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PONTIFíCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

FACULDADE DE DIREITO

SIDNEI EUGENIO COSTA JUNIOR

SOCIOPATIAS: CARACTERÍSTICAS E IMPUTABILIDADE


PENAL

CAMPINAS
2019
SIDNEI EUGENIO COSTA JUNIOR

SOCIOPATIAS: CARACTERÍSTICAS E IMPUTABILIDADE


PENAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à PUC Campinas, como requisito parcial para a
obtenção do título de graduado em Direito.

Orientador: Prof. João Luis Mousinho S. M.


Violante

Campinas
2019
SIDNEI EUGENIO COSTA JUNIOR

SOCIOPATIAS: CARACTERÍSTICAS E IMPUTABILIDADE


PENAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à PUC Campinas, como requisito parcial para a
obtenção do título de graduado em Direito.

BANCA EXAMINADORA

Prof(a):

Prof. (a):

Prof. (a):

Campinas, de de
Dedico este trabalho à minha família: meu
pai Sidnei, minha mãe Ana, meus filhos
Davi e Leonardo, minha esposa Marilza e
todos que estiveram presentes em todos
os momentos da minha jornada, tanto os
momentos difíceis quanto os momentos
de glória.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, pois sem Ele nada seria possível, dando
forças para sempre me levantar acreditar que tudo é possível a quem crê.
Agradeço à minha família, que sempre acreditou em mim e sempre motivou a
continuar em frente, superando todos os obstáculos.
Agradeço ao professor João Luis Mousinho S. M. Violante, por ter me orientado
nesse trabalho cientifico e esclarecido muito em meu conhecimento, uma pessoa
com grande conhecimento e admirável.
Agradeço também a todo o corpo docente e funcionários da PUC Campinas,
desde os primórdios do Pátio dos Leões, em especial à Eliane, do Núcleo de
Práticas Jurídicas da PUCCAMP e ao Nino, da PUCCAMP, por sempre acreditarem
em mim, muitas vezes cobrando de mim e me motivando sempre.
COSTA JÚNIOR, Sidnei Eugenio. Sociopatias: Características e Imputabilidade
Penal. 2019. 79 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso Direito – PUC,
Campinas, 2019.

RESUMO

O trabalho em tela procurou demonstrar, dentro do conceito analítico, utilizando


pesquisas na internet e em referências bibliográficas, a grande problemática que
envolve os criminosos que possuem personalidades de condutopatia antissocial.
Para tanto, foi necessário explorar os conceitos da culpabilidade e imputabilidade,
embutidos no conceito de crime. No desdobramento da pesquisa é possível notar a
dificuldade do conceito das condutopatias antissociais, em especial a psicopática.
Também é possível observar a grande problemática tanto na parte doutrinária
jurídica quanto no campo da psicologia. Situações essas que acabam refletindo na
falta de uma estrutura adequada no que se refere ao tratamento adequado dos
indivíduos acometidos por esse transtorno antissocial. Dessa forma, o trabalho
pretende tentar trazer ao leitor uma compreensão acerca do tema, bem como
despertar a devida atenção que o tema requer.

Palavras-chave: Condutopatia; Imputabilidade; Culpabilidade; Características;


Psicopatia
COSTA JÚNIOR, Sidnei Eugenio. Sociopaths: Characteristics and Criminal
Imputability. 2019. 79 pages. Conclusion of Law Course - PUC, Campinas, 2019.

ABSTRACT

The work on the screen tried to demonstrate, within the analytical concept, using
Internet searches and in bibliographical references, the great problematic that
involves the criminals who have personalities of antisocial conductopathy. To do so, it
was necessary to explore the concepts of guilt and imputability, embedded in the
concept of crime. In the unfolding of the research it is possible to note the difficulty of
the concept of antisocial conductopathies, especially the psychopathic one. It is also
possible to observe the great problem in both the juridical doctrinal part and in the
field of psychology. These situations are reflected in the lack of an adequate structure
regarding the adequate treatment of the individuals affected by this antisocial
disorder. In this way, the work intends to try to bring to the reader an understanding
about the subject, as well as to awaken the due attention that the subject requires.

Key-words: Condutopathy; Imputability; Guilt; Features; Psychopathy


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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CID Classificação Internacional de Doenças


DSM Diagnostic and Statical Manual of Mental Disorders (Manual de
Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais)
9

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO. ......................................................................................................... 10
1 CAPITULO - CULPABILIDADE ........................................................................ 13
1.1. CONCEITO DE CRIME ............................................................................................................................... 13
1.1.1. Conceito formal. ............................................................................................................................ 15
1.1.2. Conceito material. ......................................................................................................................... 15
1.1.3 Conceito analítico .......................................................................................................................... 16
1.2 CULPABILIDADE COMO ELEMENTO DO CRIME ........................................................................................ 18
1.3 TEORIAS DA CULPABILIDADE ................................................................................................................... 21
1.3.1 Teoria Psicológica da Culpabilidade .............................................................................................. 21
1.3.2 Teoria psicológica normativa da culpabilidade ............................................................................. 22
1.3.3 Teoria normativa pura da culpabilidade........................................................................................ 23
1.4 REQUISITOS DA CULPABILIDADE ............................................................................................................. 24
1.4.1 Inexigibilidade da Conduta Diversa ............................................................................................... 24
1.4.2 Potencial Conhecimento da Ilicitude.............................................................................................. 25
1.4.3 Imputabilidade Penal ..................................................................................................................... 25
2 CAPITULO – CONDUTOPATIAS ...................................................................... 27
2.1 CONDUTOPATIA OU TRANSTORNO PERSONALIDADE ANTISSOCIAL (SOCIOPATIAS) ...................................................... 27
2.1.1 Psicopatia ...................................................................................................................................... 29
2.1.2 Diferenças entre Psicopatas e Condutopatas comuns ................................................................... 31
2.2 SERIAL KILLER OU ASSASSINO EM SÉRIE .................................................................................................. 33
2.2.1 Tipo de Seriais Killers ..................................................................................................................... 34
3 CAPITULO - IMPUTABILIDADE DOS CONDUTOPATAS E PSICOPATAS .... 36
3.1 A IMPUTABILIDADE PENAL ...................................................................................................................... 36
3.2 CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO DA IMPUTABILIDADE PENAL E IMPLICAÇÕES QUANTO À EXECUÇÃO PENAL ............................. 40
3.3 EFICIÊNCIA DAS PENAS NOS CASOS DE CRIMES PRATICADOS POR CONDUTOPATAS ...................................................... 42

4 CAPITULO – CASOS DE ASSASSINOS EM SÉRIE CONDUTOPATAS......... 47


4.1 ASSASSINOS EM SÉRIE NO MUNDO ......................................................................................................... 47
4.1.1 Caso 1: Andrei Chikatilo, O açougueiro de ROSTOV ...................................................................... 47
4.1.2 Caso 2: Ted Bundy, o Anjo da Morte .............................................................................................. 50
4.1.3 Caso 3: John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino. ........................................................................... 54
4.2 ASSASSINOS EM SÉRIE NO BRASIL ........................................................................................................... 56
4.2.1 Caso 1: Francisco Costa Rocha, o “Chico Picadinho”. .................................................................... 56
4.2.2 Caso “Pedrinho Matador”.............................................................................................................. 58
4.2.3 Caso “Champinha” ......................................................................................................................... 60
4.2.4 Caso “Suzanne Richthofen” ........................................................................................................... 62
5 CONCLUSÃO .................................................................................................... 66
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................. 70
10

INTRODUÇÃO.

Depois de tanto pesquisar em referências bibliográficas e através da


internet, conversa com psicólogas e infindáveis noites mal dormidas, a primeira
grande dificuldade encontrada foi quanto à definição do termo psicopatia. Há uma
divergência muito grande a respeito desse assunto. Para muitos pesquisadores, a
psicopatia é conceituada como uma doença mental, outros como uma situação
comportamental.
Porém há uma forte corrente, grande maioria, que estuda a psicopatia como
um transtorno de personalidade, em especifico, antissocial. Palomba define a
psicopatia como condutopatia de base epilética. Para nortear o estudo cientifico,
devido à inúmeras teorias divergentes no campo da psicologia, o estudo foi focado
apenas levando em conta a psiquiatria e a psicologia forense, em especifico à
utilizada no sistema brasileiro. Para conhecimento e compreensão, foram utilizados
alguns conceitos internacionais e classificações mais utilizadas pela ciência atual.
Assim, para um melhor entendimento acerca do objeto em estudo, o termo
sociopatia e seus derivados foram substituídos pelo termo condutopatia e seus
derivados. Nas citações, o termo sociopatia e condutopatia é, então, utilizado como
idênticos.
Para entender toda sistemática dos crimes que envolvem os agentes com
condutopatia e para ter uma maior compreensão do trabalho desenvolvido, foi
necessário aprofundar nas áreas de conhecimento relacionados à estrutura e
conceito de crime, seus componentes e suas estruturas, em especifico aquelas
relacionadas à cognição, fatores emocionais, capacidade, principalmente na
culpabilidade, e um comparativo com a área da psicologia e psiquiatria forense, de
acordo com cada tipo de crime e criminosos, através de alguns casos concretos
que ocorreram no mundo e no Brasil.
Ainda dentro do estudo será possível entender não apenas a parte
biopsicológica motivadora da conduta do agente delituoso, mas também a forma
como são tratados pelo ordenamento jurídico brasileiro.
O trabalho foi baseado em referências bibliográficas, através da comparação
de teorias e pesquisas em sites confiáveis, para uma melhor compreensão acerca
do tema abordado.
11

Dentro desse entendimento será possível compreender algumas questões


como, por exemplo, o que é serial killer? O que é psicopatia e sociopatia? Como
são tratados dentro do direito penal brasileiro? O que poderia ser feito?
Ainda dentro do sistema judiciário brasileiro será possível observar que,
referente aos psicopatas, o assunto ainda é muito pouco explanado, com muitas
lacunas, ficando muitas das vezes as interpretações e análises resumidas às
decisões dos casos concretos.
Talvez esse fato se dê pela falta de estudo ou pela pouca frequência em que
psicopatas se mostravam com suas ações em meio à sociedade.
Fato é que, atualmente, cada vez mais têm sido notificadas ações
criminosas que caracterizam condutas psicopáticas, cobrando postura melhor do
judiciário, tanto na aplicação de uma pena ou medida adequada ao psicopata,
quanto ao seu tratamento. Isso exige uma qualificação maior e melhor das pessoas
responsáveis pelas elaborações dos laudos e pericias a respeito desses
criminosos, bem quanto do aplicador da lei.
Casos de assassinatos em série, assassinatos em massa e atentados
causam grande clamor publico e exigem sempre uma resposta das autoridades,
que tem que procurar sempre estar atualizadas em seu conhecimento para dar
uma resposta de acordo com os anseios da população. Porém se o sistema quer
agir de uma forma mais eficaz e invasiva, deve-se aprimorar mais no estudo
desses conceitos e, sobretudo, levar em conta o caso concreto e a individualização
do agente criminoso, da pena e da sua conduta, e não agir de forma generalizada,
visando acalmar os ânimos acirrados da sociedade. Deve se levar em conta que
essas pessoas são vitimas de si próprias, pois seja através de um histórico
patológico, desenvolvimento retardado ou transtorno mental, não têm o pleno
domínio do entendimento e de se autodeterminarem. E esse estudo demonstrara
que no caso desses agentes criminosos, o instituto da pena, que tem em seu bojo
a finalidade de ressocializar, reinserir o criminoso na sociedade e dar a sensação
de segurança à sociedade, não consegue cumprir o seu papel.
Assim sendo, fica evidente a necessidade de constantes estudo e
aprimoramentos acerca do assunto, para que se possa aplicar de forma eficaz e
precisa os procedimentos mais adequados e pertinentes ao caso concreto,
disponibilizando ao aplicador da lei uma gama de ferramentas e conhecimentos
que irão auxiliar na resolução mais adequada no que tange a punibilidade de
12

agentes criminosos que, seja por critérios biológicos ou psicológicos, não tem a
plena capacidade de entendimento ilícito e nem de autodeterminação quanto as
suas ações acerca do fato.
13

1 CAPITULO - CULPABILIDADE

1.1. CONCEITO DE CRIME

O termo crime ao leigo, de imediato, remete a uma ideia de algo proibido, de


algo grave, uma afronta à sociedade. Algo reprovável que exige uma punição para
o culpado e se mantenha a ordem na sociedade. Algo que mereça repreensão para
que não seja novamente repetido. Em resumo, o crime é algo tido como uma
anormalidade dentro da harmonia da sociedade.
Desde os primórdios, quando o Homem passou a se agrupar e viver em
sociedade, houve a necessidade manter um mínimo de organização para que os
indivíduos pudessem viver coletivamente, de forma que a sociedade pudesse se
manter e melhorar e manter as suas condições de sobrevivência e preservação.
Para isso, normas ainda que não positivadas e transcritas, começavam a
surgir, dando inicio a uma ordem social. A ordem social passa então a estruturar a
sociedade, surgindo assim a propriedade, as hierarquias sociais, a forma de
administração da sociedade, entre outros.
Porém, nem todas as pessoas inseridas nesse contexto de sociedade agiam
de acordo com esse entendimento, seja por questões sociais, culturais, biológicas,
psicológicas, etc., necessitando assim de um sistema que reprovasse condutas
que colocasse em risco toda a coletividade.
Nesse sentido, Silva et al (2010, p. 79) assim descreve acerca da evolução
da estrutura do sistema jurídico da sociedade:
... Se não há lei (ordem), não há “sociedade”. Mas, contrariamente ao que
se acredita, a ordem/sociedade não é determinada pelo Código Penal,
como havia advertido Durkheim (1996) quando se referia às sociedades
assentadas na solidariedade orgânica, nas quais impera o direito restituitório
(o direito civil, comercial, administrativo) e não o direito repressivo (penal),
que era o direito que sustentava mecanicamente as sociedades baseadas
nele, sociedades com solidariedade mecânica, pré-modernas. A lei que cria
e funda a sociedade é principalmente o Código Civil e somente
secundariamente o Código Penal. É o Código Civil que “ordena” as
diferenças, as hierarquias, as desigualdades. De todo modo, o Código
Penal reforça essa ordem “civil” na medida em que o Direito Penal é um
direito público que envolve o Estado como guardião da ordem social.

Assim, para que a sociedade seja organizada e estruturada, surge o código


civil, e com a necessidade de manter a estabilidade social, e estabelecer
mecanismos que possam auxiliar no controle desse sistema, surge o código penal.
14

Podemos perceber que a necessidade da definição de normas de repressão


a condutas classificadas como danosas a organização social decorre
posteriormente à estruturação social.
De outro lado, partindo do ponto de vista psicológico, com a evolução
psicológica do ser humano e aprimoramento do seu “cérebro social”, suas relações
passarem a ser mais complexas. O ser inserido nesse meio cultural tende a
evoluir mais, “e estes aprimoramentos, por sua vez, propiciam a seleção de novas
especializações neurais, abrangendo, também, motivações próprias, preferências
naturais e predisposições para aprender, num contexto social de desenvolvimento.”
(VIEIRA; OLIVA, 2017, p.19).
Nesse sentido, Vieira e Oliva (2017) explica que a capacidade cognitiva do
ser humano quanto mais tem conhecimento, mais tende a evoluir, desenvolvendo
capacidades, habilidades e características marcantes do ser humano durante todo
seu processo evolutivo e sua construção cultural, deixando evidente como se deu
esse processo:
Neste percurso, assistimos, a um gradual despertar da cognição simbólica
de alto nível, avaliável pela presença de rituais, pelas representações
artísticas e pela complexidade cada vez maior da coesão do grupo. A
evolução cultural humana não exerceu pressão seletiva moldando apenas
uma inteligência para solução de problemas, uma “cognição fria”; pode-se
dizer que a psicologia humana que se construiu como produto e instrumento
desse processo abrangeu intensificação de laços afetivos na constituição de
uma família estendida e de um grupo de referência e na predisposição do
indivíduo para se desenvolver imerso no grupo social e afetivamente
constituído à sua volta. O emocionante caminho que nos conduz ao Homo
sapiens moderno, filho e pai da cultura é, por si só, uma demonstração da
integração de níveis que podem ser sintetizados na expressão
biologicamente cultural (Bussab & Ribeiro, 1998), reconhecível neste
caminho de alguns milhões de anos na escala da evolução natural
hominídea (VIEIRA; OLIVA, 2017, p. 19).

