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Seminarista Felipe Cinelli – julho 2020

ANGELOLOGIA E
DEMONOLOGIA
Sobre os anjos e demônios
Ementa
1- Introdução
2- Abordagem filosófica: existência e propriedades
3- Considerações teológicas gerais
4- Os anjos bons
5- Os anjos pecadores
6- O posicionamento do Magistério da Igreja
7- A ação dos demônios
8- Os remédios da Igreja
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc.
Catecismo (n. 2110-2117): “A superstição representa, de certo modo, um
excesso perverso de religião” (CEC 2110), ou seja, “a superstição é um
desvio do culto que prestamos ao verdadeiro Deus. Manifesta-se na
idolatria, bem como nas diferentes formas de adivinhação e magia” (CEC
2138).
Obs. Sto. Agostinho/Sto. Tomás: Superstição: (i) idolatria (desvia da
reverência devida a Deus); (ii) adivinhação (desvia de ser instruído por
Deus); (iii) “observâncias” (desvia da ordem dos atos humanos conforme
os preceitos de Deus). Podem assumir o modo de “artes nulas” (se volta
ao oculto) ou “superstições culposas” (se volta explicitamente aos
demônios). (cf. Sto. Tomás, De Sortibus 5).
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
No início do século XX o Magistério se posicionou especificamente para
condenar o espiritismo (Resposta do S. Ofício, 24 abr. 1917 [DH 3642]), a teosofia
(Resposta do S. Ofício, 16(18) jul. 1919 [DH 3648]), além da astrologia (não confundir
com a astronomia que, antigamente, também era chamada de astrologia) e
práticas divinatórias cuja reprovação é constante na história da salvação, desde
o AT, passando pela era apostólica e dos Padres da Igreja. Cf. condenações à
geomancia, hidromancia, aeromancia, piromancia, oneiromancia,
quiromancia, necromancia, sortilégios, feitiçarias, presságios, encantamentos
de artes mágicas, astrologia: Libellus in modum symboli do bispo Pastor de
Palência (447) [DH 205]; carta Quam laudabiliter de S. Leão Magno [DH 283]; I
Sínodo de Braga (561) [DH 459]; “Regras tridentinas” sobre livros proibidos,
confirmadas na Constituição Dominici gregis custodiae de 24 mar. 1564 [DH
1859].
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
Nota pastoral da Conferência Episcopal Toscana, intitulada A proposito di magia e
demonologia (Nota pastorale 1º giugno 1994):
• Reafirma Dt 18,9-12: “Quando entrares na terra que Iahweh teu Deus te dará, não
aprendas a imitar as abominações daquelas nações. Que em teu meio não se
encontre alguém que queime seu filho ou sua filha, nem que faça presságio,
oráculo, adivinhação ou magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue
espíritos ou adivinhos, ou ainda que invoque os mortos; pois quem pratica essas
coisas é abominável a Iahweh [...]”.
• “A religião faz referência direta a Deus e à sua ação, tanto que não existe e não
pode existir experiência religiosa sem um tal referimento”.
• “A magia implica uma visão de mundo que crê na existência de forças ocultas que
influem sobre a vida do homem e sobre as quais o operador (ou o que recorre) da
magia pensa poder exercitar um controle mediante práticas rituais capazes de
produzir automaticamente os efeitos; o recurso à divindade – quando ocorre – é
meramente funcional, subordinado a estas forças e aos efeitos desejados”.
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
Nota pastoral da Conferência Episcopal Toscana, intitulada A proposito di
magia e demonologia (Nota pastorale 1º giugno 1994):
• “Magia branca”: (i) se recorre a meios puramente naturais, não causa danos
(não deve ser chamada de magia); (ii) se recorre a meios sobre-humanos
(mesmo que seja para obter um bem, como a saúde), é forma de magia,
inaceitável e perigosa, seja para a integridade psicofísica, seja para a vida
moral, espiritual etc.
Obs. Pe. Gabriele Amorth: “Habitualmente há a ideia de que a magia branca
consiste em desfazer malefícios e a magia negra em fazê-los. Mas na verdade,
conforme o Pe. Cândido [antigo exorcista de Roma, hoje servo de Deus com
causa de beatificação aberta] se fartava de repetir, não há magia branca ou
negra: só existe magia negra. Porque toda forma de magia (bruxaria) recorre
ao demônio” (AMORTH, G. Um exorcista conta-nos. 7. ed. Prior Velho:
Paulinas, 2010, p. 66).
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
Nota pastoral da Conferência Episcopal Toscana, intitulada A proposito di magia e demonologia (Nota
pastorale 1º giugno 1994):
• “Magia negra”: ação que invoca poderes diabólicos, direta ou indiretamente (em geral buscando
poder, conhecer o futuro, saúde, dinheiro etc.). Torna seus praticantes escravos de Satanás. Inclui
diversas expressões, desde os cultos esotéricos até as missas negras.
