Você está na página 1de 340

MATERIAL DE ESTUDO

Coletâneas de ensinamentos
RESPEITO AOS SEMELHANTES

Os dedicantes ocasionalmente me dão sugestões sobre o


que devo fazer. Sempre os ouço com atenção e, com
frequência, sigo os seus conselhos. Nunca faço
discriminações contra ninguém, pois, muitas vezes, Deus
revela a Sua vontade através de uma pessoa bem simples.
Mesmo sendo difícil transmitir em palavras, estou
querendo dizer que os caminhos de Deus são bastante
misteriosos e sutis; por isso, não convém refutar
imediatamente o que as pessoas dizem. Também não é
bom insistir no seu ponto de vista ou ainda censurá-las,
conquanto se acredite ser mentira o que dizem. A melhor
conduta, em qualquer das situações, consiste em
permanecer imperturbável e com muita sinceridade no
coração.

Um exemplo vai ilustrar bem a minha explicação:


frequentemente vêm a mim negociantes com imitações
de obras de arte na esperança de enganar-me. Mesmo
assim, os escuto com atenção, pois quase sempre
encontro, misturado às suas tagarelices, algo útil e
elevado.

Existe também o pensamento de um antigo filósofo


chinês aconselhando a não subestimar as pessoas que
nos falam. Na verdade, ele está aconselhando a ouvir com
mente aberta e não descartar as ideias expressas por
alguém antes de saber o que realmente querem dizer.

Não se deve, então, julgar pelas aparências. Muitas vezes,


um simples camponês ou até mesmo um analfabeto nos
transmitem lições valiosas. Não raro, também crianças
dizem verdades extraordinárias e expressam idéias
originais, pois falam de forma direta, sem rodeios. São,
segundo Bergson , altamente intuitivas; por isso, muitas
vezes, numa discussão entre mãe e filho, percebe-se que
a verdade está do lado da criança.

Agindo, então, de acordo com o princípio do respeito ao


semelhante, ninguém encontrará dificuldades de
relacionamento. A mesma norma precisa ser observada
em relação ao Johrei. Se a pessoa que o estiver
recebendo for persuadida a não mais aceitá-lo, o
ministrante deve respeitar essa deliberação sem
interferir. Assim, estará demonstrando possuir certo grau
de sabedoria.

Pode-se, contudo, deixar bem claro que, de acordo com


os Ensinamentos, os remédios são anti-naturais e, por
isso, se possível, seria melhor evitá-los. A decisão final,
porém, pertence exclusivamente à própria pessoa, que
tem inteira liberdade de escolha sobre qual maneira
proceder.

Se, após todas as colocações sobre a perniciosidade dos


medicamentos, confiar apenas no Johrei, entrou no
caminho da felicidade. Caso siga outros métodos, que,
com certeza, trarão resultados indesejáveis, não deve ser
motivo de preocupação para o ministrante de Johrei. O
que nunca se pode é forçar situações tentando convencer
os outros.

Retirado do livro "Evangelho do Céu - Volume II".


SOU DEUS OU SER HUMANO?

Não existe pessoa tão singular quanto eu. Nos limites do


que se conhece desde os tempos antigos, através das
biografias de religiosos, sábios, grandes personagens etc.,
não há ninguém que se encaixe nos mesmos moldes. Com
certeza, trata-se de um fato inédito desde o início do
mundo. Eu próprio, quanto mais penso nisso, creio que
tudo se resume numa palavra: mistério.
Consequentemente, no futuro, quando se fizerem
pesquisas sobre minha pessoa, inevitavelmente surgirão
inúmeras críticas. Com esse pensamento, quero deixar
retratada a minha imagem mais real.

O que julgo mais interessante, ao escrever sobre mim


mesmo, é a minha própria personalidade. Os mistérios
que me envolvem são tantos, que eu vou me analisar não
só de acordo com o meu próprio ponto de vista, mas
também de terceiros. Até as pessoas que têm contato
comigo há mais de dez anos ainda não compreenderam
realmente esses mistérios; nem mesmo minha esposa
parece entender-me muito bem.

Naturalmente, sou religioso, mas não sou um fundador


de religião como o foram Sakyamuni ou Jesus Cristo;
tampouco sou um personagem sobrenatural. Em
verdade, abranjo aspetos muito amplos.
Quando jovem, nunca atentei para esse fato; tinha
apenas uma leve consciência de ser um pouco diferente
das pessoas comuns. A principal diferença que eu
encontrava em mim é que não sentia nenhuma inclinação
para adorar qualquer pessoa, fosse ele um grande
personagem histórico ou qualquer outra eminência. A
verdade é que eu não julgava ninguém tão relevante a
ponto de ser superior a mim. Não era pretensão nem
presunção; era um sentimento que surgia naturalmente,
e por isso muitas vezes cheguei até sentir solidão.

Outra de minhas características particulares é um forte


sentimento de justiça e o dobro de ódio ao mal sentido
pelas pessoas comuns. Eu sofria bastante para dominar o
furor que sentia ao ler os jornais diários. Acreditava,
então, que, para diminuir as injustiças que se me
deparavam o melhor meio era fundar um jornal. Naquela
época, uma pessoa só conseguiria abrir uma empresa
jornalística se tivesse mais de um milhão de ienes, e eu
tive de trabalhar bastante para obter essa quantia.
Lamentavelmente, ao contrário do que esperava, acabei
fracassando. No entanto, como esse fato se tornou um
dos motivos que me levaram a seguir a vida religiosa,
considero-o até positivo.
Foi assim que ocorreu o meu ingresso na Religião Omoto.
Graças a essa religião, eu, que até então era
completamente agnóstico, pude conscientizar-me
profundamente da existência de Deus. Como me
aconteciam surpreendentes milagres, uns após outros, é
claro que meu sentimento mudou completamente, dando
uma volta de cento e oitenta graus. A cada dia aumentava
o número de milagres, até que finalmente recebi a
revelação espiritual sobre a minha vida no passado, no
presente e no futuro, além de ser investido de um poder
sobre-humano e da grande missão de salvar a
humanidade.

Um fenômeno que achei muito curioso, nessa época, é


que uma força grandiosa me manejava livremente,
fazendo com que, por meio de milagres, eu me
encontrasse, pouco a pouco, com o Mundo de Deus. A
minha alegria, nessas horas, era irrefreável. Era uma
sensação indescritivelmente profunda, nítida e elevada.
Além do mais, os milagres continuavam, acontecendo
fatos interessantíssimos. Não sei quantas vezes cheguei a
provar essas sensações num só dia. O maior de todos os
milagres foi o que ocorreu em dezembro de 1925, último
ano do reinado do imperador Taisho.

(Artigo não publicado, escrito em 1952).


MEU MISTÉRIO
Acredito que, desde a criação do mundo, nunca existiu
pessoa tão misteriosa quanto eu. Realmente, sou
misterioso em tudo, Ora, se eu próprio penso dessa
forma, quanto mais as outras pessoas... Certamente
ficarão como cegos, tentando captar minha imagem real.
É curioso, entretanto, que nada atrai mais o interesse do
homem que o mistério. E existe mistério em todas as
coisas. Antropólogos pesquisam ruínas antigas e a vida
dos povos primitivos para descobrir o mistério que
envolve aquela época; cientistas chegam a dedicar toda a
sua vida à pesquisa dos fenômenos físicos, dissecando-os
e fazendo estudos especiais sobre eles, criando a partir
do nada, descobrindo o átomo e tentando conhecer a
teoria da transformação da matéria, para revelar esses
mistérios; médicos passam a vida inteira olhando por um
microscópio, dedicando-se à análise de cadáveres e a
experiências com animais, no objetivo de descobrir o
mistério da vida; astrônomos vivem a observar o céu
através de telescópios, pesquisando compenetradamente
os astros, o vento, a chuva, os relâmpagos, as mudanças
do tempo etc. Idêntico esforço é desenvolvido por
historiadores, geógrafos e outros estudiosos. Literatos e
artistas plásticos também fazem o mesmo, a fim de
receberem inspiração e descobrirem o mistério da Arte. A
forma difere de acordo com a especialidade, mas todos
são guiados por um só desejo: desvendar o mistério.

O assunto é um pouco diferente, mas até mesmo o amor-


paixão entre um homem e uma mulher se fundamenta na
atração do mistério. Também é um grande mistério
alguém se envolver sentimentalmente a ponto de dar fim
à própria vida por não querer se separar da pessoa
amada. Dessa forma, podemos dizer que a vida é uma
luta incessante contra o mistério. Realmente, este é
inexplicável, quer por meio de teorias, quer por meio da
lógica. Além disso, seu poder é infinito.
Consequentemente, podemos afirmar que a condição
fundamental para a cultura ter chegado ao ponto em que
chegou, foi a pesquisa do mistério.

Mas devemos dizer que o mistério dos mistérios é a fé. O


mistério da crença nos deuses supera o do amor-paixão,
muito embora, hoje em dia, salvo raras exceções, não
existam religiões com mistérios. Na época de sua
fundação, certamente elas os possuíam em grande
quantidade, mas todos eles foram desvendados com o
decorrer do tempo. Em comparação, algumas religiões
novas encenam muitos mistérios e por isso, embora
criticadas, passaram à frente das religiões tradicionais e
estão se expandindo amplamente. A diferença é
semelhante à que existe entre uma moça que acabou de
se casar e uma senhora casada há muito tempo.
Entretanto, é claro que mesmo nas religiões novas a
quantidade de mistérios varia bastante de uma para
outra. Modéstia à parte, não existe religião tão cheia de
mistérios quanto a nossa Igreja Messiânica Mundial.
Poderão comprová-lo pela rapidez com que ela está se
expandindo. Como sou eu a origem desse milagre, não se
pode calcular quão rico é o poder misterioso que está no
meu interior. Por isso, desejo fazer com que
compreendam profundamente as minhas palavras,
embora seja realmente difícil explicar, porque, depois de
certo limite, o entendimento é proporcional ao grau de
inteligência de cada um. Para que me compreendam, não
há outro meio, portanto, a não ser polirem a alma e
tornarem-se sábios.

Farei agora uma Auto dissecação dos mais diversos


ângulos da minha personalidade, para me revelar
inteiramente.
Livro Luz do Oriente - Vol 1
MINHA HISTÓRIA
Atualmente, mais da metade das pessoas do mundo
inteiro professam alguma fé religiosa. A grande maioria
segue uma das três grandes religiões: o cristianismo, o
islamismo ou o budismo fundado respectivamente, como
todos sabem, por Jesus Cristo, Maomé e Sakyamuni.

O principal meio de divulgação empregado por esses


religiosos foi a palavra escrita e oral, fundamentada em
seus ensinamentos; parece mesmo que não se utilizaram
de nenhum outro método. O meu caso, porém, é
totalmente diferente. Tal como essas religiões, também
temos ensinamentos, mas eles constituem apenas um
dos nossos meios de divulgação e, no seu conjunto,
abrangem todos os aspectos da cultura necessários à vida
humana. Pretendemos, especialmente, corrigir os erros
da civilização já formada, e o fazemos através dos mais
diversos métodos e de fatos reais.

O nosso maior objetivo é eliminar deste mundo a doença,


a miséria e o conflito. Entretanto, como sempre tenho
falado sobre esse tema, não me aterei a ele aqui. Aqueles
que me conhecem, cientes da grande obra de salvação
por mim realizada, naturalmente gostariam de saber tudo
o que for possível a meu respeito; no futuro, será
incalculável o número de pessoas, no mundo inteiro, que
terão o mesmo desejo. Assim, como criador do princípio
do Mundo Paradisíaco, pretendo deixar para as gerações
vindouras a imagem mais fiel da minha pessoa, e por isso
escreverei a meu respeito.

Parece-me estranho que aqueles três grandes religiosos -


Cristo, Maomé e Sakyamuni - tenham expressado suas
idéias de forma tão bem elaborada, através de magníficos
ensinamentos, como podemos ver, por exemplo, nos
oitenta e quatro mil livros relacionados ao budismo -
esforço esse louvável - mas nada tenham falado a
respeito de si mesmos. É como se estivessem trajados
com magníficas vestes e não quisessem tirá-las; desse
modo, não podemos conhecer suas impressões e
confissões.
Talvez eles não nos tenham revelado o seu íntimo por
não terem vontade de fazê-lo, mas acho isso realmente
lamentável.

Quanto a mim, acontece justamente o contrário. Desejo


escrever tudo a meu respeito, com todos os detalhes.
Provavelmente encontrarão pontos incompreensíveis em
minhas explanações, fatos que lhes parecerão
verossímeis ou inverossímeis, grandes ou pequenos,
claros ou obscuros, finitos ou infinitos etc.. Por isso, creio
que; saboreando minhas palavras, conseguirão obter a
sabedoria da vida e tornar-se-ão possuidores de espírito
inabalável.
Livro Luz do Oriente
EGOCENTRISMO
Por cultivarem um egocentrismo exagerado, muitos
deixam de receber plenamente as bênçãos de Deus. Tal
atitude corresponde a um comportamento que se
restringe apenas à salvação individual, sem preocupação
alguma com o bem do outro.

Na realidade, a verdadeira postura humana deve estar


sempre voltada à libertação do próximo. Dessa maneira,
as pessoas tornar-se-ão úteis, ao mesmo tempo, a Deus e
aos seus semelhantes.

Convém, portanto, que todos busquem constantemente a


felicidade do próximo, descartando qualquer mal, nunca
sendo pessoas egocêntricas, individualistas que se
magoam diante da menor crítica. Devem, ao contrário,
ter sempre muito claro que ressentimentos acumulados
resultam em infortúnios pessoais e nunca agradam a
Deus.
Volto, por isso, a insistir: parem de se preocupar com as
picuinhas que a vida apresenta. Mantenham constante
gratidão a Deus e continuem beneficiando os demais de
maneira desprendida e abrangente. Tal modo de agir
impede que os erros alheios sejam comentados; não
permite também a projeção de sentimentos humanos no
caminho da estreiteza mental para determinar quem é
bom ou mau. Na verdade, tal direito só pertence a Deus
Retirado do livro "Evangelho do Céu - Vol. II".
A CAPACIDADE NATURAL DE RECUPERAÇÃO

A verdadeira saúde revelada por Deus - A Terapia


Natural

Quando uma pessoa adoece, logo se inicia, nela própria,


uma grande atividade destinada a eliminar a doença. O
seu próprio remédio começa a ser fabricado no
organismo. É como se houvesse no organismo um grande
farmacêutico e um grande médico. Se o corpo é invadido
pela impureza chamada doença, o médico que está no
seu interior faz imediatamente o diagnóstico e ordena
que o farmacêutico prepare o remédio, iniciando logo o
tratamento. O organismo produz maravilhosos remédios
e mantém aparelhos extraordinários que podem produzir
curas eficazes. Se comemos algo nocivo, a nossa farmácia
interior imediatamente fabrica um laxante que produz
diarréia para eliminá-lo. Se bactérias nocivas invadem o
organismo, inicia-se um grande tratamento asséptico
chamado febre. Além disso se ocorrer uma intoxicação
alimentar, o corpo força a substância tóxica para fora,
evitando que os órgãos internos sejam atingidos. Como
resultado, manchas vermelhas aparecem na pele e a
febre e a coceira eliminam a causa do problema.
Dependendo da intoxicação, os rins iniciam uma grande
atividade, processando a lavagem com líquido, o qual é
eliminado em forma de urina. Quando uma grande
quantidade de poeira é inalada, o corpo a expele na
forma de escarro. E assim por diante. Realmente, o
organismo do homem é um engenho fabuloso.

O que é a doença?

Deus atribuiu ao ser humano a maravilhosa força de cura,


chamada capacidade natural de recuperação, a qual nem
a medicina consegue alcançar

Originariamente, a doença é o processo de purificação e o


melhor presente concedido por Deus ao homem para
recuperar a saúde.

Enfim, seguindo a ordem, agora é hora de explicar tudo


sobre a doença. Mas afinal o que é a doença?
Resumidamente, é o processo de eliminação das sujeiras
que não deveriam estar dentro do corpo. Portanto, se a
pessoa não tiver nenhuma sujeira dentro do corpo, a
circulação do sangue será boa. Conseqüentemente, a
pessoa gozará de boa saúde e poderá trabalhar com
muita energia o ano inteiro. Então, o que são essas
sujeiras? São os medicamentos envelhecidos, o sangue
tóxico ou as impurezas transformadas em pus.

Criação da Civilização, Volume da Ciência


AS TRÊS GRANDES CALAMIDADES E AS TRÊS PEQUENAS
CALAMIDADES

Vou explicar o significado fundamental das Três Grandes


Calamidades – vento, chuva e fogo – e das Três Pequenas
Calamidades – fome, doença e guerra – comentadas
desde eras remotas.

O vento e a chuva são ações purificadoras do espaço


entre o Céu e a Terra, causadas pelas máculas
acumuladas no Mundo Espiritual, isto é, impurezas
invisíveis. Dispersá-las com a força do vento e lavá-las
com a chuva é a finalidade da tempestade. Mas que
máculas são essas e de que forma se acumulam?

São máculas formadas pelos pensamentos e palavras do


homem. Pensamentos que pertencem ao mal, como ódio,
insatisfação, inveja, cólera, mentira, desejo de vingança,
apego, etc., maculam o Mundo Espiritual. Palavras de
lamúria, inclusive em relação à Natureza, como, por
exemplo, comentários desairosos sobre o tempo, o clima
e a safra, censuras e agressões às pessoas, gritos, intrigas,
cochichos, enganos, repreensões, críticas e outras coisas
desse gênero também partem do mal e maculam o Reino
Espiritual das Palavras, que, em relação ao Mundo
Material, situa-se antes do Reino do Pensamento.
Quando a quantidade de máculas acumuladas ultrapassa
certo limite, surge uma espécie de toxinas que causarão
distúrbios na vida humana, e então ocorre a purificação
natural. Essa é a Lei do Universo.

Como expliquei, as máculas do Mundo Espiritual, ao


mesmo tempo que influenciam a saúde do homem,
afetam as ervas, as árvores e principalmente as
plantações, tornando-se a causa da má colheita e do
alarmante aparecimento de insetos nocivos. É esse o
motivo pelo qual, atualmente, estão surgindo pragas que
secam pinheiros e cedros em todas as regiões do Japão.
Portanto, se os japoneses não se elevarem muito, será
difícil evitar que isso aconteça. Em outras palavras: os
erros dos próprios japoneses estão secando os pinheiros
e os cedros do seu país, de modo que eles precisam
moderar bastante o seu pensamento e as suas palavras.

Tal como nas calamidades naturais, nas calamidades


humanas também há algo de aterrorizador,
principalmente na guerra – aquela que maiores danos
causa ao homem. Sobre as causas da guerra, apresentarei
uma tese nova, que poderá surpreender, por ser algo fora
de qualquer expectativa. Gostaria de que os leitores
lessem com toda a atenção.

A guerra é a luta de grupos, e até hoje a humanidade tem


demonstrado mais propensão a ela que à paz. E não é só
internacionalmente. Observando cada região de um país,
veremos que quase não há lugares sem conflito. Nas
repartições, nas firmas, nas associações, enfim, em
qualquer grupo, sempre há lutas nos bastidores,
ininterruptamente, e as pessoas vivem se criticando e se
rejeitando. Observamos, ainda, conflitos entre
profissionais, conflitos no lar, entre casais, entre irmãos,
entre pais e filhos, conflitos entre amigos, etc. O homem
realmente aprecia muito os conflitos. Notamos que
freqüentemente eles ocorrem até no interior de
transportes, ou na rua, com os transeuntes. Creio ser
desnecessário continuar enumerando todos os conflitos
que existem entre os homens. Vou explicar a causa dessa
tendência humana.

Todas as pessoas possuem toxinas de diversas espécies,


inatas ou adquiridas após o nascimento. Essas toxinas se
acumulam no local em que os nervos são mais instados
pelo homem, isto é, do pescoço para cima. Mesmo que as
mãos e os pés estejam descansando, órgãos como o
cérebro, os olhos, o nariz, a boca, os ouvidos e outros
estão em constante ação enquanto o homem se encontra
acordado. É natural, portanto, que as toxinas se reúnam
nas proximidades desses órgãos. Essa é também a causa
do enrijecimento da região do pescoço e dos ombros, de
que muitos se queixam. À medida que as toxinas se
acumulam, vão se solidificando, e, quando a solidificação
atinge certo estágio, surge a ação contrária, isto é, a
dissolução e eliminação, a que nós chamamos processo
purificador. Ele é sempre acompanhado de febre, que
surge para dissolver as toxinas solidificadas e, assim,
facilitar a sua eliminação. Essa purificação natural é o
resfriado; excreções como escarro, coriza, suor, etc.,
representam eliminação das toxinas.

A grande maioria das pessoas está constantemente em


processo de purificação, com resfriado ameno, mas,
sendo ele quase imperceptível, elas se julgam sadias, o
que não corresponde absolutamente à verdade. Caso se
submetam a um exame minucioso, será constatado,
infalivelmente, que elas têm um pouco de febre da
cabeça aos ombros, apresentando, entre outros
sintomas, peso e dor de cabeça, secreção ocular, coriza,
zumbido no ouvido, piorréia e enrijecimento do pescoço
e dos ombros. Por isso, sempre há uma certa
indisposição. Essa indisposição é a origem da ira, que se
concretiza em forma de conflito, cujo aumento, por sua
vez, acaba em guerra. Assim, para extinguir o espírito
belicoso, só há um método: eliminar aquela indisposição.
Eis por que, quando a pessoa se sente bem, não se
incomoda ao ouvir alguma coisa desagradável, mas, se ela
está indisposta, não consegue evitar a ira. Creio que
quase todos já tiveram essa experiência.

É muito comum vermos bebês que choram muito.


Geralmente se diz que eles são nervosos, mas, se forem
examinados, sempre se constatará um pouco de febre em
sua cabeça e na região dos ombros. Embora se trate de
bebês, muitos têm os ombros endurecidos. Em tais casos,
com a ministração de Johrei, as toxinas diminuirão,
cessará a febre e eles deixarão de chorar
constantemente. Com as crianças que facilmente se
irritam acontece o mesmo, mas por meio do Johrei o
problema se resolve, e elas se tornam obedientes; além
disso, seu nível de aproveitamento escolar também
melhorará. O conflito entre casais tem a mesma origem;
recebendo Johrei, eles conseguirão se harmonizar.

Como a causa fundamental do conflito é a febre


decorrente da dissolução das toxinas da cabeça e da
região do pescoço e dos ombros, o único meio de
solucioná-lo é eliminar completamente a febre. Então não
será exagero afirmar que o Johrei da nossa Igreja, apesar
de o mundo ser tão grande, é o único, inigualável,
absoluto e radical meio de eliminação do conflito. O
mesmo podemos dizer em relação a todos os problemas
que hoje constituem motivo de sofrimento.
Ideologias destrutivas ou que fomentam lutas de classes
também têm origem na insatisfação e nas queixas
provenientes da indisposição das pessoas. Muitos, para
fugirem dela, inconscientemente procuram sensações
fortes, e isso, evidentemente, resulta em crimes,
alcoolismo, devassidão, ociosidade, brigas, etc.

Fazendo mau uso da razão, os materialistas ambiciosos


de cada época geram o aumento da insatisfação e das
queixas, instigam a guerra e provocam a revolução social
de caráter nocivo. Conseqüentemente, para se construir a
paz eterna sobre a Terra, em primeiro lugar se deve
erradicar a indisposição de cada homem e aumentar-lhe o
bem-estar. Não há dúvida de que, assim, o ser humano
abominará o conflito e amará a paz.

13 de agosto de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


QUEM PODE RECEBER JOHREI

Pergunta nº. 1

Ministro - Atualmente, venho ministrando Johrei em uma


senhora de 40 anos que sofre de bronquite, tem o
abdômen endurecido e também sente muitas dores. O
caso dela parece ser bem grave. Posso continuar
ministrando Johrei?

Meishu Sama - Sua pergunta dá a impressão de que o


Johrei faz mal, mas ele precisa e deve ser ministrado
várias vezes ao dia, no abdômen. O controle da
frequência do Johrei só deve existir em casos de
tuberculose, já que o doente apresenta um estado febril
constante, o que o leva a perder o apetite e a ter sua
vitalidade diminuída. Então, se o Johrei for ministrado
com frequência, a purificação se intensificará ainda mais,
o que levará o corpo ao enfraquecimento, devido à falta
de apetite causada pela febre. E daí a necessidade de se
estabelecer uma alimentação adequada, para que o
doente mantenha o apetite e não fique debilitado.

Pergunta nº. 2

Ministro - Recentemente, recebi um pedido para


ministrar Johrei em um paciente hospitalizado e,
conforme sua orientação, penso que essa ação não seja
muito eficiente.

Meishu Sama - Realmente, o resultado é fraco e o melhor


mesmo é evitar tal procedimento. Mas em certas
circunstâncias, não há outro jeito. Portanto, em relação a
pessoas hospitalizadas, tudo vai depender de bom senso,
para que se possa perceber quando se deve ou não
ministrar Johrei em casos assim.

Pergunta nº. 3

Ministro - Pode-se ministrar Johrei, uma vez ao dia, em


recém-nascidos?
Meishu Sama - Pode, quantas vezes quisermos. Não
existe Johrei em demasia.

Pergunta nº. 4

Ministro - É permitido ministrar-se Johrei em animais?

Meishu Sama - Kannon ama até os insetos e também lhes


concede graças. Portanto, seres humanos e animais
devem ser tratados da mesma forma. Inclusive, quanto
mais inferior for o ser, maior será o efeito do Johrei.

Retirado do livro “A Arte do Johrei – Volume II”, página 75


a 77. Editora Lux Oriens.
O PODER DA NATUREZA

Segundo meus estudos, a Grande Natureza, isto é, o


mundo em que respiramos e vivemos, está constituída de
três elementos - o Fogo, a Água e o Solo - conforme já
explanei em outra oportunidade. Atualmente, a Ciência e
o homem, pelos seus cinco sentidos, têm conhecimento
do eletromagnetismo, do ar, da matéria, dos elementos,
etc., mas o meu propósito é falar sobre a energia
espiritual, que a Ciência e os cinco sentidos do homem
ignoram.

A expressão "energia espiritual" ou "espírito" tem sido


usada até hoje circunscrita à Religião ou à Metafísica. Por
isso, na maioria das vezes, é associada à superstição. A
tendência é considerar intelectual aquele que nega a
existência do espírito, mas como estão enganados os que
pensam assim...
A essência daquilo a que dou o nome de espírito é a fonte
do grandioso poder que dirige tudo que existe neste
Universo e do qual dependem o nascimento, o
crescimento, o movimento e a transformação de todas as
coisas. Chamo-o de Poder Invisível. Sendo assim, daqui
por diante chamarei o mundo conhecido simplesmente
de Mundo Material, e o desconhecido, de Mundo
Espiritual.

Como lei fundamental de tudo que existe, todos os


fenômenos ocorridos no Mundo Material são projeções
daquilo que já foi gerado e acionado no Mundo Espiritual.
Isso pode ser exemplificado pelos movimentos das mãos
ou das pernas, os quais são procedidos pela nossa
vontade. Até agora, contudo, os estudiosos têm
procurado soluções analisando apenas os fenômenos do
Mundo Material, e é por essa razão que embora se diga
que houve progresso na cultura, ele não trouxe bem-
estar à humanidade. Portanto, para resolver qualquer
problema, é necessário solucioná-lo primeiro no Mundo
Espiritual; inclusive as doenças, cujo verdadeiro método
de tratamento consiste em tratar o espírito por processos
espirituais.

Mesmo nos seres vivos, o corpo espiritual está


subordinado ao Mundo Espiritual, e o corpo físico,
logicamente, ao Mundo Material. A doença, como já
tenho explicado, é a eliminação de toxinas acumuladas,
ou melhor, o processo de dissolução das toxinas
solidificadas. Relacionando matéria e espírito, a
acumulação de toxinas numa determinada região
representa a existência de máculas na correspondente
região do corpo espiritual, e o processo de dissolução
significa a eliminação das máculas. Por conseguinte, todo
e qualquer tratamento que se proponha a curar apenas o
corpo físico é método contrário, não levando à verdadeira
solução da doença.

Se o método fundamental para a erradicação das doenças


é a eliminação das máculas do corpo espiritual, qual é o
poder que dissipará essas máculas? E a Luz emanada de
Deus e irradiada através do corpo humano. A profunda
compreensão desse princípio só se tomará possível
através da prática do Johrei por vários anos. No
momento, creio que os leitores poderão obter apenas
uma noção geral; por isso, peço-lhes que leiam com esse
espírito.

Antes de explicar o que é o corpo espiritual do homem,


torna-se necessário explicar o que é a morte. Quando o
corpo material fica imprestável, por velhice, doença,
ferimento, perda de sangue, etc., o corpo espiritual e o
corpo material se separam. A esta separação é que
chamamos morte. Ela ocorre quando o corpo espiritual se
liberta do corpo material. O primeiro regressa ao Mundo
Espiritual e, passado algum tempo, reencarna; o segundo,
como todos sabem, apodrece e retorna à terra. Pelo
exposto, compreende-se que o corpo espiritual tem vida
infinita, e o corpo material, vida finita, existência
secundária. conseqüentemente, quando se trata de
questões relativas ao homem, o verdadeiro alvo é o corpo
espiritual.

Na ciência contemporânea, está se tornando conhecida a


existência de uma espécie de radioatividade em todos os
seres, inclusive nos minerais e nos vegetais. Meus
estudos revelaram que a radioatividade do corpo humano
é de qualidade superior. É como se falava nos velhos
tempos: "Espiritualmente, o homem é superior a todos os
outros seres."

Quanto mais elevado o espírito, maior é o seu grau de


rarefação (pureza), e, quanto mais aumenta o grau de
rarefação, mais difícil se torna detectá-lo através de
instrumentos. Portanto, opondo-se aos conceitos
materialistas, é muito mais fácil captar a presença de
espíritos de níveis inferiores, assim como acontece com o
rádio, entre os minerais, e a fosforescência, em alguns
vegetais. Todavia, é importante compreendermos este
princípio: quanto mais rarefeito (puro) é o espírito, maior
é o seu poder de atuação.
A irradiação do corpo humano é a mais poderosa, mas a
grande diferença que há de umas para outras pessoas,
está além da imaginação. Quanto mais poderosa for essa
irradiação, maior será a atuação do Johrei. Assim, para
irradiá-la com maior potência, concentrei-a numa parte
do corpo, alcançando, com isso, pleno sucesso na
eliminação das máculas. Consegui, também, aumentar
ainda mais a força da irradiação que cada um possui,
através de um método todo peculiar. Aplicando esses
dois métodos, conhecendo o seu principio e somando
experiências, consegue-se manifestar um poder
extraordinário.
Retirado do livro "O Evangelho do Paraíso"
TIPOS DE FÉ

Em Religião, existem muitos tipos de Fé. Em linhas gerais,


temos:
1º - Fé que visa à graça;
2º - Fé oportunista;
3º - Fé passiva;
4º - Fé interesseira;
5º - Fé mediúnica;
6º - Fé egoísta;
7º - Fé ostensiva;
8º - Fé ocasional;
9º - Fé volúvel;
10º - Fé superficial e caprichosa;
11º - Fé comodista;
12º - Fé farisaica.

Analisemos cada um desses tipos.

1º - Fé que visa à graça


O interesse concentra-se apenas nas graças que se deseja
alcançar. Deus e o mundo ficam em segundo plano. As
pessoas visam somente ao próprio bem. Sabem
aproveitar-se da Fé, mas não sabem agradecer e retribuir
os favores Divinos. Aproveitar-se da Fé significa colocar
Deus em segundo plano, abaixo do homem. As graças se
alcançam adorando a Deus. A fé que visa somente à
graça, sobrevive por pouco tempo, acabando por perder-
se.

2º - Fé oportunista
É a dos que se mostram indiferentes enquanto a religião
que professam for desconhecida na sociedade, mas
procuram participar das suas atividades quando ela se
torna famosa e se expande.
3º - Fé passiva
É a daquele que vive agradecendo, dando a impressão de
ter grande fé, mas não chega a pensar na salvação da
humanidade, que é o objetivo de Deus. Como não há
ação, por ser uma fé estritamente "Shojo", sua existência
é apenas figurativa.

4º - Fé interesseira
É a das pessoas sumamente astutas, que procuram
aproveitar-se da religião para fazer um negócio, ou
acalentam alguma outra ambição. Quem cultiva esse tipo
de fé, abandona a religião assim que verificar a
impossibilidade de tirar tais proveitos.

5º - Fé mediúnica
É a dos que se baseiam na incorporação de espíritos no
homem e, aceitando-a, procuram conhecer o Mundo
Espiritual. Isso não é condenável, mas eles acreditam
facilmente nas palavras de espíritos de baixa categoria e
alegram-se com falsas predições e com mistificações. Não
deixa de ser uma heresia.

6º - Fé egoísta
É a das criaturas extremamente egoístas, que fazem
oferendas e romarias a entidades muito conhecidas,
tendo por única finalidade receber graças exclusivamente
para si. São tipos vulgares, que nunca se interessam pelas
desgraças sociais e humanas.

7º - Fé ostensiva
É a daqueles que gostam de se mostrar, de receber
elogios, de ser apreciados e bem falados. Trata-se de fé
superficial, que não consegue desligar-se do egoísmo.
Também é de baixa categoria.

8º - Fé ocasional
É a das pessoas que comparecem à Igreja quando
ninguém se lembra mais delas. Tais pessoas, afastando-
se, dão a impressão de abandono da Fé, mas não é
propriamente isso. Elas vêm à Igreja de vez em quando,
como sonâmbulas, sem ao menos saber por quê. É
preferível que abandonem a Fé.

9º - Fé volúvel
Seus adeptos não conseguem manter-se numa religião.
Gostam de conhecer outras e vivem sempre mudando de
crença. Portanto, jamais alcançam graças verdadeiras.
Não passam sem Religião, mas vivem confusos. Aceitam
opiniões com a maior facilidade. Não deixam de ser
infelizes.
10º - Fé superficial e caprichosa
É a fé manifestada por pessoas essencialmente
caprichosas, que não conseguem concentrar-se numa
religião, como no caso dos possuidores de fé volúvel. Os
adeptos vivem mudando de uma para outra crença. São
peregrinos da Religião.

11º - Fé comodista
Os adeptos aproveitam-se de Deus e da Fé para
satisfazerem seus interesses. Assemelha-se à fé egoísta e
encontra-se na maioria das organizações religiosas, entre
líderes e orientadores.

12º - Fé farisaica (impregnada de falsidade)


É quando o adepto aparenta fé, mas no fundo não
reconhece a existência de Deus. É o tipo que engana
facilmente os outros com sua lábia. Como Deus não
permite tal abuso por muito tempo, a pessoa acaba
sempre por se revelar e desaparecer.
Diremos que a fé é verdadeira quando não corresponde a
nenhum dos tipos que foram citados.

30 de agosto de 1949 (Alicerce do Paraíso)


INCORPORAÇÃO E ENCOSTO DE ESPÍRITO ENCARNADO

Falei a um universitário sobre espírito e fenômenos


espirituais, mas ele não se convencia. Como que me
desafiando, disse: “Então veja se há algum espírito
incorporado em mim”. Imediatamente procedi ao exame
espiritual e, não demorou muito, o rapaz entrou em
transe e começou a falar com jeito de mulher jovem.
Havia incorporado o espírito de uma pessoa viva: o da
empregada de um bar noturno que dele se enamorara e
com quem de vez em quando ia passear. O espírito fez
este pedido: “Faz tempo que ele não vem me ver.
Gostaria que lhe dissesse para vir, pois estou com muita
saudade”. Apesar de o pedido ter sido feito por espírito
de gente viva, fiquei constrangido ao ser solicitado para
transmitir o recado.
O universitário voltou a si sem compreender o que estava
se passando, e eu então lhe perguntei: “Como foi?” Ao
que ele respondeu: “Não sei se entrei em transe, não
entendi nada”. Quando lhe contei o que acontecera,
espantou-se e, envergonhado, coçando a cabeça
embaraçado, teve de admitir a existência do espírito.

Também fiz exame espiritual numa jovem gueixa que


incorporou o espírito do amante. Depois de lhe fazer
várias perguntas, compreendi que se tratava do espírito
do proprietário de uma casa que vendia açúcar por
atacado. Ele disse o seguinte: “Combinei encontrar-me
com esta gueixa hoje à noite, mas, como surgiu um
compromisso, peço-lhe o favor de dizer-lhe que só posso
encontrar-me com ela amanhã”. Suas palavras e gestos
eram de um homem de quarenta a cinqüenta anos, não
havia dúvida. Quando transmiti o recado à jovem, ela se
espantou. Disse que entrara em transe e não sabia
absolutamente o que falara, mas que realmente havia
combinado aquele encontro.

Certa vez, fui procurado por uma moça de mais ou menos


vinte anos, a qual me disse que lhe parecia ter sido
acometida de hipocondria, e que estava achando o
mundo muito sem graça. Então eu lhe fiz várias
perguntas, dizendo, entre outras coisas, que não havia
razão para uma pessoa de aparência tão sadia estar
assim, além do mais sendo tão bonita. Acrescentei que
devia haver um motivo especial. Finalmente, compreendi
que a causa de tudo era um rapaz da vizinhança, o qual se
apaixonara por ela. “Ele tenta me conquistar através de
cartas e vários outros meios – disse a moça – mas eu não
gosto dele e já lhe disse não várias vezes; entretanto, ele
fica sempre postado perto da minha casa e, de medo, eu
quase não saio”. Então eu expliquei à jovem que o
espírito daquele rapaz estava encostado nela. Sabendo
disso, ela ficou tranqüila, pois compreendeu que não
estava doente. A partir daí, foi melhorando pouco a
pouco e acabou por se recuperar completamente.

Se é difícil fazer uma pessoa compreender a existência de


espírito desencarnado, muito mais difícil ainda é fazê-la
compreender encosto de espírito encarnado. Todavia,
trata-se de uma verdade indubitável, e eu gostaria de que
lessem conscientizados disso.

Ainda poderia citar vários exemplos, mas acho que esses


três são suficientes. Acrescento, porém, que o fato
geralmente ocorre nas relações amorosas entre homem e
mulher. Quanto à hipocondria daquela moça, era
motivada pelo pessimismo do rapaz, gerado pelo amor
não-correspondido. Esse estado refletia-se nela através
do elo espiritual. Como se pode concluir, encosto de
espírito encarnado significa o reflexo do pensamento de
outra pessoa. Quando, ao contrário do caso que citei, os
dois se amam, os elos espirituais de ambos se
interrelacionam, produzindo uma sensação
extremamente agradável. Se a ligação se torna
inseparável, é, em grande parte, devido a essa sensação.

Encosto de espírito desencarnado provoca uma sensação


de frio; encosto de espírito encarnado, sensação de calor.

Tratando-se de espíritos encarnados como os dos casos


citados, não há grande problema, mas existem os que são
terríveis. É o que ocorre, por exemplo, no triângulo
amoroso. Quando duas mulheres disputam um homem,
os ciúmes de ambas se materializam e lutam entre si. Em
geral a esposa sai vencedora, porque é natural o justo
vencer; sua obstinação fará com que a amante acabe se
afastando, acometida por doença, falecendo ou
arranjando outro amante.
Se o espírito encarnado for de gente, a incorporação não
é tão grave; pior é quando se trata do espírito de
“kudaguitsune”. Desde a Antigüidade, quem pratica esse
tipo de incorporação são ascetas aos quais se dá o nome
de “iizuna-tsukai”. Eles aceitam todos os trabalhos que
lhes pedem, como, por exemplo, fazer vinganças. O
“kudaguitsune” é um tipo de raposa pouco menor que
um melão e tem um pêlo branco e macio; seu espírito é
muito obediente ao homem e faz qualquer maldade que
lhe ordenem. Desde tempos remotos há muitos “iizuna-
tsukai” na região sul, e aí se aconselha que ninguém se
case com eles, porque, se lhes desagradarem na menor
coisa que seja, eles se vingarão. Há, também, a
incorporação do espírito encarnado de outros tipos de
raposa. Seu corpo permanece no “Inari” ou nas matas, e
só o seu espírito atua.
25 de agosto de 1949

EXISTEM FANTASMAS?

Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência


de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se
de uma realidade que ninguém pode negar. Creio que a
tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim
como a do Inferno, Purgatório e Céu, da “Divina
Comédia” de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses
sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
Que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo
Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o
empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe
no Mundo Material.

O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do


que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras “Tome
assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço”,
proferidas nas cerimônias litúrgicas, significam que um
espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns
minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que
ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos
elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os
níveis de hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito
do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao
local mais distante num espaço de tempo menor do que a
milionésima parte de um segundo, mas o espírito de nível
inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil
léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito,
mais pesado ele é, devido às suas impurezas.

Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode


aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos
Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros
de largura, podem tomar assento várias centenas de
espíritos. Nessa oportunidade, é rigorosamente
observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição
adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a
indumentária apropriada. No budismo, eles assentam no
seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou
de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num
espelho, numa pedra, numa letra ou no “Himorogui”
(cruz feita de fibras de linho).

Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos


cultos que lhes são oferecidos de coração, mas o mesmo
não acontece se são atos apenas formais. Assim, nas
ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de
sentimento e realizá-lo de forma ideal, de acordo com as
condições materiais do momento.

Desde épocas remotas fala-se em pessoas que


ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos
casos trata-se de espíritos com poucos dias de
desencarnados. O grau de densidade das células
espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual
esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas.
Nada há de estranho, portanto, no fato de muitos terem
visto a Ressurreição e Ascensão de Cristo. Porém, como o
espírito de Cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu.
Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando
menos denso, e, assim, mais difícil de ser visto.

Um fantasma pode entrar e sair livremente por um


orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não
tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista
disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja
o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem
assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente,
e a liberdade é limitada.

Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos


espíritos.

Os fantasmas geralmente são retratados com a expressão


facial dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer
do tempo, a expressão do espírito vai mudando
lentamente, amoldando-se à índole da pessoa. Por
exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários tomam
um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de
natureza diabólica e animalesca tomam a aparência do
próprio demônio; os de pensamento vil ficam com a face
disforme, e os que têm bom coração adquirem uma
expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível
encobrir o pensamento, pela configuração chamada
corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado,
aparecendo exatamente como é. Essa imagem verdadeira
aparece mais ou menos um ano após a morte.

Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou


menos esta referência: “Quando o homem falece, seu
espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem
tampouco existe Mundo Espiritual; se existisse, já estaria
repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge
vários bilhões”. Esse autor, apesar de ser um expoente do
budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito.

5 de fevereiro de 1947

O PRIMEIRO MUNDO

Ao analisarmos a civilização atual, percebemos que a base


da sua estrutura é a ciência da matéria. Escreverei, a
seguir, sobre isso; mas, em primeiro lugar, é necessário
conhecer a constituição do Universo. Serão dispensados
os detalhes que não se relacionam diretamente com o
homem, abordando-se apenas os pontos mais
importantes.
O Universo é constituído de três elementos
fundamentais: Sol, Lua e Terra. Esses elementos são
formados respectivamente pela essência do fogo, da água
e da terra, que constituem o Mundo Espiritual, o Mundo
Atmosférico e o Mundo dos Fenômenos, os quais se
fundem e se harmonizam perfeitamente. Até agora, no
entanto, só eram conhecidos o Mundo Atmosférico e o
Mundo dos Fenômenos; desconhecia-se a existência de
mais um mundo, o Espiritual, que a ciência da matéria
não conseguiu detectar. A cultura material da atualidade
formou-se com o progresso obtido naqueles dois
mundos, razão pela qual ela abrange apenas dois terços.
Na realidade, porém, o Mundo Espiritual, justamente o
um terço considerado inexistente, é mais importante que
os outros dois juntos, constituindo a fonte da força
fundamental. Ignorando-se a sua existência, jamais
surgirá a civilização perfeita. O fato do homem, apesar do
considerável avanço da cultura baseada no Mundo
Material e no Mundo Atmosférico, não conseguir realizar
o seu maior desejo - a felicidade - comprova muito bem o
que estou afirmando.

Examinando-se atentamente a origem de tal contradição,


descobrimos que há uma profunda razão para ela. Se a
humanidade, desde o começo, conhecesse a existência
do Primeiro Mundo, o Mundo Espiritual, a civilização
material não teria alcançado o maravilhoso progresso que
vemos hoje. Isso porque, do desconhecimento do Mundo
Espiritual é que nasceu o pensamento ateísta, que deu
origem ao Mal. Atormentada pelo sofrimento decorrente
da luta entre o Bem e o Mal, a humanidade só teve um
recurso: desenvolver a cultura material. Portanto,
pensando bem, o que representa isso senão o profundo
Plano de Deus? Há um perigo, contudo: ocorrer um
colapso da cultura material, se ela progredir além de
certo limite. A invenção da bomba atômica é uma das
facetas desse progresso, mas, atingido esse nível, é
chegado o tempo determinado pelos Céus de haver uma
grande mudança no desenvolvimento da cultura. Como
primeiro passo, está sendo revelada a toda a humanidade
a existência do Primeiro Mundo, do qual não se tinha
conhecimento; tratando-se, porém, de uma existência
invisível, logicamente não se poderá comprová-Ia pelos
métodos científicos. Daí a manifestação de uma grandiosa
força jamais experimentada pela humanidade, isto é, o
Poder de Deus. Como o homem contemporâneo há longo
tempo está obstinado na concepção materialista, é muito
difícil convencê-Io. Entretanto, em nossa Igreja existe o
único método para se conseguir isso: o milagre do Johrei.
Por mais ateísta que seja, o indivíduo não poderá deixar
de aceitar e se submeter. Assim, à medida que o Johrei se
tomar conhecido por toda a humanidade, haverá
inevitavelmente uma mudança de cento e oitenta graus
no rumo da cultura, surgindo, então, a Verdadeira
Civilização, comum ao mundo todo.
Resta, no entanto, um problema: como a cultura atual foi
erigida ao longo dos milhares de anos, não se sabe
quanto pecado foi praticado até agora. Por "pecado"
refiro-me obviamente às máculas espirituais, cujo grande
acúmulo constituirá um obstáculo para a construção do
mundo novo. É como se durante a construção de uma
casa houvesse sujeira espalhada por todo lado, como
pedaços de madeira, tijolos quebrados, etc., tornando-se
indispensável uma ação de limpeza. Deve ser isto o Juízo
Final profetizado por Cristo.