Ainda acerca da evolução social humana, a história tem nos mostrado que
fatores marcantes, como por exemplo, geográficos, políticos, econômicos,
religiosos, culturais, etc., também influenciaram profundamente no
desenvolvimento e nas mudanças da sociedade.
Resumidamente, dessa forma, pudemos notar que transformação social se
deu ao longo tempo através de todos esses fatores: naturais, psicológicos, sociais,
entre outros. Todos demonstram que o Homem, em sua evolução, optou por viver
de forma coletiva, abrindo mão de direitos naturais em prol do coletivo, permitindo
assim a interferência de um terceiro nas questões da resolução de litígios entre os
indivíduos, como na manutenção da ordem social e na busca continua do
15

aprimoramento da própria sociedade como um corpo (a figura do Estado), fazendo-


se assim necessário a criação de mecanismos necessários que conceituem,
identifique, analisem e coíbam condutas prejudiciais aos interesses coletivos,
dentre elas as condutas criminosas., tendo como objetivo a perfeita harmonia do
convívio em sociedade.
Quanto ao conceito de crime, a própria definição de crime, por si só, já é
algo complexo. Por isso o termo crime, dentro do campo científico, possui diversos
conceitos. Neste trabalho cientifico serão tratados os conceitos dentro do
ordenamento jurídico brasileiro. Entre eles podemos citar os conceitos formais,
material e analítico.

1.1.1. Conceito formal.

O conceito formal define crime como o fato o qual a ordem jurídica associa
uma sanção penal como consequência, havendo o nexo causal. Dessa forma, esse
fato é definido pelo direito positivo. Em suma, é o fato descrito na lei penal com a
sua respectiva sanção.
Eis alguns conceitos bem conhecidos:
“Crime é qualquer ação punível” (MAGGIORE, 1951, p. 189)
“Crime é uma conduta (ação ou omissão) contrária ao Direito, a que a lei
atribui pena” (PIMENTEL, 1983, p.22).

1.1.2. Conceito material.

No conceito material, crime é uma conduta humana que causa lesão ou o


perigo de lesão ao bem jurídico tutelado relevante. Note que o conceito material
ressalta a necessidade da conduta humana, que é um dos elementos do crime.
No conceito de Noronha (1983, p. 410): “Crime é a conduta humana que
lesa ou expõe a perigo um bem jurídico protegido pela lei penal.”.
Na mesma visão de conceito material, Asúa (1951. p. 61): “Crime é a
conduta considerada pelo legislador como contrária a uma norma de cultura
16

reconhecida pelo Estado e lesiva de bens juridicamente protegidos, procedente de


um homem imputável que manifesta com sua agressão perigosidade social.”.

1.1.3 Conceito analítico

O mais importante para o estudo. Dentro conceito analítico há diversos


doutrinadores, cada um seguindo uma corrente. Existem diversas teorias.
Podemos citar entre essas teorias a teoria bipartida, tripartida e, embora não tão
comum, mas também em estudo, a teoria tetrapartida.
Na teoria bipartida, crime é fato típico e antijurídico. Culpabilidade seria
apenas o pressuposto para aplicabilidade da pena ou pretensão punitiva. Nesse
mesmo pensamento seguem os doutrinadores como: Damásio de Jesus, Celso
Delmanto, Júlio Fabbrini Mirabete, Fernando Capez, Renê Ariel Dotti, etc.
Na teoria tripartida, a culpabilidade é elemento essencial do crime. Nessa
teoria, não há crime se não houver culpabilidade.
Toledo (2002) define melhor esse entendimento da seguinte forma:
Substancialmente, o crime é um fato humano que lesa ou expõe a perigo
bem jurídico (jurídico-penal) protegido. Essa definição é, porém, insuficiente
para a dogmática penal, que necessita de outra mais analítica, apta a pôr à
mostra os aspectos essenciais ou os elementos estruturais do conceito de
crime. E dentre as várias definições analíticas que têm sido propostas por
importantes penalistas, parece-nos mais aceitável a que considera as três
notas fundamentais do fato crime, a saber: ação típica (tipicidade), ilícita ou
antijurídica (ilicitude) e culpável (culpabilidade)(grifo meu). O crime, nessa
concepção que adotamos, é, pois, ação típica, ilícita e culpável (TOLEDO,
2002, p. 80)

Essa teoria é seguida pela maioria dos doutrinadores, entre ele podemos
citar: Guilherme Nucci, Nelson Hungria, Edgard Magalhães Noronha, Luís Régis
Prado, Rogério Greco, o próprio Francisco de Assis Toledo entre outros.
Na teoria tetrapartida, crime é fato típico, antijurídico, culpável e punível.
Essa teoria leva em consideração que se o fato não for punível, não existe crime,
devendo, portanto, haver nexo causal desde a conduta humana até a punibilidade.
É mais incomum e tão pouco discutida, adotada por uma minoria. No Brasil, baseia
praticamente no artigo 397 do CPP que determina que o juiz deva absolver o
acusado no caso de ausência de um dos elementos do crime, de acordo com a
teoria tetrapartida (ilicitude ou antijuridicidade, culpabilidade, tipicidade, e
punibilidade respectivamente):
17

Art. 397: Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos,


deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando
verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente

No Brasil é adotada pelo doutrinador Basileu Garcia. No exterior é também


sustentada pelo professor Claus Roxin da Universidade de Munich, que defende o
seu conceito da seguinte forma:
Considerando que a política criminal deve definir o âmbito da incriminação,
bem como os postulados da dogmática jurídica penal, Roxin sustenta que a
responsabilidade do autor do fato punível também deve ser elemento do
conceito analítico do delito (ROXIN, 1992. p. 62).

Contudo, na atualidade, a corrente mais adotada no ordenamento jurídico


brasileiro é a teoria tripartida, seguida da bipartida adotada por adeptos da teoria
finalista da ação, embora haja alguns doutrinadores adeptos da teoria finalista que
adotam o conceito tripartido, como relata Luís Augusto Freire Teotônio:
Não é correta a afirmação de alguns doutrinadores de que o finalismo
apenas se afina com a corrente bipartida, que considera a culpabilidade
como mero pressuposto de aplicação da pena. Welzel, considerado pai do
finalismo, seus discípulos, bem assim os autores que introduziram a
doutrina no Brasil, João Mestieri, Heleno Fragoso e Assis Toledo, entre
outros, nunca disseram que o crime formava-se apenas pelo fato típico e
ilícito, considerando sempre a culpabilidade como um dos seus elementos
ou requisitos (TEOTÔNIO, 2002, p.120).

A definição da teoria a ser adotada, embora pareça não ter reflexos no


Direito Penal, nos ajuda a esclarecer algumas questões, como por exemplo, se
menor de 18 anos pratica crime. Algumas pessoas podem falar que menor não
pratica crime e sim infração penal, mas veja o que afirma os artigos 103 e 104 do
Estatuto da Criança e Adolescente:
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou
contravenção penal.
Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos
às medidas previstas nesta Lei. (grifos meu)

Se fizermos uma analise lógica nesses dois artigos, fica evidente que o
legislador aqui adotou a teoria bipartida, pois deixou bem claro que a conduta de
ato infracional do menor é idêntica a conduta de crime e que são penalmente
inimputáveis (grifo meu), colocando o elemento da culpabilidade, de forma
destacada, à parte. A diferença está apenas na qualidade do agente que pratica a
18

conduta que, nesse caso, é o menor infrator. Se olharmos do prisma da teoria


tripartida, a partir do momento que o legislador afirma, no artigo 104, que os
menores são inimputáveis e lhes afasta a culpabilidade, não há que se falar em
crime uma vez que a culpabilidade é requisito do conceito tripartido de crime e,
assim, de forma lógica, nem ato infracional os menores cometeriam.
De forma análoga, quando forem analisados os casos dos agentes que, por
sua condição biopsicológica não possuem os requisitos da culpabilidade,
dependerá da teoria adotada para chegar à conclusão se o agente com essas
patologias ou transtornos é criminoso ou não.
Percebe-se aqui a importância do conceito de crime, então, para a doutrina
e a classificação de um agente quanto ao fato de ser criminoso ou não.

1.2 CULPABILIDADE COMO ELEMENTO DO CRIME

Como dito anteriormente, referente ao crime, a teoria mais adotada pelo


direito penal é a teoria tripartida, que tem como elementos a tipicidade, ilicitude e
antijuridicidade. Além disso, só há crime se a conduta for humana (seja por ação
ou omissão). Assim, a inexistência de um desses elementos é suficiente para
descaracterizar o fato como crime.
Tratar da culpabilidade, dentro do Direito Penal Brasileiro, nem sempre é tão
fácil como aparenta ser. Como sabemos o Direito Penal Brasileiro não define e
nem conceitua a culpabilidade, restringindo aos doutrinadores o sentido axiológico
deste termo jurídico. Contudo, com o avanço dos estudos, a evolução dos
conceitos, tudo isso atualmente nos remete a dois eixos dessa discussão acerca
da culpabilidade: integrante fundamental do conceito do crime ou pressuposto para
aplicação da pena. Mas afinal, o que é a culpabilidade então?
Para o professor Prado (2007, p. 408.), a culpabilidade pode ser definida da
seguinte forma:
A culpabilidade é a reprovabilidade pessoal pela realização de uma ação ou
omissão típica e ilícita. Assim, não há culpabilidade sem tipicidade e
ilicitude, embora possa existir ação típica e ilícita inculpável. Devem ser
levados em consideração, além de todos os elementos objetivos e
subjetivos da conduta típica e ilícita realizada, também, suas circunstâncias
e aspectos relativos à autoria.
19

Seria, então, Culpabilidade o juízo de reprovação diante do cometimento de


uma conduta ilícita. Está de acordo com o campo amplo ético e moral do sujeito,
variando de uma pessoa para outra.
Atualmente, o entendimento majoritário de grande parte da doutrina do
Direito Penal Brasileiro entende que a culpabilidade é elemento do crime, como
conceitua Nucci (2007, p.160), acerca de crime:
Trata-se de uma conduta típica, antijurídica e culpável, vale dizer, uma ação
ou omissão ajustada a um modelo legal de conduta proibida (tipicidade),
contrária ao direito (antijuridicidade) e sujeita a um juízo de reprovação
social incidente sobre o fato e seu autor, desde que existam imputabilidade,
consciência potencial de ilicitude e exigibilidade e possibilidade de agir
conforme o direito.

A discussão nos remete a certeza para que um fato seja culpável, deve ser
anteriormente típico e ilícito, o que nos conduz a um fato reprovável pela sociedade
positivado. Sem o pressuposto de tipicidade e ilicitude, a culpabilidade só refletirá
no campo moral (juízo de valor).
A teoria adotada no ordenamento jurídico brasileiro a respeito da
culpabilidade é a teoria normativa pura. Nela, para que o agente seja considerado
culpado, se faz presente a necessidade de três requisitos: Imputabilidade
(possibilidade de atribuir algo a alguém), o potencial de conhecimento da ilicitude
(tem consciência de que o ato praticado é ilícito) e a inexigibilidade da conduta
diversa (só podem ser punidas condutas que poderiam ser evitadas).
Assim sendo, basta a inexistência de um só desses requisitos para que a
culpabilidade não exista. Dessas, a mais importante para o estudo sobre as
condutopatias e o serial killer é a imputabilidade penal, pois nela esta inserida a
capacidade de entendimento e de autodeterminação, ou seja, o controle na
execução dos atos.
Seu conceito é a base para a responsabilização penal do individuo. Porém
não devemos confundir a responsabilidade penal com a imputabilidade penal, pois
a responsabilidade penal é a consequência dos atos ilícitos praticados pelo agente
enquanto a imputabilidade penal é pressuposto para que o agente seja
responsabilizado penalmente.
A culpabilidade é a parte fundamental desse estudo. Para que possamos
compreender melhor, temos que fazer uma breve análise a respeito do estudo da
culpabilidade e a da sua evolução ao longo dos anos.
20

Antes das teorias acerca da culpabilidade, a responsabilidade penal era


objetiva. Isso quer dizer que bastava o nexo causal entre o fato típico praticado e o
seu resultado para a responsabilidade penal. O simples resultado já era suficiente
para aplicação penal. (BIERREMBACH, 2009, p. 194)
Também é o entendimento de Bettiol (2000, p. 318): o simples nexo objetivo
e causal entre o homem e o evento era o suficiente para que fosse punido,
independente do liame do caráter subjetivo-psicológico que atribuísse o fato a seu
autor. O conceito do fato lesivo dominava toda reação punitiva acerca do bem
lesado, desconsiderando totalmente qualquer indagação de aspecto e condições
psicológicas dos motivos que levavam os autores a cometerem os delitos.
Dessa forma, todos os criminosos estavam nivelados em um mesmo
patamar quanto ao elemento da culpabilidade, desconsiderando as causas e os
motivos que levaram o agente a agir daquela forma e do fato típico praticado.
Eram muito comuns criminosos adultos, crianças, adolescentes, pessoas
com doenças mentais e transtornos psicológicos serem punidos penalmente e
confinados em um mesmo ambiente para o cumprimento das penas.
Contudo, a partir do século XIX, graças a evolução do conhecimento
cientifico e ao estudo acerca da culpabilidade, novas teorias foram surgindo e
assim foi possível se aprofundar mais dentro dessa área. O estudo e
desenvolvimento da psicologia foram fundamentais para a compreensão da mente
humana e deu ao Homem a capacidade de entendimento do seu funcionamento.
Isso permitiu não só identificar os elementos que agem na mente humana,
como a capacidade cognitiva, volitiva, emocional, racional, entre outras, mas
também permitiram identificar as suas anomalias e as características dessas
anomalias (fitopatológicas e psicopatológicas).
Esse avanço científico também permitiu classificar as condutas, identifica-
las, individualizar e entender seus motivos, refletindo direta e significativamente
nas áreas do estudo da Sociologia e Direito.
No Direito Penal o estudo da culpabilidade permitiu separar criminoso
comum de pessoas inimputáveis (crianças e pessoas com patologias mentais), e
semi-imputáveis (pessoas com transtornos mentais, de acordo com o grau de
transtorno).
O avanço no estudo da culpabilidade possibilitou a adoção de teorias que
auxiliaram os doutrinadores ao longo dos anos na melhor aplicação da lei. Serão
21

analisados os contextos históricos dessas teorias, de forma respectivamente


cronológica, para que se possa ter uma compreensão da sua correlação posterior
com indivíduos portadores de distúrbios mentais patológicos e de transtornos de
personalidades, em especifico, os antissociais.

1.3 TEORIAS DA CULPABILIDADE

1.3.1 Teoria Psicológica da Culpabilidade

Por volta do séc. XIX, o surgimento do positivismo, a necessidade de usar


termos científicos nos conceitos jurídicos e o afastamento do direito e da moral,
através de métodos empíricos, trouxeram grandes avanços na área do direito.
Até então, a perspectiva jusnaturalista representava a culpabilidade como
livre arbítrio (escolha entre o bem e o mal) associando o direito à moral. O
positivismo procurou determina-la como uma ideia psicológica. Separando direito e
moral.
Atrelado a isso, o avanço cientifico da Psicologia trouxe reflexos em diversas
áreas de conhecimento, entre elas o Direito Penal. Nesse sentido surgiram
grandes estudiosos que trouxeram contribuições significativas para
desenvolvimento nesse campo, como Franz Von Liszt e Ernst Von Beling.
De acordo com a teoria psicológica, a culpabilidade retira seu fundamento
dos aspectos psicológicos do agente. Passa a ser relevante a relação subjetiva
entre fato e autor e não mais objetiva como era antes, pois segundo os autores
dessa teoria, a culpabilidade reside nessa relação subjetiva. (ASÚA, 1945, p. 447).
Assim, são compreendidos o dolo e a culpa, então dentro da culpabilidade,
no caráter psicológico do agente. Dolo e culpa passam, então, a ser espécies de
culpabilidade, distinguindo entre si como formas de relação entre o autor e o
resultado típico (MAURACH, 1962, p. 18).
Dolo e culpa é externada como culpabilidade concreta e a imputação penal
passa ser pressuposto para que o agente seja culpável. Imputação que, Para Liszt
(1927, p. 366) “é o estado psíquico do autor que o garante a possibilidade de
22

conduzir-se socialmente, ou seja, é a faculdade que tem o agente de determinar-se


pelas normas de conduta social.”.
Nesse mesmo entendimento, o pensamento de Binding (2009, p. 06), ao
declarar que “quem for declarado absolutamente incapaz de ação é incapaz de
culpabilidade.”.
Dessa forma, a teoria psicológica foi um grande avanço para época. Porém
ela não era capaz de resolver questões como as causas que excluem a
culpabilidade sem excluir dolo e culpa (inexigibilidade de conduta diversa e
potencial conhecimento da ilicitude) e pelo fato da culpa inconsciente não existir
relação subjetiva entre o fato e o resultado lesivo (PUIG, 2007, p. 41).

1.3.2 Teoria psicológica normativa da culpabilidade

Nessa teoria surgem os elementos normativos dentro da culpabilidade,


introduzidas por Reinhard Frank (1907). Para Frank, Só a relação psicológica (dolo
e culpa) subjetiva entre o autor e o fato não era suficiente para explicar a
culpabilidade e deveria haver circunstancias concomitantes para que o autor do
delito fosse considerado culpado, pois mesmo agindo com dolo em muitos casos o
agente que pratica o fato ilícito não tem como agir de outra forma exigível, por
exemplo.
Nesse sentido, a afirmação de Frank (2004, p. 36):
A doutrina dominante define o conceito de culpabilidade de uma maneira
que abarca na mesma os conceitos de dolo e imprudência. Em
contraposição a isso, é necessário considerá-la de um modo tal que leve em
consideração as circunstâncias concomitantes e a imputabilidade.

