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ESTRUTURA DAS

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
AULA 1

Prof. Ivanildo Viana Moura


CONVERSA INICIAL

Olá Aluno(a), tudo bem? Desejamos boas-vindas a essa aula.


O objetivo da disciplina é possibilitar um entendimento sobre a
obrigatoriedade das demonstrações contábeis, bem como dos itens que as
compõe.
Nesta aula, vamos estudar o Balanço Patrimonial e sua estrutura. O
objetivo desta aula é possibilitar a você o conhecimento acerca da
obrigatoriedade dessa demonstração, e a compreensão a respeito do conjunto
de informações necessárias na elaboração do Balanço Patrimonial, conforme as
exigências legais.
Para atingir a esse objetivo, iremos estudar os seguintes tópicos:

• Informação a ser apresentada no balanço patrimonial;


• Distinção entre circulante e não circulante;
• Ativo circulante;
• Passivo circulante;
• Ativo e passivo não circulantes.

Aproveite a leitura e pratique os conhecimentos adquiridos resolvendo os


exercícios. Lembre-se: a melhor maneira de aprender é praticando.
Bons estudos!

CONTEXTUALIZANDO

A contabilidade como linguagem dos negócios (Marion, 2009, p. 24)


possui o papel social fundamental de garantir a transparência dos negócios
realizados pelas entidades públicas, privadas e do terceiro setor, sendo também
a base para aferição do desempenho empresarial, o qual é realizado com base
nas demonstrações contábeis (Oyadomari et al., 2018).
Nesse contexto, a Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, dispõe sobre:

Demonstrações Financeiras
Disposições Gerais
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com
base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes
demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a
situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no
exercício:
I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III - demonstração do resultado do exercício; e

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IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº
11.638,de 2007)
V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído
pela Lei nº 11.638,de 2007)
§ 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a
indicação dos valores correspondentes das demonstrações do
exercício anterior.
§ 2º Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser
agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados, desde que
indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor
do respectivo grupo de contas; mas é vedada a utilização de
designações genéricas, como "diversas contas" ou "contas-correntes".
§ 3º As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros
segundo a proposta dos órgãos da administração, no pressuposto de
sua aprovação pela assembleia-geral.
§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas
e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessárias
para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do
exercício.

O texto dado pela lei das SA busca orientar a publicação de


demonstrativos que devem obrigatoriamente ser elaborados e divulgados pelas
sociedades anônimas. No entanto, com a padronização das demonstrações
contábeis em decorrência da aderência do Brasil às normas internacionais de
contabilidade, visando à harmonização das práticas contábeis em nível global,
surgiram a Lei n. 11.638/2007 e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC),
responsável pela emissão de pronunciamentos técnicos, interpretações técnicas
e orientações, fazendo com que houvesse uma revolução na contabilidade
brasileira (Gelbecke et al., 2018).
Dentre as principais mudanças, a Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de
2007 “Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976,
e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de
grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações
financeiras”.
Dentre outras alterações, em seu artigo terceiro, a Lei n. 11.638/2007
(grifo nosso) determina:

Art. 3o Aplicam-se às sociedades de grande porte, ainda que não


constituídas sob a forma de sociedades por ações, as disposições da
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sobre escrituração e
elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de
auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores
Mobiliários.
Parágrafo único. Considera-se de grande porte, para os fins
exclusivos desta Lei, a sociedade ou conjunto de sociedades sob
controle comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total
superior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais)
ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões
de reais).
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Dessa forma, ambas as leis (Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e
Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007) determinam a obrigatoriedade das
demonstrações contábeis, impondo quais demonstrativos são obrigatórios e
quais empresas devem elaborá-los. Por sua vez, o papel do CPC no que tange
aos relatórios contábeis está mais voltado para a estrutura dos demonstrativos
(CPC-00 (R1) – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório
Contábil-Financeiro) e a base para a apresentação destes (CPC26 (R1) –
Apresentação das Demonstrações Contábeis).
De acordo com Borinelli e Pimentel (2018, p. 51), o CPC foi com base na
necessidade de (1) convergência internacional das normas contábeis; (2)
centralização na emissão de normas contábeis no Brasil; e (3) representação e
processo democrático na produção de normas, considerando opiniões de
acadêmicos, usuários, contadores, auditores, intermediários e governo.
As demonstrações contábeis têm por objetivo fornecer informações
sobre a posição patrimonial e financeira, o desempenho e as mudanças na
posição financeira da entidade, que sejam úteis a um grande número de usuários
em suas avaliações e tomadas de decisão econômica (Oyadomari et al., 2018).
Conforme Gelbcke et al. (2018, p. 83), “para que as demonstrações contábeis
representem apropriadamente a posição patrimonial e financeira, o desempenho
financeiro e os fluxos de caixa da entidade, devem ser seguidas as
orientações do CPC” Conforme os autores supracitados, “presume-se que a
aplicação dos Pronunciamentos, Orientações e Interpretações do CPC garante
às demonstrações contábeis a adequação necessária”.
As demonstrações contábeis são apresentadas de forma sintética,
obedecendo a uma padronização e formalização adequadas e em linguagem
apropriada das operações que ocorrem no dia a dia das empresas (Oyadomari,
et al., 2018). Os autores apontam como principais demonstrações contábeis que
fornecem informações sobre a posição patrimonial e financeira, o desempenho
e as mudanças na posição financeira da entidade os seguintes itens:

• Balanço Patrimonial (BP);


• Demonstração de Resultados do Exercício (DRE);
• Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC).

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Levando em consideração esse contexto, é apresentado um esquema
com características sobre cada uma das demonstrações contábeis, conforme
exposto na figura abaixo:

Figura 1 – Forma simplificada e utilidade das principais demonstrações contábeis

Posição Patrimonial e Financeira


Onde se investe? Balanço Patrimonial
Como se financia?
Capacidade de pagar os passivos

Eficiência/Desempenho Econômico
Dá lucro ou prejuízo? Demonstração do
Quanto é o faturamento? Resultado do Exercício
Operacional ou financeiro?

Mutações na Posição Financeira


O que acontece com o caixa? Demonstração do Fluxo
Gera caixa? de Caixa
Como gera e onde consome?

Fonte: Oyadomari et al., 2018, p. 4.

Embora os autores apontem apenas essas três demonstrações, a


obrigatoriedade da lei ainda abrange outros demonstrativos, como o
Demonstrativo de Lucros ou Prejuízos Acumulados e o Demonstrativo de Valor
Adicionado. Nesse entendimento, a disciplina de Estrutura das Demonstrações
Contábeis visa apresentar esses demonstrativos, além de notas explicativas e
relatório da administração.

