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AO JUÍZO DA __ª VARA COMPETÊNCIA RELATIVA À MATÉRIA DA COMARCA

DE COMPETÊNCIA TERRITORIAL.

NOME DO AUTOR, Nacionalidade , Estado civil ,

Profissão, inscrito no CPF sob nº CPF, Endereço eletrônico,


residente e domiciliado na Rua/avenida/travessa, etc,
Número e complemento, Bairro, na cidade de

Cidade , Estado , CEP, vem à presença de

Vossa Excelência, por seu representante constituído, oferecer

QUEIXA-CRIME

com fundamento no artigo 100, §2º do Código Penal, artigos


30, 41 e 44 do Código de Processo Penal, contra NOME DO
RÉU, Nacionalidade , Estado civil , Profissão, inscrito no

CPF sob nº CPF, Endereço eletrônico, residente e domiciliado


na Rua/avenida/travessa, etc, Número e complemento,
Bairro, na cidade de Cidade , Estado , CEP,

pelos fatos e motivos que passa a expor.

AUTORIA DELITIVA - NEXO CAUSAL

No dia , o Querelado descrever o ato criminoso gerando ao

Querelante graves narrar consequências

No Direito Penal, a autoria delitiva é de quem executa a ação expressa


pelo verbo típico da figura delituosa. Portanto, pelos fatos narrados não resta
dúvidas que o querelado foi autor do crime indicado, razão pela qual requer a sua
condenação.
MATERIALIDADE

A condenação criminal é a resultante de uma soma de certezas:


Certeza da materialidade e certeza da autoria do imputado. Pelo que se depreende
das provas produzidas por meio de provas fica perfeitamente demonstrada a
materialidade, culminando na imediata condenação do Réu.

DA TIPICIDADE

CONFIGURAÇÃO DA INJÚRIA

Diferentemente da Calúnia ou Difamação, o bem jurídico tutelado no


presente caso é a honra subjetiva do Querelante, constituída pelos atributos morais,
intelectuais e sociais (decoro) inerente à dignidade da pessoa humana.

A tipicidade vem caracterizada claramente no Código Penal nos


seguintes termos:

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo lhe a dignidade ou o


decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
(...)
§ 2º- Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por
sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem
aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da
pena correspondente à violência.

§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes


a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa
idosa ou portadora de deficiência:
Pena - reclusão de um a três anos e multa.

No presente caso fica perfeitamente claro que não houve qualquer


iniciativa por parte do ofendido que pudesse desencadear situações tão reprováveis
quanto as que foram aqui narradas, o que deve ser rechaçado.
Afinal, independente de se tratar de campanha eleitoral, a honra e dignidade
da pessoa humana devem ser preservadas:

ELEIÇÕES 2008. RECURSO ESPECIAL. CRIME ELEITORAL.


INJÚRIA NA PROPAGANDA ELEITORAL. ART. 326 DO CE. 1.
O TRE, ao analisar o conjunto probatório dos autos,
considerando a necessidade de se coibir o sacrifício dos
demais direitos individuais em nome da liberdade de
expressão, concluiu que a conduta em comento se amoldaria
ao tipo penal descrito no art. 326 do CE. 2. O objetivo do art.
326 do CE é coibir a manifestação ofensiva à honra
subjetiva dos jurisdicionados, para a qual basta que a
conduta tenha sido levada a efeito na propaganda eleitoral
ou com repercussão nessa seara, ou seja, apura-se a
conotação eleitoral da manifestação, o que se verifica no
caso. 3. Reformar a conclusão regional, para fins de afastar a
existência de conotação eleitoral nas manifestações no blog e
a ocorrência de crime de injúria na propaganda eleitoral por
meio da conduta descrita na inicial, demandaria o reexame de
provas, o que não se admite em recurso especial, nos termos
da Súmula nº 279/STF. 4. Decisão agravada mantida pelos
próprios fundamentos. Agravo regimental desprovido.
(TSE - RESPE: 40224 MACAÉ - RJ, Relator: GILMAR
FERREIRA MENDES, Data de Julgamento: 23/11/2016, Data
de Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Data
02/02/2017)

Ora! Pelos fatos narrados, conclui-se que a conduta da ré, ao chamar a


ofendida de indicar ofensa racista, demonstra suficientemente o dolo no agir da
acusada com a nítida intenção de ofender a honra subjetiva da vítima com
expressão de cunho racial, o que deve ser imediatamente combatido.

