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FREDERICO AMADO

Curso de Direito e Processo

PREVIDENCIÁRIO
Agora com NOVO FORMATO
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13ª
Edição
revista
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ampliada

Agora com
ÍNDICE REMISSIVO

2020/2

Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 3 11/08/2020 17:14:55


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Contribuições previdenciárias
Sumário • 1. Introdução – 2. Natureza jurídica – 3. Aspecto material e temporal do fato gerador – 4. Contribuições
previdenciárias dos trabalhadores e demais segurados do RGPS: 4.1. Empregado, trabalhador avulso e empregado
doméstico; 4.2. Contribuinte individual e segurado facultativo; 4.3. Segurado especial – 5. Contribuições previdenci-
árias da empresa e do equiparado a empresa: 5.1. Incidentes sobre as remunerações dos empregados e avulsos; 5.2.
Incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais; 5.3. Incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou
fatura da prestação de serviços das cooperativas de trabalho; 5.4. Regra especial – Empresas optantes do Simples Na-
cional – 6. Contribuição previdenciária do empregador doméstico – 7. Contribuições previdenciárias substitutivas da
parte patronal: 7.1. Associações desportivas que mantém equipe de futebol profissional; 7.2. Produtor rural pessoa fí-
sica (PRPF); 7.3. Produtor rural pessoa jurídica (PRPJ) – 8. Substituição da contribuição previdenciária sobre as remu-
nerações pela contribuição sobre a receita ou faturamento das empresas – 9. Arrecadação – 10. Parcelamento – 11.
Encargos decorrentes do atraso no pagamento – 12. A retenção feita pelo contratante de serviços de cessão de mão
de obra – 13. Hipóteses de responsabilização solidária: 13.1. Construção civil; 13.2. Empresas do mesmo grupo eco-
nômico; 13.3. Gestores dos entes da Administração Pública Indireta; 13.4. Administração Pública; 13.5. Operador por-
tuário e órgão gestor de mão de obra; 13.6. Produtores rurais integrantes de consórcios simplificados; 13.7. Oficial
de Cartório e contratantes; 13.8. Trabalho temporário – 14. Restituição e compensação das contribuições previden-
ciárias – 15. Certidão negativa de débito – 16. Obrigações acessórias da empresa – 17. Das infrações administrativas.

1. INTRODUÇÃO
As contribuições previdenciárias constituem
modalidade de contribuição para o custeio da se-
guridade social, afetadas ao pagamento dos bene-
fícios do Regime Geral de Previdência Social, con-
forme determina o artigo 167, inciso XI1, da CRFB.
De efeito, o pagamento das contribuições previ- Esses recursos ingressarão no fundo previsto
denciárias provém de duas fontes constitucionais: no artigo 250, da CRFB2, instituído pelo artigo 68,
1) do trabalhador e demais segurados da da Lei Complementar 101/2000, sendo denomi-
previdência social, não incidindo contri- nado de Fundo do Regime Geral de Previdência
buição sobre as aposentadorias e pensões Social, vinculado ao Ministério da Economia e ge-
do RGPS (imunidade tributária), na forma rido pelo INSS, com a finalidade de prover recur-
do artigo 195, inciso II, da CRFB; sos para o pagamento dos benefícios desse regime
previdenciário.
2) do empregador, da empresa e da entidade Ressalte-se que a União é a responsável pelo
equiparada na forma da lei, incidente so- complemento dos recursos financeiros para o pa-
bre a folha de salários, e demais rendimen- gamento dos benefícios previdenciários do RGPS,
tos do trabalho pagos ou creditados, a qual- na hipótese de insuficiência de fundos3.
quer título, à pessoa física que lhe preste
serviço, mesmo sem vínculo empregatício,
consoante previsão do artigo 195, inciso I, 2. NATUREZA JURÍDICA
“a”, da CRFB. Conforme visto no Capítulo 02, do Título I,
desta obra, é prevalente na doutrina a natureza tri-
butária das contribuições para a seguridade social,

2. Art. 250. Com o objetivo de assegurar recursos para o pagamento dos


benefícios concedidos pelo regime geral de previdência social, em adi-
1. Art. 167. São vedados: XI – a utilização dos recursos provenientes das ção aos recursos de sua arrecadação, a União poderá constituir fundo
contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização integrado por bens, direitos e ativos de qualquer natureza, mediante lei
de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de que disporá sobre a natureza e administração desse fundo.
previdência social de que trata o art. 201. 3. Artigo 16, parágrafo único, da Lei 8.212/91.
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CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

entendimento ratificado pelo Supremo Tribunal Rejeita-se esta Teoria no regime previdenciário
Federal em inúmeros julgados, sendo esta a posi- brasileiro em razão das peculiaridades que marcam
ção adotada neste trabalho. a previdência social, notadamente o RGPS, em que
Entrementes, é cabível uma ressalva no que a filiação é obrigatória aos trabalhadores em geral,
concerne à contribuição previdenciária dos segu- existindo um regime jurídico de direito público.
rados facultativos, pois se entende pela sua na- Ademais, o objetivo de um tradicional con-
tureza não fiscal, tendo em conta o seu caráter trato de seguro é bastante restrito, sendo a relação
facultativo. previdenciária decorrente de lei, com o amplo ob-
jetivo de proteger os segurados e seus dependentes
Com propriedade, a filiação ao RGPS é apenas
dos riscos sociais previstos em lei.
compulsória aos trabalhadores em geral, sendo fa-
cultativa às pessoas naturais que não desenvolvem B) Teoria do Salário Diferido – Caracteriza
atividade laborativa remunerada, consoante per- a contribuição previdenciária como uma
missivo do artigo 13, da Lei 8.213/91, a exemplo do parte do salário do trabalhador guardado
estagiário que exerce as suas atividades conforme a para o futuro, quando concretizado um ris-
co social que gere a concessão de um bene-
legislação de regência4.
fício ou serviço.
Logo, a contribuição previdenciária do segura-
Esta Teoria não se adéqua ao regime previden-
do facultativo não se amolda à definição de tributo
ciário brasileiro, pois existem inúmeros segurados
contida no artigo 3º, do CTN5, haja vista a sua na-
que trabalham por conta própria e não recebem
tureza não compulsória, pois a filiação desse segu-
remuneração de empresa.
rado é mera faculdade legal a fim de não excluir da
proteção previdenciária as pessoas que não estão Ademais, acaba confundindo a relação de tra-
trabalhando por qualquer motivo e desejam gozar balho entre a empresa e o empregado com a previ-
denciária, que se opera entre o segurado e a entida-
da sua tutela.
de previdenciária, vínculos que são independentes,
Trata-se de questão de grande importância embora muitas vezes conexos.
prática, vez que, não sendo tributo, resta afasta-
C) Teoria do Salário Social – Insere a con-
do todo o regime jurídico tributário para regu-
tribuição previdenciária como uma con-
lar as contribuições previdenciárias em questão. traprestação devida pela sociedade ao
Sobre o tema, esse também é o sentir do co- trabalhador, um salário socializado, em de-
lega procurador federal Hermes Arrais Alencar, corrência do contrato de trabalho.
para quem, “tendo em vista a ausência da ‘compul- Para afastar esta Teoria valem as mesmas críti-
soriedade’ da prestação pecuniária ofertada, não cas à Teoria do Salário Diferido.
se reveste de caráter tributário a contribuição do
D) Teoria da Exação Sui Generis – Enquadra
segurado facultativo. Plenamente possível, assim,
a contribuição previdenciária como uma
por exemplo, ter sua alíquota majorada e cobrada exação determinada por lei com regime
sem a necessidade de observância ao princípio da jurídico diferenciado, não se inserindo em
anterioridade tributária”6. nenhuma outra categoria fiscal ou não tri-
Existem outras teorias que buscam explicar a butária existente.
natureza jurídica não tributária das contribuições Conforme dito, entende-se pela natureza tri-
previdenciárias, que podem ser assim sintetizadas: butária das contribuições previdenciárias – exce-
A) Teoria do Prêmio de Seguro – Coloca a to as pagas pelos segurados facultativos – dentro
contribuição previdenciária como um prê- da categoria das contribuições sociais, pois se
mio pago pelo segurado à seguradora, em amoldam ao conceito de tributo fixado pelo ar-
razão da ocorrência de um infortúnio, si- tigo 3º, do CTN.
milarmente ao que ocorre na esfera do Di- Vale colacionar julgado que resume o entendi-
reito Civil. mento remansoso do STF a respeito:

“EMENTA: PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA TRIBU-


4. Lei 11.788/2008.
TÁRIAS. MATÉRIAS RESERVADAS A LEI COMPLE-
5. Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou
cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilíci-
MENTAR. DISCIPLINA NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO
to, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plena- NACIONAL. NATUREZA TRIBUTÁRIA DAS CON-
mente vinculada. TRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IN-
6. Benefícios Previdenciários, p. 215, 4ª edição, Ed. Leud. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTS. 45 E 46 DA
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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

LEI 8.212/91 E DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. Nesse sentido, “a jurisprudência do STJ é firme
5º DO DECRETO-LEI 1.569/77. RECURSO EXTRA- no sentido de que as contribuições previdenciárias
ORDINÁRIO NÃO PROVIDO. MODULAÇÃO DOS
incidentes sobre remuneração dos empregados,
EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITU-
CIONALIDADE. I. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA em razão dos serviços prestados, devem ser reco-
TRIBUTÁRIAS. RESERVA DE LEI COMPLEMEN- lhidas pelas empresas no mês seguinte ao efetiva-
TAR. As normas relativas à prescrição e à decadência mente trabalhado, e não no mês subseqüente ao
tributárias têm natureza de normas gerais de direito pagamento”7.
tributário, cuja disciplina é reservada a lei complemen-
tar, tanto sob a Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da Assim sendo, o aspecto material da hipótese
CF de 1967/69) quanto sob a Constituição atual (art. de incidência das contribuições previdenciárias é
146, b, III, da CF de 1988). Interpretação que preserva a a prestação do serviço remunerado pelos traba-
força normativa da Constituição, que prevê disciplina
homogênea, em âmbito nacional, da prescrição, deca-
lhadores (exceto para os segurados facultativos),
dência, obrigação e crédito tributários. Permitir regu- enquanto o aspecto temporal se realiza na data
lação distinta sobre esses temas, pelos diversos entes da da prestação da atividade, apuradas mês a mês,
federação, implicaria prejuízo à vedação de tratamento concedendo-se um prazo para pagamento.
desigual entre contribuintes em situação equivalente e
à segurança jurídica. II. DISCIPLINA PREVISTA NO Na forma do entendimento do STF, “aplica-se
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O Código Tri- à tributação da pessoa jurídica, para as contri-
butário Nacional (Lei 5.172/1966), promulgado como
lei ordinária e recebido como lei complementar pelas
buições destinadas ao custeio da seguridade so-
Constituições de 1967/69 e 1988, disciplina a prescrição cial, calculadas com base na remuneração, o re-
e a decadência tributárias. III. NATUREZA TRIBU- gime de competência. Assim, o tributo incide no
TÁRIA DAS CONTRIBUIÇÕES. As contribuições, momento em que surge a obrigação legal de pa-
inclusive as previdenciárias, têm natureza tributária gamento, independentemente se este irá ocorrer
e se submetem ao regime jurídico-tributário previsto em oportunidade posterior.” (RE 419.612-AgR,
na Constituição. Interpretação do art. 149 da CF de
1988. Precedentes ...” (RE 556.664, de 12.06.2008).
Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1º-3-
2011, Segunda Turma, DJE de 6-4-2011).
De arremate, vale frisar que existem autores De acordo com a Secretaria da Receita Federal
que colocam as contribuições previdenciárias em do Brasil, constitui fato gerador da obrigação pre-
uma nova categoria tributária em razão de suas videnciária principal8:
especificidades.
I – em relação ao segurado empregado, empregado do-
méstico, trabalhador avulso e contribuinte individual,
3. ASPECTO MATERIAL E TEMPORAL DO FATO o exercício de atividade remunerada;
GERADOR II – em relação ao empregador doméstico, a prestação
De acordo com artigo 43, §2º, da Lei 8.212/91, de serviços pelo segurado empregado doméstico, a tí-
tulo oneroso;
inserido pela Lei 11.941/2009, artigo que trata das
III – em relação à empresa ou equiparado à empresa:
contribuições previdenciárias a serem arrecadadas
a) a prestação de serviços remunerados pelos segura-
na Justiça do Trabalho, considera-se ocorrido o
dos empregado, trabalhador avulso, contribuinte indi-
fato gerador das contribuições sociais na data da vidual e cooperado intermediado por cooperativa de
prestação do serviço. trabalho;
Assim sendo, se ainda havia qualquer dúvida b) a comercialização da produção rural própria, se pro-
dutor rural pessoa jurídica, ou a comercialização da
acerca do momento da ocorrência do fato gera- produção própria ou da produção própria e da adquiri-
dor em concreto das contribuições previdenciá- da de terceiros, se agroindústria;
rias patronais e dos trabalhadores em geral, agora c) a realização de espetáculo desportivo gerador de re-
é indene de dúvida que a hipótese de incidência ceita, no território nacional, se associação desportiva
tributária se realiza na data da prestação do ser- que mantém equipe de futebol profissional;
viço, e não do seu pagamento ou de outro marco d) o licenciamento de uso de marcas e símbolos, pa-
qualquer. trocínio, publicidade, propaganda e transmissão de
espetáculos desportivos, a título oneroso, se associação
O que ocorre é que a legislação previdenciária desportiva que mantém equipe de futebol profissional,
concede um prazo para o pagamento da contribui- inclusive para participar do concurso de prognóstico
ção previdenciária, após o nascimento da obriga- de que trata a Lei nº 11.345, de 14 de setembro de 2006;
ção tributária verificado na data da prestação do
serviço, normalmente no mês subsequente ao da 7. REsp 712.185, de 01.09.2009.
respectiva competência. 8. Artigo 51, da Instrução Normativa RFB 971/2009.
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IV – em relação ao segurado especial e ao produtor – EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PRE-