Figura 2 – Important

Créditos: K.-U. HAESSLER/Shutterstock.

Não podemos iniciar nossa aula sem antes falar sobre um ponto
importante em relação aos demonstrativos financeiros. Bom, vamos estudamos
o Balanço Patrimonial, suas contas, e ver como esse demonstrativo é importante
para a contabilidade. No entanto, surge um fato que precisa ser pontuado em
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relação não somente ao BP, mas a todos os demais demonstrativos obrigatórios
por lei e pelo CPC. Pergunta: como apresentar os demonstrativos quando a
entidade é controladora de outras empresas? Esse contexto é explicado por
Gilbeck et al. (2018, p. 5):

As normas internacionais obrigam à consolidação toda vez em que


existe investimento em controlada, e isso foi seguido pelo CPC no
Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Conselho
Federal de Contabilidade (CFC). Assim, não restam mais alternativas
de não consolidação quando de investimento em controlada.

Você deve estar se perguntando, o que vem a ser a consolidação das


demonstrações contábeis? A consolidação leva à combinação das
demonstrações financeiras, ou seja, é a junção das demonstrações de uma
empresa e suas subsidiárias. Quando se faz a consolidação, as demonstrações
apresentam os dados não somente da controladora, mas de um grupo como um
todo.
Entende-se então que a consolidação acontece quando uma empresa
detém o controle sobre outra ou outras empresas, havendo então a necessidade
de combinar as demonstrações do grupo. Não adentraremos o assunto acerca
de consolidação de demonstrações contábeis, mas é importante que se tenha o
conhecimento acerca da existência dessa consolidação, visto que as empresas
que possuem subsidiárias devem fazer a apresentação de suas demonstrações
de forma consolidada.
No fim da aula, apresenta-se um exemplo de balanço patrimonial de uma
empresa, balanço consolidado apresentando dados da controladora e
subsidiárias.
Vamos, então, iniciar nossa aula contextualizando sobre o principal
demonstrativo apresentado pela lei, o qual apresenta as principais informações
que serão base para outros demonstrativos, o então conceituado Balanço
Patrimonial.

TEMA 1 – INFORMAÇÃO A SER APRESENTADA NO BALANÇO


PATRIMONIAL

O mais importante relatório gerado pela contabilidade é o Balanço


Patrimonial (BP), pois esse demonstrativo possibilita identificar a saúde
financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada
(Marion, 2018). Esse relatório apresenta a posição estática da empresa,
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demonstrando a situação do patrimônio em uma determinada data, ao fim de um
período (Borinelli, 2017), e por conta disso, o BP pode ser definido como a
representação estática do patrimônio (Padoveze, 2018).

O balanço tem por finalidade apresentar a posição financeira e patrimonial da empresa em


determinada data, representando, portanto, uma posição estática (Gelbecke et al., 2018, p. 66).

A Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, mais conhecida como Lei das


Sociedades por Ações, ou lei das SA, dispõe sobre a obrigatoriedade do BP. Os
artigos 178 a 185 da referida lei estabelecem que o BP deve representar de
forma quantitativa e qualitativa a posição financeira e patrimonial da empresa,
evidenciando o conjunto de bens, direitos e obrigações da entidade num
determinado momento (Gelbecke et al., 2018; Silva, 2019).
Para fazer essa evidenciação, as
contas patrimoniais devem ser dispostas de Aplicação
de recursos Origem de
forma a separar a origem da aplicação dos recursos
recursos. Dessa forma, o BP é dividido em
duas colunas, sendo a coluna da esquerda denominada Ativo e a da direita
denominada Passivo (Marion, 2018). Conforme o autor supracitado, “o ideal
seria denominar a segunda coluna Passivo e Patrimônio Líquido. Entretanto, a
Lei das Sociedades por Ações apresenta apenas o termo “Passivo”” (Marion,
2018, p. 40). A figura a seguir mostra a representação do balanço com as duas
divisões:

Figura 3 – Representação do Balanço Patrimonial

Fonte: Adaptado de Gelbcke et al., 2018, p. 67.

Mesmo com essa separação, em decorrência do fato de que as contas do


passivo representem a origem de recursos e as contas do ativo representem a
aplicação destes, conforme o método das partidas dobradas, os dois lados
devem fechar em valores iguais, e por conta disso, “o nome Balanço vem da

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ideia de equilíbrio entre Ativo e Passivo. Assim, o Ativo compreende os bens
e direitos, e o Passivo compreende as obrigações e o Patrimônio Líquido”
(Padoveze, 2018, p. 7).
Até o momento, trabalhamos somente com os grupos de contas, mas não
evidenciamos as contas que devem compor cada grupo. Nesse sentido,
recorremos ao CPC 26 para buscar o esclarecimento a respeito de quais seriam
essas contas, uma vez que, conforme já comentado anteriormente, a lei
determina quais entidades devem divulgar os demonstrativos, e o CPC instrui
sobre as informações que esses demonstrativos devem apresentar, bem como
a forma de apresentação destes. Diante disso, sobre as contas do ativo, o CPC
26 faz a seguinte colocação:

Figura 4 – CPC 26

O balanço patrimonial deve apresentar, respeitada a


legislação, as seguintes contas:
(a) caixa e equivalentes de caixa;
(b) clientes e outros recebíveis;
(c) estoques;
(d) ativos financeiros (exceto os mencionados nas
alíneas “a”, “b” e “g”);
(e) total de ativos classificados como disponíveis para
venda e ativos à disposição para venda de acordo com o
CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e
Operação Descontinuada;
(f) ativos biológicos dentro do alcance do CPC 29;
(g) investimentos avaliados pelo método da equivalência
patrimonial;
(h) propriedades para investimento;
PRONUNCIAMENTO (i) imobilizado;
(j) intangível;
TÉCNICO CPC 26 (R1) (k) contas a pagar comerciais e outras;
(l) provisões;
(m) obrigações financeiras (exceto as referidas nas
alíneas “k” e “l”);
(n) obrigações e ativos relativos à tributação corrente,
conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 32 –
Tributos sobre o Lucro;
(o) impostos diferidos ativos e passivos, como definido
no Pronunciamento Técnico CPC 32;
(p) obrigações associadas a ativos à disposição para
venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC
31;
(q) participação de não controladores apresentada de
forma destacada dentro do patrimônio líquido; e
(r) capital integralizado e reservas e outras contas
atribuíveis aos proprietários da entidade.

