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Asas do Saber.

Apostila de História.
Colégio Naval.
Prof. jocimar

2019.
Conteúdo
Organização da Colônia. .................................................................................... 3
Centralização da Administração colonial (Governo Geral). ................................ 5
Expansão Geográfica. ........................................................................................ 7
A conquista do Sul, Tratado e limites e Guerras no Sul. .................................. 12
Invasões Estrangeiras, período colonial. .......................................................... 13
Economia Colonial; ciclos do Pau-brasil, açúcar, gado, mineração e africanos
no Brasil. .......................................................................................................... 17
Brasil nos séculos XVI e XVIII, escravidão africana. ........................................ 21
Sedições e inconfidências, movimentos nativistas, vida cultural na colônia,
corte no Rio de Janeiro e realizações política-social. ....................................... 22
Vida cultural na colônia, corte no Rio de Janeiro, realizações políticas-sociais.
......................................................................................................................... 25
Corte no Rio de Janeiro e realizações politicas-social. .................................... 27
Independência, 1° reinado e Guerra Cisplatina. ............................................... 29
Regência, Revoltas regenciais e atividades políticas. ...................................... 33
2° Reinado. ...................................................................................................... 37
República da Espada. ...................................................................................... 45
Republica velha. ............................................................................................... 48

2
Organização da Colônia.
Contexto geral:

 Tratado de Tordesilhas (1494) – Portugal e Espanha como


proprietários das Américas no período das Grandes Navegações tem
como consequência a disputa das novas terras, que intensificou com a
descoberta de ouro e prata no México e Peru.
 Fator econômico – o comercio de Portugal com Oriente entrou em
declínio, devido aos altos custos de transporte, manutenção de
entreposto e a concorrência de franceses, ingleses e espanhóis que
exploravam a mesma rota.
 Portugal – com medo de perder a recém-conquistada terra (Brasil)
promove expedições para acabar com investidas clandestinas de outros
reinos europeus em especial, a França. Logo, esta medida não deu
(1)
certo por fator de logística , portanto com a intenção de coibir o
contrabando de Pau-brasil e evitar invasões, os Lusitanos decidiu
colonizar de forma exploratória a “Nova Terra”.
 Expedição colonizadora (1530) (2)
– Martin Afonso de Souza tinha o
objetivo de patrulhar a costa, estabelecer
uma colônia através de concessões não
(1) Extensão litorânea.
hereditárias de terras com a necessidade
de ocupação, desta forma, fundando a
primeira vila do Brasil, São Vicente (1532), dando inicio ao cultivo da
cana-de-açúcar instalação do 1° engenho, assim os
núcleos de povoamento.
(2)
Montagem de uma  Donatarios – pessoas que tinham o
organização monopólio da justiça, a fundação de vilas, a
produtiva dentro das doação de Sesmaria, alistamento de
diretrizes do sistema
colonos e formação de melicias. Assim,
colonial, pois
recebiam doação de terras da Coroa,
Afonso de Souza
chega ao Brasil com tornando-se possuidores mas não
+/- 400 pessoas. proprietarios – não podiam vender ou dividir
a Capitania -, com extensos poderes na esfera

3
econômica e administrativa e pagando a metropoli tributos pela
exploração do pau-brasil, metais preciosos e derivados de pesca.

 Administração colonial – foi uma decisão de dividir o território brasileiro


em porções de terra (15 capitanias ou donatarias), entregando aos
nomeados pelo rei (donatários). A doação era estabelecida por dois
documentos: Carta de Doação – conferia ao doado a posse hereditária da
terra (não eram proprietários das capitanias, mas apenas de uma
parcela), entretanto tinham o direito de administrar e explora-la
(3)
economicamente toda sua posse. Carta Foral - estabelecia os direitos e
deveres dos Donatários relativo à exploração e regulava os direitos e
deveres que o Capitão-donatário passava a ter em virtude da Carta de
(3)
O foral da Capitania de Doação recebida, Relacionando-se a: Criar vilas e
Pernambuco serviu de distribuir terras a quem desejasse cultivá-las; Exercer
modelo aos forais das demais
capitanias do Brasil. autoridade no campo judicial e administrativo;
Escravizar os indígenas para o trabalho na lavoura;
Receber a vigésima parte dos lucros sobre o comércio do pau-brasil;
Entregar 10% do lucro sobre os produtos da terra à Coroa; Entregar 20%
dos metais preciosos encontrados à Coroa; Observar o monopólio régio do
pau-brasil.

(4)
E por fim, a organização da colonia feito por Capitanias Hereditarias teve
alguns problemas tais como: extensão de terras, hostilidades dos indios,
problema de comunicação entre elas e o solo ruim para o cultivo de cana-de-
açúcar, além destes problemas esse sistema
lançou as bases da coçlonização, estimulando a 
formação dos primeiros nucleos de (4)
As capitanias mais
povoamento: importantes foram São
Vicente e Pernambuco.
 São Vicente – 1532.
 Pernambuco – 1534. 
 Porto Seguro – 1535.
 Ilhéus – 1536.
 Olinda – 1537.

4
 Santos – 1545.

Que preservou a posse da erra, revelando as possibilidades de exploração


econômica da colônia.

Centralização da Administração colonial (Governo Geral).

Esse sistema foi à interferência mais direta no processo de colonização do


Brasil. – Governo Geral existiu em conjunto com as Capitanias
Hereditárias até 1759 –

Com sua sede em Salvador na Bahia, esta


donatária tornou-se a primeira capital (5)
da

(5)
colônia em 1549, fundada por Tomé de Souza (1° Por interesse
Governador Geral 1549 – 1553) que tinha a estratégicos sua
localização esta num
missão de moralizar (através da catequização
ponto central da
dos índios com o jesuíta Manuel de Nóbrega) e
costa, facilitando a
organizar (com o Regimento dos Governadores). comunicação com as
Deflagrou uma missão punitiva contra os nativos outras capitanias.
(índios), - que mostra o prenúncio de Guerra

Justa só acontecendo em 1570 - fundou o
primeiro bispado brasileiro juntamente com a 1° cidade (Salvador) em 1551,
iniciou a pecuária e organizou as primeiras expedições com o intuito de
encontrar ouro.

2° Governador Geral - Duarte da Costa (1553-1558), podemos destacar


neste período a fundação do Colégio de São Paulo por José de Anchieta e
Manuel de Nóbrega em 1554. E a fundação da França Antártica na Bahia da
Guanabara em 1555.

3° Governador Geral - Mem de Sá (1558-1572), conselheiro do rei de Portugal


veio ao “Novo Mundo” (Brasil) para expulsar os franceses da Bahia da
Guanabara (Rio de Janeiro) –acabou com a Confederação dos Tamoios
(1554-1568), Foi um dos maiores conflitos de caráter de

5
resistência por parte dos nativos brasileiros (índios) do grupo
dos Tupinambás que envolviam os Tupiniquins, Aimorés e
Temiminós, ocorrido na região entre o litoral paulista e o sul
fluminense, hoje desde Bertioga até a cidade de Cabo Frio-.

Assim, todos os Governadores Gerais inclusive os três supracitados


(6)
seguiram o Regimento do Governo Geral que definia o papel
dos governadores, ou seja, todos possuíam itens
relativos à defesa da terra contra ataques
 estrangeiros, incentivo á busca de metais preciosos,
(6)
Chega com Tomé apoio a religião católica e a luta contra a resistência
de Souza em 1549, e
indígena. E conforme estas diretrizes o darem-se o
alguns historiadores
inicio da burocratização na centralização
acreditam que seja a
primeira constituição. administrativa, em funções tais como:

  Militar – defesa da colônia (Capitão-Mor).


 Administrativa – comunicação com os donatários e
controle das financias (Provedor-Mor).
 Judiciárias – nomear juízes (Ouvidor-Mor).
 Eclesiásticas – indicar sacerdotes para paróquias (Padres).

Portanto, além desta forma de administração a história do Brasil


colonial nos apresenta outra forma, a descentralização foi quando a
metrópole (Portugal) pretendeu ocupar regiões despovoadas para
impulsionar o desenvolvimento e adaptar o governo às necessidades
dos colonos, dividindo a administração da colônia (Brasil) em dois
governos gerais:

 Governo do Norte (1573-1578) capital Salvador.


 Governo do Sul (1574-1578) capital Rio de janeiro.

6
Expansão Geográfica.

No período
Obs.: o governo geral só é extinto em 1808. Ou
seja, 1549-1808. analisado (sec.
XVI) na colônia
(7)
Lusitana (Brasil) a estimativa da população variava entre 70 e 100 mil
habitantes – incluindo os índios que estavam em contato com o
colonizador – e sua concentração era basicamente no litoral ao longo da costa
de norte a sul.

Daí, podemos identificar que o


desenvolvimento do território brasileiro se
(7)
deu em forma de “arquipélagos” (ilhas). Esta no olhar europeu, estes
Em síntese, o surgimento de povoados e
números abrange apenas o
litoral, mas nesta conjuntura os
vilas acompanhava as atividades
índios interioraram-se.
econômicas, juntamente as necessidades
Tanto que, pesquisas
do mercado europeu. Assim o
antropológicas identificaram
expansionismo colonial é alicerçado
aproximadamente 05 milhões
nestas vertentes:
de nativos (índios) espalhados
I. Exploração econômica – pelo território brasileiro neste
extração de Pau-brasil e ínterim.
especiarias; cultivo de cana-de-
açúcar e café; criação de gado.
II. Expansão sociocultural – missionários jesuítas na fundação de
aldeamentos (reduções) para catequizar os índios, desta forma,
ocorrendo o genocídio cultural dos mesmos.
III. Expansão militar – expedições militares financiados pela coroa para
expulsar estrangeiros.
IV. Bandeiras – apresamento e prospecção.
V. Entradas – expedições financiadas pelo governo.

7
VI. Criação de gado (pecuária) – rebanhos de bovinos espalhando-se
para o interior da colônia.
(8)
Portanto, a exploração econômica no contexto do colonialismo esta
inserida em todas as vertentes de maneira enfática na prática mercantilista,
logo será exemplificada os outros pontos:

 Expansão sociocultural – a ordem jesuítica com autorização da coroa


lusitana no primeiro momento desembarca na colônia com a ideia de
arrebanhar fieis para suprir a crise do catolicismo europeu, mas há uma
mudança de cunho financeiro, que
(8)
os missionários envolvem-se na Em uma forma vertical
“caraguejando” todo o litoral, salvo a
extração de especiarias. Vila de São Paulo de Piratininga.
 Expedições militares – expansão
oficial organizado pela coroa para ocupar e defender as terras
ameaçadas pelos estrangeiros, assim erguendo fortificações no litoral:
Filipeia de Nossa Senhora das Neves (1584), Forte dos Reis Magos
(1597), Fortaleza de São Pedro (1613), Forte do Presépio (1616), dando
origem a importantes cidades brasileiras.

OBS: Na 2° metade do sec. XVIII, a ADM colonial


enviou expedições militares “sertão adentro” para
conter eventuais avanço espanhol - assim entrando
no contexto de expansão territorial, pois não houve
respeito ao Tratado de Tordesilhas.

 Bandeiras e Entradas – foram atividades promovidas por colonos


desde o século XVI, e dividindo-se em duas formas, ou seja:
Entradas – expedições oficiais organizadas pelo governo, exemplo:
expedição de reconhecimento comandada por Américo Vespúcio, em
1504. Em uma definição mais sintetizada podemos entender que eram
expedições oficiais, que saiam do litoral em direção ao interior com o
objetivo de mapear o território e combater grupos indígenas que
ofereciam resistência (guerra justa). E sua composição era
basicamente por soldados portugueses e brasileiros a serviço das
províncias – atenção para o caráter militar -.

8
Bandeiras – expedições organizadas e financiadas por particulares que
saiam de São Paulo de Piratininga e São Vicente rumo às regiões
(9)
centro-oeste e sul do Brasil com objetivo de descobrir Minas e
capturar índios para escravizar e comercializa-los (10).

(9) (10)
Bandeira de Bandeira de
prospecção. apresamento.

Todas financiadas pela


coroa, então entra na ideia Através desta bandeira Seu auge acontece no
de “Entradas”. surgiu a Monções, pois período de dominação
com a descoberta de holandesa (1637-1654)
minas em lugares momento de queda do
distantes do litoral, esta trafico negreiro.
atividade veio para suprir
as necessidades de
abastecimento destes
locais, em suma eram
transportes feitos por
canoas que subiam de
desciam os rios
carregando mercadorias
para abastecer os
mineradores, desta
forma, contribuindo com
a expansão colonial.

Além destas formas de Bandeirantismo, temos que analisar o “Sertanismo de


Contrato” que se dedicavam ao combate de índios e a captura de escravos
negros fugitivos, prestando serviços à classe dominante colonial, em geral
partiam de Salvador, Recife e Olinda.

