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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DO TRABALHO DA _____ VARA DO

TRABALHO DE SÃO GABRIEL/RS.

J. BRONQUINHA, brasileiro, casado, desempregado, inscrito no


CPF/MF sob o nº 013.578.879-81, portador da cédula de identidade
nº 4098008298 SJS/RS, portador da CPTS nº 5731005, série 001-
0/RS, sem endereço eletrônico, residente e domiciliado na Rua das
Oliveiras, nº 111, Bairro Emancipação, na cidade de São Gabriel/RS,
CEP 97000-000, por seus procuradores firmatários, que recebem
intimação em seu escritório profissional localizado na Avenida das
Nações, nº 391, sala 05, Centro, na cidade de São Gabriel/RS, CEP
97000-000, vem respeitosamente perante Vossa Excelência propor a
presente

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA, sob o rito ordinário, com


fulcro no art. 840, § 1º, da CLT em face de

OFICINA MODELO-CAR, pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ/MF sob o nº 90.312.133/0004-39, com sede na Rua
Djalmo Haack, nº 1919, Bairro Fazenda Martins, na cidade de São
Gabriel/RS, CEP 97000-000, de JOÃO BAFODEONÇA, residente e
domiciliado na Rua Flores, n 233, Bairro João Brasil, em São
Gabriel/RS, CEP 97000-000, pelos motivos de fato e de Direito a
seguir aduzidos:
I – DA ASSISTÊNCIA GRATUÍTA

O reclamante não possui condições financeiras de arcar com as


custas processuais sem prejuízo próprio sustento como infere dos documentos em
anexo, que comprovam a situação de desemprego e saldo negativo em conta bancária,
extrato em anexo (§4º, do artigo 790, da CLT).

Com isso, requer a concessão das benesses da gratuidade judiciária


prevista no §3º do artigo 790, da CLT.

II. DA BREVE NARRATIVA DOS FATOS

J. Bronquinha fora admitido a trabalhar em data de 02.03.2018 na


Oficina Modelo-Car, de João Bafodeonça.

O mesmo, percebia salário-mínimo e executava as funções de


mecânico.

Ocorre que J. Bronquinha nunca percebeu férias, adicional de


insalubridade e nem 13º salário. Além disso, em 12.03.2019 foi eleito para o cargo de
conselho fiscal do sindicato dos metalúrgicos e, no dia 14.03.2020 fora despedido,
imotivadamente, sem prévio-aviso.

O Reclamante não gozou as férias adquiridas (período de 2018/2020)


nem foi indenizado das mesmas, também não recebendo a indenização das férias
proporcionais.

Logo, impõe-se a repercussão nas férias, nos repousos semanais


remunerados, no décimo terceiro salário, no FGTS, na indenização compensatória de
40% e no aviso-prévio, conforme entendimento pacífico dos Tribunais, em especial,
consubstanciado nas Súmulas correlatas do Colendo Tribunal Superior do Trabalho.
- DO RECONHECIMENTO DE TRABALHO EM CONDIÇÃO INSALUBRE E
DA CONCESSÃO DE ADICIONAL DE INSALUBRIDADE EM GRAU
MÁXIMO

O Reclamante, como já informado anteriormente, trabalhou, durante


toda a contratualidade, em serviços gerais de mecânico, exercendo trabalhos com graxas
e outros instrumentos perigosos.

Neste período, trabalhou em condições insalubres, pois esteve exposto


diariamente a diversos produtos químicos, sem que lhe fosse fornecido EPI’S - tais
como máscaras com filtro para respiração, macacões impermeáveis, luvas de látex,
óculos, capacetes, calçados, filtros solares, dentre outros.

Portanto, desde já, requer-se a designação de perícia, para que esta


comprove a situação insalubre em que o reclamante sempre esteve exposto, em
decorrência do trabalho por este exercido e, a concessão, em virtude deste
reconhecimento, ao pagamento mensal do valor equivalente a 40% sobre o salário
mínimo nacional vigente, por toda a contratualidade (02.03.2018 a 14.03.2020),
totalizando o montante de R$ X, valor este considerada a contratualidade total de X
meses, vezes 40% do salário mínimo vigente, ou seja, cômputo com base em 24 meses
de atividade efetiva na empresa em condição insalubre.

- DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO

Tendo em vista a inexistência de justa causa para a rescisão do


contrato de trabalho, surge para o Reclamante o direito ao Aviso Prévio indenizado,
prorrogado o término do contrato para o mês de março, uma vez que o § 1ºdo art. 487,
da CLT, estabelece que a não concessão de aviso prévio pelo empregador dá direito ao
pagamento dos salários do respectivo período, integrando-se ao seu tempo de serviço
para todos os fins legais.

Dessa forma, o período de aviso prévio indenizado, corresponde a 45


dias de tempo de serviço (consoante art. 10, § 1º da Lei 12506/11) contados a partir de
31 de fevereiro de 2020.
O reclamante faz jus, portanto, ao recebimento do Aviso Prévio indenizado.
Seguem os cálculos:
Salário total: X / X (dias) = R$ X
R$ X reais x X (dias) = R$ X

- DAS FÉRIAS VENCIDAS EM DOBRO

De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT o


empregador que não conceder as férias para o empregado ou que o fizer fora do período
concessivo, é obrigado a pagar o valor equivalente em dobro, conforme o disposto nos
artigos 134 e 137, podendo ainda sofrer sanções administrativas impostas pelo
Ministério do Trabalho quando da fiscalização.

