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Esquema Básico de Escrituração Contábil – Uma

Revisão1

3.1 A equação do patrimônio

A identidade fundamental da Contabilidade é a base de todo o processo de escrituração e de acumulação


de registros.

Pode ser expressa da seguinte forma:

ATIVO – PASSIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Esta expressão é adequada numa apresentação de balanço de forma dedutiva, na qual se faz a subtração de
todas as contas de Passivo (no sentido aqui, restrito, de Obrigações) das contas de Ativo, restando, como
resíduo, as de Patrimônio Líquido. É chamada, também, equação da Teoria do Proprietário. Uma forma
alternativa é a seguinte:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Obviamente, se a soma das contas que constituem o Ativo for igual à soma dos valores das contas que
integram o Passivo, o valor do Patrimônio Líquido será nulo e a identidade será assim apresentada:

ATIVO = PASSIVO

A identidade patrimonial (por isso é uma identidade) sempre deve ser satisfeita, qualquer que seja a
operação registrada. Sempre que não se especificar uma forma de apresentação diferente, será subentendida,
neste capítulo, a expressão:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

De acordo com o Pronunciamento Técnico – CPC 00 (R1), capítulo 4 – Estrutura Conceitual para a
Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, os elementos diretamente relacionados à
mensuração da posição patrimonial e financeira são os ativos, os passivos e o patrimônio líquido. Esses são
definidos, respectivamente, como segue:

a) ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se
espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade;
b) passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se
espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos;
c) patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os
seus passivos.
O termo Ativo é aqui usado no sentido de soma de bens, direitos à disposição de uma entidade, de qualquer
natureza e fim, capazes de gerar benefícios imediatos ou futuros para a entidade, na forma de fluxos de caixa
ou de serviços. O termo Passivo é utilizado na concepção restrita de soma de obrigações da entidade que
devem ser pagas a terceiros em momentos determinados de tempo: são as exigibilidades.

Embora a equação anterior seja sempre clara para expressar os acréscimos e decréscimos do Patrimônio
Líquido, decorrentes das operações registradas pela entidade, ou apenas para deixar inalterado o valor do
Patrimônio Líquido nos casos em que as operações apenas provoquem alterações compensadas entre Ativo e
Passivo ou entre Ativo e Ativo e Passivo e Passivo, ela não satisfaz, quando explica a composição de todas as
contas que aparecem num Balancete de Verificação. Essas, ao contrário das contas do Balanço, desdobram o
Patrimônio Líquido, basicamente a parcela derivada de lucros, em contas de Receitas, Despesas, Perdas e
Ganhos.

Em seguida, para um entendimento melhor da apuração do resultado como medida de performance, está
explicado no Pronunciamento Técnico – CPC 00 (R1), capítulo 4, itens 25 e 26 – Estrutura Conceitual para a
Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, que o resultado é frequentemente utilizado como
medida de performance ou como base para outras medidas, tais como o retorno do investimento ou o resultado
por ação. Os elementos diretamente relacionados com a mensuração do resultado são as receitas e as despesas.
O reconhecimento e a mensuração das receitas e despesas e, consequentemente, do resultado dependem em
parte dos conceitos de capital e de manutenção de capital adotados pela entidade na elaboração de suas
demonstrações contábeis.

Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue:

a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma de
entrada de recursos ou de aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos
do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos
instrumentos patrimoniais;
b) despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma de
saída de recursos ou de redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do
patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos
instrumentos patrimoniais.

A seguir atribui-se o significado dos termos: Receitas, Despesas, Perdas e Ganhos.

Receitas: o acréscimo de Ativo (com consequente acréscimo de Patrimônio Líquido) derivado das
operações usuais do empreendimento e das operações acessórias que derivam da adequada política
de manutenção de Ativos, tais como: receitas de serviços, de vendas, de comissões, de juros etc.

Despesas: o decréscimo de Ativo (ou aumento de Passivo), com consequente decréscimo de Patrimônio,
derivado de ações, decisões e trocas efetuadas pela administração no esforço de auferir receitas e de
manter a empresa operando. Exemplo: salários, consumo de materiais, impostos e taxas etc.

Ganhos: têm efeito parecido com Receitas, na equação patrimonial; entretanto, ou são de natureza
esporádica (ganho na baixa ou venda de bens do Imobilizado, por exemplo) ou totalmente
independentes da ação administrativa.
Perdas: têm efeitos semelhantes às despesas, na equação patrimonial, e são causados pelo mesmo tipo
de evento que provoca os ganhos.