O mais relevante sertanismo de contrato foi à bandeira organizada e liderada


por Domingos Jorge velho na 1° metade do sec. XVII foi para combater varias
tribos de índios rebeldes no interior dos estados do Ceara e Rio Grande do
9
Norte, esta empreitada ficou conhecida como “A Guerra dos Bárbaros,
Guerra do Açu, Guerra do Recôncavo ou Confederação dos Cariris (1650-
1720)” e a bandeira que destruiu Quilombo dos Palmares em 1649.

“os primeiros gados chega o Brasil em 1534 (com Ana Pimentel, esposa
de Martim Afonso de Sousa) na capitania de São Vicente, e em 1550,
Tomé de Sousa manda trazer um novo carregamento, desta vez chega a
Salvador e daí dispersando para Pernambuco e espalhando-se pelo
nordeste principalmente Maranhão e Piauí”.

Depois deste breve resumo da chegada do gado na colônia lusitana podemos


entender em um contexto geral a criação do gado.

Os bovinos desempenhou um papel relevante na economia colonial, além de


suprir a população com carne, couro, força motriz e meio de transporte para
atender o mercado interno (como produto complementar a cana-de-açúcar),
há também, um não enquadramento no sistema mercantilista – só era
destinado à exportação uma parte do couro produzido do Maranhão até a
Bahia -.

Na segunda metade do século XVII, o grande lucro que a colônia gerava era
com a produção de açucareira, a qual os engenhos se estendiam pela área
litorânea e com a quantidade de bois localizada na costa – que destruíam os
canaviais e plantações de subsistência -.

A administração colonial emitiu um alvará, proibindo a criação de gado numa


faixa de 80 quilômetros (+/- 20 léguas) a parti da costa – essa determinação
demonstra a força política dos produtores de cana junto às autoridades
coloniais na medida em que garantiram para si as terras livres próximas
ao litoral -. E sem alternativa, os criadores de gado passaram a ocupar as
terras interioranas.

Desta forma, teve um aumento significativo dos rebanhos por causa da


ampliação das zonas pastoris, assim alargando o mapa da colônia. Diante
disso, ampliou-se a distância entre o litoral e o sertão, mas mantendo um

10
contato comercial em forma de feiras – mostra a primeira forma do termo
pecuária -, que se desenvolve em duas grandes regiões:

 O nordeste – a mais antiga área criatória de gado, os criadores avançou


em direção ao sertão seguindo os rios, obrigados pelo alvará da junta
governativa de 1688 emitida por Manuel da Ressurreição e Manuel
Carneiro de Sá, que proibia o gado na faixa litorânea fez assentar
comércio, em fornecer carne e força motriz para os engenhos de açúcar
(no primeiro momento), mas com o inicio do ciclo do ouro a criação de
gado passou a atender as demandas da região mineradoras
(vicentinas), ampliando seu mercado com couro e carne-seca (por
conserva-se mais tempo, facilitando sua conservação para o
deslocamento).
A expansão da pecuária pelo interior do nordestino fez-se por muitas
vezes por meio da invasão e ocupação de terras indígenas, gerando
conflitos, exemplo contra os Kariris e Janduins que resistiram as
invasões dos fazendeiros de gado.
Assim, o declínio da atividade pecuarista nordestina teve seu inicio em
meados do sec. XVIII, com concorrência de São Vicente (Minas Gerais)
que passou a abastecer as zonas mineradoras e o seu fim aconteceu
nas secas de 1791 e 1793, logo a dinâmica expansionista territorial da
pecuária no Nordeste da América portuguesa esta entre o final do sec.
XVII e primeira metade do sec. XVIII, com o “Sertão de Dentro”, em
direção a Piauí e Maranhão e “Sertão de Fora”, em direção à Bahia,
Pernambuco e Paraíba.
 O Sul – esta no contexto de expansão territorial em detrimento do auge
da mineração no sec. XVIII, com as descobertas de ouro no centro-sul
(Minas Gerais e Goiás), o gado entra nesta dinâmica como transporte
de mercadorias, espalhando-se pelas terras sulinas (atual Rio Grande
do Sul), encontrando grande campinas favorável ao seu
desenvolvimento, assim fazendo nascer uma sociedade tipicamente
pastoril exemplo, as Estâncias, uma área de criação de gado
administrada de forma familiar (a maioria das vezes).

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Portanto, até o final do sec.XVIII, a principal atividade econômica do sul
era a produção de couro e por volta de 1780, surgi a indústria do
Charque, impulsionando a economia, em contra partida o leite era
pouco comercializado em comparação a São Vicente, além do gado o
sul teve significativa importância na criação de cavalos e mulas (muares)
para comercialização com as regiões mineradoras.
OBS: - em todo período colonial, a criação de gado foi à única
atividade importante do sul da colônia -.

A conquista do Sul, Tratado e limites e Guerras no Sul.

O sul do Brasil colônia por ser inóspito e, no período da expansão territorial não
apresentar grande interesse para empresa colonizadora lusitana, deixou
espaço para os castelhanos, pois o lado hispânico, a parte sul tinha grande
importância, pois dava acesso às valiosas minas incrustadas nas proximidades
do rio da Prata, juntamente com as missões jesuíticas e o bandeirismo de
apresamento, a coroa portuguesa resolve adentrar nesta região, fundando em
1689, a Colônia do Sacramento na intenção de criar uma base de operações
de contrabando na Bacia Platina que atendesse os interesses metropolitanos
(Portugal) e principalmente dos ingleses.

Logo a parti disto, vários conflitos relacionados ao controle da Colônia de


Sacramento envolveriam tropas lusitanas e espanholas.

E para resolver este impasse internacional foi assinado o Tratado e


Ultrech(1) em 1715, que procurou sanar as divergências entre as duas coroas
Ibéricas, quanto aos limites de seus domínios no sul do Brasil, pois estabelecia
que a colônia do Sacramento pertencesse aos portugueses, mas havendo
resistência dos espanhóis que viviam na região, que entendiam a Colônia do
Sacramento como sendo apenas uma área fortificada da povoação e não todo
o interior do atual Uruguai. Assim, em 1750 foi assinado o Tratado de Madri
entre os representantes dos reis de Portugal e Espanha, determinando que
cada um desses reinos caberia a posse das terras que ocupavam, Sacramento
da Espanha, e Sete Povos da Missão de Portugal, consagrando o princípio do

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uti possidetis, assim revogando o Tratado de Tordesilhas – e reconhecendo
a expansão portuguesa - .

E nesta dinâmica, os jesuítas seriam evacuados, os indígenas das missões


reagiram de forma hostil à mudança da região recusando-se a sair das terras,
provocando a intervenção conjunta de portugueses e espanhóis, na chamada
Guerra Guaranítica (1753-1756).

Mesmo assim, Portugal não entregou aos espanhóis a Colônia do Sacramento,


fazendo as duas coroas Ibéricas assinarem o Tratado de Santo Ildefonso em
1777, os espanhóis ficariam com Sacramento e a região dos Sete Povos das
Missões, devolvendo aos lusitanos, terras que nesse período haviam ocupado
no atual estado do Rio Grande do Sul, mas o tratado foi considerado
desvantajoso pelos portugueses, não recebiam quase nada em troca da
Colônia do Sacramento.

E no alvorecer do século XIX, em 1801, finalmente através do Tratado de


Badajós, a região dos Sete Povos das Missões ficaria com Portugal e a
Colônia do Sacramento, com a Espanha – depois de muitas lutas
confirmam-se as fronteiras que, basicamente, tinham sido definidas pelo
Tratado de Madri-.
(1)
1° Tratado de Ultrech (1713) assinado entre os
representantes de Portugal e da França estabelecia que o rio
Oiapoque, no extremo norte da colônia, seria o limite de
fronteira entra Brasil e Guiana Francesa.

Invasões Estrangeiras, período colonial.

No período que corresponde a “Era do Descobrimento ou as Grandes


Navegações” do séc. XVI, na chegada dos portugueses nas “terras do Pau-de-
Tinta” (Brasil), os reinos da Europa entram em “frenesi” com as notícias de
novas terras, assim no princípio dos anos de 1500, o Brasil começa a receber
incursões de piratas e aventureiros que se limitam a furtos e pilhagens.

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E as invasões francesas, holandesas, inglesas são ocasionadas implícita ou
abertamente com o mesmo ideal português de conquistar terras no novo
continente com a premissa de estabelecer colônias (salvo a Inglaterra).

Os Ingleses.
No séc. XVI, os seus primeiros 50 anos, o Brasil (pré-colonial) recebe visita
dos britânicos e sua primeira tentativa conhecida é de 1530-1532, neste
período os ingleses fazem à costa brasileira três incursões. E nesses primeiros
contatos tinha a intenção de estabelecer comercio com as colônias
portuguesas (Brasil e África- Guiné), pois Londres já mantinha negócios com
Portugal e seus ”tentáculos” comerciais alcançaram as terras de além-mar,
Sergio Buarque de Holanda confirma esta dinâmica neste trecho, “a parti de
1497, data da primeira viagem de João Caboto a serviço de Henrique VII,
começam os ingleses a interessar-se pela navegação no Oceano
Atlântico, cujas águas serão aos poucos sugadas por eles em todas suas
extensões”.
E sob está conjuntura, William Hawkins um negociante, inglês dá inicio as
viagens para o Brasil (1530-1532), totalizando em três viagens, numa prática
amistosa de contato com os nativos (índios), tanto que, na sua segunda
viagem, o navegador inglês, retorna para Inglaterra com chefe indígena
para apresentar corte, assim, dando inicio a um intenso comércio de Pau-
Brasil, que dura 12 anos, pois de 1542 até 1581 não há mais noticias de
invasões inglesas na costa brasileira.
E após um ano da implementação da União Ibérica (1581), sob a chancela da
rainha Isabel, a Inglaterra retorna ao Brasil com o navio Minion de Londres,
com o intuito de mapear os acidentes geográficos e as regiões meridionais
(sul) brasileiras, em especial São Vicente para usar como base de
abastecimento das suas embarcações que cortavam o Sul do Atlântico em
direção ao Estreito de Magalhães.
Além disso, os ingleses mantinham outra frente de interesse, na região mais
rica que competia com a Vicentina, área meridional (norte) de Tordesilhas, “foi
palco de um fato curioso”, no ano de 1583, o navio inglês Royal Maerchant,
está finalizando as negociações em Olinda, e é apreendido pelo Almirante
espanhol Diogo Flores Valdez que confisca suas mercadorias.

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Mas o desejo de participar das riquezas das Américas e diminuir o poderio
castelhano no Oceano Atlântico, faz a Inglaterra autorizar e promover a
pirataria e se lança ao Mar o capitão Frances Drake, com seu galeão Golden
Hind (Corça Dourada) - antes conhecido como o Pelicano-, sendo o primeiro
britânico a realizar a volta ao mundo em 1577-1580, OBS- “na verdade sendo
a 2°, pois a 1° foi realizada pelos espanhóis com Fernão de Magalhães
que não a completou”.
Então, nessa circunavegação global, “Draqueana”, veio abrir outras grandes
navegações como:
 Eduardo Fenton 1582.
 Cristopher Lister 1586.
 Thomas Cavendish 1591.
 Jemes Lancaster 1595.
Assim a maior colônia lusa (Brasil), no século XVI ocupou lugar de
destaque nos interesses mercantis e marítimos ingleses e ponto de apoio
na sua expansão do Atlântico Sul.

Os Franceses.
Na conjuntura do Tratado de Tordesilhas (1494), a França discorda sobre a
divisão do mundo entre Portugal e Espanha e defende o direito de Uti
possidetis. E através deste princípio do direito romano, os franceses se fazem
presentes nas praias brasileiras, em dois momentos:
1°- com a França Antártica na segunda metade do século XVI (1555-1565), os
protestantes franceses (calvinistas) queriam fundar uma colônia no Brasil com
o intuito de fugirem da perseguição religiosa, assim em 1555, invadem as
praias “cariocas” liderados pelo almirante Nicolau Villegaignom e funda uma
colônia francesa com ajuda dos Tamoios, mas a tentativa de colonizar a
“cidade maravilhosa” como colônia de povoamento, não durou muito tempo,
em 1560, 3° Governador Geral Mem de Sá, desembarca na Baía da
Guanabara com a missão de expulsar os franceses e após cinco anos de
combates o sobrinho do Governador Geral, Estácio de Sá, expulsa os
franceses e funda a cidade do Rio de Janeiro (1565) pondo fim ao projeto
França Antártica.

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E no decorrer de 57 anos, após a primeira tentativa, os franceses retornam em
1612, na extremidade norte da colônia lusitana, o Maranhão, tentando
estabelecer, a França Equinocial (1612-1615), invadindo a província para
construir, o Forte de São Luís com objetivo de participar do lucrativo e novo
mercado de exploração, agora em uma visão de colônia de exploração,
sendo liderado pelo general Daniel de La Tuche.
E na primavera de novembro de 1615, os franceses capitulam.
Então, concluímos que neste período de invasões francesas, houve a fundação
de RJ e MA, assim se tornando importantes cidades no processo de
colonização brasileira.