• Adivinhação: “uma tentativa de querer predizer o futuro à base de sinais do mundo natural ou em
relação à interpretação de presságios ou do destino de diversas maneiras”. Tanto na magia branca
quanto na magia negra pode haver adivinhação. Os tipos de adivinhação incluem a astrologia,
cartomancia, quiromancia e necromancia.
Com relação à necromancia (espiritismo), o documento diz:
“[...] a pior e mais grave expressão de adivinhação é a necromancia ou espiritismo, ou seja, o
recurso aos espíritos dos mortos para entrar em contato com eles e revelar o futuro ou
alguns de seus aspectos. As sessões espíritas pertencem a este gênero de magia. Em tais
sessões os participantes e o médium (edição moderna dos antigos necromantes) se
dedicam à invocação das almas dos falecidos (por exemplo, com pretensas gravações de
vozes do além); na realidade eles levam a uma forma de alienação do presente e
operam uma mistificação da fé no além, geralmente com truques, agindo de fato como
instrumentos de forças do mal que os usam frequentemente para fins destrutivos, orientados
a confundir o homem e afastá-lo de Deus”.
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
Obs. Espiritismo: condenações em Lv 19, 31; Dt 18,9-12 etc.; a reencarnação
contrária à ressurreição da carne; a auto-redenção pelas boas obras
(« caridade », noção diferente da caridade cristã, que é amor sobrenatural
fruto da graça) contrária à redenção de Cristo; “Entretanto, se alguém – ainda
que nós mesmos ou um anjo do céu – vos anunciar um evangelho diferente do
que vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1,8)/“O Espírito diz expressamente que
nos últimos tempos alguns renegarão a fé, dando atenção a espíritos sedutores
e a doutrinas demoníacas” (1 Tim 4,1); Jesus revela na parábola de Lázaro que
ordinariamente as almas dos falecidos não podem se comunicar com os vivos
(Lc 16,19-29); tenha Samuel aparecido a Saul por invocação em 1 Sm 28, tenha
sido uma fraude demoníaca, a ação foi condenada por Deus (1Cr 10,13); S.
Paulo exorciza um espírito de adivinhação de uma mulher (At 16, 16-22), ainda
que ele falasse coisas boas e verdadeiras (At 16,17: “Estes homens são servos
do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação”); o inimigo pode
se passar por “anjo de luz” (2Cor 11,14). (cf. KLOPPENBURG, B. A
reencarnação: exposição e crítica. Petrópolis: Vozes, 1955).
6.3- Acerca da magia, adivinhação,
espiritismo etc. (cont.)
Obs. Pe. Fortea e “caso de Vanessa” (Caso 4, na Summa Daemoniaca): problemático. Pe.
Amorth discorda. Rituale Romanum antigo: “O exorcista não se disperse em tagarelice, nem
com interrogatórios desnecessários ou feitos por curiosidade, particularmente acerca de
coisas futuras e ocultas, que não pertencem ao seu múnus; ao contrário, ordene o espírito
imundo a se calar, e responder somente ao que for perguntado; tampouco creia caso o
demônio simule ser a alma de algum santo, ou falecido, ou anjo bom”;
S. João Crisóstomo (apud Sto. Tomás, De substantiis separatis): “‘Por meio disto’, isto é, por
saírem dos túmulos, ‘eles queriam impor o dogma pernicioso de que as almas dos mortos se
tornam demônios. Razão por que também muitos advinhos mataram crianças, para terem
suas almas como ajudantes. Por causa disso, muitos demoníacos clamam: ‘Eu sou a alma
daquele’. Não é a alma do defunto que clama, mas um demônio que a imita para enganar os
que o ouvem; pois, se fosse possível que a alma de um morto entrasse no corpo de outro,
muito mais seria que entrasse no seu próprio. Tampouco tem uma alma que sofre
adversidades razão para cooperar com aquele que lhas cria, nem é razoável que uma alma
separada do corpo vague por aqui: ‘Mas as almas dos justos estão na mão de Deus’,
enquanto as que pertencem a pecadores são imediatamente daqui levadas, como é evidente
[respectivamente] por Lázaro e Dives”.
Núcleo do raciocínio: (1) a incapacidade da natureza da alma humana separada em assumir
um corpo de uma pessoa viva; (2) confrontação com a doutrina da fé acerca da morte, juízo e
destino eterno (CEC 1021-1022).
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo)
• Lei natural: inscrita no coração dos homens por Deus (CEC 1954-6),
fazendo com que expressem valores que apontam para Ele. E.g.: a
“regra de ouro”: não fazer ao próximo o que não quer que se faça
consigo; o voltar-se para o princípio criador etc. (cf. PAULO VI. Evangelli
Nutiandi, n. 53. 8 dez. 1975; Carta Apostólica Ecclesia in Africa, 14 set. 1995;
Declaração Nostra Aetate, do CVII).
