Você está na página 1de 19

‘‘ ‘ ‘ ‘ ‘‘



Considere a função polinomial:

F(x) = a 0. xn + a1. xn ± 1 + a2. xn ± 2 +... + xn ± 1. x + xn, sendo a0  0 e n • 1.


Considerando o teorema da decomposição podemos representar F(x) = a0 . (x ± r1). (x ±
r2). ... . (x ± rn).
Empregando a propriedade distributiva, tornando redutíveis os termos
semelhantes, e ordenando o polinômio, temos:

F(x) = a 0 . xn ± a0(r1 + r2 + ... + r n) . xn-1 + a0 (r1r2 + r1r3 + ...) xn-2 + ...

Se igualarmos os coeficientes deste último polinômio, dois a dois,


respectivamente, como os coeficientes iniciais a0, a1, a2, ..., an, obtemos n relações entre
as raízes e os coeficientes de F, tais relações são denominadas Relações de Girard, e são
as seguintes:

‘‘

‘ 
‘ ‘ ‘‘
 ‘‘

A equação a0 x2 + a1 x + a2 = 0 possue como raízes os termos r1 e r2, nesse caso:

‘‘

‘ 
‘ ‘ ‘‘
 ‘‘

A equação a0 x3 + a1x2 + a2x + a3 = 0 possui como raízes os termos r1, r2 e r3, nesse caso:

1
‘‘

‘ 
‘ ‘ ‘‘
 ‘‘

A equação a0x4 + a1x3 + a2x2 + a3x + a4 = 0 possui como raízes os termos r1, r2, r3 e
r4, nesse caso:

 ‘
‘

Equações algébricas são equações nas quais a incógnita x está sujeita a


operações algébricas como: adição, subtração, multiplicação, divisão e radiciação.
Exemplos:

ax+b=0
a x2 + bx + c = 0
a x4 + b x2 + c = 0

Uma equação algébrica está em sua forma canônica, quando ela está escrita nas
formas acima.

(an-1) x1 + an = 0

onde n é um número inteiro positivo (número natural). O maior expoente da incógnita


em uma equação algébrica é denominado o grau da equação e o coeficiente do termo de
mais alto grau é denominado coeficiente do termo dominante.

a x2 + b x + c = 0

2
onde os números reais a, b e c são os coeficientes da equação, sendo que a deve ser
diferente de zero. Essa equação é também chamada de equação quadrática, pois o termo
de maior grau está elevado ao quadrado.

 ‘ ‘‘ ‘


 ‘‘

Uma equação do segundo grau é completa, se todos os coeficientes a, b e c são


diferentes de zero.

Exemplos:

2 x2 + 7x + 5 = 0
3 x2 + x + 2 = 0

 ‘  ‘‘ ‘


 ‘‘

Uma equação do segundo grau é incompleta se o coeficientes b ou c são nulos,


juntos ou separadamente. Mesmo na equação incompleta o coeficiente a é sempre
diferente de zero.

Exemplos:

4 x2 + 6x = 0
3 x2 + 9 = 0
2 x2 = 0

 ‘‘ ‘  ‘‘‘


 ‘‘

Equações do tipo ax2=0

Basta dividir toda a equação por a para obter:

x2 = 0

significando que a equação possui duas raízes iguais a zero.

Equações do tipo ax2+c=0

Novamente dividimos toda a equação por a e passamos o termo constante para o


segundo membro para obter:

x2 = -c/a

Se ±c/a for negativo, não existe solução no conjunto dos números reais.

Se ±c/a for positivo, a equação terá duas raízes com o mesmo valor absoluto
(módulo) mas de sinais contrários.

3
Equações do tipo ax2+bx=0

Neste caso, fatoramos a equação para obter:

x (ax + b) = 0

e a equação terá duas raízes:

x' = 0
ou
x" = -b/a

 ‘
 ‘‘

A equação 4x2=0 tem duas raízes nulas.


A equação 4x2-8=0 tem duas raízes: x'=R[2], x"=-R[2]
A equação 4x2+5=0 não tem raízes reais.
A equação 4x2-12x=0 tem duas raízes reais: x'=3, x"=0

 ‘‘ ‘ ‘‘‘


 ‘‘

Como vimos, uma equação do tipo:

a x2 + b x + c = 0

é uma equação completa do segundo grau e para resolvê-la basta usar a fórmula de
Bhaskara, que também pode ser escrita na forma:

onde D=b2-4ac é o discriminante da equação.