Fonte: CPC 26 (R1).

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Conforme demonstrado, o balanço patrimonial engloba uma variedade de
itens que, no seu conjunto, entre bens direitos e obrigações, forma o patrimônio
da entidade. É percebível que, dentre as contas apresentadas, tem-se a
configuração de todas as contas que podem ser formadas no decorrer da vida
de uma entidade, desde sua formação, com a formalização e integralização do
capital social, até a sua maturidade, com a apresentação de contas voltadas à
participação de não controladores.
Bom, o CPC 26 nos mostra, nesse trecho, os itens que devem compor o
patrimônio, mas não apresenta nele a forma como devem ser classificados esses
itens para serem colocados no BP. No entanto, se observarmos a Lei n.
6.404/1976, já teremos então um indicativo dos grupos de contas que dividem o
patrimônio, possibilitando uma melhor identificação e distinção entre contas de
origem e contas de aplicação de recursos em seu artigo 178, no qual ela
apresenta o ativo e o passivo como os dois grupos do demonstrativo.
Embora a lei não apresente o grupo do patrimônio líquido como uma conta
separada do passivo, as contas correspondentes a ele são classificadas em
separado no BP, conforme estrutura determinada pelo CPC 00. Nesse contexto,
o CPC dispõe sobre todos esses itens patrimoniais, dispondo da classificação
destes; e em relação à estrutura do balanço, o CPC 00 dispõe acerca da
mensuração dos elementos, definindo os respectivos grupos que compõem a
demonstração.
Dessa forma, o CPC 00 define os grupos, para que seja então possível
realizar a classificação dos itens que compõem o patrimônio, com base nessa
definição, de acordo com suas características, possibilitando uma interpretação
sobre o grupo de contas ao qual deve pertencer cada elemento, possibilitando
então a caracterização como um bem ou direito (ativo), uma obrigação para com
terceiros (passivo) ou um interesse de sócios ou proprietários na entidade
(patrimônio líquido).
A seguir, tem-se a definição dada pelo CPC 00:

Os elementos diretamente relacionados com a mensuração da posição


patrimonial e financeira são os ativos, os passivos e o patrimônio
líquido. Estes são definidos como segue:
(a) ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de
eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios
econômicos para a entidade;
(b) passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos
passados, cuja liquidação se espera que resulte na saída de recursos
da entidade capazes de gerar benefícios econômicos;

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(c) patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade
depois de deduzidos todos os seus passivos.

Perceba que o CPC aponta claramente a formação de três grupos de


contas no balanço patrimonial, sendo essa a estrutura que deve ser utilizada
para a elaboração do demonstrativo.
É importante ressaltar que, com base na estrutura trazida pelo CPC e pela
lei das SA, deve-se proceder com a classificação das contas em subgrupos, nos
quais os itens são agrupados conforme suas características, respeitando
também a ordem de liquidez (para itens do ativo) e a ordem de liquidação (para
itens do passivo). Nesse contexto, o fator tempo é considerado, e as contas do
ativo e passivo são divididas em curto prazo e longo prazo, tendo como
referência o exercício social da entidade.
Diante disso, o entendimento entre circulante e não circulante se faz
necessário, sendo esse o assunto a ser tratado no nosso Tema 2, possibilitando
então maior entendimento sobre o assunto.

TEMA 2 – DISTINÇÃO ENTRE CIRCULANTE E NÃO CIRCULANTE

Estudamos anteriormente sobre os itens que o balanço patrimonial deve


apresentar, sendo que esses itens representam o patrimônio da entidade,
basicamente o seu conjunto de bens, direitos e obrigações (Ativo, Passivo e
Patrimônio Líquido). Conforme comentado, as contas desse demonstrativo
devem ser separadas de acordo com sua natureza: do lado direito, a origem de
recursos, do lado esquerdo, a aplicação. No entanto, ainda não falamos da forma
como as contas pertencentes a esses grupos devem estar dispostas no BP.
Ainda que respeitemos as classificações quanto a natureza das contas,
caso misturemos estas dentro de seu respectivo grupo (por exemplo, somando-
se caixa com máquinas, duplicatas a receber com veículos e assim por diante),
a interpretação e análise do BP seria muito complexa (Marion, 2018). Nesse
contexto, o autor aponta que essa é a razão pela qual as contas de mesma
natureza devem ser agrupadas, para facilitar a leitura do balanço.
Portanto, as contas devem ser classificadas não somente por natureza,
mas também quanto às suas características. Além disso, outro fator que deve
ser considerado na elaboração do BP é o fator “tempo”, pois deve-se levar em
conta o prazo de realização ou de vencimento das contas para uma melhor
estruturação do demonstrativo, o que também possibilitará aos usuários uma

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melhor interpretação e análise do relatório. O quadro a seguir apresenta o artigo
178 da lei das SA, o qual dispõe sobre a classificação das contas em cada grupo.

Quadro 1 – Classificação das contas

Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os


elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a
facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da
companhia.
§ 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de
grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes
grupos:
I – ativo circulante; e (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)
Lei II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo,
11.604/76 investimentos, imobilizado e intangível. (Incluído pela Lei n. 11.941,
de 2009)
§ 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
I – passivo circulante; (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)
II – passivo não circulante; e (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)
III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital,
ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em
tesouraria e prejuízos acumulados. (Incluído pela Lei n. 11.941, de
2009)

No mesmo sentido, o CPC 26 complementa a forma que deve ser utilizada


para fazer essa classificação, conforme apresentado abaixo:

A entidade deve apresentar ativos circulantes e não circulantes, e


passivos circulantes e não circulantes, como grupos de contas
separados no balanço patrimonial [...], exceto quando uma
apresentação baseada na liquidez proporcionar informação confiável e
mais relevante. Quando essa exceção for aplicável, todos os ativos e
passivos devem ser apresentados por ordem de liquidez.

O entendimento acerca dos textos trazidos pela lei das SA e pelo CPC
nos leva então a separação das contas dentro de seus respectivos grupos em
“Circulante” e “Não Circulante”. Mas afinal, o que seriam esses termos dentro da
contabilidade?
Os termos circulante e não circulante são também conhecidos como
“curto prazo” e “longo prazo”. Em contabilidade, o curto prazo compreende o
período de até um ano. Por conseguinte, ao se apresentar um balanço, todas
as contas a receber e a pagar nos próximos 365 dias devem ser classificadas a
curto prazo. O longo prazo, por sua vez, está relacionado a um período
superior a um ano (Marion, 2018), o que significa dizer que contas do ativo e
passivo que se realizam ou vencem após 365 do fechamento do balanço devem
ser classificadas no longo prazo.

