blocos de rocha ou espaços suficientes na estrutura – quando provenientes de
produtos manufaturados – para o plantio de espécies vegetais herbáceas, arbustivas e arbóreas.
Figuras 11 e 12 – Vistas aéreas da interseção entre terraços em nível tipo Nichols, canaletas
verdes e canaletas de concreto, implementado por Furnas Centrais Elétricas em obras
de recuperação ambiental da AE da MD da UHE Itumbiara, em Itumbiara (GO), em 2013 A forma de utilização das diversas categorias de componentes estruturais é apresentada a seguir:
94 95
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
5.1.1.9.1. Geossintéticos – Geotêxteis

Os materiais estruturais de maior versatilidade para o revestimento de dispositivos de


drenagem e dissipação de energia vegetados são representados pelos geossintéticos e mais
especificamente pelos PRCE’s – Produtos em Rolo para Controle de Erosão –, anteriormente
descritos nesta publicação. De acordo com o USDA/NCRS (2007), os PRCE’s podem ser usados
para estabilizar o fluxo de água em canais ou valas, para proteger sementes, a vegetação

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


estabelecida, superfícies de solo em exposição, ou ainda para separar o solo de outros tratamentos
de estabilização de taludes, como o enrocamento. Destaca ainda que os plásticos e polímeros
orgânicos sintéticos, como o poliuretano, o vinil e o polipropileno, também podem ser utilizados
como componentes de PRCE´s para favorecer o efeito protetor da vegetação, conforme
anteriormente mencionado no Capítulo 4.

 
 
Figuras 15 e 16 – Detalhe de PRCE’s do Sistema de grama reforçada com tela metálica utilizado no revestimento de canaletas
verdes em obras de recuperação ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em Córrego Danta (MG)

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


   
Figuras 13 e 14 – Detalhe de diferentes PRCE’s utilizados no revestimento de canaletas verdes em obras de recuperação

96 ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em Córrego Danta (MG), sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Sistema de
grama reforçada e 2 – Geotêxtil tecido aberto orgânico. 97
 
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


 
 
Figuras 17 e 18 – Detalhe de diferentes PRCE’s utilizados no revestimento de canaletas
Figuras 19 e 20 – Detalhe de diferentes PRCE’s utilizados no revestimento de canaletas
verdes em obras de recuperação ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em São
verdes em obras de recuperação ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em São Gonçalo
Gonçalo do Abaeté (MG), sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Geotêxtil tecido
do Abaeté (MG), sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Geotêxtil tecido aberto
aberto sintético, associado a 2 – Manta Geocimentícia (que não é um PRCE); 3 – Geotêxtil
orgânico, 2 – Sistema de grama reforçada com tela metálica, 3 – Manta Geocimentícia
tecido aberto orgânico, 4 – Geotêxtil tecido aberto orgânico pré-semeado e 5 – Rede de
(que não é um PRCE) e 4 – Sistema de grama reforçada.
Controle de Erosão

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

 
98  
99
Figura 21 – Detalhe de diferentes PRCE’s utilizados no revestimento de canaletas verdes
em obras de recuperação ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em São Gonçalo do
Abaeté (MG), sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Rede de Controle de Erosão e
2 – Geotêxtil tecido aberto sintético
Um fator que deve ser observado quando do uso de geotêxteis de material plástico, é
CAPÍTULO 5

CAPÍTULO 5
que estes podem prender e prejudicar animais de pequeno porte, mesmo que o material seja
fotodegradável. Assim, sempre que for possível, materiais mais facilmente biodegradáveis devem
ser utilizados para minimizar riscos de perturbação à vida selvagem (EPA, 2008).

5.2
Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)
Custo e eficiência de
Técnicas de Bioengenharia
 
Figura 22 – Detalhe de diferentes PRCE’s utilizados no revestimento de canaletas verdes
em obras de recuperação ambiental desenvolvidas pela Cemig GT em São Gonçalo
do Abaeté (MG), sendo possível observar os seguintes tipos: 1 – Geotêxtil tecido aberto Schiechtl e Stern (1996), analisando comparativamente os custos referentes à estabilização
sintético, 2 – Manta Geocimentícia (que não é um PRCE) e 3 – Sistema de grama reforçada
de taludes em relação ao custo total de diversos tipos de obras, compilou resultados e diferentes
fontes, observando intensa variação de local para local, de acordo com o quadro a seguir.

Obra Local % do custo total

Ferrovias EUA 1,5 a 3

Rodovias em áreas urbanas EUA 5a7

Estradas vicinais, com técnicas de bioengenharia Alemanha 2a8


Adaptado de North American Green (2018)

Estradas vicinais, com técnicas convencionais Alemanha 3,5 a 6

Fonte: SCHIECHTL; STERN (1996)


Rodovias Alemanha 8 a 12

Rodovias e estradas florestais Áustria 1a2

Estradas EUA, Europa Ocidental 0,3 a 16

Subestações EUA, Europa Ocidental 0,2 a 2


 
100 Figura 23 – Detalhe de saída d’água vegetada com reforçamento do leito pela aplicação Quadro 1 – Custo comparativo em relação ao custo total de diferentes obras de operações de estabilização de taludes, em 101
de PRCE semirrígido diferentes locais
CAPÍTULO
6
ESTUDOS DE CASO DO
USO DE TÉCNICAS DE
BIOENGENHARIA NA
RECUPERAÇÃO DE ÁREAS
DEGRADADAS NO ÂMBITO
DO SETOR ELÉTRICO
BRASILEIRO
6.1.1.2. Recuperação da área de empréstimo da UHE Emborcação
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
A barragem da UHE Emborcação foi construída nos municípios de Araguari e Catalão, no rio
Paranaíba, divisa do Estado de Minas Gerais com Goiás, Brasil, no período de 1976 a 1981, tendo a
operação comercial iniciada em janeiro de 1982. A barragem da usina é constituída de terra com

6.1
enrocamento de pedra. A crista tem 1.611 m de extensão e 158 m de altura no ponto mais alto. O
reservatório tem um espelho d’água da ordem de 473 km2 e um volume de 17,6 bilhões de m3,
sendo o nível normal na cota 660,35 m. A capacidade instalada é de 1.192.000 kW, divididos em
quatro unidades geradoras de 298.000 kW. Para construção da barragem de terra, foi utilizada
como área de empréstimo uma gleba de terra de 220 ha, no distrito de Pedra Branca, município
de Catalão, Estado de Goiás. Essa área, adquirida pela Cemig, foi utilizada como jazida de argila
Experiência da Cemig GT para a construção da barragem. Após exploração, a área foi alienada, em 1987, sem a devida
recuperação ambiental – o que não era uma exigência àquela época.
Autores:
Enio Marcus Brandão Fonseca, Eng. Florestal Esp. - Cemig GT Os novos proprietários não conseguiram dar destinação econômica às áreas de empréstimo.
Rafael Augusto Fiorine, Eng. Agrônomo, M.Sc. - Cemig GT Com o passar do tempo, a ação intensiva do escoamento das águas pluviais e a ausência de
Nilton Fernandes de Oliveira, Eng. Ambiental, M.Sc. - Cemig GT
cobertura vegetal provocaram a instalação de diversos processos erosivos, ocasionando uma
severa degradação da área e o comprometimento da nascente do córrego Pedra Branca.

6.1.1.2.1. Objetivos
6.1.1. Utilização de métodos de bioengenharia de solos na recuperação de processos erosivos:
Apresentar os resultados dos serviços de recuperação da área da nascente do córrego Pedra
experiência da Cia. Energética de Minas Gerais (Cemig)
Branca, executados pela Cemig, entre os anos de 2000 e 2002, no local onde foi implantada a
6.1.1.1. Introdução área de empréstimo da Usina Hidrelétrica de Emborcação, localizada no município de Catalão,
estado de Goiás. Esses trabalhos tiveram como objetivo reabilitar uma área degradada de 220 ha,
A atividade de extração de argila durante a construção de Usinas Hidrelétricas (UHE’s) promovendo a sua integração paisagística ao ecossistema regional, mediante implementação de
ocasiona intensos impactos ambientais sobre a qualidade do solo e da água nas áreas de influência técnicas de bioengenharia.
direta e indireta dessa atividade. Na zona intertropical, esse efeito pode ser acentuado, devido à
maior intensidade e erosividade das precipitações sobre o solo. 6.1.1.2.2. Concepção e Elaboração do Projeto

Cobertura vegetal, em suas diferentes apresentações, vem sendo utilizada na engenharia O projeto do Programa de Recuperação de Área Degradada (PRAD) foi elaborado nos anos
há séculos no controle de processos erosivos e como proteção e reforço em obras civis. As técnicas 1999 e 2000, pela empresa COAME Engenharia, e sua implantação foi realizada pela empresa
que conjugam a utilização desse elemento vivo na engenharia foram recentemente denominadas PETREL Engenharia, em 2001. Para elaboração do projeto, foi realizado um levantamento
bioengenharia de solos. planialtimétrico de toda a área atingida por processos erosivos, no qual foram classificadas e
cadastradas todas as erosões lineares de grandes dimensões – num total de 28 erosões, entre
Os trabalhos de execução de grandes barragens de terra no Brasil anteriores à década de ravinas e voçorocas.
1980 não previram a recuperação de áreas de extração de argila, causando consideráveis impactos

104 ambientais em locais com agentes erosivos atuantes – especialmente os agentes relacionados a A partir desse levantamento, foi efetuado o estudo das declividades e áreas de contribuição
105
precipitações intensas. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) é uma concessionária pluvial do terreno, para a elaboração do plano de drenagem, bem como o estudo da estabilidade
de energia pioneira no uso de técnicas de Bioengenharia na recuperação de áreas antropizadas dos taludes das erosões lineares, para o cálculo da estabilidade de taludes e dimensionamento
quando da construção de usinas hidrelétricas e subestações, tendo iniciado o uso dessas técnicas das estruturas de detenção e retenção de sedimento. Concomitantemente ao levantamento
no ano de 2000, na UHE Emborcação. planialtimétrico, foi efetuada a análise de parâmetros físico-químicos do solo relacionados à
fertilidade deste e à estabilidade de taludes. Esses ensaios subsidiaram o planejamento das
operações de reconformação de taludes e de correção e fertilização do solo.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Os resultados das análises de fertilidade do solo efetuadas podem ser vistos a seguir:

Resultados

Eq. mg / 100 cm3 ppm


Matéria
Amostra pH (H20)
orgânica (%)
H Al Ca Mg P K

1 5,4 0,03 1,4 0,9 0,2 0,1 <1 9

Fonte: Fonseca (2002)


2 6,5 0,14 1,1 0 2,1 0,4 <1 60

3 5,4 0,06 1,3 1,3 0,2 0 <1 31


 
4 5,4 0,09 1,5 0,2 0,2 0 <1 13
Figura 2 – Detalhe de processo erosivo – julho de 1998
5 4,5 0,64 2,0 0,2 0,2 0 <1 21

6 5,6 0,03 1,1 1,0 0,2 0 <1 10


Drenagem
7 5,1 0,29 1,5 0 0,3 0,2 <1 22
Para a drenagem das águas superficiais foram consideradas duas situações:
8 5,3 0,08 1,2 0 0,2 0,1 <1 22

i) Áreas de menor declividade e escoamento difuso: terraços em nível, faixas de infiltração


Tabela 1 – Resultados das análises de fertilidade do solo efetuadas antes dos trabalhos de recuperação ambiental
em nível com gramíneas de grande porte (Pennisetum purpureum) e canaletas verdes
associadas a retentores orgânicos de sedimento cilíndricos nas dimensões de 2,0 x 0,80 m
(comprimento x diâmetro), que foram utilizados como dissipadores de energia.

Os retentores eram compostos por fibra de coco envolvido em redes plásticas. Eles foram
instalados em sentido transversal ao escoamento das canaletas, ancorados por grampos
metálicos de 60 cm de comprimento.

ii) Áreas de maior declividade e escoamento concentrado, composta por canaletas e


dissipadores de energia em concreto armado, de dimensões variáveis, em concreto fck > 15
MPa.

Para a drenagem de águas subsuperficiais presentes no leito dos processos erosivos de


maiores dimensões, foi utilizado cilindro drenante de geotêxtil sintético de dupla camada
Fonte: Fonseca (2002)

(Propex 4004 – Amoco), preenchido por brita gnáissica.

106 Tratamento de processos erosivos lineares 107


 
O tratamento dos processos erosivos foi efetuado após a escavação dos dispositivos de
Figura 1 – Detalhe de processo erosivo julho de1998
drenagem a montante, com a execução dos cilindros drenantes, nos voçorocamentos das erosões
com afloramento freático.
Dando sequência, foram instaladas as check dams em pontos de estreitamento das erosões
Insumos / serviços / unidade Quantidade executada
lineares. Foram utilizados, como material dos diques drenantes - matacos de rocha basáltica, de
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Canaleta Concreto – metro 4.309,0
granulometria variando entre 5 e 50 cm, ou mistura de solo argiloso e cimento (10:1) envelopada
em sacos de polipropileno. Canaleta Verde – metro 4.961,0

Drenagem Subterrânea – metro 1.753,0


Para a reconformação geométrica dos processos erosivos, foi programado, após análise
Terraceamento – km 21,0
geotécnica, o retaludamento dos taludes dos processos erosivos até um ângulo geral de 52o. Esse
retaludamento foi executado com escavadeira hidráulica e trator de esteira. Plantio faixa retentora – km 42,7

Subsolagem, aração, gradagem e plantio – ha 190,0


Melhoria da estrutura do solo
Reconformação de erosões – m3 75.000,0

Foi efetuada a melhoria da estrutura do solo para auxiliar a drenagem através do aumento Tela vegetal – m2 30.000,0
dos índices de infiltração e para facilitar o desenvolvimento radicular – através de subsolagem,
Plantio palhada de herbáceas – m2 50.000,0
aração e gradagem em nível, em todo o terreno. Essa operação foi efetuada com o uso de dois
Dique de solo-cimento e matacos de rocha – m3 3.640,0
tratores de esteira de 140 HP, com lâmina e grade.
Tabela 2 – Relação de operações de bioengenharia executadas
Correção, adubação e plantio mecanizado

Após a subsolagem, foi feita a distribuição do calcário e a aração do terreno com a


Equipamento N° de Equipamentos Operação Horas Trabalhadas
incorporação do calcário. Para aração foram utilizados dois tratores de pneu, com potência de 140
Trator Esteira D4 1 Reconformação do Terreno 1.130
HP, equipados com grade aradora.
Trator Esteira D6 2 Reconformação do Terreno 850
A gradagem da área, a adubação e o plantio das herbáceas, bem como o plantio mecanizado
Escavadeira Hidráulica 1 Diques – Escavação de berço 140
das faixas retentoras, tiveram início no começo de outubro, juntamente com as primeiras chuvas
Retroescavadeira 1 Diques – Escavação de berço 200
que ocorreram na região. Para gradagem leve e plantio, foram utilizados dois tratores de pneu,
com potência de 80 HP, equipados com grade e esparramadeira de sementes. Escavadeira Hidráulica 1 Reconformação de erosões 1850

Trator Esteira D4 1 Reconformação de erosões 325

Trator Esteira D6 2 Reconformação de erosões 1.100

Retroescavadeira 2 Drenagem 2.300

Trator Esteira D4 1 Terraceamento 150

Trator Esteira D6 2 Terraceamento 250

Trator Esteira D6 2 Escarificação 530

Trator Pneu Valmet88 2 Calcareamento 800

MF296 e Valmet118 2 Aração / Gradagem 1.920


Fonte: Fonseca (2002)

Valmet 88 2 Semeadura e Adubação 720


108 109
Total geral (horas/máquina) 12.265

Mão de obra geral (dias/homens) 9.900

  Tabela 3 – Demonstrativo de hora/máquina trabalhadas na implantação do Projeto


Figura 3 – Vista geral da área terraceada – março de 2000
Revegetação do interior de processos erosivos
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
O interior dos processos erosivos lineares foi revegetado de duas maneiras distintas, conforme
a declividade da superfície final dos processos, após a reconformação geométrica final dos taludes
das erosões, a saber: i) Declividades até 45o – Plantio manual de herbáceas e recobrimento com
palhada de arroz; ii) Declividades superiores a 45 o – Plantio manual de herbáceas e recobrimento
com PRCE’s (Produtos em Rolo para Controle de Erosão) manufaturados mecanicamente com
capim colonião (Panicum maximum), com a gramatura de 1.500 g/m2, ancorados por grampos
metálicos.

Fonte: Fonseca (2002)


 
Figura 6 – Interseção entre canela verde e canela de concreto, imediatamente após a
instalação de PRCE.

Fonte: Fonseca (2002)


 
Figura 4 – Erosão trabalhada e plantio com tela vegetal, canaleta de concreto e terreno
reconformado – setembro de 2000

Fonte: Fonseca (2002)


Figura 7 – Retentores de sedimento usados como dissipadores de energia no interior de
canaletas verdes  

6.1.1.2.3. Resultados e discussão


Fonte: Fonseca (2002)

110 Eficiência das técnicas de bioengenharia de solos utilizadas


111
Foram utilizados os seguintes parâmetros a cada 6 meses, após a execução, para a avaliação
da eficiência das diversas técnicas de bioengenharia de solos utilizadas nos trabalhos de
 
Figura 5 – Vista geral de voçorocamento após a instalação do PRCE - Biomanta vegetal recuperação ambiental da área de empréstimo da UHE Emborcação:
ARP 430
Canaletas verdes
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Foi avaliado o recobrimento vegetativo dessas estruturas de drenagem através da biomassa
da vegetação em 12 parcelas amostrais quadrangulares de 1 x 1 m, locadas por sorteio, onde se
efetuou a determinação do Peso em Matéria Seca (PMS) da biomassa, em g/m2, com os seguintes
resultados:

Ponto amostral

Fonte: Fonseca (2002)


01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 média

2.112 1.899 1.786 2.445 2.009 1.871 1.908 2.234 2.087 1.453 1.922 2.185 1.992

Tabela 4 – Resultados de PMS (g/m ) da vegetação nas canaletas verdes, por ponto amostral
2

 
Figura 9 – Detalhe da revegetação do local – fevereiro de 2003
Diques de retenção de sedimentos (Check dams)

Foi analisada a eficiência dos diques de retenção de sedimentos (Check dams) através
da verificação da integridade estrutural das estruturas executadas nas 28 erosões lineares
trabalhadas, com os seguintes resultados constantes na tabela abaixo:

Tratamento

Solo-cimento envelopado Matacos de rocha

Nº executados Nº falhados Nº executados Nº falhados

Fonte: Fonseca (2007)


48 11 7 2

Tabela 5 – Resultados da ocorrência de processos erosivos laterais em estruturas de retenção e detenção de


sedimentos instalados no interior de processos erosivos lineares

Figura 10 – Vista geral da área revegetada – março de 2007


 
Fonte: Fonseca (2002)

112 113

Fonte: Fonseca (2018)


 
 
Figura 8 – Área recoberta de vegetação – fevereiro de 2003
Figura 11 – Vista geral da área revegetada – março de 2018
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (1999, 2003)
 
 

Fonte: Coelho (1999, 2003)


Fonte: Fonseca (2002)

   
Figuras 12 e 13 – Detalhe de seção transversal da Erosão 05, em 1999 e 2003, respectivamente
Figuras 14 e 15 – Detalhe de seção transversal da Erosão 06, em 1999 e 2003,
respectivamente

114 115
Qualidade da água
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
A qualidade da água a jusante do local recuperado foi um dos aspectos selecionados para
avaliar a efetividade das medidas implementadas. Alguns dos parâmetros apresentados abaixo
demonstram a melhoria da qualidade da água após a implantação do Plano de recuperação da
área degradada. As coletas foram feitas ao final do período chuvoso, no mês de maio de cada ano.

