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Vídeo de crianças com armas de mentira viraliza nas redes sociais

Um vídeo em que crianças aparecem com armas de brinquedo e coletes de papelão tem
circulado nas redes sociais e em aplicativos de mensagem. Nas imagens, feitas em uma
favela do Rio de Janeiro, os meninos agem como se fossem de uma facção criminosa. Eles
andam pelas ruas e vielas à noite. Alguns escondem o rosto com a camisa.

O Ministério Público do Rio informou que o vídeo foi encaminhado ao Centro de Apoio às
Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, que deve distribui-lo para uma das
promotorias de tutela da infância não infracional da capital. Segundo o MP, as imagens
serão analisadas para que as medidas cabíveis sejam tomadas.

De acordo com a Polícia Civil, as crianças filmadas não estão cometendo um crime. No
entanto, por causa da cena, elas estão em situação de vulnerabilidade, como explica o
antropólogo e ex-capitão do Bope Paulo Storani:

— Se os policiais vissem uma quantidade de crianças encapuzadas, de longe e na penumbra,


elas poderiam ser confundidas com criminosos que fazem a guarda armada. Logo, elas
corriam risco.

Segundo a neuropsicóloga e terapeuta de família Paula Emerick, o vídeo é um exemplo de


como crianças replicam comportamentos que admiram e que vivenciam diariamente.

— A gente costuma dizer em psicologia social que a gente replica, na maioria das vezes,
aquilo que a gente admira ou que está condicionado. Pelo o que dá para perceber nas
imagens parece que é um pouco dos dois: é o ambiente em que ela está exposta
diariamente e uma admiração, porque, naquele espaço, quem age daquela maneira é quem
simboliza ter o poder, mesmo de maneira pervertida — explica Emerick.

Na gravação, o autor do vídeo pergunta: "meu deus, cadê a mãe dessas crianças?" O
questionamento também foi feito nos compartilhamento dos vídeos, que completavam:
"seguem o exemplo que tem".

Delegacia manda ligar para o Disque-Denúncia

Sobre o vídeo, a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) orientou que denúncias
desse tipo devem ser encaminhadas primeiro ao Disque-Denúncia para que, depois, a
especializada apure se há participação de algum adulto, o que caracterizaria crime de
corrupção de menores.

Para Paula Emerick, os pais devem coibir esse tipo de comportamento da criança.

— A criança brinca com aquilo que ela vivencia e com aquilo que projeta para o futuro. A
figura dos pais nesse momento é perceber esse comportamento e reprimir, mostrar que
aquele ali não é um caminho que será proveitoso para o futuro daquela criança. Deve-se
coibir esse comportamento, dar um estimulo negativo àquela prática. Você pode falar "ó,
isso não é legal, vocês não deveriam brincar disso, vamos fazer outra coisa", e aí estimular
um comportamento mais saudável — explica a neuropsicóloga.
https://extra.globo.com/noticias/rio/video-de-criancas-com-armas-de-mentira-viraliza-nas-
redes-sociais-23947980.html

Decreto sobre armas permite que crianças e adolescentes pratiquem tiro


Regulamentação estabelecia que a prática de tiro desportivo por menores só poderia ser
autorizada judicialmente

Em Goiânia (GO), durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro incentiva criança a


fazer gesto de arma com as mãos (Reprodução/Reprodução)

Brasília — O decreto do presidente Jair Bolsonaro trouxe mais uma flexibilização na questão
da liberação de armas no País, agora voltada para crianças e adolescentes. De acordo com o
ato, menores de 18 anos de idade poderão praticar o chamado tiro desportivo apenas com a
autorização de um de seus responsáveis legais.

Antes disso, o tiro desportivo para esse público só era permitido com autorização judicial. O
trecho que trata do assunto está no capítulo Do porte de arma de fogo e diz: “A prática de
tiro desportivo por menores de dezoito anos de idade será previamente autorizada por um
dos seus responsáveis legais, deverá se restringir tão somente aos locais autorizados pelo
Comando do Exército e será utilizada arma de fogo da agremiação ou do responsável
quando por este estiver acompanhado”.
A regulamentação anterior (Decreto 5.123/2004), que foi revogada pela nova determinação,
estabelecia que “a prática de tiro desportivo por menores de dezoito anos deverá ser
autorizada judicialmente e deve restringir-se aos locais autorizados pelo Comando do
Exército, utilizando arma da agremiação ou do responsável quando por este acompanhado”.

