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JESSÉ ALVES DE ARAUJO

O BATISMO INFANTIL A LUZ DAS ESCRITURAS E DA HISTÓRIA

Boa Vista
2009
2

JESSÉ ALVES DE ARAUJO

O BATISMO INFANTIL A LUZ DAS ESCRITURAS E DA HISTÓRIA

Monografia apresentada como pré-requisito à obtenção do grau de Bacharelado em


Teologia pela Faculdade de Teologia de Boa Vista

FATEBOV.

Orientador:

Boa Vista
2009
3

DEDICATÓRIA

Ao meu pai, Rev.Josué da Rocha Araújo,


pelas lutas e dificuldades que enfrentou para me
dar uma boa educação, e acima de tudo me
ensinou nos caminhos do Senhor. E hoje se
encontra descansando na glória eterna com o
nosso Deus.
4

AGRADECIMENTO

Agradeço a Deus pelo seu inefável amor


derramado por mim. A minha querida esposa
Janine, que de maneira paciente e amorosa
suportou esta longa caminhada. Aos meus filhos
Tainá e Vinícius que tanto amo.
5

FOLHA DE APROVAÇÃO

BANCA EXAMINADORA CRITÉRIOS ADOTADOS

............................................ .............................................

............................................ .............................................

.......................................... .............................................

........................................... .............................................

........................................... .............................................
6

ÍNDICE GERAL

INTRODUÇÃO...........................................................................................................07

I . ASPÉCTO ETIMLÓGICO DO BATISMO..............................................................09


1.1Etimologia.............................................................................................................09
1.2 Definição do Termo.............................................................................................10
1.3 Dicionário............................................................................................................12
1.3.1Texto com a palavra lbj no Antigo Testamento de acordo com a LXX.......15
1.3.2 Uso da palavra no Novo Testamento.........................................................19
1.4 O pensamento Batista na forma Batismal............................................................19

II ASPÉCTO HISTÓRICO DO BATISMO................................................................21


2.1 A doutrina do Batismo na História........................................................................21
2.1.1 O Pensamento e as controvérsias de Agostinho a Respeito do Batismo.25
2.2.2 Pensamento de Lutero a Respeito do Batismo.........................................28
2.2 O batismo e a Igreja Católica Apostólica Romana...............................................30
2.2.1O Batismo Infantil na Igreja Católica Apostólica Romana...........................30
2.2.2 Argumento Católico para o Batismo como Sacramento.............................31

III . ASPECTO DO PACTO.......................................................................................33


3.1 O Batismo a Luz das Escrituras.........................................................................33
3.1.1A aliança e o Batismo..................................................................................37
3.2.1Batismo e Circuncisão................................................................................43

CONCLUSÃO............................................................................................................57

OBRAS CONSULTADAS....................................................................................................59
7

INTRODUÇÃO

Esta monografia propõe estudar os elementos básicos da doutrina do pacto


dentro da doutrina da teologia bíblica, e apresentar o desenvolvimento do mesmo
através da Bíblia a ponto de concretizarmos que este pacto é apenas um só, iniciado
no Proto-Evangelho, onde Deus fez uma promessa a Adão e Eva (Gn 3:15) que
levantaria um descendente de Eva para trazer a paz aos homens, e este não era
outro se não Cristo que cumpre cabalmente as exigências da lei e satisfaz de modo
perfeito a justiça de Deus, nos dando novamente a relação íntima que havíamos
perdido em Adão o qual chamamos de pacto da Graça, e que todo este
desenvolvimento aprouve a Deus se revelar através do pacto, e instituir na Antiga
Aliança a circuncisão em Abrão, como sinal visível desta promessa, e assim na
Nova Aliança institui um novo sinal, também visível da graça que nos foi alcançada e
este sinal é o batismo, mas, permanece ainda a vigência da antiga Aliança. Logo, o
batismo é a substituição da circuncisão e se assim for os nossos filhos tem os
mesmos direitos que os filhos da Antiga Aliança tinham em receber a circuncisão.

Serão apresentados também três aspectos do batismo, o primeiro diz respeito à


forma, onde será observado que não há como tecermos qualquer argumento em
vista simplesmente na etimologia da palavra para praticar a forma batismal, sendo
este o pensamento de algumas igrejas por assim afirmarem; a segunda se refere à
história do batismo infantil na igreja primitiva, apostólica Romana e pré-reforma,
visando dar ao leitor uma perspectiva quanto ao surgimento e controvérsia em torno
esta doutrina; e o terceiro será apresentado o desenvolvimento deste pacto
biblicamente visando dar as linhas gerais da teologia do pacto pelo fato de que a
8

doutrina do pacto é à base da teologia calvinista, e, portanto, a teologia oficial das


igrejas de confissão reformada (CFW), como veremos no corpo desta monografia, e
concluindo na substituição da circuncisão para o batismo.

A abordagem usada será o método indutivo e a elaboração da metodologia do


trabalho foi feita seguindo as orientações da ABNT, o livro utilizado foi do Profº
Augusto Furasté1, em sua 11ª edição 2002.

1
FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas Para o Trabalho Científico, 11ª ed. Porto Alegre:
s.n., 2002.
9

I- ASPECTO BÍBLICO DO BATISMO

1.1 Etimologia

A etimologia estuda a origem das palavras 2 e somente veio a constituir-se em


uma ciência quando Jacob Grimn descobriu as leis da fonética do seu próprio
idioma3.

Quando se estuda um tema tão amplo, como o batismo infantil, é claro que ele
vem inundado de perguntas, controvérsias, dúvidas. E em todo o seu contexto não é
diferente quando se trata da etimologia, ou seja, um ramo da ciência que se dedica a
estudar ou conhecer os vocábulos, sua origem e sua forma. 4
2
s.f. (sXIV cf. FichIVPM) LING 1 estudo da origem e da evolução das palavras 2 disciplina que trata
da descrição de uma palavra em diferentes estados de língua anteriores por que passou, até
remontar ao étimo 3 origem de um termo, quer na forma mais antiga conhecida, quer em alguma
etapa de sua evolução; étimo <a e. de fidalgo é a locução filho de algo>  e. popular LING 1
fenômeno de atração paronímica, que une uma palavra a outra por semelhança fonética e alguma
associação semântica, sem qualquer base no parentesco genético; contaminação, cruzamento
(p.ex., porque o vagabundo "vaga pelo mundo", a etimologia popular "corrigiu" a palavra para
vagamundo; a palavra portuguesa floresta vem do fr. ant. forest, hoje forêt, do b.-lat. forestis
'(bosque) de fora, externo', prov. por influência do português flor) 2 modificação de uma forma
lingüística segundo uma etimologia falsamente presumida [Um caso freqüente é a interpretação
errada da composição mórfica de uma palavra e segmentação injustificada etimologicamente; p.ex.,
o lat.cl. abbatina (vestis) 'veste própria de abade' deu, no português antigo, abatina e, no português
moderno, batina, porque o a foi interpretado como o artigo definido a e foi eliminado da fala das
pessoas iletradas.]  falsa e. LING etimologia construída em bases falsas, sem fundamento
lingüístico, que parte da semelhança formal superficial entre duas palavras para fazer ilações sem
comprovação científica [P.ex., relacionar etimologicamente o português forró à locução inglesa for
all, 'para todos', referente a pretensos bailes (abertos a todos) dados pelos norte-americanos
sediados no Nordeste brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial; a palavra é, na realidade, um
derivado regressivo do português forrobodó, 'baile popular', 'confusão', com abonação de 1899.] 
ETIM gr. etumología,as 'id.', conexo com etulogéó 'analisar uma palavra e encontrar a sua origem',
pelo lat. etymologìa,ae 'id.'; ver étimo e -logia; f.hist. sXIV Etimollisyas, sXV ethemologia, sXV
ethemollagia Dicionário Houaiss. São Paulo: Oliveira distribuidora, L.T.D.A.
3
BARSA.
4
Dicionário Brasileiro Globo.
10

O sentido da palavra que será apresentada é cercada de controvérsia chegando


até dividir opiniões, acerca da forma ou aceitação do Batismo. Mas quando
analisada de forma microscópica e ao mesmo tempo global, esta controvérsia fica
mais clara. Vejamos o que diz a confissão de fé de Westminster a cerca do modo
pelo qual deve ser administrado o batismo:

Não é necessário imergir o batizando na água; mas o batismo é


corretamente administrado aspergindo água sobre o batizando 5.

Respeitaremos de forma cordial aos que assim se opõem ao que será


apresentado.

1.2 DEFINIÇÃO DO TERMO

O batismo é uma lavagem com água. Entende-se toda aquela aplicação de água
que concretiza sua purificação, podendo ser administrado mediante imersão, efusão
ou aspersão. Conforme Charles Hodge assim afirma. “Não é especificamente um
mandamento de imergir, derramar ou aspergir 6.

A definição do termo é especifica para o ato de batizar com ou em água. Fazer


disto um “cavalo de batalha” é no mínimo desnecessário. É fazer do cristianismo o
mais judaico do que o próprio judaísmo, assim afirma Hodge em seu comentário.

O batismo na opinião de alguns é absolutamente necessário para a


salvação, e que, segundo outros é essencial para a membresia da igreja
visível de Cristo, está em franca oposição a toda natureza do evangelho. É
fazer o cristianismo mais judaico do que o próprio judaísmo 7.

5
HODGE. A. A Confissão de Fé de Westminster. São Paulo: Puritanos 1999 p. 456.
6
HODGE Charles Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos2001.p. 1410.
7
HODGE, Teologia Sistemática.op.cit.,p. 1410.
11

Logo, o uso da palavra tanto no Velho Testamento, quanto no Novo Testamento


e nos pais gregos as palavras, e  e seus cognatos são usadas de
forma tão completa que não há autorização alguma, nem razão alguma para
pretender que o mandamento de batizar seja um mandamento estritamente
imercionista.

O batismo se não administrado de maneira responsável, seria fatal a muitos


enfermos e em alguns casos impraticável como na África, na Arábia, que só poderia
ser administrado em longos períodos ou ao final de uma longa jornada, e aos
moradores do Ártico isto seria uma tortura mergulha-los na água gelada.

De modo geral o batismo e o evangelho caminham juntos e se destina a todas as


nações, aos fortes, fracos, robustos, débies aos enfermos e moribundos. O
evangelho como o batismo não se deve limitar as regiões, Mt 28:18-19, seja quente
ou fria, mas deve ser pregado e sua ordenação administrada.

Este ato era um símbolo de purificação, renovação de um pacto, mas não se


pode inferir que o batismo que Paulo falava tenha qualquer associação com algum
ritual de mistério. Esta purificação pagã em sua forma nada tem em comum com o
batismo cristão no Novo Testamento o mesmo afirma Berkhof. As religiões de
mistérios não apareceram no império Romano antes dos dias de Paulo 8.

Sabendo que o Batismo cristão foi instituído por Cristo após a consumação de
sua obra, recebendo a aprovação do Pai e revestido de autoridade, institui o
batismo, desta forma tornou-se compulsório. Sua ordem é esta Mt 28.19-20.

1.3 USO DA PALAVRA lbj E DE ACORDO COM ALGUNS


DICIONÁRIOS.

8
BERKHOF p. 627.
12

Segundo Alexander Ralph H., Phd, professor de línguas e exegese do Antigo


Testamento em Western Conservative Batist Seminary, Portland, Oregon, Estados
Unidos, esta palavra significa, “mergulhar”, imergir. As traduções Bíblicas ASV e a
RSV traduzem da mesma forma, dando como exemplo bíblico idéias como:

Imergir um objeto em outro “Pão” em “vinagre” (IBB; ARA, vinho Rt 2.14


LXX); Êx.12.22 / Lv.4.6 / 17 / 14.6 / 16 / 51; Nm. 19.18 / Dt 33.24.

