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TESTE

Página em branco
Senta a Púa! Brasil!
Aviação de Caça na FAB

INSTITUTO HISTÓRICO-CULTURAL DA AERONÁUTICA


Rio de Janeiro
2019
FICHA TÉCNICA

Senta a Púa! Brasil!


Aviação de Caça na FAB

Edição
Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica

Editor
Maj Brig Ar R/1 José Roberto Scheer

Autor
1º Ten QOCon Tec (HIS) João Ignácio de Medina

Projeto Gráfico
Seção de Desenvolvimento Gráfico e Computacional

Capa
2S Tiago de Oliveira e Souza

Impressão
Contactus Soluções Gráficas
2019
Apresentação

N ascida em 1944, filha da guerra, ela desfila a sua história maior através das his-
tórias dos seus esquadrões, das aeronaves e de suas personalidades que agre-
gam um valor singular no seu jeito peculiar de fazer as coisas, e bem feitas.
De caráter aguerrido, perfeccionista e obsessivamente focada nos seus objetivos,
a Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira comemora suas bodas de diamante ao
percorrer os seus 75 anos de existência ainda muito jovem, dinâmica e arrojada, às
portas de assumir uma nova postura, alinhada ao estado da arte do novo vetor que irá
receber.
Nessa sua grande jornada, vivenciou períodos muito distintos, quando, por vezes,
operava com aeronaves dentre as mais modernas no cenário mundial; e, em outros,
isso não pode ser verificado mercê de restrições econômicas que impunham a criati-
vidade nas modernizações, visando dotá-las de tecnologia bem mais avançada do que
a sua idade. Cirurgias pontuais foram feitas, tornando-as mais jovens e adequadas à
realidade que se impunha.
A despeito disso, a formação de seus pilotos sempre procurou visar a excelência no
emprego das técnicas e táticas atualizadas, por meio de pesquisas, estudos, visitas, in-
tercâmbios e participações em exercícios e manobras que provêm, às suas equipagens,
a manutenção do que é utilizado nas nações que utilizam aeronaves recém-construídas,
utilizando-as nos contínuos conflitos que teimam em não cessar.
No universo dos Adelphis, Centauros, Escorpiões, Flechas, Grifos, Jaguares, Jam-
bocks, Jokers, Pacaus, Pampas, Pif-Pafs e Pokers, a Caça brasileira compõe uma família
altamente operacional, sempre pronta a responder às necessidades e aos desafios que
se impõem, finamente adestrada e afiada como a lâmina mortal de uma espada empu-
nhada para defender a nação, mantendo a soberania do seu espaço aéreo.
Inúmeras histórias, personagens, torneios, reuniões, troféus, disputas e, principal-
mente, missões voadas ocupam esse livro de contos com setenta e cinco páginas de
vida, cada qual escrita de uma forma, num local diferente, com sotaques próprios da
região a qual pertence, porém com a mesma visão e altivez no orgulho de dizer que faz
parte de uma elite.
Tudo começou numa guerra e, para a Aviação de Caça, todo dia é uma nova guerra,
pois, em cada decolagem, mais do que seu armamento letal, cada aeronave conduz o
comprometimento da missão real, a busca pela perfeição e a persistência pelo alcance
da sua meta, como se esta fosse a mais importante... a única.
Desta feita, o Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) apresenta um
resumo desse extenso livro, para que seus personagens revivam as memoráveis passa-
gens das quais foram os atores principais e coadjuvantes, bem como para transmitir, às
gerações atuais e às futuras, os feitos, exemplos e tradições profundamente enraizados
no seio da Força Aérea e do País.
Seja cantando o Carnaval em Veneza, aplaudindo a Ópera do Danilo ou gritando
Senta a Púa ! Brasil ! a Aviação de Caça nos brinda com mais este trabalho que dispo-
nibilizamos aos leitores que, com certeza, passarão a admirar ainda mais a Instituição,
imaginando-se estar vestindo o uniforme de voo, com o traje anti-G, capacete, máscara
de oxigênio, dentro de uma diminuta nacele, cercado por instrumentos, botões e in-
terruptores, incorporado na garra e na coragem, absorto na missão a cumprir, voando
muito rápido na direção do alvo, sozinho. Esse é o seu mundo.

Maj Brig Ar R/1 José Roberto Scheer


Subdiretor de Cultura do INCAER
Senta a Púa! Brasil!
Aviação de Caça na FAB
João Ignácio de Medina

Astúcia, ligeireza, ardileza, autoconfiança e independência são alguns dos valores


que aparecem na descrição de arquétipos representados numa estreita gama de profis-
sões. Raras profissões.
Plena de tradições e apuro científico-tecnológico, a Aviação de Caça da Força Aérea
Brasileira (FAB) sempre teve em seu horizonte a mescla da busca pela excelência, com
valores caros não apenas no meio militar, mas no desenvolvimento humano ao longo
da história.
Assim, os aviadores da caça, como os arqueiros caçadores, utilizam-se de todos os
valores acima citados para concentração com inteligência, intuição e manejo do equi-
pamento com sucesso.
No meio militar brasileiro, a importância do espaço aéreo apareceu antes mesmo do
advento do avião, durante o principal conflito armado que o país se engajou no século
XIX, a Guerra do Paraguai (1864-1870). Neste evento, as Forças da Tríplice Aliança1,
por nosso intermédio, utilizaram balões estacionários2 para observação das forças pa-

1 Argentina, Brasil e Uruguai.


2 A observação aérea dos campos de batalhas ainda era pouco usual, tendo sido utilizada nas Guerras Na-
poleônicas (1794) e na Guerra Civil dos Estados Unidos da América – EUA (1861-1865).

5
raguaias. Apesar de este fato ser de outro (EUA) e outra proveniente da França,
tipo de Aviação, a de Reconhecimento, respectivamente, para a Marinha e para o
demonstra que, desde o século XIX, as Exército. As referidas missões juntaram-
Forças Armadas nacionais buscaram os se a outras que o governo federal con-
céus para o alcance da vitória. tratou durante os anos 1920 e 1930 para
reorganizar, racionalizar e desenvolver o
Percebe-se que o ambiente militar e
aparato estatal, tendo por objetivo o de-
as políticas de desenvolvimento de ci-
senvolvimento do país e da nação. Então,
ências aplicadas e tecnologia dos Esta-
doutrinas e conhecimento técnico foram
dos Nacionais passaram a entender os
adquiridos e aplicados no cotidiano da
ganhos potenciais de se utilizar os céus
caserna e, em especial, na aviação a ser
para conquistas bélicas, políticas ou mes-
desenvolvida no ambiente militar.
mo econômicas. A tendência se conso-
lidou ainda mais quando do advento do Além da contratação das referidas
avião, nos primeiros anos do século XX, missões estrangeiras, o aparato estatal, e
e da eclosão da I Guerra Mundial (1914- mesmo a sociedade, interessaram-se pela
1919). A aviação, no primeiro quarto de aviação nos primeiros anos do século
século, como arma independente ou não, XX, ao criar aeroclubes, cursos de forma-
ganhou, por assim dizer, um passe per- ção de pilotos e também engajar mão de
manente para participar dos conflitos ar- obra (estrangeira e local) para montagem
mados entre os povos. e manutenção das aeronaves. Desafios aé-
reos, conhecidos como raides, eram lan-
O Estado brasileiro percebe, antes
çados para estimular o desenvolvimento
mesmo da eclosão da guerra, a necessi-
da aviação no meio civil e consolidar a
dade de modernização, reaparelhagem e
integração nacional. Empresas estrangei-
desenvolvimento tecnológico-militar das
ras, em geral europeias, no pós-guerra,
Forças Armadas de então, a Marinha e o
passaram a operar serviços no país, co-
Exército. Tanto que, logo em 1910, o Mi-
nectando a Europa, via o norte da África,
nistério da Marinha já havia comprado e
ao subcontinente sul-americano.
recebido de estaleiros britânicos uma sé-
rie de embarcações consideradas o estado
da arte. Todavia, as ações modernizado- Anos 1940: o batismo de fogo da Avia-
ras no seio militar continuaram a ser pen- ção de Caça e da FAB na Segunda

sadas, planejadas e executadas dentro das Guerra Mundial


possibilidades financeiras e do contexto
Na virada dos anos 30 para os anos 40,
do cenário internacional.
o governo brasileiro aproveitou a eclosão
Assim sendo, duas missões militares da Segunda Guerra Mundial para con-
foram contratadas pelo governo federal duzir uma política de incremento do de-
para modernizar e reequipar nossas For- senvolvimento econômico. Para tanto, o
ças após o término da guerra. Uma pro- planejamento estatal ocorreu em diversas
veniente dos Estados Unidos da América áreas, tais como: substituir as importa-

6 Senta a Púa! Brasil!


ções de bens de consumo por similares os aportes de recursos técnicos e finan-
nacionais; exportações de matérias-pri- ceiros escassearam, demandando acordos
mas e alimentos para ambos os lados em diplomáticos que comprometiam a nossa
conflito (Aliados e Eixo); e busca de in- política internacional de neutralidade.
vestimentos internacionais para a criação
Assim, a neutralidade brasileira tornou-
e consolidação da indústria de base.
se ainda mais insustentável, não apenas
Inicialmente, a estratégia de neutralida- devido às pressões externas das potências
de frente ao conflito obteve importantes internacionais engajadas no conflito, mas
frutos. Não apenas na balança comercial, também devido à pressão popular após
mas no desenvolvimento socioeconômi- uma série de afundamentos de navios de
co da nação. A indústria de base, todavia, cabotagem da Marinha Mercante e bar-
não teve o mesmo sucesso neste contexto cos de pesca em diversos pontos da costa.
devido aos esforços de guerra dos países Tais ataques foram desferidos por sub-
em conflito drenarem, quase por comple- marinos italianos e alemães, significando
to, o crédito internacional, dificultando, perdas de vidas e de bens materiais que
sobremaneira, as intenções de construir comoveram a população. Desta forma,
novas atividades econômicas que alicer- mesmo com alguns setores do governo e
çariam o país e a nação, para se tornar da sociedade politicamente simpáticos às
uma nova potência internacional. Então, nações do Eixo, o Brasil, em 1942, decla-
em outras palavras, ao mesmo tempo em rou guerra a estas nações4.
que a eclosão da guerra entre as maiores
potências da época era uma oportunida- No campo diplomático e no cam-
de de desenvolvimento socioeconômico, po político-econômico, a declaração de
o conflito engessou os investimentos es- guerra fez o país se aproximar dos EUA
trangeiros. e assinar uma série de acordos com os
norte-americanos. Finalmente, a indústria
A diplomacia exercida buscava possí-
de base começou a sair do papel com o
veis acordos com a Alemanha e com os
aporte financeiro e tecnológico estaduni-
EUA num verdadeiro movimento pen-
dense na construção da Companhia Side-
dular entre o Eixo e os Aliados3. Pois
rúrgica Nacional (CSN) no sul do estado
após o ataque a Pearl Harbor, no Havaí,
do Rio de Janeiro.
em 1941, os Estados Unidos, que inicial-
mente eram neutros, declararam guerra A integração e defesa nacional tam-
ao Japão e às demais nações do Eixo. bém foram ampliadas com a reforma e/
Neste cenário internacional de conflito, ou criação de aeródromos em pontos es-

3 O Eixo era composto por Alemanha, Itália e Japão e os Aliados por Inglaterra, França, Estados Unidos e
União Soviética.
4 Por intermédio do Decreto no 10.358, de 31 de agosto de 1942.
Aviação de Caça na FAB 7
tratégicos que, aliados à atuação da Mari- ves, equipamentos, instalações e organi-
nha do Brasil, permitiram o aumento de zações militares provenientes das duas
segurança para a navegação e a pesca em Forças Armadas mais antigas. Ajustes
nosso litoral. foram sendo feitos neste novo braço ar-
mado que se estruturava, significando até
Foi no cenário acima descrito que o
a troca de nome da nova Força Armada
Brasil e os Estados Unidos estreitaram
para Força Aérea Brasileira (FAB), ainda
acordos de cooperação na área militar
no ano de 1941.
com qualificação de oficiais e graduados,
compra de equipamentos, armamentos e
aeronaves. Todavia, faz-se preciso retor-
nar um pouco, para quando o governo
brasileiro, influenciado por setores mili-
tares e civis, entendeu que havia a neces-
sidade de se unificar os negócios de ae-
ronáutica em uma única pasta ministerial,
em 1941.
Até aquele momento, a aviação e seus
assuntos estavam fracionados em três
ministérios diferentes, a saber: Ministé-
rio de Viação e Obras Públicas, Ministé-
rio da Marinha e Ministério da Guerra5.
A mescla das atividades civis e militares Ministro Salgado Filho
numa única pasta ministerial, exclusiva na (Fonte: Medina [2016]).
época, era pouco comum e demonstrou a
importância que o setor era tratado. O trabalho de padronização de equipa-
mentos, aeronaves e mesmo de doutrina,
Em 20 de janeiro de 1941, com a ins- neste início de FAB, foi intenso, árduo,
tauração do Ministério da Aeronáutica pois implicou uma mudança radical de pa-
(MAER), que teve como seu primeiro drões utilizados pelo efetivo proveniente
ministro Joaquim Pedro Salgado Filho, do Exército, que era pautado em um mo-
foi necessária a reestruturação do setor delo francês, diferentemente da parte do
aeronáutico militar, antes dividido entre efetivo que era originário da Marinha de
Marinha e Exército. Deste modo, insti- Guerra e que respeitava parâmetros esta-
tuíram-se, inicialmente, as Forças Aéreas dunidenses, mas que também teve que se
Nacionais (FFAA), com efetivo, aerona- adaptar à recém-criada Força.