• Cultura: o que o homem cria (é neutra em si). “[...] a edificação do
reino não pode deixar de servir-se de elementos da civilização e das
culturas humanas”, ao passo que as culturas “[...] devem ser
regeneradas mediante o impacto da Boa Nova” (Evangelli Nutiandi, n. 20).
E.g.: a arte grega usada nas igrejas é um valor; mitos e representações
criadas para propagar/estimular superstição não são.
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo) (cont.)
• Eventos preternaturais e valores contrários à lei natural:
- “O Decreto Missionário Ad Gentes amplia a missão de expulsar o maligno,
pois entende que toda a sociedade precisa se reconciliar com Deus: Deus
determinou entrar de modo novo e definitivo na história dos homens,
enviando seu Filho na nossa carne, para, por ele, arrancar os homens do
poder das trevas e de satanás e nele reconciliar o mundo consigo”
(CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Exorcismos: reflexões teológicas e orientações
pastorais. Brasília: Edições CNBB, 2017, p. 38).
Obs.: “Eu te livrarei do povo e das nações gentias, às quais te envio para lhes
abrires os olhos e assim se converterem das trevas à luz, e da autoridade de
Satanás para Deus” (At 26,17-18). Cf. relatos de S. Roque Gonzalez no Paraguai;
S. Bento em Montecassino; S. Meinrado em Zurique etc.
- RICA, no capítulo VII é apresentado um “exorcismo e renúncia aos cultos não
cristãos”.
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo) (cont.)
Exorcismo:
“[78.] Sempre que em algum lugar existirem cultos para adoração de poderes
espirituais ou evocação de espíritos, ou para obter benefícios por meio de
magia, podem ser introduzidos, a juízo da Conferência dos Bispos, no todo ou
em parte, o primeiro exorcismo e a primeira renúncia, como se segue; neste
caso omite-se o n. 76.
[79.] Depois de breve exortação, o que preside sopra de leve em direção à face
de cada candidato, dizendo:
Expulsai, Senhor Jesus,
pelo sopro de vossa boca,
os espíritos malignos [...]”
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo) (cont.)
Renúncia: RICA apresenta a possibilidade de que “[...] os candidatos renunciem logo abertamente ao culto das religiões não cristãs, dos espíritos e da magia
[...]”, cabendo à Conferência dos Bispos “[...] providenciar a fórmula de interrogação e renúncia apropriada às circunstâncias, segundo estas palavras ou
outras semelhantes (contanto que não sejam ofensivas aos adeptos das religiões não cristãs)”. Para isso é apresentada como “Outra fórmula à escolha”:
“Quem preside:
Caros candidatos, vocês decidiram adorar e servir
unicamente ao verdadeiro Deus,
que os chamou e trouxe até aqui,
e a seu Filho Jesus Cristo.
Por conseguinte, renunciem agora,
na presença de toda a comunidade, aos ritos e cultos
que não honram o verdadeiro Deus.
Jamais se afastem de Jesus Cristo,
Senhor dos vivos e dos mortos,
que tem sob o seu domínio
todos os espíritos e demônios
para voltar ao culto de N. (nomeiam-se aqui as falsas divindades).
Os candidatos:
Jamais.
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo) (cont.)
“Quem preside:
Jamais se afastem de Jesus Cristo,
o único que pode proteger o ser humano,
para procurar (ou: usar, fazer) de novo N.
(nomeiam-se os objetos de superstição, p. ex., amuletos).
Os candidatos:
Jamais.
Quem preside:
Não se afastem de Jesus Cristo
para aderir de novo aos adivinhos, feiticeiros e macumbeiros.
Os candidatos:
Jamais.”
6.4- Sobre as religiões não-cristãs
(paganismo) (cont.)
• Eventos preternaturais e valores contrários à lei natural:
O Catecismo da Igreja afirma que “a lei natural é imutável e permanente através das
variações da história. Subsiste sob o fluxo das ideias e dos costumes e está na base do
respectivo progresso. As regras que a traduzem permanecem substancialmente
válidas”. Cultos que promovam ou exijam comportamentos viciosos e desordenados,
animalizando o homem, atentam contra a sua dignidade, mas também a própria
idolatria, superstição, adivinhação, espiritismo e magia, em si mesmos são
gravemente contrários a Deus e não podem ser considerados valores (cf. CIC, n. 2110-
2117).
Obs.: Sto. Atanásio: “Vê-se dominado pelos prazeres, tornando-se escravo das
mulheres [...]; vê-se-o ainda se esconder para escapar às maquinações de seu pai
Cronos acorrentado por ele, e Zeus por sua vez mutilando seu pai. Verdadeiramente é
justo considera-lo como Deus, um ser que cometeu tão grandes crimes, e que é
acusado de coisas que até as leis comuns dos romanos não permitiam aos que são
homens?” (Contra os pagãos, p. 62-63).