INJÚRIA QUALIFICADA. ELEMENTOS DE CUNHO RACIAL.


SUFICIÊNCIA DE PROVAS. TIPICIDADE DA CONDUTA.
VALOR DE CADA DIA-MULTA. EXCESSO. ALTERAÇÃO. I
Apurado pelo conjunto probatório produzido que a
acusada ofendeu a honra da vítima, dirigindo-lhe palavras
ofensivas de cunho racial, a condenação pelo crime de
injúria preconceituosa se afigura imperiosa. II - Compete ao
Magistrado ao arbitrar a pena pecuniária aplicável ao delito,
mensurar a quantidade de dias-multa e fixar o valor unitário de
cada um destes, observando, quanto a esse último aspecto, os
limites mínimo e máximo previstos no § 1º do art. 49 do Código
Penal, bem como a situação econômica da condenada,
conforme preconiza o art. 60 desse mesmo diploma legal.
Constatado que o valor do dia-multa fixado está em
descompasso com a situação econômica da condenada,
imperiosa a sua alteração. III - Recurso conhecido e
parcialmente provido.
(TJ-DF - APR: 20130110579506, Relator: NILSONI DE
FREITAS, Data de Publicação: Publicado no DJE : 16/03/2016)

APELAÇÃO-CRIME. AMEAÇA INJÚRIA RACIAL.


MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS.
CONDENAÇÃO MANTIDA. Tendo em vista que o relato da
ofendida mostrou-se firme e coerente com em todas as fases
da persecução penal, há prova suficiente para sustentar a
sentença condenatória. A honra da vítima restou atingida
diante das ofensas proferidas pelo acusado. Tipificado o
delito de injúria qualificada, nos termos do art. 140, ficando
configurado que o réu usou elementos relativos à cor da
pele ou raça. RECURSO IMPROVIDO. (Apelação Crime Nº
70069409670, Terceira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça
do RS, Relator: Ingo Wolfgang Sarlet, Julgado em 31/08/2016)

Afinal, considerando que o meio de divulgação da injúria se tratou de


uma rede social, tem-se por consequência lógica o maior alcance e repercussão do
ato, denegrindo gravemente a dignidade pessoal do Querelante:

CRÍTICA A AUTORIDADE POLÍTICA. VEICULAÇÃO EM


REDE SOCIAL. CARÁTER OFENSIVO. ATAQUE À HONRA
PESSOAL. CRIME DE INJÚRIA. CONFIGURAÇÃO. Está
configurado crime de injúria quando crítica direcionada a
autoridade política veiculada em rede social extrapola os limites
da crítica objetiva e não se trata de manifestação de opinião
política, na persecução de interesse público, mas de
manifestação com intenção de ofender e atacar a honra
pessoal do ocupante do cargo público, notadamente quando
proferida em excesso e composta por termos depreciativos e
de baixo calão. (Apelação, Processo nº 1000350-
33.2015.822.0009, Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia,
Turma Recursal, Relator(a) do Acórdão: Juiz José Jorge R. da
Luz, Data de julgamento: 31/08/2016)

A tutela da honra da pessoa sob seu aspecto subjetivo é o que a norma


pretende assegurar ao tipificar a conduta da injúria, repreendendo o ato que resulta
na simples ofensa contra a dignidade ou o decoro, devendo conduzir, inclusive à
condenação a danos morais, conforme precedentes sobre o tema:

Injúria racial. Caracterização. Dano moral. Condenação. 1 -


Caracteriza-se injúria racial a ofensa com palavras que
desvalorizam a vítima em decorrência de sua raça e afetam a
sua honra subjetiva. 2 - Havendo pedido expresso, admite-
se, na sentença condenatória criminal, fixar indenização a
título de dano moral. 3 - Apelação do Ministério Público
provida e do réu não provida.(TJDFT, Acórdão n.
1083345,20160710095419 APR, Relator(a): ,2ª TURMA
CRIMINAL, Julgado em: 15/03/2018, Publicado em:20/03/2018)

Portanto, pelos elementos claramente demonstrados, requer a


condenação do Réu ao crime de injúria.

CONFIGURAÇÃO DA DIFAMAÇÃO

Conforme narrado, o Querelante soube através de colegas de trabalho


que seu nome e imagem estavam sendo indevidamente denegridos pelo primeiro
Réu através de indicar meio de denúncia, conforme cópias em anexo, contendo a
seguinte afirmação:
Descrição difamatória

Tal fato é perfeitamente enquadrado no crime de difamação previsto no


Art do Código Penal:

Difamação

Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua


reputação:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

Conforme bem delineado pela doutrina, a difamação atinge um bem


jurídico de proteção necessária, sendo devida a sua punição:

"(...) o bem jurídico protegido é a honra, isto é, a reputação do


indivíduo, a sua boa fama, o conceito que a sociedade lhe
atribui. A tutela da honra, como bem jurídico autônomo, não é
um interesse exclusivo do indivíduo, mas a própria coletividade
interessa-se pela preservação desse atributo, além de outros
bens jurídicos, indispensáveis para a convivência harmônica
em sociedade. Quando certas ofensas vão além dos limites
suportáveis, justifica-se a sua punição, podendo configurar-
se um dos crimes contra a honra disciplinados no nosso
ordenamento jurídico." (BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado
de Direito Penal, Vol. 2. 18ªed. Editora SaraivaJur, 2018.
Versão kindle, p. 9420)

Por essa razão pede-se que seja recebida e processada a presente


queixa crime para fins de que referidas condutas sejam devidamente apuradas e
punidas.

CONFIGURAÇÃO DA CALÚNIA

Conforme narrado, o Querelante soube através de citação no processo


criminal acerca da acusação do pretenso crime de tipo penal imputado, conforme
cópias em anexo, contendo a seguinte afirmação:
Descrição da calúnia

Tal fato é perfeitamente enquadrado no crime de calúnia previsto no Art


do Código Penal:

Art. 138- Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato


definido como crime:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

§ 1º- Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a


imputação, a propala ou divulga.

No presente caso, a calúnia fica perfeitamente configurada pois o


querelado sabia da inocência do Querelante conforme indicar provas da ciência da
inocência, demonstrando a intenção em ofender a honra do Querelante.

Conforme especializada doutrina, a honra do indivíduo deve ser


protegida para fins de atender um interesse coletivo e não meramente individual:

"A proteção da honra, como bem jurídico autônomo, não


constitui interesse exclusivo do indivíduo, mas da própria
coletividade, que tem interesse na preservação da honra, da
incolumidade moral e da intimidade, além de outros bens
jurídicos indispensáveis para a harmonia social."
(BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal, Vol.
2. 18ªed. Editora SaraivaJur, 2018. Versão kindle, p. 8834-
8836).

Assim, configurada a intencionalidade em ofender a honra por meio de


falsas imputações de crime, a condenação é devida, conforme precedentes sobre o
tema:

CRIME DE CALÚNIA CONTRA FUNCIONÁRIO PÚBLICO JUIZ


DE DIREITO. PRELIMINARES AFASTADAS. MÉRITO.
SUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. CONDENAÇÃO MANTIDA.
Prova que demonstra ter a ré, advogada, em petição, acusado
falsamente Juiz de Direito da Comarca de cometer os crimes
de aborto contra ela e prevaricação com o intuito de coagi-lo a
deferir pedidos nos processos por ela patrocinados. Calúnia
configurada. (...). (Apelação Crime Nº 70078058120, Segunda
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz
Mello Guimarães, Julgado em 31/01/2019).

