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SPED - Sistema Público de Escrituração Digital

APRESENTAÇÃO

Instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o Sistema Público de


Escrituração Digital (Sped) faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento do
Governo Federal (PAC 2007-2010) e constitui-se em mais um avanço na informatização
da relação entre o fisco e os contribuintes.

De modo geral, consiste na modernização da sistemática atual do cumprimento das


obrigações acessórias, transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e
aos órgãos fiscalizadores, utilizando-se da certificação digital para fins de assinatura dos
documentos eletrônicos, garantindo assim a validade jurídica dos mesmos apenas na sua
forma digital.

 Iniciou-se com três grandes projetos: Escrituração Contábil Digital, Escrituração


Fiscal Digital e a NF-e - Ambiente Nacional.
 Representa uma iniciativa integrada das administrações tributárias nas três
esferas governamentais: federal, estadual e municipal.
 Mantém parceria com 20 instituições, entre órgãos públicos, conselho de classe,
associações e entidades civis, na construção conjunta do projeto.
 Firma Protocolos de Cooperação com 27 empresas do setor privado,
participantes do projeto-piloto, objetivando o desenvolvimento e o disciplinamento dos
trabalhos conjuntos.
 Possibilita, com as parcerias fisco-empresas, planejamento e identificação de
soluções antecipadas no cumprimento das obrigações acessórias, em face às exigências
a serem requeridas pelas administrações tributárias.
 Faz com que a efetiva participação dos contribuintes na definição dos meios de
atendimento às obrigações tributárias acessórias exigidas pela legislação tributária
contribua para aprimorar esses mecanismos e confira a esses instrumentos maior grau de
legitimidade social.
 Estabelece um novo tipo de relacionamento, baseado na transparência mútua,
com reflexos positivos para toda a sociedade.

Benefícios

 Redução de custos com a dispensa de emissão e armazenamento de documentos em


papel;
 Eliminação do papel;
 Redução de custos com a racionalização e simplificação das obrigações acessórias;
 Uniformização das informações que o contribuinte presta às diversas unidades federadas;
 Redução do envolvimento involuntário em práticas fraudulentas;
 Redução do tempo despendido com a presença de auditores fiscais nas instalações do
contribuinte;
 Simplificação e agilização dos procedimentos sujeitos ao controle da administração
tributária (comércio exterior, regimes especiais e trânsito entre unidades da federação);
 Fortalecimento do controle e da fiscalização por meio de intercâmbio de informações entre
as administrações tributárias;
 Rapidez no acesso às informações;
 Aumento da produtividade do auditor através da eliminação dos passos para coleta dos
arquivos;
 Possibilidade de troca de informações entre os próprios contribuintes a partir de um leiaute
padrão;
 Redução de custos administrativos;
 Melhoria da qualidade da informação;
 Possibilidade de cruzamento entre os dados contábeis e os fiscais;
 Disponibilidade de cópias autênticas e válidas da escrituração para usos distintos e
concomitantes;
 Redução do "Custo Brasil";
 Aperfeiçoamento do combate à sonegação;
 Preservação do meio ambiente pela redução do consumo de papel.

Histórico

A Emenda Constitucional nº 42, aprovada em 19 de dezembro de 2003, introduziu o


inciso XXII ao art.37 da Constituição Federal, que determina às Administrações
Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios atuarem de
forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações
fiscais.

Para atender o dispositivo Constitucional, foi realizado, em julho de 2004, em Salvador,


o I ENAT - Encontro Nacional de Administradores Tributários, reunindo o Secretário
da Receita Federal, os Secretários de Fazenda dos Estados e Distrito Federal, e o
representante das Secretarias de Finanças dos Municípios das Capitais.

O Encontro teve como objetivo buscar soluções conjuntas nas três esferas de Governo
que promovessem maior integração administrativa, padronização e melhor qualidade
das informações; racionalização de custos e da carga de trabalho operacional no
atendimento; maior eficácia da fiscalização; maior possibilidade de realização de ações
fiscais coordenadas e integradas; maior possibilidade de intercâmbio de informações
fiscais entre as diversas esferas governamentais; cruzamento de informações em larga
escala com dados padronizados e uniformização de procedimentos.