Os maravilhosos e incontáveis milagres manifestados pela


nossa Igreja não poderão ser senão o plano de Deus para
mostrar a existência do Primeiro Mundo. E Deus me
encarregou desta grandiosa missão.

(4 de julho de 1951)
A PARÁBOLA DA ESPADA

Antigamente, para se fazer uma boa espada, era


necessário esquentar o aço até a incandescência, batê-lo
com martelo, sobre uma bigorna, e, a seguir, colocá-lo na
água. Repetia-se várias vezes essa operação, isto é,
caldeava-se e batia-se o aço em brasa, mergulhando-o,
depois, na água.
O interessante é que esse princípio também se aplica à
vida humana. A divulgação da nossa Igreja, com o
decorrer do tempo encontrou várias críticas e obstáculos,
isto é, contratempos e ataques, para, em seguida, receber
elogios e louvores. Experimentamos, portanto, do fogo
escaldante ao mergulho na água fria.

Muitas vezes me perguntam: “Por que ocorrem fatos tão


contrastantes?” Para essas perguntas eu dou como
resposta o exemplo do caldeamento da espada, e as
pessoas compreendem bem.
Desde os tempos mais remotos, quem executa uma obra
fora do comum não só recebe louvores, mas também
perseguições, oriundas do despeito. É nessa luta, porém,
que reside o mérito de alcançarmos fortalecimento. É
como a espada, que só adquire todas as qualidades
graças à alternância do caldeamento e esfriamento e às
fortes marteladas sobre a bigorna. Analisando sob o
aspecto religioso, significa que Deus impõe maior
sofrimento a quem tem maior missão, o que não deixa de
ser motivo de alegria.
1949
OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito


Guardião que constantemente o protege. É comum
ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus:
isso significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi
outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito
Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento
é o Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão,
gato, cavalo, boi, macaco, doninha, dragão, “tengu” ,
aves, etc. Em geral, há uma espécie para cada pessoa,
mas em casos menos freqüentes há mais de uma.
Dificilmente os homens da atualidade acreditam nisso;
creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo, através
de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de
uma realidade incontestável.

O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito


Secundário é o mal, são os pensamentos vis. No budismo,
dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do
bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e
os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos
mundanos).

Além desses dois espíritos – Primordial e Secundário –


existe o Espírito Guardião. É o espírito de um ancestral.
Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus
ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la.
Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser
espíritos híbridos de homem com dragão, raposa,
“tengu”¹, etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é
“Karassu-tengu”² , e meu Espírito Guardião é dragão.

É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se


salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou
tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito
Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração
recebida por artistas e inventores, no momento em que,
compenetrados, estão criando alguma obra. No caso de
querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-
lo receber graças através da Fé, Deus atua por intermédio
do Espírito Guardião. Os antigos provérbios “A verdadeira
sinceridade se transmite ao Céu”, ou “A sinceridade se
transmite a Deus”, significam a concessão das graças
Divinas através do Espírito Guardião.

5 de fevereiro de 1947

¹Tengu”: ser misterioso que, segundo a crença popular,


habita as montanhas. Tem forma humana, asas, rosto
vermelho e nariz comprido, sendo possuidor de poderes
extraordinários. Porta sempre um grande leque. É
orgulhoso e amante de discussão e jogo
²Karassu-tengu”: variedade de “tengu” com cabeça de
corvo

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO EM PARAÍSO ATRAVÉS
DA SAÚDE
É inegável que a grande profecia de Cristo sobre a
chegada do Reino dos Céus encerra um significado
idêntico ao objetivo de todas as religiões: a construção de
um mundo melhor, um mundo de felicidade, do qual
terão sido erradicados os sofrimentos e as angústias que
afligem o homem.

Lamentavelmente a realidade nem sequer esboça a


concretização desse ideal comum, parecendo mesmo que
só num futuro muito distante o mundo se libertará da
situação infernal em que se encontra. Mas por que será
que, apesar dos esforços contínuos empreendidos, desde
a antiguidade, pela Religião, pela Filosofia, pela Ciência,
pela Moral e pela Educação, tanto no Ocidente como no
Oriente, não se nota nenhum progresso nesse sentido?
No que diz respeito à saúde do homem, que é a raiz da
tragédia, a verdade é que não se vislumbra nenhuma luz
capaz de solucioná-la. Tenho falado com grande
freqüência sobre isso, mas acredito que nunca será
demais insistir no assunto, porque, se o problema da
doença não for totalmente solucionado, a concretização
de todas as outras condições não terá nenhum
significado.

O Johrei criado por mim elimina todas as enfermidades,


possibilitando a existência de homens realmente sadios.
Entretanto, uma descoberta tão extraordinária ultrapassa
em muito o nível da cultura atual, tornando-se assim alvo
fácil de más interpretações. É como uma pessoa que,
estando no chão, não tem a mesma visão de outra que
esteja sobre o telhado de uma casa.

Pesquisando a fundo a raiz de todas as tragédias, sempre


encontramos a doença. Há pessoas que, mesmo jovens,
são acometidas de tuberculose, havendo algumas a quem
isso acontece quando estão para se formar e não só
frustra os seus sonhos, mas também a única esperança da
família, lançando a todos a um destino sombrio. Outras,
já de meia idade, fracassam em seus empreendimentos;
há, ainda, aquelas que, após terem consolidado a duras
penas os alicerces do seu trabalho, na hora de se
lançarem às suas realizações são vitimadas por
enfermidades que as obrigam a retirar-se dos negócios.
Conclui-se que realmente a maior parte das tragédias de
caráter social tem sua origem na doença.

Nos trágicos dias atuais, surgiu repentinamente o Johrei.


As pessoas que ingressarem em nossa Igreja e
entenderem o seu verdadeiro significado, poderão
compreender facilmente que ele seja a maravilha da
medicina que marcará época na História.

(Cap. X - Série “Minha Visão” — 20 de abril de 1950)


LIBERDADE NA FÉ

No Japão, a liberdade religiosa só foi alcançada após a


promulgação da nova Constituição. Não é disso, porém,
que vou tratar; pretendo discorrer sobre a liberdade na
própria Fé.

Há inúmeras religiões – grandes, médias e pequenas – no


mundo inteiro. Entretanto, todos pensam que sua religião
é a melhor e, logicamente, considerando as demais de
nível inferior, advertem insistentemente os adeptos para
não terem nenhum contacto com elas. Dizem que as
outras religiões provêm do demônio, que se deve temer o
castigo de Deus e, ainda, que não se obterá a salvação
seguindo a dois senhores.

Essas atitudes dependem de cada religião. Existem as que


são muito rigorosas e cujos missionários procuram
impedir o relacionamento dos adeptos com outros
credos. Algumas até intimidam as pessoas dizendo-lhes
coisas atemorizantes, como, por exemplo, que, se
mudarem de fé, lhes advirão grandes desgraças, sofrerão
doenças graves, perda da própria vida ou da família
inteira, etc. É a costumeira tática utilizada pelas falsas
religiões. Se nos basearmos no senso comum,
perceberemos que tudo não passa de tolice, mas
geralmente as pessoas se deixam influenciar, ficando
indecisas. E isso não ocorre apenas com as religiões
novas; mesmo nas religiões antigas e dignas de respeito
acontecem fatos semelhantes, o que é incompreensível.
Analisando bem, podemos concluir que o pensamento
liberal não se restringe às áreas políticas e sociais. Parece-
nos que os grilhões do pensamento despótico persistem
também nas religiões.

Sendo como discorri acima, devo dizer, a respeito da


liberdade em Religião, que promover vantagens para a
Igreja em detrimento dos fiéis, cerceando sua vontade, é
um abuso que atinge as raias do absurdo. Além do mais,
empregar para isso a ameaça verbal é algo que, a essas
alturas, pode ser considerado uma imperdoável
chantagem religiosa. Como ilustração, citarei o que tive
ensejo de ouvir de uma pessoa: “Há muito tempo sou
adepto fervoroso de determinada religião, mas vivo
constantemente enfermo e não consigo livrar-me do
sofrimento causado pela pobreza. Por esse motivo, fui
perdendo a fé e resolvi abandoná-la. Entretanto, quando
participei ao ministro a decisão que tomara, ele me disse
coisas aterrorizantes. Sem saber como agir, venho pedir
conselhos ao senhor.” Eu expliquei a essa pessoa que
aquela religião, sem sombra de dúvida, era demoníaca e
que o melhor seria deixá-la o quanto antes.

Exemplos como esses existem aos montes. O principal


motivo que leva as religiões a tomarem tais atitudes é o
medo que elas têm de ver diminuir o número de seus
fiéis. Por outro lado, há uma razão que já se registra
desde eras remotas. Quando a religião se torna atuante e
conhecida, observa-se uma tendência para o
aparecimento de imitações. Até mesmo com a nossa
Igreja ocorre esse fato. Nessas oportunidades, eu explico
que as religiões se assemelham aos cosméticos: quando
são bem aceitos, surgem imitações. Ora, se isto acontece,
é uma prova de que o produto foi bem aceito pelo povo.
Portanto, ao invés de condenar o fato, devemos alegrar-
nos com ele.
No cristianismo, parece que existe a mesma tendência,
mas em outro sentido. Referimo-nos à advertência sobre
a vinda do Anticristo ou falso salvador. Trata-se de uma
advertência que apresenta não só pontos positivos como
também negativos, pois, caso apareça o verdadeiro
Salvador, será fácil confundi-lo com o falso, e muitas
pessoas deixarão de ser salvas.

O mais grave, entretanto, é que muitos adeptos oferecem


sua ardorosa fé acreditando que a religião que professam
é a melhor de todas. Como são realmente sinceros,
espiritualmente já estão salvos, e pessoalmente se
sentem satisfeitos. Mas isso não é o certo. A verdadeira
felicidade consiste em viver-se uma vida paradisíaca, em
que a matéria esteja salva juntamente com o espírito.
Embora sejam crentes fervorosos, muitos desconhecem
esse particular; assim, é grande o número de pessoas que
não consegue se livrar da infelicidade.

A propósito, quero fazer mais uma advertência. O motivo


pelo qual uma religião proíbe seus fiéis de terem contato
com outras talvez seja o receio de que eles possam
encontrar uma religião superior. Isso significa que existe
um ponto fraco nessa religião; portanto, os fiéis devem
acautelar-se. Nesse ponto, nossa Igreja é realmente
liberal. Todos os messiânicos sabem que até achamos
muito útil o contato com outras religiões, porque, através
das pesquisas, estamos ampliando nosso campo de
conhecimentos. Por conseguinte, se acharem uma
religião melhor que a Igreja Messiânica Mundial, podem
converter-se a ela a qualquer momento. Isso jamais
constituirá um pecado. Para o Verdadeiro Deus, o
importante é a pessoa ser salva e tornar-se feliz.

8 de outubro de 1952
Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

A TRILOGIA DOS ÓRGÃOS INTERNOS E O JOHREI

Os órgãos internos mais importantes para a vida do


homem são certamente o coração, os pulmões e o
estômago. Como sempre venho expondo, isso decorre da
ação de três elementos fundamentais: o fogo, a água e a
terra. Em síntese, o coração, os pulmões e o estômago
correspondem, respectivamente, a esses três elementos,
pois o coração tem a função de absorver o elemento
fogo; os pulmões, a função de absorver o elemento água;
o estômago, a função de absorver o elemento terra. Mas
a explicação dada pela Medicina, até agora, sobre os
órgãos em questão, era bastante superficial. No que se
refere à purificação do sangue sujo, dizem que ela é
decorrente do oxigênio absorvido pelos pulmões, mas é
óbvio que apenas isso não atinge o cerne do fenômeno.
Vou dar uma explicação baseada na revelação de Deus e
para isso devo partir da verdade relativa ao Mundo
Espiritual. A existência desse mundo está fora do alcance
dos sentidos do homem e corresponde praticamente ao
nada, mas na realidade ele é a fonte onde tudo se origina.
Sem conhecer isso, é impossível apreender a Verdade.

Já me referi ao princípio do fogo arder pela água e da


água se mover pelo fogo. Esse princípio constitui
justamente a chave para a solução de tudo. Para explicar
o Mundo Espiritual, que é invisível, começarei falando do
Mundo Atmosférico. O que a Ciência chama de oxigênio é
a essência do fogo; o hidrogênio é a essência da água, e o
nitrogênio é a essência da terra. Essas três essências
formam uma trilogia, constituindo a natureza de tudo que
existe no Universo. Se tanto o calor intenso, como o frio
exagerado e a temperatura amena estão apropriados à
manutenção da vida, deve-se à força vital desses três
elementos extremamente misteriosos. Se, por acaso,
conseguíssemos eliminar o elemento água da Terra,
ocorreria uma explosão imediata; se eliminássemos o
elemento fogo, tudo se congelaria num instante; se
eliminássemos o elemento terra, tudo desmoronaria e se
tornaria zero. Essa é a Verdade.

Raciocinando nesses termos, poderão compreender o


sentido básico do coração, dos pulmões e do estômago. O
coração absorve o elemento fogo do Mundo Espiritual
através da pulsação. Da mesma forma, os pulmões
absorvem o elemento água através da respiração. O
estômago absorve o elemento terra pela digestão dos
alimentos. Mas vamos aprofundar ainda mais esse
princípio.

Para dissolver as toxinas solidificadas, que são a origem


de todas as doenças, necessita-se de calor. Esta é a
primeira atividade do processo de purificação. Se esse
processo constitui os sintomas das doenças, a febre alta,
em tal oportunidade, é necessária, para dissolução das
toxinas. Ao mesmo tempo, a pulsação torna-se acelerada,
para absorver o calor. Quanto ao frio que se sente, é
causado pela concentração do calor no local enfermo e
pela diminuição temporária da temperatura em outras
partes. Da mesma maneira, a respiração se acelera para
estimular a atividade do coração, e, para evitar o
ressecamento, os pulmões absorvem o elemento água
em grande quantidade.
A origem do elemento fogo é a energia emitida pelo Sol; a
do elemento água é a energia emitida pela Lua; a do
elemento terra, a energia emitida pela Terra. É claro que
dos três órgãos que citamos o mais importante é o
coração, pois ele movimenta os pulmões, que, por sua
vez, movimentam o estômago. De acordo com este
raciocínio, não há perigo imediato de vida mesmo que
falte alimento ao estômago; entretanto, os pulmões só
mantêm a vida por poucos minutos, e para o coração é
impossível mantê-la durante mais de alguns segundos.
Isso se evidencia por ocasião da morte, que a Medicina
atribui, invariavelmente, à parada cardíaca, nada falando
sobre pulmões ou estômago. Nesse momento,
caracterizado primeiramente pela cessação da atividade
do coração, o espírito, isto é, o elemento fogo, que
ocupava todo o corpo, abandona-o, e o corpo fica sem
calor. Logicamente, isso ocorre porque o espírito retorna
ao Mundo Espiritual. Com a parada dos pulmões, o
elemento água existente no interior do corpo retorna ao
Mundo Atmosférico e o corpo começa a secar. Com a
parada do estômago, a ingestão de alimentos torna-se
impossível, e começa o processo de endurecimento do
corpo. Todos esses fenômenos constituem evidências que
atestam a veracidade do que foi exposto.

Portanto, como o corpo humano é formado pela trilogia


fogo-água-terra, o método lógico para a erradicação das
doenças deve basear-se nessa trilogia. Isso constitui o
princípio do JOHREI da nossa Igreja, o qual está baseado
no PODER KANNON. Esse poder é a Luz transmitida por
Kanzeon Bossatsu, uma luz espiritual, invisível aos olhos
humanos. A luz visível, como a do Sol, a das lâmpadas, a
do fogo, etc., é o "corpo" da luz. A natureza da luz é
resultante da união do fogo e da água, ou seja, é formada
pelos elementos fogo e água. E será mais forte quanto
maior for a quantidade do elemento fogo. Acontece que a
força proveniente da luz constituída apenas por esses
elementos ainda é insuficiente, tornando-se necessária a
essência da terra. A manifestação da força perfeita da
trilogia fogo-água-terra torna-se uma extraordinária força
de purificação. As ondas dessa Luz atravessam o corpo,
extinguindo as máculas do espírito, o que se reflete no
físico, como erradicação da doença.

O meio concreto para se obter o que foi exposto é uma


folha de papel dobrada, com a palavra HIKARI, ou seja,
LUZ, escrita em letra grande, a qual se usa no peito,
pendurada ao pescoço. Nessa palavra está impregnada,
de forma concentrada, a energia das ondas de Luz
transmitidas através do meu braço para o pincel, e deste
para as letras. Assim, a palavra HIKARI está unida, por
elos espirituais, à fonte da Luz, situada dentro do meu
corpo, a qual lhe transmite ondas incessantemente. É
claro que a atividade do elo espiritual que me liga a
Kanzeon Bossatsu ocorre de maneira idêntica, e d'Ele me
são transmitidas, ilimitadamente, as ondas de Luz para a
salvação da humanidade.

Sendo o corpo formado pela trilogia fogo-água-terra,


conforme expusemos, poder-se-á dizer que o método
purificador das máculas baseado na força dessa trilogia
constitui a própria Verdade. É evidente, portanto, que se
consegue obter uma força de purificação jamais vista.
Apesar da explicação deste princípio ser extremamente
difícil, acredito que os leitores tenham conseguido
entender até certo ponto como isso se processa.

6 de agosto de 1949

Retirado do livro “A Outra Face da Doença”, Título


original: “Shinji no Kenko”, páginas 134, 135, 136. 137 e
138. Editora MOA Shoji

SIGNIFICADO DE ENTOAR A ORAÇÃO

ORAÇÃO AMATSU-NORITO
A Oração Amatsu-Norito foi criada numa época remota,
antes mesmo da Era do Imperador Jyunmu, pelos deuses
da linhagem do povo Yamato (japoneses puros), ou seja,
da deusa Amaterassu-Oomikami, tendo o seu Kototama
uma maravilhosa vibração. É intensa a ação das palavras
de purificação do Céu e da Terra.

(Fundamentos de Oração Amatsu-Norito e Palavras


Divinas)

Sobre Taka-amahara

Comumente fala-se Taka-magahara, mas é errado. Está


escrito Taka-ama e não há como ler a palavra ama como
maga. Como no Ama-no-iwato (porta do Céu fortemente
cerrada) lê-se ame ou ama. Acredito que passaram, com
o tempo, sem o saber, a ler maga, porque Satanás atuou
nesse sentido para sua conveniência.

Onde se situa, então, o Taka-amahara? Há muito tempo,


cientistas e religiosos efetuam pesquisas, mas, ainda hoje,
não se sabe onde está.
Existem os que digam que fica na Grécia; outros, no
Monte Himalaia na Índia; ou, ainda, em Isse ou Shinshu
no Japão; e, em meio a essa discórdia, não há uma
definição.

Na realidade, contudo, Taka-amahara existe em qualquer


lugar. Em pequena escala, no corpo humano, está dentro
do coração, isto é, na cabeça e no ventre. A cabeça é o
Takaamahara do Céu e o ventre da Terra, sendo eles o
Céu e a Terra, respectivamente. Dentro do coração
também ele existe e, quando oramos a Deus, o
sentimento é o Taka-amahara. Nas pessoas que não têm
espírito religioso, as máculas impedem a abertura do
Taka-amahara.

De acordo com a oração: Taka-amahara ni Kan zumari


massu, no coração de quem possui fé, com certeza, Deus
está presente. Portanto, em primeiro lugar, o homem
deve edificar o Taka-amahara em seu coração.

Numa casa, o local onde está entronizado Deus ou Buda é


o Taka-amahara. No Budismo é o Paraíso Búdico e, para
os xintoístas, é Taka-amahara; como Kannon atua em
ambos, está presente nos dois. O fato de não ter Deus ou
Buda entronizado, significa ainda não existir Taka-
amahara nesse lar.
E, onde está o Taka-amahara de uma região, de uma
cidade, de uma vila? No Ubussuna-jinjya (Templo do Deus
Guardião) da região. Dizem que os deuses da região aí se
reúnem, e, do mesmo modo, os homens, aqueles que
possuem fé, se reúnem nesse local. Deste modo,
principalmente na antiguidade, todas as questões eram
dicutidas em reuniões no templo principal. Hoje, o Deus
Ubussuna não passa de um simples nome e as pessoas se
reúnem apenas uma vez ao ano, para falarem sobre
Omikoshi (santuário portátil), por ocasião das festividades
religiosas.

(A Realidade do Mundo de Miroku (5) - 25 de janeiro de


1936)

ORAÇÃO ZENGUEN-SANJI

Dai sen sanzen sekai


Na Oração Zenguen-Sandji há a letra Dai sen sanzen sekai
(todo Universo). No Budismo, tal letra está grafada ao
contrário: Sanzen Dai sen sekai, levando muitas pessoas a
acharem estranho; portanto, farei uma explanação a
respeito.

Em primeiro lugar, vou esclarecer o significado de ambas


as letras. O Dai (grande) do Dai sen sekai, refere-se a todo
o Universo. Ela significa grandeza ilimitada; em outras
palavras, o Cosmo inteiro. Além disso, essa letra é
composta por cinco barras, sendo cinco equivalente ao
elemento fogo - e o fogo é espírito - o espírito é o Céu e,
na verdade, o Céu deve ser em cima.

Sanzen sekai indica os três Mundos: Divino, Espiritual e


Material, ou seja, exaltando divisão do Dai sen sekai em
três, sendo que o número três corresponde a água que,
por sua vez, corresponde ao corpo. A letra Dai vem em
primeiro plano, pois ela própria contém o sinal gráfico do
número um (-), e como o três vem depois do dois, o certo
é vir abaixo.

Pela Lei do Espírito precede à Matéria, também, o espírito


deve vir em cima e a matéria embaixo. Outra
interpretação possível é: se Dai é fogo e San é água, Dai é
o Mundo do Dia e San, o Mundo da Noite; e, sendo o
Budismo ensinamento da Noite, da Lua, e até agora era
Mundo da Noite, estava certo que o "três" estivesse
acima. Sendo a nossa Religião pertencente ao Mundo do
Dia, o correto é Dai sen sanzen sekai.

(Dai sen sekai e Sanzen Sekai - 10 de janeiro de 1951)

Polir o Kototama e se esforçar para ser um homem de


espírito elevado

( ... ) Palavras boas ecoam na alma aumentando-lhe a Luz;


assim, diminuem as máculas do coração, fazendo com
que o Espírito Secundário se retraia. Com isso, o homem
passa a desgostar do Mal. Deste modo, o Espírito
Secundário, que faz o homem sofrer, retrai-se ou se
desprende dele com Zenguen¬Sandji e, ao mesmo tempo,
as máculas diminuem, fazendo com que o homem se
liberte do sofrimento.

Pelo exposto acima, percebe-se o quão maravilhosas e


belas são as palavras do Zenguen-Sandji e, ao entoá-Ia, o
Mundo Espiritual ao redor é grandemente purificado.
Existe, em especial, mais um fator que se relaciona,
profundamente, com a pureza e a impureza do espírito
do homem que emite as palavras. Isto é, quem possui
alma mais pura, manifesta maior força nas palavras, por
ser seu espírito de nível mais elevado. ( ... )

Assim, os fiéis devem sempre polir a alma, o Kototama, e


se esforçar para ser um homem de espírito elevado.

A Zenguen-Sandji é Universal

Como a Zenguen-Sandji é Universal, a pessoa pode


pertencer a qualquer religião.

(Fundamentos da Oração Zenguen-Sanji)

Ao pronunciar o nome de Deus a purificação é maior


Especialmente, ao pronunciar palavras boas, o coração
(sentimento) se purifica. Ao pronunciarmos o nome de
Deus, purificamos ainda mais.
Ao pronunciarmos o Seu nome, mesmo que o próprio
Deus não venha até nós, vem um súdito Seu. Com o
intuito de recebê-Lo, é que o nome de Deus está contido
na Oração.

(Fundamentos de Oração Amatsu-Norito e Palavras


Divinas)

Significado de Kannagara Tamati-haemasse

Kannagara Tamati-haemasse é uma palavra muito boa.


Kannagara significa conforme a Vontade de Deus ou
aprender com Ele, isto é, obedecer a Deus. Na vida
cotidiana, quando algo que está para ocorrer nos
preocupa, dizemos Kannagara, quer dizer, entregamo-Io
nas mãos de Deus.
Viver conforme a Vontade de Deus é não forçar a
situação; por isso, é permitido à pessoa permanecer num
estado tranqüilo e ela obtém resultados positivos.
Tamati-haemasse significa multiplicar e aumentar a
felicidade do espírito. Os xintoístas dizem: Mitama-no-
fuyu, que encerra o sentido de fortalecer ou engrandecer
a alma, cuja expressão tem o mesmo sentido da nossa
oração, na qual pedimos a Deus para que nos seja
permitido aumentar a felicidade do espírito.
("Sorei-saishi" - 1948 e 1949)
Retirado do livro “Manual do Novo Líder que Vive para
Meishu-Sama”, páginas 203 a 207.

SOBRE A CANALIZAÇÃO DO JOHREI / AUTO JOHREI


Ministro - A respeito da Luz canalizada pela palma da
mão, gostaria de saber:

a) Ultrapassa diretamente o corpo de quem a recebe ou


faz alguma curva?

b) Considerando-se nervos, músculos e ossos, a Luz se


espalha ou pende para um ou outro lado?

c) Dependendo da espécie de nuvens espirituais ou da


densidade das impurezas, a Luz pode fazer uma curva,
voltar e perder sua intensidade?

d) A palma da mão precisa estar direcionada para o local


onde se localiza o problema?

Meishu Sama - É óbvio que a Luz segue em linha reta,


sem fazer curvas, e daí a necessidade de o ministrante
detectar, primeiro, o ponto focal do problema,
justamente para que a irradiação atinja diretamente o
local afetado, purificando-o. E uma vez que essa região já
esteja limpa, na outra parte do corpo físico ligada
anteriormente a essa que apresentava o problema
também terá início o processo de dissolução de toxinas.
E devido a esse fenômeno é que, equivocadamente,
imagina-se que a Luz faça uma curva. Na verdade, ela
apenas atinge a outra parte correspondente à região que
antes manifestava alguma enfermidade, e é a esse
processo que se dá o nome de Purificação Espontânea
Equilibrada. Vejamos então alguns exemplos, para melhor
compreensão: ao serem eliminadas as toxinas das costas,
em seguida e na mesma proporção, irão ser dissolvidas
também aquelas existentes no abdômen, estabelecendo-
se, dessa forma, o equilíbrio entre as partes de trás e da
frente. Situação idêntica ocorre no que diz respeito a
ombros e pernas. Se o lado direito apresentar problemas
e receber Johrei, os sintomas passarão a ser sentidos no
lado esquerdo, quer dizer: as toxinas da outra parte
interligada à que apresentava algum distúrbio começarão
a ser eliminadas, para que o equilíbrio perfeito seja
mantido. Isso acontece com qualquer parte do corpo, e
então, aos poucos, todas as toxinas nele existentes
acabam sendo dissolvidas, até atingir-se a cura completa.

Contudo, a medicina costuma tratar cada órgão


separadamente. Ridículo! Por exemplo, muitas vezes,
uma dor de cabeça é sinal de que alguma parte do corpo
apresenta qualquer problema, o que quer dizer que uma
causa mais profunda é que dá origem a um transtorno na
região da cabeça. Certa vez, um de meus serviçais veio
até mim com dor de dente e, ao examiná-lo, constatei
que estava eliminando toxinas decorrentes de uma
cirurgia de apêndice. Uma outra pessoa apresentava
como causa de sua tuberculose um problema originário
das virilhas.

A Luz Divina descreve uma projeção em linha reta, não faz


curvas, tampouco retorna para o ministrante. Nesse
ponto, ela difere da teoria de Einstein, segundo a qual, ao
se projetar, a luz pode realizar uma curvatura,
dependendo das circunstâncias. No caso do Johrei,
quando ministrado corretamente, a Luz penetra o corpo
da pessoa, inclusive chegando a ultrapassá-lo, e se
expande pelo Universo, num processo semelhante ao que
ocorre com a luz de um farol.

Retirado do livro “A Arte do Johrei – volume II”, páginas


121 à 123. Editora Lux Oriens.

AUTO JOHREI
"Quando for ministrar o Johrei a si próprio, o ponto mais
importante são os ombros. Essa região costuma
apresentar pontos rígidos, por isso basta ministrar aí.
Caso haja solidificações bem pequenas, transmita a
energia espiritual do Johrei com a ponta do dedo médio.
Como sempre digo, não se deve encostar o dedo. Apóie
os dois dedos [indicador e anular] assim, e transmita a
energia com o dedo médio."

(5 de julho de 1953)

"[Sem encostar a mão], ministre o Johrei com a mão


afastada. (...) Caso tenha de encostá-la, faça assim,
(ministrar a terapia com a ponta do dedo médio, fazendo
um apoio com os dedos indicador e anular).

(23 de maio de 1949)

Retirado do livro "Curso de Terapia Okada - MOA"


TEMPO
Importância do tempo

Muito importante é o tempo. Mesmo realizações que,


com certeza, terão sucesso por estarem bem planejadas,
se estiverem sendo executadas antes do tempo
adequado, trazem conseqüências inesperadas. Notem,
porém, que tal atitude não significa estarmos cometendo
erros; apenas falta ainda o momento propício. Para
prever o fator "tempo certo", temos de possuir
'tieshokaku' bastante evoluído.

Tempo certo

Em todos os setores da sociedade, existem pessoas


malsucedidas em seus empreendimentos por terem
negligenciado o fator tempo adequado.

Geralmente são malogros que se estendem a toda família


e, às vezes, afetam também os demais parentes e até os
amigos. Adversidades de tamanha proporção mostram
claramente não se tratar apenas de um mal resultante de
erros ou falta de sorte. Na verdade, em muitos casos,
passam a representar um problema social. A causa de
tanto insucesso está na inadequação do fator tempo
certo.
Para se entender melhor essa questão, convém observar
atentamente o comportamento dos homens, ao iniciarem
a elaboração de seus planos. Em geral, nos preparativos
necessários, todos são cuidadosos. Mas, quando se
dispõem a executá-los, percebem que as realizações não
correm de acordo com as expectativas. Normalmente
surgem impedimentos inesperados e muitos ficam sem
saber como reagir. Esse é, via de regra, o caminho do
fracasso, cuja causa reside na ignorância do fator tempo
certo, princípio absoluto para a execução de qualquer
tarefa. Ainda que todas as condições sejam favoráveis,
fora da época adequada, bons resultados tornam-se
impossíveis.

Um outro exemplo pode ser encontrado na Natureza, que


também mostra ao homem a importância do tempo
como uma condição básica para a obtenção do sucesso
em qualquer empreendimento. Notem que todos os
produtos agrícolas têm o seu período exato de semeação,
de crescimento, de transplantação de mudas
determinado, é claro, pelo clima e a região de cultivo.
Assim, plantando-se um bulbo no Outono, florescerá na
Primavera. Semeadas na Primavera, as flores
desabrocham do Verão até o Outono. Também as frutas
têm época exata de sazonamento. Colhidas
prematuramente, não poderão ser aproveitadas;
maduras, entretanto, constituem alimentos saborosos.
Pode-se, então, afirmar que a Grande Natureza revela,
em seu aspecto real, a verdade com relação ao tempo
certo, e o homem deve tomá-la como exemplo para
qualquer trabalho que venha a empreender.

Soluções rápidas

Pergunta de um missionário: Quando o Senhor escreve,


pensa antes sobre o assunto?

Resposta de Meishu Sama: Não é preciso, pois eu tenho


até dificuldade em assimilar todas as idéias, porque se
manifestam uma após outra. Mesmo no caso de uma
construção, quase nunca procuro pensar qual seja a
melhor maneira de executá-la. Simplesmente, ao chegar
o tempo adequado, surge de repente, na minha cabeça,
aquilo que deve ser feito. Por isso, quando vou ao local
onde estou construindo o modelo do Reino do Céu na
Terra (Tijyotengoku), digo simplesmente o que e como
deve ser feito em cada lugar, em cada ponto. Se alguma
dificuldade permanece sem o esclarecimento imediato,
deixo-a de lado e não me preocupo mais com o assunto.
Agora, por exemplo, já tenho na minha cabeça, concluído,
o Templo. Até mesmo o desenho da cortina está pronto.

Por isso, reafirmo: sempre que, ao pensarem na maneira


como resolver um problema, não sendo encontradas
idéias claras, deixem-no assim mesmo. Chegando o
tempo, aparece rapidamente a solução exata.

Tempo divino

O tempo de Deus mudo a cada mil ou dezenas de mil


anos, embora para Ele, o Criador, esse espaço
corresponda apenas a uma fração de segundo, ou até
menos que isso.

Não obstante, para o ser humano que consegue, quando


tem vida longa, chegar, no máximo, perto dos cem anos,
imaginar que milhares deles correspondem a frações de
segundo na mente divina fica extremamente complicado
e confunde-lhe muito o pensamento.

Retirado do livro "Evangelho do Céu - Vol. II".


O MUNDO IDEAL É UM MUNDO DE BELEZA
O mundo ideal a que costumamos nos referir é, em
termos mais claros, o Mundo do Belo. Em relação ao
homem, é a beleza dos sentimentos. Naturalmente, as
palavras e atitudes do homem devem ser belas. Da
expansão do belo individual nasceria o belo social, isto é,
teremos, assim, o embelezamento das relações pessoais,
dos prédios, das ruas, dos meios de transporte, dos
parques. Como ao Belo se coaduna o asseio, teremos, em
escala mais ampla, o embelezamento e o saneamento da
administração pública, da educação e da atividade
económica, assim como devem tornar-se mais belas
também as relações diplomáticas internacionais.

Pensando nesse modo, podemos perceber o quanto a


sociedade contemporânea está cheia de fealdade e
maldade. Nas classes baixas, principalmente, o belo é
escasso demais, em virtude das péssimas condições
financeiras, que causam a decadência do ensino e a
precariedade dos estabelecimentos e instalações de
atendimento ao público. Daí, consequeníemente, nasce à
intranquilidade social.

Agora, gostaria de falar em especial sobre a parte relativa


às diversões. Nesse campo, o Belo precisa ser muito
enriquecido, pois a consciência do Belo é o que de melhor
existe para a elevação dos sentimentos humanos. Esse é
um dos motivos pelos quais sempre incentivamos a Arte.
Nem é preciso mencionar o quanto o baixo nível das
artes, na época atual, está degradando os sentimentos
das pessoas.

Como se vê, o fator essencial para a criação do Mundo do


Belo é o poder econômico. Enquanto o povo for pobre,
não poderemos sequer sonhar em concretizar esse
mundo. Mas como fortalecer o poder económico. Se
todos os indivíduos trabalharem com total empenho
visando elevar o poder de produção, estarão
fortalecendo-o. A condição básica para tanto é a saúde de
cada indivíduo.

03 de junho de 1950.
APRECIAÇÃO DAS VIRTUDES

Se atentarmos para a preferência que as pessoas


demonstram pelos maus divertimentos, veremos que a
palavra “divertimento”, para muitos, é quase sinônimo de
“mal”.

Quando alcança estabilidade financeira, a maioria dos


chefes de família passa a freqüentar lugares suspeitos e a
sustentar amantes. As despesas que isso acarreta são
pagas, geralmente, com dinheiro ganho de forma ilícita.
Obviamente, essas práticas se enquadram no mal. Tais
indivíduos, a par dos riscos que correm nos ambientes
freqüentados, perdem a tranqüilidade no lar, causam
preocupação aos familiares e não vivem felizes. Julgam
que êxito e divertimento são o objetivo da vida na Terra e
aos poucos se afundam num inferno. Quase sempre
pertencem à classe acima da média e são considerados
pelos mais humildes como protótipos de vida ideal; são
invejados pelos que se iludem com as aparências. Isto
gera uma legião de imitadores, e assim a sociedade se
afunda cada vez mais.

Fazem-se comentários sobre o lucro ilícito dos


funcionários venais, a ganância excessiva dos assalariados
desonestos e a renda fraudulenta dos políticos. Contam-
se pelos dedos os que não têm de que se envergonhar
perante a Terra e o Céu. Os fatos mostram que os bons
vivem humildemente, enquanto que os perversos, se são
audaciosos, triunfam e ostentam padrões luxuosos de
vida. Esta é a origem do conhecido ditado: “O homem
honesto sempre sai perdendo”.

Meu propósito é orientar o homem da atualidade sobre a


apreciação das virtudes. Concretamente, virtude significa
não freqüentar locais suspeitos, investir fundos em prol
da comunidade, ajudar os pobres, servir às boas causas e
professar a Fé. Também significa divertir-se na companhia
dos familiares, assistindo a sadios espetáculos
cinematográficos e teatrais e participando de excursões e
viagens. Tal modo de vida une os membros da família: a
esposa respeita o marido e lhe agradece os cuidados; os
filhos são resguardados do mau caminho; a preocupação
financeira diminui; preserva-se a higiene e estimula-se a
saúde. São estas coisas que asseguram vida longa, dias
alegres e boa disposição de espírito.

O famoso milionário Kihatiro Okura, da Era Meiji,


afirmou: “Se quiserem ter vida longa, não façam dívidas”.
É algo que eu também recomendo, pois, durante vinte
anos, as dívidas foram motivo de grande sofrimento para
mim.
Há homens que ferem a lei, realizam negócios obscuros,
ocultam atividades que eventualmente podem indispô-los
com suas esposas, devem a agiotas e por isso vivem num
angustioso clima de incertezas. Como fuga, buscam alívio
na bebida. Eis por que é enorme o consumo de bebidas
alcoólicas, não obstante seu alto preço. Ora, tudo isso
afeta a saúde e encurta a vida, que se torna uma
escravidão sob o jogo dos vícios, do qual é difícil a pessoa
se libertar. A única saída é seguir uma verdadeira
Religião.

Dei, acima, vários exemplos do bem e do mal. Quem


aprecia o vício? Meus leitores, entre o vício e a virtude,
qual escolher? Peço que reflitam.

25 de janeiro de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


DEVEMOS OU NÃO DEVEMOS FAZER DÍVIDAS?

Durante mais de vinte anos, provei sofrimentos causados


pelas dívidas. Para que possam fazer uma idéia, recebi
várias intimações judiciais e sofri uma falência. A “filosofia
da dívida”, da qual falarei a seguir, baseia-se nas
conclusões que tirei de todas estas experiências.

Farei uma análise da pessoa que está para fazer um


empréstimo.

Existem empréstimos ativos e passivos. O empréstimo


ativo é aquele que se faz quando se vai começar um
empreendimento, já calculando que uma quantia X vai
dar um lucro Y; isto é, faz-se o cálculo de modo que sobre
algum dinheiro mesmo depois de subtraídos os juros.
Esse tipo de empréstimo todos conhecem. Entretanto, no
caso dos empréstimos passivos, sai mais dinheiro do que
entra, por isso ele está sempre faltando.

É comum a pessoa fazer dívidas por não haver outra


alternativa. Quando as coisas começam a apertar, ela não
consegue pensar no futuro. Diante de uma situação difícil,
tenta livrar-se dos compromissos imediatos, sem levar em
consideração se os juros são altos ou baixos; o
importante, para ela, é conseguir o empréstimo. Muitos
anúncios publicados atualmente nos jornais, sobre a
concessão de empréstimos, são desse tipo. Podemos
dizer que, a essa altura, entre dez dessas pessoas, oito ou
nove estão a um passo do abismo.

Esta classificação dos empréstimos é uma classificação


feita a grosso modo. Agora vamos analisar o caso de não
se fazer o empréstimo.

Começa-se o empreendimento com o capital que se


possui no momento. Mesmo que seja um negócio de
pequeno porte, não há outro recurso. Suponhamos, por
exemplo, que se tenha cem mil ienes. Inicialmente,
emprega-se a metade ou um terço desse capital. Como o
restante fica guardado, poder-se-á pensar que o negócio
progredirá muito lentamente. Além disso, esses cem mil
ienes devem ser obtidos com o esforço próprio, sem a
ajuda de ninguém, pois assim estarão impregnados de
suor e terão força. Depois, inicia-se o empreendimento,
que deve ser do menor porte possível. Exemplifiquemos.

Comecei o método de terapia pela Fé no mês de maio de


1934, alugando uma casa de cinco cômodos por setenta e
sete ienes. Estava situada na rua Hiraga-tyo, no bairro de
Koji Mati (Tóquio). Achei que era uma casa boa demais;
entretanto, como as condições eram ótimas, decidi alugá-
la. Na época, eu ainda tinha muitas dívidas, mas fiz esse
empreendimento pensando em praticar a filosofia para a
qual despertara através delas. As idéias sobre esse
princípio filosófico me foram fornecidas pela Grande
Natureza. Podemos entendê-lo observando os seres
humanos. A criança recém-nascida, com o passar dos
meses e dos anos, vai crescendo cada vez mais, e a sua
força e inteligência tornam-se adultas. O mesmo
acontece com as plantas. Plantando-se uma pequena
semente, ela germina, formando um broto; a seguir saem
duas folhinhas e, depois das folhas propriamente ditas, o
caule se desenvolve, os galhos se expandem, até que a
planta se torna uma enorme árvore. Esta é a verdade.
Portanto, os seres humanos precisam seguir esse
exemplo. Eu tive a revelação de que, praticando
fielmente o princípio acima, não deixaria de obter grande
sucesso. Decidi, pois, em qualquer empreendimento,
partir da menor forma possível.

A maior parte das pessoas, no entanto, tenta fazer coisas


grandes e aparatosas desde o começo. Observando bem,
vemos que a maioria acaba fracassando. Quase todos os
empreendimentos da sociedade são assim. As pessoas
começam por negócios de grande porte e só depois de
fracassarem é que, forçadas pelas circunstâncias, seguem
a ordem, ou seja, começam tudo de novo, fazendo
pequenos empreendimentos. Só então é que conseguem
sucesso.

A propósito, os negócios nunca se processam de acordo


com a lógica ou com os cálculos. Existem vários motivos
para isso, mas o mais importante é a influência da mente.
Como o dia do vencimento da dívida nunca deixa de
chegar, aconteça o que acontecer, essa preocupação está
continuamente martelando a cabeça da pessoa.
Naturalmente, a realidade nunca acompanha os planos.
Com essa preocupação constante na mente, não surgem
boas idéias. Esse é o ponto mais desvantajoso. Ora, com
os bolsos sempre vazios, as pessoas não têm vitalidade.
Mesmo que se enfeitem exteriormente, são pobres
material e espiritualmente. Por isso, mostram-se inibidas
em todos os seus empreendimentos, não têm força para
crescer, estão sempre descontentes. Os comerciantes,
por exemplo, não conseguem fazer compras mesmo que
as mercadorias estejam baratas; conseqüentemente,
deixam de lucrar. Como a maioria prorroga o prazo do
pagamento da dívida, a confiança dos outros diminui. Se
o prazo se prolonga por muito tempo, começam a correr
juros em cima de juros. A essa altura, a pessoa começa a
se afobar e força a situação. Quando isso acontece, é o
seu fim. Eu sempre faço advertências sobre a afobação e
as situações forçadas, mas a maioria das pessoas não
percebe isso. Mesmo que momentaneamente os
resultados sejam bons, eles nunca duram muito tempo.
Os famosos senhores feudais Nobunaga e Hideyoshi, por
exemplo, fracassaram porque se afobaram e forçaram
situações. Em contrapartida, o domínio da dinastia
Tokugawa durou trezentos longos anos porque, nos
métodos empregados por Ieyassu, seu fundador, não
houve afobação ou situação forçada nem mesmo para ele
assumir o poder. Ieyassu utilizava-se da famosa tática de
“ceder para vencer”, quando achava que a situação
estava um pouco difícil: esperava a oportunidade
propícia, isto é, aguardava que o tempo ficasse a seu
favor. Assim, fez com que o poder rolasse naturalmente
para as suas mãos.

Eis o conselho de Ieyassu: “A vida do homem é como uma


longa caminhada carregando um pesado fardo. Não se
deve ter pressa”. Essas palavras expressam muito bem o
seu caráter. A derrota do Japão, nesta última guerra, teve
várias causas, mas não há dúvida de que a afobação e as
situações forçadas foram fatores decisivos, embora,
desde o início, o procedimento dos japoneses tenha sido
errado.

Não se deve fazer empréstimos para pagar dívidas, mas


foi o que aconteceu no período final da guerra, e pelo
mesmo motivo foi emitido dinheiro de maneira bem
desordenada. Essa foi, em grande parte, a causa da
inflação.