6.5- Sobre a Nova Era
• PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A CULTURA; PONTIFÍCIO CONSELHO PARA O DIÁLOGO INTER-
RELIGIOSO. O cristianismo e a nova era: Jesus Cristo, portador da água viva. A fé em Cristo centra-
se na relação com uma Pessoa, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e não em conhecimentos,
técnicas, “energias” e realidades ocultas, que possam estar sob o controle do homem.
• Parapsicologia: “A teologia, partindo da palavra de Deus, sempre soube explicar a verdadeira causa
dos fatos, fenômenos e manifestações fora do normal denominando-os, tradicionalmente, com o
termo, ‘sobrenaturais’, ou ‘preternaturais’, segundo a sua origem. A parapsicologia invés os define
‘paranormais’, dando-lhes uma interpretação racionalista e atribuindo-lhes a energias ou forças
desconhecidas, ou latentes da natureza humana” (https://aiebrasil.org.br/criterios-de-
discernimento/).
• “sempre que se encontre de fronte a fatos, fenômenos e manifestações que ultrapassam o confim
natural, se não provêm de Deus, provêm de satanás, uma vez acertada a falta de fraude ou de
mistificação humana, quando acontecem fenômenos que vão claramente além do natural não há
algum fundamento científico nem alguma base teológica apelar-se a energias ou forças
desconhecidas, ou a poderes latentes da natureza humana. Ao contrário, tais fatos, fenômenos e
manifestações ou têm a sua origem em Deus mesmo, diretamente ou através da intercessão da
Beata Virgem Maria, dos anjos e dos santos, ou são devidos a uma presença e a uma ação
demoníaca” (ibid.).
6.6- Sobre as medicinas alternativas
• Documento da Conferência Episcopal Toscana: critério chave para ser
aplicado aos diferentes casos: caso opere por meio da natureza
humana (pelo estímulo das redes neuronais, por exemplo), sem o
contexto de uma mentalidade mágica, pode ser considerada uma
prática inócua. Porém, caso traga uma mentalidade mágica e recorra a
energias sobre-humanas, é prejudicial à fé e possível abertura ao
maligno.
Obs.: Dificuldade: identificar se há elementos prejudiciais em
determinadas práticas, uma vez que o processo de iniciação do
profissional que a pratica pode ser desconhecido, ou mesmo se há
recurso a instâncias mágicas seja no processo de feitura de determinado
produto seja durante a aplicação, sem que o paciente o saiba.
6.6- Sobre as medicinas alternativas (cont.)
• Condenação do Magistério acerca do “magnetismo”, termo que abarca o que hoje
corresponde à hipnose, esclarece que o uso de qualquer meio natural não está
moralmente proibido desde que não seja para um fim ilícito ou de qualquer modo
mau. “A aplicação, ao contrário, de princípios e de meios simplesmente físicos a
coisas e efeitos verdadeiramente sobrenaturais, para explicá-las de maneira
meramente física, outra coisa não é senão fraude de todo ilícita e herege” (Carta do
S. Ofício aos bispos, 4 ago. 1856 [DH 2824]).
• Obs.: Dr. Valter Versini, para o V Encontro Regional da Associação de Terapeutas
Cristãos, em 1998 na Itália (BAMONTE, F. Magia ou ciência? Como libertar-se da superstição,
da feitiçaria e dos charlatões. São Paulo: Ave-Maria, 2005, p. 74):
- Nem toda prática é boa somente pelo fato de buscar uma cura, como é o caso do
recurso à magia e aos demônios. O fim e os meios devem ser bons (no Catecismo
não diz se a licitude das práticas alternativas está relacionada ao fato de que
funcionam ou não, ao passo que também não é pelo fato de não serem científicas,
não serem alopáticas, que devem ser condenadas).
- Investigar se existe engano, realidades incompatíveis com a fé e o que realmente
existe em cada prática, e não confiar na etiqueta e em tudo o que nos é contado.
7- A ação dos demônios
Ordinária: a tentação.
• Paradigma: tentação de Adão e Eva. Etapas: (i) aproximação do demônio; (ii)
insinuação (inicia diálogo); (iii) a pessoa responde; (iv) proposição direta do
pecado; (v) vacilação (se não rechaça, comete-se pecado venial); (vi)
consentimento (pecado mortal); (vii) efeitos: desilusão, vergonha, remorso.
• Em geral, se segue todas as etapas, costuma ser matéria grave. Pecado
mortal: matéria grave (10 mandamentos da lei de Deus e da lei da Igreja, que
são formas de esclarecer como cumprir os primeiros); advertência (saber que
é errado); consentimento.
• Prevenção: sobriedade de vida; oração; sacramentos.
• Durante a tentação: resistência direta (agere contra); indireta (fugindo
fisicamente ou mentalmente; atos anagógicos são os mais eficazes. Se não
forem suficientes, recorrer aos sacramentais.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Deus não permite que sejamos tentados acima de nossas forças (cf.
