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Capítulo 1

Um cientista louco em um mundo magico


Ao abrir os olhos Dante viu um céu muito azul e limpo sem uma nuvem sequer, sentiu
um forte vento em suas costas, procurou o chão e não encontrou, olhou para os lados
e viu o que mais temia, estava em queda livre.

― Por quê? Não era pra isso acontecer. Será que errei os cálculos? ―

O seu fim estava próximo, tentou se virar, mas começou a girar sem rumo, conseguiu
perceber que estava acima de águas, pensou em tentar se esticar, se as águas fossem
fundas o suficiente talvez ele não morresse, mas o desespero não o deixava se
concentrar, seu fim se aproximava a medida que as águas ficavam mais perto, seu
desespero também alimentava.

― Maldita gravidade, se você não existisse. ―

Berrou em pleno ar, fechando seus olhos preparando-se para o impacto, mas ele não
aconteceu, abriu os olhos e viu a água quase tocando seu rosto e de repente tudo ficou
escuro.

Andando pelos corredores do laboratório tarde da noite, assim como todos os dias, ia
Dante calmamente, lembrando-se dos seus dias de aula em faculdade, e foi onde tudo
começou, um pequeno experimento que chamou a atenção dos governos mundiais, um
experimento baseado em inscrições muito antigas de magia, era incrível como, mesmo
que de forma arcaica, as inscrições descreviam algo que se assemelhava a transporte
de matéria orgânica viva a longa distância, mas algumas coisas naquela época eram
praticamente impossíveis, então um ramo da ciência criou uma forma de ler as sinapses
do celebro humano, criando assim um dispositivo de realidade virtual que conseguia
seguir os comandos do celebro, a outra parte dos cientistas envolvidos conseguiram
criar uma forma de transportar objetos sólidos, mas ainda não conseguiam fazer com
perfeição, faltava ainda uma parte essencial, foi quando Dante criou uma teoria, tal foi
a repercussão que ele foi tirado da faculdade e levado pra um laboratório secreto, lá
tinham outros trabalhando no projeto de transporte de matéria orgânica não viva, mas
ele era tido como louco pro sugerir que animais e até pessoas poderiam ser
transportados, em segredo criou um dispositivo que conciliava a tecnologia de realidade
virtual com o sistema de tele transporte, assim ele conseguiu ler as sinapses celebrais
de pequenas cobaias, desmanchá-las em nível subatômico e remontá-las em outro
local, as partículas subatômicas que compõem o átomo viajavam a uma velocidade dez
vezes mais rápido que a luz, assim com os dados armazenados e as partículas originais
poderia remontar a cobaia em outro lugar, a olho nu a cobaia aparecia no local de
chegada antes se desaparecer no local de partida, isso acontecia pela velocidade que
as partículas viajavam.

Finalmente ele iria fazer o primeiro teste, por ser um projeto que somente ele sabia,
iria testar em si mesmo, ao passar pela porta do refeitório viu lá dentro uma cientista
que trabalhava em um projeto de cruzamento genético de espécies, era uma linda
japonesa de cabelos longos e negros como a noite mais escura, corpo esbelto e perfeito,
ele nunca conseguia olhar pra ela e não admirar sua beleza, mas como todos daquele
laboratório ela também via ele como louco, pensou em ir até lá e compartilhar com ela
informações sobre a leitura das sinapses que poderiam ajudar muito ela, mas como
sempre ele mesmo preferia ficar sozinho, tinha dificuldades em se comunicar com outras
pessoas, era um martírio ter que apresentar os projetos e resultados nas reuniões
anuais, ele entrou e foi até a cafeteira pegar um capuchino, ao passar por ela sentiu um
suave perfume, cerejeira, a arvore símbolo do Japão, pegou seu capuchino e foi para
seu laboratório, entrou e como de costume trancou a porta, sentou-se em sua cadeira e
iniciou o sistema, enquanto esperava o carregamento e verificação, tomava seu
capuchino e lembrava de como foi ridicularizado por todos, sempre sozinho até mesmo
na época do colegial, começou a fazer planos em sua mente, esse seria o seu grande
feito, seu momento de provar a todos que ele não estava louco, de ajudar a humanidade
a dar humanidade a dar um grande passo rumo a um mudo pacifico e sem doenças,
poder reescrever o DNA tirando todas as doenças, curar a aids e o câncer em segundos,
talvez até tivesse a oportunidade de conversar com a garota japonesa que tanto
admirava.

Um bipe o trouxe de volta de seu devaneio, era o sistema avisando que estava tudo
certo, se levantou e foi até o painel da máquina e digitou alguns comandos, as paredes
de um cilindro gigante se abriram, ele entrou ergueu o braço esquerdo olhando algo
parecido com um relógio de pulso, encostou o dedo indicador direito e uma tela
holográfica apareceu, digitou alguns comandos, a porta se fechou, um arco se
aproximou de sua cabeça acendeu uma luz vermelha e começou a emitir um zumbido,
e em segundos tudo desapareceu.

Sentia a cabeça latejar, aos poucos recobrou a consciência veio um flash do momento
da queda, ficou com medo de abrir os olhos e estar caindo, não sentiu nenhum vento,
mas um calor agradável e algo macio abaixo, abriu os olhos com calma e muito medo,
viu um teto de madeira, ele estava em uma cama em um quarto, sentiu um leve balanço,
se levantou e olhou a sua volta viu apenas uma cadeira com suas roupas, olhou
rapidamente para seu corpo, estava debaixo de cobertas.

― O que está acontecendo? Quem me trouxe até aqui? ― Murmurou para si mesmo.

Tirou a coberta, estava com roupas estranhas, pareciam feitas a mão de uma forma
muito rudimentar, o tecido era grosso também.

― Que roupas são essas? Quem me vestiu? ―

As perguntas surgiam uma atrás da outra, tentou olhar seu computador de braço,
ates que pudesse levantar a mão à tela surgiu.

― Será que está com defeito ― olhou o pulso ― EEEEEEEEEEEEE? Onde está?
Como a tela abriu se não está no meu pulso? ―

Olhou um tempo para a tela, tentou toca-la, mas sua mão a atravessou.

― Como posso usar se não consigo tocar a tela? ―

Reclamou olhando um pouco decepcionado para a tela, aparecia as suas informações,


mas de alguma forma só o nome estava certo, na patê inferior da tela tinha alguns
retângulos com menus, entre eles estava um inventario, olhou pra e ele e pensou em
selecionar, uma tela cheia de quadrados surgiu, todos estavam vazios exceto pela parte
do dinheiro.

― Não preciso tocar pra selecionar, é como nas máquinas de realidade virtual, só
preciso pensar, parece até que voltei ser adolescente. ―

Aparentemente ele tinha uma moeda de cada, (cobre, prata, ouro, platina,).

― Como posso ter dinheiro se nem sei onde estou? ―

Selecionou a moeda de ouro e várias opções apareceram, deu uma boa olhada na
lista, parecia com a lista de opções que aparecem ao clicar com o botão direito do
mouse, viu uma opção de utilizar.

― Não entendi bem como vou utilizar uma moeda virtual, mas vou tentar com a de
cobre, caso de alguma coisa errada não perco a de ouro. ―

Foi até a moeda de cobre e selecionou, pensando na utilização, a tela de opções não
abriu, apareceu simplesmente a opção utilizar já selecionada e a moeda se materializou
na sua frente, Dante pegou a moeda e a analisou por um tempo.

― É um pouco diferente, não tem um valor escrito, somente um brasão de um reino de


um lado e do lado creio que seja o brasão de uma família imperial ou real. O que é isso?
― Disse ele olhando o inventário. ― Eu retirei a moeda, mas ela continua constando
no inventário. ―

O cômodo deu mais uma balançada, dessa vez um pouco mais forte, Dante se
assustou e sem perceber fechou a tela, com a moeda nas mãos ele pensou em retirar
outra, a primeira coisa que veio na sua mente foi a tecla utilizar, sem precisar abrir o
inventário outra moeda apareceu.

― Realmente parece que estou dentro de uma máquina de realidade virtual, é como
se essa tela fosse um computador em minha mente, eu copio os itens de dentro do
inventário e colo do lado de fora, e aparentemente tem atalhos pra essas funções sem
precisar abrir a tela, só queria saber onde eu estou e que merda está acontecendo. ―

A porta do quarto se abriu e um homem aparentando ter uns 35 anos, vestido com a
mesma espécie de roupas que Dante estava vestido, calças e camisas de um pano
grosso costurado a mão.

― Olá garoto, finalmente acordou, estava quase te devolvendo pro mar ― disse o
homem rindo de uma forma descontraída ― Está quase na hora do almoço, saia dessa
cama e venha para o convés. ―

Finalmente convés essas duas palavras ecoavam em sua mente, assim como duas
perguntas, onde estou? E o que está acontecendo? O homem olho para Dante com ar
de dúvidas.

― Desculpe pela minha falta de educação garoto, meu nome é Hefáistos, capitão desse
navio e mercador.
― Me chamo Dante, e sinceramente não consigo entender nada do que está
acontecendo. Onde eu estou é como vim parar aqui? ―

― Estamos no reino do oriente, indo pra cidade de Anje, e quanto a parte de como veio
parar aqui, só posso dizer que te vi cair do céu e te recolhi do mar, aliás como você fez
para parar a queda pouco acima da água? ―

― Então não era sonho, eu não sei o que aconteceu eu só estava caindo não entendo
como tudo aconteceu. ―

Dante tentava ser calmo, não queria dar muitas informações sobre si, por isso fechou
a mão com as duas moedas e pensou em guardá-las, sentiu as moedas sumir dentro
de sua mão, tentou não esboçar nenhuma reação, levantou da cama e caminhou até
perto de suas roupas.

― Um dos meus marujos viu você caindo e me avisou, foi assim que conseguimos te
tirar da água ontem pela manhã, você está dormindo a mais de um dia, nós tivemos que
tirar suas roupas e vesti-lo com roupas secas, mas você não trazia nenhum pertence
fora do inventario. ―

― Mais de um dia é muito tempo, ainda estou tentando me lembrar como eu cai. ―

Disse ele tentando não mostrar que estava surpreso por saberem do inventario.

― Você provavelmente caiu ali por causa da ilha abandonada, ela é rica em uma
espécie de minério que armazena magia, não sabem dizer exatamente o que acontece,
mas quando chega perto da ilha a magia diminui consideravelmente, esse deve ser o
motivo de você ter desmaiado, o esforço que fez para parar a queda deve ter
sobrecarregado seu corpo, é espantoso que tenha conseguido, vamos subir lá
conversaremos mais você precisa tomar um ar. ―

O homem se virou e começou a sair Dante o seguiu até o convés do navio, que era um
navio grande por sinal, o homem deveria ser muito rico, havia homens andado por todo
lado cada um deles tinha uma espécie de coleira no pescoço, ele reparou que alguns
pareciam estar fantasiados com orelhas e cauda de animais como cães, gatos, raposa
e vários outros, ele achou muito estranho mas não disse nada apenas reparou tudo.