Para esse discriminante D há três possíveis situações:

Se D<0, não há solução real, pois não existe raiz quadrada real de número negativo.

Se D=0, há duas soluções iguais:

x' = x" = -b / 2ª

Se D>0, há duas soluções reais e diferentes:

x' = (-b + R[D])/2ª e x" = (-b - R[D])/2a


‘

‘ ‘‘!"
‘‘#$%
‘‘

Você pode realizar o Cálculo das Raízes da Equação do segundo grau com a
entrada dos coeficientes a, b e c em um formulário, mesmo no caso em que D é
negativo, o que força a existência de raízes complexas conjugadas.

4
Mostraremos agora como usar a fórmula de Bhaskara para resolver a equação:

x2 - 5 x + 6 = 0

Identificar os coeficientes

a = 1 , b = -5 , c = 6

Escrever a fórmula do discriminante

D = b2 - 4ac

 
‘‘ 
‘‘

D = (-5)2 - 4.1.6 = 25 - 24 = 1

Escrever a fórmula de Bhaskara:

Substituir os coeficientes a, b e c na fórmula de Bhaskara:


x' = (1/2) (5 + R[1]) = (5+1) / 2 = 3
x" = (1/2) (5 - R[1]) = (5-1) / 2 = 2

 ‘ & 
‘‘

São equações do 4o. grau na incógnita x, da forma geral:

a x4 + b x2 + c = 0

Na verdade, esta é uma equação que pode ser escrita como uma equação do
segundo grau através da substituição:

y = x2
para gerar

a y2 + b y + c = 0

Aplicamos a fórmula quadrática para resolver esta última equação e obter as


soluções y' e y" e o procedimento final deve ser mais cuidadoso, uma vez

x2 = y'
x2 = y"
e se y' ou y" for negativo, as soluções não existirão para x.

Exemplos:
x4 - 13 x2 +36 =0

Tomando y=x2, teremos y2 - 13 y + 36 =0

cujas raízes são y' = 4 ou y" = 9

5
Assim: x2 = 4 ou x2 = 9

o que garante que o conjunto solução é:

S = { 2, -2, 3, -3}

x4 - 5 x2 -36 = 0

Tomando y=x2, teremos


y2 - 5 y - 36 =0

cujas raízes são y' = -4 ou y" = 9

Assim: x2 = -4 ou x2 = 9

o que garante que o conjunto solução é:

S = {3, -3}

x4 + 13 x2 +36 =0

Tomando y=x2, teremos

y2 + 13 y + 36 =0

cujas raízes são y' = -4 ou y" = -9

Assim: x2 = -4 ou x2 = -9

o que garante que o conjunto solução é vazio.

Ò 
‘ ‘

Quantas vezes, ao calcularmos o valor de Delta (b2 - 4ac) na resolução da


equação do 2º grau, nos deparamos com um valor negativo (Delta < 0). Nesse caso,
sempre dizemos ser impossível a raiz no universo considerado (normalmente no
conjunto dos reais- Ê). A partir daí, vários matemáticos estudaram este problema, sendo
Gauss e Argand os que realmente conseguiram expor uma interpretação geométrica
num outro conjunto de números, chamado de números complexos, que representamos
por .

Chama-se conjunto dos números complexos, e representa-se por , o conjunto de pares


ordenados, ou seja:
v‘'‘()*+
onde x pertence a e y pertence a .

Então, por definição, se z = (x,y) = (x,0) + (y,0)(0,1) onde i=(0,1), podemos escrever
que:

6
v'()*+',*
Exemplos:

(5,3)=5+3i
(2,1)=2+i
(-1,3)=-1+3i ...