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Esse contexto é dado pelo CPC 26 (grifo nosso), ao determinar que “a
entidade deve divulgar o montante esperado a ser recuperado ou liquidado em
até doze meses ou mais do que doze meses, após o período de reporte,
para cada item de ativo e passivo”. Perceba que essa classificação está então
relacionada com a data de fechamento do balanço, o que implica dizer que, para
classificar o curto e longo prazo, conta-se 365 dias a partir da data de
fechamento do balanço, sendo esse método válido tanto para ativos quanto
para passivos, pois ambos os grupos de contas devem ser classificados em
circulante e não circulante, conforme determinado pelo CPC 26.
Para ficar mais fácil o entendimento, vamos considerar que a Indústria
Limpex tem o seu exercício social dentro do período de 01/01/2019 e
enceramento em 31/12/2019. Dessa forma, todas as contas do ativo cuja
realização esteja prevista para até 31/12/2020 devem ser classificadas no
circulante, assim como todas as contas do passivo com previsão de vencimento
para até 31/12/2020, devem também ser classificadas no curto prazo. Contas de
ambos os grupos, que tiverem prazo superior a essa data, serão classificadas
no longo prazo.
Vamos ver o esquema gráfico do curto e longo prazo da Indústria Limpex:

Figura 5 – Indústria Limpex

Data do 365 dias


balanço depois

Exercício Circulante Não Circulante


Social 2019 31/12/19 (Curto prazo) 31/12/20 (Longo prazo)

Agora, vamos considerar que a indústria tenha feito uma compra de


matéria-prima no dia 15/10/2019 com pagamento para 15 vezes com entrada.
A pergunta é: como devemos classificar essa compra, no curto prazo ou no longo
prazo? Para resolver esse problema, vamos analisar os dados.
Primeiro: sabemos que o exercício social da empresa compreende o
período de um ano, ou seja, inicia-se em 01/01/2019 e encerra-se em
31/12/2019.
Segundo: sabemos que o curto prazo abrange o período de até um ano
após encerrado o exercício social (365 dias após a data do balanço, conforme
determinado pelo CPC 26).
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Terceiro: se o exercício social da Indústria Limpex se encerra em
31/12/2019, significa que o curto prazo se dará até 31/12/2020.

Bom, com essas informações, fica fácil definir em qual grupo deve ser
classificada a operação. Vamos lá! Se a compra foi realizada em 15/10/2019 em
15 vezes com entrada, precisamos então identificar até quando vai a última
prestação. Fica fácil de visualizar se fizermos isso numa planilha e a
confrontarmos com o nosso esquema gráfico de curto e longo prazo, pois dessa
forma poderemos visualizar cada parcela dentro do seu respectivo mês de
ocorrência, facilitando a identificação do que seria circulante e não circulante:

Figura 6 – Indústria Limpex

Perceba que a última parcela será paga em dezembro de 2020, o que


significa que todo o valor deve ser contabilizado no curto prazo, ou seja, no
passivo circulante.
Agora, vamos considerar que a indústria tenha feito uma compra de
matéria prima no dia 15/10/2019 no valor de R$150.000,00 com pagamento para
15 vezes com entrada para 30 dias. E agora, como devemos classificar essa
compra, no curto prazo, no longo prazo, ou em ambos? Bom, primeiro você deve
fazer a mesma análise que fizemos antes, e após isso, vamos lançar os dados
numa planilha para ficar mais fácil a visualização. Teremos então:

Figura 7 – Indústria Limpex

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Perceba que, no momento da compra, não foi dada nenhuma entrada,
portanto, como a compra foi feita para pagamento em 15 prestações com a
primeira parcela paga em novembro de 2019, isso fez com que a última parcela
fosse paga somente em 2021, levando-a a ser registrada no longo prazo, ou
seja, no passivo não circulante. Nesse contexto, temos parte da operação
contabilizada no curto prazo, e o valor referente a uma única parcela
contabilizada no longo prazo.
Desse modo, você compreende o quanto é importante se atentar ao
conceito de curto e longo prazo e o entendimento quanto a tais conceitos? O
contador deve estar sempre atento, pois qualquer detalhe pode implicar num
registro incorreto, podendo levar a empresa a ser autuada e pagar multas,
dependendo da gravidade da situação relacionada ao lançamento incorreto.
Outro aspecto a ser considerado é que a informação mal estimada ou
apresentada com distorções induz os tomadores de decisões ao erro, fazendo
com que o objetivo principal da contabilidade (fornecer informações úteis aos
tomadores de decisão) não seja atingido.
Ainda em relação ao circulante e não circulante, outro ponto deve ser
observado, o qual diz respeito ao ciclo operacional. A Lei n. 6.404/76, em seu
art. 179, Parágrafo único, diz que “na companhia em que o ciclo operacional da
empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante
ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo”. O mesmo contexto é dado
pelo CPC 26:

Figura 8 – CPC 26

Quando a entidade fornece bens ou serviços dentro de


um ciclo operacional claramente identificável, a
classificação separada de ativos e passivos circulantes
e não circulantes no balanço patrimonial proporciona
informação útil ao distinguir os ativos líquidos que
CICLO estejam continuamente em circulação como capital
OPERACIONAL circulante dos que são utilizados nas operações de
longo prazo da entidade. Essa classificação também
deve destacar os ativos que se espera sejam realizados
dentro do ciclo operacional corrente, bem como os
passivos que devam ser liquidados dentro do mesmo
período.

Esse conceito de curto e longo prazo em relação ao ciclo operacional é


colocado em caráter de exceção, sendo aplicado quando relacionado a
atividades muito específicas, cujos processos podem implicar em prazos muito
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longos para que se produza um determinado item. Um exemplo disso é dado por
Marion (2018, p. 53) assim exposto:

Figura 9 – Exemplo dado por Marion

“Imagine uma empresa que fabrica navios;


dependendo do porte da construção, a empresa
levará mais de um ano para concluir a obra. Nesse
caso, quando o ciclo operacional ultrapassa um ano,
o conceito de curto prazo passa a valer pelo ciclo
operacional. Na área pecuária, é muito comum isso
acontecer; normalmente, desde o nascimento do
bezerro até a venda dele na condição de boi gordo,
o ciclo ultrapassa muito mais de um ano”.

Créditos: KAMONTAD999/Shutterstock.