Os holandeses.
As invasões holandesas decorrem no período de 30 anos (1624-1654). Assim
no ano de 1624, acontece à primeira tentativa de invasão holandesa na região
da Bahia, sendo palco de um intenso combate os castelhanos e lusitanos parte
em socorro aos baianos com a esquadra “Jornada dos Vassalos” (a maior
Armada do século XVI, enviada ao Hemisfério Sul, integrada por
52 navios, transportando quase 14.000 homens) em 1625.
E com passar de cinco anos (1630) os holandeses retornam, mais ao norte na
Capitania de Pernambuco, e no período de 05 anos (1630-1635) de intensos
combates entre colonos e holandeses nasce o Quilombo de Palmares.
E findando este período de combate estilo “terra arrasada” promovida pelos
colonos, os holandeses derrota os pernambucanos e nos anos de 1637 até
1644, Pernambuco é administrado pelo governador e comandante-chefe
Mauricio de Nassau, que desenvolve a economia açucareira no
Nordeste com métodos aperfeiçoados de cultivo da cana-de-açúcar e do fumo.
No Recife, foi responsável pela drenagem de terrenos, construção de canais,
diques, pontes, palácios (Palácio de Friburgo e Palácio da Boa Vista), jardins
(botânico e zoológico), o museu natural, o observatório astronômico e
organiza serviços públicos como o corpo de bombeiros e a coleta de lixo. Mas
em 1644 os holandeses são expulsos novamente na Batalha dos Guararapes,
que expressa um sentimento de nacionalismo. Mas a expulsão definitiva dos
holandeses começou em 1645, com a Insurreição Pernambucana que dura
quase dez anos, e em 1654, a Capitulação do Campo do Taborda, fixou os

16
termos e condições pelas quais os membros do Conselho Supremo do Recife
entregavam ao Mestre de Campo, General Francisco Barreto de Menezes,
Governador da Capitania de Pernambuco, a cidade Maurícia (Recife) e os
lugares que tinham ocupado ao Norte, dando fim a está invasão estrangeira.

Economia Colonial; ciclos do Pau-brasil, açúcar, gado,


mineração e africanos no Brasil.

O gado está presente na A economia colonial e marcada sob um conjunto de ideias e


economia açucareira do práticas econômicas dos Estados da Europa ocidental entre os
nordeste e desenvolvendo-
séculos XV, XVI e XVIII, ou seja, o Mercantilismo,
se gradativamente no
território das minas e sul da predominante no período absolutista europeu num contexto
colônia, potencializando a num contexto de transição do feudalismo para o capitalismo.
economia sulina a parti da
2° metade do século XVII. Logo, o mercantilismo divide-se em três fases:

I. Diz respeito ao século XVI e a criação do sistema


mundial moderno com a expansão ultramarina e a fundação de colônias
na América, período em que a Europa passou a comandar uma rede de
comercio mundial – Portugal programou as feitorias (pré-colonial sua
base comercial o Pau-brasil), não suprindo as necessidades lusitanas
ampliou seu comercio na criação de povoamentos capaz de abastecer e
manter as feitorias, organizando e produzindo gêneros que lhe
interessavam.
Assim, fomentou a agricultura em especial a cana-de-açúcar a parti de
trinta anos de sua chegada com as capitanias hereditárias, conservando
a “suserania” (pratica recorrente da Europa feudal) com o centro
gravitacional o Pau-de-tinta.
Sua organização econômica estava centrada no regime de posse da
terra, propriedade (alodial e plena) (1).
Em trabalho compulsório (índios e africanos), juntamente co outras
culturas: pastagens de animais, cultura de alimentar e matas para o
fornecimento de lenha e madeira de construção.
II. Século XVII, representou uma crise que caracterizou a redução das
(1) O proprietário tem consigo os atributos de gozar, usar, reaver, dispor
da coisa. Todos esses caracteres estão em suas mãos de forma 17
unitária, sem que terceiros tenham qualquer direito sobre a coisa.
atividades produtivas e comerciais (União Ibérica), que impactou no
Brasil com a mudança da dinâmica e o eixo comercial na exportação de
insumos agrícolas (açúcar e fumo, este ultimo como escambo de
mercadorias humanas) e a mudança geoeconômica do norte para o
centro-sul com a mineração (2), desta forma, iniciando o ciclo do ouro e
diamante.
E seu desenvolvimento ocorre no final do século XVII, até a segunda
metade do séc. XVIII, permitindo a colonização portuguesa ocupar todo
o centro do continente sul-americano, logo mudando a capital da Bahia
para Rio de Janeiro (1763).
(2)
A descoberta do ouro acontece em 1693, mas
a corrida só inicia em 1698.

III. Século XVIII, marcada pela retomada da prosperidade do séc. XVI, ao


lado da ascensão da burguesia, que deu novos rumos à economia
europeia, a parti da reivindicação de menor intervenção do Estado na
economia, finalizando as praticas mercantilistas e dando origem ao
Liberalismo.
(3)
Daí pode destacar no Brasil, Marques do Pombal e as Revoltas
(4)
separatistas influenciadas pela Revolução Americana (1776) e
Revolução Francesa (1789).

Africanos no Brasil.

No momento das grandes navegações e colonização do Novo Mundo, houve


transformações na história da humanidade na idade Moderna.

(3)
Sebastião José de Carvalho e Melo governou com mão de ferro, impondo a lei a todas
as classes, desde os mais pobres até à alta nobreza. Impressionado pelo sucesso
econômico inglês, tentou implementar medidas que incutissem um sentido semelhante à
economia portuguesa. Procurou fortalecer o poder real a fim de torná-lo de fato o executor
de uma política capaz de capitalizar os setores produtivos, e propiciar o desenvolvimento
manufatureiro, terminando com a fragmentação e o loteamento do aparelho do Estado.
(4)
Revoltas separatistas:
 Inconfidência Mineira (1789).
 Conjuração do Rio de Janeiro (1794).
 Revolta dos alfaiates (1798). 18
Ou seja, a escravidão havia desaparecido no continente europeu no ínterim do
feudalismo.

Mas, o dinamismo do mercantilismo criaram-se novas formas de exploração no


continente africano, e introduzindo a instituição da escravidão moderna. Assim
tornando-se um paradoxo, pois acompanhou o desaparecimento desta prática
(escravidão) na Europa. Logo, está nova forma de trabalho compulsório tinha
como intuito produzir artigos primários destinados á exportação, usando mão
de obra escrava (índios e africanos), juntamente com pensamento religioso
predominante dos séculos XVI e XVII, legitimado pela igreja Católica, que veio
a formar a sociedade escravista moderna no Brasil colonial.

No século XVI, a colonização da América portuguesa teve sua base pautada na


escravidão indígena e um século depois (XVII) essa dependência muda para
importação de escravos e sua fonte de mercadoria torna-se a África. O trafico
de pessoas passou a ser o eixo da acumulação mercantilista europeia. – a
escravidão nas Américas esteve ligada à construção dos sistemas coloniais, os
escravos eram africanos ou de seus descendentes. -.

- Logo para entendermos a dinâmica escravista no caráter da era


moderna precisamos seguir uma linha de raciocínio, exemplificada no
quadro a seguir:

Escravidão na Europa: os escravos tinham origem


étnica e funções variadas, podiam ser gregos,
eslavos, egípcios, ingleses e alemães.
Trabalhavam como: artesões, soldados,
administradores, tutores ou criados, havendo
muitas chances dos seus filhos conseguirem a
alforria ou ao menos melhorarem gradualmente de
condições.

19
Escravidão na África: era determinada pelas
necessidades dos grupos de parentesco, os
escravos em geral, eram soldados ou mulheres,
muitas vezes concubinas dos lideres das
comunidades.
A tendência é que os filhos das escravas ficassem
livres, sendo incorporados à linhagem do grupo
dominante.

Escravidão nas Américas: a instituição passou a


ter base fenotípica étnico-racial, ou seja, escravos
tornaram-se sinônimos de negros.
A cor da pele era um elemento fundamental para
identificar a condição do escravo e também para
estigmatizar e marcar a inferioridade racial.
O desenvolvimento da escravidão moderna esteve
vinculado com a expansão do capitalismo (5) no
mundo atlântico, o estabelecimento do tráfico de
escravos e os interesses econômicos dos impérios
coloniais ajudaram a criar sociedades escravistas
nas Américas, onde a cor da pele se tornou uma
marca fundamental de distinção social.
(5)
Mercantilismo.

Portanto, tanto na Europa quanto na África a utilização mercantil dos escravos


era mais restrita a eles não sendo, amplamente utilizado para produção e
mercadorias, diferente das Américas.

20
Brasil nos séculos XVI e XVIII, escravidão africana.

No alvorecer de 1530 a mão de obra empregada nas lavouras e engenhos era


quase toda formada por indígenas escravizados. As epidemias e a intensidade
da exploração econômica levaram a uma diminuição acentuada da população
indígena no litoral nordestino. Ao mesmo tempo, o tráfico atlântico recebeu um
grande impulso, reduzindo o preço dos escravos africanos, desta forma,
tornando sua importação viável para os senhores de engenho e lavradores de
cana, logo no inicio do século XVII, os africanos substituiu os indígenas como
força de trabalho.

Na medida em que a colônia se desenvolvia economicamente, as formas da


escravidão também se alteravam os escravos na América colonial portuguesa
eram apenas propriedades de alguns grandes senhores, ou apenas utilizados
na produção de mercadorias destinadas à exportação. Havia senhores que
eram donos de poucos escravos, e o trabalho deles voltava-se para o
abastecimento de alimentos que circulavam no mercado e muitos deles tinham
acesso a roças de subsistência, onde cultivavam alimentos nos dias santos e
feriados.

O escravo também era muito difundido nas cidades e vilas colônias, tendo
maior mobilidade espacial (raramente controlados por um feitor), muitos
trabalhavam “ao ganho”, ofereciam seus serviços para quem o contratasse e
ao fim do dia entregavam aos seus senhores uma quantia previamente
estabelecida.

Já na segunda metade do século XVII, a presença da escravidão negra


africana passou a dominar as paisagens brasileiras com a descoberta do ouro
em Minas Gerais, introduzindo “o flagelo” em novas regiões do Brasil e
diversificando a economia, a mão de obra escrava passou a ser utilizada em
uma gama de atividades como:

 Antigos engenhos de açúcar,


 As minas de ouro e diamantes,
 A pecuária e
 a produção de alimentos.

21
E no entardecer do século XVIII (1780), em resposta a uma série de
modificações econômicas e políticas no mundo atlântico (a Revolução do
Haiti, que desestabilizou a economia açucareira da ilha, as hostilidades
entre França e a Inglaterra e a intensificação da demanda europeia por
produtos agrícolas em razão da Revolução Industrial) a colônia viveu um
renascimento agrícola (3° fase do mercantilismo).

O açúcar e o fumo recuperaram antigos níveis de produção em Pernambuco e


na Bahia, o algodão passou a ser produzido em larga escala no Maranhão e
em outras regiões do nordeste. A produção de alimentos do mercado interno
também se fortaleceu, com o trigo, o charque e os produtos pecuários e
agrícolas (milho, arroz, feijão e mandioca) do sul.

Logo, todas essas atividades eram utilizadas a mão de obra escrava.

Sedições e inconfidências, movimentos nativistas, vida


cultural na colônia, corte no Rio de Janeiro e realizações
política-social.

“... a terra parece que evapora tumultos; a água exala motins; o ouro toca
desaforos; destilam liberdades os ares; vomitam insolências as nuvens; influem
desordem os astros; o clima é tumba da paz e berço da rebelião; a natureza
anda inquieta consigo, e amotinada lá por dentro, é como no inferno...”.
(Governo a D. Lourenço de Almeida -1720-.).

Este trecho mostra o temor das autoridades no Brasil colônia no século XVIII.

Mas, esse medo tem inicio, com o fim da União Ibérica (1640). Pois no
processo colonizador português, à medida que se desenvolveu, evidenciou a
contradição entre interesses metropolitanos e coloniais. A coroa, setores
metropolitanos e seus representantes no Brasil visavam explorar ao máximo as
riquezas naturais ou produzidas (açúcar e ouro) em terras brasileiras.

Esses objetivos acabavam se chocando com os interesses dos colonos,


portugueses ou seus descendentes, que também queriam aproveitar dessas
riquezas. Desta forma, revoltando-se:

22
 Aclamação de Amador Bueno da Ribeira, em São Paulo 1641 (é tida
como a primeira manifestação de caráter nativista). Com o fim da
União Ibérica, os espanhóis com medo de perder suas terras e
privilégios se revoltaram contra D. João IV e aclamaram o Armador
Bueno de Ribeira como rei.
 Revolta da Cachaça (1660-1661) aconteceu no Rio de Janeiro,
motivado pelo aumento de impostos sobre a cachaça.
 Revolta contra o Xumbergas ou Conjuração de Nosso Pai (1666),
em Pernambuco, um conjunto de revoltas contra a relação metrópole e
colônia, em relação à administração colonial portuguesa no Brasil. –
legado do período holandês -.
 Revolta de Beckman (1684), ocorrido no Maranhão por insatisfação
dos comerciantes e proprietários rurais com a Companhia de Comercio
do Maranhão, instituída pela coroa em 1682.

