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CRISE DE 1929

1.INTRODUÇÃO

A crise de 1929 é da história a pior quebra econômica capitalista já


vivida. Conhecida como a “Grande Depressão”, espalhou o caos, não só ao
EUA, mas para o mundo, que a pouco era totalmente dependente da economia
Americana e vivia para idolatra-la e fazer desta um “modo de vida” (American
Way of Life) invejado. Está crise apesar de todo o desespero, vem para acabar
com o comodismo econômico e para quebrar a ideia colonial de que o EUA era
melhor que qualquer outro país, além de nos mostrar o como cada um destes
teve que lidar com a crise para se reerguer novamente e não causar o fim de
suas sociedades.

2.LOUCOS ANOS 20

Após a Primeira Guerra Mundial o EUA se torna a maior potência


mundial, visto que com a destruição da guerra na Europa, outras grandes
potências, como a Inglaterra e a Alemanha, ficaram retraídas em setor
econômico, pelo processo de recuperação que passavam. E assim o EUA ia
aumentando sua produção econômica, tanto com compradores internos como
externos, e se destacava por produzir carros, petróleo, aço, carvão, tecidos,
comida enlatada e muitas outras coisas. Provocando êxtase nos norte-
americanos, que abriam mais fabricas e investiam mais e mais. Os burgueses
e a classe média americana tornam se escravos do consumismo exacerbado,
farreando em boates e clubes, vivendo uma vida de luxo e regalias, o mundo
invejava os americanos dos pés à cabeça.

Os grandes destaques dos anos 20 foram o rádio, que inovava os meios


de comunicação do mundo e tornava-se nova paixão da população; o
surgimento também do movimento surrealista, que vem com a intenção de
criticar a vida burguesa, que só pensava em gastar; e, o ponto alto dos
nomeados gângsteres, que entram em ação quando o EUA cria a lei seca,
onde ninguém poderia beber, resultando na época que a população mais
bebeu.
Os grandes anos dourados dos norte-americanos, que sem saber
caminhavam para a maior depressão econômica que já existiu, como disse
Charles Fourier (1772- 1837): "No capitalismo, a abundância gera a miséria."
(FOURIER, C.)

Em contrapartida, um trecho da obra “A crise de 1929” do professor se


Economia Bernard Gazier ressalta que:

“Essas evoluções desfavoráveis não devem fazer esquecer o


indiscutível e excitante dinamismo dos “anos loucos”. Falar em
boom entre 1925 e 1929 seria excessivo; no entanto, a
expansão é marcante em quase todos os países do mundo
capitalista.” (GAZIER, 1950).

3.GRANDE DEPRESSÃO

Toda vez que o EUA sentia uma baixa na sua produção econômica, o
governo interferia no mercado aplicando mais crédito, ou seja, dinheiro e títulos
da Bolsa de Valores, para recuperar os danos. A expansão de crédito ia
tornando as taxas de juros artificiais, sem lastro 1 com as reservas de crédito
reais, que eram ancoradas na poupança. Os investidores de ações da Bolsa de
Valores de Nova Iorque eram enganados sobre a expansão de crédito, e,
assim ampliavam ainda mais os negócios, aumentavam os salários e investiam
mais e mais. Isso fará com que se crie uma “bolha inflacionária”, e em 1929, já
não era mais possível esconder a falsa expansão econômica, se tinha muito
dinheiro emitido circulando, mas sem nenhum valor real na produção. No
governo então de Hoover, a Bolsa de Valores de Nova Iorque, que era
responsável pela administração dos investimentos aplicados e do crédito
emitido, se rompe e dá início a pior quebra econômica mundial.

Era 24 de outubro de 1929, onde empresários viam o valor de suas


ações despencarem, sem nada poder fazer, empresas sendo levadas a
falência, burgueses e toda a população norte-americana vendo sua era de
ganância, escorrer entre os dedos, e, logo em seguida o mundo inteiro sentindo
o abalo econômico, como a Terceira Lei de Newton (princípio da ação e
reação), ao se quebrar a bolsa econômica do EUA, que já estava há anos
sendo a grande potência, ou seja o maior mercado consumidor, isso causou
uma reação nos países que a ele estavam interligados, como Londres, Tóquio,
Berlim, Amsterdã e Paris, que tiveram a bomba estourada em sua economia
1
Em economia, lastro significa a garantia implícita de um ativo. Antigamente era a reserva em ouro que
um país possuía, atualmente, esse valor é calculado por todos os patrimônios que um país possui,
servindo de garantia de valor da sua moeda.
também, entre outros muitos países, até mesmo o Brasil. O principal problema
foi a superprodução, onde muitos fábricas produziam cada vez mais, e o
consumo da população não foi conseguindo acompanhar tanta mercadoria. E
assim, acaba-se a era de sorte do capitalismo e se inicia a Grande Depressão.