Em consideração a esses requisitos, foram aprovados dois Protocolos de Cooperação


Técnica, um objetivando a construção de um cadastro sincronizado que atendesse aos
interesses das Administrações Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios e, outro, de caráter geral, que viabilizasse o desenvolvimento de
métodos e instrumentos que atendessem aos interesses dos respectivos Entes Públicos.

Em agosto de 2005, no evento do II ENAT - Encontro Nacional de Administradores


Tributários, em São Paulo, o Secretário da Receita Federal, os Secretários de Fazenda
dos Estados e Distrito Federal, e os representantes das Secretarias de Finanças dos
Municípios das Capitais, buscando dar efetividade aos trabalhos de intercâmbio entre os
mesmos, assinaram os Protocolos de Cooperação nº 02 e nº 03, com o objetivo de
desenvolver e implantar o Sistema Público de Escrituração Digital e a Nota Fiscal
Eletrônica.

O Sped, no âmbito da Receita Federal, faz parte do Projeto de Modernização da


Administração Tributária e Aduaneira (PMATA) que consiste na implantação de novos
processos apoiados por sistemas de informação integrados, tecnologia da informação e
infra-estrutura logística adequados.
Dentre as medidas anunciadas pelo Governo Federal, em 22 de janeiro de 2007, para o
Programa de Aceleração do Crescimento 2007-2010 (PAC) - programa de
desenvolvimento que tem por objetivo promover a aceleração do crescimento
econômico no país, o aumento de emprego e a melhoria das condições de vida da
população brasileira - consta, no tópico referente ao Aperfeiçoamento do Sistema
Tributário, a implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e Nota
Fiscal Eletrônica (NF-e) no prazo de dois anos.

Na mesma linha das ações constantes do PAC que se destinam a remover obstáculos
administrativos e burocráticos ao crescimento econômico, pretende-se que o Sped possa
proporcionar melhor ambiente de negócios para o País e a redução do Custo Brasil,
promovendo a modernização dos processos de interação entre a administração pública e
as empresas em geral, ao contrário do pragmatismo pela busca de resultados, muito
comum nos projetos que têm como finalidade apenas o incremento da arrecadação.

Objetivos

O Sped tem como objetivos, entre outros:

 Promover a integração dos fiscos, mediante a padronização e


compartilhamento das informações contábeis e fiscais, respeitadas as restrições legais.
 Racionalizar e uniformizar as obrigações acessórias para os
contribuintes, com o estabelecimento de transmissão única de distintas obrigações
acessórias de diferentes órgãos fiscalizadores.
 Tornar mais célere a identificação de ilícitos tributários, com a melhoria do
controle dos processos, a rapidez no acesso às informações e a fiscalização mais efetiva
das operações com o cruzamento de dados e auditoria eletrônica.

 Premissas

 Propiciar melhor ambiente de negócios para as empresas no País;


 Eliminar a concorrência desleal com o aumento da competitividade entre as
empresas;
 O documento oficial é o documento eletrônico com validade jurídica para todos
os fins;
 Utilizar a Certificação Digital padrão ICP Brasil;
 Promover o compartilhamento de informações;
 Criar na legislação comercial e fiscal a figura jurídica da Escrituração Digital e
da Nota Fiscal Eletrônica;
 Manutenção da responsabilidade legal pela guarda dos arquivos eletrônicos da
Escrituração Digital pelo contribuinte;
 Redução de custos para o contribuinte;
 Mínima interferência no ambiente do contribuinte;
 Disponibilizar aplicativos para emissão e transmissão da Escrituração Digital e
da NF-e para uso opcional pelo contribuinte.

Universo de atuação
A maioria dos contribuintes já se utiliza dos recursos de informática para efetuar tanto a
escrituração fiscal como a contábil. As imagens em papel simplesmente reproduzem as
informações oriundas do meio eletrônico.

A facilidade de acesso à escrituração, ainda que não disponível em tempo real, amplia
as possibilidades de seleção de contribuintes e, quando da realização de auditorias, gera
expressiva redução no tempo de sua execução.