Observação: alguns autores englobam perdas e ganhos nas despesas e receitas não operacionais,
respectivamente. Entretanto, um ganho ou uma perda pode ser o resultado entre a comparação de
vários eventos (como no caso da venda de ativos imobilizados, na qual o ganho, se existir, resulta
da diferença entre o valor de venda conseguido menos o valor não depreciado do bem). A receita, a
rigor, envolve apenas um acréscimo de Ativo, isolado, com consequente acréscimo de Patrimônio
Líquido. A mesma diferença existiria entre perda (em alguns casos) e despesas não operacionais.

Por exemplo, segundo a maioria dos autores, a despesa financeira tem natureza não operacional (a Lei das
S.A. considera-a operacional), mas, nem por isso, é uma perda. O prejuízo não ressarcido derivante de um
incêndio em uma empresa é uma perda, não uma despesa não operacional.

3.2 A equação do patrimônio ampliada

A representação esboçada na verdade pode ser expressa da seguinte forma:

ATIVO + DESPESAS + PERDAS = PASSIVO + RECEITAS + GANHOS +


PATRIMÔNIO LÍQUIDO (CONTAS DE CAPITAL)

Pode-se facilmente provar que a equação ampliada pode ser reduzida para a equação básica. De fato,
passando Despesas e Perdas (cujas contas têm saldo devedor) para o lado direito da equação e trocando de
sinal, tem-se:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (Contas de Capital e lucros acumulados de


exercícios anteriores) + RECEITAS + GANHOS (–) DESPESAS – PERDAS.

Uma conta intermediária, denominada Resultado do Exercício, seria igual a: Receitas + Ganhos – Despesas
– Perdas.

Assim a equação ficaria, agora:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (anterior) + RESULTADO DO EXERCÍCIO

Incorporando o Resultado do Exercício ao Patrimônio Líquido (anterior), obtém-se o novo Patrimônio


Líquido (atual). Assim, pode-se voltar à expressão:

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO (atual)

É evidente que se poderia contemplar, na equação ampliada, distribuições de resultados, que viriam a
diminuir o Patrimônio Líquido anterior ou o atual.
3.3 Resumo de estática patrimonial

A título de ilustração, suponha-se uma balança (no fundo o Balanço Patrimonial) de dois pratos: coloca-
se no da esquerda o Ativo e no da direita o Passivo. Se ambos tiverem valores (pesos) iguais, haverá um
equilíbrio. Entretanto, normalmente Ativo e Passivo apresentam valores diferentes. Assim, a balança penderá
para um dos lados, conforme o peso (valor) que se colocar para a obtenção do equilíbrio (no lado menos
pesado).

Assim, se o Ativo for igual ao Passivo, a balança ficará em equilíbrio e não haverá necessidade de colocar
o peso diferencial, Patrimônio Líquido (PL), em nenhum dos dois pratos.

Os casos em que o Patrimônio Líquido deve ser colocado num dos dois pratos são fáceis de imaginar. Pode
haver outros casos, todavia, não muito usuais, a saber:

•a entidade não tem Passivo, mas somente Ativo; logo, há necessidade de colocar um peso PL
(valor) igual ao do Ativo no lado direito da balança;
•a entidade não tem Ativo, mas somente Passivo; logo, há necessidade de colocar um peso PL
(valor) igual ao do Passivo no lado esquerdo da balança.

Apresentam-se, a seguir, alguns exemplos de operações, após as quais será levantado um balanço
simplificado, a fim de demonstrar a identidade patrimonial básica, a saber: Ativo = Passivo + PL.

A seguir será considerado certo número de operações de uma empresa, com respectivo Balanço após cada
uma das operações; observa-se a contínua igualdade entre os dois lados do Balanço.
1ª OPERAÇÃO – SUBSCRIÇÃO DO CAPITAL SOCIAL

Diversas pessoas resolveram fundar uma sociedade anônima, denominada “Cia.Atenas”, com o capital
registrado de $ 10.000 fracionado em 10.000 ações de $ 1 cada uma. A entidade iniciou suas atividades em
15-1-20xx, e dedica-se ao ramo de papelaria.