A Inglaterra, logo após a formação do gabinete


trabalhista, tomou dos Estados Unidos um empréstimo de
três bilhões e setecentos milhões de dólares. Acho que
seria uma boa iniciativa se, futuramente, não se tornasse
motivo de problemas financeiros; mas, depois disso, foi
preciso tomar empréstimos em cima de empréstimos. A
desvalorização da libra também é uma conseqüência
desse fato. Na época em que o Império Britânico era
próspero, sua receita anual elevava-se a três bilhões de
libras, provenientes de suas colônias e de outras fontes.
Que diferença entre a situação atual e a situação antiga!
O equilíbrio financeiro da Inglaterra, que até então era
um dos seus motivos de orgulho, acabou em tal estado
após o país passar por duas guerras. Foi um destino
inevitável.

Pelo que foi exposto, fica evidenciada esta verdade: não


se deve contrair dívidas, e, em todas as iniciativas, é
preciso começar de forma pequena. Gostaria que
fizessem disso um lema a ser seguido. Contudo, quando
se tem absoluta certeza de poder saldar a dívida em curto
prazo, é admissível contraí-la.
Esta é a minha filosofia da dívida, que eu recomendo a
todos.

12 de novembro de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso."


JORNAL QUE ENALTECE O BEM

Em todos os jornais da atualidade há um exagerado


número de notícias relacionadas ao Mal: roubos, assaltos,
assassinatos, fraudes, mercado negro, contrabando,
suicídios, adultério, etc. São tantas notícias
desagradáveis, que chega a ser quase impossível
enumerá-las. Se estivéssemos no exterior e soubéssemos
de tudo isso, poderíamos pensar que não existe país tão
horrível quanto o Japão. Entretanto, por pior situação em
que ele se encontre, deve haver alguma coisa que se
possa elogiar ou que seja motivo de orgulho. Acontece
que as coisas boas ficam mais escondidas e são mais
difíceis de aparecerem. Desde os tempos antigos, diz-se
que as más ocorrências vão longe; de fato, parece que as
coisas más logo se tornam conhecidas e se espalham.
Também no que se refere aos noticiários dos jornais, o
que está relacionado às coisas boas não atrai os leitores.
Quanto pior é o assunto, maior é o interesse das pessoas.
Principalmente os artigos que falam de fatos macabros,
fora do comum, são do interesse de cem por cento dos
leitores e por isso aparecem escritos em caracteres bem
grandes. A melhor prova é que as manchetes dos jornais
dizem respeito aos artigos que relatam notícias ruins.

De vez em quando, aparecem algumas notícias boas,


como por exemplo a que saiu estes dias, sobre o
Professor Yugawa. Mas isso talvez não passe da
centésima parte, em comparação com o número de
notícias más. Como podemos ver por esses fatos, os
leitores que lêem diariamente jornais tão cheios de
males, inconscientemente, são influenciados por eles.
Assim, a consciência do homem sobre o Mal diminui e,
devido ao seu próprio caráter, ele se acostuma até
mesmo àquilo que, em estado psicológico normal, lhe
pareceria terrível.

Em princípio, o objetivo pelo qual os jornalistas mostram


apenas a parte escura das coisas é advertir a sociedade,
num esforço para melhorá-la cada vez mais. É uma ironia,
no entanto, pois esse esforço surte um efeito contrário.
Talvez até a mente dos jornalistas acabe ficando
entorpecida e eles comecem a achar que é muito normal
relatar ocorrências criminosas com grande eloqüência.
Como não conseguimos ficar calados diante desta sua
tendência ao estado de torpor em relação ao Mal , não
temos outra saída senão adotar o método contrário ao
deles. Observando a redação de nosso jornal, poderão
compreender isso muito bem. Os crimes ou aspectos
negativos da sociedade jamais são explorados de forma
sensacionalista. Dessa forma, despertamos a sociedade e
reafirmamos a absoluta rejeição do Mal. Talvez seja uma
posição muito natural para um jornal religioso, mas, se
publicações desse tipo contiverem simplesmente artigos
semelhantes a sermões, como se estivessem mastigando
vela, não atrairão a atenção das pessoas e por isso
acabarão não sendo lidas. Como essas publicações são
infrutíferas, o nosso jornal, mesmo que se trate de um
pequeno comentário, publica artigos que toquem a fundo
o coração dos leitores. Publica, também, teorias novas,
que raramente são apresentadas. É assim que ele atrai as
atenções. Além disso, através do suntetsu (sátira curta e
incisiva), fazemos com que os leitores consigam captar o
ponto vital das coisas. Principalmente os relatos de graças
recebidas, que são artigos característicos de nosso jornal
e representam fatos verídicos - recentes milagres de
valiosas vidas que foram salvas - nunca deixam de ser
lidos. Os leitores ficam maravilhados e talvez não haja um
só que não se comova.

Como podemos ver, talvez não exista atualmente um


jornal igual ao nosso, que rejeita o Mal e inspira
fortemente o Bem. Podemos, portanto, dizer que, mesmo
em pequena escala, ele é uma existência de caráter
luminoso cujo brilho é único, destacando-se pelo seu
objetivo de melhorar o sentimento das pessoas.

18 de fevereiro de 1950

"Retirado do Alicerce do Paraíso."


PARA OBTER A INTELIGÊNCIA, DEVEM-SE LER OS
ENSINAMENTOS

A)Lendo os Ensinamentos, receberemos Luz:

ENSINAMENTO - "Johrei através das letras" (Eiko no. 184)

MEISHU-SAMA: Por isso, o importante é fazer com que as


pessoas leiam os Ensinamentos. Através da leitura, elas
podem não apenas entender o significado, mas também
receber Johrei. Assim, na mesma proporção, a alma será
purificada. Mesmo que ela se esqueça do conteúdo,
depois da leitura, ainda ficará restando a força
purificadora. Em outras palavras: é como se estivesse
plantando uma pequena semente que, um dia,
germinará. Por isso, deve-se fazer com que leiam os
Ensinamentos.

Mioshie-shu n0- 16 (15/11/1952)

OS DESCENDENTES E AS ALMAS ANCESTRAIS

"Nós, que vivemos agora, não nascemos de forma


inesperada, tampouco somos uma existência isolada. Na
verdade, somos uma existência resultante do conjunto de
muitas e muitas centenas e milhares de ancestrais e que
está na extremidade deles. Sendo uma existência de
característica temporária, damos continuidade ao ciclo
infinito da vida. Duma perspectiva ampla, é um dos elos
que prende a cadeia entre ancestrais e descendentes. Em
pequena escala, é a cunha que segura os pais aos filhos."

(13 de abril de 1936)


"Os pecados e as máculas dos ancestrais no Mundo
Espiritual, os espíritos dos nossos antepassados são
constantemente submetidos a uma ação purificadora.
Como resultado, as impurezas, ou seja, os resíduos do
processo de purificação fluem para os descendentes, ou
para nós, transformando-se em doenças.

Cada um de nós não passa de um elo que prende a cadeia


de ancestrais e descendentes. Somos, portanto, resultado
das 'ações dos nossos ancestrais', e nossos descendentes,
resultado das 'nossas ações'."

(Causa do surgimento das doenças, julho de 1936)

"Qualquer pessoa que seja está ligada aos seus ancestrais


por centenas ou milhares de elos espirituais, sendo uma
existência resultante do conjunto de muitos e muitos
ancestrais. É impossível cortar esse elo; de uma forma ou
de outra, ela liga-se aos seus ancestrais. Verifica-se algo
igual aos vegetais: a semente cai e dá o fruto e, em
seguida, forma-se novamente a semente, que também irá
frutificar. - Sendo assim, a linhagem espiritual dessa
semente é contínua e está sempre ligada."

(Palestra, sem data)

Retirado do livro “Vida Eterna – Vivendo para a Criação


da Civilização”, páginas 115 e 116.

SUFRAGIO, MÉRITO E VIRTUDES

"Após a morte, a purificação do espírito é acelerada


quando os familiares lhe dedicam cultos, feitos de
coração, ou acumulam méritos e virtudes pela prática do
bem, fazendo feliz o próximo ou empenhando-se no
desenvolvimento da sociedade e da nação.
Por essa razão, é aconselhável dedicar-se muito aos pais
após sua morte e não apenas enquanto vivos,
oferecendo-lhes cultos pelo seu sufrágio ou acumulando
méritos e virtudes"

23 de outubro de 1943
SOBRE BRIGA DE CASAL

INTERLOCUTOR: Através do Johrei somos salvos


materialmente, mas por que, do ponto de vista do
caráter, as regenerações são poucas?

MEISHU-SAMA: O que você quer dizer com "regeneração


do caráter"?

INTERLOCUTOR: Por exemplo, na briga entre marido e


mulher, observa-se que ela, geralmente, se repete
durante muito tempo e quase não se vê a regeneração na
maioria dos casos.

MEISHU-SAMA: As pessoas não mudam assim tão


facilmente. Os casais levam de 20 a 30 anos para pararem
de brigar. Seria maravilhoso se conseguissem mudar de
imediato, rapidamente. Mais do que isso, ao invés de nos
preocuparmos com coisas alheias, devemos mudar a nós
mesmos. É bom pensar se você mesmo conseguiria
corrigir-se com tanta facilidade. Se conseguir modificar
seu comportamento em apenas cinco anos, mais ou
menos, é algo extraordinário. Existe a questão do
momento oportuno. Existe, também, o problema da
ordem e do nível. (...)
Há pessoas que, mesmo entrando no Caminho, no início,
são fervorosas e depois acabam perdendo o fervor; há
também aquelas que são o contrário. Há aquelas que
parecem ter missão, mas que não mostram resultado
algum; realmente, existem pessoas de todo tipo. E, com a
chegada do tempo certo, pode surgir a missão real para a
pessoa. Por isso, na maioria das vezes, deixo os outros
agir livremente e nada digo. Fazendo assim, as coisas
correm bem.

Cometendo erros, mais tarde, a pessoa se encontrará


num beco sem saída e, assustada, poderá renovar o seu
sentimento. Como é necessário ao ser humano eliminar o
apego, é melhor deixá-lo à vontade. É melhor deixar que
chegue até o beco sem saída. É impossível querer segurar
no meio do declive uma pedra que está rolando; é melhor
esperar até que acabe de cair. É a mesma coisa. O
conselho dado quando a pessoa se encontra num beco
sem saída, surte maior efeito.

Gokowa-roku No. 1(28/10/1948)


ESPIRITO GUARDIÃO

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito


Guardião que constantemente o protege. É comum
ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus:
isso significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi
outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito
Primordial. O espírito animal agregado após o
nascimento, é o Espírito Secundário; pode ser de raposa,
texugo, cão, gato, cavalo, boi, macaco, doninha, dragão,
"Tengu"(12), aves, etc. Em geral, há uma espécie para
cada pessoa, mas em casos menos freqüentes há mais de
uma: Dificilmente os homens da atualidade acreditam
nisso; creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo,
através de inúmeras experiências, eu compreendi que se
trata de uma realidade incontestável.

O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito


Secundário é o mal, são os pensamentos vis. No budismo,
dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do
bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e
os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos
mundanos).

Além desses dois espíritos - Primordial e Secundário -


existe o Espírito Guardião. É o espírito de um ancestral.
Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus
ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la:
Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser
espíritos híbridos de homem com dragão, raposa,
"Tengu" etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é
"karassu - Tengu"(13), e meu Espírito Guardião é dragão.

É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se


salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou
tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito
Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração
recebida por artistas e inventores, no momento em que,
compenetrados, estão criando alguma obra: No caso de
querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-
lo receber graças através da Fé, Deus atua por intermédio
do Espírito Guardião. Os antigos provérbios "A verdadeira
sinceridade se transmite ao Céu", ou "A sinceridade se
transmite a Deus", significam a concessão das graças
Divinas através do Espírito Guardião.

(12) v. pg. 182


(13) "Karassu-tengu". variedade de Tengu" com cabeça de
corvo.

Retirado do livro "O Evangelho do Paraíso"


A CAUSA DOS ACIDENTES

Tem crescido, ultimamente, o número de acidentes, a


começar pelos de trânsito, e esse número tende a
aumentar a cada ano, apesar dos esforços das
autoridades competentes. O que se deve fazer, então?
No momento, como a verdadeira causa dos acidentes é
totalmente desconhecida, só nos resta prestar redobrada
atenção para evitá-los.

Segundo interpretamos, os acidentes são motivados por


problemas de sistema nervoso do homem moderno. Em
outras palavras, eles ocorrem quando o sistema nervoso
de quem dirige não trabalha de forma adequada. O
menor atraso no procedimento a ser tomado num
instante de perigo - seja ele o espaço da décima parte do
segundo - pode tornar-se causa direta de um acidente, e
não há outro recurso senão remediá-lo.

Neste aspecto, eu fico impressionado com a falta de


agilidade dos jovens atuais. Muitos são mais lentos do
que eu, que estou completando setenta anos. Várias
atividades minhas realizadas em tempo normal eles
dizem que são executadas rapidamente. Qual é, portanto,
a causa da lentidão de reflexos do homem moderno? É
que ele recorre aos remédios por qualquer coisa, e, além
do mais, as bebidas que ele bebe contêm vários
ingredientes químicos, como os conservantes; até mesmo
os produtos agrícolas, devido à utilização de adubos e
inseticidas, estão carregados de venenos, os quais, com o
decorrer do tempo, vão se acumulando e gerando toxinas
no organismo das pessoas.

Assim, poderíamos dizer que o homem atual está


praticamente mergulhado em remédios; acrescente-se
que, como a vida se torna cada vez mais agitada e
complexa, ele sobrecarrega o seu cérebro, onde as
toxinas se concentram e se solidificam. Em contrapartida,
ocorre uma ação purificadora, fraca mas ininterrupta; por
isso, normalmente as pessoas sentem-se como que
atordoadas, a cabeça pesada, quente e doendo
constantemente. Justifica-se, portanto, dizer que hoje em
dia não há quem tenha a cabeça leve. Essa é a causa não
só de desastres mas também de homicídios, tão
noticiados nos jornais da atualidade.

16 de julho de 1952

Retirado do livro A Outra Face da Doença


INSENSIBILIDADE EM RELAÇÃO À FÉ

De acordo com o senso comum, não há dúvidas de que


servir em prol do bem-estar social e fazer feliz o próximo
são boas ações. Por conseguinte, deveria ser próprio da
natureza humana apoiá-las e ter vontade de Servir;
entretanto, por incrível que pareça, freqüentemente vejo
pessoas que agem friamente com referência a essa
questão. Parece que não se interessam por aquilo que
não lhes diz respeito, nem pelo bem da sociedade. Para
elas, estas coisas só as fazem perder tempo; em tudo, o
que importa mesmo são elas próprias; se tiverem lucros,
está ótimo. Acham que agir assim é que é ser inteligente,
pois, de outro modo, é impossível ganhar dinheiro ou
subir na vida. De fato, o mundo é engraçado, porque
pessoas desse tipo é que são tidas como espertas.

Criaturas assim pensam de forma calculada e materialista


quando se deparam com qualquer sofrimento. No caso de
ficarem doentes, por exemplo, basta-lhes consultar um
médico; em assuntos complicados, basta-lhes pedir ajuda
à Lei; a quem não lhes obedece, bastam carões ou
castigos. Dessa forma, simplesmente acomodam os
problemas. Como acham que, se estiverem bem, não
importa como estejam os outros, procuram comodidade
apenas para si. Ora, por não pensarem também no
próximo, não são merecedores de estima nem de
consideração. Os que se juntam à sua volta são
interesseiros, e por isso, quando a situação começa a
piorar, todos se afastam. É natural que, justamente para
tais pessoas, problemas e sofrimentos sejam uma
constante. Quando tudo principia a correr mal e
fracassar, elas se afobam, tentando recuperar-se com
suas próprias forças; forçam a situação que já estava
forçada e, assim, acabam num estado calamitoso, nunca
mais voltando ao que eram antes.

Exemplos como esses são muito freqüentes na sociedade.


Obviamente, pessoas desse tipo não querem nem ouvir
falar em Fé. Acham que Deus não existe, que tudo não
passa de superstição, ou que Deus existe dentro de cada
um. Além de se jactarem de também serem deuses,
dizem que gastar tempo e dinheiro com semelhantes
coisas é a maior tolice que existe. Acham que a Fé não
passa de consolo mental para covardes ou passatempo de
quem não tem nada a fazer.

Consideramos tais pessoas insensíveis em relação à Fé.

8 de abril de 1950

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


OS VIRTUOSOS BEM-SUCEDIDOS NA VIDA

Este título parece um tanto estranho, mas trata-se de


uma verdade que poucos percebem, e por isso vou
escrever a respeito.

Até hoje, tanto no Ocidente como no Oriente, quando


analisamos as pessoas bem-sucedidas na vida – não só as
que realizaram empreendimentos que lhes valeram fama
mundial, mas também as que obtiveram sucesso de
alcance limitado – vemos que quase todas elas são
pessoas más. Na realidade, é difícil o virtuoso ser bem-
sucedido, pois ele difere muito do perverso. De fato, a
maioria das pessoas que não hesitam em incomodar os
outros ou em aumentar os males da sociedade escapam
habilmente das malhas da lei e vencem na vida; parece
que, para elas, não existe outro método para galgar o
sucesso. Assim, quando alguém vê um indivíduo bem-
sucedido, logo lhe vem o preconceito de que seja um
espertalhão, o qual, sem dúvida, está fazendo coisas
desonestas às escondidas. E não está pensando errado,
pois é isso mesmo que acontece. Conseqüentemente, as
criaturas ávidas de sucesso os imitam, julgando ser um
método hábil a pessoa não escolher meios para alcançar
seus objetivos. Por isso, o virtuoso é prejudicado. Esta é a
causa dos males sociais da época atual.

Esse ponto de vista está tão enraizado na cabeça dos


homens da atualidade que eles nos olham da mesma
maneira. Pelo fato de nossa Igreja ter conseguido
trezentos mil fiéis em apenas três ou quatro anos, logo de
saída ela é incluída no grupo dos bem-sucedidos. Vendo-a
através do preconceito dos “óculos escuros”, esses
homens pensam que, embora se trate de uma religião,
sem dúvida ela está fazendo coisas desonestas
ocultamente e por isso vem obtendo sucesso. Eles
acabam concluindo que, no mundo atual, não há motivos
para se vencer na vida unicamente através do bem.
Naturalmente, não é apenas o povo que pensa dessa
forma; até as autoridades têm uma tendência, pequena
ou grande, para tal pensamento. E não somos só nós que
achamos isso. Além do mais, a soma de pessoas
prejudicadas com a expansão da nossa Igreja e de
materialistas que não simpatizam com as religiões novas,
assim como as queixas e denúncias feitas em segredo por
chantagistas que se deram mal conosco e os boatos
espalhados pelos jornais de má-fé, confundem o
pensamento das autoridades, muitas vezes levando-as a
fiscalizar-nos, embora elas o façam mais pela
responsabilidade que têm.
Esse é o motivo das críticas da sociedade em relação à
nossa Igreja. Mas elas ocorrem justamente porque os que
obtiveram sucesso através da prática do bem são muito
poucos. Tais críticas representam uma prova do que
estamos dizendo. Por conseguinte, precisamos varrer o
pensamento errôneo de que só se consegue sucesso
através do mal e mostrar que saímos vitoriosos quando
caminhamos ao lado do Bem e da Justiça. É por isso,
também, que estamos nos esforçando ao máximo. Se
fizermos com que a sociedade se conscientize dessa
verdade, é óbvio que isso trará uma influência muito
positiva para ela e para cada indivíduo. E acredito que
este também seja um meio para que a Religião possa
cumprir a missão que lhe é inerente.

18 de março de 1950

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


OBRAS-PRIMAS DA ARTE AO ALCANCE DO POVO

Vou explicar o significado fundamental da construção do


Museu de Belas-Artes de Hakone.

Como sempre digo, o objetivo da nossa Igreja é construir


um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Para
expressar este último, construí uma obra de arte inédita,
unindo a beleza natural à beleza criada pelo homem. Que
pretendo atingir com isso?

Embora o Japão, desde um passado bem remoto, sempre


tivesse possuído grande número de magníficas obras de
arte, que nunca deixaram nada a desejar em relação às
de qualquer outro país, até hoje elas estavam nas mãos
da classe dominante, bem guardadas nos seus palácios.
Só de vez em quando essas obras eram expostas e, assim
mesmo, a um limitado número de pessoas. Portanto, em
termos mais claros, vigorava, até algum tempo atrás, o
monopólio das belas-artes, produto do pensamento
feudalista dos japoneses.
Já há muito tempo eu vinha me rebelando contra esse
mau costume. Pensava modificá-lo de alguma forma,
colocando as belas-artes ao alcance de todos. Enfim,
queria libertá-las e, com elas, deleitar o povo. Acreditava
que, dessa maneira, também daria um novo sopro à vida
da Arte. Como sou líder religioso e, conseqüentemente,
pude contar com a dedicação dos fiéis, o Museu de Belas-
Artes foi concluído em curto espaço de tempo. Vendo
concretizada uma aspiração de longos anos, estou
imensamente feliz.

Atualmente, existem museus de Arte particulares, mas o


objetivo destes é muito diferente do meu. São museus
organizados por milionários, com os inúmeros objetos
que eles colecionaram para preservação e segurança de
seu futuro. Esses milionários dispendem grande soma de
dinheiro para satisfazer seus próprios “hobbies”, proteger
sua fortuna, receber honrarias, etc. Entretanto, como
existe uma lei regulamentando que, num determinado
número de dias do ano, as peças dos museus particulares
devem ser expostas ao público, esses museus abrem suas
portas durante um curto período, na primavera e no
outono, apenas para cumprirem a exigência da lei. Por
isso, devemos dizer que seu significado social ainda é
muito limitado.
Em contraposição, o nosso Museu de Belas-Artes fecha
somente durante os três meses de inverno – dezembro,
janeiro e fevereiro – devido ao clima impróprio de
Hakone. No restante do ano, ele está aberto, podendo ser
visitado quando se desejar. Assim, também nesse aspecto
podemos dizer que ele é um museu ideal. Além disso, os
objetos nele expostos são tão famosos e raros que as
pessoas interessadas em Arte desejam admirá-los pelo
menos uma vez. Imagino, pois, quão grande seja sua
satisfação. Acrescente-se que o preço do ingresso é bem
acessível; dessa forma, estamos contribuindo
grandemente para o bem da sociedade.

Outro aspecto positivo é que, quando os artistas da


atualidade queriam ver um objeto de arte como ponto de
referência para os seus estudos, não encontravam um
museu de arte japonesa no verdadeiro sentido da
palavra. Como todos sabem, os museus históricos
possuem grande número de objetos históricos e
arqueológicos, mas trata-se, principalmente, de arte
budista, ao passo que outros, como os particulares, por
exemplo, expõem sobretudo arte chinesa e ocidental.
Assim, poderemos contribuir para a preservação dos
valiosos patrimônios culturais que tendem a se dispersar
facilmente.

Outro dia, em visita ao museu, o Sr. Assano, diretor do


Museu Nacional do Japão, e o Sr. Fujikawa, chefe do
Departamento do Conselho de Desenvolvimento do
Patrimônio Histórico e Artístico Japonês, disseram que
esse tipo de museu preenche as condições de que a
nação mais necessita atualmente, razão pela qual eles
nos manifestavam seu irrestrito apoio e o desejo de que
alcançássemos um êxito cada vez maior. Isso veio firmar
mais ainda a minha convicção.

Por fim, quero dizer em especial que, no futuro, virão


turistas ao Japão, uns após outros e, como não existem
turistas que não passem por Hakone, sem dúvida eles
visitarão o nosso Museu de Belas-Artes. Também nesse
aspecto ele será de grande utilidade, contribuindo para
que os visitantes se conscientizem do elevado nível da
cultura japonesa. A propósito, estrangeiros de grande
influência, tal como o Professor Langdon Warner (1881-
1955) nos solicitaram permissão para visitar o museu, de
modo que, um dia, ele também será conhecido no
exterior; creio mesmo não estar muito longe o tempo em
que se tornará uma das atrações do Japão. No desejo de
corresponder a essa expectativa, estou me esforçando ao
máximo para o aperfeiçoamento de todos os seus
detalhes.

6 de agosto de 1952
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".
RELIGIÃO PROGRESSISTA

Observando atentamente a sociedade atual, constato que


tudo progride rapidamente; não há nada que não esteja
acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível
que pareça, a Religião, entidade que tem a mais profunda
relação com a humanidade, continua da mesma forma,
não apresentando nenhum progresso. Pelo contrário.
Como prova, as religiões tradicionais nos ensinam a voltar
ao início, ao ponto de partida dos seus fundadores. Ora,
se devemos voltar à origem, é porque saímos do caminho
certo; caso o fato se repita várias vezes, não
progrediremos nada, ficando em total desacordo com a
cultura. Tais religiões nos mostram isso claramente na
medida em que perdem o poder de atrair pessoas e
teimam em permanecer na situação em que se
encontram.

De fato, todas as religiões que existem sofreram


perseguições e pressões na época de sua fundação.
Podemos mesmo dizer que esse é o destino de toda
religião nova. Apesar disso, com fôlego renovado,
expandiram-se vigorosamente, passando por épocas
maravilhosas. A verdade, porém, é que, com o tempo, a
maioria das religiões tende a estacionar. Vamos analisar
por que isso acontece.

Sem dúvida alguma, as religiões entram em decadência


por não acompanharem a marcha do tempo. Quando
cumprem rigorosamente os ensinamentos do seu
fundador, considerando-os como as mais sublimes e
importantes determinações, mas não dão atenção a
outros fatores, tornam-se anacrônicas. Como a brecha vai
ficando cada vez maior, passam a ser acusadas de
incapazes, conforme está ocorrendo atualmente.

Se todas as coisas estão sujeitas à Lei de Causa e Efeito,


faz-se absolutamente imprescindível que as religiões
tradicionais reflitam muito sobre o assunto, pois não há
motivos para elas continuarem eternamente
transcendentais. Um dos princípios básicos de nossa
religião é que tudo deve progredir e acompanhar o
tempo. Essa é a razão pela qual não damos atenção às
formalidades das religiões tradicionais, dispensando o
tempo e os gastos que elas requerem. Na realidade, as
formalidades não trazem benefício algum. Assim, não há
motivo para as divindades ficarem contentes com elas.
Em face do que dissemos, a missão da verdadeira religião
é dar orientações no sentido de melhorar, cada vez mais,
a vida do homem atual. Resumindo, só uma religião
progressista poderá realmente salvar a humanidade.
5 de novembro de 1950
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".
EXCLUSÃO DO TEMOR
Conforme venho repetindo, o objetivo de nossa Igreja é a
salvação da humanidade. Em poucas palavras, significa
eliminar toda espécie de temor da sociedade humana.

Evidentemente, os maiores temores do homem vêm a ser


o da doença, o da pobreza e o dos conflitos. Dentre os
três, o pior, indiscutivelmente, é o temor da doença; nada
tão ameaçador para o ser humano. Certamente, durante
sua vida, ninguém consegue livrar-se dessa ameaça. Com
o progresso da civilização, ao invés de diminuir, ela tende
até a aumentar. O segundo temor é a pobreza,
geralmente motivada pela própria doença.

Atualmente, julga-se que quase todas as doenças são


causadas por vírus. A doença nunca foi tão temida como
nos dias atuais, motivo pelo qual estão se tomando as
medidas consideradas adequadas, tais como atestados de
saúde, vacinação e radiografias, entre outras. Todas as
organizações criadas para evitar as doenças, ou seja,
centros de saúde, hospitais públicos e particulares, etc.,
dispõem de muitos recursos, e é realmente grande o
sacrifício do povo para sustentar as incalculáveis despesas
e o trabalho dispendido.

A vultosa quantia empregada no tratamento de uma


doença e o prejuízo sofrido com a impossibilidade de
trabalhar, principalmente quando o enfermo é o chefe da
casa, acarretam as maiores dificuldades econômicas para
os seus familiares. Isso constitui uma das principais
causas do surpreendente aumento de crimes que vêm
sendo cometidos após a guerra. Naturalmente esse fato
não deixa de ser conseqüência da guerra, cujos danos são
passageiros; a doença, no entanto, assume maior
gravidade, por ser permanente.

A agitação por que a humanidade passa, atualmente,


revela a intensidade do seu temor à guerra. Isto porque
as relações entre os países tendem a se agravar. Até hoje,
o homem viveu num mundo de sofrimentos
ininterruptos. Entretanto, como a existência de Deus é
uma realidade, Seu incomensurável amor não permitirá
que a humanidade permaneça por longo tempo nessa
condição. Indubitavelmente, esta época de agonia terá
um fim, para dar lugar ao magnífico Paraíso Terrestre.
Estamos absolutamente convictos disso e, imbuídos de tal
convicção, prosseguimos com fé inabalável. Que outro
sentido poderia ter a profecia de Jesus sobre o advento
do Reino dos Céus a não ser a predição desse
acontecimento? Por essa razão, estou convencido de que
a verdadeira missão da Religião é eliminar os três grandes
temores aqui citados.
7 de janeiro de 1950
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".
EU ESCREVO A VERDADE

Comecei a escrever há mais de dez anos; naturalmente,


apenas sobre assuntos relacionados à Fé. Ao contrário de
outros fundadores de religiões, procurei eliminar
formalidades e palavras difíceis, utilizando uma
linguagem que todos pudessem compreender facilmente.

De modo geral, as religiões são boas. Entretanto, se por


um lado elas possuem o que poderíamos chamar de
característica peculiar a toda religião, por outro lado têm
um certo mistério que ora julgamos entender, ora nos
parece incompreensível, e talvez seja por isso mesmo que
elas exercem atração. Sendo difícil compreendê-las, as
religiões podem ser interpretadas de várias maneiras,
dependendo da pessoa, o que facilita a formação de
seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma
religião, mais probabilidade ela terá de subdividir-se. A
História nos mostra a luta que travaram entre si essas
facções. Assim, não conseguindo captar a essência da Fé,
os fiéis sentem freqüentes dúvidas, tornando-se difícil
alcançarem a verdadeira paz e iluminação espiritual.

Através dos métodos utilizados até agora, não


conseguiremos obter a unificação harmoniosa nem
mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a
unificação de todas elas torna-se uma utopia. Esse deve
ser, também, o motivo do aparecimento de novas
religiões a cada ano que passa. Observando somente o
Japão, notamos que a tendência atual é aumentar o
número de religiões proporcionalmente ao aumento da
população.

Jeová, Deus, Logos, Tentei, Mukyoku, Amaterassu-


Ookami, Kunitokotati-no-Mikoto, Cristo, Shaka, Amida e
Kannon constituem o alvo da adoração de diversas
religiões. Além destes, que são os principais, poderíamos
citar Mikoto, Nyorai, Daishi e inúmeros outros. Sem
dúvida alguma, não levando em conta Inari, Tengu, Ryujin
e mais alguns, que pertencem a crenças inferiores, todos
eles são divindades de alto nível.

Remontando às origens, é óbvio que só existe um deus


verdadeiro, isto é, DEUS. Até hoje, contudo, cada religião
se considera mais elevada que as demais, havendo,
também, certa dose de discriminação entre elas. Dessa
forma, é impossível promover-se a união de todas.
Apesar disso, o objetivo final de todas as religiões é o
mesmo; não há uma sequer que não deseje o Céu ou o
Paraíso neste mundo, ou melhor, a concretização do
Mundo Ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam
felizes.

Mas o que é preciso para que esse mundo se concretize?

É preciso que surja uma religião universal, que englobe o


mundo inteiro. Deverá ter as características de uma Ultra-
Religião, ser tão grandiosa que toda a humanidade possa
crer nela incondicionalmente. Não quero dizer que essa
religião seja a Igreja Messiânica Mundial, mas a missão de
nossa Igreja é ensinar o meio que possibilitará a
realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como
elaborar o plano, o projeto para a construção desse
mundo. Na medida em que aumentar, em cada país, o
número de intelectos conscientes disso, estaremos
marchando passo a passo para atingir nosso objetivo.

Em síntese, será a concretização da Verdade. Através


dela, todos os erros se tornarão claros e serão corrigidos,
surgindo o Mundo de Luz, claro e límpido. Naturalmente,
a humanidade se libertará do Mal; o Bem, que estava
subjugado por ele, triunfará, e o homem alcançará a
felicidade. Portanto, em primeiro lugar, é fundamental
que a Verdade seja conhecida pelas pessoas do mundo
inteiro. O empreendimento que agora estou realizando –
um grande esforço para revelar a Verdade através de
explanações escritas – constitui uma fase importantíssima
para a concretização desse mundo.

25 de setembro de 1951

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


ÓDIO AO MAL

Mediante observação cuidadosa, constatei que o homem


de nossos dias é destituído de ódio ao mal. São poucos os
que ficam indignados quando sabem que um inocente
está nas garras de um perverso.

Imagino que muitas pessoas, ao lerem o que escrevi


acima, refletirão assim: “Que adianta rebelar-me contra o
mal que atinge os outros? Não fere meus interesses! É
bobagem atormentar-me com tais fatos... Bastam-me as
minhas preocupações! A vida já é tão cheia de problemas
e sofrimentos, que o melhor é disfarçar e fingir que não
vejo certas coisas”. Ora, quem pensa assim geralmente é
considerado hábil e dotado de experiência. A seu
respeito, costuma-se dizer: “É um sujeito vivido!” Esse
tipo, pretensamente experiente, é tido como padrão,
sendo respeitado e imitado por muita gente.
Na Política, que sempre funciona muito mal, o descalabro
é evidente. A maioria dos políticos e funcionários públicos
são corruptos. Ex-dirigentes de sociedades são
denunciados por escândalos de suborno e prevaricação. A
onda de crimes avoluma-se dia a dia. Segundo a opinião
geral, urge dar fim à delinqüência juvenil, evitando-se,
dessa forma, um negro futuro para o Japão e para o
mundo.

Essas observações que fiz cuidadosamente demonstram


que o mal não é odiado.

Os funcionários públicos conservam o autoritarismo


feudal. Esfriam-se as relações entre os familiares e
aumenta a crise entre educadores e educandos, por ter-
se abraçado a democracia de maneira deturpada. A bela
capa da democracia oculta a exploração dos impostos e o
sofrimento do povo sob a opressão do poder burocrático.

O número de problemas desagradáveis é tal que se torna


difícil relacioná-los.

A causa de tudo isto é uma generalizada despreocupação


quanto ao sentido de justiça, acrescida do egoísmo de
muitas criaturas, erroneamente consideradas
“experientes”. Todavia, examinando os fatos, vemos que
a sociedade atual não poderia possuir outras
características. Chega a ser lógico.

Em todas as épocas, os jovens possuem vigoroso senso de


justiça e ódio ao mal. Ao deixarem os bancos escolares,
no entanto, enfrentam uma realidade tão inesperada,
que golpeia todas as suas convicções, dissolve seus velhos
ideais e exige a reformulação de seus valores, para que
eles adquiram a chamada “experiência da vida”. Qualquer
manifestação do espírito de justiça cria mal-entendidos,
suscita antipatia de superiores hierárquicos e dificulta-
lhes o sucesso na profissão. Qualquer intenção de justiça
é considerada como pedantismo ou inexperiência. A essa
altura, o sentimento de justiça é posto de lado, num
canto do coração, sendo substituído pelo “senso prático”.
Considera-se, então, que o jovem se aprimorou na arte
de viver em sociedade.

Não digo que isto seja propriamente mau; contudo, o


aumento de pessoas acomodadas afrouxa a estrutura da
sociedade e facilita o aparecimento de corruptos e
criminosos. A nossa realidade social torna patente o que
acabo de afirmar.

Para definir o valor de um homem, julgo importante


verificar a sua dosagem de ódio ao mal. Quanto maior
ojeriza tiver pelo mal, mais firme é a pessoa, mais sólido é
o seu caráter. Mas não me refiro ao ódio simplista, que
geralmente traz complicações. Os jovens costumam
exaltar-se facilmente, importunar o próximo, ameaçar a
ordem social e causar uma sensação de desconforto à sua
volta. Para evitar esse ódio nocivo, precisam do apoio da
Inteligência Superior. Quem abomina profundamente o
mal deve amadurecer seu pensamento, evitar atos
impulsivos, dar bons exemplos à sociedade, praticando
tudo que é bom e justo, virtuoso e útil.
Gostaria de contar a minha experiência sobre esse
assunto.

Desde menino, desenvolvi um forte sentimento de


justiça. Tinha um ódio profundo pelas desigualdades que
há no mundo e muito lutei para reprimir o furor que me
dominava quando sabia de alguma injustiça ou
desonestidade.

Esse autodomínio é difícil e doloroso, mas será facilitado


se o encararmos como um treinamento divino que nos
aprimora espiritualmente. Sob esse aspecto, vemos que
tal controle minora o sofrimento e lapida a alma.

Eis uma característica que conservo até hoje: continuo


tendo horror pelo mal. Porém aceito os fatos, buscando
ser tolerante, tomando tudo como provação. A boa
norma de conduta determina o ódio ao mal, mas também
prudência nas ocasiões em que ele se manifeste. Melhor
dizendo, temos de ter cuidado para que esse sentimento
não se mostre exagerado nem prejudique o próximo; que
ele não fira o bom senso, não falte aos preceitos do amor
e da harmonia. É um ódio útil, que nos permite caminhar
com um sentimento semelhante ao de Deus.
25 de fevereiro de 1951
Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.
ABSTINÊNCIA
A Natureza e tudo que nela existe foram feitos para o
homem: as flores da primavera, os bordos do outono, o
cantar dos pássaros e dos insetos, a beleza das
montanhas e dos lagos, as noites de luar, as fontes de
águas termais... Pensemos no porquê de tudo isso.

Que poderá ser senão a Providência Divina,


proporcionando alegria aos homens? Belíssimos cantos,
bailados, obras literárias e artísticas em geral, enchem de
alegria seus realizadores, como também seus ouvintes ou
apreciadores. Alimentos deliciosos, primorosas
construções arquitetônicas, jardins, vestimentas, além de
suprirem as necessidades da vida humana, contêm
elementos para realmente nos comprazer. O corpo se
nutre e a vida é preservada com os alimentos que
saboreamos. Se as nossas roupas e residências servissem
unicamente para o indispensável, nunca iriam além de
um aspecto vulgar. Na geração dos filhos, também, visa-
se algo mais que uma simples necessidade.

Desde que o Altíssimo concedeu ao homem o instinto


para alegrar-se com a Natureza e com tudo o que ela lhe
possa proporcionar, devemos aceitar esse prazer. A
abstinência que nega tal alegria e contenta-se com o
mínimo necessário para a subsistência vai contra as
graças de Deus.

Por outro lado, a pobreza do amor ao próximo entre os


homens privilegiados leva-os a julgar que os prazeres se
destinam unicamente a eles e aos seus familiares. A
indiferença que eles têm pelos seus semelhantes e a falta
do desejo de compartilhar da alegria de todos revelam
como esses homens são destituídos do espírito de
fraternidade. Isso significa querer monopolizar as graças
de Deus. Creio que os milionários, franqueando seus
jardins ao povo, expondo seus objetos de arte e
participando da alegria geral, praticariam um ato que
corresponde à Vontade Divina.

Paraíso Terrestre, portanto, é um mundo onde há


progresso na vida de toda a humanidade e grande
desenvolvimento das artes e demais prazeres de caráter
elevado. Como a Verdade, o Bem e o Belo significam
respectivamente, o que não é falso, o que é justo e o que
é bonito, numa vida de abstinência há o Bem, mas não há
Verdade nem Belo. Além disso, a abstinência poderá até
ser obstáculo ao progresso da cultura. A decadência de
certos países que outrora possuíram uma alta civilização
pode ser atribuída ao fato de seu povo ter levado a vida
espiritual ao extremo.
25 de janeiro de 1949
Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

A RESPEITO DOS SONHOS

Constantemente me fazem perguntas a respeito dos


sonhos, por isso vou falar sobre esse tema.

Talvez não haja uma só pessoa que não sonhe, ao dormir.


Os sonhos podem ser de vários tipos: mensagens das
divindades, avisos do Espírito Guardião, sonhos com
pessoas nas quais nem pensamos, sonhos que vêm a se
concretizar de forma idêntica ou contrária ao que se
sonhou, etc.

A palavra “yume” (sonho) é resultante da condensação de


“yumei”, palavra com que se designa o nebuloso mundo
após a morte. Isso quer dizer que o espírito se liberta do
corpo enquanto dormimos e vai para esse mundo
nebuloso. Nessa ocasião, aquilo que temos no nosso
subconsciente e os nossos desejos constantes aparecem
nas formas mais variadas, sem sentido algum. Quando o
espírito se evade para o Mundo Espiritual, fica ligado ao
corpo pelo elo espiritual; quando a pessoa acorda, ele
volta instantaneamente.

A mensagem das divindades através de sonhos restringe-


se às pessoas que têm fé. O espírito Divino que é alvo de
sua fé dá-lhes avisos sempre que houver alguma
necessidade. Os avisos do Espírito Guardião aparecem
geralmente sob forma de alegoria, precisando ser
interpretados. Como já disse muitas vezes, o Mundo
Material é um reflexo do Mundo Espiritual, onde tudo
acontece primeiro. Por isso, nosso Guardião, que está
neste último, utiliza-se dos sonhos para nos alertar. Os
pressentimentos que temos comumente são avisos seus.

Há alguns pontos que devemos esclarecer. Dizem que não


sonhamos quando dormimos profundamente, mas é um
engano. Naturalmente, quando estamos muito cansados,
não sonhamos; no caso de sono não muito profundo,
podemos sonhar. Contudo, não devemos nos preocupar
com isso, pois, se sonharmos mesmo nessa circunstância,
é porque estamos realmente dormindo. Às vezes eu até
chego a sonhar durante um ou dois minutos quando
converso com as pessoas, e também quando estou
dormindo em pé, no ônibus, porém isso não quer dizer
nada.
As pessoas que sonham ficam preocupadas, achando que
não são inteligentes, mas isso não é verdade. Eu, por
exemplo, quando era jovem, quase não sonhava, e acho
que naquela época era menos inteligente do que hoje.

25 de janeiro de 1949
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".
A VERDADEIRA SAÚDE E A SAÚDE APARENTE

Podemos afirmar que a humanidade, ou, pelo menos, a


maioria dos povos civilizados são doentes. A diferença
está apenas em doença manifesta e não-manifesta.
Pessoas doentes são aquelas em quem a doença já se
manifestou; pessoas consideradas sadias, aquelas em
quem a doença está para se manifestar. Torna-se
desnecessária qualquer explicação sobre as primeiras;
limitar-me-ei, portanto, a estas últimas.

Como já expliquei, as pessoas que estão por adoecer são


aquelas em quem ainda não foi iniciada a ação
purificadora dos nódulos formados pelas toxinas. Assim, a
verdadeira saúde é a dos portadores de corpos físicos
totalmente livres de toxinas; neles, conseqüentemente,
não ocorre purificação. Há pessoas, entretanto, que,
embora tenham toxinas acumuladas ainda conseguem
manter a saúde e desempenhar suas atividades diárias,
aguentando trabalhos físicos; aos olhos de qualquer um,
parecem saudáveis. Visto que, através dos exames feitos
pela medicina atual, é difícil descobrir a presença das
toxinas, tais pessoas são consideradas sadias. A elas eu
denomino "pessoas de saúde aparente". Fico, pois,
apreensivo ao pensar no grande número de portadores
de "bombas que estão dançando no palco da vida.

Fala-se, desde os tempos antigos, que o homem é um


poço de doenças, mas essa expressão refere-se
exatamente à saúde aparente.
5 de fevereiro de 1947
Retirado do livro 'A Outra Face da Doença'.
O SÉCULO XXI

Acordei às seis horas da manhã, ao som de uma música


bem baixinha, que parecia sair do travesseiro. Ela foi
ficando cada vez mais alta, e, como eu não conseguia
dormir, levantei-me. “Que interessante! Um despertador
acionado dentro do travesseiro!” - Pensei eu. Lavei o
rosto e tomei a refeição matinal, uma mescla dos hábitos
japoneses e ocidentais: sopa de “misso” (4), pão de arroz,
um pouco de peixe e carne, verdura, café, chá verde etc..

Em primeiro lugar, li o jornal. Numa manchete da


primeira página, anunciava-se a eleição do Presidente
Mundial. O dia da eleição estava próximo. Publicavam-se
os nomes e as fotos dos candidatos de diversos países:
Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Vietnam,
Japão, União Soviética (cujo nome era outro) e países da
América do Sul. Parece que o candidato dos Estados
Unidos era o preferido.

Na página três, deparei com algo inesperado: quase não


existiam artigos sobre crimes. Dava-se grande destaque à
parte relativa às diversões; os artigos principais versavam
sobre esporte, turismo, música, belas-artes, teatro,
cinema e outras artes cênicas etc.. A composição estava
realmente muito bem feita. Os artigos não eram
complexos e mal elaborados como acontecia nos jornais
do passado, mas redigidos numa linguagem simples e
precisa, restringindo-se unicamente ao necessário. Assim,
gastava-se pouco tempo na leitura; percebia-se que havia
cuidado para não cansar o leitor.

Outra nota diferente em relação aos tempos antigos, era


a grande quantidade de fotos: cinqüenta por cento de
textos e cinqüenta por cento de fotos. A página de
anúncios e classificados também era muito diferente.
Quase não havia propaganda de remédios, e a de
cosméticos era mínima. O que havia em abundância era
propaganda de livros e artigos relacionados às
vestimentas, alimentação, moradia, maquinaria, novos
lançamentos etc.. A parte escrita era bem reduzida, por
isso eu li o jornal todo em aproximadamente quinze
minutos. Terminei a leitura com muito boa disposição. E
não era para menos, pois a janela era ampla e a sala
estava bem clara. Não havia nenhuma instalação de
segurança: explicaram-me que assaltantes e ladrões eram
histórias do passado. Por isso, achei que, de fato, aquele
era um mundo maravilhoso.