Época de amostragem
Parâmetro
Maio de 2000 Maio de 2002 Maio de 2019
pH 6,80 6,27 6,33
Turbidez uT 22,00 6,30 5,10
Sólidos totais mg/L 72,00 55,00 23,00
Sólidos em sus-
mg/L 20,00 3,66 2,78
pensão
O2 dissolvido mg/L 3,00 6,00 5,10
Cor uH 203,00 10,00 11,00

Tabela 6 – Resultados de análises de água efetuadas a jusante da área de empréstimo, antes e após a execução dos trabalhos
de recuperação de processos erosivos

  Recobrimento vegetativo

Foi avaliado o recobrimento vegetativo das áreas submetidas a plantio mecanizado (áreas
planas) e a plantio manual com PRCE’s, 150 dias após a realização do plantio. Tal avaliação foi feita
por meio da biomassa da vegetação, em 23 parcelas amostrais quadrangulares de 2 x 2 m, locadas
por sorteio, onde se efetuou a determinação do Peso em Matéria Seca (PMS) da biomassa, em
g/m2. Foram efetuados a coleta e o ensacamento de material vegetal verde da vegetação das
parcelas, seguidos do transporte até o Laboratório de Solos e Asfalto da UFMG, quando foram
verificados os seguintes resultados:
Fonte: Coelho (1999, 2008)

Ponto amostral

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 média

2.112 1.899 1.786 2.445 2.009 1.871 1.908 2.234 2.087 1.453 1.922 2.185 1.992,6

Figuras 16 e 17 – Detalhe de seção transversal da Erosão 08 em 1999 e 2008, respectivamente   Tabela 7 – Resultados de PMS (g/m ) da parte aérea de vegetação herbácea em áreas de plantio mecanizado, por ponto amostral
2

116 Periodicamente são feitas avaliações da área trabalhada, sendo realizados trabalhos de 117
recuperação de canaletas, e reforço na revegetação, conforme necessário.
6.1.1.2.4. Conclusões e Recomendações são caracterizados pela presença de vegetação herbácea e/ou de mudas de espécies arbóreas
plantadas no local de modo a fomentar a formação de vegetação de cerrado nativo, havendo
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Os resultados verificados permitem afirmar que as técnicas de bioengenharia utilizadas – também locais onde predomina solo exposto, devido às dificuldades no estabelecimento de
quais sejam: as canaletas verdes, o plantio com geotêxteis orgânicos e os retentores orgânicos vegetação.
de sedimento – apresentaram resultados satisfatórios para a recuperação de processos erosivos
lineares de ravinamento e voçorocamento presentes na área de empréstimo da UHE Emborcação, 6.1.1.3.2. Concepção e Elaboração do Projeto
em Catalão (GO).
Em agosto de 2011, a Cemig Geração e Transmissão, para realizar a execução do Programa
Confirmando as características descritas na literatura (CAVERO et al., 2002; COELHO et al., de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) da UHE Irapé, em atendimento à condicionante 12
2001), o uso das técnicas de bioengenharia de solos apresentou melhor adequação ambiental, do Processo de Licenciamento Ambiental no. 0094/1994/006/2009, efetuou a contratação para a
características de autorreparação e menor custo de implantação. Assim pode ser inferida uma execução dos serviços previstos em Projeto.
melhor relação custo x benefício, quando comparada às técnicas convencionais de engenharia,
também utilizadas no projeto, em condições de extrema similaridade. Desde a execução das O norteador técnico para a execução dos respectivos serviços foi a Especificação Técnica

obras, vem sendo feito o acompanhamento da performance das técnicas de bioengenharia, Descrição geral dos processos erosivos e respectivas medidas de controle, que preconizava o uso

especialmente aquelas de maior requerimento hidráulico, representadas pela vegetação do de diversas técnicas de bioengenharia para a recuperação das áreas afetadas pela construção da

interior das canaletas verdes e áreas vegetadas junto dos diques de solo-cimento envelopado UHE Irapé. As atividades foram realizadas conforme o cronograma constante do quadro 1.

e de matacos de rocha gnáissica. Conclui-se que, 20 anos depois dos serviços executados, foi
verificada a elevada efetividade no uso das técnicas de Bioengenharia na recuperação das áreas ANO DE EXECUÇÃO
de empréstimo da UHE Emborcação. ÁREA
2011/2012 2012/2013 2013/2014 2014/2015 2015/2016

6.1.1.3. Recuperação de áreas degradadas da UHE Irapé Jazida J1C1

Bota-foras de Mangueira e Olhos


A área da UHE Irapé está inserida na bacia do rio Jequitinhonha e abrange os municípios
d’Água
de José Gonçalves de Minas, Berilo, Leme do Prado, Turmalina, Botumirim, Cristália e Grão Mogol,
todas no Estado de Minas Gerais. A região da UHE Irapé corresponde ao curso médio desse rio, Bota-foras de Vertedouro, Usina de
Solos, Oficina, Two Go
que é marcado pelo encontro com o rio Itacambiruçu, entre os municípios de Grão Mogol e Berilo.
Jazida J2C2 e adjacências
A UHE foi inaugurada em junho de 2006, e possui potência instalada de 399 MW e um
Pedreira e Jazida Olhos d’Água
reservatório com comprimento de aproximadamente 106 km no rio Jequitinhonha e 48 km do rio
Itacambiruçu, tendo uma área inundada de 137,16 km² (13.716 ha), energia suficiente para atender Quadro 1 – Cronograma de execução do PRAD UHE Irapé

a população de uma cidade de 1 milhão de habitantes e uma barragem de 208 metros de altura,
a mais alta do Brasil e a segunda mais alta da América Latina, com 540 metros de cumprimento Foi realizado levantamento planialtimétrico com GPS de precisão, em todos os locais a
e núcleo de argila. serem trabalhados, utilizando-se previamente dados secundários oriundos de imagem de satélite
e de modelo de declividade do terreno, que foram referendados pelos levantamentos de campo.
6.1.1.3.1. Objetivos
Estudos climatológicos
Apresentar a avaliação técnica das ações de recuperação de áreas degradadas executadas

118 nos diferentes locais impactados pela implantação da barragem da Usina Hidrelétrica de Irapé. Observado o fato de a UHE Irapé se encontrar na região semiárida, um cuidadoso estudo
119
climatológico foi feito para nortear a escolha dos métodos de reabilitação ambiental. A precipitação
Tais áreas foram exploradas no momento da implantação da usina, a partir da explotação é uma das variáveis meteorológicas mais importantes para os estudos climáticos. Tal importância
de jazidas e pedreiras, somadas à disposição de material mineral e terroso em “bota-foras”, que deve-se às consequências que pode ocasionar quando ocorrida em excesso (precipitação intensa).
foram parcialmente recuperadas pelo Consórcio Construtor de Irapé (CCI). Atualmente, os locais A região de estudo é afetada frequentemente pela falta de chuva, o que diretamente afeta as
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
atividades do PRAD. Os meses mais chuvosos estendem-se de novembro a março (gráfico 1). Abril
e setembro são meses de transição entre um regime e outro e são marcados pela estação seca

Fonte: INMET – Período de 1961 a 2010


na região.

Contudo, devido à dinâmica atmosférica e à ação de vários elementos interagindo e


alterando essa dinâmica, tanto a estação seca quanto a chuvosa podem sofrer variações intra
e interanuais. A distribuição de chuva entre os meses de novembro a março apresenta a maior
precipitação no período, num total médio de 710,4 mm, conforme a climatologia.
 
Por outro lado, nos meses de maio a agosto, devido à baixa atividade convectiva, os valores
não ultrapassam 47,5 mm no total, pois a região fica sob a ação do Anticiclone do Atlântico Sul, Gráfico 2 – Déficit e Superávit Hídrico na região da UHE Irapé

induzindo um período de seca bem característico. Não é incomum o registro de ausência de


precipitação no trimestre mais seco do ano.
Verifica-se pelo exposto acima que, de fato, a variabilidade climática da região não se faz
favorável para determinadas atividades de cultivo florestal e agrícola. Diante disso, as metodologias
devem ser ancoradas e embasadas levando em consideração o potencial de escassez hídrica.

Melhoria da estrutura do solo

Fonte: INMET – Período de 1961 a 2010


Foi efetuada a melhoria da estrutura do solo para auxiliar a drenagem através do aumento
dos índices de infiltração e para facilitar o desenvolvimento radicular – através de subsolagem,
aração e gradagem em nível, em todo o terreno.

Correção, adubação e plantio mecanizado

Após a subsolagem foi feita a distribuição e incorporação do calcário e a aração do terreno.


  A gradagem da área, adubação e plantio das herbáceas, bem como o plantio mecanizado das

Gráfico 1 – Comportamento climatológico da precipitação (mm) – Região Irapé


faixas retentoras, tiveram início no começo do período chuvoso.

Revegetação do interior de processos erosivos

Pode-se constatar que, na região de estudo, há um período de deficiência hídrica longo, O interior dos processos erosivos e das áreas desprovidas de vegetação foi tratado de duas
durando cerca de oito meses sucessivos, conforme pode ser observado no gráfico 2. maneiras distintas, conforme a declividade da superfície final dos processos, após a reconformação

120 geométrica final dos taludes das erosões e áreas expostas, a saber: i) Declividades até 45o – Plantio
121
manual de herbáceas e recobrimento com palhada de arroz, de milho e outras encontradas na
região; ii) Declividades superiores a 45o – Plantio manual de herbáceas e recobrimento com PRCE’s
manufaturados mecanicamente com capim colonião (Panicum maximum), com a gramatura de
1.500 g/m2, ancorados por grampos metálicos, e uso de bermalongas.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: CEMIG GT / GA (2019)
Fonte: CEMIG GT / GA (2013)
   
Figura 1 – Biomantas e bermalongas utilizadas no PRAD Figura 3 – Operações de coveamento do talude, antecedendo a aplicação de biomantas

Fonte: CEMIG GT / GA (2019)


Fonte: CEMIG GT / GA (2013)

Figura 2 – Detalhes de operações de reconformação mecânica do terreno e gradagem   Figura 4 – Detalhe da mistura das sementes antes do plantio  

122 123
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: CEMIG GT / GA (2019)

Fonte: CEMIG GT / GA (2019)


Figura 5 – Aplicação de biomantas e bermalongas nas canaletas verdes  

Figura 7 – Aplicação de biomantas e bermalongas em taludes de corte  

Fonte: CEMIG GT / GA (2019)


Fonte: CEMIG GT / GA (2019)

Figura 8 – Detalhe da produção de mudas florestais utilizadas


 
124 125
Figura 6 – Aplicação de biomantas e bermalongas nas
canaletas verdes

 
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: CEMIG GT / GA (2019)

Fonte: CEMIG GT / GA (2019)


 
Figura 9 – Vista de talude revegetado

 
Figura 11 – Detalhe da área em recuperação

6.1.1.3.3. Conclusões e Recomendações

Os resultados verificados permitem afirmar que as técnicas de bioengenharia utilizadas –


quais sejam: as canaletas verdes, o plantio com geotêxteis orgânicos e os retentores orgânicos
de sedimento – apresentaram resultados satisfatórios para a recuperação de processos erosivos
Fonte: CEMIG GT / GA (2019)

lineares de ravinamento e voçorocamento e solos expostos presentes nas áreas antropizadas na


construção da UHE Irapé.

Confirmando as características descritas na literatura (CAVERO et al., 2002; COELHO et al.,


2001), o uso das técnicas de bioengenharia de solos apresentou melhor adequação ambiental,
características de autorreparação e menor custo de implantação. Assim pode ser inferida uma
 
Figura 10 – Detalhe da irrigação das mudas florestais, observadas as condições climáticas melhor relação custo x benefício quando comparada às técnicas convencionais de engenharia.
adversas
126 127
6.1.1.4. Recuperação de áreas degradadas de encostas marginais da UHE Porto Estrela
Número da Características Coordenadas UTM
Ano de execução Área (m2)
erosão do solo local
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Autores: E N
Joaquim Fernandes Teixeira Coelho, Bel. Esp. 2003/2004 38 Solo 745467 7887823 1.800
Marcos Aurélio Sartori, Eng. Florestal
2003/2004 70 Terraço 744798 7886021 1.300

2003/2004 133 Solo-gnaisse 741745 7885173 200


6.1.1.4.1. Introdução
Tabela 1 – Localização e área das erosões trabalhadas

A Usina do Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) de Porto Estrela teve seu enchimento


iniciado no ano de 2001, constituindo-se como uma novidade no âmbito das áreas inundadas 6.1.1.4.3. DESCRIÇÃO E MÉTODOS CONSTRUTIVOS DE REABILITAÇÃO AMBIENTAL
por represas brasileiras decorrentes da presença de pacotes aluvionares com até 80 metros de
altura. Além disso, o fato de tratar-se de sedimentos predominantemente arenosos introduz 6.1.1.4.3.1. Aspectos Gerais
uma componente suplementar de novidade, visto o caráter de imprevisibilidade que marca o
comportamento geotécnico das areias componentes das áreas marginais do reservatório. 6.1.1.4.3.1.1. Plano de drenagem

Nos dois primeiros anos de operação, foi monitorada a ocorrência de processos erosivos. Faixas de infiltração
Inicialmente observou-se que houve um aparecimento considerável de vários focos erosivos já no
primeiro ano, muito além do esperado, de acordo com as previsões técnicas do Plano de Controle Nas superfícies planas e semiplanas com boa consolidação do solo, foram executadas faixas de

Ambiental do empreendimento. Dessa forma, o Consórcio do Aproveitamento Hidrelétrico de infiltração com o uso de Capim napier (Pennisetum purpureum), no aterro decorrente da escavação

Porto Estrela (CAHPE), constituído pelas empresas Cemig GT, Vale e Coteminas, empreendeu dessas faixas e do plantio manual da mistura de sementes sob os geotêxteis orgânicos, de aveia

esforços para recompor a paisagem e estabilizar esses focos. preta (Avena strigosa), capim gordura (Melinis minutiflora), capim andropogon (Andropogon sp.),
braquiária decumbens (Brachiaria decumbens) e braquiária umidícola (Brachiaria humidicola),
Tendo em vista que se tratava de áreas ambientalmente sensíveis, optou-se pelo uso de na proporção de 30,0; 10,0; 15,0; 15,0 e 20,0 g/m2 de sementes, respectivamente, dentro das faixas.
técnicas de bioengenharia de solos no local, pelo uso de materiais naturais, pela manutenção dos
padrões naturais de drenagem, pela melhor relação custo x benefício, dentre outras vantagens O plantio foi efetuado por meio de coveamento, com covas nas dimensões de 10 x 5 cm
ambientais adicionais decorrentes da melhoria das condições bióticas do local. (comprimento x largura), equidistadas em no máximo 12 cm entre covas. Após o semeio, a
superfície de solo foi adubada com 500 kg por ha de adubo químico granulado NPK (10:30:10) à
Confirmando as características descritas na literatura (CAVERO et al., 2002; COELHO et al.,
base de e com 2.000 kg por ha de esterco animal. Aos 30 e 45 dias foram efetuadas adubações
2001), o uso das técnicas de bioengenharia de solos apresentou melhor adequação ambiental,
de cobertura, à base de 200 kg por ha por aplicação de adubo químico granulado NPK (20:00:20).
características de autorreparação e menor custo de implantação. Assim pode ser inferida uma
melhor relação custo x benefício quando comparada às técnicas convencionais de engenharia
Leiras de retentores orgânicos de sedimento

6.1.1.4.2. METODOLOGIA
Na proteção da crista das erosões, foram utilizadas leiras de retentores orgânicos de
sedimento, com as dimensões mínimas de 1,60 x 0,50 m (comprimento x diâmetro), compostos
6.1.1.4.2.1. Localização e acesso
por palhada de herbáceas fibrosas desidratadas, envoltas em rede de polipropileno. O retentor
O AHE Porto Estrela está localizado no Rio Santo Antônio, na Região do Vale do Aço, Estado foi utilizado dentro de valetas com a profundidade de 30 cm, em conjuntos de diversas unidades
128 129
de Minas Gerais, na região Sudeste do Brasil. O clima do local é classificado como CwB, segundo perfiladas – unidas pelas extremidades – formando leiras para a proteção das bordas das erosões.
Köppen – tropical subquente com médias entre 15 e 18o C e de 4 a 5 meses secos. O solo local Esses retentores foram instalados sempre no sentido transversal ao escoamento, fixado com
é classificado como LV – latossolo vermelho. A localização em específico das erosões é dada a estacas de madeira ou bambu, nas dimensões de 0,80 a 1,20 m de comprimento, de acordo com
seguir: o grau de consolidação do solo local.