5 Posteriormente, Ministério do Exército.


8 Senta a Púa! Brasil!
Os primeiros aviões de caça adquiridos

Os primeiros três tipos de aeronaves


de Aviação de Caça que a Força Aérea
adquiriu, junto aos Estados Unidos, fo-
ram os: Curtiss P-36A Hawk, Curtiss P-40
Warhawk e o Republic P-47 Thunderbolt.
Os primeiros modelos de caça, o Curtiss
P-36A Hawk e o Curtiss P-40 Warhawk,
foram adquiridos pelo MAER no sistema
Lend-Lease6. Curtiss P-40 Warhawk (Fonte: Portal da FAB –
www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Curtiss P-36A Hawk


(Fonte: www.rudnei.cunha.nom.br).

Republic P-47 Thunderbolt


(Fonte: www.rudnei.cunha.nom.br).

6 Sistema de Empréstimo e Arrendamento firmado com o governo estadunidense.


Aviação de Caça na FAB 9
As primeiras aeronaves chegaram ao anos 1940, por se tratar de um modelo
país durante o ano de 1942, ano a par- mais sofisticado e de ter sido adquirido
tir do qual se pode diferenciar a utiliza- em maior número do que os P-36A. Do
ção de cada um destes dois modelos de recebimento das primeiras unidades em
caça durante os anos 40 pelo país. É ainda 1942 até o final da II Guerra Mundial no
necessário dizer que, entre 1941 e 1942, Teatro de Operações (TO) europeu, em
não havia uma organização militar (OM) 1945, os P-40 foram utilizados na defe-
na Força Aérea exclusiva de Aviação de sa aérea nacional, em especial na região
Caça. Nordeste, chegando, nesta época de con-
flito mundial, a termos de, aproximada-
Os dez Curtiss P-36A Hawk acordados
mente, oitenta aeronaves disponíveis
em contrato foram inicialmente recebi-
no país, subdividas nos tipos: E-1, K-1,
dos na Base Aérea de Fortaleza (BAFZ),
K-10, K-15, M, e N.
no Grupamento de Aviões de Adaptação.
Entretanto, no final do ano de 1942, as No período da guerra, o modelo fal-
dez aeronaves foram transferidas para o tante neste rol, o Republic P-47 Thunderbolt,
Sexto Regimento de Aviação (6º RAV), teve o recebimento e emprego diferencia-
sediado na Base Aérea do Recife (BARF). do em relação aos modelos anteriormen-
O pouso dos P-36A em Recife-PE não foi te abordados. Os referidos caças não fo-
muito longo, sendo uma vez mais trans- ram entregues para utilização imediata na
feridos, no início de 1943, para o Grupo defesa do território e do mar continental
Monoposto-Monomotor (GMM), sedia- nacionais. Os primeiros exemplares des-
do na Base Aérea de Natal (BANT). ta aeronave de caça, em número de 31,
foram entregues aos brasileiros direta-
Apenas as funções de treinamento do
mente no Teatro de Operações, na Itália,
efetivo e de patrulha do Nordeste brasi-
em outubro de 1944, havendo ainda uma
leiro não foram modificadas nestes três
reserva de 37 guardados pelo exército es-
locais de emprego de caças. Isto até o fi-
tadunidense em seu depósito, localizado
nal do ano de 1943, quando, após a perda
na cidade italiana de Nápoles.7
de algumas aeronaves em acidentes diver-
sos, as cinco unidades restantes ficaram à
disposição da Escola de Especialistas de Os primeiros grupos de caça e o ba-
Aeronáutica (EEAR), para a instrução de tismo de fogo na Segunda Guerra
solo para o corpo discente. Mundial
O outro Curtiss, o P-40 Warhawk, teve Todavia, antes da entrega dos P-47, a
uma utilização mais significativa para o FAB, em 18 de dezembro de 1943, criou
cotidiano da Força e de suas OM nos o Primeiro Grupo de Aviação de Caça

7 No Army Air Force Storage Center/Mediterranean Theatre of Operations (Centro de Armazenamento da


Força Aérea do Teatro de Operações Mediterrânicas).
10 Senta a Púa! Brasil!
(1º Gp Av Ca8), a primeira OM exclusi- ro Grupo de Aviação de Caça (3o Gp Av
vamente dedicada à Aviação de Caça, por Ca), ligado à 5ª Zona Aérea e com sede
intermédio do Decreto-Lei nº 6.123. A na então Base Aérea de Porto Alegre.
composição do 1º Grupo de Caça era de Cabe dizer ainda que o 2º Gp Av Ca foi
aviadores militares e convocados, além criado a partir da estrutura e dos recursos
de militares especialistas (mecânicos e do recém-extinto GMM que tinha, como
artífices). vetores, os Curtiss P-36A Hawk e o Curtiss
P-40 Warhawk.
A qualificação dos aviadores9 como
pilotos do caça Republic P-47 Thunder- Desde a criação, três anos antes, a
bolt foi realizada diretamente pela arma Força Aérea e o MAER, rotineiramente,
aérea do exército estadunidense (United ajustavam atividades e organizações mili-
States Army Air Force - USAAF). A qua- tares sob seu comando para melhor aten-
lificação/adaptação ao P-47 dos militares der às necessidades, tanto em tempos de
especialistas do efetivo do 1º Grupo de neutralidade quanto em tempos de con-
Aviação de Caça ocorreu também nos flito. Por que isso deve ser dito? Devido
mesmos moldes dos aviadores militares10. à quantidade de ajustes realizados, certas
O treinamento do efetivo de pilotos de organizações militares, algumas vezes
caça e mecânicos durante o ano de 1944 herdadas da Marinha ou do Exército, fo-
foi realizado, quase exclusivamente, nos ram denominadas por mais de um nome
EUA e no Panamá, tendo como horizon- nos documentos oficiais, como é o caso
te o engajamento no TO, na Itália, sendo da Base Aérea de Porto Alegre, no Rio
que, antes do treinamento a ser efetuado, Grande do Sul.
o referido grupo utilizou os Curtiss P-40
Tendo origem no 3o Regimento de
Warhawk anteriormente citados.
Aviação do Exército Brasileiro, quando da
Ainda no ano de 1944, num único instauração da FAB, em 1941, a base es-
Decreto-Lei, o nº 6.796, de 17 de agos- tava localizada na cidade de Canoas-RS11.
to, foram criados mais dois Grupos de Entretanto, nos primeiros decretos de
Caça na Força Aérea. O Segundo Grupo criação, ora aparece a denominação Base
de Aviação de Caça (2º Gp Av Ca), liga- Aérea de Porto Alegre e ora aparece Base
do à 2ª Zona Aérea e com sede inicial na Aérea de Canoas, até que foi publicado
Base Aérea de Natal (BANT), e o Tercei- o Decreto-Lei no 8.054, de 8 de outubro

8 Primeira sigla do Grupo que, no decorrer do tempo, é modificada algumas vezes.


9 Os aviadores do 1º Gp Av Ca, antes do treinamento nos EUA, foram formados pela Escola de Aviação
Naval (Marinha do Brasil), Escola de Aeronáutica do Exército (Exército Brasileiro), Escola de Aeronáutica
(FAB) e aeroclubes/escolas de aviação nacionais e estrangeiros.
10 Para maiores informações sobre os especialistas da FAB, ler MEDINA (2016).
11 Canoas se emancipou da cidade de Porto Alegre em 1939.
Aviação de Caça na FAB 11
de 1945. O referido decreto foi baixado tanto no continente americano quanto já
para fazer a correção do Decreto-Lei no em continente europeu, os aviadores do
6.814, de 21 de agosto de 1944, que ver- 1º Gp Av Ca alcançaram grande profi-
sava sobre a transformação de Corpos de ciência no treinamento. Este período de
Base em Bases Aéreas de 1a e 2a Classes e, preparação antes do embarque para o TO
assim, a OM conhecida como Base Aérea na Europa, além de incutir doutrina es-
de Porto Alegre passou a ser denominada tadunidense da utilização do P-47 pelos
Base Aérea de Canoas (BACO). militares de ar e de solo, auxiliou no forta-
lecimento dos laços profissional e pessoal
Voltando aos grupos de caça e ao di- entre o efetivo da OM.
nâmico processo de planejamento que
o contexto demandava, o 2º Grupo de Apesar da seriedade necessária à prepa-
Caça deveria ser engajado na Campanha ração para o país entrar em combate, os
do Pacífico, também junto às Forças Ar- oficiais e graduados brasileiros, com bom
madas dos Estados Unidos, e, entretanto, humor e influenciados pela convivência
isso acabou não ocorrendo por diversos com os instrutores da USAAF, fizeram a
fatores alheios ao governo federal. personalização de uniformes e de aerona-
ves com distintivos não padronizados à
O referido Grupo não continuou suas moda estadunidense. Melhor explicando,
atividades na cidade de Natal, tendo sido nossos anfitriões tinham a prática de per-
transferido para a Base Aérea de Santa sonalizar suas aeronaves e uniformes de
Cruz (BASC), na então capital federal, a voo desde a I Guerra Mundial, quando
cidade do Rio de Janeiro-RJ, sem que isso viram tal prática sendo feita por pilotos
significasse que a BANT não teria algum germânicos.
tipo de unidade aérea responsável por
executar atividades relacionadas à caça. Por sua vez, os brasileiros fizeram o
mesmo e, assim, surgiu o desenho do
Por intermédio do Decreto-Lei nº distintivo personalizado utilizado pelo
6.926, de 5 de outubro de 1944, foi cria- 1º Gp Av Ca, que foi feito pelo Capitão
do o Primeiro Grupo Misto de Aviação, Aviador Fortunado no navio UST Colom-
constituído de Esquadrilha de Caça e de bie, durante o deslocamento para a Itália
Bombardeio Médio. contendo: um avestruz armado e com
Assim, dos três grupos exclusivos para os dizeres “Senta a Púa!”, representando
a Aviação de Caça criados no período de força, coragem, determinação, resiliência,
estado de guerra, apenas o Primeiro Gru- entre outros signos e valores. O desenho,
po foi engajado diretamente na guerra, na conhecido na FAB como Bolacha, fez
Europa ou no Pacífico. Apesar de alguns tanto sucesso entre os militares engajados
percalços, acidentes e mesmo perda de no TO italiano que a Primeira Esquadri-
vida de alguns pilotos em treinamento, lha de Ligação e Observação (1ª ELO)12,

12 Para maiores detalhes da 1ª ELO, ver GONÇALVES (2016).

12 Senta a Púa! Brasil!


auxiliadora da Força Expedicionária Brasileira (FEB), solicitou, para o responsável pela
criação do emblema “Senta a Púa!”, a confecção de uma Bolacha para a referida Esqua-
drilha.

Bolacha do 1o Gp Av Ca e bolacha da 1a ELO (Fontes: Ficha de Proposta de Inventário de Bem Cultural


Imaterial - Bolacha; GONÇALVES [2016]).

Bolacha do 1o Gp Av Ca nos Thunderbolt empregados no Teatro de


Operações italiano (Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/pho-
tos/portalfab/collections/).

Aviação de Caça na FAB 13


Aqui se pode fazer um parêntese para Por ser um dos quatro esquadrões de
dizer que a Bolacha forjou uma tradição caça que integravam o 350th Fighter Group,
de uso entre os militares, criando um há- à semelhança das unidades estaduniden-
bito passado para as novas gerações na ses o 1o Grupo de Aviação de Caça rece-
FAB e sendo adotada, atualmente, em: beu o código Jambock para sua identifica-
unidades aéreas13, esquadrões e esqua- ção na comunicação rádio com os órgãos
drilhas de organizações de ensino, es- de controle. O significado da palavra-có-
quadrilhas de voo, turmas de escolas de digo informado aos oficiais brasileiro foi
formação, manobras e exercícios opera- que se tratava de uma espécie de chicote
cionais. O código satisfez uma necessidade ope-
racional da FAB e da USAAF, e, em in-
Em território italiano, nossa Unidade vestigações posteriores, o Brigadeiro do
Aérea era subordinada ao 350th Fighter Ar Rui Moreira Lima15 descobriu que este
Group da Força Aérea do Exército dos tipo de chicote provinha da África do Sul
Estados Unidos (United States Army e, mais remotamente, do Sudeste da Ásia,
Air Force - USAAF14), juntamente com sendo feito de couro de hipopótamo ou
outros três esquadrões estadunidenses. rinoceronte.
O 1º Gp Av Ca aportou em Livorno, na Sob o Comando do então Major e
Itália, em 6 de outubro de 1944, e, sem posteriormente Tenente-Coronel Avia-
saber, criou mais uma tradição da avia- dor Nero Moura16, os Jambocks foram
ção de caça que perdura até os tempos engajados em 445 missões, representan-
atuais: o Picadinho Jesus está Chamando. A do 5% das operações coordenadas pelo
referida refeição, originalmente, foi reali- 350th Fighter Group, da USAAF. Dentre as
zada como última confraternização antes diversas missões designadas pelos esta-
do engajamento na Guerra e, posterior- dunidenses, podem ser destacados dois
mente, como forma de rememoração e tipos, que foram executados em maior
de transmissão da história, de valores e quantidade: escolta a bombardeio e ata-
de tradições da Caça e da FAB. que ao solo.

13 Desde que não se trate de organização militar (OM).


14 Apenas após a II Guerra foi criada uma Força Aérea estadunidense independente: a USAF (United States
Air Force).
15 LIMA (1989).
16 Futuro Patrono da Aviação de Caça.

