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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Economia e Gestão

Licenciatura em Direito
Tema: Exercício

Discentes: Eanes Noé Marimbique

Docente: Dr. Moreira Rego

Beira, maio de 2020


O presente texto aborda o tema de “Os critérios de apreciação da culpa na responsabilidade
civil”, tema de elevado interesse, tendo em conta o papel central que a culpa representa no
quadro global da regulação da responsabilidade civil.

O artigo 483, n.°1 condiciona a obrigação de indemnizar a um acto do agente que viola o direito
de outrem ou disposição legal destinada a proteger interesses alheios, desde que essa conduta
tenha sido praticada com dolo ou mera culpa.

Acrescenta o mesmo artigo (n.°2) que só em casos especialmente estabelecidos na lei é que o
agente pode ser obrigado a indemnizar independentemente de culpa.

Assim, a culpa é pressuposto normal da obrigação de indemnizar no que respeita à chamada


responsabilidade civil aquiliana ou responsabilidade civil extra-obrigacional.

Já o artigo 798.° estabelece que “o devedor que falta culposamente ao cumprimento da obrigação
torna-se responsável pelo prejuízo que causa ao autor.

Isto é, para que o devedor se torne responsável, necessário é, ainda, que o facto de não realização
da prestação deliboria lhe seja imputável, quer dizer, que ele tenha procedido com culpa. Isto em
princípio, ou seja, na modalidade normal da responsabilidade. Excepcionalmente, o devedor é
responsável mesmo que não tenha tido culpa na falta de cumprimento, caso em que a
responsabilidade se diz objectiva.1

Conclui-se então, que tanto na para responsabilidade obrigacional como extra-obrigacional, a


culpa aparece como pressusposto normal da responsabilidade. Apenas em caso excepcionais é
que é admitida a responsabilidade do agente independentemente da culpa.

Já conceituamos a culpa e vimos como a mesma é, por lei, apresentada como pressuposto da
obrigação de indeminização, tanto na responsabilidade civil obrigacional como na
responsabilidade civil extra-obrigacional.

Desde o Código Civil anterior, tem sido debatida esta questão, tendo, porem, pelas razoes que
adiante serão apontadas, se colocado com maior acuidade, face à nova construção do Código
Civil em vigor.

1
Cambule, Gil, “critérios de apreciação da culpa no Direito Moçambicano” disponível em:
<https://pt.scribd.com/document/99791055/Gil-Cambule-Criterios-de-Apreciacao-da-culpa-no-Direito-
Mocambicano > acesso em 01-06-2020
Em princípio “pode-se adaptar dois padrões: ou o comportamento habitual do próprio lesante,
ou o comportamento de um homem normal.

Segundo Gil Cambule faz menção as palavras de Menezes Leitão, “o juízo de censura ao agente
pode ser estabelecido por duas formas que assim se reconduzem a diferentes critérios aponta para
a apreciação da culpa em concreto, exigindo ao agente a diligencia que ele poe habitualmente
nos seus próprios negócios ou de que é capaz (diligencia quam in suis rebus adbibere solet). Um
segundo critério aponta para a apreciação da culpa em abstrato, exigindo a lei ao agente a
diligencia padrão dos membros da sociedade, a qual é, naturalmente, a diligencia do homem
medio, ou, como diziam os romanos, bónus pater famílias.

Face à ocorrência de um evento lesivo de direitos de outrem ou de normas protectoras de


interesses alheios e quando se coloque a necessidade de medir o nível de imputação (subjectiva)
do referido facto ao agente e tendo em conta que dita imputação(subjectiva) que nos reconduz à
culpa representa <<distancia negativa>> entre a conduta do agente e aquela diligencia que lhe
seria exigível, podemos tomar duas atitudes ou seguir dois caminhos diferentes.

Podemos, desde logo, inquirir sobre a diligencia que é normal ou habitual ao agente em causa e
determinar se naquele caso em concreto houve (e em que medida) ou não uma diferença negativa
entre diligencia tomada na conduta adoptada e a dita <<diligencia habitual>> do agente.

Finalmente, haverá, ainda, que indagar sobre as consequências praticas da posição que for
adoptada no âmbito deste tema.

Neste caso existe um problema na unicidade do critério sendo ainda debatido não se chegando a
uma solução.

Não concordando com esta mesma unicidade visto que vários autores com Gil Cambule, alberto
de Sá e melo as suas posições adoptas é que numa situação de caso de apreciação da culpa num
sentido abstracto deveria se verificar numa situação de negócio extra-contratual.

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