Você está na página 1de 3

INES- Instituto Nacional de Educação de Surdos

Prefácio
“(...)No escopo de suas atribuições e competências, destacam-se a promoção, o desenvolvimento e a
realização de programas na área da surdez, entre os quais está o desenvolvimento da reabilitação,
pesquisa de mercado de trabalho e encaminhamento profissional, a fim de possibilitar às pessoas surdas
pleno exercício da cidadania. São promovidos também a assistência técnica aos sistemas de ensino, com o
objetivo de prestar atendimento educacional aos alunos surdos; a avaliação e o aperfeiçoamento de
metodologias e técnicas utilizadas nos materiais e recursos didáticos, visando à melhoria da qualidade do
atendimento à pessoas surda; a interlocução e ação constante junto à sociedade para o resgate da imagem
social das pessoas surdas; a oferta de cursos de graduação e de pós-graduação com o objetivo de preparar
profissionais bilíngues, efetivando assim os propósitos da educação inclusiva, entre outras finalidades.”
“Nesse sentido, cabe salientar a defesa, pelo Governo Federal, de propostas educacionais para surdos que
culminaram com a oficialização e legalização da educação bilíngue por meio da promulgação da Lei n°
10.436, de 24 abril de 2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), e do Decreto n° 5.626,
de 22 de dezembro de 2005, que a regulamenta. Pode-se considerar este momento um marco para o acesso
dos surdos à educação bilíngue. O Decreto dispõe sobre LIBRAS como disciplina nos currículos,
normatizando seu uso e difusão, bem como determina que o ensino da Língua Portuguesa seja oferecido
como segunda língua para os sujeitos surdos.”
-------------------------------------------------- Educação inclusiva -------------------------------------------------------
Apresentação
“O Panorama da Educação de Surdos no Brasil- Ensino Superior- apresenta um retrato fiel da situação
dos estudantes surdos (deficientes auditivos, surdos e surdocegos) no país. Pela primeira vez na história, os
dados do Censo da Educação Superior, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), foram trabalhados sob a perspectiva da educação de
surdos. Tal pesquisa, baseada no instrumento mais preciso e completo acerca das Instituições de ensino
superior, reflete a realidade dos alunos surdos entre os anos de 2010-2015. ”
“O trabalho irá, entre outras coisas, possibilitar ao Governo Federal maior equidade na distribuição dos
recursos destinados à educação especial, ao mapear o número de alunos atendidos pelas respectivas redes
municipais e estaduais. A pesquisa apresenta diversas estatísticas descritivas relacionadas às Instituições
de ensino superior, abordando tópicos como cursos, ingresso e matrículas de alunos deficientes auditivos,
surdos e surdocegos. ”
“ (...) as categorias utilizadas neste trabalho (deficiente auditivo, surdo e surdocego) são as mesmas do
formulário do INEP destinado às Instituições de Ensino Superior. De acordo com a lei n° 5.626, de 22 de
dezembro de 2005, considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total de 41 decibéis (Db)
ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz. O art. 2 da
mesma lei considera surda a pessoa que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por
meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS).”
Segundo o Ministério da Educação (MEC), as três categorias podem ser definidas da seguinte maneira:
Deficiente auditivo
a) Pessoa com surdez leve- indivíduo que apresenta perda auditiva de até 40 decibéis. Esta perda
impede que ele perceba todos os fonemas das palavras. Além disso, a voz fraca ou distante não é
ouvida. Em geral, este indivíduo é considerado desatento, solicitando, frequentemente, a repetição
daquilo que lhe falam. Esta perda auditiva não impede a aquisição normal da língua oral, mas
poderá ser a causa de algum problema articulatório na leitura e/ou na escrita. B) Pessoa com
surdez moderada- indivíduo que apresenta perda auditiva entre 40 e 60 decibéis. Estes limites se
encontram no nível de percepção da palavra, sendo necessária uma voz de certa intensidade para
ser convenientemente percebida. É frequente o atraso de linguagem e as alterações articulatórias,
havendo, em alguns casos, maiores problemas linguísticos. Este indivíduo tem maior dificuldade de
discriminação auditiva em ambientes ruidosos. Em geral, ele identifica as palavras mais
significativas, tendo dificuldade em compreender certos termos de relação e/ou forma gramaticais
complexas. Sua compreensão verbal está intimamente ligada à sua aptidão para a percepção visual.