1Cor 10,13); Deus não tenta ninguém ao mal, mas pode permitir que
sejamos tentados (cf. Tg 1,13; CEC, n. 2846).
• Sto. Tomás diz que uma tentação vencida traz inúmeras vantagens: (1)
humilha o demônio; (2) faz resplandecer a glória de Deus; (3) purifica
nossa alma; (4) enche-nos de humildade, arrependimento e confiança
em Deus; (5) obriga-nos a ser vigilantes, a desconfiar de nós mesmos,
esperando tudo de Deus; (6) ajuda a mortificar nossos gostos e
caprichos; (7) leva-nos à oração; (8) aumenta nossa experiência etc.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Necessidade do discernimento dos espíritos:
• Cf. TANQUEREY, A. Compêndio de teologia ascética e mística. 6. ed. Porto: Livraria Apostolado da Imprensa,
1961, p. 453-454; SCARAMELLI, G. Discernimento dos espíritos; Exercícios Espirituais de Sto. Inácio.
• Consolações e desolações: (1) Aos pecadores que não põem freios às paixões, o demônio apresenta prazeres
para retê-los no pecado e mergulhá-los cada vez mais nos vícios; já o espírito bom (seja angélico seja do
próprio Deus) perturba a consciência deles e lhes dá remorso, para tirá-los desse estado; (2) no caso de
pessoas sinceramente convertidas, o demônio suscita tristeza, tormentos de consciência, obstáculos etc., para
desalentar e impedir seu progresso. O bom espírito, ao contrário, dá coragem, força, inspirações santas etc.,
para fazer avançar na virtude; (3) as consolações espirituais que vêm do bom espírito são moções na alma que
a fazem inflamar-se de amor por Deus; chorar pela dor dos pecados cometidos ou pela Paixão de Cristo ou
outras coisas para o louvor e serviço de Deus; também é todo aumento de esperança, fé e caridade; toda
alegria interior que eleva a alma para as coisas celestes, trazendo a paz e tranquilidade; (4) as desolações
espirituais são (i) o oposto da consolação, pois são moções que produzem escuridão da alma, inquietações,
agitações, perturbações, incitação a coisas baixas, diminuição da fé, esperança e caridade. Provém do “mau
espírito” (demônio); (ii) nesse caso não se deve mudar nada nas resoluções tomadas anteriormente; (iii) deve-
se aproveitar a ocasião para fazer mais oração e com mais fervor, fazer um exame de consciência melhor e mais
penitência; (iv) ter confiança no socorro divino, que de fato é dado, ainda que não seja sentido; (v) ter
paciência e esperar a consolação voltar; tentar refletir que a desolação pode ser um castigo, i.e., uma
consequência de nossa tibieza (preguiça espiritual), uma prova para nos fazer conhecer o que podemos fazer
quando privados de consolações, ou uma lição para nos curar do orgulho; (5) durante as consolações deve-se
se preparar para as desolações, com provisões de coragem, como por exemplo pensar em quais tentações
tipicamente se sofre e já reafirmar os propósitos que se lhes opõem; (6) o demônio costuma agir “como uma
mulher de mau gênio”, pois é fraco quando se resiste a ele, mas furioso e cruel quando se mostra medo; porta-
se como um sedutor que pede segredo ao convidar para fazer o mal – por isso ajuda revelar suas insinuações a
um diretor espiritual ou confessor; imita um capitão, que para atacar um local, procura investir no ponto fraco
– por isso deve-se dar atenção a ele no exame de consciência.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Falsas consolações: “[...] Se o princípio, o meio e o fim são todos bons,
inclinados inteiramente para o bem, é sinal do bom espírito. Mas se a
sequência dos pensamentos sugeridos termina em alguma coisa má, ou
que distrai, ou que é menos boa do que a pessoa se propusera
anteriormente fazer, ou a enfraquece, ou inquieta e conturba tirando-
lhe a paz, tranquilidade e quietude que antes possuía, então é sinal
claro de que provém de mau espírito, inimigo do nosso proveito e
salvação eterna”. (Sto. Inácio, Exercícios espirituais n. 333).
• A aspiração de perfeição intempestiva fora das ocupações atuais, com
espavento; desprezo das coisas pequenas e busca de grandes e
singulares; reflexões lisonjeiras sobre si e queixas e desalentos nas
provações e aridezes.
7- A ação dos demônios (cont.)
Extraordinárias:
• Vexação: “Indicamos com o termo vexações diabólicas agressões físicas ao corpo de uma pessoa por
parte dos demônios, sem, porém, que esses possam assumir o domínio da pessoa, pelo que o corpo
permanece sob o controle de quem sofre tais agressões” (AIE) ou atingem a pessoa por meio de
situações em que ela sofre de modo amargo, prejudicando os aspectos sociais, econômicos, afetivos
etc.