Dessa forma, todo o números complexo v'()*+ pode ser escrito na forma v',* ,
conhecido como forma algébrica, onde temos:

' (v, parte real de z


*'- (v+, parte imaginária de z

- ‘
‘ 
‘ ‘

Dois números complexos são iguais se, e somente se, apresentam simultaneamente
iguais a parte real e a parte imaginária. Assim, se z1=a+bi e z2=c+di, temos que:

v 'v .''/‘'‘‘'‘

 ‘‘ 
‘ ‘

Para somarmos dois números complexos basta somarmos, separadamente, as partes


reais e imaginárias desses números. Assim, se z=a+bi e z2=c+di, temos que:

v ,v '(,+‘,‘(,+‘

0 
‘‘ 
‘ ‘

Para subtrairmos dois números complexos basta subtrairmos, separadamente, as partes


reais e imaginárias desses números. Assim, se z=a+bi e z2=c+di, temos que:

v &v '(&+‘,‘(&+‘

12 ‘‘ ‘

Se, por definição, temos que i = - (-1)1/2 , então:


i0 = 1
i1 = i
i2 = -1
i3 = i2.i = -1.i = -i
i4 = i2.i2=-1.-1=1
i5 = i4. 1=1.i= i
i6 = i5. i =i.i=i 2=-1
i7 = i6. i =(-1).i=-i ......

Observamos que no desenvolvimento de in ( pertencente a Ò, com  variando, os


valores repetem-se de  em  unidades. Desta forma, para calcularmos in basta
calcularmos
onde
é o resto da divisão de  por .

7
Exemplo:

i63 => 63 / 4 dá resto 3, logo i63=i3=-i

   ‘‘ 
‘ ‘

Para multiplicarmos dois números complexos basta efetuarmos a multiplicacão dois


dois binômios, observando os valores das potência de . Assim, se z1=a+bi e z2 =c+di,
temos que:
z1.z2 = a.c + adi + bci + bdi 2
z1.z2= a.c + bdi2 = adi + bci
z1.z2= (ac - bd) + (ad + bc)i
Observar que : i2= -1

3 ‘‘ ‘ 
‘ ‘

Dado z=a+bi, define-se como conjugado de z (representa-se por z- ) ==> z-= a-bi

" ‘‘ ‘ 
‘ ‘

Dado z = a+bi, chama-se módulo de z ==> | z | = (a 2+b2)1/2, conhecido como ro

-

‘ 
‘

Como dissemos, no início, a interpretação geométrica dos números complexos é que


deu o impulso para o seu estudo. Assim, representamos o complexo z = a+bi da seguinte
maneira

4
‘ 
‘‘ 
‘ ‘

Da interpretação geométrica, temos que:

8
que é conhecida como forma polar ou trigonométrica de um número complexo.


‘‘!
‘ 
‘

Sejam z1 =ro1(cos t11) e z2=ro1 (cos t1+i sent1 ). Então, temos que:

+   

5 6 

1 

  

para n = 0, 1, 2, 3, ..., n-1

9
ö 7 8

8    



  i il   tti 

 
t   CcC Mttt  
 !C C

"#i
it$ltl%i i
iiY YYY

 Y
Y YY&i'lt iti# i( i
 )il

*it
  i      l  t

 i  
+
YY

%$i*it
  i  t,&jli#jt
 - i  lt t i  ti&   t . $i
   tt
  lt   iti *   t& t&  /il   tti


 !Ci&lítiil0i
 C t l i

  ílitli& j  iíi   t it
  $l('
 l  tti   ili itl j  iii 
 :+ itti&t i1 li0iil"li&
*it
  i   i   l$  "il0" " it2  t+ i   
íi  tti

3+&il42 lil+
t+ilit
0 i0 t i



*it
 +

5it
0 iit $2lt  i1 2 l 
1  i6i  + i   i   7i  i 2 -
tití t'       í & (4 t liit  iliit

c 

ti$t1  í )  l(4t 
 t t('& it i+ i  -

i   l(4 tti " # $('  t  
 i2l+  i-i  
   i  i$ 8$i7i i t i  i  it& lt  2
t(4 $iti l  itt l& i  i
 +&t ti-i & 7i
#l, 9 $i' t#- lí    t  - - i& t l t  
t l$  
t l"l
it
0 i+
 t-
l   t('  3  #   i)&   i  # t  *it
   
iíl j+# i it
 i$i t t- i
 tl2íi
t i  . l(4t l
t iâ
l tâ
l"# tiit *it
 

/i )l  C t      Mtt&   &  $$lt


 !C C

(    8  


  it
 i&  7i&  -   iíi tl    t 
i-  5it
0 i'iti
 &li&#tâi&i 
1 lt tlt* tl)itit lt:t &

& 


"i&*it
    it
0 i i$ti
   l(4 tti  # i 
$ itíitti



5t
 í#l8l*it
0 i

5 í#l tili, l l   t


& &  # i *it
 &
i l
   i it t : t
 - #ti t (2 
i
it
 
l ;lit (4
tti
l&-
#ti  $ t
 
l &  -   il   i
il )tt l
,' 