.
Retentores orgânicos de sedimento nos cortes e aterros Semeadura
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Foram utilizados nos cortes e aterros como dissipadores de energia, bem como na interface A operação de semeadura foi efetuada por meio de lançamento manual ou por hidrossemeio,
entre o aterro e o corte dos taludes das erosões, a cada 10 metros de altura de vertente desses na seguinte quantidade de sementes:
taludes, conjuntos de retentores orgânicos de sedimentos.
Espécie (nome vulgar) Espécie (nome científico) Qtde. (kg/ha)
Aveia-preta Avena strigosa 70
Esses retentores tinham as dimensões mínimas de 1,60 x 0,50 m (comprimento x
diâmetro), compostos por palhada de herbáceas fibrosas desidratadas, envoltas em rede dupla Braquiária Brachiaria humidicola 70

de polipropileno, fixado com estacas de madeira ou bambu, nas dimensões de 0,80 a 1,20 m Braquiarão Brachiaria decumbens 70
de comprimento, de acordo com o grau de consolidação do solo local. Durante a instalação do Capim Jaraguá Hypharenia rufa 40
retentor, foi necessário construir uma valeta, em solo consolidado, para poder assegurar o melhor Lab-lab Lab-lab purpureus 50
encaixe do retentor. Essa valeta tinha profundidade de, no mínimo, 15 cm. Calopogônio Calopogonium mucunoides 30
Capim-gordura Melinis minutiflora 40
6.1.1.4.3.1.2.Plano de preparo de solo e revegetação
Mucuna preta Mucuna aterrima 70

Acerto e regularização do terreno Feijão guandu Cajanus cajan 60


TOTAL 500
Foi realizada a regularização da superfície dos taludes, efetuados manualmente ou
Tabela 2 – Quantidades de sementes (kg) por espécie, para a revegetação do interior das erosões de 1 a 3
mecanicamente, buscando eliminar os sulcos erosivos, o preenchimento dos espaços vazios e a
ancoragem dos sedimentos soltos.
6.1.1.4.4. Relatório fotográfico
As concavidades do terreno e as negatividades dos taludes foram removidas, para evitar
a formação de novos focos erosivos e desmoronamentos. Após a regularização, foi realizada a
remoção de material até a obtenção de uma geometria que oferecesse Fator de Segurança = 1
para os taludes a serem trabalhados.

Revegetação de taludes

A revegetação das superfícies das erosões, após a reconformação geométrica dos taludes,
foi realizada com espécies de herbáceas de rápido crescimento associadas a geotêxteis orgânicos
de alta gramatura. A sequência executiva dos serviços envolveu o acerto do terreno, preparo do    
solo e aplicação de fertilizantes, corretivos e sementes, com a posterior aplicação de geotêxteis
orgânicos constituídos por fibras de coco, entrelaçadas e incorporadas em redes de polipropileno,

Fonte: Coelho (2003, 2004, 2005 e 2012)


na gramatura de 400 g/m2.

Preparo do Solo

Utilizou-se, no ato do plantio, adubo químico granulado NPK (10:30:10), à base de 500 kg por
130 ha, e adubo químico granulado NPK (20:00:20), por ocasião de adubações de cobertura aos 30 e 131
45 dias, à base de 250 kg por ha por aplicação. A adubação orgânica foi feita junto com o semeio
   
e a adubação química, à base de 2.000 kg por ha, com esterco animal.
Figuras 1, 2, 3 e 4 – Vista geral da erosão 38, em 2003, 2004, 2005 e 2012, respectivamente
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.1.1.5. Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Cemig GT / Aneel – Projeto PD 064

Autores:
Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc.
Enio Marcus Brandão Fonseca, Eng. Florestal Esp. - Cemig GT
Prof. Gustavo Borel de Menezes, Eng. Civil, P.PhD. (tratamento dos dados com SIG)

A Cemig GT vem desenvolvendo desde o ano de 2003 – no âmbito do Programa de Pesquisa


e Desenvolvimento da Aneel – trabalhos inovadores em bioengenharia de solos. Inicialmente com
    o Projeto denominado Estudo de Técnicas de Bioengenharia de Solos para Controle de Erosão
em Margens de Reservatórios, realizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais

Fonte: Coelho (2003, 2004, 2005 e 2012)


(UFMG), que utilizou, desenvolveu e divulgou o uso das diversas técnicas de bioengenharia de
solos para proteção de margens disponíveis àquele momento (início dos anos 2000), com atuação
também na difusão de diversas técnicas de bioengenharia de solos para proteção de margens
de reservatórios no Brasil. Dentre os produtos alcançados com esse Projeto, podem-se destacar:
um evento de nível internacional realizado no CREA/MG, quatro artigos publicados, uma Tese de
Doutorado e um Boletim Técnico emitido pela Cemig e pela UFMG, bem como o treinamento de
pessoal especializado para diversas concessionárias de energia elétrica.
   
Figuras 5, 6, 7 e 8 – Vista geral da erosão 70, antes e após a execução das obras de recuperação ambiental, em Foram estudadas três áreas representativas das condições de reservatórios da Cemig,
2003, 2004, 2005 e 2012, respectivamente
localizadas às margens do reservatório da UHE de Volta Grande, no rio Grande, nos Estados de
Minas Gerais e São Paulo, sendo duas em Água Comprida (MG) e uma em Miguelópolis (SP),
compreendendo 28 parcelas experimentais com revestimento de margem englobando uma
ampla variedade de técnicas de controle de erosão. Foram utilizadas as seguintes técnicas de
bioengenharia e de revestimentos rígidos: Gabião saco associado a enrocamento; Colchão Reno
de 4 m com enrocamento e Colchão Reno com 5 m de comprimento; Colchão Reno e Gabião caixa;
Gabião saco associado a manta geotêxtil sintética MacMat; Retentor orgânico de sedimentos
de fibra de coco; Geotêxtil sintético P550; Geotêxtil sintético C350; Enrocamento; Armações
de madeira; Retentores orgânico de sedimento de fibra de coco beneficiada; e Retentores
orgânico de sedimento de capim. A área total das parcelas foi de 6.500 m2, e as mesmas foram
   
monitoradas durante 3 anos. Estudos de bancada envolvendo estudos de geotecnia, medidas
de turbidez, fertilidade e resistência ao cisalhamento de solo-raiz, e estudos in situ englobando
estudos geológicos, vento e altura de onda foram realizados, para se estimar a eficácia de cada
Fonte: Coelho (2003, 2005 e 2012)

tratamento. Além disso, desenvolveu-se uma Matriz de Análise Comparativa para avaliar cada
tratamento, englobando os resultados do monitoramento e dos ensaios. Batimetria diferencial,

132 ou seja, batimetria final menos a inicial, plotada em ArcGis, corroborou os resultados da Matriz de
133
Análise Comparativa (GALVÃO et al., 2008).

 
Figuras 9, 10 e 11 – Vista geral da erosão 133, antes e após a execução das obras de recuperação ambiental, em
2003, 2005 e 2012, respectivamente
Nas condições estudadas, os melhores tratamentos foram: i) para a região Píer – colchão
Reno + geotêxtil, enrocamento + colchão Reno e tela MacMat e colchão Reno; ii) para a região
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Baía – colchão Reno e geotêxtil, tela MacMat e gabião saco e tela C350 – NAG/EUA; e iii) para a
região Miguelópolis – retentores orgânicos de sedimento de fibra de coco.

A seguir, são apresentadas fotografias que registram as diversas parcelas experimentais


implantadas para comparação e avaliação da performance dos métodos de bioengenharia de
solos trabalhados.

Fonte: GALVÃO et al. (2008)

Fonte: Coelho (2007)


 
Figura 1 – Metodologia utilizada para avaliação das técnicas de controle de erosão: (a) cotas
de elevação do terreno e batimetria, (b) Rede de triangulação irregular, (c) interpolação com a
superfície de elevação e batimetria, e (d) elevação diferencial (antes e depois de 2 anos).

Figura 4 – Detalhe de parcela experimental executada com retentores orgânicos de  


sedimento e PRCE’s, em Água Comprida (MG)

Fonte: GALVÃO et al. (2008)

Fonte: Coelho (2007)


134   135
 
Figuras 2 e 3: Superfície de elevação superficial e batimétrica da área de estudo em Miguelópolis (SP)
Figura 5 – Detalhe da instalação do colchão Reno, na área da Baía
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (2007)

Fonte: Coelho (2006


Figura 6 – Vista geral de instalação do gabião-saco associado a tela MacMat, ao fundo da
  Figura 8 – Vista lateral de parcela executada com Colchão Reno e gabião caixa, em
 
foto, e de Colchão Reno, em parcelas executadas em Água Comprida (MG) parcela executada em Miguelópolis (SP), em fevereiro de 2006, quatro anos após a
instalação

Fonte: Coelho (2006)


Fonte: Coelho (2007)

 
Figura 7 – Detalhe da instalação do PRCE não degradável, em Água Comprida/MG Figura 9 – Detalhe do desenvolvimento da vegetação em parcela executada com gabião
saco e enrocamento na área da baia, em Água Comprida/MG, em novembro de 2006
 
136 137
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (2007)

Fonte: Coelho (2006


Figura 6 – Vista geral de instalação do gabião-saco associado a tela MacMat, ao fundo da
  Figura 8 – Vista lateral de parcela executada com Colchão Reno e gabião caixa, em
 
foto, e de Colchão Reno, em parcelas executadas em Água Comprida (MG) parcela executada em Miguelópolis (SP), em fevereiro de 2006, quatro anos após a
instalação

Fonte: Coelho (2006)


Fonte: Coelho (2007)

 
Figura 7 – Detalhe da instalação do PRCE não degradável, em Água Comprida/MG Figura 9 – Detalhe do desenvolvimento da vegetação em parcela executada com gabião
saco e enrocamento na área da baia, em Água Comprida/MG, em novembro de 2006
 
138 139
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.1.1.6. Cemig GT – Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Aneel – Projeto GT 196 –
Desenvolvimento de Metodologias para Revegetação e Recobrimento Vegetativo no Controle
de Erosão em Taludes de Corte de Declividade Acentuada

Autores:
Enio Marcus Brandão Fonseca, Eng. Florestal, Esp.
Leonardo Paiva Pereira, Adm. de Empresas

Em 2008, foi desenvolvido outro Projeto de P e D, denominado Desenvolvimento de


Metodologias para Revegetação e Recobrimento Vegetativo no Controle de Erosão em Taludes
de Corte de Declividade Acentuada. Nele, foi realizado o desenvolvimento de diversos arranjos e a
implantação de parcelas experimentais demonstrativas, para a avaliação das diferentes técnicas
de bioengenharia de solos disponíveis no Brasil, na década de 2000, para proteção de taludes
de corte em declividade acentuada. Foram avaliados diversos modelos de PRCE’s orgânicos
e mistos e diferentes arranjos de leiras de retentores orgânicos de sedimento, em taludes da
rodovia BR-482. Dentre os produtos alcançados com este Projeto, podem-se destacar: dois artigos
publicados, uma dissertação de Mestrado, um Boletim Técnico, emitido pelo Centro Brasileiro
para Conservação da Natureza e Desenvolvimento Sustentável (CBCN, 2010) e pela Universidade
Federal de Viçosa, e o treinamento de pessoal especializado para diversas concessionárias de
energia elétrica.

6.1.1.6.1. Unidades Experimentais Demonstrativas

Fonte: CEMIG GT/CBCN, (2008)


Foram instaladas três Unidades Experimentais Demonstrativas, avaliadas sistematicamente
de forma comparada pela equipe do projeto em relação a diversos parâmetros de interesse em
controle de erosão e recuperação ambiental, como índice de recobrimento vegetativo, biomassa
seca e proteção do solo durante realização de chuvas simuladas.

As Unidades Experimentais serviram ainda para o treinamento e a demonstração do uso,


instalação e aplicação dessas técnicas de proteção ambiental, para o corpo docente e discente Figura 1 – Detalhe da aplicação de geotêxtil orgânico de fibra de coco em uma das  
da Universidade Federal de Viçosa (UFV), ONG’s Estaduais e Nacionais, corpo técnico do DNIT e parcelas experimentais do Projeto P&D Cemig GT 196, localizada em Canaã (MG), em
2008
DER-MG, dentre outras Instituições.

140 141
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.1.1.7. Implantação das Unidades Experimentais do Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento
Cemig GT 0581 – Desenvolvimento de técnicas de bioengenharia de solos para drenagem
superficial e controle de erosões lineares em linhas de transmissão e distribuição

Autores: Equipe técnica:


Nilton Fernandes de Oliveira, Eng. Ambiental, M.Sc. Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc
Rafael Augusto Fiorine, Eng. Agrônomo, M.Sc. Prof. Gumercindo Sousa Lima, Eng. Florestal, D.Sc.
Enio Marcus Brandão Fonseca, Eng. Florestal, Esp. Prof. Fillipe Tamiozzo Pereira Torres, Geógrafo, P.D.Sc.
Joaquim Fernandes T. Coelho, Bel. Esp. Prof. Gustavo Borel de Menezes, Eng. Civil, P.PhD.
Wdson Luis de Campos, Eng. Agrônomo, Esp. Vinícius Barros Rodrigues, Biólogo, D.Sc.
Mayara Ribeiro Lage, Eng. Florestal, M.Sc.

Em 2018, a Cemig GT desenvolveu, também no âmbito do Programa de Pesquisa e


Desenvolvimento da Aneel, o Projeto Desenvolvimento de técnicas de bioengenharia de solos para
  drenagem superficial e controle de erosões lineares em linhas de transmissão e distribuição. Por
meio desse projeto, estão sendo desenvolvidos dispositivos de drenagem superficial facilmente
transportáveis e de elevada eficiência de aplicação, que recebem o nome de Canaleta Verde Pré-
Semeada (CVPS). Além disso, o Projeto implementou 10 parcelas experimentais localizadas em 5
Unidades Experimentais (UE’s 1 a 5) em faixas de domínio de linhas de transmissão (LT’s) e linhas de
distribuição (LD’s) da Cemig, onde estão sendo efetuadas avaliações da performance de diversos
tipos de PRCE’s para revestimento vegetal de taludes e de novas técnicas de bioengenharia para
controle de erosão – como paliçadas mistas de estacas vivas e inertes, paliçadas de retentores
orgânicos de sedimento e estacas vivas, canaletas verdes com diferentes tipos de revestimento
(PRCE’s orgânicos e sintéticos, Mantas Geocimentícias) –, que serão comparadas com técnicas
Fonte: CEMIG GT/CBCN (2010)

convencionais de engenharia. Além disso, serão desenvolvidas avaliações de diferentes produtos


e metodologias do uso de diversos retardantes de fogo em PRCE’s e em material vegetal de áreas
revegetadas em processos erosivos, em conjunto com o Departamento de Engenharia Florestal
da Universidade Federal de Viçosa.

 
Figuras 2 e 3 – Detalhe da aplicação de diferentes geotêxteis orgânicos na Unidade
Experimental do Projeto P&D Cemig GT 196, localizada às margens da rodovia BR-482,
em Araponga (MG), em 2008
142 143
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 3º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


Fonte: 1º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Figuras 1 e 2 – Detalhes da manufatura e do desenrolamento de bobina do protótipo


  Figuras 3 e 4 – Detalhes a jusante e no ponto médio de CVPS instaladas na Unidade
inicial de CVPS, utilizada no revestimento de canaleta verde em parcela experimental Experimental 1, em São Gonçalo do Abaeté (MG)
do Projeto de P&D Cemig GT0581, na unidade de produção de Ribeirão das Neves (MG)

144
e na Unidade Experimental 1, em São Gonçalo do Abaeté (MG)
145

 
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 2º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 2º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


   
Figura 5 e 6 – Detalhe da instalação da porção terminal de dreno subsuperficial Figuras 7 e 8 – Detalhes das operações de instalação de leiras de retentores de sedimento,
preenchido com leiras de retentores orgânicos de sedimento, na Unidade Experimental em taludes e em paliçadas de estacas vivas na Unidade Experimental 1, em São Gonçalo
1, em São Gonçalo do Abaeté (MG) do Abaeté (MG)

146 147
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 2º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 2º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


   
Figuras 9 e 10 – Detalhes do uso de retentores de sedimento no canal, no preenchimento Figuras 11 e 12 – Vista geral a montante e a jusante, respectivamente, de paliçadas
de concavidades e como elemento drenante, no voçorocamento na Unidade convencionais de madeira imunizada, localizadas na Unidade Experimental 1, em São
Experimental 3, em São Gonçalo do Abaeté (MG) Gonçalo do Abaeté (MG)

148 149
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 2º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


   
Figuras 13 e 14 – Vista geral a montante e lateral, respectivamente, de paliçadas Figuras 15 e 16 – Detalhes da instalação de trechos experimentais do circuito para
convencionais de madeira imunizada, localizadas na Unidade Experimental 2, em São avaliação controlada de canaletas verdes, revestidas com PRCE misto e PRCE orgânico,
Gonçalo do Abaeté (MG) respectivamente, no campo de testes em Contagem (MG)

150 151
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Unidade Experimental 1 – São Gonçalo do Abaeté (MG)

   

Fonte: 1 e 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)


Fonte: 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018)

   
Figuras 17 e 18 – Vista geral da instalação de trechos experimentais do circuito para Figuras 19 e 20 – Vista a montante de ramificação do voçorocamento múltiplo, de
avaliação controlada de canaletas verdes, revestidas com PRCE misto e PRCE orgânico, grande porte, localizado na Unidade Experimental 1, em São Gonçalo do Abaeté (MG),
respectivamente, no campo de testes em Contagem (MG) na faixa de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté 2 – Três Marias 1 (Estrutura 311)

152 153
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 1 e 5º Relatório do Projeto CEMIG GT


0581 (2018)
 
Figuras 21, 22 e 23 – Vista a jusante de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte, localizado na
Unidade Experimental 1, em São Gonçalo do Abaeté (MG), na faixa de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté
2 – Três Marias 1 (Estrutura 311)
 
Unidade Experimental 2 – São Gonçalo do Abaeté (MG)

Fonte: 5º e 7º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


 
 
Fonte: 1º, 5º e 7º Relatório do Projeto CE-

Figuras 27 e 28 – Vista geral a jusante do canal de voçorocamento de grande porte,