Usa-se mergulhar, imergir no ritual religioso de purificação em Israel (I Sm 14.27;


Lv 4.6;17;9.9) neste sentido literal da palavra. Sua afirmação é a palavra
geralmente usada pela LXX para traduzir essa raiz. Textos de prova: Ex.12.22; Lv
14.6,16,51; IIRs 5.14; Nm 19.18; Jó 9.31; Dt33.24).9

G.R. Brasley Murray M.A.,B:D:PhD.DD professor do Baptist Theological


Seminary, Louisville. Sua conclusão a respeito do uso da palavra bapto com
respeito à base ritual, é de que não há evidências de que seria esta palavra
comumente usada para os rituais, outras palavras eram mais comuns como, lovo,
lavar (corpo inteiro), e nipto, lavar ou enxaguar parte do corpo, e rhaino, aspergir.10

Luis Alonso Schokell, pontifício Instituto Bíblico Roma, afirma que:

Encontra-se no qual perfeito do hebraico e significa, molhar, untar, empapar,


embeber, banhar-se membros corporais, tecidos, outros objetos 11.

Em Gn. 37.31 usa-se a palavra o lbj


a- (Tabal) significa literalmente tingir em sangue;
b- Dt.33:24 Untar ,banhar com azeite;

9
R. Laird Harris, Gleasom. L. Archa. Jr, Bruce K.walteke.Dicionário Internacional de Teologia do
Antigo Testamento.São Paulo: Vida Nova,1998.
10
O Batismo pertence ao grupo geral de praxes vinculadas com lavar(água). Além das palavras-
chave bapto/baptizo, portanto, que indicam imersão(total na maioria), precisa-se prestar atenção às
ações descritas pelas palavras lauo e nipto, que tratam de lavagens completas ou parciais. BROWN,
Colin. Vida Nova.Novo Dicionário Internacional do Novo Testamento.São Paulo:Vida Nova,1984
11
SHÖKEL, Alonso. Dicionário Bíblico Hebraico Português. São Paulo: Paulus, 1997.
13

c- Ex. 12:22; Lv 4:6.17; 9:9; 14:6; 6:16.51; Nm19:18( Banhar-se).

No Nifal, molhar-se, afundar-se exemplo:


a- Js 3:15.

Já para Charles Hodge esta palavra tem várias conotações como, por exemplo, 12:

a- A palavra  significa:

a. Imergir;
b.Tingir imergindo;
c.Tingir sem levar em conta o modo como se faz. Como se diz de um
lago que é batizado (ou seja, que é tinto) pelo sangue derramado sobre
ele, diz-se de uma roupa que é batizada.Charles 13;
d.Por material corante que cai sobre a mesma;
e.Também significa dourar; e também esmaltar, como quando uma
cerâmica é coberta por alguma matéria vítria;
f. Molhar, umedecer ou lavar;
g.Temperar, como se temperar um ferro candente, e isso se pode fazer
imergindo ou derramando água sobre. Temperado , não
significa mergulhar em óleo;
h.Imbuir. Diz-se que a mente é batizada com fantasias, não mergulhada
nelas, porque é 14

b- Quanto ao uso clássico de  significa:

a. Imergir ou afundar. É usado com freqüência quando se fala de barcos


afundados no mar. Então se diz que foram batizados;
b. Inundar ou cobrir com água. Diz-se que a costa é batizada pela maré
alta;
c. Molhar completamente, umedecer;
12
HODGE Charles Teologia Sistemática. op.cit.
13
HODGE Charles Teologia Sistemática. op.cit. p1410.
14
BROWN apud MEANING, 1984.
14

d. Derramar ou alagar;
e. Ver-se de alguma forma esmagado ou subjugado. Por isso diz-se que
os homens são batizados com vinho  são os
intoxicados, com ópio, com dúvidas, com perguntas difíceis. Do vinho
diz-se que é batizado quando derramado na água 15.

Ainda dentre os dicionários importantes citados temos também o de John D.


Davis, que traz algumas afirmações sobre o uso da palavra vejamos 16.

Os cristãos desde os tempos primitivos têm opiniões diferentes, quanto ao modo


de administrar este sacramento. Conquanto a palavra baptismo, deriva do verbo
grego baptizo, que significa etimologicamente imergir, isto não prova que a imersão
seja indispensável e necessária. Pois é certo que muitos casos há, em que a palavra
batizar não tem o sentido imergir, como em Lc 11.38, e Mc 7.4; As Escrituras, em
parte alguma, descrevem o modo de batizar. Nos tempos pós-apostólicos, o batismo
era aplicado, tanto por imersão, como por afusão. A Igreja Oriental e os protestantes
batistas ainda batizam por imersão enquanto que a Igreja latina em geral batiza por
afusão, e as maiorias dos protestantes usam a afusão ou a aspersão. É de presumir
que ambas as formas eram usadas nos tempos apostólicos. Conforme as instruções
de Cristo deve ser administrado para o nome da Trindade. Os batistas modernos
ensinam que o batismo só deve ser aplicado aos crentes adultos. A Igreja, porém,
desde os mais remotos tempos, o administraram também as crianças que tinham
pais ou padrinhos responsáveis pela sua educação religiosa. Não há duvida que
este uso está de conformidade com o espírito das Escrituras, uma vez que Paulo
ensina expressamente em Gl 3.15-29, que os crentes em Cristo estão sob as
provisões graciosas do pacto, a circuncisão era administrada a criança como sinal
de sua participação nas relações que seus pais tinham com Deus. Os filhos dos
crentes em Cristo tem, portanto iguais direitos à ordenança que tomou o lugar da
circuncisão.

15
Ilustrações de alguns desses usos de palavras podem ser encontrados no THESAURUS de
STEPHEN e no Lexicom de Scapula, e de todos eles nas obras do Dr. Conart e do Dr. Dale que
consideraram seu sentido na questão em debate à luz de suas respectivas posições.
16
DAVIS, John. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1969.
15

É de oportuna a nota que será apresentada, pelo fato de ser expressa pela
própria Editora Batista acerca de seu dicionário:

Reconhecendo a Casa Publicadora batista que o Dicionário da Bíblia de


John D.Davis em muitos sentidos é clássico, e sabedora de que sua
primeira edição há muito, se acha esgotada, logrou acordo com a
Confederação Evangélica do Brasil para lhe editar a segunda. A tarefa é
uma das maiores e ela se empenhou. No entanto, com respeito ao verbete
Batismo, combinamos de lhe juntar breve nota que nos salvaguarde a
interpretação, a nossa, da que a verbete se expõe. Não atribuímos mérito
sacramental ao batismo; temos por certo que não haver dúvida sobre o
significado de ou da prática imercionista no tempo de Cristo e dos
Apóstolos e, por muito tempo, depois destes. Quanto ao batismo infantil não
no aceitamos como doutrina do evangelho de arrependimento e fé pessoal,
ou como substituto da circuncisão. Não obstante, não cremos nem
ensinamos que o batismo deve limitar-se aos adultos; pelo contrário,
insistimos em que o batismo deve ser administrado única e somente aos
crentes em Jesus.Apesar de o articulista, segundo o nosso entender, haver
ferido frontalmente a mais acertada exegese neste caso, dispusemo-nos a
cooperar na publicação desta monumental obra; e esperamos que ela sirva
por muito tempo e a muitas pessoas para melhor aproveitamento da Palavra
de Deus17.

1.3.1 Texto com a palavra lbj no Antigo Testamento de acordo com a LXX:

Gênesis 37:31 Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam


no sangue.

{LXX = (evmo,lunan)
Nem todas às vezes a palavra foi traduzida por Bapto, como neste caso. E é de
bom tom perceber que um ataque de um animal é comum que a roupa fique
manchada de sangue como é percebido pela tradução.

Êxodo 12:22 Tomai um molho de hissopo, molhai-o (ba,yantej) no sangue que


estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que
estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã.

17
DAVIS. John D. Dicionário da Bíblia.Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1960. p75
16

Levítico 4:6 e, molhando (ba,yei) o dedo no sangue, aspergirá dele sete vezes
perante o SENHOR, diante do véu do santuário.

Levítico 4:17 molhará (ba,yei)o dedo no sangue e o aspergirá sete vezes perante
o SENHOR, diante do véu.

Levítico 9:9 Os filhos de Arão trouxeram-lhe o sangue; ele molhou (e;bayen) o


dedo no sangue e o pôs sobre os chifres do altar; e o resto do sangue derramou à
base do altar.

Levítico 14:6 Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o


hissopo e os molhará (ba,yei) no sangue da ave que foi imolada sobre as águas
correntes.

Levítico 14:16 Molhará (ba,yei) o dedo direito no azeite que está na mão
esquerda e daquele azeite aspergirá, com o dedo, sete vezes perante o SENHOR;

Levítico 14:51 tomará o pau de cedro, e o hissopo, e o estofo carmesim, e a ave


viva, e os molhará (ba,yei) no sangue da ave imolada e nas águas correntes, e
aspergirá a casa sete vezes.

Números 19:18 Um homem limpo tomará hissopo, e o molhará (ba,yei) naquela


água, e a aspergirá sobre aquela tenda, e sobre todo utensílio, e sobre as pessoas
que ali estiverem; como também sobre aquele que tocar nos ossos, ou em alguém
que foi morto, ou que faleceu, ou numa sepultura.

Deuteronômio 33:24 De Aser disse: Bendito seja Aser entre os filhos de Jacó,
agrade a seus irmãos e banhe (ba,yei) em azeite o pé.

Josué 3:15 e, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os seus
pés se molharam (evba,fhsan) na borda das águas (porque o Jordão transbordava
sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega),
17

Rute 2:14 À hora de comer, Boaz lhe disse: Achega-te para aqui, e come do pão,
e molha (ba,yeij) no vinho o teu bocado. Ela se assentou ao lado dos segadores, e
ele lhe deu grãos tostados de cereais; ela comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou.

1 Samuel 14:27 Jônatas, porém, não tinha ouvido quando seu pai conjurara o
povo, e estendeu a ponta da vara que tinha na mão, e a molhou (e;bayen) no favo de
mel; e, levando a mão à boca, tornaram a brilhar os seus olhos.Nota. A vara não foi
submersa.

2 Reis 5:14 Então, desceu e mergulhou (evbapti,Sato) no Jordão sete vezes,


consoante a palavra do homem de Deus; e a sua carne se tornou como a carne de
uma criança, e ficou limpo.

2 Reis 8:15 No dia seguinte, Hazael tomou um cobertor, molhou-o (e;bayen) em


água e o estendeu sobre o rosto do rei até que morreu; e Hazael reinou em seu
lugar.

Jó 9:31 mesmo assim me submergirás (e;bayaj) no lodo, e as minhas próprias


vestes me abominarão.

OS PÉS NA ÁGUA (JS 3.15); Conforme o dicionário Hebraico-Português e


Aramaico. Elaborado por, Nelson Kisrt, Nelson Kilpp, Milton Schwantes, Acir
Raymann e Rudi da editora sinodal. A palavra, huq, significa fim extremidade,
portanto os pés chegam ao fim do rio ou na sua extremidade, retirando qualquer
idéia total de imersão, vejamos o texto na versão RA.

e, quando os que levavam a arca chegaram até ao Jordão, e os seus


pés se molharam na borda das águas (porque o Jordão transbordava sobre
todas as suas ribanceiras, todos os dias da sega.

Portanto huq (qatseh) tem um sentido negativo logo os pés não chegaram a entrar
na água.
18

Por tanto as palavras são de uso infrequente na versão grega do Velho


Testamento. No capítulo quinto do segundo livro dos Reis temos a história de
Naamã, o sírio, que foi ao profeta para ser curado de sua lepra. “Então, Eliseu lhe
mandou um mensageiro, dizendo: Vai lava-te sete vezes no Jordão” (v.10) “Então,
desceu e mergulhou,no Jordão sete vezes, consoante a palavra do
homem de Deus” (v.14). O único interesse especial desta passagem é a prova que
ela oferece de que o batismo e a lavagem são coisas idênticas.

Em Daniel 4.33 lemos que o corpo de nabucodonosor “foi molhado (batizado)


(), LXX, v.30) com o orvalho do céu”. Aqui a idéia de imersão é excluída
totalmente.