Após a subscrição do capital social, o Balanço tomou a seguinte forma:

Desta operação resulta que a entidade adquiriu um Ativo (Acionistas/Capital a Realizar)2 consubstanciado
por um direito a receber dos acionistas quando da integralização em dinheiro ou bens do capital ora subscrito.

Como isso não produz dívidas (Passivo) na entidade perante terceiros, aparece, pela necessidade do
equilíbrio na representação, o “peso” Patrimônio Líquido, sob a forma de “Capital” (investimento).

Representando a mesma ocorrência na balança de dois pratos, há: no prato do lado esquerdo, o “direito”
que a empresa adquiriu junto aos acionistas, e no lado direito, o valor do Capital representativo do investimento
feito pelos proprietários.

Há equilíbrio, pois o direito da entidade é igual ao valor do capital subscrito.

2ª OPERAÇÃO – INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL, EM DINHEIRO, PELOS ACIONISTAS

Nesta operação há apenas uma permuta entre os elementos do Ativo, a saber: Acionistas/Capital a Realizar
e Caixa (dinheiro).

A entidade recebe um novo Ativo (Caixa) no valor de $ 10.000 e, em contrapartida, perde outro Ativo
representado por um direito (Acionistas/Capital a Realizar).

O Balanço apresenta o seguinte aspecto em 31-1-20xx, data da integralização do capital social.


No exemplo da “balança” há:

Mudaram-se apenas os objetos pesados (lado esquerdo), ou seja, Acionistas/Capital a Realizar por Caixa.

3ª OPERAÇÃO – AQUISIÇÃO DE LOJA

A empresa resolve adquirir em 10-2-20xx, mediante pagamento à vista, uma loja para abrigar suas
instalações, pela importância de $ 3.000.

Com essa transação a empresa adquiriu novo Ativo (Imóveis), mas viu seu dinheiro (Caixa) diminuído do
mesmo valor.

Realizada a transação imobiliária, o Balanço passou a ter a seguinte disposição:

4ª OPERAÇÃO – COMPRA DE MERCADORIAS

Para iniciar suas atividades mercantis, a empresa necessita adquirir mercadorias que serão estocadas, a fim
de aguardar posterior utilização, quando da prestação dos serviços a seus clientes.
O Diretor da empresa, Sr. Barreto, conheceu o Sr. Leiva, comerciante que, na ocasião, liquidava seus
estoques de papelaria.

Em 13-2-20xx, foram arrematados todos os materiais da empresa liquidante pela importância de $ 5.000.
O Sr. Leiva confessou que poderia vender facilmente o seu saldo de Mercadorias por $ 7.000 em leilão, mas
aceitou o preço oferecido pela “Cia.Atenas”, por se tratar de venda rápida, assinando as partes o respectivo
contrato.

Existe um princípio contábil segundo o qual as aquisições de bens devem ser registradas pelo custo real
da compra, não importando se, nesse período, houve considerável diferença entre o custo e o valor desse bem
no mercado.

A mercadoria adquirida figurará no balanço pelo preço de custo (compra) de $ 5.000.

Nenhum pagamento em dinheiro foi feito ao Sr. Leiva nessa data. A entrega da mercadoria foi postergada
até que a loja da empresa estivesse concluída e em condições de armazená-la.

Por essa transação, a empresa adquiriu novo Ativo (Mercadoria) e assumiu um Passivo, uma obrigação de
pagar (Contas a Pagar).

Depreende-se, então, que um bem não necessita estar fisicamente em poder de seu proprietário para ser
considerado um elemento do Ativo. O que importa é a Propriedade, e não a Posse.

Após essa transação, o balanço da “Cia.Atenas” passou a ter a seguinte forma:

5ª OPERAÇÃO – COMPRA DE VEÍCULO

A “Cia.Atenas” necessitava de um utilitário para entregas e outros serviços de transporte.

Adquiriu, então, em 20-2-20xx, da “Cia. Planeta de Automóveis”, um veículo usado, ano 20x3, à vista,
por $ 500.

Efetuada esta nova transação, a empresa adquiriu novo Ativo (Veículos) e seu dinheiro (Caixa) diminuiu
no mesmo valor. O Balanço da empresa passou a configurar:
6ª OPERAÇÃO – VENDA DE PARTE DA LOJA

Os diretores, verificando que a loja adquirida excedia às necessidades previstas, resolveram vender a parte
superior ao Sr. Macedo, em 23-2-20xx, por $ 1.500.