Conforme o autor supracitado, o ciclo operacional representa o tempo


demorado para a produção, venda e recebimento do produto. Nesse contexto,
“sempre que o ciclo operacional ultrapassar um ano, o curto prazo será o tempo
do ciclo operacional” (Marion, 2018, p. 53).

Vamos ver então o ciclo operacional no texto dado pelo próprio CPC:

Figura 10 – CPC

O ciclo operacional da entidade é o tempo entre a aquisição de ativos


para processamento e sua realização em caixa ou seus equivalentes. Ciclo
Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente Operacional
identificável, pressupõe-se que sua duração seja de doze meses [...]. CPC 26
O mesmo ciclo operacional normal aplica-se à classificação dos
ativos e passivos da entidade.

Agora que já sabemos o que é o curto e o longo prazo, é hora de


conhecermos quais contas do ativo e quais contas do passivo devem ser
classificadas no circulante e no não circulante.

TEMA 3 – ATIVO CIRCULANTE

Iniciamos, então, fazendo a classificação das contas que devem compor


o ativo circulante. “No Ativo, são apresentadas em primeiro lugar as contas mais
rapidamente conversíveis em disponibilidades, iniciando com o disponível (caixa
e bancos), contas a receber, estoques, e assim sucessivamente” (Gelbecke et

15
al., 2018, p. 67). A disposição das contas do ativo também é pontuada por
Padoveze (2018, p. 65):

Figura 11 – Disposição das contas do ativo

Os elementos do Ativo devem ser dispostos em ordem decrescente


de grau de liquidez ou realização. Realização, neste caso, significa a
transformação do Ativo em moeda corrente. Assim, os ativos que
se transformam mais rapidamente em dinheiro devem ser
apresentados em primeiro lugar. Isso quer dizer que os ativos que
têm maior grau de liquidez devem ser apresentados primeiro. Essa
é a razão por que as contas de Caixa e Bancos (as disponibilidades)
aparecem em primeiro lugar dentro do Ativo Circulante, assim
como o próprio Ativo Circulante é apresentado antes do Realizável
a Longo Prazo. Assim, os ativos são apresentados na melhor ordem,
obedecendo ao grau de liquidez. Logo a seguir às Disponibilidades
vêm as Aplicações Financeiras de curtíssimo prazo (aplicações no
mercado aberto). Depois os valores a receber e as demais
Aplicações Financeiras, e assim sucessivamente (PADOVEZE, 2018,
p. 65)

Créditos: K.-U. HAESSLER/Shutterstock.

Iniciamos, então, buscando o que nos traz a Lei n. 6.404/76 sobre o ativo
circulante:

Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:


I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no
curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em
despesas do exercício seguinte;

Para atender às exigências legais, o CPC 26 dispõe então sobre essa


classificação: “o ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer
qualquer dos seguintes critérios” (CPC 26, grifo nosso):

(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido no
decurso normal do ciclo operacional da entidade; (CPC 26)

Para esse primeiro item, é importante que nos atentemos aos seguintes
termos: realizado, vendido ou consumido. Nesse contexto, o CPC classifica
praticamente três tipos de ativos, sendo eles alguns direitos, estoques e bens de
consumo.
Quando se fala em realizado, tem-se em mente os potenciais direitos que
a empresa possui, e que devem se realizar dentro do período estabelecido para

16
a característica de circulante. Assim, poderíamos destacar aqui os valores
referentes à conta clientes, duplicatas a receber, empréstimos a funcionários,
adiantamento a fornecedores etc. No entanto, ainda temos que considerar que
algumas aplicações financeiras também podem ser resgatadas no curto prazo,
estando essas também enquadradas no conceito de “realizado”.
O termo “vendido” nos remete aos estoques da empresa, sejam eles de
mercadorias ou de produtos fabricados. Percebam que, de um modo geral, as
empresas esperam que seus estoques sejam vendidos no menor espaço de
tempo possível, geralmente no período máximo de um ano. Quando as
empresas percebem que determinado produto não tem uma boa saída,
geralmente são feitos saldos para liquidação destes, pois não é interessante
manter no estoque produtos cujo giro sejam muito baixo. Por isso, os estoques
são sempre classificados no curto prazo.
O termo “consumido” é relacionado aos itens que a empresa consome
em suas atividades operacionais. Esses itens podem abranger várias coisas,
dentre eles, material de limpeza, material de escritório, combustíveis ou qualquer
outro bem que seja consumido nos processos operacionais.

(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (CPC 26)

Nesse item, se encaixam ativos que se encontram exclusivamente com o


propósito de serem vendidos, como por exemplo instalações, equipamentos e
outros ativos que a empresa não utiliza mais e que pretende colocá-los à venda.
Também se encaixam os ativos financeiros que a entidade mantém
exclusivamente para negociação. Segundo o CPC 38, a negociação reflete a
compra e a venda ativa e frequente, e os instrumentos financeiros mantidos para
negociação são usados com o objetivo de gerar lucro de flutuações de curto
prazo no preço ou na margem do revendedor.

(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (CPC
26)

A estimativa de realização está relacionada às contas do ativo que tendem


a se tornarem caixa ou equivalentes de caixa futuramente. Nessa classificação,
entram os estoques da empresa, aplicações de liquidez imediata e outras contas

17
com vencimento até o fim do próximo exercício social (aplicações, investimentos,
contas de clientes, duplicatas a receber).

(d) é caixa ou equivalente de caixa [...] a menos que sua troca ou uso para liquidação
de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do
balanço (CPC 26).

Nesse item, entram as contas relacionadas aos bens já realizados. São


numerários (dinheiro em espécie), ou saldos em bancos e aplicações financeiras
com resgate imediato. Nesse item, estão as contas do patrimônio que
representam a disponibilidade da empresa em pagar suas contas naquele exato
momento.

Em suma, o ativo circulante compreende todos os bens e direitos já convertidos em dinheiro


ou que se converterão em dinheiro num prazo de 12 meses. Portanto, correspondem aos
recursos aplicados em elementos que estão em constante movimentação, por isso o nome
circulante. Em casos raros, quando uma companhia possuir um ciclo operacional com
duração superior ao exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por
base o prazo desse ciclo (Borinelli; Pimentel, 2017)

As contas do ativo circulante podem ser visualizadas de forma sintética


abaixo (Borinelli, 2018):

Contas do Ativo circulante:

• Disponibilidade: “Representam os recursos existentes em caixa (dinheiro


em espécie disponível) ou equivalentes de caixa, tais como saldo em
bancos e em aplicações financeiras de curto prazo e alta liquidez, e que
não tenham riscos significativos de mudanças de valor” (Borinelli;
Pimentel, 2018, p. 111).
• Aplicações financeiras: “São ativos representados substancialmente por
aplicações em títulos de renda fixa, como certificado de depósito bancário
(CDB), títulos públicos e títulos privados ou aplicações de curto prazo em
títulos de renda variável” (Borinelli; Pimentel, 2018, p. 111).
• Contas a receber de clientes: “Compreendem os direitos ou valores a
receber de terceiros, realizáveis (conversíveis) em dinheiro no exercício
social em curso ou até o final do exercício subsequente (12 meses),
decorrentes de vendas ou prestação de serviços ligados à operação da
entidade” (Borinelli; Pimentel, 2018, p. 111).