A palavra (), quando significa imergir, não inclui necessariamente a idéia


de imersão total. Ás vezes tudo o que se quer expressar com a palavra é um mero
toque ou a imersão parcial; como em Levítico 4.17 : “Molhará ( o dedo no
sangue e a aspergirá sete vezes perante o Senhor, diante do véu”. Levítico 14:6
“Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim e o hissopo e os
molhará, ( no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes”,
Todas essas coisas não podiam ser imersas no sangue de uma ave. Boaz disse a
Rute, à hora de comer: “Molha, ( no vinho teu bocado”(Rt 2.14). Josué
3.15: “E, quando os que levavam a arca chegaram até o Jordão, e seus pés se
molharam, (), na borda das águas”. I Samuel 14.27-“Jonâtas... estendeu a
ponta da vara que tinha na mão e a molhou, ( no favo de mel”. Salmo 68.23
(24): Para que banhes, ( o pé em sangue, e a língua de teus cães tenha seu
quinhão dos inimigos”. Tais exemplos provam que até mesmo () tal como
usado na Septuaginta, não inclui, quando significa imergir, a idéia de imersão
completa 18.

18
HODGE. Teologia Sistemática. op.cit., p.1412.
19

1.3.2 Algumas palavras com outros significado no Novo Testamento.

A palavra (),é usada quatro vezes no Novo Testamento, e em nenhuma


passagem expressa a idéia de imersão total. Em Lucas 16.24: “Manda a Lázaro que
molhe (), em água a ponta do dedo e me refresque a língua”. Quando se molha
a ponta de um dedo com água, ele não é imerso. João 13.26 fala duas vezes de
molhar o bocado ()e (. Mas um bocado segurado com os dedos
só é imerso de maneira parcial. Em Apocalipse 19.13, o significado óbvio das
palavras ( é: “Está vestido de uma
roupa tinta de sangue”. A alusão é provavelmente a Isaías 63.1-6: “Quem é este que
vem de Edom, de Borza, com vestes de vivas cores?... Porque está vermelho o
traje, e tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar? O lagar, eu o pisei
sozinho... pisei as uvas na minha ira; no meu furor, as esmaguei, e seu sangue me
salpicou as vestes e me manchou o traje todo”.

1.4 O PENSAMENTO BATISTA NA FORMA BATISMAL.

Segundo os batistas o mergulho ou a imersão, seguida emersão, é a única forma


correta da ministração do batismo, e sem o qual o batismo tornou-se infundo
perdendo assim o seu valor, pelo fato que este é o único modo real que simboliza a
morte e ressurreição de Cristo.

Conforme Grudem a forma correta do batismo no Novo Testamento é a imersão


completa dentro da água19.
Argumentos favoráveis para o batismo por imersão: A palavra grega Batptizo
significa, mergulhar, afundar, imergir. Logo este significado deve ser obedecido
dentro e fora da Bíblia, a palavra ou modo imergir é observado em várias passagens
bíblicas Mc 1.5-10; Jo 3.23; At 8.36-39.

19
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova,1999. p. 815.
20

O termo batismo significa união em Cristo em sua morte sepultamento e


ressurreição (Rm 6.3-4; Cl 2.12). Outro autor que compartilha com esta idéia é R.N
Champlim “João Batista imergia os convertidos no rio Jordão (Mc 1.4-5)”.

O que é essencial para os batistas não é rito propriamente dito, mas aquilo que
simbolizava pelo rito.

Como foi sistematicamente expresso nos capítulos anteriores, não há como


aplicar este termo à imersão, para que o batismo tenha aceitação, do contrario ele
não seria aceito.
21

II- ASPECTO HISTORICO DO BATISMO

2.1 A DOUTRINA DO BATISMO NA HISTÓRIA

Durante os primeiros anos de vida da Igreja, os cristãos escreviam uns aos


outros e discutiam normalmente alguns problemas ou alguma questão específica da
comunidade cristã.

No fim do segundo século e no princípio do terceiro, floresceu uma geração


notável de pensadores cristãos. Isto ocorreu devido o desafio de combater heresias
que estavam entrando no seio da igreja como o gnosticismo, maniqueísmo,
platonismo e outros.

Mas durante a segunda metade do século segundo, diante dos desafios dos
gnósticos e de Márcion, foi necessário que alguns cristãos levantassem em defesa
da fé e da doutrina. Assim surgiram os primeiros escritos que nos dão uma idéia da
totalidade da teologia cristã nos primeiros séculos. Estes escritos são as obras de
Irineu de Leão; Clemente de Alexandria e Orígenes de Alexandria.

Já no tempo dos chamados pais da fé, o batismo era um rito ou iniciação na


igreja, pois pareciam inferir crer na regeneração batismal. Não aceitava o batismo
como essencial à nova vida e sim como consumação do processo de renovação.
Não havia ainda a questão de como o batismo deveria ser administrado por imersão,
aspersão ou efusão, mas ao passo que todos deveriam ser batizados em o nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo. E esta tarefa de defender a fé e a doutrina, diante
de ataques heréticos produziu uma das mais notáveis obras teológicas do segundo
século. E ainda no terceiro e no quarto não faltou quem continuasse essa tradição.
Possivelmente uma das mais antigas apologias que chegou ao nosso tempo é o
“Discurso a Diogneto” cujo autor não se tem muita informação. Pouco depois antes
do ano 138, Aristides compôs outra apologia e o mais famoso apologista Justino, o
Mártir, como também um discípulo de Justino, Tarciano, e pela mesma época
22

Atenágoras e tantos outros como Teófilo, Policarpo, intensificaram suas apologias,


em defesa da fé cristã.

Encontramos o batismo infantil na época pós-apostólica, como era de se esperar,


pois era a continuação de costume apostólico, como diz Orígenes.

Irineu bispo da Igreja primitiva, ele mesmo relata que ouviu com grande interesse
as instruções de Policarpo, que foi discípulo de S. João, o apóstolo amado. O
mesmo Irineu, nos seus “Cinco Livros contra as Heresias” diz o seguinte: “Ele
(Cristo) veio para salvar todas as pessoas por si mesmo; todas, digo eu, que por Ele
renascem para Deus (renascuntur in Deum); infantes, crianças, jovens e pessoas
idosas20”.

Vejamos o que afirma o Dr.Fairchild, a respeito deste assunto comentado por


Ireneu:

A frase renascem para Deus era empregada por todos os antigos santos
padres da Igreja com referência ao batismo com água, de acordo com a sua
interpretação das palavras de Jesus: "Em verdade, em verdade te digo que,
se alguém não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de
Deus”. Não concordamos com a sua interpretação dessa passagem, mas
estamos apenas mostrando o sentido em que empregavam a expressão,
renascem para Deus. O próprio Irineu nos conta o sentido, que davam a
essas palavras. "Cristo” diz ele, "confiando aos discípulos o poder do
regenerar para Deus, disse-lhes: Ide e ensinai a todas
nações,batizando-as. (Livro III - cap. 19). Por semelhante modo, Justino,o
Mártir, falando da recepção de candidatos ao batismo, diz: "EIes são
regenerados; porque são lavados com água em nome do Pai e do Filho e
do Espírito Santo”. (Apol. I, ad Ant. Pium). É, justo, portanto, concluir que
Irineu se refere a pratica da igreja primitiva de batizar crianças". 21

Tertuliano foi um piedoso escritor do terceiro século da era cristã. Nasceu uns
cinqüenta anos após os tempos apostólicos, e era de origem pagã, mas abraçou o
cristianismo. Ensinou que o batismo purifica de todos os pecados cometidos até a
data do batismo. Aconselhou, portanto, ou pelo menos, até que passasse a idade
critica das tentações, que pessoas como solteiros, viúvos e criança não fossem

20
LANDES, Phlippe. Estudo Bíblico Sobre Batismo de Crianças. São Paulo: CEP, 1979. p.83
21
LANDES, op. cit.,1979.p.84.
23

batizados, pelo que poderia ainda pecar pelo seu desejo carnal, já que o batismo
poderia purificar os pecados anteriormente cometidos , seria melhor então batizar
estas pessoas após uma decisão já testada e aprovada onde, os pecados da vida
passada podiam ser purificados de uma só vez. Citamos as suas palavras:

Portanto, de acordo com a condição e a disposição de cada um, e de


acordo com a idade é mais proveitoso adiar o batismo, especialmente no
caso das criancinhas.22

Do testemunho de Tertuliano é fácil perceber que o costume de batizar crianças


já existia no seu tempo e que os seus conselhos para adiar o batismo de crianças
não foram dados porque julgasse que esse batismo fosse contrário aos ensinos
apostólicos, mas tão somente por causa da sua idéia heréticas de que as águas do
batismo purificavam do pecado.

Obteremos ainda o testemunho de Orígenes célebre escritor cristão que nasceu


em Alexandria uns oitenta e cinco anos depois da morte do último apóstolo; viajou
pela Itália, Grécia, Capadócia, Síria e Palestina. Portanto conhecia as igrejas dessas
localidades, como também os seus usos e costumes. Vejamos o que diz sua em
homilia sobre Levítico:

Visto como o batismo da Igreja é administrado para o perdão de


pecados, as crianças também são batizadas de acordo com o uso da Igreja,
desde que, se não houvesse nada nas crianças que exigisse perdão
misericórdia, a graça do batismo lhes seria desnecessária.23

Orígenes também faz a seguinte declaração em seu comentário sobre a Carta


aos Romanos:

Era por esta razão que Igreja tinha dos apóstolos a tradição (ou ordem)
para administrar o batismo às criancinhas. Porque aqueles a quem foram

22
LANDES, op. cit.,.p. 85.
23
LANDES,op.cit.,p.85.
24

confiados os mistérios divinos sabiam que existe em todas as pessoas a


poluição natural do pecado, que deve ser apagada pela água e pelo
Espírito24.

O historiador batista Alberto Newman se vê obrigado, pelos fatos, a fazer a


seguinte admissão:

Crendo que as crianças nascem no mundo contaminadas pelo pecado e


que, portanto, precisam de remissão de pecados, Orígenes falou
favoravelmente ao batismo de criancinhas como bem estabelecido costume
das igrejas (A Manual of Church History, vol. I, pág. 285). Sim costume das
igrejas e Orígenes afirma, ainda mais, que era costume apostólico e ele,
mais do que muitos outros teve magníficas oportunidades para conhecer a
realidade dos fatos.25

Além dos relatos dos pais da igreja, que nos servem como testemunho, temos
ainda relatos do concílio de Catargo, do ano 252, um período próximo à época dos
apóstolos. Esse concílio se compunha de sessenta e seis bispos ou pastores do
Norte da África e foi presidido por Cipriano, o mártir. Um pastor da região rural, por
nome Fido, fez ao concilio uma consulta, se uma criança poderia ser batizada antes
do oitavo dia após o seu nascimento. Parece então que era costume batizar as
crianças ao oitavo dia, imitando, desse modo o tempo marcado para a circuncisão
de meninos. O concílio não pôs em dúvida o direito apostólico ou Bíblico de batizar
crianças, mas antes decidiu, por unanimidade, que as crianças podiam ser batizadas
antes do oitavo dia26.

2.1.1 O Pensamento e as Controvérsias de Agostinho a Respeito do Batismo

A discussão entre Santo Agostinho e os seus contendores revela o fato de que,


no seu tempo, o batismo infantil era prática geralmente adotada na Igreja e que

24
LANDES,op.cit., p.13.
25
Ibedem, p.13.
26
LANDES,op.cit., p.87.
25

ainda não existia nenhuma corporação eclesiástica que negasse o batismo às


crianças27.

É notável a observação que até o século segundo e terceiro a questão


“dogmática” do batismo infantil foi um assunto distante do meio da igreja.
Possivelmente Pelágio tenha sido o primeiro a levantar esta questão, isto já no ano
de 411. A argumentação de Agostinho levantou pensamentos adversos acerca do
batismo infantil não semelhante aos de Pelágio, mas a questão era se crianças têm
fé para serem batizadas.

Na opinião de Agostinho a salvação é obra única exclusiva de Deus que concede


aos que estão predestinados para ela. Todavia foi contra os pelagianos em 411 que
Agostinho escreveu suas obras teológicas mais importantes. Para os pelagianos o
homem nasce sem pecado e que não existia o pecado original, nem uma corrupção
da natureza humana que nos obriga a cair. Desta feita as crianças não têm nenhum
pecado até que elas mesmas individualmente decidam pecar.