Frank admitia que dolo e culpa estaria incluso no subjetivo psicológico do


agente. Porém, o que mais inovou na área da teoria do crime foi o juízo de
reprovabilidade, servindo como uma espécie de medição nas causas
concomitantes da culpabilidade do agente.
Dessa forma, por exemplo, Frank alega que o criminoso que furta para
matar a fome da família não tem a mesma culpabilidade do criminoso que furta por
mera ostentação e que são culpáveis em graus distintos (FRANK, 2004, p. 28).
Ainda nessa baliza, Goldschmidt (2002, p. 84) afirma que “Frank qualifica,
pela primeira vez, a culpabilidade como reprovabilidade e considera como
23

pressuposto seu, além da imputabilidade, do dolo e da culpa, o estado de


normalidade das circunstâncias com as quais o autor atuou”.
Berthold Fredenthal (2003, p. 75), em sua monografia de 1922, define de
uma melhor forma a ideia de exigibilidade de uma conduta diversa, pois diferente
do defendido por Frank, na culpabilidade, o juízo de reprovabilidade não precisa de
causas motivadoras nem reclamar a normalidade das causas concomitantes,
expondo que, ainda que nas espécies de culpabilidade (dolo ou culpa) sua atitude
fosse reprovável, as causas como se deram os atos executados foram de forma tal
que qualquer um agiria de forma igual e, dessa forma, agindo dentro do senso
comum, não haveria como desenvolver um juízo comum de reprovabilidade, e
assim, ainda que a lei determine, não estariam presentes as formas da
culpabilidade.
James Goldschmidt (2002, p. 86) conclui essa teoria incluindo como requisito
da culpabilidade a norma do dever, focando na potencial consciência da ilicitude da
devida aplicação da pena e a mensuração desta.
Cabe destacar que até essa época não havia causas de justificativas
presentes nas excludentes de ilicitude (legitima defesa, estado de necessidade,
estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito), pois todas as
excludentes estavam focadas na culpabilidade.

1.3.3 Teoria normativa pura da culpabilidade

Hanz Welzel, teorista finalista, é o principal autor dessa teoria, descrita por
ele na sua obra “Studien zum System des Strafrechts”. Ao contrario do que muitos
pensam Welzel não trouxe elementos novos para essa teoria: baseou-se nas
teorias anteriores apenas reestruturando e retirando elementos como “estranhos”
dentro do campo da culpabilidade, sem perdê-los uma vez que foram apenas
movimentados strictu sensu. (TOLEDO, 2002, p. 232).
Dessa forma, principal característica dessa teoria é que o dolo e a culpa
saem do campo da culpabilidade e passam a integrar a conduta dentro da
tipicidade. A culpabilidade passa a ter caráter totalmente normativo de
reprovabilidade, e pode ser atribuída ou aferida de acordo com a conduta ilícita
praticada pelo agente e o dever imposto pelo direito, resumindo-se em três
24

naturezas diferentes: imputabilidade, consciência do injusto e exigibilidade de


conduta diversa. Uma vez enquadrada a conduta delituosa dentro destes
requisitos, por força de norma, o agente será considerado culpado, deixando dolo e
culpa caracterizando o fato ilícito praticado.
Hans Welzel define assim, três características dessa teoria: conceito de
ação essencialmente ontológico; culpabilidade vista como reprovação pessoal que
se faz contra o autor que realiza um fato contrário ao direito, embora pudesse agir
de forma diferente de como fez e a reprovação pelo modo como o autor direciona a
sua vontade (TOLEDO, 2002, p. 227-228)
Discussões a parte, seja a culpabilidade parte do conceito do crime ou
pressuposto para aplicação da pena, fato é que a exploração acerca do seu
conceito e sua sistematização reflete, de forma imensurável, dentro dos estudos e
das aplicações práticas no Direito Penal Brasileiro, e seu entendimento é primordial
para o operador do Direito chegar o mais próximo possível ao devido entendimento
do nexo causal entre o agente e o crime, bem como a perfeita aplicação da pena
neste caso. Ficam compreensíveis imputabilidade, semi-imputabilidade ou
inimputabilidade penal, como veremos nos capítulos a seguir.

1.4 REQUISITOS DA CULPABILIDADE

1.4.1 Inexigibilidade da Conduta Diversa

De acordo com a teoria pura normativa da culpabilidade, adotado pelo direito


penal brasileiro, para que o agente possa ser classificado como culpado deve se
levar em consideração que o autor do fato delituoso tinha condições de atuar de
forma diferente da que praticou durante a execução do ato, mais próxima do seu
dever de agir, e não uma conduta diferenciada ilícita reprovável pelo senso
comum.
Resumidamente é saber se era possível o agente ter agido de outra forma
que não a ilícita. Berthold Fredenthal foi um grande contribuinte na construção da
25

ideia, contribuindo de forma elevada para a elaboração da teoria normativa pura da


culpabilidade ao inserir nesta a inexigibilidade de conduta diversa.

1.4.2 Potencial Conhecimento da Ilicitude

Esse requisito da culpabilidade exige que, para que o agente seja


considerado culpado, ele deve ter conhecimento do fato ser delituoso. Em regra,
há presunção que todos devem conhecer a lei, pois a lei penal brasileira
estabelece que ninguém poderá alegar desconhecimento da lei.
Embora esteja expressa dessa forma e apesar do constante avanço
tecnológico e acesso aos canais de informação, ainda existem pessoas em áreas
remotas que não tem nenhum acesso a comunicação, ou tem de forma muito
limitada.
Como exemplo deste caso, poderíamos citar um estrangeiro com uma
cultura distinta, que pratica um fato típico no Brasil considerado crime e que não é
crime em seu país de origem. Ou de um silvícola totalmente selvagem, desprovido
de nenhum contato com civilização, praticando um ato que é comum na sua cultura
isolada e considerado um crime no direito penal.
Através desse requisito também se pode aferir a culpabilidade do agente de
acordo com o conhecimento do acusado sobre fatos ilícitos, visto que é distinto dos
especialistas e dos leigos acerca do assunto. Nesse sentido, O Código Penal
assim define:
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,
se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a
consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou
atingir essa consciência.

1.4.3 Imputabilidade Penal

A imputabilidade penal é definida como a capacidade do agente que


cometeu um determinado ato tipificado como crime de entender e de se determinar
26

o que fez ou esta fazendo, e se poderá ser punido ou não de acordo com esse
entendimento.
Capez assim define:
Imputabilidade é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de
determinar-se de acordo com esse entendimento. O agente deve ter
condições físicas, psicológicas, morais e mentais de saber que está
realizando um ilícito penal. Mas não é só. Além dessa capacidade plena de
entendimento, deve ter totais condições de controle sobre sua vontade. Em
outras palavras, imputável é não apenas aquele que tem capacidade de
intelecção sobre o significado de sua conduta, mas também de comando da
própria vontade, de acordo com esse entendimento (CAPEZ, 2015, p. 326-
327).

Seguindo esse conceito de Capez, podemos entender que o agente deve


saber o que esta fazendo e ter controle sobre os atos. A Imputabilidade é analisada
no próximo capítulo, incluindo as características especificas dos inimputáveis e
semi-imputáveis.
27

2 CAPITULO – CONDUTOPATIAS

2.1 Condutopatia ou Transtorno personalidade antissocial (Sociopatias)

O termo condutopatia (conduta + páthos, moléstia) nos remete ao


entendimento como doença da conduta. Após o estudo minucioso do caso,
comparando e analisando os conceitos de diversos autores, Palomba chegou a um
conceito mais específico do termo, pois de fato, o termo se encaixa perfeitamente a
definição do agente que comete este tipo de delito.
O termo sociopatia nos remete a uma doença social, com interferência
socioambiental. Mas se analisarmos bem não está analisando a sociedade como
objeto a ser tratado e sim a conduta do agente delituoso. Não há de se negar que o
meio o qual o agente está inserido é fundamental para consolidação do seu
comportamento. Porém, a conduta do agente é o objeto direto que se pretende
analisar, ficando o socioambiente como objeto secundário, coadjuvante, para
podermos entender melhor a analise das condutopatias. A condutopatia, segundo a
definição de Palomba (2003, p.515-516):
É própria dos que apresentam distúrbios de conduta, distúrbio de
comportamento, ou seja, o páthos esta na conduta. São sinônimos
contemporâneos: transtornos de personalidade e de comportamento (CID-
10), transtornos de personalidade (DSM-IV), personalidades psicopáticas,
sociopatia [...] Caracteriza-se por transtornos do comportamento que se
originam por afetação da afetividade, da intenção-volição e da capacidade
de critica, estando o restante do psiquismo conservado, tendo ainda por
característica básica a falta de remorso ou de arrependimento, no caso de
prática de ato prejudicial a outras pessoas ou a sociedade.

Portanto, seguindo o pensamento de Palomba, os condutopatas sofrem de


algum transtorno em suas condutas e comportamentos.
Os condutopatas não se enquadram nos padrões comuns da sociedade.
Pensam unicamente em satisfazer seus próprios desejos, passando por cima de
qualquer um, se isso for necessário. Não tem capacidade para amar e ter empatia
Porém são muito sedutores e estabelecem relações facilmente, sem, contudo,
mantê-los. Frequentemente trocam de parceiros, não conseguindo manter
relações monogâmicas. Também possuem características de agressividade sexual
acentuada. Dificilmente conseguem se estabelecer em apenas um emprego, sendo
28

constante a mudança. São insensíveis, pois não tem a capacidade de se


colocarem no lugar das outras pessoas.
Os condutopatas não tem nenhuma ligação afetiva simplesmente por serem
da mesma espécie dos outros. Eles atuam dentro de quatro características:
mentira manipulação constrangimento para que a pessoa satisfaça seus desejos e
violência. São inteligentes e sedutores e seus prazeres estão em sobressair-se
sobre as demais pessoas e em enganar e ter vantagens.
Os condutopatas não têm cura nem tratamento eficaz, pois os tratamentos
resumem se apenas a controle de agressividade e temperamento. Esse padrão de
conduta começa na adolescência e se estende até a vida adulta, porém só é
diagnosticado acima dos 18 anos. O agente com essas características não
consegue se ajustar as regras sociedade e as normas e condutas legais, pode
reiteradamente cometer vários delitos estando preso ou não assediar pessoas e
ocupações e ilícitas.
Pessoas com esse tipo de transtorno podem cometer agressões e
desrespeito aos direitos, desejos e sentimentos de outros, como por exemplo,
danos a patrimônio, fraudes, etc. Usam o sentimento dos outros para manipular as
pessoas e para conseguirem a satisfação pessoal, por exemplo, satisfazer o
desejo sexual, fraudes com dinheiro, poder, vantagens indevidas.
Podem, também, reiteradamente mentir, usar nomes falsos, fazer maldades.
As suas decisões são tomadas impulsivamente, no calor do momento e não levam
em consideração as análises e os riscos, nem se preocupa com as consequências.
Isso pode levar a mudanças repentinas de moradia, relacionamentos e empregos.
As pessoas podem ser violentas e agressivas constantemente se envolvendo em
brigas podendo espancar cônjuge e filhos.
A versão mais atual do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM-5; APA, 2014, p.689) afirma que o “transtorno da personalidade é
um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia
acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo”. O diagnostico do
Transtorno de Personalidade Antissocial se dá pelos seguintes critérios:
A. Um padrão difuso de desconsideração e violação dos direitos das outras
pessoas que ocorre desde os 15 anos de idade, conforme indicado por três
(ou mais) dos seguintes: 1. Fracasso em ajustar-se às normas sociais
relativas a comportamentos legais, conforme indicado pela repetição de atos
que constituem motivos de detenção. 2. Tendência à falsidade, conforme
indicado por mentiras repetidas, uso de nomes falsos ou de trapaça para
29

ganho ou prazer pessoal. 3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para


o futuro. 4. Irritabilidade e agressividade, conforme indicado por repetidas
lutas corporais ou agressões físicas. 5. Descaso pela segurança de si ou de
outros. 6. Irresponsabilidade reiterada, conforme indicado por falha repetida
em manter uma conduta consistente no trabalho ou honrar obrigações
financeiras. 7. Ausência de remorso, conforme indicado pela indiferença ou
racionalização em relação a ter ferido, maltratado ou roubado outras
pessoas. B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade. C. Há evidências
de transtorno da conduta com surgimento anterior aos 15 anos de idade. D.
A ocorrência de comportamento. (DSM-5; APA, 2014, p.703).

Já na Classificação Internacional de Doenças (CID-10, OMS, 2003, p.199) o


conceito de Transtorno de personalidade antissocial é definido como um
“Transtorno de personalidade, usualmente vindo de atenção por uma disparidade
flagrante entre o comportamento e as normas sociais predominantes”. Para o
diagnostico, apresenta as seguintes características:
(a) Indiferença insensível pelos sentimentos alheios; (b) Atitude flagrante e
persistente de irresponsabilidade e desrespeito por normas, regras e
obrigações sociais; (c) Incapacidade de manter relacionamentos, embora
não haja dificuldade em estabelecê-los; (d) Muito baixa tolerância à
frustração e um baixo limiar para descarga de agressão, incluindo violência;
(e) Capacidade de experimentar culpa e de aprender com a experiência
particularmente punição; (f) Propensão marcante para culpar os outros ou
para oferecer racionalizações plausíveis para o comportamento que levou o
paciente a conflito com a sociedade. (CID-10, OMS, 2003, p.199-200).

Neste conceito de Morana (2008, p. 27), fica evidente a abrangência da


noção de transtorno de personalidade e do comportamento do indivíduo adulto:
Estes transtornos incluem grande variedade de condições e de padrões de
comportamento importantes para a clínica, e são consideradas perturbações
caracterológicas e comportamentais, que se manifestam desde a infância e
a adolescência. Com frequência estão associados ao desempenho pessoal
e ao relacionamento interpessoal mais amplo, que se traduzem por
comportamentos inadequados, tais quais: litigio, desemprego,
comportamento violento, acidentes, uso de drogas, suicídio, homicídio,
dentre outras condutas que podem ser delituosas.

Portanto, dentro dos critérios e padrões técnicos, é possível caracterizar um


individuo como um condutopata ou não.

2.1.1 Psicopatia

Esse termo surgiu por volta do século XVI, quando os médicos eram
influenciados pelos pensadores da época, dominados pelo positivismo, que
estudavam os criminosos através da sua fisionomia. Esse estudo foi chamado de
30

“fisiognomia” pelo francês Barthélemy Coclés. Assim, para eles, haviam os


criminosos ocasionais, influenciados pelos critérios socioambientais, e o criminoso
hereditário, de critério biológico, o psicopata.
O termo psicopatia tem origem grega e literalmente significa doença da
mente, psyche = mente; e pathos = doença. Porém, em termos medico- psiquiatra
a psicopatia não se encaixa no conceito de doença mental. Não apresentam
perturbações, alucinações, sofrimento intenso e nem distorção da realidade, como
os psicóticos.
O conceito de psicopatia, na visão de Hungria (1942, p.140):
A psicopatia é a escala de transição entre o psiquismo moral e as psicoses
funcionais. Seus portadores são uma mistura de caracteres normais e
caracteres patológicos. São os inferiorizados ou degenerados psíquicos.
Não se trata propriamente de doentes, mas de indivíduos cuja constituição é
“ab initio”, formada de modo diverso da que corresponde ao “homo medius”.

Acerca do termo, Ana Beatriz Silva (2014, p.38) afirma que:


O termo psicopata pode dar a falsa impressão de que se trata de indivíduos
loucos ou doentes mentais. A palavra psicopata literalmente significa
doença da mente, no entanto, em termos médicos-psiquiátricos, a
psicopatia não se encaixa nessa visão tradicional de doenças mentais. Os
Psicopatas em geral, são indivíduos frios, calculistas, dissimulados,
mentirosos, que visam apenas o benefício próprio. São desprovidos de
culpa ou remorso e, muitas vezes, revelam-se agressivos e violentos.

Podemos observar que o conceito adotado pela psiquiatria moderna é bem


diferente de como surgiu, pois como a autora assim definiu, os psicopatas são
criteriosos, calculistas, minuciosos e detalhistas em suas ações, o que não é
característico em uma pessoa que possua uma doença mental.
Pessoas normais agem sob três balizas: razão, sentimento e vontade. O
psicopata em duas: razão e vontade. Eles não possuem sentimentos. Por essa
situação Já foram chamados de seres desprovidos de almas.
Figurativamente falando, para atingir seus objetivos, agem como se
tivessem usando uma máscara, se apresentando muitas vezes como pessoas
simpáticas, bondosas, sedutoras, caridosas, prestativas. Simulam qualidades e
sentimentos e alteram suas expressões comportamentais facilmente. Raramente
são descobertos, porém quando são, muitas vezes se passam como vitimas,
manipulando a situação.
O conceito moderno atual utilizado é o adotado por Hare, em seu livro:
O padrão da personalidade do psicopata como um todo o distingue do
criminoso comum. Sua agressividade é mais intensa, sua impulsividade é
31

mais pronunciada, suas reações emocionais são mais “rasas”. Entretanto, a


ausência de sentimento de culpa é a principal característica distintiva. O
criminoso comum tem um conjunto de valores internalizado, embora
distorcido; quando viola esses padrões, ele sente culpa (MCCORD, 1964
apud HARE, 2013, p. 71)
.
Hare afirma que psicopatia quer dizer o grau máximo de transtorno da
personalidade e que o termo psicopata se refere aos indivíduos cronicamente (grifo
meu) antissociais que estão sempre, em complicações, não aprendendo nem com
a experiência nem com a punição e que não mantêm nenhuma ligação real com
qualquer pessoa, grupo ou padrão.
Atuam, basicamente, no limite entre a sanidade e a insanidade mental.