Surdo
a) Pessoa com surdez severa- indivíduo que apresenta perda auditiva entre 70 e 90 decibéis. Este tipo
de perda permite que ele identifique alguns ruídos familiares e perceba apenas a voz forte, podendo
chegar a até aos 4 ou 5 anos sem aprender a falar., Se a família estiver bem orientada na área da
saúde e da educação, a criança pode conseguir adquirir a linguagem oral. A compreensão verbal
irá depender, em grande parte, de sua aptidão para utilizar a percepção visual e para observar o
contexto das situações. B) Pessoa com surdez profunda- indivíduo que apresenta perda auditiva
superior a 90 decibéis. A gravidade desta perda é tal que o priva das informações auditivas
necessárias para perceber e identificar a voz humana, impedindo-o de adquirir a linguagem oral. As
perturbações da função auditiva estão ligadas tanto à estrutura acústica quanto a identificação
simbólica da linguagem. Um bebê que nasce surdo balbucia como um bebê com audição normal,
mas suas emissões começam a desaparecer à medida que não tem acesso à estimulação auditiva
externa, fator de máxima importância para a aquisição da linguagem oral. Assim, não há obtenção
da fala como instrumento de comunicação, uma vez que, não a percebendo, a pessoa que não se
interessa por ela e, não tendo retorno auditivo, não possui modelo para dirigir suas emissões. Este
indivíduo geralmente utiliza uma linguagem gestual e poderá ter pleno desenvolvimento linguístico
por meio da língua de sinais. Atualmente, muitos surdos e pesquisadores consideram que o termo
“surdo” refere-se a quem percebe o mundo por meio de experiências visuais e opta por utilizar a
língua de sinais, valorizando a cultura e a comunidade surda.
Surdocego
a) Este não é necessariamente um indivíduo surdo que não pode ver e nem um cego que não pode
ouvir. Não se trata da simples somatória de surdez e cegueira, nem apenas de um problema de
comunicação e percepção, ainda que englobe todos estes fatores e alguns mais. Quando a visão e a
audição estão gravemente comprometidas, os problemas relacionados à aprendizagem dos
comportamentos socialmente aceitos e à adaptação ao meio se multiplicam. A falta destas
percepções limita o surdocego na antecipação do que irá ocorrer a sua volta. Ainda como resultado
da privação da visão e audição, sua motivação á exploração do ambiente é proporcionalmente
diminuída. Seu mundo se limita ao que por casualidade está ao alcance de sua mão e, sobretudo, a
si mesmo.
“O projeto gráfico do livro (concepção, produção e reprodução) foi cuidadosamente pensado para facilitar
a compreensão dos gráficos e tabelas, utilizando um caráter inovador e ousado. Tal destaque se faz
necessário não apenas por questões estéticas, mas com o intuito de representar visualmente os dados
obtidos para os interessados que não utilizam a Língua Portuguesa como primeira língua.
O livro está estruturado em 6 capítulos. A primeira seção apresenta uma descrição nacional do Panorama
da Educação de Surdos no Ensino Superior, e as seções seguintes apresentam as informações para cada
macrorregião do Brasil (Centro-oeste, Norte, Nordeste, Sudeste e Sul), com o objetivo de fornecer uma
visão regional.
Para os usuários da Língua Brasileira de Sinais, cada livro traz uma mídia com os principais dados do
trabalho apresentado em Libras. Desta forma, espera-se que este trabalho seja consultado por surdos e
ouvintes e possa fundamentar diversos projetos institucionais, bem como ser aproveitado como ferramenta
gerencial de políticas públicas para educação de surdos.”
Metodologia