Esta serie de revoltas exemplifica a tentativa da coroa lusitana de


reestruturação financeira após o rompimento das duas coroas. Sendo
essenciais para a modificação profunda do modo de vida dos habitantes locais,
criando dessa maneira novas relações econômicas e sociais, e construindo os
primeiros atos de uma identidade civil puramente nacional. Ficando mais
evidente no período do ciclo do ouro:

 A Guerra dos Emboabas (1707-1709), em Minas Gerais, culminou na


criação da Capitania de São Paulo em 1708.
 Guerra dos Mascates (1710-1711), em Pernambuco, que foi
fundamental na separação de Recife e Olinda em 1710. –
contemporâneo a Revolta do sal em 1710, ocorrido em São Paulo e
Minas Gerais, contra a exploração de sal promovido pela coroa e a
Revolta do Maneta, Salvador em 1711, mesmo motivo aumento de
impostos.
 Revolta Filipe dos Santos ou Vila Rica (1720) ocorreu na região de
Minas Gerais durante o ciclo do ouro, contra aumento de impostos sobre
o produto (ouro).

23
 Levante do Terço Velho (1728), em Salvador de cunho militar
seiscentos militares rebelou-se contra os baixos soldos pagos e
irregularidades do ouvidor-mor.

As revoltas emancipacionistas (separatistas) foram movimentos sociais


ocorridos no Brasil Colonial, caracterizados pelo forte anseio de conquistar a
independência do Brasil com relação a Portugal. Estes movimentos possuíam
certa organização política e militar, além de contar com forte sentimento
contrário à dominação colonial. Assim, são enumerados os motivos:

 Cobrança elevada de impostos.


 Pacto Colonial.
 Privilégios.
 Leis injustas.
 Falta de autonomia política e jurídica.
 Punições violentas.
 Influência de ideais.

E ao final do século XVIII, temos as “conjurações” baseadas, em ideais


Iluministas inspirados na Independência das 13 Colônias Norte Americanas
(1776) e Revolução Francesa (1789).

 Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira (1789) seu principal


objetivo era libertar o Brasil do domínio português. – seu lema era
“Liberdade, ainda que tardia.”.
 Conjuração do Rio de Janeiro ou Carioca (1794), decorrente da
Revolução Francesa com características profundamente ideológicas. –
não havia planejamento da tomada de poder. -.
 Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798) de caráter
popular, recebendo influência iluminista, defendeu mudanças sociais e
políticas. – forte influência da Revolução do Haiti em 1791, era
favorável a abolição da escravidão e o fim de privilégios sociais. -.
 Conspiração dos Suassunas (1801), em Pernambuco, inspirados na
Guerra das Treze Colônias da América do Norte, a motivação foi a
diminuição da violência e repressão colonial, estimulado pela elite
pernambucana. – “bater em cachorro morto”. –

24
Os movimentos emancipacionistas (separatistas) ou rebeliões coloniais foram
movimentos conspiratorios de bases iluministas, que objetivavam a conquista e
indepedencia da colonia cuja, objetivo era separação politica diferente dos
Movimentos Nativistas que tinham um caráter local e um baixo grau de
definição ideológica.

Vida cultural na colônia, corte no Rio de Janeiro, realizações


políticas-sociais.

No inicio de colonização as formas culturais nativas das várias comunidades


indígenas, e as transplantadas dos portugueses e africanos ainda guardavam
seus vínculos originais. Mas, no decorrer do processo colonizador, a cultura
brasileira tomou forma, com a interação e dominação, neste ultimo os lusitanos
através de particulares, clérigos e funcionários leigos, impondo e eliminando ou
incorporando alguns de seus traços culturais.

 A língua – do lado indígena, o Tupi prevalecia por quase todo o litoral,


e no interior falavam outras línguas e dialetos (sec. XVI), os africanos
também apresentavam diferenças linguísticas. Os portugueses, neste
período haviam consolidado a língua no eixo Coimbra-Lisboa (fala do
sul), sendo fixados os padrões da língua culta com expressões literárias
de obras como: Fernão Lopes no sec. XV e Luíz de Camões na época
do “descobrimento” (conquista). A língua culta no Brasil se aperfeiçoou
e produziu no período colonial, obras: Padre Antonio Vieira, Eusébio de
Matos, Manuel Botelho de Oliveira e Nuno Marques Pereira (livro mais
vendido da colônia), logo este padrão catedrático mistura-se com
línguas e dialetos indígenas e africanos em diferentes regiões, gerando
diverso falares “crioulos”, tonando-se o que nós conhecemos como o
“caipira e nordestino”.
O exemplo disto é demonstrado nas áreas canavieiras pernambucana e
baiana com predominância do português falado, diferente do Tupi
amplamente difundido nos séculos XVI e XVII – o bandeirante
Domingos Jorge Velho, apresentando-se ao governador da Bahia
para tratar do combate à Palmares, teve de entender com a
25
autoridade por meio de um interprete, por não dominar o
português. –
Esse bilinguismo só tem fim, através de determinação de Marques do
Pombal, impondo o português em toda a colônia.
 Condicionamento da cultura colonial – existiam dois
referenciais: político e religioso. O primeiro era o absolutismo a
obediência a Deus e ao rei “com Deus e rei não brincar / é calar e
obedecer.”.
Já o religioso foram normas fixadas pelo Concilio de Trento,
estabelecendo o primado do sagrado sobre o leigo “proibimos sob
pena de excomunhão (...) que nenhuma pessoa secular – ainda que
seja douta e de letras – se intrometa a disputar em publico ou
particular sobre os mistérios de nossa Santa Fé e Religião Cristã.”,
juntamente com um saber literário controlado nas suas manifestações
filosóficas, teológicas e estéticas desde o sec. XVI por um tríplice
censura:
Eclesiástica – exercida pelo bispo.
Inquisitorial – controlada pelos dominicanos.
Régia – oficial, influencia dos jesuítas.
 Literatura – as manifestações literárias no sec. XVI foram limitadas pela
escassez de recursos, dificuldade na vida colonial, influencia religiosa e
assistência espiritual aos colonos.
Poemas, narrativas, gramáticas e catecismo obedeceram está ordem.
 Arte – as construções mais importantes eram as capelas algumas
igrejas e colégios da companhia de Jesus, o Quinhentismo – engloba
manifestações como: literatura, pintura, arquitetura e musica. De
aspectos relevantes de atitudes tipicamente renascentistas, como a
valorização do humanismo, cultura antiga e individualismo. – os
poemas e peças teatrais eram utilizados com fins apologéticos e
didáticos para educação e a catequese -.
 Arquitetura – era adaptada aos materiais da terra e às necessidades
de defesa dos moradores.

26
Assim, a cultura colonial em seu conjunto teve duas fases. A primeira
dominada pelo espírito classista, jesuítico e escolástico transplantado para o
Brasil a parti do modelo Ibérico nos séculos XVI – XVII.

E a parti do sec. XVIII, na sua segunda metade acontece transformações


culturais e políticas do despotismo esclarecido pombalino.

Portanto, ao longo dos séculos XVII e XVIII, no desenvolvimento econômico


colonial deu-se a consolidação dos núcleos urbanos, intensificando a
miscigenação étnica e formas culturais, surgindo manifestações intelectuais e
estéticas mais expressivas e refinadas como: o barroco (Aleijadinho),
cultismo (Luis Góngora) e conceptismo (Gregório de Matos Guerra).

Corte no Rio de Janeiro e realizações politicas-social.

No limiar do século XIX, a Europa estava passando por grandes dificuldades


socioculturais. E nesta, conjuntura, Portugal assinou um documento
concedendo grandes vantagens comerciais à Inglaterra, que em troca
garantiria a transferência da corte (lusitana) para o Brasil, em caso de conflito
com a França (Convenção Secreta de Londres em 1807).

Logo, sob este cenário Portugal decide um ano após o acordo transferir-se
para sua maior colônia. E na sua chegada perpetrou seu primeiro ato político,
assinou um termo autorizando à abertura dos portos brasileiros as nações
amigas, em 1808 na Bahia – este documento demonstra a subordinação
passiva da coroa lusitana, sob os interesses britânicos em relação ao
mercado brasileiro -, dando inicio ao processo de rompimento do pacto
colonial.

Ainda no clima de mudanças no mesmo ano no mês de Março (Rio de


Janeiro) D. João XVI, assinou o alvará que concedeu liberdade para as
indústrias, na geopolítica houve alterações na extensão territorial com a
anexação da Guina Francesa e Banda oriental do Uruguai – este último
decorrendo a Guerra Cisplatina -, em termos administrativos elevou o
Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Santa Catarina a capitanias autônomas

27
e a criação das capitanias de Alagoas e de Sergipe, em 1809. – na política
econômica foi à criação do Banco do Brasil, em 1808. -

No âmbito cultural também houve inovações, logo destacamos:

 Inauguração da Real Biblioteca – atual biblioteca Nacional, RJ (1808).


 Abertura do teatro São João.
 Imprensa Régia – 1° jornal publicado, Gazeta do Rio de Janeiro e
permitindo a publicação de livros.
 Real Academia Militar.
 Laboratório químico.
 Jardim Botânico e a escola Médica cirúrgica.

A maioria da sociedade brasileira manteve-se presa as práticas, costumes e


instituições tradicionais. Apenas a elite colonial e parte dos seguimentos
médios da sociedade foram atingidas pelas novidades.

Já nas políticas destacamos o Tratado e Comércio e Navegação em 1810,


que concede à Inglaterra a entrada de mercadorias, pagando apenas 15% ad
valorem, e 16% sobre as mercadorias portuguesas e 24% de outras nações –
com essa medida D. João anulou o alvará de 1808 -. Logo, este tratado
tinha a duração de 15 anos, mas suas condições e obrigações eram perpetuas
e imutáveis, havendo possibilidade de revisão após o tempo estipulado.

Em 1815, a colônia foi elevada a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves,


pois está elevação, decorre do Congresso de Viena – uma conferencia entre
potencias europeias após a derrota de Napoleão, cujo intenção era
redesenhar o mapa político da Europa. -

Como uma solução para impedir movimentos de independência, ocorrendo na


América espanhola, desta forma, tornando-se o centro político e ideológico do
império Português, gerando contradições entre elite local e lusitana. –
ideologicamente eles não se diferenciavam tinham a mesma visão
patrimonialista do Estado. –

E com passar de dois anos após, o Brasil se tornar um reino acontece um


revolta, Insurreição Pernambucana (1817), sendo mais uma tentativa de
romper os laços de subordinação co Portugal. – foi o único movimento

28
separatista que atingiu a tomada de poder, proclamando a república em
Pernambuco, durando apenas 75 dias. –

Independência, 1° reinado e Guerra Cisplatina.

A independência do Brasil aconteceu por movimentações externas distante há


7482 km (4040 milhas náuticas), em Portugal, pois no mês 08/1820,
comerciantes lusitanos (cidade do Porto) lideraram um movimento conhecido
como Revolução Liberal. – e como “bocejo” espalhou-se rapidamente por
Portugal e chegando a conquistar adeptos no Brasil -.

Assim, como vitoriosos os revoltosos conquistaram o poder na metrópole


(Portugal) e decidiram elaborar uma constituição de caráter liberal – limitando
o poder do rei e pretendiam recolonizar o Brasil. -, desta forma, através da
coação, as tropas portuguesas estacionadas no Rio de Janeiro obrigou o
monarca lusitano voltar para “terrinha” (Portugal), em 26/04/1821.

Deixando seu filho, Pedro como príncipe regente do Brasil na crença que a
unidade da monarquia portuguesa seria restabelecida, mas essa solução
dinástica não correspondia à solução política.

As Cortes de Lisboa com a intenção de recolonizar o Brasil – ou seja, voltar


ao status antes da mudança da família real -, restringiram a autonomia do
governo brasileiro, enfraquecendo a autoridade de D. Pedro na exigência de
retorno do príncipe regente a Portugal.

E como reação, a elite brasileira querendo manter a liberdade de comercio e a


autonomia administrativa, organizou-se em torno de D. Pedro, em resistir e
desobedecer às ordens de Lisboa, formando o Partido Brasileiro composto
por José Bonifácio, Cipriano Barata e Gonçalves Ledo, assim elaborando um
documento que reuniu cerca de oito mil assinaturas, pedindo que o príncipe
regente não voltasse para Portugal, logo recebendo este documento no dia
09/01/1822, D. Pedro declarou “(...) Como é para o bem de todos e
felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico...”. Esse dia
ficou conhecido como o Dia do Fico. Assim, permanecendo no Brasil e, meses
depois, decretou que as ordens vindas das Cortes só seriam compridas

29
mediante sua autorização. Portanto, em 07/09/1822, foi proclamado a
Independência do Brasil e coroado com titulo de D. Pedro I, em 01/12/1822.

