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ANTIGO TESTAMENTO 

 
PENTATEUCO- PARTE V 
 
l I​ ntrodução 
 
  Em  nossa  jornada  sobre  o  Pentateuco  é  muito  importante  que  você  não  perca 
de  vista  que  este  grupo  de  livros  foi escrito para combater a idolatria que estava 
cravada  no  coração  daquele  ser  humano.  O  ser  humano  acreditava  em  Deus, 
mas  ao  mesmo  tempo  em  que  acreditava  em  Deus,  eram  influenciados  pelos 
costumes e pelas crenças dos povos vizinhos.  
 
  O  Pentateuco  é  escrito  para  amolecer  o  coração  deste  povo  para  que  eles 
possam  receber  a  verdade  de  Deus  em  seus  corações  e  descartar  todo  este lixo 
de  idolatria.  Chegando  aqui  no  livro  de Êxodo que começamos hoje, precisamos 
olhar  para  trás  e  perceber  que  existiu  uma  impessoalidade  que  é  fruto  desta 
confusão  na  cabeça  do  povo.  Porque  o  povo  olhava  para  a  criação  e  acabavam 
adorando  a  montanhas,  o  sol.  A  visão  do  ser  humano  ainda  era  muito 
supersticiosa e sempre olhando para a natureza de forma impessoal.  
 
l​ Êxodo 
  Quando o Pentateuco é escrito é retomado que o Deus criador de todas as coisas é 
alguém  que  chama  as  pessoas  pelo  nome,  é  alguém  que  trata  face  a  face,  que 
chama os seus servos, tem uma relação íntima e pessoal.  

  A  expressão  no  hebraico  referente  a  Êxodo  é  “shamõt”, o significado disto é “Estes 


são  os  nomes  de”,  o  sentido  mais  comum  que  estamos  acostumados  a  trabalhar a 
palavra  de  Êxodo  é  de  “saída”,  está  errado?  Não.  Quando  falamos  em  Êxodo  a 
referência  é  em  Grego  porque  isto  vem  da  septuaginta  e  é  o  sentido  que  chegou 
mais  próximo  de  nós.  Mas  podemos  usar  tranquilamente  uma  combinação  destes 
dois  significados,  porque  o  Pentateuco  é  um retorno a um Deus que é pessoal, não 
é  uma  coisa  impessoal,  abstrata,  longe.  Estamos  falando  de  um  Deus  que  nomeia, 
esta  “saída”  do  povo  são  compostas  por  pessoas  que  tem  nome,  tem  história,  tem 
famílias.  

  Para  que  possamos  entender  um  pouco  este  contexto,  são  necessários  alguns 
nomes  estranhos  para  que  possamos  enxergar  este  cenário  do  livro  de  Êxodo. 
Sequenere  expulsa  um  grupo,  uma  etnia  chamada  Iqsius que são natural talvez da 
China, Mongólia, alguma coisa nesta região. Eles dominam o Egito e destroem tudo 
que  está  lá  e  porque  isto  é  importante?  Neste  processo  de  recuperar  a  soberania 
do Egito é que encontramos a história bíblica que conhecemos.  

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  Quando  você  lê  o  texto,  enxerga  uma  expressão  de  que  estes  egípcios  não 
conheciam  a  língua,  não  conheciam  o  povo  e  nos  questionamos  do  porque  eles 
não  conhecerem  o  povo,  a  língua,  se  José  havia  sido  Governador  do  Egito,  como 
isto aconteceu?  

  Entre  José  estando  a  frente  da  liderança  até  este  texto,  existe  estas  invasões  que 
referi,  este tal Sequenere é quem traz de volta, quem recupera a terra do Egito para 
o  seu  povo,  porque  o Egito foi invadido por esta etnia, por este povo e neste espaço 
de  tempo,  onde  o  Egito  é  dominado  por  outra  nação,  este  contato,  está 
proximidade  de  conhecer  a  história de José, que ele havia sido amigo do Egito, que 
ele  foi  importante  para  que  o  Egito  sobrevivesse  no  tempo das vacas magras, todo 
este contato se perdeu.  

  Esta  nova geração de Egípcios não conhece esta história, não tem nenhum vínculo 
com  o  povo  Judeu  e  quando  eles  chegam  a  este  fato,  que  está  preocupação  de 
proteger o Judeu que existiu naquela geração anterior não existe mais.  

  Sequenere  começa  esta  briga  contra  estes  inimigos  dos  Egípcios  e  Amossés 
termina  e  reconquista  até  que  um  sujeito  chamado  Tutmosis  realiza  uma 
expansão.  Note  que  todos  estes  nomes,  ou  a  maioria  destes nomes Egípcios tem o 
“moses”  que  é  o  mesmo  lado  do  nosso  personagem  principal  Moisés,  percebemos 
que  Moisés  ou  Moses  é  um  nome  da  nobreza,  revela  titularidade,  a  função  de 
alguém com importância dentro da hierarquia Egípcia.  

  Temos  Tutmosis,  Ramsés,  ou  Ramosés,  Amoses,  todos  estes  nomes  estão  fazendo 
referência  a  mesma  coisa  dessa  hierarquia,  de  uma  dinastia  Egípcia.  Temos  em 
livros  históricos  um  nome  muito  importante  para  nós  que  é  o  Ratsepsut  porque 
este  nome  é  importante  para  nós?  Porque  é  essa  rainha,  filha  de  Faraó,  com 
autoridade,  fora  do  comum  que  adota  Moisés.  Porque  esta  mulher  é  importante? 
Porque  dentro  da  cultura  Egípcia  não  é  comum  que  uma  mulher  tenha  tamanha 
autoridade,  que  tenha  esta  postura.  Porque  faraó  tinha  mandado  um  decreto  de 
matar  as  crianças  e  você  vê uma rainha salvando um hebreu e criando este hebreu 
dentro  do  palácio,  obviamente  as  pessoas  sabiam  que  aquele  filho  não  era  de 
sangue. 

  Mas  que  mulher  é  esta  que  tem  tanta  autoridade  que  consegue  bancar  este 
estrangeiro  dentro  do  palácio?  Historicamente,  quando  pesquisamos  toda  esta 
realidade  Egípcia,  ou  esta  história  Egípcia  nós  vemos  o  nome  desta  mulher 
chamada  Ratsepsut.  Na  história,  ela  é  este  personagem  feminino  que  se  destaca 
como  sendo  alguém  que  conseguia  impor  suas  ideias,  alguém  com  forças 
suficientes  para  trazer  uma  criança  para  dentro  de  casa,  estrangeira  e  criá-la  no 
palácio, como foi o caso de Moisés.  

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  A  história  segue  contando  que  esta  mulher  se  casa  com  Tutmosis III, a história diz 
que  ele  não  era  alguém  com  muita  firmeza,  com  muita  autoridade,  ele  não  tem 
pulso  firme,  vemos  que  é  totalmente  possível,  totalmente  palpável,  ou,  provável 
que  esta  mulher  dominasse,  mesmo o Egito vivendo dentro de uma cultura onde a 
figura  masculina  era  mais  importante.  No  auge  desta  dominação,  temos  esta 
mulher  que  tem  essa  força  maior  que  a  do  seu  marido,  na  continuação  vamos 
encontrar Amenoses II e este é o faraó do Egito que debate com Moisés.  

  Estes  personagens  se  você  quiser  procurar  nos  livros  de  história,  consegue 
achá-los.  Por  isso  estou  passando  estes  nomes,  mais  para  títulos  de  referências 
caso  você  queira  pesquisar  mais  sobre  a  história.  Um  outro  documento  que atesta 
a  veracidade  histórica  do  livro  de  Êxodo  e  do  Pentateuco  numa  forma  geral 
fazendo  este  link  com  a  história  Egípcia  é  uma  pedra  de  Armana,  porque  uma 
pedra?  

  Porque  é  nesta  pedra  que  está  escrito,  lembre-se  que  estamos  falando  de  muito 
tempo  atrás,  muitos  documentos  eram  escritos nesta época em pedras, esta pedra 
de  Armana  que  serve  como  documento, atesta que canaã perdeu a independência 
e  que  era  dominada  por  um  grupo  de  pessoas  chamado  “abru”,  este  grupo  de 
pessoas  é  entendido  pela  maioria  dos  pesquisadores  e  estudiosos  como  os 
hebreus,  ou  seja,  esta  pedra  está  falando  que  canaã  era  dominado  por  tal  povo, 
mas  vieram  os  hebreus  e  conquistaram  a  terra  de  canaã,  então  existem 
documentos  históricos  e  esta  pedra  de  Armana  é  um  destes  documentos 
antiguissimo que revela que o povo hebreu realmente andou por estas regiões .  
 
  Se  considerarmos o livro de Êxodo, podemos separá-los em TRÊS narrativas, ou em 
TRÊS  momentos  especiais.  Coloquei  aqui  algumas  referências  de  onde 
encontrarem:  
 
● 1:18 
● 32:34  
● 39:32-40.  

  Temos  DUAS  seções  legais  e  o  que  estou  querendo  dizer  com  seções  legais?  São 
referências a lei. Vemos em:  

● 19:1-31  
● 35:1-39 

  Estas  leis  vão  aparecendo  de  formas  diretas  e  indiretas  em  vários  momentos  do 
texto.  Quando  vamos  fazer  um  esboço,  ou  separar  um  livro,  existem  formas 
diferentes  para  fazermos  este  esboço.  De  qualquer  forma  eu  deixo  estas 
referências  para  vocês  pesquisarem  e  entender  como  estou  dividindo  o  texto. 
Pensar nessas três narrativas, porque estou chamando de três narrativas?  

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  Porque  eu  estou  falando  que  DUAS  destas  narrativas  são  seções  legais,  são 
referências  a  lei  e  a  terceira  é  uma  estrutura  literária  das  pragas,  ou  seja,  depois 
destas  duas  grandes  narrativas  sobre  a  lei,  você  tem  uma  referência  sobre  as 
pragas  do  Egito.  Toda  a  história  do  texto  de  Êxodo  passa  por  estas  narrativas,  ou 
pela  narrativa  da  lei,  ou  pela  praga.  Quando  estamos  falando  que  “estes  são  os 
nomes  de”,  essa  história  da  saída,  como  conhecemos  mais no português passa por 
esta estrutura.  

  Eu  te  incentivo  a  olhar  os  textos  para  enxergar  a  lei  sendo dada, ou como aparece 
essa  narrativa  legal.  Agora  eu  quero  me  deter  nesta  estrutura  da  praga,  da  praga 
de número 1 até a número 3. Acompanhe no gráfico: 

  Quando  separamos  as  pragas  de  1  a  3,  temos  a  Água  feita  em  sangue,  Rãs  que 
cobrem toda a terra do Egito e os Piolhos cobrem a terra.  

  Observe  no  gráfico  que  existe  um  padrão  narrativos,  nas  pragas  de  1  a  3,  de  4  a  6, 
de  7  a  9,  nesta  primeira  linha  você  vai  perceber  que  todos  eles  têm  a  mesma 
característica, sempre existe o mesmo padrão narrativo. 