Levantou-se então a questão entre Agostinho e Pelágio, se as crianças deveriam


ou não ser batizadas. Os pelagianos afirmavam que as crianças não deveriam ser
batizadas por não haverem pecado. A questão para os pelagianos não era se as
crianças podiam ter fé para receber o batismo e sim que elas não tinham pecado,
por este motivo não deveriam receber o batismo.
Para combater isto Agostinho destacava o fato de que “era costume da igreja
batizar crianças e que por isso os pelagianos estavam dizendo que toda a igreja
estava equivocada (grifo nosso)28”. Percebe-se então que até o presente momento,
a questão do batismo infantil não era questionada, pois, constituía uma prática
comum da igreja que advinha de nossos pais apostólicos.
Esta controvérsia de Pelágio e Agostinho acerrou-se pelo fato de que, Agostinho
era um defensor do livre arbítrio e Pelágio acreditava que as crianças não tinham
pecado e por isso não deveriam ser batizadas. Pelágio para contra-atacar o dogma
da igreja católica apostólica romana, que ministrava o batismo como meio de
salvação, ele, Pelágio, muniu desta prerrogativa que sem dúvida não era o objetivo

27
LANDES,op.cit., p.88.
28
GONSALES,Justos. A Era dos Mártins. São Paulo: Vida Nova, 1997. p. 165.
26

de Agostinho. Agostinho escreveu esta obra em combate aos maniqueístas, 29 que


proclamavam que Deus era o criador do mal e que não estava no homem o fazer o
bem, contra estes é que Agostinho se levantou, mas nunca desmerecendo a graça
divina para salvação.

Assim como os gnósticos que em eras anteriores ao maniqueísmo explicavam


suas doutrinas com base em observações astronômicas. E boa parte de sua
propaganda consistia em ridicularizar as doutrinas da igreja, particularmente as
Escrituras.

Ensinado por sua mãe Mônica, Agostinho aprendeu que havia um só Deus, e foi
observando os maniqueístas, se tornou um adepto desta doutrina, e questionava a
origem do mal. Observando ao seu redor e para dentro de si, se perguntava de onde
vinha todo o mal que existia no mundo. Abandonou o maniqueísmo após averiguar a
farsa30 de seu líder, Fausto. Foi quando conheceu Ambrósio e se converteu ao
cristianismo.

Muitas de suas obras eram designadas contra os maniqueístas, uma vez que ele
mesmo havia contribuído para a conversão ao maniqueísmo de alguns de seus
amigos e agora se sentia obrigado a refutar as doutrinas que tinha defendido. Por
isso escreveu obras contra os maniqueus que falava da autoridade das Escrituras,
da origem do mal e do livre arbítrio. 31

29
Maniqueísmo:Era uma religião de origem persa, fundada por Mani na primeira metade do séc. III.
Na opinião de Mani a difícil situação humana era causada pelos dois princípios que há em cada um
de nós. Um deles era espiritual e luminoso. O outro a matéria, física e tenebrosa, onde sempre houve
e haverá dois princípios a luz e as trevas. Então para os maniqueístas que através de uma série de
mitos explicam a origem da vida e dos fatos esta concepção projetou sobre a situação humana. A
salvação, então consisti em separar esses dois elementos e preparar o nosso espírito para voltar ao
reino da luz.(Justo Gonzáles A Era dos Gigantes: Vida Nova. O homem compõe de três partes: de
corpo, oriundo do mal, de espírito, oriundo de Deus e de alma insensível, cheia de maus apetites e
dominada por satanás.(Os Pensadores. Santo Agostinho. J. Oliveira Santos e Ambrosio Pina,
Nova Cultural 1999).
30
Quando Agostinho expressava suas duvidas nas reuniões dos maniqueus os outros lhe diziam que
estes problemas era muito profundo, e que só o grande sábio maniqueu , Fausto, lhe daria resposta.
Fausto provou ser uma farsa, cujo conhecimento não era maior que os dos seus mestres.
(GONSALES,op.cit.,p166).
31
Para averiguação do termo” Livre Arbítrio” conferir:Patrística o livre arbítrio, Santo Agostinho.
Editora Paulos São Paulo 1995.
27

Mas com o desenvolvimento da igreja, o cristianismo passou a ser predominante


e as fileiras de igrejas engrossaram não de convertidos, mas de nascidos dentro de
sua esfera e batizados na infância, então se deixou de existir a necessidade de
classes de catecuminos. Porém para instrução destes homens e mulheres, seria
necessário mestres plenamente instruídos, capacitados e disciplinados, para ensina-
los a instruir os seus filhos (batizado) nos caminhos do Senhor. Por isso
encontramos homens como Pantaenus, Clemente e Orígenes, pais que deram
suporte para a igreja primitiva na qual Agostinho se fundamentava.

Vejamos o que Chales Hodge afirma acerca desta classe decatecumino:

Portanto, na igreja primitiva havia uma classe de catecúmenos ou


candidatos para o batismo, os quais se submetiam a um curso regular de
instruções.32

Antes da Reforma os pais apostólicos, consideravam o batismo como um rito de


iniciação na igreja. No caso dos adultos, eles não consideravam o batismo como
absolutamente essencial para a iniciação de nova vida, antes consideravam como
elementos de consumação do processo de renovação. Já o batismo de crianças era
uma prática comum neste período. Pensamento também compartilhado por
Agostinho.

2.1.2 Pensamento de Lutero a Respeito do Batismo

Lutero não foi um individualista nem um racionalista como muitos pensam.


Muitos historiadores deram a impressão de que Lutero havia sido um dos
precursores de tais correntes.(individualista e racionalista) 33.

32
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.p.1421.
33
DREHER.Martim N. Martinho Lutero, Obras selecionadas.Programa de Reformas Escritos de
1520.São Paulo: Sinodal p. 173. os pequenos são socorridos através da Fé alheia, dos que os trazem
para o Batismo.
28

Isto tudo não se adequava com as verdades históricas da vida de Lutero que se
distanciava cada vez mais do racionalismo alemão. Para tanto basta observar suas
referências a “porca razão” e “essa rameira de razão” e quanto ao seu individualismo
se contesta por dois grandes motivos. Primeiro o individualismo era mais poderoso
entre os renascentistas do que no reformador alemão, e em segundo sua própria
influência teológica deixada para as gerações futuras, dando demasiada importância
para igreja, distante de ser um individualista 34.

Para Lutero a palavra de Deus chega até a Igreja através dos sacramentos. Para
que um rito chegue a ser um sacramento tem que ter sido instituído pelo nosso
Senhor Jesus e deve ser um ritual físico das promessas. Portanto, para Lutero há
somente dois sacramentos a ceia e o batismo.

O batismo para Lutero é o ritual da morte para ressurreição do cristão com Jesus
Cristo. Porém é muito mais que um sinal, pois por ele e nele somos feitos membros
do corpo de Cristo. “O Batismo e a Fé andam estreitamente unidos, pois o rito sem
fé não é válido35”.Dizia ele.

Isto, porém não deve ser entendido no sentido de que devemos ter fé antes de
sermos batizados, e que assim não se possa batizar crianças. Se dissermos tal
coisa cairemos no erro daqueles que crêem que a fé é uma obra humana, e não um
dom de Deus. E ao batizar crianças anunciamos que a salvação é um dom de Deus,
e tais crianças ainda são incapazes de entender do que se trata, mas os pais que
levam seus filhos, estes sim, devem crer que isto é estritamente verdade. De Lutero
o seguinte pensamento:

Talvez se oponha ao que acabo de expor o Batismo de crianças, dizendo


que não compreende a promessa de Deus e que não podem ter fé no
Batismo, e que por isso ou a fé não é requerida ou os pequenos são
batizados em vão. Digo aqui o que todos dizem: os pequenos são
socorridos através da Fé alheia, dos que os trazem para o Batismo. 36

34
DREHER,op.cit.,.p. 173.
35
DREHER,op.cit., p.173.
36
DREHER,op.cit.,.p387.
29

Lutero, sempre enfático e nunca temeroso, abre mais uma controvérsia com a
igreja de Roma, o que está em questão nesta controvérsia é a autoridade Papal
sobre os cristãos, que não é o caso deste trabalho. Mas nesta controvérsia, Lutero
mais uma vez afirma suas convicções acerca do Batismo.

Os Sinais pelos quais se pode perceber exteriormente onde está a igreja


no mundo são o Batismo, o Sacramento (a Ceia do Senhor) e o Evangelho
e não Roma ou este ou aquele lugar. Pois ninguém duvidou que onde está
o batismo e o Evangelho existem Santos, mesmo que fossem só crianças
de berço.37(Grifo nosso).

Martinho Lutero rejeitou a idéia romana que o sacramento é eficaz por si mesmo,
o conceito, (ex opere operato) e ao mesmo tempo rejeitou o conceito dos
escolásticos (Tomista) da essência de um poder inerente na água. Lutero também
criticou energicamente os entusiastas, que desprezavam o ritual externo. Nem tão
pouco depende o efeito do sacramento da presença da Fé naquele que é batizado.
Os que recebem o batismo sem ter fé não precisam ser batizados novamente
quando chegarem a crer. Lutero aceitou, manteve e justificou o batismo infantil
afirmando que a salvação obtida por Cristo também diz respeito às crianças.

2. 2 O BATISMO E A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

De acordo com o N.T. os ensinamentos das igrejas protestantes, a respeito dos


sacramentos fora instituídos por Cristo. No cenáculo, na última noite com seus
discípulos Cristo institui a Ceia do Senhor (Lc 22:19).
Depois da sua ressurreição Ele também institui especificamente o batismo como
sacramento. A igreja de Roma ou Católica Apostólica Romana acrescentou outros
cincos sacramentos de modo que agora já não são mais dois como assim foi
compulsoriamente determinado por Cristo e sim sete que são: batismo, confirmação,
eucaristia, penitencia, extremunção, casamento, as ordens (ordenação de
sacramentos e consagração de freiras).

37
DREHER,op.cit.,.p173.
30

A igreja Romana defende como regra instituída que cinco destes sacramentos
tem de ocorrer na vida de seus devotos, a confirmação, a missa, a penitencia, a
extremunção e o batismo. Estes são indispensáveis à salvação. Estes fatos se
deram no concílio de Florença, no ano de 1439, que mais tarde o Concílio de Trento
declarou: “Se alguém declarar que os sacramentos da nova lei não foram instituídos
por Jesus Cristo, Nosso Senhor; ou que eles são mais ou menos do que sete, a
saber, batismo, confirmação, eucaristia, penitencia, extremunção ordenação e
matrimonio; ou mesmo que qualquer um destes sete não é verdadeiro e
apropriamente um sacramento, que seja anátema”. Quero me ater apenas ao
sacramento do Batismo conforme proposta dada onde será apresentado o
pensamento católico sobre este assunto embora sabendo que seja ele espúrio do
pensamento reformado.

2.2.1 Batismo Infantil na Igreja Católica Apostólica Romana

A igreja de Roma, desvirtuou tanto o sentido do batismo que trocou seu real
valor como ordenação simbólica, para uma representação mística a fim de produzir
regeneração através do ato de um perdão para todos os pecados passados. Deste
modo a igreja católica formulou uma nova doutrina dentro do seu próprio
pensamento. Um batismo pré-natal visando que todo aquele que nascer deve ser
batizado para que sua alma seja livre da maldição e condenação eterna, a isto se
costumava batizar a criança ainda no ventre de sua mãe para livra-la de todo e
qualquer mazela que uma gravidez complicada possa trazer. Por causa disto eles
inverteram um terceiro reino o Limbus Infantum, para onde vão as crianças não
batizadas onde ficam excluídas do céu, mas não sofrem nenhuma dor. Assim afirma
o catecismo de Trento “As crianças se não forem regeneradas para Deus através da
graça do batismo, quer seus pais sejam cristãos ou infiéis, nascem para a miséria e
perdição eterna”38.

2.2.2 Argumento Católico para o Batismo como Sacramento


38
LORAINE, Boettner Catolicismo Romano. São Paulo: IBR, 1985.
31

A igreja católica faz do batismo um dos seus sacramentos, uma das mais visíveis
operações do Espírito Santo. Pensamento contrário no que diz respeito às
Escrituras, onde, não há salvação nem transformação da alma segundo a imagem
do Cristo (Rm 8.23), “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”, não há
qualquer mérito salvífivo no ato do batismo e a salvação vem acompanhada por uma
visível transformação do ser ou santificação, “Segui a paz com todos e a
santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”, (Hb. 12.14)
O sacramento, embora envolva a matéria ou homem, também tem uma função
espiritual mediante a determinação de Deus. Deus toca nos homens através da
matéria e de rituais visíveis; esses veículos transmitem a graça Divina.