*it
 # i  (4 $ i$ii #t('
t ii  iíi&  lt  ii&   t  tl
l
  )t i&t
i& 
 i
$2    ti  l&
  22  it  t ( t $-  $ # ('
+ 6i5+ 6i* 2t &it ( t

cc

depois a quinta parte conseguiremos os intervalos de quinta e terça em relação à
fundamental. A chamada SÉRIE HARMÔNICA. À medida que subdividimos a corda
obtemos sons mais altos e os interevalos serão diferentes. E assim sucessivamente.
Descobriu ainda que frações simples das notas, tocadas juntamente com a nota original,
produzem sons agradáveis. Já as frações mais complicadas, tocadas com a nota original,
produzem sons desagradáveis.

O nome está ligado principalmente ao importante teorema que afirma: Em todo


tri ngulo ret ngulo, a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da
hipotenusa.

Além disto, os pitagóricos acreditavam na esfericidade da Terra e dos corpos celestes, e


na rotação da Terra, com o que explicavam a altern ncia de dias e noites. A filosofia
baseou uma doutrina chamada Filosofia explanatória Cristo-Pitagorica.

A escola pitagórica era conectada com concepções esotéricas e a moral pitagórica


enfatizava o conceito de þ  , práticas ascéticas e defendia a metempsicose.

Durante o século IV a.C., verificou-se, no mundo grego, uma revivescência da vida


religiosa. Segundo alguns historiadores, um dos fatores que concorreram para esse
fenômeno foi a linha política adotada pelos tiranos: para garantir o papel de líderes
populares e para enfraquecer a antiga aristocracia, os tiranos estimulavam a expansão de
cultos populares ou estrangeiros.

Dentre estes cultos, um teve enorme difusão: o Orfismo (de Orfeu), originário da Trácia,
e que era uma religião essencialmente esotérica. Os seguidores desta doutrina
acreditavam na imortalidade da alma, ou seja, enquanto o corpo se degenerava, a alma
migrava para outro corpo, por várias vezes, a fim de efetivar a purificação. Dioniso
guiaria este ciclo de reencarnações, podendo ajudar o homem a libertar-se dele.

Pitágoras seguia uma doutrina diferente. Teria chegado à concepção de que todas as
coisas são números e o processo de libertação da alma seria resultante de um esforço
basicamente intelectual. A purificação resultaria de um trabalho intelectual, que
descobre a estrutura numérica das coisas e torna, assim, a alma como uma unidade
harmônica. Os números não seriam, neste caso, os símbolos, mas os valores das
grandezas, ou seja, o mundo não seria composto dos números 0, 1, 2, etc., mas dos
valores que eles exprimem. Assim, portanto, uma coisa manifestaria externamente a
estrutura numérica, sendo esta coisa o que é por causa deste valor.

1
  ‘
‘

Além de grandes místicos, os pitagóricos eram grandes matemáticos. Eles descobriram


propriedades interessantes e curiosas sobre os números.

Os pitagóricos estudaram e demonstraram várias propriedades dos números figurados.


Entre estes o mais importante era o número triangular 10, chamado pelos pitagóricos de
  , tétrada em português. Este número era visto como um número místico uma
vez que continha os quatro elementos fogo, água, ar e terra: 10=1 + 2 + 3 + 4, e servia
de representação para a completude do todo.

12
‘‘‘ ‘
‘‘ ‘ ‘
‘ ‘ ‘ ‘
‘ ‘ ‘ ‘

"t-t &it
0 i+$i&i#i)t&i
t 7    i t   #&     í#l  iii   +it
$( lit0 iR t('t itil 
l# $

Ò 


"   i$i   t i 1   )(' l & -   0 i
1 8)l:

c‘ 5i$i !':c&=&<!8t'&c>=><?!


=‘ 5i$i =@':c&=&&&c=@8t'&c>=>>>c?=@

x  
 




: t  3 *it
 

: #l'li-*it
  t i  l(4t 
l   t iâ
l tâ
l *it
   $       
tt-i
l +it

5  ii  1  i il    # t i  i,    1  =& 

i )tt  li('  t   *it
    t iâ
l  tt
$lc:

5

 ' +i  í#l  i,    i,i ilt: "
1 ltili i-="

c<

A partir da descoberta da raiz de 2 foram descobertos muitos outros números
irracionais.

