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VERSÃO CIENTÍFICA

21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Título: A VIAGEM NO TEMPO


- 21 Soluções para 21 Questões da
Física do séc. XXI – Versão Científica
Autora: Cláudia Penélope Fournier
Edição: de Autor
Projecto Gráfico Capa e Título: Penélope Fournier e Bruno Olim
Organização e Paginação: Penélope Fournier
1ª Edição: Outubro 2009
Impressão: Bubok Publishing, S.L.
Depósito Legal: 122/2009
ISBN: 978-989-96434-0-6
E-mail: penelopefournier@gmail.com
Página Web: www.penelopefournier.com

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A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo 0

APRESENTAÇÃO

“Levantar novas questões, novas possibilidades,


ver velhos problemas de um novo ângulo exige imaginação criativa
e assinala progressos reais na Ciência.”
- Albert Einstein -

Esta compilação constitui parte de um livro de ficção de edição de autor,


composto por 350 páginas e intitulado „A Viagem no Tempo‟.
A obra original retrata a história de um cientista, um investigador de Física
Teórica, professor numa das mais prestigiadas universidades londrinas, o
Imperial College. Ao longo dos últimos anos este professor tem-se dedicado,
completamente e exclusivamente, à compilação de um projecto quase secreto,
que consiste na formulação de uma „Teoria Final do Tempo‟ e com ela a
hipótese real de construir uma verdadeira Máquina do Tempo e assim realizar a
primeira viagem no espaço-tempo efectuada pelo Homem!
Ao trilhar este percurso, o físico teórico depara-se com outros enigmas da
Física, problemas reais que ninguém consegue resolver mas que, de alguma
forma, este cientista consegue obter a resolução para todas essas grandes
questões. Ao ver-se na posse de tais revelações o físico teórico reúne apenas
alguns membros específicos da universidade, também eles colegas e
professores da instituição, com os quais pretende dar a conhecer e revelar esta
teoria completamente nova e com ela apresentar 21 soluções para 21 questões
da Física do séc. XXI!
Neste pequeno grupo de elite que reúne, podemos encontrar um físico
experimental, um matemático, um engenheiro electrotécnico e um biofísico. A
todos estes cientistas compete um papel importante no desenrolar da história
que só poderá ser revelado no final…
Nos capítulos disponibilizados nesta compilação foi feita uma selecção do
manuscrito, no qual foi retirado as personagens, bem como a história de ficção
e apenas apresentado um resumo da versão mais científica da obra e da teoria
desenvolvida, de modo a poder torná-la acessível a qualquer leitor interessado
nesta temática.
Desta forma, este livro pode ser considerado como uma obra de divulgação
científica.

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

A Física do séc. XXI é ainda hoje uma ciência preenchida por diversos
enigmas. Várias são as questões inexplicáveis e inúmeros são os problemas
incompreensíveis que constantemente questionam a mente dos físicos. Entre
puzzles e experiências irresolúveis, como por exemplo a experiência de
Cavendish e a experiência da Dupla-fenda, questões fundamentais são postas
em causa, desafiando por completo o entendimento, a lógica e a inteligência
humana. Incógnitas estas que poderiam perturbar permanentemente o
pensamento de um cientista.
A „Viagem no Tempo‟ surgiu como uma necessidade de compreender e
reunir todas as grandes questões presentemente em aberto da Física do séc.
XXI. Este tópico é por definição extenso, como tal, o objectivo consistiu em
apresentar uma abordagem sintetizada de uma forma o mais completa possível,
mas pouco extensa, de todos os maiores problemas que afectam a Física do
nosso milénio. Esta majestosa ciência é única, pois abraça o átomo, a vida, o
Universo e praticamente tudo, absorvendo uma vasta temática de assuntos,
aparentemente divergentes ou com pouca relação. No entanto, as verdades, as
relações, as semelhanças, estão todas inscritas no Grande Livro da Natureza!
Este livro apresenta um documentário simples, baseado em relações e
evidências cosmológicas, sem ser necessário recorrer a uma linguagem
demasiado técnica e matemática, como tal, toda a estrutura da obra reúne todos
os esclarecimentos essenciais, de modo a que qualquer leitor possa acompanhar
aquilo que eu gostaria de designar por História Natural do Universo!
Todas as soluções apresentadas são fundamentadas e têm por base um
grande suporte científico que sustenta e apoia uma única Teoria relativamente
simples …
Penso que as 21 soluções poderão talvez intrigar os especialistas no sentido
de colocar novas perguntas, dúvidas e problemas e novas maneiras de os
resolver.
Assim, fundamentalmente, esta obra tem como objectivo final apresentar
uma nova abordagem e uma nova perspectiva para o tratamento e resolução de
velhos problemas de Física.

C. P. Fournier

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A VIAGEM NO TEMPO

HISTÓRIA NATURAL DO UNIVERSO

Todos os Mistérios da Física Moderna desvendados

Índice dos Problemas Abordados:

1. Origem da Matéria – pág. 24;


2. O que é a Matéria Negra – pág. 30;
3. O que desfez a Homogeneidade – pág. 37;
4.O porquê da Inflação – pág. 39;
5. A razão da Densidade Crítica – pág. 42;
6. O que é o Falso Vácuo – pág. 45;
7. A origem das Forças da Natureza – pág. 53;
8. Gravitões localizados – pág. 59;
9. Que tipo de Força é a Gravidade – pág. 61;
10. Estabilidade Electrodinâmica do Átomo – pág. 67;
11. Teoria Quântica da Gravidade – pág. 75;
12. Quantização da Matéria – pág. 95;
13. Dualidade Onda-Partícula – pág. 103;
14. O porquê da estabilidade Matéria-Antimatéria – pág. 126;
15. O problema do Horizonte – pág. 130;
16. O que é a Energia Escura – pág. 132;
17. Quantas dimensões? – pág. 137;
18. Origem e Destino do Universo – pág. 142;
19. Fórmula do Tempo – pág. 163;
20. Fórmula do Cosmos – pág. 170;
21. Fórmula da Teoria Unificada – pág. 173.

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A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo I

INTRODUÇÃO

“ Que vivas num tempo interessante.”


- Confúcio -

Vivemos num Universo misterioso e fascinante!


Enquanto permanecemos aqui isolados neste nosso cantinho do nosso
humilde planeta, rendemo-nos aos encantos do Universo e à sabedoria da
Natureza. E como seus discípulos fiéis que somos, tentamos, a todo o custo,
acompanhar a inteligência do Universo que nos envolve.
Se a Natureza nos pudesse observar com consciência, o que diria ela dos
nossos avanços?! … Será que estamos a aprender bem a lição?!
Efectivamente uma Teoria completa da Natureza requer um grande esforço
por parte dos seres humanos … mas os humanos deduzem que os
acontecimentos não são desprovidos de relação e explicação, por isso, parece-
-me que estão no bom caminho …
Esta seria a mensagem que gostaríamos que a Natureza nos enviasse!
E assim continuam os Homens, incessantes na sua busca, incansáveis na sua
procura de uma Teoria para o Cosmos!
O objectivo actual da Ciência é criar uma unificação entre todas as partículas
e forças, englobando-as e descrevendo-as numa equação comum.
Uma Teoria Unificada teria a capacidade de nos dar uma compreensão plena
dos acontecimentos que nos rodeiam, do nosso Universo, e até da nossa própria
existência!
Uma formulação de uma Grande Teoria Unificada relacionará propriedades
diferentes da realidade, fundindo-as numa só. E já não teremos de mudar de
teoria para abordar problemas diferentes. O seu domínio e poder de aplicação
seria Universal.
Uma teoria assim tão elegante, seria uma autêntica obra de arte!
Somente e apenas alguns grandes pensadores, guiados por uma compreensão
muito profunda, colocam o problema fundamental da estrutura do Universo no
centro do seu pensamento. E com isso em mente, pretendem conhecer tudo.
Esses são os verdadeiros saqueadores do conhecimento.
Por isso a ambição persiste, e a conquista continua …

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Actualmente, a descrição geral do Universo está dividida em duas partes:


Por um lado, temos a Teoria da Relatividade Geral; por outro lado, temos a
Teoria Quântica.
Os físicos quânticos estão inteiramente satisfeitos com a Mecânica Quântica
e os astrofísicos estão igualmente satisfeitos com a Relatividade Geral. A
Teoria da Relatividade descreve o Universo numa escala astronómica; e a
Teoria Quântica descreve o Universo numa escala subatómica. Trata-se,
inexoravelmente, de duas grandes realizações intelectuais. Ambas as teorias são
extremamente bem sucedidas dentro da sua área de competência e cada uma
delas é apoiada por um impressionante catálogo de evidência experimental e
observacional. No entanto sabe-se, infelizmente, que estas duas teorias são
incompatíveis entre si. Ambas as teorias não apresentam soluções comuns que
possam ser aplicáveis a todo o Universo!
Sabemos que a realidade tem de estar relacionada de alguma forma, por isso
deduzimos que haja algum ingrediente em falta; uma variável escondida; uma
propriedade mal compreendida ou, qualquer coisa, que ainda ninguém sabe. O
problema reside em que todos sabem que é preciso mudar, mas ainda ninguém
sabe bem como ou qual a mudança que funciona.
O que tenho para vos apresentar aqui hoje, é a mudança que funciona!
A pesquisa principal da ciência actual incide na procura de uma nova teoria
que integre as duas, ou seja, de uma Teoria Quântica da Gravidade!
Há vários modelos para uma Teoria Quântica da Gravidade. A maior parte
são puras conjecturas matemáticas sem qualquer significado físico concreto e
objectivo ou, pelo menos, a sua inteligibilidade está fora do nosso alcance.
Outras, mais interessantes, já utilizam alguns conceitos físicos.
Não foi há muito tempo, no tempo de Newton em 1700, em que era possível
para uma pessoa culta assimilar todo o conhecimento humano … pelo menos
nos seus traços mais gerais. Desde essa época, porém, o ritmo alucinante do
desenvolvimento científico tornou isso impossível. Poucas são as pessoas que
conseguem acompanhar o ritmo galopante da fronteira do conhecimento do séc.
XXI, sempre em rápida evolução e expansão.
Aquilo que sabemos agora, já estará provavelmente obsoleto e ultrapassado,
devido ao aparecimento e florescimento constante de novas descobertas e
invenções. Uma vez que as teorias estão constantemente a ser alteradas, a ser
actualizadas, adquirindo um grau de especificidade cada vez maior; todo esse
conhecimento e informação é território exclusivo de um especialista, e só por
ele pode ser adequadamente assimilado; e, mesmo assim, este apenas pode
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A VIAGEM NO TEMPO

esperançar assimilar devidamente uma pequena parte muito específica de uma


teoria com conceitos mais gerais.
Como poderemos pretender obter uma perspectiva correcta, o panorama
global e completo se continuamos a repartir o conhecimento?!
Ramificações, subdivisões, especificidades atrás de especificidades,
desenvolvimentos que perseguem pormenores rigorosos; e em favor disso,
afasta-se a coerência geral, suprime-se a relação, perde-se a perspectiva,
espelha-se o conhecimento, subdivide-se teorias, inventam-se novas disciplinas
… E, francamente, confesso … a Ciência está exausta!! E cheia de informação!
Se bem que este percurso possa parecer razoável e natural, talvez pudessem
incluir um novo ramo na Ciência que estude a Interdisciplinaridade!
Não se sabe muito bem porquê que „c‟ foi escolhido como símbolo para
designar a velocidade da luz. Talvez por ser a Constante máxima universal, ou
por ter a sua origem no latim, na palavra „Celeritas‟, que significa celeridade e
rapidez.
Mas porquê que as nossas constantes universais têm o valor específico que
têm?! Porquê esses valores e não outros?!
De todos os números cósmicos que definem a arquitectura do nosso
Universo fazem-nos compreender que uma ligeira alteração no valor dessas
constantes, por mais ínfima que fosse, e o resultado final já não seria o mesmo e
o nosso Universo seria um sítio muito diferente.
Ninguém sabe por que motivo as constantes fundamentais da Natureza
assumem os valores numéricos que assumem. Essas constantes são os genes do
nosso Cosmos. Essa informação aparece-nos pré-determinada e parece-nos
introduzida a priori, e isso faz-nos pressupor uma lógica pré-definida, uma
intenção induzida para encaminhar e fazer evoluir o Universo desta forma e
deixa-nos a pensar se terá existido um Arquitecto do Universo?! Há quem o
chame de Princípio Antrópico!
É surpreendente que não haja qualquer „Teoria das Constantes‟!
Talvez fosse necessário esclarecer qual o verdadeiro papel destas constantes
no contexto da Física, as suas origens e suas respectivas repercussões na
Natureza.
Provavelmente, o único físico que se preocupou em escrever um livro
especificamente dedicado às constantes universais tenha sido Gilles Cohen-
Tannoudgi, que defendeu enfatidicamente que as constantes fundamentais
representam, na verdade, limiares epistemológicos e que, a sua forte vinculação
às grandes teorias está directamente dependente da essência proposta para essas
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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

constantes, bem como da coerência da escolha. Qual o significado dessas


constantes e o que é que elas revelam exactamente?
Quais são, afinal, as verdadeiras constantes fundamentais necessárias para
descrever toda a Física?!
Dizemos que o nosso Universo é definido pelas suas constantes, mas ainda
não sabemos rigorosamente quantas!
Declaramos que essas preciosas constantes estão na origem das interacções
das Forças Fundamentais que observamos na Natureza, mais não sabemos
exactamente quais!
Poderíamos começar por mencionar c = velocidade da Luz; depois h =
constante de Planck; seguidamente e = carga electrão; depois talvez também G
= constante Gravitacional; e porque não a mais recente descoberta α = constante
de estrutura fina … E a partir daqui poderíamos continuar ou parar para pensar
e começar a colocar sérias questões. Porquê escolher particularmente um
determinado conjunto de constantes em detrimento de outras?!
Actualmente há físicos que reconhecem que as constantes fundamentais que
se enquadram no Modelo Padrão da nossa Física não são nem três, nem quatro,
nem cinco; mas sim dezanove constantes fundamentais de acordo com o físico
Michio Kaku e, mais recentemente, John Baez estimou que essas constantes
fundamentais necessárias seriam vinte e seis!
Talvez fosse melhor revermos o que é o nosso conceito de „Constante
Universal‟. Senão, num universo cada vez mais alargado de novas constantes
haverá uma restrição e um condicionamento cada vez maior em direcção a um
processo de unificação e convergência para uma fórmula final de uma Teoria
Física Fundamental.
Resumir, simplificar, reduzir as coisas à sua essência. O que deveríamos
estar à procura era de uma única constante:
A Constante Fundamental da Natureza!
O número mágico que revelaria o segredo e a identidade de um Cosmos
singular!
Dizemos que uma constante universal é um valor numérico, uma grandeza
escalar, que traduz uma propriedade invariável da Natureza. Como tal, ela é
considerada como uma essência fundamental, uma evidência e uma garantia
correspondente a um determinado processo físico. Isso faz dessas constantes
únicas e estritamente universais.
Não nos podemos nunca esquecer que as constantes universais relacionam
grandezas e não somente unidades. Conceitos e propriedades diferentes da
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A VIAGEM NO TEMPO

realidade estão relacionados de tal forma que podem ser fundidos num único,
fazendo desaparecer uma boa parte das nossas constantes.
Sem hesitações, teríamos de proceder a uma boa filtragem, começando por
justificar e vincular, sem ambiguidades, todas as nossas constantes particulares
e a sua verdadeira integração e relação com uma teoria física fundamental.
Esta selecção requer algum cuidado e coerência, além de muita paciência,
para não se proceder e concluir apressadamente que uma determinada escolha é
mais importante do que outra, ainda mais se essa opção for escolhida por não se
encontrar a correspondente teoria à qual vincularia.
De uma maneira ou de outra, há que arriscar e proceder a um critério radical
de selecção. No final, veremos que o nosso número de constantes diminui
consideravelmente até um valor em que este se torna irredutível.
A nossa Constante Fundamental da Natureza terá de estabelecer uma
articulação entre tempo-espaço-matéria. Mas, infelizmente, toda a construção
da Física Moderna está embargada por uma Teoria Quântica da Gravidade, que
tanto se procura e não se encontra!
Existimos, porquê que existimos?! Foi tudo um acaso?
As dúvidas atropelam-se. Poucas pessoas pensantes não se terão perguntado
em determinado momento das suas vidas se toda esta existência não poderia ser
um mero fantasma, uma ilusão!
Quanto mais dissecamos este mundo, estes átomos, estas partículas, mais
descobrimos que a aparente solidez é uma quimera!
A mesa sobre a qual escrevo é um entrelaçar de moléculas, de átomos, de
partículas constituintes de um núcleo central que é 10000 vezes menor que o
diâmetro do átomo! - dez mil vezes menor … - Entre todo este espaço reina um
vácuo penetrante, permeado unicamente por campos de forças
inimaginavelmente fortes. Que forças imperam nesses campos?! Afinal, a
matéria não é a parte dominante mas sim o Vácuo, cujo domínio é imponente!
E sabemos tão pouco acerca do vácuo!
É caso para reflectirmos! É espantoso como é que conseguimos pensar com
um cérebro „quase‟ vazio!!
Mas, no entanto, as coisas parecem-nos sólidas, porquê?! Qual é o segredo
da matéria e da Gravidade?
Para chegarmos a uma conclusão mais definitiva temos de focar a nossa
questão. Como tal, é necessário começarmos com a seguinte pergunta:
O que é a matéria? O que é a massa?
E é à volta desta pequena questão que tudo se desenrola …
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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo II

O QUE É A MASSA?

“ O poeta apenas quer meter a cabeça nos céus.


É o lógico que procura meter os céus na sua cabeça.
E é a sua cabeça que se divide.”
- G. K. Chesterson -

Os antigos consideravam que os elementos básicos da matéria eram quatro:


Ar; Água; Terra; Fogo. Os atomistas consideravam que a matéria era feita de
átomos indivisíveis. Hoje em dia diz-se que a matéria é constituída por
partículas: Protões; Neutrões e Electrões.
Mais recentemente, os físicos das partículas concluíram que os próprios
protões e neutrões são constituídos por partículas ainda mais elementares: os
Quarks!
Até onde é que chega a indivisibilidade da matéria? A Natureza terá algum
limite? Ou esta divisão estender-se-á até ao infinito?!
A Matéria é o ponto-chave para resolver este enigma, e é a ligação que falta
para estabelecer uma relação entre a Teoria da Relatividade e a Física Quântica.
Para compreendermos o Big Bang, o suposto início do Universo, os físicos
têm de conciliar ambas as teorias. Contudo, a Relatividade Geral e a Mecânica
Quântica parecem destinadas a ser incompatíveis. A Teoria da Relatividade
Geral não se enquadra no momento exacto do Big Bang, no momento em que o
nosso Universo era ainda um recém-nascido e designamos esta época por
Tempo de Planck; e também não se enquadra num outro momento
imediatamente antes de um Big Crunch, que os físicos prevêem que poderá
ocorrer como sendo um dos possíveis destinos finais do nosso Universo, a
morte do Cosmos!
Outro conflito inevitável e um caso particular em que a Teoria da
Relatividade Geral não se enquadra é dentro de um buraco negro. Nestes astros
singulares o colapso gravitacional da matéria é inevitável. Dentro destes
concentra-se uma enorme densidade de matéria confinada a um espaço bastante
reduzido. Devido aos enormes valores de pressão, densidade, temperatura que
se supõe serem aí existentes, prevê-se que a estrutura da matéria tal como a
conhecemos não terá a menor possibilidade de sobrevivência e o fortíssimo
campo gravitacional aí existente obrigará a um desabamento e a uma

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A VIAGEM NO TEMPO

contracção inevitável de toda a matéria e radiação em direcção a um ponto


central, designado por singularidade.
Estas regiões e situações são, em termos de comportamento físico,
simultaneamente muito grandes e muito pequenas … e altamente complexas.
E, de facto, não temos nenhuma boa teoria que descreva o que se passa
dentro de um buraco negro; bem como para épocas com condições semelhantes,
como sendo, o Big Bang e o Big Crunch.
E passo a citar: nestes estádios “ A Gravidade é forte. É necessária uma
Teoria Quântica da Gravidade, que ainda não existe. “ – Frank Close.
Tentativas para combinar a Teoria Quântica com a Teoria da Relatividade
transportam-nos para equações em que se obtém soluções infinitas. Se uma
equação tem uma solução infinita, os físicos deduzem que esta não tem
qualquer significado num contexto real, por isso, presumem que a equação deve
estar mal formulada.
Sem uma solução real, os físicos não têm a menor hipótese de saber o que é
que está a acontecer, o que foi que aconteceu e o que é que irá acontecer.
A Teoria da Relatividade deixa de ser válida para o Tempo de Planck e a
Teoria Quântica também não estabelece qualquer solução para estes micro-
espaços de elevadas energias. Ambas as teorias entram em falência nestas
condições particulares e neste domínio do espaço e do tempo.
A existência de uma Teoria Quântica da Gravidade é lógica e mesmo
necessária!!
Os problemas surgem assim que se tenta quantizar a Gravidade, obstáculos
estes que nos parecem intransponíveis.
Se por um lado a Física das Partículas actua num palco espaço-tempo plano,
absoluto e rígido; por outro lado, a Relatividade Geral actua num espaço-tempo
flexível e dinâmico.
Se em relação à Força Electromagnética a transmissão e mediação desta
força resume-se aos fotões e a quantização mínima de energia pode ser
resumida aos pacotes de Planck; Em relação à Força Gravitacional, não
fazemos a menor ideia como é que esta se processa, qual o seu meio de
transmissão, qual a sua partícula mediadora, já baptizada por Gravitão, o
mediador da Força da Gravidade mas ainda não detectado; e também ainda não
encontrámos a unidade base, mínima e fundamental de matéria, a quantização
da massa.
Pelo menos é isto o que se pensa.

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Digo-vos que hoje em dia ainda não chegámos muito mais longe do que
Einstein quando aspirou por uma Unificação!
A busca de uma Teoria Quântica da Gravidade tornou-se num gigantesco
quebra-cabeças dos físicos contemporâneos ...
As equações conhecem-se umas às outras, normalmente há-as amigáveis e
há outras que discordam violentamente. Quando isto acontece, e duas teorias
teimosamente entram em confronto, é normal que daí surja uma terceira.
A união nasce através de um conceito unificador e pacifista: a crise é um
momento criador por excelência.
Decorre frequentemente que uma nova teoria surge sempre como uma
extensão de uma teoria anterior … mas não tem de ser necessariamente assim.
Quando se procura a verdade, encontra-se muitas verdades em muitas coisas!

Na Relatividade Especial a Gravidade não está envolvida, para que a teoria


estivesse correcta, Einstein teve de a incluir e ter em conta o efeito da Força
Gravitacional.
Duas observações chave conduziram-no à sua Teoria da Relatividade Geral:

1. – A primeira observação relaciona massa gravitacional de um objecto


com a sua massa inercial.
2. – Numa segunda observação conclui que se pode imitar o efeito de um
campo gravitacional acelerando um sistema de referência, mesmo na
ausência de Gravidade.

Vejamos agora em pormenor em quê que isto consiste:


Dizemos que a Força Gravitacional é proporcional à massa de um objecto; e
dizemos que uma massa que reage à Força da Gravidade é definida como tendo
massa gravitacional.
Analogamente, uma massa gravitacional diz-nos a magnitude da Força
Gravitacional que um objecto sente.
Por outro lado, a massa inercial diz-nos com que rapidez um objecto se
move em resposta a uma determinada força externa.
A inércia é uma medida que traduz a resistência de um corpo à alteração de
movimento.
Por exemplo, um objecto com o dobro da massa de outro objecto sofrerá
metade da aceleração, quando sujeitos à mesma força e por isso, o objecto de
maior massa deslocar-se-á mais lentamente. Por outras palavras, quanto maior
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A VIAGEM NO TEMPO

for a massa inercial de um objecto, mais lentamente este se move quando


sujeito à mesma força.
Vejamos um exemplo prático:
Se tivermos uma bola de chumbo e uma bola de madeira, dizemos que a
bola de chumbo possui uma massa gravitacional maior do que a bola de
madeira. Por conseguinte, dizemos que a bola de chumbo sente uma força
muito mais forte quando sujeita e exposta à força da gravidade, logo, a
magnitude do seu peso é maior.
Por outro lado, a bola de chumbo possui uma massa inercial maior, isto
significa que irá ser mais lenta a reagir a uma determinada força externa.
O que isto traduz é o seguinte: a força que é aplicada sobre a bola de
chumbo pode ser maior, mas no entanto a velocidade com que reage é mais
lenta, ou seja, menor; logo, consequentemente a aceleração é exactamente a
mesma que a adquirida por uma bola de madeira.
Conclusão: objectos com massas diferentes sentem exactamente a mesma
aceleração gravitacional. E isto traduz-se na 2ª Lei de Newton, se F = m.a, tem-
-se:
a=F/m

Esta razão ( F / m ) é sempre proporcional, logo, repito, a aceleração sentida


por ambos os objectos é sempre a mesma.
A aceleração é a única constante! … muito interessante!
A equivalência entre massa inercial e massa gravitacional sugere uma
profunda relação entre estes dois aspectos, aparentemente, muito diferentes da
realidade. Várias experiências foram efectuadas e repetidas em vários cenários
e os resultados são sempre os mesmos:

Massa Gravitacional = Massa Inercial

E isto só pode ser explicado de uma maneira, se não existir qualquer


distinção entre estes dois conceitos, evidentemente!

Assim tem-se, como definição de Massa Gravitacional mg:

mg = F / a

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

E, paralelamente, como definição de Massa Inercial mi:

mi = F / a

À primeira vista, não há nenhuma razão óbvia para estes dois tipos de massa
estarem relacionados. A massa gravitacional corresponde à capacidade que um
corpo tem de atrair outro, e é normalmente expressa na equação da Gravidade
de Newton, relacionando a magnitude da Força Gravitacional. E a massa
inercial é aquela expressa na segunda lei de Newton pela lei da Dinâmica, que
relaciona Movimento com Velocidade. Mas os factos não mentem e a
experiência prova que estas duas medidas distintas confundem-se e fundem-se
numa só.
A conclusão só pode ser uma, é que estes conceitos devem ser idênticos na
sua essência e podem, portanto, ser permutáveis.
Passemos agora para o 2º ponto:
Para elucidar um pouco melhor o que traduz a relação entre Campo
Gravitacional e a Aceleração de um Sistema de Referência, recorramos
novamente a um exemplo prático e concreto:
Sempre que estamos a bordo de um avião, prestes a levantar voo, todos nós
sentimos o nosso próprio peso que nos empurra para baixo, como também uma
força inercial adicional que nos faz sentir ainda mais pesados. Essa força surge
logo que o avião começa a acelerar até atingir a velocidade suficiente para
levantar voo. Quando o avião adquire uma velocidade constante, de cruzeiro,
tudo volta à normalidade e sentimos apenas o nosso próprio peso.
O efeito oposto também pode ocorrer: Se o avião entrar em queda livre,
neste novo e acelerado sistema de referência, ficamos sem peso e já não
sentimos o efeito da Força Gravitacional.
Com esta experiência também podemos sugerir que há uma ligação profunda
entre Gravidade e Sistemas de Referência Acelerados, tal que:

Gravidade = Aceleração

Também estes devem ser cúmplices na sua essência e podem, portanto, ser
permutáveis.

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A VIAGEM NO TEMPO

Para quem nunca viajou de avião, outro exemplo semelhante ocorre a bordo
de um elevador. No caso particular de queda livre, não sentimos o nosso
próprio peso porque caímos com a mesma aceleração que o elevador.
Baseado neste tipo de observações Einstein concluiu o seu Princípio de
Equivalência, resumindo:
A razão entre as massas de dois corpos é definida em Mecânica de duas
formas distintas: pela razão inversa das acelerações que a mesma força lhe
comunica ( Massa Inercial ); e também pela razão das forças que se exercem
sobre os corpos num mesmo campo gravitacional ( Massa Gravitacional ).
A igualdade destas duas massas, definidas por um modo tão diferente não
tem levantado quaisquer questões aos físicos actuais. Contudo, a Mecânica
Clássica não nos dá qualquer tipo de explicação acerca desta igualdade!
Será simplesmente uma lacuna?
Não será que estas igualdades traduzem a verdadeira natureza destes
conceitos?!
Uma pequena reflexão mostrará que este Princípio de Equivalência se
estende até ao Princípio da Relatividade, isto é, a sistemas de coordenadas com
movimentos não uniformes, ou seja, acelerados; com movimentos relativos uns
em relação aos outros. Vejamos como:
Se considerarmos um sistema de inércia K, em que todas as massas estão
suficientemente afastadas umas das outras, diríamos que estas não terão,
relativamente a K, qualquer tipo de aceleração, pois permanecem em repouso.
Mas se considerarmos um outro referencial K‟, uniformemente acelerado, ou
seja, com velocidade não constante em relação a K; podemos dizer que as
massas do referencial K e relativamente a K‟ terão todas acelerações iguais e
paralelas, uma vez que se afastam do referencial K‟, e comportam-se como se
estivessem sujeitas a um campo de gravitação! E ainda, como se K‟ não tivesse
a aceleração considerada!
Por outras palavras, supor ou admitir que K‟ está em repouso e que aí apenas
existe um campo gravitacional, é o mesmo que supor que K é que é o
referencial legítimo e que não existe nenhum campo gravitacional em K‟, e que
este está somente acelerado!
O que significa que nada poderemos concluir, pois, no espaço não existe
nenhum ponto de referência fixo e privilegiado, um referencial absoluto, em
relação ao qual possamos fazer medições e estabelecer relações absolutas.
O Princípio de Equivalência proposto por Einstein estabelece que as Leis da
Física num Campo Gravitacional são exactamente as mesmas que num Sistema
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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

de Referência Acelerado. E que não é possível fazer qualquer distinção entre as


duas. De facto, nem nos é possível realizar qualquer tipo de experiência que nos
permita saber em que situação é que estamos.
Isto levanta de imediato uma questão acerca do Universo:
Afinal, onde é que nos encontramos?
Mergulhados num enorme campo gravitacional; ou transportados num
enorme sistema acelerado?! Uma vez que a Gravidade pode ser considerada
como uma Inércia natural ou a Inércia pode ser considerada como uma
Gravidade artificial.
Deveras interessante!
Outra ligação a ter em conta, enquanto tentamos revelar o mistério da
matéria, é a seguinte:
Durante muito tempo os cientistas consideraram a Massa e a Energia como
dois fenómenos organicamente diferentes e distintos. O que a ciência sabia até
então era que a massa e a energia eram indestrutíveis, satisfazendo ambas Leis
de Conservação idênticas.
Einstein, mais uma vez, teve a visão de reparar que ambas tinham
exactamente as mesmas características, curioso como sempre, reparou que
ambas se contraíam e expandiam em factores idênticos; as suas propriedades
eram extremamente semelhantes; em todos os aspectos principais concluiu que
Massa e Energia eram indistinguíveis, deduzindo que massa inerte é
simplesmente energia latente. E numa revelação final mostrou-nos que a massa
poderia ser destruída e convertida em energia e vice-versa, através da célebre
fórmula que todos nós já conhecemos:

E = m.c2

A evidência experimental e incontestável da manifestação desta fórmula


encontra-se na desintegração radioactiva dos elementos químicos e na fusão
nuclear das estrelas.
Mas há que salientar que Einstein integrou estes dois conceitos num único,
atribuindo um novo Princípio da Conservação da Massa-Energia, ou mais
simplesmente, Lei da Conservação da Energia.
Do ponto de vista prático, acerca do princípio de equivalência entre massa e
energia, isto significa que um objecto material pode ser transformado em
movimento puro, isto é, em Energia Cinética e vice-versa, ou seja, movimento
puro pode ser transformado num objecto material!
18
A VIAGEM NO TEMPO

Se repararmos bem, isto é verdadeiramente espantoso!


Será possível criar matéria gastando exclusivamente movimento?! … Muito
interessante!
Tal transformação só teria de obedecer à Lei da Conservação da Energia.
Dizer que a Energia = Massa x Velocidade da Luz ao quadrado implica dizer
que a matéria pode ser destruída mas que esta também pode ser criada e
transformando a equação, tem-se que:

m = E / c2

Com esta equação vê-se quão falsa era a crença do passado que a matéria
não poderia ser criada nem destruída; e quão falsa é a crença de hoje em dia
acerca da estabilidade e quantização da matéria, pois esta não é sequer uma
grandeza estável e fundamental mas sim aparente!!
De facto, não existe qualquer Lei da Conservação da Matéria; aquilo que se
conserva sempre, tanto quanto sabemos, é a Energia!
As únicas grandezas reais que são conservadas em colisões são apenas a
Quantidade de Movimento e a Energia, ou seja, a conservação teórica da
Massa.
Contudo, procuramos e ambicionamos a quantização da matéria, mas
relacionamos Matéria e Energia; admitimos que estas são indistinguíveis; e
agora separamos os conceitos e relacionamos Massa com Gravidade e Energia
com Campo. Então, afinal, onde é que estão as diferenças e as semelhanças?!
… Não seremos nós que estamos a impor as diferenças?!
Poderíamos começar por concluir claramente que a massa de um corpo é
uma medida do seu conteúdo energético. Que a Massa é uma forma de Energia!
Que a Massa é uma manifestação da Energia em movimento!
Isso simplificava imenso! E é isso o que nos diz Einstein, quando lemos a
sua equação.
Energia em conjunto com a sua componente vectorial: a quantidade de
movimento. Energia em Movimento, elas duas andam de mãos dadas e ambas
produzem tudo o que lhes sucede!
Tudo é energia em movimento …
Antes de finalizarmos, vejamos outra analogia:
Se por outro lado, a inércia de um corpo depende do seu conteúdo
energético, de tal forma que:

19
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

m = E / c2

Por outro lado, com a ajuda da teoria quântica sabemos que E = h.f, logo, a
energia depende da frequência e, substituindo na nossa equação de Massa
Inercial, tem-se que:
m = h.f / c2

E sabe-se também que há uma relação entre massa e a quantidade de


Movimento ( p = m.v ), de tal forma que, a equação da Física Clássica que
relaciona estas duas grandezas é a seguinte:

m=p/v

Desta equação pode ler-se que a massa de um corpo é uma medida da sua
velocidade e da sua quantidade de movimento.
E ainda que, pela célebre fórmula de Newton ( F = m.a ), tem-se que a
Massa de um corpo é uma medida da sua aceleração, cuja origem está numa
Força, supostamente, Gravitacional:

m=F/a

Não pretendo acrescentar mais nada ao conceito de Massa, porque senão


vamos começar a ficar confusos. Na verdade, já está tudo dito:
Basicamente o que vimos até aqui é que a massa pode ser descrita através de
várias equações distintas, relacionando grandezas distintas e diferentes, e que a
Matéria pode aparecer de uma maneira muito diversificada e versátil!
A menos que a Massa não seja uma característica inata e essencial, uma
grandeza fundamental; segue-se muito claramente que esta realidade
indubitável não pode ser explicada de uma maneira objectiva!!
Portanto, e tentando resumir ... - Todas estas versões de Massa conduzem-
-me a uma interrogação: Será que a Massa sofre de algum Síndrome de
Múltipla-personalidade?!
Ou será que todas estas relações e equações traduzem e escondem o seu
verdadeiro significado físico?!
Antes de adiantarmos algum tipo de conclusão em relação à nossa definição
de Massa, talvez pudéssemos pedir alguma ajuda à Gravidade …

20
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo III

O QUE É A GRAVIDADE?

“Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,


nunca tem medo, nem nunca se arrepende.”
- Leonardo da Vinci -

A gravidade da situação, é que esta Força permanece muito difícil de


explicar, uma vez que não se enquadra com mais nenhuma teoria conhecida.
A Força Gravitacional é extremamente singular, diferente e original e,
aparentemente, independente de todas as outras forças.
É devido a ela que nasce o conceito e estatuto de Massa e,
consecutivamente, toda a estrutura da matéria, dos átomos, das moléculas … da
Vida!
Qual é o mistério da Força da Gravidade? … afinal, ela existe!!
Mais uma vez, comecemos pelo início …
A Mecânica de Newton foi tão bem sucedida, no séc. XVIII, XIX, XX e
XXI, que praticamente deixou de ser questionada. Com ela previmos eclipses
solares, enviámos homens à Lua e sondas espaciais em exploração pelo
Universo!
A percepção de Newton teve em conta o sistema Terra-Lua e a queda de
uma maçã do alto de uma árvore, relacionando-os, deduziu que a força de
atracção que faz com que a Lua se mantenha na sua trajectória, é a mesma que
provoca a queda da maçã.
Escreveu, então:
“ Deduzi que as forças que mantêm os planetas nas suas órbitas estão na
razão recíproca dos quadrados das distâncias aos centros em torno do qual
orbitam; e, assim, comparei a força necessária para manter a Lua na sua órbita
com a Força da Gravidade na superfície da Terra; e verifiquei que as duas
respostas são quase iguais.” – Sir. Isaac Newton -.
Um episódio que, possivelmente, levou Newton a imaginar que talvez todos
os corpos do Universo sentissem esta atracção e, como tal, eram todos atraídos
uns pelos outros e assim formulou a sua Lei da Gravidade.

21
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Uma ideia iluminada e uma verdadeira revelação sem dúvida … para a


época e para a altura em questão. Porém, hoje em dia, ainda não avançámos
muito mais!
Até agora, ainda não se conseguiu conciliar a Teoria da Gravidade com a
Física Quântica porque, se virmos bem, as bases da fórmula da Gravidade estão
incorrectas e os princípios sobre os quais assentam e se fundamentam têm falha
desde o início!
Diz-se que a Gravidade é a força responsável pela coesão das partículas
subatómicas e da Massa.
Retomando os passos de Newton, diríamos que a Gravidade é uma força que
actua de uma forma inversamente proporcional ao quadrado da distância, em
função da relação 1/r2. Isto significa que, como sabemos, a 1m de distância a
Força Gravitacional tem um valor, e se substituirmos r por 1 vem que 1/12=1; e
que a 2 metros de distância a Força Gravitacional será 1/2 2=1/4, isto é, será
quatro vezes menor e assim sucessivamente. E podíamos concluir que o efeito
da Força Gravitacional perde-se e atenua-se com a distância e afastamento da
fonte. Certo?!
Sendo assim, repito, concluiríamos que, quanto mais distante da Massa mais
fraca é a força. Analogamente, supomos que, quanto mais perto do centro de
gravidade mais forte é a força.
Continuando esta lógica, isto implicaria que no centro de qualquer matéria
esta força tenderia para a sua força máxima, isto é, para um valor extremamente
elevado, ou seja, para um valor infinito!
Se isto ocorresse na prática, a força gravitacional no centro de qualquer
objecto seria extremamente forte e tudo colapsaria em buracos negros e não
existiria Universo!!
Os Físicos actuais lidam com a questão da Gravidade sem pensarem neste
problema! Simplesmente ignoram-no!
A Teoria da Gravidade não é válida para r = 0, pois neste caso Fg = ∞.
Como é que uma fórmula tão fundamental, que estabelece relações de
matéria, não pode estabelecer a existência da própria matéria?!!
Parece-me que há aqui uma grande incongruência!
Desviamos sempre o assunto dizendo que a fórmula da Gravidade não é
válida para situações pontuais de singularidades, como no caso do Big Bang; de
um Big Crunch ou de um buraco negro. Mas o que é facto, é que ela não é
válida para o Universo do dia-a-dia, tal e qual como está!

22
A VIAGEM NO TEMPO

Partindo do princípio que conceberíamos uma atracção recíproca essencial à


matéria, então, num estado primordial do Universo essa atracção estaria
distribuída uniformemente, bem como a radiação primordial estaria distribuída
muito uniformemente e as partículas eminentes jamais se poderiam reunir para
formar o estado actual do Universo com concentrações de massa independentes
e aglomerados distintos de matéria. Mesmo a concretização de um único átomo
individual, a execução de uma estrutura atómica independente, a geração de
protões, neutrões e electrões seria praticamente impossível. Isto porque a
densidade de matéria primordial estaria uniformemente e igualmente difundida
e a Gravidade inata da matéria obrigaria a que tudo se atraísse uniformemente
em direcção a um ponto central. Toda a massa tenderia a ser concentrada para o
interior e toda a matéria se concentraria nesse espaço central e esse corpo
densamente compacto seria o único corpo existente no Universo!!
Como tal, concluímos que a matéria jamais poderia surgir e evoluir nestas
condições, porque a Gravidade inata do Universo não iria permitir a existência
de uma única estrutura atómica individual e consistente.
Mas o Universo existe, é composto por galáxias e sistemas solares … e é
minimamente estável, logo, deve haver alguma explicação para isso não ter
acontecido!
Nem as flutuações de densidade podem explicar este processo de evolução.
As flutuações são lentas, muito lentas; o poder da atracção gravitacional é
praticamente instantâneo.
A resposta a este enigma está na definição de Massa. Só ela pode esclarecer
o grande enigma da origem da matéria …

23
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo IV

A ORIGEM DA MATÉRIA

“Há mais mistérios entre o céu e a Terra


do que sonha a nossa vã filosofia.”
- Shakespeare -

A Matéria é uma propriedade bastante exótica do Cosmos.


Parece-me que, a sua melhor definição e a mais lógica virá da equação de
Einstein m = E/c2.
Poderíamos visualizar a Massa como uma espécie de materialização da
Energia!
Esta materialização seria a responsável pela formação das partículas de
radiação e das partículas de matéria.
A minha sugestão vai no sentido de propor que a materialização da Energia
terá sido obtida através de uma Energia Pura presente no início do Cosmos e
que a consolidação da matéria-energia terá evoluído do caos até atingir um
estado de equilíbrio e de ordem, e que esta não é mais do que energia pura em
movimento.
Antes de avançarmos com a explicação deste processo analisemos a seguinte
experiência em que decorre um efeito semelhante da evolução natural de um
sistema que inicia com um estado de não equilíbrio e de caos mas que, com o
tempo, o sistema atinge naturalmente um estado de equilíbrio e de ordem. Por
exemplo, quando se considera o aquecimento de um líquido, podemos observar,
inicialmente, uma desordem térmica caótica, em que as moléculas viajam em
todas as direcções de uma forma desordenada. Mas se continuarmos a aquecer o
líquido mais e mais, então, a partir de uma certa altura, podemos observar a
formação de pequenos vórtices de rotação constante, em que biliões de
moléculas seguem biliões de moléculas num movimento absolutamente
ordenado.
Esta experiência pode ser verificada experimentalmente e com ela constata-
se que há uma formação de ordem a partir do caos de uma forma espontânea. A
Natureza segue o seu sentido natural que é o de atingir um estado mínimo de
equilíbrio, evitando assim o estado de absoluta desordem e de máxima entropia.