Universo de Atuação:

 CT-e
 ECD
 ECF
 EFD ICMS IPI
 EFD Contribuições
 EFD-Reinf
 e-Financeira
 eSocial
 NF-e
 NFS-e
 MDF-e
 NFC-e

 
RESOLUÇÃO CFC N.º 1.330/2011

DOU de 22.03.2011 

Aprova a ITG 2000 – Escrituração Contábil.


O CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, no exercício de suas atribuições legais e
regimentais, e com fundamento no disposto na alínea “f” do art. 6º do Decreto-Lei n.º 9.295/46,
alterado pela Lei n.º 12.249/10,

RESOLVE:

Art. 1º Aprovar a ITG 2000 – Escrituração Contábil.

Art. 2º Revogar as Resoluções CFC n.ºs 563/83, 596/85, 597/85, 612/85, 684/90, 685/90,
790/95, 848/99 e 1.115/07, publicadas no D.O.U., Seção 1, de 30/12/83, 29/7/85, 29/7/85,
21/1/86, 27/8/91, 27/8/91, 18/12/95, 12/7/99 e 19/12/07, respectivamente.

Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 18 de março de 2011.

Contador Juarez Domingues Carneiro


Presidente
Ata CFC n.º 948 

NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE

ITG 2000 – ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL


   
Objetivo

1. Esta Interpretação estabelece critérios e procedimentos a serem adotados pela entidade para a
escrituração contábil de seus fatos patrimoniais, por meio de qualquer processo, bem como a
guarda e a manutenção da documentação e de arquivos contábeis e a responsabilidade do
profissional da contabilidade.

Alcance 

2. Esta Interpretação deve ser adotada por todas as entidades, independente da natureza e do
porte, na elaboração da escrituração contábil, observadas as exigências da legislação e de outras
normas aplicáveis, se houver.   

Formalidades da escrituração contábil   

3. A escrituração contábil deve ser realizada com observância aos Princípios de Contabilidade. 
4. O nível de detalhamento da escrituração contábil deve estar alinhado às necessidades de
informação de seus usuários. Nesse sentido, esta Interpretação não estabelece o nível de detalhe
ou mesmo sugere um plano de contas a ser observado. O detalhamento dos registros contábeis é
diretamente proporcional à complexidade das operações da entidade e dos requisitos de
informação a ela aplicáveis e, exceto nos casos em que uma autoridade reguladora assim o
requeira, não devem necessariamente observar um padrão pré-definido. 

5. A escrituração contábil deve ser executada:

a) em idioma e em moeda corrente nacionais;


b) em forma contábil;
c) em ordem cronológica de dia, mês e ano;
d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, borrões, rasuras ou emendas; e
e) com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos
que comprovem ou evidenciem fatos contábeis.
6. A escrituração em forma contábil de que trata o item 5 deve conter, no mínimo:
a) data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu;
b) conta devedora;
c) conta credora;
d) histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico
padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio;
e) valor do registro contábil;
f) informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram
um mesmo lançamento contábil.

7. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento em ordem


sequencial relacionado ao respectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta,
em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis.  

8. A terminologia utilizada no registro contábil deve expressar a essência econômica da


transação.  

9. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão,em forma não
digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como:serem encadernados;terem
suas folhas numeradas sequencialmente;conterem termo de abertura e de encerramento
assinados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade
regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade.

10. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão, em forma
digital, devem revestir-se de formalidades extrínsecas, tais como:serem assinados digitalmente
pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado;serem autenticados
no registro público competente.

11. Admite-se o uso de códigos e/ou abreviaturas, nos históricos dos lançamentos, desde que
permanentes e uniformes, devendo constar o significado dos códigos e/ou abreviaturas no Livro
Diário ou em registro especial revestido das formalidades extrínsecas de que tratam os itens 9 e
10.
12. A escrituração contábil e a emissão de relatórios, peças, análises, demonstrativos e
demonstrações contábeis são de atribuição e de responsabilidade exclusivas do profissional da
contabilidade legalmente habilitado. 