Nenhum dinheiro foi recebido do Sr. Macedo nessa data, porém a empresa adquiriu novo Ativo – direito
de receber $ 1.500, representado por nota promissória emitida pelo comprador.

Tais direitos são denominados “Títulos a Receber”. A venda dos três pavimentos ocasionou uma redução
do Ativo “Imóveis”. A nova situação do Balanço da “Cia.Atenas” é:

7ª OPERAÇÃO – PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO

Em 5-3-20xx, a “Cia. Atenas” pagou ao Sr. Leiva $ 3.250 correspondentes à parte da dívida assumida com
ele, quando da aquisição de mercadorias. Esta operação diminuiu o Passivo (Contas a Pagar) e também a
disponibilidade de dinheiro em Caixa (Ativo). Eis o novo Balanço da entidade, após a ocorrência desta
operação:
8ª OPERAÇÃO – RECEBIMENTO DE DIREITO

Em 10-3-20xx, foram recebidos $ 1.000 do Sr. Macedo, como pagamento parcial de sua dívida. Este
fato contribuiu para aumentar o dinheiro em Caixa (Ativo) e diminuir os títulos a receber (Ativo).
Segue o Balanço da “Cia.Atenas”:

3.4 Capital e patrimônio

3.4.1 Capital

Podem-se considerar quatro conceitos de Capital na contabilidade:


1º) CAPITAL NOMINAL

O investimento inicial feito pelos proprietários de uma empresa é registrado pela contabilidade numa
“conta” denominada Capital. Este é o capital nominal, que corresponde ao Patrimônio Líquido inicial. O capital
nominal só será alterado quando os proprietários realizarem investimentos adicionais (aumentos de capital) ou
desinvestimentos (diminuições de capital).

Como o Patrimônio Líquido também é alterado pelos lucros (ou prejuízos), pode-se afiançar que muito
raramente o capital nominal coincidirá com o Patrimônio Líquido. Por exemplo: a “Sociedade Comercial
Waldir Ltda.” foi constituída por quatro sócios, com capital integralizado de $ 1.000.000.

Em contabilidade, tal situação inicial é representada da seguinte forma:

2º) CAPITAL PRÓPRIO

O capital próprio que corresponde ao conceito de Patrimônio Líquido abrange o capital inicial e suas
variações. Por exemplo, após determinado período a “Sociedade Comercial Waldir Ltda.” obteve um lucro de
$ 100.000, proveniente de suas operações mercantis. O capital próprio da empresa aumentou para $ 1.100.000
(Capital + Lucro); todavia, o capital nominal será mantido pela Contabilidade da seguinte forma:

3º) CAPITAL DE TERCEIROS

Este capital corresponde aos investimentos feitos na empresa, com recursos provenientes de terceiros.
Suponhamos que a “Sociedade Comercial Waldir Ltda.” tenha comprado, a prazo, móveis para escritório, por
$ 200.000. A situação é a seguinte:

O capital de terceiros, neste caso, é representado pelo saldo da conta Credores.


4º) CAPITAL TOTAL À DISPOSIÇÃO DA EMPRESA

Em acepção mais ampla, pode-se conceituar o capital como sendo o conjunto dos valores disponíveis pela
empresa em determinado momento. Por exemplo, considera-se como capital à disposição da empresa o
somatório dos elementos colocados à direita da situação anteriormente exposta, ou seja:

CAPITAL + LUCROS + FORNECEDORES = 1.300 = (P + PL)

3.4.2 Patrimônio

De maneira geral, entende-se por Patrimônio o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade. É
por essa razão que o Balanço costuma ser denominado Balanço Patrimonial.

Em sentido restrito, a expressão Patrimônio é usada para representar o capital das entidades de fins não
lucrativos.

3.5 O método das partidas dobradas (escrituração)

3.5.1 Contas

No tópico anterior, era preparado um balanço após a realização de cada operação da empresa. Tal
procedimento visava demonstrar a contínua igualdade da Equação do Patrimônio (A = P + PL) e explicar os
efeitos de alguns eventos sobre os elementos do Patrimônio.