2.1.2 Diferenças entre Psicopatas e Condutopatas comuns

Os condutopatas são impulsivos e possuem emoções mais instáveis, isso


faz com que tem um comportamento mais irregular deixando pistas incriminatórias
pelo caminho, pois estão mais preocupados em cometer o crime do que em
escondê-lo. Os condutopatas não se importam em serem flagrados cometendo um
crime e comumente são presos e viram reincidentes criminosos. Não fazem
questão de serem bem vistos na sociedade, são seres rebeldes e marginais.
Hackers, terroristas, traficantes são mais próximos de serem condutopatas.
Os psicopatas, portadores de condutopatia psicopática, por sua vez, são
predadores dentro da própria espécie. Planejam minuciosamente suas ações sem
deixar nenhum detalhe acobertando todos os rastros e indícios. Na cena do crime
são frios e sem arrependimentos e não demonstram nenhuma emoção. Os
psicopatas acham que nunca serão descobertos, pois se sentem acima da
sociedade agindo de forma discreta. Fingem-se de normais se camuflam na
sociedade em busca da próxima vítima. Psicopatas, diferentemente dos
condutopatas comuns, tendem a serem pessoas bem sucedidas, pessoas
extremamente inteligentes, bem acima da média. Funções que lhes dão poder são
32

as mais pretendidas pelos psicopatas, como líderes de empresas, policiais e


políticos.
A psiquiatria classifica a psicopatia como um transtorno de personalidade
antissocial originária de causa genética, ou seja, a pessoa nasce psicopata. Já no
caso da condutopatia (sociopatia) a pessoa desenvolve o transtorno ( desde que
não seja uma questão de lesão cerebral) decorrente de fatores do meio social em
que vive, ou seja, pessoa torna-se condutopata.
O manual de diagnostico e estatísticas dos transtornos mentais, quarta
edição, traz alguns critérios:
Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a
comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que
constituem motivo de detenção; 2. Propensão para enganar, indicada por
mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter
vantagens pessoais ou prazer; 3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos
para o futuro; 4.a Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas
corporais ou agressões físicas, por exemplo, espancamento de cônjuge e
filho; 5. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia, por
exemplo, direção perigosa, comportamento de risco com sexo e drogas e
negligência dos filhos; 6. Irresponsabilidade consistente, indicada por um
repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou de
honrar obrigações financeiras. 7. Ausência de remorso, indicada por
indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra
pessoa, por exemplo, “a vida é injusta”, “isto iria acontecer de qualquer
modo”. (APA, 1995, apud SHINE, 2010, p. 25).

O psicopata também possui algumas diferenças em relação ao condutopata:


1. Os psicopatas são frios, calculistas e manipuladores.
2. Os psicopatas não sentem culpa e nem remorso algum.
3. São incapazes de formar relacionamentos.
4. Total falta de empatia.
Além disso, o cérebro de um psicopata é diferente do cérebro de pessoas
normais saudáveis se observado a partir de uma tomografia, no córtex pré-frontal
do cérebro de um psicopata (responsável por tomada de decisão, comportamento
social e expressões de personalidade), e nas amigdalas (responsável pelas
emoções) há pouca ou quase nenhuma demonstração de atividades.1

1
ROBINSON, K. M. (2014, August 24). Sociopath vs. Psychopath: What’s the Difference?
WebMD.disponível em http://www.webmd.com/mental-health/features/sociopath-psychopath-
difference#2
33

Sendo assim, a psicopatia é a Condutopatia em sua forma mais grave. Logo,


é verdadeira a frase que diz que “TODO PSICOPATA É UM SOCIOPATA
(CONDUTOPATA COMUM), MAS NEM TODO SOCIOPATA É UM PSICOPATA”.

2.2 SERIAL KILLER OU ASSASSINO EM SÉRIE

Serial Killer ou assassino em série são definidos como criminosos que


cometem diversos assassinatos, com um lapso temporal entre eles, com alguma
frequência ou não, com as mesmas características entre eles. Essas
características constituem uma espécie de assinatura dos seus crimes, que muitas
vezes são estabelecidas através de um padrão.
O FBI – Federal Bureau of Investigation - define que para que o criminoso
seja considerado um assassino em série este deve cometer “três ou mais eventos
separados, com um período de acalmia emocional entre os homicídios, ocorrendo
cada crime num local diferente” (SCHECHTER; EVERITT; 2010, p. 103).
Newton (2005, p. 49), por sua vez, define o Serial Killer como o assassino
que pratica “três ou mais eventos separados em três ou mais locais separados com
um período de resfriamento emocional entre os homicídios”.
Fato é que esse tipo de criminoso causa grande pânico e grande
repercussão na sociedade, pois muitas vezes são praticados de formas cruéis e
violentas, com muita frieza, com vítimas vulneráveis, muitas vezes incapazes de se
defender.
É evidente que o assassino em série possui algum tipo de distúrbio mental,
seja da ordem biológica, psicológica ou biopsicológica. Nesse aspecto, esses
criminosos, apesar do cometimento do mesmo tipo de crime, podem apresentar
comportamentos e padrões diferentes em seus procedimentos. Podem ser de
origem patológica, como é o caso dos psicóticos, ou de origem psicológica ou
através de fatores socioambientais que são o caso dos transtornos de
personalidade antissocial.
A diferença entre o serial killer psicótico e os que possuem transtorno de
personalidade antissocial é que, devido ao fato da psicose ser considerada uma
doença mental, os agentes com essas características são, geralmente,
34

considerados inimputáveis pelo direito penal. Isso ocorre porque o psicótico perde
o senso da realidade, através de delírios e alucinações, ouvindo vozes e com uma
percepção alterada da realidade.
O serial killer com transtorno de personalidade antissocial, por outro lado,
pode ser imputável ou semi-imputável, dependo do grau de entendimento e
autodeterminação.

2.2.1 Tipo de Seriais Killers

Existem diversos tipos de seriais killers. Os que mais se destacam são os


condutopatas e psicopatas. Eles apresentam características distintas, de caráter
biológico, psicológico e biopsicológicos. Cada tipo tem sua origem de transtorno
em um desses critérios, por isso apresentam comportamentos e traços de
personalidades distintos.
O condutopata tem suas perturbações originadas devido a um histórico, em
geral, socioambiental, e em algum caso, depois de algum dano cerebral. É um ser
sem empatia, geralmente acometido de traumas durante a infância, como abusos,
bullying, traumas provocados pelos pais. Comete seus crimes com foco na
satisfação pessoal, mas age de forma impulsiva, e não se preocupa em acobertar
seus rastros.
É impulsivo no cometimento do crime, e para ele não importa se será
capturado ou não. Definido seu comportamento, pode ser previsível. Também
apresenta irritabilidade e instabilidade de emoções, sendo muito agressivo e pouco
tolerante à frustação.
Quando psicopata esse tipo de assassino em série é o mais perverso de
todos, pois o psicopata tem total conhecimento do ilícito e dos seus atos e age de
forma fria, calculista e manipulável. Comete seus crimes para satisfação própria,
desafiando muitas vezes os sistemas e instituições públicas.
Arrogante, se julga acima de todas as pessoas e acima de tudo. Não tem
remorso nem emoções e tem grande capacidade para agir diante de situações
35

difíceis. Seus crimes dificilmente deixam rastros, pois estuda criteriosamente suas
vitimas e métodos. Utiliza-se de artifícios, mentiras e enganações.
O serial killer psicótico, apesar de não ser o foco específico do estudo, como
o próprio nome sugere, sofre de uma doença mental, a psicose. Tem sua realidade
distorcida, tendo constantes alucinações, delírios e distorce a realidade. Tem
pouca ou quase nenhuma lucidez. Não há nexo causal nas suas ações: mata
simplesmente por matar.
36

3 CAPITULO - IMPUTABILIDADE DOS CONDUTOPATAS E PSICOPATAS

3.1 A IMPUTABILIDADE PENAL

Para Fragoso (2004, p. 197), imputabilidade penal consiste na “condição


pessoal de maturidade e sanidade mental que confere ao agente a capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de se determinar segundo esse entendimento”.
Seguindo o conceito de Capez (2015, p. 308), quanto à capacidade cognitiva
e volitiva do condutopata, o agente deve saber o que está fazendo e ter controle
sobre os atos durante a execução do fato criminosos para que seja atribuído a este
a imputabilidade penal:
“É a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de
acordo com esse entendimento. O agente deve ter condições físicas,
psicológicas, morais e mentais de saber que está realizando um ilícito penal.
Mas não é só. Além dessa capacidade plena de entendimento, deve ter
totais condições de controle sobre sua vontade. Em outras palavras,
imputável é não apenas aquele que tem capacidade de intelecção sobre o
significado de sua conduta, mas também de comando da própria vontade,
de acordo com esse entendimento.”
Nesse sentido, quanto ao grau de entendimento e capacidade volitiva,
também podemos citar conceito de Rogério Sanches, quando trata de
imputabilidade e inimputabilidade:
É a capacidade de imputação, ou seja, possibilidade de se atribuir a alguém
a responsabilidade pela prática de uma infração penal. A imputabilidade é
elemento sem o qual entende-se que o sujeito carece de liberdade e de
faculdade para comportar-se de outro modo, como o que não é capaz de
culpabilidade, sendo, portanto, inculpável. Assim como no Direito Privado se
pode falar em capacidade e incapacidade para realizar negócios jurídicos,
no Direito Penal, fala-se em imputabilidade (capacidade) e inimputabilidade
(incapacidade) para responder penalmente por uma ação delitiva praticada
(SANCHES, 2014, p. 324).

Dessa forma, a imputabilidade, como requisito da culpabilidade, é


fundamental para que o agente seja punido e para entendermos as condições de
imputabilidade penal dos portadores de transtornos de personalidade antissociais.
Em regras gerais, todas as pessoas que cometem atos ilícitos, típicos e
antijurídicos são culpáveis.
Acerca da imputabilidade do condutopata, (MORANA, STONE e ABDALLA
FILHO, 2006, p. 5):
Na esfera penal, examina-se a capacidade de entendimento e de
determinação de acordo com o entendimento de um indivíduo que tenha
cometido um ilícito penal. A capacidade de entendimento depende
essencialmente da capacidade cognitiva, que se encontra, via de regra,
preservada no transtorno de personalidade antissocial, bem como no
37

psicopata. Já em relação à capacidade de determinação, ela é avaliada, no


Brasil e depende da capacidade volitiva do indivíduo. Pode estar
comprometido parcialmente no transtorno antissocial de personalidade ou
na psicopatia, o que pode gerar uma condição jurídica de semi-
imputabilidade. Por outro lado, a capacidade de determinação pode estar
preservada nos casos de transtornos de leve intensidade e que não
guardam nexo causal do ato cometido.

De acordo com essa posição, condutopatas assassinos, sejam portadores


de transtorno de personalidade antissocial comum ou crônica (psicopatia), podem
ser responsabilizados parcialmente, totalmente ou até não responsabilizados, mas
tudo depende do caso concreto e do laudo obtido.
Nessa mesma linha de pensamento, quanto a imputabilidade de portadores
de perturbação da saúde mental, Palomba (2003, p. 522) ainda declara:
Via de regra, nos casos criminais de verificação de imputabilidade penal,
deve o perito opinar pela semi-imputabilidade, excepcionalmente pela
imputabilidade e inimputabilidade. Na primeira exceção, quando os
distúrbios de condutas não forem assaz significativos e não houver perfeito
nexo causal entre patologia e delito. Na segunda, quando os distúrbios de
comportamento forem exacerbados, o quadro clínico geral bastante alterado
e houver elementos sobejos que convençam que à época do fato o
criminoso era parcialmente capaz ( e não totalmente incapaz, pois se for
condutopata o distúrbio não é de entendimento) de entender o caráter
criminoso do fato, mas totalmente incapaz de determinar-se de acordo com
esse entendimento, com nexo causal entre patologia e delito. Mas,
repetindo-se, são casos excepcionais e, portanto, se o perito estiver se
avindo com um desses é necessário fundamentar solidamente as suas
conclusões, não deixando dúvidas quanto ao ditame.

Como pode se perceber a doutrina foca na semi-imputabilidade no caso das


condutopatias, tendo como exceção imputabilidade e inimputabilidade.
De outra forma, se o agente não tem nenhum entendimento sobre a ação
criminosa, mas tem controle das suas ações, também não pode ser-lhe imputado o
crime. Dessa forma, basta a supressão de um desses dois verbos, para que o
agente seja plenamente inimputável.
A inimputabilidade é a exceção. Ela está prevista no art. 26 do Código Penal
brasileiro que estabelece da seguinte forma:
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou
da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

Nessa baliza, o conceito de inimputabilidade abrange pessoas que não


tenham nenhuma condição de entendimento e/ou capacidade de controle das suas
ações. Como o Brasil adota o critério biopsicológico de imputabilidade penal, essa
ausência de condição pode ser tanto de natureza biológica quanto psicológica.
38

O art. 26 do CP cita dois verbos bem importantes em seu núcleo, no que diz
respeito à imputação penal: Entender e determinar. Observe que há a necessidade
da execução desses dois verbos, pois com a supressão de um deles fica evidente
que o agente se torna inimputável.
Vejamos, por exemplo, uma pessoa que sabe que esta cometendo um
crime, porém não tem como se determinar, não tem controle sobre suas ações,
seja por coação ou através de alguma manipulação ou porque não tem como
praticar outra conduta diversa. Nos dois primeiros casos, a pessoa não pode ter
imputado um crime sobre ela e sim sobre aquele que a coagiu ou manipulou. O
caso da inexigibilidade de conduta diversa já é outro requisito da culpabilidade. O
caso do usuário de drogas, que mesmo tendo entendimento que um determinado
fato é ilícito, não consegue ter domínio de suas ações devido ao vício é um
exemplo de capacidade volitiva afetada.
Daí o questionamento acerca da imputabilidade penal no caso das
condutopatias, que são transtornos de personalidade antissocial que afetam em
alguns casos, essa capacidade volitiva.
Assim, se a pessoa sofre de um transtorno, uma deficiência, em sua
capacidade cognitiva e volitiva, seja ela de origem biológica ou psicológica,
derivada de algum ambiente nocivo durante a construção da personalidade e
desenvolvimento psicológico do agente, ou de ordem natural, deve ser levado
sempre em conta o grau de entendimento e determinação, atestado por perito
capacitado.
O Direito Penal brasileiro também adota a semi-imputabilidade, que é
especifica para pessoas que possuem algum tipo de transtorno de suas condutas,
seja biológica ou psicológica, entre o campo da imputabilidade e inimputabilidade.
São pessoas que tem sua capacidade cognitiva e volitiva “aferida” através
de laudos e análises feitas por profissionais da área psiquiátrica e da psicologia e
que são consideradas capazes relativamente de entender o caráter ilícito e capaz
relativamente quanto às suas ações. Essa condição esta prevista no paragrafo
único do artigo 26:
Art.26:...
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o
agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento
mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
39

Podem ter a pena reduzida de 1/3 a 2/3 de acordo com o grau da


capacidade cognitiva do fato ilícito e da capacidade do controle de suas ações, ou
podem ser submetidas a medidas de segurança, conforme o artigo 98 do Código
Penal Brasileiro:

Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e


necessitando o condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa
de liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento
ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do
artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º.

Quanto a inimputabilidade, Alvarez (2004, p. 31) afirma que “é atribuição


pericial, através de diagnóstico ou prognóstico de uma conclusão médico legal”.
No mesmo sentido, reafirma ainda que:
Só é reprovável a conduta do sujeito que tem certo grau de capacidade
psíquica que permita compreender a antijuricidade do fato e também a de
adequar essa conduta a sua consciência. Quem não tem essa capacidade
de entendimento e de determinação é inimputável, eliminando-se a
culpabilidade ALVAREZ, 2004, p. 31)

Contudo, no direito penal brasileiro, a psicopatia não é vista como moléstia


mental ou perturbação mental. Na definição da condutopatia, quanto à
imputabilidade dos condutopatas, já há jurisprudência acerca do posicionamento
adotado:

Visto que, para atribuir a imputabilidade penal a alguém se faz necessário a


capacidade desse indivíduo saber que o fato praticado é ilícito e de ter
controle de suas ações ou omissões praticadas, para definir a
imputabilidade de um assassino condutopata deve se observar a
característica individual de cada agente, os critérios biopsicológicos que
afetam o individuo, pois somente através da análise de cada tipo especifico
de doença da mente ou transtorno de personalidade é que será possível
determinar tal “A personalidade psicopática não se inclui na categoria das
moléstias mentais acarretadoras de irresponsabilidade do agente. Inscreve-
se no elenco da perturbações de saúde mental, em sentido estrito,
determinantes da redução da pena”. (TJMT – AP. Crim – Relator Des. Costa
Lima – RT 462/409”

No mesmo sentido;

Personalidade psicopática não significa, necessariamente, que o agente


sofre de moléstia mental, embora o coloque na região fronteiriça de
transição entre o psiquismo normal e as psicoses funcionais”. (TJSP – Ap.
Crim – Relator Des. Adriano Marrey – RT 495/304).