24
A VIAGEM NO TEMPO

Com esta análise poderemos supor que terá decorrido um processo


semelhante na formação das primeiras partículas da matéria do nosso Universo.
Propondo que estas emergiram, não de um líquido mas sim de uma outra
substância … uma forma de energia primitiva existente nos primórdios da
formação do nosso Universo.
Recordemos que, pela Física Clássica, dizemos que existe um campo
Electromagnético ou Gravítico numa determinada região do espaço quando
uma carga ou uma massa de prova são aí colocados e expostos a esses campos e
como consequência sentem os efeitos dessas forças. Daqui podemos salientar a
seguinte conclusão, que é a seguinte: mesmo na ausência de cargas ou de
massas, pelo menos há campos! No nosso Universo Primordial, mesmo na
ausência de cargas ou de matéria estaríamos perante um Campo Fundamental.
Este Campo poderia ser traduzido como uma Energia Pura Primitiva, ou
Radiação Pura Primordial.
As linhas de força de um campo são superfícies que representam um
armazenamento virtual de energia, imensa energia. As linhas de energia
constituem um Campo de Força, que é também um Campo de Potencial, ou
seja, um campo virtual e invisível que só se manifesta quando lhe introduzimos
uma carga ou uma massa; mas que está sempre lá, potencialmente activo, está
somente à espera de se tornar bem real e de poder manifestar-se. É o mistério
das Forças de Campo!
Retomando o nosso raciocínio: Radiação Pura ou Energia Pura. Esta seria a
substância existente no início do Cosmos … Pura Energia em Movimento, isto
é, quantidade de movimento. Sendo:

E = m.c2  m = E/c2

E, por outro lado:

p = m.v  m = p/v

Igualando ambas as equações, vem que:

E/c2 = p/v
25
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Considerando que as altas energias deste Universo, preenchido por radiação


pura, tornaria essas partículas virtuais altamente energéticas e que a maior parte
da sua energia seria encerrada no seu movimento frenético, sibilando
constantemente de um lado para outro.
Substituindo na equação v por c, tem-se que:

p = E.c / c2  p = E/c

Mais uma vez, Quantidade de Movimento; que mais não é do que Energia
em Movimento. Este era o estado inicial do nosso Universo!
Momento e Energia! As únicas grandezas verdadeiramente fundamentais …
Nestes movimentos contínuos e aleatórios de elevadas densidades de
energia, alguns desses movimentos evoluiriam para um movimento de rotação.
E esta rotação é extremamente importante. Estes pequeníssimos vórtices de
rotação podem ser associados a uma primeira qualidade inerente à matéria que
é muito importante: o Spin!!
Todas as partículas conhecidas pelos Físicos das Partículas têm três
propriedades: a Massa; a Carga; e o Spin.
Podemos imaginar o Spin como uma característica associada ao movimento
de rotação e ao momento magnético das partículas. De certa forma o Spin
define uma direcção no espaço, o sentido de um eixo ... mas esta característica
que todas as partículas apresentam é verdadeiramente original e difícil de
explicar... Todas as partículas têm um spin definido, e essa característica não
muda, nem pode ser alterada; é permanente e imortal.
Façamos agora uma outra analogia: Lembremos que, a magnetização de um
cilindro de aço pode ser obtida, na ausência de campos magnéticos, excepto o
terrestre, fazendo girar velozmente o cilindro em torno do seu eixo. Desta
forma, forma-se um novo campo magnético concentrado na superfície do
cilindro. Isto está de acordo com a Teoria Electromagnética, em que qualquer
carga em rotação gera um campo magnético em seu torno. Um macro exemplo
deste efeito, é o campo magnético terrestre, que tem origem no movimento de
cargas no interior do núcleo.
No nosso caso particular não há cargas, somente movimento. Este
movimento contínuo de rotação adquire uma aceleração específica e
permanente; da mesma forma que no cilindro, forma-se um Campo de
Superfície Esférico em torno de um centro. Poderíamos designar este Campo de
Superfície como uma espécie de Campo Gravitacional; abaixo desta superfície
26
A VIAGEM NO TEMPO

não existiria qualquer campo gravitacional, isto é, onde o raio = zero a


Gravidade é nula, bem como na vizinhança mais próxima do centro.
Assim resolvia-se o problema dos infinitos na fórmula de Newton,
estabelecendo que a Gravidade não existe no interior das partículas, assumindo
que este é um campo de superfície e externo. Este Campo Gravitacional varia
numa razão exponencial com a distância e, como tal, este campo de gravidade
será muito mais forte na fronteira da superfície, formando como que uma
parede de força, uma blindagem, uma campo extremamente intenso, mas que na
realidade é invisível e imaterial.
Este seria o processo de formação das partículas fundamentais!!
Este conceito poria termo à indivisibilidade infinita da matéria!
As partículas iludem-nos… fazem-nos supor que a matéria é material e que
esta tem massa … ilusões!
Contudo, até esta fase não lhe chamaria de Força Gravitacional; seria mais
correcto designar-lhe por Força Material, responsável pela formação da matéria.
Uma vez que esta Força Material não atrai; é simplesmente uma blindagem;
nem tem carga, ou antes, tem carga neutra.
Esta Força Material constituída por pequenos vórtices preencheria vários
pontos do Universo Primordial, quando este tinha apenas alguns
microssegundos de existência.
Poderíamos supor que estas primeiras partículas primitivas seriam uma
espécie de rotões neutros ( partículas de rotação ), relativamente densos mas
particularmente instáveis e vulneráveis. Num frenesim constante de
movimentos velozes e altamente energéticos alguns desses rotões neutros
primitivos seriam quebrados. Destes choques surgiriam novas partículas, mais
estáveis, que designamos hoje por partículas fundamentais da matéria: os
Quarks.
Os Quarks serão, muito provavelmente, as partículas mais estáveis e mais
fundamentais da matéria.
Seguindo os padrões de uma Evolução, em direcção à sobrevivência dos
mais fortes os nosso rotões neutros primitivos teriam um período de
sobrevivência efémero. Instáveis, estes desintegrar-se-iam continuamente.
Esta quebra espontânea, e também por colisão, tem origem numa força
remanescente, extremamente fraca, mas determinante: a Força Fraca; que
levaria a que todos os rotões neutros primitivos se desintegrassem e
desaparecessem, mas deixando uma descendência: um mar de Quarks.

27
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Neste Universo, já mais expandido, as temperaturas começaram a baixar e


isto trouxe alguma paz e serenidade a estas partículas. Este vislumbre de
estabilidade permitiu criar a ordem a partir do caos.
De acordo com os padrões cosmológicos, os físicos prevêem que:
“ Um Universo com apenas três minutos de idade já teria formado os seus
primeiros núcleos atómicos.”
Da minha parte, devo dizer-vos que me parece um pouco cedo. A criação de
um simples átomo envolve muita complexidade.
Sabe-se que os constituintes dos núcleos são os protões e os neutrões; e que
os constituintes destes são os quarks, ou antes, tripletos de quarks. Cada protão
é formado por um grupo de três quarks; e cada neutrão também é formado por
um grupo de três quarks. Todos os quarks têm o mesmo spin = ½. Mas os
quarks não são todos iguais!
Primeiro, são extremamente pequenos, na ordem de 10 -18 m e, por isso,
muito difíceis de detectar por experiências directas. Na verdade, são tão
pequenos que o seu tamanho ainda não está bem determinado, e também não
existe nenhuma evidência directa desta subestrutura, apenas podemos inferir a
sua existência porque estes enquadram-se perfeitamente num modelo teórico da
estrutura da matéria.
Outra característica que surge é a seguinte: os quarks têm carga eléctrica.
Curiosamente, deverão ser os quarks as partículas que estão na origem da
formação da carga eléctrica. A quebra dos rotões primitivos de carga neutra,
poderá ter conduzido à quebra da própria carga, dividindo-a em cargas
fraccionárias.
O que se verifica experimentalmente é que os neutrões são constituídos por
três quarks, dois de carga igual a -1/3 e um de carga igual a 2/3, o que perfaz
uma carga neutra, que é a carga do neutrão. Fazendo as contas -1/3-1/3+2/3 =0
Analogamente, os protões são constituídos por três quarks, dois de carga
igual a +2/3 e um de carga igual a -1/3, o que perfaz uma carga positiva +1, que
é a carga do protão.
Existem somente dois tipos de carga nos quarks: 2/3 e -1/3.
A primeira unificação e aglomeração de quarks terá seguido no sentido de
recuperar o equilíbrio, isto é, de atingir a estabilidade eléctrica da matéria.
Como tal, o agrupamento favorito seria o de três quarks que pudessem formar
uma partícula electricamente estável e neutra: os neutrões.
Esta pequena atracção eléctrica conduziu, muito provavelmente, à formação
de um outro tipo de agrupamento ou agrupamentos também neutros, de um
28
A VIAGEM NO TEMPO

número mais elevado de Quarks, mas que de alguma forma não satisfizeram os
requisitos e os interesses da Natureza. Esta forma primitiva de matéria mal
sucedida, não teria evoluído e permaneceria oculta e obscura distribuída pelo
vasto espaço do Universo … deveras interessante … matéria oculta, escura,
negra …
A Natureza é inteligente. Não subestimem a inteligência da Natureza.
A Evolução decorre sempre num sentido de adquirir um maior grau de
complexidade. Tudo tem uma razão de ser.
Lembremos que a evolução dos Primatas desencadeou em dois troncos
distintos: Chimpanzés e seres Humanos.
Há muita matéria em falta no livro das contas do Universo. Recentemente
foi descoberto um misterioso tipo de matéria, até agora desconhecido, pois a
sua presença tem permanecido oculta durante todo este tempo … trata-se da
exótica Matéria Negra!

29
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo V

O QUE É A MATÉRIA NEGRA

“A descoberta consiste em ver o que toda a gente viu


e pensar o que nunca ninguém pensou.”
- A. Von Szent-Györgyi -

Será que conseguiremos descobrir o que será esta exótica matéria?!


Os cientistas calculam que somente nos próximos dez anos é que se
conseguirá construir equipamentos e instrumentos capazes de isolar esta
matéria escura e desvendar este grande mistério do nosso Universo.
Se olharmos para o nosso sistema planetário conseguimos deduzir qual a
velocidade dos planetas em torno do Sol, baseando-nos somente na massa e
influência gravitacional do astro rei. De acordo com as leis de Kepler para que
os planetas consigam manter a sua órbita estável, estes têm de adquirir uma
determinada velocidade, e esta, por sua vez, tem valores distintos, consoante o
planeta se encontre mais próximo ou mais distante do Sol. Mercúrio tem um
movimento de translação bastante rápido, enquanto que Plutão, mais distante,
tem um movimento de translação bastante lento. O que significa, na prática, que
podemos deduzir qual será a velocidade periférica de um sistema devido à
influência gravitacional do astro central.
E foi exactamente isso que Fritz Zwicky pretendeu calcular. Quando mediu
as velocidades e as distâncias de centenas de milhares de galáxias semelhantes
à Via Láctea, descobriu resultados surpreendentes: concluiu que a massa do
sistema era 100 vezes maior que a estimada com base na luz proveniente das
galáxias!
Se contabilizasse a quantidade de matéria visível presente na galáxia,
baseando-se somente na emissão das fontes de luz, os cálculos demonstravam
um valor muito inferior do que aquele que obteve quando confirmou
experimentalmente a velocidade periférica do sistema galáctico.
Irrefutavelmente, existia algum tipo estranho de matéria envolvendo as
galáxias, que não conseguimos ver. Matéria escura, que não emite luz. Mas
mais estranho do que isso, é que não emite qualquer tipo de radiação! Nem
infra-vermelha, nem ultra-violeta, nem sequer raio-x ou radiação gama … nem
nada!! Qualquer átomo conhecido até hoje emite algum tipo de radiação!

30
A VIAGEM NO TEMPO

E agora perguntamos, como é que se pode olhar para uma coisa que não se
vê?! Simples … pelos efeitos gravitacionais que exerce em redor. Correcto?!
Esta estranha forma de matéria neutra parece emitir gravidade, aliás, imensa
gravidade. Actualmente, todos os astrónomos concordam e concluíram que
90%, ou mais, da massa do Universo capaz de exercer forças gravitacionais não
emite qualquer traço de luz. Noventa por cento da matéria do Universo é
constituída por Matéria Negra! É muita matéria …
O Universo está dominado por uma matéria absolutamente desconhecida, a
aclamada Matéria Negra. Ninguém sabe o que é esta substância. De onde vem
esta matéria que não emite nenhum tipo de radiação electromagnética?
Os cientistas descartam a hipótese de poder ser alguma forma de átomo ou
elemento químico e concentram-se em partículas. Já lhe atribuíram bastantes
nomes, desde partículas WIMP ( Weakly Interacting Massive Particles ), e
outros candidatos como os axions e os neutralinos.
Não se sabe muito bem se a resolução deste problema pertence ao domínio
da Física das Partículas ou da Cosmologia. Eu diria que, a solução deste
mistério está nas mãos da Química!
Para desvendarmos este enigma, seria suficiente se nos concentrássemos na
sua característica mais peculiar: a ausência de radiação.
Deixo-vos a reflectir por alguns momentos …
Antes de prosseguirmos, é necessário termos em mente o seguinte quadro:

Fig. 1 - Tabela Periódica dos elementos químicos -

Aqui está ela! A Tabela Periódica de Mendeleev!

31
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Uma autêntica obra-prima do seu autor!


Quando Mendeleev descobriu que os elementos químicos da Natureza
obedecem a um padrão, deve ter ficado extasiado! E tudo isto com um simples
baralho de cartas …
Como podem constatar, a Natureza é organizada. Os elementos químicos
estão todos divididos de acordo com o seu número atómico. Este número
representa o número de protões de um átomo, e este por sua vez, caracteriza e
distingue os elementos químicos da Natureza.
Assim tem-se que, se uma partícula for constituída por oito protões, oito
neutrões e oito electrões, sabemos que estamos a falar do Oxigénio, cujo
número atómico é 8.
Analogamente se tivermos simplesmente um único protão, um neutrão e um
electrão, sabemos que estamos a falar do Hidrogénio, cujo número atómico é 1.
Este é o elemento mais simples da Natureza.
Quando nos referimos aos elementos químicos, também podemos incluir
uma outra característica que é comum a todos eles: o número de neutrões.
Um átomo estável tem, sempre, o mesmo número de protões, neutrões e
electrões. Excepto em casos pontuais em que ocorre um desequilíbrio de
neutrões, e passamos a designar estes átomos por isótopos; ou quando ocorre
um desequilíbrio de electrões, e passamos a designar estes átomos por iões.
O equilíbrio sagrado permanece sempre neste triângulo perfeito:

Número Protões = Número Neutrões = Número Electrões

Certo?!
Recordemos um pouco melhor a composição da nossa Tabela. Na verdade,
há aqui um elemento químico que foge ao padrão!
O Hidrogénio não partilha deste triângulo sagrado. O elemento mais comum
e mais simples da Tabela Periódica, o Hidrogénio, é, por estranho que pareça,
um isótopo! O que significa que o Hidrogénio que habitualmente encontramos
na Natureza perdeu um neutrão?! O que foi que aconteceu ao neutrão?! Um
acaso da Natureza?! A Natureza tem poucos acasos …
Pista nº 1: O que é que Matéria Negra e Isótopos de Hidrogénio têm em
comum?!
Deixo-vos a reflectir por mais alguns momentos.

32
A VIAGEM NO TEMPO

Nada! E é exactamente isso. A matéria negra não conseguiu avançar na


evolução. As partículas de matéria negra serão os nossos „chimpanzés‟ e os
elementos químicos serão os nossos „seres humanos‟.
A Matéria Negra tem número atómico zero porque esses neutrões primitivos
nunca conseguiram criar protões.
Os conceitos de evolução de Darwin não se aplicam somente a organismos
biológicos. A Mutação Neutrão-Protão permitiu a evolução.
Façamos agora um esforço mais abstracto… viajando no tempo … para
tentar espreitar e perceber o que estaria a acontecer nessa altura.
Entramos num Universo escuro, muito escuro … e praticamente imóvel,
homogéneo … mas cheio de energia e potencial!
Há uma Misteriosa Força que já está presente neste Universo quase
fantasmagórico, e que tem vindo a tomar forma: a Força Fraca, a Força subtil
do desequilíbrio, a força responsável pela mutação neutrão-protão.
Como sabemos, uma das forças presentes na Natureza é a Força Fraca.
Sabemos ainda muito pouco acerca desta força. Mas com aquilo que sabemos,
conseguimos deduzir que ela é a responsável pela desintegração radioactiva dos
elementos químicos.
Sabemos que os elementos são radioactivos porque são instáveis, ou antes, a
instabilidade produz radiação!
A matéria negra não foi capaz de desenvolver a Força Fraca, como tal, não
conseguiu obter a mutação neutrão-protão. É por isso que a matéria negra não
produz qualquer tipo de radiação!!
A desintegração radioactiva traduz-se num processo quase mágico. Se, por
exemplo, um núcleo atómico tiver 6 protões e 8 neutrões a Força Fraca detecta
esse desequilíbrio e encarrega-se de repor a ordem, transformando um neutrão
em protão. Desta forma, o núcleo passa a ter 7 protões e 7 neutrões, ficando
mais equilibrado e estável.
Se olharmos atentamente para os valores das massas do neutrão e do protão,
constatamos que estes valores não são exactamente iguais. A massa do neutrão
é um pouco superior à massa do protão:

mn= 1,674 928 6 x 10-27 Kg e mp= 1,672 623 1 x 10-27 Kg,

Isto significa que, há um valor ínfimo de massa em falta. Porquê que isto
acontece?

33
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Com a mutação do neutrão ocorre o nascimento de uma nova partícula, o


protão, quase idêntica ao neutrão, mas com uma particularidade que faz toda a
diferença. O neutrão tem carga neutra e o protão tem carga positiva.
Contudo, a mutação do neutrão não termina somente no nascimento de uma
nova partícula, o protão; com ela também nasce uma outra partícula, de massa
ínfima e carga negativa, o electrão.
Quando o neutrão se quebra não só transforma a sua massa em duas partes,
como também divide a sua carga em duas partes.
A Natureza só tem de obedecer a uma lei de igualdade e equivalência das
propriedades de origem, que se traduz numa Lei de Conservação dada pela
seguinte equação:

massaneutrão = massaprotão + massaelectrão

carganeutrão = cargaprotão + cargaelectrão

Contudo, este tipo de desintegração é um pouco mais complexa; e o que se


verifica experimentalmente é que, a mutação do Neutrão finaliza-se com a
criação de um outra nova partícula:

Neutrão = Protão + Electrão + Neutrino

Esta nova partícula, o neutrino, é uma versão em pequena escala do neutrão,


talvez numa tentativa de manter a descendência. A sua massa é ainda
indeterminada, mas é tão pequena que a podemos considerar como não tendo
massa, esse valor é praticamente nulo. E tal como a sua partícula mãe, o
neutrino não tem carga.
Haverá no Universo Primordial tantos neutrinos quantos protões e electrões.
Deveras interessante! Tantos neutrinos … porquê?!
Todos estes neutrões do Universo, constituídos por tripletos de quarks,
foram se transformando gradualmente em protões, electrões e neutrinos e
somente nesse momento é que ocorreu a consolidação dos primeiros átomos, o
elemento mais simples da Tabela Periódica: isótopos de Hidrogénio!
E é devido a esta opção da Natureza, o sacrifício do neutrão, que o elemento
mais comum do Hidrogénio é um isótopo, constituído somente por um protão e
um electrão, o qual designamos mais frequentemente por Prótio.

34
A VIAGEM NO TEMPO

Com a consolidação destas novas partículas, dos átomos e do primeiro


elemento químico da Tabela Periódica, ocorreu um outro fenómeno ainda mais
singular … Com a chegada desta nova variável, o Universo deixa de ser o que
era. A partir deste momento o Universo já é capaz de gerar radiação
electromagnética, e com ela surgem biliões de fotões!
Os fotões nem sempre estiveram presentes no Universo. Ao contrário do que
constatam os manuais de Física, também estas partículas tiveram se der
criadas…
Muito interessante! Os fotões não estavam presentes no início do
Universo…
No entanto, este Universo primordial era ainda muito quente, preenchido por
energias ainda um pouco altas, o que não permitiu a consolidação destes átomos
por muito tempo. Uma vez que estávamos perante um Universo relativamente
denso e opaco, assim que os electrões produziam fotões, estes interagiam
fortemente com outras partículas carregadas, colidindo imediatamente com
electrões e protões. Antes de poderem viajar livremente em linha recta pelo
espaço, estes fotões eram imediatamente absorvidos. Os átomos eram
constantemente ionizados e quebrados e os feixes de luz de fotões eram
constantemente emitidos e absorvidos em resultado das densidades médias
elevadas das partículas circundantes.
Como tal, por esta altura, a intensidade luminosa era ainda muito fraca e isso
repercutiu-se num Universo luminosamente discreto … à luz da vela!
Para que se formassem átomos estáveis de Hidrogénio, o Universo teve de
esperar até que a sua temperatura decrescesse o suficiente com a expansão, de
modo a permitir a estabilidade energética do átomo. O que só aconteceu quando
o Universo atingiu 300 000 anos de idade.
Foi neste instante do tempo que decorreu um fenómeno verdadeiramente
espantoso e maravilhoso no nosso Universo … fez-se luz!!
O Universo ficou transparente à radiação electromagnética nas mais diversas
formas, e a mais bela de todas … a radiação luminosa!
Dados adquiridos da Radiação de Fundo do Universo, uma espécie de
imagem de rádio da era primordial, constatam que a radiação de fundo cósmica
foi libertada quando o Universo tinha, aproximadamente, 300 000 anos de
idade.
Esta radiação de fundo é um verdadeiro registo no tempo; e esta chega-nos à
Terra com a mesma intensidade, vinda de todas as direcções.

35
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Uma das perguntas mais intrigantes que os astrónomos fazem acerca do


Universo é a seguinte: Baseados nos dados emitidos por esta radiação, os
astrónomos praticamente conseguem „ver‟ o Universo, e o que vêem é um
Universo primitivo demasiado uniforme. Desta situação surge um problema
cosmológico que nenhum físico ou astrónomo conseguiu ainda uma solução
para resolvê-lo. É o tão aclamado Problema da Homogeneidade.

36
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo VI

O PROBLEMA DA HOMOGENEIDADE

”Se os factos não se encaixam na Teoria, modifica-se os factos.”


- Albert Einstein -

Neste momento do tempo, 300 000 anos após o Big Bang, o período de
inflação já teria cessado há muito, e esta uniformidade extrema do Universo
primitivo é assumida mas não é explicada.
A questão óbvia seguinte é saber como foi possível estrelas e galáxias
surgirem a partir de um gás denso e uniforme de matéria, se todas as partículas
e matéria existentes nessa altura se encontravam distribuídas muito, muito
uniformemente, como um tecido aveludado?!
Daqui surge a questão da Homogeneidade. Pois, não se compreende como é
que um Universo cuja matéria está distribuída de uma maneira demasiado
uniforme, pôde mudar drasticamente e começar a formar concentrações de
matéria, estrelas, agregados de estrelas; galáxias e agrupamentos de galáxias;
que é o estado actual do nosso Universo; isto supondo que a influência
gravitacional também estaria igualmente bem distribuída.
Simulações feitas por computador, introduzem esses dados, isto é, matéria e
influência gravitacional, e simplesmente concluem que tal evolução não seria
possível. Com isto deduz-se que a formação de estrelas, sistemas planetários,
galáxias e aglomerados seria, no mínimo, demasiado improvável e praticamente
impossível. E isto leva-nos a pensar que parece ter havido um „afinamento
cósmico‟!
Olhemos mais de perto para os nossos dados e vejamos o que é que está mal
nesta simulação.
Pista nº 2: Só temos duas variáveis: matéria primordial e influência
gravitacional.
Deixo-vos a reflectir …
Se estiveram atentos, até agora, ainda não vos falei de nenhuma Força
Gravitacional!!
Durante algum tempo, a matéria manteve-se distribuída muito
uniformemente, mesmo após o período de inflação, e nunca ocorreram
flutuações de densidade neste Universo de altas energias no sentido de formar
37
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

pequenas concentrações de matéria porque, no início do Universo, não existia


nenhuma Força Gravitacional!
Houve alguém que disse em tempos:

”Se os factos não se encaixam na Teoria, modifica-se os factos.”


– Albert Einstein –

Mas, posteriormente, a matéria condensou-se e aglomerou-se, formou estrelas


e galáxias … resta-nos saber como … lá chegaremos.

38
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo VII

O PROBLEMA DA INFLAÇÃO

“Os limites da ciência são como o horizonte;


quanto mais deles nos aproximamos, mais eles recuam.”
- Bacon -

Inicialmente suponha-se que o Big Bang teria ocorrido como sendo uma
enorme explosão que libertou imensa energia. Só que a explosão inicial não
explicava a existência da Homogeneidade verificada posteriormente pela
radiação cósmica de fundo. Para justificar este facto Alan Guth teve a ideia de
introduzir um novo conceito, a inflação. Esta expansão inflacionária ultra-
rápida encarregar-se-ia de homogeneizar o Universo todo por igual. A teoria da
inflação é necessária para explicar a homogeneidade inicial do Universo, caso
contrário, o Universo não teria tido tempo suficiente para se uniformizar.
A era de inflação conduziu a uma estranha forma de comportamento do
Universo, de tal modo que este período tem levantado muitas questões e
continua à espera de esclarecimentos. Pois, receia-se que possa voltar a existir
um novo período de inflação.
Os Cosmólogos procuram compreender como é que durante a primeira
fracção de segundo do nascimento do Universo, imediatamente após a explosão
do Big Bang, a expansão do Universo adquiriu valores elevadíssimos,
ultrapassando mesmo a velocidade da luz!
O Universo observável, o próprio tecido do espaço e do tempo, terá dilatado
enormemente, em valores bastante superiores do que aqueles calculados hoje
sobre a expansão do Universo. Durante o período de tempo em que durou a
inflação, o Universo duplicou de tamanho a cada 10 -35 segundos. Duplicou-se,
portanto, centenas de vezes; daí resultando que o seu volume cresceu pelo
menos 1050 vezes, ao mesmo tempo que a temperatura caía na vertical, de 10 28
K para 1023 K.
Será que conseguiremos explicar o porquê de ter ocorrido a inflação?! E
igualmente o porquê de esta ter cessado?!
Os dados mostram-nos que o período de inflação não ocorreu em simultâneo
com a explosão do Big Bang, mas sim umas fracções de segundos mais tarde.

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Como podem constatar por este gráfico que nos mostra a evolução do raio
do Universo imediatamente após ter ocorrido o Big Bang, verifica-se que no
início a explosão foi regular e linear. Posteriormente é que ocorreu a expansão
inflacionária, exactamente neste momento aqui:

Fig. 2 - Era Inflacionária -


Relação do raio do Universo com a temperatura

O que foi que terá desencadeado esta inflação?!


Este período pode parecer estranho. Mas talvez não seja assim tão estranho
como pensamos …
Mais uma vez, partindo da hipótese de que no início do Universo não existia
Gravidade, isto é, supondo que inicialmente não haveria influência
gravitacional, a explosão inicial teria começado por se expandir regularmente;
mas sem qualquer factor de contracção exercido por forças gravitacionais, esta
explosão iria, certamente, expandir-se continuamente.
Façamos agora uma analogia:
Quando um gás se expande, a densidade relativa do gás deixa de ser
constante, pois esse gás é obrigado a distribuir-se por um volume cada vez
maior. E essa densidade, ou seja, a quantidade de partículas presentes por
unidade de volume, vai sendo cada vez menor e o gás vai ficando cada vez mais
rarefeito, mais vazio, cada vez mais vazio até ficar praticamente preenchido por
vácuo.

40
A VIAGEM NO TEMPO

No início da expansão do Universo ocorreu um processo semelhante.


Eliminando esta variável, a influência gravitacional, o Universo era livre de se
expandir à vontade e rapidamente. Ao mesmo tempo que a densidade ia
reduzindo drasticamente; chegando a um ponto em que a densidade presente
por unidade de volume era quase zero. Se esta expansão não cessar, a barreira
do zero é transposta e o Universo atinge uma densidade negativa. Esta
densidade negativa conduz a um momento muito crítico: Revela a energia do
Falso Vácuo.
Assim que o Universo entra neste falso vácuo, abre as portas a uma enorme
quantidade de energia. É essa enorme quantidade de energia que entra e
desencadeia a inflação.
Mas o nosso Universo não permite densidades negativas e, como tal, a
energia repulsiva do falso vácuo é instável e por isso decai rapidamente. A
porta que o Universo abriu tem de ser rapidamente fechada. Assim que entra
energia suficiente para repor uma densidade positiva, para valores logo acima
do zero, a inflação termina, cessando automaticamente.
O período de inflação durou realmente muito pouco tempo, alguns micros-
segundos … fascinante!
3ª Pista: A ausência de Gravidade conduz a densidades negativas.
Os cosmólogos podem ficar descansados, provavelmente não haverá mais
nenhum período de inflação neste Universo.

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo VIII

O PROBLEMA DA DENSIDADE CRÍTICA

“Imagina o Universo belo, justo e perfeito.


Depois, assegura-te de uma coisa:
O Ser, imaginou-o um pouco melhor do que tu imaginaste.”
- Richard Bach -

Outra questão presentemente em aberto é um paradoxo levantado pela


Cosmologia, também ele bastante problemático e peculiar, é o problema da
Densidade média de matéria no Universo, ou, mais simplesmente, o problema
da Densidade Crítica.
O destino do Universo está dependente da densidade do Universo. Para
compreendermos este problema temos de considerar que o destino do Universo
está dependente de um número ómega: Ω. Este número representa a densidade
média global de toda a matéria/energia existente no Universo.
Se a densidade for elevada, as influências geradas pelas forças gravitacionais
serão mais fortes e estas irão travar a expansão, obrigando o Universo a fechar e
a se contrair em retorno a um Big Crunch; caso contrário, se a densidade média
de matéria for fraca, nada conseguirá travar o processo de expansão, e o nosso
Universo expandir-se-á eternamente, tornando-se num Universo aberto,
disperso, vazio e frio.
O que se verifica na prática é que essa densidade tem um valor bastante
delicado, mesmo próximo da densidade crítica, ou seja, Ω0 = 1. Este valor
coloca-nos exactamente entre um universo aberto e um universo fechado, o que
torna o nosso Universo com um o raio de curvatura praticamente plano.
Estes dados relatam que a densidade de matéria/energia do Universo não é
substancialmente superior ou inferior à densidade crítica e, por isso, o espaço
não é substancialmente curvo, positiva ou negativamente.
Um verdadeiro quebra-cabeças que aponta para o facto de o nosso Universo
não ser nem aberto nem fechado, mas algures na corda bamba entre esses dois
estados.
Dentro de um número infinito de possibilidades que poderia ter conduzido a
um Universo Aberto ou Fechado, porquê que o nosso Universo parece ter
exactamente a densidade círitica Ω0?
42
A VIAGEM NO TEMPO

Esta questão é bastante delicada e é frequente associarmos este facto a mais


um „afinamento cósmico‟!
Actualmente, assume-se esta densidade de matéria/energia incrivelmente
precisa do universo inicial como sendo um dado adquirido, contudo, ainda por
explicar.
A densidade e o destino do Universo estão intimamente relacionados de
acordo com a variável ómega:

Ω0 = 1 => Universo Plano

Ω ≥ 1 => Universo Fechado

Ω ≤ 1 => Universo Aberto

A abundância observada de Hidrogénio, e também a de Hélio, indicam que


a densidade bariónica, de matéria normal, não pode ser maior do que 0,1 da
densidade crítica. Entretanto, a este valor há que adicionar a matéria negra,
sendo que, no total, esta não deve ultrapassar uma densidade global muito
superior a 0,2. Isto implica que a densidade do nosso Universo é realmente
muito próxima da densidade crítica.
Porque razão é ómega tão próximo de 1? Será mesmo igual a 1?
Tendo em conta que o Universo tem estado a expandir-se e em criação desde
o período da inflação, podemos considerar que o facto da densidade actual ser
próxima da densidade crítica pressupõe que esta teria um valor igual a 1 numa
época mais próxima do início do Universo.
Isto leva-nos a suspeitar que a densidade inicial do Universo seria
exactamente igual à densidade crítica, isto é, Ω0 = 1!
Com o novo modelo de inflação apresentado, com ausência de forças
gravitacionais, esta questão cosmológica poderia ser facilmente resolvida e o
problema da Densidade Crítica deixaria de ser um problema!
Após ter decorrido a gigantesca expansão inflacionária, qualquer que fosse a
geometria do Universo anterior ao período de inflação, esta seria

43
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

necessariamente plana após a expansão. Bem como o valor da sua densidade


teria necessariamente um valor relativo igual a 1 após o período de inflação.
Pista nº 4: O Universo poderia surgir com a densidade que bem entendesse
... O período de inflação terminaria exactamente quando o Universo atingisse a
densidade crítica, ou seja, assim que a entrada da energia do vácuo repusesse
alguma densidade positiva, isto é, logo acima do valor zero!
Há um processo específico e um princípio científico que explica a razão pela
qual a densidade do Universo tem o valor que tem. E este valor desta misteriosa
constante não necessitou de qualquer afinamento cósmico!
Deste modo, alterando somente uma variável, conseguimos resolver três
grandes problemas cosmológicos!
Na hipótese utilizada foi suficiente retirarmos da equação uma única
incógnita: A Força Gravitacional.

44
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo IX

O FALSO VÁCUO

“ Se a nossa mente fosse livre de formação e de concepção,


as ilusões não ocorreriam e a verdadeira mente
estaria livre para perceber tudo.”
- Tao-Shin -

O mistério do falso vácuo é igualmente fascinante! As flutuações quânticas


do vácuo revelam-nos uma enorme quantidade de energia e abrem-nos a porta
para o desconhecido …
Pensando no abstracto, todos nós sabemos que óleo e água não se misturam,
porque têm densidades diferentes.
Imaginemos que éramos todos habitantes de uma bolha de óleo. Poderíamos
estar completamente rodeados por água, e esta estaria mesmo ali tão perto, mas
nunca nos aperceberíamos disso!
O nosso Universo é apenas uma bolha de óleo mergulhada num imenso
oceano do hiperespaço …

Fig. 3 - „Muitos Mundos‟ -

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo X

DE ONDE VEM A GRAVIDADE?

“ A vida é como uma escultura;


é uma questão de ser capaz de ver o que os outros não vêem e, depois,
com o cinzel, desbastar o que sobra.”
- Miguel Ângelo -

Com este novo modelo apresentado, para um Universo primordial com


ausência de Forças Gravitacionais, muitas questões seriam resolvidas.
A resolução destas questões consiste em abdicarmos do preconceito de que a
Gravidade é inata ao Cosmos e inerente às massas!
Introduzir esta alteração revolucionária, tem como objectivo salientar um
outro aspecto que é o seguinte:
O que me parece é que a estrutura íntima da matéria não está, de forma
alguma, relacionada com a Força Gravitacional! E, consecutivamente, a Força
Gravitacional não está directamente relacionada com Massas!
É claro que isto levantaria, obrigatoriamente, uma outra questão, afinal, de
onde vem a Gravidade?
Esta é a grande questão que nos reúne aqui hoje!
Podemos constatar em vários livros de Física, quando apresentam datas
importantes da História Natural do Universo, que a Força da Gravidade aparece
logo no início do tempo, juntamente com o momento do Big Bang. Isto porque
deduz-se que a Gravidade está intimamente relacionada com o Tempo.
Referindo um pequeno excerto, deduz-se o seguinte:

„ Nos primeiros instantes, quando o Universo tinha apenas 10-43s de idade,


logo após a explosão do Big Bang, o Espaço e o Tempo ainda estavam a ser
criados. As Força da Natureza estavam combinadas numa Força Primordial
única, designando-a por Grande Força Unificada. Chama-se a esse período
Tempo de Planck, e os seus pormenores não podem ser explicados porque nos
falta uma Teoria Quântica da Gravidade (…) e as próprias Forças ainda
estavam em formação.‟.

46
A VIAGEM NO TEMPO

De acordo com o que vos acabei de demonstrar, até agora ainda não
necessitámos de incluir nenhuma Força Gravitacional para explicar a Evolução
Natural do Universo.
Quase me atreveria a supor que, talvez não precisemos de nenhuma Teoria
Quântica da Gravidade!
É óbvio que esta dedução deixaria, automaticamente, muitos Físicos carecas
e em estado de choque! O que não seria nada conveniente.
Antes de entrarmos em deduções precipitadas, mais uma vez, comecemos
pelo início.
Seria bom começarmos por relembrar que o conceito de Massa e o conceito
de Peso de um objecto, são duas coisas muito diferentes. É importante não
confundi-los.
Sabemos que o nosso peso na Terra não tem o mesmo valor que na Lua. O
nosso peso na Lua é inferior ao peso que sentimos na Terra. E quando isto
acontece, não foi porque tivesse ocorrido algum défice de massa. A Massa é
exactamente a mesma, pois a Massa é uma medida da quantidade de matéria;
mas o Peso é diferente, pois o Peso é uma medida de Força aplicada à matéria.
O nosso peso na Lua é menor, simplesmente porque a massa sente menos
peso, porque nela estão a actuar menos Forças Gravitacionais.
E com isto pretendo concluir que, a Massa pode existir mesmo na ausência
de Forças Gravitacionais, simplesmente, esta deixa de sentir peso… muito
interessante!
O Peso depende do sítio onde estamos, isto é, da magnitude local da
aceleração causada pela Força da Gravidade.
Correcto?!
Se concordaram, então, também concordarão que Massa e influência
Gravitacional podem ser conceitos independentes, logo, podemos concluir que
não estão directamente relacionados!
A influência gravitacional apenas transmite peso às massas. Este efeito
revela-se apenas quando combinamos as duas variáveis: quantidade de matéria
presente, expostas a um Campo Gravitacional, tem-se como resultado matéria
pesada.
Embora a massa de um átomo esteja concentrada no seu núcleo, somos
iludidos pela Natureza e pensamos que a Força Gravitacional advém deste
centro. Aplicamos de imediato a seguinte dedução: obviamente se a maior
concentração de gravidade é onde se encontra a maior concentração de matéria,
nada mais lógico do que concluir que a Gravidade advém da matéria, ou seja,
47
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

do interior do núcleo. E por isso tentamos explorar, a todo o custo, qual o


segredo da matéria, qual a sua composição mínima indivisível, e esperançamos
assim obter a Quantização da Matéria e uma Teoria Quântica da Gravidade. É
este enigma que chama a atenção de milhares de Físicos do mundo inteiro …
Lamento desapontar-vos mas, muito embora a maior concentração de Massa
induza a valores mais elevados de Gravidade, isto é, no núcleo do átomo; a
fonte do Campo Gravitacional, esta, não advém do centro!
Para chegarmos a esta conclusão bastaria retrocedermos no tempo e
prosseguirmos com a nossa Evolução Natural do Universo.
Onde estávamos?! … Ah! … sim … 300 000 d. B. B. ( depois Big Bang )
Continuando com o nosso modelo de ausência de Gravidade no Cosmos
inicial, entramos novamente no período da Homogeneidade.
Esta Homogeneidade que apareceu e permaneceu mesmo após terem
decorrido já 300 000 anos após a inflação, poderia ser facilmente explicada
constatando que não existiriam quaisquer forças gravitacionais que pudessem
desfazer esta homogeneidade e causar a mínima alteração na concentração da
matéria.
Assim sendo, a segunda Lei de Newton ou Lei do Movimento ( F = m.a )
não poderia entrar em acção, pois as partículas não seriam atraídas por nada;
pois se nenhuma força lhes está a ser aplicada; e a matéria primitiva
permaneceria exactamente nas mesmas posições iniciais.
Exceptuando a distância relativa entre elas que aumentaria devido à
expansão natural do próprio espaço.
Um fenómeno interessante, a distensão do próprio espaço verificada por
Hubble, quando confirmou que todas as galáxias se estavam a afastar de nós
em simultâneo … muito interessante … mas este é um assunto que deixaremos
para mais tarde.
Até aqui, como vimos, o que aconteceu neste cosmos inicial foi o
desenvolvimento da própria matéria. A transformação de partículas em núcleos
primitivos e que alguns desses núcleos primitivos conseguiram obter a mutação
neutrão-protão, mas não todos. A maior parte permaneceu como matéria escura
e uma pequena parte evoluiu para elementos químicos.
Toda a matéria negra que se detecta actualmente representa toda a matéria
falhada na evolução do Universo e portanto, será muito pouco provável, e
extremamente difícil, que os primeiros núcleos atómicos tenham sido formados
quando o Universo tinha apenas três minutos de idade!

48
A VIAGEM NO TEMPO

Com este novo padrão há a salientar que, mesmo estando a matéria


igualmente bem distribuída, nem toda essa matéria evoluiu da mesma forma.
Somente uma pequena parte, alguns desses núcleos dispersos, distribuídos
aleatoriamente, é que conseguiram formar isótopos de Hidrogénio.
A partir deste momento em que se forma um átomo familiar da Tabela
Periódica, constituído por um protão e por um electrão, surge também a
Radiação Electromagnética, que começa a preencher todo o espaço.
A evidência desse momento cosmológico está no aparecimento dos fotões
detectados na radiação cósmica de fundo.
Antes deste período é impossível obter qualquer registo fóssil „visual‟ do
Universo.
Se já repararam, o que vos pretendo dizer mais directamente, é que foi
aproximadamente durante este período que se formou a própria Força
Electromagnética! Também esta teve de nascer de uma evolução natural! Sem
protões e sem electrões não há Força Electromagnética.
Uma vez mais, há que realçar que a Força Electromagnética só surge como
resultado da interacção de cargas eléctricas com fotões.
Este modelo do Cosmos pretende salientar uma Evolução sensata e poupada.
A Natureza só precisou de criar uma Força de cada vez … uma após outra …
ou quase!
E com isto, já disse quase tudo!
Se repararam, o que acontece após este momento é que o Universo começa a
evoluir de uma forma diferente. Começam a surgir as primeiras concentrações
de matéria; mais precisamente, concentrações de gás de Hidrogénio; que só
pode ser explicado por influências gravitacionais. Isto é, só podem ocorrer
concentrações de matéria se admitirmos que existe uma atracção gravitacional.
Algures durante este tempo emergiu a Força Gravitacional!!
Sabemos que a Força Gravitacional é a mais fraca de todas as forças. A sua
acção é lenta mas extremamente paciente.
As primeiras evidências de grandes concentrações de matéria ocorreram
milhares de anos após o Big Bang na forma de Quasares bastante densos e
hiper-luminosos.
Estes astros primitivos são extremamente interessantes. Com o tamanho de
uma simples estrela conseguem emitir uma radiação tão potente como a de uma
galáxia inteira. Estes núcleos galácticos produzem uma intensa radiação
luminosa, de modo que a densidade de fotões emitida por unidade de volume
era de uma ordem bastante superior à actual.
49
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Os quasares são objectos distantes no tempo e, como tal, já não existem.


Estes astros são o registo fóssil dos primeiros passos da evolução do nosso
Universo envolvido em altas energias e são a prova da formação das primeiras
grandes estruturas de matéria, no sentido de formar as primeiras estrelas e as
primeiras galáxias.
O tempo necessário para conseguir aglomerar esta quantidade de matéria é
na verdade imenso, provavelmente de alguns milhões de anos.
Curiosamente, se retrocedermos no tempo e invertermos o processo de
atracção gravitacional que levou à concentração de tanta matéria em Quasares,
chegamos praticamente ao período da Homogeneidade … novamente! Pois o
tempo necessário para aglomerar essa quantidade de matéria é realmente
imenso.
Obviamente, isto leva-nos a concluir que a Força Gravitacional deve ter
emergido muito cedo.
Poderíamos supor que a Força Gravitacional emergiu algures durante o
período de Homogeneidade.
Desta forma, poderíamos igualmente deduzir que dentro deste período,
aproximadamente em 300 000 d.B.B., assim que se formou um átomo familiar
da Tabela Periódica, surgiu a Força Electromagnética … produzida por cargas;
e também a Força Gravitacional … produzida por … bem … digamos que por
massas mais complexas.
Com isto podemos concluir que somente os átomos comuns da Tabela
Periódica é que são capazes de produzir Radiação Electromagnética e Radiação
Gravitacional … é propositado, considero-a Radiação Gravitacional.
Esta foi a verdadeira era da Radiação!
Posto isto, para completarmos o nosso naipe de Forças, só nos fica a faltar
apenas uma: a Força Forte.
De onde vem a Força Forte? Sabemos que a Força Forte é a responsável por
manter os protões coesos no núcleo. Sem a presença desta força cargas iguais se
repeliriam. Mas porquê que a Natureza precisaria de criar a Força Forte?
É simples. Confirma-se que a Natureza tem uma certa tendência para formar
grupos e aglomerados cada vez maiores e mais requintados de matéria.
De modo a adquirir um maior grau de complexidade, a união desenvolveu-
-se de modo a formar-se átomos mais complexos que o Hidrogénio. O esforço
seguinte seguiu no sentido de formar átomos de Hélio.
Formar um átomo de Hélio também não foi tarefa fácil. Era necessário
manter dois protões bem próximos um do outro, concentrados num núcleo; e
50
A VIAGEM NO TEMPO

era necessário manter dois electrões bem próximos um do outro, nas


proximidades do núcleo, na periferia do átomo.
Recorrendo novamente ao Almanaque de registos cosmológicos, verifica-
-se que, praticamente desde o início do Universo, há 15 000 milhões de anos,
que tem ocorrido a formação de átomos de Hidrogénio; de tal modo que, este é,
nos dias de hoje, o elemento químico dominante e em maior quantidade.
Logo a seguir a este, temos o Hélio, cuja relação de proporção entre estes é
de 75% Hidrogénio e 25% Hélio. No entanto, destes 25% de Hélio somente
10% foram formados em estrelas, os restantes 90% são anteriores à própria
formação das estrelas. O que os estudos mostram é que este elemento químico
conseguiu evoluir relativamente cedo, muito antes do nascimento de estrelas.
De todos os elementos químicos constituintes da Tabela Periódica, presentes
no nosso Universo, 99,9% são Hidrogénio e Hélio e os restantes 0,1%
representam todos os outros elementos mais pesados como o Oxigénio e o
Carbono, etc.
A proporção de Hélio é, ainda assim, bastante elevada … curioso …
O Hélio é constituído por uma união forte de dois átomos de Hidrogénio…
Será que conseguem ler o meu pensamento?!
Primeiro, a Força Electromagnética surgiu com os átomos de Hidrogénio,
com a criação de cargas;
Segundo, A Força Gravitacional também surgiu com a formação de átomos
de Hidrogénio, com a criação de estruturas mais complexas de matéria;
Terceiro, a Força Forte já está presente assim que se verifica a formação de
átomos de Hélio, mas a sua percentagem é inferior à do Hidrogénio porque,
primeiramente, foi necessário esperar que a atracção gravitacional concentrasse
alguma quantidade de Hidrogénio;
Quarto, a Força Forte terá surgido possivelmente em simultâneo com a
Força Electromagnética e com a Força Gravitacional!
Muito interessante…
Primeira conclusão: praticamente tudo retorna ao mesmo momento no
tempo: à formação do átomo!
À primeira vista isto pode parecer uma conclusão evidente, ou quase óbvia,
mas talvez não esteja assim tão clara quanto isso.
Com a formação do átomo formou-se também as outras três Forças da
Natureza. Portanto, estas nem sempre existiram. Também estas tiveram uma
origem!

51
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

E isto já vai contra os princípios de muitos físicos, que acreditam numa


Física mais Bíblica do que Natural!
Os físicos teóricos assumem que todas as Forças da Física já estavam
presentes no início do Universo!
Tal como a Bíblia assume que o ser humano já estava presente desde o início
da formação da Terra, que o Homem evoluiu de Adão. Assim os físicos
também acreditam que as Forças Fundamentais da Natureza nasceram todas ao
mesmo tempo, emergiram todas do Big Bang!
A meu ver, este é um erro crucial …
Apesar de se convencionar que a radiação e os próprios fotões são
propriedades inatas do Cosmos, bem com as próprias Forças da Natureza, a
verdade é que as forças não emergiram todas em simultâneo em forma de uma
Grande Teoria Unificada!
Continuando com a nossa Evolução Natural do Universo, poderíamos
assumir que as três Forças da Natureza - A Força Electromagnética, a Força
Gravitacional e a Força Forte - foram criadas ao mesmo tempo, em simultâneo,
juntamente com a formação do átomo;
Poderíamos especular que estas poderiam ter uma causa comum;
Poderíamos especular um pouco mais e supor que estas poderiam partilhar
de uma mesma origem!
Mas como?! Haverá alguma semelhança ou alguma hipótese de relação entre
estas três Forças, supostamente tão diferentes?! É evidente que estas três Forças
têm funções e interacções distintas! Mas haverá alguma hipótese de ligação
entre elas?!!
Se descobríssemos o que é que relaciona estas Três Forças, qual o seu gene
comum … teríamos na mão a chave da nossa Caixa de Pandora, e com ela,
descobriríamos tudo!!!

