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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ - UNIFEI

CUBAS DE ONDAS

Curso: Engenharia de Produção

Professor: Écio José Franca

Grupo: Bruno Pereira Abelha – 2018000710


Caio Tertuliano Ribeiro - 2018002878
Humberto Vinicius Trindade – 2018003525
Marcelo Pereira Pinto - 2018001923

FIS513 – FÍSICA EXPERIMENTAL IV

ITAJUBÁ – MG
2019
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Resumo
Verificar na prática a teoria aprendida em sala de aula, referente ao estudo da
interferência de ondas quando as mesmas passam por estreitas fendas, sejam elas
simples ou duplas. Nesse experimento fizemos uso de diversos aparelhos de
laboratório, sendo os principais: Um emissor de laser (Luz vermelha), pequenos
filtros que possuíam fendas de variadas larguras e um papel milimetrado que foi
usado para fazer medidas como distancias entre mínimos, máximos de interferência
e etc.
Com o laser posicionado a uma determinada distância do filtro e o papel
milimetrado a frente do filtro, de modo que tal filtro se localiza entre o laser e o papel
milimetrado, se foi possível constatar a interferência, já que enxergamos claramente
ambas franjas claras e escuras, se alternando, como máximos e mínimos.
Com o intuito de mudar as condições do experimento para que pudéssemos
verificar a veracidade das equações em circunstâncias diversas, fatores como
largura da fenda, e quantidade de fenda, foram sendo variados ao decorrer da
experiência. Assim novos resultados foram sendo obtidos, e dentro de suas margens
de erros, esses resultados se mostraram bastante satisfatórios.
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1 OBJETIVOS
 Produzir ondas circulares e planas, determinando sua velocidade,
comprimento de onda e frequência;
 Reconhecer a validade do princípio de superposição;
 Produzir e estudar ondas estacionárias.

2 INTRODUÇÃO TEÓRICA

2.1 Ondas Mecânicas


Ao gerar uma perturbação em um meio líquido, sua superfície se ondula e a
perturbação se propaga ao longo de toda a superfície, com a mesma velocidade em
todas as direções. Se a perturbação for repetida periodicamente observa-se que as
perturbações se propagam de forma ordenada formando o que se conhece da onda.
As perturbações na superfície do meio líquido são um exemplo de ondas mecânicas.
As ondas mecânicas são governadas pelas Leis de Newton e precisam de um meio
natural para se propagar. Numa onda, a energia se desloca de um ponto para outro,
sem que qualquer objeto material faça esse deslocamento. A velocidade ʋ de
propagação de uma onda está relacionada ao seu comprimento de onda λ e à sua
frequência ƒ através da relação (1): (1)
v=λ . f
Quando as ondas incidem sobre uma superfície elas sofrerão reflexão e/ou
refração.

Figura 1: Definição dos ângulos de incidência e reflexão de uma onda

Figura 2: Mudança do módulo e da direção da velocidade de uma onda que muda de meio de
propagação
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2.2 O princípio da superposição


Duas ou mais ondas podem se propagar simultaneamente em um meio. O
efeito causado por essas ondas é simplesmente a soma dos efeitos que a passagem
de cada onda individualmente provoca sobre o meio. Este é o princípio da
superposição de ondas.

2.3 Ondas estacionárias


Quando duas ondas idênticas se propagam em sentidos opostos em um
mesmo meio, dão origem a uma onda estacionária. A principal característica da
onda estacionária é apresentar pontos em que o meio está permanentemente em
repouso, chamados nós ou nodos. Entre nós adjacentes estão os ventres ou
antinodos, onde a amplitude de onda é máxima. A distância D entre dois ventres
adjacentes (ou entre dois nodos) é igual a meio comprimento de onda.
(2)
λ
D=
2

2.4 Interferência
Quando uma onda passa através de duas fendas, as posições das
intensidades máximas são dadas por:
d sin θ=mλ, (3)

Onde m=0,1,2,3,..., d é a separação entre as fendas, θ é o ângulo entre os


máximos eλ é o comprimento de onda.