― Sou mercador de escravos mas estes que você está vendo são meus fieis
companheiros, passei por muitas coisas com cada um deles, é difícil lutar contra a
escravidão nesse reino, e o maior problema é que depois de usada a magia de
escravização é impossível desfazer, se eu retirar as coleiras outro mercador pode tomar
posse e vendê-los, não quero que sejam vendidos para senhores que os maltratem. ―

― Mas se você é mercador você também vende não? ―

― Sim infelizmente não posso ficar com todos, mas sempre tento encontrar boas
pessoas, que os tratem com dignidade. ―

― Mas por que são escravizados? ―

― Nos dias atuais é por causa de dívidas na maioria dos casos, geralmente alguém
pobre que pega dinheiro emprestado pra sustentar a família e acaba fazendo contratos
de escravidão, quase todos os senhores feudais desse reino são cruéis e gananciosos,
na cidade de Anje ainda tem um ou outro bom, que os compram e dão algum tipo de
emprego e eles recebem pôr isso, mas a maioria os põe pra trabalhar dia e noite e mal
os alimentam. ―

― Isso é muito ruim, de onde eu venho felizmente a escravidão é proibida, mas estou
curioso com relação aqueles com orelhas e cauda, por que estão com aquilo. ―

― Já entendi o que aconteceu com você ― disse o capitão olhado pra Dante e rindo
― provavelmente veio de outro mundo assim como eu, aqueles são demi-humanos,
são descendentes do povo de uma cidade muito grande que tinha na fronteira dos dois
reinos, a cerca de 500 anos um imperador tentou transportar toda a cidade pra dentro
da fronteira do oriente, ele até conseguiu, mas as pessoas aviam se misturado com os
animais da cidade e com os que habitavam a floresta onde a cidade foi colocada ―

Dante ouviu calmamente toda a história contada pelo capitão enquanto observava
tudo, tentou entender como havia ido parar ali, mas não achou uma explicação plausível,
precisava esfriar a cabeça, se acalmar para pensar melhor, tudo estava muito confuso,
sua mente estava muito bagunçada.

― É muita informação, tudo é novo, não sei se posso lhe pedir isso, mas gostaria que
me explicasse algumas coisas, que me ensinasse a usar a magia. ―

― Bem, eu tenho que passar por algumas ilhas antes de ir pra Anje, uma viagem de
três dias, se me ajudar posso te ensinar tudo o que sei. ―

Dante prontamente estendeu a mão e assentiu, o capitão apertou a mão dele com
um sorriso, partiram dali para uma viagem que duraria três dias, mas que mudaria a vida
de Dante para sempre.
Capítulo 2

Uma cidade chamada Anje


Anje é uma cidade portuária, conhecida por ser a cidade mais próxima da capital do
Reino do oriente, Eriar, construída em uma pequena montanha, de uma enorme cadeia
que cercava a capital, Anje era cercada por pequenas aldeias e vilarejos fora dos seus
muros, em seu porto um grande navio zarpava e Dante caminhava em direção à entrada
principal de Anje, todos que desejavam ir até a capital eram obrigados a passar por ali,
logo na entrada um grande quartel do exército conferia as documentações de quem
chegava, após três longos dias em auto mar estar em terra era muito bom, ele se
encaminhou ao posto do exército pra fazer o seu cadastro, quase a entrada do posto no
final da muralha, havia uma grande parede de pedra, Dante parou um pouco e observou
aquela muralha, era estrategicamente bem posicionada grandes paredes de pedra de
ambos os lados que terminavam em auto mar, na sequência das paredes tinha uma
grande floresta que se estendia para longe, era uma cidade cercada de montanhas, e
por ser construída em uma montanha Anje tinha a vantagem de ser alta, fechada por
três muralhas gigantescas em forma de anel, uma verdadeira fortaleza militar com um
grande castelo com cume dentro do último anel.

Dante viu alguns soldados que pareciam estar descansando, e havia algumas crianças
por perto, uma delas chegou perto do penhasco para ver o mar, ela escorregou e se
desiquilibrou uma mulher soldado tentou segurar a criança mas também escorregou,
Dante passou pelos soldados que olhavam pra baixo sem que eles percebessem pegou
as moça e a criança e caiu de pé sobre uma pedra como se não tivesse peso, se abaixou
e pulou de volta para traz dos soldados, todos olhavam ele espantados foi tão rápido
não o tinham visto passar, a criança chorava muito assustada, ele a entregou a um dos
soldados, a moça, apesar das vestimenta e armaduras leves de soldado, dava pra notar
que era bela, um rosto com traços que lembram os orientais, cabelos preto liso na altura
dos ombros, corpo bem defendido, aquela era a primeira mulher que Dante via desde
que chegará naquele mundo, realmente as pessoas dali lembravam muito os orientais
que ele estava acostumado geralmente pessoas próximo dos japoneses.

― Está tudo bem com você moça? ―

― Sim, muito obrigado ― disse ela com um sorriso meigo ― como eu poderia lhe
agradecer? ―

― Bem, eu perdi meus pertences se você pudesse me informar onde posso tirar novos
documentos seria de grande ajuda ―

Ele certamente não queria aquela situação, mas por ela ser um soldado evitaria
alguns transtornos.

― Sim claro, meu nome é Selene.


― Desculpe a minha falta de educação, meu nome é Dante como já deve ter percebido
não sou daqui um amigo mercador me disse que essa é uma boa cidade, como eu
estava a um tempo com ele em auto mar, resolvi vim pra cá ―

― Sim é uma boa cidade, apesar da divisão de classes, me acompanhe por favor te
levarei ao oficial de registros, assim poderá fazer um novo cartão e pegar uma
autorização temporária pra permanecer na cidade e para se cadastrar na Guilda dos
Aventureiros. ―

― A sim a guilda ouvi falar bem dela também. ―

― Sim somos a segunda maior e a terceira maior cidade em nível e quantidade de


aventureiros, claro que isso é por que a capital não tem guilda, assim só perdemos para
Ipet-sut, que fica após a capital no deserto. ―

― Você parece gostar muito da sua cidade. ― Disse Dante olhando pra ela com um
sorriso

Selene olhou pra ele sorrindo um pouco envergonhada, suas bochechas coraram um
pouco.

― Sim, esse foi o grande motivo de eu ter entrado para o exército, ajudar a proteger as
pessoas. ―

Eles adentrar no posto da guarda, haviam alguns soldados na porta que haviam acabado
de chegar para fazer a guarda, olharam para Dante um tanto desconfiados, mas por ele
estar na companhia de uma soldado eles não disseram nada, mas seu olhares de
desaprovação eram evidentes, talvez por ele ser estrangeiro talvez por suas roupas, já
que estava bem vestido, trajando um casaco preto de couro bem cortado e costurado,
uma camisa preta simples e uma calça preta, uma espécie de bota de couro perto
aparentemente muito resistente, eram roupas que só se via um lorde ou senhor feudal
usando, não exatamente por sem como são, mas pelo fato de seus materiais e mão de
obra serem muito caros, e os membros da realeza gostavam de andar de branco para se
exibir, nem todos tinha condições de manter roupas sempre brancas ou ter várias peças,
portanto a maioria das pessoas da cidade estavam sempre com roupas escuras, como
marrom azul, e os escravos estavam sempre com trapos encardido, era raro um escravo
com uma roupa boa. Dentro do posto estava o soldado responsável pelos registros e 5
subordinados, Selene fez sinal para Dante aguardar onde estava e foi conversar com o
oficial, ela fez sinal pra Dante se aproximar.

― Coloque sua mão aqui por favor. ―

Disse o soldado apontando para uma pedra de cristal, uma pedra redonda cor de vinho,
posicionada em uma armação de metal, assim que Dante colocou a mão ela começou a
brilhar, o oficial colocou embaixo dela um cartão preto com o emblema do reino
oriental.

― Certo agora feche seus olhos e concentre-se nos seus dados ―


Uma luz da mesma cor da pedra desceu até o cartão como um facho de luz laser, assim
que a luz parou o oficial pegou o cartão e o entregou a Dante.

― Aqui está, você tem um período de 15 dias na cidade, assim que acabar deve
renovar, se for pego com a estadia vencida, terá que pagar uma multa, se não tiver
como pagar ira preso, após 5 estadias se quiser ter cidadania fixa terá que ter um imóvel
na cidade, alugado ou próprio, ou estar cadastrado na guilda dos aventureiros e pelo
menos hospedado em alguma estalagem, esse é o contrato para plebeus, o preço é
uma moeda de ouro. ―

Dante pegou uma moeda no bolso interno de seu casaco e entregou a ele, pegou sua
identificação, olhou para ela por um tem e guardou-a, Selene o acompanhou até a porta
agradeceu por tudo e voltou pra dentro do posto.

― Muito bem, agora só falta a Gilda dos aventureiros e uma hospedaria, acho que vou
procurar uma hospedagem primeiro, amanhã me preocupo com a Gilda. ―

Assim que passou pela entrada viu a grande cidade de Anje, aquele muro não era o da
entrada da cidade, era simplesmente uma forma de conter o volume de pessoas
passando ali, afinal aquela era a única rota para a capital que não precisava atravessar
todo continente, por isso a cidade havia sido construída como uma verdadeira fortaleza
na única parte de uma enorme encosta que possibilitava a passagem, a esquerda tinha
um enorme penhasco direto pro mar, onde redemoinhos e rochas pontiagudas
impossibilitava a navegação esses redemoinhos se estendiam por quase toda encosta, a
direita um paredão tão inclina que parecia que iria cair a qualquer momento, em cima
uma floresta espessa, Dante olhou pra cidade ainda um pouco distante e notou suas
muralhas separando a cidade em níveis, parecendo uma escada gigante, a redor ele viu
algumas vilas pequenas, parecendo acampamentos, próximas a fazendas e plantações,
viu alguns escravos trabalhando, uma cena lamentável, mas apesar de tudo aquela
cidade ainda tentava não dar a eles uma vida tão ruim, mesmo assim era triste pensar
que seus trabalhos eram recompensados com tão pouco, enquanto caminhava um
homem em uma carroça, transportando outras pessoas, o perguntou se precisava de
condução até a cidade, custaria uma moeda de bronze, ele achou um pouco caro, mas
uma moeda de ouro pela documentação foi mais caro ainda, aceitou e subiu, seriam
mais de 2 horas a pé, que de carroça viram 30 minutos, Dante se lembrou de que ali o
tempo era dobrado, o dia tinha 48 horas, mas em dias o ano tinha a mesma quantidade,
porém em horas era dobrado, por isso ele havia chegado ali com 16 anos, a princípio
achou estranho, mas se lembrou do que seu amigo, Hefáistos, havia lhe ensinado sobre
o tempo naquele mundo, um conselho que ele lhe deu também estava bem gravado em
sua mente nunca conte tudo a ninguém, sempre guarde seus segredos até dos melhores
amigos. Ele nunca iria se esquecer disso, por isso sempre fingia pegar o dinheiro dentro
do bolso, ele ainda não sabia a dimensão dos inventários normais, o dele, porém, havia
se misturado com seu computador e a máquina de realidade virtual, e isso estava em
seu cérebro, como um ciborgue.
Ao entrar na cidade foi procurar uma hospedagem, mas aparentemente o primeiro
nível tinha apenas casas, bem pobres por sinal, uma hospedagem só seria encontrada
no segundo nível, ao que parece os níveis também separavam a cidade por classe social,
ao chegar no segundo nível notou uma diferença grande, apesar da passagem ser livre
poucas pessoas do primeiro iam para o segundo, mesmo assim os olhares sobre elas
eram um tanto desconfiados, ele andava praticamente imperceptível, talvez por suas
roupas lhe dar uma aparência de pessoa com posses, de uma classe social mais alta,
talvez por isso as pessoas não o reparava muito, mesmo ele sendo diferente, não o
olhavam como com reprovação, ele caminhou até uma praça com árvores altas bem
separadas e alguns bancos, num canto da praça separado, um lugar um pouco sujo onde
a grama mal cuidada era bem rala, tinha um banco velho e quebrado debaixo do sol,
sentados nele haviam 3 pessoas uma jovem que aparentava ter 15 anos e duas crianças
de no máximo uns 8 anos, mas o que mais chamou a atenção de Dante foi a cor da moça
mais velha, era uma demi-humana gato, com cabelos muito longos e muito brancos,
estavam um pouco sujos, orelhas brancas com a ponta fina, assim como gatos com
pelagem branca, uma cauda branca, longa e vistosa igual um gato angorá turco, com
pelos finos e compridos, ela estava com o rosto abaixado, mas ele pode reparar o grilhão
em seu pescoço com uma argola pra prender corrente, isso sempre o deixava triste e
enfurecido, por que escravizar outros só por que são meio humano e meio animal, o
devaneio de Dante foi interrompido por um homem que entrou pela praça esbravejando
com as três pessoas.