• Obsessão: “ações da parte do demônio que agridem e atormentam o homem não no corpo, como
no caso das vexações, mas na esfera psíquica. Tal agressão não se dirige diretamente ao intelecto e à
livre vontade da pessoa, que são faculdades espirituais, mas sim aos sentidos internos da
imaginação, da estimativa e à memória, que são ligados diretamente ao cérebro. Tais sentidos
internos são, por natureza, dependentes do intelecto e da vontade e é justamente por força deste
vínculo que na obsessão diabólica intelecto e vontade são indiretamente assaltados e
atormentados” (AIE).
• Possessão: “presença e a ação de um ou mais demônios num corpo humano, que em determinados
momentos exercem um controle despótico sobre esse, fazendo-o mover e/ou falar sem que a vítima
possa fazer nada para evitar, mesmo nos casos em que mantém a consciência daquilo que lhe está
sucedendo. Trata-se de uma presença permanente no corpo, cuja manifestação, porém, não é
contínua. Nos períodos nos quais tal ação não se manifesta e que podem ser mais ou menos longos
(horas, dias, ou até várias semanas), a vítima consegue ter uma vida quase ‘normal’” (AIE).
7- A ação dos demônios (cont.)
Extraordinárias (cont.):
• Infestação: “todas as espécies de ações demoníacas dirigidas a lugares ou a
coisas das quais o homem se serve, animais incluídos”(AIE). Em geral, casas e
objetos.
• Sujeição: submissão do intelecto e da vontade ao demônio, em geral por
pacto do ocultista, que não sofre os tormentos das ações extraordinárias
típicas.
• Os demônios “[...] buscam lesar os homens em sua esfera psicofísica, tendo-
se entendido que o objetivo final do agir diabólico é sempre aquele de
chegar a prejudicar a esfera moral” (BURGO, P. Casi di possessione.
Discernimento e accompagnamento spirituale. XXIX Corso Sul Foro Interno.
Penitenzieria Apostolica, Roma, 5-9 mar. 2018, p. 3.).
7- A ação dos demônios (cont.)
• Causas:
• Própria culpa:
(i) superstição (idolatria, adivinhação, observâncias).
E.g.: ter frequentado Umbanda, Candomblé, espiritismo, magos, cartomantes; feito
horóscopo; feitiçaria; usado amuletos, talismãs, principalmente se recebido de
magos; praticado yoga, meditação transcendental ou outras práticas da Nova Era;
reiki; eneagramas; medicinas alternativas que recorram a “mestres” ou “forças”
superiores ; participado de seitas satânicas ou de algum encontro dessas seitas; ter
ido a missas negras; ter feito algum pacto com um demônio; ter profanado
voluntariamente a Eucaristia; ter ouvido por muito tempo músicas que convidam ao
culto a Satanás ou à violência, necrofilia, blasfêmia, homicídio, suicídio (BAMONTE, F.
Possessões diabólicas e exorcismo: como reconhecer o astuto pai da mentira. São Paulo: Ave-
Maria, 2007, p. 68-70).
(ii) Endurecimento no pecado grave em geral: em perversões sexuais, pornografia,
violência ou drogas, além do pecado do aborto, apresentam distúrbios de caráter
diabólico. As libertações nestes casos costumam demorar.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Causas:
• Própria culpa:
O exorcista Pe. Jeremy Davies acrescenta fatores importantes: rebelião contra Deus
(blasfêmia, ateísmo, ataques à Igreja e aos Sacramentos etc.); pecado contra a
verdade (apostasia, recusa da graça etc.); “novas revelações”, associação a falsos
profetas, dentre os quais Maomé (Islã), Joseph Smith (Mormons), Sun Myung Moon
(the Unification Church) e tantos outros – levam seus seguidores “a uma demoníaca
escravidão da consciência”; orgulho e auto-idolatria (o satanismo possui além da
corrente ocultista, que adora Satanás como um indivíduo, a corrente racionalista, que
vê no demônio um símbolo da liberdade e autonomia dos membros); perversões da
natureza, cujos efeitos são desumanizantes, como contraceptivos, aborto, relações
homossexuais, promiscuidade heterossexual, clonagem e manipulação de embriões
etc. Identifica que uma das causas possíveis da homossexualidade é um “fator
demoníaco de contágio”. Até mesmo ter sofrido estupro ou violência, especialmente
quando criança e pelos pais, além dos traumas psíquicos, pode resultar em influência
maligna (DAVIES, J. Exorcism: understanding exorcism in scripture and practice.
London: Catholic Truth Society, 2009, p. 16-22).
7- A ação dos demônios (cont.)
• Causas:
• Sem culpa: por ser vítima de um malefício (“macumba”, “feitiço”).
- Não produzem o efeito ex opere operato, i.e., pelo simples fato de terem sido realizados.
- Quando funcionam, o agente é sempre o demônio, nunca o rito realizado ou o “maléfico”
(o que faz o malefício).
- Malefício direto: Feito através de um objeto amaldiçoado (maleficiado), que é entregue à
pessoa. Pode ser um alimento que é ingerido ou um objeto que fique em contato com o
corpo da pessoa (colar, anel, perfume etc.).