rural pessoa física, a comercialização da sua produção VIDENCIÁRIA DO TRABALHADOR APOSEN-
rural; TADO QUE RETORNA À ATIVIDADE (LEI Nº
V – em relação à obra de construção civil de res- 8.212/91, ART. 12, § 4º, NA REDAÇÃO DADA PELA
ponsabilidade de pessoa física, a prestação de ser- LEI Nº 9.032/95) – CONSTITUCIONALIDADE –
viços remunerados por segurados que edificam a DECISÃO QUE SE AJUSTA À JURISPRUDÊNCIA
obra. PREVALECENTE NO SUPREMO TRIBUNAL FE-
DERAL – CONSEQUENTE INVIABILIDADE DO
Todos estes casos serão vistos detalhadamente RECURSO QUE A IMPUGNA – SUBSISTÊNCIA
neste Capítulo V, nos tópicos seguintes. DOS FUNDAMENTOS QUE DÃO SUPORTE À
DECISÃO RECORRIDA – AGRAVO INTERNO IM-
PROVIDO”.
4. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS
TRABALHADORES E DEMAIS SEGURADOS STF - Tese em repercussão geral: É constitu-
DO RGPS cional a contribuição previdenciária devida por
aposentado pelo Regime Geral de Previdência
A contribuição previdenciária dos trabalha- Social (RGPS) que permaneça em atividade ou a
dores incidirá sobre o salário de contribuição, este essa retorne (ARE) 1224327/2019.
considerado como a base de cálculo para o recolhi-
mento do tributo, exceto para o segurado especial,
pois neste caso a sua contribuição incidirá sobre 4.1. Empregado, trabalhador avulso e empre-
a receita decorrente da comercialização dos seus gado doméstico
produtos, sendo descabido se falar em salário de Na forma do quanto previsto no artigo 20, da
contribuição nesta hipótese. Lei 8.212/91, a contribuição previdenciária desses
Insta lembrar que o salário de contribuição te- segurados tinha alíquotas progressivas, que varia-
rá como limite mínimo o piso salarial, legal ou nor- vam em faixas de acordo com o salário de contri-
mativo da categoria ou, inexistindo este, o salário buição, de forma não cumulativa, conforme a se-
mínimo, e como teto a quantia de R$ 6.101,06 guinte tabela com valores atualizados para o ano
(teto 2020), pois atualizada ou majorada anual- de 2020 :
mente a quantia de R$ 2.400,00, fixada pela Emen-
da 41/2003. Alíquota para fins de
Salário-de-contribuição
Destaque-se que os segurados deverão estar ma- (R$)
recolhimento ao INSS
triculados mediante a sua inscrição, recebendo um Até FEVEREIRO/2020
NIT – Número de Identificação do Trabalhador pe- até 1.830,29 8%
rante a Previdência Social9.
de 1.830,30 até 3.050,52 9%
Vale frisar que, por força do Princípio da So- de 3.050,53 até 6.101,06 11%
lidariedade e da regra do artigo 12, §4º, da Lei
8.212/91, o aposentado pelo Regime Geral de Sucede que o artigo 28 da Emenda 103/2019
Previdência Social que estiver exercendo ou modificou a sistemática de contribuição previden-
que voltar a exercer atividade abrangida por ciária dos segurados empregados, trabalhadores
este Regime é segurado obrigatório em relação avulsos e empregados domésticos, de modo que
a essa atividade, ficando sujeito às contribuições o artigo 20 da Lei 8.212/91 não foi recebido pela
previdenciárias para fins de custeio da Segurida- Reforma Constitucional.
de Social, mesmo sem poder gozar de nova apo-
sentadoria neste regime previdenciário. Dessa forma, respeitado o Princípio da Ante-
rioridade Nonagesimal nas situações em que hou-
Essa regra é constitucional de acordo com o ver elevação da carga tributária (para os maiores
posicionamento do STF: salários de contribuição), restaram abandonadas
as alíquotas lineares de 8%, 9% e 11% do salário de
“RE 447923 AgR-segundo/RS – RIO GRANDE DO contribuição, limitadas ao teto do RGPS.
SUL SEGUNDO AG.REG. NO RECURSO EXTRA-
ORDINÁRIO Relator(a): Min. CELSO DE MELLO
O cálculo do valor das contribuições previden-
Julgamento: 26/05/2017 Órgão Julgador: Segunda Tur- ciárias desses segurados deverá ser feito em faixas
ma. E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO (valores 2020):

9. Artigo 17, da Instrução Normativa RFB 971/2009.


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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

integralidade do salário de contribuição seria despro-


Salário-de-contribuição (R$) Alíquota para fins de
porcional, violando o princípio da isonomia.
recolhimento ao INSS
A PARTIR DE MAR- A União recorreu alegando que a Turma Recursal, ao
ÇO/2020 instituir nova fórmula de cálculo, cumulativo, para as
contribuições sociais devidas pelos segurados empre-
até 1.045,00 7,5% gados, domésticos e avulsos, semelhantes à apuração
de 1.045,01 até 2.089,60 9% do montante devido no Imposto de Renda da Pessoa
Física (IRPF), teria atuado como legislador, violando
de 2.089,61 até 3.134,40 12%
o artigo 2º da Constituição Federal (princípio da se-
de 3.134,41 até 6.101,06 14% paração dos Poderes). Sustenta, ainda, que a nova sis-
temática proposta não possui amparo nas normas que
Dessa forma, o segurado empregado, trabalha- tratam da matéria, pois, ao decidir a forma de custeio
dor avulso ou empregado doméstico que possui sa- da Previdência Social, o legislador infraconstitucional
optou pela observância dos princípios da capacidade
lário de contribuição de 1 salário mínimo teve re-
contributiva e da vedação ao confisco.
dução de 0,5% na alíquota, caindo de 8% para 7,5%
A União argumenta não haver qualquer vedação cons-
desde maço de 2020. titucional à tributação por meio de alíquota única sobre
Já o segurado que recolhe sobre teto do salário todo o salário de contribuição, por meio da aplicação
de contribuição teve aumento de contribuição pre- de tabela progressiva e que a forma tem sido utilizada
videnciária comparando o cenário anterior com o desde 1991, quando entrou em vigor a Lei 8.212, que
institui o Plano de Custeio da Previdência Social com
atual desde a competência março de 2020. base nos preceitos da Constituição Federal de 1988.
A vigência do artigo 28 da EC 103/2019 foi fi- Observa, também, que a discussão repercute em todas
xada em 1/3/2020 pelo artigo 36 da Emenda Cons- as ações judiciais relativas à incidência de contribui-
titucional 103/2019. ções dos segurados da Previdência Social destinadas à
Seguridade Social.
Os valores das faixas serão reajustados anual-
mente pelo INPC, nos termos do artigo 41-A da Lei Em manifestação pelo reconhecimento da
8.213/91, respeitada a faixa mínima de um salário repercussão geral do recurso, o relator, minis-
mínimo. tro Dias Toffoli, salientou que a matéria, além de
constitucional, ultrapassa os limites objetivos da
A previsão normativa das alíquotas não cumu-
causa, “pois envolve o Sistema da Seguridade So-
lativas era injusta e desproporcional. Significava
cial, atingindo todos os segurados empregados e os
que se o segurado mudasse para a faixa de 8% para 9
trabalhadores avulsos vinculados ao Regime Geral
ou 11% era aplicada a alíquota maior pelo total do
de Previdência Social”. A manifestação do relator
salário de contribuição, e não apenas sobre o que
foi seguida, por unanimidade, em deliberação no
exceder a faixa anterior. Deveria o artigo 20 da Lei
Plenário Virtual da Corte.
8.212/91 ter adotado o sistema de faixas. Agora não
mais vigora após a EC 103/2019. Nestes casos (segurado empregado, trabalha-
dor avulso e empregado doméstico), a responsa-
O tema será (ou seria) apreciado pelo STF em
bilidade tributária pelo recolhimento da contri-
breve:
buição previdenciária não será dos segurados e
Sexta-feira, 28 de agosto de 2015 sim das empresas, empregadores e equiparados,
Reconhecida repercussão geral sobre forma de cál- que deverão perpetrar os descontos e repassar à Se-
culo da contribuição previdenciária de empregados cretaria da Receita Federal do Brasil as respectivas
e trabalhadores avulsos quantias, sendo uma hipótese de substituição tri-
O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu reper- butária originária, na forma do artigo 30, incisos I
cussão geral no Recurso Extraordinário (RE) 852796, e V, da Lei 8.212/91.
que trata da forma de cálculo da contribuição previ- Excepcionalmente, durante o período de licen-
denciária devida pelo segurado empregado e pelo
ça-maternidade da segurada empregada e da em-
trabalhador avulso. O Plenário do STF irá discutir a
constitucionalidade da expressão “de forma não cumu- pregada doméstica, caberá ao empregador apenas
lativa”, constante do caput do artigo 20 da Lei Federal recolher a parcela da contribuição a seu cargo, pois
8.212/1991. será a segurada a responsável pelo recolhimento de
O RE foi interposto pela União contra acórdão de Tur- sua cota10.
ma Recursal dos Juizados Especiais Federais do Rio No entanto, no que concerne à segurada em-
Grande do Sul que reconheceu a inconstitucionalida- pregada, este dispositivo perdeu parcialmente a sua
de da expressão “de forma não cumulativa”, conforme
aplicabilidade desde o advento da Lei 10.710/2003,
dispõe o artigo 20 da Lei 8.212/1991. O acórdão recor-
rido julgou inconstitucional a sistemática de cálculo
ao assentar que aplicação de apenas uma alíquota à 10. Artigo 216, “c”, VIII e XIII, do RPS.
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pois desde então a empresa passou a ser responsá- pagamento, caso não tenha retido os valores ou
vel pelo pagamento do salário-maternidade da sua não os repassados à União, na forma do artigo 33,
empregada gestante, sendo a responsável tributária §5º, da Lei 8.212/91:
pelo desconto da contribuição previdenciária sobre
o salário-maternidade e repassá-lo à Previdência “§ 5º. O desconto de contribuição e de consignação le-
Social, a exceção dos casos em que o INSS deverá galmente autorizadas sempre se presume feito opor-
pagar diretamente o benefício à empregada (em- tuna e regularmente pela empresa a isso obrigada,
não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do
pregada de microempreendedor individual, ado- recolhimento, ficando diretamente responsável pela
ção de criança e salário-maternidade derivado). importância que deixou de receber ou arrecadou em
desacordo com o disposto nesta Lei” (g.n.).
Q IMPORTANTE: Destarte, os segurados empregados e os traba-
Em sede de Repercussão Geral, em 4 de agosto de lhadores avulsos não sofrerão prejuízo na conces-
2020, no RE 576.967, o STF declarou inconstitu- são dos benefícios previdenciários nem poderão
cional a incidência de contribuição previdenciá- ser posteriormente cobrados pela União, caso a
ria sobre o salário-maternidade, não tendo havido empresa não repasse ao Fisco as contribuições pre-
modulação da eficácia da pronúncia de inconstitu- videnciárias dos referidos trabalhadores, mesmo
cionalidade, sendo possível a apresentação de em- que não tenham sido descontadas, bastando aos
bargos de declaração pela União. segurados comprovar o vínculo laboral e o valor
Restou fixada a seguinte tese: “É inconstitucional da remuneração percebida.
a incidência da contribuição previdenciária a car- Nesse caminho, prevê a Súmula 18, do Conse-
go do empregador sobre o salário-maternidade”:
lho de Recursos da Previdência Social, que “não se
“69. Diante do exposto, considerando os argumen- indefere benefício sob fundamento de falta de re-
tos formal e material, dou provimento ao recurso colhimento de contribuição previdenciária quan-
extraordinário, para declarar, incidentalmente, a
do esta obrigação for devida pelo empregador”.
inconstitucionalidade da incidência de contri-
buição previdenciária sobre o salário maternida- Nos termos do artigo 35, da Lei 8.213/91 (an-
de, prevista no art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/91, e a tiga redação, anterior ao advento da LC 150/2015),
parte final do seu §9º, alínea a, em que se lê “ salvo ao segurado empregado e ao trabalhador avulso
o salário-maternidade” , e proponho a fixação da que tenham cumprido todas as condições para a
seguinte tese: “ É inconstitucional a incidência da concessão do benefício pleiteado, mas não possam
contribuição previdenciária a cargo do empregador comprovar o valor dos seus salários de contribui-
sobre o salário maternidade”. ção no período básico de cálculo, será concedido o
A tese de aplica tanto à parte da empresa quanto à benefício de valor mínimo, devendo esta renda ser
parte do segurado, conforme se depreende do voto recalculada, quando da apresentação de prova dos
vencedor acima transcrito, em que pese o fecha- salários-de-contribuição.
mento tenha sido restritivo.
O mesmo não ocorria com os empregados do-
mésticos, que eram discriminados pela legislação
Existia uma regra especial para o trabalhador previdenciária, pois não gozavam da mencionada
rural, contratado para o exercício de atividades de presunção absoluta de recolhimento das suas con-
natureza temporária para produtor rural pessoa tribuições previdenciárias, apesar de ser de res-
física, enquadrado como empregado, pois existe ponsabilidade dos empregadores domésticos.
um vínculo de emprego temporário. De acordo Nos termos do artigo 19 da Instrução Norma-
com o artigo 14-A, da Lei 5.889/73, alterada pela tiva INSS 77/2015, a comprovação de contribuição
Lei 11.718/08, “a contribuição do segurado traba- do empregado doméstico far-se-á por meio do
lhador rural contratado para prestar serviço na comprovante ou guia de recolhimento e a compro-
forma deste artigo é de 8% (oito por cento) sobre vação de vínculo, inclusive para fins de filiação,
o respectivo salário-de-contribuição”. No entanto, por meio de um dos seguintes documentos:
este dispositivo não foi recepcionado pelo artigo 28
da EC 103/2019. I - registro contemporâneo com as anotações regulares
Com relação ao segurado empregado e ao em CP ou em CTPS;
trabalhador avulso, haverá presunção absoluta II - contrato de trabalho registrado em época própria;
de desconto das suas contribuições previdenci- III - recibos de pagamento emitidos em época própria; ou
árias pelo empregador, empresa ou equipara- IV - na inexistência dos documentos acima citados,
do, que deverá responder exclusivamente pelo as informações de recolhimentos efetuados em época
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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