― O que estão fazendo aqui em cima, vão logo embora, aqui não é lugar para escravos
pedirem esmolas. ―

A mais velha continuou de cabeça baixa e abraçou forte as duas crianças, Dante vendo
aquilo se colocou na frente do homem, um senhor um tanto fora do peso, a jovem
escutou novamente a mesma pessoa falar, porém, sua voz agora tinha um tom mais
assustado que autoritário.

― Quem é você? Saia do meu caminho, você não sabe com quem está se metendo, seu
imbecil. ―

Gritava ele para um garoto de roupas preta bem feita, que havia aparecido em seu
caminho, estendeu a mão até a altura do abdômen, com a palma para clima, a jovem
olhava a cena Um tanto inusitada, ninguém nunca havia defendido ela, da palma da mão
do homem nasceu uma chama vermelha brilhante e intensa, tinha uns vinte centímetros
de altura, Dante olhou para a chama, sentia o calor emanando dela, estendeu a mão e
tocou nela com o dedo indicador na chama, o homem olhou espantado, as suas chamas
vermelhas derretem qualquer metal rapidamente a chama começou a tremer e balançar
fora de controle, começou a escurecer até ficar totalmente negra, o homem se abaixou
segurando o braço, seu corpo inteiro doía como se estivesse sendo queimado de dentro
pra fora.
― Para por favor, eu não quero morrer, eu vou deixá-las em paz ― Gritava ele em meio
a gemidos de muita dor.

Dante estendeu a mão e a chama sumiu, o homem saiu correndo chorando em


desespero, quando Dante se virou pra ver como estavam as pessoas atrás dele, a jovem
com as duas crianças, não estavam mais lá, imaginou que pudessem ter fugido, terminou
de atravessar a praça, logo avistou um prédio com cerca de quatro andares, era uma
construção incomum todas as outras tinha no máximo três mesmo nas áreas mais ricas,
fazer mais de três andares requer materiais mais resistentes, como já estava tarde
resolveu ficar por ali mesmo pois não teria muito tempo de achar outra, ao chegar na
entrada, reparou que a pousada era mais simples que parecia, e um pouco mais baixa,
era normal pousadas e casas terem entre 3 e 3,5 metros cada andar, essa tinha pouco
mais de 2,5 isso explica o quarto andar e o fato dela não ser muito mais alta que as
outras, ao entrar deu de cara com a recepção, a esquerda tinha a escada para o segundo
andar, embaixo da escada tinha a cozinha, e ao lado direito um salão com mesas e
cadeiras, aparentemente era onde faziam as refeições, haviam alguns homens e uma
jovem empregada, Dante chegou até a recepção e pegou um pequeno sino no balcão e
o balançou, um homem aparentando uns 40 anos apareceu.

― Boa tarde senhor, deseja se hospedar? ―

― Sim, gostaria de um quarto para uma pessoa, com o máximo de privacidade.

― Desculpe senhor, mas preciso ver sua autorização. ―

Dante pegou no bolso interno esquerdo do seu casaco o cartão e o entregou para o
homem.

― Senhor Dante, muito prazer sou Hiroshi, dono dessa hospedagem, o quarto com
maior privacidade é o último, ele é o único no andar tem banho e tudo que precisas
como almoço, janta ou até mesmo mulheres são levados até lá sem que ninguém veja,
mas ele custa 5 moedas de prata, quartos normais custam 50 moedas de bronze a
diária. ―

Dante pensou por um instante, os 15 dias dariam 75 moedas de prata, estava muito
caro mas compensaria ter a privacidade, observou os homens no bar, a jovem escrava
foi servir a mesa e um dos homens, um gordo e careca, com roupas caras e um broche
na parte direita do casaco, levantou a saia da moça assim que ela se virou para ir a
cozinha, Dante viu no rosto dela o constrangimento e a raiva, mas por ser escrava ela
não poderia revida, um ódio tomou o coração de Dante, ele olhou fixamente pro
senhorio.

― Quem cuida da limpeza e das entregas no quarto? ―

― Geralmente a escrava, mas se o senhor não gostar posso mandar alguém da minha
família. ―
― Seriam 75 moedas de prata para 15 dias, quanto cobraria pra que a escrava ficasse
apenas por minha conta. ― Perguntou Dante olhando fixamente para o homem, o
aluguel de uma escrava daquelas é geralmente uma moeda de prata, pois ela só faz
serviços domésticos, e no caso algumas obrigações dela já estariam sendo pagas,
então mais 15 moedas de prata seriam suficientes.

― Bom é incomum esse tipo de serviço, mas por uma moeda de ouro ela fica somente
no seu quarto e também terá almoço e janta por 15 dias ―

Dante pegou o dinheiro no bolso e colocou sobre a mesa, duas moedas de ouro, o
homem olhou assustado

― Duas moedas de ouro e eu quero mais uma cama no meu quarto e almoço e janta
para dois, quando eu não estiver aqui ela só sai do meu quarto pra cuidar das minhas
coisas aqui dentro do hotel, e se alguém tocar nela arrumará problemas comigo. ―

― Senhor, só com a moeda de ouro que está pagando a mais eu consigo duas garotas
não escravas. ― Sussurrou o homem

― Eu não estou interessado nesse tipo de serviço, só não quero ver trogloditas se
aproveitando de uma garota. ―

― Sim senhor, será providenciado. ― O homem se virou para traz e gritou a garota –
Laisla, pare tudo que estiver fazendo e venha cá ―

― Senhor, o que deseja. ― Disse a jovem com um sorriso e uma voz meiga.

― Este senhor estará hospedado aqui por 15 dias, nesse período você estará a serviço
dele, isso é uma ondem ―

A garota olhou para Dante sem entender muito bem, mas não podia questionar, ela
deu a volta no balcão e ao chegar ao lado dele se inclinou fazendo uma reverência.

― Não precisa disso, pode se levantar ― disse Dante um pouco sem graça ― Bom a
partir de hoje até o dia que vencer minha estadia, se não for prolongada, você dormirá
no meu quarto, comerá o que eu comer, e só não irá comigo em missões da Gilda que
forem perigosas, enquanto você estiver aqui poderá ajudar sua senhora normalmente,
mas não precisa servir clientes, principalmente homens, caso algum deles faça algo a
você que seja desagradável deverá me contatar imediatamente, entendeu. ―

Laisla olho para seu mestre, ele assentiu com a cabeça, no fundo ela sentiu uma certa
alegria, muitas vezes os clientes levantavam a sua saia ou pegavam em alguma parte
do seu corpo, ao menos por 15 dias isso não aconteceria.

― Será que ainda tem tempo de me registrar na Gilda e comprar algumas coisas? ―

― Bem, senhor, a Gilda é perto e lá por perto também tem algumas lojas, mas os itens
aqui são um pouco caros, mesmo que seja o segundo andar da cidade, é aqui que tem
estalagens, então a maioria dos nobres ficam por aqui. ―

Laisla parou sua explicação pois havia escutado o cliente pedir mais bebida, por
impulso e costume ela se virou para ir servi-los, quando Dante segurou seu braço, ela
olhou pra ele surpresa, ele simplesmente fez sinal com a cabeça pra ela não ir, quando
olhou novamente, o Filho do gerente já estava servindo a mesa, os homens reclamaram
pois queriam ser servidos pela garota escrava, Dante fez um sina com a mão pro gerente
e saiu levando Laisla com ele. Durante todo o caminho ela o guiou em silêncio, estava
com um pouco de vergonha, e não era normal escravos ficarem conversando com seus
senhores, ao chegarem na Gilda as pessoas olhavam eles com um ar estranho, a
maioria ali não gostava de conviver com escravos, e não queriam eles ali dentro, no
centro da Gilda tinha um balcão com algumas recepcionistas, a direita um quadro com
muitos papéis pregados, e a esquerda uma escada para o segundo andar, Dante se
dirigiu até uma das moças para se registrar.

― Com licença, eu gostaria de falar com a responsável pelos registros. ―

― O registro é feito aqui mesmo senhor ― disse a recepcionista com um tom arrogante

― Eu não perguntei onde se registra, eu pedi pra falar com a responsável, se você não
puder chamá-la eu procuro outra pessoa que possa ―

Nesse momento uma moça de uns 20 anos, muito linda chegou e colocou à mão no
ombro da recepcionista, olhou pra ela com um olhar reprovador, e dirigiu-se a Dante.

― Eu sou a responsável, desculpe a falta de educação da minha funcionária, o senhor


deve querer um registro particular, pode me aguardar próximo a escada, já os levarei
até a sala de registro. ―

Enquanto esperava Dante percebeu que a responsável chamou a atenção da


recepcionista, ela não parecia estar satisfeita por ver a escrava dentro de um local como
aquele, ele esperou ao pé da escada onde a gerente havia dito.
Capítulo 3
A primeira missão

No terceiro andar da cidade, um homem entra apressadamente em um dos melhores


e mais caros bar da cidade, assim que ele passou pela porta uma jovem muito linda, de
longos cabelos ruivos veio recebê-lo, ela trajava um vestido preto de couro, curto e
decotado, muito diferente do normal da cidade, visto que só os mais ricos tinha
condições de comprar ou mandar fazer roupas assim, era normal em estabelecimentos
que recebiam homens da nobreza as recepcionistas usarem roupas assim, ela também
tinha uma gargantilha de couro vermelha com uma fivela quadrada e uma pedra
pendurada, o homem olhou pra gentil moça quase se perdendo em seu decote, era
normal homens como ele naquele local, um nobre acima dos 40 procurando diversão,
mas aquele dia era diferente uma reunião estava acontecendo em uma sala reservada.

― Bem-vindo senhor, estão à sua espera na sala de sempre. ―

Disse a jovem num tom de voz doce e educado, enquanto encaminhava ele para uma
sala nos fundos do bar, dentro do bar tinha alguns nobres, algumas jovens escravas
com a mesma roupa que a outra, todas muito lindas, a jovem o deixou em frente uma
porta grande, lá dentro uma mesa com mais 11 homens esperando, todos nobres de
posição elevada, ele se sentou, era uma mesa redonda com números de 1 a 12 a frente
de cada um, o número dele era o 5, o número um se dirigiu a ele :

― Podemos começar, senhor cinco a entrega foi realizada? ―

― Sim, foi entregue em mãos, agora é só esperar os resultados, acredito que até
amanhã o problema estará sanado. ―

― Isso é muito importante, não podemos mais perder o controle das células, espero
que esse ocorrido sirva de lição a todos. ― Disse o Um em um tom de voz não muito
amigável. ― Você tinha algo a dizer Senhor Oito? ―

― Sim, na verdade era uma pergunta, estou curioso pra saber como um lorde com as
chamas velho escuro foge de um plebeu? Disse o Oito em um tom de zombaria olhando
pro Cinco

― Isso não é da sua conta, eu irei resolver mais tarde – respondeu cinco com muita
raiva

― Vocês dois parem. ― Interrompeu o Um ― Como estão as mercadorias? Foram


retiradas do local? ―

― Eu cuidei disso pessoalmente ― respondeu o Seis ― Mas infelizmente houve muita


perda, eles utilizaram muitas mercadorias, e algumas foram deixadas para traz, se
tirássemos todas as mercadorias eles iriam abandonar o local. ―

― Então é isso, agora só precisamos esperar, a reunião acabou.