14 Senta a Púa! Brasil!


Instalações do 1o Gp Av Ca no Teatro de Guerra na Itália e reabastecimento de um P-47 do1o Gp Av Ca
(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Parte do efetivo do 1o Gp Av Ca no Teatro de Guerra na Itália


(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Aviação de Caça na FAB 15


Para uma Força recém-criada de um prisioneiros dos alemães e três protegidos
país em desenvolvimento, isso já seria um pelos partigiani – integrantes da Resistên-
grande feito, mas a taxa de sucesso alcan- cia Italiana aos alemães) e sete afastados
çado superou, em muito, a porcentagem por motivo de saúde.
sob responsabilidade do grupo de caça Juntando-se a isso a dificuldade de
nacional. Dados conhecidos do XII Tacti- recompletamento de pilotos, se ofertou
cal Air Command (Décima Segunda Força ao 1º Grupo Aviação de Caça reduzir o
Aérea Tática) dos EUA mostram que o esforço a que a unidade era engajada, o
1º Grupo de Aviação de Caça, com suas que foi recusado. Isto engrandeceu ain-
missões de ataque, alcançou as seguintes da mais os feitos alcançados, significando
porcentagens, dentro do total geral do que um seleto e eficiente grupo de caça-
referido Comando: 85% de destruição a dores alcançou um elevadíssimo número
depósitos de munições, 36% de destrui- de missões executadas frente aos demais
ção a depósitos de combustíveis, 28% da pilotos aliados.
destruição a pontes, 15% de destruição a
veículos motorizados, 10% de destruição Aqui, uma vez mais, cabe fazer o regis-
a veículos hipomóveis, 19% de danifica- tro de mais uma tradição da caça surgida
ção a pontes, 13% de danificação a ve- nos anos 1940, conforme relatos de vete-
ículos terrestres e 10% de danificação a ranos e fontes documentais: o “Adelphi”.
veículos hipomóveis17. O “Adelphi”, inicialmente, era um brinde
inspirado numa propaganda radiofônica
Ainda ligado à atuação do 1º Grupo de de um cigarro, realizado pelos oficiais
Aviação de Caça na Itália, ficou definido, antes dos contatos com o treino e com
dentro do âmbito da FAB e do MAER, o TO europeu. A execução do mesmo
que o dia 22 de abril passaria para a histó- era realizada como no anúncio de rádio:
ria como o “Dia da Aviação de Caça”, por palmas intermitentes (pá...parapá), se-
ser o dia com o maior número de surtidas guida da pronúncia da palavra “Adelphi”
realizadas, 44, tendo sido mais de cem al- de forma enérgica e, por fim, bebia-se o
vos atingidos. drinque.
Os Jambocks, da preparação ao engaja- A princípio jocoso e festivo, o brinde
mento na Itália, tiveram a sua cota de sa- acabou por ganhar pompa e circunstância,
crifício em sangue neste batismo de fogo após ser proferido para o Comandante da
da Aviação de Caça da FAB. Os 48 caça- Décima Segunda Força Aérea Tática, Ge-
dores engajados no período tiveram vá- neral J.K. Cannon, que estava visitando
rias baixas, como: cinco mortes em com- as instalações, na Itália, do 1º Grupo de
bate, quatro mortes em acidentes aéreos, Aviação de Caça transformando-se em
oito abatidos em confronto (sendo cinco saudação destinada a grandes personali-

17 Veículos de tração a cavalo.


16 Senta a Púa! Brasil!
dades ou em honrar a cada companheiro eram os mesmos. Novos tempos estavam
desaparecido em combate. A partir deste sendo inaugurados nos cenários nacional
momento, de acordo com o Brigadeiro e internacional.
Moreira Lima18, o “Adelphi” só foi pro- O MAER, que contava agora com o
ferido em ocasiões cada vez mais restritas Ministro Major-Brigadeiro do Ar Arman-
para saudar os veteranos mortos e se al- do Figueira Trompowsky de Almeida,
guma pessoa viva se torna merecedora de deu continuidade ao desenvolvimento da
um “Adelphi”, ela o recebe respeitosa e FAB de diversas formas. As mais impor-
orgulhosamente, não raro se emocionan- tantes para o desenvolvimento da aviação
do até as lágrimas. militar e mesmo civil foram os estudos
para a futura criação do Centro Técnico
de Aeronáutica (CTA) e do Instituto Tec-
nológico de Aeronáutica (ITA)19, que já
vinham sendo alinhavados desde 1944 e
continuaram sendo fomentados pelo Es-
tado brasileiro.
Demonstrando a percepção que o de-
senvolvimento científico-tecnológico era
Rótulo da carteira do cigarro “Adelphi” importante para o cumprimento da mis-
(Fonte: www.aerojota.com.br). são do braço militar do MAER, o Major-
Brigadeiro Trompowsky assinou, em 16
de novembro de 1945, a Exposição de
Pós-guerra: nova configuração do Motivos GS-20 que planejava todo o de-
FAB
país e da senvolvimento científico no campo aero-
Após o cessar das hostilidades no con- náutico a ser executado pela Força. Criou-
tinente europeu, em 8 de maio de 1945, se a Comissão de Organização do Centro
e da guerra, em 2 de setembro, com a Técnico (COCTA) em 29 de janeiro de
rendição do Japão frente aos Estados 1946 que, durante o restante da década,
Unidos, o Brasil saiu do estado de guerra. lançaria as bases para o incremento do se-
Para a jovem Força Aérea, isso significou tor aeronáutico nacional ter componentes
uma nova etapa a ser iniciada, com a ade- locais e não apenas estrangeiros.
quação de seus recursos humanos e ma- Para a Aviação de Caça, após a experi-
teriais para a nova demanda do país, pois ência de emprego real no Teatro de Ope-
nem o Brasil e nem as Forças Armadas rações na Europa, cabia agora preparar-se

18 LIMA (1989).
19 A referência inspiradora adveio da existência do Massachusetts Instittute of Technology (MIT), dos Estados
Unidos.
Aviação de Caça na FAB 17
para tempos de paz, sem isso significar a 1946, o 4º Grupo de Caça foi extinto,
perda de doutrina ou de experiência ad- sendo absorvido, no que cabia, pela es-
quiridas. O Primeiro Grupo teve os seus trutura do 3º Grupo.
P-47 desmontados e embarcados, por
Em 1947, a FAB passou por uma re-
meio marítimo, para o Brasil, enquanto
estruturação que modificou a denomina-
seu efetivo foi deslocado para casa ou
ção de unidades aéreas e extinguiu vários
para os EUA. Os enviados para a Amé-
Grupos de Aviação existentes até então.
rica do Norte tiveram a missão de trazer
A FAB passou a ter, de acordo com o De-
mais uma leva de dezenove novos caças
creto no 22.802, de 24 de março de 1947,
P-47 Thunderbolt.
suas atividades de aviação divididas da se-
No país, o 1º Gp Av Ca passou a ter guinte forma:
sede na BASC, como já ocorria com o 2º
Grupo, e ambos passaram a empregar o − Manaus – 1o Grupo de Aviação;
“Trator Voador”, denominação bem hu- − Belém – 2o Grupo de Aviação;
morada utilizada pelos pilotos de caça para
destacar a robustez do modelo operado − São Luís – 3o Grupo de Aviação;
no TO italiano. Nossos aliados estaduni- − Fortaleza – 4o Grupo de Aviação;
denses e britânicos, por sua vez, achavam
a aeronave parecida com uma jarra de leite − Natal – 5o Grupo de Aviação;
e assim apelidaram-na de Jug. − Recife – 6o Grupo de Aviação;
Na BASC, também passou a ocorrer a − Salvador - 7o Grupo de Aviação;
formação de piloto de caça, com a cria-
− Rio de Janeiro - 8o Grupo de Avia-
ção, em 1946, do Estágio de Seleção de
ção;
Pilotos de Caça (ESPC) que tinha, como
código identificador em comunicações, o − Rio de Janeiro – 9o Grupo de Avia-
nome Pacau. ção;
Para o Terceiro Grupo de Aviação de − São Paulo – 10o Grupo de Aviação;
Caça, o final da guerra trouxe duas novi- − Santos – 11o Grupo de Aviação;
dades: a guarda, com vistas ao emprego,
de todas as aeronaves Curtiss P-40 War- − Curitiba – 12o Grupo de Aviação;
hawk pelo então 3º Regimento de Avia- − Florianópolis – 13o Grupo de Avia-
ção, do qual fazia parte, e a criação do ção;
Quarto Grupo de Aviação de Caça, a ser
sediado também na BACO. − Porto Alegre – 14o Grupo de Avia-
ção;
Assim, tanto o 3º quanto o 4º Grupo
dividiram a utilização dos P-40. Isso se − Campo Grande – 15o Grupo de Avia-
deveu à extinção, em Natal, do 1º Gru- ção; e
po Misto de Aviação, que os utilizava em − Belo Horizonte – 16o Grupo de Avia-
suas atividades de caça. Entretanto, já em ção.
18 Senta a Púa! Brasil!
O impacto nos Grupos de Aviação Esquadrão Pif Paf) do 1o Grupo de Avia-
de Caça foi a mudança de suas denomi- ção de Caça (1º GAvCa), anteriormente
nações, ficando da seguinte forma: o 1º 9o Grupo de Aviação; e o então 1o Grupo
Grupo de Aviação de Caça (1o Gp Av Ca) de Aviação, sediado em Manaus, passou
passou a ser o Primeiro Esquadrão do a adotar a denominação de 9o Grupo de
Nono Grupo de Aviação (1o/9o GAv) e o Aviação.
2º Grupo de Aviação de Caça (2o Gp Av
Ca) transformou-se em Segundo Esqua- Anos 1950: a Guerra Fria e o desen-
drão do Nono Grupo de Aviação (2o/9º volvimento tecnológico
GAv), com sede na BASC. Já o 3o Grupo
de Aviação de Caça (3o Gp Av Ca) passou A reconfiguração geopolítica interna-
a ser o Primeiro Esquadrão do Décimo cional após a II Guerra Mundial em dois
Quarto Grupo de Aviação (1o/14o GAv, grandes polos, capitaneados, respectiva-
também conhecido como Esquadrão mente, por Estados Unidos e União das
Pampa), com sede na BACO. Nesta mes- Repúblicas Socialistas Soviéticas (URRS),
ma época, entre o final da guerra e as no- fez com que houvesse uma corrida ar-
vas denominações, o 1o/14o GAv passou mamentista, juntamente com uma tensão
a desenvolver também o Curso de Caça crescente de possível conflito armado
para Aspirantes. que, contudo, não eclodiu20, mantendo
assim o grande aporte econômico no
Além dessas modificações, mais uma desenvolvimento de novas tecnologias a
ocorreu em relação à BACO: por inter- serem aplicadas em equipamentos mili-
médio do Decreto no 3.302, de 22 de tares, engendrando o desenvolvimento,
maio de 1949, a referida base foi extin- por exemplo, de aviões com melhor pro-
ta e, em seu lugar, aproveitando todas pulsão e equipamentos em geral.
as instalações e recursos, criou-se a Base
Aérea de Porto Alegre. Mais próximo do O primeiro conflito bélico no qual
final daquele ano, o Decreto no 27.313, de foram utilizadas novas tecnologias de
14 de outubro, fez mais um ajuste na de- propulsão foi a Guerra da Coreia (1950-
nominação de algumas unidades aéreas, a 1953)21. Neste conflito, foram emprega-
saber: os então 1o/9o GAv e 2o/9º GAv dos caças com propulsão a jato de uma
passaram a ser esquadrões (1º/1º GAvCa forma mais generalizada pela primeira
– Esquadrão Jambock e 2º/1º GAvCa – vez22. Do lado estadunidense, o primei-

20 Época conhecida como Guerra Fria que perdurou até o início dos anos 1990.
21 Os Aliados, após a Conferência de Postdam (17 de julho a 2 de agosto de 1945) e da rendição nipônica,
dividiram a Península da Coreia em dois países: um ao norte, de influência soviética, e outro ao sul, de influência
estadunidense.
22 A Alemanha (Messerschmitt Me 262) e o Reino Unido (Gloster Meteor MK1) no final da II Guerra
Mundial utilizaram aeronaves a jato.
Aviação de Caça na FAB 19
ro vetor a jato utilizado foi o F9 Panthers Por outro lado, também havia um en-
(F-2, F-3 e F5), da USNAVY (Marinha tendimento tácito de que a América La-
dos Estados Unidos), e, do lado norte- tina, e, assim, o Brasil, não deveriam ou
coreano, foram utilizadas aeronaves sovi- precisariam ter equipamentos tão desen-
éticas Mikoyan-Gurevich – 15 (MiG - 15). volvidos, mantendo-se, desta forma, um
equilíbrio planejado por Washington para
A FAB ainda contava com equipamen-
a referida região e evitando-se o surgi-
tos de antes da guerra, mesclados com os
mento de nações belicamente fortes fren-
testados e aprovados na II Guerra Mun- te aos interesses do bloco liderado pelos
dial, como os P-47 e os P-40. Por causa EUA. Entretanto, as dificuldades de aqui-
do tempo de utilização, mesmo com al- sição de aeronaves a jato foram superadas
gum tipo de modificação, tais aeronaves pelo país e pelo MAER.
e sua tecnologia embarcada não durariam
para sempre. Para evitar a obsolescência Outra forma de alcançar o avanço tec-
do equipamento e a subutilização da es- nológico, anteriormente abordado no tex-
trutura física, construída durante os anos to, foi o fato de que a formação qualifica-
de guerra, o MAER e a FAB continua- da em tecnologia aeronáutica, finalmente,
ram o planejamento de forma dinâmica, começou a sair do papel, para ser efeti-
tanto dos recursos humanos quanto dos vada no interior do estado de São Paulo.
materiais. As instalações do CTA em São José dos
Campos foram erigidas e ficaram total-
Assim, já em 1950, com o Brigadeiro mente funcionais a partir de 1953.
do Ar Nero Moura, antigo Comandante
Para exemplificar as ações de reapa-
do 1o Grupo de Aviação de Caça no TO
relhamento e recompletamento da FAB,
da Itália e agora, como Ministro da Ae-
pode-se falar que, na BASC, além dos 1º
ronáutica, o país buscou, junto às nações e 2º Esquadrões do 1º Grupo de Avia-
amigas, a aquisição de aeronaves mais ção de Caça, foi criado o Terceiro Esqua-
evoluídas tecnologicamente (propulsão a drão do referido Grupo de Caça (3º/1º
jato), sem se esquecer de repor os exem- GAvCa), no ano de 1951, que herdou as
plares mais antigos (propulsão a hélice) funções do ESPC, bem como seu código
ainda importantes para a FAB. identificador Pacau. Isso estimulou a con-
A reposição das aeronaves foi, dentro tinuidade de acordos e tratados de com-
das capacidades financeiras e diplomá- pra e venda de vetores com os EUA, além
ticas do país e do novo governo, mais da assinatura de novos com outras nações
tranquila do que a garantia de poder ad- amigas, como a Grã-Bretanha.
quirir modelos de propulsão a jato. Isso, Desta forma, foram adquiridas novas
em parte, pode ser computado pelo fato unidades de P-47, feitas em 1952 e 1953,
de que estava havendo o conflito no Ex- e também comprados vetores a jato Glos-
tremo Oriente, no qual, indiretamente, a ter Meteor, junto à Grã-Bretanha, também
União Soviética e os EUA estavam se en- em 1953 (modelos F-8 caça - monoplace
frentando na Península da Coreia. - e TF-7 treinamento - biplace).