A palavra Sacramento vem do latim sacramentun onde a Vulgata Latina traduziu


esta palavra mistérion (Ef. 1-9; 3-2; Cl. 1.26; I Tm 3:16; Ap 1.20; 17.7). ou seja um
sacramento pode também ser um santo mistério contendo elementos ocultos ou
difíceis de entender.

Para a igreja de Roma o sacramento é um rito instituído por Cristo ou pela igreja
como ritual externo e visível da graça interna e espiritual. De acordo com a teologia
Romana, os sacramentos têm sua eficácia com base na vontade Divina. Eles
operariam de modo como é chamado por sua teologia, ex opere operato, ou seja,
pela graça e pelo poder divino sem importar quão indigno seja o ministrate que
realiza o rito, e é claro sem a operacidade da fé dada por Deus aos homens 39.

III- ASPECTOS DO PACTO

3.1 O BATISMO A LUZ DAS ESCRITURAS.

39
LORAINE,op.cit.,1985.
32

Para compreendermos o batismo infantil a luz das Escrituras, faz-se necessário


enveredarmos em alguns termos como aliança, pacto, circuncisão, Testamento e o
próprio termo batismo, como anteriormente dito.

Onde cada termo será claramente explicado conforme ocasião necessária. A


princípio trataremos das naturezas das alianças Divinas.

O escritor e pastor Robertson Palmer ao definir aliança em seu livro Cristo dos
Pactos, utiliza uma linguagem que diz “definir aliança é como pedir definição de
mãe”40. O termo é claramente descrito nas Escrituras com clareza como Deus entrou
em relação divina com indivíduos como, por exemplo, com Noé (Gn 6:18), Abraão
(Gn. 15:18), Israel (Ex 24:8) e Davi (Sl 89:3).

O desenvolvimento do nosso tema parte de uma idéia de que toda a história da


salvação do homem nasce a partir de um pacto que Deus fez com Adão, (isto
pensando em termo histórico, porque o pensamento reformado afirma que somos
supralapsarianos41). E partir daí essa história é contada como uma administração
das bênçãos deste pacto durante todas as épocas de existência do homem sobre a
igreja.

Um pacto é um contrato firmado entre duas pessoas que podem estar num
mesmo pé de igualdade ou não. Nesse contrato as duas pessoas estão obrigadas
por uma lei a cumprir suas partes no contrato. O contrato possui recompensa aos
cumpridores e ao mesmo tempo punição para os infratores da lei do contrato. Se há
uma lei neste contrato, então há também uma condição a ser cumprida dentro do
mesmo. O que devemos esclarecer antes de qualquer explanação do assunto é que
há uma grande diferença entre um pacto feito entre dois homens e um pacto feito
entre Deus e o homem. Os homens estão num mesmo pé de igualdade, mas nunca
estarão numa igualdade com Deus (BERKHOF).

40
ROBERTSON, Palmer. Cristo dos Pactos, São Paulo: Luz Para o Caminho,1997. p. 7
41
HODGE. A. A op.cit., p720. Toda humanidade perdeu, pela queda, a comunhão com Deus, e que
se acha sob a ira da maldição, e Deus por seu mero beneplácito, elegeu alguns para a vida eterna,
antes da fundação do mundo.
33

Isso nos leva à conclusão que num pacto firmado entre Deus e o homem, é
sempre Deus quem estabelece os termos do contrato, e ao homem compete apenas
o cumprimento de tais termos e Deus cumpriu as suas exigências dentro deste
pacto.

O primeiro pacto é chamado pela teologia de Pacto das Obras, pois nele o
homem teria de fazer algo para conquistar a vida eterna. Esse pacto é nitidamente
percebido nas palavras de Gn.2:17. A obra que Adão teria que realizar era apenas
obedecer à ordem do Senhor, isto é o que afirma a confissão de Fé de Westminster.

O primeiro pacto feito com o homem foi um pacto de obras, no qual a


vida foi prometida a Adão e, nele, aa sua posteridade, sob a condição de
perfeita pessoal obediência42.

Algo muito importante que precisa ser mencionado aqui é a presença da Lei de
Deus que estava no Pacto das Obras. Essa Lei era, na verdade, os princípios da
vontade divina para uma relação pactual, e é vital que Deus sempre imponha a lei
para o relacionamento entre Ele e o homem pecador. Ninguém pode viver em
comunhão com Deus ignorando essa Lei. A diferença da Lei no pacto com Adão era
que essa lei resumia todas as exigências divinas em um só mandamento: a
obediência a uma ordem. Mas a história da salvação não começa com o pecado, e
sim com a Lei de Deus que só pode se relacionar com Suas criaturas, mesmo sem
pecado, através de uma Lei que regule o relacionamento entre duas partes tão
distintas como são Deus e o homem.

Ora, como seria estabelecida uma relação de vida entre o Deus que é toda
santidade e justiça, de natureza infinitamente superior ao homem, e o homem, uma
criatura, com a possibilidade infinitamente inferior ao seu Criador, se não fossem
dadas às condições de serem satisfeitas as exigências divinas para essa relação?

42
HODGE. A. A op.cit., p 169.
34

Devemos acrescentar que não era o mero cumprimento de uma lei que fora dado
como garantia de vida eterna ao homem. A Lei em si mesma, não foi dada como
fonte da vida eterna, pois ela é apenas um meio no pacto para viabilizar as relações
do pacto. Deus tinha como objetivo através do cumprimento da Lei assegurar a vida
eterna ao cumpridor, mas após a queda essa mesma Lei só pode garantir ao
homem uma coisa: sua condenação, (Gl. 3:13).

Essa relação legal que conduz à vida eterna, por causa da queda. Foi transferida
para um outro pacto não mais com o homem no sentido de que ele cumpra no pacto
sua parte numa relação legal com Deus, mas agora relação legal é estabelecida
com Jesus, o Fiador daquele antigo pacto de obras. Paulo, chama a Jesus de
Segundo Adão, dando-nos a entender que o que Jesus conquistou por sua
obediência foi aquilo que Adão havia perdido: o direito à vida eterna, e
relacionamento íntimo com Deus. (Rm5:12-21).

A pergunta que geralmente se faz é: Como eu posso ser responsável e ser


punido pelo pecado que não foi meu? Na verdade, eu não sou punido pelo pecado
de Adão, mas sim pelo meu pecado em Adão, pois estávamos em Adão no Pacto,
na queda e na sua morte (I Co 15:22). Logo seu pecado é nosso pecado, sua
transgressão é nossa. Esse pecado ao qual Paulo se refere é a nossa transgressão
em Adão, e não nossos pecados diários, nem tampouco se refere à morte como
castigo pelos nossos pecados cometidos por termos seguido “o exemplo de Adão”.
Isso quer dizer que a morte foi imposta como castigo sobre aqueles que não
pecaram como Adão (as crianças). Se o homem não trouxesse já em si mesmo a
culpa da transgressão de Adão ele só morreria a partir da idade em começasse a
pecar, pois Rm. 5:12 afirma claramente que a morte é fruto do pecado, mas as
crianças não estão isentas do pecado, vejamos o que diz as Escrituras: Eis que em
iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”.Sl 51:5. Logo todas
as crianças herdam o pecado de Adão, pelo fato de que toda raça humana herdou e
as crianças não estão destituidas deste fato, assim afirma as Escrituras em Rm 8: 23
“pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”

Onde há a ira de Deus há o pecado, pois Deus não condena inocentes. Mesmo
os eleitos para a salvação, nascem debaixo da ira e mortos espiritualmente até que
35

sua culpa seja retirada quando da sua justificação pela fé em Cristo Jesus.
Poderíamos então dizer que as crianças também nascem condenadas? E se vierem
a morrer? A isto respondemos que os infantes eleitos são salvos pela justificação da
fé, conforme nos ensina Paulo, mas como as mesmas não podem exercer fé como
um adulto? Sabemos que Deus também as elegeu e se às elegeu, certamente que
Ele providenciou um meio de salvação pela justiça de Cristo para os que não podem
responder à vocação externa.

Observemos o desenvolvimento predito pelos profetas a respeito da vinda dos


dias da nova aliança (Jr 31:31), Cristo mesmo falou da última ceia em linguagem de
aliança (Lc. 22:20). Mas o que este termo tem haver com batismo infantil?

3.1.1 A Aliança e o Batismo

Aliança significa, portanto uma decisão irrevogável, que não pode ser cancelada
por pessoa alguma. Uma condição prévia de sua eficácia diante da lei é a morte do
seu testador, portanto, deve ser claramente distinguido de contrato. 43
Já no Antigo Testamento esta palavra representa grande variedade de acordos,
que nosso caso não será necessário a explicação de todos eles.
Nos prenderemos a trabalhar o tema dentro do assunto pré-adotado “A natureza
das Alianças Divinas”. Para este tema usaremos a definição de Robertson, para
Aliança:

A aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado quando


Deus entra em relação de aliança com os homens Ele de maneira soberana
institui um pacto de vida e morte”.44

43
BECKER. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vl 1. p.139.
44
ROBERTSON. op.cit.,p10.
36

Em seu aspecto mais alto ou abrangente, aliança é aquilo que une pessoas
como um grande laço. Todavia o uso contextual do termo nas Escrituras consiste, de
maneira bem categórica, no sentido de “pacto”.

O elemento essencial ao estabelecimento de todas as alianças divinas nas


Escrituras é a declaração do pacto que está sendo estabelecida. Deus
graciosamente se relaciona com suas criaturas ao declarar sobre qual base se
relacionará com sua criação.

Resumindo, a aliança estabelece compromisso de uma pessoa com outra que


nas Escrituras é feita de várias formas:

a) um juramento verbal (Gn. 21:23; 24; 26; 31-31; 53/ Ex. 6:8);
b) concessão de uma dádiva (Gn. 21:28-32);
c) comer uma refeição (Gn. 26:28-30; 31:54/ Ex.24:11);
d) o erguer um memorial (Gn 31:44/ Js. 24:27);
e) o aspergir de sangue (Ex. 24:8);
f) oferecimento de um sacrifício (Sl. 50.5);
g) o passar debaixo de um cajado (Ez. 20:37);
h) O dividir de animais (Gn. 15:10;18)45.

A presença de sinais em muitos das alianças bíblicas também enfatiza que as


alianças unem as pessoas como o arco-íris, a circuncisão, o sinal do sábado. E é
neste ponto onde fixaremos o nosso foco para alicerçarmos o batismo infantil como
uma extensão do pacto feito a Abrão, e como sinal, foi estabelecido a circuncisão
como sinal visível desta aliança então surge uma nova pergunta: A circuncisão deve
ser apregoada em nossos dias? Decididamente, não! Mas será explicado de
maneira objetiva sem obscuridade para não ocorrer erros doutrinários.

Ao comentar o termo aliança, deve ser primeiramente entendido o significado dos


termos Testamento e Aliança.

45
ROBERTSON. op.cit.,p10.
37

O conceito do Velho Testamento sobre aliança não deve ser reinterpretado em


termos de um Testamento e disposição de última vontade 46.

A relação do povo no Velho Testamento com Deus, não era de um testamento e


sim de uma aliança.

Aliança é aquilo que une pessoas através de juramento e simbolismo como, por
exemplo, no casamento é feito um juramento e estabelecido um sinal deste
juramento que é uma aliança.

O ponto máximo de confusão entre estes dois conceitos decorre do fato que
ambos relacionam-se com morte. A morte é essencial para ativar o testamento e
disposição de última vontade, quanto para estabelecer uma aliança. Mas a
semelhança pára por aí. No caso de uma aliança a morte está no princípio da
relação entre duas partes simbolizando maldição. Já para testamento a morte está
no fim da relação entre as duas partes, efetivando uma herança. Por tanto, a
representação da morte é essencial ao estabelecimento de uma aliança.É no
contexto morte por aliança, não de morte testamentária, que deve ser entendida a
morte de Cristo 47.