Todos se levantaram e saíram para o bar, foram cada um pra um canto, é conveniente
ter um bar daqueles, reuniões secretas podem ser feitas sem ninguém saber, ao saírem
a maioria deles ficou no bar, porém, o Seis foi cuidar do restante do serviço, ele
precisava verificar se o serviço seria concluído no tempo certo.

No escritório acima da guilda a simpática atendente conversava com Dante, ela tinha
os padrões de beleza exigidos pelos nobres, infelizmente dinheiro e aparência eram
tudo para aqueles homens, os principais locais como guildas, bares de luxo, qualquer
local que precise da aprovação dos nobres só conseguem se atenderem suas
exigências, e os padrões de beleza envolvem tanto os homens quanto as mulheres, mas
como a maioria das mulheres dos nobres quase não saem de casa, acabam por não ter
muitas vagas para homens, principalmente nos bares de luxo, esse foi um dos grandes
motivos de Dante se oferecer pra ser um aventureiro, eles tem acesso a maioria desses
locais, e se tiver um nível de poder alto e uma boa taxa de missões bem sucedidas, até
mesmo a realeza respeita.

Dante olhava com atenção tudo dentro do escritório, ele estava sentado no sofá ao
lado de Laisla como se fossem amigos, a garota parecia um pouco desconfortável, não
era normal escravos serem tratados em igualdade, principalmente pelo fato dela ser
meio lagarto, camaleão mais exatamente, assim ela conseguia disfarçar a tonalidade
da sua pele, apesar dela mesma não saber qual seria exatamente a tonalidade exata, a
gerente sentou-se no sofá de frente, olhou pra ele com um olhar curioso e se
apresentou.

― Meu nome é Delaila, sou a gerente dessa guilda. ―

― Meu nome é Dante. ―

― Desculpe se isso for um pouco desrespeitoso, mas vejo que o senhor tem um grande
apreço por essa jovem serva. ― Disse Delaila olhando a jovem sentada no sofá.

― O que te faz pensar isso? ―

― O senhor pode até tentar disfarçar, mas dá pra ver como olha pra ela, e tem também
o jeito que reagiu na recepção. ―

― Bom, eu conheci ela hoje, a questão não é só ela, eu não gosto de ver as pessoas
se aproveitando dos mais fracos, passei muito por isso, e sinceramente não sei como
pessoas podem ser tão presunçosas a ponto de se sentirem tão superiores. ―

― Realmente o senhor é uma pessoa muito diferente. ―

― Segundo o senhor Hefáistos, você também é uma pessoa com pensamentos


diferentes a respeito dos escravos. ―

― Então fui indicada por ele, e como vai aquele velho peixe? ―

― Até a última vez que eu o vi estava bem, mas eu gostaria de ir direto ao assunto se
não se importa, eu preciso de duas identificações de aventureiro, uma com meu level
original e uma com o level mais baixo, seria possível? ―
― Você é realmente uma pessoa diferente, sempre tentam me pagar para colocar level
mais alto, mas você quer mais baixo, poderia me explicar isso melhor? E se for seria
complicado eu fazer isso, mesmo com indicação do Hefáistos. ―

― Ele me falou sobre essa tal dificuldade, mas eu consigo solucionar, quanto a sua
curiosidade assim que ver meu level original irá entender, faz assim, me empresta um
cartão vazio só vai demorar um minuto, eu te devolvo ele e colocaremos meu level
original nele, depois resolvemos a questão do cartão com level mais baixo ―

Laisla olhou para ele atentamente ainda tentando entender, com uma expressão séria
ela se levantou e passou por um balcão no fundo da sala, se abaixou atrás dele, pegou
uma máquina parecida com a do posto do exército, na entrada da cidade, essa porém
a esfera era negra e estava dentro de uma outra esfera transparente, ela também pegou
um cartão de registro preto, parecido com o do posto do exército, ela o colocou sobre a
mesa e o chamou.

― Aqui está o seu cartão, imagino que queira esse também, já que o seu provisório
também é do mesmo. ―

Dante se levantou e foi até o balcão colocou a mão sobre o cartão, cobrindo-o por
completo e empurrou ele para Laisla, retirou o visto provisório do bolso e entregou a ela.

― Pode iniciar o registro. ―

Ela pegou o cartão provisório e colocou na máquina, acionou e uma luz saiu da esfera
até o cartão, assim que a luz se apagou ela retirou e colocou o outro acionou e
novamente a luz saiu, fazendo aparecer em letras douradas o nome de Dante, logo a
baixo a palavra aventureiro, assim que a luz apagou ela se dirigiu a Dante.

― Imagino que já saiba o procedimento, mas preciso falar mesmo assim, coloque sua
mão sobre a esfera e imagine ela girando para a direita, e mantenha o máximo que
puder. ―

Ele o fez, mas a esfera não parecia se mover, esperou durante um tempo, mas não
viu nada, a esfera não parecia se mover.

― Tem certeza que você está fazendo certo? Ela nem está se movendo. ― Disse
Laisla tanto curiosa quanto ansiosa.

Dante deixou escapar um sorriso sarcástico, olhou para ela e retirou a mão da esfera,
ela imediatamente emitiu a luz, assim que apagou ela pegou o cartão e olhou no verso,
e colocou ele sobre a mesa com uma expressão muito assustada, não tinha números
atrás, só tinha o símbolo do infinito dourado.

― Eu trabalho aqui a oito anos, e nunca vi isso acontecer, já até ouvi falar sobre esferas
que foram modicadas multiplicar o nível por 10, mas isso é absurdo, esse símbolo
significa que não tem como medir a magia em você, mas o mais impressionante é que
você não se destaca do ambiente, quase não dá pra sentir sua magia, será que você
pode me explicar o que está acontecendo? ―

Com uma expressão agora normal ele respondeu a ela de uma forma muito calma.
― É simples, essa esfera mede a intensidade, controle e quantidade de magia, a
intensidade na velocidade do giro, o controle no quanto eu consigo manter seus giros
uniformes, a quantidade é o tempo que demora pra alcançar a rotação máxima o tempo
que permanece e começa a diminuir. ―

Delaila estava muito curiosa e apreensiva pra ficar nervosa com a explicação do
funcionamento da esfera, mesmo assim tentou ser firme em suas palavras, ela
definitivamente queria saber o que ele fez, ela colocou as duas mãos sobre o balcão e
olhando diretamente a ele começou a falar de uma forma muito séria.

― Eu sei como a máquina funciona, eu quero saber o que você fez pra ela dar esse
nível, olha eu só estou aqui dá por você ter sido indicado pelo Hefáistos, se fosse outra
pessoa eu já deveria ter chamado os soldados pra te prender por tentar falsificar seu
level, então conte logo o que você fez. ―

― Olha moça eu poderia te dar uma explicação muito longa e correta, mas você não
iria entender pois são coisas de onde eu venho, então vou te dizer de forma simples, eu
girei o eixo central da esfera, isso faz ela girar muito mais rápido e eu gasto menos
magia, como você disse eu me misturo no ambiente, isso por que de alguma forma eu
consigo repor minha magia usando a magia do ambiente, e a quantidade que eu gasto
é muito menor, por isso dá a impressão de ser infinita. Não precisa se preocupar, eu
não fiz nada com sua esfera e ela não está estragada. ―

― Essa é uma boa notícia. ― Respondeu ela aliviada. ― Entendi porque aquele peixe
velho te mandou aqui, mas temos o problema da segunda identificação, quando se faz
uma nova a antiga é cancelada, seria quase impossível fazer isso da forma correta. ―

― Eu disse que essa parte eu resolveria. ― Respondeu ele tirando do bolso interno se
seu sobretudo uma identificação com seu nome e sem o level. ― Qual é o maior level
registrado aqui? ―

― Oitenta, quer explicar de onde saiu essa segunda identificação? ―

― Nem o Hefáistos sabe sobre isso, mas se algum dia eu tiver certeza que posso confiar
em você, aí eu te explicarei, e mesmo se eu falasse agora você não iria entender então
não faz sentido lhe dar essa informação agora, acha que level 90 ou 100 está bom? ―

Delaila não sabia se ficava espantada ou assustada, estava curiosa também para
saber como ele iria fazer o level fixar, aquela esfera nunca fez uma identificação
diferente da outra, mas depois de ver aquele símbolo pela primeira vez ela queria muito
saber o que ia acontecer.

— Tá bom, eu vou entrar na sua jogada, o level mais alto registrado nessa cidade são
dois oitenta, só tem cem ou acima na capital, ter alguém de level cem aqui seria bom,
traria mais missões e mais dinheiro pra cidade, mas quando passam do noventa vão
todos pra capita. —

— Então podemos fazer a segunda identificação? — Falou Dante um pouco impaciente.


— Seria bom começar a trabalhar. —
Delaila colocou a segunda identificação embaixo da esfera e Dante colocou sua mão,
dessa vez e dessa vez a esfera girou, ele fechou os olhos se concentrando, quando a
esfera parou Delaila pegou a identificação e tinha o número 104,ela olhou intrigada,
talvez por não ter sido cem exato, ela deu um sorriso e entregou a ele.

— Muito bem senhor Dante, mas por que 104 e não 100 exato? —

Dante deixou escapar um sorriso convencido, ele era um verdadeiro nerd, fã de RPG
MMO, aquele mundo era como um sonho do qual ele não queria acordar.

— Se eu quiser passar despercebido, em um level acima do comum nessa cidade, não


pode ser exato, e pelo que pude entender não terei muita competição por trabalhos. —

— Ok, ok, por falar nisso tenho um trabalho pra você, normalmente não entregamos
trabalhos exclusivos, mas esse foi pedido para o aventureiro mais forte, que agora é
você, esse trabalho foi entregue hoje, então pode descansar e ir amanhã cedo, pedidos
assim normalmente demoram. —

— Que tipo de trabalho seria? —

— Recebemos um pedido a respeito de uma propriedade na entrada da floresta,


segundo as informações, estão conduzindo pesquisas com escravos lá, o pedido é para
averiguar, caso seja verdade prender os responsáveis e libertar prisioneiros, mas caso
os envolvidos recusem se entregar, pode usar força bruta, não tem problema se
morrerem. —

Dante aceitou a missão, pegou as identificações o contrato de serviço e saiu com


Laisla, de volta na pousada, em seu quarto ele pensava em que tipo de pessoas
encontraria no local do serviço, experiências com itens de escravização eram proibidos,
quem fosse pego fazendo esse tipo de coisa era condenado a prisão e trabalhos
forçados, isso quando não eram mortos nas operações de captura, as coleiras foram
criadas com o propósito de ajudar demi-humanos que o lado animal era muito violento,
era para os tornarem mais calmos e poderem viver com seus familiares, porém teve o
efeito colateral de tornar os demi-humanos submissos, como escravos, e é claro que a
realeza gostou disso, mas a coleira só funciona com eficiência em demi-humanos por
causa do DNA animal, mas alguns queria usar isso em humanos e semi-humanos, por
isso faziam vários experimentos clandestinos, na maioria crianças de famílias muito
pobre, Dante estava muito ansioso para ir até lá, mas tinha seus próprios planos
também, descobrir quem estava por trás de tudo, ele não conseguia entender como de
uma hora pra outra alguém simplesmente denunciou o local, e ainda pagou uma quantia
grade em dinheiro para garantir que um aventureiro forte iria até lá resolver, a pessoa
que contratou o serviço pode até não estar envolvida, mas ela com certeza sabia muito
mais do que falou.