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  Se  o  padrão  narrativo  da primeira linha é uma conversa mais informal na frente do 
rio,  a  segunda  linha  você  verá  que  é  um  grupo  de  sequências acontecendo dentro 
desta audiência mais formal dentro do palácio.  

  E  a  última  linha  conforme  o  gráfico,  o  padrão  narrativo  é  com  gesto  simbólico, 


gesto  profético,  ele não acontece nem no palácio, nem em frente ao rio, mas é uma 
coisa  que  está  acontecendo  longe.  Estão  Moisés  e  Arão  fazendo  este  gesto 
profético  como  forma  deste  embate  entre  Deus  e  faraó,  entre  Deus  e  o  Egito  para 
libertar o seu povo. Este gráfico serve para você enxergar estes padrões narrativos e 
ir acompanhando, fazendo sua leitura no texto bíblico.  

  Quando  pensamos  no  livro  de  Êxodo  precisamos  pensar  numa  narrativa  de 
libertação.  Hoje  nós  conversamos  dentro  de  uma  estrutura  de  aula para pegarmos 
informações,  entender  melhor  o  texto,  mas  para  fazer  sua  leitura  e até mesmo seu 
devocional  você  precisa  entender  que  o Êxodo fala sobre libertação, o tema central 
é  a  ação  de  Deus libertando seu povo, se você quer entender um pouco mais como 
funciona  um Deus que liberta o seu povo, uma ótima leitura para você enriquecer e 
perceber  a  ação  de  Deus  no  antigo  testamento  é  o  livro  de  Êxodo.  A  história  de 
como  um  povo  está  preso,  escravizado  por  faraó  e  Deus  intervém  na  história 
enviando Moisés.  

  O  Novo  Testamento  traz  para  nós  Cristo  como  nosso  redentor  e  quando  falamos 
sobre  redenção,  nós  estamos  falando  sobre  liberdade.  A  forma  para  você  se 
enriquecer  biblicamente quando falamos sobre liberdade é pegar o texto do antigo 
testamento  que  fala  sobre  libertação  e  comparar  os  textos  de  libertação  quando 
apresenta  Jesus  Cristo  como  nosso  libertador,  em  uma  mão  temos  a  libertação  no 
Antigo  Testamento  e  em  outra  mão  a  libertação  feita  a  partir  da  cruz,  cole  isso, 
junte  isso  e  você  irá  conseguir  se  aprofundar em todo este conceito bíblico sobre o 
que significa Deus libertando o seu povo no Antigo Testamento e a partir da cruz.  

l​ Levítico 
  Quando  chegamos  no  livro  de  Levítico  depois  de  toda  essa  transição,  depois  de 
toda  esta  história,  a  bíblia  trazendo  uma  narrativa  sobre  a  libertação  do  povo  e  se 
você quer escutar sobre esta narrativa o livro de Êxodo é realmente essencial.  

  Chegamos  então  no  livro  de  Levítico  e  talvez  seja  um  dos  textos  onde  nós  temos 
menos  vontade  de  ler  porque  tem  muitos  detalhes,  parece  que  não  conseguimos 
desenvolver  uma  leitura  agradável,  que  nos  dê  prazer.  Talvez  seja  um  livro  mais 
evitado  pelos  cristãos  no  tempo  de  hoje,  mas  da  mesma  forma  que  eu  convidei 

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você  para  fazer uma justaposição entre Êxodo e a mensagem de redenção do Novo 
Testamento  para  que  isto  faça  mais  sentido  dentro  do  contexto  cristão, da mesma 
forma  eu  convido  você  a  fazer  novamente  esta  justaposição.  Para  que  o  livro  de 
Levítico faça mais sentido é muito interessante você ler ao lado do livro de Hebreus, 
porque  se  você  ler  só  o  livro  de  Levítico  vai  soar  muito  legalista,  ele  vai  ser  tornar 
muito  judaico,  agora  se  você  consegue  fazer  esta  ponte  com  o  livro  de  Hebreus, 
você entende que a temática do livro é sobre santificação.  

  Se  tem  um  assunto  que  às  vezes  a  igreja  se  perde,  porque  começa  a  falar  aquilo 
que  não  deve,  ou  então,  começa  a  desenvolver  rituais  de  santificação  que  são 
muito  estranhos  da  bíblia,  é  este. Se fizermos essa ligação entre Levítico e Hebreus, 
vamos  começar  a  entender  santificação  de  uma  forma mais saudável e eu creio de 
que  santificação  é  algo  que  precisamos  nos  inteirar  e  se  aprofundar,  para  que  não 
seja  algo  meramente  comportamental,  ou  uma  simples  forma  de  falar, uma forma 
de  se  vestir.  Você  vê  na  bíblia  um  livro  que  gasta  todas  as  suas  páginas,  todos  os 
seus  capítulos  para  falar  sobre  o  tema  da  santificação.  Nossa  primeira  conclusão  é 
que  o  tema  da  santificação  é  muito  importante  na  bíblia  e  muito  importante  para 
Deus.  

  Eu  quero  te  desafiar  a  conseguir  ler  o  livro de Levítico pensando em santificação a 


partir  do  Espírito  Santo  e  a  partir  de  Jesus  Cristo  e  eu  tenho  certeza  que  você  vai 
começar a ler este livro de uma forma bastante diferente. Da mesma forma quando 
vamos  para  esta  expressão  no  hebraico  oaikra  “e  Ele  chamou”,  no  capítulo  1  do 
versículo  1  de  Levítico  é  esta  a  expressão que aparece “e Ele chamou”. Se o assunto 
é  santificação  precisamos  entender  que  o  livro  de  Levítico  é  um chamado de Deus 
para  que  seu  povo  esteja  vivendo  em  santificação  e  que  história  é  essa  de  “e  Ele 
chamou”?  É  claro  que  é  Deus  chamando  o  povo  Dele  a  uma  vida  de  santidade. 
Mais  uma  vez  a  tradução  de Levítico vem da Septuaginta, nós vemos que a maioria 
dos  textos  do  Pentateuco  a  palavra  que  chegou  para  nós  no  português  vem  da 
septuaginta e não do texto original.  