Portanto a falsa imputação de crime foi intencionalmente propagada


com a intenção de denegrir a imagem do Querelante.

DA CONFIGURAÇÃO DO ESBULHO POSSESSÓRIO

Trata-se de fração de terras localizada em indicar local em que o


querelante exercia a posse sem qualquer oposição.

O Querelante exercia a posse do bem desde conforme prova e

sofreu esbulho possessório em , conforme indicar provas, pelo

querelado por meio de violência, grave ameaça ou concurso de mais de duas


pessoas.

Ou seja, tais fatos configuram perfeitamente o crime de esbulho


possessório, previsto expressamente no Art. 161 do Código Penal:

Alteração de limites
Art. 161- Suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer
outro sinal indicativo de linha divisória, para apropriar-se, no
todo ou em parte, de coisa imóvel alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa.

§ 1º- Na mesma pena incorre quem:

Usurpação de águas
I- desvia ou represa, em proveito próprio ou de outrem, águas
alheias;

Esbulho possessório
II- invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou
mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou
edifício alheio, para o fim de esbulho possessório.

§ 2º- Se o agente usa de violência, incorre também na pena a


esta cominada.

§ 3º- Se a propriedade é particular, e não há emprego de


violência, somente se procede mediante queixa.

Tem-se, portanto, a demonstração da legitimidade e configuração do


crime mediante a presença dos seguintes elementos:

LEGITIMIDADE: O Querelante era o legítimo possuidor do


imóvel por força de indicar contrato ou documento que lhe
confira o direito de posse;

ESBULHO MEDIANTE VIOLÊNCIA/GRAVE AMEAÇA:


Configurado por meio do rompimento de cercas por meio de
pessoas armadas, conforme: indicar provas.

No presente caso, o mero porte de armas já configura grave ameaça


suficiente a configurar o tipo penal, conforme precedentes sobre o tema:

APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO, SEQUESTRO,


ESBULHO POSSESSÓRIO E PORTE DE ARMA - PRETENSO
REDIMENSIONAMENTO DAS PENAS IMPOSTAS AOS
CRIMES DE SEQUESTRO E ESBULHO- INSUBSISTÊNCIA
-CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME DE VIDAMENTE
VALORADAS - RECURSO DESPROVIDO. (...) Na hipótese do
crime de esbulho possessório, além da violência contra a
pessoa, poderá a infração ser levada a efeito com o emprego
de grave ameaça, ou seja, a vis compulsiva, forma por meio da
qual o agente intimida a vítima, de modo que o emprego de
arma revela-se com um "plus" a ser censurado, máxime diante
da alta potencialidade lesiva do artefato. (Ap 91714/2017, DES.
ALBERTO FERREIRA DE SOUZA, SEGUNDA CÂMARA
CRIMINAL, Julgado em 03/10/2018, Publicado no DJE
10/10/2018)

Motivos pelos quais, tem-se a configuração do tipo penal devendo ser


dado seguimento à ação penal privada.

DA CONCORRÊNCIA DESLEAL

Conforme demonstrado pelos fatos narrados, o nexo causal entre o


dano e a conduta da Ré fica perfeitamente caracterizado pelo abuso de informações
privilegiadas, em detrimento à boa fé depositada no contrato que os mantinham
vinculados.

O Réu foi vinculado ao Autor por meio de contrato empregatício por


período, tomando conhecimento de todo knowhow a empresa e acesso à carteira de
clientes construída ao longo dos anos.

Ocorre que após o encerramento do vínculo, o Réu iniciou uma série


de práticas abusivas sobre os clientes do Autor, exatamente por ser detentor de
informações privilegiadas obtidas internamente, tais como indicar informações
privilegiadas.

Como prova destes contatos junta-se indicar provas dos contratos, bem
como indicar prova de que são clientes, provando que se tratam de clientes do
Autor.