Chegando na pousada pediu para sua janta ser mandada pro quarto, pediu comida
para dóis, subiu e se deitou

— Bom, preciso dormir, não vai resolver ficar pensando nisso agora. —
Dante saiu antes que todos acordassem, ao chegar na saída da cidade viu Selene na
muralha, mas iria tomar tempo parar para cumprimentar agora, então ele usou a magia
de aceleração para passar sem ser percebido, essa era a única magia que consumia
sua energia, por isso evitava usá-la, e ele ainda não havia dominado a magia de portal,
pelo caminho ele pode ver várias fazendas de alimentos, serrarias e minas ao longe nas
montanhas, a tecnologia era realmente muito parca, parecida com a da era medieval da
Terra, mas a magia compensava essa ausência, e por incrível que pareça ele não sentia
falta de computadores e jogos, afinal era como estar vivendo dentro de um, ele queria
aprender mais sobre aquele lugar, e não sentia nenhuma vontade de voltar para casa,
ele reparou que nem todos os trabalhadores do campo eram escravos, isso o deixou
um pouco aliviado, pelo que ele aprendeu as cidades envolta da capital estavam
diminuindo os escravos, e os que ainda tinham em sua maioria ganhavam algum salário,
somente alguns da realeza que se recusavam a obedecer, Dante queria muito descobrir
por que aqueles que estavam no poder não faziam nada a respeito, mas isso não tinha
como resolver agora, então era melhor se concentrar na sua tarefa atual, o destino
parecia estar longe ainda, pelo que ele viu no mapa já tinha percorrido metade do
caminho, mas assim como o tempo ali eram bem diferentes as distâncias também
poderiam ser, pelo que estava no mapa já tinha percorrido cerca de 5 quilômetros, mas
pareciam bem menos, mais adiante ele avistou a estrada que leva ao local.

Era uma estrada estreita, com muitas árvores em volta, era muito antiga e feita de
pedras, não havia sinais de que alguém teria passado por ali recentemente, mas Dante
achou melhor se aproximar pelo meio das árvores para não ser visto, foi se esgueirando
entre os arbustos e arvores, como um tigre pronto para pegar sua presa, chegou perto
da casa e tentou ver se tinha alguém, mas havia mato por toda parte, quase não se via
o alicerce da casa, a estrada também estava impossível de ser utilizada, Dante
observava todo o local tentando entender. Ele precisava ver mais de vima, mas não
podia pular muito alto, corria o risco de ser visto caso tivesse alguém por perto, ele
resolveu subir em uma arvore mais próxima da casa, lá de cima conseguiu ver que a
vegetação atrás da casa estava baixa, e haviam marcas de no solo, parte do telhado
estava quebrado, apesar de grande não parecia ter condições de que alguém viveria
naquele local, olhando aquilo tudo Dante se lembrou por um instante de como era na
terra, depois da terceira guerra mundial muitas doenças novas apareceram por causa
do uso de armas nucleares e de ataques químicos, menos de um anos depois começou
a quarta guerra mundial por recursos como alimentos, com isso a população foi reduzida
para um bilhão, haviam milhares de paisagens como aquela, no final os líderes
decidiram pela união de todos, criando um centro secreto de pesquisa e
desenvolvimento cientifico, a base onde Dante ficou confinado por anos após ser
recrutado na faculdade onde lecionava. Um estalar o trouxe de volta a realidade, era um
tipo de javali que andava entre as arvores procurando comida, ele voltou a observar a
casa pra ver se tinha alguém por lá, não tendo visto nada fechou os olhos e se
concentrou, sentiu várias auras, mas estavam disfarçadas por algum tipo de magia, ele
não conseguia definir onde estavam ou se eram humanos, mas a forma organizada com
que se moviam e se agrupavam deixava claro que não eram animais.

— Assim fica difícil entrar, tem muitas pessoas, mas não sei exatamente onde estão,
nem dá pra diferenciar reféns, será que o mapa mostra? — Pensou ele abrindo o mapa
— Merda, no mapa não aparece nem as auras, mas o que eu esperava, apesar de estar
dentro da minha mente ainda é um computador, magia e tecnologia são diferentes... —
Ele fez uma pausa repensando suas últimas palavras. — Não são diferentes não, maria
é apenas ciência não compreendida, tecnologia e ciência andam juntas, e se eu usar o
mapa e concentrar a magia de percepção de aura como se fosse um programa? —
indagou enquanto se concentrava em passar as auras que sentia par o mapa.

Depois de um tempo ele escutou um bip , era um som comum de se ouvir em um


computador, mas ele não esperava ouvir qualquer som de seu computador, mas não
era tão surpreendente, já que ele sempre via as barras de trabalho como se estivesse
com um aparelho de realidade virtual, uma mensagem piscava na barra, ao abrir
apareceu a mensagem sistema de navegação e mapas atualizado , ele abriu o mapa e
havia agora alguns botões novos, ele acionou um que parecia a tela de um sonar, uma
linha passou de cima para baixo no mapa, ele se tornou 3D, ele conseguia ver até o
andar no subsolo, as auras que ele sentiu também estavam todos lá, mas dessa vez
apareciam como pessoas.

— Parece até que estou trapaceando em um rpg — disse enquanto pensava sobre a
relação entre a ciência/tecnologia e a magia daquele mundo — Vejo isso depois, agora
tenho que entrar lá e concluir essa quest, por assim dizer. —

Dante desceu e se aproximou, não havia guardas na entrada, mas tinha um sistema de
segurança de cristais que reagem a magia presente nas pessoas, porém, Dante
compartilha constantemente a magia com o ambiente, sendo impossível de sentir sua
presença, ele chegou facilmente até a parte subterrânea, era bem maior que ele
pensava, havia uma sala principal cheia de caixas enormes elas eram do tamanho de
uma carruagem, cabiam cerca de 6 pessoas sentadas lá dentro, Dante se escondeu
atrás delas e observou um pouco, tinha dois homens discutindo algumas coisas.

— Você precisa parar de usar as mercadorias, se tivermos problemas com essas,


seremos mortos, você é uma idiotia completo. —

— Não enche o saco, eu só estraguei 2, e essas não são mercadorias, eu ganhei elas
do chefe, ele me disse que recebeu como pagamento de uma dívida, mas são inúteis
pra ele, vou pra minha sala de costume, vê se não me perturba.— Respondeu um
homem atormente grande.

Dante olhou a cena sentindo um ódio dentro de si, o homem estava puxando 3 pessoas
amarradas por uma corrente, eram os três demi-humanos do parque, dois eram
crianças, ele não poderia atacar sem antes saber se tinham mais pessoas ali.

— Eu não sei o quanto possuo de poder, e também não acredito que eu seja o mais
forte deste mundo, preciso confirmar se tem mais inimigos, acho que eu trouxe a minha
raiva do meu mundo comigo, quero ver aquele grandalhão queimar até virar cinzas. —

Para Dante aquele homem era igual os valentões que tiravam sarro dele na escola, e
não mudou muito quando virou professor, até mesmo no centro de pesquisas, esse ódio
acumulado por anos agora estava transbordando em seu coração, ele queria mesmo
fazer o papel de herói justo, mas parece que os humanos não merecem ser salvos,
sempre quem tem a força e o poder acabam se colocando acima dos outros.
Assim que o grandalhão saiu ele verificou a área no mapa, não havia mais ninguém
naquela sala, mais adiante tinham várias câmaras que aparentavam celas, haviam
algumas pessoas em 5 celas separadas, Dante seguiu sorrateiramente por traz do
homem, que resmungava sobre o que o outro estava fazendo, com um golpe na nuca o
homem foi derrubado, Dante o puxou pra trás das caixas e seguiu pelo corredor,
tentando não fazer nenhum barulho, quando chegou a porta a cena que viu era
horrenda, em um canto numa cama de madeira com palha, haviam duas crianças
aparentemente mortas, num estado deprimente, eram duas demi-humanas, de uma
raça felina, estavam nuas, e só tinha pelos na cauda e orelhas, dava pra ver que alguns
ossos estavam quebrados, nos braços e costelas, o corpo quase inteiro estava roxo, os
três que o grandalhão havia passado com ele estavam lá também, as duas crianças
gêmeas estavam acorrentadas no canto, e a mais velha estava amarrada com as mão
para cima no meio da parede, os três ainda estavam de roupa, e havia pouco tempo
que eles foram levados para a cela, Dante supôs que o grandalhão ainda não havia
abusado deles, mas isso não aplacaria sua raiva, que adia no seu coração como as
chamas do inferno, ele adentrou ao cômodo com uma aura assassina.

— Ei, grandalhão imbecil. - Dante chamou o homem com uma voz que deixava claro
seu ódio. —

— Quem é você? — perguntou o homem um pouco irritado — Você vai 0agar caro por
me atrapalhar seu nanico idiota. —

— A sim, isso deixa mais fácil ainda, você não se difere em nada dos idiotas do colégio,
espero que não tenha medo de fogo. —

Dante ergueu a mão direita apontando o indicador pra o peito do homem, uma chama
negra se acendeu no peito dele e, antes que o homem pudesse ter uma reação, elas
cobriram todo o seu corpo, ele caiu de joelhos gritando como um animal, Dante olhava
o homem queimando sem esboçar nenhuma reação.

— É a primeira vez que eu mato alguém, e mesmo que seja de uma forma tão dolorosa,
não consigo sentir pena. —

Assim que o homem morreu seu corpo virou pó, Dante foi até o fundo da cela, as duas
crianças estavam muito assuntadas, ele se abaixou e tentou falar da forma mais gentil
possível.

— Não tenham medo, eu vou tirar vocês daqui, prometo que não vou deixar
machucarem vocês mais. —

Dante colocou a mão sobre a fechadura, se concentrou no mecanismo interno pra o


aquecer a ponto de quebrar, Soltou as três e foi até a sala onde havia deixado o homem
inconsciente, arrastou ele até a cela e o prendeu ali dentro, ele foi em todas as celas
soltando todos que ali estavam, na penúltima haviam 4 soldados e um mordomo, na
última tinha duas moças, de aproximadamente 17 anos, nenhum deles eram escravos.
As duas moças se apresentaram como sendo duas princesas, Dante precisava tirar
todos dali.
Capítulo 04
Mudanças
Na sala do trono, um homem estava ajoelhado perante o imperador em seu trono, ele
implorava pela vida de suas filhas, havia três dias que elas estavam sumidas.

— Majestade, estou te pedindo como um irmão, mande soldados para procurar por
minhas filhas, já fazem três dias que elas sumiram. —

— Elas escolheram sair do castelo, já deixei com elas quatro soldados, não posso tirar
mais soldados de suas posições por caprichos de crianças mimadas. —

O imperador olhava para o homem com uma expressão fria, ele parecias estar se
divertindo com aquilo tudo, eles foram interrompidos por uma figura que entrou na sala,
acompanhado de outras sete pessoas, era Dante com as princesas, Haruki e Harumi
Murata, o imperador olhou furioso, o homem ajoelhado levantou e foi correndo ao
encontro delas, ele as abraçou chorando.

— Ainda bem, achei que tinha perdido vocês duas. Ele olhou para Dante com uma
expressão de alegria. — Imagino que seja graças a essa pessoa que vocês chegaram
a salvo. —

O homem se levantou e foi ate Dante para o agradecer, mas foi interrompido pelo
Imperador.