O novo decreto de armas foi assinado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro e publicado no
Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira. Dentre as disposições, a medida facilita o
porte de armas de fogo para uma série de categorias de profissionais e não só para
caçadores, atiradores esportivos, colecionadores (CACs) e praças das Forças Armadas, como
foi destacado pelo governo.

Na lista prevista no decreto, há 20 categorias contempladas, como, por exemplo,


advogados, residentes de área rural, profissional da imprensa que atue na cobertura
policial, conselheiro tutelar, caminhoneiros, profissionais do sistema socioeducativo e
políticos.

A cada 3 dias, uma criança é internada após acidente doméstico com arma

A cada três dias, em média, uma criança de até 14 anos entra em um hospital do Brasil em
decorrência de um acidente doméstico com arma de fogo.

Entre 2015 e 2018, foram 518 internações na faixa etária de até 14 anos por essa causa,
mostram dados compilados pelo Ministério da Saúde.

A posse de armas em casa foi facilitada no mês passado por decreto assinado pelo
presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O documento adota como critério para a autorização uma taxa de homicídios que atinge
todos os estados, permitindo, na prática, que moradores do país todo possam pedir a posse
sem comprovar a efetiva necessidade.

Pela norma, para ter uma arma na residência é preciso ter mais de 25 anos, ocupação lícita
e residência certa e não ter sido condenado ou responder a inquérito ou processo criminal,
além de comprovar a capacidade técnica e psicológica.

Pessoas que moram com crianças devem ainda assinar declaração de que possuem cofre ou
lugar seguro com tranca para guardar a arma. Para especialistas, porém, isso não elimina o
risco de acidentes.

Juan Riquelme Machado Dias, 9, foi uma das crianças que morreram por disparo acidental
de arma dentro de casa —entre 1996 e 2016 (dados mais recentes), foram 292 óbitos por
essa causa.

O caso ocorreu no ano passado. Juan estava sentado na cama do quarto, em Cidade
Tiradentes (zona leste de SP), quando a madrasta arrumava o armário. Uma arma do pai
que estava dentro do móvel caiu e disparou. "O tiro bateu na parede e voltou no olho dele",
diz a avó do menino, que não quis ser identificada.
O pai do garoto, que tinha histórico criminal por roubo, contou à polícia que comprou a
arma com numeração raspada para se defender. Acabou preso por posse ilegal e foi levado
com ferimentos após bater o rosto no chão várias vezes. A avó conta que resolveu se livrar
dos pertences do neto para tentar esquecer a tragédia, mas um primo do menino não deixa.
"Toda pessoa que chega ele diz: 'É o Juan'".

Casos como esse ficaram mais raros após o Estatuto do Desarmamento, de 2003. O número
de crianças mortas por tiro acidental em casa, que era de cerca de 20 por ano, caiu para a
metade após aquele ano.

Entre as vítimas, porém, ainda há crianças baleadas tanto por armas legais como por ilegais.
Em outubro de 2018, em Manaus (AM), um menino da mesma idade de Juan morreu com
um disparo acidental com a arma do pai, um policial militar. Nove meses antes, em Ibiúna
(SP), um garoto um ano mais novo morreu na mesma situação.

Para a gerente executiva da ONG Criança Segura, Gabriela Freitas, o decreto vai aumentar o
número de ocorrências do tipo, que poderiam ser evitáveis. Ela cita o caso dos EUA. Estudos
no país mostram que a presença de uma arma em casa está relacionada a um maior risco de
morte acidental e de suicídio.

Já o jurista Adilson Dallari, que foi professor da PUC-SP, afirma que a decisão de assumir o
risco deve ser dos pais e não do Estado. Favorável à liberação do "porte com restrições", ele
diz que o cofre "é ultrapassado" e defende o uso de uma trava, com senha, que pode ser
colocada no gatilho. "As mortes no trânsito são muito maiores e nem por isso vamos proibir
carro", diz.

O juiz José Henrique Kaster Franco, 44, doutor em direito penal, mudou sua visão sobre o
tema após um episódio há quatro anos. Por ter direito ao porte e já ter recebido ameaças
de morte do PCC, ele mantinha uma arma em casa, em Nova Andradina (MS). O objeto
ficava escondido no alto de um armário, atrás de roupas. "Me parecia um lugar inacessível
para uma criança de oito anos", diz Franco, citando a idade do seu filho à época.

Um dia, sua esposa recebeu uma ligação de outra mãe, preocupada: o garoto havia
mostrado a arma para o filho dela. "Fiquei apavorado", diz o juiz.

Após o alerta, Franco entregou a arma para a Polícia Federal. "Nós tínhamos explicado bem
direitinho para o nosso filho dos perigos das armas. Mas a verdade é que a gente não
imagina que vai acontecer. Achamos que a criança não vê, mas ela percebe tudo."