 
MIG GT 0581 (2018, 2019)

localizado na faixa de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté 2 –Três Marias 1 (Estrutura


320), Unidade Experimental 2, em São Gonçalo do Abaeté (MG)

154 155
 

Figuras 24, 25 e 26 – Vista geral lateral a montante da margem esquerda do canal de voçorocamento de
grande porte, localizado na faixa de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté 2 –Três Marias 1 (Estrutura 320),
Unidade Experimental 2, em São Gonçalo do Abaeté (MG)
Unidade Experimental 3 – São Gonçalo do Abaeté (MG)
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 1º, 5º e 7º Relatório do Projeto CE-


MIG GT 0581 (2018, 2019)
 
Figuras 31 e 32 – Vista geral a montante de voçorocamento de grande porte, localizado na faixa de domínio
  da LT de Subtransmissão 138 kV (Estrutura 609), Unidade Experimental 3, em São Gonçalo do Abaeté (MG)

Fonte: 1º e 7º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

Fonte: 1º, 5º e 7º Relatório do Projeto CE-


 

Figuras 29 e 30 – Detalhe das cabeceiras de voçorocamento de grande porte, localizado


 

MIG GT 0581 (2018, 2019)


na faixa de domínio da LT São Gonçalo do Abaeté 2 –Três Marias 1 (Estrutura 320),
Unidade Experimental 2, em São Gonçalo do Abaeté (MG)

156 157

 
Figuras 33, 34 e 35 – Detalhe da cabeceira de voçorocamento de grande porte, localizado na faixa de domínio
da LT de Subtransmissão 138 kV (Estrutura 60), Unidade Experimental 3, em São Gonçalo do Abaeté (MG)
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Unidade Experimental 4 – Córrego Danta (MG)

   

Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


Fonte: 5º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

   
Figuras 36 e 37 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte, Figuras 38 e 39 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte,
localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388), localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388),
Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG) Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG)

158 159
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 1º e 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

Fonte: 1º e 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


   
Figuras 40 e 41 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte, Figuras 42 e 43 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte,
localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388), localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388),
Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG) Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG)

160 161
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
 

Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

 
Figuras 44 e 45 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte, Figuras 46 e 47 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte,
 
localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388), localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388),
Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG) Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG)

162 163
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


   
Figuras 48 e 49 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte, Figuras 50 e 51 – Detalhe de ramificação do voçorocamento múltiplo, de grande porte,
localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388), localizado na faixa de domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 388),
Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG) Unidade Experimental 4, em Córrego Danta (MG)

164 165
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Unidade Experimental 5 – Córrego Danta (MG)

Fonte: 1º e 5º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)

 
Figuras 52 e 53 – Detalhe a jusante do ravinamento localizado na faixa de domínio da Figuras 54 e 55 – Detalhe lateral a montante do ravinamento localizado na faixa de
 
LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 392), Unidade Experimental 5, em Córrego domínio da LT 2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 392), Unidade Experimental 5,
Danta (MG), antes e após as obras de recuperação ambiental realizadas em Córrego Danta (MG), antes e após as obras de recuperação ambiental realizadas;

166
verifica-se que a erosão se formou principalmente junto à antiga canaleta de concreto
colapsada. 167
6.1.1.8. Implantação de serviços de recuperação ambiental em estruturas diversas de LT’s na
região sul de Minas Gerais
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Autores: Carlos Magno dos Santos, Esp. / Luiz Lucena, Eng. Civil, CPESC / IECA / Michael Douglas Vieira dos Santos, Eng. Civil

No ano de 2014, foram realizadas várias obras de recuperação ambiental em estruturas


diversas de LT’s na região sul de Minas Gerais pela empresa Terragreen Engenharia. Destaca-se
que os serviços foram desenvolvidos em regiões de difícil acesso, eliminando o uso de operações
maciças de terraplenagem e utilizando espécies herbáceas de ocorrência regional, de forma a
não introduzir espécies exóticas em fragmentos de mata atlântica adjacentes.

Fonte: 1º e 9º Relatório do Projeto CEMIG GT 0581 (2018, 2019)


 

Figuras 56 e 57 – Detalhe lateral do ravinamento localizado na faixa de domínio da LT


 

Fonte: Santos (2014)


2 Bom Despacho 3 – Jaguara (Estrutura 392), Unidade Experimental 5, em Córrego
Danta (MG), antes e após as obras de recuperação ambiental realizadas; verifica-se que

168
a erosão se formou principalmente junto à antiga canaleta de concreto colapsada
169
Figuras 1 e 2 – Vista geral a montante de taludes de corte submetidos a erosão laminar,
imediatamente após as operações de revegetação e instalação de PRCE’s, na LT Itajubá  
3-São Lourenço – 138 kV, Estruturas 117 e 118
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
 

Fonte: Santos (2014)


 

 
Figuras 5 e 6 – Detalhes de estruturas de detenção e retenção de sedimentos, utilizadas
para o controle de voçorocamento na LT Itajubá 3-São Lourenço – 138 kV, Estruturas 117 e 118
Fonte: Santos (2014)

Figuras 3 e 4 – Vista frontal de voçorocamento antes e após a reconformação de taludes


 
e plantio da vegetação, na LT Itajubá 3-São Lourenço – 138 kV, Estruturas 117 e 118

170 171

Fonte: Santos (2014)


 
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Após um longo período, vinte ou trinta anos depois, alguns passivos ainda existentes, sejam eles
antrópicos ou não, continuam a provocar não só prejuízos ao meio ambiente como também questões

6.2
de natureza jurídica entre as concessionárias de energia, órgãos ambientais e órgãos do poder
judiciário, com relação à responsabilidade pelo dano provocado e à obrigatoriedade de recuperá-lo.

Tais questões somente aumentaram os prejuízos, pois os passivos ambientais, em sua


maioria, tendem a aumentar suas proporções com o passar dos anos. Quanto mais protelado for

Experiência de Furnas o início da implementação das ações, maiores serão os efeitos deletérios sobre o meio ambiente,
assim como maior será a necessidade de disponibilização de recursos financeiros por parte das
Centrais Elétricas geradoras de energia elétrica.

A implementação de ações de forma proativa, para mitigar passivos ambientais em


empreendimentos hidrelétricos, pode representar benefícios significativos às empresas, pela
possibilidade de proporcionar estudos mais aprofundados no projeto de recuperação. Assim, ao

De acordo com Ramidan (2019), de uma forma geral, os mecanismos de erosões mesmo tempo em que é possível obter uma maior otimização dos recursos a serem empregados,

estão associados à deficiência e ou à falta de drenagem e de cobertura vegetal em áreas de consolida-se a imagem de responsabilidade com relação às questões ligadas ao meio ambiente

empreendimentos do setor elétrico brasileiro. Essas anomalias, em sua grande maioria, são junto aos órgãos ambientais, jurídicos e, principalmente, junto à sociedade.

responsáveis pela geração de passivos ambientais tanto por ações antrópicas quanto de obras.
A seguir serão apresentadas as ações implementadas por Furnas Centrais Elétricas
São os casos de ocupações irregulares em áreas dos empreendimentos, bem como de taludes
S/A na recuperação de alguns dos inúmeros casos de tratamento de erosões provocadas por
em solo com declividades acentuadas ou não, desprovidos de sistemas de drenagem e ou de
ações antrópicas ou não, nos seguintes tipos de localidades: em áreas de influência de linhas
vegetação, estando a ausência desta última, muitas das vezes, associada à presença de animais
de transmissão, especialmente em bases de torres de linhas de transmissão, em taludes de
de pastoreio. Também se observa o fenômeno em antigas áreas de empréstimo de algumas
subestação e em área de influência de usinas hidrelétricas.
usinas hidrelétricas, retrocedidas a terceiros após a conclusão das obras, como era prática no
passado, quando não havia regulamentações e leis que determinassem a prática de recuperação
ambiental após a implantação de tais empreendimentos. 6.2.1. Sistema de Transmissão – Erosões Recorrentes em Áreas de Influência de Linhas de
Transmissão
A falta de programas ambientais efetivos, como medida compensatória pela construção
de empreendimentos hidrelétricos no período compreendido, principalmente, entre os anos Autores:
Marco Antônio da Silva Ramidan, Eng. Civil, M.Sc.
1970 e o final dos anos 1980, proporcionou a geração de passivos ambientais em vários sítios
Celso José Pires Filho, Eng. Civil, M.Sc.
de concessionárias de geração de energia elétrica. Alguns deles, ainda hoje, estão sem um Ilécio Miranda de Lima, Eng. Civil
Hiroito Kashivakura Monteiro, Eng. civil
equacionamento que defina as ações mitigadoras a serem implementadas.

A manutenção de áreas exploradas como jazidas de materiais construtivos e de canteiros de Serão apresentados quatro casos típicos de erosões devido a deslizamentos de solos ou de
blocos envoltos por solo em áreas de torres de transmissão de empreendimentos concedidos a
172 obras sem uma destinação específica por longos períodos, bem como a não implementação de
Furnas Centrais Elétricas, onde foi constatada a eficiência da implantação desses projetos com 173
ações que direcionassem para a recuperação das características ecológicas dessas áreas foram
consequência da falta de políticas, por parte dos setores que outorgavam concessões naquela o uso de técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia. Os resultados ora apresentados

época, que orientassem e cobrassem dos empreendedores a adoção de medidas que mitigassem tiveram como base levantamentos topográficos planialtimétricos, sondagens a percussão, em

os impactos ambientais provocados. geral duas por área de torres, a fim de proporcionarem a caracterização do solo e permitir uma
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
análise de estabilidade para os casos mais críticos, com o uso do software GeoSlope. O uso dessas
ferramentas permitiu que se definisse, com segurança, qual a melhor alternativa técnica de
projeto de estabilidade a ser usada, bem como quais os tipos de materiais procedentes da área
de bioengenharia associados à de geotecnia seriam empregados.

Sendo assim, passa-se a apresentar alguns dos casos notórios onde foram usadas as técnicas
com o uso de materiais distintos.

6.2.1.1. LT 345 kV OURO PRETO/VITÓRIA

O primeiro estudo de caso é relacionado à LT 345 kV Ouro Preto/Vitória, em Ponte Nova


(MG), onde o projeto teve como objetivo recuperar a estrada de acesso vicinal, que atende as
fazendas, escola rural, sítios locais, e a base da perna da torre mais próxima da estrada, apoiada
em tubulão raso de concreto.

Após o levantamento topográfico planialtimétrico, foram realizadas sondagens a precursão


e, após traçado o perfil geológico-geotécnico da área, foi definido o projeto de intervenção,  
composto para o talude desprovido de vegetação, com as seguintes especificações: sistema de
drenagem de crista e descida em escadas hidráulicas, em concreto, com uso de telas e blocos
de concreto, biomantas com retentores de sedimentos e vegetação nativa introduzida, com
cortina de estabilidade composta por placas de concreto, fabricadas in loco, encaixadas em perfis
metálicos ancorados em microestacas, confeccionadas em concreto armado, executadas com o
auxílio de trado de 6” de diâmetro e comprimento de 6 metros de profundidade.

Na parte adjacente à estrada, onde as chuvas causaram a diminuição de sua seção, foi

Fonte: Ramidan (2019)


confeccionada uma estrutura em gabião caixa com o uso Geomanta, BIDIM, na interface da
estrutura com o solo, de forma a impedir o carreamento de finos. Convém registrar que, no talude
onde foi instalada, a estrutura gabião caixa encontra-se a aproximadamente 20 metros acima do
leito do córrego existente, com vazão defluente representativa, encaixado na linha do talvegue
que corta toda o vale. Ressalta-se que, durante os períodos de chuvas, essas vazões tendem a  
Figuras 1 e 2 – Detalhe das estruturas de bioengenharia associadas à geotecnia utilizadas,
aumentar, elevando de certa forma a incidência de saturação sobre o maciço protegido por
onde pode-se perceber a regeneração total da área afetada
vegetação nativa (figuras 1 e 2).

174 175
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.2.1.2. LT 500 kV – ITAJUBÁ/CACHOEIRA PAULISTA T368

O segundo estudo de caso é relacionado à LT 500 kV – Itajubá/Cachoeira Paulista T368,


em que o projeto teve como objetivo recuperar parte do cone de ancoragem da perna da torre,
contígua ao talude, onde foi perdido cerca de 50% do solo que compunha o cone de ancoragem,
além do deslizamento de uma grande parte do talude em solo, com altura de aproximadamente
80 metros.
 
 
A princípio, devido às condições críticas inerentes à instabilidade da torre, o projeto passou
por ações mitigadoras, como a instalação de estais e desvios provisórios de águas de chuva da
base da torre afetada, com o uso de sacos em solo cimento e fixação de lonas plásticas até o
início da execução do projeto, que teve como base o levantamento topográfico planialtimétrico e

Fonte: Ramidan (2019)


sondagens a trado para classificar o perfil geológico-geotécnico da área afetada. Em seguida, foi
definido o projeto de intervenção, composto por estrutura com uso de cantoneiras metálicas de
torres, com geometria em formato de U, onde foi previsto um sistema de drenagem interligada
por filtros, vertical e horizontal, com brita graduada em seu núcleo, envolvida por geossintético,  
 
BIDIM. O sistema de drenagem foi interligado às canaletas de drenagens fixadas por meio de Figuras 3, 4, 5 e 6 – O conjunto de fotos abaixo retrata as condições de criticidade da área e o projeto implantado,
pequenas estacas de concreto, no corpo do talude em solo residual, na profundidade prevista em com resposta satisfatória às técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia; na última foto, verifica-se a
estabilidade e a regeneração total da área
projeto, em torno de 0,80 metros.

Para a área desprovida de vegetação, foram previstos um sistema de drenagem de crista


6.2.1.3. LT 345 kV – ITUTINGA/ADRIANÓPOLIS MENDES T341
e de canaletas de descida em escadas hidráulicas, compostas em concreto armado com o uso
de telas e blocos de concreto. O talude em solo foi reconformado manualmente e protegido O terceiro estudo de caso é relacionado à LT 345 kV – Itutinga/Adrianópolis Mendes T341, em
por estruturas em geomantas, com vegetação nativa introduzida em toda a área com solo que o projeto teve como objetivo recuperar o talude com vários processos erosivos, ausência de
exposto. A estrutura em Geomanta foi definida por suas propriedades físicas, em especial: a vegetação e do sistema de drenagem. Na área contígua à estrada Municipal, trecho no município
durabilidade, retenção de finos e das sementes introduzidas, preservação da umidade natural do de Mendes (RJ), foram inicialmente realizados o levantamento topográfico planialtimétrico, o
solo e a proteção das espécies em desenvolvimento de predadores, além da preservação contra perfil geológico-geotécnico e um estudo das condições de drenagem da área, uma vez que a
novos desencadeamentos de processos erosivos. Ressalta-se que as estruturas implantadas erosão principal se encontrava a cerca de 20 metros da pena da torre mais próxima a essa.
corresponderam plenamente ao que era proposto, tanto na concepção hidráulica como na
estabilização da estrutura da base da torre, onde a recuperação integral da parte do cone de Com base nos levantamentos e estudos criteriosos, foi definido o projeto de intervenção para

ancoragem da fundação da torre, em grelha, teve a sua geometria resgatada ao nível do projeto a área, composto por: sistema de drenagem de crista e de descida em escadas hidráulicas, estrutura

original. As condições de resposta ao projeto foram monitoradas durante os três períodos de em solo cimento envolto por tela e fixados por grampos, estruturas de biomantas com retentores

chuvas após a conclusão das obras (figuras 3 a 6). de sedimentos e vegetação nativa introduzida no solo. Na parte adjacente e ao longo do talude,
176 onde as chuvas causaram grande estragos, foi executado em primeiro plano a reconformação da 177
rampa em forma de degraus, com aplicação de biomantas associadas a retentores de sedimentos
e vegetação nativa introduzida no solo, de forma a impedir o carreamento de finos e a garantir a
germinação das sementes.
Da mesma forma que nos projetos anteriores aqui registrados, as estruturas implantadas Em decorrência, foi definido um projeto com o objetivo de recuperar toda a área atingida,
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
corresponderam plenamente ao que foi proposto no projeto, tanto na concepção hidráulica tendo como base o levantamento topográfico planialtimétrico, o perfil geológico-geotécnico

como na estabilização da área próxima à base da torre, onde a recuperação integral do talude e e um estudo das condições das principais áreas de contribuição onde sistemas de drenagem

das erosões presentes no corpo deste foi totalmente exitosa. As condições de resposta ao projeto foram previstos e implementados.

foram monitoradas durante, pelo menos, os três períodos de chuvas após a conclusão das obras
Com base nos levantamentos e estudos criteriosos, foi definido o projeto de intervenção
(figuras 7 a 10).
para a área, composto por: sistema de drenagem de crista e de descida em escadas hidráulicas,
estrutura de tela de alta resistência para fixação de conjuntos de blocos instáveis, fixadas por
chumbadores, estruturas de biomantas reforçadas, associadas a retentores de sedimentos,
e geomantas, fixadas por grampos, de forma a impedir o carreamento de finos e a garantir a
germinação das sementes.

Da mesma forma que os projetos anteriores, aqui registrados, as estruturas implantadas


corresponderam plenamente ao que foi proposto no projeto, tanto na concepção hidráulica
como na estabilização da área próxima às bases das torres, onde a recuperação integral do talude
e das erosões presentes no corpo deste obtiveram resultados completamente satisfatórios. As
condições de resposta ao projeto foram monitoradas durante, pelo menos, os três períodos de
  chuvas após a conclusão das obras (figuras 11, 12, 13 e 14).
 