20 Senta a Púa! Brasil!


Gloster Meteor voando pela FAB e quatro aeronaves do referido vetor pousadas
(Fonte: : Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Com os recém-comprados Gloster, a Em 11 de fevereiro de 1954, o 3º/1º


FAB passou a contar com propulsão a GAvCa foi extinto e seus caças e efetivo
jato e os primeiros modelos ficaram lo- foram redistribuídos dentro da FAB, em
tados na BASC, no Rio de Janeiro. Os especial, na BANT. O 1º/14º GAv, con-
aviões a jato provieram da Grã-Bretanha, tudo, foi o pouso temporário dos Republic
que já fornecia outros modelos para a F-47 Thunderbolt entre 1953 e 1954 e, em
Argentina e Venezuela, e, com a dificul- seu lugar, chegaram, inicialmente, oito
dade e a falta de interesse dos EUA em Gloster Meteor (dois TF-7 e seis F-8).
fornecer o mesmo tipo de tecnologia, o O referido Esquadrão continuou a re-
Brasil acabou por fechar acordo com os ceber Aspirantes para a formação de Pi-
britânicos. lotos de Caça, entretanto, não era o único
Com as novas aquisições, optou-se local a fazer tal tipo de instrução. Com
por redividir os P-47 existentes entre o a extinção do antigo Esquadrão Pacau,
3º/1º GAvCa, na BASC, e o 1º/14º GAv, no Rio de Janeiro, a Base Aérea de Na-
na BACO, sob a nova nomenclatura de tal (BANT) passou a ter um esquadrão
F-47. Os novos Thunderbolt vieram repor de instrução de caça, o Segundo Esqua-
as perdas em acidentes ou mesmo por drão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5º
falta de peças e passaram a equipar espe- GAv), ativado23 para este fim em 1953,
cialmente o 1o/14o GAv, que encontrava que herdou o código Pacau.
dificuldades no cumprimento de suas ati- Em setembro de 1954, o 1º/14º GAv
vidades, contando com os fatigados P-40 passou a contar, como vetor principal,
e alguns T-6. com o Gloster Meteor, que já era empre-

23 Originalmente criado pelo Aviso nº 39, de 16 de dezembro de 1947, teve sua criação suspensa pelo Aviso
nº 22, de 22 de março de 1948, devido a restrições operacionais, sendo, finalmente, ativado por intermédio da
Portaria Reservada nº 38, de 17 de setembro de 1953.
Aviação de Caça na FAB 21
gado pelos caçadores no Rio de Janeiro. O 1º/4º GAv recebeu os F-47 que, jun-
Não se pode esquecer que a entrada do tamente com os North American T-6, passa-
Esquadrão Pampa na era a jato significou ram a ser utilizados na instrução de pilotos
a transferência dos Curtiss P-40 Warhawk de caça na BAFZ. Tais aeronaves, apesar
para o então Parque de Aeronáutica de da manutenção contínua e da aquisição de
São Paulo, precipitada por um acidente novas unidades, mostravam-se com alto
em Canoas-RS onde um P-40 quebrou índice de fadiga ou falhas técnicas, pre-
uma das asas durante um voo de expe- judicando, sobremaneira, a instrução e as
riência com a perda da vida do Cap Av demais atividades do referido esquadrão.
Argollo encerrando a utilização dos mes- A instrução de pilotos de caça do ano
mos pela Aviação de Caça da FAB. de 1957, realizada nos F-47, foi suspensa,
Importante destacar que este proces- após uma série de acidentes e do faleci-
so de ajuste e realocação de recursos hu- mento de um dos Aspirantes do curso,
manos e aeronaves continuou pelos anos sendo retomada quando do recebimento
subsequentes, tanto para a Caça quanto de quatorze T-6, para serem utilizados no
para a FAB. Em dezembro de 1956, o lugar dos Thunderbolt. Os “Tratores Voa-
dores” utilizados pela Força Aérea desde
Primeiro Esquadrão do Quarto Grupo
a guerra encerraram seu emprego na Avia-
de Aviação (1º/4º GAv)24 foi transfor-
ção de Caça, sendo trasladados para o en-
mado em uma unidade aérea de caça e
tão Parque de Aeronáutica de São Paulo.
teve os seus North American B-25 Mitchell
e instrutores transferidos da Base Aérea Juntando a evolução da tecnologia da
de Fortaleza (BAFZ) para a BANT. Por aviação a jato com a necessidade de ou-
sua vez, o 2º/5º GAv, de Natal, deixou de tros caças/aeronaves para serem utiliza-
atuar com a instrução de caça, recebendo dos no curso ministrado, o Esquadrão
os B-25 e instrutores e cedendo os seus Pacau conseguiu, em 1958, obter outros
F-47 para o 1º/4º GAv. vetores. Na virada de 1956 para 1957, o
referido Esquadrão recebeu alguns Lock-
Outro efeito destas modificações de heed T/TF-33A Thunderbird e, em 1958,
missões entre o 1º/4º GAv e o 2º/5º recebeu alguns Lockheed F-80 Shooting Star.
GAv foi que, uma vez mais o código Pa- Ambos os tipos de aeronaves passaram a
cau mudou de esquadrão, passando a ser ser utilizados, significando a consolidação
a identificação do 1º/4º GAv, também no da formação dos pilotos de caça em veto-
referido ano de 1956. res a jato.

24 Criado pelo Decreto no 22.802, de 24 de março de 1947 e ativado pelo Aviso Reservado no 014, de 29
de julho de 1947, com sede na Base Aérea de Fortaleza (BAFZ) e tendo como missão inicial a instrução e o
emprego da aeronave Lockheed A-28A Hudson.

22 Senta a Púa! Brasil!


Lockheed T/TF-33A
Thunderbird e Lockheed
F-80 Shooting Star
(Fonte: : Portal da FAB
– www.flickr.com/photos/
portalfab/collections/).

Desta forma, o desenvolvi-


mento tecnológico e científico
referente à aviação, importante
para a soberania nacional, não
estava sendo engendrado. Na
década seguinte, o governo fe-
deral, por intermédio do MAER
e da FAB, iniciou uma série de
estudos, políticas e ações para
reverter tal cenário, para que,
mesmo que não houvesse mu-
Deste modo, a década de 1950 se fe- danças radicais nas relações diplomáticas,
cha de maneira mais próxima às novas o país não sofresse ingerências de nações
tecnologias que despontavam, deixando mais desenvolvidas em relação a tecnolo-
para trás vetores e doutrinas da época da gias militares, como era comum nos pro-
II Guerra Mundial. Nesta época, havia cessos de aquisição de qualquer artefato
três OM de Aviação de Caça e todas equi- tecnológico empregado militarmente.
padas com aviões com propulsão a jato:
o 1º/4º GAv, na BAFZ; o 1º GAvCa, na
BASC; e o 1º/14º GAv, na Base Aérea de Anos 1960: nova Capital Federal e os
frutos do conhecimento científico
Porto Alegre.
Entretanto, até este momento, a en- Em 2 de junho de 1960, a USAF en-
trada do país em patamares tecnológicos viou para o Esquadrão Pacau, em Forta-
mais elevados ainda não significava trans- leza, uma Military Trainning Unit – MTU
ferência de know how acerca de engenharia (Unidade de Treinamento Militar), para
aeronáutica, construção de aeronaves e ministrar um curso de reforço ao efetivo
mesmo criação ou produção de tecnolo- (pilotos e demais militares envolvidos na
gia embarcada e armamentos. manutenção de aeronaves) sobre o F-80

Aviação de Caça na FAB 23


e o T/TF-33, demonstrando o contínuo composição da FAB e mesmo outras For-
processo de qualificação de pessoal, alia- ças. Exemplificando:
do à otimização da manutenção de aero-
− CAVERÁ, em conjunto com o Exér-
naves em utilização rotineira na Força.
cito;
No ano seguinte, o curso de caça teve,
− CHARRUA, com a Marinha e o Exér-
na composição da turma, vinte estagiá-
cito; e
rios da FAB e dois Subtenentes da Força
Aérea Boliviana (FAB). O intercâmbio − UNITAS, com as Forças Aéreas do
com a Bolívia continuou a ocorrer com Uruguai e da Argentina.
oficiais, suboficiais e sargentos, sempre
em cursos ligados ao aperfeiçoamento e à Ao executar treinos operacionais com
padronização de procedimentos referen- múltiplos esquadrões, outras Forças e
tes aos citados aviões. mesmo países amigos, a Força Aérea
buscou o aperfeiçoamento de doutrina
No Sul do país, para o 1º/14º GAv, e estreitamento de laços entre todos os
a entrada nos anos 1960 foi de mudan-
envolvidos, trazendo ganhos em ope-
ças burocráticas, com a modificação de
racionalidade e em conhecimento para
denominação da Base Aérea de Porto
amplificar os recursos existentes, quando
Alegre para Base Aérea de Canoas, por
existir a demanda de emprego.
intermédio da Portaria nº 823/GM3, de
21 de agosto de 1961, possivelmente para Outra questão relevante que a referida
ajustar o nome da referida OM com a ci- década trouxe foi a transferência da ca-
dade sede. pital federal da cidade do Rio de Janeiro
Outras informações de interesse sobre para a recém-criada cidade de Brasília, no
o referido Esquadrão neste período se- Centro-Oeste do país, no ano de 1961.
riam a finalização das obras do Estande No transcorrer da utilização dos Gloster
São Jerônimo, em 1961, e duas partici- Meteor (F-8 e TF-7) pelo 1º GAvCa e pelo
pações de eventos de aeronáutica em na- 1º/14º GAv, alguns problemas do vetor
ções vizinhas, a saber: XV Semana Aero- trouxeram questionamentos a especialis-
náutica na Argentina, em 1960, com doze tas britânicos para avaliações, que signi-
aeronaves, e o 51º Aniversário de Criação ficaram novos parâmetros de utilização
da Aviação Militar e o Dia da Força Aé- e emprego da aeronave, de acordo com
rea, juntamente com as Forças Aéreas da nota técnica recebida em abril de 1965,
Argentina e do Uruguai, em Montevidéu, informando sobre o risco de rachaduras
em 1964. ao se utilizar o vetor, projetado basica-
Durante a década em questão, mano- mente como um caça-interceptador, de
bras e/ou operações de treinamento de grande altitude, em missões de ataque e
maior vulto começaram a serem executa- primordialmente em baixas altitudes e
das com a participação de várias unidades com altas cargas “G” (fato rotineiro nas
aéreas das diversas aviações existentes na atividades de emprego no país).

24 Senta a Púa! Brasil!


Devido aos problemas identificados e e outras competições foram realizadas,
às recomendações do fabricante, todos os tendo o pódio sido composto da seguinte
exemplares de F-8 e TF-7 foram avaliados. forma:
Como resultado, foi recomendada a não
− 1º lugar - 1º/14º GAv;
utilização de boa parte dos Gloster, e os
restantes em atividade foram transferidos − 2º lugar - 1º/4º GAv; e
do Esquadrão Pampa para o 1º GAvCa, − 3º lugar - 1º GAvCa.
em Santa Cruz, durante o ano de 1966.
Retomando o ano de 1967, o 1º Grupo
Tendo no horizonte a necessidade de de Aviação Caça e o 1º/14º GAv tiveram
substituição dos vetores de caça utilizados que lidar com um novo cenário que pro-
pelas OM operacionais, partiu-se para o porcionou, para um, o aumento de aero-
delineamento de duas ações a serem im- naves Gloster e, para o outro, a adoção da
plantadas. A primeira, devido à urgência, aeronave Lockheed T/TF-33A Thunderbird,
era reequipar, tanto o 1o/14o GAv quanto provenientes do então Parque de Aero-
o 1o GAvCa, com a aeronave mais viável náutica do Recife. Entretanto, até o final
a curto prazo. E, no momento seguinte, do ano seguinte, os F-8 e TF-7 deixaram
escolher outra aeronave de caça mais pró- de ser utilizados pelo 1o GAvCa, que tam-
xima do estado da arte possível. Estudos bém passou a adotar os T/TF-33A em
sobre isso já ocorriam, mas a urgência de suas atividades cotidianas ligadas à Avia-
execução ainda não tinha se apresentado ção de Caça.
como então.
O emprego operacional na Aviação de
A primeira ação acabou por escolher Caça do Lockheed T/TF-33A não satisfa-
a ampliação do emprego do Lockheed T/ zia as necessidades do contexto nacional,
TF-33A Thunderbird, amplamente utili- com a nova capital a ser defendida e muito
zado como aeronave de treinamento de menos condizia com os vetores da época
aviadores da caça no 1o/4o GAv. Apesar empregados pelas nações mais desenvol-
do T/TF-33A não ser, em suas especi- vidas. Havia a compreensão que, para
ficações, um modelo para emprego na as Unidades de Caça operacionais, eram
Aviação de Caça, era confiável e havia em necessários vetores supersônicos. Inicial-
bom número na FAB, mas não significan- mente, o caça favorito era o Northrop 1A
do que novas unidades não deveriam ser Freedom Fighter (EUA), tanto que, quando
adquiridas, como de fato foram, tendo as os contatos iniciais para a compra não fo-
primeiras sido entregues já em 1967. ram ágeis, a FAB buscou versão da referi-
Voltando pela última vez ao ano de da aeronave em outras fábricas.
1966, no mês de abril, entre os dias 16 e Ao tomar tal atitude, a Força Aérea
22, ocorreu a Primeira Edição do Torneio quase assinou o termo de compra da
da Aviação de Caça, realizado na Base versão canadense do F-5 (o Avro Canada
Aérea de Santa Cruz (BASC). No torneio, CF-5), produzido sob licença da Northrop.
atividades relacionadas à aviação de caça A compra apenas não foi finalizada devi-