- Malefício indireto: Feito através de coisas que remetam à pessoa. Por exemplo, podem
utilizar um pouco do cabelo, objeto pessoal, foto ou simplesmente o nome. Aqui se
encaixam os bonecos vodu (os kolossoi gregos), por exemplo.
- Maldição: Não necessariamente funcionam, principalmente se a pessoa que recebe vive
em estado de graça. Contudo, se for feita por autoridades legítimas (pai, mãe, tios, avós,
padres etc.), podem funcionar. E quando uma pessoa frequenta o ocultismo, há casos em
que seus descendentes foram afetados.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Causas:
• Sem culpa: por especial permissão de Deus.
- Pessoas que progridem no caminho de santidade podem, por permissão de
Deus, ser provadas pelo inimigo. Deus sabe tirar desse mal um bem, seja
para manifestar sua grandeza e superioridade, seja para aumentar a
perfeição espiritual e a glória futura da pessoa. Por ser permissão especial,
igualmente pode libertar sem a necessidade de exorcismo.
- Exemplos: S. Paulo recebeu um “aguilhão na carne”, tormento de um “anjo
de Satanás” para impedir que se enchesse de soberba diante da grandeza
das revelações que recebeu, e Jesus se negou a libertá-lo, afirmando que na
sua fraqueza a força de Deus manifesta todo o seu poder (cf. 2Cor 12,7-9); Jó
sofreu vexações; S. Padre Pio; S. João Maria Vianney (Cura d’Ars), Sta. Maria
de Jesus Crucificado (chegou a ficar possuída); Sta. Gemma Galgani etc.
7- A ação dos demônios (cont.)
• Sintomas gerais:
• Repugnância a lugares sagrados (não conseguir entrar ou, se consegue, ter reações como bocejos
irrefreáveis, acessos de sono, tosse, canseira, arrotos, náusea, confusão mental, desfalecimento; se
houver Missa pode nem conseguir ficar; pode ter pensamentos obscenos ao se aproximar do
sagrado); perceber como um peso insuportável as mãos do sacerdote quando colocadas em sua
cabeça; sentir queimar o toque de objetos sagrados; não conseguir se levantar ou abrir a boca ou
engolir a Eucaristia ou conseguir engoli-la, mas sentir um gosto ruim ou ter ânsia de vômito; se
aproximando o dia do encontro com o exorcista, a pessoa fica mal, muda de ideia, etc., ou procura
todos os impedimentos e desculpas para não ir; sente mal-estar crescente conforme se dirige ao
exorcista; apresentar sonhos ou visões que enganosamente lhe dizem que já está libertada;
indisposições e dores no estômago ou cabeça (só em algumas horas do dia ou em alguns dias da
semana); dificuldade em engolir ou digerir alimentos sem ter problema físico que justifique; se
remédios não surtem efeito ou provocam o efeito contrário; ter cegueira, mutismo ou surdez sem
explicação e temporariamente; ter paralisias temporárias; ter modificações físicas das funções do
corpo (seja nutrição, crescimento, respiração, menstruações, na fecundação, no canal espermático,
nos fluidos do corpo); ter sensação de sufocamento; ter sensação de que algo se move no
estômago; dor de barriga; crise de vômito frequente; partes do corpo que palpitam; sensações na
cabeça e no corpo como se pegassem fogo; sensação imprevista de frio ou calor; tumores malignos
que desaparecem com o exorcismo; sonhos tétricos com frequentes pesadelos; vozes na mente;
impressão de estar sendo visto, mesmo em lugar fechado; necessidade irrefreável de rir em
situações nada alegres; tendência a buscar a tristeza; sentir-se tocado por alguém invisível etc.
7- A ação dos demônios (cont.)
• E.g.: Pe. Cliff Ermatinger, exorcista de Milwaukee EUA, acerca de um caso de
possessão por causa de pornografia. Um homem de 31, com sintomas de íncubos,
ataques de cólera, pensamentos obscenos e blasfemos, tentações contra a pureza
etc. Desde jovem desenvolveu hábitos de pecado grave e, apesar de ter participado
de retiro quando tinha 17 anos, cinco anos depois retornou a eles. Seu pai era
envolvido com magia. Foi libertado por meio de exorcismos.
• Sinais de infestação: [espíritos] “mostrando-se em aspecto de sombras para
aterrorizar os habitantes e outras pessoas; às vezes sibilando, falando, rindo ou
simulando muitos outros rumores. Às vezes movendo ou quebrando utensílios e
perturbando os habitantes, impedindo-lhes o sono. Às vezes inferem graves males,
como jogar pedras, facas e outras ações deste gênero, infligindo também golpes ou
batidas. Às vezes aparecem com aparência de bodes, serpentes, gatos ou de outras
formas de animais ou de formas monstruosas. Às vezes provocam perturbações:
por exemplo, acordando os que dormem com rumores de portas que batem, de
passos nos corredores ou nos forros; ou arrancando ou rasgando as roupas, tirando
as cobertas e os lençóis. A tudo isso podem ser acrescentadas muitas outras coisas
do gênero” (AIE).