18
• Estoques: “Registra as contas referentes às mercadorias destinadas à
venda ou materiais destinados à produção, consumo ou venda” (Borinelli;
Pimentel, 2018, p. 111).
• Tributos a recuperar: tributos que a empresa paga no momento de
aquisição de bens e que podem ser recuperados quando da venda destes,
não podendo então compor os custos de aquisição desses itens, devendo
o direito de recuperação ser registrado no ato de sua aquisição em conta
do ativo como tributos a recuperar (Gelbecke et al., 2018).
• Despesas pagas antecipadamente: valores referentes a despesas que
são pagas antes do seu vencimento e, portanto, devem ser registradas no
ativo circulante da entidade.

Por fim, o CPC 26 coloca que “todos os demais ativos devem ser
classificados como não circulantes”. Dessa forma, itens que não se
classificam nas categorias apresentadas anteriormente, serão então
classificadas como ativos não circulante.

TEMA 4 – PASSIVO CIRCULANTE

Diferentemente das contas do ativo cuja classificação se dá por ordem de


liquidez, “no Passivo, classificam-se em primeiro lugar as contas cuja
exigibilidade ocorre antes” (Gelbecke et al., 2018, p. 67).
Recorremos novamente ao CPC 26 para um melhor entendimento e
detalhamento das contas:
O passivo deve ser classificado como circulante quando satisfizer
qualquer dos seguintes critérios:

(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade
(CPC 26).

Os passivos compreendem as obrigações da empresa, são valores a


pagar tanto para terceiros (obrigações exigíveis) quanto também as obrigações
para com sócios/proprietários (obrigações não exigíveis). Nesse contexto,
devemos nos atentar primeiramente ao termo “liquidado” trazido pelo CPC 26.
Esse termo nos remete ao fato de que, para ser classificada no circulante,
primeiramente a conta deve representar uma obrigação exigível, pois obrigações

19
não exigíveis não são liquidadas. Esse é o primeiro ponto que devemos
considerar.
O outro ponto nos remete novamente ao entendimento quanto ao ciclo
operacional da empresa. O CPC novamente nos traz o contexto acerca deste, o
qual é utilizado como referência para o curto prazo. Importante lembrar
novamente que o curto prazo compreende o período de doze meses após o
fechamento do balanço, sendo somente utilizado o ciclo operacional como
referência, quando este se prolongar por período superior aos doze meses.

(b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado (CPC 26).

Diz respeito aos instrumentos financeiros que a entidade mantém


exclusivamente para negociação. Dentre outros exemplos, o CPC 38 aponta os
passivos financeiros que são contabilizados como instrumentos de hedge.

(c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do balanço (CPC
26).

Aqui, entra o prazo de pagamento da obrigação. Para ser classificada no


curto prazo, é obrigatório que esteja com o prazo final de vencimento dentro do
período de até doze meses após a data de fechamento do BP. As contas cujo
vencimento for superior a esse prazo, mesmo que atendidos os itens anteriores,
devem ser classificadas no longo prazo, passivo não circulante.

(d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do passivo durante
pelo menos doze meses após a data do balanço (CPC 26).

O último item trazido pelo CPC 26 coloca como condição final para
classificação de passivos no curto prazo o fato de que a entidade não pode ter
poder de postergar o prazo de liquidação do item para período superior a doze
meses após a data do balanço.
Perceba que, anteriormente, tratamos do fato de que a entidade pode
entrar em acordo com seus fornecedores e negociar novos prazos para
pagamento das obrigações. No presente item, o entendimento que se tem é que
ela não pode fazê-lo por conta própria, não pode ter o direito de definir por si
só os prazos de vencimento de obrigações, sendo esses impostos por algum tipo
de documento legal, o que possibilita a classificação em atendimento ao item.

20
As contas do passivo circulante podem ser visualizadas de forma sintética
abaixo (Borinelli, 2018):

Contas do Passivo circulante:

• Fornecedores;
• Empréstimos e financiamentos de curto prazo;
• Juros a pagar;
• Salários a pagar;
• Tributos a pagar;
• Contas a pagar;

• Dividendos a pagar.

O CPC, então, aponta que “todos os outros passivos devem ser

classificados como não circulantes”. Vamos então ver quais contas do ativo
e do passivo devem ser classificadas no longo prazo.

TEMA 5 – ATIVO E PASSIVO NÃO CIRCULANTE

A partir da classificação dos itens patrimoniais em circulantes, temos


então a classificação destes em não circulantes, conforme determinado pelo
CPC. Nessa classificação, faremos então a inclusão do grupo patrimônio líquido
de forma separada do passivo, conforme disposto pelo CPC 00.

5.1 Ativo não Circulante

Esse grupo do ativo apresenta as contas que devem ser transformadas


em dinheiro após o exercício social, e também aquelas que não têm o objetivo
de ser realizadas. De acordo com a Lei n. 6.404/76, em seu art. 178, as contas
do ativo não circulante são as seguintes:

• Ativo realizável a longo prazo;


• Investimentos;
• Ativo imobilizado;
• Ativo intangível.

A mesma lei dispõe sobre as características de cada uma dessas contas:

Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:

21
II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o
término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas,
adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas
(artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da
companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do
objeto da companhia;
III - em investimentos: as participações permanentes em outras
sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no
ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da
companhia ou da empresa;
IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens
corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou
da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes
de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e
controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007)
V – (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)
VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos
destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa
finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei
nº 11.638, de 2007)

No contexto da Lei, percebe-se que a única conta que possui a finalidade


de realização é a conta realiável a longo prazo, a qual diz respeito a itens do
ativo que tendem a se converter em numerários em prazo superior a 12 meses
após a data do balanço. Todas as demais contas são relativas a itens que a
empresa deve manter para suporte a suas atividades operacionais.