Na prática, porém, há dificuldade de preparar um balanço após cada operação. Por um lado, em qualquer
empresa tais operações se sucedem a cada instante, e é muito oneroso, atualmente, um processo de registro
que permita a apresentação instantânea de seus resultados. Por outro lado, as pessoas interessadas nos balanços,
tais como os administradores, acionistas, entidades governamentais etc., contentam-se apenas com os balanços
periódicos, que são confeccionados com dados fornecidos pelos registros das operações.
Em geral, as operações ocasionam aumentos e diminuições no Ativo, no Passivo e no Patrimônio Líquido,
como já foi visto. Esses aumentos e diminuições são registrados em contas. Apresenta-se a seguir um modelo
de conta.

3.5.2 Razão

Antigamente, as contas eram registradas nas páginas de um livro chamado Razão. Hoje, são registradas
em folhas ou fichas soltas que, no entanto, em seu conjunto, mantidas em uma caixa ou arquivo, continuam
com a mesma denominação, Razão. Para cada conta deve existir pelo menos uma ficha do Razão. Portanto, o
livro Razão é o lugar onde são escrituradas as operações referentes a cada conta contábil. A contabilização é
realizada com base na ficha de lançamento contábil, por meio de sistema de computador.

Utilizam-se contas separadas para representar cada tipo de elemento do Ativo, do Passivo e do Patrimônio
Líquido. Cada uma dessas contas é diferenciada das demais pela sua denominação. Por exemplo, o dinheiro
em mãos será representado pela conta Caixa.

Pode-se, também, e é o que ocorre na prática, representar diversos elementos de características semelhantes
em uma mesma conta, a qual receberá o nome que melhor represente os elementos agrupados.

Exemplificando, pode-se dizer que:

1º) O conjunto formado por cadeiras, mesas, computadores, máquinas de somar etc. pode ser
registrado em uma única conta, que tem por nome Móveis e Utensílios.

2º) O conjunto de pequenas despesas, sem necessidade de discriminação, recebe o nome de


Despesas Diversas ou Despesas Gerais etc.

3º) Diversos valores a receber, sem necessidade de representação isolada, podem ser registrados
na conta Valores a Receber ou Contas a Receber etc.

4º) Diversos valores a pagar, sem necessidade de representação isolada, podem ser registrados na
conta Valores a Pagar ou Contas a Pagar etc.

A prática aconselha a numeração ou codificação das contas, de forma racional e bem planificada.

Exemplo de codificação:
Para simplificar as ilustrações, explicações e resoluções de problemas, será utilizada uma representação
gráfica de conta bastante simples, denominada Conta em T, ou Razonete em T, ou simplesmente Razonete. A
forma gráfica, cujo funcionamento será explicado mais adiante, é a seguinte:

3.5.3 Débito e crédito

O lado esquerdo de uma conta é chamado lado do débito; o lado direito é chamado lado do crédito. Um
lançamento no lado esquerdo de uma conta é denominado lançamento a débito ou, somente, débito; um
lançamento no lado direito de uma conta é chamado lançamento a crédito ou, simplesmente, crédito. Utilizam-
se também os verbos creditar e debitar. Quando se faz o lançamento à esquerda da conta, diz-se que se está
debitando essa conta.
Título da Conta

(lado do débito) (lado do crédito)

Os leigos em Contabilidade, geralmente, são levados a pensar que débito significa algo desfavorável, e
crédito algo favorável. Na realidade, isso não ocorre, pois tais denominações são, hoje, simplesmente
convenções contábeis, com função específica em cada conta, como será visto adiante.

A diferença entre o total de débitos e o total de créditos feitos em uma conta, em determinado período, é
denominada Saldo. Se o valor dos débitos for superior ao valor dos créditos, a conta terá um saldo devedor. Se
acontecer o contrário, a conta terá um saldo credor.
3.5.4 Lançamentos a débito e a crédito

Como já foi visto, as operações ocasionam aumentos e diminuições do Ativo, do Passivo e do Patrimônio
Líquido.

As contas possuem dois lados (esquerdo e direito): dessa forma, os aumentos podem ser registrados num
lado e as diminuições no outro. A natureza da conta é que determinará o lado a ser utilizado para os aumentos
e o lado para as diminuições, como será visto a seguir.

3.5.5 Contas de ativo

Os elementos que compõem o Ativo figuram no lado esquerdo do balanço. As contas de Ativo (Bens e
Direitos), por sua vez, devem sempre apresentar saldos devedores, isto é, no lado esquerdo.

