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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO

ESPECIAL FEDERAL DE

COM PEDIDO DE TRAMITAÇÃO ESPECIAL - IDOSO

FULANO DE TAL, qualificação completa, vem à


presença, de Vossa Excelência, propor AÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE
REVISÃO DE APOSENTADORIA em face do INSTITUTO NACIONAL DO
SEGURO SOCIAL (INSS), pelos fundamentos fáticos e jurídicos que ora passa a
expor:

DOS FATOS

O requerente é aposentado pelo INSS com benefício de


nº...............

 Ao calcular a RMI da aposentadoria do requerente, o


INSS efetuou o cálculo do benefício de aposentadoria na forma do art. 3º, caput e §
2º, da Lei 9.876/99, considerando no cálculo apenas os salários de contribuição
posteriores a julho de 1994 e aplicando o mínimo divisor.

No entanto, essa metodologia de cálculo não é adequada


no presente caso, pois a regra prevista no art. 3º, caput e § 2º, da Lei 9.876/99 trata-
se de regra de transição, motivo pelo qual deve ser oportunizado ao segurado optar
pela forma de cálculo permanente se esta for mais favorável, tendo em vista que o
segurado filiou-se ao RGPS antes de 29/11/1999

Assim, em razão dos princípios basilares do Direito


Previdenciário, do , constata-se que a aplicação da regra permanente do art. 29, II
da Lei 8.213/91 é mais favorável ao segurado, razão pela qual o requerente, vem
postular a revisão de seu benefício.

DO DIREITO
Inicialmente, importa destacar que na presente demanda
não se está a discutir a constitucionalidade da regra de transição prevista no art. 3º
da 9.876/99.

O que se defende é, que mesmo sendo constitucional, o


referido dispositivo trata-se de norma de transição, que somente pode ser aplicada
para beneficiar o segurado, sendo possível a opção pela regra permanente caso esta
seja mais favorável, eis que esta é a “verdadeira” regra estipulada pelo legislador e
que melhor atende aos princípios da razoabilidade da proporcionalidade entre o
custeio e o benefício, eis que o valor do benefício será aferido através de todas as
contribuições vertidas pelo segurado ao INSS.

A Lei 8.213/91 previa, em sua redação original, que o


salário-de-benefício deveria ser calculado através da média aritmética dos salários-
de-contribuição imediatamente anteriores a concessão do benefício até o máximo
de 36 salários-de-contribuição encontrados nos 48 meses anteriores. Vejamos o
texto original do art. 29 da Lei 8.213/91:

Art. 29. O salário-de-benefício consiste na média


aritmética simples de todos os últimos salários-de-contribuição dos meses
imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data da entrada do
requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não superior
a 48 (quarenta e oito) meses. (Redação original)

Assim, segurado poderia verter contribuições sobre valor


inferior durante toda a vida laboral, e elevar o valor destas nos últimos 36 meses
anteriores à aposentadoria, garantindo um benefício de valor elevado.

Buscando maior equilíbrio financeiro e atuarial, foi


editada a Lei 9.876/99, que alterou drasticamente a forma de cálculo do benefício
determinando que o salário-de-benefício fosse calculado através da média
aritmética simples dos oitenta por cento maiores salários-de-contribuição
existentes durante toda a vida laboral do segurado, nos seguintes termos:

Art. 29. O salário-de-benefício consiste:

I - para os benefícios de que tratam as alíneas b e c do


inciso I do art. 18, na média aritmética simples dos maiores salários-de-
contribuição correspondentes a oitenta por cento de todo o período contributivo,
multiplicada pelo fator previdenciário;

II - para os benefícios de que tratam as alíneas a, d, e e h


do inciso I do art. 18, na média aritmética simples dos maiores salários-de-
contribuição correspondentes a oitenta por cento de todo o período
contributivo.          (Redação dada pela  Lei nº 9.876, de 26.11.99).