— Primeiro quero saber quem autorizou a entrada dessas pessoas, depois quero que
prendam esses imbecis, vou por coleira em todos, cansei de tratar de vocês. —

Dante fez um movimento tão rápido que era como se tivesse teleportado para frente do
imperador, ele já estava cansado de ver as pessoas se sentindo superiores as outras,
seja nesse mundo ou na terra as pessoas tinham sempre as mesmas atitudes egoístas,
ele chegou bem perto do imperador, que era um pouco mais baixo que ele, olhando-o
nos olhos de cima para baixo.

— SUBARASHI — disse Dante, encarando o imperador com uma intensão assassina


muito forte. — Quer dizer que você gosta de maltratar os mais fracos? —

O imperador ia soltar uma ordem aos guardas, mas, ficou imóvel ao perceber que a mãe
das duas princesas estava atrás de dois guardas tentando se esconder.

— Ficou sem o que dizer? É medo ou é por ter percebido que perdeu seu trunfo? Ela
me contou algumas coisas e, quer saber? Você merece morrer. —

Antes que o homem pudesse dizer algo, Dante colocou o dedo indicador em sua testa,
uma chama negra acendeu na ponta do dedo e num segundo tomou conta do corpo
dele.

— As chamas do inferno, é a segunda vez que eu a uso em um ser vivo, e cada vez ela
parece mais linda. — Dante pronunciou essas palavras com um sorriso maléfico na face.
*Subarashi: incrível em japonês, Dante usa expressões japonesas quando está sentindo emoções fortes como: raiva, alegria ou surpresa.
Dois nobres chegaram na porta com vários guardas reais, todos estavam espantados
com a cena, o imperador rolando no chão, gritando de dor com seu corpo coberto por
uma chama negra, gritando de dor, as chamas pareciam queimar lentamente, mas a dor
parecia dez vezes maior, ele repentinamente parou de se mover e gritar, foi quando as
chamas fizeram seu corpo virar cinzas em segundos, os lordes gritaram para date não
se mover, um deles acenou com a mão, um guarda puxou uma corrente, na ponta dela
estavam as três pessoas que ele havia libertado no começo d missão, eram os três
escravos demi-humanos, a mais velha era meio felino, não dava pra saber exatamente
a espécie por causa do estado que ela se encontrava, os outros dois eram duas crianças
gêmeas, meio cachorro, eles estavam assustados e chorando muito, como eles estavam
sem mestre e não tinha pra onde ir, Dante os assumiu, mas era pra eles estrem em uma
casa perto de Anje.

— Se você se mover matamos eles. — falou um dos lordes

O homem que estava com as duas princesas se levantou e com um tom de autoridade
na voz começou a reivindicar seus direitos,

— Eu sou o imperador Atsushi Murata, irmão mais velho do recém falecido imperador,
e como herdeiro legitimo do trono eu ordeno que essas pessoas sejam soltas. —

— Você ainda não é o imperador, é o herdeiro sim, mas pra ter o direito de dar ordens
precisa que um arcebispo venha te coroar, e isso ainda vai demorar 7 dias, até lá somos
nós, os conselheiros reais do antigo imperador quem tomamos as decisões.—

— Pode ate ser verdade, mas eles devem ser presos, pois só podem ser julgados por
um imperador, e se algo acontecer com eles, pode ter certeza que vocês não terão uma
morte rápida. —

Dava pra ver o ódio na face dos dois nobres, eles eram lordes e conselheiros do antigo
imperador, mesmo sendo os segundos na cadeia de comando, somente abaixo do
imperador, eles sabiam que se os quatro morressem nas masmorras ele iriam pagar
com a vida, os títulos nobre poderiam ser retirados e até suas posses confiscadas.

Dante, por outro lado, estava com uma vontade gigantesca de arrancar a cabeça
daqueles dois, mas ele não queria arriscar a segurança das três pessoas, quando ele
viu o rosto triste dos gêmeos veio na sua mente, como um filme, a alegria que eles
estavam quando foram libertos, abraçando Dante e o chamando de mestre, não que ele
ficasse feliz em ter escravos, mas ficava na sua mente a fala “goshujin sama” dos muitos
animes que já tinha visto. Ele prometeu manter aqueles três em segurança, sendo assim
ele olhou pro futuro imperador com um olhar muito sério.

— Você disse que se chama Atsushi Murata certo? Seu nome se parece muito com os
nomes vindo de um lugar da minha terra, lá eles horam o nome e as promessas, eu
prometi a esses três que ia mantê-los em segurança, pelo bem deles eu irei me entregar
pacificamente, mas se algo ruim for feito a esses três, eu te prometo em meu nome, que
vou destruir essa cidade inteira, e vou torturar cada nobre, cada soldado e cada um dá
sua família.—
Ele se entregou aos guardas, colocaram nele um par de algemas forjadas com metal e
pedaços de cristais que impedem o uso de magia, seria difícil escapar dessas algemas,
mas a preocupação dele não era essa agora, era a seguranças dos três, seus
pensamentos estavam completamente diferentes de quando chegou a esse mundo, ele
queria fazer a diferença sendo um exemplo, mas quanto mais ele tentava mais mal
aparecia, era como nos tempos da escola, quando seus colegas de classe batiam nele
por pura covardia, o obrigavam a fazer seus trabalhos e exercícios de casa, era como
se ele fosse um escravo, e era pior por ele ser diferente, na ter os mesmos gostos que
todos tinha, naquele mundo era como se ele fosse um demi-humano escravo, talvez
seja por isso que ele queria a todo custo acabar com isso, mas sua mente e seu coração
já não era mais o mesmo, ele começava a pensar que sem usar violência não seria
possível mudar a situação daquele lugar.

Ao passar pelas três pessoas ele se abaixou perto dos gêmeos, o guarda que o
escoltava tentou impedir, mas Dante o olhou como se fosse queimar ele ali mesmo, a
raiva e o ódio eram tão grandes em seus olhos que pareciam soltar chamas negras,
como as chamas do inferno, o soldado o soltou e olhou para os lordes com medo da
repreensão, mas os lordes também estava com medo, Dante se aproximou dos gêmeos,
colocou as mãos sobre suas cabeças fazendo uma caricia.

— Eu prometo que vou sair e levar vocês pra um lugar muito legal, ninguém vai fazer
nada de mal a vocês. — Ele se levantou e foi ate a mais velha, colocou a mão no rosto
dela. — E você também, ninguém nunca mais ira te fazer mal. —

Um dos lordes olhou para ele e soltou uma risada de deboche.

— Você é prisioneiro, não prometa o que não pode cumprir. —

Naquele momento Dante olhou para ele com tanto ódio que, por um instante, uma
chama negra passou por seu corpo, todos perto dele viram e se afastaram surpresos,
ele falou com uma voz calma, porém, seu tom parecia o tom de voz do próprio demônio.

— Assim que eu me soltar você vai ser o primeiro, vou te queimar tão lentamente que
você irá implorar a morte, e aí eu vou te dar permissão para morrer. —

O lorde fez uma expressão aterrorizada, o ódio e a intenção assassina que emanava de
Dante eram enormes, e junto com o fato dele ter emanado, mesmo que muito pouco, as
chamas negras fizeram todos ali tremer de medo, quão forte era o ódio daquele homem
para ele conseguir isso mesmo com aquelas algemas, nem o mais poderoso conjurador
do reino conseguiria isso.

Ele foi levado pelos corredores frios ate o subsolo, as masmorras ali eram divididas em
três andares, e ele estava sendo levado para o mis baixo, ao virar uma esquina ele olhou
pela última vez aquelas três pessoas que ele nem conhecia direito, mas sentia que eram
parecidos, por isso precisava protegê-los de qualquer forma, ele adentrou pelos
corredores com os guardas, em sua mente só se passava uma ideia “preciso sair daqui”,
os corredores iam ficando mais frios a medida que eles desciam, não haviam outros
prisioneiros no último andar, aquele andar aparentemente era usado para tortura, Dante
ficou feliz por ele estar vazio, levaram ele para uma cela de uns quatro por quatro
metros, lá não tinha nada parecido com uma cama, mas tinha uma mesa de madeira
negra no centro, era uma mesa de madeira bruta seus pés eram quadrados, tinha uns
trinta por trinta centímetros, a madeira sobre ela também tina uns trinta centímetros de
espessura, com aproximadamente dois metros de comprimento e um de largura, tinha
correntes penduradas nas laterais, ela estava no centro do recinto, e nos quatro cantos
tinham argolas a uma altura de um metro do chão, a mesma altura da mesa, tinham
cordas que passavam pelas quatro argolas e iam ate o teto, lá em cima também tinha
quatro argolas posicionadas para a corda passar por elas e juntar as pontas no centro,
onde tinha uma outa argola que unia as quatro cordas, Dante logo percebeu para que
era usada aquela mesa, as marcas no centro da madeira eram evidentes, furos e cortes,
aquilo era realmente uma sala do inferno, o cheiro de sangue no ar dizia que muitos
foram torturados ali, muitos que com certeza morreram partidos só meio ou perfurados,
e sabe lá de quais outras formas, ele iria passar longos sete dias ali.

Os guardas trancaram a porta da cela, um deles olhou e deu uma risada de deboche,
eles saíram de deixaram Dante ali, ele achou estranho eles não terem tirado suas
roupas, por outro lado pra fazer isso seria necessário tirar as algemas, seria por medo
talvez? Eles poderiam ter rasgado ou cortado, isso não fazia diferença agora, ele
vasculhou o inventario e tirou dois cortes de couro, ele não sabia qual era o animal que
morreu pra tirarem aquele couro, mas era um bem grande, ele forrou a mesa com um e
usou o outro de travesseiro, e deitado ali ele começou a explorar seu computador, seria
uma excelente oportunidade para estudá-lo, entender seu funcionamento, ele estava
vasculhando seus arquivos, quando passou pela pasta de musicas sentiu falta de ouvi-
las, foi quando ele percebeu uma coisa muito importante, se ele estava vendo a tela do
seu computado então estava usando magia, ele tentou criar uma chama mas foi inútil.

— Eu vou conseguir, basta eu descobrir o ponto fraco dessas pedras, ate lá vou
continuar aqui nesse buraco, bom, ao menos vou ter tempo de dormir. —

O som de passos ecoou pelos corredores da mal iluminada masmorra, Dante estava
deitado sobre a mesa de olhos fechados, mas mesmo assim ele já sabia quantas
pessoas eram, cinco pessoas, mas os passos de duas delas eram mais suaves que o
normal, e o som metálico das armaduras estavam diferentes também, só tinha dois
soldados dessa vez, e não tinha ninguém algemado, isso era um alivio, quando a porta
da cela se abriu ele nem se moveu na mesa, nem mesmo abriu os olhos.

— Essas não são as visitas de sempre, achei que eles viriam hoje pra se divertir pela
última vez. —

Dante se sentou e de cabeça baixa olhou ou para os visitantes, seus olhos eram frios e
sem expressão, não dava pra saber seus sentimentos.

— Oh, —

Foi a única expressão de surpresa que as duas princesas conseguiram falar ao ver o
rosto de Dante, além da expressão completamente sombria, havia um corte profundo
em seu rosto, e seu corpo estava cheio de cortes e marcas, da sua roupa só sobrou os
farrapos das calças, as duas corriam a boca com as mãos e seus olhos lacrimejavam,
ver a pessoa que as salvou naquele estado apenas por ser uma boa pessoas era
horrível.
O homem que estava entre as duas era o seu pai, Atsushi Murata, e pela coroa em sua
cabeça ele agora era o atual imperador.

