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Data:08/04/2019 

Turma:CPI A 1 2019 
Tema:CP07.01.06 - Cooperação judiciária nacional e internacional. 

1ª - Questão:
Determinada sociedade empresária espanhola - TE ESTRAÑO SOCIEDAD - contratou
serviço de transporte aéreo brasileiro da empresa VOECONOSCO S.A., visando ao transporte
internacional aéreo de alimentos perecíveis.
Ocorre que, no curso do trajeto, os alimentos tornaram-se imprestáveis em razão de falha na
armazenagem da carga. 
TE ESTRAÑO SOCIEDAD ingressou com demanda em face de - VOECONOSCO S.A - na
corte espanholas, e obteve sentença condenatória por responsabilidade civil. Contudo, em
razão da ausência de operação naquele país, a requerente busca a homologação da sentença
estrangeira para que possa iniciar o trâmite de execução judicial no Brasil. Alega que reuniu
toda a documentação em conformidade com os requisitos normativos aplicáveis, de modo a
obter a homologação do título judicial alienígena. 
Acerca da cooperação judiciária internacional, responda de forma fundamentada se é possível
o pedido.

Estando todos os requisitos normativos aplicáveis preenchidos, conforme os


incisos do art. 963, do CPC/15, deverá a sentença estrangeira ser homologada pelo STJ.
Os requisitos são:
Art. 963. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da decisão:
I - ser proferida por autoridade competente;
II - ser precedida de citação regular, ainda que verificada a revelia;
III - ser eficaz no país em que foi proferida;
IV - não ofender a coisa julgada brasileira;
V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense
prevista em tratado;
VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública.

O art. 963 do CPC dispõe que são requisitos indispensáveis à homologação da


decisão: (i) ter sido proferida por autoridade competente (jurisdicional ou não); (ii) a
precedência de citação regular4, ainda que verificada a revelia; (iii) dispor de eficácia no país
em que foi proferida; (iv) não ofender a coisa julgada brasileira; (v) estar acompanhada de
tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista em tratado; (vi) não implicar em
manifesta ofensa à ordem pública.
É preciso atentar que o inciso III, do art. 963, do CPC, faz menção à decisão
“eficaz no país em que foi proferida”. Ou seja, não há exigência de que aquele
pronunciamento decisório esteja acobertado ou imunizado pela coisa julgada (ou ainda por
institutos com características semelhantes). Por força do tratamento legal confiado à matéria,

1
impõe-se o cancelamento do Enunciado 420, da Súmula do STF, ao dispor que “não se
homologa sentença proferida no estrangeiro sem prova do trânsito em julgado”.
A manifesta ofensa à ordem pública (atualmente tratada pelo inciso VI, do art.
963, do CPC) costumava obstar a homologação de certas decisões estrangeiras, ou, ainda,
obstar o cumprimento de eventual carta rogatória passiva. Em 2002, surgiu a discussão a
respeito da invocação da cláusula de ordem pública e a cobrança de dívida de jogo. O
Ministro Marco Aurélio manifestou o seu ponto de vista em prol da possibilidade de
emprestar eficácia à decisão estrangeira, por não ferir a ordem pública pátria (Ag. Reg. Carta
Rogatória CR 9.897).