Dessa forma, considerando a necessidade de evitar


prejuízos aos segurados que já eram filiados a previdência social pelo alargamento
do período básico de cálculo para todo o período contributivo, tornou-se necessário
introduzir uma regra transitória para ser aplicada aqueles trabalhadores que já
estavam próximos da aposentadoria e poderiam ter seu benefício reduzido pela
drástica alteração na forma de cálculo do benefício.

Tal regra de transição foi introduzida pela Lei 9.876/99,


em seu art. 3º, in verbis:

Art. 3º - Para o segurado filiado à Previdência Social até


o dia anterior à data de publicação desta Lei, que vier a cumprir as condições
exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social,
no cálculo do salário-de-benefício será considerada a média aritmética simples dos
maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento
de todo o período contributivo decorrido desde a competência julho de 1994,
observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei n. 8.213, de 1991,
com a redação dada por esta Lei.

§ 1º Quando se tratar de segurado especial, no cálculo do


salário-de-benefício serão considerados um treze avos da média aritmética simples
dos maiores valores sobre os quais incidiu a sua contribuição anual,
correspondentes a, no mínimo, oitenta por cento de todo o período contributivo
decorrido desde a competência julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e
II do § 6º do art. 29 da Lei no 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei.

§ 2º - No caso das aposentadorias de que tratam as alíneas


"b", "c" e "d" do inciso I do art. 18, o divisor considerado no cálculo da média a
que se refere o caput e o § 1º não poderá ser inferior a sessenta por cento do
período decorrido da competência julho de 1994 até a data de início do benefício,
limitado a cem por cento de todo o período contributivo.”
Ora, se a norma possui caráter transitório como forma de
resguardar o direito dos segurados que já estavam inscritos na previdência social
até 29/11/1999, é evidente quando se considerar que a limitação temporal prevista
no art. 3º da Lei 9.876/99 deixará de ser aplicada a partir do momento em que
deixarem de existir segurados filiados ao RGPS antes da edição da referida Lei.

Ressalta-se que até então o período básico de cálculo era


restrito aos últimos 36 meses de contribuição, nos termos da redação original do
art. 29 da Lei 8.213/91, e a regra de transição, ao estipular o termo inicial do
Período Básico de Cálculo em julho de 1994 permite que o número de salários-de-
contribuição utilizados no cálculo fosse elevado progressivamente, com o passar
dos anos, até que regra de transição deixe de ser aplicável.

Ocorre que existem vários casos em que o segurado


possui regularidade nas contribuições antes de 1994 e muitas vezes com valores
superiores aos dos salários-de-contribuição vertidos após julho de 1994. Nesses
casos, a aplicação da regra permanente é mais vantajosa ao segurado.

Destaca-se que a regra de transição não pode impor ao


segurado que possui muito mais contribuições, por vezes em valor mais elevado
que as vertidas após julho de 1994, uma situação pior do que a regra nova.

Nesse ponto, destacamos a lição do de Melissa Folmann e


João Marcelino Sores[1]:

“As regras de transição existem para atenuar os efeitos


das novas regras aos segurados já filiados ao regime, que detinham expectativa de
direito com base nas regras anteriores. Quando nova regra surge, dividem-se os
segurados em três grandes grupos:

a ) o segurado que preencheu os requisitos para


determinado benefício com fulcro nas regras revogadas – neste caso existe o
direito adquirido, incidindo as regras revogadas, se mais benéficas ao segurado.

b) o segurado que iria preencher os requisitos para


determinado benefício com base nas regras revogadas – nesta hipótese o segurado
não tem direito adquirido, mas tão somente, expectativa de direito.
c) o segurado que se filiou ao regime após a alteração –
neste caso, aplica-se somente as regras novas.