  O testemunho de Cristo sobre Levítico em Mateus 8:4, quando Ele se refere ao livro 
de  Levítico  14:1-32,  Jesus  usa  a  expressão  em  hebraico  oaikra  “e  Ele  chamou”,  Ele 
não  usa  a  expressão  Levítico,  ou  seja,  de  uma  forma  mais  interessante  o  livro  de 
Levítico  começa  com  “E”  e  aqui  eu  gostaria  de  refletir  nisso.  Imagina  que  você 
tenha  um  livro,  você  abre  na  primeira  página  e  você  começa  a  ler  esta  primeira 
página e a primeira palavra que está escrita é “E”, o que isto significa para você?  
 
  O  que  você  consegue  entender  se  este  livro  começa  com  esta  expressão,  ou  com 
esta  referência  “E”?  Primeiro  que  é  uma  ideia  de  continuidade,  é  impossível 
entender  Levítico  porque  se  estou  falando  “E”  no  português  tem  um  sentido  de 
sinal  de  mais,  ele  está  adicionando, “era aquilo e isso”, é o Êxodo, as palavras, “estes 
são  os  nomes  de”,  toda  essa  relação  com  a  lei,  toda  esta  história  da  saída  do  povo 
do  Egito,  é  a  história  do  povo  e  agora  que  a  história  do  povo  foi  contada,  vem  o 
chamado, o chamado de Deus para a santidade.  

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  Eles experimentaram a libertação, e depois da libertação a santificação. Existe uma 
sequência  bíblica  que muitas vezes é quebrada no tempo de hoje, quando fazemos 
este  paralelo  entre  Êxodo  e  Levítico  precisamos  entender  que  primeiro  vem  a 
libertação  e  depois  vem  a  santificação.  É  impossível  viver  santificação,  sem  ter 
experimentado  a  libertação  e  quando  tentamos  empurrar  na  goela  das  pessoas  a 
santificação  sem  que  elas  tenham  experimentado  uma  libertação  de  uma  forma 
profunda,  vamos  ao  contrário  de  toda  a  percepção  que  ela  tem  a  partir  do 
Evangelho.  

➔ Nota  pastoral:  Eu  sou  Pastor  há  algumas  décadas,  meu  filho  vai  fazer  15  anos, 
ele  já  é  batizado,  mas  quando  meu  filho  estava  pela  casa  de  7  a  8  anos,  eu 
comecei  a  perceber  que  por  ele  ser  filho  de  Pastor  existia  uma  certa  visão  da 
igreja  de  cobrar  um  padrão  comportamental  do meu filho de santidade por ele 
ser  filho  de  Pastor  e  um  certo  dia  eu  virei  para  a  igreja  e  falei,  “Eu  quero  que 
vocês  tratem  o  meu  filho  como  se  fosse  um  incrédulo,  não  tratem  o  meu  filho 
como  se  fosse  alguém  santificado,  ele  não  se  batizou,  ele  não  tem  nenhuma 
experiência,  se  vocês  tratarem  o  meu  filho  como  alguém  “santo”  vocês  estão 
destruindo a possibilidade de ele entender o que é Evangelho de verdade.”  
 
  Porque  não  tem  possibilidade  de  alguém  querer experimentar a santificação, sem 
antes  ter  sido  liberto.  Muitas  vezes dentro da igreja começamos a exigir dos nossos 
filhos  que  eles  tenham  uma  vida  santa,  irrepreensível,  sem  que  nunca 
experimentaram  um  processo  de  conversão  genuíno,  verdadeiro,  eles  nunca 
tiveram  uma  experiência  de serem encontrados e resgatados do pecado por Cristo. 
Não  tem  como  exigir  das  pessoas  que  estão  do  nosso  lado  santidade,  sem  que 
antes  elas  estejam  experimentando  libertação.  Libertação  é  o  primeiro  passo,  só 
podemos  falar  sobre  santidade  para  quem  experimentou  a  libertação.  Quanto 
menos  você  sabe  sobre  libertação,  menos  você  sabe  sobre  santificação.  Não 
inverta a ordem, o prejuízo é muito alto.  

  Depois  o  meu  filho  se  converteu,  porque  mesmo  sendo  de  igreja  as  crianças  tem 
que  ter  este  encontro,  meu  filho  se  batizou,  então  eu  falei,  “agora  o  jogo  virou, 
agora  ele  é  batizado, ele fez a profissão de fé, ele testemunhou, agora vocês podem 
cobrar  dele  a  santidade”.  Não  inverta  a  ordem,  cuidado  de  querer  cobrar  do  seu 
filho santificação antes de ele ter experimentado liberdade de verdade.  

  Quando  pensamos  neste  eixo  do  Antigo  Testamento,  do  Pentateuco,  vemos  a 
escolha  do  povo,  a  escolha  de  Moisés, porque o povo de Deus é um povo escolhido, 
Moisés  é  escolhido.  Existe  esta  relação  de  que  ele  é  escolhido,  o  povo  é  escolhido, 
depois  o  mesmo  povo  que  é  escolhido  é  o  povo  que  experimenta  libertação  e 
depois  este  mesmo  povo  que  experimenta  libertação  tem  que  viver,  andar  na 
santificação.  É  uma  história  que  não  pode  ser  quebrada  por  nós,  toda  vez  que 
quebramos  isso  nós  trazemos  prejuízo  para  a  nossa  vida  espiritual  e  trazemos 
prejuízo  para  a  igreja,  nós  somos  escolhidos,  libertos  e  santificados,  não  tem  como 
inverter a ordem.  