Tal comportamento do Réu já gerou indicar prejuizos, evidenciando os


danos materiais causados, além do dano moral à empresa.

A caracterização da concorrência desleal fica evidenciada pela


indicar conduta, se enquadrando perfeitamente ao inciso indicar inc. na Lei de
Propriedade Industrial, que dispõe a seguinte redação:

Art. 195. Comete crime de concorrência desleal quem:


I - publica, por qualquer meio, falsa afirmação, em detrimento
de concorrente, com o fim de obter vantagem;

II - presta ou divulga, acerca de concorrente, falsa informação,


com o fim de obter vantagem;

III - emprega meio fraudulento, para desviar, em proveito


próprio ou alheio, clientela de outrem;

IV - usa expressão ou sinal de propaganda alheios, ou os imita,


de modo a criar confusão entre os produtos ou
estabelecimentos;

V - usa, indevidamente, nome comercial, título de


estabelecimento ou insígnia alheios ou vende, expõe ou
oferece à venda ou tem em estoque produto com essas
referências;

VI - substitui, pelo seu próprio nome ou razão social, em


produto de outrem, o nome ou razão social deste, sem o seu
consentimento;

VII - atribui-se, como meio de propaganda, recompensa ou


distinção que não obteve;

VIII - vende ou expõe ou oferece à venda, em recipiente ou


invólucro de outrem, produto adulterado ou falsificado, ou dele
se utiliza para negociar com produto da mesma espécie,
embora não adulterado ou falsificado, se o fato não constitui
crime mais grave;

IX - dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de


concorrente, para que o empregado, faltando ao dever do
emprego, lhe proporcione vantagem;

X - recebe dinheiro ou outra utilidade, ou aceita promessa de


paga ou recompensa, para, faltando ao dever de empregado,
proporcionar vantagem a concorrente do empregador;

XI - divulga, explora ou utiliza-se, sem autorização, de


conhecimentos, informações ou dados confidenciais, utilizáveis
na indústria, comércio ou prestação de serviços, excluídos
aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam
evidentes para um técnico no assunto, a que teve acesso
mediante relação contratual ou empregatícia, mesmo após o
término do contrato;

XII - divulga, explora ou utiliza-se, sem autorização, de


conhecimentos ou informações a que se refere o inciso
anterior, obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso
mediante fraude; ou

XIII - vende, expõe ou oferece à venda produto, declarando ser


objeto de patente depositada, ou concedida, ou de desenho
industrial registrado, que não o seja, ou menciona-o, em
anúncio ou papel comercial, como depositado ou patenteado,
ou registrado, sem o ser;

XIV - divulga, explora ou utiliza-se, sem autorização, de


resultados de testes ou outros dados não divulgados, cuja
elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido
apresentados a entidades governamentais como condição para
aprovar a comercialização de produtos.
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

§ 1º - Inclui-se nas hipóteses a que se referem os incisos XI e


XII o empregador, sócio ou administrador da empresa, que
incorrer nas tipificações estabelecidas nos mencionados
dispositivos.

Portanto, enquadrada a conduta ao tipo legal, tem-se configurada a


Concorrência Desleal, devendo ser dado seguimento à ação penal privada.
DA RESPONSABILIDADE CIVIL - PREJUÍZOS CAUSADOS

Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova testemunhal que


que será produzida no presente processo, o nexo causal entre o dano e a conduta
do querelado fica perfeitamente caracterizado pelo indicar fato, gerando o dever de
indenizar, conforme preconiza o Código Civil:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito


que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.

Nesse sentido, é a redação do Código de Processo Penal ao prever a


necessária condenação do acusado quando evidenciado algum prejuízo:

Art. 387.O juiz, ao proferir sentença condenatória:


(...)

IV- fixará valor mínimo para reparação dos danos causados


pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;

No presente caso, toda perda deve ser devidamente indenizada,


especialmente por que o Réu causou indicar e comprovar prejuízo, assim
especificado:

dano - R$ valor

dano - R$ valor

A reparação é plenamente devida, em face da responsabilidade civil


inerente ao presente caso.