É justamente para o segurado que não tinha direito


adquirido, mas que tinha expectativa de direito, é que as regras de transição são
criadas. Trata-se de maneira diferente o segurado que se encontra em uma situação
intermediária, para que este não seja tratado da mesma forma que os segurados
com direito adquirido nem da mesma foram que os segurados que se filiaram ao
regime após o advento da regra alteradora.

Portanto, deve ser facultada ao segurado a escolha pela


aplicação da norma que lhe mais vantajosa, no caso, a regra permanente.

O tratamento justo da questão depende da forma de


interpretação que o magistrado dará a norma, sendo que a interpretação teleológica
da norma em apreço concederá um benefício de acordo com as contribuições do
segurado.

Veja-se que a ampliação do período básico de cálculo


estipulada pela Lei 9.876/99 é socialmente mais justa que regra anterior, pois
assegura uma aposentadoria concernente com as contribuições recolhidas durante a
vida laboral, sendo que para resguardar a expectativa de direito daqueles que já se
encontravam próximos da aposentadoria a Lei 9.876/99 estipulou regra indicando
que o termo inicial do período de cálculo em julho de 1994.

Todavia, por uma questão de justiça e proporcionalidade,


deve ser assegurado ao segurado que vertia contribuições em momento anterior a
julho de 1994 optar pela inclusão destas contribuições no Período Básico de
Cálculo. Giza-se que tal providencia não implicará em prejuízos ao equilíbrio
financeiro e atuarial, e ainda prestigiará o princípio da proporcionalidade entre a as
contribuições e o valor do benefício, eis que se utilizará as contribuições vertidas
pelo segurado a fim de alcançar o valor do salário-de-benefício.

Nesse sentido, reconhecendo a possibilidade de o


segurado que tenha ingressado no RGPS em momento anterior a edição da Lei
9.876/99 optar pela aplicação da regra permanente do art. 29, I da Lei da 9.876/99,
o STJ julgou a questão sob o manto dos recursos repetitivos, por ocasião do
deslinde do Tema nº 999:
Aplica-se a regra definitiva prevista no art. 29, I e II da Lei
8.213/1991, na apuração do salário de benefício, quando
mais favorável do que a regra de transição contida no art.
3o. da Lei 9.876/1999, aos Segurado que ingressaram no
Regime Geral da Previdência Social até o dia anterior à
publicação da Lei 9.876/1999

Por todo o exposto, tratando-se as regras do art. 3º, caput,


e §2º da Lei 9.876/99 de regras de transição deve ser facultado ao segurado optar
pela aplicação das regras permanentes do art. 29, I, da Lei 8.213/91, com a
utilização de todo o período contributivo, incluindo as contribuições anteriores a
julho de 1994.

V – DO PEDIDO

ANTE O EXPOSTO, requer:

a) A concessão do benefício da Gratuidade da Justiça,


tendo em vista que o Autor não tem como suportar as custas judiciais sem o
prejuízo do seu sustento próprio e da sua família;

b) O recebimento e o deferimento da presente peça


inaugural, bem como a concessão de prioridade na tramitação, com fulcro no art.
71 da lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso);

c) A não realização de audiência de conciliação ou


mediação;

d)A produção de todos os meios de provas em direito


admitidos, em especial o documental;

e)O julgamento da demanda com TOTAL


PROCEDÊNCIA, condenando o INSS a:

1. Revisar o benefício nº XXXXXXXXXX para que o


cálculo do salário de benefício seja efetuado  na forma da regra permanente do art.
29, I, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 9.876/99, considerando todo o
período contributivo do segurado, incluindo as contribuições anteriores a julho de
1994;
2. Pagar ao Autor as parcelas vincendas e as
diferenças vencidas e não prescritas decorrentes da presente revisão a partir da data
do início do benefício, devidamente atualizadas até a data do efetivo pagamento,
observada a prescrição quinquenal das parcelas vencidas.

Nesses Termos, Pede Deferimento.

Dá à causa o valor de R$

Local, ......de 2020,

OAB

  

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