 
‘‘

‘  6
 ‘

A palavra Matemática (Mathematike, em grego) surgiu com Pitágoras, que foi o


primeiro a concebê-la como um sistema de pensamento, fulcrado em provas dedutivas.

Existem, no entanto, indícios de que o chamado Teorema de Pitágoras (c²= a²+b²) já era
conhecido dos babilônios em 1600 a.C. com escopo empírico. Estes usavam sistemas de
notação sexagesimal na medida do tempo (1h=60min) e na medida dos ngulos (60º,
120º, 180º, 240º, 360º).

Pitágoras percorreu por 30 anos o Egito, Babilônia, Síria, Fenícia e talvez a Índia e a
Pérsia, onde acumulou ecléticos conhecimentos: astronomia, matemática, ciência,
filosofia, misticismo e religião. Ele foi contempor neo de Tales de Mileto, Buda,
Confúcio e Lao-Tsé.

Quando retornou à sua cidade natal, Samos, indispôs-se com o tirano Polícrates e
emigrou para o sul da Itália, na ilha de Crotona, de dominação grega. Aí fundou a
Escola Pitagórica, a quem se concede a glória de ser a "primeira Universidade do
mundo".

A Escola 1 "
 e as atividades se viram desde então envoltas por um véu de
lendas. Foi uma entidade parcialmente secreta com centenas de alunos que compunham
uma irmandade religiosa e intelectual. Entre os conceitos que defendiam, destacam-se:

a‘ prática de rituais de purificação e crença na doutrina da metempsicose, isto é, na


transmigração da alma após a morte, de um corpo para outro. Portanto,
advogavam a reencarnação e a imortalidade da alma;
a‘ lealdade entre os membros e distribuição comunitária dos bens materiais;
a‘ austeridade, ascetismo e obediência à hierarquia da Escola;
a‘ proibição de beber vinho e comer carne (portanto é falsa a informação que os
discípulos tivessem mandado matar 100 bois quando da demonstração do
denominado Teorema de Pitágoras);
a‘ purificação da mente pelo estudo de Geometria, Aritmética, Música e
Astronomia;
a‘ classificação aritmética dos números em pares, ímpares, primos e fatoráveis;
a‘ "criação de um modelo de definições, axiomas, teoremas e provas, segundo o
qual a estrutura intrincada da Geometria é obtida de um pequeno número de
afirmações explicitamente feitas e da ação de um raciocínio dedutivo rigoroso"
(George Simmons);
a‘ grande celeuma instalou-se entre os discípulos de Pitágoras a respeito da
irracionalidade do 'raiz de 2'. Utilizando notação algébrica, os pitagóricos não
aceitavam qualquer solução numérica para x² = 2, pois só admitiam números
racionais. Dada a conotação mística atribuída aos números, comenta-se que,
quando o infeliz Hipasus de Metapontum propôs uma solução para o impasse, os
outros discípulos o expulsaram da Escola e o afogaram no mar;
a‘ na Astronomia, idéias inovadoras, embora nem sempre verdadeiras: a Terra é
esférica, os planetas movem-se em diferentes velocidades nas várias órbitas ao

14
redor da Terra. Pela cuidadosa observação dos astros, cristalizou-se a idéia de
que há uma ordem que domina o Universo;
a‘ aos pitagóricos deve-se provavelmente a construção do cubo, tetraedro,
octaedro, dodecaedro e a bem conhecida "seção áurea";
a‘ na Música, uma descoberta notável de que os intervalos musicais se colocam de
modo que admitem expressões através de proporções aritméticas.

Pitágoras é o primeiro matemático puro. Entretanto é difícil separar o histórico do


lendário, uma vez que deve ser considerado uma figura imprecisa historicamente, já que
tudo o que dele sabemos deve-se à tradição oral. Nada deixou escrito, e os primeiros
trabalhos sobre o mesmo deve-se a Filolau, quase 100 anos após a morte de Pitágoras.
Mas não é fácil negar aos pitagóricos - assevera Carl Boyer - "o papel primordial para o
estabelecimento da Matemática como disciplina racional". A despeito de algum
exagero, há séculos cunhou-se uma frase: "Se não houvesse o 'teorema Pitágoras', não
existiria a Geometria".