Figura 3: Efeito das fendas

3 MATERIAIS
1) Cuba de ondas
2) Regulador de Frequência
3) Sistema de iluminação
4) Motor elétrico regulável
5) Fonte de alimentação
6) Ponteiros diversos
7) Obstáculos diversos
8) Régua milimetrada
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9) Becker
10)Câmera de celular

Figura 4: Materiais utilizados

4 METODOLOGIA E OBTENÇÃO DE DADOS

4.1 Reflexão e refração da onda


Inicialmente colocou-se o ponteiro longo de modo que encostasse apenas na
superfície da água. Ligou-se o motor e observou-se a onda formada. Em seguida,
usaram-se os diferentes obstáculos para observar as reflexões e refrações das
ondas. Conforme ilustrado a seguir.

Figura 5: Cuba
5

4.2 Medida da velocidade de propagação da onda


Posteriormente, substituiu-se o ponteiro longo por um ponteiro simples.
Encostando este na superfície da água. Ligou-se a fonte de alimentação e,
observou-se a formação de ondas circulares onde a distância entre perturbações
sucessivas é constante. Variou-se a frequência do aparelho e com o auxílio de
câmera de celular, mediu-se os comprimentos das ondas obtidas e suas
velocidades. Nos cálculos foi considerado o fator de escala na projeção.

Tabela 1: Tabela com os valores da frequência, do comprimento e da


velocidade das ondas.
Comprimento de onda Frequência (Hz) Velocidade (m/s)
(m)
0,026 ± 0,005 2±1 0,052 ± 0,003
0,022 ± 0,005 4±1 0,088 ± 0,004
0,018 ± 0,005 6±1 0,108 ± 0,004

4.3 Princípio de superposição e a formação de ondas estacionárias


Para observar a superposição de onda, acrescentou-se mais um ponteiro
simples da mesma forma do anterior. Ligou-se o motor elétrico e fotografou-se a
propagação de ondas no meio. Mediu-se a distância (d) entre os dois ponteiros,
encontrando-se d=7,5cm.

Figura 6: Duas fontes de ondas

4.4 Princípio da difração e da interferência de uma onda


Em seguida, fez-se a montagem descrita no desenho abaixo, observando-se
e fotografando o comportamento das ondas.
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Figura 7: Difração de uma onda através de uma fenda simples

Então, mudou-se o arranjo experimental trocando a fenda por uma pequena


barreira como mostrado na figura abaixo. Novamente, foi fotografado o
comportamento das assim.

Figura 8: Difração de uma onda através de um obstáculo

Finalmente, montou-se o último arranjo para estudar a interferência entre as


ondas acrescentando ao lado da pequena barreira as outras duas utilizadas
anteriormente de tal forma que se formasse uma dupla fenda como apresentado
abaixo.

Figura 9: Difração de uma onda através de uma fenda dupla


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5 ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS

5.1 Interpretações referentes à seção 4.1


Primeiramente, colocou-se o ponteiro longo na superfície da água e verificou-
se a formação de ondas planas como na Figura 10.

Figura 10: Ondas planas

Figura 11: Obstáculo triangular a) na superfície; b) encostado no vidro

Ao inserir obstáculos às ondas planas, foram observadas ondas refletidas e


refratadas. A superposição das ondas não será relatada por não obter muita clareza
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nas experiências. (verificar no experimento podemos observar que o fenômeno


realmente ocorreu)

Figura 12: Obstáculo convexo na superfície

Com o anteparo convexo verificou-se ondas refletidas saindo da curvatura


angular do anteparo.

Figura 13: Obstáculo côncavo na superfície

Com o anteparo côncavo, foram observadas ondas refletidas côncavas, com


sentido saindo da concavidade.
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Com o anteparo triangular, observou-se ondas refletidas paralelamente ao


lado angulado do anteparo. E também, ondas refratadas quase idênticas aos
incidentes.