1° reinado .
A historiografia identifica o 1° reinado em um intervelo temporal de nove anos
1822-1831, logo para entendermos esta fase da história brasileira precisamos
compreender a conjuntura da independência do Brasil, sendo um “arranjo
político entre as elites comerciais e agrárias”, segundo Prado Jr. Isto quer
dizer, na integra que o regime governamental brasileiro, a monarquia,
apenas mudou de mão, ou seja, “de pai para filho”, deixando de inserir
neste processo, o povo.

Além, de o Brasil ter sua independência de forma verticalizada, - de cima para


baixo -, ainda precisava ser reconhecido internacionalmente e a primeira nação
a reconhecê-lo foi os EUA (1824) com a Doutrina Monroe (1) em detrimento
dos outros Estados Latino-americanos que adotaram a República. Mas, esta
“simpatia” em reconhecer um Estado monárquico em meio a Republicas,
foi com interesse em estender seus “tentáculos” sobre todo o continente.
E com as mudanças de fundo social, cultural e político sem expressão popular,
a independência, neste momento tem as dificuldades internas como a distância
que existe da capital e as províncias do norte e nordeste, pois as noticias
para chegar às áreas extremas do novo Estado nacional das Américas
demorava em media três meses, logo os militares e comerciantes que
controlavam os governos locais, destas regiões decidiram lutar para manter os
laços com Portugal, mas sem um exercito preparado para combater os
revoltosos destas províncias D. Pedro I contratou mercenários com apoio dos
grandes proprietários rurais do centro-sul e por mais ou menos um ano houve
confrontos entres “portugas” e governo brasileiro, estendendo por MA, BA, PA,
PI e província de Cisplatina*(Uruguai) e derrotando todas estas revoltas o
imperador em 1823 domina todo o País. Dando inicio o projeto de constituição
no mesmo ano que tinha alguns aspectos marcantes:
 Oposição aos lusitanos.
 Limitar o poder do imperador.

30
 Manter o poder político nas mãos dos grandes proprietários rurais.

Este ultima ponto fez com que a assembleia constituinte ficasse conhecida
como a “Constituição da Mandioca”.
A reação:
D. Pedro recusou este projeto e com apoio das tropas imperiais, decretou o
fechamento da assembleia em 12/11/1823, prendendo e expulsando do país os
deputados contrários dentre eles José Bonifacio e seu irmãos Antonio Carlos e
Martim Francisco, entenderam desta forma que foi o primeiro passo para a
recolonização do Brasil, sendo o objetivo principal dos representantes do –
partido português -, que defendia o absolutismo lusitano e sustentava D.
Pedro esperando que fossem estabelecidos os antigos laços do Brasil
com Portugal.
E Pedro, usando de política partidária tenta acalmar os ânimos, nomeando
uma comissão de dez brasileiros natos para elaborar uma nova
constituição no prazo de 40 dias, e no dia 25/04/1824, D. Pedro outorga
(impõe) a nova constituição, com a máxima “façam uma constituição digna
do Brasil e de mim”, estabelecendo a existência de quatro poderes de
Estado:
 Judiciário – magistrados nomeados diretamente pelo imperador.
 Legislativo – mandatos de deputados de duração de três anos,
senadores com mandatos vitalícios escolhidos pelo imperador em listas
de candidatos mais votados.
 Executivo – exercido pelo imperador e ministro de Estado.
 Moderador – exclusivo do imperador “chefe-mestra de toda organização
política”.
Exemplificando, um poder ditatorial que excluía a grande maioria da população
como mulheres, escravos e índios, somando a isso ainda existia a condição
eleitoral a certos níveis de rendas – que a maior parte da população não
tinha – que para votar era preciso ter renda anual de 100 mil-reis. E para
ser candidatar a deputado teria que ter 400 mil-reis (nos dias de hoje
seriam 49,200 Reais) e senador 800 mil-reis.

31
Fazendo com que comerciantes garantisse participação na vida pública,
comparando-se em direitos aos grandes proprietários rurais.
A Magna-carta declarou o catolicismo religião oficial do Estado pelo regime de
Padroado – a igreja católica ficava submetida ao controle político do
imperador-.
Esta imposição provocou reações e a mais energética explodiu no nordeste no
mesmo ano da carta outorgada (1824), Confederação do Equador em
Pernambuco (1824) liderada por Cipriano Barata e Frei Caneca que defendiam
um regime republicano, com poder descentralizado e autonomia das
províncias.
Dando início uma sucessão de crises e por vários motivos, o fim do primeiro
reinado, foi por causa da queda da popularidade do imperador que reuniu
diversos grupos em oposição ao seu governo:
 Fechamento da Assembleia Constituinte.
 Imposição da Constituição de 1824.
 Violência usada contra os rebeldes na Confederação do Equador.
 Falência do Banco do Brasil, em 1829, revelando a crise econômica
do império.

Portanto, ainda há outros motivos de âmbito externo que potencializou a crise


como: a morte de D. João XVI em 1826, fazendo D. Pedro torna-se legitimo
herdeiro do trono luso, mas os políticos liberais não queriam que Pedro fosse
imperador do Brasil e rei de Portugal ao mesmo tempo, assim renuncia ao
trono de Portugal em favor de sua filha Maria da Gloria menor de idade, desta
forma deixando como regente seu irmão D. Miguel que por meio de um golpe
de Estado em 1828 proclamou-se rei de Portugal.
E a ultima gota que fez transbordar o caldeirão da crise foi o assassinato de
Líbero Badaró em 1830, um dos lideres da imprensa de oposição ao governo,
gerando tensões políticas, fazendo Pedro viajar a Minas Gerais para acalmar
os ânimos e, na sua chegada os mineiros o recebeu sob intensos protestos e
em resposta a esta atitude o partido português organizou uma festa de
recepção à chegada do monarca a capital (RJ). Os liberais resolveram impedir
a festança e, no dia 13/03/1831 brasileiros e lusitanos entraram em conflito, a
Noite das Garrafadas. E na tentativa de impedir uma revolta generalizada o
32
imperador organizou um ministério só de brasileiros, mas não adiantou, e no
mês de Abril do mesmo ano Pedro demitiu todos os brasileiros que não
obedeciam a suas ordens, fazendo outro ministério, só de portugueses
conservadores, Ministério dos Marqueses.

Assim, desencadeia uma revolta generalizada dos grandes proprietários rurais,


políticos liberais e tropas imperiais contra sua decisão.

E abdica o trono em 07/04/1831 para seu filho Pedro de Alcântara de 05 anos.

Guerra Cisplatina ou Guerra Del Brasil (1825-1828) – sua gênese vem


da disputa entre as coroas Ibéricas (Portugal e Espanha) desde 1680, quando
a Colônia do Sacramento foi criada, mas em uma ideia centralizada no período
de analise o conflito surge em 1816, quando D. João VI iniciou a incorporação
do território e em 1821 a província Cisplatina é anexada oficialmente ao
Império, mas um movimento pela independência da província, culminou com a
proclamação de sua soberania em abril de 1825 por Juan Antonio Lavalleja e
Fructuoso Rivera, apoiados pelas elites das Províncias Unidas do Rio da Prata.
Assim, no mesmo ano Pedro I declara guerra às Províncias Unidas. E ano
seguinte, o exército argentino, cruza o Rio da Prata e inicia a conquista do
território brasileiro. Em resposta, o Império envia tropas de voluntários e
mercenários para combater os cisplatinos.
E como uma “dejavu”, a pressão britânica e francesa para o fim do conflito, o
Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata assinaram a
“Convenção Preliminar de Paz” em 27/09/1828, no Rio de Janeiro,
reconhecendo a independência da República Oriental do Uruguai.
- a Guerra Cisplatina foi um conflito que configura-se como consolidação
do Estado brasileiro -.

Regência, Revoltas regenciais e atividades políticas.

O período regencial no Brasil vai de 1831-1840, logo para alguns historiadores


esse espaço temporal é semelhante com regime republicano, ou seja, o Brasil
foi dominado por três grupos políticos:

33
 Restauradores (Caramurus) – defendia o absolutismo centralizador, o
retorno de Pedro II. E tinham como representantes: comerciantes
lusitanos, militares conservadores (alta patente) e altos funcionários
públicos.
 Liberais exaltados (farroupilhas ou jurujubas) – defendia a
descentralização do poder, sistema federalista. Representantes:
profissionais liberais, pequenos comerciantes, pequenos funcionários
públicos e militares (baixa patente).
 Liberais moderados (chimangos) – preservação da unidade territorial,
monarquia parlamentar, mantendo a ordem social no desejo de ampliar
o poder dos governadores provinciais.

- essa dinâmica de trina partidária compreende as Regência Trina


Provisória e Regência Trina Permanente 1831-1835. -.

Origem de Liberais e Conservadores – com a morte de Pedro I em 1834,


acabam os Restauradores e os Liberais exaltados e em 1837, os Liberais
moderados dividem-se em dois:

 Progressistas – favoráveis a um governo forte e centralizado no Rio de


Janeiro, mas concedendo autonomia administrativa às províncias (Ato
adicional de 1834).
 Regressistas – favoráveis ao fortalecimento do legislativo centralizado
no Rio de Janeiro e contrário à liberdade administrativa das províncias
(lutavam pela manutenção da ordem pública).

Mas a parti, de 1840 os Regressistas passam a se chamar de partido


Conservador (Saquaremas) e os Progressistas de partido Liberal (Luzias).

As Regências:

 Regência provisória Trina (três meses) – responsabilidade dos


senadores até a Assembleia Geral, tina a função de eleger os três
regentes que governariam o país, conforme estabelecia a constituição.
Primeiras medidas tomadas foi à readmissão do Ministério dos
Brasileiros (desfeito pelo imperador em 1831), anistia aos presos

34
políticos, suspensão parcial do poder moderador, mas mantendo as
estruturas políticas do império absolutista, durando até 1837.
.
 Regência Trina permanente (1831-1835) - representada pelos
moderados, destaque ao padre Diogo Antonio Feijó nomeado ministro
da justiça e criador a Guarda Nacional em (1831-1922).
Ato Adicional de 1834, uma tentativa de harmonizar os conflitos
políticos, ou seja, a regência deixava de ser Trina para se tornar Uma
com mandato de quatro (04) anos.
Assembleias legislativas provinciais (acabou com o Conselho de
Estado instância que reunia os políticos mais conservadores).
- o Ato Adicional foi considerado um avanço liberal durante as
regências, sendo para alguns conservadores foi considerado de
“código da anarquia” porque concedia maior autonomia e liberdade
administrativa ás províncias brasileiras -.
 Regência Una (1835-1840) – Diogo Antônio Feijó (1835-1837), a
primeira das duas regências unas, um progressista vence as eleições
enfrentando a oposição dos regressistas, acusado de não impor a ordem
no país com o inicio das rebeliões: Cabanagem (Pará) e a Farroupilha
(Rio Grande do Sul). Assim, renúncia o cargo por pressão da oposição e
seu sucessor Araujo Lima (1838-1840), impõem mais dureza nos
movimentos populares, logo está regência é o triunfo dos progressistas,
pois os governos das províncias perderam sua liberdade e ação
(representou o retrocesso das conquistas liberais alcançado com a
aprovação do Ato Adicional de 1834), montando o Ministério das
Capacidades composto por conservadores.
E criando a lei Interpretativa do Ato Adicional em 1840, que reduzia o
poder das províncias e subordinava os órgãos ao poder central.

Revoltas regenciais – se resume neste trecho de Diogo Antônio Feijó “O


vulcão da anarquia ameaça devorar o império (...)”.

Ou seja, as revoltas neste período (1831-1840) decorrem de crises:


econômicas, social e política.

35
 Econômica – o Brasil resolve pagar indenização a Portugal em troca do
reconhecimento de sua independência no valor de dois milhões de
libras, juntamente despesas com operação militares para conter
rebeliões internas e conflitos externos e empréstimos com juros altos.
 Social – descontentamento da população brasileira contra os
comerciantes portugueses que dominavam o comércio varejo.
 Político – as províncias requerendo mais autonomia político-
administrativa, muitos políticos pregavam a separação do governo
central.

O Estado precisava preservar a unidade territorial do país, coibindo através do


furor estatal, a população pobre (a maioria), que atentaram para as condições
da vida precária que levavam. Somando-se a isso a força também era usada
para impedir os separatistas, que se organizavam nas províncias.

Principais revoltas regências:

 Cabanagem 1835-40 – aconteceu na província do Grão-Pará, os


índios, negros e cabanos (pessoas que viviam em cabanas as
margens dos rios), revoltaram-se por causa das péssimas condições
de vida, e domínio político dos grandes fazendeiros e a falta de
autonomia provincial, chegando a tomar o poder, mas tiveram
dificuldades em governar, faltando organização.
 Sabinada 1837-38 – ocorrido na Bahia teve como causa central o
tratamento dado as províncias pelo governo regencial, especialmente
no que tange às reformas centralizadoras e anti-federalistas do
regente Araújo Lima, que tolhiam a autonomia das províncias. Assim, a
Sabinada foi de caráter autonomista, e promoveu a secessão
(temporária) da Bahia do restante do império.