4.CRISE DE 1929 NO BRASIL

O Brasil só teve destaque em exportações de café, e um pouco de


algodão, o que fez com que as regiões não-cafeeiras e o Rio de Janeiro, que
mantinha seu café estagnado no estado, sofressem bastante com a queda
econômica na década de 1920 comparada a de 1910. Porém, nesse tempo,
apesar desta queda, São Paulo foi se destacando economicamente, crescendo
cada vez mais, e, virando o polo central das demais regiões, o que acabou
estimulando a expansão da economia, da urbanização e da industrialização.
Isso explicaria o elevado nível do investimento industrial no período. Como São
Paulo estava se desenvolvendo muita mais que o restante do país, vai acabar
gerando maior complexidade social e econômica, ampliando os conflitos de
interesses e obrigando o Estado a se fortalecer institucionalmente. E
internamente em São Paulo mais conflitos se formaram, mesmo com o
aumento do emprego, de salários e de lucros, esta expansão trouxe excesso
de capacidade produtiva; maior organização da classe trabalhadora; conflitos
de interesses entre alguns da burguesia; alta de preços; reivindicações por
mais direitos sociais e expansão do movimento revolucionário tenentista. Estes
vão causar as Revoluções de 1922, de 1924, da Coluna Prestes. Mas entre
1924-26 se formulará o Plano de Defesa Permanente do Café, por conta dos
resultados positivos, se tornam cada vez mais ousados. Essa superprodução
causará uma crise que vai antecipar à mundial de outubro de 1929. Em fins de
1928, houve uma crise industrial, já que a superprodução de algodão excedeu
demais as demandas consumistas, e com o jeito capitalista de converter o erro,
se destruiu os excessos. E, em meados de 1929 havia previsão de que a safra
de café seria exuberante à vendida. Isso culminou em dificuldades nacionais,
em recusa de atendimento federal, em limitações dos recursos estaduais e
uma ameaça de haver novas safras astronômicas, trouxeram pôr fim à crise ao
Brasil, antes mesmo da que viria logo depois ao mundo todo. Então mesmo
que a crise de 1929 não acontecesse, o Brasil teria duas crises inexoráveis, a
do café e a industrial, o que poderia anular as transformações que estavam a
caminho.

O governo da Antiga República que atravessou 1929 e 1930, em plena


crise interna e externa, exerceu uma rígida política econômica, tentando manter
a mutabilidade da moeda nacional. Que acabou aprofundando a crise,
esgotando em absoluto as reservas de divisas e intensificando os conflitos
políticos já aquecidos pelas sequelas das eleições de março de 1930. Com a
vitória da Revolução em outubro de 1930, e perante da profundidade da “Crise
de 29”, os “tenentes”, queriam acabar com o comércio de café, mas
perceberam que este fazia do Brasil uma economia capitalista com grau
avançado de inter-relações setoriais e que tinha uma diversificada estrutura de
poder. Acabar com o café, acabaria com a crescente capitalista que havia sido
desenvolvida. Assim, a política econômica se agarra na defesa “do café”, que
se estende de 1931 até a Segunda Guerra Mundial.

5.CONCLUSÃO

Se concluí que a crise de 1929, apesar de desastrosa, é um mal


necessário, que tira o EUA desse centro potencial econômico, e, faz com que
cada país tente desenvolver uma nova economia interna para si, mostrando a
capacidade de cada qual de se desenvolver e renascer perante as cinzas da
grande depressão.

Um mundo que era baseado em consumo, em regalias, luxo e diversão,


teve a sensação de estar com o pé nas trevas; a crise por onde passou, deixou
fome, tristeza e desespero, levando multimilionários a pobreza, de um dia a
outro, onde muitos se suicidaram.

Mas a economia ao se refazer, trouxe esperança, ensinamentos e


organização, já não mais os representantes vão perder o controle por
ganância, e, os consumidores pensaram antes de comprar sem parar. Uma vez
no inferno, jamais se quer retornar.

E é assim, que nos seres conscientes deveríamos agir, mas o mundo


gira, os tempos passam, a história se repete e se desdobra, a ganância vence
e o homem padece... A ignorância é rei, e a rainha o dinheiro, séculos se
passam a essência continua, já dizia Parmênides 2, só se mudam as
aparências:

“Os homens vivem, seu cotidiano no mundo da Ilusão,


das aparências e das sensações.” (PARMÊNIDES)

2
Filósofo grego natural de Eleia (510-470 aC. Aproximadamente).
REFERÊNCIAS

A CRISE de 1929: O Fim de Um Sonho. Disponível em:<


http://espacodahistoriasempre.blogspot.com.br/2011/04/crise-de-1929-o-fim-de-
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GAZIER, B. A crise de 1929: Tradução de Julia de Rosa Simões. Porto Alegre,


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