Figura 14: Anteparo côncavo


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Figura 15: Anteparo convexo

Vê-se claramente que as ondas refletidas no filete côncavo são praticamente


iguais às do anteparo côncavo. Porém, não há ondas refratadas no filete.

5.2 Interpretações referentes à seção 4.2


A figura 16 abaixo nos mostra um exemplo da onda que foi formada. A
diferença desta para as outras ondas formadas é apenas o comprimento de onda,
pois como aumentamos a frequência e a velocidade deve se manter constante, o
comprimento de onda diminui.
Esta relação é devido à equação: ʋ= λ ƒ, em que ʋ é a velocidade dada em
m/s, λ é o comprimento de onda dada em m e ƒ é a frequência dada em Hertz.

Figura 16: Fonte pontual de onda nas frequências de 2, 4 e 6 Hz sucessivamente.

A figura a seguir indica a direção de propagação do pulso em diferentes


pontos e o comprimento de onda.
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Figura 17: Direções de propagação na fonte pontual de onda

As setas em preto representam a direção de propagação do pulso em três


diferentes pontos.
Calculou-se, para cada uma das medidas, a velocidade de propagação da
onda.
Para o cálculo da velocidade usaremos a relação: ʋ= λ ƒ, citada na teoria. A
medição do comprimento de onda λ, foi feita através de regra de três, comparando o
tamanho real, com o tamanho mostrado na tela do celular que fotografou as ondas.
Desta forma, demostraremos os cálculos a seguir.
Tamanho real da superfície de projeção: 135mm.
Tamanho desta superfície na tela do celular: 57mm.
Medimos então, o tamanho de onda no celular para que pudéssemos
descobrir seu valor real.
1. λcelular= 0,5 cm.

48cm 3,8 cm
λreal 0,5 cm
λ=6,31 cm.
ʋ= λ ƒ
ʋ=6,31 x 4= 25,24 cm/s

2. λcelular= 0,3 cm.

48cm 3,8 cm
λreal 0,3 cm
λ=3,78 cm.
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ʋ= λ ƒ
ʋ=3,78 x 6 = 22,73 cm/s
3. λcelular= 0,2 cm.

48cm 3,8 cm
λreal 0,2 cm
λ=2,52 cm.
ʋ= λ ƒ
ʋ=2,52 x 8= 20,16 cm/s
4. λcelular= 0,15 cm.

48cm 3,8 cm
λreal 0,15 cm
λ=1,89 cm.
ʋ= λ ƒ
ʋ=1,89 x 10 = 28,9 cm/s
5. λcelular= 0,1 cm.

48cm 3,8 cm
λreal 0,1 cm
λ=1,89 cm.
ʋ= λ ƒ
ʋ=1,89 x 12 = 22,7 cm/s

Comprimento de onda Frequência (Hz) Velocidade (m/s)


(m)
0,026 ± 0,005 2±1 0,052 ± 0,003
0,022 ± 0,005 4±1 0,088 ± 0,004
0,018 ± 0,005 6±1 0,108 ± 0,004

Os resultados obtidos foram relativamente diferentes. Esperava-se que a


velocidade encontrada fosse bem parecida ou constante em todos os casos, pois o
aumento da frequência era compensado pela diminuição do comprimento de onda, e
pela relação ʋ= λ ƒ, a velocidade se manteria constante, mas não foi o que ocorreu.
Isso se deve principalmente à imprecisão dos instrumentos, por exemplo, a medição
do λcelular foi uma medição bastante imprecisa, e também porque, quanto maior a
frequência, mais difícil era realizar medição do comprimento de onda.
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5.3 Interpretações referentes à seção 4.3


A seguir, tem-se um desenho da onda gerada por cada ponteiro:

Figura 18: Direções de propagação e comprimento de onda de uma fonte pontual

Distância entre os ponteiros = 8 cm


Ao adicionarmos outro ponteiro, observa-se duas ondas partindo uma de cada
ponteiro, apresentando, então, efeitos da superposição como por exemplo: ondas
quase planas no espaço posterior entre os ponteiros, de acordo com a figura:

Figura 19: Direções de propagação e comprimento de onda de duas fontes pontuais a


mesma frequência
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Figura 20: Ondas formadas com duas fontes pontuais a mesma frequência, nas frequências
de 2, 4 e 6 Hz sucessivamente.