 Balaiada 1838-41 - O movimento ocorrido no Maranhão teve dois


tipos de causas principais, econômicas e políticas. O primeiro tipo
deve-se, sobretudo à grave crise econômica da província, causada,
sobretudo pela queda dos preços do algodão, que enfrentava grande
concorrência da produção estado-unidense, e também pela saturação
de mão-de-obra pecuária, o que deixou muitos desempregados,
sobretudo entre os mais pobres.

36
Já a causa política principal foi a o avanço conservador sobre os
liberais, visando desestabilizar suas bases de apoio. Os "cabanos"
foram estimulados pelas reformas centralizadoras da regência de
Araújo Lima, sobretudo o "Ato Adicional", o que causou um
movimento político mais tarde denominado de "regresso
conservador", por ir de encontro às medidas políticas liberalizantes
tomadas logo após a morte de D. Pedro I, no começo do período
regencial. Os "cabanos" procuraram retirar o apoio dos vaqueiros aos
"bem-te-vis", contratando-os ou chantageando-os economicamente.

 Farroupilha 1835-45 – ou Guerra dos Farrapos foi uma guerra civil


ocorrida na província do Rio Grande do Sul por motivos, que o ideário
republicano presente na região, pela proximidade com as repúblicas
platinas, uma tradição autonomista das elites locais combinado com o
centralismo excessivo que marcou a política do inicio do período imperial
e a vontade de parte das elites regionais de se unirem ao recém-
independente Estado do Uruguai, assim como o sentimento de que o
Brasil não protegia os interesses do Rio Grande além da fronteira, onde
diversas confusões ocorreram e relatos de roubo de gado eram comuns.
O principal motivo foi à taxação excessiva do charque rio-grandense em
comparação com o charque dos demais estados platinos pelo governo
imperial, o que gerava uma enorme desvantagem para o produto em
comparação com o estrangeiro, entretanto, oferecia uma vantagem
comercial para os consumidores do nordeste e do sudeste, que podiam
adquirir o charque estrangeiro por um preço muito mais barato, o que
gerou um sentimento de alienação por parte das elites gaúchas, que se
rebelaram. – neste dez anos de conflitos no sul do Brasil, são instituídas duas
repúblicas: Rio-Grandense (Piratini) em 1836 e Juliana em 1839, Santa
Catarina -.

 Malês 1835-35 – ocorrido na Bahia e organizado por muçulmanos de


origem Iorubá – nagôs, Os trabalhadores urbanos mais alguns
escravos de engenho decidiram se rebelar com a intenção de formar
uma Bahia Malê, que seria controlada por africanos, tendo à frente
representantes muçulmanos.

2° Reinado.

O fim do período regencial veio através da coroação de D. Pedro II como


símbolo de um Estado forte – na visão da elite – e tinha a tarefa de manter a
37
unidade política garantindo a ordem social. Pois com o “golpe da maioridade”
em 1840 foi uma tentativa de manutenção dos privilégios econômicos e
governamentais, num ambiente de tranquilidade social na crença que, Pedro II
com sua autoridade acabaria com as rebeliões provinciais.
- desta forma podemos ver como exemplo, o inicio de seu reinado, o imperador
exercia o poder com apoio de uma minoria, mais ricos -.
Que se dividia em dois partidos que protagonizaram o cenário político do 2°
reinado:
 Saquaremas (partido conservador) – apelido oriundo da cidade de
Saquarema RJ, quartel general dos políticos que defendiam um governo
imperial forte e centralizado.
 Luzias (partido liberal) – oriundo da cidade de Santa Luzia MG, centro
de atividades dos políticos favoráveis à descentralização e certa
autonomia às províncias.

Portanto, em se tratando de qual deles estava na “situação” no governo, na


integra não tiveram grandes divergências ideológicas e mantendo o “status
quo”, ou seja, a ordem social e a escravidão, tanto que a máxima do povo na
rua dizia “não havia nada mais parecido com um Saquarema do que um
Luzia no poder”.

- Pois a grande preocupação dos políticos era chegar ao poder porque isso
significava obter prestigio e benefícios para si próprios e sua gente... –
Partindo, para uma visão social do 2° reinado, nos primeiros anos foram
extintos os últimos focos de resistência representados pelos praieiros de 1848,
a monarquia brasileira entrou em seu período de maturidade, quando todos
seus potenciais e contradições se desenvolveram ao máximo. E com liderança
governamental fortalecem-se os conservadores ligados aos interesses da nova
potência econômica do país, os cafeicultores do centro-sul.
Sob a direção de Marquês de Olinda, veio à dissolução da Câmara dos
Deputados. E a composição da “trindade saquarema”, auge dos
conservadores no poder.

38
Entre suas principais realizações estão à lei de terras, que regulamentou a
propriedade da terra em favor dos latifundiários, e a lei Eusébio de Queirós,
que extinguiu o tráfico negreiro, ambas de 1850.
Mas, os principais assuntos que preenchiam a pauta das sessões
parlamentares giravam em torno dos conflitos que eclodiam, na região platina e
das urgentes reformas administrativas que precisavam ser feitas, fazendo
Luzias e Saquaremas se aproximarem, em uma ideia de conciliação (1) das
oposições em favor do “progresso” do país.
Ideia muito atraente para o Imperador, significava na verdade a anulação das
oposições por meio da compra de suas lideranças com pequenas frações de
poder.
Entretanto, nem todos se renderam a essa tática e após as eleições de
1852(2) já se manifestava a dissidência parlamentar, composta em sua maioria
de políticos do Nordeste, que vinham perdendo cada vez mais espaço para os
do Sul. Mas até 1853 predominou a vitalidade conservadora. Suas maiores
realizações foram, além da lei de Terras e da lei Eusébio de Queirós, a política
na bacia do Prata, a elaboração do Código Comercial, a criação das províncias
do Amazonas e do Paraná, o incentivo à imigração - através do
assentamento de colônias e outros dispositivos, em consequência, sobretudo
da extinção do tráfico, se fizeram urgentes. Ligavam-se aos problemas da
escravidão, da vida judiciária, diplomática, financeira e da reorganização dos
serviços em bases mais racionais.

Tentativas de industrialização.
E com esta mudança do centro socioeconômico do nordeste para o centro sul,
acontece o “boom econômico”, da grande prosperidade gerada pela
exportação do café, a extinção do tráfico em 1850 provocou uma súbita
mudança na economia brasileira. Volumosas inversões de capitais antes
usados no tráfico transferiram-se para outras áreas, como a de serviços
urbanos, de crédito, estradas de ferro, etc., gerando uma onda de
“progressismo” que contagiou a todos.
A tarifa Alves Branco, de 1844 (3), que alterou a política tarifária com
medidas protecionistas, deu grande impulso nas receitas do país. A essa altura
o governo brasileiro se encontrava em grandes apuros, com sua economia

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comprometida pelas agitações internas. Pesavam-lhe também suas leis
alfandegárias, criadas sob pressão para que a Inglaterra reconhecesse a
Independência brasileira, que mantinham as taxas de comércio internacional a
baixos níveis.
Sem o fundamental crédito estrangeiro, o governo viu-se obrigado a elevar
suas tarifas. Apesar de totalmente legítima, a ação não impediu fortes protestos
britânicos. Mas o sufoco econômico, aliado a um forte sentimento nacional
gerado pelas arbitrariedades inglesas contra o tráfico, impediu a eficácia dos
protestos, tendo o Brasil dobrado o valor sobre seus direitos de importação.
Depois desse primeiro desafogo, a extinção do tráfico fez difundir-se no país
uma verdadeira febre de reformas como: organização regular das agências
financeiras, o segundo Banco do Brasil, a primeira linha telegráfica no Rio de
Janeiro, Banco Real e Hipotecário, importante agente financeiro, a primeira
linha férrea na Baixada Fluminense, Em 1855, a segunda, ligando a Corte à
capital da Província de São Paulo (a Central do Brasil), o telégrafo.
Iniciava a essa altura uma avalanche de investimentos ingleses que, além do
crédito, introduziu mão de obra especializada, técnicos e tecnologia no país.

(1) Os partidos conservador e liberal continuaram


existindo. Sem um programa elaborado, a conciliação foi
mais uma aproximação de homens que de seus princípios.
E uma atitude de cúpula - um acordo de cavalheiros da classe
dominante com total exclusão popular. As principais
realizações administrativas da conciliação foram o incentivo à
instalação de estradas de ferro e à navegação fluvial, reformas
na justiça, controle de emissões financeiras.

(2) Reunida à massa dos votantes nas assembleias paroquiais,


celebrava-se uma missa e realizava-se a eleição para os
cargos necessários. Cada votante colocava em uma lista e
assinava (pois o voto não era secreto) os nomes de quantos
eleitores do império a freguesia deveria dar. Ao contrário do
número de votantes, que podia aumentar indefinidamente,
enquanto houvesse gente que atendesse os pré-requisitos
legais, o número de eleitores do império de cada paróquia era
limitado pelo número de fogos da freguesia.

(3) Foi uma medida que incentivou a indústria brasileira


durante o Império aumentou as taxas de importação para a
casa dos 30%, quando não havia similar nacional, e para a
casa dos 60%, quando havia produto similar nacional. As

40
novas determinações causaram impacto sobre cerca de três
mil produtos e despertaram a insatisfação dos ingleses.

Política externa.
E após o surto de industrialização se inicia a crise do 2° reinado, a parti de
1850, importantes acontecimentos que marcou as relações internacionais do
Brasil:
A Questão Christie 1863-65 - É o rompimento das relações diplomáticas entre
Brasil e Inglaterra, por causa do fim do trafico negreiro e a libertação dos
escravos e mais roubo da carga do Príncipe das Gales 1861, e a prisão dos
oficiais bêbados em 1862, assim William Christie exige uma indenização
astronômica pela carga do navio e a punição dos policiais que prenderam os
oficiais ingleses. Não sendo atendido em suas exigências, o embaixador
(William Christie) ordenou a prisão dos navios mercantes brasileiros, desta
forma, provocando revolta da população do Rio de Janeiro que ameaçavam
invadir a casa do embaixador e estabelecimentos comerciais de ingleses, logo
essas questões foram submetidas ao arbitramento internacional do rei da
Bélgica, Leopoldo I.
D. Pedro II resolveu pagar a indenização, fazendo o arbitramento ficar restrito
às exigências em soltar os prisioneiros, logo o rei belga se pronunciou a favor
do Brasil e com isso a Inglaterra tinha que se desculpar oficialmente por violar
o território brasileiro, entretanto isso não aconteceu, levando Pedro II, romper
relações diplomáticas e só sendo reatadas em 1865, quando Edward Thorton
(embaixador que tomou o lugar de Christie), apresentou desculpas oficias.

- essa questão afirmou a soberania nacional brasileira,


ficando reconhecida formalmente por uma potência. -

Questão Platina 1851-70 – 0 Brasil tinha interesses econômicos e políticos na


região platina, área de fronteira entre Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai,
logo se resumia em:

 Garantir o direito de navegação pelo rio da Prata.

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 Impedir que vaqueiros uruguaios invadissem as fronteiras brasileiras e
atacassem fazendas gaúchas.

 Impedir que a Argentina anexasse o Uruguai, formando um só país.

Portanto, levou o Brasil a participar de três guerras: guerra contra Oribe e


Rosas (1851-52 Uruguai e Argentina), guerra contra Aguirre (1864-65
Uruguai) e guerra contra Solano López (1865-70 Paraguai).

Situação econômica.

A grande expansão econômica ocorrida no Brasil durante o século XIX não foi
um fato isolado, mas insere-se num fenômeno mundial que foi a integração dos
mercados e a incorporação da terra e do trabalho à economia mundial. A
produção especializou-se para atender às necessidades das atividades
comerciais e industriais. Desvinculou-se o homem da terra, onde produzia para
subsistência, e incorporou-lhe no mercado de trabalho assalariado.
E no Brasil, onde havia escravidão, as pressões internacionais para que se
abolisse esse regime de trabalho foram constantes desde o início do século e
só cessaram com a adoção total do trabalho assalariado. Mas, ainda por volta
de 1850, a regulamentação da propriedade da terra ainda não estava resolvida
e era urgente. A crescente procura pelo café impelia a cultura para as novas
fronteiras no interior, conforme se esgotavam as lavouras mais antigas. Até a
época da Independência, o acesso a terra era por meio de concessões reais
(sesmarias) ou pela ocupação clandestina, que era amplamente difundida e
quando o Brasil se torna um Estado ficou proibida a concessão de lotes de
terra, que passou a ser obtida apenas pela posse clandestina. Consumou-se
uma anarquia geral da propriedade rural, que se agigantava à medida que
crescia a necessidade de novas terras. Essa agitação, que estava diretamente
atrelada aos problemas do abastecimento de mão de obra, levou as elites
dirigentes do país a reavaliarem e legalizarem a propriedade rural e a força de
trabalho. Assim foi o tráfico abolido em 1850, dando o golpe fatal na
escravidão e dinamizando a economia. No mesmo ano, foram promulgadas a
Lei de Terras e o Código Comercial do Império, que consagraram o regime

42
da grande propriedade e coroavam a obra da construção do Estado Nacional
brasileiro.
E no período de 1865-1870, o custo da guerra deixou uma grande nódoa nas
finanças públicas do Brasil, entretanto essa mesma guerra também estimulou a
indústria brasileira como fábricas de produtos têxteis e o arsenal do Rio,
modernizando a infraestrutura do país, assim o recrutamento, o treinamento, o
fornecimento de vestuário, de armamentos e o transporte organizou ainda mais
o Estado brasileiro.
Assim o regime monárquico acabava vítima de transformações econômicas e
sociais a que não fora capaz de adequar-se. Instaurava-se um novo regime em
que não apenas novas instituições foram adotadas, mas também novas forças
sociais passaram a ter controle sobre o Estado, articulando um novo sistema
de dominação.
A questão dos escravos e os movimentos de abolição – em Maio de 1867,
D, Pedro II anunciou que após a guerra, seriam tomadas medidas para
emancipar os escravos brasileiros, assim estimulando discussão sobre a
reforma política no Brasil.
Desta forma, com o termino da Guerra do Paraguai cresceu no país a
campanha abolicionista, um movimento popular pela libertação dos escravos
que conquistou o apoio de vários setores da sociedade brasileira:
parlamentares, imprensa, militares, artistas e intelectuais.
O fim da escravidão atendia aos interesses dos industriais europeus, que
desejavam ampliar o mercado consumidor para seus produtos – o que seria
possível com o desenvolvimento do trabalho assalariado. Assim, o governo
promulgou nesse período duas leis que emanciparam parcelas da população
escrava do país.