Terminada a leitura do jornal, peguei o carro e saí. Estava


muito bem vestido, mas fiquei surpreso com a beleza da
cidade. Parecia um jardim. Engraçado é que, além dos
automóveis, não se via nenhum outro tipo de condução,
o que não era de se admirar, pois os trens e os bondes
trafegavam pelo subsolo; as ruas eram só para os
automóveis. Além disso, estes não faziam nenhum
barulho. Achando estranho, olhei bem e notei que a rua
parecia estar forrada com cortiça. Observando melhor,
percebi tratar-se de um material elástico e bastante
macio, que parecia ter sido preparado com a mistura de
borracha e pó de serra. Os carros trafegavam com pneus
de borracha, e existiam dispositivos para isolar o som em
volta das janelas e em toda parte, não havendo, pois,
motivos para poluição sonora. Além do mais, se chovia, a
água se infiltrava e por isso não se formavam poças. A
força motora que movimentava os carros era um minério
do tamanho da ponta de um dedo. Algo realmente
extraordinário, porque conseguia fazer com que um carro
percorresse várias dezenas de milhas. Esse minério
assemelhava-se ao urânio e ao plutônio, sendo uma
aplicação do princípio da desintegração do átomo.
Assim que entrei no carro, vi que não havia motorista.
Nem era preciso, pois bastava o passageiro segurar uma
barra com uma das mãos para o carro movimentar-se. É
claro, porém, que algumas pessoas se davam o luxo de
ter motorista.

Comecei a visita da cidade. Como era bela! Fiquei


surpreendido ao ver árvores frutíferas enfileiradas entre a
rua e a calçada, como acontecia antigamente com a
avenca-cabelo-de-vênus e os plátanos. Havia figueiras,
caquizeiros, ameixeiras e árvores mais baixas, como
laranjeiras, pessegueiros e pereiras. No meio da rua
existiam canteiros semelhantes aos de outrora,
separando as duas mãos do trânsito; neles se
enfileiravam árvores frondosas, cobertas de belas flores,
e as bordas eram coloridas por todos os tipos de flores e
plantas. Enquanto eu passava por elas, chegava a mim o
perfume de uma flor que não consegui identificar.

O que me pareceu mais bonito no passeio foi um caminho


cheio de hortênsias, em determinado bairro, na extensão
de uma milha. A segunda coisa mais bela foi o caminho
que vinha em seguida, todo florido de dálias. Existia,
também, um local onde se viam cachos de uvas
pendurados nas duas calçadas das ruas, e latadas de
glicínias cujas flores já haviam caído e que só tinham
folhas. Em diversos pontos da cidade, havia pequenas
casas de chá com mesas e cadeiras enfileiradas na beira
das calçadas, a fim de que os transeuntes pudessem
tomar bebidas simples apreciando as flores. Cada bairro
possuía um ou dois pequenos parques públicos, onde as
crianças brincavam alegremente, e por isso a cidade
também era o Paraíso das Crianças. Alguns jardins de
flores tinham um lago artificial bem no centro, e o
interessante é que, em sua superfície, boiavam
nenúfares. Todas as plantas eram regadas várias vezes
por dia, numa hora determinada. Havia um encanamento
instalado em volta dos jardins: era um cinturão quadrado,
de cimento, com um número infinito de orifícios. Bastava
abrir a torneira para que, desses orifícios, saíssem jatos
d’água, como os de um chafariz, molhando todo o jardim.

Outro aspecto que me surpreendeu foi o tempo, que


também era controlável, podendo-se fazer sol ou chuva.
Assim, se na manhã ou na tarde de certo dia da semana
chovia, depois fazia bom tempo até determinado dia. O
vento também estava controlado para soprar na
proporção adequada, em dias espaçados, sendo que, de
vez em quando, soprava um vento forte. Isso era
inevitável, para que as árvores fortificassem suas raízes. A
antiga expressão “de cinco em cinco dias ventar, de dez
em dez chover” deve referir-se a essa época.
Naturalmente, tudo decorria do progresso da Ciência.

Nesse meu passeio pela cidade, vi algo interessante. Em


diversos locais havia umas casinhas de vidro, semelhantes
a caixas, onde se podiam ver desde árvores com folhas
aciculiformes até árvores que apresentam sempre o
mesmo aspecto, como pinheiros, cedros, ciprestes, lariços
e outras. Nessas casas conservava-se a temperatura de
mais ou menos dez graus centígrados; naturalmente,
havia um aparelho de ar condicionado em cada uma. Era
oásis artificiais para aqueles que transitavam pelos
arredores, sob o sol quente do verão. Em todos esses
locais vi jovens realizando diversas atividades sob a
orientação de um responsável, que tinha vasto
conhecimento de botânica e fora selecionado entre os
componentes da comissão de cada bairro.

Do carro, eu via as lojas da cidade, enfileiradas. Eram


construções bem planejadas, cheias de beleza e altivez,
proporcionando uma impressão muito agradável. As lojas
um pouco maiores pareciam museus de artes. Aliás, não
se via construções de mau gosto, de cores berrantes,
pequenas como caixinhas de fósforo. Todas tinham
janelas bem amplas e iluminação suave. A beleza da
pintura e da escultura estava aplicada ao máximo.

Enquanto eu fazia isso e aquilo, parece que ia


anoitecendo, mas não se sentia que já era noite. Aliás,
não era para menos, pois nas ruas, em determinados
espaços, existiam postes de iluminação a mercúrio. Os
raios de luz eram diferentes dos que são emitidos pelas
lâmpadas: muito mais claros, um brilho surpreendente.
Parecia estar-se recebendo a luz do Sol em plena tarde, e
nenhuma das cores sofria modificação.

Caros leitores gostaria que imaginassem o aspecto da


cidade que acabei de descrever. As mais diversas flores,
todas abertas, exalavam um perfume agradável por toda
parte, e as árvores estavam carregadas de todos os tipos
de frutas. O silêncio era tão grande que não parecia estar-
se numa metrópole. Que passeio agradável! Olhando as
vitrines das lojas, eu tinha a impressão de estar vendo
uma exposição de belas-artes. Naquela cidade, até as
lojas bem grandes conseguiam suprir as suas
necessidades com apenas um ou dois funcionários, visto
que as mercadorias tinham os preços marcados e
qualquer pessoa podia pegá-las e examiná-las. Se os
fregueses ficavam satisfeitos com o preço e o folheto de
explicação, depositavam o dinheiro na caixa coletora,
colocada à entrada da loja; o embrulho era feito
automaticamente por uma máquina e, de acordo com o
tamanho do objeto, era amarrado com um barbante,
tornando-se fácil de carregar. Dessa forma, era realmente
muito fácil fazer compras.

Como sentisse fome, entrei num restaurante. Não se


avistava nenhum garçom. De um lado da entrada
estavam enfileirados pratos apetitosos, todos com uma
identificação: A, B, C... Sentei-me num lugar desocupado
e, olhando para a mesa, vi que era numerada. Depois,
apertei um dos botões instalados no canto.
Naturalmente, apertando o botão correspondente ao
número da mesa e à identificação do prato, este aparecia
imediatamente. Olhando com mais atenção, notei que no
meio da mesa havia uma abertura mais ou menos do
tamanho do prato, que por ali saía automaticamente.
Assim, tudo que eu pedia subia logo em seguida. Não
havia necessidade de nenhuma explicação; o serviço era
muito rápido, muito agradável. Eu tinha ouvido falar que
esse método já existia no século XX, mas me parecia
inconcebível que estivesse tão aperfeiçoado.
Obviamente, todas as bebidas saíam pela mesma
abertura, mas as alcoólicas só apareciam até certo limite.
Observando melhor, vi que havia mais um botão. Nele
estava escrito: “Conta”. “Ah, então aperta-se esse
botão...” Apertei. Imediatamente surgiu a notinha.
Coloquei a quantia estipulada, e logo apareceu o recibo.
Que facilidade! Fiquei satisfeito e não gastei muito
tempo. Por isso, resolvi ir a um teatro.

A quantidade de teatros era surpreendente. Qualquer


cidade os possuía em tudo quanto é lugar, e, para meu
espanto, o ingresso era muito barato. Imaginando que
não haveria nenhum lucro, interpelei o gerente. Ele
respondeu que todos os teatros eram administrados por
milionários como obras sociais, e assim nem seria preciso
cobrar ingresso. Não obstante, a construção e as
instalações eram luxuosas, ostentando a maior beleza e
boa qualidade. Não se permitia a entrada de
espectadores além da quantidade de cadeiras, de modo
que se podia assistir muito bem às representações.

Quando entrei, estava havendo uma exibição


cinematográfica curiosíssima. Exibiram-se dois filmes
produzidos por uma companhia nipo-americana - um
sobre os Estados Unidos e outro sobre o Japão. O
primeiro era um filme histórico que retratava o período
transcorrido desde a época em que os puritanos da
Inglaterra foram para os Estados Unidos e começaram a
desbravar a terra, até a Guerra da Independência. O
segundo mostrava um personagem que poderíamos
chamar de cientista religioso, o qual revolucionou a
medicina e teve uma vida de lutas incessantes buscando
solução para o problema da doença. Ambos os filmes
eram muito interessantes. Ainda houve outro espetáculo,
transmitido pela televisão, mas parecia uma peça
representada em algum teatro.

Como estava exausto, voltei para casa e fui dormir.


Refletindo sobre o que vira nesse dia, concluí que
realmente o sonho da humanidade havia sido
concretizado. Fiquei bastante comovido, achando que era
a Utopia há tanto tempo idealizada por ela, e meu
espírito de pesquisa aumentou de forma irrefreável, pois
eu sentia necessidade de conhecer todos os aspectos da
cultura da Nova Era. Primeiramente, resolvi pesquisar em
silêncio. Acreditando, entretanto, que os leitores também
desejam conhecer tudo sobre esse novo mundo,
relatarei, pela ordem dos fatos, aquilo que fiquei
sabendo.

O caso que se segue aconteceu no dia seguinte ao


daquele passeio.

Um vizinho meu convidou-me para ir a um lugar muito


agradável, e eu o acompanhei sem hesitar. Mais ou
menos no centro de certa cidade, existia um edifício
surpreendentemente suntuoso. Dirigimo-nos para lá.
Nele, havia teatro, restaurante, locais de diversão etc.. Eu
quis saber que edifício era aquele, e meu amigo me disse
que era o centro comunitário, acrescentando que todas
as cidades tinham um ou dois desses centros. Em seguida
ele falou que uma vez por semana os membros se
reuniam para trocar idéias. Naturalmente avaliavam
propostas sobre o plano de expansão da cidade, higiene,
diversões e outros setores, objetivando aumentar o bem-
estar dos cidadãos.

Primeiramente nos encaminhamos ao restaurante, onde


saboreamos pratos deliciosos; a refeição era excelente,
muito melhor que as do século anterior, em termos de
beleza, sabor da comida e aroma das bebidas alcoólicas.
Pelo que meu amigo contou, uma vez por semana havia o
Dia da Felicidade, em que os membros se reuniam e
passavam momentos aprazíveis, saboreando pratos
apetitosos, ouvindo música e assistindo a representações
teatrais e exibições de dança. Nessa ocasião, as danças e
as músicas eram apresentadas, com grande altivez, por
moças de todas as famílias da cidade, as quais treinavam
estas artes habitualmente. Artistas profissionais e
amadores faziam apresentações conjuntas. Todas as
despesas com essa e outras atividades eram feitas pelos
milionários da cidade, através das instituições sociais.

Nesse novo mundo, era surpreendente a intensidade do


turismo. Nos parques nacionais, nas regiões
montanhosas, nas praias e em ilhas pitorescas de várias
regiões havia um grande número de visitantes,
provenientes de todos os países. Conseqüentemente, por
mais afastado que fosse um lugar, o progresso cobria
todas as distâncias com trens elétricos, bondinhos aéreos
e outros meios de transporte. As ferrovias e os meios de
navegação eram magníficos e luxuosos; os preços, no
entanto, eram bem baratos. Chegava a ser quase de
graça. E não era de se admirar, pois tudo isso também se
tornava possível graças à contribuição social dos
milionários.

Ouvi todas essas explicações durante o período de


descanso, e nem preciso dizer que fiquei surpreso, não
obstante tudo aquilo que já tinha visto.
(Artigo não publicado, escrito em 1948).

Retirado do livro "Luz do Oriente - vol. I".

OS TRÊS ESPÍRITOS DO HOMEM

Todo homem tem, no Mundo Espiritual, um Espírito


Guardião que constantemente o protege. É comum
ouvirmos dizer que o homem é filho ou templo de Deus:
isso significa que ele possui a partícula Divina que lhe foi
outorgada pelo Criador e que constitui seu Espírito
Primordial. O espírito animal agregado após o nascimento
é o Espírito Secundário; pode ser de raposa, texugo, cão,
gato, cavalo, boi, macaco, doninha, dragão, “tengu” ,
aves, etc. Em geral, há uma espécie para cada pessoa,
mas em casos menos freqüentes há mais de uma.
Dificilmente os homens da atualidade acreditam nisso;
creio mesmo que chegam a escarnecer. Contudo, através
de inúmeras experiências, eu compreendi que se trata de
uma realidade incontestável.

O Espírito Primordial é o bem, é a consciência; o Espírito


Secundário é o mal, são os pensamentos vis. No budismo,
dá-se à consciência o nome de Bodaishim (espírito do
bem) ou Bushim (sentimento de misericórdia búdica), e
os maus pensamentos são chamados de Bonno (desejos
mundanos).

Além desses dois espíritos – Primordial e Secundário –


existe o Espírito Guardião. É o espírito de um ancestral.
Quando uma pessoa nasce, é escolhido entre seus
ancestrais um espírito que recebe a missão de guardá-la.
Via de regra, é espírito humano, mas também podem ser
espíritos híbridos de homem com dragão, raposa,
“tengu”, etc. Meu Espírito Secundário, por exemplo, é
“Karassu-tengu” , e meu Espírito Guardião é dragão.

É muito freqüente, diante de um perigo, o homem se


salvar miraculosamente, sendo avisado em sonho ou
tendo um pressentimento. Isso é trabalho do Espírito
Guardião. O mesmo se pode dizer em relação à inspiração
recebida por artistas e inventores, no momento em que,
compenetrados, estão criando alguma obra. No caso de
querer satisfazer os desejos corretos do homem ou fazê-
lo receber graças através da Fé, Deus atua por intermédio
do Espírito Guardião. Os antigos provérbios “A verdadeira
sinceridade se transmite ao Céu”, ou “A sinceridade se
transmite a Deus”, significam a concessão das graças
Divinas através do Espírito Guardião.

* Tengu”: ser misterioso que, segundo a crença popular,


habita as montanhas. Tem forma humana, asas, rosto
vermelho e nariz comprido, sendo possuidor de poderes
extraordinários. Porta sempre um grande leque. É
orgulhoso e amante de discussão e jogo
Karassu-tengu”: variedade de “tengu” com cabeça de
corvo

5 de fevereiro de 1947

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


LEI DA SINTONIA E AFINIDADES

Lei da Sintonia
Convém, ainda, ficar bem claro para todos que o destino
das pessoas depende da quantidade de nuvens
acumuladas no decorrer da vida. Assim, serão mais
afligidos por sofrimentos, mesmo não os querendo,
aqueles que carregam muitas máculas. É a Lei da Sintonia
aplicada indistintamente a todos os seres humanos.
Embora esses infortúnios pareçam injustos, na verdade,
são formas de dissipar as nuvens espirituais; por isso,
devem ser aceitos com alegria e sentimento de gratidão.
Cada um precisa também ter absoluta certeza de que, em
decorrência da mesma Lei da Sintonia, ao ficar
plenamente purificado, não será mais atingido por
desgraças, críticas ou atitudes contrárias à fé que pratica.

Afinidades
Os acontecimentos sempre são determinados pela Lei da
Afinidade. Então, quando as pessoas recebem graças, se
for num momento de perigo, significa que a ajuda,
antigamente prestada pelos pais ou avós, gerou, naquele
instante, uma proteção especial para os descendentes.
Esses socorros especiais estão sempre fundamentados na
Lei divina de Causa e Efeito que rege o mundo. De acordo
com a lógica dessas relações estabelecidas,
nenhuma ação, quer seja boa ou má, fica solta;
inevitavelmente traz conseqüências.
Retirado do livro "Evangelho do Céu - volume II"
TEMPO É DEUS

Tudo o que existe, inclusive o que se relaciona ao


homem, é regido pelo Tempo. A delimitação do apogeu e
da decadência subseqüente, das mudanças históricas, das
definições do bem e do mal, da justiça e da injustiça, tudo
está subordinado a ele. Por esse motivo, o que agora é
um bem daqui a alguns anos poderá ser um mal, e aquilo
que hoje é considerado verdade poderá ser desprezado
amanhã, por tornar-se falso. O passado nos mostra que
as coisas que atualmente estão no apogeu um dia
infalivelmente entrarão em decadência. Assim, pode-se
dizer que não existe verdade nem mentira absolutas,
havendo mesmo um antigo provérbio que afirma que a
justiça e a injustiça são como se fosse uma coisa só.
Ambos conceitos, sem qualquer sombra de dúvida, são
verdades.

Antes do término da Segunda Guerra Mundial,


acreditava-se que não havia nada superior ao amor e à
lealdade à Nação e ao Imperador. Mas como vivem,
presentemente, aqueles japoneses que fizeram da vida
um brinquedo? O resultado foi completamente contrário
ao que se esperava: eles vivem agonizando sob trágico
destino, de modo que o povo deve ter compreendido o
quanto eles estavam errados.

É claro que a reviravolta ocorrida no fim da guerra foi


obra do Tempo. A História não muito remota nos mostra
outros exemplos. Com o advento das inovações trazidas
pela Era Meiji, todos os senhores feudais, assim como
seus lugares-tenentes e outros elementos da Era
Tokugawa, perderam suas posições. Até o cargo de
ministro de Estado foi assumido por um homem do povo,
quase desconhecido, o que lembra muito a situação
atual. Mas como deverá ser encarada a decadência das
classes privilegiadas, como as famílias imperiais, os
nobres e os milionários? Naturalmente, como obra do
Tempo. Segundo os ensinamentos da fundadora da Igreja
Oomoto, “Nem Deus pode vencer o Tempo”. Esta frase
encerra uma profunda sabedoria e diz tudo. Por isso
pensamos não haver nenhuma inconveniência em afirmar
que o Tempo rege tudo o que existe sobre a Terra.
Pelas razões aqui expostas, não posso deixar de pensar
que os homens precisam ter muito mais interesse por
essa categoria absoluta denominada TEMPO.

25 de junho de 1949

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


O PONTO CENTRAL DO “SU “ - AS MANCHAS SOLARES, A
ORIGEM DO PODER DO JOHREI - O SUPREMO DEUS

A cada dia, a cada mês, no Mundo Espiritual, está


ocorrendo transformações. Isto é realmente, muito
interessante.

Só posso falar sobre a parte fundamental que são as


manchas solares e a origem do Poder. As manchas solares
são o centro do poder que domina o universo. É dali que
surgi o poder.

E o ponto central do “Su” são as manchas solares. Isso é


fantástico. Por isso, a origem do poder do Johrei está nas
manchas solares. Por isso, podemos dizer também que é
interessante.
Os cientistas também estão pesquisando as manchas
solares desde antigamente, mas por estar longe demais
certamente não compreenderão. Certa vez, vi pelo
telescópio do Museu Científico a existência de várias
manchas, grandes e pequenas. A união dessas manchas
formam o ponto central, por mais que pensem, os
cientistas certamente não conseguirão entender o que
são as manhas.

A Era do Dia significa a ocorrência de transformações das


manchas. O calor do sol é uma energia emanada das
manchas solares. O poder do fogo é muito maior nas
manchas que estão em outras partes do sol.; é algo
realmente misterioso.

E o representante das manchas é o Supremo Deus. É daí


que vem a Luz para o meu corpo. Por isso, não é nada
difícil curar doenças (...)

Só que, em breve as pessoas começaram a ter o desejo


de entender Deus, a todo custo, e, quando isto ocorrer
não haverá problema algum.

Isto porque, as energias do sol a das manchas solares no


Mundo Espiritual, vão ficar muito fortes. Na ciência fala-
se a cada onze anos as manchas aparecem mais
nitidamente e isto significa que elas se abrem dessa
forma, assim a cada onze anos e ficam nítidas.

Nada está estabilizado. Isto é, todas as coisas realizam um


movimento de respiração. O Sol também realiza a
respiração, a cada onze anos. A respiração ocorre pela
dilatação e contração. Tudo é assim. O Sol, a Lua, e até
mesmo a Terra realiza o movimento de respiração; com
isso ocorrem diversas mudanças. As estações como
Primavera, Verão, Outono e Inverno são também
pequenos movimentos de respiração. É uma respiração
que ocorre uma vez por ano, mas existem os grandes
movimentos de respiração que são feitos uma vez a cada
11, a cada cem e a cada mil anos. Esta conversa está
parecendo mais uma conferência universitária de filosofia
ou de astrologia, mas, talvez seja uma conferência da
Universidade Divino Espiritual. Não há necessidade de
saber além disso, mas, de forma geral, é isso.

(Mioshie-shu n.24 25/7/1953 )


A FORÇA ESPIRITUAL DO JOHREI

A cura de uma doença depende do poder espiritual do


Johrei da pessoa que o ministra. Contudo, quanto menos
forçado, mais forte ele será. É, pois, muito importante a
atitude de quem o está canalizando. Se verdadeiramente
o ministrante conseguir não usar a sua própria força,
deixando a mão bem relaxada para que a Luz flua com
naturalidade, estará prestando uma valiosa ajuda.

Há outro ponto fundamental a ser ressaltado: o poder do


Johrei depende também da elevação espiritual daquele
que o ministra. Para consegui-Ia, os Mamehito devem
dedicar-se, com perseverança, à leitura dos
Ensinamentos. Dessa forma, irão, pouco a pouco,
aprofundando a sua sabedoria e adquirindo mais
confiança e fé no Johrei que, conseqüentemente, se
tornará mais poderoso.

É preciso, porém, ficarem atentos para não se deixarem


dominar pela vaidade, porque essa atitude diminui
sensivelmente a força do Johrei. Eis a razão pela qual um
Mamehito novo, que ainda canaliza a Luz de Deus com
um pouco de receio, sem confiar muito na própria
capacidade, consegue curar relativamente melhor.

Por outro lado, quando alguém fica convencido de que já


sabe ministrar bem Johrei, dificilmente alcança bons
resultados. Não quero, contudo, dizer que seja melhor
canalizar Johrei com insegurança ou medo. É preciso
somente que o membro tenha humildade para
reconhecer que está servindo, apenas, como instrumento
de Deus.

Além disso, todos os doentes ou quaisquer pessoas que


busquem ajuda devem ser tratados sem ansiedade. Neste
aspecto, a melhor maneira é agir sem nenhum tipo de
envolvimento emocional, ou seja, de pensamentos
advindos, quer de sentimentos de estima, amor,
admiração, quer de considerações relativas à posição
social, econômica ou cultural da pessoa a quem se está
prestando ajuda. Se os Mamehito não mantiverem uma
atitude de completa imparcialidade, terão, com certeza, o
poder do seu Johrei diminuído.

(...) É preciso que todos reconheçam, a cada instante, o


privilégio de terem sido agraciados com tamanha
deferência, conservando o coração humilde e agradecido.

Retirado do livro "A Arte do Johrei".

DOMINE O “GA”

Na vida cotidiana do homem, não há coisa mais temível


do que o “ga” (eu, ego). Isso pode ser bem compreendido
se atentarmos para o fato de que, no Mundo Espiritual, a
eliminação do “ga” é considerada o aprimoramento
fundamental.

Quando eu era da Igreja Oomoto , encontrei, no


“Ofudesaki” , as seguintes frases: “Não há coisa mais
temível do que o ‘ga’; até divindades cometeram erros
por causa dele.” E também: “Devem ter ‘ga’ e não devem
ter ‘ga’; é bom que o tenham, mas não o manifestem.”
Fiquei profundamente impressionado pela perfeita
explicação da verdadeira natureza do “ga” em frases tão
simples. É escusado dizer que elas me induziram a uma
profunda reflexão.

Havia, ainda, esta frase: “Em primeiro lugar, a


docilidade.” Achei-a extraordinária. Isto porque, até hoje,
para aqueles que seguiram docilmente os meus
conselhos, tudo correu bem, sem fracassos. Há pessoas
que não são bem sucedidas por terem um “ga” muito
forte. É realmente penoso ver os constantes fracassos
decorrentes do “ga”.

Como foi exposto, o princípio da Fé é não manifestar o


“ga”, ser dócil e não mentir.

18 de fevereiro de 1950
AMOR CORRETO E AMOR INCORRETO

Dizem que a fé é amor, mas existem vários tipos de amor:


amor correto, amor incorreto, amor amplo, amor
limitado, etc. É por isso que os que possuem fé não
podem deixar de ter um entendimento correto sobre o
amor.

Em primeiro lugar, darei exemplos de amor correto. Nele


se inclui o amor no lar – entre marido e mulher, entre
pais e filhos, entre irmãos, etc. – e o amor relativo às
demais pessoas, tais como amigos, parentes ou
conhecidos. Por mais que esse tipo de amor aumente,
não há nenhuma censura a fazer. O problema é o amor
incorreto.

Obviamente, o amor incorreto é o oposto do anterior:


quebra a harmonia entre marido e mulher, esfria as
relações entre pais, filhos e irmãos, causa
desentendimentos entre amigos e parentes, distancia as
relações, etc. Isso é muito freqüente na sociedade, sendo
causado pelo amor incorreto, ou pelo amor escasso.

Essa é uma classificação genérica do amor correto e do


amor incorreto. Entretanto, entre esses tipos de amor, o
que talvez precisa ser mais analisado é o amor-paixão.
Como já tive oportunidade de explicar, mesmo nesse tipo
de amor existe o correto e o incorreto. Naturalmente, o
amor de jovens puros, que objetivam o casamento, é um
amor-paixão correto. Mas o amor-paixão muito freqüente
na sociedade, motivado por um impulso momentâneo,
fútil, isto é, amor intempestivo como uma febre tropical,
é amor incorreto. Em suma, o amor-paixão não embasado
na Inteligência Superior é amor incorreto. Se ele progride
demais, invariavelmente gera situações trágicas. Isto
porque, apesar de a pessoa ter esposo ou esposa, o
amor-paixão é dirigido para terceiros. Existem pessoas
que acabam caindo num destino catastrófico para o resto
de seus dias e até perdem a vida por causa de um prazer
de pouca duração. É por isso que devem acautelar-se ao
máximo, pois não há nada que cause tão grandes
prejuízos como esse tipo de amor-paixão.

Fiz uma crítica bem simples a respeito do bem e do mal


no amor-paixão. Agora desejo explanar sobre a amplitude
do amor. Como eu disse anteriormente, o amor entre
familiares e o amor pelas coisas que nos rodeiam é amor
de caráter “Shojo” (restrito), que pertence ao grupo do
amor-próprio, sendo mais freqüente nas pessoas comuns.
É inerente ao tipo comum das pessoas boas, existindo,
também, nos agnósticos; quanto a estes, não tenho nada
de especial a comentar, mas, em se tratando de
verdadeiras pessoas de fé, é totalmente diferente. O
amor dos que têm fé é “Daijo”, ou seja, altruísta. Este
amor “Daijo” ampliado ao máximo é o amor à
humanidade, é o amor ao mundo.

Devemos atentar para o fato de que os japoneses, até o


fim da Segunda Guerra Mundial, não conheciam o
verdadeiro amor “Daijo”. Para eles, a mais ampla e
elevada forma de amor era o amor à pátria. Como todos
sabem, seu maior objetivo consistia em dar a vida por ela,
mas, como se tratava de amor “Shojo”, resultante da
crença de que isso era o que havia de mais importante,
causou a lamentável situação em que o Japão se encontra
atualmente. Portanto, como o amor limitado a um povo
ou a uma classe não é verdadeiro, mesmo que se
prospere por um momento, inevitavelmente acaba-se
fracassando. Conseqüentemente, como eu disse antes,
por mais que as pessoas se esforcem com um objetivo
limitado, afirmando pertencer a esta ou àquela ideologia,
não há possibilidade de grande sucesso. Tratando-se de
ideologia, só o cosmopolitismo é verdadeiro. Nesse
sentido, para que a religião seja aceita como a verdadeira
salvação, ela também deve ser de caráter universal. É por
esse motivo que a nossa Igreja teve seu nome
completado com a palavra Mundial.

18 de outubro de 1950

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".

O SABER DAS COISAS

Creio que, em japonês, não há expressão de sentido mais


profundo e sutil do que “mono o shiru” (o saber das
coisas). Considero-a de difícil interpretação, por isso vou
tentar esclarecê-la o melhor possível.

Analisando essa expressão, vemos que ela significa


experimentar ilimitadamente tudo que existe no mundo,
penetrar, captar a essência das coisas e exprimi-la de
alguma forma. Ou melhor, descobrir o segredo de medir a
ação e as conseqüências de determinado problema. Ao
contrário, se alguém exibir teorias infantis, agir
levianamente ou praticar ações sem perceber a censura e
o desprezo dos outros, significa que não tem visão nem
saber das coisas. Pertence ao grupo daqueles que se
costuma chamar de imaturos, infantis ou grosseiros.

Esclarecido é quem possui vasto saber. Por aí vemos quão


grande é o número de homens imaturos que não
possuem esse saber das coisas, inclusive entre os homens
públicos. Eles procuram exagerar e fazer alarde de
questões insignificantes, sem se dar conta de que estão
atraindo o desprezo dos esclarecidos. Seu
comportamento nada mais é que a demonstração de sua
própria inferioridade. Tais indivíduos são, infalivelmente,
umas nulidades, homens de conceitos restritos (“Shojo”).

A eficiência e o crédito são sempre prejudicados pela


ação dessas criaturas medíocres, empenhadas somente
em elevar sua própria fama. Certamente é por causa de
tantos elementos sem maturidade que não se consegue
chegar a conclusões e resoluções mais rápidas nos
debates políticos de hoje. Se a maioria fosse esclarecida,
seria fácil um acordo. O problema é que os esclarecidos
se retraem no silêncio, por detestarem discutir com gente
teimosa. Os imaturos aproveitam essa oportunidade para
se exibir, desejando tornar-se famosos, e a fama aumenta
sua probabilidade de serem eleitos, por ocasião das
eleições. Sendo assim, os menos esclarecidos
representam a maioria, e os esclarecidos, a minoria. Uma
prova disso é o fato e a necessidade de se passar longo
tempo discutindo um problema – às vezes de somenos
importância – para se encontrar uma solução.

Mas a verdade é que, apesar de os homens mais


esclarecidos aparecerem menos, por serem modestos,
suas opiniões acabam sempre triunfando. E isso não se
limita ao mundo político. É natural, em todos os setores
da sociedade, que aqueles que são conhecidos pela sua
competência sejam homens relativamente esclarecidos.

Até aqui me referi à parte moral. Passarei, em seguida,


para o campo da Arte, que eu considero o melhor meio
para explicar o presente assunto, já que a maioria dos
homens esclarecidos são, ao mesmo tempo, dotados de
senso estético muito elevado.

Exemplifiquemos, primeiramente, com o príncipe


Shotoku, cujo vasto conhecimento sobre a cultura
budista, principalmente na parte artística, ninguém
poderá deixar de reconhecer. Temos a prova disso no
Templo Horyuji e em outras construções, que ainda
conservam o esplendor da sua magnificência. A sua
famosa “Constituição dos 17 Artigos” pode ser
considerada a base da lei japonesa.

Também podemos citar Yoshimassa Ashikaga, que,


embora tenha sido muito criticado em outros setores, na
parte artística deixou-nos uma obra notável. Além de
construir o Templo Guinkakuji (Pavilhão de Prata), foi
apreciador da arte chinesa, tendo colecionado objetos
artísticos das eras Sung e Ming. Incentivou grandemente
a arte japonesa, e as obras raras e valiosas criadas por sua
iniciativa, conhecidas como “Obras preciosas de Higashi-
yama”, ainda hoje deleitam o nosso senso artístico. Seu
trabalho é realmente digno de louvor.

A maior honra, no entanto, desejamos conferir a


Hideyoshi Toyotomi (unificador dos feudos, no ano de
1573). Ao lado de sua exuberante criação artística,
intitulada “Momoyama”, devemos salientar o brilhante
impulso dado por ele à arte da Cerimônia do Chá – cuja
existência, até então, era obscura – protegendo Rikyu
Senno, mestre da referida arte, naquele século. Graças a
ele, houve um rápido desenvolvimento da cultura
artística, e gênios e grandes mestres surgiram uns após
outros. Não fazem exceção Enshu Kobori e Chojiro, o
gênio da cerâmica. Este, como Ashikaga, além de obras
japonesas e chinesas, colecionou famosos objetos
artísticos da Coréia, dando um novo impulso à cerâmica
no Japão. Devemos lembrar, aqui, a existência de Koetsu
Honnami. Ele foi pintor e calígrafo notável, tendo criado
uma nova modalidade de “makiê” (arte que utiliza laca e
madrepérola); na fabricação de cerâmicas, foi inimitável,
graças à sua originalidade e versatilidade. Sua maior
contribuição, que ele próprio não previra, foi ter
influenciado, cem anos após seu falecimento, o famoso
mestre Korin Ogata, expoente máximo do Japão no setor
artístico, o qual foi admirador de Koetsu e o superou,
conquistando grandiosa fama. Também não podemos
omitir os oleiros Ninsei e Kenzan. Desta corrente surgiu
Hoitsu, que se fez notar, também, pela sua habilidade
artística.

A grandeza de Hideyoshi Toyotomi reside no fato de ter


compreendido a Arte ainda na mocidade e colecionado
obras-primas, o que não deixa de ser algo surpreendente,
dado que ele era filho de lavrador. Geralmente, além de
crescer sob condições favoráveis, ou melhor, na classe
acima da média, é necessário um grande esforço para se
atingir o nível do “saber das coisas”. Hideyoshi, portanto,
é de fato um homem extraordinário, pois atingiu esse
nível apesar de sua origem humilde e de ter vivido
continuamente em campos de batalha.

Lancemos, agora, uma vista sobre a arte literária.


Na poesia, sobressaem, indiscutivelmente, Saigyo e
Basho. As obras destes dois expoentes revelam ter sido
realizadas por quem realmente possui o “saber das
coisas”. Nunca deixo de admirar estes poemas, suas obras
principais:

“A solidão envolve
Até um coração indiferente,
Quando as narcejas levantam vôo do pântano,
Nos crepúsculos do outono.”

Saigyo (Waka)

“O canto das cigarras


Penetra no silêncio
E nas rochas.”

Basho (Haiku)

Uma pessoa que também merece ser lembrada é o


aristocrata Unshu Matsudaira, conhecido pelo nome de
Fumai. Ele colecionou inúmeras obras de arte, classificou-
as, protegeu-as da dispersão e deu impulso à Cerimônia
do Chá. É digno de toda a nossa consideração.
Entre os esclarecidos da época moderna, citaremos o
falecido ator Danjuro Itikawa.

Vimos, em linhas gerais, alguns dos principais


representantes da arte japonesa considerados
esclarecidos. São homens civilizados no mais alto grau, e
é escusado dizer o quanto colaboraram para alimentar a
alma do povo, enriquecendo-lhe o gosto estético e
elevando-lhe os sentimentos. Naturalmente, todos sabem
que as invenções, as descobertas e o progresso do ensino
contribuíram para a cultura da humanidade, mas convém
recordar a grande contribuição que, em silêncio, as obras
dos esclarecidos trouxeram à civilização.

15 de agosto de 1950

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


PAZ E SEGURANÇA

As pessoas acham que as expressões “paz” e “segurança”


limitam-se apenas ao espírito, mas esse modo de pensar
constitui um grande erro, uma vez que, para obtermos a
verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a
matéria. Pensem bem: se houver uma que seja das três
grandes desgraças – doença, pobreza e conflito – onde
estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que,
durante toda a sua vida, não terão preocupações com
doenças, não ficarão pobres, nem haverá possibilidade de
se envolverem em conflitos, aí sim, elas terão a
verdadeira paz e segurança. Entretanto, no mundo
contemporâneo, possuir essas três condições ao mesmo
tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente
não existe uma pessoa sequer, no mundo inteiro, que
possa afirmar possuí-las.

Observando este mundo, logo percebemos que nada


ocorre conforme desejamos; as coisas más acontecem
incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O
mundo em que vivemos é a própria imagem do inferno.

No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos


quando vamos ficar doentes. Um simples resfriado pode
acabar logo, como também perdurar e gerar uma doença
terrível. Portanto, não podemos estar despreocupados,
pensando que um resfriado não é nada. Como diz a
Medicina, os vírus estão em toda parte, e por isso é
impossível saber quando vamos contrair uma doença
contagiosa ou a que hora um bacilo vai nos atacar.
Conseqüentemente, as autoridades são muito exigentes
em matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a
limpeza, não comer nem beber em demasia, fazer
gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos antes das
refeições, tomar cuidado com os alimentos e outras
medidas semelhantes. São tantas as advertências que até
ficamos saturados. Levar tudo isso em consideração é o
mesmo que viver sob a constante ameaça de todos os
tipos de perigos.

Quanto à pobreza e aos conflitos, na maior parte dos


casos provêm de problemas financeiros, que se originam
do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é
óbvio que, se não conservarmos o espírito e o corpo
sadios, jamais conseguiremos a tranqüilidade absoluta.
Talvez as pessoas achem impossível consegui-la; contudo,
se pudermos realmente obtê-la, não será uma
maravilhosa Graça do Céu? Eu afirmo, sem qualquer
sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.

10 de dezembro de 1952

Retirado do livro Alicerce do Paraíso.


AS HORTAS CASEIRAS E A AGRICULTURA NATURAL

Vou explicar, em linhas gerais, a grande boa-nova que


representa a nossa Agricultura Natural, o cultivo sem
adubos, inclusive, para as hortas caseiras.
É claro que, nas hortas caseiras, não se plantam cereais,
como arroz e trigo, mas apenas legumes e verduras. Os
adubos mais utilizados são: excremento humano, lixo,
restos de peixes, cinzas de madeira, estrume de cavalo e
de galinha, etc. Mas, dentre eles, o que mais se usa é o
excremento humano. Para os amadores, inexperientes no
cultivo da terra, o seu manuseio é extremamente penoso.
Além disso, durante longo tempo, a casa fica impregnada
de mau cheiro, acabando com o prazer das refeições, e o
grande desconforto que as pessoas sentem é incomum.
Se esse tipo de adubo garantisse bons resultados, ainda
seria justificável, mas vou mostrar, através de dois ou três
exemplos, como ele é nocivo.

Os amadores costumam queixar-se de que, no caso do


tomate ou da soja, há muita queda de flores e,
conseqüentemente, poucos frutos; quanto às batatas,
consegue-se poucas ou quase nada. Além disso, os caules
se quebram, as folhas secam e os danos causados pelas
pragas constituem preocupações permanentes. Toda
causa desses problemas é o estrume, fato que até agora
se desconhecia. Para agravar a situação, se não são
obtidos bons resultados, eles pensam que foi motivado
pela falta de adubo e o aplicam em maior quantidade, o
que produz efeitos ainda mais negativos. Sem
alternativas, consultam especialistas no assunto, mas,
como todos sabem, estes também estão cativos à
superstição dos adubos, de modo que dão respostas
completamente disparatadas, atribuindo o problema ao
tipo de adubo utilizado, à quantidade inadequada, à
época de aplicação, à acidez do solo, etc. Que erro
espantoso!

A maior ajuda prestada pela Agricultura Natural,


entretanto, não está, unicamente, na dispensa das fezes
humanas, mas na de qualquer outro adubo. Apesar de
fazer uso somente de compostos naturais, seus
resultados são maravilhosos. Vou enumerá-los:

1. dispensa-se qualquer tipo de adubo, a começar pelo


desagradável estrume;

2. além de ser um método higiênico e confortável,


desaparece o problema de doenças causadas por
parasitas;

3. o cultivo toma-se fácil, não havendo quebra de caules


nem queda de flores;

4. é um método econômico: desaparecendo as pragas,


não há necessidade de gastar dinheiro com defensivos e
outros recursos;
5. como a quantidade de produtos colhidos é maior,
mesmo os locais pequenos são suficientes para o plantio;

6. as verduras cultivadas sem adubo têm sabor inigualável


e alto teor nutritivo.

Muitas outras razões, ainda, poderiam ser enumeradas.

Conhecer, realmente, os resultados da Agricultura


Natural e sentir a alegria infinitamente maior de viver o
dia-a-dia, certamente é um privilégio das pessoas que já
experimentaram o método. Antes de mais nada, é preciso
praticá-lo. Nessa ocasião, deve-se ter em mente que
tanto o solo como as sementes estão bastante
impregnadas de tóxicos dos adubos, e, por isso, não se
tem bons resultados durante certo tempo, até que tais
substâncias sejam eliminadas. Entretanto, dependendo
do tipo de verdura, há culturas que apresentam, desde o
primeiro ano, bons resultados, no segundo e no terceiro,
vão melhorando cada vez mais. Quando os tóxicos
tiverem sido, completamente, eliminados, os resultados
serão tais, que nenhuma pessoa deixará de ficar
admirada.

(Jornal Kyusei nº 63,-20 de maio de 1950)


Retirado do livro "A Verdadeira Saúde Revelada por
Deus", páginas 274 e 275.

INADEQUAÇÃO DO ESTUDO

Costumamos referir-nos ao estudo como se só houvesse


uma modalidade. Entretanto, existe o estudo vivo e o
estudo morto. Parece estranho, mas vou esclarecer o que
isso significa. Aprender por aprender é estudo morto,
enquanto aprender algo para ser utilizado na sociedade é
estudo vivo. O estudo para pesquisar a Verdade é
diferente, e muito importante. Mas, vejamos, em
primeiro lugar, o que é estudo.

Atualmente, nas escolas primárias, secundárias e


superiores, utilizam-se os livros didáticos, ou melhor, a
teoria, como linha vertical; o que é ensinado pelo
professor, constitui a linha horizontal. Esse método de
ensino foi elaborado após grandes esforços e inúmeras
experiências feitas por didatas. Logicamente, novas
descobertas e novas teorias surgiram e desapareceram;
algumas surgiram e foram ultrapassadas por outras mais
recentes, as quais aproveitaram daquelas apenas o que
tinha validade para ser incorporado. Aquilo que em outra
época era considerado verdade e respeitado como regra
de ouro foi desaparecendo sem deixar nenhum vestígio,
na medida em que aparecia algo que o superava. Existem,
contudo, algumas teorias descobertas que se mantêm
vivas até hoje, concorrendo para tornar a sociedade mais
feliz.

É o tempo que determina o valor de todas as coisas. Por


esse motivo, embora tenhamos plena certeza de que uma
teoria seja absolutamente verdadeira, inalterável e
eterna, não podemos saber quando aparecerá outra que
a destrua, nem quem o fará. Vários exemplos podem ser
citados, desde tempos antigos. Quando aparecem novas
descobertas, é natural que elas não se encaixem nos
moldes das tradicionais; quanto menos se encaixam,
maiores são os seus valores. Resumindo, é uma ruptura
das formas enraizadas; na medida em que for mais
intensa, maior a sua validade. Desse modo, é evidente
que as velhas teorias são afastadas devido ao
aparecimento de teorias novas, superiores a elas. Se a
verdade em que acreditávamos é ultrapassada, é porque
surgiu outra de maior Luz. É assim que se processa o
desenvolvimento cultural.

Analisemos mais profundamente. O ensino tradicional foi


sedimentando-se através dos anos, mas o progresso
cultural faz com que ele se dissocie dessa forma estática
numa rapidez incrível. Um dia destes, ouvi do presidente
de uma empresa o seguinte comentário: “Embora seja
muito inteligente, uma pessoa que saiu da universidade
há mais de dez anos não consegue situar-se, em face dos
problemas reais do presente. Isso acontece por não haver
correspondência entre o que ela aprendeu naquela época
e o tempo atual, especialmente no que se refere aos
técnicos.” Essas palavras vêm ao encontro daquilo que eu
explanava, porque, pela sua própria natureza, os
conteúdos das matérias estudadas devem se referir à
época do estudo, mas, se eles não acompanharem o
progresso cultural, fatalmente o estudo perderá sua
validade. Exemplifiquemos.
Dizem que os políticos contemporâneos tornaram-se
muito “pequenos”, o que significa dizer que é difícil
encontrar políticos de grande envergadura. Os ministros
de hoje não são nada hábeis; o máximo que eles
conseguem é resolver problemas do momento. Isso
ocorre porque, na atualidade, os estadistas de nível
ministerial são formados pelas Universidades Federais e
deixam-se levar facilmente pelas velhas teorias
aprendidas. Racionais em tudo, eles não sabem que
existe algo além da lógica. É a mesma coisa que utilizar o
cavalo como meio de transporte numa rodovia, ou
aprender a dirigir charrete ao invés de carro.

O estudo destina-se ao desenvolvimento do cérebro


humano. É para edificar uma base, como se fosse o
alicerce de uma casa. Sobre essa base, precisamos fazer
uma nova construção, ou seja, utilizar o estudo,
desenvolvê-lo e com ele criar coisas novas. Isso significa
ajustar os passos ao contínuo progresso cultural. E não é
só isso. O verdadeiro estudo vivo é aquele que avança
ainda mais, desempenhando a função de orientar a
cultura. Recentemente, o presidente Truman, dos Estados
Unidos, declarou que, por volta de 1921, ele era um
simples comerciante de variedades. Não se pode imaginar
o quanto lhe foi benéfica essa experiência na realidade
social.
Há mais de dez anos, proclamei uma nova teoria
relacionada com a Medicina; tão logo, porém, eu a
publiquei em livro, este foi apreendido. Como isso
aconteceu três vezes, sem que eu pudesse fazer nada,
desisti. O motivo da apreensão é que a minha tese é
contrária aos princípios da Medicina atual. Em relação à
porcentagem de curas alcançadas por meio desta, os
efetivos resultados obtidos através do meu método
comprovam que ele é dez vezes mais eficaz. Além disso,
não se trata de cura temporária, mas definitiva. O que
estou dizendo constitui a pura verdade, sem o mínimo
alarde. No prefácio do livro, eu até escrevi: “Estou pronto
para comprová-lo a qualquer hora.” Entretanto, como as
autoridades e os especialistas não deram a mínima
atenção, nada mais pude fazer.

O objetivo da Medicina é curar os doentes, preservar a


saúde do homem e prolongar-lhe a vida. Que objetivo
poderia ter além deste? Por mais que se preguem teorias,
que se aperfeiçoem instalações e que haja aparelhagens
supersofisticadas, tudo isso será inútil se não
corresponder ao referido objetivo. Baseadas apenas na
diferença entre a minha teoria e as da medicina
tradicional, as autoridades e os especialistas ignoraram-
na sem ao menos tentar discuti-la, revelando-se,
portanto, verdadeiros traidores do progresso da cultura.
Como os governantes são crédulos e não levantam
nenhuma dúvida, só posso dizer que os homens de hoje
não passam de ovelhas indefesas.

Mas qual será a finalidade da minha arrojada teoria? Eu


não sou nenhum louco. Se não tivesse absoluta certeza
da sua veracidade, não faria tanto empenho em divulgá-
la.

Na Medicina, tão orgulhosa do progresso que alcançou,


eu descobri uma grande falha. Entre as grandes
descobertas efetuadas até o presente, nenhuma se
compara à descoberta que eu fiz, porque ela é de
importância radical para a solução de todos os problemas
relacionados à vida humana. Enquanto os homens não
despertarem para essa grande falha, as doenças jamais
serão eliminadas. Prevejo, entretanto, que, num futuro
próximo, quando a Medicina alcançar um progresso
maior, minha teoria será confirmada.

Voltando nossa atenção para a sociedade, todos nós


poderemos ver como é elevado o número de criaturas
que estão sofrendo, acometidas de doenças graves
ocasionadas pela medicina errada. Diante disso, não
podemos ficar tranqüilos. No momento, porém, nada nos
resta fazer senão orar: “Ó Deus, Todo-Poderoso! Fazei,
por favor, com que a Medicina abra os olhos, o quanto
antes, para as suas falhas e, assim, torne saudáveis todos
os homens!”

25 de junho de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".

A FÉ DEVE BROTAR ESPONTANEAMENTE


INTERLOCUTOR: Confiarem Deus significa entregar-se em
Suas mãos; mas há quem force a situação para conseguir
confiar n'Ele, uma vez que a pessoa não alcançou esse
nível

MEISHU-SAMA: Não deve fazer isso. Se a pessoa acredita


ou não, o correto é dizer-lhe para fazer como bem
entende. Não é preciso que acreditem em nós.

INTERLOCUTOR: É algo que deve brotar...

MEISHU-SAMA: Isso mesmo. Se tiver a intensa vontade


de acreditar, a pessoa acredita, e assim está bem. Pedir o
favor de acreditar...

Outro dia, me disseram que o meu modo de agir é um


tanto leviano, que deveria mostrar-me um pouco mais
imponente, pois assim, as pessoas sentiriam maior
gratidão. Então, disse-lhes que se não lhes agradasse o
meu modo de agir, que fizessem como bem
entendessem. Eu faço as coisas pensando no melhor, por
isso, se acharem que assim está bom, então, acreditem.
Há pessoas que realmente acham que é bom e acreditam.
Se forçamos a crer, a pessoa regride espiritualmente.
Mesmo assim, não devemos nos vangloriar
demasiadamente.

O que é cinco, devemos tornar realmente cinco, e o que é


seis, devemos tornar seis. Não se deve proceder de
maneira muito modesta e nem vangloriar-se com
exagero. Deve-se agir de acordo com cada pessoa.

Gossuiji-roku n-04 (05/11/1951)


COMO ACABAR COM OS CRIMES

Dentre os crimes cometidos ultimamente, os mais graves


são os crimes praticados por indivíduos que, para roubar
uma pequena soma em dinheiro, não hesitam em tirar a
vida de seu semelhante. Para eles, isso é mais simples do
que matar um cão. Quando analiso esse tipo de pessoa,
fico pasmado com sua estupidez, inconcebível por meio
do senso comum. Que situação tenebrosa! Tais indivíduos
não pensam no sofrimento da vítima e de seus familiares.
Além disso, não passa pela sua cabeça que, no caso de
serem presos, a pena de morte seria fatal, ou que, na
melhor das hipóteses, não escapariam à prisão perpétua.
Seja como for, com uma vida pela frente, eles não
poderiam mais integrar a sociedade e estariam jogando
fora a sua própria existência. Esse é o pensamento que
deveria ocorrer-lhes, mas parece que tal não acontece, o
que revela um estado psicológico realmente de se
estranhar. Os atos dessas criaturas estão à mercê dos
seus instintos e não passam de satisfações momentâneas;
seu objetivo é divertir-se por curto espaço de tempo.
Uma vez que terão de pagar bem alto – um prejuízo
talvez dezenas ou centenas de vezes maior do que o lucro
obtido – não podemos considerá-las como seres
humanos. São exatamente como os quadrúpedes. As
“pessoas de quatro pés”, como todos sabem, não têm
nenhuma percepção para ver que, após o crime, poderão
ser condenadas à morte. Por isso mesmo, é difícil lidar-se
com elas.

Com base no que acabamos de dizer, talvez se pense que


não há uma explicação para os crimes, mas na realidade
eles são perfeitamente explicáveis. Do ponto de vista
espiritual, podemos compreendê-los muito bem. Segundo
os Ensinamentos de nossa Igreja, o homem possui três
espíritos: o Espírito Primordial, atribuído por Deus; o
Espírito Guardião, escolhido entre os Ancestrais, e o
Espírito Secundário, responsável especialmente pelos
desejos físicos e seculares do homem. Naturalmente, o
Espírito Primordial é a fonte dos bons sentimentos, e o
Espírito Guardião incentiva a pessoa para o bem. Quando
o Espírito Secundário predomina, quem está dominando
é o quadrúpede. Por isso, embora tenha aparência
humana, a pessoa torna-se semelhante a um animal.
Nestas circunstâncias, não se justifica o sentimento de
pena ou compaixão; ela demonstra caráter perverso do
princípio ao fim.

Esta é a causa básica dos crimes sem escrúpulos. Por isso


é muito perigoso o homem deixar que sua alma seja
dominada pelos animais, pois basta qualquer estímulo
para lhe surgirem desejos maléficos e ele se tornar um
criminoso. Mas o que é que se deve fazer? Não há outro
meio para solucionar o problema a não ser a força da
Religião. E por que deve ser através da Religião? Como eu
disse anteriormente, o homem é dominado pelo espírito
animal, isto é, pelo Espírito Secundário. Portanto, é
preciso enfraquecer a força de domínio deste último. Em
termos mais claros, aumentar a força do bem numa
proporção muito maior que a do mal, fazendo com que o
Espírito Secundário se torne o dominado. Afirmo que não
existe método mais eficaz.

Antes de mais nada, é necessário ingressar na fé, voltar-


se para Deus, adorá-Lo e orar. Uma vez que a pessoa
esteja ligada a Deus pelo elo espiritual, através deste a
Luz Divina será derramada em sua alma; à medida que a
alma for sendo iluminada, o Espírito Secundário se
retrairá e a força que ele tem para utilizar a pessoa a seu
bel-prazer irá enfraquecendo. No íntimo de todo ser
humano, há uma luta constante entre o bem e o mal. Isso
acontece em virtude do princípio exposto acima. Assim,
por mais minuciosas que se tornem as leis e por mais que
se fortaleça o sistema de policiamento, será o mesmo que
combater o crime com uma força estranha. Sem dúvida é
melhor do que nada, mas, enquanto não se for ao âmago
do problema, os resultados serão insignificantes,
apresentando-se situações sociais nefastas, como
acontece hoje em dia.

É incompreensível que nem o governo nem os


educadores percebam algo tão óbvio. Eles se limitam a
suspirar, dizendo que, atualmente, há muitos crimes
inescrupulosos e que a delinqüência juvenil aumenta dia
a dia. Não conseguem libertar-se de idéias anacrônicas,
que cheiram a mofo, e só a muito custo determinam o
restabelecimento deste ou daquele princípio ético ou
moral; a reforma de métodos educacionais, etc. Achamos
isso muito triste. Pode parecer ironia, mas é o mesmo
que colocar água numa peneira e, notando que ela vaza
demais, fazer uma peneira de furos menores.

25 de julho de 1951

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


AS MÁCULAS SÃO DIMINUÍDAS ATRAVÉS DO SERVIR

MEISHU-SAMA: Devemos servir porque, na verdade,


espiritualmente falando, todo ser humano possui máculas
o que significa estar em dívida com Deus. E, quanto mais
tempo durarem as dividas, mais aumentam os juros; por
isso, é mais vantajoso pagar logo. Portanto, é muito boa a
dedicação monetária, pois, através disso, as máculas são
eliminadas.

Gossuiji-roku 8 (01/04/1952)

Retirado do livro "Chave da Difusão"


ERA SEMICIVILIZADA

É consenso geral que estamos vivendo um momento em


que a civilização atingiu um nível nunca antes alcançado.
Se compararmos a época atual com a selvageria e o
subdesenvolvimento da era primitiva, veremos que houve
de fato um grande progresso. Entretanto, foi um
progresso apenas no sentido material, pois
espiritualmente permanecemos no estado de semi-
selvageria.

Desde tempos remotos, continuamente os povos vêm


desperdiçando a maior parte de suas energias com a
guerra, a maior de todas as violências. Eles em nada
diferem dos animais ferozes, que lutam mostrando suas
presas e garras. É verdade, também, que existem os
pacifistas, os quais não medem esforços para evitar a
guerra. Podemos dizer que os primeiros são seres
animalescos, e os pacifistas são seres humanos
realmente. Cada uma dessas duas espécies contrastantes
de homens procura satisfazer seus próprios desejos. É um
dualismo que a História veio registrando através dos
tempos e perdura em nossos dias. Logicamente, existe
essa dualidade de pensamento também a nível individual,
mas a violência está sendo evitada pela Lei, e vem sendo
mantida, ainda que precariamente. Os bons e justos, no
entanto, são sempre pressionados pelos maus, dos quais
se tornam vítimas constantes.

Vejamos outro aspecto da questão.

Atualmente, graças ao progresso da Ciência, são feitas


grandiosas invenções e descobertas, as quais,
dependendo da vontade das pessoas que as manipulam,
podem ter resultados funestos ou, ao contrário,
contribuir para o aumento do bem-estar da humanidade.
O atrito entre esses dois pensamentos opostos – o
selvagem e o civilizado – pode tornar-se causa da guerra,
na qual essas invenções e descobertas também poderiam
ser empregadas para fins maléficos.

Analisando o assunto sob outro prisma, constatamos que


os povos belicosos não são religiosos, ao contrário dos
povos pacifistas; daí a necessidade da Religião. Portanto,
não seria demais dizer que, apesar de apregoarem que
estamos numa era de elevado nível cultural, na verdade
estamos vivendo um período de semi-selvageria, ou
semicivilização, de modo que precisamos elevar seu nível,
transformando a semicivilização em civilização total, com
perfeita unidade espírito-matéria. Assim, a missão dos
religiosos, daqui por diante, é realmente importantíssima.
25 de junho de 1949
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso"
AS PLANTAS TÊM VIDA

Gosto muito de cuidar das plantas do jardim e sempre


corto seus galhos, arrumando-lhes o formato. De vez em
quando, porém, sem perceber, acabo cortando demais ou
deixando de cortar onde é necessário. Às vezes, quando
vou plantar uma árvore, não havendo outra alternativa,
por causa do espaço, planto-a num lugar que não é do
meu agrado e deixo a parte da frente para trás, ou meio
de lado, o que me incomoda, toda vez que a observo.
Mas é engraçado, pois, com o passar do tempo, vejo que
a árvore vai se acomodando aos poucos, por si mesma,
até que acaba se harmonizando perfeitamente com o
lugar. Acho isso interessantíssimo e não posso deixar de
pensar que ela está viva. Certamente, as árvores também
possuem espírito. Nesse ponto, assemelham-se ao
homem, que cuida de sua aparência para não passar
vergonha perante os outros.

Temos atrás, ouvi um velho jardineiro contar que, quando


uma planta não dava flores como ele queria, dizia-lhe
estas palavras: “Se este ano você não der flores, vou
cortá-la.” Assim, ela não deixava de florir. Ainda não
experimentei fazer isso, mas o fato parece-me verossímil.
Não há erro em lidarmos com qualquer elemento da
Grande Natureza acreditando que ele possui espírito.
Num livro que li, de autor ocidental, dizia-se que uma
árvore que geralmente leva quinze anos para crescer,
tendo sido cuidada com amor e dedicação, cresceu da
mesma forma na metade do tempo, isto é, em sete ou
oito anos.

O mesmo pode ser dito em relação às vivificações florais.


Eu próprio vivifico as flores de todos os compartimentos
de minha casa; entretanto, ainda que elas não estejam do
meu completo agrado, deixo-as assim mesmo. No dia
seguinte, noto que elas estão diferentes, com um aspecto
agradável, como se realmente estivessem vivas. Nunca
forço o formato das flores; vivifico-as da maneira mais
natural possível. Por isso, elas ficam cheias de vida e
duram mais. Se mexermos muito, as flores perdem sua
graça natural, o que não acho bom. Assim, quando vamos
vivificá-las, devemos, primeiramente, imaginar como
iremos fazê-lo, para depois cortá-las e fixá-las
rapidamente. Isso porque, tal como os seres vivos,
quanto mais mexermos, mais fracas elas ficam. Esse
princípio também se aplica ao homem. Com os pais, por
exemplo: quanto mais cuidados tiverem na criação dos
filhos, mais fracos eles serão.

Como vivifico as flores dessa maneira, minhas vivificações


duram mais do que o dobro do normal, e todos se
admiram. Em geral não se usa bambu e bordo –
certamente porque não duram muito – mas eu gosto de
vivificá-los, e eles sempre duram de três a cinco dias; às
vezes o bambu dura mais de uma semana, e o bordo,
quase duas. Além disso, qualquer que seja a flor, não
mexo em seus cortes, deixando-as ao natural.

5 de agosto de 1953

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


UMA NOVA ETAPA

Freqüentemente ouvimos dizer que as portas estão


fechadas e os caminhos bloqueados. Na verdade, esses
aparentes obstáculos nada mais são que meios pelos
quais poderemos desenvolver a nossa espiritualidade. De
fato, nenhuma porta está realmente fechada. O que
acontece é uma pausa obrigatória quando passamos de
uma etapa para outra do aprimoramento espiritual. É um
processo semelhante àquelas paradas, muitas vezes
necessárias para uma tomada de fôlego durante as
corridas.

Um outro exemplo que elucida bem esta questão é a


maneira pela qual se desenvolve o bambu. À medida que
ele cresce, vão-se formando nós, os quais, quanto mais
numerosos forem, maior resistência darão à planta.
Observando-se, então, atentamente a Grande Natureza,
poderemos compreender quase todas as ocorrências da
nossa vida e ver, de modo diferente, os acontecimentos
do dia-a-dia. Assim entenderemos facilmente que "portas
e caminhos fechados" é apenas uma etapa natural no
processo do aprimoramento.
Há, porém, alguns obstáculos gerados pela falta da
sabedoria necessária nos momentos em que tomamos
determinadas atitudes sem prever os resultados. Nessa
hora, normalmente não encontramos saída para os
problemas e nos desnorteamos. Portanto, é de grande
valia sabermos qual o motivo que determinou o
aparecimento de empecilhos: uma situação natural ou a
ignorância? Assim é, pois, fundamental estarmos
constantemente polindo a alma para adquirir sabedoria.

Como já lhes falei muitas vezes, se ficarmos atentos e


buscarmos, a cada dia, um pouco mais de elevação
espiritual, ultrapassaremos qualquer obstáculo sem
dificuldades.

Leiam sempre os Ensinamentos, meditem sobre estas


verdades que lhes expus e as guardem no fundo do
coração.

Ensinamentos de Mokiti Okada - Vol. 2


PESSOAS MEDROSAS

Observando os trabalhos que estou realizando


atualmente, as pessoas sempre se mostram espantadas,
dizendo que me acham com muita coragem e
classificando de grandioso tudo que faço. Concordo
plenamente com elas. Como meu objetivo é salvar toda a
humanidade e transformar este mundo em paraíso,
construindo um mundo sem doença, pobreza e conflito,
talvez, para as pessoas comuns, isso não passe de
exagero e fantasia de minha parte. De fato, eu também
me espanto por ver que estou planejando coisas tão
grandiosas e, mais ainda, pela convicção que tenho de
poder concretizá-las.

Entretanto, quando eu era jovem, nunca cheguei a pensar


em tais coisas. Dos quinze aos vinte anos mais ou menos,
era mais tímido que qualquer outra pessoa. Sem nenhum
motivo, tinha receio de me encontrar com
desconhecidos; principalmente quando achava que a
pessoa era um pouco mais importante, nem conseguia
falar direito com ela. Diante de moças, eu enrubescia,
meus olhos ficavam perdidos e eu nem ao menos
conseguia olhar para o rosto delas ou falar-lhes. Como
fiquei pessimista por causa disso! Conseqüentemente,
muito duvidei se conseguiria integrar-me na sociedade
como cidadão adulto. Naquela época, quando me via
frente a qualquer pessoa, sempre tinha a impressão de
que ela era mais inteligente e importante que eu.
Todavia, comparando o que eu era com que sou
atualmente, eu mesmo estranho a enorme diferença.

Escrevi tudo isso levado pelo desejo de que, lendo minhas


palavras, os jovens tímidos, tão freqüentes na sociedade,
ganhem novo alento e passem a enfrentar a vida com
maior otimismo e esperança.

30 de agosto de 1949
FORÇA DA PALAVRA E O PODER DA ORAÇÃO

Força da palavra

Diz-se que o mundo onde as palavras agem constitui o


reino de guenrei.

Deus é, na verdade, o Grande Guenrei que movimenta o


Cosmos.

Conforme está na Bíblia foi também a partir da palavra


que o Supremo Criador estabeleceu a vida e o Universo:
"No princípio era o verbo e o verbo estava em Deus"
(Gênesis).

Torna-se possível, então, concluir como são importantes


as palavras, pois, através delas, livremente criando ou
destruindo, tudo pode ser transformado em Bem ou Mal,
céu ou inferno, vida ou morte.
Os seres humanos têm, por conseguinte, ilimitada
responsabilidade nesse processo de transformação. Uma
vez que se comunicam pela palavra, vivem no mundo do
guenrei; devem, por isso, esforçar-se para emitir somente
vibrações positivas de bondade, amor, justiça, sabedoria
e todos os demais sentimentos nobres. Dessa forma,
estarão concretizando, em cada momento da vida, o
eterno guenrei de Deus.

Poder da oração

A oração Zenguen Sanji, cujo espírito da palavra é


extremamente perfeito, belo e poderoso, realiza uma
intensa purificação do ambiente onde está sendo feita.
Debilita também o espírito secundário e afasta entidades
negativas que, de um modo geral, atormentam os seres
humanos. Assim as nuvens da mente se reduzem e os
sofrimentos diminuem.

Poder semelhante tem a oração Amatsu Norito. Quando


harmoniosamente emitida, quer dizer, entoada com o
som puro e belo do kototama (essência verdadeira da
palavra) penetra na alma, desperta a consciência, purifica
as máculas, levando a pessoa a deleitar-se num estado de
plena alegria e felicidade.
Retirado do livro "Evangelho do Céu - Volume II

LEI DO JOHREI

O objetivo principal da Doutrina Messiânica é despertar


os homens para o poder de Deus, ou seja, tornar evidente
a Sua supremacia sobre todas as coisas. Dessa forma,
torna-se urgente, em primeiro lugar, curar as doenças,
para que através desse fato, a humanidade reconheça a
presença Divina.

Nesse sentido é muito importante que os Mamehito (1)


ampliem o conhecimento sobre as doenças, não segundo
os preceitos da medicina atual, mas do ponto de vista do
Pai Criador.

Para tanto, não há necessidade de grandes


conhecimentos sobre anatomia. O primeiro passo é
desenvolver a capacidade de descobrir o ponto focal, pois
uma vez encontrado, basta ministrar Johrei somente
nesse local, que a cura se processa mais rapidamente.
Por desconhecer o ponto focal das doenças, a maioria das
pessoas ministra Johrei mais no sentido espiritual, onde a
cura é obtida, porém, muito mais lenta.

Acompanhando os ministros e responsáveis pelas


difusões, vejo que ainda é muito restrito o conceito sobre
as enfermidades. Os Mamehito geralmente fazem
perguntas básicas ou então me questionam a respeito de
assuntos sobre os quais eu já escrevi anteriormente.

Portanto, é de suma importância a realização de cursos


para ampliar o conhecimento espiritual e físico das
doenças. Peço, especialmente aos ministros, que se
esforcem o máximo para aprimorar-se nesse sentido, pois
sem o conhecimento necessário não será possível obter
bons resultados.

(1)- Mamehito - palavra japonesa, cuja tradução é


Homem Verdadeiro. Engloba, pois, em seu significado,
todo aquele que se inicia na Doutrina Messiânica, estuda
e pratica os Ensinamentos de Meishu-Sama.

Retirado do livro “A Arte do Johrei – vol. 1”, páginas 63 e


64.
CAUSA DOS SOFRIMENTOS

Deve ficar bem claro que a infelicidade que atinge as


pessoas em geral não é gerada pela natureza. Origina-se
da própria conduta humana. Não compensa, pois, a
ninguém lamentar-se de seus sofrimentos. Ao contrário,
cada um precisa tomar consciência do Mal que causou a
si mesmo.

Conservem, portanto, com firmeza, nas suas mentes, este


princípio de justiça: a causa de todos os males está no
coração dos homens. São eles os responsáveis pelas
inúmeras desgraças que lhes advêm. Nunca atribuam,
então, a culpa dos próprios erros aos outros. Não digam
que a sociedade é má, nem responsabilizem o governo, a
política, a educação, o sistema ou a situação do mundo
pelos insucessos pessoais.

Embora o comportamento normal das pessoas, na


atualidade, seja imputar aos outros a causa dos fracassos,
os homens de fé devem agir de maneira mais consciente.
Vivendo sempre a lamentar-se, só poderão acumular um
número ainda maior de máculas e, como conseqüência,
provocar mais sofrimentos para purificá-las, além de criar
motivos para queixas freqüentes. Esse modo de viver
bastante errado levará certamente a desgraças
irreparáveis.

Sendo criaturas banhadas pela Luz de Deus, meditem


profundamente sobre essas verdades e as guardem no
fundo do coração.

Retirado do livro 'Evangelho do Céu - vol II'.


ESTÁ ERRADO DIZER QUE OS HONESTOS SAEM
PERDENDO

Há muito tempo ouve-se dizer que as pessoas honestas


saem perdendo. Entretanto, refletindo profundamente,
pergunto a mim mesmo se essas palavras não soam mal
para a sociedade e para os indivíduos. Sendo assim, ainda
que pouco adiante afirmar o contrário, pois os fatos
parecem comprovar a veracidade daquela afirmação,
minha experiência me faz garantir que não existe nada
tão falso. Vejamos.

Quando observamos minuciosamente a sociedade,


notamos que existem duas maneiras de ver as coisas: a
curto prazo e a longo prazo. Em geral, os homens tendem
a julgar o bem ou o mal através de resultados
momentâneos. Ao verem, por exemplo, o sucesso obtido
por pessoas desonestas que enganam o próximo ou
vendem gato por lebre, ficam deslumbradas e definem
que os honestos sempre saem perdendo. Mas é preciso
que tais coisas sejam vistas a prazo mais longo, pois,
inevitavelmente, a farsa virá à tona e aquelas pessoas
passarão por grandes vexames, podendo-se até afirmar
que acabarão arruinadas. Em contrapartida, ainda que
por um momento os honestos sejam mal interpretados,
prejudicados ou colocados em posição desvantajosa, com
o passar do tempo, infalivelmente, a verdade será
esclarecida. Vou contar minha experiência a esse
respeito.

É constrangedor eu falar de mim mesmo, mas desde


jovem eu era muito honesto. Não conseguia mentir de
maneira alguma. Por isso, sempre me diziam: “Um rapaz
honesto como você nunca vai alcançar sucesso. Se você
não mudar seu pensamento e não for hábil no mentir,
dificilmente será bem-sucedido na vida”. Achando que
essas palavras eram sensatas, menti bastante durante
algum tempo, mas não estava bem comigo mesmo.
Sentia uma angústia insuportável, minha vida se tornava
sombria, meus dias eram só de tristeza. Não havia, pois,
condição para eu obter bons resultados nos meus
empreendimentos.

Naquela época, eu era comerciante, de modo que as


“técnicas” de negociar deveriam ser muito mais
vantajosas para mim. Mas eu não conseguia me sair bem
e acabei decidindo voltar à honestidade, traço próprio de
meu caráter. O engraçado é que, depois disso, os
resultados começaram a ser melhores do que eu
esperava. Em primeiro lugar, adquiri maior crédito no
mundo dos negócios, as coisas passaram a se processar
num ritmo excelente e em pouco tempo consegui um
grande capital. Com isso, deixei-me levar pela corrente.
Quando já tinha estendido demais a mão, deparei com a
crise do mundo econômico e decaí a ponto de não
conseguir mais recuperar-me. Foi isso que me fez abraçar
a vida religiosa.

Entretanto, até hoje continuei seguindo os princípios da


honestidade, da qual determinei jamais me apartar.
Obviamente, os resultados são ótimos. Durante um
período relativamente longo, houve ocasiões em que fui
mal interpretado, criticado, pressionado, enfrentando
caminhos espinhosos, cheios de dificuldades, mas nunca
perdi a confiança das pessoas, o que ainda hoje atribuo,
com toda convicção, à minha honestidade.

Parece que os homens contemporâneos têm uma visão a


curto prazo e se deixam encantar por resultados
momentâneos. É, pois, necessário que, diante de
qualquer situação, eles observem os fatos com os olhos
voltados para a eternidade. Isso é válido para todas as
circunstâncias. Exemplifiquemos. Um político que força a
situação para conseguir o poder não o reterá nas mãos
por muito tempo. É o mesmo que colher um caqui ainda
verde, não esperando que ele amadureça e caia, e ficar
frustrado com a sua cica. Existe um ditado que diz: “Os
grandes políticos pensam em termos de cem anos; os
políticos de nível médio, em termos de dez anos; os de
nível inferior, em termos de um ano”. É exatamente
assim. Entretanto, hoje em dia, por infelicidade, parece
que o número de políticos de nível inferior é bem maior.

O mesmo princípio se aplica à Agricultura Natural, por


mim preconizada. Vemos que a agricultura praticada até
hoje conseguiu bons resultados com o uso de adubos,
mas, como os adubos corroem a terra, esta se torna cada
vez mais pobre. Sem perceber isso, as pessoas mostram-
se deslumbradas com os resultados momentâneos. Por
fim, tanto a terra como o homem ficam intoxicados.

O princípio também é válido para a medicina atual.


Durante algum tempo, os medicamentos e os
tratamentos através de aparelhos surtem efeito; pouco a
pouco, no entanto, surgem efeitos contrários e a pessoa
piora. Sempre deslumbrada com os resultados
momentâneos, ela volta a utilizar o mesmo método e vai
piorando cada vez mais.

Meu objetivo, com esses exemplos, é chamar atenção


para as conseqüências da visão a curto e a longo prazo, a
que me referi inicialmente.
20 de abril de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".

SOBRE A MINISTRAÇÃO DO JOHREI

"Em primeiro lugar — o que é válido para tudo — deve-se


conhecer o ponto vital. No Johrei, igualmente, deve-se
descobrir o ponto vital. Para diagnosticar o próprio
estado de saúde, deve-se apalpar o corpo inteiro. Nos
locais febris, há toxinas. As partes frias não exigem
atenção. Haverá, porém, sempre locais quentes. São eles
os pontos vitais. Haverá infalivelmente, também, pontos
dolorosos à compressão. Dependendo da pessoa, existe
quem não sinta dor alguma. Por que? — Com certeza,
não existirá ninguém que não sinta dor por não ter
toxinas. — Isso acontece porque as toxinas estão
completamente solidificadas, sem que a purificação tenha
começado. A dor quer dizer que a purificação está
ocorrendo com determinada intensidade. Se a purificação
ainda não começou, nenhuma dor é sentida."
(5 de julho de 1953, Palestra)

"A primeira consiste na concentração e solidificação em


variados pontos do corpo das diversas toxinas presentes
no sangue. Esses pontos são, em especial, os locais de
grande concentração nervosa, bem como os que ficam
em posição inferior, quando o corpo se encontra em
repouso. Com o decorrer do tempo, as toxinas
concentradas vão-se endurecendo gradualmente. "

(5 de fevereiro de 1947, "A Verdadeira Causa das


Doenças")

"Citarei aqui os pontos importantes da terapia que


merecem a atenção de todos. Se dividirmos o corpo
humano em duas partes, a espiritual e a física, a região
posterior corresponderá ao espírito e a frontal
(abdominal), ao físico. Portanto, pelo princípio da
soberania do espírito sobre o físico, a região posterior é
muito importante para todas as doenças. Se a terapia não
for ministrada o suficiente na parte posterior do corpo,
não se verificará verdadeiro efeito. Ou seja, as doenças da
região frontal melhorarão à mesma proporção da
dissolução das toxinas acumuladas na parte posterior."
(5 de fevereiro de 1947, "Pontos Importantes da
Terapia")

"Quais são as regiões do corpo humano em que se


verificam a concentração e solidificação de toxinas?
Geralmente, isso ocorre nas regiões de alta concentração
nervosa. Ou seja, nos gânglios linfáticos [cervicais],
proximidades das amígdalas, parótidas; região posterior e
frontal da cabeça, ambos os lados da medula oblonga,
ombros, região das escápulas (omoplatas), região
posterior dos rins, base do peito, axilas, costelas,
proximidades do diafragma, região estomacal, região do
pulmão, região do peritônio, gânglios linfáticos inguinais,
etc. As toxinas concentram-se e solidificam-se
praticamente no corpo todo."

(23 de novembro de 1943, "Tosse e Catarro")

"Na hora de ministrar a terapia, faça-o primeiramente na


cabeça, pescoço e ombros. Em seguida, peça para que a
pessoa fique de bruços e verifique, com a palma da mão e
o dedo, o volume de toxinas da região renal. Não é errado
afirmar que, hoje em dia, não há um único japonês que
não tenha solidificações de toxinas na região renal.
Quanto a elas, existem as dolorosas e as indolores, sendo
as últimas as mais freqüentes."
(28 de setembro de 1942, "A Metodologia da Nossa
Terapia")

Retirado do livro 'Curso Terapia Okada'.

AFABILIDADE E BENEVOLÊNCIA

Ao observar as pessoas da atualidade, nota-se que elas se


encontram desprovidas, sobretudo, da afabilidade e
benevolência.

Vou escrever a respeito, tendo como base a nossa Igreja.


Para se saber até que ponto progrediu a própria fé, ou a
que nível chegou o polimento espiritual, é preciso tomar
um padrão. Não se trata de algo muito difícil. A perda do
gosto pelos atritos, e conseqüente manifestação dos
sentidos da amabilidade e benevolência, são fatores que
provêm do polimento espiritual adquirido, o que
constitui, principalmente, a importância da fé. Pessoas
assim são estimadas e respeitadas por todos porque tais
qualidades constituem o verdadeiro valor humano.
Entretanto, ao vermos as pessoas da atualidade,
constatamos que a amabilidade e a benevolência são
fatores que lhes carecem de forma demasiada. Em todos
os lugares, observa-se que o homem vive criticando, à
procura dos defeitos alheios, odiando e repreendendo.
Tal aspecto é, realmente, indesejável de ser visto.
Podemos afirmar que no homem moderno quase não
existe a benevolência. É super egoísta, grosseiro e
calculista, não se importando em ser desprezado por
terceiros. Isso é uma democracia exagerada,
transformada no egocentrismo. O que há de mais
indecente é o fato de ser um delator e exclusivista,
caracterizando-se por uma falta de humanismo ao
extremo. Como há o incremento de elementos dessa
natureza, a sociedade torna-se obscura, fria e cresce o
número daqueles que são pessimistas. E este aspecto
pode ser a causa que esteja influenciando a demasiada
ocorrência de suicídios ultimamente. A verdadeira
sociedade civilizada surge com o incremento de pessoas
que praticam princípios como o do cavalheirismo inglês e
da filantropia americana. A valorização da moral social e
seu fiel cumprimento é que poderá determinar a
manifestação de uma sociedade agradável e boa de ser
vivida. Considerando-se que a sociedade dessa ordem
seja o Paraíso deste mundo, o mundo paradisíaco se
encontra bem ao alcance do homem. Observando-se por
outro ângulo, atualmente, proclamam como sendo de
extrema importância para o País, a implementação de um
plano turístico. Não resta dúvida quanto à importância
dos investimentos relacionados aos recursos materiais
para tal. Mas a necessidade de causar a boa impressão
aos estrangeiros é algo ainda mais importante. São três
os fatores: afabilidade, benevolência e asseio, que
constituem a fundamental importância no
relacionamento com os turistas, sem mesmo demandar
qualquer custo financeiro. Entretanto, a condição básica
para a formação de tais pessoas não está em outra coisa
senão na fé. Esta é a meta a qual a nossa Religião
prossegue visando realizar.
25 de Outubro de 1950 Retirado do livro 'Escritos Divinos
- Seimei'
MESMO QUE CAIA NO INFERNO

MEISHU-SAMA: Tempo atrás, uma senhora me disse:


"Tenho a impressão de que, ao morrer, irei para o
Inferno, mas quero ir para o Paraíso."

Respondi-lhe "Não me importo cair no Inferno. Desde que


antes consiga levar todas as pessoas do mundo para o
Paraíso.

Se, mesmo assim, eu for para o Inferno, não tem


importância. Penso o contrário de você."
Ai, ela disse: "Isso porque o senhor é homem. Mulher é
diferente."

Há uma diferença radical entre a opinião de não querer ir


para o Inferno e sim para o Paraíso, e a de querer fazer
com que as pessoas subam ao Paraíso ainda que ela
própria desça ao Inferno. Mas, na verdade, quem pensa
em conduzir as pessoas ao Paraíso, também irá para lá.
E quem pensa em ir para o Paraíso, acredito que não irá
para o Inferno, mas ficará na parte inferior do Mundo
Superior ou no Mundo Intermediário
Mioshie-shu n0- 23 (27/06/1953)
FORMAÇÃO DO MUNDO NOVO

Conforme venho esclarecendo, a nossa Igreja é uma


religião que abarca todos os campos da atividade humana
e que poderia ser denominada Empresa Construtora do
Novo Mundo. Entretanto, como isso pareceria fachada de
alguma construtora civil, o jeito é chamá-la, por
enquanto, Igreja Messiânica Mundial. O objetivo dessa
organização religiosa é o progresso e desenvolvimento da
civilização, conciliando a ciência material e a ciência
espiritual.

Sabemos que o conhecimento científico caminha


velozmente, ao passo que o espiritual, baseado na
Religião, caminha desesperadamente lento. A religião
conservou seu estado inato, sem alcançar muito
progresso, desde o início da civilização, há milhares de
anos. Isso explica a grande distância entre ela e a Ciência.
Esta última veio a destacar-se, e a parte espiritual
distanciou-se a ponto de desaparecer da nossa vida. Por
fim, o homem tornou-se indiferente ao espírito,
chegando a confundir Ciência com Civilização. Ele se
ajoelha diante do trono da Ciência e se satisfaz na sua
condição de escravo. Este é o aspecto do mundo
moderno. Por acaso o homem não prova isso entregando
nas mãos da Ciência o que ele tem de mais precioso, que
é a vida? Embora ela não consiga garantir a vida humana,
os homens modernos não o percebem e continuam
depositando-lhe cega confiança.

Deus compadeceu-se dessa cegueira e está procurando


orientar o homem através de nossa Igreja. Por meio da
realidade, o Todo-Poderoso revela que a vida não
pertence à matéria, que apenas ela é invisível aos olhos
humanos, mas possui existência absoluta sob Sua direção.
A melhor prova consiste no fato de que pessoas
desenganadas pela medicina são salvas freqüentemente
pelo Poder Divino.

Surge, então, a seguinte pergunta: “Por que uma questão


de vital importância, como a vida, permaneceu na
obscuridade?” Efetivamente, isso ocorreu pela
necessidade de impulsionar a cultura científica até certo
ponto. Tal acontecimento faz parte da Providência Divina;
é um fenômeno passageiro, proveniente da época e, na
sua fase transitória, levado ao exagero. Mas Deus
corrigirá tal exagero. Como Ele esclarece, nitidamente, o
limite entre a ciência material e a ciência espiritual, esta
acertará os passos com a primeira, progredindo e
desenvolvendo-se até constituir-se um mundo realmente
civilizado. Em resumo, o mundo presente termina aqui
para dar origem a um novo mundo.

30 de julho de 1952

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


ORDEM A SEGUIR AO MINISTRAR JOHREI

2.1 - Centro da cabeça

Para a maioria dos doentes, é bom ministrar


profundamente, em primeiro lugar, no topo da cabeça.
Este local é o ponto que determina as principais funções
humanas e, por isso, exerce influência sobre o corpo
inteiro. Daí ser muito importante purificá-lo logo de
início.
2.2 - Ombro

A seguir, deve-se focalizar os ombros, irradiando a Luz,


primeiro, de frente para trás e, depois, de trás para
frente.

É recomendável, também, que se toque parte dos


ombros para avaliar-lhe a rigidez. Se for muito acentuada,
convém ministrar Johrei de cima para baixo, no ponto
onde se encontra o endurecimento. Assim, à medida que
os ombros vão ficando mais moles, a dissolução das
toxinas localizadas ao redor do pescoço torna-se mais
fácil.

Quero ainda deixar bem claro que, ao ministrar Johrei nos


ombros, são resolvidas muitas das dificuldades de
movimentação de pernas e braços, uma vez que a causa
de tais problemas encontra-se nas solidificações de
toxinas na região dos ombros.

Para confirmar essa minha posição, posso citar, como


exemplo, o meu próprio caso. Sempre tive muitas toxinas
em conseqüência dos remédios que usei antigamente.
Pouco a pouco fui eliminando-as e, a partir do outono do
ano passado (1953), comecei a ministrar Johrei mais
intensamente nos ombros para deixá-los mais moles. Nos
pontos duros, fiz penetrar a Luz através da ponta do meu
dedo e, passo a passo, meus ombros foram ficando mais
maleáveis. Agora já posso perceber alguns resultados:
comparado ao ano anterior, meu apetite melhorou;
atualmente sinto mais o sabor dos alimentos.

Retirado do livro 'A Arte do Johrei'.

O FATO DE RECEBER PERMISSÃO TAMBÉM DEPENDE DA


PESSOA E DA ÉPOCA

INTERLOCUTOR: Desejo receber orientação a respeito do


Johrei. Outro dia, fomos orientados que a regra era
ministrar de pessoa para pessoa, individualmente.

MEISHU-SAMA: Naquela ocasião, sim.


INTERLOCUTOR: Quando alguém se encontra em
purificação muito severa, por que várias pessoas têm
ministrado Johrei juntas?

MEISHU-SAMA: Como o tempo avança, não se deve


permanecer sempre igual. Muda-se de acordo com o
tempo. É bom que se proceda com o método adequado à
ocasião. Não é preciso fixar as coisas tão rigorosamente.
Pode ser de acordo com as circunstâncias.

Gossuiji-roku n0- 3 (01/10/1951)

NÃO HÁ NECESSIDADE DE MINISTRAR JOHREI NAS


PESSOAS QUE NÃO O PEDEM

MEISHU-SAMA: Mesmo o Johrei, se for ministrado de


qualquer jeito, não surte muito efeito. (...) O pior é
impingir.
"Venha cá, que vou lhe ministrar" - dizendo assim,
ministram Johrei, mas não devem fazer isso.

Sem dúvida, os bebês são um caso à parte. Contudo, uma


vez que as pessoas possuem noção das coisas, devem
ministrar-lhes Johrei somente quando elas solicitarem;
senão, não surtirá efeito. Assim, é preciso que tenham
clara consciência disso.

É tal como acontece quando vamos ao templo budista ou


xintoísta, desejando receber um benefício. Fazendo um
pedido para que sejamos ajudados, receberemos graças.
Mas, se ficarmos indo e vindo tolamente pelos arredores
do templo, Deus pensará:
"O que será que aquela pessoa está fazendo?", e nem nos
dará atenção. Não devemos esquecer que na posição
entre Deus e o homem, há diferenças de níveis.
Mioshie-shu n-0 22 (27/05/1953)
DÍVIDAS

Por experiência própria, sei que a causa das dívidas é a


tentativa de acelerar o desenvolvimento natural de um
projeto. Não há atitude pior do que tentar forçar a
natureza. É possível até que a precipitação traga bons
resultados momentaneamente. Cedo ou tarde, porém,
surgirão obstáculos inesperados que nos farão voltar ao
ponto de partida. É assim que acontece quando tentamos
impor uma situação. De acordo com esse raciocínio, só se
pode contrair uma dívida depois que um projeto for
estudado sob todos os ângulos, deixando a certeza
absoluta de que não falhará.

Além disso, é conveniente também que, ao assumir


qualquer dívida, se tenha bem clara a necessidade de
saldá-la no menor tempo possível. Geralmente, quando
se prolongam, ocorre um acúmulo exagerado de juros, o
que causa a quem as contraiu um intenso sofrimento
mental, levando-o a perder a tranqüilidade. Nessa
situação, o devedor não consegue agir com sabedoria e
seu trabalho fica prejudicado.

Outro ponto importante a ser considerado é que existem


dívidas ativas, muitas vezes, inevitáveis, destinadas à
expansão de um negócio, e outras chamadas passivas,
cuja finalidade é cobrir um déficit. Estas últimas jamais
devem ser contraídas.
Então, quando houver prejuízo, assumir uma atitude
sábia é reduzir a atividade comercial e esperar o
momento propício para incentivá-la.

Há ainda mais um aspecto importante, para o qual quero


chamar a atenção de todos: a ganância. Segundo um
antigo provérbio, "quem tudo quer, tudo perde".
Deverão, vocês, portanto, tomar bastante cuidado com
propostas de transações muito vantajosas porque, em
quase noventa por cento dos casos, os prejuízos advêm
da ganância excessiva. Fiquem, pois, atentos a negócios
aparentemente de arromba. Ao contrário, atividades
menos lucrativas, exercidas com bom senso, em geral
prometem futuro. Como exemplo, vou citar a minha
própria experiência. Enquanto estava preocupado em
obter o dinheiro de que precisava para saldar minhas
dívidas e ampliar a parte administrativa do trabalho
religioso, nada conseguia. Quando, porém, deixei de
pensar na questão monetária e coloquei o problema nas
mãos de Deus, comecei a receber importâncias
imprevistas que iam muito além das minhas expectativas.
Tenham, por conseguinte, bem clara, em suas mentes,
esta verdade: nada, neste mundo, pode ser entendido
apenas pela razão.
Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'
FÉ VERDADEIRA

Inúmeras pessoas, neste mundo, seguem uma religião,


mas os crentes autênticos são raros. Ainda que alguém se
considere uma pessoa religiosa, não o será de fato se as
suas idéias não forem objetivamente comprovadas pelos
demais.
De que modo, então, se adquire a verdadeira fé? Em
primeiro lugar é preciso ter credibilidade, isto é, tornar-se
uma pessoa da mais absoluta confiança demonstrada
pela ausência total de falsidade tanto nos atos, quanto
nas palavras.

O que é preciso fazer, para se chegar a esse nível?

Acima de tudo, não mentir e depois colocar, em primeiro


lugar, os interesses do próximo, relegando a um plano
secundário as necessidades pessoais.

Agindo assim, isto é, visando ao bem do outro, todos vão


perceber a lealdade de intenções, bem como constatarão
a existência de um sentimento de amizade
desinteressada naqueles que professam uma religião.
Sentirão também uma agradável sensação de bem-estar
todas as vezes que entrarem em contato com pessoas de
verdadeira fé e desejarão compartilhar sua presença.
Quando um religioso age dessa forma, torna-se uma
pessoa benquista e respeitada por todos.

Querer, portanto, a companhia de alguém que inspire


confiança é uma atitude perfeitamente compreensível,
pois até nós mesmos, se encontrássemos pessoas assim,
gostaríamos de aprofundar relacionamento com elas,
tornando-nos seus amigos inseparáveis.

Quero acrescentar, ainda, que essa boa impressão não


deve ser apenas momentânea. Como sempre digo, o
homem precisa ser como o arroz: a princípio, parece sem
gosto, mas, à medida que vai sendo mastigado, o sabor se
manifesta e aumenta gradativamente. É por isso também
que constitui um dos pratos indispensáveis à alimentação
diária de todos nós.

Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'

TOXINA MEDICAMENTOSA

Sobre esse assunto, já falei em outras ocasiões. Por isso,


agora somente quero explicar a maneira como tal
impureza se manifesta e as conseqüências que resultam
de sua existência.
A toxina medicamentosa causa alguns sofrimentos
bastante sérios, tais como febres elevadas, coceiras,
diarréias, vômitos, amortecimentos, desânimo, etc.

De acordo com a minha experiência, a elevação


acentuada da temperatura é mais freqüente nas pessoas
que tomaram muito remédio durante longo período da
vida do que naquelas que nunca o usaram.

Também a dor provocada pela toxina oriunda dos


remédios, especialmente os produzidos no Ocidente, é
mais aguda. Assemelha-se ao golpe dado por alguém com
uma faca que, depois de introduzida no corpo, ainda é
remexida dentro do ferimento. Em outros casos, é apenas
uma dor forte e rápida como um relâmpago que bate e
passa. Já as causadas em conseqüência do uso do
Kampoo são quase todas pesadas, lentas e constantes.

No que diz respeito às coceiras, a maioria delas resulta do


emprego de remédios ocidentais, especialmente injeções
de cálcio, que produzem uma dermatose chamada
urticária.

Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'


APEGO ENTRE CASAIS

Mesmo após a morte, os casais não terão permissão para


viver juntos, caso se encontrem em estágios espirituais
diferentes. Às vezes, contudo, após adquirirem certo grau
de desenvolvimento, recebem permissão divina para se
encontrarem. Não têm, entretanto, autorização para se
abraçarem a fim de matar saudades. Caso o façam, terão
seus corpos enrijecidos e perderão a oportunidade de
futuros encontros. Todavia, à medida que se vão
aprimorando, usufruem de maior liberdade para estarem
juntos.

Analisando essa verdade, dá para se perceber como


difere, do que ocorre na Terra, o comportamento no
Mundo Espiritual.

Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'

BOM SENSO

Bom senso nas palavras e atitudes é um princípio do qual


não deve desviar-se o homem de fé. Convém encarar com
cautela a crença expressa por meio de palavras
extravagantes e atos ostensivos, fato, aliás, bastante
comum. Muitas pessoas, entretanto, sentem maior
inclinação por esse tipo de postura religiosa, justamente
por falta de conhecimentos espirituais . Também não é
recomendável a atitude de pessoas que se julgam
superiores às demais e negam amor a quem pertence a
outra religião.

Quem tem verdadeira fé não fomenta a exclusividade


nem o separativismo. Ao contrário, tem consciência de
que o objetivo da religião é salvar toda a humanidade;
não apenas um pequeno grupo.
Como sempre repito, para se ter uma vida tranqüila e
harmoniosa, é preciso primeiramente fazer os outros
felizes. O bem estar de cada ser humano reside nas
divinas recompensas que receberá pelo amor e dedicação
devotados ao próximo.
Portanto, a pessoa que sacrifica o semelhante em seu
próprio benefício nunca vai encontrar a verdadeira
felicidade.
Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'
OS ÚLTIMOS (PRATICAR A HUMILDADE)

Desde antigamente, ouve-se a expressão: "os últimos


serão os primeiros". Essa máxima, na verdade, refere-se a
uma forma de aprimoramento que permite permanecer
numa posição inferior, quer dizer, ter uma conduta de
vida que não busque o primeiro lugar, mas procure, antes
de tudo, manter-se no anonimato, praticando o bem sem
muito alarde. Tal maneira de agir é de suma importância
para as pessoas que buscam a vivência da fé verdadeira.

Freqüentemente se observa, em grupos religiosos, a falta


de humildade, de modo especial entre alguns chefes ou
propagadores de doutrinas, os quais alardeiam os seus
feitos através de grandes propagandas, julgando-se, por
isso, merecedores de honrarias especiais.

A atitude correta, porém, deve ser semelhante à da águia


que, esperta, esconde a unha, ou como a do cacho de
arroz: quanto mais carregado, mais se inclina.

Então, orgulhar-se das próprias ações querendo mostrar-


se grande sábio, vangloriando-se de tudo, sempre produz
efeitos contrários. É o que acontece, por exemplo,
quando alguém, mesmo não sendo tão importante, ao
receber qualquer elogio, julga-se o maior de todos. Este é
um dos pontos fracos do ser humano. Embora seja o
modo de agir mais comum, as pessoas de fé devem
cultivar sempre, em seus corações, o princípio segundo o
qual quanto mais sábio, mais humilde.
Muitas vezes, acontece de alguém que trabalhava em
serviços comuns, vivendo, como a maioria, nas camadas
mais inferiores da sociedade, de repente, passar a ser
chamado de Mestre. Mesmo nessas circunstâncias, a
atitude de humildade deve permanecer. Essa é uma
forma de aprimoramento constante, através da qual o
fato de manter-se numa posição inferior não significa
menosprezo. Freqüentemente, nessas ocasiões, a pessoa
fica, de início, contente e até vaidosa por parecer
importante. Com o passar do tempo, entretanto, esse
sentimento intensifica o desejo de ser visto como tal e, a
partir daí, acaba desagradando aos outros, sem que ela
própria perceba o seu comportamento tão inadequado e
causador de insatisfação aos demais.

Deus não gosta, nem um pouco, de vaidades. Preciosa é


para Ele a virtude da humildade, de modo especial
quando praticada por aqueles que possuem certo nível
cultural, demonstrando assim educação e respeito pelo
semelhante.

Muitas vezes se observam, especialmente em


logradouros com grandes aglomerações, ou ao se
tomarem trens, bondes, ônibus, pessoas cometendo atos
de grosseria, empurrando os outros, querendo sentar-se
nos melhores lugares, por se acharem os mais
importantes. Todas essas atitudes de orgulho revelam
uma espécie de comportamento possessivo e
monopolizador, bastante desagradável.

Em contraposição, para se criar uma sociedade


harmoniosa, que satisfaça a todos, torna-se necessário
manifestar sempre idéias democráticas por meio das
quais o direito de cada cidadão deve ser respeitado.

Contudo, como pode ser observado através dos fatos,


quase nada se alterou, desde os primeiros tempos até os
dias de hoje.

Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'

CENSURAS
Às vezes alguém me pergunta se cabe ou não censurar.
De fato, só o Criador tem autoridade para julgar os
homens. Assim, se alguém condenar o próximo, estará
querendo colocar-se na posição de Deus. Além do mais, a
censura nunca produz bons resultados; provoca sempre
um efeito contrário. Por essa razão, a minha maneira
correta de agir é a seguinte: quando alguma pessoa
comete erros, faço de conta que não vejo. Espero até a
hora em que ela, ao sofrer as conseqüências de suas
atitudes, percebe que não estava agindo de modo certo.
Nesse momento, despertará e, com certeza, se
arrependerá do fundo do coração. Portanto, censurá-la
antes de ter adquirido consciência de seus atos seria
como tentar deter uma pedra que estivesse rolando do
alto da montanha. Se alguém se dispusesse a tal façanha,
com certeza se machucaria. Por isso, o melhor é esperar
que a pessoa caia para então ser reerguida com
tranqüilidade.
Não obstante, convém alertar freqüentemente a todos
sobre a maneira correta de agir, a fim de que muitos
infortúnios sejam evitados. E também para que cada um
tenha condições de recordar-se, no momento das
adversidades, de todas as recomendações anteriormente
recebidas.
Meditem e ponham em prática estas verdades e nunca
tentem segurar a pedra que esteja rolando montanha
abaixo. Ajam com bastante discernimento.
Retirado do livro 'Evangelho do Céu - Volume 1'
O QUE É A MORTE
Entre as questões relacionadas à vida humana, nenhuma
é tão séria quanto o problema da morte. Todos o
reconhecem; apesar disso, é a questão mais difícil de ser
compreendida. Eu cheguei a uma conclusão a respeito da
morte depois de prolongados estudos e pesquisas em
todos os campos incluindo diversas religiões, experiências
espirituais realizadas no Ocidente, etc. Começarei minha
explanação falando sobre a constituição do homem.
O homem não é formado apenas pela matéria, ou seja,
pelo corpo físico, como afirmam os cientistas. É
constituído por duas partes essenciais: espírito (elemento
fogo) e matéria. Esta, por sua vez, compõe-se dos
elementos água e terra. Entretanto, apenas com estes
dois últimos elementos o homem não atua como ser vivo.
Juntando-se a eles o espírito, sem forma definida, é que
se inicia a atividade vital. O espírito assume, então, a
forma do próprio corpo da pessoa. No momento em que
ele se separa do corpo, ocorre aquilo que chamamos
morte.

E por que ocorre a separação? É porque o corpo se torna


inútil, seja por velhice, por doença, por ferimento ou por
hemorragia intensa; no instante em que isso ultrapassa
certo parâmetro, entra em vigor a lei que obriga a
separação. Com a morte, imediatamente o corpo esfria, e
o sangue se coagula em determinado local. O esfriamento
é decorrente da anulação do elemento espírito, isto é, do
elemento fogo.
O que acontece, então, com o espírito? Ele vai para o
Mundo Espiritual com a forma exata do corpo. A esse
respeito li, há algum tempo, o relato de uma experiência
realizada no Ocidente; corno se trata de um exemplo bem
ilustrativo, vou reproduzi-lo a seguir.
Certa vez, fitando um doente prestes a morrer, uma
enfermeira observou que de sua testa começou a subir
uma fumaça esbranquiçada, como se fosse vapor d'água,
o qual se tornava cada vez mais denso. A princípio essa
fumaça tomou o formato de uma elipse no espaço, mas
gradualmente foi adquirindo a forma de um corpo
humano; por fim, assumiu as mesmas características
físicas da pessoa. O espírito permanecia a uma distância
de aproximadamente um metro acima do morto e parecia
querer dizer alguma coisa aos familiares que choravam à
sua volta; logo, porém, flutuando, saiu do quarto
silenciosamente.

Em geral o espírito se desprende do corpo pela testa, pela


região abdominal ou pelos pés. No caso de morte por
explosão, instantaneamente ele se espalha em todas as
direções, na forma de inúmeros corpúsculos, mas torna a
se reunir de maneira centrípeta, reassumindo o formato
humano; assim, não difere nem um pouco da morte por
doença.
Quando os espíritos se deslocam, por vontade própria,
para determinado local, tomam a forma esférica. É com
esse formato que muitas pessoas afirmam tê-los visto.
Com relação à visão da enfermeira de quem falamos,
trata-se de uma capacidade excepcional; aliás, existem
criaturas que j á nasceram com essa capacidade, e outras
que a adquiriram através de treinamento. No Japão,
desde a antigüidade registram-se casos verídicos desse
tipo, e eu mesmo já tive inúmeras oportunidades de
contatar com médiuns. Conheci uma senhora possuidora
de percepção espiritual fora do comum, a qual me foi de
grande valia nas experiências que realizei.

1939

Retirado do livro 'Outra Face da Doença'.

UM QUADRO DO MUNDO
Sem exceção, todas as religiões criam características
individuais. Isto provém do profundo Plano de Deus. Deus
guardou Sua Luz Direta em latência durante a longa Era
da Noite, e a Verdade estava oculta em uma bruma de
mistério. Se a humanidade tivesse tido conhecimento de
que só há um Criador e uma Verdade, desde o princípio,
não teria sido necessário haver controvérsias, divisões e
desvios. Todos os homens teriam vivido em harmonia,
satisfeitos com um alvo comum e o caos em tão grande
evidência, hoje em dia, não teria surgido. Aí está a
significante razão porque o mundo não está nestas
condições. A palavra "Plano" tem profundo significado
em japonês: literalmente designa "pintura". As religiões
são as cores necessárias para a pintura de uma grandiosa
tela retratando o Mundo. O tempo para sua execução
finalmente chegou, porque a composição ideal, em cada
detalhe, foi plenamente concebida.

O Mestre Pintor está, agora, pronto para iniciar as


pinceladas. O tema é o "Paraíso sobre a Terra" e o pintor
é o Supremo Deus.

Conclui-se que um limitado modo de pensar dificilmente


oferece, mesmo que apenas parcialmente, um vislumbre
deste magistral Desenho.
Isto aplica-se não somente à religião, mas a todos os
outros aspectos do pensamento e da cultura.

O Mundo tem sido preparado até o ponto onde ele possa,


agora, se mover avante no que concerne à meta universal
— a construção do Paraíso sobre a Terra.

O exato pensamento sobre isso infunde-nos entusiasmo e


coragem. Agradecemos a Deus por dar-nos a grande
honra e imprecedente oportunidade de participar de Seu
Grandioso Plano.

25 de outubro de 1950

Retirado do livro 'Divino Mistério'.

O TRATAMENTO NATURAL
O homem é a obra-prima da criação de Deus, não
havendo nada que se lhe possa comparar. Segundo a
Bíblia, ele foi feito à imagem de Deus, o que é uma
verdade inegável. Sua estrutura mística é um mistério
que jamais será desvendado pela Ciência. Quando muito,
esta o conhece superficialmente ou em pequena parte;
assim, é impossível afirmar se levará milhares de anos
para desvendá-lo ou se nunca irá conseguir isso.
Pensemos com calma. O funcionamento de vários órgãos
do corpo, a sutileza da vontade-pensamento, a expressão
dos estados de satisfação, ira, tristeza ou prazer, a
extrema sensibilidade do tato a ponto de a pessoa sentir
coceira quando é picada por uma pulga, a capacidade de
exprimir todas as idéias através do código lingüístico e de
distinguir o sabor dos alimentos, a misteriosa diferença
na expressão fisionômica dos l,8 bilhões de habitantes do
globo terrestre, cujos rostos, que não medem mais que
um palmo, nunca são iguais, todos estes mistérios e
maravilhas fazem-nos louvar o poder do Criador. Não há
palavras principalmente para expressar a capacidade da
procriação, da qual é dotado o homem, e o mistério que
envolve o processo da formação de um ser humano. É
óbvio, portanto, que a Ciência nunca poderá desvendar o
mistério da vida, pois o homem não é criação sua, como
os robôs.
Quando a pessoa adoece, logo se inicia, nela própria, uma
grande atividade destinada a eliminar a doença. Dentro
de seu organismo começa a ser fabricado o seu próprio
remédio. É como se houvesse, no corpo humano, um
grande laboratório farmacêutico e um professor em
Medicina. Se o corpo é invadido pela impureza chamada
doença, o médico que há no seu interior faz
imediatamente o diagnóstico e ordena que o
farmacêutico prepare o medicamento, iniciando logo o
tratamento. Aparelhos e medicamentos, todos eles são
ultra-eficazes, e a cura é maravilhosa. Se comemos algo
nocivo, a farmácia existente dentro do corpo
imediatamente produz um laxante para provocar a
diarréia e eliminá-lo. Se entram no organismo bactérias
nocivas, o tratamento asséptico baseado na febre entra
em ação. Se ocorre uma intoxicação alimentar, produz-se
uma reação na pele e, através de calor e coceira, procura-
se neutralizá-la, a fim de que ela não atinja os órgãos
internos. Dependendo da intoxicação, os rins entram em
grande atividade, processando uma lavagem com líquido,
o qual é eliminado na forma de urina. Quando se inspira
uma grande quantidade de poeira, ela é eliminada na
forma de escarros. E assim por diante. Realmente, o
corpo humano é de uma infabilidade extraordinária.

Em geral, as doenças se curam naturalmente, à mercê da


Natureza; entretanto, por desconhecimento deste
princípio, as pessoas recorrem aos medicamentos e aos
tratamentos através da Ciência, fazendo com que a
doença se prolongue, pois são impostos sérios obstáculos
ao processo de cura natural.

Mas será que com o tratamento natural a Medicina não


perderá sua utilidade? Não é bem assim. Entre seus
ramos, existem alguns que são muito úteis, como a
bacteriologia, uma parte da higiene, a cirurgia no tempo
de guerra, a odontologia, as clínicas de fraturas, etc.

1935

Retirado do livro ‘A Outra Face da Doença’.


FALTA DE TIE

Felicidade ou infelicidade dependem essencialmente do


soonen. Quem se acha infeliz possui, de fato, uma cabeça
ruim. Dentre estes, os piores são os homens maus, pois
se iludem, julgando poderem alcançar felicidade através
de práticas ilícitas. Jamais percebem que o verdadeiro
sucesso não pode ser atingido se cometerem atos
escusos. Por essa razão, os maldosos não têm capacidade
alguma de discernimento. Posso também afirmar que não
existe correspondência entre maldade e nível social;
qualquer pessoa pode ser famosa ou ilustre, mas, se
estiver cometendo ações ilícitas, sentir-se-á
extremamente infeliz.

Outro aspecto importante a ser observado é o seguinte:


mesmo entre aqueles de cabeça ruim, há níveis
diferentes: em alguns, o problema se apresenta mais
acentuado; em outros, menos. Assim, por exemplo, eu
não posso dizer que alguém ilustre revele sempre muita
bondade, mas também não posso afirmar que seja tão
mau porque, se o fosse, não conseguiria tanto destaque.

Retirado do livro "Evangelho do Céu - Vol. II"


ALIMENTAÇÃO VEGETARIANA

Dentre os nutrientes, os que mais contêm elementos


essenciais para uma alimentação perfeita são os vegetais.
Para tanto; basta observar a longevidade dos monges
zen-budistas que seguem uma dieta frugal,
exclusivamente de vegetais. Há também outros
vegetarianos notáveis. Entre eles, Bernard Shaw, que
morreu aos 94 anos.

Certa vez, quando viajava de trem pelo norte do Japão,


sentou-se ao meu lado um camponês de
aproximadamente 50 anos, corado, de aparência muito
saudável. De vez em quando, tirava algumas folhas de
pinheiro do bolso do paletó e as comia com evidente
prazer. Expressei lhe minha estranheza e ele,
orgulhosamente, me respondeu que, há mais de dez
anos, era aquela a sua alimentação. Disse-me ainda que
outrora fora um homem muito fraco. Como, certa vez,
ouvira que folhas de pinheiro eram boas para a saúde,
passou a alimentar-se delas embora, a princípio, não lhe
fossem agradáveis ao paladar. Com o tempo, porém,
habituara-se a elas e adquirira excelente saúde. E,
desabotoando o paletó, mostrou-me a musculatura do
seu braço.
Há algum tempo, um jornal publicou a história de um
rapaz que se alimentava exclusivamente de folhas de chá
usadas. A história é verídica e foi relatada pelo próprio
jovem.

Em outra ocasião, quando escalei o Yarigadake, nos Alpes


japoneses, espantei-me ao ver que a marmita de meu
guia continha apenas arroz branco que ele dizia estar
saboroso. Ofereci lhe alguns mantimentos enlatados aos
quais recusou terminantemente. Apesar dessa
alimentação tão precária, subia e descia a montanha
diariamente, percorrendo cerca de quarenta quilômetros,
levando às costas um fardo de mais de quarenta quilos.

Um caso, ainda mais antigo, é o de Hakuseki Arai,


eminente Confucionista [Seguidor de Confúcio - filósofo
chinês (551-479 a.C.)] que viveu em fins do Shogunato
(governo feudal) Tokugawa. Na sua juventude, Hakuseki
viveu algum tempo, num quartinho sobre uma loja de
tofu (queijo de soja). Nessa época, durante dois anos,
alimentou-se exclusivamente de bagaços de soja.

Tenho também minha experiência pessoal, já mencionada


algumas vezes. Para curar-me e da tuberculose,
alimentei-me, por três meses, somente de vegetais. Com
essa dieta, recuperei me completamente.
A partir dos exemplos acima expostos, pode-se concluir
que uma alimentação mais rude, tosca, sem refinamento
deve ser preferida aos produtos industrializados. Tal
hábito alimentar obriga os órgãos digestivos a trabalhar
energicamente a fim de produzirem todos os elementos
que compõem a boa nutrição. Com força vital renovada, a
saúde fica fortalecida, o organismo rejuvenesce e a vida
se prolonga.

Retirado do livro “Mistério da Grande Natureza”, páginas


36, 37 e 38.
ONDAS CEREBRAIS

Ministro — O que são ondas cerebrais e como


funcionam?

Meishu Sama— Para entender esse assunto, é necessário


saber que o espírito do ser humano exerce
ininterruptamente uma atividade de concentração e
dispersão. Quer dizer: pensa ao mesmo tempo em vários
assuntos e, às vezes, fica concentrado em apenas um. Em
determinadas circunstâncias, vai até ao local a que está
ligado ou encosta na pessoa na qual fixou o pensamento.
Por exemplo, se a atenção estiver voltada para o
trabalho, o espírito também se encontra ali presente. Nos
períodos de sono, como não há necessidade de o espírito
ficar concentrado em nada, ele se dispersa e pode ir a
qualquer parte do mundo.

Ainda é importante saber que sentimos sono toda vez


que o nosso espírito se aproxima de alguém no qual nos
fixamos intensamente. Da mesma forma, a pessoa que
recebe o encosto também fica sonolenta e meio perdida.
No início das minhas atividades religiosas, quando esses
fenômenos ocorriam comigo, eu procurava, através do
tinkon (ato de acalmar a alma), trazer o espírito de volta,
adquirindo, assim, maior serenidade.

Em conclusão, todos esses fenômenos relacionados às


atividades do espírito humano, nas mais variadas
circunstâncias, são chamados de "ondas cerebrais". No
entanto, tais oscilações não ocorrem somente na cabeça,
mas também em outras partes do corpo.

Retirado do livro "Evangelho do Céu - Vol. I".


VENCER A IRA

Não faz muito tempo que Deus me ensinou a vencer a ira.


Agora pretendo transmitir-lhes esta boa-nova, pois não
há nada que nos cause tanto sofrimento.

Existem indivíduos que nunca ficam irados, dando a


impressão de que sempre estão felizes. Eles pertencem a
um tipo excepcional de pessoas; entre as criaturas
comuns, podemos afirmar que não há uma sequer que
não seja atingida pela ira. Os antigos já ensinavam várias
maneiras de controlar esse sentimento, mas, em geral,
elas não produzem o efeito verdadeiro, porque apenas
servem para contê-lo e não para eliminá-lo. Contendo a
ira, podemos fugir ao sofrimento causado por ela; no
entanto, isso traz em si um novo sofrimento. Portanto,
não é a solução. Quanto maior a ira, maior o sofrimento
para controlá-la. Fica isso por aquilo. Só a forma ensinada
por Deus pode eliminá-la com facilidade. Mostrarei como
é maravilhosa.

A parte superior do estômago, situada no centro do corpo


humano, é uma região muito importante,
tradicionalmente chamada de plexo solar. Dizem que o
centro do corpo é o umbigo, mas este é o centro da
região abdominal, onde está a sede da vontade, tal como
a coragem e a decisão. Conforme digo sempre, a parte
frontal da cabeça governa a razão, ou seja, a inteligência,
a memória, etc; a parte posterior comanda os
sentimentos: a alegria, a ira, a dor, o prazer e outros.

Como a região abdominal é o que foi explicado, o fruto


global da trilogia vontade – razão – sentimento constitui o
plexo solar; assim, por ocasião da ira, o pensamento
concentra-se nessa região. Quando alguém fica irado,
sente como se fosse uma massa ou um nó na parte
superior do estômago; todos já experimentaram essa
sensação e sabem disso. Se, nesse momento, a pessoa
recebe Johrei no plexo solar, aquela massa ou nó se
dissolve e, em alguns minutos, ela tem a impressão de
que um laço está se desatando e de que seu peito está se
abrindo. É, então, invadida por uma sensação muito
agradável. Aos poucos, sentir-se-á aliviada e até com
vergonha de ter se zangado. Daí a expressão: “A raiva se
derreteu”. E acontece isso mesmo. Além do mais, como o
Johrei possibilita não só a cura de outras pessoas, mas
também do próprio ministrante, não há nada melhor do
que essa prática. Ora, torna-se desnecessário dizer que a
ira é a causa dos conflitos pessoais e familiares e, numa
escala maior, dos conflitos sociais e da quebra da paz
entre os países. Sendo assim, podemos afirmar que é
realmente uma grande salvação essa forma maravilhosa
de eliminá-la.
30 de maio de 1951
Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".
INSTINTO E ABSTINÊNCIA

Segundo a tese do famoso filósofo alemão Friedrich


Nietzsche (1844-1900), o ser humano possui, desde o
nascimento, vários instintos que lhe é quase impossível
dominar, parecendo uma predestinação à qual ele está
sujeito. À primeira vista, a teoria nos satisfaz; entretanto,
explicada apenas nesses termos, ela seria uma forma de
admitir a imoralidade, o que é um pensamento um tanto
perigoso. Os intelectuais poderão admiti-Ias como tese
digna de estudos, mas nós, religiosos, de forma alguma
poderemos aceitá-la.

Existem teorias completamente contrárias à de Nietzsche,


as quais vêm sendo praticadas desde épocas antigas.
Algumas religiões, por exemplo, têm uma visão
pecaminosa sobre os instintos. Por esse motivo, seus
seguidores fazem abstinências extremamente rigorosas,
achando que esse sofrimento é uma prática sagrada e até
um meio de aprimoramento pessoal. Quanto a nós, não
só discordamos de tal prática, como também achamos
que as religiões que a adotam não se integram na
sociedade, permanecendo isoladas. Entre os mais
expressivos exemplos desse tipo de Fé, podemos citar o
islamismo, o bramanismo da Índia e o puritanismo
cristão. No Japão ainda existem algumas religiões com
essas características, mas poucas.

Comparando a tese de Nietzsche com a das religiões


citadas - teses que se opõem entre si - não podemos
optar por nenhuma, pois elas tendem para o extremismo.
Parece-nos muito fácil perceber esse erro, mas a maioria
das pessoas não consegue percebê-lo, ou não o leva em
consideração. Em relação a isso, Deus nos indica um
rígido padrão. É a "Teoria do Caminho do Meio", de
Confúcio. Como tenho feito muitas explanações sobre o
assunto, enfocando sob as mais variadas formas, creio
que os fiéis já devem conhecê-lo. Todavia, como disse
aquele filósofo, "falar é fácil, fazer é difícil". A "Teoria do
Caminho do Meio", em verdade, é uma das bases que
constituem o verdadeiro caminho da Fé. A Iluminação
pregada por Sakyamuni também está ligada a ela. Vou
procurar explicá-la de maneira mais simples possível.

Em primeiro lugar, darei um exemplo que pode ser


facilmente compreendi¬do, tomando por termo de
comparação as estações do ano. Ninguém gosta do
rigoroso frio do inverno nem do calor excessivo do verão,
mas todos acham extremamente agradável a
temperatura moderada da primavera e do outono. É
natural, portanto, que, nessas estações, as pessoas
sintam alegria. Como ilustração, direi apenas que, desde
seus primórdios, o budismo realiza uma atividade muito
importante nessa época do ano - o "Higam-E" - porque a
temperatura está mostrando o estado real de "Gokuraku
Jodo", o mundo puro e paradisíaco dos budistas. Mas
deixemos isso de lado. O que eu estou querendo falar é
sobre o mundo em que vivemos. Nele também é
imprescindível evitar os extremos e os excessos. A
verdade, porém, é que o homem tem propensão a optar
por um lado ou pelo outro, o que é um comportamento
errado. A causa dos fracassos geralmente reside nisso. Há
coisas, no entanto, que precisam ser decididas, mas sua
escolha e dosagem são pontos realmente difíceis. Falando
com mais profundidade, quando a pessoa pensa em não
decidir, na verdade já está tomando uma posição. Por
conseguinte, não podemos fazer definições nem deixar
de fazê-las, mas nem por isso devemos abster-nos de
ficar no meio-termo. É uma situação bastante ambígua,
entretanto é a rigorosa Lei Divina; é ela que torna o
mundo interessante. Com isso, quero dizer que as
pessoas precisam alcançar o estado espiritual de "livre
adaptação à situação do momento", isto é, elas não
devem prender-se a nada, por motivo nenhum.

Com a política e as idéias contemporâneas ocorre o


mesmo. Os erros nasceram das posições definidas -
esquerda ou direita, capitalismo ou comunismo. Com
essa definição, está se estabelecendo um limite e,
decorrência disso, os choques serão inevitáveis. Algo que
hoje parece insignificante, um dia poderá dar origem a
desentendimentos. É esta, portanto, a razão da existência
de conflitos em toda parte. Mesmo nas relações
internacionais, os desentendimentos não têm fim. Esses
choques foram inevitáveis até hoje porque graças a eles é
que a cultura material progrediu. Contudo, uma vez que
daqui em diante a situação será diametralmente oposta,
é necessário haver uma mudança de pensamento.

A era da verdadeira civilização está se aproximando;


assim é preciso caminharmos tomando como padrão a
temperatura do "higam-E", a festa budista. Esta é uma
das características básicas da Igreja Sekai Kyussei Kyo.

24 de dezembro de 1952

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso"


AO MESMO TEMPO QUE DAMOS ALEGRIA ÀS PESSOAS,
NOS ELEVAMOS

Quando as coisas não correm como desejamos é porque


ainda não temos capacidade espiritual. Se purificarmos
nosso espírito e elevarmos a nossa alma, as coisas
correrão como desejamos. Esse é o processo. As coisas
não correm como nós desejamos devido às nossas
máculas; eliminar essas máculas, prazerosamente, sem
nenhum sofrimento é da natureza da Igreja Messiânica
Mundial. Mas, para isso, é preciso ajudar às outras
pessoas. Através da gratidão dessas pessoas, você
receberá Luz, e assim sua alma será purificada. Ao invés
de práticas ascéticas, dê alegria às pessoas; ajudando-as,
obterá o mesmo resultado.
E para ajudar as pessoas, certamente precisamos explicar
ou falar alguma coisa; para isso, através dos
Ensinamentos, ao mesmo tempo em que conhecemos
diversas verdades e purificaremos nossa Alma,
conseguiremos a força para salvar as pessoas. Salvando-
as e dando-lhes alegria, estaremos nos elevando.

Meishu-Sama, 06 de outubro de 1952


AS CINCO INTELIGÊNCIAS

Há vários tipos de inteligência. Formam uma escada de


cinco degraus, na seguinte ordem: Divina, sagrada,
superior, ardilosa e calculista.

A inteligência Divina é a mais elevada, e Deus a concede a


certas pessoas para que cumpram missões importantes.
Bem afirma o ditado: “Diz-se que a inteligência é humana
quando o conhecimento é aprendido; é Divina, quando
não depende de aprendizado.”
A inteligência Divina pode ser considerada como de
caráter masculino em relação à inteligência sagrada, que,
por sua vez, pode ser considerada como de caráter
feminino.

A inteligência superior é aquela manifestada pelas


pessoas sábias. No budismo, denomina-se “Tie Shokaku”
(inteligência da percepção verdadeira) ou simplesmente
“Tie” (inteligência).
A ação dos espíritos malignos é que obscurece o
discernimento humano. Os políticos e os intelectuais da
atualidade dão-nos exemplo disto: gastam horas e horas
discutindo problemas quase sempre de muito pouca
importância. Quando se trata de assunto de grande
monta, dezenas de pessoas passam a debatê-lo por várias
horas, durante dias e dias, muitas vezes sem chegar à
conclusão desejada. Isso prova a lentidão mental do
homem contemporâneo, pois todo problema só
apresenta uma solução. Jamais houve um problema com
muitas respostas. E dizer que tantos cérebros levam
vários dias só para encontrar a solução de um problema!

É desolador...
A causa dessa lentidão mental é a escassez de inteligência
superior, pois as mentes se acham obscurecidas. E se elas
estão obscurecidas é porque cultivam idéias satânicas,
decorrentes da devoção ao materialismo. Essa devoção
provém do não-reconhecimento da existência de Deus.
Ora, se as pessoas não reconhecem a existência de Deus,
é porque falta uma religião com o poder de inspirar-lhes
essa crença. A verdadeira religião deve ser capaz de
mostrar claramente que Deus existe. A própria
necessidade de insistir neste assunto é decorrente da
fraqueza mental do homem moderno.
De acordo com a teoria que expomos, quem possui
inteligência superior consegue resolver qualquer
problema em poucos minutos. Eu, pessoalmente, limito a
trinta minutos os debates de meus subalternos, seja qual
for o problema discutido. Quando a questão se prolonga
por mais de uma hora, aconselho que interrompam a
reunião, deixando-a para outro dia, ou que me consultem
sobre o assunto.

É claro que não atendo à modéstia quando digo que


quase sempre consigo resolver qualquer problema em
poucos minutos, por mais difícil que ele seja.
Excepcionalmente, se aparece uma questão que não
resolvo logo, protelo-a sem me esforçar. Momentos
depois, infalivelmente, vem-me a inspiração para
solucionar o caso.

Analisemos, a seguir, a inteligência calculista.


Todos a consideram uma inteligência superficial; seu
sucesso é passageiro, resultando sempre em derrota, e os
que dela se utilizam perdem a confiança dos outros.

A inteligência ardilosa pode ser considerada como


perversidade – é a inteligência do mal. Milhares de
pessoas a empregam, quase sempre pertencentes às
classes dirigentes e intelectuais. Assim, é impossível a
sociedade melhorar. Tão logo essa espécie de inteligência
seja erradicada do Universo, surgirá uma sociedade sadia
e países magníficos. Mas haverá meios de erradicá-la?
Certamente que sim. Basta destruirmos sua raiz. Essa
tarefa cabe a uma religião poderosa, capaz de despertar a
fé em Deus.
20 de agosto de 1949
O JOHREI É TRATAMENTO CIENTÍFICO

Nem é preciso dizer que a energia do Sol, da qual já falei,


é, naturalmente, o espírito do Sol. Entretanto, por que
até agora ele não se manifestou na Terra? Existe um
motivo profundamente misterioso, que eu vou explicar
minuciosamente.

Como eu já disse, o homem está constituído de espírito e


matéria. Da mesma forma, a Terra está constituída pelos
Mundos Espiritual e Material. O Mundo Espiritual, por sua
vez, está constituído por dois elementos. O primeiro é o
Mundo da Essência Espiritual, e o segundo, o Mundo da
Essência Atmosférica. A característica do primeiro é “o
fogo precede a água”, e a do segundo, “a água precede o
fogo”, ou seja, o positivo e o negativo.

De acordo com esse princípio, todas as coisas são criadas


pelas energias do Sol e da Lua, que, juntas, as envolvem.
É como se fosse o pai e a mãe, os quais, pela colaboração
mútua, educam os filhos. Dessa maneira, a força da
natureza surge por meio da trilogia Sol, Lua e Terra e,
através dela, todas as coisas nascem e se desenvolvem;
esta é a situação real do Universo.

O homem é o senhor, é o centro de tudo; depois de Deus,


ele é a existência máxima. Por esse motivo, todas as
outras coisas existem em função do homem, para sua
sobrevivência.

Tudo que eu falei representa a relação entre o homem e


o Universo, mas agora se aproxima uma grande e
surpreendente mudança. Trata-se de um fato sem
precedentes na História. Até o presente, o mundo era
noturno, mas está prestes a se tornar um mundo diurno.
A aurora deste mundo é a época atual; portanto, as
pessoas certamente estão perdidas, sem saber o que está
ocorrendo. Talvez elas riam, dizendo: “O dia e a noite só
existem no espaço de um dia. Ligar isso às épocas é
absurdo demais”. E eu lhes dou toda a razão. O mesmo
poderia ocorrer comigo; se eu não tivesse conhecimento
dessa realidade, evidentemente pensaria assim. Todavia,
desde que eu a conheci através da Revelação Divina, não
posso deixar de acreditar. Trata-se de uma verdade;
portanto, se lerem atentamente o presente artigo, com
certeza hão de compreender.
Assim, a Terra está envolvida pelo Mundo Atmosférico,
constituído pelo Mundo da Essência Espiritual, cuja
característica é “o fogo precede a água”, e pelo Mundo da
Essência Atmosférica, cuja característica é “a água
precede o fogo”. O dia e a noite perceptíveis pelos nossos
cinco sentidos correspondem ao dia e à noite materiais,
mas precisamos conhecer o Dia e a Noite espirituais, que
transcendem o tempo. Isso tem um significado
sumamente importante e constitui um grande mistério
do Universo. É como se fosse a ampliação infinita do dia e
da noite, assemelhando-se ao vazio, por isso não pode ser
percebido pelo homem. Mas o fato é que está ocorrendo
uma constante mudança, de forma bem ordenada. Essa
mudança ocorre a cada dez, mil, dez mil anos, em escala
pequena, média e ampla. Cada período está subdividido
em 3, 6 e 9, cuja soma é 18; esta é a situação real do
mundo. O ensinamento de Buda diz que o Mundo de
Miroku viria dali a 5.670.000.000 de anos, mas, se
interpretarmos literalmente, é distante demais, e na
realidade não tem sentido. Trata-se apenas de uma
alusão aos números citados.

Voltando ao que dissemos no início, o mundo noturno era


presidido pela Lua, e, como esta é água e matéria, houve
o progresso da cultura material. Ao contrário, o mundo
diurno será presidido pelo Sol. O Sol vem a ser o fogo,
que por sua vez é espírito. Se classificarmos em Bem e
Mal, o espírito é o Bem, e a matéria é o Mal. Esta é a
Verdade. No mundo de até agora, o Mal precedia o Bem.
Daqui para frente, ele se transformará no mundo
civilizado em que o Bem precederá o Mal. Devido ao
predomínio do Mal sobre o Bem, surgiu o mundo que
vemos atualmente, semelhante ao Inferno. Se isso
continuar por muito tempo, evidentemente chegará a
época em que a humanidade será extinta. A descoberta
da bomba atômica também não passa de um dos indícios
dessa ocorrência. Por conseguinte, a parte profunda do
Plano de Deus não pode, em absoluto, ser entendida pela
inteligência humana.

Com o que acabamos de dizer, creio que puderam


entender, de modo geral, a mudança que ocorrerá no
mundo daqui para frente. O “Fim do mundo” e o
“Advento do Reino dos Céus”, profetizados por Cristo,
referem-se a essa mudança. A extinção da doença, da
pobreza e do conflito, proclamada por mim, também é
uma condição básica para isso. E a extinção da doença,
por sua vez, é a condição fundamental. Como Deus me
concedeu a chave, tenho por objetivo principal,
atualmente, a solução do problema da doença.

Analisando o que expusemos acima, vemos que este


grandioso Plano é uma obra sem precedentes. Em
conseqüência, a civilização será revolucionada e,
logicamente, surgirá a Segunda Era. Por se tratar de uma
teoria por demais maravilhosa, acho que a simples leitura
deste artigo deixará as pessoas atônitas, com dificuldade
para compreender. Mas a verdade é sempre verdade, e,
como essa época está bem próxima, desejo que se
conscientizem disso o quanto antes.

Existe, no entanto, um ponto muito importante. Como eu


já tive oportunidade de falar, trata-se da sedimentação
dos pecados cometidos no longo período de predomínio
do Mal sobre o Bem, durante o transcurso do
desenvolvimento da cultura material. Relacionando isso
ao homem, materialmente, são as toxinas medicinais;
espiritualmente, são as máculas geradas pelo Mal. Com o
aumento do elemento fogo no Mundo Espiritual, a
purificação se intensificará e no final haverá um decisivo
acerto de contas. Se isso for o “Juízo Final” profetizado
por Cristo, então o ser humano precisa ultrapassar essa
barreira. Se fracassar, seja ele quem for, será extinto para
sempre. Isso não foi afirmado agora por mim, mas vem
sendo profetizado por vários profetas e sábios há
milhares de anos. Crer ou não crer, fica a critério das
pessoas. Atualmente, como prova para as pessoas
crerem, estou manifestando milagres que não dão
margem a qualquer dúvida.

Jornal Eiko nº 247, 10 de fevereiro de 1954

Retirado do livro 'O Pão Nosso de Cada Dia', pág. 379


VERTICALIDADE E HORIZONTALIDADE

Yin e Yang
Todas os seres presentes no Universo se manifestam sob
dois aspectos distintos: yang que é vertical e yin,
horizontal.

Em síntese, pode-se dizer que Sol, fogo, Oriente, espírito,


homem, Budismo, vermelho, montanha, dia
correspondem à verticalidade, enquanto Lua, água,
Ocidente, corpo, mulher, Cristianismo, branco, mar, noite
estão ligados à ideia de horizontalidade.

Como o Oriente é vertical, presta culto aos antepassados,


respeita os superiores, lega patrimônio aos descendentes
e mantém um rigoroso sistema hierárquico. Já o Ocidente
tem na união do casal (marido e mulher) a base do amor
ao próximo, o qual, a partir deste ponto, se propaga
sucessivamente, numa expansão sempre horizontal até
atingir toda a humanidade.
Do mesmo modo, em conseqüência da verticalidade, no
Oriente, o poder do homem é absoluto e a mulher a ele
se submete, bem ao contrário do Ocidente que, por ser
horizontal, admite a autoridade da mulher, razão de
ambos os sexos terem direitos iguais.

Então, pelo exposto, pode-se concluir que, até hoje, o


Oriente se ateve à linha vertical e o Ocidente seguiu o
caminho da horizontalidade. Entretanto, uma e outra
tendências apresentam falhas. Vai chegar, porém, um dia
em que deverá ocorrer o cruzamento dessas duas linhas,
a vertical e a horizontal, determinando a fusão da
espiritualidade oriental com o materialismo ocidental.
Como resultado desse entrelaçamento, surgirá uma nova
cultura, perfeita, completa, superior. Eis aqui também o
significado oculto da cruz, símbolo do Cristianismo, ou da
cruz gamada no Budismo

Espírito e matéria

A mesma ideia de interligação exemplificada pela cruz


explica também a formação do ser humano, cujo espírito
é vertical e o corpo, horizontal. A união matéria / espírito
gera uma energia vital, expressa em japonês pelo
vocábulo tikara (poder), formado por dois elementos
distintos: ti e kara. A partícula ti significa sangue e, ao
mesmo tempo, espírito, ambos de caráter vertical; kara
tem o significado de casca. Ainda em japonês, a ideia de
corpo físico vem expressa pela palavra karada, que tem
na sua formação o termo kara; portanto, o corpo físico
assemelha-se a uma casca. Por isso, quando a pessoa
morre, o espírito (ti) se afasta e o sangue deixa de
circular; o corpo fica vazio e é denominado nakigara (naki
= nada; gara - corpo).

Há outra palavra japonesa bastante significativa: hito


(homem). No estudo oculto dos sons, hi corresponde a
espírito, à alma; to, a parar. Então, quando a partícula
imaterial se liga ao corpo, surge hito (homem). Assim, o
conceito de ser humano corresponderia à alma fixada
(parada) na matéria.

A mesma ideia está no vocábulo kototama, em que koto


(palavra) contém a partícula to (parar); ma significa
espírito. Logo, kototama quer dizer, na verdade, espírito
que reside, permanece na palavra.

Voltando às considerações anteriores, relativas a ti e kara,


pode-se concluir que a postura ereta do homem vivo se
deve à verticalidade da circulação sanguínea, como forma
materializada do espírito. Este, contudo, no momento da
morte, se afasta do corpo, que então assume as suas
características próprias e volta à posição horizontal. Pelo
mesmo motivo é que, em pé, o homem sente calor, pois
está absorvendo a energia do fogo, de natureza vertical.
Quando, porém, se deita, sente frio e precisa cobrir-se
porque, nessa posição, absorve mais a energia da água
que flui horizontalmente.
Retirado do livro "Evangelho do Paraíso - vol. III".
AFABILIDADE E BENEVOLÊNCIA

Vou escrever a respeito, tendo como base a nossa Igreja.


Para se saber até que ponto progrediu a própria fé, ou a
que nível chegou o polimento espiritual, é preciso tomar
um padrão. Não se trata de algo muito difícil. A perda do
gosto pelos atritos, e conseqüente manifestação dos
sentidos da amabilidade e benevolência, são fatores que
provêm do polimento espiritual adquirido, o que
constitui, principalmente, a importância da fé. Pessoas
assim são estimadas e respeitadas por todos porque tais
qualidades constituem o verdadeiro valor humano.

Entretanto, ao vermos as pessoas da atualidade,


constatamos que a amabilidade e a benevolência são
fatores que lhes carecem de forma demasiada. Em todos
os lugares, observa-se que o homem vive criticando, à
procura dos defeitos alheios, odiando e repreendendo.
Tal aspecto é, realmente, indesejável de ser visto.
Podemos afirmar que no homem moderno quase não
existe a benevolência. É super egoísta, grosseiro e
calculista, não se importando em ser desprezado por
terceiros. Isso é uma democracia exagerada,
transformada no egocentrismo. O que há de mais
indecente é o fato de ser um delator e exclusivista,
caracterizando-se por uma falta de humanismo ao
extremo. Como há o incremento de elementos dessa
natureza, a sociedade torna-se obscura, fria e cresce o
número daqueles que são pessimistas. E este aspecto
pode ser a causa que esteja influenciando a demasiada
ocorrência de suicídios ultimamente. A verdadeira
sociedade civilizada surge com o incremento de pessoas
que praticam princípios como o do cavalheirismo inglês e
da filantropia americana. A valorização da moral social e
seu fiel cumprimento é que poderá determinar a
manifestação de uma sociedade agradável e boa de ser
vivida. Considerando-se que a sociedade dessa ordem
seja o Paraíso deste mundo, o mundo paradisíaco se
encontra bem ao alcance do homem. Observando-se por
outro ângulo, atualmente, proclamam como sendo de
extrema importância para o País, a implementação de um
plano turístico. Não resta dúvida quanto à importância
dos investimentos relacionados aos recursos materiais
para tal. Mas a necessidade de causar a boa impressão
aos estrangeiros é algo ainda mais importante. São três
os fatores: afabilidade, benevolência e asseio, que
constituem a fundamental importância no
relacionamento com os turistas, sem mesmo demandar
qualquer custo financeiro. Entretanto, a condição básica
para a formação de tais pessoas não está em outra coisa
senão na fé. Esta é a meta a qual a nossa Religião
prossegue visando realizar.

25 de Outubro de 1950

Retirado do livro 'Escritos Divinos - Seimei'

O GLOBO TERRESTRE RESPIRA

Todos sabem que os seres vivos respiram. Na verdade, a


respiração é uma propriedade de todos os seres até
mesmo dos vegetais e dos minerais. Se eu disser que o
globo terrestre também respira, muitos poderão achar
estranho; todavia, com a explanação que farei a seguir,
tenho certeza de que ninguém irá discordar.

O globo terrestre respira uma vez por ano. A expiração


inicia-se na primavera e chega ao ponto culminante no
verão. O ar que ele expira é quente, como no caso da
respiração do homem, e isso se deve à dispersão do seu
próprio calor. Na primavera essa dispersão é mais
intensa, e tudo começa a crescer; as folhas começam a
brotar e até o homem se sente mais leve. Com a chegada
do verão, as folhas tornam-se mais vigorosas e, atingido o
clímax da expiração, o globo terrestre recomeça a
inspirar; daí as folhas principiarem a cair. Tudo toma,
então, um sentido decrescente, e o próprio homem fica
mais austero. O outro ponto culminante é o inverno. Essa
é a imagem da Natureza.

O ar expirado pelo globo terrestre é a energia espiritual


do solo, que a Ciência denomina nitrogênio; graças a ele
as plantas se desenvolvem. O nitrogênio sobe às camadas
mais altas da atmosfera junto com a corrente de ar
ascendente e lá se acumula, retornando ao solo com as
chuvas. Esse é o adubo da Natureza, à base de nitrogênio.
Por essa razão, é um erro retirar o nitrogênio do ar e
utilizá-lo como adubo. É certo que com a aplicação de
adubo químico à base de nitrogênio consegue-se o
aumento da produção, mas seu uso prolongado acarreta
intoxicação e envelhecimento do solo, pois a força deste
diminui. Como é do conhecimento geral, o adubo à base
de nitrogênio foi elaborado pela primeira vez na
Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial. No caso
de ser necessário aumentar a produção de alimentos
devido à guerra, ele satisfaz o objetivo; entretanto, com o
fim da guerra e o conseqüente retorno à normalidade,
seu uso deve ser suspenso.

Outro aspecto importante é o que diz respeito às


manchas solares, que desde a antiguidade têm servido de
assunto para muitos debates. A verdade é que essas
manchas representam a respiração do Sol. Dizem que elas
aumentam de número de onze em onze anos, mas isso
acontece porque a expiração chegou ao ponto
culminante. Com relação ao luar, considera-se que ele é o
reflexo da luz do Sol, mas convém saber que o Sol arde
graças ao elemento água, proveniente da Lua. Esta possui
um ciclo de vinte e oito dias, e isso também constitui o
seu movimento de respiração.
5 de setembro de 1948
Retirado do livro 'A Outra Face da Doença'.
A VERDADE SOBRE A SAÚDE

Para explanar sobre o assunto, devo dizer inicialmente


que a verdade, em matéria de saúde, está na adaptação e
no respeito à Natureza. Essa é a condição fundamental.

Antes de mais nada, deve-se pensar: com que objetivo


Deus criou o homem? Segundo nossa interpretação, foi
para construir um mundo perfeito, de Verdade, Bem e
Belo. É de se esperar, entretanto, que uma teoria como
essa não seja aceita com muita facilidade.
Evidentemente, não se sabe se levará dezenas, centenas,
milhares ou até milhões de anos para se concretizar o
mundo ideal. Todavia, observando os fatos do passado,
vemos claramente que o mundo vem caminhando passo
a passo neste sentido; ninguém poderá negá-lo. Deus é o
espírito, e o homem é a matéria; ambos, o espírito e a
matéria, em trabalho conjunto, estão em infinita
evolução, tornando-se desnecessário dizer que o homem
existe como instrumento de Deus para a construção do
Mundo Perfeito. Conseqüentemente, sua
responsabilidade é enorme.

A condição fundamental para a execução dessa obra


grandiosa é a saúde. Deus atribuiu uma missão a cada
pessoa, concedendo-lhe, logicamente, a saúde necessária
para cumpri-la. Com efeito, se o homem estiver doente,
significa que o sagrado objetivo de Deus não será
alcançado. Tomando este princípio por base,
concluiremos que a saúde é inerente ao homem, devendo
ser o seu estado normal. O estranho é as pessoas serem
acometidas de doenças com tanta facilidade, ou seja,
ficarem em estado anormal. Sendo assim, apreender
claramente os princípios da saúde e fazer o homem
retornar ao estado normal está coerente com o objetivo
de Deus.

Mas o que descobrimos ao examinar o corpo humano em


estado anormal? Em primeiro lugar ressalta que ele está
em desacordo com a Natureza; perceber a real situação
desse estado antinatural, corrigi-lo, fazendo voltar a
normalidade, é a verdadeira Medicina. E mais: tornar
possível esse retorno é a forma existencial da correta
Medicina. Passarei, portanto, a explicar o que vem a ser o
estado antinatural.
Quando nasce, o homem alimenta-se com o leite
materno ou com leite animal, pois ainda não tem dentes,
e seu aparelho digestivo, recém-formado, é muito frágil.
Gradualmente, porém, nascem-lhe os dentes, e, à medida
que suas funções orgânicas se desenvolvem, ele começa a
ingerir alimentação adequada. Existe uma variedade de
alimentos, cada um com sabor característico, sendo que o
homem é dotado de paladar para comê-los com prazer.
Além disso, o ar, o fogo e a água existem em proporções
adequadas à saúde, de modo que tudo está ordenado de
maneira realmente perfeita. Quanto ao corpo humano,
vejamos: do cérebro nascem a razão, a memória e o
sentimento; os objetos são criados com as mãos; a
locomoção é feita livremente, por meio dos pés, e o
corpo está provido de partes muito necessárias, como
cabelos, pele, unhas, olhos, nariz, boca, ouvidos, etc.
Acrescente-se a isso que o corpo todo, a começar pela
face, está recoberto de pele, que ressalta sua beleza. Um
rápido exame já evidencia que o ser humano é uma obra
maravilhosa; analisando-o mais profundamente,
concluiremos que ele é um milagre da Criação, difícil de
se expressar com palavras.

As flores, as folhas, a beleza dos rios e das montanhas, os


pássaros, os insetos, os peixes e outros animais não
podem deixar de ser admirados como obras
extraordinárias da Arte Divina, mas o homem é,
inegavelmente, a obra-prima do Criador. Principalmente
no que se refere ao processo de procriação, como
preservação da espécie, a Providência é tão hábil, que
não encontramos palavras para exprimir sua perfeição.
Ora, sendo o homem a obra máxima de Deus, devemos
pensar, séria e profundamente, que erros, que ações
antinaturais estamos cometendo para a ocorrência das
anormalidades chamadas doenças, as quais impedem
suas atividades. Homens, eis um ponto importantíssimo,
sobre o qual devem fazer uma profunda reflexão.
20 de abril de 1950
Retirado do livro ‘A Outra Face da Doença’.
A INSTRUÇÃO PREMATURA É PREJUDICIAL

Talvez achem paradoxal eu falar que o homem da


atualidade desenvolveu sua inteligência, mas prejudicou
sua capacidade intelectual. O que eu quero dizer, no
entanto, é que aumentaram as pessoas de inteligência
limitada, superficial, ágil, e diminuíram as pessoas
gabaritadas, dotadas de inteligência profunda.

Mas por que será que isso acontece? Segundo minhas


observações, é uma conseqüência da instrução efetuada
antes do tempo apropriado. A instrução prematura é
maléfica porque se incutem conhecimentos sem que a
mente esteja suficientemente desenvolvida, isto é, há um
desequilíbrio entre as noções transmitidas e o
desenvolvimento psicofísico. Em verdade, o homem tem
que utilizar o corpo e a mente de acordo com sua idade.
Dar a uma criança de sete ou oito anos um trabalho
mental apropriado a um jovem de quinze ou dezesseis é
uma tarefa excessivamente pesada. Qual será o resultado
disso? Vou mostrá-lo através de um exemplo.

Quando eu estava no curso primário (entre sete e onze


anos), quis aprender judô, mas disseram-me que antes
dos quinze eu não poderia fazê-lo. Como eu perguntasse
o motivo, responderam-me que, se a pessoa praticar judô
ou qualquer outro esporte inadequadamente, poderá
prejudicar seu crescimento e desenvolvimento.
Naturalmente eles param por causa do excesso de
esforço físico. Da mesma forma, no ensino atual, acha-se
que é bom uma criança de doze ou treze anos fazer o que
um adulto faz. Realmente, durante algum tempo, a
capacidade intelectiva se desenvolve com grande rapidez,
e por isso a instrução pode parecer boa, mas não há um
desenvolvimento em profundidade, formando-se adultos
com capacidade intelectiva inadequada e sem uma lógica
profunda.

Na realidade, no Japão também está diminuindo cada vez


mais o número de “grandes” políticos. Portanto, os que
estão ligados à Educação devem pensar bastante sobre
esse problema.
2 de julho de 1949

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

PRÁTICAS ASCÉTICAS

Desde a Antigüidade, a fé e as práticas ascéticas são vistas


pelo povo como se tivessem íntima relação entre si.

As práticas ascéticas tiveram origem no bramanismo, que


predominava na metade da antiga Índia, antes do
nascimento de Sakyamuni (Buda). A pintura e a escultura
“Arhat” revelam a crueldade dessas práticas. Por
exemplo: os praticantes suspendiam algo só com um
braço, sentavam-se entre a bifurcação de dois galhos, ou
chegavam ao cúmulo de praticar o “Zazen” (meditação
profunda, com as pernas cruzadas) sentados numa tábua
cheia de pregos. Houve religiosos que se mantiveram
anos seguidos na mesma posição. Eles acreditavam que,
perseverando em tais sofrimentos, conseguiriam atingir a
Iluminação, ou melhor, sentir-se-iam iluminados.

É muito famoso o martírio de Dharma, o qual abraçou a


Verdade no momento em que se sentiu profundamente
iluminado pelo luar, que ele estava contemplando numa
noite de prática ascética. Segundo a tradição, Dharma
não tem pernas porque elas ficaram atrofiadas, deixando
de funcionar durante os nove anos que ele passou
sentado diante de uma parede, em estado de meditação.

Dizem que ainda há muitos ascetas brâmanes na Índia, os


quais chegam a operar milagres. A meditação do falecido
Rabindranath Tagore, nas profundezas de uma floresta, e
o jejum praticado diversas vezes por Mahatma Gandhi
devem ser práticas ascéticas brâmanes.

A ascese era amplamente praticada na época em que


surgiu Sakyamuni. Não contendo sua compaixão por
aqueles que se entregavam ao martírio da autotortura,
ele pregou a possibilidade de qualquer pessoa tornar-se
mais iluminada através da leitura das escrituras búdicas.
Emocionado com a eminente virtude de Sakyamuni, o
povo hindu fez dele objeto de adoração. Assim, pela
lógica, os budistas que praticam a ascese estão
contrariando as boas-novas de Sakyamuni.
Não posso concordar com os religiosos japoneses que
ainda persistem nas práticas ascéticas brâmanes. Isto
porque os fiéis da nossa Igreja abraçam a Verdade,
seguem o Caminho e conseguem cumprir sua missão sem
fazer prática ascética de espécie alguma.

25 de janeiro de 1949

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

CULTIVAR UMA INTELIGÊNCIA QUE CONSIGA DESCOBRIR


O PONTO VITAL
MEISHU-SAMA: Isso é uma coisa que até mesmo os
senhores talvez já vivenciaram: descobrir o ponto vital é a
condição essencial da nossa vida. Por isso, a Política, a
Economia e as Relações Exteriores, atualmente, por
estarem fora do ponto vital, têm cometido muitas tolices.
Sempre fico sabendo pelo jornal e pelo rádio. Muitos
políticos ficam debatendo sobre diversos assuntos,
diariamente, mas estão fora do ponto vital. Seja como
for, pessoas ilustres, reunidas em grande número, ficam
confabulando sobre os fatos, alheias ao ponto vital. Por
isso, não surgem boas idéias. Isso acontece não porque
não sejam inteligentes, mas é que o são superficialmente.
Como o conteúdo da inteligência é ruim, discutem muito
só o aspecto exterior das coisas, e não existe quem
discuta o ponto central. Sem dúvida alguma, eles não
entendem o significado da cultura do (Su). Portanto, o ser
humano precisa criar uma inteligência de tal maneira, que
consiga descobrir o ponto vital. A fé, também, é um
treino para isso. A Igreja Messiânica Mundial é a cultura
do (Su): por isso, a base é salvar com o objetivo principal
de despertar compreensão nas pessoas que não a
possuem. Seria maravilhoso se observássemos as coisas e
agíssemos baseados nessa inteligência. Isso e dificílimo,
mas se pelo menos conseguirem entender de imediato o
ponto mais próximo do ponto vital, está ótimo.
Mioshie-shu No. 24 (05/07/1953)
SOBRE O JUÍZO FINAL E A TRANSIÇÃO DAS ERAS

Mais um assunto que quero mencionar é o Juízo Final


citado no Cristianismo, o Fim do Budismo dito por
Sakyamuni. Inúmeros fundadores de religiões fazem
menção do assunto, mas gostaria de me deter apenas
nestes dois grandes santos. O que significa Juízo Final?
Falar em Juízo Final dá a impressão de que Deus - "Enma"
- aparece neste Mundo e não no Inferno para proceder ao
julgamento. Mas, não é bem assim.

Para quem não professa a fé é um pouco difícil entender,


mas existe algo chamado Mundo Espiritual. O Mundo em
que podemos visualizar e tocar os objetos é o Mundo
Material. No fundo deste, existe o Mundo Espiritual. No
meio, o Mundo Atmosférico. As pessoas conhecem a
existência do Mundo Atmosférico, mas nada entendem
sobre o Mundo Espiritual.

Na mesma ordem de Época Selvagem, Cultural e


Civilizada, o Mundo Material, Atmosférico e o Espiritual
também se encontra em três níveis.

Existe, contudo, uma lei que rege o ciclo. De acordo com


este ciclo existe a claridade e a escuridão. Não só em um
dia de 24 horas, mas em um ano também existe claridade
e escuridão.

Em um ano, se considerarmos o inverno como escuridão,


o verão é a claridade. A luz do sol também é mais intensa
no verão e, no inverno, mais fraca. Isso também constitui
claridade e escuridão.

Tal fenômeno ocorre em dez anos e também em cem


anos.
A existência, na história, de épocas de paz e outras de
obscuridão também estão dentro de um ritmo.

Em mil, dez mil anos também existe esse ciclo. Até o


presente a época era de trevas, uma época obscura;
agora, será a época da claridade.
Em se falando na Era da Civilização (Bunmei), o "Mei"
escreve-se com a letra que significa claridade, não Cultura
(Bunka), pois "Ka" significa disfarçar. Com a chegada da
Era da claridade, tudo o que pertencia ao Mundo das
Trevas passará por uma seleção. Eu os chamo de Mundo
da Noite e Mundo do Dia, Cultura da Noite e Cultura do
Dia. Sem dúvida, surgirão muitas coisas inúteis da Cultura
da Noite. Durante o dia, não há necessidade de aparatos
como iluminação. Da mesma maneira, o que não é mais
necessário entre as coisas pertencentes à Era da Noite
serão destruídas.

O Julgamento significa essa seleção da noite para o dia.


Em primeiro lugar, ou se guarda ou se destrói o que não é
necessário e, depois, vai-se construindo gradativamente
coisas luminosas.
Então, o que ocorre quando o Mundo Espiritual vai-se
clareando? O homem é constituído de corpo carnal e de
espírito. No meio, existe a parte líquida correspondente à
atmosfera, que é o vapor d'água. E ela existe em
abundância no corpo humano. O homem está, assim,
constituído em três níveis. O espírito, que se pode chamar
de alma, está dentro desses três níveis e pertence ao
Mundo Espiritual. Portanto, se o Mundo Espiritual clareia,
as pessoas portadoras de alma não correspondente a
essa claridade, para estar de acordo, necessitará eliminar
as suas máculas. Eliminar não significa retirar
deliberadamente, mas purificar de modo natural,
tornando limpo algo que está sujo. Deste modo, quem
tiver alma com máculas, à medida que o Mundo Espiritual
vai clareando, irá sofrendo o processo de limpeza e este é
o sofrimento. O princípio da doença também está
descrito desta forma. Assim, poderão entender bem o
que é a doença.
(22 de maio de 1951)
Retirado do livro “Manual do Novo Líder que Vive para
Meishu-Sama”, páginas 110 à 112.

VERDADE, BEM E BELO

Conforme tenho dito, o Paraíso Terrestre que idealizamos


é um mundo de perfeita Verdade, Bem e Belo. Mas
gostaria de escrever a respeito com maiores detalhes.

Para seguir a ordem, começarei explicando o que


entendemos por VERDADE. Evidentemente, referimo-nos
à manifestação concreta da Verdade, isto é, a própria
realidade, autêntica, expressa corretamente, sem o
mínimo erro, impureza ou obscuridade. A cultura
desenvolvida até o presente vinha confundindo e
considerando como verdade muita coisa que não o era, e
por isso muitos conceitos falsos eram tidos como
verdadeiros. Entretanto, ninguém percebeu isso, porque,
obviamente, a cultura era de baixo nível.
Basta observarmos a sociedade atual para percebermos
que a maioria dos homens é forçada a trabalhar desde a
manhã até a noite para ganhar o pão de cada dia,
fazendo-o sem nenhuma parcela de ânimo, alegria e
esperança, mas apenas para se manterem vivos. Embora
estejam se afogando num lamaçal de preocupações,
motivadas pela doença, pelas dificuldades financeiras e
pelo medo da guerra, eles insistem em dizer que este
mundo em que vivemos é avançado, civilizado. Não
obstante, observando com rigorosa imparcialidade,
percebemos que quase todos os homens lutam entre si,
odeiam-se e entram em choque, tal como os animais,
agonizando num redemoinho de insegurança e
ansiedade; é como se estivéssemos olhando o próprio
Inferno. E este é justamente o resultado da cultura da
pseudo-verdade, à qual me referi há pouco. Os próprios
intelectuais não percebem isso e, acreditando tratar-se
de um mundo civilizado, continuam a enaltecê-lo.
Coitados, são dignos de nossa compaixão...

O mesmo acontece com a doença, por exemplo.


Justamente porque a Medicina está em desacordo com a
Verdade, todos os lugares estão repletos de pessoas
doentes. É tuberculose, é disenteria infecciosa, é
meningite, é derrame cerebral, é paralisia infantil, enfim
são inúmeras espécies de doenças. E eis a justificativa que
dão para isso: “Antigamente também existiam várias
enfermidades, só que a Medicina não estava
desenvolvida a ponto de descobri-las; hoje, porém, ela
adquiriu essa capacidade”. Insistindo sobre o assunto, o
que nós desejamos é que o número de doentes diminua e
o número de homens realmente saudáveis aumente.
Apenas isso. Vejamos.

Os homens contemporâneos temem exageradamente a


doença. Por essa razão, as autoridades e os especialistas
preocupam-se com a higiene e empenham-se na
prevenção das doenças. O mais engraçado nisso é a
vacina preventiva: ela mesmo é que não cura; não passa
de simples paliativo. Dessa forma, a Medicina nem ao
menos sabe distinguir a cura temporária da cura
verdadeira e radical. E, mesmo que soubesse, não
adiantaria nada, pois desconhece o método para
erradicar a doença. Além do mais, como ignora
completamente que ela é uma Providência de Deus para
aumentar a saúde, empenha-se tão simplesmente em
deter sua marcha, pensando que isso é progresso.
Outrossim, por total desconhecimento de que esse
método se torna origem da doença – como mostra a
realidade – quanto mais a Ciência progride, mais se
multiplicam as enfermidades e o número de doentes,
diminuindo cada vez mais a resistência física. Por isso, os
homens sofrem de cansaço e insônia, não têm
persistência, não podem fazer qualquer excesso; caso
pratiquem um exercício um pouco pesado, acabam
sentindo-se “quebrados”. Por quê? Isso não é
incompreensível? A realidade mostra-nos, porém, que,
seguindo-se o princípio da doença ensinado pela nossa
Igreja e recebendo-se Johrei, as doenças desaparecem e
as pessoas tornam-se verdadeiramente saudáveis.

A seguir, escreverei a respeito do BEM, que,


evidentemente, é o contrário do MAL. Mas o que é o
MAL? Ele é causado pelo ateísmo nascido do pensamento
materialista, e o Bem é o seu oposto: nasceu do teísmo.
Esta é a Verdade. Entretanto, como a razão da Ciência
consiste na negação do teísmo, que é a Verdade, quanto
mais ela progride, mais aumenta o Mal; sendo assim, o
progresso da cultura não passa de superficial. Dessa
forma, reconhecemos os méritos da Ciência, mas não
podemos deixar de levar em conta o Mal que ela produz.
Sem perceber isso, os homens enaltecem apenas os seus
pontos positivos e, elaborando habilidosas teorias para
ocultar-lhe os pontos negativos, subjugam as classes
dirigentes e levam-nas a concluir que, sem a Ciência, nada
terá solução. Assim, acabaram por afastar-se da felicidade
espiritual.

Em seguida, analisemos o BELO, que também constitui


um problema.
De fato, acompanhando o desenvolvimento da cultura, os
elementos representativos do Belo multiplicaram-se e,
individualmente, estão em nível satisfatório, mas o povo
não consegue usufruir deles. Somente uma parte – a
classe privilegiada – desfruta de boas roupas, boa
alimentação e boas moradias, enquanto a classe popular
mal consegue alimentar-se, não tendo condições para
pensar no Belo. Talvez isso ocorra apenas no Japão, mas
essas pessoas dispõem de alimento simplesmente para
matar a fome; de casa, para dormir; de ruas, para
passagem e condução, e onde têm de enfrentar os
empurra-empurras. Da mesma forma, a sociedade não
consegue gozar das belezas naturais, que são dádivas de
Deus, tal como as montanhas, as águas, as plantas e as
flores, nem das belezas artísticas criadas pelo homem.
Assim, não obstante o grande desenvolvimento da
civilização, uma vez que toda a humanidade não pode
usufruir de tais dádivas, o mundo contemporâneo é
realmente o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. A
causa disso é a existência de uma grande falha em algum
lugar da civilização; quando essa falha for corrigida e a
felicidade desfrutada equitativamente, o mundo será de
fato civilizado. Essa é a missão da Igreja Messiânica
Mundial.

Por tudo que aqui foi exposto, creio que puderam


entender o verdadeiro significado da Verdade, do Bem e
do Belo, mas o mais importante é o poder de concretizá-
los. De nada adiantarão as palavras se elas constituírem
apenas um lema pintado num quadro. Todavia, devemos
alegrar-nos, pois este sonho tão almejado está para se
tornar uma realidade em nosso planeta.

25 de setembro de 1953

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

A CAUSA DAS DOENÇAS MENTAIS

A principal causa das doenças mentais é a falta de


circulação de sangue na cabeça, ou seja, a anemia
cerebral. Esse mal ocorre devido ao acúmulo, na nuca, de
toxinas, as quais pressionam a veia que leva o sangue
para o cérebro. Nesse estágio, a pessoa passa a sofrer de
insônia e, devido às muitas noites sem dormir, começam
a surgir distúrbios mentais.
Mas não é só o lado físico o responsável por tais
problemas. Como já escrevi anteriormente, o ser humano
é composto de corpo e espírito, que não podem ser
analisados separadamente.

O sangue, na verdade, é a materialização do espírito. Por


isso, a falta dele na cabeça, principalmente na parte
frontal, enfraquece espiritualmente a pessoa, facilitando
o encosto de entidades inferiores, que se aproveitam
dessa fragilidade para dominá-la e provocar conflitos.

Quando alguém não consegue mais dormir é porque está


sendo incessantemente atacado por inúmeros
pensamentos, relembrando assuntos diversos do passado
ou imaginando situações futuras, induzido pelo
secundário, que propicia condições para que outros
espíritos de animais encostem e se alojem principalmente
no topo da cabeça, local que apresenta um vazio, devido
à falta de sangue. Quanto mais tempo a pessoa
permanecer nesse estado, maior será o domínio dessas
entidades negativas, que têm como objetivo levá-la à
loucura. Ao se ministrar Johrei na nuca, dissolvem-se as
toxinas que estão solidificadas nessa região. Como
conseqüência, melhora a circulação na cabeça e, ao
mesmo tempo, ocorre um enfraquecimento do espírito
encostado, que vai murchando até perder totalmente a
força.
Por outro lado, quando o sangue já está circulando
plenamente, o espírito primordial fica vigoroso, o que
impede o encosto de entidades negativas.

Vou citar um exemplo para elucidar bem essa questão. Se


um indivíduo apresenta 100% de circulação do sangue na
cabeça, não corre nenhum perigo de sofrer qualquer tipo
de encosto. Mas se o sangue circula 90%, já oferece
chance para essas entidades negativas se aproximarem.
E, conforme a insuficiência circulatória vai aumentando,
maior será o risco de ataques de espíritos inferiores.

Até 40% de falta de sangue, eu considero uma situação


sustentável; mas, ao ultrapassar 50% de anemia cerebral,
chega-se a uma zona de perigo. Nesse estágio, o encosto
domina totalmente a pessoa, manipulando seus desejos,
fazendo-a provocar tragédias irreparáveis.

Esses espíritos que se encostam são, na maioria das


vezes, de animais. No Japão, é mais comum ocorrer
encosto de raposa, em primeiro lugar, seguido de texugo.
Menos freqüentes, são os encostos de espíritos de tengu,
cobra, cachorro, vaca, cavalo, pássaro, etc. Creio que no
Ocidente o processo é mais ou menos semelhante.
É importante notar que existe também uma oscilação
quanto ao volume do sangue que chega ao cérebro, ao
longo do dia. Essa ocorrência torna as pessoas
imprevisíveis. Podem então, às vezes, estar bem e, de um
momento para o outro, ficarem pálidas e, principalmente,
sem circulação na testa. Esses sintomas as levam a um
estado de agressividade, fazendo-as ofender os demais,
criando situações de conflito, numa mudança total de
personalidade.

Retirado do livro 'A Arte do Johrei'.

A VERDADEIRA CAUSA DAS DOENÇAS

O ser humano, quando nasce, já possui diversas toxinas,


principalmente toxinas venéreas e toxinas da varíola,
mencionadas anteriormente. Devido ao obstáculo
oferecido por essas toxinas, como falei no último item,
não é possível manter-se perfeita saúde. Por isso, o corpo
humano está constituído de modo que nele se processe
uma ininterrupta ação purificadora natural, para que as
toxinas sejam expelidas fisiologicamente. Entretanto,
quando ocorre a ação purificadora, sobrevêm
sofrimentos de certo nível, e essa fase de dor e mal-estar
constitui aquilo que se chama doença. Para explicar tal
fenômeno, vamos tomar como exemplo a doença mais
comum, ou seja, a gripe, pois não há uma única pessoa
que não a tenha contraído. A Medicina ainda desconhece
suas causas, mas, segundo descobri, a gripe é uma das
mais simples formas de purificação, vindo acompanhada
de sofrimentos como febre, dor de cabeça, tosse, catarro,
coriza, perda de apetite, suor, indisposição, etc.

Antes de mais nada, o que vem a ser purificação? A


grosso modo, é um processo que compreende duas
etapas. A primeira consiste na concentração e
solidificação das diversas toxinas contidas no sangue em
diferentes pontos do corpo, especialmente os locais de
grande atividade nervosa e as partes que ficam em
posição inferior quando a pessoa está parada: Com o
passar do tempo, as toxinas concentradas se solidificam,
provocando enrijecimento dos músculos. As vezes não há
sofrimento algum; quando muito, rigidez nos ombros. A
segunda etapa da purificação começa quando a
solidificação ultrapassa determinado nível, sobrevindo aí
o processo natural de eliminação. Para facilitá-lo, surge
uma ação destinada a dissolver as toxinas, isto é, a febre.
O grau de febre depende não só da natureza, quantidade
e rigidez das toxinas, mas também da própria natureza do
doer-te. Muitas vezes, ela aparece como resultado do
cansaço, após a prática de exercícios físicos, pois estes
aceleram o processo de purificação. As toxinas liqüefeitas
são eliminadas na forma de suor, catarro, secreção nasal,
etc. A tosse e o espirro são como ações de
bombeamento: a primeira, para eliminação do catarro; o
segundo, para eliminação da secreção nasal. Isto se torna
bem claro se observarmos que realmente eliminamos
catarro quando tossimos, e secreção nasal quando
espirramos. Por outro lado, a perda de apetite é causada
pela febre. pela tosse e pelos medicamentos. As dores de
cabeça e das juntas são decorrentes da dissolução das
toxinas existentes nesses pontos, as quais excitam os
nervos no momento de sua eliminação em estado liquido.
A dor de garganta ocorre porque as toxinas contidas no
catarro irritam a mucosa que reveste esse local,
provocando inflamação; a rouquidão baseia-se no mesmo
principio, sendo causada pela inflamação das cordas
vocais.

Eis, portanto, o que é a gripe. Não há necessidade de


tratamento algum; basta a pessoa deixar a purificação
seguir seu curso normal, sem tomar medicamentos, que
em poucos dias, terminado o processo, estará curada:
Desde que a cura seja natural, pela redução das toxinas, a
saúde aumentará. Entretanto, apesar de a gripe ser
altamente recomendável, por constituir o mais simples
processo de purificação, as pessoas a temem, e a
Medicina chega a dizer que preveni-la é a condição
número um para não contraí-la: Os leitores precisam
compreender que isso é um grande erro. Desde os
tempos antigos acredita-se que a gripe dá origem a mil
doenças, mas na verdade ela é a única maneira de se
escapar a essas mil doenças. Desconhecendo-lhe a causa,
a Medicina toma várias medidas quando a pessoa fica
gripada, todas elas no sentido de deter o processo
purificador. Tais medidas começam com a tentativa de
baixar a febre através de medicamentos antitérmicos,
bolsas de gelo, compressas e Outros meios. Isso faz a
purificação retroceder ao primeiro estágio, ou seja, as
toxinas que começaram a ser dissolvidas voltam a
solidificar-se. Com a solidificação das toxinas, a pessoa
sente-se aliviada dos sofrimentos causados pela febre,
pelo escarro, pela secreção nasal, etc., e tanto ela quanto
o médico têm a ilusão de que a gripe está cedendo.
Quando ocorre a solidificação completa, pensam que a
cura está selada: Na realidade, voltou-se à situação
anterior; logo, é natural que haja uma recaída.

Chamo atenção para o fato de que os tratamentos


baseados em remédios antitérmicos, bolsas de gelo,
compressas e outros semelhantes, detendo o processo
purificador, constituem a causa de sintomas mais
intensos nas próximas doenças que a pessoa contrair.
Pode-se compreender, portanto, que as doenças graves
são causadas pela repetida interrupção dos processos
purificadores de menor intensidade, o que aumenta a
quantidade de toxinas, tornando necessária a ocorrência
de um processo purificador muito intenso.

Sendo assim, o avanço da Medicina atual não passa de


avanço do método paralisador da purificação. Na
realidade, não é um avanço no sentido de curar as
doenças, mas no sentido de não curá-las. Uma doença
simples, que não deveria ir adiante, desenvolve-se até se
tornar uma doença grave. Iludidos, julgando que um erro
como esse significa progresso, os homens
contemporâneos prejudicam suas valiosas vidas e sua
saúde, e por isso são realmente dignos de pena.

Originariamente, as doenças transmissíveis, a tuberculose


e outras doenças surgem em conseqüência de uma forte
purificação, motivada, por sua vez, pelo vigor físico. E
natural, portanto, que os povos de baixa resistência física
não tenham purificações, ou tenham apenas purificações
leves. A grande incidência de doenças transmissíveis
entre os povos menos civilizados é decorrente do seu
intenso vigor, e não da falta de cuidados higiênicos.

Para tornar essa teoria mais compreensível, vamos dividir


os homens em três tipos, no que se refere à saúde. O
primeiro tipo tem um físico saudável e não possui toxinas;
Conseqüentemente não purifica, ou melhor, não contrai
doenças. Pessoas assim são extremamente raras. O
segundo tipo é portador de toxi¬nas e tem muito vigor
físico; em decorrência disso, a ação purificadora
desencadeia-se em pequenas e grandes doenças. O
terceiro tipo, embora também seja portador de toxinas,
tem pouco vigor físico, razão pela qual a ação purificadora
não consegue se desencadear; mesmo que ocorra, é
fraca: Tais indivíduos só purificam quando se tornam mais
vigorosos, através de exercícios ou de outros meios.
Utilizando remédios e fazendo repouso, eles melhoram
momentaneamente, e por isso evitam se cansar.

A Medicina atual, julgando que o caminho da cura é


transformar as pessoas do segundo tipo em pessoas do
terceiro tipo, não mede esforços nesse sentido. Uma
prova é que as crianças da cidade, os filhos e mulheres de
médicos, isto é, aqueles que têm mais oportunidade de
contatar com a Medicina e que mais fielmente seguem as
teorias médicas e higiênicas, são os mais fracos. Por outro
lado, ainda que se queira transformar os indivíduos do
segundo tipo em indivíduos do primeiro tipo, pela
Medicina atual é totalmente impossível.

E qual é a causa da morte? As pessoas pensam que a


morte é causada pela doença, mas na realidade isso é
muito raro; na maioria das vezes, ela é causada pelo
enfraquecimento decorrente da pressão exercida sobre a
doença, ou seja, sobre a ação purificadora: Sendo assim,
como expliquei anteriormente, enquanto que a Medicina
paralisa a purificação, o físico reage contra isso, de modo
que, paradoxalmente, o sofrimento aumenta.

Os povos civilizados da atualidade, que diminuem seu


vigor físico através de tratamentos médicos, quase não
têm doenças graves, porque, com o enfraquecimento da
purificação, elas não conseguem desencadear-se, o que
adia a hora da morte. Embora com muito custo, pelo seu
físico fraco, as pessoas continuam vivendo. Quando esses
povos tinham mais vigor, sofriam fortes purificações, isto
é, contraiam doenças graves com facilidade. Como os
medicamentos reprimem fortemente a purificação, o
estado da pessoa se complica, e ela vai enfraquecendo,
terminando por morrer. Os dados estatísticos mostram
que, na época em que o índice de mortalidade é alto, o
aumento demográfico também é alto. Essa é a explicação
do segundo mistério referente ao problema populacional.
Retirado do livro ‘Evangelho do Paraíso’.
ANÁLISE DAS TOXINAS

O que é toxina? Em última análise, é o mesmo que sangue


sujo e mácula espiritual. As máculas se originam do
pecado, e este, naturalmente, tem origem no mal. Todos
sabem que essa visão do pecado é quase que um
monopólio das religiões desde a antigüidade; entretanto,
agir simplesmente como se tem agido até agora, dizendo
que não se deve fazer isso ou aquilo porque é pecado, já
não convence as pessoas da atualidade, pois a maioria é
muito inteligente e raciocina em termos científicos. Deve-
se, portanto, basear a teoria em fatos e argumentos
sólidos.

Este mundo em que vivemos é formado pelo Mundo


Espiritual e pelo Mundo Material. Da mesma maneira, o
homem é formado de espírito e corpo, e ambos, numa
relação íntima e inseparável, têm por princípio a
identidade espírito-matéria. Sendo assim, quando as
máculas do espírito se refletem no corpo, o sangue se
suja; reciprocamente, quando isso se reflete no espírito,
torna-se mácula. Como este ponto é de importância
fundamental, pediria que o levassem em consideração no
decorrer da leitura.

Explicando do ponto de vista espiritual, se o homem


pratica más ações, esse pecado gera máculas no espírito;
quando o acúmulo das máculas atinge determinado nível,
sobrevem a ação purificadora, na forma de doenças,
acidentes ou penalidades legais. A parte que não foi
atingida pela lei dos homens é punida espiritualmente,
pela Lei de Deus. Entretanto, como Deus é absoluto, se a
pessoa escapar habilmente a essas penalidades, o castigo
se refletirá na matéria através de sofrimentos maiores.
Evidentemente, as doenças sobrevindas nesses casos são
malignas e, na sua maioria, colocam em risco a vida da
pessoa. Quanto mais cedo ocorrerem as penalidades,
mais brandas serão, podendo-se compará-las a
empréstimos ou dívidas, que, quanto mais se demora a
saldá-los, mais aumentam, devido aos juros. De fato, se
um malfeitor conseguir escapar em vida aos julgamentos
de Deus e do homem, quando morrer e o seu espírito
passar para o Mundo Espiritual, irá cair no chão do
Inferno, devido ao peso dos pecados. É exatamente o
"Inferno Avíci" (reino de ilimitado sofrimento), citado no
budismo, e o "Reino do Fundo do Inferno", mencionado
no xintoísmo. Trata-se de um mundo absolutamente sem
luz e calor, onde o espírito nada enxerga, permanecendo
congelado por centenas de anos; por isso, não há
malfeitor, por pior que seja, que não venha a se
arrepender. Para as pessoas da atualidade, talvez seja
difícil acreditar em situações como estas, mas gostaria
que me dessem crédito, pois são fatos que me foram
transmitidos diretamente pelos espíritos, nas pesquisas
por mim realizadas, e posso garantir que não existe
nenhum equívoco.

Voltando à minha explanação, em conseqüência dos


pecados começa-se a sentir peso na consciência, e esse
sofrimento já é uma leve purificação. Seria bom que
nesse momento as pessoas se arrependessem, mas isso é
difícil. Assim, na maioria das vezes, os pecados tendem a
se acumular. É claro que a quantidade das máculas é
proporcional à maior ou menor gravidade dos pecados,
mas há também outra maneira de criá-las. Quando se faz
alguém sofrer, a pessoa atingida se enfurece, sente ódio
por aquele que lhe causou o sofrimento, e esse ódio é
transmitido, através do elo espiritual, como ondas de
rádio, ao espírito do malfeitor, gerando-lhe máculas. Ao
contrário, quando se pratica uma boa ação, as pessoas se
alegram e sua gratidão se transmite, na forma de Luz, ao
espírito do benfeitor, o que fará diminuir as máculas que
o cobrem. Entretanto, mesmo quando se trata de boas
ações, quanto mais elas forem praticadas sem que os
beneficiados saibam, maiores serão as bênçãos de Deus;
essa é a inviolável Lei dos Céus.

O que acabamos de expor é o mecanismo do Mundo


Espiritual. Como representa uma verdade absoluta, a
única alternativa é crer e obedecer. Portanto, já que as
doenças e outros infortúnios são decorrentes da ação
purificadora das máculas, o homem, se quiser alcançar a
felicidade, deve deixar o mal, praticar o bem e esforçar-se
para não macular seu espírito.

Passarei, agora, a falar do ponto de vista material.

A origem da doença é o sangue sujo, que, obviamente,


tem como causa os tóxicos dos medicamentos. Todos os
medicamentos, por natureza, são tóxicos, mas durante
muito tempo, por desconhecimento dos princípios da
ação purificadora, vieram sendo erroneamente
interpretados como remédios.

Baseado na minha experiência, posso afirmar que há


casos de reincidência da doença depois de algum tempo,
mesmo em pessoas que já obtiveram melhora através do
JOHREI. Chamo a isso de repurificação. O que acontece é
que o JOHREI promove a eliminação das toxinas em
processo de dissolução, e com isso o doente tem uma
melhora temporária; entretanto, logo que ele retoma
suas atividades, já com vigor razoável, surge uma ação
purificadora mais intensa. Resumindo, com a purificação
a pessoa ganha saúde, e com a saúde surge a purificação.
Pela repetição desse processo é que se obtém o completo
restabelecimento da saúde.

A repurificação manifesta-se relativamente intensa,


através de febre alta, tosse forte e eliminação de antigas
e solidificadas toxinas em forma de catarro, sendo isso
perceptível pela densidade deste e pelo cheiro de
remédio. Obviamente alguns casos são acrescidos da
perda de apetite e do enfraquecimento do corpo,
podendo, às vezes, o doente partir para o Mundo
Espiritual.

Deus fez do homem o senhor da Terra e por isso criou


alimentos suficientes para a sua subsistência, atribuindo
sabor a cada um deles e, ao homem, o paladar. Portanto,
comer com satisfação aquilo que desejar é suficiente para
o ser humano manter a saúde, sem precisar preocupar-se
com assuntos complexos como nutrição. Assemelha-se ao
desejo sexual, cujo objetivo não é fazer outro homem;
todavia, apesar do objetivo ser outro, inconscientemente
ocorre a procriação. Sendo assim, o homem não deve
ingerir nada que não esteja determinado como alimento,
ou seja, deve excluir tudo que é insípido ou que tem
sabor desagradável, pois essas características já definem
aquilo que não é comestível. Por desconhecimento desse
princípio, costuma-se dizer, desde a antigüidade, que "o
bom remédio é sempre amargo", o que constitui um
flagrante equívoco.

1° de dezembro de 1952

Retirado do livro ‘ A Outra Face da Doença’.

TEORIA SOBRE OS EFEITOS CONTRÁRIOS

Os homens que não obtêm resultados satisfatórios


naquilo que executam com esforço, ou no que julgam ser
uma boa ação, desconhecem a teoria dos efeitos
contrários, ou melhor, falta-lhes discernimento a respeito
de sua razão transcendental. Vou explicar essa teoria
dando alguns exemplos. Quem a entender, não deixará
de lucrar com isso.

Dentre os líderes dos fiéis, há os que procuram mostrar-


se mais elevados, mais importantes do que realmente
são. Tais líderes acabam recebendo o que merecem e,
conseqüentemente, são menosprezados. Aqueles que
sempre mantêm uma atitude discreta e moderada
atraem maior consideração.

Existem, também, os que gostam de contar seus


sucessos, o que não é agradável para os ouvintes. A
exibição é condenável. Quem expõe os fatos tal qual eles
se apresentam granjeia maior simpatia, e sua palavra
discreta o enobrece perante o ouvinte. Ao prestar um
auxílio, evitem falar como estivessem vendendo favores,
pois isso só serve para diminuir o sentimento de gratidão
das pessoas.

Como vemos pelos exemplos acima, em tudo há efeitos


contrários. Se procederem levando esse ponto em
consideração, obterão bons resultados.
Certa vez cedi à insistência de um visitante a quem vinha
evitando, e concedi-lhe uma entrevista. Ele perguntou-
me: “Quem é o deus da Igreja Messiânica Mundial?”
“Ignoro-o completamente”, respondi. O visitante tornou
a interrogar-me: “O senhor prevê todos os
acontecimentos futuros, não é?” Retruquei: “Eu nada sei,
porque não sou Deus.” Parece-me que ele se
decepcionou, pois não voltou mais.

Antigamente, apareciam muitas pessoas que queriam me


enganar, levando-me dinheiro. Nessas ocasiões, antes
que tocassem no assunto, eu lhes indagava se não
conheciam alguém que pudesse emprestar-me
determinada quantia, porque eu estava muito
necessitado. Então elas acabavam se despedindo sem
falar nada a respeito do seu intento.

Também há ocasiões em que, quando acho que uma


pessoa tem qualidades e futuramente pode ter um
grande desempenho na Obra Divina, intencionalmente eu
a trato sem consideração. Aí, ao invés de se mostrar
desinteressada e negligente, ela dedica ainda mais e
realiza ótimos trabalhos. Procuro utilizar tais pessoas em
tarefas importantes, como elementos capazes e dignos de
confiança.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas é de
grande importância ter em mente a teoria dos efeitos
contrários.

3 de outubro de 1951

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.

DEIXANDO NAS MÃOS DE DEUS, A INTELIGÊNCIA ATUA


MEISHU-SAMA: Não se pode pensar nas coisas nem de
forma muito complicada e nem muito simples. Isso
porque, o resultado pode ser ruim quando pensamos
demais. Portanto, deve-se pensar, na medida do possível,
da forma mais simples, sabe? No meu caso também, às
vezes, acontecem coisas complicadas; mas, aí, procuro
pensar da maneira mais simples e, depois, entrego nas
mãos de Deus. Por isso, vivo sempre com a mente
tranqüila. Nesse estado, o ser humano consegue obter
boas idéias. Se não for assim, não haverá condições para
fazê-las fluir Por isso, se deixarmos a cabeça sempre
vazia, elas ocorrerão mais facilmente.

E, quanto às boas idéias, quem as dá é o Espírito


Primordial. Deus não se comunica diretamente com o ser
humano. Ele entra em contato, primeiramente, com o
Espírito Primordial, que no transmite as idéias.
Entretanto, se temos a cabeça ocupada e o
funcionamento da "antena" estiver ruim, não surgirão
boas idéias. É como se fosse um tipo de inspiração... É
preciso fica sempre com um sentimento tranqüilo, sabe?
Entretanto, quando temos problemas ou algo que nos
preocupa, não conseguimos ficar assim. Porém,
dependendo do modo de agir, pode acontece de forma
diferente. Antigamente, quando tinha diversas coisas que
me inquietavam, nada mais entrava na cabeça. Mas
ingressando na Fé, fui conseguindo, aos poucos, entregá-
las nas mãos de Deus e, assim, esquecia-me delas. É
preciso adquirir esse tipo de hábito. É uma espécie de
treinamento. Freqüentemente, as pessoas comentam
sobre suas diversas preocupações, mas como eu rio, elas
ficam chocadas. As pessoas comuns não conseguem
proceder dessa forma. Já me referi respeito desse
assunto em escritos anteriores.