• Sinais da libertação: (i) cessação total e permanente dos distúrbios; (ii) alegria que
a pessoa recebe no ato da libertação e que perdura.
8- Os remédios da Igreja
• Sacramentos: São ações de Cristo, causa instrumental da graça. (i) Batismo:
resgata a alma do domínio de Satanás e nos torna filhos adotivos de Deus,
membros do Corpo Místico de Cristo; (ii) Confissão: exame objetivo, do
ponto de vista racional, conforme os mandamentos (não procurar o que
aflige como se fosse critério, pois pode ser subjetivismo); confessar todos os
pecados (ou o período/frequência aproximada deles); ter propósito
definitivo e universal (em qualquer caso) de não repetir; (iii) ápice da união
com Deus, tendo como efeito nos dar a graça e a vida eterna, fortalecendo
contra as tentações.
Obs.: Segundo os exorcistas, a Confissão pode ser mais forte e eficaz que um
exorcismo, sendo fundamental para a libertação, ainda que não seja a via
ordinária para se expulsar o demônio. Recomenda-se ao confessar os pecados
de superstição, renunciar a eles e aos eventuais nomes dos daimones
cultuados (e.g.: “eu confesso que..... E renuncio a....”).
8- Os remédios da Igreja (cont.)
• Sacramentais: “Sacramentais são sinais sagrados, pelos quais, de algum modo à
imitação dos sacramentos, se significam efeitos sobretudo espirituais, que se
obtêm por impetração da Igreja” (cân 1166). Destacam-se: (i) água
benta/exorcizada (para que a graça atue exorcizando, a fórmula precisa indicar que
sejam expulsos os assaltos do maligno): é o meio ordinário para repelir as
tentações; (ii) sal exorcizado: equivalente à água, só que não evapora; (iii) óleo
exorcizado: a fórmula só consta no Ritual de bênçãos antigo (em latim), é eficaz
para a saúde do corpo, para casos de vexação ou que se tenha ingerido maléfico;
(iv) objetos bentos: medalha de S. Bento, “medalha milagrosa” da Virgem Maria,
etc. (cujas fórmulas específicas de bênção encontram-se no Rituale Romanum
antigo).; (iv) exorcismo: menor (dado nos ritos de iniciação cristã, junto com os
sacramentos – atualmente são brevíssimos e somente deprecativos); maior (ou
solene): somente pelo Bispo do lugar ou por um sacerdote autorizado por ele
(cân.1172). Para ter a impetração da Igreja inteira, como uma oração pública, deve
seguir o Ritual de Bençãos (possui fórmulas deprecativas – dirigidas a Deus - e
imperativas – dirigidas ao demônio, com autoridade dada por Cristo).
8- Os remédios da Igreja (cont.)
• Vida de oração e piedade: (i) oração de libertação: ação (palavras e/ou
gestos) que tenha a finalidade de afastar a ação diabólica, mas a pessoa
que a realiza não age pela autoridade que Jesus confiou à sua Igreja, e
sim, em nome de Jesus, pessoalmente. Pela Instrução sobre Exorcismo
da Santa Sé (1985), indica-se que não deve se dirigir ao demônio, mas
ser uma súplica a Deus; (ii) Adoração Eucarística (por estarmos
próximos fisicamente de Jesus); (iii) Devoção à Virgem Maria e oração
do Santo Terço (conforme inimizade prometida em Gn 3,15) (cf.
BAMONTE, F. A Virgem Maria e o diabo nos exorcismos. Prior Velho:
Paulinas, 2011); (iv) devoção a S. Miguel (Ap 12); (v) Oração dos salmos
(cf. Sto. Antão; indicados no antigo Ritual: Sl 53(54); Sl 90(91); 67(68);
69(70); 117(118); 34(35); 30(31); 21(22); 3; 10(11); 12(13)); (vi) jejum
((Mt 17,21); Padres da Igreja).
Exemplo de oração de libertação e fim
Ao Senhor Jesus
É Jesus Salvador,
meu Senhor e meu Deus,
meu Deus e meu tudo,
que nos remiste com o sacrifício da cruz
e derrotaste o poder de Satanás,
peço-te que me livres de toda a presença maléfica
e de toda a influência do maligno.
Peço-te em teu nome,
peço-te pelas tuas chagas
peço-te pelo teu sangue,
peço-te pela tua cruz,
peço-te pela intercessão de Maria,
Virgem Imaculada e Mãe das Dores.
O sangue e a água AMORTH, G. Novos
que brotaram do teu lado relatos de um
desçam sobre mim exorcista. São Paulo:
para me purificar, me libertar e me curar. Palavra & Prece,
Amém. 2012, p. 211.