Ao biografar Pitágoras, J mblico (c. 300 d.C.) registra que o mestre vivia repetindo aos
discípulos: ³todas as coisas se assemelham aos números´.

A Escola Pitagórica ensejou forte influência na poderosa verba de Euclides, Arquimedes


e Platão, na antiga era cristã, na Idade Média, na Renascença e até em nossos dias com o
Neopitagorismo.

1 ‘‘1  
‘

1.‘ Educai as crianças e não será preciso punir os homens.


2.‘ Não é livre quem não obteve domínio sobre si.
3.‘ Pensem o que quiserem de ti; faz aquilo que te parece justo.
4.‘ O que fala semeia; o que escuta recolhe.
5.‘ Ajuda teus semelhantes a levantar a carga, mas não a carregues.
6.‘ Com ordem e com tempo encontra-se o segredo de fazer tudo e tudo fazer bem.
7.‘ Todas as coisas são números.
8.‘ A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de
Deus.
9.‘ A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei
de Deus.
10.‘A vida é como uma sala de espetáculos: entra-se, vê-se e sai-se.
11.‘A sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas os homens podem
desejá-la ou amá-la tornando-se filósofos.

- 
9 ‘ 
‘‘5
 ‘

Pitágoras foi o primeiro filósofo a criar uma definição que quantificava o objetivo final
do Direito: a Justiça. Ele definiu que um ato justo seria a chamada "justiça aritmética",
na qual cada indivíduo deveria receber uma punição ou ganho quantitativamente igual
ao ato cometido. Tal argumento foi refutado por Aristóteles, pois ele acreditava em uma
justiça geométrica, na qual cada indivíduo receberia uma punição ou ganho
qualitativamente, ou proporcionalmente, ao ato cometido; ou seja, ser desigual para com
os desiguais a fim de que estes sejam igualados com o resto da sociedade.

15
5 ‘#
  ‘

Radicada em Basiléia, Suíça, a família Bernouili (ou Bernouilli) tem um papel de


destaque nos meios científicos dos séculos XVII e XVIII: dela descendem nada menos
que dez cientistas eminentes, que revolucionarão a Física e a Matemática do período.
Pela diversidade e profundidade de seus trabalhos, Daniel Bernoulli - simultaneamente
filósofo, físico, fisiologista, médico, bot nico e matemático - é considerado por muitos
o mais brilhante representante dessa família excepcional.

Sobrinho do famoso físico e matemático Jacques (ou Jakob) Bernoulli (o criador dos
  
 que desenvolveram o uso do cálculo infinitesimal),filho de
Johann Bernoulli (doutor em Medicina e professor de Física Aplicada da Universidade
de Basiléia), Daniel nasceu em Gröningen, na Holanda, a 9 de fevereiro de 1700. Os
Bernoulli estavam radicados na cidade havia algum tempo, pois Johann era catedrático
na universidade local. Em 1705, com a morte de Jakob, eles retomaram à Basiléia, pois
coube a Johann assumir o lugar do irmão à testa da cadeira de matemática da importante
universidade

Aos treze anos, Daniel já iniciava seus estudos de Filosofia e Lógica, completando o
curso colegial em dois anos. Durante esse período, ele recebeu ensinamentos de
Matemática de seu próprio pai e, especialmente, do irmão mais velho, Nikolaus. O
verdadeiro desejo familiar, entretanto, era encaminhá-lo para a carreira de comerciante.
A insistência de Daniel, porém, levou Johann a autorizar sua inscrição no curso de
Medicina, primeiramente em Basiléia, depois em Heidelberg e Estrasburgo. Somente
em 1720 ele retomaria à Suíça, obtendo o doutorado no ano seguinte, com uma
dissertação intitulada   

Após a conclusão do curso, não encontrando, imediatamente, um posto na Universidade


de Basiléia, Daniel resolveu juntar-se ao irmão Nikolaus, em Veneza, onde este último
continuava seus estudos de Medicina com Pietro Antonio Michelotti. Também desejava
trabalhar com G. B. Morgagni, em Pádua, mas não pode realizar essa vontade devido a
uma doença grave.

Nessa época, publicou seu primeiro trabalho, as    þ cae,
chamando a atenção dos meios científicos. A obra contém quatro trabalhos diversos,
estudando, sucessivamente, jogos de azar, a queda da água de recipientes abertos, a
equação de Riccati (equação diferencial cuja solução não pode, em geral, ser reduzida a
integração - motivo porque despertou a curiosidade dos matemáticos) e as figuras
limitadas por dois arcos circulares. Nesse trabalho já se demonstrava o talento especial
de Daniel para a Física, a Mec nica e a tecnologia, usando a Matemática como suporte.