13. As demonstrações contábeis devem ser transcritas no Livro Diário, completando-se com as
assinaturas do titular ou de representante legal da entidade e do profissional da contabilidade
legalmente habilitado.

Livro diário e livro razão

14. No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronológica, com individualização, clareza e
referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que
provoquem variações patrimoniais.

15. Quando o Livro Diário e o Livro Razão forem gerados por processo que utilize fichas ou
folhas soltas, deve ser adotado o registro “Balancetes Diários e Balanços”. 

16. No caso da entidade adotar processo eletrônico ou mecanizado para a sua escrituração
contábil, os formulários de folhas soltas, devem ser numerados mecânica ou tipograficamente e
encadernados em forma de livro. 

17. Em caso de escrituração contábil em forma digital, não há necessidade de impressão e


encadernação em forma de livro, porém o arquivo magnético autenticado pelo registro público
competente deve ser mantido pela entidade.

18. Os registros auxiliares, quando adotados, devem obedecer aos preceitos gerais da
escrituração contábil.

19. A entidade é  responsável pelo registro público de livros contábeis em órgão competente e
por averbações exigidas pela legislação de recuperação judicial, sendo atribuição do profissional
de contabilidade a comunicação formal dessas exigências à entidade.

Escrituração contábil de filial - descentralizada

20. A entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, quer como filial, agência, sucursal
ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração descentralizado, deve ter registros
contábeis que permitam a identificação das transações de cada uma dessas unidades.

21. A escrituração de todas as unidades deve integrar um único sistema contábil.

22. A opção por escrituração descentralizada fica a critério da entidade.

23. Na escrituração descentralizada, deve ser observado o mesmo grau de detalhamento dos
registros contábeis da matriz. 

24. As contas recíprocas relativas às transações entre matriz e unidades, bem como entre estas,
devem ser eliminadas quando da elaboração das demonstrações contábeis da entidade.

25. As despesas e as receitas que não possam ser atribuídas às unidades devem ser registradas
na matriz e distribuídas para as unidades de acordo com critérios da administração da entidade.

Documentação contábil
26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na
escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras
peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração.

27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou


extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica-contábil ou aceitas pelos “usos e
costumes”.

28. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio magnético, desde
que assinados pelo responsável pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente
habilitado, devendo ser submetidos ao registro público competente.

Contas de compensação

29. Contas de compensação constituem sistema próprio para controle e registro dos fatos
relevantes que resultam em assunção de direitos e obrigações da entidade cujos efeitos
materializar-se-ão no futuro e que possam se traduzir em modificações no patrimônio da
entidade. 

30. Exceto quando de uso mandatório por ato de órgão regulador, a escrituração das contas de
compensação não é obrigatória. Nos casos em que não forem utilizadas, a entidade deve
assegurar-se que possui outros mecanismos que permitam acumular as informações que de outra
maneira estariam controladas nas contas de compensação.

Retificação de lançamento contábil

31. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado com erro
na escrituração contábil da entidade e pode ser feito por meio de:

a) estorno;
b) transferência; e
c) complementação.

32. Em qualquer das formas citadas no item 31, o histórico do lançamento deve precisar o
motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem.

33. O estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente, anulando-o


totalmente.

34. Lançamento de transferência é aquele que promove a regularização de conta indevidamente


debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada.

35. Lançamento de complementação é aquele que vem posteriormente complementar,


aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado.

36. Os lançamentos realizados fora da época devida devem consignar, nos seus históricos, as
datas efetivas das ocorrências e a razão do registro extemporâneo.

JUAREZ DOMINGUES CARNEIRO - Presidente do Conselho


Livro Diário
1º Questionamento:  Toda entidade está obrigada a registrar o LIvro Diário?