52
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XI

A ORIGEM DAS FORÇAS DA NATUREZA

“ Oiço e esqueço; Vejo e lembro-me; Faço e compreendo.”


- Confúcio -

De acordo com o modelo padrão da Cosmologia, os cientistas, de uma


maneira geral, aceitam que houve um momento de criação para o Universo.
Neste modelo propõem uma Teoria Unificada segundo a qual consideram que
nas fracções de segundo imediatamente após o Big Bang todas as quatro forças
conhecidas da Natureza já existiam, sendo que estas encontravam-se reunidas
em forma de uma única grande força super poderosa, designada por Grande
Força Unificada.
A origem e características desta força é, no entanto, muito indefinida mas
seria esta a responsável por dominar os primeiros instantes de um Universo
Primitivo, que não era formado por matéria mas sim por energia sob a forma de
radiação.
A Teoria assume que as quatro forças, tão distintas da Natureza, a Força da
Gravidade; a Força Electromagnética; a Força Nuclear Forte; e a Força Nuclear
Fraca, já estavam presentes desde o início do Universo e que estas actuavam de
uma forma única, com propriedades misteriosas e singulares, porém, não se
sabe muito bem como ou qual a função e comportamento desta força …
Força de quê?!
Adiantam que esta Força Unificada foi alterando as suas características ao
longo do tempo, e à medida que o Universo foi arrefecendo esta força se
separou em quatro, ramificando-se gradualmente nas quatro forças actualmente
conhecidas. No entanto, não nos dão nenhuma justificação suficientemente
clara que explique este processo, simplesmente pensa-se que foi assim que
aconteceu. Os seus argumentos base assentam nas constantes de acoplamento
das respectivas forças e na união e convergência das mesmas quando
enquadradas numa Física de Altas Energias, característica de um Universo
Primordial.
Sem ter de recorrer a cálculos requintados, talvez haja uma outra solução.
A análise que pretendo apresentar baseia-se numa versão muito mais simples
e decorre das evidências cosmológicas.
53
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Retomando a nossa História Natural do Universo, seria bom pararmos por


uns momentos e reflectirmos sobre a seguinte questão:
Qual é a característica comum de todas as Forças da Natureza?
Olhando assim de repente, não se consegue ver nenhuma semelhança entre
elas, em nada … ou quase nada!
Vamos tentar recapitular as propriedades e características destas Forças em
pormenor. Comecemos por investigar se há alguma relação entre a Força
Electromagnética e a Força Gravitacional.
A primeira coisa que nos ensinam na escola é que a Força Electromagnética
é uma Força de Radiação e que a Força Gravitacional não é uma Força de
radiação.
Preparem-se, porque nem tudo o que nos ensinam na escola é verdade!
Vamos agora aqui tecer alguns comentários acerca destas duas forças.
Notemos, inicialmente, o enunciado da Lei da Gravitação Universal feita por
Newton: “dois corpos com massa atraem-se na razão directa das suas massas e
na razão inversa do quadrado da distância entre elas.”.
Tomemos agora o enunciado da Lei de Coulomb para a Força
Electromagnética: “dois corpos carregados electricamente exercem uma força
proporcional às suas cargas e inversamente proporcional à distância entre eles.”
Neste caso, a Lei tem algo mais para acrescentar: caso as cargas sejam opostas
haverá atracção, caso contrário, haverá repulsão.
Primeiramente, notemos a semelhança na estrutura das duas Leis: ambas
dizem que a força é proporcional ao atributo relevante: massa para a
Gravitação, carga eléctrica para a Electricidade; ambas compactuam com uma
constante do meio, K constante dieléctrica, G constante gravitacional; e ambas
variam na razão inversa do quadrado da distância.
As duas fórmulas destas forças têm na realidade um padrão semelhante:

Fem = K. Q.Q
r2

Fg = G. m.m
r2

Será isto um acaso da Natureza?! A Natureza tem poucos acasos!


Foi com base nesta simetria da Lei de Coulomb e da Lei de Newton que fez
Einstein pensar que isto não poderia ser pura coincidência.
54
A VIAGEM NO TEMPO

Até ao fim da sua vida, Einstein tentou descrever todas as Forças da


Natureza através de um formalismo de unificação. Levou anos a tentar levar a
cabo esta unificação, que pudesse descrever todas as forças da Natureza através
de uma só equação. Acreditou sempre, até ao seu último suspiro, que havia uma
relação.
Infelizmente, não teve a possibilidade de confirmar que há realmente uma
relação! Einstein estava certo … mais uma vez.
A verdade está toda inscrita no Grande Livro da Natureza.
Façamos realçar as características assertivas destas duas Forças:

1º No caso do Electromagnetismo pólos idênticos repelem-se


( o Electromagnetismo é naturalmente repulsivo );
No caso da Gravitação pólos idênticos atraem-se
( a Gravidade é naturalmente atractiva ).

2º No caso do Electromagnetismo há sempre um dipolo electromagnético


( não há monopolos magnéticos, sempre que se divide um íman, obtém-
-se sempre um novo íman com dois polos );
No caso da Gravitação, ocorre o inverso, há sempre monopolos
Gravitacionais.
( não há dipolos gravitacionais, sempre que dividimos uma massa não
encontramos massas negativas que experimentem repulsão
gravitacional).

3º O que uma Força tem, a outra não tem;


O que uma Força faz, a outra não faz.

Será que se consegue obter a partir daqui algum padrão?!


Eu vejo um padrão. Vocês não vêem o padrão?!
Aqui não há simetria, pois não … há Assimetria!!
Parece que há aqui escondido uma espécie de Algoritmo de Assimetria!
Será que a Natureza também percebe um pouco de Informática?!
Simetria … sempre que pronuncio esta palavra, não vos faz lembrar nada?
Assimetria … não faz passar nada no vosso pensamento?!
Assimetria … Assimetria … Assimetria!!!
Foi precisamente neste momento que no meu cérebro se fez luz, e todos os
meus neurónios se acenderam em flash!
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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Magnífico, soberbo, fenomenalmente simples!


Mais uma pista: Uma nova ferramenta que os físicos inventaram para
estudar as propriedades da Natureza chama-se Simetria.
Como todos sabem, o conceito vulgar de simetria consiste na reflexão de um
objecto em frente a um espelho plano. Um objecto está relacionado com a sua
imagem no espelho.
Num objecto simétrico, uma esfera por exemplo, a sua reflexão apresenta
exactamente as mesmas características que o objecto original e mesmo que
tentemos efectuar qualquer movimento de rotação no objecto original, a sua
imagem no espelho não se altera. Isto significa que essa transformação não
conduziu a quaisquer diferenças na imagem analisada.
E este é considerado como um exemplo de Simetria Geométrica, contudo,
existem outros tipos de Simetria, mais abstractas, utilizadas por muitos físicos
das partículas.
O conceito de simetria aplica-se a certos processos na área da Física, cujo
termo técnico é designado por Paridade ou Simetria.
A simetria é importante nos processos físicos da Natureza; a quebra de
simetria também.
Praticamente todas as forças respeitam a simetria, menos uma que a
quebra…
Qual é a Força que se associa à Assimetria? Qual é a Força que não obedece
à simetria no espelho?
Deixo-vos a reflectir…
Deixem-me reformular a pergunta. Com este cenário que vimos até agora,
pergunto-vos:
Qual poderia ser a Mãe de todas as Forças? A Força que esteve sempre
presente, praticamente desde o início!?
Pois está claro! Certamente estamos a referirmo-nos à Força Fraca.
E o que é a Força Fraca?!
É a Força responsável pela desintegração radioactiva. Correcto?
Pois bem, a Força Fraca é a Força da Radiação!
E não vos parece que uma Força de Radiação iria produzir novas Forças de
Radiação … mais fracas … mas ainda assim de radiação?!
Penso que aquilo que é necessário ponderar é o modo como, à partida, isto
poderia ser possível.
Tentemos desvendar qual o processo deste mecanismo.

56
A VIAGEM NO TEMPO

Retomemos o nosso exemplo da mutação neutrão-protão ou, mais


precisamente, desintegração Beta.
A Natureza não pode inventar. Mas por exemplo, se eu tiver uma laranja,
não posso inventar duas laranjas, mas posso dividir a minha laranja. Certo?!
No processo de desintegração Beta a Natureza também não pode inventar,
por isso, divide as suas propriedades.
No caso específico da mutação neutrão-protão tem-se:

1º Divisão da Massa:

massaneutrão = massaprotão + massaelectrão + massaneutrino

2º Divisão da Carga:

carganeutrão = cargaprotão + cargaelectrão + carganeutrino

Sabemos que há partículas mediadoras da Força Fraca que provocam esta


transformação. São os Bosões W+ e W- e o Bosão Z0.
Exactamente três partículas transmissoras! … muito interessante
Na sua notação física correspondente tem-se:

n0 = W+ + W- + Zo

n0 = p+ + e- + vo

A Natureza não desvenda de imediato todos os seus segredos! Será que


conseguimos obter a partir daqui uma terceira divisão?

3º Divisão das … ?

E se eu alterar isto assim:

ForçaFraca = mp+ + me- + mvo


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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

E se eu me lembrar que preciso de saber de onde vem isto assim:

ForçaForte + ForçaElectromagnética + ForçaGravitacional

E se eu reequacionar a equação e puser isto assim:

ForçaFraca = ForçaForte + ForçaElectromagnética + ForçaGravitacional

Já vêem o padrão?!
A Força Fraca divide a Massa … A Força Fraca divide as Cargas e …

A Força Fraca divide as FORÇAS!

A Força Fraca, é fraca só de nome, pois ela é o pilar central de todas as


Forças da Física!

58
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XII

GRAVITÕES LOCALIZADOS!?

“A Natureza nada faz em vão.”


- Aristóteles -

Ao enquadrarmos todas as Forças da Natureza numa equação comum, surge


a seguinte interpretação:

Ffr0 = Ff+ + Fem- + Fg0

n0 = p+ e- v0

De onde se segue que, os Transmissores de Campo das Forças da Natureza


são os seguintes:

bosões = gluões + fotões + neutrinos

Tantos Gravitões à solta!!! Disfarçados de neutrinos …

Só assim se encaixa tudo muito bem! E fica tudo tão organizado, tão simples
e belo!
A Teoria da Gravidade prevê a existência dos gravitões, com as suas
interacções com a matéria bem definidas, como tal, estes gravitões deveriam ser
representados por partículas estáveis, electricamente neutras, provavelmente
com pouca ou sem massa nenhuma, e estar presentes em grande número e em
grande quantidade, distribuídas quase que uniformemente por todo o Universo
… e isto são exactamente as características dos neutrinos!
O facto de existirem tantos neutrinos no Universo, não pode ser um acaso da
Natureza. Qual é o papel dos neutrinos? Se virmos bem, até ao presente
momento, ainda não atribuímos nenhum papel fundamental a estas partículas
tão subtis e omnipresentes.

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

O número destas partículas é realmente imenso, e é praticamente equivalente


ou superior ao número de fotões do Universo e ambas viajam à velocidade da
luz, que é a característica principal dos mediadores das interacções.
Os neutrinos serão, muito provavelmente e simplesmente, a partícula mais
abundante do Universo!
Como é que uma partícula tão fundamental pode passar tão despercebida?!!
Somos constantemente bombardeados por biliões de fotões e neutrinos, ou
gravitões … como queiram. Estas são as partículas responsáveis por
transmitirem aos nossos átomos a interacção electromagnética e a interacção
gravitacional.
A Natureza prima por simplificar as suas Leis!

60
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XIII

RADIAÇÃO GRAVITACIONAL

“ Se tiveres uma ideia e ela, à primeira vista, não te parecer


completamente absurda, então, não há salvação para ela.”
- Albert Einstein -

Que tipo de Força é a Gravidade?


Se tanto ambicionamos obter uma Teoria do Tudo; a Teoria da Grande
Unificação; a Unidade Cósmica, temos de derrotar o nosso preconceito de
que a Teoria da Gravidade e o Electromagnetismo são Forças completamente
diferentes uma da outra e absolutamente divergentes.
Sob o meu ponto de vista, não são assim tão divergentes.
Colocando na mesa estas duas hipóteses: de que a Gravidade não está
directamente relacionada com massas; e que a Gravidade é uma Força de
Radiação. Será que conseguimos formular uma nova Teoria da Gravidade
partindo destes pressupostos?!
1ª Hipótese:
Se não vem do centro do núcleo, da concentração da massa, então, de
onde vem a Gravidade?!
A Gravidade emana de tudo: da matéria; do calor, da luz, até da própria
Gravidade!
A luz, sente peso. Esta não é apenas desviada pela Gravidade devido à
presença e proximidade de grandes massas; mas é também igualmente capaz
de atrair outros objectos. Um raio de luz com energia suficientemente
elevada atrair-nos-ia, ou vice-versa … é relativo. Lembremos que o fotão
não tem massa mas é afectado pela Gravidade e também ele pode produzir
Gravidade!
O movimento também sente peso. Sabemos que uma estrela em
movimento de rápida rotação exerce uma atracção gravitacional mais intensa
do que outra em movimento mais lento… Não foi porque lhe adicionámos
mais massa.
A Teoria da Gravidade descreve que a matéria produz gravidade e que
esta, por sua vez, pode produzir ainda mais gravidade e assim por diante!
61
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

A Gravidade pode até ser gerada através de campos magnéticos em


movimento em estações espaciais! … Muito interessante. Muito interessante
mesmo!
Será que a Gravidade também sofre de algum Síndrome de desordem de
personalidade?!
Qual é a variável constante nestes três casos?! Não é a Massa, com
certeza. Afinal de onde vem tanta Gravidade?!!
Estamos constantemente a dizer que a Força da Gravidade tem uma
estrutura completamente diferente das outras Forças;
Oiço frequentemente que a Gravidade é uma Força Clássica,
completamente distinta de todas as outras;
Que na verdade, a Força da Gravidade nem existe propriamente, que esta
é apenas uma propriedade geométrica do próprio espaço-tempo;
Oiço dizer constantemente que se o Electromagnetismo e a Gravitação
têm alguma semelhança, é apenas porque a sua força varia no inverso do
quadrado da distância!
Que irritação! Sinto-me na obrigação de intervir.
Considero todas estas características, conotações e atribuições
absolutamente desconcertantes.

Ponto 1. - Ambas são forças de campo;


Ponto 2. - Ambas variam na razão inversa do quadrado da distância;
Ponto 3. - Ambas possuem alcance infinito;
Ponto 4. - Ambas propagam-se à mesma velocidade.

Curiosamente, a velocidade de propagação da Gravidade não é


instantânea, a sua velocidade é também igual a „c‟, a velocidade da luz! Será
isto coincidência? O Universo tem poucas coincidências! Não será a
Gravidade uma Onda Electromagnética?!
Acham isto estranho?! Se queremos abordar uma nova Física, temos de
reclamar novas ideias.
Porque já se postulou e convencionou que a Gravidade não é uma Força
de Radiação, é agora muito mais difícil dizer o contrário e apresentar a
Gravidade como uma onda electromagnética.
A maior evidência que a Relatividade nos apresentou foi a equivalência
entre massa gravitacional e massa inercial, isto é, que a Gravidade tem uma
62
A VIAGEM NO TEMPO

origem semelhante à inércia e, como sabemos, a inércia está intimamente


relacionada com movimento.
Deixem-me tentar relacionar o seguinte:
Falando, sem muito rigor, podemos dizer que:
Em repouso, cargas eléctricas originam apenas Campos Eléctricos, ou
seja:
CAMPO ELECTRO-ESTÁTICO

Em movimento, cargas eléctricas originam Campos Eléctricos e


Magnéticos:
CAMPO ELECTRO-MAGNÉTICO

O Deslocamento do Campo Eléctrico e Magnético produz um novo


campo, o Campo Gravitacional, isto é:

CAMPO ELECTRO-MAGNÉTICO-GRAVITACIONAL

Resumindo, podemos dizer que:


Relativamente a um campo em deslocamento podemos sempre definir um
novo campo. O deslocamento do campo Electrostático produz um novo
campo, o campo Electromagnético; o deslocamento do campo
Electromagnético também produz um novo campo, o campo Gravítico!
O deslocamento de todos estes campos consolida-se na formação de um
campo Electro-Magnético-Gravitacional, ou seja, na produção de Ondas
Gravitacionais!
A unificação da Electricidade com o Magnetismo trouxe uma grande
descoberta: a formação de Ondas Electromagnéticas;
A unificação do Electromagnetismo com a Gravidade tem também uma
implicação extraordinária: a formação de Ondas Gravitacionais!
Neste momento estou a recordar-me de uma citação de Einstein:
“ Se tiveres uma ideia e ela, à primeira vista, não te parecer
completamente absurda, então, não há salvação para ela.”
- Albert Einstein -.
Vejamos então um exemplo mais prático. Comecemos por recordar o
diagrama do Espectro Electromagnético e das suas radiações naturais.

63
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

De um extremo ao outro temos as várias radiações conhecidas


distribuídas de acordo com a sua frequência.

Fig. 4 - Espectro Electromagnético -

Como podem constatar neste espectro não aparecem ondas gravitacionais.


É aqui que o adversário comete o erro!
No início do espectro tem-se a radiação de mais elevada frequência: a
Radiação Gama, na ordem de 1020 Hz; depois Raios X 1018 Hz;
Ultravioletas 1015 Hz; Radiação Luminosa 1014 Hz; e passamos para as
radiações de mais baixas frequências: Infravermelho 10 12 Hz; Microondas
1010 Hz; e Ondas Rádio que se prolongam até 104 Hz ou mais e … termina
aqui?!
Como sabemos, um pacote de energia corresponde a um quantum de
energia. O valor deste quantum depende da frequência da luz , que é dada
pela equação E = h.f. Quanto maior a energia transportada, maior a
frequência da radiação. Quanto maior a frequência, menor é o comprimento
de onda. Analogamente, quanto menor a frequência, maior é o comprimento
da onda.
64
A VIAGEM NO TEMPO

Façamos uma relação simples para tentar estimar a frequência de um


Onda Gravitacional, através da equação E = h.f.
Mas primeiro precisamos de saber qual é a Energia do Campo
Gravitacional.
Numa estimativa por alto podemos recorrer ao valor relativo da
intensidade das forças conhecidas. A força de maior intensidade é a Força
Forte; seguidamente a esta tem-se a Força Electromagnética, 137 vezes mais
fraca – um número bastante interessante - depois temos a Força Fraca 106
vezes mais fraca que a Força Forte; e por último tem-se a Gravidade 1040
vezes mais fraca que a Força Forte.
Posto isto, podemos dizer que a ordem de grandeza da Energia
Gravitacional em valor absoluto é aproximadamente 10-40 ou 1/1040.
Fazendo as contas …

E = h.f  E/h = f

 f= E/h

 f = 10-40 / ( 6,6 x 10-34 )

 f = 6,6 x 10-6 Hz

Esta será uma boa aproximação para a frequência de uma Onda


Gravitacional, ou seja, é uma onda de baixa frequência, baixíssima. A sua
frequência é inferior às Ondas Rádio, consequentemente o seu comprimento
de onda deverá ser superior às Ondas Rádio.
Vejamos se conseguimos obter alguma aproximação para o seu
comprimento de onda. Sabendo que:

f . λ = 2π. c

 λ = 2π. c / f

 λ = 2π. ( 3 x 108 ) / ( 6,6 x 10-6 )

 λ = 1,6π x 1014 m
65
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

O que significa que o comprimento de uma Onda Gravitacional é muito


grande, muito grande mesmo!
Deveríamos procurá-la mesmo no final do espectro, logo a seguir às
Ondas Rádio … iríamos precisar de uma antena muito grande!!

66
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XIV

ESTABILIDADE ELECTRODINÂMICA DO ÁTOMO

“ Teoricamente possível,
infinitamente difícil. ”
- John Gribbin -

A maioria dos físicos contemporâneos acredita que actualmente existem dois


tipos de Física: a Física Clássica e a Física Quântica. E o que quer isto dizer?
Por exemplo, dizem que os electrões num átomo têm níveis energéticos
quânticos bem definidos e que isso explica a razão pela qual os átomos são
estáveis.
Depois, consolidam o seu raciocínio dizendo que, já a Física Clássica
obedece a princípios não quânticos.
Isto porque consideram que os electrões são objectos quânticos e que,
portanto, não partilham das propriedades da Física Clássica.
Reparem bem, para evitarem o paradoxo, definem o seguinte:
Cargas eléctricas aceleradas a um nível não quântico emitem radiação;
Cargas eléctricas aceleradas a um nível quântico não emitem radiação.
Portanto, dividem a Física em duas partes, a Física Quântica e a Física
Clássica, com propriedades distintas.
A meu ver, este é mais um erro crucial … a Física deste Universo, tanto
quanto sei, é única e uma só!

Parece que todos os corpos no Universo possuem uma velocidade circular


responsável pelo equilíbrio delicado da Natureza.
Será este tipo de velocidade, de alguma forma, privilegiada? Uma espécie de
Movimento de Ouro?!
Muito interessante este movimento circular. Se virmos bem, este tipo de
movimento parece estar presente em todas as estruturas principais do Universo.
Desde o átomo, à rotação das estrelas, à translação dos sistemas planetários, aos
cometas e ao movimento dos discos galácticos … tudo tem de estar em rotação
e em perfeita harmonia com esta aceleração circular!

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Será este O Movimento de Ouro? Esta força associada ao movimento


circular parece ser a única constante, tanto do Micro como do Macro Cosmos
… deveras interessante!
Contudo, as órbitas destes astros, bem com a dos planetas, não são
exactamente circulares. Essas órbitas são elípticas. E porquê que as órbitas são
elípticas?
Mais uma vez, aparentemente, parece que estamos a fazer uma pergunta
simples…
Saber que as órbitas são elípticas e que estão de acordo com as Leis de
Kepler; que as órbitas dos planetas são elipses com o Sol a ocupar um dos
focos; não significa que se esteja a explicar o porquê dessas órbitas serem
elípticas.
Porquê que a Natureza prefere órbitas elípticas em vez de perfeitamente
circulares. O que foi que tornou essas órbitas elípticas?!
Se a Força de interacção Gravitacional entre os planetas e o Sol só
dependesse da constante Gravitacional, das massas e das distâncias envolvidas
entre os corpos; então, uma vez que Força da Gravidade deve se distribuir de
uma forma igual e uniforme em todo o redor do Sol, distribuindo-se igualmente
para ambos os lados de acordo com a Lei do Inverso do Quadrado da Distância;
não deveriam as órbitas dos planetas ser circulares?
Pois, mas as órbitas são elípticas …
Imaginemos se a órbita fosse circular, que consequências é que isso traria?!
Como a Gravidade actua de acordo com a Lei do inverso do quadrado da
distância, de uma maneira geral sabemos que quanto mais distante mais fraca é
a interacção gravitacional; se a órbita de um planeta fosse circular este estaria
numa situação crítica e de risco, pois bastaria constatar que a parte do planeta
mais interna estaria sempre sujeito a uma atracção gravitacional maior, a parte
que estivesse menos distante do Sol seria constantemente mais atraída e bastaria
que o planeta se desviasse um milímetro da sua rota para que a Força
Gravitacional já fosse um pouco mais forte nessa órbita ligeiramente mais
interna e assim sucessivamente, isto conduziria a que todos os planetas, mais
cedo ou mais tarde, caíssem todos em espiral em direcção ao Sol!
E isto sem mencionar as restantes influências gravitacionais externas, que
tornariam o equilíbrio do sistema ainda muito mais precário.
Agora, refaçamos a pergunta: Porquê que as órbitas são elípticas?!
E concluímos com a seguinte resposta: Porque a Natureza é inteligente.

68
A VIAGEM NO TEMPO

A Natureza é muito inteligente, e sabe perfeitamente que uma órbita circular


não iria funcionar.
De modo a evitar este equilíbrio demasiado instável, a Natureza encontrou
uma solução melhor: tornou as órbitas elípticas!
Uma órbita elíptica tem as suas vantagens: Primeiro, este tipo de órbita
obriga a que a velocidade do planeta não seja constante. Quando o planeta está
a aproximar-se do Sol está a sentir a força gravitacional que o atrai e isto faz
com que o planeta ganhe aceleração, isto é, ganha mais velocidade, como tal,
transporta mais Energia Cinética e uma Inércia maior.
No momento em que o planeta se encontra mais perto do Sol ( periélio ), é
quando o vector velocidade se torna perpendicular à atracção gravitacional e
este atinge o valor máximo, bem como a inércia atinge o valor máximo, por
isso o planeta continua a sua rota mas agora para um ponto mais distante do Sol
( afélio ). Nesse percurso a velocidade do planeta vai diminuindo devido à
atracção gravitacional que o puxa para trás, reduzindo sucessivamente o grau de
inércia do astro viajante, até que a velocidade atinge um valor mínimo e o
planeta é obrigado a ceder, vendo-se impotente para combater a atracção
gravitacional imposta, por isso este retoma a sua trajectória para mais perto do
Sol e segue-se novamente o mesmo ciclo.
Este tipo de movimento é constante e praticamente eterno, como o
Movimento de um Pêndulo, e evita o colapso em espiral.
O segredo deste movimento traduz-se num ligeiro desequilíbrio e
desfasamento entre a Força Centrípeta ( onde a Gravidade puxa o planeta para
uma órbita mais interna ) e a Força Centrífuga ( onde a Inércia exige que o
planeta se afaste para uma órbita mais externa ).
Lembremos que num relógio de pêndulo a Energia Mecânica conserva-se e
o sistema é auto-suficiente, e não precisamos de estar constantemente a dar
empurrões ao pêndulo para que o relógio trabalhe.
Esta forma de movimento é quase mágica, perfeitamente constante e precisa.
É como uma máquina de movimento perpétuo, ou quase … só precisa que
alguém lhe dê o piparote inicial.
Passemos agora da Astrofísica para a Microfísica:
A Natureza permite muitas analogias, não fosse este o mesmo Universo.
Também dentro dos átomos há aceleração, bastante aceleração. Mas o que é
que permite o equilíbrio do sistema, a estabilidade Electrodinâmica de um
átomo e das suas partículas constituintes?

69
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Neste caso, praticamente podemos desprezar a atracção gravitacional. O que


mantém os electrões unidos ao núcleo é a influência electromagnética.
De uma maneira geral, podemos colocar o mesmo tipo de questão: se cargas
opostas se atraem e a força electromagnética entre protões e electrões é
atractiva porquê que os electrões não se precipitam em direcção ao núcleo?
Se adoptarmos o mesmo modelo da Gravidade, e concluirmos que dentro
dos átomos, os electrões não permanecem em órbitas circulares, e que estes
deslocam-se em torno do núcleo com velocidade e aceleração, poderíamos
pressupor que estes também encontraram a solução se descreverem „órbitas
elípticas‟.
Constata-se, de facto, que as órbitas tridimensionais dos electrões são
elipsoidais. Neste caso, as „órbitas elípticas‟ têm mais qualquer coisa a
acrescentar… estas „órbitas elípticas‟ são delineadas pelos „saltos quânticos‟,
que é o que desloca o electrão para mais perto e para mais longe do núcleo.
Actualmente, há duas grandes questões que muito inquietam os Físicos das
partículas.
A primeira, é saber porquê que cargas eléctricas aceleradas só emitem
radiação quando transitam de níveis energéticos, e quando se encontram no seu
estado fundamental não emitem radiação electromagnética;
A segunda, é perceber porquê que esta carga acelerada não esgota toda a sua
energia e radiação.
A primeira parte da questão é bastante simples de explicar; a segunda, já
requer um pouco mais de cuidado e abstracção.
Constata-se que a emissão de radiação electromagnética só ocorre quando o
electrão transita para um nível energético inferior. Somente no nível energético
fundamental é que o átomo recupera o seu estado natural e de equilíbrio e aí já
não emite radiação electromagnética. Até aqui está tudo certo.
O problema agora consiste em perceber porquê que este electrão acelerado
em torno do núcleo, no seu estado fundamental, não emite energia de radiação.
Talvez o problema esteja em continuarmos à procura da energia errada!
Muito embora o átomo no seu estado fundamental não emita energia
electromagnética, não podemos nunca esquecer que este átomo continua a
emitir energia … outra forma de energia … Energia Gravitacional, ou mais
precisamente Radiação Gravitacional!
Poderíamos especular que a Transição Quântica emite Ondas
Electromagnéticas;
E que a Estabilidade Quântica emite Ondas Gravitacionais.
70
A VIAGEM NO TEMPO

Isto resolveria o nosso problema de que cargas aceleradas emitem


continuamente radiação. O átomo não deixaria de emitir radiação, apenas emite
duas formas de radiação! A Radiação Electromagnética e a Radiação
Gravitacional!
Ondas de energia em forma de Radiação Gravitacional …
Agora, a segunda parte da questão:
Imaginemos primeiro um núcleo atómico que precisa de ser protegido do
exterior. A sua blindagem é feita envolvendo o núcleo com uma electrosfera de
carga negativa. Esta electrosfera protege o núcleo do bombardeamento
constante de partículas externas e energéticas como os fotões.
Um fotão pode surgir de todas as direcções, e é por isso que a Densidade de
Carga Negativa tem de estar distribuída por toda a parte em redor do núcleo.
Nesta forma, os electrões não estão propriamente localizados, concentrados em
partículas, a sua densidade de carga está distribuída e expandida quase que
uniformemente a envolver o núcleo. Por isso é que se pode dizer que os
electrões estão em todo o lado e em lado nenhum … têm o dom da ubiquidade!
Mas sempre que um fotão colide com esta electrosfera, o que é que
acontece?
A electrosfera absorve energia.
E quando a electrosfera absorve energia o que é que acontece?
Agora … a parte mais abstracta: Materializa o electrão nesse ponto e isto
impulsiona-o para um nível energético superior. Com a absorção de energia
ocorre a concentração da carga e isto permite com que o electrão ganhe
liberdade e energia suficiente para se distanciar e repelir do núcleo, isto é, o
raio do átomo altera-se tornando-se maior.
Note-se que, a absorção de energia não altera o valor da carga do electrão,
esta apenas excita a partícula, tornando-a mais energética, pois a carga eléctrica,
como sabemos, é uma Constante Fundamental e Universal.
Se o raio do átomo altera-se mas a quantidade de carga negativa é a mesma,
(podemos relacionar que o átomo continua com o mesmo número de electrões)
mas esta está mais expandida, logo, a densidade de carga por unidade de
volume é menor. A carga periférica tem mais liberdade, pois não sente tanta
atracção eléctrica mas simultaneamente tem menos densidade e energia
insuficiente para se desprender e abandonar o átomo, para desertar. É aí que
entra novamente a atracção electromagnética que começa a fazer-se sentir, pois
esta força também trabalha da mesma forma que a Lei do inverso do Quadrado
da Distância e a força dos protões vai atraindo a carga negativa externa,
71
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

reduzindo o raio do átomo para um valor menor e concentrando a densidade de


carga negativa.
Durante este processo os electrões vêm-se impotentes para fugir à atracção
do núcleo e rendem-se; enfraquecem e perdem inevitavelmente a energia extra
adquirida emitindo para o exterior radiação electromagnética na forma de
fotões; e eis que um novo fotão colide com o átomo e inicia-se novamente o
mesmo processo… ad infinitum!
O fotão sai … o fotão entra; é energia que sai … é energia que entra; este
processo repete-se de uma forma constante, vai e volta … tal como um
pêndulo!

Antes de finalizarmos o nosso tema de Radiação Gravitacional, pretendo dar


destaque a uma simples experiência bastante comum e quase banal.
Vamos pensar no que acontece quando aquecemos gradualmente um objecto
qualquer, uma peça de metal, por exemplo.
O que estamos a fazer é a fornecer energia ao metal. O que acontece no
interior dos átomos do metal é que os electrões absorvem esta energia e isso
provoca a agitação dos próprios electrões. Uma vez que a radiação
electromagnética é produzida sempre que se agita cargas eléctricas, isto é,
sempre que se acelera os próprios electrões, o metal começa a transmitir
radiação electromagnética na forma de irradiação de calor, ou mais
precisamente, radiação infravermelha, e por isso aquece. Se continuarmos a
aquecer o metal, antes de aparecer qualquer radiação visível o metal aquece um
pouco mais e as suas partículas começam a vibrar um pouco mais depressa.
Com o aumento de energia aumenta também a frequência, até que chega a um
ponto em que o metal começa a emitir luz visível. Se continuarmos a fornecer
energia, a luz visível, inicialmente vermelha, passará para amarela depois para
branco e, finalmente, azul rubro.
Até aqui, nada de novo. Tudo parece bem …
Ao iniciarmos o aquecimento do metal estamos a provocar a agitação dos
vários electrões constituintes do material, e estes adquirem energia suficiente
para produzir quanta de baixa energia e grandes comprimentos de onda na
forma de radiação infravermelha. Posteriormente, com a continuidade do
aquecimento, deve verificar-se que já existe energia suficiente para que se
comece a libertar alguns quanta de média frequência e comprimentos de onda
médios, e apenas será libertada alguma radiação de energia média, isto é, a luz
visível. E finalmente começam a aparecer poucos quanta de grande energia e de
72
A VIAGEM NO TEMPO

elevada frequência, responsáveis pela libertação de comprimentos de onda


curtos, ou seja, da radiação ultravioleta.
Este seria o processo lógico. Contudo, muito embora existam bastantes
electrões capazes de produzir quanta de baixa energia e comprimentos de onda
longos, constatamos que isso não se verifica! Há muito pouca emissão de
radiação de baixa energia!
Esta extraordinária subtileza escapa a qualquer explicação teórica.
Olhemos atentamente para o seguinte gráfico:

Fig. 5 - Radiação emitida por um objecto quente -

Este gráfico traduz a emissão de radiação de um corpo, e no qual


esperaríamos encontrar uma grande emissão de radiação de baixa frequência …
olhamos para o gráfico e praticamente não encontramos a emissão desses
grandes comprimentos de onda! Que estranho! Ninguém acha isto estranho?!
Parece que está a faltar radiação! Para onde foi a energia absorvida?!
Se supostamente há mais electrões com energia suficiente para emitir esses
comprimentos de onda longos, porquê que isso não se verifica?! Onde estão os
longos comprimentos de onda?!

73
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Parece que os electrões têm uma certa dificuldade em produzir elevados


comprimentos de onda, e consecutivamente, baixas frequências.
De acordo com a constante de Planck, a energia mínima possível terá um
valor de 6,626 x 10-34 J.s, onde o Joule é uma medida de energia por segundo, e
este valor é realmente muito pequeno.
Há uma energia mínima. E porquê que há uma energia mínima?! Não
deveria a emissão desta energia electromagnética começar a partir do valor
zero?! Mas não … há uma energia mínima. Curioso … subtil mas curioso…
O que se verifica na prática é que, o início da emissão de ondas
electromagnéticas começa a partir de um valor mínimo de energia … que é a
constante de Planck.
Abaixo deste valor, não é possível emitir Energia Electromagnética … mas
é possível emitir outra forma de energia, cujo valor está na ordem de 10 -38 ou
10-40 … essa energia é a Energia Gravitacional!
Os longos comprimentos de onda, as baixas frequências, não estão na forma
de Radiação Electromagnética … estão na forma de Radiação Gravitacional!
Estas são as pequenas mensagens subtis que a Natureza nos oferece. E é por
isso que a Gravidade é a mais fraca de todas as Forças … mais uma vez, na
Natureza não há Lei do Acaso … pessoalmente não acredito que na Natureza
exista indeterminismo ou leis do acaso. Parece-me que tudo é resultante de uma
relação causa-efeito de eventos anteriores, e tudo parece estar intencionalmente
organizado com um sentido e aplicação prática.
A Física transporta-nos para conclusões e reflexões cada vez mais
interessantes e surpreendentes, que dotam a Natureza de uma enorme
inteligência funcional!
Tudo funciona na perfeição …

74
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XV

TEORIA QUÂNTICA DA GRAVIDADE

1. REDEFINIÇÃO DE MASSA E DE GRAVIDADE

“ A experiência mais bela é o encontro com o desconhecido.”


- Albert Einstein -

Massa!!
Nem mesmo os físicos das partículas medem a massa de um electrão …
digamos … com balanças, isto é, em quilogramas, ou em Newtons, ou em
qualquer uma das unidades de massa ou de peso. Dizem, por exemplo, que a
massa em repouso do electrão é 0,511 MeV, isto é, milhões de electrão-volt,
que é uma medida de quantidade de energia!
As massas das partículas subatómicas são assim expressas em unidades de
MeV / c2, habitualmente encurtado para MeV. E diz-se, por exemplo, que a
massa de um protão é de 939 MeV.
Esta quantidade de energia é a que seria produzida e libertada se
eventualmente a massa do protão fosse destruída e aniquilada na totalidade.
De acordo com a equação de Einstein, a energia libertada por uma ínfima
quantidade de massa seria gigantesca: E = m.c2
Olhando para esta equação vê-se que é suficiente multiplicarmos uma
quantidade mínima de massa por c2 para se obter uma enorme quantidade de
energia.
Mas a matéria ainda guarda muitos segredos para os cientistas que,
insistentemente, tentam desvendar o mecanismo pela qual as mais ínfimas
partículas dos átomos são dotadas de Massa. Continuam a sondar e a tentar
descobrir qual é a unidade mínima de matéria, ou qual o mecanismo que atribui
a propriedade de massa; pois sempre se considerou a massa como uma
propriedade intrínseca da matéria. Muito interessante … mas o que é a Massa?
De facto, os átomos e a matéria consistem em partículas carregadas
electricamente, como tal, deveriam ser considerados como, pelo menos, uma
parte do próprio campo electromagnético.
Atrevo-me mesmo a dizer que seria desejável, e até antes, dar como
preferência uma teoria que fizesse aparecer o Campo de Gravitação e o Campo
75
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Electromagnético como sendo da mesma natureza! Manifestações diferentes de


um mesmo fenómeno subjacente!
Uma vez assumida que a Força da Gravidade é uma força de radiação, talvez
esse processo seja agora mais fácil visto que nos libertámos de um grande
preconceito!
Poderíamos começar a nossa investigação com a seguinte pergunta:
O que é que têm em comum todas as partículas com massa?
Que partículas estáveis com massa é que conhecemos?
Passemos à sua identificação: Protões, Neutrões, Electrões … Quarks…
alguns bosões …
Qual é a variável comum em todas estas partículas?!
Olhando atentamente, por mais estranho que possa parecer, todas estas
partículas têm uma variável comum que é … carga!
Todas as partículas dotadas de massa têm de ter carga na sua constituição?!
Curioso … Esta poderia ser a nossa 1ª evidência …
Os protões têm carga positiva; os electrões têm carga negativa; os neutrões
têm carga resultante neutra, uma vez que são constituídos por quarks de carga
fraccionária. E o átomo em si, também é constituído por cargas, cuja soma total
está nas contribuições de todas estas partículas que se traduz numa carga
resultante neutra. Os átomos têm carga eléctrica neutra. E os átomos têm massa.
Podemos considerar que os fotões e os neutrinos não têm carga na sua
constituição, logo, não têm massa.
Parece que a massa não consegue existir sem a presença de carga … que
estranho! Será esta a variável correcta? … ou talvez não! … mas é uma boa
pista.
Haverá aqui alguma hipótese de relação e unificação entre Campo
Electromagnético e Campo Gravítico?! Sendo a Gravidade uma força de
radiação, de que forma é que isto confere atracção gravitacional entre os corpos,
e em que medida é que isto atribui massa à matéria? E que relação tem a carga
com a massa no meio disto tudo?! … muito confuso…
Bom, talvez fosse melhor começarmos com um assunto de cada vez mas …
se reflectirmos bem no que tem estado a acontecer nas últimas três décadas, a
unificação da teoria da Gravidade com o Electromagnetismo tem-
-se manifestado bastante incompatível, por isso, é provável que alguma destas
teorias não esteja assim tão correcta como se pensa!
Mais uma vez, comecemos pelo início:

76
A VIAGEM NO TEMPO

Eu paro nesta equação, a Lei de Newton ou da Força Gravitacional entre


duas massas:

Fg = G. m.m / r2

E depois nesta, Lei de Coulomb ou da Força Eléctrica entre duas cargas:

Fe = K. Q.Q / r2

Como podem verificar, até aqui não há qualquer segredo!