 Lei do Ventre Livre (1871)- declarava livre todos os nascidos de mãe


escrava a parti da data de promulgação. – juntamente, os donos de
escravos, pois tinham a obrigação de alimentar os filhos de escravos, que
seriam “livres”. –

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 Sexagenários (1885) – declarava livres os escravos com mais de 65
anos. – e também seus donos da “inútil” obrigação de sustentar alguns raros
negros idosos... –

Essas leis, não puseram o fim à escravidão, mas permitiu os senhores de


escravos ganharem tempo e adiar ao máximo a abolição definitiva, tornando a
justiça uma arena de luta pela liberdade, impulsionando a libertação em
13/05/1888, com a lei Áurea.
A questão religiosa – foi à proibição do vinculo entre a maçonaria e a igreja
católica em 1864, pela Bulla Syllabus, os maçons não poderiam frequentar a
igreja mesmo que fossem sacerdotes. Portanto, isso ocasionou uma “rusga” no
Estado e o catolicismo, - instituição predominante em todo o período
colonial -.
Assim, através da Bulla em 1872, os Bispos de Olinda e Belém puniram os
religiosos (padres) que apoiavam os maçons.
E D. Pedro II sob a influência da maçonaria suspende as punições e condena
os bispos a quatro anos de prisão, mas em 1875, por intermédio de duque de
Caxias, então ministro recebem perdão imperial, consequentemente fazendo
alguns sacerdotes se aproximarem da ideia de construção de um Estado laico.
– pensamento republicano de quebra do padroado -.

Movimento Republicano.
Além, destes acontecimentos ocorrendo a parti de 1870, também foi criado o
Partido Republicano no RJ, uma união de segmentos civis e militares mediante
de disputas políticas entre os principais partidos (Saquarema e Luzias).
E uma das suas maiores contribuições foi o Manifesto Republicano que
defendia:

 Fim da vitaliciedade do Sanado.


 Criação do Estado laico.
 Instalação de uma república federativa, garantindo a autonomia das
províncias.
E em consequência deste, novo “BOOM” de ideias foi criado em 1873, o
Partido Republicano Paulista (PRP) na convenção de Itu, apoiado por

44
cafeicultores de SP. – mostrando a força OLIGARQUICA que perdurou ao
longo de 1889-1930, Republica Velha -.
A oposição ao império faz efeito, tanto que o governo imperial apresentou uma
proposta à câmera dos deputados um programa de reformas políticas que
incluía:
 Liberdade religiosa.
 Liberdade de ensino.
 Autonomia das províncias.
 Mandato temporário para senadores.

Entretanto, esta tentativa não deu certo, pois a instituição, Monarquia, estava
falida nas Américas e em 15 de novembro de 1889, Marechal Deodoro da
Fonseca depõem o primeiro-ministro visconde de Ouro Preto e proclama a
República no Brasil, com apoio dos dois partidos republicanos (PR e PRP).

República da Espada.

Com o fim do período imperial o Brasil, torna-se uma República ou “República


da Espada” que vai de 1889-1894, para alguns historiadores este espaço
temporal foi caracterizado por uma ditadura militar, pois sendo comandado por
dois marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Assim com a
falência da instituição monárquica no decorrer final da Guerra do Paraguai
(1870) até a lei Áurea (1888), o Brasil passa por turbulências, econômicas,
sociais e políticas, logo este ultimo veio através dos Partidos Republicano
(PR) e o Partido Republicano Paulista (PRP) que apoia Deodoro da
Fonseca em demitir o primeiro ministro Visconde de Ouro Preto, desta forma,
proclamando a república (1889). – o Brasil mudava a forma de governo sem
revolucionar a sociedade – E instituindo o governo provisório e uma de suas
primeiras providencia foi assumir em nome da república todas as divida do
regime monárquico. - essa ação foi para acalmar os países capitalistas –

Governo provisório (1889-1891) e suas medidas:

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 Federalismo – as províncias brasileiras forma transformadas em
estados-membros da federação com a autonomia administrativa em
relação ao governo federal, a capital recebe o nome de Distrito Federal.
 Fim do padroado – separação entre o Estado e a igreja.
 Grande naturalização – todos os estrangeiros residentes no Brasil
seriam legalmente considerados cidadãos brasileiros.
 Bandeira da república – criação de uma nova com o lema “Ordem e
Progresso” de origem positivista, que pregava amor por principio, à
ordem por base e o progresso por fim.
 Assembleia constituinte – para elaborar a primeira constituição da
republica.

Nesta nova conjuntura construtiva, a também o fator econômico, pois o ministro


da fazenda Rui Barbosa em 1890 com o objetivo de incentivar o crescimento
financeiro nacional e o desenvolvimento industrial executa um plano, o
Encilhamento, que permitiu grande emissão de dinheiro por bancos
particulares com a finalidade de aumentar a moeda circulante. Gerando assim,
uma grande inflação e especulação financeira. – os cafeicultores
protestaram contra a reforma, não lhes interessava uma política que
desse mai importância à indústria do que o café –.

A constituição republicana foi promulgada em 1891, consistia em:

 Forma de governo – república, os agentes políticos exerciam mandatos


por tempo limitado, sendo eleitos pelos cidadãos.
 Forma de Estado – federalismo, os estados teriam autonomia para
eleger governador e deputados, cada estado teria sua constituição
própria, não contrariando as normas da constituição federal.
 Forma de governo – presidencialismo, o presidente da republica era
chefe do governo e o chefe do Estado, exercendo o cargo com auxilio de
ministros.
 Divisão dos poderes – foi instituído os três poderes: executivo,
legislativo e judiciário, atuando de modo harmônico e independente
entre si.

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 Voto – aberto para brasileiros com mais de 21 anos, exceto
analfabetos, mendigos, soldados, religiosos sujeitos à obediência
eclesiástica e mulheres.

- A primeira constituição da república foi inspirada na constituição norte


americano Bill of Rights (Carta de Direitos) -.

Governos militares Deodoro e Floriano (1891-1894).

O presidente da república foi eleito, como previsto na constituição (1891), o


marechal Deodoro da Fonseca venceu as eleições de 1891, juntamente com
marechal Floriano Peixoto, vice, sendo o presidente apoiado por alguns
militares e o vice pelos grandes cafeicultores. – na constituição de 1891,
previa a eleição para presidente e para vice-presidente, então Deodoro
tinha como vice o almirante Eduardo Wandenkolk, disputando contra
Prudente de Morais e marechal Floriano Peixoto -.

E sob esta dinâmica de falta de apoio para governar e oposição da oligarquia


cafeeira de SP, que disponha de vários representantes no congresso, Deodoro
resolve fechar o congresso nacional em novembro de 1891, e prender seus
principais lideres. Assim, gerando protestos, os trabalhadores da Estrada de
Ferro Central do Brasil entraram em greve e a marinha brasileira liderada
pelo almirante Custódio José de Melo ameaça bombardear o Rio de Janeiro
com navios de guerra, este episódio ficou conhecido como a primeira Revolta
da Armada (1891). E diante desta situação, o primeiro presidente do Brasil
renuncia o cargo.

Governo de Floriano Peixoto afastou os chefes de governos estaduais


indicados pelo governo anterior, à reabertura do congresso, estimulou a
industrialização facilitando a importação de equipamentos indústrias e a
concessão de financiamento aos empresários das indústrias. Provocando
reações dos fazendeiros tradicionais, defensores da “vocação agrícola” do
país. Juntamente promovendo a reforma bancária, proibindo os bancos
particulares à emissão de dinheiro, passando a ser exclusivo do governo
federal, desta forma, conferindo mais controle sobre o dinheiro em circulação.

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E para conquistar as camadas urbanas Floriano tomou medidas de cunho
popular: baixou o preço da carne e dos alugueis residenciais e aprovou
uma lei que previa construção de casas populares.

Mas, essas medidas não escondia seu lado autoritário, pois a oposição
convocava uma nova eleição como determinava a constituição, entretanto o
presidente permaneceu no poder e cumpriu o mandato. – devido sua maneira
energética de enfrentar seus adversários políticos, Floriano ficou conhecido como
Marechal de Ferro -.

Segunda Revolta da Armada (1892-1893) e Revolução Federalista (1893-


1895).
 No ano de 1892, 13 generais enviaram uma carta manifesto ao
presidente exigindo convocação de novas eleições presidenciais, logo
ao receber o documento, Floriano puniu os militares, afastando-os das
forças armadas e como represália o almirante Custódio José de Melo
(novamente) liderou a segunda Revolta da Armada, mas desta vez a
ameaça se cumpriu e o porto do Rio de Janeiro foi bombardeado.
Entretanto, as forças do Estado apoiado pelo PRP e utilizando as tropas
do exercito, o governo conseguiu dominar os revoltosos e impor-se
politicamente. E no mesmo período está ocorrendo no Rio Grande do
Sul um violento conflito entre dois grupos políticos, o partido
Republicano Rio-grandense (PRR) – Pica-paus – e partido
Federalista – Maragatos – este conflito ficou conhecido como Revolta
Federalista. – terminando em 1895, no governo de Prudente de
Morais -.

Republica velha (primeira República).

Podemos considerar a República Velha (República Café com Leite) o período


que vai de 1894 -1930, logo no final do século XIX (1894), os militares deixam
o poder através de eleições, e entrando no jogo vêm os políticos ligados a
Oligarquia agrária, os cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande
do Sul.

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A situação política se configura no aumento de eleitores, decorrência do voto
aberto, não chegando a ultrapassar 3% da população, mas com interferência
dos chefes políticos (Coroneis) que concediam favores em troca de votos,
entretanto quando o eleitor não cumpria sua promessa de votar no candidato
indicado pelo Coronel, ficava sujeito à violência dos jagunços que trabalhavam
nas grandes fazendas, Voto do Cabresto, juntamente com fraudes eleitorais
com falsificação de documentos: emancipação de menores, certificação de
analfabetos, titulação de mortos e urnas violadas.

As oligarquias tinham uma organização que abrangia desde municípios até o


governo federal, costurando alianças na base da troca de favores, clientelismo
e corrupção têm como exemplo a “Comissão Verificadora” - órgão do
congresso nacional destinado a julgar os resultados eleitorais – criado sob a
regência do legislativo, mas sempre a serviço do presidente distorcendo
o resultado das urnas – praticando a Degola, eliminação de nomes dos
adversários. E no período de 1898 – 1902, no mandato de Campo Sales, têm-
se inicio o sistema de alianças entre governadores de estado e governo
federal, Política dos Governadores.

Política Café com Leite – as oligarquias agrárias controlavam o poder,


organizados em torno de dois partidos políticos: partido republicano paulista
(PRP) e partido republicano mineiro (PRM). – essa alternância de paulistas
(cafeicultores) e mineiros (criadores de gado) na presidência se inicia em
1894, com Prudente de Morais e termina em 1930, com Washington Luís,
entretanto em 1910 – 1914 houve um presidente militar, apoiado pelos
cafeicultores, Hermes da Fonseca. -

A situação econômica nesta primeira república tem como destaque, o café líder
de exportação, chegando atender 2/3 do consumo mundial – utilizando mão
de obra imigrante assalariada -, assim gerando lucros até a crise de
superprodução, ocasionando queda de preços e acúmulo de estoque em 1905,
chagando a 70% de consumo mundial a ser produzido no Brasil em um ano.

E em decorrência disto, o governo federal implementa em 1906, o Convenio


de Taubaté, o governo comprava o excedente do café com empréstimos

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realizados no exterior para ser estocado e vendido quando os preços
normalizassem.