  Fonte: Ramidan (2019)


 
Figuras 7, 8, 9 e 10 – O conjunto de fotos abaixo retrata as condições de criticidade da área e o projeto
implantado, com resposta satisfatória às técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia; na última foto,
verifica-se a estabilidade e a regeneração total da área  

6.2.1.4. LT 750 kV – ITUTINGA/IVAIPORÃ/ITABERÁ 1 e 2

Fonte: Ramidan (2019)


O quarto estudo de caso é relacionado à LT 750 kV – Itutinga/Ivaiporã/Itaberá 1 e 2. Seu
relato remete inicialmente a grandes ocorrências de deslizamentos no Estado do Paraná,
onde, em 2011, houve intensas precipitações pluviométricas que atingiram as regiões serranas,
178 mobilizando vários deslizamentos de solo. Dentre eles, alguns foram muito próximos a bases de  
179
 
torres de transmissão ou mesmo dentro delas, colocando em risco de colapso iminente parte do Figuras 11, 12, 13 e 14 – O conjunto de fotos abaixo retrata as condições de criticidade da área e o projeto
implantado, com resposta satisfatória às técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia; na última foto,
abastecimento de energia vinda de Itaipu a diversos estados localizados na região Sul e Centro-
verifica-se a estabilidade e a regeneração total da área
Oeste do País.
6.2.2. Obras do Sistema de Geração pelo intemperismo, pelo escoamento superficial das águas pluviais, pela exposição do subsolo
explorado e pela ausência de cobertura vegetal.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Serão apresentados dois casos típicos de erosões em áreas de Influência de Usinas
Hidrelétricas, onde, após a implantação dos projetos, foram apresentados resultados com Com o passar dos anos, ocorreu a formação de quatro erosões, sendo três de grandes
respostas bem consolidadas às técnicas aplicadas, com o uso de técnicas e de materiais diversos, proporções, aqui denominadas Erosões 1, 2 e 4, e uma de proporções menores, denominada Erosão
procedentes da área de bioengenharia associados à de geotecnia, como será apresentado a 3. Esses processos erosivos, que provocaram a degradação da área explorada, estão localizados na
seguir. margem direta da usina, no município de Itumbiara (GO).

O primeiro estudo de caso é relacionado a erosões de grande porte, voçorocas, localizadas Dentre os processos erosivos apresentados, todos foram recuperados em sua totalidade com
em área explorada como jazida de argila para a construção da Usina Hidrelétrica de Itumbiara, o uso de técnicas de bioengenharia associadas à geotecnia. Sendo assim, procurou-se destacar,
com capacidade instalada de 2.100 MW, localizada no rio Paranaíba, na divisa entre os estados de neste trabalho, por suas características físicas – como a sua proximidade com a ombreira direita
Minas Gerais e Goiás, cujas ações foram implementadas no período seco, compreendido entre da barragem de Itumbiara, em torno de 600 metros –, a Erosão 1, a qual descreve-se a seguir.
julho de 2005 a abril de 2006.
Esta tem extensão aproximada de 300 m, com profundidade e largura variando entre 25 e
O segundo estudo de caso é relativo a erosões preexistentes, localizadas em áreas distintas, 30 metros, respectivamente, e lençol freático aflorante no seu interior. Este vinha apresentando
situadas num raio de até 100 metros no entorno do reservatório do empreendimento APM evolução no seu mecanismo após cada período de chuva, com desenvolvimento crescente no
Simplício, com capacidade instalada de 305,7 MW, localizado no rio Paraíba do Sul, na divisa entre sentido e direção a jusante da ombreira direita da barragem de terra da UHE Itumbiara, tendo
os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com entrada em operação no início de julho de 2010, como agravante a freática elevada junto ao pé do talude da barragem de terra, região monitorada
para atendimento a programas de compensação ambientais (PACUERA). por piezômetros, medidores de níveis de água e de vazão ao longo do período de operação do
empreendimento, conforme imagens abaixo.

6.2.2.1. Erosões de grande porte (voçorocas) localizadas em área explorada como jazida de argila
para a construção da UHE Itumbiara

Autores:
Marco Antônio da Silva Ramidan, Eng. Civil, M.Sc.
Aloísio Rodrigues Pereira, Eng. Florestal, D.Sc.
Rodrigo Junqueira Calixto, Eng. Esp.
Celso José Pires Filho, Eng. Civil, M.Sc.
Pedro Macedo Júnior, Geólogo
Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc.

A exploração de jazidas e a formação de processos erosivos ocorreram no final dos anos  

1970, quando Furnas adquiriu terras nas áreas circunvizinhas ao sítio do empreendimento da
UHE Itumbiara. Por ocasião da construção da usina, ocorrida no período de 1974 a 1980, algumas  
áreas da margem direita à jusante da barragem foram utilizadas como áreas de empréstimo de
material construtivo.

Fonte: Ramidan (2019)


Ao término das obras, parte das áreas excedentes à estrutura civil do empreendimento foram
retrocedidas a terceiros, e aquelas que continuaram sob o domínio de Furnas permaneceram
180 181
por um período sem uso específico, o que favoreceu o desencadeamento de processos erosivos,
chegando, em alguns pontos, à formação de significativas erosões. Tais processos evoluíram
 
 
da não implementação de ações, ao longo dos anos, para a recuperação das características Figuras 2, 3, 4 e 5 – Vista em planta e fotos antes da implantação das ações mitigadoras com o uso de técnicas
de bioengenharia associadas a geotecnia
originais das áreas exploradas – onde os impactos vinham sendo agravados por ações antrópicas,
Técnicas de recuperação da área degradada As áreas de criticidade são individuais para cada erosão, sendo essas classificadas como
0 ou 1, valor aplicado em função do grau de contribuição para aumento do processo erosivo. A
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Com base nos parâmetros de estudos obtidos por Furnas através de dissertação de mestrado Figura 6 apresenta as áreas de criticidade da Erosão 1, bem como a localização esquemática da
desenvolvida em parceria com a PUC-Rio (RAMIDAN, 2003), foram iniciados, em julho de 2002, rede de canaletas, verde e de concreto, previstas no projeto.
trabalhos com o intuito de se efetuar a completa recuperação ambiental dessas erosões – com a
elaboração de uma Especificação Técnica para projeto de recuperação, contratado em dezembro Basicamente os serviços de recuperação contemplaram:
daquele mesmo ano, por Furnas Centrais Elétricas, cuja elaboração ficou ao encargo da empresa
Ingá Engenharia e Consultoria Ltda. • Aumento da taxa de infiltração de águas pluviais no solo e da dissipação da energia
provocada pelo escorrimento superficial, por meio da construção de terraços e da
A partir de 2001, foram realizados os estudos com base em serviços de levantamento subsolagem nas áreas de criticidade;
topográfico, pedológico, geológico-geotécnico e hidrológico dos processos erosivos existentes.
Foram realizadas também sondagens a percussão, nas quais, além das especificidades inerentes • Construção de canaletas, de concreto e verde, para captação e direcionamento das águas

a estas, foram instalados piezômetros Casagrande e medidores de nível d’água. Foram ainda pluviais nas áreas de criticidade 0 e 1;

realizados estudos de estabilidade dos taludes com o uso do software GeoSlope, a fim de otimizar
• Construção de drenos para disciplinar o escoamento das águas do lençol freático no interior
os processos de cortes em solo nos taludes, garantindo assim menos volume de material, além
da erosão;
de terem sido retiradas amostras indeformadas de solos das paredes da erosão para ensaios
de laboratório e, somados a estes, ensaios de permeabilidade e de credibilidade, dentre outros
• Construção de diques de contenção de sedimentos no interior das erosões e reafeiçoamento
(RAMIDAN, 2003), que subsidiaram o Projeto Executivo para a recuperação ambiental da área. Esse
dos taludes internos;
projeto teve o seu escopo subdividido em duas partes: obras civis e geotécnicas convencionais –
abrangendo os cortes e aterros, os diques drenantes utilizados como retentores de sedimentos • Revegetação das áreas de criticidade, do interior das canaletas e dos taludes internos à erosão.
e os dispositivos de drenagem superficial e subsuperficial – e obras de bioengenharia de solos –
abrangendo as canaletas verdes com geotêxteis naturais, os retentores orgânicos de sedimentos Com base na implementação dessas ações, buscou-se a reabilitação das funções ecológicas
e os produtos em rolo para controle de erosões (PRCE’s). Esse projeto foi aprovado por Furnas da área, resgatando a autossustentabilidade e o equilíbrio com a fauna silvestre.
em julho de 2004, com forte embasamento nas técnicas de geotecnia e bioengenharia de solos,
de maior adequabilidade econômica e ambiental (GRAY; SOTIR, 1996, apud COELHO et al., 2001).
Em 2005, foi iniciada a implementação das ações para recuperação das áreas degradadas na
margem direita da UHE Itumbiara, com prioridade a partir da Erosão 1.

O projeto de recuperação das áreas degradadas preconizava a promoção da integração


paisagística, hidrológica e ambiental das áreas exploradas ao ecossistema regional, por meio da
implementação de medidas de reabilitação, baseadas em técnicas conjuntas de geotecnia e
bioengenharia de solos.

Conceitualmente, o projeto de recuperação contemplou a construção de estruturas

Fonte: Ramidan (2019)


drenantes e a formação de cobertura vegetal, de forma a aumentar a eficácia da drenagem das
áreas a montante da erosão e proporcionar estabilidade ao solo e aos taludes formados no seu
interior.
182   183
As ações foram implementadas nas áreas de contribuição de águas pluviais localizadas a Figura 6 – Vista aérea da Erosão 1, onde destaca-se esquematicamente a localização das
montante das erosões, denominadas áreas de criticidade 0 e 1, bem como no interior das mesmas. canaletas verdes (em verde), as canaletas de concreto (em preto) e o contorno da borda
da erosão (em vermelho)
Ações implementadas na recuperação da área da Erosão 1 Serviços de Terraplenagem
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
As ações de recuperação da Erosão 1 foram iniciadas pela revisão topográfica de suas A exploração de argila à época da construção da barragem causou alterações na morfologia
dimensões, em decorrência de ter havido um período de aproximadamente dois anos entre a local e, consequentemente, no processo de drenagem da área explorada, principalmente no que
elaboração do projeto de recuperação e a execução da obra, período em que houve evolução se refere ao escoamento superficial e à compactação do solo. Tais modificações acarretaram o
significativa do processo erosivo, por ocasião das chuvas ocorridas em 2003 e 2004. impedimento da regeneração natural da vegetação e a formação de ravinas e voçorocas.

Obedecendo ao plano conceitual do projeto, as atividades de recuperação foram divididas Os serviços de terraplenagem foram executados para possibilitar a realização das obras
em etapas, que consideraram o caráter multidisciplinar da obra, conforme descrito abaixo: civis, com vistas a proporcionar melhorias nas condições físicas do solo e oferecer condições de
estabelecimento e desenvolvimento de cobertura vegetal, conforme descrito nos subitens abaixo:
• Serviços de terraplenagem;
• Serviços de construção civil; • Limpeza das áreas de criticidade e do entorno da erosão
• Serviços de recomposição vegetal;
• Monitoramento das ações implementadas. Os serviços de limpeza consistiram em roçada da vegetação de pequeno porte, com o
objetivo de proporcionar a perfeita visualização de toda a área, permitindo dessa forma a realização
A divisão da obra em etapas teve ainda, como objetivo, o planejamento da implementação dos serviços topográficos, conforme imagens abaixo.
de cada atividade, em decorrência do período em que foi executada, uma vez que os serviços
foram iniciados no período de estiagem do ano de 2005 e terminaram no ano de 2006. Todas
as ações foram planejadas de forma que, durante o período chuvoso, não ocorressem prejuízos
provocadas pelo excesso das chuvas.

Os serviços realizados na implantação do projeto de recuperação foram conduzidos sob a


diretriz da minimização de movimentação de solo e de supressão vegetal, por se tratar de uma

Fonte: Ramidan (2019)


área ambientalmente fragilizada.

Abaixo, estão apresentados os principais quantitativos das ações de intervenção executados


para a recuperação da Erosão 1.
 
Item e respectiva unidade Quantidade Figuras 7 e 8 – Vista das áreas do entorno da erosão, após o procedimento de serviços de limpeza
 
Construção de canaletas verdes (m) 1.831

Construção de canaletas de concreto (m) 2.173 • Afeiçoamento das áreas a montante da erosão
Escadas para descidas d’água (un.) 2
A regularização das áreas a montante da erosão foi realizada por meio de serviços de corte
Diques de contenção (un.) 6
e aterro, em pequenas erosões e ravinas existentes, para possibilitar o trânsito dos equipamentos
Drenos de fundo (m) 630
e a subsolagem das áreas.
Área de taludes e canaletas revestidas com geotêxteis (m2) 50.000

Construção de terraços (m) 17.800 • Escarificação do solo nas áreas de criticidade 0 (zero) e 1 (um)

184 Plantio de mudas de espécies arbóreas (un.) 11.000


Essa operação foi realizada com objetivo de romper as camadas compactadas localizadas 185
Plantio de gramíneas e leguminosas (ha) 70
na superfície e nas camadas imediatamente inferiores, proporcionando aumento do coeficiente
Área total beneficiada com as ações implementadas (ha) 150 de infiltração e permitindo a incorporação de insumos químicos e o desenvolvimento das raízes
das plantas, conforme imagens a seguir.
Tabela 1 – Principais quantitativos das ações de intervenção executados para a recuperação da Erosão 1
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Ramidan (2019)

Fonte: Ramidan (2019)


       
Figura 9 e 10 – Escarificação do solo nas áreas de criticidade 0 e 1 Figuras 13 e 14 – Retirada das bordas da erosão por medidas de segurança, vendo-se no fundo a presença do lençol freático
aflorando

• Execução de terraços
• Construção de acesso ao interior da erosão
Foram confeccionados, nas áreas de criticidade, 17.800 metros de terraços, que tiveram
Foram construídas vias de acesso ao interior da erosão, para transporte dos materiais
como objetivo atuar de forma complementar à escarificação realizada, para aumentar a infiltração
utilizados na construção dos diques e drenos, bem como para os equipamentos e as equipes
de água no solo e dissipar a energia do escoamento superficial das águas pluviais, conforme
envolvidas na recuperação, conforme apresentado nas imagens abaixo.
imagens abaixo.

Fonte: Ramidan (2019)


Fonte: Ramidan (2019)

   
 
Figuras 11 e 12 – Execução dos terraços nas áreas de criticidade
  Figuras 15 e 16 – Vista dos acessos ao interior da erosão

• Desbaste no topo da erosão


• Remoção do solo saturado do interior da erosão

Atividade realizada em toda a borda da erosão, com o objetivo de retirar as partes negativas
Foi realizada a operação de retirada do solo saturado oriundo da escavação dos drenos de
186 existentes na crista dos taludes, evitando possíveis desmoronamentos durante a execução dos
fundo do interior da erosão, sendo esse material utilizado no afeiçoamento das áreas de montante 187
serviços e proporcionando um abatimento que garantisse a estabilidade do maciço terroso como
da erosão e na confecção de parte dos terraços.
um todo, conforme imagens a seguir.
• Reafeiçoamento dos taludes internos à erosão
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Os parâmetros obtidos a partir de diferentes procedimentos – ensaios de caracterização
física do solo, ensaios de erodibilidade, permeabilidade, retiradas de amostras indeformadas e
Serviços de Construção civil
amolgadas (através de sondagens a percussão ao longo das erosões) e análise química da água
– permitiram definir uma melhor geometria relativa ao balanço de materiais terrosos, corte e As obras civis consistiram na construção de estruturas, superficiais e subterrâneas, que
aterro, além de conferir uma melhor condição de estabilidade geotécnica às paredes laterais dos compõem o sistema de drenagem necessário para conferir estabilidade aos taludes reconformados
taludes, assim como proporcionar condições para o desenvolvimento e o estabelecimento da e às áreas de criticidade. As principais atividades realizadas estão descritas abaixo:
cobertura vegetal, conforme imagens abaixo.
• Construção de canaletas verdes

As canaletas verdes, num total de 1831 m, foram construídas nas áreas localizadas mais a
montante da erosão, com a função de atuar como drenagem secundária nas áreas de menor
declividade, captando as águas pluviais e conduzindo-as às canaletas de concreto. As imagens
abaixo apresentam a operação de escavação das canaletas.

Fonte: Ramidan (2019)


   

 
Figura 21 e 22 – Escavação das canaletas verdes  

Fonte: Ramidan (2019) • Construção de canaletas de concreto

As canaletas de concreto foram construídas em todo o entorno da erosão, de forma a evitar


   
Figuras 17, 18, 19 e 20 – Reafeiçoamento dos taludes internos da erosão
que as águas pluviais superficiais que não infiltrarem no solo não atinjam o seu interior. Essas
canaletas também recebem águas das canaletas verdes, conduzindo-as para a escada hidráulica
de dissipação de energia.
• Compactação de aterro no leito da erosão
As canaletas construídas, num total de 2173 m, têm seções transversais diferentes, sendo as
Com o objetivo de prevenir um possível deslocamento do material pétreo, situado na de maior seção construídas nas áreas mais a jusante. As imagens abaixo apresentam detalhe da
188 interface da parte superior do dreno de fundo com o aterro depositado no interior da erosão, escavação da canaleta e a sua localização no entorno da erosão. 189
foram executados o lançamento e a compactação de uma camada de material argiloso sobre o
sistema de drenagem construído no interior da erosão, dreno de fundo. Todo o material utilizado
foi oriundo do retaludamento das paredes laterais da erosão.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Ramidan (2019)
   

 
Figura 23 e 24 – Construção das canaletas de concreto
 

• Construção de escadas de descidas d’água

(2019)
Com objetivo de dissipar toda a energia das águas pluviais recebidas das canaletas, foram
construídas duas escadas de concreto, uma de cada lado da erosão, conforme imagens abaixo. As

Fonte: Ramidan
(2019)
águas pluviais são conduzidas ao córrego existente a jusante da erosão.

Fonte: Ramidan
   
Figuras 27, 28, 29 e 30 – Construção dos diques no interior da erosão

• Construção de drenos de fundo

O dreno de fundo é uma estrutura construída longitudinalmente à erosão e composta por


brita 2, sendo envolvida por manta permeável de dupla face, geotêxtil não tecido. Os drenos,

Fonte: Ramidan (2019)


no total de 630 m, foram construídos com várias ramificações e seções transversais diferentes.
O sistema de drenagem tem como função rebaixar o nível do lençol freático, de forma que o
mesmo não cause erosões e/ou solapamentos nos “pés dos taludes”, cortes e aterros, participando
decisivamente na estabilização do maciço. As imagens abaixo apresentam a escavação do leito
 
 
Figuras 25 e 26 – Escadas d’água construídas ao final das canaletas de concreto da erosão para a construção dos diques.