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  Quando  chegamos  no  livro  de  Levítico,  concluímos  que  ele  só  vai  fazer  sentido 
para  quem  já  experimentou  o  impacto  de  ser  escolhido  por  Deus  e  quem  já 
experimentou  o  impacto  de  viver  essa  libertação  da  parte  de Deus, só assim o livro 
de  Levítico  irá  fazer  sentido  para  alguém  que  está  procurando  santificação.  Mas 
lembre-se,  para que ele faça sentido a luz do Evangelho, ele precisa ser contrastado 
com Hebreus.  

  Nós  vemos  ainda  no  livro  de  Levítico  um  resquício  de  literatura  legal,  lembre-se 
que  quando  estou  falando  de  literatura  legal,  estou  falando  em  referência  a  lei. 
Quando  vemos  no  livro  de  Levítico  toda  esta  relação  de  santificação,  a  santidade 
aqui é baseada na obediência a lei.  

  A  lei,  ou  a  obediência  à  lei  é  que  gera  a  santificação.  A  grande  mudança  que 
vemos  quando  chegamos  no  livro  de  Hebreus  é  que  a  lei  não  santifica.  Por  isso  é 
muito  importante  perceber  que  quando  esta  lei  é  dada  para  que  o  povo  entenda 
aquilo  que  é  correto,  como  eles  devem  cultuar,  vamos  ver  toda  a  preocupação  de 
Deus,  como  o  povo  deve  agir,  não  agir,  tem  muitas  leis.  É  toda  uma  preocupação 
de  como  o  povo  deve  andar  e  deve  viver,  é  claro  que  estas  referências  são  para 
ensinar  este  povo  de  que  nós  precisamos viver de uma forma diferente, destacada. 
Obviamente  esta  lei  é  só  uma  referência  e  vamos  ver no livro de Gálatas que a lei é 
Uaio  que  conduz  o  povo  até  chegarem  na  maior  idade  e  poderem  receber  a 
herança do próprio Evangelho e do próprio Cristo.  

  Nós  encontramos  o  resumo  ou  a  essência  da  mensagem  no  livro  de  ​Levítico 
capítulo  20:7-8:  “Portanto  santificai-vos,  e  sede  santos,  pois  eu  sou  o  Senhor 
vosso  Deus.  E  guardai  os  meus  estatutos,  e  cumpri-os.  Eu  sou  o  Senhor  que  vos 
santifica”.  
 
Entender  este  texto  é  fundamental  para  entender  a  essência  da  mensagem.  Por 
mais  que saibamos que a lei é referência para este processo de santidade, o próprio 
livro  de  Levítico  faz  para  nós  um  convite  a  viver  uma  vida  de  santidade,  mas  ao 
mesmo  tempo  que  existe  este  convite,  o  próprio  diz  que  Deus  é  o  Senhor  que  nos 
santifica,  o  livro  já  diz  que  este  processo  de  santidade  é  impossível  sem  que  o 
próprio  Deus  aja  em  nós,  por  isso  que  eu  fiz  essa  relação  com  o  livro  de  Hebreus 
para  que  entendamos esta referência do que realmente traz a santidade na vida do 
crente.  

  Será  que  o  livro  de  Levítico é irrelevante com aquele monte de regras, será que ele 


tem  relação  com  os  dias  atuais?  A  minha  provocação  se  dá  pelo  fato  de  que 
Levítico  é  um  livro  onde  mais aparece a expressão “falou” e “disse Deus”, não existe 
nenhum  outro  livro  na  bíblia  que  apareça  mais  este  tipo  de  referência  que  “Deus 
falou”, ou, “Deus disse”.  

  Então  minha  pergunta  é:  Se  neste  livro aparece tanto isso, porque ele é tratado de 


uma  forma  tão  irrelevante?  Isto  significa  que  a nossa forma de ler este livro precisa 
ser  alterada,  enquanto  não  conseguirmos  entender  que  o  livro  de  Levítico  é  um 

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convite  e  traz  esta  ideia  de  continuidade  e  lembre-se  ele  começa  com  “E”,  ou seja, 
está  continuando,  a libertação é contínua. Em outras palavras, a liberdade que você 
experimentou  da  parte de Deus, que sendo Aquele ser maravilhoso, que nos tira do 
Egito,  essa  liberdade  continua  na  santidade,  Ele  te  libertou  e  agora  Ele te santifica. 
A  santificação  é  a  continuação  da  história.  Libertação  é  o  primeiro  ato,  a 
santificação  é  o  segundo  ato.  Se  não  entendemos  este  “E”,  vamos  continuar 
olhando para este livro sem tanto interesse assim.  
 
  Se  em  Gênesis  nós  vemos  o  remédio  de  Deus  para  a  ruína  do  homem,  no  livro  de 
Êxodo  nós  vemos  a  resposta  de  Deus  para  o  homem  e  no  livro  de  Levítico  nós 
vemos  a  provisão  para  a  necessidade  do  homem.  Em  Gênesis  nós  vemos  a 
semente da mulher, em Êxodo nós vemos um sangue de um cordeiro e em Levítico 
nós  vemos  o  sacerdote  e  o  altar  do  sacrifício.  Gênesis  apresenta  para  nós  o 
problema  do  pecado,  Êxodo  a  possibilidade  da  salvação  e  em  Levítico  a  provisão 
para  o  culto.  Agora  que  fomos  salvos,  existe  a  possibilidade  de  cultuar  ao  nosso 
Deus.  