Resposta:  A obrigatoriedade de registro do Livro Diári o está prevista no item 10, letra b, da ITG
2000, aprovada pela Resolução CFC nº 1.330/11, não havendo em nossa legislação nenhuma
exceção. Está prevista também no Novo Código Civil Brasileiro, em seus arts. 1.180 e 1.181.  
Sugere-se também consultar a Instrução Normativa nº 107, de 23 de maio de 2008, do DNRC –
Departamento Nacional de Registro do Comércio, que trata de outras formalidades de registro do
Livro Diário na Junta Comercial.

2º Questionamento: A entidade que está ou esteve inativa deve elaborar o Livro Diário?

Reposta: A NBC TG Estrutura Conceitual, aprovada pela Resolução CFC nº 1.121/08, estabelece
em seu item 23:   23. As demonstrações contábeis são normalmente preparadas no pressuposto de
que a entidade continuará em operação no futuro previsível. Dessa forma, presume-se que a
entidade não tem a intenção nem a necessidade de entrar em liquidação, nem reduzir materialmente
a escala das suas operações; se tal intenção ou necessidade existir, as demonstrações contábeis
têm que ser preparadas numa base diferente e, nesse caso, tal base deverá ser divulgada.  
Estabelece ainda o art. 4º,  § 2º, da IN 107/2008 do DNRC:   ?Art. 4º, § 2º – O livro não poderá ser
dividido em volumes, podendo, em relação a um mesmo exercício, ser escriturado mais de um livro,
observados períodos parciais e seqüenciais, constantes dos respectivos Termos de Encerramento,
de acordo com as necessidades do empresário ou da sociedade empresária.?   Portanto, as
demonstrações contábeis devem ser elaboradas independentemente de haver movimentação ou
não, devendo ainda o Livro Diário ser registrado no órgão competente.

3º Questionamento: Por quanto tempo devem ser guardados os livros Diário e Razão?

Reposta: As Normas Brasileiras de Contabilidade não prevêem prazo para guarda dos Diário e
Razão, porém, o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002), em seu art. 1.194, prevê que: Art.
1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a
escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer
prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.   Lembramos que os livros
contábeis são documentos permanentes da entidade e devem ser arquivados eternamente, assim
como são arquivados os instrumentos de constituição da entidade e de suas alterações.

4º Questionamento: O Livro Diário pode ser refeito?

Resposta: O profissional de contabilidade não pode refazer o Livro Diário. De acordo com o art. 5º
da Resolução DNRC nº 107/2008, o lançamento de retificação deve ser efetuado no exercício em
que o erro for detectado, conforme transcrevemos:

Art. 5º A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial,
deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência,
observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser
substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada.

Com relação à retificação de lançamento, deve ser aplicada a ITG 2000 ? Escrituração Contábil,
aprovada pela Resolução CFC nº 1.330/11, especificamente seus itens 31 a 36 que tratam do
processo técnico de correção de registro realizado com erro na escrituração contábil da entidade e
pode ser feito por meio de estorno, transferência e complementação.
Contudo, o contabilista deve aplicar o disposto na NBC TG 23 ? Políticas Contábeis, Mudança de
Estimativa e Retificação de Erro, aprovada pela Resolução CFC nº 1.179/09, quando houver ajuste
decorrente de alteração de política contábil ou estimativa ou decorrente de retificação de erro.

Em casos específicos, o Livro Diário pode ser registrado com o mesmo número de ordem e com o
mesmo conteúdo, como prevê o art. 26 da referida Resolução do DNRC, conforme transcrevemos:

Art. 26. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de qualquer dos instrumentos de


escrituração, o empresário ou a sociedade empresária fará publicar, em jornal de grande circulação
do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste fará minuciosa informação,
dentro de quarenta e oito horas à Junta Comercial de sua jurisdição.
§ 1º Recomposta a escrituração, o novo instrumento receberá o mesmo número de ordem do
substituído, devendo o Termo de Autenticação ressalvar, expressamente, a ocorrência comunicada.
§ 2º A autenticação de novo instrumento de escrituração só será procedida após o cumprimento do
disposto no caput deste artigo.
§ 3º No caso de livro digital, enquanto for mantida uma via do instrumento objeto de extravio,
deterioração ou destruição no Sped, a Junta Comercial não autenticará livro substitutivo, devendo o
empresário ou sociedade obter reprodução do instrumento junto à administradora daquele Sistema.