• Construção de diques no interior da erosão

Os diques, em número de seis, são estruturas drenantes construídas com material pétreo de
granulometria crescente, de montante para jusante e transversalmente ao eixo da erosão, sobre
terreno firme (escavado) e encaixado nos taludes laterais por meio de cut off. Têm como função
190

Fonte: Ramidan (2019)


principal a quebra da energia do fluxo superficial sobre o aterro do fundo e, consequentemente, a 191
contenção de materiais sólidos em suspensão transportados em períodos chuvosos, promovendo
dessa forma a deposição de sedimentos e materiais orgânicos diversos, que catalisarão o processo
de recuperação. As imagens abaixo apresentam as etapas de construção de um dos diques.
 
 
Figuras 31 e 32 – Construção dos drenos de fundo no interior da erosão
Serviços de recomposição vegetal
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Os serviços de recomposição vegetal realizados tiveram como objetivo consolidar os serviços
• Formação de cobertura vegetal nos taludes e canaletas verdes
de terraplenagem implementados e permitir que as estruturas de drenagem construídas operem
com eficácia, bem como promover a harmonização da área com a paisagem natural da região. As
Essa fase foi realizada por meio do plantio manual de espécies herbáceas, gramíneas e
principais atividades relacionadas à recomposição vegetal estão descritas abaixo:
leguminosas, com posterior aplicação de geotêxteis orgânicos nos taludes internos da erosão
e das canaletas verdes. O coquetel de sementes plantado é composto pelas cinco espécies de
• Aplicação de calcário
gramíneas acima citadas e três espécies de leguminosas (o feijão guandu não entrou no coquetel),

A aplicação de calcário dolomítico nas áreas de criticidade, nas canaletas verdes e nos adubo químico e material orgânico.

taludes internos da erosão tem com o objetivo corrigir o pH do solo e promover melhorias nas
Após o plantio manual do coquetel de sementes, todos os taludes internos da erosão e das
suas condições físico-químicas.
canaletas verdes foram cobertos com geotêxteis orgânicos, confeccionados com fibra de coco e

• Plantio de faixas retentoras de capim. As imagens abaixo registram o lançamento dos geotêxteis.

Com o objetivo de promover a estabilização dos terraços, foi realizado o plantio para a
formação de vegetação arbustiva (composta por capim elefante – Pennisetum purpureum), em
uma faixa de três metros de largura a montante de toda a sua extensão, totalizando uma área
aproximada de 55.000 m2. As imagens abaixo registram a execução do plantio e a vegetação de
proteção formada.

Fonte: Ramidan (2019)


 
Figura 35 – Aplicação de geotêxteis nos taludes internos da erosão

Fonte: Ramidan (2019)

 
 
Figuras 33 e 34 – Formação de faixas retentoras com vegetação arbustiva

Fonte: Ramidan (2019)


• Formação de cobertura vegetal nas áreas de criticidade

Para a formação da cobertura vegetal, foi realizado o plantio mecanizado de espécies


herbáceas, gramíneas e leguminosas, nas áreas de criticidade 0 e 1. O plantio consistiu no
 
192 lançamento e na incorporação no solo de um coquetel de sementes composto por cinco
  193
Figura 36 e 37 – Vista dos taludes internos após a aplicação dos geotêxteis
espécies de gramíneas (Braquiárias decumbens, brizanta e humidícula, capim gordura e aveia
preta), quatro espécies de leguminosas (mucuna preta, lab-lab e calopogônio e guandu) e adubo
químico.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Ramidan (2019)

Fonte: Ramidan (2019)


   
Figuras 38 e 39 –Aplicação de geotêxteis nas canaletas verdes após o plantio do coquetel de sementes

Nos trechos de transição entre as canaletas verdes e de concreto, foram aplicados geotêxteis  
 
especiais, formados de fibras orgânicas e tela de polipropileno, por serem áreas de maior solicitação Figuras 42 e 43 – Essências nativas plantadas nas áreas de criticidade

do ponto de vista hidráulico. As imagens abaixo apresentam os materiais aplicados.


Monitoramento das ações implementadas

Apesar do curto espaço de tempo decorrido desde o término dos serviços de recuperação,
concluídos em abril de 2006, verifica-se que a área apresenta forte tendência de reabilitação, em
decorrência da densa cobertura vegetal formada e da ausência de ravinas ou outros processos
erosivos após a ocorrência de chuvas.

Após o período de estiagem, compreendido basicamente entre maio e outubro de 2006,

Fonte: Ramidan (2019)


não foram observadas ocorrências que indicassem algum tipo de comprometimento das ações
implementadas. No entanto, toda a área continuou a ser monitorada por um período mínimo de
dois anos, para a verificação do comportamento das estruturas de drenagem e principalmente
da efetividade da cobertura vegetal.
Figuras 40 e 41 – Aplicação de geotêxteis com reforço estrutural na transição entre as canaletas verdes e de concreto
 
  Durante o período de monitoramento, foram implementadas todas as medidas corretivas

• Plantio de mudas de espécies arbóreas necessárias, com vistas manter o processo de recuperação.

Foram plantadas 11.000 mudas de espécies nativas no entorno dos fragmentos de matas As imagens abaixo mostram a cobertura vegetal formada na área após cinco meses do

já existentes, visando o adensamento, o enriquecimento, bem como a formação futuramente encerramento das atividades de recuperação. Visualiza-se em destaque, na última foto, o

de corredores de flora para interligá-los. Foram plantadas várias espécies do bioma cerrado, reservatório da UHE Itumbiara (margem direita).

distribuídas dentro das classes do sistema sucessional (pioneiras, secundárias e climáticas), tais
194 como: monjoleiros, angicos, jatobás, ipês, aroeiras, tamboris, bálsamo etc., conforme imagens 195
abaixo.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.2.2.2. Erosões preexistentes localizadas em áreas distintas do empreendimento, situadas num
raio de até 100 metros no entorno do reservatório do APM Simplício

Autores:
Marco Antônio da Silva Ramidan, Eng. Civil, M.Sc.
Aloísio Rodrigues Pereira, Eng. Florestal, D.Sc.
    Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc.

O APM Simplício, com capacidade instalada de 305,7 MW, localizado no rio Paraíba do Sul, na
divisa entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, teve sua operação iniciada em junho de
2013. Para atendimento aos programas de compensações ambientais (PACUERA), mediante ofício
do Ibama, Furnas deu início ao projeto intitulado Programa de Monitoramento das Dimensões

Fonte: Ramidan (2019)


Físicas das Estruturas de Controle dos Processos Erosivos no Entorno do Empreendimento, bem
antes da sua entrada em operação.

Em decorrência, em janeiro de 2008, foi dado início aos serviços do referido programa, como
    parte das determinações preconizadas no Projeto Básico Ambiental das usinas e respectivas
Figuras 44, 45, 46 e 47 – Vista da área da erosão, após cinco meses do término da implementação das ações
estruturas de barramento hidráulico, num raio de até 100 metros no entorno do reservatório do
empreendimento do APM Simplício. Cabe ressaltar que, dos doze processos erosivos incluídos no
programa, foi selecionado, para este livro, somente o denominado Erosão 1, por suas características
e peculiaridades inerentes à localização e condições de intervenções (figura 50).

   
  RESERVATÓRIO  
BARRAGEM  MD  

EROSÃO  1  

Fonte: Ramidan (2014)


 
196
Fonte: Ramidan (2019)

Figura 51 – Localização da Erosão 1 em relação ao empreendimento. No retângulo vermelho 197


está a área de abrangência do projeto de recuperação da erosão.

Figuras 48, 49 e 50 – Vista das áreas de criticidade, após cinco meses do término da implementação das ações, visualizando-se,
na última foto, o reservatório da UHE Itumbiara (margem direita) e em detalhe menor a área totalmente recuperada
 
A seguir, visando a padronização do cadastro e do acompanhamento dos mecanismos de GRAU DE RISCO E NÍVEL DE PRIORIDADE (item iii)
erosões, foi criada uma Ficha de Cadastro para o acompanhamento da evolução das técnicas
GRAU DE RISCO (adotar escala de 1 a 5) NÍVEL DE PRIORIDADE (escala de 1 a 3)
de bioengenharia associadas a geotecnia aplicadas nos diversos processos erosivos, contendo
5 1
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
informações como: Localização do ponto a ser monitorado, Natureza do processo, Caraterização
NOTA: Graus de risco: 1= Muito baixo; 2= Baixo; 3= Médio; 4= Alto; 5= Elevado. Nível de Prioridade: 1= Imediato, recursos complexos;
dos parâmetros, Diagnóstico de campo, Grau de Risco e Nível de Prioridade.
2) Imediato, recursos convencionais; 3) Não imediato, recursos simples.

NATUREZA DO PROCESSO
Assim, em fevereiro de 2008, foi realizada vistoria técnica objetivando a definição dos
Data: Dez. 2012 UTM: 713.566/7.568.466
Referência de campo MG 126 – Est. Municipal Sapucaia a Mar de Espanha pontos a serem trabalhadas no âmbito do Programa de Monitoramento das Dimensões Físicas

Obs.: Antiga estrada de acesso ao bota-fora 17 das Estruturas de Controle dos Processos Erosivos no Entorno do AHE Simplício e do Programa
de Recuperação de Áreas Degradadas. Na ocasião, foram selecionados 14 pontos a serem
PONTO DE MONITORAMENTO: EROSÃO 1 recuperados e/ou monitorados em função de sua gravidade, tendência de expansão e risco

(x ) Erosão (x) Movimento de massa potencial de geração de impactos ambientais futuros.


( ) Erosão laminar (x) Deslizamento rotacional
Em janeiro de 2011, a Eletrobras Furnas, após ter efetuado a contratação da empresa para
( ) Ravina (x) Deslizamento translacional
a execução dos serviços de estabilização das erosões selecionadas, solicitou uma nova vistoria,
(x) Voçoroca ( ) Fluxo de lama
( ) Solapamento ( ) outros (descrever) com o intuito de nortear as adequações do Projeto Executivo de 2008 à realidade de janeiro de
2011, no âmbito dos Programas de Monitoramento das Dimensões Físicas e das Estruturas de

CARACTERIZAÇÃO DOS PARÂMETROS Controle dos Processos Erosivos no Entorno do AHE Simplício, onde foram constatadas alterações
significativas nas dimensões de algumas erosões.
(x) Vertente com alta declividade (> 35 graus) ( ) Surgências localizadas
(x) Alteração da geometria da encosta (x) Áreas saturadas Na erosão aqui abordada, denominada Erosão 1, as ações foram definidas a partir de
(x) Desmate, cultura, mineração, cerca, pasto ( ) Estruturas residuais ou da rocha motivos físicos e geotécnicos inerentes a esta, tais como: nascente de água não contaminada
(x) Deficiências de drenagem ( ) Contato entre materiais diferentes em seu interior, lençol freático aflorante, declividade elevada dos taludes circundantes a ela,
parte da área desprovida de vegetação, além de áreas de criticidade localizadas em parte do seu
DIAGNÓSTICO DE CAMPO (descrever: mecanismos de ruptura ou de evolução da erosão,
materiais envolvidos, dimensões principais, causas e agentes) perímetro, como a MG-126 – Est. Municipal de Sapucaia (RJ) a Mar de Espanha (MG), que interliga
os referidos Municípios. Esses fatores fizeram com que fossem utilizados: biomantas, retentores
Gênese e características gerais atuais: Processo erosivo de ravinamento profundo, decorrente do acúmulo pon-
tual da drenagem a montante, oriunda de estrada vicinal – já direcionada para canaleta de drenagem existente. de sedimentos, canaletas verdes com o uso de biomantas, retentores de sedimentos dispostos
A área foi objeto de serviços de recuperação ambiental no âmbito do Projeto de Medidas Físicas de Controle dos transversalmente em suas seções, geomantas usadas para a interseção das canaletas verdes com
Processos Erosivos. Ao término do contrato de atividades de recuperação, os serviços foram realizados de maneira
satisfatória, apresentando um recobrimento vegetativo superior a 90% da superfície da erosão, e atualmente se as de concreto, de forma a evitar processos de erosões por solapamento.
encontra com valor acima dessa ordem, ainda que com porte baixo. Não foi observado pastoreio do local por ani-
mais. As estruturas de contenção e detenção de sedimentos executadas, representadas por diques drenantes de
Também foram utilizados drenos de fundo, com seus núcleos compostos por brita graduada
rocha e leiras de retentores orgânicos de sedimento, encontravam-se com integridade estrutural satisfatória, e em
condições normais de estabilidade global. envolta por BIDIM, – que tiveram como finalidade rebaixar e disciplinar o nível de água proveniente
Os dispositivos de drenagem e estruturas de contenção instalados no interior da erosão apresentavam boas
do lençol freático e de precipitações pluviométricas, no seu interior – bem como estruturas de
condições de estabilidade. Entretanto, em áreas externas àquelas trabalhadas no âmbito deste Programa, foi
constatada a continuidade de ação de processos erosivos em evolução, sulcamento e ravinamentos adjacentes às diques com dupla drenagem, encaixadas nas linhas dos talvegues pré-determinadas, com seções
canaletas em estruturas de concreto, decorrente do escoamento de água superficial desordenado sobre a antiga
transversais mais estreitas, de maneira a não permitir a passagem de finos, estabilizando assim
estrada de acesso.
Recomendam-se as seguintes ações de manutenção dos serviços de recuperação realizados: todo o solo e, em consequência, permitindo a fixação da vegetação em seu interior, a montante
(i) Limpeza das canaletas de drenagens e das caixas dissipadoras, com remoção de sedimentos.
dessas estruturas. Na periferia e na crista do processo erosivo, foram construídas canaletas e
(ii) Execução de adubações de cobertura e ressemeios nas áreas submetidas a processos pontuais de desl-
198 izamentos translacionais. escadas hidráulicas em concreto, de forma a garantir que o grande fluxo de água, durante os 199
(iii) Recuperação ambiental da área da antiga estrada de acesso ao bota-fora 17, preferencialmente com o
períodos de chuvas, migrasse para o seu interior de forma ordenada.
uso de técnicas de Geotecnia associada à Bioengenharia de solos, envolvendo o direcionamento adequado
da drenagem para a canaleta em concreto, com o uso de leiras de retentores orgânicos de sedimento e
revegetação com uso de biomantas. As ravinas e sulcos erosivos deverão ser preenchidos com a utilização A antiga área de acesso ao bota-fora 17, contígua à lateral esquerda da Erosão 1, que recebia
de solo cimento e ou solo – neste último, deverá ser utilizada a compactação mecanizada com o próprio
equipamento de terrapleno e, em seguida, deve ser realizada a revegetação. grande parte do fluxo de água defluente de uma parte da MG126 – Est. Municipal de Sapucaia
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
(RJ) a Mar de Espanha (MG) –, foi recuperada com uso de reconformação mecânica nos processos
erosivos, com sistemas de terraços para o desvio de água de chuvas com declividade e ângulo
de 10° em relação à seção transversal, de forma a permitir direcionar o fluxo para fora da área
de influência da Erosão 1. Esses terraços foram conectados, em seus extremos, a dissipadores
de energia de água, com uso de material pétreo. Para o leito do acesso ao bota-fora 17, foram
introduzidas espécies nativas da região, conforme imagens abaixo.
 
 

Fonte: Ramidan (2012 a 2019)


 
Figuras 56, 57, 58 e 59 – Outubro de 2012 a março de 2019 – Conjunto de fotos representativas da vista interna da Erosão 1, com  
destaque para a linha de talvegue, área da canaleta verde e de um dos diques em rocha, com boas condições de estabilidade
    e recuperação

Fonte: Ramidan (2012 a 2019)

 
Figuras 52, 53, 54 e 55 – Outubro de 2012 a março de 2019 – Conjunto de fotos relativas à antiga área da estrada de acesso ao  
Bota-Fora 17, adjacente à canaleta de concreto. Verificam-se erosões laminares generalizadas e pontos de sulcamento com
franca tendência à evolução dos mecanismos    

A seguir é apresentado o resultado da campanha de campo realizada na Erosão 1, no


período de outubro de 2012 a março de 2019, onde se pode observar, pelas fotos comparativas,
a recuperação total do processo erosivo, a partir de aspectos como: não foram observadas

Fonte: Ramidan (2013)


evoluções em suas dimensões físicas, sendo, contudo, verificado o estabelecimento da vegetação
200 introduzida em seu sítio (figuras 56 a 65).
201

Figuras 60, 61, 62 e 63 – Outubro a dezembro de 2013 – Conjunto de fotos retrata a estabilidade das estruturas implantadas já
 
cobertas pela revitalização da vegetação na área de interferência, com o emprego de técnica de Bioengenharia associada à  
Geotecnia
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.2.2.3. Conclusão e observações

Pode-se observar que os resultados obtidos após o término da implementação das ações
com o uso de técnicas de Bioengenharia associada às de Geotecnia, para a recuperação de
áreas com erosões, apresentaram resultados sustentáveis e expectativas satisfatórias quanto à
recuperação das áreas degradadas, mesmo em condições adversas de clima e de localização,
como no caso das erosões preexistentes, que tiveram parte de suas estruturas ora aflorante ora
submersa no reservatório.

As áreas recuperadas atualmente apresentam-se em franca recuperação, com as estruturas


de drenagem construídas suportando a ocorrência de chuvas com várias intensidades, em
períodos curtos ou prolongados, sem que tenha se observado qualquer indicativo de perturbação
nos processos de recuperação.

Igualmente, os resultados estão relacionados ao desenvolvimento da vegetação, o que


permite a inserção da área na paisagem regional, colaborando para aumentar os corredores
  de fauna. Cabe ressaltar que alguns dos processos erosivos recuperados tiveram seus sítios
submetidos a queimadas, ocorrências comuns nos períodos secos da região. Entretanto, o fato de
alguns tipos de espécies de vegetação terem suas raízes resistentes ao fogo possibilitou a rápida
recuperação logo após o início do período chuvoso.

A implementação de ações para mitigar passivos ambientais de forma proativa representou


inúmeros benefícios às empresas. A conquista de uma imagem de responsabilidade em relação
às questões do meio ambiente, junto aos órgãos ambientais, às instituições do poder público e,
principalmente, junto à sociedade, certamente confere um diferencial às empresas, que passam
a ser associadas ao desenvolvimento sustentável e à melhoria da qualidade de vida.

