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1.

Introdução

A ciência era antes baseada no senso comum e fazia o senso comum menos comum; mas
agora é ciência tornada comum" (MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigação
em psicologia social. 3ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 60).

Através dos tempos, a necessidade de educar as novas gerações sempre teve que lidar com o
aparente paradoxo entre formar e informar. Em face do desafio de assumir prioridades
diversos modelos de ensino acabavam por priorizar uma ou outra vertente, sem que
necessariamente se tivesse clareza das implicações para o processo de formação humana ou
para a constituição da sociedade.

Sobre as diversas áreas do conhecimento humano, ainda há quem insista em ensinar nas
escolas e faculdades, que os conteúdos dos cursos (Fundamental, Médio e acadêmico) têm
procedência de uma pesquisa científica e que para tal procedimento é necessário um método
de investigação. Assim acontece com a Matemática, com a Biologia, a Física, a Química e
certamente com a História. Todavia, a História sofre críticas pesadas quanto a sua validade
científica.

Muitos estudiosos, acadêmicos, ou até mesmo curiosos, discutem a posição da história quanto
ciência ou não; alguns tratam a história como um método, embasado na teoria de que toda
ciência utiliza métodos para desenvolver sua teses e teorias, muitas vezes não deixam claro o
que é científico e o que é tecnológico, e até mesmo, o que na é científico. Hoje sabemos que
existem vária áreas de conhecimentos, algumas são ciências, outras não.
as ciências humanas

Ciências humanas refere-se àquelas ciências que têm o ser humano como seu objeto de
estudo ou foco, ou seja, são as profissões e carreiras que tratam primariamente dos
aspectos humanos.

As ciências humanas são apoiadas na Filosofia (consiste no estudo do Homem e da


sociedade), Artes em geral (relacionadas ao entretenimento ou à cultura) e Comunicação
(informação, política, linguística).

Geralmente denominada como ciências “não exatas”, as ciências humanas são de grande
importância na sociedade. Sem matemática e engenharia não se pode sobreviver, mas
não somos máquinas, e sim, humanos, portanto, carecemos de uma formação humanística
que conduz a reflexão e ao diálogo.

A ausência de uma formação humanizada tem demonstrado consequências desagradáveis


nos diversos campos profissionais, inclusive nas Ciências Humanas, com prejuízos que se
acumulam na sociedade.

2.A fronteira entre a Ciência e a História

Ciro Flamarion Cardoso, como historiador de renome mundial, cria sempre discussões e
debates historiográficos, pois tem produzido livros e artigos que facilitam essas discussões.
Em seu texto "Será a História uma Ciência?", começa uma discussão que envolve a História,
suas teorias e seus métodos, expondo de uma forma clara o questionamento sobre o problema
da cientificidade da História, e apontando exemplos interessantes como o da Matemática, que
é uma ciência, onde se pode provar tudo com absoluta certeza, enquanto que as outras
ciências, chamadas factuais, podem ser falsificadas.

Neste contexto sempre vale destinar um olhar mais atencioso para sua produção teórica e
refletir a luz de suas conclusões. Não perdendo de vista a complexidade do tema, uma vez
que a cientificidade da História é contestada por muitos.

A intenção aqui não é realizar uma discussão mais profunda sobre o tema em questão, esta
abordagem tem por limite a seguinte finalidade: caracterizar brevemente alguns aspectos que
na perspectiva do estudante de História, a pergunta "Será a História uma ciência?", e apontar
as conclusões mais atuais.

Fazendo comparações entre o biólogo e o historiador, podemos observar o seguinte: o


historiador não pode predizer o futuro, não pode explicar o passado, mas só interpretá-lo. E
não há uma forma decisiva de pôr à prova as suas interpretações alternativas, enquanto que o
biólogo, porém embora não possa prever a evolução futura e explicar a passada (só pode
interpretar), tem certas vantagens sobre o historiador, como por exemplo: pôr a prova suas
descobertas. Todavia, Ciro Flamarion Cardosomostra a sua conclusão, "A pesar de tais
vantagens para o especialista em evolução biológica, continua sendo verdade que não existem
leis da evolução comparáveis às leis da Física, exatamente como não há leis da História. A
teoria da evolução, portanto, nem é completamente científica como, por exemplo, a Física,
nem não científica como a História."

Ainda completa, "Nada mais claro! Aprendermos, assim, que para certos cientistas naturais, e
sobretudo para certas correntes da Filosofia da ciência, como no caso o Neopositivismo, a
História não é e nem pode ser ciência."

Todavia o presente texto busca elucidar exatamente a cientificidade da História. Sua


discussão envolve a ciência histórica em nível da História e do historiador. Portanto, ao falar
sobre cientificidade da História, não se pode deixar de fora o papel do historiador e seu objeto
de pesquisa.

Hoje, a ciência histórica procura explicar cada passo do homem, sua evolução em seus ramos
Econômicos, Demográficos, Político, Social e Cultural. Assim, podemos afirmar que a
História não é ciência por tentar abranger todas as áreas do conhecimento? Como explicar
que "a História da mulher, História da criança, História do Direito, do negro, do índio,
história das Mentalidades, história ambiental, etc", são temas discutidos pela ciência
histórica, sabendo que existem outras ciências envolvidas com esses temas especificamente?
Na verdade, a história como ciência, procura entender e explicar a historicidade da condição
humana.

Como já foi discutido por muitos pesquisadores da área de História, o historiador, para
reconstruir o conhecimento histórico, lança mão da sua principal ferramenta, o objeto de
estudo da história, ou seja, o homem no tempo.

As discussões sobre a ciência histórica nos mostram que o objeto da História é o homem no
tempo, e que esse objeto é o fato humano acontecido. O fato histórico serve como
compreensão de um processo vivido por uma sociedade, e o método da História é a
interpretação desse fato através das análises das mais variadas fontes. (Exemplo: escritas,
orais, arqueológicas, etc.).

Por outro lado, não basta para nós, frente ao desafio, apenas descrever e explicar as
especificidades e as dissonâncias representadas pelas concepções desafiantes como uma
resposta plausível. Temos aqui também um problema epistemológico a ser enfrentado. Deve-
se examinar, primeiramente, quais são os instrumentos teórico-metodológicos de que se
utilizou para a determinação da cientificidade da História.

Se também chamamos de ciência a soma dos conhecimentos científicos disponíveis num


dado momento, podemos também afirmar que tem um conteúdo próprio e método para
estabelecimento dos fatos. O método cientifico é que vai determinar as maneiras de obter tal
conhecimento, e as características desse conhecimento é ser verdadeiro. Qual a fronteira que
separa a História da ciência, se a História tem método próprio, busca a verdade, não a
verdade absoluta e eterna, mas que pode ser discutida?

A ciência é a parte do conhecimento que utiliza métodos racionais e que busca comprovação
experimental, procurando ver à realidade como ela é.

HAYDEW WRITE relata que a História é uma arte literária de menor valor, portanto não é
uma ciência. Porém, LUCIEN FEBVRE e MARC BLOCH, afirmam que a História é uma
ciência humana que trabalha as verdades possíveis de outro olhar, com métodos e objetivos
próprios, usa métodos racionais que buscam a lógica para comprovar o que fala.
O conceito que se tornou muito utilizado na academia de que História é uma ciência que
estuda o homem e as sociedades humanas no tempo, hoje já pode está precisando de um
complemento ou uma ampliação, haja vista que existem tantos caminhos que são utilizados
pelos historiadores para a pesquisa histórica, pois o homem está envolvido em vários
contextos da ação e da experiência humana[3].

Não só ao poeta, mas também ao historiador incumbem recuperar lágrimas e risos,


desilusões e esperanças, fracassos e vitórias fruto de como os sujeitos viveram e pensaram
sua própria existência, forjando saídas na sobrevivência, gozando as alegrias da
solidariedade ou sucumbindo ao peso de forças adversas[4].

Para a historiadora Vavy Pacheco Borges, a história é um termo com o qual vivemos
diariamente desde nossa infância, que não podemos concebê-la como um passado distante e
morto, mas de uma forma que possamos acreditar que o conhecimento histórico possa ajudar
a explicar a realidade e transformar as ações humanas que estão presentes em nossas vidas
hoje. Segundo a visão dessa historiadora, para melhor compreensão da ciência histórica,
precisamos partir da história da História, ou seja, as primeiras concepções que envolvem
o misticismo, a religião, que coloca o homem em segundo plano e passivo das ações dos
deuses que estão em primeiro plano, uma história não científica, pois ainda não estavam
estabelecidos os métodos de análise, etc. História baseada em mitos era concebida como um
passado tão distante, tão remoto e por ser delimitado um tempo cronológico e o espaço
territorial onde ocorreu o processo histórico, não havia cientificidade, pois não sabiam
quando se deu o fato. Eram fatos mitológicos e não históricos.

A história só recebeu o estatuto de ciência quando os pesquisadores passaram a empregar a


palavra (história) no sentido de investigação e a utilizar como fontes de pesquisas os registros
documentais escritos. Porém, isso só aconteceu entre o final do século XVIII e início do XIX.

(...) os critérios e procedimentos de crítica e análise das fontes, entre o fim do século XVIII e
inicio do XIX, que a História ganhou  autonomia diante da Filosofia e das ciências humanas
e, em relação a estas ultimas, reivindicou semelhante estatuto de cientificidade..

O historiador Jorge Grespam escreveu que foi no final do século XVIII é que começou a ser
discutido e desenvolvido os critérios e procedimentos de críticas e análise das fontes é que a
história passou a ser ciência. Foi o método, portanto, que deu a história o caráter cientifico e
ao historiador, a condição de cientista.
Mas a pesar de ter recebido o estatuto de ciência, o que se deu com a escola Positivista em
fins do século XIX, como afirma as historiadoras Maria do Pilar de Araújo Vieira, a História
recebeu duras criticas no século XX com afirma Jorge Grespam.

3.Considerações finais

As mudanças por que passaram as abordagens interpretativas do passado a partir do século


XIX, sobretudo com uma valorização da arqueologia para explicações das raízes da
humanidade, ensejaram uma formatação mais palpável e duradoura do tempo histórico e da
noção contemporânea de resultado de experiências acumuladas, ao menos em setores mais
progressistas do meio acadêmico.

Essa percepção no trato das questões acerca de tudo o que o homem conhece na natureza para
a aplicação na vida cotidiana tanto na corrente cultural ou nas demais correntes como, por
exemplo: social, política, econômica, etc, com afirmações de serem conhecimentos
científicos ou não, abre um grande leque de discussões não só no meio acadêmico, mas nos
debates ideológicos dos meios sociais.

A cada dia que passa o tempo, o conhecimento histórico se firma como um conhecimento
cientifico e dialogando com as outras áreas do conhecimento, constrói-se um conhecimento
verdade em uma perspectiva interdisciplinar.

Na academia, a história é vista muito mais como uma questão do presente do que do passado.
Compreender aquilo que somos hoje, como indivíduos ou sociedade olhando para o nosso
passado, para o ontem, parece ser a busca da compreensão de onde viemos e para onde
vamos. Isso pode parecer um paradoxo, afinal a própria etimologia da palavra história vem de
uma raiz grega que significa "SABER", e embora nossa imaginação não conheça fronteiras,
não podemos saber o que o futuro nos reserva. Mas se tivermos em mente que os objetivos da
ciência são o de expandir as fronteiras do conhecimento, então a ciência histórica pode
contribuir muito para atingirmos este objetivo.

Para que serve a história? Afinal nas ciências queremos entender o porquê das coisas: Porquê
o céu é azul na Terra e amarelo em Marte? Porquê a água molha? O que nos leva a fazer estas
perguntas e estudar este ou aquele assunto?

É através da história que podemos explicar como as sociedades que viveram no passado
cometeram erros que hoje não se comete mais devido as informações deixadas por esses
ancestrais que registraram suas experiências boas e ruins. Assim a ciência é um esforço
continuado que sempre requer novas cabeças e novas idéias que nos ajudem a enxergar novas
direções. As nossas decisões enquanto homens e cientistas podem influenciar toda uma
sociedade e nem sempre de maneira positiva.

Os grandes momentos da história da humanidade quer nas áreas das Ciências Sociais, quer na
Física, na Matemática, na Biologia, na Química, etc, estão registrados em documentos que
retratam a ação do homem no tempo. A ciência histórica é tudo isso porque registra o fato
humano acontecido seja ele em qualquer área da ação humana.

Para concluir,Ciro Flamarion Cardoso, diante de todas as discussões travadas por muitos
teóricos nas diversas áreas da Filosofia e das ciências humanas, conclui que "a História é uma
ciência emconstrução, pois não busca verdades absolutas e eternas, que a conquista de seu
método cientifico ainda não é completa e que os historiadores ainda estão descobrindo os
meios de análise adequados ao seu objeto".

Se a base de toda ciência são as provas, podemos provar nossas teses e teorias utilizando as
concepções dos pesquisadores que vieram antes de nós. Na História cientifica, utilizamos as
fontes históricas e o método de análise das fontes para só depois construir o texto
historiográfico. Os historiadores não podem testar um fato humano do passado ou do
presente, mas pode analisá-lo e interpretá-lo através do Método da História.

Os grandes intelectuais do século XIX e XX tais como: Albert Einstein que recebeu o Nobel
de Física em 1921, por desenvolver a teoria da relatividade. Karl Marx fundador da doutrina
Comunista, como pensador influenciou várias áreas como a Filosofia, História, Sociologia,
Antropologia, Ciência Política, etc. Em uma pesquisa da rádio BBC de Londres em 2005, foi
eleito o maior filósofo de todos os tempos. Max Weber, considerado um dos fundadores da
Sociologia. Émile Durkheim, fundador da escola francesa de sociologia, conhecido com um
dos melhores teóricos do conceito de coesão social. Nelson Mandela, Stive Biko, Jonh
Kennedy, Mahatma Gandhi, Jonh Lennon, Adolf Hitler entre outros fizeram história e
mudaram o mundo.

Baixar uma lista de nomes precisaria de vários quilômetros de papel. Todos esses homens
atuaram nas mais variadas áreas e influenciaram gerações por décadas a até hoje continuam e
influenciar. Foram homens que com suas ações no tempo, deixaram um legado para a geração
presente e para as outras que ainda viram. Um legado que pode ser utilizado pelas diversas
áreas seguindo algumas regras e normas para se tornar ciência.

Seja como for, as ciências humanas não testa em um laboratório o fato humano acontecido
como ocorre em outras áreas, mas se utiliza de métodos que podem comprovar o que falam.
A metodologia utilizada pela história tem mostrado que com o avanço da ciência a da
tecnologia que não param de surpreender com as novas descobertas, que a História é uma
ciência humana.

A História como ciência

Historia – definição

A História é a ciência do Homem no tempo. O tempo facilita a compreensão da Historia, pois


está em contínua mudança, sendo o Homem o protagonista dessa mudança.

O passado e o presente são intrínsecos, devendo o Homem / historiador partir do presente


para o passado.

Porquê considerar a História uma Ciência

A Historia é uma ciência porque tem o seu objecto de estudo – o ser humano – e um método
de estudo e de trabalho, que segue os vários passos do método científico, sendo:

1° - Identificação de um problema relacionado com o objecto de estudo.

2° - Levantamento de hipóteses para a resolução do problema.

3° - Investigação e cruzamento de diversas fontes históricas para testar a validade das


hipóteses.

4° - Conclusões e construções de uma explicação para o problema.

Importância da Historia

A História é de extrema importância porque permite-nos reconstruir o modo de vida dos


nossos antepassados, permite-nos conhecer e compreender o presente e perspectivar o futuro.
Deste modo somos capazes de compreender que todas as transformações socioeconómicas
estão ligadas às sociedades passadas.
Referências Bibliográficas

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