5.2 Passivo não circulante

Esse grupo apresenta as exigibilidades da empresa que possuem prazo


superior a doze meses após a data do balanço. As contas do passivo exigível
dizem respeito a obrigações para com terceiros, e por conta disso, devem ser
mantidas separadas o patrimônio líquido.
Sobre esse grupo, a Lei n. 6.404/76 dispõe:

Art. 180. As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para


aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no
passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no
passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior,
observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei.
(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

No geral, a maioria das contas do passivo não circulante está relacionada


com investimentos e financiamentos de longo prazo, mas também podem
representar outras formas de exigibilidades com terceiros cujo vencimento seja
superior ao ciclo operacional da entidade.

22
5.3 Patrimônio líquido

O último grupo de contas do patrimônio da entidade possui várias


particularidades por se tratar de um grupo muito específico, o qual representa os
direitos dos sócios ou proprietários em caso de liquidação da entidade. Esse
grupo possui ligação direta com a demonstração do resultado e a demonstração
do resultado abrangente, pois é o resultado líquido evidenciado por essas
demonstrações que irá alterar o patrimônio líquido da entidade.
A lei das SA também caracteriza as contas que devem compor esse
grupo:

Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e,


por dedução, a parcela ainda não realizada.
§ 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que
registrarem:
a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor
nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal
que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social,
inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes
beneficiárias;
b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de
subscrição;
c) (revogada); (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado
pela Lei nº 11.638,de 2007)
d) (revogada). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado
pela Lei nº 11.638,de 2007)
§ 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da
correção monetária do capital realizado, enquanto não-capitalizado.
§ 3o Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial,
enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao
regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições
de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência
da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em
normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na
competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei. (Redação dada
pela Lei nº 11.941, de 2009)
§ 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas
constituídas pela apropriação de lucros da companhia.
§ 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como
dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos
recursos aplicados na sua aquisição.

Pelo texto dado pela lei, é percebível que as contas do patrimônio líquido
abrangem um leque maior de itens que devem tornar esse grupo mais complexo
que os outros dois. Lembrando que isso acontece pelo fato de se tratarem de
contas que representam direitos dos proprietários, e por conta disso a lei busca

23
estabelecer critérios tanto de reconhecimento quanto de mensuração para que
se possa proteger os direitos relacionados a esse grupo.

As contas que compõe o patrimônio líquido podem ser elencadas a seguir


(Moura, 2018, p. 11-12):

• Capital social: “Representa o valor inicial pelo qual a empresa iniciou


suas atividades e incorpora também acréscimos posteriores que podem
ocorrer, tanto por aporte de novos recursos, quanto por meio de
reinvestimento de parte dos lucros” (Coelho; Lins, 2010, p. 53).
• Reservas de capital: Conforme Ribeiro Filho, Lopes e Pederneiras
(2009), as reservas de capital representam valores recebidos que não
transitam pelo resultado, como acontece com as receitas. Isso acontece
porque os valores destinados às reservas de capital não têm relação com
a entrega de bens ou serviços da empresa.
• Ajuste de avaliação patrimonial: “Essa conta é decorrente das
contrapartidas de aumentos ou diminuições de valores atribuídos a
elementos do ativo e do passivo” (Araújo; Assaf Neto, 2010).
• Reservas de lucros: “Essa conta é formada por valores que dizem
respeito à parcela de lucros não distribuídos pela empresa com objetivo
específico definido” (Ribeiro Filho; Lopes; Pederneiras, 2009). As reservas
de lucros são compostas pelas seguintes contas:

• Reserva legal;
• Reservas estatutárias;
• Reservas para contingências;
• Reservas de lucros para expansão;
• Reservas de lucros a realizar.

• Ações em tesouraria: De acordo com Araújo e Assaf Neto (2010), esta


conta é redutora do Patrimônio Líquido. Nela são registrados os valores
relacionados às compras que a empresa faz de suas próprias ações no
mercado.
• Prejuízos acumulados: Representam valores negativos que a empresa
retifica no seu Patrimônio Líquido, reduzindo assim, o valor deste (Araújo;
Assaf Neto, 2010).

A representação do patrimônio líquido e suas contas é dada a seguir:


24
Figura 12 – Contas do Patrimônio Líquido

RESERVA LEGAL
CAPITAL
SOCIAL
RESERVAS DE RESERVAS
CAPITAL ESTATUTÁRIAS
RESERVAS
PATRIMÔNIO RESERVAS DE RESERVAS DE
LÍQUIDO LUCROS CONTINGÊNCIAS
AÇÕES EM
TESOURARIA
RESERVAS DE L.
PARA EXPANSÃO
PREJUÍZOS
ACUMULADOS
RESERVAS DE L. A
REALIZAR

Fonte: Adaptado de Moura, 2018, p. 12.

Conforme o CPC 00, “patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos


da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos” e por conta disso
existe tanto cuidado por parte da lei no que tange a classificação, mensuração e
reconhecimento de contas desse grupo.
Está em dúvida sobre o interesse residual? Pense assim: digamos que
você possua um determinado patrimônio (casa, dinheiro no banco, automóvel,
computador, celular etc.). Veja só, elencamos apenas bens aqui, mas o
patrimônio não é o conjunto de bens, direitos e obrigações? Nesse caso, se você
possui direitos em relação a outras pessoas, também podemos elencar nesse
rol. Por exemplo, você possui dinheiro a receber de empréstimos que fez a outra
pessoa, ou vendeu algum bem e a pessoa está pagando parcelado. Esses
direitos entram na conta também. Agora, temos as obrigações. Se você possui
dívidas com outras pessoas, tem a obrigação de pagá-las. Dessa forma, o
interesse residual se configura no que “resta” para você após cobrir todas as
suas obrigações para com terceiros.
Bom, agora que já conhecemos todas as contas do BP, a sua divisão em
grupos, bem como a classificação de contas de origem e aplicação de recursos,
torna-se importante visualizar esse demonstrativo. Para tanto, escolhemos um
Balanço de uma empresa controladora, para que se possa observar um
demonstrativo consolidado, o qual é apresentado a seguir:

25
Figura 13 – Demonstrativo consolidado

26
O balanço patrimonial da empresa natura demonstra a forma correta de
apresentação do BP, apresentado em separados os grupos de contas conforme
estudado nesta aula. No balanço, também é possível observar que os dados são
apresentados de dois em dois anos, o ano do exercício e o ano anterior. Mas
qual seria a finalidade disso? Bem, a finalidade é para que se possa fazer a
comparação de períodos diferentes.
Observe também que o balanço apresenta os dados individuais das contas
da controladora, mas em seguida observa-se os dados consolidados do grupo
como um todo, ou seja, a soma das contas individuais da controladora com as
contas do grupo como um todo. Essa apresentação, conforme já dito na parte
introdutória da aula, é obrigatória por lei para as empresas que possuem
participação em outras sociedades.
Último ponto a ser considerado é o link que o balanço apresenta com as
notas explicativas. Repare que, em várias contas, apresenta-se um número
relacionado a uma nota explicativa. Dessa forma, caso o usuário do relatório
tenha interesse em saber das práticas contábeis adotadas pela empresa para a
elaboração de suas demonstrações, poderá fazê-lo verificando nas notas
explicativas qual link está relacionado a sua conta de interesse. Entenderemos
mais sobre notas explicativas mais adiante.

TROCANDO IDEIAS

Nesta aula, conseguimos entender a estrutura do balanço patrimonial e


as contas que pertencem a esse demonstrativo. Geralmente, o balanço é
considerado como o principal demonstrativo contábil a ser divulgado pelas
empresas. Nesse sentido, você consegue dizer por qual motivo o BP possui essa
característica de ser considerado o demonstrativo mais importante? Consegue
estabelecer uma relação deste com os outros demonstrativos obrigatórios? Entre
no fórum e debata o assunto com seus colegas.

NA PRÁTICA

1. O mais importante relatório gerado pela contabilidade, é o Balanço


Patrimonial (BP), pois esse demonstrativo possibilita identificar a saúde
financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data
prefixada (MARION, 2018).

27
Sobre o balanço patrimonial, analise as asserções a seguir e a relação entre
elas:

I. O Balanço Patrimonial pode ser definido como a representação estática do


patrimônio.

Porque

II. Esse demonstrativo demonstra a situação do patrimônio em uma determinada


data, ao fim de um período.

Assinale a alternativa correta:

a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.

b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma


justificativa da I.

c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.

d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

e) As asserções I e II são proposições falsas.

2. Segundo o artigo 178 da lei das SA, No balanço, as contas serão


classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e
agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação
financeira da companhia.

Considerando o texto anterior, avalie as asserções a seguir.

I – No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de


liquidez dos elementos nelas registrados.
II – No passivo as contas serão classificadas em passivo circulante, passivo não
circulante e passivo realizável a longo prazo.
III – Os termos circulante e não circulante são também conhecidos como “curto
prazo” e “longo prazo”.
IV – Para classificar o curto e longo prazo, conta-se 365 dias a partir da data do
fato gerador da transação.
V – Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior
que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base
o prazo desse ciclo.

Assinale a alternativa correta:

a) Está correto o que se afirma em I, II e III apenas

28
b) Está correto o que se afirma em I, II, III e IV apenas
c) Está correto o que se afirma em I, III e V apenas
d) Está correto o que se afirma em II, III e IV apenas
e) Está correto o que se afirma em III, IV e V apenas
3. A indústria Limpex fez uma compra de matéria prima no dia 01/02/2019 com
pagamento para 18 vezes com entrada. Sabendo-se que o exercício social da
empresa é de 12 meses, iniciando sempre em 01 de Janeiro de cada ano,
responda em qual parte do passivo deve ser reconhecida a obrigação. Explique
por que.
4. A indústria Limpex fez uma compra de matéria prima no dia 31/12/2019 com
vencimento do total para 13 meses sem entrada. Sabendo-se que o exercício
social da empresa é de 12 meses, iniciando sempre em 01 de Janeiro de cada
ano, responda em qual parte do passivo deve ser reconhecida a obrigação.
Explique por quê.
5. A indústria Limpex fez uma compra de matéria prima no dia 25/05/2019 com
pagamento para 36 vezes com entrada. Sabendo-se que o exercício social da
empresa é de 12 meses, iniciando sempre em 01 de Janeiro de cada ano,
responda em qual parte do passivo deve ser reconhecida a obrigação. Explique
por quê.

FINALIZANDO

Chegamos ao fim desta aula, e conseguimos aprender acerca dos itens


que compõe o patrimônio da entidade. Nesta aula, vimos como o CPC e a lei das
SA agem no sentido de nortear a elaboração e divulgação das demonstrações
contábeis, tendo focado exclusivamente no balanço patrimonial.
Esse demonstrativo, por apresentar as contas patrimoniais, fornece base
para os demais demonstrativos financeiros, sendo então possível observar a sua
relação com os demais relatórios conforme a figura a seguir:

29
Figura 14 – Balanço patrimonial

Fonte: Borinelli; Pimentel, 2018, p. 86.

Com base no balanço patrimonial, conseguiremos então entender os


outros demonstrativos, sendo eles apresentados mais adiante.

30
REFERÊNCIAS

BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas


e outros profissionais: de acordo com os pronunciamentos do CPC (Comitê de
Pronunciamentos Contábeis) e IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade.
12. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas


as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC. 3. ed.
São Paulo: Atlas, 2018.

MARION, J. C. Contabilidade básica. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

_____. Introdução à contabilidade: com ênfase em teoria. Campinas, SP:


Alínea, 2009.

MOURA, I. V. Abordagens Teóricas da Contabilidade. Curitiba: Uninter, 2018.

OYADOMARI, J. C. T. et. al. Contabilidade gerencial: ferramentas para


melhoria de desempenho empresarial. São Paulo: Atlas, 2018.

PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória


e intermediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

SILVA, A. A. da. Estrutura, análise e interpretação das demonstrações


contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

VISCONTI, P.; NEVES, S. das. Contabilidade Básica. 17. ed. São Paulo:
Saraiva, 2017.

31
Gabarito:

1. A
2. C
3. A obrigação deve ser reconhecida integralmente no passivo circulante,
pois a última prestação será paga em julho de 2020, ou seja, ainda
estará dentro dos doze meses após a data do balanço.
4. A obrigação deve ser reconhecida integralmente no passivo não
circulante, pois a empresa negociou para pagar toda a transação numa
única parcela, sendo o vencimento desta em janeiro de 2021, o que
ultrapassa os 365 dias da data de fechamento do balanço.
5. Parte da obrigação deve ser reconhecida no curto prazo, ou seja, as
parcelas cujo vencimento se dê em até 365 dias após a data do balanço.
Por outro lado, as parcelas cujo vencimento ultrapassarem os 365 dias
da data do balanço, deverão ser classificadas no longo prazo.

32