1 – Questionamento: As normas contábeis aprovadas pelo CFC são aplicáveis a todas as


entidades, independentemente de sua natureza?

Resposta: A contabilidade, por ser uma ciência social, é única, independentemente do tamanho ou
da natureza da entidade. Assim o registro de um ato ou fato administrativo não pode ser diferente
em uma entidade pelo fato dela ser maior ou menor que outra entidade.   O que pode ocorrer é a
adoção de procedimentos específicos, no que se refere principalmente a critérios de avaliação, para
determinadas entidades, entre outros motivos, em função do porte, da complexidade das operações
e do ramo de negócios. Assim não há que se cogitar de contabilidade diferente, mas de
procedimentos e controles mais simples ou sofisticados de acordo com o porte da entidade.   Deve-
se considerar o fato de que os Pronunciamentos, Interpretações e Orientações emanadas do Comitê
de Pronunciamentos Contábeis – CPC não têm poder normativo.  No caso específico dos
profissionais de contabilidade, o poder normativo é configurado quando publicada a Norma
Brasileira de Contabilidade – NBC, pelo Conselho Federal de Contabilidade.   Assim, objetivamente
as Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC, emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade
são de aplicação compulsória por todos os profissionais, sejam eles responsáveis por grandes ou
pequenas entidades (nestas incluídas as microempresas).

2º – Questionamento : As micro, pequenas e medias empresas estão obrigadas a aplicarem as


normas contábeis em sua totalidade?

Resposta:  As normas contábeis são aplicáveis a todas as entidades. Com a revogação da NBC T
19.13 as micro, pequenas e médias empresas devem adotar a NBC TG 1000 – Contabilidade para
Pequenas e Médias Empresas,  aprovada pela Resolução CFC n.º 1.255/09, onde estão previstos
procedimentos próprios à realidade destas entidades, e ainda assim  fiéis ao princípios contábeis
gerais. Por opção, podem ainda adotar as normas contábeis de caráter geral aplicáveis ás
companhias abertas.

3º Questionamento: Como são elaboradas as normas Brasileiras de Contabilidade?

Resposta: As Normas Brasileiras de Contabilidade estão em processo de convergência com as


normas internacionais de contabilidade. Para tanto, as normas são elaboradas de diferentes
maneiras, levando em consideração a sua aplicação.     As normas internacionais de contabilidade
que têm por base as IFRS são traduzidas e depois analisadas pelo Comitê de Pronunciamentos
Contábeis - CPC. Após sua aprovação pelo CPC, são transformadas em Normas Brasileiras de
Contabilidade pelo CFC. Outros órgãos reguladores podem também aprová-las para adoção pelas
entidades supervisionadas por esses órgãos reguladores (CVM, SUSEP, BCB, ANS).    As NBC T
16, que são as normas aplicadas ao setor público, devem ser revogadas quando da conversão das
IPSAS da IFAC em NBCs TSP, com a mesma numeração das IPSAS. Foi formado um Grupo de
Estudo liderado pelo CFC para adaptação das IPSAS e sua aprovação para aplicação a todo o setor
público.    As normas de auditoria da IFAC são traduzidas e depois analisadas pelo Conselho
Federal de Contabilidade em conjunto com o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil -
Ibracon. Posteriormente são aprovados pelo CFC.    As demais normas são elaboradas pelo CFC
seguindo o disposto na Portaria CFC nº 20/08.

4º Questionamento: E possível adotar as Normas Brasileiras de Contabilidade em exercício


posterior à data fixada pelo Conselho Federal de Contabilidade?

Resposta: Sim, o Conselho Federal de Contabilidade recomenda que os profissionais de


contabilidade adotem as NBC TG convergidas aos padrões internacionais mesmo que de forma
tardia. Para tanto recomenda-se a leitura da NBC TG 37, aprovada pela Resolução CFC nº
1.306/10, e, no caso de pequenas e médias empresas, a NBC TG 1000, aprovada pela Resolução
CFC nº 1.255/09.