Aviação de Caça na FAB 25


do ao poder de veto da empresa estadu- celência. Em 1968, a BAFZ, mais espe-
nidense, previsto no contrato de licencia- cificamente o Esquadrão Pacau, recebeu
mento canadense. instrutores da USAF para série de aulas
acerca de fisiologia da aviação e equipa-
Assim, além do caça original dos Es-
mento de voo.
tados Unidos, havia a seguinte relação de
competidores: Neste final de década, começou a ser
− Lockheed/FIAT F-104 Starfighter (sob gestada outra proposta de formação de
licença italiana); aviadores na então Escola de Aeronáuti-
ca25, após a conclusão dos estudos reali-
− BAC Lightning Mk 55 (Grã-Bretanha); zados pela Força. A proposta começou a
− Dassault Mirage IIIE (França); e se materializar com a publicação da cria-
ção do Núcleo do Centro de Formação
− SAAB J-35 Draken (Suécia). de Pilotos Militares (NuCFPM), em 15 de
O MAER autorizou a análise de todos julho.
os referidos vetores de caça para iniciar O NuCFPM foi ativado no ano se-
Baroe processo
restaurante situados tendo
decisório, no segundo
em vista o
pavimento. Fonte: INCAER guinte, por intermédio da Portaria no 048-
melhor balanceamento de fatores tecno- GM7, de 14 de agosto, e foi definido seu
lógicos, financeiros, diplomáticos e sem funcionamento dentro das instalações da
olvidar das próprias demandas da FAB. BANT. O futuro Centro de Formação,
Tal fato implicou na criação da Comissão pela proposta, passaria a formar cadetes
de Estudos do Projeto da Aeronave de aviadores do terceiro ano, retirando esta
Interceptação (CEPAI). responsabilidade da Escola, e substituiria
Para o treino de jovens pilotos de caça, ainda a BANT, que seria desativada.
também foi percebida a necessidade de
Ao final dos anos 1960, a contínua per-
troca de vetor empregado e, no horizon-
cepção da necessidade de ajustes para o
te, havia duas maneiras possíveis. A pri-
melhor emprego de recursos humanos e
meira seria a utilização do conhecimento
materiais na FAB trouxe dividendos para
acumulado pelo CTA, que resultou na
o MAER e para o país. E isso foi esti-
criação da aeronave Bandeirante, e a se-
mulado ainda mais pela necessidade de se
gunda, comprar no mercado outro vetor
reavaliar os vetores então empregados na
de treinamento de caçadores para a FAB.
aviação militar, após a aposentadoria de
Independentemente do processo de aviões de treinamento e de caça. Outra
tomada de decisões sobre possíveis ve- questão que se apresentava era a refor-
tores de caça, o cotidiano desta aviação mulação da defesa aérea nacional e o do
continuava a incessante busca pela ex- controle do tráfego aéreo, tendo como

25 Em 10 de julho de 1969, por intermédio do Decreto nº 64.800, a Escola de Aeronáutica teve a denomina-
ção modificada para Academia da Força Aérea (AFA).
26 Senta a Púa! Brasil!
preocupação a capital e significando no- a mais referentes à formação de pilotos
vas estruturas a serem pensadas e estru- de caça, oferecendo a possibilidade de
turadas na virada da década de 60 para 70 emprego em missões de ataque leve e de
do século passado. apoio aéreo aproximado.
Inicialmente, foi definido que, para Na ocasião, outra vantagem aprovei-
melhor empregar o conhecimento téc- tada pelo lado brasileiro foi conseguir,
nico e científico adquirido com as ativi- junto aos italianos, um número signifi-
dades provenientes do CTA, fosse criada cativo de técnicos residindo no país, que
uma companhia de capital misto, que se- significou um ganho de conhecimento
ria denominada de Empresa Brasileira de técnico a ser utilizado na linha de pro-
Aeronáutica S.A. (EMBRAER), em 19 de dução da EMBRAER. Isso ajudaria na
agosto de 1969. A questão de substituição produção tanto do redenominado avião
dos aviões de treino da Aviação de Caça EMB326GB quanto do Bandeirante, pois
foi assim delineada, optando-se por cos- se deve lembrar que a empresa nacional
turar um acordo de trabalho conjunto en- estava dando os seus primeiros passos na
tre a empresa vencedora da concorrência indústria aeronáutica.
e a recém-criada EMBRAER. Finalmen-
te, a compra de novas aeronaves voltava Em relação à seleção da aeronave para
a significar incremento de conhecimento substituir os Gloster, devido às estreitas
técnico e mesmo científico para a socie- relações com os Estados Unidos, havia
dade brasileira. certo conhecimento prévio sobre o F-5
A partir dela, iniciou-se um processo que, aparentemente, seria o vetor a ser
de avaliação de novos vetores para o trei- escolhido ainda antes do término da dé-
no de caçadores e emprego leve, ainda no cada. Todavia, por questões de equilíbrio
ano de 1969, tendo como aeronaves ana- geopolítico e outros interesses por parte
lisadas as seguintes: do governo estadunidense, como já ocor-
rera no caso da aquisição dos F-8 e TF-7,
− SAAB 105 (Suécia); junto aos britânicos, o que parecia certo,
− Bristsh Aeropace BAC-167 (Grã-Breta- deu margem à concorrência internacional
nha); e a mudanças de rumos.
− Fouga CM 170 Magister (França); e Aliado a isso, havia uma percepção,
dentro do meio militar nacional, de que
− Aermacchi MB326G (Itália).
seria positiva a diversificação dos possí-
Optou-se pela empresa italiana Aer- veis fornecedores para além de empresas
macchi que, em sua proposta, conseguiu estadunidenses, conjugado com a gradual
ofertar requisitos e demonstrar experiên- passagem para outro paradigma de fun-
cia em trabalhar em parceria com outras ção da FAB para além de emprego táti-
empresas. A proposta de comércio do co, como ocorreu na época da II Guerra
avião em questão apresentava requisitos Mundial.

Aviação de Caça na FAB 27


Contudo, isso não significou pressões A referida OM perdurou com suas ati-
e ofertas por parte dos diversos concor- vidades de instrução dos cadetes de avia-
rentes e, em especial, dos EUA que, ape- ção até 1973, quando as instalações da
sar de seu governo26 não querer equipar AFA passaram a ter condições de receber
países latino-americanos com vetores su- esta atividade. Assim, os recursos existen-
persônicos, estava no pleito. tes no Rio Grande do Norte passaram a
fazer parte da nova organização militar
Independentemente de que vetor fosse
denominada de Centro de Aplicações Tá-
escolhido pelo governo federal, o MAER
ticas e Recompletamento de Equipagens
e a FAB já tinham avaliado e decidido
(CATRE), cujas funções eram similares
onde e como seriam empregados os no-
ao antigo CFPM, como pode ser perce-
vos caças supersônicos. Tendo em vista
bido no segundo artigo do Decreto no
a criação do Sistema de Defesa Aérea e
73.223, de 29/11/1973:
Controle de Trafego Aéreo (SISDACTA)
e a segurança de Brasília, a cidade de Aná- “Destina-se o CATRE a ministrar ins-
polis contaria, a partir da década de 60, trução tática básica ao Oficial Aviador,
com OM envolvidas diretamente nestas formar o Oficial Aviador da Reserva, re-
missões, que também eram conectadas à alizar estágios para a formação ou espe-
Aviação de Caça. cialização de equipagens para recompleta-
mento, proporcionando os meios e reali-
Anos 1970: o país na era supersônica zar o desenvolvimento e experimentação
de novas táticas, e a avaliação de armas e
Os anos 1970 são iniciados com a equipamentos.”
continuidade da busca pelo desenvolvi-
mento de condições de aprimoramento Em 1974, sua estrutura apresentava o
da estrutura da Força como um todo e Grupo de Instrução Aérea (GIA) com
da Aviação de Caça em específico. Busca apenas dois Esquadrões de Instrução Aé-
esta que significou, no campo do ensino rea (o 1o e o 2o EIA).
e da instrução, a ativação do CFPM, com O 1o EIA (Esquadrão Joker) recebia os
o aproveitamento de toda a estrutura físi- Aspirantes recém-formados na AFA para
ca e do efetivo da recém-desativada Base formação de Pilotos de Ataque. Os con-
Aérea de Natal (BANT), por intermédio cludentes do curso com aproveitamento
da Portaria no 016 - GM7, de 24 de feve- eram considerados Alas Operacionais da
reiro de 1970. Aviação de Ataque e seriam lotados nos
Esquadrões Mistos de Reconhecimento e
Ataque (EMRA), sediados em várias ba-
ses aéreas.

26 O governo dos EUA queria oferecer aeronaves, tecnologia embarcada e armamentos superados tecnologica-
mente, em nome de um equilíbrio regional do subcontinente latino-americano.
28 Senta a Púa! Brasil!
O 2o EIA (Esquadrão Potengi) for- treino da caça que, inicialmente, foi ba-
mava pilotos da reserva não remunera- tizado pela EMBRAER de EMB326GB.
da, que seriam oficiais temporários e, Contudo, a aeronave não ficaria assim
após suas permanências no serviço ativo, conhecida dentro do país. Também não
“abasteceriam” a aviação civil. Esse Es- foram esquecidas as novas necessidades
quadrão também recebia os Aspirantes da defesa aérea nacional, com Brasília
desligados do Curso de Piloto de Ataque, para ser protegida, bem como não foi
do 1o EIA. desprezado o novo vetor supersônico a
Apenas em 1975, foi criado o 3o EIA ser adquirido.
(Esquadrão Seta), que passou a formar os O Ministério da Aeronáutica previu,
Pilotos de Caça em substituição ao 1o/4o em conjunto com a EMBRAER, o rece-
GAv. Entretanto, tal situação não alcan- bimento dos primeiros EMB326GB em
çou os resultados esperados, não perdu- dezoito meses, a contar da assinatura do
rando por muito tempo. A referida for- contrato, que se deu em maio de 1970.
mação naquele EIA encerrou em 1978, Inicialmente, seriam fornecidos à FAB
passando o 3o EIA a ter nova destinação, cento e doze EMB326GB. As interações
a partir de então. Em 1979, a formação entre EMBRAER, Aermacchi e militares
de Pilotos de Caça voltava a ser realizada fez com que o modelo ganhasse a de-
no 1o/4o GAv, na Base Aérea de Fortaleza nominação mais brasileira com a qual o
(BAFZ). avião seria conhecido, Xavante, sendo
No campo da construção aeronáuti- que, para o emprego dentro do país, por
ca nacional, significou a parceria com a se tratar de vetor de ataque e treino, foi
Aermacchi na construção do novo avião de renomeado de AT-26 Xavante.

AT-26 Xavante (Fonte: Portal da FAB – www.flickr.


com/photos/portalfab/collections/).

Aviação de Caça na FAB 29


Outra informação interessante das Aqui, cabe resaltar que, ao receber o
duas primeiras aeronaves entregues é que primeiro lote de AT-26, o 1o GAvCa rece-
o prazo foi menor do que o previsto em beu a missão de:
contrato. Isso foi possível pela vontade
- avaliação do vetor;
da EMBRAER de se consolidar como
fabricante de aeronaves militares e civis - criação, desenvolvimento e propaga-
e de ela não ter nenhum vetor para apre- ção da doutrina de operação; e
sentar nas celebrações de 7 de Setembro - sistematização da manutenção e do
de 1971. Missão cumprida com louvor! A emprego do armamento embarcado para
EMBRAER e a FAB apresentaram, na- todas as unidades aéreas que o operassem.
quele desfile cívico-militar, os primeiros
jatos produzidos no país e, até o final do Foi uma solução criativa que gerou,
ano, cinco unidades foram entregues. como dividendo, a continuidade das ativi-
dades do 1o Grupo de Aviação de Caça e
Os AT-26 Xavante entregues para a ainda otimizou o tempo de outras OM que
Força Aérea, inicialmente, ficaram sob a se utilizariam do Xavante a partir de então.
guarda do CTA, em São José dos Cam-
pos, sendo que a primeira unidade aérea O CATRE e o Esquadrão Pacau rece-
a receber o vetor foi o 1o GAvCa. Apesar beram não apenas um novo vetor a jato
de o avião ter sido produzido e adqui- para substituir os AT-33A, mas todo um
rido para treinamento e outros tipos de trabalho de análise e conhecimento ope-
empregos fora da Aviação de Caça, ha- racional para empregar em seus cursos
via urgência em reaparelhar o 1o Grupo de formação. Destarte, o CATRE daria a
de Aviação de Caça com rapidez, ainda formação inicial pós-AFA e o 1º/4º GAv
no ano de 1972. Isso foi feito, momen- seria responsável pelo Curso de Líder de
taneamente, com o AT-2627 que não era Esquadrilha.
vetor supersônico de caça, mas era mais No tocante ao caça supersônico, desde
moderno que os T/TF-33A (que passa- antes da entrada no decênio, a questão já
ram a ser denominados nos anos 70 de estava sendo estudada, como anterior-
AT-33A). Depois, as unidades aéreas, que mente citado, e, logo em maio de 1970, a
realizavam instrução e formação de caça- decisão foi tomada em favor do Dassault
dores e de pilotos de ataque, a receber tal Mirage IIIE, visto que a proposta france-
aeronave foram as seguintes: 1o/4o GAv sa melhor coadunou com as necessidades
(Caça), em 1973, e o 1o EIA, do CATRE brasileiras e com a disponibilidade finan-
(Ataque), em 1974. Com isso, os antigos ceira para a aquisição. Foram comprados,
Lockheed AT-33A Thunderbird do Esqua- inicialmente, doze aviões Mirage IIIEBR
drão Pacau foram transferidos para o Es- (monopostos) e quatro aviões Mirage III-
quadrão Pampa. DBR (bipostos).