Ambas estas teorias descrevem, com sucesso, fenómenos aparentemente
independentes.
Optando por uma das equações, poderíamos começar por verificar a
veracidade da Lei de Newton.
Comecemos então com a nossa análise rigorosa.
Esta parte da equação da lei da Gravidade: m.m./r2 , já vimos anteriormente
que está incorrecta, uma vez que nos conduz a uma indeterminação … ao
problema dos infinitos, pois quando r = 0 → Fg = ∞.
E a outra parte? A constante Gravitacional G … o que é G? É uma
constante, pois … mas constante de quê?! … Constante que relaciona as
massas?! Mas o quê, propriamente, entre as massas?
Teoricamente, a descrição desta constante é definida do seguinte modo:
A constante de proporcionalidade G, é uma constante Universal da Natureza
que descreve a intensidade e proporção da Força com que duas massas se
atraem mutuamente; e que esta toma o mesmo valor para todos os corpos, seja
qual for a composição destes, isto é, é independente dos elementos químicos
constituintes, da densidade, do peso … da própria constituição da massa ou da
matéria!
Uma constante que descreve a interacção entre duas massas é independente
da própria massa?! … Curioso …
Mas também podemos abordá-la de outra forma, dizendo que é uma
constante entre as forças de atracção …
Ah! Assim sim, isso já é diferente.
Com base nas observações de Galileu, este verificou que a aceleração dos
corpos em queda livre não depende da sua massa. Quer isto dizer que,
desprezando a força de atrito, os corpos podem possuir massas diferentes e

77
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

pesos diferentes, no entanto, ambos os corpos caem à mesma velocidade,


porque a aceleração é a única constante … muito interessante.
O valor desta constante gravitacional é G = 6,6742 x 10-11 N.m2/Kg2 ou,
ainda na sua notação oficial G = 6,6726 x 10-11 m3/Kg.s2 ( cujas unidades se
referem ao cubo da distância, dividida pela massa multiplicada pelo quadrado
do tempo ) e foi adquirida experimentalmente por um aparelho concebido por
Sir. Henry Cavendish em 1798, a balança de torção.
O processo foi o seguinte: coloque-se dois objectos, ou duas massas
esféricas, suspensas por um fio mas unidas como um haltere feito de uma haste
muito leve. Depois, coloque-se por baixo e perpendicularmente outro haltere
fixo constituído por esferas mais pesadas e de maior volume.
Após isso, tenta-se verificar qual é a atracção gravitacional que surge
quando se aproxima as esferas. O fio que suspende as esferas pequenas é
obrigado a torcer devido à atracção gravitacional causada pelas esferas maiores,
fazendo um ângulo em relação ao eixo de origem. A amplitude desse pequeno
ângulo de rotação é medida e relacionada com a força de atracção.
A experiência, na prática, requer mais alguns artifícios, no entanto, a ideia
base é esta e a conclusão é a seguinte:
Que a força de atracção gravitacional é relativamente fraca e que, por
exemplo, na prática tem-se que duas massas de uma quilo cada uma, colocadas
à distância de um metro em relação aos seus centros de gravidade, sentem uma
força de atracção de 6,67 x 10-11Newtons.
Basta substituir m = 1 e r = 1 na equação da Gravidade para se obter o valor
da força medida. Daí postular-se um valor mínimo para a atracção gravitacional
e introduz-se G na equação … que é um valor de Força!
Uma força mínima, muito pequena, mas ainda assim é o valor resultante da
força de atracção entre duas massas de um quilo separadas por uma distância de
um metro. Não me parece que se possa considerar isso como uma constante
universal …
Mas deu-se um jeitinho e introduziu-se G na equação que, grosso modo,
funciona … muito conveniente!
Mas a verdade é que não funciona assim tão bem. O que se constata na
prática, é que a constante gravitacional G permanece bastante difícil de
determinar.
A mais antiga constante da Física, a constante universal da Gravidade, tem
demonstrado ser, de longe, a constante mais difícil de determinar com boa
precisão.
78
A VIAGEM NO TEMPO

Normalmente, todas as outras constantes físicas universais conseguem ser


medidas com uma precisão que vai até às oito casas decimais, ou mais; para G,
as diferenças surgem logo após a terceira casa decimal, às vezes até antes!
O erro na medição de G é tão grande que é demasiado alto para ser usado em
estudos sobre Gravidade e em explorações espaciais. Por isso, usa-se como
referência um outro corpo celeste de massa „m‟ elevada e assim obtém-se, na
prática, um novo G!
Os resultados experimentais não coincidem e por isso pensa-se e deduz-se
que o problema está nos aparelhos de medição. Depois surgem novos
pesquisadores, com novos aparelhos de medição mais modernos e mais
sofisticados, aventuram-se na medição de G e … mais uma vez, obtêm valores
diferentes.
Esta situação faz-me lembrar a história inversa de „c‟, em que repetidamente
se pretendia obter valores diferentes para a velocidade da luz mas,
insistentemente, esta permanecia sempre constante. Agora está-se a assistir ao
contrário, em que insistentemente se procura o mesmo valor para G e são
encontrados sempre valores distintos!
Este valor insiste em ser impreciso e inconstante e a verdade é que até hoje
não se sabe com precisão o seu valor!
Pensa-se que o problema está nos aparelhos de medição que não conseguem
medir esta constante com a precisão devida.
Por outro lado, poderíamos tentar uma outra abordagem e tentar aceitar e
assumir as evidências. E quais são as evidências?!
Deixo-vos a reflectir.
Entretanto vejamos como, com umas pequenas experiências e uns cálculos
simples, podemos esclarecer e clarificar um pouco mais as anomalias da
Constante Gravitacional.
Um trabalho intitulado “ Geophysical evidence for non-newtonian gravity”
publicado em 1981 por F.D. Stacey e G.J.Tuck, desenvolveu medições de G
abaixo do nível do mar, no fundo de minas.
O que se constatou nestas medições foi que espantosamente a constante
gravitacional G apresentava valores até 1% superiores aos oficiais, ou seja,
superior às medições que são realizadas em laboratório à superfície da Terra.
Sendo que, quanto maior a profundidade, maior era o valor encontrado para G!
O que significa que a força de atracção entre as duas esferas já não é a
mesma, é diferente. Isto é, a força de Newton será maior à medida que se
aumenta a profundidade … para as mesmas esferas … à mesma distância!
79
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Se a massa é uma medida do número de átomos da esfera e se a quantidade


de massa permanece igual, tanto das esferas como no planeta Terra, porquê que
a atracção gravitacional é diferente?
A mesma experiência de Cavendish conduz a resultados diferentes! Qual é a
variável na experiência? Não é a massa com certeza.
Continuamos ainda com tanta certeza de que a atracção gravitacional é uma
função das massas?!
Outro trabalho publicado em 1924 por Charles F. Brush, denominado:
“Some new experiments in gravitation”, mostra-nos fotograficamente que
corpos metálicos com átomos mais pesados e densos tendem a ter maior força
de atracção gravitacional e a cair mais rapidamente, do que corpos com a
mesma massa, porém, menos densos ou de menor número atómico. Esta
diferença é mínima mas mensurável.
Mais uma anomalia de G?!
Esta nova anomalia leva-nos a introduzir novamente a seguinte observação:
que a quantidade de carga, número de electrões constituintes do átomo, tem
influência na quantidade de massa existente ou na quantidade de campo
gravitacional produzido. Mas como?!
Finalmente, a experiência mais enigmática de todas, que desafia por
completo a consagrada validade da Lei da Gravidade.
Em 1798, Henry Cavendish teve a curiosidade de realizar a experiência da
balança de torção mas de um modo ligeiramente diferente. Enquanto media a
constante da gravidade resolveu aquecer, com fogo, ambas as esferas.
Espantosamente, verificou que a força de atracção entre as duas esferas
aumentava consideravelmente, isto é, determinou um valor para G bastante
superior!
Esta experiência vem desafiando a Física Clássica há mais de 200 anos! E os
esforços para explicar este fenómeno têm sido em vão ou muito pouco
convincentes.
Afinal, o que é que está a gerar mais Gravidade? Mais uma vez, vou repetir
… Não é a massa, com certeza!
Os avanços em ciência nem sempre se fazem para a frente, muitas vezes
parece que estamos a andar para trás …
Agora, repito a pergunta: quais são as evidências?
A evidência é, obviamente … que G não é uma Constante Universal!
Esta é a 2ª evidência: A Força da Gravidade que tanto se apoia na constante
gravitacional G, a Constante Universal da fórmula de Newton, esta nem sequer
80
A VIAGEM NO TEMPO

é uma constante, mas sim uma variável, um parâmetro de local, que pode tomar
valores e resultados sempre distintos, consoante o local e as condições externas
em que está a decorrer a medição.
Devo relembrar-vos que as Constantes Universais são as referências do
Cosmos. Como tal, uma constante universal não se altera, não varia, é universal
porque é válida para todo o Universo. E é, seguramente, independente das
condições externas e do local de medição.
A evidência experimental de que G varia, é porque esta não é uma
propriedade inata ou fundamental da massa, e é a prova de que a constante
gravitacional G não é, certamente, uma Constante Universal!
Sem pretender complicar, temos de aceitar os factos! Por muito que estes
nos pareçam contraditórios …
No entanto, assumindo que não existe uma constante gravitacional universal,
ainda assim existe uma constante aparente do local.
Provavelmente este valor aproximado de G surge-nos como um efeito, uma
consequência, uma relação entre outras propriedades inerentes às massas.
Resta-nos indagar, quais poderão ser essas outras propriedades.
Antes de prosseguirmos, gostaria de deixar-vos uma outra observação acerca
da Lei da Gravidade, que é a seguinte:
Imaginemos um astronauta, por exemplo. Sabemos que um astronauta na
Lua não tem o mesmo peso que na Terra, nem tem o mesmo peso que em
Júpiter. Isto porque, em Júpiter as extremas forças gravitacionais tendem a
compactar a matéria e um astronauta aí colocado sentiria o seu corpo a pesar
cada vez mais até querer colapsar sobre si próprio, e o seu peso teria um valor
quase três vezes superior ao da Terra, um peso impossível para o organismo
humano conseguir suportar.
Ainda bem que temos consciência de que não podemos enviar expedições
tripuladas a Júpiter. No entanto, já enviámos astronautas à Lua. E por esta
ordem de ideias, poderíamos supor o inverso. Sabemos que um astronauta na
Lua pesa, sensivelmente, menos um sexto que na Terra, e por isso diz-se que
está exposto a menos influências gravitacionais, que é a razão pela qual o seu
peso é menor nesse local. No entanto, apesar de estar sujeito a menos
influências gravitacionais, o seu corpo não de expande, não dilata, não muda de
forma! A geometria do corpo mantém-se.
A geometria do corpo mantem-se …
O que acabei de dizer pode parecer uma ideia irracional, até porque sabemos
que os átomos são minimamente estáveis, independentemente da intensidade da
81
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Gravidade. Isto implica que as forças internas dos átomos tendem a adequar-se
a cada local, de modo a que o micro sistema atómico se mantenha estável. A
estabilidade de um átomo depende directamente do equilíbrio dessas forças
internas.
Não obstante a influência que existe nas ligações inter-atómicas e energias
de ligação moleculares e covalentes, que provavelmente entrarão em maior
esforço para manter a estabilidade atómica e o equilíbrio do organismo, uma
vez que tolerar a ausência de Gravidade deve requer um esforço muito grande
por parte do organismo do astronauta; não podemos deixar de considerar que há
realmente um factor que foi alterado: a atracção gravitacional.
Na prática, o que se observa é o seguinte:
1º A Quantidade de Massa = Mantém-se => Porque a massa é uma medida
do número de átomos, e mantém-se o mesmo número de átomos;
2º O Peso = Altera-se => O peso altera-se consideravelmente, porque a
massa está exposta a um menor fluxo „gravitacional‟;
3º A Forma = Mantém-se => Porque verifica-se que a atracção gravitacional
do corpo não se altera consideravelmente.
Novamente: a atracção gravitacional não se altera consideravelmente mas o
peso altera-se bastante … curioso … subtil mas curioso!
O que leva a supor que a atracção gravitacional é bastante independente do
peso, uma vez que o peso altera-se substancialmente mas a forma não. Afinal
podemos voltar a colocar a questão: o que é a Gravidade?
Pensamos que esta força é o que transmite peso e obrigatoriamente forma.
Mas como podemos constatar, estas duas propriedades das massas não parecem
estar directamente relacionadas …
Não estou a querer confundir conceitos, mas parece-me que há aqui qualquer
coisa que se pretende disfarçar muito bem!
Estamos assim tão seguros de que peso e atracção gravitacional são uma e a
mesma coisa?!
Esta Lei da Gravidade está a ficar cada vez mais complicada!
Em breve veremos uma luz ao fundo do túnel …
Se a Gravidade é uma força sobre massas, então deve ser uma força muito
especial, porque não permite muitas analogias. Por exemplo, quando um gás
está sujeito a enormes forças de pressão, tem tendência a compactar;
analogamente, se esse gás for exposto a uma pressão menor, tem tendência a
dilatar. As forças que estão a actuar sobre o gás variam, logo, o gás muda de
forma. Certo?!
82
A VIAGEM NO TEMPO

Mas, no nosso caso, a Gravidade não muda a forma, nem mesmo quando as
forças que estão a actuar sobre as massas são suprimidas ou têm diferenças
consideráveis! Podem não estar de acordo, mas eu acho isto um pouco
estranho! Estranhíssimo! Que tipo de força é esta?
Muito embora se considere a Gravidade como uma Força de Campo, há que
realçar, inevitavelmente, uma 3ª evidência: que a Gravidade não é,
inquestionavelmente, uma Força Mecânica ou de contacto.
Aquilo a que habitualmente designamos por Força da Gravidade não pode
ser uma propriedade universal da massa. Esta força associada à atracção não é
proporcional à quantidade de massa de cada corpo, mas sim a uma outra
propriedade da matéria!!
Sem querer causar indiscrição, e com todo o respeito e admiração que presto
ao Sir. Isaac Newton, eu diria que a Teoria da Gravidade está a perder pontos
… muitos pontos. Por isso, seria preferível mantermos como referência a Teoria
do Electromagnetismo.
Agora é que parece que vou mesmo ter de dizer algo completamente
absurdo. Oiçam bem: Se a Gravidade não é uma força mecânica, que tipo de
força é que poderá ser? Mais uma vez, não sobram muitas hipóteses … só pode
ser uma força de campo … uma força de radiação … electromagnética!
Tentem acompanhar o meu raciocínio e mais uma vez, sem preconceitos.
Se a Gravidade não é sinónimo de massa e nem sequer é sinónimo de peso,
então, a única coisa que podemos dizer com alguma certeza é que a Gravidade é
uma força de atracção entre átomos.
Estão todos de acordo?!
Pois bem, sendo a Gravidade uma força de atracção, que outras forças de
atracção é que conhecemos na Natureza?
Olhemos para o Magnetismo. Este fenómeno conhecido há séculos mostra--
nos como dois ímanes se podem atrair tão rapidamente em função de uma força
misteriosa que os une. Haverá alguma força mais atractiva do que esta?! Em
que consiste este magnetismo?
Os campos magnéticos estão por toda a parte, produzidos naturalmente, bem
como produzidos artificialmente. O maior campo magnético natural que nos
envolve é aquele que é criado pelo próprio planeta Terra, o campo magnético
terrestre. Outras manifestações desta atracção magnética estão presentes em
pequeno ímanes.
Os campos magnéticos também podem ser produzidos artificialmente,
sempre que aparelhos eléctricos estão em funcionamento. Mas o Homem não
83
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

consegue sentir directamente esse magnetismo, é uma força invisível que actua
discretamente através do espaço vazio e sem se fazer notar …
Os efeitos magnéticos são um subproduto, uma manifestação de uma força
fundamental, que resulta do comportamento eléctrico entre partículas com
carga.
Todas as partículas que contenham cargas em movimento criam campos
electromagnéticos. Não existem cargas magnéticas isoladas. O magnetismo é
uma consequência do movimento de cargas eléctricas. Sejam estas partículas
electrões, protões, átomos ou planetas, todos estes criam campos magnéticos.
Todas as partículas têm o seu próprio campo magnético, resultante do seu
movimento de rotação, contudo, também poderá surgir um outro campo
adicional, caso a partícula possua também uma velocidade de translação.
Sempre que há movimento, há campo magnético.
Até os próprios neutrões possuem campo magnético. Mesmo sendo estas
partículas electricamente neutras, estas não deixam de ser constituídas por
quarks com carga fraccionária, como tal, também estas criam campos
magnéticos.
Podemos concluir que todos os átomos têm o seu próprio campo magnético
e que a intensidade deste campo também diminui de acordo com o inverso do
quadrado da distância, conforme estabelece a teoria do electromagnetismo.
Uma das propriedades dos objectos em rotação designa-se por momento
angular, que é uma medida da quantidade de movimento de rotação. Uma
particularidade do momento angular é que essa força pode ser transferida.
Por exemplo, se estivermos sentados e parados num banco giratório e ao
mesmo tempo seguramos numa roda de bicicleta na horizontal, de modo que o
seu eixo permaneça na vertical; se pusermos esta roda a girar e começarmos a
inverter o seu eixo de inclinação, surpreendentemente, nós também
começaremos a rodar na nossa banqueta giratória. Isto porque o momento
angular pode ser transferido … interessante!
De volta ao átomo. Neste caso temos partículas que estão constantemente
em rotação e por isso geram também um momento angular intrínseco, no
entanto, uma vez que todas estas partículas possuem carga na sua constituição
interna, para além de gerarem um momento angular geram também um
momento magnético. Uma vez que o momento magnético é uma grandeza
vectorial, e supondo que estes vectores magnéticos estão sempre alinhados,
podemos especular que o momento magnético de um átomo é a soma vectorial

84
A VIAGEM NO TEMPO

de todas essas pequenas contribuições, de forma que o momento ou campo


magnético produzido por um átomo é uma constante.
São os momentos magnéticos intrínsecos das partículas que dão lugar a
efeitos macroscópicos de magnetismo. O momento magnético de um sistema é
uma medida da intensidade dessa fonte magnética. É uma quantificação do
magnetismo interno do sistema. Essa fonte magnética é gerada pelas partículas
constituintes do átomo, que existem em igual número de protões neutrões e
electrões, cuja razão é sempre proporcional e constante, salvo excepções.
Cada átomo cria um campo magnético, cada conjunto de átomos cria um
campo magnético um pouco maior, e aglomerados cada vez maiores de átomos
criam campos magnéticos ainda maiores.
A existência deste campo magnético ínfimo e subtil que cada átomo produz,
traduz-se simplesmente numa atracção magnética, como um pequeníssimo
íman. Mas infelizmente, o campo magnético gerado por um átomo é bastante
fraco. De acordo com a teoria do electromagnetismo a sua magnitude e alcance
enfraquecem com a distância e desta forma podemos considerar que o campo
magnético produzido por um átomo é praticamente negligenciável e como tal
não podemos considerar que esta força seja responsável por uma atracção
universal da matéria.
É certo que este campo é extremamente fraco para conseguir contactar com
outro átomo mais distante e atraí-lo … mas talvez nos falte enquadrar neste
modelo mais uma variável que faz toda a diferença …
É agora que passamos a considerar o fenómeno electromagnético do
macrocosmos. A interacção electrão-fotão produz o Electromagnetismo. Esta
radiação electromagnética é produzida para o exterior do átomo, para o
macrocosmos. A emissão desta radiação é então difundida por todo o espaço à
velocidade da luz.
A teoria que pretendo demonstrar é a seguinte: A emissão do campo
Electromagnético não vai sozinha. Juntamente com esta associa-se um outro
campo, o campo magnético do próprio átomo. Penso que, de alguma forma, o
momento magnético do pequeno átomo é transferido através do
electromagnetismo para o macrocosmos, e esta força de atracção, apesar de
ínfima, consegue atingir distâncias infinitas.
Se em Física Clássica o momento angular cinético é transferido, o momento
magnético também pode sê-lo.
E este seria o fenómeno responsável por causar a Gravidade!

85
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Uma experiência muito simples mostra-nos que o desdobramento do


espectro químico do Hidrogénio tem duas linhas muito finas, em vez de uma
risca única. O que são estas duas riscas? A resposta dos físicos é ainda um
pouco inconclusiva, contudo, podemos considerar que esta falha no espectro
está relacionada com o momento magnético do electrão ou do próprio átomo.
Suponho que estas duas linhas mostram que existe a absorção de duas fontes de
radiação, a radiação electromagnética e a radiação gravitacional.
Estas duas riscas podem demonstrar o resultado evidente da existência de
absorção e emissão de uma dupla radiação: de um campo magnético interno
(fonte gravitacional) e de um campo electromagnético externo (fonte
electromagnetismo clássico), trocados e difundidos continuamente por todo o
espaço à velocidade da luz.
A emissão deste novo campo gravitacional obedece sempre a um valor
constante, uma vez que em cada átomo a proporção das partículas constituintes
fundamentais e a quantidade de carga é, de um modo geral, sempre constante e
equivalente. A razão do momento magnético é, portanto, uma constante …
muito interessante …
A vantagem desta nova Teoria da Gravidade é que esta constante de atracção
não tem de ter necessariamente um valor fixo, pode ser variável. Vejamos
como: a fabricação de pequenos ímanes artificiais pode ser feita expondo um
material diamagnético a um campo electromagnético externo e intenso.
Conforme a intensidade do campo externo, obtém-se um íman com mais ou
menos magnetização. Isto é, se pretendemos um íman mais forte, mais
magnetizado, basta sujeitar o material a um campo electromagnético mais forte.
E sabemos que um campo electromagnético é mais intenso quanto mais rápida
for a sua variação.
Agora, de volta ao macrocosmos. Se considerarmos um planeta ou uma
estrela em que a sua velocidade de rotação é mais elevada, isto traduz-se na
produção de campo electromagnético externo mais forte.
A subtileza da Gravidade consiste no seguinte:
Se o astro se expõe a ele próprio a um campo electromagnético mais forte,
mais intenso, acontece a mesma analogia dos nossos pequenos ímanes
artificiais, ou seja, intensifica o próprio campo magnético interno do sistema, o
que na prática traduz-se num aumento da constante gravitacional!
O mesmo se aplica à experiência de Cavendish. Ao aquecermos as esferas
estamos a transferir energia cinética aos electrões, e como consequência estes
agitam-se mais rapidamente e intensificam o valor do campo electromagnético
86
A VIAGEM NO TEMPO

externo e, consequentemente, o campo magnético interno, ou seja, a „constante‟


G aumenta inevitavelmente!!
Para além disto há que acrescentar que a magnetização é um fenómeno que
só é possível porque produz o alinhamento dos domínios.
No nosso caso, quais serão esses domínios das partículas da Natureza?
Há uma propriedade curiosa na matéria que tem passado um tanto ou quanto
despercebida, porque de facto, ninguém sabe muito bem para quê que serve: a
propriedade consiste no enigmático e misterioso Spin.
Porquê que a Natureza precisaria de criar esta propriedade? Todas as
partículas têm um spin definido, e é uma característica que a matéria possui que
não se consegue alterar. O spin, relaciona-se com o sentido do eixo do
movimento de rotação, ou momento angular intrínseco de uma partícula, e é
uma das propriedades quânticas mais intrigantes da Física. Até ao presente
momento ainda não há uma interpretação física convincente que explique esta
função.
Curiosamente, toda a família dos fermiões, que inclui a matéria estável e
instável, possui o mesmo spin. Interessa-nos, particularmente a parte estável
desta família, a matéria comum que nos rodeia.
Muito espantosamente, ainda ninguém reparou que todas as partículas com
massa estáveis têm todas uma propriedade idêntica: Spin ½.
Os electrões têm spin ½; Os quarks também têm spin ½ , que são os
constituintes do núcleo; Por consequência, também os protões e neutrões têm
spin ½ ; Logo, todos os átomos possuem spin ½ .
Este spin idêntico para estas partículas implica que todas elas giram com a
mesma direcção em torno do mesmo eixo virtual universal. Todas as partículas
de matéria efectuam um movimento de rotação da mesma forma, de modo que
o spin associado a este movimento corresponde sempre ao módulo de ½ … E
assim tem-se o alinhamento dos domínios.
Perfeito! Os campos magnéticos de todas estas partículas distintas
relacionam-se com um alinhamento universal de acordo com o seu spin, que é
sempre igual ao módulo de ½ , e comportam-se como pequenos ímanes com
dois pólos, a única variação que podem ter é um spin de +1/2 ou -1/2 para poder
permitir a combinação dos dois pólos, digamos, juntar um pólo Norte com um
pólo Sul.
O momento magnético resultante, é a soma total de todas essas contribuições
individuais de cada partícula, que é sempre uma razão relativamente constante
do momento magnético por unidade de volume. De tal forma que o momento
87
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

magnético final é sempre constante e sempre proporcional à quantidade de


massa que produz esse magnetismo A constante G surge então como uma
constante de atracção magnética.
O Spin é o segredo da Gravidade!!

Esta revelação está longe de ser gloriosa uma vez que continua incompleta,
porque a Força da Gravidade tem ainda muitos mais mistérios para desvendar.
Se a Força Gravitacional é uma Força Magnética, responsável por atribuir
forma aos objectos, sendo assim, então, o que é o Peso?!
O Peso como veremos, já é outra história …
A Força da Gravidade é a responsável pela geometria dos corpos, por atrair e
aglomerar a matéria, mas não está directamente relacionada com a massa ou
com o peso. Na verdade, estes três conceitos, massa; peso; atracção
gravitacional, são conceitos absolutamente distintos e independentes!
Considero estes três conceitos como sendo absolutamente independentes, e
passo a explicar porquê:
Em primeiro lugar, a atracção de um corpo é, portanto, função das atracções
dos seus átomos. No entanto, esta atracção universal não é uma propriedade
essencial do corpo, ou das suas partículas, ou das suas massas. De facto, ele
nem sequer é uma propriedade concreta, mas sim uma consequência. Tudo
indica que, sem electrosfera não teríamos a geração da Gravidade, uma vez que
é devido à interacção electrão-fotão que se produz o fenómeno do
electromagnetismo para o exterior do átomo e, consequentemente, a difusão da
Gravidade … e esta particularidade é muito interessante!
Como podemos constatar na Natureza, raramente se encontram átomos
solitários. A Natureza tem tendência para adquirir formas mais complexas.
Contudo, aquilo que permite a primeira aproximação desses átomos, é uma
força de atracção … magnética … aquela que habitualmente designamos por
Força da Gravidade.
O Campo Magnético Gravitacional, surge como uma pequena interferência,
um ligeiro desequilíbrio na posição das partículas, obrigando a que a matéria
deixe de estar em equilíbrio estático, para passar para um estado de equilíbrio
dinâmico. A matéria tem tendência a aglomerar-se, mas não se desintegra, não
colapsa sobre si própria, não há forças gravitacionais infinitas no centro do
núcleo, no centro da massa, porque a Gravidade não advém do centro … esta é
a acção da Nova Força da Gravidade!

88
A VIAGEM NO TEMPO

Posteriormente é que se verifica a união de átomos. Sem pretender entrar no


domínio da Química, a união destes átomos traduz-se através de ligações
moleculares, iónicas e covalentes muito mais resistentes.
As ligações electrónicas dos electrões de valência, electrões mais distantes
das orbitais, são bastante fortes e isso assegura a construção de elementos
químicos em estruturas mais complexas e estáveis como as moléculas.
Posteriormente essa estrutura toma uma forma rigorosa e definida, obtendo-se a
classificação da substância como um sólido, um líquido ou um gás.
Contudo, a existência de átomos e moléculas não estabelece que exista um
peso pré-determinado, o peso é uma variável.
A próxima grande questão é tentar esclarecer o que é que confere peso e
massa à matéria.
Numa analogia muito breve, sucinta e sem rodeios, eu diria que, se os fotões
transferem a carga; os nossos neutrinos ou gravitões transferem a massa.
Não podemos esquecer que estas são as propriedades fundamentais do
Cosmos: Carga e Massa, duas propriedades bastante exóticas!
Os neutrinos seriam as partículas responsáveis por fabricarem toda a massa
de que somos feitos!
Até agora, os nossos neutrinos têm afectado muito pouco a vida dos físicos
das partículas. Seria bom que se desse um pouco mais de atenção a estas
partículas e se desenvolvessem estudos mais aprofundados.
A existência do neutrino foi postulada inicialmente pelo físico teórico
Wolfgang Pauli, em 1931. Pauli baseou esta hipótese na aparente não
conservação da energia e momento em certos declínios radioactivos,
especificamente, a desintegração Beta. Este tipo de desintegração do neutrão
resultava no aparecimento de duas novas partículas, o protão e o electrão, mas
aparentemente havia uma certa quantidade ínfima de energia em falta. Pauli
postulou que a energia em falta seria transportada por uma partícula neutra e
invisível. Mais tarde, Enrico Fermi baptizou o nome desta partícula de neutrino.
Em 1959 foi finalmente descoberta uma nova partícula que correspondia
exactamente às características do neutrino.
Os neutrinos são partículas elementares neutras que interagem com a matéria
apenas através da Força Nuclear Fraca. No entanto, porém, o processo de
produção destes neutrinos pode se apresentar numa forma bastante
diversificada.
A grande taxa de produção de neutrinos tem origem no nosso Sol. Estas
pequenas partículas são geradas continuamente em reacções nucleares dentro
89
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

do Sol e de outras estrelas. Os neutrinos são as componentes mais importantes


de toda a radiação cósmica que constantemente chega ao nosso pequeno planeta
Terra.
A característica mais fascinante desta pequena partícula é a seguinte: os
neutrinos praticamente não interagem com a matéria, uma vez que não possuem
carga eléctrica e provavelmente não possuem massa. Esta partícula fantasma
consegue atravessar o nosso planeta muito facilmente, sem reagir com a
matéria, pois para estes neutrinos toda a matéria é praticamente transparente, e
atravessam-na sem qualquer dificuldade.
Os neutrinos solares chegam de todas as direcções a todo o momento,
atravessando o planeta Terra e todo o espaço, espalhando-se até aos confins do
Universo.
Estes neutrinos podem ter diferentes distribuições de energias, consoante a
reacção nuclear que os produziu.
Tendo em conta a luminosidade do Sol, é possível calcular o número de
neutrinos gerados a cada segundo. Se são libertados dois neutrinos por cada 28
milhões de eV, como estes se expandem em todas as direcções por toda a área
da superfície solar, estima-se que o número de neutrinos que atinge a superfície
do planeta Terra seja, aproximadamente, de 60 biliões de neutrinos por cm 2 por
segundo!
E quanto maior for a massa da estrela, maior a quantidade de neutrinos que
são gerados. Calcula-se que haja actualmente 10 biliões de neutrinos por cada
protão. Estes são praticamente indetectáveis e praticamente tão ou mais
abundantes quanto os fotões, e tal como estes, deverão propagar-se à velocidade
da luz.
Ainda assim, a produção destas partículas não se limita às reacções
nucleares das estrelas. Os neutrinos são também produzidos no interior do
planeta Terra através da radioactividade de alguns elementos químicos; em
centrais nucleares instaladas na superfície do nosso planeta; e pelo próprio ser
humano, como resultado de reacções específicas com átomos de potássio que
compõem o nosso organismo.
A verdade é que, o interior do corpo humano produz 20 milhões de neutrinos
por hora; é atravessado por 100 biliões de neutrinos vindos das centrais
nucleares; e mais 50 triliões vindos do Sol!
Não é absurdo, portanto, dizer que somos atravessados por triliões de
neutrinos num curto espaço de tempo!

90
A VIAGEM NO TEMPO

Estas partículas tão subtis e omnipresentes, foram criadas praticamente


desde o início do Universo, toda a evolução da Natureza teve de se basear
nestas estruturas, por isso, estas partículas devem ter uma função
fundamental…
É uma ideia um pouco difícil de provar, a materialização da massa através
dos neutrinos, mas só assim é que faz algum sentido, senão … para quê tantos
neutrinos?! … Retire-se os neutrinos do Universo e tudo se desfaz …
literalmente!
Os neutrinos seriam os portadores da energia material, a propriedade que
confere massa à matéria; tal como os fotões são os portadores da energia
electromagnética, a propriedade que confere carga à matéria. Estas seriam as
propriedades essenciais dos elementos atómicos, mediadas por estas duas
partículas: neutrinos e fotões.
Assim sendo, de acordo com esta análise, parece que teríamos de
reconsiderar e dividir a estrutura da nossa antiga Força da Gravidade em duas
componentes:
1ª Componente - A Força da Gravidade Magnética, responsável pela forma
geométrica do corpo;
2ª Componente - A Força da Gravidade Material, responsável por atribuir
Massa ao corpo.
Estas duas forças relacionadas e combinadas transmitem-nos a ilusão da
existência de uma única força, pois encaixam-se quase na perfeição de modo a
compor uma Força Secundária a que normalmente designamos por Gravidade!
A triste conclusão é de que, não existe uma Força da Gravidade original e
endémica do Cosmos, esta força exótica ilude-nos com a sua beleza como um
magnífico híbrido!
Com esta informação, somos obrigados a reajustar as Forças Estruturais do
Universo, reenquadrando-as num novo modelo, numa nova Equação do
Cosmos:

Ffr = Ff + Femg + Fmt

Força Fraca = Força Forte + Força Electro-Magnética-Gravitacional + Força Material

Não obstante porém, seria necessário postularmos uma Teoria para


Neutrinos e qual a sua verdadeira interacção com a matéria.

91
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Experiências recentes nesta área, que pretendem contabilizar o número de


neutrinos que atravessa constantemente o planeta Terra têm verificado que o
número de neutrinos que sai não é exactamente igual ao número de neutrinos
que entra. Há, portanto, um défice de neutrinos.
Existem algumas sugestões que têm sido feitas de modo a poder dar uma
explicação para este fenómeno. Alguns cientistas acreditam que o equipamento
e a forma como a experiência é feita não permite contabilizar certas espécies de
neutrinos; outros pensam que ocorre uma transformação desta partícula numa
outra … mas também podemos arriscar uma outra hipótese que é a seguinte: os
neutrinos que atravessam o nosso planeta são absorvidos pelos átomos e
misturam-se com a matéria.
Seria importante indagar se estes neutrinos realmente se misturam com a
matéria confirmando assim se serão eles os responsáveis por atribuir esta
qualidade de Massa de que somos feitos.
Uma propriedade interessante desta partícula é novamente o Spin. Os
neutrinos possuem Spin ½. Curiosamente esta partícula mediadora da
interacção material não possui spin inteiro como os outros mediadores das
restantes forças da Natureza. O fotão, por exemplo, mediador da força
electromagnética possui spin inteiro 1.
A razão de ser deste spin poderia estar relacionada com uma característica
fundamental da própria matéria, dos fermiões, ou seja, todas as partículas com
massa possuem spin ½. A capacidade que os neutrinos têm de ultrapassar a
electrosfera do átomo, uma vez que esta partícula não possui carga na sua
constituição por isso não interfere com os electrões, permite-lhe atingir o
núcleo sem quaisquer dificuldades. O facto de possuir spin ½ é a sua senha de
entrada. Os neutrinos seriam as partículas responsáveis por transmitir por todo
o espaço o mesmo momento e energia material!
Relacionar esta propriedade com a variação do peso constitui outro desafio.
Sabemos que a mesma massa pode apresentar diferentes pesos. Mas de onde
vem esta força do Peso?
Se o peso não é uma característica inata das massas e também não está
directamente relacionada com a força magnética gravitacional, então, de onde
vem este „Peso‟, que já começa a pesar no nosso raciocínio?
Para compreendermos claramente este fenómeno eu diria que o Peso está
intimamente ligado com duas propriedades singulares despertadas pelo
Princípio de Equivalência de Einstein e já anteriormente estudadas e
apresentadas por Galileu. As características abstractas às quais me refiro são a
92
A VIAGEM NO TEMPO

Inércia e a Aceleração. Estas características estão profundamente ligadas com o


conceito de Peso.
Para recapitular e resumir postulemos o seguinte:

1º Atracção Gravitacional => É uma Força Magnética;

2º Massa => É uma forma de energia, é uma Força Material;

3º Peso => É uma Força de Aceleração causada pela deformação do espaço-


tempo em consequência da presença de uma grande quantidade de energia: a
Massa, ou seja, a energia material presente causa a deformação do tecido do
espaço e consoante o valor de energia presente, maior ou menor é a curvatura
apresentada. Nestas condições, qualquer massa é obrigada a adquirir uma
aceleração e a vencer um estado de inércia, de onde advém o estatuto de Peso.
E é por isso que se estabelece um princípio de equivalência entre:

Massa Inercial = Massa Gravitacional

Gravidade = Aceleração

Estas três forças combinadas sobrepõem-se em simultâneo, fazendo-nos


pensar que estamos perante uma única força, que erroneamente designamos por
Força da Gravidade. Mas como podem constatar não é somente uma única força
que devemos considerar mas sim três!
Sendo estas três forças consequências consecutivas uma da outra, na prática
torna-se quase impossível separá-las e distingui-las, de onde, de certa forma,
não decorre qualquer inconveniente em mantermos a nossa homenagem a
Newton e continuarmos a designá-la por Força da Gravidade. Sem, no entanto,
nunca esquecermos que Atracção Gravitacional; Massa e Peso são conceitos
absolutamente distintos.
Vamos agora rever o ponto de situação do nosso astronauta.
Perdoem desde já o fluxo das minhas palavras porque esta descrição
realmente requer um grau mais elevado de abstracção.
A „Gravidade‟ resultante no astronauta funciona por intermédio de três
componentes:
93
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Primeiro, se a atracção gravitacional é praticamente uma constante, a sua


forma geométrica praticamente não se altera, o astronauta não muda de forma,
porque a atracção gravitacional é uma força de campo magnética e de radiação,
portanto, não é uma força mecânica ou de contacto;
Segundo, mesmo possuindo uma reserva interna de produção própria de
neutrinos que lhe confere e garante uma estrutura material, este astronauta
expõe-se a ele próprio a um fluxo inferior destas partículas porque se encontra
mais distante da Terra e a produção de neutrinos gerada pelo satélite lunar será
consideravelmente inferior, uma vez que esse astro já cessou praticamente toda
a sua actividade geológica interna.
Terceiro, como resultado destas condições surge que a energia material
presente e envolvente deste astronauta é manifestamente reduzida. E se a
energia material que está a afectar a estrutura do espaço-tempo é inferior, logo,
a curvatura do mesmo é menos acentuada, isto é, se o declive não é tão
acentuado a aceleração do astronauta é menor, logo, o astronauta apresenta
menos peso!
E o Peso representa-se simplesmente pela mesma fórmula clássica:

P = m.a

Porque o peso é uma força que surge como consequência da aceleração da


energia material, devido à deturpação do tecido do espaço-tempo em que está
envolvido.
Esta é a primeira teoria que explica e justifica o facto de existir uma relação
directa entre estes conceitos: Gravidade; Aceleração e Inércia.
Explica aquilo que acontece e porquê que acontece, sem ser necessário
recorrer a confrontos entre a teoria da Gravidade de Newton ou de Einstein,
porque ambas as teorias apresentam características correctas.
A Gravidade não é somente a deformação do espaço-tempo. Na Gravidade
há matéria-energia presente e há igualmente deformação do espaço-tempo.
Posto isto, talvez não seja necessário recorrer a novos conceitos, novos
campos, novas partículas … nomeadamente o Bosão de Higgs.
E, por falar em Higgs, aquela partícula … a razão pela qual se está a
construir o LHC em Genebra … entre o enigmático Gravitão e o grandioso
Bosão de Higgs, outra questão se levanta de imediato na minha mente: a
Quantização da Matéria.

94
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XVI

TEORIA QUÂNTICA DA GRAVIDADE

2. QUANTIZAÇÃO DA MATÉRIA

“ Os átomos não são coisas.”


- Werner Heisenberg -

Em geral, em Física, um campo tem sempre uma partícula associada e a


existência do Bosão de Higgs explicaria porquê que os corpos têm tendência
para resistir a uma mudança de velocidade. Ou seja, o facto de todos os corpos
apresentarem Inércia é visto, segundo esta teoria, como se estes estivessem
imersos e envolvidos por um imenso Campo de Higgs que oferece resistência
ao deslocamento da matéria, tal como um objecto que se desloca num líquido e
sente forças de viscosidade.
Esta partícula ainda não foi detectada. E é esta partícula que se pretende
descobrir no LHC (Grande Colisor de Hadrões) em Genebra.
Parece importante …
Os físicos trabalham intensamente e aceleram a sua busca para encontrar
indícios do Bosão de Higgs entre os imensos rastos de misturas de colisões de
partículas.
A este bosão também já lhe foi atribuído um outro nome, a partícula de
Deus. Isto porque se considera que esta partícula está associada à origem da
massa das partículas … à estrutura mais íntima da matéria … à Quantização da
Matéria!
Este é um assunto que muito interessa a todos nós cientistas e a qualquer
físico e que continua extremamente difícil de explicar, os limites finais da
matéria, a quantização da massa, e a sua origem física, portanto.
Façamos primeiro um ligeiro desvio a um acelerador de partículas.
Repetições da Natureza apresentam-nos as mesmas partículas mas com
massas relativamente diferentes, ou seja, sempre que se aumenta a energia num
acelerador de partículas obtém-se um Modelo Padrão que corresponde
exactamente às mesmas partículas, com as mesmas características de carga e
spin, mas com uma única diferença que é: massas mais pesadas.

95
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Sempre que se aumenta a energia … aumenta a massa das partículas. Isto


acontece, muito provavelmente, porque a energia deve fornecer massa! Se só
estamos a aumentar a energia …
Por esta ordem, se continuarmos a aumentar as energias, vamos continuar a
obter as mesmas partículas, e muitas outras diferentes possivelmente, mas com
massas ainda mais pesadas, mais instáveis e com um tempo de vida efémero.
Pois as energias deste nosso Universo não se adequam à existência dessas
partículas …
Em minha opinião os aceleradores de partículas criam Universos Virtuais …
e ao contrário daquilo que pretendem oferecer, estas elevadas energias estão
muito longe de recriar as condições do nosso Universo Primordial.
Estas repetições de partículas podem ser processadas quase continuamente e
infinitamente … mas é preciso alguma cautela, um acelerador de partículas
suficientemente potente, em vez de criar uma partícula muito pesada, pode
conseguir criar um Buraco Negro mesmo em cima da superfície da Terra!
Saliente-se que há uma ideia importante a reter, todas estas partículas
experimentalmente possíveis, não são as partículas que existem à nossa volta,
não compartilham do nosso espaço-tempo, como tal se não existem a maior
parte dessas partículas na forma de matéria estável, pessoalmente, não
compreendo de que modo é que essa classificação extensa de inúmeras
partículas possa trazer uma grande vantagem para a compreensão do nosso
Universo …
Este longo cortejo de partículas altamente instáveis detectadas em
aceleradores como resultado de choques frontais entre protões e anti-
-protões, electrões e anti-electrões, libertam muita energia e muitas novas
partículas artificiais.
Actualmente já estarão classificadas mais de 400 dessas novas partículas!
São imensas partículas …
Mas as três verdadeiras partículas ou objectos quânticos que formam os
núcleos dos átomos e toda a matéria estável, desde o nosso corpo a tudo o que
nos rodeia, são apenas três: Quark up (cima), Quark down (baixo) e o Electrão.
Estas são as únicas partículas com massa estável neste Universo.
De acordo com a equação de Einstein E = m c2 há uma proporção e uma
relação íntima entre Massa e Energia.
A primeira verificação objectiva deste conceito consistiu na seguinte
experiência:

96
A VIAGEM NO TEMPO

Fez-se incidir um feixe de protões acelerados sobre uma amostra de Lítio;


que é um metal leve de massa atómica nº 7, isto é, contém no seu núcleo três
protões e quatro neutrões. Quando o núcleo do átomo de Lítio era bombardeado
por um protão, constaram que o núcleo de Lítio cindia e desdobrava-se em dois
novos núcleos de Hélio, constituídos por dois protões e dois neutrões cada um.
Isto é, a soma total das partículas iniciais era igual ao número das partículas
finais:
Núcleo de Lítio ( 3 protões + 4 neutrões ) + 1 protão bombardeante = dois
núcleos Hélio ( 4 protões + 4 neutrões ) . Entende-se então que o protão
bombardeante colidiu com o núcleo de Lítio; numa primeira fase ingressou
dentro do núcleo; e em seguida estilhaçou-se produzindo dois núcleos de Hélio,
ou também designadas por partículas alfa. De tal forma que, o número total de
partículas permaneceu o mesmo, como era de esperar.
No entanto, surgiram alguns dados intrigantes desta experiência. A medida
das somas das massas dos dois núcleos de Hélio era inferior à soma das massas
do protão e do núcleo de Lítio medidos inicialmente. O que significava, na
prática, que havia massa em falta!
Por outro lado, a energia total resultante demonstrou ser superior à soma das
energias do protão bombardeante e do núcleo de Lítio! A contrapartida foi,
então, um ganho de energia!
Todas as experiências do mesmo género conduziram ao mesmo resultado, de
tal forma que, estas transformações provocavam um desaparecimento de massa
e um aparecimento de um excesso de energia.
É este o princípio base que decorre numa central de energia nuclear. Para o
processo de cisão nuclear de elementos de Urânio assiste-se que um
desaparecimento de uma ínfima quantidade de massa pode ser acompanhado
por uma libertação de uma enorme quantidade de energia!
A possibilidade desta transformação já tinha sido prevista teoricamente há
vinte anos atrás, em 1905, por Albert Einstein, estabelecendo esta relação na
sua famosa expressão E = m.c2.
Esta conclusão é, nos dias de hoje, uma aquisição definitiva, contudo, não
podemos esquecermo-nos de que o processo inverso também pode ocorrer.
Com isto pretendo dizer que a Energia também é susceptível de se transformar
em Massa, de acordo com a mesma expressão m = E / c2 !
E é este o processo que tem estado a ser aplicado nos aceleradores de
partículas. Porque a massa resultante só depende da velocidade das partículas
bombardeantes, bem como da energia das partículas bombardeantes.
97
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

É muito lógico detectar que quando se aumenta a energia também se assista


a um aumento da massa!
Quais os mecanismos exactos pelos quais isso se processa, não saberei dizer
… esse é o grande segredo da Natureza!
Bem como descodificar quais os mecanismos exactos que estabelecem a
produção da carga, também não saberei dizer … a carga elementar do electrão é
outro dos grandes segredos da Natureza. Apesar de cargas eléctricas
determinarem a existência de um campo electromagnético, desconhecemos,
porém, a razão pela qual a carga eléctrica se faz presente e também não
conhecemos as leis que regem e originam o comportamento íntimo dessas
correntes permanentes.
No entanto, o que é facto é que a matéria concentra uma enorme quantidade
de energia. E quanto menor for a dimensão da matéria que se pretende alcançar
maior a quantidade de energia necessária a despender e, consequentemente,
maior a complexidade envolvida.
Quer isto dizer que, se pretendermos retirar um electrão a um átomo, temos
de aplicar uma certa quantidade de energia, correspondente à sua energia de
ionização. Mas se pretendermos retirar um quark do núcleo do átomo, isso já
não é tarefa fácil …
O que se assiste nos dias de hoje é que ainda não conseguimos aplicar a
energia suficiente para ionizar o núcleo, isso é, retirar um quark do núcleo do
átomo; ou então, ainda não aplicámos a energia certa … de tal forma que nunca
se verificou a existência de um quark livre e solitário. Isto demonstra que a
energia de ligação entre os quarks deve ser elevadíssima.
A energia necessária para libertar cargas eléctricas, electrões, dos seus
átomos é de alguns electrão-volt. Porém, excitar um quark requer energias na
ordem de Mega electrão-volt.
As forças entre quarks são muito mais poderosas que as electromagnéticas e
por isso oferecem maior resistência à excitação.
Os limites fundamentais da matéria, as suas partículas mais ínfimas e
pequenas, designadas por quarks, concentram enormes quantidades de energia,
enormes …
Numa analogia muito breve e com uma sequência exponencial muito
simples, podemos recordarmo-nos do valor da Energia Atómica ( Bomba
Atómica ), depois da Energia Nuclear ( Bomba Hidrogénio ) e na escala
seguinte talvez possamos ficar com uma ideia do quão elevada é a Energia
Quarkónica!
98
A VIAGEM NO TEMPO

Os limites da matéria envolvem uma grande quantidade de energia, porque a


matéria mais não é do que uma forma de concentração de energia. A matéria é a
mais pura forma de energia!
A solidez da mesa em que me debruço é resultante das forças que ligam os
átomos uns aos outros. Não é resultado da concentração da matéria. Essa força
de resistência é resultante das forças de equilíbrio entre as moléculas que são
suficientemente fortes para produzirem a consistência de tudo o que nos rodeia.
Mas esta mesa é composta essencialmente por espaço vazio.
Todo o nosso corpo é na prática composto essencialmente por espaço vazio,
que de alguma forma nos parece sólido, concreto, material … mas na realidade
não é.
Nem imaginam o quão vazia é a matéria. A sua densidade aparente advém
somente da concentração do campo, da energia!
Se considerarmos efectivamente a quantidade de matéria que preenche um
átomo o que nos sobra é essencialmente 99% de espaço vazio.
E as suas partículas constituintes que nos parecem sólidas, são apenas fruto
da escala em que as tentamos observar.
Se pudéssemos observá-las mais de perto, constataríamos que tudo se
desvanece num espaço preenchido de forças e de campos intensos e
inimaginavelmente fortes … porque os átomos, não são „coisas‟!
Mas continuamos com o preconceito de que a matéria é sólida e, como tal,
quantizável. Se a carga do electrão obedece a um valor mínimo que é „e‟,
pensa-se que analogamente a matéria obedecerá ao mesmo padrão mínimo que
será „m‟. Por isso, procura-se incessantemente a quantidade mínima e
indivisível da matéria. Desenvolve-se muitos esforços no sentido de quantificar
a antiga Gravidade, a quantização da massa, os limites da matéria, porque
acredita-se que tudo no Universo tem uma unidade quântica …
A quantização da matéria, a unidade base de massa, não vão encontrá-la,
porque ela não existe. Não nessa forma …
Que provas é que temos para achar que a matéria é sólida e consistente e,
consecutivamente, quantizável?!
Se pensarmos efectivamente como é que agarramos os objectos, no que é
que tocamos realmente … se conseguirmos reflectir sobre esta simples questão,
iremos descobrir a resposta correcta acerca da quantização da matéria …
Se reflectirem um pouco sobre este tema, constatarão que a resposta a esta
pergunta é uma só: é que na Natureza nada se toca!