A relação de custo x benefício com a associação de técnicas de bioengenharia às de


geotecnia, sempre que for possível serem aplicadas em conjunto, pode representar uma
Fonte: Ramidan (2019)

economia da ordem de 20 a 30% do valor orçado para a obra, quando comparado a valores
atribuídos a projetos que utilizam soluções convencionais de engenharia. Por fim, não se pode
deixar de considerar também os ganhos ambientais que essa associação de técnicas propicia,
como, por exemplo: o resgate da fauna local, a reintegração à paisagem após o restabelecimento
Figuras 64 e 65 – Março de 2019 – O conjunto de fotos abaixo mostra o anfiteatro da Erosão 1, com a antiga estrada de acesso ao da vegetação introduzida e a estabilidade quanto ao desenvolvimento de possíveis novos focos
 Bota-Fora 17, adjacente à canaleta de concreto e acima da MG-126 – Est. Municipal Sapucaia a Mar de Espanha, sendo possível
202 verificar a completa recuperação da área com técnicas de Bioengenharia associadas à Geotecnia
de mecanismos de erosões em todas as suas formas, dentre outros.
203
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
6.2.3. Erosões de grande porte compostas por ravinamentos e voçorocamentos, localizadas em
área explorada como jazida de argila para a construção do Dique Nhangapi, na UHE Funil, em
Itatiaia (RJ)

Autores:
Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc.

Fonte: Coelho (2019)


Pedro Macedo Júnior, Geólogo
Rodrigo Junqueira Calixto, Eng. Esp.
Marco Antônio da Silva Ramidan, Eng. Civil, M.Sc.
Thiago Benfica da Cruz, Eng. Civil
Vinícius Ferreira Viana, Geólogo, M.Sc.
Yucatán Teixeira da Silva, Eng. Florestal, M.Sc.

De gênese similar às erosões da Área de Empréstimo da UHE Itumbiara, anteriormente citadas, Figura 1 – Vista geral da face NE da Península 1, onde já foram realizadas as operações de reconformação de taludes, aplicação
de PRCE’s e instalação de paliçadas e leiras de retentores orgânicos de sedimentos, dentre outros
a construção da UHE Funil, no município de Itatiaia (RJ), requereu a exploração de jazidas de
solo para a implantação do Dique do Nhangapi. Essas jazidas foram exploradas desde o ano de
1961, quando as obras foram iniciadas pela Companhia Hidrelétrica do Vale do Paraíba. Em 1965,
a usina foi absorvida pela Eletrobras, que, em 1967, designou Furnas para concluir a construção.
Em 1969, teve início a operação e, um ano e meio depois, a usina já fornecia ao sistema elétrico
de Furnas sua capacidade total de 216 MW/h. Na época, o Dique do Nhangapi era a segunda
maior barragem de terra do Brasil (MELLO et al., 2011).

A área utilizada como jazida, localizada na área imediatamente adjacente à ombreira direita
(ou na parte frontal do dique, se considerado o sentido de escoamento do Rio Paraíba do Sul),

Fonte: Coelho (2019)


apresentava, em 2014, área total erodida de aproximadamente 50 hectares. Essa área compreendia
3 subáreas independentes entre si – denominadas Penínsulas 1, 2 e 3, sendo a que apresentava
erosões de maior gravidade a Península 2 – com diversas voçorocas de grande porte em franca
atividade. Em inspeção realizada no ano de 2017, verificou-se o agravamento das condições de Figura 2 – Detalhe a jusante de um dos ravinamentos profundos da Península 1, onde já foram realizadas as operações de
 
reconformação de taludes, aplicação de PRCE’s e instalação de paliçadas e leiras de retentores orgânicos de sedimentos
estabilidade desses voçorocamentos, que, a partir de análises de imagens de satélite do período,
parecem ter ocorrido ao longo do ano de 2016.

Em 2018, Furnas efetuou a contratação dos serviços de execução de obras de recuperação


ambiental no local, baseadas em Projeto desenvolvido em 2014 (atualizado qualitativamente em
2017), com início efetivo dos serviços em janeiro de 2019 e término previsto para março de 2021.
Os serviços estão sendo executados inicialmente na Península 1, com a demarcação, escavação
e aplicação de PRCE’s em canaletas verdes, execução de retaludamentos e reconformação de
erosões, instalação de paliçadas e leiras de retentores de sedimento, dentre outras atividades. A

Fonte: Coelho (2019)


seguir, é apresentado relatório fotográfico dos serviços executados de janeiro a abril de 2019. Deve-
204 se ressaltar que a execução da obra se encontra em seus estágios iniciais, tendo sido realizados 205
apenas aproximadamente 8% dos quantitativos previstos.

Figura 3 – Detalhe a montante de um dos ravinamentos profundos da Península 1, onde já foram realizadas as operações de
reconformação de taludes, aplicação de PRCE’s e instalação de paliçadas e leiras de retentores orgânicos de sedimentos  
Os métodos avaliados nos taludes de corte são: Produto em Rolo para Controle de Erosão Vivo
(PRCEV); PRCE’s: GeoMat Maccaferri, Tela Fibrax 400 BF Deflor, Tela Sintemax 600, TF georeforçada
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Deflor, Tela Fibrax 400 BF + Retentores Orgânicos de Sedimento (ROS’s), Tela Sintemax 600 TF
georeforçada Deflor + Retentores Orgânicos de Sedimento (ROS’s), Estacas vivas + Retentores
Orgânicos de Sedimento Vivos (ROSV’s) + Semeio manual, Sistema de Colchão Celular Orgânico
ARP-777, Semeio Manual, Semeio Manual com mulch de celulose, Semeio manual com mulch
de celulose + Retentores Orgânicos de Sedimento (ROS’s), Estacas Vivas, Gabião caixa e colchão
Reno em geogrelha Tensar Triton 1300 BX e Armação de madeira (crib-wall).

Os métodos avaliados para a proteção de margens de reservatórios são: Enrocamento +

Fonte: Coelho (2019)


semeio manual, PRCE Geomanta W3000 Tensar, Colchão Reno + Gabião Caixa em Sistema de
Geocolchão em Geogrelha Triton 1300 BX Tensar, Colchão Reno Metálico (5,0 x 0,3 m) + Gabião
Caixa Metálico Galmac 4 Maccaferri Colchão Reno Metálico (2,5 x 0,5 m) + Gabião Caixa Metálico
Galmac 4 Maccaferri, Geocélula em PEAD Geoweb Tensar, Armação de madeira (crib-wall),

Figura 4 – Detalhe do estabelecimento da vegetação em um dos ravinamentos Colchão Reno (6,0 X 0,3 m) Metálico Galmac 4 Maccaferri, Gabião Saco + Colchão Reno (2,0 x 0,2 m)
profundos da Península 1, em abril de 2019. em Sistema de Geocolchão Geogrelha 1300 BX Tensar + PRCE Geomanta MacMat R3 Maccaferri,

  Gabião Saco Metálico + Colchão Reno Metálico (2,0 x 0,2 m) - ambos Galmac 4 Maccaferri + PRCE
6.2.5. Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento no âmbito do Programa de P&D da Aneel –
Geomanta MacMat R3 Maccaferri, PRCE’s: Geomanta Mac Mat R3 Maccaferri, Geomanta P550
Utilização de técnicas de bioengenharia em solos para fins de controle de processos erosivos no
TX Tensar, Sistema de estruturas A-jack de concreto, Retentores Orgânicos de Sedimento Vivos
âmbito de empreendimentos de Usinas Hidrelétricas, em especial em margens de reservatório
(ROSV’s), Retentores Orgânicos de Sedimento Vivos (ROSV’s) + Produto em Rolo para Controle
(PDF.16006.01) – Etapa de implantação do Projeto
de Erosão Vivo (PRCEV), Retentores Sintético de Sedimento (RSS), Geocélula em PEAD Tecweb
Equipe de implantação do Projeto: Tensar, ROSV no formato de Colchão Reno, ROSV em formato de Caixa, Retentor Orgânico de
Arnaldo Teixeira Coelho, Eng. Florestal, D.Sc.
Marta Pereira da Luz, Eng. Civil, P.Ph.D. Sedimentos (ROS), Sistema de Colchão Celular Orgânico ARP-777 Deflor.
Renato Cabral Guimarães, Eng. Civil, P.Ph.D.
Joaquim Fernandes T. Coelho, Bel. Esp.
Carlos de Alencar Dias Sobrinho, Eng. Civil
Emídio Neto de Souza Lira, Eng. Civil, D.Sc.
Carlos de Alencar Dias Sobrinho, Eng. Civil
Wdson Luis de Campos, Eng. Agrônomo
João Victor de Oliveira Guabiroba, Eng. Civil

Furnas Centrais Elétricas vem executando, no âmbito do Programa de P&D da Aneel, Projeto
de desenvolvimento de novas tecnologias e produtos de bioengenharia de solos, denominado
Utilização de técnicas de bioengenharia em solos para fins de controle de processos erosivos no
âmbito de empreendimentos de Usinas Hidrelétricas, em especial em margens de reservatório.

Esse Projeto iniciou-se em maio de 2016 e deverá ser concluído em janeiro de 2021. Além de
avaliar comparativa e sistematicamente as tecnologias atualmente disponíveis de bioengenharia
de solos para controle de erosão em margens de reservatórios e revegetação de taludes, está

Fonte: Coelho (2016)


desenvolvendo dois novos produtos: o Retentor Orgânico de Sedimentos Vivo (ROSV) e o Produto
206 em Rolo para Controle de Erosão Vivo (PRCEV). 207
Estão sendo realizadas avaliações comparativas entre essas técnicas em 86 parcelas  
experimentais distribuídas em 5 blocos (Unidades Experimentais), sendo 2 em taludes de corte, 3 Figura 1 – Detalhe de parcela experimental de PRCE’s e ROS’s associados em um colchão celular orgânico, em taludes de corte
da UHE Simplício, utilizada no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2016
em margens de reservatórios de UHE’s e 1 em talude de aterro de barragem.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (2016)

Fonte: Coelho (2017)


   
Figura 2 – Detalhe de parcela experimental de geogrelha metálica, geogrelha de PEAD (estabilizado UV) e PRCE, em taludes de Figura 4 – Vista geral lateral da parcela experimental de geocélulas de PEAD (estabilizado UV) e geogrelha triaxial, em taludes
corte da UHE Simplício, utilizada no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2016 de margem da UHE Volta Grande, utilizada no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2017

Fonte: Coelho (2016)

Fonte: Coelho (2016)


   
208 Figura 3 – Vista geral lateral das parcelas experimentais de ROSV’s e estacas vivas de arbóreas, geogrelha metálica, geogrelha
de PEAD (estabilizado UV) e PRCE, e de PRCEV’s, em taludes de corte da UHE Simplício, utilizadas no Projeto de P&D Aneel/
Figura 5 – Vista geral lateral das parcelas experimentais de colchão Reno Galmac, gabiões saco Galmac e PRCE sintético de alta
gramatura e de operações de reconformação mecânica, em taludes de margem da UHE Volta Grande, utilizadas no Projeto de 209
Furnas, em 2016 P&D Aneel/Furnas, em 2017
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (2016)

Fonte: Coelho (2017)


   
Figura 6 – Vista geral lateral das parcelas experimentais de PRCE’s sintéticos de alta gramatura em taludes de margem da UHE Figura 8 – Vista frontal de parcela experimental de colchão Reno Galmac e gabião caixa / saco Galmac em taludes de margem
Volta Grande, utilizadas no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2017 da UHE Volta Grande, utilizada no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2017

Fonte: Coelho (2016)

Fonte: Coelho (2017)


     
210 Figura 7 – Vista frontal de parcela experimental de PRCE sintético de alta gramatura, em taludes de margem da UHE Volta
Grande, utilizada no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2017
Figuras 9 e 10 – Vista lateral da parcela experimental de colchão Reno e gabião caixa com tela triaxial de PEAD (estabilizado UV),
em taludes de margem da UHE Porto Colômbia, utilizadas no Projeto de P&D Aneel/Furnas, em 2017; verifica-se o plantio de 211
espécimes de árvores nativas de ocorrência regional em aberturas no corpo do colchão Reno, para o melhor estabelecimento
das mudas
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
A seguir são apresentadas as características de alguns dos produtos e aperfeiçoamento de
técnicas existentes:

Produtos em Rolo para Controle de Erosão Vivos (PRCEV’s) – Consistem em geotêxteis


orgânicos (Produto em Rolo para Controle de Erosão – PRCE) previamente cultivados com
espécies vegetais herbáceas e/ou arbustivas de interesse em bioengenharia de solos. São
instalados em estado fisiologicamente ativo em obras de engenharia para proteção de margens
contra o embate de ondas de pequena altura, revegetação de taludes de corte e aterro, canaletas
verdes, telhados verdes e revestimento vegetal de concreto ou rochas, dentre outras finalidades.

Fonte: Coelho (2017)


Esses produtos atuam proporcionando todas as vantagens inerentes aos geotêxteis e à vegetação
para proteção do solo. O produto foi desenvolvido no ano de 2016 e atualmente se encontra em
processo de avaliação técnico-científica e econômica no âmbito do Projeto de P&D Eletrobras
Furnas PD.F.16006.01.
Figura 12 – Detalhe da facilidade de transporte do produto PRCEV, desenvolvido em conjunto pela Ingá Engenharia e Furnas  
Centrais Elétricas

Fonte: Coelho (2017)


 
Figuras 13 e 14 – Vista geral de parcelas experimentais do Projeto PD.F.16006.01, desenvolvido em conjunto pela Ingá Engenharia  
Fonte: Coelho (2017)

e Furnas Centrais Elétricas

Retentores Orgânicos de Sedimentos Vivos (ROSV’s) – Consistem em retentores orgânicos


de sedimentos (ROS) previamente cultivados com espécies vegetais de todos os portes

  (herbáceas, arbustivas e arbóreas) de interesse em bioengenharia de solos. São instalados em


Figura 11 – Detalhe do intenso enraizamento no produto PRCEV, desenvolvido em conjunto pela Ingá Engenharia e Furnas
Centrais Elétricas estado fisiologicamente ativo em obras de engenharia como proteção de margens contra o
embate de ondas de altura média, revegetação de taludes de corte e aterro, canaletas verdes,

212 telhados verdes, direcionamento de escoamento superficial e subsuperficial, retenção e detenção


213
de sedimentos em áreas submetidas a operações de terraplenagem, processos erosivos lineares
e de voçorocamento, dentre outras finalidades. Esses produtos atuam proporcionando todas as
vantagens inerentes aos retentores orgânicos de sedimentos e à vegetação.
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
Fonte: Coelho (2017)
 
Figura 15 – Detalhe da instalação do produto ROSV, utilizado na implementação de Unidades Experimentais na UHE Simplíci

Fonte: Coelho (2017)


Fonte: Coelho (2017)

214 Figura 16 – Detalhe da facilidade de transporte e instalação do produto ROSV, desenvolvido em conjunto pela Ingá Engenharia
Figura 17 – Detalhe da instalação do produto ROSV, desenvolvido em conjunto
pela Ingá Engenharia e Furnas Centrais Elétricas, utilizado na implementação de 215
e Furnas Centrais Elétricas, utilizado na implementação de Unidades Experimentais na UHE Simplício
  Unidades Experimentais na UHE Simplício
Apresentação
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
A Cia. Energética do São Francisco (CHESF) vem utilizando técnicas de bioengenharia de
solos, sendo aqui apresentados alguns dos trabalhos realizados, referentes à recuperação de
áreas degradadas e ao controle de processos erosivos na Subestação Ibiapina 2 (SE IBD 230/69
kV) e na faixa de servidão da linha de transmissão LT 500 kV Jardim/Camaçari C1 e SE Camaçari 4.

Metodologia

Na recuperação das áreas degradadas, foram priorizadas a proteção vegetal do solo, a


revegetação e a proteção das áreas indicadas após as campanhas de monitoramento de focos
erosivos desenvolvidas. Foram utilizadas principalmente sementes de capim buffel (Cenchrus
ciliaris L.), dentre outras espécies, e foi realizado o recobrimento por PRCE’s para a imediata
mitigação dos processos erosivos e o rápido recobrimento das áreas degradadas. A estabilização
dos taludes com o uso dessas técnicas mostrou-se eficaz e adaptada às condições locais pelo
desenvolvimento da vegetação e pelo atirantamento das áreas submetidas a corte, mesmo o
ambiente enfrentando longos períodos de estiagem. As dinâmicas da recuperação das erosões nos

Fonte: Coelho (2017)


taludes, da estabilização das encostas, do ordenamento dos fluxos hídricos e do desenvolvimento
da vegetação são apresentadas em registro temporal na documentação fotográfica trazida na
sequência deste capítulo.
 