Convém notar que uma empresa possui ou não possui bens e direitos; não existem bens negativos e
tampouco direitos; portanto, as contas de Ativo possuem saldo devedor ou nulo. Para que uma conta de Ativo
(Bens ou Direitos) tenha saldo devedor, é necessário que os aumentos e as diminuições nela ocorridos sejam
assim registrados:

3.5.6 Contas de passivo e de patrimônio líquido

A – DE PASSIVO
Desde que as contas do Passivo sempre apareçam no lado direito do balanço, deve acontecer com elas o
inverso do que acontece com as do Ativo, isto é, os aumentos e as diminuições do Passivo (obrigações) devem
ser registrados da seguinte maneira:

B – DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Desde que o Patrimônio Líquido Positivo ocupe o lado direito do balanço, o funcionamento das suas contas
será igual ao funcionamento das do Passivo, ou seja:
Quando o Patrimônio Líquido for negativo, estará no lado esquerdo do balanço, junto com o Ativo, com
o saldo devedor. Aumentá-lo para melhorá-lo significa diminuir esse saldo devedor, o que só pode ser feito
mediante um lançamento a crédito.

Logo, segue-se que qualquer aumento em Patrimônio Líquido, seja este positivo ou negativo em
determinado momento, será regido por crédito, e qualquer diminuição, por débito. Logo:

Observações:

1ª) Uma empresa possui ou não Passivo (obrigações); logo, não existem dívidas negativas.

2ª) O Patrimônio Líquido (Ativo-Passivo), entretanto, pode ser positivo, nulo ou negativo.

3.5.7 Resumo do mecanismo de débito e crédito

Resumindo o mecanismo apresentado, pode-se dizer que:

3.5.8 Método das partidas dobradas

Segundo a essência do método, hoje universalmente aceito, o registro de qualquer operação implica que a
um débito ou a mais de um débito numa ou mais contas deve corresponder um crédito equivalente em uma ou
mais contas, de forma que a soma dos valores debitados seja sempre igual à soma dos valores creditados. Não
há débito(s) sem crédito(s) correspondente(s).
3.5.9 Exemplos de registro de operações no Razão

Para ilustrar a função do débito e do crédito nas contas, serão consideradas algumas operações de uma
empresa. Será analisada cada ocorrência para verificar quais os lançamentos de débito e de crédito são
necessários para o registro desses aumentos e dessas diminuições. Para simplificar a demonstração dos
razonetes, serão colocadas unicamente as quantias a débito ou a crédito. Para auxiliar a identificação dos
lançamentos, o débito e o crédito de cada operação obedecerão à mesma numeração, entre parênteses. As
contas de Ativo aparecem à esquerda da folha; as do Passivo e de Patrimônio Líquido, à direita.

1. Diversas pessoas resolveram em 20-7-x8 fundar uma sociedade anônima, com o Capital
totalmente integralizado no ato de $ 170.000 dividido em 1.700 ações de $ 100 cada uma. Com a
entrada do dinheiro para a sociedade, o Ativo Caixa foi aumentado (debita-se Caixa) e o
Patrimônio Líquido também foi aumentado (Credita-se Capital).

Observação: O termo Aumento talvez não esteja corretamente aplicado, porque só se aumenta algo
que já existe; a utilização, porém, desse termo é aconselhada para facilitar a explicação. De qualquer
maneira, entretanto, pode-se dizer que o saldo de uma conta aumenta de zero para algum valor maior
que zero.

2. Compra de terrenos – a empresa, ao planejar a construção de um edifício para suas instalações,


adquire dois lotes de terrenos contíguos, em 22 de julho, por $ 31.000 cada um, pagando à vista.
Resulta daí que:
•Ativo Terrenos foi aumentado – debita-se Terrenos;
•Ativo Caixa foi diminuído – credita-se Caixa.

3. Venda de Terrenos – o gerente resolveu vender um dos lotes ao Sr. A. Silva, em 27 de julho,
por $ 31.000, isto é, pelo mesmo valor que havia custado à empresa. Nenhum dinheiro foi recebido
do Sr. Silva nessa data; a empresa, porém, adquiriu o direito de cobrar $ 31.000 do Sr. Silva.
Consequentemente:
•Ativo Terrenos ficou diminuído – credita-se Terrenos;
•Ativo ficou aumentado pelo aparecimento de um direito; debita-se Títulos a Receber.
4. Compra de Materiais – em 28 de julho, foram adquiridos, do Sr. Figueiredo, a prazo, materiais
pelo preço de $ 78.000. Como resultado há:
•um novo Ativo, Materiais, foi adquirido – debita-se Materiais;
•foi constituída uma obrigação – credita-se Contas a Pagar.