99
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Cada partícula é composta por um campo próprio e independente,


extremamente forte. Nós nunca tocamos efectivamente nos objectos. Nós nunca
tocamos realmente em nada. Tudo interage através de forças e campos. O toque
da matéria é uma ilusão, uma possibilidade interdita no nosso Universo. Como
tal, a existência de unidades densas e compactas de matéria violaria este
princípio … porque as linhas de campo concentram-se mas nunca se tocam,
nunca se cruzam … e a matéria é uma forma de energia.
A melhor ideia que podemos ter para conseguirmos imaginar a massa é
visualizá-la como energia em movimento.
Se relacionarmos a segunda lei de Newton F = m.a com a fórmula do campo
eléctrico F = Q.E , podemos dizer que:

m.a = Q. E

m = Q. E. / a

Esta será a fórmula mais legítima para explicar o conceito de matéria.


E podemos dizer que, a matéria fundamental é o estado adquirido por uma
carga sujeita a um campo energético em aceleração.
Esta seria a melhor aproximação para a definição de massa. Pois, a
densidade não representa a quantidade de massa por unidade de volume. A
densidade da matéria representa a quantidade de energia que existe num
determinado volume.
A massa é uma estrutura fictícia, uma blindagem, uma resistência, um
campo de superfície, constituído por uma energia em equilíbrio dinâmico.
Se por acaso conseguíssemos romper esse equilíbrio, o objecto desvaneceria …
e no seu lugar apareceria uma enorme explosão de energia!
A quantização da matéria não é possível porque, não existem unidades de
massa reais, como tal, não existem unidades mínimas de matéria! A própria
matéria é uma ilusão da Natureza! Se calhar é uma ideia um pouco difícil de
conceber, porque estamos habituados a ver coisas, os objectos „materiais‟ … é
difícil tentar explicar que eles não estão, de facto, lá materialmente.
Podemos considerar a matéria como hologramas densos de energia, como
nós no campo.
De acordo com a equação de Einstein E = m.c2 , a teoria diz-nos que a
Energia tem massa e que a massa é uma forma de energia. E isto é tão verdade
que, um relógio de pêndulo que oscila é ligeiramente mais pesado do que outro
100
A VIAGEM NO TEMPO

que está parado, isto porque a Energia Cinética do pêndulo tem massa! Na
verdade, as coisas parecem-nos ter massa porque possuem Energia de
Movimento. As coisas não têm massa, propriamente dita. Os objectos têm
energia em movimento. Quanto mais depressa uma coisa se move mais energia
tem, e quanto mais energia um objecto tem mais maciço se torna.
Esta ideia de que a matéria é uma forma de energia ou de campo, não é
nova, e já esteve presente em várias mentes no passado. Em 1844, Faraday
demonstrou que as suas ideias estavam muito avançadas para a época. Expôs
publicamente, pela primeira vez, as suas ideias acerca das linhas de força e
campos em dois trabalhos que apresentou à Royal Institution. Na sua visão de
sucesso, anteviu a perspectiva da Teoria do Campo Quântico do séc. XXI,
considerando uma substituição para o conceito de átomo, argumentando que
não poderia existir uma diferença real entre o chamado espaço e os átomos no
espaço, considerando estas duas versões como manifestações da mesma
substância e que ambas deveriam ser consideradas como meras concentrações
das linhas de força, como nós no campo electromagnético.
Com a sua teoria visionária, Faraday rejeitou o conceito de éter bem como o
de partículas materialmente reais. E em seu lugar, deixou-nos uma imagem do
Universo constituído por, nada mais, nada menos, do que uma teia de campos
em interacção!
Outra mente, também avançada para a época, transportava consigo a mesma
ideia, como podemos perceber pela seguinte citação:

“ A Teoria da Relatividade ensina que a matéria representa um enorme


reservatório de energia, e que a energia significa matéria. Nestas condições, não
podemos separar qualitativamente matéria e campo, porque a distinção entre
massa e energia não é de facto qualitativa (…) a matéria existe onde se encontra
uma grande concentração de energia (…) a distinção entre matéria e campo é
quantitativa em vez de qualitativa.” - Albert Einstein -.

Muitas vezes lê-se que Einstein desperdiçou a segunda metade da sua vida,
que não produziu mais nada de interessante.
Uma vez revelada uma teoria tão importante como a Teoria da Relatividade,
nada do que lhe pudesse suceder poderia ser de carácter menor ou de dimensão
inferior.
Podemos imaginar a grande pressão a que estaria sujeito, ao não conseguir
concluir a tempo os pormenores da sua teoria final. Talvez não tivéssemos
101
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

compreendido a mensagem que ele nos pretendia transmitir … e ainda não


sabia como …

“ Podemos olhar para a matéria como as regiões do espaço onde o campo é


extremamente forte (…) o campo é a única realidade.” - Albert Einstein -1938.

A ideia básica que todos conhecem e que aprendemos com facilidade, de


que na matéria normal a massa é a fonte da sua gravidade, terá de ser abolida e
substituída pela Nova Teoria da Gravidade.
Por todas as razões aqui apresentadas, sinto-me na obrigação de constatar
que a Gravidade não é um fenómeno quântico, mas sim um fenómeno atómico.
Assim sendo, tenho necessariamente de concluir que … não há nenhuma
necessidade de construir uma Teoria Quântica da Gravidade!
Deste raciocínio segue-se que, se a Força da Gravidade não existe como
Força original do Cosmos, logo, também não existe nenhum mensageiro,
nenhuma partícula mediadora desse campo … o Gravitão!
Como também é impossível quantificar a matéria, porque a matéria é
energia …
E estão 3000 investigadores no acelerador de partículas em Genebra à
procura de partículas fantasma!!

102
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XVII

DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA

1.MODELO PADRÃO

“ A imaginação é mais importante que o conhecimento.”


- Albert Einstein -

A Teoria das Cordas é uma tese magnífica, magnífica! Considerada por


todos como sendo a maior teoria do século e um excelente exemplo do
desenvolvimento intelectual humano …
… é pena que, só tenha ligações à Matemática … à Geometria, ao Cálculo
Diferencial e à Álgebra!
Os líderes actuais desta teoria descrevem a Teoria das Cordas como a maior
teoria científica do séc. XXI que usa Matemática do séc. XXII.
A grande Teoria do Milénio consiste em resolver o problema seguinte:
“ Mostrar a existência e o intervalo de Massa da Teoria de Yang-Mills quântica
em Re4 com grupo de Gauge, um grupo de Lie G compacto, não abeliano e
simples.”
Este é actualmente o grande Problema do Milénio que absorve centenas de
físicos e milhares de neurónios.
A resolução deste problema teria implicações fundamentais na área da
Física. Mas para isso é necessário encontrar uma solução geral para as equações
de Yang-Mills.
Se a equação de Schrödinger já é praticamente impossível de resolver para
elementos químicos de número atómico superior a três, a partir de um átomo de
Lítio. A verdade é que até hoje ainda ninguém conseguiu encontrar as soluções
dessas equações, uma vez o grau de complexidade aumenta consideravelmente.
Encontrar as soluções das equações de Yang-Mills seria o maior feito do
milénio dentro da área da Matemática, mas todos consideram que é um desafio
demasiado difícil, por agora.
Não obstante todo o esforço e todas as capacidades aqui desenvolvidas na
construção desta teoria, se por acaso se encontrasse as soluções dessas
equações, que significado é que isso teria para os físicos?!

103
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Parece-me que, no mínimo, toda a conjectura matemática que se tem estado


a desenvolver ainda não é inteligível por nós.
Se pensarmos nisto por um momento, parece incrível … a maior teoria do
século é baseada em equações que ninguém consegue resolver! Além de que, as
versões e equações da Teoria das Cordas são tantas e tão complexas que
ninguém sabe ao certo quais são essas equações!
A Teoria das Cordas começou por ser uma alternativa à Física Clássica,
substituindo o conceito de partículas elementares por objectos unidimensionais
ou „cordas‟ e estabelece um conjunto de regras aproximadas para calcular o que
acontece com cordas quânticas quando estas interagem umas com as outras em
diferentes modos de vibração.
E a Matemática que, inicialmente, era uma forma possível de compreender
este universo, ultimamente tornou-se na única maneira possível de „ver‟ este
mundo físico! Mas na prática não se consegue relacionar toda aquela conjectura
matemática com processos físicos concretos … por isso, desculpem-me a minha
ingénua pergunta: do que é que adianta desenvolver tanta Matemática?!
Mas os físicos ainda não perderam a sua fé e, por isso, continuam a construir
conjecturas matemáticas em cima de conjecturas matemáticas … sem se
preocuparem demasiado com o seu sentido prático, com a sua ligação à
realidade, com a sua verificação experimental; esperam um dia poder traduzir
todos os seus esforços e revelar a clareza rigorosa de todo o desenvolvimento
de um pensamento.
A meu ver, eu diria que os físicos já não fazem Física … esta ciência está
confinada a todo um processo mental.
Não é preciso ser-se um seguidor dogmático da definição de Karl Popper, da
definição de ciência aberta à experimentação e à refutação, para perceber que o
que está aqui em causa é o próprio conceito de Ciência! Ciência … é preciso
não esquecer nunca essa palavra.
Reveja-se que, entre mais de dez mil artigos científicos publicados e
apresentados sobre a Teoria das Cordas, até agora, não foi feita uma única
previsão que possa ser testada!
Desde 1973 que praticamente não houve nenhum desenvolvimento, teórico
mas objectivo, em teoria das partículas ou em teoria quântica que tenha
merecido um Prémio Nobel!
A Teoria das Cordas é imune tanto à prova experimental como à refutação
teórica. Quer isto dizer que, não há nenhuma possibilidade de verificação tanto
da sua veracidade como da sua falsidade.
104
A VIAGEM NO TEMPO

Quase diria que se trata de uma Teologia científica moderna, uma abstracção
de grande beleza matemática e metafísica, muito racional claro … mas ainda
assim … Teologia!
Pessoalmente, confesso, não manifesto grande admiração pela Teoria das
Cordas.
Quanto mais olho para a Física, muito vejo que muito percebem de
Matemática. Na realidade, percebem mesmo muito de Matemática … grande
parte do trabalho em Teoria das Cordas usa Matemática bastante sofisticada,
matemática essa que até a maior parte dos matemáticos experientes não está
familiarizado!
Normalmente, o progresso dos matemáticos adianta-se em relação ao dos
físicos. Hoje em dia, porém, os matemáticos estão atrasados e a tentar pôr-se
em dia com os físicos! Situação caricata, no mínimo.
A própria Física ultrapassou a Matemática, explorando novos conceitos de
Matemática pura.
A promoção desta teoria conduziu-nos a uma nova forma de fazer ciência, a
Teoria das Cordas conduziu-nos a um novo caminho … caminho esse que
aparentemente não tem saída. Porque, enquanto percorremos este caminho, não
temos como saber se estamos no caminho certo, ou se estamos no caminho
errado.
O que há de mais invulgar nesta teoria é que não produz quaisquer
resultados passíveis de confirmação. As suas maiores limitações residem na
falta de verificação experimental, na sua incapacidade para estabelecer
previsões em física das altas energias, bem como na física das baixas energias
do nosso quotidiano.
Esta crise na maior teoria revolucionária do século XXI, já começa a causar
alguma impaciência e controvérsia entre os físicos. Entramos num impasse,
causado por uma teoria que muito promete mas pouco oferece.
Por último, os problemas da Física Moderna podem ser definidos da
seguinte forma: há os problemas de 1ª ordem e os de 2ª ordem.
Os de primeira ordem, para serem testados necessitam de energias
elevadíssimas, impossíveis de confirmar uma vez que não dispomos da
tecnologia necessária; os de segunda ordem envolvem conceitos de matemática
teórica tão complexa, inúmeros parâmetros e variáveis, o que resulta num
problema impossível de tratar.
Teorias mal sucedidas não produzem mais informação do que aquela que é
introduzida. Este é o mal que afecta a Teoria das Cordas!
105
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Por isso, faço aqui um apelo … os físicos perderam a noção do que é ser-
-se um físico; do que é fazer Física. Não são as fórmulas e as equações que nos
conduzem o caminho … nós é que conduzimos o caminho das fórmulas!
Se nos concentrarmos somente numa nota, podemos perder toda a beleza da
sinfonia … os especialistas adquiriram a capacidade de saber cada vez mais,
sobre cada vez menos, até saberem tudo … sobre nada!
Entre a nota e a sinfonia, entre o conceito específico do nada e uma ideia
geral de tudo, encontra-se a sabedoria do conhecimento.
Se a Física continuar a evoluir desta forma, irá perder-se em direcção a um
abismo colossal de conjecturas matemáticas e conceitos esotéricos sem
qualquer significado físico, muito além do limite científico.
Esta crítica à Física Contemporânea vem relembrar que a compreensão da
Física Fundamental, até hoje, ainda não necessitou de uma Matemática tão
sofisticada. Após a dedicação de algum tempo e reflexão, as leis da Natureza
são descobertas e reveladas sem recorrer a grandes artifícios numéricos. E a sua
assimilação, inicialmente complexa e aparentemente difícil, torna-se fácil de
assimilar. Percebe-se, no final, que os conceitos fundamentais são simples e
facilmente compreendidos, de uma forma quase intuitiva e até mesmo … óbvia!
Como partilho imensa admiração por esta ciência que é a Física, gostaria
que esta disciplina não se perdesse, como tal, venho aqui lembrar que há um
ritual em Física que tem sido mantido há séculos:
A Física, funciona com Física! E esta é uma ciência experimental, muito
diferente da Matemática. Esta última requer somente argumentação e
demonstração lógica, clara e rigorosa. É imune à prova experimental.
A Nova Física da Teoria das Cordas desafia continuamente os limites do
entendimento humano, desenvolvendo teorias que não somos capazes de
compreender.
Pessoalmente, não me parece que tenhamos atingido os limites das nossas
capacidades para entender o Universo.
Há uma explicação muito simples para todo este percurso histórico da
Teoria das Cordas, uma explicação científica e bastante convencional.
Por muito que nos custe, temos de assumir que a Teoria das Cordas parece
estar a falhar como a maior candidata para uma Teoria Unificada. Assim sendo,
temos de nos esforçar um pouco mais, abandonar esta teoria antiga, já com 30
anos de idade, e começar à procura de uma teoria completamente nova.
Os períodos de crise podem ser períodos revolucionários e visionários por
excelência!
106
A VIAGEM NO TEMPO

Actualmente existem dois tipos de investigadores: uns para a ciência normal;


outros para a ciência visionária.
Nas ciências físicas, o pensamento puro pode não ser suficiente para
desvendar os mistérios da Natureza. Por outro lado, a verificação experimental
pode não ser possível, impossibilitando a contribuição de mais informação.
Se estas duas ferramentas falharem … sobra-nos apenas uma … usar a
imaginação para explicar fenómenos que não compreendemos!
A maioria dos investigadores está adequada à ciência normal. Apesar de
terem sido os melhores alunos nas suas licenciaturas e teses de doutoramento,
de serem capazes de resolver os problemas de Matemática mais depressa e
melhor do que ninguém … há apenas um parâmetro que não conseguem
dominar com tanta agilidade … a imaginação!
Como diria Einstein: “ A imaginação é mais importante que o
conhecimento.”
A criatividade científica é um parâmetro que os manuais não ensinam.
Mas estou a falar de criatividade científica e não de conceitos místicos
alucinantes, é preciso perceber onde está o limite.
Eu diria que, a grande parte dos investigadores sabe processar dados,
enquanto que outros, poucos, sabem pensar e relacionar.
O avanço da ciência ocorre muitas vezes como contributo de muitos físicos a
trabalharem em simultâneo em função da mesma teoria, mas é também possível
que um grande avanço se dê apenas com o contributo de um. Esses são os
visionários!
A exploração para uma nova visão completamente nova assenta em
princípios muito simples.
Primeiro, tem-se sempre a vantagem de perceber o que parece não estar a
funcionar. Isso já é um avanço. Pois permite pôr de parte um leque de hipóteses
e adoptar uma outra forma de trabalho.
Depois, se os factos existem, significa que são possíveis, logo, tem de haver
uma teoria que se adeqúe à experiência. O que já é mais um avanço, porque
pelo menos sabemos que o nosso problema tem solução, a não ser, em último
caso, que os factos estejam errados.
E o último princípio consiste em não subestimar a coerência lógica e
elegante da Natureza.
A elegância de uma teoria científica absolutamente criativa e inovadora é
sempre conduzida pelo conceito de estética, beleza, simetria e, acima de tudo,
lógica e simplicidade.
107
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Este pode parecer um argumento pouco racional, os cálculos mais


complexos parecem ter maior poder do que aqueles que são simples, mas a
verdade é que, e parafraseando Roger Penrose “ É misterioso, de facto, que algo
que tenha boa aparência possa ter maior probabilidade de ser verdadeiro do que
aquilo que é feio.”.
A natureza de uma Teoria Unificada deve ser simples, coerente, lógica e
relativamente fácil de assimilar.
A falência da Teoria das Cordas assenta no próprio princípio base que
estabelece e em que se fundamenta, que é o seguinte:
Todas as entidades mínimas de espaço e de tempo estão sujeitas às
flutuações quânticas, até mesmo o campo gravítico. Isto significa que o campo
espacial, aparentemente vazio, não está realmente vazio, este fervilha
constantemente com partículas efémeras que aparecem e desaparecem, numa
agitação frenética, mas que sobrevivem apenas alguns ínfimos momentos de
tempo. O espaço microscópico não é um espaço constante e estático mas antes
um espaço flutuante e interactivo que ondula com partículas e com energia para
cima e para baixo, mas que em média assume um valor nulo, tanto de energia
como de massa. E para o campo gravítico seria algo semelhante. Embora o
raciocínio clássico indique-nos que o espaço vazio, isto é na ausência de
massas, tem um campo gravítico nulo, para a realidade quântica isso não
acontece. A mecânica quântica estabelece que esse valor é zero em média mas
que o campo gravítico também ondula e flutua entre valores incertos.
A teoria das cordas incorpora o Principio da Incerteza da mecânica quântica
e este não é compatível com a relatividade generalizada em escalas
microscópicas, ou seja, à escala quântica ou, também chamada de escala de
Planck.
Ao longo dos anos este caminho mostrou-se recheado de perigos e esta
incerteza tornou-se num obstáculo que ninguém conseguiu ultrapassar.
Contudo, houve físicos que aceitaram a Teoria das Cordas e prosseguiram com
os seus trabalhos quotidianos de investigação que às escalas típicas excedem
em muito o comprimento de Planck, tomando apenas nota que estes dois pilares
fundamentais da Física são no fundo incompatíveis!
Outros, porém, não se conformaram tão rapidamente. Sentiam-se
profundamente descontentes com esta incompatibilidade entre a Física
Quântica e a Teoria da Relatividade , argumentando e apontando para uma
falha essencial e crucial da nossa compreensão do Universo.
Muito bem!
108
A VIAGEM NO TEMPO

Se o Universo for compreendido ao seu nível mais profundo e elementar,


deve poder ser descrito por uma teoria logicamente consistente, que unam
ambas as partes em harmonia e nunca por uma teoria incompatível.
Os físicos focaram os seus esforços no sentido de unificar a relatividade
restrita com conceitos quânticos e também com a força electromagnética e nas
suas interacções com a matéria.
Através de alguns desenvolvimentos pioneiros e de forte inspiração criaram
uma nova teoria, actualmente designada por Teoria Quântica do Campo
Relativista, ou também Electrodinâmica Quântica, abreviando Q.E.D., ou ainda
mais simplesmente: Teoria Quântica de Campo, mais conhecida por G.U.T.,
Grande Teoria Unificada.
É quântica porque incorpora as propriedades probabilísticas da mecânica
quântica; é relativista porque absorve a teoria da relatividade restrita desde o
princípio; e, finalmente, é uma teoria de campo porque implementa os conceitos
de campo quântico e de campos clássicos, neste caso, o campo de forças
electromagnético de Maxwell.
Dir-se-ia que é uma forma excelente de começar uma nova teoria que
ambiciona conter todos os fenómenos naturais! Magnífico!
A Teoria Quântica do Campo surge como uma teoria alternativa à Teoria das
Cordas e a verdade é que tem revelado grandes avanços no sentido de unificar
os diferentes tipos de partículas com os respectivos mediadores de interacção de
campo, correspondentes às diferentes forças associadas.
Dir-se-ia que esta teoria conseguiu compor um Modelo Standard que
organiza três famílias de partículas e três forças não gravitacionais: a Força
Forte, a Força Electromagnética e a Força Fraca. Conseguiu até atingir uma
interacção mais íntima entre Força Fraca e Força Electromagnética, unindo
estas duas forças numa única força comum: a Força Electrofraca.
As interacções Forte, Electromagnética e Fraca admitem uma descrição
adequada e precisa em termos quânticos. De facto, são formuladas nos termos
de uma teoria matemática de campos quânticos testada experimentalmente, com
imensa precisão e sem precedentes. O que já é um excelente avanço em
direcção a uma Teoria Unificada.
A maior dificuldade reside novamente em incorporar neste modelo uma
teoria quântica da Gravidade. Contudo, no nosso caso, o problema que se põe
em relação a esta unificação global das quatro forças da Natureza e ao seu
principal obstáculo, o facto de nos faltar uma Teoria Quântica da Gravidade, é
um problema que já não se coloca! ... Deveras interessante!
109
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Neste momento, o novo modelo da Física Moderna enquadra apenas três


Forças da Natureza; os respectivos portadores das interacções; e as partículas de
matéria, que se podem resumir no seguinte quadro:

MODELO PADRÃO

PORTADORES INTERACÇÕES

GLUÃO FOTÃO BOSÃO BOSÃO HIGGS


± 0
ɡ γ W Z ɸ

PARTÍCULAS MATÉRIA

LEPTÕES QUARKS
e electrão νe neutrino electrónico u cima d baixo
μ muão νμ neutrino muónico c encantado s estranho
τ tau ντ neutrino tauónico t topo b fundo

Fig. 6 - O Modelo Padrão -

Partículas das Interacções e Partículas de Matéria

Não obstante, a Mecânica Quântica havia já desenvolvido novas


perspectivas e novos conceitos bastante inovadores. Considerou, por exemplo,
que a matéria é composta por partículas elementares mas que estas também
possuem propriedades semelhantes às ondas electromagnéticas. De modo que,
partículas e ondas partilham de características comuns.
De facto, tudo o que aparentemente temos no nosso Universo pode resumir-
-se a dois conceitos: Luz e Matéria. E esta interpretação sobre o princípio da
complementaridade onda-corpúsculo permitiu abrir os horizontes. Por isso
110
A VIAGEM NO TEMPO

deduziu-se que, efectivamente, se tanto ambicionamos uma teoria completa e


unificada da luz e da matéria, isso só será possível se olharmos para as
partículas de matéria como para as partículas de radiação como sendo algo
semelhante e, como tal, satisfazendo as mesmas propriedades de transformação.
A interpretação de onda ou a interpretação de partícula deve partilhar uma
origem comum. Por outras palavras, partículas de matéria e partículas de
radiação deveriam poder ser descritos da mesma forma: em termos de campos.
Podemos imaginar que este novo campo possui simultaneamente ambas as
características mas apenas diferentes possibilidades de manifestação. Só assim
conseguiremos colocar os electrões e os fotões e as restantes partículas em pé
de igualdade, isto é, como partículas que obedecem a um mesmo conjunto de
Equações de Campo.
Na Teoria Quântica de Campo a matéria é igualmente considerada como um
género de campo e as partículas da Física Clássica passam a ser consideradas
como densidades locais de energia ou concentrações de campo. Uma ideia que
já não é novidade, como vimos anteriormente.
Com esta forma de raciocínio pretende-se abraçar o conceito corpuscular e
ondulatório tanto das partículas de matéria como das partículas de radiação.
Conceitos estes evidenciados na teoria do efeito Fotoeléctrico proposto por
Einstein, e no conceito ondulatório da experiência de Young.
O exemplo mais notável desta teoria, de que a matéria possui um
comportamento semelhante ao da radiação, e vice-versa, consiste na tão
interessante experiência da dualidade onda-partícula, extremamente difícil de
entender a um nível intuitivo e profundo, esta característica tão surpreendente
do mundo microscópico!

111
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XVIII

DUALIDADE ONDA-PARTÍCULA

2. EXPERIÊNCIA DA DUPLA-FENDA

“ O pessimista queixa-se do vento, o optimista espera que ele mude


e o realista ajusta as velas.”
- William Ward -

Imaginemos uma onda electromagnética, um feixe de luz, que incida sobre


um anteparo onde haja duas fendas. Quando a onda passa por entre as fendas,
cada uma das fendas passa a ser fonte de um novo movimento ondulatório, tal
como se fosse uma onda material, de água, por exemplo.
Uma característica fundamental deste movimento ondulatório é o fenómeno
de interferência, que reflecte o facto de que as oscilações provenientes de cada
uma das fendas poderem ser somadas ou subtraídas uma da outra.
Se colocarmos um segundo anteparo, depois do primeiro, de modo a
conseguirmos detectar a intensidade da onda que o atinge, observamos como
resultado uma figura de interferência, alternada de máximos e mínimos,
correspondente a um padrão de riscas claras e escuras ao qual designamos por
franjas de interferência, correspondente à interpretação ondulatória de Young.
Foi este fenómeno que provou o carácter ondulatório da luz.
Se repetirmos a mesma experiência com partículas materiais, atirando balas
por exemplo, podemos deduzir muito intuitivamente qual será o padrão
formado no último anteparo:
Haverá balas que passam por uma fenda e balas que passam pela outra
fenda, de modo que, o resultado final será a concentração dessas partículas em
duas direcções específicas. Não há fenómeno de interferência. Este é, portanto,
o resultado esperado pela Física Clássica, correspondente à interpretação
corpuscular de Newton.
Até aqui tudo bem, mas só até aqui.
Pois se realizarmos esta mesma experiência com outro tipo de partículas,
como electrões, por exemplo, a serem atirados contra o anteparo com ambas as
fendas abertas, forma-se no último anteparo uma figura de interferência!
112
A VIAGEM NO TEMPO

Supostamente pensaríamos que os electrões passariam ou por uma fenda ou


por outra, formando no final um padrão corpuscular, mas não é isso o que
acontece. O que se verifica é um fenómeno de interferência, que é uma
propriedade das ondas e, como tal, somos obrigados a assumir que os electrões
têm características ondulatórias.
Mais estranho é quando tentamos realizar esta experiência apenas com uma
partícula, isto é, dispara-se um único electrão contra o anteparo.
Primeiramente, observa-se que essa única partícula atinge o anteparo apenas
em um ponto.
Vamos, então, repetir esta experiência várias vezes consecutivas, lançando
um electrão de cada vez. Cada electrão atinge o anteparo sempre num ponto
diferente, no entanto, quando se sobrepõem todos os resultados obtidos em cada
experiência, obtém-se, espantosamente, a mesma figura de interferência
anterior!
Como é possível que electrões individuais, passando por uma ou outra fenda
aleatoriamente, consigam conspirar para formar uma imagem de interferência?!
Agora, retomando a experiência com fotões, e imaginemos que reduzimos a
intensidade do feixe de luz, de modo a que esta seja diminuída até
conseguirmos ter fotões individuais a serem atirados um a um contra o
anteparo, com as duas fendas abertas.
Inicialmente constata-se que cada fotão atinge o anteparo final apenas em
um ponto e sempre em pontos diferentes, deduzimos portanto que o fotão ou
passou por uma fenda ou passou pela outra fenda e não pelas duas fendas em
simultâneo, o que revela o carácter corpuscular da luz. Mas se aguardarmos
tempo suficiente, os fotões passam por uma fenda ou por outra, mas no final de
muitas passagens também se forma uma figura de interferência!
Porém, se fecharmos uma das fendas e começarmos a disparar os fotões um
a um obtém-se novamente um padrão corpuscular bem localizado.
Estas experiências permitem-nos caracterizar tanto as partículas de radiação
como as partículas de matéria como possuindo, simultaneamente,
características corpusculares e ondulatórias.
Para ficarmos com uma ideia mais clara desta experiência vamos visualizar
com atenção as seguintes imagens que constituem provas irrefutáveis acerca
deste fenómeno. Elas mostram-nos o comportamento ondulatório e corpuscular
de qualquer partícula, quer sejam elas fotões ou electrões.

113
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Fig. 7 - Experiência da Dupla Fenda.


Comportamento ondulatório e corpuscular de qualquer partícula:
fotões, electrões, etc. -

A dualidade onda-partícula pode-se tornar ainda mais exótica. Se quisermos


determinar por que fenda é que o fotão ou o electrão passou, alteramos o
resultado final da experiência! A figura de interferência é destruída dando lugar
a apenas uma concentração bem localizada de partículas!
Este fenómeno, na sua globalidade, é verdadeiramente espantoso, e dá que
pensar! Será possível deduzirmos que ao montarmos uma experiência que
evidencie o carácter corpuscular da matéria, isto é, localizar em que fenda é que
a partícula passou, destruímos completamente o seu carácter ondulatório?!
A Mecânica Quântica estabelece que nós interferimos com a alternativa que
o sistema escolhe! Supõe que no mundo microscópico temos de ignorar a nossa
intuição e todos os conceitos clássicos. E daí surge uma afirmação bem
conhecida de Richard Feynman: “Ninguém compreende a mecânica quântica.”.
Comparada com as construções claras e lógicas das leis do movimento de
Newton, ou com a teoria electromagnética de Maxwell, podemos dizer que a
Teoria Quântica encontra-se num estado quase caótico de impossível
compreensão.
A Mecânica Quântica não nos dá uma descrição muito eficiente para estas
experiências. Não obstante o sucesso obtido por esta teoria em outros campos,
por exemplo, a equação de Schrödinger, que descreve os estados físicos de uma
partícula e sua evolução temporal, actualizada posteriormente com a equação de
Dirac. É ela que substitui as equações de Newton da mecânica clássica para
uma mecânica aplicada às partículas, definindo com exactidão as suas

114
A VIAGEM NO TEMPO

características e propriedades, contudo, para este caso em particular a Mecânica


Quântica não se sente muito confortável com a estranheza das suas próprias
experiências.
Mas será a Mecânica Quântica assim tão diferente da Física Clássica!?
Muitos dirão, sem sombra de dúvida, que a resposta a esta pergunta é um
redondo sim.
Permitam-me que discorde plenamente!
A Mecânica Quântica apresenta-nos conceitos bastante diferentes. Entre
probabilidades; incertezas; funções de onda; dualidade onda-partícula; quanta,
tudo isso são novos conceitos absolutamente radicais que transformam a nossa
visão da realidade, capazes de levar à tontura qualquer físico clássico
tradicional, difícil de convencer e de converter. Estes princípios capturam a
essência da Mecânica Quântica. Propriedades que normalmente pensamos
estarem acima de qualquer suspeita, como por exemplo, a definição da posição,
velocidade, momento e energia de um objecto quântico são agora vistos como
meras flutuações incertas, probabilidades indefinidas.
Os físicos quânticos aconselham-nos a aceitar a Natureza tal e qual como ela
é. No entanto, não nos devemos deixar levar por esta conotação mais mística e
indeterminista do mundo quântico, julgando-o de imediato como ilógico e
impossível de compreender e há até quem lhe atribua outras descrições mais
dramáticas, tais como, bizarra, absurda e irracional.
Não nos devemos deixar seduzir e render completamente por estes novos
conceitos sem sequer tentar enquadrá-los numa relação coerente.
O compromisso entre o conceito de onda e corpúsculo torna-se numa relação
impossível de assimilar e ultrapassar, uma concepção inconciliável com o
espírito humano.
A minha convicção tem como fundamento uma crença profunda na Relação
Causa-Efeito. Admito que posso errar, mas pessoalmente não acredito no
indeterminismo e na indefinição da Mecânica Quântica.
Parece-me que, e passo a citar o físico Ernest Rutherford: " Enquanto não
formos capazes de explicar uma coisa em termos simples e não técnicos, então,
é porque não a compreendemos realmente.". Penso que ainda compreendemos
muito pouco acerca da Mecânica Quântica. Enquanto for necessário explicar
Física em função de técnicas e com cálculos matemáticos em vez de palavras e
conceitos, então, é porque ainda não assimilámos correctamente a totalidade do
fenómeno.
O trunfo da Mecânica Quântica é apoiar-se no método estatístico, sem o qual
115
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

não consegue explicar um processo ou um fenómeno. O tratamento de um


fenómeno é sempre visto relacionando um grande número de partículas e a sua
análise estatística permite uma previsão probabilística bastante correcta. Um
pouco como a análise termodinâmica das partículas de um gás. É impossível
para um meteorologista prever com precisão o movimento de uma única
partícula da atmosfera, mas é possível obter uma análise do movimento global
de todas as partículas, através de uma tratamento estatístico e probabilístico.
Desta forma, a Mecânica Quântica funciona quando aplicada a um grande
número de partículas, mas já não se aplica ao tratamento de uma única
partícula. Pois para estes casos pontuais a Natureza ainda não nos desvendou o
seu maior mistério!
A experiência da dupla fenda expõe-nos esse mistério muito claramente e
deixa muito físicos absolutamente intrigados, o que é facto é que, ainda
ninguém conseguiu apresentar uma hipótese objectiva e esclarecedora acerca
deste fenómeno, e isto deixa os físicos completamente desarmados e sem
explicações, a única coisa que podemos dizer é que simplesmente sabemos que
é assim que acontece.
A interpretação ortodoxa da Mecânica Quântica afirma que antes da
operação de qualquer medida não podemos falar de realidades porque apenas
existem potencialidades.
Antes de prosseguirmos vejamos, em traços gerais, quais foram as soluções
apresentadas para estes fenómenos.
A Física Quântica não sucumbe à tradição da Física Clássica dizendo que
uma partícula passa por uma fenda ou passa por outra, diz que a partícula passa
por ambas!
Também não se submete à tradição dizendo que um fotão percorre um
caminho ou percorre outro caminho, diz que percorre todos os caminhos
infinitos em simultâneo!
Querem convencer um leigo de que uma partícula atravessa
simultaneamente caminhos diferentes, e nada menos do que um número infinito
deles!!
E ainda que a relação do observador com a experiência altera o resultado da
experiência. Se o observador resolver intervir para tentar confirmar por que
fenda a partícula passou, o sistema apercebe-se, faz batota, e escolhe uma fenda
definida!!!
Pessoalmente, pediria o livro de reclamações. Isto é absolutamente de
loucos!
116
A VIAGEM NO TEMPO

A interpretação quântica rejeita o conceito de ondas físicas e passamos a


considerar ondas de probabilidade. Isto implica, necessariamente, que para
explicar a experiência temos de abdicar da relação de causalidade.
Sob o meu ponto de vista, rejeitar esta relação causal implica abdicar da
nossa capacidade de pensar sobre as coisas.
Se não podemos estabelecer um raciocínio com base na relação causa-
-efeito de que forma é que se pretende avançar em ciência e consolidar novos
conhecimentos?
Pessoalmente, penso que, tanto a Teoria das Cordas como o Princípio da
Incerteza têm enfraquecido as bases da ciência, de formas diferentes e distintas.
Se a Teoria das Cordas põe em causa a relação entre Teoria e Experiência, a
própria Física como ciência experimental; por outro lado, o Princípio da
Incerteza conduz-nos a um destino sem rumo, pois ao abrir as portas a estes
novos conceitos de incerteza, fecha-nos o conceito de Certeza.
A partir daqui torna-se quase impossível continuar a fazer ciência. Se a
ciência perde a coerência da teoria com a verificação experimental, se a ciência
abdica da relação causa-efeito, em que nível é que fica a Ciência?!
O que está aqui em causa, repito, é o próprio conceito de Ciência!
A ciência tradicional dos antigos, trabalhada com a Física Clássica, sempre
foi um bom guia, e sempre deu os seus frutos para aqueles que acreditaram e
souberam ser pacientes …
De volta à Dualidade:
A mecânica Quântica argumenta a intervenção probabilística que assegura
que a partícula não se dividiu propriamente em pedaços mais pequenos, apenas
indica a existência das regiões onde essa partícula pode ser encontrada com
maior probabilidade. O que na prática não explica muito do processo físico,
aquilo que todos nós mais gostaríamos de saber … o „como‟!
Estas experiências tão familiares que todos nós já conhecemos, sob o meu
ponto de vista, continuam a aguardar por uma explicação.
Concentremo-nos apenas na descrição dos factos. E vale a pena termos
muita atenção aos pormenores. Se este fenómeno de facto acontece, então, é
porque é possível. Resta-nos saber como!
Eu tenho uma sugestão, ainda não muito rigorosa mas que pode levantar
uma outra hipótese … mais clássica!
Aproveito para realçar, uma vez mais, que a Física Moderna não deveria
esquecer e excluir todos os princípios ensinados pela modesta Física Clássica.

117
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Esta velha ciência acumula imensa sabedoria e ainda não revelou toda a sua
sapiência.
Há uma Lei no Universo na qual eu ainda não consegui deixar de acreditar,
que é na Relação Causa-Efeito, e este é o pilar fundamental de toda a
construção da Física Clássica.
Como diria alguém em tempos: “Deus não joga aos dados.” – Einstein -,
portanto, é óbvio que a Natureza encontrou uma maneira de enquadrar a
dualidade num processo lógico.
Se assumirmos uma perspectiva geral e observarmos o panorama completo,
podemos reparar que temos três problemas na Física Moderna à espera por uma
resolução:
Experiência da dualidade onda-partícula;
Intervenção na dupla fenda;
Salto quântico do electrão.
… se olharmos atentamente podemos reparar que todos estes problemas estão a
aguardar por uma explicação comum, porque no fundo são tudo efeitos do
mesmo fenómeno!
Avancemos primeiramente para o enigmático salto quântico do electrão:
Numa primeira abordagem, aparentemente mágica, podemos dizer que os
fotões quando colidem com a electrosfera materializam o electrão nesse ponto,
tornando-o numa partícula corpuscular. A acção do fotão na periferia do átomo
estabelece a concentração da densidade de carga do electrão para uma zona
pontual ao nível energético correspondente.
O número quântico principal que estabelece o raio das orbitais onde os
electrões podem permanecer tem uma definição específica e descontínua
porque se referem às distâncias em que ocorre a emissão e a absorção de
energia, isto é, aos níveis energéticos. Nesses momentos o electrão assume o
seu comportamento corpuscular, com a absorção de energia ocorre o colapso da
onda do electrão, e com a emissão de energia ocorre o espalhamento da onda do
electrão.
Contudo, o electrão tem inicialmente a sua densidade de carga eléctrica
distribuída mais ou menos uniformemente consoante o formato da orbital em
torno do núcleo. Na presença do fotão a distribuição dessa densidade é alterada
e eis que parece ocorrer o salto quântico, que na realidade não é propriamente
um salto mas sim uma alteração linear da distribuição da densidade da carga do
electrão que passa a ser concentrada para um único ponto bem definido do
átomo, e para um raio e distância ao núcleo muito bem definido,
118
A VIAGEM NO TEMPO

correspondente ao nível energético. E então dizemos que o electrão descreveu


um salto quântico mas na verdade o que aconteceu foi que o electrão assumiu a
sua faceta material.
Quando isto acontece é porque o fotão tem o poder de agir sobre a carga do
electrão, concentrando-a num único ponto e numa partícula pontual e
corpuscular, de forma que, podemos considerar o fotão como sendo uma
partícula portadora de um campo próprio cujo carácter incide na atracção de
cargas mínimas, neste caso, de cargas negativas.
Poderíamos supor que, ao contrário da Força Forte que atrai as cargas
positivas dos protões no núcleo mantendo-os unidos, o fotão teria a
particularidade de atrair, unir e concentrar densidades reduzidas e mínimas de
carga, isto é, a carga de um único electrão, a carga elementar.
Nesta primeira fase fiquemos somente com a retenção geral desta ideia, que
as partículas no seu estado de equilíbrio natural assumem a sua faceta
ondulatória mas se forem perturbadas por um fotão permutam de forma e
assumem o carácter corpuscular. A intervenção do fotão é crucial.
Agora, vejamos o que é que está a acontecer na experiência da dupla
fenda…
As condições da experiência são muito importantes. A experiência é
realizada da seguinte forma: isolando o sistema da luz exterior, isto é,
colocando o emissor de partículas, o anteparo com fendas e um anteparo final
sensível à luz num sistema fechado e isolado da perturbação de fotões externos,
uma vez que o que pretendemos verificar é o padrão de luz e o seu contraste
que se forma no anteparo final, como uma película de um filme. Quando
projectamos fotões, a placa fotográfica regista a luz que passa pelas fendas em
pontos claros. Quando projectamos partículas como electrões utiliza-se um
filme de fósforo, esta substância é sensível a qualquer acção externa e é,
basicamente o mesmo princípio que está presente nas antigas televisões com
tubos de raios catódicos, e o embate causado por estas partículas também
provoca pontos luminosos.
Estando isto esclarecido, passemos para uma primeira fase da experiência: a
projecção de um feixe de electrões com as duas fendas abertas:
Quando os electrões são projectados contra o alvo de matéria, contra o
anteparo final, adquirem velocidade e como tal assumem o seu carácter
ondulatório. Uma vez que durante o percurso não há interferência com fotões,
os electrões não sofrem nenhuma perturbação e continuam o seu caminho na
sua faceta ondulatória. O carácter ondulatório preserva-se.
119
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Como temos duas fendas abertas, o carácter ondulatório dos electrões dá


lugar ao fenómeno de interferência. O resultado projectado no anteparo final é o
de ondas.
Segunda fase da experiência: a projecção de um feixe de luz com as duas
fendas abertas. Esta experiência é praticamente análoga à anterior:
A luz é uma onda electromagnética constituída por um número imenso de
fotões, tal como as ondas de água são constituídas por uma corrente enorme de
moléculas de água. O carácter ondulatório da luz é preservado do início ao fim
e assiste-se no anteparo final um fenómeno de interferência. O resultado da
projecção também é o de ondas.
Agora, na tentativa de manter este raciocínio, passemos à frente na
experiência e adiantamo-nos até à parte em que pretendemos saber por que
fenda é que o electrão passou.
Ora, para sabermos por que fenda é que o electrão passou é preciso iluminá-
lo, ou seja, apontar-lhe luz. Ao apontar-lhe luz o electrão reflecte a sua presença
e posição, como qualquer objecto. Mas esta acção só por si já causa a
interferência necessária para alterar a faceta ondulatória inicial do electrão. O
contacto do electrão com o fotão transforma-o obrigatoriamente e
automaticamente na sua faceta corpuscular, pela razão que expliquei no salto
quântico. Não há uma relação directa com o observador, há sim uma relação de
causa-efeito! A intervenção do fotão é fundamental.
Agora, o truque do mágico está na parte final da experiência, na propriedade
corpuscular do electrão e do fotão!
A luz ainda deve conter muitas propriedades que nós desconhecemos e
seguramente muitos segredos para desvendar.
Contudo, nesta experiência da dupla fenda penso que temos estado a dar
atenção somente à primeira parte da experiência, ou seja, à parte da acção e
temos estado a esquecermo-nos da 3ª Lei de Newton sobre o princípio da
acção-reacção!
O anteparo final oferece uma reacção, reacção essa que altera o desfecho da
experiência. Vejamos como: Sabemos que se propagarmos uma onda material
em direcção a um obstáculo, por exemplo seja ela uma onda de som ou de água,
obtemos uma reacção, isto é, a onda pode ser reflectida em parte ou na
totalidade, porque o obstáculo oferece uma reacção.
Será que no caso da projecção de uma partícula individual, quer seja ela de
radiação ou corpuscular, o nosso obstáculo não oferecerá também uma
reacção!? E se realmente oferece uma reacção, qual será essa reacção?!
120
A VIAGEM NO TEMPO

É preciso esclarecer primeiramente o que queremos dizer com „partículas‟


de radiação ou „partículas corpusculares‟. Posso já adiantar-vos que o conceito
corpuscular é que nos atrapalha o raciocínio.
Avancemos primeiramente para a experiência com um electrão.
Para o caso específico do electrão confesso que inicialmente estava a pensar
na fosforescência do material e na reemissão de luz e portanto na acção dos
fotões, mas isso só tornaria o fenómeno ainda mais complexo e diminuiria as
probabilidades de obtermos sempre a mesma imagem padrão no anteparo final.
Depois, surgiu outra hipótese, muito mais simples!
Depois de termos em mãos a solução de um processo é que nos damos conta
de como ele é simples …
É bom pensar que as coisas e os processos são simples, isso é sempre um
bom guia. Mas às vezes até conseguem ser irritantemente simples!
Mais uma vez, os fotões têm sempre o seu papel principal, são eles que
decidem o desfecho final da experiência.
Como devem se recordar, os electrões não emitem fotões somente quando
transitam de níveis energéticos. Há uma outra forma de processar fotões. E qual
é essa forma?!
Deixo-vos a pensar por uns momentos …
A solução para esta experiência decorre da seguinte relação:

Fig. 8 - Diagramas de Feynman!