Cristo foi um sacrifício substitucional morrendo como substituto do infrator da


Antiga aliança. Paulo em carta aos Gálatas, nos ensina de maneira clara que Cristo
é o cumprimento deste pacto Gl.3:13-22:

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição


em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado
em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em
Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.
Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana,
uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. Ora,
as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos
descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu
descendente, que é Cristo. E digo isto: uma aliança já anteriormente
confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não
a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa. Porque, se a
herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa
que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão. Qual, pois, a razão de ser da
46
ROBERTSON. op. cit., 1997.
47
ROBERTSON. op.cit. ,1997.
38

lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o
descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de
anjos, pela mão de um mediador. Ora, o mediador não é de um, mas Deus
é um. É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo
nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a
justiça, na verdade, seria procedente de lei. Mas a Escritura encerrou tudo
sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa
concedida aos que crêem. Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a
tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de
revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a
Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.

Assim também a nossa Confissão de Fé no cap.VII sessão I e III tem-se:

A distancia entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as


criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, contudo nunca
poderiam fluir nada dele com sua bem-aventurança e recompensa, se não
por alguma voluntária coincidência Por parte de Deus, a qual agradou ele se
expressar por meio de pacto.48
Havendo-se o homem tornado, por sua queda, incapaz de ter vida por
meio desse pacto, ao Senhor aprouve fazer um segundo pacto, comumente
chamado pacto da graça; por meio do qual gratuitamente oferece aos
pecadores vida e salvação mediante Jesus Cristo, requerendo dele fé nele,
para que possam ser salvos; e prometendo dar o Espírito Santo a todos
quantos são ordenados para a vida, a fim de dispô-los e reabilitá-los a
crer.49

Palmer levanta uma questão a respeito do desenvolvimento destas alianças da


seguinte forma:

Devem as alianças ser vistas como compromissos distintivos e


sucessivos que se substituem em seqüência temporal? Ou são as alianças
constituídas umas sobre as outras de sorte que cada aliança sucessiva
suplementa a precedente sem, ao mesmo tempo, suplantar a continuação
do papel do pacto mais antigo entre Deus e seu povo. 50

E esta mesma problemática é por ele mesmo defendida ao afirmar:

48
HODGE.A.A. op.cit..p.169.
49
HODGE.A.A.op.cit.,p.173.
50
ROBERTSON. op.cit., p.28.
39

A evidência cumulativa das escrituras aponta definitivamente em direção


ao caráter unificado das alianças bíblicas. Os múltiplos pactos de Deus com
seu povo unem-se basicamente em um único relacionamento. Pode-se
notar uma linha defendida de progresso. Todavia as alianças de Deus são
uma.51

Qual a conclusão que temos a respeito disto. É que todas as alianças de Deus
com o povo apontam para o cumprimento em Cristo onde Ele, Cristo, estabelece
uma nova aliança, após ser a antiga perfeitamente completa nEle. Este pacto ainda
administrado de forma diferenciado é um só, vejamos o que diz a confissão de Fé de
Westminster:

Este pacto, no tempo da lei, não foi distintamente administrado como no


tempo do Evangelho. Sob a lei, ele foi administrado por meio de promessas,
profecias, sacrifícios, circuncisão, o cordeiro pascal e o outros tipos e
ordenanças entregues ao povo judeu, tudo prefigurando Cristo que havia de
vir, o qual foi naquele tempo suficiente e eficaz, através da operação do
Espírito Santo, para instruir e edificar os eleitos na fé dos Messias
prometido., por meio de quem receberam perfeita remissão dos pecados e
salvação eterna; e o qual se chama Velho Testamento 52.

Na medida em que a História do povo de Deus é estendida, ao separar um povo


para si, Deus estabelece sua aliança com Abraão, conseqüentemente seus
descendentes viveram também sob as alianças Mosaica e Davídica. No
desenvolvimento da aliança com Moisés e Davi, evidências internas indicam que
Deus estava conduzindo a um estágio posterior de desenvolvimento da mesma
redenção que tinha sido prometida antes.

Conforme o comentário de Murray, “A Aliança da Graça”, a respeito do clamor de


Israel a Deus por causa da servidão do Egito, as escrituras dizem que “ouviu Deus o
gemido, lembrou-se de sua aliança com Abrão com Isaque e Jacó” (Ex. 2 :24). A
única interpretação disto é que a libertação de Israel do Egito e a sua introdução no
termo da promessa é o cumprimento da promessa da aliança a Abraão a respeito da
posse da terra de Canaã (Ex. 3:16,17; 6:4-8; Sl. 105:5-12; 42:45; 106:45) 53.

51
ROBERTSON.op.cit., p. 28.
52
HODGE.A.A.op.cit.,p.179.
53
ROBERTSON.apud.MURRAY, 1997. p.29.
40

Ao ver desta monografia, a nova aliança prometida pelos profetas de Israel, não
demonstra uma unidade distinta das demais, pelo contrário a nova aliança prometida
a Israel, representa o cumprimento consumado das alianças anteriores.

A profecia clássica de Jeremias claramente aponta para a nova aliança dita por
Jesus na instituição da Ceia onde a lei de Deus, revelada a Moisés será escrita no
coração, assim como a profecia de Ezequiel 34:20;23;24, refere-se a uma aliança de
paz. A nova aliança não é descrita nas Escrituras como algo desconhecido do povo
do Velho Testamento, ao contrário ele representa a fusão de todas as outras.

O pacto de Deus com os homens antes de Cristo, chamada de Velha Aliança


pode ser caracterizada por “promessa” ou “sombra” da verdadeira aliança e nova
aliança como “cumprimento”, “realidade” e realização“.

Um outro aspecto de desenvolvimento deste pacto ou desejo de Deus escolher


para si um povo exclusivamente seu ao qual se manifestará por meio de sua aliança
é o que muitos teólogos chamam de Protoevangelho em Gn.3:15- 4:25.

Deus não se afastou dos desobedientes, pelo contrário, chega até eles não o
chamando como fizera, antes tornou conhecida a sua presença, e o som de Deus
mostrava a sua soberania, onisciência e onipresença.

Deus pronunciou uma sentença de morte a Adão, Eva e seus filhos. A morte
deve ser entendida no sentido de ser colocado sob a ira de Deus contra o pecado; a
morte representava a separação da Fonte de vida e das bênçãos. Esta sentença de
julgamento seria sobre todo cosmo e seus habitantes até que a pena completa
exigida para a renovação do julgamento fosse paga 54. Quando se fala “paga” refere-
se a maldição instituída pela quebra de uma aliança.

Uma das maiores provas do pacto que podemos encontrar nas páginas do Antigo
Testamento, logo após a queda do homem, é a presença do sangue no culto dos
santos no Antigo Testamento. Todo derramamento de sangue no culto dos crentes
54
GRONINGEN, Van. Criação e consumação,Campinas: Luz Para o Caminho, 2002.p. 141.
41

do Velho Testamento nos indica que a salvação não está mais ao alcance do
homem através de um pacto de obras, mas que o homem deve olhar para Deus e
para o sangue do Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo. Sangue é
exatamente o oposto de obras. Sangue indica fé em algo que está fora de nós, pois
em pecado, o homem não tem mais justiça em si mesmo. Sangue significa uma
cobertura para o nosso pecado, mas uma cobertura que não está em nós. Essa
cobertura é providenciada pelo próprio Deus na justiça de Seu Filho amado.
Derramamento de sangue significa derramamento de uma vida em prol de outra
vida, o que contrasta fortemente com o pacto das obras. Sangue significa que Deus
providenciou a vida de Seu Filho Jesus para ser dada em favor do pecador que já
não pode fazer mais nada em prol de si mesmo, (Jo 10:11,15,17,18). Esse pacto é
chamado pela teologia de Pacto da Graça ou Redenção.

Deus providenciou a restauração de sua criação enunciando sua mensagem


(Proto-Evangelho) de esperança que culminaria em Cristo. Deus intencionou o
método para redimir e restaurar seu reino dos efeitos das maldições e das misérias
que o pecado introduziu e da influencia do reino de Satanás.

Esta revelação ou método que Deus revelou não era outro senão o pacto da
graça, o qual estaria presente e funcionaria dentro dos do pacto da criação. Este
pacto da graça não é outro se não a vinda de nosso Senhor e salvador Jesus Cristo,
um elo de amor e justiça de Deus com seu povo que é estabelecido, de maneira
histórica, após a queda do homem.

Estas alianças iriam permear, entrelaçar, restaurar, fortificar, aperfeiçoar e


conseqüentemente trazer a consumação completa o que Deus pretendeu e iniciou
na sua obra criadora 55.

3.1.2 Batismo e Circuncisão

55
GRONINGEN. op.cit,.p.142.
42

A partir do que até aqui exposto perguntasse: como estado espiritual dos filhos
dos crentes estão intimamente ligadas as questões do batismo infantil? Se os
nossos filhos são herdeiros de promessas espirituais, membros infantis do reino de
Deus, semente santa, cordeirinhos do rebanho de Cristo e “santos”, no dizer do
Apóstolo Paulo (I Cor. 7:14), está claro que não devem ser privados do batismo
cristão, sinal visível dessas preciosas realidades. Deus determinou que as crianças
sejam incluídas em sua Igreja visível. Está confirmado o direito que têm os
pequeninos ao rito de iniciação na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vejamos
Onezio Figueiredo sobre este assunto:

Abraão, ao pactuar com Deus, demonstra uma fé responsável, visto ser


adulto. Sua resposta ao interlocutor divino envolveu seu complexo mental,
racional, cognitivo e volitivo. Mas o selo do pacto, firmado sob declaração
de sua fé racional, foi à circuncisão, perpetuada nos seus descendentes pré
e pos-mosaica, Quem é de Cristo conclui Paulo, é descendentes de Abrão
segundo a promessa56.

Assim continuamos com a convicção de que o batismo é substituição da


circuncisão pelo fato de que as promessas serem as mesmas, Onezio reportasse
ainda sobre este assunto ao dizer:

Os sinais pactuais vetotestamentários não foram suprimidos, mas


substituídos. A páscoa pela ceia do Senhor; a circuncisão, pelo batismo,
ambos como selos da aliança e depois (Rm 6.11; 1Co 5.7; Cl 2.11,12) As
condições de salvação simbolizadas e realizadas são idênticas (Gn 15.6; At
15.8-11; Rm 4.11; Gl 3.6-7; Hb 11.8-9) As promessas que os crentes
esperam que sejam cumpridas, são as mesmas (Gn 15.6; Sl 51.12; Mt
13.17; Jo 8.56Gl 3.14)57.

Assim como Phlippe Landes, julgo bíblica, a seguinte afirmação:

56
FIGUEREIDO,Onezio. Batismo Sinal do Pacto, São Paulo: Secretaria de imprensa e
literatura1993.p.15.
57
FIGUEREIDO.op.cit,. p15.
43

Deus, no pacto que fez com o seu povo, ordenou que as criancinhas,
filhos de pais crentes, fossem incluídas no seu reino visível, aqui na terra,
isto é, na sua Igreja visível, e determinou que o sinal objetivo da inclusão
das crianças na Igreja fosse, na Velha Dispensação, o rito da circuncisão, e
na Nova aliança, a cerimônia do batismo cristão 58.

O eminente historiador batista, Dr. Alberto Henry Newman, afirma: “O batismo, se


simboliza alguma coisa simboliza a regeneração” (História Eclesiástica, Vol.II) 59 .

Estamos de pleno acordo com essa declaração do ilustre historiador, mas não
podemos acompanhá-lo, quando duvida da regeneração de crianças, filhas de pais
crentes, conforme afirma Landes em seu livro. No entanto, continua o
desenvolvimento do pensamento, os próprios batistas crêem na salvação de
menores, que morrem na infância, ipso facto, admitem a sua regeneração, visto que
ninguém pode entrar no reino celestial senão pelo novo nascimento, que é a mesma
regeneração (João 3:3). Assim diz Landes:

A criança “eleita” (grifo nosso), que morre na infância é regenerada e


salva pela obra do Espírito Santo, que, operando nela aplica-lhe os
benefícios da redenção adquirida por Cristo. Salva-se sem uma fé ativa.
Isso é admitido pelos nossos irmãos batistas60.