5. Compra de Móveis e Utensílios – no mesmo dia, foram adquiridos a prazo do Sr. Figueiredo
duas mesas, quatro cadeiras, um microcomputador, uma impressora e uma máquina de calcular,
pelo preço de $ 50.000. Todos esses elementos podem ser representados por uma única conta de
Ativo, Móveis e Utensílios. Logo:
•um novo Ativo, Móveis e Utensílios, foi adquirido – debita-se Móveis e Utensílios;
•Passivo Contas a Pagar foi aumentado – credita-se Contas a Pagar.

6. Em 30 de julho, foi recebida do Sr. A. Silva parte de sua dívida, $ 22.000. Uma nova situação
se apresenta:
•Ativo Caixa foi aumentado – debita-se Caixa;
•Ativo Títulos a Receber foi diminuído – credita-se Títulos a Receber.

7. Foi paga, em 31 de julho, ao Sr. Figueiredo, parte da dívida para com ele, $ 70.000. Uma nova
alteração ocorre:
•Passivo, Contas a Pagar, foi diminuído – debita-se Contas a Pagar;
•Ativo, Caixa, foi diminuído – credita-se Caixa.
Nos últimos exemplos só havia um credor da empresa (o Sr. Figueiredo) e também um único devedor (o
Sr. A. Silva). No entanto, Contas a Pagar e Títulos a Receber e outras contas do mesmo tipo são sempre usadas
independentemente do número de devedores ou credores. Os saldos dessas contas representam os totais de
débitos e créditos da empresa para com terceiros. Tais contas, que englobam operações de tipo diferente, mas
da mesma natureza, são denominadas contas coletivas.

3.6 Outras formas de representação das partidas dobradas

Embora tradicional, a forma de Razão, razonete ou conta em T não é a única nem talvez a melhor para
representar e descrever adequadamente a movimentação das contas.

Assim, não se pode deixar de lembrar a forma de tabela de dupla entrada ou matricial, muito útil para
agregações contábeis, que vem da Economia (tableau économique de Quesnay) e ainda hoje de muita utilidade
na contabilização de operações de pequenas e médias empresas, em alguns países do Norte da Europa. A forma
de tabela de dupla entrada (ou matricial), simplificadamente, pode ser representada pelo elenco das contas
dispostas em linhas e colunas, como numa matriz. Assim, se utilizássemos apenas as contas: Capital,
Resultado, Caixa, Mercadorias, Títulos a Receber, Títulos a Pagar, poderia ser construída a seguinte tabela:

O registro pode ser feito inserindo-se, na exata confluência entre linhas e colunas, dependendo das contas
movimentadas, a cifra da operação respectiva. Quando se pede apenas uma tabela, devem-se registrar as cifras
a lápis, manter um controle dos saldos acumulados à parte; podem-se, também, utilizar várias e várias folhas
ao mesmo tempo, de múltiplas formas: algumas para o registro individual de transações, outras para o
acumulado do dia, mês, ano etc.

Cita-se também a forma vetorial, como alternativa para a representação das partidas dobradas.

Os procedimentos eletrônicos de escrituração permitiram evolução dramática da escrituração por partidas


dobradas, introduzindo enorme rapidez e diminuição acentuada do número de erros. Entretanto, a utilização
de computadores na Contabilidade e Auditoria, longe de diminuir a responsabilidade de atuação do
profissional, confere-lhe mais tempo para dedicar-se, efetivamente, ao aperfeiçoamento dos métodos de análise
e de avaliação, que são prerrogativas da profissão.
Nota: 1) A apresentação deste capítulo, num livro de Contabilidade Comercial, é apenas uma revisão do que já foi
estudado em Introdutória, bem como um aprofundamento, em alguns casos. Para detalhes sobre livros de escrituração,
balancetes de verificação, livros legais e fiscais, veja os capítulos seguintes deste Contabilidade Comercial, bem como o
Capítulo 3 do Introdutória, da Equipe de Professores da FEA da USP, ou Contabilidade Básica, de autoria do Prof. José
Carlos Marion, ambos publicados pelo grupo GEN | Atlas.
2) Para um bom aproveitamento da leitura deste capítulo, sugerimos que façam um balancete de verificação, agrupando
todas as contas movimentadas, com seus respectivos razonetes.