Ressaltamos que a não aplicação das Normas Brasileiras de Contabilidade é infração ao Decreto-
Lei nº 9.295/46, sendo passível a aplicação de sanções éticas e disciplinares aos profissionais de
contabilidade.

LIVRO DIÁRIO - UM DOCUMENTO


EXTREMAMENTE IMPORTANTE
PARA EMPRESA
CONTABILIDADE E FINANÇAS
10/04/2013
Todas as operações de débito e crédito que ocorrem na empresa
devem ser lançadas no livro diário.O livro possui este nome porque ele
registra todas as operações diárias que acontecem na empresa, ou
seja, o seu lançamento deve ser diário, relacionado às atividades que
acontecerem no dia respectivo.

O livro diário deve ser autenticado e seu uso é de obrigatoriedade


pelas empresas, sendo o livro de maior importância, seja na apuração
de todas as informações relacionadas ao processamento das
atividades inerentes ao negócio da empresa e outras, como mesmo
para fazer a demonstração das informações ao fisco, seja na entrega
de declarações obrigatórias, seja no momento em que acontece uma
fiscalização governamental na empresa.
Dessa forma, o livro diário necessita seguir algumas normas para
o seu perfeito preenchimento, que serão descritas abaixo:
• Os registros devem ser lançados em ordem cronológica de
acontecimento, ou seja, devem ser lançados os eventos que
aconteceram primeiro e depois os seguintes, como sequência;

• Todas as folhas do livro diário devem ser numeradas


sequencialmente, ou seja, em ordem numérica sequencial do menor
para o maior (Art. 258 do RIR/1999);

• O livro diário deve ter um termo de abertura e um termo de


encerramento;

• O livro diário deve ser submetido ao órgão competente, que pode ser
a Junta Comercial, dentro do prazo estabelecido pela legislação
específica, para ser autenticado e para ser conhecida a sua situação
fiscal e contábil.

Sobre a forma de encadernação, não existe uma forma fixa para que
se faça a encadernação. No entanto, a maioria das empresas e sob
orientação das Juntas Comerciais, tem optado em encadernar o livro
diário com o máximo de 500 páginas.

Se não for possível um único volume para o ano em exercício, é


possível utilizar outros volumes, desde que identificados. A
identificação do livro diário deve ser feita de forma que facilite o seu
arquivamento e a sua identificação no momento em que seja
necessária a utilização do mesmo.

A inexistência do livro diário pelas empresas optantes pelo regime de


tributação do Lucro Real acarreta para a empresa o arbitramento do
lucro, ou seja, a empresa passa a ser enquadrada na legislação de
lucro arbitrado, sendo regida pelo Governo. Esta arbitrariedade se
aplica à apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e
também à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL).

A escrituração do livro diário também pode ser feita por meio de


escrituração digital, por meio de softwares e sistemas de computação.
Nesse caso, a empresa pode realizar a impressão dos lançamentos e
a encadernação das páginas correspondentes.
Também é possível optar por apenas guardar o arquivo digital. Mas,
na maioria das vezes, as empresas fazem a escrituração por meio de
programas de computador e depois fazem a impressão e
encadernação do livro diário, mantendo-o arquivado com a respectiva
autenticação da Junta Comercial.
Outro detalhe importante no tocante ao livro diário é relacionado aos
termos de abertura e encerramento.

Assim sendo, segundo os artigos 6º e 7º do Decreto 64.567, de 22 de


maio de 1969, o livro diário deverá conter na primeira e na última
página, tipograficamente numeradas, os termos de abertura e de
encerramento, em que no termo de abertura deve constar a finalidade
do livro, além do número de ordem do mesmo, a quantidade de folhas,
o nome da empresa, o local da sede e a data, além do número do
CNPJ.

No termo de encerramento deve ser descrita a finalização do livro e


qual foi o seu destino, além do número de ordem, número de folhas e
a identificação da empresa.

Tanto o termo de abertura quanto o termo de encerramento do livro


diário deverão ser assinados pelo empresário ao qual o livro pertence
e também pelo profissional habilitado responsável pela sua
escrituração.

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