Figura 18 – Detalhe do desenvolvimento de mudas de árvores nativas no produto Foi constatada a efetividade das ações de recuperação das áreas degradadas, o que é
ROSV, desenvolvido em conjunto pela Ingá Engenharia e Furnas Centrais Elétricas,
utilizado na implementação de Unidades Experimentais na UHE Simplício
evidenciado pela rebrota da vegetação, pela correção de processos erosivos e pela proteção
dos corpos hídricos. A escolha da bioengenharia de solos mostrou-se eficiente para a proteção
imediata do solo e o rápido restabelecimento da vegetação e melhora das condições ambientais.
Percebe-se a volta dos processos biológicos, o aparecimento de espécies pioneiras, de insetos, de

6.3
pássaros, de répteis e a ciclagem de nutrientes, precursores do restabelecimento da vegetação
natural. O antropismo é o elemento impeditivo para o completo restabelecimento da vegetação,
devido ao corte ou à queima da vegetação remanescente, ao pastejo inadequado das criações ou,
ainda, pelo roubo dos materiais empregados, situação em que o papel coercitivo não é atribuição
da Chesf, tornando-se imperiosa a fiscalização pelos órgãos ambientais para dar fim a essa
ameaça e garantir a proteção das áreas em recuperação.
Experiência da Cia. Hidro Elétrica
do São Francisco (CHESF) Desse modo, as ações ambientais em curso impulsionam as áreas em recuperação para o
retorno às condições ambientais outrora vigentes e representam uma mudança de paradigma
na convivência entre as linhas de transmissão e o meio ambiente.
216 217
Autores:
Os resultados de alguns dos trabalhos citados são demonstrados no relatório fotográfico
João Almir Gonçalves de Freitas – Eng. Agrônomo, M.Sc.
apresentado a seguir.
Patrício Souza Mendes – Assistente Técnico
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
 

Fonte: Freitas (2019)


Figura 4 – Vista geral de área degradada no entorno da SE Camaçari 4, com a presença de voçorocas, áreas com solo desnudo
e resíduos sólidos  

Fonte: Freitas (2019)


Fonte: Freitas (2019)

218 Figura 5 – Detalhe de operações de revegetação e aplicação de PRCE’s na SE Camaçari 4 219


 
Figuras 1, 2 e 3 – Detalhe lateral do talude no setor 230kV, inicialmente sem proteção
vegetal, na Subestação Ibiapina 2, em registros antes, durante e após as operações de
revegetação de taludes e aplicação de PRCE’s
 
CAPÍTULO 6

CAPÍTULO 6
   

Fonte: Freitas (2019)

   
Figuras 6, 7, 8 e 9: Detalhe de ravinamentos múltiplos adjacentes à Estrutura 16/2 da LT 500 kV Jardim/Camaçari C1 e SE Camaçari Figuras 10 e 11 – Detalhe de ravinamentos múltiplos adjacentes à Estrutura 249/1 da LT 500 kV Jardim/Camaçari C1 e SE Camaçari
4, antes, durante e após a execução de operações de recuperação ambiental 4, junto às nascentes do rio Imbassahy, antes, durante e após a execução de operações de recuperação ambiental

220 221
CAPÍTULO
7
BREVES ASPECTOS LEGAIS
DA RESPONSABILIDADE
CIVIL NA RECUPERAÇÃO
DE ÁREAS DEGRADADAS
EM VIRTUDE DE
EMPREENDIMENTOS
DO SETOR ELÉTRICO
BRASILEIRO
7.2
CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 7
O setor elétrico brasileiro

O setor elétrico no Brasil começou a ser desenhado no final dos anos 1970. As primeiras leis
surgiram em virtude do Programa Nacional de Desestatização (PND), desenvolvido após a alta
do petróleo.

Então, nos últimos anos do século 20, o neoliberalismo provocou uma reformulação do

7.1
papel do Estado, devendo este só intervir onde houvesse a incapacidade do mercado de resolver
por si só o atendimento ao interesse público. Com isso, reduziram-se as dimensões do Estado
com o fenômeno da privatização do Direito Público.

À época do PND, o governo tinha como foco o atendimento às necessidades urgentes do


setor elétrico, como o aumento de investimentos, eficiência e produtividade, para acompanhar a
Introdução evolução econômica do país e a integração ao mercado global, conforme afirma Campos (2010).
Algumas leis foram publicadas à época, para se adequarem à realidade daquele momento.

Como exemplo, serão citadas algumas dessas leis que foram fundamentais para o novo
modelo do setor elétrico. Como a Lei no 9.074/1995, que estabeleceu normas para outorga e

O setor elétrico brasileiro teve seu novo formato a partir do final dos anos 1980, com a edição prorrogações de concessões e permissões de serviços públicos. E, também determinou que

de leis específicas para esse setor. Dessa forma, surgiram novos empreendimentos do setor concessões, permissões e autorizações de exploração de serviços e instalações de energia

elétrico, como as hidrelétricas, as usinas eólicas e solares e ainda as maremotrizes. elétrica e de aproveitamento energético dos cursos de água seriam contratadas, prorrogadas ou
outorgadas nos termos desta e da Lei no 8.987/1995, que tratou das permissões e das concessões
Entretanto, a construção desses empreendimentos pode ocasionar danos ambientais. E no serviço público (BRASIL, 1995).
eventuais danos ao meio ambiente impõem ao infrator a responsabilidade civil ambiental. O bem
jurídico ambiental foi definido pela Constituição Federal no artigo 225, e quem comete o dano Também ressalta-se a Lei no 9.427/1996 (BRASIL, 1996), que instituiu a Agência Nacional de

ambiental tem o dever de repará-lo. Energia Elétrica (Aneel), disciplinando o regime das concessões de serviços públicos de energia
elétrica e dando outras providências. A Aneel é a autarquia responsável pelas resoluções do setor
O objetivo deste trabalho é, portanto, o de avaliar a responsabilidade atribuída ao causador elétrico. Surgiu justamente na busca pelo Estado mínimo, visando regular as matérias que lhe

224 do dano ambiental gerado por empreendimento do setor elétrico eram afetas, baseando-se na ideia de que o Estado paternalista deveria se transformar num
225
Estado Regulador.
Para tanto, utilizou-se de pesquisa bibliográfica para se buscarem as definições teóricas e
normas legais atuais do Direito Civil e do Direito Ambiental. Este artigo se desenvolveu apoiado Uma lei importante é a Lei no 9.478/1997 (BRASIL, 1997), que dispôs sobre a política energética
na metodologia de investigação teórica e doutrinária. nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo e instituiu o Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Entre os objetivos dessa lei Todas essas leis e resoluções construíram esse arcabouço legal, que é o que dá a base ao
CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 7
estão a proteção ao meio ambiente e a promoção da conservação de energia, como também a setor elétrico. Desses marcos surgiram vários empreendimentos no setor elétrico, assunto sobre

utilização de fontes alternativas de energia, mediante o aproveitamento econômico dos insumos o qual se discorre a seguir.

disponíveis e das tecnologias aplicáveis (BRASIL, 1997). Essa lei foi atualizada pela Lei no 11.097/2005
(BRASIL, 2005), que estabeleceu as políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes

7.3
de energia e promoveu também a desverticalização do setor energético, ou seja, desmembrando
as atividades de geração, transmissão e distribuição e, por fim, o regime concorrencial.

O mercado atacadista de energia e o programa de incentivo às fontes de energias alternativas


foram criados pelas Leis nos 10.433/2002 e 10.438/2002 (BRASIL, 2002). A primeira criou o Mercado
Atacadista de Energia Elétrica (MAE) e foi revogada pela Lei no 10.848/2004 (BRASIL, 2004a), e a
segunda deu maior ênfase ao desenvolvimento do setor energético, com a criação do Programa Empreendimentos do setor elétrico
de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) e da Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE). O programa foi instituído com o objetivo de aumentar a participação de fontes
alternativas de energia elétrica produzida por empreendimentos concebidos com base em fontes
eólicas, de biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) no Sistema Elétrico Interligado
Nacional (SIN), privilegiando os empreendedores que não tenham vínculos societários com
Os empreendimentos do setor elétrico são aqueles que geram energia e têm como objetivo
concessionárias de geração, transmissão ou distribuição. A Lei no 10.438/2002 alterou as Leis nos
investir nesse segmento através de projetos sejam eles na água, no ar e no solo. Dessa forma,
5.655/1971, 8.631/1993, 9.074/1995, 9.427/1996, 9.478/1997, 9.648/1998 e 9.991/2000. Posteriormente,
compõem o setor as usinas hidrelétricas, as eólicas, as solares e as maremotrizes (PORTAL
a lei do Proinfa sofreu alteração das Leis nos 10.762/2003, 11.045/2004, 11.488/2007b e 12.212/2010
ENERGIA, 2019).

Em agosto de 2011, a Aneel publicou a Chamada nº 013/2011 – Projeto estratégico: Arranjos


As usinas hidrelétricas consistem no aproveitamento da energia cinética contida no fluxo
técnicos e comerciais para inserção da geração solar fotovoltaica na matriz energética brasileira
de massas de água, que, ao passar por tubulações da usina, promove a rotação das pás das
(ANEEL, 2011), uma iniciativa para a inserção da energia solar no Brasil. Apesar de não se tratar de
turbinas, para que possa posteriormente ser convertida em energia pelo gerador do sistema.
uma lei, esse projeto foi o que impulsionou a energia solar no país.
Como exemplo de hidrelétricas, há as pequenas centrais hidrelétricas, as PCH’s, e as centrais
geradoras hidrelétricas, as CGH’s.
Em 31 de outubro de 2014, foi realizado o 6º Leilão de Energia de Reserva (LER), decisivo
para o setor fotovoltaico brasileiro. Nessa ocasião, ocorreu a primeira contratação de energia
A energia eólica seria a proveniente dos ventos, por meio das pás (aerogeradores) em
solar em leilão no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), tornando a energia solar uma
forma de cataventos, cujo movimento gera a energia elétrica. É considerada fonte de grande
alternativa energética renovável, limpa e sustentável. “O leilão resultou na contratação de 31
importância para o Brasil, dada “a abundância desse recurso natural no país” (CEMIG, 2012).
empreendimentos fotovoltaicos, a um preço médio de R$ 215,12 MWh” (ABSOLAR, 2017).

Os parques eólicos são conjuntos de centenas de aerogeradores individuais ligados a uma


A Resolução normativa nº 687/2015 (BRASIL, 2015) revisou a REN nº 482/2012 (BRASIL, 2012) e
rede de transmissão de energia elétrica. Os de pequena dimensão são usados para a produção
a seção 3.7 do Módulo 3 dos Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico
de energia em áreas isoladas. Existem também parques eólicos ao largo da costa, uma vez que
Nacional (PRODIST). Essa normativa aprimorou o disposto na REN nº 482/2012, possibilitando
a força do vento é superior e mais estável que em terra e o conjunto tem menor impacto visual,
também o sistema de compensação de energia elétrica para empreendimento com múltiplas
226 unidades consumidoras, a geração compartilhada e o autoconsumo remoto (ANEEL, 2015). Esse
embora o custo de manutenção seja bastante superior (WIKIPEDIA).
227
sistema de compensação reduziu as barreiras da conexão dos sistemas fotovoltaicos à rede de A energia fotovoltaica é aquela produzida pela luz solar. O processo de conversão é
distribuição e aumentou o prazo para os consumidores, passando de 36 para 60 meses. possibilitado por células fotovoltaicas, que substituem a luz por energia elétrica. Essas células são
congregadas para formar os painéis solares, que fazem a captação e a transformação da luz solar a responsabilização civil pelos danos causados à natureza. A responsabilidade pelos danos
CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 7
em eletricidade para abastecimento. ambientais tem status constitucional, visto que está inserida no capítulo voltado para a proteção
ao meio ambiente (ANTUNES, 2010). Antes da promulgação da CF, em 1988, a Lei da Política
De acordo com Soares (2019), existe ainda a energia maremotriz, também conhecida como Nacional do Meio Ambiente, a 6.938/81, já previa no art. 14, §1°, a responsabilização objetiva do
energia das marés – trata-se da energia elétrica obtida por meio das ondas do mar. É considerada poluidor (FIORILLO, 2015).
a energia oceânica “mais utilizada, embora tenha alto custo”, sendo proveniente das “barragens
que usam a variação das marés para mover turbinas”. É preciso haver um desvio considerável No Direito Ambiental brasileiro, consolidou-se o princípio da responsabilidade objetiva pelo
entre as marés alta e baixa, “para essas barragens serem viáveis” (CEMIG, 2012). dano ecológico (MACHADO apud SILVA, 2004). Segundo Steigleder (2011), a responsabilidade pelo
dano ambiental é objetiva, conforme previsto no art. 14, § 1º, da Lei 6.938/81, recepcionado pelo art.
Os empreendimentos energéticos constroem um cenário de desenvolvimento, sendo 225, §§ 2º e 3º, da CF/88, e tem como pressuposto a existência de uma atividade que implique
indispensáveis para a sustentabilidade ambiental, social e econômica. Mas devem sempre ser em riscos para a saúde e para o meio ambiente, impondo-se ao empreendedor a obrigação de
construídos depois de licenciados e causando o menor impacto possível. O empreendedor que prevenir tais riscos (princípio da prevenção) e de internalizá-los a seu processo produtivo (princípio
não seguir isso, poderá ser responsabilizado civilmente. do poluidor-pagador).

Na responsabilidade ambiental, aplicam-se os princípios da precaução e o do poluído-

7.4
pagador. No da precaução, há incerteza sobre a plausibilidade de danos ambientais graves. O
princípio da responsabilidade civil ambiental engloba o princípio da precaução, no qual há a
incerteza sobre a plausibilidade de danos ambientais graves. O princípio da prevenção, no qual os
impactos e perigos são concretos. O princípio do poluidor-pagador, que impõe o dever de arcar
com as despesas de prevenção, recepção e da poluição. E o princípio da reparação integral, que
busca a situação mais próxima possível daquela anterior ao dano.

Responsabilidade por áreas degradadas


Os princípios da solidariedade com o futuro, da precaução e da prevenção seriam informativos
das funções da responsabilidade civil ambiental (STEIGLEDER, 2011). No Direito Ambiental, o
princípio da precaução tem lugar especial, já que o dano ambiental deve ser evitado e precavido
para que não aconteça. A precaução não acontece na letargia; é preciso agilidade para que não
A Constituição Federal, no seu artigo 225, garante a todos um meio ambiente equilibrado, aconteçam danos ambientais. Por esse princípio, determina-se que não se produzam intervenções
impondo ao Poder Público e à coletividade a sua preservação (BRASIL, 1988). A responsabilidade na natureza sem que se tenha a certeza de que estas não lhe serão adversas (GOMES, 2010).
por áreas degradadas está consagrada na Constituição da República, no art. 225, que, “em seu §1°,
I, aponta a obrigação de ‘restaurar os processos ecológicos essenciais’.” (MACHADO, 2018, p. 185). A responsabilidade ambiental já estaria presente na Lei da Política Nacional do Meio

Determina ainda a Carta Magna, no §3°, que “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio Ambiente, entretanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendido que o Código Civil é

ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, aplicável à responsabilidade ambiental (ANTUNES, 2016).

independentemente da obrigação de reparar os danos causados” (BRASIL, 1988).


A regra do Código Civil é a responsabilidade civil subjetiva, embora se adote a responsabilidade

As áreas degradadas são aquelas que sofreram, em algum grau, perturbações em sua objetiva em numerus clausus, visto que a responsabilidade subjetiva mostrou-se insuficiente

integridade, sejam elas de natureza física, química ou biológica. Aqui, neste caso, seriam aquelas para cobrir todos os casos de reparação (STOCO, 2011, p.182).
228 que foram ou serão utilizadas nas construções de empreendimentos do setor elétrico. 229
Braga (2014, p. 523) concorda ao mencionar “a restruturação do Código Civil Brasileiro em

O empreendedor do setor elétrico pode, eventualmente, provocar danos ambientais, termos entre o artigo 927 do Código Civil (imputação subjetiva) e o seu parágrafo único (imputação

devendo assim ser responsabilizado conforme estabelece a Carta Magna. Interessa-nos aqui objetiva)”.
CAPÍTULO 7

CAPÍTULO 7
A jurisprudência dos tribunais brasileiros adotou a Teoria do Risco Integral, na qual já
responsabiliza pela simples constatação do dano e da atividade de risco. Diferentemente da
Teoria do Risco Criado, que é a modalidade que admite excludentes fundadas na culpa exclusiva
da vítima, fato de terceiro, caso fortuito ou força maior (ANTUNES, 2016).
7.5
Conclusão
Para Braga (2014), a teoria do risco integral exige “a demonstração do proveito auferido pelo
agente com a atividade indutora de risco, e, a teoria do risco criado se satisfaz com a constatação
objetiva da relação de causalidade entre o risco de uma atividade e o dano injusto”. A teoria do
risco integral não tem nenhuma previsão legal, é uma criação doutrinária e jurisprudencial. Os empreendimentos do setor elétrico são fundamentais para o crescimento econômico e
o bem-estar humano. Entretanto, a construção desses empreendimentos pode ocasionar danos
Especificamente, em relação à energia solar, leciona Machado (2018).
ambientais.

[...] torna-se necessário prevenir o dano ambiental, possibilitando-se ao proprietário a


A responsabilidade civil ambiental é a consequência jurídica da ação humana degradadora
adequada captação e uso dessa energia e luminosidade. A prevenção está expressa no
que, infelizmente, se faz presente na sociedade contemporânea. O homem, ao viver, progredir
texto do art. 1.277 do Código Civil, quando afirma que “o proprietário ou o possuidor de um
e explorar o mundo a sua volta, ocasiona, comumente, danos ambientais passíveis de
prédio tem o direito de fazer cessar as interferências [...]”, e no parágrafo único desse artigo,
responsabilização jurídica.
quando preceitua “proíbem-se as interferências [...]” (MACHADO, 2018, p. 1274).

A Constituição brasileira impõe ao degradador a reparação dos danos ambientais, tanto na


Para a comprovação da responsabilidade civil pelo dano, basta comprovar a autoria do dano
esfera cível, quanto na penal e na administrativa, como corolário dos princípios da precaução e
e a materialidade do prejuízo, não havendo a necessidade de se provar que o autor do dano agiu
da prevenção.
com culpa, nas modalidades de imprudência, negligência e imperícia (MACHADO, 2018, p. 1275).

Neste trabalho abordamos a tutela civil do meio ambiente, em especial no concernente aos
A responsabilidade civil é concretizada pela obrigação de fazer ou de não fazer e no
empreendimentos do setor elétrico que podem ocasionar danos ao meio ambiente. Havendo
pagamento de condenação em dinheiro. Na esfera ambiental, procura-se saber quem foi atingido,
o nexo causal entre o dano, a autoria e a materialidade, faz-se inerente a responsabilização civil,
juntamente com o meio ambiente; assim inicia-se o processo lógico-jurídico da imputação
com a obrigação de reparar o dano ambiental.
civil objetiva ambiental. E só depois é que se entrará na fase do estabelecimento do nexo de
causalidade entre a ação ou a omissão e o dano. É contra o Direito enriquecer-se ou ter lucro à Concluímos, pois, que o objetivo traçado neste trabalho foi alcançado, na medida em que
custa da degradação do meio ambiente (MACHADO, 2018, p. 422). apresentamos a tese que sustenta que a proteção ambiental é medida de máxima valoração
jurídica, uma vez que a vida atual e a das futuras gerações dependem, essencialmente, do
comportamento de todos nós.
230 231
CAPÍTULO
8
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8
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