Fotão

Com este conceito em mente, já podemos prosseguir com mais alguns


esclarecimentos:

121
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Sempre que dois electrões se encontram em rumo de colisão comunicam


entre si repulsivamente, avisando o outro electrão da sua presença e
proximidade. Uma vez que o carácter destas duas partículas é naturalmente
repulsivo inicia-se um „combate‟ entre elas que se faz através da transmissão de
fotões uns contra o outro.
De certa forma, os fotões actuam como mensageiros que transportam a
informação de um electrão para outro comunicando a seguinte mensagem: 'não
te aproximes, as nossas cargas são repulsivas'.
Com este conceito em mente já podemos proceder com mais alguns
avanços.
Relembremos, primeiramente, que o movimento inicial do electrão é sempre
ondulatório. Sempre que o electrão adquire velocidade ou está em movimento
assume a sua faceta natural que é a ondulatória.
Somente nos momentos em que há o colapso ou o espalhamento da onda,
que corresponde, respectivamente, aos momentos de absorção e emissão de
fotões, e somente nesses casos, no exacto momento de colisão ou do colapso, é
que a velocidade do electrão é alterada e, portanto, este assume o seu carácter
dual permutando para a sua forma corpuscular ou ondulatória.
Nesta experiência da projecção de um electrão de cada vez, com as duas
fendas abertas, o resultado final, numa primeira fase, é corpuscular mas a
composição final é ondulatória. Vejamos como será possível pintarmos este
quadro.
Primeira parte:
O que é que acontece na passagem por entre as fendas do primeiro
anteparo? O electrão atravessa-as como onda ou como partícula?
Já vimos que a mecânica quântica considera que a partícula atravessa ambas
as fendas em simultâneo, como se o electrão possuísse o dom da ubiquidade.
Um passo de cada vez, e mais uma vez torna-se necessário adquirirmos
algum grau de abstracção: Primeiramente temos de assumir que o electrão viaja
na sua faceta ondulatória, uma vez que esse é o seu estado natural e, por isso,
aproxima-se do primeiro anteparo, constituído por duas fendas, na forma de
onda.
E o que é que acontece quando o electrão encontra o anteparo?
Embora o electrão viaje inicialmente em direcção ao primeiro anteparo em
forma de onda, este não atravessa as duas fendas como se fosse uma onda, isto
é, em simultâneo. Assim que a frente de onda se aproxima do anteparo, e no
caso do electrão não ser logo absorvido no primeiro anteparo, resta alguma
122
A VIAGEM NO TEMPO

probabilidade de a frente de onda do electrão que avança estar ligeiramente


mais próxima de uma fenda ou de outra.
Recordemos que a propagação de uma onda é sempre circular e de raio
constante em torno de um centro de emissão.
Assim que esta frente está suficiente próxima de uma das fendas inicia-se o
reconhecimento de possível colisão com os electrões da placa e, como tal, a
onda electrónica colapsa e converte-se na sua faceta corpuscular, é nesta fase
que o electrão viajante troca fotões com os electrões do anteparo que envolvem
a fenda.
Recapitulando, sendo as fendas de tamanho reduzido, a frente de onda que
está mais próxima de passar por uma das fendas deve estar suficientemente
perto para reconhecer os electrões da própria fenda, como tal, há troca de fotões
e o electrão assume a sua faceta corpuscular, sendo que esse combate evita que
haja um rumo de colisão entre os electrões da placa e o electrão viajante,
contribuindo para que o electrão consiga „desviar-se‟ e ultrapassar o buraco da
fenda com segurança, a dispersão do electrão evita o choque frontal com o
primeiro anteparo.
Assim que ultrapassa a fenda, o nosso electrão viajante está a afastar-se dos
electrões do primeiro anteparo e, como tal, o electrão viajante pode retomar
tranquilamente a sua viagem assumindo, novamente, a sua faceta ondulatória.
Com a particularidade de que aquela troca de energia de fotões veio alterar o
seu momento e direcção, sucedendo-se que as novas frentes de onda que se
espalham têm sempre direcções distintas e a frente de onda avança em direcção
ao anteparo final sempre com rumos de colisão completamente diferentes. E,
mais uma vez, antes de colidir com o anteparo final, o combate com fotões e a
mutação corpuscular repete-se.
Segunda Parte:
Concentremo-nos agora somente no anteparo final.
Quando está nas proximidades do anteparo final, a nova frente de onda, que
transporta outro momento e direcção, começa a detectar electrões nas
proximidades e o provável embate com um electrão do anteparo final.
Quando os dois electrões estão suficientemente próximos para se
reconhecerem um ao outro inicia-se o „combate‟ com fotões. E sempre que há
fotões nas proximidades, o que é que acontece?! O colapso da onda do electrão
viajante e por isso este atinge sempre o anteparo na sua faceta corpuscular!
Uma vez que não existem quaisquer fendas por onde o nosso electrão viajante
possa escapar, a colisão é inevitável.
123
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

No caso da emissão de vários electrões em simultâneo, como vos referi logo


no início, o resultado final é o de interferência, no entanto, a situação é análoga
à da emissão de um único electrão. São sempre ondas que vêm a caminho e que
embatem na forma corpuscular. O que acontece é que dada a velocidade de
deslocamento destas partículas, cujos valores estão na ordem de grandeza da
velocidade da luz, à volta de 107 m/s, o processo de sobreposição corpuscular é
tão rápido que transmite-nos a sensação de ter chegado uma onda em
simultâneo. Mas não é bem isso que acontece.
Vejamos a situação com rigor e mais lentamente:
A primeira frente de onda avança em velocidade, os electrões do anteparo
final começam a pressentir a ameaça e começam a preparar a sua defesa. Os
Soldados do Comando da frente de onda que avança fazem a sua primeira
avaliação do território de colisão e detectam o inimigo, a Tropa de Elite do
anteparo. Quando a primeira frente de onda está suficientemente perto, inicia-
-se o ataque sem piedade com disparos de fotões. Os electrões assumem a sua
postura física corpuscular e continuam o combate. Enquanto isto, mais
Soldados do Comando vêm a caminho, novas frentes de onda avançam
rapidamente, aproveitam a oportunidade, pois sabem que a Tropa de Elite do
anteparo continua ocupada com os primeiros Soldados do Comando. Os
Soldados do Comando estão em maioria e a Tropa de Elite do anteparo vê-se
impotente para tantos invasores, é aí que as outras frentes começam a chegar, a
distribuir-se, e a apoderar-se do território lateral do anteparo, atingindo o alvo
nas outras frentes.
Um plano de ataque que nem lembraria a Napoleão!
E é por isto que a figura de interferência é ligeiramente mais brilhante ao
centro e mais suave nos bordos!

Fig. 9 - Gráfico da distribuição da intensidade espacial no alvo -


124
A VIAGEM NO TEMPO

Para a experiência com um único fotão, o fenómeno é exactamente idêntico


ao de um único electrão.
A subtileza do raciocínio é a seguinte: Tudo começa como ondas mas tudo
termina como partículas!
Como podem verificar, o dualismo onda-partícula não arrasta consigo a
incerteza da posição e velocidade, o que arrasta é antes um perfeito
desconhecimento de um processo ou de um fenómeno.
Sempre que falarmos em electrões, fotões, protões, etc., devemos dizer que
estes entes quânticos propagam-se como ondas mas trocam energia como
partículas! E podemos considerar que essa troca ocorre sob a forma de pacotes
de energia, quantas, ou como quantidades discretas de campos.

125
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XIX

ANIQUILAÇÃO MATÉRIA ANTI-MATÉRIA

“ Os Homens discutem, a Natureza age.”


- Voltaire -

Outra questão complicada que se coloca na Cosmologia é um velho


problema da Física tão fascinante e enigmático quanto a dualidade onda-
-partícula.
A evocação é a seguinte: Sabemos hoje que o Universo é constituído quase
exclusivamente por matéria, mas deduzimos que nem sempre foi assim. No seu
passado remoto, o Universo continha quase tanta matéria como antimatéria. A
antimatéria possui propriedades simétricas da matéria, se por acaso duas
partículas deste género se encontrarem anulam-se mutuamente. E como
resultado da sua colisão e aniquilação assiste-se ao aparecimento de uma
enorme quantidade de energia.
A anti-matéria foi postulada por Paul Dirac como resultado de uma equação
por ele formulada, a equação de Dirac. Esta equação visava unificar a equação
de Schrödinger com a relatividade restrita, descrevendo tanto as propriedades
quânticas das partículas como também as suas propriedades relativistas. A
equação de Dirac, de facto, resolveu o problema, ou quase, mas apresentou-nos
uma novidade.
Inesperadamente, das soluções da sua equação surgem outras partículas
diferentes das conhecidas, mas não tão diferentes quanto isso, as suas
propriedades eram exactamente simétricas. Isto significa que, por cada tipo de
partícula existe uma anti-partícula de igual massa mas com sinal de carga
oposto. Daí resulta que, por exemplo, o electrão tem uma anti-partícula
designada por positrão de igual massa mas carregado positivamente!
A antimatéria foi revelada pela equação de Dirac:

[Ƴμ ( i _d_ – eАμ ) - me ] Ψ ( xν) = 0


dxμ

A existência desta antimatéria já foi verificada experimentalmente em

126
A VIAGEM NO TEMPO

aceleradores de partículas. As nossas antipartículas realmente existem mas


ainda bem que elas não andam por aí à solta!
A teoria quântica de campo explora a simetria das partículas. Prevê que, no
início do Universo, e considerando a equação de Dirac, deveria existir o mesmo
número de partículas como de antí-partículas. Deduzem que a antimatéria terá
evoluído conjuntamente com a própria matéria. No entanto, a matéria
prevaleceu sobre a anti-matéria.
Se existisse tanta matéria como antimatéria no início do Universo, a situação
seria verdadeiramente catastrófica. Toda a matéria e antimatéria interagiriam
entre si e desapareceriam, aniquilando-se uma à outra, deixando atrás de si um
rasto de energia e radiação e nada de matéria.
Então, porquê que há matéria em vez de nada?!
Colocando assim a questão … realmente é muito difícil de responder e
encontrar uma solução … muito difícil.
Ninguém conseguiu ainda imaginar um processo que possa ter separado a
matéria da antimatéria ou um processo que possa ter compensado o aumento da
matéria em detrimento da antimatéria.
Fala-se em ligeiras flutuações, dissimetrias, excedentes mínimos,
probabilidades ínfimas, processos que envolvem diferentes velocidades de
reacção para a matéria em relação à antimatéria, ou ainda que o Universo ainda
possua esta antimatéria escondida algures nos confins do Universo, de forma
que a quantidade de matéria e antimatéria ainda estarão, actualmente,
uniformemente equilibradas! … Parece realmente um problema altamente
complexo.
A matéria domina a antimatéria mas porquê?
Procura-se exaustivamente soluções pelo facto de não se detectar
actualmente a existência de toda essa antimatéria!
Este problema transporta-nos para o início do Cosmos, para um período em
que se designou por Era Hadrónica.
Deduz-se que este nosso Universo, com apenas 10-7 segundos de idade, já
era composto por um conjunto de partículas pesadas ou hadrões. Dado as
temperaturas extremamente elevadas que se considera existirem nessa altura,
estes hadrões desintegrar-se-iam nas suas partículas fundamentais constituintes,
os quarks. De modo que, o universo primordial seria preenchido por um plasma
de quarks, gluões e fotões altamente energéticos. A passagem destes fotões
altamente energéticos conduziria à criação de antimatéria.
Actualmente pode-se verificar a criação de antimatéria através de raios
127
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

cósmicos, produzidos nas reacções nucleares das estrelas. Os raios cósmicos


representam radiação de elevada energia, radiação gama, e a antimatéria pode
ser criada pela passagem desta radiação no espaço. A passagem desta energia
pelo vácuo faz surgir espontaneamente um par de matéria-antimatéria: o par
electrão-positrão. Sendo que esta matéria e a sua homónima antimatéria têm um
período de vida efémero. A antimatéria não „flutua‟ pelo espaço, esta
desintegra-se numa fracção de segundo.
Os aceleradores de partículas reproduzem estes acontecimentos através de
colisões frontais de partículas que rapidamente são aniquiladas e transformadas
em energia pura. Esta radiação altamente energética produz, consecutivamente,
matéria e antimatéria
A teoria da criação do Universo, o Big Bang, acredita que este processo de
criação e aniquilação de partículas realmente ocorreu, porém, não explica como
é que a matéria conseguiu escapar a esse período de aniquilação precoce. Pois,
neste seu passado remoto, muito energético e muito quente o Universo não teria
hipótese de escapar a tão devastadora aniquilação!
Às vezes, quando não se consegue resolver um problema temos ainda um
último recurso … pode-se tentar alterar a equação!!
Se ainda se recordam do modelo que vos apresentei para os tempos
primordiais do Universo vimos que, a formação de quarks demorou o seu
tempo, a evolução da matéria é gradual, e seguramente o aparecimento dos
fotões associados à formação da força electromagnética é ainda muito mais
tardio e a formação de átomos ocorreu num período em que as condições de
temperatura, energia e radiação eram muito mais baixas, equilibradas e estáveis.
Nessas condições ambientais, de equilíbrio térmico, a passagem de fotões
altamente energéticos e a colisão entre partículas não acontece com tanta
frequência, nem têm energia suficiente para produzir antimatéria.
No início do Universo não podemos considerar a existência de raios
cósmicos, não podemos considerar a existência de radiação gama, nem sequer
de radiação electromagnética, e muito menos de fotões e hadrões
convenientes…
Um dos grandes argumentos a favor da existência deste processo de
aniquilamento decorre do facto de se detectar na radiação de fundo um excesso
de número de fotões em relação ao número de bariões. E pensa-se que a razão
deste desequilíbrio entre fotões e matéria são vestígios de um processo de
aniquilamento matéria-animatéria que terá ocorrido no passado e deixado um
défice de matéria e um mar de fotões.
128
A VIAGEM NO TEMPO

Mas mesmo quando se analisa e se considera que a razão entre o número de


bariões e o número de fotões presentes no universo primordial é bastante
desequilibrada e que a densidade de fotões ultrapassa largamente a densidade
de neutrões e de protões; não se pode assumir que a explicação para esse
excesso de fotões tenha tido origem no processo de aniquilação matéria-
-antimatéria, até porque esse excesso é insuficiente e mínimo.
Esse excesso de fotões decorre de um período posterior e advém da primeira
forma de produção de radiação luminosa num Universo ainda bastante jovem e
absorvido por elevadas energias. Neste universo primordial há que considerar e
relembrar que a intensidade das forças da Natureza é variável e,
particularmente, a intensidade da força de radiação electromagnética é bastante
superior, como tal, a produção de fotões será, efectivamente, bastante elevada
nesta altura.
Este excesso de fotões terá tido origem, não num processo de aniquilamento,
mas antes num processo de criação, produzido por objectos capazes de emitir
grandes quantidades de luz … os Quasares!
Assim sendo, o que temos em mãos não é propriamente um problema mas
antes, um problema na formulação do problema, porque:
A criação de pares electrão-positrão nunca ocorreu!
A aniquilação da matéria e antimatéria nunca teve lugar!
O Período Hadrónico nunca existiu!
A Radiação Primordial, associada ao momento de criação, não está de modo
algum relacionada com a Radiação Electromagnética.
Esta Primitiva Radiação também não está de forma alguma associada a uma
espécie de combinação de forças ou de uma Força Unificada.
Esta Radiação Singular, presente no início do Cosmos está associada a uma
outra Força Exótica … em breve veremos qual a origem e características desta
Quinta Essência.

129
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XX

PROBLEMA DO HORIZONTE

“ Calcula aquilo que o Homem sabe e não haverá comparação


com aquilo que ele não sabe.”
- Chuang Tzu -

O Problema do Horizonte tem uma resolução semelhante. Tudo reside no


facto de termos considerado que as quatro forças principais da Natureza são
inatas ao Cosmos.
Como vos demonstrei, as forças não emergiram todas com o Big Bang,
também estas tiveram uma origem e uma evolução natural.
Para este problema em particular o que está aqui em questão é a associação
de fotões com o período de inflação.
Durante este período inflacionário, em que o Universo sofreu uma expansão
acelerada, a criação do próprio espaço é de tal forma rápida que ultrapassa até
mesmo a velocidade da luz!
Esta expansão cria retalhos de horizontes desconexos impossibilitando
qualquer explicação para uma interacção física uniforme.
Se o espaço se dilata mais depressa do que a luz se propaga,
automaticamente emergirão regiões não expostas à luz, ou seja, todo o espaço
ficaria preenchido por regiões com diferentes horizontes visuais, isso é, regiões
que não se vêem umas às outras.
A expansão do espaço sendo mais rápida do que a luz se propaga, dilata
infinitamente a distância que separa esses pontos no espaço dos raios de luz que
o atravessam, e estes nunca conseguirão alcançar esse espaço. Para que a luz
pudesse abranger uniformemente todo o espaço que forma o Universo tal e qual
como o vemos hoje, a sua velocidade teria de ser bastante superior,
essencialmente ou praticamente infinita, e não é.
De facto quando contemplamos o céu numa noite escura não avistamos
regiões vazias, grandes áreas com lacunas de luz. Os telescópios e as imagens
de satélites mostram-nos uma imagem do céu profundo homogéneo, isotrópico
e absolutamente harmonioso.
A primeira evidência para a resolução deste problema é que não há
horizontes desconexos … não há horizontes desconexos, pelo menos dentro
130
A VIAGEM NO TEMPO

deste Universo. Essa é a nossa grande evidência!


É certo que o raio do Universo estende-se muito para além daquilo que
conseguimos ver ou medir. Mas o problema que se colocou para a previsível
existência dessas regiões no Universo, com raios reduzidos, horizontes visuais
distintos e o facto de não as encontrarmos e o imenso tempo já dispensado para
o justificar e as inúmeras soluções e explicações que falharam mas que
continuam, podem ser facilmente resolvidas se assumirmos que não existiam
fotões no período em que decorreu a inflação, sendo assim, não há Problema do
Horizonte!
Realmente, basta alterar só uma pecinha deste imenso puzzle que é a Física
que tudo começa a decorrer naturalmente … sem obstáculos … sem problemas
… sem incongruências! A alteração deste simples critério facilita toda a
História do Cosmos.
É um pouco como a teoria da inflação. Não temos prova directa de alguma
vez ter ocorrido o período de inflação, apenas sabemos que com a inflação
resolvemos todos os problemas!
Com estes novos dados, se me permitem … Gostaria de ter a honra de fazer
algumas alterações. Como vêem este quadro mostra-nos as datas e os eventos
mais marcantes da História do nosso Universo … Da minha parte tenho de o
admitir, não concordo em quase nada com esta informação!

TEMPERA- RAIO
TEMPO ENERGIA FENÓMENOS MARCANTES
TURA UNIVERSO
0 ? ? ≈ 0 cm Big Bang
-43 32 19 -50 A Gravidade é forte. É necessária uma Teoria
10 s 10 K 10 GeV 10 cm
Quântica da Gravidade
Grande Força Unificada. Força Forte; Fraca e
10-37 s 1029 K 1016 GeV 10-33cm
Electromagnética unidas.
10-36 s 1029 K 1015 GeV 10-15cm Inflação
Predominância da matéria sobre a antimatéria.
10-33 s 1027 K 1014 GeV 10-10cm
Fim do período Hadrónico.
Nucleossíntese. Formação dos primeiros átomos
100 s 1010 K 10-4 GeV 105cm
de Hidrogénio e Hélio.
Fotões dissociam-se da matéria. Origem da
106 anos 103 K 10-1 GeV 1010cm
Radiação de fundo.
1010 anos 3K 10-3 GeV 1020cm Hoje. Formação de Galáxias e da Vida.
1040 anos ? ? ? Desgaste da matéria. Desintegração do protão.

Fig. 10 - Evolução do Universo -

Agora sim! Está bastante melhor! Simples e sem complicações!


131
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XXI

ENERGIA ESCURA

“ Vivo numa casa muito pequena mas as minhas janelas


dão para um mundo muito grande.”
- Confúcio -

Em Astrofísica ocorrem compressões espantosas de matéria!


Por exemplo, quando as estrelas esgotam o seu combustível, começam a
contrair, e sob acção do seu próprio peso começam a contrair cada vez mais até
atingirem uma fracção do seu tamanho original.
Algumas dessas estrelas implodem subitamente e formam astros
extremamente densos, confinados a um raio extremamente curto. Podemos
imaginar que estrelas maiores que o Sol podem ser comprimidas até atingirem o
raio da cidade de Lisboa.
Dizemos que a gravidade dessas estrelas colapsadas é tão grande que até
mesmo os próprios átomos são praticamente esmagados e os electrões são
forçosamente empurrados para dentro do núcleo. A estrutura atómica é
quebrada em virtude da compressão „gravítica‟ da matéria que a envolve.
A este novo tipo de matéria com ausência de orbitais electrónicas dá-se o
nome de Matéria Degenerada Bariónica, e para que isto possa ocorrer é
necessário concentrar 100 milhões de toneladas de matéria num único cm3!
Quando os electrões são forçados a entrar nos núcleos atómicos combinam-
se com protões e transformam-se em neutrões. Este novo tipo de matéria,
constituída exclusivamente por neutrões, oferece pressão resistiva suficiente
para parar o colapso „gravitacional‟ da estrela. A estrela estabiliza e dizemos
que transformou-se numa estrela de neutrões.
Uma estrela de neutrões contém, muito provavelmente, o material mais
rígido do Universo. Mas mesmo este não é absolutamente incompressível, caso
a estrela possua matéria inicial suficiente, este material pode ser ainda mais
esmagado, e a estrela colapsará completamente. Os núcleos de matéria
degenerada subitamente implodem numa fracção de segundo deixando atrás de
si um Buraco Negro!
Os buracos negros são simplesmente misteriosos!
Para onde foi toda aquela matéria „sugada‟?
132
A VIAGEM NO TEMPO

Até ao presente momento não há nenhuma teoria que revele o mistério que
rodeia o destino da matéria que implodiu! Sumiu, simplesmente!?
Se bem me recordo, no Universo nada se perde, tudo se transforma!
Supõe-se que o centro de um buraco negro concentrará uma densidade
infinita de matéria e que a sua gravidade será aí igualmente infinita.
Quando um infinito aparece numa teoria física, assombra-a completamente!
Os físicos não se sentem muito à vontade com infinitos … por isso, não gostam
muito de buracos negros, nem de singularidades ou de estados infinitos porque
nesse enquadramento espacio-temporal não são válidas as leis da Física de que
dispomos.
Durante muito tempo, os físicos mantiveram-se cépticos em relação a tais
entidades físicas. Mostravam-se reticentes em acreditar que tais situações
extremas de matéria pudessem eventualmente ocorrer. Mas os buracos negros
foram detectados e, portanto, não eram meramente fruto da imaginação
excessiva de alguns físicos teóricos.
Tem-se pensado muito sobre o que é que estará no fundo deste poço em
forma de funil …
Esta forma de vórtice que aparece de imediato nas nossas mentes transmite-
nos uma ideia errada acerca do que é um buraco negro.
Pessoalmente não aprecio muito a forma funilar, gosto mais da geometria
das esferas … as „bolhas de óleo‟!
Como vos disse anteriormente, nem tudo o que nos ensinam na escola é
verdadeiro. No entanto, nem tudo é falso! Longe disso!
Uma das Leis que nos ensinaram na escola e que muito provavelmente não
estará errada, é a Lei da Conservação da Energia.
Olhando para um buraco negro, assim de repente … se supostamente a
emissão da energia gravitacional naquele lugar deveria ser infinita, uma vez que
toda a massa foi concentrada num raio zero … olhando bem à sua volta
sabemos que a gravidade ali em redor é bastante forte … mas se fosse
realmente infinita … já não estaríamos aqui!
Olhando para os restantes buracos negros espalhados pelo Universo …
contabilizando tudo … fazendo as contas, portanto … se a matéria sumiu e não
há gravidade infinita, então, há uma violação da Lei da Conservação da
Energia?!! Haverá uma fuga nesta Lei?! Um buraco na Conservação da
Energia!? Impossível! Recuso-me a acreditar.
Tal confirmação implicaria reformular completamente a Lei da Conservação
da Energia. Não me parece que este princípio esteja incorrecto.
133
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Mas afinal, para onde vai toda aquela energia de um buraco negro?! Para o
fundo do poço?!
O nosso Universo não é assim tão estranho quanto isso, provavelmente será,
acima de tudo, lógico!
Se assumirmos que não há fuga, então, só nos resta uma hipótese para tentar
salvar esta lei imaculada. Se está a faltar qualquer coisa, logo, alguma coisa
nova tem necessariamente de aparecer!
Há uma coisa nova que está constantemente a aparecer, a expandir-se, a
entrar no nosso Universo constantemente, preenche todo o espaço à nossa volta,
é omnipresente e está mesmo à nossa frente, é a Energia Escura!
A existência desta nova forma de energia foi proposta recentemente, em
1998, quando dados adquiridos acerca da velocidade de afastamento das
galáxias não coincidiam com os dados previstos. Segundo a teoria do Big Bang,
a expansão do nosso Universo deveria obedecer a um determinado valor, no
entanto, constata-se que essa velocidade de expansão é bastante superior. Esta
Energia Escura surge como uma justificação para tentar explicar a expansão
acelerada do Cosmos.
Sabemos que o Universo está em expansão e que esta surgiu com o Big
Bang, que projectou todo o espaço e matéria primordial tal como uma explosão
clássica. No entanto, a energia desta explosão não está a diminuir, não está a
desacelerar, antes pelo contrário, a aceleração e a velocidade de expansão do
Universo está a aumentar!
Normalmente, a energia de uma explosão clássica perde-se, atenua, dilui-se,
até cessar … e nunca aumenta! No caso do Big Bang tem-se uma explosão que
em vez de dissipar a energia está a ganhá-la!
De forma a evitar este paradoxo postulou-se a existência de uma nova força
responsável por separar o Cosmos cada vez mais rapidamente e atribui-
-se-lhe o nome de energia escura, que faz lembrar um pouco a „constante
cosmológica‟ perdida de Einstein.
De onde vem esta „constante cosmológica‟ que estica e distende o tecido do
espaço-tempo imperceptivelmente?
Não podemos contar com ela como tendo origem no Big Bang, por isso, de
algum sítio ela deve vir, de alguma forma esta energia deve entrar no nosso
Universo e não de uma maneira constante, mas antes de uma forma dominante,
porque esta energia tem estado a aparecer em quantidades cada vez maiores.
Esta energia é, na verdade imensa. Para ficarmos com uma noção clara, 70% do
nosso Universo é composto por esta energia escura.
134
A VIAGEM NO TEMPO

Uma das principais características atribuídas a essa energia escura é de que


esta é naturalmente repulsiva, ou seja, actua como se possuísse Antigravidade!
Ao contrário da Gravidade clássica, este novo tipo de gravidade não atrai,
antes pelo contrário, a natureza desta força é naturalmente repulsiva, ou melhor,
não contém Gravidade própria! Na verdade, é uma característica bastante
invulgar do Cosmos, a Antigravidade. A maioria das pessoas comuns nunca
ouviu falar de tal força, contudo, ela existe e só há uma forma de obter algo que
não tenha gravidade própria e qual é?
De acordo com o que vimos anteriormente, a evolução da Gravidade clássica
é uma produção tardia da matéria que só surge quando a estrutura atómica é
estabilizada de tal modo que, podemos dizer, sem estrutura atómica e sem
electrosfera não há força gravitacional e até podemos acrescentar, se quisermos,
que ao nível quântico elementar a natureza da matéria é antigravitacional.
No caso específico da matéria completamente degenerada assiste-se à
ruptura da estrutura gravitacional; à quebra da electrosfera do átomo, uma vez
que o próprio átomo colapsa sobre si próprio, logo, decorrido algum tempo este
novo tipo de matéria irá comportar-se como se tivesse uma pressão negativa o
que produz ausência natural de Gravidade, assumindo uma constante repulsiva
e não compressiva. Podemos dizer que esta nova forma de matéria-energia terá
uma densidade diferente, uma pressão negativa e ao contrário da densidade
positiva da matéria comum bariónica que observamos difundida e espalhada
pelo nosso Universo este novo tipo de energia que surge, tem uma densidade
diferente, por isso, irá tentar encontrar um outro caminho para escoar. Digamos
que esta nova forma de energia negativa flui para 'fora' do nosso Universo
visual.
Porém, esta energia não desaparece, antes pelo contrário, envolve-nos e
circunda-nos em todas as direcções.
Se repararam, quando iniciámos a História Natural do Universo e do próprio
Big Bang havia uma forma de energia que já estava presente, uma energia
primitiva, a Radiação Pura Primordial, que nas suas características base assume
as mesma descrições que a própria energia escura. A minha questão é a
seguinte: serão estes dois tipos de energia uma e a mesma coisa?
Se as características desta energia escura são tão semelhantes à energia
primitiva presente no início do Universo, então, talvez possamos considerá-la
como sendo a mesma forma de energia. Esta forma de energia constituiria o
fluido cósmico elementar, a base que possibilita o desenvolvimento e a
evolução e, consequentemente, a transformação desta energia em matéria
135
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

bariónica, desde os átomos, aos planetas, às estrelas e à própria vida. Esta seria
a matéria-prima do Cosmos!
E muito mais do que uma simples matéria-prima, esta forma de energia
incorpora o próprio suporte do espaço-tempo! De forma que podemos
considerá-la como a Quinta Força Suprema do Universo!
Antes de mais, deixem-me só referir que é preciso não confundir matéria
escura com energia escura, pois não há nenhuma relação entre estes dois
conceitos, a não ser no nome que lhes foi atribuído.
Para finalizar, é evidente que todos vós já devem ter percebido que pretendo
relacionar esta energia escura que entra com a energia negra que sai, quer isto
dizer que a energia sumida dos buracos negros não sumiu pura e simplesmente
em direcção ao fundo de um poço infinito!
Todo o caos concebido por estas estruturas complexas, todo o monopólio de
elevada entropia aí gerado, a desintegração da matéria é constantemente
recuperada e reciclada sob a forma de energia escura pelo próprio Universo.
Mais uma vez, no Universo nada se perde, tudo se transforma!

136
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XXII

QUANTAS DIMENSÕES?

“ Para além dos astros habitam outros mundos.”


- Einstein -

Postulando a entrada constante desta Energia Escura no nosso Universo, há,


evidentemente, uma outra questão que me surge de imediato:
Quantas são as dimensões que nos envolvem?
Três não serão certamente. Pelo menos mais uma há. Se há mais não sei!
A entrada uniforme desta energia escura pelo nosso Universo deve ser
postulada através de uma Quinta Dimensão sempre omnipresente e que nos
envolve.
Se o nosso Universo está a tornar-se cada vez maior e cada vez mais
depressa é porque há algo „do lado de lá‟ que consegue entrar constantemente
através desta quinta dimensão! Esta dimensão escondida seria a porta de
entrada desta energia, responsável por expandir o Universo em todos os pontos
do espaço uniformemente.
Podemos até dizer que é uma Quinta Essência que entra através de uma
quinta dimensão. Uma energia mágica, que sai por uma porta mas que entra por
todas!
A não ser que alguém tenha uma ideia melhor, vejo-me na obrigação de
introduzir este conceito diferente e exótico, ainda para nós um tanto ou quanto
abstracto!
Este manto que nos envolve deve ocultar inúmeros segredos, as „bolhas de
óleo‟ de um hiperespaço!
A ideia de vivermos num Universo imaginário com mais dimensões não é
recente. Inúmeras teorias já têm tentado explorar estes conceitos. A Teoria das
Cordas foi uma delas. Para que esta teoria fosse viável, o nosso Universo teria
de ter muito mais do que três dimensões, pelos menos dez. Neste Universo, as
dimensões extra não estariam visíveis, ou então não seriam perceptíveis por
nós, nesse caso essas dimensões deveriam ser extremamente pequenas, por isso
estariam enroladas. As dimensões enroladas e pequenas seriam muito mais
difíceis de detectar do que as dimensões grandes e estendidas, que são
evidentes, as nossas tão familiares três dimensões espaciais.
137
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Mas o nosso Universo pode muito bem ter muito mais dimensões do que
aquilo que nos parece à primeira vista. E uma nova dimensão será, portanto,
uma direcção nova no espaço e no tempo!
As multi-dimensões da Teoria das Cordas tiveram como inspiração inicial a
teoria de dois matemáticos Kaluza e Klein.
Em 1919, Kaluza enviou um artigo a Einstein com uma sugestão explosiva.
Propôs que o tecido espacial poderia ter mais do que as três dimensões comuns!
Para além daquelas dimensões que nós conhecemos e que nos são facultadas
pela nossa percepção e pelos dos nossos sentidos, existiria no nosso tecido
espacial uma quarta dimensão!
Se o nosso Universo tivesse, ao todo cinco dimensões, quatro de espaço e
uma de tempo, isso permitira obter uma unificação e combinação entre a Teoria
da Relatividade Geral e a Teoria Electromagnética de Maxwell num único
formalismo comum.
Pensar que poderão existir mais dimensões poderá ser algo com um sentido,
um tanto ou quanto, bizarro. Afinal, que sentido terá essa nova dimensão?
As nossas três dimensões conhecidas são definidas pelas três direcções de
movimentos possíveis e permitidos no plano do espaço, que são aquilo que
podemos chamar de: Dimensão esquerda-direita; Dimensão frente-trás; e a
Dimensão cima-baixo. Estes são os três movimentos espaciais possíveis,
acompanhados, sempre, por uma dimensão de tempo, isto é, a Dimensão
passado-futuro.
Uma nova dimensão implicaria a existência de uma direcção independente
das restantes, um novo movimento, portanto, uma forma diferente de atravessar
o espaço e o tempo!
Mas mesmo que o Universo contenha uma dimensão espacial extra, essa
reflectirá uma direcção física bastante difícil de conceber e de perceber no
nosso intelecto. Há certos conceitos que podemos apenas percebê-los através de
abstracções mentais.
Por outro lado, não podemos simplesmente negar a existência de outras
possíveis dimensões. A relação sobre aquilo que nós pensamos que é o mundo e
a relação de como ele realmente é, será sempre algo muito especulativo e
controverso, passível de inúmeras interpretações e descrições.
Existe uma grande diferença entre aquilo que nós podemos atribuir como
definição do real e aquilo que é a essência da realidade.
Sábia seria a modéstia que defendesse uma opinião mais indefinida do que
concreta acerca das dimensões do Universo. Os nossos sentidos só servem para
138
A VIAGEM NO TEMPO

excitar a razão, para indicar, para testemunhar, mas não podem testemunhar
tudo. A verdade não provém dos sentidos, a não ser uma pequena parte.
Até ao aparecimento do Teoria da Relatividade parecia fora de questão que o
Universo em que vivemos tivesse mais do que três dimensões. Mas com esta
nova teoria, a velha noção do espaço tridimensional teve de ser reavaliada,
passando a ser considerada como um novo espaço-tempo composto por quatro
dimensões únicas, uma vez que o tempo pode ser convertido numa componente
espacial e vice-versa.
Assim sendo, a geometria da Relatividade Restrita aplicada ao velho espaço-
-tempo já não é mais euclidiana mas sim minkowskiana; e na Relatividade
Geral, a geometria deixa de ser minkowskiana para ser considerada como
riemanniana. A matemática revela-se, aplicada a novas geometrias e a novas
dimensões.
Antes da sugestão de Kaluza pensava-se que a Gravidade e o
Electromagnetismo eram duas forças sem qualquer relação uma com a outra,
que não havia sequer qualquer hipótese de ligação entre elas. Mas a criatividade
de Kaluza, ao conseguir imaginar o Universo com uma dimensão espacial extra,
foi uma hipótese notável, pois permitiu sugerir pela primeira vez, que talvez
pudesse existir uma relação profunda entre Gravidade e Electromagnetismo.
Que estas duas forças são geometrizáveis e que esta propriedade, a dimensão
extra, associa-as e une-as indiscutivelmente às rugas do tecido do espaço-
-tempo.
Naturalmente que tudo o que define o espaço e o tempo deve ser inerente a
ele, como tal, deverá existir uma unificação entre Gravidade e
Electromagnetismo.
A estranha hipótese de Theodor Kaluza e Oscar Klein conduziu a resultados
interessantes. Se ao espaço-tempo postulado por Einstein e Minkowski for
acrescido de uma quinta dimensão, então, usando as próprias equações de
campo da teoria da relatividade, mostra-se que os fenómenos electromagnéticos
podem ser interpretados como tendo origem geométrica. Em outras palavras, o
campo electromagnético à semelhança do campo gravitacional, também é
geometrizável! O que pode significar que estes dois conceitos não são assim tão
distintos quanto isso, que há uma hipótese de unificação, que a estes conceitos
não podemos atribuir propriedades exactas mas sim indefinidas e moldáveis a
uma estrutura própria do espaço e de um tempo versátil e dinâmico.
Ou, mais simplesmente, se a estrutura gravitacional de um objecto confere
um campo espacial e temporal relativo, a mesma estrutura gravitacional é
139
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

composta por forças electromagnéticas que partilham das mesmas propriedades


de relatividade. Daqui se obtém que tanto a Gravidade como o
Electromagnetismo são geometrizáveis e relativos!
Sob a hipótese subtil de uma dimensão espacial extra, Kaluza levou a cabo
essa análise matemática das equações da relatividade e chegou a um conjunto
de novas equações.
Após um estudo das equações resultantes correspondentes à adição de uma
nova dimensão, Kaluza compreendeu que essas novas equações não eram
outras senão as equações de Maxwell para a descrição da força
electromagnética!
Esta possibilidade notável, embora fosse uma ideia extraordinariamente
bonita, repercutiu-se em vários estudos detalhados subsequentes mas que se
mostraram sempre incompatíveis e em conflito com os dados experimentais.
Parecia não existir nenhuma forma de se confirmar a existência desta nova
dimensão.
No entanto, este conceito continuou a inspirar novas teoria físicas,
nomeadamente a Teoria M, ou Teoria das Cordas, mas dez ou onze dimensões
são muito mais difíceis de conceber do que as cinco dimensões de Kaluza-
-Klein.
Temos também uma nova teoria emergente no séc. XX, desenvolvida pelos
físicos Lisa Randall e Raman Sundrum, conhecida simplesmente como o
modelo de Randall-Sundrum. Esta teoria também considerava que vivemos
sobre uma hipersuperfície constituída por um espaço-tempo de cinco
dimensões. É de notar que também esta teoria usa todo o formalismo
matemático desenvolvido por Einstein na sua teoria da relatividade geral,
alterando apenas a dimensionalidade que passa a ser cinco.
Se se comprovar que esta energia escura chega-nos através de uma quinta
dimensão, então, talvez ainda haja tempo de se reconsiderar uma teoria a cinco
dimensões para o nosso Universo e de comprovar experimentalmente a
descoberta desta dimensão escondida.
Recordo-me de uma frase que li em tempos: " A Física primeiro se inventa e
só depois se descobre. As dimensões escondidas já foram inventadas, só falta
serem descobertas." - Carlos Romero -.
De uma maneira heurística e intuitiva eu diria que esta dimensão escondida
não terá necessariamente de ser menor e enrolada ou superior e em extensão.
Não será muito provável que consigamos especificar o estatuto desta nova
dimensão, esta será simplesmente uma dimensão envolvente e omnipresente.
140
A VIAGEM NO TEMPO

Só talvez este conceito de uma nova dimensão pudesse explicar a


transferência e entrada desta energia escura pelo nosso Universo e só talvez este
novo espaço multidimensional pudesse incluir as próprias fronteiras do próprio
espaço, a topografia do Universo, a fronteira do Cosmos.
Se atribuímos um horizonte, um limite, uma fronteira para o nosso Universo
podemos sempre questionarmo-nos sobre o que é que fica para além dessa
fronteira?
Um abismo cósmico?!
A questão da topologia do Universo tem manifestado um interesse crescente
na cosmologia e suscitado várias possibilidades e abordagens distintas.
Algumas dessas hipóteses incluem um carácter teórico e outras uma vertente
puramente matemática e geométrica. Essencialmente questiona-se se a
topologia do Universo é infinita ou se este tem uma forma geométrica
específica.
Não será muito fácil concebermos um modelo geométrico que englobe as
fronteiras do espaço e do tempo do nosso Universo. Embora seja mais cómodo
para os astrónomos trabalharem com superfícies planas bidimensionais, a
superfície genuína do próprio Universo será muito mais complexa e é uma
propriedade que ainda não conseguimos medir.
Se concebermos uma geometria tridimensional, como por exemplo uma
superfície esférica, isto resultaria num Universo com uma superfície ligada
sobre si mesma e enrolada, o que implicaria que se pudéssemos caminhar
continuamente na mesma direcção voltaríamos ao ponto de partida.
Mas mesmo na eventualidade de conseguirmos obter a descrição correcta
desse espaço, a geometria do Universo, ainda assim estaríamos a limitar o
espaço do Universo no próprio espaço. Isto significa que limitar o espaço no
espaço conduz-nos sempre a um paradoxo em que nunca conseguiremos definir
onde está o fim do espaço!
Será o espaço então infinito?
Não quero aborrecer-vos mas não vos parece que qualquer limite
dimensional ou qualquer tipo de topologia que consideremos implica
necessariamente limitar o espaço no próprio espaço?! Sendo assim, quantas
serão as dimensões reais espaciais do Universo?
Será possível existirmos num Universo de dimensão infinita?

141
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XXIII

ORIGEM E DESTINO DO UNIVERSO

“ À entrada dos portões do Templo da Ciência


estão escritas as palavras: „Tens de ter fé‟.”
- Max Planck -

O Problema dos Infinitos é sempre uma questão incómoda e inconveniente!