— Achei que a coroação seria somente amanhã — disse Dante levantando a cabeça —
E o que você quer com um prisioneiro “majestade”? —

O tom dele era realmente de deboche, mesmo assim o imperador não esboçou
nenhuma rejeição, muito pelo contrário, ele se ajoelhou e abaixou a cabeça.

— te peço perdão por tudo que lhe fizeram, os lordes tentaram atrasar a cerimônia,
mesmo assim eu consegui adiantá-la, a coroação foi ontem, eu fiz isso para pegar todos
que discordavam de surpresa, eu vim aqui para te soltar, te devolver os seus pertences
e também um presente.—

— Acredito que eu deva agradecer— Dante falou ao se levantar

— Não é precis... —

— Estou falando com os soldados. — Interrompeu Dante. — Foram vocês dois que
trouxeram comida e água para minha cela esses seis dias. Se vocês estão aqui então
isso não é mais necessário. —

Ele levantou as mãos e as algemas e correntes caíram no chão, todos olharam


surpresos

— S... se você podia se soltar então por que não fugiu? — perguntou Harumi.

— Por que se eu fugisse antes do seu pai ser coroado teria um premio pela minha
cabeça, e isso seria muito ruim, sem contar que eles sempre mantinham os gêmeos
longe, sempre vi eles separados, e tinha vocês também, enquanto os lordes estivesse
no comando eles poderia acusar vocês de me ajudar, e traição seria morte certa. —

Haruki se aproximou dele.

— Como você via os três escravos? —

— Se chamar eles de escravos outra vez eu arranco sua língua, e respondendo sua
pergunta, os guardas os traziam aqui para me ver ser torturado, e como uma forma de
deixar mais submisso, por falar nisso, qual é o presente que tem para me dar? —

— Discutiremos isso lá em cima, temos que pegar seus amigos. —

Eles subiram ate o primeiro andar da masmorra, e lá estavam, as três pessoas que ele
mais queria ver, os gêmeos e a garota-gato, assim que eles viram Dante começaram a
chorar de alegria, os guardas abriram a cela e os gêmeos pularam em cima dele,
derrubando ele no chão, ele os abraçou, mas sua expressão ainda era sombria, as
crianças choravam, a garota gato também, eles ainda não tiveram tempo de conversar,
então Dante nem sabia seus nomes, mas mesmo assim ele amava os três, quando ele
se levantou ela o abraçou, suas orelhas fizeram cocegas no peito de Dante, ele as
lagrimas dela escorriam pingavam nas feridas dele, ele afagou a cabeça dela.
— Vamos, tem um quarto e dois banheiros esperando vocês, depois de tomarem banho
iremos almoçar, e depois tratarei de negócios com você. —

Atsushi queria muito conversar com Dante ali, mas depois de tudo que passaram eles
mereciam descanso, Dante subiu com os três para o quarto, era enorme, haviam quatro
camas de casal, em cima de cada uma tinha uma muda de roupas e toalhas limpas,
duas empregadas esperavam eles, Dante percebeu o olhar de desdém delas, mas não
as culpava, a menos de uma hora atrás eles eram prisioneiros, as empregadas
indicaram as portas dos banheiros, a garota-gato foi com os gêmeos para um, ele foi
sozinho para o outro, era enorme, só a banheira tinha o tamanho da cela onde ele estava
preso, ele soltou um sorriso falso e malicioso ao ver algumas buchas e nenhum
sabonete, ele tirou um do seu inventario, em sua cela ele havia aprendido muitas magias
novas, entre elas uma magia que o permitia criar itens simples com cos componentes
que haviam por perto, sabão é feito basicamente de gordura ele só precisou criar a
reação química, pegar os componentes primários e multiplicar eles no seu inventario,
ele pensou em dar um aos três, mas eles ainda não sabiam usar, ficaria pra outro
momento, agora ele só queria aproveitar seu primeiro banho digno em sete dias.

Depois de umas duas horas lá dentro ele saiu, os três estavam lá fora, assim que ele
apareceu ele se abaixaram, flexionando a perna esquerda para apoiar o joelho no chão,
a direita ficou para escorar o braço direito, enquanto apoiavam a palma da mão
esquerda no chão, as cabeças baixa e olhando para o chão, essa reverência era comum
para servos que amavam e admiravam muito seus mestres, para eles a forma de
demonstrar o seu amor era com submissão, aquilo incomodava muito ele, mas não falou
nada, ainda não era o momento, eles já estavam vestidos, e a roupa preparada para
eles era impressionante mais simples que ele pensou, ele olhou para as empregadas
que estavam de pé perto da porta.

— Quem preparou essas roupas? —

— Fomos nós que escolhemos Senhor, nos disseram que era um homem e três
escravos, pegamos as melhores roupas que tínhamos para eles. —

— Vocês são mesmo um bando de idiotas. — disse-lhe com muita raiva — eles não são
escravos —

— Mas, senhor, eles estão com coleiras. —

— Esquece isso, vocês têm escova de cabelos? —

— Sim senhor, mas... — ela respondeu olhando o cabelo curto de Dante

Ele ficou com uma expressão sombria e medonha, mas decidiu deixar elas de lado,
juntou alguns materiais que tinha ali e colocou em cima de uma mesa, estendeu a mão
sobre eles e uma bola de luz apareceu cobrindo os materiais, que eram basicamente os
pedaços de uma cadeira que Dante destruiu, assim que a bola de luz se dissipou havia
uma escova de sedas brancas e cabo de madeira sobre a mesa, ele chamou os três, se
sentou na cama e colocou a menina das gêmeas na frente dele, tirou uma espécie de
pote de madeira do seu inventario, ele não estava mais preocupado com o que iriam
pensar ao verem isso, o pote era de uma madeira escura, quase negra, redondo com
uma tampa bem entalhada, ele era pequeno para esconder dentro da mão, mas também
não era grande pra não conseguir segurá-lo, tinha cerca de dez centímetros de diâmetro
e uns quinze centímetros de altura, ele o colocou ao seu lado na cama, retirou a tampa
e dentro tinha uma pasta perfumada, ele pegou um pouco com a mão, espalhou nos
cabelos da criança e começou a pentear pelas pontas, ele parecia saber o que fazia.

— Bom acho que é hora de nos conhecemos, eu me chamo Dante e vocês? —

— C...c... cachorro — murmurou um dos gêmeos morrendo de vergonha.

— Gato — disse a garota — era assim que nosso antigo mestre nos chamava, se o
senhor quiser pode nos chamar assim, seria uma honra.

A menina que ele estava penteando o cabelo estava com tanta vergonha que nem
conseguia falar, ela só escondia o rosto com as mãos, não que ela não estivesse
gostando, mas ela nasceu escrava, então não estava acostumada com aquele
tratamento, geralmente o mestre só chegaria perto para castiga-la, mas ali estava a
pessoa que a salvou, foi peso e torturado para ela ficar bem, essa pessoa estava
tratando ela como igual.

— Eu prefiro dar um nome a vocês, então você será Akemi Ueno — disse ele apontando
pra a mais velha — você será Izanagi Ueno e você Izanami Ueno. —

Dante chamou Izanagi, era a vez de pentear os cabelos dele, Akemi colocou as mãos
no rosto e começou a chorar, Dante queria falar algo pra ela, mas não sabia o que, ele
olhou 0ra ela por uns instantes, ela era realmente linda, seu cabelo agora estava
incrivelmente branco, ele era longo, passava um pouco da altura dos joelhos, as orelhas
que agora dava pra perceber que eram de gato, também brancas assim como a cauda,
ela estava de pé em frente Dante, ele olhava ela tentando ver seu rosto, as empregadas
estavam começando incomodar Dante, elas ficavam encarando como se ele tivesse
fazendo algo muito errado, elas já pareciam não ter gostado do fato dele não ter usado
as roupas preparadas, elas foram escolhidas para a cerimônia ao invés disso ele
apareceu com uma roupa completamente preta, era uma calça estilo militar, pano
grosso, feita para aguentar muitas coisas, uma camisa preta de mangas curtas, o
calçado era um coturno, nele avia uma faca presa na lateral do pé direto ele tinha na
mão um sobretudo preto com forro vermelho, e duas espadas, katanas mais
exatamente, porém tudo aquilo era muito estranho e diferente para elas, e pra piorar ele
estava tratando escravos como pessoas iguais a ele, a indignação delas transparecia
no rosto, e isso incomodava Dante,

— Vocês duas poderiam sair do quarto? —

— Senhor desculpe, mas fomos ordenadas a permanecer aqui não importa o que
aconteça, foram ordens diretas do imperador —

— Então eu vou deixar a coisa bem clara — Ele ergueu a mão direita, com a palma para
cima, como se segurasse uma esfera, chamas de cinco cores distintas apareceram nas
pontas dos seus dedos, azul, vermelho, amarelo, verde e preta — Se vocês continuarem
olhando dessa forma para meus amigos, eu vou queimar cada parte do seu corpo com
uma chama diferente, será que vocês entenderam isso? —
As duas somente assentiram com a cabeça, mas obviamente estavam com medo, afinal
aquele era o homem que queimou o antigo imperador, e ele estava rindo quando fez
isso, e aquele corte do lado esquerdo do rosto, junto com as roupas estranhas e uma
aura de maldade que o rodeava davam a ele uma ar muito sombrio e ruim, as duas
ainda não entendiam por quais motivos uma pessoa daquelas teria um tratamento tão
especial.

Dante deixou as empregadas de lado, elas não tinham tanta culpa, só passaram muito
tempo com pessoas que desprezavam demi-humanos e escravos, por isso não era
normal dar esse tipo de tratamento pra os três, ele agora tinha um dilema, faltava ajudar
Akemi, mas ele não sabia como fazer, Izanami e Izanagi eram crianças, eles eram
diferentes, mas Akemi tinha uns quinze ou dezesseis anos, o que na terra seriam de
trinta para cima, ele não tinha costume de estar tão perto assim de uma garota, e quando
elas estavam perto dele era por interesse, mas agora não era o momento de remoer
isso, o rosto de Akemi estava molhado das lágrimas, mas ele finalmente conseguiu vê-
lo, ela tinha um olho verde e outro azul, tinha os olhos puxados como os orientais que
Dante conhecia, seu rosto era incrivelmente perfeito, ele olhou para ela por uns
instantes, levou a mão esquerda no rosto e sentiu o corte não cicatrizado, por um
instante pensou se ela o acharia bonito.

— Que loucura. —

Akemi não entendeu o que ele murmurava, ela ainda estava limpando o rosto, Dante foi
a te o móvel ao lado da cama e pegou o lenço, passou no rosto dela enxugando as
lágrimas.

— Não precisa chorar, vai ficar tudo bem. —

— Não é isso, meu senhor, eu não estou triste nem com medo, na verdade estou muito
feliz, até um nome eu ganhei. —

A voz dela era suave e gostosa de se ouvir, apesar de ele não gostar dela o tratar
sempre como mestre.

— Bom, então vamos cuidar desse cabelo. —

Dante passou da pasta do pote no cabelo dela, ela tinha o cabelo incrivelmente macio
e branco, enquanto ele peteava o cabelo a cauda dela mexia, a ponta virava de um lado
para o outro, e o pelo grande balançava pendurado.