própria constantes no CNIS, quando for possível iden- “É fato público e notório que o empregador domés-
tificar a categoria de doméstico através do código de tico é responsável de fato pelo recolhimento de suas
recolhimento ou de categoria nos casos de microfichas, próprias contribuições previdenciárias e daquelas de-
comprovam o vínculo, desde que acompanhada da de- vidas pelos empregados domésticos que lhe prestem
claração do empregador. serviços, nos termos da Lei nº 8.212/91. No caso pre-
sente, os recolhimentos foram efetuados com base
São exemplos de dúvidas que devem ser le- em um salário-mínimo. Mas, consoante se verifica
vantadas e investigadas pelo INSS quanto à regu- da carteira profissional, que goza de presunção de
laridade do contrato de trabalho do empregado legitimidade, a autora vinha recebendo valores su-
doméstico: periores ao mínimo legal. Estamos diante de uma
prática muito comum, qual seja, a recolher contri-
I - contrato de trabalho doméstico, entre ou após con- buições previdenciárias em valores muito menores
trato de trabalho em outras profissões, cujas funções do que o efetivamente pago ao empregado. Lamen-
sejam totalmente discrepantes; tavelmente, a empregada só toma conhecimento
II - contrato onde se perceba que a intenção foi apenas deste fato no momento em que necessita de benefí-
para garantir a qualidade de segurado, inclusive para cios previdenciários, pois não acesso a seus próprios
percepção de salário-maternidade; carnês de recolhimento, em poder de seu emprega-
III - contrato em que não se pode atestar a contempora- dor. Ressalto que estamos diante da figura do respon-
neidade das datas de admissão ou demissão; ou sável tributário. Da mesma forma que a empresa, o
empregador doméstico é o responsável tributário pelo
IV - contrato de trabalho doméstico em que o valor
recolhimento da contribuição previdenciária do em-
correspondente ao seu último salário de contribuição
pregado doméstico a seu serviço. O Plano de Custeio
tenha sido discrepante em relação aos meses imedia-
tamente anteriores, de forma que se perceba que a in- da Previdência Social aprovado pela Lei nº 8.212/91 é
tenção foi garantir à segurada o recebimento de valores bastante claro em seu artigo 30, inciso V, ‘ in verbis’
elevados durante a percepção do salário-maternidade. “Art 30 – A arrecadação e o recolhimento das con-
tribuições ou demais importâncias devidas à Segu-
Para compensar essa situação, por força do ar- ridade Social obedecem às seguintes normas: (...) V
tigo 36, da Lei 8.213/91, se satisfeitas as condições – o empregador doméstico está obrigado a arrecadar
a contribuição do segurado empregado a seu serviço
para a concessão do benefício, caso não compro-
e a recolhê-la, assim como a parcela a seu cargo, no
vado o recolhimento das contribuições previden- prazo referido no inciso II deste artigo.” Não se pode
ciárias pelo empregador doméstico, será concedi- imputar ao empregado doméstico as conseqüências
do o benefício previdenciário no valor mínimo, o do erro ou má-fé de seu empregador e da ausência de
que poderá prejudicar os empregados domésticos fiscalização por parte da fiscalização da autarquia.
que poderiam fazer jus a um benefício acima desse Por fim, ressalto que as diferenças devidas devem
valor. ser objeto de constituição de crédito tributário e de-
vida cobrança em face do empregador da autora, ora
Neste ponto, o § 5º, do artigo 216, do RPS11, en- recorrida É o voto” (g.n).12
trava em choque com o artigo 36, da Lei 8.213/91,
porquanto previu em favor do empregado domés- No entanto, com o advento da Lei Comple-
tico a referida presunção de recolhimento, sendo mentar 150/2015, entende-se que os empregados
razoável, apesar de desprovido de fundamento de domésticos passaram a gozar de presunção de
validade. recolhimento da sua contribuição previdenciária,
Embora não analisando de maneira porme- mesmo nos casos de salário de contribuição acima
norizada a questão, a Turma Nacional de Unifor- de um salário mínimo.
mização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Isso porque o artigo 35, da Lei 8.213/91, foi mo-
Federais seguiu o RPS e considerou como salário dificado, passando a prever que “o segurado em-
de contribuição a verdadeira remuneração do em- pregado, inclusive o doméstico, e ao trabalhador
pregado doméstico para fins de cálculo de benefí- avulso que tenham cumprido todas as condições
cio previdenciário, e não a anotada da Carteira de para a concessão do benefício pleiteado, mas não
Trabalho, no valor de um salário mínimo: possam comprovar o valor de seus salários de con-
tribuição no período básico de cálculo, será con-
cedido o benefício de valor mínimo, devendo esta
renda ser recalculada quando da apresentação de
11. §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente deter- prova dos salários de contribuição”.
minado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela
empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário
e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer
omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos direta-
mente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou
tiverem descontado em desacordo com este Regulamento (g.n.). 12. PEDILEF 2002.61.84.001.529-8, de 10.02.2004.
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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 379 11/08/2020 17:17:45


CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

Ademais, a modificação promovida no artigo 34 contribuição descontada do empregado doméstico,