Dessa forma, de acordo com entendimento doutrinário e a jurisprudência, é


possível observar que os casos envolvendo criminosos que possuem distúrbio de
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personalidade antissocial ou condutopatia se restringem à capacidade volitiva, de


se autodeterminarem, pois esses indivíduos não possuem distúrbios de cognição,
possuindo perfeito entendimento quanto a ilicitude dos fatos praticados.

3.2 Critérios para aferição da imputabilidade penal e implicações quanto à


execução penal

No estudo da Psicologia, há o caso das doenças mentais (biológicas), que


são decorrentes de patologias cuja causa provém de alterações orgânicas do
individuo, e também há o caso da incapacidade de entendimento (psicológicas),
que são decorrentes de interferência do contexto social sob o qual o agente esta
inserido.
Nesse sentido o entendimento de Capez (2015, p. 329-330):

a) Sistema biológico: a este sistema somente interessa saber se o agente


é portador de alguma doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado. Em caso positivo, será considerado inimputável,
independentemente de qualquer verificação concreta de essa anomalia ter
retirado ou não a capacidade de entendimento e autodeterminação. [...] Foi
adotado, como exceção, no caso dos menores de 18 anos, nos quais o
desenvolvimento incompleto presume a incapacidade e vontade (CP, art.
27). Pode até ser que o menor entenda perfeitamente o carácter criminoso
do homicídio, roubo, ou estupro, por exemplo, que pratica, mas a lei
presume, ante a menoridade, que ele não sabe o que faz, adotando
claramente o sistema biológico nessa hipótese.
b) Sistema psicológico: ao contrário do biológico, este sistema não se
preocupa coma existência de perturbação mental no agente, mas apenas
se, no momento d ação ou omissão delituosa, ele tinha ou não condição de
avaliar o carácter criminoso do fato e de orientar-se de acordo com esse
entendimento. [...]
c) Sistema biopsicológico: combinam os dois sistemas anteriores,
exigindo que a causa geradora esteja prevista em lei e que, além disso,
atue efetivamente no momento da ação delituosa, retirando do agente a
capacidade de entendimento e vontade.

Além disso, para que de fato ocorra a inimputabilidade, de acordo com o


critério biopsicológico, três critérios devem estar presentes durante a avaliação do
indivíduo, segundo Capez (2015 p. 330):
a) Causal: existência de doença mental ou de desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, que são as causas previstas em lei.
b) Cronológico: atuação ao tempo da ação ou omissão delituosa.
c) Consequencial: perda total da capacidade de entender ou capacidade
de querer.

No caso da inimputabilidade, o Direito Penal Brasileiro adotou o critério


biopsicológico normativo. Isto quer dizer que, de acordo com o entendimento do
41

legislador, tanto as doenças mentais biológicas quanto as incapacidades de


entendimento psicológico podem tornar o agente inimputável.

Nesse entendimento, há jurisprudência a respeito:

STJ: “. Em sede de inimputabilidade (ou semi-imputabilidade), vigora entre


nós, o critério biopsicológico normativo. Dessa maneira, não basta
simplesmente que o agente padeça de alguma enfermidade mental, faz-se
mister, ainda, que exista prova (v.g. perícia) de que este transtorno
realmente afetou a capacidade de compreensão do caráter ilícito do fato
(requisito intelectual) ou de determinação segundo esse conhecimento
(requisito volitivo) à época do fato, i.e., no momento da ação criminosa”
(HC 33.401-RJ, 5ª T., rel. Felix Fischer, 28.09.2004, v.c., DJ 03.11.2004,
p.212)”. (Apud NUCCI, 2008, p.276)

Para tanto, como o caráter da inimputabilidade é muito subjetivo, é


necessário a elaboração de laudos que são obtidos através de profissionais
capacitados especificamente para entender a capacidade psicológica volitiva do
agente. Somente através desse laudo será possível entender se o agente
realmente era capaz de entender, no momento do fato, o caráter ilícito de suas
atitudes e se, assim, será punido ou não.
Na possibilidade de o agente ser considerado inimputável, ou seja,
inteiramente incapaz de determinar a ilicitude do fato, o juiz não poderá condenar o
agente e ele deverá ser absolvido através de uma sentença absolutória impropria.
Isso está expresso no artigo 386, inc. VI, do CPP:

“Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva,


desde que reconheça:
VI – Existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena
(art. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo
se houver fundada dúvida sobre sua existência;”.

Assim o juiz deverá aplicar uma medida de segurança ao agente, pois


mesmo não sendo aplicada uma pena, o agente não reúne condições para
continuar em meio à sociedade, pois traz risco a segurança da sociedade e para si
mesmo.
O parágrafo único do artigo 26 Código Penal Brasileiro ainda prevê uma
redução de pena para o agente que, no momento do cometimento do ilícito, não é
inteiramente capaz entender o caráter ilícito ou de determinar suas atitudes ou de
se determinar com isso. É o caso de semi-imputabilidade.
Diferente do caput, nesse caso será aplicado uma pena ao agente. Contudo,
devido ao fato do agente não ser plenamente capaz, devido ao desenvolvimento
42

incompleto ou retardado ou em virtude da perturbação da saúde mental de


entender o caráter ilícito do fato no momento da ação, o juiz deverá aplicar uma
pena que poderá ser reduzida de 1/3 a 2/3, e deverá ser balizada de acordo com o
grau de sua capacidade de autodeterminação.
Ainda nessa linha de pensamento, de acordo com o artigo 98 do Código
Penal, o juiz conforme o entendimento do caso concreto, poderá reduzir a pena ou
submeter o agente a tratamento ambulatorial:
Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e
necessitando o condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa
de liberdade pode ser substituída pela internação, ou tratamento
ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a 3 (três) anos, nos termos do
artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º.

Se observarmos com atenção pode-se notar que a diferença entre


inimputável e semi-imputável é uma questão de lógica de acordo com a norma: o
Inimputável é aquele totalmente incapaz de entender a ilicitude do fato, no
momento da ação, enquanto o semi-imputável não é plenamente capaz na mesma
circunstancia.

3.3 Eficiência das penas nos casos de crimes praticados por condutopatas

Os condutopatas e psicopatas, devido as suas condições de personalidade,


são responsáveis pelos crimes mais bárbaros e cruéis dentre os seres humanos.
As suas características, já explanadas no conteúdo deste artigo, como frieza,
determinismo, ausência de empatia, de sentimentos, de remorso, egoísmo e de ser
calculista, entre outros, colabora de forma grandiosa na execução do crime pelo
psicopata.
No texto de Claudia Silva, Advogada Pós-graduada em Direito de Família e
Sucessões, afirma que:

Para o psicólogo Leonardo Fernandes de Araújo, entende que tudo o que o


psicopata faz, é consciente, e para ele é absolutamente natural, por esse
motivo, não se intimida em cometer os piores crimes: “O psicopata sabe
exatamente o que faz inclusive que tais atos são ilegais ou imorais. Ele tem
ciência de que pode ser pego pela polícia e levado à justiça. Sendo assim, o
psicopata calcula meticulosamente os seus passos. Um estelionatário
ardiloso, por exemplo, planeja cada passo, cada detalhe para que seu plano
43

tenha êxito e para que nada seja descoberto antes do tempo. Tudo o que o
psicopata faz é normal e natural, para ele mesmo, é claro. Por não sofrer de
2
remorso ou culpa, comete os piores crimes e atrocidades sem pestanejar

Devido a esse fato, o crime praticado por psicopata tem características


próprias como cena do crime bem elaborada, organizada, de forma que demonstre
o objetivo buscado que é a perfeita execução do delito, sem indícios aparentes de
autoria. Quando praticado por serial killer psicopata, os crimes possuem
características muito semelhantes entre si.
Enxergam a vitima como um meio de atingir seus objetivos quando essas
são capturadas e executadas, acredita que está fazendo um grande favor a elas, e
que o fato de terem sido vitimas é culpa delas próprias. Por isso, após o
cumprimento da pena, a possibilidade de voltarem a cometer o mesmo tipo de
delito é enorme.
Através da análise de personalidade, fica evidente que os indivíduos
acometidos pela psicopatia não têm arrependimento sobre os crimes praticados, se
lamentando apenas pelo fato de estarem presos, pois se julgam superiores e não
admitem falhas em suas condutas.
De acordo com BITTAR (2015, p. 323), “Os condutopatas, também
chamados psicopatas, sociopatas ou fronteiriços, são egoístas, insensíveis,
impulsivos, incapazes de sentir culpa ou de aprender com a experiência ou com o
castigo”
No Brasil, de acordo com o art. 59 do Código Penal, é atribuído a pena o
caráter reprovativo e preventivo, o que caracteriza a Teoria Mista adotada quanto a
pena.
Além disso, a Lei de Execuções Penais prevê que a pena tem o objetivo de
ressocializar o indivíduo, de forma que, uma vez cumprida sua sentença, deva
retornar ao convívio com a sociedade.
Ora, se o psicopata não se sente culpado e se também não são capazes de
aprender com o erro cometido, como poderá a pena atingir seus objetivos
expressos no art. 59 do Código Penal?

2
SILVA, Claudia. O Psicopata e a politica Criminal Brasileira. 2010. Disponível em :
<https://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=9440>
44

Em breve análise, fica evidente que nos casos dos indivíduos psicopatas a
pena perde seu caráter objetivo, restringindo-se a uma privação temporária da
liberdade desse tipo de criminoso, e passa a ter pouca ou nenhuma eficácia
nesses casos.
As medidas de tratamento também se mostram ineficazes nesses casos,
pois focam no sofrimento do individuo. Ocorre que, no caso dos psicopatas, estes
são ausentes de empatia e são incapazes de se colocarem no lugar dos outros,
sendo incapazes de sentir esses sofrimentos causados por suas ações.
Esses indivíduos possuem uma deficiência em seu sistema límbico e são
incapazes de demonstrar emoções e sentimentos.
Isso que não quer dizer que eles não saibam o que é isso, pois psicopatas
são pessoas extremamente inteligentes, capazes de analisar as emoções e
sentimentos dos indivíduos, de simular e aprender sobre eles, com o intuito
malévolo de atingir seus objetivos de manipulação.
Devido a esses fatores, os especialistas acreditam que o tratamento é pouco
eficaz no que tange a psicopatia. Ana Beatriz Barbosa Silva (2014, p. 186)
expressa com objetividade bem evidente quando expressa sobre a ineficácia sobre
o tratamento de psicopatas:
Com raras exceções, as terapias biológicas (medicamentos) e as
psicoterapias em geral se mostram, até o presente momento, ineficazes
para a psicopatia. Para os profissionais de saúde, este é um fator intrigante
e, ao mesmo tempo, desanimador, uma vez que não dispomos de nenhum
método eficaz que mude a forma de um psicopata se relacionar com os
outros e perceber o mundo ao seu redor. É lamentável dizer que, por
enquanto, tratar um deles costuma ser uma luta inglória.

Ela ainda ressalta que esse tipo de tratamento é voltado para pessoas
emocionalmente perturbadas, o que não é o caso dos psicopatas, onde as
emoções são ausentes e nem possuem constrangimentos morais:
Temos que ter em mente que as psicoterapias são direcionadas às pessoas
que estejam em intenso desconforto emocional, o que as impede de manter
uma boa qualidade de vida. Por mais bizarro que possa parecer, os
psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmos e não
apresentam constrangimentos morais nem sofrimentos emocionais como
depressão, ansiedade, culpas, baixa autoestima etc. Não é possível tratar
um sofrimento inexistente. (SILVA, 2014, p. 186).

A autora ainda afirma que o tratamento pode piorar a situação, devido a


capacidade de o psicopata assimilar o tratamento e utilizar a seu recurso para
manipulação com o intuito de alcançar seus próprios objetivos:
45

Estudos também demonstram que, em alguns casos, a psicoterapia pode


até agravar o problema. Para as pessoas "de bem", as técnicas
psicoterápicas sem dúvida alguma são fundamentais para a superação das
suas angústias ou dos seus desconfortos. No entanto, para os psicopatas
as sessões terapêuticas podem muni-los de recursos preciosos que os
aperfeiçoam na arte de manipular e trapacear os outros. Embora eles
continuem incapazes de sentir boas emoções, nas terapias os psicopatas
aprendem "racionalmente" o que isso pode significar e não poupam esse
conhecimento para usá-lo na primeira oportunidade. Além disso, eles
acabam obtendo mais subsídios para justificar seus atos transgressores,
alegando que estes são fruto de uma infância desestruturada. De posse
dessas informações, eles abusam de forma quase "profissional" do nosso
sentimento de compaixão e da nossa capacidade de ver a bondade em
tudo. (SILVA, 2014, p. 187).

Concluímos que, como observado no caso dos condutopatas, em especial


os psicopatas, a pena não consegue atingir seu papel de ressocializar o individuo e
prevenir novas condutas.
Tampouco as medidas de segurança e os tratamentos também se mostram
ineficazes, sendo incapazes de extinguir ou diminuir a periculosidade do individuo.
Além disso, nos casos de criminosos psicopatas submetidos à medida de
segurança, visando o cumprimento de norma constitucional que versa sobre a
inexistência e proibição de penas de caráter perpétuo no Brasil, têm como
jurisprudência o entendimento que esse instituto, medida de segurança, de acordo
com súmula do STF, não pode ultrapassar os 30 anos:
MEDIDA DE SEGURANÇA – PROJEÇÃO NO TEMPO – LIMITE. A 46
interpretação sistemática e teleológica dos artigos 75, 97 e 183, os dois
primeiros do Código Penal e o último da Lei de Execuções Penais, deve
fazer-se considerada a garantia constitucional abolidora das prisões
perpétuas. “A medida de segurança fica jungida ao período máximo de trinta
anos”. (STF – 1ª T. – HC nº 84.219-4-SP – Rel. Min. Marco Aurélio – j.
3
15.02.05 – v.u. – DJU 23.09.05, pág. 16). (BRASIL, 2005) .

No Brasil, atualmente, os condutopatas são em sua maioria considerados


semi-imputáveis. Podem cumprir a pena, reduzindo de 1/3 a 2/3 de acordo com o
grau de sua cognição e capacidade volitiva, após pericia atestada por profissional
capacitado.
Quando submetidos a medidas de segurança, não podem passar mais que
30 anos sob tratamento. Dessa forma, tem se adotado, após cumprimento de
sentença, a interdição cível do individuo condutopata de acordo com disposto no
artigo 682, parágrafo 2º do Código de Processo Penal:

3
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Decisão no Habeas Corpus n. 84.219-4-SP. Relator: MELLO,
Marco Aurélio Mendes de Farias. Publicado no DJ de 2--09-2005 p. 16. Disponível em:
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/14800654/habeas-corpus-hc-84219-sp-stf
46

Art. 682. O sentenciado a que sobrevier doença mental, verificada por


perícia médica, será internado em manicômio judiciário, ou, à falta, em outro
estabelecimento adequado, onde lhe seja assegurada a custódia.
o
§ 1 Em caso de urgência, o diretor do estabelecimento penal poderá
determinar a remoção do sentenciado, comunicando imediatamente a
providência ao juiz, que, em face da perícia médica, ratificará ou revogará a
medida.
o
§ 2 Se a internação se prolongar até o término do prazo restante da pena
e não houver sido imposta medida de segurança detentiva, o indivíduo terá
o destino aconselhado pela sua enfermidade, feita a devida comunicação ao
juiz de incapazes.

Assim, ou o indivíduo volta a sociedade sob responsabilidade da família ou


permanece internado em hospital psiquiatra para tratamento adequado. Essa última
opção se apresenta, no mínimo, uma hipocrisia, visto que, como a autora Ana
Beatriz Barbosa Silva mesmo relata, a psicoterapia se mostra ineficaz nesses casos.
Quanto à interdição cível e o posicionamento adotado até 2015, cabe
destacar o seguimento jurisprudencial:

2375 – EXECUÇÃO PENAL – MEDIDA DE SEGURANÇA – LIMITE DE 30


(TRINTA) ANOS PREVISTO NO ARTIGO 75, DO CÓDIGO PENAL –
INCIDÊNCIA – APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 682, § 2º, DO
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, QUE TRATA DA INTERDIÇÃO CIVIL –
ARTIGOS 1.769 E SEGUINTES DO CÓDIGO CIVIL – ORDEM DEFERIDA,
EM PARTE. “Decisão: Prosseguindo o julgamento, após a retificação de
voto dos Ministros Marco Aurélio, Relator, Cezar Peluso, Carlos Britto e
Eros Grau, a Turma deferiu, em parte, o pedido de habeas corpus para que,
cessada a aplicação da medida de segurança, se proceda na forma do art.
682, § 2º do Código de Processo Penal ao processo de interdição civil do
paciente no juízo competente, na conformidade dos arts. 1.769 e seg. do
Código Civil, nos termos do voto do Ministro Sepúlveda Pertence,
4
Presidente. Unânime. 1ª Turma, 16.08.2005.