— Meu senhor o que é isso que passou em nossos cabelos? Tem um cheiro muito bom,
e parece ajudar a pentear. —

— É um creme para cabelos, a mulheres da minha terra usam muito, eu fiz com algumas
coisas que encontrei no banheiro, achei que seria bom pra vocês. —

Dante estava louco para sair daquele lugar logo, mas precisava saber primeiro o que o
imperador queria com ele, a atmosfera ali era muito ruim, e ele não queria chamar
atenção para eles, por enquanto a fama ruim dele, que provavelmente já tinha se
espalhado por todo o império , era o bastante para intimidar as pessoas, ele estava com
um ódio imenso de qualquer membro da nobreza, mas por hora ele iria se segurar até
ter um lugar seguro para todos, e ele já tinha um lugar em mente, mas seu devaneio foi
interrompido pelo som da porta do quarto se abrindo, Dante olhou um tanto irritado, ele
sabia que só um nobre poderia ter tamanha falta de educação, perante a porta estava
um homem que aparentava uns 25 anos, mas Dante sabia que 25 ali significavam cerca
de 50 para ele, de cada lado tinha um soldado de armadura e com uma espada na
cintura, as empregadas estavam de curvadas, fazendo uma reverência ao homem, ele
pigarreou para chamar a atenção dos quatro.

— É esperado que escravos se ajoelhem na presença de um nobre. —

— Não nos ajoelhamos para ninguém além de nosso mestre, qualquer outra pessoa
não passa de um verme inferior. —

Akemi tinha uma expressão muito sombria, assim que ela terminou de falar, antes que
qualquer um pudesse falar algo, um soldado puxou a espada se impulsionou para em
direção a ela, ele era muito rápido em menos de um segundo estava em frente ela,
segurando a espada com a mão direita, ele não via nenhuma expressão no rosto da
jovem demi-humana, levantou a espada um pouco acima do seu ombro, deu um golpe
da esquerda para direita com toda sua força, mas sua mão parou no meio do caminho,
Dante se materializou em sua frente como se fosse teleportado, sua mão esquerda
segurava a mão e a espada do soldado com muita facilidade, ele abriu a mão direita e
encostou a palma no abdômen dele, o olhou dentro dos olhos, moveu o pé direito um
pouco para frente, apoiou bem no chão e uma luz brilhou na sua mão, no mesmo
instante o soldado foi arremessado como uma bala de canhão, acertou o outro soldado
e os dois passaram pela porta batendo na parede do corredor e caindo desmaiados, as
duas empregadas caíram sentadas com o susto, o homem da nobreza só conseguia
emitir gemidos, com os olhos arregalados ele olhou para os soldados e quando olhou
de volta para dentro do quarto Dante não estava mais lá, ele sentiu uma mão em seu
ombro, um calafrio subiu por toda sua espinha, ele escutou a voz de Dante tão perto do
seu rosto que dava para sentir o ar saindo de boca.

— Qualquer um que tentar fazer mal aos meus amigos se tornará meu inimigo mortal,
será que eu fui claro seu verme inútil. —

— S... S... S... O senhor foi claro como o dia. —

— Ótimo, agora pegue seu lixo e suma da minha frente, —

— Mas que merda — gritou Akemi com muita raiva.

Dante olhou preocupado, mas ela estava incrivelmente calma, estava xingando por não
conseguir pentear seus cabelos sozinha.

— Merda, merda, merda, estraguei o penteando lindo que o meu senhor fez. —

Dante soltou uma gargalhada, olhou para o homem, pegou na gola da camisa dele, era
vermelha de ceda pura, com detalhes pretos, ele apontou a palma da mão pro peito do
homem que ficou ainda mais aterrorizado, uma luz forte apareceu impedindo que
qualquer um visse o homem, quando ela se dissipou ele estava sem camisa, e na mão
de Dante tinha um enorme lenço vermelho com as pontas pretas, o home caiu sentado,
o terror era evidente em sua face, ele se arrastou para traz em direção a saída, assim
que se afastou, ele se levantou e saiu correndo pelo corredor, as duas emprega estavam
agarradas uma na outra tremendo de medo, elas olhavam aterrorizadas para ele, era
incrível como ele conseguia atacar pessoas com tanta influência sorrindo, mas as duas
sentiam inveja dos três amigos dele, mesmo eles sendo escravos ele os tratava como
família, ele passou pelas duas sem sequer olhar para elas, foi até a cama e pegou suas
espadas, colocou elas na cintura e vestiu o sobre tudo, apesar de ser feito de coro não
parecia ser pesado, e sua forma era perfeita, o corte é a costura eram perfeitos, mas
até aí estava tudo normal, dota a roupa dele era diferente e perfeitamente fabricada,
parecia ter sido feita por magia, e seria razoável isso tendo em vista o que ele fez com
a camisa do lorde, ele chegou perto de Akemi e entregou o laço para ela.

— Um presente, para você amarrar seu cabelo. — Ele se abaixou perto dos gêmeos,
os abraçou e falou como se fosse um pai ou irmão mais velho. — Depois eu arrumo um
presente para vocês dois, agora vamos todos descer para comer. —
Capítulo 05
Um novo lar
No salão do trono o imperador estava em uma reunião acirrada com alguns lordes e
regentes, o motivo eram quatro pessoas que o recém coroado imperador havia libertado,
um regente representante dos reinos do deserto estava imensamente irritado com
aquilo, esses dois reinos tinha a terra muito infértil, mas tinham muitas fábricas de vidro
e minas de cristais, eles eram entusiastas da mão de obra escrava, já que seus países
não tinham atrativos para as pessoas irem viver lá, eles não queriam que mais leis contra
a escravização fossem criadas, por isso o antigo imperador era uma opção melhor para
eles, como cidades pertencentes ao império eles tinha que seguir suas leis que, ou se
tornariam inimigos passivos a invasão, esse novo imperador tinha muitas leis contra a
escravização, sem contar que as pessoas que ele libertou eram os assassinos do antigo
imperador, esse regente argumentava veementemente com eles de que deveriam ter
mandado aquele homem para a força.

— Ele assassinou o antigo imperador e ainda ameaçou o lorde conselheiro, ele deveria
ser pendurado em praça pública, não libertado e recompensado. —

— Um mero regente sugere que o homem que salvou minhas filhas, libertou minha,
esposa e trouxe todos em segurança deveria ser morto? —

— Não majestade, só acho que o homem que matou o antigo imperador deveria ser
morto. —

— Regente Menvis, você está sugerindo então que eu mate o homem que matou o
sequestrador da minha esposa? —

— Não foi isso que eu quis dizer majestade. —

— Vou deixar uma coisa clara, o homem que morreu aqui nessa sala a sete dias atrás
não era o herdeiro por direito, ele sequestrou minha esposa e ameaçou minhas filhas,
então senhor regente, sugiro que pare de defendê-lo, a não ser que você queira ir para
as masmorras. —

— Majestade se me permite, como teremos certeza de que esse homem não se tornara
um inimigo?

— Simples, lorde Esteban, ele passou sete dias em uma masmorra, foi torturado e
mesmo assim não fugiu, e ele sabe que tenho uma divida com ele, então eu confio que,
mesmo sendo obscuro como é, ele não tentar me matar, eu não posso garantir nada
com relação a vocês, então sugiro que não o provoquem. —

O imperador sabia que Dante não era uma má pessoa, ele só passou por coisas ruins,
mas mesmo assim ele tinha um poder imenso, não seria bom tê-lo como inimigo, então
a dívida com ele era uma boa desculpa para tentar criar laços bons, mesmo que ele
tenha se tornado muito ruim, apesar de que isso era culpa deles na verdade.
— Agora temos que ir para o almoço senhores, a propósito, regente Menvis, você vai lá
em cima chamá-lo, e leve seus dois soldados, e só um conselho, não o provoque ou vai
se arrepender. —

Menvis saiu muito nervoso, um regente fazendo trabalho de empregado, isso era uma
coisa que ele não poderia aceitar, mas seria também uma oportunidade para colocar
aqueles quatro em seu lugar.

No salão de refeições estava tudo preparado, uma mesa comprida, com muito mais
lugares que o necessário, o imperador e seus convidados já estava a lá esperando
Menvis voltar com os últimos convidados, todos tiveram uma surpresa ao ver Dante
chegar sem Menvis ou os soldados, ele atravessou o salão inteiro até onde estava o
imperador, nas cabeceira da mesa, ele passou por todos os nobres como se nem
estivessem ali, os três demi-humanos sempre com ele, Akemi ao seu lado direito, e os
gêmeos segurando um em cada mão, ele estava parado de frente para o imperador.

— Talvez precisem limpar o corredor lá em cima. —

— Espero que não esteja sujo de sangue ou cinzas. —

— Não, tem dois imbecis desmaiados lá, e um “nobre” aparentemente se borrou todo e
sujou tudo quando saiu correndo. —

Um dos lordes percebeu que Dante trazia uma espada e se colocou entre os dois.

— Guardas peguem as armas desse homem. —

— Se eu fosse vocês, não faria isso. — Advertiu o imperador. — Eu não creio que ele
precise dessa espada para nos matar. —

— Se não fosse a presença do imperador todos já teriam virado cinzas, mas como ele
manteve a palavra, eu também vou manter a minha, apesar do meu ódio evidente pelos
nobres e poderosos. —

Todos sentiram que ele falava sério, o imperador olhava para ele pensando quais foram
as torturas que ele sofreu para mudar tanto, a primeira vez que o viu ele tinha uma raiva
e um rancor, mas ainda dava para ver muita bondade nele, agora essa bondade havia
sumido, o único momento que os olhos dele brilhavam era quando olhava para Akemi e
os gêmeos, fora isso seus olhos agora estavam carregados de escuridão e maldade,
ele definitivamente não era mais a mesma pessoa gentil que suas filhas descreveram.

As duas princesas entraram no salão e foram direto até Dante, Haruki se curvou na
frente dele.

— Peço desculpas pelo meu comportamento mais cedo, eu não deveria ter falado
daquela forma. —

Sem falar nada ele puxou ela, depois sua irmã, abraçou e abraçou as duas.

— Não deu pra fazer isso antes, eu estava muito sujo, mas estou muito feliz em ver
vocês. —
— Você não parece feliz. —

— Harumi, muitas coisas aconteceram, e me fizeram mudar, mas vocês ainda são
minhas irmãzinhas, as crianças me contaram que vocês se revezaram pra cuidar delas,
muito obrigado por isso. —

Todos olharam aquela cena em silêncio, não sabiam se ficavam irritados por serem
ignorados, ou se ficavam surpresos por ele abraçar as duas princesas de forma tão
íntima, sem contar o fato de ele falar que está feliz e não ter um sorriso em seu rosto, e
as três pessoas, essas são as que mais incomodavam, só o fato de estarem ali era ruim,
pior ainda pois eles não fizeram nenhuma reverência aos nobres, ele eram três escravos
e um assassino, deveriam ir para a forca. Dante sequer olhou para os outros, disse a
Akemi e as crianças para se sentar, ela pegou o assento a direita do imperador, as
crianças e as princesas a sua direita, os lugares eram definidos de acordo com
hierarquia e importância do nobre, só o que fizeram ao entrar já tinha enfurecido todos,
agora a situação ficou pior ainda, um dos lordes não se conteve.

— Majestade, isso é um insulto, essas pessoas nem pertencem a nobreza. —

Dante olho o homem no fundo dos olhos, sem dizer nada, mas o lorde percebeu que
aquele homem apesar de tentar agir de forma gentil ele não era nada disso, ele achou
melhor ficar quieto, afinal Dante tinha o apoio do imperador, para manter boas relações
todos acharam melhor não falarem mais nada, apesar de estarem muito contrariados.

— Agradeço muito por tudo isso, mas tenho certeza que o imperador não fez tudo isso
só pra me agradar ou agradecer. —

— Certamente tenho mais motivos, — respondeu o imperador enquanto arruma já o


guardanapo no seu colo. — O principal motivo é pra anunciar aos quatro reinos do
império a sua soltura, e pra te entregar alguns presentes, mas primeiro vamor comer,
as crianças devem estar famintas.

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