  Santificar  para  encontrar-se  com  Deus,  toda  a  disputa,  toda  a  briga  no  livro  de 
Êxodo  que  trabalhamos,  pois  Deus  estava  reivindicando  do  Egito  pedindo  para 
faraó  que  deixasse  o  povo  sair  para  que  prestassem  culto,  este  era  o  objetivo  da 
libertação,  então  saíram  do  Egito  e  estão  prontos  para  adorar  a  Deus.  A  própria 
palavra  adorar  no  hebraico  traz  o  sentido  de  se  inclinar  e  beijar  a  mão,  adoração 
tem  a  ver  com  este  reconhecimento,  com  este  ato  afetuoso. O livro de Levítico nos 
chama  para  uma  vida  de  encontro,  um  culto  centrado  na  pessoa  de  um  Deus  que 
nos  liberta,  um  convite  para  que  você viva uma vida santificada, entendendo que o 
culto  não  é  protocolado,  ou  seja,  o  culto  não  é  burocrático,  é  o  encontro  que 
promove santificação.  

  Se  você  ler  Levítico  como  burocracia,  ele  não  vai  servir  para  a  sua  vida,  agora  se 
você  ler  Levítico  como  este  encontro  para  promover  a  santificação,  ele  terá  um 
grande  impacto  sobre  a  sua  vida  de  santidade  e  quando  entendemos  isso,  que 
Deus  é  aquele  que  nos  liberta,  o  nosso  culto  começa  a  ser  um  espaço  de 
reconhecimento,  gratidão,  louvor  e  uma  tentativa  de  trabalhar  para  a  glória  e 
louvor do nosso Deus.  
 
Nós temos então:  

● O  CAMINHO  DE  DEUS  (do 1-7) para alcançar a comunhão através da adoração e 


sacrifício;  
● A OBRA DE DEUS (do 8-15);  
● O CAMINHAR COM DEUS (do 16-22) para manter essa comunhão;  
● ADORAÇÃO A DEUS (do 16-27).  

  O  livro  de  Levítico  é  um  convite  que  diz  “VEM”,  é  um  chamado  para  a  adoração, é 
um  chamado  para  a  santificação,  eu  te  desafio  a  ler  Levítico  como  se  fosse  este 
grande  chamado  na  sua  vida,  um  chamado  para  a  adoração e um chamado para a 
santificação.  

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l​ Números 
  Chegamos  então  no  livro  de  Números,  mais  uma  vez  a  referência  que  temos  na 
língua  portuguesa  é  muito  sonoro,  muito  fácil  de  entender,  são  muitos  números. 
Junto  com  Levítico,  talvez  o  livro  de  Números  seja  um  dos textos que mais assusta 
os  crentes,  Levítico  e  Números  é  uma  dupla  assustadora.  O  que  tem  de  espiritual 
neste  livro?  São  aquelas  leituras  que  passamos  e  vemos  muitos  nomes  e  pulamos 
lá  para  o  final,  porque  não  conseguimos  entender  nenhum  senso  de 
espiritualidade nestas listas e realmente é difícil.  

  O  propósito  assim  como  conversamos  no  livro  de  Levítico,  é  que  você  consiga 
olhar  para  o  livro  de  Números  com  uma  perspectiva  renovada  para  que  ele  seja 
edificante  também  na  sua  vida.  A  expressão  de  Números  no  hebraico  é  Bamidbar 
isto  significa  “no  deserto  de”,  ao  contrário  do  que  estamos  acostumados  a  pensar 
no  texto  original  ao  invés  de  estar  dando  uma  referência  numérica,  está  dando 
para nós uma referência geográfica.  
 
  Até  mesmo  porque  quando  a  bíblia  está  tratando  do  deserto  e  em  todo  o 
Pentateuco  nós  vemos  o  deserto  como uma figura que esteve na peregrinação, ele 
acaba  sendo  um  pano de fundo para muitas histórias que estão sendo contadas no 
Pentateuco.  Este  deserto  é  um  lugar  de  preparação  para  o  povo,  está  geografia 
aponta  para  este  processo  de  preparação,  deste  povo  que  foi  liberto  (Êxodo),  este 
povo  que  após  a  libertação  precisa  de  santificação (Levítico) e agora chegamos em 
um deserto onde este povo ainda está sendo preparado para continuar esta vida.  

  Porque  a  septuaginta  traz  para  nós  esta  expressão  de número? Porque vamos ver 


de  uma  forma  muito  constante  no  livro  o  CENSO,  ele  realmente  nos  dá  muita 
informação  de  números  como  referência  do processo histórico, então toda vez que 
estamos  fazendo  história  de  alguma  forma,  nós  precisamos  de  informações  e  o 
livro  de  Números está dando isso para nós. Pensando em uma forma de dividir este 
livro,  nós  vemos  no  livro  de  Números  narrativas,  profecias,  temos  poesias,  temos  o 
canto  da  vitória,  temos  oração,  temos  a  benção  no  livro  de  Números  que  é  muito 
bonita,  te chamo a ver as bênçãos que estão escritas no livro de Números, tem uma 
carta  diplomática,  tem  a  lei  civil,  a  lei  do  culto,  tem  o  recenseamento,  nós  vemos 
todas essas subdivisões acontecendo no livro de Números.  

  É  possível  também  percebermos  toda  uma  cronologia,  desde  o  ínicio  da  história 
até  o  fim  dos  quarenta  anos  do  deserto,  todo  este  CENSO,  toda  esta  informação. 
Quando  estudamos  geografia  na  escola,  tem  a  geografia  do  mapa,  do  relevo,  mas 
tem  uma  parte  que  vai  mais  para  uma  geopolítica,  que  dá  informações  de 
população,  recenseamento,  coisas  desse tipo. O livro de Números visto desta forma 
parece ser sim uma aula de geografia perdida no meio da bíblia.  
 