da Lei 8.213/91 pela LC 150/2015 deixou ainda mais ou o dia útil imediatamente posterior.
nítida a novidade, pontificando que no cálculo do No entanto, o prazo para recolhimento da con-
valor da renda mensal do benefício, inclusive o de- tribuição previdenciária do empregador doméstico
corrente de acidente do trabalho, serão computados foi antecipado para o dia 7 (sete) pela LC 150/2015,
para o segurado empregado, inclusive o doméstico, que será antecipado se no dia 7 não for um dia útil,
e o trabalhador avulso, os salários de contribuição nos termos da Portaria Interministerial 822, de 30
referentes aos meses de contribuições devidas, ain- de setembro de 201515, que disciplina o regime uni-
da que não recolhidas pela empresa ou pelo em- ficado de pagamento de tributos, de contribuições
pregador doméstico, sem prejuízo da respectiva e dos demais encargos do empregador doméstico
cobrança e da aplicação das penalidades cabíveis. (Simples Doméstico).
Logo, se o empregado doméstico demons- Também nesse sentido a Lei 13.202/2015 al-
trar que possuía salários de contribuição de R$ terou o artigo 30 da Lei 8.212/91, prevendo que
1.500,00, mas o seu empregador nunca reco- quando no dia 7 não houver expediente bancário,
lheu a contribuição, após a LC 150/2015 deverá o a data do pagamento será antecipada para o pri-
INSS considerar os salários de contribuição de R$ meiro dia útil anterior.
1.500,00 no cálculo do salário de benefício, e não
Isso porque pontifica o artigo 34 da LC
mais conceder o benefício mínimo, tendo havido
150/2015 que o Simples Doméstico assegurará o
revogação tácita do artigo 36 da Lei 8.213/91.
recolhimento mensal, mediante documento único
A Lei Complementar 150 entrou em vigor no de arrecadação, dos seguintes valores:
dia 2 de junho de 2015, data da sua publicação. En-
tende-se ser constitucional sustentar que a presun- I - 8% (oito por cento) a 11% (onze por cento) de con-
ção de recolhimento das contribuições previden- tribuição previdenciária, a cargo do segurado em-
ciárias em favor do empregado doméstico deve ser pregado doméstico, nos termos do art. 20 da Lei nº
8.212, de 24 de julho de 1991;
retroativa, alcançando as competências anteriores
II - 8% (oito por cento) de contribuição patronal previ-
a junho de 2015. denciária para a seguridade social, a cargo do empre-
Isso porque mesmo antes da LC 150/2015 a res- gador doméstico, nos termos do art. 24 da Lei no 8.212,
ponsabilidade tributária de recolher a contribuição de 24 de julho de 1991;
do empregado doméstico já era do patrão domésti- III - 0,8% (oito décimos por cento) de contribuição so-
co, tendo apenas sido corrigida uma inconstitucio- cial para financiamento do seguro contra acidentes do
trabalho;
nalidade por omissão injustificável que discrimi-
nava negativamente o empregado doméstico. IV - 8% (oito por cento) de recolhimento para o FGTS;
V - 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento), na
No entanto, na interpretação administra- forma do art. 22 desta Lei; e
tiva da Previdência Social, a presunção de re- VI - imposto sobre a renda retido na fonte de que trata
colhimento em favor do empregado doméstico o inciso I do art. 7º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro
não irá retroagir, operando-se somente a partir de 1988, se incidente.
da vigência da LC 150, em 2 de junho de 2015, A aplicabilidade do Simples Doméstico se deu
devendo ser considerado o salário de contribui- a partir da competência Outubro de 2015, com re-
ção de um salário mínimo para as competências colhimento até 7 de novembro, que foi antecipa-
anteriores a junho de 2015, acaso não compro- do para 6 de novembro de 2015 em razão do dia 7
vado o efetivo recolhimento da contribuição ser dia não útil16.
previdenciária13.
A inscrição do empregador e a entrada única
No caso dos empregados e avulsos, as empre- de dados cadastrais e de informações trabalhis-
sas deverão fazer o recolhimento até o dia 20 ao do tas, previdenciárias e fiscais no âmbito do Simples
mês subsequente ao da competência ou, se não for Doméstico dar-se-á mediante registro no Sistema
dia útil bancário, no imediatamente anterior, con- de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais,
forme inovação da Lei 11.933/200914, ao passo que
o empregador doméstico terá até o dia 15 do
mês seguinte ao da competência para recolher a
15. Art. 6º. Antecipam-se os prazos de recolhimentos de tributos e depó-
sitos para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expe-
diente bancário nas datas de vencimentos.
13. Memorando-Circular nº 38/DIRBEN/INSS, de 5/11/2015. 16. Art. 7º O Simples Doméstico passa a vigorar a partir da competência
14. Nova redação do artigo 30, inciso I, da Lei 8.212/91. outubro de 2015, com vencimento dia 06 de novembro de 2015.
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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

Previdenciárias e Trabalhistas - eSocial, instituído contribuição previdenciária de 20% sobre as remu-


pelo Decreto 8.373, de 11 de dezembro de 2014. nerações dos contribuintes individuais prestadores
Note-se que não foi modificado o regime de de serviços, instituída pela mesma Lei 9.876/99,
contribuição previdenciária do empregado domés- que inseriu o inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91.
tico nas alíquotas, tendo sido mantido o artigo 20, Posteriormente, por força do artigo 4º, da
da Lei 8.212/91. A mudança se deu em relação ao Medida Provisória 83/2002, convertida na Lei
empregador doméstico, conforme visto em tópico 10.666/03, a partir da competência de abril de
subsequente. 2003, o contribuinte individual prestador de
Por força da Lei 13.202, de 4/12/2015, foi ex- serviços à pessoa jurídica deixou de ser o res-
pressamente revogado o §6º do artigo 30 da Lei ponsável tributário pelo recolhimento da sua
8.212/91, que autorizava o empregador doméstico contribuição previdenciária, que passou a ser de
a recolher a contribuição do segurado emprega- responsabilidade da pessoa jurídica tomadora do
do a seu serviço e a parcela a seu cargo relativas à serviço, à razão de 11% sobre o salário de contri-
competência novembro até o dia 20 de dezembro, buição, e não mais de 20%, conforme explicitado
juntamente com a contribuição referente à grati- no artigo 216, §26, do RPS, dispositivo também
ficação natalina - décimo terceiro salário - utili- aplicável às cooperativas de trabalho.
zando-se de um único documento de arrecadação.
Esta exceção havia sido mantida pela Portaria In- Nesse caminho, dispõe o artigo 216, §26, do
terministerial 822, de 30 de setembro de 2015 (art. Regulamento que a alíquota de contribuição a ser
4º), mas diante da revogação da Lei 13.202/2015, descontada pela empresa da remuneração paga,
foi eliminada. devida ou creditada ao contribuinte individual a
seu serviço, observado o limite máximo do salá-
4.2. Contribuinte individual e segurado facul- rio-de-contribuição, é de onze por cento no caso
das empresas em geral e de vinte por cento quando
tativo
se tratar de entidade beneficente de assistência so-
No caso destes segurados, em regra, a alíquo- cial isenta das contribuições sociais patronais.
ta da contribuição previdenciária foi fixada em Apenas neste caso o contribuinte individu-
20% sobre o salário de contribuição, cabendo ao al também gozará da presunção absoluta de re-
próprio segurado promover diretamente o reco-
colhimento, tal qual o segurado empregado e
lhimento tempestivo do tributo, sob pena de não
o trabalhador avulso, devendo a pessoa jurídica
se filiar ao RGPS17, até o dia 15 ao do mês seguinte
responder exclusivamente pelo pagamento, caso
ao da competência, ou no dia útil imediatamente
não tenha retido os valores ou não os repassado à
posterior.
União, na forma do artigo 33, §5º, da Lei 8.212/91.
Excepcionalmente, caso o salário de contribui-
ção seja de um salário mínimo, será possível o re- Veja-se o CRPS:
colhimento trimestral das contribuições previden- JR/CRPS – ENUNCIADO Nº 2 – Alterado: Publicado
ciárias, com vencimento no dia 15 do mês seguinte no DOU de 12.11.2019
ao de cada trimestre civil18. Não se indefere benefício sob fundamento de falta de
O artigo 30, §4º, da Lei 8.212/91, incluído pela recolhimento de contribuição previdenciária quan-
Lei 9.876/99, prevê que o contribuinte individual do a responsabilidade tributária não competir ao
prestador de serviços à(s) empresa(s) poderá dedu- segurado.
zir de sua contribuição mensal 45% da contribuição I - Considera-se presumido o recolhimento das contri-
paga pela empresa, a fim de reduzir a contribuição buições do segurado empregado, inclusive o domésti-
co, do trabalhador avulso e, a partir da competência
do segurado para 11% do salário de contribuição, abril de 2003, do contribuinte individual prestador de
pois neste caso ainda existirá a contribuição previ- serviço (A UMA PESSOA JURÍDICA – FALHA DO
denciária da pessoa jurídica. ENUNCIADO).
Este dispositivo surgiu para reduzir de 20% II - Não é absoluto o valor probatório da Carteira de
para 11% (diminuição de 45%) a alíquota da con- Trabalho e Previdência Social (CTPS), mas é possível
tribuição previdenciária do contribuinte indivi- formar prova suficiente para fins previdenciários se
dual prestador de serviços à pessoa jurídica, vez esta não tiver defeito formal que lhe comprometa a fi-
dedignidade, salvo existência de dúvida devidamente
que, neste caso, a empresa passou a pagar uma fundamentada.
III - A concessão de benefícios no valor mínimo ao se-
17. Artigo 21, da Lei 8.212/91. gurado empregado doméstico independe de prova do
18. Artigo 216, §15, do RPS. recolhimento das contribuições, inclusive a primeira
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CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