Seu sucesso resultou num convite, para lecionar na Academia de São, Petersburgo, na
Rússia, para onde ele partiu, em 1725, com Nikolaus. No mesmo ano, ganhou o prêmio
da Academia de Paris, o primeiro de uma série de dez lauréis que lhe foram conferidos
por essa entidade.

A estada de Daniel em São Petersburgo deixou-lhe amargas lembranças. Além de


perder o irmão mais velho, que tanto influenciara sua formação, sofreu bastante com os
rigores do clima. Por isso, solicitou três vezes uma cadeira na Universidade de Basiléia,
que só obteve em 1733, passando a dirigir o departamento de Anatomia e Bot nica.

16
Na Rússia, entretanto, sua produção intelectual foi extremamente rica, principalmente
depois de 1727, quando trabalhou com outro grande cientista: Leonhard Euler. Seus
estudos dessa época incluem escritos em Medicina, Matemática e Ciências Naturais
(especialmente Mec nica), geralmente independentes um do outro, embora simult neos.
Assim, em 1728, publicou uma teoria mec nica da contração muscular. Também
realizou pesquisas sobre o nervo óptico e o trabalho mec nico do coração, além de
abordar questões de Fisiologia, como o cálculo da quantidade máxima de trabalho
realizada pelo homem.

Seu verdadeiro interesse, porém, situava-se nos campos da Física e da Matemática



e, já
nessa época, ele completava o esquema de sua obra mais marcante, a ö   
importante estudo de mec nica dos fluidos -, além de realizar um trabalho sobre
oscilações e um tratado original da teoria da probabilidade.

Em 1733 retornou à Basiléia, junto com o irmão mais novo, Johann, que também se
radicara em São Petersburgo. Aproveitou a viagem para visitar várias cidades européias,
sendo bem recebido no mundo científico.

Novamente instalado na Suíça, Daniel entregou-se às suas aulas de Medicina, sem


abandonar, porém, os estudos de Matemática e Mec nica, sua verdadeira paixão.
Publicou vários artigos e completou a ö  (em 1734), que só publicou em
1738.

A mec nica dos fluidos divide-se em duas partes: a hidrostática, que estuda o equilíbrio
dos fluidos, e a hidrodin mica, que estuda seu movimento. A primeira nasceu com
Arquimedes - de cuja obra Daniel Bernoulli é considerado um continuador -, mas
recebeu um estudo sistemático somente no final do século XVII, com Stevin e Pascal.
Já os fundamentos da din mica dos líquidos surgem apenas no século XVIII,
principalmente graças a Euler. A din mica dos gases apresenta impulso maior na
atualidade, por sua aplicação ao vôo de aparelhos mais pesados que o ar.

Daniel Bernouili inspirou-se em Demócrito e Arquimedes para desenvolver as idéias


centrais de sua mec nica dos fluidos. Do primeiro ele tirou a concepção de que a
matéria é composta de átomos que se movem rapidamente em todas as direções. Mas foi
a partir dos conceitos de hidrostática e mec nica desenvolvidos por Arquimedes, que o
matemático suíço estruturou sua hidrodin mica.

O grande sábio de Siracusa foi o primeiro a assinalar, ainda no século II a.C., que os
fluidos não guardam espaços vazios entre si, apresentando-se, portanto,
macroscopicamente contínuos e uniformes.

O norueguês Stevin, contempor neo de Galileu, estudou a distribuição das pressões nos
líquidos em equilíbrio, complementando e sistematizando o estudo do princípio de
Arquimedes. Não se sabe se Blaise Pascal (1623-1662) tinha conhecimento do trabalho
de Stevin, mas ele completou e confirmou seus resultados, assinalando como a
transmissão das pressões a todos os pontos de um líquido em equilíbrio podia ser
aproveitada na prensa hidráulica.

Foi Torricelli quem se preocupou primeiro com o problemas suscitados pelo movimento
dos fluidos. Talvez o conjunto de estudos que realizou sobre o escoamento de um

17
líquido por um orifício seja uma de suas mais importantes obras, apesar de
relativamente pouco conhecida. A chave da interpretação das peculiaridades do
movimento dos fluidos ideais, porém, foi dada no x    ö  que
Daniel Bernoulii publicou em Estrasburgo, em 1738.