De fato, alertar sobre os riscos não resolve, afirma a representante da ONG Criança Segura.
"Mesmo que a criança diga para o adulto que compreendeu, com até uns cinco anos de
idade ela não entende a consequência real de um tiro".

Psicóloga do Instituto Singularidades, Elizabeth Sanada diz que abordar o assunto com os
filhos pode ter o efeito inverso ao desejado. "Quando você fala de algo que é proibido,
incita a curiosidade."
O tema virou corrente em conversas entre mães desde a publicação do decreto.

A gerente comercial Gabriela Corrêa, 33, diz que vai se informar antes de autorizar a ida dos
filhos para a casa de colegas. "Sempre pergunto se tem piscina, rede na janela, se tem
alguém supervisionando. Agora vou perguntar se tem arma", diz ela.

Para outros, isso não é uma preocupação. A dona de casa Amanda, 42, que pediu para ter
seu nome alterado, já fez curso de tiro e pensa em comprar uma arma. Ela tem um filho de
15 anos e outro de cinco.

Seu pai tinha arma, mas ela só descobriu depois de adulta. "Se eu tiver uma, ficará no cofre,
e meus filhos jamais saberão." Para ela, a existência de piscina na residência ou o caráter
dos pais são informações mais importantes para ter quando os filhos vão para casa de
amigos.

Além de acidentes, a presença de uma arma em casa pode ser um fator de perigo para
jovens em depressão, diz o comerciante Vilobaldo Sousa, 60. Em 2008, seu filho Jefferson
Fávero, então com 16 anos, achou um revólver, que era uma relíquia herdada do avô, na
residência da família em Botucatu (SP).

A arma ficava no alto de um armário, escondida. "Eu estudava em uma escola barra pesada.
Um dia achei duas balas no chão e guardei", diz Jefferson. Na época, a empresa onde ele
trabalhava cobrava que o ele cortasse o cabelo comprido. "Cortei, mas fiquei depressivo.
Nesse momento de fraqueza lembrei da arma."

Ele diz que não queria se ferir com gravidade. "Queria só me machucar para não sentir a dor
interna. Mirei na lateral da barriga". O tiro não atingiu nenhum órgão. Jefferson entrou em
choque e pediu socorro ao vizinho. Os pais ficaram desesperados e entregaram a arma para
a Polícia Federal.

A família é contra o decreto. "Arma em casa é tentação do demônio", diz Vilobaldo.


Jefferson concorda: "É motivo para ter acidente".

Pais devem dar aos filhos arma de brinquedo como Kate e William deram ao príncipe
George?
Psicólogos e educadores explicam por que evitar esse tipo de diversão
Príncipe George, da realeza britânica,segura arma de brinquedo - Steve Parsons/AP

Uma foto do príncipe George brincando com uma pistola de brinquedo, no início do mês,
em um evento na Inglaterra, provocou repercussão e reacendeu o debate: crianças e armas
de brinquedo, pode ou não pode? O assunto é polêmico, mas, para psicólogos e
educadores, o melhor é não estimular esse tipo de diversão.
"Com o crescimento da violência e o acesso à informação pela internet e pela televisão, o
assunto está próximo da realidade das crianças. Se no passado a arma era apenas um
brinquedo que estimulava a imaginação, agora, a criança tem real noção do seu uso.
Portanto, o indicado é evitar, até porque existem milhares de outros tipos de brincadeira
que não fazem referência à violência e que podem ser estimuladas", explica a psicóloga Ana
Flávia Parenti.
Essa é a mesma opinião da professora Maria Angela Barbato Carneiro, do Núcleo de Cultura
e Pesquisas do Brincar, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). "No contexto brasileiro,
que está muito violento, não recomendamos esse tipo de brinquedo para, assim, evitar a
associação entre armas e crianças."
Por outro lado, ela explica que é natural que os pequenos, mesmo sem terem uma pistola
de brinquedo, possam usar outros objetos ou a própria mão para simular uma arma. "É
natural que as crianças reproduzam a realidade. Os pais não precisam proibir, mas devem
observar e supervisionar em que realidade a arma está surgindo. Se é dentro de uma
brincadeira, como Polícia e Ladrão, tudo bem. Faz parte do universo infantil criar
brincadeiras com heróis e bandidos. Mas se começar a passar do limite, aí, sim, os pais
devem intervir", orienta a educadora.
Outra dica dos profissionais é, quando for inevitável –no caso de a criança pedir muito uma
arma, por exemplo–, que os responsáveis prefiram os brinquedos que sejam bem coloridos
e nada parecidos com as armas reais.
A gerente de imigração Ana Carolina Campos, 41, não gosta que o filho, Enzo, de três anos,
brinque com a pistola de água que ganhou de um tio. "Deixo escondida ou procuro trocar
por algum outro objeto. Eu percebi que, na verdade, ele gosta é de jogar a água. Por isso,
comprei outros brinquedos, que têm formato de bichinhos e que cospem água também. Ele
gostou bastante."
A representante comercial Thais Maria Valadão de Freitas, 40, também prefere evitar esse
tipo de diversão para os filhos, por acreditar que estimula a agressividade. "Não acho legal
brinquedo que faça referência à violência, porque já vivemos em um mundo muito
intolerante, em que qualquer coisa é motivo para as pessoas explodirem."
Ela conta que as duas filhas mais velhas, Vitória, 18 anos, e Helena, 12, não tiveram armas
de brinquedo e que pretende fazer o mesmo com os mais novos, Esther, de três anos, e
Benjamim, dois anos. "Prefiro não estimular isso, e até agora eles não ganharam nada
parecido. Existem outras brincadeiras muito mais saudáveis", conclui.