Cabe destacar que essa medida foi adotada no Caso de Chico picadinho, o
caso de psicopatia mais conhecido no Brasil, (aparentando ser a única solução
possível e viável no Brasil até o momento).
Contudo, com o advento das alterações do Código Civil de 2015, a princípio
fica mantida a interdição civil absoluta apenas para os menores de 16 anos,
devendo os casos concretos de psicopatia e condutopatia serem submetidos a
análise individual dos tribunais.

4
STF - HABEAS CORPUS: HC 84219 SP. Jusbrasil. 2005. Disponível em
https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/14737060/habeas-corpus-hc-84219-sp
47

4 CAPITULO – CASOS DE ASSASSINOS EM SÉRIE CONDUTOPATAS

Assassinos em série condutopatas, geralmente, são pessoas muito


inteligentes, calculistas, frias, capazes de crimes bárbaros muito bem
orquestrados. Alguns dificilmente são capturados, tamanha destreza, como Jack, o
estripador ou o Assassino do Zodíaco. Outros, porém, graças á uma falha de
planejamento ou de execução, acabam deixando vestígios ou vitimas que eles
mesmos subestimaram e que foram fundamentais nos desfechos dos casos e
descobertas das autorias.
Nesse capitulo, objetivando a comparação com o estudo feito, serão
apresentados alguns casos de assassinos em série no mundo e no Brasil, bem
como os procedimentos adotados.

4.1 ASSASSINOS EM SÉRIE NO MUNDO

Não é de hoje que os assassinos em série, ou Serial Killers, aterrorizam a


sociedade. Já há muito tempo se houve falar em casos de assassinos em série
pelo mundo. Porém, na atualidade, ainda que sociologicamente os estudiosos
afirmem que a sociedade está em evolução, ainda pode ser encontrado casos de
barbárie, crueldade e frieza em alguns assassinatos. Destaca-se no trabalho
apresentado o caso de Andrei Chikatilo, o açougueiro de Rostov; Ted Bundy, o
anjo da morte e John Wayne Gacy, o palhaço assassino.

4.1.1 Caso 1: Andrei Chikatilo, O açougueiro de ROSTOV5

...seus crimes eram doentios, mas eu não acho que ele estava doente no
sentido psiquiátrico ou jurídico. Certamente não era insano. Ele era mais

5
Serial Killers: Andrei Chikatilo, o Estripador da Floresta. O Aprendiz Verde.2013 Disponível em
http://oaprendizverde.com.br/2013/03/20/serial-killers-o-estripador-da-floresta-2/
48

mau do que louco, e ele certamente era muito habilidoso, mas não louco.
6
(Jack Levin, criminólogo)

Considerado como um dos maiores assassinos em série de todos os


tempos, Andrei Romanovich Chikatilo nasceu na Ucrânia, em 1936. Ainda criança,
era assombrado pelas historias da sua mãe sobre seu irmão mais velho Stepan,
que assassinado e devorado por pessoas famintas durante o período do
Holodomor que se sucedeu entre 1932 e 1933, caracterizado por grande escassez
de alimentos e por atos de canibalismo.
Era um jovem alto e bonito. Porém, sua autoestima era baixíssima, além de
ser tímido. Também não conseguia ter ereção, sendo praticamente impotente.
Para compensar essa impotência, se mergulhou nos estudos e livros, tornando-se
muito culto e inteligente, formando se em algumas faculdades e tornando-se um
membro influente no Partido Comunista.
Sua impotência também foi o que o levou a ser considerado um dos piores
Serial killer de todos os tempos. Foi no assassinato de uma menina em 1978,
durante o ato de mutilação, que Andrei descobriu que podia ter ereção e
ejaculação ao ter contato com o sangue da vitima. Assim, para ter a satisfação
sexual, não poderia parar de matar.
Frustrado pelo fato de ser uma pessoa culta e estudada não poder ter
relações sexuais como qualquer pessoa comum, Andrei passa a ter ódio das
pessoas que levavam uma vida promíscua aos arredores das estações de ônibus e
trem de Rostov, como os bêbados vagabundos e as prostitutas.
Ele se sentia superior, e não admitia que as pessoas, consideradas
inferiores por ele, pudesse obter a satisfação sexual enquanto ele não podia Em
geral, as vitimas de Andrei tinha os mesmo padrões de lesões e eram encontradas
próximas as estações e na floresta.
Andrei não era o tipo que os policiais consideravam como um padrão de
assassino na época. Após o assassinato de sua primeira vitima, em 1978, chegou
a ser detido para ser interrogado. Porém, sua esposa alegou que estava com ele
na noite do crime. Ainda chegou a alegar que era um absurdo, Andrei, ser
considerado o assassino, sendo dispensado pelos policiais.

6
Citado em http://oaprendizverde.com.br/2013/03/20/serial-killers-o-estripador-da-floresta-2/
49

Após o fato, diversas outras vitimas surgiram aos arredores de Rostov,


sempre com as mesmas características de local de crime, em intervalos regulares,
próximas umas das outras.
Apesar de estar na mira da polícia, sempre conseguia se safar. Porém,
Andrei foi capturado definitivamente enquanto tentava abordar crianças próximas a
uma estação de trem. Preso, confessou todos os assassinatos e indicou onde
estavam os corpos, além de contar em detalhes como ocorreram os crimes.
Durante seu julgamento, teve que ser colocado em uma jaula, para não ser
agredido e morto pelos parentes de suas vitimas. Seu julgamento começou em 12
de abril de 1992 e duraram seis meses. Das 56 mortes que ele confessou 53
puderam ser confirmadas através de provas.
Os psiquiatras da promotoria o consideraram em perfeita sanidade mental,
pois tinha controle sobre os lugares seguros que executava seus atos e sobre o
tempo que ficou sem matar ninguém após ser detido pela primeira vez.
Foi condenado à morte por fuzilamento em 12 de outubro de 1992, por 5
abusos sexuais e 53 assassinatos, sendo executado com um tiro na cabeça em
1994.

4.1.1.1 Observação e conclusão

Andrei Chikatilo teve um advogado nomeado pela Corte, em cima da hora,


que mal teve tempo de estudar o caso. O juiz do caso se tornou o pior inimigo de
Andrei. Durante seu julgamento, foi negado o testemunho de todas suas
testemunhas de defesas, inclusive dos psiquiatras forenses solicitadas pelo
advogado de defesa.
Ficou evidente que o a opinião publica influenciou profundamente em seu
julgamento, que é tido até hoje como um julgamento bizarro, que admitiu provas
questionadas de formas absurdas, como o sangue no sêmen em uma das vitimas
ser de outro tipo diferente do sangue de Andrei, que os analistas a alegar que
Andrei era um tipo raro que possuía um tipo de sangue e secretava outro. Fato
contestado até hoje, considerado ridículo.
50

4.1.2 Caso 2: Ted Bundy, o Anjo da Morte7

Theodore “Ted” Robert Bundy nasceu em 24 de novembro de 1946, em


Burlington, nos Estados Unidos. Sua mãe, Louise, ficou grávida de um breve
relacionamento com um aviador da Força Aérea Americana, bem mais velho do
que ela, que nunca mais foi visto. A fim de evitar um escândalo envolvendo a
família, os pais de Louise, Samuel Cowel e Eleanor Cowell, afirmavam que Ted era
seu filho, e que esse seria o irmão mais novo de Louise.
Ted cresceu assistindo seu avô espancando sua avó inúmeras vezes.
Espancamento, agressões verbais e físicas eram rotineiras. Para fugir desse
ambiente agressivo, algum tempo depois, Louise casou-se com John Culppeper
Bundy e mudaram para outra cidade junto com Ted, então com cinco anos de
idade.
O padrasto de Ted tentou se aproximar do garoto. Porém foi inútil, pois Ted
não aceitava a ideia de ter sido afastado de seus “pais” para viver com sua irmã.
Nesse momento, Ted ainda não tinha conhecimento que Louise era sua mãe.
Certa vez, chegou a alegar que não entendia o porquê das pessoas serem amigas.
Quando criança passava a maioria do tempo cuidando dos seus irmãos mais
novos e torturava animais, fato comum a jovens psicopatas. Além disso, ele sempre
conversava com amigos imaginários. Na escola, apesar do bullyng sofridos, era um
aluno notável, considerado o melhor da escola pelo seu desempenho. Era
inteligente, educado e elegante.
Aos 21 anos se apaixonou por uma garota rica, Stephanie. Após um ano de
namoro, ela terminou o relacionamento. Ted entrou em grande depressão e nunca
superou a rejeição, abandonando os estudos. Tentou, a todo custo, reatar o
relacionamento, mas foi em vão.
Neste mesmo ano veio à tona verdade sobre sua família, e Ted ficou
sabendo que Louise era sua mãe. Passou, então, a ser uma pessoa fria e decidida
a ter o controle sobre sua vida, de forma absoluta. Em razão disso, voltou a
estudar e formou-se em Psicologia, destacando-se com grande desempenho,
sendo, inclusive, laureado.

7
Bernardo de Azevedo e Souza e Henrique Saibro. Ted Bundy, o anjo da morte. Canal Ciências
Criminais. JusBrasil, 2016. Disponível em
https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/342412056/ted-bundy-o-anjo-da-morte
51

Aos 23 anos casou-se com Meg Anders, também chamada Elizabeth


Kloepfer (em algumas biografias foi alterado o nome da mulher de Ted), mas
mantinha um contato com sua primeira namorada. Estudou direito e filiou-se ao
Partido Republicano. Em uma viagem para o Partido, aos 27 anos, encontrou-se
com sua primeira namorada, Stephanie, e não mediu esforços para reconquistá-la,
mas com o objetivo de fazê-la sofrer, como ela o tinha feito antes. Ted atingiu seu
objetivo, demonstrando sua característica narcisista.
Na vida de crimes, Ted alegou ter matado duas pessoas em Atlantic City,
em 1969, aos 27 anos. Logo depois, negou. Ao longo das investigações, muitas
evidências apontaram o assassinato de Ann Marie Burr, que tinha apenas oito
anos, em 1961 (Ted tinha quatorze anos),
No entanto, pelos crimes a que foi condenado, sua carreira começa em
fevereiro de 1974, quando invadiu o porão da casa de Lynda Ann Healy, de 21
anos, estuprando e matando com golpes na cabeça.
Antes disso, Ted também chegou a fazer outra vitima, em janeiro do mesmo
ano, a jovem de dezoito anos Karen Sparks. Depois de vários dias de relações
sexuais com a jovem, Ted a golpeou na cabeça, deixando a desacordada por
vários dias, penetrando-a com um espelho ginecológico por várias vezes. Depois
disso, Karen teve danos cerebrais irreversíveis e ficou incapaz de se comunicar
satisfatoriamente e de organizar seus pensamentos, e Ted não a viu como
ameaça, desistindo de matá-la.
Depois desses fatos, Ted Bundy fez suas vitimas em vários lugares dos
Estados Unidos, como Washington e Colorado, em 1974, onde Bundy fez nove
vítimas, e entre 1974 e 1975, duas em Idaho e quatro no Colorado. Algumas fontes
afirmam que o número de vitimas foi bem maior, apesar de não confirmado.
Suas vitima tinham sempre a mesma semelhança: mulheres com cabelo nas
alturas dos ombros, repartidas ao meio, e jovens. Alguns estudiosos falam que
eram semelhantes a mãe de Ted. Como modus operandi, fingia ser deficiente
físico, pedindo ajuda para ir até o seu carro pegar algo, onde as golpeava na
cabeça, estuprava e as estrangulava. O carro de Ted Bundy, um fusca, não tinha
artesanalmente o banco da frente, o que facilitava seus golpes.
Com a semelhança dos crimes e das versões de algumas testemunhas, a
policial começou a suspeitar de um assassino em série. Foi difícil ligar Ted Bundy
52

aos assassinatos, pois era considerado um cidadão exemplar, frequentador de


uma igreja cristã.
Os assassinatos despertaram a suspeita de sua esposa, Meg Anders, que
começou a perceber que os assassinatos sempre aconteciam quando Bundy saia
de casa ou viajava, e que eram próximos aos seus destinos de viagem. Além disso,
ela encontrou em meios as suas coisas luvas, máscaras, martelos de picotar gelos
e objetos ginecológicos. Ela começou a notar que ele ficava diferente quando
alguém comentava dos assassinatos e que as características coincidiam com as
dele. Ela chegou a ligar três vezes para a polícia, que não deu muita atenção para
o caso, até agosto de 1975, quando Ted foi preso após furar um bloqueio policial,
onde foi encontrado em seu veículo, luvas, máscaras, saco de lixo e objetos
ginecológicos.
Depois disso, a polícia estadual foi informada, e os investigadores foram até
a casa de Meg Anders, de onde os investigadores saíram convencidos que Bundy
era o assassino.
Após vender o carro, os investigadores fizeram uma busca detalhada no
veiculo, e localizaram fios de cabelos das vítimas, confrontando informações com
as diversas policias de outros estados e as provas obtidas, o que foi motivo
suficiente para ser incriminado e pedida a sua prisão.
Antes de seu primeiro julgamento, como era formado em Direito, dispensou
o advogado e optou por fazer sua defesa., tendo acesso a biblioteca do fórum
criminal. Em 07 de junho de 1977, aproveitou de uma distração do guarda e
conseguiu fugir pelo telhado das casas, com as roupas pegas no varal das casas.
Em 1978, Ted Bundy entrou em uma fraternidade onde só moravam garotas,
vitimando quatro delas: Margaret Bowman, Lisa Levy, Kathy Kleiner e Karen
Chandler. Todas com golpes na cabeça e algumas com mordidas no seio, o que foi
confrontado com a arcada dentária de Bundy e usado como prova posteriormente
em seu julgamento.
Ele foi visto por Nita Neary, que chegava de um encontro na fraternidade,
que o viu correndo saindo de lá, tornando – se a principal testemunha de acusação
contra Bundy.
Os crimes que aconteceram durante 1974 e 1975, pela semelhança, foram
atribuídos a Bundy, que passou a ser considerado como um dos 10 mais
procurados dos Estados Unidos.
53

Em 15 de Fevereiro de 1978, foi parado por David Lee, policial, que ao


constatar a placa como roubada, percebeu que Ted Bundy tentou resistir a prisão,
porém Lee levou a melhor. Na delegacia, Ted se apresentou com Ken Misner, com
um documento roubado. Contudo, através das impressões digitais, comprovou ser
o próprio Ted Bundy.
Ted Bundy foi julgado em diversos Estados entre 1979 e 1980, e na maioria
das vezes, fez sua própria defesa. Porém, a sua arrogância não conseguiu livrá-lo
da sentença da pena de morte.
Em seu julgamento, varias pessoas soltaram fogos de artifícios para
comemorar a sua sentença de morte. Ele foi condenado à morte, sendo executado
em 24 de janeiro de 1989, em uma prisão estadual na Florida. Ted Bundy nunca
se arrependeu, tratando suas vitimas como se fossem verdadeiros objetos.

4.1.2.1 Observações

O caso de Ted Bundy demonstra as características de um verdadeiro


psicopata: inteligência, elegância, sedução, falta de empatia, narcisismo,
superioridade, arrogância, falta de remorso e de capacidade de aprender com o
erro, mas tinha total domínio de suas ações e conhecimento do que era certo e
errado.
Seu Julgamento foi amplamente divulgado pela mídia, causando grande
clamor público. O tribunal concluiu pela perfeita sanidade mental do acusado. Sua
morte foi comemorada por diversas pessoas que cercaram a prisão estadual da
Florida no dia de sua execução.
54

4.1.3 Caso 3: John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino.8

“Um palhaço pode „se dar bem‟ somente como assassino.”


9
(John Wayne Gacy)

John Wayne Gacy era um pai de família em Chicago, Estados Unidos.