27 O 1o/10o GAv recebeu os T/TF-33A que eram do 1o GAvCa.


30 Senta a Púa! Brasil!
Dassault F-103 Mirage III
(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Com a definição do fabricante do vetor Entre o mesmo mês de outubro e o


supersônico, algumas questões práticas ano de 1973, todas as unidades compra-
foram postas em curso. Desde 1970, havia das foram entregues e o início das ope-
obras em Anápolis-GO para a construção rações com o referido vetor se deu em
das instalações do aeródromo militar, maio, sendo denominados de F-103E
a ser utilizado nesta nova etapa que se (monopostos) e F-103D (bipostos).
iniciava. Quando as obras28 em Anápolis, O treinamento foi iniciado na cidade
agregadas ao treinamento e à produção francesa de Dijon, com oito experientes
das aeronaves contratadas, evoluíram, pilotos de caça (Antonio Henrique, Bins,
ativou-se o Núcleo Precursor da Primeira Frota, Jaeckel, Trompowski, Starling, Blo-
Ala de Defesa Aérea (NuALADA), no wer e Villaça) que seriam responsáveis por
início de 1972, e, em outubro daquele instruir os demais aviadores pertencentes
ano, o mesmo deu lugar à Ala de Defesa à 1ª ALADA, ficando os referidos pilotos
Aérea (ALADA). treinados na França conhecidos como os
Dijon Boys.

28 A pista de pouso foi inaugurada em 23 de agosto de 1972.


Aviação de Caça na FAB 31
Assim, a Defesa Aérea e a segurança A partir daí, foram selecionados pilotos
de Brasília estavam bem encaminhadas para fazer treinamento de conversão nos
com a estruturação da referida OM e a re- Estados Unidos (Rubens, Gildo, Lazzari-
cepção dos novos vetores supersônicos. ni, Bellon, Carrocino, Quírico), no 425th
Entretanto, as demais unidades de Caça Tactical Fighter Training Squadron (425º Es-
e de instrução de Caça, com exceção do quadrão de Treinamento Tático de Caça).
1º/4º GAv e do CATRE, precisavam de Definiu-se que o traslado dos aviões seria
renovação de vetores. Pari pasu ao recebi- realizado pelos pilotos da FAB, sendo a
mento dos F-103 e dos AT-26, o MAER primeira operação, que trouxe os três pri-
e a FAB voltaram a analisar novos aviões meiros modelos, batizada de “Operação
a jato no mercado internacional. Tigre”.
Foram analisadas aeronaves como: O traslado EUA-Brasil das referidas
Hawker-Siddeley MK 50 (GBR), SEPCAT aeronaves de caça foi concluído apenas
Jaguar Internetional (FRA-GBR), FIAT no ano de 1976, tendo uma nota de pe-
G 91Y (ITA), MCDonnell-Douglas A-4F sar: no ano de 1975, em 12 de junho, ao
Skyhawk (EUA) e, novamente, o Northrop realizar os procedimentos de pouso na
F-5E Tiger II (EUA). A escolha foi defi- Base Aérea do Galeão (BAGL), o Cap Av
nida em 1973, quando foi fechado um João Bosco Augusto Correia de Oliveira
contrato, junto aos Estados Unidos, para se acidentou, perdendo a vida e o F-5E
a aquisição dos modelos “B” (biplaces) e que pilotava.
“E” do Northrop (monoplaces).

Northtrop F-5 (Fonte: Portal da FAB – www.


flickr.com/photos/portalfab/collections/).

32 Senta a Púa! Brasil!


Para receber o novo caça, outra pro- por outras OM e os que realizaram curso
vidência tomada pela FAB foi a realiza- de formação nos EUA e auxiliaram no
ção de obras para adaptar aeródromos e ano seguinte no traslado dos F-5.
demais instalações nas unidades aéreas
No ano de 1976, o funcionamento do
selecionadas. A primeira OM escolhida
1º/14º GAv foi praticamente realizado
para o recebimento foi o 1º GAvCa, na
na BASC, onde havia infraestrutura para
BASC, que, enquanto não contava com
a operação da nova aeronave. Em Santa
toda a infraestrutura necessária, alocou
Cruz, foram realizados cursos técnicos
os Northrop na BAGL. Os F-5 que seriam
para o efetivo de forma a permitir a corre-
utilizados pelo 1º Grupo de Aviação de
ta operação do novo vetor aos que não fo-
Caça seriam de ambos os tipos compra-
ram deslocados para os Estados Unidos.
dos e a instrução nesta aeronave, inicial-
mente, seria feita na referida OM. Outro fato curioso foi que, apesar de
Há de registrar que embora as aerona- estar em sede temporária, o Esquadrão
ves estivessem baseadas na BAGL, o voo Pampa saiu vitorioso no Torneio de Avia-
todo ocorria na área de instrução do 1o ção de Caça (TAC), realizado em abril.
Grupo de Caça, sobre o Vale do Paraíba, Apenas em 26 de novembro, a referida
e o treinamento de toques e arremetidas OM voltou a voar em sua sede, após lon-
era feito no aeródromo de Guaratingue- go período de inatividade que quase com-
tá-SP. Essa situação perdurou por pouco pletou um ano inteiro.
tempo, pois após um segundo acidente A cerimônia oficial de entrega dos
quando se perdeu um F-5B, sobre Guara- F-5E, em nove de dezembro, foi presidi-
tinguetá-SP, num choque com urubu, todo da pelo Tenente-Brigadeiro do Ar Délio
treinamento foi deslocado para Anápolis, Jardim de Mattos, então Comandante-
até a conclusão das obras na pista da Base Geral do Ar.
Aérea de Santa Cruz (BASC).
O interessante das soluções encontra-
A outra Unidade de Caça que também das para o reaparelhamento, que visou a
recebeu os F-5 foi o 1º/14º GAv que, ofi- modernização tecnológica e mudança de
cialmente, passou a ser dotado dos novos paradigmas, foi que a diversificação de
aviões em 1975. Todavia, como a BACO fornecedores (empresas e países) e a im-
ainda encontrava-se em obras para a re- plantação da EMBRAER trouxe dividen-
cepção destes novos vetores, os mesmos dos socioeconômicos mais perenes para
permaneceram na BASC. Durante tal pe- o país e para a Força Aérea. A própria
ríodo, o Esquadrão Pampa se desfez dos aquisição do F-5 permitiu uma pequena,
AT-33A, ficando sem aeronaves em Ca- porém significativa, transferência de tec-
noas no final do ano. nologia à empresa brasileira, que passou
No que diz respeito aos pilotos da a dominar a construção de estruturas da
Unidade, foram divididos entre os que re- aeronave com a técnica de honeycomb (col-
alizaram a redistribuição do antigo avião meia).

Aviação de Caça na FAB 33


Além disso, o contato com a empresa foi instaurada no Rio Grande do Sul, desta
italiana Aermacchi, que desenvolvia a vez na Base Aérea de Santa Maria (BASM),
construção do Xavante junto com a o 3º/10º GAv (Esquadrão Centauro).
EMBRAER, permitiu o conhecimento
As primeiras aeronaves AT-26 a serem
de outro projeto de aeronave militar para
utilizadas pelo Esquadrão apenas chega-
atender à Aeronáutica Militar da Itália, o
ram a Santa Maria em 31 de janeiro de
MB 340. Todavia, apesar do projeto não ir
1979 e, logo em seu primeiro ano de exis-
adiante por não satisfazer plenamente as
tência, o Esquadrão Centauro foi cam-
necessidades italianas, reforçou os laços e
peão no IX Torneio de Aviação de Caça,
engendrou na década seguinte um novo
mesmo sem contar com todas as aerona-
projeto a ser realizado.
ves previstas para a OM.
Para a FAB, também significou suporte
Ainda de acordo com a busca de re-
técnico e de doutrina importante no de-
finamento de doutrinas, procedimentos
correr da adaptação aos novos vetores,
e organização burocrática, a 1ª ALADA,
podendo ser exemplo a recepção, no Es-
em 11 de abril de 1979, tornou-se o Pri-
quadrão Pampa, de pilotos instrutores de
meiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA),
combate aéreo da USAF para curso. A via
localizado na cidade de Anápolis, com
era de mão dupla, pois uma representa-
amparo no mesmo ato burocrático que
ção brasileira foi, em 1978, aos Estados
ativou, nas mesmas instalações, a Base
Unidos para uma reunião, visando a alte-
Aérea de Anápolis (BAAN).
ração do manual de voo do F-5E.
Importante expor que, durante este Anos 1980: o ininterrupto processo
decênio, havia, na Força, um estudo rea- de mudanças
lizado sob o nome de “Projeto A-X”, o
Antes de adentrar no ininterrupto
qual intentava a construção de vetor leve
processo de mudanças e refinamentos
de ataque com grande alcance, internali-
da FAB na referida década, cabe abor-
zando no cotidiano da Força e no plane-
dar dois acionamentos reais de unidades
jamento de curto, médio e longo prazo a
aéreas, relacionados tanto à defesa aérea
incessante evolução tecnológica para me-
quanto à caça brasileira. No primeiro
lhor desempenhar a missão da instituição.
semestre de 1982, o 1o GDA e o 2o/1o
Desta forma, vislumbrando sempre a GAvCa foram acionados em momentos
excelência, o melhor emprego e a forma- distintos para fazer valer a soberania do
ção do efetivo, mais uma unidade de caça espaço aéreo do país29.

29 Para maiores aprofundamentos, ver PEREIRA (2018).

34 Senta a Púa! Brasil!


Na chuvosa noite de 9 de abril, dois GAv, que perdurou na função até 198332,
Mirage do 1o GDA decolaram para abor- quando o CATRE reassumiu o papel de
dar um Ilyushin-62, pertencente à Cuba, instruir os novos caçadores. No referido
que, sem autorização prévia, adentrou o ano, o 2º/5º GAv, que adotava o emble-
espaço aéreo. A missão resultou na es- ma do antigo 3º/1º GAvCa, voltou a ser
colta da referida aeronave invasora até a considerado de caça, passando a ser co-
então Base Aérea de Brasília (BABR) para nhecido como Esquadrão Joker (nome
maiores esclarecimentos. do 1º EIA, antigo responsável pela for-
mação de Pilotos de Ataque). Dentro do
E no dia 3 de junho, dois F-5E do
quesito formação/instrução, a Aviação de
2o/1o GAvCa levantaram voo em missão Caça contava, no aludido decênio, com o
de interceptação de aeronaves não iden- CATRE (2º/5º GAv), o 1º/4º GAv e o
tificadas. Os caças brasileiros acabaram 3º/10º GAv.
por interceptar e escoltar para a então
Base Aérea do Galeão (BAGL) um Vulcan No desenvolvimento de tecnologia
XM597 britânico que estava retornando no setor aeronáutico, significativos avan-
das Malvinas e teve problemas de reabas- ços foram realizados, devido às boas re-
tecimento em voo.30 lações construídas entre a Aermacchi e a
EMBRAER com o projeto do AT-26.
Administrativamente, os anos 1980 A companhia italiana estava atuando em
foram iniciados com algumas mudanças conjunto com a então empresa estatal
relacionadas, mesmo que indiretamen- do país, a Aeritalia, num projeto de caça-
te, à Aviação de Caça. O CATRE, com bombardeiro leve para a Aeronáutica
a reativação do Quinto Grupo de Avia- Militar da Itália (AMI), designado AMX
ção (5º GAv)31, em 1981, teve sua estru- desde 1979. O Brasil entra neste projeto
tura modificada, com a desativação dos por intermédio da EMBRAER e da FAB
Esquadrões de Instrução Aérea (EIA). que, anteriormente, realizava o “Projeto
A instrução passou a ser responsabilida- A-X” e tinha interesse em obter novas
de dos também reativados 1º/5º GAv e aeronaves e desenvolvimento científico e
2º/5º GAv. tecnológico.
Nesta reativação, a formação da Caça, Deste modo, antes da assinatura do
a princípio, continuou a cargo do 1o/4o acordo binacional, em março de 1981, a

30 Na época, estava ocorrendo a Guerra das Malvinas (2 de abril a 14 de junho de 1982) entre a Argentina
e o Reino Unido.
31 Portaria nº 310/GM3, de 20 de outubro de 1980, que determinava a reativação da referida OM a partir
de 1º de janeiro de 1981.
32 Neste ano, 1983, a instrução de caça foi executada por ambos os Esquadrões e, a partir de 1984, apenas
pelo 2o/5o GAv.