A Borracha tornou-se, a parti de 1840, o produto mais procurado dos países


industrializados e o Brasil supriu toda demanda mundial, sendo seu boom no
período de 1891-1918, e seu declínio ocorrendo por causa da rudimentar
exploração e a dificuldade de acesso aos seringais, assim elevando os preços
e a complexidade de atender a demanda do mercado pós-grande guerra.

O Cacau sua produção cresceu em todo o período da Republica Velha, mas


acontecendo uma sistematização produtiva inglesa, acarretando assim a queda
da produção brasileira.

A Indústria seu grande vigor aconteceu na produção cafeeira e muitos


produtores aplicaram parte de seus lucros nas fabricas, fazendo São Paulo o
principal centro econômico e assim, ocasionando o crescente número de
operários nos setores médios e urbanos, pois com os inúmeros acidentes,
baixos salários e longas jornadas de trabalho (15 horas) sem descanso
provocaram protestos e reivindicações, logo as lutas operarias se
organizaram em varias formas, sindicatos.

As lutas operarias, os inúmeros acidentes, baixos salários e longas jornadas


de trabalho (15hs) sem descanso provocaram protestos e reivindicações,
surgindo varias formas de organizações, os sindicatos.

E dentro desta, conjuntura vem despontando-se as correntes políticas,


influenciando o operariado destaca-se:

 Anarquismo – defendiam a existência de uma sociedade que


funcionaria pela cooperação e solidariedade entre as pessoas contra a
exploração patronal.
 Corrente católica – procurava afastar os trabalhadores da influencias
anarquista e socialista.
 Sindicalismo revolucionário – defendia a greve como principal
instrumento de luta dos operários.

A greve de 1917, organizada em São Paulo (sendo a 1° vez cunhado o


termo “Greve Geral” no Brasil) motivado pelo descontentamento dos

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operários sobre as condições de trabalho e organizado por anarcosindicalista
aliada à imprensa libertária e coordenada pelo Comitê de Defesa Proletária,
os grevistas reivindicavam aumento de salário, jornada de trabalho de oito
horas, direito de associação e liberdade dos grevistas presos. Logo, inspirado,
juntamente coma vitória comunista na Revolução Russa (1917), a fundação
do Partido Comunista (PCB), em 1922.

Sob esse clima de mudanças socioeconômicas acontecendo no Brasil, milhões


de brasileiros (as) permaneciam vivendo na miséria, desta forma, vem surgindo
movimentos, tais como:

 Revolta de canudos (1893-1897) – ocorrido durante o mandato de


Prudente de Morais, na Bahia, sob circunstancias de opressão e
desesperança, Antonio Vicente Mendes Maciel (Antonio Conselheiro),
encontrou um ambiente propicio para suas pregações político-
religiosas, assim conquistando mentes e almas dos sertanejos, promove
a Revolta de Canudos. (messiânico).
 Guerra do Contestado (1912-1916) – movimento ocorrido na fronteira
entre o Paraná e Santa Catarina numa região de disputa (contestada),
a população trabalhava para os fazendeiros locais e duas empresas
Norte-Americanas de exploração de madeira e colonização.
Os problemas sociais e a disputa pela terra agravaram-se quando uma
das empresas passou de contratar trabalhadores de outros estados
para construção da estrada de ferro, pagando salários mais baixos, e
em 1910, a ferrovia ficou pronta, a empresa demitiu todos os
funcionários. Sem casa, sem dinheiro e não ter como retornar aos seus
estados, esta massa de 8.000 desempregados, passou a cometer
delitos, saqueando, invadindo propriedades e até se oferecendo como
jagunços aos coronéis. E neste, âmbito vem crescendo tensões sociais
e políticas na região, fazendo a população (sertanejos) se organizarem
a sombra de dois monges o primeiro João Maria e o segundo José
Maria (messiânico). – o governo acabou com esta revolta com
aviões de bombardeio, pela primeira vez usada como arma de
combate no país –

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 Cangaço (1875-1938) – a miséria, as injustiças dos coronéis-
fazendeiros, a fome e as secas gerou no nordeste á formação de
cangaceiros (grupos armados, que praticavam assaltos a fazendas e
cometiam assassinatos de pessoas) – na historiografia, o cangaço
é objeto de discussões entre a academia, pois para alguns, foi uma
forma de banditismo e criminalidade e para outros, uma forma de
contestação social -.
 Revoltas no Rio de janeiro – na primeira metade do século XX
acontecem inconformidades na capital da República (Rio de Janeiro),
dentre as quais agitaram a cidade:

Revolta da Vacina (1904) – no governo de Rodrigues Alves os cidadãos do


Rio de Janeiro enfrentavam muitos problemas sociais e saneamento básico, na
visão de Nicolau Sevcenko “A constituição de uma sociedade
predominantemente urbanizada e de forte teor burguês no início da fase
republicana, resultado do enquadramento do Brasil nos termos da nova
ordem econômica mundial instaurada pela Revolução Científico-
Tecnológica de 1870”. (A Revolta da Vacina, pg. 7.).
E o desejo dos primeiros governos republicanos de transformar o Rio de
Janeiro na capital do progresso, para mostrar ao país e ao mundo fez o
presidente ordenar, a reformar e modernização da cidade através da Reforma
Pereira Passos (prefeito do Rio de Janeiro) e combate as epidemias com
Oswaldo Cruz (diretor de saúde pública), decretando a lei da vacinação
obrigatória contra Varíola. E neste “caldeirão de indignações” fervilhando de
descontentamento das pessoas afetadas pela demolição dos cortiços (Reforma
Pereira Passos) e a obrigatoriedade da vacinação fez “transbordar o caldo de
frustrações e revolta” nas ruas da cidade, em um intervalo de três dias de 12 a
15 de Novembro 1904.
Revolta da Chibata (1910) - foi uma revolta militar em que soldados da
Marinha realizaram um motim e tomaram o controle de dois encouraçados que
estavam atracados no litoral do Rio de Janeiro. O estopim da revolta foi à
insatisfação dos marinheiros, que eram submetidos às chibatadas, trabalho
extasiante e má condição de alimentação.

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Tenentismo (1922 - 1924) – ainda de cunho militar, juntamente com o
descontentamento social contra as oligarquias, o clima de revolta atinge
as forças armadas e difundi-se entre os Tenentes.
Logo, o termo Tenentismo ficou conhecido como movimento político-
militar, que pretendia conquistar o poder através da luta armada e
promover reformas na Primeira República. E suas reivindicações
incluíam:
 Moralização da administração pública.
 Fim da corrupção eleitoral.
 Voto secreto.
 Justiça eleitoral confiável.
 Defesa da economia nacional contra a exploração das empresas e
do capital estrangeiro.
 Reforma da educação pública para que o ensino fosse gratuito e
obrigatório para todos os brasileiros.
O tenentismo tinha a simpatia da classe média, produtores rurais que
não pertenciam ao grupo que estava no poder e empresários.
Assim, em um intervalo de dois anos estoura duas revoltas:
Revolta do Forte de Copacabana (1922) – sendo a primeira revolta
tenentista, pois dezessete Tenentes e um civil decidiram impedir a posse
do presidente Arthur Bernardes, mas foram impedidos pelas forças
governamentais que eliminaram 16 revoltosos, o acontecido ficou
conhecido como “Os Dezoito do Forte” e as revoltas de 1924, que
dentro desta dinâmica tenentista ocorre novas rebeliões em Rio Grande
do Sul e São Paulo, liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, tenente
Juarez Távora e Nilo Peçanha (político) e em 5 de Julho tem-se o inicio
da revolta, mas sendo debelado pelas forças governamentais.
Em consequência é formada a Coluna Paulista dissidente rebeldes que
seguiram para o sul e encontrando outra coluna militar, liderado por Luis
Carlos Prestes.

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Coluna Prestes - foi à união dos militares de
São Paulo e Rio Grande do Sul, revoltosos de
1924, que decidiram percorrer todo o país
pedindo apoio popular para novas revoltas, logo
no intervalo de dois anos (1924-26) a Coluna
Prestes percorreu 12 estados brasileiros, e não
conseguindo provocar ameaça ao governo a
tropa se desfez, pedindo asilo político na
Bolívia.

Era Vargas.

O período “getulista” se inicia em 1930, e divide-se em formas de governo ou


fases: Governo Provisório (1930-1934), Governo Constitucional (1934-
1937) e Governo Ditatorial (1937- 1945).

Para entender a Era Vargas precisamos compreender o fim da República


Velha, pois seu termino veio através do enfraquecimento econômico dos
cafeeiros e finalização dos acordos políticos entre lideres de Minas Gerais e
São Paulo – fim da política café com leite -, logo à oposição as oligarquias se
aproveitou do momento para conquistar espaços políticos, formando alianças -
Aliança Liberal – com lideres do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba,
descontentes com a política café c/ leite, assim indicando Getulio Vargas como
candidato a presidente.

Programas de reformas da Aliança Liberal –


instituição do voto secreto, criação de leis
trabalhistas e incentivo a produção industrial.

Revolução de 30 - acontece envolta de mudanças de paradigma na conjuntura


politica-social do país, o Partido Republicano Paulista (PRP) nas eleições

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presidenciais derrota a Aliança Liberal, fazendo a mesma alegar fraude
eleitoral, pois tinham consciência de que era preciso assumir o comando das
transformações, antes que outros grupos sociais o fizessem, levando o povo a
promover mudanças mais profundas na conjuntura social, somando a isso
acontece o assassinato do governador da Paraíba, João Pessoa, sendo o
estopim para luta armada, Revolução de 1930.

Fazendo Getulio Vargas chegar ao poder, chefe do executivo, iniciando o


governo provisório (1930-1934).

Medidas do governo provisório:

 Suspensão da constituição de 1891.


 Fechamento do congresso nacional, assembleias legislativas e câmeras
municipais.
 Indicação de interventores militares para chefiar os governos estaduais –
os interventores eram ligados ao Tenentismo –

Essas medidas geraram problemas, aos poucos o presidente mostrou ações


centralizadoras, preocupação com questões social dos trabalhadores, interesse
em defender as riquezas nacionais. Assim contrariando a oposição política
paulista, que desejava o retorno á República Velha, desta forma,
desencadeando a Revolta de São Paulo (1932).

Revolta de 32 ou Revolta Constitucionalista – para enfrentar o governo de


Vargas a oligarquia paulista e o PRP formaram uma frente única com o Partido
Democrático (PD), que exigiam a nomeação de um interventor civil paulista,
novas eleições e convocação de uma assembleia constituinte. Estas exigências
vieram através de manifestações populares, gerando conflitos e morte de
quatro estudantes: Maragaia, Martins, Dráusio e Camargo, formando a sigla
“MMDC”, símbolo do movimento constitucionalista.

Após três meses de acirrado conflito o governo


acaba com a revolta, mas realiza a Assembleia
Constituinte para uma nova constituição.

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Governo constitucional (1934-1937) – foi marcado com a promulgação da
constituição que mudava alguns pontos, em relação à CF de 1891:

 Voto secreto, as mulheres adquiriram o direito de votar, mas


continuaram sem votar analfabetos, mendigos, militares (praças).
 Justiça eleitoral independente.
 Direitos trabalhistas.
 Nacionalismo econômico.

Dentre estes pontos a constituição de 1934, estabelecia que o primeiro


presidente, após sua promulgação seria eleito de forma indireta.

Destacamos neste período, os grupos políticos:

- Ação Integralista Brasileira (AIB): organização política que conquistou


empresários, a classe média (uma parcela) e militar (uma parcela), que
combatiam o comunismo e pregava o nacionalismo extremista inspirado nas
ideias fascistas e nazistas.

- Aliança Nacional Libertadora (ANL): frente política contrária ao integralismo


reunia socialistas, anarquistas e comunistas. Seu programa político incluía a
nacionalização das empresas estrangeiras, o não pagamento da divida externa
e a reforma agrária.

- Intentona Comunista foi os dissidentes da ANL, considerada ilegal em 1935,


logo havendo um planejamento de revolta militar contra o governo com
rebeliões em batalhões do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Fazendo setores governamentais radicalizarem em nome do “perigo
comunista”, prendendo sindicalistas, operários, militares e intelectuais.

Governo ditatorial (1937-1945) – o Estado Novo é decretado em 1937, em


decorrência do Plano Cohen foi um plano comunista que tinha a intenção de
acabar com o regime democrático, mas na verdade tratava-se de uma
artimanha construída pelo governo com ajuda dos integralistas para combater o
“perigo comunista”, assim foi decretado o estado de guerra, prendendo os
adversários do governo, fechando o congresso e outorgando uma nova
constituição em 10/11/1937, dando inicio o Estado Novo com a “Constituição
Polaca”.

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Durante este período foi instaurado o estado de emergência, autorizava o
governo a invadir casas, prender pessoas, julga-las sumariamente e
condenando-as. Os estados perderão sua autonomia política através dos
interventores de confiança de Vargas. (continua)

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