DA RESPONSABILIDADE CIVIL
Toda e qualquer reparação civil está intimamente ligada à
responsabilidade do causador do dano em face do nexo causal presente no caso
concreto, o que ficou perfeitamente demonstrado nos fatos narrados. Sendo devido,
portanto, a recuperação do patrimônio lesado por meio da indenização, conforme
leciona a doutrina sobre o tema:

"Reparação de dano. A prática do ato ilícito coloca o que


sofreu o dano em posição de recuperar, da forma mais
completa possível, a satisfação de seu direito, recompondo o
patrimônio perdido ou avariado do titular prejudicado. Para
esse fim, o devedor responde com seu patrimônio, sujeitando-
se, nos limites da lei, à penhora de seus bens." (NERY
JUNIOR, Nelson. NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil
Comentado. 12 ed. Editora RT, 2017. Versão ebook, Art. 1.196)

Trata-se do dever de reparação ao lesado, com o objetivo de viabilizar


o retorno ao status quo ante à lesão, como pacificamente doutrinado:

"A rigor, a reparação do dano deveria consistir na


reconstituição específica do bem jurídico lesado, ou seja, na
recomposição in integrum, para que a vítima venha a
encontrarse numa situação tal como se o fato danoso não
tivesse acontecido." (PEREIRA, Caio Mário da Silva.
Instituições de Direito Civil. Vol II - Contratos. 21ª ed. Editora
Forense, 2017. Versão ebook, cap. 283)

Motivos pelos quais devem conduzir à indenização aos danos materiais


sofridos, bem como aos lucros cessantes.

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente atualmente é indicar fonte de renda, tendo sob sua


responsabilidade a manutenção de sua família, razão pela qual não poderia arcar
com as despesas processuais.

Para tal benefício o autor junta declaração de hipossuficiência e


comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade de pagamento das
custas judicias sem comprometer sua subsistência, conforme clara redação do Art.
99 Código de Processo Civil de 2015.

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado


na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de
terceiro no processo ou em recurso.

§ 1º Se superveniente à primeira manifestação da parte na


instância, o pedido poderá ser formulado por petição simples,
nos autos do próprio processo, e não suspenderá seu curso.

§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos


autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos
legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de
indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do
preenchimento dos referidos pressupostos.

§ 3º Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência


deduzida exclusivamente por pessoa natural.

Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz jus
o Requerente ao benefício da gratuidade de justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - MANDADO DE SEGURANÇA


- JUSTIÇA GRATUITA - Assistência Judiciária indeferida -
Inexistência de elementos nos autos a indicar que o
impetrante tem condições de suportar o pagamento das
custas e despesas processuais sem comprometer o
sustento próprio e familiar, presumindo-se como
verdadeira a afirmação de hipossuficiência formulada nos
autos principais - Decisão reformada - Recurso provido.
(TJSP; Agravo de Instrumento 2083920-71.2019.8.26.0000;
Relator (a): Maria Laura Tavares; Órgão Julgador: 5ª Câmara
de Direito Público; Foro Central - Fazenda Pública/Acidentes -
6ª Vara de Fazenda Pública; Data do Julgamento: 23/05/2019;
Data de Registro: 23/05/2019

Cabe destacar que o a lei não exige atestada miserabilidade do


requerente, sendo suficiente a "insuficiência de recursos para pagar as custas,
despesas processuais e honorários advocatícios"(Art. 98, CPC/15), conforme
destaca a doutrina:

"Não se exige miserabilidade, nem estado de necessidade,


nem tampouco se fala em renda familiar ou faturamento
máximos. É possível que uma pessoa natural, mesmo com
bom renda mensal, seja merecedora do benefício, e que
também o seja aquela sujeito que é proprietário de bens
imóveis, mas não dispõe de liquidez. A gratuidade judiciária é
um dos mecanismos de viabilização do acesso à justiça;
não se pode exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito
tenha que comprometer significativamente sua renda, ou
tenha que se desfazer de seus bens, liquidando-os para
angariar recursos e custear o processo." (DIDIER JR.
Fredie. OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Benefício da Justiça
Gratuita. 6ª ed. Editora JusPodivm, 2016. p. 60)

"Requisitos da Gratuidade da Justiça. Não é necessário que a


parte seja pobre ou necessitada para que possa beneficiar-
se da gratuidade da justiça. Basta que não tenha recursos
suficientes para pagar as custas, as despesas e os honorários
do processo. Mesmo que a pessoa tenha patrimônio suficiente,
se estes bens não têm liquidez para adimplir com essas
despesas, há direito à gratuidade." (MARINONI, Luiz
Guilherme. ARENHART, Sérgio Cruz. MITIDIERO, Daniel.
Novo Código de Processo Civil comentado. 3ª ed. Revista dos
Tribunais, 2017. Vers. ebook. Art. 98)

Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição Federal
e pelo artigo 98 do CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao requerente.

A existência de patrimônio imobilizado, no qual vive a sua família não


pode ser parâmetro ao indeferimento do pedido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE


RECONHECIMENTO E/OU DISSOLUÇÃO DE UNIÃO
ESTÁVEL OU CONCUBINATO. REVOGAÇÃO DA
GRATUIDADE DE JUSTIÇA. (...) Argumento da titularidade
do Agravante sobre imóvel, que não autoriza o
indeferimento do benefício da gratuidade de justiça, pois
se trata de patrimônio imobilizado, não podendo ser
indicativo de possibilidade e suficiência financeira para
arcar com as despesas do processo, sobretudo, quando
refere-se a pessoa idosa a indicar os pressupostos à isenção
do pagamento de custas nos termos do art. 17, inciso X da Lei
n.º 3.350/1999. Direito à isenção para o pagamento das custas
bem como a gratuidade de justiça no que se refere a taxa
judiciária. Decisão merece reforma, restabelecendo-se a
gratuidade de justiça ao réu agravante. CONHECIMENTO DO
RECURSO E PROVIMENTO DO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. (TJRJ, AGRAVO DE INSTRUMENTO
0059253-21.2017.8.19.0000, Relator(a): CONCEIÇÃO
APARECIDA MOUSNIER TEIXEIRA DE GUIMARÃES PENA,
VIGÉSIMA CÂMARA CÍVEL, Julgado em: 28/02/2018,
Publicado em: 02/03/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO MONOCRÁTICA.


AÇÃO DE USUCAPIÃO. BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DA
JUSTIÇA. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE.
DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO. - Defere-se o benefício da
gratuidade da justiça sem outras perquirições, se o requerente,
pessoa natural, comprovar renda mensal bruta abaixo de Cinco
Salários Mínimos Nacionais, conforme novo entendimento
firmado pelo Centro de Estudos do Tribunal de Justiçado Rio
Grande do Sul, que passo a adotar (enunciado nº 49). - A
condição do agravante possuir estabelecimento comercial
não impossibilita que seja agraciado com a gratuidade de
justiça, especialmente diante da demonstração da baixa
movimentação financeira da microempresa de sua
propriedade. AGRAVO DE INSTRUMENTO PROVIDO.
(Agravo de Instrumento Nº 70076365923, Décima Sétima
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Gelson
Rolim Stocker, Julgado em 10/01/2018).

Afinal, o Requerente possui inúmeros compromissos financeiros que


inviabilizam o pagamento das custas sem comprometer sua subsistência, veja:

 Indicar despesa mensal fixa - R$ valor;

 Indicar despesa mensal fixa - R$ valor;

 Indicar despesa mensal fixa - R$ valor;...

Ou seja, apesar do patrimônio e renda elevada, todo valor auferido


mensalmente está comprometido, inviabilizando suprir a custas processuais.

DA GRATUIDADE DOS EMOLUMENTOS

O artigo 5º, incs. XXXIV e XXXV da Constituição Federal assegura a


todos o direito de acesso à justiça em defesa de seus direitos, independente do
pagamento de taxas, e prevê expressamente ainda que a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

Ao regulamentar tal dispositivo constitucional, o Código de Processo


Civil prevê:

Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira,


com insuficiência de recursos para pagar as custas, as
despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito
à gratuidade da justiça, na forma da lei.

§ 1º A gratuidade da justiça compreende:


(...)
IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores
em decorrência da prática de registro, averbação ou
qualquer outro ato notarial necessário à efetivação de
decisão judicial ou à continuidade de processo judicial no qual
o benefício tenha sido concedido.

Portanto, devida a gratuidade em relação aos emolumentos


extrajudiciais exigidos pelo Cartório. Nesse sentido são os precedentes sobre o
tema:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. BENEFICIÁRIO


DA AJG. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. REMESSA À
CONTADORIA JUDICIAL PARA CONFECÇÃO DE
CÁLCULOS. DIREITO DO BENEFICIÁRIO
INDEPENDENTEMENTE DA COMPLEXIDADE. 1. Esta Corte
consolidou jurisprudência no sentido de que o beneficiário da
assistência judiciária gratuita tem direito à elaboração de
cálculos pela Contadoria Judicial, independentemente de sua
complexidade. Precedentes. 2. Recurso especial a que se dá
provimento. (STJ - REsp 1725731/RS, Rel. Ministro OG
FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2019,
DJe 07/11/2019)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA.


EMOLUMENTOS DE CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL.
ABRANGÊNCIA. Ação de usucapião. Decisão que indeferiu o
pedido de isenção dos emolumentos, taxas e impostos devidos
para concretização da transferência de propriedade do imóvel
objeto da ação à autora, que é beneficiária da gratuidade da
justiça. Benefício que se estende aos emolumentos devidos
em razão de registro ou averbação de ato notarial
necessário à efetivação de decisão judicial (art. 98, § 1º, IX,
do CPC). (...). Decisão reformada em parte. AGRAVO
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSP; Agravo de Instrumento
2037762-55.2019.8.26.0000; Relator (a): Alexandre
Marcondes; Órgão Julgador: 3ª Câmara de Direito Privado;
Foro de Santos - 10ª Vara Cível; Data do Julgamento:
14/08/2014; Data de Registro: 22/03/2019)

Assim, por simples petição, uma vez que inexistente prova da condição
econômica do Requerente, requer o deferimento da gratuidade dos emolumentos
necessários para o deslinde do processo.

DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) O recebimento da presente queixa-crime;

b) O deferimento da Gratuidade de Justiça;

c) Seja designada audiência preliminar, na forma do artigo 72 da lei


9099/95 ou 520 CPP e, em caso de impossibilidade de conciliação,

d) A citação do querelado para responder aos termos da presente queixa;

e) A produção de provas testemunhais, conforme rol em anexo;

f) Ao final, seja julgado totalmente procedente o pedido para condenar o


querelado como incurso nas penas do artigo indicar;

g) Requer ainda a fixação de valor mínimo de indenização pelos danos


materiais em valor R$ indicar e danos morais sofridos pelo querelante,
nos termos do artigo 387, IV, do CPP.

Termos em que, pede deferimento.

Cidade | PA, Data


Nome, OAB | Nº

__________________________
Assinatura do advogado
ROL DE TESTEMUNHAS:

1. nome completo, residente e domiciliado à Rua rua, n, bairro, na cidade de


cidade/UF;

2. nome completo, residente e domiciliado à Rua rua, n, bairro, na cidade de


cidade/UF;

ANEXOS:

1. Comprovante de renda

2. Declaração de hipossuficiência

3. Procuração penal específica

4. Prova da legitimidade

5. Provas do alegado

6. Recolhimento de custas ou declaração de hipossuficiência

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