Art. 134. As férias serão concedidas por ato do empregador, em


um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que
o empregado tiver adquirido o direito.
Art. 137. Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de
que trata o artigo 134, o empregador pagará em dobro a
respectiva remuneração.

Portanto, para efeito do pagamento em dobro, todos os valores a que o


empregado tem direito como o salário, as médias de variáveis, os adicionais previstos na
legislação (noturno, insalubridade, periculosidade e etc.) e o 1/3 constitucional, devem
ser considerados.

A seguir, valor devido:

R$ X reais

- DO 13º SALÁRIO INTEGRAL

Valor devido: X reais


Valor correspondente a um salário total: R$ X
 
- DO 13º SALÁRIO PROPORCIONAL
Discriminação dos cálculos:

Salário Total: X/ 24 (meses) = R$ X reais x X (meses trabalhados) = R$ X

- DA CONDENAÇÃO DA RECLAMADA AO PAGAMENTO DE


HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS:

Consoante art. 791-A da CLT, incluído pela Lei 13.467/17, é reconhecido


ao advogado da parte que vencer a demanda receber honorários sucumbenciais fixados
entre 5% a 15%, analisando o magistrado o trabalho prestado pelo procurador na
busca pelo melhor interesse de cliente.

Em respeito a este entendimento legal, postula-se, desde já, a aplicação de


honorários sucumbenciais a razão de 15% sobre o valor da condenação (R$) = R$
8.466,15 (oito mil, quatrocentos e sessenta e seis reais, com quinze centavos), haja
vista que a reclamação trabalhista e o trabalho a ser desempenhado pelos procuradores
evidenciam a presença de todos os requisitos legais para a concessão deste patamar
máximo de 15%.

III - DOS PEDIDOS:

Ante todo o exposto, requer a Vossa Excelência:


a) A admissibilidade da presente Reclamação Trabalhista, com fundamento
no art. 840, § 1º, da CLT, com os documentos que a acompanham;
b) Deferimento à parte reclamante do benefício da Assistência Judiciária
Gratuita em razão deste não possuir condições de arcar com as custas e
demais despesas do processo, sem prejuízo de seu sustento próprio e de
sua família, conforme declaração e comprovação de sua condição
financeira anexas, forte nos art. 790, §3º, da CLT e Súmula 463, I, do
TST;
c) Notificação da reclamada para que, querendo, conteste a presente ação
no prazo legal, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria de
fato, nos termos do art. 844, da CLT;
d) Produção de prova por todos os meios em Direito admitidos, em
especial, depoimento pessoal, testemunhal;
e) Designação de perícia, conforme previsão art. 195, § 2º, da CLT, para
que esta comprove a condição insalubre a que o reclamante sempre esteve
exposto em decorrência do trabalho por este exercido durante toda a sua
contratualidade.

- Os procuradores do reclamante declaram que as cópias dos documentos


ora juntados e destinados a fazer provam das alegações do reclamante conferem com
os originais, nos termos do art. 830 da CLT.

IV – DO REQUERIMENTO FINAL:

Ante o exposto, pede-se a Vossa Excelência a total procedência da presente


Reclamação Trabalhista com:

a) o reconhecimento, durante toda a contratualidade, do exercício de


função pelo reclamante para o reclamada em condição insalubre em grau
máximo;

b) a condenação do reclamado, com base em toda a contratualidade (entre


02.03.2018 a 14.03.2020 - 24 meses trabalhados efetivamente), ao
pagamento de adicional de insalubridade em GRAU MÁXIMO (40% do
salário-mínimo) - total de R$ X (X reais);

c) a condenação do reclamado, com base em toda a contratualidade (entre


02.03.2018 a 14.03.2020 - 24 meses trabalhados efetivamente), ao
pagamento dos seguintes reflexos oriundos do reconhecimento do
exercício de função pelo reclamante em condição insalubre em grau
máximo:

1) 13º salário integral – total de R$ X (x reais), conforme inicial;


2) 13º salário proporcional - total de R$ X (x reais);
3) férias integrais + 1/3 de férias;
4) férias proporcionais / X MESES + 1/3 de férias;
5) aviso-prévio indenizado / X DIAS – total de R$ X (X reais),
conforme inicial;

d) a condenação do reclamado ao pagamento das custas e despesas


processuais – (valor a calcular);
e) a condenação do reclamado ao recolhimento dos valores a título de
contribuições previdenciárias - (valor a calcular);
f) a atualização monetária de todos os valores decorrentes da
condenação do reclamado.

Dá-se a causa o valor de R$ XXX.XXX,XX.

Nestes termos, pede deferimento.


São Gabriel/RS, 28 de setembro de 2020.

BÁRBARA FLORES DA COSTA


OAB/RS 81.000