 
 

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  Dentro  desta  geografia,  nós  vemos  o  deserto  do  Sinai,  os  arredores  de  Cades  e de 
Cades  Moabe,  nós  vemos  este eixo geográfico acontecendo, a história que se passa 
no livro de Números acaba acontecendo dentro deste eixo geográfico.  

  É  importante  e  eu  sempre  aconselho  você  ter  um  mapa  para fazer esta referência 


do  que  você  está  estudando  na  bíblia.  Em  termos  de  mensagem  do  capítulo  1  ao 
capítulo  25  você  vê  que  existe  a  ideia  de  pecado  e  julgamento,  capítulo  25  a  36  do 
livro  de  Números  veremos  um  certo  otimismo,  esperança,  porque  apesar  de  falar 
de pecado, apesar de falar de julgamento, este julgamento, como vemos no livro de 
Isaías,  o  julgamento  que  aparece  na  bíblia  é  um  julgamento  que  está  a  serviço  da 
salvação,  o  julgamento  sempre  vêm  com  uma  possibilidade  de  salvação,  não  no 
sentido  de  destruição  completa,  mas  um  Deus  que  vê  que  existe  coisas  fora  do 
lugar,  é  o  mesmo  Deus  que  chama  pessoas  ao  arrependimento  para  que  elas 
voltem a ter intimidade, relacionamento com o seu criador.  

Nós vemos então:  

● 1-25 (Pecado e Julgamento); 


● 25-36 (Esperança).  

  Se  em  Levítico  nós  vemos  nitidamente  uma  ênfase  no  culto,  na  pureza  da  vida 
diária,  no  livro  de  Números nós vemos uma ênfase no caminhar, na peregrinação, a 
ideia  de  que  perseverar  é  essencial,  se  Levítico  fala  para  nós  que  santidade  é 
essencial  na  vida  cristã,  o  livro  de  Números  traz  para  nós  que  perseverar  na 
geografia  árida,  no  meio  dos  desertos  é  essencial,  quem  não  persevera  não 
consegue  chegar,  então  o  livro  de  Números  trás  para  nós  esta  preparação  de  um 
povo  que  vive  em  santidade  diariamente,  mas  que  precisa  perseverar,  ou  seja, 
criando  aquele  eixo  que  estudamos  anteriormente,  primeiro vem a escolha, depois 
vem a libertação, vem a santificação e a perseverança.  
 
  É  claro  que  podemos  entender  que  perseverança  faz  parte  do  processo  de 
santificação,  mas  aqui  o  livro  de  Números  vem  para  reforçar  essa  ideia  de 
santificação  dando  ênfase  na  perseverança,  nesta  peregrinação,  neste  caminho, 
esta é a ideia. Reforçando então que aqui nós encontramos este eixo:  

● ESCOLHIDOS 
● LIBERTOS 
● SANTIFICADOS 
● PERSEVERANTES  

Nós vemos aqui toda uma estrutura lógica por trás do texto.  

l​ Deuteronômio 
  Finalizamos  com  o  livro  de  Deuteronômio,  na  septuaginta  Deuteronômio  trás  a 
ideia  Deuteo  que  vem  de  “segundo”  e  nomio  que  vem  de  “lei”  e  aí  muitas pessoas 

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podem  fazer  uma  conclusão errada de uma segunda lei e na realidade a lei sempre 
foi  uma.  Muitas  pessoas  vão  ficar  com  a  ideia  de  que  as  tábuas  foram quebradas e 
então  existe  esta  repetição  da  lei.  Só  que  a  ideia  do  livro  é  distinta  disto,  no 
hebraico  a  expressão  é  eleh  hadevarim  isto  significa  “estas  são  as  palavras”. 
Deuteronômio  no  seu  sentido  original  hebraico  traz  esta  ideia  de que “estas são as 
palavras”,  a  lei  é  repetida  e  não  dada  uma  segunda  vez,  as  leis  não  foram 
modificadas,  existe  um  segundo  evento  por  conta  do  bezerro  de  ouro  etc.  Se 
queremos  ver  esta  narrativa  da  repetição  da  lei,  Deuteronômio é o livro que irá nos 
dar esta informação.  

  Nós  temos  uma  espécie  de  introdução,  um  histórico  do  capítulo  1  até o capítulo 5, 
é  estipulada  a  aliança  de  benção  e  maldição  que  é  uma  das  coisas  muito 
importantes neste livro.  
 
  No  capítulo  27:1-29,  nós  vemos  um  resumo  das  exigências  feitas,  porque  uma 
aliança  está  sendo  feita  entre  Deus  e  o  povo,  mas  só  que  esta  exigência,  esta 
aliança  tem  um  contrato,  parte  a  parte,  Deus  tem  a  sua  parte  e  o  povo  tem  a  sua 
parte,  nós  veremos  isto  no  capítulo  29:22-  30  e  existe  também  um  processo  de 
transição  no  capítulo  31:1-34,  mais  uma  vez  segmentando  para  fazer um esboço do 
livro para você.  
 
  Toda  vez  que  você  quiser,  pare,  escreva  este  esboço  para  servir  a  você  na  hora  de 
você  fazer  sua  leitura dos textos. A maioria das bíblias de estudo têm algum tipo de 
esboço,  mas  estou  deixando  também  um  sugestão  de  esboço  para  facilitar  o  seu 
olhar  para  o  texto.  É  necessário  entender  que  o  livro  de  Deuteronômios  está 
funcionando  como  se  fosse  um  clamor  para  o  povo  internacionalizar  a  palavra  de 
Deus.  Uma  coisa  é  você  ter  a  palavra  na  cabeça,  outra  coisa é você ter a palavra no 
coração e outra coisa é você ter a palavra nas entranhas.  