O tratado principia com uma breve história da Hidráulica, seguida de pequena


apresentação da Hidrostática. Mas, nos treze capítulos, é aos fluidos elásticos - os gases
- que Bernoulli dedica a parte mais importante da obra, esboçando uma teoria cinética
dos gases. Para ele, esses fluidos são compostos ³de minúsculas partículas que se
deslocam de cá para lá, numa movimentação rápida´. A idéia básica de sua teoria
cinética é a de que a pressão de um fluido sobre a parede do recipiente que o contém é
devida aos inúmeros choques (contra a parede) das pequenas partículas (moléculas) que
compõem o fluido. A parede fica‘sujeita a uma multiplicidade de forças que, em média,
correspondem a uma força constante distribuída por toda a superfície em contato com o
fluido.

Na mesma obra, o cientista deduz o teorema que leva seu nome - e que exprime, no
fundo, a conservação da energia mec nica nos fluidos ideais, afirmando que, em
qualquer ponto do fluido, há uma relação constante entre três grandezas: velocidade,
pressão e energia potencial do fluido. É um dos princípios fundamentais da mec nica
dos fluidos, uma vez que, com algumas correções (considerando-se a compressibilidade
e a viscosidade dos fluidos reais), pode, ser aplicado ao movimento de qualquer tipo de
fluido. Acima de tudo, ele permite calcular a velocidade de um fluido medindo-se as
variações de pressão (a diminuição de velocidade provoca o aumento de pressão e vice
versa).

Partindo da idéia da conservação da energia mecanica - característica encontrada


mesmo em um líquido isento de forças viscosas - Bernouili mostrou que, em igualdade
de nível, há uma diferença de pressões devida à diferente velocidade de escoamento nos
vários pontos de um fluido. Por exemplo, num dado ponto do fluido, no qual este último
esteja em repouso, a pressão aí será maior, pois está associada a uma forma de energia
potencial, ao passo que num outro ponto onde o fluido se move rapidamente a pressão é
menor, pois nessa posição à velocidade do fluido corresponde uma dose de energia
cinética. Dado que a energia total é a mesma em todos os pontos do filete líquido, nos
pontos de maior energia cinética a pressão é menor e vice-versa.

A própria força de sustentação dos aviões se deve à existência da diferença de pressões,


que Bernoulli tão bem assinalou. De fato, como o trajeto que os filetes de ar devem
percorrer na parte superior do perfil da asa é bem maior que na parte inferior,
estabelece-se uma diferença de velocidade nos filetes, de forma que, onde a velocidade
é maior, a pressão é menor. Essa diferença resulta numa força ascensional.

Além do vôo do mais pesado que o ar, foram os conhecimentos de Hidrodin mica que
possibilitaram muitos dos confortos da vida atual (desde o cálculo de uma rede de
adução e distribuição de água até o projeto dos submarinos, aviões supersônicos,
foguetes e mesmo automóveis e outros veículos modernos). Também nas turbinas a gás,
instalações frigoríficas, indústrias químicas, motores térmicos, nos quais, ao lado da
Termodin mica, a teoria do escoamento dos fluidos fornece a base teórica indispensável
à sua construção.

18
Ao publicar sua obra, Daniei teve que suportar as críticas do próprio pai, que o acusou
de partir de ³um princípio indireto, o qual é perfeitamente verdadeiro, mas que ainda
não é acolhido por todos os filósofos´. Johann pretendia estudar o movimento das águas
unicamente à luz dos princípios da Din mica, pelo que foi felicitado pelo próprio Euler
(amigo íntimo de Daniel, com quem mantinha correspondência desde a partida deste
último de São Petersburgo). Em 1742, Johann publica sua ö
 com a pré-data
de 1732, pretendendo, desta forma, a prioridade de algumas descobertas de seu filho.

Os meios científicos, entretanto, consagraram o livro de Daniel. Este continuou a


lecionar em Basiléia, obtendo, em 1743, a cadeira de Fisiologia, mais próxima de seus
verdadeiros interesses. Finalmente, em 1750, ele obtém a cadeira de Física, que
ocuparia até 1776. Seis anos depois vem a falecer, sendo sepultado em Peterskirche,
perto do lugar onde residia.

19