Mas estes infinitos perniciosos, desafiantes do nosso raciocínio, estão presentes
e persistentes em vários pontos da história do nosso Universo
O problema dos valores infinitos está directamente relacionado com a
origem e com o destino do Universo.
Tanto a Matemática como a Física não conseguem lidar muito bem com
números infinitos, mas estas ciências prevêem que o nosso Universo teve
origem num Big Bang cheio de infinitudes!
Começando na densidade, passando pela temperatura e terminando na
própria curvatura do espaço-tempo no momento do Big Bang, tudo isso são
infinitos no campo da Física.
Quando uma teoria da Física tenta abordar essas questões depara-se com um
grande obstáculo, as equações resultam em infinitos, em parâmetros
indefinidos, o que significa na prática que não se consegue elaborar uma teoria
exacta para descrever o preciso momento do Big Bang. Se não se consegue
interpretar e atribuir um significado físico concreto a um conjunto de valores
infinitos não nos é possível descrever correctamente o processo envolvente e,
neste caso, ao contrário do que regularmente se pensa, o Big Bang não é uma
teoria que descreve a explosão inicial que deu origem ao nosso Universo, o Big
Bang é uma teoria que só descreve o resultado da explosão, a partir de um certo
momento no tempo. Como tal, não é uma teoria completa, pois esta não
descreve o momento exacto da explosão.
Estas consequências decorrem de uma situação muito simples, que é o facto
de se considerar que todo o Universo teve origem num ponto espacial e
temporal de raio zero, e em que esta dimensão tão compactada é idêntica a uma
dimensão nula.
Que significado é que tem uma dimensão nula? O que é que se pretende
descrever numa dimensão espacio-temporal nula?
142
A VIAGEM NO TEMPO

Não será evidente que não se consiga obter, a partir dessas condições,
nenhuma teoria física coerente?!
Mas se os físicos conseguem imaginar processos que decorrem em
dimensões espacio-temporais nulas, então, certamente é porque têm uma
capacidade de imaginação muito melhor do que a minha!
Há especulações sobre as quais o nosso Universo terá existido durante um
tempo infinito antes do Big Bang ter ocorrido, sob a forma de um vazio
flutuante antes de se ter iniciado a fase de expansão.
Esta ideia parece-me interessante e na sua formulação teórica novos
fenómenos começam a ocorrer, fenómenos estes que ainda não são
completamente entendidos.
Se recuarmos para trás no tempo até à singularidade inicial, chegaremos a
um ponto em que a teoria da Gravidade deixa de ser válida, e é aí que novos
fenómenos começam a ocorrer. Por exemplo, se recuarmos o suficiente no
tempo, até um tempo antes do Big Bang, os cálculos indicam-nos um Universo
que na verdade está a contrair-se até chegar, posteriormente, a um ponto que
permite a transição de fase, ou seja, o ponto em que terminou a contracção e
iniciou-se a expansão que observamos actualmente. Este momento terá
acontecido quando o Universo atingiu uma dimensão mínima mas finita. Ainda
mais espantoso é se tentarmos recuar ainda mais no tempo, os cálculos
mostram-nos um Universo que fica cada vez maior, mais extenso, mais frio ...
ad infinitum.
Esta especulação teórica pode levar-nos a sugerir que não houve
propriamente um começo do espaço-tempo quando ocorreu o Big Bang, mas
que esse exacto momento constitui apenas um estado de transição de um
percurso no tempo muito mais vasto.
Usando este novo conceito, vamos usar a imaginação e recuar no tempo até
à singularidade inicial, num tempo muito próximo do Big Bang, ou se
preferirmos também podemos avançar no tempo em direcção à contracção total
do Universo em direcção a um Big Crunch .
Lembremos que a teoria da Gravidade deixa de ser válida a partir de um
certo limite de densidade e de temperatura, porque nestas condições obtém-se
um novo tipo de matéria, a matéria degenerada, e de acordo com aquilo que
vimos acerca do novo modelo gravitacional, a natureza da Gravidade não é
quântica mas sim atómica.
Se esta forma de matéria estiver isolada de um campo gravitacional, este
tipo de matéria não tem possibilidade de produzir por si própria Gravidade, pois
143
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

como vimos este campo atractivo só está presente porque o momento


magnético é distribuído e transferido pelo campo electromagnético. E se não há
electrões associados ao átomo nem fotões não há campo electromagnético,
logo, também não há campo gravitacional.
Isto permite-nos eliminar de imediato as gravidades infinitas e as
singularidades teoricamente previstas para estes pontos. Nesse caso, tudo o que
temos a considerar é que a intensidade gravitacional num raio cada vez mais
curto torna-se cada vez mais forte, contudo, não será infinita mas tenderá para
um limite. A partir desse limite a força gravitacional deixa de existir e há uma
transição de fase, ou seja, o ponto em que termina a contracção descontrolada.
Neste momento, o Universo atinge uma dimensão mínima mas finita e as forças
de interacção que ainda acompanham este limite da matéria são
descomunalmente fortes, no entanto, a Natureza tem um limite e assim que a
Natureza atinge esse limite inicia-se uma nova fase de expansão descontrolada.
Neste momento, todos vós devem pretender saber qual é esse limite da
Natureza.
Será um pouco como se a Natureza tivesse atingido a tensão máxima das
suas 'cordas' fundamentais. E se uma força de tensão tem um certo sentido e
tende para um limite, assim que esta ultrapassa esse limite há uma quebra, uma
ruptura, um pouco como um elástico que se parte. Esta reacção ocorre no
sentido oposto e a enorme força de tensão acumulada é retribuída para dar
origem a uma enorme força de expansão. Esta energia expandida tem uma nova
forma, pois não possui forças gravitacionais naturais, ou seja, é uma energia
naturalmente repulsiva, é a tão conhecida energia escura.
E o que é que acumula essa tensão? Quais são essas 'cordas' fundamentais?
Neste estado de matéria a última força a resistir será a Força Fraca produzida
pelos neutrões, para além deste limite há que considerar um outro tipo de força,
muito mais resistente e ainda mais fundamental, a força de ligação entre quarks,
a Força Quarkónica.
E quando existe uma força, existe um campo envolvente, e quando existe um
campo existem linhas de força a defini-lo e como se sabe, estas linhas de força
nunca se cruzam.
A Natureza tem um limite, chega a um ponto em que estas linhas de força
são cada vez mais intensas porque estão cada vez mais juntas, cada vez mais
próximas, mas há uma interdição absoluta nas Leis da Natureza, é que estas
linhas nunca se podem cruzar porque na Natureza nada se toca!
Atingir a Constante de Repulsão será, por conseguinte, inevitável.
144
A VIAGEM NO TEMPO

A intensidade dessas linhas de força resulta da resposta dos quarks aos


valores de energia envolventes. Podemos lembrarmo-nos que os quarks são
partículas estáveis quando confinados no núcleo. O Princípio de Liberdade
Assimptótica e o confinamento dos quarks traduz-se num estado de energia
mínima e sabemos através da experiência que quanto mais energia fornecemos
a estas partículas mais estas resistem, isto é, mais tensão acumulam. O que seria
uma forma prática de se obter a constante de repulsão, através da ionização do
núcleo, que só seria possível quando obtivéssemos estes valores estrondosos de
energia. A ruptura desta energia de ligação entre quarks desencadearia uma
explosão colossal!
E assim teríamos um nascimento de um Novo Universo!
Um Universo Fénix que renasce das cinzas!
O destino do nosso Universo esse, de certa forma já está pré-destinado.
Muito provavelmente teremos apenas dois cenários possíveis:
Ou a „força gravitacional‟ responsável por contrair a matéria supera a força
de expansão repulsiva e o Universo é obrigado a contrair-se em direcção a um
Big Crunch, tornando-se num espaço cada vez mais denso e cada vez mais
quente. Um forno cósmico;
Ou então, a energia repulsiva supera a força atractiva - e este parece-me ser
o cenário mais provável - impulsionando o nosso Universo para uma expansão
interminável, tornando-o num espaço cada vez mais vazio, cada vez mais frio e
absolutamente inerte. Um cemitério cósmico.
Se na primeira hipótese tem-se o aumento quase interminável da Energia
Cinética, devido ao aumento constante de temperatura; na segunda hipótese,
ocorre o inverso, e neste caso a Energia Cinética das partículas é cada vez
menor, o movimento torna-se cada vez mais lento, e conforme a temperatura
vai baixando em direcção ao zero absoluto, o Kelvin, ou -273 ºC, a Energia
Cinética das partículas praticamente cessa, mas por outro lado tem-se sempre
um aumento gigantesco da Energia Potencial.
Resumindo, na primeira hipótese a Energia Cinética dirige-se em direcção a
um limite máximo; na segunda hipótese a Energia Potencial dirige-se em
direcção ao seu valor máximo.
Pelo princípio da Conservação da Energia sabemos que a Energia Mecânica
do Universo, a soma das duas energias, deve conservar-se, de forma que a
energia mecânica total do Universo é sempre uma constante.
Para o primeiro caso, já explorámos as condições extremas de um Big
Crunch e que o seu desenvolvimento resulta no nascimento de um novo
145
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Universo.
Para o segundo caso, as condições são inversas mas o destino final é sempre
o mesmo, vejamos como:
Não há nada pior do que atingir o limiar do Potencial, ao qual gostaria de lhe
chamar de Potencial Falso. Vamos aqui relembrar um exemplo prático, um caso
típico de um lago exposto às duras temperaturas de Inverno.
O fenómeno do sobrearrefecimento significa que a água pode continuar
líquida mesmo a temperaturas inferiores ao seu ponto de congelação. É de facto
possível sobrearrefecer água líquida extremamente pura e fluida até 30ºC
negativos.
Se nos aproximarmos de um lago ainda em estado líquido mas que esteja em
sobrearrefecimento basta um pequeníssimo toque, a mais suave atribuição de
energia, para desencadear toda uma proliferação explosiva de cristais de gelo e
levar o lago congelar quase que automaticamente! Aconselho-vos a nunca
tocarem em algo que tenha adquirido o potencial falso. Apesar de o lago
parecer líquido e estável, na realidade, essa estabilidade aparente é a mais pura
ilusão. Este líquido sobrearrefecido é bastante instável e encontra-se num
equilíbrio bastante precário, e assim que tocamos no lago toda a energia
potencial acumulada é libertada.
Muitas das propriedades da matéria são alteradas quando estão
sobrearrefecidas, uma delas é a própria Gravidade. Não é que esta propriedade
seja propriamente alterada, simplesmente não tem oportunidade de se
manifestar. Da mesma forma que a atribuição de energia cinética na forma de
calor produz um aumento da atracção gravitacional, como vimos na experiência
de Cavendish; também o inverso pode ocorrer, isto é, uma redução da energia
cinética das partículas, provocada pelas temperaturas negativas, conduz a uma
diminuição da emissão de energia gravitacional.
Quando o Universo atinge o zero absoluto podemos dizer que a actividade
cinética das partículas cessa e que a própria Gravidade também congela. O
Universo encontra-se reduzido à sua temperatura mínima, à sua densidade
mínima, atinge o Potencial Falso.
Neste Universo preenchido maioritariamente por vácuo e onde há ausência
de forças tanto de movimento como gravitacionais, a única nova forma de
energia que poderá aparecer neste Universo estático é aquela que é produzida
por um vácuo naturalmente repulsivo. Mas assim que este limite é atingido e o
vácuo pretender actuar contribuindo com a sua energia repulsiva, assim que
entra a mais pequena quantidade desta energia neste Universo altamente
146
A VIAGEM NO TEMPO

instável, a elevada energia potencial faz desencadear todo um enorme Tsunami


Cósmico! Esta pequena perturbação do vazio liberta toda a Energia Potencial
acumulada. Uma gigantesca onda de energia que surge e sucumbe, levando
todo o Universo ao colapso!
Fusões e fissões de Universos devem ocorrer regularmente no hiperespaço,
permitindo a contribuição de matéria-prima primitiva, de novos fluidos
cósmicos, que será sempre obtida através da lei da conservação da energia, para
que possa sempre ocorrer criações de Novos Universos.
Este fluido essencial do Universo, a energia escura, poderá fazer ressuscitar
a noção de éter, e em que este éter desempenhará um papel de fluido etéreo. De
ambas as possibilidades obteremos sempre um Universo eterno, sem princípio
nem fim, um hiperespaço de Universos Oscilatórios, um Multiverso Fénix!
Em qualquer um dos destinos possíveis para o nosso Universo nunca há
infinitos, a Natureza tem sempre um limite. A contracção não ocorre
continuamente e a expansão não decorre eternamente.
O único infinito que a Natureza permite, que é eterno e contínuo, é a
Conservação da Energia.
A Energia não pode ser criada nem destruída, como tal, a energia total deste
universo global é uma constante. A alma do nosso próprio Universo é sempre
conservada, pois a energia pode evidentemente fluir mas não poderá
desaparecer.
O testemunho do destino final do Universo traduz-se numa Equação de
Continuidade, em que a criação ocorrerá continuamente num espaço-tempo
intemporal e infinito. Porque o tempo conserva a sua duração do infinito ao
infinito, da eternidade à eternidade.
E assim podemos considerarmo-nos como parte de um Universo de duração
infinita, que nunca começou nem nunca irá terminar.
De certa forma, este será um Universo que sempre existiu e que sempre
existirá!

" Digo que o Universo é todo infinito porque ele não tem termo, nem limite,
nem superfície. Digo que o Universo não é totalmente infinito porque cada uma
das partes que dele possamos tomar é finita, e dos inumeráveis mundos que
contém cada um deles é finito."
- Filóteo - personagem em 'Acerca do infinito do céu' de Giordano Bruno.

147
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

" Não é o sentido que percebe o infinito, não é pelo sentido que se obtém essa
conclusão (...) É ao intelecto que compete julgar e dar razão das coisas ausentes
e separadas de nós pela distância do tempo e no intervalo do espaço." - Filóteo-.

" Não seria menos mau que todo o espaço não fosse pleno. E, por
consequência, o Universo seria de dimensão infinita e os mundos seriam
inumeráveis. A extensão inteligível é eterna, necessária e infinita." - Filóteo-.

O infinito é o número mais misterioso da Matemática, simultaneamente


ausente e presente, preciso e indefinido, completo e imperfeito, há quem o
adore e há quem o evite!
Apesar de tudo, os matemáticos não têm grandes problemas em usar este
número, em considerar uma série como um somatório de um número infinito de
termos, um integral como uma soma de um número infinito de quantidades
infinitesimais, e a derivada como um quociente de grandezas infinitamente
pequenas.
Paralelamente, a Física também utiliza-o para se referir a grandes
acontecimentos do Universo: Um buraco negro é um infinito no espaço e no
tempo; o Big Bang é um infinito no espaço e no tempo; a Energia do vácuo é
infinita no espaço e no tempo!
Qual é o verdadeiro significado deste número infinito?
Utilizar este número matematicamente não constitui qualquer problema, mas
quando se trata de lhe atribuir um significado físico concreto é que se instala a
confusão.
De acordo com o que vimos anteriormente, dois destes três infinitos já não
constituem um problema epistemológico e os físicos podem se sentir um pouco
mais aliviados, pois podemos retirar a analogia de infinitos em buracos negros e
infinitos no Big Bang.
Contudo, não muito aliviados, porque esta realidade não se estende à
Energia do vácuo. O vácuo, ou o vazio absoluto não é sinónimo de nada, seria
mais correcto considerá-lo como um modo de hibernação da matéria.
Simplesmente porque basta aplicar uma quantidade mínima de energia ao
vácuo para estimular o aparecimento da matéria.
Para demonstrar a realidade da existência destas partículas de matéria
virtuais no vazio do vácuo os físicos procederam a experiências concretas.
Fazendo passar uma corrente eléctrica muito forte por entre uma câmara de
vácuo, assistimos à criação de partículas reais, perfeitamente observáveis!
148
A VIAGEM NO TEMPO

A energia do vácuo não pode ser associada ao vazio, é antes um nível de


oscilação e de transição entre o estado em que nada há e em que há qualquer
coisa. O vácuo não pode ser associado ao nada, pois se nasce de lá qualquer
coisa!
O vazio é o estado latente da matéria e o vácuo é o estado flutuante desse
potencial em que partículas virtuais estão constantemente a vacilar para dentro
e para fora da existência.
Esta força misteriosa do vácuo, as infinitas flutuações possíveis do vazio
quântico, são as propriedades espantosas da Energia do Nada. O que esta
energia traduz, é a incerteza de que mesmo num pequeno volume de vácuo não
sabemos qual a quantidade de energia nele contida!
Quando pretendemos interpretar isto rigorosamente, ficamos perplexos com
o paradoxo que isto representa.
Na prática, quando se realiza esta experiência, retiramos todas as partículas
presentes naquela quantidade de espaço de modo a obtermos um espaço vazio e
pensamos, de acordo com um raciocínio lógico, que reduzindo a matéria
presente também reduzimos a energia existente.
Mas o que se conclui é que na Energia do ponto Zero as partículas virtuais
podem aparecer num número infinito.
O paradoxo é o seguinte: isto significa que a Energia do ponto Zero não é
zero, é antes ilimitada! Podemos mesmo dizer que o poder do zero é infinito!
E isto deduz-se das próprias equações da Mecânica Quântica, mas a maioria
dos cientistas ignora-a completamente. Simplesmente, fingem que a energia do
ponto zero é zero, embora saibam que é infinita.
Infinitos e zeros são números igualmente curiosos. Há até quem diga que o
zero é o número mais próximo do infinito. Por isso, será que estes dois números
são assim tão distintos entre si?
Mas parece que não conseguimos lidar muito bem com zeros e infinitos.
Será que podemos simplesmente excluí-los das nossas equações?
Que têm estes dois réus a dizer acerca das Leis do Universo?
Estes dois números deslocam-nos novamente para o problema da origem e
destino do Universo.
O problema da origem só tem sentido se dissermos que tudo começou com o
nascimento do Universo: o Tempo; o Espaço; a Matéria …
Para uma senso comum que exige que tenha havido uma origem implica
admitir a existência de um zero '0'.
Por outro lado, podemos deslocar o problema e para o senso comum que
149
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

acredita num Universo em que tudo sempre existiu: o Tempo; o Espaço; a


Matéria. Isto implica admitir a existência de um infinito ' ∞ '.
Um número quase que complementa o outro porque, na verdade, são muito
parecidos. Tão parecidos que poderíamos especular que origens e infinitos
coincidem e coexistem em simultâneo ... o problema dos zeros e dos infinitos
são os eternos desafiantes do enquadramento da lógica.
Quando uma equação tem uma infinidade, os físicos normalmente assumem
que algo está errado, admitem imediatamente que a infinidade não tem qualquer
significado físico. Como diria o físico Richard Feynman:
" O problema consiste em que, quando tentamos levar os cálculos até à
distância zero, a equação explode-nos na cara e dá-nos respostas sem sentido,
coisas como a infinidade. Isto provocou imensos incómodos quando a Teoria da
Electrodinâmica Quântica foi elaborada. As pessoas obtinham uma infinidade
em cada problema que tentavam calcular.".
Zeros e Infinitos têm estado sempre presentes por detrás dos grandes
enigmas da Física:
A densidade infinita gerada pela gravidade de um buraco negro é uma
divisão por zero na equação da relatividade geral;
A energia infinita do vácuo é uma divisão por zero na matemática da teoria
quântica;
A criação do Big Bang a partir do vazio é uma divisão por zero em ambas as
teorias.
As situações ilógicas e indeterminações, surgem sempre que se tenta
efectuar cálculos com divisão por zero. Aparentemente, dividir por zero destrói
a coerência matemática e o enquadramento da lógica.
No entanto, em vez de se tentar perceber qual o sentido e a verdadeira
expressão destas soluções, os físicos conseguiram dominar o problema de uma
outra forma, isto é, contornando-o, ou seja, de modo a conseguir recompor o
enquadramento da lógica os cientistas simplesmente baniram o zero das suas
equações do Cosmos!
A este processo de eliminação dos zeros chama-se Renormalização. " É
aquilo a que eu chamaria um processo meio louco." escreveu um dia Richard
Feynman, apesar de ter ganho o prémio Nobel por aperfeiçoar a arte da
Renormalização.
Este procedimento é extremamente conveniente e imposto aos físicos, no
entanto, nem todos concordam com este processo. Mas é a única forma de fazer
desaparecer os infinitos, através da arte mágica da renormalização.
150
A VIAGEM NO TEMPO

Nos cálculos de ordem prática não se faz todo o percurso até à distância
zero. Pára-se perto do zero, a uma distância curta mais ou menos arbitrária.
Tecnicamente introduz-se medidas muito pequenas, de comprimento, de
tempo e de massa com as quais já se torna possível efectuar cálculos sem obter
soluções infinitas, são as tão conhecidas medidas de Planck:

lPl = √ ( h G / c3 ) ≈ 10-35 m

tPl = √ ( h G / c5 ) ≈ 10-43 s

mPl = √ ( h c / G ) ≈ 10-8 kg

O sucesso inicial da Teoria das Cordas reside no facto de ter eliminado o


zero das suas equações acerca do Universo. Não há distâncias nulas nem tempo
zero. E assim se resolve todos os problemas da infinidade. Isto, por acaso,
resolve alguns dos problemas, o infinito dos buracos negros e do Big Bang, só
não perceberam porquê que isso resolve esses problemas.
Eu diria que as medidas de Planck são um mito … constantes de
conveniência …
Actualmente, é no processo da Renormalização que assenta todas as bases
da Física Moderna. Eu diria que os seus alicerces são frágeis, uma vez que não
reconhecem o potencial destes dois números.
O zero e o infinito associados à energia, ao espaço e ao tempo continuam a
ser vistos como um tabu em Física. Em todo o percurso histórico desta ciência,
zeros e infinitos foram considerados imediatamente culpados. Mas não estarão
estes réus a dizer a verdade?!
Se estão inocentes, resta-nos convencermo-nos de que não estamos
preparados para assumir a veracidade da ciência que engloba estes dois
números.
Os matemáticos que inventaram a Matemática, os números infinitos e os
zeros e ainda as muitas dimensões, trabalham sobre esta ciência mas não
acreditam nela.

151
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

A riqueza e a plenitude do Universo reside na sua própria individualidade e


singularidade. A realidade fundamental deste Universo absoluto contém todo o
tempo, todo o espaço e toda a energia.
O Infinito é um número que contém muitos números, que cresce e existe
sem limites. As leis da ciência, essas, contêm muitos números mas são essas as
Leis da Natureza.
Se os cientistas tiverem fé, compreenderão as Leis do Universo!

152
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XXIV

TEORIA QUÂNTICA DA GRAVIDADE

3. FORÇAS UNIFICADAS

“ É à noite que é belo acreditar na luz.”


- Edmond Rostand -

Forças unificadas! Onde está a fórmula das Forças Unificadas?


Como nós bem sabemos, um físico gosta de fórmulas!
Pois é ... a fórmula! A verdade, confesso, é que não fui eu que descobri a
fórmula. Essa fórmula já foi descoberta pelos físicos contemporâneos, só que
eles ainda não sabem que a descobriram!
O que todos os físicos pretendem obter é a unificação oficial da Teoria
Quântica com a Teoria da Gravidade.
É praticamente impossível casar a teoria clássica da Gravidade com uma
teoria Quântica de tudo o resto ... quantas vezes é que eu já ouvi isto! Talvez
assim seja porque eles não pretendem casar! Se assim preferem, que sejam
solteiros mas felizes!
O Modelo Standard funciona para todas as outras três forças, excepto para a
força da Gravidade. O problema consiste em olharmos para as quatros forças
que vemos na Natureza de igual forma, isto é, como sendo todas originais do
Cosmos, mas o que temos em mãos, se virmos mais atentamente, é um claro
problema de perspectiva!
É verdade que vemos quatro forças, mas a subtileza consiste em perceber
que nem todas elas são originais, uma delas é secundária, somente três delas são
forças realmente quânticas, porque a Gravidade, como já disse mas volto a
repetir, não é uma força original do Cosmos mas sim uma consequência, um
efeito secundário de onde se deduz que aquilo que designamos por Gravidade é
uma força atómica não quântica, como tal, não pode ser incluída no Modelo
Standard.
Esse debate que visa unificar as três forças padrão da Natureza, a Força
Fraca; Forte; e Electromagnética, com uma quarta, a Gravidade inconveniente,
é então eliminado! Esta saga científica que se prolonga desde há imenso tempo,
fica então resolvida.
153
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

E talvez a procura de uma Fórmula Unificada seja mesmo só para despistar.


Talvez não exista nenhuma fórmula para essa unificação.
A única unificação que posso apresentar é a das forças do Modelo Standard.
Mas essa unificação que reúne as Forças Forte, Fraca e Electromagnética já os
físicos a têm, ou quase. A unificação ainda está pendente na Força Electrofraca
e na Força Forte.
Fazendo uma vã analogia, eu diria que os físicos descobriram os
desenvolvimentos das equações de Maxwell antes de descobrirem a fórmula do
campo eléctrico, o que é efectivamente muito mais difícil. Mas eles lá
conseguiram. As duas fórmulas são ainda extremamente complicadas, falta-
-lhes o rearranjo final.
A teoria da Força Forte é estudada pela Cromodinâmica Quântica,
abreviando QCD, cuja apresentação na linguagem da Física é a seguinte:

FÓRMULA DA FORÇA FORTE

LQCD = - ¼ Faμν Fμνa + ∑f Ψf ( i∂ - M + ɡS Aa Ta ) Ψf

Fμνa = ∂μ Aνa - ∂ν Aμa + ɡS + fbca Aμb Aνc

A teoria da Força Electrofraca é estudada pela Electrodinâmica Quântica,


abreviando QED, cuja fórmula é a seguinte:

FÓRMULA DA FORÇA ELECTROFRACA

LE-W = Lɡ + Lf + LH + Lm

Lɡ = - ¼ Gaμν Gμνa - ¼ Bμν Bμν

Lf = ∑i Ψ Li ( i∂ + ɡ‟ Wa ta + ɡ B y ) Ψ Li + ∑ ΨRi (i∂ + ɡ B y ) Ψ Ri

LH = - ( Dνϕ ) † ( Dνϕ ) – μ2 ( ϕ†ϕ ) + λ ( ϕ†ϕ )2

Lm = - ∑i,j ( cij ΨLi ϕ Ψ‟Rj )

154
A VIAGEM NO TEMPO

Como podem verificar, as expressões que descrevem estas interacções são


horrivelmente complicadas mas demonstram uma consistência matemática que
está plenamente de acordo com a previsão experimental e, por isso, entre os
seus principais protagonistas, alguns foram galardoados com o prémio Nobel.
Mas há uma possibilidade de simplificar …
Primeiramente, a Força Forte é realmente a força mais complexa de todas as
forças da Natureza e a mais difícil de simplificar.
Sabemos que a Força Nuclear Forte actua entre os protões e os neutrões do
núcleo, mantendo-os unidos e impedindo que a força electromagnética
repulsiva entre protões se manifeste. No entanto, é mais preciso dizermos que
esta força actua, não sobre os protões e neutrões propriamente ditos mas sim
sobre as suas partículas constituintes mais fundamentais, ao nível da sua
constituição interna, isto é, sobre os quarks. De certa forma, podemos ignorar
que existem protões e neutrões no núcleo e considerar que dentro deste sistema
existem somente quarks.
Dentro deste sistema há um grau de complexidade relevante que surge
sempre que pretendemos estudar o comportamento desta força.
Enquanto que na força electromagnética temos apenas de considerar um
fotão como partícula mediadora; na força forte há que considerar oito gluões
como partículas mediadoras desta interacção forte. Estas diferentes categorias
de gluões podem surgir aleatoriamente e com uma particularidade adicional.
Uma vez mais, fazendo uma analogia com a força electromagnética, sabemos
que os fotões são partículas electricamente neutras e, por isso, não entram em
interacção umas com as outras. Mas com a Força Forte isso já não acontece.
Podemos dizer que os gluões são partículas que também sentem a Força Forte
e, por isso, também interagem entre si. Dadas estas condicionantes, o
tratamento desta força é um pouco mais exigente. E daí surgir a complexidade
das equações.
Sem pretender avançar em pormenores de Cromodinâmica Quântica, posso
dizer que esta é uma ciência que ainda agora começou a dar os seus primeiros
passos, pois a sua compreensão mais profunda ainda nos escapa ao
entendimento.
Essencialmente, podemos dizer que as partículas fundamentais de toda a
matéria são os quarks e os leptões. Já vimos que leptões e quarks formam
dupletos que reagem de uma maneira muito semelhante à força fraca. No
entanto, leptões e quarks parecem comportar-se do modo bastante diferente
perante a força electromagnética e a força forte. Sendo que os quarks sentem a
155
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

força forte e os leptões não. Por outro lado, uma vez que os quarks têm carga
fraccionária de +2/3 ou -1/3 e os leptões têm carga inteira de -1 ou 0, o poder
destes se associarem à força electromagnética difere de uns para outros mas
apenas de uma forma quantitativa, porque as propriedades electromagnéticas
manifestadas são, no fundo, idênticas.
Há aqui um triângulo que tem de ser cumprido e que faz com que todas as
forças tenham de colaborar entre si, o que sugere, uma vez mais, que estas
forças não são tão distintas e independentes quanto isso.
Até há bem pouco tempo pensava-se que estas forças não tinham qualquer
relação entre elas, uma vez que actuam de uma forma muito distinta e com
intensidades também elas bastante diferentes.
A intensidade das forças é uma medida interessante que permite relacioná-
-las e, como sabem, estas diferem umas das outras. E mesmo a intensidade das
forças varia consoante a energia envolvente, esta não é, portanto, uma constante
mas sim uma função da temperatura.
No Universo frio dos dias de hoje, essas intensidades estão bem definidas e
podemos relacioná-las através da Constante de Estrutura Fina.
A constante de estrutura fina é uma constante muito especial em Física, e
caracteriza a intensidade ou a magnitude da Força Electromagnética, definindo-
-se que α = 1/137. Esse alfa surge da unificação de três constantes fundamentais

α = __e2_ _ ≈ _1_
2 ε0 h c 137

… a carga eléctrica, a permissividade, a constante de Planck e a velocidade da


luz. Sendo que estas constantes representam e reúnem componentes distintas de
diferentes áreas da Física:

c = componente relativística;
h = componente quântica;
e = componente da interacção electromagnética
ε0 = componente que relaciona as partículas carregadas no vácuo.

Esta constante é realmente de extrema importância.


Se o nosso Universo é como é hoje, tudo isso se deve ao valor da constante
156
A VIAGEM NO TEMPO

de estrutura fina. Se essa constante fosse um pouco mais forte ou um pouco


mais baixa, se alfa possuísse uma valor diferente, mesmo que mínimo … as
características essenciais do nosso Universo já não seriam as mesmas e tudo se
alteraria.
Mexer nesta constante implica alterar os níveis de energia, os valores de
energia de ligações atómicas … implica modificar todo o processo atómico!
Implica, na prática, obter um novo Universo!
A constante de acoplamento que define a força electromagnética é a razão de
ser de tudo à nossa volta.
O Modelo Padrão pretende que haja unificação das diferentes constantes de
acoplamento em ambientes de elevadas energias.
A Teoria de Grande Unificação exige que as forças naturais e as partículas
sobre as quais agem, exibam, a altas energias, uma uniformidade que é
obscurecida a baixas energias. De modo que conclui-se, rapidamente, que estas
forças actuavam de um modo semelhante num passado remoto em forma de
uma única Força Unificada.
Esta ideia introduzida permite aos físicos das altas energias deduzir que há
comportamentos semelhantes entre as principais forças quando estas estão
expostas a energias muito elevadas, na ordem de 1015 GeV, e, por isso,
consideram que houve uma unificação numa época primitiva, quando o nosso
Universo era ainda muito quente.
A Unificação apresentada é, como tal, uma função das escalas de energia
existentes. A teoria prevê uma evolução da intensidade das forças
manifestamente diferente, de acordo com o aumento da temperatura, como se
apresenta no seguinte gráfico:

Fig. 11 - Unificação das constantes de acoplamento -


157
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Com esta evolução pretende-se identificar um ponto mágico, o ponto que


unificaria e transformaria todas as Forças da Natureza!
A ideia de unificação tem algum significado, e os aceleradores de partículas
evidenciam novos processos de mutação e desintegração de partículas que só
decorrem em elevadas energias. Porém, e mesmo concordando que a
intensidade das forças converge para altas energias, como poderemos estar tão
seguros de que as suas propriedades também se alteram e convergem para uma
força unificada?
De acordo com o modelo de unificação em vigor considera-se que há várias
etapas na libertação das forças do Universo. Primeiro considera-se que a
ramificação das forças decorre de uma forma parcial e gradual, sendo que a
Força da Gravidade terá sido a primeira força a separar-se e a emergir desta
Grande Força Unificada, no entanto, como vimos, é exactamente o oposto que
acontece. A Força da Gravidade é a última a surgir e é, portanto, a força mais
jovem do Universo.
E para as ramificações seguintes seria necessário que se esclarecesse um
pouco melhor qual a justificação para esse processo.
Sob o meu ponto de vista, não há unificação. Há, muito simplesmente,
evolução. E, muito dificilmente as forças alterarão as suas propriedades como
se se tratasse de uma mesma substância em transição de fase … Não penso que
seja muito razoável equiparar as Forças da Natureza a água líquida, gelo e
vapor de água …
Como vimos anteriormente, a justificação é simples e retira-se das
evidências cosmológicas.
Podemos reparar que todas as forças têm uma característica comum, que é a
de unificação, e, por isso, a Força Electromagnética; a Força Forte; e a Força da
Gravidade respeitam a simetria. No entanto, há uma força que não partilha
desta característica unificadora, a sua principal função decorre num sentido
exactamente oposto. O seu poder é o de desunificar e é, por conseguinte, uma
força do desequilíbrio e da instabilidade.
Podemos considerar que a Força Fraca está na origem de todas as Forças da
Natureza uma vez que somente esta força quebra a simetria. Assim sendo, é a
partir desta dissimetria que evoluem e emergem todas as restantes três forças
que nos rodeiam.
Deste modo, podemos simplificar o quadro da evolução das forças da
Natureza, propondo uma ramificação mais equilibrada e mais simétrica:

158
A VIAGEM NO TEMPO

Fig. 12 - Evolução das Forças da Física -

Com esta estrutura em mente, podemos realçar que não foi a temperatura
que condicionou todos estes processos físicos. O factor externo de maior
relevância e que mais condicionou estas circunstâncias, está de acordo com um
processo natural de evolução e a sua influência é predominante e crucial … o
agente externo mais eficaz neste processo foi …
… Foi o Tempo!
Devo relembrar-vos que os aceleradores de partículas não conseguem
reproduzir todas as forças … e o Tempo, é uma grande Força!
O tempo é uma grande força mas dada a sua extraordinária subtileza e o
carácter discreto das sua acções nunca ninguém repara nesta força …
Mas esta força actua constantemente, habilmente, sem se fazer notar. É um
actor que dissimula a sua verdadeira natureza e identidade, mostrando-se, na
realidade, escondendo-se por detrás das suas acções sobre as coisas.
É com os seus actos que temos de contar para podermos desenhar uma
perspectiva completa para a evolução do Universo, é com a sua acção que
temos de conceber e enquadrar a História do Cosmos.
A estrutura simples, funcional, harmoniosa e encantadora do nosso Universo
deve-se à complementaridade e à interacção de todo este conjunto de forças.
Voltando à Teoria da Unificação:

159
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

É possível comparar a magnitude das forças umas com as outras e assim


obter uma magnitude relativa.
Esta relação principal é feita a partir da constante de estrutura fina.
Normalmente a magnitude relativa da Força Electromagnética é estipula
como tendo o valor de 1/ 137 e esta força é considerada como sendo 137 vezes
mais fraca que a Força Forte;
A Força Fraca, por sua vez é 106 vezes mais fraca que a Força Forte;
E a Gravidade é a força mais fraca de todas, na ordem de 1040 vezes mais
fraca que a Força Forte.
Com estes dados podemos estabelecer uma relação em que a força mais
intensa é a Força Forte e fazemos correspondê-la à unidade 1:

Força Forte = 1

Força Eléctrica = 1/137

Força Fraca = 1 / 106

Força Gravidade = 1 / 1040

Podemos ainda reajustar este quadro, multiplicando a intensidade de todas as


forças por 137. E passamos a definir as constantes de acoplamento, não em
relação à Força Forte mas sim em relação à Força Eléctrica:

Força Forte = 137

Força Eléctrica = 1

Força Fraca = 137 x 10-6

Força Gravidade = 137 x 10-40

Posto isto, há várias relações que emergem desta estrutura, como sendo:
160
A VIAGEM NO TEMPO

Fe = 1 x Fe

Ff = 137 x Fe

Ffr = 137 x 10-6 x Fe

Fg = 137 x 10-40 x Fe

Outras equivalências também podem ser deduzidas. Transformando a


equação e considerando que Fe = 1/137 x Ff, surgem as :

FORÇAS UNIFICADAS

Fe = α Ff

Ff = α-1 Fe

Ffr = α-1 x 10-6 Fe

Fg = α-1 x 10-40 Fe

À excepção da Força Material, acerca da qual sabemos muito pouco, esta é a


nossa alternativa para as fórmulas unificadas e simplificadas da Força Eléctrica,
Força Forte, Força Fraca e Força Gravitacional. Evitando assim, apresentar
estas equações através de desenvolvimentos extremamente complicados.
Considerando que conhecemos tanto a relação de alfa „α‟ como a fórmula do
campo eléctrico „ Fe‟, é possível obter uma decomposição das respectivas
forças.
No entanto, os físicos teóricos pretendem facilitar os cálculos e, por isso,
pretendem que haja uma única força unificada … mas se as forças são
exactamente estas, então, não há mais nada para facilitar … não há Força
Unificada!

161
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Nesta altura estou a recordar-me da classificação do sistema científico


segundo o físico John Barrow. „De cada vez que se faz notar uma ideia nova na
comunidade científica esta tem, obrigatoriamente, que atravessar três etapas: 1º
Não vale de nada, não queremos sequer ouvir falar dela; 2º Não está errada,
mas não deve ter qualquer relevância; 3º É a maior descoberta de todos os
tempos e nós é que a descobrimos primeiro. E logo não faltarão mais
candidatos para reclamar a prioridade dessa descoberta.‟
É pena que alguns cientistas nunca se afastem daquilo que já é conhecido,
uma vez que optam por seguir sempre o trilho mais seguro. Não arriscam nunca
atravessar a berma, a transgredir o trilho, nem sequer concedem uma hipótese a
teorias alternativas.
Cabe aos físicos a responsabilidade de expandir as fronteiras e abrir novos
horizontes.
Desbravar novos trilhos e descobrir algo completamente novo é fascinante.
O que há de mais mágico em Ciência é a possibilidade de entrarmos e de nos
perdermos na selva do desconhecido.
“ A experiência mais bela é o encontro com o desconhecido.” - Einstein-.
A Ciência é, acima de tudo, uma actividade humana gratificante. Talvez a
mais pura num mundo tão longe da perfeição …
Só os cientistas sentem verdadeiramente aquilo que fazem e somente eles se
sentem perdidamente apaixonados naquilo que procuram.
“ No Universo ninguém se diverte mais do que nós!“ – João Magueijo-.

162
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XXV

FÓRMULA DO TEMPO

“ O tempo não existe. É apenas uma convenção.”


- Jorge Luís Borges -

O que é o tempo? O que é o espaço?


Poderíamos começar por assumir ingenuamente que nós não sabemos o que
é o Tempo, que nós não sabemos o que é o Espaço.
Nós apenas sabemos o que é uma relação de espaço, que o espaço é uma
distância entre dois pontos, mas não sabemos dizer o que é o espaço em
concreto.
Nós também não sabemos dizer o que é concretamente o tempo, sabemos
apenas o que é uma relação de tempo, que o tempo define uma duração entre
dois acontecimentos.
Mas definir essas duas unidades objectivamente torna-se bastante difícil e o
pensamento praticamente bloqueia-nos assim que tentamos definir uma origem
do tempo e um limite para o espaço.
Assim que invocamos a ideia de origem ou início, e portanto, de um
princípio, esta imediatamente ultrapassa-nos.
Admitamos que o Universo teve um começo. Mas como este começo é uma
existência precedida de um tempo antes do começo, logo, deve ter havido um
tempo em que o nosso Universo ainda não existia, digamos, um tempo vazio ou
um pré-tempo. Ora, falar no começo do tempo, ou antes, num tempo vazio,
equivale sempre a situar o tempo … no tempo. Que ciclo vicioso!
Ninguém percebe como é que se pode conceber uma criação de tempo fora
de tempo. Eventualmente porque, não deve ser concebível!
Não existe, por definição, um período anterior ao tempo, nem pode existir.
De modo que, a questão de saber o que pôde existir nessa altura, antes do início
do tempo, não tem qualquer sentido.
É sempre perigoso perguntarmo-nos o que pôde ter existido antes do
nascimento do Universo. Se consideramos que não havia tempo, aquilo que
estamos a considerar é que existia um pré-tempo, diferente do tempo físico
habitual e, na prática, estamos a atribuir um novo conceito que está muito longe
de responder à questão colocada, apenas a desloca e transforma-a.
163
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Se assumirmos efectivamente que não havia tempo antes do tempo, então,


não havia História para situá-la no tempo. Tal como não poderia haver nada que
se pudesse situar no tempo, não havia portanto, nenhum tempo histórico …
bem como não poderia existir um tempo histórico circundante, isto é, o tempo
em que a nossa Historia está incluída. O que pretendo dizer é o seguinte:
Admitir um tempo histórico circundante em torno de um tempo não existente,
equivale a situar esse tempo que nunca existiu no tempo, no próprio tempo.
A única demonstração possível é aquela em que o tempo é eterno, infinito e
imortal!
Passemos para uma questão ainda mais fundamental que é a seguinte:
Se poderão existir vários tempos … ao mesmo tempo!? Ou mesmo,
diferentes tipos de tempo! Será o tempo uma medida absoluta e efectiva,
sempre igual e imutável na sua forma, constante em todos os campos do
Universo e em todos os Universos, ou poderá o tempo ser algo mais variável e
versátil?!
Se virmos bem, esta Força do Tempo é a força dominante! Subtil mas
sempre presente e actuante. Esta força reina desde o início do tempo e já estava
presente mesmo muito antes de todas as outras forças terem surgido. Dir-se-ia
que é uma espécie de Força Suprema. Mas nunca ninguém ouviu falar nesta
Força do Tempo! Como é que uma coisa tão evidente consegue passar tão
despercebida?!
Compreendo que é muitas vezes quando as coisas se disfarçam sob o óbvio
que não as conseguimos ver. Tentemos descrever quais serão as características
do tempo. Não há nada na Física conhecida que estabeleça uma lei para a
passagem do tempo! Será este assunto ainda demasiado abstracto?!
Já vimos que não é possível conceber um início do Universo fora de tempo.
E o mesmo argumento é válido se concebêssemos o fim do tempo do Universo.
Mesmo nesse tempo onde tudo teria um fim, mesmo nesse mundo onde nada
se passe, de gelo e de morte, estático e inerte, mesmo que nada mais se mova, o
tempo, esse, continua activo e vivo para continuar a fazê-lo ser.
O Tempo é o artesão da sua preservação, da renovação do Presente, da
continuidade do tempo. A sua paragem verdadeira significaria, portanto, não
apenas a imobilização e ausência de movimento de todas as coisas, mas
também a interrupção imediata do presente, ou seja, o desaparecimento de tudo
o que existe. Quando digo tudo, quero mesmo dizer tudo! O que e algo difícil
de conceber no nosso intelecto. Tal aniquilação, instantânea e completa,
resultaria num verdadeiro apocalipse. Neste apocalipse tudo teria um fim, o que
164
A VIAGEM NO TEMPO

implicaria o fim do próprio „fim‟, como tal, nem sequer poderia ser o fim.
Porque o fim também obedece ao princípio da causalidade, o que no nosso caso
implicaria que não haveria causa que precedesse o fim. E se nada conduziria a
um fim … então, não poderia existir um fim.
O que pretendo dizer mais claramente é que o fim do tempo também não é
concebível. Entraríamos noutro paradoxo.
Não pode haver mundo sem tempo, nem pode haver tempo fora do tempo.
Portanto, o tempo é consubstancial ao mundo e ao próprio tempo.
Sendo assim, o tempo não poderá ser finito em ambas as direcções, o tempo
terá de ser infinito em todas as direcções. Não podemos confiar num modelo de
tempo assimétrico para o nosso Universo, com um início do tempo mas com
um tempo final infinito ou indefinido. O Tempo é simétrico, constante e infinito
em todas as direcções e em todas as dimensões.
Tentemos descodificar uma Fórmula para o Tempo.
Se o tempo é tudo, está em todo o lugar, a absorver tudo o que acontece e o
que não acontece … onde está a fórmula fundamental do tempo?!
Como é que ambicionamos construir uma Teoria Unificada sem incluir a
Força do Tempo?! O Tempo também é uma força, uma grande força, esta é
também uma das sementes do nosso Universo. Como poderemos ambicionar
construir um Universo sem Tempo?!
Antes de mais, é possível demonstrar matematicamente que o tempo não
existe. Que é um conceito puramente abstracto.
Quando dizemos que o tempo não tem existência real, estamos a considerar
o próprio tempo como uma grandeza física simultaneamente nula e infinita.
Esta Força Fundamental do Tempo assume valores absolutamente abrangentes,
desde o valor zero até ao valor infinito.
De acordo com a dedução de António Saraiva, essa demonstração
matemática é possível. Partindo da Hipótese de que zero é igual a infinito,
deduz-se que:
0=∞
log 0 = log (+∞)
-∞ = +∞
log (-∞) = log (+∞)
log (-1) + log (+∞) = +∞
i.π + ∞ = ∞
∞=∞
165
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

A conclusão é que o zero é igual a infinito e, vice-versa, que o infinito é


igual a zero.
Esta formulação teórica pode ser transportada para uma formulação prática,
que é a seguinte: Por um lado, podemos considerar que o tempo não tem
existência real concreta, neste caso, é-lhe atribuído um valor zero. Isto implica
dizer que não existe nenhuma relação de duração temporal física e objectiva.
Na prática significa que não podemos dizer vulgarmente „ali vai aquele bocado
de tempo‟, porque o tempo não existe como uma duração física e espacial, não
podemos encontrá-lo com dimensões de um objecto em concreto, porque o
tempo natural não dispõe de três dimensões físicas espaciais. O tempo como
relação de duração entre dois acontecimentos passado-futuro tem existência
física nula, é por isso que não podemos encontrá-lo fisicamente.
Por outro lado, todos nós sentimos a passagem do tempo. Mas esse tempo
que percepcionamos é o tempo presente, que é um instante, é um momento sem
dimensões e sem durações, é uma singularidade, por isso, o momento presente é
um momento infinito. É aqui que o tempo assume a sua outra faceta, o valor
infinito.
O tempo assume um carácter ambivalente e polivalente, simultaneamente
nulo e infinito. De modo que, podemos dizer: no Tempo nada é eterno e nada é
efémero! Se pretendermos compreender esta grandeza física pela percepção dos
nossos sentidos, ficamos completamente limitados. Quer isso dizer que, se não
podemos tratar o tempo fisicamente, somos obrigados a tratar o tempo
matematicamente. Mas para procedermos a uma manipulação matemática do
tempo, falta-nos uma fórmula fundamental do tempo.
Qual é o mecanismo que codifica e descodifica esta constante relação
temporal? Qual é a partícula mensageira do tempo?
Então vejamos, será que o tempo afecta todos os organismos e todos os
objectos simultaneamente e da mesma forma?!
Uma bactéria está programada para se reproduzir a uma taxa muito precisa
de tempo. O tempo de divisão celular de uma bactéria varia de espécie para
espécie e é influenciada por muitos factores externos como, por exemplo, a
temperatura. Mas em condições óptimas de crescimento estes organismos
unicelulares dividem-se em cada vinte minutos. Isso significa que uma única
bactéria pode produzir 280 biliões de descendentes num só dia!
Um mineral radioactivo está programado para se desintegrar numa taxa
específica de tempo., designado por período de meia-vida. Este decaimento

166
A VIAGEM NO TEMPO

corresponde ao tempo necessário para que metade do nuclídeo original se


desintegre transformando-se num núcleo mais estável.
As árvores Sequóias da família das Coníferas sabem que a sua esperança de
vida está estimada numa média de 3500 anos de tempo. Na verdade, a árvore
mais antiga do mundo tem 9500 anos, é um pinheiro comum na Noruega.
Como é possível que tudo o que existe saiba quanto tempo está a passar?!
Possivelmente porque todos os organismos possuem um relógio biológico
próprio interno, que os mantém sintonizados com esta frequência do tempo. Só
que ninguém sabe quais os meios exactos que ocultam esta enigmática força do
tempo. Este imenso império continua a aguardar por um explorador astuto e
corajoso que descubra o domínio e o absoluto conhecimento do fluxo temporal.
Se conseguíssemos descobrir os mecanismos básicos do tempo, os seus
segredos mais íntimos, teríamos em mãos a maior força que governa todo o
Universo!
Se o tempo é o que faz com que tudo mude, a uma taxa constante, com a
mesma velocidade para todos os seres e substâncias que disponham das mesmas
propriedades, fazendo com que nada possa permanecer igual a si mesmo,
podemos dizer que o tempo é uma Constante de Mudança.
Mas se o tempo também é o que faz com que tudo continue, analogamente
também poderíamos considerá-lo como uma Constante de Continuidade.
A mudança e a impermanência exigem uma lei intemporal de eternidade e
continuidade.
Num sentido óbvio, podemos dizer que somos todos viajantes do tempo,
pois mesmo que nada façamos, seremos arrastados inexoravelmente por esta
força do tempo em direcção ao futuro. Desta forma podemos deduzir e garantir
que o tempo mantém toda a matéria informada da passagem do tempo, sem
excepções. Há sempre um padrão no tempo e uma sintonia que sensibiliza todas
as substâncias moleculares e todos os elementos químicos para a passagem
desta força.
E qual é o elemento fundamental constituinte dos organismos biológicos e
não biológicos? Qual é a constituição fundamental da matéria?
Mais uma vez retornamos ao Campo e à Energia! De tal forma que podemos
dizer que o tempo é uma forma de energia, como tantas outras. Passando a
redundância, podemos dizer que o tempo é a energia que afecta a energia. O
que significa, muito claramente, que o tempo também viaja pelo espaço de uma
forma uniforme e contínua, acompanhando a velocidade da luz, pois este campo
temporal também se distribui à velocidade aproximada de 300.000 Km/s.
167
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Porque o Tempo é um Campo associado ao espaço.


O tempo é um campo, e o campo temporal é na sua essência uniforme. É
claro que podem existir casos pontuais em que a própria estrutura do espaço é
alterada e deturpada. Nesses casos, se o tempo se propaga pelo espaço, ou antes
é prisioneiro do espaço, poderemos assistir a diferentes fluxos de tempo …
Porque a expressão do tempo pode ser alterada.
Se a energia do tempo é dominante, sempre presente mesmo na ausência de
todas as outras forças, qual é a força de campo que o produz?
Se a energia do tempo é constante, qual é o campo responsável para atribuir
essa constância?
Este nosso tempo é, antes de mais, um tempo particular e não corresponde
ao Tempo Fundamental.
Outra relação física interessante, estabelecida por António Saraiva, é a
seguinte:
Considerando um átomo de Hidrogénio, podemos constatar que um electrão
percorre uma órbita fundamental segundo um padrão curioso.
Neste movimento fundamental, a velocidade do electrão é mínima e a sua
energia também é mínima. De modo que, este movimento obedece a um ciclo
constante e a um período bem definido.
Mais do aquilo que os números nos mostram, é a interpretação teórica que
daí advém. E esta é a parte que devemos salientar, de que todos os átomos
obedecem a um padrão constante. O deslocamento da carga do electrão obedece
a um período bem definido. Este movimento repetitivo é igual para todos os
átomos. E são esses os relógios biológicos da Natureza. Os próprios átomos são
concebidos desde o início para responderem a um determinado fluxo de tempo
e, consequentemente, toda a estrutura a partir deles produzida, desde as
moléculas, às células, à própria vida, obedece a esse padrão de tempo. Desta
forma é fácil concluir que é a velocidade dos electrões nos átomos que
estabelece o curso do tempo, o tempo de vida de um átomo.
Se eventualmente os físicos possuíssem um equipamento capaz de medir e
registar o número de órbitas completadas por um electrão num átomo, iriam
verificar que esse número é uma Constante. Excepto quando este átomo deixa
de estar em repouso e passa a deslocar-se em velocidade e aí assistiríamos ao
fenómeno da relatividade generalizada e concluiríamos que o número de órbitas
realmente efectuadas seria manifestamente inferior. A tradução deste processo
reflecte-se numa redução do fluxo do tempo.

168
A VIAGEM NO TEMPO

Para compreendermos a subtileza desta força temos de voltar a lembrarmo-


-nos daquela valiosa constante: A Constante de Estrutura Fina.
Esta constante volta a entrar em palco em mais uma questão fundamental da
Física, que é o Tempo.
Numa das suas anotações podemos verificar que o perímetro P
correspondente a uma orbital estável assume um valor exacto, de acordo com a
seguinte equação:

P = 2πRb= 137λe

Em que:

Rb => Raio de Bohr = 5,292 x 10-11 m


λe => Comprimento de onda de Compton = 2,426 x 10-12 m

O raio de Bohr, ou raio médio de um átomo, e o comprimento de onda de


Compton, ou comprimento de onda médio de um electrão, representam
unidades de medida que nos permitem determinar o perímetro da trajectória
efectuada pelo electrão. Esse perímetro, como podemos constatar, assume um
valor muito preciso, exactamente 137λe.
Do mesmo modo também podemos tentar prever a velocidade média do
electrão enquanto permanece nesta órbita estável, que também obedece a uma
relação interessante que é a seguinte:

ve = c / 137

Mais uma vez, a Constante de Estrutura Fina α = 1 / 137, parece adquirir um


papel principal na velocidade desta partícula ou, melhor dizendo, na velocidade
com que decorre o próprio tempo … e, curiosamente, associada à velocidade
com que se propaga o tempo, que é a velocidade da luz c.
E podemos definir que a velocidade do tempo, ou a fórmula do tempo, é
dada por:

FÓRMULA DO TEMPO

vt = c α

169
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XXVI

FÓRMULA DO COSMOS

“ Deus quer, o homem sonha, e a obra nasce.”


- Fernando Pessoa -

Deveria começar por relembrar que, se a Física possuísse uma Teoria das
Constantes iria encontrar uma constante única e universal, isto é, iria acabar por
encontrar a constante da Natureza, a Constante Fundamental!
Existe uma constante que domina o Universo e essa é a nossa constante de
referência, a constante que identifica o nosso Cosmos.
Ao contrário da velocidade da luz 'c', da carga do electrão 'e', da unidade de
Planck 'h', esta nova constante é ainda desconhecida de todos.
A dedução dessa constante é bastante simples. Vou-vos demonstrar.
A fórmula que vou apresentar estabelece uma relação muito interessante que
é a seguinte:

a = Q.c2

Substituindo os respectivos valores nesta igualdade, a carga do electrão e a


velocidade da luz, tem -se que:

a = 1,6 x 10-19 x ( 3 x 108 )2

a = 0,0144 C.m2/s2

Considerando a fórmula de Einstein para a energia, tem-se que:

E = m.c2

c2 = E/m

Relacionando com a anterior, vem que:

a = Q.c2
170
A VIAGEM NO TEMPO

c2 = a/Q

De onde se retira que:

c2 = c2

E/m=a/Q

Transformando e igualando as duas expressões obtém-se duas fórmulas


fundamentais da Física:

Q.E = m.a

A fórmula do Campo Eléctrico e a fórmula do Movimento de Newton.


A questão é a seguinte: o que é que significa aquele a = 0,0144?

Se repararmos com atenção, as três fórmulas mais fundamentais da Física


podem ser praticamente reduzidas às seguintes:

F = m.a … F = Q.E … E = m.c2

E é com a combinação destas fórmulas que se obtém esta preciosa constante:

F = m.a… F = Q.E …

m.a = Q.E …

E = m.a / Q … E = m.c2 …

m.a / Q = m. c2 …

a / Q = c2 … a = Q. c2 …

O valor obtido é um valor de Força, uma constante de uma Força


Fundamental, presente no nosso Universo.
Que força será essa?!
171
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Só mais tarde é que percebi que esse é um número de ouro, o número do


Cosmos!
Essa força está associada ao Movimento de Ouro que absorve todo o nosso
Universo, desde a Microfísica à Astrofísica.
Como vimos anteriormente, todos os corpos do Universo parecem possuir
um movimento circular responsável pelo delicado equilíbrio da Natureza. Esse
movimento é perfeito e perpétuo, tal como um pêndulo. Só precisa que
„alguém‟ lhe dê o piparote inicial …
A essência fundamental da própria matéria, incorpora esta grandeza
fundamental que corresponde a um fluir natural da energia que se encontra em
constante e pleno movimento … tudo é energia em movimento.
Esta grandeza fundamental associa-se a esse movimento de rotação que está
sempre presente e que nos envolve. Podemos associá-la a um momento angular
da energia … a energia que colocou o nosso Universo em movimento.
Neste sistema fechado, todo o nosso Universo possui um momento angular
de energia eternamente constante.

FÓRMULA DO COSMOS

a = Q. c2 = 0,0144

Nesta fórmula podemos salientar as unidades, que são igualmente


interessantes … a = Q. c2 = 0,0144 C.m2/s2 … Tudo no Universo se resume a
espaço, tempo e radiação.

172
A VIAGEM NO TEMPO

Capítulo XXVII

FÓRMULA UNIFICADA

“ O número domina o Universo.”


- Pitágoras -

E se descobríssemos de facto a Teoria Final do Universo, a Grande Teoria


Unificada?! … O que é isso significaria? … O que é que faríamos com ela? …
O que é que isso mudaria?!
Estaríamos absolutamente certos de que teríamos encontrado A Teoria
correcta?! … Se tivéssemos em mãos uma teoria matematicamente consistente,
que fizesse sempre previsões de acordo com as observações, poderíamos
adquirir um grau de confiança razoável, poderíamos pensar que seria a Teoria
verdadeira, poderíamos cair na ilusão de que teríamos em mãos a compreensão
absoluta do nosso Universo …
“ Contudo, se descobríssemos uma teoria completa, que deverá ser
compreendida dentro de algum tempo, a traços largos, por toda a gente, e não
apenas por alguns cientistas. Então, todos, filósofos, cientistas e simplesmente
gente vulgar, seremos capazes de tomar parte na discussão de sabermos por que
razão nós e o Universo existimos. Se encontrarmos a resposta para isso, será o
triunfo último da razão humana, pois com ela conheceremos a mente de Deus. “
- Stephen Hawking -.

A Física estará madura quando atingir uma Fórmula Unificada que caiba
dentro de uma T-Shirt, do tipo:

F = m a … ou: … E = m c2

Uma Fórmula Unificada que será uma autêntica obra de arte e que
imortalizará o seu autor … contida numa única constante fundamental que
permitirá conhecer a razão de ser das constantes que nos rodeiam.
Compreender a origem das nossas constantes é uma das grandes questões da
Física …
173
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

… essa fórmula poderia estar contida numa única Constante Fundamental, tão
simples como…

FÓRMULA DA TEORIA UNIFICADA:

a = 2α

0,0144 = 2 . 1 / 137

0,0144 = 2 . 0,007

0,0144 = 0,0144

A partir deste simples número decorre toda a complexidade do nosso


Universo:

a = Q c2 = 2 α

a = 2 α = 2 . ___e2___ = __e2__
2. ε0. h . c ε0. h . c

E daqui surgem as constantes mais fundamentais que nos rodeiam:

Carga do electrão…………………………………..e = 1,602 x 10-19 C

Permissividade eléctrica do vácuo…………….. ε0 = 8,854 x 10-12 F / m

Constante de Planck……………………….….… h = 6,626 x 10-34 J.s

Velocidade da luz…………………………………..…c = 3 x 108 m/s

Todas estas constantes podem ser englobadas praticamente numa só:

Constante de estrutura fina…………………….. α = 7,297 x 10-3 ≈ 1/137


174
A VIAGEM NO TEMPO

… que tem uma relação directa com todas as forças da Natureza que nos
rodeiam …
A equação clássica do campo eléctrico é dada pela fórmula de Coulomb, em
que:

Fe = K. Q2
r2

Mas esta também pode ser definida de acordo com a seguinte alteração:

Fe = K. Q2
λe2

Em que se substitui o valor da distância r pelo Comprimento de Compton λ e.


O comprimento de onda de Compton relaciona três constantes fundamentais:

λe = h_
me.c

Substituindo na equação anterior, obtém-se o seguinte desenvolvimento:

Fe = K. Q2. me2.c2
h2

Fe = Q2. me2.c2
4π. ε0. h2

Em que m corresponde à partícula emissora e receptora da radiação


correspondente. Neste caso, me corresponde à massa-energia do electrão e
relaciona-se com a radiação electromagnética.
Para a radiação gravitacional comecemos, primeiramente, por avaliar a
nossa constante ‟gravitacional‟ G. Tentemos determinar a origem desta
constante.
175
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Capítulo XXVIII

DEDUÇÃO DA CONSTANTE GRAVITACIONAL G

“ Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário.”


- Albert Einstein -

De acordo com o modelo apresentado para a nossa Força Gravitacional


considera-se que a componente de atracção entre os corpos, a componente que
atrai e une os átomos e a matéria, não tem origem na fonte clássica e tradicional
de uma Gravidade produzida por massas.
Como vimos anteriormente, esta constante de atracção entre os corpos não
está directamente relacionada com massas mas relaciona-se antes com uma
componente magnética, cuja fonte está nos momentos magnéticos de spin que
todas as partículas possuem. Apesar desta força magneto/gravitacional ser
manifestamente pequena, na ordem de grandeza de 10-40, esta consegue atingir
grandes distâncias e percorrer todo o espaço do Universo uma vez que há
transferência do momento magnético para o macrocosmos através da força
electromagnética clássica. Se o momento angular cinético pode ser transferido,
o momento magnético também pode sê-lo e a evidência da emissão desta dupla
radiação para o espaço interestelar está sempre presente no desdobramento e
decomposição do espectro do Hidrogénio, que apresenta-nos sempre duas riscas
em vez de uma risca única. Compreender a origem desta dupla radiação
pertence ao domínio da Espectroscopia, que estuda a interacção da radiação
electromagnética com a matéria e, neste caso, teremos também de incluir a
origem da radiação magneto-gravitacional.
A Espectroscopia está na base do grande desenvolvimento da ciência actual,
desde a Química à Astrofísica. Esta ciência tem revelado novos conceitos e
novas possibilidades para a interpretação dos espectros electromagnéticos,
informações estas anteriormente desconhecidas.
Todos os átomos emitem radiação. A emissão desta radiação, de fotões,
pode ser produzida por diversas partículas subatómicas, como por exemplo,
protões e electrões em movimento. A radiação pode ser apresentada nas mais
diversas formas: Ultravioletas; Luz Visível; Infravermelho; Ondas Rádio, etc. A
origem e o processamento da emissão destes diversos tipos de radiação não está
ainda completamente compreendida e as primeiras explicações e investigações
176
A VIAGEM NO TEMPO

começam agora a apresentar grandes desenvolvimentos, mostrando a razão de


ser de toda esta rica interacção entre a luz e a matéria.
De uma maneira geral podemos dizer que a emissão de ondas
electromagnéticas está relacionada com alterações dos níveis de energia dos
átomos. Por exemplo, a absorção e a emissão da Luz Visível tem uma relação
directa com as transições entre níveis de energia dos electrões de valência. A
energia da luz, e consequentemente a frequência, e portanto a cor, está
directamente relacionada com a diferença de energia envolvida entre os dois
estados dos electrões nessas transições de dois níveis energéticos. No átomo de
Hidrogénio esta radiação está associada à Série de Balmer. Contudo, a emissão
das mais diversas fontes de radiação não está directamente relacionada com as
transições dos níveis energéticos dos electrões! A diversidade deste fenómeno
está dependente da variação da energia do próprio átomo. Sempre que o átomo
ganha ou perde energia há radiação envolvida. A condição de frequência de
Bohr diz-nos que:

f = ( Ei - Ef) / h

 ΔE = h.f

São as transformações e transições da energia do átomo que estão na origem


da emissão de radiação de diferentes frequências e que contribuem para a vasta
gama de todo o espectro electromagnético. Vários factores podem contribuir
para a variação da energia interna do sistema. Basicamente, o que se verifica
são alterações nos valores da energia cinética e energia potencial electrostática
que se podem manifestar mediante alterações do movimento translacional,
rotacional, vibracional, níveis electrónicos e alterações de orientação de spin
electrónico e nuclear das diferentes partículas. Os fenómenos envolvidos na
origem das diferentes formas de radiação são sempre distintos.
A contribuição para a energia total do sistema do átomo absorve diversas
variáveis e pode ser equacionada da seguinte forma:

Etotal = Etranslação + Erotação + Evibração + Eníveiselectrónicos +

+ Eorientaçãospinelectrónico + Eorientaçãospinnuclear
177
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Temos por exemplo, a absorção e emissão de radiação Infravermelha como


resultado da quantização da energia vibracional das moléculas. As moléculas
apresentam movimentos de vibração em torno dos seus centros de massa. Esses
modos normais de vibração podem se apresentar na direcção da ligação química
(distenção e elongação ) ou perpendiculares à ligação química ( flexão ou
deformação angular ). Sendo que, essa perturbação, vibração, é acompanhada
por uma alteração do momento dipolar. Somente moléculas que produzem
alteração do momento dipolar é que produzem espectro de IV ( Infra-
Vermelho).
Outras variações nos valores de energia dos átomos podem ocorrer e assim
produzir outras formas de radiação.
Sabe-se que a emissão de Microondas está relacionada com a transição dos
níveis energéticos rotacionais, ou seja, com a rotação da molécula e
consecutivamente com a variação da orientação do spin electrónico.
A emissão de Ondas Rádio está relacionada com a transição dos níveis
energéticos de Spin dentro do núcleo, isto é, com a alteração do sentido de spin
de partículas como protões e neutrões (spin nuclear). O modo como se processa
este tipo de ondas rádio é realmente muito interessante.
Resumindo, qualquer átomo ou molécula isolada possui uma certa
quantidade de energia associada à energia cinética e à energia potencial
electrostática que derivam do estado de movimento dos electrões, e outras
quantidades menores de energia associadas às posições e orientações da
partículas em relação aos centros de massa do átomo ou molécula respectiva.
Apenas certas frequências, amplitudes vibracionais, e certas taxas de rotação
são permitidas para um átomo ou molécula em particular. Cada combinação
possível de níveis electrónicos, vibrações, rotações, e orientações de spin
definem um nível particular de energia e uma frequência de emissão/absorção
específica.
Somente certas variações discretas de energia são permitidas. Tal como
previsto pela teoria quântica, uma certa quantidade de energia está associada
com um fotão de radiação correspondente. A maior parte das linhas de
absorção estão associadas a mudanças de orbitais ( alteração da distribuição
electrónica ) e neste processo enquadra-se os Raios X; Ultravioleta e Radiação
Visível. Mudanças vibracionais são usualmente associadas ao Infravermelho.
Alterações rotacionais atribuem-se à região de Microondas. E a emissão de
ondas Rádio provém da alteração da orientação do spin nuclear.

178
A VIAGEM NO TEMPO

ENERGIA COMPRI-
RADIAÇÃO / FREQUÊN-
FENÓMENO DE ORIGEM POR FOTÃO MENTO DE
ESPECTRO CIA f
ΔE ONDA λ
1023 Hz
Raios Reacções nucleares ( produção de > 1,022
Radiação (10-13 m)
Cósmicos pares electrão-positrão ) MeV
Ionizante
Reacções nucleares ( neutrões
Radiação de Radiação
livres e penetrantes em núcleos
Neutrões Ionizante
provocando radioactividade )
1021 Hz
Transições nucleares ( nucleões 10-12 J Picometros
Raios Gama Radiação
excitados – reordenamento núcleo ) ( 5 MeV ) (10-12 m)
Ionizante
Mutações Nucleares ( mutação Dependente
Radiação
Raios Beta neutrão-protão – emissão electrão do isótopo
Ionizante
interno ) radioactivo
Dependente
Fissões Nucleares ( núcleos de Radiação
Raios Alfa do isótopo
Hélio carregados positivamente ) Ionizante
radioactivo
Transições electrónicas ( rearranjo
1018 Hz
das camadas electrónicas. Electrão -15 Nanómetros
Raios X 10 J Radiação (10-9 m)
de valência preenche uma lacuna de
Ionizante
uma camada mais interna )
Transições electrónicas (Transi. 6x10-17 J
Ultravioleta 1017 Hz 10-8 m
energéticas electrões de valência) ( 3,7 eV )

Transições electrónicas (Transi. Micrómetro


Luz Visível 10-18 J 1015 Hz -6
(10 m)
energéticas electrões de valência )
Transições vibracionais (alteração
dos níveis energéticos por vibrações 10-21J Milímetros
Infravermelho 1012 Hz
moleculares - variação momento ( 0,37 eV ) (10-3 m)
dipolar )
Transições rotacionais (alteração
dos níveis energéticos por rotações 10-24 J Metro
Microondas 109 Hz
moleculares – variação spin (0,0037 eV) (100 m)
electrónico)
Transições nucleares ( alteração
Quilómetros
Ondas Rádio níveis energéticos do núcleo/átomo 10-27 J 106 Hz
(103 m)
- variação spin nuclear )
Transições nucleares (alteração
Ondas níveis energéticos do núcleo/átomo Quilómetros
10-40 J 10-6 Hz 14
(10 m)
Gravitacionais - alinhamento spin nuclear com o
spin universal e ressonância)
179
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

No entanto, este quadro que nos apresenta as fontes naturais de emissão de


radiação não termina nas ondas rádio, o espectro continua e apresenta-nos
mais um forma de radiação …
Sendo que a variação dos intervalos de energia é cada vez menor à medida
que aumentam os comprimentos de onda e, consecutivamente, a energia do
fotão irradiado é também mais baixa. Por exemplo, os movimentos de rotação e
vibração são produzidos com energias muito distintas. A quantidade mínima de
energia para excitar os primeiros níveis rotacionais é muito menor do que para
os níveis vibracionais.

Fig. 13 - Relação de variação dos intervalos de energia


com a gama de radiação -

Em certos tipos de moléculas ocorre a transição simultânea de


vibração/rotação, isto permite que o espectro de absorção exiba aglomerados de
linhas muito próximas, em vez de uma transição de energia e frequência bem
definida. A existência destes subníveis de vibração e de rotação representam as
várias transições possíveis de energia em torno de uma frequência central que
se repercutem no espectro de absorção.

Fig. 14 - Relação da Frequência com o Espectro de Absorção -


180
A VIAGEM NO TEMPO

No entanto, uma análise mais cuidadosa do espectro do átomo de


Hidrogénio permite verificar a existência de duas linhas bem definidas.
A meu ver, a razão de ser para a explicação desse fenómeno, de
desdobramento da frequência, continua insatisfatória. O espectro do Hidrogénio
revela a existência de dois níveis de absorção / emissão de energia
extremamente bem definidos …
Podemos dizer que sem rotação, os electrões e protões possuem somente
uma força eléctrica. Mas ao girarem em torno de si mesmas, num movimento
de spin, um pouco como um pião que gira em torno de um eixo vertical, estas
partículas adquirem uma nova força, uma força magnética, criada por um
dipolo magnético que se instala e envolve a partícula, também designado por
momento magnético, ou momento angular intrínseco, ou simplesmente Spin. O
momento electrónico de spin e o momento angular orbital do electrão em
movimento combinam-se e contribuem para o momento total angular do átomo.
Contudo, o núcleo de um átomo comporta-se com se possuísse um momento
nuclear magnético independente, uma vez que cada partícula nuclear produz
interacções magnéticas com o ambiente que as rodeia. Protões e neutrões
também possuem spin e estes interagem para uma contribuição do spin nuclear.
Muito curiosamente, o momento magnético intrínseco das partículas
subatómicas, quando colocadas sob a acção de um campo magnético externo
B0, tem apenas e somente duas orientações possíveis, mais e menos ½, as quais
correspondem a dois valores da energia potencial magnética. Os dois
alinhamentos de spins nucleares têm, portanto, diferentes energias de acordo
com as suas orientações: -1/2 Alinhado contra o campo (antiparalelo ); +1/2
Alinhado com o campo ( paralelo ).

Fig. 15 - Orientação do momento magnético de Spin μs -

181
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Uma espécie química que emite Radiofrequência, isto é, Ondas Rádio, é o


átomo de Hidrogénio 1H, o elemento mais simples da Tabela Periódica e,
coincidentemente, o tipo de átomo mais abundante do Universo.
Cada átomo de Hidrogénio possui um protão e um electrão na sua
constituição e ambos giram em redor dos seus eixos e possuem spin. O sentido
dos spins destas duas partículas pode ter duas orientações possíveis: o spin do
protão é paralelo ao spin do electrão e ambas giram no mesmo sentido; ou cada
partícula gira em sentidos opostos e o spin é antiparalelo.
O estado de menor energia do átomo de Hidrogénio ocorre quando o spin do
núcleo ( protão ) é oposto ao spin do electrão. No entanto, o átomo de 1H
poderá ganhar energia externa que lhe permitirá produzir um alinhamento
paralelo dos spins protão/electrão. Sendo que, o átomo de Hidrogénio ao passar
da configuração paralela ( de maior energia ) para a antiparalela ( de menor
energia ) produzirá a emissão da energia em excesso na forma de radiação de
Ondas Rádio. O comprimento de onda característico desta emissão é de 21 cm e
com uma frequência igual a 1,4 Gigahertz. A orientação paralela || é
preferencial , mas a diferença é muito pequena, somente um excesso de 10 num
total de 106 núcleos se apresenta no estado de spin de maior energia. O átomo
de Hidrogénio oscila e vacila constantemente entre estes dois estados e o
reforço de energia que obtém advém do próprio campo magnético externo
aplicado, produzido pelo movimento orbital do electrão. A absorção de energia
ocorre quando o campo magnético do núcleo B‟ (protão) está alinhado com o
campo magnético externo B0 (electrão). Este núcleo alinhado com o campo
absorve energia extra alterando a orientação de spin para o sentido inverso.

Fig. 16 - Orientação do campo magnético de spin B‟ ( ou H‟ ) paralela -

Normalmente um campo magnético macroscópico é definido pela grandeza


vectorial B ( Tesla ), também conhecida por indução magnética.

182
A VIAGEM NO TEMPO

Contudo, quando nos referimos a campos magnéticos ao nível microscópico


podemos utilizar outra grandeza que relaciona a intensidade do campo
magnético, ou seja, H ( Ampere/metro ).
Todos os núcleos possuem um spin ( I ) característico, dependente do
número de protões e neutrões que entram na sua constituição. Assim, alguns
núcleos possuem spins fraccionários I = 1/2; 3/2; 5/2 … outros possuem spins
inteiros I = 1; 2; 3 … e alguns não possuem spin I = 0, uma vez que a
contribuição de spins emparelhados produz um spin total nulo.
Núcleos que contenham um número ímpar de protões e neutrões ( ou ambos)
possuem um spin quantizado, logo, possuem um momento magnético.
Exemplos químicos com momento nuclear magnético associado são: 1H; 13C;
19
F; 31P, etc. De evidenciar novamente o Hidrogénio. O elemento químico mais
abundante do Universo contribui com um momento magnético nuclear
significativo.
Quando nos referimos a moléculas podemos considerar que para além da
interacção com B0, os spins nucleares podem sentir a presença de outros spins
na molécula, estes conduzem a que a atmosfera magnética de um dado spin
também dependa da orientação e momentos magnéticos de outros spins
vizinhos na molécula.
O carácter magnético destes núcleos e destes átomos é naturalmente fraco e
poderíamos pensar que este magnetismo não teria qualquer influência noutras
partículas mais distantes, no entanto, se os domínios magnéticos de cada spin
nuclear se apresentarem de uma maneira regular e ordenada num certo
momento no tempo, estes poderão sentir outros spins de outros átomos distantes
e, tal como no fenómeno da Magnetização, estes podem conduzir a um
alinhamento magnético padronizado, orientado e universal. Neste estado de
ressonância o fluxo magnético torna-se consecutivamente maior, e isto
representa um ganho de energia extra para o átomo logo, posteriormente, surge
a emissão dessa energia ganha na forma de emissão de Radiação Gravitacional!
Existe um instante no tempo em que ocorre um alinhamento sincronizado
entre todos os momentos magnéticos, em que podemos imaginar a existência de
um acoplamento específico onde todos os spins entram em fase …
Estas interacções magnéticas são realmente um pouco complexas.
Considerando um simples átomo de Hidrogénio temos, neste caso, um electrão
não emparelhado associado a um núcleo atómico com momento magnético não
nulo, por isso, esse electrão sentirá não só o campo magnético externo ambiente
produzido por outros átomos na sua vizinhança e por ele próprio, como também
183
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

sentirá o campo magnético respeitante à emissão do núcleo, ou seja, do protão


nuclear.
Sabemos que a componente do momento magnético orbital do electrão
(translação) contribui para o momento magnético do átomo e relaciona-se com
a Força Electromagnética clássica. No entanto, não podemos ignorar que existe
uma outra componente magnética subatómica. A existência da componente do
momento magnético de spin ( rotação ) contribui para o campo magnético das
partículas constituintes do átomo, gerando um novo campo magnético
independente da Força Electromagnética. Este novo campo, por sua vez,
relaciona-se com a Força Gravitacional clássica, vejamos como:
De uma maneira geral podemos considerar que a magnetização de um átomo
é igual ao momento magnético por unidade de volume. A magnetização
resultante está directamente relacionada com o campo magnético total no
interior do corpo (das partículas constituintes do átomo), e este por sua vez,
depende do campo magnético aplicado externo (do movimento orbital do
electrão ). De modo que, o campo magnético total (B) produzido por um átomo
depende das contribuições do momento magnético orbital do electrão ( μL ) e do
momento magnético de spin ( μS ) das partículas constituintes.
Da mesma forma em que numa dada região do espaço onde há um campo
magnético B0 provocado por um condutor percorrido por uma corrente, e ao
enchermos essa região com uma substância magnética, obteremos um campo
total B nessa região de acordo com a seguinte expressão:

B = B0 + Bm

Em que B0 é o campo introduzido e Bm é o campo provocado pela


magnetização da substância, e este está directamente dependente do vector
magnetização M:
Bm = μ0 M

Podemos considerar que o nosso campo total B depende da contribuição de


dois campos magnéticos distintos: B0 e Bm.
Podemos retirar esta analogia para os nossos átomos, cujo momento
magnético total está dependente de dois momentos magnéticos distintos: o
momento magnético orbital μL e o momento magnético de spin μS.
No nosso caso interessa-nos, particularmente, o campo produzido e induzido
pela magnetização, ou seja, Bm.
184
A VIAGEM NO TEMPO

Se considerarmos que toda a vasta região do Universo está preenchida


maioritariamente por átomos de Hidrogénio, de acordo com os dados
fornecidos pela densidade crítica tem-se que, a densidade média do Universo é
de 6 átomos de Hidrogénio por unidade de volume. Como sabemos, estes
átomos de Hidrogénio têm na sua constituição um electrão e um protão. Estas
duas partículas contribuem com os seus momentos magnéticos: momento
magnético de spin S para o protão e electrão; e momento magnético angular L
ou orbital para o electrão. Todos esses momentos contribuem para um momento
magnético resultante.
A magnetização máxima ocorre de acordo com a soma vectorial dessas
grandezas, imaginando que num certo momento no tempo estes vectores têm
todos o mesmo sentido, o momento magnético resultante μr, será:

μr = √ ( μSe2 + μSp2 + μLe2)

μr = 1,313 x 10-23 J/T

Momentos magnéticos de spin do electrão e do protão μS = -gsmsμB:

μSe = 9,285 x 10-24 J/T

μSp = 1,410 x 10-26 J/T

Momento magnético angular ou orbital do electrão. Também designado por


magnetão de Bohr μB = -e/(2ml)L:

μB = μLe = 9,285 x 10-24 J/T

A magnetização máxima ou magnetização de saturação é obtida através da


seguinte expressão:
M = n.μr

Em que n define o número de átomos por unidade de volume e μ r o


momento magnético resultante.

185
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Considerando que a nossa amostra corresponde ao nosso Universo na sua


totalidade, iremos considerar como referência a densidade crítica, isto é, 6
átomos 1H por m3.

M = 6 x ( 1,313 x 10-23 )

M = 7,878 x 10-23 A/m

Retomando a nossa expressão para obtermos o campo magnético Bm


induzido pela magnetização e tendo μ0 como a constante magnética, tem-se
que:
Bm = μ0 M

Bm = ( 4π x 10-7 ) . ( 7,878 x 10-23 )

Bm = 9,9 x 10-29 T

De acordo com a fórmula clássica, uma Força Magnética é obtida pela


seguinte equação:

Fm = Q.v.B senθ

Esta força é máxima para θ = 90º, ou seja, sen90º = 1 e, simplificando:

Fm = Q.v.B

Substituindo os valores nesta igualdade, e considerando a velocidade média


de acção como v = c/137 = 2,2 x 106 m/s, obtém-se:

Fm = ( 1,6 x 10-19 ).( 2,2 x 106 ).(9,9 x 10-29 )

Fm = 3,48 x 10-41 N

Muito curiosamente, a ordem de grandeza desta Força Magnética que surge


está enquadrada na mesma ordem de grandeza da Força Gravitacional!
186
A VIAGEM NO TEMPO

Considerando a hipótese de a Força Gravitacional ser uma Força Magnética


e igualando ambas as equações, vem que:

Fg = Fm

G.m2/r2 = Q.v.B

G = Q.v.B.r2
m2

G = Fm .r2. m-2 N. m2. Kg-2

Desta forma podemos avaliar uma outra evidência na nossa „Constante


Gravitacional‟, que são as unidades que surgem desta relação entre a Força
Gravitacional e a Força Magnética, pois coincidem na perfeição!!
Deste modo, a constante Gravitacional G surge como uma Constante
Magnética!

Considerando „rH‟ como o raio atómico do Hidrogénio ( rH = 25 pm ) e a


massa total „m‟ como a massa do átomo ( contribuição da massa do electrão e
da massa do protão:
m = ((1,672 x 10-27)+(9,109 x 10-31 ))  m = (1,673 x 10-27 ) kg.
Substituindo os valores na respectiva igualdade temos:

G = __( 3,48 x 10-41 ).(2,5 x 10-11 )2_


(1.673 x 10-27)2

G = __( 2,175 x 10-62 )_


(2.799 x 10-54)

G = 7,77 x 10-9 N.m2.Kg-2

Este será o valor G de referência para um espaço interestelar preenchido


maioritariamente por vácuo e de acordo com os dados fornecidos para a
densidade crítica ( média de 6 átomos de Hidrogénio por m3.).
187
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

O momento magnético do Hidrogénio é, na verdade, imenso. Uma vez que o


protão possui um momento magnético bastante significativo e o mais elevado
de todas as partículas fundamentais. Desta forma, em nuvens interestelares
constituídas por gases, poeiras e outros materiais, é entre estes elementos
químicos que se iniciam as primeiras atracções gravitacionais e a formação dos
primeiros aglomerados de matéria. A Natureza dá prioridade à formação destas
nuvens de Hidrogénio, maioritariamente constituídas por Hidrogénio atómico e
molecular ( H2 ).
Com o decorrer do tempo, a aglomeração desta massa de Hidrogénio vai
sendo gradualmente comprimida por acção da própria Força da Gravidade. Ao
ser sucessivamente comprimida, a densidade e a temperatura aumentam
lentamente, aquecendo constantemente esta massa molecular gigante e
obrigando-a a rodar cada vez mais rápido sobre si mesma. Quando o gás aquece
o suficiente e a temperatura central atinge os 107 K, inicia-se a reacção nuclear
que provoca a fusão do Hidrogénio em Hélio. É nesta altura que ocorre a fusão
nuclear e a nuvem protoestelar transforma-se numa estrela.
O meio interestelar e a formação destas nebulosas é de extrema importância
na evolução do Cosmos. Estes são locais prolíferos por excelência. Pois é neste
meio interestelar que nascem todas as novas gerações de estrelas que existem
no nosso Universo.
Não obstante, a medição da constante gravitacional está dependente de
diversos factores. Como foi visto anteriormente, quando fizemos referência à
experiência de Cavendish, vimos que a influência da temperatura tem um papel
determinante no resultado de G. Como resultado final, a constante gravitacional
deve atingir valores elevadíssimos em estrelas.
Da mesma forma, a importância da velocidade de rotação do astro é
igualmente importante na medição desta constante. Esta constante deve
portanto, atingir valores máximos em estrelas de neutrões e pulsares.
Retornando ao planeta Terra e quando nos referimos aos planetas em geral,
há que considerar outros elementos químicos mais complexos e mais densos
que participam na sua formação, como por exemplo o Ferro ( 26Fe ) constituinte
do núcleo terrestre ( que contribui com pelo menos um electrão de spin
desemparelhado ) entre muitos outros elementos químicos com características e
propriedades muito específicas. Sendo que estes elementos possuem diferentes
raios atómicos, cujo valor é também influenciado pelas condições de pressão e
temperatura mas, de uma maneira geral, podemos considerar que o raio médio
de um átomo está na ordem de grandeza de 10-12 m.
188
A VIAGEM NO TEMPO

Entre o raio atómico do Ferro; o raio médio de Bohr e o comprimento de


onda de Compton, podemos passar a considerar, por exemplo:

r = 2,31 x 10-12 m

Com esta pequena variação na medida do raio atómico obtém-se uma


diferença substancial no valor da constante Gravitacional G:

G = Fm .r2
m2

G = __( 3,48 x 10-41 ).(2,31 x 10-12 )2_


(1.673 x 10-27)2

G = 6,6 x 10-11 N.m2.Kg-2

E obtém-se assim o valor médio de G para a superfície terrestre!


Na verdade, a medição exacta desta constante deve requerer um processo
altamente complexo … uma vez que esta constante é inconstante em cada local.
Mas o que é facto é que esta constante pode ser influenciada por dois
factores:

- Pela variação do raio atómico ( r );


- Pela taxa de variação/intensidade do campo magnético externo ( v )
(influenciada pela velocidade de rotação do astro e pela temperatura).

Portanto, a Constante Universal G é uma Constante Magnética Variável!

Enquanto que toda a gente pensa que a origem da Gravidade não oferece
qualquer segredo … Quando toda a gente „sabe‟ que a fonte da Gravidade
advém da qualidade de Massa, esta característica tão „evidente‟ da Natureza …
É no óbvio que nunca ninguém repara e que ninguém duvida e é exactamente aí
que a Natureza nos surpreende!
Afinal, não era nada como nós estávamos a pensar …

189
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

190
A VIAGEM NO TEMPO

EPÍLOGO

“ À medida que vamos compreendendo melhor as coisas,


tudo se torna mais simples.”
- Edward Teller -

Apesar de reconhecermos constantemente que temos em mãos uma Lei da


Gravidade incompleta e insatisfatória, será muito difícil que com o
conhecimento de um novo modelo teórico que se enquadre com a experiência,
que seja compatível com os factos, e que apresente soluções para resolver as
falhas da Teoria da Gravidade, continuemos a trabalhar sobre a antiga teoria
clássica da Gravidade e a insistir em encontrar soluções que ela não nos pode
dar, uma vez que os fundamentos base sobre os quais esta teoria se baseia estão
incorrectos.
Pode acontecer que esta Nova Teoria da Gravidade consiga passar
despercebida e não merecer a devida atenção do círculo de estudiosos e
interessados nesta temática. Sugerir esta alteração revolucionária, que se
enquadra com os factos, deveria ser suficiente para convencer a ciência
tradicional. No entanto, esta forma de pensamento já foi anteriormente e
pacientemente explicada pelo físico Ed May. Segundo ele, normalmente
partimos do princípio de que a ciência é um processo racional, mas na verdade
não é. Desta forma iremos, inevitavelmente e ingenuamente, cometer o erro do
„Homem racional‟. Quando somos confrontados com provas que contrariam as
nossas crenças mais fundamentais, em vez de estas novas provas nos
conduzirem a uma nova crença, em geral, o que acontece, é exactamente o
processo oposto.
Desafiar uma crença antiga leva a que se reafirme com maior convicção as
nossas crenças anteriores! Tal relutância advém de um fenómeno igualmente
simples, que é o seguinte: Acontece que muitas vezes a História se repete, e o
preconceito, o comodismo, o cepticismo ou simplesmente a ignorância, são as
respostas mais comuns quando as nossas crenças mais fundamentais são
ameaçadas, e estas podem perpetuar-se ao longo de séculos!
Quando ultrapassarmos isso, a Nova Teoria da Gravidade será vista de uma
maneira tão comum e natural, sem nada de extraordinário ou de grandemente
mágico. Tal como é o facto de considerarmos, hoje em dia, de que é o Sol que
se encontra no centro de Sistema Solar e não a Terra! Assim sendo, talvez o
adjectivo „revolucionário‟ não seja o adequado.
191
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

Para fundamentar os resultados que obtivemos anteriormente vamos


desenvolver o tratamento específico entre Acoplamento e Momento Angular.
Considerando apenas a informação dada através da distribuição electrónica
de um átomo, sabemos que esta não é suficiente para descrever completamente
o estado do átomo, uma vez que, verifica-se experimentalmente que várias
orbitais com a mesma configuração electrónica têm níveis de energia diferentes.
A variação dessa energia relaciona-se com o momento angular orbital L e
com o momento angular de spin S que se combinam para determinar o
momento angular total resultante do átomo J.
No cálculo do momento angular total de um átomo é necessário considerar
somente o momento angular dos electrões de valência, porque o momento
angular total de cada camada completa é zero. Estes momentos angulares têm
sentidos variáveis ao longo do tempo e combinam-se de acordo com regras
específicas da mecânica quântica a fim de determinar o momento angular
resultante J.
Um modelo vectorial servirá para definir a composição e evolução deste
momento angular:

Fig. 17 - Relação entre momentos angulares L, S e J


e momentos magnéticos μL μS μJ.

e continua …
192
A VIAGEM NO TEMPO

“ Só sei que nada sei. “


- Sócrates -

“ Penso, logo existo. “


- Descartes -

Mas será que penso bem?!


- C. P. Fournier -

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21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

194
A VIAGEM NO TEMPO

TUDO NESTE LIVRO PODE ESTAR ERRADO

Segundo a teoria de Eduardo Punset, este neurocientista descreve o processo


de criatividade de uma forma particularmente interessante: Em geral, as pessoas
seguem outras pessoas apenas porque há muita gente que vai nessa direcção. A
pessoa criativa, porém, decide ser independente. Por exemplo, se a pessoa
criativa vê que toda a gente está a caminhar numa dada direcção, então, decide
caminhar na direcção oposta, não aceitando a direcção da maioria como a
direcção correcta.
O criador pensa: „Tenho a minha própria ideia e talvez a minha ideia seja
melhor‟. A pessoa criativa pensa de uma maneira diferente em relação ao típico
ou ao comum, embora isso às vezes acarrete as suas consequências.
É necessário saber que quando se tem uma ideia criativa, uma ideia nova, os
outros não vão aceitá-la facilmente. De certa forma, torna-se necessário e até
mesmo imprescindível aplicar um certo esforço para tentar demonstrar que a
nossa ideia é válida e que poderá trazer alguma vantagem. Na prática, trata-se
simplesmente de tentar convencer os outros de que a nossa ideia talvez seja,
quem sabe, uma ideia melhor. De modo que, o autor de uma nova ideia
desenvolve todas as habilidades para que esta não seja imediatamente rejeitada
e negligenciada. Considerando que, pelo menos, uma nova ideia merece fazer
parte da discussão, com uma única diferença substancial, que é a de que o
criador acredita profundamente naquilo que criou …

195
21 SOLUÇÕES PARA 21 QUESTÕES DA FÍSICA DO SÉC. XXI

DEDICATÓRIA E AGRADECIMENTOS

Pretendo agradecer ao meu primeiro leitor, António Saraiva, autor de


inúmeros artigos publicados no Jornal Científico electrónico „The General
Science Journal‟, que teve a amabilidade de se disponibilizar para ler a obra
literária na sua totalidade, contribuindo com uma apreciação bastante positiva.
Fazendo referência às suas palavras: “ É uma grande lição de Física explicada
de uma forma muito simples (…) cujas ideias merecem ser publicadas.”.

Pretendo também apresentar um especial agradecimento ao director editorial


do IST PRESS, o meu segundo leitor, professor doutor Joaquim Moura Ramos
do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que teve a gentileza de percorrer e
apreciar os diferentes capítulos deste trabalho, numa leitura que segundo as
suas próprias palavras foi feita com gosto, manifestando uma opinião elogiosa
pelo trabalho desenvolvido e uma crítica literária e científica igualmente
positiva.

E ainda a Paulo Fournier e a João Figueirinha , pelos seus comentários


valiosos e por terem considerado este livro simplesmente espectacular,
fascinante e, realmente „muito interessante‟!!

Por último, não poderia deixar de manifestar a minha atenção para Walter
Babin no Canadá, editor do jornal científico online ' The General Science
Journal‟ - um jornal científico com reconhecimento a nível mundial - que
manifestou uma opinião muito positiva em relação à primeira tradução para a
língua inglesa desta versão científica. Transcrevendo as suas próprias palavras:
“ You have a delightful and informative way of writing and it is a pleasure to
read it.”.

A todos, um especial obrigado pelo entusiasmo e pelos sorrisos que me


concederam. Não conseguirei jamais exprimir o quão importantes foram as suas
opiniões e comentários na minha primeira impressão e avaliação sobre esta
„Viagem‟. Uma vez mais, o meu sincero agradecimento a todas estas pessoas.
Finalmente, este livro não faria sentido se não mencionasse uma última
dedicatória:
À memória de todos os Físicos;
E ao meu maravilhoso Universo.
196
A VIAGEM NO TEMPO

NOTA FINAL

Pretendo referir que quaisquer erros que subsistam nesta obra, informações
literárias ou conceitos científicos, são da inteira responsabilidade da autora.
Pois, na verdade, nunca tive nenhuma aula de Cosmologia, Física Quântica ou
Teoria da Relatividade!

“ Ardo como um fogo sagrado quando penso nelas e sinto que nunca me
cansarei de as repetir. A concluir esta carta, deixem-me gozar o prazer de
as voltar a transcrever. „Não me preocupa se a minha obra vai ser lida
agora ou pela posteridade. Posso esperar um século por leitores (…) Eu
triunfo!
Roubei o segredo dourado das estrelas. Satisfaço-me com a minha fúria
sagrada.” - Johannes Kepler -.

***

FIM

Vol. I – A Viagem no Tempo


197
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