Mioshie-shu No.4 (15/11/1951)


NÃO SE DEVE DEIXAR EXCLUSIVAMENTE NAS MÃOS DE
DEUS

MEISHU-SAMA: É bom entregar nas mãos de Deus, mas


não exclusivamente. Se pensarmos que determinadas
coisas são Vontade de Deus, e se nos detivermos apenas
nisso, acabaremos falhando. Aí, torna-se necessária a
Inteligência Superior.
Conseqüentemente, não devemos ficar presos a um só
fato, e tampouco à força humana. Devemos, sim, obter a
harmonia geral em todas as coisas. Isso é uma das
funções do Izunomê, que não é vertical nem horizontal, é
vertical e horizontal; é uma coisa difícil de explicar. É o
que no budismo se denomina Inteligência Sagrada.
Gossuiji-roku No.4 (01/11/1951)
Retirado do livro 'A Chave da Difusão'.

A CAUSA DA POBREZA
O objetivo da nossa Igreja é construir um mundo isento
de doença, pobreza e conflito. Quanto às questões
relacionadas à doença, tenho a impressão de já tê-las
examinado e explicado detalhadamente, sob todos os
ângulos; não obstante, pretendo continuar dando
esclarecimentos a respeito, pois se trata da medicina
indicada por Deus. Agora, porém, falarei sobre o
problema da pobreza.

A pobreza é decorrente da perda da saúde. Contudo,


existem outras causas importantes. Além de não poder
trabalhar, por causa da doença, a pessoa tem de gastar
muito dinheiro com tratamentos médicos. Se for pouco
tempo, ainda é suportável, mas, quando a doença se
prolonga por um longo período, acarreta desemprego.
Assim, o sofrimento causado pela doença é acrescido das
dificuldades financeiras, de modo que a pessoa, com seu
sofrimento duplicado, fica envolvida pelas escuras nuvens
da intranqüilidade em relação ao futuro, não conseguindo
ir nem para frente nem para trás. Podemos dizer que esse
sofrimento é um verdadeiro inferno.

Por toda parte existem inúmeras criaturas em tal


situação. Esses infelizes, ao conhecerem a nossa Igreja,
logo conseguem vislumbrar a luz da esperança em
relação ao futuro e sair do inferno em que vivem,
começando a ter uma vida alegre. São exemplos
concretos, que podem ser vistos em quantidade nas
Experiências de Fé.

A maior parte dos casos de pobreza pode ser solucionada


dessa forma. Mas, aprofundando um pouco mais,
abordarei outro aspecto importante. Para tanto, relatarei
minha experiência sobre o assunto, com a qual desejo
ensinar o segredo da solução definitiva do problema.

Quando eu era jovem, apesar de ser ateu, sempre tive o


desejo de melhorar a sociedade. Achando que, para isso,
não havia meio mais eficaz do que uma empresa
jornalística, fiz várias pesquisas e fiquei sabendo que,
naquela época, precisaria de mais ou menos um milhão
de ienes. Ora, eu sou de família pobre e só pude me casar
e ter um lar graças à pequena soma em dinheiro que me
foi presenteada por meus pais. Abri, então, uma lojinha
de miudezas a varejo, a qual tinha uma largura de 2,70 m.
Como os resultados foram bons, em pouco mais de um
ano comecei no comércio por atacado e,
aproximadamente dez anos depois, era considerado um
bem-sucedido na vida; meus bens somavam o
equivalente a cento e cinqüenta mil ienes daquela época
(1919). Precipitando-me em conseguir logo a quantia
necessária para a abertura da empresa jornalística,
estendi demais a mão, de modo que acabei falindo, com
dívidas até o pescoço. Conseqüentemente, tive de desistir
da idéia de abrir a empresa.

Desesperado, recorri à Religião. Durante mais ou menos


vinte anos, passei por inúmeros percalços e dificuldades,
tendo sofrido muito por causa de vultosas dívidas. Agora,
entretanto, vejo que tudo isso constituiu a minha prática
ascética. Em geral, os religiosos se isolam nas montanhas,
banham-se em cascatas e fazem jejum, mas acho que a
minha prática foi muito mais difícil e sofrida. E não foi
apenas uma ou duas vezes que me vi afundando em
problemas financeiros. Vou revelar a “filosofia da
pobreza”, que adquiri nessa época, através do estado de
Iluminação.

Além da doença, a causa da pobreza são as dívidas.


Cheguei à conclusão de que, se não as contrairmos,
jamais ficaremos pobres. Ora, quando se toma dinheiro
emprestado, inevitavelmente chega o dia em que se tem
de pagar a dívida. Entretanto, ainda que se disponha do
dinheiro suficiente, geralmente a data determinada para
o pagamento é adiada. Aí está o desencontro. Quando se
faz uma dívida, correm juros todos os dias, sem falhar um
só, até que ela seja liquidada completamente. Por
conseguinte, ainda que a pessoa tenha calculado um
lucro considerável, subtraindo-se os juros, quase não
haverá lucro. Além do mais, a dívida provoca uma
constante intranqüilidade espiritual, e, nesse estado, a
inteligência se atrofia, sendo impossível surgirem boas
idéias.

As dívidas são a causa da maioria dos fracassos ocorridos


na sociedade, e da maioria dos casos de pobreza. Eu, que
despertei para essa realidade, sempre digo às pessoas:
“Se você tiver cem mil ienes, empregue num negócio
apenas um terço dessa quantia, isto é, trinta mil ienes”.
Esse empreendimento, à primeira vista, parece pequeno,
mas, com o passar do tempo, tornar-se-á grande. Caso
haja um fracasso, a pessoa poderá começar tudo
novamente, com outros trinta mil ienes e um novo
método, pois já tem experiência do fracasso. É assim que
a maioria começa a percorrer o caminho do sucesso.
Ocorrendo outro fracasso, ainda restarão à pessoa os
últimos trinta mil ienes; se ela fizer nova tentativa, é certo
que desta vez será bem sucedida.

A maior parte das pessoas, no entanto, se tiverem cem


mil ienes, começam empregando essa quantia toda; às
vezes até fazem empréstimo de mais cinqüenta mil.
Assim, começam com cento e cinqüenta mil, o que é
realmente uma aventura. Se o empreendimento falhar, é
natural que elas recebam um golpe fatal, do qual nunca
mais conseguirão se recuperar. Todavia, se as pessoas
agirem como eu faço, haverá um superávit monetário.
Por isso, quando aparecem negócios pouco dispendiosos
ou de lucro certo, deve-se entrar logo em ação. Ao
contrário, quando a pessoa está com todos os seus
recursos empatados, muitas vezes pode surgir um
imprevisto na hora do pagamento, obrigando-a a deixar
passar o prazo determinado. Com isso, a confiança que
depositaram nela diminui. Se há uma reserva de dinheiro,
ela sempre pode cumprir com a palavra no prazo do
pagamento e, assim, ganhar maior crédito. É dessa forma
que se obtêm grandes lucros.

Darei maiores exemplos sobre o assunto.

O principal motivo da derrota do Japão na última guerra


foi a política de empréstimos. Parece que quase ninguém
percebe esse fato, mas é preciso que se atente bastante
para ele.

Até o início da guerra, o Japão veio aumentando suas


importações a cada ano. Como as dívidas se avolumavam,
foi necessário fazer novos empréstimos para pagá-las.
Com esses empréstimos, o país aumentou seu poderio
militar, expandiu seu território e cada vez estendeu mais
suas mãos para invadir outros países. Naturalmente, além
de empréstimos externos, também se fizeram
empréstimos internos, de modo que o Japão acabou
expandindo a política das dívidas públicas até o fim dos
limites. Os prejuízos que a Ferrovia Nacional está
sofrendo, atualmente, também são herança dessa
política. Caso não a tivessem adotado, talvez não
surgissem pessoas ambiciosas, ávidas de invasões. E mais:
a cada ano o comércio aumentaria as exportações, e, sem
dúvida alguma, o Japão estaria numa ótima situação. Em
conseqüência, a cultura de cunho pacífico expandir-se-ia
amplamente, a moral do povo se elevaria e seríamos uma
nação feliz, invejada pelo mundo inteiro. Além disso, o
país poderia importar com facilidade tudo quanto
precisasse em matéria de alimentos, dando aos demais
países uma sensação de paz e tranqüilidade em relação
ao seu povo. Como resultado, as nações possuidoras de
grandes territórios receberiam com muito prazer os
imigrantes japoneses, e tornar-se-ia desnecessário o
controle da natalidade.

Se a política de empréstimos de uma nação tem essas


conseqüências, nos casos particulares acontece o mesmo.
Acredito que, através de minhas palavras,
compreenderam o método que deve ser empregado para
solucionar o problema da pobreza.

30 de junho de 1949

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


LUZ DA INTELIGÊNCIA

Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa


única. Mas ela pode ser de vários tipos, apresentando
diferentes níveis de profundidade.

Dentre as inteligências, as mais elevadas são: a Divina, a


sagrada e a superior. Precisamos aprofundar a nossa
própria fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando
possuímos espírito correto, que admite a existência de
Deus. Quando há esforço baseado na virtude, esses
aspectos superiores da inteligência se desenvolvem, e a
recompensa será a verdadeira felicidade.

Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista,


ardilosa, satânica e outras, que nascem do mal. Todos os
criminosos servem como exemplo. Os delinqüentes
intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas em
alto grau. Os conhecidos “heróis” de sucesso passageiro
nada mais são do que portadores, em ampla escala,
dessas inteligências nocivas.

É interessante notar que quanto maior for a inteligência


do bem, mais profunda ela é; quanto maior a inteligência
do mal, mais superficial. Basta analisar a vida dos
criminosos, desde épocas remotas, para verificar o que
estamos dizendo. Eles fazem planos aparentemente
perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma falha.
É essa falha que torna público e notório o seu fracasso.
Por conseguinte, se o homem deseja crescente
prosperidade, deve fazer esforços para aprofundar sua
inteligência.

A profundidade da inteligência depende da força da


sinceridade. Assim, conclui-se que o homem cuja fé não é
correta nada conseguirá. Tão logo seja aceita essa teoria,
desaparecerão os males da sociedade.

O homem de hoje é superficial. Isto pode ser facilmente


observado por quem examina os vários campos da
atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se
ocupam de assuntos imediatos; qualquer outro é
negligenciado até que tome vulto. Suas providências
assemelham-se aos remédios alopatas: combatem os
efeitos e não as causas. Ora, todo problema surge porque
existe uma causa; nada acontece sem motivo.

A inteligência superficial não consegue prever o futuro,


ficando impossibilitada de estabelecer uma verdadeira
política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida
porque “enxerga” os lances subseqüentes; o novato é
derrotado porque não os prevê.
Neste sentido, o homem deve conscientizar-se de que
precisa cultivar as inteligências de nível superior, pois,
sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos
compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.

25 de maio de 1949

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


LIBERTAÇÃO

Fala-se em libertação, mas não é fácil defini-la como algo


bom ou mau. De acordo com a idéia geral, libertar-se
significa sair de um estado de confusão e obter
Iluminação, desapegar-se, ou ter desprendimento.
Expressão muito usada no budismo, soa como fuga ou
isolamento, e é um conceito característico dos orientais.

Em termos de prática cotidiana, há uma redução da


atividade material à medida que aumenta a Iluminação.
Isto é, perde-se o espírito de competição e os países
entram em decadência. Exemplo disso é a Índia.

Geralmente, o homem tem entusiasmo pela vida graças à


ilusão, mas o excesso de ilusões é perigoso. A resignação
enfraquece o ritmo das atividades, mas a falta de
resignação também gera tragédias, principalmente
quando se trata do relacionamento amoroso. Portanto, a
renúncia total é pouco aconselhável, porque elimina o
sabor da vida. A pessoa se torna solitária, vive como se
fosse um corpo sem alma.

Refletindo sobre o que acabamos de expor, logo


percebemos que todo exagero é prejudicial. É bom ter
noção de limites. Este mundo é realmente difícil e
interessante; doloroso e agradável. Mal podemos
distinguir as fronteiras da alegria e do sofrimento.

Creio que o homem deve se desapegar no momento


adequado, e insistir quando o caso merece ser levado
adiante. Quando procura forçar a situação, a pessoa fica
indecisa, e esta indecisão mostra que ainda não é o
momento propício e que é preciso esperar o tempo certo,
de acordo com o tempo, circunstância e nível. O
fundamental é saber ceder às circunstâncias, descobrindo
os meios mais convenientes de agir. Isso exige
Inteligência Superior. Ela é que gera a capacidade de
correto discernimento, a qual aumenta na medida em
que diminuem as máculas do espírito.

O essencial, portanto, é eliminar as máculas espirituais, o


que requer sinceridade. E a sinceridade nasce da fé.
Aquele que aceitar e praticar este princípio será
considerado homem íntegro.

25 de janeiro de 1951

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'


AURA

Já falei a respeito do Johrei como transmissão da Luz


Divina, mas darei agora uma explicação mais profunda.

O corpo espiritual do homem possui a mesma forma do


corpo carnal; a única diferença é que no corpo espiritual
existe aquilo que denominamos “aura”.

O corpo espiritual irradia incessantemente uma espécie


de ondas de luz. É como se fosse a veste do corpo
espiritual, daí a denominação “aura”. Sua cor é
geralmente branca, porém, conforme a pessoa, poderá
ser amarelada ou roxa. Também há diferença de largura:
normalmente tem cerca de três centímetros, mas no
enfermo é fina; à medida que a enfermidade se agrava, a
aura vai afinando cada vez mais, e na hora da morte
desaparece. A expressão popular “Fulano está com a
sombra da morte na face” justifica-se pela percepção de
que a aura de pessoas nesse estado é quase inexistente.
Nas pessoas saudáveis, ao contrário, ela é larga. Essa
largura torna-se ainda maior nos virtuosos, cujas ondas
de luz também são mais fortes; nos heróis, a aura é mais
larga do que nas pessoas comuns; nas personalidades
ilustres do mundo, é ainda mais, sendo
extraordinariamente larga nos homens santos.
Entretanto, a largura da aura não é fixa; varia
constantemente, de acordo com os pensamentos e atos
da pessoa. Quando esta pratica ações virtuosas, baseada
na justiça, sua aura é larga; caso contrário, é fina. As
pessoas de sensibilidade comum em geral não
conseguem enxergar a aura, mas existe quem o consiga.
Mesmo aquelas, se observarem atentamente, poderão
vislumbrá-la.

A largura da aura tem relação direta com o destino do


homem. Quanto mais larga ela for, mais feliz ele será. Os
que têm aura larga são mais calorosos, causam uma boa
impressão e atraem muitas pessoas, porque as envolvem
com sua aura. Ao contrário, aqueles cuja aura é fina
causam uma impressão de frieza, desagrado e tristeza, e
temos pouca vontade de permanecer em sua companhia.

Em face do que dissemos, o esforço para aumentar a


largura da aura é a fonte da felicidade. Mas de que forma
devemos agir? Antes de responder a essa pergunta, darei
uma explicação sobre a natureza da aura.

Já sabemos que todos os pensamentos e atos humanos se


subordinam ao bem ou ao mal. A largura da aura também
é proporcional à soma do bem ou do mal. Isto significa
que, na ocasião em que a pessoa pensa ou pratica o bem,
surge-lhe o sentimento de satisfação na consciência, o
qual se transforma em luz e soma-se ao seu corpo
espiritual, aumentando-lhe, assim, a luminosidade; ao
contrário, o mal transforma-se em máculas, que também
se acrescentam às já existentes no corpo espiritual da
pessoa. Ao mesmo tempo, quando se faz o bem, a
gratidão do beneficiado torna-se luz, e esta, através do
elo espiritual, é transmitida para o praticante do bem,
aumentando-lhe, conseqüentemente, a luz; em
contraposição, pensamentos de vingança, ódio, inveja,
etc., transformam-se em máculas, que são transmitidas à
outra pessoa pelo elo espiritual, somando-se às que ela já
possui. Sendo assim, é importante que o homem pratique
o bem, alegre o próximo e dele jamais receba
pensamentos como os que mencionamos.

O fracasso e a ruína daqueles que rapidamente


conseguiram fortuna ou posições elevadas têm origem no
que acabo de expor. Atribuindo a causa do sucesso à sua
capacidade, inteligência e esforço, a pessoa cai na
presunção e na vaidade, torna-se egoísta e arrogante,
vive uma vida de luxo, passando a ser alvo de
sentimentos geradores de máculas. Em conseqüência
disso, a sua aura vai perdendo luz e afinando, e acaba
sobrevindo a ruína. Esse é o fim de muitas famílias nobres
e de muitos milionários. Socialmente, ocupam posição
superior e recebem da sociedade e do País os favores
correspondentes a essa posição, razão pela qual deveriam
retribuí-los adequadamente, isto é, fazendo o bem em
abundância. Dessa forma, suas máculas estariam sendo
eliminadas constantemente. A maioria das pessoas,
entretanto, só pensa em proveito próprio; em
decorrência disso, avolumam-se-lhes as máculas e o seu
espírito desce a um nível muito baixo, apesar de
conservarem as aparências. Por fim, pela Lei do Espírito
Precede a Matéria, essas pessoas acabam arruinadas.

Um pouco antes do grande terremoto ocorrido em 1923


na Região Leste, o qual arrasou Tóquio, um vidente me
disse que, ao invés da cidade de prédios grandes e
magníficos, vira uma cidade cheia de casebres. E qual não
foi a minha surpresa, ao constatar que realmente a
cidade ficara como ele havia visto!

Ainda podemos citar outro exemplo. Refere-se ao


industrial americano John D. Rockfeller (1839-1937) e
ocorreu quando ele era jovem e ainda não havia
acumulado sua fabulosa fortuna. Rockfeller tinha
começado a trabalhar numa loja e, baseado no conceito
de que o homem deve fazer o bem, começou a dar
donativos para uma igreja. Inicialmente dava cinco
centavos por semana, mas, conforme o aumento de sua
renda, foi aumentando o donativo, até que acabou
instituindo o famoso Rockfeller Research Center. Ele
registrava as quantias doadas no verso de uma caderneta
que, segundo dizem, é considerada tesouro familiar.
Falam, também, que Andrew Carnegie (1835-1919),
fundador da Bethlehem Steel Corp., a maior firma do
gênero na América do Norte, fez prevalecer, quando
morreu, a tese que sempre defendera, destinando a
obras de assistência social quase toda a sua fortuna,
avaliada em bilhões de dólares. Para o seu herdeiro
deixou apenas um milhão de dólares e educação
universitária garantida. A propósito, o grande psicólogo
alemão Hugo Munsterberg (1863-1916) elogia os
milionários que não deixam heranças.

Só em 1903, segundo dizem, as doações de milionários


americanos a universidades, bibliotecas e institutos de
pesquisas somaram mais de dez milhões de dólares,
sendo que as doações anônimas teriam superado várias
vezes essa quantia. Logo após a Primeira Guerra Mundial,
Andrew Carnegie doou uma quantia muito elevada à
International Peace Foundation, e com uma parte dessa
importância a Ciência e a Educação na Alemanha foram
grandemente beneficiadas. A edição de volumosa obra de
pesquisa – a primeira do mundo – sobre guerra e crime,
realizada por uma equipe de mestres liderada pelo
professor Lipmann (1857-1940), foi possível graças a essa
ajuda, e dizem ser inestimável a contribuição que ela
trouxe para a felicidade mundial. Ao pensar em tais fatos,
posso compreender por que os Estados Unidos
prosperaram tanto. Os grandes grupos econômicos do
Japão, entretanto, foram excessivamente egoístas, e julgo
que a isso se deva sua queda, e nunca a uma
coincidência.

Quanto mais fina é a aura, mais sujeita está a pessoa a


infelicidade e desastres. A razão é que, em virtude das
máculas, o intelecto fica entorpecido, o raciocínio falha, a
força de decisão diminui, e não se pode ter uma previsão
correta das coisas; por conseguinte, a pessoa se
impacienta, pois deseja o sucesso rápido. Tais criaturas
podem conseguir sucesso passageiro, mas nunca
duradouro. Nesse sentido, se a política de uma nação é
ruim, é porque a aura de seus governantes é fina, assim
como também a do povo, que sofre as conseqüências
dessa má política.

Aqueles que têm grande quantidade de máculas


geralmente passam por muitas purificações; facilmente
são vítimas de doenças ou acidentes. Quem sofre
acidente de trânsito é porque tem aura fina; quem tem
aura espessa, em qualquer situação livra-se do perigo.
Por exemplo, na iminência de alguém ser apanhado por
um veículo, o espírito deste se chocará com a pessoa se
ela tiver aura fina, mas não ocorrerá o choque se a sua
aura for espessa. Nesse caso a pessoa é arremessada para
longe e nada sofre, graças à elasticidade da sua aura.
Refletindo sobre o princípio aqui exposto, podemos
concluir que o único meio para nos tornarmos felizes é
aumentarmos a espessura da nossa aura praticando o
bem. Existem criaturas que se resignam diante da má
sorte; elas me causam pena, pois não conhecem esse
princípio. Também, quanto mais espessa for a aura dos
ministros desta Igreja, mais pessoas eles salvarão, e,
quanto mais pessoas salvarem, mais agradecimentos
receberão, o que fará aumentar a espessura de sua aura.
Simultaneamente, melhores serão os resultados do seu
trabalho de difusão. Tenho muitos discípulos assim.

5 de fevereiro de 1947

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


O QUE É LIMITE

Tempos atrás, em determinado lugar, fiquei admirado ao


ver um quadro do professor Yamaoka Teshu. Em cima,
estava escrita, com letra bem grande, a palavra LIMITE.
Abaixo, em letras pequenas, lia-se: “Em tudo os homens
dependem dessa única palavra.” Isso ficou gravado de
forma tão profunda em minha mente que até hoje não
consegui esquecer. Durante dezenas de anos, em diversas
ocasiões, lembrei-me daquele quadro, e a lembrança me
foi de grande utilidade.

Muitas palavras sábias vêm sendo ditas desde os tempos


antigos, mas talvez nenhuma tenha me impressionado
tanto quanto aquela. É constituída de uma letra apenas,
mas que força maravilhosa! Quando observamos as
diversas situações do mundo tomando-a como ponto de
referência, constatamos que ela se encaixa perfeitamente
em todas. Ajusta-se, por exemplo, à passividade, aos
exageros, aos pensamentos extremados voltados para a
esquerda ou para a direita, à ostentação proveniente da
riqueza e à inibição motivada pela pobreza. Não sei por
que as pessoas sempre se colocam nos extremos. Talvez
seja por isso que, na maioria das vezes, elas fracassam. A
famosa admoestação de Confúcio no sentido de se obter
o meio-termo surgiu para evitar esses fracassos. As
expressões antigas “é bom não exceder o limite”, “o
limite é bom”, “guardar o limite” significam, em síntese,
que cada um deve proceder de acordo com a sua própria
posição social.

Do ponto de vista espiritual, segundo a doutrina da nossa


Igreja, se cruzarmos o vertical e o horizontal, isto é,
“Shojo” e “Daijo”, efetuar-se-á, no centro, a ação de
“Izunomê”. Isso resumido, significa também “limite”. Por
conseguinte, antes de mais nada, o homem deve
respeitar os limites. Se o fizer, tudo lhe irá às mil
maravilhas.

8 de agosto de 1951

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


OSTENTAÇÃO RELIGIOSA

Todos que vêm a mim pela primeira vez dizem a mesma


coisa: “Antes de conhecê-lo, eu pensava que o senhor
fosse uma criatura pouco acessível, que sempre estivesse
rodeado de pessoas. Imaginava que, para dirigir-me ao
senhor, deveria fazê-lo com o maior protocolo. Foi com
muito medo que resolvi visitá-lo, mas, ao contrário do
que esperava, tudo foi tão simples e fácil que fiquei
surpreso.”

Realmente, quando se trata de um fundador de religião


ou de um chefe, a tendência geral é pensar que eles
vivem cercados de aparato. Em tempos passados, vários
de meus subordinados quiseram que eu procedesse dessa
forma. Entretanto, eu não sentia vontade alguma de agir
assim e continuei a ser a pessoa simples que sempre fui.

Muita gente deve estar curiosa, perguntando a si mesma


por que eu não assumo uma atitude ostentosa,
comportando-me como se fosse um deus. Vou explicar a
razão.

Talvez pelo fato de ter nascido em Tóquio, jamais gostei


de exibicionismo. Como detesto a falsidade, acho que
aparentar aquilo que não sou e criar diversos aparatos é
uma forma de mentir; além do mais, à vista dos outros,
pode ser até uma atitude desagradável. Afinal de contas,
o melhor é a pessoa se mostrar como realmente é.

Na posição em que me encontro, talvez fosse melhor eu


ficar no fundo da nave, junto ao altar, como um deus, e
ali dar audiências, porque assim eu me valorizaria muito
mais. Não gosto disso, porém. Àqueles que não aprovam
meu procedimento eu sempre digo que não precisam
permanecer comigo. Todavia, com o passar do tempo,
como a realidade mostra a constante expansão da nossa
Igreja, constato que o número de pessoas que aceitam
minha maneira de agir é cada vez maior, e isso me deixa
muito satisfeito.

Devo acrescentar que considero minha natureza muito


diferente da de outras pessoas. Detesto imitar o que os
outros fazem. Esse é um dos motivos pelos quais não me
porto com ostentação. Quero ter sempre a aparência de
pessoa comum. Agindo assim, também estou quebrando
a tradição geral, mas esta característica contribuiu muito
para que eu pudesse descobrir a forma revolucionária de
curar todos os males: o Johrei. Como os fiéis sabem,
manifesto o poder de curar doenças através do Ohikari,
que confecciono escrevendo uma letra numa folha de
papel, não diferencio Deus de Buda, estou construindo o
protótipo do Paraíso Terrestre, empenho-me na
promoção da Arte, evito a ostentação religiosa, etc. Se eu
quisesse, poderia enumerar uma infinidade de realizações
minhas que realmente quebram a tradição. A propósito,
dias atrás, fui visitado por uma jornalista do Fujin Koron,
que me disse ter ficado surpreendida ao chegar à entrada
da Sede Provisória e não ver nenhum aparato que
lembrasse uma Igreja. Ela achou muito estranho. Daqui
por diante pretendo realizar uma intensa atividade
religiosa em todos os campos da sociedade, mas de forma
absolutamente inédita.

13 de maio de 1950

Retirado do livro 'Alicerce do Paraíso'.


FELICIDADE

Em todos os tempos, o ser humano aspirou à felicidade,


primeiro e último objetivo do homem e meta de todo
preparo, esforço e aperfeiçoamento. Mas quando
poderão as criaturas consegui-la de fato? A maioria, não
obstante ansiar pela felicidade, permanece vítima das
desgraças e deixa este mundo antes de desfrutar a alegria
de vê-la concretizada.

Será, então, a felicidade algo tão difícil de se conseguir?


Devo dizer que não. A felicidade baseia-se na eliminação
de três fatores principais: doença, pobreza e conflito.
Como essa eliminação não é fácil, a maior parte das
pessoas submete-se a uma forçada resignação.

Tudo se enquadra dentro da Lei de Causa e Efeito, e a


felicidade não foge a essa lei. Descobrir sua causa será,
pois, descobrir a chave do problema. A solução da
incógnita está na compreensão do amor altruísta. Lutar
pelo bem-estar do próximo é a condição essencial para
nos tornarmos felizes. O mundo, entretanto, está repleto
de pessoas que buscam a felicidade apenas para si,
indiferentes à desgraça alheia.
É uma tolice almejar a felicidade semeando a infelicidade.
É como a água de um recipiente: se a empurramos, ela
volta; se a puxamos, ela se afasta. A necessidade da
Religião reside nesse ponto. O amor pregado pelo
cristianismo e a caridade búdica têm por propósito
infundir a fraternidade no coração humano. Contudo,
essa verdade tão simples é difícil de ser reconhecida pelo
homem.

Deus, por meio de Seus representantes, criou as religiões,


que por sua vez estabeleceram doutrinas, através das
quais são indicadas as bases do viver. São as religiões que
nos ensinam a existência de um Ser Invisível, para, com a
mais pura intenção, conduzir-nos ao caminho da Fé. Não
é pequeno o empenho requerido para salvar uma pessoa.
A vida, realmente, não tem sentido para a maioria, que,
não sendo ensinada a crer no invisível, parte para o Além
indiferente aos Ensinamentos, ludibriada e perdida nas
trevas. Todavia, para os que souberem desfrutar da
alegria de viver, extasiar-se com as verdades, conseguir
vida longa e o meio de serem verdadeiramente felizes, o
mundo será, sem dúvida, um paraíso digno de ser vivido.

Nós afirmamos que, para nos tornarmos felizes, há um


caminho cujo rumo está indicado neste livro, apresentado
com tal propósito.
1º de dezembro de 1948
AGUARDAR O TEMPO CERTO

A minuciosa observação dos vários setores sociais mostra


como é grande o número dos fracassados.

Se o fracasso representasse sofrimento apenas para o


próprio indivíduo, este poderia resignar-se, atribuindo a
culpa à sua inexperiência e má sorte. Mas não é assim; a
família também é atingida, há prejuízo para parentes e
amigos, e o fato isolado acaba constituindo uma espécie
de mal social. Logicamente, a pessoa não tinha intenção
de prejudicar ninguém; no entanto, em decorrência de
seu fracasso, muitas outras foram prejudicadas.

O problema não deve ser menosprezado. É preciso


examiná-lo profundamente, pois, quase sempre, sua
causa reside em fatores que passaram despercebidos.

De início, a pessoa concebe um plano, prepara-o


cuidadosamente (pelo menos imagina que está agindo
assim), mas, quando se entrega à execução da obra, as
coisas não correm como pensava. Começam a surgir
dificuldades e obstáculos, que lhe impedem o
discernimento e descontrolam suas perspectivas de
futuro. Essa é a trajetória habitual dos que fracassam.
Vejamos a causa de sua derrota.
Podemos resumi-la numa frase: eles não levaram em
consideração o tempo. Este, de modo geral, é um fator
absoluto. Flores, frutos, produtos agrícolas, tudo tem seu
tempo certo. Mesmo que as condições sejam favoráveis,
se não forem levadas em conta as exigências da estação,
isto é, do tempo, não haverá bons resultados.

As flores silvestres desabrocham na primavera, porque


seus bulbos são plantados no outono; as flores dos jardins
nos encantam do verão ao outono, porque seus bulhos e
sementes são plantados na primavera.
Os frutos também têm sua época de amadurecimento.
Não podemos sentir o seu sabor enquanto estão verdes;
quando bem maduros, são deliciosos. Mesmo os
produtos agrícolas têm seu tempo de amanho,
semeadura e transplantação. E devem estar de acordo
com a terra e o clima.

Como vemos, a Grande Natureza ensina ao homem a


importância do tempo. Em seu estado original, ela é a
própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os
projetos do homem. Eis a condição vital para o sucesso.

O Johrei, a Agricultura Natural e outros princípios


preconizados por mim praticamente não fracassam; eles
alcançam os objetivos almejados porque se baseiam na
Lei da Natureza.

Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto


com objetividade, examinando-o sob todos os ângulos
possíveis, e ponho-me a refletir calmamente. Só me
entrego aos preparativos indispensáveis após me
convencer de que o plano é correto e útil à humanidade
em todos os aspectos e possui sentido duradouro.

Acontece que a maioria das pessoas não tem paciência


para esperar. Lançam-se à obra prematuramente,
provocando desequilíbrio entre o projeto e o tempo. Por
se afobarem, aumentam esse desequilíbrio, e daí
sobrevém o fracasso. Portanto, em todos os
empreendimentos, o essencial é ter paciência para
aguardar a chegada do tempo exato. As coisas possuem,
infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda razão
dizem os velhos provérbios: “Se esperarmos, teremos
bom tempo para navegar”, “A sorte se espera deitado” e
“Mire cuidadosamente para acertar o alvo”.

Muita gente se impacientou com meu sistema. Houve


quem me apresentasse idéias e planos que, às vezes, eu
prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as
pessoas reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim,
estava à espera do tempo adequado.
Os conhecidos aforismos “Agarre a oportunidade” e “Não
perca a ocasião” confirmam o que estou dizendo.

Sentimos que estamos diante da ocasião propícia quando,


preenchidas todas as condições, passamos a sentir um
forte impulso para executar o plano imediatamente. Tudo
se processará, então, com facilidade, devido ao
amadurecimento do tempo. Aguardando o tempo certo,
estaremos poupando esforços e todas as coisas correrão
bem. Em resumo, devemos refletir bem antes de agir. Por
exemplo: se algo impede que uma pedra role morro
abaixo, mas tentarmos empurrá-la, despenderemos
muita força. Entretanto, se soubermos esperar
pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido pelo peso
da pedra. Com o tempo, até o empurrão de um dedo a
fará precipitar-se. É o que acontece com a oportunidade.

“Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante”.


Esta frase foi dita satiricamente por Ieyassu Tokugawa, o
fundador da dinastia Tokugawa, a qual governou o Japão
durante trezentos anos porque ele soube dar tempo ao
tempo.

Creio que o que dissemos é suficiente para


compreenderem a importância do tempo. Nao Deguti
escreveu: “Com o tempo nem Deus pode”. Isso resume
admiravelmente a verdade da questão.

25 de junho de 1949

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


FILOSOFIA DA INTUIÇÃO

Quando jovem, fui simpatizante da teoria de Henri


Bergson, o eminente filósofo francês (1859-1941). Ainda
me lembro dessa teoria e vou expô-la, nesta
oportunidade, por considerá-la de grande proveito do
ponto de vista religioso.

Segundo minha interpretação, a filosofia de Bergson


baseia-se nestes três princípios: “Todas as coisas se
movem”, “Teoria da Intuição” e “O eu do momento”.
Dentre eles, o que mais me impressionou foi a “Teoria da
Intuição”, a qual diz o seguinte: “É algo dificílimo ver as
coisas exatamente como elas são, captar o seu verdadeiro
sentido, sem cometer o mínimo engano.” Estudemos o
porquê dessa afirmativa.

Os conceitos formados pela instrução que recebemos,


pela tradição, pelos costumes, etc., ocupam o
subconsciente humano, formando como se fosse uma
barreira, e dificilmente o percebemos. Tal “barreira”
constitui um obstáculo quando observamos as coisas.
Quando dizemos, por exemplo, que todas as religiões
novas são supersticiosas, heréticas ou falsas, devemos
esse julgamento à “barreira”, que está servindo de
estorvo.
Os homens de hoje, através dos jornais, das revistas, do
rádio e dos comentários públicos, constantemente
tomam conhecimento de idéias e opiniões que
concorrem para aumentar e solidificar essa “barreira”.
Devido ao conceito de que as doenças só podem ser
curadas pela medicina, a realidade é deturpada quando
ocorre um milagre: dizem ser ação do tempo ou buscam
mil explicações. Presenciamos tal fato com freqüência.

A “Teoria da Intuição” encarrega-se de corrigir tais erros,


comuns entre os homens. Libertando-os, completamente,
de preconceitos, ela os ensina a fazerem uma fiel
observação dos fatos. Para isso é necessário ser “o eu do
momento”, isto é, fazer com que a impressão
instantânea, captada pela intuição, corresponda à
verdadeira substância do objeto de observação. Caso
presenciamos uma cura realmente milagrosa, devemos
crer, pois essa é a verdadeira observação. Se, ao
contrário, julgamos impossível que uma doença seja
curada sem o auxílio de aparelhos ou remédios, significa
que estamos sendo bloqueados pela tal “barreira” de
preconceitos. Na hipótese de alguém acrescentar: “Isto é
superstição, não pode ser verdade”, é porque a “barreira”
do próximo está contribuindo para aumentar o obstáculo,
e devemos ficar de guarda contra isso.

O outro princípio – “Todas as coisas se movem” – significa


que tudo está em eterno movimento. Por exemplo: nós
não somos os mesmos de ontem, nem mesmo o que
fomos há cinco minutos atrás; o mundo de ontem não é o
mesmo de hoje. Isso abrange também a sociedade, a
civilização e as relações internacionais. Precisamos,
portanto, fazer uma observação fiel, isto é, uma
observação clara, do homem e de suas transformações.

Ao invés de modificarem seus pontos de vista e


pensamentos, para acompanharem o constante
movimento evolutivo, as religiões antigas criticam as
religiões novas, servindo-se de conceitos religiosos
milenares. Eis por que não conseguem ter uma idéia
exata a respeito delas.

Esta é a teoria de Bergson aplicada ao campo religioso.

30 de janeiro de 1950

Retirado do livro "Alicerce do Paraíso".


SERMÃO, JOHREI E FELICIDADE

Desde os tempos antigos, as religiões sempre se


basearam em dogmas, transmitindo-os através de
sermões. Em nossa Igreja – os messiânicos o sabem –
quase não se utiliza esse recurso. Vou explicar por quê,
levando em conta que alguns fiéis ficam embaraçados
quando estranhos lhes fazem perguntas sobre o assunto.

A finalidade da Religião é eliminar erros e incentivar a


prática das virtudes. Contudo, essa prática só é realmente
possível quando as máculas espirituais são eliminadas.
Uma vez que o espírito esteja purificado, cessarão os atos
condenáveis e a pessoa se tornará honrada, útil ao seu
meio social e a toda a humanidade.

Os sermões são processos purificadores que agem


através do sentido da audição. Os livros sagrados, como a
Bíblia, a sutra budista, e os ensinamentos de várias
religiões, agem mediante o sentido da visão e o espírito
das palavras. A Igreja Messiânica Mundial também se
utiliza desses meios, mas possui ainda o processo
purificador denominado Johrei.

O Johrei não visa curar doenças; é, antes, um método de


criar felicidade. Ele não pode ter como objetivo a cura das
doenças, porque estas são formas de purificação; sua
finalidade é eliminar as máculas do espírito. O resultado
da erradicação dessas máculas é a extinção dos
sofrimentos humanos.

Costumo ensinar que a doença, a pobreza e o conflito são


processos purificadores. A doença é o principal, porque
afeta a própria base da vida. Quando conseguirmos
vencê-la, também solucionaremos o problema da
pobreza e do conflito. Portanto, a base da felicidade é a
eliminação das máculas espirituais. O Johrei é o método
mais simples e infalível para erradicá-las. É, pois, evidente
que ele não visa a própria doença, e sim as suas causas.

Como já escrevi em outras oportunidades, o corpo


material do homem vive no Mundo Material, e o espírito,
no Mundo Espiritual. Sendo assim, a situação do Mundo
Espiritual influi sobre o espírito e se reflete sobre o corpo,
de modo que o destino do homem se origina no Mundo
Espiritual.

O Mundo Espiritual está dividido em três planos:


Superior, Intermediário e Inferior. Cada plano é
constituído de três níveis, e cada nível se subdivide em
vinte camadas. Ao todo, são cento e oitenta camadas,
mais uma – acima de todas – ocupada por Deus. Temos,
pois, cento e oitenta e uma camadas. Qualquer entidade,
por mais elevada que seja, acha-se numa das cento e
oitenta camadas.

Essa explicação tem por base o sentido vertical.


Horizontalmente, a extensão de cada plano varia no
sentido do Inferno até o Céu.

Suponhamos que um espírito se encontre no nível inferior


do Plano Inferior; isto significa que ele se acha no fundo
do Inferno. Como nesse local o sofrimento do espírito é
muito intenso, há terrível reflexo sobre o corpo físico, que
passa a ser espantosamente atormentado. No nível
médio do Plano Inferior, o reflexo é menos danoso. Então
o sofrimento se torna mais suave, mais tolerável. E assim
por diante. Os padecimentos variam de acordo com a
posição do espírito nas várias camadas do Mundo
Espiritual.

Ultrapassando-se as sessenta camadas do Plano Inferior,


atinge-se o Plano Intermediário, que corresponde à vida
na Terra. Acima do Plano Intermediário está o Plano
Superior, o Reino dos Céus, onde se acham os anjos e
onde se pode desfrutar uma vida de felicidade.
Como se vê, a posição em que se acha o espírito de uma
pessoa reflete-se no seu destino. Por isso, devemos
esforçar-nos para elevar o nosso nível espiritual, o que
significa reduzir os nossos sofrimentos e,
proporcionalmente, aumentar a nossa felicidade. Assim,
não mais serão necessários os sofrimentos purificadores.
É inútil apelar para a inteligência e envidar esforços
enquanto o espírito estiver no Plano Inferior, porque esta
é a Lei de Deus. E a Lei do Espírito Precede a Matéria
também é inviolável.

Concluímos, portanto que, para ser feliz, é necessário crer


em Deus Absoluto, adorá-Lo, compreender e praticar a
Sua Vontade, somar méritos e purificar o espírito de
modo que o seu habitat espiritual se eleve ao Céu. Não há
outro processo para alcançarmos a felicidade, e nisso
reside o profundo significado do Johrei.

25 de março de 1952
TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO EM PARAÍSO ATRAVÉS
DA SAÚDE
É inegável que a grande profecia de Cristo sobre a
chegada do Reino dos Céus encerra um significado
idêntico ao objetivo de todas as religiões: a construção de
um mundo melhor, um mundo de felicidade, do qual
terão sido erradicados os sofrimentos e as angústias que
afligem o homem.

Lamentavelmente a realidade nem sequer esboça a


concretização desse ideal comum, parecendo mesmo que
só num futuro muito distante o mundo se libertará da
situação infernal em que se encontra. Mas por que será
que, apesar dos esforços contínuos empreendidos, desde
a antiguidade, pela Religião, pela Filosofia, pela Ciência,
pela Moral e pela Educação, tanto no Ocidente como no
Oriente, não se nota nenhum progresso nesse sentido?
No que diz respeito à saúde do homem, que é a raiz da
tragédia, a verdade é que não se vislumbra nenhuma luz
capaz de solucioná-la. Tenho falado com grande
freqüência sobre isso, mas acredito que nunca será
demais insistir no assunto, porque, se o problema da
doença não for totalmente solucionado, a concretização
de todas as outras condições não terá nenhum
significado.
O Johrei criado por mim elimina todas as enfermidades,
possibilitando a existência de homens realmente sadios.
Entretanto, uma descoberta tão extraordinária ultrapassa
em muito o nível da cultura atual, tornando-se assim alvo
fácil de más interpretações. É como uma pessoa que,
estando no chão, não tem a mesma visão de outra que
esteja sobre o telhado de uma casa.

Pesquisando a fundo a raiz de todas as tragédias, sempre


encontramos a doença. Há pessoas que, mesmo jovens,
são acometidas de tuberculose, havendo algumas a quem
isso acontece quando estão para se formar e não só
frustra os seus sonhos, mas também a única esperança da
família, lançando a todos a um destino sombrio. Outras,
já de meia idade, fracassam em seus empreendimentos;
há, ainda, aquelas que, após terem consolidado a duras
penas os alicerces do seu trabalho, na hora de se
lançarem às suas realizações são vitimadas por
enfermidades que as obrigam a retirar-se dos negócios.
Conclui-se que realmente a maior parte das tragédias de
caráter social tem sua origem na doença.

Nos trágicos dias atuais, surgiu repentinamente o Johrei.


As pessoas que ingressarem em nossa Igreja e
entenderem o seu verdadeiro significado, poderão
compreender facilmente que ele seja a maravilha da
medicina que marcará época na História.
(Cap. X - Série “Minha Visão” — 20 de abril de 1950)
Fonte:- A Verdadeira Saúde Revelada por Deus
NUNCA DESANIME DIANTE DE PURIFICAÇÕES DIFÍCEIS
"Haverá ocasiões em que enfrentaremos purificações
difíceis, que demoram muito e aparentemente não
produzem nenhum benefício imediato. Se isso nos
acontecer, nunca devemos desanimar, mas sim orar
pedindo coragem e força e fazer o que estiver ao nosso
alcance para melhorar, aguardando com integral
confiança no Amor e Sabedoria de Deus.
Mesmo que estejamos acamados e não possamos
movimentar-nos, podemos ter boas intenções e orar pelo
bem estar dos outros, porque em qualquer lugar as altas
vibrações do pensamento positivo, muito podem
contribuir para o ambiente de espiritualidade. Deus
atende as nossas orações na hora precisa e as melhorias
ocorrem quando Ele assim o desejar.
A despeito de nossas mais ardentes orações, existem
problemas e dificuldades neste mundo que parecem
tornarem-se cada vez mais insolúveis, desafiando todos
os nossos esforços físicos e mentais. Durante tais
situações ou condições, deveríamos fazer tudo o que
fosse possível para o bem das outras pessoas e para a
sociedade em geral. Inevitavelmente chegará o tempo em
que, através da benção de Deus, o aparentemente
impossível transformar-se-á em realidade.
Paciência e tolerância são muito importantes em
qualquer situação. Não obstante oremos com fervor e
trabalhemos duramente, há ocasiões em que nossos
esforços parecem infrutíferos. Isso não significa que
devemos parar de orar e de continuar tentando. Através
de sinceros esforços e oração constante para elevar as
vibrações espirituais de nosso ambiente pelo poder de
Deus, todos os problemas serão finalmente resolvidos."
Nidai-Sama