  Eu  tento  subverter  um  pouco  a  ordem  das  coisas,  porque  nós  tendemos  a 
entender  que  o  coração  é  a  coisa  mais  profunda  que  o  ser  humano  tem,  a  palavra 
coração  no  texto  bíblico  é  muito  ligado  com  tripas,  com  entranha,  a  expressão 
bíblica  de  coração  tem  pouco  a  ver  com  o  que  conhecemos  e  muito  a  ver  com 
entranhas.  É  quando  a  palavra  entra  e  vira  parte  de  você,  é  quando  a  palavra  vira 
parte  da sua tripa, o livro de Deuteronômio é um clamor para que o povo recebesse 
a  palavra  e  deixasse  que  a  palavra  fizesse  parte  da  sua  corrente  sanguínea,  da  sua 
constituição  óssea,  que  deixasse  a  palavra  entrar  de  uma  forma  realmente 
profunda,  que  não  seja mero pensamento, que não seja mero sentimento, mas que 
isso  transforme  a  sua  constituição.  É  mais  do que razão, é mais do que emoção, faz 
parte de você.  
 
  É  muito  bonito  ver  essa  relação  do  contrato  entre  Deus  e  o  homem,  Deus 
convidando  o  seu  povo  a  fazer  um  acordo  com  Ele,  escutar  as  Suas  palavras,  viver 
isso  e  viver  então  esta  aliança  entre  Deus  e  o  povo.  Quando  Deus  faz  este  acordo, 
esta  aliança,  ele  coloca  as  bênçãos  sobre  o  monte  A  e  as  maldições  sobre o monte 
B  e  Ele  diz  que  se  o  povo  fizer  tais  coisas  ele  receberá  tais  bênçãos,  mas  se  o  povo 

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não cumprir ele sofrerá.  
 
  Se  você  ler  todo  o Antigo Testamento e vai perceber que este acordo que Deus fez 
com  o  seu  povo  de  benção  e maldição, o povo quebrou, aquilo que era para o povo 
obedecer, ele falhou em cumprir.  
 
  Era  para  ficarem  no  monte  da  benção  quem  cumpriu  o  acordo  e  era  para ficar no 
monte  da  maldição  quem  não  cumpriu.  A  grande  questão  é  que  todo  o  povo  não 
conseguiu  guardar  a  palavra  de  forma  literal  e  profunda,  então  se  tornam  alvo 
destas maldições que aparecem no livro de Deuteronômio.  

  Quando  viemos  para  o  Novo  Testamento,  nós  vemos  que  Jesus  Cristo  é  o  único 
que  realmente  guardou,  o  único  que  cumpriu  isto.  Nós  precisamos  fazer  este 
movimento  de  levar  Jesus  Cristo  para  todo  texto  bíblico,  tem  várias  correntes 
teológicas  e  filosóficas  que  dizem  que  Jesus  não  está  em  alguns  textos.  Cristãos 
enxergam  Jesus  em  cada  vírgula  do  texto  bíblico,  a  ideia  do  cristianismo  é  que 
Jesus  é  o  centro  da  nossa  fé.  Nós  entendemos  que  Jesus  foi  o  único  digno  e 
merecedor  de  todas  as  bênçãos  que  estavam  lá  neste  contrato  que  foi  firmado 
entre  povo  e  Deus  e  o  povo  é  merecedor  da  maldição,  na  cruz  o  que  Cristo  está 
fazendo? Ele está trocando de lugar com o povo.  

  O  povo  que  não  cumpriu  assume  o  lugar  de  receber as bênçãos em Cristo Jesus e 


Jesus que fez todas as coisas assume o lugar de maldição.  
 
  Nós  chamamos  isto  na  bíblia  de doutrina da substituição, ou seja, Cristo substituiu 
o  pecador,  neste  caso  Cristo  substituiu  o  povo,  aqueles  que  não  receberam  as 
bênçãos  pela  obediência,  pela  perfeição,  pelo  caráter  do  cordeiro.  Todas  as  nossas 
bênçãos  estão  em  Cristo,  se  queremos  entender  o  Evangelho,  precisamos  guardar 
as  palavras  que  saem  da  boca  do Senhor. O próprio Apóstolo João diz que “aqueles 
que  tem  minhas  palavras  e  as  guardam,  são  estes  que  me  amam”.  Não  tem  como 
amar  ao  Senhor  sem  guardar  as  palavras.  O  próprio  João fala no início da sua carta 
que  Jesus  Cristo  é  a  palavra  que  sai  da  boca  de  Deus.  “Estas  são  as palavras” e nós 
precisamos guardar estas palavras.  

  Ao  ler  o  Pentateuco  nós  somos  chamados  a  um  encontro  com  a  palavra  que  é 
Jesus  Cristo  para  que  esta  palavra  nos  traga  libertação,  para  que  esta  palavra  nos 
traga  o  desejo  de  santificação,  para  que  esta  santificação  nos  leve  a  uma  vida  de 
perseverança e esta perseverança cada vez mais nos aprofunde no conhecimento e 
no próprio Jesus Cristo.  

  Espero  que  todo  esse  pano  de  fundo,  desde  Ninrode,  até  chegar  em  “Estas 
palavras”,  possam  ter  aberto  o  seu  entendimento,  conhecendo  um  pouco  mais  da 
palavra de Deus.  
 
 
 

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