Mas o que não podemos negar é que as crianças estavam no Êxodo e foram
batizadas independentemente de sua fé. É o que nos afirma as Escrituras conforme
o comentário do Rev. Onezio:

Que as crianças estavam no Êxodo nem mesmo os antipedobatistas


duvidam. Ora, então, tem-se que se admitir que as crianças foram batizadas
tanto quantos os adultos61.

58
LANDES. op.cit,. p12
59
LANDES. op.cit,. p.120.
60
LANDES. op.cit,.p. 13
61
FIGUEREIDO.op.cit,. p. 23.
44

Além disso, as Sagradas Escrituras declaram categoricamente que ninguém se


salva por cerimônias ou ritos religiosos. Diz o apóstolo Paulo: “Em Cristo Jesus nem
a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova
criatura” (Gl.6:15). Uma pessoa poderia ter sido batizada, se não houvesse
experimentado ainda o novo nascimento, pois o batismo é apenas um sinal visível
de uma graça invisível.

Somente depois de Jesus ter assumido nossa pena é que passamos de uma
relação penal para uma relação de Graça. Parece que falamos até agora em dois
pactos, mas chegamos à conclusão de que estamos falando de um mesmo pacto,
ou seja, o Pacto das Obras feito com Adão, que é o mesmo que foi transferido para
a responsabilidade de Jesus e que o chamamos de Pacto da redenção. Para nós,
aquele antigo pacto adâmico não é mais um pacto de obras, mas agora em Jesus
ele tornou-se o Pacto da Graça. Neste pacto tudo nos é concedido de graça. Essas
bênçãos conquistadas por Jesus são comunicadas por meio da regeneração
operada por Deus e segundo a Sua vontade, (Jo 1:13; Jo 6:44).

Os antipedobatistas acham que as crianças não devem ser batizadas, por não
poderem exercer a fé e os pedobatistas mantêm que neste caso, a fé não é
necessária, porque as crianças podem ser regeneradas e salvas sem a fé (pré-
destinação), como acontece com as que morrem sem o batismo ou com ele ( as
eleitas). Se a criancinha pode ser regenerada e salva sem a fé pessoal em Cristo,
também pode ser batizada sem o exercício pessoal da fé, pois o batismo é o
símbolo da regeneração divina e não da fé humana que é apenas um dos produtos
ou resultados da regeneração

Para entender o significado do batismo, podemos contrastá-lo com a santa ceia.


A santa ceia, representa um fato histórico e objetivo, que se realizou já há muitos
séculos, isto é, a morte expiatória de Cristo na cruz do Calvário para obter nossa
redenção. Por outro lado, o batismo representa um fato subjetivo que se realiza
dentro de nós, quando o Espírito Santo de Deus, no ato da regeneração, aplica
individualmente a cada um de nós os benefícios da redenção adquirida por Cristo.
Portanto o batismo representa a salvação aplicada a nós pelo Espírito Santo, já a
ceia representa a obra de Cristo na cruz realizada fora de nós.
45

Na regeneração, o Espírito Santo efetua a nossa união com Cristo, produzindo


em nós uma nova vida espiritual. O batismo com água representa o batismo com o
Espírito Santo, que produz a nossa união com Cristo. O ser batizado em Cristo, de
que fala Paulo em Romanos 6:3, é o equivalente de ser ligado ou unido com Cristo;
a fonte de todas as nossas bênçãos espirituais. O mesmo afirma Stott em seu
comentário de Romanos “ a graça de Deus não somente nos perdoa como também
nos libertar de pecar. Pois a graça, além de justificar, também santifica, Ela nos une
a Cristo”62. E esta fé deve estar perfeitamente entendida nos pais que apresentam
seus filhos ao batismo.

Quando os crentes adultos e batizados apresentam seus filhos para receberem o


mesmo sacramento, afirmam eles a sua fé em Cristo e confirmam a aliança que
fizeram com Deus, que prometeu ser o seu Deus e o Deus de seus filhos. “A
promessa é para vós e para vossos filhos” ensina o apóstolo São Pedro” (Atos 2:39).

Os teólogos da célebre Assembléia de Westminster assim definiram o batismo:”O


batismo é o sacramento no qual lavar com água em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos
do pacto da graça e a promessa de pertencermos ao Senhor”. E, respondendo à
pergunta: “A quem deve ser administrado o batismo?”, preceituaram: “O batismo não
deve ser administrado àqueles que estão fora da igreja visível, enquanto não
professarem a sua fé em Cristo e obediência a Ele; mas os filhos daqueles que são
membros da igreja visível devem ser batizados”. 63

Agora após esclarecimentos passaremos a definir claramente os pontos que


mostramos:

1-Deus fez com o seu povo uma aliança, na qual determinou que os filhos
dos crentes fossem recebidos como membros da sua Igreja visível, por meio de uma
ordenança solene, que no Velho Testamento, se chamava circuncisão e no Novo
denomina-se o batismo cristão;

62
STOTT, John. Romanos, São Paulo: ABU, 2000, p. 205.
63
Breve Catesismode Westminster questão 94.
46

2-A história do povo de Deus, tanto no Velho Testamento como no Novo


Testamento, e também a da Igreja primitiva, (como anteriormente citado), demonstra
que as crianças eram recebidas como membros infantis da Igreja de Deus, e
recebiam o sinal visível dessa inclusão na “comunhão dos santos” 64.

Deus fez um pacto de obras com Adão, que foi por este violado, trazendo,
destarte, a desgraça para todos os seus filhos e descendentes. O mal, todavia, foi
compensado pela promessa de um Salvador. Deus fez outra aliança com Noé,
válida igualmente para sua posteridade, prometendo-lhe não mais destruir os
viventes de sobre a face da terra por meio de um novo dilúvio. O arco-íris foi
escolhido para ser o sinal visível dessa aliança (Gen. 9:8-17).

No Monte Sinai, Deus fez uma aliança com o seu povo, na qual estavam
incluídas as crianças. Mais tarde, esse mesmo pacto foi renovado, nas planícies de
Moab, quando o povo de Israel estava para entrar na terra prometida. Nessa
ocasião, Moisés concita o povo a renovar a sua aliança com Jeová, nos seguintes
termos:”Guardai as palavras desta aliança, e cumpri-as, para que prospereis em
tudo quanto fizerdes. Vós estais hoje todos diante de Jeová, vosso Deus; os vossos
cabeças, as vossas tribos, os vossos anciãos e os vossos oficiais a saber, todos os
homens de Israel, os vossos pequeninos, vossas mulheres, e o peregrino que está
no meio dos vossos arraiais, desde o rachador de tua lenha até o tirador da tua
água” (Dt. 29:9-11). Já se vê, por esta declaração de Moisés, que , na lista dos
agraciados pela aliança de Deus com o povo, foram incluídos os pequeninos.

O mais importante dos pactos que Deus fez na antiguidade foi sem dúvida,
aquele firmado com Abraão, o grande pai de todos os que crêem. E as crianças tem
um lugar proeminente nesse pacto. Ademais, teremos ocasião de ver que esta
aliança ainda está em vigor para nós, que somos os filhos espirituais de Abraão.

Eis os termos da aliança de Deus com Abraão: “Estabelecerei a minha aliança


entre mim e ti e a tua semente depois de ti” (Gen.17:7). Abraão tinha noventa e nove
anos quando foi circuncidado (Gen. 17:24) e isto em sinal da sua justificação pela fé,
já comprovada antes da sua circuncisão (Rom. 4:11).
64
LANDES. op.cit,. p17.
47

Recebeu o sinal da circuncisão, selo da justificação pela fé que teve,


quando ainda não era circuncidado; para que fosse ele pai de todos os que
crêem, ainda que não sejam circuncidados, a fim de que a justiça lhes fosse
imputada; e fosse também pai da circuncisão para aqueles que não
somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas da fé
que teve nosso pai Abraão antes de ser circuncidado.

Ismael tinha treze anos, quando foi submetido ao rito da circuncisão (Gen.
17:25). Isaac tinha apenas oito dias de idade, quando foi circuncidado(Gen. 21:4).
Para que uma pessoa se torne membro da congregação do povo de Deus naquele
tempo, era preciso que fosse circuncidada. O rito de iniciação ou de ingresso na
Igreja visível daquele tempo e de toda a Velha dispensação era a circuncisão, que
era geralmente administrada aos meninos de oito dias de idade (Gen. 17:12; Lev.
12:3; Luc. 2:21; Luc. 1.59; Fl.3:5). Os adultos que vinham de fora se uniam ao povo
de Deus, em virtude da sua própria fé, sendo circuncidados, mas os meninos eram
admitidos, pelo mesmo rito, em virtude da fé professa pelos pais.

As passagens acima citadas tornam claro que desde os tempos antigos, Deus
determinou que as crianças, filhas de pais crentes, fizessem parte da sua Igreja
visível, aqui no mundo. Veremos que esse direito das crianças nunca lhes foi
cassado. Sendo, pois, as crianças membros infantis da Igreja, as têm o direito ao
sinal exterior e visível dessa preciosa realidade que, na Antiga Dispensação, foi a
circuncisão e na Nova aliança é o batismo.

Observemos o relato da conversão do carcereiro At 16: 25- 34.

Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a


Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente,
sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-
se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. O carcereiro
despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da
espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas Paulo
bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!
Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e,
trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora,
disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe:
Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. E lhe pregaram a palavra
48

de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando


deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos
os seus. Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e,
com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus.

É percebido que não somente ele recebeu o sinal da Nova Aliança, mas todos os
sua casa, esta era uma pratica comum nos tempos da igreja primitiva, batizar todos
os da casa, pelo fato de que seus responsáveis (pais) aceitavam Cristo. E seria
pouco provável que em todas as casa não houvesse crianças ou que a elas seria
vetado o direito de receber o batismo. Outros textos também relatam estes
acontecimentos como I Co 1:16; At 16:15.

O batismo na Nova Aliança significa tudo quanto significava a circuncisão na


Velha aliança. É justo, pois, concluir que a circuncisão foi substituída pelo batismo
cristão.

Em nenhuma parte do Novo Testamento encontramos qualquer passagem que


exclua as crianças da Igreja de Deus. Ora, sendo o batismo, na Nova Aliança, o
sinal de inclusão na Igreja, segue-se que os filhos dos crentes hoje, não têm menos
direitos ao batismo do que tinham os filhos dos israelitas à circuncisão?

Paulo que no-lo diz: “Justamente como Abraão creu a Deus, e foi-lhe imputado
para justiça; sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. E no fim
do mesmo capítulo, Paulo afirma:” Se vós sois de Cristo, então sois semente de
Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gal. 3:29). Pedro afirma a mesma verdade,
quando dizia aos três mil batizados no dia de Pentecostes: “A promessa é para vós
e para vossos filhos”.

Em Efésios 2:11-16, encontramos ainda outra declaração categórica de que nós,


os gentios, foram também incluídos na aliança da promessa feita aos da circuncisão.

Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados


incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos
humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade
de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem
49

Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis
longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz,
o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que
estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos
na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo
homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus,
por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade.

Se a promessa, e a aliança que Deus fez com o seu povo, é para nós e nossos
filhos, estes estão incluídos entre os que constituem a Igreja de Deus e tem direito
ao sinal visível desse privilégio.

Há quem afirme que Pedro se refere somente a filhos adultos de crentes em


At.2:39, mas assim não compreenderiam os ouvintes de Pedro, que eram judeus
convertidos, pois eles sabiam que a promessa a que ele aludira era a mesma que
Deus fizera a Abraão e aos seus descendentes e que, portanto, incluiria os filhos
menores de todos os crentes nas promessas. Isaac, e muitos outros meninos de oito
dias apenas foram publicamente incorporados ao povo de Deus, pela circuncisão.

É significativo que o apóstolo Pedro mencione três classes de pessoas às quais


se fez a promessa: (1) Vós; eram os adultos que ouviam a sua pregação, na maioria
judeus e prosélitos do judaísmo, crentes na religião do povo de Deus. (2) Vossos
filhos; isto é, os filhos dos adeptos da religião de Deus.(3) Todos os que estão longe,
a quantos chamar o Senhor nosso Deus; isto é, os demais eleitos de Deus, judeus e
gentios, que haviam de aceitar o Evangelho no futuro 65.