Possuía um casal de filhos. Católico praticante assumia papel de liderança na
igreja. Membro do Partido Republicano, onde exercia função de tesoureiro, tinha
função de destaque. Também era membro da Defesa Civil, no estado de Illinois
onde foi comandante da unidade da cidade. Empresário, era uma pessoa notável,
e chegou a ser o Homem do ano em sua cidade. Aos finais de semana, se
fantasiava de palhaço Pogo para animar festas de crianças.
No entanto, todas essas qualidades apenas escondiam a verdadeira face de
Gacy. Paralelamente a sua vida tranquila, Gacy já havia sido condenado em Iowa
a dez anos de prisão por abuso sexual de um menor de idade. Cumpriu 18 meses,
sendo liberado condicionalmente após ter bom comportamento na prisão. As
acusações de abusos sempre o rondaram.
Aos onze anos, levou uma pancada na cabeça, o que formou um coágulo,
descoberto cinco anos depois. Frequentemente tinha desmaios. O pai de Gacy, um
alcoólatra, nunca acreditou nos médicos, e achava que Gacy fingia desmaios para
chamar a atenção. O Pai de Gacy abusava sexualmente dele, e o humilhava
perante os amigos, chamando o de homossexual. Gacy, apesar de tudo, amava
seu pai e fazia de tudo pra chamar a atenção dele. Porém, nunca atingiu seu
objetivo.
Aos dezessete anos, foi diagnosticada com uma doença cardíaca rara e
passava parte do tempo no hospital. Foi diagnosticado pelos psiquiatras como uma
pessoa sociopata, mentirosa patológica, compulsiva, multipolar, perfeccionista,
narcisista e esquizofrênico.
Foi devido a uma vitima que Gacy foi descoberto, Jeffrey Ringall, que na
época estava com 27 anos. Em março de 1978, Ringall andava pela rua quando
aceitou a carona de um sujeito gordo e simpático. Estava em um veiculo

8
Bernardo de Azevedo e Souza e Henrique Saibro. John Wayne Gacy, o palhaço assassino. Canal
Ciencias Criminais. Jusbrasil, 2016. Disponível em
https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/321415271/john-wayne-gacy-o-palhaco-
assassino
9
Citação do mesmo autor.
55

Oldsmobile preto. No veiculo o sujeito agarrou-o e o fez desmaiar com clorofórmio.


Sempre que recuperava a consciência, Ringall era novamente sedado. Acordou no
meio do Lincoln Park sem saber como foi parar lá, com varias queimadura e
hematomas pelo corpo. No hospital, lembrava apenas que foi abusado e açoitado
com um chicote, porém suas lembranças não foram suficientes para uma autoria.
Teve danos irreparáveis no fígado devido ao uso excessivo do clorofórmio.
Ringall, que não admitia a situação, passou a então a esperar no Lincoln
Park a passagem do Oldsmobile. Um dia, quando visualizou e reconheceu o
veiculo passando, seguiu-o até a casa de Gacy. Ringall, então, ajuizou uma queixa
crime contra Gacy.
Para a polícia, Gacy disse que prometia aos jovens empregos e dinheiro em
troca de sexo. Confessou que suas vítimas eram algemadas, abusadas, torturadas
e mortas geralmente por estrangulamento. Costumava se vestir como o palhaço
Pogo durante esse ritual e citava passagens bíblicas durante a execução das
vitimas.
Em sua casa a policia encontrou diversos corpos dos jovens sob o solo. Sua
casa era construída especificamente para essas condições. Quando não tinha mais
espaço, começou a desovar as vítimas no rio Des Plaines, em Illinois. Ao todo,
Gacy foi acusado de ter assassinado 33 jovens. Porém acredita-se que houve
muito mais.
Em seu julgamento, seus advogados tentaram, como estratégia, alegar
insanidade mental, no intuito de interná-lo em um hospital psiquiátrico. Arrolaram
sua mãe e sua irmã como testemunhas de defesa que alegaram os fatos da sua
adolescência, que seu pai o abusava e o humilhava constantemente, além de
agredi-lo. Seus amigos, porém, afirmaram que Gacy apresentava ser uma pessoa
em perfeita sanidade mental, o que prejudicou em muito sua defesa. No final, Gacy
foi acusado do homicídio de trinta e três jovens, e sentenciado a pena de morte por
injeção letal.
Na prisão, Gacy tornou-se alcoólatra e tentou o suicídio. Dedicou-se a
pintura e teve vários dos seus quadros expostos em mostras, chegando a receber
US$ 140.000,00 pela obra toda.
Nas ruas, no dia da sua execução, as pessoas cantavam e comemoravam a
sua execução. Em 10 de maio de 1994, foi submetido a injeção letal, fechando os
56

olhos para sempre, colocando fim ao palhaço Pogo. Para os pais de algumas
vítimas, foi uma decepção, pois nunca chegaram, a saber, onde poderiam estar.

4.1.3.1 Observações

O caso de Gacy apresenta um quadro de condutopatia psicopata quando


descrita seu comportamento durante a vida em família. Como outros psicopatas,
ninguém acreditava, até então, que Gacy seria capaz dessas atrocidades. Em seu
julgamento, mais uma vez a mídia e o clamor público influenciaram na audiência
do julgamento. Fica evidente que Gacy não demonstrava empatia pelas vitimas,
tampouco remorso. Possuía conduta sexual agressiva e se satisfazia em matar
suas vitimas.

4.2 ASSASSINOS EM SÉRIE NO BRASIL

No Brasil houve alguns casos de condutopatas que ficaram bem conhecidos


devidos às formas que foram praticados e pelas suas condutas criminosas. Entre
eles podemos destacar Chico Picadinho, Pedrinho matador, Champinha e Suzanne
Richthofen.
Com o objetivo de ilustrar o trabalho, foram analisados alguns casos e as
medidas tomadas pelo Judiciário brasileiro.

4.2.1 Caso 1: Francisco Costa Rocha, o “Chico Picadinho”.10

Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho, nasceu em 27 de abril de 1942,


em Vila Velha, Espirito Santo. Era filho de uma relação extraconjugal entre sua
mãe, Nancy, e seu pai, Francisco, que era casado e tinha 6 filhos e era um
empresário exportador de café, poderoso e bem-sucedido. Enérgico e violento,
Francisco ameaçava Nancy e a fez abortar duas vezes. Na terceira gravidez
nasceu Francisco Costa, que cresceu em meio à rejeição do pai.

10
BAUER, Guilherme. Chico picadinho. Serial Killers - Crismes, Histórias, Razões: Online. Disponível
em: <http://loucoseperigosos.blogspot.com.br/2010/01/nome-completo-francisco-costa-rocha.html>.
57

Chico, quando criança, enforcava gatos e os afogava nos vasos sanitários.


Devidos as peripécias praticadas, sempre apanhava. Na escola era desatento,
briguento, indisciplinado e displicente.
Aos 16 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com a mãe e seu então
companheiro. Em 1965 mudou-se para São Paulo para tentar a profissão de
corretor de imóveis.
Lia Nietzche e Dostoiévski, frequentava bares e ganhava bem. Também
frequentava teatros com passe cedido por parceiros sexuais. Usava todo tipo de
droga e a agressividade sexual se acentuava cada vez mais. Saia quase todas as
noites para beber e fazer sexo.
Cometeu seu primeiro assassinato em 1966. Sua primeira vitima foi
Margareth, que era boemia e conhecida dos seus amigos. Após uma noite de
boemia, Chico a convidou para ir a seu apartamento, onde morava com Caio, que
era um cirurgião da aeronáutica, com o intuito de fazer sexo. Nem chegaram a
consumar o ato. Chico passou a ser violento e estrangulou Margareth com um
cinto. Logo após o ato, viu a necessidade de dar um fim ao corpo, colocando o
corpo no banheiro e esquartejando-a durante 4 horas. Quando Caio finalmente
chegou na casa, Chico contou-lhe o que havia acontecido, que havia matado
Margareth. Não contou o procedimento e nem o motivo, mas disse que o corpo
ainda estava no apartamento.
Pediu para Caio um tempo para avisar sua mãe e acionar um advogado.
Caio avisou a policia. No dia seguinte Chico ligou para Caio e a policia rastreou a
ligação e Chico foi preso, não reagindo a prisão em momento algum.
Após ser preso, depois de algum tempo deixou a prisão por bom
comportamento. Dessa vez fez uma nova vitima Suely, que tinha vários codinomes.
Teve um cuidado maior para destrinchar a vitima, cortando em pedações menores
para jogar no vaso sanitário. Contudo, como não conseguiu se livrar de tudo,
colocou os pedações em duas malas e adormeceu de cansaço. Ao acordar, saiu
para pegar um carro. Durante esse período, seu amigo chegou e encontrou o
corpo. Chico então foge para o Rio de Janeiro, pedindo ajuda a um amigo
conhecido como Baianinho Charlatão. Preso no outro dia, não se sabe se o amigo
o dedurou.
As fotos exibidas pela imprensa sensibilizaram grandemente a opinião
publica, e Chico foi, então, condenado a pena máxima de 30 anos de prisão.
58

Francisco era estudante de Direito a época do crime e uma pessoa muito


culta. Nos seus crimes, agiu sobre a influência do romance de Dostoiévski, Crime e
Castigo. Francisco considerava Dostoievski como um deus, e um grande fã de
Kafka.
Hoje se encontra internado no Hospital de Custodia e Tratamento
Psiquiátrico Arnaldo Amado Ferreira, em Taubaté, mesmo cumprido os 30 anos de
prisão.

Observações
Conforme observado no caso, o comportamento frio de Chico picadinho e
sua descontrolada agressividade sexual denotam sua condutopatia. Sua falta de
arrependimento e autoafirmação como pessoa culta o colocam como uma pessoa
que se acha superior às demais.
Pode se notar que a formação de sua personalidade também foi marcada
por varias situações traumática, como a relação extraconjugal de sua mãe, a
rejeição de seu pai e as constantes agressões que sofria.

4.2.2 Caso “Pedrinho Matador”11

Pedro Rodrigues Filho (1954), o Pedrinho Matador, nasceu em 1954 e até


hoje é conhecido como o maior assassino em série do Brasil. Praticou seu primeiro
homicídio aos 14 anos e desde então seguiu matando. A grande maioria de suas
vitimas foram mortas dentro das unidades prisionais por onde Pedrinho passou.
Sua pena, cerca de 400 anos, é uma das penas privativa de liberdade mais alta já
aplicada no Brasil.
A primeira vez que Pedrinho teve vontade de matar foi aos 13 anos, quando
se desentendeu e empurrou seu primo em um moedor de carne, que sobreviveu
por pouco.

11
SILVA, Paulo Roberto. Pedrinho Matador. Ficha Criminal: Online. Disponível em:
<http://fichacriminal.blogspot.com.br/2011/08/pedrinho-matador.html>
59

Aos 14 anos, fez sua primeira vitima: o vice-prefeito de Alfenas/MG, por ter
demitido seu pai, que era um guarda escola, acusado de ter roubado a merenda da
escola, e depois matou o outro vigia, que desconfiava ser o verdadeiro ladrão.
De lá foi para Mogi das Cruzes, como foragido, e passou a roubar os pontos
de vendas do trafico e os traficantes. Conheceu sua companheira, Botinha, que era
viúva de um chefe do tráfico. Assumiu os negócios do antigo chefe do tráfico e
eliminou até alguns “rivais”. Permaneceu ali até que sua companheira Botinha foi
morta pela policia.
Pedrinho conseguiu escapar, continuando a atuar como traficante. Na busca
pelos responsáveis pela morte de Botinha, várias pessoas foram torturadas e
assassinadas. Nessa época, Pedrinho ainda não tinha nem 18 anos.
Sua mãe foi assassinada com 21 golpes de facão, pelo seu companheiro, o
pai de Pedrinho. Buscando vingar a morte da mãe, Pedrinho matou o pai na cadeia
com golpes de faca e teria ainda arrancando seu coração e comido um pedaço.
Para vingar a morte da mãe, assassinada pelo próprio pai com 21 golpes de
facão, Pedrinho o matou, em uma cadeia de Mogi das Cruzes/SP. Pedrinho teria
matado o pai com golpes de faca e em seguida arrancado seu coração e comido
um pedaço.
Foi preso pela primeira vez em 1973 e obteve 51 condenações, passando
toda sua vida de adulto encarcerado. Apesar das condenações, estava para ser
solto em 2003, mas teve a pena prolongada até 2017, em razão dos homicídios
praticados no cárcere.
Ficou famoso e ganhou repercussão ao jurar de morte Francisco de Assis
Pereira, o “Maníaco do Parque” outro assassino em série famoso no Brasil. A
Ameaça se deu devido ao fato de Pedrinho ser contra a violência e o abuso de
mulheres. Porém, a ameaça não se concretizou.
Teria ainda matado o assassino de sua irmã, em uma prisão de
Araraquara/SP, causando um degolamento com uma faca sem fio de corte.
Pedrinho é considerado por todos como um fenômeno de sobrevivência
dentro do brutal sistema carcerário brasileiro, devido às ameaças e juramento de
morte dos companheiros. Ganhou muitos inimigos e rivais nos presídios. Chegou a
ser atacado por cinco outros detentos ao mesmo tempo, conseguindo se
desvencilhar e matar três, colocando os outros dois para fugir. Também matou um
companheiro de cela porque ronca muito alto e outro por falta de empatia. Se
60

orgulhava de ser matador, e evidenciando essa disposição, mandou tatuar no seu


braço “Mato por prazer”.
Pedrinho foi diagnosticado, em 1982, por um laudo pericial, um indivíduo
com “caráter paranoide e antissocial”. No laudo estava constando que sua grande
motivação era “a afirmação violenta do próprio eu”.
Depois de passar grande parte da sua vida na prisão, 34 anos ao todo, foi
colocado em liberdade em 2007. Porém, em 14 de setembro de 2011 foi
recapturado, na cidade balneária de Camboriú, litoral de Santa Catarina.

4.2.2.1 Observações

De acordo com o artigo, Pedrinho se demonstrou uma pessoa fria, calculista,


mas vingativa. Não demonstra arrependimento nem remorso, típico da Psicopatia,
como foi apontado no texto.
Interessante observar que, mesmo depois de 34 anos preso e sendo
diagnosticado em 1982 com transtorno de personalidade antissocial e paranoide,
foi colocado em liberdade, demonstrando as falhas que o sistema penal brasileiro
possui.

4.2.3 Caso “Champinha”12

O casal Liana Friedenbach (16 anos) e Felipe Caffé (19 anos) jovens
apaixonados que eram, resolveram viajar para uma área rural da grande São
Paulo, em Embu-Guaçu. Felipe, que já conhecia o local, convidou Liana, que
aceitou. Como o namoro era recente, o casal tinha receio que os pais de Liana não
autorizassem a viagem, Liana contou aos pais que iria para Ilhabela, com o grupo
da comunidade israelita, enquanto Felipe falou que iria acampar, sem mencionar a
companhia para sua mãe.
Em 31 de outubro, ao anoitecer, passaram a noite no vão livre do MASP.
Por volta das cinco horas da manhã, resolveram ir até o terminal Tietê, onde

12
Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé: vítimas de um inimputável. Canal Ciências Criminais. 2018.
Disponível em <https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/561393292/caso-liana-
friedenbach-e-felipe-caffe-vitimas-de-um-inimputavel>
61

embarcaram para Embu-Guaçu. Lá pegaram um ônibus rumo a Santa Rita, onde


caminharam 4 km até chegar ao local do acampamento.
Devido às roupas e bagagem que usavam e a beleza de Liana, chamavam
atenção por onde passavam. Foram avistados por Roberto Aparecido Alves
Cardoso, conhecido como Champinha, e por Paulo Cezar da Silva Marques, o
Pernambuco, que esperaram o casal se acomodar e anunciaram o assalto. Como
não havia nada significativo, resolveram sequestrar o casal. Seguindo para casa de
Antônio Caetano Silva, onde foi o cativeiro.
Liana, com medo, ainda teria falado que era rica e os pais pagariam o
resgate pedido. Nesse dia, Liana foi estuprada por Pernambuco em um cômodo da
casa, separado de Felipe. No outro dia, dois de novembro, para facilitar as coisas,
resolveram executar Felipe. O casal foi levado em meio à mata e separado depois.
Pernambuco mandou Felipe, que estava com as mãos amarradas, se ajoelhar e
disparou um tiro em sua nuca, matando Felipe. Após o disparo, Liana perguntou o
que teria acontecido a Champinha, que relatou que Felipe havia sido liberado.
Pernambuco, então, foge para São Paulo e na mesma noite, Champinha estupra
Liana novamente. Antônio Caetano Silva, dono do imóvel, e Agnaldo Pires chegam
na casa e também estupram Liana.
Os pais de Liana, preocupados com a falta de notícia da família, pressionam
os amigos dela e descobrem que o casal foi para Embu Guaçu. Com medo que
estivessem perdidos na mata, aciona o Comando de Operações Especiais da
Policia Militar de são Paulo, que localiza a barraca e pertences do casal, inclusive o
celular de Liana.
Com o alarde da mídia, as buscas se intensificaram e em cinco de novembro
de 2003, devido à repercussão do crime e temendo ser preso, Champinha decide
matar Liana. Disse a jovem que iria acompanhá-la até a rodoviária e iria libertá-la.
No trajeto, ainda no matagal, Liana foi golpeada diversas vezes no tórax, pescoço
e costas, deixando o local quando teve a certeza da morte da vitima.
Em 10 de novembro de 2003 a policia achou os corpos do casal Liana e
Felipe e em 14 de novembro foram presos Pernambuco, Antônio Caetano, Antônio
Matias e Agnaldo Pires. Champinha, como era menor de 18 anos, foi apreendido e
encaminhado à fundação CASA.
O país inteiro ficou chocado com a brutalidade dos crimes praticados e em
2006, três dos acusados foram a julgamento.
62

Antônio Matias foi condenado a mais de 7 anos de reclusão por cárcere


privado, favorecimento pessoal e ocultação de arma do crime; Agnaldo Pires foi
condenado a 47 anos de reclusão acusado de estuprar Liana; Antônio Caetano foi
condenado a 124 anos de reclusão por vários estupros cometidos contra Liana e
em novembro de 2007 Pernambuco foi condenado há 110 anos pelos crimes de
homicídio qualificado contra Felipe, estupro de Liana e cárcere privado do casal.
Champinha, por ser considerado inimputável, devido a menoridade à época
dos fatos, foi julgado pela Vara da Infância e da Juventude e foi aplicada a medida
socioeducativa de 3 anos de internação, tempo máximo permitido pelo ECA.
Após o cumprimento da medida socioeducativa, o Ministério Público pediu a
interdição o civil de Champinha, para que fosse mantido sob a vigilância do Estado,
uma vez que não poderia mais ser aplicada nenhuma pena.
Champinha vive até os dias de hoje na Fundação Experimental de Saúde,
em decorrência de interdição civil, por não ser considerado apto pra conviver em
sociedade sem que seja considerado um risco a segurança publica.

4.2.3.1 Observações

Champinha demonstra nas suas ações as características da condutopatia


psicopática. Contudo, de Acordo com o DSM 5 e o CID 10, na época do crime, não
poderia ser considerado um psicopata, visto que, de acordo com esses
instrumentos, a psicopatia só pode ser diagnosticada após os 18 anos, que é
quando se forma a personalidade definitiva.
Porém, devido ao diagnostico no tempo que permaneceu sob a custodia do
Estado, foi considerado incapaz para vida civil e uma ameaça a Sociedade,
permanecendo em Hospital Psiquiatra até hoje.

4.2.4 Caso “Suzanne Richthofen”13

13
Caso Richthofen . Ciências Criminais. 2016. Disponível em
<https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/323442322/caso-richthofen>
63

"O local do crime fala. Você apenas precisa aprender a sua linguagem.
Sabia-se que a pessoa que cometeu esse crime era íntima da casa, pois
seu modus operandi não era de um típico delito de latrocínio.” (Dr. Ricardo
14
Salada, Perito Criminal)

No dia 31 de Outubro de 2002, no bairro do Campo Belo, zona sul de São


Paulo, um crime bárbaro chocou o pais. Ali, começava mais um caso de
assassinato que chocaria o país. Manfred e Marísia Von Richthofen foram
encontrados mortos na casa, atingidos com diversos golpes no corpo e na cabeça
por dois agressores (Daniel e Cristian, os irmãos Cravinhos). O que mais chocou a
sociedade foi a pessoa que planejou tudo: Suzane von Richtofen, a filha do casal.
A Família Richtofen, de descendência alemã, é uma família de tradição
rígida. A jovem Suzane Von Richtofen, então com 18 anos, era uma moça bela,
culta, rica, cursava Direito e falava três idiomas. Daniel, seu namorado, era um
jovem humilde e menos culto.
O motivo do crime seria desaprovação dos pais quanto ao relacionamento
entre Suzane e Daniel, que decidiram pelo planejamento e execução dos pais de
Suzane. Além disso, Suzane e seu irmão eram os únicos herdeiros da fortuna da
família. Dessa forma, optaram por simular um latrocínio, ou seja, um roubo seguido
de morte.
Antes da execução do crime, Suzane teria levado seu irmão, Andrea, até
uma Lan House, onde teria ficado. Depois pegou os irmãos Cravinhos com o carro
da família e foram até a casa de Suzane, que já tinha providenciado luvas
cirúrgicas e sacos de lixo. O vigia da rua afirmou que o carro da família entrou na
casa por volta da meia noite.
A execução do crime se deu de forma fria e barbárie. Suzane abriu a porta
da casa e permitiu a entrada dos irmãos Cravinhos. Ao subir no quarto dos seus
pais, verificou que estavam dormindo, determinou que os irmãos cometessem os
homicídios. Seus pais foram duramente golpeados na cabeça, morrendo no local.
Após o fato, no intuito da simulação do latrocínio, Daniel colocou uma arma
na mão do pai de Suzane, e uma toalha na boca de Marisia, que após ser
golpeada, fazia barulhos de roncos, e eles acreditavam que ela ainda estaria viva.
Acredita-se que a própria Suzane teria colocado a toalha. Suzane ainda pegou

14
Citação do mesmo autor.
64

dinheiro, Euros, dólares e joias para simular o latrocínio, sendo que esse valor foi
entregue aos irmãos Cravinhos como parte do pagamento deles.
Para criar um álibi, foram até um motel e gastaram cerca de 300 reais em
uma suíte presidencial, onde Daniel solicitou uma nota fiscal, fato atípico para
frequentadores de motel, o que chamou muito atenção dos investigadores. Ficaram
até de madrugada e posterior a saída, por volta das três horas da manhã,
passaram na Lan House e pegaram Andreas, indo para a casa de Daniel, sendo
que depois disso, Suzane e Andreas foram para a casa da família., chegando por
volta das quatro horas.
Quando chegaram em casa, Suzane estranhou o fato da porta estar aberta.
Andreas entrou na biblioteca e gritou pelos pais. Suzane, após ligar pra Daniel,
juntou-se com seu irmão. Daniel ligou para polícia e solicitou uma viatura. No local,
os policiais militares fizeram a varredura e encontraram a casa organizada e, no
quarto, localizaram Marisia e Manfred com a arma nas mãos. Foi observado que
alguns objetos também não haviam sido levados
Após o fato, os policiais tomaram todos os cuidados para dizerem aos filhos
o que tinha acontecido. De imediato, após relatar o fato, o policial Alexandre Boto
estranhou a frieza de Suzane após receber a noticia da morte dos pais,
perguntando: “O que faço agora? “Qual é o procedimento adotado?.
Certo que algo estava errado tomou todas as precauções para que toda a
casa o local do crime fosse devidamente preservado para pericia.
Durante as investigações, os policiais desconfiaram da hipótese de
latrocínio, devido a casa estar organizada e a arma do crime e outros objetos de
valor não terem sido levados. Passaram a desconfiar de alguém próximo a família,
investigando parentes, empregados, amigos... além disso, receberam a informação
que a família não aprovava o relacionamento entre Daniel e Suzane, que passaram
a ser suspeitos. Aliado a esse fato, receberam também a informação que Cristian
teria comprado uma moto e pago em dólar, o que chamou a atenção.
Cristian foi o primeiro a ser ouvido, separados de Daniel e Suzane. Devido a
evidencias e os argumentos que foram apresentados, sob pressão, acabou
confessando a sua participação, que foram seguidos por Daniel e Suzane.
O julgamento do trio demorou seis dias e teve inicio em dezessete de julho
de 2006. Cristian primeiramente alegou não ter participado da morte, e que teria
confessado para livrar o irmão da pena alta. Daniel, por sua vez, alegou que agiu
65

sendo “usado” por Suzane. Suzane alegou que não teve participação no crime,
alegando que os irmãos Cravinhos teriam praticado o crime.
Ainda durante o julgamento, Daniel se descontrolou emocionalmente e
precisou ser retirado da sala. Suzane, porém, não esboçou nenhuma reação.
Daniel e Suzane foram condenados a 39 anos de prisão, e Cristian a 38 anos.
Na cadeia, Suzane casou se com “Sandrão”, detenta condenada a 27 anos
de prisão por sequestro e homicídio de um adolescente de 14 anos.
Em nenhum momento, durante as investigações, processo e julgamento,
Suzane demonstrou arrependimento ou emoções, mantendo-se em todo tempo de
forma fria.
Atualmente Suzane cumpre pena no regime semiaberto, e obteve
autorização para fazer faculdade de administração de empresas em Taubaté. Em
11 de março de 2016 foi a primeira vez que deixou a prisão em saída temporária
desde 2006. Os irmãos Cravinhos ainda cumprem pena em regime semiaberto.
66

5 CONCLUSÃO

Para que pudesse chegar ao entendimento da questão da condutopatia e da


psicopatia, foi necessária uma breve explanação da teoria do crime e de seus
requisitos, focado na esfera da culpabilidade e imputabilidade penal. O presente
trabalho procurou aprofundar no tema de forma bem analítica, desde o conceito de
crime até os casos conhecidos no mundo e no Brasil. Tentou elencar as teorias
mais conhecidas de forma que pudesse explicitar esses componentes ao leitor, de
forma que facilite a compreensão acerca da questão das condutopatias.
Como pode ser observada, a questão das condutopatias é um tema que até
mesmo na psicologia possui diversas teorias e pensamentos diferentes, sendo
difícil um consenso, por exemplo, quanto ao fato da psicopatia ser doença ou
transtorno.
Contudo, foram adotados critérios utilizados na Psicologia Forense para a
análise da questão das condutopatias, que são comumente usados em casos de
julgamentos desses indivíduos.
Não bastasse a dificuldade quanto à definição da psicopatia, na questão
doutrinária, jurisprudência e nos casos analisados também demonstrou que o
posicionamento jurídico é distinto em algumas situações.
Fato é que os criminosos com traços de personalidade de condutopatia
psicopática são figuras excêntricas do Direito Penal Brasileiro, tanto na imputação
quanto na aplicação da punibilidade. Porém, é na questão da aplicabilidade da
pena que está o grande conflito quando o assunto é a condutopatia.
Não bastasse o fato dos condutopatas serem indivíduos antissociais
agressivos e perigosos a sociedade, apresentam muitas vezes condições de semi-
imputabilidade e de possibilidade para que suas penas sejam reduzidas de 1/3 a
2/3, diminuindo, pelo menos em tese, o tempo que ficam sob custódia do Estado. É
no mínimo irônico, o sujeito mais perigoso, predador da própria espécie, ser
encarcerado com outros indivíduos na mesma unidade prisional e ficar menos
tempo encarcerado. Além disso, estes são lugares que pioram a condição dos
indivíduos que apresentam condutopatias, em especial as psicopáticas, visto que
são muito cultos e inteligentes, aprendendo cada vez mais.
67

Uma vez que predomina na aplicação penal a Teoria do sistema vicariante,


o objetivo da reprovabilidade do ato e da prevenção também não é alcançado
quando o criminoso tem a personalidade de condutopatia psicopática, uma vez que
este não é dotado de emoções, sendo ausente de remorso, culpa e incapaz de
aprender com o erro. Podemos citar aqui o exemplo de Chico Picadinho, que
mesmo após ser liberto, voltou a cometer crimes com o mesmo modus operandi.
Aliado a este fato, foi observado que o tratamento médico não surge o efeito
esperado para o psicopata, sendo muitas vezes até não recomendado devido ao
fato do psicopata ser capaz de assimilar sua profilaxia e usar a seu favor, tornando
inviável a medida de segurança.
Como foi visto, procurou o Ministério Publico tentar a amenizar a situação
quando propôs a interdição civil dos condutopatas psicopáticos após o
cumprimento da pena, pois amparava suas fundamentações no Decreto de Getúlio
Vargas, o Decreto n° 24.559/34, quanto à interdição civil. Hoje, com o advento do
novo código civil, os psicopatas deixam de ser absolutamente incapazes para
serem consideradas relativamente incapazes, necessitando de um esforço muito
grande para tentar aderi-lo ao Inc. III do art. 4º do Novo Código Civil Brasileiro.
Não há, ainda, legislação que atenda adequadamente o caso dos
condutopatas e ainda que relativamente capaz diante do novo código civil, há
entendimento que essa relatividade aplica-se apenas quanto à capacidade
econômica e patrimonial, entendendo que os condutopatas não se encaixam nessa
regra, continuando a aplicar a interdição relativa e a curatela no caso concreto.
Acerca das novas normas sobre a interdição civil dos psicopatas, nessa
mesma linha de raciocínio, Flávio Tartuce relata da seguinte forma:
Ela foi pensada para a inclusão das pessoas com deficiência, o que é um
justo motivo, sem dúvidas. Porém, acabou por desconsiderar muitas
outras situações concretas, como a dos psicopatas, que não serão mais
enquadrados como absolutamente incapazes no sistema civil. Será
necessário um grande esforço doutrinário e jurisprudencial para conseguir
situá-los no inciso III do art. 4º do Código Civil, tratando-os como
relativamente incapazes. Não sendo isso possível, os psicopatas serão
15
considerados plenamente capazes para o Direito Civil.

15
TARTUCE, Flávio. Alterações do Código Civil pela lei 13146/2015 (Estatuto da Pessoa com
Deficiência) Repercussões para o direito de Família e Confrontações com o Novo CPC. Parte I.
Disponível em https://www.migalhas.com.br/FamiliaeSucessoes/104,MI224217,21048-
Alteracoes+do+Codigo+Civil+pela+lei+131462015+Estatuto+da+Pessoa+com
68

Nesse mesmo diapasão, Requião (2015) afirma que:


“essa mudança, no entanto, não implica que o portador de transtorno
mental não possa vir a ter a sua capacidade limitada para a prática de
certos atos. Mantém-se a possibilidade de que venha ele a ser submetido
ao regime de curatela. O que se afasta, repise-se, é a sua condição de
16
incapaz.”
Fato que chama a atenção é a questão da interdição civil deste tipo de
criminoso após o cumprimento da pena, pois o fato de ser interditado e submetido
a tratamento em hospital psiquiátrico, mesmo sabendo que o tratamento não traz
soluções, não seria uma forma de prolongar a pena, ultrapassando o limite de 30
anos que o STF impôs, quando se refere à vedação constitucional das penas de
caráter perpétuo no Brasil, ainda que na esfera civil? Contudo parece a solução
mais adequada no momento.
Nos casos de condutas psicopáticas que envolviam assassinos em série em
países que admitem a pena de morte e a prisão perpétua, foi observado que
mesmo havendo a possibilidade de condenação por prisão perpétua, optou-se pela
pena capital, cumprindo ao Estado mais o papel de carrasco, como uma questão
de vingança institucionalizada, do que uma aplicabilidade penal mais adequada,
podendo ter optado por uma pena de caráter perpétuo.
Nesse sentido, fica evidente que o assunto deve ser mais estudado e
aprofundado, de forma que seja dado o tratamento devido desses casos
específicos, pois são casos cada vez mais frequentes e recorrentes na atualidade.
O grande erro está em tratar esse tipo de criminoso como um criminoso
comum, pois são indivíduos que possuem características próprias quanto ao seu
sistema cognitivo e de autodeterminação.
No mesmo pensamento, Alexandre Magno Fernandes Moreira (2008),
professor de Direito Penal e Processual Penal da Universidade Paulista afirma:
No Brasil, os condenados por qualquer crime são vistos pelo Estado da
mesma forma que um passageiro de um avião vê a floresta abaixo, ou seja,
de modo absolutamente homogêneo. O princípio da individualização da
pena é frequentemente esquecido nas penitenciárias, sendo comum o
tratamento igualitário de pessoas com personalidades e condutas
absolutamente díspares. Raras são as iniciativas dos “biólogos”, que se dão

16
REQUIÃO, Mauricio. Estatuto da Pessoa com Deficiência altera regime civil das
incapacidades. Disponível em <https://www.conjur.com.br/2015-jul-20/estatuto-pessoa-deficiencia-
altera-regime-incapacidades:>
69

ao trabalho de analisar as diferenças entre cada um dos habitantes dessa


17
floresta.
Como vimos, dentro das balizas da Constituição Federal e do Direito Penal,
visando à segurança da sociedade e respeitando os direitos fundamentais, uma
situação mais adequada para os casos concretos que envolvem portadores dos
transtornos de personalidade seria a elaboração de normas especificas civil e
penal para essa situação, pois poderiam surtir um melhor efeito quanto a
manutenção desse tipo excêntrico de criminoso, que é diferente dos criminosos
comuns em face de suas peculiaridades e características. Normas que permitam
as Instituições manterem esses indivíduos de grande periculosidade fora de
circulação de forma que não violem seus direitos fundamentais e nem infrinjam
garantias constitucionais.
Além disso, estudos e aprimoramento na área forense e suas instituições,
tanto na parte cientifica quanto na parte da execução, auxiliariam de forma
grandiosa no objetivo de encontrar as soluções mais adequadas nos diversos
casos envolvendo personalidades condutopáticas.
Postos esses questionamentos, há de se concluir que não existe nada
concreto que realmente surta o efeito quando se trata dos criminosos com
personalidade condutopáticas, em especial, os psicopatas. Porém, é indiscutível
que algo deve ser feito neste sentido, de forma que possa ser dada a esse tipo de
criminoso o tratamento adequado, levando em consideração sua excepcionalidade,
individualidade e a segurança da sociedade de modo geral.

17
MOREIRA, Alexandre Magno Fernandes. A urgente necessidade de uma política criminal para os
psicopatas. Disponível em: < http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/4145/A-urgente-necessidade-
de-umapolitica-criminal-para-os-psicopatas>.
70

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