sem atraso, desde que atendidos os demais requisitos Nesse sentido, um médico integrante de uma
legais exigidos, exceto para fins de contagem recíproca. cooperativa de trabalho terá a sua contribuição
IV - O vínculo do segurado como empregado domés- previdenciária recolhida pela cooperativa, que
tico será computado para fins de carência, ainda que
funcionará como responsável tributária.
esteja filiado ao Regime Geral de Previdência Social
(RGPS) em categoria diversa na Data de Entrada do De acordo com o STJ, “é indispensável que se
Requerimento (DER). distinga a situação das cooperativas médicas das
V - É permitida a contagem, como tempo de con- empresas operacionalizadoras de planos de saú-
tribuição, do tempo exercido na condição de aluno- de. Em relação à primeira hipótese – COOPERA-
-aprendiz, exceto para fins de contagem recíproca,
TIVAS MÉDICAS, verifico que a jurisprudência
referente ao período de aprendizado profissional re-
alizado em escolas técnicas, desde que comprovada a desta Corte é uníssona no sentido de equipará-las
remuneração, mesmo que indireta, à conta do orça- às sociedades comerciais, incidindo a contribui-
mento público e o vínculo empregatício, admitindo- ção previdenciária sobre os honorários pagos pela
-se, como confirmação deste, o trabalho prestado na cooperativa aos médicos cooperados. Na segunda
execução de atividades com vistas a atender enco-
hipótese – EMPRESAS OPERACIONALIZADO-
mendas de terceiros.
RAS DE PLANOS DE SAÚDE, diferentemente,
Nos termos do artigo 38 da Instrução Norma- não é devida a contribuição previdenciária sobre
tiva INSS 77/2015, para fins de comprovação das os valores pagos por serviços médico-hospitalares
remunerações do contribuinte individual presta- utilizados pelos segurados das referidas empresas,
dor de serviço, a partir de abril de 2003, no que considerando-se não ser possível aplicar-se a elas
couber, poderão ser considerados entre outros, os o art. 1º da LC 84/96, sem vulnerar o disposto nos
seguintes documentos: arts. 110 e 108, § 1º, do CTN. Nesse caso, o paga-
mento da contribuição previdenciária é ônus do
I - comprovantes de retirada de pró-labore, que de- profissional ou da empresa que recebe pela pres-
monstre a remuneração decorrente do seu trabalho, tação do serviço” (passagem do voto da Ministra
nas situações de empresário;
Eliana Calmon no julgamento do Recurso Especial
II - comprovante de pagamento do serviço prestado,
onde conste a identificação completa da empresa, in-
633.134, de 26/08/2008).
clusive com o número do CNPJ/CEI, o valor da remu- Logo, um médico que recebe a sua remunera-
neração paga, o desconto da contribuição efetuado e o ção diretamente de uma operadora de saúde deverá
número de inscrição do segurado no RGPS; ele próprio recolher a sua contribuição previdenci-
III - declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – ária, não existindo responsabilidade tributária de
IRPF, relativa ao ano-base objeto da comprovação, que
possam formar convicção das remunerações auferidas;
desconto pela operadora.
ou Este posicionamento foi pacificado no STJ:
IV - declaração fornecida pela empresa, devidamente
assinada e identificada por seu responsável, onde cons- “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRI-
te a identificação completa da mesma, inclusive com o BUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE
número do CNPJ/CEI, o valor da remuneração paga, o PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS
desconto da contribuição efetuado e o número de ins- MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA.
crição do segurado no RGPS. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRI-
MEIRA SEÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIMITE. RE-
Estas disposições do artigo 4º, da Lei 10.666/03, CURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMEN-
não se aplicam ao contribuinte individual, quando TE PROVIDO.
contratado por outro contribuinte individual equi- 1. Segundo entendimento do Superior Tribunal de
Justiça, não incide contribuição previdenciária sobre
parado a empresa, por produtor rural pessoa físi-
os valores repassados aos médicos pelas operadoras
ca, ou ainda por missão diplomática e repartição de plano de saúde” (AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel.
consular de carreira estrangeiras, e nem ao brasi- Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira
leiro civil que trabalha no exterior para organismo Turma, DJe 22/11/2012).
oficial internacional do qual o Brasil é membro 2. “Os limites à compensação tributária (introduzidos
efetivo. pelas Leis 9.032/95 e 9.129/92, que, sucessivamente, al-
Logo, nestes casos, deverá o contribuinte in- teraram o disposto no artigo 89, § 3º, da Lei 8.212/91)
são de observância obrigatória, mercê da inexistência
dividual continuar a se valer da autorização do de declaração de inconstitucionalidade (em sede de
artigo 30, §4º, da Lei 8.212/91, deduzindo de sua controle difuso ou concentrado) dos aludidos diplomas
contribuição mensal 45% da contribuição paga pe- normativos” (EREsp 919.373/SP, Rel. Min. LUIZ FUX,
lo equiparado a empresa. Primeira Seção, DJ de 26/04/11).
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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido individual, que presta serviços a empresa, é de 11% (art.
para restabelecer a sentença” (STJ, REsp 987342, de 20, § 1º, da IN 89/2003). Segundo porque é evidente que
14/05/2013). essa alíquota foi fixada para harmonizar o encargo do
contribuinte individual com aquele do trabalhador as-
Com base no discutível artigo 5º, da Lei salariado. Terceiro, porque não há motivo razoável para
10.666/03, caso o contribuinte individual contra- discriminar o contribuinte individual, que presta servi-
ços às entidades imunes, fazendo-o arcar com encargo
tado por pessoa jurídica obrigada a proceder à ar-
muito superior àquele dos demais contribuintes indi-
recadação e ao recolhimento da contribuição por viduais, que se encontram em situação absolutamente
ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada idêntica.
no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao 4 – A única diferença entre tais contribuintes se encontra
limite mínimo do salário de contribuição, é obri- na condição da empresa tomadora de seus serviços. O fato
gado a complementar sua contribuição mensal, di- de a tomadora dos serviços ser imune às contribuições
retamente, à razão de 20% sobre o valor resultante previdenciárias não pode servir de motivo de discrímen
contra o trabalhador. Cobrar do trabalhador a contri-
da subtração do valor das remunerações recebidas buição que, em regra, seria da empresa, significa, na
das pessoas jurídicas do valor mínimo do salário prática, fazê-lo arcar com os ônus financeiros da anistia
de contribuição mensal19. constitucional. Isso seria tão absurdo quanto cobrar dos
Se o contribuinte individual prestar serviços empregados da empresa imune a contribuição patronal
de cujo pagamento é ela dispensada.
a entidade beneficente de assistência social, a alí-
5 – A cláusula “efetivamente recolhida ou declarada”,
quota de retenção será de 20%, e não de 11%, an- prevista no § 4º do art. 30 da Lei nº 8.212/91, tinha como
te a inexistência de cota patronal pela incidência objetivo era impedir a fraude, obrigando o prestador de
da imunidade, na esteia do previsto no artigo 216, serviços a exigir do tomador a comprovação de que re-
§26, do RPS, incluído pelo Decreto 4.729/03, dis- colhera sua quota.
positivo de duvidosa validade, pois um mero ato 6 – Apelação provida, reconhecendo-se o direito dos
regulamentar acabou transferindo o ônus da imu- médicos residentes filiados ao Sindicato impetrante
nidade ao contribuinte individual. de recolher sua contribuição pela alíquota de 11%, em
igualdade de condições com os demais contribuintes
Contudo, há precedentes contrários do TRF 4ª individuais que prestam serviços a empresas não abran-
Região, a exemplo do abaixo colacionado: gidas por imunidade ou isenção” (g.n.).
Na hipótese de o contribuinte individual pres-
“Processo: 2003.71.00.034766-2 UF: RS Órgão Julgador: tar serviços a mais de uma pessoa jurídica e, uma
SEGUNDA TURMA, Data da decisão: 26/04/2005 TRI-
BUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA vez somadas, as remunerações extrapolarem o teto
– MÉDICO RESIDENTE – CONTRIBUINTE INDI- do salário de contribuição, poderá o segurado es-
VIDUAL – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA ENTI- colher uma empresa para que esta faça a retenção e
DADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL se responsabilize pessoalmente pelo recolhimento
– DIREITO DE DEDUZIR, DE SUA CONTRIBUIÇÃO da quantia faltante, na forma do artigo 216, §29, do
MENSAL, ATÉ 45% DA CONTRIBUIÇÃO RECOLHI-
RPS, conquanto inexista previsão legal em sentido
DA OU DECLARADA PELA EMPRESA.
estrito.
1 – O contribuinte individual que prestar serviços a uma
ou mais empresas poderá deduzir, de sua contribuição Uma importante inovação foi promovida pela
mensal, até 45% da contribuição recolhida ou declarada Lei Complementar 123/2006, em regulamentação
pela empresa, limitada essa redução a 9% do respectivo aos §§12 e 13, do artigo 201, da Constituição Federal,
salário de contribuição (art. 30, § 4º, da Lei nº 8.212/91). insertos pela Emenda 47/2005, que tratam da inclu-
2 – Esse mecanismo praticamente equipara o contri- são previdenciária dos trabalhadores de baixa renda.
buinte individual, que presta serviços a empresas, ao se-
gurado empregado, porquanto a contribuição deste (art.
20, idem) oscila entre um mínimo de 8% e um máximo Com efeito, a contribuição previdenciária do
de 11% sobre o salário de contribuição. Implícito nessa contribuinte individual que trabalhe por conta
equiparação está o princípio da isonomia. Equiparam-se própria sem relação de trabalho com empresa e
em ônus e benefícios os prestadores de serviços, inde- equiparado, bem como do segurado facultativo,
pendentemente da categoria jurídica sob a qual os servi-
ços são prestados.
poderá ser de 11% sobre o salário mínimo, ao
3 – A orientação administrativa, consolidada no art.
invés do tradicional desconto de 20%, mas esses
20, § 4º, da Instrução Normativa INSS/DC nº 89, de segurados não terão direito à aposentadoria por
11/06/2003, não é compatível com a interpretação siste- tempo de contribuição, só podendo se aposentar
mática das normas previdenciárias de custeio. Primei- por idade ou invalidez.
ro, porque a alíquota da contribuição do contribuinte
Nesta hipótese, caso queira se aposentar por
19. Artigo 216, §27, do RPS. tempo de contribuição posteriormente, ou levar o
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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 383 11/08/2020 17:17:46


CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

tempo de contribuição para algum Regime Pró- seguinte se não for dia útil. No mesmo sentido, o
prio de Previdência Social (contagem recíproca), artigo 3822, da Resolução CGSN 94/2011.
o contribuinte individual e o segurado facultati-
Com a conversão da MP 529/2011 na Lei
vo deverão fazer o recolhimento retroativo dos
12.470, de 31/08/2011, o segurado facultativo
9% faltantes para integralizar os 20% sobre o sa-
sem renda própria que se dedique exclusiva-
lário de contribuição, com a incidência dos juros mente ao trabalho doméstico no âmbito de sua
legais, sendo exigível o complemento a qualquer residência, desde que pertencente a família de
tempo (imprescritível), sob pena de indeferimen- baixa renda, também passou a ser beneficiário
to do benefício20. do regime “simplificadíssimo” de arrecadação
de apenas 5% sobre o salário de contribuição no
No entanto, o artigo 21, da Lei 8.212/91, foi valor de um salário mínimo.
alterado pela Medida Provisória 529/2011, que
veio facilitar a inclusão previdenciária do mi- O recolhimento da contribuição previdenciá-
croempreendedor individual, pois a sua con- ria simplificada de 5% sobre um salário mínimo
tribuição previdenciária simplificada passou a pelo segurado facultativo de baixa renda exige a
ser de apenas 5% sobre o salário mínimo, e não inscrição no CADÚNICO para ser válida.
mais de 11%, sem direito à aposentadoria por De acordo com o Parecer 22/2014 CONJUR--
tempo de contribuição. MPS/CGU/AGU, que conta com homologação
Nos termos do artigo 18-A, da Lei Comple- ministerial (vincula das decisões do CRPS), a exis-
mentar 123/2006, alterado pela LC 155/2016, será tência de renda própria descaracteriza o direito
contribuinte individual o Microempreendedor ao recolhimento de 5% do salário mínimo para o
Individual – MEI, assim considerado o empre- segurado facultativo de baixa renda com inscri-
sário individual a que se refere o artigo 966 do ção no CadÚnico, deixando claro que a expressão
Código Civil 21, ou o empreendedor que exerça as “renda” é mais ampla que a expressão “renda do
labor”, pois abarca receitas não decorrentes de ati-
atividades de industrialização, comercialização e
vidades laborais.
prestação de serviços no âmbito rural, que tenha
auferido receita bruta, no ano-calendário ante- Dessa forma, o INSS vem negando a valida-
rior, de até R$ 81.000,00, que seja optante pelo ção do CádÚnico quando constatada a declaração
Simples Nacional e que não esteja impedido de de renda pelo segurado facultativo nesta situação.
optar pelo Simples Nacional. Ademais, a percepção de renda assistencial do
BPC/LOAS, por ser continuada, é caracterizada
No caso do MEI, o prazo para o recolhimen-
como renda familiar.
to da sua contribuição previden­ciária será o dia
20 do mês seguinte à respectiva competência, ou Nesse sentido, os itens 13, 16, 17, 18 e 19 do Pa-
o primeiro dia útil posterior, se no dia 20 não recer Vinculante 22/2014 CONJUR-MPS/CGU/
houver expediente bancário. AGU:
É que o artigo 18-C, §3º, inciso II, da Lei Com-
plementar 123/2006, prevê que o CGSN – Comitê
Gestor do Simples Nacional poderá determinar,
com relação ao MEI, a forma, a periodicidade e o
prazo do recolhimento da sua contribuição previ-
denciária na condição de contribuinte individual.
Nesse sentido, de acordo com o artigo 18, da
Resolução CGSN 51/2008, alterada pela Resolução 22. Art. 38. Os tributos devidos, apurados na forma desta Resolução, deve-
CGSN 56/2009, o prazo para o recolhimento da rão ser pagos até o dia 20 (vinte) do mês subsequente àquele em que
contribuição previdenciária do MEI passou para o houver sido auferida a receita bruta. (Lei Complementar nº 123, de 2006,
dia 20, sendo prorrogado para o primeiro dia útil art. 21, inciso III)
§ 1º Na hipótese de a ME ou EPP possuir filiais, o recolhimento dos tribu-
tos do Simples Nacional dar-se-á por intermédio da matriz. (Lei Comple-
mentar nº 123, de 2006, art. 21, § 1º)
§ 2º O valor não pago até a data do vencimento sujeitar-se-á à incidên-
cia de encargos legais na forma prevista na legislação do imposto sobre
20. Artigo 21, §§ 3º e 4º, da Lei 8.212/91. a renda. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, § 3º)
21. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente ativi- § 3º Quando não houver expediente bancário no prazo estabelecido no
dade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou caput, os tributos deverão ser pagos até o dia útil imediatamente pos-
de serviços. terior. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 21, inciso III)
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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

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REGRAS DO CADÚNICO: relativas aos seguintes aspectos, sem prejuízo de outros


O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) julgados necessários:
é instrumento de identificação e caracterização sócio-- a)  identificação e caracterização do domicílio;
econômica das famílias brasileiras de baixa renda, a ser b)  identificação e documentação civil de cada membro
obrigatoriamente utilizado para seleção de beneficiários e da família;
integração de programas sociais do Governo Federal
c)  escolaridade, participação no mercado de trabalho e
voltados ao atendimento desse público, sendo regulado
rendimento.
pelo Decreto 6.135/2007.
Vale registrar que as famílias com renda superior ao li-
Para fins de inscrição no CadÚnico, adotam-se as se-
mite acima citado poderão ser incluídas no CadÚnico,
guintes definições:
desde que sua inclusão esteja vinculada à seleção ou ao
I - família: a unidade nuclear composta por um ou mais acompanhamento de programas sociais implementados
indivíduos, eventualmente ampliada por outros indiví- por quaisquer dos três entes da Federação, inclusive be-
duos que contribuam para o rendimento ou tenham suas nefícios geridos pelo INSS.
despesas atendidas por aquela unidade familiar, todos
As informações constantes do CadÚnico terão valida-
moradores em um mesmo domicílio.
de de dois anos, contados a partir da data da última
II  -  família de baixa renda: sem prejuízo do disposto atualização, sendo necessária, após este período, a sua
no inciso I: atualização ou revalidação, na forma disciplinada pelo
a) aquela com renda familiar mensal per capita de até Ministério da Cidadania.
meio salário mínimo; ou Para verificar se uma pessoa está cadastrada no CadÚni-
b) a que possua renda familiar mensal de até três salá- co, existe o acesso ao “Meu CádÚnico”: https://meuca-
rios mínimos; dunico.cidadania.gov.br/meu_cadunico/
III - domicílio: o local que serve de moradia à família;
IV  -  renda familiar mensal: a soma dos rendimentos Eis as regras de regularidade firmadas pelo
brutos auferidos por todos os membros da família, não INSS:
sendo incluídos no cálculo aqueles percebidos dos se-
guintes programas:
Anexo Ofício-Circular nº 14/DIRBEN/
a)  Programa de Erradicação do Trabalho Infantil; INSS, de 13 de março de 2019.
b)   Programa Agente Jovem de Desenvolvimento Social
e Humano; Orientação do Departamento do Cadastro
c)  Programa Bolsa Família e os programas remanescen-
Único/SAGI/MC sobre a atualização cadastral
tes nele unificados; no CadÚnico
d)   Programa Nacional de Inclusão do Jovem  -  Pró-Jo- Para o Cadastro Único, um cadastro atuali-
vem; zado é aquele que teve alguma das informações
e)   Auxílio Emergencial Financeiro e outros programas específicas, abaixo relacionadas, alteradas nos
de transferência de renda destinados à população atingi- últimos 24 meses, contados a partir de sua inclu-
da por desastres, residente em Municípios em estado de são ou da última atualização cadastral:
calamidade pública ou situação de emergência; e
f)   demais programas de transferência condicionada de Endereço domiciliar; Renda familiar; Com-
renda implementados por Estados, Distrito Federal ou posição familiar, com inclusão ou exclusão de
Municípios; membros da família; CPF ou Título de Eleitor
V - renda familiar per capita: razão entre a renda fami- para o RF; Para as famílias quilombolas e indí-
liar mensal e o total de indivíduos na família. genas, qualquer outro documento de identifica-
O cadastramento das famílias será realizado pelos Mu- ção previsto no Formulário Principal, inclusive
nicípios (Centros de Assistência Social) que tenham o RANI para os indígenas; Substituição do RF;
aderido ao CadÚnico, nos termos estabelecidos pelo Mi- Código INEP; e Ano/Série escolar Qualquer alte-
nistério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
observando-se os seguintes critérios:
ração em outros campos do cadastro da família,
mesmo na data da entrevista, não resultará em
I  -  preenchimento de modelo de formulário estabelecido
pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à atualização cadastral no Cadastro Único, por-
Fome; que as informações específicas acima não foram
II  -  cada pessoa deve ser cadastrada em somente uma atualizadas.
família; Ou seja, a data de atualização do cadastro da
III - o cadastramento de cada família será vinculado a família não será alterada. Caso em uma entre-
seu domicílio e a um responsável pela unidade familiar, vista com uma família já cadastrada nenhuma
maior de dezesseis anos, preferencialmente mulher;
de suas informações específicas tenha mudado
IV - as informações declaradas pela família serão regis-
desde a inclusão ou última atualização cadas-
tradas no ato de cadastramento, por meio do formulário
a que se refere o inciso I, devendo conter informações tral, a gestão municipal do Cadastro Único pode

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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 386 11/08/2020 17:17:46


Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE BAIXA


utilizar a funcionalidade “Confirmar Cadastro RENDA. INSCRIÇÃO NO CADÚNICO. REDUÇÃO
Familiar” do Sistema de Cadastro Único, con- DA ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDEN-
firmando junto ao Responsável pela Unidade CIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE VALIDAÇÃO DE
Familiar se os dados permanecem inalterados. CONTRIBUIÇÕES VERTIDAS ANTES DA INS-
Dessa forma, o município efetivará a atualiza- CRIÇÃO. INCIDENTE CONHECIDO E NÃO PRO-
VIDO.
ção cadastral por confirmação, ou seja, a data de
atualização do cadastro da família será alterada. 1. O OBJETO EM DISCUSSÃO CINGE-SE À ANÁ-
LISE DO DIREITO À VALIDAÇÃO DAS CONTRI-
BUIÇÕES EFETUADAS PELA SEGURADA, NA
No entanto, por desconhecimento e muitas ve- MODALIDADE FACULTATIVO DE BAIXA RENDA,
ANTES DA DATA DO REGISTRO NO CADASTRO
zes de boa-fé, os segurados facultativos promovem ÚNICO DE PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO
o recolhimento sem a inscrição no CADÚNICO, FEDERAL.
pois o recolhimento tributário é feito pelo próprio 2. O CONTRIBUINTE FACULTATIVO BAIXA
segurado, não sendo exigido pelo sistema a prévia RENDA, DESTINATÁRIO DA ALÍQUOTA DE 5%,
inscrição no CADÚNICO. É AQUELE QUE SE DEDICA AO TRABALHO DO-
MÉSTICO EM SUA RESIDÊNCIA, PERTENCENTE
Outras vezes existe a inscrição no CADÚNI- À FAMÍLIA DE BAIXA RENDA E INSCRITO NO
CO que não foi validada na via administrativa pe- CADASTRO ÚNICO PARA PROGRAMAS SOCIAIS
lo INSS. Ainda não há validação automática, que DO GOVERNO FEDERAL – CADÚNICO, CUJA
deve ser implantada com urgência pela autarquia RENDA MENSAL SEJA DE ATÉ 2 (DOIS) SALÁ-
RIOS MÍNIMOS, ART. 21, §2, II "B", E §4º, DA LEI Nº
previdenciária por óbvia questão de praticidade.
8.212/91.
As validações das contribuições ainda estão 3. AS CONDIÇÕES SOCIECONÔMICAS, QUE IN-
sendo feitas de forma pontual, através de mensa- TERFEREM NO CUMPRIMENTO DOS REQUI-
gem eletrônica à caixa de e-mail destinada a essa SITOS E, DE CONSEQUÊNCIA, NO DIREITO À
finalidade (baixarenda@previdencia.gov.br), con- ALÍQUOTA DIFERENCIADA, PODEM SOFRER AL-
TERAÇÕES COM O PASSAR DO TEMPO, RAZÃO
forme prevê o Memorando-Circular Conjunto nº POR QUE O CADASTRO REPRESENTA UM CRITÉ-
04 CGAIS/CGRD/DIRBEN/INSS, de 19 de dezem- RIO SEGURO PARA SUA AFERIÇÃO, NO MOMEN-
bro de 2011. TO EM QUE É FEITO.
Anteriormente, o INSS somente procedia à 4. DAÍ PORQUE A OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE
INSCREVER-SE PREVIAMENTE NO CADASTRO
validação quando do requerimento do benefício, ÚNICO NÃO PODE SER INTERPRETADA COMO
posicionamento absurdo, pois desprovido de se- UMA MERA EXIGÊNCIA DE ORDEM BUROCRÁ-
gurança jurídica, sendo direito do segurado ter TICA. E MAIS, NÃO PODE OPERAR EFEITOS RE-
um posicionamento prévio para poder continuar TROATIVOS.
contribuindo. 5. FIXADA TESE JURÍDICA REPRESENTATIVA
DA CONTROVÉRSIA (TEMA 181): "A PRÉVIA
Felizmente, com o advento do Memorando-
INSCRIÇÃO NO CADASTRO ÚNICO, PARA PRO-
-Circular Conjunto nº 43 /DIRBEN/DIRAT/INSS, GRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO FEDERAL –
de 22/11/2017, a autarquia passou a admitir a vali- CADÚNICO, É REQUISITO ESSENCIAL PARA
dação a qualquer momento quando solicitada pelo VALIDAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVI-
segurado. DENCIÁRIAS VERTIDAS NA ALÍQUOTA DE 5%
(ART. 21, § 2º, INCISO II, ALÍNEA "B", E § 4º, DA
Já existem inúmeras demandas judiciais em LEI 8.212/91), E OS EFEITOS DESSA INSCRIÇÃO
que o INSS rejeitou a validação dos recolhimentos NÃO ALCANÇAM AS CONTRIBUIÇÕES FEITAS
perpetrados por segurados facultativos à razão de ANTERIORMENTE".
5% sobre um salário mínimo por inexistência de A Turma Nacional de Uniformização, por maioria,
inscrição no CADÚNICO ou então pela percepção decidiu CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao
de remuneração do segurado no período. incidente de uniformização, nos termos do voto do
Juiz Federal Erivaldo dos Santos. Incidente de Unifor-
A TNU, tem tese representativa de controvér- mização julgado como representativo da controvérsia,
sia, não concedeu efeitos retroativos à inscrição no conforme art. 17, VII, do RITNU (Tema 181).
CadÚnico, mas apenas prospectivos: Brasília, 21 de novembro de 2018.

EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PE- O que a TNU não decidiu é se o INSS deve ou
DIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRE-
não facultar ao segurado (especialmente de boa-fé)
TAÇÃO DE LEI FEDERAL. INCIDENTE DE
UNIFORMIZAÇÃO JULGADO COMO REPRE- a complementação da alíquota de 5% para 11% com
SENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (TEMA 181). efeitos retroativos, o que pode ser a diferença entre
SEGURADO FACULTATIVO DE BAIXA RENDA. conceder ou negar um benefício por incapacidade
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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 387 11/08/2020 17:17:46


CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

ou mesmo uma pensão por morte quando o risco questão da aferição da renda pessoal e familiar do
social (incapacidade ou morte) se operou durante interessado, bem como a configuração do mesmo
como Do Lar. Essas verificações são feitas levando
o pagamento da contribuição de 5% do salário- em conta as informações repassadas ao INSS por
-mínimo sem que o segurado facultativo possuísse empresas e pelos próprios contribuintes, mais es-
inscrição no CadÚnico. pecificamente por declarações de cunho tributário
Entende-se ser razoável essa abertura de comple- entregues às autoridades fazendárias. No caso dos
autos, não houve a validação - conforme consta
mento com efeitos retroativos, exceto nas situações das informações prestadas pela Seção de Admi-
em que restar demonstrada a má-fé do segurado. nistração de Informações do Segurados - SAIS
Por sua vez, as validações são perpetradas so- (fls. 32/36) - o que significa dizer que o recolhi-
mente no momento do requerimento do benefício, mento não alcançou o fim pretendido, qual seja o
de atribuir a(o) falecida(o) a qualidade de segura-
de modo que a análise do atendimento dos requisi- do. Observo que a perda da qualidade de segurado
tos legais para enquadramento como facultativo de constitui óbice à concessão do benefício, conforme
baixa renda tem sido posterior aos recolhimentos disposição do artigo 102, §2º, da Lei 8.213/91: [...]
já realizados nessa categoria, o que gera enorme Consigno, por fim, que não restou demonstrado o
insegurança jurídica, pois após anos de recolhi- direito do(a) falecido(a) à concessão de aposenta-
doria. Assim, considerando que na data do óbito o
mento o segurado corre o risco de ter invalidados
segurado havia perdido a qualidade de segurado,
os recolhimentos, o que reforça a necessidade de bem como que não foram comprovados os requi-
urgente alteração da atual sistemática. sitos para a aposentadoria do falecido, a autora
O maior problema que se coloca é para o bene- não demonstrou o implemento das condições do
artigo 74 da Lei 8.213/91, pelo que não faz jus à
fício de pensão por morte, pois a complementação
concessão do benefício de pensão por morte. Nas
de contribuições post mortem não vem sendo ad- razões recursais, a autora argumenta que seu pai
mitida pela jurisprudência dominante. inscreveu-se no programa das Leis nº 10.836/2004
Nesse sentido, a 10ª Turma Recursal de São e 12.470/2011 e contribuiu no período de 07/2012
a 02/2013, tornando-se assim, segurado da Previ-
Paulo:
dência Social, qualidade mantida até a data do óbi-
to em 14/03/2013. Sustenta que a convalidação da
“RELATÓRIO: Trata-se de recurso interposto inscrição do segurado no CadÚnico pode ser feita
pela parte autora, VANESSA ALVES ROCHA, da quando do requerimento de benefício previdenci-
sentença que julgou IMPROCEDENTE o pedido ário. Ademais, uma vez verificado que o segurado
de concessão por morte formulado na inicial, na não mais se enquadra na condição de segurado de
condição de filha menor de João da Costa Rocha, baixa renda, a solução jurídica não é desconsiderar
falecido em 13/03/2013.Diz a fundamentação: [...] os recolhimentos efetuados, mas dar ao segurado
No caso presente, dos elementos contidos nos au- e a seus familiares a opção de complementar as
tos, verifica-se que entre a última contribuição à contribuições já recolhidas com o valor necessário
Previdência Social, como facultativo se deu em para atingir a alíquota normal de recolhimento. É o
fev/2013. No entanto, tal recolhimento por si só relatório. II VOTO Não assiste razão à recorrente.
não se presta ao fim pretendido. Isto porque os Nos termos do art. 21, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91,
recolhimentos feitos como facultativo de baixa na redação da Lei nº 12.470/2011, pode contribuir
renda passam por uma validação escalonada de como segurado facultativo de baixa renda somente
vários órgãos da Administração Pública. A pri- a pessoa sem renda própria que se dedique exclusi-
meira forma de validação é a verificação objetiva vamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua
da inscrição do beneficiário no denominado Ca- residência, desde que pertencente a família de bai-
dÚnico Cadastro Único para Programas Sociais xa renda, assim considerada a família inscrita no
CadÚnico que é o instrumento de identificação e Cadastro Único para Programas Sociais do Gover-
caracterização socioeconômica das famílias bra- no Federal - CadÚnico cuja renda mensal seja de
sileiras de baixa renda, obrigatoriamente utiliza- até 2 (dois) salários mínimos. No presente caso, a
do para seleção de beneficiários e integração de validação das contribuições do falecido ocorreu -
programas sociais do Governo Federal voltados tal como defendido no recurso - no bojo do requeri-
ao atendimento desse público. Os recolhimen- mento de pensão por morte formulado pela autora
tos efetuados na condição de baixa renda só são (cf. f ls. 21-28 e 32 do PA, págs. 31-36 e 40 da inicial).
validados após a checagem da inscrição do bene- Verificou-se na ocasião que o falecido não se enqua-
ficiário no CadÚnico. Cumprida as duas etapas drava no preceito legal que autoriza o recolhimento
- confirmação de inscrição no CadÚnico e efeti- em valor menor, porque possui renda no CadÚni-
vo recolhimento da contribuição pós inscrição - co (cf. pág. 36). Em outras palavras, não se tratava
os recolhimentos passam a constar no Cadastro de pessoa sem renda, dedicada exclusivamente ao
Nacional de Informações Sociais - CNIS. Quan- trabalho doméstico. Assim, sendo inválida a inscri-
do o segurado facultativo de baixa renda requer ção, não restou comprovada a qualidade de segura-
algum dos benefícios a que faz jus essa classe de do do de cujus na data do óbito. Inviável a regula-
segurados, iniciam-se as verificações relativas à rização das contribuições post mortem, visto que a
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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 388 11/08/2020 17:17:46


Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

jurisprudência não tem admitido essa possibilidade contribuições na qualidade de segurado facultativo de
nem mesmo ao contribuinte individual, segurado baixa renda. Pede reforma da sentença. - Nos termos
obrigatório da Previdência Social. Confira-se, nes- do caput do art. 59 da Lei 8.213/91, "o auxílio-doença
se sentido, o enunciado da Súmula nº 52 da Turma será devido ao segurado que, havendo, cumprido,
Nacional de Uniformização: Súmula 52 - Para fins quando for o caso, o período de carência de 12 meses
de concessão de pensão por morte, é incabível a re- exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu tra-
gularização do recolhimento de contribuições de balho ou para a sua atividade habitual por mais de 15
segurado contribuinte individual posteriormente (quinze) dias consecutivos". - Por outro lado, o segu-
a seu óbito, exceto quando as contribuições devam rado facultativo de baixa renda é aquele que preenche
ser arrecadadas por empresa tomadora de serviços. os seguintes requisitos: a) não ter renda própria; b)
Voto. Ante o exposto, nego provimento ao recurso dedicar-se exclusivamente ao trabalho doméstico no
da parte autora” (RI 00070049420144036332, de âmbito de sua residência; e c) pertencer à família de
25/7/2016). baixa renda, ou seja, aquela inscrita no Cadastro Úni-
co para Programas Sociais do Governo Federal - Ca-
É considerada como baixa renda, neste caso, a dÚnico, cuja renda mensal seja de até 2 (dois) salários
família inscrita no Cadastro Único para Progra- mínimos (art. 21, II, §2º, "b", e §4º da Lei SEGURADO
mas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), cuja FACULTATIVO nº 8.212/91). - As expressões "sem
renda própria" e "exclusivamente" devem ser inter-
renda mensal seja de até 02 salários mínimos.
pretados sistemática e teleologicamente, sob pena de
De acordo com a interpretação do INSS, fir- criar-se um paradoxo. O contribuinte facultativo de
mada no Memorando-Circular nº 26 DIRBEN/ baixa renda é o único responsável pelo recolhimento
INSS, de 7 de agosto de 2014, “a expressão ‘renda da sua contribuição. Se não possuir "renda nenhuma",
como poderá contribuir para a Previdência Social?
própria’ contida na alínea ‘b” do inciso II do § 2º
Impor a necessidade de recolher sua contribuição,
do art. 21 da Lei nº 8.212/91, abrange qualquer ren- mas ao mesmo tempo dizer que "não deve possuir
da auferida, não apenas as rendas provenientes do renda própria" é criar um paradoxo. O significado
trabalho. Dessa forma, o cidadão que auferir renda "renda própria", portanto, deve ser compreendido
proveniente de aluguéis, pensões, benefícios inde- como não exercer atividade remunerada que ense-
nizatórios, não poderá se inscrever como segurado je a sua filiação obrigatória ao RGPS. A legislação
criou o contribuinte facultativo de baixa renda, o
facultativo para contribuir com a alíquota reduzi- que não significa não possuir renda. É forçoso re-
da de 5%”. conhecer que não se pode excluir aquele que possui
Entende-se que esse posicionamento do INSS é uma "renda marginal", que muitas vezes nem chega
excessivo em certos casos de ínfimas receitas. Isso a um salário mínimo. - A sentença não merece repa-
ros. Os valores declarados como renda mensal pessoal
porque rendas mínimas não forçam o segurado a (anexo 18) são irrisórios, não tendo esse fato o condão
recolher como contribuinte individual, se inferio- de desqualificar a autora como segurada facultativa
res a um salário mínimo percebido mensalmente, de baixa renda. - Nesse sentido invoco o seguinte tre-
que é o menor valor do salário de contribuição, cho da sentença recorrida: "Quanto à qualidade de
pois a contribuição previdenciária possui natureza segurada da demandante, o INSS afirma que, a des-
peito de a autora ter efetuado os recolhimentos refe-
tributária e ninguém é obrigado a recolher contri-
rentes às competências 05/2012 a 10/2012 e de 04/2013
buição sobre um salário mínimo quando não aufe- a 05/2015, esses não foram validados, uma vez que a
re essa riqueza com o seu trabalho mensal. autora não logrou comprovar a sua qualidade de se-
Se uma pessoa tem uma renda como gurada facultativa de baixa renda. Esclareceu que a
demandante não comprovou tal qualidade por ter
vendedor ambulante de R$ 100,00 por mês não
apresentado renda própria registrada no CadÚni-
será segurada obrigatória, vez que não atingiu a co no valor de R$80,00 (oitenta reais) e de R$ 50,00
um salário mí-nimo mensal. Neste caso, por (cinquenta reais) no CECAD - Consulta, Seleção e
outro lado, a autar-quia previdenciária acaba não Extração de Informações do CadÚnico. Ressalte-
validando os reco-lhimentos de 5% do segurado -se que, nos termos do art. 21, §4º, da Lei 8.212/91,
facultativo de baixa renda, exigindo o seu considera-se como de baixa renda, para fins de inci-
dência do sistema especial de inclusão previdenciária,
complemento para 11% do salário mínimo, não "a família inscrita no Cadastro Único para Programas
sendo umasentido
Nesse posturaa adequada.
melhor jurisprudência. Sociais do Governo Federal - CadÚnico cuja renda
mensal seja de até 2 (dois) salários mínimos". Pois
“PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO-DOENÇA. QUA- bem. Da análise da documentação acostada aos au-
LIDADE DE SEGURADO. SEGURADO FACUL- tos, entendo que restou demonstrado que a autora se
TATIVO DE BAIXA RENDA. RECURSO DO INSS enquadra no conceito de segurada facultativa de bai-
IMPROVIDO. - Trata-se de recurso inominado inter- xa renda. Segundo documento acostado pelo próprio
posto pelo INSS contra sentença que julgou proceden- INSS consta a inscrição da autora no CadÚnico, com
te o pedido de concessão de auxílio-doença a segurada data de atualização da família em 04/02/2015, bem
facultativa de baixa renda. - Alega o INSS que a autora como com renda familiar de até 01 salário-mínimo e
possui renda própria declarada, não podendo verter per capita de até R$77,00 (pág. 03 do doc. 12). Assim,
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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 389 11/08/2020 17:17:47


CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

a despeito de constar valor da renda pessoal mensal salários-mínimos exigido para a qualidade segurado
de R$80,00 (oitenta reais - pág. 01 do doc. 12) e de R$ facultativo de baixa renda." - Recurso do INSS impro-
50,00 (cinquenta reais, pág. 05 do doc. 12) no CECAD vido. Sentença mantida” (3ª Turma Recursal, TRF 3,
- tal como argumentado pelo INSS - entendo que esse Recurso 05000816520164058305, de 1/4/2016).
valor não compromete a situação de vulnerabilidade
social da demandante, uma vez que a renda familiar O tema será julgado pela TNU:
desta continua muito inferior ao mínimo legal de dois

Situação do Ramo do
Tema 241 Em Julgamento - eproc DIREITO PREVIDENCIÁRIO
tema direito

Saber, para os fins do art. 21, § 2º, II, da Lei 8.212/91, se renda própria decorrente de
Questão submetida
atividade informal e de baixa expressão econômica impossibilita a validação dos
a julgamento
recolhimentos efetua-dos na condição de segurado facultativo.

Tese firmada

Decisão de Acórdão pu-


Processo Relator (a) Julgado em Trânsito em julgado
afetação blicado em

PEDILEF 0179893-64. Juiz Federal Gabriel


06/11/2019
2016.4.02.5151/RJ Brum Teixeira

Outrossim, aduz a Autarquia Previdenciária que “os auxílios assistenciais de natureza eventual,
prestados aos cidadãos e famílias hipossuficientes em virtude de nascimento, morte, vulnerabilidade
temporária e de calamidade pública, estão excluídos do conceito de renda própria. Os auxílios assis-
tenciais oriundos de programas sociais de transferência de renda, como o bolsa família também estão
excluídos do conceito de renda própria. Conforme entendimento expresso nos itens 19 e 20, do inciso
III do Parecer nº 22/2014/CONJUR-MPS/CGU/AGU e no item 5 da NOTA CGLEN nº 44/2014 (anexo
II) o recebimento de Benefício de Prestação Continuada BPC (87 ou 88) constitui impedimento para o
enquadramento na condição de segurado facultativo pertencente a família de baixa renda”.
Por fim, “nos casos em que as contribuições não são validadas, poderão ser complementadas por
contribuições no código 1830 (complementação de 6%) ou 1945 (complementação de 15%), conforme
a opção do contribuinte. O processamento dessas complementações se dá semanalmente, sempre às
terças-feiras, ocasionando, assim, o envio da contribuição principal efetuada sob o código 1929 e de
sua complementação para a extrato, disponibilizando sua visualização no conta-corrente”.

TABELA SIMPLIFICADA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS


DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E SEGURADO FACULTATIVO

Base de Responsa­bilidade Presunção de


Segurado Alíquota Prazo
cálculo pelo recolhimento recolhimento

Contribuinte individual
Salário de Até o dia 15 do
e segurado facultativo 20% O próprio Não
contribuição mês seguinte
(regra)

Contribuinte individual
que presta serviços à Salário de Até o dia 20 do
11% Empresa Sim
pessoa jurídica não imune contribuição mês seguinte
e nem isenta

Contribuinte individual
que presta serviços à Salário de Até o dia 20 do
20% Empresa Sim
pessoa jurídica imune ou contribuição mês seguinte
isenta

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Cursos-Amado-Curso Dir e Proc Previdenciario-13ed.indb 390 11/08/2020 17:17:47


Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

TABELA SIMPLIFICADA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS


DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL E SEGURADO FACULTATIVO

Base de Responsa­bilidade Presunção de


Segurado Alíquota Prazo
cálculo pelo recolhimento recolhimento

Salário de Não.
Contribuinte indivi­dual
contribuição Obs.: Não terá
que trabalhe Até o dia 15 do
11% no valor de O próprio direito à aposen-
por conta própria e mês seguinte
um salário tadoria por tempo
segurado facultativo
mínimo de contribuição

Contribuinte individual
Salário de Não.
enquadrado como MEI ou Até o dia 20 (MEI)
contribuição Obs.: Não terá
segurado facultativo de ou dia 15 (facul-
5% no valor de O próprio direito à aposen-
baixa renda que se dedi- tativo) do mês
um salário tadoria por tempo
que ao trabalho doméstico seguinte
mínimo de contribuição
em sua residência

4.3. Segurado especial Ou seja, em regra, os segurados especiais não


A contribuição do segurado especial é dife- contribuem com base no salário de contribuição
renciada por força do artigo 195, §8º, da Consti- e sim sobre a receita proveniente da comerciali-
tuição Federal, que determina que “o produtor, zação de sua produção. Há ainda uma contribui-
o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o ção social geral de 0,2% para o SENAR – Serviço
pescador artesanal, bem como os respectivos côn- Nacional de Aprendizagem Rural (entidade do ter-
juges, que exerçam suas atividades em regime de ceiro setor, integrante do Sistema “S”), mas não se
economia familiar, sem empregados permanentes, trata de contribuição previdenciária.
contribuirão para a seguridade social mediante Em regra, não caberá ao segurado especial a
a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da responsabilidade pelo recolhimento da sua con-
comercialização da produção e farão jus aos be- tribuição previdenciária, e sim ao adquirente
nefícios nos termos da lei”. da produção, salvo se comercializada no exterior,
De efeito, a matéria foi regulamentada pelo diretamente no varejo a pessoa física, a produtor
artigo 25, da Lei 8.212/91, que determinava que a rural pessoa física ou a outro segurado especial, até
contribuição previdenciária do segurado especial o dia 20 do mês subsequente ao da competência ou
tinha a alíquota total de 2,1% sobre a receita pro- no dia útil imediatamente anterior se não houver
veniente da comercialização de sua produção, expediente bancário.
sendo 2,0% de contribuição básica e 0,1% para o Outrossim, será o segurado especial responsá-
custeio dos benefícios decorrentes dos acidentes de vel pelo recolhimento da contribuição previdenci-
trabalho. ária incidente sobre a receita bruta da comercia-
No entanto, coube à Lei 13.606/2018 reduzir a lização dos artigos de artesanato elaborados com
alíquota da contribuição previdenciária do segura- matéria-prima produzida pelo respectivo grupo
do especial, inserindo a seguinte redação ao artigo familiar, de atividade artística, bem como de ser-
25 da Lei 8.212/91: viços prestados, de equipamentos utilizados e de
I - 1,2% (um inteiro e dois décimos por cento) da receita
produtos comercializados no imóvel rural, desde
bruta proveniente da comercialização da sua produção que em atividades turística e de entretenimento
(redação dada pela Lei 13.606/2018); desenvolvidas no próprio imóvel, inclusive hospe-
II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercializa- dagem, alimentação, recepção, recreação e ativi-
ção da sua produção para financiamento das presta- dades pedagógicas, bem como taxa de visitação e
ções por acidente do trabalho. serviços especiais.
Assim, a alíquota total da contribuição pre- Quando, no ano, o grupo familiar do segurado
videnciária do segurado especial (básica + SAT) especial não tiver obtido renda decorrente da co-
foi reduzida de 2,1% para 1,3% da produção rural mercialização dos seus produtos e serviços, deverá
comercializada. proceder à comunicação à Previdência Social.
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CURSO DE DIREITO E PROCESSO PREVIDENCIÁRIO • Frederico Amado

Com efeito, além da contribuição acima referi- dias pessoas/dia no ano civil, será obrigado a reco-
da, o segurado especial terá a faculdade de con- lher as contribuições previdenciárias dessas pesso-
tribuir como contribuinte individual sem perder as até o dia 20 do mês subsequente ao da compe-
o seu enquadramento, na forma do artigo 25, §1º, tência. Após a Lei 12.873/2013 (art. 32-C, §3º, da
da Lei 8.212/9123, caso queira usufruir de um bene- Lei 8.212/91), o prazo passou para o dia 7.
fício com valor acima de um salário mínimo ou ter No mais, se o segurado especial laborar por
direito à aposentadoria por tempo de contribuição. até 120 dias por ano, conforme facultado pela Lei
Conforme facultado pela Lei 11.718/2008, se o 11.718/2008, ou exercer mandato de vereador, esta
segurado especial contratar trabalhadores até 120 atividade não provocará a alteração da sua quali-
dade de segurado especial, mas deverão ser verti-
das as contribuições como se estivesse enquadra-
23. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição
obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na
do em outra categoria, na forma do §13, do artigo
forma do art. 21 desta Lei. 12, da Lei 8.212/91.

TABELA SIMPLIFICADA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS

Base de Responsabilidade Presunção de


Segurado Alíquota Prazo
cálculo pelo recolhimento recolhimento

7,5%, 9%, 12%


Salário de Empresa, emprega- Até o dia 20 do mês
Empregado e avulso e 14% por fai- Sim
contribuição dor ou equiparado seguinte
xas

7,5%, 9%, 12%


Empregado Salário de Empregador do- Até o dia 7 do mês
e 14% por fai- Sim
doméstico contribuição méstico seguinte
xas

Contribuinte Salário de Até o dia 15 do mês


20% O próprio Não
individual (regra) contribuição seguinte
Contribuinte
individual que presta
serviços Salário de Até o dia 20 do mês
11% Empresa Sim
à pessoa jurídica não contribuição seguinte
imune e
nem isenta
Contribuinte indivi-
dual que presta servi- Salário de Até o dia 20 do mês
20% Empresa Sim
ços à pessoa jurídica contribuição seguinte
imune ou isenta
Não.
Salário de
Contribuinte indi- Obs.: Não
contribuição
vidual que trabalhe terá direito à Até o dia 15 do mês
11% no valor de O próprio
por conta própria e aposentadoria seguinte
um salário
segurado facultativo por tempo de
mínimo
contribuição
Contribuinte indi-
vidual enquadrado Não.
Salário de
como MEI ou segu- Obs.: Não
contribuição Até o dia 20 (MEI) ou
rado facultativo de terá direito à
5% no valor de O próprio dia 15 (facultativo)
baixa renda que se aposentadoria
um salário do mês seguinte
dedique ao trabalho por tempo de
mínimo
doméstico em sua contribuição
residência

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Cap. 5  •  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS

TABELA SIMPLIFICADA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS

Base de Responsabilidade Presunção de


Segurado Alíquota Prazo
cálculo pelo recolhimento recolhimento

Receita do
produto da Até o dia 20 do
Segurado Em regra, dos
1,3% comercia- Sim mês seguinte ao da
especial adquirentes
lização da operação
produção
Segurado Salário de Até o dia 15 do mês
20% O próprio Não
facultativo (regra) contribuição seguinte

RELAÇÃO DE CÓDIGOS DE RECEITA (CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – GPS)

Código de
Especificação da Receita
Receita (GPS)

1007 Contribuinte Individual - Recolhimento Mensal NIT/PIS/PASEP

1104 Contribuinte Individual - Recolhimento Trimestral - NIT/PIS/PASEP

1120 Contribuinte Individual - Recolhimento Mensal - Com dedução de 45% (Lei nº 9.876/99) - NIT/PIS/PASEP

Contribuinte Individual - Recolhimento Trimestral - Com dedução de 45% (Lei nº 9.876/99) - NIT/PIS/
1147
PASEP

Contribuinte Individual (autônomo que não presta serviço à empresa) - Opção: Aposentadoria apenas
1163
por idade (art. 80 da LC 123 de 14/12/2006) - Recolhimento Mensal – NIT/PIS/PASEP

Contribuinte Individual (autônomo que não presta serviço à empresa) - Opção: Aposentadoria apenas
1180
por idade (art. 80 da LC 123 de 14/12/2006) - Recolhimento Trimestral – NIT/PIS/PASEP

1198 CI Optante LC 123 Trimestral Compl

GRC Trabalhador Pessoa Física (Contribuinte Individual, Facultativo, Empregado Doméstico, Segurado
1201
Especial) - DEBCAD (Preenchimento exclusivo pela Previdência Social)

1228 CI Trimestral Rural

1236 CI Optante LC 123 Mensal Rural

1244 CI Optante LC 123 Mensal Rural Complementação

1252 CI Optante LC 123 Trimestral Rural

1260 CI Optante LC 123 Trimestral Rural Complementação

1287 CI Mensal - Rural

1295 CI Optante LC 123 Mensal Compl

1406 Facultativo Mensal - NIT/PIS/PASEP

1457 Facultativo Trimestral - NIT/PIS/PASEP

Facultativo - Opção: Aposentadoria apenas por idade (art. 80 da LC 123 de 14/12/2006) - Recolhimento
1473
Mensal - NIT/PIS/PASEP

Facultativo - Opção: Aposentadoria apenas por idade (art. 80 da LC 123 de 14/12/2006) - Recolhimento
1490
Trimestral - NIT/PIS/PASEP
1503 Segurado Especial Mensal - NIT/PIS/PASEP
1554 Segurado Especial Trimestral - NIT/PIS/PASEP
1600 Empregado Doméstico Mensal - NIT/PIS/PASEP

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