Os filhos de cristãos no Novo Testamento são chamados santos, mesmo quando


somente um dos pais é crente. O apóstolo Paulo declara em (I Cor. 7:14).

O marido incrédulo é santificado na mulher, e a mulher incrédula é


santificada no irmão; de outra maneira os vossos filhos seriam imundos,
mas agora são santos.

Os antipedobatistas negam aos pequeninos o direito de pertencer à Igreja visível


de Deus na terra, alegando não ser a Igreja do Novo Testamento a mesma da Velha
65
LANDES. op.cit,.p.22.
50

Dispensação. Julgam que o povo de Israel era mais uma agremiação política ou
nacional do que uma associação religiosa e que a circuncisão era sinal de cidadania,
jamais, porém, de regeneração. Não admitem, portanto, que o batismo tenha o
mesmo sentido da circuncisão e que possa substituí-la.

Cristo não sugeriu qualquer nome para uma igreja visível, porque já existia uma,
esta era a igreja do antigo concerto. Ouçamos o relato de Swift:

Nenhum conhecedor da Bíblia poderá apresentar uma única passagem


de Escritura inconfundível a fim de provar que João Batista, qualquer dos
doze apóstolos ou mesmo dos oito escritores do Novo Testamento, salvo
Paulo, foram batizados por qualquer modo depois de adultos. Onde foram
batizados se não na infância?... Se algum dia foram batizados deve ter sido
aos oito dias de idade 66.
O primeiro mártir cristão, no seu último discurso, faz referência à presença de
Jesus com o povo de Israel no deserto (At. 7:38):

Este é o que esteve na Igreja no deserto com o anjo que lhe falava no
Monte Sinai; o qual recebeu oráculos de vida para vo-los dar.

Que Igreja era essa, senão a congregação do povo de Israel?

As Igrejas das duas Alianças devem ser idênticas, porque as condições de


salvação das duas são as mesmas, isto é, a fé em Jesus Cristo. Os antigos foram
salvos pela fé no Salvador que já havia de vir e que fora prometido desde a data da
consumação do primeiro pecado, no Jardim do Éden (Gen. 3:15), e nós somos
salvos pelo Salvador que já veio e morreu na cruz por nós.

Os crentes da velha Aliança mosaica, assim como nós, fomos salvos pela morte
de Cristo; cujo efeito remidor atingiu às duas alianças (Hb. 9:15).

66
SWIFT. Batismo por Aspersão e Batismo de Criança. São Paulo: Imprensa Metodista.1956. p.
34.
51

Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que,


intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a
primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm
sido chamados.

O povo de Deus, na sua capacidade coletiva, é a Igreja, e existiu desde a


primeira promessa do Salvador. Os ritos dessa Igreja são mutáveis, mas a Igreja em
sua natureza essencial, assim como o seu Salvador, continuam sempre os mesmos.

Em Deuteronômio, 30:6, encontramos esta declaração categórica:

O Senhor Deus circundará o teu coração, e o coração da tua semente,


para que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua
alma, a fim de que vivas.

Este versículo indica claramente a realidade espiritual representada pela


circuncisão. Essa realidade importa em uma transformação radical dos corações de
pais e de filhos e resulta em vida. Já se vê que a sua significação é espiritual, e não
apenas cívica.

Passagens como: Dt 10:16; Jr 4:4; 6:10; 9:25-26,Lv 26:41 e Ez 44:7, nos


mostram que a circuncisão tem em seu sentido um âmbito espiritual. Vejamos
também o que o apostolo Paulo fala a respeito deste assunto Rm 2:24-29:

Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios


por vossa causa. Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és,
porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se,
pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura,
considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por
natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a ti, que, não obstante a
letra e a circuncisão, és transgressor da lei. Porque não é judeu quem o é
apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém
judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no
espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas
de Deus.
52

Façamos uma comparação entre Romanos 4:11 e Ezequiel 36:22-28 como o


batismo representa justamente o significado da circuncisão:

Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por
amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome,
que profanastes entre as nações para onde fostes. Vindicarei a santidade
do meu grande nome, que foi profanado entre as nações, o qual
profanastes no meio delas; as nações saberão que eu sou o SENHOR, diz
o SENHOR Deus, quando eu vindicar a minha santidade perante elas.
Tomar-vos-ei de entre as nações, e vos congregarei de todos os países, e
vos trarei para a vossa terra. Então, aspergirei água pura sobre vós, e
ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos
ídolos vos purificarei.Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito
novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei
dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos,
guardeis os meus juízos e os observeis. Habitareis na terra que eu dei a
vossos pais; vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus. Livrar-vos-ei
de todas as vossas imundícias; farei vir o trigo, e o multiplicarei, e não trarei
fome sobre vós.

Em Rm. 4:11, Paulo afirma que os mesmos elementos do batismo cristão são
encontrados na circuncisão: “A JUSTIÇA QUE PROVÉM DA FÉ”. A circuncisão só
tem significado se estiver amarrada à satisfação da Lei de Deus, ou seja, ela não
tem significado se estiver desprovida da justiça exigida pela Lei de Deus, a qual só
pode ser encontrada em Cristo. Assim a circuncisão, daquele pacto abraâmico em
Gl. 3:15-17, mostrando aos gálatas que o método de salvação pela graça mediante
a fé dos crentes da nova aliança é o mesmo método do Pacto Abraâmico, conforme
Gl. 3:7,9,14. Um outro aspecto neotestamentário no Pacto é o sacramento da
circuncisão. A circuncisão é de uma dimensão espiritual e está profundamente
ligada aos elementos espirituais da fé e regeneração, elementos esses da relação
do pecador com Deus.

Uma outra forma de administração do Pacto da Graça, é o Pacto Sinaítico, pacto


esse feito com Moisés no Monte Sinai, quando Deus entregou-lhe a Lei em forma de
pacto. Com a queda, essa Lei interiorizada foi ofuscada de tal maneira que se tornou
ainda mais necessário que Deus estivesse fazendo lembrar ao homem de Sua Lei,
pois somente a Lei interior não comunica mais a vontade de Deus de maneira clara.
Com Moisés, essa Lei foi tornada formalmente visível em forma de pacto. No
momento do Sinai, quando esta Lei é entregue a Moisés, visivelmente, em forma de
53

um pacto, ela terá uma dupla função: 1) Apresentar todas as exigências de Deus
para a relação entre Ele e seu povo; 2) Pregar o Evangelho por meio de leis, tipos e
símbolos.

A Lei pregava o evangelho quando exigia sangue para expiação, o que já foi
explicado anteriormente. A Lei pregava o evangelho quando ela mostrava a
malignidade do pecado, a falência espiritual em qualquer tentativa de justiça própria,
e a tamanha condenação na qual o homem estava encerrado, de tal maneira que ele
percebia a necessidade de recorrer à Graça.

O Pacto do Sinai não é um pacto diferente daquele feito com Abraão. Esse Pacto
Sinaítico consiste na renovação da promessa feita a Abraão, contendo as mesmas
exigências e as mesmas bênçãos com a diferença marcante: o Pacto Sinático tem
caráter nacional e é tornado mais manifesto. Sendo que esse caráter nacional não
garante a vida eterna a todo o povo de Israel. Como nação o povo de Israel é
chamado a obedecer e desfrutar das bênçãos dessa obediência, mas em relação à
salvação prevalece o propósito da eleição (Rm 9). Não são somente os eleitos que
são ordenados a obedecer. A Lei de Deus exige de todos os homens e em todas as
épocas a observância da sua vontade, mesmo dos que não foram eleitos. A Lei
ordena: ARREPENDEI-VOS!

Quando Jesus e os apóstolos falam de uma Nova Aliança, eles não estão
enfatizando algo diferente da promessa feita a Abraão, Rm. 4:13,14; Gl 3:18,22. A
Nova Aliança é o próprio corpo representado pelas sombras dos tipos e símbolos
que eram figuras da realidade trazida com a Nova Aliança. A compreensão das
características totalmente novas e diferentes da aliança feita com Abraão e Moisés.
Na verdade, a dispensação do Novo Testamento traz bênçãos mais ricas que a do
Velho Testamento, pois a revelação da graça chega ao seu clímax por ocasião da
revelação de Jesus. É certo que a sombra de Cristo era eficaz para a salvação dos
crentes do Velho Testamento, e o fato da Nova Aliança trazer consigo bênçãos mais
ricas não significa uma diminuição da benção operada na velha dispensação, pois
Cristo é nosso Fiador eficaz ontem, hoje e sempre. As bênçãos são mais ricas no
sentido de que agora a promessa se cumpre em toda a sua amplitude e plenitude;
os tesouros de sabedoria são trazidos com Cristo (Ef.4); a Igreja chegou a sua
54

maturidade sobre o mistério da reconciliação (I Co 13:8-13); superabundou a graça


sobre todos os povos e não somente à Israel, (At. 2:16-21).

Os antipedobatistas assim como os dispensacionalistas conseguem perceber a


substituição do templo do Antigo Testamento para nós hoje, a substituição do
sacerdote para um sacerdócio universal, dos sacrifícios que pré-figurava a morte de
Cristo, mas não conseguem ver substituição da circuncisão para o batismo.
Para os adultos o batismo e a circuncisão são ritos de iniciação e admissão na
Igreja visível de Cristo e para as crianças, filhas de pais crentes, os mesmos ritos
indicam que essas crianças são reconhecidas e arroladas como membros da Igreja
visível. Por meio desses ritos, os pais ingressam na Igreja visível e os seus filhos
menores que são reconhecidos como membros infantis da mesma Igreja, pela
representação dos pais.

Tanto o batismo como a circuncisão é rito de arrolamento ou de matrícula e


admissão na Igreja visível de Deus, o que foi perfeitamente mencionado e destacado
como isso fosse um sinal nacionalista, a menos que, esta nacionalidade seja
celestial. Se as crianças, no regime antigo, no tempo que precedeu à vinda de Cristo
ao mundo, tinham o direito de receber o sinal da sua inclusão na sociedade dos fiéis,
os meninos do novo regime da Igreja Cristã terão menos direito ao correspondente
sinal visível de sua incorporação na sociedade dos herdeiros das promessas feitas
aos seus antepassados espirituais. As crianças poderiam perder o direito de
inclusão na Igreja de Deus, se esse direito lhes tivesse sido cassado, no Novo
Testamento, por Jesus ou pelos seus apóstolos. Mas isso não se deu. Temos, pelo
contrário, afirmação categórica de Pedro que “a promessa é para nós e nossos
filhos”.

CONCLUSÃO
55

Como foi exposto no desenvolvimento deste trabalho, concluímos que, o Pacto


que Deus estabeleceu entre Ele e os homens, demonstrou Seu real interesse em
buscar a comunhão com o homem perdido, para isso foi estabelecido sinais, para
que o homem não se esquecesse de Sua promessa. A circuncisão faz parte destes
sinais, como um símbolo daquilo que haveria de vir, e apontava para o meio de
salvação do povo de Deus. Portanto nossos pais viveram dentro desta promessa,
nós não vivemos hoje em uma nova igreja e sim naquela que Cristo e os apóstolos
viveram onde o sinal da Antiga Aliança era a circuncisão e nesta Nova Aliança,
temos o batismo instituído pelo Senhor Jesus.

O batismo é uma ordem instituída por Cristo assim como a ceia, e significa
conferir ou selar aqueles que estão no pacto da graça e das bênçãos decorrentes
em Cristo. Por isso não devemos excluir nossos filhos desta maravilhosa promessa.

Os filhos dos crentes, no Antigo Testamento eram circuncidados. E assim como a


circuncisão, o batismo pressupõe a fé que os pais tem neste pacto. Os pais
reafirmavam a obediência na Antiga Aliança circuncidando os filhos, portanto,
batizamos nossos filhos como obediência a Cristo no que diz respeito a servir,
adorar e ensinar aos nossos filhos a sua graça. (Atos 2:39) Pois para vós outro é a
promessa, para vossos filhos (grifo nosso) e para todos os que ainda estão longe,
isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar

Filhos aqui, também, incluem as crianças, deste modo, reafirmamos que, tanto as
Escrituras como a história, demonstra de maneira clara a prática da doutrina do
batismo infantil, como Bíblica.
56

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