Comparando-se o desenho acima com a imagem fotografada em laboratório,


chegou-se a conclusão que o desenho está bem parecido com imagem, confirmando
que ocorreu mesmo uma superposição das ondas geradas pelos ponteiros simples
utilizados.
Através do Princípio de Huygens, verificamos que a forma de onda plana
gerada pelo ponteiro plano é na verdade uma superposição de vários ponteiros
simples distribuídos ao longo da barra. De acordo com o Princípio de Huygens:
“Cada ponto da frente de ondas se comporta como um emissor de ondas esféricas”.
Quando há uma barra plana gerando perturbações, teremos vários pontos
infinitesimais da barra gerando ondas esféricas. A superposição dessas ondas gera
ondas planas, paralelas à barra. A figura 21 abaixo mostra isso, que veremos a
seguir:

Figura 21: Pertubações da barra plana


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5.4 Interpretações referentes à seção 4.4


Difração de uma onda através de uma fenda simples:

Figura 22: Modelos da difração através de uma fenda simples

Para o experimento foi colocado dois obstáculos com uma distância de 3 cm


entre eles, formando uma fenda simples.
Para facilitar a visualização da imagem produzida pelo experimento, foi
destacada as perturbações de onda na figura 23 abaixo:

Figura 23: Difração de uma onda através de uma fenda simples

Fica claro que ao passar pela fenda simples as ondas tomam uma formação
circular. Que tendem em relação ao ponto central da fenda tomar raios cada vez
maiores.

Difração de uma onda através de um obstáculo:


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Figura 24: Modelos da difração através de um obstáculo

Figura 25: Difração de uma onda através de um obstáculo

Na figura 25 acima vemos de maneira mais clara a formulação das ondas


após a passagem do obstáculo onde as ondas refletidas após o anteparo geram
ondas levemente inclinadas.

Difração de uma onda através de uma fenda dupla:

Figura 26: Modelos da difração através de uma fenda dupla


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Neste experimento visualizamos que as ondas refletidas após cada uma das
fendas tomam a forma circular de maneira semelhante ao caso da fenda simples. A
diferença neste caso está na superposição de ondas que acontece atrás do
obstáculo central devido ao encontro das mesmas (ver na figura 27 abaixo).

Figura 27: Difração de uma onda através de uma fenda dupla

6 CONCLUSÕES

Concluímos com o experimento que, apesar da presença de algumas


pequenas imprecisões (provavelmente devido aos seguintes fatores: variações na
temperatura e humidade no ambiente laboratorial; imprecisões nos instrumentos de
medição e propagação de erro sistemático devido a pequena amostragem utilizada
no procedimento) que não permitiram a obtenção de velocidades de propagação de
onda constantes como esperava-se ao comparar com a explanação teórica, foi bem
sucedido, ressalvando-se tal pequena divergência. Foi possível produzir ondas
circulares e planas, determinando a velocidade, comprimento de onda e frequência
das mesmas. Além disso, reconhecemos a validade do princípio de superposição
bem como produzir e estudar acerca do fenômeno das ondas estacionárias.
Por fim, também se pontua que os resultados se mostraram coerentes com as
equações de difração e interferência.

7 REFERÊNCIAS

R. RESNICK e D. HALLIDAY, Física, R.J., Ed. LTC, 1983, v.2.


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H. MOISÉS NUSSENZVEIG, Curso de Física Básica – Fluidos, Oscilações e Ondas de


Calor, Vol. 2, Ed. EDGARD BLUCHERCHER, 4a ed. 2002. Capitulo 3 e 4