Aviação de Caça na FAB 35


Força criou a Comissão Coordenadora do Brigadeiro Nero Moura, que o código
do Programa de Aeronave de Combate identificador do Esquadrão seria “Adel-
(COPAC), em fevereiro do mesmo ano. phi”, fazendo alusão ao distinto “Brinde
A COPAC ficou encarregada de coorde- Adelphi”, proferido em ocasiões especiais
nar o lado brasileiro do Projeto AMX e, da Aviação de Caça. No ano seguinte, o
assim, satisfazer as demandas nacionais. referido Núcleo herdou a estrutura físi-
ca do recém-desativado 1º/13º GAv, na
As três empresas agora envolvidas no
Base Aérea de Santa Cruz (BASC).
trabalho assinaram também um acordo
acerca do desenvolvimento. A diferença Além da instauração do Esquadrão
entre este convênio e o do Xavante foi Adelphi, foi percebida a necessidade de
que, no AMX, a EMBRAER desenvol- mais um esquadrão auxiliar na instrução da
veria parte da aeronave a ser criada. Os Aviação de Caça. Deste modo, em fins de
italianos ficaram responsáveis por 70,3% maio de 1988, o 1º/10º GAv (Esquadrão
dos custos de desenvolvimento e produ- Poker), após curso de caça recebido em
ção (46,7% Aeritalia e 23,6% Aermacchi) instruções do 2º/5º GAv, passou a agre-
e a EMBRAER ficou responsável por gar esta missão às demais que já exercia
29,7%. O Termo de Cooperação firmado desde a sua criação no longínquo ano de
entre Brasil e Itália previu a encomenda 1947. O Esquadrão Poker, originalmente,
de 187 aeronaves para a Aeronáutica Mi- ficou localizado em São Paulo (Cumbica),
litar da Itália e 79 para a FAB. lá permanecendo até 1978, quando foi
transferido para Santa Maria-RS.
Em maio de 1984, o primeiro protó-
tipo, durante o quinto voo de avaliação, Em 1989, uma vez mais, ocorreram
sofreu pane na turbina e o piloto italia- modificações dentro da Força. Uma delas
no de testes não resistiu aos ferimentos foi na formação pós-AFA para os pilotos,
quando se ejetou e faleceu. Os testes con- gerando impacto na formação de futuros
tinuaram, tendo os primeiros exemplares caçadores. O Centro de Aplicações Táti-
da aeronave sido entregues à Aeronáutica cas e Recompletamento de Equipagens
Militar da Itália no final da década. Para (CATRE) teve sua denominação alterada
a Força Aérea, o AMX ficou designado para Comando Aéreo de Treinamento,
como A-1 e as unidades adquiridas so- aproveitando a mesma sigla (CATRE).
freram diminuição e foram entregues no Em ação análoga, dias depois da publica-
decorrer da década seguinte. ção desta mudança, a Base Aérea de Natal
(BANT) foi reativada nas mesmas insta-
Conectada com este projeto, a FAB
lações do CATRE, em Parnamirim-RN,
criou o Núcleo do Primeiro Esquadrão
possivelmente para fornecer suporte ao
do Décimo Sexto Grupo de Aviação,
novo planejamento.
por intermédio da Portaria Ministerial
nº R-535/GM3, de 7 de novembro de Outra mudança que impactou foi a
1988. Sob o comando do então Ten Cel subordinação das OM com atividades
Av Quírico, foi definido, com a anuência ligadas à Aviação de Caça ao Núcleo da

36 Senta a Púa! Brasil!


Terceira Força Aérea, ativado pela Porta- gadeiros Assis, Meira e Kopp, como tam-
ria nº S-003/GM3, de 4 de abril de 1989, bém os Coronéis Fortunato e Rui.
com sede no Distrito Federal e a missão
de planejar o aparelhamento, preparo e Continuando ainda com o 1º GAvCa,
emprego de unidades aéreas subordina- em 1988, uma comitiva do Grupo e mais
das em missões específicas. Isso agregava trinta veteranos da II Guerra Mundial
operações de cunho aerotático (integrada foram aos EUA para a inauguração de
com forças de superfícies), de cunho de um monumento na cidade de Daytona
defesa aeroespacial (execução de ações (Ohio), que dizia respeito aos feitos do
de defesa aérea, sob o controle do então 350th Fighter Group, ao qual o Grupo era
Núcleo do Comando de Defesa Aero- subordinado, onde consta uma menção à
espacial - NuCOMDABRA), de cunho unidade e uma bolacha “Senta a Púa”.
aeroestratégico e de cunho especial (in-
Finalizando os registros incomuns da
dependente, conjunta ou combinada com
década, mas sem esgotá-los, cabe men-
forças de superfície em tempos de paz ou
cionar a visita do piloto de Fórmula 1
de conflito).
Ayrton Senna da Silva a duas unidades
Saindo um pouco da ordenação cro- de caça. Em 1987, em visita ao 1º GAv-
nológica da referida década, faz-se neces- Ca, Senna voou o F-5 (FAB 4803), com
sária a menção de alguns fatos registra- direito a voo rasante ao então Autódro-
dos nos volumes dos Livros Históricos33 mo de Jacarepaguá. No ano de 1989,
ocorridos com algumas unidades de caça em visita ao 1º GDA, voou o Mirage III
da FAB e que saem um pouco das ativi- (FAB 4904). O 1º GDA realizou escolta
dades operacionais ou de instrução de- de honra do Papa João Paulo II, quan-
senvolvidas na época. Primeiramente, em do da primeira visita ao país, nos idos de
26 de maio de 1986, o governo estaduni- 1980, demonstrando a integração da For-
dense concedeu a Presidential Unit Citation ça com os hábitos, crenças e valores da
(Blue Ribbon) ao 1º Grupo de Aviação de sociedade civil.
Caça, como grande deferência aos feitos
heroicos realizados durante a Campanha Anos 1990: o fechamento do século XX
da FAB na Itália. Havendo que se regis-
trar que além do 1o Grupo de Aviação de O início dos anos 1990 trouxe à eco-
Caça apenas duas outras unidades estran- nomia brasileira medidas neoliberais que
geiras tiveram esse reconhecimento por diminuíram o aporte financeiro dentro
parte do governo dos Estados Unidos. de todo o aparato estatal. A estrutura do
Estiveram presentes à solenidade os Bri- MAER e da própria Força Aérea teve que

33 Documento oficial de registro de fatos históricos, previsto na ICA 904-1 “Registro de Fatos Históricos e
Pesquisa Historiográfica no Comando da Aeronáutica”.
Aviação de Caça na FAB 37
ser repensada dentro destes parâmetros Em 7 de novembro de 1990, finalmente
da política nacional então vigente. foi ativado o Esquadrão Adelphi (1º/16º
GAv) que, como dito anteriormente, foi
Todavia, desde a criação do MAER e
criado para operar o A-1, construído para
consequentemente da FAB, o país, roti-
a AMI e para a FAB. Por causa do novo
neiramente, não proveio com os recursos
cenário, as 79 aeronaves contratadas não
orçamentários necessários para o cumpri-
seriam adquiridas, passando para 56 ve-
mento ideal da missão institucional e con-
tores (divididos entre quarenta e seis A1
tínuo processo de aperfeiçoamento. Ao
e A1-B e quinze RA-1 – versão de re-
dizer isso, mesmo com cenário econômi-
conhecimento tático). A dotação para o
co desfavorável, as atividades e as ações
emprego do vetor foi iniciada também
estratégicas de curto, médio e longo pra-
no referido ano. Outro ajuste realizado
zo continuaram a ser realizadas, mesmo
na estrutura foi a desativação da BANT,
que em escala diminuída.
tendo as atribuições passadas para
o CATRE, por intermédio da Por-
taria nº 1.002/GM3, de 27 de de-
zembro de 1990.

A-1 no solo e A-1 voando


(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/
portalfab/collections/).

38 Senta a Púa! Brasil!


No ano seguinte, a Terceira Força atividades fim e de apoio, a Força e, em
Aérea (III FAe) foi finalmente ativada, por especial, a Aviação de Caça, em 1994, re-
intermédio da Portaria nº S-001/GM3, gistrou no Instituto Nacional da Proprie-
de 5 de agosto, significando incremento dade Industrial (INPI) a expressão “Senta
organizacional para a Aviação de Caça. a Púa!”, representativa do 1º GAvCa.
Na execução das atribuições pertinentes, a
Apesar do reaparelhamento feito a
III FAe, dentro dos anos 1990, conseguiu
partir dos anos 1970, a Aviação de Caça
participar com suas unidades aéreas
e, consequentemente, a Força Aérea, tan-
subordinadas (incluindo as referentes à
to devido ao emprego quanto devido à
caça) de diversas Manobras Operacionais
defasagem tecnológica, precisava de no-
de relevância, tais como: OPERAER
vos vetores e/ou modernização de alguns
1991, TIGRE I 1994, TIGRE II 1995,
modelos utilizados.
SULEX VI 1995, COMBINEX 1996,
MISTRAL I 1997, TIGRE III 1997, Neste espírito, uma das frentes aber-
BARÉ IV 1997, RIBEIREX II 1997, tas foi demandar, junto à EMBRAER,
TANBA I 1997, MISTRAL II 1998, um projeto de aeronave leve de ataque.
NERO MOURA 1998, COMBINEX O Projeto ALX foi iniciado em 1995 e,
IX 1998, ALBERGO NETUNO 1998, dele, surgiu o EMB 314, versão apurada
RED FLAG 1998, OPERAÇÃO do EMB 312, denominado de T-27, mais
TAPETE VERDE - QUERARI 1999 e conhecido como Tucano e empregado
OPERAÇÃO PIRANHA I/99. pela FAB desde 1983.
Cabe ressaltar que, mesmo com res- O EMB 314, por causa de suas ori-
trição orçamentária, a Força Aérea conti- gens, acabou por ser conhecido no âm-
nuou a exercer suas atividades e a executar bito da Força como Super Tucano, com
o aprimoramento necessário ao melhor a designação oficial A-29. A EMBRAER
proveito dos recursos humanos e mate- concluiu o primeiro modelo no ano de
riais. Interessante também salientar que, 1999, ficando a assinatura do contrato de
em meio a todo o contínuo processo de compra da FAB para o século seguinte.

A-29 Super Tucano no solo e vários A-29 no solo


(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Aviação de Caça na FAB 39


A modernização de vetores desde a (Invitation to Register Interess) ser refeita sob
década de 1970 nas unidades aéreas foi outros requisitos, para atrair maior con-
outra frente aberta nas unidades aéreas. corrência, em 1996.
Foram realizados trabalhos, nesta época, O Programa F-X, com a nova chama-
no denominado Parque de Material Aero- da, atraiu novos concorrentes e, assim,
náutico de São Paulo (PAMA-SP), com o além das duas primeiras empresas citadas,
Mirage III melhorando a manobrabilidade inscreveram-se: a Lockheed Martin com o
em baixas velocidades e nas manobras de F-16A/B (EUA), a Dassault, com o Mirage
aproximação de pouso. 2000-5K (FRA), e a SAAB/BAE (SUE/
Outra modificação realizada, mas GBR), com o JAS-39C. Isso ocorrendo
apenas em uma aeronave (F-103E FAB até o ano de 1999, ficando a decisão,
4929), foi a colocação de equipamento de como no caso da modernização de veto-
sistema de reabastecimento em voo pare- res da caça, para os anos 2000.
cido com o utilizado nos Northrop F-5E, Entretanto, antes da entrada nos anos
tendo ocorrido o primeiro reabasteci- 2000, o Ministério da Aeronáutica, como
mento em voo em 22 de abril de 1992. os demais ministérios militares, foi extin-
Assim, a previsão de utilização dos F-103 to, para dar lugar ao Ministério da Defesa
passou a ser até o ano de 2005. As demais (MD). Deste modo, Marinha, Exército e
modernizações necessárias para a caça Aeronáutica passaram a responder a uma
da FAB estavam sendo formuladas, mas única pasta ministerial, significando que
apenas saíram do papel com o advento outras mudanças ocorreriam e que os pla-
do novo século. nos e as ações em curso na FAB também
E, por último, mas não menos im- seriam afetados.
portante, outra frente aberta acerca dos
vetores da FAB para a Aviação de Caça O novo milênio e a Aviação de Caça
foi iniciada logo no começo da década,
Os anos 2000 e o novo milênio come-
em 1991. Dentro do Plano Fênix, havia
çaram sob a mudança ministerial ocorri-
o Programa F-X, o qual buscava vetores
da em 1999. Um dos efeitos sentidos na
supersônicos para aparelhar a Aviação
Aviação de Caça foi a extinção do Plano
de Caça. Na virada de 1991 para 1992,
Fênix e, consequentemente, a suspensão
requisitos foram definidos e a indústria
do Programa F-X. Entretanto, antes disso
aeronáutica internacional respondeu com
ocorrer, mais uma empresa se candidatou,
apenas duas propostas: a então McDonnel-
a russa Sukhoi, com o seu caça SU-35.
Douglas (atual Boeing - EUA) com o F/A
– 18 C/D Hornet e a MAPO-MiG (RUS) Avaliações feitas pelo Estado-Maior
com o MiG-29SE. Também se conseguiu da Aeronáutica (EMAER), no ano de
informações informais do Lockheed Martin 2001, fizeram com que o Programa F-X
F-16 (EUA) e dos Daussault Mirage 2000C fosse retomado sob o Programa de For-
e Mirage 2000-5 (FRA). Todavia, idas e talecimento do Controle do Espaço Aé-
vindas fizeram a chamada de propostas reo Brasileiro (PFCEAB) e as avaliações
40 Senta a Púa! Brasil!
fossem retomadas. Apesar das empresas EMBRAER, em conjunto com a empresa
continuarem, alguns dos modelos apre- israelense Elbit Systems, faria os trabalhos
sentados/avaliados foram modificados. relacionados ao F-5E, com previsão de
Assim, estavam sob avaliação: SU-35/ entrega entre os anos de 2005 e 2007.
SU-35UB (Sukhoi – RUS), Gripen Block III
Em 2003, a formação de oficiais avia-
(SAAB/BAE – SUE/GBR), F-16C/D – dores na AFA também teve uma inovação
50/52 (Lockheed Martin – EUA), Mirage importante: o ingresso de cadetes mulhe-
2000-5Mk2BR (Daussault - FRA) e MiG- res, fato que já acontecia na intendência
29SMT (RSKMiG – RUS). desde 1996. No quesito formação pós-
Ao mesmo tempo em que isso ocorria, AFA para os pilotos, houve modificação
a FAB, percebendo a necessidade de me- com a desativação do CATRE e a reativa-
lhorar a atuação na defesa aérea nacional, ção da Base Aérea de Natal (BANT), em
ampliou o número de unidades de caça 1o de janeiro de 2002.
no país, visando melhor cobertura do ter- Ainda no tema, mas mesclado com a
ritório e das fronteiras. Deste modo, duas operacionalidade da caça, em dezembro
unidades aéreas do Terceiro Grupo de de 2003, ativou-se o Núcleo do 3o/3o
Aviação (3o GAv) foram transformadas GAv, na Base Aérea de Campo Grande
em unidades de caça em 2001, a saber: o (BACG). No final de janeiro de 2004, o
1o/3o GAv (Esquadrão Escorpião), sedia- 3o/3o GAv (Esquadrão Flecha) foi ativa-
do na Base Aérea de Boa Vista (BABV), e do, tendo como aeronave, inicialmente
o 2o/3o GAv (Esquadrão Grifo), sediado empregada, o T-27 Tucano. Ainda no re-
na Base Aérea de Porto Velho (BAPV). ferido ano, o 1o/3o GAv passou a adotar
Ambos os Esquadrões, na época, ainda o AT-29 Super Tucano e, nos dois anos
contavam com o T-27 Tucano para o em- posteriores, tal aeronave passou a equipar
prego nas suas atividades. Uma das ativi- também o 2o/3o GAv e o 3o/3o GAv.
dades a serem desenvolvidas por eles era
o Curso de Instrução de Líder de Esqua- Continuando a abordar as modifica-
drilha para os novos pilotos de caça. ções implantadas acerca da formação de
pilotos após a Academia da Força Aérea
Este início de século trouxe outra no- (AFA), houve a ativação da Primeira For-
vidade, a assinatura de contratos entre a ça Aérea (I FAe), por intermédio da Por-
FAB e a EMBRAER, os quais significa- taria no 1.264/GC3, de 3 de novembro de
ram uma reaparelhagem tanto por no- 2005. A I FAe aglutinou unidades aére-
vos vetores quanto por modernização as que realizavam, na BANT, a especia-
de antigos vetores, em 2001. Novo avião lização de pilotos nas Aviações de Caça,
produzido pela EMBRAER, o A-29 Su- Transporte, Reconhecimento, Patrulha
per Tucano, seria adquirido em número e Asas Rotativas. Assim, passaram a sua
de 99 unidades, para ser operado em di- subordinação direta o 1o/5o GAv, 2o/5o
versas OM, incluindo unidades de caça. GAv, 1o/11o GAv e GITE (Grupo de
Em relação à modernização contratada, a Instrução Tática e Especializada).

Aviação de Caça na FAB 41


As unidades aéreas que ministravam as caso do primeiro vetor, sua utilização
especializações das diversas aviações cita- continuou ainda por mais tempo, mas os
das passaram a ter, em 2007, não apenas F-103 operados pelo 1o GDA não passa-
alunos, mas também alunas, com a chega- ram de 2005.
da da primeira turma mista proveniente da
A solução foi a compra, junto à For-
AFA. Isso significou, por exemplo, o curso
ça Aérea Francesa, de unidades usadas
para três estagiárias no curso da aviação de
do Mirage 2000C. Com a entrega prevista
caça e o primeiro voo solo em instrução
entre os anos de 2006 e 2008, o 1o GDA
de caça da Aspirante a Oficial Fernanda
necessitou de apoio para o cumprimento
Göertz, num A-29 Super Tucano.
pleno de suas atribuições. Primeiro, pas-
Apesar dos esforços para suprir as de- sou a contar com AT-26, entre 2006 e
mandas de substituição ou modernização 2007, enquanto recebia os F-2000 Mirage
da frota empregada na Aviação de Caça, 2000. A equipe de alerta da Base Aérea de
a FAB, neste período, ainda operava al- Anápolis (BAAN), em 2006, contou com
guns modelos de aeronaves que estavam o apoio do 1o GAvCa e do 1o/14o GAv
no final da vida útil ou obsoletos tecno- com os seus F-5E Northrop, sendo que o
logicamente, como o AT-26 Xavante, 1o Grupo de Aviação de Caça começou a
que, gradativamente, estava deixando de receber, no período, aeronaves moderni-
ser utilizado, e os F-103 Mirage III. No zadas, agora denominadas de F-5EM.

F-2000 Mirage 2000 (Fonte: Portal da FAB


www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

42 Senta a Púa! Brasil!


F-5EM (Fonte: Portal da FAB
www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

Além da EMBRAER estar cumprindo FX-2”, com maior dotação orçamentária


o contrato de modernização dos F-5E, e requisitos de transferência de tecnologia
a FAB comprou, junto à Real Força Aé- e de produção no país e futura revenda
rea da Jordânia, onze aeronaves usadas sob licença inclusos nos termos da con-
Northrop F-5 E/F, em 2007, suprindo, corrência.
momentaneamente, qualquer falta maior
As aeronaves com propostas apresen-
de vetores para utilização na caça, en-
tadas foram: Sukhoi SU-35 (RUS), Das-
quanto não se definia outras possibilida-
sault Rafale F-3 (FRA), SAAB/BAE JAS
des mais duradouras.
39 Gripen NG (SUE/GBR), Boeing F/A
Sobre a aquisição de um novo vetor de – 18 E/F Super Hornet (EUA), Lockheed
caça supersônico, em 2005, o então de- Martin F-16 Fighting Falcon (EUA) e Eu-
nominado Projeto FX-BR foi cancelado. rofighter Typhoon EF-200 (consórcio euro-
A questão tomou novo fôlego em 2006, peu ALE/ITA/ESP/GBR). O processo
quando, tomando como base o extinto de escolha foi lento, sendo que a decisão
FX-BR, o projeto ressurge uma vez mais, apenas ocorreu em 2013, quando o Gripen
agora sob a denominação de “Projeto NG foi escolhido.

Aviação de Caça na FAB 43


Imagem da parte posterior do Gripen NG e imagem frontal do Gripen NG
(Fonte: Portal da FAB – www.flickr.com/photos/portalfab/collections/).

44 Senta a Púa! Brasil!


A proposta dos suecos foi a mais interessante, por atender a todos os requisitos
de utilização previstos, além de, em alguns aspectos, superar o que foi pedido. A in-
dústria aeronáutica nacional e a própria Força ganharam know how tecnológico com a
transferência de conhecimento, como também participação no desenvolvimento das
aeronaves contratadas no acordo.
O novo vetor de caça modifica parâmetros de emprego e, desta forma, a doutrina a
ser adotada pelos pilotos. A Aviação de Caça passa a contar com um avião considerado
como o estado da arte e que poderá ser um símbolo de uma nova etapa da Força Aérea
Brasileira.
No limiar do centenário da Força Aérea, a Caça, uma vez mais, combina tradição
e modernidade no cumprimento de suas missões, honrando os valores, a história e
o heroísmo dos Jambocks na Segunda Guerra Mundial ao se defrontar com os novos
desafios.
Os caçadores de hoje e de ontem encarnam todo o panteão de saberes, tradições
e habilidades inerentes aos combatentes do ar, amparando a Força Aérea a cumprir
sua missão constitucional: “Manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território
nacional, com vistas à defesa da pátria”.

O 1º Ten QOCon Tec (HIS) João Ignácio de Medina


pertence ao efetivo deste Instituto e integra
a equipe do SISCULT.

Aviação de Caça na FAB 45


Bibliografia e sites

− 70 anos 1o Esquadrão do 10o Grupo de Aviação. Rio de Janeiro: Contactus, 2017;


− BARROS, Mauro Lins de. Xavante O Guerreiro da FAB. 1a edição – Rio de Janei-
ro: Adler Editora, 2011;
− BOHRER, Clóvis de Athayde. Centro de Formação de Pilotos Militares 1970-
1973. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 2013;
− CAMBESES JÚNIOR, Manuel. Brigadeiro-do-Ar Nero Moura – Patrono da Avia-
ção de Caça. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, s/d.;
− _________________________. O Emprego do Avião na Revolução Constitu-
cionalista de 1932. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica,
s/d.;
− GONÇALVES, Daniel E. Olho Nele! Esquadrilhas de Ligação e Observação. Vi-
gília Constante em Defesa da Pátria. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural
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− KASSEB, Paulo Fernando. Mirage III – EBR – DBR na Força Aérea Brasileira –
FAB. 1a Edição, Guarulhos-SP: ZLC Comunicação e Marketing, 2008;
− LAVENÈRE-WANDERLEY, Nelson Freire. Os Balões de Observação na Guer-
ra do Paraguai. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 2017;
− LIMA, Rui Moreira. Senta a Pua! Belo Horizonte: Itatiaia / Rio de Janeiro: Insti-
tuto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 1989, Coleção Aeronáutica, Série História
Setorial da Aeronáutica Brasileira, 2ª edição;
− MEDINA, João Ignacio de. Disciplina, Amor e Coragem: é o lema do nosso su-
cesso! Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 2016;
− MENDONÇA, Tiago Starling de. Construção Aeronáutica no Brasil. Rio de Janei-
ro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 2016;
− NEWDICK, Thomas. Aviões de guerra: dos primeiros combates ao bombardeio
estratégico da II Guerra Mundial (1794 a 1945). Volume 1, tradução Victoria Ca-
ppasi. São Paulo: Editora Escala, 2010;
− MONTEIRO, Luciano Barbosa. FAB na Segunda Guerra Mundial 1o GAvCa & 1a
ELO. Série Cores & Marcas, vol. 1, s.l.: Aviation Art, s.d.;
− PEREIRA, Elaine Gonçalves da Costa. O Céu é Nosso! A Defesa Aérea Brasilei-
ra. Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, 2018;

46 Senta a Púa! Brasil!


− SALES, M. Vicente. Escola Brasileira de Aviação – A primeira experiência da avia-
ção militar no Brasil (1914). Rio de Janeiro: Instituto Histórico-Cultural da Aero-
náutica, 2014;
− Site da Associação Brasileira de Pilotos de Caça (ABRA PC): www.abra-pc.com.br
(último acesso 10.08.2018);
− Site da Câmara de Deputados do Congresso Nacional: www2.camara.leg.br/le-
gin/fed/decret/1940-1949/decreto-26298-31-janeiro-1949-453433-publicacaoo-
riginal-1-pe.html (último acesso em 10.08.2018);
− Site de fotos da Força Aérea Brasileira (FAB): www.flickr.com/photos/portalfab/
collections/ (último acesso em 22.08.2018);
− Site do Rudnei Cunha: www.rudnei.cunha.nom.br (último acesso em 20.08.2018);
− Site Spotter: www.spotter.com.br (último acesso em 13.08.2018).

Fontes

− Boletins do Ministério da Aeronáutica (BMA) entre os anos de 1941 e 1998. Acer-


vo INCAER;
− Cadastros Históricos da ALA 10. Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos da Base Aérea de Natal (BANT). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos da Terceira Força Aérea (III FAe). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1o GAvCa). Acervo
INCAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1o GDA). Acervo IN-
CAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (1o/3o
GAV). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Esquadrão do Quarto Grupo de Aviação (1o/4o
GAv). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação
(1o/10o GAv). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Avia-
ção (1o/14o GAv). Acervo INCAER;

Aviação de Caça na FAB 47


− Cadastros Históricos do Primeiro Esquadrão do Décimo Sexto Grupo de Aviação
(1o/16o GAv). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Segundo Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (2o/3o
GAv). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2o/5o
GAv) . Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Terceiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (3o/3o
GAv). Acervo INCAER;
− Cadastros Históricos do Terceiro Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (3o/10o
GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) da Base Aérea de Natal (BANT). Acer-
vo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) da Terceira Força Aérea (III FAe).
Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Grupo de Aviação de Caça
(1o GAvCa). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Grupo de Defesa Aérea
(1o GDA). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Esquadrão do Terceiro
Grupo de Aviação (1o/3o GAV). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Esquadrão do Quarto
Grupo de Aviação (1o/4o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Esquadrão do Décimo
Grupo de Aviação (1o/10o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Esquadrão do Décimo
Quarto Grupo de Aviação (1o/14o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Primeiro Esquadrão do Décimo
Sexto Grupo de Aviação (1o/16o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Segundo Esquadrão do Terceiro
Grupo de Aviação (2o/3o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Segundo Esquadrão do Quinto
Grupo de Aviação (2o/5o GAv) . Acervo INCAER;

48 Senta a Púa! Brasil!


− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Terceiro Esquadrão do Terceiro
Grupo de Aviação (3o/3o GAv). Acervo INCAER;
− Fichas Anuais de Fatos Históricos (FAFH) do Terceiro Esquadrão do Décimo
Grupo de Aviação (3o/10o GAv). Acervo INCAER;
− Ficha de Proposta de Inventário de Bem Cultural Imaterial de Bolacha. Acervo
INCAER;
− Ficha de Proposta de Inventário de Bem Cultural Imaterial do Campo Parnami-
rim. Acervo INCAER.

Aviação de Caça na FAB 49


Anexo
Tabela de Esquadrões de Caça34

Sigla Esquadrão Cidade Aeronave Criação

A-29 Super
2o/5o GAv Joker Parnamirim-RN 17 de setembro de 1953
Tucano
A-29 A/B Super
1º/3º GAv Escorpião Boa Vista-RR 5 de abril de 1995
Tucano
A-29 A/B Super
2º/3º GAv Grifo Porto Velho-RO 28 de setembro de 1995
Tucano
Campo Grande- A-29 A/B Super
3º/3º GAv Flecha 28 de janeiro de 2004
MS Tucano
Northrop F-5EM
1º GDA Jaguar Anápolis-GO 9 de fevereiro de 197235
Tiger II
Northrop F-5EM
1º/4º GAv Pacau Manaus-AM 24 de março de 1947
Tiger II
Jambock Rio de Janeiro- Northrop
18 de dezembro de 1943
(1º/1º GAvCa) RJ F-5EM/F Tiger II
1º GAvCa
Pif Paf (2º/1º Rio de Janeiro- Northrop
17 de agosto de 1944
GAvCa) RJ F-5EM/F Tiger II

1º/10º GAv Poker Santa Maria-RS AMX A-1 A/B 24 de março 1947

3º/10º GAv Centauro Santa Maria-RS AMX A-1 A/B 10 de novembro de 1978

Northrop F-5EM
1º/14º GAv Pampa Canoas-RS 24 de março de 1947
Tiger II
Tabela retirada de PEREIRA (2018) e revisada pelo autor do presente opúsculo.

34 O 1o/16o GAv (Esquadrão Adelphi) foi desativado em 12 de dezembro de 2016.


35 A data remete à criação do NuALADA, OM que originou o 1º GDA.

50 Senta a Púa! Brasil!


Conectando o passado, o presente e o futuro da cultura aeronáutica
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