Como proteger uma criança das armas de fogo

O Brasil ocupa o segundo lugar em mortes por armas de fogo entre 57 países pesquisados
pela Unesco. De 1979 a 2003, 550 mil pessoas morreram no país, cerca de 100 vítimas por
dia e boa parte delas são crianças.Existe um denominador comum em todos os acidentes
com armas de fogo: o acesso a uma arma.A coisa mais importante que os pais, as babás e os
portadores de armas de fogo podem fazer para proteger as crianças dos acidentes é
eliminar a possibilidade de acesso delas às armas de fogo.De preferência, não tenha armas.
A menos que sua profissão exija esse tipo de equipamento, desarme-se. Um cidadão
armado tem 57% mais chance de ser assassinado do que os que andam desarmados.O que
os portadores de armas podem fazer

Se você tem crianças em casa, qualquer arma é um perigo em potencial para elas. Considere
seriamente os riscos; Sempre guarde as armas de fogo descarregadas, travadas e fora do
alcance das crianças; Guarde as munições em um lugar separado e trancado;Mantenha
armas guardadas com chaves e lacres de combinação escondidos em lugares separados;
Faça um curso de uso, manutenção e armazenamento seguro de armas. Saiba mais

Poucas crianças com menos de 8 anos conseguem distinguir entre armas reais e de
brinquedo ou entender completamente as conseqüências de suas ações. Crianças de três
anos de idade são fortes o suficiente para puxar o gatilho de muitos revólveres; Percepções
não realistas das habilidades e do comportamento das crianças são fatores comuns nestes
incidentes. Os pais freqüentemente não percebem a habilidade da criança em obter acesso
e disparar uma arma, distinguir entre armas reais e de brinquedo, fazer bons julgamentos
sobre segurar uma arma e, conseqüentemente, seguir a regras de segurança; Quase todos
os tiros fatais não intencionais em crianças ocorrem em casa ou na vizinhança. A maioria
dessas mortes envolve armas guardadas carregadas e acessíveis para as crianças.;

Contarato apresenta projeto que criminaliza porte de armas de brinquedo

Fonte: Agência Senado


O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) apresentou nesta quarta-feira (11), em Plenário, um
projeto de lei de autoria dele que criminaliza o porte de armas de brinquedo (PL 991/2019).
O parlamentar citou reportagem da imprensa do Espírito Santo que mostra que bandidos
estão alugando armas de brinquedo para assaltos.

Contarato lembrou que armas de brinquedo parecidas com as armas de verdade, ou


simulacros de armas, têm venda proibida, mas outras armas de brinquedo, usadas por
crianças, podem ser vendidas em lojas. Segundo o senador, se alguém for flagrado no Brasil
portando uma arma de brinquedo, nada acontece. Para ele, o projeto vai corrigir falhas na
legislação.

— O próprio artigo 26 do Estatuto do Desarmamento veda a fabricação, comercialização e


importação de brinquedos, réplicas ou simulacros de arma. Então nós estamos corrigindo
uma falha no processo legislativo, que deixou de tipificar essa conduta. Esse projeto, salvo
engano, já está com o senador Marcos do Val [(Podemos-ES) e eu tenho fé em Deus que
vamos votar pela aprovação, para corrigir isso, na certeza de que vamos transmitir mais
segurança e diminuir a impunidade no Brasil.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado